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Marcello Mendanha

Justiça Ou Perdão:
O Que Prefere?

Uma Interpretação Bíblica Sobre a Justiça de Deus

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ISBN
978-989-96667-0-2
Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Dedicatória
Ao meu Juiz e Advogado Maior, que julgou-me,
condenou-me, substituiu-me, perdoou-me, justificou-
me e adoptou-me como filho.

À minha esposa e filhos.


Aos meus pais e irmãos.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Introdução

As bases das afirmações que aqui faço são todas


baseadas em textos bíblicos. Esta premissa serve
para eu não ter de escrever sempre “segundo as
Escrituras”, visto que todo o meu pensamento
neste livro não resulta de tentativa de imaginar o
desconhecido na busca de uma revelação do
oculto, mas sim, o meu pensamento resulta da
meditação da Bíblia, que segundo entendo, é a
revelação de Deus aos homens. Portanto esta
interpretação tem esta base. No entanto por ser
uma interpretação minha, é totalmente passível
de crítica e de erros.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Valores Exclusivos

Um juiz responsável pelo julgamento de um


famoso processo judicial deliberou que todos os
indiciados seriam perdoados de todos os sete
crimes dos quais eram claramente culpados, com
as evidentes provas de todos crimes.

A explicação foi que, querendo o magistrado


demonstrar bondade para com aqueles homens
de índole corrompida, num acto de grande
generosidade, resolveu ignorar os autos e dar a
tão desejada liberdade aos criminosos.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

O que pensaram os familiares das vítimas? O


que pensou a própria vítima? Disseram “Não há
justiça ! Exigimos um julgamento justo e a
condenação aos malfeitores!”.

“Mas um homem bondoso, um juiz, não pode


exercer bondade? Ele não pode ser bondoso para
com quem ele quiser?” Não. Ele não pode!
Porque? Porque não é o seu papel de juiz. “Mas
então ele não pode perdoar?”
Exactamente.

Quer isso dizer que perdão e justiça excluem-se


mutuamente! Não poderá haver justiça sobre um
culpado se o juiz lhe perdoar a culpa. Se o

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

condenar, aplicando-lhe a justa lei, não haverá


perdão para o tal.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

O Cenário Maior

Vamos agora transportar este cenário para outro


palco, o nosso, de transgressores e Deus, o de
recto Juiz. “Mas transgressores de que?”
perguntarão alguns, “afinal, eu nunca fiz mal a
ninguém!”, mas não se esqueça daquilo que não
fez e deveria ter feito – também é uma
transgressão, principalmente porque não se trata
de uma ofensa contra outro homem de carácter
semelhante ao nosso, mas uma agressão para
com uma pessoa incapaz de praticar qualquer
maldade, uma pessoa completamente pura, santa
e perfeita em si mesma.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Ele o juiz, nós os culpados. Porque pedimos


perdão e não exigimos a Sua justiça sobre nós?

É que no fundo sabemos que a condenação é


justa mas é extremamente pesada.

“Porque o salário do pecado é a morte” Romanos


6:23 .

Deus, como juiz de toda a Terra, não nos


poderia perdoar e ao mesmo tempo ser
justo.

Ele não poderia ignorar os nossos pecados e ao


mesmo tempo ser coerente consigo mesmo em
sua própria exigência: a Plena Justiça.
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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Enfim, estamos todos condenados por Deus, logo


à partida, pois “ como está escrito: Não há justo,
nem sequer um. Todos se extraviaram; Não há
quem faça o bem, não há nem um só.” Rom
3:10-12

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

A Justiça e o Perdão se Beijam

Mas Deus encontrou um Caminho. Só um. O


único. Ele mesmo assumiu o papel de culpado,
sem no entanto ter culpa alguma. Como juiz e
Deus, enviou um, saído de si mesmo, Jesus o
homem Deus, despido da “bata judicial” mas o
Justo coberto de carne e sangue humano, para
ser colocado no lugar de condenação e maldição,
substituindo assim, de maneira solidária com
toda a sua raça, a todo e qualquer pecador que
se identifique neste acto de justiça divina.

Deu-se então a Páscoa, palavra que significa,


“passar por cima”. Ele passou por cima da nossa

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

culpa e por isso podemos receber perdão, a não


ser que você rejeite o Seu sacrifício e queira
receber justiça! O que prefere? Justiça ou
Perdão?

Na cruz, Deus fez a Justiça sobre o pecado de


todo homem. Na cruz, oferece perdão, uma vez
que a justiça está aplicada. A Justiça e o Perdão
se beijaram na cruz. Fizeram as pazes uma única
vez por todas. Mas somente ai. NEle. Em Jesus
Cristo crucificado.

