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LÍNGUA GREGA
Visão Semântica, Lógica, Orgânica e Funcional Volume I Teoria
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HENRIQUE MURACHCO
LÍNGUA GREGA
Visão Semântica, Lógica, Orgânica e Funcional
Volume I Teoria
discurso editorial
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Copyright © by Henrique Murachco, 2001
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cos, fotocopiada, reproduzida por meios mecânicos ou outros quaisquer sem a auto
rização prévia da editora.
Produção gráfica: Logaria Brasil® Projeto gráfico, editoração e capa: Guilherme
Rodrigues Neto Tiragem: 2.000 exemplares
Ficha catalográfica: Sonia Marisa Luchetti CRB/8-4664 M972 Murachco, Henrique Lí
ngua grega: visão semântica, lógica, orgânica e funcional / Henrique Murachco. –
São Paulo: Discurso Editorial / Editora Vozes, 2001. 2 v. ISBN v.1: 85-86590-22
-3 ISBN v.2: 85-86590-23-1 1. Língua Grega Clássica 2. Semântica I. Título CDD 4
81 481.7 485
discurso editorial
Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 (sala 1033) 05508-900 – São Paulo – SP Tel. 381
8-3709 (ramal 232) Tel./Fax: 814-5383 E-mail: discurso@org.usp.br
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Agradeço:
Ao Prof. Robert H. AUBRETON Mestre e amigo. Todos nós de Letras Clássicas lhe de
vemos muito, e eu, quase tudo. A todos os meus inumeráveis alunos, colegas e ami
gos de todos os lugares, de todas a idades, que me proporcionaram o prazer de se
rvir. Com um amor de amigo enorme. A France, Cristina, Sílvia e Karine, esposa e
filhas, começo, fim e razão de tudo, pelo silencioso afeto, conivência afetuosa
e compreensão paciente. A Jean Baptiste e Arthur Aymeric, meus netos, raios de
sol. A Heloísa, minha neta, nos dedos-rosa da aurora. Por existirem.
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Introdução:
Guia do leitor
Depois de ter escrito e reescrito cerca de 600 laudas, depois de ter lido e reli
do, sempre com a preocupação de encontrar uma falha, um vazio, um lapso, e depoi
s das cobranças dos alunos, ex-alunos, que nunca são ex- , e sobretudo de meus cole
gas, sento-me à frente do computador para escrever uma ou a introdução ao meu trab
alho, que, também, devido à cobrança desses amigos , acabou sendo a tese de doutora
mento. Vou conseguir? O tempo dirá. Como começar? Pelo começo! O começo, perdido
no tempo, situa-se em 1969, quando a reforma curricular do Curso de Letras intr
oduziu as matérias optativas. Essas matérias visavam a um fim preciso: abrir os
horizontes dos alunos; não deixá-los presos a esquemas fechados. Viu-se então qu
e o interesse pela Antigüidade Grega, pela Literatura Grega e pela Língua Grega
era grande, e o número de interessados foi crescendo. Mas, como fazer para que e
ssa passagem de um, dois, três e até no máximo quatro semestres pudesse deixar u
ma marca, ou, melhor dizendo, para que professor e aluno não ficassem com a sens
ação de terem perdido seu tempo, e para que os créditos obtidos pelos alunos não
se assemelhassem a tantos outros, em que, de um lado, se finge que se ensina e,
de outro lado, se finge que se aprende: dá-se um programa de um manual; repete-
se em aula o que está escrito nele, sem comentário e sem contestação, e cobra-se
no fim do semestre numa prova, em que o aluno devolve o que recebeu. E essa dev
olução em geral assume um sentido
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denotativo; isto é, devolve-se de fato! O aluno vai embora com seus créditos e o
professor fica com a sensação de tarefa terminada. Mas, como minha postura na s
ala de aula sempre foi de diálogo, de querer saber se o aluno entendia ou não o
que eu tentava passar-lhe, surgiram as primeiras perguntas e contestações, e aí
começaram as primeiras apostilas com redação pessoal, diferente dos manuais e gram
áticas. Mas, o que se dizia e se discutia na sala de aula era muito diferente do
que as apostilas traziam; ou melhor, o que se dizia na sala de aula era não só di
ferente, mas muitas vezes mais extenso e variado do que o que estava na apostila
. E as edições das apostilas foram se sucedendo em folhas avulsas, sempre com a in
tenção de servir aos alunos. Nunca tive a idéia de escrever um método ou uma gra
mática de grego. Não era necessário! Havia tantas gramáticas no mercado! Todas e
las lastreadas em tradição multissecular! Era um respeito quase ou mais que reli
gioso que me impedia discuti-las e muito menos criticá-las. Eu mesmo devia meus
conhecimentos de grego a elas. Quantos helenistas não deviam seu sólido saber a
elas? Mas eu não encontrava nelas as respostas às perguntas que os alunos faziam
: por que essa função se exprime por esse caso e aquela pelo outro. O que signif
ica nominativo ? O que significa acusativo ? Por que o sujeito vai para o nominativo e
objeto direto vai para o acusativo? Por que a relação de lugar para onde vai também
para o acusativo? Não é uma relação adverbial? Fui buscar essas explicações nas
gramáticas. Passei pelas gregas (a lista delas está na Bibliografia); passei pe
las latinas, pelas portuguesas, pelas francesas e sempre encontrei as mesmas coi
sas: uma nomenclatura fixa, com algumas variações superficiais, mas definindo e
delimitando de uma maneira autoritária e final que as relações das palavras na f
rase estavam definidas e que o que o aluno deve fazer é aprendê-las de cor e, pe
los exercícios, fixá-las na mente até que fiquem automáticas. Todas as gramática
s são descritivas, historicistas, formalistas, prescritivas. Ao criticá-las não
quero desmerecê-las. Elas prestaram relevantes serviços à evolução cultural do O
cidente. Elas são preciosas sobretudo porque nos conservaram e passaram centenas
de documentos, de textos, de testemunhos antigos, em todas as línguas. É um mat
erial imenso que está à nossa disposição.
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Não quero discutir as metodologias e didáticas modernas, atuais, que usam de inú
meros instrumentos para o ensino de idiomas: desde a hipnopedia até as muitas va
riantes dos audiovisuais. Elas são destinadas a alunos e aprendizes de diversas
idades: desde a pré-escola (jardim da infância) até a adultos, que, de repente,
precisam do inglês, do francês, do castelhano, do alemão instrumental . Mas nenhum
desses métodos entra em profundidade na língua; nenhum deles faz pensar a língua .
Todas as abordagens das gramáticas e métodos tradicionais abordam o estudo das l
ínguas de fora para dentro, isto é, da teoria para a prática, do abstrato para o
concreto. Nós achamos que dessa maneira estamos na contramão . As escolas despejam
sobre as crianças uma série de conhecimentos abstratos, transformados em regras ,
muito antes de as crianças terem a capacidade de abstração. É por volta dos 12 a
os 14 anos que o adolescente se torna capaz de pensamento abstrato. Ora, desde a
alfabetização até as regras de gramática, de acentuação, ortografia, são formas
de conhecimento abstrato, arbitrário , dizem alguns, que a criança acaba aprendendo
de cor, e devolvendo de cor, mas não entendendo 1. Na Grécia, a gramática surgiu
no período alexandrino, depois das conquistas de Alexandre Magno e da formação
do seu império que não chegou a comandar; mas o grande feito de Alexandre foi o
de tornar a língua grega a língua comum (² koin‾ glÇtta) de todo o Mediterrâneo,
o que vale dizer, de todo o mundo antigo conhecido, ocidental, bem entendido. E
a gramática do grego foi concebida para que estrangeiros, isto é, os não gregos
, aprendessem a língua de todos. Pensou-se então em regras práticas: um conjunto
de informações necessárias para que o falante de outra língua aprendesse rapida
mente a língua grega. Essa é a origem da gramática descritiva. Ela dispensa o por
quê ; quer ser prática, objetiva.
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Em grego a raiz may- desenvolve o verbo many nv, que significa em primeiro lugar eu
entendo , e daí, naturalmente, o significado se ampliou para eu aprendo . Aprender,
então, pressupõe necessariamente entender.
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A gramática de Dionísio Trácio é herdeira dessa gramática primeira. Ela é descri
tiva e já contém alguns vícios de nomenclatura, que os gramáticos latinos herdar
am quando a traduziram, adaptaram e adotaram para o latim. Durante a exposição d
as diversas partes deste trabalho, vamos comentar essa nomenclatura, como, por e
xemplo, a expressão subjuntivo , para um modo que nem sempre exprime uma subordinaç
ão. Mas os autores gregos, Platão, Aristóteles e outros, não estudaram a língua
grega pela gramática. Mas sabiam muito bem a lingua grega! Muito mais do que iss
o: transformaram-na num instrumento perfeito, para exprimir com perfeição todos
os matizes do pensamento humano. Como, então, eles aprenderam a língua? Não vamo
s tratar disso com pormenores. Não é o tema deste trabalho. Mas não podemos furt
ar-nos de reproduzir a fala de Protágoras, quando explica a Sócrates, a função d
a educação 2: Começando desde a tenra infância até o fim da vida (os pais) ensina
m e exortam. Assim que uma criança compreenda o que é dito, tanto a ama, quanto
a mãe, o pedagogo e até o próprio pai discutem a respeito dela, de modo a que o
menino seja o melhor possível; a cada gesto, a cada palavra eles dão lições demo
strando que isto é justo, aquilo é injusto, isto é bonito, isto é feio e que ist
o é permitido aquilo é proibido e faz isto, não faças aquilo. E se ele obedece d
e boa vontade, (...) se não, eles o endireitam com ameaças e com pancadas, como
a uma vara torta e curva. Depois disso, ao enviá-lo à escola, eles têm em vista
mais cuidar do bom comportamento das crianças do que das letras e da cítara. Os
mestres se encarregam dessas coisas, e quando, por sua vez, as crianças entendem
as letras e passam a entender os escritos, como antes a fala, eles, os mestres,
dispõem sobre as carteiras, para ler, os poemas dos bons poetas e os obrigam a
aprender de cor aqueles nos quais se encontram muitos preceitos, muitas digressõ
es (narrativas), muitos conselhos e muitos elogios dos homens antigos bons, a fi
m de que o menino, por emulação, os imite e procure tornar-se igual a eles. Os c
itaristas, por sua vez, empreendem outras coisas desse tipo; eles se preocupam c
om a moderação e para que os jovens não se dirijam para o mal.
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Platão, Protágoras, 325c5-326e6.
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Além disso, quando os meninos aprendem a tocar cítara eles ensinam poemas de out
ros poetas bons, os líricos, acordando-os ao som da cítara e condicionam as alma
s dos meninos a se habituarem com os ritmos e com a harmonia para que eles sejam
mais calmos e para que, tornando-se mais bem ritmados e mais harmoniosos, eles
se tornem aptos para a fala e para a ação; pois toda a vida do homem precisa de
bom ritmo e de harmonia... Pelo que se vê, a língua era aprendida nos textos e pe
los textos. Essa passagem de Protágoras nos dá ainda outra idéia: que o menino a
teniense, depois de aprender muitos textos dos poetas épicos (Homero e Hesíodo)
e dos poetas líricos, que eram de toda a Grécia, ao passar para as aulas de giná
stica, ele não é mais um menino ateniense, ele é um menino grego! A unidade da G
récia, desde o Ponto Euxino até Marselha e mesmo às Colunas de Heraclés, se fez
pela língua. Os Jogos Olímpicos a cada 50 lunações eram a expressão dessa Grécia
3. Foi essa a gramática de Platão, Aristóteles, Lísias, Demóstenes, Górgias e outr
os. Mas, a gramática pensada para os estrangeiros passou também a ser empregada
nas escolas, e os meninos do período alexandrino, aos poucos, passaram a ter que
aprender, além dos textos dos poetas, também as regras de gramática. É essa a o
rigem da gramática descritiva e impositiva, prescritiva. Ela se manteve intocáve
l durante séculos; até agora mesmo. Como exemplo poderíamos citar Konstantinos L
áskaris, um dos intelectuais bizantinos que emigraram para Nápoles, por ocasião
da tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453. Convidado por um nobre milanês
para ensinar a língua grega para suas filhas, escreveu uma gramática, em 1476.
A base dela é a de Dionísio Trácio, com alguns acréscimos, mas sem aprofundar na
da. Até os paradigmas são os mesmos! No correr deste trabalho aludiremos muitas
vezes a esses fatos, para o que, antecipadamente, pedimos desculpas. Mas é vício
de professor. A repetição à exaustão acaba por prevalecer. Além disso, essa des
ordem, se não foi pretendida no início, acabou prevalecendo, como uma conseqüên-
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Conclui-se daqui que as diferenças dialetais, que as gramáticas valorizam tanto,
eram sentidas como meras variantes da língua, sem nenhuma dificuldade de entend
imento e de fixação.
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cia natural do meu trabalho que foi se desenvolvendo de uma maneira artesanal, d
iária, geralmente na sala de aula. E a cada nova abordagem esbarrávamos nos mesm
os problemas de sempre: descritivismo, falta de explicação e falta de coerência.
Nosso objetivo nesta Introdução (é preciso uma introducão! uma introdução é pre
ciso!) é tentar guiar o leitor pelo nosso caminho e durante o percurso mostrar-l
he que a língua grega é de uma coerência total, a começar pelo enunciado, que é
a base de todo o sistema. O que é o enunciado? Podemos chamá-lo de frase, oração
, período, discurso etc. O enunciado é uma palavra ou um conjunto delas que expr
ime um pensamento inteiro, acabado. A base do enunciado é, como já disse, a essê
ncia (oésÛa) e o predicado (kathgorÛa, kathgñreuma)4. Em outros termos: o sujeit
o (tò êpokeÛmenon), o de que se diz alguma coisa e o verbo (=°ma), o que é dito
daquele de que se diz alguma coisa.5 O enunciado é a base do discurso. Ele repou
sa sobre dois pilares: o sujeito e o predicado; o substantivo e o verbo; a essên
cia e a ação. O sujeito deve ser, necessariamente, um substantivo (êpokeÛmenon)
e o predicado deve ser, necessariamente, um verbo (=°ma). Não há enunciado sem s
ujeito e predicado. É uma impossibilidade funcional, lógica, semântica. O enunci
ado, então, só é completo se contém sujeito e predicado, num encadeamento de dep
endência: um não existe sem outro; a noção do sujeito supõe o predicado e a noçã
o do predicado supõe o sujeito 6.
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5
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Isto está na primeira obra do Órganon, de Aristóteles, chamada As categorias ; na v
erdade são: uma essência oésÛa , e nove categorias predicados . O mesmo acontece no e
unciado: o sujeito: êpokeÛmenon oésÛa, e =°ma kathgorÛa / kathgñreuma . O significa
do de verbo nesta dicotomia sujeito/verbo não significa ação mas resultado da ação ,
é: o que é dito. O sufixo -ma significa resultado da ação, contrapondo-se ao su
fixo -siw , que significa a ação, (sufixo -ção em português). Às vezes pode acon
tecer que o sujeito ou o verbo não estejam expressos. Isso fez alguns gramáticos
criarem as frases chamadas nominais / frases sem verbo , ou
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Mas o sujeito pode vir modificado, ampliado, enriquecido e o predicado pode vir
também modificado, ampliado, enriquecido. O sujeito pode ter adjunto adnominal (
epíteto), predicativo, aposto, e o predicado (verbo) precisa ter sujeito, agente
ou paciente; ele pode ser também ampliado, modificado, enriquecido, completado;
pode ter advérbio (que é o adjetivo do verbo), pode ter complemento direto, pod
e, com a ajuda da preposição, exprimir relações espaciais etc. Todas essas relaç
ões dentro do enunciado estão encadeadas organicamente, logicamente, como os elo
s de uma corrente, com todos os elementos formando um todo e cada elemento ligad
o e dependente de um e ligando e condicionando um outro. Assim, se identificarmo
s um desses elementos, nós teremos o fio da meada ou um elo da corrente, e por e
le podemos chegar a outros e a todos. Essa identificação se faz através do sujei
to e do verbo, essencialmente, e a seguir entre substantivos e verbos, no caso d
e desdobramentos de sujeito e predicado. Em grego nós temos a tarefa facilitada
pela identificação formal das funções dos nomes. Eles estão em determinados caso
s, que correspondem a determinadas funções. Rigorosamente, sem desvios. Basta id
entificarmos os casos para identificarmos as funções. Identificada a função, pas
samos a procurar o que determinou essa função: se é sujeito, porque está no nomi
nativo, vamos procurar o verbo que fala do sujeito; se o verbo está na voz ativa
ou média, o sujeito é agente; se está na voz passiva, o sujeito é paciente. Se
está na voz ativa ou média, e o verbo é incompleto, isto é, transitivo, vamos bu
scar o seu complemento que estará no caso semanticamente compatível com a relaçã
o com o verbo. Se o verbo está na voz passiva, o sujeito é paciente de um ato ve
rbal desencadeado por um agente externo, que é o agente da passiva. E assim por
diante. Os elementos acessórios, adjetivos e advérbios, serão reconhecidos a seu
tempo. Mas, para dar instrumentos para que o estudante de grego identifique as
partes, é preciso que ele aprenda a flexão dos nomes e dos verbos, para que poss
a identificar exatamente a função dos nomes e a voz, a pessoa, o modo, o aspecto
do verbo.
as frases só com verbos. Na verdade o verbo está implícito nas frases nominais , e
o sujeito está implícito nas frases verbais .
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São a flexão nominal e a flexão verbal. Não vou chamá-las de declinação para os no
mes e conjugação para os verbos. Vou chamá-las de flexão nominal e flexão verbal.
O leitor encontrará, no correr da obra, a justificativa dessa opção. No momento,
basta dizer que os nomes7 e verbos flexionam-se com base numa parte fixa, que e
u denomino tema . Na flexão dos nomes, se a sucessão de casos é sobre o tema, não e
xiste, ipso facto, um caso que se possa chamar reto , que seria o ponto a partir do
qual os outros se sucederiam, numa espécie de escada declinante (declinação) a
que se deu o nome de caso oblíquo. O tema nominal, enquanto não receber o caso (
a ptÇsiw, desinência) que lhe determine a função, está fora do enunciado e conté
m nele apenas o significado virtual da palavra. Assim nyrvpo- encerra o significa
do de homem, ser humano ; mas, quando recebe o -n, que é a marca do acusativo, ele
recebe a função de completar o significado de um verbo, ou uma função análoga. E
ste é um fato da língua grega. Não é regra. Por isso não tem exceção. Começaremo
s por definir o que entendemos por caso, e o que cada caso representa. Procurare
mos, a partir da relação significante-significado, explicar e justificar os nome
s dos casos e mostrar que o nome que receberam corresponde às funções que eles e
xercem. Na medida em que formos explicando e identificando os casos, iremos arro
lando exemplos hauridos em dezenas de gramáticas, procurando mostrar sempre que
há uma coerência semântica no uso dos casos e que o uso deles é orgânico, lógico
, semântico. Não há regras; isto é, não há interferências externas, abstratas (a
s regras são interferências externas e abstratas). Há uma organicidade coerente,
forte, contínua. Por isso a abundância de exemplos. O leitor verá também que ti
vemos sempre a preocupação de traduzir os exemplos da maneira mais linear, concr
eta, denotativa, procurando sentir as relações. Não nos preocupamos com o estilo
. Não é nem o momento nem o lugar para isso.
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Entendo por nomes , como Dionísio Trácio, tanto os substantivos como os adjetivos e
os dêiticos todos (comumente chamados de pronomes-adjetivos).
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Mostraremos que o nominativo se chama assim porque identifica o sujeito e as rel
ações secundárias do sujeito. Mostraremos também que o nominativo é um caso: ist
o é, recebe uma ptÇsiw que corresponde à sua função, e que a denominação caso ret
o é contraditória nos seus próprios termos. Se é caso não é reto e se é reto não é ca
so. Mostraremos também que essa denominação tem origem de má leitura da visão do
s estóicos na relação do sujeito agente ôryñw, ereto, reto, em condições de agir
, e sujeito paciente êptÛow, deitado, supino, passivo. A partir da idéia de uma
posição reta, ereta do sujeito agente, deuse o nome de reto ao caso. É uma visão
meramente formal, externa, mas que teve desdobramentos ruins, porque permitiu a
visão de outros casos, que caíam, que declinavam do caso reto, isto é, casos oblí
quos. Daí se originou todo o sistema de declinações, que consideramos falso. Apr
oveitaremos o espaço para mostrar o que entendemos por tema . Mostraremos também qu
e o vocativo não é um caso, porque não tem função e que, coerentemente, tem desi
nência zero, isto é, é o próprio tema. Diremos também que o vocativo toma emprest
ado as desinências do nominativo, quando a manutenção do tema em consoante, com a
apócope delas, menos o -w, -r, -n, descaracteriza fonética e semanticamente a p
alavra. Por isso desdobraremos as explicações sobre o genitivo e acusativo. Sepa
raremos no acusativo a relação do verbo transitivo (incompleto) com o seu comple
mento (termo do ato verbal) e a relação espacial para onde , expressa com o auxílio
das preposições. Mostraremos também que no acusativo sempre está a idéia de mov
imento, quer na sua expressão concreta, espacial, quer nas expressões metafórica
s de expressão de duração de tempo e nas extensões referenciais, que costumamos
chamar de acusativo de relação ou adverbial: accusativus graecus das gramáticas lati
nas. Demostraremos também que o nome acusativo não vem de caso da causa, culpa, ma
s caso da procura, da busca. No genitivo identificaremos a relação nominal de de
finição, restrição, delimitação (complemento ou adjunto adnominal) como no genit
ivo latino, e a relação espacial de lugar de onde expressa por preposições (ablati
vo latino) e ainda, por analogia, incluiremos a relação do agente da pas-
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siva, que é uma relação de origem, separação; por isso é relação de genitivo com
preposição (ablativo latino com preposição). Mostraremos também o valor semânti
co das relações do genitivo nas regências de alguns verbos, como os verbos que sig
nificam poder, domínio, privação, necessidade, desejo, aspiração etc. Insistirem
os muito sobre este fato da língua: os casos não são determinados por uma regra
exterior, mas pelas relações semânticas entre as partes, sobretudo entre verbos
e nomes. Definiremos o dativo como o caso da dação, interesse, atribuição, later
alidade, simultaneidade, exatamente como o dativo latino. Não aceitamos a inclus
ão das relações de instrumental e locativo sob a denominação de dativo por contrad
ição nos próprios termos. Separaremos esses dois casos, embora os três tenham a
mesma desinência. Nisto seguimos uma sugestão preciosa de Quintiliano. Mostrarem
os que o locativo é a expressão do lugar onde , com a idéia de estabilidade, de aus
ência de movimento. Ela pode ser concreta ou metafórica. Os exemplos confirmarão
essas afirmações. Mostraremos também, pelos exemplos, que nos casos de dúvida,
pela proximidade dos significados entre a noção de lateralidade e de locativo, o
próprio texto dará a resposta certa. Definiremos também o instrumental como o o
bjeto inerte (que não age por si) pelo qual passa o ato verbal desencadeado por
um agente que não ele, o instrumento. Mostraremos também que a distinção entre o
instrumental ou complemento de instrumento ou meio e o agente da passiva não só pass
pela identificação formal (lugar de onde, expresso pelo genitivo com êpñ), mas
também, e sobretudo, pela relação semântica. Passaremos então para a parte forma
l, falando em primeiro lugar da flexão nominal. A gramática da língua grega divi
de os nomes em declinações. São três (no latim são cinco). A primeira declinação
, análoga à latina, contém os nomes que fazem o genitivo singular em -aw/-hw (a
latina faz em -ae). A segunda declinação, análoga à latina, contém os nomes que
fazem o genitivo singular em -ou (a latina faz em -i). A terceira declinação, an
áloga à latina, contém os nomes que fazem o genitivo singular em -ow (a latina f
az em -is).
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Mas há inúmeras exceções: na primeira, os nomes masculinos em -a/-h fazem o geni
tivo singular em -ou; na terceira, temos nomes fazendo o genitivo singular em -o
uw, em -vw etc. Cremos que a melhor forma de encarar a flexão dos nomes é ver ne
les, como Aristóteles viu (Poética, 20), um composto de duas partes: o tema e a
desinência, isto é, uma parte fixa e outra móvel. À parte fixa damos o nome de te
ma e à parte móvel damos o nome de casos , para a flexão nominal. A partir daí basta
acrescentar os diversos casos, conforme as funções que os nomes exercerem no en
unciado, para termos a flexão deles. Um estudo detalhado, mais profundo, poderá
constatar que o grupo de casos (desinências nominais) é um só, e que as diferenç
as que apresenta para os nomes de tema em vogal e para os nomes de temas em cons
oante ou semivogal são aparentes e são produto de acidentes fonéticos. No moment
o, vamos manter os dois grupos: nomes de tema em vogal e nomes de tema em consoa
nte e semivogal 8. Veremos que podemos construir toda a flexão dos temas em voga
l a partir de um quadro de desinências. As dificuldades que surgirão serão de na
tureza fonética e não morfológica, que são conseqüências das alterações, acomoda
ções fonéticas que acontecem na junção dos temas às desinências. Elas serão dest
acadas e explicadas sempre que aparecerem 9. É por isso que iniciamos o trabalho
com uma introdução sobre o sistema fonético da língua grega, mostrando todos os
acidentes fonéticos que acontecem nos encontros dos sons: vogal + vogal, consoa
nte + consoante. Essas alterações fonéticas são constantes, mas não se deve temê
las. Elas têm causas físicas, fisiológicas, concretas e acontecem no aparelho fo
nador, no momento da articulação dos diversos sons no ponto de
8
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As semivogais são: o -i / u , e o -j / W , que são sentidas mais como consoantes
do que como vogais. A prova é que nos temas verbais terminados em semivogais, a
primeira pessoa do indicativo infectum é -v como nos verbos de tema em consoant
e. Essas explicações estarão também no quadro geral sobre o alfabeto e os sons,
no início deste trabalho.
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articulação e modo de articulação. Constataremos também que essas alterações fon
éticas são comandadas por duas leis : a lei do menor esforço e a competência lingüí
stica e preservação semântica. Constataremos também que, se os componentes são o
s mesmos, o resultado é sempre o mesmo. É uma questão orgânica, natural. Não há
regras nem exceções. Devemos insistir, contudo, que não estaremos escrevendo um t
ratado de fonética grega , mas, com finalidade exclusivamente prática, estaremos r
egistrando e explicando os vários acidentes fonéticos que acontecem na flexão no
minal e verbal. Ao tratarmos dos nomes de temas em vogal, apresentaremos um quad
ro geral das desinências com explicação detalhada de cada acidente fonético e, a
seguir, para facilitar a consulta, apresentaremos vários quadros de flexão, sem
pre com as explicações necessárias. Teremos sempre em mente que a flexão nominal
e também a verbal são um sistema de construção, de montagem. Nunca pediremos ao
aluno que decore paradigmas, embora não sejamos contra a que o aluno monte o se
u, a partir da identificação das duas partes da palavra: tema e desinência. Não
faremos distinção entre substantivos, adjetivos, dêiticos (pronomes-adjetivos na
nomenclatura corrente). Não há razão para isso, na medida em que a flexão se fa
z sobre tema e desinência, que são expressões de funções. No grupo dos nomes de
temas em consoante ou semivogal começaremos por traçar um quadro das desinências
e a seguir mostraremos como elas se acoplam aos diversos temas. Constataremos q
ue a flexão desses nomes todos é absolutamente regular e que todos os problemas
que surgem são acidentes fonéticos que se originam desse acoplamento das desinên
cias aos temas. Mas todos são explicáveis e serão explicados. Daremos a seguir v
ários quadros de flexão dos diversos temas, como um referencial seguro para o le
itor. A seguir abordaremos a flexão verbal Começaremos por afirmar que no verbo
grego há apenas dois fatos importantes: o aspecto e o modo. Diremos que o tempo
medido, cursivo, determinante está fora da forma verbal. Ele é o enquadramento d
o ato verbal.
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Por isso a noção de tempo só se exprime pelo indicativo: a marca do passado não
é uma desinência, mas uma forma exterior ao tema, e se usa apenas no indicativo.
Não há tempo nos outros modos verbais. A partir da idéia de que uma forma grama
tical, nominal ou verbal é semântica e sintaticamente autônoma, estudaremos os t
rês aspectos verbais (que denominamos tempo interno do verbo ), servindo-nos de inú
meros exemplos e frases que fomos buscar nas gramáticas. Mais uma vez não seremo
s econômicos. Acreditamos que é pela repetição que se aprende. Tentaremos explic
ar o infectum, que, quase sempre, faremos acompanhar da palavra inacabado , mostran
do o leque de seus significados, que não são divergentes; todos mantêm a idéia d
a continuidade do processo verbal, desde a entrada no processo, até as relações
de repetição, hábito etc. O leitor verá nos exemplos que há uma coerência semânt
ica completa. Estudaremos também o aoristo, que à primeira vista parece difícil,
mas se identificarmos no aoristo a raiz-tema , isto é, o ponto de partida para o i
nfectum e o perfectum, veremos mais uma vez que a relação significante-significa
do é muito clara. Mostraremos que há dois aoristos no indicativo: um que é o ato
verbal na sua essência, sem nenhuma conotação temporal, usado nas expressões de
caráter geral, máximas e provérbios (aoristo gnômico), e que há o aoristo narrat
ivo, pontual, enquadrado ; dentro de um quadro narrativo, que dá o enquadramento t
emporal, o aoristo pontual que exprime os fatos isolados, que incidem, pontuam a lin
ha narrativa. A denominação de aoristo pontual é sugestiva, na medida em que ele i
ncide sobre o processo narrativo, exprimindo apenas o ato verbal isolado, sem id
éia de duração ou acabamento. Mostraremos também que, por coerência semântica, o
tema do aoristo é a base para a formação dos temas do Infectum-Inacabado e do P
erfectum-Acabado.10
10
Ao introduzirmos o estudo das flexões faremos menção especial para esses fatos.
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Mostraremos que o perfeito, perfectum acabado também faz jus ao nome: exprime o po
nto de chegada do ato verbal, do processo interno do verbo, sem indicação de tem
po externo. Mostraremos também que o perfeito mais antigo é o perfeito médio, in
transitivo, que dá a idéia de resultado; o perfeito passivo deriva dessa idéia.
O perfeito ativo é mais recente; é menos usado e tem conflitos semânticos com al
gumas formas em alguns verbos. Mostramos também que, como o infectum tem o passa
do expresso pelo imperfeito e o aoristo tem o passado expresso pelo aoristo enqu
adrado, narrativo, o passado do perfeito é expresso pelo mais-que-perfeito. Most
raremos que não há outros modos no passado; só o indicativo. Ao tratarmos da mor
fologia dos aspectos, veremos em primeiro lugar que o infectum-inacabado, quando
não tem o tema igual ao do aoristo, ele o tem alargado, ampliado, por prefixos
(redobro), infixos e sobretudo sufixos formadores. Nós vemos nisso uma nítida re
lação de significante e significado. O tema do infectum-inacabado nunca é menor1
1 do que o do aoristo. Isso não é mero acaso. Começaremos apresentando o quadro
geral das desinências, que são poucas, e mostraremos que não há desinências espe
ciais para esse ou aquele tema verbal, e que a opção para -v ou -mi da 1a pessoa
da voz ativa é mero problema fonético: os temas em consoante e semivogal optam
pelo -v, e os temas em vogal optam pelo -mi. Constataremos também que as desinên
cias não pertencem a esse ou àquele quadro ou paradigma; elas pertencem, são prop
riedades das pessoas gramaticais. Isso é significativo e importante e explica por
que o grego não usa o sujeito-pronome. É que as desinências o representam sufic
ientemente. Cada pessoa gramatical tem suas desinências:
11
Salvo alguns raros casos, antigos na língua, como ³gagon. Ver na flexão do aoris
to.
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Quadro das desinências verbais
1ª pessoa sing.
ativa média/ pas.
prim. secund. prim. secund. prim. secund. prim. secund. prim. secund. prim. secu
nd. prim. secund. prim. secund. prim. secund. prim. secund. prim. secund. prim.
secund.
-v/-mi -m >-n (>a depois de consoante) -mai -mhn -si / w -w -sai -so -ti -t -tai
-to -men -men -meya -meya -te -te -sye -sye -nti -n (sa-n) -ntai -nto
2ª pessoa sing.
ativa média/ pas.
3ª pessoa sing.
ativa média/ pas.
1ª pessoa pl.
ativa média/ pas.
2ª pessoa pl.
ativa média/ pas.
3ª pessoa pl.
ativa média/ pas.
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As desinências do imperativo apresentam apenas um problema: o imperativo singula
r (o verdadeiro, original, primeiro), na voz ativa do infectum, seria de desinên
cia zero, naturalmente.12 Mas os temas em consoante e semivogal precisaram de um
a vogal de apoio -e que, por analogia, os outros verbos usam; krÛne/tÛ-ye-e > tÛ
-yei. No aoristo sigmático singular da voz ativa e média, usam-se antigas fórmul
as, mas são de 2ª pessoa -so-n / -sai. E no aoristo passivo singular toma-se emp
restada a desinência do locativo -yi sobre o tema de aoristo passivo. Observe-se
ainda a sintonia ou sinfonia fonética entre as consoantes das pessoas gramatica
is e as desinências: 1 o -m- dos pronomes de 1ª pessoa e o -m da primeira pessoa
: no singular: me/mou/moi → -m-> -n/-mi/-mai/-mhn 13; No plural, ²meÝw ²m¡terow
→ -m2 o -s- das 2as pessoas correspondem a tu > su → -w/-sai/-so 3 o -t- das 3 a
s pessoas do singular tñw e do plural (com -n- epentético) → -ti / -t/-nt/ntai/-
nto tñw é um antigo dêitico empregado por Homero e Heródoto com significado de es
te , um anafórico; e aï é um conetivo anafórico também, por sua vez são os formadore
s do pronome de 3ª pessoa, na verdade um dêitico: aï tñw > aétñw. Ao tratarmos da
morfologia do aoristo, veremos que há um aoristo flexionado sobre a própria raiz
do verbo. Chamaremos esse aoristo de aoristo de raiz-tema . É o aoristo que as gra
máticas denominam aoristo segundo ou aoristo temático . São denominações impróprias
: a primeira porque é meramente administrativa, pois as gramáticas estudam o
12
Faria contraponto com o vocativo, que é o gancho do diálogo apenas; não tem funç
ão e por isso não tem desinência (caso). 13 ¤gÅ é absoluto; não tem plural nem f
eminino, e as flexões dele são sobre tema diferente. Mas a variante -v de primeira
pessoa não deve ser mera coincidência.
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aoristo sigmático antes desse aoristo; a segunda, como já dissemos, porque confu
nde vogal temática com vogal de ligação. Diremos também que esse aoristo de raiz
-tema é o mais antigo por razões semânticas e arrolaremos uma lista de verbos ho
méricos, todos com significados dos atos primeiros, essenciais, concretos, do se
r humano. Estudaremos a seguir o aoristo em -h, que na origem tem um significado
médio, intransitivo e depois serviu para exprimir a voz passiva, sobretudo dos
verbos de tema em soante-líqüida, fazendo contraponto com outra característica d
a passiva, mais tardia e mais forte, que passou a ser a paradigmática, -yh- / sy
h. Falaremos a seguir do aoristo e do futuro sigmáticos. Embora o aoristo sigmát
ico esteja presente nos textos homéricos, sua criação certamente é recente. Mas,
por ser uma marca forte, acabou prevalecendo e passou a ser o aoristo-referênci
a, e todos os verbos novos que foram sendo criados passaram a ter o aoristo sigmát
ico. Dentro do aoristo sigmático mostraremos o tratamento fonético que ele sofre
depois de temas em soante-líqüida: l, m, n, r. Vincularemos a flexão do futuro
à do aoristo, mostrando que, por razões semânticas, o futuro não poderia ser con
struído sobre o tema do infectum-inacabado. Provaremos também que morfologicamen
te ele se constrói sobre o tema do aoristo. Ao tratarmos do perfectum-acabado, m
ostraremos que formalmente ele se constrói sobre o tema do aoristo; falaremos so
bre o redobro e suas variantes e mostraremos que cronologicamente o perfeito méd
io-intransitivo é anterior ao passivo, que se serviu de suas desinências, e que
o perfeito ativo é o mais recente. Diremos também que o perfeito ativo é mais di
fícil de formular em português, e que, estatisticamente, é o menos freqüente. Ao
pensarmos em português, temos dificuldades em diferenciar um pretérito perfeito
simples de um aoristo narrativo (pontual). A diferença existe, mas só o context
o nos pode esclarecer. O imperativo perfeito ativo, embora formalmente possível,
exige uma operação mental complexa: a noção do acabado, perfeito não se coaduna
com a noção eventual do imperativo. Não temos lembrança de a termos encontrado
em textos.
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Passamos então a estudar os modos, numa seqüência que manteremos sempre: indicat
ivo, subjuntivo, optativo, imperativo, particípio e infinitivo. O estudo dos mod
os em grego é precedido de algumas considerações sobre os modos em português e l
atim. Mostraremos que a nomenclatura referente aos modos é discutível, e que ess
e problema já está em Dionísio Trácio, em sua gramática que já sofre os vícios d
a gramática descritiva, que deixa de lado a relação significante-significado. Ex
plicaremos os modos a partir de seus nomes. É preciso ter em mente, antes de tud
o, que o uso desse ou daquele modo num enunciado qualquer depende do emissor da
mensagem, ele é o dono da mensagem, e de como ele quer que o receptor a receba. Es
tamos falando de uma mensagem pensada coerente, é claro. Essa observação é muito i
mportante porque, sempre que pensamos em estudar os modos verbais de determinada
língua, pensamos na sintaxe dos modos. Essa visão a partir do abstrato para o con
creto é a causadora principal da dificuldade do entendimento e do emprego dos mo
dos em qualquer língua. Nós entendemos, e a prática na sala de aula nos confirmo
u, que as palavras são autônomas, as expressões, quer verbais quer nominais, têm
um significado em si mesmas e por si mesmas e dentro do enunciado são elos da c
adeia e são interdependentes; o que os comanda é a linha semântica do enunciado,
que é o que o emissor elaborou ou está elaborando em sua mente e está transmiti
ndo ao receptor da maneira que ele quer que o receptor a aceite. A interpretação
e o entendimento dos modos empregados depende desse diálogo direto, sem interme
diários, entre leitor > texto . Entendemos por texto o próprio emissor. É por isso qu
e não teremos um capítulo de Sintaxe dos Modos ou Sintaxe do Subjuntivo, ou do Opta
tivo etc. ou da Sintaxe das Orações Temporais, Causais, Relativas, Participiais, I
nfinitivas. Os inúmeros exemplos que arrolaremos nos levarão a entender os modos
gregos. Mostraremos, por exemplo, que um subjuntivo é eventual, e em português
se traduz pelo presente ou futuro do subjuntivo quer ele esteja numa oração fina
l, temporal, causal, modal etc. Mostraremos que o indicativo é o modo da realida
de objetiva e subjetiva e, por coerência, ele é também o modo da irrealidade. Ex
emplificaremos com algumas frases, estabelecendo as correspondências em portuguê
s.
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O grego usa o mesmo modo, indicativo, quer na realidade objetiva ou subjetiva en
unciativa, quer na irrealidade supositiva, hipotética de presente e de passado,
em que usa, respectivamente o imperfeito e aoristo indicativos, apenas marcados
por eÞ na condicionante e n na condicionada. O português emprega o indicativo para a
realidade objetiva ou subjetiva enunciativa presente; para a irrealidade present
e, usa o imperfeito do subjuntivo com marcador se na condicionante e o condicional
simples sem marcador na condicionada; e, para a irrealidade passada, o portuguê
s usa o mais-que-perfeito do subjuntivo com o marcador se na condicionante e o con
dicional composto, sem marcador, na condicionada. Ver exemplos nas páginas 251 e
267. Diremos também que a denominação subjuntivo/ conjuntivo é imperfeita, porq
ue sugere que é o modo da subordinação, quando a subordinação é apenas uma parte
de seu significado: nas expressões de deliberação, exortação, pedido (voto), nã
o há subordinação. Ela só está presente na suposição da probabilidade, futura, c
om o se, ou caso, no caso de, quando na condicionante e subjuntivo presente ou f
uturo, e geralmente futuro (indicativo) sem nada na condicionada; nas construçõe
s de finalidade, ou se usa para que, a fim de que e o subjuntivo presente ou a c
onstrução para com infinitivo. Insistiremos no sentido da eventualidade do subju
ntivo. O subjuntivo é o modo do eventual, do provável, do fato futuro não determ
inado. É uma espécie de modo da antecipação. Portanto, a tradução em português s
erá ou pelo subjuntivo presente ou pelo subjuntivo futuro ou pelo infinitivo pre
cedido de para. Essa eventualidade, no entanto, não é sentida em português no us
o do quando eventual, isto é, quando exprime o fato repetido como presente: cada
vez que, sempre que. O português usa o indicativo. O grego não. Usa coerentemen
te o subjuntivo, isto é, o eventual, porque, na medida em que um fato é sucessiv
o, repetido, ele não é um fato só, isto é, não é delimitado, e por isso o uso do
indicativo é impróprio. Esse sentido da eventualidade, fato futuro, explica o u
so de desinências primárias para todo o subjuntivo. Ao tratarmos do optativo, di
remos que é o modo da possibilidade ou da afirmação atenuada e que em português
nós o traduziremos ou pelo
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imperfeito do subjuntivo ou pelo condicional simples, que são os modos que expri
mem em português a possibilidade e a afirmação atenuada. Diremos que a denominaç
ão imperfeito do subjuntivo é imprópria, porque o optativo é o modo da possibili
dade, do possível, da transmissão da afirmação de terceiros, do voto negativo, i
ncerto, da imprecação negativa, incerta, tendente à irrealidade. Esse sentido de
possível, de incerteza, aproxima o optativo mais do irreal do que do real ou ev
entual. Isso explica o uso de desinências secundárias em todo o optativo. Ao tra
tarmos do modo imperativo, diremos que é o modo do diálogo, que é bipolar, horiz
ontal, singular na relação eu/tu e que, por isso mesmo, mais uma vez, a denominaçã
o imperativo não corresponde exatamente ao seu significado. Nem sempre, ou quase n
unca, o imperativo contém uma ordem. Mostraremos também que os outros imperativos
são formações analógicas e que há dois imperativos: os de 2 as pessoas (tu e vós
), que denominamos imperativo direto e os de 3as pessoas, também analógicos, que
denominamos imperativo indireto, porque a 3ª pessoa não está no eixo do diálogo
e a mensagem é dada indiretamente. Ao tratarmos do particípio, mostraremos a ri
queza do uso do particípio em grego. Cada aspecto tem três particípios: da voz a
tiva, média e passiva: são doze (infectum, aoristo, futuro, perfeito), e cada um
com três formas: masculino, feminino e neutro. São então, ao todo, trinta e sei
s particípios. Formalmente são trinta, porque no infectum e perfectum a voz médi
a e a voz passiva têm a mesma forma Mostraremos as correspondências em português
, que não são claras por causa da invasão do gerúndio, que ocupou as funções do
particípio da voz ativa. Em grego, o particípio é um verbo-adjetivo; é disso que
ele tira seu nome metox , participação. Ele tem formas nominais, mas funcioname
nto e natureza verbal: ele pode ser adjunto adnominal (epíteto), predicativo (ap
osto, conjunto), pode ser substantivado, mas não perde sua natureza verbal e pod
e ter objeto direto, pode exprimir relações de espaço, como o verbo de que ele é
a expressão nominal.
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O infinitivo é o último item desta seqüência, mas ele já terá sido tratado em pa
rte no capítulo do infectum-inacabado, na voz ativa, porque, como noção substant
iva do verbo, isto é, um substantivo, pode exercer todas as funções de um substa
ntivo, e mostraremos como o infinitivo grego descarrega todas as funções e todos
os casos no artigo, contrariamente ao latim que, não tendo artigo, foi obrigado
a criar casos para o infinitivo, e o gerúndio representa esses casos; e que, em p
ortuguês, o gerúndio representa os casos instrumental e locativo (raramente o ge
nitivo-ablativo). Mas, também no infinitivo, o grego é mais rico do que o latim
e o português: cada aspecto tem três infinitivos: ativo, médio e passivo: infect
um, aoristo, futuro e perfeito. São 12 infinitivos, com seu significado próprio.
Na verdade são então, ao todo, 12 infinitivos, semanticamente, mas morfologicam
ente, formalmente, são 10, uma vez que no infectum e no perfectum a voz média e
a voz passiva têm a mesma forma. Completaremos a série falando dos adjetivos ver
bais em -tñw, t , -tñn, que correspondem aos adjetivos de sufixo bilis, e, em la
tim, e -vel, em português: o que pode ser feito ; e -t¡ow, -t¡a, -t¡on, que corresp
ondem aos adjetivos de sufixo -ndus, a, um do gerundivo em latim, e em português
ao sufixo erudito -ndo do gerundivo latino, com o significado de o que deve ser
feito , ambos construídos sobre o tema verbal puro, isto é, sobre o tema do aorist
o. Depois da flexão nominal e verbal, passaremos a tratar das Invariáveis . Na verd
ade elas são a conexão na relação substantivo/verbo; elas são circum-stanciais , pe
riféricas, perittaÛ . Começaremos pelas preposições e mostraremos que todas elas sã
o advérbios com significado espacial. Não há nenhuma preposição com significado
temporal. Mostraremos também, individualmente, que os casos que as preposições re
gem são decorrentes da relação espacial que elas determinam e que, por regerem mais
de um caso, não mudam necessariamente de significado, que permanece o mesmo, co
ncreto, espacial. O que pode acontecer é elas serem usadas em outro plano, metaf
órico, figurado, mas, a relação espacial metafórica sendo a mesma, o caso será o
mesmo. Há
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uma coerência total nessas construções. Mas para demostrá-la foram precisos inúm
eros exemplos que fomos buscar em várias gramáticas. A seguir abordaremos as con
junções e conetivos em geral, que a gramática grega denomina sændesmoi , amarrações .
Mostraremos que o que chamamos de partículas são, na base, conetivos da oralidade,
que permaneceram na mente do homem grego. Por coincidência, nos textos em que a
oralidade está mais presente, como no teatro ou nos diálogos de Platão, há mais
desses conetivos do que nos textos de Aristóteles, por exemplo. Mas eles são ma
is instrumentais e marcadores, e por isso é difícil identificar neles um signifi
cado próprio, independente, permanente. Eles são mais conotativos. Os inúmeros e
xemplos mostrarão isso com bastante clareza. Mas não estudaremos as partículas s
eparadas das conjunções; elas estarão na mesma lista, por ordem alfabética. Nas
conjunções propriamente ditas, vemos amarrações entre frases, enunciados. Também a
í, por meio de inúmeros exemplos, mostraremos que as conjunções não regem esse ou
aquele modo verbal. Elas têm um significado próprio e o modo verbal é decorrente
de como o enunciado é passado do emissor para o receptor: se há uma realidade o
u irrealidade é o indicativo; se há uma eventualidade, o modo é o subjuntivo ou
futuro; se há uma possibilidade, ou atenuação da mensagem, o modo é o optativo.
A seguir estudaremos os advérbios propriamente ditos; eles diferem das preposiçõ
es, antigos advérbios, na medida em que não exigem uma relação espacial depois d
eles; são usados de maneira absoluta. Eles são os adjetivos do verbo , isto é, do =
°ma, o que é dito do sujeito . Eles são basicamente circunstanciais: modais, instru
mentais, temporais e espaciais, em suas várias relações de acusativo, genitivo e
locativo, e por isso muitos deles são formas petrificadas desses casos. É este
o roteiro da exposição de nossa teoria sobre a língua grega. Mas esta teoria que
r ser essencialmente prática, porque foi da prática que ela nasceu, durante anos
sucessivos, em que nenhuma aula sobre um determinado ponto foi igual à anterior
ou à posterior. Além disso, a prática, isto é, o ensino foi a razão e causa des
te nosso trabalho. Por isso, apresentaremos aqui também a parte didática, na qua
l foram aplicadas todas estas idéias sobre o funcionamento da língua grega. Até
agora ela foi apresentada nas diversas versões de nossas apostilas , na qual era ap
resentada a teoria e a prática, isto é, as frases que
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deviam ser traduzidas. Mas a teoria que estava nessas apostilas ou era sumária o
u estava em processo de elaboração, e por isso nós solicitávamos aos alunos que
usassem a página anterior em branco para anotar nossa exposição oral que às veze
s até contrariava a escrita. As frases foram reunidas enfocando um ponto determi
nado da matéria, que foi dividida em unidades didáticas, ou módulos, na seguinte
ordem: A/ Flexão dos nomes de tema em vogal e formas do verbo ser. São os Texto
s I e II. Neles estão substantivos, adjetivos e dêiticos em -o e -a/-h nos diver
sos casos, menos no acusativo, porque os verbos de ação serão dados a seguir.14
Mas a tradução dessas frases não é um fim em si; ela só tem sentido se o enunciado
foi entendido no relacionamento de suas partes. Por isso deve-se agir da forma
seguinte: copiar o texto, mas só a frase que vai trabalhar15; identificar o suje
ito e o verbo, e os outros casos, relacionando estreitamente caso e função. Por
isso deve-se deixar uma linha em branco e registrar isso nessa linha; só então t
raduzir, coerentemente com a análise feita. As palavras estão no vocabulário de
mais ou menos 5.000 palavras, que foi preparado para isso. Traduzida essa frase,
veremos a seguir propostas de versão, ou de uma frase imitando ou parodiando a
que acabamos de traduzir, ou ainda
14
Procuramos registrar apenas frases abonadas, isto é, frases de autores gregos ou
da tradição grega. Frases pensadas e enunciadas em grego. Isto é extremamente i
mportante: o aluno sente que está penetrando num mundo diferente e que esse mund
o o envolve. 15 A transcrição manual é extremamente importante, essencial. Esse
primeiro contato concreto com o texto tem um efeito muito importante, não só com
pletando a alfabetização do estudante, mas familiarizando-o com o texto: a parti
r daí o texto grego não será o estranho com quem se bate ou de quem se foge.
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veremos alguns sintagmas em português, em que veremos as mesmas palavras que aca
bamos de usar na tradução. Poderá ainda haver uma proposta para manipular, trans
formar a frase, quer passando-a para o singular ou para o plural, ou ainda mudan
do-a da voz ativa para a passiva e vice-versa. Esses exercícios complementares,
que foram denominados versão e ginástica nas edições anteriores, têm o objetivo
de fazer fixar não só os casos da flexão nominal e as desinências da flexão verb
al, mas sobretudo fazer fixar um vocabulário básico. Na versão teremos em portug
uês todas ou quase todas as frases que foram traduzidas do grego, mas em forma d
e glosa: muda-se o verbo, mudam-se as relações entre os nomes, muda-se o número.
A versão visa a que se vejam as relações da língua a partir do lado do leitor.
Na frase expressa em grego, ele tem os casos para os quais precisa encontrar a f
unção; na frase expressa em português, ele deve identificar a função para lhe ap
licar o caso correspondente. A versão tem também outra finalidade: fazer a revis
ão da frase grega que acabou de ser traduzida, para se identificar nela a glosa
em português. Isso propicia ver pelo menos duas vezes as palavras empregadas, fi
xar o significado delas e assim guardá-las mais facilmente na memória. A ginásti
ca, isto é, exercício com os sintagmas, é apresentada em duas partes: a primeira
compõe-se basicamente de sintagmas das relações nominais que se encontram nas f
rases traduzidas. De novo, somos levados a reler as frases, identificar as palav
ras e dar-lhes o caso compatível com a função que ele identifica no sintagma. O
objetivo dessa ginástica é familiarizar o leitor com o sistema de casos da língu
a grega e ajudá-lo a identificar sempre a relação funçãocaso / caso- função; a s
egunda parte consiste em registrar em grego algumas das frases traduzidas, pedin
do ao leitor passá-las para o plural, se estão no singular, e vice-versa; passar
para a voz passiva e vice-versa; passar as formas verbais do presente para o im
perfeito ou futuro etc. O objetivo dessa ginástica é obrigar o leitor a voltar u
ma terceira vez para as frases traduzidas, propiciando-lhe novo contato com as p
alavras e as formas, ajudando-o a adquirir vocabulário e firmeza e consciência n
o uso das formas nominais.
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B/ Todas as formas do infectum dos verbos são introduzidas nos Textos Gregos II,
III e IV, sempre com nomes de temas em vogal. O modelo de tradução é o mesmo, m
as, além do acusativo, entram aí todos os verbos, tanto em -v quanto em -mi. Ali
ás, mostramos que a divisão tradicional em duas categorias de verbos, com desinê
ncias diferentes não é verdadeira. A única desinência diferente é a da 1ª pessoa
da voz ativa, e isso decorre de fator fonético: os temas em consoante e semivog
al têm a desinência -v, e os de temas em vogal têm a desinência -mi. Nesses dois
grupos de textos usamos todas as formas do infectum das três vozes e de todos o
s modos, menos o particípio ativo, por ser um nome de tema em consoante do qual
ainda não se viu a flexão. Segue-se o mesmo esquema e traduzem-se as formas verb
ais depois de identificá-las e analisá-las; mas a tradução parte do texto, isto
é, do significado da forma dentro do enunciado. Cada um desses textos vem seguid
o de uma versão e de ginástica com os mesmos objetivos dos textos I e II. C/ As
formas do imperfeito de todos os verbos estão nos Textos III e IV que introduzim
os evidentemente depois de explicarmos a construção do passado em grego. Novamen
te, passamos pela tradução das frases e depois pela versão e ginástica. Nesse po
nto o leitor se surpreende e pergunta a razão por que o grego não tem imperfeito
do subjuntivo. Com o texto IV, termina o Módulo I do curso. Em geral ele é dado
em um semestre. D/ A flexão dos nomes de temas em consoante e semivogal dá iníc
io ao Módulo II. Damos o quadro geral das desinências e solicitamos ao leitores
o trabalho de acoplar essas desinências aos diversos temas. A primeira dificulda
de é encontrar o tema: na maior parte dos nomes, o registro no genitivo singular
ajuda a identificá-lo; mas nos temas em -w, -W, -j não. Os Textos Gregos V e VI
contêm essencialmente nomes de temas em consoante e semivogal e as formas do in
fectum dos verbos (presente e imperfeito), em todos os modos.
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introdução: guia do leitor
Não introduzimos aí o futuro, como fazem as gramáticas, porque o futuro é constr
uído sobre o tema do aoristo. O ritual com os Textos Gregos V e VI é o mesmo dos o
utros: o aluno faz a tradução, depois a versão e ginástica. Os objetivos também
são os mesmos. E/ O aoristo vem a seguir nos textos que denominamos Exercícios d
e aoristo e futuro, que seriam os Textos Gregos VII e VIII. O ritual é o mesmo, ma
s, além da tradução, pede-se que se identifique o tema verbal, para que se acost
ume com a idéia de que o verdadeiro tema verbal é o aoristo; a seguir pede-se qu
e se construa o infectum a partir do aoristo. Percebe-se então com mais clareza
que há uma relação estreita de significante e significado nas formas verbais. Us
a-se para isso todo o quadro denominado Formação dos temas do infectum. As diver
sas formas de aoristo que estão nessa série de frases levam o estudioso a identi
ficar e se familiarizar com todos os aoristos e futuros nas três vozes e em todo
s os modos. Nunca a partir de paradigmas, mas a partir das frases, que apresenta
m as formas como elementos semântica e sintaticamente autônomos. Acontece então
que, por iniciativa própria, o estudioso apresenta diversas construções do verbo
grego, a partir do tema do aoristo! Isto mostra que, afinal, ele está entendend
o a estrutura da flexão verbal! F/ O perfeito. Finalmente, temos os Exercícios s
obre o tema do perfeito. Inicialmente houve uma introdução, em que ficou demonst
rado que o perfeito, por ser um resultado presente de um ato passado, é um estad
o presente e que, por conseguinte, o perfeito médio-intransitivo teria sido o ma
is antigo, do qual derivou o passivo e finalmente construiu-se o ativo. São os T
extos Gregos IX e X. O estudioso começa por transcrever e traduzir as frases, te
ndo em vista sobretudo a identificação das formas verbais no perfeito. Ele encon
tra as várias formas do perfeito, que estão explicadas no manual, e vai tentando
traduzir uma a uma essas formas para o português.
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introdução: guia do leitor
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Depois de cada frase vêm a Versão e a Ginástica. Mas, já, junto com o perfeito,
estará enfrentando textos de autores, sobretudo de Platão, cuja tradução e leitu
ra são instigantes e gratificantes. É esse o projeto! Foi esse o projeto! Resta
ver agora se na teoria ele se justificou. A prática, ao que parece, o aprovou!
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o alfabeto grego
O alfabeto grego
Signo grego
AB-b G-g D-d E-e Z-z H-h Y-y I -i K-k L-l M-m N-n J, j O-o P-p R-r S - s, w18 T-
t U-u F-f X-x C-c V-v
16 A
som
a b gue d e dz é th i k l m n ks o p r /rh s (ç) t y ph kh ps ó
Denominação
lfa b°ta g mma d¡lta ¦ cilñn z°ta —ta y°ta ÞÇta k ppa l mbda mè nè jÝ ö mikrñn pÝ =ñ sÝ
gma tau ë cilñn fÝ xÝ cÝ Î m¡ga álpha béta gáma délta e psilón17 dzéta éta théta
ióta kápa lámbda mû nû ksî o mikrón pî rhô sîgma tau y psilon phî khî psî o még
a
Exemplos fonéticos
altar, fada belo, bolo gato, guerra dado, dedo mesa, medo Zeus (Dzeus/Zdeus) atl
eta, tese th (ingl. thing) nada Kant, Kent lado, lido mês, mal nada axioma tolo
pedra rei, rato (vibrante) sal, ser (sempre ç) tarde hypnose (u francês) fuga kh
áris psicose hora
a16
fonte grega utilizada neste livro é a Athenian. não seguimos a denominação tradi
cional dos grafemas gregos e, o, v, respectivamente êpsilon, ômikron e ômega; pr
eferimos denominá-los pelo que eles são: e psilón, e simples, desguarnecido, o m
ikrón, o pequeno, curto, breve e o méga, o grande, longo. 18 O s- usa-se no iníc
io e no meio das palavras, e -w no final.
17 Nós
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o alfabeto grego
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Exercício de leitura e transcrição:
Leia com auxílio da transcrição em caracteres latinos as palavras abaixo, todas
existentes em português, e a seguir transcreva-as em caracteres gregos; os acent
os na transcrição em português são para auxiliar a leitura: o acento circunflexo
não indica vogal fechada, que não existe em grego.19
Omhrow tr peza sbestow biblÛon gumn sion dhmokratÛa y°atron y¡atron ciw öciw éj¤vma jÛv
a b¤ow bÛow =inok°rvw =inok¡rvw dÆ Äd xaraktÆr xarakt r naËw naèw eÈgenÆw eégen
w êggelow ggelow lãrugj l rugj kr¤siw krÛsiw moiow ÷moiow Ïmnow ìmnow _ppopÒtamow ßp
popñtamow stoikÒw stoikñw diãlogow di logow mousikÆ mousik Spãrth Sp rth Ka sar KaÝsa
r Hómeros trápeza ásbestos biblíon gymnásion demokratía théatron ópsis aksíoma b
íos rhinokéros oidé/odé kharaktér naûs eugenés ángelos lárynks krísis hómoios hy
mnos hippopótamos stoikós diálogos mousiké Spárte Kaîsar filanyrvp¤a filanyrvpÛa
drçma dr ma biograf¤a biografÛa grafÆ graf g°nesiw g¡nesiw diãgnvsiw di gnvsiw lab
Êrinyow labærinyow metaforã metafor z on zÒon Ïbriw ìbriw =eËma =eèma cuxÆ cux »ke
anÒw Èkeanñw fainÒmenon fainñmenon ploËtow ploètow êgkura gkura Àra Ëra F¤lippow
FÛlippow da¤mvn daÛmvn =uymÒw =uymñw m mow mÝmow énvmal¤a nvmalÛa _ppÒdromow ßppñdr
omow klinikÒw klinikñw sf gj sfÝgj ékrÒpoliw krñpoliw philanthropía drâma biographí
a graphé génesis diágnosis labyrinthos metaphorá zôion/zôon hybris20 rheûma psyk
hé okeanós phainómenon ploûtos ánkyra hóra Phílippos daímon rhythmós mîmos anoma
lía hippódromos klinikós sphînks akrópolis
19 Há
um equívoco quando se fala de vogais fachadas em grego: v / h são vogais longas,
articuladas, abertas; mas e /o são breves, simples, soltas não articuladas, e n
ão são necessariamente fechadas. 20 O -y- não comporta acento nas línguas modern
as.
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o alfabeto grego
fvsfñrow fvsfÒrow §pitãfiow ¤pit fiow =eumatismÒw =eumatismñw profulatikÒw profula
tikñw d°rma d¡rma kubernetikÆ kubernetik lÒgow lñgow kan_n kanÅn k¤nhsiw kÛnhsi
w diskobÒlow diskobñlow gevrgikÒw gevrgikñw parãdojow par dojow kÊklvc kæklvc paxÊ
dermow paxædermow sËrigj sèrigj sÊgxronow sægxronow kay°dra kay¡dra boukolikÒw b
oukolikñw ±x_ ±xÅ —ppow áppow ¹m_numow õmÅnumow mayhmatikÒw mayhmatikñw tuf_n tu
fÅn p°ntaylon p¡ntaylon mËyow mèyow éylhtÆw ylht w gevmetr¤a gevmetrÛa politikÒw
politikñw biblioyÆkh biblioy kh êtomow tomow Ùbel¤skow ôbelÛskow épolog¤a pologÛa
kvm d¤a kvmÄdÛa despñthw despÒthw kat logow katãlogow fil nyrvpow filãnyrvpow must rio
n mustÆrion di lektow diãlektow Éroskñpow roskÒpow aÈsthrÒw aésthrñw
phosphóros epitáphios rheumatismós prophylatikós dérma kybernetiké lógos kanón k
ínesis diskobólos georgikós parádoksos kyklops pakhydermos syrinks synkhronos ka
thédra boukolikós ekhó híppos homónymos mathematikós typhón péntathlon mythos at
hletés geometría politikós bibliothéke átomos obelískos apología komoidía/ komod
ía despótes katálogos philánthropos mysteríon diálektos horoskópos austerós
polÊglvttow polæglvttow §p¤gramma ¤pÛgramma a_morrag¤a aßmorragÛa YeÒdvrow Yeñdv
row Ípote¤nousa êpoteÛnousa ÉAy_nai Ay°nai nÒmow nñmow k¤nhma kÛnhma kvmikÒw kvmi
kñw kunikÒw kunikñw c¤ttakow cÛttakow duspec¤a duspecÛa fãntasma f ntasma k°ntauro
w k¡ntaurow fñrmigj fÒrmigj lÆyh l yh xrusostÒmow xrusostñmow aÂma aåma noma önom
a ¥liow ´liow xrusãnyemon xrus nyemon t°tanow t¡tanow èrmon¤a rmonÛa metevrolog¤a m
etevrologÛa yumÒw yumñw lurikÒw lurikñw ériymhtikÆ riymhtik pÒliw pñliw krob thw ék
robãthw éster¤skow sterÛskow éstronom¤a stronomÛa trag d¤a tragÄdÛa _larÒw ßlarñw yÅ
raj y_raj dÛskow d¤skow ceudÅnumow ceud_numow kataklusmñw kataklusmÒw aétñxyvn a
ÈtÒxyvn strathgñw strathgÒw ÍpokritÆw êpokrit w
polyglottos epígramma haimorragía Theódoros hypoteínousa Athénai nómos kínema ko
mikós kynikós psíttakos dyspepsía phántasma kéntauros phórminks léthe krysostómo
s haîma ónoma hélios khrysánthemon tétanos harmonía meteorología thymós lyrikós
arithmetiké pólis akrobátes asterískos astronomía tragoidía /tragodía hilarós th
óraks dískos pseudónymos kataklysmós autókhthon strategós hypokrités
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lejikñn lejikÒn tojikñw tojikÒw seismñw seismÒw fr siw frãsiw dñgma dÒgma Pl tvn Plã
tvn Dhmosy¡nhw Dhmosy°nhw Diog¡nhw Diog°nhw Puyagñraw PuyagÒraw LevnÛdaw Levn¤da
w PrÛamow Pr¤amow Milti dhw Miltiãdhw Agam¡mnvn ÉAgam°mnvn XenofÅn Jenof_n Zeèw ZeË
w Erm°w ÑErm_w Apñllvn ÉApÒllvn Hra ÜHra EstÛa ÉEst¤a Artemiw ÖArtemiw KliÅ Kli_ Oéra
nÛa OÈran¤a Tercixñrh TercixÒrh YalÛa Yal¤a PolumnÛa Polumn¤a ZEUS ERMHS APOLLVN
HRA AFRODITH AYHNA MELPOMENH EUTERPH KALLIVPH ERATV ERATV
leksikón toksikós seismós phrásis dógma Pláton Demosthénes Diogénes Pythagóras L
eonídas Príamos Miltiádes Agamêmnon Ksenophón Zeûs Hermés Apóllon Héra Estía Árt
emis Klió Ouranía Terpsikhóre Thalía Polymnía ZEUS HERMES APOLLON HERA APHRODITE
ATHENA MELPOMENE EUTERPE KALLIOPE ERATO
b rbarow bãrbarow yrñnow yrÒnow prñblhma prÒblhma ôbolñw ÙbolÒw Perikl°w Perikl_w
Svkr thw Svkrãthw Al¡jandrow Al°jandrow EéklÛdhw EÈkl¤dhw Arxim dhw ÉArximÆdhw Axill
eæw ÉAxilleÊw Aristot¡lhw ÉAristot°lhw Odusseæw ÉOdusseÊw Sofokl_w Sofokl°w Aristof n
hw ÉAristofãnhw PoseidÇn Poseid«n Arhw ÖArhw Hfaistow ÜHfaistow Dhm thr DhmÆthr Afr
odÛth ÉAfrod¤th Ay na ÉAyÆna Melpom¡nh Melpom°nh Eét¡rph EÈt°rph Kalli_ph KalliÅp
h EratÅ ÉErat_ POSEIDVN POSEIDVN ARHS ARHS HFAISTOS HFAISTOS DHMHTHR DHMHTHR ARTE
MIS ARTEMIS KLIV KLIV OURANIA OURANIA TERCIXORH YALIA YALIA POLUMNIA POLUMNIA
bárbaros thrónos próblema obolós Periklés Sokrátes Aléksandros Euklídes Arkhiméd
es Akhilleús Aristotéles Odysseús Sophoklés Aristophánes Poseidón Áres Héfaistos
Deméter Aphrodíte Athéna Melpoméne Eutérpe Kalliópe Erató POSEIDON ARES HEPHAIS
TOS DEMETER ARTEMIS KLIO OURANIA TERPSIKHORE THALIA POLYMNIA
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o alfabeto grego
Normas de transliteração
Para comodidade do aluno, transcrevemos a seguir as Normas de transliteração de
palavras do grego antigo para o alfabeto latino acordadas pela Sociedade Brasile
ira de Estudos Clássicos, com algumas discordâncias de nossa parte, expressas na
s Observações.
Signo grego A, a Ai, & B, b G, g gg gk gj gx D, d E, e Z, z H, h Hi, ú Y, y I, i
K, k L, l M, m N, n J, j O, o P, p R-, =-rS, -s-, -w T, t d¡lta - delta ¦ cilñn
- e psilón z°ta - dzéta/ zéta —ta - éta ióta suscrito y°ta - théta ÞÇta - ióta k p
pa - kápa l mbda - lámbda mè - mü / my nè - nü / ny jÝ - ksi ö mikrñn - o mikrón p
Ý - pi =Ç - rhô (inicial) rÇ - rô (interno) sÝgma - sîgma taæ - tau Denominação l
fa - alfa ióta suscrito b°ta - beta g mma - gama gama nasal Signo latino A, a ai B
, b G, g ng nk nks nkh D, d E, e Z, z E, e Exemplos g ph - agápe dv/ idv - ádo / áido
b rbarow - bárbaros gevrgñw - georgós ggelow - ángelos ögkow - ónkos s lpigj - sálpin
ks gxein - ánkhein dÛkh - díke eàdvlon - êidolon z thsiw - zétesis ´liow - hélios
ei cux» / cux°i - psykhé / psykhéi Th, th yeñw - theós I, i k L, l M, m N, n Ks,
Ks O, o P, p Rh, rh R, r S, s T, t Þd¡a - idéa kakñn - kakón l¡vn - léon martur
Ûa - martyría nñmow - nómos julñn - ksylón ôlÛgow - olígos potamñw - potamós =uy
mñw - rhythmós riymñw - arithmós SfÝgj - Sphînks taèrow - taûros
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U, u au eu hu ou ui F, f X, x C, c V, v Vi, Ä
ï cilñn - y psilón
Ü, ü au eu eu ou ui
læra - lyra / lüra aég - augé eéagg¡lion - euangélion héj mhn - euksámen ploètow
- ploûtos ußñw - huiós f rmakon - phármakon x riw - kháris cux - psykhé Èmñw - omós
tragÄdÛa - tragoidía/ tragvidÛa - tragoidía ôrg - orgé ßstorÛa - historía
fÝ - phi xÝ - khi cÝ - psi v m°ga - o mega ióta suscrito espírito brando espírit
o rude
Ph, ph Kh, kh Ps, ps O, o oi -.h
Mantêm-se os acentos agudo, grave e circunflexo na forma e nos locais em que se
encontram em grego, mas, respeitando-se a acentuação diacrítica do português. Po
r exemplo, os nomes gregos z°ta, —ta, y°ta levam acento circunflexo em grego não
por terem vogais fechadas, mas por serem longas (abertas). Acentuá-las com circ
umflexo em português induziria o leitor de língua portuguesa a pronunciá-las fec
hadas. Seria um erro. Por isso empregamos o acento agudo. Não é o caso de S, sÝg
ma, sîgma, que poderá receber o circumflexo no -i-, e de ploètow, ploûtos, sem t
ranstornos para a leitura. Exemplo: tÒ tñjÄ önoma bÛow, ¦rgon d¢ y natow tôi tókso
i ónoma bíos érgon dè thánatos Ao arco o nome é vida, a obra, morte (Heráclito)
Observações: l. O leitor deve ter notado que, na transcrição para caracteres lat
inos, há, no português e no latim, um deslocamento da vogal tônica: a) nas palav
ras gregas oxítonas de mais de duas sílabas, como, metafor a transcrição para o p
ortuguês se faz para metáfora , proparoxítona; b) nas palavras gregas oxítonas de d
uas sílabas, como Ód , a transcrição para o português se faz para ode , paroxítona;
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o alfabeto grego
c) nas palavras gregas proparoxítonas de três sílabas com a penúltima longa, jÛvm
a, a transcrição para o português se faz para axioma , paroxítona e as com a penúlt
ima breve metafor se faz para proparoxítona. A explicação está na prosódia latina
, intermediária entre o grego e o português, porque: O latim não tem acentos. O
latim não tem oxítonas; por isso desloca a tônica das oxítonas gregas de três sí
labas para proparoxítonas: é o caso de metafor > metáfora; e das oxítonas gregas
de duas sílabas para paroxítonas: é o caso de: Ód > ode; Nas palavras latinas d
e mais de duas sílabas, a posição da tônica é determinada pela quantidade da pen
última sílaba: se a penúltima é longa, a palavra é paroxítona, jÛvma (penúltima l
onga) > axioma; se é breve, a palavra é proparoxítona: krñpoliw (penúltima breve)
> acrópole. 2. Particularidades da sonoridade e representação gráfica das letra
s gregas: a) O som do G, g, gáma, se produz no pálato, isto é o céu, ou véu da b
oca; por isso ora é denominado gutural, ora palatal ora velar. Os lingüistas pre
ferem denominá-lo velar ; nós o denominaremos palatal ou velar. A dificuldade está
em lê-lo corretamente na transcrição de g¡now, gÛgnomai, isto é, seguido de -e-
e -i-. Genos soa guenos e gígnomai soa guígnomai . b) A seqüência de um gama velar e
uma outra consoante velar, sem vogal intermediária, leva necessariamente a prime
ira velar a sair pelas fossas nasais. Daí a existência do g nasal. c) A transcriçã
o do J, j , ksi, deve ser exatamente k + s, que é seu verdadeiro som: a transcri
ção por x , dadas as várias pronúncias do x em português, leva a pronúncias equivoc
adas. d) Ultimamente os editores dos textos gregos preferem o iota adscrito, e p
or isso é pronunciado; os textos mais antigos, antes dos anos 50, trazem o iota
suscrito, não pronunciado. Pura convenção. e) É preferível a transcrição do u em
y e não em u , porque este y chamado y grego evoluiu para i em grego. f) O ditongo
apenas formal; não se lê como ditongo, o que é muito incômodo; lê-se como um u lo
ngo (-ou- francês).
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alguns dados de o alfabeto grego fonética aplicada
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Alguns dados de fonética aplicada
Considerações gerais
No curso deste trabalho, ao tomar contato com as flexões nominal e verbal, o lei
tor verá repetidas vezes referências a alterações fonéticas que as formas nomina
is e verbais sofrerão. Verá também que essas alterações ou acidentes fonéticos s
erão apresentados como normais, como se o autor supusesse que o leitor conhecess
e fonética grega. Esse comportamento pode ser explicado pela experiência que o a
utor adquiriu na sala de aula. Ao apresentar o sistema das declinações e conjugaçõe
s da língua grega, o autor constatou que estaria repetindo as lições multissecula
res de latim e grego, em que se apresentam os esquemas numa certa ordem e o alun
o decora um a um os paradigmas (declinações e conjugações) de flexão nominal e v
erbal, independentes um do outro. E, ao notar que há quebras na sucessão das desin
ências, a gramática e o professor afirmam que é uma regra da língua e que se dev
e aprender assim. Os alunos mais curiosos e teimosos iam procurar o porquê, isto
é, as explicações, nos tratados de fonética histórica ou de morfologia históric
a, que são recentes. Mas, ao estudar durante anos a fio a língua grega e também
durante anos a ensinar (o que é a mesma coisa que aprender), tentamos nos coloca
r do outro lado da sala, isto é, do ponto de vista do aluno, e percebemos que de
víamos explicar-lhe que uma língua é um conjunto de sinais que têm a finalidade
de comunicar, que uma língua é um idioma, isto é, a identificação cultural de um
povo e que, por isso mesmo, ela é um todo sólido, concreto, orgânico, lógico, c
oerente, que o falante adquire, conserva e vigia, porque é o elemento de sua ide
ntificação dentro do grupo, e que qualquer alteração, qualquer atentado que ela
sofre, imediatamente é sentido e expulso como um elemento perturbador. Nós senti
mos isso na língua grega, que é a língua de uma civilização extraordinária, toda
ela construída na oralidade. Toda a tradição cul-
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alguns dados de fonética aplicada
tural grega foi transmitida oralmente, desde a tradição oral anterior aos poemas
homéricos, os próprios poemas homéricos, as obras de Hesíodo, a introdução do a
lfabeto (séc. VIII e VII a.C.) e os líricos, para não ultrapassarmos o século VI
a.C. Mas, mesmo depois da introdução do alfabeto, os meios de transmissão da pa
lavra escrita eram extremamente raros e caros. A oralidade e a memória eram as g
randes armas para a transmissão e conservação do conhecimento. É o que vemos na lí
ngua grega: uma língua só, com variantes locais, mas que todos os gregos entendi
am, durante os Jogos Olímpicos, por exemplo. É essa língua que o menino ateniens
e vai aprender ao decorar passagens de Homero, Hesíodo e dos líricos na casa do
mestre, segundo diz Protágoras (Platão, Protágoras, 325c6-326c6). E quando, depo
is de saber de cor esses poemas, aprender a cantá-los ao som da lira ou da cítar
a, o menino vai para o mestre de ginástica, ele não é um menino só ateniense, ci
rcunscrito ao ambiente familiar, ele é um menino grego. E é esse o sentimento qu
e o acompanha a vida toda. Essa transformação, essa inserção do menino, do efebo
, e depois do adulto, na nação grega, foi feita pela língua grega. Pois bem, acr
editando nessa coerência lingüística, nós começamos a passar aos alunos uma nova
visão da língua grega. Constatamos que o sistema de flexão da língua grega é si
mples, orgânico e lógico. A flexão (nominal ou verbal) se constrói sobre uma par
te fixa, que vamos chamar de tema, e outra parte variável, que vamos chamar de d
esinências21. Nós não vamos usar as expressões declinação nem conjugação , porque não
vamos adotar a idéia de que existe um caso reto (que seria o nominativo) e outros
oblíquos. Não há um caso reto, e por isso não há casos oblíquos. Os nomes se co
mpõem de duas partes: de um tema, que é a sede do significado, em que o nome est
á em estado virtual, isto é, sem função,
21 Para
Aristóteles, todas as "quebras" no final das palavras são ptÅseiw, que os gramát
icos latinos traduziram por "casus". Mas a tradição da gramática ocidental reser
vou a palavra "caso" para a flexão nominal, com certa ampliação do significado n
o sistema das "declinações".
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alguns dados de fonética aplicada
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até que receba uma ptÇsiw, isto é, um casus , uma desinência, que lhe dá essa funçã
o dentro do enunciado. A flexão dos nomes é simples: consiste na identificação d
esse tema e na aplicação das desinências que correspondam à função que o nome ex
ercerá no enunciado. Veremos isso na Flexão nominal. A flexão verbal segue o mes
mo modelo: haverá um tema, sede do significado virtual, e o sistema de desinênci
as (são poucas) que darão ao tema a pessoa, a voz (sujeito agente ou paciente),
o número (se é singular, dual ou plural) e o modo. Veremos isso na Flexão verbal
. Tanto a flexão nominal quanto a flexão verbal são absolutamente regulares, nor
mais. Bastaria, então, conhecer as ptÅseiw/casus/desinências nominais e verbais
(que são muito poucas) e aplicá-las aos temas nominais ou verbais. Há, contudo,
um elemento complicador: a transformação fonética que a língua grega sofreu no c
orrer dos séculos. Não vamos falar aqui de sua derivação de um tronco indo-europ
eu e suas opções fonéticas; vamos falar nas modificações internas da língua greg
a e sobretudo dos problemas fonéticos que surgiram na aplicação dessas ptÅseiw/c
asus/desinências que são vocálicas, semivocálicas ou consonânticas, a temas tamb
ém vocálicos, semivocálicos e consonânticos. O encontro, por exemplo, de um tema
vocálico com uma desinência vocálica recebe tratamentos diversos segundo os dia
letos. O jônico, o dórico e o eólico, por exemplo, admitem hiatos; o ático, no e
ntanto, opta pela contração. Também os encontros entre temas consonânticos com d
esinências consonânticas apresentam problemas: ou as consoantes se acomodam, ass
imilam, dissimilam, ou sofrem síncope dependendo das condições, ou vão buscar um
a vogal para ajudar a pronunciar os encontros consonânticos difíceis. Essa vogal
se chama vogal de ligação ou vogal de apoio. Mas precisamos ter em mente que o
que preside às modificações em todas as línguas, e a língua grega não é exceção,
são dois princípios, contraditórios mas harmônicos: de um lado o princípio da f
acilidade, que poderíamos chamar de praticidade, acomodação ou mesmo preguiça, q
ue os filólogos acordaram em denominar lei do menor esforço e, de outro lado, o
significado da forma, a semântica, isto é, o fundamento do exercício da língua,
que é a comunicação.
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alguns dados de fonética aplicada
Todo e qualquer ser humano, que usa da fala, quer comunicar alguma coisa, e da m
aneira mais clara e prática possível. Esse princípio é ainda mais fundamental na
transmissão oral: a relação entre o emissor e receptor da mensagem é momentânea
, fugaz; então a maior brevidade e clareza são indispensáveis. É evidente que o
código dos dois (emissor/ receptor) deve ser o mesmo, e bem conhecido. Vemos, en
tão, que clareza (significado) e praticidade (lei do menor esforço) se vigiam mu
tuamente. As transformações e simplificações só se admitem quando não descaracte
rizam as formas e a mensagem. Teremos ocasião de repetir isso inúmeras vezes no
curso da apresentação das flexões. Mas esses comentários, repetidos, exageradame
nte, propositadamente repetidos, estão dispersos. Vamos agora agrupá-los num esp
aço apropriado, para que o leitor tenha sempre onde buscar uma explicação, uma r
eferência. Finalmente, nós não nos incomodamos em usar uma terminologia técnica
ortodoxa. Não tivemos a intenção de fazer tratado de fonética ou fonologia. Resp
eitamos a nomenclatura tradicional na medida em que ela é significante, mas usam
os do vocabulário do cotidiano para mostrar que essas modificações fonéticas são
absolutamente normais, fisiológicas, concretas. Elas acontecem no aparelho fona
dor, isto é, na boca, laringe, fossas nasais, pulmões etc. A experiência na sala
de aula nos mostrou que os alunos não só aceitam essas explicações, mas não que
rem outras. Por isso vamos, neste capítulo, apresentar foneticamente a língua gr
ega. Vamos, a seguir, estudar todos os elementos (stoix¡a) do alfabeto grego, pr
imeiro individualmente quanto à pronúncia e depois nas suas combinações entre si
, nos seus diversos encontros: vogal com vogal; consoante com vogal; soante com
vogal, soante com soante, consoante com consoante. Esses encontros às vezes apre
sentam certas dificuldades que as gramáticas tentam resolver enquandrando-as nas
leis fonéticas que apresentam, mas não comentam. Faremos algo parecido, mas insis
tiremos, como estamos fazendo em todo este trabalho, em não abusar do vocabulári
o técnico , preferindo o uso de expressões do cotidiano, e procuraremos mostrar sem
pre que
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as vogais alguns dados de fonética aplicada
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esses fenômenos são naturais; acontecem e são produzidos na boca, que chamamos a
parelho fonador, acima mencionado. É preciso ter em conta que a língua grega foi
transmitida por via oral. Não havia outro registro. A escrita entrou tardiament
e, quando já havia uma larga tradição cultural e literária. Então, essas modific
ações fonéticas que constatamos foram aceitas e transmitidas porque ou quando não ca
usavam dano à mensagem, isto é, ao conteúdo da mensagem, e sobretudo não causava
m dano à integridade da língua grega, que era o fator de unificação daquele povo
.
As vogais
As vogais são modificações do som glotal, que é produzido pelas cordas vocais su
periores ou inferiores, com o sopro mais ou menos forte que vem dos pulmões. Ess
as cordas vocais, obedecendo à vontade, ora se aproximam, ora se afastam; se se
aproximam, comprimem o ar e produzem um som que se pode chamar de som glotal; se
se afastam, o ar sai livre sem ser modificado e não produz som. A esse som glot
al, produzido pelas cordas vocais, chamamos vogais. Como diz Aristóteles (Poétic
a, 1456b): ¤sti tò fvn°en m¢n neu prosbol°w ¦xon fvn‾n koust n... a vogal é o que t
em um som audível sem aplicação (sem articulação, isto é, sem aplicação da língua
ou dos lábios). Conforme é a abertura ou o fechamento do aparelho fonador (boca
), no sentido vertical ou horizontal, é produzido esse ou aquele timbre da vogal
. Os timbres extremos das vogais gregas são: a, da abertura máxima e u, i, mínim
a, próxima à glote. O -i- é a vogal mais fraca; é a última das vogais. Da posiçã
o máxima do a, posição anterior, da frente, até a mínima, posterior de u, i, há
uma progressão de fechamento das vogais: as variantes do som o velares, redondas
, e as variantes do som e glotais laterais (palatais). Além de diferença de timb
re, o grego reconhecia uma diferença de duração nas vogais: uma vogal longa tinh
a a duração de duas breves.
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Essa duração de tempo era também sentida como um desdobramento do tom: uma eleva
ção da voz na primeira metade da vogal (ársis) e uma posição (thésis). Nós, que
falamos as línguas ocidentais, não temos mais ouvido para sentir essas mudanças
de tonalidade, e por isso mesmo somos incapazes de produzi-las. Os timbres e e o
têm grafias diferentes para longa e breve: e/h; o/v; os outros a, u, i, não; os
gramáticos as chamam de dÛxrona, de dois tempos , ou mfÛbola, ambíguas , e para serem
reconhecidas graficamente eram marcadas pelos sinais: m kron longo -, e br xia, brev
e , curto. Os fonemas vocálicos em grego são 12: a /a, e / e/ h, o /o /v, i / i
, u /u.22 Além disso eles podem ser aspirados 23 ou não. A marcação da aspiração
das vogais iniciais das palavras teve altos e baixos. Com a adoção do alfabeto
jônico pelo ático empregava-se a letra H para indicar o pneèma dasæ, spiritus as
per, espírito rude, sopro forte , para marcar a aspiração. Posteriormente os gramát
icos alexandrinos passaram a usar a metade esquerda do H, que foi se simplifican
do até ser representado por um sinal que se assemelha ao nosso apóstrofo, que us
amos para marcar elisão, mas em sentido esquerda/direita. E por uma espécie de is
onomia passaram a marcar também, com a outra metade do H, a ausência de aspiração
, ou pneèma cilñn, spiritus lenis, espírito leve, suave, doce. A representação g
ráfica das vogais foi tirada do alfabeto fenício, do nome de alguns sons de cons
oante, ausentes no grego: aleph > A, het > H, yod > I, ayin > O, waw > Y. No iní
cio, havia só uma letra para o som e. Foi em Mileto que começou o uso do H para
o e longo, aberto, e depois, por analogia, criou-se V para o longo, aberto.
22 Devemos
considerar os timbres do a longo e breve; do e breve e longo ei; do o breve e lo
ngo ou; do i breve e longo e do u breve e longo com diferenças de timbre imperce
ptíveis para nós. 23 O termo aspirado se presta a confusão, porque o ato de aspi
rar é chupar o ar. O termo gramatical vem do latim ad spiratum, isto é soprado p
ara (em cima) de spiritus, sopro. Então teremos vogais e consoantes aspiradas, i
sto é, sopradas, acompanhadas de uma lufada de ar. Todas as vogais podem ser sop
radas e as consoantes oclusivas surdas (mudas), p, k, t.
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Os ditongos
Segundo A.C. Juret, o ditongo é um timbre em movimento . É uma espécie de deslocame
nto do som vocálico de uma posição de abertura, para a de fechamento; o ponto ex
tremo do ditongo é a posição u/i, que são chamadas semivogais. Por isso se diz q
ue o ditongo são dois sons pronunciados em uma só emissão de voz. Na composição
do ditongo a vogal é protática e a semivogal é hipotática24. São basicamente 12,
assim definidos pelos gramáticos antigos: 1. difyñggoi kat kr sin - ditongos por fu
são (uma só emissão de voz); por isso são chamados kæriai, principais, e são: au,
eu, ou, ai, ei, oi (o u soa u em au, eu, ou). O ditongo ou soa u ; em português: au,
u, ou (u), ai, ei, oi. 2. difyñggoi kat di¡jodon - ditongos pela saída , porque a vo
gal protática sendo longa, a voz permanece mais tempo sobre ela e só no fim (saí
da) é que vai para a hipotática, e são: hu, vu, ui (u longo). Para os gramáticos
, esses ditongos são kakñfvnoi, cacófonos, e os primeiros kat kr sin são eëfvnoi, êuf
onos. 3. difyñggoi kat ¤pikr teian - ditongos por dominação, porque prevalece o som
de uma vogal só, a que se ouve . São: hi, vi, ai (a longo). O enfraquecimento do -
i- desses ditongos já é completo desde o IV séc. a.C. e passou a ser subscrito a
partir do séc. XII: o -hi- se tornou e aberto25; o vi se tornou ó aberto (desde
150 a.C.); o ai se tornou a longo (desde 100 a.C.).
24 O
verdadeiro ditongo começa com vogal e termina na semivogal (i/u); é o que alguns
chamam de "ditongo decrescente"; o chamado "ditongo crescente", isto é, semivog
al seguida de vogal é um hiato, e não ditongo. 25 No dialeto ático já se pronunc
iava e se escrevia -ei no séc. V. A maioria dos escritores dessa época escreve ass
im.
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As edições recentes dos textos gregos restabeleceram a grafia antiga, com o -i-
adscrito e não subscrito, e nas salas de aula voltou a pronúncia cacofônica.
Alternância vocálica
Chama-se alternância vocálica (metafonia/apofonia) a alteração do timbre vocálic
o que se verifica no corpo de uma palavra, em suas diversas partes (raiz/tema, s
ufixos, desinências), ligada aos diversos aspectos do significado que ela assume
. Essas alterações nunca acontecem juntas, isto é, presas a um paradigma. Elas s
ão sempre isoladas e na maior parte das vezes acontecem na raiz ou no tema (radi
cal). Essa alternância não é exclusiva da língua grega. Muitas línguas antigas e
mesmo as modernas as têm. Assim, em português, o verbo fazer sofre alternância
vocálica em faço, fazemos, fiz, fez, feito. A alternãncia pode ser qualitativa (
variação do timbre), como fiz/ fez/faço; e quantitativa (variação da duração - l
ongas/breves), como em fez/feito, em português.
1. Alternância qualitativa:
Em grego temos três graus de alternância vocálica, na alternância qualitativa; é
o que se chama de vocalismo; vocalismo o (grau fraco); vocalismo e (grau forte)
, e vocalismo zero (reduzido), corresponde à ausência de vogal. Assim os diverso
s -gn-/gen-/gongÛ-gn-o-mai ¤-gen-ñ-mhn g¡-gon-a leip-/lip-/loipleÛp-v ¤-lip-o-n
l¡-loip-a temas dos verbos: tornar-se, vir a ser eu me torno, venho a ser eu me
tornei, aconteci eu me tornei, nasci, sou deixar, abandonar eu deixo, abandono e
u deixei, deixo eu deixei
(presente, infectum) (aoristo) (perfeito) (presente, infectum) (aoristo) (perfei
to)
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Alternância também na flexão dos nomes: T. - p tr- / p tertoè patr-ñw - do pai (gen.
) tòn pat¡r-a - o pai (acus.) T. - genestò g¡now - a raça (nom. voc. acus.) toè
g¡nes-ow > g¡neow > g¡nouw - da raça (gen.) T. - nyrvpoõ nyrvpo-w - o homem (nom.)
Î nyrvpe - ó homem (voc.)
2. Alternância quantitativa:
É a alternância de duração (quantidade da vogal: longa/breve): fhmÜ/ fam¢n digo
/ dizemos tÛ-yh-mi / tÛ-ye-men coloco / colocamos dÛ-dv-mi / dÛ-do-men dou / dam
os
3. Observação:
Na flexão nominal dos nomes e adjetivos de tema em soante / líqüida, há uma fals
a alternância vocálica; nos temas masculinos e femininos em vogal breve, essa vo
gal se alonga no nominativo singular e permanece breve nos outros casos. É um fa
to normal, porque no nominativo masculino e feminino o alongamento se faz compen
sando a apócope do sigma, marca do nominativo dos seres animados, sobretudo dos
masculinos. Não se trata pois de alternância vocálica. T. =°tor T. daÝmon T. poi
m¡n N. = tvr N. daÛmvn N. poim n o orador; o nume; o pastor;
Mas, quando o tema é longo, não há alternância vocálica; T. gÅn N. gÅn a luta.
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Vogal de ligação ou de apoio
É um recurso de que lançam mão todas as línguas, e não só a grega, para desfazer
encontros consonânticos difíceis e que não devem se confundir, fundir ou assimi
lar, para não descaracterizar a palavra. A vogal de ligação isola as duas consoa
ntes e facilita a pronúncia. O -a- epentético que as raizes e temas trilíteres d
esenvolvem antes da líqüida (visto acima) é um exemplo disso. T. stl ¤-st l-h-n eu
fui enviado T. fyr ¤-fy r-h-n eu fui destruído T. nr nr-sin > n-d-r-sin > ndr -sin aos
homens26 As vogais de ligação básicas do grego são: e /o e às vezes -h- (no lati
m são i/u e e antes do -r). É importante lembrar que as vogais de ligação ou de
apoio não fazem parte do corpo da palavra, como as vogais temáticas. Elas são me
ros recursos fônicos de que a língua oral faz uso sempre e na medida em que prec
isa delas. Elas também não são elementos da flexão; não são desinências nem sufi
xos que, no sistema verbal, indicam a relação da pessoa gramatical com o verbo,
ao indicarem o singular/plural, a voz (ativa/média/passiva) e o modo. Por exempl
o, nos verbos de tema em consoante ou semivogal (chamados verbos em -v), a vogal
de ligação se faz presente em todo o infectum-inacabado porque as desinências s
ão consonânticas ou em soante (semivogal)27; e, por analogia, também no futuro a
tivo e médio por causa da introdução da marca do futuro -s-. f¡r-o-men nós porta
mos ¤-f¡r-e-te vós portáveis f¡r-o-i-e-n eles portassem, portariam læs-o-men nós
desligaremos læs-e-sye vós desligareis para vós
26 Nesse
caso, o que vemos é uma consoante de ligação. O -d- se desenvolve naturalmente e
ntre o ponto de articulação do -n- e do -r-. O castelhano e o francês também des
envolvem um d epentético na flexão verbal: je viendrais < venirais; yo viendria
< veniria. 27 As semivocálicas são sentidas como consonânticas.
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Mas no aoristo ativo e médio, a vocalização da desinência -n, (-s-n > sa), no pe
rfeito ativo (-k-n > ka), dispensa a vogal de ligação. ¤-lus-n > ¦-lu-sa eu desl
iguei, eu desligo ¤-læ-sa-men nós desligamos ¤-lu-s -meya nós desligamos para nós
l¡-lu-kn > l¡-luka eu completei o ato de desligar, eu desliguei le-læ-ka-men nós
completamos o ato de desligar, desligamos Na característica do aoristo passivo
(-h-/yh-), a presença da vogal também dispensa a vogal de ligação: ¤-dñ-yh-sye v
ós fostes dados, sois dados ¤-st l-h-men nós fomos enviados, somos enviados Mas, n
as formas do perfeito contro entre as consoantes: p¡-prag-tai > p¡-prak-tai t¡-t
rib-sai > t¡-tricai pe-peÛy-meya > pe-peÛs-meya médio-passivas, a língua prefere
o enele foi feito, está feito tu foste esmagado, estás esmagado nós fomos conve
ncidos, estamos convencidos
Mas, na 3a pessoa do plural: p¡-prag-ntai > pepr g-a-tai, eles foram, estão feitos
; o -n- interconsonântico se vocaliza em -a-. Essa é a opção que encontramos nos
líricos e em Heródoto; o dialeto ático construiu uma forma analítica, em lugar
de vocalizar o -ninterconsonântico: pe-prag-m¡noi, ai, a eÞsin eles foram, estão
feitos Veremos isso com mais detalhes quando tratarmos da flexão verbal.
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Encontro de vogais
O encontro de vogais é chamado hiato, isto é, vácuo, vazio; para todos os gramát
icos o hiato é uma cacofonia e a tendência geral é eliminá-lo. Essa é a tendênci
a no dialeto ático; nos dialetos jônico, dórico e eólico o hiato permanece. 28 N
o grego ático há três maneiras de eliminar um hiato: a) pela elisão da vogal ant
erior; um sinal apóstrofo, no lugar da vogal elidida, registra o fato; b) pela c
rase (fusão) de duas vogais entre duas palavras diferentes (entre a última da an
terior e a primeira da seguinte; é indicada por um sinal igual ao apóstrofo, col
ocado sobre a vogal resultante da fusão, chamado de coronis/corônide. c) pela co
ntração, que é a redução do hiato que se encontra no meio da palavra. Na seqüênc
ia de duas palavras: a anterior terminando em vogal e a seguinte começando por v
ogal, pode-se dar uma elisão, que é a apócope (corte) da vogal final da palavra
anterior. Nesse caso essa apócope é marcada pelo apóstrofo. 1. Em geral a vogal
elidida é uma breve; raramente um ditongo, e o -u- jamais se elide. ll ¤gÅ > ll ¤gÅ
mas eu pò ¤moè > p ¤moè de mim, a partir de mim 2. Pode acontecer uma elisão invert
ida: em lugar de elidir a vogal final da palavra anterior elide-se a vogal inici
al da seguinte. Esse processo se chama aférese ( faÛresiw), isto é, retirada. É ra
ra e em geral só se usa na poesia e nos diálogos. Î naj > Î naj ó senhor, ó chefe
Î gay¡ > Î gay¡ ó meu caro (bom) gor ¤n Ay naiw > gor n Ay naiw mercado em Atenas
Elisão: (¦kyliciw)
28 A
conservação ou não do hiato é uma questão de idiotismos . Podemos estabelecer um pa
ralelo: o dialeto ático tende a reduzir os hiatos, como o português; o dialeto j
ônico não se incomoda tanto com os hiatos, como o castelhano.
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3. Pode acontecer que haja mais de uma elisão. Também é um caso raro: só na poes
ia ( por necessidades métricas) e nos diálogos rápidos, sobretudo em Aristófanes
. poè ¤sti õ Ploètow > poè sy õ Ploètow; onde está Plutos? ou sobre os escudos µ
¤pÜ spÛdvn > µ p spÛdvn 4. Pode acontecer, raramente também, a elisão de um ditongo
(também nos mesmos casos dos anteriores; poesia e diálogos). boælomai ¤gÅ > boæl
om ¤gÅ sou eu que quero 5. Quando a palavra seguinte começa por vogal aspirada e
a consoante anterior da vogal elidida for uma oclusiva, essa oclusiva, em contat
o com a vogal aspirada, se torna aspirada: pò ²mÇn > p ²mÇn > f ²mÇn de nós, a partir
de nós met ²mÇn > met ²mÇn > mey ²mÇn conosco nækta ÷lhn > nækt ÷lhn > næky ÷lhn a n
oite inteira 6. A conjunção ÷ti e as preposições perÛ e prñ nunca sofrem elisão,
mas prñ + e sofre contração prñu
É um processo semelhante ao da elisão; na seqüência de duas palavras, a anterior
terminada em vogal e a seguinte iniciada por vogal, a última vogal da palavra a
nterior se funde com a primeira vogal da palavra seguinte, formando uma unidade
fônica (uma longa ou um ditongo). A crase (kr siw - mistura, fusão) é marcada por
um sinal semelhante ao apóstro sobre a vogal resultante da fusão. Esse sinal se
chama coronis, ou corônide (korvnÛw - ganchinho). kaÜ ¤gÅ > k gÅ e eu (por minha v
ez) ¤gÆ oämai > ¤gÙmai quanto a mim, eu acho ¤gÆ oäda > ¤gÙda eu sei toè ndrñw >
t ndrñw do homem, do marido kalòw kaÜ gayñw > kalòw k gayñw belo e bom t aét > t ut as
mas coisas õ n r > õn r* o homem, o marido kaÜ õ > xÈ e ele kaÜ êpñ > xépñ e sob
(por) tò ßm tion > yoÞm tion a veste, o manto * não há lugar para a corônide; o espí
rito rude ocupa o lugar dela.
Crase (fusão): (kr siw)
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O -i- do primeiro elemento sofre síncope, o do segundo permanece, subscrito (ult
imamente se usa adscrito), no caso de vogal longa. No caso acima ele é adscrito
(forma ditongo). A crase se usa regularmente para reunir uma palavra pouco impor
tante a uma outra com a qual ela faz uma unidade semântica. A palavra resultante
tem um acento só: o do segundo elemento Pode-se ver que a crase é um recurso qu
e facilita a métrica.
Eufonia
Quando, para a harmonia e o fluxo da frase, não há interesse nem em elisão nem e
m crase na seqüência de uma palavra terminada em vogal e outra iniciada por voga
l, usa-se um -n eufônico no final da palavra anterior para evitar o hiato e por
isso a elisão ou crase. Isso acontece com freqüência: na 3 a pessoa do singular
e plural dos verbos: ¤sti / ¤stin é eÞsi / eÞsin são ¦krine / ¤krinen ele julgav
a no dativo, locativo e instrumental plural dos nomes em consoante ou semivogal:
sÅmasi / sÅmasin aos corpos, pelos corpos Þsxæsi / Þsxæsin às forças, pelas for
ças eàkosi / eàkosin vinte Diante de pontuação e em fim de frase usa-se o -n (pa
ra proteger a vogal). É importante lembrar que esse -n não faz parte da desinênc
ia. Há outros casos de consoantes eufônicas: oìtvw assim, dessa maneira diante d
e vogal oìtv diante de consoante oé não diante de consoante surda ou sonora oéx
diante de consoante ou vogal aspirada oék diante de vogal não aspirada ¤k de den
tro de diante de consoante ¤j diante de vogal
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Contração
Na flexão verbal e nominal, quando um tema vocálico se encontra com uma vogal de
ligação, formando um hiato, no dialeto ático esse hiato é eliminado pela contra
ção; no jônico não. A contração se faz da maneira seguinte: 1. a contração de du
as vogais breves resulta numa longa; 2. uma vogal longa absorve a breve e o resu
ltado é uma longa; 3. quando duas vogais longas se seguem, abrevia-se a vogal an
terior, que depois se contrai com a seguinte. Damos a seguir o quadro das contra
ções: a+a> e + e > ei a+e> e+a>`h a + ei > &/ai e + ai > ú/hi a+o>v e + o > ou a+v
>v e+v>v a + oi > Ä/vi e + oi > oui > oi
o o o o o o
+ + + + + +
o > ou a>v h>v e > ou ei > oui > oi oi > oui > oi
É preciso ter sempre em mente: 1. que uma contração é um segundo tempo: isto é,
antes da forma contrata existiu a não-contrata; a reconstrução e registro dela a
judam a encontrar a acentuação correta; 2. que a contração é um fenômeno físico,
fisiológico, que se processa no aparelho fonador, governado sempre pela lei do
menor esforço; 3. que uma vogal tônica, quando absorvida, leva consigo a tonicid
ade; quando a vogal absorvida não é tônica, o acento permanece no lugar, se as n
ormas da acentuação permitirem. fil¡-ei > fileÝ ele ama fÛle-e > fÛlei ama (tu)
tim -ei > tim / tim i ele honra tÛma-e > tÛma honra (tu)
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as vogais
4. que duas vogais do mesmo timbre resultam numa longa do mesmo timbre: e + e >
ei29, o + o > ou, a +a > a 5. que duas vogais de timbre diferente têm o seguinte
tratamento: 5a) na sucessão a > e / e > a, predomina o timbre da vogal anterior
: a + e > longo e+a>h Mas a + h > h 5b) quando uma das vogais é de timbre o o resu
ltado da contração é de timbre o . a+o>v e + o > ou o + o > ou e + oi > oui > oi Me
smo no encontro de um o breve e um -h- ou um -a- longo o o breve será absorvido pela
longa, mas imporá seu timbre: didñhte > didÇte - que vós deis, se derdes. 6. Nã
o há contrações especiais, exceções, etc. Não há diferenças nas contrações de fo
rmas nominais ou verbais. Sempre que os ingredientes fonéticos forem os mesmos a
resultante fonética será a mesma Todos os casos de contração que acontecem nas
flexões nominal e verbal serão assinalados no momento em que acontecerem.
Alteração de vogais
Em determinadas posições, as vogais podem alterar a quantidade e o timbre: 1. Qu
ando duas vogais longas se seguem, a vogal anterior se abrevia. É um produto da
lei do menor esforço. Acontece com mais freqüência no ático:
29 E
não em -h-, que é de timbre aberto.
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as vogais consoantes
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basil -W-vn > basil -vn > basil¡vn30 dos reis te-y -úw > tey¡úw > tey»w sejas co
locado te-y -v-men > tey¡vmen > teyÇmen sejamos colocados 2. Quando uma vogal lo
nga é seguida de uma breve, em geral há uma troca de posições. Chama-se metátese
de quantidade; pñlh-ow > pñlevw da cidade basil°-W-ow > basil°ow > basil¡vw do
rei 3. Uma vogal longa se abrevia quando, numa mesma sílaba, é seguida de um gru
po formado de soante (l, m, n, r, W) e oclusiva ou -s (Lei de Osthoff). lu-y -nt
-vn > luy¡ntvn dos que foram desligados b -nt-vn > b ntvn dos que caminharam gnÅ-n
t-vn > gnñntvn dos que tomaram conhecimento basil -W-w > basil¡uw > basileæw o r
ei
As consoantes
Elas são sæmfvna, isto é, com-soantes, que soam junto . Aristóteles (Poética, 1456b
) começa por chamá-las áfonas = mudas 31: ... fvnon d¢ tò met prosbol°w kay aêtò mhde
Ûan ¦xon fvn n, met d¢ tÇn ¤xñntvn tin fvn‾n gignñmenon koustñn. ... mudo (áfono, mud
o) é o que não tem nenhum som por si pela aplicação (dos lábios e da língua) mas
que se torna audível com alguns que têm som. Ver, também, Platão, Crátilo, 424c.
30 Depois
da síncope do W em posição intervocálica, só se contraem as vogais do mesmo timb
re. 31 Mais uma vez Aristóteles vê bem as coisas, embora não tenha a etiqueta de
gramático, filólogo ou lingüista. Afvnon quer dizer "sem som", portanto, mudo. V
amos tratá-las assim: mudas, e não surdas.
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60
as consoantes
Podemos classificá-las segundo: 1. o modo de articulação: de acordo com a maneir
a com que o som é produzido: 1.1. pelo sopro, que escapa de repente, do canal pr
opositadamente fechado e comprimido: oclusivas (explosivas): p, b, f, m; t, d, y
, n; k, g, x, 1.2. pelo ar comprimido, pressionado, que escapa aos poucos: const
ritivas, fricativas, sibilantes: W, s; 2. o ponto de articulação, isto é, de aco
rdo com o ponto, o lugar do aparelho fonador, em que se produz o som: labiais (n
a junção dos dois lábios): p, b, f, m; dentais ou linguodentais (nos alvéolos do
s dentes ou na junção da língua com os alvéolos dos dentes): t,d,y,n; velares 32
(na junção da glote com a abóboda bucal, céu da boca ): k, g, x. 3. Segundo o pont
o de vista do som glotal, as consoantes podem ser: mudas (sem nenhuma vibração g
lotal): p, f, t, y, k, x, ou sonoras (acompanhadas de vibração glotal): b. d, g.
Há duas oclusivas sonoras nasais: m (labial), e n (dental ou línguodental). As
oclusivas sonoras eram chamadas de m¡sai, médias, medianas, pelos antigos, por c
ausa da menor energia na articulação, isto é, oclusão menos forte do que a das m
udas. As oclusivas mudas eram chamadas de cilaÛ, desguarnecidas, simples, porque
desprovidas de qualquer acompanhamento de vibração glotal; e quando acompanhada
s de um sopro de ar, chamavam-se das¡ai, peludas aveludadas, espessas, isto é, rev
estidas. São as que chamamos de aspiradas , do latim ad spirare - soprar a, para , ist
o é, assopradas, sopradas . São: f, y, x; em caracteres latinos: ph, th, kh.
32 Esses
sons são chamados guturais pelos gramáticos. É uma denominação que persiste há m
uito tempo e que se repete por rotina. Não há razão de chamá-los guturais porque
não são produzidos na garganta e sim na região da glote e palato duro (céu da b
oca). Os lingüistas atuais preferem denominá-las velares, de véu palatino = céu d
a boca .
