Apresentação ............................................................................................................................ 4
Aula 1: Mecanismos de solução alternativa de conflitos. Principais modalidades.
Negociação. Conciliação. Mediação. Arbitragem. .......................................................... 5
Introdução ............................................................................................................................. 5
Conteúdo................................................................................................................................ 6
Solução de conflitos .......................................................................................................... 6
Conceitos básicos em solução de conflitos ................................................................. 7
Ferramentas para solução de conflitos ......................................................................... 9
Negociação ......................................................................................................................... 9
Mediação ........................................................................................................................... 12
A medição prévia e a mediação incidental ................................................................ 13
Arbitragem ........................................................................................................................ 16
Distinção entre a função do árbitro e a do juiz togado ........................................... 17
Atividade proposta .......................................................................................................... 19
Aprenda Mais....................................................................................................................... 19
Referências........................................................................................................................... 20
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 21
Notas ........................................................................................................................................... 25
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 26
Aula 2: Inovações legislativas. Aspectos do tema no Novo CPC. ............................. 28
Introdução ........................................................................................................................... 28
Conteúdo.............................................................................................................................. 29
A mediação no direito brasileiro................................................................................... 29
A escolha do mediador................................................................................................... 30
Regulamentação da mediação judicial e extrajudicial ............................................. 32
Atualização da Lei de Arbitragem e apresentação do anteprojeto da Lei de
Mediação ........................................................................................................................... 35
Mediação judicial, extrajudicial, pública e online ...................................................... 36
Análise das inovações legislativas em solução de conflitos.................................... 37
Mediação pública ............................................................................................................. 38
Mediação online............................................................................................................... 39
Mudanças na arbitragem ............................................................................................... 48
Atividade proposta .......................................................................................................... 62
Aprenda Mais....................................................................................................................... 63

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

1

Referências........................................................................................................................... 63
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 66
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 68
Aula 5: Perspectivas no Direito Europeu. A questão da mediação obrigatória. ... 70
Introdução ........................................................................................................................... 70
Conteúdo.............................................................................................................................. 71
A mediação na Europa ................................................................................................... 71
Conceito de mediação ................................................................................................... 72
Regulamentação da mediação ..................................................................................... 73
A justiça europeia ............................................................................................................ 74
A obrigatoriedade da mediação ................................................................................... 75
Mediação consensual ..................................................................................................... 81
Interesse em agir ............................................................................................................. 83
O juiz e os processos de solução de conflitos ........................................................... 84
Rede colaborativa ............................................................................................................ 85
Atividade proposta .......................................................................................................... 85
Aprenda Mais....................................................................................................................... 86
Referências........................................................................................................................... 86
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 87
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 90
Aula 6: As principais discussões em torno da intervenção jurisdicional na
arbitragem. Procedimento arbitral. Recurso e execução da sentença arbitral. ... 91
Introdução ........................................................................................................................... 91
Conteúdo.............................................................................................................................. 92
Arbitragem no ordenamento brasileiro ...................................................................... 92
Arbitragem e inconstitucionalidade ............................................................................. 93
Limites objetivos e subjetivos para o uso da arbitragem ........................................ 95
Arbitragem envolvendo entidades de direito público .............................................. 96
Relação arbitragem e pessoa ........................................................................................ 96
Princípios da arbitragem ................................................................................................ 97
Convenção de arbitragem ............................................................................................. 98
Compromisso arbitral ................................................................................................... 101
Lei nº 9.307/96 ................................................................................................................ 102
Prolação da sentença .................................................................................................... 104
Nulidade da sentença ................................................................................................... 107
Medidas urgentes........................................................................................................... 108

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

2

Atividade proposta ........................................................................................................ 109
Aprenda Mais..................................................................................................................... 111
Referências......................................................................................................................... 111
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 113
Chaves de resposta ................................................................................................................... 116
Conteudista ............................................................................................................................... 117

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

3

Esta disciplina visa apresentar as principais modalidades dos mecanismos
alternativos de solução de conflitos. Vamos falar sobre a negociação,
conciliação, mediação e arbitragem. Além dos princípios e regras básicas de
cada instituto, vamos estudar as iniciativas legislativas, sobretudo os Projetos
de Lei sobre mediação e arbitragem, já aprovados no Senado e hoje em
discussão na Câmara dos Deputados, bem como os dispositivos do CPC
projetado que tratam do tema.
Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos:
1. Apresentar aos alunos uma visão geral dos mecanismos alternativos de
solução de conflitos.
2. Enfocar algumas das questões mais relevantes desses instrumentos,
sobretudo da mediação e da arbitragem.
3. Capacitar o aluno a se preparar para a mudança legislativa a partir do exame
das novas tendências doutrinárias e jurisprudenciais.

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

4

Introdução
Nesta aula vamos apresentar o panorama geral da matéria, enfocando a
evolução histórica dos meios alternativos e as principais semelhanças e
diferenças entre eles.
Falaremos um pouco sobre a negociação, conciliação, mediação e arbitragem,
demonstrando suas características e peculiaridades.
Objetivo:
1. Apresentar uma visão geral dos mecanismos alternativos de solução de
conflitos no direito brasileiro;
2. Examinar as principais ferramentas a partir de um exame comparativo entre
elas.

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

5

obtida em audiência ou no curso de um processo já instaurado. em algum momento. alguns conceitos básicos. a remissão prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente e o termo de ajustamento de conduta celebrado em uma ação civil pública. há a participação do EstadoJuiz. Atenção Com efeito. Classificamos as vias alternativas em puras e híbridas.Conteúdo Solução de conflitos Um conflito pode ser solucionado pela via estatal (jurisdição) ou pelas vias chamadas alternativas. apresentamos. No intuito de registrar as principais diferenças entre os meios puros de solução alternativa. no direito brasileiro: a conciliação. Chamamos puras aquelas em que a solução do conflito se dá sem qualquer interferência jurisdicional. Como veremos nas aulas seguintes. mesmo que para efeitos de mera homologação. a transação penal. a seguir. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 6 . é cada vez mais comum o uso dos meios alternativos durante o processo judicial.169/2014 tratam das figuras da conciliação e da mediação judicial e preveem regras específicas para o seu uso. São formas puras a negociação. a mediação e a arbitragem. tanto o novo CPC como o PL nº 7. São meios híbridos. ao passo que nas híbridas.

ainda. a negociação acaba se frustrando. e através delas chegam à solução pacificadora. diretamente e sem a interveniência de uma terceira pessoa. de alguma maneira. Na primeira modalidade. Sua ação será. apresentar as suas soluções ou. reduzindo suas diferenças. não há aqui um terceiro. Por meio de processos de conversação as partes procuram fazer concessões recíprocas. Na mediação insere-se a figura de um terceiro. um árbitro ou um juiz. entretanto. em hipótese alguma. Obviamente. da falta de habilidade dessas partes para chegar a uma solução. Trata-se apenas de uma diferença de método. um neutro. mas com um mesmo fim: o acordo. Hoje. passiva. A forma e os limites que vão pautar a atuação desse terceiro vão indicar a modalidade da intermediação. aquele terceiro vai apenas ouvir as versões das partes e funcionar como um agente facilitador. entende-se que essa intermediação pode ser passiva ou ativa. o qual. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 7 . portanto. muitas vezes. vai atuar no relacionamento entre as partes envolvidas de forma a tentar obter a pacificação do seu conflito. razão pela qual se passa à segunda modalidade de solução alternativa: a mediação. fazer propostas ou contrapropostas às partes. A negociação envolve sempre o contato direto entre as partes ou entre seus representantes. a de um expectador/facilitador.Conceitos básicos em solução de conflitos Por negociação entende-se o processo pelo qual as partes envolvidas no litígio. introduzir o seu ponto de vista. um mediador. em razão do comprometimento emocional e. buscam chegar a uma solução consensual. Função típica de um mediador. procurando aparar as arestas sem.

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 8 . é um gênero do qual são espécies a desistência. princípio universal da autonomia da vontade. de pacificação antes da solução de conflitos de interesses envolvendo os direitos patrimoniais e disponíveis. tentar uma solução consensuada. a discussão terminológica entre mediação e conciliação. caso uma alternativa conciliatória não seja alcançada. muitas vezes. interagir com essas partes. principalmente. ele vai ter uma postura verdadeiramente influenciadora no resultado daquele litígio a fim de obter a sua composição. além de ouvir as versões das partes. estranhos ao conflito. extrajudiciária. enfim. como se costuma dizer. fundada no consenso. no seu aspecto processual. Por conta da tênue diferença de método para se chegar ao acordo é que há.. quando o intermediador adota uma postura mais ativa: ele vai não apenas facilitar o entendimento entre as partes. conforme a intensidade da disposição do direito efetivada pela(s) parte(s) interessada(s). admoestá-las de que determinada proposta está muito elevada ou de que uma outra proposta está muito baixa. finalmente. especificamente à intermediação ativa. fazer propostas. é um degrau a mais em relação à mediação (conciliação).Numa segunda postura. portanto. mas. [. encontramos o intermediador ativo que no direito brasileiro. apresentar soluções. mais de confiança e escolha das partes em divergência.. a submissão e a transação. pois o árbitro. recebe o nome de conciliador. deverá proferir uma decisão de natureza impositiva. A conciliação ocorre.] a prática alternativa. Nunca é demais lembrar que a conciliação. ou de terceiros. interagir com elas. através da atuação de terceiro. E. temos a figura da arbitragem. buscar caminhos não pensados antes por elas. A arbitragem.

Ferramentas para solução de conflitos Agora que você já conheceu conceitos básicos da solução de conflitos. o processo de tomada de decisão (sob pressão) e a resolução extrajudicial de uma controvérsia. sobretudo em se tratando de negociação comercial. tendo por referencial o surgimento do litígio. através de concessões mútuas. Negociação A negociação é um processo bilateral de resolução de impasses ou de controvérsias. fundada nos seguintes parâmetros: MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 9 . preservando o relacionamento entre as partes envolvidas. A negociação tem como principais vantagens evitar as incertezas e os custos de um processo judicial.Vemos. que a crucial diferença entre a postura do árbitro e a postura do mediador é que o árbitro tem efetivamente o poder de decidir. tentar facilitar o acordo. ao passo que o mediador pode apenas sugerir. não se chegando ao acordo. Quanto ao momento. Envolve a comunicação. apesar da intermediação mais incisiva do terceiro. admoestar as partes. dentro do possível. E em relação à conciliação. rápida e. quanto à postura dos negociadores e das partes. mas não pode decidir a controvérsia. pode impor uma solução. o objetivo é fazer com que os interessados empreguem suas forças para uma solução amigável do conflito. a negociação pode ser prévia ou incidental. o que é extremamente útil. A Escola de Harvard tem-se notabilizado por pregar uma técnica conhecida como principled negotiation ou negociação com princípios. privilegiando uma resolução pessoal. ultrapassada essa fase conciliatória. mesmo assim. pode ser adversarial (competitiva) ou solucionadora (pacificadora). São elas: negociação. no qual existe o objetivo de alcançar um acordo conjunto. mediação e arbitragem. desta forma. enquanto que o árbitro pode ir além e. é hora de conhecer as principais ferramentas que podem ser utilizadas para a solução de conflitos de forma alternativa à jurisdição. discreta.

(ii) não presuma que o outro irá sempre o prejudicar. 2) Emoção: (i) os negociantes sentem--se ameaçados ‒ a emoção pode levar as negociações a um impasse. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 10 .Em primeiro lugar. Getting to Yes: Negotiating Agreement without Giving In. em vez de dizer o que se pretende ao final. (iv) todos devem participar da construção do acordo. de modo a deixar claro que uma divergência de opinião não deve afetar o sentimento pessoal ou o relacionamento. Roger and William Ury. que sempre são mais valiosos. Normalmente as partes expõem sua posição. é preciso que ambas as partes (e seus negociadores) encarem o processo de negociação com uma solução mútua de dificuldades. e (vii) procure dizer o que a outra parte gostaria de ouvir. em relação a esses tópicos. é preciso estar atento a três parâmetros: a percepção. que não necessariamente coincide com seu interesse. Boston: Houghton Mifflin Co. (vi) não menospreze as demandas do outro. a emoção e a comunicação. (iii) não culpe o outro pelo problema. valores ou situações concretas. Nessa linha de raciocínio é preciso separar o problema das pessoas. (ii) identifique suas emoções e o que as está causando. (v) peça conselhos e dê crédito ao outro por suas ideias. na qual o problema de um é o problema de todos. Ademais. fala-se em números. não raras vezes. Para isso. é importante diferenciar o interesse da posição. permitindo que a barganha se dê quanto aos meios necessários a se atingir aquele fim. na busca da solução do problema. Por falta de habilidade. podem ser assim sistematizadas: 1) Percepção: (i) coloque--se no lugar do outro e procure entender seu ponto de vista. As atitudes dos negociadores.. FISCHER. 1981.

Observando esses conceitos. e partir para outra forma alternativa ou mesmo para a MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 11 . (vii) repita e resuma os pontos colocados ‒ mostre que está compreendendo. 3) Comunicação: (i) fale ao seu oponente. utilizar padrões razoáveis. É o que a Escola de Harvard denomina BATNA – Best Alternative to a Negotiated Agreement. (v) seja claro na transmissão da informação. é possível deixar a mesa. A partir daí. mas. até porque dispensa a presença de terceiros. precedentes legais ou judiciais e recorrer a profissionais especializados.(iii) deixe que o outro expresse suas emoções e evite reagir emocionalmente a seus desabafos ‒ não as julgue como inoportunas. desenvolver diversas opções e alternativas e criar soluções não cogitadas até então. (vi) utilize--se da escuta ativa (active listening). (iii) ouça o seu oponente. (ii) não faça apresentação para o cliente. também por isso. ter sempre em mente que a negociação é apenas uma das formas de se compor o litígio. conseguem se desapegar do objeto do litígio para refletir de forma racional sobre ele. Nesse momento. e (iv) gestos simples podem ajudar a dissipar emoções fortes. Normalmente é a primeira a ser tentada. nem sempre. a qualquer momento. por meio de um procedimento denominado “brainstorming”. Importante. torna-se necessário utilizar critérios objetivos e bem definidos para avaliar as alternativas. As partes devem ter sempre em mente o limite do que é negociável. Se a negociação não sai como esperado. (iv) não planeje sua resposta enquanto o outro fala. e (viii) compreender o oponente não significa concordar com ele. possui forte vinculação emocional das partes que. por último. será possível identificar o real interesse. é preciso evitar a disputa de vontades. baseados em descobertas científicas. O critério deve ser debatido a fim de gerar um procedimento justo e aceito por ambos os interessados.

Ainda que se tente. a partir dos anos 90 do século passado. ao conduzir as partes às suas soluções. ameaça etc. estabelecendo a definição de MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 12 . Ele apenas auxilia as partes na obtenção da solução consensual. tendo o texto inicial levado à Câmara uma regulamentação concisa. No Brasil. utiliza técnica agressiva e constrangedora. Em outras oportunidades.827/98. faz exigências sucessivas e exageradas.jurisdição tradicional. sem propriamente interferir na substância destas. omite ou mente sobre dados concretos. É o momento de “subir um degrau” na escada da solução das controvérsias e partir para a mediação. tem o ímpeto de conduzir o processo a seu bel prazer e inviabiliza qualquer chance de solução pacífica. é preciso reconhecer que um dos interessados não está preparado para uma solução direta negociada ou parcial (por ato das partes) dos seus conflitos. ao máximo das forças. por vezes. começou a haver um interesse pelo instituto da mediação. formação de opções e negociação de acordos. a primeira iniciativa legislativa ganhou forma com o Projeto de Lei nº 4. lança mão de truques sujos. simula poder para tomar decisões. oriundo de proposta da Deputada Zulaiê Cobra. Esse terceiro não tem a missão de decidir (nem a ele foi dada autorização para tanto). uma das partes simplesmente não colabora. O papel do interventor é ajudar na comunicação através da neutralização de emoções. Como agente fora do contexto conflituoso. Ou pior. funciona como um catalisador de disputas. Não faz propostas razoáveis. Por aqui. sobretudo por influência da legislação argentina editada em 1995. Mediação Entende-se a mediação como o processo por meio do qual os interessados buscam o auxílio de um terceiro imparcial que irá contribuir na busca pela solução do conflito.

e) Nas ações de imissão de posse. o seu requerimento interromperia a prescrição e deveria ser concluído no prazo máximo de 90 dias. por outro lado. No caso da mediação judicial. b) Quando for autora ou ré pessoa de direito público e a controvérsia versar sobre direitos indisponíveis. Desde então. Foi aprovado o Substitutivo (Emenda nº 1-CCJ). o que levou à um novo relatório do PL 94. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 13 . já em 2002. o projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e enviado ao Senado Federal. na recuperação judicial e na insolvência civil. de 2002. Emenda Constitucional nº 45. incidental. de 8 de dezembro de 2004 (conhecida como “Reforma do Judiciário”).mediação e elencando algumas disposições a respeito. o projeto foi encaminhado à CCJC. reivindicatória e de usucapião de bem imóvel. logo no Artigo 1º. judicial e extrajudicial. Na Câmara dos Deputados. no processo de conhecimento. ficando prejudicado o projeto inicial. c) Na falência. d) No inventário e no arrolamento. salvo nos casos: a) De ação de interdição. dele não se teve mais notícia até meados de 2013 quando voltou a tramitar. onde recebeu o número PLC nº 94. em sua última versão. tendo sido o substitutivo enviado à Câmara dos Deputados no dia 11 de julho. apresentou diversos Projetos de Lei modificando o Código de Processo Civil. O Projeto. que o recebeu em 7 de agosto. propunha a regulamentação da mediação paraprocessual civil que poderia assumir as seguintes feições: prévia. como regra. A mediação incidental (Artigo 34). seria obrigatória. A medição prévia e a mediação incidental A mediação prévia poderia ser judicial ou extrajudicial (Artigo 29). provavelmente por inspiração dos projetos que já tramitavam no Senado. Em 1º de agosto.

Ademais. g) Quando o autor optar pelo procedimento do juizado especial ou pela arbitragem. da Constituição Federal além da vertente formal perante os órgãos judiciários. previsto no art. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 14 . 5º. b) nesse passo. não sendo alcançado o acordo. h) Na ação cautelar. de forma a organizar. como a mediação e a conciliação. implica acesso à ordem jurídica justa. i) Quando na mediação prévia não tiver ocorrido acordo nos cento e oitenta dias anteriores ao ajuizamento da ação. XXXV. dar-se-ia continuidade ao processo. que ocorrem em larga e crescente escala na sociedade. com base em algumas premissas: a) o direito de acesso à Justiça.f) Na ação de retificação de registro público. como também os que possam sê-lo mediante outros mecanismos de solução de conflitos. em especial dos consensuais. A mediação deveria ser realizada no prazo máximo de noventa dias e. em âmbito nacional. a mediação só teria curso após o exame desta questão pelo magistrado. sendo certo que eventual interposição de recurso contra a decisão provisional não prejudicaria o processo de mediação. caso houvesse pedido de liminar. Assim. não somente os serviços prestados nos processos judiciais. c) a necessidade de se consolidar uma política pública permanente de incentivo e aperfeiçoamento dos mecanismos consensuais de solução de litígios. cabe ao Judiciário estabelecer política pública de tratamento adequado dos problemas jurídicos e dos conflitos de interesses. a mera distribuição da petição inicial ao juízo interromperia a prescrição. Em 2010 o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução nº 125. induziria a litispendência e produziria os demais efeitos previstos no Artigo 263 do Código de Processo Civil.

solução e prevenção de litígios. oferecer outros mecanismos de soluções de controvérsias. deixando claro que incumbe ao Poder Judiciário. e instalar os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania. com o objetivo de assegurar a todos o direito à solução dos conflitos por meios adequados. Em 2009 foi convocada uma Comissão de Juristas. como a mediação e a conciliação. O art. A Resolução trata ainda da capacitação dos conciliadores e mediadores. respeitadas as especificidades de cada segmento da Justiça. os Tribunais deverão criar os Núcleos Permanentes de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos. apoiar e difundir a sistematização e o aprimoramento das práticas já adotadas pelos tribunais. f) a relevância e a necessidade de organizar e uniformizar os serviços de conciliação. Para cumprir tais metas. e que a sua apropriada disciplina em programas já implementados no país tem reduzido a excessiva judicialização dos conflitos de interesses. bem como para assegurar a boa execução da política pública. podemos identificar a preocupação da Comissão com os institutos da conciliação e da mediação. e) é imprescindível estimular. a quantidade de recursos e de execução de sentenças. 1º da Resolução institui a Política Judiciária Nacional de tratamento dos conflitos de interesses. do registro e acompanhamento estatístico de suas atividades e da gestão dos Centros. mediação e outros métodos consensuais de solução de conflitos. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 15 . com o objetivo de apresentar um novo Código de Processo Civil. presidida pelo Ministro Luiz Fux. em especial os chamados meios consensuais. Na redação atualmente disponível do Projeto do novo CPC. além da solução adjudicada mediante sentença. bem assim prestar atendimento e orientação ao cidadão. para lhes evitar disparidades de orientação e práticas.d) a conciliação e a mediação são instrumentos efetivos de pacificação social.

