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Funções sintáticas do pronome relativo QUE

(AUX.CART) "...com hábitos que tornam necessários muitos bens produzidos pela indústria..."; o
comentário adequado à estrutura desse segmento do texto é:

a) a forma "necessários" poderia ser substituída, de modo correto, por

"necessário";

b) o pronome "que" refere-se a "hábitos" e é sujeito do verbo seguinte;

c) "pela indústria" representa o paciente da ação verbal;

d) o pronome indefinido "muitos" concorda com "produzidos";

e) o verbo "tornar" está no plural porque concorda com o sujeito "bens".

A banca pede o único comentário correto a respeito do trecho selecionado. Não é uma questão difícil, e
provavelmente você ficará entre duas alternativas. O bom é que ela me permitirá mostrar algo muito
importante para quem vai fazer concurso público.

A letra a está errada, uma vez que a palavra necessários está no plural por ser um adjetivo que concorda
com bens. Os bens é que são necessários. Como a palavra está junto de um verbo (tornam), talvez
pareça a muitos que se trata de um advérbio ou, pelo menos, que possa funcionar como tal. Algumas
palavras têm essa característica, nem todas. O que se deve fazer é tentar aproximar os termos,
verificando assim a concordância que deve existir entre eles: bens necessários. Se, em vez debens,
tivéssemos máquinas, o certo seria "que tornam necessárias muitas máquinas produzidas pela
indústria...", ou seja, máquinas necessárias.

A letra b está correta: é o gabarito da questão. Vamos comentá-la no final.

A letra c está errada, pois pela indústria é exatamente o agente da ação verbal. Os bens são produzidos
pela indústria. Na voz ativa: A indústria produz os bens. Pela indústria, no trecho, é o agente da passiva,
com o verbo ser subentendido

A letra d não está correta, pois o pronome adjetivo indefinido muitos só pode referi-se a um
substantivo, no caso, bens: muitos bens.

A letra e também não está correta, pois a forma verbal tornam concorda com o antecedente do
pronome relativo que, a palavra hábitos. Se fosse hábito, como deveríamos dizer? Exatamente isso que
você pensou: torna.

A letra b apresenta um comentário perfeito. Trata-se da função sintática do pronome relativo que.

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Procure aprender bem o que vai ser explicado, pois é um assunto bastante importante.

Para saber a função sintática do pronome relativo que (ou o qual, ou quem), basta substituí-
lo por seu antecedente. Veja abaixo.

O rapaz que gritou é nosso vizinho.

Substituindo que por o rapaz, temos: O rapaz gritou. Nesta nova frase, o rapaz atua como sujeito do
verbo gritar. Logo, oque, seu substituto, é o sujeito.

Vale dizer que cada termo tem função sintática em apenas uma oração. O rapaz é o sujeito do
verbo é; que é sujeito degritou. Veja outro exemplo.

O livro que você leu está esgotado.

Para saber a função sintática do que, coloque em seu lugar o antecedente livro. Teremos: O livro você
leu; na ordem direta: Você leu o livro. Nesta frase, o livro aparece como objeto direto. Portanto, a
palavra que é o objeto direto de leu. Mais um exemplo, abaixo.

O aparelho de que preciso é muito caro.

Colocando parelho no lugar do que, teremos: Preciso do aparelho. Do aparelho é objeto indireto.
Logo, de que é objeto indireto de preciso.

Vamos fazer um pequeno exercício. As respostas estarão na próxima aula. Dê a função sintática do
pronome relativo que.

a) O pássaro que voou está ferido.

b) A flor que se abriu ontem é perfumada.

c) Veja o caderno que eu comprei.

d) O funcionário a que me refiro vai viajar.

e) A história que contaram é muito triste.

f) Apareceu a mulher que procurava emprego.

Até a próxima.

Renato Aquino.

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Predicativo ou Adjunto Adnominal

Talvez, em seus estudos de análise sintática, você tenha ficado em dúvida quanto à função
sintática do adjetivo. Em determinadas frases, essa dúvida é compreensível.

O adjetivo só pode ser adjunto adnominal e predicativo. Assim, temos:

a) Ligado diretamente ao substantivo, é adjunto adnominal.

Ex.: O bom menino fez a redação.

O sujeito da oração é "O bom menino". Nota-se, então, que o adjetivo bom está dentro do
sujeito. Isso é característica de adjunto adnominal, que sempre pertence a um determinado
termo da oração.

b) Junto de verbo, é predicativo.

