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Sumário
A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL .................................................................................................................... 2
SESSÃO LEITURA ........................................................................................................................................................ 8
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ........................................................................................................................................... 8
PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 10
EXERCÍCIO COMENTADO: ........................................................................................................................................ 11

O PRIMEIRO REINADO (1822 – 1831) .......................................................................................................... 12
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 16
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ......................................................................................................................................... 16
PINTOU NO ENEM....................................................................................................................................................... 18
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 19

O PERÍODO REGENCIAL (1831-1840) ......................................................................................................... 19
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 24
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ......................................................................................................................................... 26
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 28

O SEGUNDO REINADO (1840 – 1889) .......................................................................................................... 28
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 38
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ......................................................................................................................................... 39
PINTOU NO ENEM....................................................................................................................................................... 40
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 44

FIM DO IMPÉRIO E A CONSTRUÇÃO DO ESTADO REPUBLICANO BRASILEIRO................................. 45
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 50
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ....................................................................................................................................... 61
PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 61
EXERCÍCIO COMENTADO: ........................................................................................................................................ 64

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918) ............................................................................................ 65
SESSÃO LEITURA: ..................................................................................................................................................... 68
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ....................................................................................................................................... 68
PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 69
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 70

A REVOLUÇÃO RUSSA (1917) ..................................................................................................................... 71
SESSÃO LEITURA: ..................................................................................................................................................... 74
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ....................................................................................................................................... 75
PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 76
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 76

A CRISE DE 1929 ........................................................................................................................................... 77
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 78
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ....................................................................................................................................... 79
PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 79
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 80

ERA VARGAS: ................................................................................................................................................ 81
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 84
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ....................................................................................................................................... 88

PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 88
EXERCÍCIO COMENTADO .......................................................................................................................................... 92

OS REGIMES TOTALITÁRIOS: ..................................................................................................................... 93
SESSÃO LEITURA ...................................................................................................................................................... 93
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ....................................................................................................................................... 96
PINTOU NO ENEM: ..................................................................................................................................................... 97

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1945-1949) ............................................................................................ 98
SESSÃO LEITURA .................................................................................................................................................... 102
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ..................................................................................................................................... 102
PINTOU NO ENEM: ................................................................................................................................................... 105

OS GOVERNOS DESENVOLVIMENTISTAS (1946/1964) .......................................................................... 106
SESSÃO LEITURA .................................................................................................................................................... 110
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ..................................................................................................................................... 114
PINTOU NO ENEM: ................................................................................................................................................... 114
EXERCÍCIO COMENTADO ........................................................................................................................................ 116

O REGIME MILITAR ..................................................................................................................................... 117
SESSÃO LEITURA .................................................................................................................................................... 119
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO: ..................................................................................................................................... 126
PINTOU NO ENEM: ................................................................................................................................................... 126
EXERCÍCIO COMENTADO ........................................................................................................................................ 127

A NOVA REPÚBLICA ................................................................................................................................... 128
SESSÃO LEITURA .................................................................................................................................................... 132
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO ......................................................................................................................................... 135
PINTOU NO ENEM: ................................................................................................................................................... 135
EXERCÍCIO COMENTADO ........................................................................................................................................ 136
Referências Bibliográficas:...................................................................................................................................... 137

2

CAPÍTULO 01

unidade territorial do Império e garantir a proteção
da colônia que naquele período era o grande
alicerce econômico do Império Português: o
Brasil.

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
O PERÍODO JOANINO (1808 – 1821)
Os conflitos existentes no continente
europeu, iniciados com a Revolução Francesa
trarão consequências de valores inestimáveis
para o Brasil. Além da importância da Revolução
para as rebeliões no Brasil Colônia, como já
notamos anteriormente, o movimento acabou por
dar as bases da ascensão de Napoleão
Bonaparte ao trono francês.
Este momento reflete o fim das
inconstâncias
sociais
do
movimento
revolucionário e o início da expansão imperialista
francesa pela Europa. A busca por novos
mercados acabou por fortalecer o estado
economicamente e militarmente e o colocou
numa situação de concorrência com sua maior
rival: a Inglaterra.
Na tentativa de conquista do império
britânico, Napoleão acabou por fracassar na
alternativa naval, e o imperador francês então
optou pela via comercial. Neste quadro, em 1806
Napoleão assina com a maioria dos países
europeus o “Bloqueio Continental”. Este tratado
firmava a proibição dos países a comercializarem
com os ingleses, sob pena de invasão de seus
territórios pelos exércitos napoleônicos.
Diante deste quadro, os lusitanos ganham
importância primordial, uma vez que manteve por
longos anos acordos comercias com os ingleses,
necessitava das manufaturas britânicas e poderia
sofrer retaliações dos mesmos. No entanto, caso
não obedecesse a instrução francesa, teria o seu
território tomado pelos franceses.
Após as várias oscilações por parte de D.
João VI – dúvidas essas derivadas das diferentes
pressões que sofria dentro do aparelho estatal,
uma vez que dentro deste havia uma linha que
defendia o aceite ao bloqueio e outra que não
queria o rompimento com os antigos parceiros – o
exército francês acabou por invadir as terras
lusitanas. Desde o momento da decretação do
Bloqueio os ingleses vinham pressionando o reino
português a transferir sua corte para terras
brasileiras, uma vez que estas neste momento
compunham a parte mais preciosa do reino
português, e com a invasão, não restou outro
caminho ao rei, senão a transferência do aparelho
estatal para a América do Sul.
Com isso, em 29 de Novembro de 1807
desembarcava no Brasil 36 navios, escoltados
por navios britânicos. Parte da elite portuguesa
acreditava que esta vinda para o Brasil não
passava de uma passageira retirada estratégica,
um plano de emergência para assegurar a

Reflexos dos Portugueses Reais em Terra Tupiniquim

A família real no Brasil, com toda sua
corte acabou trouxe alterações nos diferentes
campos coloniais. Muitos historiados, mais
voltados a vertente economicista garantem que a
independência ocorre em 1808 e não em 1822,
face que neste momento o rei passa a fazer
decretos que visam não mais Portugal e sim o
Brasil e suas necessidades. Dentre estas varas
mudanças ocorridas no período, temos como
destaque as seguintes:
 Decreto de Abertura dos Portos as
Nações Amigas (ainda em 1808), que pregava
que as nações que mantivessem relações
amistosas com Portugal poderiam vender seus
produtos no Brasil, neste momento somente a
Inglaterra. Por menos impactante que pareça,
este ato de abertura dos portos trouxe fim ao
monopólio português sobre o comércio com sua
colônia, e, portanto, trouxe fim à ideia do Pacto
Colonial entre o Brasil e Portugal. A partir daí, os
tempos que viriam seriam de mudanças.
 Alvará de 1° de Abril de 1808 assinado
por D. João VI que permitia agora a instalação de
manufaturas em território brasileiro, revogando
assim o Alvará de 1785 assinado por sua mãe D.
Maria I que, por sua vez, proibia a instalação
destas manufaturas no Brasil. O Alvará de 1785
havia sido assinado em uma tentativa de proteger
as primeiras indústrias que começavam a se
formar em Portugal e também como uma forma
de perpetuar a ideia do Pacto Colonial onde o
papel da colônia seria estritamente de fornecer a
matéria prima e não a manufatura para que não
houvesse concorrência com a metrópole. Uma
ressalva importante porém se faz necessária: O
fato do Alvará de 1° de Abril ter sido emitido não

3
significa que a partir daqui o Brasil começou a se
industrializar, pelo contrário, nenhum efeito
imediato será sentido na colônia, apenas há uma
diferença jurídica quanto a permissão ou não de
manufaturas poderem ser instaladas aqui.
 Invasão da Guiana Francesa (1808 –
1817): Uma vez que estava em guerra declarada
contra a França, D. João VI precisaria mostrar
força perante as demais nações europeias,
perante seus colonos e perante até mesmo os
seus bravos soldados que ficaram em Portugal
para defender o território de Napoleão e para que
a retirada estratégica da família real para o Brasil
não fosse minimizada e transformada em uma
tentativa de fuga, o monarca decide então tomar
da França a Guiana Francesa que se encontrava
desprotegida naquele momento e assim levantar
uma aparente impressão de resistência às forças
napoleônicas. O território só foi devolvido à
França depois do Congresso de Viena em 1815
quando ficou definido que os territórios
modificados durante o período napoleônico
seriam todos devolvidos às suas respectivas
nações soberanas.
 Tratados de Comércio e Navegação
(1810): Este foi um tratado assinado por D. João
VI como uma forma de reforçar a aliança
estabelecida com o Reino Unido uma vez que a
partir dele, a alíquota de impostos dos produtos
ingleses que seriam taxados ao entrarem no
Brasil foi acertada em meros 15% do valor do
produto ao passo que os próprios produtos
Portugueses encontravam-se taxados em 16%.
Os produtos das demais nações amigas
entrariam com uma margem de 24%. Desta
forma, após a assinatura deste tratado tornou-se
mais vantajoso para os comerciantes brasileiros
comprarem seus produtos vindos da Inglaterra do
que do próprio Portugal que em teoria ainda seria
a metrópole brasileira.
 Ocupação da Província Cisplatina ou
Banda Oriental do Rio da Prata (1811 – 1828):
Um segundo movimento militar foi comandado
pelo monarca D. João VI poucos anos depois de
sua chegada ao Brasil tendo ele sido relacionado
à necessidade que a nação se encontrava de
conseguir controlar uma das saídas da extensa e
lucrativa rota comercial do Rio da Prata para o
mar, o que era fruto do desejo de Portugal já de
alguns anos antes da própria vinda da família
real. A província foi conquistada a princípio em
1811, porém, sempre foi um território de grande
disputa entre elites locais e o poder central de D.
João VI. O território chegou a ser efetivamente
anexado em 1823 se incorporando ao Império do
Brasil, porém, grupos de caudilhos descontentes
com os interesses dos brasileiros e buscando
atender aos próprios se mantiveram em constante
guerrilha até a independência conquistada em

1828 desanexando de uma vez por todas o
território do Brasil.

Urbanização do Rio de Janeiro

Naturalmente,
porém,
todas
estas
transformações necessárias ao Rio de Janeiro
para transformá-la em capital de um Império tão
acostumado com os luxos trazidos por um século
de exploração aurífera precisariam de uma
grande quantidade de moedas para serem
custeadas e como era de se imaginar, foi através
do aumento de impostos sobre os colonos que
este dinheiro foi arrecadado.
Com a transferência da corte, o Brasil
passa a ser sede do reino. Assim, nada mais
natural do que mudanças administrativas para
melhoria e desenvolvimento dos diferentes
setores econômicos. Foram criados três
ministérios: Guerra e Estrangeiros, Marinha e
Fazenda e interior. Promoveu a Junta de
Comércio e a Casa de Suplicação, alterou a
administração das capitanias que agora passam a
ser províncias e criou novas. Com o objetivo de
participar da administração estatal, vários
brasileiros compraram títulos de nobreza. Assim,
acabamos por ter o desenvolvimento de uma elite
social dentro do país, composta em sua maioria
por proprietários de terra, que agora passam a se
articular em busca dos interesses particulares de
sua classe. Este momento é de importância
significativa, uma vez que no momento do retorno
do rei a Portugal é este o grupo que vai
engendrar o movimento de independência.
A sociedade brasileira assim sofreu
profundas transformações, e a cidade que melhor
denota tais mudanças é a cidade portuária do Rio
de Janeiro, pois a transferência do eixo
administrativo acabou por mudar a fisionomia,
que agora passou a contar com uma certa vida
cultural. Temos um maior acesso aos livros, uma
maior circulação ideias, a criação do primeiro
jornal em 1808, temos ainda teatros, bibliotecas,
academias literárias e científicas, visando atender
uma população urbana em rápida expansão, uma
vez que a população praticamente dobrou. Essas

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mudanças não podem ser confundidas com o
liberalismo no plano das ideias, pois apesar das
mudanças, a marca do absolutismo permaneceu,
com a comissão de censura, que proibia a
publicação de papéis contra o governo a religião
e os bons costumes. As mudanças pelas quais
passam a nova capital eram claramente
controladas pelo governo e seus interesses.
A situação tomaria um novo contorno a
partir de 1815 quando Napoleão é enfim
derrotado e a Europa se reúne no famoso
Congresso de Viena para decidir sobre o futuro
do velho continente após esta página da história.
 Elevação do Brasil ao posto de Reino
Unido de Portugal e Algarves (1815): Quando o
Congresso de Viena foi planejado para redefinir a
situação europeia pós-napoleônica, ficou-se
acertado que apenas as nações cujo as capitais
fossem instaladas em território metropolitano
poderiam participar do congresso. Tal formalidade
poderia excluir Portugal de participar deste
importante congresso e para que pudesse
preencher este pré-requisito, D. João VI elevará
oficialmente o Brasil à condição de Reino Unido
de Portugal e Algarves e com isso, o estado de
colônia foi efetivamente extinto, muito embora
economicamente ele já tenha sido enfraquecido
com a abertura dos portos em 1808.
A partir desta decisão, parte da elite
portuguesa, sobretudo aquela que havia
permanecido em Portugal e resistido a invasão
napoleônica passou a ficar descontente com as
atitudes de D. João VI uma vez que a medida
supostamente provisória de retirada estratégica
para o Brasil se tornava cada vez mais
permanente. O clamor desta elite era pelo retorno
de D. João VI para Portugal para que os
investimentos fossem novamente centralizados
em território português e não brasileiro,
atendendo assim às necessidades desta elite e,
naturalmente, retornando a situação ao estado de
ordem que estivera antes das invasões de
Napoleão.
 Aclamação de D. João VI (1818): D.
João VI apesar de estar no controle do Império
Português carregava o título de Príncipe Regente
e não efetivamente de Rei, uma vez que o trono
ainda pertencia a sua mãe, D. Maria I que havia
repassado ao seu filho os direitos de regência
devido ao seu estado mental enfraquecido. Com
a morte de sua mãe em 1816, iniciou-se uma
disputa pela aclamação de D. João VI que
deveria acontecer em Portugal segundo a
tradição. D. João, porém, opta por ser aclamado
aqui no Brasil como forma de assegurar sua
popularidade na nova capital do Império e em
uma tentativa de controlar os ânimos inflamados
da Revolução Pernambucana contida no ano
anterior.

A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE
1817

Neste período o nordeste passa por uma
enorme seca, e consequentemente grande queda
na taxa de exportação, com os senhores
perdendo grande parte de seu lucro, e quase
desaparecimento da cultura de subsistência, com
aumento da miséria. Para deteriorar ainda mais a
situação dos nordestinos, os impostos criados
para sustentação da corte no Brasil, acabaram
por
gerar
um
grande
quadro
de
descontentamento na população em geral. O
ponto flagrante de descontentamento se dava
quando ocorria a comparação do luxo da capital
da corte com a miséria e dificuldades regionais.
Este descontentamento nordestino era
mais aguçado em Pernambuco, região que
durante vários anos se consagrou como a região
mais rica e promissora do Brasil, onde a vida
luxuosa dos seus senhores não encontrava
precedentes em todo território Nacional.
No entanto, este quadro de profunda
austeridade não se repetia, e a insatisfação
popular acabou por fomentar um campo propício
para a difusão de ideais liberais, através
principalmente do Seminário de Olinda e por lojas
Maçônicas. As reuniões nas casas de militares
passaram a se tornar cada vez mais constantes,
e contavam cada vez mais com a adesão de
grandes senhores de engenho, comerciantes,
padres e estudantes recém chegados da Europa,
com todo o ideário revolucionário do continente.
Por último, não podemos deixar de citar a
presença cada vez mais notória de setores
populares da população nordestina. Ampliando o
grau de descontentamento, temos ainda a figura
do Governador de Pernambuco, um gaúcho, de
desregrada, que aumentava a ira dos nativos.
O movimento eclode no momento em que
o governador avisado do movimento manda
prender o líder José Barros Lima. No entanto, o
mesmo foge da prisão e este fato somado com a

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deserção da grande maioria de
brasileiros, animam os revolucionários.

soldados

Os revoltosos ganham em ímpeto, e em
Março do mesmo ano, tomam a sede do governo
e proclamam um governo republicano em Recife.
No mesmo mês, a Paraíba instala sua república.
O governo provisório tinha como principais
objetivos: proclamação da república, abolição da
maioria dos impostos e elaboração de uma
constituição, documento este estabeleceria a
liberdade religiosa e de imprensa, além da
igualdade de todos perante a lei. Somente no
quesito a respeito da escravidão os revoltosos
abandonavam o ideal liberal, como meio de evitar
o choque com os interesses dos senhores de
engenho. Queriam a abolição, mas desde que
essa não atrapalhasse a economia local e nem
prejudicasse os donos de cativos.
O governo não durou mais de um mês, já
que logo em seguida as tropas portuguesas
reprimiram o movimento de forma violenta,
esmagando a república recém fundada. Os
principais
líderes
do
movimento
foram
executados. Era o governo lusitano tentando
através do derramamento de sangue manter o
seu poder em mais um episódio de dura
repressão contra os movimentos separatistas, da
mesma forma que aconteceu em Minas Gerais
em 1789, e na Bahia em 1798.
A Conjuração Pernambucana, porém, na
verdade foi um dos sintomas de uma realidade
que se mostrava por todo mundo pós
independência norte americana e Revolução
Francesa: a ascensão dos ideais liberais frente à
um mundo ainda atado ao Antigo Regime e que
estava cada vez mais ganhando força pelas ruas.