Ademais. colocada ao lado da jurisdição. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 16 . Há aqui a figura da substitutividade. Na arbitragem. ao contrário do juiz. Em comparação à arbitragem. o que não ocorre na arbitragem. jurisdição é apenas monopólio do Estado e não da solução dos conflitos. submetem o litígio ao terceiro (árbitro). ostenta a característica da coercibilidade e autoexecutoriedade. não custa lembrar. decidir o conflito. Mas. A arbitragem pode ser convencionada antes (cláusula compromissória). não há limites subjetivos (de pessoas) ou objetivos (de matéria). tramita na Câmara o Projeto de Lei n° 7. na jurisdição. existindo a transferência do poder de decidir para o árbitro.169/14 que trata do tema e será examinado mais a diante. Atualmente.especificamente nos artigos 166 a 176. Arbitragem A arbitragem surge como uma forma alternativa de resolução de conflitos. que por sua vez é um juiz de fato e de direito. que deverá. sendo certo ainda que o procedimento arbitral pode se dar pelas regras ordinárias de direito ou por equidade. monopólio do Estado e o instrumento ainda mais utilizado na solução dos conflitos no Brasil. Sua tônica está na busca de um mecanismo mais ágil e adequado para a solução de conflitos. que nem sempre tem a experiência exigida para resolver certos assuntos que lhe são demandados. conforme a expressa vontade das partes. após regular procedimento. ou depois (compromisso arbitral) do litígio. sendo tal decisão impositiva. numa fuga ao formalismo exagerado do processo tradicional e no fato de que o árbitro pode ser uma pessoa especialista na área do litígio apresentado. divergindo sobre direito de cunho patrimonial. as partes maiores e capazes.

na Lei nº 9. ele pode admoestar as partes. bem como para desafogar o Poder Judiciário. com poder de decisão. do CPC. além de tentar uma solução consensual e de interagir com essas partes. ele pode tentar facilitar aquele acordo. O legislador. por força imperativa de lei. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 17 . que a crucial diferença entre a postura do árbitro e a postura do mediador é que o árbitro tem efetivamente o poder de decidir. mas ele não pode decidir aquela controvérsia. Esse dispositivo está em perfeita consonância com o Artigo 475-N. A arbitragem. chega a afirmar textualmente. Como visto. Vemos. que o árbitro é juiz de fato e de direito e a sentença que ele proferir não fica sujeita a recurso ou à homologação pelo Poder Judiciário. Em outras palavras. ao passo que o conciliador tem um limite: ele pode sugerir.307/96. deverá proferir uma decisão de natureza impositiva. escolhido pelas partes. como se costuma dizer. a arbitragem consiste na solução do conflito por meio de um terceiro. especificamente na intermediação ativa. caso uma alternativa conciliatória não seja alcançada. um título que originalmente não é oriundo de um processo jurisdicional. segundo normas e procedimentos aceitos por livre e espontânea vontade das partes. IV. que diz ser a sentença arbitral um título executivo judicial. então. Distinção entre a função do árbitro e a do juiz togado Qual seria a distinção entre a função do árbitro e a do juiz togado? É certo que o legislador quis transferir ao árbitro praticamente todos os poderes que o juiz de direito detém. é um degrau a mais em relação à conciliação. além de ouvir as versões das partes.Mostra-se então a arbitragem como o método mais adequado para a solução e a desformalização de determinados tipos de conflito. no Artigo 18. passa a ser tratado e equiparado a uma sentença. pois o árbitro.

caso não sejam cumpridas voluntariamente. o que acabaria por vulnerar o próprio Estado Democrático de Direito. Não vamos entrar aqui na discussão política e constitucional do legislador ao não transferir a coertio ao árbitro. tomar providências concretas para assegurar a eficácia concreta do provimento dele emanado. Mas. tem o poder de tornar coercíveis suas decisões. ou seja. por outro. impedindo a transferência de uma providência cogente. não pode ele. O árbitro. Ele julga e impõe sua decisão. O juiz. mantém o sistema de freios e contrapesos e a própria harmonia entre as funções do Estado. sem uma forma adequada de controle pelos demais poderes constituídos. enfim. no exercício de seu mister.Assim se vê que o legislador deixa claro que tudo aquilo que foi examinado e decidido no procedimento arbitral recebe o mesmo tratamento das matérias que foram examinadas e decididas em um procedimento jurisdicional. Uma vez aberto o processo de execução elas não podem ser arguidas pela parte inconformada. ouve as partes. o quantum de poder do juiz e do árbitro. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 18 . Em outras palavras. não tem ele o poder de fazer valer suas decisões. preside aquele processo. de ofício. a um particular. Uma das características principais da jurisdição é a coercibilidade. se uma decisão do árbitro não é voluntariamente adimplida. julga. se. avalia a prova. imperativa. voltemos ao ponto inicial do raciocínio. a opção legislativa representa um problema à efetivação da decisão arbitral. assim como o juiz. Contudo. É bem verdade que. determina providências. de um lado. Ele exerce a cognição.

Após assistir ao conteúdo. leio o artigo. leia o artigo. 3. Insista no uso de critérios objetivos. Invente opções para ganhos mútuos.melhor alternativa a um acordo negociado e as ferramentas para enfrentar o chamado jogo sujo do oponente. A mediação e a solução de conflitos no Estado Democrático de Direito. Nos slides é possível perceber os pontos mais importantes dos três livros básicos do programa: Getting to Yes. pelo sistema atual. Aprenda Mais Material complementar Para saber mais sobre mediação e solução de conflitos. Atividade proposta Assista à apresentação de slides sobre a técnica de negociação da Universidade de Harvard. Foque nos interesses e não nas posições. Após. em sendo descumprida uma decisão do árbitro. disponível em nossa biblioteca virtual. deve a parte interessada recorrer ao Poder Judiciário a fim de emprestar força coercitiva àquela decisão arbitral. escreva um resumo de 15 a 20 linhas sobre os fundamentos principais do método desenvolvido por Roger Fischer e seus colegas. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 19 . Separe as pessoas dos problemas. 2. Chave de resposta: Você deve apresentar os quatro fundamentos principais do método proposto pela escola de Harvard: 1. Para saber mais sobre a arbitragem. A arbitragem e o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. e 4. disponível em nossa biblioteca virtual. deverá discorrer sobre o uso do BATNA . Getting past no e Getting it done .Assim sendo.

PINHO. Eligio (trad. Hermes: tres modelos de juez. Disponível em: http://www. 3. Políticas públicas para formação de mediadores judiciais. Disponível em: http://www. julho a dezembro de 2012. p.pro. v. O “Juiz Hermes” e a nova dimensão da função jurisdicional. Ijuí: Unijuí. 103/140. A mediação e a solução dos conflitos no Estado Democrático de Direito. 1993. Júpter. Fabiana Marion. Humberto Dalla Bernardina de. n. 2004. 2010. Da jurisdição à mediação: por uma outra cultura no tratamento de conflitos. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 20 . Karol. François.com/buscador/?q=tres+modelos+de+j uez#posicio .br RESTA. DURCO. 25. O direito fraterno.Acesso em: 14 nov. SPENGLER. n. Teoria geral do processo civil contemporâneo. OST. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2009. Andre Gomma de. 21). v. ____.Referências AZEVEDO.humbertodalla. Instituições de direito processual civil. política e cidadania. Sandra Vial). 2. Belo Horizonte: FUMEC. 14. Meritum – Revista de Direito da Universidade FUMEC. 01-03. ed. GRECO. (Coleção direito. cap. DOXA. Hércules. 2010. 1.cervantesvirtual. 2009. 2012. Leonardo. p. cap. Santa Cruz do Sul: EDUNISC. Rio de Janeiro: Forense. 7. 169-194.

2010 . poderá extinguir o processo sem apreciação do mérito.Juiz) Assinale a alternativa correta: I. II. ainda que sejam incompatíveis ou contraditórias entre si.Procurador) Existindo convenção de arbitragem. A convenção de arbitragem não é pressuposto processual por ser matéria de direito dispositivo que. a um mesmo tempo. para ser examinada.2006 . respectivamente.BACEN . todas as defesas que tiver contra o pedido do autor.Analista Judiciário) O recurso cabível da sentença que julga procedente o pedido de instituição de arbitragem e da sentença que confirma a antecipação dos efeitos da tutela é o de: a) Agravo de instrumento. só no efeito devolutivo e apelação. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 21 . O processo civil brasileiro adota a regra da eventualidade ao impor ao demandado o dever de alegar na contestação. b) Suspenderá o processo até que o árbitro apresente seu laudo. e) Apelação. Questão 3 (Prova: TJ-SC . b) Apelação. pois na eventualidade de o juiz não acolher uma delas. extinguirá o processo sem apreciação do mérito. só no efeito devolutivo. d) Apelação. no efeito devolutivo e suspensivo. nomeando árbitro para dirimir o litígio.Exercícios de fixação Questão 1 (Prova: FCC .2009 . no efeito devolutivo e suspensivo e apelação só no efeito devolutivo.TJ-SC . d) Se alegada pelo réu. Questão 2 (Prova: FCC . c) De ofício. respectivamente.TJ-AP . não dispensa a iniciativa do réu. c) Apelação. no efeito devolutivo e suspensivo. e) Transformará o processo judicial em arbitragem. passa a examinar a outra. o Juiz: a) Extinguirá o processo com apreciação do mérito.

o processo não será extinto. até a citação do réu. b) Jurisdição voluntária diferencia-se da jurisdição contenciosa porque nesta há sempre lide. a) Somente as proposições I e III estão corretas b) Somente a proposição III está correta c) Somente as proposições I e IV estão corretas d) Somente as proposições II e IV estão corretas e) Todas as proposições estão corretas Questão 4 (7º Exame para Estagiário – MPF/RJ). A ausência de alegação do réu torna a justiça estatal competente para julgar a lide e. por inexistir qualquer invalidade. III. enquanto naquela não.Caso o réu não a alegue o processo prossegue e é julgado perante a jurisdição estatal. com a aquiescência deste. o pedido de indenização por dano moral. sendo dividida em vários órgãos jurisdicionais com competência repartida geograficamente e em razão da matéria. IV. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 22 . primeiro grau de jurisdição. sem audiência deste. ou depois da citação. um meio alternativo de solução de conflitos. a saber. mas é considerada pela lei como sendo um equivalente jurisdicional. c) A arbitragem não é jurisdição. Assinale a alternativa correta: a) A jurisdição não é una. A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição. d) O direito de ação só existe se também existir o direito material alegado pelo autor. recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça. compreendidos os graus de instâncias ordinárias. apelação. desde que resultante do mesmo ato ilícito. Em ação de reparação de danos por ato ilícito permite-se ao autor que formulara pedido de reparação de danos patrimoniais acrescer. A competência absoluta do juízo é matéria de ordem pública sobre a qual não se opera a preclusão pois não está ligada ao princípio dispositivo uma vez que não se trata de direito disponível. embargos infringentes.

TJ-SC . é alegável por qualquer das partes. a qualquer tempo e grau de jurisdição. II. quer diante apenas da cláusula ou compromisso.2010 . A simples existência de cláusula compromissória pode ensejar a arguição da preliminar em contestação. hipótese todavia em que não se opera a devolução de todo o prazo para contestar mas apenas do termo que sobejar. porque o juiz não tem qualquer dever em prestar a jurisdição. desde que se dê por citado. A convenção de arbitragem é o conjunto formado pela cláusula compromissória e pelo compromisso arbitral. razões. a ação não pode ser considerada um direito subjetivo. reproduzindose o teor da anteriormente prolatada. no prazo de cinco dias. Se o autor apelar é facultado ao juiz decidir. Questão 5 (Prova: TJ-SC . preliminar de contestação. quer esteja em curso o procedimento arbitral. petição simples. A incompetência absoluta. contrarrazões de recurso. III. em razão da matéria ou funcional (hierárquica) é tema passível de arguição como preliminar de contestação.e) Na jurisdição brasileira. é matéria de ordem pública não sujeita a preclusão. O comparecimento espontâneo do réu. por não manter a sentença e determinar o prosseguimento da ação. O réu pode alegar que a demanda não pode ser submetida ao juízo estatal. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 23 . a saber. acarreta o suprimento do vício da inexistência ou invalidade da citação. Se o réu impugna a existência ou a validade da citação. poderá ser dispensada a citação e proferida sentença.Juiz) Assinale a alternativa correta: I. Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos. IV. exceção. sob qualquer forma. considera-se citado apenas no momento em que seu advogado for intimado da decisão que reconhece o vício.

a) Somente as proposições I e IV estão incorretas b) Somente a proposição IV está incorreta c) Somente as proposições II e III estão incorretas d) Somente a proposição I está incorreta e) Todas as proposições estão incorretas MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 24 .

– Resolución Alternativa de Conflictos. A. recebendo nomenclatura variada. transação: Tais figuras são acolhidas pelo nosso Código de Processo Civil nos Artigos 267. II (extinção do processo com resolução do mérito por reconhecimento. e 269. sem resolução de mérito por desistência do autor). III (transação das partes) e V (renúncia do autor ao direito sobre o qual se funda a ação). submissão. pelo réu. da procedência do pedido).Desistência. Nos Estados Unidos foram batizados de mecanismos de ADR – “Alternative Dispute Resolution”. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 25 . Vias alternativas: Tais vias alternativas são hoje largamente difundidas em diversos países. C. VIII (extinção do processo. Na Argentina são identificados como meios de R. No Brasil são chamados MASC – Meios Alternativos de Solução de Conflitos.

Não é jurisdição. Questão 2 . na forma do Artigo 520.Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1 . Questão 4 . e neste caso leva à extinção do processo sem exame do mérito.C Justificativa: A arbitragem é um meio paraestatal de solução de conflitos. Especificamente quanto à assertiva II. § 4º.D Justificativa: Na forma do Artigo 301.B Justificativa: São hipóteses de apelação desprovida de efeito suspensivo. que nos interessa mais de perto neste momento. embora a sentença arbitral seja considerada como título executivo judicial pelo Artigo 475-N do CPC. ambos do CPC. na concepção stricto sensu do termo. não pode ser examinada ex officio pelo magistrado. a não alegação da matéria não gera qualquer nulidade no processo. fato é que se não for alegada a tempo pelo demandado. a chamada "objeção de convenção de arbitragem" deve ser alegada pelo réu (não pode ser conhecida ex officio pelo magistrado). e outros como condição genérica negativa para o regular exercício do direito de ação. incisos VI e VII.E Justificativa: Todas as alternativas estão corretas e elencam regras adotadas no CPC vigente. Questão 3 . inciso VII. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 26 . c/c com 267. do CPC vigente. embora alguns autores classifiquem a convenção de arbitragem como pressuposto objetivo extrínseco do processo. Nesse passo.

E Justificativa: A assertiva I está correta na forma do Artigo 214.Questão 5 . MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 27 . inciso VII. A segunda proposição está correta. A terceira está em consonância com o Artigo 301. § 4º e 267. a quarta está em acordo com a norma do Artigo 113. do CPC. na forma do Artigo 285-A. Por fim. § 1º.

2. bem como os dispositivos do novo CPC que regem a matéria. bem como apresentar um quadro comparativo a fim de manter a sistemática entre todos esses diplomas. Entender a sistemática da mediação e da arbitragem no CPC projetado.169/2014) e de arbitragem (PL 7.108/2014). Estudar os Projetos de Lei de mediação do Ministério da Justiça e do Senado Federal e o Substitutivo apresentado pela Câmara dos Deputados.Introdução Nesta aula vamos estudar os novos Projetos de Lei de mediação (PL 7. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 28 . Nosso objetivo principal vai ser examinar a atual situação das inovações legislativas. Objetivo: 1.

De dezembro de 2013 a março de 2014 foram apresentados e votados diversos destaques. com o objetivo de apresentar um novo Código de Processo Civil. o debate com a sociedade civil e o meio jurídico. Agora veremos o tratamento da matéria no CPC Projetado e nos Projetos apresentados no Senado Federal e que redundaram no PL 7. ampliando-se. no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Fabio Trad. No dia 26 de março o Pleno da Câmara aprovou a versão MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 29 . ainda mais. com a realização conjunta de atividades pela Comissão. onde foi identificado como Projeto de Lei nº 8. Em dezembro de 2010 foi apresentado um Substitutivo pelo Senador Valter Pereira. sob a presidência do Dep. submetido a discussões e exames por uma Comissão especialmente constituída por Senadores. presidida pelo Ministro Luiz Fux.Conteúdo A mediação no direito brasileiro Na aula passada vimos a evolução legislativa da mediação no direito brasileiro. Já no ano de 2013. que foi aprovado pelo Pleno do Senado com duas pequenas alterações. foi criada uma comissão especial para exame do texto. O texto foi então encaminhado à Câmara dos Deputados.046/2010. pela Câmara dos Deputados e pelo Ministério da Justiça. Paulo Teixeira. Em 2009 foi convocada uma Comissão de Juristas. Em tempo recorde foi apresentado um Anteprojeto. No início de 2011 foram iniciadas as primeiras atividades de reflexão sobre o texto do novo CPC. convertido em Projeto de Lei (nº 166/10). desde a década de 90 até a Resolução n° 125 do CNJ.169/2014 e no Substitutivo recentemente apresentado. Em agosto. sob a presidência do Dep. foi apresentado um Substitutivo no mês de julho e uma Emenda Aglutinativa Global em outubro.

pelo que foi dito. ainda que inconscientemente.105/2015 – Novo Código de Processo Civil. como regra. o texto foi aprovado e remetido à sanção. O Projeto se preocupa. que foi remetida ao Senado para exame. (iii) autonomia da vontade. finalmente. (v) oralidade. ser acumulada por outros profissionais. com a atividade de mediação feita dentro da estrutura do Poder Judiciário. e (vi) informalidade. Um novo Substitutivo foi apresentado e. mesmo que determinasse que aquelas expressões não constassem. Neste ponto específico. formal e oficialmente. (iv) confidencialidade. contudo. Atenção Resguardados os princípios informadores da conciliação e da mediação. dos autos? MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 30 . a mediação prévia ou mesmo a possibilidade de utilização de outros meios de solução de conflitos (Artigo 175). (ii) neutralidade. a função de mediar não deve. a saber: (i) independência. como juízes. Isso não exclui. como um juiz poderia não levar em consideração algo que ouviu numa das sessões de mediação? Como poderia não ser influenciado. A escolha do mediador É importante frisar. especificamente nos Artigos 165 a 175. especificamente.final. promotores e defensores públicos. aqui. a relevância de a atividade ser conduzida por mediador profissional. No dia 17 de março de 2015 foi publicada no DOU a Lei n° 13. Em outras palavras. Na redação podemos identificar a preocupação da Comissão com os institutos da conciliação e da mediação.

ainda. Esses dados serão publicados periodicamente e sistematizados para fins de estatística (Artigo 167 do Projeto).. por exemplo. indicando. o número de causas de que participou. refere-se a uma distinção objetiva entre essas duas figuras. por si mesmas. Por outro lado. o sucesso ou o insucesso da atividade e a matéria sobre a qual versou o conflito. Não se pode chegar ao extremo de ranquear os mediadores. é preciso que não permitamos certos exageros. ao passo que o mediador auxilia as pessoas em conflito a identificarem. bem como dar mais transparência a seu ofício. Importante ressaltar que a versão original do PLS nº 166/10 exigia que o mediador fosse inscrito nos quadros da OAB. alternativas de benefício mútuo. informações sobre a performance do profissional. Aqui vale uma observação. Prestigiou-se o entendimento de que qualquer profissional pode exercer as funções de mediador. §§ 2° e 34°. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 31 . A conciliação é a ferramenta mais adequada para os conflitos puramente patrimoniais ao passo que a mediação é indicada nas hipóteses em que se deseje preservar ou restaurar vínculos. a Comissão de Juristas. após anotar que a conciliação e a mediação devem ser estimuladas por todos os personagens do processo. É digno de elogio esse dispositivo por criar uma forma de controle externo do trabalho do mediador. baseando-se apenas em premissas numéricas. o conciliador pode sugerir soluções para o litígio. Esse registro conterá..No Artigo 165. A diferenciação se faz pela postura do terceiro e pelo tipo de conflito. Assim.