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As constritivas, por pressionarem o ar contra as paredes do aparelho fonador, sã
o também chamadas de: fricativas, por apertarem, esfregarem a saída do ar; sibilan
tes, pelo ruído que produzem, próximo ao de um assobio. Não são nem labiais nem
labiodentais. Em português e em latim são o f e o v, que Quintiliano chama de tr
istes et horridae, quibus Graecia caret 33 (10.10, 28). Há uma dental, ou linguo
dental: -s- (ss/ç, em português). Ela é muda. Aristóteles (Poética, 1456b) diz q
ue ela e o -r- são: ²mÛfvnon tò met prosbol°w ¦xon fvn‾n koust n, oåon tò S kaÜ R. Se
mivogal (meio muda) é o que, com a aplicação (articulação), tem som audível, com
o o S e R... 34 O -s- diante de uma consoante sonora se sonoriza: Smærna, também e
scrito Zmærna. Entre as constritivas podemos incluir o -r- e -l- (vibrantes). O
-z- foi sempre considerado consoante dupla. Dionísio Trácio e Dionísio de Halica
rnasso atestam as pronúncias [zd] e [z] no grego clássico, mas desde o século IV
estabiliza-se uma pronúncia [z] e [zz]. No latim arcaico transcreve-se [ss]: m za
> massa. O -r- era vibrante e pronunciado mais com a ponta da língua e alvéolos
dos dentes. Não são sons guturais, palatais ou velares. Dionísio de Halicarnass
o diz: tò d¢ R (¤kfvneÝtai) t°w glÅsshw kraw porrapizoæshw tò pneèma kaÜ pròw tòn o
éranòn ¤ggçw tÇn ôdñntvn nistam¡nhw - o R se pronuncia com a ponta da língua empurr
ando o ar e se colocando na direção do céu (da boca) junto aos dentes (De comp. v
erb., 79R). Essa vibração da ponta da língua faz um movimento de ar intenso, o q
ue dá a impressão de consoante soprada, ou assoprada ; é por isso que o -r- também
é considerado aspirado, e, nas palavras com -r- inicial, põe-se um espírito rude
: =eèma e se transcreve em português: rheuma.
33 tristes
34 Alguns
e horríveis, de que a Grécia carece . gramáticos incluem nessa categoria, além des
sas duas, as outras líqüidas (l, m, n) e as consoantes duplas (z, c, j). As líqü
idas também são conhecidas por soantes ou consoantes-vogais.
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O -l- se pronunciava com a parte anterior da língua aplicada atrás dos alvéolos.
No português do Brasil, o modelo desse -l- seria o da pronúncia do sul, sobretu
do do Rio Grande do Sul. É sempre consoante, jamais vocalizado.
As soantes
É um nome genérico dado a algumas consoantes que ficam numa zona limítrofe entre
consoantes e vogais. O grego herdou do indo-europeu duas soantes: uma labiovela
r, de som próximo do -u-, denominada digama pela representação gráfica de dois g
amas superpostos: W, que os especialistas chamam de waw/vau, e outra, linguopala
tal, de som próximo do -i-, representada por um j, e por isso denominada yod. El
as também são chamadas de semivogais, provavelmente, porque em determinadas posi
ções, sobretudo depois de consoantes, se vocalizam em -u- e -irespectivamente.35
As vibrantes -r- e -l- e as oclusivas sonoras nasais -m- e -n- também são chama
das de soantes ou líqüidas, mas seu uso mais geral é como consoantes. O -r- e o
-l-, quando se encontram numa seqüência de três consoantes, desenvolvem um -a- e
pentético, como: ndrsin > ndr- -sin aos homens ¦stlhn > ¤st- -lhn eu fui enviado ¦fyrk
a > ¦fy-a-rka eu destruí, corrompi As soantes l, m, n, r, seguidas de -s-, provo
cam a síncope do -se, por compensação, alongam a vogal anterior. Isso acontece s
obretudo no aoristo sigmático dos verbos de tema em soante/líqüida: ¦-stel-sa >
¦steila eu enviei, envio ¦-fyer-sa > ¦fyeira eu destruí, eu destruo ¦-nem-sa > ¦
neima eu distribuí, distribuo ¦-men-sa > ¦meina eu permaneci, permaneço
35 O
-u- e o -i- também são chamados de semivogais, quando se juntam a vogais para fo
rmarem ditongos.
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Mas na flexão nominal o sigma do dat. loc. instr. plural -si não sofre síncope,
provavelmente para não confundir-se com o dat. loc. instr. singular -i. Assim: =
tvr - = tor-i - = tor-si o orador - ao orador - aos oradores O -n- : ou desenvo
lve um -a- ou -h- epentéticos quando numa posição depois ou entre consoantes ocl
usivas: yn-tñw > yn-h-tñw mortal yn-tñw > y- -natow morte may > ma-n-y-n-v > many- -
nv eu entendo eu aprendo ou vocaliza-se em-a- entre oclusivas: pe-pr g-ntai > pepr g
atai foram feitos, estão feitos ou, em posição final, vocaliza-se depois de cons
oante: 1. na 1a pessoa do singular do aoristo sigmático: ¦-lu-s-n > ¦lusa eu des
liguei, desligo 2. na 1a pessoa do singular do perfeito ativo: l¡-lu-k-n > l¡luk
a eu desliguei, terminei o ato de desligar 3. no acusativo singular e plural dos
temas em consoante: kñrak-n > kñraka corvo kñrak-nw > kñrakaw corvos Essas soan
tes/líqüidas quando em posição final, depois de vogal, permanecem, menos o -m, q
ue passa a -n. O yod (j) e o digama/waw/vau (W) sofrem tratamentos diferentes co
nforme a posição antes ou depois de consoante: 1. Em posição inicial: 1.a. o yod
(j) cai (aférese) e é substituído (compensação) por uma aspiração, peæma dasæ,
spiritus asper, espírito rude: jñw > ÷w que (relativo) jhpar > ¸par fígado 1.b.
o digama/waw/vau (W) também cai (aférese), mas nem sempre é substituído por aspi
ração: Wesp¡ra > ¥sp¡ra (vesper em latim) tarde, véspera Wergon > ¦rgon (work in
glês, werk alemão) obra, trabalho
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2. Em posição intervocálica: 2.a. O yod (j) sofre síncope e as vogais postas em
contato se contraem: tim -j-v > tim v > timÇ eu honro 2.b. O digama/waw/vau (W) sofr
e síncope e as vogais postas em contato: quando do timbre -e- se contraem: basil
eWew > basil¡ew > basileÝw os reis (nom.) no caso de outros timbres, o hiato per
manece: boWñw > boñw do boi, da vaca basil Wa > basil a > basil¡a o rei (acus.)
3. Em contato com consoantes: 3.a. O yod (j): depois de consoantes: depois de um
a oclusiva dental (t,y) ou velar, muda ou aspirada (k,x ), se funde com ela e pr
oduz o som soante -ss(jônico), ou -tt- (ático): m¡lit-ja > m¡lissa / m¡litta abe
lha ful k-jv > ful ssv / ful ttv eu vigio depois de uma oclusiva dental ou velar, (g,
d) funde-se com ela e produz z stÛg-jv > stÛzv eu marco ¤lpÛd-jv > ¤lpÛzv eu esp
ero depois de oclusiva labial, muda, sonora ou aspirada (p, b, f) > pt: kræp-jv
> kræptv eu cubro, eu escondo bl b-jv > bl ptv eu causo dano, eu prejudico t f-jv > y pt
v eu enterro depois de um -l-, o -j- se assimila (> -ll-) l-jow > llow outro eu en
vio st¡l-jv > st¡llv depois de -n-, -r-, o yod se vocaliza em -i- e sofre metáte
se (desloca-se para o tema): mñr-ja > mñria > moÝra o destino, o quinhão negra m
¡lan-ja > m=lania > m¡laina fy¡r-jv > fy¡riv > fyeÛrv eu destruo, corrompo > teÛ
nv eu estico, tendo t¡n-jv > t¡niv
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kñrW-a > j¡nW-ow > gñnWata >
3.b O W digama (waw/vau): diante de consoante: vocaliza-se em -ubasil¡W-w > basi
leæw rei, senhor bñW-w > boèw boi, vaca depois de consoante: sofre síncope, se e
m situação interna, e, no ático, não provoca alongamento compensatório da vogal
anterior; no jônico sim:
kñra (att.) j¡now (att.) gñnata (att.) / koærh (jôn.) a jovem, menina-moça / jeÝ
now (jôn.) o estrangeiro, hóspede /goænata (jôn.) joelhos
se em situação final, vocaliza-se em -u-: stW > stu a cidadela, o centro
Encontro de consoantes
Quando duas consoantes se encontram entre duas palavras que se seguem ou no corp
o mesmo da mesma palavra (na junção do tema com as desinências, nominais ou verb
ais), podem acontecer conflitos quanto ao ponto ou modo de articulação. Como no
caso dos encontros entre vogais, também esses conflitos são resolvidos pela lei
do menor esforço, sempre num processo de acomodação, de facilidade, temperada pe
lo conteúdo semântico, que não pode sofrer danos. Vamos ver os diversos conflito
s dos encontros entre consoantes: Oclusiva + s: 1. Para as labiais e velares o a
lfabeto grego já tem uma letra própria (consoante composta): labiais: p, b, f +
s > c velares: k, g, x + s > j 2. As dentais seguidas de s acomodam-se ao s (ass
imilação), por causa da proximidade do ponto de articulação, produzindo dois ss
que depois se reduzem a um: t, d, y + s > ss > s
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3. O -t- em posição desinencial seguido de -i- átono se enfraquece e se torna fr
icativo-sibilante > -s- , e, a seguir, se em posição intervocálica, esse -s- sof
re síncope, mas só quando a vogal anterior é de ligação e breve. A vogal de liga
ção longa, característica do subjuntivo, também provoca a síncope do -s- intervo
cálico. f¡r-e-ti > f¡resi > f¡rei ele porta, carrega f¡r-h-ti > f¡rhsi > f¡rhi >
f¡rú ele porte, carregue mas, se a vogal é temática, não há síncope: dÛ-dv-ti >
dÛdvsi. ele dá A vogal temática e o consciente lingüístico impedem a evolução (
síncope do -s-), para não descaracterizar a forma, mas: eles portam, carregam f¡
r-o-nti > f¡ronsi > f¡rousi O -s- ficou em posição intervocálica após a síncope
do -n-; uma simplificação maior levaria à descaracterização da forma. Oclusiva s
eguida de oclusiva: As oclusivas das desinências são apenas duas: -t, -m. O -n d
esinencial se vocaliza em -a, depois de consoante ou soante. 1. Oclusiva labial
ou velar, sonora ou aspirada, seguida de -t sofre uma assimilação parcial: perde
a sonoridade ou a aspiração: t¡-trib-tai > t¡trip-tai foi esmagado, está esmaga
do g¡-graf-tai > g¡graptai foi escrito, está escrito t¡-tag-tai > t¡taktai foi o
rdenado, posto em fileiras —rx-tai > —rktai foi comandado, está governado 2. Ocl
usiva labial, muda, sonora ou aspirada seguida de -m se assimila > mm: t¡-trib-m
ai > t¡trimmai fui esmagado, estou esmagado g¡-graf-mai > g¡grammai fui escrito,
estou escrito l¡-leip-mai > l¡leimmai fui abandonado, estou abandonado 3. Oclus
iva labial ou velar, muda ou sonora, seguida de -y sofre uma assimilação parcial
, contamina-se da aspiração: ¤-tr¡b-yh > ¤tr¡fyh foi esmagado foi enviado ¤-p¡mp
-yh > ¤p°mfyh ¤-pr g-yh > ¤pr xyh foi feito foi vigiado ¤-ful k-yh > ¤ful xyh
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4. Oclusiva dental muda, sonora ou aspirada seguida de outra dental se dissimila
em -s : ¤-ceæd-yhn > ¤ceæsyhn eu fui enganado ¤-pe¤y-yhn > ¤peÛsyhn eu fui pers
uadido ¤-anæt-yh > ±næsyh foi completado næt-tñw > nustñw completado, completável
Exclui-se o duplo -tt- que é a variante ática do -ss-, resultado do encontro ent
re velar e -j-, yod, como: pr g-jv > pr ssv / pr ttv eu faço m¡lit-ja > m¡lissa / m¡li
tta abelha 5. Oclusiva dental seguida de -m se enfraquece numa assimilação parci
al, passando a -s-: p¡-peiy-mai > p¡peismai eu fui, estou persuadido ¦-ceud-mai
> ¦ceusmai eu fui, estou enganado 6. Oclusiva velar, sonora ou aspirada, seguida
de -t se assimila parcialmente, ficando muda: p¡-prag-tai > p¡praktai foi feito
, está feito ¦-arx-tai > —rk-tai foi governado, está governado 7. Oclusiva velar
muda, ou aspirada seguida de -m, se assimila parcialmente, recebendo a sonorida
de do -m: de-dÛvk-mai > dedÛvgmai fui perseguido, estou perseguido pe-fælak-mai
> pefælagmai fui vigiado, estou vigiado Oclusiva sonora ou aspirada, precedida d
e nasal: 1. nasal antes de labial > -m: ¤n-pÛptv > ¤mpÛptv eu caio dentro letra
(coisa escrita) gr f-ma > gramma sun-fvnÛa > sumfvnÛa symphonia > sinfonía 2. nasa
l antes de dental > -n: ¤n-tÛyhmi > ¤ntÛyhmi eu coloco em, eu imponho 3. nasal a
ntes de velar > -g: ¤n-kalæptv > ¤gkalæptv eu escondo em sun-kaleÝn > sugkaleÝn
chamar junto, convocar 4. nasal antes de vibrante r / l > rr/ll: sun-l¡gein > su
ll¡gein reunir sun-= gnumi > surr gnumi romper, co-rromper
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as consoantes
Supressão de consoantes
1. Uma palavra grega não pode terminar por uma consoante, a não ser por -n, -r e
-w (-c, -j), as outras sofrem apócope. É por isso que vemos muitas palavras neu
tras de nominativo em vogal, mas de tema em consoante, sobretudo -t T : svmat-,
nom. sing.: sÇma, mas nom. pl.: sÅmat-a A razão disso é que o neutro tem desinên
cia zero no nominativo, isto é, é o próprio tema. E se o tema termina em qualque
r consoante que não seja n, r, w, essa consoante em posição final cai. Apenas a
preposição ¤k / ¤j e a negação oé / oék / oéx mantêm a oclusiva final, por eufon
ia. 2. Um s- inicial sofre aférese (prócope) diante de vogal ou -r.; 2.1. diante
de vogal, foi substituído pelo espírito rude: 2.2. diante de -r- cai simplesmen
te:
sr¡v > =¡v smÛa > smikrñw > mÛa mikrñw sWaduw > s¡pomai > sadæw > dæw / ²dæw §pom
ai doce, suave (latim, suauis) eu acompanho (latim, sequor) eu fluo (a água) uma
pequeno fostes, estais convencidos fostes, estais feitos fostes, estais esmagad
os
2.3. Diante de uma nasal o -s- sempre cai: 3. O -s- entre duas consoantes sofre
síncope:
p¡-peiy-sye > p¡peiyye > p¡-prag-sye > p¡pragye > t¡-trib-sye > t¡tribye >
p¡peisye p¡praxye t¡trifye
4. Na flexão verbal, em posição desinencial intervocálica, sendo a anterior voga
l de ligação, o -s- sofre síncope, provocando um hiato, que, no ático é reduzido
pela contração. No jônico, o hiato permanece.
faÛn-e-sai > faÛn-e-sai > faÛneai faÛneai > faÛnhi > faÛnú/-ei ¤-yaum sa-so > ¤yau
m sao ¤-yaum sa-so > ¤yaum sv ¤-yaum z-e-so > ¤yaum zeo ¤-yaum z-e-so > ¤yaum zou faÛn-e-so
faÛneo faÛn-e-so > faÛneo > faÛnou -jônico-áticotu apareces tu apareces
-jônico-ático-jônico-ático-jônico-ático-
tu admiraste, tu admiras tu admiraste, admiras tu estavas admirando tu estavas a
dmirando aparece, manifesta-te aparece, manifesta-te
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as consoantes
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4.1. mesmo se a vogal de ligação é longa, como a característica do subjuntivo v,
h, h, v, h, v, o -s- intervocálico sofre síncope: faÛn-h-sai > faÛnhai > faÛnhi
/faÛnú apareças 4.2. Mas, quando a vogal anterior é temática ou no caso dos futu
ros de vogal longa, não há a síncope do -s-. quando a vogal é temática: dÛdv-ti
> dÛdv-si ele dá tÛyh-ti > tÛyh-si ele põe quando a vogal de ligação epentética
é longa no futuro: may > may- -somai eu hei de aprender A síncope do -s- mutilar
ia completamente a forma. também no futuro e aoristo dos verbos denominativos de
tema em vogal: (vogal temática alongada) tim sv eu honrarei eu revelarei dhlÅsv
poi sv eu farei Nesses casos a síncope do -s- tornaria o futuro exatamente igua
l ao presente e afetaria o significado. 5. Na flexão nominal, nos nomes de tema
em -s, sempre que em posição intervocálica, o -s- sofre síncope e o hiato result
ante é reduzido por contração no ático, e permanece no jônico. g¡nes-ow > g¡neow
> g¡nouw do gênero, da raça kr¡as-ow > kr¡aow > kr¡vw da carne aÞdñs-ow > aÞdño
w > aÞdoèw do pudor Svkr tes-ow > Svkr teow > Svkr touw de Sócrates lhy¡s-a > lhy¡a > lh
° coisas verdadeiras nyes-a > nyea > nyh flores Nos exemplos acima, a forma interme
diária é jônica.
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as consoantes
Supressão da aspiração
1. Sempre que duas sílabas subseqüentes começam por consoante aspirada, uma dela
s, geralmente a primeira, é substituída pela muda correspondente: ¤-y¡-yh-n > ¤-
t¡-yhn eu fui colocado, sou colocado É uma espécie de dissimilação, comandada pe
la lei do menor esforço; é uma simplificação (psilose). Pronunciar duas sílabas
seguidas começadas por aspirada soprada exige esforço! 2. Quando numa flexão, verb
al ou nominal, uma consoante aspirada, por motivos fonéticos, tem a muda36 assim
ilada, a aspiração se desloca para a consoante mais próxima compatível com a asp
iração, ou mudando o espírito suave em rude da vogal anterior. -T. trix- cabelo,
pelo Nom. sing. trÛx-w > yrÛj, D.L.I. pl. trix-sÛ > yrijÛ mas: trix-ñw, trix-Û,
trÛx-ew, trix-Çn, trÛx-aw -T. sxeu seguro, eu tenho Pres. sex-v > §xv > ¦xv Fut
. ¦x-s-v > §jv -T. tref- eu nutro, alimento Pres. tr¡f-v Fut. tr¡f-s-v > yr¡cv,
Aor. ¦-tref-sa > ¦yreca -taxæw, æ veloz Comp. y ttvn, on mais veloz
36 Deve-se
lembrar sempre que as consoantes aspiradas são as consoantes oclusivas mudas: t,
k, p, que se tornam respectivamente y, x, f.
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a consoantes asacentuação
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A acentuação
I. Natureza do acento Nas palavras de mais de uma sílaba, com significado própri
o, as vogais não eram pronunciadas na mesma elevação de voz. Segundo Dionísio de
Halicarnasso, essa elevação era de uma quinta (De comp. verb., 11). Platão, em
Crátilo, 416b fala de rmonÛa - ajuste, acordo. Usavam-se também as palavras tñnow
- esticamento, tensão de uma corda, e prosÄdÛa - canto, para falar dessa modula
ção de vogais. Aristóteles, Poét., 20, Platão, Crátilo, 399b, Dionísio Trácio, B
ekker, II, 629, 27 falam, do acento ôjæw - agudo, pontudo, e baræw - grave, pesa
do. Uma sílaba não acentuada se dizia grave, bareÝa; uma sílaba acentuada com ac
ento agudo se dizia ôjeÝa - aguda; uma sílaba acentuada com o acento circunflexo
se dizia, perispvm¡nh, esticada por cima, ou também dÛtonow, de dois tons, m°sh
, média ou ôjubareÝa, tônica-grave. Havia apenas dois acentos: o acento agudo, e
m forma de ponta de agulha, ´ tñnow ôjæw ou prosÄdÛa ôjeÝa, canto (entonação) ag
udo, e tñnow perispÅmenow, acento esticado por cima, envolvente: circunflexo. Es
se acento marcaria os dois tons da vogal longa: o primeiro, em elevação ( rsiw) de
baixo para cima, inclinado para a direita, e a seguir o segundo, marcando a pos
ição (y¡siw), descendo em plano inclinado para a esquerda. Isso daria um chapéu qu
e equivale ao nosso acento circunflexo ^ . A seguir passou-se a esticá-lo e arred
ondá-lo nas extremidades, para diminuir o ângulo. Hoje, muitas vezes, na pressa
e no descuido, fazemos um traço que se assemelha ao nosso til. Isso às vezes con
funde o principiante e fá-lo pensar que o grego tem vogais nasais. Na escrita er
asmiana37, que o mundo ocidental segue desde o século XVI, todas as palavras gre
gas são acentuadas. E, como os nossos
37 Não
há nenhum sinal de acentuação nas inscrições gregas. Nos manuscritos em geral, o
emprego dos sinais de pontuação data das edições de Aristarco da Samotrácia (21
5-143 a.C.) e de Aristófanes de Bizâncio (257-180 a.C.), que inventou não só os
sinais de acentuação, mas também o espírito e a pontuação. A intenção era sempre
diacrítica, isto é, evitar confusão na leitura das palavras e dos textos.
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a acentuação
ouvidos não mais estão preparados para a variação de tonalidade, as sílabas marc
adas por um acento são sílabas tônicas. Os acentos são: 1. Agudo ´ , que pode apa
recer nas três posições finais de uma palavra e sobre vogais breves ou longas e
ditongos; proparoxítonas (antepenúltima sílaba), nyrvpow, homem; paroxítonas (pen
última sílaba), nñmow, costume, lei, e oxítonas (última sílaba), gor , mercado, pra
ça. 2. Circunflexo ^ , que pode aparecer nas duas posições finais de uma palavra,
mas só sobre vogais longas ou ditongos: properispômenas (penúltima sílaba), dÇr
on, dom, presente, e perispômenas (última sílaba), ¤n t» gor , no mercado. 3. Grave
` , que não é um acento propriamente dito; ele é um acento substituto: só é usad
o nas palavras oxítonas, substituindo o acento agudo no meio da frase, para marc
ar seqüência; kalòw kaÜ gayñw belo e bom. Os gramáticos antigos chamavam isso de b
aritonização da tônica final . Como já dissemos, os acentos podem combinar com os
espíritos: õ nyrvpow o homem ² ìbriw o descomedimento, a desmedida ¤n Ú em que II
. Posição do acento: 1. Os acentos são usados de conformidade com sua natureza:
o agudo, por marcar uma só unidade de tempo: pode ser usado sobre uma vogal brev
e ou sobre uma longa ou ditongo; o circunflexo, por se estender sobre dois tons,
só pode ser usado sobre uma vogal longa ou um ditongo. 2. A sílaba tônica não p
ode recuar além do terceiro tempo, a contar do fim da palavra38.
38 Esses
tempos são unidades tônicas. A vogal da sílaba intermediária nas palavras de três
ou mais sílabas sempre conta um tempo, ou uma unidade tônica, mesmo se longa ou
ditongo: nyrvpow, o homem, ou ¦mpeirow, o continente.
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a acentuação
73
3. Para efeito de acentuação, em grego, o que determina a posição da tônica (e d
o acento) é a quantidade da última sílaba: 3.1. se a vogal é longa ou ditongo39,
conta dois tempos, ou unidades tônicas40; 3.2. se a vogal é breve, conta um tem
po, ou uma unidade tônica; 3.3. As sílabas não finais, mesmo longas, contam um t
empo para efeito de acentuação: nyrvpow. 4. Nas formas verbais, segundo os gramát
icos, o acento tem uma tendência regressiva, isto é, tende a fugir da última síl
aba. Na verdade, se aceitarmos a idéia de que a tonicidade tem uma relação com a
ênfase, essa tendência regressiva seria apenas a busca do tema, que é a base, o nú
cleo do significado . 5. Nas formas nominais, segundo os gramáticos, o acento perm
anece, na medida do possível, na posição do nominativo singular. Uma observação
se faz necessária: essa afirmação de que as formas nominais mantêm, na medida do
possível, a posição (da tônica) do nominativo singular é talvez cômoda, mas repou
sa sobre a idéia do caso reto , que já demostramos que não existe. O que existe de
fato é que os temas nominais podem ser oxítonos, paroxítonos ou proparoxítonos.
Por exemplo, SÅkrates - é um tema proparoxítono e se torna paroxítono em todos o
s casos, por causa das desinências que recebe, menos no vocativo, em que é o pró
prio tema. No nominativo singular não recebe desinência, mas alonga a vogal do t
ema, deslocando a tônica, e é paroxítono. Contudo, para efeitos práticos, essa re
gra funciona bem e está consagrada pelo uso. O nominativo, por ser o caso da nome
ação, da denominação, da identidade, passa a ser também o caso da representação . O
s nomes e adjetivos não são apresentados sob forma temática (sem função), mas na
forma da identificação, isto é, no nominativo. É o que ve-
39 Os
ditongos finais -ai / -oi são considerados breves para efeito de acentuação (não
na métrica), menos as formas do optativo læsai, eu desligaria, desligasse, pode
ria desligar, e nos locativos oàkoi, em casa. Os -i i- do locativo e do optativo
são longos. 40 Quando usamos a palavra tempo queremos dizer unidade tônica .
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mos nos dicionários e gramáticas. O acompanhamento do genitivo, já dissemos, é m
ero recurso didático-formalista, para que o leitor enquadre o nome na declinação a
que o nome pertence. Neste trabalho nós não seguimos essa regra; nós trabalhamo
s a flexão nominal e verbal a partir do tema. No nosso vocabulário, contudo, sub
metemo-nos à tradição, que é irreversível. 41 Como o nosso trabalho tem um objet
ivo mais prático, didático, pedagógico, vamos tratar desse assunto em outra ocas
ião. Vamos adotar então a afirmação de que os nomes (substantivos, adjetivos, dê
iticos) mantêm, na medida do possível, a tônica na posição do nominativo singula
r. Portanto, o avanço ou o recuo do acento, quer nas formas nominais, quer nas f
ormas verbais, depende da variação de quantidade da última sílaba. Assim: õ nyrvp
ow o homem, o ser humano nom.s. õ nyrvpow nom. e voc.pl. nyrvpoi voc.s. Î nyrvpe ac
us.s. tòn nyrvpon acus.pl. toçw nyrÅpouw gen.s. toè nyrÅpou gen.pl. tÇn nyrÅpvn dat.
loc.instr.pl. toÝw nyrÅpoiw. dat.loc.instr.s tÒ nyrÅpÄ O acento circunflexo, por m
arcar sílaba longa ou ditongo, isto é, duas unidades tônicas, não pode ser usado
em penúltima sílaba em uma palavra em que a final é longa, porque marcaria uma
quarta unidade tônica, que não existe, Assim: tñ dÇron: o dom, o presente nom.vo
c.acus.sing. tò dÇron gen.sing. toè dÅrou dat.loc.instr.sing. tÒ dÅrÄ nom.voc.ac
us.pl. t dÇra gen.pl. tÇn dÅrvn dat.loc.instr.pl. toÝw dÅroiw
41 Pretendemos
no vocabulario registrar o tema T, depois da entrada dos nomes no nominativo e g
enitivo.
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Para efeito de marcação e leitura, diremos que toda sílaba acentuada é tônica e
inversamente toda sílaba tônica é acentuada. Toda palavra grega é acentuada (sal
vo algumas palavras átonas enclíticas ou proclíticas em determinadas posições).
Quanto à posição do acento, as palavras gregas são: oxítonas, se levam o acento
agudo na última sílaba; paroxítonas, se levam o acento agudo na penúltima sílaba
; proparoxítonas, se levam o acento agudo na antepenúltima sílaba; perispômenas,
se levam o acento circunflexo na última sílaba; properispômenas, se levam o ace
nto circunflexo na penúltima sílaba.
Regras práticas (resumo): 1. Toda a acentuação grega se baseia no princípio dos
três tempos, isto é, cada terceiro tempo deve ser acentuado; (corresponderia mai
s ou menos ao que nós temos em português: o último acento é o da proparoxítona;
não há nada além dele). 2. O que comanda a posição e a natureza do acento é a qu
antidade da última sílaba. 3. Para efeito de acentuação, a última sílaba conta u
m tempo, se é breve, e dois tempos, se é longa. A natureza da penúltima sílaba n
os trissílabos, para efeito de acentuação, não é levada em conta; vale sempre um
tempo. 4. A sílaba tônica nunca recua mais do que três tempos da final. 5. Os d
itongos são naturalmente longos; excluem-se os ditongos -ai/oi em posição final
absoluta, isto é, não seguidos de -w. Isto acontece nos nomes em -o, a, h, por a
nalogia com o nominativo singular, sobretudo nos proparoxítonos e properispômeno
s.42
42 Menos
no locativo oàkoi porque o -i- do locativo é longo e na terceira pessoa do singu
lar do optativo aoristo læsai, porque o -i-, marca do optativo, é longo.
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As enclíticas
O que são as palavras enclíticas? São as palavras encostadas , deitadas em, apoiadas
em , isto é, palavras que, desprovidas de tonicidade própria, na prosÄdÛa canto d
a frase, precisam se encostar na palavra precedente, anterior, para formar uma uni
dade tônica, prosódica. Por serem en-clíticas , isto é, encostadas em , elas não podem
começar uma frase. São enclíticas: 1. as formas flexionadas do pronome da 1a e
da 2a pessoa do singular: mou / sou de mim / de ti moi / soi me, a mim / te, a t
i me / se me / te 2. Os indefinidos correspondentes aos advérbios interrogativos
de lugar e tempo e aos dêiticos interrogativos de identidade, qualidade, quanti
dade/dimensão, idade:
tÛw; poÝow; pñsow; pñsoi; phlÛkow; pñterow; poè; / poyÛ; pñyen; poÝ; p»; pÇw; pñ
te; quem? de que qualidade? de que dimensão? quantos? de que idade quem dos dois
? onde? de onde? para onde? por que meio? como? como? quando? tiw poiow* posow p
osoi phlikow poterow pou/poyi poyen poi pú pvw/pv pote alguém, algum, de alguma/
certa qualidade de alguma/certa dimensão uma certa quantidade de certa/alguma id
ade algum dos dois em algum lugar, de algum modo de algum lugar para algum lugar
por algum meio, de algum modo de algum modo, de alguma maneira um dia, certa ve
z
3. As partículas: ge, yen, nu(n), per, te, toi
* As palavras enclíticas de duas sílabas fazem recair a tonicidade sobre a últim
a sílaba; assim, mesmo não acentuadas, elas se pronunciam como oxítonas: tinñw,
poiñw, posñw, posoÛ.
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4. As formas verbais de e nai (ser), e fãnai (falar), do presente do indicativo, m
enos a 2a pessoa do singular. eÞmi, eä, ¤sti(n), ¤smen, ¤ste, eÞsi(n) fhmi, f»w,
fhsi(n), famen, fate, fasi(n)
Acentuação das enclíticas
Na medida em que uma enclítica é uma encostada em , apoiada em , na palavra anterior,
ela passa a fazer corpo inteiro com ela, para efeito de prosódia e de acentuação
.43 Por isso: 1. Depois de uma oxítona ou perispômena a enclítica não se acentua
: n r tiw um certo homem gayñw ¤stin é bom ndrÇn tinvn de alguns homens Não há bari
tonização da oxítona (acento grave) porque ela passa a fazer parte de uma unidad
e prosódica, e fica numa posição interna e os três tempos são respeitados. 2. De
pois de uma paroxítona, a enclítica de duas sílabas é acentuada na final, para e
vitar que haja três sílabas seguidas átonas; lñgou tinñw, de um (certo) discurso
lñgvn tinÇn de uns certos discursos fÛloi eÞsÛn são amigos Mas, se a enclítica
for monossilábica ela fica sem acento; porque a unidade prosódica é normal (três
sílabas = três unidades): lñgow tiw um certo discurso (como se fosse uma propar
oxítona) 3. Depois de uma proparoxítona ou properispômena, a enclítica obriga a
proparoxítona e properispômena a ter um acento agudo de apoio em posição de oxít
ona, para restabelecer uma unidade prosódica normal, evitando a seqüência de trê
s sílabas átonas. nyrvpñw tiw um certo homem (nom.) nyrvpñn tina um certo homem (a
cus.) dÇrñn ti um certo presente dÇr tina alguns (certos) presentes
43 Nada
mais é do que a lei dos três tempos, isto é, das três unidades tônicas, porque a
enclítica faz uma unidade prosódica com a palavra anterior.
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aaacentuação pontuação
As proclíticas
As proclíticas são palavras monossilábicas (em geral partículas) que se apóiam n
a palavra seguinte, na frente, formando com ela uma unidade prosódica. 1. 2. 3.
4. São as seguintes: Os artigos masculino e feminino no singular e no plural: õ
/ oß - ² / aß As preposições: ¤n - em, eÞw/¤w - para, ¤k/¤j - de As conjunções:
eÞ - se, Éw - para, como A negação: oé / oék / oéx
A pontuação
Os antigos não usavam sinais de pontuação; as partículas, herança viva da língua
oral, serviam para marcar as divisões e a entonação do discurso. O uso da pontu
ação se desenvolveu muito tardiamente, com a introdução da escrita minúscula. Os
textos gregos editados a partir do sécula XV são pontuados de conformidade com
as regras e os hábitos da língua do editor (francês, inglês, italiano, alemão, h
olandês). Não há regras gregas de pontuação. Os sinais de pontuação usados na es
crita erasmiana são os seguintes, fazendo equivalência com o português: 1. Ponto
final . = igual ao português; 2. vírgula , = igual ao português; 3. ponto alto
: " em grego = ; ponto e vírgula em português; 4. ponto alto : " em grego = : do
is pontos em português; 5. ponto e vírgula ; em grego = ? ponto de interrogação
em português; 6. ponto e vírgula ; em grego = ! ponto de exclamação em português
.
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Flexão nominal
Não é nosso objetivo discutir aqui as diversas teorias lingüísticas sobre a flex
ão nominal e verbal. Há muitas delas, todas respeitáveis, interessantes, importa
ntes mesmo. Mas fazem parte das teorias sobre a origem da linguagem; não cabem n
um trabalho que quer ser especialmente prático e objetivo. Nossa intenção é ofer
ecer os meios mais rápidos e racionais de aprender a língua grega. Nos mais de t
rinta anos de magistério, sempre tentando trazer à sala de aula um clima de apre
ndizado e não de magistério, colocando-nos ao lado do aluno, sentindo o lado de
lá, fomos tentando encontrar caminhos. Mas todos eram barrados pelo esquema trad
icional, descritivista e prescritivista da gramática do grego. E o mesmo esquema
descritivista está na gramática do latim, primeiramente herdeira da grega, cujo
modelo era a gramática alexandrina de que o exemplo mais conhecido é a Gramátic
a de Dioníso Trácio, e, a seguir, sobretudo a partir da divisão do Império Roman
o, com a dominação do latim como língua única no Ocidente. Com a queda do Impéri
o Romano no séc. V, a Igreja Romana recebeu a herança e durante 10 séculos domin
ou todo o cenário cultural do Ocidente. O latim passou a ser a língua da Igreja
e da administração e o acesso à cultura se fez por intermédio do latim, que se a
prendia em manuais e gramáticas que tinham como modelo a Gramática de Donato, qu
e também é descritiva e prescritiva. Essa tradição se manteve em todo o Ocidente
até nossos dias. Mas, nos dias de hoje, o acesso ao latim e sobretudo ao grego
não se faz mais aos 10 ou 11 anos de idade, que era a idade do ingresso em um Se
minário ou Colégio. O método era basicamente o mesmo e a disciplina e a palmatór
ia enquadravam os mais rebeldes. O seminarista levava uma vantagem : ele ouvia lati
m o dia todo, quer durante a missa quer no canto gregoriano quer na sala de aula
. No fim de sete anos, até os menos dotados acabavam aprendendo latim, por osmose .
Nossa experiência se fez com ingressantes na Universidade, e depois com pós-gra
duandos e profissionais, sem que tivessem a menor idéia do que sejam casos e dec
linações, ou com pessoas mais maduras até de
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mais de 80 anos: matemáticos, historiadores, lingüistas, médicos, advogados e ou
tros que querem ler no original os textos básicos do seu campo do saber. Aos pou
cos, então, foi surgindo este método, que tem como característica principal enco
ntrar a razão das coisas; enfrentar a língua grega na sua organicidade e funcion
alidade. Costuma-se dizer que as línguas clássicas indo-européias (sânscrito, gr
ego, latim, chamadas línguas mortas) e algumas modernas, como as línguas eslavas
, são línguas sintéticas, por trazerem no corpo da palavra, embutidas ou agregad
as, certas modificações formais que refletem modificações semânticas, sobretudo
no que diz respeito às relações sintáticas, isto é, suas funções dentro do enunc
iado. Por outro lado, as línguas modernas, derivadas das antigas, são chamadas a
nalíticas, por sofrerem poucas e pequenas modificações formais e porque exprimem
as relações sintáticas, quer pelo uso de preposições quer pela própria ordem da
s palavras na frase, na qual a anterior domina, rege , a seguinte; isto na relação
dos nomes entre si complementos nominais ou adjuntos adnominais, na relação entr
e nomes e verbos , sujeito agente/paciente, objeto direto/indireto, nas relações
adverbiais marcadas por preposições ou advérbios. Nas relações nominais, o deter
minado vem sempre antes do determinante: método de grego, agradável ao ouvido. E
sse é um traço comum nas línguas latinas; nas línguas germânicas, mesmo nas que
não têm declinação, o determinado pode vir depois do determinante, sobretudo nas
relações de partitivo, posse, origem etc. Nas relações entre verbo e nome, a or
dem analítica prevalece: o sujeito vem antes do verbo e o objeto vem depois do v
erbo, quer na relação de objeto direto, quer nas relações com a ajuda de preposi
ções; eu comprei um livro ou eu gosto de ler ou eu andei pela cidade. Assim, O h
omem persegue o lobo e O lobo persegue o homem são frases rigorosamente iguais q
uanto aos componentes, mas completamente distintas quanto à mensagem. Na primeir
a, o homem é sujeito, porque é o assunto da frase, porque é aquilo de que se fal
a (sujeito lógico) e é sujeito gramatical, porque é sujeito lógico1 e porque pra
tica (sujeito agen1
Um dos fundamentos deste tabalho é exatamente a visão concreta, objetiva, lógica
, coerente dos fatos da língua. O próprio termo sujeito < subjectum < êpokeÛmeno
n
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te, voz ativa) a ação de perseguir, que se completa no lobo (termo da ação verba
l), chamado objeto direto. Na segunda frase, acontece exatamente o contrário; as
funções se invertem: o que o lobo era na primeira frase, objeto direto, por vir
depois do verbo transitivo perseguir e por completar-lhe o sentido, passa a ter
a função de homem, que na primeira era sujeito e estava antes do verbo e agora
é objeto direto, por estar depois de perseguir e por completar-lhe o sentido. Na
s línguas analíticas, como o português, as funções de sujeito e objeto direto sã
o identificadas pelas posições respectivamente antes ou depois do verbo; daí a n
ecessidade da análise lógica para se entrar no significado das frases. No grego,
essas duas frases podem ser expressas mantendo-se as palavras (sujeito, verbo e
objeto direto) na mesma posição. O que vai mudar são as desinências. Assim nas
frases O lèko-w diÅkei tò-n nyrvpo-n e Tò-n lèko-n diÅkei õ nyrvpo-w, as posições d
e lèko-w / lèko-n e nyrvpo-w / nyrvpo-n são as mesmas, mas as funções, caracteriza
das pelas desinências -w/-n, são diferentes. Nessas duas frases, com dois nomes
de tema em -o, nyrvpo- e luko-, a desinência -w do nominativo identifica o sujeit
o õ lèkow, na primeira, e õ nyrvpow, na segunda; e a desinência -n do acusativo i
dentifica o objeto direto nyrvpon, na primeira e lèkon, na segunda. Entre os suje
itos-nominativo lèkow e nyrvpow e os objetos diretosacusativo lèkon e nyrvpon está
o verbo diÅkei, terceira pessoa do singular do presente do indicativo da voz at
iva de diÅkv, eu persigo. Ao perguntarmos ao verbo quem persegue?, obteremos a r
esposta õ lèkow / õ nyrvpow, isto é, no nominativo, porque o nominativo é o caso
da nomeação, da denominação, da identificação, daquilo de que se trata: õ lèkow
diÅkei, o lobo persegue e õ nyrvpow diÅkei, o homem persegue. Temos agora dois el
ementos essenciais do enunciado: o sujeito e o verbo, sujeito e predicado: aquil
o de que se diz alguma coisa ou aquilo que diz alguma coisa daquilo de que se di
z alguma coisa. Mas imediatamente constatamos que um dos elementos está incomple
to: õ lèkow diÅkei / õ nyrvpow diÅkei o lobo persegue / o homem persegue ,
é um conceito concreto: o que está disposto embaixo, disposto sob os olhos, o que
está na mesa, submetido a exame . É aquilo de que se trata. Essa aplicação do con
ceito de sujeito lógico para sujeito gramatical começou com os estóicos e se des
envolveu no período alexandrino.
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flexão nominal
mas persegue quem?, persegue o quê? isto é, em quem ou em quê o ato de perseguir
, desencadeado respectivamente pelos sujeito-agente-nominativo lobo - õ lèkow -
e pelo sujeito-agente-nominativo homem - õ nyrvpow - se completa? A resposta é tò
n nyrvpon / tòn lèkon, isto é, o complemento, o termo do ato verbal, o complement
o-objeto direto de perseguir vai para o acusativo. E a gramática portuguesa cham
a essa relação de objeto direto, porque não há entre ele e o verbo que ele compl
eta nenhum elemento intermediário (preposição). A supressão da palavra complemen
to da nomenclatura da gramática portuguesa empobreceu-lhe o significado; nós pre
ferimos manter a denominação complemento objeto direto e complemento objeto indi
reto. 2 Essas duas frases, em grego, podem ser expressas de várias maneiras: O lè
kow diÅkei tòn nyrvpon. Tòn nyrvpon diÅkei õ lèkow. Tòn nyrvpon õ lèkow diÅkei. DiÅ
kei tòn nyrvpon õ lèkow. DiÅkei õ lèkow tòn nyrvpon. O lèkow tòn nyrvpon diÅkei. Em
todas essas variantes o significado do enunciado é o mesmo: o lobo persegue o ho
mem. O que pode variar aí é apenas a ênfase que o enunciante queira dar a essa o
u aquela palavra. É uma questão de estilo. Mas essa liberdade tem seus limites q
ue são: a lógica e o significado do enunciado. Por exemplo: nós podemos ver que
em nenhuma das variantes os artigos se separaram dos nomes. O verbo não se coloc
a entre o artigo e o nome, porque o artigo é um adjunto adnominal e por isso dev
e ficar colado ao nome. Por isso, a afirmação de que no grego e no latim a posiç
ão das palavras é livre é um exagero. Não é bem assim. Cada língua tem o seu car
áter, o seu ritmo de elocução, a sua modulação, a sua prosódia, sobretudo na exp
ressão oral (as literaturas grega e latina, sobretudo a grega, são basicamente o
rais); há sempre a intenção, a necessidade de comunicar, de enfatizar esta ou aq
uela palavra, e a posição das palavras na frase é um dos recursos da expressão.
2
Veremos, contudo, que as expressões objeto direto, objeto indireto em nada ajudam
a compreensão do discurso. São meramente descritivas, formalistas.
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flexão nominal casos e funções nominal:
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Casos e funções
Pelo exposto, concluímos que, enquanto as línguas analíticas exprimem as relaçõe
s sintáticas basicamente pela ordem das palavras na frase e pelas preposições, o
grego as exprime pelos casos. A gramática tradicional afirma que o sânscrito te
m 8 casos, o grego tem 5 e o latim tem 6. É uma visão meramente descritivista. A
primeira impressão que o aluno tem é que o número de casos é diretamente propor
cional à complexidade das estruturas da língua estudada, o que daria, em escala
decrescente, o sânscrito, o latim e o grego. É um erro. Nossa experiência mostra
que a complexidade dessas línguas se manifesta ao estudioso não na quantidade d
e casos, mas na falta de clareza de definição do que é um caso. Os casos corresp
ondem a funções; o enunciante associa os dois de maneira concreta, numa relação
estreita entre significante e significado; ele pensa na função e depois no caso,
isto é, na forma. E, se algumas formas morfemas, desinências exprimem mais de u
ma função, ele não se espanta porque em sua língua há inúmeras formas e sons con
vergentes, mas os elementos denotativos, circunstanciais, contribuem para a comp
reensão do enunciado. Assim, em grego, as relações de dativo, de instrumental e
de locativo são expressas pela desinência -i, e o falante grego, como os falante
s das línguas modernas, como as eslavas, não tem dificuldade em entender e se fa
zer entender, mesmo no plano da oralidade. Mas os gramáticos, querendo classific
ar, organizar e ordenar os fatos da língua, por causa da desinência -i que eles
viram primeiramente no dativo (caso epistolar ou da atribuição), catalogaram jun
to com o dativo duas outras relações completamente distintas: o instrumental e o
locativo e criaram essas pérolas semânticas dativo-instrumental e dativo-locativo
. Essas expressões são contraditórias nos seus próprios termos e passam a idéia
da arbitrariedade da nomenclatura gramatical, em que não existiria nenhuma relaç
ão de significante-significado. Mas o aluno brasileiro, e também o de todas as l
ínguas ocidentais, está disposto a engolir mais essa definição gramatical. Aliás
, ele está acostumado a receber obedientemente, passivamente, como dogmas, tudo
o que dizem as gramáticas, e no seu subconsciente está registrado que não se dev
e querer entender a gramática: ela se deve aprender e pronto. Há
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flexão nominal: casos e funções
sempre uma autoridade que não convém contestar. Por isso, nunca lhe passou pela ca
beça que há uma relação de significante e significado em tudo o que dizemos. Vol
taremos ao assunto na explicação dos casos. O que é caso? Vem do latim casus: que
da, quebra , do verbo cadere, cair . Mas toda a nomenclatura gramatical latina, e con
seqüentemente a portuguesa, é uma tradução, um decalque da nomenclatura grega, q
ue se encontra na Gramática de Dionísio da Trácia (séc. II-I a.C.). A palavra pt
Çsiw, casus, queda, quebra , já foi empregada por Aristóteles nas Categorias, I, 10
, quando quer caracterizar a substituição sufixal dos derivados. É uma visão plá
stica da palavra, em que se vê uma parte fixa, invariável (tema) e uma parte fin
al quebradiça , que se substitui em cascata declinante. Daí o nome klÛsiw - declina
tio - declinação que se deu à sucessão dos diversos casos. A imagem que se queri
a passar era a de um ponto fixo: caso reto, e casos oblíquos, descendentes dele.
Essa denominação de caso reto ôry‾ ptÇsiw foi pensada pelos estóicos, talvez po
r associarem o sujeito agente com a voz ativa que eles denominam ôry ereta, vert
ical , por oposição à voz passiva êptÛa derrubada, deitada, supina . 3 Há ainda outra
s explicações para isso, todas muito imaginativas. Cremos que o nominativo foi v
isto como caso reto porque é a relação direta da identificação , daí da nomeação , da d
enominação daquilo de que se fala; é a relação primeira, direta, entre o signific
ado e o significante. 4 Como as palavras caso, flexão, declinação vêm do latim,
também os nomes dos casos têm a mesma origem: do grego, pelo latim. São uma trad
ução linear, literal do grego, com um cuidado muito grande de não dissociar o si
gnificado do significante. Esses nomes não são meramente funcionais; eles signif
icam, eles definem as relações, isto é, as funções das palavras na frase.
3
4
A posição ereta é a posição do sujeito agente e a deitada, supina, passiva é a p
osição do sujeito paciente. A posição ôry é a posição do sujeito. Convém notar,
contudo, que a gramática de Dionísio Trácio já é descritivista, sobretudo na de
nominação dos modos verbais. E foi assim que os latinos a receberam e passaram p
ara nós.
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flexão nominal: casos e funções
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Uma vez criado o termo em grego e traduzido para o latim, definindo quase sempre
de uma maneira concreta e clara as relações e fatos gramaticais, o seu uso se g
eneralizou. Mas, aos poucos, perdeu-se o vínculo com o grego e também com o sign
ificado etimológico, denotativo. A rotina do ensino gramatical esvaziou essas pa
lavras de seu sentido, tornando-as termos absolutos, representando apenas uma sé
rie de regras, transformando o estudo da língua em mero exercício formal, calcad
o na memorização e na submissão a paradigmas, que eram apresentados fechados, pr
ontos. Ao aluno cabia apenas aprendê-los de cor e não discuti-los e nem entendê-
los. Cremos que há uma outra maneira de abordá-los. As palavras são identificáve
is semanticamente pelo tema e funcionalmente pela flexão (caso-desinência). É o
que vamos tentar.
O tema
Mas, o que é tema? Todas as gramáticas gregas falam de declinação atemática ou t
emática, de aoristo temático e atemático etc. Não vamos entrar em discussão com
as várias interpretações lingüísticas da palavra tema. Vamos tentar entendê-la n
o seu significado etimológico, denotativo, e vamos ver sua funcionalidade no sis
tema de flexão da língua grega. A palavra tema vem da raiz the, yh do verbo tÛ-y
h-mi, eu coloco, em ponho, mais o sufixo -ma, que é o resultado da ação. Signifi
ca, então: o que está colocado, posto diante de. É assim que entendem, por exemp
lo, Quintiliano, IV, 2, 28 (tema ou raiz de uma palavra) e Apolônio Díscolo, Sin
taxe, 53, 4 (a palavra que serve para formar uma outra, como mfv para mfñterow. Aq
ui ele entende tema como base para um sufixo gramatical -terow, a, on que acresc
enta uma idéia de comparação ao significado constante do tema. Poderíamos chamar
os sufixos de derivacionais semânticos, isto é, que ampliam, diminuem ou modifi
cam o significado. Já Aristóteles em Categorias, I, 10, registra as ptÅseiw em g
rammatikñw/grammatik , ndreÝow/ ndreÛa. As ptÅseiw derivacionais, chamadas sufixos,
se dividem em:
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flexão nominal: casos e funções
a) sufixo nominal alterando o significado: deil-ñw - covarde ² deil-Ûa - a covar
dia (a qualidade do covarde) b) sufixo nominal alterando o gênero: p nt-w > p w - to
do pant-ya > p sa - toda c) sufixo nominal alterando o grau: sofñw - sábio sof-Åte
row - mais sábio sof-Åtatow - o mais sábio d) sufixo verbal alterando o aspecto:
de tema verbal puro: - prag - fazer, agir tema do infectum(inacabado): prag-yv
> prattv - eu faço, eu ajo. de tema nominal: - onomat - nome verbo denominativo:
ônomat-yv > ônom zv - eu nomeio, denomino. Na flexão nominal e verbal (declinação
e conjugação) acontece a mesma coisa: sobre um tema, acrescentam-se as várias d
esinências ou morfemas que dão ao significado-base a idéia de função na flexão d
os substantivos, adjetivos e pronomes, e pessoa, voz, modo, aspecto na flexão do
s verbos. Isso quanto aos sufixos gramaticais. Essas ptÅseiw da flexão são chama
das casos (desinências/morfemas) para os substantivos, adjetivos e pronomes e de
sinências (morfemas), para os verbos. Mas todas se acrescentam ao tema, que é a
parte fixa, sem quebra, tanto dos verbos quanto dos substantivos, adjetivos ou p
ronomes. Esse acréscimo, contudo, se faz respeitando-se as leis da fonética de c
ada língua (o grego no nosso caso): nos casos de desinências vocálicas acrescent
adas a temas em vogal, há o recurso da elisão ou contração (crase); nos casos de
desinências consonânticas (as verbais), quando acrescentadas a temas vocálicos,
há a combinação natural fazendo sílaba normalmente; quando acrescentadas a tema
s consonânticos servem-se de uma vogal de apoio ou de ligação. Aliás, a denomina
ção de declinação ou conjugação temática ou atemática da gramática tradicional é imp
rópria. Ela surgiu provavel-
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mente da confusão que se estabeleceu entre vogal temática e vogal de apoio ou de
ligação. Uma coisa é a vogal temática, isto é, que faz parte do tema, sobre o q
ual se acrescentam as desinências, como em logo-w o tema é vocálico porque termi
na em -o, mas em læ-o-men temos três partes: o tema lu-, a desinência da primeir
a pessoa do plural da voz ativa do indicativo presente -men, e a vogal de ligaçã
o -o-. A vogal de ligação não faz parte necessariamente das desinências; ela não
é um morfema. Sua função é fonética; ela só aparece quando necessária, para evi
tar conflitos fonéticos indesejáveis entre consoantes 5. Ela nunca aparece entre
vogais por desnecessária, mas às vezes permanece ao lado de semivogais, como vi
mos em læ-o-men. É que, para todo o sistema do infectum dos verbos em -v cujos t
emas são quase todos consonânticos, a língua criou essa vogal de ligação o / e p
ara evitar o conflito entre a consoante final do tema e as consoantes das desinê
ncias. A permanência da vogal de ligação nos verbos de tema em semivogal indica
que, nesses casos, a semivogal é sentida como semiconsoante e, ao lado da vogal desi
nencial ou de ligação, ela é mais con-soante 6; aliás o número de verbos de tema e
m semivogal é reduzido. E quando a língua, a partir de temas nominais terminados
em vogal, criou verbos com o sufixo -j- como filej-, nikaj-, dhloj-, que se tor
naram temas do infectum e evoluíram para fil¡v > filÇ, tim v > timÇ, dhlñv > dhlÇ.
Na flexão de todo o sistema do infectum, esse j também foi sentido como consoan
te, por isso recebe a desinência -v- na 1a pessoa e sofreu síncope em posição in
tervocálica entre a vogal temática e a vogal de ligação.
5
6
Quem determina a presença ou não da vogal de ligação é o consciente lingüístico,
que vigia sobretudo o significado. Quando uma acomodação entre consoantes desca
racteriza o significado, torna-se necessária a vogal de ligação. Veremos isso mu
itas vezes no correr deste trabalho. Aliás, a seqüência fonética i/u + mi é extrem
amente incômoda; a acomodação com o -v é bem mais fácil e natural. É por isso ta
mbém que os verbos que têm um sufixo -numi / -nnumi no infectum têm uma variante
em æv , como deÛknumi / deiknæv.
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A síncope desse j provocou o surgimento do hiato que o dialeto ático reduziu pel
a contração. As gramáticas chamam esses verbos de contratos , mas, na verdade, eles
só são contratos , isto é, têm formas contratas apenas no sistema do infectum, inac
abado , por causa da síncope desse j, formador do tema do infectum. Nos outros tem
as (aoristo/futuro e perfeito) a vogal temática é alongada.
Os casos: definições
NOMINATIVO: Onomastik‾ ptÇsiw (önoma - ônom zv). Nominatiuus casus (nomen - nominar
e) - nome-nomear, nominativo. É o caso da denominação, da nomeação, da identidade,
da identificação. É o caso do nome como ele é, na sua expressão referencial. É
o de que se fala; é o assunto, o sujeito lógico, e daí sujeito gramatical: tò êp
okeÛmenon - subjectum - o que jaz em baixo, o que está disposto em baixo. O nomi
nativo é então o caso do sujeito e das relações secundárias do sujeito, isto é,
da expansão do sujeito nas relações adjetivas, quer na idéia de colagem, em que
a noção adjetiva faz um todo com o nome: o cavalo branco, isto é, o epíteto, o a
djunto adnominal, quer na relação de atribuição, isto é, uma idéia de qualidade
ou estado atribuída, aplicada, em função de atributo; mas, nesse caso, não há id
éia de colagem; daí a necessidade do verbo de ligação. Em grego, aliás, sobretud
o até a época clássica, não se usa o verbo de ligação nas relações ditas predica
tivas: õ nyrvpow politikòn zÒon - o homem (é) um ser (vivente) da pólis (urbano -
político). Essa idéia de atribuição pode ser percebida também nas aposições: õ
lñgow, m¡gistow tærannow - A palavra (discurso/ razão), o maior senhor ou õ lñgo
w m¡gistow tærannow - A palavra é o maior senhor. A proximidade conceitual e sem
ântica entre um predicativo e o aposto faz com que, com freqüência, não seja fác
il estabelecer distinção entre um e outro. Só o contexto resolverá o problema. T
orna-se uma questão conotativa.
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A identificação e o emprego do nominativo são de fundamental importância para a
compreensão do enunciado, porque se trata do sujeito, isto é, do assunto. As rel
ações secundárias do sujeito (adjunto adnominal, predicativo, aposto) complement
am essa identificação. O emprego do nominativo é pouco complexo, mas às vezes su
rpreende. Contudo, o nominativo não identifica apenas o sujeito lógico, conceitu
al, sintático, gramatical do enunciado: o amigo é fiel, õ fÛlow pistñw / pistòw
õ fÛlow. Por ser o caso da identificação, da denominação, ele é empregado natura
lmente também em sintagmas, em citações, em enumerações, como: os amigos fiéis:
oß pistoÜ fÛloi. Nos exemplos a seguir, vamos registrar alguns desses empregos:
1. Em títulos de obras, inscrições, relações, listas: Nef¡lai - As Nuvens (de Ar
istófanes) Sf°kew - As Vespas (de Aristófanes) t de par¡dosan:... st¡fanow... fi lai
... Eles ofereceram estas coisas: diadema... taças KallistÆ NikofÛlou Cálisto, f
ilha de Nicófilo (inscrição tumular) 2. Em citações e predicação: n‾r genñmenow p
roseÛlhfe t‾n tÇn ponhrÇn koin‾n ¤pvnumÛan sukof nthw - tendo-se tornado homem, el
e adotou a denominacão comum dos malfeitores: sicofanta toçw ¦xontaw tòn shmnòn ön
oma toèto tò kalñw te k gayñw - os que têm o nome respeitável de belo e bom mèw kaÜ
gal° m¡lleiw l¡gein; - ratinho e doninha queres dizer? ll ´de m¡ntoi m‾ l¡ge - Mas,
então, não digas esta 3. Nas enumerações: T d¢ t°w pñlevw oÞkodom mata... toiaèta [
÷ra] propælaia... stoaÛ... Peiraieæw... (Dem., 23, 207) [olha] as edificações da
cidade tais como: os propileus... os pórticos... o Pireu... tÛyhmi dæo... poiht
ik°w eàdh: yeÛa m¢n kaÛ nyrvpÛnh... [t¡xnai] Eu coloco duas formas de arte poétic
a: a divina e a humana
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llouw d õ... NeÝlow ¦pemcen: Sousisk nhw, PhgastagÆn AÞguptogen w, ÷ te t°w ßer w M¡mfi
dow rxvn... (Ésq., Pers., 33) Nilo enviou ainda outros: Susískanes, Pegastágon da
estirpe de Egito, e o governante da sagrada Mênfis... 4. Predicativo de indefin
ido: n°sow dendr essa, ye d ¤n dÅmata naÛei uma ilha coberta de árvores, uma deusa
dentro tem habitação. 5. Em posição de anacoluto: Oß fÛloi... tÛ f somen aétoçw
eänai; Os amigos... o que diremos serem eles? Às vezes confundindo-se, aparente
mente, com o vocativo: V t law ¤gÅ; Infeliz que eu sou! Dæsmorow; Coitado! [tu és]
Sx¡tliow; Infeliz! [tu és] O paÝw, koloæyei deèro; Tu, o escravo, acompanha aqui! V
fÛlow; ó, amigo! [tu, o amigo!] FÛlow, Î Men¡lae; Amigo, ó Menelau! dialegñmeno
w aétÒ ¦doj¡ moi... (Platão, Apol., 21c) conversando com ele, pareceu-me... Ferr
¡fatta d¡, polloÜ m¢n kaÜ toèto foboèntai tñ önoma (Platão, Crát., 412c) Ferréfa
tta, muitos temem esse nome. Prñjenow d¢ kaÜ M¡nvn... p¡mcate aétoçw deèro (Xen.
, An., 2, 5, 37) O Proxeno e Mênon... enviai-os para cá. Em geral todos esses em
pregos do nominativo próximos do vocativo são demonstrativos, afirmativos.
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6. É também o que acontece nas interpelações, em que se aponta com o dedo o obje
to do chamado. Nas exclamações, o nominativo caracteriza, o vocativo se dirige,
chama, o acusativo enche o objeto de emoção e o genitivo dá a fonte da esfera da
emoção. Nesses casos, muitas vezes o emprego do nominativo se confunde com o do
vocativo : Oðtow, s¡ kalÇ; Tu aí, é a ti que estou chamando! V oðtow, oðtow, OÞd
Ûpouw; Ei, tu, tu aí, o Édipo! nyrvpow ßerñw; santo homem! (é um santo homem) l°r
ow; bobagem! Î mÇrow; que bobo! Î d¡spot naj... lamprñw t aÞy r; (Aristóf., Nuvens,
1168) ó senhor patrão! e brilhante éter! 7. Em aposição a um vocativo ou em lug
ar dele: õ paÝw, koloæyei deèro (Aristóf., Rãs, 521) Tu, o escravo, vem para cá! V
Falhreæw, ¦fh, oðtow Apollñdvrow, oé perimeneÝw; (Platão, Banq., 172a) Ó o de Fa
lera, tu (esse) aí, Apolodoro! não vais esperar? Prñjene kaÜ oß lloi oß parñntew E
llhnew, oék àste ÷ ti poieÝte; (Xen., An., 1, 5, 16) Proxeno (embaixador), e vós
os outros gregos presentes, não sabeis o que estais fazendo? sæ d , ¦fh, õ tÇn Urk
anÛvn rxvn, êpñmeinon (Xen., An., 4, 5, 22) E tu, disse ele, o comandante dos Hir
cânios, espera! àyi m¢n oïn sæ, ¦fh, õ presbætatow, kaÜ ÞÆn taèta l¡ge (Xen., An
., 4, 5, 17) Vai tu, então, o mais velho, e indo, dize [diz] essas coisas
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kaÜ p ntew d¢ oß parñntew kaÜ oß pñntew fÛloi, xaÛrete; (Xen., An., 8, 7, 28) E tod
os vós, os amigos presentes e ausentes, salve! 8. O sujeito de um verbo finito,
na voz ativa, média ou passiva, está sempre no nominativo. Kñnvn... ¤nÛkhsen Kón
on... obteve a vitória. Na voz passiva o predicativo do sujeito vai para o nomin
ativo. Em português costuma-se uni-lo ao sujeito por uma preposição como, por, d
e. O Kèrow ¼r¡yh basileæw Ciro foi eleito rei. Al¡jandrow Ènom zeto yeñw Alexandre
era chamado [de] deus. Há também quem afirme que o nominativo não é um caso, tal
vez por influência do registro tradicional dos nomes, no nominativo e genitivo e
dos adjetivos no nominativo nos dicionários e nas gramáticas. A forma do nomina
tivo seria a forma-referência, e o genitivo enquadraria o nome nos diversos para
digmas (declinações). Não concordamos. O nominativo é um caso porque tem desinên
cia7, e por isso tem uma função. Essa confusão entre nominativo, caso-referência
, identificando-o com o tema dos nomes, dá origem à maior parte das dificuldades
que os alunos têm para aprender a flexão dos nomes em grego e em latim. Contudo
, os dicionários e as gramáticas estão aí. Vamos respeitálos, embora não concord
ando. A desinência básica do nominativo dos seres animados (masc. e fem.) é -w.
Ela está: nos nomes masculinos e femininos de temas em consoante e semivogal (a
III declinação), nos nomes masculinos e femininos de tema em -o, nos nomes mascu
linos de tema em -a / -h.
7
A apresentação clássica dos nomes, quer nas gramáticas, quer na entrada dos dici
onários se faz pelo nominativo e genitivo. O genitivo identifica a declinação a
que a
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Os nomes de tema em soante ou líqüida substituem o -w pelo alongamento da vogal
temática. Os femininos de tema em -a / -h não têm desinência no nominativo, e os
neutros, por serem inanimados, sem identidade própria, têm desinência zero no n
ominativo. Não há neutros de temas em -a / -h; os de tema em -o também não têm d
esinência. A desinência -n dos neutros em -o seria, na opinião dos gramáticos, um
empréstimo do acusativo masculino. Pensamos que isso é improvável8. Nas palavras
fortes como os dêiticos esse -n não aparece, por dispensável. É o caso de tñ, t
oèto, tñde, ¤keÝno, llo, aétñ. Aliás, os neutros não têm declinação própria: fora
do nominativovocativo-acusativo, em que se apresentam na sua forma de tema, os
outros casos se flexionam como os dos seres animados. Os neutros de tema em cons
oante, soante ou semivogal não têm desinência; eles se enunciam pelo próprio tem
a. VOCATIVO: Kletik‾ ptÇsiw (kal¡v) - Vocatiuus casus (uocare). É o ato de chama
r. O vocativo não é propriamente uma função; não faz parte do mecanismo da frase
; é exterior a ela. É uma espécie de interjeição, um chamado, um aceno; é o ganch
o do diálogo, que é bipolar, singular. É próprio da oralidade. E a língua grega é
coerente ao representá-lo sem ptÇsiw, isto é, sem desinência. Além disso, o voc
ativo autêntico é só o singular. A pluralidade se criou por expansão, por analog
ia, como veremos mais tarde. Por isso também o vocativo é pobre em relações comp
lementares (quase não tem predicativo e o aposto descamba freqüentemente para o
nominativo); só o adjunto adnominal (epíteto), por se colar ao nome, fica no voc
ativo.
8
palavra pertence. Mais nada, tanto em latim quanto em grego. Cremos que se regis
trássemos entre parênteses o tema ajudaríamos muito mais o estudioso. É mais pro
vável que esse -n seja eufônico, isto é, vem apenas para proteger a vogal átona
final, como em ¤sti (-n), eÞsi(-n), ¦lue(-n).
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1. Usa-se o vocativo apenas nos diálogos e nas interpelações (que são uma forma
de diálogo). Em geral aparece a interjeição Î, que precede o nome: [Î] ndrew dika
staÛ; Senhores juízes! Î ndrew AyhnaÝoi; Cidadãos [varões] Atenienses! eÜ ÷moiow eä
, Î Apollñdvre (Plat., Banq., 173d) Tu és sempre semelhante, Apolodoro! 9 Î fÛle
FaÝdre; (Plat., Fedro, 277a) Ó amigo Fedro! Î b¡ltiste SÅkratew; Ó excelente Sóc
rates! 2. Contudo, às vezes, a interjeição pode vir entre o vocativo e seu atrib
uto: megalopñliew Î Sur kosai; (Pínd., Pít., 2, 1) Grande cidade, ó Siracusa! xaÝr
e, p ter , Î jeÝne; (i, 408) Salve, pai, ó hóspede! fÛlow Î Men¡lae (D, 189) Ó ami
go Menelau! [Menelau, meu amigo!] 3. Algumas vezes a interjeição é omitida, para
dar mais vivacidade ao discurso. Demóstenes ora emprega a interjeição ora não,
dependendo da ênfase que quer dar ao discurso. lhreÝt AyhnaÝoi; (Dem., 8, 31) Esta
is dizendo bobagens, atenienses. Andrew AyhnaÝoi é mais freqüente do que Î ndrew Ayh
naÝoi. Platão usa mais com a interjeição do que sem.
9
O uso da interjeição Î é constante. No Banquete, há 70 casos de Î e apenas 8 sem
a interjeição. No Protágoras, por volta de 100 vocativos com nomes próprios são
precedidos de Î.
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4. A posição do vocativo não é necessariamente no começo da frase. Pode vir posp
osto. aìth m¡n ¤stin, Î TÛmarxe, ndròw gayoè pologÛa (Ésquines, 1, 122) É essa, ó T
imarco, a defesa de um homem de bem. 5. Vocativo nas exclamações e imprecações: H
er kleiw; Ó Heraclés! Î Zeè kaÜ yeoÛ; Ó Zeus e deuses! Î Zeè basileè; Ó Zeus rei!
Î Zeè DÛkh te Zhnòw HlÛou te fÇw; Ó Zeus, Justiça de Zeus e Luz do Sol! 6. Predic
ativo do vocativo: ntÜ g r ¤kl yhw Imbrase ParyenÛou (Teócr., 17, 66) Tu foste chama
do, Ímbraso, em lugar de Parthênios ÞÆ ÞÆ dæsthne sæ, dæsthne d°ta di pñnvn p ntvn
faneÛw; Ai! ai! infeliz, tu, tendo aparecido (que apareceste) infeliz através de
todos os sofrimentos! Por não ser função, o vocativo não é caso, isto é, não te
m desinência própria. É o próprio tema. Mas ele está intimamente ligado ao nomin
ativo, que é o caso da nomeação; ele não existe, ou está implícito, por exemplo
nos pronomes pessoais, nos adjetivos possessivos, nos demonstrativos, por razões
semânticas, é claro. Essas categorias são identificadoras, com funções próximas
das do nominativo. Nos nomes femininos de tema em -a / -h, ele é igual ao nomin
ativo e é o próprio tema nos masculinos. Nos nomes de tema em -o, ele é o própri
o tema, mas com vocalismo -e nos masculinos e femininos e é igual ao nominativo
nos neutros. Nos nomes neutros de tema em consoante, soante e semivogal, ele é i
gual ao nominativo, e nos masculinos e femininos ele é ou o próprio tema, ou é i
gual ao nominativo.
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Todas as vezes em que o enunciado do tema, em posição de vocativo, não descaract
eriza foneticamente o nome. Isto acontece com os nomes de tema em consoante. Ora
, nós sabemos que a língua grega mantém poucas consoantes em posição final: apen
as -w, -n, -r. As outras todas caem. Assim g¡rvn, ontow o ancião, cujo tema é g¡
ront - faz o vocativo g¡ron. Na verdade deveria ser g¡ront, mas o -t em posição
final não se sustenta em grego, contrariamente ao que acontece no latim. Mas em
aäj, aÞgñw a cabra, o vocativo deveria ser aäg que é o seu tema; mas o -g em pos
ição final também não se sustenta. Então teríamos um vocativo -aä, o que mutilar
ia e descaracterizaria semanticamente a palavra. Nesses casos, o consciente ling
üístico, isto é, a inteligência da língua, que visa sempre ao significado, vem e
m socorro à palavra e lhe empresta a desinência do nominativo, caso que semantic
amente lhe é próximo, e temos o vocativo aäj, igual ao nominativo. Mas ela não u
sa do mesmo recurso em paÝw, paidñw. O tema, e por conseguinte o vocativo, é paÝ
d; mas o -d em posição final sofre apócope, ficando a forma paÝ. O que ficou é r
epresentativo do núcleo semântico e a língua o mantém assim. Essa regra de que o v
ocativo ora tem forma própria ora é igual ao nominativo nunca foi e nem será bem
explicada pelas gramáticas 10. E o resultado disso, tanto em grego quanto em la
tim, são as listas de exceções, ou então soluções mais cômodas de gramáticos com
o Konstantinos Lascaris, que registra dois vocativos para muitas palavras, como
pñli e pñliw. As desinências do vocativo plural são todas iguais às do nominativ
o. O vocativo plural se fez por analogia, por extensão. O vocativo autêntico, or
iginal, funcional é o singular, horizontal, bipolar.
tema?
Quando o vocativo dos nomes masculinos e femininos é o próprio
10
A razão é que as gramáticas vêem declinações , a partir do caso reto - nominativo ; nó
s vemos um tema, que contém o significado, e casos que lhe acrescentam funções.
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ACUSATIVO: AÞtiatik‾ ptÇsiw (aÞt¡v-aÞtÛa) - Accusatiuus, causatiuus casus (ad-ca
usare). A gramática tradicional diz que é o caso do objeto direto, que se caract
eriza pela ausência de conetivo (preposição) entre o verbo transitivo e o seu co
mplemento. É uma visão formalista, imperfeita e inútil, porque não leva em conta
a relação semântica. Ela não cobre, por exemplo, esse casuísmo gramatical que c
ostumamos chamar de objeto direto preposicionado , como amar a Deus, amar ao próxim
o. Esse uso se localiza em toda a Ibéria, sobretudo no castelhano. Na verdade es
se a não seria propriamente uma preposição mas uma espécie de vogal de apoio. A
preposição a em princípio traz a idéia de referência ou de relação espacial ou e
quivalente, o que não existe nesse caso. Cremos que, se derivarmos aÞtiatik do
verbo aÞt¡v eu procuro, busco, exijo, poderemos explicá-lo satisfatoriamente. A
derivação de aÞtÛa causa , por ser abstrata, não é suficiente e destoa do conjunto
das denominações dos outros casos, que são concretas. Dionísio Trácio e depois a
lguns seguidores, como Apolônio Díscolo e Querobosco, afirmam que usamos o acusa
tivo quando solicitamos (aÞtoæmenoi) alguém: Eu te (acus.) peço um livro (acus.) .
Te e livro são causativos como em Eu acuso Aristarco (acus.) . Isso nos parece uma
justificativa a posteriori, baseada em uma observação parcial e superficial dos
mecanismos da língua. Contudo, o objeto de busca é também o objeto da causa; é n
atural, então, que esses dois termos se confundam e façam surgir a idéia de culp
a e daí a idéia de acusação. É o que acontece com os verbos transitivos que, por
serem incompletos, partem à busca de seu complemento; esse complemento é o term
o, término do processo verbal; o ato verbal se completa, se fecha nele. A denomi
nação de transitivo exprime bem esse fato.11 Essa busca do complemento pode ser ve
rificada também nos verbos chamados de movimento ou de direção. A única diferenç
a é que, nesse caso, há uma relação espacial.
11
A idéia de movimento é uma constante em todas as relações do acusativo.
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Nas frases Eu vou à cidade / Eu amo a cidade, a palavra cidade é termo, compleme
nto tanto de amo quanto de vou. Há uma diferença apenas: vou, por exprimir uma i
déia de espaço, precisa de uma preposição 12. Mas a relação é a mesma, isto é, c
ompletar o verbo, e por isso também o caso é o mesmo. Nem sempre há coincidência
entre o ponto de vista do português e o ponto de vista do grego no entendimento
da transitividade dos verbos. Em português prevalece a análise formal: identifi
ca-se o objeto direto pela ausência da preposição depois do verbo regente , e a pre
sença da preposição identifica o objeto indireto. Isso em pouco ou em nada contr
ibui para o entendimento do enunciado; ao contrário, às vezes até confunde. É qu
e em português, nos verbos denominativos de expressão dos sentidos ou de ajuda,
utilidade, proveito, conserva-se no verbo a estrutura do complemento nominal, co
m as preposições de e a; assim: ter gosto de, para gostar de, ser agradável a, p
ara agradar a, fazer o bem a, dizer bem ou mal de são preferidos a beneficiar, b
em-dizer, maldizer, que, aliás, assumem significados diferentes. Em grego, a ide
ntificação do acusativo (objeto direto) se faz pelo significado, tendo em vista
o processo verbal em seu seguimento até sua realização e complementação no objet
o, que é o termo do processo verbal. Por exemplo, as idéias contidas nos verbos
de expressão dos sentidos, de ajuda, utilidade etc., mesmo compostos, são entend
idos como processos verbais transitivos e se completam no objeto direto (acusati
vo); mas, se a mesma idéia é expressa por um adjetivo ou substantivo, o compleme
nto nominal vai para o caso de sua relação. Assim: Èf¡limñw tini - útil a alguém
(dat., mas.) ÈfelÇ tina - eu ajudo, auxilio alguém (acus.) Como dissemos, nem s
empre o ponto de vista grego coincide com o ponto de vista português. Por causa
de um processo diferente de formação de palavras, muitas vezes uma visão de dati
vo (atribuição) em português é vista como acusativo (termo do ato verbal) em gre
go.
12
As preposições são advérbios de significado espacial. Por isso, em grego, quando
há uma relação espacial ela é expressa por uma preposição.
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Alguns exemplos ilustram esse fato: Grego ÈfelÇ, ônÛnhmÛ tina eéergetÇ tina eï p
oiÇ, kalÇw poiÇ tina eï l¡gv, kalÇw l¡gv tin lany nv tin mænomaÛ tina aÞdoèmai tin bl p
v tin dikÇ tina kakÇw poiÇ tina kakÇw l¡gv tin ful ttomaÛ tina ömnumaÛ tina aÞsxænoma
Û tina foboèmaÛ tina timvroèmaÛ tina Em português eu sou útil a / ajudo eu faço
bem a / beneficio eu faço o bem a falo bem de eu escapo a, me escondo de eu me d
efendo de, afasto eu me envergonho, respeito eu causo dano, prejudico faço injus
tiça a faço mal a falo mal de eu me guardo de, evito eu juro por (em relação a)
eu me envergonho (diante) de eu tenho medo de, temo eu me vingo de
O acusativo sintático, como termo ou complemento dos verbos de ação, ditos trans
itivos, como eu amo a cidade, ou analógico a ele, como o termo do complemento no
minal de um adjetivo que exprime qualidade, ou de um verbo que exprime um estado
, que os gramáticos chamam de acusativo de relação, podem se situar na mesma idé
ia de movimento. Alguns também o chamam de acusativo adverbial, talvez por vir e
xpresso pelo neutro de alguns adjetivos e substantivos, como prÇton, em primeiro
lugar, primeiramente, deæteron, em segundo lugar, (em) segundo. Algumas vezes t
ambém, ele é expressso pelo plural neutro de um adjetivo de sentido geral, como t
odo, outro, muito , em que se sente um substantivo implícito, não expresso. É como
se o adjetivo funcionasse como predicativo desse substantivo objeto omitido. As
sim: Olæmpia nik n vencer (uma modalidade esportiva) ( Olumpik‾n nÛkhn nik n) em Olímpi
a ²dç gel n rir doce (em relação a algo bom) dein êbrÛzein ofender (com ofensas) gr
aves
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p nta nik n oéd¢n frontÛzein t lla (t lla) oéd¡n prÇton / tò prÇton tò p lai / tò palaiñn
x n rx‾n oé/m t poll t¡low/tò t¡low /tò teleutaÝon prñteron toénatÛon (tò ¤nantÛon
) t‾n eéyeÝan toèton tòn xrñnon tò nèn / t nèn tò loipñn t‾n taxÛsthn (õdñn)
vencer em tudo ( em todas as coisas) pensar nada (em nenhuma coisa) quanto ao re
sto (a outras coisas) em nada (a nenhuma coisa) em primeiro lugar (quanto à prim
eira coisa) antigamente (quanto à coisa antiga) quanto ao começo, para começar,
antes de tudo para começar não, de início não muitas vezes, quanto a muitas veze
s, freqüentemente quanto ao fim, em último lugar, finalmente antes (disto), prim
eiramente ao contrário em linha reta, direto, em frente por) aquele tempo, naque
le tempo quanto ao momento presente, em relação às coisas de agora quanto ao res
to, daqui para frente à maneira mais rápida
Podemos incluir também nesse acusativo de relação o acusativo de objeto interno,
isto é, o complemento da mesma raiz do verbo ou de significado próximo, que pod
e acontecer até com verbos intransitivos. Em português também existe esse uso. P
or exemplo viver a vida. Também a expressão de extensão, distância, trajeto, per
curso no espaço e duração no tempo se exprimem pelo acusativo, uma vez que está
implícita a idéia de movimento. dein‾n nñson noseÝn adoecer de grave doença (obj
. interno) b¡ltiñn ¤sti sÇma µ cux‾n noseÝn - (Men.) É melhor sofrer no corpo do
que na alma [em relação a] noseÝn nñson grÛan - (Sóf.) sofrer de uma doença crue
l [em relação a (objeto interno)]
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k mnein t nde t‾n nñson (Eur.) sofrer dessa doença [em relação a (objeto interno)]
zÇ bÛon moxyerñn eu vivo uma vida miserável (obj. interno) lagÆ bÛon ¦zhw tu vi
vias uma vida de lebre (obj. interno) koim yhsan xalk¡on ìpnon eles adormeceram
de um sono (de) bronze [eles dormiram um sono de bronze (obj. interno - metoními
a)] ¤n MarayÇni m xhn nik n vencer a batalha em Maratona (obj. interno) pñdaw Èkçw Ax
illeæw (Hom.) Aquiles rápido nos pés, quanto aos pés, em relação aos pés. Svkr thw
toënoma Sócrates de nome, Sócrates quanto ao nome, em relação ao nome. n‾r t met¡
vra frontist w (Plat.) homem pensador em relação aos fenômenos celestes (obj. in
terno). deinñw eÞmi taæthn t‾n t¡xnhn (Plat.) eu sou hábil nessa arte, em relaçã
o a essa arte (obj. interno) õ nyrvpow tòn d ktulon lgeÝ esse homem tem dor de dedo
[tem dor quanto ao dedo, em relação ao dedo]. petm yhsan t w kefal w (Xen.) eles fora
m cortados em relacão às cabeças. [Eles tiveram as cabeças cortadas]. M¡letñw me
¤gr cato t‾n graf‾n taæthn. (Plat.) Méletos me moveu esse processo [em relação a
mim]. toèton tòn trñpon em relação a essa maneira, dessa maneira tÛ; em relação
ao que? por quê ? tÛna trñpon:; em relação a que maneira? de (por) que maneira.
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O acusativo ilativo ou de direção, extensão ou movimento no espaço, também pode
ser usado como duração, extensão no tempo, e, nesse caso, por ser uma noção meno
s concreta, dispensa a preposição. T°w Ell dow oé meÝon µ mæria st dia peÝxon Estavam
distantes da Grécia não menos do que 10.000 estádios. Ceudñmenow oédeÜw lany nei p
olçn xrñnon Mentindo ninguém se esconde [por] muito tempo. treÝw ÷louw m°naw par
¡meinen Ele estacionou [por] três meses inteiros. oéd¡pv eàkosin ¦th gegonÅw Nas
cido ainda não vinte anos [nascido um tempo de ainda não vinte anos]. trÛthn ²m¡
ran ´kv É o terceiro dia que eu cheguei [passaram dois dias da minha chegada]. p n
¸mar ferñmhn Eu era transportado o dia todo [ao longo de]. Esse mesmo mecanismo
de relação se encontra também nos verbos que exprimem duas ações: uma sobre a p
essoa e outra sobre a coisa. As gramáticas grega e latina falam de verbos de dupl
o acusativo com objeto direto e objeto indireto . A portuguesa os chama ou de bitransi
tivos ou de transitivos relativos. Cremos que também esse acusativo da coisa poder
ia ser entendido como um acusativo de relação. did skv tin ti Eu ensino algo a algu
ém pode ser entendido como eu ensino alguém em (relação) a alguma coisa. aÞtÇ, ¦
romai, ¤rvtÇ tin ti Eu peço, eu exijo, eu pergunto, alguma coisa a alguém, ou alg
uém em alguma coisa. ¤kdæv tin ti Eu desvisto alguém de alguma coisa (em relação
a). ¤ndæv tin ti Eu visto alguém de alguma coisa (em relação a). kræptv tin ti Eu
escondo algo de alguém [algo em relação a alguém].
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pr ttomai tin ti Eu exijo algo de alguém [faço exigência em relação a algo]. Podemo
s incluir aqui também alguns verbos que significam nomear, escolher, eleger, ver
como. O segundo acusativo é na verdade um predicativo do objeto direto: Oß Ayhna
Ýoi tòn Perikl¡a eálonto strathgñn. Os atenienses elegeram Péricles (como) coman
dante. TÛ toèto l¡geiw ; Tu dizes isso o quê? O que é isso que dizes? Essa visão
metafórica do movimento, que sentimos como uma relação, está também numa constr
ução bastante freqüente em grego e em latim. É uma espécie de anacoluto construí
do a partir de uma apóstrofe, num movimento do pensamento dirigido a alguém, em
que há uma elipse do verbo, cujo sentido está implícito no gesto: s¢ d , s¢ t‾n
neæousan ¤w p¡don k ra fºw µ katarn» m‾ dedrak¡nai t de; Ei! tu!, tu que estás incli
nando a cabeça para o chão, confirmas ou negas ter praticado estas coisas? (Sóf.
) [É a ti que me refiro, tu que...] No latim também: Me, me, adsum qui feci In m
e convertite ferrum... (Virg.) Eu?! Eu?! eu, que fiz, estou aqui Dirigi contra m
im a lança... É o mesmo acusativo que se usa nas interjeições ou imprecações: n‾
DÛa; por Zeus! me miserum! - coitado de mim. Nas línguas modernas também existe
essa construção, embora o caso acusativo não se identifique formalmente. Mas no
francês sim: Moi? Je n en sais rien! Eu? eu não sei de nada! Moi é o acusativo la
tino me.
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GENITIVO: - É a genik‾ ptÇsiw - genitivus casus, genitivo. A primeira referência
que se viu foi a de filho de, ou oriundo de que era, e em muitas culturas ainda o
é, o modo de identificação das pessoas. É provável que o nome genik tenha surg
ido daí, da palavra g¡now - família. A segunda referência, não menos freqüente e
concreta foi a de posse 13; daí também o nome kthtik ptÇsiw - caso possessivo
- que alguns lhe deram; de ktÇmai - eu adquiro, eu possuo. O nome genitivus casu
s, decalque latino de genik‾ ptÇsiw, levou também alguns a verem no genitivo o c
aso-origem, isto é, o caso que enquadrava os nomes em seu paradigma de flexão, n
a sua declinação. É assim que nós aprendemos nas gramáticas do latim e do grego.
No latim, as 5 declinações se identificam pela desinência do genitivo singular -a
e, -i, -is, -us, -ei e, no grego, as 3 declinações se identificam pelos genitivos
-aw/hw, -ou, -ow. Daí também é o uso de, nos dicionários e gramáticas, registrar
o enunciado dos substantivos no nominativo e genitivo singular para indicar a s
ua declinação. Veremos adiante que não foi exatamente uma boa solução. Mas, se a
dotarmos a expressão genik‾ ptÇsiw - genitiuus casus no seu significado denotati
vo, etimológico, como caso da origem, veremos que é correto. A metáfora e a meto
nímia se encarregam de ampliar o seu significado. É a relação de origem, em todo
s os sentidos, concreto ou abstrato: origem, ponto de partida, parte de, proveni
ência, separação, afastamento, carência, necessidade, diferença, superioridade,
inferioridade, definição, delimitação, restrição, anseio, desejo, dominação, com
eço etc. As gramáticas detalham um sem número de genitivos, fazendo distinção en
tre genitivo regido por adjetivos e substantivos e genitivos regidos por verbos e pr
eposições. Não estão erradas, mas, com excesso de detalhes, elas obscurecem o as
pecto semântico que é o principal. Se
13
O genitivo na idéia de posse pode ser sentido como um partitivo , isto é, de mim, de
ti; supõe a idéia de partilha , parte que me cabe ; é uma relação substantiva em que h
á uma delimitação. O objeto possuído é parte do todo: possuidor e posse .
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observarmos bem o significado de todos esses genitivos, verificaremos que todos
eles têm um significado próximo, concreto ou abstrato; a linha semântica se mant
ém, incólume, com variações metafóricas. Nós aprendemos que o genitivo é o caso
das relações com de. É correto mas incompleto. A preposição de, latina, na orige
m, tem o significado de separação, de cima para baixo; mas o significado se expa
ndiu para significar qualquer separação. E é assim que em português ela é usada
nas relações nominais (complemento nominal ou adjunto adnominal); é um uso corre
to, porque nesses casos de definição, delimitação, determinação, restrição, o se
ntido de separação permanece. No latim, o genitivo se restringe a essas relações
nominais. É, portanto, o genitivo restritivo, delimitativo do complemento termi
nativo, do complemento nominal, do adjunto adnominal com todas as variantes semâ
nticas de origem, de filiação, de posse, de matéria, de lembrança, de esquecimen
to, de causa, de preço, de valor, de qualidade, de matéria, de conteúdo, de part
e. Assim mesmo, importa menos a forma do que o significado. Por exemplo, nas rel
ações de comparativo de superioridade ou inferioridade, o grego usa o genitivo n
o segundo elemento, porque uma superioridade ou inferioridade é uma diferença; o
latim exprime essa relação pelo ablativo. Nas relações de superlativo relativo,
em grego, tanto podemos ver a separação como uma relação partitiva: o maior de t
odos, dentre todos quanto à relação de superioridade e diferença. Em latim, a rel
ação partitiva é expressa pelo genitivo e a segunda, de superioridade, pelo abla
tivo. 14 O mesmo acontece com os verbos. Sempre que o significado sugere uma idé
ia de separação, ausência, carência, parte, como: desejar, carecer, lembrar-se,
esquecer-se, ter falta de, começar, mandar, dominar, leva-se o complemento para
o genitivo. Em português, temos de na maioria desses casos, com a idéia de parti
tivo como: começar, gozar de, provar de, degustar, tocar e alguns verbos que exp
rimem a percepção pelos sentidos, como ouvir, sentir.
14
Em grego, essas duas relações se exprimem pelo mesmo caso: genitivo.
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Nesses casos o que se sente não é o todo, mas uma parte. A relação semântica é i
mportante. Contudo, não é uma regra absoluta; o contexto nos dirá, e também a pr
esença ou não do artigo; a ausência do artigo exclui a visão do todo; ouvir baru
lho (genitivo partitivo) e ouvir o barulho (complemento objeto direto-acusativo)
15: pñnoi ptontai toè sÅmatow os trabalhos atingem o corpo (tocam = parte de) ge
æesyai m¡litow provar mel geæesyai toè melitow provar do/desse mel koæein t°w s lpi
ggow ouvir a trombeta (o som da trombeta) Os verbos cujo significado é mandar, d
ominar levam para o genitivo o seu complemento. À primeira vista é estranho para
nós. Mas, se considerarmos bem, veremos que a relação de poder é uma relação de
superioridade, de diferença. Mais uma vez é o conteúdo semântico que prevalece.
As mesmas relações de origem, ponto de partida etc, mas concretas, espaciais ou
temporais se exprimem pelo genitivo com preposição. As preposições são, na verd
ade, advérbios com significado espacial, que delimitam a relação espacial. Essas
relações espaciais de separação, origem, o latim as leva para o ablativo. O gre
go, ao contrário, as leva todas, concretas ou abstratas, para o genitivo com pre
posição. Algumas gramáticas denominam esse caso de genitivo - ablativo. A denomi
nação genitivo-ablativo é confortável e semanticamente correta, porque exprime o
ponto de partida ou separação espacial ou temporal. É um conceito híbrido greco
-latino. Já vimos no acusativo de direção e extensão e veremos com o locativo e
o instrumental que as preposições acrescentam às relações sintáticas a idéia do
concreto, do espaço e do tempo (a relação temporal é uma metáfora da espacial).
Todas as preposições são antigos advérbios e têm um significadobase espacial. A
palavra preposição do grego prñyesiw e do latim praepositio tem cunho descritivi
sta. Diz apenas que é uma y¡siw prñ, isto é,
15
Em português é difícil entender assim. A análise formal prevalece sobre a semânt
ica.
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uma posicão diante de. Não se pensa na relação semântica, que é o essencial. É o
que acontece nos compostos, tanto substantivos quanto adjetivos ou verbos. A lí
ngua grega os considera sempre como unidades autônomas, semanticamente independe
ntes, e o resultado final é a somatória do significado das partes. ¤ntÛyhmi é ig
ual a tÛyhmi ¤n eu ponho em, eu imponho eÞs gv é igual a gv eÞw eu conduzo para, eu
induzo ¤j gv é igual a gv ¤k eu tiro de dentro, eu exijo A relação espacial irá re
spectivamente para o locativo, acusativo e genitivo-ablativo, e os complementos
dos verbos irão para o acusativo, nos exemplos acima, ou para o caso que o signi
ficado pedir. A relação genitivo-ablativo está também muito clara na função do a
gente da passiva, tanto em grego (genitivo) quanto em latim (ablativo). O ponto
de vista do ato verbal em relação ao sujeito é diferente: o sujeito não domina,
não exerce, não desencadeia o ato verbal; ele não é ativo, não é o agente; ele é
passivo, paciente, receptor, inerte. Mas ele é sujeito; é dele que se fala. O a
to verbal é desencadeado fora, distante do sujeito, por um agente, sob a ação de
uma força externa e recai sobre o sujeito, que é o centro, o assunto da oração,
que recebe, aceita, sofre o ato verbal. O grego tem consciência desse espaço im
aginário percorrido pelo ato verbal, desde o ponto em que foi desencadeado sob o
efeito de -êpñdessa força, desse agente: genitivo espacial (lugar de onde). O l
atim também registra esse espaço imaginário entre o ponto de partida (agente) e
o ponto de chegada (paciente) do ato verbal: a / ab + ablativo. DATIVO: É a doti
k‾ ptÇsiw (dÛdvmi) - dativus (dare) casus, dandi casus de Varrão. É o caso da dação ,
da atribuição. Acreditamos que, mais uma vez, a relação significante-significad
o prevaleceu. Querobosco (I, ll, l8) o denomina caso epistolar, porque se usa qua
ndo alguém dá ou envia algo . Mas, numa definição mais tardia encontramos uma inte
rpretação bem mais coerente: Dativus aliquid ex-
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trinsecus addi demonstrat vel accedere: O dativo demostra que algo de fora se jun
ta ou é acrescentado (Ars Anonyma Bernensis, séc. VIII-IX). É uma definição inter
essante que enfatiza a relação significantesignificado. A metáfora e a metonímia
fazem o resto. Mas ela é também abrangente, porque, a partir da idéia de ser acr
escentado ou se juntar a , podemos enumerar as relações de amizade, hostilidade, u
tilidade, proveito, interesse, comunidade, ajuda, agrado, serviço, servidão, afi
nidade, semelhança, contigüidade, horizontalidade, igualdade, comparação, latera
lidade, interesse, paralelismo, simultaneidade etc. É esse o dativo propriamente
dito em grego e em latim. Mas, os gramáticos, por causa do morfema -i, que era
também o do instrumental e do locativo, pensaram que era mais fácil e prático ju
ntar as três relações sob a mesma desinência e denominação e fizeram a fusão. Qu
erendo facilitar, eles complicaram e passaram para a cabeça dos alunos a idéia e
a certeza de que a gramática não se entende, ela se estuda e se aprende de cor,
e de que é inútil tentar entender a nomenclatura gramatical. O arbítrio prevale
ce. Ora, em todas as línguas, qualquer analfabeto e qualquer criança sabe que há
palavras que soam igual mas que têm significados diferentes. O contexto esclare
ce e define. Em latim, o genitivo singular e o nominativo e vocativo plural dos
nomes em -o são em -i; o genitivo, o dativo singular e o nominativo e vocativo p
lural dos nomes em -a são em -ae, e assim por diante. E ninguém pensou em dar um
nome só a todas essas funções! É que isso não foi pensado na relação do instrum
ental e locativo , que são conceitos do indo-europeu, que está muito longe, na p
oeira do tempo. Temos uma prova disso em Quintiliano, segunda metade do séc. I d
.C. (cerca de 30-100 d.C.), que sente o problema e não sabe como resolvê-lo. Mas
, honesto, como todo bom professor, sugere ao leitor, também professor, que aten
te para o fato: Quaerat (magister) etiam sitne apud Graecos uis quaedam sexti ca
sus et apud nos quoque septimi; nam quum dico hasta percussi non utor ablatiui n
atura nec si idem Graece dicam datiui. Procure (o mestre) também se entre os gre
gos existe uma certa necessidade de um sexto caso e também entre nós a de um sét
imo; pois quando eu
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digo atingidos pela lança, eu não me sirvo da natureza do ablativo nem se eu dis
ser o mesmo em grego, do dativo. Quint., Inst. Orat., I, IV, 26. O que fez falta
a Quintiliano foi o chamado termo técnico . Mas nós o temos. É o instrumental. Não
é o termo técnico, escravizante, que os manuais nos passam, mas o termo exato,
significante dessa função, distinta do dativo na sua essência, mas igual na sua
forma. O instrumental tem sua origem na questão p» em grego e qua em latim. A id
éia primitiva é por onde, por que . O instrumento ou meio seria o objeto ou ser ine
rte, que não exerce o ato verbal, mas é por ele que o ato verbal passa: ele não
pratica a ação porque é ou está inerte (um ser animado também pode ser instrumen
to). Não se usa preposição porque a idéia de espaço não é concreta, é muito tênu
e; na verdade a idéia de instrumento está mais próxima da idéia de meio, de modo
. Por isso o grego, para exprimir a idéia de espaço concreto percorrido ou atrav
essado, passa a usar a preposição di (com acusativo), e o latim per. Na prática,
o reconhecimento das relações do dativo, do instrumental e do locativo se faz pe
lo significado e não pela forma, nem pela categoria da palavra regente , quer ela s
eja substantivo, adjetivo, verbo ou preposição. Exemplos do uso do dativo: ² toè
yeoè dñsiw ²mÝn a doação (dação) da divindade para nós ² toÝw fÛloiw bo yeia o
socorro aos amigos ² mvrÛa dÛdvsi nyrÅpoiw kak a loucura dá males aos homens oék ¦
stin oédeÜw ÷stiw oéx aêtÒ fÛlow não há ninguém que não seja amigo a si mesmo ¤n
taèya KærÄ basÛleia —n kaÜ par deisow Naquele lugar era para Ciro [Ciro tinha] um
palácio real e um parque. treÝw yugat¡rew eÞsÛ moi três filhas são para mim [eu
tenho...]
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önom ¤stÛ moi MenÛppow o nome para mim é Menipo [o meu nome é Menipo / eu tenho o
nome Menipo] m thr moÛ AfrodÛth a mãe para mim é Afrodite [minha mãe é Afrodite
/ eu tenho como mãe Afrodite] xr simoi t» pñlei úteis à cidade oß aétoÜ öntew ¤k
eÛnoiw os que eram/são os mesmos que aqueles dÇron tÒ oàkÄ um presente para o la
r rpag‾n kusÛn uma presa para os cães oã ¤moÜ eënoi os que me são favoráveis poroè
nti d¢ aétÒ pros¡rxetai Promhyeæw a ele (que estava) em dificuldade aproxima-se
Prometeu oé tÒ patrÜ kaÜ t» mhtrÜ mñnon geghn meya nós não nascemos só para o pa
i e para a mãe õ p ppow moÛ p¡yanen morreu-me o avô / meu avô morreu kaÛ moi m‾ yor
ub shte e não me façais barulho Î m°ter Éw kalñw moi õ p ppow; mãe, como me é belo
o avô! como é belo o meu avô! —lyon ma t» ²m¡r& eles chegaram junto com o dia oÞ
mvg‾ õmoè kvkæmasin gemidos junto com gritos oß P¡rsai kaÜ oß sçn aétoÝw os Pers
as e os com eles sçn toÝw yeoÝw com os deuses
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sæneimi (eÞmi sæn), sumf¡rv (f¡rv sæn) ktl, regem o dativo de companhia, ou comita
tivo (simultaneidade). Não se trata de uma regra da gramática, mas de uma exigên
cia baseada na coerência, na relação semântica.
LOCATIVO - responde à pergunta onde? A referência é sobre o lugar em que se está
ou em que se comete um ato; é estático, concreto, espacial: responde à questão o
nde? , poè; em grego, e ubi? em latim. A idéia de espaço se transfere (metáfora) p
ara a idéia de tempo, também estático, isto é, um espaço, um momento do tempo. O
uso da preposição se faz necessário sempre que se quer enfatizar ou precisar o
espaço. Nas relações de tempo seu uso é menos freqüente. Há sobrevivências do lo
cativo indo-europeu em -i em latim e em grego, como: domi em casa ruri no campo
Romai > Romae em Roma oàkoi em casa Em grego há um antigo sufixo -yi que Homero
usa, mas deixou de ser usado no ático. t» trÛtú Ër& na (pela) terceira hora t» ê
steraÛ& no dia seguinte taætú t» ²m¡r& nesse dia tet rtÄ ¦tei no quarto ano En ¦tes
in ¥bdom konta ¤j°n soi pi¡nai nos 70 anos (no espaço de) era-te permitido (possí
vel) emigrar (Pl., Críton) En nuktÜ boul‾ toÝw sofoÝsi gÛgnetai De noite (na noit
e) o conselho acontece aos sábios ¤n t» Ell di / ¤n KæprÄ na Grécia, em Chipre
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¤n p si eédñkimoi öntew entre todos (no meio de) sendo ilustres oß ¤n t¡lei öntew
os que estão no cargo ¤n tÒ aétÒ no mesmo (tempo, fato, lugar) ¤n trisÜn ²m¡raiw
em três dias (no espaço fechado de) O locativo regido por verbos compostos deve s
er entendido a partir do significado. A composição se faz de uma forma coerente
e lógica; deve haver compatibilidade semântica entre a preposição (que traz a id
éia espacial) e o verbo, que não pode ter idéia de movimento. Se juntarmos o sig
nificado da preposição ao significado do verbo não precisamos de regra de regênci
a . Saberemos que é o locativo. Assim: ¦neimi -eÞmi ¤n eu estou dentro, estou em -
locativo p reimi -eÞmi par estou ao lado de, estou presente -locativo Às vezes, por
causa do significado do verbo, não é fácil fazer distinção entre dativo e locat
ivo: ¤pidÛdvmi -dÛdvmi ¤pÛ eu dou em cima; eu dou além, eu acrescento. Aqui é ní
tida a idéia de acrescentar; daí o dativo prevalece. Resta ver, no entanto, se n
o contexto não há uma relação espacial, quando o locativo prevaleceria.16
16
Assim podÛdvmi eu dou a partir de, eu atribuo (um nome a). Nas Categorias, Aristó
teles o emprega com o significado de atribuir (dar) um nome a. Nesse caso, a idé
ia contida na preposição a partir de, de está implícita, mas não é relevante; a
idéia de dação é mais forte e o caso então é dativo.
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INSTRUMENTAL: exprime o meio ou o instrumento com que um ato é cometido. Ele tem
sua origem na questão p» ; por onde, por que? O meio ou o instrumento não age; el
e é inerte, e por isso se usa com seres não dotados de vontade própria, como esp
ada, cajado, dinheiro, pedra etc. Mas às vezes um ser dotado de vontade própria
pode ser usado como instrumento. As gramáticas dizem que o soldado é considerado
um instrumento nas mãos do comandante. Sempre foi. Mas, quando o soldado age po
r vontade própria, quando ele mata o comandante, não é mais mero instrumento, é
um agente da passiva: O comandante foi morto pelo soldado . Mas um ser animado, uma
pessoa pode servir de instrumento para um crime, para uma intriga. Nesses casos
o indivíduo se torna mero instrumento. Essa idéia de passagem do ato verbal con
tida na questão p» prevaleceu a tal ponto que a expressão de trânsito, percurso,
travessia, passou a ser expressa pela preposição di em grego e per em latim. Não
é muito fácil, também, separar, com clareza, a idéia de meio ou instrumento da
idéia de maneira, modo. O modo, a maneira podem ser considerados como uma metáfo
ra do meio ou instrumento. Daí o caso ser o instrumental. As gramáticas falam de
dativo de instrumento, de causa, de modo, de medida e até de diferença! Nos exemp
los a seguir, extraídos de Kaegi, todos eles podem ser entendidos como instrumen
tal. OédeÜw ¦painon ²donaÝw ¤kt sato ninguém adquiriu glória com prazeres Xr set
ai ²mÝn õ basileçw ÷ ti n boælhtai o rei se servirá de nós naquilo que (em relaçã
o ao que) queira [que quiser] oé mñnÄ rtÄ z» õ nyrvpow nem só de pão vive o homem
eénoÛ&, ìbrei, fyñnÄ, fñbÄ poieÝn ti fazer alguma coisa por [com] benevolência,
por insolência, por inveja, por medo Causa?! Não!! É mero instrumento.
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Podemos observar o mesmo nos exemplos seguintes: AboulÛ& t poll bl ptontai brotoÛ Os
mortais são prejudicados na maior parte das vezes pela falta de vontade/empenho
XalepÇw ¦feron oß stratiÇtai toÝw paroèsi pr gmasin Os soldados tiveram problemas
pelos [com os] acontecimentos presentes A idéia de causa, por ser abstrata, é se
mpre metafórica, secundária; ela é abs-tracta. meio: A idéia de modo, maneira ta
mbém deriva da idéia de instrumento, toætÄ tÒ trñpÄ oédenÜ trñpÄ taætú t» gnÅmú
p sú t¡xnú kaÜ mhxan» pantÜ sy¡nei tÒ önti ¦rgÄ dessa maneira de maneira nenhuma d
essa opinião por toda arte e engenho com todo o empenho pelo ato que é - na real
idade
Alguns adjetivos no dativo , isto é, instrumental-modal, passaram a ser empregados
isoladamente e são por isso vistos como advérbios; nesses casos prevaleceu o sig
nificado do adjetivo sobre o do substantivo, que passou a ser omitido, ficando i
mplícito, como: dhmosÛ& público/a; publicamente; em público taf» dhmosÛ& com / e
m obséquias públicas ÞdÛ& em particular, em privado koin» em comum A idéia de me
dida, de comparação (igualdade), do quanto (preço) também é uma expressão do ins
trumental: pollÒ kreÝtton muito (em muito) melhor ôlÛgÄ ¤l ttouw triakosÛvn pouco
(em pouco) menos do que trezentos polloÝw ¦tesi ìsteron muitos anos depois pñsÄ
¤stÛn; quanto é? (por quanto?) ÷sÄ... tosoætÄ quanto (mais)... tanto (mais)
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flexão nominal: casos e funções os gêneros
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Os gêneros
No sânscrito, no grego e no latim são três: rsenikñn, masculinum, masculino; yhli
kñn, femininum, feminino e oéd¡teron, m¡son, neutrum, neutrius generis, neutro.
Na verdade, o neutro não é propriamente um gênero, mas sim uma ausência de gêner
o. Isso lembra certamente o gênero anímico: a referência da dualidade macho/fême
a. Os seres inanimados se definiam por analogia; mas nem sempre a analogia agiu
com coerência, porque os critérios de observação variam segundo o momento, o mei
o, isto é, a cultura. No grego há uma certa coerência, mas numa divisão binária:
gênero animado/gênero inanimado. Essa diferença aparece na declinação: o neutro
não tem a caracterização do nominativo do gênero animado, que é basicamente -w.
O nominativo dos neutros é o próprio tema. Isso é claro nos nomes de tema em co
nsoante ou semivogal; nos de tema em -o, sobretudo nos de sílaba final átona, pa
ra protegê-la, a língua toma emprestado o -n do acusativo 17, segundo os gramáticos
. Mas esse -n tem uma função eufônica ou prosódica, como acontece nos dativos pl
urais e nas terceiras pessoas dos verbos quando em final de frase ou antes de pa
lavras iniciadas por vogal, para proteger a vogal final átona (não há neutro em
-o oxítono). É o que acontece nos neutros em -o. A explicação a posteriori de qu
e esse -n seria um empréstimo do acusativo não é muito satisfatória. Nos demonst
rativos, que são palavras fortes, essa proteção é dispensada: Assim temos: tñ, a
utñ, tñde, toèto, llo, ¤keÝno, ktl.
17
Por ser oéd¡teron = nenhum dos dois, o neutro não tem desinências próprias: desi
nência zero nos casos síntáticos (N.V.A.) e desinências emprestadas dos gêneros
animados nos outros casos.