A REVOLUÇÃO LIBERAL DO PORTO
DE 1820
Desde a transferência da Corte para o
Brasil, Portugal passava por uma situação no
mínimo desconfortável: após a expulsão dos
franceses de seu território, os lusos ficaram sob
tutela dos ingleses. A posição de D. João,
contribuía para a situação, uma vez que mesmo
sem a presença francesa, o mesmo permanecia
no Brasil. Além disso, as medidas liberais do
governo no Brasil acabaram por prejudicar os
comerciantes lusitanos, levando sua economia a
uma situação delicada. Em 1818 foi fundada na
cidade do Porto uma associação liberal inspirada
na Revolução Francesa. Esta associação reuniu
comerciantes, que saíram prejudicados com as
medidas de abertura de comércio do rei no Brasil,
padres e também militares.

A revolução eclodiu quando em agosto de
1820, quando o general inglês que governava
Portugal viajou ao Brasil, os rebeldes formaram
uma Junta Provisória, e o movimento finalmente
chegou a Lisboa tornando-se um movimento
nacional. Os britânicos foram obrigados a se
retirar, e convocou-se uma assembleia para
elaboração de uma constituição.
As notícias acerca do movimento
chegaram ao Rio de Janeiro. A exigência do
retorno do rei, para que este jurasse a
constituição gerava duas alternativas: o retorno
do próprio rei, ou a ida do príncipe Pedro, para
que este acalmasse os ânimos revoltosos. Neste
momento de dúvidas a revolução foi propagada
ao Brasil, com a adesão do Pará, depois a Bahia,
todos com o objetivo de obedecer a constituição
portuguesa. Vale destacar que tal fato reflete os
descontentamentos populares para com o
governo do Rio de Janeiro e todos os seus
impostos, além de que a viajem a Lisboa era
menos desgastante do que ao Rio.
D. João tentou enviar o Príncipe e
membros do governo brasileiro para ajudar na
elaboração da constituição, mais a guarnição
militar do Rio, fiel as Cortes opôs-se a ideia. Com
este quadro, de pressão popular, militar, além do
risco de perder o controle no Nordeste, não
restava outra saída ao Rei, a não ser retornar a
Lisboa e jurar a constituição, nomeando D. Pedro,
como príncipe regente do Brasil. Além do retorno
do rei, foram eleitos deputados a serem enviados
as cortes. Estes foram com a ideia ilusória de
tentar manter a liberdade de comércio adquirida
com os decretos reais assinados após a vinda da
família real e que beneficiavam os colonos
brasileiros.
No entanto, as cortes aos poucos
definiram sua linha de tentativa de recolonização
(restauração do Pacto Colonial) do Brasil
cogitando-se o seu rebaixamento novamente à
condição de colônia. Dois fatos descontentavam
os liberais: a autonomia do Brasil e a penetração
inglesa.
Tentou-se
anular
os
privilégios
concedidos aos ingleses, e buscou – se a
subordinação dos governos provinciais a Lisboa.
Temos assim o início de uma
bipolarização política no Brasil: de um lado
setores comerciais influentes de Portugal, que
visavam o restabelecimento colonial, e de outros
os proprietários de terra do Brasil, comerciantes
brasileiros, empresas inglesas, beneficiados com
a abertura comercial, e não admitiam a
recolonização. No Brasil inteiro, a mobilização a
respeito do tema se mostrava latente, e diante do
desconforto da situação, existiram polarizações
políticas que se dividiam em quatro frentes
principais:

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O Partido Português: Os portugueses
que moravam no Brasil, formavam um
contingente considerável. Entre eles temos
comerciantes, militares e funcionários da Coroa,
que apoiavam o movimento do Porto.
Principalmente os comerciantes, prejudicados em
seus ganhos com a liberalização da política
joanina.
O Partido Brasileiro (ou Liberais
Moderados): Composto pela aristocracia rural,
comerciantes e burocratas, em outras palavras,
formado pela elite colonial. O grupo seria
prejudicado de maneira veemente em caso de
recolonização, mais também, pelo seu caráter
conservador, não via com bons olhos a
Independência naquele primeiro momento. O
medo era de o movimento ganhar um caráter
revolucionário, de participação popular, onde
seus privilégios poderiam ser questionados e
ameaçados. O objetivo era negociar com as
Cortes, para que as partes não fossem
prejudicadas e se evitaria a Independência. O
líder: José Bonifácio de Andrada. O partido irá
nascer dividido entre a elite do nordeste e do
sudeste onde os primeiros tinham uma afinidade
maior ao próprio Partido Português mas que
acabarão se unificando em uma única bandeira
receosos justamente pelo terror do liberalismo
popular assim que perceberem que o Partido
Português não tinha influência suficiente para
definir o futuro do Império.
Os Liberais Radicais: Era um grupo
heterogêneo,
composto
por
pequenos
proprietários, membros do clero, intelectuais
liberais, pequenos comerciantes, e tinham em
comum o fato de defender os princípios liberais.
Eram contra as propostas portuguesas e
achavam que o melhor caminho seria romper
definitivamente os laços portugueses, movendo
uma Independência para modificar o quadro
socioeconômico do Brasil e tinham até mesmo
aspirações
revolucionárias
populares.
Compunham o terror no imaginário do Partido
Brasileiro.
E, por fim mas não menos importante, os
Bragança: D. Pedro tinha uma formação
marcadamente
absolutista,
não
estando
habituado com contestações ao seu poder, e a
Revolução do Porto acabou por questionar o
poder dos Bragança. As cortes passaram a exigir
o retorno também do príncipe, para que esse
jurasse a Constituição, e esta situação o colocou
em oposição as Cortes, dado a sua falta de
intenção de cumprir com o determinado. O
príncipe tinha o temor de perder o poder em
Portugal e também no Brasil, naquele momento,
economicamente mais importante que Portugal.
Mal sabia ele que o absolutismo neste momento

estaria definitivamente acabado para a família
Bragança.
Embora a Independência do Brasil tenha
sido um arranjo político, como defende Caio
Prado Júnior, ela implica também em uma
complexa luta social. As classes buscavam nada
mais do que defender os interesses particulares
de cada uma. No fim, a grande vitoriosa foi a
classe dos latifundiários escravistas, ou o Partido
Brasileiro.
Para o Partido Brasileiro, o ideal era a
criação de uma monarquia dual, que preservasse
a autonomia e o liberalismo comercial e
mantivesse a ordem. No entanto, a intransigência
das Cortes fez o partido inclinar-se para
emancipação, sem alterar a ordem social e sés
privilégios. Os Liberais Radicais, mais ligados as
classes
populares,
assim
potencialmente
revolucionários, defendiam mudanças mais
profundas e democráticas espelhadas nos moldes
revolucionários franceses.
No entanto, os Liberais Moderados é que
encontravam meios econômicos e políticos para
alcançar o seu objetivo, contando principalmente
com o apoio da liberalista burguesia britânica.
D. Pedro, não pretendia retornar a
Europa, e se aproximou dos brasileiros,
reforçando sua posição para as “Cortes”. D.
Pedro era cortejado pelos Brasileiros e pelos
Radicais, que envergavam nele o líder capaz de
alterar a ordem. Por outro lado, José Bonifácio,
tentava afasta-lo dos radicais afirmando que
estes tentariam implantar uma República, onde os
Bragança perderiam seu lugar. O caminho para
este seria a aliança com os Brasileiros e uma
negociação com as “Cortes” para evitar a
recolonização. No entanto, com a posição das
“Cortes” não restou outro caminho ao partido a
não ser o da defesa a emancipação, para que
não se prejudicasse os seus negócios. Nesse
momento ocorre a junção de circunstâncias, o
Partido Brasileiro enxergando um líder para
romper os laços com Portugal e este líder
encontrando no partido o apoio contra os
lusitanos. A Independência, no entanto, iria ter
algumas condições: manter a população longe do
movimento, manter a unidade territorial e não
alterar a estrutura do país, e, acima de todas as
outras, após a proclamação da independência, D.
Pedro
deveria
reunir
uma
Assembleia
Constitucional Brasileira para redigirem uma carta
constitucional a qual ele deveria jurar e utilizar
como base para seu governo. Não importava
para onde corresse, D. Pedro se via na
obrigação de jurar uma constituição. A partir
daí, estaria oficialmente extinto o Absolutismo
Português e passaríamos para um regime de
Monarquia Constitucional.

7

Quadro: “Independência ou Morte”, de autoria
de Pedro Américo.
(D. Pedro I)

Em Dezembro de 1821 o decreto vindo
de Portugal propunha: abolição da regência e o
imediato retorno do príncipe, a obediência a
Lisboa e não ao Rio de Janeiro. Em resposta, D.
Pedro une os aliados e transforma a sua decisão
em um ato político. Reúne a multidão no campo
de Santana e declara ao povo sua intenção: foi o
“Dia do Fico”, registrado em 9 de Janeiro de
1822. Esta decisão foi resultado de um amplo
movimento organizado por José Bonifácio. José
Bonifácio, político ligava o príncipe a políticos
paulistas e acabou por seus contatos sendo
nomeado ministro de governo, pela primeira vez,
um cargo de tal importância foi dado a um
brasileiro.
Continuando pelo caminho da ruptura
definitiva com as Cortes, D. Pedro determina que
toda ordem de Lisboa só seria seguida no Brasil
se fosse avaliada e assinada por ele. Com este
ato a Câmara do Rio de Janeiro lhe confere o
título de Defensor Perpétuo do Brasil. A situação
se agravará em Agosto do mesmo ano quando D.
Pedro decide redigir um manifesto a todas as
nações com as quais o Brasil estabelecia
relações comerciais explicando sobre a situação
em que o reino se encontrava e que a única
solução cabível seria o rompimento definitivo com
Portugal.
Já em Setembro e em virtude de
tamanhas medidas, em meio a uma viajem a São
Paulo, chega ao Rio de Janeiro mais uma carta
das Cortes, ameaçando de destituir D. Pedro de
seus títulos caso ele mantivesse este tom de
discurso e se recusasse a voltar para Portugal.
Em São Paulo, quando recebe a carta, resolve
mesmo em território paulista, “...do Ipiranga às
margens plácidas...”, proclamar o grito de
Independência do Brasil. Era 7 de Setembro de
1822.

Como observa-se a independência teve
um caráter conservador: isto é: manteve o que já
havia antes. Enquanto nos outros países da
América do Sul onde os movimentos de
independência buscaram estruturar novas formas
de governo, no Brasil a preocupação foi manter o
espaço conquistado pelas ações joaninas e que
estavam ameaçadas.
Assim temos a vitória do Partido
Brasileiro, pois temos: a manutenção da liberdade
de comércio, a autonomia administrativa e evitouse uma que o movimento se transformasse em
uma convulsão social, com a alteração da ordem.
Resumindo: a Independência foi um arranjo das
elites políticas que visavam manter afastado do
movimento as camadas populares, para assim
preservar a monarquia, os seus privilégios, a
escravidão e a exploração da maioria da
população.
As preocupações iniciais foram: irradiar o
movimento inicialmente de caráter regional, para
nacional, isso é, que a Independência fosse
aceita além do sudeste. Era necessário garantir a
integridade territorial sufocando as resistências de
algumas regiões, como o Pará e o Maranhão, por
exemplo, e era necessário ainda que as principais
potências mundiais reconhecessem o país como
uma nação, pois só assim seria mantida a
tranquilidade do modelo agroexportador.
Nossa Independência tem um caráter
diferenciado das demais nações europeias, mas
tem traços semelhantes também, pois também foi
influenciada pela Independência dos Estados
Unidos e pela Revolução Francesa, como vimos
nas rebeliões do Brasil colonial.
A emancipação política do Brasil não
trouxe mudanças mais significativas na estrutura
social, pois homens pobres livres, escravos e
pessoas
afastadas
do
grande
centro
permaneceram a margem do movimento.

8

SESSÃO LEITURA
A Vida Privada de D. João VI.

(Retrato de D. João VI e Carlota Joaquina)

Em sua juventude foi uma figura retraída,
fortemente influenciado pelo clero, vivendo
cercado de padres e frequentando diariamente as
missas
da
Igreja.
Entretanto, Oliveira
Lima afirmou que antes do que uma expressão de
carolice pessoal, isso era um mero reflexo da
cultura portuguesa de então, e que o rei...
"compreendia que a Igreja, com seu corpo de
tradições e sua disciplina moral, só lhe podia ser
útil para o bom governo a seu modo, paternal e
exclusivo, de populações cujo domínio herdara
com o cetro. Por isso foi repetidamente hóspede
de frades e mecenas de compositores sacros,
sem que nessas manifestações epicuristas ou
artísticas se comprometesse seu livre pensar ou
se desnaturasse sua tolerância cética.... Aprazialhe o refeitório mais do que o capítulo do
mosteiro, porque neste se tratava de observância
e naquele se cogitava de gastronomia, e para
observância lhe bastava a da pragmática. Na
Capela Real mais gozava com os sentidos do que
rezava com o espírito: os andantes substituíam as
meditações".
Apreciava muito a música sacra e era um
grande leitor de obras sobre arte, mas detestava
atividades físicas. Acredita-se que sofria de
periódicas crises de depressão. Seu casamento
não foi feliz, mas circularam rumores de que uma
vez, aos 25 anos, se apaixonara por Eugênia
José de Menezes, dama de companhia de sua
esposa. Quando ela engravidou as suspeitas
recaíram sobre D. João. O caso foi abafado e a
moça foi enviada à Espanha para dar à luz.
Nasceu uma menina, cujo nome se desconhece.
A mãe viveu encerrada em mosteiros e foi
sustentada por toda a vida por D. João.
Os historiadores Tobias Monteiro e
Patrick Wilcken apontam indícios de que D. João

teria
tido
também
um
relacionamento
homossexual, não por convicção, antes por
necessidade, pois seu casamento logo se revelou
um fracasso, vivendo apartado da esposa e
reunindo-se a ela somente em ocasiões
protocolares. Seu parceiro teria sido seu
camareiro favorito, Francisco de Sousa Lobato,
cuja tarefa teria sido masturbar o rei com alguma
regularidade. Embora isso possa ser fruto de
simples maledicência, um padre, chamado
Miguel, teria uma vez surpreendido a cena e por
isso deportado para Angola, não sem antes
deixar um testemunho por escrito. De qualquer
maneira o camareiro acabou recebendo diversas
honrarias, acumulando entre outros os cargos de
conselheiro do rei, secretário da Casa do
Infantado, secretário da Mesa de Consciência e
Ordens e governador da fortaleza de Santa Cruz,
recebendo também o título de barão e depois
visconde de Vila Nova da Rainha.
No Rio os hábitos pessoais do rei,
instalado num ambiente precário e despojado,
eram simples. Ao contrário do relativo
isolacionismo que observara em Portugal, passou
a se mostrar mais dinâmico e interessado pela
natureza. Deslocava-se com frequência entre o
Paço de São Cristóvão e o Paço da cidade,
passava temporadas na Ilha de Paquetá, na Ilha
do Governador, na Praia Grande, a antiga Niterói,
e na Real Fazenda de Santa Cruz. Tinha aversão
a mudanças em sua rotina, o que se estendia ao
vestuário, e usava a mesma casaca até que ela
se rasgasse, obrigando seus camareiros a
costurá-la no próprio corpo do monarca enquanto
ele dormia. Sofria de ataques de pânico quando
ouvia trovoadas, encerrando-se em seus
aposentos com as janelas trancadas, não
recebendo ninguém.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_VI_de_P
ortugal, extraído em 12/05/2014)

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1 - (ALFENAS – 2000) O Bloqueio
Continental, em 1807, a vinda da família real para
o Brasil e a abertura dos portos em 1808,
constituíram fatos importantes:
a) na formação do caráter nacional
brasileiro.
b) na evolução do desenvolvimento
industrial.
c) no processo de independência política.
d) na constituição do ideário federalista.
e) no surgimento das disparidades
regionais.
2 - (ESPM – 2000) Acontecimentos
políticos europeus sempre tiveram grande
influência no processo da constituição do estado

9
brasileiro. Assim, pode-se relacionar a elevação
do Brasil à situação de Reino Unido a Portugal e
Algarves, ocorrida em 1815:
a) às tentativas de aprisionamento de D.
João VI, pelas forças militares de Napoleão
Bonaparte.
b) à Doutrina Monroe, que se
caracterizava pelo lema: "a América para os
americanos".
c) ao Bloqueio Continental decretado
nesse momento por Napoleão Bonaparte e que
pressionava o Brasil a interromper seu comércio
com os ingleses.
d) ao Congresso de Viena, que se
encontrava reunido naquele momento e se
constituía em uma rearticulação de forças
políticas conservadoras.
e) a política de expansionismo econômico
e à tentativa de dominar o mercado brasileiro,
desenvolvida pelos ingleses após a Revolução
Industrial.
3 - (UNIBH – 1999) “Em 1808, 90 navios,
sob bandeiras diversas, entraram no porto do Rio
de Janeiro, enquanto, dois anos depois, 422
navios estrangeiros e portugueses fundearam
naquele porto. Por volta de 1811, existiam na
capital
207
estabelecimentos
comerciais
portugueses e ingleses, além dos que eram
possuídos por nacionais dos países amigos de
Portugal”.
As modificações descritas no texto estão
relacionadas com:
a)
o período joanino e o Ato Adicional
à Constituição imperial.
b)
a abertura dos portos e a guerra de
independência da Cisplatina.
c)
o domínio napoleônico em Portugal
e a implantação do Estado Novo.
d)
a abertura dos portos e os tratados
de comércio e amizade com a Inglaterra.
4 - (FGA – CGA - 1998) A Revolução do
Porto de 1820 se caracterizou como um
movimento de:
a) consolidação da independência do Brasil;
b) retorno a ordem absolutista em Portugal;
c) repulsa a invasão francesa em Portugal;
d) descolonização do império português na África;
e) revolução liberal e constitucional.
5 - (FGA – CGA - 1998) "As notícias
repercutiam como uma declaração de guerra,
provocando tumultos e manifestações de
desagrado. Ficava claro que as Cortes
intentavam reduzir o país à situação colonial e era

evidente
que
os
deputados
brasileiros,
constituindo-se em minoria (75 em 205, dos quais
compareciam efetivamente 50), pouco ou nada
podiam fazer em Lisboa, onde as reivindicações
brasileiras eram recebidas pelo público com uma
zoada de vaias. À medida que as decisões das
Cortes portuguesas relativas ao Brasil já não
deixavam lugar para dúvidas sobre suas
intenções, crescia o partido da Independência."
(Emília Viotti da Costa. Introdução ao
Estudo da Emancipação Política)
O texto acima se refere diretamente:
a) Aos movimentos emancipacionistas: às
Conjurações e à Insurreição Pernambucana;
b) À necessidade das Cortes portuguesas
de reconhecer à Independência do Brasil;
c) À tensão política provocada pelas
propostas
de
recolonização
das
Cortes
portuguesas;
d) À repercussão da Independência do
Brasil nas Cortes portuguesas;
e) Às consequências imediatas à
proclamação da Independência;
6 - (FUVEST – 1999) Durante o período
em que a Corte esteve instalada no Rio de
Janeiro, a Coroa Portuguesa concentrou sua
política externa na região do Prata, daí
resultando:
a) a constituição da Tríplice Aliança que
levaria à Guerra do Paraguai.
b) a incorporação da Banda Oriental ao
Brasil, com o nome de Província Cisplatina.
c) a formação das Províncias Unidas do
Rio da Prata, com destaque para a Argentina.
d) o fortalecimento das tendências
republicanas no Rio Grande do Sul, dando origem
à Guerra dos Farrapos.
e) a coalizão contra Juan Manuel de
Rosas que foi obrigado a abdicar de pretensões
sobre o Uruguai.
7 - (PUC – MG – 1998) Refere-se à Revolução
Pernambucana de 1817:
I. O objetivo dos rebeldes era proclamar
uma república inspirada nos ideais franceses de
igualdade, liberdade e fraternidade.
II. Os líderes do movimento foram
condenados à morte por enforcamento.
III. Os revoltosos, após matarem os
chefes militares governamentais, conquistaram o
poder por 75 dias.
a) se apenas a afirmação I estiver correta.
b) se apenas as afirmações I e II
estiverem corretas.
c) se apenas as afirmações I e III
estiverem corretas.