Preocupa-me muito a ideia do apego às estatísticas e a busca frenética de resultados rápidos. tendo alcançado o acordo em todas. fez previsão das hipóteses de exclusão dos nomes do cadastro do Tribunal. deixando claro que os interessados podem fazer uso dessa modalidade recorrendo aos profissionais liberais disponíveis no mercado.Um mediador que faz 5 acordos numa semana pode não ser tão eficiente assim. pode não ser tão eficiente assim. Como visto. um mediador que tem um ranking de participação em 10 mediações. Quanto à remuneração. É possível que tenha enfrentado casos em que as partes já tivessem uma predisposição ao acordo ou mesmo que o "nó a ser desatado não estivesse tão apertado". A Comissão. Nesse sentido. O Projeto não veda a mediação prévia ou a extrajudicial. utilizando alguns dispositivos que já se encontravam no Projeto de Lei de Mediação. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 32 . também se preocupou com os aspectos éticos de mediadores e conciliadores. a preocupação da Comissão é com a mediação judicial. Aquele que faz apenas uma pode alcançar níveis mais profundos de comprometimento e de conscientização entre as partes envolvidas. Regulamentação da mediação judicial e extrajudicial Com o advento do Projeto do Código de Processo Civil. no ano de 2011 o Senador Ricardo Ferraço apresentou ao Senado o Projeto de Lei nº 517/11. Esses conceitos são absolutamente incompatíveis com a mediação. cabendo instauração de procedimento administrativo para investigar a conduta (Artigo 173). o Artigo 169 do Projeto dispõe que será editada uma tabela de honorários pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Da mesma forma. apenas opta por não regulá-la.

diante das perspectivas de regramento da mediação judicial pelo Novo CPC. por exemplo. foi apresentado o Projeto de Lei do Senado que tomou o número 5171. então envolvido com os trabalhos da terceira edição do Pacto Republicano. e presidida pelo Min. e ante a necessidade de tratar de questões concernentes à integração entre a adjudicação e as formas autocompositivas. Flavio Croce Caetano. em http://www. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 33 . Apos exame da Consultoria do Senado. tivemos a oportunidade de apresentar sugestões ao Senador Ricardo Ferraço. 1 O texto pode ser consultado no sítio do Senado Federal. O Projeto trabalha com conceitos mais atuais e adaptados à realidade brasileira. Nancy Andrighi e Marco Buzzi.br. de modo a criar um sistema afinado tanto com o futuro CPC como com a Resolução n° 125 do CNJ. fruto de Comissão instituída pelo CNJ e pelo Ministério da Justiça. 2° dispõe que “mediação é um processo decisório conduzido por terceiro imparcial. Formamos grupo de trabalho ao lado das professoras Tricia Navarro e Gabriela Asmar e nos dedicamos à tarefa de redigir um novo Anteprojeto de Lei de Mediação Civil. PLS 517 Já com a Resolução 125 do CNJ em vigor. presidida pelos Mins.propondo a regulamentação da mediação judicial e extrajudicial.gov. com o objetivo de auxiliar as partes a identificar ou desenvolver soluções consensuais”. Em 2013 foram apensados ao PLS 517 mais duas iniciativas legislativas: o PLS nº 405/2013. e pelo Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça. e que já segue o procedimento legislativo no Senado Federal. em agosto de 2011. e o PLS nº 434/13. Luis Felipe Salomão. no art. do Superior Tribunal de Justiça. Assim. ambos do STJ.senado. fruto do trabalho realizado por Comissão instituída pelo Senado.

adotando-se como parâmetro a iniciativa da escolha. ou quando as decisões das partes operem consequências relevantes sobre terceiros” (art. Ainda segundo o texto do Projeto. em conflitos nos quais haja necessidade de preservação ou recomposição de vínculo interpessoal ou social.Quanto às modalidades. bem como a recusa em participar do procedimento não deve acarretar qualquer sanção a nenhuma das partes (§ 2°). “a mediação será judicial quando os mediadores forem designados pelo Poder Judiciário e extrajudicial quando as partes escolherem mediador ou instituição de mediação privada”. Assim. cronologicamente. e que o pleito seja considerado razoável pelo magistrado (art. 5° admite a mediação prévia e a judicial. É comum encontrarmos referências à mediação prévia e incidental. 7°). o que não será analisado neste trabalho). A mediação não pode ser imposta jamais. preferencialmente. mas raramente vemos a normatização da mediação posterior. Não foram estabelecidas restrições objetivas ao cabimento da mediação. sendo que em ambos os casos pode. incidental ou ainda posterior à relação processual. 8°). caso o procedimento seja aceito por todos. pelo art. Optou-se por desvincular a classificação do local da realização do ato. o art. ser prévia. cabendo ao magistrado. Basta que as partes desejem. o magistrado deve “recomendar a mediação judicial. de comum acordo. embora esteja se tornando cada vez mais comum (obviamente. há necessidade de se avaliar os eventuais impactos sobre a coisa julgada. salvo convenção das partes e expressa autorização judicial. 6°. decidir sobre eventual suspensão do processo (§ 4°) por prazo não superior a 90 dias (§ 5°). Outra inovação pode ser vista no critério utilizado para conceituar a mediação judicial e a extrajudicial. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 34 .

integrante do Superior Tribunal de Justiça. Atualização da Lei de Arbitragem e apresentação do anteprojeto da Lei de Mediação Também no início de 2013 foi constituída comissão sob a Presidência do Min. e estimula. 13). O Artigo 15 determina que considera-se instituída a mediação na data em que for firmado o termo inicial de mediação e o Artigo 5° dispõe que “as partes interessadas em submeter a solução de seus conflitos à mediação devem firmar MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 35 . a mediação é definida no Artigo 1°. se todos estiverem de acordo (art. a oitiva do Ministério Público será necessária antes da homologação judicial. Enfim. pode o ato ser convolado em audiência de conciliação. parágrafo único. sem ingressar nas questões específicas do Projeto. como “ a atividade técnica exercida por terceiro imparcial e sem poder decisório que. No texto. escolhido ou aceito pelas partes interessadas. Contudo. regulando os pontos que ainda estavam sem tratamento legal. e havendo interesse de incapazes. os acordos que envolvam direitos indisponíveis deverão ser objeto de homologação judicial. O Artigo 2º estabelece que pode ser objeto de mediação toda matéria que admita composição. as escuta. com o objetivo de atualizar a Lei de arbitragem e apresentar anteprojeto de Lei de mediação. com o propósito de lhes permitir a prevenção ou solução de disputas de modo consensual”. sem impor soluções. Este Projeto tomou o número 405/2013 e trata apenas da mediação extrajudicial física e eletrônica (mediação online). caso se verifique a inadequação da mediação para a resolução daquele conflito. Luis Felipe Salomão. importante ressaltar a intenção de uniformizar e compatibilizar os dispositivos do Novo CPC e da Resolução n° 125 do CNJ.Por outro lado.

seus advogados e pelo mediador. firmado pelas partes. e d) medidas cautelares. o Artigo 21 autoriza a realização de mediação via Internet ou por outra forma de comunicação não presencial. por força do Artigo 26. pública e online Em maio de 2013. “a petição inicial será distribuída simultaneamente ao juízo e ao mediador. após o surgimento do conflito. pública e online. independentemente da assinatura de testemunhas (Artigos 22 e 23). adoção. c) recuperação judicial e falência. convocou uma comissão de especialistas para apresentar um anteprojeto de lei sobre mediação judicial. constitui título executivo extrajudicial. mesmo que a mediação tenha sido prevista em cláusula contratual”. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 36 . o Ministério da Justiça. interrompendo-se os prazos de prescrição e decadência”. por escrito. extrajudicial. e as partes poderão requerer a homologação judicial do termo final de mediação. a fim de constituir título executivo judicial. somente terão validade após a oitiva do MP e homologação judicial. Mediação judicial. em parceria com o Conselho Nacional de Justiça. Por outro lado. O termo final da mediação. Caso os acordos versem sobre direitos indisponíveis. Em seu Artigo 3º o texto determina que pode ser objeto de mediação toda matéria que verse sobre direitos disponíveis ou de direitos indisponíveis que admitam transação. Finalmente. Isso porque. b) interdição. extrajudicial. por intermédio da Secretaria de Reforma do Judiciário. não haverá mediação judicial nos casos de: a) filiação. pátrio poder e nulidade de matrimônio.um termo de mediação.

Foram. Atenção No que se refere à mediação pública. Vital do Rego. do Distrito Federal e dos Municípios. no Artigo 25. Sen. Por fim. O Relator da matéria do Senado. poderá ser utilizada como meio de solução de conflitos nos casos de comercializações de bens ou prestação de serviços via Internet. ainda. apesentou um Substitutivo ao PLS nº 517/11 com o objetivo de congregar o que há de melhor nas três iniciativas. apresentadas duas emendas pelo MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 37 . quando homologado judicialmente. coletivos ou individuais homogêneos. na forma do Artigo 36. dos Estados. então. o Artigo 19 determina que as partes interessadas em submeter a solução de seus conflitos à mediação devem firmar um termo inicial de mediação. b) entes do Poder Público e o particular. poderá haver mediação pública nos conflitos envolvendo: a) entes do Poder Público. c) direitos difusos. Análise das inovações legislativas em solução de conflitos Em novembro de 2013 foram marcadas audiências públicas com o objetivo de discutir os três projetos e amadurecer as questões controvertidas que ainda cercam o tema. de título executivo judicial. por escrito. mesmo que a mediação tenha sido prevista em cláusula contratual.Quanto à mediação extrajudicial. Assim. e. bem como o Ministério Público e a Defensoria Pública a submeter os conflitos em que são partes à mediação pública. após o surgimento do conflito. a mediação online. o Artigo 33 autoriza os órgãos da Administração Pública direta e indireta da União. que o termo final de mediação tem natureza de título executivo extrajudicial e. com o objetivo de solucionar quaisquer conflitos de consumo no âmbito nacional.

Gim Agnello. prevista no Artigo 18 do Decreto nº 7. o que. parcialmente. apresentou um Substitutivo ao PL nº 7. A primeira emenda do Sen. ainda a previsão de utilização desta modalidade quando Ministério Público ou Defensoria Pública forem partes na demanda. b) o Poder Público e o particular. Quanto à Defensoria Pública. Agnello foram desacolhidas. Mediação pública Uma última palavra sobre duas modalidades presentes no Projeto n° 434/2013. oriundo da Comissão de Juristas convocada pelo Ministério da Justiça: a mediação pública e a mediação online. Há. Taques foi acolhida integralmente e a segunda. Pedro Taques e três pelo Sen. As três apresentadas pelo Sen. como se pode aferir pela Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal – CCAF. Ultimada a votação. o texto do Substitutivo foi remetido à Câmara.169/2014. onde foi recebido como Projeto de Lei nº 7. c) direitos transindividuais. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 38 .Sen.392/2010. vai levar a regulamentações administrativas pela AGU e pelo CNMP. Em junho de 2014 o Dep. Interessante notar que o uso da mediação pelo Poder Público já é uma realidade hoje. Sergio Zveiter. O Substitutivo foi aprovado na Câmara e seguiu para o Senado. provavelmente. integrante da CCJ da Câmara.169/2014. provavelmente será editado Decreto pelo Poder Executivo. A primeira vem prevista nos Artigos 33 a 35 e pode ser utilizada sempre que o conflito envolver: a) entes do Poder Público. Não há maiores detalhes sobre essa modalidade.

sobretudo diante do crescimento exponencial dos atos de comércio eletrônico. Trata-se de providência extremamente salutar. § 1º. respectivamente. da ação coletiva e do superendividamento). o PLS nº 281/12 trazia regras específicas para a proteção do consumidor. embora não criasse um sistema eletrônico de prevenção e solução de conflitos. do texto. 405 e 434 de forma que houvesse não apenas uma cláusula geral. por meio da PE-COS 80/12 e do Regulamento 524/13. Guardando simetria com esse posicionamento. 282 e 283 de 2012.Ainda nessa linha de raciocínio o PLS nº 405/2013 também prevê tal modalidade nos Artigos 24 e 25. Nesse sentido. Mediação online A segunda modalidade (mediação online) é inspirada na recente Diretiva n° 11/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia que normativa a resolução alternativa de litígios consumeristas. mas a previsão de um sistema eletrônico de solução alternativa de conflitos. com redação muito semelhante à do PLS nº 434/13. de uso da arbitragem pela Administração Pública no Artigo 1º. Não custa lembrar que no Brasil existiam três Projetos de Lei que visavam atualizar o Código de Defesa do Consumidor (PLS nºs 281. recentemente houve a regulamentação da resolução de disputa virtual entre consumidores e comerciantes. do comércio eletrônico. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 39 . que tratam. Ademais. não apenas para a mediação mas. que propõe reforma e atualização da Lei de Arbiragem – Lei nº 9. prevê a possibilidade.307/96. criando uma plataforma digital (RLL) para facilitar esta atividade. já admitida em sede doutrinária e jurisprudencial. Contudo. o PLS nº 406/13. Seria interessante compatibilizar os Projetos nº 281. a hipótese de mediação em ações coletivas não restou contemplada na versão do Substitutivo ao PLS nº 517.

Certamente haveria um enorme ganho de tempo e economia de recursos com a criação de uma plataforma que pudesse ser utilizada por empresas e consumidores. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 40 . e ainda. E. parecem deixar bem clara a posição refratária do Parlamento a esta ferramenta. sobretudo de utilizados em conjunto com as ferramentas do processo eletrônico. combinado com Artigo 104-A do Substitutivo ao PLS nº 283. Em 27 de março de 2013 o Senado Federal concluiu a análise dos Projetos de modernização do CDC e aprovou apenas as regras sobre superendividamento e comércio eletrônico. a já mencionada omissão da mediação em tais ações no Substitutivo ao PLS nº 517/11. também em sede eletrônica. caso necessário.sobretudo. para a conciliação. aliado à rejeição do PL nº 5139/09. pensando num futuro ainda um pouco distante. de se registrar. ao menos. que tratavam da ação coletiva e das hipóteses de acordos em tais ações. a bela iniciativa constante do Artigo 5º. Foram excluídas as disposições do PLS nº 282. Este fato. me agrada bastante a ideia da adoção de um sistema eletrônico de mediação e conciliação envolvendo direitos transindividuais consumeristas. Nesse sentido. Lamentamos profundamente tal posição. que tratava das ações coletivas. pois há enorme potencial no uso dos meios alternativos de conflito em sede de tutela coletiva. que acreditamos seja mais adequada para a maioria dos conflitos consumeristas. que estabelece o uso de conciliação e mediação na prevenção e tratamento extrajudicial do superendividamento. incisos VI e VII. com eventual recurso ao Poder Judiciário.

e o Decreto nº 70. passamos agora a examinar especificamente os dispositivos básicos do Substitutivo apresentado ao PL nº 7. as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia. Parágrafo único.235. Considera-se mediação a atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório. O Congresso Nacional decreta: Art.169. CAPÍTULO I .169 de 2014 COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI Nº 7. altera a Lei nº 9. e revoga o § 2º do art. 6º da Lei nº 9. Projeto de lei n° 7. que.469. 1º Esta Lei dispõe sobre a mediação como meio de solução de controvérsias entre particulares e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da Administração Pública. de 6 de março de 1972. de 10 de julho de 1997. Dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da Administração Pública.Atenção Vistas essas considerações sobre a evolução histórica e as perspectivas para o marco legal da mediação no Brasil.469.169/14 na Câmara dos Deputados.DA MEDIAÇÃO MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 41 . escolhido ou aceito pelas partes. de 10 de julho de 1997. de 2014.

§ 2º O consenso das partes envolvendo direitos indisponíveis. 3º Pode ser objeto de mediação o conflito que verse sobre direitos disponíveis ou sobre direitos indisponíveis que admitam transação. III – oralidade. § 1º Na hipótese de existir previsão contratual de clausula de mediação. Art.) Seção III Do Procedimento de Mediação Subseção I Disposições Comuns MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 42 . VI – busca do consenso.Seção I Disposições Gerais Art. as partes deverão comparecer à primeira reunião de mediação. mas transigíveis. § 2ª Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação. exigida a oitiva do Ministério Público. § 1º A mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele. VIII – boa-fé. deve ser homologado em juízo. 2º A mediação será orientada pelos seguintes princípios: I – imparcialidade do mediador. IV – informalidade.. (. V – autonomia da vontade das partes. II – isonomia entre as partes.. VII – confidencialidade.

No início da primeira reunião de mediação. as partes poderão submeter-se à mediação. Art. seja por declaração do mediador nesse sentido ou por MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 43 . Art. Art. o mediador deverá alertar as partes acerca das regras de confidencialidade aplicáveis ao procedimento. quando isso for recomendável em razão da natureza e da complexidade do conflito. 20. A requerimento das partes ou do mediador. 15. No desempenho de sua função. Iniciada a mediação. as reuniões posteriores com a presença das partes somente poderão ser marcadas com a sua anuência. Considera-se instituída a mediação na data para a qual for marcada a primeira reunião de mediação. Parágrafo único. poderão ser admitidos outros mediadores para funcionarem no mesmo procedimento. 16. Enquanto transcorrer o procedimento de mediação. § 1º É irrecorrível a decisão que suspende o processo nos termos requeridos de comum acordo pelas partes. o mediador poderá reunir-se com as partes. Art. 19. § 2º A suspensão do processo não obsta a concessão de medidas de urgência pelo juiz ou pelo árbitro. 14. 18. Ainda que haja processo arbitral ou judicial em curso.Art. ficará suspenso o prazo prescricional. e com anuência daquelas. hipótese em que requererão ao juiz ou árbitro a suspensão do processo por prazo suficiente para a solução consensual do litígio. em conjunto ou separadamente. bem como solicitar das partes as informações que entender necessárias para facilitar o entendimento entre aquelas. Art. e sempre que julgar necessário. O procedimento de mediação será encerrado com a lavratura do seu termo final. Art. quando for celebrado acordo ou quando não se justificarem novos esforços para a obtenção de consenso. 17.

quando homologado judicialmente. O Convite para iniciar o procedimento de mediação extrajudicial poderá ser feito por qualquer meio de comunicação e deverá estipular o escopo proposto para a negociação. § 2º Não havendo previsão contratual completa. no qual constem critérios claros para a escolha do mediador e realização da primeira reunião de mediação. Subseção II Da Mediação Extrajudicial Art. Art. II . O convite formulado por uma parte à outra considerar-se-á rejeitado se não for respondido em até 30 (trinta) dias da data de seu recebimento. no mínimo: I . § 1º A previsão contratual pode substituir a especificação dos itens acima enumerados pela indicação de regulamento. III .Local da primeira reunião de mediação. Parágrafo único. publicado por instituição idônea prestadora de serviços de mediação. contado a partir da data de recebimento do convite. A previsão contratual de mediação deverá conter. IV – Penalidade em caso de não comparecimento da parte convidada à primeira reunião de mediação. título executivo judicial.manifestação de qualquer das partes.Prazo mínimo e máximo para a realização da primeira reunião de mediação. a data e o local da primeira reunião. 21. na hipótese de celebração de acordo. 22. Parágrafo único.Critérios de escolha do mediador ou equipe de mediação. deverão ser observados os seguintes critérios para a realização da primeira reunião de mediação: MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 44 . constitui título executivo extrajudicial e. O termo final de mediação.

por parte desta. A parte convidada poderá escolher. o mediador extrajudicial somente cobrará por seus serviços caso as partes decidam assinar o termo inicial de mediação e permanecer. II . Subseção III Da Mediação Judicial MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 45 . qualquer um dos 5 (cinco) mediadores. em previsão contratual de clausula de mediação.Lista de 5 (cinco) nomes. considerar-se-á aceito o primeiro nome da lista. as partes se comprometerem a não iniciar procedimento arbitral ou processo judicial durante certo prazo ou até o implemento de determinada condição. Art. o árbitro ou o juiz suspenderá o curso da arbitragem ou da ação pelo prazo previamente acordado ou até o implemento dessa condição.Prazo mínimo de 10 (dez) dias úteis e prazo máximo de 3 (três) meses. de 50% (cinquenta por cento) das custas e honorários sucumbenciais caso venha a ser vencedora em procedimento arbitral ou judicial posterior. O disposto no caput não se aplica às medidas de urgência em que o acesso ao Poder Judiciário seja necessário para evitar o perecimento de direito. voluntariamente. Caso a parte convidada não se manifeste.Local adequado a uma reunião que possa envolver informações confidenciais. contados a partir do recebimento do convite. Se. que envolva o escopo da mediação para a qual foi convidada. IV . § 3º Nos litígios decorrentes de contratos comerciais ou societários que não contenham clausula de mediação. III . no procedimento de mediação.I . 23. Parágrafo único.O não comparecimento da parte convidada à primeira reunião de mediação acarretará a assunção. expressamente. informações de contato e referências profissionais de mediadores capacitados.

o juiz designará audiência de mediação. Aos que comprovarem insuficiência de recursos será assegurada assistência pela Defensoria Pública. o termo final da mediação e determinará o arquivamento do processo.Art. requerem sua prorrogação. A composição e a organização do centro serão definidas pelo respectivo tribunal. Se houver acordo. observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça. 25. Solucionado o conflito pela mediação antes da citação do réu. observado o disposto no artigo 5º desta Lei Art. não serão devidas custas judiciais finais. Parágrafo único. 29. que determinará o arquivamento do processo e. desde que requerido pelas partes. responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação. 28. e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido. 24. Parágrafo único.º 10. Parágrafo único. Art. O procedimento de mediação judicial deverá ser concluído em até 60 (sessenta) dias. de comum acordo. contados da primeira sessão. os mediadores não estarão sujeitos à prévia aceitação das partes. pré-processuais e processuais. por sentença. 26 As partes deverão ser assistidas por advogados ou defensores públicos. Art. ressalvadas as hipóteses previstas na Lei nº 9. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos.259 de 12 de julho de 2001. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 46 . Art. salvo quando as partes. Na mediação judicial. 27. homologará o acordo. Art. orientar e estipular a autocomposição.099 de 26 de setembro de 1995 e na Lei n. os autos serão encaminhados ao juiz.