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flexão nominal: casos enúmeros flexão nominal: os funções
Os números
Os números, riymoÛ, são três: õ ¥nikñw, singularis, singular; õ duikñw, dualis, d
ual; õ plhyuntikñw, pluralis, plural. O singular e o plural não trazem nenhuma d
ificuldade. É a mesma idéia que temos em português. Mas a língua grega tinha um
dual, isto é, a designação do par, do casal, de uso bastante restrito. Usava-se
apenas nos casos em que se queria insistir na concomitância de dois: dois olhos,
duas mãos etc. Os gramáticos afirmam que o dual deixou de ser usado bastante ce
do. Não é bem verdade. Usava-se sempre que necessário: na linguagem afetiva e qu
ando se queria precisar a dualidade.
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a flexão nominal: os temas nominais flexão nominal: casos e funções
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A flexão nominal: os temas nominais
Definidos os casos, as funções, os gêneros, os números, vamos passar aos modelos
, paradigmas de flexão. Em grego podemos dividir os nomes em dois grandes grupos
: nomes de tema em vogal; nomes de tema em consoante e soante/semivogal.
Temas em vogal
temas em -o temas em -a/h Os de temas em -o são: masculinos: õ lñgow-ou - a pala
vra, o discurso femininos: ² õdñw-oè - o caminho neutros: tò t¡knon-ou - a crian
ça, o filho Não há distinção formal entre os masculinos e femininos (gênero aním
ico), mas os femininos são pouco numerosos. Os temas em a/h são: femininos: ² ke
fal -°w a cabeça ² gor - w a praça, o mercado ² paideÛa-aw a educação ² glÅtta-hw a l
íngua masculinos: õ polÛthw-ou o cidadão õ neanÛaw-ou o rapaz, o jovem adjetivos
qualificativos de tema em -o dêiticos de tema em -a / -h adjetivos qualificativ
os: dÛkaiow dikaÛa dÛkaion justo mikrñw mikr mikrñn pequeno kalñw kal kalñn belo
, bom dikow dikow dikon injusto, injusta
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a flexão nominal: os temas nominais
dêiticos: õ - ² - tñ ÷de - ´de - tñde oðtow - aìth - toèto ¤keÝnow-¤keÛnh-¤keÝno
aétñw-aét -aétñ llow- llh- llo Notas:
o, a (artigo) este, esta, isto esse, essa, isso aquele, a, aquilo ele, o mesmo o
utro, outra
1. A lista dos dêiticos (demonstrativos) não é completa, mas representativa; 2.
Os adjetivos podem ter três formas: uma para cada gênero (adjetivos triformes);
e duas formas: uma para o masc./fem., e outra para o neutro (adjetivos biformes)
; esses são basicamente os compostos. Observações: A variação -a / -h do feminin
o dos adjetivos se identifica da seguinte maneira: os de vogal temática precedid
a de semivogal i / u e r fazem o feminino em -a: dikaÛa, mikr os de vogal temátic
a precedida de qualquer outra consoante o fazem em -h: kal Essa norma é válida
também para os nomes. Entretanto, há alguns nomes em que podem conviver o vocali
smo -a e -h, como peÝna / peÛnh a fome, dÛca / dÛch a sede. Outros ainda, apesar
de terem a vogal temática precedida de consoante, mantêm o vocalismo -a no nom.
, voc., e acus. singular e -hw no genitivo, -ú no dat. instr. loc. A gramática o
s chama de nomes em -a impuro ou misto. Ex.: N.dñja, V.dñja, A.dñjan, G.dñjhw, D
.L.I. dñjú Todo o plural dos nomes de tema em a/h é em -a. Há ainda alguns nomes
próprios de origem dórica que mantêm o vocalismo -a em toda a flexão, como: N.L
da, V.L°da, A.L dan, G.L daw, D.L.I. L d&: Leda, mãe de Castor e Pólux, Helena
e Clitemnestra; e Filom la - rouxinol.
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Outros ainda, de origem jônica, mantêm o vocalismo -h em toda a flexão apesar de
terem a vogal temática precedida de -r. ² rrh - hw ( rsh) a face ² ¦rsh - hw o orv
alho kñrh - hw a menina-moça, a jovem Essa variação a/h é, como vimos, de origem
dialetal dórica-jônica. O dialeto ático, que estudamos aqui, vem da Ática, regi
ão em que se localizava Atenas, e formou-se basicamente no século V, numa fusão
do dialeto jônico e dórico. Atenas se situa ao longo de uma linha imaginária nor
te-sul que separa a zona oeste de dialeto dórico da zona leste de dialeto jônico
. Plutarco diz que Teseu reconheceu as fronteiras da Jônia e da Dórida ao erigir
uma estela perto de Megara, fazendo gravar no lado oeste Aqui termina a Dórida e
começa a Jônia e do lado leste, Aqui termina a Jônia e começa a Dórida . Assim mes
mo, o vocalismo dórico é muito presente no dialeto ático; o vocalismo jônico pen
etrou quer pela proximidade geográfica quer pela influência dos sábios que acorr
eram, sobretudo das costas da Ásia Menor, para Atenas, que depois de duas vitóri
as contra os Persas passou a exercer uma liderança política, econômica e intelec
tual sobre todo o mundo grego. O ático é o grego literário por excelência. É a l
íngua de Platão, de Aristófanes, de Ésquilo, de Sófocles, de Eurípides, de Lísia
s, de Isócrates, de Iseu, de Demóstenes, de Ésquines, de Aristóteles, de Tucídid
es, de Xenofonte, para citar os principais. Posteriormente, com a constituição f
ugaz do império de Alexandre e posterior divisão em três, entre seus sucessores,
o dialeto ático passou a ser a língua comum ² koin‾ glÇtta, do Mediterrâneo, de
sde o Ponto Euxino até o Egito e as Colunas de Heraclés (Gibraltar). A expressão
koin tem sido usada para identificar a língua dos textos bíblicos - o Antigo e
o Novo Testamentos. Não é exato; as expressões grego bíblico, latim bíblico são
bastante discutíveis. A koin é também a língua do comércio, da diplomacia, das
relações entre os homens em todo o Mediterrâneo oriental, e foi por essa razão
que os rabinos decidiram traduzir os livros da religião judaica para a língua co
mum, para que os judeus da diáspora tivessem acesso a eles na única língua que c
onheciam, o grego. Mas o ático literário não perdeu o prestígio; ele continuou a
ser a língua da excelência, a língua padrão, que serviu de modelo para todos os
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a flexão nominal: os temas nominais
escritores em língua grega, desde o período alexandrino até o fim do Império Biz
antino, em l453. Ainda hoje, a kayar¡ousa é uma tentativa de manutenção do ideal
ático.
Quadro geral das desinências
Casos
Singular Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Plural Nom. Voc. Acus. Gen. Dat.
Loc. Instr.
Temas em - o Masc./fem. Neutros
-o-w -e - * -o-n -o-sjo** -o-i > vi /Ä -o-i > vi /Ä -o-i> vi / Ä -o-i -o-i -o-n-
w > ouw -o-vn > vn -o-is(in) -o-is(in)**** -o-is(in) -o-n -o-n -o-n -o-sjo -o-i
> vi /Ä -o-i > vi /Ä -o-i > vi /Ä -a -a -a -o-vn> vn -o-is(in) -o-is(in) -a o-is(i
n) -v -oin
Temas em -a/-h Fem. Masc.
-a/ h -aw/hw -a/-h -a/-h -a-n/-h-n -a-n/h-n -a-w/hw -ou (-a dórico) -a-i > &/h-i
/ ú -a-i > &/h-i / ú -a-i > &/h-i / ú -a-i > &/h-i / ú -a-i > &/h-i / ú -a-i >
&/h-i / ú -a-i -a-i -a-n-w > aw - -svn > > vn/Çn*** -a-is(in) -a-is(in) -o-is(in) -
a -ain -a-i -a-i -a-n-w > aw - -svn> vn/Çn -a-is(in) -a-is(in) -a-is(in) -a -ain
Dual N.V.A. -v G.D.L.I. -oin
* O vocativo é o próprio tema (desinência zero); nos masc. e fem. em -o a vogal
temática sofre alternância vocálica -o/-e. ** -o-sjo > ojo > oio : no jônico (vo
calização do j e síncope do -s-); -ojo >- oo > ou / v : no ático (síncope do j e
contração). *** desinência do demonstrativo (forte). **** -o-i-si -/ -a-i-si -
antigo instrumental indo-europeu > -oiw /-aiw no ático.
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a flexão nominal: os temas nominais
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Esse é o quadro básico da flexão dos nomes de tema em vogal. Podemos observar qu
e a vogal temática sofre algumas alterações: Nos nomes de tema em -o: no vocativ
o sing. do masc./fem., que tem desinência zero, o que houve foi apenas metafonia
, isto é, alteração de timbre -o/e. No genitivo sing. deu-se o seguinte: -o-sjo
> ojo > oio > oo >ou. Esta é a explicação mais aceita. Há algumas variantes dial
etais -v / -oio. A última (jônica) é constante em Homero; no ático prevalece a f
orma contrata -ou. No dat. loc. instr. singular o -i é longo; houve então uma me
tátese de quantidade; a seguir o -i, que se tornou breve, passou a figurar em po
sição subscrita. Recentemente voltou a se grafar adscrito. No acus. plural -onw
houve a queda do -n- antes do -w e a natural compensação pela ditongação em -ouw
. No gen. plural dos temas em -o houve a elisão e não contração da vogal temátic
a antes da vogal longa da desinência. No dat. loc. instr. plural a desinência pl
ural -oisin é constante em Homero, Heródoto e nos poetas líricos. O ático genera
lizou o uso de -oiw. O neutro, como já dissemos, não tem desinências próprias. O
-a do nom. voc. acus. plural não é uma desinência, mas a marca do coletivo indo
europeu. Vemo-la também em latim. O -n dos mesmos casos no singular tem mera fun
ção prosódica e eufônica. Os outros casos são iguais aos do masc./fem. Nos nomes
de tema em -a/-h: O vocativo singular de todos esses nomes, inclusive dos mascul
inos é em -a. Às vezes, alguns nomes próprios masculinos em -h mantêm essa vogal
alternando com o vocativo em -a: AtreÛda - AtreÛdh. No dat. loc. instr. sing. deu
-se o mesmo que nos nomes de tema em o:- metátese de quantidade e posição subscr
ita do -i. Nos temas de vogal longa aparentemente o -i- se abreviou e se subscre
veu. 18
18
Aparentemente, apenas. O que houve foi o seguinte: a vogal longa antes do -ilong
o se abreviou e a seguir houve metátese de quantidade, naturalmente, e o -i-, ag
ora breve, se subscreveu ou se adscreveu.
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No dat. loc. instr. plural deu-se o mesmo que nos nomes de tema em o (-aisi > -a
iw). A desinência -svn do genitivo plural é um empréstimo da flexão dos dêiticos
; o -s- encontrando-se em posição intervocálica sofre uma síncope, provocando o
hiato entre a vogal temática -a e-vn (- -svn > vn) que no ático se contrai > Çn. É
essa a razão do deslocamento da tônica no genitivo plural dos nomes de tema em -a/
-h, de temas paroxítonos e proparoxítonos: glÇtta > glvtt -svn > glvtt vn > glvttÇn
g¡fura > gefur -svn > gefur vn > gefurÇn19 O nominativo singular dos masculinos tem
-w. O genitivo singular dos masculinos é em -ou e não em-aw/hw como se espera (n
o dialeto dórico é -a). Seria um empréstimo da desinência do artigo masculino; c
ertamente por razões de clareza, para não confundir com o nominativo singular. N
ota importante: Nos quadros de flexão das páginas seguintes, o aluno encontrará
as palavras flexionadas em sua forma final. Em alguns casos a separação entre vo
gal temática e desinência é complicada, como ficou demonstrado no quadro geral d
as desinências. Seguiremos então o costume, destacando as variações visíveis da
flexão, separando vogal temática da desinência, quando for possível. Convém no e
ntanto não esquecer que a flexão é uma combinação de temas e desinências, o caso d
os nomes.
19
As gramáticas tradicionais criaram uma regra: todos os nomes da 1a declinação gre
ga têm o genitivo plural perispômeno . É mais fácil mostrar como aconteceu. É mero
problema fonético.
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a flexão nominal: os temas nominais
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Quadro de flexão: masculinos em -o
T. dÛkaio- lñgoõ dÛkaiow lñgow o discurso justo T. gayñ- nyrvpo- ô gayòw nyrvpow o h
omem bom
Singular Nom. Voc. Acus Gen. Dat. Loc. Instr. Plural Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. L
oc. Instr. õ Î tòn toè tÒ tÒ tÒ oß Î toçw tÇn toÝw toÝw toÝw dÛkaio-w dÛkaie dÛk
aio-n dikaÛ-ou dikaÛ-Ä dikaÛ-Ä dikaÛ-Ä dÛkaio-i dÛkaio-i dikaÛ-ouw dikaÛ-vn dika
Ûo-iw dikaÛo-iw dikaÛo-iw lñgo-w lñge lñgo-n lñg-ou lñg-Ä lñg-Ä lñg-Ä lñgo-i lñg
o-i lñg-ouw lñg-vn lñgo-iw lñgo-iw lñgo-iw õ Î tñn toè tÒ tÒ tÒ oß Î toçw tÇn to
Ýw toÝw toÝw gayò-w gay¡ gayò-n gay-oè gay-Ò gay-Ò gay-Ò gayo-Ü gayo-Ü gay-oçw g
w gayo-Ýw gayo-Ýw nyrvpo-w nyrvpe nyrvpo-n nyrÅp-ou nyrÅp-Ä nyrÅp-Ä nyrÅp-Ä nyrvp
-i nyrÅp-ouw nyrÅp-vn nyrÅpo-iw nyrÅpo-iw nyrÅpoi-w
Dual
N.V.A. tÆ dikaÛ-v lñg-v G.D.L.I. toÝn dikaÛo-in lñgo-in
tÆ gay-Æ nyrÅp-v toÝn gayo-Ýn nyrÅpo-in
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Quadro de flexão: femininos em -o
T. =adÛa- õdñT. dein - nñsoSingular Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. V
oc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Dual ² Î t‾n t°w t» t» t» aß Î t w tÇn =adÛa =adÛa
=adÛa-n =adÛ-aw =adÛ-& =adÛ-& =adÛ-&
² =adÛa õdñw ² dein‾ nñsow
õdñ-w õd¡ õdñ-n õd-oè õd-Ò õd-Ò õd-Ò õdo-Û õdo-Û õd-oæw õd-Çn õdo-Ýw õdo-Ýw õdo-
Ýw õd-Å õdo-Ýn ² Î t‾n t°w t» t» t» aß Î t w tÇn
o caminho fácil a doença perigosa
dein‾ dein‾ dein‾-n dein-°w dein-» dein-» dein-» deina-Ü deina-Ü dein -w dein-Çn n
ñso-w nñse nñso-n nñs-ou nñs-Ä nñs-Ä nñs-Ä nñso-i nñso-i nñs-ouw nñs-vn nñso-iw
nñso-iw nñso-iw nñs-v nñso-in
Plural
=adÛa-i =adÛa-i =adÛa-w =adi-Çn
taÝw =adÛa-iw taÝw =adÛa-iw taÝw =adÛa-iw
taÝw deina-Ýw taÝw deina-Ýw taÝw deina-Ýw t dein- taÝn deina-Ýn
N.V.A. t =adÛ-a G.D.L.I. taÝn =adÛa-in
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Quadro de flexão: neutros em -o
T. kalñ- t¡knoT. diko- dÇroSingular Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Vo
c. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. tò Î tò toè tÒ tÒ tÒ t Î t tÇn toÝw toÝw toÝw
tò kalòn t¡knon - a bela criança tò dikon dÇron - o presente injusto
t¡kno-n t¡kno-n t¡kno-n t¡kn-ou t¡kn-Ä t¡kn-Ä t¡kn-Ä t¡kn-a t¡kn-a t¡kn-a t¡kn-v
n t¡kno-iw t¡kno-iw t¡kno-iw tò Î tò toè tÒ tÒ tÒ t t t tÇn toÝw toÝw toÝw diko-n dik
o-n diko-n dÛk-ou dÛk-Ä dÛk-Ä dÛk-Ä dik-a dik-a dik-a dÛk-vn dÛko-iw dÛko-iw dÛ
dÇro-n dÇro-n dÅr-ou dÅr-Ä dÅr-Ä dÅr-Ä dÇr-a dÇr-a dÇr-a dÅr-vn dÅro-iw dÅro-iw
dÅro-iw
kalò-n kalò-n kalò-n kal-oè kal-Ò kal-Ò kal-Ò kal- kal- kal- kal-Çn kalo-Ýw kalo-Ýw
kalo-Ýw
Plural
Dual
N.V.A. tÆ kal-Æ t¡kn-v G.D.L.I. toÝn kalo-Ýn t¡kno-in
tÆ dÛk-v dÅr-v toÝn dÛko-in dÅro-in
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Nomes e adjetivos contratos de tema em -o
Alguns nomes e adjetivos, todos antigos na língua, têm uma vogal o/e antes da vo
gal característica do tema e assim são encontrados sem contração em Homero, Heró
doto e nos poetas anteriores ao século V, isto é, anteriores à formação do diale
to ático. õ plñow a navegação õ nñow a inteligência õ delfid¡ow o sobrinho õ =ñow
a corrente, a torrente õ xnñow a pluma tò kan¡on o cesto tò ôst¡on o osso plñow
não navegável xrus¡ow de ouro eënoow de bom caráter, amável rgur¡ow de prata No á
tico, esses hiatos se reduzem vogal longa: oo > ou =ñow > =oèw ea eo > ou ôst¡on
> ôstoèn ea ev > v ôst¡v > ôstÇ ooi ov > v =ñv > =Ç eoi por contração em ditong
os ou >h >a > oÝ > oÝ xrus¡a > rgur¡a > =ñoi > xrus¡oi > xrus» rgur * =oÝ xrusoÝ
* Quando a vogal pré-temática é precedida de vogal ou de r, a contração se faz e
m a; nos outros casos, a contração se faz em h.
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Quadro de flexão:
T T T T
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Pl. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Inst
r. D. N.V.A.
nño=ñoost¡oxrus¡oõ Î tòn toè tÒ tÒ tÒ oß Î
õ nñow õ =ñow tò ôst¡on xrus¡ow
nño-w > noèw nñe > noè nño-n>noèn nñ-ou > noè nñ-Ä > nÒ nñ-Ä > nÒ nñ-Ä > nÒ =ño-
i > =oÝ =ño-i > =oÝ tò Ù tò
a inteligência, o pensamento (só singular) a torrente, corrente (só plural) o os
so de ouro
ôst¡o-n > ôstoèn xrus¡o-w > xrusoèw ôst¡o-n > ostoèn xrus¡o-w > xrusoèw ôst¡o-n
> ôstoèn xrus¡o-n > xrusoèn ôst¡-ou > ôstoè ôst¡-Ä > ôstÇ ôst¡-Ä > ôstÇ ôst¡-Ä >
ôstÇ ôst¡-a > ôst ôst¡-a > ôst ôst¡-a > ôst xrus¡-ou > xrusoè xrus¡-Ä > xrusÒ xrus
¡-Ä > xrusÒ xrus¡-Ä > xrusÒ xrus¡-a > xrus° xrus¡-a > xrus° xrus¡-a > xrus° xrus
¡o-iw > xrusoÝw xrus¡o-iw > xrusoÝw xrus¡o-iw > xrusoÝw xrus¡-v > xrusÇ xrus¡o-i
n > xrusoÝn
toè tÒ tÒ tÒ t Î
toçw =ñ-ouw > =oèw t toÝw toÝw toÝw tÆ =ño-iw >=oÝw =ño-iw > =oÝw =ño-iw >=oÝw =ñ
-v > =Ç
tÇn =ñ-vn > =Çn tÇn ôst¡-vn > ôstÇn xrus¡-vn > xrusÇn toÝw ôst¡o-iw > ôstoÝw toÝ
w ôst¡o-iw > ôstoÝw toÝw ôst¡o-iw>ôstoÝw tÆ ôst¡-v > ôstÇ
G.D.L.I. toÝn =ño-in > =oÝn
toÝn ôst¡o-in > ôstoÝn
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a flexão nominal: os temas nominais
Declinação flexão ática
Alguns nomes e adjetivos em -o, também antigos, têm em posição pré-temática uma
vogal longa, mas essa vogal não absorveu a vogal temática breve por causa da pre
sença do digama, permanecendo o hiato nos dialetos jônico, eólico e dórico. No á
tico, no entanto, sempre que houver uma seqüência vogal longa-vogal breve haverá
uma metátese de quantidade. Assim: ho > ev / ao > av. nhWñw > nh-ñw > neÅw o te
mplo lhWñw > lh-ñw > leÅw o povo álhWow > álh-ow > álevw propício / homérico ála
ow ´Wow > ´-ow > §vw , ² aurora taWñw > ta-ñw> taÅw, õ pavão nÅghWon > nÅghon > nñg
evn, tñ a sala de jantar Men¡lhWow > Men¡lhow > Men¡levw, õ Menelau s Wow > s ow > s
Çw / sÇow são, salvo pl¡vw cheio, repleto (por analogia) A vogal temática, torna
ndo-se longa, altera todo o relacionamento com as desinências, mas dentro dos pa
drões fonéticos do ático. As formas originais, sem metátese, são encontradas em
Homero, Heródoto e nos líricos. Alguns nomes já têm um -v temático e se declinam
também dentro dos padrões fonéticos do ático 20. lagvñw - oè, õ > lagÅw a lebre
k lvw -ou, õ > k lvw a corda, o cabo lvw-ou ² > lvw terreiro (redondo) de bater trigo
, o disco solar ou lunar. Ayvw-ou, õ > Ayvw o monte Athos
20
Nunca é demais lembrar que a língua é anterior à gramática. É um truísmo, sim, m
as ninguém se lembra disso. Os chamados modelos lingüísticos nos passam paradigm
as bem montados, segundo os quais uma língua é um sistema ao qual se deve submet
er. Não. Existe um organismo, uma consciência, uma inteligência que domi-
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Na flexão de todos esses nomes, o v temático absorve as vogais breves das desinê
ncias, prevalecendo naturalmente o timbre -o, como se dá também no casos de tema
em -o breve.
Quadro de flexão:
T nhñT oT álho/ álaoSingular Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Plural Nom.
Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. N.V.A. G.D.L.I.
nhñw > neÅw ´ow > §vw álhow > álevw > álaow
nhñ-w > neÅw nhñ-w > neÅw nhñ-n > neÅn nh-oè > neÅ nh-Ò > neÐ nh-Ò > neÐ nh-Ò >
neÐ nho-Û > neÐ nho-Û > neÐ nh-oæw > neÅw nh-Çn > neÇn nho-Ýw > neÐw nho-Ýw > ne
Ðw nho-Ýw > neÐw nh-Å > neÅ nho-Ýn > neÒn
o templo aurora propício (ático) (Homero)
´o-w > §vw ´o-w > §vw ´o-n > §vn ´-ou > §v ´-Ä > §Ä ´-Ä > §Ä ´-Ä > §Ä ´o-i > §Ä
´o-i > §Ä ´-ouw > §vw ´-vn > §vn ´o-iw > §Äw ´o-iw > §Äw ´o-iw > §Äw ´-v > §v ´o
-in > §Än álho-w > álevw álh-ow > álevw álh-on > álevn álh-ou > álev ßl -Ä > ßl¡
Ä ßl -Ä > ßl¡Ä ßl -Ä > ßl¡Ä álho-i > áleÄ álho-i > áleÄ ßl -ouw > ßl¡vw ßl -vn >
ßl¡vn ßl o-iw > ßl¡Äw ßl o-iw > ßl¡Äw áßl o-iw > ßl¡Äw ßl -v > ßl¡v ßl o-in > ß
l¡Än
Dual
na as relações do discurso, mas no nível do concreto, a partir dos elementos. Vi
mos, na flexão dos contratos , como as formas se desenvolvem individualmente, dentr
o dos padrões da língua. Não há palavras contratas, há formas contratas. Aqui ta
mbém, na chamada declinação ática, vai acontecer o mesmo.
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Observação: Os gramáticos prescrevem a manutenção da tônica na posição do nomina
tivo singular. Isso pode ser verdadeiro para os oxítonos e paroxítonos. Assim me
smo nós poríamos acento circunflexo no dat. loc. instr. dos temas oxítonos. Nos
temas proparoxítonos álhow > álevw veríamos formas paroxítonas no: gen. singular
: ßl ou > ßl¡v dat. loc. instr. singular: ßl Ä > ßl¡Ä acus. plural: ßl ouw > Þl¡
vw dat. loc. instr. plural: ßl oiw > ßl¡Äw. Nós sabemos que, no caso de contraçã
o entre vogais, a vogal tônica leva a tonicidade para o ditongo ou a vogal longa
resultante: tim -v > timÇ eu honro tim -o-men > timÇmen nós honramos nós fazemos po
i¡-o-men > poioèmen poi¡-e-te > poieÝte fazei, vós fazeis Nos casos de metátese
de quantidade, contudo, não acontece o mesmo; permanece a tonicidade original, j
á que não se trata de contração. Temos um exemplo bem conhecido: pñlh-ow > pñlev
w da cidade Contudo é mais cômodo servir-se da analogia, como no caso do genitiv
o plural: pñlevn das cidades, que deveria ser: pol¡-j-vn > pol¡vn.
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Quadro de flexão dos nomes femininos de tema em -a puro
T oÞkÛa- ² oÞkÛa a casa T xÅra- ² xÅra o país, a terra T n¡a- n¡a nova, jovem T
ski ² ski a sombra T mikr mikr pequena T g¡fura- ² g¡fura a ponte
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. ² Î t‾n t°w t» t» t» aß Î t w tÇn taÝw ta
Ýw taÝw oÞkÛa oÞkÛa oÞkÛa-n oÞkÛ-aw oÞkÛ-& oÞkÛ-& oÞkÛ-& oÞkÛa-i oÞkÛa-i oÞkÛa-w
oÞki-Çn oÞkÛa-iw oÞkÛa-iw oÞkÛa-iw xÅra xÅra xÅra-n xÅr-aw xÅr-& xÅr-& xÅr-& xÇ
ra-i xÇra-i xÅra-w xvr-Çn xÅra-iw xÅra-iw xÅra-iw n¡a n¡a n¡a-n n¡-aw n¡-& n¡-&
n¡-& n¡a-i n¡a-i n¡a-w ne-Çn n¡a-iw n¡a-iw n¡a-iw ski ski ski -n ski- w ski- ski- ski-
ia-Û skia-Û ski w ski-Çn skia-Ýw skia-Ýw skia-Ýw mikr mikr mikr -n mikr- w mikr- mikr-
r- mikra-Ü mikra-Ü mikr -w mikr-Çn mikra-Ýw mikra-Ýw mikra-Ýw g¡fura g¡fura g¡fura-
n gefær-aw gefær-& gefær-& gefær-& g¡fura-i g¡fura-i gefæra-w gefur-Çn gefæra-iw
gefæra-iw gefæra-iw
Pl. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr.
D. N.V.A. t oÞkÛ-a xÅr-a n¡-a ski- mikr- gefær-a G.D.L.I. taÝn oikÛa-in xÅra-in n¡a
-in skia-Ýn mikra-Ýn gefæra-in
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Quadro de flexão dos nomes femininos de tema em -h e -a impuro
T nÛkh- ² nÛkh a vitória T tim - ² tim a honra T kal - kal bela
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. ²
Î t‾n t°w t» t» t» aß Î t w tÇn taÝw taÝw taÝw nÛkh nÛkh nÛkh-n nÛk-hw nÛk-ú nÛk-
ú nÛk-ú
T dñja² dñja a glória, opinião T dein dein valente, perigosa T y lassa- ² y latta o
mar
kal‾ kal‾ kal‾-n kal-°w kal-» kal-» kal-» kala-Ü kala-Ü kal -w kal-Çn kala-Ýw kala
-Ýw kala-Ýw dñja dñja dñja-n dñj-hw dñj-ú dñj-ú dñj-ú dñja-i dñja-i dñja-w doj-Ç
n dñja-iw dñja-iw dñja-iw dein‾ dein‾ dein‾-n dein-°w dein-» dein-» dein-» deina
-Ü deina-Ü dein -w dein-Çn deina-Ýw deina-Ýw deina-Ýw y latta y latta y latta-n yal tt-hw
yal tt-ú yal tt-ú yal tt-ú y latta-i y latta-i yal tta-w yalatt-Çn yal tta-iw yal tta-iw ya
w
tim tim tim -n tim-°w tim-» tim-» tim-»
P.
nÛka-i tima-Û nÛka-i tima-Û nÛka-w tim -w nik-Çn tim-Çn nÛka-iw tima-Ýw nÛka-iw ti
ma-Ýw nÛka-iw tima-Ýw
D. N.V.A. t nÛk-a tim- kal- dñj-a dein- yal tt-a G.D.L.I. taÝn nÛka-in tima-Ýn kala-Ýn
dñja-in deina-Ýn yal tta-in
Algumas observações sobre a flexão dos femininos em a/h: 1. A variação a/h só ex
iste no singular; o plural é todo em -a. 2. Todos os oxítonos no nom. sing. têm
acento circunflexo no genitivo e dat. loc. inst. singular e plural. Nos outros c
asos eles mantêm o acento agudo. 3. Todos esses nomes têm o genitivo plural peri
spômeno (p. 122). 4. O -a do nominativo singular dos nomes femininos é longo, ma
s é breve nos derivados com o sufixo -ia / eia. Não há uma regra precisa sobre o
assunto. 5. O -a temático dos adjetivos cujo masculino e neutro são de tema em
-o é longo, por analogia com o -a dos nomes femininos: dÛkaiow, dikaÛa, dÛkaion
- jiow, jÛa, jion.
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6. Um grande número de substantivos e adjetivos femininos se forma com o sufixo
-ja / es-ja > -eia de -a breve, sobre temas em soante / consoante: eégen¡s- eége
new-ja eég¡neia berço nobre, nobreza pantpant-ja p sa toda melitmelit-ja m¡lissa a
belha maxarmaxar-ja m xaira a faca glvxglvx-ja glÇtta língua mil mil-ja mÛlla a peleja
melanmelan-ja m¡laina preta mormor-ja moÝra o destino 7. Um outro grupo se form
a com o sufixo em -a longo: -ia / -sÛa / -tÛa Em geral são nomes abstratos e sig
nificam a qualidade ou o conceito do tema do adjetivo: kakñw, mau kakÛa, maldade
, vício oäkow, casa oÞkÛa, habitação ggelow, mensageiro ggelÛa - notícia gÅniow, co
mbatente gvnÛa, rivalidade jiow, digno jÛa, dignidade deilñw, covarde deilÛa, covar
dia m rtuw, o testemunha marturÛa, o testemunho 8. Em geral os nomes cuja vogal te
mática é precedida de vogal ou -r mantêm o -a ( gor , mikr ); e aqueles cuja vogal tem
ática é precedida de qualquer consoante menos -r a têm em -h (kefal , dein ). Al
guns, no entanto, mesmo com a vogal temática precedida de consoante, mantêm o -a
, como dñja, glória, opinião, =Ûza, raiz, mas fazem o genitivo e dativo (loc. in
str.) em -hw, -ú: dñja - dñja - dñjan - dñjhw - dñjú =Ûza - =Ûza - =Ûzan - =Ûzhw
- =Ûzú 9. A desinência -aw < -anw do acusativo plural é longa (alongamento comp
ensatório); por isso provoca deslocação do acento nos proparoxítonos e alteração
nos properispômenos. m¡litta > melÛtta glÇtta > glÅttaw
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10. Os adjetivos cuja vogal temática é precedida de qualquer consoante menos -r
fazem o feminino em -h; e aqueles, cuja vogal temática é precedida de vogal ou -
r, fazem o feminino em -a longo. Por isso os adjetivos proparoxítonos no masculi
no e neutro se tornam paroxítonos no feminino. dÛkaiow - dikaÛa - dÛkaion: justo
§terow - ¥t¡ra - §tero(n): outro, alter
Quadro de flexão dos masculinos de tema em -aw/-hw
T T T T
S.
naæta- / naæthmayht - / mayht neanÛa AtreÛda- / AtreÛdhNom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc.
Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. N.V.A. G.D.L.I. õ Î tòn toè tÒ tÒ t
Ò oß Î toçw tÇn toÝw toÝw toÝw naæth-w naèta naæth-n naæt-ou naæt-ú naæt-ú naæt-
ú
õ õ õ õ
naæthw mayht w neanÛaw AtreÛdhw
mayht -w mayht mayht -n mayht-oè mayht-» mayht-» mayht-» mayhta-Û mayhta-Û mayht -w
mayht-Çn mayhta-Ýw mayhta-Ýw mayhta-Ýw
o nauta, marinheiro o aprendiz, o discípulo o rapaz, o jovem O Atrida, o filho d
e Atreu
neanÛa-w neanÛa neanÛa-n neanÛ-ou neanÛ-& neanÛ-& neanÛ-& neanÛa-i neanÛa-i nean
Ûa-w neani-Çn neanÛa-iw neanÛa-iw neanÛa-iw AtreÛdh-w AtreÝda / -h AtreÛdh-n AtreÛd-
ou AtreÛd-ú AtreÛd-ú AtreÛd-ú AtreÝda-i AtreÝda-i AtreÛda-w Atreid-Çn AtreÛda-iw A
iw AtreÛda-iw
P.
naèta-i naèta-i naæta-w naut-Çn naæta-iw naæta-iw naæta-iw
D.
tÆ naæt-a mayht- neanÛ-a AtreÛd-a toÝn naæta-in mayhta-Ýn neanÛa-in AtreÛda-in
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Algumas observações sobre a flexão dos masc. em -aw/-hw: 1. O plural dos masculi
nos é todo em -a, igual ao dos femininos. 2. O vocativo singular dos nomes comun
s (em -aw ou -hw) é em -a breve, e provoca alteração na acentuação; o dos nomes
próprios em -hw é em -h. 3. O genitivo singular é um empréstimo do artigo masc.
(tema em -o). Como nos nomes de tema em -o, há também alguns nomes e adjetivos q
ue têm uma vogal pré-temática e ou a, formando hiato com a vogal temática, que o
ático reduz pela contração. Em princípio fazem a contração em a os que têm essa
vogal precedida de r; os outros fazem a contração em h: a mina, (quantia de din
heiro) mnaa² mn - mn w gal¡h² gal°-°w a doninha, o gambá suk¡h² suk°-°w a figueira
g¡a² g°-°w a terra bor¡aõ bor¡aw -bor¡ou o vento norte, boreal borr õ borr w, borr o
vento norte, boreal Ayhn a Ayhn - w Atena Erm¡h/ Erm¡a- Erm°w- Ermoè Hermes Aß HermaÝ e
e Hermes: só o busto. São as Hermas rgur¡a > rgur argêntea, prateada, de prata xrus
¡a > xrus° áurea, dourada, de ouro kuan¡a > kuan° azul escuro xalk¡a > xalk° de
bronze plñh > pl° simples, não composta, não múltipla diplñh > dipl° dupla, dobrad
a triplñh > tripl° tripla, tríplice
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Quadro de flexão:
T. T. T. T. T.
Singular Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Plural Nom. Voc. Acus. Gen. Dat.
Loc. Instr. N.V.A. G.D.L.I.
g¡a mn a rgur¡a xrus¡a Erm¡a
mn mn mn -n mn w mn mn mn mna-Ý mna-Ý mn -w mnÇn mna-Ýw mna-Ýw mna-Ýw mn mn n
² g° ² mn rgur xrus° Erm°w
rgur¡a > rgur¡a > rgur¡a-n > n rgur¡a-w> w rgur¡& > rgur¡& > rgur¡& > rg
> aÝ rgur¡a-w > w rgur¡vn > Çn rgur¡a-iw > aÝw rgur¡a-iw > aÝw rgur¡a-iw > aÝw rgur
> rgur¡a-in> n
a terra a mina prateada, de prata dourada, de ouro Hermes
xrus¡a > ° xrus¡a > ° xrus¡a-n > °n xrus¡a-w > °w xrus¡& > » xrus¡& > » xrus¡& >
» xrus¡a-i > aÝ xrus¡a-i > aÝ xrus¡a-w > w xrus¡vn > Çn xrus¡a-iw > aÝw xrus¡a-i
w > aÝw xrus¡a-iw> aÝw xrus¡a> xrus¡a-in> n Erm°-w Erm° Erm°-n Ermoè Erm» Erm» Erm»
rma-Ý Erm -w ErmÇn Erma-Ýw Erma-Ýw Erma-Ýw Erm Erm n
g° g° g°-n g°w g» g» g»
Dual
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Os adjetivos de tema em vogal
Embora já tenhamos visto a flexão de alguns adjetivos de temas em vogal junto co
m os nomes, vamos reapresentá-los num quadro em conjunto.
Quadro de flexão de adjetivos de tema em -o/-a:
T n¡o-, n¡a-, n¡oT mikrñ-, mikr -, mikrñn¡ow, n¡a, n¡on mikrñw, mikr , mikrñn novo,
jovem pequeno
S.
Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. N.V.
A. G.D.L.I.
n¡o-w n¡e/n¡o-w n¡o-n n¡-ou n¡-Ä n¡-Ä n¡-Ä n¡o-i n¡o-i n¡-ouw n¡-vn n¡o-iw n¡o-i
w n¡o-iw n¡-v n¡o-in
n¡a n¡a n¡a-n n¡-aw n¡-& n¡-& n¡-& n¡a-i n¡a-i n¡a-w ne-Çn n¡a-iw n¡a-iw n¡a-iw
n¡o-n n¡o-n n¡o-n n¡-ou n¡-Ä n¡-Ä n¡-Ä n¡-a n¡-a n¡-a n¡-vn n¡o-iw n¡o-iw n¡o-iw
mikrñ-w mikr¡ mikrñ-n mikr-oè mikr-Ò mikr-Ò mikr-Ò mikro-Û mikro-Û mikr-oæw mikr
-Çn mikro-Ýw mikro-Ýw mikro-Ýw
mikr mikrñ-n mikr mikrñ-n mikr -n mikrñ-n mikr- w mikr-oè mikr- mikr-Ò mikr- mikr-Ò mik
- mikr-Ò mikra-Û mikra-Û mikr -w mikr-Çn mikra-Ýw mikra-Ýw mikra-Ýw mikr- mikr- mikr-
mikr-Çn mikro-Ýw mikro-Ýw mikro-Ýw
P.
D.
n¡-a n¡-v mikr-Å mikr- mikr-Å n¡a-in n¡o-in mikro-Ýn mikra-Ýn mikro-Ýn
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Quadro de flexão dos adjetivos de tema em -o/-h:
T mñno-, mñnh-, mñno- mñnow, mñnh, mñnon só, sozinho, único T deinñ-, dein -, de
inñ- deinñw, dein , deinñn valente, terrível, forte
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. m
ñno-w mñne mñno-n mñn-ou mñn-Ä mñn-Ä mñn-Ä mñno-i mñno-i mñn-ouw mñn-vn mñno-iw
mñno-iw mñno-iw mñnh mñnh mñnh-n mñn-hw mñn-ú mñn-ú mñn-ú mñna-i mñna-i mñna-w m
on-Çn mñna-iw mñna-iw mñna-iw mñno-n mñno-n mñno-n mñn-ou mñn-Ä mñn-Ä mñn-Ä mñn-
a mñn-a mñn-a mñn-vn mñno-iw mñno-iw mñno-iw deinñ-w dein¡ deinñ-n dein-oè dein-
Ò dein-Ò dein-Ò deino-Û deino-Û dein-oæw dein-Çn deino-Ýw deino-Ýw deino-Ýw dein
dein dein -n dein-°w dein-» dein-» dein-» deina-Û deina-Û dein -w dein-Çn deina
-Ýw deina-Ýw deina-Ýw deinñ-n deinñ-n deinñ-n dein-oè dein-Ò dein-Ò dein-Ò dein-
dein- dein- dein-Çn deino-Ýw deino-Ýw deino-Ýw
P.
D.
N.V.A. mñn-v G.D.L.I. mñno-in
mñn-a mñn-v dein-Å mñna-in mñno-in deino-Ýn
dein- dein-Å deina-Ýn deino-Ýn
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Graus dos adjetivos
O comparativo e o superlativo dos adjetivos são expressos em grego por sufixos q
ue se acrescentam ao tema. Os sufixos são: -tero (-terow, a, on) / -ion (-ivn, i
on) para o comparativo 21; -tato (-tatow, h, on) / -isto (-istow, n, on) para o
superlativo. Assim: em -terow, a, on, - tatow, h, on Tema koèfow - leve koufo-* g
iow - santo agio-** glukæw - doce glukum¡law - preto melan eéseb w - piedoso eés
ebewComparativo koufñterow,a,on giÅterow,a,on glukæterow,a,on mel nterow,a,on eéseb
¡sterow,a,on Superlativo koufñtatow,h,on giÅtatow,h,on glukætatow,h,on mel ntatow,h
,on eéseb¡statow,h,on
Alguns adjetivos em -aio suprimem a vogal temática antes dos sufixos: geraiñw -
velho geraÛterow,a,on geraÛtatow,h,on*** ²suxaÝow - tranqüilo ²suxaÛterow,a,on ²
suxaÛtatow,h,on palaiñw - antigo palaÛterow,a,on palaÛtatow,h,on sxolaÝow - ocio
so sxolaÛterow,a,on sxolaÛtatow,h,on
A flexão dos comparativos e superlativos não apresenta problemas, porque são adj
etivos ou de tema em vogal ou de tema em consoante, e cada tema recebe seus caso
s sufixos (ptÅseiw). * quando a vogal da sílaba pretemática é longa, a vogal temát
ica se mantém inalterada; ** quando a vogal da sílaba pretemática é breve, a vog
al temática é alongada. *** não é impossível encontrar: geraiñterow/geraiñtatow;
é uma questão da lei do menor esforço.
21
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Alguns outros seguem o mesmo modelo, eëdiow - sereno eédi-aÛ-terow,a,on àsow - i
gual Þs-aÛ-terow,a,on m¡sow - do meio mes-aÛ-terow,a,on öciow - tardio ôci-aÛ-te
row,a,on plhsÛow - vizinho plhsi-aÛ-terow,a,on
aceitando o ditongo: eédi-aÛ-tatow,h,on *Þs-aÛ-tatow,h,on mes-aÛ-tatow,h,on ôci-
aÛ-tatow,h,on plhsi-aÛ-tatow,h,on
Outros fazem em -Ûsterow - -Ûstatow, com a elisão da vogal temática: l low - tagar
ela lal-Ûsterow,a,on lal-Ûstatow,h,on kl¡pthw - ladrão *klept¡sterow,a,on klept-
Ûstatow,h,on ptÇxow - mendigo ptvx-Ûsterow,a,on *ptvxÛstatow,h,on A maioria dos
adjetivos em -vn, -on, antes do sufixo -terow,a,on /-tatow,h,on, tem um infixo -
es-: eédaÛmvn - feliz eédaimon-¡s-terow,a,on eédaimon-¡s-tatow,h,on sÅfrvn - sen
sato svfron-¡s-terow,a,on svfron-¡s-tatow,h,on Também os adjetivos de tema em -o
o- fazem o comparativo e o superlativo com esse infixo: -es-terow,a,on - -es-tat
ow,h,on, com as contrações normais: ploèw - simples T ploo- ploæsterow,a,on ploæstat
ow,h,on eënouw - cordato T eënoo- eénoæsterow,a,on eénoæstatow,h,on Os sufixos -
terow,a,on/-tatow,h,on se apõem a algumas partículas interrogativas, pronomes, a
dvérbios ou preposições formando adjetivo comparativo 22: pñ-terow - quem dos do
is? êp¡r-terow - superior §terow,a,on - um dos dois (alter) êp¡r-tatow - supremo
(ìpatow) prñ-terow - primeiro, anterior ìsterow - posterior ¦sxatow (¤j) - o úl
timo, derradeiro ìstatow - último
22
O comparativo é basicamente uma relação entre dois.
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O sufixo -terow,a,on aparece também na formação do possessivo dos pronomes pesso
ais no plural: ²meÝw nós ²m¡terow,a,on nosso êmeÝw vós êm¡terow,a,on vosso sfeÝw
eles sf¡terow,a,on de si mesmos mfv ambos mfñterow,a,on de ambos oédeÛw ninguém o
éd¡terow nenhum dos dois mhdeÛw ninguém mhd¡terow nenhum dos dois Poucos adjetiv
os fazem o comparativo em -ion e o superlativo em -isto: kakñw mau kakÛvn,on k kis
tow,h,on aÞsxrñw - torpe, feio aÞsxÛvn,on aàsxistow,h,on ¤xyrñw - inimigo ¤xyÛvn
,on ¦xyistow,h,on ²dæw prazeroso ²dÛvn,on ´distow,h,on m¡gaw - grande meÛzvn,on
m¡gistow,a,on oÞktrñw - deplorável oàktistow taxæw - veloz y ssvn,on (-ttvn) t xisto
w,h,on kalñw - belo kallÛvn,on k llistow,h,on = diow - fácil = vn,on = stow,h,on
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Alguns adjetivos (poucos) formam o comparativo e superlativo sobre temas alterna
tivos e que não se usam no grau normal. Seriam formas supletivas23. Ver à página
195. Tema
gayñw - bom amenarbeltkret-/kratlvkakoxer-/xeir²kmikromeoligo ¤laxuple-/pol-
Comparativo
meÛnvn,on
Superlativo
kakñw - ruim
mikrñw - pequeno ôlÛgow - pouco polæw - muito
ristow,h,on beltÛvn,on b¡ltistow,h,on kreÛssvn-on (-ttvn) kr tistow,h,on lÐvn,on lÒ
stow,h,on kakÛvn,on k kistow,h,on xeÛrvn,on xeÛristow,h,on ´ssvn,on (-ttvn) ´kistow
,h,on mikrñterow,a,on mikrñtatow,h,on meÛvn,on olÛgistow,h,on ¤l ssvn,on (-ttvn) ¤
l xistow,h,on pleÛvn,on pleÝstow,h,on pl¡vn,on
A flexão dos comparativos em -ivn, ion apresenta certas formas sincopadas: sínco
pe do -n- temático intervocálico e posterior contração das vogais em hiato: kakÛ
vn, k kion - pior. Singular
m./f. N. V. Ac. G. D.L.I. kakÛvn k kion kakÛona > kakÛv kakÛonow kakÛoni neutro k ki
on k kion k kion kakÛonow kakÛoni m./f. kakÛonew > kakÛouw kakÛonew > kakÛouw kakÛon
ew > kakÛouw kakiñnvn kakÛosi
Plural
neutro kakÛona > kakÛv kakÛona > kakÛv kakÛona > kakÛv kakiñnvn kakÛosi
23
Na verdade, seriam formas independentes, com significado próprio, que pela proxi
midade semântica passaram a figurar no quadro dos comparativos e superlativos de
alguns adjetivos, que não criaram comparativos e superlativos normais , porque já
existiam esses outros. Seriam redundantes.
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Observações: As formas sincopadas são as mais usadas, mas só se encontram nos ca
sos sintáticos : nom., voc., acus. Qualquer adjetivo no grau normal e no comparativ
o ou superlativo pode ser usado como advérbio. Na verdade, trata-se mais de um p
redicativo do infinitivo sujeito, nas orações ditas de verbo impessoal. Contudo,
quando usados adverbialmente, eles se comportam assim: normal: o neutro singula
r do adjetivo deinñn comparativo: o neutro singular do comparativo deinñteron su
perlativo: o neutro plural do superlativo deinñtata
Adjetivos numerais
Os indicadores de número são os seguintes: 1. cardinais: são adjetivos, mas só o
s 4 primeiros cardinais têm flexão; 2. ordinais: são adjetivos triformes. Além d
eles, o grego tem os multiplicativos adverbiais formados com o sufixo -kiw. Para
registrar os cardinais, os gregos usavam as letras do alfabeto: as 9 primeiras
para as unidades a =1; b =2; as 9 seguintes para as dezenas i = 20, k = 30; as n
ove restantes para as centenas r = 100, s = 200. Os números até 999 têm no alto
à direita um sinal ´: a´ (1). Os números superiores a 999 têm esse índice em bai
xo à esquerda: ,a (1000). Quando o número contém várias unidades só a última uni
dade recebe o sinal (ápice) à direita; avmb = 1842. Ver o quadro dos numerais nas
páginas seguintes.
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Sinais
a b g d e w z h y i ia ib ig id ie iw iz ih iy k l m n j o p q r
6 17 18 19 20 30 40 50 60 70 80 90 100 200 300 400 500 600 700
Cardinais
eåw,mÛa,§n dæo treÝw, trÛa t¡ssarew,a (-tt-) p¡nte §j ¥pt ôktÅ ¤nn¡a d¡ka §ndeka
dÅdeka triskaÛdeka tessareskaÛdeka pentekaÛdeka ¥kkaÛdeka ¥ptakaÛdeka ôktvkaÛdek
a ¤nneakaÛdeka eàkosi tri konta tessar konta pent konta ¥j konta ¥bdom konta ôgdo ko
nta ¤ne konta ¥katñn diakñsioi,ai,a triakñsioi,ai,a tetrakñsioi,ai,a pentakñsioi
,ai,a ¥jakñsioi,ai,a ¥ptakñsioi,ai,a
Ordinais
prÇtow,h,on deæterow,a,on trÛtow.h,on t¡tartow,h,on p¡mptow,h,on §ktow,h,on §bdo
mow,h,on ögdoow,h,on ¦natow,h,on d¡katow,h,on ¥nd¡katow,h,on dvd¡katow,h,on tris
kaid¡katow,h,on tessarakaid¡katow,h,on pentekaid¡katow,h,on ¥kkaid¡katow,h,on ¥p
takaid¡katow,h,on ôktvkaid¡katow,h,on ¤nneakaid¡katow,h,on eÞkostñw, ,ñn triakos
tñw, ,ñn tessarakostñw, ,ñn penthkostñw, ,ñn ¥jhkostñw, ,ñn ¥bdomhkostñw, ,ñn ôg
dohkostñw, ,ñn ¤nehkostñw, ,ñn ¥katostñw, ,ñn diakosiostñw, ,ñn triakosiostñw, ,
ñn tetrakosiostñw, ,ñn pentakosiostñw, ,ñn ¥jakosiostñw, ,ñn ¥pakosiostñw, ,ñn
Advérbio num.
paj dÛw trÛw tetr kiw pent kiw ¥j kiw ¥pt kiw ôkt kiw ¤n kiw dek kiw ¥ndek kiw dvdek kiw t
w tessaradek kiw pentekaidek kiw ¥kkaidek kiw ¥ptakaidek kiw ôktvkaidek kiw ¤nneakaidek kiw
eÞkos kiw triakos kiw tessarakont kiw penthkont kiw ¥jhkont kiw ¥bdomhkont kiw ôgdohkont ki
nehkont kiw ¥katont kiw diakosi kiw triakosi kiw tetrakosi kiw pentakosi kiw ¥jakosi kiw ¥p
osi kiw
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v Q ,a ,b ,g ,d ,e ,w ,z ,h ,y a b g d e
800 900
ôktakñsioi,ai,a ¤nakñsioi,ai,a
ôktakosiostñw, ,ñn ¤nakosiostñw, ,ñn xiliostñw, ,ñn disxiliostñw, ,ñn trisxilios
tñw, ,ñn
ôktakosi kiw ¤nakosi kiw xili kiw disxili kiw trisxili kiw tetrakisxili kiw pentakisxili ki
jakisxili kiw ¥ptakisxili kiw ôktakisxili kiw ¤nakisxili kiw muri kiw dismuri kiw trismuri
tetrakismuri kiw pentakismuri kiw
1000 xÛlioi,ai,a 2000 disxÛlioi,ai,a 3000 trisxÛlioi,ai,a
4000 tetrakisxÛlioi,ai,a tetrakisxiliostñw, ,ñn 5000 pentakisxÛlioi,ai,a pentaki
sxiliostñw, ,ñn 6000 ¥jakisxÛlioi,ai,a 7000 ¥ptakisxÛlioi,ai,a 8000 ôktakisxÛlio
i,ai,a 9000 ¤nakisxÛlioi,ai,a 10000 mærioi,ai,a 20000 dismærioi,ai,a 30000 trism
ærioi,ai,a ¥jakisxiliostñw, ,ñn ¥ptakisxiliostñw, ,ñn ôktakisxiliostñw, ,ñn ¤nak
isxiliostñw, ,ñn muriostñw, ,ñn dismuriostñw, ,ñn trismuriostñw, ,ñn
40000 tetrakismærioi,ai,a tetrakismuriostñw, ,ñn 50000 pent kismærioi,ai,a pentaki
smuriostñw, ,ñn
r 1000000 ¥katontakismærioi,ai,a ¥katontakismuriostñw, ,ñn ¥katonmuri kiw
Notas: 1. Para registrar 6, usa-se o stigma w , interrompendo-se a seqüência norma
l do alfabeto (seria o z)24: para registrar 90, usa-se o kopa q ; para registrar 9
00, usa-se o sampi Q. 2. Os cardinais compostos de dois números podem ser expres
sos de três maneiras: 25 - ke - eàkosi kaÜ p¡nte 25 - ke - p¡nte kaÜ eàkosi 25 -
ke - eàkosi p¡nte
24
Contudo, para numerar os cantos da Ilíada e da Odisséia, usa-se o alfabeto norma
l: o Canto VI da Ilíada é Z e o Canto VI da Odisséia é z. É uma convenção: os ca
ntos da Ilíada são marcados com as letras maiúsculas do alfabeto grego, e os da
Odisséia, com as minúsculas.
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Mas, em vez de acrescentar a unidade à dezena, usa-se também o processo de dimin
uição da dezena subseqüente: 49 - my´ - pent konta ¥nòw d¡ontow / mui w deoæshw =
50 faltando um / uma; (reduzida de particípio = genitivo absoluto). 49 - mh´ - p
ent konta duoÝn deñntoin / duoÝn deñntoin pent konta = faltando dois para 50 / d
ois para 50. Em geral, esse sistema só se usa com as duas últimas unidades da de
zena. 3. Os ordinais compostos podem ser expressos de três maneiras: 25 - p¡mpto
w kaÜ eÞkostñw 25 - eÞkostòw p¡mptow 25 - eÞkostòw kaÜ p¡mptow 4. Os adjetivos m
últiplos se constroem acrescentando-se os sufixos ploèw,°,oèn / -pl siow,a,on. ploè
w,°,oèn diploèw,°,oèn triploèw,°,oèn dipl siow,a,on tripl siow,a,on simples duplo tr
iplo
5. Acima de 10.000, usam-se ou os compostos com mærioi,ai,a com o advérbio multi
plicativo, ou o substantivo muri w- dow, ², a miríade. 50.000 - pentakismærioi,ai,a
/ p¡nte muri dew 6. Há também outros substantivos numerais, construídos por analog
ia com muri w- dow. mon w- dow ² a mônade / mônada, a unidade tri w- dow, ² a tríade dek w-
² a décade,década ¥katont w- dow,² a centena xili w- dow, ² o milhar 7. Os quatro prime
iros números cardinais são declináveis (em português, só os dois primeiros varia
m e, em latim, os três primeiros).
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Quadro paradigmático:
T. ¥n- mia T. duo T. triT. tessar / tettareåw, mÛa, §n dæo treÝw, trÛa t¡ssarew,
a
m.
N. V. A. G. D.L.I. eåw
f.
mÛa
n.
§n
m. f. n.
dæo
m. f.
treÝw
n.
trÛa
m. f. n.
t¡ssar-ew / -a
§n-a mÛa-n §n dæo/dæv treÝw trÛa t¡ssar-aw / -a ¥n-ñw mi w ¥n-ñw duo-Ýn tri-Çn tri
-Çn tess r-vn ¥n-Û mi ¥n-Û duo-Ýn/du-sÛ tri-sÛ tri-sÛ t¡ssar-si
7. Sobre eåw, mÛa, §n, um,uma, flexionam-se: oédeÛw, oédemÛa, oéd¡n, nenhum, nen
huma, ninguém, nada, e sua variante: mhdeÛw, mhdemÛa, mhd¡n. N. oédeÛw oédemÛa o
éd¡n V. A. oéd¡n-a oédemÛa-n oéd¡n G. oéden-ñw oédemi- w oéden-ñw D.L.I. oéden-Û o
édemi- oéden-Û 8. O grego também possui um numeral dual, de uso específico mas co
nstante: mfv, ambos os dois, ambo, em latim, e ambos, em português. Flexiona-se c
omo dæo: N.A. - mfv G.D.L.I. - mfoÝn Há também um adjetivo derivado, possessivo: mf
ñterow,a,on - de ambos, de cada um dos dois
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Relativos
O grego tem três relativos básicos (anafóricos), que podemos definir assim: Greg
o ÷w, ´, ÷ oåow, oáa, oåon ÷sow, ÷sh, ÷son ÷soi, ÷sai, ÷sa Português que qual qu
anto quantos relativo de identidade relativo de qualidade relativo de dimensão,
valor plural do anterior, relativo de quantidade Latim qui, quae, quod qualis, e
quantus, a, um quot
O relativo absoluto, de identidade, é ÷w, ´, ÷, que e tem como antecedentes ÷de,
´de, tñde, este, esta, isto, oðtow, aìth, toèto, esse, essa, isso, e ¤keÝnow, ¤
keÛnh, ¤keÝno, aquele, aquela, aquilo ou qualquer nome; os outros têm como antec
edente um dêitico de qualidade ou de dimensão, de tamanho ou de quantidade respe
ctivamente.
Quadro de flexão dos relativos
T T T T
S.
jo-/jaoßo-/aõso-/aõso-/a÷-w ÷-n oð Ú Ú Ú
÷w, ´, ÷ oåow, oáa, oåon ÷sow, ÷sh, ÷son ÷soi, ÷sai, ÷sa
´ ´-n ¸w à à à ÷ ÷ oð Ð Ð Ð oåo-w oåo-n oá-ou oá-Ä oá-Ä oá-Ä
que qual quão grande quantos
oáa oáa-n oá-aw oá-& oá-& oá-&
(qui, quae, quod) (qualis, e) (quantus,a,um) (quot)
÷so-n ÷so-n ÷s-ou ÷s-Ä ÷s-Ä ÷s-Ä
N. V. A. G. D. L. I.
oåo-n ÷so-w ÷sh oåo-n oá-ou oá-Ä oá-Ä oá-Ä ÷so-n ÷s-ou ÷s-Ä ÷s-Ä ÷s-Ä ÷sh-n ÷s-h
w ÷sú ÷sú ÷sú
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N. V. A. G. D. L. I. D. N.V.A. G.D.L.I.
P.
o-á oìw Ïn o-åw o-åw o-åw Ë o-ån
a-á w Ïn a-åw a-åw a-åw a-ån
Ïn o-åw o-åw o-åw Ë o-ån
oåo-i oá-ouw oá-vn oáo-iw oáo-iw oáo-iw oá-v oáo-in
oåa-i oå-a oáa-w oå-a oá-vn oá-vn oáa-iw oáo-iw oáa-iw oáo-iw oáa-iw oáo-iw oá-a
oá-v aáa-in oáo-in
÷so-i ÷sa-i ÷s-a ÷s-ouw ÷s-vn ÷so-iw ÷so-iw ÷so-iw ÷s-v ÷so-in ÷sa-w ÷s-vn ÷so-i
w ÷so-iw ÷so-iw ÷s-a ÷sa-in ÷s-a ÷s-vn ÷so-iw ÷so-iw ÷so-iw ÷s-v ÷so-in
Notas: 1. Os relativos podem vir reforçados com o sufixo -per, (às vezes -ge ) p
recisamente, exatamente: ÷sper, ´per, ÷per exatamente que oáosper, oáaper, oáonp
er exatamente qual ÷sosper, ÷shper, ÷sonper exatamente quanto 2. Nas expressões:
kaÜ ÷w, e ele ¸ d ÷w, e ele disse, trata-se de uma antiga forma de artigo, com v
alor demonstrativo, anafórico (este, esse). Heródoto o emprega com freqüência. 3
. O relativo ÷w, ´, ÷ se compõe também com os indefinidos: tiw, ti - poiow,a,on,
- posow,posh, poson - phlikow, h, on para exercerem duas funções: a) de interro
gativos indiretos de identidade, qualidade, dimensão/quantidade e idade, sobretu
do nas interrogativas indiretas: - eÞp¡ moi : tÛw eä; - Dize-me: - quem és? (int
errogação direta) - oék oäda ÷stiw eä. - Eu não sei quem és. (interrogação indir
eta) b) de relativo indefinido: mak riow ÷stiw oésÛan kaÜ noèn ¦xei - feliz quem (
qualquer um que) tem posses e juízo. Veremos isso com mais detalhes no quadro do
s correlativos (p. 162).
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Quadro de flexão dos dêiticos
T o-, h-, to- (-de) ÷de, ´de, tñde* este, esta, isto T oðto-/ toèto-, aìth-, oðt
ow, aìth, toèto esse, essa, isso T ¤keÝnow-, h-, o-** aquele, aquela, aquilo
Sing. Nom. Voc. Acus Gen. Dat. Loc. Instr. ÷de tñnde toède tÒde tÒde tÒde oáde t
oæsde tÇnde toÝsde toÝsde toÝsde ´de t nde t°sde t»de t»de t»de aáde t sde tÇnde t
aÝsde taÝsde taÝsde tñde tñde toède tÒde tÒde tÒde t de t de tÇnde toÝsde toÝsde toÝ
sde oðtw toèto-n toæt-ou toæt-Ä toæt-Ä toæt-Ä oðto-i toæt-ouw toæt-vn toæto-iw t
oæto-iw toæto-iw aìth taæth-n taæt-hw taæt-ú taæt-ú taæt-ú aìta-i taæta-w taut-Ç
n taæta-iw taæta-iw taæta-iw toèto toèto toæt-ou toæt-Ä toæt-Ä toæt-Ä taèt-a taè
t-a toæt-vn toæto-iw toæto-iw toæto-iw
Plural Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Dual
N.V.A. tÅde t de tÅde toæt-v taæt-a toæt-v G.D.L.I. toÝnde taÝnde toÝnde toæto-in
taæta-in toæto-in
* Na verdade, é a flexão do artigo seguido de -de. ** Flexão como os adjetivos t
riformes em -o / -a/-h.
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Notas: 1. Há uma outra construção, analógica a ÷de, ´de, tñde, com a partícula r
estritiva-enfática -ge com o artigo õ, ², tñ > ÷ge, ´ge, tñge, com significado p
aralelo, e com a flexão só do artigo. 2. O significado de ÷de, ´de, tñde corresp
onde ao demostrativo latino hic, haec, hoc, e ao portugês: este, esta, isto, ist
o é, referente à 1a pessoa e aos advérbios aqui, agora. É catafórico: - minha op
inião é esta: (a que vou expor) O significado de oðtow, aìth, toèto corresponde
ao demonstrativo latino iste, ista, istud, e ao português esse, essa, isso, refe
rente à 2a pessoa e ao advérbio aí. Também, como em latim e português, às vezes
é usado com sentido depreciativo. É essa! (aponta-se com o dedo) É anafórico: é
essa a minha opinião (a que acabei de expor) O significado de ¤keÝnow, h, o corr
esponde ao demonstrativo latino ille, illa, illud, e ao português aquele, aquela
, aquilo, referente à 3a pessoa e ao advérbio lá. 3. Tanto ÷de, ´de, tñde quanto
oðtow, uth, toèto são às vezes reforçados com o sufixo -i (locativo), que, ou su
bstitui a vogal final breve: - õdÛ, ²dÛ, todÛ, este aqui ou se acrescenta à voga
l longa: - aêthÛ, essa aí, toutouÛ, desse aí e à consoante final: - oêtosÛ, esse
aí (nom.) toutonÛ, esse aí (acus.). 4. Os demostrativos de identidade ÷de, ´de,
tñde e oðtow, aìth, toèto se compõem também com outros demonstrativos: de quali
dade: toÝow,a,on de tal qualidade, tal de dimensão: tñsow,h,on de tal dimensão,
de tal valor, tanto de quantidade: tñsoi,ai,a de tal quantidade, tantos de idade
: thlÛkow,h,on de tal idade 25 para fazer os seguintes demonstrativos compostos:
25
Esses demostrativos simples são usados por Homero, Hesíodo e pelos líricos; na p
rosa e no ático só se usam as formas compostas (4.1 e 4.2).
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4.1. com ÷de, ´de, tñde toiñsde, toi de, toiñde tosñsde, tos°de, tosñde tosoÛde, t
osaÛde, tos de thlikñsde, telik°de, telikñde 4.2. com oðtow, aìth, toèto toioètow,
toiaæth, toioèto tosoètow, tosaæth, tosoèto tosoètoi, tosaètai, tosaèta thlikoè
tow, thlikaæth, thlikoèto
desta qualidade deste tamanho, deste valor desta quantidade, tantos desta idade
dessa qualidade, desse tipo desse tamanho, desse valor dessa quantidade dessa id
ade
5. Alguns outros adjetivos considerados demonstrativos (catafóricos) podem ser l
istados aqui, mas se declinam normalmente como nomes de temas em -o para o mascu
lino e o neutro e -a/-h para o feminino: llow,h,o outro, outra (entre vários) ali
us §terow,a,on outro (de dois) alter §kastow,h,on cada, cada um ¥k terow,a,on cada
um dos dois 6. O grego tem também um demonstrativo de relações mútuas, chamado
recíproco. Em português, a expressão dessa idéia passa pelo processo analítico:
- uns os outros, uns dos outros, uns aos outros. Só tem o plural e o dual, evide
ntemente; e não tem nominativo naturalmente. Plural Ac. Gen. D L. I. Ac. G.D.L.I
. ll louw,aw,a ll lvn ll loiw,aiw,oiw ll loiw,aiw,oiw ll loiw,aiw,oiw ll lv,a,v ll l
,ain,oin uns uns uns uns uns uns uns os outros (obj. d.) dos outros aos outros n
os outros pelos outros os outros (obj. d.) dos/aos/pelos outros
Dual
No nominativo não aparece a reciprocidade, mas a alternativa; llow m¢n... llow d¢
(dentre muitos): um... outro llow m¡n oänon llow d ìdvr pÛnei um bebe vinho, outro,
água §terow m¢n... §terow d¢ (de dois): um... outro
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Interrogativos e indefinidos
1. O grego tem vários pronomes interrogativos: a) de identidade: -tÛw, tÛ ; quem
? o quê? quis, quae, quid, quod? -pñterow,a,on; quem (qual) dos dois? b) de qual
idade: -poÝow, poÛa, poÝon; qual? de que qualidade? qualis, quale? c) de dimensã
o, valor (sing.): -pñsow, pñsh, pñson; quanto? quão grande? de que valor? quantu
s, a, um? d) de quantidade (pl.): -pñsoi, pñsai, pñsa; quantos? quot? e) de idad
e (tamanho): -phlÛkow,h,on; de que idade? (tamanho)? f) de origem: -podapñw, ,ñn
; de que país? Com exceção de tÛw, tÛ, (T tin-), todos os outros são de tema em
-o para o masculino e neutro e -a / -h para o feminino, e por isso não apresenta
m nenhuma dificuldade de flexão. 2. Para cada interrogativo há um correspondente
indefinido, como em português: - quem? / alguém, algum. Em grego, esses indefin
idos são os próprios interrogativos, mas na versão átona, enclítica, enquanto os
interrogativos são tônicos. Os de uso mais freqüente são: Interrogativos Indefi
nidos tÛw, tÛ quem? o quê? tiw, ti alguém, algum, algo poÝow,a,on qual? poiow,a,
on um qualquer pñsow,h,on de que tamanho? posow,h,on de um tamanho qualquer pñso
i,ai,a quantos? posoi,ai,a uns tantos 3. Os pronomes indefinidos (átonos) são en
clíticos e se pronunciam como tais, dentro do ritmo da frase. Mas os de duas síl
abas soam como se fossem oxítonos: sofistaÛ tinew; - são uns sofistas! / (sophis
taí tinés)/
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4. Esses indefinidos se compõem com o relativo ÷w, ´, ÷ e se empregam quer como
interrogativos indiretos, quer como relativos indefinidos: de identidade, ÷stiw,
´tiw, ÷ti, que, qualquer um de qualidade, õpoÝow,a,on, de qualquer qualidade de
dimensão, õpñsow,h,on, de qualquer dimensão de quantidade, õpñsoi,ai,a, de qual
quer quantidade de idade, õphlÛkow,h,on, de qualquer idade de origem, õpodapñw,
,ñn, de qualquer origem Veremos com mais detalhes no quadro dos correlativos (p.
162).
Quadro de flexão:
T. tinT. tintÛw, tÛ tiw, ti Interrogativo
Sing. Nom. Voc. Acus Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr.
N.V.A. m. f. tÛ-w tÛn-a tÛn-ow / toè tÛn-i / tÒ tÛn-i / tÒ tÛn-i / tÒ tÛn-ew tÛ
n-aw tÛn-vn tÛ-si tÛ-si tÛ-si tÛn-e n. tÛ tÛ tÛn-ow / toè tÛn-i / tÒ tÛn-i / tÒ
tÛni- / tÒ tÛn-a tÛn-a tÛn-vn tÛ-si tÛ-si tÛ-si tÛn-e
quem? o que? alguém, alguma coisa Indefinido
m. f. tiw tina tin-ow / tou tin-i / tÄ tin-i / tÄ tin-i / tÄ tin-ew tin-aw tin-v
n ti-si ti-si ti-si tin-e n. ti ti tin-ow / tou tin-i / tÄ tin-i / tÄ tini- / tÄ
tin-a tin-a* tin-vn ti-si ti-si ti-si tin-e
Pl.
Dual
G.D.L.I. tÛn-oin
tÛn-oin
tin-oin
tin-oin
* As gramáticas registram uma forma alternativa tta. Não acreditamos que seja o c
aso, isto é, uma forma alternativa, sincopada, ser igual ou maior do que a norma
l. Veremos tta por tina < tina. É mais coerente.
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Quadro de flexão:
T. õ-, ²-/ - tinmasc. Sing. Nom. Voc. Acus Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. G
en. Dat. Loc. Instr. ÷-s ti-w ÷-n tin-a oð tin-ow/÷tou Ú tin-i / ÷tÄ Ú tin-i / ÷
tÄ Ú tin-i / ÷tÄ oá tin-ew oìs tin-aw Ïn tin-vn o-ås ti-si o-ås ti-si o-ås ti-si
÷stiw, ÷ti: fem. ´ ti-w ´-n tin-a ¸s tin-ow Ãtin-i à tin-i à tin-i aá tin-ew s t
in-aw Ïn tin-vn a-ås ti-si a-ås ti-si a-ås ti-si o que, qualquer neutro ÷ ti ÷ t
i oð tin-ow/÷tou Ú tin-i / ÷tÄ Ú tin-i / ÷tÄ Ú tin-i / ÷tÄ tin-a / tta tin-a/ tta Ï
n tin-vn o-ås ti-si o-ås ti-si o-ås ti-si
Pl.
Dual
N.V.A. Ë tin-e G.D.L.I. o-ån tin-oin
tin-e Ë tin-e a-ån tin-oin o-ån tin-oin
Notas: 1. O pronome indefinido átono tiw, ti ficou em posição enclítica; os acen
tos são do relativo ÷w, ´, ÷n. 2. Todos esses relativos indefinidos podem recebe
r mais um sufixo de indeterminação (-oun / -d pote / -d ); nesses casos a indete
rminação fica mais generalizada: õstis-oèn / õstis-d pote / õstis-d õpoter-oèn
õpoios-oèn /-d /-d pote õposos-oèn /-d / -d pote õpñsoi-oèn /-d /-d pote qualq
uer um, seja qual for seja qual for dos dois seja de que qualidade for seja do t
amanho que for sejam quantos forem
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3. Há um outro indefinido, de uso poético, arcaico, deÛna, um tal, um qualquer,
de aparência neutro e indeclinável nos três casos sintáticos do singular; no plu
ral há uma variação masc.fem./neutro. Mas é teórico; seu uso quase exclusivo é n
os três casos sintáticos do singular: Singular masc./fem. neutro deÛna deÛna deÛ
na deÝnow deinÛ deinÛ deinÛ deÛna deÝno deinÛ deinÛ deinÛ Plural masc./fem. neut
ro deÝnew deÝna deÛnaw deÛnvn deisÛ deisÛ deisÛ deÝna deÛnvn deisÛ deisÛ deisÛ
Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr.
Observação: embora classificado como indefinido ele vem freqüentemente precedido
de artigo õ, ², tñ. 4. Há alguns adjetivos que são difíceis de enquadrar: ou en
tre os determinativos, dêiticos, ou entre os indefinidos. Além disso, convém est
ar atentos para sua função ou de mero adjunto adnominal ou com o nome implícito,
elíptico. Assim: §kastow,h,on cada um, cada: ¥k sth pñliw - cada cidade ¥k terow,a,
on cada um dos dois: ¥kat¡ra ² xeÛr - cada uma das duas mãos lloi outros oß lloi o
s outros (adj. substantivado), os outros (a outra parte): ² llh Ell w - a outra Gréc
ia (adjetivo, adjunto adnominal) - o restante da Grécia. §terow,a,on um dos dois
, alter õ §terow,a,on aquele dos dois (adjetivo substantivado) Atenção às crases
: elas são estranhas: toè ¥t¡rou > yat¡rou tÒ ¥t¡rÄ > yat¡rÄ t §tera > y tera tò §t
eron > y teron
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¦nioi, ai, a alguns p w, p sa, p n todo, qualquer p w nyrvpow todo homem, qualquer hom
oëtiw, oëti (oë-tiw, oë-ti) - não alguém, não algo = ninguém, nada; Odisseu no c
anto IX da Odisséia. oédeÛw, oédemÛa, oéd¡n (oud¡ eåw) - nem um, nem uma = ningu
ém, nada.
Quadro de flexão:
T. ¤keÝno- ¤keÛnh- ¤keÝno- ¤keÝnow, ¤keÛnh, ¤keÝno aquele, aquela, aquilo T. aét
ñ-, aét -, aétñ- aétñw, aét , aétñ mesmo (ipse), ele, ela
Sing. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. ¤keÝno-w ¤keÝno-n ¤keÛn-ou ¤keÛn-Ä ¤keÛn-Ä ¤keÛn-Ä ¤keÝno-i ¤keÛn-ouw ¤keÛn-vn
¤keÛno-iw ¤keÛno-iw ¤keÛno-iw ¤keÛnh ¤keÛnh-n ¤keÛn-hw ¤keÛn-ú ¤keÛn-ú ¤keÛn-ú
¤keÝna-i ¤keÛna-w ¤kein-Çn ¤keÛna-iw ¤keÛna-iw ¤keÛna-iw ¤keÝno ¤keÝno ¤keÛn-ou
¤keÛn-Ä ¤keÛn-Ä ¤keÛn-Ä ¤keÝn-a ¤keÝn-a ¤keÛn-vn ¤keÛno-iw ¤keÛno-iw ¤keÛno-iw a
étñ-w aétñ-n aét-oè aét-Ò aét-Ò aét-Ò aéto-Û aét-oæw aét-Çn aéto-Ýw aéto-Ýw aéto
-Ýw aét aét -n aét-°w aét-» aét-» aét-» aétñ aétñ aét-oè aét-Ò aét-Ò aét-Ò
Pl.
aéta-Û aét- aét -w aét-Çn aéta-Ýw aéta-Ýw aéta-Ýw aét- aét-Çn aéto-Ýw aéto-Ýw aéto-Ý
w
Dual
N.V.A. ¤keÛn-v ¤keÛn-a ¤keÛn-v aét-Å aét- aét-Å G.D.L.I. ¤keÛno-in ¤keÛna-in ¤keÛ
no-in aéto-Ýn aéta-Ýn aéto-Ýn
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Notas: 1. aétñw, ,ñ substitui ou é usado como 3a pessoa ou como aposto de outras
: a) no nominativo, como aposto do sujeito implícito, reforçando a identidade: a
étòw ¦fa [ele] mesmo, em pessoa, dizia [disse] (expressão que os pitagóricos usa
vam) aétòw ¤rÇ [eu] mesmo direi aétoÜ perÜ eÞr nhw ¤chfÛsasye [vós] mesmos votas
tes a respeito da paz. Nesses casos é fácil reconhecer a pessoa gramatical que e
stá implícita observando a desinência do verbo. b) nos outros casos substituindo
o dêitico de 3a pessoa: kaÜ sç öcei aétñn também tu o verás õ pat‾r aétoè o pai
dele aétoÝw ¤rÇ eu lhes direi 2. Quando precedido de artigo, aétñw, ,ñ se compo
rta como um adjetivo substantivado e significa o mesmo (e não outro), e em aposi
ção significa o próprio, em pessoa. aétòw aétoÝw t aét ¤rÇ eu mesmo (aétòw) lhes (
aétoÝw) direi as mesmas (t aét ) coisas õ yeòw õ aétñw a divindade em pessoa, a pró
pria divindade Nesse caso, no singular, há inúmeras crases resultantes do encont
ro do artigo com o pronome (p. 55). No plural não há contrações, nem crases, sal
vo no neutro do N.V.A.: t aét > taét .
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Quadro de flexão de õ aétñw
Sing. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Pl. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. I
nstr. Dual N.V.A.
õ
aétñw
² t‾n
aét aét n aét°w
tò tò
aétñ > taétñ(n) aétñ > taétñ(n) aétÒ > taétÒ aétÒ > taétÒ aétÒ > taétÒ aét > taét
aét > taét
tòn aétñn
toè aétoè > taétoè t°w tÒ aétÒ > taétÒ t» tÒ aétÒ > taétÒ t» tÒ aétÒ > taétÒ t»
oß aétoÛ aß t w
toè aétoè > taétoè
aét» > taét» tÒ aét» > taét» tÒ aét» > taét» tÒ aétaÛ aét w t t
toçw aétoæw tÇn aétÇn toÝw aétoÝw toÝw aétoÝw toÝw aétoÝw tÆ aétÅ
tÇn aétÇn taÝw aétaÝw taÝw aétaÝw taÝw aétaÝw t aét taÝn aétaÝn
tÇn aétÇn toÝw aétoÝw toÝw aétoÝw toÝw aétoÝw tÆ aétÅ toÝn aétoÝn
G.D.L.I. toÝn aétoÝn
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O mesmo acontece com os casos oblíquos dos pronomes pessoais reflexivos no singu
lar, quando aétñw, ,ñ está em aposição, significando mesmo. São crases ou elisõe
s.
1a pessoa do s. Ac. Gen. Dat. 1a pessoa do p. Ac. Gen. Dat. 2a pessoa do s. Ac.
Gen. Dat. 2a pessoa do p. Ac. Gen. Dat. 3a pessoa do s. Ac. Gen. Dat. 3a pessoa
do p. Ac. me mesmo (o.d.) ¤m¢ aétñn> de mim mesmo ¤moè aétoè > a mim mesmo ¤moÜ
aétÒ > nos mesmos (o.d) ²m w aétoæw de nós mesmos ²mÇn aétÇn a nós mesmos ²mÝn aét
oÝw te mesmo (o.d.) de ti mesmo a ti mesmo vós mesmos de vós mesmos a vós mesmos
se mesmo (o.d.) de si mesmo a si mesmo se mesmos s¢ aétñn > soè aétoè > soÜ aét
Ò > êm w aétoæw êmÇn aétÇn êmÝn aétoÝw ¥-aétñn, n,ñ > ¥-autoè,°w,oè > ¥-autÒ,»,Ò >
¥-autoæw, w, > ¥autñn, n,ñ / aêtñn, n,ñ ¥autoè,°w,oè / aêtoè,°w,oè ¥autÒ,»,Ò / aêt
Ò,»,Ò saétñn sautoè saétÒ ¤mautñn ¤mautoè ¤mautÒ
Dual
¥autoæw, w, / aêtoæw, w, Gen. de si mesmos ¥-autÇn > ¥autÇn / aêtÇn Dat. a si mesmos ¥
-autoÝw,aÝw,oÝw> ¥autoÝw,aÝw,oÝw /aêtoÝw,aÝw,oÝw N.V.A. os dois mesmos ¤-autÅ, ,Å
> ¥autÅ, ,Å / aêtÅ, ,Å G.D.L.I. dos/aos 2 mesmos ¥autoÝn,aÝn,oÝn > ¥autoÝn,aÝn,oÝn /
aêtoÝn,aÝn,oÝn
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Os correlativos
A palavra correlativo não deve nos prender ao quadro deles. Cada uma dessas pala
vras tem seu significado e função próprias. Contudo, há uma linha racional, semâ
ntica, relacional, que pode ser vista no processo de composição (prefixação e su
fixação). Assim, de um interrogativo direto, vamos ao indireto e daí ao indefini
do e ao demonstrativo, que sugere o relativo e finalmente o relativo indefinido.
O quadro da página seguinte é ilustrativo de coerência semântica e formal.
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Interr. Diretos tÛw,tÛ
Interr. Indir. ÷stiw, ´tiw, ÷ti
Indefinidos tiw, ti
Demonstrativos ÷de,´de,tñde oðtow, aëth, toèto ¤keÝnow,h,o este, esse, aquele to
Ýow, toiñsde, toioètow tal, desta, dessa qual. tñsow, tosñsde, tosoètow tanto, d
este tamanho/valor desse tamanho/valor tñsoi tantos thlÛkow thlikñsde thlikoètow
desta id.; dessa id. õ §terow um dos dois ¥k terow cada 1 dos 2, nenhum dos 2 pan
todapñw de todo país
Relativos ÷w ,´, ÷ ÷sper, ´per, ÷sper ÷per que oåow, a, on qual ÷sow, quanto ÷so
i quantos ²lÛkow que idade
Relativos Indef. ÷stiw, ´tiw, ÷ti õstisoèn, õstisd õstisd pou qualquer que õpoÝ
ow de qualquer qualidade õpñsow seja de que tam. for quão grande for qq. que sej
a o tam. õpñsoi seja quantos forem õphlÛkow de qualquer idade que seja õpñterow
qualquer 1 dos 2
quem? o que? poÝow, a, on qual? pñsow, h, on quanto? de que valor ou tamanho? pñ
soi ; quantos? phlÛkow ; de que idade?
quem, o que õpoÝow, a, on qual õpñsiw, h, on quanto, de que valor ou tamanho õpñ
soi quantos õphlÛkow de que idade õpñterow quem/ qual dos dois õpodapñw de que p
aís
alguém, algo poiow, a, on de certa qualidade posow, h, on de algum tam./ val., u
m quanto, de certo tam./valor posoi uns tantos phlikow de alg. idade poterow alg
. dos dois
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a flexão nominal: os temas nominais
pñterow ; quem/ qual dos dois? podapñw ; de que país?
õpodapñw de qualquer país que seja
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Pronomes pessoais
São os verdadeiros pronomes, isto é, vêm em lugar do nome; nem anafóricos nem ca
tafóricos. Eles têm origem na oralidade e são basicamente de 1 a e 2a pessoas: e
u, tu, numa linha horizontal, direta, binária e singular. Os outros pronomes: 1
a e 2a pessoas do plural são analógicas; o mesmo se pode dizer do dual. O único
e verdadeiro pronome ( ntinvmÛa) é ¤gÅ, eu, que não tem gênero, nem plural ( nós não
significa vários eu ) e não tem derivados (as formas de outras funções se constroem
sobre uma outra raiz: ¤gÅ eu sujeito nominativo ¤m¡ me objeto direto acusativo
¤moè de mim complemento/adjunto adnominal genitivo ¤moÛ a mim, mim, me complemen
to/adjunto adnominal dativo A segunda pessoa tu, sæ, tu, o outro pólo do diálogo
, também não tem gênero nem número ( vós não significa vários tu ), mas tem as formas
oblíquas construídas sobre a mesma raiz: sæ tu sujeito nominativo s¡ te objeto d
ireto acusativo soè de ti complemento/adjunto adnominal genitivo soÛ a ti, te co
mplemento/adjunto adnominal dativo As 3as pessoas, singular e plural, estão fora
do eixo do diálogo; são dêiticos. É essa a origem dos pronomes das 3 as pessoas,
desde o grego e latim até às línguas modernas. Em grego, o sistema de flexão ver
bal era suficientemente forte para dispensar a menção do pronome pessoal agente
ou paciente sujeito, a não ser que se quisesse insistir sobre a pessoa, ela e nã
o outra: - sou eu que..., és tu que... (e não outro).26
26
Ver a identificação das pessoas gramaticais nas desinências verbais à p. 23.
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Quadro de flexão dos pronomes pessoais
Primeira pessoa Singular Nom. ¤gÅ Voc. Acus. ¤m¡ / me Gen. ¤moè / mou ¤moÛ / moi
Dat. Loc. ¤moÛ / moi Instr. ¤moÛ / moi N.V.A. G.D.L.I. Segunda pessoa Singular
Nom. sæ Voc. Acus. s¡ / se Gen. soè / sou Dat. soÛ / soi Loc. soÛ / soi Instr. s
oÛ / soi N.V.A. G.D.L.I.
eu me de mim a mim em mim por mim
Plural ²meÝw ²m w ²mÇn ²mÝn ²mÝn ²mÝn Dual nÅ / nÇi nÒn / nÇin Plural êmeÝw êm w êmÇ
n êmÝn êmÝn êmÝn Dual sfÅ / sfÇi sfÒn / sfÇin
nós nos de nós a nós em nós por nós nós dois a, de nós dois
tu te de ti a ti em ti por ti
vós vos de vós a vós em vós por vós vós dois a, de vós dois
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Notas: 1. As variantes não acentuadas, por serem átonas, são enclíticas e menos
fortes. 2. A forma antiga do pronome de 2a pessoa é tæ (latim tu). 3. Como já fo
i visto, não há pronomes pessoais de 3 a pessoa. Ela está fora do eixo do diálog
o. Então, naturalmente é um dêitico, anafórico. Em grego é o dêitico oðtow, aìth
, toèto - esse, essa, isso e aétñw, ,ñ - mesmo, o mesmo, o próprio que o substi
tuem. Uma explicação possível da origem de aétñw é:- aé - por sua vez, também +
to, esse, aquele.27 Vejam-se as notas no quadro das flexões dos dêiticos. 4. Às
vezes, para dar ênfase à pessoa, em oposição a outra ou outras, usase acrescenta
r a partícula restritiva, enfática -ge. ¦gvge - eu, por mim ; ¤moÛge dokeÝ - a m
im, pelo menos, parece 5. Em grego, como em latim, línguas de larga tradição ora
l, as expressões de tratamento são em 2 a pessoa (singular e plural). As express
ões de tratamento em 3 a pessoa têm origem litúrgica, palaciana, subserviente e
servil e se baseiam no receio da abordagem direta. Em alguns países e regiões de
língua portuguesa e castelhana, esse tratamento prevalece e lembra as relações
senhoriais de uma sociedade escravocrata. A pñliw grega não concebia essas expre
ssões de tratamento. 6. Em Homero, existe um pronome de 3a pessoa, salvo no nomi
nativo, e é considerado reflexivo, com significado forte. A partir dele a língua
usa às vezes uma forma não reflexiva, fraca, enclítica.
27
É a hipótese de A. Meillet, Traité de Grammaire Comparée du Grec et du Latin, p.
741.
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Quadro de flexão do pronome de 3a pessoa
N.V. A. §, mÛn se, o, a G. eåo ,§o, eð, §yen dele D.L.I. oå, ¥oÝ lhe
Singular
Plural sf¡aw, sf¡ se, os, as sfeÛvn, sf¡vn deles sfÛsi, sfÝ lhes
Dual sfv¡ sfvÝn sfvÝn
No ático e na prosa jônica houve uma simplificação desse quadro. N. A. G. D. Sin
gular § < sWe oð oå / oß se de si (sui) a si mesmo (sibi) Plural sfeÝw sf w sfÇn s
fÛsi eles mesmos (suj.) se mesmos (o.d.) de si mesmos a si mesmos
Mesmo assim, essas formas, sozinhas, se usam pouco; em geral vêm enfatizadas pel
o pronome em aposição aétñw, ,ñ, nas segundas e sobretudo na 3a pessoa, que é o
uso mais comum, com valor reflexivo, isto é, quando o ato retorna ao seu agente.
O sofòw ¤n aêtÒ perif¡rei t‾n oésÛan. (¥-autÒ) O sábio leva nele mesmo sua rique
za Or¡sthw feægvn ¦peisen AyhnaÛouw ¥autòn kat gein. Orestes, estando no exílio, per
suadiu os Atenienses de trazê-lo de volta. GnÇyi sautñn. (se-aétñn) Conhece te a
ti-mesmo. Tòn fÛlon pròw ¥autòn ¦labe. (¥-aétñn) Ele pegou o amigo para junto d
e si. L¡gousi ÷ti metam¡lei aêtoÝw (¥-aétoÝw) Eles afirmam que [isso] lhes traz
preocupação.
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Temas em consoante e soante/semivogal
Pertencem a este grupo todos os substantivos masculinos, femininos e neutros e t
odos os adjetivos e dêiticos cujo tema termina em consoante ou soante/semivogal.
Qualquer consoante pode servir de tema, menos m, j, c; as soantes/ semivogais s
ão: i, u, W, j.
Quadro geral das desinências
Masc./Fem. Nom. Voc. Ac. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Ac. Gen. Dat. Loc. Inst
r. Singular -w/alongamento da vogal temática Tema puro/desinência zero /igual ao
nom. -n > a -ow -i -i -i Plural -ew -ew -nw > aw / enw> eiw -vn -si -si -si Neu
tros Tema puro/desinência zero Tema puro/desinência zero Tema puro/desinência ze
ro -ow -i -i -i -a -a -a -vn -si -si -si -e -oin
Dual N.V.A. -e G.D.L.I. -oin
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Notas: 1. Como se pode notar, apenas duas desinências são consonânticas: o nomin
ativo singular masc./fem.: -w e o dat./loc./inst. plural: -si. O acusativo sing.
e plural masc/fem. não é consonântico; ele é em líqüida/soante -n que se vocali
za em -a sempre que, em posição final, vem depois de consoante (patrÛd-n > patrÛ
da) e sofre síncope, quando precedido de vogal e seguido de -w (Þxyæ-nw > Þxyæw)
. Isso nos leva a concluir que a flexão desses nomes é bastante fácil: basta acr
escentar as desinências vocálicas aos temas em consoante, com que fazem sílaba,
e aos temas em semivogal, com que fazem ditongo. 2. Nas desinências em consoante
(-w/-si), o encontro das consoantes temáticas com essas desinências se resolve
observando-se as normas fonéticas comuns. Mostraremos isso em detalhe nos quadro
s de flexão. 3. Nos nomes de tema em u- (Þxyu-), o nominativo plural Þxyæ-ew pod
e se contrair em Þxyæw; o mesmo acontecendo no acusativo plural Þxyænw em Þxyæw.
Nesses dois casos há o alongamento compensatório do u. Nesse caso normalmente o
acento deveria ser circunflexo, em se tratando de sílaba final longa. Mas, por
convenção, não se acentuam com circunflexo os acusativos plurais longos, mesmo c
om sílaba final tônica: õdoæw, deinoæw, gor w, kefal w. 4. As gramáticas registram de
sinências iguais em -eiw para o nominativo e acusativo plural em alguns nomes e
adjetivos: pñleiw - lhyeÝw. Na verdade, o ditongo -ei nos dois casos é um resulta
do aparentemente igual, mas produto de componentes diferentes. a) No caso do Nom
. pl. pñleiw, é o resultado da contração de e-e: pñlejew > pñle-ew > pñleiw. O -
j- em posição intervocálica sofre síncope, pondo em contato duas vogais, que o á
tico reduz em ditongo. b) No caso do Acus. pl., pñleiw é o resultado da vocaliza
ção do -jantes de consoante e posterior síncope do -n- diante de -w-: pñlej-nw >
pñleinw > pñleiw. c) No caso do Acus. pl. lhyeÝw, a evolução é a seguinte: lhy¡s-
nw > lhy¡nw > lhyeÝw.
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Síncope das duas consoantes -sn- antes do -w e alongamento compensatório da voga
l anterior. 5. Os nomes de tema em es- (g¡nes-, lhy¡s-, SÅkrates-), ao receberem
uma desinência vocálica, sofrem a síncope desse -s- e põem em contato duas vogai
s, formando um iato, que, no dialeto ático, é reduzido por contração: g¡nes-a >
g¡nea > g¡nh Svkr tes-ow > Svkr teow > Svkr touw 6. Os nomes de tema em nt- têm dois t
ratamentos diferentes no nominativo singular masculino: a) os nomes de tema em -
ont- (l¡ont-,) e os particípios do infectum em -ont- (læ-o-nt-), ao receberem o
-w do nominativo masculino singular, sofrem apócope do -w e do -t-, e, por compe
nsação, alongam a vogal do tema: T. l¡ontl¡ont-w l¡vn T. læ-o-nt- læ-o-nt-w lævn
.28 b) os outros temas em -nt-, ao receberem -w no masculino, sofrem a síncope29
do -nt- antes do -w e, por compensação, alongam a vogal do tema: T. gÛgantgÛgan
tw > gÛgaw T. læ-sa-nt- læsantw > læsaw T. lu-y -nt- luy ntw > luy¡ntw > luyeÛw
T. deÛk-nu-nt- deiknæntw > deiknæw (as vogais a, i, u têm o mesmo registro, quer
sejam longas quer sejam breves). 7. No dativo plural, as consoantes -nt- do tem
a sofrem síncope 30 antes do -si e alongam, por compensação, a vogal anterior: T
. l¡ontl¡ont-si > l¡ousi T. læo-ntlæont-si > læousi T. gÛgantgÛgant-si > gÛgasi
T. lu-y -ntluy¡nt-si > luyeÝsi T. deÛk-nu-nt- deÛknunt-si > deÛknusi.
28
Uma outra hipótese é que o -t do tema em posição final sofre apócope e a seguir
a vogal anterior se alonga no nominativo masc./fem., como os temas en -n. 29 Suc
essivamente do t e do n. 30 Sucessivamente do t e do n.
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a flexão nominal: os temas nominais
8. Os nomes masculinos e femininos de tema em líqüida (n, r) alongam a vogal do
tema no nominativo:31 T. =°tor- õ = tvr = torow o orador T. daÝmon- õ daÛmvn daÛ
monow o nume 9. Alguns nomes em líqüida têm o tema longo: gÅn- gÇn-ow. Nesse caso,
naturalmente, constroem toda a flexão sobre o tema longo: T. gÅn- : Nom. s. õ gÅn
Dat. pl. toÝw gÇnsi > gÇsi 10. No dativo/locativo/instrumental plural os nomes em
-n depois de vogal temática breve sofrem síncope do -n antes do -si, sem alonga
rem a vogal anterior:
T. daÝmon - Nom.s õ daÛmvn Gen.s toè daÛmon-ow D.L.I.pl. toÝw daÛmosi; T. lim¡n
- Nom.s õ lim n Gen.s toè lim¡n-ow D.L.I.pl. toÝw lim¡si
Mas, quando houver síncope de -nt-, o alongamento compensatório é natural, por s
erem duas as consoantes suprimidas: T. l¡ontõ l¡vn toÝw l¡ont-si > l¡ousi T. luy
¡ntluyeÛw toÝw luy¡nt-si > luyeÝsi 11. Os neutros não têm desinência própria (de
sinência zero). Nos casos sintáticos do singular (nom., voc., acus.) mantêm desin
ência zero , isto é, o próprio tema. Nos casos concretos do singular e plural (gen
., dat., loc., instr.) usam as desinências do masc./fem. O -a do nom., voc., acu
s. plural é a marca do coletivo indo-europeu. Uma vez reconhecido o tema do subs
tantivo ou adjetivo e identificado seu gênero, não será difícil flexionar todos
esses nomes. As irregularidades que acontecem são problemas fonéticos que se resol
vem no aparelho fonador, dentro das normas fonéticas do grego.
31
Seria uma espécie de compensação pela queda do -w final, que é a marca do nom. m
asc./fem.
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Exercício prático de identificação dos temas
Instruções: 1. Na primeira coluna está o genitivo singular 32. Isolada a desinên
cia do genitivo, em princípio, teremos o tema. Convém notar, contudo, que, em al
gumas palavras, a desinência do genitivo singular sofre alterações fonéticas, co
mo nos temas em -w, W, e j.: T. g¡nesg¡nes-ow > g¡neow > g¡nouw do gênero, da ra
ça T. steW steW-ow > ste-ow > stevw da cidadela T. pñlj-, ej-, hj- pñlhj-ow > pñlh-ow
> pñlevw da cidade Esse fato dificulta a identificação do tema. 2. Na segunda c
oluna está o nominativo singular: Se é igual ao tema, trata-se de um neutro, por
que o neutro tem desinência zero no nom. sing. Os neutros de tema em oclusiva nã
o a mantêm em posição final: T. sÇmat- sÅmat-ow tò sÇma o corpo T. luy¡nt- luy¡n
t-ow luy¡n desligado, solto a) Os neutros de tema em -w e em -r têm a vogal ante
rior ao -sbreve, por serem o próprio tema, contrariamente aos masculinos e femin
inos que a têm longa:
T. g¡nesg¡nes- ow > g¡nouw T. SÅkrates- Svkr tes-ow > Svkr touw T. lhy¡s(masc. e fem.
) (neutro) tò g¡now raça, gênero õ Svkr thw Sócrates lhy w, real, verdadeiro lhy¡w
b) Se tem um -w combinado ou não com outra consoante oclusiva: T. fl¡b- > fleb-ñ
w fl¡c, ² a veia T. aäg- > aÞg-ñw aäj, ² a cabra T. lamp d- > lamp d-ow lamp w, ² a to
cha, archote trata-se de um masculino ou feminino.
32
Mantivemos essa norma tradicional, porque é assim que as gramáticas e dicionário
s registram os nomes, para indicar a que declinação pertencem. Cremos que, ao lado
disso, deveríamos registrar os temas.
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c) Se a vogal temática está alongada: T. =°tor > = tor-ow = tvr, õ o orador T. l
¡ont- > l¡ont-ow l¡vn, õ o leão T. poim¡n > poim¡n-ow poim n, õ o pastor trata-s
e de um nome masculino ou feminino de tema em líqüida r, -n ou -ont d) Se tem um
-w acrescentado à semivogal do tema: T. Þxyæ- > Þxyæw-æow, o o peixe T. á> áw,
ßñw, ² a força trata-se de um masculino ou feminino em -i / -u 3. Na terceira co
luna está o vocativo singular. Rigorosamente, deve ser o tema puro (desinência z
ero) igual ao da primeira coluna, porque o vocativo não é caso e por isso não de
ve ter desinência (desinência zero). Se o vocativo for igual ao nominativo, é po
rque o tema é em consoante, e a apócope dela em posição final descaracterizaria
fonética e semanticamente o nome 33. 4. Na quarta coluna está o dativo, loc., in
str., plural. O encontro da desinência -si com o tema deve produzir os mesmos re
sultados fonéticos que no nominativo singular do masc. e fem. a) nos temas em -r
, o -si se adapta normalmente; = tor-si; b) nos temas em -n há a síncope dessa c
onsoante sem mais conseqüências; T. ²gemñn- ²gemñn-si > ²gemñsi c) nos temas em
-nt há síncope dessas duas consoantes e alongamento da vogal anterior. T. l¡ont-
l¡ont-si > l¡ousi d) nos temas em oclusivas labiais e velares, o -w da desinênc
ia resulta em c com as labiais e j com as velares; com as dentais há a assimilaç
ão da dental >ss e posterior redução >s; e) nos temas em -s, há a duplicação >ss
e posterior redução >s.
33
Ver explicação mais detalhada no capítulo da flexão nominal (p. 95-6).
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Gen. sing. paid-ñw fleb-ñw gup-ñw kat lif-ow aÞg-ñw fælak-ow g¡ront-ow læont-ow
læont-ow önt-ow önt-ow ôdñnt-ow pant-ñw pant-ñw deiknænt-ow deiknænt-ow luy¡nt-o
w luy¡nt-ow gÛgant-ow læsant-ow læsant-ow = tor-ow gast¡r-ow yhr-ñw aÞy¡r-ow n¡k
tar-ow l-ñw fr¡at-ow ´pat-ow gra-ñw m nte-vw pel¡ke-vw st-evw p x-evw
Nom. sing. Voc. sing. paÝw fl¡c gæc kay°lic aäj fælaj g¡rvn lævn lèon Ên ön ôdoæ
w p w p n deiknæw deiknæn luyeÛw luy¡n gÛgaw læsaw lèsan = tvr gast r y°r aÞy r n¡kt
ar lw fr¡ar ¸par graèw m ntiw p¡lekuw stu p°xuw paÝ fl¡c gæc kay°lic aäj fælaj g¡ron
lèon lèon ön ön ôdñn p n p n deiknæn deiknæn luy¡n luy¡n gÛgan lèsan lèsan =°tor g st
er y°r aÞy¡r n¡ktar lw fr¡ar ¸par graè m nti p¡leku stu p°xu
Dat. pl. paisÛ flecÛ gucÛ kay lici aÞjÛ fælaji g¡rousi læousi læousi oïsi oïsi ô
doèsi p si p si deiknèsi deiknèsi luyeÝsi luyeÝsi gÛgasi læsasi læsasi = torsi gast¡
rsi yhrsÛ aÞy¡rsi n¡ktarsi lsÛ fr¡asi ´pasi grausÛ m ntesi pel¡kesi stesi p xesi men
ino, menina a veia o abutre o sótão a cabra o vigia o ancião desligante desligan
te quem é - masc. o que é - neut. o dente todo homem - masc. toda coisa - neut.
mostrante - masc. mostrante - neut. desligado - masc. desligado - neut. gigante
tendo desligado - m. tendo desligado - n. o orador o estômago a caça, presa, fer
a o éter o néctar o sal o poço o fígado a velha o adivinho o machado a cidadela
o côvado
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Gen. sing. ²d¡-ow ²d¡-ow bay¡-ow tax¡-ow Èk¡-ow tri r-ouw Svkr t-ouw Dhmosy¡n-ouw
Prajit¡l-ouw g¡n-ouw b y-ouw ìc-ouw lhy-oèw lhy-oèw sun y-ouw sun y-ouw ceud-oèw ceu
d-oèw ceæd-ouw Hrakl¡-ouw aÞd-oèw peiy-oèw ±x-oèw Lht-oèw Sapf-oèw kr¡-vw g r-vw
g¡r-vw ndr-ñw gunaik-ñw Apñllvn-ow Ar-evw D mhtr-ow Di-ñw
Nom. sing. Voc. sing.
Dat. pl. ²d¡si ²d¡si bay¡si tax¡si Èk¡si tri resi suave, doce - masc. suave, doc
e - neut. profundo rápido veloz trirreme Sócrates Demóstenes Praxíteles gênero,
raça profundidade altura verdadeiro - masc. verdadeiro - neut. habitual - masc.
habitual - neut. falso - masc. falso - neut. a mentira Heraclés respeito, pudor
persuasão eco Letô - Latona Safo carne velhice dom, presente varão mulher Apolo
Ares Deméter Zeus
²dæw ²dæ ²dæ ²dæ bayæw bayæ taxæw taxæ Èkæw Èkæ tri rhw trÛhrew Svkr thw SÅkratew
Dhmosy¡nhw Dhmñsyenew Prajit¡lhw PrajÛtelew g¡now g¡now b yow b yow ìcow ìcow lhy w lh
y¡w lhy¡w lhy¡w sun yhw sun°yew sun°yew sun°yew ceud w ceud¡w ceud¡w ceud¡w ceèdow
ceèdow Hrakl°w Hr kleiw aÞdÅw aÞdoÝ peiyÅ peiyoÝ ±xÅ ±xoÝ LhtÅ LhtoÝ SapfÅ SapfoÝ k
r¡aw kr¡aw g°raw g°raw g¡raw g¡raw n r ner gun gænai Apñllvn Apollon Arhw Arew Dhm t
r D mhter Zeæw Zeè
g¡nesi b yesi ìcesi lhy¡si lhy¡si sun yesi sun yesi ceud¡si ceud¡si ceædesi
kr¡asi g rasi g¡rasi ndr si gunaijÛ
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Gen. sing. ´rv-ow m rtur-ow k¡rat-ow k¡r-vw ne-Åw ôneÛrat-ow PoseidÇn-ow ê-oè ê¡-o
w/êi¡-ow xeir-ñw xer-ñw kont-ow kont-ow ¥kñnt-ow xari¡nt-ow xari¡nt-ow t¡ren-ow t¡
ren-ow didñnt-ow didñnt-ow lamp d-ow örniy-ow frontÛd-ow sÅmat-ow x rit-ow gÇn-ow lim
¡n-ow hdñn-ow =in-ñw eédaÛmon-ow l¡ont-ow m¡lan-ow m¡lan-ow meÛzon-ow
Nom. sing. Voc. sing. ´rvw m rtuw k¡raw k¡raw naèw önar PoseidÇn êñw êñw xeÛr xeÛr
kvn kon ¥kÅn xarieÛw xari¡n t¡rhn t¡ren didoæw didñn lamp w örniw frontÛw sÇma x riw g
Ån lim n hdÅn =Ûw eédaÛmvn l¡vn m¡law m¡lan meÛzvn ´rvw m rtu k¡raw k¡raw naè önar
Pñseidon ê¡ ê¡ xeÛr xeÛr kon kon ¥kñn xari¡n xari¡n t¡ren t¡ren didñn didñn lamp w ö
rni frontÛ sÇma x ri gÅn lim¡n hdñn =Ûw eëdaimon l¡on m¡lan m¡lan meÝzon
Dat. pl. herói testemunha chifre, ala chifre, ala nau sonho Poseídon êoÝw filho
ê¡si filho xersÛ mão xersÛ mão kousi invito - masc. kousi invito - neut. ¥koèsi vo
luntário xarieÝsi grato, gracioso xarieÝsi grato, gracioso t¡resi tenro - masc.
t¡resi tenro - neut. didoèsi dante, dando - masc. didoèsi dante, dando - neut. l
amp si tocha örnisi pássaro, ave frontÛsi mente, pensamento sÅmasi corpo graça, fa
vor x risi gÇsi liça, combate lim¡si porto hdñsi rouxinol =isÛ nariz eédaÛmosi conte
nte, feliz l¡ousi leão m¡lasi negro - masc. m¡lasi negro - neut. meÛzosi maior -
masc. ´rvsi m rtusi k¡rasi k¡rasi nausÛ ôneÛrasi
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Gen. sing. meÛzon-ow ²dÛon-ow ²dÛon-ow del¡at-ow p¡rat-ow kñrak-ow lÅpek-ow §lmin
y-ow kten-ñw Èt-ñw nakt-ow ²gemñn-ow mhn-ñw ktÝn-ow nukt-ñw flog-ñw ¤sy°t-ow rmat-o
w g lakt-ow m¡lit-ow dñrat-ow d kru-ow pur-ñw gñnat-ow kñruy-ow kleid-ñw ¡r-ow Þxyæ-o
w bñtru-ow n¡ku-ow su-ñw mu-ñw x¡lu-ow dru-ñw
Nom. sing. Voc. sing. meÝzon ²dÛvn ´dion d¡lear p¡raw kñraj lÅphj §lmiw kteÛw oïw
naj ²gemÅn m n ktÝn næj flñj ¤sy w rma g la m¡li dñru d kru pèr gñnu kñru kleÛw r Þxy
w bñtruw n¡kuw sèw mèw x¡luw drèw meÝzon ´dion ´dion d¡lear p¡raw kñraj lÅphj §lm
iw kt¡n oïw na ´gemon m n ktÝn næj flñj ¤sy°w rma g la m¡li dñru d kru pèr gñnu kñru kl
eÛ ¡r Þxyæ bñtru n¡ku sè mè x¡lu drè
Dat. pl. meÛzosi ²dÛosi ²dÛosi del¡asi p¡rasi kñraji lÅpeji §lmisi ktesÛ ÈsÛ naji
²gemñsi mhsÛ ktÝsi nujÛ flojÛ ¤sy°si rmasi g laji m¡lisi dñrasi d krusi pursÛ gñnasi k
ñrusi kleisÛ ¡rsi Þxyæsi bñtrusi n¡kusi susÛ musÛ x¡lusi drusÛ maior - neut. mais
suave - masc. mais suave - neut. isca limite, fim corvo raposa lombriga pente o
uvido senhor comandante, guia mês, lua raio noite chama veste, roupa carro, carr
uagem leite mel lança lágrima fogo joelho elmo, capacete chave ar peixe cacho de
uva morto, cadáver porco rato, camondongo tartaruga carvalho
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Gen. sing. pÛtu-ow krat°r-ow gumn°t-ow pñle-vw dun me-vw ìbre-vw AÞyÛop-ow ndri nt-ow
Arab-ow ¤l¡fant-ow patr-ñw mhtr-ñw yugatr-ñw basil¡-vw ßer-¡vw bo-ñw kun-ñw trix
-ñw ki-ñw teÛx-ouw pel g-ouw ny-ouw brab-¡vw drom-¡vw fæs-evw sin p-evw stÛmm-evw pep
¡r-evw
Nom. sing. Voc. sing. pÛtuw krat r gumn w pñliw dænamiw ìbriw AÞyÛoc ndri w Arac ¦le
faw pat r m thr yug thr basileæw ßereæw boèw kævn yrÛj kÝw teÝxow p¡lagow nyow brab
eæw dromeæw fæsiw sÛnapi stÛmmi p¡peri pÛtu krat r gumn w pñli dænami ìbri AÞyÛo
c ndri n Arac ¦lefan p ter m°ter yægater basileè ßereè boè kævn yrÛj kÝw teÝxow p¡lago
w nyow brabeè dromeè fæsi(w) sÛnapi stÛmmi p¡peri
Dat. pl. pÛtusi krat°rsi gumn°si pñlesi dun mesi ìbresi AÞyÛoci ndri si Araci ¤l¡fasi
patr si mhtr si yugatr si basileèsi ßereèsi bousÛ kusÛ yrijÛ kisÛ teÛxesi pel gesi nyesi
brabeèsi dromeèsi fæsesi sin pesi stÛmmesi pep¡resi pinheiro vaso, cratera ginasta
cidade potência, força insolência Etíope estátua Árabe marfim, elefante pai mãe
filha rei sacerdote boi, vaca cão, cadela cabelo caruncho de trigo parede, mura
lha o mar a flor árbitro corredor natureza mostarda antimônio pimenta
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Quadro geral das dificuldades fonéticas
Temas em Tema velar (a) T. fulakT. aigT. onuxo vigia a cabra a unha Nom. sing. D
.L.I. pl. fælaj aäj önuj gæc fl¡c kat°lic x riw paÝw örniw sÇma fælaji aÞjÛ önuji
gucÛ flecÛ kat lici x risi paisÛ örnisi sÅmasi
labial (b)
T. gupo abutre T. fleba veia T. kathlif- o porão, sotão T. T. T. T. xaritpaidorn
iysvmato favor menino (a) a ave o corpo
dental (c)
(a) Nominativo singular e dat. loc. instr. plural sigmáticos, combinando com a v
elar do tema: g, k, x - w > j (b) Nominativo singular e dat. loc. instr. plural
sigmáticos, combinando com a labial do tema: b, p, f - w > c Não há neutro de te
ma em labial (c) Nominativo singular masc./fem. e dat. loc. instr. plural sigmát
icos (a dental do tema se assimila e cai): d,t,y -w > ss > w. Nos neutros, a den
tal temática em posição final no nominativo singular sofre apócope: sÅmat > sÇma
; no dat. loc. instr. plural a dental do tema se assimila: sÅmat-si > sÅmassi >
sÅmasi.