Ex.: O menino é bom.

Agora o adjetivo bom está ao lado de um verbo, ou seja, longe do substantivo. Trata-se de
um predicativo do sujeito, pois qualifica o sujeito da oração, que é "O menino".

Há frases, no entanto, em que o adjetivo, mesmo junto de um substantivo, é predicativo.


Como fazer a distinção? Analisemos duas frases de estrutura semelhante, que realmente
podem confundir. É bastante comum alunos, em sala de aula, me pedirem explicação a
respeito desse assunto. Veja como explico para eles, com base nas duas frases abaixo.

1) Comprei uma casa linda.

2) Deixei o corredor limpo.

Na primeira, temos casa linda; na segunda, corredor limpo. Nos dois casos, um
substantivo seguido de um adjetivo. Será a mesma coisa? Com certeza, não. Vejamos as
diferenças.

Na primeira frase, observa-se o seguinte:

a) O verbo comprar é transitivo direto. Quem compra compra alguma coisa. Qual é a coisa
comprada? Responde-se: "uma casa linda", que é o objeto direto. A prova disso é que,
substituindo o objeto por um pronome oblíquo átono, temos: "Comprei-a". Assim, o
adjetivo linda pertence ao objeto direto, está dentro dele. É, portanto, um adjunto
adnominal da palavra casa.

b) Se a explicação acima não foi suficiente, tentemos uma outra, bastante interessante.
Desloquemos a palavra linda. Diríamos: "Comprei uma linda casa". Observa-se
que linda continua ligado ao substantivo, imediatamente antes dele. Quando isso ocorre, o
adjetivo é adjunto adnominal.

c) Outro truque que podemos usar é colocar a frase na voz passiva. Teríamos: "Uma linda

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casa foi comprada por mim". Da mesma forma, o adjetivo continua imediatamente antes do
substantivo. É, pois, adjunto adnominal.

Agora vamos fazer o mesmo com a segunda frase. Você perceberá a diferença com
facilidade.

a) O verbo deixar também é transitivo direto. Quem deixa deixa alguma coisa. Qual a coisa
deixada? Responde-se: "o corredor", que é o objeto direto. A palavra limpo está fora do
objeto. A prova disso é a troca por um pronome oblíquo átono: "Deixei-o limpo".
Assim, limpo é predicativo do objeto direto, e não adjunto adnominal.

b) Agora, vamos deslocar o adjetivo limpo. A frase será: "Deixei limpo o corredor". Viu a
diferença? O adjetivo limpo não ficou imediatamente antes do substantivo; entre eles está
o artigo o. Dessa forma, trata-se de um predicativo do objeto.

c) Finalmente, o macete da mudança da voz verbal. Na passiva, temos: "O corredor foi
deixado limpo por mim". Igualmente,limpo ficou afastado do substantivo corredor. É um
predicativo do objeto.

Para treinar, façamos um exercício. Confira a resposta no próximo encontro. Não perca.

Diga se o adjetivo destacado é adjunto adnominal ou predicativo (do sujeito ou do objeto).

a) Carlos ficou admirado.

b) A bela menina procurava os pais.

c) Carlos está lendo um livro maravilhoso.

d) Ele manteve a porta fechada.

e) Escolhi o material adequado.

f) Meu irmão voltou da escola animado.

Até a próxima.

Renato Aquino.

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Funções do Pronome Relativo QUE

1- SUBSTANTIVO:Com o sentido de algo, alguma coisa(como substantivo deve ser


acentuado)
Ex: Ele tem um quê de misterioso. Todos os gênios têm um quê de loucos.

2- PRONOME ADJETIVO:
A)- INTERROGATIVO: Que recado me deste ontem?
B)- EXCLAMATIVO: Que silêncio maravilhoso!
C)- INDEFINIDO: (quanto + variações) Que injúrias lhe dirigiu ele!

3- PRONOME SUBSTANTIVO RELATIVO: Refere-se a um termo anterior que ele


representa.
Ex: A bicicleta que eu comprei era amarela. (sintaticamente= objeto direto)
O aluno que é seu irmão é muito inteligente. (sintaticamente= sujeito)
A casa em que moro é muito pobre. (sintaticamente= adjunto adverbial de lugar)
O aluno por que eu rezei é muito meu amigo. (sintaticamente= adjunto adverbial de
favor)
O livro a que me refiro é muito caro. (sintaticamente= Objeto indireto)
A finalidade para que eu vim é a melhor possível.(sintaticamente= Adjunto adverbial de
fim)
( Que = pronome relativo = o qual + variantes)

4- PRONOME SUBSTANTIVO INDEFINIDO INTERROGATIVO: Com o sentido de


“Que coisa?”
Ex: Que me disseste ontem? (sintaticamente= Objeto direto)

5- PREPOSIÇÃO: “Que” substituindo a preposição “de” na perífrase : “ter de...”