IV – documento preparado unicamente para os fins do procedimento de mediação. não podendo ser revelada sequer em processo arbitral ou judicial salvo se as partes expressamente decidirem de forma diversa ou quando sua divulgação for exigida por lei ou necessária para cumprimento de acordo obtido pela mediação.Seção IV Da Confidencialidade e suas Exceções Art. II – reconhecimento de fato por qualquer das partes no curso do procedimento de mediação. § 4º A regra da confidencialidade não afasta o dever das pessoas discriminadas no caput de prestar informações à Administração Tributária após o termo final da mediação. às partes. assessores técnicos e a outras pessoas de sua confiança que tenham. opinião. participado do procedimento de mediação. aplicando-se aos seus servidores a obrigação de manter sigilo MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 47 . sugestão. § 1º O dever de confidencialidade aplica-se ao mediador. a seus prepostos. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de mediação será confidencial em relação a terceiros. direta ou indiretamente. § 3º Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação relativa à ocorrência de crime de ação pública. advogados. III – manifestação de aceitação de proposta de acordo apresentada pelo mediador. alcançando: I – declaração. 30. promessa ou proposta formulada por uma parte à outra na busca de entendimento para o conflito. § 2º A prova apresentada em desacordo cm o disposto neste artigo não será admitida em processo arbitral ou judicial.

das informações compartilhadas nos termos do art.Sala da Comissão.) Art. Alguns deles são mera repetição de regras já existentes no CPC/73. 31. Art. O novo CPC trata da arbitragem de forma mais moderna e procura integrar o instituto à jurisdição..172. Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial. falemos um pouco das mudanças que estão por vir em matéria de arbitragem. de 25 de outubro de 1966. e que será comentado no próximo item. apresentamos abaixo uma tabela comparativa contendo a redação dos dispositivos que tratam da arbitragem no antigo e no atual CPC.108/14 que pretende atualizar a Lei n° 9. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 48 . em de de 2015. Tabelas comparativas Para facilitar o exame dos dispositivos. exceto se expressamente autorizado. Será confidencial a informação prestada por uma parte em sessão privada. Outros trazem inovações já em sintonia com o Projeto de Lei n° 7. Apresentaremos a seguir um quadro comparativo entre os dispositivos do CPC vigente e o do projetado: O novo CPC traz diversos dispositivos relativos a arbitragem. não podendo o mediador revelá-la às demais. 198 da Lei n 5. 48.. Mudanças na arbitragem Por fim. com algum aperfeiçoamento na redação. (.307/96.

e reproduzido pelo STJ em várias oportunidades. fica claro que a arbitragem é chamada a ocupar seu lugar dentre as ferramentas de solução de conflitos. repete a norma constitucional contida no art. inciso XXXV e. na forma da lei. na faculdade de instituírem juízo arbitral. 5°. 86. 69. prescinde específica e pode de forma ser executado como: (…) § 1o As cartas de ordem. nos limites de sua competência. também expressamente referidas (art. § 1o É permitida a arbitragem. no parágrafo 1° permite a utilização da arbitragem. 42. pelos órgãos jurisdicional nos limites de sua jurisdicionais. precatória e MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 49 . da conciliação e da mediação. O dispositivo. Com isso fica positivado entendimento já manifestado pelo STF nos autos da SE 5206. § 3°). Temos aqui mera atualização redacional. serão Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. ao lado da jurisdição. 3°.CPC 1973 CPC 2015 Art. As processadas causas e cíveis decididas. O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido. forma da lei. Ademais. sem mudança de conteúdo. no caput. Art. Art. ressalvada às partes a direito de instituir juízo arbitral. ressalvado às partes o competência. As causas cíveis serão ou processadas e decididas pelo órgão simplesmente decididas.

arbitral seguirão o regime previsto
neste Código.
Temos aqui a primeira grande inovação. O CPC / 2015 traz para o texto legal
diversas normas administrativas já em vigor em matéria de cooperação
internacional. Não custa lembrar que a ideia de cooperação, genericamente
prevista no art. 6°, se projeta no âmbito internacional e nacional, atingindo
todos os órgãos do Estado, bem como os jurisdicionados e seus patronos.
Encontramos aqui também a primeira menção à carta arbitral. Trata-se de nova
modalidade de comunicação de atos processuais, que se colocará ao lado das
Cartas tradicionais (rogatória, precatória e de ordem).
A carta arbitral vai concretizar os atos de comunicação originados do árbitro ou
do tribunal Arbitral e destinados a um juiz de direito.
Havendo a necessidade de comunicação de um árbitro estrangeiro a um juiz
brasileiro (por exemplo o pedido de empréstimo de força coercitiva a um
mandado de busca e apreensão a ser cumprido em território brasileiro, ou
ainda um mandado de apreensão ou penhora de bem, em execução de decisão
arbitral), o trâmite poderá ser agilizado em razão dos protocolos de cooperação
internacional.
Art. 155. Os atos processuais são Art. 189. Os atos processuais são
públicos.

Correm,

todavia,

em públicos.

segredo de justiça os processos (...)

Tramitam,

todavia,

em

segredo de justiça os processos:
(...)
IV – que versem sobre arbitragem,
inclusive sobre cumprimento de carta
arbitral, desde que a confidencialidade
estipulada

na

arbitragem

seja

comprovada perante o juízo.

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

50

Trata-se de salutar inovação, na medida em que as arbitragens, em regra,
seguem o princípio da confidencialidade, sendo esta, inclusive, uma de suas
maiores vantagens. Assim, de nada adiantaria ser confidencial a arbitragem, aí
incluídos todos os atos praticados perante o tribunal Arbitral, se tal garantia não
fosse estendida aos eventuais atos judiciais que vierem a ser praticados por
solicitação do árbitro, via carta arbitral.
Com isso, o princípio da publicidade, que rege os atos processuais, é
excepcionado quanto o ato se refere ao procedimento arbitral. Embora o
dispositivo não traga uma exceção (na verdade, exceção da exceção, o que, em
última análise confirma a regra geral!), temos para nós que, se a arbitragem se
engloba o Estado ou seus entes, não deve incidir a confidencialidade, razão
pela qual não deve ser aplicado o art. 189, IV do novo CPC, sob pena de se
violar o art. 37 da Carta de 1988.
Art. 201. Expedir-se-á carta de Art. 237. Será expedida carta:
ordem se o juiz for subordinado ao (...)
tribunal de que ela emanar; carta IV – arbitral, para que órgão do Poder
rogatória,

quando

dirigida

à Judiciário pratique ou determine o

autoridade judiciária estrangeira; e cumprimento,
carta precatória nos demais casos.

na

área

de

sua

competência territorial, de ato objeto
de pedido de cooperação judiciária
formulado por juízo arbitral, inclusive
os que importem efetivação de tutela
provisória.

Mais uma menção à carta arbitral. Dessa vez o novo CPC é mais específico
quanto à finalidade da carta. Poderá ser ela utilizada quando houver
necessidade de praticar ato que dependa de força coercitiva.
Aí podem ser compreendidos, atos de condução de pessoas, apreensão de bens
ou pessoas, penhora física ou eletrônica, ou mesmo atos de efetivação de

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

51

medidas de urgência (cautelares ou antecipatórias), denominadas pelo NCPC de
tutelas provisórias.
Os atos podem ser praticados pelo próprio juiz (por exemplo, a penhora
eletrônica) ou podem ter seu cumprimento efetivado por outrem, por ordem do
juiz (por exemplo, as obrigações de fazer, não fazer e desfazer).
Art. 202. São requisitos essenciais da Art. 260. São requisitos das cartas de
carta de ordem, da carta precatória e ordem, precatória e rogatória:
da carta rogatória:
I - a indicação dos juízes de origem e I – a indicação dos juízes de origem e
de cumprimento do ato;

de cumprimento do ato;

II - o inteiro teor da petição, do II – o inteiro teor da petição, do
despacho judicial e do instrumento do despacho judicial e do instrumento do
mandato conferido ao advogado;

mandato conferido ao advogado;

III - a menção do ato processual, que III – a menção do ato processual que
Ihe constitui o objeto;

lhe constitui o objeto;

IV - o encerramento com a assinatura IV
do juiz. (...)

o

encerramento

com

a

assinatura do juiz.
(...)
§ 3º A carta arbitral atenderá, no que
couber, aos requisitos a que se refere
o caput e será instruída com a
convenção de arbitragem e com as
provas da nomeação do árbitro e da
sua aceitação da função.

Não há alteração de conteúdo na cabeça e nos incisos do art. 260. O § 3°
dispõe serem aplicáveis à carta arbitral os mesmo requisitos das demais cartas.
Contudo, acrescenta mais dois: a convenção de arbitragem e a prova de
nomeação e aceitação do árbitro.

MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

52

ordenado o cumprimento. de forma que o magistrado possa ter a certeza que as partes de fato quiseram levar o exame da questão à via arbitral. III – tiver dúvida acerca de sua III . 209. podem ter feito isso. ou simplesmente aderindo ao regulamento de um tribunal arbitral. ato. Art. devolvendo-a com decisão motivado: motivada quando: I . é o gênero. Ademais. cumprimento a carta precatória ou com despacho arbitral. com aceto. ter exigido a apresentação de todos esses documentos. Art. – não estiver revestida dos requisitos legais. 204. O ato que manifesta tal vontade deve acompanhar a carta. O juiz recusará precatória. apresentada a juízo diverso do que poderá remeter a carta ao juiz ou ao dela consta. A carta Parágrafo tem único. Tais documentos são importantes a fim de que fique claro que as partes desejaram conferir tal poder àquele árbitro e que ele o aceitou formalmente. mediante a elaboração de uma cláusula ou de um compromisso específico e detalhado. devem ser anexados os atos de nomeação e de aceitação do árbitro.quando tiver dúvida acerca de autenticidade.quando carecer de competência II – faltar-lhe competência em razão em razão da matéria hierarquia. o juiz deprecado.quando não estiver revestida dos I requisitos legais. 267. sua autenticidade. antes ou depois de Ihe ser ou da hierarquia. do qual são espécies a cláusula compromissória e o compromisso. Daí o novo CPC. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 53 .Convenção de arbitragem. ou da da matéria ou da hierarquia. a fim de se praticar o tribunal competente. O cumprimento à juiz carta devolvendo-a recusará Art. como já dissemos acima. Não custa lembrar que no procedimento arbitral há uma extrema liberdade para a convenção de regras e atribuições dos árbitros. poderá ser conforme o ato a ser praticado. No caso de caráter incompetência em razão da matéria itinerante. II .

. Apenas a atualização da redação e a inserção da carta arbitral. apenas positivando entendimento há muito sumulado pelo STJ (verbete n° 33). Compete-lhe. § 6o A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem. 337 e seu inciso X não trazem alteração de conteúdo se comparados ao texto do antigo CPC.Não há aqui alteração substancial. X – convenção de arbitragem.) (. alegar: discutir o mérito.. o juiz conhecerá de ofício arbitragem e a incompetência relativa. implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. antes de antes de discutir o mérito.convenção de arbitragem. Art. Ou seja: a pré-existência de convenção de arbitragem deve ser expressamente alegada pelo réu. O § 6°. para que possa ser regida pelas mesmas disposições aplicáveis à carta precatória. O caput do novel art.) § 4o Com exceção do compromisso § 5o Excetuadas a convenção de arbitral. da matéria enumerada neste artigo. O novo § 5° insere a incompetência relativa no rol de matérias que não podem ser conhecidas ex officio pelo magistrado. No silêncio. o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo.) (…) IX .. por sua vez.
 (. Art. alegar: (. Incumbe ao réu. 337. 301. observando-se que o autor já terá renunciado ao propor a demanda em juízo... deixa clara consequência que já era tranquilamente aceita pela doutrina e jurisprudência. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 54 . porém. presume-se a renúncia do réu à arbitragem.. na forma prevista neste Capítulo.

Art. O novo art. sem resolver o mérito.pela convenção de arbitragem quando: (..) VII. O juiz não resolverá o mérito sem resolução de mérito: (. 267. II e § 4°. parte final. VII e acrescenta mais uma hipótese de não resolução do mérito: o reconhecimento da sua competência por parte do juízo arbitral. e formalizado no Enunciado n° 235. assim que o juízo arbitral reconhecer sua competência.. realizado em Belo Horizonte. em razão de todos os atos processuais já praticados. 485 repete a redação do antigo art. Extingue-se o processo. 482. 313. por convenção das partes. Art. Como discutido no IV Forum Permanente de Processualistas Civil..Art. as partes rejeitem a proposta renovada de mediação ou de conciliação. emprego de sem outros determinará o comparecimento das métodos de solução consensual de partes ao início da audiência de conflitos. o juiz. é possível que no momento de abertura da AIJ. 359. o juiz sobre direitos patrimoniais de tentará caráter privado. Instalada a audiência. 485. instrução e julgamento. na forma do art. deve o juiz: (i) suspender o processo pelo prazo de até seis meses. 447. Embora seja improvável.. “o MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 55 a . na forma do art. prejuízo conciliar do as partes. ou (ii) extinguir o processo. como a mediação e arbitragem. 267. mas aceitem a ideia da arbitragem. que será examinado a seguir. de ofício. Nesse caso. VII. Quando o litígio versar Art.) VII – acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência. no fim de 2014.

) III – o juízo cível competente. cujo cumprimento dar-se-á de (.) acordo com os artigos previstos neste IV – a sentença arbitral.) VII – a sentença arbitral. fundada em Art. São títulos executivos Art. proferido pelo Tribunal Marítimo. casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. 515. Temos aqui mera atualização de redação. Parágrafo único. 475-N. Art. 516. de sentença penal condenatória ou sentença estrangeira ou de acórdão sentença arbitral. A execução.o juízo cível competente... o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado. quando IV ... MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 56 . Art.. se quando o título executivo tratar de sentença penal for condenatória. Nas hipóteses dos incisos II e III. Título: (. São títulos executivos judiciais: judiciais.reconhecimento da competência pelo juízo arbitral é pressuposto processual negativo e acarreta a extinção do processo judicial”. O cumprimento da sentença título judicial. de sentença arbitral.. processar-se-á efetuar-se-á perante: perante: (.) (. 575. sem alteração substancial. pelo juízo do local onde se encontram os bens sujeitos à execução ou onde deve ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer...

012. subsidiariamente. 520. devolutivo no e suspensivo. acima referida. efeito Será.) § 3o A homologação de decisão arbitral estrangeira obedecerá ao disposto em tratado e na lei. A homologação de decisão estrangeira será requerida por ação de homologação de decisão estrangeira. flexibilizando. observando-se as regras previstas nos arts. assim. A apelação terá efeito em seu suspensivo. observadas as modificações introduzidas pela Emenda Regimental n° 18. No parágrafo único. começa a produzir quando interposta de sentença que: efeitos imediatamente após (. A homologação deve ser requerida ao STJ. O novo CPC ratifica a necessidade de homologação de decisões estrangeiras. Art.Temos aqui a repetição da regra geral quanto à competência no cumprimento de sentença originada em órgão diverso (sentença estrangeira. 960.) publicação a sentença que: MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS a sua 57 . § 1o Além de outras hipóteses recebida só no efeito devolutivo. aplicando-se.. penal condenatória e arbitral). A apelação será recebida Art. as disposições deste Capítulo.. encontramos regra excepcional afinada com os princípios do acesso à justiça e da efetividade. previstas em lei. sejam elas proferidas por juiz togado ou por árbitro.. 216-A a 216-N do seu Regimento Interno. a competência territorial inicialmente fixada. salvo disposição especial em sentido contrário prevista em tratado. 1. Art. de 17 de dezembro de 2014. (. entanto..

fica admitida a interposição de agravo de instrumento. bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. Das decisões Art. na forma versarem sobre: retida. Fica extinta a figura do agravo retido e.. de 23. sendo. O novo Código trabalha com o sistema da irrecorribilidade das decisões interlocutórias. pela Lei nº 9. provocado por uma das partes. Art. rejeita a alegação formulada na forma do 337. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 58 de .VI . Cabe agravo de instrumento interlocutórias caberá agravo.julgar procedente o pedido de (…) instituição de arbitragem. como regra. portanto. Uma dessas hipóteses é justamente a rejeição de alegação de arbitragem.9. 1015. convenção de arbitragem. percebe-se que o legislador só autoriza o manejo do agravo nas situações em que a decisão interlocutória possa provocar prejuízo iminente. 522. (Incluído IV – julga procedente o pedido de instituição de arbitragem.1996) Temos aqui mera atualização de redação. por exemplo. no contra as decisões interlocutórias que prazo de 10 (dez) dias.. que a arbitragem já esteja em curso e o juiz.307. Da leitura do dispositivo. aguardar a sentença para que o competente recurso de apelação possa ser interposto.) decisão suscetível de causar à parte III – rejeição da alegação lesão grave e de difícil reparação. desaconselhável. salvo quando se tratar de (. nas situações excepcionais previstas no Artigo 1015. quando será admitida a sua interposição por instrumento. Imagine-se.

. CC 111... Com isso o processo prossegue...... na sua redação original. mas tão somente de atualizações pontuais. Se nenhuma providência for tomada...061. nos termos do Artigo 525 e seguintes do Código de Processo Civil.. do STJ...... ainda tinha por base o sistema executivo anterior à Lei n° 11.307/96 a fim de substituir a expressão embargos do executado por impugnação...05. Informativo STJ. 08.... nº 522. Luís Felipe Salomão. de 23 de setembro de 1996... Nancy Andrighi.. § 3° da Lei n° 9.. A propósito. sobre o mesmo fato. § 3º.... j....230-DF.. Artigo 1. trata-se de atualização terminológica e com o objetivo de conferir uniformidade ao sistema. . MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 59 . além de fazer a referência ao dispositivo do novo Código. se houver execução judicial”. em decisão inovadora..X.. (NR) A última menção à arbitragem no novo CPC se encontra no Artigo 1... eis que o referido dispositivo..... passa a vigorar com a seguinte redação: “Artigo 33. em 2013 foi apresentado o Projeto de Lei do Senado n° 406.. Desde o início deixando bem claro que não se tratava de uma nova Lei de Arbitragem....2013.. O Artigo 33. STJ... o STJ.307..061. ao mesmo tempo em que a arbitragem já segue o seu curso. em instâncias diversas. Além do novo CPC. Na verdade.. rel.. fruto do trabalho da Comissão de Juristas presidida pelo Min..232/2005... que modifica a redação do Artigo 33... da Lei nº 9. uma nova iniciativa legislativa foi apresentada no tocante à arbitragem. corremos o risco de enfrentar a desconfortável situação de coexistência de dois procedimentos. § 3º A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser requerida na impugnação ao cumprimento da sentença..... já admitiu a possibilidade de existência de conflito de competência entre juízo de direito e juízo arbitral.. Min.

108/2014 e ainda aguarda exame final e votação. inserindo nesse Diploma o Artigo 136-A. Nesse sentido.§ 1°). nos mesmos moldes preconizados pelo CPC/2015.. a fim de compatibilizar o instituto da arbitragem com o texto do CPC e com a jurisprudência dominante nos Tribunais Superiores. e nas relações trabalhistas (Artigo 4°.) § 1º A Administração Pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Artigos “Art.Após rápida tramitação. § 2º A autoridade ou o órgão competente da Administração Pública direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 60 . § 4°). o texto foi aprovado e remetido à Câmara dos Deputados. o projeto vai disciplinar o uso da arbitragem nas relações com a Administração Pública (Artigo 1°.. Também vai viabilizar o uso da carta arbitral (Artigo 22-C). onde foi autuado como PL 7. 1º (. é possível perceber a preocupação em preservar o sistema instituído pela Lei n° 9. O projeto traz ainda uma solução bem razoável para fixação de competência de árbitros e magistrados quando a arbitragem já foi pactuada.307/96 e viabilizar a necessária atualização. Finalmente. § 3°). mas ainda não instituída (Artigo 22-A e B).404/76. a fim de solucionar eventuais conflitos de competência quanto ao deferimento ou não de medidas de urgência. a fim de facilitar a comunicação entre árbitros e juízes togados. regulamenta o direito de retirada do acionista dissidente que não concordar com a inserção da convenção de arbitragem no estatuto social das Companhias regidas pela Lei n° 6. No texto. nos contratos consumeristas (Artigo 4°.

realização de acordos ou transações. Parágrafo único.” (NR) “Art. nos contratos individuais de trabalho poderá ser pactuada cláusula compromissória. as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medidas cautelares ou de urgência. que só terá eficácia se o empregado tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou se concordar expressamente com a sua instituição.” (NR) “Art. Antes de instituída a arbitragem. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar expressamente com a sua instituição. § 4º Desde que o empregado ocupe ou venha a ocupar cargo ou função de administrador ou diretor estatutário.. caberá aos árbitros manter. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias. na área de sua competência territorial. Instituída a arbitragem.. 2º (. desde que comprovada a confidencialidade estipulada na arbitragem. 22-B. de ato solicitado pelo árbitro. Art. Art. 22-A... Parágrafo único.” (NR) “CAPÍTULO IV-B DA CARTA ARBITRAL.) § 2º Nos contratos de adesão. para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento. a cláusula compromissória só terá eficácia se for redigida em negrito ou em documento apartado. 22-C.) § 3º As arbitragens que envolvam a Administração Pública serão sempre de direito e respeitarão o princípio da publicidade. modificar ou revogar a medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. Estando já instituída MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 61 .” “CAPÍTULO IV-A DAS TUTELAS CAUTELARES E DE URGÊNCIA. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral. 4º (. Parágrafo único. No cumprimento da carta arbitral será observado o segredo de justiça. Art. contado da data da efetivação da respectiva decisão. § 3º Na relação de consumo estabelecida por meio de contrato de adesão.

passa a vigorar acrescida do seguinte art. disserte sobre as principais características e aponte as diferenças entre a sistemática da mediação judicial e da extrajudicial. Por fim devem ser abordadas as questões relativas à duração do procedimento e às consequências do acordo. contado da publicação da ata da Assembleia Geral que a aprovou. 136-A na Subseção “Direito de Retirada” da Seção III de seu Capítulo XI: “Art. as medidas cautelares ou de urgência serão requeridas diretamente aos árbitros.” (NR) Atividade proposta Tendo em vista o texto do Substitutivo apresentado ao Projeto de Lei nº 7. nos termos das alíneas “a” e “b” do inciso II do art.404. observado o quorum do art. a necessidade de homologação judicial para acordos extrajudiciais em matéria de direitos indisponíveis. obriga a todos os acionistas da companhia. 136-A. 136. A aprovação da inserção de convenção de arbitragem no estatuto social. 137 desta Lei.” Art.a arbitragem. II – caso a inclusão da convenção de arbitragem seja efetuada no estatuto social de companhia aberta cujas ações sejam dotadas de liquidez e dispersão no mercado. 3º A Lei nº 6. os requisitos para ser mediador.169/2014. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 62 . 45). assegurado ao acionista dissidente o direito de retirar-se da companhia mediante o reembolso do valor de suas ações (art. de 15 de dezembro de 1976. o momento. § 2º O direito de retirada previsto acima não será aplicável: I – caso a inclusão da convenção de arbitragem no estatuto social represente condição para que os valores mobiliários de emissão da companhia sejam admitidos à negociação em segmento de listagem de bolsa de valores ou de mercado de balcão organizado que exija dispersão acionária mínima de 25% (vinte e cinco por cento) das ações de cada espécie ou classe. Chave de resposta: Devem ser apontadas as questões relativas aos limites objetivos e subjetivos ao uso da mediação. § 1º A convenção somente terá eficácia após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias.