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Temas em líqüida -r (a)
Tema =htor¦arr/er (b) patr-n (c) hgemonpoimen gvno orador a primavera o pai o coma
ndante o pastor o combate
Nom. sing. = tvr ¦ar pat r ²gemÅn poim n gÅn
D.L.I. pl. = torsi ¦arsi patr si ²gemñsi poim¡si gÇsi
líqüida
(a) Alongamento compensatório da vogal temática no nom. sing. masc./fem.; (=°tor
- > = tvr) desinência zero nos neutros (¦ar). (b) A flexão se faz sobre tema em
vocalismo zero (patr-) no genitivo (patr-ñw), dat. loc. e instr. sing. (patr-Û)
e sobre vocalismo e- nos outros casos, (p ter, pat¡r-a, pat¡r-ew. pat¡r-aw, pat¡r-
vn) e alongamento da vogal temática no nom. sing. (pat r). No dat.plural uma vog
al epentética -a- desfaz a seqüência das três consoantes -trs- (patrsi > patr si).
(c) Alongamento compensatório da vogal temática no nom. sing. masc. e fem. e sí
ncope do n antes do s no dat. loc. instr. plural. Temas em -ntTema -nt (a) gigan
tluyentluyentdeiknuntleontluontluontgigante desligado desligado que mostra leão
que desliga que desliga Nom. sing. gÛgaw luyeÛw (masc.) luy¡n (neutro) deiknæw l
¡vn lævn (masc.) lèon (neutro) D.L.I. pl. gÛgasi luyeÝsi luyeÝsi deiknèsi l¡ousi
læousi læousi
ont (b)
(a) Síncope das dentais -nt- diante do -w, no nominativo singular masc. com alon
gamento compensatório da vogal temática, o mesmo acontecendo no dat. loc. instr.
plural masc. e neutro.
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Apócope da dental final no nominativo singular neutro (luy¡nt > luy¡n). (b) Alon
gamento da vogal temática no nominativo singular masculino (síncope de -tw) leon
tw > l¡vn, læontw > lævn Apócope da dental final no nominativo do neutro (desinê
ncia zero) lèont- > lèon; no dat. loc. instr. plural, síncope das dentais -nt- a
ntes do -s, com alongamento compensatório da vogal temática (o > ou).
Temas em -s
Tema geneskreasaidosSvkratesalhyesalhyesa raça a carne o pudor Sócrates verdadei
ro verdadeiro
Nom. sing. g¡now (neutro) kr¡aw (neutro) aÞdÅw (fem.) Svkr thw (masc.) lhy w (masc.
) lhy¡w (neutro)
D.L.I. pl. g¡nesi kr¡asi *aÞdñsi lhy¡si lhy¡si
* aÞdñsi: é uma forma teórica (pudor, respeito não tem plural). Nos substantivos
neutros de tema em -es: alternância fonética -ow nos casos sintáticos do singul
ar e -es nos outros casos e no plural. Nos adjetivos neutros de tema em -es não
há alternância vocálica. Nos substantivos e adjetivos masculinos e femininos de
tema em -s-: alongamento da vogal temática no nominativo singular. Em toda a fle
xão dos substantivos e adjetivos de tema em -s, o s em posição intervocálica sof
re síncope e, no ático, as vogais em contato se contraem; no jônico não.
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Temas em u (a) j/ej/hj (b) hW (c) -W/eW (d)
Tema ixyupoljfonhWtaxeW-/taxW-
Nom. sing. peixe cidade assassino rápido Þxyæw pñliw foneæw taxæw
D.L.I. pl. Þxyæsi pñlesi foneèsi taxeèsi
(a) Contração possível e freqüente no nominativo plural masc. e fem. (Þxyæew > Þ
xyèw) e síncope do n antes do s no acusativo plural (Þxyænw > Þxyæw). (b) 1. voc
alização do j final e não intervocálico (nom., voc., acus. sing.): nom.: pñliw -
voc.: pñli / pñliw - acus.: pñlin 2. síncope do j intervocálico: dat. sing.: po
leji > pñle-i > pñlei 3. síncope do j intervocálico e metátese de quantidade: ge
n. sing.: pñlhjow > pñlhow/pñlevw 4. síncope do j intervocálico e contração das
vogais do mesmo timbre: nom. pl.: pñlejew > pñleew > pñleiw 5. vogais de timbre
diferente não se contraem: gen. pl.: pñlejvn > pñlevn (ditongação de -evn por an
alogia com o gen. sing.) 6. Vocalização do j depois de consoante e síncope do -n
antes do -w: acus. pl.: pñlejnw > pñleinw > pñleiw (c) 1. o W seguido de consoa
nte se vocaliza em -u. 2. metátese de quantidade: longa + breve > breve + longa.
fonhuw > foneæw 3. as vogais do mesmo timbre se contraem; as outras não. 4. no
D.L.I. do singular fon Wi > fon i; na seqüência de duas longas, a anterior se ab
revia: fon i > fon¡i> foneÝ (d) temas em W com vocalismo zero/e 1. vocalismo zer
o nos casos sintáticos do singular (nom., voc., acus.). 2. vocalismo e nos outro
s do singular e em todo o plural 3. vogais de tibre diferente não se contraem. O
W não intervocálico ou em posição final se vocaliza em u.
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Observação: As informações necessárias para a flexão dos nomes em consoante e se
mivogal estão aí. Contudo, há uma lista de alguns nomes que apresentam uma certa
anormalidade. Não são propriamente irregularidades; são algumas formas que evol
uíram foneticamente e ficaram petrificadas, ao lado de outras; mas são muito pou
cas e estão no quadro prático de reconhecimento do tema e na lista dos heteroclí
ticos (p. 216).
Quadros de flexão:
1. Nomes de tema em oclusiva velar: T. T. T. T. T. fælaks lpiggönuxb°xtrÛxõ ² ² ²
² fælaj s lpigj önuj b°j yrÛj fælakow s lpigg-ow önux-ow bhx-ñw trix-ñw
önuj önuj önux-a önux-ow önux-i önux-i önux-i önux-ew önux-ew önux-aw ônæx-vn ön
uji önuji önuji
o vigia a trombeta a unha, a garra a tosse o cabelo
b°j b°j b°x-a bhx-ñw bhx-Û bhx-Û bhx-Û b°x-ew b°x-ew b°x-aw bhx-Çn bhjÛ bhjÛ bhj
Û yrÛj yrÛj trÛx-a trix-ñw trix-Û trix-Û trix-Û trÛx-ew trÛx-ew trÛx-aw trix-Çn
yrijÛ yrijÛ yrijÛ
Sing. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Pl. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. I
nstr.
fælaj fælaj fælak-a fælak-ow fælak-i fælak-i fælak-i fælak-ew fælak-ew fælak-aw
ful k-vn fælaji fælaji fælaji
s lpigj s lpigj s lpigg-a s lpigg-ow s lpigg-i s lpigg-i s lpigg-i s lpigg-ew s lpigg-ew s
salpÛgg-vn s lpigji s lpigji s lpigji
fælak-e s lpigg-e önux-e b°x-e trÛx-e Dual N.V.A. G.D.L.I. ful k-oin salpÛgg-oin ônæ
x-oin b x-oin trÛx-oin
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Notas: 1. Velar seguida de sigma (g,k,x + w > j), no nominativo singular e dat.
loc. instr. plural. 2. Sempre que, na flexão, a aspirada do tema (aqui é x) é se
guida de sigma, ela perde a aspiração, e a consoante surda que fica combina com
o sigma, sendo representados pela consoante dupla j. trÛx-w > yrikw > yrÛj. 3. N
esses casos, a aspiração se desloca para a primeira consoante compatível (trix-/
yrÛj/ yrijÛ) (dissimilação). Contudo, quando esse deslocamento descaracteriza a
palavra, a compensação não se faz: b°j bhxñw (e não *f°j). 4. A palavra gun - g
unaik-ñw (T. gunaik-) desloca a tônica para a posição de oxítona no genit. e dat
. loc. instr. singular e plural como os monossílabos e faz o nominativo singular
-k (desinência zero), o que reduz o tema a gunai, por causa da apócope do -k fi
nal; essa é a forma do vocativo: gænai. O nominativo singular gun é uma variant
e oxítona do tema. 5. Todas as palavras de temas monossilábicos deslocam a tônic
a para uma posição de oxítonos ou perispômenos no dat. loc. instr. e gen. singul
ar e plural. 6. Não há neutros de tema em oclusiva velar.
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2. Nomes de tema em oclusiva labial: T. T. T. T. T.
Sing.
Arabgèpfl¡bkat°lifAiyÛopNom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen
. Dat. Loc. Instr.
õ õ ² ² õ
Arac gèc fl¡c kay°lc AÞyÛoc
Arab-ow gup-ñw fleb-ñw kat lif-ow AÞyÛop-ow
AÞyÛoc AÞyÛoc AÞyÛop-a AÞyÛop-ow AÞyÛop-i AÞyÛop-i AÞyÛop-i
o árabe o abutre, gavião a veia o sótão o etíope
fl¡c fl¡c fl¡b-a fleb-ñw fleb-Û fleb-Û fleb-Û fl¡b-ew fl¡b-ew fl¡b-aw fleb-Çn fl
ecÛ flecÛ flecÛ gèc gèc gèp-a gup-ñw gup-Û gup-Û gup-Û gèp-ew gèp-ew gèp-aw gup-
Çn gucÛ gucÛ gucÛ
Arac Arac Arab-a Arab-ow Arab-i Arab-i Arab-i Arab-ew Arab-ew Arab-aw Ar b-vn A
kay°lic k y°lic kat lif-a kat lif-ow kat lif-i kat lif-i kat lif-i kat lif-ew kat
lif-ew kat lif-aw kathlÛf-vn kay lici kay lici kay lici
Pl.
AÞyÛop-ew AÞyÛop-ew AÞyÛop-aw AÞyiñp-vn AÞyÛoci AÞyÛoci AÞyÛoci
Dual
N.V.A. Arab-e kat lif-e AÞyÛop-e fl¡b-e gèp-e G.D.L.I. Ar b-oin kathlÛf-oin AÞyiñp-o
in fl¡b-oin gæp-oin
Notas: 1. O vocativo singular é igual ao nominativo. É que o vocativo de desinên
cia zero terminaria nas oclusivas p, b, f, que, em posição final, sofreriam apóc
ope com a conseqüente descaracterização fonética e semântica da palavra. 2. A al
ternância t/y em kay°lic corresponde à alternância f/c da desinência: assimilaçã
o da consoante surda p e deslocamento da aspiração sobre a dental próxima t > y.
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3. Nomes de tema em dental (masc./fem.): T. T. T. T. T. T.
Sing.
paÝdpatrÛd¦ridx ritörniyneñthtNom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. paÝw paÝ paÝd-
a paid-Û paid-Û paid-Û
õ/² paÝw ² patrÛw ² ¦riw ² x riw ²/õ örniw ² neñthw
patrÛw patrÛ patrÛd-a patrÛd-i patrÛd-i patrÛd-i patrÛd-ew patrÛd-ew
paid-ñw patrÛd-ow ¦rid-ow x rit-ow örniy-ow neñtht-ow
¦riw ¦ri ¦rin ¦rid-ow ¦rid-i ¦rid-i ¦rid-i ¦rid-ew ¦rid-ew ¦rid-aw ¦risi ¦risi ¦
risi ¦rid-e x riw x ri x rin x rit-ow x rit-i x rit-i x rit-i x rit-ew x rit-ew x rit-aw x
isi x rit-e
o menino, menina a pátria a disputa, briga, rixa a graça, o favor o pássaro, a a
ve a mocidade, juventude
örniw örni örnin örniy-i örniy-i örniy-i örniy-ew örniy-ew neñthw neñthw neñtht-
a neñtht-i neñtht-i neñtht-i neñtht-ew neñtht-ew
paid-ñw patrÛd-ow
örniy-ow neñtht-ow
Pl.
Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr.
paÝd-ew paÝd-ew
paÝd-aw patrÛd-aw paid-Çn patrÛd-vn paisÛ paisÛ paisÛ paÝd-e patrÛsi patrÛsi pat
rÛsi patrÛd-e
örniy-aw neñtht-aw örnisi örnisi örnisi örniy-e neñthsi neñthsi neñthsi neñtht-e
¤rÛd-vn xarÛt-vn ôrnÛy-vn neot t-vn
Dual
N.V.A.
G.D.L.I. paÛd-oin patrÛd-oin
¤rÛd-oin xarÛt-oin ôrnÛy-oin neot t-oin
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Notas: l. O vocativo singular tem normalmente desinência zero; contudo, poderemo
s encontrá-lo, com certa freqüência, igual ao nominativo (ver p. 184, nota 1 - f
lexão dos temas em labial). 2. Os nomes de -i- temático e pré-desinencial átono
(¦riw, x riw, örniw) sofrem a síncope da consoante dental antes do -n e fazem o ac
usativo como se fossem de tema em -i. ¦rin - x rin - örnin, e os de -i- temático e
pré-desinencial tônico mantêm a dental patrÛdn > patrÛda. 3. No plural, a palav
ra örniw se encontra em duas variantes nos casos sintáticos: örniyew / örneiw. 4
. Também têm T. ¦rvtT. ßdrÇtT. xrvtT. g¡lvttema em dental: õ ¦rvw ¦rvtow õ ßdrÇw
ßdrÇtow õ xrÇw xrvtñw (variante xrojñw) õ g¡lvw g¡lvtow (variante g¡lojow) a no
ite o senhor, soberano o amor o suor a pele o riso
5. Também têm tema em dental: T. nukt² næj nukt-ñw T. nakt- õ naj nakt-ow
As formas estranhas do nom. sing. e dat. loc. instr. plural se explicam foneticame
nte:
Nom. sing. Voc. sing. D.L.I. plural nukt-w > nukw > næj nakt-w > nakw > naj næj (se
ria: nu (nukt > nuk > nu)) nakt > nak > na / naj nukt-si > nuksÛ > nujÛ nakt-si > nak
i > naji
No nominativo singular e dativo plural, a dental -t se assimila ao -s que, em co
ntato da gutural -k, é representado pelo j. No vocativo singular nakt > na há apóc
ope sucessiva das consoantes finais. 6. O vocativo singular é o próprio tema que
sofre apócope da consoante final, mas sempre que isso represente uma descaracte
rização fonética (e semântica) da palavra, a opção é sempre pela analogia com o
nominativo. É o caso, por exemplo, em neñthw. A consoante final oclusiva do voca
tivo de desinência zero neñtht- cairia; daí a opção por neñthw.
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4. Nomes neutros de tema em dental: T. stñmatT. m¡litT. pr gmatT. g laktT. ´patT. ìd
attò stñma stñmat-ow tò m¡li m¡lit-ow tò pr gma pr gmat-ow tò g la tò ¸par tò ìdvr g lak
t-ow ´pat-ow ìdat-ow a boca o mel o fato, o feito, o negócio, a coisa o leite o
fígado a água
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V.
stñma stñma stñma stñmat-ow stñmat-i stñmat-i stñmat-i stñmat-a stñmat-a stñmat-
a stom t-vn stñmasi stñmasi stñmasi stñmat-e
m¡li m¡li m¡li m¡lit-ow m¡lit-i m¡lit-i m¡lit-i m¡lit-a m¡lit-a m¡lit-a melÛt-vn
m¡lisi m¡lisi m¡lisi m¡lit-e melÛt-oin
pr gma pr gma pr gma pr gmat-ow pr gmat-i pr gmat-i pr gmat-i pr gmat-a pr gmat-a pr gmat-a
pr gmasi pr gmasi pr gmasi pr gmat-e pragm t-oin
g la g la g la g lakt-ow g lakt-i g lakt-i g lakt-i g lakt-a g lakt-a g lakt-a g laji g laj
¸par ¸par ¸par ´pat-ow ´pat-i ´pat-i ´pat-i ´pat-a ´pat-a ´pat-a ´pasi ´pasi ´pa
si ´pat-e
ìdvr ìdvr ìdvr ìdat-ow ìdat-i ìdat-i ìdat-i ìdat-a ìdat-a ìdat-a êd t-vn ìdasi ìda
si ìdasi ìdat-e êd t-oin
gal kt-vn ²p t-vn
G.D.L.I. stom t-oin
gal kt-oin ²p t-oin
Notas: 1. Os temas em -mat- (pr gma-tow) são bastante numerosos e incontáveis; são
substantivos deverbais, construídos sobre o tema verbal puro do aoristo, e sign
ificam o resultado da ação. Em princípio, qualquer tema verbal pode produzir um
nome em mat.
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2. O tema galakt- está incluído entre os temas em dental porque de fato o é; con
tudo há um duplo acidente fonético com ele no dativo plural: a dental, em contat
o com o sigma, se assimila e sofre síncope: (galakt-si > galaks-si g lak-si); a se
guir, a gutural, em contato com o sigma, é expressa pela consoante dupla -j- (ga
lak-si > g laji). Ver næj e naj na página anterior. No nom. voc. acus. singular que
é o tema puro g lakt, as consoantes finais sofrem apócope sucessivamente: g lakt >
g lak > g la. 3. Não é demais lembrar que, pelo fato de a desinência do nominativo s
ingular neutro ser zero, os temas de neutros em -t sofrem apócope dessa consoant
e nos casos sintáticos do singular: stñmat > stñma a boca m¡lit > m¡li o mel pr gm
at > pr gma o fato, a ação g lakt > g lak > g la o leite 4. Há um certo número de temas
em -t (todos primitivos, neutros e de significado concreto, por serem nomes de o
bjetos do cotidiano), que compensam a desinência zero do nominativo singular e a
apócope da dental, acrescentando uma das três consoantes finais que não sofrem
apócope, o -r certamente por analogia com ² d mar-d mart-ow, a mulher, senhora, dona
, e também por causa do vogal temática a. Em geral são paroxítonos: T. fr¡at- fr
¡ar fr¡at-ow poço T. del¡at- d¡lear del¡at-ow isca T. leÛfat- leifar leÛfat-0w ungü
ento T. eàdateädar eàdat-ow alimento T. st¡at- st¡ar st¡at-ow toucinho, banha, g
raxa, sebo T. ´pat¸par ´pat-ow fígado Mas, ìpar (indecl.) y¡nar y¡nar-ow ¦ar ¦ar
-ow / —r-—r-ow n¡ktar n¡ktarow têm a flexão normal em -r que é o próprio visão,
constatação com os olhos palma da mão primavera néctar tema.
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5. Os de vocalismo em o preferem recorrer à consoante do mesmo ponto de articula
ção (-t > -w). T. fvttò fÇw fvt-ñw luz T. Èttò oïw Èt-ñw ouvido, orelha T. leluk
ñt- lelukÅw lelukñt-ow que acabou de desligar (part. perfeito masc.) T. lelukñt-
lelukñw lelukñt-ow que acabou de desligar (part. p. neutro) Mas tò ìdvr ìdat-ow
T. ìdr- > * ìdar / ìdvr, (como ´par, ´patow?) a água, e não *ìdvw. 6. Há também
alguns poucos que, em lugar de acrescentar uma consoante para proteger a vogal
do tema, preferem a troca da vogal como se flexionassem sobre dois temas. Ver na
lista dos heteroclíticos à página 216. Assim: gñnu - gñnat-ow - joelho dñru - d
ñrat-ow - lança São lembranças de formas homéricas (eólico-jônicas) gonWatow /do
rWatow > goænatow /doæratow (jônicas) 7. Alguns ainda, optando pela consoante do
mesmo ponto de articulação: k¡raw-k¡ratow - chifre, ala p¡raw-p¡ratow - termo,
limite acabam por criar, no singular, duas flexões paralelas: uma sobre o tema e
m -t, e outro sobre o tema em -w. N.V.A. G. D.L.I. p¡raw p¡ras-ow > p¡raow > p¡r
vw p¡ras-i > p¡rai > p¡r& p¡raw p¡rat-ow p¡rat-i
No plural predominam os temas k¡rat-, p¡rat-.
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5. Nomes de tema em -nt T. T. T. T. T. l¡ontgÛgantluy¡ntxari¡ntdeiknæntõ l¡vn õ
gÛgaw luyeÛw xarÛeiw deiknæw l¡ontow gÛgantow luy¡ntow xarÛentow deiknæntow o le
ão o gigante tendo sido desligado (part.aor.pas.) gracioso, grato, agradável dem
ostrante, o que demostra
xarÛeiw xarÛen xarÛent-a xarÛent-ow xarÛent-i xarÛent-i xarÛent-i xarÛent-ew xar
Ûent-ew xarÛent-aw xari¡nt-vn xarÛeisi xarÛeisi xarÛeisi xarÛent-e deiknæw deikn
æn deiknænt-a deiknænt-ow deiknænt-i deiknænt-i deiknænt-i deiknænt-ew deiknænt-
ew deiknænt-aw deiknænt-vn deiknèsi deiknèsi deiknèsi deiknènt-e
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V.
l¡vn l¡on l¡onta l¡ont-ow l¡ont-i l¡ont-i l¡ont-i l¡ont-ew l¡ont-ew l¡ont-aw leñ
nt-vn l¡ousi l¡ousi l¡ousi l¡ont-e
gÛgaw gÛgan gÛgant-a gÛgant-ow gÛgant-i gÛgant-i gÛgant-i gÛgant-ew gÛgant-ew gÛ
gant-aw gig nt-vn gÛgasi gÛgasi gÛgasi gÛgant-e
luyeÛw luy¡n luy¡nt-a luy¡nt-ow luy¡nt-i luy¡nt-i luy¡nt-i luy¡nt-ew luy¡nt-ew l
uy¡nt-aw luy¡nt-vn luyeÝsi luyeÝsi luyeÝsi luy¡nt-e
G.D.L.I. leñnt-oin gig nt-oin luy¡nt-oin xar¡nt-oin deiknænt-oin
Notas: 1. Pelo que se pode observar, sempre que há uma síncope de -nt- antes de
-w, há um alongamento compensatório da vogal anterior: -antw > aw -antsi > asi -
entw > eiw -entsi > -eisi -untw > uw, untsi > usi -ontsi > ousi
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Há apenas um tratamento especial: o nominativo singular masculino dos temas em -
ont-: Onde nós esperávamos -ouw temos -vn. l¡ontw- > l¡vn læontw- > lævn Convém
lembrar, entretanto, que isso acontece somente em posição final e com temas paro
xítonos ou proparoxítonos. Mas odñnt- (dente), tema oxítono, tem as duas formas
no nominativo singular: ôdoæw (a mais usada) e ôdÅn; o vocativo é ôdñn. 2. As gr
amáticas registram variantes para o dativo plural: xarÛent-si > xarÛeisi / xarÛe
si 3. Sobre esses modelos de tema em -nt se flexionam todos os particípios ativo
s em -nt e também o particípio aoristo passivo (que usa desinências ativas). Nom
in.
T. lè-o-nt- > T. lè-o-nt- > lævn lèon
Gen.
(masc.) desligante, desligando, que desliga læont-ow (neutro) desligante, deslig
ando, que desliga læsont-ow (masc.) havendo de desligar, que haverá de desligar,
que desligará læsont-ow (neutro) havendo de desligar, que haverá de desligar, q
ue desligará læsant-ow (masc.) tendo desligado læsant-ow (neutro) tendo desligad
o luy¡nt-ow (masc.) tendo sido desligado luy¡nt-ow (neutro) tendo sido desligado
stal¡nt-ow (masc.) tendo sido enviado stal¡nt-ow (neutro) tendo sido enviado læ
ont-ow
T. lè-s-o-nt- > læs-vn T. lès-ont- > T. læ-sant- > T. lu-sa-nt- > T. lu-yh-nt- >
T. luy nt- > T. stal- -nt- > T. stal nt- > lèson læsaw lèsan luyeÛw luy¡n stale
Ûw stal¡n
A forma neutra desses particípios é o próprio tema com a apócope da dental final
.
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4. Diferentemente do latim e das línguas românicas, o grego tem o particípio fem
inino ativo, que se constrói com o sufixo -ja sobre o tema do particípio masculi
no.
luont-ja > luontia > luonsia > lusonsia > luonsa > lusonsa > læousa-shw desligan
te, que desliga lusont-ja > lusontia > læsousa-shw havendo de desligar, que desl
igará que desligou, tendo desligado que foi desligada, tendo sido desligada
lusant-ja > lusantia > lusansia > luyent-ja > luyentia > luyensia >
lusansa > læsasa-shw luyensa > luyeÝsa-shw
stalent-ja > stalentia > stalensia > stalensa > staleÝsa-shw que foi enviada, te
ndo sido enviada, enviada
Os particípios femininos são de tema em -a impuro; (genitivo em -hw)
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6. Nomes de tema em -n
T. T. T. T. T. T.
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
.
daÝmondelfÝnpoim¡nm n gÅn Ellhn-
õ daÛmvn õ delfÝn õ poim n õ m n õ gÅn õ Ellhn
delfÝw delfÝn delfÝn-a delfÝn-ow delfÝn-i delfÝn-i delfÝn-i delfÝn-ew delfÝn-ew
delfÝn-aw delfÛn-vn delfÝsi delfÝsi delfÝsi
daÛmon-ow delfÝn-ow poim¡n-ow mhn-ñw agÇn-ow Ellhn-ow
poim n pom¡n poim¡n-a poim¡n-ow poim¡n-i poim¡n-i poim¡n-i pom¡n-ew pom¡n-ew poim¡n
-aw poim¡n-vn poim¡si poim¡si poim¡si
o nume o delfim o pastor o mês, a lua a luta, a liça, o combate o grego, o helen
o
gÅn g Ån gÇn-a gÇn-ow gÇn-i gÇn-i gÇn-i gÇn-ew gÇn-ew gÇn-aw gÅn-vn gÇsi gÇsi
n-a Ellhn-ow Ellhn-i Ellhn-i Ellhn-i Ellhn-ew Ellhn-ew Ellhn-aw Ell n-vn Ellhsi E
si
daÛmvn daÝmon daÛmon-a daÛmon-ow daÛmon-i daÛmon-i daÛmon-i daÛmon-ew daÛmon-ew
daÛmon-aw daimñn-vn daÛmosi daÛmosi daÛmosi
m n m n m°n-a mhn-ñw mhn-Û mhn-Û mhn-Û m°n-ew m°n-ew m°n-aw mhn-Çn mhsÛ mhsÛ mhs
Û
D. N.A.V. daÛmon-e G.D.L.I. damñn-oin
delfÝn-e poim¡n-e m°n-e gÇn-e Ellhn-e delfÛn-oin pom¡n-oin m n-oin gÅn-oin Ell n-oin
Notas: 1. Há temas em vogal breve e temas em vogal longa; os de vogal breve alon
gam-na no nominativo singular e constroem o restante sobre tema breve: os de vog
al longa não a alteram ao longo da flexão. A vogal longa do nominativo singular
masculino seria uma compensação pela ausência do -w. Mas em:
T. kten-w T. ¥n-w T. =in-w kteÝw eåw =Ýw kten-ñw ¥n-ñw =in-ñw pente um, (cardina
l masc.) nariz
houve a síncope do -n- pré-sigmático e alongamento compensatório da vogal. 2. No
D.L.I. plural o -n temático sofre síncope antes de -si sem nenhuma alteração na
vogal anterior.
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7. Adjetivos de tema em -n (masc./fem. e neutro) T. sÅfron- sÅfrvn, sÇfron prude
nte, moderado T. t¡rent¡rhn, t¡ren delicado, tenro, mole T. m¡lanm¡law, m¡lan ne
gro, preto m./f.
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. sÅfrvn sÇfron sÅfron-a sÅfron-i sÅfron-i sÅfron-i sÅfron-ew sÅfron-e
w
neutro
sÇfron sÇfron sÇfron sÅfron-i sÅfron-i sÅfron-i sÅfron-a sÅfron-a
m./f.
t¡rhn t¡ren t¡ren-a t¡ren-i t¡ren-i t¡ren-i
neutro
t¡ren t¡ren t¡ren t¡ren-i t¡ren-i t¡ren-i
m./f.
m¡law m¡la(n) m¡lan-a m¡lan-i m¡lan-i m¡lan-i m¡lan-ew m¡lan-ew m¡lan-ew m¡lasi
m¡lasi m¡lasi m¡lan-e
neutro
m¡lan m¡lan m¡lan m¡lan-i m¡lan-i m¡lan-i m¡lan-a m¡lan-a m¡lan-a m¡lasi m¡lasi
m¡lasi m¡lan-e
sÅfron-ow sÅfron-ow t¡ren-ow t¡ren-ow m¡lan-ow m¡lan-ow
t¡ren-ew t¡ren-a t¡ren-ew t¡ren-a t¡ren-aw t¡ren-a t¡resi t¡resi t¡resi t¡ren-e
t¡resi t¡resi t¡resi t¡ren-e
sÅfron-aw sÅfron-a sÅfrosi sÅfrosi sÅfrosi sÅfron-e sÅfrosi sÅfrosi sÅfrosi sÅfr
on-e
svfrñn-vn svfrñn-vn ter¡n-vn ter¡n-vn mel n-vn mel n-vn
G.D.L.I. svfrñn-oin svfrñn-oin ter¡n-oin ter¡n-oin mel n-oin mel n-oin
Notas: 1. A alternância longa/breve da vogal temática identifica o masculino e o
neutro (longa para o m./f. e breve para o neutro). 2. Os adjetivos em -vn/-on s
ão biformes. 3. Mas os adjetivos em -hn/-en, -an/an fazem o feminino com o sufix
o -ja: t¡ren-ja > t¡renia > t¡reina-hw m¡lan-ja > m¡lania > m¡laina-hw Esses fem
ininos são temas em -a impuro e assim se declinam.
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4. Declinam-se também sobre o modelo acima um certo número de adjetivos biformes
em -vn/-on com significado comparativo, que não têm grau normal do mesmo tema e
, supletivamente, servem de comparativos para esses (ver p. 142). São os seguint
es: Tema ameinon areion beltion kreitton kresson lÄon algion kakion xeiron hsson
kallion meion ¤l sson pleion pleon =&on exyion meizon masc./fem. meÛnvn reÛvn beltÛ
vn kreÛttvn kreÛssvn lÐvn lgÛvn kakÛvn xeÛrvn ´ssvn kallÛvn meÛvn ¤l ssvn pleÛvn pl
¡vn = vn ¤xyÛvn meÛzvn neutro meinon reion b¡ltion kreÝtton kreÝsson lÒon lgion k kion
xeÝron —sson k llion meÝon ¦lasson pleÝon pl¡on = on ¦xyion meÝzon melhor, mais nobr
e melhor, mais nobre (poét.) melhor, de mais valor melhor, mais forte variante d
a anterior melhor, mais útil mais doloroso pior, mais vicioso inferior menor, ma
is fraco, inferior mais belo menor, mais curto, breve menos numeroso, menor mais
numeroso, maior variante ática do anterior mais fácil pior, mais inimigo, repug
nante maior, mais volumoso de temas em -u; mais doce, mais agradável mais rápido
variante do anterior variante do anterior
E ainda alguns comparativos de adjetivos ²dion ²dÛvn ´dion taxion taxÛvn t xion yat
ton y ttvn y tton yasson y ssvn y sson
5. É muito comum encontrarmos algumas formas contratas desses adjetivos por caus
a da síncope do -n- intervocálico. As mais constantes são as do acusativo singul
ar e plural masc./fem., e neutro e nominativo plural masc./fem. e neutro.
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beltÛona > beltÛv ac.sing. masc./fem. e n.v.ac. neutro pl. beltÛonew > beltÛouw
n.v.masc./fem. pl. beltÛonaw > beltÛvw/beltÛouw ac.masc.fem. pl. (ver p. 142) 6.
Os nomes próprios em -on - T. Apollon-, T. Pñseidon-, T. Ag memnon- e outros fazem
o nominativo singular longo, paroxítono e o vocativo, que é o próprio tema, prop
aroxítono; T. Apollon- voc. - Apollon nom. - Apñllvn T. Pñseidonvoc. -Pñseidon nom. -
PoseÛdvn T. Ag memnon- voc. - Ag memnon nom. - Agam¡mnvn O mesmo acontece com os adjetivo
s de mais de duas sílabas:o nominativo singular é longo, paroxítono e o vocativo
, que é o próprio tema, proparoxítono: T. kakñdaimon- voc. -kakñdaimon nom. -kak
odaÛmvn T. eëdaimonvoc. -eëdaimon nom. -eédaÛmvn T. pragmon- voc. - pragmon nom. - pr g
mvn 7. ² Pnæj, Puknñw - a Pnix, local das assembléias, sofre metátese das consoa
ntes do tema no nom. e voc. singular; o tema é Pækn- (²) Pnæj, Ï Pnæj, t n Pækna
, t°w Puknñw, t» PuknÛ 8. õ r n, rn-ñw - o cordeiro, tem o tema ren/ rn; então teria
o nom. e voc. sing. respectivamente r n - ren que quase não são usados, sendo subs
tituídos por mnñw; mas todos os outros casos flexionam normalmente sobre o tema a
rnSing. mas: Pl. õ r n (õ mnñw), Î ren ( mn¡) tòn rna, toè rnñw, tÒ rnÛ oß rnew, Î
oçw rnaw, tÇn rnÇn, toÝw rn si (homérico rnessi).
9. õ / ² fr n - fren-ñw - a mente, o coração (tema:-fren- / frn-) tem flexão nor
mal sobre o tema fren-; apenas no D.L.I. plural podemos encontrar uma variante s
obre o tema frn- frn-si > frasÛ (vocalização do n).
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8. Nomes e adjetivos de tema em -r e -l T. fvrT. = torT. y ro gatuno, mão leve,
ladrão o orador o animal selvagem, bicho, caça, presa T. gast¡r- ² gast r gast¡r
-ow o estômago T. pator- p tvr p tor-ow sem pai
masc./fem. neutro
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. fÅr fÅr fÇr-a fvr-Û fvr-Û fvr-Û fÇr-ew fÇr-ew = tvr =°tor = tor-a =
tor-i = tor-i = tor-i y r y r y°r-a yhr-Û yhr-Û yhr-Û gast r g ster gast¡r-a gast¡
r-i gast¡r-i gast¡r-i p tvr pator p tor-a p tor-i p tor-i p tor-i pator pator pato
õ fÅr õ = tvr õ y r
fvr-ñw = tor-ow yhr-ñw
fvr-ñw = tor-ow yhr-ñw gast¡r-ow
p tor-ow p tor-ow
= tor-ew y°r-ew gast¡r-ew = tor-ew y°r-ew gast¡r-ew
p tor-ew p tor-a p tor-ew p tor-a
fÇr-aw = tor-aw y°r-aw gast¡r-aw p tor-aw p tor-a fvr-Çn =htñr-vn yhr-Çn gast¡r-vn patñ
r-vn patñr-vn fvr-sÛ fvr-sÛ fvr-sÛ fÇr-e = tor-si yhr-sÛ gast¡r-si = tor-si yhr-s
Û gast¡r-si = tor-si yhr-sÛ gast¡r-si = tor-e y°r-e gast¡r-e p tor-si p tor-si p tor-si
r-si p tor-si p tor-si p tor-e p tor-e
G.D.L.I. fÅr-oin =htñr-oin y r-oin gast¡r-oin patñr-oin patñr-oin
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Notas: 1. Há apenas um nome de tema em -l- : lw- l-ñw ( l-), õ - o sal (tema l). 2. Há
também alguns neutros: y¡nar-y¡nar-ow, (tñ) ¦ar-¦ar-ow / —r-—r-ow —tor-³tor-ow
palma da mão primavera pulmão, coração (sede dos sentimentos e da inteligência)
(ver p. 197).
3. A flexão de ² xeÛr, xeir-ñw, que apresenta inúmeras variantes em todos os cas
os, pode ser vista como se tivesse dois temas: N. V. A. G. D. L. I. S. xeÛr /x r
xeÛr / x¡r xeÝr-a / x¡r-a xeir-ñw / xer-ñw xeir-Û / xer-Û xeir-Û /xer-Û xeir-Û
/ xer-Û P. xeÝr-ew / x¡r-ew xeÝr-ew / x¡r-ew xeÛr-aw / x¡r-aw xeir-Çn / xer-Çn x
eir-sÛ / xer-sÛ xeir-sÛ / xer-sÛ xeir-sÛ / xer-sÛ D. xeÝre / x¡re xeir-oÝn / xer
/oÝn
Todas as variantes são possíveis. 4. O substantivo õ m rtuw, m rturow, a testemunha,
embora de tema em -r, por analogia com os nomes em -uw, faz o nominativo singul
ar m rtuw e o dat. plural m rtusi.
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9. Nomes de tema em -r / -er T. T. T. T. T. p tr-/p term tr-/m ter nr-/ ner-/ ndr steryægat
-/yægaterpat r p ter pat¡r-a patr-ñw patr-Û patr-Û patr-Û pat¡r-ew pat¡r-ew pat¡r-
aw pat¡r-vn patr -si patr -si patr -si
õ ² õ õ ²
pat r patr-ñw m thr mhtrñw n r andr-ñw st r st¡r-ow yug thr yugatrñw
n r ner ndr-a ndr-ñw ndr-Û ndr-Û ndr-Û st r ster st¡r-a st¡r-ow st¡r-i st¡r-i
o pai a mãe ovarão, marido a estrela, astro a filha
yug thr yægater yugat¡r-a yugatr-ñw yugatr-Û yugatr-Û yugatr-Û
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
.
m thr m°ter mht¡r-a mhtr-ñw mhtr-Û mhtr-Û mhtr-Û mht¡r-ew mht¡r-ew mht¡r-aw mht¡
r-vn mhtr -si mhtr -si mhtr -si
ndr-ew st¡r-ew yugat¡r-ew ndr-ew st¡r-ew yugat¡r-ew ndr-aw st¡r-aw yugat¡r-aw ndr-Çn
r-vn yugat¡r-vn ndr -si str -si yugatr -si ndr -si str -si yugatr -si ndr -si str -si
-oin st¡r-e yugat¡r-e st¡r-oin yugat¡r-oin
D. N.A.V. pat¡r-e mht¡r-e G.D.L.I. pat¡r-oin mht¡r-oin
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Notas: 1. Essas são as formas mais usadas. No entanto, poderemos encontrar outra
s variantes; é como se fossem duas declinações paralelas: uma sobre o tema de vo
calismo zero e outra de vocalismo e. nr ner o varão p trp ter o pai m trm ter a mãe yæg
atryægater a filha 2. No D.L.I. desses nomes, construído sobre o tema em vocalis
mo zero, para quebrar a seqüência de três consoantes, desenvolveu-se um a epenté
tico. ndrsi > ndr si 34 mhtrsi > mhtr si patrsi > patr si yugatrsi > yugatr si gastrsi >
astr si strsi > str si 3. Dhm thr se declina assim: Dhm thr, D mhter, D metra, D metro
w, D metri. 4. O tema do nome ² d mar-d mart-ow - mulher é em dental; a forma d mar é
usada só no nominativo e vocativo singular. É a redução fonética de d mart-w > d mar
w > d mar. 5. Também são em dental alguns neutros como —par-´pat-ow já incluídos n
o quadro dos temas em dental (ver p. 188).
34
Na seqüência -nrs- desenvolveu-se um -d- epentético. Ver p. 44, nota.
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10. Nomes e adjetivos de tema em semivogal: -u/- i T. T. T. T. T. T. ÞsxækÛ Erinæd k
rusæàdri² Þsxæw õ kÛw ² Erinæw ² d kruw õ/² sèw/ðw àdriw Þsxæ-ow ki-ñw Erinæ-ow d kru-
ow su-ñw/êñw àdri- ow a força o caruncho (de cereal) a/as Eríneas a lágrima a po
rca, o javali perito, hábil
masc./fem. neut. S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen
. Dat. Loc. Instr. D. N.A.V. Þsxæw Þsxæ Þsxæ-n Þsxæ-i Þsxæ-i Þsxæ-i Þsxæ-ew Þsxæ
-ew Þsxæw Þsxæsi Þsxæsi Þsxæsi Þsxæ-e kÛw kÛ(w) kÛ-n ki-Û ki-Û ki-Û kÛ-ew kÛ-ew
kÛ-aw ki-sÛ ki-sÛ ki-sÛ kÛ-e Erinæw Erinu(w) Erinæ-n Erinæ-ow Erinæ-i Erinæ-i Erinæ-
inæ-ew Erinæ-ew Erinæw Erinæ-si Erinæ-si Erinæ-si Erinæ-e d kruw d kru d kru-n d kru-
d kru-i d kru-i d kru-ew d kru-ew d kruw d kru-si d kru-si d kru-si d kru-e sèw sè(w) sè-n
u-Û su-Û su-Û sè-ew sè-ew sèw su-sÛ su-sÛ su-sÛ sè-e àdriw àdri àdri-n àdri-ow à
dri-i àdri-i àdri-i àdri-ew àdri-ew àdri-aw àdri-si àdri-si àdri-si àdri-e àdri
àdri àdri àdri-ow àdri-i àdri-i àdri-i àdri-a àdri-a àdri-a ÞdrÛ-vn àdri-si àdri
-si àdri-si àdri-e ÞdrÛ-oin
Þsxæ-ow ki-ñw
Þsxæ-vn ki-Çn Erinæ-vn
dakræ-vn su-Çn ÞdrÛ-vn
G.D.L.I. Þsxæ-oin kÛ-oin Erinæ-oin
dakræ-oin sæ-oin ÞdrÛ-oin
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Notas: 1. A forma do acusativo plural em geral aparece contrata, construída sobr
e -unw/inw; as do nominativo plural também podem se contrair: Acus. Pl. Þsxæ-nw
> ki-nw > àdri-nw > d kru-nw > Erinæ-nw > Nom. Pl. Þsxèw kÝw àdri-iw d kruw Erinèw Þsx
æ-ew > kÛ-ew > àdri-ew > d kru-ew > Erinæ-ew > Þsxèw kÝw àdriw d kruw Erinèw
2. O nome d kruw no plural aparece de preferência na forma neutra: d krua. 3. Não sã
o numerosas as palavras de tema em -u/-i. As mais usadas são as seguintes: pñtri
w-iow . ² Þxyæw-æow, õ mèw-muñw a potranca o peixe o ratinho o camundongo n¡kuw-
uow, õ o cadáver pÛtuw-uow, ² o pinheiro ¦gxeluw-uow, ² a enguia* kn°siw-iow, ²
a coceira, a raspagem bñtruw-uow, õ o cacho de uva drèw-druñw, ² o carvalho x¡lu
w-uow, ² a tartaruga, a cítara öfruw-uow, ² a sobrancelha xlamæw-æow, ² a veste,
o manto**
* Há um plural ¤gx¡leiw sobre um tema ¤gxeleW** Há variantes em dental xlamæw-xl
amæd-ow, bñtruw-bñtrud-ow
4. A palavra ² oäw, oÞ-ñw - a ovelha, tem o tema ôWi-. O -W- intervocálico sofre
síncope: ôWi > ôi. Portanto, é um tema em -i, perfeitamente regular: Nom. Voc.
Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Singular ôWi-w > oäw ôWi > oä / oäw ôWi-n > oän ôWi-
ñw > oÞñw ôWi-Û > oÞÛ > ôÛ ôWi-Û > oÞÛ > ôÛ ôWi-Û > oÞÛ > ôÛ Plural ôWi-ew> oäew
ôWi-ew > oäew ôWi-nw > oänw > oäw ôWi-Çn > oÞÇn ôWi-sÛ > oÞsÛ ôWi-sÛ > oÞsÛ ôWi
-sÛ > oÞsÛ Dual ôWi-e > oäe ôWi-oin > oÞoÝn
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11. Substantivos e adjetivos de tema em -es (masc./fem.) T. trÛhresT. aÞdñsT. lhy
¡s² tri rhw - ouw ² aÞdÅw-oèw lhy w, ¡w a trirreme o respeito, pudor, vergonha re
al, verdadeiro (masc./fem.)
masc./fem.
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. tri rhw trÛhrew tri res-a > ea > h tri res-ow > eow > ouw tri res-i
> ei tri res-i > ei tri res-i > ei tri res-ew > eew > eiw tri res-ew > eew > eiw
tri rew-nw > enw > eiw trihr¡s-vn > ¡vn > Çn tri res-si > tri resi tri res-si >
tri resi tri res-si > tri resi tri res-e > ee > ei aÞdÅw aÞdñw aÞdñs-a > ña > Å
aÞdñs-i > ñi > oÝ aÞdñs-i > ñi > oÝ aÞdñs-i > ñi > oÝ lhy w lhy¡w lhy¡s-a > ¡a > °
lhy¡s-i > ¡i > eÝ lhy¡s-i > ¡i > eÝ lhy¡s-i > ¡i > eÝ lhy¡s-ew > ¡ew > eÝw lhy¡s-ew
> ¡ew > eÝw lhy¡w-nw > ¡nw > eÝw lhy¡s-vn > ¡vn > Çn lhy¡s-si > lhy¡si lhy¡s-si > lhy
si lhy¡s-si > lhy¡si lhy¡s-e > > eÝ lhy¡s-oin > ¡oin > oÝn
aÞdñs-ow > ñow > oèw lhy s-ow > ¡ow > oèw
G.D.L.I. trihr¡s-oin > ¡oin > oÝn
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Notas: 1. Os nomes masculinos e femininos de temas em -w alongam a vogal temátic
a breve no nominativo singular: aÞdñw > aÞdÅw ; SÅkratew > Svkr thw ; trÛhrew > tr
i rhw. 2. Alguns nomes próprios, compostos com o sufixo derivado de kl¡ow < kl¡W
ow - glória, renome, têm esse sufixo no vocalismo -ew-, (como nyes-/ nyow, tais co
mo: T. PerikleWew T. HrakleWew T. SofokleWew Perikl°w Hrakl°w Sofokl°w Péricles Hé
racles - Hércules Sófocles
Declinam-se normalmente com temas masculinos em -e. Nom. Perikl¡Whw > Perikl¡hw
> Perikl°w PerÛkleew > PerÛkleiw Voc. PerÛkleWew > Acus. Perikl¡Wew-a > Perikl¡e
a > Perikl¡a Gen. Perikl¡Wes-ow > Perikl¡eow > Perikl¡ouw Dat. Perikl¡Wes-i > Pe
rikl¡-ei > PerikleÝ 5. Alguns nomes próprios de tema em -w, como Svkr thw, Demosy¡
nhw, Aristof nhw, às vezes, por analogia com os temas em vogal -a/-h masculinos (-h
w/-aw), fazem o acusativo singular em -n (-hn), ao lado do acusativo normal: -es
-a > ea > h. Svkr thw Demosy¡nhw Aristof nhw Svkr th Demosy¡nh Aristof nh e Svkr thn e De
y¡nhn e Aristof nhn
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12. Nomes e adjetivos neutros de tema em -w T. nyes- tò nyow T. kr¡as- tò kr¡aw T.
lhy¡s- lhy¡w
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. nyow nyow nyow nyes-ow > eow> ouw nyes-i > ei nyes-i > ei nyes-i > ei n
> ea > h nyes-a > ea > h nyes-a > ea > h nyes-si > nyesi nyes-si > nyesi nyes-si >
i nyes-e > ee > ei
nyouw kr¡vw
a flor a carne real, verdadeiro (neutro)
lhy¡w lhy¡w lhy¡w lhy¡s-ow> ¡ow> oèw lhy¡s-i > ¡i > eÝ lhy¡s-i > ¡i > eÝ lhy¡s-i > ¡
eÝ lhy¡s-a > ¡a > ° lhy¡s-a > ¡a > ° lhy¡s-a > ¡a > ° ley¡s-si > lhy¡si ley¡s-si >
¡si ley¡s-si > lhy¡si
kr¡aw kr¡aw kr¡aw kr¡as-ow> aow> vw kr¡as-i > ai / & kr¡as-i > ai / & kr¡as-i >
ai / & kr¡as-a > aa > a kr¡as-a > aa > a kr¡as-a > aa > a kr¡as-si > kr¡asi kr¡a
s-si > kr¡asi kr¡as-si > kr¡asi
ny¡s-vn > ¡vn > Çn kre s-vn > vn > Çn lhy¡s-vn > ¡vn > Çn
kr¡as-e > kr¡ae > kr¡a lhy¡s-e > ¡e > eÝ
G.D.L.I. ny¡s-oin > ¡oin > oÝn kre s-oin > oin > Òn lhy¡s-oin > ¡oin > oÝn
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Notas: 1. A característica maior desses nomes (substantivos, adjetivos) é a sínc
ope do -w temático sempre que se encontrar em posição intervocálica. O hiato res
ultante do encontro das vogais, no ático resulta em contração; no jônico e eólic
o o hiato permanece. 2. Nos casos nom. voc. ac. do singular os nomes neutros de
tema em -ew sofrem metafonia alternando a vogal do tema de e para o: nyew-/ nyow.
Os outros casos do singular e todo o plural flexionam sobre o tema nyes-. 3. Dois
nomes neutros de tema em dental: p¡raw - p¡rat-ow termo, limite e k¡raw - k¡rat
-ow chifre, ala, por causa da opção do nominativo singular p¡raw e k¡raw, em lug
ar de p¡ra e k¡ra, que seriam normais com a apócope do -t, têm duas flexões para
lelas no singular: uma analógica à de kr¡aw e outra em dental (ver o paradigma d
as dentais, p. 189). 4. Os adjetivos de tema em -w são biformes: o masculino/fem
inino tem a vogal do tema alongada no nominativo singular: - lhy w, e o neutro ma
ntém a vogal do tema breve em toda a flexão: lhy¡s-. 5. Sobre o modelo kr¡aw decl
inam-se alguns nomes neutros antigos e de significado especial: tò br¡taw a está
tua, (ídolo) de madeira tò oïdaw o solo, o piso, o chão tò kn¡faw as trevas, a e
scuridão tò s¡law o brilho, o esplendor (que ofusca) tò d¡maw o corpo tò s¡baw o
prodígio, a veneração tò t¡raw o prodígio, o monstro tò d¡paw a taça Desses nom
es, alguns às vezes fazem a flexão com vocalismo -e(kn¡faw, oïdaw, br¡taw), e ou
tros, por causa do significado, só se usam nos casos sintáticos do singular (nom
., voc. e acus.), o que leva os gramáticos a classificá-los como indeclináveis.
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13. Nomes de tema em -j T. pñlj-/pñlej-/pñlhj T. peiyñjFlexão de ² pñliw
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. G.D.L.I. pñlj-w > pñli-w pñlj > pñli (w) pñlj-n > pñli-n polhj-ow >
pñlhiow > pñlhow > pñlevw polej-i > pñle-i > pñlei polej-i > pñle-i > pñlei pole
j-i > pñle-i > pñlei polej-ew > pñleew > pñleiw polej-ew > pñleew > pñleiw polej
-nw > pñleinw > pñleiw polej-vn > pñlevn polej-si > pñlesi polej-si > pñlesi pol
ej-si > pñlesi polej-e > pñlee > pñlei polej-oin > pol¡oin
pñliw - pñlevw, ² peiyÅ-peiyoèw, ²
² peiyÅ
a cidade a persuasão
peiyoj .> peiyÅi / peiyÐ / peiyÅ peiyñj > peiyoÝ peiyñja > peiyña > peiyÅ peiyñjow
> peiyñow > peiyoèw peiyñji > peiyoÝ peiyñji > peiyoÝ peiyñji > peiyoÝ
Notas: 1. O -j depois de consoante se vocaliza; entre vogais sofre síncope e, no
ático, vogais do mesmo timbre se contraem. nom. sing. pñlj-w > pñliw voc. sing.
pñlj- > pñli / pñliw acus. sing. pñlj-n > pñlin nom. pl. pñlej-ew > pñleew > pñ
leiw
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2. No ático, sempre que houver uma seqüência de vogal longa + vogal breve, há um
a metátese de quantidade; mas a posição da tônica fica inalterada: gen. sing. -
pñlhj-ow > pñlhow > pñlevw 3. Há muitas variantes da flexão de pñliw; há mesmo u
ma que se flexiona sobre o tema poli- sem nenhuma complicação fonética: Singular
: pñliw - pñli(w) - pñlin - pñliow - pñlii > pñli Plural: pñliew - pñliew - pñli
-nw > póliw/ pñliaw - polÛvn - pñlisi Outras duas variantes arcaicas são as segu
intes: tema poli- para os três casos sintáticos do singular e polh para os concr
etos e para o plural: Singular: pñliw - pñli(w) - pñlin - pñlhow - pñlhi Plural:
pñlhew - pñlhew - pñlhaw - pol vn - pñlhsi 4. Esse modelo é importante porque é
sobre ele que se flexionam, além de alguns temas nominais antigos na língua, ta
mbém todos os nomes deverbais em -siw, que significam a ação do verbo. Esses são
tão incontáveis quanto os deverbais em ma com quem fazem contraponto. Alguns te
mas nominais: öfiw-evw, ² a serpente sÛnapi-evw, tñ a mostarda ìbriw-ìbrevw, ² o
descomedimento m ntiw-evw, õ o adivinho p¡peri-evw,tò a pimenta Alguns deverbais:
dænamiw-evw,² potência, força fæsiw-fæsevw, ² a natureza a fileira, ordem t jiw-e
vw, ² (tag-) pr jiw-evw,² (prag-) o ato, a ação a visão, o exame öciw-evw, ² (op-)
pñsiw-evw, ² (po-) a bebida (a ação) dñsiw-evw, ² (do-) a dação, o dom a posiçã
o, a tese y¡siw-evw, ²(ye-) 5. Todos esses nomes são construídos sobre o tema ve
rbal puro (aoristo), porque significam a realização do ato verbal em si. Em prin
cípio todos eles podem ser traduzidos por nomes de sufixo -ção, do latim -tione.
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6. Poucas palavras seguem modelo peiyñj-> peiyÅ; em geral são nomes próprios e m
itolóligos, arcaicos em geral; os mais importantes são as seguintes: feidÅ-feido
èw, ² a poupança ±xÅ-±xoèw, ² Eco (ninfa), o eco DhÅ-Dhoèw, ² Deméter LhtÅ-Lhtoè
w Letô, Latona PuyÅ-Puyoèw, ² Pythô, a pytonisa HrÅ- Hroèw, ² Herô GorgÅ-Gorgoèw, ²
Gorgô, Gorgona MhtrÅ-Mhtroèw, ² Metrô SvsÅ-Svsoèw, ² Sosô IÅ- Ioèw, ² Iô SapfÅ-Sap
foèw, ² Safo DidÅ - Didoèw Dido KalucÅ- Kalucoèw Calipso 14. Nomes masculinos de
tema em -hW T. basilhW / basileW
Singular
N. V. A. G. D. L. I. basil W-w > basil uw > basileæw basil W > basil u > basileè
basil W-n > basil a > basil¡a basil W-ow > basil ow > basil¡vw basil W-i > basi
l i > basileÝ basil W-i > basil i > basileÝ basil W-i > basil i > basileÝ Dual N
.V.A. basil We > basil e > basil¡h > basil°/basileÝ
õ basileæw - basil¡vw
Plural
o rei
basil Wew > basil ew > basil¡hw > basil°w/bassileÝw basil Wew > basil ew > basil
¡hw > basil°w/bassileÝw basil Wnw > basil aw > basil¡aw basil Wvn > basil vn > b
asil¡vn basil Wsi > basil¡Wsi > basileèsi basil Wsi > basil¡Wsi > basileèsi basi
l Wsi > basil¡Wsi > basileèsi
G.D.L.I. basil Woin > basil oin > basil¡oin
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Notas: 1. O W seguido de consoante se vocaliza em -u. 2. Metátese de quantidade:
longa + breve > breve + longa. 3. Depois da síncope do W as vogais do mesmo tim
bre se contraem; as outras não. 4. No D.L.I. do singular basil Wi > basil i > ba
sil¡i > basileÝ na seqüência de duas longas, a anterior se abrevia: 5. Sobre o m
odelo basil W- declinam-se inúmeras palavras masculinas de profissões, alguns no
mes geográficos e patronímicos. 6. Alguns nomes próprios e nomes masculinos de p
rofissão ou atividade: Axilleæw - ¡vw Aquiles Odisseæw - ¡vw Odisseu, Ulisses Eébo
eæw - ¡vw Euboeu, habitante da Eubéia Promhyeæw - ¡vw Prometeu Peiraieæw - ¡vw P
ireu (o porto) ßppeæw - ¡vw o cavaleiro o genitor, o pai goneæw - ¡vw, õ goneÝw
- ¡vn, oß os pais lieæw - ¡vw, õ o pescador o árbitro brabeæw - ¡vw, õ nomeæw - ¡
vw, õ o pastor foneæw - ¡vw, õ o assassino a coé, medida para líqüidos xoeæw - ¡
vw, õ ßereæw - ¡vw, õ o sacerdote - que cuida do sagrado ¥rmhneæw - ¡vw, õ o int
érprete suggrafeæw - ¡vw, õ o historiador, escritor o corredor, o correio dromeæ
w - ¡vw, õ São menos numerosos os nomes que seguem o modelo do neutro stu (item l
5) como: ² p¡lekuw - evw o machado T. p¡lekW-, p¡lekeWõ p°xuw - evw o côvado T.
p°xW-, p°xeW tò pÇu - evw o rebanho T. pÇW-, pÇeW- (ver p. 178, quadro das dific
uldades fonéticas)
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15. Nomes de tema em W / eW T. stW- / steW- tò stu stevw T. grhW /graW- ² graèw gra-ñw
T. boWõ / ² boèw bo-ñw
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. G.D.L.I. stW > stu stW > stu stW > stu steW-ñw > stevw steW-i > stei
ei steW-i > stei steW-a > stea / h steW-a > stea / h steW-a > stea / h steW-vn >
-si > stesi steW-si > stesi steW-si > stesi steW-e > stee > stei st¡W-oin > st¡oi
a cidadela, o centro, a sé a mulher velha (jônico grhèw) o boi, a vaca
boW-w > boèw boW > boè boW-n > boèn boW-ñw > boñw boW-Û > boÛ boW-Û > boÛ boW-Û
> boÛ boW-ew > bñew boW-ew > bñew boW-nw > boèw boW-vn > boÇn boW-si > bousÛ boW
-si > bousÛ boW-si > bousÛ boW-e > bñe boW-oin > booÝn
graW-w > graèw graW > graè graW-n > graèn graW-ñw > grañw graW-Û > graÛ graW-Û >
graÛ graW-Û > graÛ graW-ew > gr ew graW-ew > gr ew graW-nw > graèw graW-vn > graÇn
graW-sÛ > grausÛ graW-sÛ > grausÛ graW-sÛ > grausÛ graW-e > gr e graW-oin > graoÝn
Notas: 1. O -W-intervocálico sofre síncope:
gen. sing.
steWow > steow; graWñw > grañw boWñw > boñw
dat. sing
steWi > ste-i > stei graWÛ > graÛ boWÛ > boÛ
nom. pl.
steWa > stea / sth gr Wew > gr ew bñWew > bñew
gen. pl.
steWvn > stevn graWÇn > graÇn boWÇn > boÇn
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Se não é intervocálico, vocaliza-se em -u-: acus. pl. dat. loc. inst. pl. graWnw
> gr unw > graèw graWsÛ > grausÛ bñWnw > bñunw > boèw boWsÛ > bousÛ mas st¡Wsi > st
¡si 2. Das vogais que formam hiato após a queda do -W-, só as de timbre -epodem
sofrer contração; com as outras o hiato se mantém. 3. Os genitivos singular e pl
ural stevw - stevn são analógicos aos genitivos pñlevw - pñlevn. 4. Sobre esse mod
elo declinam-se também os adjetivos de tema em -W/ eW no masculino e neutro. 16.
Adjetivos de tema em W- / eW T. ²dW-/²deW-. Fem. ²deÛa ²dæw - ²deÛa - ²dæ masc.
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. ²
dWw > ²dæw ²dW > ²dæ ²dWn > ²dæn ²d¡W-ow > ²d¡ow ²d¡W-i > ²deÝ ²d¡W-i > ²deÝ ²d¡
W-i > ²deÝ ²d¡W-ew > ²d¡ew > ²deÝw ²d¡W-ew > ²d¡ew > ²deÝw ²d¡W-nw > ²d¡nw > ²de
Ýw ²d¡W-vn > ²d¡vn ²d¡W-si > ²d¡si ²d¡W-si > ²d¡si ²d¡W-si > ²d¡si ²d¡W-e > ²d¡e
> ²deÝ ²d¡W-oin > ²d¡oin
agradável, doce
fem.
²deÝa ²deÝa ²deÛan ²deÛaw ²deÛ& ²deÛ& ²deÛ& ²deÝai ²deÝai ²deÛaw ²deiÇn ²deÛaiw
²deÛaiw ²deÛaiw ²deÛa ²deÛain
neutro
²dW > ²dæ ²dW > ²dæ ²dW > ²dæ ²d¡W-ow > ²d¡ow ²d¡W-i > ²deÝ ²d¡W-i > ²deÝ ²d¡W-i
> ²deÝ ²d¡W-a > ²d¡a ²d¡W-a > ²d¡a ²d¡W-a > ²d¡a ²d¡W-vn > ²d¡vn ²d¡W-si > ²d¡s
i ²d¡W-si > ²d¡si ²d¡W-si > ²d¡si ²d¡W-e > ²d¡e > ²deÝ ²d¡W-oin > ²d¡oin
P.
D. N.A.V. G.D.L.I.
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Nota: 1. Vocalismo zero nos casos sintáticos do singular (nom., voc., acus.). 2.
Vocalismo e nos outros do singular e em todo o plural. 3. Vogais de timbre dife
rente não se contraem. 4. Os femininos são formados sobre o tema do masculino eW
com o sufixo -ja: ²deW-ja > ²deuia > ²deÝa. São temas em vogal. Eis alguns adje
tivos que seguem esse modelo: ´misuw, ²mÛseia, ´misu glukæw, glukeÝa, glukæ bayæ
w, bayeÝa, bayæ eéræw, eéreÝa, eéræ y°luw, y leia, y°lu ôjæw, ôjeÝa, ôjæ bradæw,
bradeÝa, bradæ taxæw, taxeÝa, taxæ Èkæw, ÈkeÝa, Èkæ baræw, bareÝa, baræ braxæw,
braxeÝa, braxæ paxæw, paxeÝa, paxæ meio, meia, metade doce fundo, profundo larg
o, ancho feminino pontudo, agudo lento, vagaroso, lerdo rápido veloz pesado, gra
ve curto, breve espesso, grosso
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17. Adjetivos de temas em W / o /a polæw - poll - polæ - muito, numeroso (T. po
lW-/pollo-/pollh-)
Singular
Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. N.A.V. polW-w > polæw poll polW > polæ po
lWn > polæn polloè pollÒ pollÒ pollÒ poll poll n poll°w poll» poll» poll» poll p
olW >polæ polW > polæ polW > polæ polloè pollÒ pollÒ pollÒ pollÇ
Plural
polloÛ polloÛ pollÇn polloÝw polloÝw polloÝw pollaÛ pollaÛ pollÇn pollaÝw pollaÝ
w pollaÝw poll poll poll pollÇn polloÝw polloÝw polloÝw
polloæw poll w
Dual
pollÇ G.D.L.I. polloÝn pollaÝn polloÝn
Nota: Esses adjetivos (²dæw, ²deÝa, ²dæ - polæw, poll , pollæ) chamados mistos,
por flexionarem o masculino e o neutro sobre um tema e o feminino sobre outro, a
ssustam às vezes o estudante, que está acostumado a estudar toda a flexão sobre
paradigmas fechados, estáticos ou em cascata. Mas, para se libertar dessas amarr
as, basta atentar para o fato de que toda a flexão, quer nominal, quer verbal re
pousa sobre um tema. Cada nome, cada verbo tem seu tema independente, e é sobre
ele que se faz a flexão. Há outros adjetivos que têm um tema comum para o mascul
ino e neutro, e outro, derivado do primeiro, para o feminino, de tema em -a. Eis
alguns deles:
T. xarÛentT. m¡ganT. f¡rontT. luy¡ntgracioso, delicado, agradável grande particí
pio infectum de f¡rv portar particípio aoristo passivo de læv soltar T. læsant-
læsaw, læsasa, lèsan particípio aoristo ativo de læv soltar T. lelukot- lelukÅw,
lelukuÝa, lelukñw part. perf. ativo de læv soltar xarÛeiw, xarÛeissa, xarÛen m¡
gaw, meg lh, m¡gan f¡rvn, f¡rousa, f¡ron luyeÛw, luyeÝsa, luy¡n
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18. Nomes de tema em -vW T. ´rvWõ ´rvw T. dmÅWõ dmÅw T. p trvW- õ p trvw
S. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr. P. Nom. Voc. Acus. Gen. Dat. Loc. Instr
. D. N.A.V. ´rvWw > ³rvw ´rvW > ´rv ´rvWow > ´rvow ´rvWi > ´rvi ´rvWi > ´rvi ´rv
Wi > ´rvi ´rvWew > ´rvew ´rvWew > ´rvew ´rvWaw > ´rvaw ²rÅWvn > ²rÅvn ´rvWsi > ´
rvsi ´rvWsi > ´rvsi ´rvWsi > ´rvsi ´rvWe > ´rve
´rvow dmvñw p trvow
dmÅWw > dmÅw dmÅW > dmÅ dmvWñw > dmvñw dmvWÛ > dmvÛ dmvWÛ > dmvÛ dmvWÛ > dmvÛ dm
ÇWew > dmÇew dmÇWew > dmÇew dmÇWaw > dmÇaw dmvWsÛ > dmvsÛ dmvWsÛ > dmvsÛ dmvWsÛ
> dmvsÛ dmÇWe > dmÇe
o herói o escravo, o criado o tio ou o avô paternos
p trvWw > p trvw p trvW > p trv p trvWa > p trva p trvWow > p trvow p trvWi > p trvi p trvW
vWi > p trvi p trvWew > p trvew p trvWew > p trvew p trvWaw > p trvaw p trvWsi > p trvsi p
p trvsi p trvWsi > p trvsi p trvWe > p trve patrÅWoin > patrÅoin
´rvWa > ´rva/´rv dmÅWa > dmÅa
dm vWvn > dmÅvn patrÅWvn > patrÅvn
G.D.L.I. ²rÅWoin > ²rÅoin
dmÅWoin > dmÅoin
Notas: O W - 1. em posição final ou antes de consoante sofre síncope; - 2. em po
sição intervocálica, sofre síncope. Outros nomes que seguem o T. m trvW- õ m trv
w T. MÛnvW- õ MÛnvw T. g¡lvW- õ g¡lvw mesmo modelo: m trvow o tio ou o avô mater
no MÛnvow Minos, rei de Knosos g¡lvow / g¡lvtow o riso
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Nomes heteroclíticos
Há finalmente alguns nomes que têm certas variantes em algumas formas, como se f
lexionassem sobre dois temas distintos. Em geral não são duas flexões paralelas;
são algumas formas paralelas. Vamos relacioná-los em ordem alfabética, apresent
ando as formas na ordem convencionada neste trabalho: nominativo, vocativo, acus
ativo, genitivo e dat./loc./inst. São os seguintes: Arhw - Arevw, õ - Ares (Marte)
T. Ares- / AreWN. Arhw V. Arew / Areu A. Arh / Arhn G. Arevw D. Arei gñnu - gñnat
- o joelho, T. Sing. Pl. N. gñnu, N. V. gñnu, V. A. gñnu, A. G. gñnatow G. D.L.I
. gñnati D.L.I. Dual d kru - uow, tñ - a lágrima, Sing. N. d kru V. d kru A. d kru G. d kr
uow D.L.I. d krui Dual gñnW- / gonatgñnata, gñnata, gñnata gon tvn gñnasi gñnate gon t
oin T. d kruPl. N. d krua V. d krua A. d krua G. dakrævn D.L.I. d krusi / dakræoiw d krue d
kræoin
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d¡ndron - ou, tñ - a árvore, T. dendro- / d¡ndresSing. Pl. N. d¡ndron N. d¡ndra
/ d¡ndrea V. d¡ndron V. d¡ndra / d¡ndrea A. d¡ndron A. d¡ndra / d¡ndrea G. d¡ndr
ou G. d¡ndrvn / d¡ndrevn D.L.I. d¡ndrÄ / d¡ndrei D.L.I. d¡ndroiw / d¡ndresi Dual
d¡ndre d¡ndroin T. dñru-/doratdñru -atow, tñ - a lança, Sing. Pl. N. dñru N. dñ
rata V. dñru V. dñrata A. dñru A. dñrata G. dñratow / dorñw G. dor tvn D.L.I. dñra
ti / dorÛ D.L.I. dñrasi Dual dñrate dor toin Zeèw - Diñw, õ - Zeus, T. ZeW- / DiWS
ing. N. Zeèw N. V. Zeè V. A. DÛa A. G. Diñw G. D.L.I. DiÛ D.L.I. kleÛw - kleidñw
, ² - a chave, Sing. N. kleÛw V. kleÛ, A. kleÝda / kleÝn G. kleidñw D.L.I. kleid
Û Dual T. kleidPl. N. V. A. G. D.L.I. / Z°nZ°n, Z°n, Z°na Zhnñw ZhnÛ / kleWkleÝd
ew / kleÝw kleÝdew / kleÝw, kleÝdaw / kleÝw kleidÇn kleisÛ kleÝde kleidoÝn
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kævn - kunñw, õ / ² - o cão, a cadela, Sing. Pl. N. kævn N. V. kæon V. A. kæna,
A. G. kunñw, G. D.L.I. kunÛ D.L.I. Dual l w - l ow, õ / ² - a pedra, lasca, T. Sing.
Pl. N. l aw / l w N. V. l w V. A. l an / l n A. G. l ow G. D.L.I. l i D.L.I. Dual önar - ô
ratow, tñ - o sonho, Sing. N. önar / öneirow V. önar / öneire, A. önar / öneiron
G. ôneÛrou / ôneÛratow, D.L.I. ôneÛrati / ôneÛrÄ Dual
T. kæon- / kænkænew kænew kænaw kunÇn kusÛ kæne kunoÝn laWa-/ laWl ew l ew l, aw l vn l es
i / l essi l e l oin
T. öneirat- / ôneiroPl. N. ôneÛrata, V. ôneÛrata, A. ôneÛrata, G. ôneir tvn, D.L.I
. ôneÛrasi / ôneÛroiw ôneÛrate ôneir toin
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öxow-ou, õ / öxow-ouw, tñ - o carro, T. öxoSing. N. öxow V. öxe A. öxon G. öxou
D.L.I. öxÄ Dual T. öxesN. V. A. G. D.L.I. Sing. öxow, öxow, öxow, öxes-ow > öxeo
w > öxouw öxes-i > öxei Dual Pl. N. V. A. G. D.L.I. Pl. N. V. A. G. D.L.I.
T. öxo- / öxes-
öxoi, öxoi, öxouw öxvn öxoiw öxv öxoin
öxea > h öxea > h öxea > h ôx¡s-vn > ôx¡vn > ôxÇn öxes-si > öxesi öxee > ei ôx¡o
in > oxoÝn
pr¡sbuw - pr¡sbevw, õ - o ancião, T. presbW- presbeW/ presbeut -/- Pl. - os embaix
adores
Sing. N. pr¡sbuw / presbeut w V. pr¡sbu / presbeut A. pr¡sbun / presbeut n G. pr¡
sbevw / presbeutoè D.L.I. pr¡sbei / prsbeut» Dual Pl. N. V. A. G. D.L.I. pr¡sbei
w / presbeutaÛ, pr¡sbeiw / presbeutaÛ pr¡sbeiw / presbeut w, pr¡sbevn / presbeutÇn
pr¡sbesi / presbeutaÝw pr¡sbee / presbeut presb¡oin / presbeutaÝn
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a flexão nominal: os temas nominais
pèr - purñw, tñ - o fogo,
Pl. (fogos de bivaque, fogueira) T. pèrN. V. A. G. D.L.I. Sing. pèr pèr pèr purñ
w purÛ Dual Pl. N. V. A. G. D.L.I. pur , pur pur purÇn pursÛ père puroÝn
skñtow-ou, õ / skñtow-ouw, tñ - as trevas, T. skoto- / skotesT. skñtoN. V. A. G.
D.L.I. Sing. skñtow skñte, skñton skñtou skñtÄ Dual T. skñtesSing. N. V. A. G.
skñtow, skñtow, skñtow, skñtes-ow > skñteow > skñtouw Dual Pl. N. V. A. G. skñte
s-a > skñtea > skñth skñtes-a > skñtea > skñth skñtes-a > skñtea > skñth skot¡s-
vn > skot¡vn > skotÅn skñtee > ei skotoÝn
Pl. N. V. A. G. D.L.I.
skñtoi, skñtoi, skñtouw skñtvn skñtoiw skñtv skñtoin
D.L.I. skñtes-i > skñtei
D.L.I. skñtes-si > skñtesi
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skæfow-ou, õ / skæfow-ouw, tñ - a taça, T. skufoSing. N. skæfow V. skæfe A. skæf
on G. skæfou, D.L.I. skæfÄ Dual T. skæfesSing. N. skæfow V. skæfow A. skæfow G.
skæfes-ow > skæfeow > skæfouw D.L.I. skæfes-i > skæfei Dual
T. skæfo- / skæfes-
Pl. N. V. A. G. D.L.I.
skæfoi, skæfoi, skæfouw skæfvn skæfoiw skæfv skæfoin
Pl. N. skæfes-a > skæfea > skæfh V. skæfes-a > skæfea > skæfh A. skæfes-a > skæf
ea > skæfh G. skuf¡s-vn > skuf¡vn > skufÇn D.L.I. skæfes-si > skæfesi skæfee > e
i skufoÝn
êiñw - êioè, õ - o filho, T. êio- / êieW /êiWSing. N. êiñw V. êi¡, A. êiñn / êi¡
a G. ußoè/êi¡ow/êiñw D.L.I. êiÒ / êieÝ Dual Pl. N. V. A. G. D.L.I. êioÛ / êieÝw
êioÛ / êieÝw êioæw / êieÝw / êi¡aw êiÇn / êi¡vn êioÝw/ êi¡si êi¡e/êieÝ êi¡oin
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a flexão nominal: os temas nominais
Nomes que só têm plural: Ay°nai - Çn, aß N. V. A. G. D.L.I. Atenas, a cidade, Ay°n
ai, Ay°nai, Ay naw, AyhnÇn, Ay naiw. T. Ayhna-
oß ¤tesÛai - Ûvn os ventos etésios, T. ¤tesÛaaß Panay naiai - Çn As Panatenéias
(festas), T. Panay naia-
Só nom. voc. e acus. õ lÛw, o leão (poético) Î lÛw, tòn lÛn
Nomes indeclináveis: tò d¡maw (poét.) tò öfelow tò ðpar o corpo (ver p. 188-9) o
proveito, a utilidade a visão
Por serem neutros podem servir aos casos sintáticos: nom., voc., acus. Os nomes
das letras do alfabeto: tò lfa, tò b°ta ktl. Os números cardinais de 5 a 100: p¡n
te (5), d¡ka (10), §ndeka (11), pentekaÛdeka (15), ¥katñn (100).
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O verbo grego
Preliminares
É conhecida a ojeriza que o estudante de grego sente diante do sistema complicad
o da conjugação dos verbos gregos. Ele tem a sensação de estar pisando terreno m
ovediço, que cede sempre lá onde ele pensa poder apoiar-se. Ele não vê coerência
; por toda a parte é o arbítrio, são regras e sobretudo exceções. O recurso é ap
elar para os métodos de memorização até que tudo entre na cabeça, pronto para se
r usado. Mas, mesmo assim, permanece a insegurança. Quando ele vai enfrentar um
texto, além do dicionário, é indispensável a presença de uma gramática. Qual é a
causa disso? Não é difícil responder. É a incoerência do modelo descritivista e pr
escritivista da flexão verbal e nominal, que desconhece a base de qualquer sistem
a de flexão, que é a identificação das duas partes: o tema, a parte fixa sobre a
qual giram as desinências (o tema nominal contém o significado virtual do nome,
o tema verbal contém o significado e o aspecto do verbo), as desinências (ptÅse
iw, casus), que dão a função ao nome, e a pessoa, o número, a voz e o modo ao ve
rbo. No caso do verbo, o grande erro da gramática foi o de construir todo o sist
ema de flexão sobre o infectum, que é uma forma modificada, complexa, e por isso
não pode ser ponto de partida para todo o sistema, porque, em geral modificada,
o obriga a produzir exceções. O ponto de partida para a flexão verbal deve ser
o tema verbal puro, isto, é o tema aoristo do verbo. É nele que está a essência
do significado e é a partir dele que derivam os dois outros temas: o do infectum
e o do perfectum 1. Veremos isso pormenorizadamente à medida que estudarmos cad
a tema.
1
É bom lembrar sempre que o tema é a parte fixa, sede do significado, sobre o que
se sucedem as desinências. Se o tema absoluto, puro do verbo, é o tema do aoris
to,
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o verbo grego
Como são três os aspectos: aoristo, infectum e perfectum, três também são os tem
as sobre os quais se constrói a conjugação verbal em grego. São temas aspectuais e
não temas temporais (tempos primitivos da gramática tradicional). O tempo delim
itador dos fatos não está no verbo. O tempo está no enquadramento do ato verbal.
Ele é exterior ao verbo. Aqui caberia observar o que diz Aristóteles (Poética,
20, 8), quando se refere ao nome (önoma) e ao verbo (=°ma): Onoma d ¤stÜ fvn‾ sunyet
‾ shmantik‾, neu xrñnou, ¸w m¡row oéd¡n ¤sti kay aêtò shmantikñn: ¤n g r toÝw diploÝw
oé xrÅmeya Éw kaÜ aétò kay aêtò shmaÝnon, oåon ¤n tÒ YeodÅrÄ tò dÇron oé shmaÛnei. R
°ma d¢ fvn‾ sunyet‾ shmantik‾ met xrñnou ¸w oéd¢n m¡row shmaÛnei kay aêtò Ësper kaÜ
¤pÜ tÇn ônom tvn: tò m¢n g r nyrvpow µ leukòn oé shmaÛnei tò tñte, tò d¢ badÛzei µ
osshmaÛnei tò m¢n tòn parñnta xrñnon tò d¢ tòn parelhluyñta . Nome é um som compost
o, significante, sem tempo, de que nenhuma parte por si mesma é significativa; p
ois dos duplos não nos servimos como o mesmo tendo um significado por si mesmo,
como em Teodoro o doro (dom, dádiva) não tem significado. Verbo é um som composto,
significante com tempo de que nenhuma parte por si mesma é significativa, como
acontece também nos nomes; pois, por um lado homem e branco não significam quando (=
nesse tempo); por outro, está andando e acabou de andar anunciam um o tempo pre
sente, o outro, o tempo decorrido . (Arist., Poét., 1457a10-1457a18). Nas expressõ
es com tempo e sem tempo , Aristóteles não se refere ao tempo externo, medido, determ
inado, mas sim ao tempo que a elocução porta consigo ou em si mesma. O nome não
tem tempo próprio; não porta a noção de tempo em si mesmo. O verbo sim, porque o
verbo é um processo (os exemplos de Aristóteles não são com verbos de estado).
que em geral coincide com a raiz, os temas do infectum e do perfectum são radica
is, isto é raiz modificada.
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o verbo grego
225
Nos dois exemplos temos um infectum = inacabado; badÛzei e o perfectum = acabado
: beb dike. Curiosamente Aristóteles não exemplifica aqui com um aoristo. É que o
aoristo não tem processo verbal, ou melhor, o processo verbal não chega a eclodi
r; é o ato verbal em seu estado pontual ; não tem tempo interno , que é o desenvolvime
nto da ação verbal. No infectum e no perfectum há um processo, há um tempo intern
o , há um desenvolvimento da ação. Também as expressões tòn parñnta xrñnon e tòn p
aralhluyñta são expressões de tempo relativo (o tempo que corre e que acabou de
correr) no próprio ato; o ponto de referência (enquadramento do ato verbal) está
fora. Se Aristóteles tivesse a intenção de referir-se a um passado, teria utili
zado uma forma com o aumento ¤-, que ele conhecia e usava; é, aliás, o que ele f
az logo adiante (1457a18-23), em que ele chama de ptÇsiw tanto a flexão do nome
(casos) quanto a flexão do verbo: PtÇsiw d ¤stÜn ônñmatow µ = matow, ² m¢n kat tò t
oætou µ toætÄ shmaÝnon kaÜ ÷sa toiaèta ² d¢ kat tò ¤nÜ µ polloÝw, oåon nyrvpoi µ ny
rvpow ² d¢ kat t êpokritik , oåon kat ¤rÅthsin µ ¤pÛtajin: tò g r ¤b disen; µ b dize ptÇs
= matow kat taèta t eàdh ¤stÛn . Caso é de nome ou de verbo; um segundo o que signifi
ca: desse ou a esse e quantas coisas desse tipo; outro, segundo um ou muitos, co
mo homens e homem; outro segundo as expressões dos personagens, como numa interr
ogação ou numa determinação; pois ele caminhou? ou caminha é uma flexão (caso) do ve
rbo, segundo essas formas . Aqui, o exemplo no indicativo aoristo ¤b disen interroga
sobre um ato cometido num ponto qualquer do tempo passado; o aumento revela iss
o. No outro b dize, é apenas a emissão de uma ordem de início da ação: entra no at
o de caminhar. A única marca de tempo que a língua grega possui é o que chamam d
e aumento, que marca o passado e se antepõe ao tema verbal, com uso restrito ao
indicativo, porque a marcação ou delimitação do tempo é uma noção dêitica, demon
strativa, objetiva. Por isso é natural que a língua grega exprima essa relação s
omente pelo indicativo. Esse aumento (e-) seria um antigo advérbio de tempo, ind
ependente, e passou a ser usado
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como prefixo nos tempos da elaboração dos poemas homéricos. Na Ilíada e na Odiss
éia o seu uso é ainda hesitante. Ora aparece ora não, sem uma linha de coerência
: freqüentemente por razões de metrificação.
Os aspectos verbais: tempo interno do verbo
Inacabado (infectum)
É o ato verbal que começou e está em movimento, na sua realização, em pleno proc
essamento. Pode conter a idéia de hábito, iteração, freqüência, desdobramento, a
mplificação; pode dar a idéia de início do processo verbal e também da continuid
ade. Pode ser presente ou passado (imperfeito). Convém lembrar que, quando dizem
os presente não pensamos em tempo absoluto, mas em tempo relativo a um ponto, a um
espaço e a um tempo. O nome presente é um particípio presente e por isso traz a i
déia de simultaneidade; o nome imperfeito exprime um processo (ainda) não acabado:
passado em relação ao presente e presente, simultâneo a um processo (ato verbal
) no passado. A marca do passado está no aumento e só existe no indicativo: a no
ção de tempo é uma noção concreta, real; por isso não pode ser expressa por outr
o modo que não seja o modo da realidade, da afirmação, que é o indicativo. Isso
está claro em todos os textos gregos, se nós os lermos diretamente, não contamin
ados pela gramática. De início não nos parece uma tarefa fácil desligarmo-nos da
noção de tempo; todos nós temos a cabeça cheia de presentes, perfeitos, imperfe
itos, mais que perfeitos do subjuntivo etc. da gramática portuguesa. Em todas es
sas expressões aprendemos e entendemos que está embutido o tempo. Em grego não!
Na gramática grega, isto é, na língua grega, não há imperfeito do subjuntivo, pr
etérito perfeito do subjuntivo e mais-que-perfeito do subjuntivo. Fora do indica
tivo, as formas verbais só exprimem idéias de aspecto (tempo da ação) e modo.
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Por isso, elas nos parecem difíceis de traduzir. Mas, partindo do indicativo, va
mos registrar alguns exemplos que as gramáticas nos fornecem, dando-lhes uma tra
dução bem linear. No infectum-inacabado há freqüente confusão com os termos pres
ente - imperfeito. É que ambos exprimem atos durativos, e a idéia de tempo que n
os transmitem é a de um tempo referencial, não absoluto; há um ponto de referênc
ia para o presente (simultaneidade no presente) e um ponto de referência para o
imperfeito (simultaneidade no passado). É o paratatikòw xrñnow, isto é, o tempo e
sticado ao lado de dos estóicos. No presente e imperfeito (tema do infectum-inaca
bado) poderemos ver, nos exemplos a seguir, a idéia do permanente que inclui um
passado recente (atos freqüentes, repetição, costume) e uma projeção para um vir
a ser imediato (início ou tentativa de conatus , esforço, e continuidade da ação).
Com freqüencia não é fácil distinguir essas idéias numa só forma verbal.
Significados do infectum
1. Uma ação que se desenvolve no momento em que estamos falando, que começou há
pouco mas que continua ou que está começando no momento em que se fala; DareÛou
kaÜ Parus tidow gÛgnontai paÝdew dæo (Xen., An., 4, 7, 7) De Dario e Parisátis nas
ceram [e estão vivos] dois filhos. ¤peid‾ ¤ggçw —san ¤mpÛptousin (Tuc., 2, 81, 5
) como estavam próximos, caem em cima. ßketeæom¡n se p ntew nós todos te suplicamo
s [estamos suplicando]. oäda ÷ti poll paraleÛpv (Isócr., 16.22) eu sei que deixo
[estou deixando] passar muitas coisas. (aqui há uma combinação do perfeito oäda,
acabado e do presente paraleÛpv, ingressivo-simultâneo) taèta gr fv eu escrevo es
sas coisas [estou escrevendo, entro no ato de escrever].
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oïtiw me kteÛnei (Hom.) ninguém está me matando. Agam¡mnvn jia dÇra dÛdvsin (Hom.) A
gamêmnon dá [oferece, vai dar, está dando-entra no ato de dar] presentes dignos
[de valor]. yaum zv eu me espanto [estou me espantando-entro no ato de ...]. peÛyv
eu tento convencer [eu entro no ato de convencer]. ¤japat w me, Î fÛltate IppÛa; (
Plat., Híp. Men., 369e) tu estás me enganando [tentando me enganar, tu me engana
s] caríssimo Hípias! Éw ¤xyroçw ll oé pros kontaw (²m w) pñllusi (Is., 5, 30) Ele nos
arruina [está tentando nos arruinar] como [se fôssemos] inimigos e não parentes
. p¡peismai ¤gÆ ¥kñnta mhd¡na dikeÝn nyrÅpvn ll êm w oé peÛyv (Plat., Apol., 37a) Eu e
stou convencido que nenhum homem/nenhum dos homens comete injustiça voluntariame
nte mas a vós eu não convenço [não consigo convencer, não estou convencendo]. ¤p
eid‾ ¤teleæthse DareÝow Tissaf¡rnhw diab llei tòn Kèron Assim que Dario morreu, Ti
ssafernes calunia [começa a caluniar, se põe a caluniar] Ciro. 2. Uma ação que c
omeçou há pouco ou que se inicia, mas que continua ou que se tornou ou se torna
um hábito, que se repete, ou uma afirmação que vale para todos os tempos. Aconte
ce sobretudo com verbos em cujo significado não se percebe a separação de início
pontual e continuidade da ação. nikÇ = eu venço = venci = eu sou vencedor
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pagg¡lete AriaÛÄ ÷ti ²meÝw nikÇmen basil¡a kaÜ oédeÜw ²mÝn ¦ti m xetai. (Xen., An.,
II, 1, 4) anunciai (começai a anunciar) a Arieu que nós vencemos o rei [somos ve
ncedores] e que ninguém mais nos combate [está lutando contra nós]. A diferença
está no significado dos dois verbos vencer e combater. ²ttÇmai (a) = eu sou o ve
ncido = sou derrotado = estou sendo vencido. dikÇ (e) = eu sou o culpado = sou o
réu. diÅkv (aétñn) = eu sou o acusador (no tribunal) = entro no ato de acusar. g
r fomai (autñn) = eu movo um processo = eu acuso (no tribunal) = sou o acusador =
entrei e estou no ato de acusar. feægv = eu estou banido, exilado = estou no exí
lio, eu me exilo. ´kv = eu estou aqui = eu cheguei, estou chegando, chego. oàxom
ai / oàxetai = estou / está viajando = parti, partiu. koæv = eu ouço (ouvi) dizer
= corre o boato que. puny nomai = eu tenho a informação que. Yemistokl¡a oék koæei
w ndra gayòn gegonñta kaÜ KÛmvna kaÜ Milti dhn kaÜ Perikl¡a toutonÜ tòn nevstÜ tetel
euthkñta oð kaÜ sç k koaw; tu não ouves dizer [não sabes] que Temístocles veio a
ser um homem de bem e também Címon e Milcíades e esse Péricles, esse recentement
e falecido de que também ouviste. ¦sti yeñw existe uma divindade. HsÛodñw fhsin:
¦rgon d oéd¢n öneidow ergÛa d¡ t öneidow Diz Hesíodo: atividade nenhuma é castigo,
mas castigo é inatividade. Pl ttvn did skei ÷ti Platão ensina (contínuo) que. Xenofñ
nta nagignÅskv eu leio Xenofonte [estou lendo e sempre leio].
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p ntew tòn Svkr thn gantai todos admiram Sócrates. pany õ limòw gluk¡a pl‾n aêtoè poieÝ
a fome torna todas as coisas doces, menos ela mesma. PloÝon ¤w D°lon AyhnaÝoi p¡
mpousin Os Atenienses enviam [costumam enviar todos os anos] uma embarcação para
Delos. õrÇmen t‾n m¡littan ¤f panta blast mata kayÛzousan nós vemos [costumamos v
er] a abelha pousando sobre todas as plantas. õ Svkr thw ¦fh: oß n¡oi poll kiw ¤m¢ mi
moèntai kaÜ ¤pixeiroèsin llouw ¤jet zein Sócrates dizia: os jovens muitas vezes me im
itam e tomam nas mãos excitar os outros . p ntew oß tÇn rÛstvn PersÇn paÝdew ¤pÜ taÝw
basil¡vw yæraiw paideæontai. (Xen., An., I, 9, 3) todos os filhos dos nobres pe
rsas são educados às portas do rei. oéd¢n yaumastñn, Î ndrew AyhnaÝoi, m‾ taét ¤moÜ
kaÜ Dhmosy¡nei dokeÝn: oðtow m¢n ìdvr ¤gÆ d oänon pÛnv nada há de se admirar, ci
dadãos de Atenas, de as mesmas coisas não parecerem bem a mim e a Demóstenes; eu
bebo vinho e ele, água. mñliw fikneÝsye ÷poi ²meÝw p lai ´komen (Xen., Cir., I, 3,
4) vós chegais [estais chegando] com dificuldade onde nós há muito chegamos [ac
abamos de chegar] 3. Um ato por vir, que se inicia - iniciará- imediatamente e c
ontinuará: eÞ aìth ² pñliw lhfy setai ¦xetai kaÜ ² p sa SikelÛa (Tuc., VI, 91, 2)
se essa cidade é tomada [for tomada], a Sicília toda está presa [será]. dÛdvmÛ s
oi Î Kère taæthn gunaÝka ¤m‾n oïsan yugat¡ra (Xen., Cir., VIII, 5, 19) Eu te dou
[estou dando, entro no ato de dar, vou te dar], Ciro, essa mulher que é minha i
rmã.
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õ Kèrow eäpen: All ¤pÛ ge toætouw ¤gÆ aétòw par¡rxomai (Xen., Cir., VII, 1 ,2) Cir
o disse: Mas, contra esses aí eu mesmo marcho [vou marchar]. ¤peÜ d ¤genñmhn õ pa
t‾r kteÛnei me (Eur., Fen., 1600) depois que eu nasci [desde que] meu pai me mat
a [está me matando, vai me matar]. lÛssomai s êp¢r cux°w kaÜ goænvn (Hom., X, 339
) eu te suplico [estou te suplicando] pela tua alma e pelos teus joelhos [sobre]
poll g ¦th ³dh eÞmÛ ¤n t» t¡xnú (Plat., Prot., 317c) muitos anos já estou [e cont
inuo] nesta arte. oé sæ g ¦peita Tud¡ow ¦kgonñw ¤ssi (Hom., E, 813) tu não és , d
epois disso, filho de Tideu! [não continuas sendo] õ pñlemow oéd¡n ndr ¥kÆn aßreÝ p
onhrñn, ll toçw xrhstoæw (Sóf., Fil., 436) a guerra por sua vontade não escolhe ne
nhum homem vil, mas os melhores. sç t‾n ¤m‾n gunaÝka kvlæeiw ¤m¡... ¤pÜ Sp rthn gei
n; (Aristóf., Tesm., 918) tu me impedes [estás tentando me impedir] de levar min
ha mulher para Esparta?! Todas essas situações podem se repetir no imperfeito do
indicativo (o imperfeito não tem outros modos): a) ação passada vista em sua ex
tensão (duração) taèta l¡gousa ¤n¡due t ÷pla kaÜ lany nein m¢n ¤peir to, ¤leÛbeto d¢
aét» t d krua kat tÇn pareiÇn (Xen., Cir., 6, 4, 3) enquanto dizia essas palavras [e
ssas coisas dizendo] ela vestia as armas e tentava esconder, mas escorriam-lhe a
s lágrimas pelas faces. pemfyeÜw di¡tribe par Lus ndrÄ treÝw m°naw (Xen., Hell., 2,
2, 16) [tendo sido] enviado, ele passou [começou a passar] três meses junto a L
isandro.
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Kl¡arxow sun gagen ¤kklhsÛan tÇn strativtÇn: kaÜ prÇton m¢n ¤d krue polçn xrñnon ¤
stÅw: oß d¢ õrÇntew ¤yaæmazon kaÜ ¤siÅpvn: eäta ¦leje t de: (Xen.) Clearco reuniu
a assembléia dos soldados; e aí, primeiro, de pé, chorava [pôs-se a chorar] por
muito tempo; e os que o viam ficaram admirados [entraram no ato de admirar] e em
silêncio; a seguir ele disse estas coisas: b) ação passada concomitante a um ou
tro fato passado: Kèrow ¤jelaænei ¤pÜ potamòn pl rh Þxyævn meg lvn oîw oß Særoi ye
oçw ¤nñmizon. Ciro chega a um rio repleto de grandes peixes que os Sírios consid
eravam deuses. ÷te p¡ynúsken —n ¤tÇn Éw tri konta (Xen., An., 2.6.20) No momento em
que ele estava morrendo, ele tinha por volta de trinta anos. ² ²met¡ra pñliw pr
òw ¶n fiknoènto prñteron ¤k t°w Ell dow aß presbeÝai (Ésquin., Contr. Ctes., 134) no
ssa cidade para a qual antes chegavam [vinham, costumavam vir] delegações de tod
a a Grécia. Svkr thw oék ¦pinen eÞ m‾ dicÐh Sócrates não bebia, a não ser que tive
sse sede. ¤peid‾ d¢ noixyeÛh (tò desmvt rion) es»men (Plat., Fedro, 59e) depois q
ue [a prisão] se abria nós entrávamos [costumávamos entrar]. ¤klegñmenow tòn ¤pi
t deion ¦paien n (Xen., An., 2.3.11) separando o mais próximo ele batia [começava
a bater]. oëpote meÝon pestratopedeæonto oß b rbaroi tÇn Ell nvn ¤j konta stadÛvn (
Xen.) Os bárbaros nunca acampavam [costumavam acampar] a menos de sessenta estád
ios dos gregos. öfra m¢n ±Çw —n kaÜ ¡jeto ßeròn ¸mar tñfra m l mfot¡rvn b¡le ´pteto, p
Ýpt¡ te lañw. (Hom.) enquanto durava [era] a manhã e crescia o divino dia, duran
te esse tempo intensamente de ambos os lados os dardos golpeavam e o povo caía.
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c) esforço, começo e continuidade ou repetição da ação no passado N¡vn ¦peiyen a
étoçw potr¡pesyai: oã d¢ oéx êp kouon. (Xen., Cir., V, 5, 22) Nêon tentava conven
cê-los a voltar; e eles não lhe obedeciam. ¦peiyon aétoçw kaÜ oîw ¦peisa toætouw
¦xvn ¤poreuñmhn, (Xen., An., VI, 5, 27) eu tentava convencê-los e tendo esses,
os que eu convenci, iniciei a marcha. di¡fyeiron prosiñntew toçw stratiÅtaw kaÜ
§na ge loxagòn di¡fyeiran (Xen., An., V, 7, 25) aproximando-se dos soldados eles
tentavam corrompê-los [corrompiam-nos] e até um capitão eles corromperam. pvllæm
eya nós estávamos perdidos [corríamos perigo]. ¤pnÛgeto ele estava se afogando [
ia se afogar]. paredæeto eÞw Pelopñnhson (Dem., Cor., 79) ele se introduzia [pro
curava entrar] no Peloponeso. ¤sp¡ndonto naÛresin toÝw nekroÝw mayñntew d¢ tò lhy¢
w ¤paæsanto (Tuc., 3, 244, 3) Eles estavam empenhados no recolhimento dos mortos
, mas, tendo-se informado da verdade, renunciaram. d) dois imperfeitos seguidos
não marcam simultaneidade da ação passada (que seria expressa pelo particípio pr
esente) mas sim uma ação passada antes da outra: nemimn skonto kaÜ Éw yæein ¤n Aé
lÛdi tòn AghsÛlaon oék eàvn (Xen., Hell., 3, 3, 5) Eles se lembravam também como
em Aulis eles não tinham deixado (ação durativa e não pontual) Agesilau oferecer
sacrifício. Algumas vezes, ao narrarmos um fato passado, para darmos mais ênfas
e à narrativa, usamos o presente, como para pôr diante dos olhos do ouvinte/leit
or o fato narrado. É o que as gramáticas chamam de presente histórico.
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Ele marca, na verdade, concomitância com o fato narrado. Heródoto (I, 10) diz qu
e Giges, por insistência de Candaules, vai ver a mulher deste se despir antes de
se deitar. A narrativa é feita no imperfeito e aoristo; mas na hora de o intrus
o esgueirar-se para fugir, Heródoto escreve: kaÜ ² gun‾ ¤por min ¤jiñnta e a mulh
er o avista saindo (J. Humbert, 234). yn¹skei gunaikñw... dñlÒ... Aàgisyow d¢ ba
sileæei (Eur., El., 9-11) ele [Agamêmnon] morre por um ardil da mulher, e Egisto
é rei [reina]. keÛnh g r Êles¡n nin eÞw TroÛan t gei (Eur., Héc., 268) é ela que o p
erdeu e o leva para Tróia.
Aoristo
É o ato verbal em sua essência, expresso pelo tema verbal puro (freqüentemente a
própria raiz), sem contornos, sem limites. É usado: (1) nas máximas e provérbio
s (aoristo gnômico, não enquadrado) e (2) nos quadros narrativos em que enumera
fatos isolados (pontuais) que incidem sobre a linha do processo narrativo (aoris
to narrativo, enquadrado). 1. Exemplos do primeiro uso gnÇyi sautñn Conhece-te a
ti mesmo. =Åmh met fron sevw Èf¡lhsen força com sabedoria ajuda [é útil] (Isócra
tes). mikròn ptaÝsma di¡luse p nta pequeno acidente estraga tudo. ùw m¡n t aÞd¡setai
koæraw Diòw sson Þoæsaw, tòn d¢ m¡g Ênhsan, kaÛ t ¦kluon eéjam¡noio (Hom., K, 509) q
uem respeitar as filhas de Zeus que chegam perto, esse elas o protegem muito e o
ouvem suplicante [tendo suplicado].
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oédeÜw ¦painon ²donaÝw ¤kt sato ninguém adquire elogio com prazeres. tÒ xrñnÄ ²
dÛkh p ntvw —ly potisam¡nh com o tempo [pelo tempo] sempre chega a justiça vingadora
. kaÜ bradçw eëboulow eålen taxçn ndra diÅkvn até o lento, quando quer, perseguin
do, pega o homem veloz. t w tÇn faælvn sunousÛaw ôlÛgow xrñnow di¡lusen um tempo c
urto dissolve as sociedades dos levianos. k tyan õmÇw ÷ t ergòw n‾r ÷ te poll ¤orgÇw (
om.) morre igualmente o homem inativo e o que fez muitas coisas. k llow xrñnow n lv
sen o tempo destrói a beleza. tò dokeÝn eänai kalòn k gayòn tòn lñgon pistñteron ¤
poÛhsen o fato de parecer belo e bom [o parecer belo e bom, ter boa reputação] f
az o discurso mais acreditável. Esse uso do aoristo, expresso em português pelo
presente simples, não indica duração, hábito ou continuidade do ato verbal, mas
verdades gerais e é por isso denominado aoristo gnômico pelas gramáticas, de gnÅ
mh - gnÇmai, máxima, provérbio. 2. No segundo uso, como foi assinalado, dentro d
e um quadro narrativo, o aoristo exprime um ato isolado, pontual no passado, igu
almente sem nenhuma conotação de duração, continuidade ou término do ato verbal.
É uma enumeração de fatos isolados, pontuando o fio narrativo: Hoje eu fui à cidad
e, almocei, comprei livros, encontrei amigos e fui à escola . Todos são aoristos,
enquadrados no passado pela palavra hoje , isto é: até este momento. Em português e
le corresponde ao nosso pretérito simples do indicativo. É o aoristo que podemos
chamar de narrativo, enquadrado. Aparece às vezes com conjunções ou com advérbi
os, que não regem o aoristo, mas apenas situam o ato verbal no tempo. Não se trata
de uma regra gramatical, mas de uma relação normal, semântica, orgânica, lógica
. As conjunções ou os advérbios mais comuns neste caso são:
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¤peÛ, Éw, ÷te - quando; ¤peid (t xista) ¤peÜ prÇton - logo que, assim que; §vw, ¦
ste, m¡xri - até que (trataremos disso no capítulo dos invariáveis). Di mikròn ¤p
olem sate Entrastes em guerra por pequena coisa (o ato em si). Peisistr tou teleut
santow IppÛaw ¦sxe t‾n rx n (Arist.) Tendo morrido Pisístrato Hípias obteve o pod
er (o ato em si). ¤gÆ —lyon, eädon, ¤nÛkhsa, (Apiano) Eu vim, vi, venci. Fica be
m claro, desse último exemplo, que o uso do indicativo exprime o carácter da sim
ples enumeração de fatos isolados, pontuais, no passado, sem marcar anterioridad
e de um em relação ao outro (a anterioridade seria expressa pelo particípio aori
sto ou por um advérbio de tempo). É uma sucessão natural dos fatos, expressa pel
o conteúdo semântico dos verbos. Esse emprego do aoristo como ato isolado dentro
de um processo narrativo explica o aumento e- (marca do passado) que ele recebe
no indicativo e que permanece no aoristo gnômico. Danaòw ¤j AÞgæptou fugÆn Argow
kat¡sxen (Isócr., El. de Hel., 6) Dânaos tendo fugido do Egito se apoderou de A
rgos (fato isolado no passado, sem idéia de duração). Polem rxÄ par ggeilan oß Tri k
onta tò ¤p ¤keÛnvn eÞyism¡non par ggelma (Lísias, Contr. Erat., 17) Os 30 deram a P
olemarco a ordem habitual naqueles casos (ato momentâneo, pontual, isolado). met
t‾n ¤n KorvneÛ& m xhn oß AyhnaÝoi ¤j¡lipon t‾n BoivtÛan p san depois da batalha na Co
ronéia os atenienses abandonaram toda a Beócia (fato isolado, sem idéia de duraç
ão ou resultado).