Ex: Eu tive que fazer minha obrigação.

6- ADVÉRBIO: A)- DE MODO (“que”= como): Ex: Que assustador era aquele monstro.
B)- DE INTENSIDADE (“que= quanto): Que enganados andam os homens!

7- PARTÍCULA OPTATIVA: Dá sentido optativo às orações conshderadas


independentes.
Ex: Que Deus o abençoe!

8- PARTÍCULA ENFÁTICA:(DE REALCE, ou EXPLETIVA, não tendo, assim, função


na oração)
Ex: Há anos que não o vejo. (Há anos não o vejo.) - Trata-se, nesta frase, de mero
adorno.
Aparece constantemente nas expressões: é que, foi que, era que, será que, seria que...
Ex: Eu é que dei o recado. - Será que vai chover? - Isso é que é... (uma oração só)

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9- INTERJEIÇÃO: Como o substantivo, aqui também ele é acentuado.
Ex: Quê! Vocês se revoltam?

10- PARTÍCULA ITERATIVA: (iterum= outra vez) Vem repetido por ênfase e realce.
Ex: “Ai que saudades que tenho...” - Que felicidade que vocês me trazem!

QUE = CONJUNÇÃO COORDENATIVA

1- ADITIVA: (Com valor de “e”) : Ex: Bate que bate. - Mexe que mexe.

2- ALTERNATIVA: (Quando repetida)


Ex: Que me atendam que não me atendam, citá-los-ei em Juízo. - Um que outro vai
à Índia.

3- ADVERSATIVA: (Com o sentido de mas, porém, contudo, todavia, entretanto...)


Ex: Você pode ir que eu não irei.

4. EXPLICATIVA: (Com o sentido de “por que” “porquanto”)


Ex: Façam silêncio, que Judite está dormindo.

QUE = CONJUNÇÃO SUBORDINATIVA

1. INTEGRANTE:Geralmente entre dois verbos, completando, integrando o sentido do


primeiro.
Ex: Verificou que só se ocupava com elas! - Ela quis que ele ficasse em casa.
Não desejamos que tu morras. - Tudo depende de que estudes bastante.
O que quero é que tu voltes logo. - Que você permaneça é o nosso real desejo.

2. COMPARATIVA: (depois de: mais, menos, melhor, pior, como, maior, menor, etc...)
Ex: “Não há maior erro que não conhecer o homem o seu erro”. (Fr. Heitor Pinto)

3- CAUSAL: (Quando o verbo da frase principal não for imperativo. Veja a explicativa)
Ex: Vou depressa, que preciso chegar cedo.

4- CONCESSIVA: (embora, ainda que)


Ex: Gosto de goiabas, verdes que estejam.

5- TEMPORAL: (enquanto, quando)


Ex: Não andam muito que no erguido cume
Se acharam onde um campo se esmaltava. (Camões)

6- FINAL: (a fim de que, para que)

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Ex: Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa a que Marte tanto ajuda,
Que se espalhe e se cante no Universo
Se tão sublime preço cabe em verso. (Camões)

7- CONSECUTIVA: (Depois de tal, tanto, tão, etc...)


Ex: É de tal maneira idiota que todos se riem dele.

8- CONDICIONAL: (SE)
Ex: Não fui eu que quebrei o copo, que fosse, que tem você com isso?

Os pronomes relativos têm por função básica unir orações diferentes fazendo com que
as idéias nelas expressas complementem-se, evitando assim repetições
desnecessárias.

Exemplos:

1) Eu vi um homem. O homem era jovem.


O homem que eu vi era jovem.
Neste exemplo, o pronome relativo que funciona como objeto direto.

O pronome que pode ainda funcionar como sujeito:


2) Eu estou vendo um filme. O filme é muito interessante.
Eu estou vendo um filme que é muito interessante.

Ou ainda como complemento antecedido pelas preposições a, de, em, com, por, para:
3) A peça estréia hoje. Eu te falei da peça.
A peça de que te falei estréia hoje.