Privatização do processo? Temas de direito processual. 82/97. ano 2010. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro: Saraiva. 1994. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. p. 1994. p. O princípio da adequação e os métodos de solução de conflitos. Breve noticia sobre la conciliación em el proceso civil brasileño. 2008. Mauro [s/ indicação de tradutor]. CAPPELLETTI. Rio de Janeiro: Saraiva. 95/101. 7ª série. 74. 2001. Revista dos Tribunais: São Paulo. Revista de Processo. Revista de Processo. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 63 . Temas de Direito Processual. v. 5ª série. ambos publicados na Revista Eletrônica de Direito Processual. leia os artigos de Fabiana Gonçalves e de Fabiana Spengler. Fundamentos da mediação e da conciliação. Referências ALMEIDA. José Carlos. 7/18. CALMON. Petrônio. disponível em nossa biblioteca virtual. nº 195. BARBOSA MOREIRA. _______.Aprenda Mais Material complementar Para saber mais sobre os assuntos tratados nesta aula. Os métodos alternativos de solução de conflitos no quadro do movimento universal de acesso à justiça. Diogo Assumpção Rezende de.

2000. ______. Os conflitos como processo de mudança social. v. Manoel Gonçalves.). In: JAYME. Juliana Cordeiro de. nº 190. 2. A mediação no direito brasileiro: evolução. FARIA./mar. disponível em: http://www.redp. Revista de Direito Administrativo. p.-jun. Maira Terra (Org. 2008. 219. tomo I. In: ARROW J.DUZERT. IX. Del Rey: Belo Horizonte. 2011. Mediação no Brasil: uma forma de negociar baseada na abordagem de ganhos mútuos. ______. n. 2001.com. Mediação pós-judicial: um caminho alternativo rumo à pacificação social. 295/313. Kenneth et al. 219-227. Yann. Mediação e arbitragem: alternativas à jurisdição!. 2009.br MANCUSO. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. ano 48. ed. Fernando Gonzaga. abr. Processo civil: novas tendências em homenagem ao Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. A resolução dos conflitos e a função judicial no contemporâneo estado de direito. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 64 . atualidades e possibilidades no projeto do novo código de processo civil. (Org. p. Revista Eletrônica de Direito Processual. 327/349. Revista de Informação Legislativa. Porto Alegre: Livraria do Advogado. O Novo CPC e a mediação: reflexões e ponderações. Rodolfo de Camargo. José Luis. FERREIRA FILHO.). 2011. Fabiana. 219/236. jan. MORAIS. MARION SPENLGER. GONÇALVES. LAUAR. p. Barreiras para resolução de conflitos. Fabiana Marcello. Saraiva: São Paulo.

v. A mediação e o Código de Processo Civil projetado. Rio de Janeiro: Forense. 2011.]. ______. Belo Horizonte: Del Rey. 2008. São Paulo: Oliveira Rocha. Teoria geral da mediação à luz do projeto de lei e do direito comparado. 17. RODRIGUES JÚNIOR. Revista Dialética de Direito Processual. v.). A prática da mediação e o acesso à justiça. 207. p. 09/14. ______. 105/124. p. Rio de Janeiro: Lumen Juris. In: Acesso à justiça: efetividade do processo (Org.PELUSO. Conciliação e mediação: estruturação da política judiciária nacional. Antonio Cezar. São Paulo: Revista dos Tribunais. Mediação: a redescoberta de um velho aliado na solução de conflitos. Morgana de Almeida [Coord. RICHA. Mecanismos de solução alternativa de conflitos: algumas considerações introdutórias. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2005. 2006. ano 37. Revista de Processo. p. Walsir Edson. 2004. Geraldo Prado). 2012. PINHO. ______. 213/238. Humberto Dalla Bernardina de. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 65 . (Org.

c) É a atividade desempenhada pelo árbitro. aquela que indica providência que não pode ser determinada pelo juiz neste momento. dentre as alternativas abaixo. b) Possuir ensino médio completo. d) Sofrer nomeação pelo juiz.Advogado) Nos termos da lei de arbitragem. b) É um sinônimo para conciliação. o juiz ao receber a petição inicial e verificando que é possível o consenso. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 66 . que se obrigam a obedecer a decisão do mediador. a) Designar audiência de conciliação.Exercícios de fixação Questão 1 Assinale a alternativa que melhor define a mediação: a) É a atividade imposta às partes. Questão 3 (BIO-RIO . Neste momento.EMGEPRON . pode determinar diversas providências. deve o magistrado dar especial atenção ao princípio da adequação. e) É a atividade de um terceiro neutro e imparcial que não tem o poder de decidir o conflito. c) Designar audiência especial com o magistrado.2014 . e) Determinar a realização de arbitragem incidental. o árbitro deve: a) Ser de nível superior. d) É vedada no direito brasileiro. Marque. Questão 2 De acordo com a sistemática do novo CPC. não havendo nenhuma diferença entre os institutos. d) Determinar a realização de audiência de justificação para apreciar requerimento de tutela de urgência. b) Marcar sessão de mediação. c) Ser da confiança das partes.

d) Nem ao árbitro e nem ao magistrado. III. IV. b) Ao juiz de direito. Inépcia da petição inicial. III e V c) I. Falta de caução que a lei exige como preliminar. II. Questão 5 Considere: I. vale a o princípio constitucional do acesso à justiça previsto no Artigo 5°. e) Em princípio ao magistrado. o juiz conhecerá de ofício as matérias enumeradas SOMENTE em: a) I. salvo se houver dispositivo expresso no contrato. II. De acordo com a sistemática do CPC projetado. se já há convenção de arbitragem. Convenção de arbitragem. c) Tanto ao árbitro como ao juiz. inciso XXXV.Questão 4 De acordo com as regras do PL 7.108/14. mas esta não foi ainda formalmente instituída. assim sendo. V. pois as partes já manifestaram sua opção por essa forma de solução de conflitos. Defeito de representação. por força do princípio do acesso à justiça. neste interim não pode ser solicitada medida cautelar. a quem cabe decidir eventual requerimento de medida de urgência: a) Ao árbitro. II. da Carta de 1988. Conexão. pois a arbitragem não foi instituída ainda e. II e V b) I. observada a regra de prevenção do CPC. III e V MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 67 . IV e V d) III e IV e) II. aplicável por analogia.

Questão 4 .307/96 assim determina. por elas próprias.Aula 2 Exercícios de fixação Questão 1 . MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 68 . mas pelo texto da lei. O mediador tenta remover os obstáculos ao consenso. Questão 2 .E Justificativa: O novo CPC se preocupa especialmente com o primeiro momento de tentativa de acordo. fazendo com que as partes reflitam melhor sobre o litígio e busquem. tanto que inverte a ordem adotada pelo CPC vigente para que ele ocorra antes da resposta do réu.108/2014 e que procura compatibilizar os poderes do árbitro e do magistrado neste momento em que já há a opção pela arbitragem mas ainda não houve a instauração formal do procedimento.E Justificativa: O que distingue a mediação da arbitragem e da jurisdição é justamente a ausência do poder de decidir. Questão 5 . o novo Código também vai considerar a convenção de arbitragem como matéria que deve ser. Normalmente será alguém que tenha expertise na matéria objeto do conflito. Não há requisitos adicionais para que alguém seja árbitro. A qualquer momento. Combinando-se o Artigo 139.C Justificativa: O Artigo 13 da Lei nº 9. basta que seja da confiança das partes. as possíveis soluções. qualquer das partes pode desistir ou interromper o procedimento de mediação.B Justificativa: Mantendo a mesma regra do CPC vigente. Questão 3 .B Justificativa: É a regra do Artigo 22-A do PL nº 7.

arguida pela parte interessada. não pode ela ser apontada como matéria de ordem pública. Desta forma. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 69 .necessariamente. sob pena de preclusão.

2. Examinar o instituto da mediação obrigatória. Veremos também como a questão é tratada no CPC projetado e as consequências para o sistema processual brasileiro da adoção desse instituto sob o prisma da efetividade do processo. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 70 . suas características e consequências a partir da sistemática do direito italiano. desde o Projeto de Lei nº 94. passando pelo novo CPC e chegando ao Projeto de Lei nº 7. Estudar como os projetos de lei brasileiros tratam do tema.Introdução Nesta aula. Objetivo: 1. examinaremos a questão da mediação obrigatória e os possíveis reflexos do tema no direito brasileiro. a partir da opção legislativa feita pela Itália em 2010.169/14.

Conteúdo A mediação na Europa No sistema europeu. inserir ou criar textos legais que contemplem os mecanismos de solução amigável dos conflitos. Apesar de a norma. por ser comunitária. como bem salientou Flávia Hill. obrigando cada estado-membro a refletir. um melhor acesso à justiça. consequentemente. Cabe festejar o inegável mérito da Comunidade Europeia ao reconhecer a importância dos meios alternativos de solução de conflitos. A diretiva é a primeira intervenção geral com o intuito de promover a resolução alternativa de conflitos e. especialmente por se tratar de um ordenamento comunitário que. a política de valorização da solução consensual de conflitos entrou na ordem do dia na European Judicial Area. mais simples e mais rápido. de 21 de maio de 2008. trazendo-os formalmente para o âmbito do Direito Comunitário Europeu no intuito de garantir a efetividade do acesso à justiça aos cidadãos europeus. do que em alguns de seus estadosmembros isoladamente considerados. ter como foco imediato a regulação de conflitos transnacionais. apresentando mais respostas a essa legítima expectativa. desencadeada a partir da edição da Diretiva 52. oriunda da recomendação fundamental lançada em 1998 (98/257/CE) e em 2001 (2001/310/CE). vem se mostrando mais aberto e sensível na detecção das expectativas do cidadão moderno a respeito de um Direito Processual mais ágil. mesmo tendo se originado da congregação de diferentes países. o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 71 . pelo Parlamento Europeu. consagrando a mediação nos casos civis e comerciais como o passo necessário no sentido de permitir o desenvolvimento e o funcionamento adequado dos procedimentos extrajudiciais de resolução de litígios. o que gerou uma série de alterações significativas nos ordenamentos nacionais de muitos países.

tratar-se de um processo estruturado. sugerido ou ordenado por um tribunal ou imposto pelo direito de um estado-membro. gozando os litigantes de liberdade para a busca desse meio para a solução de seus conflitos. Conceito de mediação Seguindo os parâmetros citados.entendem que a adoção da mediação. quando oportuno. administrativa e de responsabilidade civil do Estado. seria permitido às partes encerrarem a mediação a qualquer tempo. pois. bem como promoção de formação e capacitação de mediadores em cada estados-membro. através do qual duas ou mais partes em litígio procuram voluntariamente alcançar um acordo sobre a resolução do seu conflito com a assistência de um mediador. ressalvada a possibilidade de previsão de sua realização de forma obrigatória pelos estados-membros. Destaca-se contudo que: A mediação deve ser precipuamente voluntária. baixo custo a ser dispendido. independentemente da sua designação ou do modo como lhe é feita referência. desde que não venha impedir o acesso à justiça. detendo as partes ampla liberdade para organizar o procedimento a ser adotado na mediação. e a preservação da relação amigável entre os interessados. excepcionando sua adoção em matéria tributária. A mediação também deve ser pautada pela informalidade. Há possibilidade de incentivo à mediação pelos tribunais. a previsão de uma maior disposição das partes envolvidas no cumprimento espontâneo. Os tribunais são autorizados a fixarem prazo máximo para duração das ações. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 72 . significaria: maior rapidez na solução das controvérsias. Esse processo pode ser iniciado pelas partes. a diretiva adotou como conceito de mediação. mesmo no cenário interno dos países. em seu Artigo 3º. de outra forma.

o intuito de dar executoriedade aos acordos obtidos na mediação e assegurar a confidencialidade da mediação – inclusive em relação à divulgação de informações para instrução de processo judicial. Regulamentação da mediação Seguindo o que preceitua o Artigo 12 da Diretiva 2008/52/CE. trouxe no Artigo 60 o instituto da mediação. com a normatização do ordenamento interno dos países. A possibilidade de nomeação de peritos pelo mediador. em caso de celebração de acordo. o governo italiano editou o Decreto Legislativo nº 28. a previsão regulamentada dos honorários dos mediadores. além de dispor sobre matérias relacionadas ao desenvolvimento econômico e às alterações do Código de Processo Civil. o Parlamento Italiano editou a Lei nº 69. a edição de um decreto legislativo destinado a regulamentá-la nos âmbitos civil e comercial no ordenamento italiano. e deveria ser instituído um registro dos organismos de mediação mantido pelo Ministério da Justiça. Exercendo então a delegação outorgada pela Lei nº 69/2009. que.Tem-se. que prevê o dever dos estados-membros de criarem normas que lhe deem cumprimento. A possibilidade de a Ordem dos Advogados e demais conselhos profissionais instituírem órgãos de mediação. dentro do prazo máximo de seis meses a partir da entrada em vigor da referida lei. de 18 de junho de 2009. São elas: A mediação deveria ser contemplada no decreto legislativo como meio de solução de litígios envolvendo direitos disponíveis. a fim de regulamentar a mediação na Itália. seguindo as regras gerais preestabelecidas por aquela lei. a serem majorados. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 73 . caso entenda necessário. salvo quando esteja envolvido interesse de menor ou execução do acordo de mediação. de 4 de março de 2010. delegando ao governo. situações em que será possível divulgar as informações.

Vedação à duração superior a quatro meses para a mediação. Todavia.Previsão do dever conferido ao advogado de informar seu cliente sobre a possibilidade de mediação. mas com particularidades próprias. A previsão de vantagens fiscais para a celebração de acordo. por conseguinte. e previsão de que o acordo tenha eficácia executiva. cujo conteúdo corresponda inteiramente à decisão judicial. na ocasião da mediação. como bem observado por Vincenzo Vigoriti. neutralidade e independência do mediador. Possibilidade de condenação do vencedor no processo judicial ao reembolso das despesas em favor do vencido. caso tenha recusado. o acesso aos métodos judiciais e extrajudiciais de resolução de disputas. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 74 . Garantia de imparcialidade. antes da instauração do processo judicial. A justiça europeia O retrato da justiça europeia revela. Atenção O Decreto Legislativo nº 28. que tem se demonstrado sensível à garantia de um melhor acesso à justiça e. revestido de título executivo para fins de hipoteca judicial. movendo-se no contexto europeu. realmente o faz. proposta feita pelo mediador. que carrega em seu espírito o desejo de melhorar o sistema italiano de mediação. o que justifica a busca que tem se verificado na última década pela ADR nos ordenamentos que tradicionalmente dispensavam apreço pela solução de conflitos pela via judicial. é inegável que o principal objetivo da reforma é usar a mediação como mais um instrumento para resolver uma grave crise na justiça civil.

Aqui está. A exigência de experimentar a mediação prévia passou a ser exigida a partir de 20 de março de 2011. o fato é que o decreto procura distinguir entre três tipos de mediação: mediazione obbligatoria. tem provocado a perplexidade da comunidade jurídica italiana. mediazione facoltativa e mediazione concordata. e não como livre escolha das partes que desejam chegar a uma possível pacificação do seu conflito. de 1 de setembro de 1993. a nosso ver. como será demonstrado à frente. de 08 de outubro de 2007. ou ainda o procedimento estabelecido nos termos do Artigo 128 da lei consolidada em matéria bancária e crédito referida no Decreto nº 385. Assim. qualquer pessoa que pretenda levar uma ação a um tribunal versando sobre matéria elencada no rol de litígios enumerados deverá previamente experimentar o processo de mediação nos termos desse decreto ou o procedimento de conciliação previsto no Decreto Legislativo nº 179. o grande equívoco. e em alterações posteriores. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 75 . contudo. A obrigatoriedade da mediação O uso da mediação como uma condição indispensável para a obtenção de acesso à via judicial.tornando-se instrumento de diminuição da carga de trabalho dos juízes. doze meses após a publicação do decreto. nos termos do Artigo 5º do Decreto Legislativo nº 28/2010. crítica realizada por juristas italianos que alegam ser inconstitucional a mediação alçançar a condição de admissibilidade do processo judicial como garantia do acesso à justiça. Sem considerar a terminologia usada pelo legislador e as diferenças entre mediação e conciliação. Contudo. o núcleo mais significativo que tem sido criticado é a introdução da mediação obrigatória.

devendo tal regramento geral ser alcançado sem prejuízo ou redução do acesso à justiça. tem estabelecido. Ademais. se essas regras devem englobar também o pedido de reconvenção ou ainda se devem ser aplicadas na intervenção de terceiros. bem como com uma possível redução de trabalho de advogados. por conta das inevitáveis repercussões processuais que tal condição pode trazer. e também em contraste com essa lei na medida em que a mediação não teria o condão de impedir o acesso à justiça. como. há a preocupação com a proteção dos direitos individuais e processuais. Também há dúvidas com relação a possíveis problemas de estrutura e a logística que demandará organizar uma rede de órgãos permanentes. em muitos casos. § 3º) impõe ainda a esses profissionais a obrigação de informar ao cliente sobre a possibilidade ou necessidade de submissão à mediação prévia nos casos em que esse requisito é condição de admissibilidade da ação. a mediação como condição de admissibilidade da demanda (Artigo 5º). Os argumentos lançados contra a obrigatoriedade da mediação se referem principalmente ao fato de ela se tratar de um obstáculo ilegítimo ao acesso à justiça e que pode retardar excessivamente o processo por quatro meses (tempo máximo estabelecido pelo decreto legislativo) para o exercício da tentativa de mediação. situados MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 76 . situação não prevista na Lei nº 69. principalmente em causas menores. Obviamente tais limites criados pelo legislador têm suscitado questionamentos pela doutrina acerca de sua legalidade e validade face à Carta do Estado italiano. num sentido inverso. enquanto o Decreto Legislativo nº 28/2010. pois o Decreto Legislativo nº 28/10 (Artigo 4º. por exemplo.A crítica está particularmente no fato de que o Artigo 60 da Lei nº 69/2009 simplesmente prevê a instituição da mediação visando a reconciliação.