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PausanÛaw ¤k LakedaÛmonow strathgòw êpò Ell nvn ¤jep¡mfyh met eàkosi neÇn pò Pelopo
nn sou, jun¡pleon d¢ kaÜ AyhnaÝoi tri konta nausÜ kaÜ ¤str teusan ¤w Kæpron kaÜ aét°w
t poll katestr¡canto Pausânias foi enviado [como] comandante (fato pontual) pelos
Helenos de Lacedemônia, a partir do Peloponeso, com 20 navios; navegavam (ação
concomitante) também conjuntamente Atenienses com trinta navios e partiram (fato
pontual) para Chipre e submeteram (fato pontual) a maior parte dela. Tojik‾n ka
Ü Þatrik‾n kaÜ mantik‾n Apñllvn neèren. Apolo inventou a arte do arco, a médica e
a divinatória (mera menção do ato pontual no passado). Éw õ Kèrow ¾syeto kraug°w
, nep dhsen ¤pÜ tòn áppon Ësper ¤nyousiÇn Assim que Ciro ouviu [percebeu] (fato m
omentâneo, pontual) o alarido, saltou (fato pontual, isolado) sobre o cavalo com
o inspirado pela divindade. (Os dois atos são aoristo narrativo, porque enquadra
dos no passado.) oß Peloponn sioi ôlÛgon m¢n xrñnon ¦meinan, ¦peita de ¤tr ponto ¤
w tòn P normon ÷yenper nhg gonto. os Peloponésios permaneceram por pouco tempo; a seg
uir tomaram a direção de Panormos exatamente de onde reconduziram. O último verb
o poderia ser entendido em português como maisque-perfeito do indicativo. Em gre
go, não; o mais-que-perfeito do indicativo grego nos daria a idéia de uma situaç
ão (resultado) no passado. Não é o caso; são três atos isolados no passado (aori
sto narrativo). Basileçw ¤peÜ —lye t xista ¤piy¡syai toÝw polemÛoiw ¤k¡leusen o re
i assim que chegou, imediatamente mandou atacar os inimigos (dois atos isolados)
. ¦deisan polloÜ kaÜ ¦feugon eÞw t‾n y lattan (Xen., An., 6.6.7) muitos ficaram co
m medo (fato isolado da ação de ficar com medo = aoristo pontual) e se puseram a
fugir para o mar (início e continuidade do ato de fugir = imperfeito).
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¤peid‾ Yhseçw ¤basÛleuse ¤w t‾n nèn pñlin oïsan p ntaw sunÐkise (Tuc., 2, 15, 2) q
uando Teseu se tornou rei ele fez todos coabitarem na cidade agora existente (fa
tos vistos isolados, como um todo pontual e não na sua realização). ßeròn katest
santo oðper ¤poi sato t‾n eéx n (Isócr., Evág., 15) Eles erigiram um templo exa
tamente no lugar em que ele fez [fizera] a oração. Dois fatos isolados no passad
o, sem nenhuma intenção de marcar anterioridade de um em relação ao outro; a ant
erioridade está no contexto (a anterioridade seria expressa pelo particípio aori
sto na secundária e o resultado, pelo mais-que-perfeito). toçw ¤k SerreÛou teÛxo
uw ¤j¡ballen oîw õ êm¡terow strathgòw ¤gkat¡sthsen (Dem., Fil., 3, 15) Ele se pô
s a expulsar (início da ação que continuou - imperfeito) da fortificação de Sere
ion os que o vosso comandante lá instalou (num determinado momento: não relação
direta de anterioridade; em português poderíamos usar o mais-que-perfeito tinha i
nstalado/ instalara sem a idéia de resultado no passado). Kèron metap¡mpetai ¤k t
°w rx°w ¸w aétòn satr phn ¤poÛhsen (Xen.) Ele revoca Ciro do governo de que o fez [
fizera] sátrapa. (São dois fatos isolados: um isolado no passado = ¤poÛhse e out
ro presente = metap¡mpetai, e não tendo feito sátrapa o revocou ; a anterioridade n
este caso estaria expressa por um particípio aoristo, e um mais-que-perfeito: re
sultado no passado).
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Acabado (perfectum)
É o ato acabado. Perfeito. É o resultado presente de um ato que terminou. Sem co
notação temporal nem espacial externa ou delimitada. A conclusão do processo ver
bal é interna. É o ato verbal que está completo e cujo resultado perdura até ago
ra. 1. Resultado presente: perfeito eàrhka eu disse: já disse, acabei de dizer e
ìrhka encontrei (afinal), achei t¡ynhke ele morreu > está morto m¡mnhmai estou l
embrado (veio-me à memória) k¡krage ele gritou - deu um grito, acabou de dar ¤sp
oædaka estou cheio de ardor (enchi-me de...) ölvla perdi-me, estou perdido, arru
inado teyoræbhmai estou cheio de confusão, estou confuso oäda eu vi > eu sei (re
sultado) teyaæmaka eu me espantei > estou espantado bebÛvke viveu (não mais está
vivo), uixit d¡doika estou cheio (tomado) de temor > eu temo ¤piteyæmhka koèsai
fiquei cheio de ardor [estou cheio] de ouvir [estou desejoso de ouvir]. pefñbhma
i t w oÞkeÛaw martÛaw µ t w tÇn ¤nantÛvn dianoÛaw estou [fiquei] com medo mais de nos
sas próprias falhas do que dos projetos dos adversários. ³dh g r tet¡lestai moi fÛ
low ³yele yumñw (Hom). agora já acabou [ já se realizou, está realizado] o que m
eu querido coração queria. ² pñliw ¦ktistai par tÇn KorinyÛvn a cidade foi fundad
a (o resultado está aí) pelos [da parte dos] Coríntios. t xr mata toÝw plousÛoiw
² tæxh oé dedÅrhtai ll ded neiken aos ricos a Fortuna não deu de presente os bens, m
as emprestou-os.
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o verbo grego
õ pñlemow p ntvn ²m w pest¡rhken kaÜ g r penest¡rouw pepoÛhke a guerra nos privou [e est
amos privados] de tudo; na verdade nos fez mais pobres [e estamos pobres]. lñgow
l¡lektai p w todo o discurso [já] está dito. ² tajÛa polloçw ³dh polÅleken (Xen., A
n., 3.1.38) a desordem já arruinou muitos (resultado constatado; o emprego do já r
eforça o sentido do ato terminado). oß pefilosofhkñtew (Plat., Féd., 69b) os que
assumiram a qualidade de filósofos [e continuam sendo]. oämai sumf¡rein beboule
èsyai kaÜ pareskeu syai (Dem., Quers., 3) Eu acho ser conveniente a deliberação já
estar tomada [ter sido tomada] e os preparativos já feitos. t w llaw politeÛaw eìr
oi n tiw metakekinhm¡naw kaÜ ¦ti kaÜ nèn metakinoum¡naw (Xen., Rep. dos Lac., 15,
1) poder-se-ia achar as outras constituições que já sofreram modificações [já mo
dificadas = part. perf. pass.] e que ainda agora estão sofrendo modificações [es
tão sendo modificadas = part. pres. pass.]. beboæleusye oéd¢n aétoÜ prÜn µ gegen
hm¡non µ gignom¡non ti pæyhsye. (Dem., Fil., I, 41) vós mesmos sobre nada delibe
rastes [não terminastes a deliberação] antes de vos informardes ou que algo já a
conteceu (gegenhm¡non, part. perf.) ou estava acontecendo (gignom¡non, part. pre
s.). ² f lagj diaspasy setai eéyçw kaÜ toèto yumÛan poi sei ÷tan tetagm¡noi eÞw f lag
ga taæthn diesparm¡nhn õrÇsin (Xen., An., 4.8.10) imediatamente a tropa será dis
persada e isso provocará perda de coragem quando, depois de [já] terem sido arra
njados (tetagm¡noi, part. perf. pass.) em fileiras, virem a tropa dispersada [di
spersa] (diesparm¡nhn, part. perf. pass.). Neste exemplo o quadro imaginado é fu
turo (eventual), mas o valor do part. perf. continua o mesmo, isto é, o resultad
o da ação.
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o verbo grego
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¤ n toèto nikÇmen p nta ²mÝn pepoÛhtai caso vençamos isso [se vencermos isso], tudo
está feito [fica feito] para nós (quadro futuro, eventual). ²g sato aétoÝw n‾r P¡
rshw doèlow gegenhm¡now tÇn ¤n kropñlei tinòw frourÇn (Xen., Cir., 7, 2, 3) guiou
-os um homem persa que se tinha tornado (e era ainda; gegenhm¡now, part. perf.)
servo de um dos que eram vigias da cidadela. taèta ¦lege spoud zousa tÒ ³yei Ëst ¤m
¢ taèta pepeÝsyai ela dizia essas coisas com ar tão sério que eu me convenci del
as [fiquei convencido, na ocasião]. 2. Resultado passado: mais-que-perfeito (só
indicativo): ÷te —lye õ fÛlow ¤gegr fein t‾n ¤pistol n Quando [no momento em que]
chegou o [meu/nosso] amigo, eu [ já] tinha escrito/escrevera a carta. ² OÞnñh ¤t
eteÛxisto kaÜ aétÒ frourÛÄ oß AyhnaÝoi ¤xrÇnto (Tuc.) Enoé estava cercada [tinha
sido] de muralhas e os Atenienses se serviam da própria guarnição. ©n —n xvrÛon
metrñpoliw aétÇn: eÞw toèto p ntew sunerru kesan (Xen., An., 5.3.3.) havia um só l
ugar, metrópole [capital] deles; para lá todos tinham acorrido. oé polçn n lvse x
rñnon ll eéyçw ¤pepeÛkei (Ésquines, C. Tim., 57) ele não gastou muito tempo; ao con
trário, rapidamente já tinha persuadido. eéyçw tÇn sukofantoæntvn tòn KrÛtona nhu
r kei poll dik mata (Xen., Mem., 2, 9, 5) rápido ele [ já] tinha descoberto muitas
injustiças dos que caluniavam Críton.
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o verbo grego
¦legon ÷ti AriaÝow pefeugÆw ¤n tÒ staymÒ eàh met tÇn llvn barb rvn ÷yen t» proteraÛ&
Ërmhnto (Xen., An., 2, 1, 3) diziam que Arieu estaria refugiado [teria-se refugi
ado, e estava] junto com os outros bárbaros no posto de onde no dia anterior ele
s tinham atacado. eðde lelasm¡now ÷ss ¤pepñnyei (Hom.) ele dormia, esquecido (lel
asm¡now, part. perf. méd.) do que tinha sofrido (¤pepñnyei, mais que perf. ativo
). ¤n toÝw Dr kontow nñmoiw mÛa pasin Ëristo toÝw mart nousi zhmÛa: y natow nas leis de
Drácon uma só pena estava determinada [tinha sido determinada] para todos os del
inqüentes: morte. ¤peÜ paj ³rjanto êpeÛkein, taxç d‾ p sa ² krñpoliw ¦rhmow tÇn pole
mÛvn ¤geg¡nhto assim que, por uma vez, começaram a se retirar, rapidamente a cid
adela toda ficou [tinha ficado e estava] vazia de inimigos. feægousin eÞw tòn st
aymòn ¦nyen Ërmhnto eles fogem [estão fugindo] para a parada de onde tinham atac
ado. 3. Resultado futuro: Futuro perfeito (um ato estará terminado em uma situaç
ão futura). Construído sobre o tema do perfeito, o seu uso não é freqüente e é q
uase sempre empregado na voz passiva; é raro na voz ativa. oìtvw oß pol¡mioi ple
Ýston ¤ceusm¡noi ¦sontai (Xen., An., 3, 2, 31) dessa maneira os inimigos de pref
erência estarão enganados [estarão numa situação de terem sido enganados]. p w õ p
arÆn fñbow lelæsetai todo o medo presente estará dissipado [terá sido]. n taèt eÞd
Çmen t d¡onta ¤sñmeya ¤gnvkñtew se soubermos essas coisas [caso saibamos], estare
mos em situação de conhecedores do que é necessário.
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o verbo grego
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¤moÜ d¢ leleÛcetai lgea lugr (Hom.) os tristes sofrimentos me terão abandonado. ¤ n
taèta pr júw toÝw m¢n polemÛoiw ¤piteteixikÆw ¦sú, filÛan d¢ pñlin diasesvkÅw, eék
le¡statow d¢ ¦sú se executares essas coisas [caso executes] tu te terás fortific
ado diante dos inimigos, tu terás salvo uma cidade amiga e serás muito glorioso.
fr son ÷ ti me deÝ poieÝn kaÜ pepr jetai dize-me o que me é preciso fazer e estará
feito. ÷te pei p nta pepraxÆw ¦somai quando [no momento em que] partires eu já tere
i executado tudo [estarei numa situação de ter executado]. ÷tan koæsúw toè salpig
ktoè lelukñtew ¤sñmeya quando ouvires [caso ouças] o tocador de trombeta estarem
os soltos [estaremos em situação de termo-nos livrado]. toÝw kakoÝw memÛjetai t ¤
syl com as coisas más estarão misturadas [terão sido] coisas boas.
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o verbo grego: os modos
Os modos
É a maneira como se realiza o ato verbal. É uma visão externa do processo verbal
. É uma species , como diz Varrão. A palavra aspecto caberia melhor ao modo do que ao
que convencionalmente chamamos aspecto. O modo, na verdade, é um eädow isto é, um
a aparência, uma forma exterior. O modo depende do enunciante, que imprime ao pr
ocesso verbal a sua vontade, a sua visão, a sua intenção. Ele passa ao receptor
uma realidade vista à maneira pela qual ele quer que o receptor a aceite. Há qua
tro modos verbais em grego.
Indicativo
Exprime a realidade objetiva, como ela é de fato, e a realidade subjetiva, como
ela é no entendimento do emissor, mas que não o é necessariamente na mente do re
ceptor. São as chamadas proposições enunciativas em que há uma declaração, uma a
firmação: As uvas estão verdes, diz a raposa - realidade subjetiva As uvas estav
am verdes, diz o narrador - realidade objetiva 2 Do mesmo modo que o indicativo
exprime a realidade, ele o faz também com a irrealidade objetiva ou possível. Nã
o há dúvidas na irrealidade subjetiva ou objetiva: As uvas não estão / não estav
am maduras. Mas, Se as uvas estivessem maduras eu as comeria (não estão maduras
e eu não as como/comerei) - irrealidade hipotética presente. Se as uvas tivessem
caído no chão a raposa as teria comido (não caíram no chão e a raposa não as co
meu) - irrealidade hipotética passada.
2
Há inúmeros exemplos do indicativo real, na p. 248, entre outras.
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o verbo grego: os modos
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Nesses dois casos o grego emprega: o indicativo imperfeito no primeiro caso (irr
ealidade hipotética presente), tanto na condicionante (prótase) quanto na condic
ionada (apódose). Há coerência, porque, se o indicativo exprime a realidade, ips
o facto deve exprimir também a irrealidade. o indicativo aoristo no segundo caso
(irrealidade hipotética passada), tanto na condicionante (prótase) quanto na co
ndicionada (apódose). Como no caso da irrealidade presente, também aqui o uso do
indicativo é semanticamente coerente. Apenas o grego usa eÞ para introduzir a c
ondicionante (prótase) e n para introduzir a condicionada (apódose). Em português
clássico ou erudito, o emprego do indicativo nas frases acima não é raro. O que
mudou foi apenas o uso, que revestiu a irrealidade de uma atmosfera nebulosa ex
pressa pelas formas passadas do subjuntivo e pelo condicional, que, veremos mais a
diante, são o optativo grego. Mas, se disséssemos Se as uvas eram (estavam) madur
as eu as comia (Não estão e eu não as como), não estaríamos incorrendo em erro. O
s exemplos a seguir (cerca de 70) têm por objetivo ressaltar que o indicativo ex
prime a certeza, a realidade em qualquer tipo de enunciado (consecutivo, causal,
real, irreal, modal, concessivo) e que ele vale por si mesmo e não porque o enu
nciado está classificado neste ou naquele modo sintático. Nos exemplos arrolados
a seguir poderemos constatar que em grego, em qualquer contexto em que esteja,
o indicativo é a expressão do real ou do irreal, indicados de várias maneiras, c
om a partícula (conjunção) supositiva eÞ e a partícula potencial n.
Expressão da irrealidade:
êpñ ken talasÛfron per d¡ow eåle o medo teria [poderia ter] se apoderado até de u
m corajoso (mas não se apoderou; irreal do passado: indicativo aoristo).
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o verbo grego: os modos
basileçw smenow n toçw AyhnaÛouw eÞw t‾n summaxÛan prosed¡jato O rei teria [poderia
ter] aceito com prazer os Atenienses na aliança (mas não aceitou; irreal do pas
sado: indicativo aoristo). EgÆ d ¤boulñmhn n aétoçw lhy° l¡gein (Lísias) Eu queria [
quereria] que eles estivessem dizendo a verdade. [Eu os queria estarem dizendo a
verdade (mas não estão).] Eà ti eäxon ¤dÛdoun n. Se eu tivesse algo eu daria. [S
e eu tinha eu dava; mas não tenho.] EÞ m‾ ³lyete ¤poreuñmeya n ¤pÜ tòn basil¡a (X
en.) Se vós não tivésseis chegado nós estaríamos marchando contra o grande rei.
[Se vós não chegastes nós não estávamos marchando. Mas vós chegastes e nós estáv
amos marchando contra o rei.] Oék n n°son ¤kr tei eÞ m ti kaÜ nautikòn eäxen (Tuc.
) Ele não estaria dominando a ilha se não tivesse algo e também uma esquadra. [M
as ele está dominando a ilha e tem a esquadra.] Wietñ tiw n Alguém poderia acredit
ar [não acredita]. TÛ sig w; oék ¤xr°n sig n (Eur.) Por que silencias? Não deverias
[devias] silenciar. Pèr n oé par°n (Sóf) O fogo faltava. [estaria faltando, às ve
zes, freqüentemente]. (o n marca o enfraquecimento da afirmação) R mat n bñeia dÅdek
eäpen (Aristóf.) E lá disse ele [teria dito] uma dúzia de palavrões [do tamanho
de um boi] (o n marca a atenuação da afirmação). Eàye soi tñte sunegenñmhn (Xen.)
Oxalá eu tivesse encontrado contigo então! [mas não me encontrei.] Eàye m poy ´m
arten Oxalá ele nunca tivesse falhado! [mas falhou] Freqüentemente nas exclamati
vas, ou interrogativas que exprimem ou perplexidade ou uma descrença (irrealidad
e latente), o indicativo concorre com o optativo, segundo o grau de firmeza ou d
úvida do enunciante.
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Di toçw nyistam¡nouw êmeÝw ¤st¢ sÇoi: ¤peÜ di g êm w aétoçw p lai n polÅleite (Dem.)
vossos adversários que estais sãos e salvos, porque por vós mesmos já há muito
estaríeis arruinados (causa, fato real). Episteuñmhn êpò tÇn LakedaimonÛvn: oé g r n
me ¦pempon pròw êm w (Xen.) Eu tinha a confiança dos Lacedemônios [era acreditado
por], por que se não, eles não me enviariam para vós (real e depois irreal do p
resente). ¦nya d‾ ¦gnv n tiw Naquele momento alguém poderia ter tomado conhecimen
to [mas não tomou (irreal do passado = indicativo aoristo)]. All Êfele Kèrow z°n;
Ah! se Ciro estivesse vivo! [mas não está (irreal do presente = indicativo imper
feito)]. Sun¡bh m pot Êfele (sumbaÛnein) Aconteceram as coisas que não deveriam [
não deviam acontecer]. ±boulñmhn n eu quereria / quisesse eu / eu queria [mas não
quero] (irreal do presente / potencial = indicativo imperfeito). ±dun mhn n eu pod
eria / pudesse eu [mas não posso] (irreal do presente / potencial = indicativo i
mperfeito). E mais algumas expressões de uso muito constante: ¤j°n seria (era) p
reciso, permitido, possível eÞkòw —n seria (era) natural, verossímil, justo kalÇ
w eäxen seria (era) bonito kalÇw —n seria (era) bonito jion —n seria (era) digno
dÛkaion —n seria (era) justo ¦dei seria (era) preciso ¤xr°n seria (era) bom, úti
l, preciso pros°ke(n) seria (era) conveniente, decente Êfele(n) seria (era) útil
(ajudaria)
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Expressão da realidade:
Mas o uso desses mesmos verbos no presente, aoristo e futuro do indicativo sem n
exprime uma realidade. São enunciativas, afirmativas, declarativas. T°w ret°w ßdr
Çta yeoÜ prop roiyen ¦yhkan Na frente da virtude [excelência] os deuses colocaram
o suor. Ar oïn m‾ kaÜ ²mÝn ¤nantiÅsetai; (Xen.) Será então que ele não se oporá ta
mbém a nós? (o futuro indicativo exprime sempre uma certa antecipação da certeza) A
llo ti µ dianoeÝ ²m w pol¡sai; (Plat.) É outra coisa ou ele medita [trama] nos arru
inar? [não é verdade que?] (indicativo real) TÛw soi dihgeÝto ; µ aétòw Svkr thw;
Quem te dizia isso? ou [não é?/a não ser] o próprio Sócrates? (indicativo real)
TÛ dikhyeÜw ¤pibouleæeiw moi; Prejudicado em quê tu estás tramando [tramas] contr
a mim? Pñy xr‾ pr jete; ¤peid n ti g¡nhtai; (Dem.) Quando fareis o que é preciso? (in
d. real) Depois que algo acontecer [aconteça]? (eventual) Oéd¢n ÷ ti m‾ ¤rg thw ¦s
ú (Luc.) Tu não serás nada que não mão-de-obra (eventual com grau de certeza). d
eÝ prò toè polemeÝn ¤sk¡fyai tÛw êp rjei paraskeu‾ tÒ genhsom¡nÄ pol¡mÄ É preciso,
antes de empreender a guerra, já ter refletido que recursos estarão à disposiçã
o para a guerra vindoura. jion (¤sti) êm w mou koèsai é justo vós me ouvirdes. Hretñ
me tÛw eÞmÛ. [eàhn] Ele me perguntou quem eu sou [seria]
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Oäsya Eéyædhmon õpñsouw ôdñntaw ¦xei; (Plat.) Sabes quantos dentes tem Eutidemo?
DokÇ moi koæein. Eu pareço estar ouvindo. [Parece-me que ouço.] DokeÝ moi mart nein
. Tu me parece errar. [Parece-me que está errando.] L¡gv ÷ti yeñw ¤stin. Eu digo
que existe um deus. Oäda ÷ti yeñw ¤stin. Eu sei que existe um deus. XaÛrv ÷ti e
édokimeÝw (Plat.) Eu me alegro [por] que tens boa fama. Oék aÞsxænomai eÞ tÇn nñ
mvn ¦latton dænamai. (And.) Eu não sinto vergonha se tenho menos poder do que as
leis. Oäda ÷stiw eä Eu sei quem tu és. AnerÅta aétòn pñteron boæletai m¡nein µ o
ë. [µ m ] Pergunta-lhe de novo se ele quer ficar ou não. TÛ g r ¾dh eà ti k keÝnow e
äxe sid rion; (Lísias) Pois em que eu sabia se também ele tinha um punhal? Leæse
te oåa pròw oávn ndrÇn p sxv; (Sóf.) Vede que coisas diante de que homens eu estou
sofrendo. HrÅta §kaston eà tina ¤lpÛda ¦xei. Ele interrogava a cada um se tinha [
tem] alguma esperança. Oék oäd ÷pvw n ¦prajen. (Isócr.) Eu não sei como ele agiu [
teria agido] Foboæmeya m‾ mfot¡rvn ma ²mart kamen (Tuc.) Nós temos receio que falh
amos nos dois objetivos [na realidade já falhamos]. Eéyçw nast w, oìtv deèro ¤poreu
ñmhn (Plat.) Assim que me levantei [direto tendo-me posto de pé] pus-me a caminh
o daqui.
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Oéd¢n llo ¦xv eÞ m‾ toèto. Não tenho nada outro a não ser [senão] isso (realidade
). Ep¡pese xiÆn pletow Ëste p¡kruce t ÷pla (Xen.) Caiu uma neve abundante que cobriu
as armas [a tal ponto que (consecutiva, fato real)]. Tosoætou d¡v ôrgÛzesyai Ës
te kaÜ eéfraÛnomai. Careço tanto de me irritar que até estou contente. (consecut
iva, fato real) UmÝn p¡mcv ndraw oátinew summaxoèntai (Xen.) Eu vos enviarei homen
s que combaterão junto [para combaterem junto]. (consecutiva, fato real) TÛw oìt
v maÛnetai ÷stiw oé boæletaÛ soi fÛlow eänai; (Xen.) Quem está delirando a tal p
onto que não quer ser teu amigo?! (consecutiva, fato real) Oàontai politikoÜ eän
ai ÷ti ¤painoèntai épò tÇn pollÇn. (Plat.) Porque são elogiados pela massa eles
se crêem homens de estado. [eles crêem ser homens] (causa, fato real) Oék —n kr
nh ÷ti m‾ mÛa ¤n t» kropñlei (Tuc.) Não havia fonte a não ser uma na acrópole. (f
ato real) EÞ kaÜ m‾ bl¡peiw froneÝ ÷mvw (Sóf.) Mesmo se és cego, assim mesmo tu
pensas. (concessiva,fato real) AÞsxunoÛmhn toèto õmologeÝn ¤peÜ polloÛ g¡ fasin
(Plat.) Eu me envergonharia de admitir isso uma vez que [se] muitos afirmam [afi
rmem]. (concessiva, fato real) Taèta ¤poÛoun m¡xri skñtow ¤g¡neto (Xen.) Eles fi
caram fazendo essas coisas até que chegou a noite. Nèn ¤peÜ p¡nhw geg¡nhmai (Xen
.) Agora porque [depois que] fiquei pobre... Oék ³yele feægein prÜn ² gun‾ aétòn
¤peisen (Xen.) Ele não queria evadir-se antes que a mulher o persuadiu. [até qu
e]. L¡ge d‾ t‾n ¤pistol‾n ¶n ¦pemce FÛlippow (Dem.) Dize, então, a mensagem que
Felipe enviou.
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Nèn eÞl famen ù p lai kaÜ polloÜ tÇn sofÇn zhtoèntew prÜn eêreÝn kateg rasan (Plat
.) Nós agora entendemos [captamos] o que há muito muitos sábios envelheceram pro
curando antes de encontrar. Wsper t xalkeÝa plhg¡nta ±xeÝ kaÜ oß = torew oìtv (Pla
t.) Como os objetos de bronze ressoam quando batidos, assim também os oradores. O
sÄ m llon pisteæv êmÝn tosoætÄ m llon porÇ. (Plat.) Quanto mais eu confio em vós tant
o mais fico sem saída [em dificuldade]. SoÛ sumf¡rei t aét kaÜ ¤moÛ. A ti interess
am as mesmas coisas que a mim. Yaumastòn poieÝw ùw oéd¢n dÛdvw (Xen.) Ages de ma
neira estranha, tu que não nos dás nada. A m‾ oäda oéd¢ oàomai eÞd¡nai (Plat.) Aq
uilo que por acaso não sei nem mesmo acho que sei. [não julgo saber].
Expressão da condição:
No item irrealidade há inúmeras frases hipotéticas, condicionais, supositivas. O u
so do modo depende do significado da condição; se é real, é indicativo (eÞ), se
é irreal, indicativo (eÞ - n); se potencial, o optativo (eÞ - n); se eventual, o s
ubjuntivo ou futuro (eÞ - ¤ n). EÞ n gkh ¤stÜ m xesyai deÝ paraskeu sasyai (Xen.) Se é ne
cessário lutar [entrar na luta] é preciso preparar-se. (exprime um fato afirmati
vo, da realidade subjetiva) EÞ m‾ kay¡jeiw glÇssan ¦stai soi kak (Eur.) Se não re
tiveres [caso não retenhas] a língua, desgraças vão te acontecer. (suposição eve
ntual, com grande certeza)
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o verbo grego: os modos
EÞ m¢n oïn taèta l¡gvn diafyeÛrv toçw n¡ouw taèt n eàh blaber (Plat.) Se dizendo [ao
dizer] essas coisas eu corrompo os jovens, então essas coisas seriam danosas. (
condição real no primeiro verbo; no segundo o optativo atenua a conclusão) Poll e
ÞpeÝn n ¦xoien oß Olænyioi nèn tñt eÞ proeÛdonto oék n pÅlonto (Dem.) Os Olíntios po
eriam dizer agora (potencial - atenuação da afirmação) muitas coisas que, se tiv
essem previsto antes, não teriam sucumbido. (irreal do passado) Oék ¤dænat n pr ttein
¤boæleto (Xen). Ele não podia [poderia] fazer o que queria [quisesse]. ôlÛgou t
‾n pñlin eålon Por pouco [faltou pouco, de pouco] eles tomaram a cidade. O empre
go do indicativo é coerente: ele sempre exprime a realidade objetiva ou subjetiv
a e também a irrealidade objetiva ou subjetiva (em português às vezes sob forma
supositiva). Observação importante: Nas orações supositivas (hipotéticas), a idé
ia de tempo não está presente nem no indicativo; o que há é apenas o aspecto; ma
s, quando o tema de qualquer aspecto recebe o aumento ¤- passa a exprimir o pass
ado de cada um deles: o passado do presente: imperfeito, aumento anteposto ao te
ma do infectum; o aoristo narrativo (enquadrado ou pontual): (pretérito simples
em português) ou aoristo gnômico (presente simples em português), aumento antepo
sto ao tema do aoristo; mais-que-perfeito: passado do perfeito (mais-que-perfeit
o simples ou composto em português), aumento anteposto ao tema do perfectum. Out
ros exemplos de indicativo podem ser encontrados no capítulo que trata dos aspec
tos verbais. O objetivo do grande número de exemplos é insistir no valor semânti
co autônomo das formas verbais. O enquadramento sintático leva a esquemas formal
istas, que provocam a criação de regras de regência e de correlação complexas, q
uando é muito mais facil se ater ao significado intrínseco da forma verbal.
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o verbo grego: os modos
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Subjuntivo
Exprime o fato eventual, provável, futuro. O nome subjuntivo ou conjuntivo cobre ape
nas uma parte do significado: quando exprime uma finalidade ou um fato futuro de
pendendo de uma eventualidade. Na proposição independente ele é volitivo (pedido
, conselho) deliberativo, desiderativo, que são as várias facetas da eventualida
de. Trouxe água para que bebas. - final Se trouxeres água eu beberei - eventual
Caso tragas água eu beberei - eventual Quando (sempre que) os homens bebem eles
são ricos, ajudam os amigos, são felizes - eventual O subjuntivo exprime também
a exortação e a deliberação (que são fatos eventuais, futuros). Corram que chega
rão a tempo - exortativo Vamos mais depressa? - deliberativo O que farei? O que
faremos? - deliberativo Por exprimir um fato eventual, provável, futuro ou uma a
ntecipação não há em grego o perfeito, o imperfeito e o mais-que-perfeito do sub
juntivo que não exprimem eventualidade. Por isso devemos traduzir o subjuntivo g
rego ou pelas formas do subjuntivo presente, do subjuntivo futuro ou pelo infini
tivo preposicionado (para) ou com conjunção (a fim de / que). É inútil procurar
outras traduções para o subjuntivo grego; a idéia do eventual-futuro permanece.
Não é por mero acaso que em grego não haja subjuntivo futuro. Sempre que leio Ho
mero, eu sinto prazer. Esse indicativo leio, na medida em que não é uma realidade
objetiva única, mas um fato repetido, ou seja, eventual, o grego, coerentemente,
o exprime com ¤ n/ n e subjuntivo. Em português poderíamos chamá-lo de indicativo ev
entual Outra observação incontestável: as desinências do subjuntivo são primárias
, qualquer que seja a voz e o aspecto. É que a noção da eventualidade tem o pres
ente como ponto de partida e as desinências primárias são do presente e do event
ual, que é uma antecipação do futuro.
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o verbo grego: os modos
No latim, o eventual se exprime pelo presente do subjuntivo ou pelo futuro (indi
cativo). Em grego há tantos subjuntivos quantos são os aspectos e vozes, mas, co
mo já foi dito, não há subjuntivo futuro! Seria redundante. As três formas do su
bjuntivo são: Subjuntivo presente (tema do infectum, inacabado): entrada no ato
verbal Subjuntivo aoristo (tema do aoristo): isolado, pontual Subjuntivo perfeit
o (tema do perfectum): ato verbal acabado. Não há idéia de tempo no subjuntivo.
1. Nas orações independentes
a) Deliberativo PerÜ toætvn d¢ l¡gvn pñyen rjvmai; E falando a respeito dessas co
isas, de onde eu começarei? [vou começar = incipiam] (subj. aoristo = apenas o a
to verbal) tÛ d¢ prÇton l¡gv; (Plat., Górg.) O que direi [vou dizer, dicam] prim
eiro? (subj. pres. = entrada no processo verbal) PoÝ tr pvmai; Para onde eu me dir
ijo? [Para onde eu vou me dirigir? Para onde me viro?] (subj. aoristo = apenas o
ato verbal) Eàpvmen µ sigÇmen; Vamos falar [falaremos] ou permanecemos [permane
ceremos] calados? (Eàpvmen, subj. aoristo = apenas o ato verbal; sigÇmen, subj.
pres. = entrada no ato verbal) PoÝ katafeægvmen; Para onde vamos fugir? [iniciar
a fuga?] (subj. pres. = entrada no ato verbal) Boælei soi ônom zv toçw ¥pt sofoæw;
Queres [que] eu te cite [nomeie] os sete sábios? (subj. pres. = inicie o ato de
citar)
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Boælei soi ônom sv toçw ¥pt sofoæw; Queres [que] eu te cite os sete sábios? (subj.
aoristo = ato pontual de citar) PÇw s¢ keÛrv; SivpÇn. Como vou fazer tua barba?
(subj. pres.) Calado.
toèton eÞr nhn gein ¤gÆ fÇ pròw êm w; eu vou dizer para vós que esse homem está em
paz? b) Exortativo: exortação, persuasão positiva ou negativa. Pode ser ligada a
tonalidades de imperativo, no seu sentido de modo do diálogo e não da ordem ou
proibição. F¡re àdvmen eà ti ¤dÅdimon ² p¡ra ¦xei. Vamos, vejamos [vamos ver, ve
remos] se tua sacola tem algo comestível. (subj. aor. = o ato pontual de ver) Ivm
en d‾ kaÜ m‾ m¡llvmen ¦ti; Vamos indo e não mais hesitemos! (subj. pres.) Ivmen;
Vamos! [Eamus!] (subj. pres. = entrada no ato) Age d , àdv; Vamos lá! que eu veja
! (subj. aor.= ato pontual) yumÒ g°w perÜ t°sde maxÅmeya kaÜ perÜ paÛdvn yn skvm
en; Com coragem lutemos por esta terra e morramos pelos nossos filhos! (subj. pr
es.= iniciemos a luta e morramos) FeidÅmey ndrÇn eégenÇn, feidÅmeya; Poupemos, pou
pemos os homens nobres! (subj. pres.= vamos poupar) c) Desiderativo (positivo ou
negativo) M‾ lÛan pikròn eÞpeÝn  (Dem.) Que não seja muito duro [azedo] de diz
er! M‾ yorub shte; Não façais barulho! (subj. aor. = o ato verbal em si)
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M‾ oék  didaktòn ret . (Plat.) Que a virtude não seja algo ensinável! (subj. pre
s. = não há noção aorista do ser, mas pode haver a noção eventual) M‾ poi súw; N
ão faças! (subj. aor. = o ato em si) Mhd¢n yum shte §neka tÇn gegenhm tvn; Não vos
desencorajeis diante do que aconteceu! (subj. aor. = o ato em si) MhdenÜ sumfor n
ôneidÛsúw; A ninguém desejes desgraças! (subj. aor. = o ato em si) MhdeÜw yaum sú;
Ninguém admire! (subj. aor.= o ato em si) MhdeÜw êpol bú me boælesyai layeÝn. (Pl
at.) Que ninguém suspeite que eu quero [estou querendo] dissimular. (subj. aor.
= o ato em si) SiÅpa, mhd¢n eàpúw n pion; (Aristóf.) Cala-te, não digas nenhuma
bobagem! (subj. aor.) m pv ¤keÝse àvmen, prÑ g r ¤stin, ll deèro ¤janastÇmen eÞw t‾n
aél n (Plat., Prot., 311a) Não vamos ainda para lá, pois ainda é cedo, mas leva
ntemo-nos aqui e vamos para o quintal
2. Nas orações dependentes
a) Intenção, finalidade: fato futuro, eventual Conjunções usadas ána, Éw ÷pvw ( n)
para que, que > subj. para > inf. de modo a que
Kr zv ána mou koæú. Estou gritando para que ele me ouça. [passe a me ouvir] (subj.
pres.)
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Kñsmiow àsyi ÷pvw m‾ kol zú. Sê bem comportado para que [de modo a que] não sejas
punido. [passes a ser punido] (subj. pres.) Toçw n¡ouw eÞw paidotrÛbou p¡mpousin
ána sÅmata beltÛv ¦xvsin. (Plat.). Eles mandam os jovens ao mestre de ginástica
para que tenham os corpos melhores. [passem a ter, e mantenham] (subj. pres) De
Ý tòn dhmotikòn ndreÝon eänai ána m‾ par toçw kindænouw ¤gkataleÛpú tòn d°mon. (És
quines) É preciso o representante do povo ser corajoso para que não o abandone n
as situações de perigo. (subj. pres.= idéia permanente) Opvw m‾ poy nú ßk¡teuen. (Lí
sias) Ele suplicava para não morrer [para que não morresse] (subj. aor. = o ato
em si) M‾ fyñnei toÝw eétuxoèsin m‾ dok»w eänai kakñw. Não inveja [invejes] os f
elizes para que não pareças mau. [fiques parecendo] (subj. pres.) Toçw fÛlouw eï
poÛei ána aétòw eï pr ttúw. Faze [faça] o bem/sê benfazejo a teus amigos para que
tu mesmo passes bem. (subj. pres. = entrada na ação) L¡gv soi t de ÷pvw n m‾ ¤pil yú
. Eu te digo estas coisas para que não te esqueças. [de modo a que não esqueças]
(subj. aor.= o ato em si) Eprassen ÷pvw pñlemow g¡nhtai. (Tuc.) Ele trabalhava p
ara que a guerra aconteça (subj. aor= o ato em si) EpimelÅmeya ÷pvw n oß n¡oi mhd¢
n kakourgÇsin. (Plat.) Tomemos cuidado para que [de modo a que] os jovens não fa
çam nenhum mal. (subj. pres. = entrem no ato de) Eélaboè m‾ p¡súw; Toma cuidado
[para que] não caias! (subj. aor. o ato em si) SugxvrÇ ána soi xarÛsvmai. (Plat.
) Concordo [acompanho] para que te agrade [para te agradar]. (subj. aor. = o ato
em si)
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b) Circunstâncias temporais de indeterminação (fato repetido no presente ou no f
uturo) temporais, hipotéticas, relativas. A partícula por excelência do eventual
é ¤ n / ³n / n, se, no caso de, caso, e ela pode vir enfatizando outras conjunções
ou adverbios: ÷tan (÷te n) ¤p n (¤peÜ n), ¤peid n (¤peid n) §vw, ¦ste, m¡xri ( n) ¤n
Ú ( n) ¤j oð, f oð ( n) prÛn ( n) quando (eventual) - sempre que desde que, depois que,
assim que, a partir do momento em que (eventual) até que, até em que, no que, en
quanto do que, a partir do que, desde que antes, antes que
Não há necessidade de pormenorizar se a oração é causal, temporal, final, conces
siva ou condicional, embora seja útil para a compreensão do contexto; mas não se
trata de regência ; desde que há uma eventualidade ela é expressa pelo subjuntivo.
É o que importa. Toçw llouw õrÇ toçw kinduneæontaw ¤peid n Îsi perÜ t‾n teleut‾n t
°w pologÛaw ßketeæontaw. (Isócr.) Eu vejo os outros acusados, quando [sempre que]
estão perto do fim da defesa, suplicantes. (subj. pres. = fato em si: eventual;
indicativo em português.). Tò g¡now tÇn Yr&kÇn ¤n Ú n yars sú fonikÅtatñn ¤stin.
(Tuc.) A raça dos Trácios, no que [enquanto, sempre que] está segura é muito sa
nguinária. (subj. aor. = fato em si: eventual) Tò tettÛgvn g¡now g¡raw toèt ¦labe
dein §vw n teleut sú. (Plat.) O gênero das cigarras recebeu esse dom de cantar at
é que morra [até morrer]. (subj. aor. = o ato em si = eventual) O m¢n oïn Pl ttvn f
hsÜ tñte t nyrÅpeia kalÇw §jein ÷tan µ oß filñsofoi basileæsvsi µ oß basileÝw filo
sof svsin. (Pol.) Pois bem, Platão diz que os negócios dos homens estarão bem na
quele momento em que [quando, sempre que] ou os filósofos reinarem ou os reis fi
losofarem. (subj. aor.)
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E n g r ¤m¢ pokteÛnhte oé =&dÛvw llon toioèton eêr sete. (Plat.) Na verdade, se vós me
matardes [caso me mateis] não facilmente achareis um outro igual. (subj. aor.) E n z
ht»w kalÇw eêr seiw. (Plat.) Se procurares [caso procures] bem, acharás. (subj.
aor.) An glaçj nakr gú, dedoÛkamen. (Men.) Uma coruja pia e estamos com medo. [Se um
a coruja pia estamos com medo.] (subj. aor = o ato em si) Hn ¤ggçw ¦lyú y natow oéd
eÜw boæletai yn¹skein. (Eur.) Se a morte chega perto, ninguém quer morrer. [caso
chegue, sempre que] (subj. aor. = o ato em si) Oé mñnon ¤n t»de t» pñlei dænata
i pr ttein ÷ ti boælhtai ll ¤n p sú t» Ell di. (Plat.) [Péricles] pode fazer o que quer
por acaso queira] não só nesta cidade, mas em toda a Grécia. (subj. pres. = fato
habitual) M‾ p¡lyhte prÜn n koæshte moè. (Xen.) Não vades [não vos retireis] antes
que me ouçais. [de me ouvir] (subj. aor. = o ato em si) Apñmnusi mhd¢n pr jein prÜ
n n t‾n toè Ektorow kefal‾n ¤pÜ tòn toè Patrñklou t fon ¤n¡gkú. (Ésquines) [Aquiles]
jura nada fazer [que nada fará] antes que traga [que trouxer, de trazer] a cabe
ça de Heitor sobre o túmulo de Pátroclo. (subj. aor. = o ato em si) Otan keleæsú,
¤ n keleæsú, ù n keleæsú pr jv. Quando ele manda [sempre que mande], se ele mandar [
caso ele mande], o que ele mandar [o que mande], farei. (subj aor. = eventual =
o ato em si, pontual) Otan keleæú, ¤ n keleæú, ÷ ti n keleæú pr ttv Quando ele manda [
sempre que] se ele manda, o que ele manda/ mande eu faço. (subj. pres. = eventua
l, fato repetido, habitual; infectum, entrada e permanência no ato verbal) Epeid n
diapr jvmai ´jv. (Xen.) Quando [depois que] terminar eu virei. (subj. aor., o ato
em si)
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Epeid n t xista ßppeæein m yúw diÅjei yhrÛa. Imediatamente assim que aprendas [aprender
es] cavalgar perseguirás animais selvagens. (subj. aor. = o ato em si) oß oÞnoxñ
oi ¤peid n didÇsi t‾n fi lhn eÞw t‾n rister n xeÝra ¤gxe menoi katarroroèsin. (Xen.) Os e
scanções, assim que eles entregam a taça, derramando na mão direita eles engolem
. (subj. pres. = fato repetido, habitual) EgÅ se oék¡ti f sv prÛn n moi êp¡sxhsai po
deÛjúw Eu não te deixarei partir antes que me mostres o que prometeste. (subj. a
or. = o ato em si) Periiñntew aétoè diatrÛcvmen §vw n fÇw g¡nhtai. (Plat.) Passem
os o tempo dando voltas no mesmo lugar, até que a luz [o dia] apareça. (subj. ao
r. = o ato em si) Strateæontai õpñtan tiw aétÇn d¡htai. (Xen.) Eles se engajam n
o exército quando [sempre que] alguém precisa [precise] deles. (subj. pres. = at
o habitual) Poi somai t‾n pologÛan Éw n dænvmai. (Lísias) Farei a defesa como pude
r. [como possa]. (subj. pres.) E n Levkr thn polæshte prodidñnai t‾n pñlin chfieÝsye.
(Lísias) Se absolverdes [caso absolvais] Leócrates vós votareis trair [estar tr
aindo] a cidade. (subj. aor., o ato em si)
c) Interrogativas indiretas com idéia de eventualidade Chamamos interrogativas in
diretas as interrogativas dependentes, isto é, as orações completivas subordinada
s com significado interrogativo: Direta : Quem fez isto? Indireta: Quero saber quem
fez isto. OrÇ se poroènta poÛan õdòn ¤pÜ tòn bÛon tr pú. Eu te vejo hesitante que ca
minho tomar [tomes] na vida. (subj. aor. = o ato em si)
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D¡doika m‾ oé ¤pilayÅmeya t°w oàkade õdoè. Tenho receio de que não nos esqueçamo
s do caminho para casa. (subj aor. =o ato em si) M thr ¤n oàkoiw, ¶n sç m‾ deÛsú
w, (Sóf.) Minha mãe está nos aposentos; não a temas! (subj. aor. = o ato em si)
DeÛdv: m ti p yhsi; (Hom.) Estou com medo; que ele sofra algo! (subj. aor.= o ato
em si) Sæ m¢n pñstixe, m ti no sú Hrh; (Hom.) Tu, fica distante; que Hera não pe
nse algo! (subj. aor.= o ato em si) Foboèmai m‾ toèto lhy¢w Â. Temo que isso seja
verdade! (subj. pres. = seja e permaneça)
Optativo
Exprime, no presente, a possibilidade (possível), a afirmação atenuada, o voto n
ão realizável (irreal do presente) ou o voto possível e, no passado, o fato repe
tido e a afirmação atenuada ou opinião de terceiros. Se eu fosse rico ajudaria o
s outros - fato possível 3 Se eu pudesse estaria viajando - impossível presente
Eu diria / poderia dizer - afirmação atenuada Ah se eu fosse rico! voto não real
izável Sempre que os homens se reuniam (reunissem) prejudicavam-se mutuamente -
fato repetido no passado. Vemos que essas noções se exprimem em português pelo i
mperfeito do subjuntivo ou pelo condicional simples (futuro do pretérito em algu
mas gramáticas).
3
Em português, a forma do possível (fato possível) e irreal do presente é a mesma
. Em grego, o irreal do presente se exprime por eÞ + impf.- n + impf.; o fato pos
sível (possível) por eÞ + opt. - n + opt.
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1. Desejo, voto possível
optativo às vezes precedido de eàye, eÞ g r, Éw. A negação é m porque não é reali
dade objetiva. A margem entre o voto possível, mera possibilidade e o realizável
, na imaginação, é extremamente frágil e movediça. Muitas vezes só o contexto e
sobretudo o significado da mensagem podem definir. Na expressão oral, é uma ques
tão de entonação. De qualquer maneira prevalece o sentido possível, do fato poss
ível, simples operação do espírito. Quando o voto é irrealizável, em que está pa
tente a irrealidade, o modo é o indicativo (imperfeito ou aoristo). Ver página 2
45. W paÝ, g¡noio patròw eétux¡sterow; Menino, pudesses tu ser [oxalá fosses] mai
s feliz do que teu pai! (opt. aor. = o ato em si, mero voto) M moi g¡noiy boælom l
l sumf¡rei; Que não me acontecesse [pudesse acontecer] o que eu quero, mas o que
é útil! (opt. aor. = o fato em si, mero voto) Eàye fÛlow ²mÝn g¡noio; (Xen.) Ah,
se pudesses [tu poderias] tornar-te nosso amigo! (opt. aor. o fato em si, voto
possível) M‾ g¡noito; Ah, que isso não acontecesse! (opt. aor. o fato em si, mer
o voto) Eï pr ttoimi; Ah, que eu pudesse estar bem! (opt. pres. = entrar no ato, m
ero voto) W basileè, m‾ eàh n‾r P¡rshw ÷stiw soi ¤pibouleæsei; eÞ d ¦sti pñloito Éw
t xista; (Heród.) Ó rei, pudesse não existir um homem persa para conspirar contra
ti! mas se existe, que ele perecesse [pudesse perecer] o quanto antes! (opt. pre
s. idéia permanente - opt. aor. = o ato em si, mero voto) Apñloio Î pñleme; (Aris
tóf.) Que morresses [pudesses tu morrer] ó guerra! (opt. aor. = o ato em si, mer
o voto)
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Toèto m‾ g¡noito, Î p ntew yeoÛ; (Sóf.) Que isso não acontecesse [pudesse acontece
r], ó deuses todos! (opt. aor. = o fato em si) Eàye m pote gnoÛhw ùw eä; (Sóf.)
Ah, que nunca soubesses [oxalá nunca soubesses] quem és! (opt. aor. = o ato em s
i) EÞ g r genoÛmhn ntÛ sou nekrñw; (Eur.) Ah, se eu pudesse morrer em teu lugar! (o
pt. aor. = o fato em si) Ote keleæoi, eÞ keleæoi ÷ ti keleæoi ¦pratton. Quando [s
empre que] ele mandava [mandasse], se ele mandava [mandasse] o que [quer que] el
e mandava [mandasse] eu executava. (opt. pres. = fato habitual) PÇw n tiw ge m‾ ¤
pÛstaito taèta sofòw eÞh; (Xen.) Como (seria possível) que alguém poderia ser [f
osse] hábil naquelas coisas que não conhecesse? (pÛstaito, opt. perf. = estado,
resultativo - (eàh opt. pres. = idéia permanente) TeynaÛhn ÷te moi mhk¡ti taèta
m¡loi; (Mimn.) Pudesse eu estar morto quando essas coisas não mais me interessas
sem! (TeynaÛhn, opt. perf. = ato acabado - m¡loi, opt. aor. = o ato em si)
2. Afirmação atenuada
a) Com n: suaviza a afirmação, transformando a realidade ou a ordem em mera possi
bilidade. É de uso freqüente na transmissão de opinião de terceiros. Isvw n tiw eà
poi; Talvez [certamente] alguém diria. [poderia dizer, dirá] (opt. aor. o ato em
si) XvroÝw n eàsv; (Sóf.) Tu poderias entrar! [Por que não entras?! Entre!] (opt
. pres. entrar na ação)
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Wra n eàh suskeu zesyai; Seria o momento de preparar-se. [Talvez fosse, seja] (opt.
pres. = idéia permanente) Enya svfrosænhn katam yoi n tiw. (Xen.) Lá [então] se pode
ria aprender a moderação. (opt. aor. = o ato em si) Poè d°t n eäen oß j¡noi; (Sóf.
) Onde, então, estariam os estrangeiros? [poderiam estar, estão]. (opt. pres. =
permanecer) tÛ n ÈfeloÝmi [ÈfeloÛhn] soi ; Em que eu te poderia ser útil? (opt. p
res. = entrada no ato) TÛnaw êpò tÛnvn eìroimen n meÛzona eéergethm¡nouw µ paÝdaw
êpò gon¡vn ; Quem nós poderíamos encontrar beneficiados em maiores coisas por q
uem a não ser [do que] os filhos pelos pais? (opt. aor. = o ato em si) b) Podemo
s encontrar também o emprego do optativo, embora sem n, nas orações dependentes d
e verbos declarativos, de expressão de vontade ou de medo e em geral na caracter
ização do que se chama discurso (interrogação) indireto. O verbo da principal em
geral está no passado. O optativo pode substituir qualquer outra forma verbal d
a completiva. A gramática diz que esse uso não é obrigatório e o denomina de opt
ativo oblíquo ou de subordinação. Não se trata de regra; trata-se da vontade do
enunciante de amaciar, suavizar o conteúdo da mensagem contida na oração subordi
nada. O contexto do passado enfraquece a afirmação dando-lhe um aspecto nebuloso
, de incerteza e, nesse caso, o optativo é o modo ideal. (Em português esses mat
izes se exprimem pelas formas do condicional simples ou composto.) Elege ÷ti p¡nh
w eàh. Ele afirmava que era pobre. [Seria pobre, isto é, é ele que dizia, não eu
.] (opt. pres. = qualidade permanente) Elege ÷ti p¡nhw —n. Ele afirmava que era p
obre. [De fato era. Eu concordo.] (indicativo imperfeito, modo da realidade)
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ProselyÆn tÒ strathgÒ ¤d lvsa ÷ti ¤strateum¡now eàhn [—n] ³dh. Tendo-me aproxima
do do comandante, revelei a ele que eu já teria feito campanha. [tinha feito]. (
opt. perf. = fato realizado) Sfñdra pi¡saw aétoè tòn pñda ¾reto eÞ aÞsy noito [¼sy
eto]. (Plat., Fédon) Tendo-lhe apertado fortemente o pé, perguntou se estaria se
ntindo [se sentia]. (opt. pres. = simultaneidade do ato) Ek¡leuse l¡gein ÷ ti gig
nÅskoi Mandou [o] dizer o que estava sabendo [o que estaria sabendo, o que soube
sse] (opt. pres. = fato permanente) Oäsya ¤pain¡santa Omhron Agam¡mnona Éw basileç
w eàh gayñw. Tu sabes que Homero elogiou Agamêmnon [dizendo] que [na opinião de H
omero] ele era [seria] um bom rei. (opt. pres. = permanente) Efoboènto m ti p yoi.
Eles temiam que ele sofresse algo. (opt. aor. = o ato em si) EpÛstasye, Ëste k n ll
ouw eÞkñtvw n did skoite. (Xen.) Vós sabeis, e assim talvez poderíeis ensinar [esta
r ensinando] os outros. (conseqüência possível, opt. pres.) Hretñ moi ÷stiw n eàhn
. Ele me perguntou quem eu seria [era] (opt. pres. = permanente) HrÅta §na §kasto
n eà tina ¤lpÛda ¦xoi (¦xei). Ele passou a perguntar a cada um se tinha [se teri
a] alguma esperança. (opt.pres. naquele momento, estado permanente) EpemeleÝto ÷p
vw m‾ sitoÛ pote ¦sointo. (Xen.) Ele cuidava para que [de modo a que] eles não pu
dessem haver de ser um dia (futuro) privados de alimentos (opt. fut.) Sunevnoènt
o tòn sÝton án Éw jiÅtaton êmÝn pvloÝen. (Lísias) Eles compravam o trigo em grande
quantidade para que vos vendessem [para vos vender] o mais caro possível. (opt.
aor. = o ato em si)
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Ek kizon tòn Perikl¡a ÷ti oék ¤pej goi. (Tuc.) Eles xingavam Péricles porque ele não
saía -estava saindo- para atacar. (opt. pres. = fato habitual) Svkr thw õpñte nagka
syeÛh p ntaw ¤kr tei pÛnvn. (Plat.) Sócrates cada vez que foi [ fosse] forçado ele s
uperava todos bebendo [na bebida]. (opt. aor. = o ato em si) Periem¡nomen §vw noi
xyeÛh tò desmvt rion. (Plat., Fédon) Nós ficamos esperando até que fosse aberta
a prisão [se abrisse]. (opt. aor. = o ato em si) Svkr thw oék ¦pinen eÞ m‾ dicÐh.
(Xen.) Sócrates não bebia se não tivesse [tinha] sede. (opt. pres. = fato habitu
al) EfobeÝto m‾ oé dænaito ¤k t°w xÅraw ¤jelyeÝn. (Xen.)4 Ele temia que não pudes
se sair do país. (opt. aor. = o ato em si) XenofÇn ¦legen ÷ti ôryÇw ¼tiÇnto, kaÜ
aétò tò ¦rgon aétoÝw marturoÛh. (Xen.) Xenofonte afirmava que eles tinham feito
a acusação corretamente e que a própria obra [era] lhes seria testemunha. (opt.
pres. = fato simultâneo) H m thr dihrÅta tòn Kèron pñteron boæloito [boæletai] m
¡nein µ pi¡nai. A mãe perguntou [perguntava: entrada no ato verbal] a Ciro se ele
queria [quereria, estaria querendo] ficar ou partir. (opt. pres. simultaneidade
do ato) Oämai n ²m w toiaèta payeÝn oåa toçw ¤xyroçw oß yeoÜ poi seian. (Xen.) Eu
creio sofrer tais quais os deuses fariam sofrer os nossos inimigos. (opt. aor. =
o ato em si)
4
Nos verbos de temor está implícita uma idéia do não eventual; por isso, em grego
, eles vêm acompanhados do m , como se estivesse colado ao verbo; a segunda negaç
ão pertence ao verbo complemento.
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O Dionæsiow pròw tòn puyñmenon eÞ sxol zoi eäpe: Mhd¡pot¡ moi toèto sumbaÛh; Dionísio
disse a alguém que procurava saber se ele estava [estaria] de folga: Isso jamais
me acontecesse! (opt. pres. = ato simultâneo, durativo - opt. aor. = o ato em si
) TÛw oìtvw Þsxuròw ùw limÒ kaÜ =Ûgei dænait n maxñmenow strateæesyai; (Xen.) Quem
é forte a tal ponto que pudesse [poderia] fazer uma expedição militar combatend
o com fome e com frio? (opt. pres.) Witini ¤ntugx noien p ntaw p¡kteinon. (Tuc.) Com q
ualquer um que encontrassem [encontravam] eles matavam todos. (opt. pres. fato r
epetido) c) Um optativo futuro poderia, à primeira vista, parecer uma contradiçã
o, uma vez que o futuro é um eventual. O que acontece, no entanto, e só nas oraç
ões dependentes num quadro de passado, é o enfraquecimento, a atenuação do conte
údo do verbo. Esse optativo é denominado oblíquo ou de subordinação e se usa sem
partícula. É uma superposição de modos: um enfraquecimento ou do indicativo ou
do subjuntivo/futuro eventual. O ti poi soi [poi sei] oék eäpe. Ele não disse o q
ue faria [fará]. (opt. fut. = o ato em si)
3. Nas orações supositivas
Não se trata de um esquema rígido de correlação obrigatória de tempos (não há te
mpo fora do indicativo e modos), mas sim da tonalidade, isto é, do modo como é s
entida e transmitida a mensagem, na suposição (condicionante) e na conseqüente (
condicionada). O modo é precisamente como o enunciante sente e transmite a mensage
m. Trata-se de mera suposição. Alguns exemplos serão suficientes. EÞ sÅsaimi s , e
àsei moi x rin; (Eur.) Se eu te salvasse, tu me serás grato? (opt. aor. = o ato em
si, possível)
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Oék n forhtòw eàhw eÞ pr ssoiw kalÇw (Ésquines) Tu não serias suportável se estives
ses bem (opt. pres. = fato habitual, possível) EÞ ¤moÜ pisteæoiw oék n m¡noiw ¤ny d
e. Se acreditasses em mim não permanecerias aqui. (opt. pres. = continuidade do
ato, possível) EgÆ aÞsxunyeÛhn n eÞ di llo ti svzoÛmhn µ di toçw lñgouw. (Isócr.) Qua
nto a mim, eu sentiria vergonha se eu fosse salvo por outra coisa que por meus d
iscursos. (opt. aor. = o ato em si; opt. pres. = agora, entrada no ato, possível
nos dois casos) EÞ boæloio Þatròw gen¡syai tÛ n poioÛhw; Se quisesses tornar-te
médico o que farias? [se estivesses com vontade - estarias fazendo: opt. pres. =
possível] AdikoÛh n ÷stiw toèto poioÛh. Cometeria uma injustiça aquele que [quem]
fizesse isso. [estaria cometendo, estaria fazendo: opt. pres. = possível] Oék n
g¡nointo pñleiw eÞ olÛgoi aÞdoèw kaÜ dÛkhw met¡xoien. (Plat., Prot.) Não acontec
eriam cidades se poucos tivessem sua parte de respeito e justiça. (opt. aor. = o
fato em si; opt. pres. = o fato permanente; possível) All eà moÛ ti pÛyoio: tñ ke
n ( n) polç k¡rdion eàh. (Hom.) Ah, se tu pudesses crer em mim! Isso seria muito m
ais vantajoso! (opt. aor. = o ato em si; opt. pres. = idéia permanente) PÇw n m del
f°w xeÜr perist¡laien n Como [seria] se a mão de minha irmã fizesse as obséquias!
(opt. aor. = o ato em si) As denominações gramaticais mais uma vez não correspo
ndem ao significado das formas. Num paralelismo: Eu afirmo que irei. // Ele afirmou
que viria. . Não há o paralelo futuro do presente e futuro do pretérito ; o que há no
segundo elemento é o enfraquecimento da afirmação, uma afirmação de um terceiro
que não se realizou. É um modo e não um tempo! Denominar viria futuro do pretérito
é desconhecer o signi-
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ficado da forma verbal. A denominação tradicional de condicional simples , embora n
ão perfeita porque nem sempre exprime uma condição, não é tão contraditória como
futuro do pretérito . Seria preferível chamála de possível . Nas frases arroladas aci
ma, o futuro do pretérito não apareceu nenhuma vez. E nem poderia aparecer! Em gre
go há tantos optativos quantos são os aspectos e vozes. Optativo presente: tema
do infectum, inacabado Optativo futuro: tema do aoristo Optativo aoristo: tema d
o aoristo Optativo perfeito: tema do perfectum, acabado Por exprimir possibilida
de, irrealidade presente e afirmação atenuada o optativo se serve de desinências
secundárias, as mesmas do passado (imperfeito, aoristo narrativo e mais-que-per
feito). Não há idéia de tempo no optativo.
Imperativo
É o modo do diálogo direto (segunda pessoa) e indireto (terceira pessoa - subjun
tivo em português). Exprime a mensagem direta, o gancho do diálogo, o chamamento
e também, subsidiariamente, a ordem. O imperativo tem desinências próprias, que
se repetem em todos os aspectos. Ver p. 338-40. Em grego há tantos imperativos
quantos são os aspectos e vozes: Imperativo presente: tema do infectum, inacabad
o); Imperativo aoristo: tema do aoristo) Imperativo perfeito: tema do perfectum,
acabado Não há idéia de tempo no imperativo: só de aspecto. Não há imperativo f
uturo (impossibilidade semântica), e o imperativo perfeito ativo também é de um
emprego muito raro.
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Apenas o imperativo ativo singular, o único autêntico e original, que se exprime
pelo próprio tema verbal, como em latim e português, apresenta alguns problemas
fonéticos. Læete tòn aÞxm lvton. Soltai o prisioneiro. [agora] (imp. pres. entrad
a na ação) UmeÝw deÛjate ´ntina gnÅmhn ¦xete perÜ tÇn pragm tvn. (Lísias) Vós revel
ai que opinião tendes a respeito dos fatos. (imp. aor. o ato em si > pontual) To
çw m¢n yeoçw foboè toçw d¢ gon¡aw tÛma toÝw d¢ nñmoiw peÛyou. (Isócr.) Teme os d
euses, honra os pais, obedece às leis [agora e sempre]. (imp. pres. ordem perman
ente) n gnvyi tòn nñmon lê a lei (imp. aor. o ato em si > pontual); p¡mcon t ÷pla; ¤
lyÆn lab¡; Entrega as armas! Vem e pega! l¡ge §teron nñmon (Lísias) [e agora] lê
a outra lei [passa a ler: imp. pres.] SkopeÝte d‾ kaÜ logÛsasye toèto. (Dem.) O
bservai (imp. pres. entrai no ato ) então, e refleti isso (imp. aor. o ato em si
). Boælou d r¡skein p si m‾ sautÒ mñnon; Quere agradar a todos; não só a ti! (imp. p
res. entrada no ato). A ordem negativa, proibição, também se exprime pelo impera
tivo (negação m ), diferentemente do português que usa sempre o subjuntivo exort
ativo. M‾ yorubeÝte; Parai esse barulho! [estão fazendo barulho: imp. pres.] M‾
peÛyesye toÝw nosivt toiw Tri konta; (Xen.) Não obedecei [obedeçais] a esses infames
Trinta! (imp. pres. entrada no ato)
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MhdeÜw êmÇn prosdokhs tv llvw; (Plat.) Ninguém de vós prejulgue de outra maneira! (
imp. aor. o ato em si) MhdeÜw nomis tv; (Xen.) Ninguém acredite! (imp. aor. o ato
em si) MhdeÜw toèto leg¡tv; Ninguém diga [dirá] isso. (imp. pres. entrada no ato
) O subjuntivo às vezes pode substituir o imperativo, sobretudo na proibição. Na
verdade, passa a ser um pedido, uma súplica, que é uma antecipação, um eventual
. SiÅpa; mhd¢n eàpúw n pion; (Aristóf.) Cala-te! (imp. pres. entrada no ato). Nã
o digas nenhuma bobagem! (subj. aor. pedido, o ato em si) MhdeÜw yaum sú; (Dem.) N
inguém se admire! (subj. aor. pedido, o ato em si) M‾ yorub shte; Não façais bar
ulho! (subj. aor. o ato em si) M me pol¡shte dÛkvw; (Lísias) Não me arruineis inj
ustamente! (subj. aor. o ato em si) Algumas vezes, no enunciado de uma ordem ou
exortação, o grego emprega o imperativo de alguns verbos como interjeição; àyi;
(Þ¡nai - ir) : vai! ge - gete ( gein - conduzir, levar) : vamos! (toca!) f¡re - f¡re
te (f¡rein - portar, levar) : vamos! (em frente!) Essas formas são como interjei
ções introdutórias para ordem ou exortação. àyi; nèn parÛstasyon; (Aristóf.) Vam
os lá! apresentem-se os dois! (imper. pres. entrada no ato) F¡re; ¤kpæyvmai; (Eu
r.) Vamos! que eu me informe! (imper. presente, mera chamada de atenção)
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Formas nominais do verbo
O particípio
1) Definição
É o verbo-adjetivo de uso intenso em grego. O fato de a idéia do verbo estar ass
ociada à forma e idéia nominal dá-lhe um significado mais concreto. Todos os asp
ectos e todas as vozes têm o seu particípio, contrariamente ao latim que só tem
um particípio ativo (infectum) e o supino, que deu origem ao particípio perfeito
passivo. Para nós há uma dificuldade inicial em entender o uso do particípio gr
ego. É que em grego, por ser um adjetivo, o particípio se comporta como tal: ass
ume o caso do substantivo de quem é adjunto ou predicativo e é triforme; isto é,
tem uma forma para cada gênero. No latim e no português o particípio presente a
tivo é uniforme. Além disso, em português, por causa da invasão das formas do ge
rúndio na voz ativa, portanto sem gênero e sem número e com significado circunst
ancial (adverbial), é compreensível uma dificuldade de entendimento inicial. Ess
e significado circunstancial, adverbial decorre do significado do particípio pres
ente , isto é, infectum, inacabado, do processo verbal no seu curso. É o significa
do do aspecto verbal. Mas, esse significado se deixa contaminar pela idéia de lo
cativo-temporal e instrumental, pela idéia de extensão no tempo e no espaço, do
locativo-temporal, e pela idéia de passagem do ato verbal pelo objeto inerte, do
instrumental: Eu vejo o menino corrente = correndo = a correr No grego e no lat
im é um predicativo do objeto direto. Em português, semanticamente também é, mas
gramaticalmente é um adjunto adverbial e formalmente é invariável na voz ativa.
Já foi diferente: Como se a não tivera merecida (Camões). Por ser um adjetivo em
sua forma, ou melhor, em suas formas, o particípio grego, quer ativo, quer médio
, quer passivo, é triforme (masculino, feminino e neutro) e varia no singular e
plural, concordando sempre com o substantivo em gênero, número e caso.
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Em português o particípio da voz ativa foi substituído pelo gerúndio, que é inva
riável. Só o particípio passivo varia: masculino e feminino, singular e plural.
Assim5: õr w tòn ndra tr¡xonta õr w t‾n gunaÝka tr¡xousan õr w tò t¡knon tr¡xon õr w toçw
ndraw tr¡xontaw õr w t w gunaÝkaw trexoæsaw õr w t t¡kna tr¡xonta : Vês o homem corrend
o (corrente) : Vês a mulher correndo (corrente) : Vês a criança correndo (corren
te) : Vês os homens correndo (correntes) : Vês as mulheres correndo (correntes)
: Vês as crianças correndo (correntes)
Do mesmo modo que, em grego, nas seis frases acima, o particípio, predicativo do
objeto direto, variou e concordou em gênero, número e caso com o objeto direto,
e, com as mesmas funções, ele permaneceu inalterado em português, assim também
acontecerá quando o particípio estiver em função predicativa do sujeito (particí
pio conjunto, segundo as gramáticas):
õ n‾r tr¡xvn ¦pesen o homem correndo (corrente, enquanto corria) caiu ² gun‾ tr¡x
ousa ¦pesen a mulher correndo (corrente, enquanto corria) caiu tò t¡knon tr¡xon
¦pesen a criança correndo (corrente, enquanto corria) caiu oß ndrew tr¡xontew ¦pe
son os homens correndo (correntes, enquanto corriam) caíram aß gunaÝkew tr¡xousa
i ¦peson as mulheres correndo (correntes, enquanto corriam) caíram t t¡kna tr¡xon
ta ¦peson as crianças correndo (correntes) caíram
Os dois quadros acima ilustram apenas as relações formais do particípio-adjetivo
; neles o verbo empregado, tr¡xv - eu corro, é intransitivo.
5
As frases a seguir são meras construções gramaticais; não são de autor nenhum. O
leitor não deve esperar nelas nenhuma mensagem filosófica.
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Mas, como o próprio nome exprime, metox - participação, o particípio é nome (ad
jetivo) quanto à forma, mas não perde sua natureza verbal e suas relações com o
sujeito e complementos se mantêm intactas: ele pode ser ativo, médio e passivo.
E, se é transitivo, continua a procurar ( aÞt¡v - eu busco) o seu complemento (t
ermo do ato verbal). Por exemplo, na frase: p w nyrvpow ´detai tò fÇw õrÇn todo hom
em sente prazer vendo a luz. tò fÇw, a luz, é objeto direto de õrÇn, que está no
particípio presente, nominativo masculino singular, porque é aposto do sujeito
p w nyrvpow. Então, uma forma nominal do verbo (verbo adjetivo) é adjetivo em suas
formas e verbo em seu significado e rexão.
2) Aspecto e tempo no particípio
a) Generalidades: Em grego há tantos particípios quantos são os aspectos e vozes
. Sobre cada tema podem ser construídos os particípios ativo, médio e passivo. O
que os particípios têm de próprio é o aspecto, isto é o tempo interno do proces
so verbal: O particípio não tem tempo próprio, mas sim tempo relativo: o constru
ído sobre o tema do infectum (inacabado) marca simultaneidade com o verbo da pri
ncipal; o construído sobre o tema do aoristo marca anterioridade em relação ao v
erbo da principal, se é pontual, aoristo, ou posterioridade em relação ao verbo
da principal, se depende de verbo de movimento e intenção (vontade); o construíd
o sobre o tema do perfectum (acabado) mantém seu significado próprio de ato acab
ado, terminado, sem nenhuma relatividade.
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b) Particípio presente: Sobre o tema do infectum (inacabado), construímos os par
ticípios ativo, médio e passivo: mesmas desinências para médio e passivo;
Voz ativo médio Tema læ-o-ntlu-o-menoFormas: m., f., n. lævn, læousa, lèon luñme
now,h,on Significado desligante-desligando, que desliga, que está desligando des
ligante-desligando para si, que desliga para si, que está desligando para si que
está sendo desligado, que é desligado, desligado
passivo
lu-o-meno-
luñmenow,h,on (o mesmo da voz média)
Ver no quadro de flexão do particípio o comportamento dos temas em vogal (verbos
em -mi). O particípio construído sobre o tema do infectum (inacabado) não expri
me tempo absoluto, mas um tempo relativo: a simultaneidade de tempo com o verbo
principal, qualquer que seja o tempo deste. Oék ¦sti m‾ nikÇsi svthrÛa. Não exis
te salvação para os que não vencem. [estão vencendo] KaÛper p nu ndreÝow Ên nikhy s
ú Mesmo sendo [ainda que sejas] muito corajoso serás vencido. c) Particípio aori
sto: Sobre o tema do aoristo, que serve também para o futuro, construímos os par
ticípios ativo, médio e passivo do aoristo e do futuro:
Voz Tema Formas: m. f. n. Significado aoristo ativo: lu-sa-nt- læsaw, læsasa, lè
san tendo desligado, que desligou médio: lu-sa-meno- lus menow,h,on tendo desligad
o para si, que desligou para si passivo: lu-yh-nt- > luyeÛw, luyeÝsa, luy¡n tend
o sido desligado, que foi desluyentligado stal-h-nt staleÛw, staleÝsa, tendo sid
o enviado, que foi enviado stal¡n
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Voz Tema futuro: ativo: lu-s-ontmédio: lu-s-o-menopassivo: lu-yh-s-o-meno-
Formas: m. f. n. læsvn, læsousa, lèson lusñmenow,h,on luyhsñmenow,h,on
Significado havendo de desligar, que desligará havendo de desligar para si, que
desligará para si havendo de ser desligado, que será desligado havendo de ser en
viado, que será enviado
stal-h-s-o-meno- stalhsñmenow,h, on
O particípio construído sobre o tema do aoristo não exprime uma idéia de tempo a
bsoluto, mas um tempo relativo, isto é, a anterioridade em relação ao verbo prin
cipal, qualquer que seja o tempo deste. O particípio construído sobre o tema do
futuro não exprime uma idéia de tempo absoluto, mas um tempo relativo, isto é, a
posterioridade em relação ao verbo principal, qualquer que seja o tempo deste.
Via de regra o particípio futuro se encontra como complemento de verbos de movim
ento ou intenção, às vezes precedido de Éw (para), sempre com a idéia do eventua
l. d) Particípio perfeito: Sobre o tema do perfectum (acabado) construímos os pa
rticípios perfeitos ativo, médio e passivo (mesmas desinências para o médio e pa
ssivo):
Voz ativo: médio: Tema le-lu-kotle-lu-menoFormas: m. f. n. lelukÅw, lelukuÝa, le
lukñw lelum¡now, h, on Significado que terminou o ato de desligar, que desligou
que terminou o ato de desligar para si, que acabou de desligar para si que foi e
está desligado, desligado
passivo:
le-lu-meno-
lelum¡now, h, on (o mesmo que o médio)
O particípio construído sobre o tema do perfeito exprime o ato acabado, terminad
o (idéia de aspecto e não de tempo).
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3) Concordância do particípio
O particípio grego é um adjetivo; não podemos nos esquecer disso nunca. Por isso
, salvo em situações em que está substantivado, concorda com o referente (substa
ntivo ou equivalente). O elenco abaixo, com todos os usos do particípio, permiti
rá ao leitor constatar a veracidade dessa afirmação. As traduções que daremos se
rão quase sempre lineares, visando sempre à relação significante-significado. O
fato de estarem fora do uso atual não impedirá o aluno de entendê-las e substitu
í-las por construções equivalentes atuais. Não levaremos em conta também o enqua
dramento das orações com particípio ou gerúndio nas diversas categorias da sinta
xe tradicional, por entendermos que elas, as reduzidas de particípio ou gerúndio
, valem por si mesmas. A sintaxe (=coordenação) delas é interessante mas não ess
encial. Se tivermos sempre presente na memória o que foi exposto sobre o signifi
cado linear dos particípios e se observarmos a concordância deles com os nomes a
que se referem, não teremos grandes dificuldades em assimilar a sintaxe do parti
cípio . O uso do particípio grego corresponde, grosso modo, às orações reduzidas d
e gerúndio no presente (voz ativa e passiva = amando / sendo amado) e reduzidas
de particípio no passado (voz ativa e passiva = tendo amado / tendo sido amado)
em português. A diferença (e daí a dificuldade) está em que, em português, o ger
úndio é invariável na voz ativa e variável na voz passiva, e, em grego, o partic
ípio, quer ativo, médio ou passivo é um adjetivo e por isso concorda com o seu r
eferente (sujeito ou complemento), numa espécie de aposição (por vir em geral de
pois). No caso de omissão do sujeito em grego, o gênero e número são identificad
os pelas formas do particípio, que têm os três gêneros em todas as vozes e aspec
tos. p w nyrvpow ´detai tò fÇw õrÇn todo homem sente prazer vendo [ao ver] a luz (p
. pres. aposto do sujeito masculino)
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ChfÛsasye tòn pñlemon m‾ fobhy¡ntew tò aétÛka deinñn. (Tuc.) Votai a guerra, não
tendo temido o perigo imediato [não temei e votai; votai sem temer]. (p. aor. a
posto do sujeito do verbo: vós, sujeito masculino) Hn eérey»w ¤w t nde m‾ dÛkaiow
Ên. (Sóf.) Se fores encontrado não sendo justo para esta. (p. pres. aposto do s
ujeito: tu, masc.) P reimi õplÛtaw ¦xvn ¥katñn. (Xen.) Eu me apresento tendo 100 h
oplitas [com 100 hoplitas]. (p. pres aposto do sujeito: eu, masc.) Deipn santew p
elaænete. (Xen.) Tendo jantado, parti. [Parti depois de jantar.] (part. aor. apo
sto do sujeito: vós, masc.) Oék n dænaio m‾ kamÆn eédaimoneÝn. (Eur). Tu não pode
rias não tendo trabalhado [sem penar] ser feliz. (part. pres. aposto do sujeito:
tu, masc.) Sun¡lyomen ôcñmenoi. Nós nos reunimos para ver. [havendo de ver] (pa
rt. fut. aposto do sujeito: nós, masc.) eäpe gel saw Ele riu e disse. [tendo rido]
ele disse (p. aor.suj. masc. sing.) ¦tuxen ¤lyÅn tendo vindo por acaso, [por ac
aso ele veio] (p. aor. suj. masc. sing) ¦layen ¤lyÅn passou desapercebido tendo
chegado [chegou sem ser percebido] (p. aor. suj. masc. sing.) Lúzñmenoi zÇsin. (
Xen.) Eles vivem [saqueando] saqueantes. [Vivem de saque]. (p. pres. suj. masc.
pl.) Elaænvn Õxeto. Ele partiu cavalgando. (part. pres. suj. masc. sing.)
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Em xonto ma poreuñmenoi. (Xen.) Eles combatiam marchando [enquanto marchavam]. (part
. pres. suj. masc. pl.) Eéyçw meir kion Ên... Desde a adolescência [imediatamente
em sendo adolescente] (part. pres. suj. masc. sing.) ApeÛxonto kerdÇn aÞsxr nomÛzo
ntew eänai. (Xen.) Eles se abstinham de lucro, julgando ser vergonhoso [porque j
ulgavam]. (part. pres. suj. masc. pl.) Ww phllagm¡noi tÇn kakÇn ²d¡vw ¤koim yhsan.
(Xen.) Porque estavam afastados [tinham sido afastados] dos perigos, repousaram
com prazer. (part. perf. passivo suj. masc. pl.) Wrxoènto Ësper lloiw ¤pideiknæme
noi. (Xen.) Eles dançavam como se oferecendo em espetáculo aos outros. (part. pr
es. suj. masc. pl.) OàetaÛ ti eÞd¡nai oék eÞdÅw. (Plat.) Ele crê que sabe algo [
mesmo] não sabendo. (part. perf. suj. masc. sing.) Sullamb nei Kèron Éw poktenÇn. (
Xen.) Ele prende Ciro para matá-lo. [havendo de matar] (part. fut. suj. masc. si
ng.) T‾n pñlin labÆn ¤sælhse. Tendo tomado a cidade, ele saqueou. [Ele tomou e s
aqueou.] (part. aor. masc. sing.) O particípio em função de aposto ou de predica
tivo concorda com o referente em qualquer caso, mesmo se o referente está implíc
ito. Toèton oédeÜw xaÛrvn dik sei. (Plat.) Esse aí ninguém maltratará de alegre [
alegrando-se] (part. pres. suj. masc. sing.) EpÜ xÛoni pesoæsú sobre a neve que c
aiu [tendo caído] (part. aor. - pred. do locativo)
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Met Surakoæsaw oÞkisyeÛsaw (Tuc.) Depois de Siracusa tendo sido fundada. [depois
da fundação de] (part. aor. pas. pred. do acus.) Prò ²lÛou dænontow. Diante do s
ol que se punha [pondo-se] (part. pres. pred. do gen.). Ama ²lÛÄ nat¡llonti Junto
com o sol se levantando (part. pres. pred. do dat.) Oék ¦sti toÝw m‾ nikÇsi svth
rÛa. (Xen.) Não há salvação aos que não vencem [que não estão vencendo] (part. p
res. masc. pl. pred. do dat. referente implícito) DuoÝn kakoÝn oédeÜw tò meÝzon
aßreÝtai ¤jòn tò ¦latton. (Plat.) De dois males ninguém escolhe o maior, sendo p
ossível [escolher] o menor. (part. pres. predicativo do sujeito oracional) OéxÜ
¤sÅsam¡n se oåñn te øn kaÜ dunatñn. (Plat.) Nós nem mesmo te salvamos [isso] sen
do viável e sendo possível. (part. pres. predicativo do sujeito oracional) Hdesye
...Éw periesom¡nouw ²m w tÇn Ell nvn. (Her.) Vós sentis prazer... em nós havendo de
dominar os gregos. (part. fut. predicativo do objeto direto) Oß k mnontew stratiÇ
tai ¤koim yhsan. (Xen.) Os soldados que estavam cansados [estando cansados] deit
aram-se (part. pres. adj. adn.) Tòn ßeròn kaloæmenon pñlemon. (Tuc.) A guerra qu
e chamam santa. [que está sendo chamada] (part. pres. pas. - adj. adn.) O kateilh
fÆw kÛndunow t‾n pñlin. (Dem.) O perigo que surpreendeu [terminou o ato de] a ci
dade. (part. perf. adj. adn.) Aß prò toè stñmatow n°ew naumaxoèsai. (Tuc.) Os na
vios que estavam combatendo diante da entrada [do porto]. (part. pres. adj. adn.
)
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² ônomazom¡nh ndreÛa a chamada [que chamamos, que está sendo chamada, que costuma
m chamar] coragem (part. pres. pass. adj. adn.) ² nèn kaloum¡nh Ell w a chamada ago
ra Grécia [que chamamos] (part. pres. pass. adj. adn.) ² MÛdou kaloum¡nh kr nh a
fonte chamada [que chamamos, costumamos chamar] de Midas. (part. pres. pass. ad
j. adn.) oß strathgoÜ oß oék nelñmenoi toçw ¤k naumaxÛaw nekroçw ¤krÛyhsan Os com
andantes que não recolheram [os não tendo recolhido] os cadáveres da batalha nav
al foram julgados. (part. aor. substantivado, aposto do sujeito) pñliw eéreÛaw gu
i w ¦xousa uma cidade que tem [tendo] ruas largas (part. pres. apost do suj.) Met t
aèta fiknoèntai gg¡llontew. (Isócr.) Depois disso chegam pessoas anunciando [anunc
iantes] (part. pres. apost. do suj.) m¡mnhso nyrvpow Ên lembra-te que és homem, [
seres humano; sendo homem] (part. pres. pred. do sujeito) oß pleÝstoi oék aÞsy non
tai diamart nontew a maioria não percebe que se engana [que está se enganando, fal
hando] (part. pres. pred. do sujeito) Pl¡omen ¤pÜ poll w naèw kekthm¡nouw. (Xen.)
Nós navegamos contra possuidores [que adquiriram] de muitas naus. (part. perf. s
ubst. compl. preposicionado; acus. de direção) mhd¡pote metem¡lhs¡ moi sig santi
, fyegjam¡nÄ d¢ poll kiw (Plat.) jamais eu me arrependi de ter ficado quieto, mas
freqüentemente de ter falado [arrependeu-me (latim: paenituit me) tendo silencia
do.. tendo falado] (part. aor. pred. do dat.)
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gnÇte nagkaÝon øn êmÝn ndr sin gayoÝw gÛgnesyai (Tuc.) sabei que vos é necessário tor
nar-vos homens de bem [sendo-vos necessário] (part. pres. pred. do obj. dir. ora
cional) ¤mautÒ sænoida oéd¢n ¤pistam¡nÄ eu sei comigo mesmo não saber nada [não
sabendo nada] (part. perf. apost. de dat. comitativo) ¥autòn oédeÜw õmologeÝ kak
oèrgow Ên [kakoèrgon önta] ninguém concorda [confessa] que é malfeitor [sendo el
e malfeitor] (part. pres. apost. do suj: Ên ; pred. do obj. dir.: önta) diat¡lei
me gapÇn ele continua a me amar [amando-me] (part. pres. apost. do suj) paæsate
tòn ndra êbrÛzonta fazei cessar a insolência desse homem [sendo insolente, comete
ndo insolência] (part. pres. pred. do obj. dir.) m‾ k múw fÛlon ndra eéergetÇn não
te canses de fazer o bem a um homem amigo [fazendo o bem] (part. pres. pred. do
suj.)
O particípio, por ser adjetivo, pode ser substantivado (particípio com artigo) q
ualquer que seja seu aspecto ou voz.Tem gênero e número próprios, e assume os ca
sos das funções que tem na frase. Nesses casos ou se traduz por uma oração relat
iva adjetiva: -õ l¡gvn - o que está falando, o falante, (p. pres.); ou por um su
bstantivo, caso exista: o orador (de momento). oß rxontew: os que estão no poder,
no comando, ou os arcontes, os governantes. (também em português se deu a subst
antivação do particípio!) eÞsÜn oß oÞñmenoi há [existem] os que crêem [os crente
s] (p. pres.) tÛw n pñliw êpò m‾ peiyom¡nvn loÛh; que cidade poderia ser tomada po
r não obedientes! [que não obedecem!] (sem artigo por ser indeterminado). (p. pr
es.)
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tò sumf¡ron: o que traz proveito, o juro, o lucro (p. pres.) tò pros°kon: o que
convém - o conveniente, o dever (p. pres.) oß ¤rgasñmenoi: os que vão trabalhar,
cultivar, os havendo de trabalhar (p. fut.) O mhd¢n eÞdÆw oéd¢n mart nei. O que sab
e nada [o ignorante] em nada se engana. (part. perf. estado atual, resultante) O
ß grac menoi tòn Svkr thn: Os acusadores de Sócrates [os que acusaram]. (p. aor. ant
erioridade) O tuxÅn: O que apareceu; o que [por acaso] chegou. (part. aor.) oß pr
os kontew: os com-venientes , os chegados, os parentes (part. pres.) tò m¡llon: o q
ue está para, o por vir [porvir] (part. pres.) t m¡llonta: as coisas que estão pa
ra vir, o futuro (part. pres.) P w õ boulñmenow: todo o que quer [que está querend
o] (part. pres.) En°san ¤n t» xÅr& oß ¤rgasñmenoi. (Xen.) Havia no país os que ha
veriam de cultivar [os futuros cultivadores; os havendo de cultivar]. (part. fut
. sujeito) Oéd õ kvlæsvn par°n. (Sóf.) Nem mesmo estava presente o que haveria [o
havendo de] de impedir. (part. fut. sujeito.) Di ¤ndeÛan toè yerapeæsontow. (Isó
cr.) Por carência de quem haveria [do havendo de] de tratar. (part. fut. comp. n
om.) H pñliw ¦rhmow —n tÇn munoum¡nvn. (Xen.) A cidade estava carente de defensore
s [dos havendo de defender, que haveriam de defender]. (part. fut. comp. nom.)
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4) Funções do particípio
Ele pode ter todas as funções do adjetivo e do nome, como já vimos. Nos exemplos
acima vimo-lo como substantivo nas funções de sujeito e objeto e como adjetivo
nas funções de aposto (conjunto), adjunto adnominal, predicativo do sujeito e pr
edicativo do objeto direto. São notáveis certas construções que, em português, u
sam o infinitivo com preposição (em ou de) ou gerúndio do verbo complemento, e,
em grego, exprimem a mesma idéia pelo particípio em função predicativa ou aposit
iva. a) Particípio nas orações completivas Há um grande número de verbos neste c
aso, sobretudo os que significam: maneira de ser, determinada ou indeterminada e
star no começo ou no fim cessar estar cansado de fazer bem ou mal a ser superior
ou inferior em sentir alegria, tristeza, vergonha em ou de. É na verdade uma fu
nção predicativa. O uso do particípio em lugar do infinitivo se explica porque o
particípio exprime o ato verbal de maneira concreta e delimitada; o infinitivo
tem um significado aberto e indefinido. Em português, encontramos o gerúndio ou
o infinitivo preposicionado. Principais verbos que exprimem: maneira de ser, est
ado di gv diagÛgnomai diatelÇ(e) d°low, fanerñw eÞmi lany nv tugx nv faÛnomai fy nv eu e
u eu eu eu eu eu eu permaneço (fazendo) fico continuamente (fazendo) chego ao fi
m (fazendo) sou evidente (fazendo) passo desapercebido (fazendo) me encontro por
acaso (fazendo) me manifesto, apareço (fazendo) me antecipo (fazendo)
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Ept ²m¡raw p saw maxñmenoi diet¡lesan Eles passaram todos os sete dias combatendo [c
ombatentes; a combater]. (part. pres.) ToÝw summ xoiw pistoÜ öntew diam¡nomen. Nós
permanecemos [sendo] fiéis aos aliados. (part. pres.) diatelÇ eënoian ¦xvn êmÝn
Eu continuo tendo [a ter] benevolência para convosco (part. pres.) pñlemon ¦xvn
di gei (tòn bÛon) õ tærannow O tirano passa a vida tendo guerra [fazendo, a fazer
] (part. pres.) Efyhsan toçw Persaw fikñmenoi eÞw t‾n pñlin Eles se anteciparam ao
s Persas chegando à cidade [tendo chegado: part. aor.] Fy ne toçw fÛlouw eéergetÇn
Antecipa beneficiando os amigos. [sê o primeiro a beneficiar] (part. pres.) Oék
n fy noiw l¡gvn. Tu não te anteciparias em falar [falando, já não seria sem tempo
de falares] (part. pres.) Oék ¦fyasan t‾n rx‾n katasxñntew kaÜ YhbaÛoiw eéyçw ¤pe
boæleusan. Eles não se anteciparam tendo tomado o poder e imediatamente conspira
ram com os Tebanos [apenas tomaram o poder] (part. aor.) Elayen ²m w podr w Ele passou
desapercebido de nós tendo escapado. [ele escapou sem que nós tivéssemos perceb
ido] (part. aor.) El nyanon aêtoçw ¤pÜ tÒ lñfÄ genñmenoi Eles passavam desapercebid
os deles mesmos chegando ao topo da colina. [eles chegavam ao topo da colina sem
perceber] (part. aor.) Etuxen ²mÇn ² ful‾ prutaneæousa. Aconteceu [por acaso] a
nossa tribo estar exercendo a função de prítane. [por acaso nossa tribo exercia
a função de prítane] (part. pres.)
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TÛw ¦tuxe paragenñmenow; Quem encontrou-se por acaso tendo estado presente? [que
m por acaso esteve presente?] (part. aor.) O m¡n ¤sti faneròw ¤kb w ¤k toè ploÛou k
aÜ oék eÞsb w p lin. É evidente ele tendo saído da embarcação e não tendo entrado de
novo. [É manifesto que ele saiu da embarcação e não entrou de novo] (part. aor.
) ¤oÛkate turannÛsi m lon µ politeÛaiw ²dñmenoi Vós pareceis tendo prazer mais com
tiranias do que com governos populares (part. pres.) toèto tò str teuma ¤l nyane tr
efñmenon esse exército passava desapercebido sendo sustentado. [esse exército er
a sustentado secretamente] (part.pres.) Ùnto faneÝw eänai piñntew Eles acreditavam
estar invisíveis saindo (part. pres.) Douleævn sautòn l¡lhyaw Tu passas desaper
cebido de ti mesmo sendo escravo [tu és escravo sem perceberes] (part. pres.) co
meçar, sofrer, cansar-se de (processo da ação) n¡xomai eu agüento, eu suporto (fa
zendo) pagoreæv eu desisto de (fazendo) rxomai eu começo a (fazendo) k mnv eu me can
so de, eu cesso (fazendo) paæomai, l gv eu paro, eu cesso de (fazendo) Oëpote ¤p
auñmhn êm w oÞktÛrvn. Eu não parava de vos lamentar. [lamentando] (part. pres.) M‾
k mnúw fÛlon ndra eéergetÇn Não cesses de fazer o bem a um amigo querido [fazendo
o bem]. (part. pres.) Paæsomai toçw ¤xyroçw gelÇntaw. Eu farei os adversários pa
rarem de rir. [rindo] (part. pres.)
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oß AyhnaÝoi ¤m¢ êp°rjan dika poioèntew Os atenienses começaram primeiro fazendo-me
injustiça (part. pres.) Hrxñmeya dialegñmenoi. Começávamos a dialogar [dialogant
es] (part. pres.) oß Lakedaimñnioi oék ¤paæsanto t w pñleiw kakÇw poioèntew Os lac
edemônios não pararam de prejudicar [prejudicando] as cidades. (part. pres.) H pñ
liw oéd¡pote ¤kleÛpei toçw teleut santaw timÇsa A cidade nunca deixa de honrar [
honrando] os finados (part. pres.)
verbos com sentido de estar certo ou errado, fazer o bem ou o mal, ser superior
ou inferior a aÞdoèmai (e) aÞsxænomai dikÇ(e) ganaktÇ(a) gapÇ(a) mart nv xyomai ´domai
²ttÇmai(a) kakÇw poiÇ(e) kalÇw (eï) poiÇ(e) karterÇ (e) kratÇ(e) leÛpomai lupoèm
ai (e) nikÇ(a) st¡rgv xalepÇw f¡rv xaÛrv eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu tenho pudor em (fazendo) sinto vergonha, pudor em sou injusto
em (fazendo) me irrito, acho ruim gosto (de fazer) fazendo ajo mal, eu falho, pe
co em me indigno, acho ruim tenho prazer em (fazendo) sou inferior em faço (ajo)
mal em (fazendo) faço (ajo) bem em (fazendo) agüento, suporto (fazendo) domino
em (fazendo) fico para trás em me aflijo em (fazendo) venço em (fazendo) gosto (
de fazer) fazendo suporto mal (fazendo) me alegro em (fazendo)
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AdikeÝte pol¡mou rxontew kaÜ spond w læontew Vós agis mal [sois injustos] ao começar
a guerra e romper os tratados [começando e rompendo entrada no ato verbal] Hdoma
i koævn sou fronÛmouw lñgouw. Sinto prazer ouvindo palavras sábias de ti (simultâ
neo) di tÛ met ¤moè xaÛrousÛ tinew diatrÛbontew; ÷ti xaÛrousi ¤jetazom¡noiw toÝw o
Þom¡noiw eänai sofoÝw. Por que alguns se alegram entretendo-se comigo? porque se
alegram em pesquisar [pesquisando] com os que são considerados sábios. p w n‾r ´de
tai tò fÇw õrÇn todo homem sente prazer vendo a luz (simultâneo) õ d¢ fresÜ t¡rp
et koævn (Hom.) ele se alegrava na mente ouvindo [ao ouvir, em ouvir, em ouvindo,
enquanto ouvia] kalÇw ¤poÛhsaw proeipÅn fizeste bem tendo falado antes [em falar
antes, em ter falado antes] kreÛssvn —sya mhk¡t Ìn µ zÇn tuflñw tu eras melhor n
ão mais existindo do que vivendo cego [se não mais existisses do que se vivesses
cego] ¤moÜ xarÛzou pokrinñmenow sê-me agradável respondendo-me [em responder] ka
rterÇ koævn eu agüento escutando [escuto pacientemente] aÞsxænomai toèto l¡gvn eu
sinto vergonha dizendo isso
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b) Particípio predicativo de sujeito oracional Podemos incluir nessa construção
de particípio conjunto aquilo que as gramáticas denominam de acusativo absoluto : na
verdade são sujeitos oracionais em que o particípio aparece como predicativo do
sujeito - neutro, naturalmente. A confusão se originou disto: o nominativo do pa
rticípio neutro é igual ao acusativo. Vejamos os exemplos: ¤jòn eÞr nhn gein oéde
Üw pñlemon aßr setai. sendo permitido conduzir a paz, ninguém escolherá a guerra
. ¤jñn é nominativo neutro, predicativo do sujeito que é a frase toda. DuoÝn kak
oÝn oédeÜw tò meÝzon aßreÝtai, ¤jòn tò ¦latton (Plat.) De dois males [entre dois
males] ninguém escolhe o maior, sendo permitido [escolher] o menor. (duoÝn kako
Ýn é um dual) poll kiw ¤jòn êmÝn pleonektèsai oék ±yel sate muitas vezes sendo-vos
possível ficar grandes, não quisestes. oß Surakoæsioi kraug» oék ôlÛgú ¤xrÇnto d
ænaton øn ¤n nuktÜ llÄ tÄ shm°nai (Plat.) os Siracusanos se serviam de não pouco
alarido, sendo impossível fazer sinais durante a noite com um outro meio. oéd¢ d
Ûkaiñn moi dokeÝw ¤pixeireÝn pr gma, sautòn prodoènai, ¤jòn svy°nai Não me pareces
estar fazendo um negócio justo ao te entregares, sendo possível ser salvo. oéxÜ
¤sÅsam¡n se oåñn te øn kaÜ dunatñn (Plat.) Nós não te salvamos, mesmo sendo viá
vel e possível. d°lon g r ÷ti oäsya toèto, m¡lon g¡ soi Pois é evidente que tu sab
es isso, sendo tua preocupação. eÞrhm¡non d aétaÝw pant n, ¤ny di eìdousi koéx ´kousin
(Aristóf.) (mesmo) estando dada a ordem de as mulheres se reunirem, elas estão d
ormindo e não vêm.
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sundñjan tÒ patrÜ kaÜ t» mhtrÜ gameÝ t‾n Kuaj rou yugat¡ra tendo parecido bem igua
lmente ao pai e à mãe, [Ciro] casa-se com a filha de Ciáxares (part. aor. neutro
, pred. do suj.). São bastante freqüentes essas construções de particípio neutro
com função predicativa. As mais comuns são as seguintes: aÞsxròn ön nagkaÝon ön
dedogm¡non dokÇ(e) dñjan dokÇ(e) dokoèn dunatñn/ dænaton ön d¡on (d¡v) eÞrhm¡non ¤
nñn (¦neimi), parñn (p reimi) kalÇw parasxÅn legñmenon metam¡lon m¡lon (m¡lomai) p
ar¡xon (par¡xv) pr¡pon (pr¡pv) pros°kon (pros kv) prostaxy¡n (prost ttv) sendo fei
o, vergonhoso sendo inevitável, forçoso tendo-se chegado à conclusão tendo parec
ido (bem) parecendo bem sendo possível/impossível sendo necessário, preciso tend
o sido dito, está dito sendo possível, permitido tendo sido oportuno sendo dito,
correndo o boato de que havendo arrependimento de havendo o cuidado sendo oport
uno sendo decente sendo conveniente tendo sido estabelecido
Em todas essas construções, que correspondem às reduzidas de gerúndio ou de part
icípio em português, quer na voz ativa, média ou passiva, basta traduzirmos os p
articípios em seu verdadeiro sentido e teremos o significado claro. Todos os par
ticípios gregos são adjetivos e concordam com o sujeito, de quem são aposto e co
m os objetos de que são predicativos, em gênero, número e caso. Esse particípio c
onjunto (= predicativo ou do sujeito da principal ou do sujeito/objeto da subordi
nada completiva) pode ser visto também em uma série de orações subordinadas, com
plementos de verbos que exprimem percepção pelos sentidos ou pela mente:
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gnoÇ(e) koæv lÛskomai aÞsy nomai ( po)faÛnv gignÅskv deÛknumi dhlÇ(o) (¤j)agg¡llv ¤jel¡
gxv eêrÛskv ¤pilany nomai ¤pÛstamai, oäda katalamb nv lamb nv many nv m¡mnhmai jænoida ¤
mautÒ õrÇ(a) periorÇ(a) puny nomai sunÛhmi
eu ignoro, eu desconheço (que) eu ouço (que) eu me convenço (sou cooptado) eu pe
rcebo, eu sinto eu revelo, anuncio eu tomo conhecimento eu mostro, demonstro (qu
e) eu mostro, eu revelo eu anuncio, denuncio eu convenço, eu provo eu acho, enco
ntro eu esqueço de (que) eu sei (que) eu compreendo, depreendo, percebo eu pego , p
ercebo, entendo eu entendo (que) eu me lembro, estou lembrado tenho consciência
que (sei comigo mesmo que) eu vejo (que) eu deixo passar eu venho a saber, eu me
informo eu entendo, eu percebo
A lista não é exaustiva, mas contém a maioria dos verbos de percepção pelos sent
idos ou pela inteligência. A expressão do objeto direto (ou indireto) desses ver
bos pelo particípio (geralmente predicativo do objeto direto) deve ser entendida
a partir do significado deles e do tipo de ação que eles exercem sobre o objeto
: o campo da percepção é limitado e dinâmico e só uma forma verbal ao mesmo temp
o processante e nominal, limitada e dinâmica, pode exprimir essa relação. Daí o
uso necessário do particípio. Contudo, quando o objeto de alguns desses verbos n
ão é fechado, circunscrito, com verbos de ligação, que acrescentam idéia de qual
idade ou estado, esse objeto, ou oração objetiva é expresso por um infinitivo, c
om o sujeito dele no acusativo. Veremos nos exemplos que seguem:
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Éw eädon aétoçw pel zontaw, oß leúlatoèntew eéyçw f¡ntew t xr mata ¦feugon Assim que
os viram se aproximando [aproximantes, que se aproximavam] os saqueadores rapid
amente, jogando [tendo jogado] os objetos, fugiram. Xersñnhson kat¡maye pñleiw §
ndeka µ dÅdeka ¦xousan Ele veio a saber que Quersoneso tinha onze ou doze cidade
s ³kous pote Svkr touw perÜ fÛlvn dialegom¡nou Ouvi certa vez Sócrates discutindo s
obre amigos. ³kouse Kèron ¤n XilikÛ& önta Ouviu que Ciro estava na Cilícia. ¤pei
d n aÞsy nhsye ¤moè ¤pitiyem¡nou toÝw tò d¡jion k¡raw tñte kaÜ êmeÝw kay êm w ¤pixeireÝt
e. Quando perceberdes que eu estou fazendo carga sobre os da ala direita, então,
também vós, por vós mesmos, tomai iniciativa. pesñnta BrasÛdan oß m¢n AyhnaÝoi o
ék aÞsy nontai oß d¢ plhsÛon rantew p negkan Os atenienses não percebem que Brásidas
caiu [tendo caído Brásidas], mas os que estavam perto tendo-o levantado levaram
-no. toÝw ¤pixeir masin ¥Årvn oé katoryoèntew kaÜ toçw stratiÇtaw xyom¡nouw t» mo
n», (Tucid.) [Os atenienses] viam não prosperantes com as iniciativas e os solda
dos aborrecidos com a demora. mfñter oïn oäde kaÜ aêtòn êmÝn ¤pibouleænta kaÜ êm w a
Þsyanom¡nouw. (Dem.) Ele sabe as duas coisas: que ele próprio está conspirando c
ontra vós e que vós estais percebendo. ¤mautÒ g r sun»dein oéd¢n ¤pistam¡nÄ (Plat.
) Pois eu sabia em minha consciência [era ciente] que nada sabia [nada sabendo].
¤gÆ oëte m¡ga oëte smikròn jænoida ¤mautÒ sofòw Ên (Plat.) Por mim, eu sabia co
migo mesmo que eu nem em pouco nem em grande [coisa] era sábio [sendo].
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¤keÝnoi junÛsasi Mel tÄ m¢n ceudom¡nÄ ¤moÜ d¢ lhyeæonti (Plat.) Esses aí têm cons
ciência com Meletos que ele está mentindo e comigo que estou dizendo a verdade.
mas, koæv eänai ¤n tÒ strateæmati ²mÇn RodÛouw Ouço existirem ródios em nosso exér
cito.
c) Genitivo absoluto Há ainda algumas construções de orações reduzidas de gerúnd
io ou de particípio, em que a oração participial ou gerundiva está isolada (ab-s
oluta) da oração principal por ter um sujeito diferente, solto, à parte, ab-solu
to. De fato, são dois assuntos diferentes, dois sujeitos independentes, embora s
emanticamente interligados. A denominação absoluto é de cunho formalista; registra
apenas a ausência do conetivo. Essa separação, essa independência, essa soltura
, quando expressa por uma oração reduzida de particípio é chamada pelos gramátic
os de genitivo absoluto , isto é, solto, desligado em grego, e ablativo absoluto em l
atim. Nesses casos o grego e o latim têm um tratamento especial: pelo fato de as
orações subordinadas (participiais ou gerundivas) estarem distantes, separadas
(ab-solutas) da oração principal, o grego põe o particípio e seu agente (na voz
ativa e média), ou seu paciente (na voz passiva) no genitivo, e o latim põe o pa
rticípio ou gerúndio no ablativo (genitivo e ablativo, repectivamente, sendo os
casos de separação ab-solutos ). Epi Kærou basileæontow. Em Ciro reinando [reinante,
enquanto reinava, durante o reinado]. (part. pres. aposto) ¼syñmhn aétÇn oÞom¡n
vn eänai sofvt tvn (Plat.) Eu percebia que eles acreditavam [eles acreditando] ser
os mais sábios [que eram muito sábios] (part. pres.)
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Diabebhkñtow ³dh Perikl¡ouw ¤w Eëboian ±gg¡lyh aétÒ ÷ti M¡gara f¡sthken. (Tuc.) T
endo já Péricles atravessado para a Eubéia, foi-lhe anunciado que Megara estava
separada (distante). xalepòn ÷ron ¤piyeÝnai taÝw ¤piyumÛaiw êphretoæshw ¤jousÛaw
É difícil pôr um limite às paixões havendo excesso de riqueza [existindo recurs
os, possibilidade]. oék n —lyon deèro êmÇn m‾ keleus ntvn eu não teria vindo aqui s
e vós não tivésseis ordenado [vós não tendo ordenado]. Kèrow n¡bh ¤pÜ t örh oédenò
w kvlæontow (Xen.) Ciro chegou ao topo da colina sem que ninguém o impedisse [ni
nguém o impedindo]. tÇn svm tvn yhlunom¡nvn kaÜ aß cuxaÜ polç rrvstñterai gÛgnontai
(Xen.) Os corpos efeminando-se também as almas se tornam muito mais fracas. Éw
²dç tò z°n m‾ fyonoæshw t°w tæxhw como é agradável viver quando a Fortuna não te
m inveja! [a Fortuna não tendo inveja] shmany¡ntvn ÷ti pol¡mioÛ eÞsin ¤n t» xÅr&
, ¤jebo yei. (Xen.) Tendo sido dados indícios de que os inimigos estavam [estão]
no país, partiu em socorro. Prospesñntow ußòn gegon¡nai tÒ basileÝ. (Plat.) Ten
do caído [a notícia] de ter nascido um filho ao rei. ¤j°n soi ¥koæshw t°w pñlevw
toèto poi°sai (Plat.) Era [te] possível, a cidade estando conivente, fazer isso
. Kærou basileæontow oß P¡rsai ¤kurÛeusan tÇn M dvn Ciro reinante [durante o rei
nado de Ciro], os Persas dominaram os Medos.