10
d) se apenas as afirmações II e III
estiverem corretas.
e) se todas as afirmações estiverem
corretas.
8 - (PUC – MG – 1999) A presença da
Corte Portuguesa no Brasil (1808 – 1820) gerou
grandes transformações na vida econômica,
política e sociocultural brasileira, tais como,
EXCETO:
a) abertura do Banco do Brasil e da Casa
da Moeda.
b) mudança da capital de Salvador para o
Rio de Janeiro.
c) revogação do Alvará de 1785, que
proibia manufaturas no país.
d) elevação do Brasil a Reino Unido.
e) inauguração de institutos científicos
como o Jardim Botânico.
9 - (PUC – RS – 1998) Apesar da
liberdade para a instalação de indústrias
manufatureiras no Brasil, decretada por D. João
VI, em 1808, estas pouco se desenvolveram. Isso
se deveu, entre outras razões, à:
a) impossibilidade de competir com
produtos
manufaturados
provenientes
da
Inglaterra,
que
dominavam
o
mercado
consumidor interno.
b) canalização de todos os recursos para
a lucrativa lavoura cafeeira, não havendo, por
parte dos agroexportadores, interesse em investir
na industrialização.
c) concorrência dos produtos franceses,
que gozavam de privilégios especiais no mercado
interno.
d) impossibilidade de escoamento da
produção da Colônia, devido à falta de mão-deobra disponível nos portos.
e) dificuldade de obtenção de matériaprima
(algodão)
na
Europa,
aliada
à
impossibilidade de produzi-la no Brasil.
10 - (PUC – RS – 2000) Leia o texto:
“21 de janeiro de 1822 – Fui à terra fazer
compras com Glennie. Há muitas casas inglesas,
tais como seleiros e armazéns, de secos e
molhados; mas, em geral, os ingleses aqui
vendem as suas mercadorias em grosso a
retalhistas nativos ou franceses. Quanto a
alfaiates, penso que há mais ingleses do que
franceses, mas poucos de uns e outros. Há
padarias de ambas as nações (...). As ruas estão,
em geral, repletas de mercadorias inglesas. A
cada porta as palavras Superfino de Londres
saltam aos olhos: algodão estampado, panos

largos, (...), mas, acima de tudo, ferragens de
Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro
do que em nossa terra nas lojas do Brasil, além
de sedas, crepes e outros artigos da China. Mas
qualquer cousa comprada a retalho numa loja
inglesa ou francesa é, geralmente falando, muito
cara.”
(GRAHAM, Maria. Diário de uma viagem ao
Brasil. São Paulo: Edusp, 1990).
O texto acima, de Maria Graham, uma
inglesa que esteve no Brasil em 1821, remete-nos
a um contexto que engloba:

a) os efeitos da abertura dos portos e dos
tratados de 1810.
b) o processo
economia no Brasil.

de

globalização

da

c) as reformas econômicas do Marquês
de Pombal.
d) a suspensão do Tratado de Methuen,
com a ampliação da influência inglesa no Brasil.
e) os efeitos da mineração, que
contribuíram para interligar as várias regiões do
Brasil ao Exterior.

PINTOU NO ENEM:
1) Em 2008 foram comemorados os 200
anos da mudança da família real portuguesa para
o Brasil, onde foi instalada a sede do reino. Uma
sequência de eventos importantes ocorreu no
período 1808-1821, durante os 13 anos em que
D. João VI e a família real portuguesa
permaneceram no Brasil. Entre esses eventos,
destacam-se os seguintes:
• Bahia – 1808: Parada do navio que
trazia a família real portuguesa para o Brasil, sob
a proteção da marinha britânica, fugindo de um
possível ataque de Napoleão.
• Rio de Janeiro – 1808: desembarque da
família real portuguesa na cidade onde residiriam
durante sua permanência no Brasil.
• Salvador – 1810: D. João VI assina a
carta régia de abertura dos portos ao comércio de
todas as nações amigas ato antecipadamente
negociado com a Inglaterra em troca da escolta
dada à esquadra portuguesa.

11
• Rio de Janeiro – 1816: D. João VI tornase rei do Brasil e de Portugal, devido à morte de
sua mãe, D. Maria I.
• Pernambuco – 1817: As tropas de D.
João VI sufocam a revolução republicana.
GOMES. L. 1808: como uma rainha louca, um
príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram
Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil.
São Paulo: Editora Planeta, 2007 (adaptado)

Uma das consequências desses eventos
foi:
a) a decadência do império britânico, em
razão do contrabando de produtos ingleses
através dos portos brasileiros,
b) o fim do comércio de escravos no
Brasil, porque a Inglaterra decretara, em 1806, a
proibição do tráfico de escravos em seus
domínios.
c) a conquista da região do rio da Prata
em represália à aliança entre a Espanha e a
França de Napoleão.
d) a abertura de estradas, que permitiu o
rompimento do isolamento que vigorava entre as
províncias do país, o que dificultava a
comunicação antes de 1808.
e) o grande desenvolvimento econômico
de Portugal após a vinda de D. João VI para o
Brasil, uma vez que cessaram as despesas de
manutenção do rei e de sua família.

EXERCÍCIO COMENTADO:

inglesa ou francesa é, geralmente falando, muito
cara.”
(GRAHAM, Maria. Diário de uma viagem ao
Brasil. São Paulo: Edusp, 1990).
O texto acima, de Maria Graham, uma
inglesa que esteve no Brasil em 1821, remete-nos
a um contexto que engloba:
a) os efeitos da abertura dos portos e dos
tratados de 1810.
b) o processo
economia no Brasil.

globalização

da

c) as reformas econômicas do Marquês
de Pombal.
d) a suspensão do Tratado de Methuen,
com a ampliação da influência inglesa no Brasil.
e) os efeitos da mineração, que contribuíram para
interligar as várias regiões do Brasil ao Exterior.
 Resposta certa: alternativa A. Com a
abertura dos portos às nações amigas e graças
também aos acordos firmados, sobretudo com o
Reino Unido, o comércio no Brasil começou a
apresentar uma maior variedade de produtos
vindos do exterior seguidos uma taxação
específica, fato registrado no trecho extraído do
diário de viagens de Maria Graham.

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
1–C/2–D/3–D/4–E/5–C/6–B/7–E/
8–B/9–A

(PUC – RS – 2000) Leia o texto:
“21 de janeiro de 1822 – Fui à terra fazer
compras com Glennie. Há muitas casas inglesas,
tais como seleiros e armazéns, de secos e
molhados; mas, em geral, os ingleses aqui
vendem as suas mercadorias em grosso a
retalhistas nativos ou franceses. Quanto a
alfaiates, penso que há mais ingleses do que
franceses, mas poucos de uns e outros. Há
padarias de ambas as nações (...). As ruas estão,
em geral, repletas de mercadorias inglesas. A
cada porta as palavras Superfino de Londres
saltam aos olhos: algodão estampado, panos
largos, (...), mas, acima de tudo, ferragens de
Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro
do que em nossa terra nas lojas do Brasil, além
de sedas, crepes e outros artigos da China. Mas
qualquer cousa comprada a retalho numa loja

de

Pintou no ENEM:
1- D

12

CAPÍTULO 02
O PRIMEIRO REINADO (1822 – 1831)
A DISSOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA
CONSTITUINTE
Ainda em Junho de 1822, D. Pedro
cumpre a promessa firmada com o Partido
Brasileiro e anuncia a criação de uma Assembleia
Constituinte que passou a se reunir no ano
seguinte, a partir de Maio de 1823. Neste
momento, o Imperador afastado do Partido
Moderado dos Andrada, passou a se vincular ao
Português, defensor do ideal absolutista uma vez
que o tom da discussão da assembleia estava
caminhando para um liberalismo demasiado
limitante aos olhos do Imperador do Brasil. D.
Pedro afastou os moderados definitivamente do
poder e nomeou para o Ministério nomes de sua
confiança. A queda dos antigos ministros
assinalou uma profunda mudança na vida política
do país, pois possibilitou a ascensão do Partido
Português até a Abdicação.
A discussão a respeito da constituinte
tomou esse tom inflamado a partir da
apresentação de um “anteprojeto” apresentado
pela elite agrária brasileira. Tal projeto
contemplava os princípios de soberania nacional
e liberalismo econômico, o anti-colonialismo e a
xenofobia (repúdio aos estrangeiros), além de
possuir também um caráter anti-absolutista,
limitando o poder de D. Pedro valorizando a
representatividade nacional na Câmara, que seria
indissolúvel, e que teria o controle das Forças
Armadas. Por último, para excluir os populares,
garantiu a possibilidades de participação político
por meio de uma renda mínima, renda baseada
numa mercadoria corrente: a Farinha de
Mandioca. Daí o nome de Constituição da
Mandioca, que excluíam tanto os lusos quanto os
populares,
os
primeiros
porque
eram
comerciantes
sem
acesso
a
terras
e
consequentemente a plantações e os segundos
por não terem renda necessária. Assim, a
Aristocracia
resguardava
para
si
a
representatividade nacional.
Com essas características, o anti-projeto
foi alvo de críticas. A insistência em cercar o
poder de D. Pedro fez com que o mesmo se
voltasse contra a proposta. No entanto, o que vai
definir a situação é um acontecimento inusitado.

(D. Pedro I)

O Jornal A Sentinela publicou uma carta
ofensiva contra os militares portugueses,
assinada por um “brasileiro resoluto” segundo sua
própria denominação. Os militares espancaram
um acusado da autoria, acusado este que dias
depois seria considerado inocente. O incidente
causou comoção da Assembleia, que exigia uma
explicação do imperador. A ruptura entre o órgão
e o imperador era inevitável quando a Assembleia
em um ato de rebeldia se declarou em sessão
permanente. D. Pedro respondeu mandando o
exército invadir o órgão ordenando a prisão dos
deputados pertencentes em sua maioria ao
Partido Brasileiro. Estava dissolvida a Assembleia
e o poder que a Aristocracia detinha até então se
enfraquecia em detrimento de uma proposta
apoiada pela frente do Partido Português,
composto aqui pelos portugueses que residiam
no Brasil e que eram favoráveis a uma frente
mais voltada às faces autoritárias.

A CARTA OUTORGADA DE 1824
A
dissolução
provocou
grandes
descontentamentos.
Para
minimizar
foi
convocado um Conselho de Estado, composto
por dez membros para que estes redigissem um
texto constitucional. Depois de 40 dias, no dia 25
de Março de 1824 estava outorgada a Carta. A
mesma estava apoiada em grandes partes no
anti-projeto, com uma alteração que seria
imprescindível: a instituição do poder Moderador,
além dos três outros poderes já consagrados. A
constituição assim como o anti-projeto afastava
as camadas populares da política, ao condicionar
política a renda, no entanto, desta vez a dinheiro
e não a produto.

13
O Poder Legislativo seria composto por
um Senado vitalício e por uma Câmara dos
Deputados com mandatos de três anos. Os
senadores eram escolhidos pelo Imperador, a
partir de uma lista tríplice apresentada pelas
províncias. Sua função seria, propor, redigir e
aprovar leis. O Poder Judiciário seria exercido por
um Supremo tribunal, com os magistrados
também escolhidos pelo Imperador. O executivo,
seria exercido por um Ministério, também
escolhido por D. Pedro, onde ele seria o
presidente.

jamais que se manteve o absolutismo no Brasil
após a proclamação da independência porque
para que um governo se configure como absoluto,
ele não pode, de maneira alguma, possuir uma
constituição que delimite os poderes do soberano
e dê um contorno ao seu governo, ainda que este
contorno e estas limitações sejam mínimas.

A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR DE
1824
A concentração de poderes nas mãos do
Imperador gerou grandes descontentamentos,
principalmente no nordeste, onde a nomeação
dos presidentes provinciais entrou em choque
com os interesses autonomistas dos proprietários
rurais. A Unidade econômica nacional era
precária, pois mesmo com a independência o
Brasil manteve o seu modelo dependente ao
mercado externo, não havendo grandes
possibilidades de intercâmbio entre as províncias.
No plano político, a única alteração que sofreram
foi com relação a localização das ordens que ali
chegavam: ao invés de emergir de Portugal, elas
agora emergiam do Rio de Janeiro.

(A Carta Outorgada)

Já o Poder Moderador pertencia
exclusivamente a D. Pedro, e deveria ser a
princípio um Poder neutro, cuja função seria
garantir a harmonia dos três outros poderes. No
entanto, uma vez instituído no Brasil, este passou
a ser o centro de poder, tornando-se instrumento
da vontade do Imperador. A este poder, cabia
aprovar ou não as decisões do legislativo, nomear
senadores e dissolver a Câmara. Ao Executivo,
restava o poder de escolher os membros do
Conselho de Estado, além de nomear e demitir
presidentes e funcionários das províncias, que
estavam submetidas ao Moderador, impedindo
assim tendências autonomistas.
A Carta ainda estabeleceu a religião
Católica como oficial do Estado. A relação entre
Estado e Igreja era regulada pelo regime do
Padroado, segundo o qual os clérigos eram
pagos pelos Estado. Por isso, ao Imperador
competia nomear sacerdotes aos vários cargos
eclesiásticos e dar consentimento as bulas
papais.
Uma ressalva importante que deve ser
feita a respeito da carta de 1824: Apesar do
caráter autoritário e da existência de um Poder
Moderador que permitia a D. Pedro agir quase
como um monarca absoluto, não podemos falar

No nordeste o descontentamento com o
Absolutismo foi notório em diversas partes: em
Pernambuco o descontentamento foi contra a
nomeação do presidente, na Paraíba, assustados
com a dissolução da Constituinte desconfiavam
de tudo que vinha do Rio de Janeiro, além de
focos de descontentamento em outros estados.
Em
Pernambuco as reações ao
absolutismo do Imperador foram mais notórias
dada a característica Revolucionária do Estado
desde 1817. As expectativas liberais da
experiência de 1817 difundiram-se através da
imprensa escrita pernambucana, principalmente
nos jornais de Cipriano Barata e Frei Caneca, que
podemos dizer são responsáveis por preparar
espiritualmente a Confederação do Equador. O
primeiro estudou em Coimbra, de onde trouxe os
estudos liberais, se associou as diversas
revoluções no nordeste, estando ligado aos
populares. Após ser preso várias vezes,
estabeleceu – se em Recife e com seu jornal
influiu na corrente liberal de Pernambuco, tendo
em Frei Caneca seu principal discípulo.
Em Pernambuco a dissolução da
Assembleia encheu de descontentamento os
liberais, gerando a queda do governo, até então
sintonizado com o Imperador, sendo substituído
por uma Junta Governativa, que tinha como chefe

14
Manuel Garcia Pais de Andrade, líder
movimento de 1817.

do

Este governo liberal, hostil as tendências
absolutistas do Imperador, não foi apoiada pelo
Imperador, pois para outorgar a constituição a
mesma teria que ser aprovada pelas Câmaras
Municipais, assim era necessário haver governos
locais favoráveis ao seu governo.
As
possibilidades de nomeação de um novo
presidente fizeram com que se apressasse a
confirmação do chefe pelos locais como
presidente da província.
Com toda precaução, D. Pedro nomeou
em 1823 um presidente para província do grupo
que havia sido retirado do poder pouco antes
pelos provinciais. Mesmo diante de pedidos para
que o Imperador respeitasse a decisão popular,
D. Pedro enviou tropas do Rio de Janeiro para
garantir a posse do novo presidente. Mesmo
assim a resistência era enorme. Diante deste
quadro de desavenças entre locais e Imperador,
em julho de 1824, temos a proclamação da
Confederação do Equador, por Manuel de
Carvalho.
Na Confederação, os revoltosos tentaram
não cometer os mesmos erros cometidos na
Revolução de 1817, como o isolamento. No
manifesto lia-se:
“Segui ó brasileiros o exemplo dos
bravos habitantes da zona tórrida (...) imitais os
valentes de seis províncias que vão estabelecer
seu governo sobre o melhor dos sistemas – o
representativo”

formar um Estado desvinculado do restante do
Império,
baseado
na
representatividade,
republicanismo, federalismo, para que os Estados
associados tivessem autonomia.
A repressão ao movimento foi toda
organizada no Rio de Janeiro e diante disso as
tropas e armas dos diferentes estados foram
todas enviadas a Pernambuco. Enquanto tentavase criar uma resistência uniforme da Bahia ao
Ceará, o imperador reprimiu separadamente cada
província para assim impedir sua união. A
carência de recursos e matérias, fez o imperador
contrair empréstimos e contratar mercenários,
especialmente da Inglaterra, para finalizar a
repressão. Em 2 de Agosto, partiram as tropas,
por terra e por mar, para em 17 de Setembro
concluírem a conquista de Olinda e Recife,
principais centros de resistência.
As condenações foram muito severas, e
destaca-se a de Frei Caneca, que teve que ser
fuzilado, uma vez que sua condenação a forca
não pode ser cumprida, pois os carrascos se
recusaram a enforcar o líder. Finalizou-se a
Confederação, mais não eliminou a insatisfação
com as experiências autoritárias no Brasil.
Começava desde já o desgaste da imagem de D.
Pedro I primeiro tão brevemente ele havia
assumido seu trono.