Apesar da mediação forçada implicar numa condição de admissibilidade da demanda. Atenção Foi reconhecido o risco de comprometimento da eficácia da proteção judicial. que só é adiada ante o interesse das partes em se submeterem a um procedimento mais rápido e menos dispendioso. Por outro lado. uma vez que podem ocorrer desperdícios de recursos – principalmente na fase inicial. não serem infundadas as dúvidas suscitadas acerca de alguns dispositivos do Decreto Legislativo nº 28/2010 tais como a excessiva delegação constante no Artigo 5º e a mediação. que decidiu. impedindo efetivamente o acesso à justiça. Ademais. que o exercício da delegação deveria MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 77 . Diante disso. em 2011. como fase de pré-julgamento. deve ser considerado o interesse geral no sentido de promover o aperfeiçoamento da administração da justiça. Em oposição ao outro grupo. desde que o acesso não se torne extremamente difícil e não resulte numa demora sensível para a solução do conflito. por sua vez. na verdade. traduzir-se em condição de admissibilidade da ação. a favor da obrigatoriedade militam aqueles que entendem que a experiência demonstra que a tentativa prévia de acordo não impede o acesso à justiça. que a obrigatoriedade da mediação possibilitará um incremento na oferta de oportunidade de trabalho para os advogados. defende-se.no território nacional. pois o terceiro parágrafo do Artigo 60 da Lei nº 69/2009 exige. os defensores da obrigatoriedade entendem que se trata de um requisito que pode ser tolerado. cujas atividades se enquadrem no novo sistema. algumas associações profissionais ingressaram com ação em face do Ministério da Justiça e do Ministério do Desenvolvimento Econômico perante o TAR Lazio.

a crítica que surge é que em nenhum outro país a lei aparenta ser tão invasiva e significativa quanto a prevista na Itália. todavia. diante da incompatibilidade do instituto face ao direito comunitário. algumas associações de advogados italianos solicitaram a não aplicação do instituto pelos tribunais. Na verdade. que prevê a inversão do princípio da sucumbência se a decisão judicial coincidir integralmente com o conteúdo da proposta feita pelo mediador e refutada pela parte. Veja-se o exemplo extraído da regra contida no artigo 13 do decreto. argumentando que o juiz.levar a cabo o princípio de que a mediação tem como objetivo principal a reconciliação de litígios relativos a direitos disponíveis. embora o sistema obrigatório de mediação não seja uma novidade na Europa. excluir o acesso à justiça. A regra traz um conteúdo intimidatório contra o advogado e às próprias partes e parece conferir à mediação um valor MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 78 . a pedido de qualquer uma das partes pode admitir o pedido. sendo então vencida no julgamento. recusandose a aplicar o artigo 5º do decreto por ser incompatível com a Carta Europeia dos Direitos do Homem. A obrigatoriedade da mediação na justiça italiana A espera de ouvir o pronunciamento da Corte Constitucional acerca da validade de alguns dispositivos do decreto. acredita-se que os juízes nacionais podem afastar o conteúdo obrigatório da mediação por se tratar de violação a um princípio geral fundamental da União Europeia. Nessa linha de raciocínio. sem.

28/2010 apontando como ponto mais polêmico a regra que diz respeito à realização da mediação obrigatória em relação a uma série de disputas para as quais. que seria mais próxima da mediação puramente voluntária e que endossaria sua legitimidade. portanto. No entendimento do Parlamento. o Parlamento Europeu decidiu realizar um balanço prévio.europarl. 2 O texto está disponível em http://www. os problemas que surgiram e alguns aspectos mais específicos registrados em alguns países.do?pubRef=//EP//TEXT+TA+P7-TA-2011-0361+0+DOC+XML+V0//PT&language=PT#def_1_1 MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 79 . No âmbito da União Europeia. levando a adoção de uma Resolução2. desde que isso não impeça as partes de exercerem seu direito de buscar o sistema judicial. o Parlamento cita a Itália e seu decreto legislativo n. mesmo que tenha sido planejada como uma condição obrigatória de admissibilidade. Como não poderia ser diferente. o acesso à justiça fica condicionado à prévia tentativa de conciliação entre as partes.estritamente paraprocessual e não de facilitador de um acordo pelas partes. o parágrafo 2º do artigo 5º da diretiva comunitária permite aos Estados-membros a utilização da mediação de forma obrigatória ou a sujeite a incentivos ou sanções. em 13 de setembro de 2011. tendo em conta as maneiras pelas quais os Estadosmembros adotaram as medidas para operacionalizar as disposicões da Diretiva 2008/52/CE. tanto antes como após iniciado o processo judicial. em vista do comunicado sobre a implementação da diretiva referente à mediação previsto para 2013.eu/sides/getDoc.europa.

87/1953 (Norme sulla 3 Parecer formulado pela Comissão Europeia em resposta a Corte de Justiça sobre a mediação obrigatória diante do questionamento de incompatiilidade do D. que o mecanismo de mediação exigido na lei italiana que condiciona a admissibilidade da demanda judicial em alguns casos especificamente identificados.pdf> 5 Série especial n. 28/2010 com a normativa europeia: <http://www. Apesar da Comissão Europeia ter emitido parecer com observações centralizadas especialmente sobre os mecanismos de sanções3 previstos nos artigos 11 e 13 do D.Observa ainda que o legislador italiano decidiu reformar seu sistema legal neste sentido com vistas a aliviar a carga de trabalho perante os tribunais. Legs. Disponível em: www. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 80 . 28/2010 em resposta ao questionamento da Corte de Justiça da UE. reduzindo a duração excessiva de uma demanda judicial. 4 Os detalhes sobre a audiência pública podem ser conferidos no site da Corte Constitucional: <http://www.cortecostituzionale. notoriamente congestionados. não tem sido bem recebido pelos operadores jurídicos. Acesso em: 15 dez. Nos termos dos artigos 30 da Lei n. pela inconstitucionalidade de alguns dispositivos do D. Leg. mas ressalta que em outros países aonde tornou-se a mediação obrigatória como na Bulgária e na Romênia. 2012. 2012. tem contribuído para uma disputa rápida. após audiência pública realizada em 23 de outubro de 20124.Lgs.pdf> Acesso em: 14 ago. Entretanto percebe o Parlamento.it/cms/ wp-content/uploads/commissione-Ue-sanzioniconciliazione. agilizando assim o tempo de duração dos processos que muitas vezes distorcem o conceito de justiça. cuja decisão (acórdão 272) publicada em 12 de dezembro de 2012 na Gazzetta Ufficiale5 confirma a existência de excesso de delegação legislativa. 28/2010.gazzettaufficiale. que tem impugnado o decreto.mondoadr. traduzindo-se numa verdadeira negação de direitos. 49 de 12/12/12.it. a Corte Constitucional Italiana decidiu.it/documenti/lavori/doc/CC_CL_CC_20121011125729.

Em junho de 2013 foi editado o Decreto legislativo 69. em muitos dos casos. as disposições de uma norma. quando. a partir de 13 de dezembro de 2012 a mediação obrigatória foi abolida do ordenamento italiano. é da essência desses procedimentos a voluntariedade. Mas é forçoso reconhecer que em certos casos a mediação e a conciliação devem ser etapas regulamentares do procedimento. e re-introduziu a figura da mediação obrigatória. Assim. conhecido como "Decreto del fare). com todas as suas forças. a partir dos parâmetros fixados pela Suprema Corte Italiana. Essa característica não pode ser jamais comprometida. na medida em que tais ferramentas se mostram as mais adequadas ao deslinde daquele conflito em especial. Não parece ser ideal a solução que preconiza apenas um sistema de mediação incidental muito bem aparelhado. Por outro lado. que alterou o D. somos de opinião que o melhor modelo é aquele que admoesta as partes a procurar a solução consensual.L.Costituzione e sul funzionamento della Corte Costituzionale) e 136 da Constituição Italiana. quando declaradas inconstitucionais. e refinando a linguagem imprecisa que constava na redação original do D. perdem a sua eficácia a partir do dia seguinte à publicação da decisão pelo tribunal constitucional. e mesmo a percepção de suas vantagens. 28.L. superando assim o vício formal antes apontado. mesmo que sob o argumento de que se trata de uma forma de educar o povo e implementar uma nova forma de política pública. 28. Mediação consensual Apesar de toda a preocupação com o uso da mediação no processo judicial. antes de ingressar com a demanda judicial. eis que já terá havido a movimentação da máquina judiciária. isso poderia ter sido evitado. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 81 . não concordamos com a ideia de uma mediação ou conciliação obrigatória.

por ausência de condição de procedibilidade. acirrará ainda mais os ânimos. provavelmente. Não se pode permitir que o Judiciário seja utilizado. Contudo. e o juiz rejeitará a petição inicial. num caso de grande complexidade. amadurecimento e mútua confiança para serem expostas e resolvidas. Sujeitar a admissibilidade da ação a uma tentativa prévia e obrigatória de mediação. após duas ou três sessões.Pensar em uma instância prévia e obrigatória de conciliação. ou impor sanções pela não aceitação de um acordo razoável (como o pagamento das custas do processo ou dos honorários advocatícios. muitas vezes inconscientes. acarretará uma das seguintes situações: a) As partes farão uma mediação simulada e. mesmo em caso de vitória. abusado ou manipulado pelos caprichos MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 82 . que funciona como motor propulsor oculto de toda aquela litigiosidade. dessa forma. que demandam tempo. Nenhuma dessas hipóteses parece estar de acordo com a índole pacificadora da moderna concepção da jurisdição. quando aquele valor é exatamente o que foi decidido pelo magistrado na sentença). o que. preenchendo. a condição legal que lhes foi imposta. e verdadeira questão subjacente aquele conflito. dirão que o acordo é impossível. c) As partes se recusarão a participar do ato. onde há questões emocionais profundas. b) As partes se submeterão a um procedimento superficial. Os exemplos aludidos não devem ser considerados numa mediação. podem ser soluções válidas – são exemplos do direito inglês e do direito norte-americano que merecem ser estudados. é forçoso reconhecer que é necessário buscar uma solução para a hipótese na qual a mediação é a solução mais indicada e as partes a recusam sem uma razão plausível. não será sequer examinada. em hipóteses em que se discute apenas uma questão patrimonial. por saberem que não há condições de viabilidade no acordo.

Mas essa é apenas uma das facetas dessa visão. como forma de racionalizar a prestação jurisdicional e evitar a procura desnecessária pelo Poder Judiciário ou mesmo ou abuso do direito de ação. acolhendo a ideia da adequação. querem brigar ou levar o conflito a novas fronteiras. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 83 . dentro do binômio necessidade-utilidade. como já dito antes. de alguma forma. talvez a mais importante. da Carta de 1988. A outra. inciso XXXV. Poderíamos até dizer que se trata de uma interpretação neoconstitucional do interesse em agir que adequa essa condição para o regular exercício do direito de ação às novas concepções do Estado Democrático de Direito. à intervenção em todo e qualquer conflito. na esteira de que o juiz não pode se eximir de sua função de julgar.de litigantes que. Sustentamos. se um cidadão bate às portas do Poder Judiciário. Interesse em agir Reafirmamos aqui nossa opinião no sentido de que as partes deveriam ter a obrigação de demonstrar ao juízo que tentaram. é a consciência do próprio Poder Judiciário de que o cumprimento de seu papel constitucional não conduz. Tal visão pode levar a uma dificuldade de sintonia com o Princípio da Indelegabilidade da Jurisdição. seu acesso não pode ser negado ou dificultado. buscar uma solução consensual para o conflito. Interessante observar que Neil Andrews remete em sua obra ao dever das partes de explicar o motivo da recusa em se submeter aos meios alternativos. obrigatoriamente. simplesmente. na forma do Artigo 5º. ou seja. ampliação no conceito processual do interesse em agir.

sobretudo no que se refere à direção do processo. sempre e necessariamente. é evidente que a maior preocupação do juiz será com a efetiva pacificação daquele litígio. E isso fica muito claro no Projeto do novo CPC. rápido e efetivo. outorga-lhe instrumentos para que possa conhecer o conflito a fundo. pacificadora. de forma inquestionável. assim como temos desenvolvido um sistema de filtros para as causas repetitivas. a fim de promover a sua pacificação. Uma vez ajuizada a demanda. é preciso forjar um sistema equilibrado entre a mediação judicial e a extrajudicial. num agente preservador das garantias constitucionais. limitando-se a aplicar a lei ao caso concreto. na medida em que o Artigo 139 confere uma série de poderes ao juiz. como forma de resposta técnico-jurídica à provocação do jurisdicionado. convertendo-se. Pode ser que o juiz entenda que aquelas partes precisem ser submetidas a uma instância conciliatória. ofertar uma resposta de índole impositiva.O juiz e os processos de solução de conflitos O que deve ser esclarecido é que o fato de um jurisdicionado solicitar a prestação estatal não significa que o Poder Judiciário deva. temos que pensar também um sistema multiportas que se adapte a cada tipo de conflito. Se o novo CPC exige do juiz uma fidelidade absoluta aos princípios constitucionais. mencionando expressamente a adequação e a flexibilização mitigada como instrumentos para se alcançar a efetividade. Atenção Nesse sentido. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 84 . por outro lado. de modo a observar de forma intransigente a garantia do acesso à justiça e manter um Judiciário ágil. compreendendo suas razões. Nesse passo. ainda que metajurídicas. antes de uma decisão técnica. e não apenas com a prolação de uma sentença.

Rede colaborativa Outro ponto que me parece vital é a construção de uma rede colaborativa envolvendo órgãos do Poder Judiciário e setores da sociedade civil organizada que detenha a estrutura necessária para ofertar esse serviço em regime de cooperação. sob pena de comprometermos esse instituto antes mesmo da sua vigência. Pensar apenas na mediação judicial não resolverá o problema da sobrecarga de trabalho. bem como os efeitos colaterais que podem daí advir. forçoso reconhecer que.. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 85 . c) Possível realização de ato simulado apenas para satisfazer a condição legal imposta. Ao contrário. associações de classe. Chave de resposta: Podem ser apresentadas as seguintes considerações: a) Eventual problema de inconstitucionalidade. provavelmente causará um novo boom de demandas. frente ao Artigo 5°. b) Falta de efetividade diante da dificuldade de conseguir o acordo em alguns casos. antes de editar nossa futura lei de mediação. Ministério Público e Advocacia Pública. temos que construir essa rede e deixá-la preparada para o volume de demandas que está por vir. Defensoria Pública. e) Aumento do nível de litigiosidade diante do uso inadequado dos meios alternativos. assim como ocorreu com a edição do CDC em 1990 e com a instituição dos Juizados Especiais Civis. Atividade proposta Tendo em vista o conteúdo visto sobre o eventual uso da mediação obrigatória no direito brasileiro. da C. universidades públicas e privadas. Diante disso. XXXV. aponte as principais desvantagens apontadas pela doutrina. em 1995. d) Possível comprometimento da celeridade. que hoje pesa sobre os ombros dos magistrados.F. Isso se refere a cartórios extrajudiciais.

vol. desafios e limites para a institucionalização da mediação no Judiciário. publicado no XX Congresso Nacional do Conpedi. texto de Michele Paumgartten e Humberto Dalla. vol. Referências ANDREWS. jul. de autoria de Maria Rita Drummond. PINHO. 2. GABBAY. Meritum – Revista de Direito da Universidade FUMEC.um contra-senso". Humberto Dalla Bernardina de./dez. Brasília: Gazeta Jurídica. Mediação & Judiciário no Brasil e nos Estados Unidos: condições. 181/228. 7. A nova lei de mediação italiana. 294-321. Daniela Monteiro. Neil. BONAFE-SCHMITT. A Experiência Italo-Brasileira no uso da mediação em resposta à crise do MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 86 . HILL. VI. "Mediação obrigatória . São Paulo: Revista dos Tribunais. O Moderno Processo Civil: formas judiciais e alternativas de resolução de conflitos na Inglaterra. n. XI da Revista Eletrônica de Direito Processual. Belo Horizonte. texto de Michele Paumgartten. 2013. 2009. Paula. A nova face da justiça: os meios extrajudiciais de resolução de controvérsias. Lisboa: Coimbra Editora. Os modelos de mediação: modelos latinos e anglo-saxões de mediação. Jean-Pierre. 2009. "Mediação obrigatória". Revista Eletrônica de Direito Processual. 2012. COSTA E SILVA. PAUMGARTTEN. p. FLAVIA. Michele Pedrosa.Aprenda Mais Material complementar Para saber mais sobre o tema da aula leia os seguinte textos: "O futuro da mediação na Itália". p. publicado no vol.

deve ser. editado em março de 2010. adotada a mediação obrigatória. O futuro da mediação na Itália após a decisão da Corte Constitucional da República. vol.redp. e) Nos conflitos em matéria patrimonial. desde que contemplem a mediação obrigatória para conflitos em matéria de pequenas causas. necessariamente. 210-225. 2012. Ocorre que.com.br PAUMGARTTEN. Disponível em: http://www. PINHO. Michele. Disponível em: http://www. 8.redp. XI. Revista Eletrônica de Direito Processual. é correto afirmar que: a) A diretiva instituiu a mediação obrigatória em todos os países da Comunidade Europeia.br PAUMGARTTEN. p. vol. a mediação obrigatória foi instituída a partir do Decreto Legislativo nº 28 (DL nº 28). Humberto Dalla Bernardina de. b) Todos os países devem instituir mecanismos de solução consensual de conflitos. vol. Revista Eletrônica de Direito Processual.com.com. 10. 2011.monopólio estatal de solução de conflitos e a garantia do acesso à justiça. entre partes maiores e capazes.redp.br Exercícios de fixação Questão 1 Tendo em vista a Diretiva n° 52 da Comunidade Europeia e a ideia de institucionalizar a mediação nos estados-membros. Disponível em: http://www. Mediación Obligatoria: una versión moderna del autoritarismo procesal. em 2012. Questão 2 No direito italiano. p. 443-471. c) Cada país deve adotar as ferramentas adequadas às suas peculiaridades. Michele Pedrosa. d) Os países devem fazer plebiscitos para adotar a mediação obrigatória. Revista Eletrônica de Direito Processual. a Suprema Corte daquele país considerou esse mecanismo inconstitucional porque: MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 87 .

b) A possibilidade de a Ordem dos Advogados e demais conselhos profissionais instituírem órgãos de mediação. em determinadas hipóteses.169/14 Questão 5 MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 88 . Questão 4 Levando em conta as iniciativas legislativas brasileiras sobre mediação. e) Vedação a que a mediação tenha duração superior a sessenta dias. e) Dependia de emenda constitucional. Questão 3 Tendo em vista as diretrizes do DL nº 28. e a previsão regulamentada dos honorários dos mediadores. aponte a alternativa falsa. b) Atenta contra o princípio da inércia jurisdicional. a figura da mediação obrigatória: a) Projeto de Lei nº 94/02 b) Projeto de Lei do Senado nº 517/11 c) Projeto de Lei do Senado nº 434/11 d) Projeto de Lei do Senado nº 405/13 e) Projeto de Lei do Senado nº 7. a) A mediação deveria ser contemplada no decreto legislativo como meio de solução de litígios envolvendo direitos disponíveis.a) Ofendia o princípio constitucional do acesso à justiça. d) Dependia de norma regulamentadora até então não editada. e deveria ser instituído um registro dos organismos de mediação mantido pelo Ministério da Justiça. c) A possibilidade de nomeação de peritos pelo mediador. caso entenda por necessário. d) Previsão do dever conferido ao advogado de informar seu cliente sobre a possibilidade de mediação antes da instauração do processo judicial. aponte qual destes diplomas previu. a ser majorado em caso de celebração de acordo. c) Continha vício formal.

podemos afirmar que: a) Conciliação e mediação podem ser utilizadas pelo magistrado apenas nos casos expressamente autorizados em lei. mas o nº PL 7. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 89 . b) A mediação obrigatória pode ser utilizada se determinada pelo magistrado.169/14. c) O novo CPC prevê apenas a conciliação obrigatória. e) Nem o novo CPC e nem o PL 7.Tendo em vista as disposições do CPC projetado e do PL nº 7. d) O novo CPC não prevê mediação obrigatória. mas não a mediação obrigatória.169/14 sim.169/14 preveem a mediação obrigatória.

como a Itália. ou seja.C Justificativa: Na decisão da Suprema Corte da Itália. Questão 4 . depois convertido no PL nº 94/02. Posteriormente. pois o DL dispõe expressamente que a mediação pode ter duração de até quatro meses. em seu Artigo 34 a obrigatoriedade da mediação em determinadas hipóteses. Questão 3 .E Justificativa: A última alternativa é falsa. Questão 5 . mas apenas a conciliação e mediação facultativas.E Justificativa: Nem o CPC projetado e nem o PL nº 7. conhecido com Decreto del fare. tenham feito uso da mediação obrigatória. ficou assentado que o vício era de forma. o vício foi sanado.A Justificativa: Apenas o antigo Projeto nº 4. não há nenhuma regra na Diretiva nº 52 nesse sentido.B Justificativa: Embora alguns países. em 2013. Questão 2 .728.169/14 contemplam a figura da obrigatoriedade. por força de legislação interna. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 90 . nesse período. com a edição do DL nº 69. sendo permitido.Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 . a instituição da mediação obrigatória não poderia ser feita apenas por decreto legislativo. que as partes se dirijam diretamente ao magistrado na eventualidade de necessitarem de alguma providência de urgência. previa.

206 pelo STF. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 91 . a questão da constitucionalidade. Objetivo: 1.307/96.307/96 como pelo CPC vigente. a partir do julgamento da SE nº 5. em seguida veremos a questão da constitucionalidade. desde a fase cognitiva até a execução da sentença arbitral.Introdução Vamos fazer um exame panorâmico do procedimento arbitral a partir das hipóteses de intervenção jurisdicional.307/96 e pelo Código de Processo Civil (CPC) como título executivo judicial. Estudar o instituto da arbitragem na legislação brasileira a partir da edição da Lei nº 9. que é tratada pela Lei nº 9. enfocando. principalmente. 2. Analisar as principais questões procedimentais e como elas são tratadas tanto pela Lei nº 9. dos limites objetivos e subjetivos para sua utilização e os princípios informadores. bem como os principais tópicos relacionados aos limites objetivos e subjetivos ao uso do instituto. à competência e ao procedimento arbitral.