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Druòw pesoæshw p w n‾r juleæetai O carvalho tendo caído [caído o carvalho, depois q
ue o carvalho caiu] qualquer homem faz lenha. toætvn nagignvskom¡nvn pros¡xete tò
n noèn essas coisas sendo lidas - enquanto são lidas! - prestai atenção. Perikl¡
ouw ²goum¡nou poll kaÜ kal ¦rga pedeÛjanto oß AyhnaÝoi Péricles dirigente [sob a dir
eção de, no governo de Péricles], os Atenienses produziram muitas e belas obras.
g¡noit n p n yeoè texnvm¡nou A divindade dando condições, tudo poderia acontecer. po
pleÝ oÞk de kaÛper m¡sou xeimÇnow Ele embarca para casa, mesmo sendo pleno [no mei
o do] inverno. oé deÝ yumeÝn Éw oék eét ktvn öntvn AyhnaÛvn Não é preciso perder âni
mo como os Atenienses não estando bem organizados. ¤gÆ toætouw eárhka lñgouw oéx
Éw oédemi w llhw ¤noæshw ¤n toÝw pr gmasi svthrÛaw ll boulñmenow (Isócr.) Eu pronuncie
i esses discursos não (por) não havendo na situação presente nenhuma outra salva
ção, mas porque eu queria [querendo]. polloÛ kat¡bhsan kaÜ te yevm¡nvn tÇn ¥taÛrv
n poll‾ filoneikÛa ¤gÛgneto Muitos desceram [à arena] e [porque] os companheiros
estando assistindo, originou-se uma grande emulação.
d) O particípio com conetivo Como em português, em que as reduzidas de gerúndio
e particípio podem ser modificadas por uma conjunção que explicita o conteúdo da
subordinada, assim também, em grego, o particípio pode vir modificado por uma c
onjunção que faz lembrar o modo que seria empregado se a oração permanecesse con
juncional.
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a idéia de causa (causal) conjunções: te, oåon, oåa d , (causa real, objetiva) Éw
, (causa subjetiva, pessoal) Ësper (lat. quod). A conjunção nem sempre é express
a. sunetòw pefukÆw feège t‾n panourgÛan Tendo nascido inteligente, evita a malva
deza [porque nasceste inteligente, inteligente de nascença] (p. perf.) Kèrow, te
paÝw Ìn kaÜ filñkalow kaÜ filñtimow, ´deto t» stol». (Xen.) Ciro, sendo criança
e amante de belas coisas e de honras, compraziase com roupas [porque era] (p. pr
es.: simultaneidade com ação do verbo principal) Éw oïn phllagm¡noi tÇn kakÇn ²d¡
vw ¤koim yhsan (Xen.) Como se livrados de todos os males eles adormeceram com pr
azer [porque, como se] (p. perf. pas.: resultado da ação) Ate ¤jaÛfnhw ¤pipesñnte
w poll ndr poda ¦labon Tendo-se precipitado [caído em cima] de repente, fizeram muit
os prisioneiros. [porque se precipitaram] (p. aor.: anterioridade)
a idéia de tempo (temporal) conjunções: ma - ao mesmo tempo; eéyæw, aétÛka - imed
iatamente; metajæ - nesse meio tempo, nesse intervalo; ¦ti - ainda; Ëw - assim q
ue. A conjunção nem sempre é expressa. ²dç svy¡nta memn°syai pñnvn (Eur.) É agra
dável tendo sido salvo lembrar-se dos sofrimentos [depois de ter sido salvo] (p.
aor. pass. anterioridade) ma poreuñmenoi ¤m xonto Ao mesmo tempo que marchavam, lu
tavam [marchando] (part. pres. simultaneidade) metajç deipnoèntew ¤jan¡sthsan en
quanto almoçavam, levantaram-se [levantaram-se no meio da refeição, almoçando] (
p. pres. simultaneidade)
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eéyçw paÝdew öntew desde a infância [direto sendo crinças] (part. pres. simultan
eidade) pollaxoè me ¤p¡sxe l¡gonta metajæ (Plat.) Muitas vezes [em muitas passag
ens] ele se intrometeu, enquanto eu falava [interrompeu minha fala, eu falando]
(part. pres. simultaneidade) Íw ra fvn saw peb seto (Hom.) assim que disse isso, f
oi embora [tendo dito] (part. aor.: anterioridade) a idéia de finalidade (final)
Expressa-se pelo particípio futuro só ou com a conjunção: Éw seguida do particí
pio futuro = idéia de eventualidade: sun lyomen ôcñmenoi Nós nos reunimos para v
er [viemos havendo de ver] sullamb nei Kèron Éw poktenÇn Ele manda prender Ciro par
a matá-lo [havendo de matar] oß AyhnaÝoi pareskeu zonto Éw polem sontew Os ateniens
es estavam se preparando para a guerra [para guerrear; havendo de guerrear] kata
skecom¡nouw ¦pempe tÛ pr ttoi Kèrow Ele enviou batedores [os havendo de observar]
o que Ciro estava fazendo a idéia de concessão (concessiva) conjunções: kaÛper,
kaÛ - ainda que, mesmo se, mesmo ÷mvw kaÛ - mesmo que polloÜ g r kaÜ öntew eégeneÝ
w eÞsi kakoÛ Muitos, com efeito, mesmo sendo de boa origem, são maus (part. pres
., estado permanente) EÞs lyete êmeÝw kaÛper oé didñntow nñmou Vós chegastes, me
smo a lei não permitindo. (part. pres.) sumbouleæv soi kaÛper neÅterow Ên (Xen.)
estou te aconselhando, mesmo sendo mais jovem (part. pres.) kaÛper p nu gayòw Ên (
Plat.) mesmo sendo muito bom (part. pres.)
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a idéia de condição (condicional) conjunções: eÞ = se > supositivo potencial; ¤ n
= se> supositivo eventual na condicionante (prótase - subordinada) e n na condici
onada potencial ou futuro na condicionada eventual (apódose - principal). dÛkaia
dr saw summ xouw §jeiw yeoæw Tendo agido bem [tendo praticado coisas justas] terás
os deuses aliados [caso ajas bem, tendo agido bem] (part. aor. anterioridade em
relação ao verbo principal e o eventual por ser uma proposição futura) FÛlippow
PoteÛdaian dunhyeÜw n aétòw ¦xein eÞ ¤boul yh OlunyÛoiw par¡dvken. (Dem.) Felipe,
tendo podido [teria podido], se assim o quisesse, manter Potideia, entregou-a ao
s Olíntios. (part. aor. com n = irreal do passado) oék n dænaio m‾ kamÆn eédaimone
Ýn Tu não poderias ser feliz não tendo feito esforço [caso não tenhas feito, se
não fizeres] (part. aor.= anterioridade = irreal do passado) fanerñw ¤sti toèto
oék n poi saw eÞ m‾ katoryÅsein ³lpizen É evidente ele não ter feito isso [não te
ndo feito] se não esperasse haver de dar certo. [é evidente que ele não teria fe
ito] (part. aor.= anterioridade, irreal do passado) EgÅ eÞmi tÇn ²d¡vw n ¤legj ntvn
eà tÛw ti m‾ lhy¢w l¡goi. (Plat.) Sou dos que prazerosamente teriam refutado [mas
não refutei] se alguém não dissesse a verdade. (part. aor., irreal do passado)
Oék n —lyon deèro êmÇn m‾ keleus ntvn Eu não teria vindo aqui se vós não tivésseis
mandado [vós não tendo mandado] (part. aor., irreal do passado).
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Infinitivo
É o verbo-substantivo. É a noção substantiva do ato verbal, também de uso intens
o em grego por trazer um significado mais concreto ao ato verbal. O infinitivo n
ão é uma forma verbal propriamente dita; semanticamente é a virtualidade, a essê
ncia, a noção substantiva do verbo (processo ou estado). Por isso ele é um subst
antivo e se comporta como tal. A denominação infinitivo é mero decalque do grego pa
r¡mfaton, que os gramáticos latinos traduziram por infinitiuus , isto é inflexionáv
el. É assim que deve ser entendido no latim e nas línguas românicas, por oposiçã
o aos modos finitos, isto é flexionáveis. É uma denominação de cunho descritivis
ta. Mas ela é verdadeira só no grego; não o é nem em latim nem nas línguas român
icas. O termo grego par¡mfaton não é formalista, é semântico; significa: que não d
iz a partir de si mesmo , que não define claramente , não determinativo ou indicativo
, isto é, nele mesmo ele não tem relação nem com o agente ou paciente. Ele não é
=°ma, isto é, não tem as desinências pessoais que referem ao [são a marca de] s
ujeito agente ou paciente. Essa denominação, contudo, foi perdendo seu conteúdo
semântico também no grego, porque no grego o infinitivo é verdadeiramente inflex
ionável, visto que o grego tem artigo e que todas as funções exercidas pelo infi
nitivo, que é verbo-substantivo, são expressas pela flexão do artigo. Como subst
antivo, o infinitivo pode ter todas as funções do substantivo, mas ele é invariá
vel, não tem casos (daí a denominação de infinito invariável por oposição às forma
s finitas variáveis). É que no grego os casos do infinitivo se exprimem pela flexã
o do artigo, diferentemente do latim. O latim não tem artigo e por isso se viu d
iante da necessidade de criar uma ptÇsiw, um caso para o verbo-substantivo, sobr
etudo nas relações concretas, criando as formas do gerúndio. complemento de dire
ção lugar onde lugar de onde instrumental complemento limitativo (nominal) -ndum
-ndo -ndo -ndo -ndi
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Em grego, por causa da existência do artigo, o infinitivo pode ser usado nas trê
s vozes: ativa, média e passiva e nos três aspectos: infectum, aoristo e futuro
e perfectum, porque o artigo assume todos os casos. Em latim, o uso do infinitiv
o/gerúndio só se encontra na voz ativa e nos depoentes, que são verbos de voz mé
dia, portanto ativos, mas só no infectum. Os outros infinitivos só se usam nos c
asos sintáticos (nom. e acus. de obj. direto); as funções expressas no grego pel
o acusativo de direção e pelo ablativo e instrumental são expressas em latim pel
o supino (-tu / tum). Nas línguas românicas, só restam as funções circunstanciai
s, adverbiais -ndo (menos no francês, que usa a forma invariável do particípio a
tivo do infectum -nt mas o chama de gérondif ). Podemos então formar um quadro da
flexão do Infinitivo. Nom. Voc. Acus. (o.d.) Acus. (dir.) Gen. Dat. Loc. Instr.
Abl. Português (o) escrever escrever para escrever de escrever ao escrever 6 no
escrever 7 em escrevendo pelo escrever escrevendo de escrever 8 Grego (tò) gr fein
(tò) gr fein eÞw tò gr fein toè gr fein tÒ gr fein ¤n tÒ gr fein tÒ gr fein pò toè gr fei
im scribere scribere ad scribendum scribendi scribendo in scribendo scribendo a
scribendo
6 7
8
É o dativo de complemento nominal; por exemplo: semelhante, igual ao escrever. A
gramática latina nos passou as relações de locativo e instrumental incluídas no
ablativo. Nós já vimos que é um erro. Ao dizermos que em escrever/em escrevendo
é um locativo, estamos pensando na relação concreta, espacial - dentro do ato d
e escrever. Como se trata de um infectum, inacabado, a relação de duração > temp
o é natural; por isso, na medida em que é uma incidência num processo, o locativ
o nesse caso tem um sentido temporal. O ablativo (separativo/de onde) significa
eu venho de escrever, do ato de escrever.
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Pode-se ver que, em português, o gerúndio ablativo é menos freqüente do que o lo
cativo/temporal e instrumental. Há muita coerência nesses dois casos, porque a n
oção temporal de duração e instrumental de passagem do ato verbal pelo instrumen
to inerte combinam com o aspecto do infectum-durativo-presente, do ato verbal em
seu desenvolvimento. A do ablativo, que é a noção de separação, ponto de partid
a, é menos natural. Só existe gerúndio no presente (infectum, inacabado, durativ
o). Em grego há tantos infinitivos quantos são os temas; são três os temas, um p
ara cada aspecto - infectum, perfectum, aoristo, e futuro, que é um desdobrament
o do aoristo e construído sobre o mesmo tema. E cada tema tem infinitivos das tr
ês vozes. Os infinitivos médios e passivos no infectum e no perfectum são formal
mente idênticos. Há quatro infinitivos em grego: Infinitivo presente (tema do in
fectum, inacabado) ativo e médio /passivo; Infinitivo aoristo (tema do aoristo)
ativo, médio e passivo; Infinitivo futuro (tema do aoristo) ativo, médio e passi
vo; Infinitivo perfeito (tema do perfectum, acabado) ativo e médio /passivo. Não
há idéia de tempo no infinitivo; prevalece a noção de aspecto. o infectum (pres
ente-inacabado) traz a idéia de ato em desenvolvimento e simultaneidade com o ve
rbo principal. o aoristo (pontual) traz a idéia absoluta, pura do ato verbal; ma
s, num contexto narrativo, pode exprimir uma anterioridade em relação ao verbo p
rincipal (fato isolado, pontual). o futuro, sempre dependente de verbos de vonta
de ou intenção ou movimento, remete o ato absoluto, puro, para frente. o perfect
um (acabado) exprime o término (ativo e médio) e o resultado da ação (passivo).
Resumindo, o infinitivo grego é um substantivo verbal neutro singular que pode s
er declinado com o artigo. Por conseguinte: 1. Ele não tem adjunto adnominal (ep
íteto), mas é modificado pelo advérbio; (a qualidade de um processo ou estado é um
a idéia de modo/ instrumento).
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2. Todas as suas funções como nome são expressas pela flexão do artigo, já que e
le é indeclinável (infinito). 3. Sendo verbo, ele pode ter sujeito, predicativo,
complementos, e pode ser sujeito e predicativo, porque é substantivo. Nesse cas
o o predicativo é neutro, porque o infinitivo é um substantivo neutro (isto é, n
ão tem gênero); e pode ter complementos, porque não perde sua natureza verbal.
Empregos do Infinitivo:
I. O infinitivo é substantivo e verbo O fato de o infinitivo ser substantivo e v
erbo permite que ele tenha todas as funções do substantivo semanticamente compat
íveis e que ao mesmo tempo ele possa ser o núcleo de uma oração a que chamaremos
de infinitiva. 1. O infinitivo como verdadeiro substantivo: teríamos o equivale
nte português: o pôr-do-sol , o comer , por exemplo. nyrÅpvn ¤stin tò mart nein o errar
[próprio] dos homens (suj. de ¤stin) 2. O infinitivo como mero enunciado da ação
: precisa comer para viver . ¤pÛstamai neÝn eu sei nadar (inf. comp. obj. dir.) 3.
O infinitivo como núcleo de uma oração infinitiva: neste caso, ele tem um sujeit
o, expresso ou não, mas diferente do verbo ou da oração da qual depende: Vejo os
homens correr . O verbo vejo é o verbo principal, cujo sujeito não expresso é eu;
os homens é sujeito de correr; os homens correr é oração infinitiva complemento
de objeto direto de vejo. oék n¡meinen ²m¡ran gen¡syai ele não esperou o dia acon
tecer (²m¡ran gen¡syai é complemento da principal cujo sujeito é ele; ²m¡ran é s
ujeito de gen¡syai e está no acusativo)
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Não há diferenças essenciais nestas três construções; porém é preciso fazer algu
mas observações a respeito da oração infinitiva: a) Numa grande maioria de casos
ela é uma completiva, e o sujeito do infinitivo é geralmente o complemento de o
bjeto direto do verbo principal: vejo os homems - cumprindo a ação de - correr,
daí é normal o uso do acusativo no sujeito da oração infinitiva. T°w ret°w oéd¡na
deÝ Þdivteæein (Plat.) É preciso ninguém ser leigo da virtude (suj. de deÝ ) b)
O que reforça esta idéia de primazia de relação do sujeito da oração infinitiva
com o verbo principal são os casos ditos de atração de casos: nèn soi ¦jesti ndr
Ü [ ndra] gen¡syai 9 Agora te é possível tornares-te homem (atração de caso: gen¡s
yai é inf. suj. de ¦jesti, seu predicativo: ndrÜ está no mesmo caso que o comp. d
e atrib. soi do verbo ¦jesti, o sujeito acusativo de gen¡syai não sendo expresso
) c) O predicativo do sujeito do infinitivo terá normalmente o mesmo caso (event
ualmente o mesmo número e gênero se for adjetivo) que o sujeito do infinitivo st
rathgoè ¤sti maxom¡nou [maxñmenon] poyaneÝn é [dever] do comandante morrer lutand
o (inf. suj. de ¤sti; maxom¡nou é predicativo de strathgoè complemento de ¤sti e
sujeito, no genitivo, de poyaneÝn) 4. Tanto o infinitivo como a oração infinitiv
a se comportam como um substantivo neutro singular e, se tiverem um predicativo
adjetivo, ele será neutro singular. tò ceædesyai aÞsxrñn ¤stin (o) mentir [ser m
entiroso] é feio (suj. de ¤stin) As completivas se constroem com o predicativo d
o objeto direto ou predicativo do sujeito, se o sujeito da completiva e o da pri
ncipal é o mesmo; nesse caso o sujeito da completiva nem sempre é expresso; e qu
ando o é, seu caso depende de sua função: se predicativo do sujei9
Neste exemplo e no seguinte o normal seria ndra predicativo do sujeito implícito
se é maxñmenon.
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to da principal, o caso é nominativo, se predicativo da subordinada completiva o
bjetiva direta, o caso é acusativo. ¤keÝnoi [oß P¡rsai] ¤pÜ tÒ sÛtÄ oàontai deÝn
frñnimoi kaÜ m¡trioi faÛnesyai Eles [os Persas] crêem ser necessário mostrarem-
se sensatos e comedidos às refeições [no comer]. (o suj. de oàontai (principal)
e de faÛnesyai é o mesmo: e faÛnesyai é o sujeito de deÝn que é objeto de oàonta
i; o sujeito de faÛnesyai é nominativo e não acusativo = frñnimoi kaÜ m¡trioi sã
o predicativos do sujeito de faÛnesyai no nom.). II. Funções do infinitivo e da
oração infinitiva Dentro da frase, o infinitivo e a oração infinitiva podem ter
todas as funções do substantivo; vejamo-las. 1. Infinitivo sujeito: a) Freqüente
mente ele é sujeito da oração inteira. As gramáticas o apresentam como sujeito d
e verbos ou expressões impessoais 10, como: gÛgnetai - ¤g¡neto acontece, aconteceu
deÝ (d¡on ¤stin) é preciso, é dever diaf¡rei difere, importa (interest) dokeÝ pa
rece (bem), agrada (placet) ¦nestin está em, é possível é possível, é permitido
¦jesti (¦sti) p restin a ocasião se apresenta, é possível pr¡pei, pros kei convém
(decet) sumbaÛnei sucede (que) acontece sumf¡rei é útil, proveitoso, bom xr é b
om, é necessário (opus est, oportet)
10
Admitir a impessoalidade é admitir a possibilidade de um enunciado sem sujeito,
isto é, sem essência. O que acontece é que o sujeito do verbo impessoal é o enunci
ado todo; por isso o verbo está na terceira pessoa.
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Com predicativos neutros (adjetivos): dænaton / dunatñn dÛkaion ¤pÛdojon ¤pit dei
on kalñn / aÞsxrñn oåon ¦sti / —n / ¦stai / eàhn: impossível, possível justo pre
sumível vantajoso, conveniente belo, feio possível, viável é, era, será, seria
tò froneÝn eédaimonÛaw prÇton êp rxei O pensar a felicidade é a coisa que está em
primeiro lugar (suj. de êp rxei) tò mart nein (aétoçw) nyrÅpouw öntaw oéd¢n yaunastñn
O falharem sendo homens, em nada é admirável (suj. de yaumastñn [¤stin]) tò t w ²d
on w feægein kalñn ¤stin O evitar [fugir de] os prazeres é belo (suj. de kalñn ¤st
in) tò kalÇw z°n xalepñn O viver bem é difícil (suj.de xalepñn [¤stin]) sumboule
uñmey soi tÛ xr‾ poieÝn (Xen.) Nós estamos nos aconselhando contigo [sobre] o que
é preciso fazer. (suj. de xr‾ ) Xr‾ m te xrhm tvn feÛdesyai m te pñnvn (Plat.) É
preciso não poupar despesas nem sacrifícios (suj. de xr‾) ¦doj¡ moi eÞw lñgouw s
oi ¤lyeÝn (Xen.) Pareceu-me [bem] vir para uma conversa contigo (suj. de ¦doje) p
i¡nai ¦jestin É permitido [possível] ir embora (suj. de ¦jestin ) eÜ kr tistñn ¤sti
t lhy° l¡gein É sempre muito melhor dizer a verdade (suj. de ¤sti )
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õmoÛvw aÞxrñn koæsanta xr simon lñgon m‾ mayeÝn kaÜ didñmenñn ti gayòn par tÇn fÛlv
n m‾ labeÝn (Isócr.) É semelhantemente feio não entender tendo ouvido uma palavr
a útil quanto não aceitar alguma coisa boa dos amigos (infinitivos sujeitos de.
aÞxrñn [¦stin]) ¦doj¡ moi m‾ sÛga tò ploèn poieÝsyai Pareceu-me bem [eu decidi]
não fazer a viagem em segredo. (inf. suj. de ¦doj¡) ¦doje pleÝn tòn Alkibi dhn Deci
diu-se Alcibíades embarcar. [pareceu bem] (inf. suj. de ¦doje) aÞsxròn tÒ parñnt
i kairÒ m‾ xr°syai É uma vergonha não se apropriar da ocasião que se apresenta [
do momento presente] (inf. suj. de aÞsxròn ¤stin). DeÝ se yeoseb° eänai É precis
o tu seres piedoso [que sejas] (inf. suj. de deÝ). xr° toçw eï pr ttontaw t°w eÞr
nhw ¤piyumeÝn (Isócr.) É preciso os que estão bem desejar [em] a paz (suj. de xr
° ) xr‾ tolm n xalepoÝsin ¤n lgesi keÛmenon ndra É preciso o homem encontrando-se em
dores cruéis ter coragem (suj. de xr‾ ) kaÜ Ellhni kaÜ barb rÄ ¤g¡neto d¡vw poreæes
yai Aconteceu ao grego e ao bárbaro viajar sem temor (suj. de ¤g¡neto) dokeÝ d¡
moi kaÜ Karxhdñna m‾ eänai (Plut.) Parece-me [sou de opinião] também Cartago não
existir [não dever] (suj. de dokeÝ ) oék ¦stin eêreÝn bÛon lupon oédenÛ (Eur.) N
ão é possível [permitido] a ninguém encontrar uma vida sem sofrimento. (suj. de
oék ¦stin) oé d pou tòn rxonta tÇn rxom¡nvn ponhrñteron pros kei eänai (Xen.) Não
é sem dúvida conveniente o comandante ser pior do que os comandados (suj. de pro
s kei)
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W Zeè labeÝn moi g¡noito aétòn Éw ¤gÆ boælomai Ó Zeus, pudesse me acontecer eu pe
gá-lo, como desejo! (suj. de g¡noito) jun¡bhn Ëste pol¡mou mhd¢n ¦ti casyai mhdet
¡rouw (Tuc.) Aconteceu de nenhum dos dois [inimigos] em nada acenderem a guerra
[recomeçarem a guerra]. (suj. de casyai ) b) As construções em que o adjetivo apa
rece em função predicativa do sujeito oracional, com o verbo em 3a pessoa, são f
reqüentemente substituídas por uma expressão em que o adjetivo é predicativo do
sujeito do verbo ser e o infinitivo (ou oração infinitiva) é complemento do adje
tivo: Î Prñdike, sòw SimvnÛdhw polÛthw : dÛkaiow eä [dÛkaiñn ¤stin] bohyeÝn tÒ nd
rÛ. (Plat.) Pródico, Simônides é teu concidadão; és justo ajudares o homem [é ju
sto tu ajudares] (compl. nom. de dÛkaiow eä) dÛkaiñw eÞmi zhmioèsyai [dÛkaiñn ¤s
tin ¤m¢ zhmioèsyai] (Xen.) Eu sou justo em ser castigado. [é justo eu ser castig
ado / estar sendo castigado] (compl. nom. de dÛkaiñw eÞmi ) ndraw tin w p¡kteinan oé
polloçw oã ¤dñkoun ¤pit deioi eänai êpejairey°nai = oîw ¤dñkei ¤pit deion eänai
êpejairey°nai. (Tuc.) [Os 400] mataram alguns homens, não muitos, os que pareci
am ser convenientes para serem eliminados [os que pareciam convenientes de serem
eliminados] (compl. nom. de ¤pit deioi eänai) ¤pidojñw eÞmi tuxeÝn t°w tim°w ta
æthw [¤pidojñn ¤stin ¤m¡] (Isócr.) eu sou provável de encontrar essa honraria [é
provável eu encontrar] (compl. nom. de ¤pidojñw eÞmi) c) Encontramos essa mesma
construção com substantivos em função de sujeito ou predicativo; nesse caso ele
s mantêm o próprio gênero. Em português, às vezes somos tentados a usar o infini
tivo como complemento nominal (= é hora de sair) ou sujeito (comandar a frota du
as vezes não era costume...)
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kÛndunñw ¤stin nñmow ¤stin Ëra / kairñw ¤stin
há risco de, há perigo de é costume, é norma é hora, é o momento (de)
All g r ³dh Ëra pi¡nai./ pi¡nai Ëra ¤stin/ Mas já é hora de ir embora (compl. nom. em
português). Ëra ²mÝn bouleæesyai (Xen.) É tempo [hora de] para nós deliberarmos
[estar deliberando] (compl. nom. em português) oé g r nñmow aétoÝw dÜw tòn aétòn n
auarxeÝn (Xen.) Não é costume entre eles [de] o mesmo [homem] comandar a frota d
uas vezes. 2. Predicativo (aposto = particípio conjunto) do sujeito da frase pri
ncipal: O sujeito nem sempre é expresso quando o sujeito do verbo principal e do
infinitivo é o mesmo. dikeÝsyai nomÛzei êf ²mÇn [aétñw] Ele pensa estar sendo prej
udicado por nós (pred. do suj. de nomÛzei). oß oÞnoxñoi f skontew eänai [oß f skonte
w oÞnoxñoi eänai] Os que diziam ser escanções (pred. do suj. de f skontew). pallage
Üw toætvn tÇn faskñntvn dikastÇn eänai Liberado desses que diziam ser juízes (pr
ed. do suj. de faskñntvn).
3. Infinitivo complemento do objeto direto e orações completivas. a) Complemento
de verbos enunciativos, declarativos a.1) Infinitivo PeÛyesyai many nein Aprender
a obedecer (obj. dir. acus.). aétò tò poyn¹skein oédeÜw fobeÝtai O morrer mesmo
(obj. dir. acus.) ninguém teme.
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t pur oék ¦fh ÞdeÝn (aétñw) Ele não disse ter visto a fogueira [ele negou ter vist
o]. Kèrow êp¡sxeto ndrÜ ¥k stÄ dÅsein p¡nte mn w [aétñw] Ciro prometeu haver de dar c
inco minas a cada homem [que daria]. õmologÇ d¢ s dikeÝn (¤gÅ) Concordo ser-te inju
sto [que eu estou / estar prejudicante] õmologeÝw oïn perÜ ¤m¢ dikow gegen°syai;
Tu concordas ter-te tornado injusto a meu respeito? a.2) Oração infinitiva, ou s
ubstituindo o indicativo tò proeid¡nai tòn yeòn tò m¡llon kaÜ tò prosshmaÛnein Ú
boæletai kaÜ toèto p ntew kaÜ l¡gousi kaÜ nomÛzousin. O fato de a divindade preve
r o porvir e assinalar além do mais antecipadamente com o que ela quer, também i
sso todos afirmam e pensam. (obj. dir. de kaÜ l¡gousi kaÜ nomÛzousin. - ou apost
o de isso, ele mesmo obj. dir. de kaÜ l¡gousi kaÜ nomÛzousin; posição de anacolu
to). ¤rvtÅmenow d¢ podapòw eàh, P¡rshw m¢n ¦fh eänai Sendo perguntado de que paí
s era [seria], disse ser Persa [que era Persa] (obj. dir. de ¦fh). tòn kalòn k gay
òn ndra kaÜ gunaÝka eédaÛmona eänai fhmi, tòn de dikon kaÜ ponhròn ylion. (Plat.) O
homem e a mulher belo[s] e bom[s] eu afirmo ser[em] feliz[es]; o injusto e malv
ado, infeliz (obj. dir. de fhmi). ¤k ruje d¢ labñntaw t ÷pla kaÜ t skeæh toçw stra
tiÅtaw ¤ji¡nai [Anaxíbio] fez anunciar que os soldados pegassem as armas e bagag
ens e partissem [tendo pegado... partirem] (inf. obj. dir. de ¤k ruje). sofist‾n
ônom zousi tòn ndra eänai Chamam esse homem de ser sofista (inf. obj. dir. de ônom z
ousi).
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b) Complemento objeto de verbos volitivos Na expressão de um desejo ou de um ato
de vontade (verbos volitivos), o objeto se exprime com o infinitivo ou com uma
oração infinitiva. Substitui ou o subjuntivo ou o optativo. b.1) Infinitivo ßk¡t
eue m‾ aétòn pokteÝnai (Lís.) Ele me suplicava não matá-lo (inf. aoristo obj. dir
. de ßk¡teue). kalÇw koæein m llon µ plouteÝn y¡le (Men.) Deseja [tu] antes ser lou
vado que ser rico (inf. obj. dir. de y¡le). b.2) Oração infinitiva taæthn t‾n xÅ
ran ¤p¡trece diarp sai toÝw Ellhsin Éw polemÛan oïsan. (Xen.) [Ciro] destinou aos g
regos saquearem aquele país por ser inimigo [sendo país inimigo] (obj. dir. de ¤
p¡trece). keleæv se ¦rxesyai Eu te ordeno vir (obj. dir. de keleæv). tÛw se kvlæ
sei deèro badÛzein; Quem te impedirá de vir aqui? (obj. dir. de kvlæsei ) Kèrow
¤k¡leuse g¡furan zeugnænai Ciro ordenou construir [unir] uma ponte (obj. dir. de
¤k¡leuse). perainÇ soi sig n Estou te aconselhando calar [que cales] (obj. dir. d
e perainÇ) õ fñbow tòn noèn peÛrgei m‾ l¡gein boæletai O medo impede o intelecto
de exprimir o que quer (obj. dir. de peÛrgei). (Kl¡arxow) toçw õplÛtaw ¤k¡leusen
aétoè meÝnai t w spÛdaw pròw t gñnata y¡ntaw, (Xen.) [Clearco] ordenou aos hoplitas
permanecer no mesmo lugar colocando os escudos diante dos joelhos (inf. aoristo
obj. dir. de ¤k¡leusen). peiloèsi BoivtoÜ ¤mbaleÝn eÞw t‾n Attik n (Xen.) Os Beóci
os ameaçam invadir a Ática (obj. dir. de peiloèsi).
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c) Completivas (objeto direto) de verbos que enunciam um julgamento, um ponto de
vista, uma necessidade, uma possibilidade. Substitui o indicativo, ou o subjunt
ivo/futuro no caso da eventualidade ou o optativo no caso da possibilidade. c.1)
Infinitivo polloè moi dokÇ deÝn t êm¡tera ¦xein (Isócr) Eu pareço faltar por mui
to de ter as vossas coisas [parece que me falta muito de ter as vossas coisas] (
inf. obj. dir. de dokÇ) nomÛzei dikeÝsyai Ele considera [estar sendo] injustiçado
. (obj. dir. de nomÛzei) mikroè ¤d¡hsen õ Eé goraw Kæpron pasan katasxeÝn [mikroè ¤
d¡hsen tòn Eé goran]. (Isócr.) Evágoras faltou por pouco de se apoderar de toda Ch
ipre (inf. obj. de ¤d¡hsen) oék Õmhn kat rx w êpò soè ¥kñntow eänai ¤japathy sesyai,
Éw öntow fÛlou. (Plat.) No começo eu não pensava ser [possível] eu haver de ser
enganado por ti voluntariamente, sendo amigo. (obj. dir. de Õmhn - futuro eventu
al) Aß ponhrÛai tÇn faskñntvn eänai sofistÇn (sofistaÛ) As malvadezas [vícios] d
os que diziam ser sofistas (inf obj. dir. de faskñntvn) ômnæasi m‾ t‾n t jin leÛce
in Eles juram não abandonar [haverem de] as fileiras. (obj. dir. de ômnæasi, fut
uro > intenção, eventual) ¤lpÛzei dunatòw eänai rxein ( rjesyai) Ele espera ser cap
az de comandar [haver de comandar] (obj. dir. de ¤lpÛzei, futuro > eventual) ¦do
ja koèsai Eu pareci ouvir. [Pareceu-me ouvir; parece que ouvi] (obj dir. de ¦doja
)
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c.2) Oração infinitiva Õmhn t‾n ¤mautoè gunaÝka pasÇn svfronest thn eänai tÇn ¤n t
» pñlei. (Lís.) Eu acreditava que minha mulher era [minha mulher ser] a mais bem
comportada de todas as da cidade (obj. dir. de Ömhn). nomÛzv eänai yeoæw Eu cre
io existirem deuses [que existem deuses] (obj. dir. de nomÛzv). oämaÛ se sofòn e
änai Eu creio [acho] que és sábio [seres sábio] (obj. dir. de oämaÛ) ¤dÛdaske to
çw paÝdaw m‾ ceædesyai Ele ensinava os filhos [a] não serem mentirosos [não ment
ir] (inf. obj. dir. de ¤dÛdaske ) d¡omai êmÇn m‾ yorubeÝn Eu vos peço não fazer[
des] barulho (inf. obj. dir. de d¡omai) boælomaÛ s¡ moi §pesyai Eu quero que tu
me sigas [tu me seguires] (inf. obj. dir.) eäpon t teÛxh kayeleÝn Eles disseram [
para] destruir as muralhas (inf. obj. dir. de eäpon) pisteævn yeoÝw pÇw oék eäna
i yeoçw ¤nñmizen; Acreditando nos deuses, como ele pensava não existirem deuses?
! (inf. obj. dir. de ¤nñmizen) oék ³lpizon [¤kpeseÝsyai] ¤kpeseÝn [ n] tòn Perikl¡
a Eles não esperavam Péricles cair [que P. caísse; na queda de Péricles; que Pér
icles poderia cair] (inf. obj. dir. de ³lpizon, futuro > eventual) oék ¤lpÛzete
aétoçw d¡jasyai [d¡jesyai] ²m w Vós não esperais eles nos aceitar [que eles nos ac
eitem; aceitarão; haverem de aceitar] (inf. obj. dir. de ¤lpÛzete futuro > event
ual) ¤lpÛzv oéd¢ toçw polemÛouw meneÝn ¦ti. Eu espero que os inimigos não mais h
averem de esperar[nos] [esperarão]. (inf. obj. dir. de ¤lpÛzv futuro > intenção)
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÷ ti n poi»w nñmiz õr n yeoæw tinaw O que quer que faças considera alguns deuses esta
rem vendo [que alguns deuses estão vendo]. (inf. obj. dir. de nñmize) oß ²gemñne
w oë fasin eänai llhn õdñn Nossos guias afirmam que não há outro caminho [negam h
aver outro caminho = negam existir um outro caminho] (inf. obj. dir. de fasin)
d) Complemento dos verbos que significam poder ou ter a faculdade de, estar em c
ondições de, saber, fazer de maneira a (que), obter, conseguir. d.1) Infinitivo
m¡lleiw t‾n cux‾n t‾n sautoè parasxeÝn yerapeèsai ndrÜ sofist»; (Plat.) Estás dis
posto a entregar [tu vais entregar] tua própria alma para cuidar a um homem [que
é um] sofista? (obj. dir. de m¡lleiw) oé dænamai m‾ gel n Eu não posso não rir (i
nf. comp obj. dir.) ¤pÛstamai ¤pistateÝn Eu sei comandar (inf. comp. obj. dir.)
eéyçw paÝdew öntew many nousin rxein te rxesyai Desde crianças [logo sendo] eles apr
endem a mandar e ser mandados (inf. comp obj. dir.) oék aß trÛxew poioèsin aß le
ukaÜ froneÝn Não são os cabelos, os brancos, que fazem pensar (inf. obj. dir. po
ioèsin) Oß Ellhnew ¤bñvn llhloiw m‾ yeÝn drñmÄ ll ¤n t jei §pesyai Os gregos gritavam
uns aos outros de [para] não entrarem correndo, mas [para] seguirem em fileiras.
(inf. obj. dir. de ¤bñvn) ¤poÛhse tòn t°w KilikÛaw rxonta Su¡nnesin m‾ dænasyai
kat g°n ¤nantioèsyai KærÄ poreuom¡nÄ ¤pÜ basil¡a.
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Fez com que o governador da Cilícia Siníesis não pudesse [não poder] opor-se a C
iro que marchava [marchando], por terra, contra o rei. (inf. obj. dir. de dænasy
ai ) oék n ¦xoimi toèto pò stñmatow eÞpeÝn Eu não poderia dizer isso de boca [de c
or] (inf. obj. dir.) All , m tòn DÛa, ¦fh, oék n ¦xoimÛ soi oìtvw ge pò stñmatow eÞpeÝ
n Mas, por Zeus, disse ele, eu não poderia dizer-te assim de boca [de memória].
(inf. comp obj. dir. de n ¦xoimÛ > atenuação da afirmação) d.2) Oração infinitiva
diepr jato p¡nte m¢n strathgoçw Þ¡nai, Ele conseguiu [fez] cinco comandantes irem
[que fossem] (inf. obj. dir. de diepr jato)
4. O infinitivo com valor de possível (com n): o significado possível do infiniti
vo é marcado por n; indica também a atenuação da afirmação (=condicional ou imper
feito do subjuntivo em português). Sçn êmÝn n oämai tÛmiow eänai ÷pou Î. Em vossa
companhia eu creio que poderia ser estimado onde eu estiver, [onde esteja]. (in
f. comp obj. dir. de oämai > eventual) nomÛzv, êmÇn ¦rhmow Ên, oék n ßkanòw eänai
¤xyròn l¡jasyai (Xen.) Eu considero, sendo eu privado de vós, não ser capaz, [qu
e, sendo eu privado de vós, não seria capaz] de afastar o inimigo. (inf. comp. >
possível) m lista oämai n soè puy¡syai Eu creio que poderia ser informado sobretud
o de [por] ti (inf. obj. dir. de oämai > possível)
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dokoÝt¡ moi polç b¡ltion n perÜ toè pol¡mou bouleæsasyai eÞ tòn tñpon t°w xÅraw p
ròw ¶n polemeÝn ¤nyumhyeÛhte. Vós me pareceis poder deliberar muito melhor a res
peito da guerra [poderíeis deliberar] se vós refletísseis no espaço de terreno d
o país contra o qual guerreais. (inf. obj. dir. de dokoÝt¡ > possível) P¡rsai oà
ontai toçw xarÛstouw kaÜ perÜ yeoçw n m lista melÇw ¦xein kaÜ perÜ gon¡aw, kaÜ patrÛd
a kaÜ fÛlouw. Os Persas pensam que os ingratos tanto se descuidariam [poderiam d
escuidar] dos deuses quanto dos pais, da pátria e dos amigos (inf. obj. dir. de
oàontai > possível) ¤nñmizon par KærÄ öntew gayoÜ jivt¡raw n tim°w tugx nein µ par tÒ
asileÝ Eles achavam que, sendo bons ao lado de Ciro, poderiam encontrar honra ma
ior do que junto ao rei [dos Persas]. (inf. obj. dir de ¤nñmizon > possível) Kèr
ow eÞ ¤bÛv ristow n dokeÝ rxvn n gen¡syai (¤gÛgneto) Ciro, se vivesse, parece que se
tornaria o melhor dos governantes. (inf. obj. dir. de dokeÝ > irreal do present
e) eÞ xrus°n ¦xvn ¤tægxanon t‾n cux‾n, Î KalÛkleiw, oék n oàei smenon eêreÝn toætv
n tin tÇn lÛyvn oåw basanÛzousi tòn xrusòn, t‾n rÛsthn; (Plat.) Se por acaso eu ti
vesse a alma de ouro, Cálicles, não seria agradável poder encontrar [que eu pude
sse encontrar] uma daquelas pedras, a melhor, que testam o ouro? (inf. suj. de o
àei > irreal do presente)
5. Infinitivo e oração infinitiva complemento nominal. Com adjetivos que signifi
cam: (tornar, ser) apto a, bom de, bom para, difícil de, agradável a, digno de,
capaz de, suficiente para etc. que em português exigem uma preposição antes do i
nfinitivo (compl. nominal), em grego fazem a relação direta: complemento nominal
sem preposição. Na verdade são as várias maneiras do acusativo de relação. Ver
acusativo de relação.
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ßkanòw n‾r diagnÇnai (Plat.) Um homem capaz de discernir [de julgar] (compl. nom.
de ßkanòw, quanto a, em relação a). õpñsoi ßkanoÛ eÞsi t w kropñleiw ful ttein Quant
os são suficientes para montar guarda nas cidadelas (compl. nom. de ßkanoÜ). oß
l¡gein deinoÛ Os aptos [que são aptos, capazes de] a falar. (compl. nom. de dein
oÛ). ¦toimòw —n peisy°nai Ele estava pronto para ser persuadido [obedecer] (comp
l. nom. de ¦toimow). oß sofistaÜ ßkanoÜ —san makroçw lñgouw kaÜ kaloçw eÞpeÝn Os
sofistas eram capazes de pronunciar longos e belos discursos (compl. nom. de ßk
anoÜ). ôjætatoÛ ¤ste gnÇnai t =hy¡nta Vós sois muito perspicazes em entender o qu
e foi dito [as coisas ditas] (compl. nom. de ôjætatoÛ.) xalepòn eêreÝn Difícil d
e encontrar (compl. nom. de xalepòn). Ark w tiw Aræstaw önoma fageÝn deinñw Um arcád
io chamado Aristas, terrível para comer [grande comilão] (compl. nom. de deinñw)
. deinòw g r oänow kaÜ palaÛesyai baræw, (Eur.) Pois perigoso é o vinho e pesado d
e ser combatido (compl. nom. de baræw). gun‾ eéprep‾w ÞdeÝn Mulher bem convenien
te de ver (compl. nom. de eéprep‾w). Kl¡arxow õr n stugnòw —n kaÜ t» fvn» traxæw,
(Xen.) Clearco era triste de ver e de voz rude (compl. nom. de stugnòw). —n d¢ Y
emistokl°w m llon ¥t¡rou jiow yaum sai, (Tuc.) Mais do que outro Temístocles era dign
o de admirar (compl. nom. de jiow).
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õ xrñnow braxçw jÛvw dihg sasyai O tempo é curto para discorrer dignamente (compl
. nom. de braxçw). ¦fh ²g sesyai dunat‾n kaÜ êpozugÛoiw poreæesyai õdñn Ele afir
mou haver de guiar [que guiará] por um caminho possível até para bestas de carga
passarem. (or. inf. compl. nom. de dunat‾n) jiñw ¤stin ¤pain¡sai Ele é digno de
elogio [de alguém elogiar] (compl. nom. de jiñw) pñteron tò par soÜ ìdvr yermñtero
n pieÝn ¤stin µ tò ¤n Asklhpioè; Será que tua água [da tua casa] é mais quente pa
ra beber do que a do templo de Asclépios? (compl. nom. de yermñteron) oÞkÛa ²dÛs
th ¤ndiait syai Casa muito agradável de se viver [passar o tempo] (compl. nom. de
²dÛsth) 6. Outras funções expressas pelos mais variados casos do infinitivo. Já
vimos o infinitivo e a oração infinitiva como sujeito, como predicativo, como co
mplemento objeto direto, como complemento nominal de adjetivos, em construção di
reta. O grego pode construir diretamente diversas funções do infinitivo, usando
o verbo no caso sintaticamente conveniente, e exprime-as pela flexão do artigo,
enquanto o latim e o português as expressam pelas diversas formas do gerúndio ou
do infinitivo preposicionado. Mas, quando for semanticamente indispensável, o g
rego também pode usar o infinitivo preposicionado. a) Genitivo Complemento de su
bstantivos paÝdew êmÝn ôlÛgou ²likÛan ¦xousi paideæesyai, (Plat.) Vossos filhos
de [de pouco falta terem] pouco têm idade de serem instruídos (inf. compl. nom.
de ²likÛan) ¤keÝ ski t ¤stÜ kaÜ pneèma m¡trion kaÜ pña kayÛzesyai µ n boulÅmeya kat
akliy°nai, (Plat.) Lá há sombra e uma brisa comedida e relva para sentar e, se q
uisermos, para deitar. (compl. nom.)
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Ëra bouleæsasyai É hora de deliberar (compl. nom. de Ëra) ² proyumÛa toè l¡gein
/ toè ÞdeÝn A ambição [desejo] de falar/de ver (compl. nom. de proyumÛa) tò eï p
r ttein par t‾n jÛan form‾ toè kakÇw froneÝn toÝw no toiw gÛgnetai O ser bem-sucedido,
contrariamente à honra, torna-se aos estultos um incentivo de pensar mal (infin
itivo comp. nom.). eï àsyi ÷ti tò ceudñmenon faÛnesyai m llista ¤mpodÆn gÛgnetai ny
rÅpoiw toè suggnÅmhw tugx nein Saibas [sabe tu] bem que o fato de se revelar menti
roso [aparecer mentindo] se torna para os homens um maior obstáculo de encontrar
perdão (compl. nom.). Genitivo-ablativo MÛnvw tò lústikòn kay¹rei ¤k t°w yal sshw
toè t w prosñdouw m llon Þ¡nai aétÒ. (Tuc., 1.6) Minos limpava [passou a eliminar]
do mar a pirataria em troca de [por causa de] entrarem mais recursos para ele. (
gen-abl.-const. dir.) t w aÞtÛaw toè pol¡mou proëgraca toè m tina zht°sai (Tuc.)
Eu escrevi as causas da guerra antes de alguém não procurá-las. (gen. separ. / c
ausa / em troca de) êp¢r toè m‾ doènai dÛkhn Por (em favor de) não ser sentencia
do (gen.- abl. de separ.) Dativo eÞ d¢ m‾ tò aétñ ¤sti tò eänai tÒ gen¡syai, (Pl
at., Prot., 340c) se o ser não é a mesma coisa que o tornar-se (vir a ser) b) In
strumental FÛlippow kekr thke tÒ prñterow pròw toçw polemÛouw Þ¡nai Felipe venceu
pelo fato de marchar [por marchar, ir primeiro contra os inimigos]. (inf. instr.
)
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nÛkhson ôrg‾n tÒ logÛzesyai kalÇw Vence a cólera raciocinando bem [pelo raciocin
ar, instr.] Kèrow di tò filomay‾w eänai [tÒ filomayeÝ eänai ] poll toçw parñntaw nh
rÅta. Ciro, por ser desejoso de aprender perguntava muitas coisas aos presentes
(instr > causal). c) Locativo pròw tÒ mhd¢n ¤k t°w presbeÛaw labeÝn toçw aÞxmalÅ
touw ¤k tÇn ÞdÛvn ¤lus mhn além de nada receber da embaixada [literal. em cima de
= loc.] eu resgatei os prisioneiros [a partir] de meus próprios recursos. ¤n tÒ
§kaston dikaÛvw rxein ² politeÛa sÅzetai No cada um governar com justiça a admini
stração é salva (loc.) d) Acusativo de relação tò d¢ nèn eänai t‾n sunousÛan dia
læsvmen (Plat.) Quanto a agora [por ser agora] interrompamos nosso encontro. e)
Acusativo de direção: A idéia de finalidade, conseqüência, destinação de uma açã
o, também pode ser expressa pelo infinitivo ativo com os verbos que significam:
destinação, fim, escolher para, pedir para, dar para, enviar para, deixar para,
encarregar de (no latim freqüentemente se usa o particípio futuro passivo). Com
verbos de movimento ou intenção também é freqüente a construção com o futuro ati
vo com ou sem Éw / ána pròw tò metrÛvn deÝsyai kalÇw pepaÛdeumai Fui [estou] bem
educado para necessitar de coisas comedidas (acus. de direção, intenção) pñroi
pròw tò polemeÝn Recursos para fazer a guerra (acus. de direção, intenção)
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pasÇn pñlevn Ay°nai m lista pefækasin ¤n eÞr nú aëjesyai De todas as cidades, Atena
s sobretudo nasceu para crescer na paz (finalidade, const. direta) kraug‾n poll‾
n ¤poÛoun kaloèntew ll louw Ëste kaÜ toçw polemÛouw koæein. (Xen.) Eles faziam um
grande alarido ao se chamarem mutuamente a ponto de os inimigos ouvirem. (comp.
da princ. introduzido por Ëste) —lye zht°sai ele veio pesquisar (finalidade, con
st. direta) eálonto Drakñntion Sparti thn drñmou t ¤pimelhy°nai kaÜ toè gÇnow prosta
t°nai. Eles escolheram [elegeram] o espartano Dracôntio para se encarregar da co
rrida e presidir à luta. (intenção, finalidade) Arist rxÄ ¦dote ²m¡ran polog sasyai
(Xen.) Concedestes a Aristarco um dia para fazer a defesa (intencão, finalidade)
par¡xv ¤mautòn t¡mnein tÒ ÞatrÒ Ofereço-me [apresento] ao médico para cortar (i
ntenção, finalidade) par¡dvka aétòn paideæein Entreguei-o para educar (intenção,
finalidade) pieÝn didñnai Dar de beber [para beber] (finalidade) P ntew aÞtoèntai
toçw yeoçw t faèla potr¡pein Todos suplicam aos deuses afastarem as coisas ruins
(intenção) Elegñn soi m‾ gameÝn Eu te dizia para não casar. (intenção) D¡omai êmÇ
n m‾ koèsaÛ mou. Eu vos peço não me ouvirdes (intenção) Perikl°w ²r¡yh l¡gein (Tu
c.) Péricles foi escolhido para falar [na ocasião]. (intenção, finalidade) oänon
¤gxeÝn pieÝn servir vinho para beber (intenção, finalidade)
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jun¡bhsan toÝw Plataieèsi paradoènai sf w aétoçw kaÜ t ÷pla xr sasyai ÷ ti n boælvnt
ai. (Tuc.) [Os Tebanos] chegaram a um acordo de eles mesmos se entregarem aos Pl
ateenses e de (os Plateenses) se servirem das armas em (relação ao) que quisesse
m (intenção, finalidade) õ rxein aßreyeÛw o escolhido para comandar (intenção, fi
nalidade) taæthn t‾n xÅran ¤p¡trece diarp sai toÝw Ellhsin Éw polemÛan oïsan. (Xen.
) [Ciro] confiou aos gregos saquearem aquele país por ser inimigo [sendo país in
imigo]. (intenção, finalidade)
III. Infinitivo com valor verbal O Infinitivo pode ser o elemento de uma oração
independente ou principal, substituindo outros modos. 1. Infinitivo com valor im
perativo (exclamativo), comum nas saudações e nas imprecações: trap¡zaw eÞsf¡rei
n; (Aristóf.) Trazer as mesas! [tragam/trazei as mesas] Toèto par êmÝn aétoÝw beb
aÛvw gnÇnai; (Dem.) Conhecer isso seguramente em vós mesmos [na vossa cabeça]! E
m¢ payeÝn t de; (Ésq.) Eu sofrer isto?! ToioutonÜ tr¡fein kæna; (Aristóf.) Aliment
ar esse cachorro!? [um cachorro desses?!] Tò ¤m¢ deèro tuxeÝn; O encontrar-me lá
?! yarsÇn nèn, Diñmhdew, ¤pÜ TrÅessi m xesyai; (Hom.) Força [vamos!] aí, Diomedes,
[ao]combater com os troianos!
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yeoÜ polÝtai m me douleÛaw tuxeÝn; (Ésq.) Deuses da cidade! que eu não caia [nã
o me deixeis cair] em escravidão! tò g r ntil¡gein tolm n êm w; (Aristóf.) E vós ousar[
des] me contradizer. 2. Infinitivo absoluto ou livre ou independente, isolado, s
em ligação sintática aparente (às vezes com a conjunção Éw, como, por assim dize
r). Em geral ele se encontra num enclave (frases intercaladas, explicativas, res
tritivas, entre vírgulas). É um uso comum em todas as línguas modernas: por isso
não nos deve espantar. Daremos a seguir as expressões mais comuns:
Éw ¦pow eÞpeÝn Éw suntñmvw eÞpeÝn Éw plÇw eÞpeÝn Éw eÞpeÝn Éw sunelñnti [moi] eÞp
eÝn Éw g ¤n ²mÝn eÞr°syai Éw ¤moÜ dokeÝn tò ¤p ¤moÜ eänai ÷son g¡ m eÞd¡nai ÷sa dokeÝ
n aétÒ Éw eÞk sai nèn ÞdeÝn ¥kÆn (¥kñntew)eänai kat toèto eänai tò nèn eänai mikroè
(ôlÛgou) deÝn Éw lhy¢w eÞpeÝn Éw oêtvsÛ koèsai para usar dessa expressão, por assi
m, dizer (ut ita dicam) para dizer em resumo (ut breviter dicam) para dizer simp
lesmente para dizer, por (assim) dizer para dizer em poucas palavras (para eu re
sumir em poucas palavras) para ser dito entre nós pelo que me parece (para me pa
recer) pelo que depender de mim o quanto eu estar sabendo (o que depende) o quan
to lhe parecer como é a parecer, a figurar, imaginar a ver agora por vontade, vo
luntariamente por ser assim (conforme isso) por ser agora por faltar pouco, falt
ando pouco para dizer a verdade por (para) ouvir assim
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Alhy¡w ge, Éw ¦pow eÞpeÝn, oéd¢n eÞr kasin [de] verdadeiro, por assim dizer, eles
nada disseram Tò ¤p ¤keÛnoiw eänai polÅlate O estar sobre eles [de vos apoiardes]
vós estáveis perdidos. ¦jv t°w oÞkoum¡nhw ôlÛgou deÝn p shw meyeist kei (Ésquines)
fora de toda a terra habitada pouco falta [faltar] que [Alexandre] tivesse ultr
apassado. oé fÛloiw oéd¢ j¡noiw ¥kÆn eänai g¡lvta par¡xeiw (Xen.) não ser por vo
ntade que tu fazes rir amigos ou hóspedes pÇw dokeÝ l¡gein; - Eï ge, ¦fh õ Men¡j
enow, Ëw ge oêtvsÜ koèsai (Plat.) Como lhe parece dizer? - Bem, disse Menexenos,
pelo menos ao ouvir dessa maneira KaÜ st lh §sthke par tòn naòn gr mmata ¦xousa: ße
ròw õ xÇrow t°w Art¡midow: tòn d¢ ¦xonta kaÜ karpoæmenon t‾n m¢n dek thn katayæein ¥
k stou ¦touw, ¤k d¢ toè perittoè tòn naòn ¤piskeu zein: ¤ n d¡ tiw m‾ poi» taèta, t» y
eÒ mel sei. (Xen) Há uma coluna junto ao templo tendo esses dizeres: é sagrado o
terreno de Ártemis; [dever é de] o que o possui e usufrui consagrar a cada ano o
dízimo; do restante fazer a manutenção do templo; se alguém não fizer essas coi
sas, a deusa se ocupará . [caberá à deusa].
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a flexão verbal
A flexão verbal
Como conclusão do que acabamos de expor, podemos afirmar sem receio de errar que
há dois elementos essenciais no verbo grego: o aspecto (tempo interno) do verbo
e o modo (visão externa). Vimos também que três são os aspectos do verbo: o aor
isto, o infectum (inacabado) e o perfectum (acabado). Vamos ver agora como esses
três elementos se exprimem formalmente. Constataremos que, coerentemente, o aor
isto, por ser o primeiro aspecto, o aspecto-base, tem sua forma coincidente com
o tema verbal puro. Ele é -ñristow , isto é não definido, não determinado, não limit
ado, tanto semanticamente quanto formalmente. Veremos isso com clareza, quando t
ratarmos dos quadros de flexão do aoristo, que chamaremos de raiz-tema e que as gr
amáticas tradicionais chamam de aoristo II ou aoristo temático. No aoristo de rai
z-tema a flexão se faz sobre a própria raiz, sem modificação nenhuma. É a raiz fl
exionada; isto é, a raiz é o tema e sobre ela se juntam as ptÅseiw. Mas, ao lado
desse aoristo de raiz-tema, a língua grega criou uma característica formal para
identificar o aoristo: foi o -s- que se juntou ao tema. Esse aoristo chamado sig
mático revelou-se muito produtivo, porque era mais cômodo e evidente, na medida e
m que é expresso por uma forma concreta. Por isso, aos poucos, ele foi se firman
do até tomar o lugar do outro, de raiz-tema, o primeiro e mais antigo. Em Homero
, os dois aoristos já convivem e, no dialeto ático, só se conservam alguns aoris
tos homéricos de raiz-tema. Todos os verbos que se foram criando passaram a serv
ir-se do aoristo sigmático.11
11
Ao lado desse aoristo em -s-n > -sa, a língua criou um outro, tomando de emprést
imo o -k-, marca do perfeito ativo, mas só para os verbos de raiz-tema monossilá
bicos: yh-, dv-,sth-, ². Esses temas deveriam flexionar-se como ¦gnv-n, mas esse
-k- só é usado no singular, com o tema longo; e se mantém talvez pelo fato de o
tema ser monossilábico, e as desinências de uma só letra (n, w, t). No plural,
com as desinências silábicas, não há mais necessidade do k/ka.
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a flexão verbal
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Mas essa característica formal, -s-, se junta ao tema verbal puro e não ao tema
do infectum como a gramática insinua. Isso deve ficar bem claro na mente do estu
dioso, porque é o que acontece de fato. Acrescentar uma característica de aorist
o a um tema de infectum ou perfectum seria uma incongruência, uma contradição no
s próprios termos. E não há incongruência, não há contradição nos sistemas de fl
exão nominal e verbal da língua grega. Há muita coerência, organicidade, lógica;
a unidade semântica entre significante e significado é total. Já vimos, na flex
ão nominal que os casos são a marca das funções dos nomes: não há nada de artifici
al, de arbitrário; há uma coerência total. Confirmaremos isso no capítulo das pr
eposições. Vamos demonstrar agora essa mesma coerência semântica na relação das
formas verbais. Sendo o aoristo o tema-base, os outros dois aspectos se constroe
m a partir do tema do aoristo. São radicais no sentido denotativo; isto é: são der
ivados da raiz, que é a raiz-tema. Por conseguinte, toda a flexão verbal grega r
epousa sobre esses 3 temas: 1. tema do aoristo: aoristo puro-gnômico ou aoristo
pontual-narrativo (passado); sobre esse tema formou-se a flexão do futuro, que t
em sua origem no desiderativo (subjuntivo eventual). Veremos isso mais tarde qua
ndo tratarmos da formação do futuro. Por ora fique claro apenas que o futuro se
constrói sobre o tema do aoristo. 2. tema do infectum: infectum, inacabado: pres
ente e passado (imperfeito); é construído sobre o tema verbal puro (aoristo) ou,
em alguns casos, é igual ao tema do aoristo. 3. tema do perfectum: acabado, per
feito e passado (mais-que-perfeito); também é construído sobre o tema verbal pur
o (aoristo) O tema essencial, primeiro, é o tema do aoristo. Os outros, ou são i
guais ao do aoristo (nos verbos paradigmáticos , regulares ), ou são diferentes; e, ne
sse caso, para maior: no infectum (inacabado) ele é ampliado, alongado, inchado,
ou por meio de prefixos (redobro em -i-), ou de infixos, geralmente nasais, ou
de sufixos (-(i)sk-). no perfectum (acabado) ele recebe um redobro em -e ou equi
valente.
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Toda a flexão dos verbos gregos é construída sobre esses temas: 1. Sobre o tema
do infectum se constroem todos os modos e todas as vozes e o passado (imperfeito
) do infectum; 2. Sobre o tema do aoristo se constroem todos os modos e todas as
vozes do aoristo e todos os modos e todas as vozes do futuro; 3. Sobre o tema d
o perfectum se constroem todos os modos e todas as vozes e o passado (mais-que-p
erfeito e futuro perfeito) do perfectum. Não há exceções. Não há irregularidades
. Sobre os temas dos aspectos o verbo grego recebe as desinências 12 (primárias
ou secundárias/ativas ou médio-passivas) e as características modais (morfemas).
Na tradição, os verbos gregos, para efeito de flexão, se dividem em dois grupos
: verbos em -v e verbos em -mi. Na verdade não se trata de duas categorias de ve
rbos. A única diferença está na primeira pessoa da voz ativa, em que, como em la
tim -o / m, no grego a variante é -v / mi. As diferenças de flexão, muito poucas
, são acidentes fonéticos, e se reduzem praticamente ao sistema do infectum.
12
As desinências (ptÅseiw) pessoais são as expressões das relações das pessoas com
o verbo; são bem características e intransferíveis.
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Quadro das desinências verbais
Primárias - para o presente real, eventual e futuro Secundárias - para o passado
, potencial e irreal Pessoa Ativas: Singular Plural Dual la 2a 3a la 2a 3a 2a 3a
Primárias mi/v13 si ti men/mew te nti ton ton Secundárias n/a -w/sya (t) men te
nt thn thn Imperativo
tema/yi/w tv te ntvn ton tvn/ tvsan
Médias*:
Singular 1a 2a 3a Plural 1a 2a 3a Dual 1a 2a 3a
mai sai tai meya/mesya sye ntai meyon syon syhn
mhn so to meya/mesya sye nto meyon syon syhn
so syv sye syvn syvn/ syvsan
* A voz passiva não tem desinências próprias; por isso se serve das desinências
médias. Então há formas médio-passivas, não uma voz médio-passiva. 13 Faremos a
demostração da evolução fonética na medida em que apresentarmos os quadros de fl
exão.
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O aoristo passivo, sobre o qual se constrói o futuro passivo, se formou com o su
fixo -h-/-yh-/-syh-.
As desinências e suas particularidades
1. No quadro da página anterior, as desinências aparecem como elas são, sem alte
rações. As alterações acontecem no momento em que as desinências se colocam fren
te a frente com os temas verbais e a eles se juntam: por exemplo, o encontro de
um tema verbal terminado em consoante e uma desinência iniciada por consoante; o
aparelho fonador faz as adaptações necessárias. O mesmo processo se dá quando u
m tema verbal vocálico se encontra com uma desinência também vocálica. São alter
ações fonéticas normais, freqüentes em todas as línguas. Elas serão explicadas q
uando aparecerem. 2. Como deve ter sido notado no quadro, só há desinências ativ
as e médias; não há registro de desinências passivas. É que a voz passiva aparec
eu tardiamente e se serviu das desinências médias. No infectum (inacabado) e no
perfectum (acabado) não há distinção de formas entre passiva e média. No sistema
do aoristo, só o futuro passivo usa das desinências médias, além da característ
ica da passiva: -h-/-yh-/-syh-. o futuro médio difere do futuro passivo pela aus
ência da característica da passiva: -h- / -yh- / -syho aoristo passivo se constr
ói com a característica da passiva -h- / yh- / -syh- e se serve de desinências a
tivas. 3. Fazem a 1 a pessoa da voz ativa em -v: a) todos os verbos de tema em c
onsoante, quer primitivos quer derivados: f¡r-v, eu porto, many n-v, eu entendo, e
u aprendo, gignÅskv, eu tomo conhecimento.
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b) os verbos de tema em semivogal (i, u, W, j) - a semivogal (soante) é sentida
mais como semiconsoante: tÛ-v, eu honro, yæ-v, faço fumaça, eu ofereço sacrifíci
o, deik-næ-v, eu mostro. Fazem a 1 a pessoa em -mi: a) os verbos de tema monossi
lábico em vogal longa: dÛ-dv-mi, eu dou, tÛ-yh-mi, eu coloco, á-sth-mi, eu ponho
de pé, á-h-mi, eu lanço. O redobro em -i é uma característica desses verbos, pr
ovavelmente por serem monossilábicos; e o seu uso só no infectum é significante;
é uma espécie de reforço ou uma compensação. b) os verbos que recebem infixo -n
u- / nnu deÛk-nu-mi, eu mostro, zÅ-nnu-mi, eu cinjo. c) os verbos que recebem in
fixo -nh- também monossilábicos d m-nh-mi, eu domo. d) quatro verbos sem redobro n
em infixo: fh-/ fami eu me manifesto, eu digo, ±- ±mi eu digo, ei-/i- eämi eu vo
u, estou indo, es-/-s- eÞmi eu sou.14
14
Como podemos sentir, a opção pela 1a pessoa -v / -mi é de ajuste do aparelho fon
ador; mesmo nos temas em i- e -u a opção pelo -v é uma solução de facilidade. Sã
o mais fáceis as ditongações -iv e -uv do que -imi ou -umi. É por isso também qu
e a língua criou, para os verbos que recebem o sufixo -nu / -nnu, uma flexão par
alela em -uv.
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4. Vogal de ligação a) No sistema do infectum (inacabado) uma vogal de ligação s
e faz presente nos verbos de 1 a pessoa em -v, porque são temas em consoante ou
semivogal. Mas, nos verbos derivados de nomes com tema vocálico, como tima-j-v,
dhlo-j-v, e nos derivados com o sufixo -ej, como filej-v, o -j- em posição inter
vocálica sofre síncope, tornando vocálicos os temas: tima-, dhlo-, file-. O enco
ntro dessa vogal temática com a vogal de ligação produz um hiato, que o dialeto
ático reduz numa contração. As gramáticas dão o nome de contratos a esses verbos.
Não é bem assim. Eles têm formas contratas só no sistema do infectum, exatamente
por causa da presença da vogal de ligação, que, depois da síncope do -j-, faz h
iato com a vogal temática. Essa vogal de ligação é: e antes de todas as consoant
es orais; o antes das consoantes nasais m/n. f¡r-o-men nós portamos f¡r-e-te vós
portais/portai vós tim j-o-men > tim -o-men > timÇmen nós honramos tim j-e-te > tim -e-
te > tim te vós honrais/honrai vós dhlñj-e-te > dhlñ-e-te > dhloète vós revelais/r
evelai vós 5. Em situação desinencial, depois de vogal de ligação, na flexão ver
bal e nominal, o -s- em posição intervocálica sofre síncope, e as vogais remanes
centes formam um hiato, que, no ático, é reduzido em uma contração. læ-e-sai > l
æeai > læhi / læú (ei) g¡nes-a > g¡nea > g¡nh læ-e-so > læeo > læou stel-¡s-v >
stel¡v > stelÇ és desligado as raças sê desligado eu enviarei
Mas não há síncope do -s- depois de uma vogal temática longa: y -s-v eu colocare
i dÅ-s-v eu darei st -s-v eu porei de pé ´-s-v eu lançarei
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ou breve
tÛ- ye-sai d¡-do-sai á-sta-sai á-e-sai
tu tu tu tu
és és és és
colocado dado posto de pé lançado
mas no imperativo singular médio-passivo há síncope do -s- depois de vogal temát
ica e contração subseqüente, nos verbos de tema vocálico, por analogia com os ve
rbos de tema em consoante (p. 339). b) No aoristo, futuro e perfeito de temas em
consoante, o grego usa a vogal de ligação: -hmay- -s-o-mai eu entenderei, eu ap
renderei me-m y-h-ka eu entendi, eu aprendi Nesses casos não há síncope do -s- int
ervocálico; mas no futuro em -es- dos temas em soante, o -s- encontrando-se depo
is de vogal de ligação breve sofre síncope: stel-¡s-o-men > stel¡omen > steloème
n - enviaremos O -s- intervocálico depois da vogal de ligação longa, marca do su
bjuntivo, também sofre síncope nos verbos de tema em consoante, soante e semivog
al: læ-h-sai > læhai > læhi / læú - tu és desligado 6. O -n, precedido de uma co
nsoante, vocaliza-se em -a. Em situação desinencial final: patrÛd-n > patrÛda a
pátria (acus.) l¡ont-n > l¡onta o leão (acus.) ¤-lus-n > ¦lusa = aoristo eu desl
igo / desliguei l¡lu-k-n > l¡luka = perfeito eu completei o ato de desligar Em s
ituação interna, o -nou se vocaliza em -a-: g¡grap-ntai > gegr patai ou desenvolve
um -a- epentético: may- > manyn- > manyan-v foram escritos, estão escritos eu e
ntendo, eu aprendo
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7. Na seqüência nts, há síncopes sucessivas das dentais: - nts > ns > s e um alo
ngamento compensatório da vogal anterior 15: - o em ou; - e em ei; e as outras v
ogais a, i, u em sua longa correspondente do mesmo timbre. f¡r-o-nti > f¡ronsi >
f¡rousi ( -nti > -nsi) l¡ont-si > l¡onsi > l¡ousi luy¡nt-si > luy¡nsi > luyeÝsi
gÛgant-si > gÛgansi > gÛgasi ¥lmÛny-si > ¥lmÛnsi > ¥lmÝsi deiknænt-si > deiknæn
si > deiknèsi eles portam aos leões aos que foram desligados aos gigantes às lom
brigas aos que mostram
8. A língua grega só mantém três consoantes em posição final: n, r, w. As outras
todas caem (menos na negação oék / oéx e na preposição ¤k / ¤j). No quadro das
desinências secundárias ativas mantemos o (-t) em posição final; é mera reminisc
ência. Mas é para explicar a vogal de ligação -e-. 9. O -n no final das 3as pess
oas do singular das desinências secundárias ativas (-e-n) e plural das desinênci
as primárias ativas dos verbos (nti > ousin/asin), bem como no dativo plural em
-sin, é mero registro eufônico e se usa ou no fim da frase, gayñw ¤stin, ou no me
io, ¤stin gayñw, quando a palavra seguinte começa com vogal, para evitar hiato ou
elisão; mas, se a palavra seguinte começa com consoante, ele não aparece, ¤sti
kalñw.
15
Esse alongamento compensatório , que os estudantes têm dificuldade de entender, nad
a mais é do que a permanência da duração da vogal que sustenta duas ou mais cons
oantes com ela, e, depois da síncope das consoantes, o consciente lingüístico ma
ntém a duração da vogal. É uma espécie de memória.
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10. Nos verbos, os encontros consonânticos acontecem ou entre o s que caracteriz
a o aoristo e o futuro com os diversos temas verbais consonânticos, ou entre o k
que caracteriza o perfeito e mais-que-perfeito com os diversos temas verbais co
nsonânticos. Convém notar que todas essas alterações não são problemas gramatica
is, morfológicos. São problemas meramente fonéticos, que se produzem no aparelho
fonador e nele mesmo são resolvidos. Não é porque se trata de um substantivo, a
djetivo ou verbo que os problemas são diferentes; são exatamente os mesmos e são
resolvidos da mesma maneira, porque são fonéticos e são resolvidos foneticament
e.
Alguns problemas fonéticos
Vejamos os encontros mais comuns: l. Encontros de consoantes 16: a) oclusiva + s
= assimilação da oclusiva
labiais b-p-f + s > c blab-s-v> bl cv prejudicarei velares g-k-x + s > j g-s-v > jv
conduzirei dentais d-t-y + s > s* peiy-s-o-mai > peissomai > peÛsomai obedecerei
* Dental antes de s se assimila em ss e se reduz a s.
b) oclusiva + k = aspiração da oclusiva (síncope da dental)
labiais b,p,f + k .> f b¡-blab-ka > b¡blafa velares g,k,x + k > x p¡-prag-ka > p
¡praxa dentais d,t.y + k > k* p¡-peiy-ka > p¡peika * Dental sofre síncope antes
de k. prejudiquei fiz convenci
c) oclusiva + t = assimilação da oclusiva
labiais b,p,f + t > pt b¡-blab-tai > b¡blaptai velares g,k,x + t > kt p¡-prag-ta
i > p¡praktai dentais d,t,y + t > st p¡-peiy-tai > p¡peistai foi, está prejudica
do foi, está feito foi, está convencido
16
Esses encontros consonânticos foram tratados no Capítulo Fonética Aplicada . Mas ac
hamos conveniente expô-los aqui sucintamente, mais próximos dos quadros de flexã
o. Os exemplos contêm formas nominais e verbais justamente para mostrar que não
são problemas morfológicos mas simplesmente fonéticos.
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d) oclusiva + m = assimilação da oclusiva
labiais b,p,f + m > mm velares g,k,x + m > gm dentais d,t, y + m > sm t¡-trib-ma
i > t¡trimmai fui, estou esmagado p¡-prag-mai > p¡pragmai fui, estou feito p¡-pe
iy-mai > p¡peismai fui, estou convencido
2. Encontros de vogais: os mais freqüentes a + e > a* o + e > ou a+o>v o + o > o
u e + a > h* o + oi >oi (ooi > oui > oi) e + e > ei o + ei > oi (oei > oui > oi)
e + o > ou** a, e, o + v > v*** e + oi > oi (eoi > oui>oi)
* no encontro de a-e/e-a prevalece o timbre da vogal anterior: a-e > a; e-a > h.
** em todos os encontros vocálicos em que aparecem as vogais o/v prevalece o ti
mbre o na contração resultante; *** uma vogal longa absorve a vogal breve (o timbr
e -o prevalece sempre).
Além do s, que caracteriza o aoristo ativo e médio e o futuro ativo, médio e pas
sivo, e do k que caracteriza o perfeito ativo, isto é, características de aspect
os, o verbo grego tem também uma forma de caracterizar os modos.
Características dos modos
O INDICATIVO não tem característica especial, porque exprime a identidade e a pr
ópria realidade da ação. É o modo predominante, referencial, da realidade imedia
ta, do significado positivo, e por isso o próprio enunciado das formas é a sua r
epresentação. Fala-se de um morfema zero no indicativo. Sobre o tema de cada aspec
to, acrescentam-se as desinências primárias ou secundárias, ativas ou médias (pa
ssivas) e, se necessárias, as vogais de ligação no infectum dos verbos de tema e
m consoante ou semivogal.
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O SUBJUNTIVO tem como característica a vogal de ligação longa na seqüência: o,e,
e,o,e,o > v,h,h,v,h,v, que é: a) ou a própria vogal de ligação (no infectum) nos
verbos de tema em consoante ou semivogal: ind. f¡r-o-men portamos, levamos ind.
fer-ñ-meya somos levados subj. f¡rvmen portemos, levemos subj. fer-Å-meya sejam
os levados b) ou, nos verbos de tema em vogal, (verbos em -v) em contração com a
vogal temática: ind. fil¡-o-men > filoèmen amamos ind. file-ñ-meya > filoæmeya s
omos amados subj. fil¡-v-men > filÇmen amemos subj. file-Å-meya > filÅ-meya seja
mos amados c) ou, nos verbos de tema em vogal (verbos em ind. tÛyhsi > tÛyhi >tÛ
y úw/hiw ind. tÛye-men ind. dÛdv-si ind. dÛdo-men subj. tiy¡-h-si>tiy¡hi>tiy°iw/
tiy»w subj. tiy¡-v-men > tiyÇmen subj. didñ-h-si>didñhi>didÇi/didÒw subj. didñ-v
-men> didÇmen d) ou nos temas do aoristo passivo: ind. ¤læyh-n ind. ¤-st l-h-n sub
j. luy -v> luy¡v> luyÇ18 subj. stal v> stal¡v> stalÇ -mi): colocas colocamos ele
dá damos coloques coloquemos ele dê 17 demos sou desligado sou enviado desligad
o enviado
fui, fui, seja seja
17
Nos encontros vocálicos que resultam em contração, sempre que houver uma vogal d
e timbre -o-, o timbre -o- prevalece, mesmo que a outra vogal de outro timbre se
ja longa; o resultado nesse caso é -v. 18 No dialeto ático, na seqüência de duas
vogais longas, a longa anterior se abrevia.
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e) ou ainda, nos temas do aoristo sigmático (que não têm vogal de ligação) acres
centam-se diretamente as desinências primárias: ind. ¦lusa19 desligo, desliguei
ind. ¤-lu-s -mhn desligo, desliguei para mim subj. læ-s-v desligue subj. læ-s-v-ma
i desligue para mim Por ser eventual, isto é, fato futuro, o subjuntivo grego te
m sempre desinências primárias e se traduz em português ou pelo presente do subju
ntivo ou pelo futuro do subjuntivo ; no latim e nas outras línguas românicas, pelo pr
esente do subjuntivo ou pelo futuro do indicativo . O subjuntivo não exprime tempo;
somente o aspecto, o que deve ser levado em conta na tradução. O OPTATIVO tem c
omo característica essencial o -i- / -ie /ih 20, que se acrescenta ao tema do as
pecto correspondente: No sistema do infectum (inacabado), no perfectum (acabado)
ativo e nas formas do futuro (ativo, médio ou passivo) e no aoristo de raiztema
ele vem acompanhado de uma vogal de ligação permanente: o-i: infectum futuro pe
rfeito aoristo de raiz-tema ativo læ-oi-mi læs-oi-mi médio lu-oÛ-mhn lus-oÛ-mhn
passivo luyhs-oÛ-mhn
lelæk-oi-mi. àd-oi-mi Þd-oÛ-mhn
Ver quadros de flexão: infectum, p. 341-69; futuro, p. 459; perfeito, p. 509; ao
risto, p. 426.
19
A construção do subjuntivo revela a origem do futuro: antigo desiderativo (event
ual) e a desinência primária se acrescenta diretamente ao tema; não como o indic
ativo, que, por ser passado, teve a desinência secundária -n vocalizada em -a >
sa. 20 É bom lembrar que esse -i- do optativo é longo; isso é importante para a
acentuação.
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No aoristo sigmático ativo e médio o -i- do optativo se acrescenta ao próprio te
ma do aspecto, sem vogal de ligação, por desnecessária, dada a presença do -a. l
æ-sa-i-mi - lu-sa-Û-mhn desligaria, desligaria para mim. Ver quadros de flexão,
p. 445. No aoristo passivo, (a marca do aoristo passivo é vocálico -h- /-yh-) o
-i- do optativo se acrescenta à marca da voz passiva na variação longasingular /
breve-plural -ih/i: lu-yh-Ûh-n > lu-ye-Ûh-n - seria desligado lu-ye-Ý-men sería
mos desligados Ver quadro de flexão, p. 477 e 479. O mesmo acontece no infectum
de todos os temas vocálicos (verbos em -mi): tiye-Ûh-n, ye-Ûh-n / tiye-Ý-men, ye
-Ý-men dido-Ûh-n, do-Ûh-n / dido-Ý-men, do-Ý-men; ße-Ûh-n, e-áh-n / ße-Ý-men, e-
å-men Ver quadros de flexão, p. 347 e 360. Os verbos denominativos de tema em vo
gal com sufixo -j-, na voz ativa do infectum, mantêm a vogal de ligação única -o
- e fazem o optativo em -oi- ou o-Ûh-n. tim j- = tim j-oi-mi > tim -oi-mi > timÒmi / t
imaj-o-Ûh-n > tima-o-Ûh-n > timÅihn/timÐhn fil¡j- = fil¡j-oi-mi > filoÝmi > fil¡
-oi-mi > filoÝmi / filej-o-Ûh-n > file-o-Ûh-n > filoÛhn dhlñj- = dhlñj-oi-mi > d
hlñ-oi-mi > dhloÝmi / dhloj-oÛh-n > dhlo-oÛh-n > dhloÛhn Ver quadros de flexão,
p. 376, 381, 383, 386, 388, 391 e 393, respectivamente. Mas na voz média (passiv
a) constroem o optativo de uma só maneira: com a característica -i- em vocalismo
zero e vogal de ligação única -o-.: tim j- = timaj-o-Û-mhn > tima-o-Û-mhn > timÅi
mhn / timÐmhn poiej- = poiej-o-Û-mhn > poie-o-Û-mhn > poiouÛmhn > poioÛmhn dhlñj
- = dhloj-o-Û-mhn > dhlo-o-Û-mhn > delouÛmhn > dhloÛmhn Ver quadros de flexão p.
375, 390 e 385, respectivamente.
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O optativo, por ser o modo do fato possível ou da atenuação da afirmação, isto é
, mais próximo da irrealidade, tem desinências secundárias 21 e se traduz em por
tuguês ou pelo imperfeito do subjuntivo geralmente na prótase (desejo irrealizável
-irreal do presente) ou condicional simples na apódose (fato possível ou afirmação
atenuada). O optativo não exprime tempo; somente o aspecto, o que deve ser leva
do em conta na tradução. O tem suas desinências próprias, como vimos no quadro. O
imperativo singular de 2a pessoa, por ser o primeiro, o verdadeiro e de longe o
mais empregado22, apresenta certas dificuldades, sobretudo no aoristo da voz at
iva e média.
IMPERATIVO
Voz ativa: 1. Uso da vogal de ligação: Infectum: o próprio tema com vocal de lig
ação (de apoio) nos verbos de tema em consoante ou semivogal (verbos em -v): læ-
e desliga f¡r-e porta, carrega Nos aoristos de temas-raiz em consoante dá-se o m
esmo: Þd-¡ vê lab-¡ pega Nesses casos há o deslocamento da tônica para a posição
de oxítona. Nos verbos denominativos em -j- a vogal temática, depois da síncope
do -j-, se contrai com essa vogal de ligação: tÛmaj-e > tÛma-e > tÛma honra poÛ
ej-e > poÛe-e > poÛei faz d loj-e > d lo-e > d lou revela
21
A desinência -mi é primária , da 1a pessoa eu ; e, por razões fonéticas, de menos esfo
rço, o eu do optativo tomou emprestado o -mi.:: é mais fácil pronunciar læoimi do qu
e læoin. Mas a desinência primitiva era -m > -n. 22 Compare-se com o vocativo; o
s dois são o eixo do diálogo primeiro, linear, bipolar, horizontal; os dois não
têm desinência porque basta o tema. Depois, por analogia, a língua desenvolveu o
s outros imperativos.
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a flexão verbal
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Por analogia, essa vogal de ligação se estende para os verbos de tema em vogal (
verbos em -mi): tÛye-e > tÛyei põe, coloca dÛdo-e > dÛdou dá áe-e > áei lança ás
ta-e > ásth (ásta) põe de pé deÛknu-e > deÛknu mostra 2. O sufixo -yi: Mas com o
s verbos eämi - eu vou, eÞmi - eu sou, fhmi - eu falo e nos aoristos de raiz de
tema em vogal longa ¦gnvn - eu tomei conhecimento, ¦bhn - eu andei, p-¡dran - eu
saí correndo, ¦dun - eu imergi, ¤x rhn - eu me alegrei, usa-se o antigo sufixo loc
ativo -yi: à-yi vai (latim: i) gnÇ-yi conhece (toma conhecimento) às-yi sê dè-yi
mergulha, veste-te f -yi fala pñ-dra-yi afasta-te b°-yi anda x rh-yi alegra-te Esse
sufixo -yi, por analogia, forma também o imperativo singular dos aoristos passiv
os em -h-, -yh / syh: ¤-læ-yh-n eu fui (sou) desligado læ-yh-yi > læyhti sê desl
igado ¤-st l-h-n eu fui (sou) enviado st lh-yi sê enviado 3. Os aoristos sigmáticos:
No aoristo sigmático ativo usa-se a desinência de 2a pessoa -so, com -n eufônic
o. ¦-lu-sa > imper. lè-so-n desliga ¦stel-sa > imper. st¡l-so-n > steÝl-on envia
Voz média: a) desinência -so de 2a pessoa, secundária, no infectum e no perfect
um23;
23
Na voz média e passiva do infectum e perfectum só os temas são diferentes; as de
sinências são as mesmas.
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b) desinência -sai de 2a pessoa, primária24, no aoristo
Infectum læ-e-so > læeo > læou dÛdo-so > dÛdou Perfectum l¡-lu-so Aoristo lè-sai
st¡l-sai > steÝlai desliga para ti envia para ti fica desligado para ti desliga
-te, desliga para ti dá para ti /sê desligado /sê dado
As outras formas do imperativo: 2a do plural (imperativo direto) e 3a pessoa sin
g. e pl. (imperativo indireto) são sempre as mesmas e não apresentam nenhum prob
lema fonético digno de nota. -te para a 2a p. do pl. da voz ativa -tv para a 3a
p. do sing. da voz ativa (imperat. indir.) -ntvn para a 3a p. pl. da voz ativa (
imperat. indir.) -sye para a 2a p. do pl. da voz média / pas. -syv para a 3a p.
do sing. da voz m./p. (imperat. indir.) -syvn para a 3a p. do pl. da voz m./p. (
imperat. indir.) De posse dessas informações (temas, desinências, característica
s) pode-se construir a conjugação de qualquer verbo grego. Tendo um texto na fre
nte, identificando primeiramente se é uma forma verbal ou nominal, podem-se sepa
rar as partes e encontrar o significado. O aprendizado de cor dos quadros de dec
linações e conjugações tem uma desvantagem: leva a aprender fórmulas vazias de s
ignificado, acumulando informações sem saber usá-las. É porque se tem a impressã
o de que os quadros são fixos, numa sucessão vertical, obedecendo a um padrão ún
ico. Não é exato. Todas as formas, quer nominais quer verbais, são construídas s
obre o tema (nominal ou verbal) dentro dos padrões fonéticos da língua. Todavia,
um quadro-referência de flexão é não só útil, mas também necessário, sobretudo
se é construído por aquele que está estudando. Voltaremos a tratar disso, com ma
is detalhes, nos quadros das flexões de todos os temas.
24
Certamente é outro caso de empréstimo ; -sai é desinência própria de 2a pessoa; com
o o -so já foi usado na voz ativa, apelou-se para o -sai para a voz média.
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Quadros da flexão verbal
Infectum (inacabado) I. Presente
VOZ ATIVA:
Indicativo
læ-v tÛ-yh-mi dÛ-dv-mi á-sth-mi á-h-mi
S. læv læ-eiw læ-ei P. læ-o-men læ-e-te D. læ-e-ton læ-e-ton
eu eu eu eu eu
desligo, eu estou desligando coloco, eu ponho, eu estou colocando dou, eu estou
dando ponho de pé, eu estou pondo de pé lanço, eu estou lançando
dÛ-dv-mi dÛ-dv-w dÛ-dv-si dÛ-do-men dÛ-do-te dÛ-do-ton dÛ-do-ton á-sth-mi á-sth-
w á-sth-si á-sta-men á-sta-te á-sta-ton á-sta-ton á-h-mi á-h-w á-h-si á-e-men á-
e-te á-e-ton á-e-ton
tÛ-yh-mi tÛ-yh-w tÛ-yh-si tÛ-ye-men tÛ-ye-te tÛ-ye-ton tÛ-ye-ton
læ-o-nti > ousi tÛ-ye-nti > ¡asi dÛ-do-nti > ñasi á-sta-nti > si á-e-nti > si
Notas: 1. A desinência da 1a pesssoa do singular é -v em læ-v e -mi nos outros.
Exceto essa diferença, que é a mesma do latim (-o/-m), o resto das desinências é
o mesmo para todos os verbos. As diferenças aparentes podem ser explicadas pela
fonética.
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2. As 2a e 3a pessoas do singular dos verbos em -v : læ-eiw, læ-ei são contraçõe
s devidas à vogal de ligação25: o -w é desinência característica de 2 a pessoa e
foi acrescentado por analogia, para evitar confusão com a desinência da 3 a . V
er quadro demostrativo a seguir.
Quadro demostrativo de flexão dos verbos de tema em semivogal (soante) ou consoa
nte:
S. læ-e-si > læei > læ-e-ti > læ-e-si > P. læ-o-nti > læonsi > D. læ-v læeiw læe
i f¡r-v f¡reiw f¡rei
f¡r-e-si > f¡rei > f¡r-e-ti > f¡r-e-si >
læ-o-men f¡r-o-men læ-e-te f¡r-e-te læousi f¡r-o-nti > f¡ronsi > f¡rousi læ-e-to
n læ-e-ton f¡r-e-ton f¡r-e-ton
As 2as e 3as pessoas do singular dos verbos em -mi- recebem o seguinte tratament
o: 2 a pessoa: tÛ-yh-si > dÛ-dv-si > ásthsi > áh-si > tÛyhi > dÛdvi > ásthi > áh
i > tÛyú > dÛdÄ> ástú > áú > tÛyú-w/tÛyh-w dÛdÄw/dÛ-dvw ástúw/ásth-w áúw/áhw
O -w é a marca da 2a pessoa da voz ativa e por isso substitui -si.
25
Porque, dos verbos que têm a 1 a pessoa do presente do indicativo em -v, mais de
90% são de tema em consoante; os outros, ou são de tema em semivogal u- / i-, o
u são de tema em W- vocalizado em u- ou em j-, resultando em várias conbinações
fonéticas (ver formação dos temas do infectum, p. 412. Os que recebem o sufixo n
u / nnu têm um tema alternativo em u- e têm a 1a pessoa -æv.
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3 a pessoa:
tÛyhti > dÛdvti > ásth-ti > áhti >
tÛyhsi dÛdvsi ásth-si áhsi
3. Os verbos em -mi sofrem, no indicativo ativo, alternância de quantidade na vo
gal temática: longa no singular e breve no plural. 4. na 3 a pessoa do pl. a des
inência -nti tem dois tratamentos: a) læ-o-nti > læ-onsi > læ-ousi. O -n- sofre
síncope antes da dental e alonga a vogal anterior; b) tÛ-ye-nti > tiy¡-ati > tiy
¡-asi dÛ-do-nti > didñ-ati > didñ-asi á-sta-nti > ßst -ati > ßst -asi > ßst si á-e -nt
i > ß¡-ati > ß-¡-asi > ß -si O -n-, diante da consoante -t- se vocaliza em -a-.: n
ti > ati > asi26.
5. Além dos verbos do quadro acima, fazem a 1 a pessoa do indicativo presente em
-mi: a) alguns temas verbais em consoante, que recebem um infixo -nucomo: deÛk-
nu-mi - eu mostro b) alguns temas verbais em vogal, que recebem um infixo -nnu-
como: zÅ-nnu-mi - eu cinjo c) alguns temas verbais em consoante, que recebem um
infixo -nhcomo: d m-nh-mi - eu domo p¡r-nh-mi - eu vendo
26
Essa diferença de tratamento se deve à competência lingüística ; nos verbos monossi
lábicos a vogal é temática e por isso significativa. Não se faz a simplificação
fonética. Por isso o -n- é soante, e em contato com a consoante se vocaliza em -
a-.
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d) quatro verbos sem redobro nem infixo: eämi eu vou, estou indo eÞmi eu sou fhm
i eu me manifesto, eu digo ±mi eu digo A flexão desses verbos se faz normalmente
como nos quatro modelos em -mi. Convém notar, porém, que todos esses verbos com
infixo nh/nu têm uma forma alternativa em -v: deÛknumi / deiknæv, zÅnnumi / zvn
æv, d mnhmi / d mnv, p¡rnhmi / p¡rnv. e é assim que flexionam todas as formas do inf
ectum fora do indicativo ativo. Mas, na 3a pessoa do plural, como o -u-é temátic
o e dispensa vogal de ligação, na desinência nti, o -n- vogaliza-se antes do -t-
, e temos a desinência -nti > ati > asi.
Subjuntivo
læ-v-men = desliguemos (exortativo), vamos desligar? (deliberativo), se (¤ n/ n / µ
n) começarmos a desligar, caso comecemos a desligar, se desligarmos, caso deslig
uemos (eventual). Não há idéia de tempo nessas expressões; apenas aspecto e modo
. S. læ-v læ-ú-w læ-ú læ-v-men læ-h-te læ-v-si læ-h-ton læ-h-ton ti-yÇ ti-y»-w t
i-y» di-dÇ di-dÒ-w di-dÒ ß-stÇ ß-st»-w ß-st» ß-Ç ß-»-w ß-»
P.
ti-yÇ-men di-dÇ-men ti-y°-te di-dÇ-te ti-yÇ-si di-dÇ-si ti-y°-ton ti-y°-ton di-d
Ç-ton di-dÇ-ton
ß-stÇ-men ß-Ç-men ß-st°-te ß-°-te ß-stÇ-si ß-Ç-si ß-st°-ton ß-st°-ton ß-°-ton ß-
°-ton
D.
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Notas: 1. Notar a equivalência de sentidos entre o subjuntivo presente e o futur
o, mesmo em português. Os dois são eventuais. 2. Para não ocupar espaço e cansar
inutilmente o leitor, daqui para frente traduziremos só as formas do verbo læv;
As outras serão traduzidas por analogia. Para efeito de consulta, damos a segui
r o quadro da flexão do Subjuntivo, com a demostração das alterações fonéticas:
læv læ-v læ-h-si > læ-h-ti > læ-v-men læ-h-te læ-v-nti > læ-h-ton > læ-h-ton > t
Û-y¡-v > ti-y¡-h-si > tÛ-y¡-h-ti > ti-y¡-v-men > ti-y¡-h-te > ti-y¡-v-nti > ti-y
¡-h-ton > ti-y¡-h-ton > di-dñ-v > di-dñ-h-si > di-dñ-h-ti > di-dñ-v-men > di-dñ-
h-te > di-dñ-v-nti > di-dñ-h-ton > di-dñ-h-ton > læhi / læú > læhsi > læ-v læhiw
/ læúw læhi / læú læ-v-men læ-h-te lævsi læ-h-ton læ-h-ton tiyÇ tiy°iw / tiy»w
tiy°i / tiy» tiyÇmen tiy°te tiyÇsi ti-y°-ton ti-y°-ton didÇ didÇiw/ didÒw didÇi
/ didÒ didÇmen didÇte didÇsi di-dÇ-ton di-dÇ-ton
læhti >
lævnti >
lævnsi >
tÛyhmi
tiy°si > tiy°ti >
tiy°i/tiy» > tiy°si >
tiyÇnti >
tiyÇnsi >
dÛdvmi
didÇsi > didÇti >
didÇi /didÒ > didÇsi >
didÇnti >
didÇnsi >
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ásthmi
ßst -v > ßst -h-si > ßst -h-ti > ßst -v-men > ßst -h-te > ßst -v-nti > ßst -h-ton > ßst -h-
ß-¡-v > ß-¡-h-si> ß-¡-h-ti > ß-¡-v-men > ß-¡-h-te > ß-¡-v-nti > ß-¡-h-ton > ß-¡
-h-ton >
ßst°si > ßst°ti >
ßst°i / ßst» > ßst°si >
ßstÇnti >
ßstÇnsi >
ßstÇ ßst°iw / ßst»w ßst°i / ßst» ßstÇmen ßst°te ßstÇsi ß-st°-ton ß-st°-ton ßÇ ß°
iw / ß»w ß°i / ß» ßÇmen ß°te ßÇsi ß-°-ton ß-°-ton
áhmi
ß°si > ß°ti >
ß°i / ß» > ß°si >
ßÇnti >
ßÇnsi >
Notas: 1. O subjuntivo tem duas características: vogal de ligação longa e desinê
ncias primárias por ser eventual nos três temas. 2. No verbo læv, isto é, nos ve
rbos de tema em consoante ou semivogal (soante), essa vogal longa coincide com o
alongamento da vogal de ligação ou a substitui; nos outros, a vogal longa v, h,
h, v, h, v, característica do subjuntivo, se junta à vogal breve do tema e a ab
sorve (contração), prevalecendo sempre o timbre: o. ti-y -v > ti-y¡-v > tiyÇ di-
dÅ-v > didñ-v > didÇ 3. A acentuação está dentro dos hábitos fonéticos da língua
: sempre que uma vogal acentuada entra na contração leva consigo a tonicidade; e
o acento da forma final, tônica, é circunflexo (perispômeno). 4. O subjuntivo g
rego se traduz em português quer pelo presente do subjuntivo quer pelo futuro do
subjuntivo. Mas, na repetição de presente, quando eventual, sempre que , se , o portug
ês usa o indicativo, o grego não. Sempre o subjuntivo. (ver no capítulo do subju
ntivo)
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Optativo
læ-o-i-men - poderíamos começar a desligar, poderíamos estar desligando, desliga
ríamos (potencial ou afirmação atenuada), ( n) ah se estivéssemos desligando! (eÞ
-eàye) se desligássemos - oxalá desligássemos! oxalá pudéssemos desligar! (desej
o, anseio por uma possibilidade, voto). Não há idéia de tempo nessas expressões,
apenas aspecto e modo.
S. læ-oi-mi læ-oi-w læ-oi læ-oi-men læ-oi-te læ-oi-en læ-oi-ton lu-oÛ-thn ti-ye-
Ûh-n ti-ye-Ûh-w ti-ye-Ûh ti-ye-Ý-men27 ti-ye-Ý-te ti-ye-Ý-en ti-ye-Ý-ton ti-ye-Û
-thn di-do-Ûh-n di-do-Ûh-w di-do-Ûh di-do-Ý-men di-do-Ý-te di-do-Ý-en di-doÝ-ton
di-do-Û-thn ß-sta-Ûh-n ß-sta-Ûh-w ß-sta-Ûh ß-sta-Ý-men ß-sta-Ý-te ß-sta-Ý-en ß-
sta-Ý-ton ß-sta-Û-thn ß-e-Ûh-n ß-e-Ûh-w ß-e-Ûh ß-e-Ý-men ß-e-Ý-te ß-e-Ý-en ß-e-Ý
-ton ß-e-Û-thn
P.
D.
Notas: 1. Há um falso ditongo na seqüência da vogal breve do tema desses verbos
e a característica -i- longa do optativo; isso explica a posição da tônica. No s
ingular o -i- longo se abrevia diante de outra longa. A variante longa no plural
é menos usada do que a curta. Lei do menor esforço. 2. A característica do opta
tivo é i / ie-ih. 3. O optativo tem sempre desinências secundárias, por ser o mo
do do possível e da atenuação da afirmação. 4. Nos verbos em -v, por serem de te
ma em consoante ou semivogal (soante), há uma vogal de ligação fixa -o- no infec
tum (pres.), futuro e perfeito ativo -oi-.
27
Variante: tiye-Ûh-men, tiye-Ûh-te, tiye-Ûh-san.
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5. Nos outros, com temas terminados em vogal, a característica do optativo se ju
nta diretamente, numa alternância -ih- singular e -i- plural. 6. A desinência da
1a pessoa do singular, em vez de -n é -mi, e a da 3a do plural, em vez de -n é
-en. É um recurso fonético e semântico: a seqüência dos sons -i- e nasal é incôm
oda; por isso, na 1a pessoa há um empréstimo ou mesmo uma opção pela desinência
-mi28 e na 3a pessoa a vogal de ligação -edesfaz a dificuldade fonética. 7. O op
tativo grego se traduz em português, quer pelo imperfeito do subjuntivo, geralme
nte na condicionante (prótase), quer pelo condicional simples, na condicionada (
apódose).
Imperativo
- lèe - læete - desliga, vai desligando, começa a desligar (tu); desligai, começ
ai a desligar, ide desligando (vós); - lu¡tv - luñntvn: desligue , vá desligando
, comece a desligar (ele); desliguem, vão desligando, comecem a desligar (eles).
Não há idéia de tempo nessas expressões; apenas aspecto e modo.
S. lè-e lu-¡-tv P. læ-e-te tÛ-ye-te dÛ-do-te á-sta-te á-e-te lu-ñ-ntvn ti-y¡-ntv
n di-dñ-ntvn ß-st -ntvn ß-¡-ntvn lu-¡-tvsan29 ti-y¡-tvsan di-dñ-tvsan ß-st -tvsan ß-
¡-tvsan D. læ-e-ton lu-¡-tvn tÛ-ye-ton ti-y¡-tvn dÛ-do-ton di-dñ-tvn á-sta-ton ß
-st -tvn á-e-ton ß-¡-tvn tÛ-ye-e > ei ti-y¡-tv dÛ-do-e > ou di-dñ-tv á-sta-e > h ß
-st -tv á-e-e > ei ß-¡-tv
28
Esse empréstimo só é possível porque tanto -mi como -v são propriedade da 1a pessoa
e ela as usa como bem lhe convém, foneticamente, é claro. A desinência original
é -m- (todas as desinências de 1a pessoa começam por -m-); o -n é a forma do -m-
em posição final. A opção por -mi-, então é natural. 29 A forma lu-¡-tvsan de 3
a pessoa do plural é menos freqüente do que lu-ñntvn.
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Notas: 1. Não há uma desinência específica do imperativo singular; é o próprio t
ema do verbo; esse -e é vogal de apoio para os verbos de tema em consoante, soan
te e semivogal, nos outros verbos, é usado por analogia. 2. As outras desinência
s são próprias do imperativo; são fixas e serão encontradas na voz ativa de tema
s dos outros aspectos. Mas mantêm a caracterização fonética das pessoas gramatic
ais: -t- 3a pessoa do singular -nt- 3a pessoa do plural -te- 2a pessoa do plural
Particípio
lævn - desligante, desligando, que está desligando: sempre simultâneo ao ato exp
resso pelo verbo da oração principal. Não há idéia de tempo próprio no particípi
o; apenas aspecto e modo. A simultaneidade não significa tempo próprio, mas temp
o relativo, isto é, do enquadramento do ato verbal.
T M. F. N. lu-o-ntlævn læousa lèon ti-ye-nttiyeÛw-y¡ntow tiyeÝsa-shw tiy¡n-y¡ntow
di-do-ntß-sta-ntdidoæw-dñntow ßst w- ntow didoèsa-shw ßst sa-shw didñn-dñntow ßst n- ntow
ß-e-ntßeÛw-¡ntow ßeÝsa-shw ß¡n-¡ntow
Notas: 1. A característica do particípio ativo é -nt no grego e -nt- no latim e
línguas latinas. 2. O nom. sing. masc. se faz com a desinência -w, e o encontro
desse -w com o -nt- do tema tem tratamentos diferentes: a) - Com vocalismo o : T
.: lu-o-nt- > læont-w > læ0n-w > læon> lævn alongamento compensatório o > v ante
s de -n, sobre o modelo de l¡vn - l¡ontow - l¡ousi, ou, mais provavelmente, para
evitar um tritongo nos temas verbais em u e i.
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Os particípios do infectum dos verbos de tema em consoante ou semivogal (verbos
em -v) se constroem sobre esse modelo. Mas: T.: di-do-nt- > didñnt-w > didñn-w >
didoæw alongamento compensatório o > ou antes de -w, sobre o modelo de T.: ôdñn
t- > ôdñnt-w > ôdñn-w > ôdoæw 30 3. Com outras vogais: síncope sucessivamente do
t e do n e alongamento compensatório: tiy¡ntw > tiy¡n-w > tiyeÛw alongamento co
mpensatório -e > ei ß¡nt-w > ß¡n-w > ßeÛw alongamento compensatório -e > ei ßst nt
w > ßst n-w > ßst w alongamento compensatório -a deiknæntw > deiknænw > deiknæw alon
gamento compensatório -u 4. O feminino de todos esses particípios se forma com o
sufixo -ja lu-o-nt-ja > luontia > luonsia > luousia > læousa læousa é um tema e
m -a impuro (faz o gen. sing. em -hw e o dat./loc. instr. singular -ú). Também:
tiyeÝsa - shw ßeÝsa - shw ßst sa - shw deiknèsa - shw 5. O neutro é o tema puro, e
o -t em posição final sofre apócope no nominativo, vocativo e acusativo singula
r. læ-o-nt- > lèont > lèon di-dñnt- > didñnt > didñn tiy¡nt- > tiy¡nt > tiy¡n ß¡
nt- > ß¡nt > ß¡n st nt- > st nt > st n deiknunt- > deikænt > deiknæn
30
Os gramáticos não explicam esta diferença. Cremos que é por causa da tonicidade
do -o- em didñnt- e ôdñnt-. Mas há registro de didÅn, embora didoæw seja a forma
mais empregada.
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Infinitivo
læ-ein - estar desligando, estar começando a desligar, estar no processo de desl
igar. Não há idéia de tempo nessas expressões; apenas aspecto e modo. Infinitivo
s: læ-ein ti-y¡-nai di-dñ-nai ß-st -nai ß-¡-nai Há duas desinências do infinitivo
ativo: - en /-een (-hn) e -nai - lu-e-en > læeen > læein - tiy¡-nai, - didñ-nai,
- ßst -nai, - ß¡-nai
II. Passado: Imperfeito
¦-lu-o-n: eu desligava, eu estava desligando O ¤- que se antepõe ao tema chama-s
e aumento: é a marca do passado. Só se usa no indicativo. O passado usa desinênc
ias secundárias. Não há outros modos no passado; só o indicativo.
S. ¦-lu-o-n ¦-lu-e-w ¦-lu-e ¤-læ-o-men ¤-læ-e-te ¦-lu-o-n ¤-læ-e-ton ¤-lu-¡-thn
¤-ti-yh-n/ein ¤-dÛ-dv-n/oun ¤-tÛ-yhw/eiw ¤-dÛ-dv-w/ouw ¤-tÛ-yh/ei ¤-dÛ-dv/ou ¤-t
Û-ye-men ¤-tÛ-ye-te ¤-tÛ-ye-san ¤-tÛ-ye-ton ¤-ti-y¡-thn ¤-dÛ-do-men ¤-dÛ-do-te ¤
-dÛ-do-san ¤-dÛ-do-ton ¤-di-dñ-thn á-sth-n á-sth-w á-sth á-sta-men á-sta-te á-st
a-san á-sta-ton ß-st -thn á-h-n/ein á-h-w/eiw á-h/ei á-e-men á-e-te á-e-san á-e-to
n ß-¡-thn
P.
D.
Notas: 1. Como no presente, os verbos em -mi, no singular do imperfeito ativo, t
êm vogal temática longa e no plural, breve.
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2. Nas três pessoas do singular, os verbos em -mi, menos ásthmi31, podem ditonga
r a vogal temática longa. Assim: -h-> ei ; -v- > ou ¤-tÛyei-n ¤-dÛ-dou-n á-ei-n
¤-tÛ-yei-w ¤-dÛ-dou-w á-ei-w ¤-tÛ-yei ¤-dÛ-dou á-ei 3. Na 3a pessoa do plural de
sses mesmos verbos, para não confundir com a 1a pessoa, usa-se emprestada a desi
nência -san da 3a pessoa do plural do aoristo sigmático. Com lu-v não, porque se
ria igual ao aoristo; nos outros, o aoristo não tendo redobro, a distinção se ma
ntém.
O aumento
O imperfeito (passado do presente, infectum) recebe, no indicativo, a marca do p
assado. Aliás é só pelo indicativo que o grego exprime o passado. Não há outros
modos no passado. O grego só tem um passado para cada aspecto: o do infectum, in
acabado: imperfeito o do aoristo: aoristo narrativo o do perfectum, acabado: mai
s-que-perfeito O aumento é um ¤-, que seria um antigo advérbio de tempo, antepos
to ao tema do verbo e pode ser silábico ou temporal. É silábico quando, antepost
o ao tema verbal iniciado por consoante, faz sílaba independente monovocálica: ¦
-graf-o-n eu escrevia; e é temporal quando, anteposto ao tema verbal iniciado po
r vogal breve, provoca um hiato e a conseqüente contração: ¤-¡lpiz-o- n > ±lpizo
n eu esperava ¤-¡x-o-n > eäxon eu tinha ¤- g-o-n > —gon eu conduzia ¤-orgiz-ñ-mhn
> Èrgizñmhn eu me irritava
31
É que esses três verbos alternam a vogal temática longa/breve no mesmo timbre: h
/e, v/o; mas ásthmi alterna com ástami.
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O aumento não faz parte da flexão; não é uma ptÇsiw = casus = caso = desinência;
é um prefixo ou afixo que não se funde com o tema; tem uma função própria e é u
sado quando se precisa dele, para marcar o passado32.