O RECONHECIMENTO DA
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

A data de 7 de Setembro de 1822
representou a Independência do Brasil apenas
para os brasileiros. O caminho para o
reconhecimento foi um tanto quanto mais longo e,
acima de tudo, o reconhecimento de Portugal se
mostrava imprescindível para o sucesso
determinante do movimento.

(Bandeira da Confederação)

A Confederação ainda pretendia a
adesão das demais províncias e o apelo foi
encampado para Ceará, Rio Grande do Norte e
Paraíba, que com Pernambuco formaram a
Confederação do Equador. Adotou-se a
Constituição colombiana, e assim tentou se

O primeiro país a reconhecer a
emancipação foram os EUA em junho de 1824.
Duas razões explicam essa atitude: a Doutrina
Monroe (1823) que defendia anti-colonialismo
europeu sobre a América expresso em seu
jargão: “América para os americanos”, e
principalmente os fortes interesses econômicos
emergentes nos EUA, que visava reservar para si
a América. Os países hispano-americanos
demoraram a reconhecer a Independência, pois
com um governo republicando, estes países
desconfiavam do viés monárquico adotado no
Brasil.

15
A Inglaterra com seus inúmeros negócios
dentro do território nacional tinha enorme
interesse em reconhecer a Independência, mais
só poderia fazer isto depois de Portugal. Por esse
motivo a ação inglesa se deu no sentido de ajudar
diplomaticamente
no
reconhecimento
da
Independência por parte dos lusos. Assim em
Agosto de 1825, mediante pagamento de 2
milhões de libras esterlinas, que o Brasil
conseguiu através de um empréstimo com os
mesmos ingleses, foi reconhecido por Portugal a
Independência do Brasil. Do ponto de vista
internacional a emancipação do Brasil nada mais
significou do que a substituição da dependência
econômica antes vinculada para Portugal, que
agora seria executada pelos outros países
europeus, principalmente a Inglaterra.
Com o modelo econômico mantido, o país
dependia da exportação para manter suas
receitas. No entanto a primeira metade do século
XIX foi crítica para nossa economia, com o nosso
açúcar sofrendo concorrência de Cuba, Jamaica
e do açúcar de beterraba dos produtos europeus.
O algodão e o arroz estavam tendo concorrência
dos EUA. Assim, o café se consistia na
esperança, pois seu mercado estava em
crescimento e o Brasil não encontrava
concorrente.
Havia em paralelo a crise econômica, a
crise financeira, onde a debilidade do Estado era
mais notória. Dispunha de poucos recursos pela
baixa tarifa alfandegária, que mesmo assim era a
principal fonte de receitas. Assim, o Brasil era
forçado a buscar empréstimos, sob altos juros. O
déficit do Estado se tornou crônico, sobretudo
quando gastos descontrolados foram assumidos
para reprimir os conflitos da Confederação do
Equador e outros menores pelo reconhecimento
da Independência ainda interno.
Os problemas foram ainda piorados com
a eclosão do problema da Cisplatina, quando um
líder militar Uruguaio desembarcou na região com
sua tropa e com o apoio da população declarou a
anexação da Cisplatina as Repúblicas das
Províncias Unidas do Rio da Prata. Em resposta o
Brasil declarou guerra aos argentinos, conflito que
durou dois anos, tendo como fim o acordo entre
as
duas
nações,
que
estabeleceu
a
independência da Cisplatina, chamada agora de
república Oriental do Uruguai.
O derramamento inútil de sangue e os
sacrifícios para essa guerra ativaram a oposição.
Para sanar a crise financeira, D. Pedro emitiu de
maneira desenfreada papel moeda, sacrificando
as camadas populares, pois a consequência foi o

aumento geral dos preços. A crise atingiu o auge
com a falência do Banco do Brasil em 1829.

A ABDICAÇÃO DE D. PEDRO I EM
1831

Em Portugal, D. João VI havia morrido em
1826, e assim o temor da recolonização retornou,
mesmo com D. Pedro tendo renunciado o trono
em favor de sua filha. No mesmo momento do fim
da Guerra Cisplatina, D. Miguel, irmão de D.
Pedro, assumiu o trono com um golpe e o apoio
de parte da elite portuguesa. A possibilidade de
D. Pedro enviar tropas brasileiras para retirar o
irmão do trono, trouxe novas inquietações acerca
da possibilidade de união dos dois reinos o que
deixou a elite brasileira ainda mais descontente
diante do quadro generalizado de crise que a
nação se encontrava. A impopularidade do
imperador
ia
crescendo
gradativamente,
aumentando a oposição.
Os jornais foram importantes no aumento
das paixões políticas. O assassinato de Libero
Badaró, que dirigia um jornal de oposição,
precipitou os acontecimentos, uma vez que foi
cometido por partidários do Imperador. O maior
foco de oposição estava em Minas. Sem as
forças militares, pois os soldados estavam
passando para oposição, D. Pedro resolveu
visitar a província a fim de pacificá-la. No entanto,
foi recebido por mineiros que preferiram
homenagear a memória de Badaró.
No Rio, D. Pedro encontrou um conflito
entre partidários seus e liberais, na famosa Noite
das Garrafadas. Para conter os radicais o
Imperador tentou reformar o Ministério Brasileiro,
criado para os brasileiros, mais que até então,
não tinha sido ocupado pelos mesmos. Foi
organizado um ministério, agora claramente com
propósitos absolutistas, com membros que
apoiavam o império de forma clara.
Ocorre então mais uma manifestação no
Rio, exigindo a reintegração do Ministério. No
entanto, D. Pedro se manteve irredutível. Essa
atitude culminou com a passagem do chefe militar
para os quadros de oposição. Assim, o imperador
estava completamente sem apoio, isolado, sem
contar nem sequer com as tropas, para reprimir
as manifestações. A única alternativa que agora
restava era a Abdicação, e foi o que fez, em favor
de seu filho: Pedro de Alcântara, então com cinco
anos de idade.

16
Em 7 de Abril. D. Pedro deixou o trono,
abandonou o país, se reconciliando com os
Andradas, importante família do Partido Brasileiro
ao deixar José Bonifácio como tutor de D. Pedro
II, o futuro Imperador do Brasil assim que
atingisse a maioridade.

II. Convocando a Assembleia Geral
extraordinariamente nos intervalos das Sessões,
quando assim o pede o bem do Império.
III. Sancionando os Decretos, e Resoluções
da Assembleia Geral, para que tenham força de
Lei: Art. 62.
IV. Aprovando, e suspendendo interinamente
as Resoluções dos Conselhos Provinciais: Arts.
86, e 87.
V. Prorrogando, ou adiando a Assembleia
Geral, e dissolvendo a Câmara dos Deputados,
nos casos, em que o exigir a salvação do Estado;
convocando imediatamente outra, que a
substitua.
VI. Nomeando, e demitindo livremente os
Ministros de Estado.
VII. Suspendendo os Magistrados nos casos
do Art. 154.
VIII. Perdoando, e moderando as penas
impostas e os Réus condenados por Sentença.

SESSÃO LEITURA
Do Poder Moderador.
TITIULO 5º

IX. Concedendo Amnistia em caso urgente,
e que assim aconselhem a humanidade, e bem do
Estado.
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/c
onstituicao24.htm, extraído em 12/05/2014)

Do Imperador.
CAPITULO I.
Do Poder Moderador.
Art. 98. O Poder Moderador é a chave de
toda a organização Política, e é delegado
privativamente ao Imperador, como Chefe
Supremo
da
Nação,
e
seu
Primeiro
Representante, para que incessantemente vele
sobre a manutenção da Independência, equilíbrio,
e harmonia dos mais Poderes Políticos.
Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolável,
e
Sagrada:
Ele
não
está
sujeito
a
responsabilidade alguma.
Art. 100. Os seus Títulos são "Imperador
Constitucional, e Defensor Perpetuo do Brasil" e
tem o Tratamento de Majestade Imperial.
Art. 101. O Imperador exerce o Poder
Moderador
I. Nomeando os Senadores, na forma do Art.
43.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1. (Cesgranrio) A Constituição imperial
brasileira, promulgada em 1824, estabeleceu
linhas básicas da estrutura e do funcionamento
do sistema político imperial tais como o(a):
a) equilíbrio dos poderes com o controle
constitucional do Imperador e as ordens sociais
privilegiadas.
b) ampla participação política de todos os
cidadãos, com exceção dos escravos.
c) laicização do Estado por influência das
ideias liberais.
d) predominância do poder do imperador
sobre todo o sistema através do Poder
Moderador.

17
e)
autonomia
das
Províncias
e,
principalmente, dos Municípios, reconhecendo-se
a formação regionalizada do país.

2. (Cesgranrio) Assinale a opção que
apresenta um fato que caracterizou o processo de
reconhecimento da Independência do Brasil pelas
principais potências mundiais:

a) à mediação da França e dos Estados
Unidos e à atribuição do título de Imperador
Perpétuo do Brasil a D. João VI.
b) à mediação da Espanha e à renovação
dos acordos comerciais de 1810 com a
Inglaterra.
c) à mediação de Lord Strangford e ao
fechamento das Cortes Portuguesas.

a) Reconhecimento pioneiro dos Estados
Unidos, impedindo a intervenção da força da
Santa Aliança no Brasil.

d) à mediação da Inglaterra e à
transferência para o Brasil de dívida em libras
contraída por Portugal no Reino Unido.

b)
Reconhecimento
imediato
Inglaterra,
interessada
exclusivamente
promissor mercado brasileiro.

e) à mediação da Santa Aliança e ao
pagamento à Inglaterra de indenização pelas
invasões napoleônicas.

da
no

c) Desconfiança dos brasileiros, reforçada
após o falecimento de D. João VI, de que o
reconhecimento reunificaria os dois reinos.
d) Reação das potências europeias às
ligações privilegiadas com a Áustria, terra natal
da Imperatriz.
e) Expectativa das potências europeias,
que aguardavam o reconhecimento de Portugal,
fiéis à política internacional traçada a partir do
Congresso de Viena.

3. (Fgv) No Brasil, durante o Primeiro
Império, a situação financeira era precária, pelo
fato de que:
a) o comércio de importação entrou em
colapso com a vinda da Família Real (1808);
b) os Estados Unidos faziam concorrência
aos nossos produtos, especialmente o açúcar;
c) os principais produtos de exportação açúcar e algodão - não eram suficientes para o
equilíbrio da balança comercial do país;
d) o capitalismo inglês se recusava a
fornecer empréstimos para a agricultura;
e) o sistema bancário era praticamente
inexistente, só tendo sido fundado o Banco do
Brasil em 1850.

4. (Fuvest) O reconhecimento da
independência brasileira por Portugal foi devido
principalmente:

5. (Fuvest) A organização do Estado
brasileiro que se seguiu à Independência resultou
no projeto do grupo:
a) liberal-conservador, que defendia a
monarquia constitucional, a integridade territorial
e o regime centralizado.
b) maçônico, que pregava a autonomia
provincial, o fortalecimento do executivo e a
extinção da escravidão.
c) liberal-radical, que defendia a
convocação de uma Assembleia Constituinte, a
igualdade de direitos políticos e a manutenção da
estrutura social.
d) cortesão, que defendia os interesses
recolonizadores, as tradições monárquicas e o
liberalismo econômico.
e) liberal-democrático, que defendia a
soberania popular, o federalismo e a legitimidade
monárquica.

7. (Mackenzie) São fatores que levaram
os E.U.A. a reconhecerem a independência do
Brasil em 1824:
a) Doutrina Monroe (América para os
americanos) e os fortes interesses econômicos
emergentes nos EUA.
b) A aliança dos capitais ingleses e
americanos interessados em explorar o mercado
brasileiro e a crescente expansão do mercado da
borracha.

18
c) A indenização de 2 milhões de libras
pagos pelo Brasil ao governo americano e a
Doutrina Truman.
d) A subordinação econômica à Inglaterra
e o interesse de aliar-se ao governo constitucional
de D. João VI.
e) A identificação com a forma de
governo adotada no Brasil e interesses coloniais
comuns.

8. (Mackenzie) A Confederação do
Equador, movimento que eclodiu em Pernambuco
em julho de 1824, caracterizou-se por:
a) ser um movimento contrário às
medidas da Corte Portuguesa, que visava
favorecer o monopólio do comércio.
b)
uma
oposição
a
medidas
centralizadoras e absolutistas do Primeiro
Reinado, sendo um movimento republicano.
c) garantir a integridade do território
brasileiro e a centralização administrativa.
d) ser um movimento
maçonaria, clero e
demais
absolutistas.

contrário à
associações

e) levar seu principal líder, Frei Joaquim
do Amor Divino Caneca, à liderança da
Constituinte de 1824.

9. (Mackenzie) O episódio conhecido
como "A Noite das Garrafadas", briga entre
portugueses e brasileiros, relaciona-se com:
a) a promulgação da Constituição da
Mandioca pela Assembleia Constituinte.
b) a instituição da Tarifa Alves Branco,
que aumentava as taxas de alfândega, acirrando
as disputas entre portugueses e brasileiros.
c) o descontentamento da população do
Rio de Janeiro contra as medidas saneadoras de
Oswaldo Cruz.
d) a manifestação dos brasileiros contra
os portugueses ligados à sociedade "Colunas do
Trono" que apoiavam Dom Pedro I.
e) a vinda da Corte Portuguesa e o
confisco de propriedades residenciais para alojála no Brasil.

PINTOU NO ENEM
1) Após a Independência, integramo-nos
como exportadores de produtos primários à
divisão internacional do trabalho, estruturada ao
redor da Grã-Bretanha. O Brasil especializou-se
na produção, com braço escravo importado da
África, de plantas tropicais para a Europa e a
América
do
Norte.
Isso
atrasou
o
desenvolvimento de nossa economia por pelo
menos uns oitenta anos. Éramos um país
essencialmente agrícola e tecnicamente atrasado
por depender de produtores cativos. Não se
poderia confiar a trabalhadores forçados outros
instrumentos de produção que os mais toscos e
baratos. O atraso econômico forçou o Brasil a se
voltar para fora. Era do exterior que vinham os
bens de consumo que fundamentavam um
padrão de vida “civilizado”, marca que distinguia
as classes cultas e “naturalmente” dominantes do
povaréu primitivo e miserável. (...) E de fora
vinham também os capitais que permitiam iniciar
a construção de uma infraestrutura de serviços
urbanos, de energia, transportes e comunicações.
Paul Singer. Evolução da economia e
vinculação internacional. In: I. Sachs; J. Willheim; P. S.
Pinheiro (Orgs.). Brasil: um século de transformações.
São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 80.

Levando-se
em
consideração
as
afirmações acima, relativas à estrutura econômica
do Brasil por ocasião da independência política
(1822), é correto afirmar que o país:
a) se industrializou rapidamente devido
ao desenvolvimento alcançado no
período colonial.
b) Extinguiu
a
produção
colonial
baseada
na
escravidão
e
fundamentou a produção no trabalho
livre.
c) se tornou dependente da economia
europeia por realizar tardiamente sua
industrialização em relação a outros
países.
d) se tornou dependente do capital
estrangeiro, que foi introduzido no
país sem trazer ganhos para a
infraestrutura de serviços urbanos.
e) teve sua industrialização estimulada
pela Grã-Bretanha, que investiu
capitais em vários setores produtivos.

19

CAPÍTULO 03
EXERCÍCIO COMENTADO
O PERÍODO REGENCIAL (1831-1840)
DO AVANÇO LIBERAL AO
REGRESSO CONSERVADOR

(Uel)

O período regencial iniciado logo após a
abdicação de D. Pedro I está marcado em quatro
momentos distintos:

Na visão do cartunista, a Independência
do Brasil, ocorrida em 1822,
a) foi resultado das manifestações
populares ocorridas nas ruas das principais
cidades do país.
b) resultou dos interesses dos intelectuais
que participaram das conjurações e revoltas.
c) decorreu da visão humanitária dos
ingleses em relação à exploração da colônia.
d) representou um negócio comercial
favorável aos interesses dos ingleses.
e) não passou de uma encenação, já que
os portugueses continuaram explorando o país.

Com a Independência do Brasil a
situação tornou-se altamente favorável aos
ingleses, que já instalados no país puderam
intensificar ainda mais suas relações comerciais
com o país. A charge explicita exatamente essa
visão ao mostrar uma mãe respondendo ao
questionamento de seu filho, dando a entender
que a tal “Independência” seria mais um produto
inglês chegando no mercado brasileiro.