O Tribunal. Pela letra da Lei. Após intensos debates. declarada constitucional pelo STF. o Pretório decidiu. por considerar que a manifestação de vontade da parte na cláusula compromissória no momento da celebração do contrato e a permissão dada ao juiz para que substitua a vontade da parte recalcitrante em firmar compromisso não ofendem o art. com o objetivo de obter em juízo o suprimento judicial da vontade não manifestada (realização da arbitragem). que.307/96 – Lei de Arbitragem (v. entendiam inconstitucionais a prévia manifestação de vontade da parte na cláusula compromissória – dada a indeterminação de seu objeto – e a possibilidade de a outra parte. ao tempo em que emprestavam validade constitucional ao compromisso arbitral quando as partes de uma lide atual renunciam à via judicial e escolhem a alternativa da arbitragem para a solução do litígio. ou seja. por maioria. da CF (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”). o pacto de arbitragem. Alguns pontos da Lei nº 9. relator.307/96. Néri da Silveira e Moreira Alves. feito antes do surgimento do litígio. Informativos 71. a recusa em cumprir a cláusula daria ensejo ao ajuizamento de demanda especial. que tramitou pelo STF por mais de cinco anos. Vencidos os Ministros Sepúlveda Pertence. 221 e 226).307/96 foram questionados em arguição incidental de inconstitucionalidade nos autos de homologação de sentença estrangeira. ainda que por maioria. XXXV. garantindo a efetividade da arbitragem no ordenamento brasileiro. havendo resistência quanto à instituição da MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 92 . declarou constitucional a Lei 9.Conteúdo Arbitragem no ordenamento brasileiro O ponto central da discussão dizia respeito à autonomia da cláusula compromissória. pela constitucionalidade desses dispositivos. 211. 5º. Concluído o julgamento de agravo regimental em sentença estrangeira em que se discutia incidentalmente a constitucionalidade da Lei 9. por maioria. Sydney Sanches. Assim ficou redigida a ementa do julgado.

consequentemente. Arbitragem e inconstitucionalidade A tese da inconstitucionalidade. senão pela autoridade competente (Artigo 5º. CF). MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 93 . XXXV. prevaleceu o entendimento de que a livre manifestação de vontade. e. 6º. 42. VII. já era minoritária em sede doutrinária. não ensejando a obrigatoriedade da utilização da solução arbitral em detrimento da solução jurisdicional. a previsibilidade das consequências do ato e a existência de lei clara sobre a matéria seriam suficientes para afastar qualquer alegação de inconstitucionalidade. CF). proveu o agravo regimental para homologar a sentença arbitral. 2) o art. LIV. b) Subtração do juiz natural das partes (Artigo 5º. por violação ao princípio do livre acesso ao Poder Judiciário. a inconstitucionalidade dos seguintes dispositivos da Lei 9. as novas redações atribuídas ao art. IX. Contudo. LV. Os principais argumentos utilizados para questionar a inconstitucionalidade são os seguintes: a) Impossibilidade de alguém ser processado ou sentenciado. O Tribunal. e art.307/96: 1) o parágrafo único do art. Discutiu-se se não se trataria de uma mera cláusula de conteúdo obrigacional. 4) e do art. CF) e d) Acesso às vias recursais (Artigo 5º.307/96. na forma do Artigo 31 da Lei nº 9. XXXVIII. CF). A questão foi ainda discutida sob o ângulo da autonomia da sentença arbitral e a desnecessidade de sua homologação pelo Poder Judiciário. 7º e seus parágrafos. declaravam. mesmo antes de ser derrotada no seio do Supremo Tribunal Federal. que deveria resolver-se em perdas e danos apenas. c) Subtração do devido processo legal (Artigo 5º. por unanimidade.arbitragem. CF/88. 3) no art. 41. recorrer ao Poder Judiciário para compelir a parte recalcitrante a firmar o compromisso. sobretudo diante dos termos do Artigo 5º. 267. 301. LIII. do Código de Processo Civil.

§ 3º. defensor da constitucionalidade dos dispositivos. CPC).Joel Dias Figueira Júnior. porque decisão é título executivo judicial. que transferiu essa competência do STF para o STJ). Pelo contrário.307/96 a) O acesso à jurisdição estatal não deixa de estar garantido às partes. §§ 1º e 2º. antecipatórias e inibitórias ou coercitivas somente poderão ser efetivadas pelos juízes togados. e) Caberá ao Poder Judiciário decidir a respeito da instauração do juízo arbitral quando houver cláusula compromissória e resistência de um dos litigantes em cumpri-la (Artigo 7º). pois falta aos árbitros a executio. f) Os laudos arbitrais estrangeiros estarão sempre sujeitos à homologação pelo STJ (Artigo 35. remetendo as partes às vias ordinárias até que se resolva a questão (Artigo 25 e parágrafo único). d) Surgindo questão que verse sobre direitos indisponíveis. CPC). já era minoritária em sede doutrinária.307/96 (atente-se ao fato de que hoje o Artigo 584 encontra-se revogado pela Lei nº 11. da Lei nº 9.232/2005. CPC c/c o Artigo 41 da Lei nº 9. observado o disposto na EC nº 45/2004. A norma passou a estar contida no Artigo 475-N. c) As tutelas de urgência acautelatórias. concorda com o exposto acima e enumera ainda outras razões pelas quais deve ser considerada a Lei nº 9. b) A execução forçada da sentença somente se dá através da provocação da jurisdição estatal. sempre que haja ocorrido nulidade (Artigo 32) ou alguma das circunstâncias do Artigo 20. conforme Artigo 584.307/96. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 94 . III. o árbitro deverá suspender o procedimento arbitral.307/96 c/c o Artigo 741.307/96 apta a produzir efeitos: Considerações sobre a Lei nº 9. está expressamente permitido no Artigo 33. A tese da inconstitucionalidade. da Lei nº 9. mesmo antes de ser derrotada no seio do Supremo Tribunal Federal. Caberá à parte interessada demandar ao Judiciário a anulação da sentença arbitral ou interpor embargos à execução (Artigo 33.

Vista essa questão. tampouco a poderá conhecer em sede incidental.. excluídos da arbitragem os direitos não patrimoniais e os indisponíveis. pátrio poder. que haja total fidúcia das partes em relação à decisão que será proferida. bem como as de ordem fiscal e tributária. São excluídas as matérias de natureza familiar ou de Estado.). alimentos. apenas podem ser objeto da arbitragem os direitos patrimoniais disponíveis. dos limites objetivos e subjetivos para o uso da arbitragem. isto é. aqueles passíveis de conversão monetária e que se encontrem na livre disposição do seu titular. As causas de falência. agora. ou seja. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 95 . Ficam.Questão controvertida na doutrina é a arbitragem envolvendo entidades de direito público. ex. Em relação à irrecorribilidade da decisão proferida pelo árbitro. ambas as partes acordaram em submeter seus litígios a árbitro de sua confiança. As questões excluídas do objeto da controvérsia podem ser apreciadas incidentalmente. também não podem ser submetidas à solução pela via arbitral.. não há o que se falar em afronta a princípios constitucionais. falaremos um pouco. Presume-se. que envolvam coisas fora do comércio ou que exijam a participação do Ministério Público. portanto. então. Essa apreciação incidental não se confunde com a ação declaratória incidental.307/97. De acordo com o Artigo 1º da Lei nº 9.. concordata. Limites objetivos e subjetivos para o uso da arbitragem É bastante amplo o campo de atuação da arbitragem no Brasil. casamento etc. filiação. com o escopo de esclarecer ou servir de sustentação à matéria de fundo. relativas à capacidade da pessoa ou ao seu estado (p. pois. Veja a seguir. Se o árbitro não tem jurisdição para conhecer de determinada matéria em sede principal.

Exige-se. abriu caminho para a inovação. não há óbice que a Administração Pública se submeta à arbitragem.307/96). não bastando que apenas uma das partes deseje que o litígio não seja levado ao Poder Judiciário. temos a possibilidade de a Administração Pública transigir a respeito de interesses a ela referidos em processos judiciais.Arbitragem envolvendo entidades de direito público A questão analisa se os interesses da Administração Pública são sempre indisponíveis e. de 23 de setembro de 1996”.987/2005). 9.259/2001). Dessa forma. de 2005.196.Esse entendimento vem sendo prestigiado pela doutrina mais moderna e também pela jurisprudência. insuscetíveis de serem submetidos à arbitragem. conhecida como a Lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e a Lei nº 11. por isso.079/2004. encontramos a Lei nº 11. Relação arbitragem e pessoa Em relação ao sujeito. Nesse sentido. como acontece nos Juizados Especiais (Artigo 10 da Lei nº 10. a ser realizada no Brasil e em língua portuguesa. inclusive a arbitragem. apenas podem se submeter à arbitragem pessoas capazes (Artigo 1º da Lei nº 9. que acrescentou dispositivos na Lei Geral da Concessão e Permissão de Serviços Públicos (Lei nº 8. mas sim como a capacidade civil plena. mais do que considerá-lo indisponível. Com efeito. tem‑se que ressaltar que gera efeitos disponíveis. que alterou a redação do § 1º do Artigo 173 da Constituição Federal. que os sujeitos possam livremente manifestar sua vontade. sendo a capacidade não compreendida como a capacidade processual. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 96 . O Artigo 11 da Lei das PPPs e o novo Artigo 23-A da Lei de Concessões dispõem que tais contratos poderão “prever o emprego de mecanismos privados para resolução de disputas decorrentes ou relacionadas ao contrato. a edição da Emenda Constitucional nº 19/98. Como exemplo. nos termos da Lei n. O interesse público nem sempre se confunde com o interesse da Administração Pública e. ainda.307. e as pessoas jurídicas. em se tratando de direito disponível ou de direito com efeitos disponíveis.

que deverá ser respeitada. qualquer que seja o resultado da demanda. Já o caso de cessão de contrato ocorrerá quando no contrato cedido constar cláusula de sujeição obrigatória à arbitragem. da ampla defesa. o número de árbitros. por livre manifestação de vontade. Princípios da arbitragem A seguir trataremos da principiologia da Arbitragem.116. Eleição da lei aplicável (nacional ou estrangeira): desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (Artigo 2º da Lei da Arbitragem e Artigos 9º e 17 da LINDB). a lei aplicável (nacional ou estrangeira) ou até o julgamento por equidade. Em se tratando de sucessão de empresas. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 97 . pessoas físicas ou jurídicas. Acompanhe. Processo legal: a escolha do procedimento não poderá ofender as garantias constitucionais da igualdade. Efeito vinculante da cláusula arbitral: as partes ficam submetidas à sentença arbitral. caso seja frustrada a conciliação. do contraditório. aliás. a incorporadora da signatária da convenção de arbitragem ficará sub‑rogada na obrigação de se sujeitar à arbitragem. escolhendo o juízo arbitral no lugar do juízo estatal.As exceções a essa regra são os casos de sucessão de empresas e de cessão de contrato. São princípios da arbitragem: Autonomia da vontade e autonomia privada: as partes maiores e capazes. CC). da imparcialidade dos árbitros e do livre convencimento motivado. ocorre com todos os direitos e obrigações da incorporada (Artigo 1. como. podem. decidir se submetem à arbitragem. o procedimento da arbitragem e o prazo em que a sentença será proferida.

Competência: cabe aos árbitros decidir sobre a existência. portanto.Inevitabilidade dos efeitos da sentença arbitral: a sentença arbitral é acobertada pela coisa julgada material e constitui título executivo judicial. que possui inúmeras instituições e escritórios de advocacia especializados na sua consecução. A cláusula compromissória refere‑se ao futuro. espécies de convenção de arbitragem. § 1º). Ao redigir a cláusula. se ocorrer a necessidade de instauração da jurisdição privada. Nesse caso. como a American MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 98 . seja por meio de compromisso arbitral (Artigo 3º). Convenção de arbitragem é o acordo no qual as partes interessadas se submetem a solução de seus litígios ao juízo arbitral. sobre a validade e sobre a eficácia da convenção da arbitragem. A cláusula compromissória e o compromisso arbitral são. por isso. Autonomia entre a cláusula arbitral e o contrato: eventual irregularidade ou invalidade do contrato não compromete a cláusula arbitral. a sua instituição e processamento realizar‑se‑ ão de acordo com as respectivas regras internas da instituição escolhida. os contratantes podem ou não instituir algum tribunal arbitral ou entidade especializada. sendo vedado às partes rediscutir a questão no Poder Judiciário. Convenção de arbitragem Passemos agora à convenção de arbitragem. nunca pode ser presumida (Artigo 4º. seja por meio de cláusula compromissória. Essa é a chamada arbitragem institucional. denominada antecedente natural da arbitragem. sendo. para que qualquer litígio que se origine do contrato no qual está inserido a cláusula seja submetido à arbitragem. Deve sempre ser estipulada por escrito. sendo inserida no contrato.

porém. b) cláusula redigida em negrito. e decorrentes do contrato em questão (art. A lei. chamada arbitragem ad hoc. a forma convencionada para a instituição da arbitragem. de modo que a nulidade do contrato não implicará a nulidade da arbitragem.Arbitration Association e o International Chamber of Commerce. a cláusula compromissória reveste--se de força vinculante ou cogente. firmado pela parte aderente. A cláusula pode estar em um documento anexo também. incompetência. onde convencionaram e se comprometeram a submeter à jurisdição privada os litígios. prevê MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 99 . a cláusula compromissória só terá eficácia se observar um dos seguintes requisitos: a) redação em documento separado. nulidade da sentença arbitral. As partes poderão ainda estabelecer na própria cláusula. que são frequentes nas relações de consumo. uma vez eleita a via paraestatal da arbitragem. de instaurar um procedimento arbitral quando do cumprimento do contrato incorrer em litígio. 4º). nulidade. É obrigatória entre os contratantes e é autônoma em relação ao contrato em que é inserida. Institui uma obrigação de fazer. salvo em caso de distrato ou pelas demais hipóteses específicas previstas em lei. Contudo. ou em documento diverso. Cláusula Compromissória Diante do novo sistema. isto é. A cláusula compromissória pode ser inserida no contrato conforme a vontade das partes. dentro do contexto contratual. Desse modo. como na hipótese de reconhecimento do pedido. porventura surgidos. em se tratando de cláusula compromissória em contrato de adesão. invalidade ou ineficácia da convenção arbitral. as partes não mais poderão recorrer ao Judiciário. suspeição. especialmente lançados para tal cláusula. com a assinatura ou com o visto do aderente.

disciplinar no contrato suas regras ou. que se reveste de autonomia em relação ao vínculo principal. que o compromisso tenha disciplinado a matéria (cláusula compromissória cheia) ou quando tenha sido omisso a respeito (cláusula compromissória vazia). ficando sua estipulação diferida para o momento em que a arbitragem efetivamente se mostre necessária. A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que se encontra inserta. que poderá se vincular às regras de algum órgão institucional ou entidade especializada. Trata--se. 2004. Será vazia quando tais elementos não estão contemplados.duas situações distintas: uma. Quem teria competência para declarar a nulidade da cláusula compromissória ou de um contrato que contivesse uma cláusula compromissória? A resposta 6 CARMONA. São Paulo: Atlas. Sendo a cláusula compromissória cheia. as partes deverão cumprir a cláusula compromissória.6 Explica-se: não se foge à exigência legal do compromisso. de que trata o art. a outra parte terá de buscar o Poder Judiciário para suprimento de vontade. ainda. uma vez nascida a controvérsia. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 100 . sem previsão específica. 9º. seguir a disciplina procedimental do art. na verdade. Arbitragem e processo. 103. No caso de cláusula compromissória vazia. mas apenas se percebe que suas disposições já constam na cláusula compromissória cheia. Será cheia quando estiverem determinados todos os elementos essenciais para a instituição da arbitragem. Caso uma das partes se recuse a firmar tal compromisso. não será necessária a elaboração do compromisso arbitral. Carlos Alberto. firmando o compromisso arbitral. p. 7 º da Lei da Arbitragem. de subcontrato ou contrato acessório. de forma que a nulidade deste não importa na nulidade daquela.

dando ensejo à abertura do procedimento por árbitros. quando se celebra fora de qualquer processo judicial e que se formaliza mediante instrumento público ou por instrumento particular. VII. teoria hoje largamente aceita.307/96 e está regulado no Artigo 9º do referido diploma legal. o que revela sua principal função. extinguindo o processo judicial e iniciando o privado de arbitragem (Artigo 267. assinado por duas testemunhas. § 2º. quando celebrado perante a autoridade judiciária. sob pena de nulidade da arbitragem. no decorrer do processo principal de conhecimento. em atenção aos requisitos contidos nos Artigo 10 e 21. perante o juiz ou o tribunal por onde tramita o processo MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 101 . Compromisso arbitral No compromisso arbitral efetivamente se estipulam todos os elementos da arbitragem. de maneira a excluir terminantemente a busca da tutela pretendida a ser conferida pelo Estado-Juiz. Será judicial quando instaurado perante o Estado‑ Juiz. os requisitos dos Artigos 10 e 11 da Lei nº 9.. em razão da demanda fundada no Artigo 7º da Lei nº 9. tomado por termo nos autos. por ventura. Qualquer que seja a sua forma. ou extrajudicial. CPC).307/96.e. O compromisso arbitral pode ser judicial. O compromisso não exige a previsão de arbitragem em cláusula contratual. esse compromisso deve obrigatoriamente conter. Será celebrado por termos nos autos. competência dos árbitros para decidir sobre sua própria competência.envolve o estudo da autonomia da cláusula em relação ao contrato em que estiver inserida e o problema da “Kompetenz--Kompetenz”. as partes. A convenção de arbitragem decorrente de cláusula contratual expressa e escrita tem por finalidade gerar entre os contratantes o compromisso inarredável de submeterem-se à jurisdição arbitral a solução dos conflitos que. as partes devem firmar a matéria posta à arbitragem. de comum acordo. ou porque. No compromisso. surjam em decorrência do contrato principal entre eles firmado. i. assim resolveram dispor.

307/96). Lei nº 9. Por sua vez. § 2º. Caso se faça necessária a cognição de questão prejudicial para o adequado deslinde da matéria apresentada. a fim de lavrar o compromisso judicialmente. o conflito. Lei n. Lei nº 9. qualquer procedimento utilizado é considerado válido. 7º. do árbitro. a igualdade das partes. 9. § 1º. Dessa forma. § 2º. O ex adverso será citado para comparecer a juízo. § 1º.307/96).307/96).307/96). a lide sobre a qual deverá incidir a arbitragem. núcleos da garantia do devido processo legal. em dia e hora pré-determinados pelo juiz. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 102 . Lei n. firmado pelas partes e por duas testemunhas ou por instrumento público (Artigo 9º. a eleição do rito a ser seguido (Artigo 21 da Lei nº 9.307/96). acompanhada do documento que represente a cláusula compromissória (art.(Artigo 9º. em audiência designada para esse fim específico (art. é o estabelecimento de procedimento que restrinja o direito ao contraditório e à ampla defesa. o feito deverá ser suspenso até manifestação do Estado-Juiz (Artigo 25. especialmente porque estabelecido pela concordância das partes. como o contraditório. Lei nº 9. obedecidos aos princípios estabelecidos no Artigo 21. o que não se pode aceitar. ainda que em concordância das partes. ou seja. Lei nº 9. deixando ao alvitre dos interessados ou. Desenvolvimento da Arbitragem no Brasil Na petição inicial o autor indicará precisamente o objeto da arbitragem.307/96 A lei brasileira não estabelece procedimento específico para o desenvolvimento da arbitragem. 9.307/96). § 2º. subsidiariamente. Não há limite de tempo estipulado para essa suspensão. a imparcialidade do árbitro e seu livre convencimento. 7º. o compromisso extrajudicial será celebrado por escrito particular. Assim.

§ 2º. homologado e assinado pelas partes. Lei n. Ao decidir. 7º. 9. § 4º. instituir a jurisdição privada (art. compor a lide amigavelmente. Não sendo feliz a tentativa de obter a conciliação. nomear um árbitro único para dirimir o conflito em questão (art. homologado e assinado pelas partes. Frutificando o acordo. 7º. 7º. a essa audiência de lavratura do compromisso. 7º. o juiz tentará. 9. § 5º. Lei n.307/96). Lei n. o juiz ficará adstrito aos termos da cláusula compromissória e atenderá aos requisitos definidos nos arts. 7º. § 6º. em seguida. não se sentindo habilitado. inicialmente. 7º. § 2º. o juiz ouvirá os litigantes e. em comum acordo (art. 9. Não sendo feliz a tentativa de obter a conciliação. fará os autos conclusos e proferirá a decisão em 10 dias. Se as partes não acordarem quanto aos termos do compromisso. Aberta a audiência. caberá ao juiz na sentença. da Lei de Arbitragem (art. após o trânsito em julgado.307/96). Lei n. após ouvir o autor. decidirá sobre sua celebração e conteúdo ou.307/96). Lei n.307/96). nomeará os árbitros indicados na cláusula compromissória. Lei n. Da sentença que julgar MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 103 . e valerá como título executivo judicial. em comum acordo (art. 7º. será reduzido a termo.A ausência injustificada do autor. § 7º. no mesmo ato. § 2º. importa em extinção do processo sem julgamento do mérito (art. Frutificado o acordo. Não comparecendo o réu. Lei n.307/96). o juiz procurará conduzir as partes à celebração do compromisso arbitral. caberá ao juiz. através da transação e da conciliação.307/96).307/96). A sentença de mérito que acolher o pedido do autor valerá como compromisso arbitral. 9. o juiz procurará conduzir as partes à celebração do compromisso arbitral. 10 e 21. 9. e. 9. podendo o interessado vencedor. 9. decidir a respeito do conteúdo do compromisso (art. e valerá como título executivo judicial. Se por acaso esta for omissa. será reduzido a termo.