Aumentos temporais
Como se vê, contrações em posição inicial diferem um pouco das em posição intern
a no encontro de ¤ - + -e e ¤- + -o; Enquanto em posição média, interna, resulta
m respectivamente em ditongo -ei- e -ou-, em posição inicial resultam em ±- e È-
. Alguns exemplos de aumentos temporais: a)
gv dv aÞt¡v > aÞtÇ aÞsy nomai ¤lpÛzv eÞk zv ôrgÛzomai, oÞk¡v > oÞkÇ oämai ßketeæv êbrÛ
zv Èfel¡v > ÈfelÇ ´kv aéj nv eêrÛskv oét zv, eu conduzo eu canto eu exijo eu sinto e
u espero eu imagino eu me exalto eu habito eu penso, eu acho eu suplico eu ofend
o eu ajudo eu venho eu aumento eu acho eu machuco ¦-agon > ¦-&don > ¤-aÛteon > ¤
-aisyñmhn > ¤-¡lpizon > ¤-eÛkazon > ¤-orgizñmhn > ¤-oÛkeon > ¤-oÛmhn > ¤-ik¡teuo
n > ¤-æbrizon > ¤-vf¡loun > ¤-°kon > ¤-aæjanon > ¤-eæriskon > ¤-oætazon > —gon Â
don ¾toun ¼syñmhn ³lpizon ¾kazon Èrgizñmhn Õkoun Õmhn ßk¡teuon ìbrizon Èf¡loun ¸
kon hëjanon hìriskon oëtazon
32
O aumento não é flexão; não se relaciona com a pessoa gramatical como as desinên
cias pessoais: é um acréscimo, um apêndice; é externo ao tema. Não é um morfema.
Isto mostra que o tempo não está na forma verbal.
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b) Alguns verbos que começam com ¤- começavam primitivamente por s- ou W-. A sín
cope do -s- e do -W- em posição intervocálica depois do acréscimo do aumento pro
voca o hiato que se desfaz na contração em -ei- e não em -h-. Os verbos são os s
eguintes:
¤ v ¤yÛzv ¥lÛssv §lkv ¤rg zomai ¥sti v §pomai §rpv, ¦xv eu permito eu costumo eu faço
girar eu puxo, arrasto eu trabalho eu recebo em casa eu acompanho eu rastejo eu
seguro, eu tenho ¤W¡aon > ¤W¡yizon > ¤W¡lisson > ¤W¡lkon > ¤Wergazñmhn > ¤WestÛa
on > ¤-sepñmhn > ¦-serpon > ¦-sexon > eàvn eàyizon eálisson eålkon eÞrgzñmhn eßs
tÛvn eßpñmhn eårpon eäxon
c) Em alguns verbos, também por causa da síncope do W intervocálico, mas entre v
ogais de timbre diferente, não se fez a contração, e o aumento recai sobre a seg
unda vogal:
¥ort zv õr v > õrÇ n-oÛgv eu festejo eu olho, vejo eu abro Weort zv Wor v nWoÛgv ¥-eñrtaz
n > ¥Årtazon ¤-ñraon > ¥Årvn n-¡-oigon > n¡Ägon
d) Há outros também que, por causa do W inicial e depois em posição intervocálic
a com o acréscimo do aumento, não fazem a contração entre vogais de timbre difer
ente:
g-nu-mi lÛskomai Èy¡v > ÈyÇ Èn¡omai > Ènoèmai eu quebro eu sou pego eu empurro eu
vendo ¤W gnuon > ¤Waliskñmhn > ¤WÅyeon > ¤Wvneñmhn > ¤ gnuon ¥aliskñmhn ¤Åyoun ¤vnoæ
mhn
e) Os três verbos seguintes fazem o aumento em ±- paralelamente ao aumento em ¤-
:
dænamai boælomai, m¡llv eu posso eu quero estou para, eu vou ±-dun mhn ±-boulñmhn
³-mellon ¤-dun mhn ¤-boulñmhn ¦-mellon
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Aumento nos verbos compostos
Exatamente porque o grego entende os compostos como compostos , ele põe o aumento a
ntes do verbo e não antes da preposição. prost ttv, eu prescrevo, ordeno pros-¡-ta
tton ¤mb llv eu jogo dentro ¤n-¡-ballon ¤kb llv eu jogo fora ¤j-¡-ballon suggignÅskv
eu compreendo, eu perdoo sun-e-gÛgnvskon ¤kf¡rv eu retiro ¤j-¡-feron ¤gkalæptv
eu cubro, envolvo ¤n-e-k lupton sumbaÛnv, eu ando junto sun-¡-bainon Acidentes fon
éticos no encontro das preposições e do aumento: a) Observe que, como em ¤mb llv e
em ¤n-¡-ballon, as consoantes finais das preposições se assimilam parcialmente
ou não com a consoante inicial do verbo; no imperfeito, com a presença da vogal-
aumento, elas retomam sua forma normal. b) Quando a preposição termina em vogal,
ela sofre elisão antes do aumento; dia-speÛrv eu espalho, disperso di-¡-speiron
¤pi-tr¡pv eu dirijo sobre ¤p-¡-trepon po-tr¡pv eu afasto, desvio p-¡-trepon c) Ma
s, nos compostos com peri, não se faz a elisão da vogal final da preposição, por
que esse -i é a desinência do locativo e é longo. peri-tr¡pv eu faço dar a volta
peri-¡-trepon d) Nos compostos com a preposição prñ normalmente se processa uma
contração; pro-tr¡pv eu excito proætrepon mas não é rara a manutenção do hiato:
proÛsthmi ponho diante de, pro¡sthka e) Em alguns casos, ou porque a composição
é muito antiga, ou porque o falante grego já a fundiu semanticamente e a sente
como um todo, o aumento se antepõe à forma inteira, e não entre as partes: nti-di
k¡v eu contradigo ±nti-dÛkoun -dik¡v eu cometo injustiça ±dÛkoun dus-tux¡v estou
sem sorte ¤-dustæxoun
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plhm-mel¡v mfis-bht¡v
eu cometo infração eu estou em dificuldade
¤-plhmm¡loun ±mfis-b toun
f) Mas às vezes o falante grego hesita entre duas formas e usa um ou dois aument
os: um antes do verbo composto e outro entre o primeiro e o segundo elemento: ¤n
-oryñv eu endireito ±n-Åryoun di-oik¡v eu administro ¤-di-Ðkoun n-¡xomai eu agüen
to, suporto ±n-eixñmhn ou então só antes do segundo elemento: dus-arest¡v não es
tou mais contente dus-hr¡stoun
VOZ MÉDIA E PASSIVA:
Indicativo presente
læ-o-mai
S.
Voz média: eu estou desligando, desligo para mim. Voz passiva: estou sendo desli
gado, sou desligado.
tÛ-ye-mai tÛ-ye-sai tÛ-ye-tai ti-y¡-meya tÛ-ye-sye tÛ-ye-ntai tÛ-y¡-meyon tÛ-ye-
syon dÛ-do-mai dÛ-do-sai dÛ-do-tai di-dñ-meya dÛ-do-sye dÛ-do-ntai á-sta-mai á-s
ta-sai á-sta-tai ß-st -meya á-sta-sye á-sta-ntai á-e-mai á-e-sai á-e-tai ß-¡-meya
á-e-sye á-e-ntai
læ-o-mai læ-e-sai > ú/ei læ-e-tai lu-ñ-meya læ-e-sye læ-o-ntai lu-ñ-meyon læ-e-s
yon
P.
D.
di-dñ-meyon ß-st -meyon ß-¡-meyon dÛ-do-syon á-sta-syon á-e-syon
1. Na 2 a pessoa do sing., nos verbos em -v, o -s- em posição desinencial interv
ocálica sofre uma síncope e, no ático, o hiato formado é reduzido por uma contra
ção -esai > eai > ú / ei; no jônico, o hiato permanece. A variante -ei é ática e
vamos encontrá-la com freqüencia, sobretudo em Platão e Aristófanes. À primeira
vista, ela se presta a confusão com a 3a pessoa do singular da voz ativa. Mas o
contexto resolve o problema.
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2. Nos verbos em -mi, por serem de tema em vogal, a desinência é -sai porque não
há vogal de ligação e não há síncope do -s-. Essa distinção entre vogal de liga
ção e vogal temática é clara: a vogal temática é essencial; a vogal de ligação é
apenas funcional, instrumental. A vogal temática se mantém e a vogal de ligação
se acomoda. Já vimos na flexão da voz ativa essa diferença de tratamento entre
vogal temática e vogal de ligação læ-o-nti > læ-o-nsi > ousi tÛ-ye-nti > tÛ-ye-a
ti > ¡asi
Subjuntivo
læ-v-mai - Voz média - vou desligar para mim? (deliberativo); desligue para mim!
(exortativo); caso eu desligue para mim, se eu desligar para mim (¤ n) (eventual)
. Voz passiva - vou ser desligado? (deliberativo); sejamos desligados! (exortati
vo), caso eu seja desligado, se eu for desligado (eventual - ¤ n/ n/ µn). A tradução
do subjuntivo grego em português se faz quer pelo presente do subjuntivo quer p
elo futuro do subjuntivo.33 Não há idéia de tempo nessas expressões; apenas aspe
cto e modo.
S. læ-v-mai ti-yÇ-mai di-dÇ-mai ß-stÇ-mai ß-Ç-mai læ-h-sai> ú ti-y°-sai > » di-d
Ç-sai > Ò ß-st°-sai > » ß-°-sai > » læ-h-tai ti-y°-tai di-dÇ-tai á-st°-tai ß-°-t
ai P. lu-Å-meya læ-h-sye læ-v-ntai ti-yÅ-meya ti-y°-sye ti-yÇ-ntai di-dÅ-meya di
-dÇ-sye di-dÇ-ntai ß-stÅ-meya ß-st°-sye ß-stÇ-ntai ß-Å-meya ß-°-sye ß-Ç-ntai
D. lu-Å-meyon ti-yÅ-meyon di-dÅ-meyon læ-h-syon ti-y°-syon di-dÇ-syon
ß-stÅ-meyon ß-Å-meyon ß-st°-syon ß-°-syon
33
Nas expressões da repetição do presente, na medida em que o ato repetido não é fe
chado > indicativo, o grego, coerentemente, emprega o subjuntivo com n, porque se
trata de um eventual. Em português usa-se o indicativo: quando, sempre que ele v
em (venha) > ÷tan/¤ n ¦lyú.
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Notas: 1. O -s- da 2a pessoa do singular, -sai, está em posição desinencial em t
odos os verbos acima (vogal longa, característica do subj. e desinências pessoai
s); por isso ele sofre síncope em todos, o que, no ático, resulta em hiato e pos
terior contração.
læ-h-sai > ti-y¡-h-sai > di-d ñ-h-sai > ß-st -h-sai > ß-¡-h-sai > læhai > læhi > t
iy°sai > tiy°ai > tiy°i > didÇsai > didÇai > didÇi > ßst°sai > ßst°ai > ßst°i >
ß°sai > ß°ai > ß°i > læú / læhi tiy» / tiy°i didÒ / didÇi ßst» / ßst°i ß» / ß°i
2. Novamente, nos verbos em -mi, as formas do subjuntivo são contratas, porque a
vogal longa do subjuntivo se acrescenta à vogal breve do tema. Ver quadro demos
trativo de flexão a seguir.
Quadro demostrativo da flexão do subjuntivo médio/passivo:
T. tÛyh- / tiyeS. ti-y¡-v-mai > ti-y¡-h-sai > tiy°sai > tiy°ai > ti-y¡-h-tai > t
i-ye-Å-meya > ti-y¡-h-sye > ti-y¡-v-ntai > ti-ye-Å-meyon > ti-y¡-h-syon > tiyÇma
i tiy°i /tiy» tiy°tai tiyÅmeya tiy°sye tiyÇntai tiyÅmeyon tiy°syon
P.
D.
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T. didv-/didoS. didñ-v-mai > didñ-h-sai > didÇsai > didÇai > didñ-h-tai > dido-Å
-meya > didñ-h-sye > didñ-v-ntai > dido-Å-meyon > didñ-h-syon > didÇmai didÇi /
didÒ didÇtai didñmeya didÇsye didÇntai didÅmeyon didÇsyon
P.
D.
T. ßsth- / ßstaS. ßst -v-mai > ßst -h-sai > ßst°sai > ßst°ai > ßst -h-tai > ßsta-Å-mey
a > ßst -h-sye > ßst -v-ntai > ßsta-Å-meyon > ßst -h-syon > ßstÇmai ßst°i / ßst» ßst°t
ai ßstÅmeya ßst°sye ßstÇntai ßstÅmeyon ßst°syon
P.
D.
T. ßh- / ßeS. ß¡-v-mai > ß¡-h-sai > ß°sai > ß°ai > ß¡-h-tai > ße-Å-meya > ß¡-h-s
ye > ß¡-v-ntai > ße-Å-meyon > ß¡-h-syon > ßÇmai ß°i / ß» ß°tai ßÅmeya ß°sye ßÇnta
i ßÅmeyon ß°syon
P.
D.
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Optativo
lu-oÛ-mhn - Voz média - eu poderia estar desligando para mim, eu desligaria para
mim ( n) (possível, afirmação atenuada), eÞ/eàye (oxalá, possível, desejo, voto)
eu pudesse estar desligando para mim, ah! se eu pudesse desligar para mim. Voz p
assiva - se eu pudesse, eu poderia ser desligado!- eÞ, eàye (possível, desejo, v
oto) se eu pudesse, eu poderia estar sendo desligado. A tradução do optativo gre
go em português se faz quer pelo imperfeito do subjuntivo na condicionante (prót
ase), quer pelo condicional simples na condicionada (apódose). O mesmo acontece
nas orações independentes: imperfeito do subjuntivo ou condicional. Também pelas
locuções com o verbo poder, como está nas traduções acima 34. Não há idéia de t
empo nessas expressões; apenas aspecto e modo.
S. lu-oÛ-mhn ti-ye-Û-mhn di-do-Û-mhn ß-sta-Û-mhn ß-e-Û-mhn
læ-oi-so > oio ti-ye-Ýs0 > eÝo di-do-Ý-so > oÝo ß-sta-Ý-so > aÝo ß-e-Ý-so > eÝo
læ-oi-to P. lu-oÛ-meya læ-oi-sye læ-oi-nto D. lu-oÛ-meyon lu-oÛ-syhn ti-ye-Ý-to
ti-ye-Û-meya ti-ye-Ý-sye ti-ye-Ý-nto ti-ye-Û-meyon ti-ye-Û-syhn di-do-Ý-to di-do
-Û-meya di-do-Ý-sye di-do-Ý-nto di-do-Û-meyon di-do-Û-syhn ß-sta-Ý-to ß-sta-Û-me
ya ß-sta-Ý-sye ß-sta-Ý-nto ß-sta-Û-meyon ß-sta-Û-syhn ß-e-Ý-to ß-e-Û-meya ß-e-Ý-
sye ß-e-Ý-nto ß-e-Û-meyon ß-e-Û-syhn
Notas: 1. O -s- em posição desinencial intervocálica na 2a pessoa do singular de
todos os verbos sofre síncope e põe em contato duas vogais e uma semivogal, o q
ue resulta em tritongo, dispensando a contração. læoiso > læoio tiyeÝso > tiyeÝo
, didoÝso > didoÝo ßstaÝso > ßstaÝo, ßeÝso > ßeÝo
34
Ver notas sobre a morfologia do optativo no quadro de flexão da voz ativa.
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2. Há um falso ditongo na seqüência da vogal temática breve dos verbos de tema e
m vogal e o -i- longo da característica do optativo; isso explica a posição fixa
da tônica. 3. Primitivamente, as vogais temáticas de tiye-Ýs0, dido-Ýso, Þsta-Ý
so, ße-Ýso deveriam ser pronunciadas separadamente da marca do optativo; mas nos
verbos de tema em consoante, soante e semivogal, a vogal de ligação fazia bloco
com o -i- do optativo: læ-oi-so, f¡r-oi-men.
Imperativo
læ-e-so > læeo > læou - læ-e-sye Voz média: desliga para ti/começa a desligar pa
ra ti - desligai para vós, começai a desligar para vós; ele/eles desligue(m) par
a si/ comece(m) a desligar para si. Voz passiva: tu sê desligado / começa a ser
desligado; vós sede desligados / começai a ser desligados; ele/eles seja(m) desl
igado(s) / comece(m) a ser desligados. Não há idéia de tempo nessas expressões;
apenas aspecto e modo.
S. læ-e-so > ou lu-¡-syv P. læ-e-sye lu-¡-syvn / D. læ-e-syon lu-¡-syvn tÛ-ye-sy
e ti-y¡-syvn / tÛ-ye-syon ti-y¡-syvn dÛ-do-sye di-dñ-syvn / dÛ-do-syon di-dñ-syv
n á-sta-sye ß-st -syvn / á-sta-syon ß-st -syvn á-e-sye ß-¡-syvn / á-e-syon ß-¡-syvn
tÛ-ye-so > ou ti-y¡-syv dÛ-do-so > ou di-dñ-syv á-sta-so > v ß-st -syv á-e-so > ou
ß-¡-syv
lu-¡-stvsan35 ti-y¡-stvsan di-dñ-stvsan ß-st -stvsan ß-¡-stvsan
35
Como na voz ativa, há uma variante de 3a pessoa do plural, mas é usada com menos
freqüência; é um pouco rebuscada.
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Notas: 1. Nas formas da 2a pessoa do singular apenas a dos verbos de tema em con
soante, soante e semivogal sofrem contração regular depois da síncope do -s- int
ervocálico, entre vogal de ligação e vogal desinencial; a contração nos outros v
erbos - de tema em vogal - aconteceu por analogia, porque o -s- intervocálico en
tre vogal temática e desinencial em geral não sofre síncope; por isso é muito co
mum encontrarem-se as formas não contratas. 2. Notar a presença coerente das des
inências pessoais também no imperativo: 2a pessoa do singular: -so a pessoa do p
lural: 2 -tye > sye -tyv > -syv 3a pessoa do singular: a pessoa do plural: 3 -nt
yvn > -tyvn > -syvn
Particípio
lu-ñ-menow: Voz média: estou desligando para mim (médio). Voz passiva: estou sen
do desligado, sou desligado. Sempre simultâneo ao ato expresso pelo verbo da ora
ção principal. Não há idéia de tempo nessas expressões, apenas aspecto. A simult
aneidade não significa tempo próprio, mas relativo; isto é, o enquadramento do a
to verbal.
Tema Masc. Fem. Neut. lu-ñ-menolu-ñ-menow lu-o-m¡nh lu-ñ-menon ti-y¡-menoti-y¡-m
enow ti-ye-m¡nh ti-y¡-menon di-dñ-menodi-dñ-menow di-do-m¡nh di-dñ-menon ß-st -men
oß-st -menow ß-sta-m¡nh ß-st -menon ß¡-menoß-¡-menow ß-e-m¡nh ß-¡-menon
Notas: 1. O tema do particípio médio ou passivo é -meno/menh/meno para todos os
aspectos, exceto para o aoristo passivo. 2. Nos verbos de temas em consoante ou
soante (semivogal) há vogal de ligação, nos outros não, por desnecessária.
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Infinitivo
læ-e-syai: Voz média: desligar para si, estar desligando para si. Voz passiva: e
star sendo desligado, ser desligado. Não há idéia de tempo nessas expressões, ap
enas aspecto. læ-e-syai tÛ-ye-syai dÛ-do-syai á-sta-syai áe-syai Notas: 1. A des
inência do infinitivo médio ou passivo é -syai para todos os verbos, em todos os
aspectos, exceto para o aoristo passivo. 2. Nos verbos de temas em consoante ou
soante (semivogal) há vogal de ligação, nos outros não, por desnecessária.
Imperfeito
¤-lu-ñ-mhn: Voz média: eu desligava, estava desligando para mim. Voz passiva: eu
era desligado, eu estava sendo desligado.
S. ¤-lu-ñ-mhn ¤-ti-y¡-mhn ¤-læ-e-so > ou ¤-tÛ-ye-so ¤-læ-e-to ¤-tÛ-ye-to ¤-lu-ñ-
meya ¤-læ-e-sye ¤-læ-o-nto ¤-læ-e-syon ¤-lu-¡-syhn ¤-ti-y¡-meya ¤-tÛ-ye-sye ¤-tÛ
-ye-nto ¤-tÛ-ye-syon ¤-ti-y¡-syhn ¤-di-dñ-mhn ¤-dÛ-do-so ¤-dÛ-do-to ß-st -mhn ß-¡-m
hn á-sta-so > v á-e-so á-sta-to á-e-to ß-¡-meya á-e-sye á-e-nto á-e-syon ß-¡-syh
n
P.
¤-di-dñ-meya ß-st -meya ¤-dÛ-do-sye á-sta-sye ¤-dÛ-do-nto á-sta-nto ¤-dÛ-do-syon á
-sta-syon ¤-di-dñ-syhn ß-st -syhn
D.
Notas: 1. Observar novamente que o -s- sofre síncope apenas depois de vogal de l
igação na 2a pessoa do singular de læv: ¤-læ-e-so > ¤læeo > ¤læou No caso de á-s
ta-so > á-sta-o > ástv é por analogia com o aoristo sigmático, ¤læsaso > ¤læsao
> ¤læsv, que se faz a contração.
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2. Constatar que em toda a flexão do infectum nós tivemos a) de um lado, 4 verbo
s de tema em vogal breve e por isso a vogal de ligação é dispensável; na verdade
poderiam ser chamados de verbos temáticos por terem toda a flexão construída so
bre o tema; b) de outro lado, um verbo de tema em soante (lu-), (semivogal, trat
ada como consoante), que poderia ser em consoante (fer-) e por isso se fez neces
sária a vogal de ligação. 3. Observar também que os 4 verbos temáticos têm a vog
al temática longa apenas no singular da voz ativa do presente e imperfeito ativo
s; aqui a vogal temática é breve. 4. Ainda, dentro do sistema do infectum, devem
os incluir alguns temas de verbos denominativos, que as gramáticas chamam de ver
bos contratos. São formações verbais com sufixo -j- sobre temas nominais em voga
l: nika-j-v (nÛkh - vitória) eu venço dhlo-j-v (d°lo-w - claro) eu revelo file-j
-v (fÛlo-w - amigo) eu amo ôxe-j-v öxo-w - veículo) eu transporto em veículo, eu
viajo koni-j-v kñni-w - cinza) eu faço cinza, eu reduzo a cinza ghru-j-v g°ri-w
- grito) eu grito dakru-j-v (d kru - lágrima) eu choro Na flexão sobre o tema do
infectum o -j- se encontra em posição intervocálica e naturalmente sofre síncope
, pondo em contato a vogal temática e a vogal de ligação. No dialeto ático, o hi
ato resultante é eliminado pela contração, no jônico, o hiato permanece. Nos tem
as em semivogal, depois da síncope do -j- já em posição intervocálica, formam-se
os ditongos: -Ûv / -æv; -Ûeiw / -æeiw ; -Ûei / -æei. Na flexão sobre os outros
dois temas, aoristo/futuro e perfeito não há contrações, porque não há vogal de
ligação, mas, por uma espécie de compensação, as vogais temáticas são alongadas:
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presente
nik -v > nikÇ dhlñ-v > dhlÇ fil¡-v > filÇ
futuro
nik sv dhlÅsv fil sv
aoristo
¤nÛkhsa ¤d lvsa ¤fÛlhsa
perfeito
nenÛkhka36 ded lvka pefÛlhka
Þ -o-mai > iÇmai) dr -v > drÇ
eu curo eu ajo, eu faço
fut. Þ somai.* fut. dr sv
Há alguns verbos antigos de tema em -a que fazem as contrações como se fossem de
tema em -h. Os mais usados são: z -v eu estou vivo, eu vivo dic -v eu tenho sede pe
in -v eu tenho fome xr -o-mai eu me sirvo de, eu uso c v eu coço, eu raspo (as cordas
da lira) Ver quadro demostrativo de flexão nas p. 380. Nos verbos ßdrÅv - eu suo
, =igÅv - eu tremo, tenho frissão, a vogal temática longa -v absorve todas as vo
gais das desinências e o -i desinencial ou do optativo se subscreve ou se adscre
ve. Alguns temas verbais monossilábicos em -W / -eW, com a síncope do W em posiç
ão intervocálica, só fazem contrações entre vogais do mesmo timbre. Contudo, a m
aioria deles desenvolve uma forma paralela em que o W se vocaliza em -u- e forma
ditongo com a vogal do tema; d¡v eu amarro, eu prendo deWdeæ-v y¡v eu corro yeW
yeæ-v n¡v eu nado neWneæ-v pl¡v eu navego pleWpleæ-v pn¡v eu sopro pneWpneæ-v =¡
v eu fluo, escorro =eW=eæ-v x¡v eu verto, sirvo xeWxeæ-v d¡v eu careço, preciso
deWdeæ-v j¡v eu raspo, lixo, aliso jeWjeæ-v
36
Quando o -a temático é precedido de vogal ou -r- o alongamento se faz na vogal d
o mesmo timpre -a- e não em -h-.
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a flexão verbal
Os verbos: kaWv > kaæv/k v / kaWjv > kaÛv - eu queimo klaWv > kl v /klaWjv > klaÛv -
eu choro por causa da síncope do W intervocálico no infectum, só fazem as contr
ações das vogais do mesmo timbre; nos temas dos outros aspectos (aoristo. futuro
e perfectum) vocalizam o W antes da consoante: kaÛv /kaæv kaæsv ¦kausa k¡kauka
klaÛv /klaæv klaæsomai ¦klausa k¡klauka O mesmo acontece com todos os verbos em
-eW-; constroem-se o aoristo (futuro) e perfeito sobre o tema com o W vocalizado
pl¡v pleæsv ¦pleusa p¡pleuka Podemos incluir aqui também os verbos denominativo
s formados com o sufixo eW / W sobre temas consonânticos: õdñw õdeWv > õdeæv eu
caminho paid paideWv > paideæv eu educo
Quadro de flexão dos verbos denominativos de tema em vogal e sufixo -jDaremos a
seguir o quadro geral DO INFECTUM dos verbos de tema em vogal e sufixo -j-.37 De
ve-se notar que as contrações das vogais temáticas depois da síncope do -j- inte
rvocálico com as duas vogais de ligação -e-/-o- são naturais: Tema em -a: a+o>v
-a+e>a Tema em -o: o + o > ou - o + e > ou / - o+ei > oi* Tema em -e: e + o > ou
- e + e > ei / - e +oi > oi*
37
Na verdade, não são verbos de tema em vogal, mas verbos de tema em soante (semiv
ogal -j-). Nas formas-base apresentadas já houve a síncope do -j-; é a forma fin
al. Um quadro demostrativo completo será apresentado a seguir. Ele é instrutivo,
porque se o lermos com atenção, veremos que cada forma tem um comportamento ind
ividual, dentro das normas fonéticas do jônico e do ático.
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a flexão verbal
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* De fato, a evolução dessa contração é a seguinte: -o + -e > ou + -i > oui > oi
-e + -o > ou + -i > oui > oi Vogal longa absorve vogal breve. No encontro de vo
gais a > e / e > a prevalece o timbre da vogal anterior e o resultado é a longa
correspondente h ou a longo.
VOZ ATIVA:
Indicativo presente
eu venço eu revelo eu amo fil¡-v > filÇ fil¡-eiw > fileÝw fil¡-ei > fileÝ S. nik -
v > nikÇ dhlñ-v > dhlÇ nik -eiw > nik w / nik iw dhlñ-eiw > dhloÝw nik -ei > nik / nik i d
lñ-ei > dhloÝ P. nik -o-men > nikÇmen nik -e-te > nik te nik -ousi > nikÇsi D. nik -e-ton
> nik ton nik -e-ton > nik ton
dhlñ-o-men > dhloèmen fil¡-o-men > filoèmen dhlñ-e-te > dhloète fil¡-e-te > file
Ýte dhlñ-ousi > dhloèsi fil¡-ousi > filoèsi dhlñ-e-ton > dhloèton fil¡-e-ton > f
ileÝton dhlñ-e-ton > dhloèton fil¡-e-ton > fileÝton
Subjuntivo
vença/vencer S. nik -v > nikÇ nik -úw > nik w nik -ú > nik revele/revelar ame/amar dhlñ-v
> dhlÇ fil¡-v > filÇ dhlñ-úw>dhloÝw / dhlÒw fil¡-úw > fil»w dhlñ-ú > dhloÝ / dh
lÒ fil¡-ú > fil» fil¡-v-men > filÇmen fil¡-h-te > fil°te fil¡-v-si > filÇsi fil¡
-h-ton > fil°ton fil¡-h-ton > fil°ton
P. nik -v-men > nikÇmen dhlñ-v-men > dhlÇmen nik -h-te > nik te dhlñ-h-te > dhlÇte nik -
v-si > nikÇsi dhlñ-v-si > dhlÇsi D. nik -h-ton > nik ton dhlñ-h-ton > dhlÇton nik -h-t
on > nik ton dhlñ-h-ton > dhlÇton
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Optativo
venceria/vencesse S. nika-oÛh-n > nikÐhn nika-oÛh-w > nikÐhw nika-oÛh > nikÐh**
P. nik -oi-men > nikÒmen nik -oi-te > nikÒte nik -oi-en > nikÒen D. revelaria/revelass
e dhlo-oÛh-n > dhloÛhw/dhloÝw dhlo-oÛh > dhloÛh/dhloÝ** dhlñ-oi-men > dhloÝmen d
hlñ-oi-te > dhloÝte dhlñ-oi-en > dhloÝen amaria/amasse* file-oÛh-w > filoÛhw fil
e-oÛh > fileoÛh** fil¡-oi-men > filoÝmen fil¡-oi-te > filoÝte fil¡-oi-en > filoÝ
en fil¡-oi-ton > filoÝton file-oÛ-thn > filoÛthn dhlo-oÛh-n > dhloÛhn/dhloÝmi fi
le-oÛh-n > filoÛhn
nik -oi-ton > nikÒton dhlñ-oi-ton > dhloÝton nika-oÛ-thn > nikÐthn dhlo-oÛ-thn > d
hloÛthn
* Também: poderia/pudesse vencer, revelar, amar. ** As três pessoas do singular
têm variantes com o vocalismo zero do optativo: tim oimi > timÅimi / timÒmi - tim oi
w > timÇiw / timÇw / tim oi > timÇi / timÒ; dhlñoimi > dhloèimi > dhloÝmi - dhlñoi
w > dhloèiw > dhloÝw dhlñoi > dhloèi > dhloÝ; fil¡oimi > filoèimi > filoÝmi - fi
l¡oiw > filoèiw > filoÝw - fil¡oi > filoèi > filoÝ.
Imperativo
vence/vencei S. nÛka-e > nÛka nika-¡-tv > nik tv P. nik -e-te > nik te nika-ñ-ntvn > n
ikÅntvn D. nik -e-ton > nik ton nika-¡-tvn > nik tvn dhlñ-e-te > dhloète dhlo-ñ-ntvn >
dhloæntvn dhlñ-e-ton > dhloèton dhlo-¡-tvn > dhloætvn fil¡-e-te > fileÝte file-
ñ-ntvn > filoæntvn fil¡-e-ton > fileÝton file-¡-tvn > fileÛtvn d lo-e > d lou dh
lo-¡-tv > dhloætv fÛle-e > fÛlei file-¡-tv > fileÛtv revela/revelai ama/amai *
* Imperativo de 3a pessoa: ele vença, revele, ame eles vençam, revelem, amem
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Particípio
vencendo, que vence tema Masc. Fem. Neut. nik -o-ntnik -vn > nikÇn nik -ousa > nikÇsa
nik -on > nikÇn revelando, que revela dhlñ-o-ntdhlñ-vn > dhlÇn dhlñ-ousa > dhloèsa
dhlñ-on > dhloèn amando, que ama fil¡-o-ntfil¡-vn > filÇn fil¡-ousa > filoèsa f
il¡-on > filoèn
Infinitivo
vencer, estar vencendo nik en > nik n revelar, estar revelando dhloæen > dhloèn amar
, estar amando fil¡en > fileÝn
Indicativo imperfeito
vencia, estava vencendo S. ¤-nÛka-o-n > ¤nÛkvn ¤-nÛka-e-w > ¤nÛkaw ¤-nÛka-e > ¤n
Ûka P. ¤-nik -e-te > ¤nik te ¤-nÛka-o-n > ¤nÛkvn D. ¤-nik -e-ton > ¤nik ton ¤-nika-¡-thn
> ¤nik thn revelava, estava revelando ¤-d lo-o-n > ¤d loun ¤-d lo-e-w > ¤d louw ¤
-d lo-e > ¤d lou ¤-dhlñ-e-te > ¤-dhloète ¤-d lo-o-n > ¤d loun amava, estava aman
do ¤-fÛle-o-n > ¤fÛloun ¤-fÛle-e-w > ¤fÛleiw ¤-fÛl-e > ¤fÛlei ¤-fil¡-o-men > ¤fi
loèmen ¤-fil¡-e-te > ¤fileÝte ¤-fÛle-o-n > ¤fÛloun
¤-nik -o-men > ¤nikÇmen ¤-dhlñ-o-men > ¤dhloèmen
¤-dhlñ-e-ton > ¤dhloèton ¤-fil¡-e-ton > ¤fileÝton ¤-dhlo-¡-thn > ¤dhloæthn ¤file
-¡-thn > ¤fileÛthn
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a flexão verbal
peinÇ (pein v) eu tenho fome
Indicativo eu tenho fome S. Subjuntivo eu tenha. (se) tiver fome Optativo teria
fome, tivesse fome* Imperativo tem (tu) tende fome** peÛnh pein tv pein°te peinÅ
ntvn
peinÇ peinÇ peinÅimhn/peinÐmhn pein°iw/pein»w pein°iw/pein»w peinÅihw/peinÐhw pe
in°i/pein» pein°i/pein» peinÐih/peinÐh peinÇmen pein°te peinÇsi peinÇmen pein°te
peinÇsi pein°ton pein°ton peinÒmen peinÅite/peinÒte peinÅien/peinÒen
P.
D. pein°ton pein°ton
peinÅinton/peinÒnto pein°ton peinÅithn/peinÐthn pein tvn
* Também: poderia/pudesse ter fome. ** Imperativo de 3a pessoa: tenha ele/tenham
eles fome.
Imperfeito: S. ¤peÛnvn ¤peÛnhw ¤peÛnh
tinha fome P. ¤peinÇmen ¤pein°te ¤peÛnvn
estava tendo fome D. ¤pein°ton ¤pein thn
Particípio: que tem fome Tema Masc. pein ont- peinÇn-Çntow
Fem. peinÇsa-Åshw
Neut. penÇn-Çntow
Infinitivo: ter fome
pein°-en > pein°n
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VOZ MÉDIA E PASSIVA:
Indicativo
Voz média: venço, revelo, amo para mim/estou vencendo, revelando, amando para mi
m. Voz passiva: sou/estou sendo vencido, revelado, amado.
S. nik -o-mai > nikÇmai nik -e-sai > nik nik -e-tai > nik tai P. nik -e-sye > nik sye nik
ai > nikÇntai D. nik -e-syon > nik syon nik -e-syon > nik syon dhlñ-o-mai > dhloèmai dhl
ñ-e-sai > dhlÒ dhlñ-e-tai > dhloètai dhlñ-e-sye > dhloèsye dhlñ-o-ntai > dhloènt
ai fil¡-o-mai > filoèmai fil¡-e-sai > fil» fil¡-e-tai > fileÝtai fil¡-e-sye > fi
leÝsye fil¡-o-ntai > filoèntai
nika-ñ-meya > nikÅmeya dhlo-ñ-meya > dhloæmeya file-ñ-meya > filoæmeya
dhlñ-e-syon > dhloèsyon fil¡-e-syon > fileÝsyon dhlñ-e-syon > dhloèsyon fil¡-e-s
yon > fileÝsyon
Subjuntivo
Voz média: vença, revele, ame, esteja vencendo, revelando, amando para mim. Voz
passiva: seja/esteja sendo vencido, revelado, amado.
S. nik -v-mai > nikÇmai nik -h-sai > tim nik -h-tai > tim tai P. nik -h-sye > nik sye D. n
-syon > nik syon nik -h-syon > nik syon dhlñ-v-mai > dhlÇmai dhlñ-h-sai > dhlÒ dhlñ-h-
tai > dhlÇtai dhlñ-h-sye > dhlÇsye fil¡-v-mai > filÇmai fil¡-h-sai > fil» fil¡-h
-tai > fil°tai fil¡-h-sye > fil°sye
nika-Å-meya > nikÅmeya dhlo-Å-meya > dhlÅmeya file-Å-meya>filÅmeya nik -v-ntai > n
ikÇntai dhlñ-v-ntai > dhlÇntai fil¡-v-ntai > filÇntai dhlñ-h-syon > dhlÇsyon fil
¡-h-syon > fil°syon dhlñ-h-syon > dhlÇsyon fil¡-h-syon > fil°syon
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a flexão verbal
Optativo
Voz média: venceria/vencesse, revelaria/revelasse, amaria/amasse estaria/estives
se vencendo, revelando, amando para mim. Voz passiva: seria/fosse vencido, revel
ado, amado; poderia/pudesse ser (estar sendo) vencido, revelado, amado.
S. nika-oÛ-mhn > nikÐmhn nik -oi-so > nikÒ nik -oi-to > nikÒto nik -oi-sye > nikÒsye n
ik -oi-nto > nikÒnto dhlo-oÛ-mhn > dhloÛmhn dhlñ-oi-so > dhloÝo dhlñ-oi-to > dhloÝ
to dhlñ-oi-sye > dhloÝsye dhlñ-oi-nto > dhloÝnto file-oÛ-mhn > filoÛmhn fil¡-oi-
so > filoÝo fil¡-oi-to > filoÝto fil¡-oi-sye > filoÝsye fil¡-oi-nto > filoÝnto
P. nika-oÛ-meya > nikÐmeya dhlo-oÛ-meya > dhloÛmeya file-oÛ-meya > filoÛmeya
D. nik -oi-syon > nikÒsyon dhlñ-oi-syon > dhloÝsyon fil¡-oi-syon > filoÝsyon nika-
oÛ-syhn > nikÐsyhn dhlo-oÛ-syhn > dhloÛsyhn file-oÛ-syhn > filoÛsyhn
Imperativo
Voz média: vence, revela, ama para ti - vencei, revelai, amai para vós - vença,
revele, ame (ele)/(eles) - vençam, revelem, amem para si. Voz passiva: sê/sede v
encido(s), revelado(s), amado(s).
S. nik -e-so > nikÇ nika-¡-syv > nik syv P. nik -e-sye > nik sye D. nik -e-syon > nik syon
hlñ-e-sye > dhloèsye dhlñ-e-syon > dhloèsyon fil¡-e-sye > fileÝsye fil¡-e-syon >
fileÝsyon nika-¡-syvn > nik syvn dhlo-¡-syvn > dhloæsyvn file-¡-syvn > fileÛsyvn
nika-¡-syvn > nik syvn dhlo-¡-syvn > dhloæsyvn file-¡-syvn > filoæsyvn dhlñ-e-so >
dhloè dhlo-¡-syv > dhloæsyv fil¡-e-so > filoè file-¡-syv > fileÛsyv
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a flexão verbal
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Particípio
Voz média: vencendo, revelando, amando para si/que vence, revela, ama para si. V
oz passiva: sendo vencido, revelado, amado/que é (está sendo) vencido, revelado,
amado. Tema Masc. Fem. Neut. nika-ñ-menonikÅmenow nikvm¡nh nikÅmenon dhlo-ñ-men
odhloæmenow dhloum¡nh dhloæmenon file-ñ-menofiloæmenow filoum¡nh filoæmenon
Infinitivo
Voz média: vencer, revelar, amar/estar vencendo, revelando, amando para si. Voz
passiva: estar sendo/ser: vencido, revelado, amado.
nik -e-syai > nik syai dhlñ-e-syai > dhloèsyai fil¡-e-syai > fileÝsyai
Imperfeito
Voz média: estava vencendo, revelando, amando/vencia, revelava, amava para si. V
oz passiva: era / estava sendo vencido, revelado, amado.
S. ¤-nika-ñ-mhn > ¤nikÅmhn ¤-nik -e-so > ¤nikÇ ¤-nik -e-to > ¤nik to P. ¤-dhlo-ñ-mhn >
¤dhloæmhn ¤-dhlñ-e-so > ¤dhloè ¤-dhlñ-e-to > ¤dhloèto ¤-file-ñ-mhn > ¤filoæmhn
¤-fil¡-e-so > ¤filoè ¤-fil¡-e-to > ¤fileÝto
¤-nika-ñ-meya > ¤nikÅmeya ¤-dhlo-ñ-meya > ¤dhloæmeya ¤-file-ñ-meya > ¤filoæmeya
¤-nik -e-sye > ¤nik sye ¤-nik -o-nto > ¤nikÇnto ¤-dhlñ-e-sye > ¤dhloèsye ¤-dhlñ-o-nto
> ¤dhloènto ¤-dhlñ-e-syon > ¤dhloèsyon ¤-dhlo-¡-syhn > ¤dhloæsyhn ¤-fil¡-e-sye >
¤fileÝsye ¤-fil¡-o-nto > ¤filoènto ¤-fil¡-e-syon > ¤fileÝsyon ¤-file-¡-syhn > ¤
fileÛsyhn
D.
¤-nik -e-syon > ¤nik syon ¤-nika-¡-syhn > ¤nik syhn
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a flexão verbal
xrÇmai (xr omai): eu uso, eu me sirvo de
Indicativo
Voz média: eu me sirvo, eu uso para mim. Voz média: eu me sirva, (se) eu me serv
ir. Voz média: eu me serviria, eu me servisse, poderia/pudesse servir-me. Voz mé
dia: serve-te, sirva-se, servi-vos, sirvam-se.
Indicativo xrÇmai xr°i / xr» xr°tai xrÅmeya xr°sye xrÇntai xr°syon xr°syon Subju
ntivo xrÇmai xr°i/xr» xr°tai xrÅmeya xr°sye xrÇntai xr°syon xr°syon Optativo xrv
Ûmhn/xrÐmhn xrÅio/xrÒo xrÅito/xrÒto xrvÛmeya/xrÐmeya xrÅisye/xrÒsye xrÅinto/xrÒn
to xrvÛsyhn/xrÐsyhn xrvÛsyhn/xrÐsyhn Imperativo xrÇ xr syv xr°sye xr syvn xr°syo
n xr syvn
Subjuntivo Optativo
Imperativo
S.
P.
D.
Particípio
Voz média: que se serve, que usa. Tema masc. fem. xrañmeno- xrÅmenow xrvm¡nh Voz
média: servir-se, usar. xr°syai Voz média: servia-se, usava. S. ¤xrÅmhn P. ¤xrÅ
meya ¤xrÇ ¤xr°sye ¤xr°to ¤xrÇnto
neut. xrÅmenon
Infinitivo
Imperfeito
D.
¤xr°syon ¤xr syhn
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a flexão verbal
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Quadro demostrativo da evolução fonética
Tema: nika-jIndicativo ativo presente
S. nik -j-v > nik -j-e-si > nik -j-e-ti > nik -j-o-men > nik -j-e-te > nik -j-o-nti > nik -
-ton > nik -j-e-ton > nik v > nik esi > nik eti > nik omen > nik ete > nik onti > nik eton
ton > nik si > nik esi > nik i+w > nik si > nikÇ nik iw /nik w nik i /nik nikÇmen nik te n
ik ton nik ton
P.
nikÇnti >
nikÇnsi >
D.
Subjuntivo ativo
S. nik -j-v > nik -j-h-si > nik -j-h-ti > nik v > nik hsi > nik hti > nik si > nik ti > nik
nik si > nikÇ nik iw/nik w nik i/nik nikÇmen nik te nikÇsi nik ton nik ton
P.
nik -j-v-men > nik vmen > nik -j-h-te > nik hte > nik te > nik -j-v-nti > nik vnti > nikÇnt
nik -j-h-ton > nik -j-h-ton > nik hton > nik hton >
nikÇnsi >
D.
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a flexão verbal
Optativo ativo
S. nika-j-o-Ûh-n > nika-j-o-Ûh-w > nika-j-o-Ûh-(t) > nik -j-o-i-men > nik -j-o-i-te
> nik -j-o-i-e-n > nik -j-o-i-ton > nika-j-o-Û-thn > nikaoÛhn > nikaoÛhw > nikaoÛh >
nik oimen > nik oite > nik oien > nik oiton > nikaoÛthn > nikvÛhn/nikÐhn 38 nikÅihw/nik
Ðhw nikÅih/nikÐh nikÅimen/nikÒmen nikÅite/nikÒte nikÅien/nikÒen nikÅiton/nikÒton
nikÅithn/nikÐthn
P.
D.
Imperativo ativo
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a nÛka-j-e > nikaj-¡-tv > nik -j-e-te > nika-j-ñ-ntvn > n
ik -j-e-ton > nika-j-¡-tvn > nÛkae> nika¡tv > nik ete > nikañntvn > nik eton > nika¡tv
n > nÛka nik tv nik te nikÅntvn nik ton nik tvn
Particípio ativo
Tema Masc. Fem. nik -j-o-nt-> nik -j-o-nt-w > nik -j-o-nt-j-a > nik ont- > nik ont > nik on
ia > nik ont > nikÇnt > nik ousia > nik on > nik ousa > nikÇntnikÇn nikÇsa nikÇn
Neutro nik -j-o-nt >
38
Variantes: nik o-j-o-i-mi > nik oimi > nikÅimi/nikÒmi; nik -j-o-i-w > nik oiw > nikÅiw/n
ikÒw; nik -j-o-i-t > nik oi > nikÅi/nikÒ
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a flexão verbal
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Infinitivo ativo nik -j-en > Imperfeito ativo
S. ¤-nÛka-j-o-n > ¤-nÛka-j-e-w > ¤-nÛka-j-e-(t) > ¤-nik -o-men > ¤-nik -j-e-te > ¤-n
Ûka-j-o-n > ¤-nik -j-e-ton > ¤-nika-j-¡-thn > ¤nÛkaon > ¤nÛkaew > ¤nÛkae > ¤nik omen
> ¤nik ete > ¤nÛkaon > ¤nik eton > ¤nika¡thn > ¤nÛkvn ¤nÛkaw ¤nÛka ¤nikÇmen ¤nik te ¤
nÛkvn ¤nik ton ¤nik thn
nik en >
nik n
P.
D.
Indicativo presente médio / passivo
S. nik -j-o-mai > nik -j-e-sai > nik -j-e-tai > nik omai > nikÇmai nik esai > nik eai > nik
> nik iw / nik w nik etai > nik tai nikÅmeya nik sye nikÇntai nik syon nik syon
P.
nika-j-ñ-meya > nikañmeya > nik -j-e-sye > nik esye > nik -j-o-ntai > nik ontai >
D. nik -j-e-syon > nik syon > nik -j-e-syon > nik syon >
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Subjuntivo médio / passivo
S. nik -j-v-mai > nik -j-h-sai > nik -j-h-tai > nika-j-Å-meya > nik -j-h-sye > nik -j-v-nt
ai > nik -j-h-syon > nik -j-h-syon > nik vmai > nik hsai > nik htai > nikaÅmeya > nik hsye
nik vntai > nik hsyon > nik hsyon > nik hai > nik hi > nikÇmai nik i/nik nik tai nikÅmeya
e nikÇntai nik syon nik syon
P.
D.
Optativo médio / passivo
S. nika-j-o-Û-mhn > nik -j-o-i-so > nik -j-o-i-to > nika-j-o-Û-meya > nik -j-o-i-sye >
nik -j-o-i-nto > nik -j-o-i-syon > nika-j-o-Û-syhn > nikaoÛmhn > nik oiso > nik oito >
nikaoÛmeya > nik oisye > nik ointo > nik oisyon > nikaoÛsyhn > nikvÛmhn/nikÐmhn nikÅio
/nikÒ nikÅito/nikÒto nikÅimeya/nikÐmeya nikÅisye/nikÒsye nikÅinto /nikÒnto nikÅi
syon/nikÒsyon nikÅisyhn/nikÐsyhn
P.
D.
Imperativo médio / passivo
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a nik -j-e-so > nika-j-¡-syv > nik -j-e-sye > nik -j-¡-syvn >
nik -j-e-syon > nika-j-¡-syvn > nik eso > nik eo > nika¡syv > nik esye > nika¡syvn > ni
k esyon > nika¡syvn > nik v > nikÇ nik syv nik sye nik syvn nik syon nik syvn
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Particípio médio / passivo
Tema Masc. Fem. Neutro nika-j-ñ-meno- > nika-j-ñ-meno-w > nika-j-o-m¡nh > nika-j
-ñ-menon > nikañmeno- > nikañmenow > nikaom¡nh > nikañmenon > nikÅmenonikÅmenow
nikvm¡nh nikÅmenon
Infinitivo médio / passivo
nik -j-e-syai > nik esyai > nik syai
Imperfeito médio / passivo
S. ¤-nik -j-ñ-mhn > ¤-nik -j-e-so > ¤-nik -j-e-to > ¤-nika-j-ñ-meya > ¤-nik -j-e-sye > ¤
-nik -j-o-nto > ¤-nik -j-e-syon > ¤-nika-j-¡-syhn > ¤nikañmhn > ¤nik eso > ¤nik eto > ¤n
ikañmeya > ¤nik esye > ¤nik onto > ¤nik esyon > ¤nika¡syhn > ¤nik eo > ¤nikÅmhn ¤nik o > ¤
nÛkÇ ¤nik to ¤nikÅmeya ¤nik sye ¤nikÇnto ¤nik syon ¤nik syhn
P.
D.
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a flexão verbal
Tema: peinaj- / peinhjIndicativo ativo presente
S. pein -j-v > pein -j-e-si > pein -j-e-ti > pein v > pein esi > pein eti > pein
¡v > pein ei > pein esi > pein°i +w > pein ei > peinÇ pein°iw/pein»w pein°i/pein
»
P.
pein -j-o-men > pein omen > peinÇmen pein -j-e-te > pein ete > pein°te pein -j-o
-nti > pein onti > peinÇnti > peinÇnsi > peinÇsi pein -j-e-ton > pein eton > pei
n -j-e-ton > pein eton > pein°ton pein°ton
D.
Subjuntivo ativo
S. pein -j-v > pein -j-h-si > pein -j-h-ti > pein -j-h-te > pein v > pein hsi >
pein hti > pein hte > pein¡v > pein¡hsi > pein°si > pein¡hti > pein°ti > pein et
e > peinÇ pein°i +w > pein°iw/ pein»w pein°si > pein°i/pein» peinÇmen pein°te pe
in°ton pein°ton
P. pein -j-v-men > pein vmen > pein¡vmen >
pein -j-v-nti > pein vnti > pein¡vnti > peinÇnti > peinÇnsi > peinÇsi D. pein -j
-h-ton > pein hton > pein¡hton > pein -j-h-ton > pein hton > pein¡hton >
mur05.p65
380
22/01/01, 11:37
a flexão verbal
381
Optativo ativo
S. peinh-j-o-Ûhn > peinh-j-o-Ûhw > peinh-j-o-Ûh > pein -j-o-i-men > pein -j-o-i-
te > pein -j-o-i-en > peinhoÛhn > peinhoÛhw > peinhoÛh > peinÅimhn/peinÐmhn pein
Åihw/peinÐhw peinÐih/peinÐh
P.
pein oimen > peinÅimen > peinÒmen pein oite > peinÅite/peinÒte pein oien > peinÅ
ien/peinÒen peinÅinton/peinÒnto peinÅithn/peinÐthn
D.
pein -j-o-i-ton > pein ointon > peinh-j-o-Û-thn > peinhoÛthn >
Imperativo ativo
S. P. 2a 3a 2a 3a peÛnh-j-e > peinh-j-¡-tv > pein -j-e-te > peinh-j-ñ-ntvn > pei
n -j-e-ton > peinh-j-¡-tvn > peÛnhe > peinh¡tv > pein ete > peinhñntvn > pein et
on > peinh¡tvn > peineÅntvn > peÛnh pein tv pein°te peinÅntvn pein°ton pein tvn
D. 2a 3a
Particípio ativo
Tema Masc. Fem. pein -j-ontpein -j-ont-w > peinh-j-ñ-ntja >peinhñntia > pein -on
tpein ontw >peinÇntw > pein°ont > peinÇntpeinÇn/Çntow peinÇn-Çntow
peinÅntia > peinÅnsia > peinÇsa-shw
Neutro pein -j-ont >
Infinitivo ativo
pein -j-en > pein°en > pein°n
mur05.p65
381
22/01/01, 11:37
382
a flexão verbal
Imperfeito ativo
S. ¤-peÛnh-j-o-n > ¤-peÛnh-j-e-w > ¤-peÛnh-j-e > ¤-pein -j-o-men > ¤-pein -j-e-t
e > ¤-pein -j-o-nto > ¤-pein -j-e-ton > ¤-peinh-j-¡-thn > ¤peÛnhon > ¤peÛnhew >
¤peÛnhe > ¤pein omen > ¤pein ete > ¤pein onto > ¤pein eton > ¤peinh¡thn > ¤peÛnv
n ¤peÛnhw ¤peÛnh ¤peinÇmen ¤pein°te ¤peinÇnto ¤pein°ton ¤pein thn
P.
D.
Tema: xraj- / xrhjIndicativo presente médio
S. xr -j-o-mai > xr -j-e-sai > xr -j-e-tai > xrh-j-ñ-meya > xr -j-e-sye > xr -j-
o-ntai > xr -j-e-syon > xr -j-e-syon > xr omai > xr esai > xr etai > xrhñmeya >
xr esye > xr ontai > xr esyon > xr esyon > xr eai > xrÇmai xr°i / xr» xr°tai xrÅ
meya xr°sye xrÇntai xr°syon xr°syon
P.
D.
mur05.p65
382
22/01/01, 11:37
a flexão verbal
383
Subjuntivo médio
S. xr -j-v-mai > xr -j-h-sai > xr -j-h-tai > P. xr -j-h-sye > D. xr -j-h-syon >
xr -j-h-syon > xr vmai > xr hsai > xr htai > xr hsye > xr hsyon > xr hsyon > xr¡
vmai > xr¡hsai > xr¡htai > xreÅmeya > xr¡hsye > xr¡vntai > xr¡hsyon > xr¡hsyon >
xr°sai > xr°ai > xrÇmai xr°i/xr» xr°tai xrÅmeya xr°sye xrÇntai xr°syon xr°syon
xrh-j-Å-meya > xrhÅmeya > xr -j-v-ntai > xr vntai >
Optativo médio
S. xrh-j-o-Û-mhn > xr -j-o-i-so > xr -j-o-i-to > P. xrh-j-o-Û-meya > xr -j-o-i-s
ye > xr -j-o-i-nto > D. xrh-j-o-Û-syhn > xrh-j-o-Û-syhn > xrhoÛmhn > xr oiso > x
r oito > xrhoÛmeya > xr oisye > xr ointo > xrhoÛsyhn > xrhoÛsyhn > xr oio > xrvÛ
mhn/xrÐmhn xrÅio/xrÒo xrÅito/xrÒto xrvÛmeya/xrÐmeya xrÅisye/xrÒsye xrÅinto/xrÒnt
o xrvÛsyhn/xrÐsyhn xrvÛsyhn/xrÐsyhn
Imperativo médio
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a xr -j-e-so > xrh-j-¡-syv > xr -j-e-sye > xrh-j-¡-syvn
> xr -j-e-syon > xrh-j-¡-syvn > xr eso > xrh¡syv > xr esye > xrh¡syvn > xr esyo
n > xrh¡syvn > xr°so > xr°o > xrÇ xr syv xr°sye xr syvn xr°syon xr syvn
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383
22/01/01, 11:37
384
a flexão verbal
Particípio médio
Tema Masc. Fem. Neutro xrh-j-ñ-meno > xrh-j-ñ-menow > xrh-j-o-m¡nh > xrh-j-ñ-men
on > xrhñmeno > xrhñmenow > xrhom¡nh > xrhñmenon > xrÅmenoxrÅmenow xrvm¡nh xrÅme
non
Infinitivo médio
xr -j-e-syai > xr esyai > xr°syai
Imperfeito médio
S. ¤-xrh-j-ñ-mhn > ¤-xr -j-e-so > ¤-xr -j-e-to > ¤-xrh-j-ñ-meya > ¤-xr -j-e-sye
> ¤-xr -j-o-nto > ¤-xr -j-e-syon > ¤-xrh-j-¡-syhn > ¤xrhñmhn > ¤xr eso > ¤xr eo
> ¤xr eto > ¤xrhñmeya > ¤xr esye > ¤xr onto > ¤xr esyon> ¤xrh¡syhn > ¤xr o > ¤xr
Åmhn ¤xrÇ ¤xr°to ¤xrÅmeya ¤xr°sye ¤xrÇnto ¤xr°syon ¤xr syhn
P.
D.
mur05.p65
384
22/01/01, 11:37
a flexão verbal
385
Tema: dhlo-j-
Indicativo ativo presente
S. dhlñ-j- v > dhlñ-j- esi > dhlñ-j- eti > P. dhlñ-j- ete > dhlñ-j- onti > D. dh
lñ-v > dhlñ-e-si > dhlñ-e-ti > dhlñ-e-te > dhlñ-o-nsi > dhloènsi > dhlñei > dhlñ
esi > dhloèi > dhlñei > dhloÝ+w> dhloèi > dhlÇ dhloÝw dhloÝ dhloèmen dhloète dhl
oèsi dhloèton dhloèton
dhlñ-j- omen > dhlñ-o-men >
dhlñ-j- eton > dhlñ-e-ton > dhlñ-j- eton > dhlñ-e-ton >
Subjuntivo ativo
S. dhlñ-j-v > dhlñ-j- hsi > dhlñ-j-hti > P. dhlñ-j- vmen > dhlñ-j- hte > dhlñ-j-
vnti > D. dhlñ-j- hton > dhlñ-j- hton > dhlñ-v > dhlñ-h-si > dhlñ-h-ti > dhlñ-v
-men > dhlñ-h-te > dhlñ-v-nti > dhlñ-h-ton > dhlñ-h-ton > dhlñvnsi > dhlñvsi > d
hlñhi > dhlñhsi > dhlñúi+w> dhlÇ dhlÅiw/dhlÒw dhlÇmen dhlÇte dhlÇsi dhlÇton dhlÇ
ton dhlñhi/dhlÅi dhlÅi/dhlÒ
mur05.p65
385
22/01/01, 11:37
386
a flexão verbal
Optativo ativo
S. dhlo-j- oÛhn > dhlo-j-oÛh-w > dhlo-j-oÛh(t) > dhlñ-j-oimen > dhlñ-j-oite > dh
lñ-j-oint > dhlñ-j- oiton > dhlo-j- oÛthn > dhlo-oÛ-hn > dhlo-oÛ-hw > dhlo-oÛ-h
> dhlñ-oi-men > dhlñ-oi-te > dhlñ-oi-n > dhlñ-oi-ton > dhlo-oÛ-thn > dhlouÛhn >
dhlouÛhw > dhlouÛh > dhloæimen > dhloæite > dhloæin > dhloæiton > dhloæithn > dh
loÛhn39 dhloÛhw dhloÛh dhloÝmen dhloÝte dhloÝen dhloÝton dhloÛthn
P.
D.
Imperativo ativo
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a d lo-j-e > dhlo-j-¡-tv > dhlñ-j-ete > dhlo-j-ñntvn >
dhlñ-j-eton > dhlñ-j-¡tvn > d lo-e > dhlo-¡-tv > dhlñ-e-te > dhlo-ñ-ntvn > dhlñ-
e-ton > dhlo-¡-tvn > d lou dhloætv dhloète dhloæntvn dhloèton dhloætvn
Particípio ativo
Tema Masc. Fem. dhlñ-j-o-nt-> dhlñ-j-o-nt- > dhlñont-> dhlñvnt > dhlñont > dhlñv
nt > dhloñnsia > dhlñon > dhlÇnt > dhloèntdhlÇn dhloèn dhloæsia > dhloèsa
dhlo-j-ñ-nt-j-a > dhloñntia >
Neutro dhlñ-j-o-nt >
39
Variantes: dhlñ-j-o-i-mi > dhlñoimi > dhloæimi > dhloÝmi;
dhlñ-j-o-i-w > dhlñoiw > dhloæiw > dhloÝw; dhlñ-j-o-i-t > dhlñoi > dhloæi > dhlo
Ý.
mur05.p65
386
22/01/01, 11:37
a flexão verbal
387
Infinitivo ativo dhlñ-j-en > dhlñen > dhloèn
Imperfeito ativo
S. ¤-d lo-j-o-n > ¤-d lo-j-e-w > ¤-d lo-j-e-(t) > ¤-dhlñ-j-o-men > ¤-dhlñ-j-e-te
> ¤-d lo-j-o-nt > ¤-dhlñ-j-e-ton > ¤-dhlo-j- ¡-thn > ¤-d loo-n > ¤-d loe-w > ¤-
d loe > ¤-dhlño-men > ¤-dhlñe-te > ¤-d loo-n > ¤-dhlñe-ton > ¤-dhlo¡-thn > ¤d lo
un ¤d louw ¤d lou ¤dhloèmen ¤-dhloète ¤d loun ¤dhloèton ¤dhloæthn
P.
D.
Indicativo presente médio / passivo
S. dhlñ-j-o-mai > dhlñ-j-e-sai > dhlñ-j-e-tai > dhlo-j-ñ-meya > dhlñ-j-e-sye > d
hlñ-j-o-ntai > dhlñ-j-e-syon > dhlñ-j-e-syon > dhlñ-o-mai > dhlñ-e-sai > dhlñ-e-
tai > dhlo-ñ-meya > dhlñ-e-sye > dhlñ-o-ntai > dhlñ-e-syon > dhlñ-e-syon > dhlñe
ai > dhloèai > dhloèmai dhlÒ dhloètai dhloæmeya dhloèsye dhloèntai dhloèsyon dhl
oèsyon
P.
D.
mur05.p65
387
22/01/01, 11:37
388
a flexão verbal
Subjuntivo médio / passivo
S. dhlñ-j-v-mai > dhlñ-j-h-sai > dhlñ-j-h-tai > P. dhlo-j-Å-meya > dhlñ-j-h-sye
> dhlñ-j-v-ntai > D. dhlñ-j-h-syon > dhlñ-j-h-syon > dhlñ-v-mai > dhlñ-h-sai > d
hlñ-h-tai > dhlo-Å-meya > dhlñ-h-sye > dhlñ-v-ntai > dhlñ-h-syon > dhlñ-h-syon >
dhlñhai > dhlñhi > dhlÇmai dhlÒ/dhlÇi dhlÇtai dhlÅmeya dhlÇsye dhlÇntai dhlÇsyo
n dhlÇsyon
Optativo médio / passivo
S. dhl0-j-o-Û-mhn > dhlñ-j-o-i-so > dhlñ-j-o-i-to > P. dhlo-j-o-Û-meya > dhlñ-j-
o-i-sye > dhlñ-j-o-i-nto > D. dhlñ-j-o-i-syon > dhlo-j-o-Û-syhn > dhlo-oÛ-mhn >
dhlñ-oi-so > dhlñ-oi-to > dhlo-oÛ-meya > dhlñ-oi-sye > dhlñ-oi-nto > dhlñ-oi-syo
n > dhlo-oÛ-syhn > dhlouÛmhn > dhlñoio > dhloæito > dhlouÛmeya > dhloæisye > dhl
oæinto > dhloæisyon > dhlouÛsyhn > dhloæio > dhloÛmhn dhloÝo dhloÝto dhloÛmeya d
hloÝsye dhloÝnto dhloÝsyon dhloÛsyhn
Imperativo médio / passivo
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a dhlñ-j-e-so > dhlo-j-¡-syv > dhlñ-j-e-sye > dhlo-j-¡-
syvn > dhlñ-j-e-syon > dhlo-j-¡-syvn > dhlñ-e-so > dhlo-¡-syv > dhlñ-e-sye > dhl
o-¡-syvn > dhlñ-e-syon > dhlo-¡-syvn > dhlñeo > dhloèo > dhloè dhloæsyv dhloèsye
dhloæsyvn dhloèsyon dhloæsyvn
mur05.p65
388
22/01/01, 11:37
a flexão verbal
389
Particípio médio / passivo Tema Masc. Fem. Neutro dhlo-j-ñ-meno- > dhlo-j-ñ-meno
-w > dhlo-j-o-m¡nh > dhlo-j-ñ-meno-n > dhlo-ñ-meno- > dhlo-ñ-menow > dhlo-o-m¡nh
> dhlo-ñ-menon > dhloæmenodhloæmenow dhloum¡nh dhloæmenon
Infinitivo médio / passivo dhlñ-j-e-syai > dhlñ-e-syai > dhloèsyai
Imperfeito médio / passivo
S. ¤-dhlo-j-ñ-mhn > ¤-dhlñ-j-e-so > ¤-dhlñ-j-e-to > P. ¤-dhlo-j-ñ-meya > ¤-dhlñ-
j-e-sye > ¤-dhlñ-j-o-nto > D. ¤-dhlñ-j-e-syon > ¤-dhlo-j-¡-syhn > ¤-dhlo-ñ-mhn >
¤-dhlñ-e-so > ¤-dhlñ-e-to > ¤-dhlo-ñ-meya > ¤-dhlñ-e-sye > ¤-dhlñ-o-nto > ¤-dhl
ñ-e-syon > ¤-dhlo-¡-syhn > ¤-dhlñeo > ¤-dhloèo > ¤dhloæmhn ¤dhloè ¤dhloèto ¤dhlo
æmeya ¤dhloèsye ¤dhloènto ¤dhloèsyon ¤dhloæsyhn
mur05.p65
389
22/01/01, 11:37
390
a flexão verbal
Tema: file-jIndicativo presente ativo
S. fil¡-j-v > fil¡-j-e-si > fil¡-j-e-ti > fil¡-j-o-men > fil¡-j-e-te > fil¡-j-o-
nti > fil¡-j-e-ton > fil¡-j-e-ton > fil¡-v > fil¡-e-si > fil¡-e-ti > fil¡-o-men
> fil¡-e-te > fil¡-o-nti > fil¡-e-ton > fil¡-e-ton > fil¡ei > fil¡esi > fileÝ+w
> fil¡ei > filÇ fileÝw fileÝ filoèmen fileÝte filoèsi fileÝton fileÝton
P.
fil¡onsi >
filoènsi >
D.
Subjuntivo ativo
S. fil¡-j-v > fil¡-j-h-si > fil¡-j-h-ti > fil¡-j-v-men > fil¡-j-h-te > fil¡-j-v-
nti > fil¡-j-h-ton > fil¡-j-h-ton > fil¡-v > fil¡-h-si > fil¡-h-ti > fil°si > fi
l°si > fil°i+w> filÇ fil»w/fil°iw fil»/fil°i filÇmen fil°te filÇsi fil°ton fil°t
on
P.
fil¡-v-men > fil¡-h-te > fil¡-v-nti > fil¡vnsi > filÇnsi > fil¡-h-ton > fil¡-h-t
on >
D.
mur05.p65
390
22/01/01, 11:37
a flexão verbal
391
Optativo ativo
S. file-j-o-Ûh-n > file-j-o-Ûh-w > file-j-o-Ûh-(t) > fil¡-j-o-i-men > fil¡-j-o-i
-te > fil¡-j-o-i-nt > fil¡-j-o-i-ton > file-j-o-Û-thn > file-oÛh-n > file-oÛh-w
> file-oÛh > fil¡-oi-men > fil¡-oi-te > fil¡-oi-en > fil¡-oi-ton > file-oÛ-thn >
filouÛhn > filouÛhw > filouÛh > filouÝmen > filouÝte > filouÝen > filouÝton > f
ilouÛthn > filoÛhn40 filoÛhw filoÛh filoÝmen filoÝte filoÝen filoÝton filoÛthn
P.
D.
Imperativo ativo
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a fÛle-j-e > file-j-¡-tv > fil¡-j-e-te > file-j-ñ-ntvn
> fil¡-j-e-ton > file-j-¡-tvn > fÛle-e > file-¡-tv > fil¡-e-te > file-ñ-ntvn > f
il¡-e-ton > file-¡-tvn > fÛlei fileÛtv fileÝte filoæntvn fileÝton fileÛtvn
Particípio ativo
Tema Masc. Fem. Neutro fil¡-j-o-nt-> fil¡-j-o-nt- > file-j-ñ-nt-j-a > fil¡-j-o-n
t > fil¡-o-nt-> fil¡-v-nt > fileñntia > fil¡-o-nt > filoèntfil¡vnt > filÇnt > fi
lÇn fileñnsia > fileñnsa > filoèsa filoènt > filoèn
40
Variantes: fil¡-j-o-i-mi > fil¡oimi > filoæi-mi > filoÝmi; fil¡-j-o-i-w > fil¡oi
w > filoèiw > filoÝw; fil¡-j-o-i-t> fil¡oi > filoèi > filoÝ
mur05.p65
391
22/01/01, 11:38
392
a flexão verbal
Infinitivo ativo fil¡-j-en > Imperfeito ativo
S. ¤-fÛle-j-o-n > ¤-fÛle-j-e-w > ¤-fÛle-j-e (t) > ¤-fil¡-j-o-men > ¤-fil¡-j-e-te
> ¤-fÛle-j-o-nt > ¤-fil¡-j-e-ton > ¤-file-j-¡-thn > ¤-fÛle-o-n > ¤-fÛle-e-w > ¤
-fÛle e > ¤-fil¡-o-men > ¤-fil¡-e-te > ¤-fÛle-o-n > ¤-fil¡-e-ton > ¤file-¡-thn >
¤fÛloun ¤fÛleiw ¤fÛlei ¤filoèmen ¤fileÝte ¤fÛloun ¤fileÝton ¤fileÛthn
fil¡-en >
fileÝn
P.
D.
Indicativo médio / passivo presente
S. fil¡-j-o-mai > fil¡-j-e-sai > fil¡-j-e-tai > file-j-ñ-meya > fil¡-j-e-sye > f
il¡-j-o-ntai > fil¡-j-e-syon > fil¡-j-e-syon > fil¡-o-mai > fil¡-e-sai > fil¡-e-
tai > file-ñ-meya > fil¡-e-sye > fil¡-o-ntai > fil¡-e-syon > fil¡-e-syon > fil¡e
ai > fil¡hi > filoèmai fil»/fil°i fileÝtai filoæmeya fileÝsye filoèntai fileÝsyo
n fileÝsyon
P.
D.
mur05.p65
392
22/01/01, 11:38
a flexão verbal
393
Subjuntivo médio / passivo
S. fil¡-j-v-mai > fil¡-j-h-sai > fil¡-j-h-tai > fil¡-v-mai > fil¡-h-sai > fil¡-h
-tai > fil¡hai > fil¡hi > filÇmai fil»/fil°i fil°tai filÅmeya fil°sye filÇntai f
il°syon fil°syon
P.
file-j-Å-meya > file-Å-meya > fil¡-j-h-sye > fil¡-h-sye > fil¡-j-v-ntai > fil¡-v
-ntai > fil¡-j-h-syon > fil¡-j-h-syon > fil¡-h-syon > fil¡-h-syon >
D.
Optativo médio / passivo
S. file-j- o-Û-mhn > fil¡-j-o-i-so > fil¡-j-o-i-to > file-j-o-Û-meya > fil¡-j-o-
i-sye > fil¡-j-o-i-nto > fil¡-j-o-i-syon > file-j-o-Û-syhn > file-oÛ-mhn > fil¡-
oi-so > fil¡-oi-to > file-oÛ-meya > fil¡-oi-sye > fil¡-oi-nto > fil¡-oi-syon > f
ile-oÛ-syhn > filouÛmhn > filoæio > filoæito > filouÛmeya > filoæisye > filoæint
o > filoæisyon > filouÛsyhn > filoÛmhn filoÝo filoÝto filoÛmeya filoÝsye filoÝnt
o filoÝsyon filoÛsyhn
P.
D.
Imperativo médio / passivo
S. P. D. 2a 3a 2a 3a 2a 3a fil¡-j-e-so > file-j-¡-syv > fil¡-e-so > fil¡eo > fil
e-¡-syv > fil¡ou > filoè fileÛsyv fileÝsye fileÛsyvn fileÝsyon fileÛsyvn
fil¡-j-e-sye > fil¡-e-sye > file-j-¡-syvn > file-¡-syvn > fil¡-j-e-syon > fil¡-e
-syon > file-j-¡-syvn > file-¡-syvn >
mur05.p65
393
22/01/01, 11:38
394
a flexão verbal
Particípio médio / passivo Tema Masc. Fem. Neutro file-j-ñ-meno- > file-j-ñ-meno
w > file-j-o-m¡nh > file-j-ñ-menon> file-ñ-meno- > file-ñ-menow > file-o-m¡nh >
file-ñ-menon > filoæmenofiloæmenow filoum¡nh filoæmenon
Infinitivo médio / passivo fil¡-j-e-syai > Imperfeito médio / passivo
S. ¤-file-j-ñ-mhn > ¤-fil¡-j-e-so > ¤-fil¡-j-e-to > ¤-file-ñ-mhn > ¤-fil¡-e-so >
¤-fil¡eo > ¤-fil¡-e-to > ¤filoæmhn ¤fil¡ou > ¤filoè ¤fileÝto ¤filoæmeya ¤fileÝs
ye ¤filoènto ¤fileÝsyon ¤fileÛsyhn
fil¡-e-syai >
fileÝsyai
P.
¤-file-j-ñ-meya > ¤-file-ñ-meya > ¤-fil¡-j-e-sye > ¤-fil¡-e-sye > ¤-fil¡-j-onto
> ¤-fil¡-o-nto >
D. ¤-fil¡-j-e-syon > ¤-fil¡-e-syon > ¤-file-j-¡-syhn > ¤-file-¡-syhn >
mur05.p65
394
22/01/01, 11:38
a flexão verbal
395
Quadro de flexão de verbos em -mi com sufixo nu/nnu
T. deik-nu - deÛk-nu-mi - eu mostro VOZ ATIVA Infectum:
Indicativo mostro S. deÛk-nu-mi deÛk-nu-w *** deÛk-nu-si *** P. deÛk-nu-men deÛk
-nu-te deÛk-nu-nti>-næasi*** D. deÛk-nu-ton deÛk-nu-ton Subjuntivo mostre/ mostr
ar deik-næ-v deik-næ-úw deik-næ-ú deik-næ-vmen deik-næ-hte deik-næ-vsi deik-næ-h
ton deik-næ-hton Optativo mostraria/ mostrasse** deik-næ-oi-mi deik-næ-oi-w deik
-næ-oi deik-næ-oi-men deik-næ-oi-te deik-næ-oi-e-n deik-næ-oiton deik-nu-oÛ-thn
deÛk-nu-te deik-næ-ntvn/-tvsan deÛk-nu-ton deik-næ-tvn deÛk-nu deik-næ-tv Impera
tivo mostra/mostrai*
* Imperativo de 3 a pessoa: ele mostre/eles mostrem. ** Também: poderia/pudesse
mostrar. *** Ver flexão de tÛyhmi, p. 341. Nota: O subjuntivo e o optativo são c
omo os verbos de tema em -u-.
Imperfeito: S. ¤-deÛk-nu-n* ¤-deÛk-nu-w ¤-deÛk-nu
mostrava P. ¤-deÛk-nu-men ¥-deÛk-nu-te ¤-deÛk-nu-san
estava mostrando D. ¤-deÛk-nu-ton ¤-deik-næ-thn
* O sufixo -nu- dispensa vogal de ligação diante das desinências consonânticas.
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a flexão verbal
Particípio: mostrando / que mostra
Tema
deik-nu-nt-
Masc.
deiknæw - deiknæntow
Fem.
deiknèsa - deiknæshw
Neut.
deiknæn- deiknæntow
Infinitivo: mostrar/estar mostrando deik-næ-nai
VOZ MÉDIA E PASSIVA
Indicativo Subjuntivo
m. mostre, se mostrar para mim; p. seja, for mostrado
m. mostro para mim; p. sou mostrado
Optativo
m. mostraria, mostrasse para mim; p. seria, fosse mostrado* deik-nu-oÛ-mhn
Imperativo
m. mostra/mostrai para ti/vós; mostre/mostrem para si; sê mostrado(s) sejam most
rados
S.
deÛk-nu-mai deÛk-nu-sai deÛk-nu-tai
deik-næ-v-mai deik-næ-h-tai deik-næ-h-sye
deik-næ-h-sai > hai >ú deik-næ-oi-so > oio deÛk-nu-so deiknæ-oi-to deik-nu-oÛ-me
ya deik-næ-oi-sye deik-næ-oi-nto deik-næ-oi-syon deik-nu-oÛ-syhn deÛk-nu-sye dei
k-næ-syvn/syvsan deÛk-nu-syon deik-næ-syvn deik-næ-syv
P.
deik-næ-meya deik-nu-Å-meya deÛk-nu-sye deÛk-nu-ntai deik-næ-vntai
D. deÛk-nu-syon deik-næ-h-syon deÛk-nu-syon deik-næ-h-syon
* Também: poderia/pudesse mostrar e poderia/pudesse ser mostrado.
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a flexão verbal
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Imperfeito: eu mostrava, estava mostrando para mim/ eu era mostrado.
S. ¤-deik-næ-mhn* ¤-deÛk-nu-so ¤-deÛk-nu-to P. ¤-deik-næ-meya ¥-deÛk-nu-sye ¤-de
Ûk-nu-nto D. ¤-deÛk-nu-syon ¤-deik-næ-syhn
* O sufixo -nu- dispensa vogal de ligação diante das desinências consonânticas.
Particípio: mostrando para si/ que é, está sendo mostrado
Tema deik-næ-menoMasc. deiknæ-menow Fem. deiknum¡nh Neut. deiknæ-menon
Infinitivo: mostrar para si/estar estar sendo mostrado deÛk-nu-syai
AORISTO ATIVO
Indicativo mostro/mostrei S. ¦-deija ¦-deija-w ¦-deij-e P. ¤-deÛja-men ¤-deÛja-t
e ¦-deija-n D. ¤-deij -thn /jaton ¤-deij -thn Subjuntivo deÛj-v deÛj-ú-w deÛj-ú deÛj
-v-men deÛj-h-te deÛj-v-si deÛj-h-ton deÛj-h-ton Optativo deÛja-i-mi deÛja-i-w (
seiaw) deÛja-i (seien) deÛja-i-men deÛja-i-te deÛja-i-en (jeian) deija-Û-thn/-to
n) deija-Û-thn deÛja-te lu-s -ntvn deÛja-ton deij -tvn deÝj-son deij -tv Imperativo mo
stre/se mostrar mostraria/ mostrasse** mostra, mostrai***
* O subjuntivo se constrói sobre o tema verbal+característica -s- do aoristo + c
aracterísticas do subjuntivo v, h, h, v, h, v + desinências primárias ativas. (V
er o quadro demostrativo na página seguinte.) ** Também: poderia/pudesse mostrar
. *** Imperativo de 3a pessoa: (ele) mostre / (eles) mostrem.
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a flexão verbal
Quadro demostrativo do subjuntivo
S. deÛj-v > deÛj-h-si > deÛj-h-ti > deÛj-v-men > deÛj-h-te > deÛj-v-nti > deÛj-h
-ton > deÛj-h-ton > deÛjv deÛjhi/jú > deÛjú/deÛjhi deÛjvmen deÛjhte deÛjvsi deÛj
hton deÛjhton
deÛjhsi > deÛjhsi >
deÛjúw/deÛjhiw
P.
deÛjvnsi >
D.
Particípio: tendo mostrado
Tema deÛja-ntMasc. Fem. Neutro deÛja-nt-w > deÛja-nt-j-a > deÛja-nt > deÛjaw - d
eÛjant-ow deÛjasa - deij s-hw deÝjan - deÛj-ant-ow
Infinitivo:
mostrar:
deÝj-ai
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a flexão verbal
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AORISTO MÉDIO
Indicativo
mostro/mostrei para mim S. ¤-deij -mhn ¤-deÛja-so > sao > sv ¤-deÛja-to P. ¤-deij -m
eya ¤-deÛja-sye ¤-deÛja-nto D. ¤-deÛja-syon ¤-deij -syhn mostre/se mostrar para mi
m deÛj-v-mai* deÛj-h-sai >sú** deÛj-h-tai deij-Å-meya deÛj-h-sye deÛj-v-ntai deÛ
j-h-syon deÛj-h-syon
Subjuntivo
Optativo
mostraria/ mostra para ti / mostrasse para mim** mostrai para vós**** deija-Û-mh
n deÝj-ai deij- -syv deÛj-a-sye deij- -syvn deÛj-a-syon deij- -syvn
Imperativo
deÛja-i-so > saio deÛja-i-to deija-Û-meya deÛja-i-sye deÛja-i-nto deÛja-i-syon d
eija-Û-syhn
* O subjuntivo aoristo médio se constrói sobre o tema verbal + característica do
subjuntivo v, h, h, v, h, v, + desinências primárias médias. ** A 2a pessoa do
singular é: deÛj-h-sai> deÛjhai> deÛjhi> deÛjú. *** Também: poderia/pudesse most
rar para mim. **** Imperativo de 3a pessoa:(ele/eles) mostre/mostrem para si.
Particípio: tendo mostrado para mim
Tema deij -menoMasc. deij -menow-ou Fem. deija-m¡nh-hw Neutro deij -menon-ou
Infinitivo:
deÛja-syai
mostrar para si
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400
a flexão verbal
FUTURO ATIVO
Tema: deik-s
Indicativo mostrarei* S. deÛjv deÛj-eiw deÛj-ei deÛj-o-men deÛj-e-te deÛj-ousi d
eÛj-e-ton deÛj-e-ton Optativo poderia/pudesse haver de mostrar deÛj-oi-mi deÛj-o
i-w deÛj-oi deÛj-oi-men deÛj-oi-te deÛj-oi-en deÛj-oÛ-thn deÛj-oÛ-thn
P.
D.
* Também: hei de mostrar
Particípio: havendo de mostrar, que há de mostrar, que mostrará
Tema deÛj-o-nt Masc. deÛj-vn,ontow Fem. deÛj-ousa,shw Neutro deÝj-on,ontow
Infinitivo:
deÛj-ein
haver de mostrar
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a flexão verbal
401
FUTURO MÉDIO
Indicativo mostrarei / hei de mostrar para mim S. deÛjo-mai deÛj-e-sai> ú deÛj-e
-tai P. deij-ñ-meya deÛj-e-sye deÛj-o-ntai D. deÛj-e-syon deÛj-e-syon Optativo p
oderia / pudesse haver de mostrar para mim deij-oÛ-mhn deij-oi-so > soio deÛj-oi
-to deij-oÛ-meya deÛj-oi-sye deÛj-oi-nto deÛj-oi-syon deij-oÛ-syhn
Particípio: havendo de mostrar para si, que há de mostrar /que mostrará para si
Tema deij-ñ-menoMasc. deij-ñ-menow Fem. deij-o-m¡nh Neutro deij-ñ-menon
Infinitivo:
deÛj-e-syai
haver de mostrar para si
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402
a flexão verbal
AORISTO PASSIVO
Indicativo fui/sou mostrado S ¤-deÛx-yh-n ¤-deÛx-yh-w ¤-deÛx-yh P ¤-deÛx-yh-men
¤-deÛx-yh-te ¤-deÛx-yh-san D ¤-deÛx-yh-ton ¤-deÛx-y -thn Subjuntivo seja/for mos
trado deix-yÇ**** deix-y»/-y°i deix-yÇ-men deix-y°-te deix-yÇ-si deix-y°-ton dei
x-y -tvn Optativo seria/fosse mostrado* deix-ye-Ûh-n deÛx-yh-ti deix-y -tv deÛx-
yh-te deix -y¡-ntvn deÛx-yh-ton deix-y -tvn deix-ye-Ûh deix-ye-Ûh-men (-yeÝmen)*
** deix-ye-Ûh-te (-yeÝte) deix-ye-Ûh-san (-yeÝen) deix-ye-Ûh-ton (-yeÝton) deix-
ye-i -thn (-yeÛthn) Imperativo sê/sede mostrado**
deix-y»-w/-y°iw deix-ye-Ûh-w
* Também: poderia/pudesse ser mostrado. ** Imperativo de 3a pessoa: (ele) seja m
ostrado, (eles) sejam mostrados. *** As formas sincopadas, reduzidas são as mais
usadas. Lei do menor esforço. **** O subjuntivo é construído sobre o tema verba
l + característica do passivo -yh- + característica do subjuntivo v, h, h, v, h,
v e desinências primárias ativas. Na seqüência de duas vogais longas a anterior
se abrevia, e aqui há a absorção da breve pela longa (contração), o que explica
as formas perispômenas e properispômenas.
Particípio: tendo sido mostrado, que foi mostrado
Tema deix-y¡ntMasc. deix-yeÛw-y¡ntow Fem. deix-yeÝsa-yeÛshw Neutro deix-y¡n-y¡nt
ow
Infinitivo: deix-y°nai ser mostrado
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FUTURO PASSIVO
Indicativo serei mostrado S deix-y -s-o-mai deix-y -s-e-sai > sú/-ei deix-y -s-e
-tai deix-yh-s-ñ-meya deix-y -s-e-sye deix-y -s-o-ntai deix-y -s-e-syon deix-y -
s-e-syon Optativo pudesse/poderia haver de ser mostrado deix-yh-s-oÛ-mhn deix-y
-s-oi-so> soio deix-y -s-oi-to deix-yh-s-oÛ-meya deix-y -s-oi-sye deix-y -s-oi-n
to deix-yh-s-0Û-syhn deix-yh-s-oÛ-syhn
P
D
Particípio: havendo de ser mostrado, que será mostrado
Tema deix-yh-s-ñ-menoMasc. deix-yh-s-ñ-menow Fem. deix-yh-s-o-m¡nh Neutro deix-y
h-s-ñ-menon
Infinitivo: deix-y -s-e-syai haver de ser mostrado
Outros verbos cuja conjugação é análoga à de deÛknumi. Todos os verbos que receb
em um sufixo -nu-/nnu/nh seguem esse modelo no sistema do infectum; no aoristo/f
uturo e no perfectum eles também não têm mais esse sufixo. Contudo, a maioria do
s verbos de sufixo -nu-/nnu desenvolveram uma outra flexão em -v por ser mais fá
cil. Ver página 329, nota 14. Podemos incluir aqui dois verbos (e seus compostos
) que só têm a conjugação do infectum (inacabado): eä-mi eu vou, estou indo T. e
i-/ i- (lat. i-re) eÞ-mi < ¤s-mi eu sou T. ¤s-/s- (lat. esse)
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a flexão verbal
eä-mi - eu vou, estou indo - T. ei / i
Presente
Indicativo vou S. eä-mi eä-si >eäi > eä eä-ti > eä-si à-men *** à-te à-nti > àat
i > àasi à-ton à-ton Subjuntivo vá à-v à-ú-w à-ú à-v-men à-h-te à-v-si à-h-ton à
-h-ton Optativo iria/fosse* à-oi-mi / Þ-oÛ-hn à-oi-w / Þ-oÛ-hw à-oi / Þ-oÛ-h à-o
i-men à-oi-te à-oi-e-n à-oi-ton Þ-oÛ-thn Imperativo vai/ide/vade à-yi à-tv** à-t
e Þ-ñ-ntvn / àtvsan à-ton à-tvn
P.
D.
* Também: poderia/pudesse ir. ** Imperativo de 3a pessoa: vá ele/ vão eles. ***
Alternância longa no singular/breve no plural do tema no indicativo ativo, como
em fhmi - famen.
Particípio: indo Tema Þ-o-ntMasc. Þ-Ån - Þ-ñ-nt-ow Fem. Neut. Þ-oèsa- Þoæshw Þ-ñ
n - Þ-ñ-nt-ow
Infinitivo:
ir
Þ-¡-nai
Adjetivo verbal:
í-vel/que pode ir que deve ir
Þ-tñw, ,ñn Þ-t¡ow,a,on / Þ-tht¡on
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a flexão verbal
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Imperfeito: ia/estava indo
S. ¾-ein Âa ¾-eiw ¾-ei-sya ¾-ei ¾-ein P. ¾-ei-men Â-men ¾-ei-te Â-te ¾-e-san Â-s
an D. ¾-ei-ton Â-ton ±-eÛ-thn ¾-thn
As gramáticas afirmam que este verbo se emprega no presente com significado futu
ro. É um problema semântico. Em português nem sempre eu vou significa estou indo . É
uma questão conotativa; o contexto resolve o problema. Ainda os dois verbos segu
intes, de temas monossilábicos sem redobro no infectum:
fh-mÛ ±-mi eu digo, eu me manifesto eu digo T. fa- / fh- (lat. fa-ri) T. ±- (lat
. aio)
fh-mi - eu digo, eu me manifesto. T. fh-/fa-
Presente
Indicativo digo S. fh-mÛ fhsÛ > fhÛ > f»w fh-tÛ > fhsÛ fa-m¡n*** fa-t¡ fa-sÛ fa-
tñn fa-tñn Subjuntivo diga fÇ f»-w f» fÇ-men f°-te fÇ-si f°-ton f°-ton Optativo
diria/dissesse* fa-Ûh-n fa-Ûh-w fa-Ûh fa-Ý-men fa-Ý-te fa-Ý-e-n fa-Ûh-ton fa-i -
thn Imperativo dize/dizei* f -yi f -tv f -te f -ntvn/f tvsan f -ton f -tvn
P.
D.
* Também: poderia/pudesse dizer. ** Imperativo de 3 a pessoa: diga ele / digam e
les. *** Alternância longa no singular/breve no plural do tema no indicativo ati
vo.
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a flexão verbal
Nota: Excetuando-se a 2a pessoa do singular, todas as outras formas (dissilábica
s) do indicativo são enclíticas. (Os enclíticos dissilábicos, quando acentuados,
são oxítonos.)
Particípio: dizendo/que diz
Tema fantf skontMasc. f w - f -nt-ow* f skvn Fem. f sa-f shw f skousa Neut. f n-f nt-ow f s
* Essa forma não é usada; usa-se a forma do incoativo: f skvn, f skousa, f skon.
Infinitivo: dizer: f -nai Adj. verbal: dizível : que deve ser dito : fa-tñw, ,ñn f
a-t¡ow,¡a,¡on
Imperfeito: dizia / disse S. ¦-fh-n ¦-fh-sya / ¦-fh-w ¦-fh Notas: 1. O aoristo e
o futuro são pouco usados, mas constroem-se normalmente sobre o tema fh-s-. 2.
Nos diálogos, essa forma significa disse eu / disse ele - dizia eu / dizia ele ; nã
o que ela possa ser traduzida indiferentemente pelo aoristo ou imperfeito, mas,
certamente, porque ¦fh / ¦fhn tanto podem ser flexão de um aoristo de raiz-tema,
como ¦-bh-n/ ¦-gnv-n, quanto a flexão do imperfeito sobre o tema sem redobro do
infectum fh-. 3. oë fhmi quer dizer não, digo , isto é, digo não, nego . P. ¦-fa-men
¦-fa-te ¦-fa-san D. ¦-fa-ton ¤-f -thn
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a flexão verbal
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±-mi - eu digo - T. ± / ¤ Só se usa em discurso opinião: digo eu: disse / dizia
eu: disse / dizia ele: indireto, em narrativas, para intercalação de - ±mÛ, - —n
d ¤gÅ - — d ÷w
Verbo Ser
Convém lembrar que o emprego do verbo ser em grego não corresponde exatamente ao
seu emprego em português. Em grego, no início, o verbo ser tem um sentido exist
encial, forte, absoluto; não é usado no sentido em que nós o usamos; ele não é n
ecessário para fazer a ligação com o predicativo, isto é, como verbo de ligação. S
ó mais tarde, a partir do século V, é que seu uso se generalizou, passando a ser
usado, não só como verbo de ligação, como também como verbo auxiliar, inicialme
nte para a construção do perfeito médio-passivo, para exprimir um estado:-está,
esteja, estaria, estivesse desligado. Não há uma regra para o uso ou não do verb
o ser na sua função de verbo de ligação. Não há problemas para as 1 a e 2a pesso
as do singular e plural; mas, a pessoa singular e plural, é mais freqüente a omi
ssão do que a prena 3 sença. É uma questão de contexto, conotativa: se há ênfase
, se há uma afirmação categórica, usa-se o verbo; se não, não. No quadro a segui
r, vamos constatar que o verbo ser carece de todo o sistema do aoristo e do perf
eito. Trata-se de uma impossibilidade semântica: o ser é o conceito do que é, er
a e continua, continuará sendo, que só pode ser expresso pelo infectum, inacabad
o, no presente e no passado (imperfeito); ele marca a entrada e permanência no a
to ou no estado, que o verbo exprime. É um problema de aspecto e está presente e
m todas as línguas. A gramática descritiva preenche os quadros restantes do paradi
gma ideal com formas de outros verbos: gÛgnomai no grego, fieri no latim, e assi
m por diante.
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a flexão verbal
O próprio futuro, que é uma forma de aoristo, foi criado por analogia, acrescent
ando-se a característica -s- do aoristo/futuro ao tema esdo verbo; é que o futur
o é um antigo desiderativo, um modo e não um tempo, com sentido eventual e por i
sso não leva consigo o aspecto durativo.
Quadro de flexão do verbo eänai
Tema: es- / s
Indicativo sou S. ¤s-mi > eÞ-mi ¤s-si > ¤si > eä ¤s-ti > ¤s-ti (n) ¤s-men > ¤s-m
en ¤s-te > ¤s-te ¤s-nti > eÞ-si(n) ¤s-tñn ¤s-tñn Subjuntivo seja Î Âw  Î-men —-
te Î-si(n) —-ton —-ton Optativo seria/fosse* e-àh-n e-àh-w e-àh e-àh-men/e-ä-men
e-àh-te/e-ä-te e-àh-san/e-ä-e-n e-àh-ton/eä-ton e-à-thn Imperativo sê/sede** às
-yi (si-s-yi) ¦s-tv ¦s-te ö-ntvn/¦stvsan ¦s-ton ¦s-tvn
P.
D.
* Também: poderia/pudesse ser. ** Imperativo de 3a pessoa: ele seja/ eles sejam.
Particípio: sendo/que é
Tema -o-ntHomero Masc. Ên - önt-ow ¦vn-¤ñnt-ow Fem. oïsa-oëshw ¦ousa-¤oæshw Neut
. ön-önt-ow ¦on-¤ñntow
Infinitivo: ser: eä-nai (¤s-nai) - Homero: ¦mmenai
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Passado do Infectum: Imperfeito: era
S. ±(s)n > —/—n —s-ya ±(s)e(t) > ³(e)n > —-n P. ±s-men > —-men —s-te/ —-te —-san
D. ³s-thn ³s-thn
Futuro: serei, continuarei sendo Indicativo serei S. ¦s-o-mai ¦s-e-sai - ¦sú/¦se
i ¦s-tai ¤s-ñ-meya ¦s-e-sye ¦s-o-ntai ¦s-e-syon ¦s-e-syon Optativo haveria de ha
ver de ser ¤s-o-Û-mhn ¦s-o-i-so > ¦soio ¦s-o-i-to ¤s-o-Û-meya ¦s-o-i-sye ¦s-o-i-
nto ¦s-o-i-syon ¤s-o-Û-syhn
P.
D.
Particípio: havendo de ser, que continuará sendo, que será: ¤s-ñ-menow, ¤s-o-m¡n
h, ¤s-ñ-menon Infinitivo: haver de ser, continuar sendo: ¦s-e-syai
Notas: 1. No futuro, houve o emprego da característica -s- do aoristo/futuro, qu
e se somou ao tema es-s. > ¦ssomai (dialeto homérico e jônico), havendo posterio
r simplificação no ático: ¦ssomai > ¦somai. 2. Todas as formas do indicativo pre
sente, com exceção da segunda do singular são enclíticas; isto é, não têm acento
próprio e por isso se apóiam na anterior (¤n-klÛnv); nesse caso elas podem rece
ber um acento ou não, dependendo da lei dos três tempos. Contudo, acentuadas ou
não,
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a flexão verbal
essas formas, como todos os enclíticos de duas sílabas, pronunciam-se como se fo
ssem oxítonas. 3. Contudo, quando usado em seu sentido primeiro; sou, existo, es
tou, ou com significados derivados desses: é permitido, é possível, recebe o ace
nto no tema: ¦stin. Também depois de toèto (isso), ll (mas), Éw (como): toèt ¦stin
- isso é, Éw ¦stin - como é, ll ¦stin - mas é.
Quadro demostrativo de flexão
Subjuntivo
S. ¦s-v> ¦s-h-si > ¦s-h-ti > ¦v > ¦shi > ¦shsi > ¦hi > ¦shi —iw > ¦hi Î ¦hi/ Îm
en —te Îsi —-ton —-ton ¤s-Ûh-n > ¤s-Ûh-(t) > ¤s-Ûh-men > ¤s-Ûh-te > —iw/Âw ¤s-Ûh
-w >
Optativo
eàhn eàhw eàh eàhmen/¤s-Ý-men > e-ä-men eàhte/¤s-Ý-te > e-ä-te e-ä-e-n
P. ¦s-v-men > ¦vmen > ¦s-h-te > ¦hte > ¦s-v-nti > ¦svnsi > ¦vsi > D. ¦s-h-ton >
¦hton > ¦s-h-ton > ¦hton >
¤s-Ûh-san > eàhsan/¤s-Ý-en >
¤s-Ûh-ton > eàhton/¤s-Ý-ton > eä-ton ¤s-Ûh-thn > eàhthn/¤s-Ý-thn > eà-thn
Imperativo
2a 3a S. redobro de pres. em -i- > -si-> sÛ-s-yi > à-s-yi > à-s-yi ¦s-tv ¤s-ñntv
n > ¤ñntvn > öntvn ¦s-tvsan ¦s-tvn P. ¦s-te D. ¦s-ton
Particípio
Tema Masc. Fem. Neutro ¤s-o-nt- > ontw > öntja > ont > ¤s-o-nt- > öntia > önsia
> önsa > öntÊn oïsa ön
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a flexão verbal
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Compostos de eänai
Como todos os verbos gregos, também o verbo eänai se compõe com todas as preposi
ções semanticamente compatíveis. A língua grega tem uma consciência clara da com-
posição , isto é, o significado final é uma somatória do significado dos dois comp
onentes. Eles são independentes e têm um significado próprio; por isso, ora estã
o juntos, ora separados. Os gramáticos viram nessa separação uma tm°siw (tmese -
corte). Vejamos alguns exemplos:
par ao lado de sun ¤n pñ ¤k/¤j perÛ junto, com em, dentro de de, distante de dentr
o de, para fora de em volta de, em torno de p reimi = eÞmi par estou ao lado de, es
tou presente sæneimi = eÞmi sæn estou junto, em companhia de ¦neimi = eÞmi ¤n es
tou dentro, estou em peimi = eÞmi pñ estou distante, estou ausente ¦jeimi = eÞmi ¤
k estou (saí) fora (de dentro para fora)41 perÛeimi = eÞmi perÛ estou em volta d
e, estou em torno de, eu cerco, envolvo, domino
41
Da idéia de dentro para fora é fácil passar-se à idéia de deus ex machina , do surgim
ento abrupto; daí o uso constante de ¦jesti com o sentido de é possível, é permi
tido com sujeito oracional. Não há nada de estranho nisso e nem é um significado
especial; é apenas o jogo da metáfora ou da metonímia e pode acontecer com todo
s esses compostos; é a passagem do concreto para o abstrato, o figurado. Esses e
xemplos são suficientes; basta aplicar o mesmo sistema a todas as preposições se
manticamente compatíveis com a idéia do ser, isto é, que não contenham idéia de
movimento. Mas a preposição traz ao verbo ser uma relação de espaço, e neste cas
o, em português, nós usamos o verbo estar.
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Formação dos temas do infectum
Como já vimos, o tema verbal puro é o tema do aoristo, que é por isso mesmo o as
pecto puro, o aspecto referência. Em grande parte o tema verbal e o tema aoristo
se confundem. O que vai trazer algum diferença é a presença do -s-42 que passa
a ser o elemento formador do tema do aoristo para a maioria dos verbos. Nesse ca
so, o -s-/sa passa a exercer o mesmo papel do sufixo formador do infectum -j-. M
as, todos os formadores dos temas dos três aspectos são sufixos sobre o tema ver
bal puro. tema verbal puro: pragaoristo: ¦-prag-sa > ¦praja futuro: prag-sv > pr j
v infectum: prag-j-v > pr ssv/pr ttv perfectum: pe-prag-ka > p¡praxa Como podemos ve
r, o encontro dos formadores dos temas com o tema verbal apresenta problemas fon
éticos, que se resolvem dentro das normas e hábitos fonéticos do grego, precisam
ente do dialeto ático, que nos interessa neste trabalho. Vamos ver como se forma
o tema do infectum; a formação dos temas do aoristo/futuro e do perfeito será e
studada nos capítulos a eles destinados. Pormenorizaremos aqui somente a formaçã
o do tema do infectum.
42
E o -k- nos temas monossilábicos em vogal yh-, dv-, sth-, ²- só no indicativo si
ngular.
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1.Temas consonânticos, monossilábicos, geralmente de vocalismo -ef¡r- v l¡g-v g¡
m-v d¡r-v dr¡p-v ¦p-v leÛp-v leÛb-v n¡m-v feæg-v peÛy-v k¡l-v ¤reÛd-v ¤reÛk-v g-v
rx-v gr f-v trÛb-v bñl-omai/boæl-omai ÷r-v oàx-v / oàxomai trÅ-v trÅg-v s¡x-v/ àsx
-v m¡n-v/ mimn-v eu porto, eu levo, carrego digo, afirmo estou saciado eu esfolo
, tiro a pele eu colho, eu gozo eu digo, enuncio eu abandono, eu deixo eu derram
o, verto, faço libação eu distribuo, faço partilha eu evito, fujo eu persuado eu
anuncio, exorto, mando eu apóio, escoro, estaqueio, fixo eu rasgo, despedaço, r
alo eu conduzo, toco (o gado) eu começo, eu comando eu gravo, eu escrevo eu trit
uro, esmago eu quero eu estou alerta, vigilante eu viajo de carro, eu conduzo eu
furo eu devoro, eu pasto eu seguro, levo, porto* eu permaneço, fico*
* Estes dois verbos têm uma forma com redobro e uma forma sem ele.
Notas: 1. São temas verbais puros e fazem o indicativo do infectum, inacabado, s
implesmente acrescentando a desinência -v à 1a pessoa e às outras, as desinência
s primárias comuns, que, por serem consonânticas, têm necessidade da vogal de li
gação.
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2. Alguns temas de vocalismo -e- fazem o presente em vocalismo zero e por isso r
ecebem um redobro em -i. Esse redobro compensa de alguma forma o vocalismo zero,
que normalmente deve ser o do aoristo.
T. gn-/genT. ¦dT. pt-/ petT. tk-/tekgÛgn-omai àz-v pÛ-pt-v tÛ-tkv > tÛkt- v eu v
enho a ser, eu me torno, fico eu comerei / eu como eu caio eu dou à luz, crio
3. Temas em semivogal: -u-, -iSão pouco numerosos na origem, mas há um grupo del
es criados como alternativa para os verbos em -nu-mi (ver pg.313, nota 90), e tê
m a 1a pessoa do presente em -v e desinências primárias (consonânticas), com vog
al de ligação. yæ-v eu faço fumaça, eu ofereço sacrifício læ-v eu solvo, desligo
tÛ- v eu aprecio, honro 4. Raízes monossilábicas de vocalismo longo/breve, com
redobro em -ida consoante inicial e desinência de 1a pessoa -mi. Por serem temas
vocálicos dispensam a vogal de ligação quando se lhes acrescentam as desinência
s pessoais consonânticas, por desnecessária.
T. dh T. nh T. xrh T. plh T. prh T. dv T. yh T. sth T. ² T. zh dÛ-dh-mi ônÛ-nh-m
i kÛ-xrh-mi pÛ-m-plh-mi pÛ-m-prh-mi dÛ-dv-mi tÛ-yh-mi á-sth-mi á-h-mi dÛ - zh-mi
- ( zht¡v ) eu amarro eu ajudo, eu sou útil eu empresto eu encho eu incendeio e
u dou eu coloco eu ponho de pé eu lanço eu procuro
Podemos incluir aqui alguns temas sem redobro:
fhmi eu me manifesto, eu digo eämi eu vou eÞmi, ±mi, eu sou eu digo
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5. Temas consonânticos, na maioria monossilábicos, que recebem o sufixo -na-/-nu
-./-nnu. Os temas consonânticos recebem o sufixo -nu-.; os vocálicos, o sufixo -
nnu-. Têm a 1a pessoa em -mi e as outras desinências consonânticas sem vogal de
ligação, por desnecessária. kÛr-nh-mi p¡r-nh-mi sk¡d-na-mai pÛl-na-mai skÛd-na-m
ai sked -nnu-mi zeæg-nu-mi stñr-nu-mi ¦r-nu-mi g-nu-mi d m-na-mi/-nhmi kr m-nh-mi pÛt
-nh-mi m r-na-mai deÛk-nu-mi zÅ-nnu-mi pt r-nu-mai -nu-mi r-nu-mai x-nu-mai eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu misturo vendo espalho me aproxi
mo me disperso disperso, eu espalho ato, eu junto, eu amarro estendo (esteira, t
apete) surjo, levanto quebro, eu rompo domo suspendo estendo combato mostro cinj
o espirro proclamo pego me aflijo
Muitos desses temas em -nu-/-nnu-, por causa do -u, por analogia com læ-v, têm a
1a pessoa em -v e uma flexão como o tema em soante: deiknæ-v, / deÛk-nu-mi eu m
ostro, etc. (Ver página 329, nota 14.)
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6. Temas em consoante, com sufixo -n- (alargamento da raiz)
kamtemdaktipifyilhy/lay martßkÞd-j¤rukÞyæk m-n-v t¡m-n-v d k-n-v tÛ-n-v pÛ-n-v fyÛ-n-v
lhy-n-v > lhy nv lay-n-v > lany nv mart-n- > mart nv ßk nv/ßknv/ßkv Þzv/ Þz nv ¤rækv/ ¤r
Þyæ-n-v eu me canso, estou doente eu corto eu mordo eu honro eu bebo eu destruo
, faço perecer eu passo desapercebido eu peco, eu falho eu chego, atinjo eu asse
nto , estabeleço eu seguro, retenho (as rédeas) eu endireito, ponho na reta
Alguns têm uma variante sem o sufixo: keuy- n-v / keæyv eu escondo, eu fecho lhy- n-
v / l yv eu passo desapercebido aéj- n-v / aéjv eu aumento, eu acresço oÞd- n-v / oÞ
d¡v eu incho
Temas em consoante com um infixo e um sufixo nasais. antes da consoante -n-, dep
ois da consoante -n- > an
puy- > lip- > xad- > lax- > may- > lab- > lay-> tux-/teux- > pu-n-y- n-omai li-m-p
- n-v xa-n-d- n-v la-g-x- n-v ma-n-y- n-v la-m-b- n-v la-n-y- n-v tugx- n-v eu pergunto, eu
informo eu deixo, abandono eu contenho eu obtenho por sorte eu entendo, eu apre
ndo eu tomo, eu pego eu passo desapercebido eu estou por acaso, eu encontro
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7. Temas com dupla sufixação: -sk-/-isk-+-n-. O sufixo -sk-/-isk- é incoativo, e
xprime o desdobramento da ação. O sufixo -n- exprime o alargamento, continuidade
, extensão da ação.
l-usk-n ôfl-isk-n sx-> sisx-> -ásx- > sx- > sisx-n > -ásxn > àsx-a-n > lu-sk-n-v >
lusk nv ôfli-sk-n-v > ôflisk nv àsxv Þsx nv eu escapo, eu evito eu devo, sou devedor e
u seguro, retenho
8. Temas com sufixo -sk-/ -isk- (desdobramento da ação verbal, incoativo), às ve
zes com redobro em -i-: blv-sk-v eu venho, vou bñ-sk-v eu pasto ghr -sk-v eu envel
heço ²b -sk-v eu entro na adolescência p y-sk-v > p sxv eu passo a sofrer, eu sofro yn
- -sk-v eu morro, estou morrendo l-Ûsk-o-mai estou sendo preso ster-Ûsk-o-mai est
ou sendo privado eêr-Ûsk-v encontro, eu estou encontrando rar-Ûsk-v eu adapto, eu
ajusto p-ar-Ûsk-v eu engano meyæ-sk-o-mai eu me embebedo ki-kl -sk-v eu chamo re
petidamente ti-trÅ-sk-v eu encho de ferimentos (furos) bi-b -sk-v eu saio andando,
eu passeio di-d -sk-v eu ensino (repetição) mi-mn -sk-v eu me lembro gi-gnÅ-sk-v
eu tomo conhecimento de po-di-dr -sk-v eu saio correndo b -sk-v -/baÛnv eu ando f -sk-v
/ fhmi /fami eu estou falando
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9. Esse sufixo -sk- assume um sentido iterativo quando recebe desinências secund
árias (no imperfeito) e, às vezes, no aoristo (pontualidade repetida), como nest
es exemplos em Homero: R 461 R 462 t 574 H 141 Y 271 G 217 feæge-sk-en ¤paÛja-sk
-e ásta-sk-e = gnu-sk-e dæ-sk-e àde-sk-e ele fugia (repetidamente) ele irrompia
(repetidamente) fazia uma parada (e recomeçava) ele ia romper (e voltava) ele ia
se esconder (e voltava) ele olhava repetidamente (e recomeçava)
10. Temas com sufixos t, y, k, x, g; São em geral remanescentes de um estado ant
igo da língua. Muitos deles têm variantes sem o infixo: næ-t-v ræ-t-v ¦syv < ¦d-y-
v diÅ-k-v fyi-næ-yv ôl¡-k-v pl -y-v ¤ræ-k-v t -k-v tm -g-v sm -x-v c -x-v træ-x-
v n -x-v sten -x-v / næv / ræv / ¦dv / / / / / / / / / / fyinÇ (e) öllumi plhyæv ¤ræ
v t¡mnv sm v c v/c v træv n¡v st¡nv eu completo, acabo eu tiro água eu como (impf.