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
1–D/2–E/3–C/4–D/5–A/7–A/8–B/
9–D
Pintou no ENEM:
1- C

 Regência Trina Provisória (Abril a
Julho de 1831): Definida às pressas conforme
seguindo as especificações que estavam
assinadas na constituição de 1824. Tinha como
lideranças um militar, um liberal e um
conservador e foi estabelecida para administrar a
transição do Primeiro Reinado para o Período
Regencial.
 Regência Trina Permanente (18311834): Composta por Francisco de Lima e Silva,
José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz, no
entanto o nome de maior destaque foi padre
Feijó, ministro da Justiça, que após 1834, foi
eleito, conforme a alteração da Constituição, para
Regente Uno.
 Regência Uma de Padre Feijó (18351837): Renunciou antes de cumprir o mandato
sob a pressão da eclosão de duas das revoltas
mais importantes do período: a Cabanagem no
Pará e a Farroupilha no Rio Grande do Sul.
 Regência Araújo Lima (1837-1840):
Assume sob uma pauta de promessa de dura
repreensão contra as rebeliões. Acaba tendo que
lidar com outras duas de grande importância, a
Sabinada na Bahia e a Balaiada no Maranhão.
Sua luta para manter a ordem e a unidade
territorial foi finalizada com o golpe da
Maioridade.
Uma vez finalizado o Primeiro Reinado,
sinalizando com a derrota da autocracia, foram
tomadas várias medidas liberais, caracterizando
esse momento, como “Avanço Liberal”. Pela
primeira vez, foi se pensado em um Ato Adicional
para a Constituição de 1824 dando a
possibilidade a elite brasileira pela primeira vez
experimentar um regime governamental mais
democrático e mais próximo do republicanismo
uma vez que na ausência de D. Pedro I, não
havia mais quem ocupasse o Poder Moderador.
Neste cenário, as assembleias tornaram-se os
espaços para os debates e para a
experimentação de uma experiência democrática
por parte das elites políticas que se organizavam

20
em três frentes distintas para a discussão do Ato
Adicional sendo elas:
 Liberais Exaltados: Grupo mais liberal
existente naquele período, insistiam em uma
releitura mais federalista e que ampliassem a
autonomia das províncias da nação uma vez que
a centralização em torno do Rio de Janeiro
transformava o sistema em um aparelho pesado e
burocrático para as províncias mais distantes
como o Rio Grande do Sul, por exemplo. Lutavam
por grandes reformas constitucionais como por
exemplo a extinção do poder moderador.

constitucional, com a sociedade escolhendo
presidentes provinciais e reformando o exército
excluindo os radicais dos bons cargos.
Em 1831 houve a sublevação de 26º
Batalhão do Rio de Janeiro, exigindo diversas
medidas, dentre elas a renúncia do Ministro da
Justiça: Padre Feijó. No entanto, bastou a recusa
no atendimento para as tropas se recolherem ao
batalhão novamente. Mesmo sem ter gerado
maiores problemas, este movimento deixou claro
que o governo regencial não poderia confiar nas
tropas regulares. A partir desta constatação foi
criada a Guarda Nacional.

 Liberais Moderados: Consistiam no
grupo liberal mais reformista, porém, que preferia
manter uma unidade e uma autoridade central.
Compunham sobretudo a visão política da elite
brasileira do sudeste e apesar das reformas
constitucionais propostas, a extinção do poder
moderador não estava, por exemplo, em pauta ou
se estivesse, não seria a prioridade. A ordem e a
unidade viriam em primeiro lugar.

A Guarda era subordinada ao Ministro da
Justiça e acabava com as milícias. A Guarda era
uma força paramilitar, onde os oficiais eram
eleitos por votação secreta. Assim os moderados
se equipavam com uma força eficiente e fiel. Com
a Guarda, os moderados controlaram a situação,
se dando o luxo de afastarem os radicais do
poder.

 Restauradores
ou
Caramurus:
Compunham o grupo mais conservador daquele
período. A pauta principal dos restauradores era
manter as coisas como estão para minimizar as
alterações neste período de transição e havia
ainda aqueles que queriam o retorno de D. Pedro
I. Para os Caramurus, a reforma constitucional
era algo impensável, a extinção do Poder
Moderador algo ainda mais inconcebível.

Os agrupamentos políticos mais uma vez
começaram a se cristalizar no momento de
discussão da reforma constitucional. Esta reforma
definiu uma monarquia federativa, senado eleito e
temporário e criação de Assembleias Legislativas
Provinciais. O projeto foi enviado ao Senado, em
reação organizou-se a defesa a Constituição
Outorgada por D. Pedro I. Eram os restauradores,
agora em franca oposição aos exaltados e aos
moderados.

O AVANÇO LIBERAL (1832 – 1837) E O
ATO ADICIONAL DE 1834

A queda de D. Pedro não trouxe de
imediato a pacificação da sociedade. Em abril,
eclodiram mais conflitos entre brasileiros e
portugueses. Essas instabilidades, geraram uma
certa paralisação comercial, pois os comerciantes
lusos se retiraram do Rio de Janeiro e os
brasileiros suspenderam seus negócios, gerando
desemprego e aumentando ainda mais a
instabilidade social.
Os moderados, beneficiários com a
queda do imperador, haviam perdido o controle e
estabeleceram alianças com os exaltados e
conservadores para formação de um quadro
dirigente: “Sociedade Defensora da Liberdade e
da Independência”, quadro este que seria
comandado pelo grupo mais forte, o moderado.
Como atrativo, ofereceu aos exaltados a reforma

Mesmo com um restaurador na tutela,
José Bonifácio, os moderados empreenderam
reformas dentro do governo, reformas essas que
são a base do período chamado de Avanço
Liberal. As reformas se caracterizam por:
1 – Aprovada a Lei que garantia os
deputados eleitos em 1833 poderes constituintes
para reformar a Carta outorgada por D. Pedro.
2 – Aprovado o Código de Processo
Criminal dando autonomia judiciária aos
municípios, com juízes de Paz eleitos localmente,
com o poder de polícia. Nota-se que esses estes
eram controlados pelos proprietários locais
detentores dos poderes de fato.
3 – Os deputados eleitos providenciaram
as
seguintes
Reformas
Constitucionais:
Assembleias Legislativas Provinciais podendo
legislar sobre matérias civis e militares e
instruções políticas e econômicas dos municípios.
A Regência Trina foi transformada em Una, com
eleições diretas.

21
Estas medidas receberam o nome de Ato
Adicional aprovados após Assembleia em 1834.
O mesmo preservou a vitaliciedade do Senado,
como concessão aos restauradores, além da
autonomia provincial como ganho aos exaltados
e, para a surpresa de todos, a manutenção do
Poder Moderador. Por mais que parecesse um
completo avanço liberal, o ato adicional, porém,
foi a resposta a um projeto um tanto quanto mais
ousado por parte dos exaltados, o Projeto
Miranda Ribeiro que fracassou em ser aprovado
por ser considerado demasiado liberal pela
maioria da elite política daquele cenário, neste
projeto, estava proposto, por exemplo, o fim da
vitaliciedade do senado e o fim do Poder
Moderador.
Assim o que polarizou a política foi a
defesa ou não do Ato Adicional: os que os
defendiam foram chamados de progressistas e
os contrários regressistas. Os últimos se
aproximavam
dos
antigos
restauradores,
defendendo o centralismo, enquanto os primeiros
defendiam
a
descentralização.
Alguns
moderados, com medo da agitação popular
começaram a defender a centralização, pois com
o fim dos restauradores e a morte do antigo
imperador D. Pedro I em 1834 o risco do
absolutismo estava suspenso. No entanto, o
perigo de uma rebelião popular inquietava a elite.
Nas eleições para Regência concorreram
Padre Feijó e Antônio Francisco de Paula
Holanda, um rico senhor de engenho
pernambucano. Os progressistas apoiaram Feijó
e os regressistas o seu adversário. Os
progressistas saíram vitoriosos na regência, mais
um ano após perderam para os regressistas nas
eleições legislativas.
Feijó assumiu em 1835 e governou até
37, num momento de eclosão de diversas
rebeliões espalhadas Brasil afora sendo duas
delas de grande importância como a Cabanagem
e a Farroupilha. Em 1836 dizia o regente:
“Nossas instituições vacilam, o cidadão
vive receoso; o governo consome o tempo em
vãs recomendações. Seja ele responsabilizado
por abusos e omissões, dai-lhe porém, leis
adaptadas as necessidades públicas, dai-lhe
forças para que possa fazer efetiva a vontade
nacional. O vulcão da anarquia ameaça devorar o
Império. Aplicai a tempo o remédio.”

A Câmara dos Deputados, colocou-se em
oposição a Feijó, dando origem a um
agrupamento regressista, que foi ignorada pelo

regente. Este ato foi um erro, pois o mesmo não
percebeu que esse agrupamento representava os
verdadeiros interesses da elite dirigente. O
regente foi se isolando politicamente e diante da
oposição e da falta de pulso para coibir as
rebeliões, Feijó se demitiu em 1837, sendo a
Regência assumida interinamente por Araújo
Lima.

O REGRESSO CONSERVADOR E A
REGÊNCIA DE ARAÚJO LIMA

O novo gabinete de Araújo Lima era
composto pela maioria, ou seja, de regressistas
que se opuseram ao Ato Adicional de 1834
considerando-o demasiado liberal, daí o nome de
regresso conservador para este período da
história. Para esta elite o liberalismo resumia-se a
luta contra o despotismo de D. Pedro I. Uma vez
vencido este obstáculo era necessário parar o
“carro revolucionário” evitando a todo custo a
democracia, que então era identificada como
anarquia. Nas eleições de 1836, as graves
agitações nos variados pontos do Brasil,
contribuíram para eleição de uma maioria
regressista para Câmara dos Deputados. Essa
tendência, antidemocrática começava a se firmar
no país.
A harmonia entre o Legislativo e
Executivo, ambos regressistas, favoreceu a
coesão da aristocracia, que pôde então, enfrentar
com firmeza as várias rebeliões que incendiavam
o país, e assim preparar terreno para a chegada
ao poder de D. Pedro II. Situação que foi muito
bem aproveitada pelos progressistas que se viam
gradativamente cada vez mais derrotados dentro
do cenário político brasileiro uma vez que os
regressistas, seus opositores, estavam tendo
êxito onde eles haviam fracassado: manter a
unidade territorial e a ordem.

AS PRINCIPAIS REBELIÕES
REGENCIAIS
 A Cabanagem (1835 – 1840): O Pará
sempre fora dominado por uma camada de ricos
comerciantes portugueses, aliados de altos
funcionários civis e militares. Este grupo resistiu o
quanto pode a declaração de Independência, só
sendo sanado o problema um ano após o Grito do
Ipiranga, com o envio de tropas cariocas. No

22
entanto, a proclamação alterou muito pouco a
vida da população mais pobre. Sentindo-se traído
o povo se rebelou e passou a exigir a participação
de seus líderes no governo provisório.
Após alguns poucos anos de paz, as
agitações retornaram a cena no momento da
abdicação, pois as autoridades locais nomeadas
pela regência, foram contestadas pela população,
este fato somado a falta de pulso por parte da
regência provocou um clima de continua
instabilidade. Para contornar as agitações a
regência enviou um novo governante, e o mesmo
se inclinou em estabelecer uma política
repressora, que com o tempo se mostrou ineficaz,
e estimulou o aparecimento de novas rebeliões,
como a Cabanagem.

 Revolução Farroupilha (1835 – 1845): O
nome desta rebelião se deve a roupa peculiar dos
revoltosos, que buscaram a separação do
restante do território nacional, liderados pelos
criadores de gado da divisa com o Uruguai.

Contra o novo presidente da província,
estava sendo organizado um levante armado. O
movimento que se irradiou de Belém para a zona
rural eclodiu em 1835, onde os cabanos
dominaram facilmente a capital e executaram o
presidente da Província. Foi eleito como novo
presidente um dos líderes do movimento,
Malcher, que quando assumiu o poder, se
declarou fiel ao Imperador e tratou de reprimir o
movimento que o colocara no poder – uma
espécie de contra-movimento.

Contudo as charqueadas argentinas e
uruguaias se desenvolviam contando com o apoio
governamental o que não acontecia aqui no
Brasil, fazendo pesada concorrência aos produtos
gaúchos no mercado externo.

Enquanto
o
novo
presidente
se
incompatibilizava com os Cabanos, crescia a
popularidade de um novo líder: Pedro Vinagre.
Quando Malcher tentou proceder um golpe contra
Pedro, foi preso, executado e o novo líder passou
a responder pelo poder. Surpreendentemente o
mesmo seguiu a linha do seu antecessor
declarando
fidelidade
ao
Imperador,
e
prometendo entregar o poder a nova indicação do
governo.
Temendo pelas constantes agitações da
região o governo enviou um forte aparato militar.
O novo governo se resumiu a conquistar a capital,
enquanto os cabanos se retiraram para o interior,
onde se reagruparam, e conseguiram mais uma
vez conquistar a capital e proclamar a República.
Meses após a retomada a Coroa enviou
mais uma vez uma forte esquadra, chefiada pelo
brigadeiro José Francisco de Souza, que seria
nomeado presidente da mesma. No momento da
chegada à capital, os cabanos já sem mais forças
se retiraram para o interior sofrendo violenta
repressão. Como legado a cabanagem deixou o
marco de ser o primeiro movimento popular a ter
chegado
efetivamente
ao
poder
tendo
dificuldades apenas em mantê-lo por parte de
suas lideranças.

No século XVIII a base econômica da
região se solidificou com a indústria do charque
(carne seca). Assim, se antes a principal atividade
se restringia a pele do gado, a partir de agora a
carne também passou a ser economicamente
vital, sendo exportada para portos brasileiros,
destinada principalmente para alimentação de
escravos. Assim, quer estancieiros, que
charqueadores, a economia do Rio Grande do Sul
ficou voltada ao mercado externo.

Após a Independência do Brasil, os
gaúchos se tornaram importantes na criação de
alimentos para os escravos, além de serem vitais
militarmente na fronteira, pois garantiam a posse
da região. No entanto, os mesmos estavam
decepcionados com o poder central, na
nomeação de presidentes provinciais e também
devido a pesada carga de impostos cobrados.
Assim, ao passo que os argentinos cobravam
baixas tarifas para importação do sal (matéria
básica para os charqueadores) o governo
brasileiro fazia com seus impostos subir o preço
do produto, fazendo com que o charque platino
fosse mais competitivo do que o gaúcho.
A peculiaridade econômica do Rio
Grande a deixou propensa a defesa do
federalismo e da república, base das lutas da
América Espanhola, com a qual os estancieiros
conviviam estritamente. Em 1834, nas eleições da
Assembleia Legislativa Provincial, a maioria dos
deputados eleitos eram os produtores da região,
os Farrapos. Com o poder político nas mãos,
estavam dispostos a derrubar os altos tributos,
mesmo que para isso necessitasse desagradar a
coroa. A oposição entre Assembleia e Executivo,
conduziu ao confronto militar em 1835.
Os rebeldes liderados por Bento
Gonçalves dominaram Porto Alegre e no ano
seguinte proclamaram a República RioGrandense ou de Piratini. No ano de 1837 uniu-se
aos rebeldes o revolucionário italiano Giuseppe
Garibaldi, um dos principais líderes da unificação
italiana. O mesmo ajudou na anexação de Santa
Catarina ao movimento, com a criação da

23
república Catarinense. Neste momento a
Farroupilha atingia seu ápice, para após perder
impulso por dois motivos: sua estreita base social,
pois a maioria da população não aderiu a ela, e
pela característica agroexportadora da região que
não permitia economicamente um desligamento
do resto do Brasil.

(Cavalaria dos Farrapos)

Em 1840 com a maioridade de D. Pedro
II, foi oferecida anistia aos revoltos, mais os
farrapos continuaram na luta. Somente em 1842
com a designação de Caxias (futuro duque) os
farrapos foram dominados. Caxias cortou as vias
de comunicação com o Uruguai, e negociou com
os revolucionários para abrandar o ânimo
revolucionário. Em março de 1845 através de um
acordo entre governo e liderança farroupilha
chegava ao fim o movimento, com várias
concessões: anistia geral aos revoltosos,
incorporação dos soldados ao exército imperial
em igual posto, e devolução de terras que haviam
sido confiscadas pelo governo.

 A Sabinada (1837 – 1838): A
oportunidade perdida de democratizar a prática
política, de um lado, e a insistência em manter
inalterado o instituto da escravidão, de outro,
praticamente fizeram aflorar todo o anacronismo
do Estado brasileiro, provocando várias reações.
Os sabinos da Bahia, mesmo manifestando
fidelidade
monárquica,
proclamaram
uma
república provisória. Marcavam seu desejo de
separação do govemo central respeitando o reimenino, como demonstra seu programa,
publicado em 1837: "A Bahia fica desde já
separada, e independente da Corte do Rio de
Janeiro, e do Govemo Central, a quem desde já
desconhece, e protesta não obedecer nem a
outra qualquer Autoridade ou ordens dali
emanadas, enquanto durar a menoridade do sr.
dom Pedro II."