42. a qual será recebida sempre no efeito devolutivo (art. 9. Lei n. caso ocorra. art. da lei permite que o árbitro requeira à autoridade judiciária. 19 (no caso de haver vários árbitros). rel. 08-05-2013. que conduza a testemunha faltosa. arbitragem Somente ou ao do contrato árbitro ou que contenha tribunal arbitral a cláusula compete o reconhecimento dessas matérias. n. 522. 520. Informativo STJ. Min. Não caberá ao Estado-juiz decidir acerca da existência. desde que instrua o requerimento com a convenção de arbitragem. Chega. 22. O STJ entendeu que. havendo necessidade de implementação de medidas coercitivas ou cautelares. 8º.307/96 c/c o art. seja de ofício ou mediante provocação de qualquer das partes (art. já que a arbitragem tem natureza jurisdicional7. que seria competente para julgar a ação principal. j. a fase da prolação da sentença. ou por todos os componentes do colegiado indicado. é possível o conflito de competência entre um órgão jurisdicional do Estado e uma câmara arbitral. CPC). ainda. § 4º. CC 111. validade ou eficácia da convenção de compromissória. que ressalvando o contido no § 2º do mesmo artigo.230-DF. então.procedente o pedido de instituição da arbitragem caberá apelação. parágrafo único). O art. o art. A arbitragem considera-se instaurada quando a nomeação do árbitro é aceita por ele. os árbitros poderão solicitá--las ao Poder Judiciário que seria competente para julgar a ação principal. Dispõe. § 2º. Nancy Andrighi. 22. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 104 . Prolação da sentença O principal efeito das sentenças arbitrais é a produção de resultados concretos no plano material e do direito objetivo. VI. reequilibrando a situação fática e 7 STJ.

constituindo um título executivo judicial. produzindo-se entre as partes litigantes e seus sucessores os mesmos efeitos de sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário. Caberá ao presidente do tribunal arbitral. tampouco. constituindo título executivo judicial. parágrafo único). Relatório: deve conter o nome das partes e um síntese do litígio e das principais ocorrências verificadas durante o procedimento. no caso das sentenças condenatórias. caso seja de natureza condenatória (Artigo 31). Decorridos os cinco dias destinados à interposição de embargos de declaração (Artigo 30 da Lei nº 9. ou designará audiência destinada à leitura. a sentença faz coisa julgada material.307). por qualquer meio idôneo. ou homologação pelo Poder Judiciário (Artigo 18). MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 105 .jurídica. A ressalva é que a sentença arbitral não contém. entregando uma cópia às partes pessoalmente e mediante recibo (Artigo 29. Dessa sentença não caberá nenhum tipo de recurso (ressalvados os embargos de declaração que serão dirigidos aos árbitros – Artigo 30). A sentença deverá ser apresentada na forma escrita (Artigo 24. no caso de um ou alguns árbitros não poderem ou não desejarem assinar a sentença. as partes não poderão. a expressão de imperium. por não se tratar de ato estatal. São requisitos indispensáveis à sentença arbitral: a. submeter o mesmo litígio à apreciação do Estado-Juiz ou da jurisdição privada.307/96). caput) e assinada pelo árbitro ou árbitros.307/96). O árbitro publicará a decisão comunicando às partes. e encerrando o juízo arbitral (Artigo 31 da Lei nº 9. intimação e publicação da sentença arbitral. certificar tal fato (Artigo 26. entre seus efeitos. Lei nº 9.

a parte interessada comunicará ao árbitro por escrito. na falta dessa estipulação. III. A sentença será proferida no prazo acordado no compromisso ou. que será assim declarada e desconstituída pelo Poder Judiciário. a sentença é tomada por maioria de votos. todavia. concedendo‑lhe 10 dias para prolatar e publicar a sentença. não alterará a substância da decisão. mediante provocação do interessado (Artigo 32. Data e local em que foi proferida. Disposição ou parte dispositiva: é a conclusão sobre a qual o árbitro ou tribunal solucionou a lide. os árbitros devem fazer menção a essa circunstância. com prova de seu recebimento. resultará em ato nulo (Artigo 32. Caso o prazo estipulado expire. Fundamentos da decisão: em que serão analisadas as questões de fato e de direito. O prazo pode ser prorrogado quantas vezes as partes acharem necessário. prevalecendo. c/c o Artigo 33). Caso a sentença seja ultra. § 1º). c. d. VII). por via postal ou qualquer outro meio de comunicação. Concluída a sentença. no caso de dissidência invencível. Se proferida fora do prazo. nem terá repercussão em termos de impugnabilidade da sentença. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 106 . Se o julgamento for fundado em equidade. sob pena de extinção do compromisso arbitral. as partes terão ciência de seu conteúdo. a contar da instituição da arbitragem. o que.b. no prazo máximo de seis meses. ou ao presidente do Tribunal. Com exceção deste último item. a inobservância dos demais importará em nulidade da sentença arbitral. que é considerado erro material e pode ser corrigido a qualquer tempo. o voto do presidente do tribunal (Artigo 24. O árbitro vencido poderá declarar seu voto em separado. No caso de tribunal arbitral. através do envio de cópia da decisão pessoalmente (com recibo). extra ou citra petita ela será declarada nula pelo Judiciário (Artigo 32 c/c o Artigo 33).

inserido pela Lei nº 11. quando houver previsão legal expressa. A nova lei de arbitragem. Destaque-‑se que tais hipóteses são consideradas taxativas. Findo o prazo fixado na sentença arbitral. deve ser pleiteada perante o Poder Judiciário. só podendo. hoje impugnação ao cumprimento de sentença. Sendo a sentença de natureza condenatória. a ser proposta em até noventa dias da data de prolação da sentença arbitral ou de seu aditamento. o Poder Judiciário determinará que nova sentença seja proferida. na hipótese de se exigir seu cumprimento em juízo. sem cumprimento espontâneo do preceito MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 107 . diante das hipóteses previstas em lei. que revogou o Artigo 584. pronta estará a decisão para ser cumprida. em seu Artigo 31. concede à sentença arbitral os mesmos efeitos. em demanda que seguirá o rito ordinário. salvo se o fundamento for a vedação da arbitragem naquela situação. a partir de requerimento. também do CPC. CPC. portanto. constituirá título executivo judicial. da sentença proferida pela autoridade judiciária. já que a Lei nº 9. conforme o Artigo 475‑N. de obrigação de fazer e não fazer ou de entrega de coisa). entre as partes e seus sucessores. Nulidade da sentença O Artigo 32 da Lei da Arbitragem arrola as hipóteses de nulidade da sentença arbitral. A nulidade da sentença. notificadas as partes. até como forma de preservação da vontade livre manifestada das partes que desejaram ir ao Poder Judiciário. Ao declarar a nulidade da sentença arbitral. Contudo.Proferida a sentença arbitral. a declaração de nulidade da sentença arbitral também poderá ser pleiteada através dos embargos à execução.307/96 dispensou de homologação pelo Poder Judiciário a decisão proferida pelos árbitros (Artigo 18). a arbitragem ser anulada pelo Poder Judiciário.232/2005. A sentença arbitral admite qualquer modalidade de execução (execução de quantia certa.

§ 4º. o árbitro poderá solicitá-las ao Poder Judiciário. De acordo com esse posicionamento. já que as concessões da tutela de urgência na arbitragem. o juízo de concessão ou não da medida fica a cargo do árbitro. a decisão arbitral concessória de tutela de urgência. como ocorre com qualquer sentença alienígena. De acordo com este último posicionamento. Dessa forma. existiria apenas a execução de sentença arbitral. havendo necessidade de medidas de urgência. Medidas urgentes Tema mais controverso diz respeito à execução das medidas de urgência em sede de arbitragem. antes de ser executada no Brasil. sequer podendo ser revista pelo Poder Judiciário. ela deverá ser homologada pelo STJ. que apenas concretizará a ordem concedida pelo árbitro. O Artigo 22.ali contido. quando provocado pelas partes que se submeteram à arbitragem ou até pelo árbitro. seriam de responsabilidade do Poder Judiciário. cabendo a propositura da execução. da Lei da Arbitragem prevê que. também deveria ser levada ao Poder Judiciário. decidindo a seu respeito. bem como sua execução. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 108 . Em se tratando de sentença arbitral estrangeira. será o título exigível judicialmente. e ficando a efetivação da tutela concedida a cargo do Poder Judiciário. se não cumprida voluntariamente pela parte contrária. mas não de uma medida de urgência em sede de arbitragem. diversos autores sustentam que o árbitro poderá conceder medidas de urgência. porém. Não obstante tal redação. para que lá seja coativamente cumprida.

O Juízo arbitral é que era competente. o Protocolo de Genebra de 24/9/1923. Pode ser homologada no Brasil a sentença judicial de estado estrangeiro que. para examinar a cláusula arbitral devido ao princípio Kompetenz-Kompetenz. e foi isso que a sentença estrangeira assegurou. após o pedido de instauração da arbitragem no exterior. subscrito e ratificado com reservas pelo Brasil em 5/2/1932. É necessário ressaltar que estamos diante de um caso típico de competência concorrente. no que tange à validade e eficácia do pacto arbitral. bastaria ao contratante brasileiro. HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA QUE DETERMINE A SUBMISSÃO DE CONFLITO À ARBITRAGEM. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E INTERNACIONAL PRIVADO. que lhe outorgou a referida função julgadora. sob invocação da soberania nacional. reconhecido a nulidade da cláusula com fundamento em exigências formais típicas da legislação brasileira pertinentes ao contrato de adesão. no início de tudo. Ademais. Assim. estabelecendo uma presunção de competência em favor do Tribunal Arbitral. A propósito. a primeira decisão que transita em julgado prejudica a outra. De outro modo. estabelece a prioridade do Juízo Arbitral sobre a Jurisdição Estatal. determine – em face do anterior pedido de arbitragem realizado por uma das partes – a submissão à justiça arbitral de conflito existente entre os contratantes. considerando válida cláusula compromissória constante de contrato firmado sob a expressa regência da lei estrangeira. que remonta à voluntariedade da opção arbitral e realça a autonomia contratual. ou seja. sobre sua própria competência. É da essência do sistema que. porque se está diante de clara competência concorrente. o tribunal arbitral tem competência para decidir sobre a validade da cláusula compromissória. ainda que decisão proferida por juízo estatal brasileiro tenha. se transitar em julgado primeiro a sentença estrangeira. Esse princípio. para bloquear tal arbitragem. fica prejudicada a brasileira e vice-versa. discorra sobre o princípio denominado "competênciacompetência" que informa o procedimento arbitral. Atente-se que. revela o poder do árbitro para analisar e decidir sobre sua própria competência. Assim. não se segue. o ingresso do pedido de arbitragem anteriormente a todas as várias ocorrências judiciais deve pesar em prol da opção pela homologação da sentença estrangeira que prestigia a opção voluntária das partes pela arbitragem.Atividade proposta Leia o julgado do STJ. ingressar com processo anulatório da cláusula arbitral no Brasil MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 109 . em momento posterior ao trânsito em julgado da sentença a ser homologada. Assim. a negação de homologação de sentença arbitral proferida há tempos em Estado estrangeiro sob o fundamento de ocorrência da anulação da cláusula arbitral por sentença proferida no Brasil significaria a abertura de largo caminho para a procrastinação da arbitragem avençada por parte de contratantes nacionais no exterior. a aparente exclusão da sentença estrangeira pelo fato do trânsito em julgado do julgamento brasileiro.

como as especiais exigências nacionais da cláusula de adesão (sobretudo diante do Código de Defesa do Consumidor. ou por provocação das partes. SEC 854-US. as questões acerca da existência. que assim dispõe: "caberá ao árbitro decidir de ofício. Rel.stj. para contrato celebrado no estrangeiro. assim. invocando peculiaridades da legislação brasileira. com inversão de ônus de prova e outros consectários do direito consumerista nacional). da Lei nº 9. parágrafo único.307/96.br. típicas da legislação nacional. devem ser ressaltadas as dificuldades concretas de aplicação desse princípio quando no curso da arbitragem sobrevém demanda judicial MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 110 . na validade da cláusula arbitral ante os termos da legislação estrangeira.para. Cabe ressaltar que não há empecilho no julgamento brasileiro à homologação porque fundados o julgamento estrangeiro e o nacional em motivos técnico-jurídicos diversos. Rel. e o segundo fundado em exigências formais de cláusula em contrato de adesão. Sidnei Beneti. disponível no sítio www. Massami Uyeda.jus. validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória". Pois. não se autorizando a prematura judicialização perante a atividade jurisdicional estatal. originário Min. no Brasil ou no exterior. Nesse sentido.) Chave de resposta: Deve ser abordado o texto do Artigo 8º. ou seja. julgado em 16/10/2013. impedimento à homologação das sentenças estrangeiras em virtude de coisa julgada nacional posterior. ao juízo arbitral competia julgar todas as matérias suscitadas pelas partes. para acórdão Min. ajuizado o pedido de arbitragem. o primeiro. Inexiste. inclusive a invalidade da cláusula arbitral. paralisar a arbitragem e judicializar toda a matéria contra a jurisdição estatal no Brasil. (Informativo n° 533 do Superior Tribunal de Justiça. sem a consideração de restrições existentes no sistema jurídico brasileiro.

texto de José Rogério Cruz e Tucci. Aspectos processuais da nova lei de arbitragem. p. Revista de Mediação e Arbitragem. CARMONA. Fátima Nancy. 414-439. vol. 127/141. Sociedade de economia mista prestadora de seviço público. Carlos Alberto. Rio de Janeiro. 09. 2013. 21/29. 93. jul. Referências ANDRIGHI. São Paulo: Malheiros. 2000. Cláusula arbitral inserida em contrato administrativo sem prévia autorização legal. leia os textos de Andre Roque. Arbitragem nas relações de consumo. CARNEIRO. Revista Forense. Paulo Cezar Pinheiro. do Mercado de Capitais e da Arbitragem. p. BARROSO. 13/21. 1997. Cândido Rangel. n. DINAMARCO. ano III. Arbitragem. Rio de Janeiro. abr-jun/2006. abr. v. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 111 . 339. Revista Forense. n. p. jun. Invalidade. v. p. Luís Roberto. Revista de Direito Bancário.Aprenda Mais Material complementar Para saber mais sobre os assuntos tratados nesta aula. 350. 19. A Arbitragem na teoria geral do processo. 96. ano 3./set. disponível em nossa biblioteca virtual. São Paulo: Revista dos Tribunais.

3. São Paulo: Revista dos Tribunais. p.307/96. Confidencialidade ou publicidade processual? Revista de Direito Bancário. Arbitragem na concessão de serviços públicos. LEMES. Arbitrabilidade objetiva. Carlos Alberto de. Da constitucionalidade da Lei 9.FIGUEIRA JÚNIOR. 2000. 323/334. Revista de Direito Bancário. Arbitragem em contratos administrativos. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo. 2. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 112 . 387-407. jurisdição e execução: análise crítica da Lei 9. WALD. Arnoldo. n. do Mercado de Capitais e da Arbitragem. 7./mar.1996. SALLES. 2012. ed. Joel Dias.307. Selma Maria Ferreira. do Mercado de Capitais e da Arbitragem. 1999. de 23. v. 21. jan.09. p. Arbitragem.

2010 . necessariamente.307/96.Exercícios de fixação Questão 1 (VUNESP .Juiz) Acerca da arbitragem. c) Os efeitos da decisão recairão sobre os sucessores das partes.TJ-SP . será denegada a homologação para o reconhecimento ou execução da sentença arbitral estrangeira. é correto dizer que: a) É nula a sentença arbitral quando o julgamento de mérito nela contido contrariar lei federal ou alterar a verdade dos fatos. e) Há voto em separado de árbitro divergente do da maioria. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 113 . Questão 2 (Prova: CESGRANRIO . o Tribunal Arbitral deve submeter a questão ao juiz togado competente.TJ-RJ . a nulidade da cláusula compromissária. um árbitro vier a ser substituído. em caso de tal alegação. b) A revelia da parte impedirá que a sentença arbitral seja proferida.Advogado) De acordo com a Lei no 9. d) Houve prévia denegação da homologação por vícios formais. a produção de provas não poderá ser repetida. d) Somente o Poder Judiciário pode decidir acerca da validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. que dispõe sobre a arbitragem. é correto afirmar que: a) Se.2012 .Titular de Serviços de Notas e de Registros) Na arbitragem. Questão 3 (CETRO . se constatado que: a) A decisão ofende a ordem pública nacional. durante o procedimento arbitral. b) A nulidade do contrato no qual se estipulou a cláusula arbitral implica. de sorte que. c) A sentença arbitral brasileira não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. b) A sentença arbitral foi proferida fora do território nacional.Petrobrás .2013 .

Questão 4 (TJ-DFT .A arbitragem pode dar-se por equidade. d) Todas as proposições estão corretas. III .TJ-DF . de acordo com a Lei nº 9. e) A demanda para a decretação de nulidade de sentença arbitral deverá ser proposta no prazo de até 2 (dois) anos após o recebimento da notificação da sentença arbitral ou de seu aditamento.2012 . b) Somente a proposição I está correta. I . Já na sentença judicial. previsto no Código de Processo Civil.TJ-PE . Questão 5 (FCC .307/96. e deverá ser MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 114 .2013 . é correto afirmar: a) A demanda para a decretação de nulidade da sentença arbitral seguirá o procedimento comum. Assim. não se admite a possibilidade de rediscutir as questões que poderiam ter sido suscitadas mas não o foram. não pode o réu ajuizar ação com a alegação de prescrição para se eximir de cumprir aquela sentença. d) É nula a sentença arbitral se não decidir todo o litígio submetido à arbitragem.c) A produção de provas no procedimento arbitral sempre dependerá do requerimento das partes. independentemente de homologação por qualquer órgão do Poder Judiciário. a critério das partes. a) Somente as proposições II e III estão corretas.A sentença arbitral proferida no território nacional constitui título executivo judicial.Em razão da eficácia preclusiva da coisa julgada. c) Somente a proposição II está correta.Juiz) Julgue as três proposições que se seguem e assinale a única alternativa correta. II . o julgamento por equidade somente é possível nos casos previstos em lei.Titular de Serviços de Notas e de Registros) Sobre a arbitragem. passada em julgado a sentença que julgou procedente o pedido de repetição de indébito.

a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral. a parte interessada. poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que corrija qualquer erro material da sentença arbitral. mediante comunicação à outra parte. se necessário. o auxílio de força policial. b) Sendo nomeados vários árbitros. será designado presidente o mais idoso. e) No procedimento arbitral. em caso de ausência sem justa causa de testemunha convocada para prestar depoimento poderá o árbitro ou o presidente do tribunal arbitral determinar a condução coercitiva da testemunha faltosa requerendo. podendo ser prorrogado pelas partes e árbitros. as partes envolvidas elegerão o presidente do tribunal arbitral e. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 115 . o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses. c) No prazo de dez dias.proposta pela parte interessada no prazo de até sessenta dias após o recebimento da notificação da sentença arbitral ou de seu aditamento. havendo comum acordo. d) Nada tendo sido convencionado pelas partes. contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. não havendo consenso entre elas.

A Justificativa: Apenas o mais antigo Projeto. Questão 4 . III. depois convertido no PL 94 previa.307/96.D Justificativa: Todas as afirmativas são corretas e encontram amparo no Artigo 475-N.307/96. do CPC e nos arts.C Justificativa: Esta foi a grande inovação trazida pela Lei nº 9.307/96. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 116 . Questão 5 .D Justificativa: É a norma prevista no Artigo 23 da Lei nº 9. a obrigatoriedade da mediação em determinadas hipóteses. Questão 3 .A Justificativa: É a regra do Artigo 36 da Lei nº 9. no Artigo 34. de nº 4728. que remete aos Artigo 483 e 484 do CPC. 2º e 31 da Lei nº 9.Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 .307/96 e a regra está expressa no Artigo 31 desta Lei. Questão 2 . Trata-se de prazo residual. uma vez que ao pactuar a arbitragem as partes podem estipular prazo diversos.

cnpq.pro.do?id=K4709300Z6 MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS 117 .br/buscatextual/visualizacv. Mestre e Doutor em Direito (UERJ).br Currículo Lattes: http://buscatextual. Professor Associado na UERJ e Adjunto Titular na Estácio.humbertodalla.Humberto Dalla Bernardina de Pinho é Pós-doutor em Direito (Uconn Law School). Promotor de Justiça no RJ. http://www.