—syon) eu persigo eu faço perecer eu arruíno, eu faço perecer eu encho eu reten
ho (as rédeas), impeço eu fundo, eu derreto eu corto eu enxugo, limpo eu esfrego
, raspo, coço eu gasto, desgasto, consumo eu nado eu gemo
11. Sufixo -j- (temas vocálicos: tÛma-, d lo-, fÛle- + -j-). É o mais produtivo
dos formadores de infectum, quer a partir de temas verbais, quer a partir de tem
as nominais. Essa divisão, no entanto, é teórica, embora interessante. A forma f
inal (tema do infectum) é resultante do tratamento que o -j- recebe em contato c
om as consoantes ou vogais do tema e isso é do domínio da fonética.
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Os verbos que chamam mais a atenção são os verbos que as gramáticas chamam de con
tratos , que dão tanto trabalho para aprendê-los. São verbos denominativos (constr
uídos sobre temas nominais, substantivo ou adjetivo), com o sufixo -j-. Como o t
ema verbal em soante pede uma vogal de ligação, o -j- acaba se colocando em posi
ção intervocálica, e sofre síncope, deixando em contato duas vogais que, no átic
o, tendem a contrair-se. Vimos o modelo dessa flexão nas páginas 366-94. a) Oclu
siva dental ou velar surda + -j- > ss / tt
lit-j-omai > play-j-v > frik-j-v > ôrux-j-v > ptux-j-v > tarax-j-v > phk-j-v > b
hk-j-v > mlit-j-v > khruk-j-v > tuflvk-j-v > plhk-j-v > rmñt-j-v> br t-j-v > ¤r¡t-j
-v > p t-j-v > ptÛt-j-v > lÛssomai /-ttomai pl ssv/-ttv frÛssv/-ttv ôræssv/-ttv ptæs
sv/-ttv tar ssv/-ttv p ssv/-ttv b ssv/-ttv blÛssv/-ttv khræssv/-ttv tuflÅssv/-ttv
pl ssv/-ttv rmñssv/-ttv br ssv/-ttv ¤r¡ssv/-ttv p ssv/-ttv ptÛssv/-ttv eu suplico eu
modelo, moldo eu me arrepio, frissono eu cavo, escavo eu dobro eu turvo, eu pert
urbo eu cozinho, faço ferver eu tusso eu colho mel eu proclamo, anuncio eu cego
eu bato eu ajusto eu expilo, eu peneiro eu desfraldo (asas, remos) eu verto, der
ramo, espalho eu soco, eu trituro
b) Oclusiva dental ou velar sonora + j > z
sxid-j-v > ônomat-j-v sfag-j-v > nig-j-v > klagg-j-v> liyad-j-v > ¤lpid-j-v> fra
d-j-v> sxÛzv ônomazv sf zv nÛzv kl gzv/kl zv liy zv ¤lpÛzv fr zv tiro lasca, eu fendo nome
io, denomino degolo lavo clamo, grito apedrejo espero explico, sinalizo
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ôd-j-v > ¤d-j-v> frontid-j-v > rpag-j-v> g-j-omai > plag-j-v > stag-j-v > stig-j-v
> =eg-j-v>
özv ¦zv/¦zomai frontÛzv rp zv zomai pl zv st zv stÛzv =¡zv
exalo odor, tenho cheiro como medito, tenho em mente arrebato, roubo venero faço
errar, faço vacilar faço gotejar, destilo pico, furo faço, executo, cumpro
O uso desse sufixo -zv, -azv / -izv estendeu-se também a alguns temas em vogal,
criando às vezes uma forma paralela, como se fosse construída sobre um tema em -
dj-/-tj-.43
ktÛv dam v pel v kal¡v kom¡v por¡v poreæomai / ktÛ-zv / dam -zv / pel -zv / kal -zv / ko
mæ-zv / porÛ-zv construo, edifico, fundo domo, submeto aproximo chamo cuido, tra
go junto abro caminho, dou passagem providencio
c) Oclusiva labial + j > pt
blab-j-v > klep-j-v > kruf-j-v > nib-/nif-j-v > skep-j-v > bl ptv kl¡ptv kræptv nÛ
ptv sk¡ptomai prejudico roubo, furto escondo lavo examino, observo
43
Só a analogia explica o futuro dam sv, o aoristo ¤d masa e o perfeito ded maka, porque
o -j- é formador do infectum (e o z é uma consoante dupla, resultante do encont
ro de dental e -j-). Ora, isso só acontece no infectum; no futuro, aoristo e per
feito teríamos o tema em dental; talvez * damat- ? ou simplesmente dama-.
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d) Oclusiva velar sonora + j > ss / tt ou z
prag-j-v > tag-j-v > phg-j-v > mag-j-v > pr ssv/-ttv t ssv/-ttv p ssv/-ttv m zv faço,
executo ordeno, enfileiro bato amasso, faço pão
e) Sufixo nasal -n- + -j-> -ani > ain: vocalização do -j- e posterior metátese o
u síncope do -i-;
tekt-n-j-v > poim-n-j-v > ban-j-v > ônom-n-j-v > melan-j-v > kten-j-v > yen-j-v
> ten-j-v > klin-j-v > ôtrun-j-v > õlofur-j-v > ôdur-j-omai > fur-j-v > tektaniv
> poimaniv> b niv > ônomaniv > melaniv > kteniv > yeniv > teniv > klÛniv ôtræniv
õlofuriv > ôdæriomai færiomai tektaÛnv poimaÛnv baÛnv ônomaÛnv melaÛnv kteÛnv ye
Ûnv teÛnv klÛnv ôtrænv õlofærv ôdæromai færv trabalho com madeira44 sou pastor a
ndo, eu marcho nomeio pretejo, pinto de preto mato bato estico, estendo deito* e
mpurro, aperto* lamento* choro, eu lamento* ponho de molho*
* Quando a vogal temática é -i-/-u-, a metátese é imperceptível foneticamente, p
or isso parece uma síncope. Mas há metátese e contração, porque a vogal temática
se torna longa.
f) Tema em -ar-/er- + j : -ari- > air- , - eri- > eir-. Vocalização do -j- e pos
terior metátese do -i-;
tekmar-j-v > kayar-j-v > fyer-j-v > mer-j-omai > der-j-v > tekm riv > kay riv > fy¡r
iv > m¡riomai > d¡riv > tekmaÛrv kayaÛrv fyeÛrv meÛromai deÛrv assinalo, provo p
urifico, lavo corrompo, destruo distribuo tiro a pele
44
Nos temas de vocalismo zero, o -n- vocaliza-se em -a-.
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g) Tema em: al + -j- > ll
l-j-omai > bal-j-v > yal-j-v > skal-j-v > sfal-j-v > llomai b llv y llv sk llv sf llv me
anço, salto atiro, eu jogo broto, floresço, fico verde cavouco, fuço, cavo desli
zo, escorrego
h) Alguns temas monossilábicos em líquida (r, n, l) fazem o infectum com redobro
pleno (expressivo, enfático), mas mantêm o mesmo comportamento dos itens anteri
ores
garfurmurfan mulgargar-j-v > por-fur-j-v > mor-mur-j-v > pam-fan-j-v > moi-mul-j
-v > gargaÛrv porfærv mormærv pamfaÛnv moimællv envelheço levanto ondas murmuro
resplandeço todo mamo, chupo
i) Tema em -as- + -j- : -j-v > -siv > aiv. Vocalização do -j- e posterior síncop
e do -s- intervocálico.
nas-j-v > mas-j-omai > nasiv > masiomai > naÛv maÛomai habito estou cheio de ard
or, desejo ardentemente, busco
Pelo que acabamos de ver, a formação do tema do infectum é variada, porém não co
mplexa. Basicamente, exceto em um pequeno número de verbos, houve um alargamento
45 do tema verbal por três processos: redobro, infixação e sufixação. O número
desses elementos não é excessivo. O que nos dá a idéia de complexidade são os me
taplasmos, isto é, acidentes fonéticos que se sucederam no encontro desses temas
com as desinências.
45
Como temos insistido, há sempre uma razão semântica para uma alteração morfológi
ca. Não é por mero acaso que a forma mais reduzida do tema seja o tema do aorist
o (pontualidade); e o infectum, se não é da mesma dimensão do aoristo, é sempre
mais extenso: a extensão da forma coincide com a extensão do significado.
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Contudo, fica evidente que o sistema vigente de basear a conjugação verbal sobre
o tema do infectum causa mais problemas do que soluções. O ponto de partida é s
empre o tema verbal, isto é, o tema do aoristo. A partir daí, as formas se const
roem, isoladamente, e não em bloco ou quadro, à maneira dos gramáticos. O modelo
existia, sim, na mente do grego, mas orgânico, dinâmico, coerente, significativ
o, ágil, e não petrificado, imóvel, imperativo.
Aoristo
Como já foi dito, o aoristo é o aspecto primeiro, a raiz-tema, de onde derivam o
s outros dois aspectos: infectum-inacabado e perfectumacabado. É importante ater
-se a essa idéia para entender todo o sistema de conjugação do verbo grego e pri
ncipalmente o do aoristo. A gramática não é unânime na sua visão do aoristo. Bas
icamente, ela faz uma divisão em dois grupos: l. Aoristo sigmático (ou Aoristo I
)46 Com uma série de subdivisões, segundo a soante ou a consoante do radical (ve
lar, labial, dental, líquida). 2. Aoristo II sobretudo o chamado temático (tema em
consoante) por causa da vogal de ligação: e , o . o aoristo radical , em que a vogal
ligação não aparece, por se tratar de temas de vogais longas.
46
As gramáticas não têm um aoristo I . Elas falam do aoristo sigmático e o apresentam
em primeiro lugar, como paradigmático, regular; e ipso facto os outros são sent
idos como não paradigmáticos, irregulares, levando a numeração II, III, IV.
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Cremos que há um modo mais simples e objetivo de abordar o aoristo: Por ser o as
pecto primeiro, isto é, indeterminado, pontual, sem conotação temporal, com sign
ificado absoluto do ato verbal, o aoristo se constrói sobre a própria raiz do ve
rbo, de quatro maneiras; I. acrescentando-se as desinências secundárias à raiz-t
ema (aoristo II nas gramáticas) e vogal de ligação nos temas em consoante. II. a
crescentando-se as desinências secundárias diretamente à raiz (tema verbal), sem
vogal de ligação, nos temas em vogal longa. III. acrescentando-se um kapa (k) (
empréstimo do perfeito?) e desinências secundárias à raiz (tema verbal) só no si
ngular. IV. acrescentando-se um sigma (s) e desinências secundárias à raiz, que
é o próprio tema verbal. a) Pertencem ao grupo I: Os aoristos de raiz-tema em co
nsoante, tipo id-, lip-, ely, aos quais se acrescentam as desinências secundária
s, que, por serem em consoante, pedem a presença de uma vogal de ligação; A deno
minação de aoristo temático repousa sobre este equívoco: vogal de ligação = vogal t
emática .47 Essa vogal de ligação e/o é a mesma do infectum (inacabado) dos verbos
em -v ; esse fato provoca, às vezes, no principiante, alguma confusão entre o i
mperfeito e o aoristo indicativo. Mas a distinção não é difícil de ser feita. É
preciso identificar o tema. Por exemplo, nos verbos de aoristo de raiz-tema a di
ferença se nota nos temas: tema do aoristo: may- > ¦-may-o-n tema do infectum: m
anyan- > ¤-m nyan-o-n (imperfeito).
47
A vogal temática pertence ao corpo do tema; ela não é flexional. Vogal de ligaçã
o é a vogal que amacia o contato entre duas consoantes: a do tema e a da desinênci
a. Vogal de apoio é a vogal que se coloca em posição final, para proteger uma co
nsoante; é mais ou menos uma vogal eufônica, como a do imperativo singular da vo
z ativa: krÛn-e.
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b) Pertencem ao grupo II: Os aoristos de raiz-tema em vogal longa: -v,-h,-a,-u N
a verdade, esses verbos não apresentam dificuldade alguma na flexão: na medida e
m que terminam em vogal longa, a vogal de ligação se faz desnecessária; é só acr
escentar as desinências correspondentes. c) Pertencem ao grupo III: Os aoristos
em -ka, no indicativo. São 4 aoristos de verbos com redobro no infectum (inacaba
do): tÛ-yh-mi, dÛ-dv-mi, á-h-mi, ásthmi Até certo ponto, esses temas poderiam es
tar enquadrados no item b) (raiz-tema em vogal longa). Mas, tratando-se de temas
monossilábicos, a opção por uma característica forte é normal; mas isso só acon
tece no singular, que tem desinências fracas monolíteres. No plural, sem o -ka e
com desinências silábicas, o tema volta a ser breve. d) Pertencem ao grupo IV:
Os aoristos em -s-: nestes verbos não há o problema com similitude com o imperfe
ito, visto que o imperfeito se constrói sobre o tema do inacabado, que pode ser
igual ao do aoristo, mas sem a marca deste: imperfeito: ¦-lu-o-n aoristo: ¦-lu-s
-a Convém notar que um bom número dos aoristos de raiz-tema, por razões semântic
as, não tem o inacabado. A gramática solucionou o problema cobrindo essa lacuna co
m outros temas, quer no inacabado, quer no acabado. É essa a origem dessas lista
s intermináveis de verbos irregulares , suplício dos estudantes de grego. 48
48
O fato de um verbo não ter esse ou aquele aspecto obedece a razôes semânticas: o
tema fer- de portar, carregar só tem o tema de infectum, tanto em grego quanto em
latim: não se concebe uma idéia aorista nem perfeita do ato de portar. O tema i
d significa o ato aoristo de ver ; não é olhar , mas admite um perfeito, isto é, o res
ultado do ato. (A idéia busca a forma); ¤pÛstamai significa o saber-resultado, o
saber empírico, não tem nem infectum nem aoristo. Por razões semânticas e não p
or obedecer a essa ou aquela regra.
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Quadro de flexão dos aoristos: voz ativa e média
Quadro de flexão dos aoristos de raiz-tema: Raiz-tema em consoante: id-, lip-, e
ly
VOZ ATIVA: lip- (leÛpv - eu deixo)
Indicativo deixo/deixei S. ¦-lip-o-n ¦-lip-e-w ¦-lip-e ¤-lÛp-o-men ¤-lÛp-e-te ¦-
lip-0-n ¤-lip-¡-thn ¤-lip-¡-thn Subjuntivo deixe/deixar lÛp-v lÛp-úw lÛp-ú lÛp-v
-men lÛp-h-te lÛp-v-si lÛp-h-ton lÛp-h-ton Optativo deixaria* deixasse lÛp-o-i-m
i lÛp-o-i-w lÛp-o-i lÛp-o-i-men lÛp-o-i-te lÛp-o-i-en lÛp-0-i-ton lip-o-Û-thn Im
perativo deixa/deixai** lip-¡ lip-¡-tv lip-¡-te lip-ñ-ntvn lip-¡-ton lip-¡-tvn
P.
D.
* ou: pudesse/poderia deixar ** imperativo de 3a pessoa:(ele) deixe/(eles) deixe
m Particípio: tendo deixado
Tema lip-o-ntMasc. lip-Ån - lip-ñnt-ow Fem. lip-oèsa - lip-oæshw Neutro lip-ñn -
lip-ñnt-ow
Infinitivo: deixar: lip-eÝn
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VOZ MÉDIA: deixar para mim
Indicativo deixo/ deixei para mim S. ¤-lip-ñ-mhn ¤-lÛp-e-so (ou) ¤-lÛp-e-to ¤-li
p-ñ-meya ¤-lÛp-e-sye ¤-lÛp-o-n-to Subjuntivo deixe/deixar para mim lÛp-v-mai lÛp
-h-sai (ú) lÛp-h-tai lip-Å-meya lÛp-h-sye lÛp-v-ntai lÛp-h-syon lÛp-h-syon Optat
ivo deixaria/ deixasse* para mim lip-o-Û-mhn lÛp-o-i-so (oio) lÛp-o-i-to lip-o-Û
-meya lÛp-o-i-sye lÛp-o-i-nto lip-o-Û-syhn lip-o-Û-syhn Imperativo deixa para ti
-deixai para vós** lip-¡-so (oè) lip-¡-syv lip-¡-sye lip-¡-syvn lip-¡-syon lip-¡
-syvn
P.
D. ¤-lip-¡-syhn ¤-lip-¡-syhn
* poderia/pudesse deixar ** Imperativo de 3a pessoa: (ele/eles) deixe(m) para si
Particípio: tendo deixado para mim
lip-ñ-meno-
Tema
lip-ñ-menow
Masc.
lip-o-m¡nh
Fem.
lip-ñ-menon
Neutro
Infinitivo: deixar para mim: lip-¡-syai Adj. verbal:
liptñw, , n / leiptñw, , ñn lipt¡ow, h, on / leipt¡ow, h, on deixável/ que pod
e ser deixado que deve ser deixado
Notas: 1. Sobre o modelo acima conjugam-se todos os verbos que fazem o aoristo s
obre a raiz-tema: os terminados em consoante, como id-, ely-,
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gen- e os de raiz-tema em vogal longa, como gnv, bh/ba, dra, du, cuja flexão ver
emos a seguir; 2. No imperativo, particípio e infinitivo da voz ativa, a sílaba
tônica, em vez de manter a norma na flexão verbal, ou seja, permanecer no tema,
avança para posição de oxítona: imperativo:- lip¡, lip¡tv, lip¡te, lipñntvn, lip
¡ton, lip¡tvn particípio:- lipÅn, lipoèsa, lipñn infinitivo:- lipeÝn na voz médi
a, o deslocamento da tônica se dá só no imperativo e infinitivo: imperativo:- li
poè, lip¡syv, lip¡sye, lip¡syvn infinitivo:- lip¡syai 3. Algumas raízes-tema (po
ucas), em oclusiva ou líqüida, fazem o aoristo ativo sem vogal de ligação; junta
ndo diretamente o -n da la pessoa à raiz-tema. O -n, em contato direto com a con
soante ou o W da raiz-tema, se vocaliza em -a. Em princípio, só se usam na l a e
3a pessoa do singular; embora possamos encontrá-los, raramente, em outras pesso
as. Os verbos são estes: Tema
xW > xu/xeW > xeu (verter água) sW > su/seW > seu (empurrar, repelir)
aoristo jônico
¦xeWa>¦xea/¦xeua ¦sseua
aoristo ático
kaW/keW > kau/keu > kaÛv (acender, embrasar-se, consumir) ¦khWa > ¦kha/¦kausa en
eik/enik (serve de aoristo para f¡rv) Weip > eäp (dizer) ³neika/³nika/±nÛxyhn ³n
egka/³negkon eäpa, eäpaw / eäpon, eäpew
4. Os verbos de raiz-tema só têm as vozes ativa e média. Apenas alguns deles des
envolveram, mais tarde, uma forma para a voz passiva. Provavelmente é porque ess
es verbos já existiam antes do surgimento da voz passiva.
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5. Há um bom número de aoristos de raiz-tema arcaicos, encontrados sobretudo em
Homero, que o ático não conservou. Os dicionários e as gramáticas registram essa
s formas sob a rubrica épica . Não são necessariamente épicas; diríamos melhor arcai
cas , por se tratar de formas antigas; e se lembrarmos que a prosa e o dialeto áti
co só aparecem em meados do séc. V, o que vem antes é poesia, mas não exclusivam
ente épica. Esses aoristos, construídos sobre raiz-tema, todos registrando atos
e atos primeiros da vida, ou ficaram petrificados, não reproduzindo temas do per
fectum ou do infectum no ático, ou, se o significado permitiu, reproduziram os t
emas ou do infectum ou do perfectum ou os dois; mas, tanto o infectum quanto o p
erfectum sofrem alterações na sua forma: (prefixação/sufixação/infixação). Assim
: raiz-tema aoristo
may → id → fag →
infectum
perfectum
¦-may-o-n many n → many nv; mem yhka eu entendo, aprendo ¤-m nyan-on eädon oäda eu vi ¦f
agon eu comi
Nos três exemplos acima, vemos que o primeiro desenvolveu um tema de infectum, a
largando a raiz-tema com dois infixos nasais, porque o significado permite: o at
o de entender pode ser pontual, inacabado e terminado, por isso desenvolveu tamb
ém o tema do perfectum. O segundo é a noção aorista do ver, a percepção momentân
ea pela visão, mais da mente do que do olhar (que necessariamente seria ato inac
abado); por isso a impossibilidade de existir um tema do infectum; mas a idéia bu
sca a forma , e a percepção visual pela mente leva ao conhecimento (resultado); é
por isso que é possível um tema do perfeito: eu vi, donde eu sei. O terceiro não
admite nem um tema do infectum nem um tema do perfectum, porque exprime o ato a
oristo (pontual) de deglutir, comer e não de almoçar ou jantar , que é o comer social
.
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Eis alguns desses verbos: Tema
d bal/bl tek r mart sx ¤xy drk /dark dÛe /dWi ¤rik ¤rip gr/ger ktup lak ple/pl pry/
pary §l ¦ly fag yal kan kuy krg/krag krub stix stug trp/tarp trp/tra trf/traf tr
ag
Aoristo
don/§adon (§ada) ¦balon ¦tekon retñmhn ³marton ±nesxñmhn phxyñmhn ¦drakon dÛomai* ³
rikon ³ripon ¤gretñmhn ¦ktupon l kon ¤pletñmhn ¦prayon eålon —lyon ¦fagon ¦yalon ¦
kanon ¦kuyon ¦kragon ¦krubon ¦stixe ¦stugon tarpñmhn ¦trapon ¦trafon ¦tragon
Infectum
nd nv b llv tÛktv rnumai mart nv n¡xomai p¡xyomai d¡rkomai deÛdv ¤reÛkv ¤reÛpv ¤geÛrv
v l skv/lhk¡v p¡lomai p¡ryv/pory¡v
Perfeito
Significado
agrado
¦blhfa t¡toka
eu atiro, jogo eu dou à luz, gero tento pegar, conquistar
±m rthka eu erro o caminho, eu falho, eu peco eu tolero eu sou odioso brilho, olho
temo quebro, rasgo derrubo, abato ¤gr gora desperto (intr. e tr.) percuto, ress
ôo grito movo-me, chego perto arraso eu pego, eu escolho ¤l luya eu chego, chegu
ei eu comi, como eu floresço eu mato eu escondo eu grito eu escondo avanço, ando
odeio, horrorizo alegro-me viro, desvio t¡trofa nutro, encho eu devoro
y llv kaÛnv keæyv kr zv kræptv steÛxv stug¡v tr¡pv tr¡fv trÅgv
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Tema
xad dak dram drp/drap sep rug Wid/id lab lay/lhy lax lip may piy puy ptar sx/sex
tux fug kam tm/tam yn/yan ktn/ktan klu pi pay stix ml/mel
Aoristo
¦xadon ¦dakon ¦dramon dr pon sp¡syai/ spñmenow ³rugon eädon ¦labon ¦layon/ ¦laxon
¦lipon ¦mayon ¤piyñmhn ¤puyñmhn ¦ptaron ¦sxon ¦tuxon ¦fugeon ¦kamon ¦yanon ¦ktat
o/ ¦ktanon klèyi-¦kluon pÝyi -¦pion ¦payon ¦stixon ¦molon
Infectum
xand nv d knv didr skv dr¡pv §pomai ¤reægomai/ ¤rugg nv
Perfeito
Significado
contenho, pego mordo ponho-me a correr colho, ceifo acompanho ronco, ressôo, arr
oto
oäda lamb nv lany nv l¡-layon lagx nv leÛpv many nv peÛyv puny nomai/ peæyomai ptaÛrv / pt
v / pt rnumi **s¡xv > ¦xv tugx nv feægv k mnv yn¹skv kten > tkeÛnv klæv pÛnv p sxv steÛx
v (m)blÅskv p¡pvka p¡ponya p¡feuga k¡kmhka t¡tmhka t¡ynhka l¡loipa p¡poiya eàlhf
a
vejo pego, tomo oculto-me, não sou percebido obtenho por sorte, atinjo deixo, ab
andono persuado-me, obedeço informo-me, inquiro espirro seguro, tenho
mem yhka entendo, aprendo
tetæxhka encontro-me por acaso evito, fujo trabalho, canso-me corto, amputo morr
o quero matar, mato ouço, sinto bebo eu sofro eu caminho, vou estou a ponto de,
vou
¦tamon /¦temon t mnv /t¡mnv
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Tema
pr/per ol/Wol yor ofl gn/gen blasy pt/pet yen l aÞsy fen/fon eêr ¤negk ¤ly tup ki
lit kel/kl g ar ôr ôsfr
Aoristo
¦poron Êleto ¦yoron Êflon ¤g¡neto ¦blaston ¦peson/¦peton ¦yenon ²lñmhn ¼syñmhn ¦
pefnon hðron ¦negkon/¦negka —lyon ¦tupon kÛe/kiÅn litñmhn ¤-k¡kleto ³gagon ³raro
n Êroron Èsfrñmhn
Infectum
pñrv öllumi ti)yrÅskv ôfeÛlv/ ôflisk nv gÛgnomai blast nv pÛptv yeÛnv lomai aÞsy nomai
eêrÛskv
Perfeito
Significado
forneço, mando buscar, busco pereceu atiro-me, lanço sou devedor, devo
g¡gona/ tornou-se, aconteceu geg¡nhmai eu germino p¡ptvka caio bato eu salto per
cebo pelos sentidos bato, mato hìrhka ¤n noxa ¤l luya encontro, acho eu levo, le
vei venho, chego eu bato movo, agito oro, suplico ponho em movimento, mando, ord
eno —xa conduzo, levo pego, escolho faço levantar, nasço eu cheiro
tæptv kÛnv lÛtomai/lÛssomai k¡lomai (keleæv) gv aàrv/ rarÛskv örnumi ôsfraÛnomai
* As gramáticas chamam estas formas (dÛomai, pÛomai, eàpomai) subjuntivo com voga
l breve ou futuro sem sigma . ** s¡xv > §xv > ¦xv.
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Raízes-tema em vogal longa: -v, -h, -a, -u - (gnv/bh/dra/du)
VOZ ATIVA:
Tema: gnv/gno: tomo conhecimento
Indicativo
tomo/tomei conhecimento S. ¦-gnv-n ¦-gnv-w ¦-gnv P. ¦-gnv-men ¦-gnv-te ¦-gnv-san
D. ¦-gnv-ton ¦-gnv-ton
Subjuntivo
tome/tomar conhecimento gnÇ* gnÒw gnÒ gnÇ-men gnÇ-te gnÇ-si gnÇ-ton gnÇ-ton
Optativo
tomaria conhecimento** gno-Ûh-n/gnÐhn gno-Ûh-w/gnÐhw gno-Ûh/gnÐh gno-Ûh-men (gno
Ýmen) gno-Ûh-te (gnoÝte) gno-Ûh-san (gnoÝen) gnoÛhton/gno-Ý-ton gnoi thn/gno-Û-t
hn
Imperativo
toma/tomai conhecimento*** gnÇ-yi gnÅ-tv gnÇ-te gnñ-ntvn/tvsan gnÇ-ton gnÅ-tvn
* O subjuntivo se constrói sobre o tema verbal gnv- + característica do subjunti
vo v, h, h, v, h, v, (vogal longa seguida de longa se abrevia) + desinências pri
márias. Nas contrações prevaleceu o vocalismo o da raiz-tema. ** Também: poderia
/pudesse tomar conhecimento. A vogal do tema se abrevia diante da característica
longa do optativo. *** Imperativo de 3 a pessoa: (ele / eles) tome(m) conhecime
nto.
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Quadro demostrativo da flexão do subjuntivo
gnÅ-v > gnÅ-h-si > gnÅ-h-ti > gnÅ-v-men > gnÅ-h-te > gnÅ-v-nti > gnÅ-h-ton > gnÅ
-h-ton > gnñv > gnñhsi > gnñhti > gnñvmen > gnñhte > gnñvnti > gnñhton > gnñhton
> gnÅsi > gnÅti > gnÇ gnÇi/gnÒ > gnÇiw/gnÒw gnÅsi > gnÇi/gnÒ gnÇ-men gnÇ-te gnÇ
nsi > gnÇ-si gnÇ-ton gnÇ-ton
gnÇnti >
Particípio: Tema Masc. Fem. Neutro gnv-nt-.> gno-nt-* gno-nt-w > gnoæw-gnñnt-ow
gnont-j-a > gnoèsa-gnoæs-hw gnñnt- gnñn-gnñnt-ow
* Vogal longa seguida de soante e oclusiva se abrevia.
Infinitivo: gnÇ-nai tomar conhecimento
Adjetivo verbal: gno-stñw, ,ñn gno-st¡ow,a,on conhecível que deve ser conhecido
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Tema: ba- / bh: ando
Indicativo ando/andei S. ¦-bh-n ¦-bh-w ¦-bh ¦-bh-men ¦-bh-te ¦-bh-san ¤-b -thn ¤
-b -thn Subjuntivo ande/andar bÇ* b»-w b» bÇ-men b°-te bÇ-si b°-ton b -tvn Optat
ivo andaria/andasse** ba-Ûh-n ba-Ûh-w ba-Ûh ba-Ûh-men/ba-Ý-men ba-Ûh-te/ba-Ý-te
ba-Ûh-san / ba-Ý-en ba-Ûh-ton/ba-Ý-ton ba-i -thn/ba-Û-thn Imperativo anda/andai*
** b°-yi b -tv b°-te ba-ntvn/ntvsan b°-ton b -tvn
P.
D.
* O subjuntivo se constrói sobre o tema verbal bh- + característica do subjuntiv
o v, h, h, v, h, v, (vogal longa seguida de longa se abrevia) + desinências prim
árias. ** Também: poderia/pudesse andar. A vogal do tema se abrevia diante da ca
racterística longa do optativo. *** Imperativo de 3 a pessoa: (ele) ande; (eles)
andem.
Quadro demostrativo da flexão do subjuntivo
b -v > b -h-si > b -h-ti > b -v-men > b -h-te > b -v-nti > b -h-ton > b -h-ton >
b¡v > b¡hsi > b¡hti > b¡vmen > b¡hte > b¡vnti > b¡hton > b¡hton > b°si > b¡hsi
> bÇnti > b°i/b» > b°si > bÇnsi > bÇ b°iw/b»w b°i/b» bÇmen b°te bÇsi b°ton b°ton
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Particípio: tendo andado Tema: Masc.: Fem.: Neutro: bh-nt- > ba-nt-* ba-nt-w > b w
- b nt-ow bant-ja > b sa - b s-hw bant- > b n - b nt-ow
* Vogal longa seguida de soante e oclusiva se abrevia. Infinitivo: b°-nai: andar
andável, passável que deve ser andado, atravessado
Adjetivo verbal:
ba-tñw, ,ñn: ba-t¡ow,a,on:
Tema: du-: eu imerjo
Indicativo eu imerjo, eu imergi
S. ¦-du-n ¦-du-w ¦-du ¦-du-men ¦-du-te ¦-du-san ¤-dæ-thn ¤-dæ-thn
dæv / dæomai
Imperativo imerge, imergi
Subjuntivo imerja, imergir
dæ-v dæ-ú-w dæ-údæ-v-men dæ-h-te dæ-v-si dæ-h-ton dæ-h-ton
Optativo imergeria, imergisse*
dæ-o-i-mi dæ-o-i-w dæoi dæ-o-i-men dæ-o-i-te dæ-o-i-en du-o-Û-thn du-o-Û-thn
dæ-yi dæ-tv dè-te dæ-ntvn/dæ-tvsan dè-ton dæ-tvn
P.
D.
* Também pudesse, poderia imergir Particípio: que imerge Tema du-ntMasc. dèw-dèn
tow Fem. dèsa-dæshw Neutro dèn-dèntow
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Infinitivo:
dè-nai: imergir
Adj. verbal: du-tñw, du-t , du-tñn: du-t¡ow, du-t¡a, du-t¡on:
imergível o que deve, vai ser imergido
Seguem os modelos acima de alguns outros aoristos em vogal longa:
¥- lv-n/´lvn p-¡-dra-n ¦-brv-n ¤-bÛv-n ¤-g ra-n ¦-du-n ¦-sth-n ¦-pth-n/ pta-n ¤-rræ
h-n ¦-sklh-n ¦-tlh-n ¤-x rh-n ¦-fyh-n ¦-fu-n lÛskomai po-di-dr sk-v bi-brÅ-sk-v bi-Ç g
hr -sk-v dæ-o-mai á-sth-mi (ástamai) p¡t-o-mai =¡-v sk¡ll-v tl -v xa-Û-r-v fy -n-v fæ-
o-mai sou preso, sou apanhado safo-me, saio correndo como, devoro vivo, levo a v
ida eu envelheço mergulho, visto-me ponho (-me) de pé eu vôo fluo, corro (água)
eu seco, eu resseco eu sofro alegro-me eu me antecipo nasço, sou de nascença
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Aoristo em -ka (só no indicativo)
Temas monossilábicos
Os verbos de temas monossilábicos (yh-/ye-, dv-/do-/, sth-/ sta-, ²-/¥-), que, n
o infectum, inacabado, sofrem um redobro em -i, poderiam fazer o aoristo seguind
o os modelos acima. Mas só ásthmi o faz. 49 Os três outros recebem a característ
ica -k- sobre o tema longo; essa característica é emprestada do perfeito ativo e
a flexão se faz analogicamente aos aoristos ativos sigmáticos. Mas o -k- só se
usa no singular 50; no plural a flexão se faz sobre o tema breve, como se fossem
aoristo de raiz-tema.
Quadro de flexão do aoristo em -ka
Temas:
VOZ ATIVA Indicativo coloco/coloquei
S ¦-yh-ka ¦-yh-ka-w ¦-yh-ke ¦-ye-men ¦-ye-te ¦-ye-san ¦-ye-ton ¤-y¡-thn
yh/ye
dv/do
²/¥
sth/sta
dou/dei
¦-dv-ka ¦-dv-ka-w ¦-dv-ke ¦-do-men ¦-do-te ¦-do-san ¦-do-ton ¤-dñ-thn
lanço/lancei
¸-ka ¸-ka-w ¸-ke eå-men eå-te eå-san eå-ton eá-thn
ponho/pus de pé
¦-sth-n ¦-sth-w ¦-sth ¦-sth-men ¦-sth-te ¦-sth-san ¦-sth-ton ¤-st -thn
P
D
49 50
§sthka significa: estou de pé ou pus de pé (perfeito). Em Homero encontram-se fo
rmas também no plural e nos outros modos.
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Subjuntivo coloque/colocar
S. yÇ* y»-w y» yÇ-men y°-te yÇ-si y°-ton y°-ton
dê/der
dÇ* dÒ-w dÒ dÇ-men dÇ-te dÇ-si dÇ-ton dÇ-ton
lance/lançar
Ï* Ã-w à Ï-men ¸-te Ï-si ¸-ton ¸-ton
ponha/puser de pé
stÇ* st»-w st» stÇ-men st°-te stÇ-si st°-ton st°-ton
P.
D.
* O subjuntivo se constrói sobre os temas breves (ye, do, ¥, sta ) com o acrésci
mo da característica do subjuntivo v,h,h,v,h,v, que absorvem a vogal temática (c
ontração) e desinências pessoais. As contrações resultam em formas perispômenas.
Veja o quadro demostrativo abaixo.
Quadro demostrativo das modificações fonéticas do subjuntivo
S. y¡-v > y¡-h-si > y¡-h-ti > P. y¡-v-men > y¡-h-te > D. y¡-h-ton > y¡-h-ton > S
. §-v > §-h-si > §-h-ti > P. ¸si > ¸i/ Ã §-hsi > ¸si Ï y¡hi /y» > y¡hsi >y¡hi >
yÇ y°i /y» yÇmen y°te y°ton y°ton dñ-v > dñ-h-ti > dñ-v-men > dñ-h-te > dñ-h-ton
> dñ-h-ton dvhsi >dÇsi > dÇ dÇsi>dÇi/dÒ > dÇiw/dÒw dÇi /dÒ dÇmen dÇte dÇton dÇt
on stÇ st hi > st°i/st» > st°iw/st»w st hsi > st hi > st°i/st» y°iw/y»w dñ-h-si >
y¡-v-nti > y¡vnsi > y¡vsi > yÇsi
dñ-v-nti > dÇnti > dÇnsi > dÇsi
st -v >
¸iw/Ãw st -h-si > ¸i/ Ã st -h-ti >
§-v-men > Ïmen st -v-men > stÇmen §-h-te > ¸te st -h-te > st°te §-v-nti > §vnsi>Ïnsi
> Ïsi st -v-nti > st vnsi > stÇnsi > stÇsi ¸ton ¸ton st -h-ton > st -h-ton > st°ton st°
ton
D. §-h-ton > §-h-ton >
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Optativo:
colocaria /colocasse* S. ye-Ûh-n yeÛh-w ye-Ûh P. ye-Ûh-men/ye-Ý-men ye-Ûh-te/ye-
Ý-te ye-Ûh-san/ye-Ý-en D. ye-Ý-ton ye-Û-thn daria /desse do-Ûh-n do-Ûh-w do-Ûh d
o-Ûh-men/do-Ý-men do-Ûh-te/do-Ý-te do-Ûh-san/do-Ý-en do-Ý-ton do-Û-thn lançaria
/lançasse e-áh-n e-áh-w e-áhstaÛh e-áh-men/e-å-men e-áh-te/ e-å-te e-áh-san/e-å-
en e-å-ton e-á-thn sta-Ý-men sta-Ý-te sta-Ý-en sta-Ý-ton sta-Û-thn poria/pusesse
de pé sta-Ûh-n sta-Ûh-w
* Também: poderia/pudesse colocar, dar, lançar, pôr de pé
Imperativo:
coloca colocai S. P. D. y¡w** y¡-tv y¡-te y¡-ntvn y¡-ton y¡-tvn dá dai dñw** dñ-
tv dñ-te dñ-ntvn dñ-ton dñ-tvn lança lançai §w** §-tv §-te §-ntvn §-ton §-tvn põ
e-te/ponde-vos de pé* st°-yi st -tv st°-te st -ntvn/st tvsan st°-ton st -tvn
* Imperativo de 3a pessoa: (ele) coloque, dê, lance, ponha-se de pé; (eles) colo
quem, dêem, lancem, ponham-se de pé. ** O imperativo singular seria o próprio te
ma, mas por ser vocálico, o -w (marca de 2 a pessoa) protege a vogal. Particípio
: tendo colocado, tendo dado, tendo lançado, tendo-me posto de pé
Tema Masc. Fem. Neut. ye-ntyeÛw-y¡ntow yeÝsa-yeÛshw y¡n-y¡ntow do-nt- ¥-ntdoæw-d
ñntow doèsa-doæshw dñn-dñntow sta-nteåw-§ntow eäsa-eáshw §n-§ntow st w-st ntow st sa-s
t shw st n-st ntow
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Infinitivo: colocar
ye-e-nai > yeÝnai
dar
do-e-nai > doènai
lançar
¥-e-nai > eänai
pôr de pé
st°-nai
VOZ MÉDIA Indicativo:
coloco/coloquei para mim S. ¤-y¡-mhn ¦-ye-so> ¦you ¦-ye-to ¤-y¡-meya ¦-ye-sye ¦-
ye-nto ¤-y¡-syhn ¤-y¡-syhn dou/dei para mim ¤-dñ-mhn ¦-do-so > ¦dou ¦-do-to ¤-dñ
-meya ¦-do-sye ¦-do-nto ¤-dñ-syhn ¤-dñ-syhn lanço/lancei para mim ponho-me de pé
eá-mhn eå-so e-to eá-meya eä-sye eá-nto eá-syhn eá-syhn ¤-st -mhn* ¦-sta-so > ¦st
v ¦-sta-to ¤-st -meya ¦-sta-sye ¦-sta-nto ¤-st -syhn ¤-st -syhn
P.
D.
* Esse aoristo médio, embora formalmente normal, não é usado. Em lugar dele a lí
ngua desenvolveu um aoristo em -s-. Assim temos:
Indicativo: - ¤sth-s mhn, saso(sv), sato, s meya, sasye, santo Subjuntivo: - st -svm
ai, shsai(sú), shtai, sÅmeya, shsye, svntai Optativo: - sth-saÛmhn, saiso(saio),
saito, saÛmeya, saisye, sainto Imperativo: - st°-sai, sths syv, st sasye, sths syvn
Particípio: - sth-s menow,n,on Infinitivo: - st -sasyai
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a flexão verbal
Subjuntivo
coloque/ colocar para mim dê/der para mim lance/lançar para mim ponha-me /puser
de pé
S.
yÇ-mai* y» y°-tai yÅ-meya y°-sye yÇ-ntai yÅ-meyon y°-syon
dÇ-mai dÒ dÇ-tai dÅ-meya dÇ-sye dÇ-ntai dÅ-meyon dÇ-syon
Ï-mai à ¸-tai Ë-meya ¸-sye Ï-ntai Ë-meyon ¸-syon
stÇ-mai st» st°-tai stÅ-meya st°-sye stÇ-ntai stÅ-meyon st°-syon
P.
D.
* O subjuntivo forma-se sobre o tema verbal breve (ye, do, ¥, sta), com o acrésc
imo da característica do subjuntivo (v, h, h, v, h, v ) e desinências primárias.
A absorção da vogal temática pela vogal longa, característica do subjuntivo, re
sulta em contração, o que explica as formas perispômenas e properispômenas.
Quadro demostrativo da evolução fonética do subjuntivo da voz média
S. y¡-v-mai > y¡-h-tai > P. ye-v-meya > y¡-h-sye > y¡-v-ntai > D. ye-Å-meyon > y
¡-h-syon > yÅmeyon y°syon y°sye yÇmai y°tai dñ-v-mai > dñ-h-sai > dñhai > dÇai d
ñ-h-tai > yÅmeya dñ-h-sye > yÇ-ntai do-Å-meyon > dñ-h-syon > dñ-v-ntai > do-Å-me
ya > dÇmai dÇi/dÒ* dÇtai dÅmeya dÇsye dÇntai dÇsyon dÇsyon y¡-h-sai > y¡hai > y°
ai > y°i/y»*
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S.
§-v-mai > §-h-sai > §-h-tai >
Ïmai §hai > ¸ai > ¸i/Â* ¸tai ¸sye Ïntai ¸syon
st -v-mai > st -h-sai > st -h-tai > st -h-sye > st -v-ntai > st -h-syon >
stÇmai st hai > st°ai > st°i/st»* st°tai stÅmeya st°sye stÇntai stÅmeyon st°syon
P.
§-v-meya > §-h-sye > §-v-ntai >
Ëmeya sta-Å-meya >
D.
§-Å-meyon > §-h-syon >
Ëmeyon sta-Å-meyon >
* Estas formas da 2a pessoa do singular média são iguais às de 3a pessoa do sing
ular ativa. Só o contexto resolve.
Optativo
colocaria/ colocasse* S. ye-Û-mhn ye-Ý-so > yeÝo ye-Ý-to ye-Û-meya ye-Ý-sye ye-Ý
-nto ye-Û-syhn ye-Û-syhn daria/desse do-Û-mhn do-Ý-so > doÝo do-Ý-to do-Û-meya d
o-Ý-sye do-Ý-nto do-Û-syhn do-Û-syhn lançaria/lançasse e-á-mhn e-å-so > eåo e-å-
to e-á-meya e-å-sye eä-nto e-á-syhn e-á-syhn me poria/pusesse de pé sta-Û-mhn sta
-Ý-so > staÝo sta-Ý-to sta-Û-meya sta-Ý-sye sta-Ý-nto sta-Û-syhn sta-Û-syhn
P.
D.
* Também: poderia/pudesse colocar, dar, lançar, pôr-me de pé.
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a flexão verbal
Imperativo:
coloca/colocai para ti/vós dá/dai para ti /vós lança/lançai para ti/vós põe-te/p
onde-vos de pé*
S. P.
y¡-so > yoè y¡-syv y¡-sye y¡-syvn/ y¡syvsan y¡-syon y¡-syvn
dñ-so > doè dñ-syv dñ-sye dñ-syvn/ dñsyvsan dñ-syon dñ-syvn
§-so > oð §-syv §-sye §-syvn/ §syvsan §-syon §-syvn
st -so > stÇ st -syv st -sye st -syvn/ st -syvsan st -syon st -syvn
D.
* Imperativo de 3 a pessoa: (ele) coloque, dê, lance, ponha de pé para si; (eles
) coloquem, dêem, lancem, ponham de pé para si
Particípio: tendo colocado para mim, tendo dado para mim, tendo lançado para mim
, tendo-me posto de pé.
Tema ye-menodo-meno§-menosta-menoy¡-menow,h,on dñ-menow,h,on §-menow,h,on st -meno
w,h,on
Infinitivo: colocar para mim, dar para mim, lançar para mim, pôr-se de pé y¡-sya
i dñ-syai §-syai st -syai
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Aoristo sigmático
O aoristo sigmático também é antigo na língua e, em Homero, convive com os outro
s tipos de aoristo; mas, por ter uma característica marcante, o -s-, que passa a
ser o sinal distintivo de fácil identificação, começou a ser usado com mais int
ensidade, a ponto de se tornar o aoristo paradigmático, regular , e, a partir do sé
culo V, todos os verbos que se foram criando adotaram esse aoristo. Esse -s-, ac
rescentado ao tema verbal, sem vogal de ligação, lu-s-, marcaria o aoristo; mas
é no indicativo que ele se identifica mais claramente e é a partir do indicativo
que se constrói o tema do aoristo, da maneira seguinte: O aoristo indicativo, r
ecebendo um aumento, por ser pontual no processo narrativo, tem desinências secu
ndárias. Assim, em ¤-lu-s-n: a soante -n, posta ao lado da consoante -s-, se voc
aliza em -a, resultando daí a sílaba -sa, que passa a ser a característica ident
ificadora desse tipo de aoristo. É assim que as gramáticas o denominam: aoristo
sigmático, ou aoristo em -sa.
Quadro de flexão do aoristo sigmático
VOZ ATIVA Tema em semivogal:
Indicativo
desligo/desliguei S. ¦-lu-sa ¦-lu-sa-w ¦-lu-se P. ¤-læ-sa-men ¤-læ-sa-te ¦-lu-sa
-n D. ¤-lu-s -thn (ston) ¤-lu-s -thn
Subjuntivo
desligue / desligar* læ-s-v læ-s-ú-w læ-s-ú læ-s-v-men læ-s-h-te læ-s-v-si læ-s-
h-ton læ-s-h-ton
Optativo
desligaria/ desligasse** læ-sa-i-mi læ-sa-i-w (seiaw) læ-sa-i (seien) læ-sa-i-me
n læ-sa-i-te læ-sa-i-en (seian) lu-sa-Û-thn(-ton) lu-sa-Û-thn
Imperativo
desliga/ desligai*** lè-son lu-s -tv læ-sa-te lu-s -ntvn læ-sa-ton lu-s -tvn
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a flexão verbal
* O subjuntivo se constrói sobre o tema verbal+característica -s- do aoristo + c
aracterísticas do subjuntivo v, h, h, v, h, v + desinências primárias ativas. (V
er o quadro demostrativo abaixo.) ** Também: poderia/pudesse desligar. *** Imper
ativo de 3a pessoa:(ele) desligue/(eles) desliguem.
Quadro demostrativo do subjuntivo:
S. læ-s-v > læ-s-h-si > læ-s-h-ti > læ-s-v-men > læ-s-h-te > læ-s-v-nti > læ-s-h
-ton > læ-s-h-ton > læshsi > læshti > læsv læshi/læsú > læshsi > læsvmen læshte
læsvnsi > læshton læshton læsúw/læshiw læsú/læshi
P.
læsvnti >
læsvsi
D.
Particípio: tendo desligado
Tema
lu-sa-nt-
Masc.
lu-sa-nt-w > læsaw - læsant-ow
Fem.
lu-sa-nt-j-a > læsasa - lus s-hw
Neutro
lu-sa-nt > lèsan - læsant-ow
Infinitivo:
desligar: lè-sai
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VOZ MÉDIA Indicativo
desligo/ desliguei para mim S. ¤-lu-s -mhn ¤-læ-sa-so > sao > sv ¤-læ-sa-to P. ¤-l
u-s -meya ¤-læ-sa-sye ¤-læ-sa-nto D. ¤-læ-sa-syon ¤-lu-s -syhn
Subjuntivo
desligue/desligar para mim læ-s-v-mai* læ-s-h-sai > sú læ-s-h-tai lu-s-Å-meya læ
-s-h-sye læ-s-v-ntai læ-s-h-syon læ-s-h-syon
Optativo
desligaria/desligasse para mim** lu-sa-Û-mhn
Imperativo
desliga para ti/ desligai para vós***
læ-sa-i-so > saio lè-sai læ-sa-i-to lu-sa-Û-meya læ-sa-i-sye læ-sa-i-nto læ-sa-i
-syon lu-sa-Û-syhn læ-sa-sye lu-s -syvn læ-sa-syon lu-s -syvn lu-s -syv
* O subjuntivo aoristo médio se constrói sobre o tema verbal + característica do
subjuntivo v, h, h, v, h, v, + desinências primárias médias. A 2a pessoa do sin
gular é: læ-s-h-sai> læshai> læshi> læsú. ** Também: poderia/pudesse desligar pa
ra mim. *** Imperativo de 3a pessoa:(ele) desligue para si; (eles) desliguem par
a si.
Particípio: tendo desligado para mim Tema
lu-s -menolu-s -menow-ou
Masc.
Fem.
lu-sa-m¡nh-hw
Neutro
lu-s -menon-ou
Infinitivo:
læ-sa-syai
desligar para mim
No modelo acima, o -s- se mantém porque segue a semivogal do tema verbal lu-; ma
s, quando o tema verbal é em consoante, sofre o processo de assimilação, segundo
as normas fonéticas da língua, como aconteceu na flexão nominal dos temas em co
nsoante.
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Assim, nos temas em oclusiva: Dental + sigma: a dental se assimila e cai peiy ¦-
peiy-sa > ¦-peis-sa > yaumat ¤-yaæmat-sa > ¤-yaæmas-sa > speud ¦-speud-sa > ¦spe
us-sa > Velar + sigma: a velar arx prag fulak combina com s > j ¦-arx-sa > ¦-pra
g-sa > ¤-fælak-sa > ¦peisa ¤yaæmasa ¦speusa —rja ¦praja ¤fælaja ¦yreca ¦trica ¦t
reca
Labial + sigma: a labial combina com s > c tref ¦-tref-sa > trib ¦-trib-sa > tre
p ¦-trep-sa >
Aoristo sigmático com temas em oclusivas
Tema em oclusiva: peiy-; prag-; tref-.
VOZ ATIVA Indicativo
eu convenci/convenço
S. ¦peiy-sa > ¦peisa ¦peiy-saw > ¦peisaw ¦peiy-se > ¦peise P. ¤peÛy-samen > ¤peÛ
samen ¤peÛy-sate > ¤peÛsate ¦peiy-san > ¦peisan D. ¤peÛy-saton > ¤peÛsaton ¤peiy
s thn > ¤peis thn
eu fiz/eu faço
¦prag-sa > ¦praja ¦prag-sw > ¦prajaw ¦prag-se > ¦praje ¤pr g-samen > ¤pr jamen ¤pr g-s
ate > ¤pr jate ¦prag-san > ¦prajan ¤pr g-saton > ¤pr jaton ¤prag-s thn > ¤praj thn
eu nutri/eu nutro
¦tref-sa > ¦yreca* ¦tref-saw > ¦yrecaw ¦tref-se > ¦yrece ¤tr¡f-samen > ¤yr¡camen
¤tr¡f-sate > ¤yr¡cate ¦tref-san > ¦yrecan ¤tr¡f-saton > ¤yr¡caton ¤trefs thn > ¤y
rec thn
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* A oclusiva aspirada seguida de -s- compõe a consoante dupla -c- fazendo com qu
e a aspiração se desloque para a oclusiva anterior: t > y.
Subjuntivo
eu convença/convencer
S. peÛy-sv > peÛsv peÛy-súw > peÛsúw peÛy-sú > peÛsú P. peÛy-svmen > peÛsvmen pe
Ûy-shte > peÛshte peÛ-svsi > peÛsvsi D. peÛy-shton > peÛshton peÛy-shton > peÛsh
ton
eu faça/fizer
pr g-sv > pr jv* pr g-súw > pr júw pr g-sú > pr jú pr g-svmen > pr jvmen pr g-shte > pr jht
> pr jvsi pr g-shton > pr jhton pr g-shton > pr jhton
eu nutra/nutrir
tr¡f-sv > yr¡cv tr¡f-súw > yr¡cúw tr¡f-sú > yr¡cú tr¡f-svmen > yr¡cvmen tr¡f-sht
e > yr¡chte tr¡f-svsi > yr¡cvsi tr¡f-shton > yr¡chton tr¡f-shton > yr¡chton
* Ver modelo fonético no quadro de læ-v, læs-v, p. 404.
Optativo
eu convenceria/ convencesse
S. peÛy-saimi > peÛsaimi peÛy-saiw > peÛsaiw/eiaw peÛy-sai > peÛsai/eie P. peÛy-
saimen > peÛsaimen peÛy-saite > peÛsaite peÛy-saien > peÛsaien/eian
eu faria/fizesse
pr g-saimi > pr jaimi pr g-saiw > pr jaiw/eiaw pr g-sai > pr jai/eie pr g-saimen > pr jaime
saite > pr jaite pr gsaien > pr jaien/eian
eu nutriria/nutrisse*
tr¡f-saimi > yr¡caimi tr¡f-saiw > yr¡caiw/eiaw tr¡f-sai > yr¡cai/eie tr¡fsaimen
> yr¡caimen tr¡fsaite > yr¡caite tr¡fsaien > yr¡caien/ eian
D.
peiy-saÛthn > peisaÛthn peiy-saÛthn > peisaÛthn
prag-saÛthn > prajaÛthn prag-saÛthn > prajaÛthn
trefsaÛthn > yrecaÛthn trefsaÛthn > yrecaÛthn
* Também: poderia/pudesse convencer, fazer, nutrir.
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Imperativo
convence/convencei
S. peÝy-son > peÝson peiy-s tv > peis tv P. peÛy-sate> peÛsate peiy-s ntvn > peis ntvn51
D. peÛy-saton > peÛsaton peiy-s tvn > peis tvn pr g-sate > pr jate prag-s ntvn > praj ntvn
pr g-saton > pr jaton prags tvn > praj tvn tr¡fsate > yr¡cate trefs ntvn > yrec ntvn tr¡fsa
on > yr¡caton trefs tvn > yrec tvn pr g-son > pr jon prag-s tv > praj tv tr¡f-son > yr¡con
ref-s tv > yrec tv
faze/fazei
nutre/nutri*
* Imperativo de 3 a pessoa: (ele) convença, faça, nutra; (eles) convençam, façam
, nutram. Particípio
tendo convencido Tema Masc. Fem. Neut.
peÛysant > peÛsantpeÛsaw-santow peÛsasa-s shw peÝsan-santow
tendo feito
pr jaw-jantow pr jasa-j shw pr jan-jantow
tendo nutrido
yr¡caw-cantow yr¡casa-c shw yr¡can-cantow
pr gsant > pr jant- tr¡fsant > yr¡cant-
Infinitivo convencer peÝysai > peÝsai fazer pr gsai > pr jai nutrir tr¡fsai > yr¡cai
51
Também peiy-s tvsan > peis tvsan (menos usada, rebuscada).
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VOZ MÉDIA Indicativo
convenci/ convenço para mim
S. ¤peiys mhn > ¤peis mhn ¤peÛysato > ¤peÛsato P.
fiz/faço para mim
¤prags mhn > ¤praj mhn ¤pr g-sato > ¤pr jato
nutri/nutro para mim
¤trefs mhn > ¤yrec mhn ¤tr¡fsato > ¤yr¡cato
¤peÛysaso > ¤peÛsaso > sv ¤pr gsaso > ¤pr jaso > sv ¤tr¡fsaso > ¤yr¡caso> sv
¤peiys meya > ¤peis meya ¤prags meya > ¤praj meya ¤trefs meya > ¤yrec meya ¤peÛysasye > ¤pe
sasye ¤peÛysanto > ¤peÛsanto ¤pr gsasye > ¤pr jasye ¤pr gsanto > ¤pr janto ¤tr¡fsasye >
¤yr¡casye ¤tr¡fsanto > ¤yr¡canto
D. ¤peiys syhn > ¤peis syhn ¤prags syhn > ¤praj syhn ¤trefs syhn > ¤yrec syhn ¤peiys syhn >
eis syhn ¤prags syhn > ¤praj syhn ¤trefs syhn > ¤yrec syhn
Subjuntivo
eu convença / convencer para mim
S. peÛysvmai > peÛsvmai peÛyshsai > peÛshsai> sú peÛyshtai > peÛshtai P. peiysÅm
eya > peisÅmeya peÛyshsye > peÛshsye peÛysvntai > peÛsvntai D. peÛy-shsyon > peÛ
shsyon peÛy-shsyon > peÛshsyon
faça / fizer para mim
pr gsvmai > pr jvmai pr gshsai > pr jhsai > jú pr gshtai pr jhtai pragsÅmeya > prajÅmeya pr
hsye > pr jhsye pr gsvntai > pr jvntai pr gshsyon > pr jhsyon pr gshsyon > pr jhsyon
nutra / nutrir para mim
tr¡fsvmai > yr¡cvmai tr¡fshsai > yr¡chsai > cú tr¡fshtai > yr¡chtai trefsÅmeya >
yrecÅmeya tr¡fshsye > yr¡chsye tr¡fsvntai > yr¡cvntai tr¡fshsyon > yr¡chsyon tr
¡fshsyon > yr¡chsyon
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a flexão verbal
Optativo
convenceria / convecesse para mim
S. peiysaÛmhn> peisaÛmhn peÛysaiso > peÛsaiso > saio** peÛysaito > peÛsaito P. p
eiysaÛmeya > peisaÛmeya peÛysaisye > peÛsaisye peÛysainto > peÛsainto D. peiysaÛ
syhn > peisaÛsyhn peiysaÛsyhn > peisaÛsyhn
faria / fizesse para mim
pragsaÛmhn > prajaÛmhn pr gsaiso > pr jaiso > aio pr gsaito > pr jaito pragsaÛmeya > pra
jaÛmeya pr gsaisye > pr jaisye pr gsainto > pr jainto pragsaÛsyhn > prajaÛsyhn pragsaÛsy
hn > prajaÛsyhn
nutriria / nutrisse para mim*
trefsaÛmhn > yrecaÛmhn tr¡fsaiso > yr¡caiso > aio tr¡fsaito > yr¡caito trefsaÛme
ya > yrecaÛmeya tr¡fsaisye > yr¡caisye tr¡fsainto > yr¡cainto trefsaÛsyhn > yrec
aÛsyhn trefsaÛsyhn > yrecaÛsyhn
* Também: poderia/pudesse convencer, fazer, nutrir para mim. ** O -s- intervocál
ico da desinência sofre síncope provocando um tritongo, de pronúncia fácil; por
isso permanece. Imperativo
convence para ti / convencei para vós
S. peÝy-sai > peÝsai peiy-s syv > peis syv P. peÛy-sasye> peÛsasye peiy-s syvn > peis sy
vn 52 D. peÛy-sasyon > peÛsasyon peiy-s syvn > peis syvn
faze para ti / fazei para vós
pr g-sai > pr jai prag-s syv > praj syv pr g-sasye > pr jasye prag-s syvn > praj syvn pr g-
pr jasyon prags syvn > praj syvn
nutre para ti / nutri para vós
tr¡f-sai > yr¡cai tref-s syv > yrec syv tr¡fsasye > yr¡casye trefs syvn > yrec syvn tr¡f
sasyon > yr¡casyon trefs syvn > yrec syvn
* Imperativo de 3 a pessoa: (ele) convença, faça, nutra; (eles) convençam, façam
, nutram para si.
52
Também peiy-s tvsan > peis tvsan (menos usada, rebuscada).
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Particípio
tendo convencido para mim tendo feito para mim tendo nutrido para mim
trefs meno -> yrec menopeis menow, h, on praj menow, h, on yrec menow, h, on
Tema peiys meno -> peis meno- prags meno -> praj meno-
Infinitivo
convencer para si
peÛysasyai > peÛsasyai
fazer para si
pr gsasyai > pr jasyai
nutrir para si
tr¡fsasyai > yr¡casyai
Temas em líqüida / soante / nasal:
Na flexão nominal dos temas em líquida, só a soante nasal seguida de -s- cai, se
m compensação de alongamento. O -r- e o -l- permanecem. assim: daÛmon-si > daÛmo
si aos numes ²gemñn-si > ²gemñsi aos guias mas: = tor-si aos oradores lw o sal Na
flexão verbal, nos verbos cujo tema termina por l, r, m, n, o -sdo aoristo sofr
e síncope, e, em compensação, a vogal do tema é alongada. Tema Aoristo stel¦-ste
l-sa > ¦-steil-a enviei fyer¦-fyer-sa > ¦-fyeir-a corrompi men¦-men-sa > ¦-mein-
a permaneci nem¦-nem-sa > ¦-neim-a distribuí kayar¤-k yar-sa > ¤-k yhr-a purifiquei
fan¦-fan-sa > ¦-fhn-a fiz aparecer Para maior clareza vamos dar a seguir o parad
igma construído sobre o tema stel-.
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VOZ ATIVA
Tema: ¦-stel-sa > ¦-steil-a
Indicativo envio/enviei
S. ¦-steil-a ¦-steil-aw ¦-steil-e P. ¤-steÛl-a-men ¤-steÛl-a-te ¦-steil-an D. ¤-
steil- -thn /aton ¤-steil- -thn
Subjuntivo envie/enviar
steÛl-v* steÛl-úw steÛl-ú steÛl-v-men steÛl-h-te steÛl-v-si steÛl-h-ton steÛl-h-
ton
Optativo enviaria /enviasse**
steÛl-a-i-mi steÛl-a-i-w (-eiaw) steÛl-a-i (-eie) steÛl-a-i-men steÛl-a-i-te ste
Ûl-a-i-en (-eian) steil-a-Û-thn/ton steil-a-Û-thn
Imperativo envia/enviai***
steÝl-on steil- -tv steÛl-a-te steil- -ntvn steÛl-a-ton steil- -tvn
* O subjuntivo aoristo ativo se constrói sobre o tema verbal + característica -s
- do aoristo, que sofre síncope, alongando por compensação a vogal do tema + car
acterística do subjuntivo v, h, h, v, h, v, + desinências primárias. ** Também:
poderia/pudesse enviar. *** Imperativo de 3 a pessoa: ele envie / eles enviem. P
articípio: tendo enviado
Tema
steilant >
Masc.
steÛlaw-steÛlant-ow
Fem.
steilant-j-a > steilantia > steÛlasa-steil s-hw
Neutro
steil-a-nt steÝlan-steÛlant-ow
stel-sa-nt- > steil-a-nt-w >
Infinitivo: enviar stel-s-nai >
steil-nai >
steÝlai
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VOZ MÉDIA
Indicativo
envio/enviei para mim S. ¤-steil- -mhn ¤-steÛl-a-so > v ¤-steÛl-a-to P. ¤-steil- -me
ya ¤-steÛl-a-sye ¤-steÛl-a-nto D. ¤-stel- -syhn
Subjuntivo
envie/enviar para mim steÛl-v-mai* steÛl-h-tai steil-Å-meya steÛl-h-sye steÛl-v-
ntai steÛl-h-syon
Optativo
enviaria/enviasse para mim** steil-a-Û-mhn
Imperativo
envia para ti enviai para vós*** steÝl-ai53 steil- -syv steÛl-a-sye steil- -ntvn ste
il- -syvn
steÛl-h-sai > ú steÛl-a-i-so > aio steÛlai-to steil-a-Û-meya steÛl-a-i-sye steÛl
-a-i-nto steil-a-Û-syhn
¤-steil- -syhn/syon steÛl-h-syon
steil-a-Û-syhn/syon steÛl-a-syon
* O subjuntivo aoristo médio se constrói sobre o tema verbal + característica -s
- do aoristo que sofre síncope, alongando por compensação a vogal do tema + cara
cterísticas do subjuntivo v, h, h, v, h, v, + desinências primárias médias. ** T
ambém: poderia/pudesse enviar para mim. *** Imperativo de 3 a pessoa: ele envie
para si / eles enviem para si. Particípio: tendo enviado para mim
Tema
stel-sa-meno- > steil-a-meno-
Masc.
steil- -menow
Fem.
steil-a-m¡nh
Neutro
steil- -menon
Infinitivo: enviar para mim stel-sa-syai > steÛl-a-syai
53
Observe o acento properispômeno, como no infinitivo aoristo ativo na p. 402; mas
a 3a pessoa do optativo ativo steÛlai é paroxítona, porque o -i- do optativo é
longo.
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Note-se que o -a-, remanescente da queda do -s- da característica, mantém-se em
todos os modos, exceto no subjuntivo. O subjuntivo tem como característica a vog
al de ligação longa: v, h, h, v, h, v, que se acrescenta diretamente à caracterí
stica -s- do aoristo (sem o -n-, desinência secundária do indicativo que se voca
lizou em -a). Além disso, por ser eventual, o subjuntivo tem desinências primári
as. O quadro de flexão acima serve de modelo para todos os verbos de tema em líq
uida: l, m, n, r.
O futuro
O futuro não é propriamente um tempo. É um vir-a-ser, isto é: uma eventualidade,
uma antecipação. As gramáticas ora dizem que o futuro se originou de um antigo
desiderativo, ora que é um subjuntivo eventual. Não há erro nessas informações.
Não é nossa intenção fazer gramática histórica, mas cremos que não seria errado
afirmar que o futuro é uma noção secundária, associada ao aoristo; é uma mera pr
ojeção do ato verbal, a formulação de um desejo num certo grau de intensidade; (
daí o uso do indicativo, e, no português, a criação do subjuntivo futuro). A noç
ão de eventualidade, de virtualidade da ação se exprime pelo subjuntivo. Mas o f
uturo não contém a idéia de inacabado, infectum, que conflita com a idéia aorist
a da pontualidade. Não é por mero acaso que, nos paradigmas de conjugação, o lug
ar do futuro do subjuntivo é o mesmo que o do subjuntivo aoristo. É por isso que
vamos mostrar que a construção do futuro se faz sobre o tema do aoristo. Constr
uir o futuro a partir do tema do infectum (inacabado), como se faz tradicionalme
nte é um contra-senso, além de obrigar o estudioso a decorar listas de futuros ir
regulares 54.
54
Mas, às vezes, tem-se a impressão de que o futuro é a continuidade do presente,
como no verbo eänai que não tem aoristo. A construção do futuro sobre o tema do
infectum exprime a continuidade do ser.
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Basta citarmos alguns exemplos para provar que o futuro nem semanticamente nem m
orfologicamente deriva do tema do infectum: Vejamos o verbo gignÅskv: o futuro é
gnÅ-s-o-mai. O que aconteceu? O futuro foi construído sobre a raiz-tema: gnv co
m o auxílio da característica -s- do futuro, sem levar consigo o redobro em i, q
ue é exclusivo do infectum, e sem levar o sufixo incoativo -sk- que semanticamen
te está ligado ao infectum (inacabado). Note-se também a forma média, caracterís
tica do envolvimento do sujeito na ação verbal. Muitos verbos ativos têm um futu
ro médio. Não se deve procurar explicação gramatical para esse fato, mas sim sem
ântica. Por exemplo, o verbo entender, aprender: Ao dizermos eu aprenderei , o que
estamos dizendo é eu hei de aprender (aprenderei < aprender-ei < aprender-hei) com
o uma promessa (futuro promissivo) e uma certa antecipação de certeza. Aliás, to
da a formação do futuro nas línguas românicas é semelhante à do português, com o
s auxiliares semelhantes a eu tenho, eu hei, eu devo . Na verdade, é uma voz média,
embora não tenhamos uma forma especial que reflita isso. No grego é claro: may
> may- -s-o-mai, eu hei de aprender. Novamente aqui podemos notar que na voz méd
ia grega o sujeito é agente do ato verbal, isto é, uma forma média em grego deve
r ser traduzida na voz ativa em português. O que diferencia a voz ativa da voz m
édia é o envolvimento ou não do agente no ato verbal. Em português também temos
a voz média, semanticamente, não morfologicamente. Então não é mera coincidência
o uso do mesmo -s- no futuro e no aoristo: os problemas que vamos encontrar est
ão na fórmula usual de apresentar os tempos primitivos dos verbos nas gramáticas e
nos dicionários. Contudo, se tivermos o cuidado de isolar o aoristo, veremos qu
e o futuro tem o mesmo tema e a mesma característica do aoristo. A diferença est
á no tratamento do -s-: 1. no futuro, as desinências primárias se juntam ao tema
pela vogal de ligação; 2. no aoristo, a desinência secundária de 1 a pessoa -n
se junta sem vogal de ligação ao tema, vocalizando-se em -a, passando a ser esse
o tema para todos os modos do aoristo, menos para o subjuntivo, que é eventual
e tem desinências primarias.
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a flexão verbal
Assim:
¦-lu-s-n > ¦-lu-sa / ¤-lu-s -mhn : læ-s-v / læ-s-o-mai :
aoristo futuro
Em princípio, não é difícil construir o futuro dos verbos gregos; basta acrescen
tar o -s- ao tema verbal (tema do aoristo) e observar as normas fonéticas, uma v
ez que podem acontecer encontros entre o -s- e as consoantes dos temas e também
a síncope do -s-, quando em situação intervocálica. Convém notar, entretanto, qu
e a noção de futuro (vir-a-ser, eventual) não se coaduna com o modo optativo, qu
e é o modo do potencial, e é pleonástica com o subjuntivo aoristo por serem os d
ois (subjuntivo aoristo e futuro) o mesmo eventual; e também com o imperativo fu
turo (também essencialmente um fato futuro, portanto eventual), embora formalmen
te todas essas formas sejam possíveis. As gramáticas omitem o imperativo e subju
ntivo futuros, mas registram o optativo. Creio que esse optativo futuro faz dupl
o uso com o optativo aoristo, uma vez que o aspecto é o mesmo. Como já foi demon
strado, o futuro não se faz sobre o tema do infectum e, ipso facto, não contém e
sse aspecto. Contudo, nos quadros de flexão a seguir, daremos as formas do optat
ivo futuro, com sua tradução linear. O leitor verá que é um significado incomum,
embora possível.
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Flexão do futuro
1. Quadro de flexão do futuro dos temas em semivogal: -u-/-iOs temas em semivoga
l acrescentam o -s- e desinências primárias sem maiores problemas. Tema: læfut.:
lu-s-v / læ-s-o-mai Tema: tifut.: tÛ-s-v / tÛ-s-o-mai
Tema: læ-; Verbo: læv
VOZ ATIVA Indicativo desligarei*
S. læ-s-v læ-s-eiw læ-s-ei læ-s-o-men læ-s-e-te læ-s-ousi læ-s-e-ton læ-s-e-ton
Optativo poderia/pudesse haver de desligar
læ-s-oi-mi læ-s-oi-w læ-s-oi læ-s-oi-men læ-s-oi-te læs-oi-en lu-s-oÛ-thn lu-s-o
Û-thn
P.
D.
* Também: hei de desligar Particípio: havendo de desligar, que há de desligar, q
ue desligará. Tema læ-s-o-nt Infinitivo: Masc. læ-s-vn,ontow Fem. Neutro læ-sous
a,shw lè-s-on,ontow
haver de desligar: læ-s-ein
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VOZ MÉDIA Indicativo desligarei / hei de desligar para mim
S. læ-s-o-mai læ-s-e-sai> ú læ-s-e-tai lu-s-ñ-meya læ-s-e-sye læ-s-o-ntai læ-s-e
-syon læ-s-e-syon
Optativo poderia / pudesse haver de desligar para mim
lu-s-oÛ-mhn læ-s-oi-so > soio læ-s-oi-to lu-s-oÛ-meya læ-s-oi-sye læ-s-oi-nto lu
-s-oÛ-syhn lu-s-oÛ-syhn
P.
D.
Particípio: havendo de desligar para si, que há de desligar /que desligará para
si Tema lu-s-ñ-menoInfinitivo: læ-s-e-syai haver de desligar para si. Masc. lu-s
-ñ-menow Fem. lu-s-o-m¡nh Neutro lu-s-ñ-menon
2. Quadro de flexão dos temas monossilábicos em vogal longa Os temas em vogal lo
nga acrescentam o -s-, que não sofre síncope, em posição intervocálica. Esse alo
ngamento da vogal temática tem objetivo de ordem fonética: evitar a síncope do -
s- intervocálico, e é comandado por motivação morfológica e semântica. Naturalme
nte, é para não repetir a forma final do infectum. Por isso é que, sempre que a
língua não quer eliminar o -s- intervocálico, sobretudo no futuro, alonga a voga
l temática, como no caso
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dos denominativos e nos temas monossilábicos ye-, do-, ¤-, sta- do quadro a segu
ir. O mesmo acontece com as vogais de ligação longas de may somai, gnÅsomai, b s
omai, dæsomai. O -s- mantém-se.
VOZ ATIVA
Tema: -y - Verbo: tÛyhmi Tema: -´Indicativo
colocarei S. y -s-v* y -s-eiw y -s-ei y -s-omen y -s-ete y -s-ousi y -s-eton y -
s-eton darei dÅ-s-v dÅ-s-eiw dÅ-s-ei dÅ-s-omen dÅ-s-ete dÅ-s-ousi dÅ-s-eton dÅ-s
-eton
Tema: -dÅ- Verbo: dÛdvmi Tema: -st - Verbo: ásthmi
Verbo: àhmi
lançarei ´-s-v ´-s-eiw ´-s-ei ´-s-omen ´-s-ete ´-s-ousi ´-s-eton ´-s-eton
pôr-me-ei de pé st -s-v st -s-eiw st -s-ei st -s-omen st -s-ete st -s-ousi st -s
-eton st -s-eton
P.
D.
* Note-se que o redobro do presente não vem para o futuro.
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Optativo poderia/pudesse haver de:
colocar S. y -s-oi-mi y -s-oi-w y -s-oi y -s-oi-men y -s-oi-te y -s-oi-en y -s-o
i-ton yh-s-oÛ-thn dar dÅ-s-oi-mi dÅ-s-oi-w dÅ-s-oi dÅ-s-oi-men dÅ-s-oi-te dÅ-s-o
i-en dÅ-s-oi-ton dv-s-oÛ-thn lançar ´-s-oi-mi ´-s-oi-w ´-s-oi ´-s-oi-men ´-s-oi-
te ´-s-oi-en ´-s-oi-ton ²-s-oÛ-thn pôr-me de pé st -s-oi-mi st -s-oi-w st -s-oi
st -s-oi-men st -s-oi-te st -s-oi-en st -s-oi-ton sth-s-oÛ-thn
P.
D.
Particípio: havendo de / que vai colocar; dar; lançar; pôr-se de pé
Tema Masc. Fem. Neut.
y°-s-o-nt y svn - sontow y sousa - shw y°son - sontow dÇ-s-o-nt dÅsvn - sontow d
Åsousa -shw dÇson - sontow ¸-s-o-nt ´sousa - shw ¸son - sontow st°-s-o-nt st sou
sa - shw st°son - sontow ´svn - sontow st svn - sontow
Infinitivo haver de colocar
y -s-ein
dar
dÅ-s-ein
lançar
´-s-ein
pôr-se de pé
st -s-ein
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VOZ MÉDIA Indicativo
colocarei para mim S. y -s-o-mai y -s-e-tai P. yh-s-ñ-meya y -s-e-sye y -s-o-nta
i D. y -s-e-syon y -s-e-syon darei para mim dÅ-s-o-mai dÅ-s-e-tai dv-s-ñ-meya dÅ
-s-e-sye dÅ-s-o-ntai dÅ-s-e-syon dÅ-s-e-syon lançarei para mim ´-s-o-mai ´-s-e-t
ai ²-s-ñ-meya ´-s-e-sye ´-s-o-ntai ´-s-e-syon ´-s-e-syon pôr-me-ei de pé st -s-o
-mai st -s-etai sth-s-ñ-meya st -s-esye st -s-o-ntai st -s-e-syon st -s-e-syon
y -s-e-sai > sú/ei dÅ-s-e-sai > sú/ei ´-s-e-sai > sú/ei st -s-e-sai > sú/ei
Optativo poderia/pudesse haver de:
colocar para mim S. yh-s-oÛ-mhn y -s-oi-to P. yh-s-oÛ-meya y -s-oi-sye y -s-oi-i
nto D. y -s-oi-syon yh-s-oÛ-syhn dar para mim dv-s-oÛ-mhn dÅ-s-oi-to dv-s-oÛ-mey
a dÅ-s-oi-sye dÅ-s-oi-nto dÅ-s-oi-syon dv-s-oÛ-syhn lançar para mim ²-s-oÛ-mhn ´
-s-oi-to ²-s-oÛ-meya ´-s-oi-sye ´-s-oi-nto ´-s-oi-syon ²-s-oÛ-syhn pôr-me de pé
sth-s-oÛ-mhn st -s-oi-so > soio st -s-oi-to sth-s-oÛ-meya st -s-oi-sye st -s-oi-
nto st -s-oi-syon sth-s-oÛ-syhn
y -s-oi-so > soio dÅ-s-oi-so > soio ´-s-oi-so > soio
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Particípio: havendo de, que vai colocar para si; dar para si; lançar para si; pô
r-se de pé
Tema Masc. Fem. Neut. yh-s-o-menoyhsñmenow yhsom¡nh yhsñmenon dv-s-o-menodvsñmen
ow dvsom¡nh dvsñmenon ²-s-o-meno²sñmenow ²som¡nh ²sñmenon sth-s-o-menosthsñmenow
sthsom¡nh sthsñmenon
Infinitivo: haver de colocar para si y -s-e-syai dar para si dÅ-s-e-syai lançar
para si ´-s-e-syai pôr-se de pé st -s-e-syai
3. Quadro de flexão dos temas em oclusiva: - g,k,x / b,p,f /d,t,y Os temas em oc
lusiva comportam-se como no aoristo sigmático. Ver o quadro de flexão do aoristo
sigmático nas páginas 445 e seguintes. VOZ ATIVA Indicativo
eu farei S. pr g-s-v > jv pr g-s-eiw > jeiw pr g-s-ei > jei pr g-s-o-men > jomen pr g-s-e-
te > jete pr g-s-ousi > jousi pr g-s-e-ton > jeton pr g-s-e-ton > jeton olharei bl¡p-s
-v > cv bl¡p-s-eiw > ceiw bl¡p-s-ei > cei bl¡p-s-o-men > comen bl¡p-s-e-te > cet
e bl¡p-s-ousi > cousi bl¡p-s-e-ton > ceton bl¡p-s-e-ton > ceton convencerei peÛy
-s-v > sv peÛy-s-eiw > seiw peÛy-s-ei > sei peÛy-s-o-men > somen peÛy-s-e-te > s
ete peÛy-s-ousi > sousi peÛy-s-e-ton > seton peÛy-s-e-ton > seton
P.
D.
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Optativo poderia/pudesse
haver de fazer
S. pr g-s-oi-mi > joimi pr g-s-oi0w > joiw pr g-s-oi > joi P. pr g-s-oi-men > joimen pr g-
s-oi-te > joite pr g-s-oi-en > joien D. prag-s-oÛ-thn > joÛthn prag-s-oÛ-thn > joÛ
thn
haver de olhar
bl¡p-s-oi-mi > coimi bl¡p-s-oi-w > coiw bl¡p-s-oi > coi bl¡p-s-oi-men > coimen b
l¡p-s-oi-te > coite bl¡p-s-oi-en > coien blep-s-oÛ-thn > coÛthn blep-s-oÛ-thn >
coÛthn
haver de convencer
peÛy-s-oi-mi > soimi peÛy-s-oi-w > soiw peÛy-s-oi > soi peÛy-s-oi-men > soimen p
eÛy-s-oi-te > soite peÛy-s-oi-en > soien peiy-s-oÛ-thn > soÛthn peiy-s-oÛ-thn >
soÛthn
Particípio: havendo de fazer, olhar, convencer*
Tema Masc. Fem. Neut. pr g-s-o-nt > pr jont pr jvn-ontow pr jousa-shw pr jon-ontow bl¡p-s-
o-nt > bl¡cont bl¡cvn-ontow bl¡cousa-shw bl¡con-ontow peÝy-s-o-nt > peÝsont peÛs
vn-ontow peÛsousa-shw peÝson-ontow
* Também: que há de fazer / que fará, olhará, convencerá
Infinitivo: haver de fazer
prag-s-ein > pr jein
olhar
blep-s-ein > bl¡cein
convencer
peÛy-s-ein > peÛsein
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VOZ MÉDIA Indicativo
farei para mim
S. pr g-s-o-mai > jomai pr g-s-e-sai > jú/ei pr g-s-e-tai > jetai P. prag-s-ñ-meya > j
ñmeya pr g-s-e-sye > jesye pr g-s-o-ntai > jontai D. pr g-s-e-syon > jesyon pr g-s-e-syo
n > jesyon
olharei para mim
bl¡p-s-o-mai > comai bl¡p-s-e-sai > cú/ei bl¡p-s-e-tai > cetai blep-s-ñ-meya > c
ñmeya bl¡p-s-e-sye > cesye bl¡p-s-o-ntai > contai bl¡p-s-e-syon > cesyon bl¡p-s-
e-syon > cesyon
convencerei para mim
peÛy-s-o-mai > somai peÛy-s-e-sai > sú/ei peÛy-s-e tai > setai peiy-s-ñ-meya > s
ñmeya peÛy-s-e-sye > sesye peÛy-s-o-ntai > sontai peÛy-s-e-syon > sesyon peÛy-s-
e-syon > sesyon
Optativo Poderia/pudesse haver de
fazer para mim S. prag-s-oÛ-mhn > joÛmhn pr g-s-oi-so > joio pr g-s-oi-to > joito P.
prag-s-oÛ-meya>joÛmeya pr g-s-oi-sye > joisye pr g-s-oi-nto > jointo D. prag-s-oÛ-s
yhn> joÛsyhn prag-s-oÛ-syhn> joÛsyhn olhar para mim blep-s-oÛ-mhn > coÛmhn bl¡p-
s-oi-spo > coio bl¡p-s-oi-to > coito convencer para mim peiy-s-oÛ-mhn > soÛmhn p
eÛy-s-oi-so > soio peÛy-s-oi-to > soito
blep-s-oÛ-meya> coÛmeya peiy-s-oÛ-meya > soÛmeya bl¡p-s-oi-sye > coisye bl¡p-s-o
i-nto > cointo peÛy-s-oi-sye > soisye peÛy-s-oi-nto > sointo
blep-s-oÛ-syhn> coÛsyhn peiy-s-oÛ-syhn > soÛsyhn blep-s-oÛ-syhn> coÛsyhn peiy-s-
oÛ-syhn > soÛsyhn
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Particípio: havendo de fazer para si/ havendo de olhar para si/ havendo de conve
ncer para si, também: que há de fazer / que fará para si etc.
Tema Masc. Fem. Neut. prag-s-ñ-meno> jñmenoprajñmenow prajom¡nh prajñmenon blep-
s-ñ-meno> cñmenoblecñmenow blecom¡nh blecñmenon peiy-s-ñ-meno> sñmenopeisñmenow
peisom¡n peisñmenon
Infinitivo: haver de fazer, de olhar, de nutrir para si fazer para si
pr g-s-e-syai > jesyai
olhar para si
bl¡p-s-e-syai > cesyai
convencer para si
peÛy-s-e-syai > sesyai
Contudo, nem sempre é fácil identificar o tema verbal na forma pela qual os verb
os dão entrada nos dicionários, vocabulários e gramáticas, isto é, pela forma do
presente. Mas, se observarmos bem a forma do aoristo, conseguiremos identificar
o tema verbal. Assim:
Verbo
kl gzv / kl zv eu grito
Tema verbal
klaggklag-
Tema do infectum
klagg-jv > kl gzv klag-jv > kl zv nif->nif-jv > nÛptv nib-jv > nÛzv sxid-jv > sxÛzv
sfag-jv > sf zv
Futuro
kl gg-s-v > kl gjv kl g-sv > kl jv nÛf-sv > nÛcv nÛb-sv > nÛcv sxÛd-sv > sxÛsv sf g-sv > s
f jv
Aoristo
¦klagg-sa > ¦klagja ¦klag-sa > ¦klaja ¦nif-sa > ¦nica ¦nib-sa > ¦nica ¦sxid-sa >
¦sxisa ¦sfag-sa > ¦sfaja
nÛzv / nÛptv eu lavo
nifnib-
sxÛzv eu fendo, eu racho sf zv eu degolo
sxidsfag-
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Nesses quatro casos, a construção do aoristo e futuro (ativo e médio) é normal:
klagg - s > klagj sxid-s > sxiss > sxis nif/nib - s > nic sfag-s > sfaj
Também não haverá problemas na construção da voz passiva (aoristo e futuro) com
o sufixo -h-/-yh-. (Ver no quadro de flexão próprio).
4. Quadro de flexão do futuro em -es- dos temas em líquida / soante Nos casos do
s temas em soante, nasal ou líquida, (l, m, n, r), o s- do futuro vem com vocali
smo e, como se fosse uma vogal de ligação es-; é um tratamento diferente daquele
dispensado para esse mesmo encontro consonântico, no aoristo. Certamente para n
ão causar confusão com o tema do infectum. Com a presença de -es-, das desinênci
as primárias e da vogal de ligação, o -s- fica em posição intervocálica e sofre
síncope. Isso transforma esse tema de futuro em um tema em vogal e-, igual ao te
ma do verbo denominativo em e- (file-), e normalmente a flexão se faz da mesma f
orma, isto é, como o verbo fil¡-v. Assim: ggel-¡s-v > ggel¡v > ggelÇ,eÝw,eÝ; nem-¡s
-v > nem¡v > nemÇ,eÝw,eÝ; fan-¡s-o-mai > fan¡omai > fanoèmai,»,eÝtai; kayar-¡s-v
> kayar¡v > kayarÇ,eÝw,eÝ Veja os quadros de flexão a seguir.
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VOZ ATIVA Indicativo
destruirei
S.
fyer-¡s-v > Ç fyer-¡s-eiw > eÝw fyer-¡s-ei > eÝ
enviarei
stel-¡s-v > Ç stel-¡s-eiw > eÝw stel-¡s-ei > eÝ
repartirei
nem-¡s-v > Ç nem-¡s-eiw > eÝw nem-¡s-ei > eÝ
permanecerei
men-¡s-v > Ç men-¡s-eiw > eÝw men-¡s-ei > eÝ
P.
fyer-¡s-omen > oèmen stel-¡s-omen > oèmen nem-¡s-omen > oèmen men-¡s-omen > oème
n fyer-¡s-ete > eÝte fyer-¡s-ousi > oèsi stel-¡s-ete > eÝte stel-¡s-ousi > oèsi
nem-¡s-ete > eÝte nem-¡s-ousi > oèsi men-¡s-ete > eÝte men-¡s-ousi > oèsi
D.
fyer-¡s-eton > eÝton stel-¡s-eton > eÝton nem-¡s-eton > eÝton men-¡s-eton > eÝto
n fyer-¡s-eton > eÝton stel-¡s-eton > eÝton nem-¡s-eton > eÝton men-¡s-eton > eÝ
ton
Optativo: poderia/pudesse haver de
destruir S. fyeroÛhn* fyeroÛhw fyeroÛh fyeroÝmen fyeroÝte fyeroÝen fyeroÝton fye
roÛthn enviar steloÛhn steloÛhw steloÛh steloÝmen steloÝte steloÝen steloÝton st
eloÛthn repartir nemoÛhn nemoÛhw nemoÛh nemoÝmen nemoÝte nemoÝen nemoÝton nemoÛt
hn permanecer menoÛhn menoÛhw menoÛh menoÝmen menoÝte menoÝen menoÝton menoÛthn
P.
D.
* fyer-es-o-Û-hn > fyereoÛhn > fyeroÛhn igual ao modelo filoÛhn das páginas 391
e 393.
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a flexão verbal
Particípio: havendo de destruir, enviar, repartir, permanecer*
Tema Masc. Fem. Neut.
fyer-¡sont >-¡ont fyerÇn, oèntow fyeroèsa, shw fyeroèn, oèntow stel-¡sont >-¡ont
stelÇn, oèntow steloèsa, shw steloèn, oèntow nem-¡sont >-¡ont nemÇn, oèntow nemo
èsa, shw nemoèn, oèntow men-¡sont >-¡ont menÇn, oèntow menoèsa, shw menoèn, oènt
ow
* Também: que há de destruir, enviar, repartir, permanecer; que destruirá, envia
rá, repartirá, permanecerá. Infinitivo: haver de destruir
fyer-¡s-ein > eÝn
enviar
stel-¡sein > eÝn
repartir
nem-¡sein > eÝn
permanecer
men-¡s-ein > eÝn
VOZ MÉDIA Indicativo
destruirei para mim
S. fyer-¡s-omai > oèmai fyer-¡sesai > » / eÝ fyer-¡setai > eÝtai P. fyer-esñmeya
> oæmeya fyer-¡sesye > eÝsye fyer-¡sontai > oèntai D. fyer-¡sesyon > eÝsyon fye
r-¡sesyon > eÝsyon
enviarei para mim
stel-¡somai > oèmai stel-¡sesai > » / eÝ stel-¡setai > eÝtai stel-esñmeya > oæme
ya stel-¡sesye > eÝsye stel-¡sontai > oèntai stel-¡sesyon > eÝsyon stel-¡sesyon
> eÝsyon
aparecerei
fan-¡somai > oèmai fan-¡sesai > » / eÝ fan-¡setai > eÝtai fan-esñmeya > oæmeya f
an-¡sesye > eÝsye fan-¡sontai > oèntai fan-¡sesyon > eÝsyon fan-¡sesyon > eÝsyon
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Optativo poderia/pudesse haver de
destruir para mim
S. fyer-esoÛmhn > oÛmhn fyer-¡soiso > oÝo fyer ¡soito > oÝto P. fyer-esoÛmeya >
oÛmeya fyer-¡soisye > oÝsye fyer-¡sointo > oÝnto D. fyer-¡soisyon > oÝsyon fyer-
esoÛsyhn > oÛsyhn
enviar para mim
stelesoÛmhn > oÛmhn stel-¡soiso > oÝo stel-¡soito > oÝto stel-esoÛmeya > oÛmeya
stel-¡soisye > oÝsye stel-¡sointo > oÝnto stel-¡soisyon > oÝsyon stel-esoÛsyhn >
oÛsyhn
aparecer para mim
fan-esoÛmhn > oÛmhn fan-¡soiso > oÝo fan-¡soito > oÝto fan-esoÛmeya > oÛmeya fan
-¡soisye > oÝsye fan-¡sointo > oÝnto fan-¡soisyon > oÝsyon fan-esoÛsyhn > oÛsyhn
Particípio: havendo de destruir, enviar, aparecer para si Também: que há de dest
ruir/que destruirá para si que há de enviar/que enviará para si que há de aparec
er/que aparecerá para si
Tema Masc. Fem. Neut. fyer-esñmeno - > oæmenofyeroæmenow fyeroum¡nh fyeroæmenon
stel-esñmeno - > oæmenosteloæmenow steloum¡nh steloæmenon fan-esñmeno - > oæmeno
fanoæmenow fanoum¡nh fanoæmenon
Infinitivo: haver de destruir para si fyer-¡s-esyai > fyereÝsyai enviar para si
stel-¡s-esyai > steleÝsyai aparecer fan-¡s-esyai > faneÝsyai
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5. Flexão do futuro ático Por analogia com os temas em líqüida, alguns verbos de
temas dissilábicos em dental precedida de -i-, que fazem o infectum em -izv, e
fariam o futuro -isv, elidem o -s- intervocálico e decalcam a flexão sobre o fut
uro em -es-, e, a seguir, analogicamente, seguem o modelo dos verbos denominativ
os de tema em -e, como fil¡v > filÇ.
Infectum
eu voto eu mentalizo, penso eu penso, considero eu agrado chfid-jv > chfÛzv fron
tid-jv > frontÛzv nomid-jv > nomÛzv xarit-jv > xarÛzomai
Futuro
chfÛdsv > chfÛsv > chfÛv > chfiÇ, eÝw,eÝ.. frontÛdsv > frontÛsv > frontÛv > fron
tiÇ, eÝw,eÝ.. nomid-sv > nomÛsv > nomÛv > nomiÇ,eÝw,eÝ.. xarit-somai > xarÛsomai
> xariomai > xarioèmai, », eÝtai.
Em geral, isso se dá com os temas de duas sílabas ou mais. As gramáticas denomin
am esse futuro de futuro ático. Esse uso, contudo, não é absoluto: O verbo ¤lpÛz
v, por exemplo, tem ¤lpÛsv no futuro, normalmente. Há também alguns verbos, como
: eÞsbib zv, eu faço entrar, eu embarco, ¤laænv, eu empurro, eu toco para frente,
que fazem o futuro respectivamente: eÞsbib sv > eÞsbibÇ, w, ,Çmen, te,Çsi, e ¤l sv> ¤lÇ, w,
men, te,Çsi, isto é, o -s- intervocálico sofre síncope e o hiato resultante torna
o tema igual ao tema dos verbos denominativos em -a, e por isso fazem a flexão c
omo tim -v. Isso acontece também com alguns verbos de tema em -a, mas que recebem
o sufixo -nnumi no infectum.
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Por exemplo:
Infectum
eu misturo eu abro as asas eu disperso eu suspendo ker -nnumi napet -nnumi sked -nnumi
krem -nnumi
Futuro
ker -s-v > pet -s-v > kerÇ, w, ,Çmen, te,Çsi petÇ. w, ,Çmen, te,Çsi
sked -s-v > skedÇ, w, ,Çmen, te,Çsi krem -s-v > kremÇ, w, ,Çmen, te,Çsi
Quadro de flexão
Indicativo eu dispersarei
S. sked sv > sked v > skedÇ sked seiw > sked eiw > sked w sked sei > sked ei > sked P. ske
> sked omen > skedÇmen sked sete > sked ete > sked te sked sonsi > sked onsi > skedÇsi D.
ked seton > sked eton > sked ton sked seton > sked eton > sked ton
Optativo eu poderia / pudesse haver de dispersar
sked soimi > sked oimi > skedÒmi sked soiw > sked oiw > skedÒw sked soi > sked oi > skedÒ s
ed soimen > sked oimen > skedÒmen sked soite > sked oite > skedÒte sked soien > sked oien >
skedÒen sked soiton > sked oiton > skedÒton skedasoÛthn > skedaoÛthn > skedÐthn
Particípio: havendo de dispersar/que há de dispersar/que dispersará
Tema
sked -s-o-nt > sked ont- > skedvnt-
Masc.
skedÇn-Çntow
Fem.
skedÇsa-Åshw
Neutro
skedÇn-Çntow
Infinitivo: haver de dispersar: sked -s-en > sked en > sked n
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6. Flexão do futuro dos temas em vogal Há também alguns poucos verbos, encontrad
os sobretudo em Homero, de tema em vogal, que fazem o futuro em -s-, o que faz c
om que esse -s- se encontre em posição intervocálica e tenda a cair, provocando
a seguir, no dialeto ático, a contração das vogais em contato, resultando em for
mas que podem ser confundidas com as do presente dos verbos denominativos de tem
as em vogal (e-,a-,o-). kal¡v - kal¡sv > ático - kalÇ max¡omai - max¡somai > áti
co - maxoèmai ¤l v - ¤l sv > ático - ¤lÇ Em Homero, e no dialeto jônico em geral, pr
edominam as formas não contratas; isto é, o hiato permanece. Esses verbos não se
confundem com os denominativos, de formação recente, que só se contraem no sist
ema do presente (encontro da vogal com a vogal de ligação). No futuro/aoristo e
no perfeito, os denominativos alongam a vogal temática. filÇ - fil sv - ¤fÛlhsa
- pefÛlhka timÇ - tim sv - ¤tÛmhsa - tetÛmhka dhlÇ - dhlÅsv - ¤d lvsa - ded lvka
Nota: Convém notar que as contrações que acontecem no modelo acima são conseqüê
ncia da queda do -s- em posição desinencial intervocálica. Nos verbos que a gram
ática chama de contratos , essas contrações acontecem só no tema do infectum, e são
conseqüência da queda do sufixo formador do tema do infectum -j- (jod), que fic
a em posição intervocálica, na formação do infectum dos verbos denominativos de
tema em vogal, como: fil¡-j-v > fil¡-v > filÇ dhlñ-j-v > dhlñ-v > dhlÇ tim -j-v >
tim -v > timÇ Þ -j-omai > Þ omai > ÞÇmai peir -j-omai > peir omai > peirÇmai eu eu eu eu e
u amo revelo honro curo tento
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Essas contrações se fazem para reduzir o hiato provocado pelo encontro da vogal
temática e a vogal de ligação depois da síncope do -j-. Todos esses verbos along
am a vogal temática nos outros dois aspectos: futuro e aoristo sigmáticos ativos
, médios e passivos e perfeito e mais-que-perfeito, ativos, médios e passivos: e
> h, o > v, a > a/h.
Futuro
V. Ativ. V. Med. V. Pass. V. Ativ. V. Med. V. Pass. V. Ativ. V. Med. V. Pass. ti
mÇ(a) dhlÇ(o) filÇ(e) fil sv fil somai filhy somai dhlÅsv dhlÅsomai tim sv tim s
omai timhy somai
Aoristo
¤fÛlhsa ¤filhs mhn ¤fil yhn ¤d lvsa
Perfeito
pefÛlhka pefÛlhmai ded lvka
+p. Perfeito
¤pefil khn/ein ¤pefil mhn ¤dedhlÅkhn/ein
¤dhlvs mhn ded lvmai ¤dedhlÅmhn ¤tÛmhsa ¤timhs mhn ¤tim yhn tetÛmhka tetÛmhmai ¤teti
m khn/ein ¤tetim mhn
dhlvy somai ¤dhlÅyhn
Mas os temas em a-, precedidos de vogal ou r, ao alongarem a vogal não mudam o s
eu timbre, permanecendo a: ÞÇmai (a) peirÇmai Þ somai peir somai Þas mhn ¤peiras mhn
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Aoristo passivo
Os modelos ¦gnvn/¦bhn também servem de paradigma para uma categoria de aoristos
em h/v, intransitivos e médios na origem, marcando o ponto de partida da ação em
que o sujeito está envolvido; diferente das formas ativas. A partir daí passou
a ser sentido como forma e significado passivos, como: ¥ lvn, eu caí nas mãos, fui
preso ¦sbhn, eu me apaguei, fui apagado A voz média é essencialmente intransiti
va, na medida em que o sujeito, envolvido na ação, não sai do ato verbal; por is
so, esses verbos não têm voz passiva; e, com o objeto direto, a voz ativa aparec
e mais tarde, com o ato verbal rompendo o círculo da intransitividade. Assim faÛ
nomai eu apareço desenvolveu uma forma ativa faÛnv eu mostro, faço aparecer. Há
um bom número de verbos transitivos que têm esse aoristo em -h-. São verbos esse
nciais, isto é, verbos que exprimem atos fundamentais, concretos, cotidianos e q
ue desenvolveram posteriormente uma forma de aoristo em -yh.Em sua maioria são v
erbos em líqüida e nesses casos esse aoristo se constrói sobre a raiz no vocalis
mo zero, desenvolvendo depois um a: fyr > ¤-fy r-hn sou, fui corrompido stl > ¤-st l
-hn sou, fui enviado Os de tema em labial55 também fazem esse aoristo desenvolve
ndo o mesmo a, como: trp> tr¡pv > ¤-tr p-hn sou, fui virado trf > tr¡fv > ¤-tr f-hn
sou, fui nutrido
55
Nos grupos de 3 consoantes há sempre uma líquida e duas oclusivas.
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Com a extensão do seu uso para a voz passiva, a língua desenvolveu um aoristo fo
neticamente mais forte, em -yh-, sobretudo com os temas em vogal. Este revelou-s
e tão produtivo que se tornou o aoristo passivo mais comum. Em alguns verbos con
vivem os dois aoristos: o em -h-, com significado de estado (intransitivo), e o
aoristo em yh /syh, com significado passivo. Alguns aoristos acima citados, como
¥ lvn, ¦pthn são representativos dessa passagem da noção média, intransitiva para
a passiva. O aoristo, contrariamente ao infectum e ao perfectum, tem uma marca
distintiva na voz passiva. O que marca o aoristo passivo é o sufixo -yh/-syh ou
o sufixo -h Notar também que o aoristo passivo se serve de desinências ativas; m
as isso não representa problema, porque a característica -h-/-yh,-syh é suficien
te para marcar a passividade.
Quadro de flexão do aoristo passivo em yh
Temas em semivogal: lu-yh
Indicativo
fui/sou desligado S. ¤-læ-yh-n ¤-læ-yh-w ¤-læ-yh P. ¤-læ-yh-men ¤-læ-yh-te ¤-læ-
yh-san D. ¤-læ-yh-ton ¤-lu-y -thn
Subjuntivo
seja/for desligado lu-yÇ*** lu-y»-w/lu-y°iw lu-y»/lu-y°i lu-yÇ-men lu-y°-te lu-y
Ç-si lu-y°-ton lu-y -tvn
Optativo
seria/fosse desligado* lu-ye-Ûh-n lu-ye-Ûh-w lu-ye-Ûh lu-ye-Ûh-men (yeÝmen)****
lu-ye-Ûh-te (yeÝte) lu-ye-Ûh-san (yeÝen) lu-ye-Ûh-ton (luyeÝton) lu-ye-i -thn (l
uyeÛthn)
Imperativo
sê/sede desligado** læ-yh-ti lu-y -tv læ-yh-te lu-y¡-ntvn læ-yh-ton lu-y -tvn
* Também: poderia/pudesse ser desligado. ** Imperativo de 3 a pessoa: (ele) seja
desligado, (eles) sejam desligados. *** O subjuntivo é construído sobre o tema
verbal + característica do passivo -yh- + característica do subjuntivo v,h,h,v,h
,v e desinên-
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cias primárias ativas. Na seqüência de duas vogais longas a anterior se abrevia,
luy -v-men > luy¡-v-men > luyÇmen e aqui há a absorção da breve pela longa (con
tração), o que explica as formas perispômenas e properispômenas. **** As formas
sincopadas, reduzidas são as mais usadas. Lei do menor esforço.
Quadro demostrativo da evolução fonética do subjuntivo:
lu-yh- > luyeS. lu-y¡-v* > lu-y¡-h-si > lu-y¡-h-ti > lu-y¡-v-men > lu-y¡-h te > lu
-y¡-v-nti > lu-y¡-h ton > lu-y¡-h ton > luy¡hiw > luy¡hsi > luyÇ* luy°i/luy» > luy¡h
i > luyÇmen luy°te luyÇnsi > luy°ton luy°ton luy°iw/luy»w** luy°i/luy»
P.
luyÇnti >
luyÇsi
D.
* Vogal longa seguida de vogal longa se abrevia e, a seguir, é absorvida: lu-y -
v > lu-y¡-v > luyÇ. ** O -w é característica de 2a pessoa do singular da voz ati
va; ele deve aparecer. Particípio: tendo sido desligado
Tema
lu-y -nt- > lu-y¡-nt-*
Masc.
luyeÛw, luy¡ntow
Fem.
luyeÝsa, luyeÛshw
Neutro
luy¡n, luy¡ntow
* Vogal longa seguida de soante e oclusiva se abrevia. Infinitivo: lu-y°-nai: se
r desligado
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Adjetivos verbais: lu-tñw, ,ñn : lu-t¡ow,a,on :
desligável que deve ser desligado
Temas monossilábicos
Indicativo
sou/fui colocado S. ¤-t¡-yh-n* ¤-t¡-yh-w ¤-t¡-yh ¤-t¡-yh-men ¤-t¡-yh-te ¤-t¡-yh-
san ¤-t¡-yh-ton ¤-te-y -thn sou/fui dado ¤-dñ-yh-n ¤-dñ-yh-w ¤-dñ-yh ¤-dñ-yh-men
¤-dñ-yh-te ¤-dñ-yh-san ¤-dñ-yh-ton ¤-do-y -thn sou/fui lançado eá-yh-n eá-yh-w
eá-yh eá-yh-men eá-yh-te eá-yh-san eá-yh-ton eß-y -thn sou/fui posto de pé ¤-st -y
h-n ¤-st -yh-w ¤-st -yh ¤-st -yh-men ¤-st -yh-te ¤-st -yh-san ¤-st -yh-ton ¤-sta-y -thn
P.
D.
* No caso de duas sílabas seguidas começarem por oclusiva aspirada, a anterior p
erde a aspiração e é expressa pela surda correspondente: psilose.
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Subjuntivo
seja/for colocado S. te-yÇ* te-y»w te-y» te-yÇ-men te-y°-te te-yÇ-si te-y°-ton t
e-y°-ton seja/for dado do-yÇ do-y»w do-y» do-yÇ-men do-y°-te do-yÇ-si do-y°-ton
do-y°-ton seja/for lançado ¥-yÇ ¥-y»w ¥-y» ¥-yÇ-men ¥-y°-te ¥-yÇ-si ¥-y°-ton ¥-y
°-ton seja/for posto de pé sta-yÇ sta-y»w sta-y» sta-yÇ-men sta-y°-te sta-yÇ-si
sta-y°-ton sta-y°-ton
P.
D.
* O subjuntivo é construído sobre o tema breve + característica da voz passiva -
yh- + característica do subjuntivo -v-h-h-v-h-v, e desinências primárias ativas.
Na seqüência de duas vogais longas, a anterior se abrevia y -v > y¡-v > yÇ, e d
epois há a contração, o