Apesar da aparente participação popular na
Sabinada, prevalecia entre os revoltosos a classe
média.
Há pontos em comum entre os sabinos
e os farrapos. Identificavam-se principalmente
com o anticentralismo imperial: os sabinos, mais
retoricamente ideológicos, e os farrapos, mais
pragmáticos. É sintomático que um dos motivos
imediatos da eclosão do movimento baiano seja a
fuga de Bento Gonçalves da cadeia, facilitada por
seus companheiros de idéias em Salvador. É que
o líder baiano, o médico Francisco Sabino, que
deu o nome à insurreição, cumprira pena no Rio
Grande do Sul por assassinar um político
conservador em 1834. No Rio Grande, Sabino
conviveu com as idéias farroupilhas e ficou amigo
de Bento Gonçalves.
Só em 1836 é que Sabino voltara à
Bahia. Se as idéias se assemelham, a prática é
outra. Os baianos são letrados e propagam seu
ideário pelos jornais. Tentam convencer o povo
da justiça de sua causa.
A Sabináda obtém a vitória em 7 de
novembro de 1837, com a adesão de parte das
tropas do govemo. As autoridades imperiais
fogem de Salvador e é proclamada a república.
Os sabinos não conseguem, porém, convencer o
interior da Bahia, especialmente o Recôncavo, a
aderir ao movimento, cujo os grandes senhores
ajudam o govemo imperial a sufocar a
insurreição. O Império contra-ataca e vence, em
15 de março de 1838. O comandante no entando
excede-se na repressão, incendiando Salvador e
jogando nas casas em fogo os defensores da
república baiana.
Se gente do povo é queimada, só três
dos líderes são condenados à morte. Mas
ninguém é executado: o próprio Sabino tem a
pena comutada para degredo intemo e morre
pacificamente em Mato Grosso.
Talvez a "vingança" se explique pela
perda de controle dos líderes sobre os setores
mais "franceses" da insurreição. No decorrer da
luta surgiram correntes agredindo a aristocracia,
divulgando na imprensa suas perigosas idéias.
Porém essa confusão ideológica não
significa ascensão do povo. É uma reação contra
o apoio que a aristocracia baiana dá ao lmpério,
fornecendo gente para sufocar a rebelião. Nem
por isso deixou de assustar as classes
dominantes.

24
 A Balaiada (1838 – 1841): A Balaiada foi
uma
rebelião
da
massa
maranhense
desprotegida,
composta
por
escravos,
camponeses e vaqueiros, que não tinham a
menor possibilidade de melhorar sua condição de
vida miserável. Esses grupos sociais, que
formavam a grande maioria da população pobre
da província, encontravam, naquele momento,
sérias dificuldades de sobrevivência devido à
grave crise econômica e aos latifúndios
improdutivos. A crise econômica havia sido
causada pela queda da produção do algodão base da economia da província - que sofria a
concorrência norte-americana.
A massa de negros e sertanejos, cansada
de ser usada pela classe dominante, terminou se
envolvendo numa luta contra a escravidão, a
fome, a marginalização e os abusos das
autoridades e militares. Os líderes do movimento
foram o vaqueiro Raimundo Gomes, o fabricante
de Balaios (daí o nome) Manuel Francisco dos
Anjos e o negro Cosme, chefe de um quilombo e
que organizou quase três mil negros.
Os rebeldes chegaram a conquistar Caxias,
a segunda cidade mais importante do Maranhão.
Porém, a desorganização, a falta de união e
divergências dos líderes e o desordenamento dos
grupos, onde cada chefe agia isoladamente,
facilitaram a vitória das forças militares, enviadas
pelo governo. Por ter vencido os rebeldes em
Caxias, Luís Alves de Lima e Silva recebeu o seu
primeiro título de nobreza: Barão de Caxias. Mais
tarde, ele recebeu outros títulos, inclusive o de
Duque de Caxias.

SESSÃO LEITURA
A Estadia de Giuseppe Garibaldi no
Brasil
Giuseppe residiu algum tempo no Rio de
Janeiro, onde foi membro da Congrega della
Giovine Itália, fundada por Giuseppe Stefano
Grondona. Foi também no Rio de Janeiro
conheceu Luigi Rossetti, com quem se juntou
à Revolução Farroupilha.
Também
conheceu Bento
Gonçalves ainda em sua prisão, no Rio de
Janeiro, e obteve dele uma carta de corso para
aprisionar embarcações imperiais. Em 1° de
setembro de 1838, Garibaldi foi nomeado capitão17
tenente, comandante da marinha farroupilha .
Rossetti e Garibaldi transformaram seu pequeno
barco comercial Mazzini em corsário a serviço
da República Rio-Grandense. No caminho para o

sul, atacaram um navio austríaco, com uma carga
de café, e trocaram de navio com seus
ocupantes, rebatizando a nova embarcação
de Farroupilha.
Enquanto Rossetti desembarcou no porto
de Maldonado, Garibaldi foi capturado pela polícia
marítima uruguaia, acabando preso na Argentina.
Depois de algum tempo preso, tendo inclusive
sido torturado, conseguiu fugir e chegar ao Rio
Grande do Sul.
Junto aos republicanos foi encarregado
de criar um estaleiro, o que foi feito junto a uma
fábrica de armas e munições em Camaquã, na
estância de Ana Gonçalves, irmã de Bento
Gonçalves. Lá Garibaldi coordenou a construção
e o armamento de dois lanchões de guerra. Para
participar da empreitada marinheiros vieram
de Montevidéu e outros foram recrutados pelas
redondezas. Terminada a construção dos barcos,
foram lançados à água os lanchões Seival e
Farroupilha. Porém, acossados pela armada
de John Grenfell, não tiveram muito sucesso:
capturaram
alguns
barcos
de
comércio
desprevenidos, em lagoas ou rios longe
da armada imperial.
Surgiu, então, o plano de levar os barcos
pela lagoa dos Patos até o rio Capivari e, dali, por
terra, sobre rodados especialmente construídos
para isso, até a barra do Tramandaí, onde os
barcos tomariam o mar. Os farrapos, despistaram
a armada imperial e conseguiram enveredar pelo
estreito do rio Capivari e passaram os barcos a
terra em 5 de julho de 1839. Puxando sobre
rodados, os dois lanchões artilhados, com cem
juntas de bois, atravessaram ásperos caminhos,
pelos campos úmidos - em alguns trechos
completamente submersos, pois era inverno, com
tempo feio, chuvas e ventos, que tornavam o
chão um grande lodaçal. Cada barco tinha dois
eixos e quatro grandes rodas, revestidas de couro
cru. Piquetes corriam os campos entulhando
atoleiros, enquanto outros cuidavam da boiada.
Levaram seis dias até a lagoa Tomás
José, vencendo 90 km e chegando a 11 de julho.
No dia 13, seguiram da lagoa Tomás José à barra
do rio Tramandaí, no oceano Atlântico, e, no dia
15, lançaram-se ao mar com uma tripulação mista
de 70 homens. O Seival, de 12 toneladas, era
comandado pelo norte-americano John Griggs,
conhecido como "João Grandão", e o Farroupilha,
de 18 toneladas, comandado por Garibaldi ambos armados com quatro canhões de doze
polegadas, de molde "escuna” . Por fim, a 14 de
julho de 1839,
os
lanchões
rumaram
a Laguna para atacar a província vizinha. Na

25
costa de Santa Catarina, próximo ao rio
Araranguá, uma tempestade pôs a pique
o Farroupilha, salvando-se milagrosamente uns
poucos farrapos, entre eles o próprio Garibaldi.
Com a chegada da marinha farroupilha a
Santa Catarina, unindo-se às tropas do exército,
sob o comando geral de David Canabarro, foi
possível preparar o ataque a Laguna por terra e
pela água. A marinha farroupilha entrou através
da lagoa de Garopaba do Sul, passando pelo rio
Tubarão,
e
atacou
Laguna
por
trás,
surpreendendo os imperiais que esperavam um
ataque de Garibaldi pela barra de Laguna e não
pela lagoa. Garibaldi tomou um brigue e dois
lanchões,
enquanto
somente
o
brigueescuna Cometa conseguiu escapar para o mar. O
império então impôs um bloqueio naval que
buscava
estrangular
a
república
economicamente. Garibaldi ainda conseguiu furar
o bloqueio com três barcos, capturou dois navios
de comércio, trocou tiros com o brigueescuna Andorinha e
tomou
o
porto
de Imbituba. Alguns dias mais tarde retornou a
Laguna, em 5 de novembro.
Pouco tempo depois, o império reagiu
com
força
total,
comandado
pelo
general Francisco José de Sousa Soares de
Andrea, comandante de armas de Santa
Catarina, com mais de três mil homens atacando
por terra. Enquanto isto, por mar, o almirante
imperial Frederico Mariath, com uma frota de 13
navios, melhor equipados e experientes, iniciou a
batalha naval de Laguna. Garibaldi fundeou
convenientemente seus cinco navios, que se
bateram contra os imperiais valentemente, mas
sem chances de vitória. Nos navios farroupilhas
nenhum comandante ou oficial escapou com vida.
O próprio Garibaldi, vendo a derrota iminente,
queimou seu navio, a escuna Libertadora, e se
juntou à tropa de Canabarro, que preparou a
retirada de Laguna. Era o fim da marinha
farroupilha.
Em Laguna, Garibaldi ainda conheceu
Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida depois
como Anita Garibaldi, com quem se casaria e que
se tornaria sua companheira de lutas na América
do Sul e depois na Itália.
“Eu vi corpos de tropas mais numerosas,
batalhas mais disputadas, mas nunca vi,
em nenhuma parte, homens mais valentes,
nem cavaleiros mais brilhantes que os da
bela cavalaria rio-grandense, em cujas
fileiras aprendi a desprezar o perigo e
combater dignamente pela causa sagrada
das nações.

Quantas vezes fui tentado a patentear ao
mundo os feitos assombrosos que vi
realizar por essa viril e destemida gente,
que sustentou, por mais de nove anos
contra um poderoso império, a mais
encarniçada e gloriosa luta!” - Garibaldi
Depois da queda de Laguna, as tropas
farroupilha tomaram o caminho de Lages para
retornar ao Rio Grande do Sul. Enquanto isso, o
governo imperial havia decidido enviar um
contingente de tropas ao sul pelo interior, com a
missão de retomar Lages e depois auxiliar contra
o cerco de Porto Alegre pelos farrapos. Travando
pequenos combates com piquetes farroupilhas
em novembro, através dos Campos dos
Curitibanos e Campos Novos, as tropas imperiais
chegaram a Lages, onde retomaram a vila. Os
farroupilhas ainda retomaram Lages brevemente,
mas as tropas legalistas foram reforçadas por
uma divisão vinda de Cruz Alta, sob o comando
do coronel Antônio de Melo Albuquerque, o "Melo
Manso". Garibaldi e Teixeira Nunes, pressentindo
um ataque, dividiram suas tropas, uma partindo
para
o
norte,
onde,
perto
do rio
Marombas encontrou uma tropa legalista superior
em 12 de janeiro de 1840. Os republicanos foram
dizimados e, dos 500 iniciais, menos de 50
conseguiram retornar a Lages e depois voltar ao
Rio Grande do Sul.
Garibaldi ainda participou com Bento
Gonçalves, Domingos Crescêncio de Carvalho e
1.200 homens da campanha pela conquista
de São José do Norte, onde, depois de uma longa
marcha a cavalo, se travou uma duríssima
batalha de quase nove horas, tendo os farrapos
tomado a cidade por pouco tempo - a reação
vinda de Rio Grande logo expulsou os farrapos
embriagados.
A pedido, o presidente Bento Gonçalves
dispensou Garibaldi de suas funções e ele então
mudou-se para Montevidéu, no Uruguai, com
Anita e seu filho Menotti, nascido em Mostardas,
no litoral sul do estado do Rio Grande do Sul.
Recebeu um rebanho de 900 cabeças de gado,
das quais, depois de 600 quilômetros de marcha,
300 chegaram a Montevidéu, em junho de 1841.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Garibaldi,
extraído 12/05/2014)

26
b) Os regentes governaram de forma
absoluta, fazendo uso indiscriminado do Poder
Moderador.
c) As facções federalistas criaram a
Guarda Nacional, um eficiente instrumento militar
de oposição ao Exército regular da Regência.
d) Nenhum regente fez uso do Poder
Moderador, o que, de certa maneira, permitiu a
prática do Parlamentarismo.
e) As camadas populares defenderam
a proclamação de República e a extinção da
escravidão.
(Giuseppe Garibaldi em 1866)

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
01. (MACKENZIE) Do ponto de vista
político,
podemos
considerar
o
Período
Regencial como:
a)
uma
época
conturbada
politicamente, embora sem lutas separatistas que
comprometessem a unidade do país;
b) um período em que as
reivindicações populares, como direito de voto,
abolição da escravidão e descentralização
política, foram amplamente atendidas;
c) uma transição para o regime
republicano que se instalou no país a partir de
1840;
d) uma fase extremamente agitada
com crises e revoltas em várias províncias,
geradas pelas contradições daselites, classe
média e camadas populares;
e)
uma
etapa
marcada
pela
estabilidade política, já que a oposição ao
Imperador Pedro I aproximou os vários
segmentos sociais, facilitando as alianças na
Regência.

02. Durante o Período Regencial:

a) A monarquia imperial foi extinta,
instaurando-se em seu lugar uma
república
Federalista.

03. (UFGO) O Período Regencial
apresentou as seguintes características, menos:

a) Durante as Regências surgiram
nossos primeiros partidos políticos: o Liberal e o
Conservador.
b) O Partido Liberal representava as
novas aspirações populares, revolucionárias e
republicanas.
c) Foi um período de crise econômica
e social que resultou em revoluções como a
Cabanagem e a Balaiada.
d) Houve a promulgação do Ato
Adicional à Constituição, pelo qual o regente
passaria a ser eleito diretamente pelos cidadãos
com direito de voto.
e)
Formaram-se
as
lideranças
políticas que teriam atuação marcante no II
Reinado.

04. (UNITAU) Sobre o Período Regencial
(1831 - 1840), é incorreto afirmar que:
a) foi um período de intensa agitação
social, com a Cabanagem no Rio Grande do Sul e
a guerra dos Farrapos no Rio de Janeiro;
b) passou por três etapas: regência
trina provisória, regência trina e regência una;
c) foi criada a Guarda Nacional,
formada por tropas controladas pelos grandes
fazendeiros;
d) através do Ato Adicional
províncias ganharam mais autonomia;

as

27
e) cai a participação do açúcar entre
os produtos exportados pelo Brasil e cresce a
participação do café.

05. (UFS) " ... desligado o povo riograndense da comunhão brasileira, reassume
todos os direitos da primitiva liberdade; usa
destes direitos imprescritíveis constituindo-se
República Independente; toma na extensa escala
dos Estados Soberanos o lugar que lhe compete
..."
Na evolução histórica brasileira, pode-se
associar as idéias do texto à:

a) Sabinada
b) Balaiada
c) Farroupilha

tarifas sobre os produtos regionais: ouro, sebo,
charque e graxa, política esta responsável pela
separação da província de São Pedro do Rio
Grande do Sul da Comunidade Brasileira."
a) Cabanagem
b) Balaiada
c) Farroupilha
d) Sabinada
e) Confederação do Equador

08. (UCSAL) Durante as primeiras décadas
do Império, a Bahia passou grande agitação
política e social. Ocorreram várias revoltas contra
a permanência de portugueses que haviam lutado
contra os baianos na Guerra da Independência.
Entre as revoltas a que o texto se refere pode-se
destacar, a:

d) Guerra dos Emboabas

a) Farroupilha

e) Confederação do Equador

b) Praieira
c) Balaiada
d) Cabanagem

06. "Em 1835, o temor da "haitianização"
que já era comum entre muitos políticos do
Primeiro Reinado, cresceu ainda mais depois da
veiculação da estarrecedora notícia: milhares de
escravos se amotinaram a ameaçavam tomar a
capital da província."

e) Sabinada

09. (FUVEST) A Sabinada que agitou a
Bahia entre novembro de 1837 e março de 1838:
a) tinha objetivos separatistas, no que diferia
frontalmente das outras rebeliões do período;

O texto acima trata da:

b) foi uma rebelião contra o poder instituído no
Rio de Janeiro que contou com a participação
popular;

a) Balaiada ocorrida no Maranhão;
b) Revolta dos Quebra-Quilos, verificada em
Alagoas;
c) Abrilada, detonada no Rio de Janeiro;
d) Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia;
e) Revolta do
Pernambuco.

"Maneta",

destravada

em

c) assemelhou-se à Guerra dos Farrapos, tanto
pela posição anti-escravista quanto pela violência
e duração da luta;
d) aproximou-se, em suas proposições políticas,
das demais rebeliões do período pela defesa do
regime monárquico;
e) pode ser vista como uma continuidade da
Rebelião dos Alfaiates, pois os dois movimentos
tinham os mesmos objetivos.

07. (MACKENZIE) Marque a alternativa
que completa corretamente o texto seguinte:
"As causas da ___________ eram
anunciadas por Bento Gonçalves no manifesto de
29 de agosto de 1838, denunciando as altas

28

CAPÍTULO 04

EXERCÍCIO COMENTADO
(UMC) O Golpe da Maioridade, datado de julho
de 1840 e que elevou D. Pedro II a imperador do
Brasil, foi justificado como sendo:
a) uma estratégia para manter a unidade
nacional, abalada pelas sucessivas rebeliões
provinciais;
b) o único caminho para que o país
alcançasse novo patamar de desenvolvimento
econômico e social;
c) a melhor saída para impedir que o
Partido Liberal dominasse a política nacional;
d) a forma mais viável para o governo
aceitar a proclamação da República e a abolição
da escravidão;
e) uma estratégia para impedir a
instalação de um governo ditatorial e simpatizante
do socialismo utópico.

Com a necessidade de afirmação de uma figura
que representasse o projeto de unidade nacional
dando continuidade à regência e demarcasse a
força nacional frente às disputas regionais,
começou-se a ser cogitada a antecipação da
maioridade de D. Pedro II para que este
assumisse o trono e apaziguasse os ânimos. A
proposta de antecipação da maioridade também
consistiu numa tentativa de grupos liberais de
voltar a fazer parte do jogo político nacional, uma
vez que até então encontravam-se afastados do
poder.