Concluímos assim, que a salvação proclamada


nos evangelhos de Jesus, é para nos livrar do
próprio Deus. A salvação é de Deus mesmo.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Pertence-lhe mas é dEle que Ele nos salva, pois a


sua ira “… se revela do céu contra toda
impiedade e perversão dos homens que detêm a
verdade pela injustiça” Rom 1:18.

A salvação começa nEle, porque a iniciativa do


seu amor fez com que o salvador fosse enviado.
Ele é o princípio. E foi por intermédio dEle que se
consubstanciou, que se encarnou a salvação. Ele
é o mediador, o meio. E é para Ele que somos
salvos dEle. Ele é o fim de tudo, o alfa e o
ómega.

“Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou


consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o
ministério da reconciliação” II Cor 5:18
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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

“agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua


carne, mediante a sua morte, para apresentar-
vos perante ele santos, inculpáveis e
irrepreensíveis” Col 1:22.

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1ª Aplicação: Em Nós

Mediante esta verdade bíblica, resta-nos em


primeiro lugar, aceitar a Sua Justiça e
abandonarmos a tentativa de fazer vingar uma
justiça própria perante aquele que nos justificou,
pois ninguém será justificado pelas suas acções
(Gálatas).

Isto elimina das nossas mentes aquela dificuldade


em perdoar-nos a nós próprios. Esta dificuldade
provém do facto de estarmos a tentar aplicar
sobre nós mesmos uma justiça que nos é própria.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

Ora, a nossa justiça sobre nós mesmos levaria a


uma auto-condenação, pois tendo o senso da
verdadeira justiça não resta espaço para perdão.

Se porém nos perdoarmos de tudo, significa com


isto que temos a consciência cauterizada, doente
e somos incapazes de nos arrepender e tornamo-
nos malignos e rebeldes, merecedores do juízo
dos homens e de Deus.

Quando nos achamos em Cristo, significa com


isto que morremos na sua morte. Uma vez que
estamos mortos, já estamos livres de qualquer
pagamento, pois a morte foi exactamente para o
pagamento do pecado que cometemos. Uma vez
livres e justificados, não nos perdoamos nem nos
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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

condenamos. Simplesmente não temos


autoridade para tal.

O que fazemos? Confessamos, que quer dizer,


concordamos. Concordamos que pecamos,
arrependemo-nos. Como Ele é justo e já
sentenciou a condenação sobre o Seu Filho, no
qual o nosso relacionamento se baseia, se
contrata, Ele é fiel a este contrato para sempre,
portanto o perdão é-nos concedido, sempre.

Não concordar que pecamos é negar o pecado e


guardá-lo na alma. Confessar é a cura. Não
perdoar-nos é assumir o lugar de Deus e reter o
perdão que foi estabelecido no acto da morte de
Jesus na cruz. Seria negar a cruz.
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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

2ª Aplicação: Aos Outros

Como vamos julgar os outros, condenando-os


pelos seus pecados? Podemos alertá-los. A sua
condenação não está nas nossas mãos, visto que
desejamos para todos o que também nos coube
a nós: o perdão e não a morte.

O nosso espírito, a nossa mente passou a estar


inundada de um sentimento de solidariedade e
identificação com todo o pecador condenado,
ansiando por que o evangelho do perdão os
alcance também.

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Justiça ou Perdão: O que Prefere?

A vingança deixa de fazer sentido em nós. Não


vimos para condenar mas para anunciar a
salvação, seguindo assim os passos do nosso
Salvador. “Deve existir em nós o mesmo
sentimento, alma, mentalidade, que houve
também em Jesus…” Fil 2.

Se não queremos o juízo sobre nós, também não


queremos sobre o nosso próximo. O perdão por
isso é o modo de vida do seguidor de Cristo.

É claro que há prejuízo. Você conhece algum


perdão sem a aceitação do prejuízo? Perdoar é
perder, mas perder é ganhar, quando se trata do
Reino de Deus, pois quem perder a sua vida

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achá-la-á, mas quem guardar a sua vida perdê-


la-á, como nos ensinou e fez Jesus.

Ele perdeu a sua vida para nos salvar. Façamos o


mesmo e mudaremos muito mundo ao nosso
redor. Pense nisso.

Se você tem o perdão de Deus no coração,


transmita-o. Se ainda não o tem, peça-o agora.

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Contacto:

marcellomendanha@gmail.com

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