O SEGUNDO REINADO (1840 – 1889)
O GOLPE DA MAIORIDADE (1840)

As disputas entre progressistas e
regressistas resultaram no surgimento de dois
partidos: O regressista e o conservador, que se
alteraram no poder ao longo do segundo reinado.
Enquanto o partido liberal se organizou pelo Ato
Adicional o Conservador buscou a limitação do
liberalismo do Ato Adicional, com uma lei
interpretativa. A Regencia começou Liberal, mais
terminou Conservadora, graças a ascenção da
economia cafeeira, já que o produto se tornou no
principal produto na pauta de exportações, e
como os líderes conservadores eram cafeeiros a
liderança se explica.
Com a abdicação de D. Pedro, o Brasil se
viu em instabilidade, graças ao caráter transitório
em que se apresentavam as regências, um
substituto do poder legítimo. Para conter o perigo
de fragmentação territorial a antecipação da
maioridade de D. Pedro começou a ser cogitada.
Levada a Câmara, a proposta foi aprovada, e em
1840, com 15 anos incompletos, D. Pedro jurou a
Constituição e foi aclamado D. Pedro II. A
proposta foi maquinada por liberais, que alijados
do poder, viam apenas esta alternativa para seu
retorno na cena política, uma vez que comporam
o primeiro ministério do Segundo Reinado.

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
1–D 2–D
3–B
4–A
D
7–C
8–E 9–B

5–C

6–

(D. Pedro II)

29
As disputas políticas no entanto, ficaram
cada vez mais acirradas, e para controlar o país,
o partido no poder tratava de eleger nas
províncias, presidentes de seu agrado. Nas
eleiçõs, chefes políticos tratavam de colocar nas
ruas bandos armados, o governo coagia eleitores,
fraudava os resultados. Essa forma de fazer
política, ficou conhecida como “eleições do
cacete” e deu como de se esperar a vitória aos
Liberais.

AS MEDIDAS ANTI-LIBERAIS E O
“PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS”

Apesar das disputas, os partidos
Conservador e Liberal eram bem próximos:
ambos
eram
compostos
pelos
grandes
proprietários escravistas, e defendiam os mesmos
interesses: eram unidos contra a participação
popular nas decisões políticas, sendo a favor de
uma política Anti-Liberal no sentido mais
especifico da palavra se remetendo a uma ideia
amplamente democrática, e também Anti-Popular.
Essa maior unidade foi favorecida pelo
fortalecimento economico da aristocracia rural,
provocado pelo café, no Vale do Paraíba,
gerando o fortalecimento de três estados: São
Paulo, Rio e Minas, que fortalecidas impunham
ao restante da nação, seus inetresses básicos:
centrealismo e marginalizaçao dos setores mais
radicais e democráticos da população.
Para assegurar a ordem pública foi
reformado o código Civil e Criminal, conferindo
aos poderes locais uma maior soma de poderes,
não obedecendo mais ao antigo caráter liberal,
pois toda a autorodade policial e judicial ficava
sobordinada ao Ministério da Justiça.
Se no primeiro reinado foi constante os
atritos entre o poder moderador e o Congresso,
foi criado em 1847 a Presidencia do Conselho
dos Ministros, onde o imperador nomeava o
presidente do Conselho e este nomeava os
demais
ministros.
Nascia
assim
o
Parlamentarismo Brasileiro, bem diferente ao
praticado na Europa, uma vez que no Velho
Continente, o Parlamento era quem escolhia seu
primeiro ministro. No Brasil o Parlamento nada
podia contra os ministros, que diviam sua
prestação de contas ao Imperador. Este é o que
chamamos de “parlamentarismo as avesas”.

A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA OU
REVOLUÇÃO PRAIEIRA (1848 – 1850)

Assim como as revoluções de 1848 na
Europa representaram o encerramento de um
ciclo revolucionário iniciado com a Revolução
Francesa, a Praieira correspondeu à última das
agitações políticas e sociais iniciadas com a
emancipação e mais uma vez, Pernambuco
estava no centro dos cenários revolucionários.
Pernambuco era, no século XIX, a mais
importante província do nordeste, graças ainda ao
açúcar, e seus políticos gozavam de influência no
Rio de Janeiro. Entretanto, a concentração
fundiária em Pernambuco era tal, que um terço
dos engenhos era propriedade de uma única
família: a dos Cavalcanti. Desse modo, a
totalidade dos pernambucanos dependia direta ou
indiretamente de um punhado de famílias que
conduzia a sociedade tendo em vista
exclusivamente os seus interesses. Pernambuco
concentrava ainda um numeroso grupo de
comerciantes, de maioria portuguesa, que
monopolizavam
as
trocas
mercantis.
A
concentração da propriedade fundiária e a
monopolização do comércio pelos portugueses
foram os fatores de permanente insatisfação das
camadas populares em Pernambuco.
Em Pernambuco existiam dois partidos: o
Liberal e Conservador, assim como no centro do
Império. Os Cavalcanti dominavam o Liberal e os
Rego Barros, o Conservador. Apesar dos
partidos, essas duas famílias costumavam fazer
acordos políticos com facilidade uma vez que
neste período, vale lembrar, ainda que dividida,
as elites brasileiras sempre possuíram uma
orientação elitista em comum, afinal, se tratavam
todos de grandes latifundiários com plantéis
enormes de escravos e deveriam zelar pela
manutenção deste status quo.
Porém, em 1842, membros do Partido
Liberal se rebelaram e fundaram o Partido
Nacional de Pernambuco - que seria conhecido
como Partido da Praia. Esses inconformados
pertenciam a famílias que haviam feito fortuna em
época recente, na primeira metade do século XIX,
e tinham como eleitores senhores de engenho,
lavradores e comerciantes. Eles deixaram claro o
motivo de sua atitude: acusavam o presidente da
província Rego Barros de distribuir os melhores
cargos administrativos somente entre os
membros do Partido Conservador e a cúpula do
Partido Liberal.

30
Em 1844 os praieiros conseguiram
importantes vitórias com a eleição de deputados
para a Assembleia Legislativa local, que
colaborou com a expulsão das poderosas famílias
do poder no momento da eleição de um ministério
liberal. Uma vez instalados no governo, os
praieiros adotaram os mesmos métodos dos
antigos governantes. Demitiram em massa os
funcionários da administração e da polícia que
haviam sido nomeados pelos conservadores,
substituindo-os pelos seus correligionários. O
resultado imediato foi um grande caos
administrativo devido ao surgimento deste
terceiro polo político que não estava afiliado nem
à alta cúpula do Partido Liberal, nem ao Partido
Conservador.
Para fazer face aos gastos com
funcionários públicos, policiamento e obras
públicas aumentaram os impostos, encarecendo
assim os alimentos, e consequentemente
gerando uma grande tensão social. O governo
usando do sentimento anti-lusitano da população,
acabou por culpar os comerciantes portugueses
pela alta, provocando a perseguição dos
mesmos. Nada disso amenizou o fracasso da
administração. Por fim, a descoberta de inúmeras
irregularidades em 1848 desmoralizou a
administração.
O novo presidente, de inclinação
moderada, assim que eleito, começou a afastar
os praieiros da administração – da mesma
maneira que os praieiros fizeram ao subirem ao
poder – criando, da mesma forma que
anteriormente uma situação explosiva agravada
pelo fator de instabilidade nos governos.

A DEFLAGRAÇÃO DA REBELIÃO
PRAIEIRA

Sem aliados de peso na Corte, os
praieiros se enfraqueceram ainda mais com o fim
do domínio liberal no poder central do Rio de
Janeiro e a ascensão dos conservadores sob a
liderança de Pedro de Araújo Lima.
Tendo entre os seus principais líderes os
membros da aristocracia rural pernambucana, o
Partido da Praia não era propriamente radical.
Mas, diante de seus poderosos inimigos políticos,
os praieiros aliaram-se aos líderes mais radicais,
que ajudaram a formular as principais exigências:
1 ° - Voto livre e universal do povo brasileiro; 2° Plena liberdade de comunicar os pensamentos
pela imprensa; 3° - Trabalho como garantia de

vida para o cidadão; 4° - Comércio para os
cidadãos brasileiros; 5° - Inteira e efetiva
independência dos poderes constituídos; 6° Extinção do poder moderador e do direito de
agraciar; 7° - Elemento federal na nova
organização; 8° - Completa reforma do poder
judicial de modo a assegurar as garantias
individuais dos cidadãos. Destaca-se nas
propostas a ideologia da Revolução Francesa
tomando uma postura extremamente democrática
e popular – diferente do que a elite mantinha até
então.
No entanto, sua rebelião tinha um caráter
menos radical do o exposto no manifesto, uma
vez que a principal luta era por uma participação
na política de maneira irrestrita, sem a
monopolização da aristocracia rural.
O levante armado se iniciou com as
demissões dos praieiros. Estes se recusaram a
deixar os cargos e resistiram armados, mas sem
comando unificado. Suas bases eram os
engenhos, com recrutamento de combatentes
entre dependentes dos senhores.
Até o final do ano de 1848, a rebelião
praieira não passava de conflitos isolados,
sobretudo no interior, com ataques a vilas para
intimidar os opositores ou então aos engenhos
inimigos para recolher alimentos, munições e
animais de carga.
Mesmo assim, a rebelião praieira havia
atingido dimensões suficientemente graves em
dezembro de 1848 para que o próprio Estado
imperial de interviesse. Com essa intervenção
imperial, os praieiros foram obrigados a
concentrar as suas forças para resistir. Porém, as
suas dificuldades foram aumentando com o corte
dos suprimentos de armas e munições, graças à
ação de vigilância da polícia, que impediu que tais
suprimentos chegassem às mãos dos rebeldes.
Contando
com
aproximadamente
1500
combatentes divididos em duas colunas, os
praieiros decidiram atacar o Recife. No confronto
com as tropas governistas, os praieiros perderam.
Enquanto isso, alguns praieiros fugiram para o
exterior e dos líderes aprisionados, dez foram
condenados à prisão perpétua, mas anistiados
em 1851.

O Apogeu Econômico do Império do
Brasil – A Ascensão do Café

31

ECONOMIA E MODERNIZAÇÃO – O
PROTECIONISMO DA TARIFA ALVES
BRANCO (1844)

O tratado de 1810,
a redução dos
impostos arrecadados, e as concessões feitas ao
americanos por ocosião do reconhecimento da
Independência,
diminuiram
em
muito
a
capacidadede arrecadação do governo brasileiro.
A falta de uma produção nacional que suprisse as
necessidades, fez do país uma economia
dependente de fornecimento externo de produtos
básicos, como alimentos e algodão e que teriam
que ser adquiridos com as divisas de exportação.
Economicamente, continuavamos coloniais.
Essa distorção começou a ser corrigida
em 1844, com a substituição do livre cambismo
por medidas protencionistas, através da Tarifa
Alves Branco, como ficou conhecida o decreto
do ministro Manuel Alves Branco. Através deste
decreto, as entradas de produtos no Brasil
passaram a sofrer um aumento de impostos, para
que assim a produção nacional pudesse fazer
concorrência aos produtos do exterior. As
pressões
internacionais
foram
fortes,
especialmente dos britânicos, que detinham
enormes privilégios nos comércios com o Brasil.
Embora a tarifa não estimulasse decisivamente o
desenvolvimento de um mercado interno, foi um
passo importante para isso uma vez que
permitiria que as futuras indústrias brasileiras
pudessem
competir
com
as
indústrias
internacionais através do preço ainda que não
possuíssem o mesmo padrão de qualidade.

A EXPANSÃO DO CAFÉ (1830 – 1880
apr.)

Todo o período de “tranquilidade”, a
superação das crises regenciais e a estabilidade
política devem ser em grande parte atribuídos a
economia cafeeira. A estrutura produtiva no Brasil
como vem, em pouco foi alterado com a
emancipação. Continuamos exportadores de
base escravista e monocultores. Só que a grande
prosperidade que o país alcançou se deveu a
produção de um produto com larga aceitação na
Europa: o Café (de origem árabe, consumido
inicialmente em Veneza e difundido rapidamente
para o resto da Europa). Desenvolvida em São
Paulo, Rio e Minas, o café forneceu uma sólida
base econômica para o domínio dos grandes

proprietários e favoreceu a definitiva consolidação
do Estado Nacional.
Inicialmente o café teve sua produção em
torno da capital do País, o Rio de Janeiro, pois
encontrou ali uma estrutura já montada (animais
para o transporte, proximidade ao porto escoa
dor), e aproveitou a disponibilidade da mão de
obra escrava, que havia sido deixada na
ociosidade após o declínio da mineração.
Além disso, o café não necessitava de
grandes investimentos iniciais, como a montagem
de engenho, conforme o Açúcar. O café dependia
de dois fatores básicos: a terra e a
disponibilização de mão de obra. Outra diferença
em relação ao açúcar é em relação à separação
entre a produção e a comercialização, pois no
produto adocicado, as decisões dependiam do
setor comercial, os senhores de engenho se
tornaram sócios minoritários, enquanto que no
café, como foi produzido num país recentemente
emancipado, deu um maior espaço de atuação
dos produtores, no escoamento, no transporte,
pois os mesmos tinham boa capacidade
comercial.

(Fazenda Produtora de Café no Vale Paraíba)

Como de 1830 a 1880 o café era
comercializado quase que exclusivamente pelo
Brasil, o Vale do Paraíba conheceu um período
de enorme prosperidade econômica, e estabilizou
indiretamente da economia imperial. O café serviu
ainda para manter a estrutura colonial da
plantation escravista ao qual o Brasil já estava
mais que adaptado a utilizar. A cafeicultura se
caracterizou por sua plantação predatória e
extensiva, assim dada à falta de terras em
abundância, o solo se esgotou no Vale, pelo
próprio desgaste natural do mesmo com a
agricultura, pois os plantadores cariocas, não se
utilizavam de técnicas para manter o sol, como

32
por exemplo a rotatividade, se preocupando
apenas em usar a terra até esgotá-la, e feito isso,
partir para uma nova terra virgem.
Assim, com o esgotamento do solo no
Vale, a produção cafeeira para fugir da
decadência se direcionou ao Oeste Paulista,
inicialmente em Campinas. Por encontrar um solo
não tão acidentado como o do Vale, o plantio
ocupava longas extensões de terras no oeste:
terras essas conhecidas como roxa, de origem
vulcânica, mais fértil. A regularidade do relevo
favorecia ainda uma melhor qualidade do café. O
transporte do Oeste, também era melhor, pois se
aproveitava das redes viárias já disponíveis até o
porto de Santos. Quando as plantações se
distanciaram dos portos, e o transporte feito por
animais não mais sanava as dificuldades, os
próprios proprietários, em associações com
empresas privadas, começaram a estimular a
construção de ferrovias.
Os superávits eram constantes com o
café, e recolocou economia nacional no exterior.
A tarifa Alves Branco, responsável por corrigir as
alíquotas dos impostos dos produtos importados
aumentou as receitas estatais e no fim todo esse
cenário de maior entrada de dinheiro, do apogeu
econômico do café e da alfândega, possibilitaram
as primeiras modificações e tentativas de
modernização da sociedade e economia.
Neste momento, de empreendedorismo,
destaca-se a figura do Barão de Mauá, que veio
a investir-nos mais variados setores, como
transporte, produção de navios, no ramo bancário
e
de
comunicação.
No
entanto
seus
empreendimentos não foram adiante com a grave
crise bancária de 1864, e em 1873 o Barão falia
definitivamente
vítima
de
seu
próprio
expansionismo que investiu na indústria e
infraestrutura do Brasil acreditando que teria
apoio
do
governo
brasileiro
em
seus
investimentos. Ele não imaginou, porém, que
ainda com os primeiros sinais de abolição, que o
governo fosse favorecer a elite latifundiária em
detrimento desta tentativa de modernização e
acabou pagando, e literalmente caro, por isto.

A Política Externa e a Guerra da
Paraguai (1865-1870)

A posição geográfica do Paraguai o
deixava completamene dependente da Argentina
ou do Uruguai, pois situado no interior do prata,

seus comerciantes ficavam a mercê do porto e
dos comerciantes de Buenos Aires. Estava claro,
que para o Paraguai o direito de navegar com
segurança e a garantia de manter aberta a
comunicação com o exterior eram interesses
vitais.
Diante deste quadro de completa
dependência,
os
governos
paraguaios
desenvolveram uma política voltada para dentro
para que assim dependesse o mínimo possível do
exterior. O primeiro ditador Paraguaio, Francia,
percebeu que desenvolver uma política voltada
para exportação daria muitos poderes aos
grandes proprietários rurais e a burguesia
mercantil, além de trazer consequantemente a
dependencia para com Buenos Aires, e as
concessões para os Argentinos custariam a
soberania do país.
Para estimular o mercado interno houve o
incentivo as pequenas e médias propriedades
dirigidas ao consumo local, além do confisco das
grandes propriedades e monopolização do
comércio com o exterior. Assim, os traços que
fizeram as peculiaridades do Paraguai foram:
pequenas propriedades, estatização e ditadura.
O segundo ditador, Carlos Antonio López,
se preocupou em desenvolver a indústria. As
receitas obtidas com as exportações de couro e
erva mate foram gastas com o equipamento
técnico do país, e a contratação de técnicos no
exterior, e o envio de estudantes para o velho
continente, promovendo ao Paraguai uma
condição de extinção do analfabetismo,
eliminação da miséria e total auto-suficiência.

O Confronto
Brasil e Argentina eram os países mais
fortes do continente, com interesses evidentes no
estatuário do prata. O Uruguai, era um ponto de
constante atrito entre as duas nações. Os
uruguaios estavam dentro de uma guerra civil,
com a bipolarização política entre blancos e
colorados e naturalmente, cada partido era
apoiado por uma de suas nações vizinhas. Para o
Paraguai a manutenção da soberania e da
independencia do Uruguai seria a única forma de
manter o acesso aos mares visto que a elite
blanca, apoiada por Solano López, presidente do
Paraguai na época, detinha o favoritismo nas
eleições.
O motivo imediato da guerra foi a
intervenção brasileira a fovor dos colorados
depois que eles perderam uma das eleições

33
presidenciais para os blancos, desfazendo o
equilibrio das forças no Prata e alarmando o
Paraguai. Em represália, Solono Lopéz,
apreendeu um navio brasileiro no Rio Paraguai,
navio este que trazia o presidente da provincia do
Mato Grosso. As relações com o Brasil foram
rompidas e no mesmo mês (Novembro) o Mato
Grosso foi invadido, para depois o Paraguai
avançar sobre o Uruguai para tentar atingir o Rio
Grande do Sul. Com esta tática já definida
anteriormente, com um preparo militar adequado,
o Paraguai mostrava que não estava mais a
margem de Argentina e Brasil, agora o mesmo
era uma força a ser olhada com cuidado, pois sua
força militar era considerável.
Diante do perigo de uma terceira potencia
no continente, brasileiros e argentinos resolveram
deixar em segundo plano seus problemas e com
o apoio inglês, estabeleceram uma aliança. Esse
apoio inglês se devia sobretudo ao comércio
bélico lucrativo para os britânicos.
Por muito tempo uma versão de que o
apoio da Inglaterra ao Brasil e a Argentina se
justificavam por uma questão de ameaça
representada pelo Paraguai e sua crescente
indústria que ameaçava competir com a
inglesa na nova ordem econômica mundial.
Esta tese já foi refrutada com base nos dados
de arrecadação de impostos e de exportação
do Paraguai, que se comparados ao Brasil e a
Argentina
demonstrariam
uma
grande
inferioridade por parte dos paraguaios, o que
o impossibilitaria a competir com a Inglaterra
pela demanda mundial de manufaturas, além,
é claro, de nos deixar o questionamento de
que se o Paraguai representasse alguma
ameaça para a Inglaterra, porque o Brasil e a
Argentina, com indústrias mais desenvolvidas
não representariam igualmente?

Na guerra naval do Riachuelo o Brasil
impôs uma pesada derrota ao Paraguai e mostrou
o seu melhor preparo naval. No ano de 1866 os
aliados partiram na conquista por terra, no
entanto, neste momento Argentina e Uruguai
deixam a guerra ao passo que o Brasil iria se
encarregando do confronto. Com Duque de
Caxias no comando do exército, em 1868 o Brasil
derrotou a resistencia paraguaia em Humaitá. Em
1869, o genro do Imperador D. Pedro II, casado
com a Princesa Isabel, Conde D’eu, assume o
comando das tropas brasileiras na missão de
derrotar completamente o Paraguai que ainda
apresentava resistencias devido à recusa de
Solano Lopez em aceitar a derrota, e trazer seu
presidente capturado. Em 1870, depois de
desesperados epsódios de resistência militar, e
debaixo de recrutamentos forçados sobre
crianças, idosos, e semi-inválidos para se
proteger, Solano López acaba ferido e morto em
batalha trazendo fim preliminar à guerra.

CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA DO
PARAGUAI

Logicamente, o principal afetado pela
guerra foi o Paraguai, que teve seu território
devastado, a população dizimada, especiamente
a masculina e alterou profundamente sua história
desde então.

Assim, com as “graças” da Inglaterra em
Maio de 1865 formou-se a Tríplice Aliança,
composta por Brasil, Argentina e Uruguai.
Nos primeiros momentos da guerra, o
exército
brasileiro
encontrava-se
mal
administrado e mal formado, sem senso de
patriotismo, disciplina e com um contigente militar
pequeno diante do inimigo eínfimeo diante do
censo populacional do Brasil. Diante deste
quadro, houve a necessidade de uma
modernização no exército, a implementação de
uma série de campanhas de recrutamentos de
voluntarios, soldados da Guarda Nacional e até
mesmo de escravos que reverteram o quadro e
transformaram o exército brasileiro em uma
potência considerável para a época.

(Chacina no Paraguai)

Para o Brasil, as consequências foram
desastrosas. A escravidão, base de nossa
economia, começou a ser contestada a partir da
participação dos negros no exército. Com a
guerra, o exército ultrapassou em importancia a

34
Guarda Nacional e ciente disso não aceitou mais
civis em seu comando e começaram a optar por
seguir
carreiras
politicas
distintas
das
predominantes no brasil e mais modernas,
tornando-se progressistas, abolicionistas e
repúblicanos. O tripé completamente oposto ao
recorrente cenário político brasileiro, o tripé
espelhado nos ideais democráticos da Revolução
Francesa.

A Crise do Segundo Reinado (1770 1889)

Como vimos, na chefia do Gabinete dos
Ministros o poder ficou dividido entre Moderados
e Conservadores, que conseguiam a conciliação
na questão mais importante: os escravos. Através
de um acordo as facções políticas iniciaram a era
da conciliação. A era se caracterizou por
alternâncias políticas entre os grupos que
adotavam a mesma política, quer no governo,
quer na oposição.
No entantanto acontecimentos como a
guerra do Paraguai, a abolição do tráfico negreiro
com a Lei Eusébio de Queirós em 1850 e o café,
comprometeram o entendimento gerando as
divergências, que iriam desembocar futuramente
no Partido Republicano.
Com a radicalização das posições o
Imperador interferiu a favor dos conservadores. O
Gabinete do Governo, liberal naquele momento a
partir de 1873, entrou em atrito com Caxias
(representante do Partido Conservador) durante a
guerra devido alguns problemas na campanha e
para resolver a situação, o Imperador nomeou
para o mesmo Gabinete somente conservadores
afim de reduzir os conflitos, porém, a decisão não
foi muito bem aceita pelo Partido Liberal que a
partir daí, começou a dar mais ênfase ao ideal
repúblicano custando a D.Pedro II um
consideravel desgaste a sua imagem pela opinião
pública.

A ABOLIÇÃO “MAL PLANEJADA” E O
REPUBLICANISMO DE ÚLTIMA HORA.
A questão central dos problemas do
império se centravam na questão escravista. As
pressões inglesas pelo fim da escravidão
cresciam nas mesmas proporções que a opinião
pública contra o regime de trabalho. Para
amenizar os problemas, os senhores de terra,

dependentes do modelo e cientes de que sua
posição se tornava cada vez mais insustentável,
se calaram no parlamento, e eram seguidos pelo
governo, temeroso com os rumos que o fim do
trabalho escravo poderia gerar.
Desde antes do Primeiro Reinado, a
Inglaterra passou a exigir do governo brasileiro a
extinção do tráfico. Em 1815 um tratado assinado
em Viena estabeleceu a proibição do tráfico
acima da linha do equador. Em 1817, os
governos luso-brasileiro e britânico passaram a
atuar unidos na repressão ao tráfico ilícito. Em
1822 a Inglaterra exigiu o fim do tráfico como uma
das exigências para o reconhecimento da
emancipação do Brasil. Assim um acordo e 1826
delimitou o prazo de três anos para a extinção.
Em 1831, com um atraso de dois anos foi fixada
uma lei nesse sentido.
Mesmo com essas pressões, o tráfico
continuou impune no Brasil, pois toda a economia
era assentada sob o trabalho escravo, e a
abolição poderia comprometer nossas bases
produtivas. Além disso, desde a abdicação de D.
Pedro I, as classes senhoriais se apoderaram do
poder político, e nenhum dos acordos assinados
foi cumprido, alongando a vida do tráfico que
sustentava a expansão do café e da economia
brasileira.

Escravos importados pelo Brasil entre 18421852
1842

17.435

1843

19.095

1844

22.849

1845

19.453

1846

50.324

1847

56.172

1848

60.000

1849

54.000

1850

23.000

1851

3.287

1852

700

No entanto, a passividade do governo
brasileiro, fez a Inglaterra assumir uma atitude
extrema. Em 1845 o Parlamento britânico

35
aprovou a Bill Aberdeen, conferindo a marinha o
direito de aprisionar qualquer navio negreiro, em
qualquer pate do globo.
Ao mesmo tempo, o ideal abolicionista
começa a ser espalhado em alguns setores mais
letrados da sociedades, e os mesmos começam a
defender a extinção do trabalho escravo. Em
1850, o governo brasileiro se curva as pressões
internos e externas, e o ministro Eusébio de
Queirós, promulga o fim do tráfico negreiro no
Brasil com a lei de 1850, ou Lei Eusébio de
Queirós.
Uma das principais consequencias da
extinção do tráfico, foi a liberação de capital, que
não sendo mais utilizado na compra de cativos,
começou a ser investido em outros setores
economicos. As atividades financeiras e
comercias (apoiadas pelo trabalho livre) tenderam
a aumentar. A maior destas consequencias, sem
dúvida, foi a percepção para o latifundiário que
eventualmente a escravidão iria acabar, afinal, a
grande porta de entrada de cativos, o tráfico
externo, havia sido fechada e agora a única forma
legal de obtenção de escravos era através da
reprodução natural dos cativos, que era ínfimea
em detrimento da demanda pela mão de obra.
Uma mudança de mão de obra precisava ser
pensada desde já.
Em 1870 a questão do trabalhador negro
se tornou pública, os debates no parlamento
ganharam em intensidade com o fim da Guerra
do Paraguai. O regime de trabalho estava
concentrado no sul e sudeste do país. A Guerra
de Secessão nos Estados Unidos da América,
levando à abolição da escravidão por lá, mostrou
que o regime não tinha futuro promissor. Com a
Revolução Industrial, apenas o Brasil e Cuba
eram escravistas em meados do século XIX.
Neste âmbito em 1871 foi aprovada a Lei
do Ventre Livre, que adaptada aos interesses
escravistas propunha que os filhos de escravos
nascidos a partir desta data eram considerados
livres. No entanto, essa solução que para o
Parlamento era considerada definitiva, apenas
adiava o problema para o futuro, e isso não
passou despercebido pela opinião pública.
Na luta contra a escravidão, publicações
sobre começaram a circular, até a fundação da
Confederação Abolicionista em 1883 que veio a
unificar o movimento. Além do papel dos
abolicionistas serem considerados importantes, o
papel dos escravos não pode ser menosprezado
no movimento abolicionista, face a quantidade de
rebeliões, fugas, movimentos estes que nos

mostram que os escravos não foram passivos
neste contexto, dado que a possibilidade de uma
rebelião escrava atemorizou os escravistas,
enfraquecendo sua resistência ao movimento.
Membros governamentais e o exército, quando
não apoiavam fugas, se omitiam em relação a
sua repressão.
Em 1885 foi aprovada a Lei Saraiva –
Cotegipe,
ou
Lei
dos
Sexagenários,
promulgada graças ao fator da camada escravista
estar naquele momento muito pressionada e se
vendo obrigada a fazer novas concessões. Essa
lei estabelecia a liberdade aos escravos com mais
de 60 anos. Com essas características, a lei teve
alcance reduzido, pois raramente um escravo
chegava a essa idade, e quando chegava não era
mais produtivo e assim acabava por ser “jogado”
para fora da unidade produtiva sem condições de
trabalhar, para viver na miséria, com o bônus de o
antigo senhor não ter mais que arcar com os
custos de um escravo inválido, improdutivo.

(O escravo retratado como objeto)

Como ápice deste
momento de
concessões forçadas, em 1888 na ausência de D.
Pedro II, Princesa Isabel, pressionada pela
opinião pública e pela insistência inglesa,
assumiu a regência e promulgou a Lei Áurea,
extinguindo o trabalho escravo de uma maneira
súbita, pois a questão ainda estava em
discussão. Não se tratava de o caso que a elite
latifundiária nao imaginasse na possibilidade da
abolição imediata, na verdade, o que esta elite
fazia no momento era negociar com o governo
uma forma de financiamento por parte dos cofres
públicos para a transição da mão de obra para o
trabalho livre como forma de indenização pelos
escravos libertos, afinal, o escravo era um bem
que em algum momento, teve de ser comprado e
possuía valor de mercado. E este valor era alto

36
em virtude das dificuldades de se obter um
naquele período.
Contrariados por esta decisão, muitos dos
proprietários de escravos, antigos Liberais ou
Conservadores, irão aderir ao Movimento
Repúblicano já fortalecido pelos militares e por
parte da elite civil, compondo enfim uma força
considerável que no ano seguinte, em 1889,
consegurá articular a transição para a República.
Estes foram chamados de “republicanos de última
hora”.

A TRANSIÇÃO PARA O TRABALHO
LIVRE
A estabilidade do setor que dava
estabilidade ao Império estava comprometido
com o fim do trabalho escravo: a zona cafeeira,
que veio a intensificar o tráfio de escravos, num
momento de que como vimos era desfavorável a
essa prática. Assim o fim do escravismo passou a
ser considerado por alguns cafeicultores mesmo
antes de seu fim. Neste momento o Oeste
Paulista estava expandindo a sua produção, e
graças a esse momento histórico, os fazendeiros
puderam lançar mão da imigração européia,
transformando a cafeicultura numa economia
capitalista, e que se adequou a substituição de
regime de trabalho de uma melhor maneira do
que a já sólida cafeicultura escravista do Vale do
Paraíba.
O primeiro modelo proposto aos
imigrantes foram as colônias de parceria, onde os
imigrantes se comprometiam a cultivar uma certa
quantidade de cafeeiros, colher e beneficiar o
produto e repartir o dinheiro da venda com o
fazendeiro. No entanto, essa proposta fracassou,
pois as frustrações do colonos eram enormes,
uma vez que já chegavam ao Brasil endividados
com as despesas de viajem, e tinham que arcar
também com as despesas com a alimentação,
que nunca eram passíveis de serem saldadas.
Este fato levou a alguns países europeus proibir
a imigração para o Brasil.
A outra solução tentada foi o comércio
intra-provincial de escravos que estavam nas
economias decadentes do norte ou das minas.
Isso troxe duas consequências básicas:
agravamento da situação econômica do norte e
não resolução das necessidades do sul.
Sob a pressão abolicionista e ameaça da
desorganização de seus centros de produção, os
fazendeiros paulistas lançaram mão da imigração,

e graças a prosperidade do Oeste Paulista
conseguiram arcar com os custos de sua
implementação.
Para resolver a ineficiência do sistema de
parcerias, o imigração ganhou novo impulso,
quando o governo da província de São Paulo
assumiu os encargos, de viajem principalmente,
desonerando os fazendeiros. Em 1850 foi
aprovada a Lei de Terras, que veio a
regulamentar a forma do acesso as terras, isso é,
as terras só poderiam se conseguidas mediante
as compras. Assim os senhores dificultavam o
acesso a terra às pessoas com pouco recursos,
garantindo assim as suas necessidades de mão
de obra assalariada barata.
Os imigrantes que chegavam no Brasil
foram trabalhar sob o regime de colonato, onde
cada família era remunerada proporcionalmente
aos pés de café entregues a ela. Além disso,
recebiam uma gratificação por café colhido. No
entanto, a grande vantagem aos colonos foi a
possibilidade de plantar entre os cafezais
produtos para sua subsistência, e poderiam
inclusive vender o excedente dessa produção.
Resumindo, o colonato caracterizava-se por um
pagamento fixo no trato do cafezal, um
pagamento que variava de acordo com a colheita
e a produção direta de alimentos.
Os
fatores
da
existencia
de
disponibilidade de grandes quantidades de terras,
a custos baixos para os fazendeiros, o pouco
investimento na aquisição de mão de obra, já que
os trabalhadores plantavam o que consumiam,
fazia com que os cafezais se espalhassem no
oeste. A medida que as fazendas íam
aumentando, a valorização das terras próximas
subiam, e se tornavam cada vez menos acessível
as pessoas de baixa renda. A entrada de
imigrantes acabou por ajudar na constituição do
mercado de trabalho, elemento essencial para o
capitalismo.

O MOVIMENTO REPUBLICANO
A partir de 1850 o Brasil passou por
transformações em suas características sócioeconômicas, com incremnto nas indústrias, nos
transportes, nas técnicas de plantação e na
urbanização. Dois fatores são importantes para a
proclamação da república: em primeiro lugar, o
governo
imperial
não
acompanhou
a
modernização pelas quais o país passava, não se
adaptando por tanto as suas mudanças. Além
disso, o fim da escravidão dividiu a elite

37
dominante dos grandes proprietários. Por último,
vale destacar que a República teve a pArticipação
direta dos fazendeiros do café..
O ponto de partida para a o Movimento
Republicano situou-se no lançamento do
Manifesto
Republicano
em
1870.
O
conservadorismo do manifesto pode ser notado:
“Como homens livres e essencialmente
subordinados aos interesses de nossa pátria, não
é nossa intenção convulsionar a sociedade em
que vivemos”
Os republicanos se aproximavam dos
liberais na questão da necessidade de reformas
para se evitar revolução. O Manifesto foi aceito
em Minas e São Paulo, verdadeiros núcleos
republicanos, não tendo a mesma aceitação em
outras províncias. O ideal republicano foi
prejudicado pela sua falta de identidade própria
face os estreitos laços com os liberais, que
apesar dos pontos
em
comum, eram
monarquistas. Somente em 1878, passaram a
agir de forma idependentes e ganharam
identidade.
Outro ideal importante foi o federalismo.
Os presidentes provincias sempre estavam
direcionados as determinações do poder central,
pouco se importando com os problemas internos
das províncias. O grande problema era que a
administração central estava emperrada não
acompanhando a modernização pela qual
passava o país e acabava por atravancar
economicamente províncias promissoras com a
de São Paulo.
Isso se devia ao fato de que os
ocupantes dos altos cargos do governo eram
decidos por tradição, afastando das tomadas de
decisões os setores mais dinâmicos, como os
cafeicultores paulistas. Assim, o império por estes
passou a ser visto como inadequado. Com isso o
federalismo emergiu e se associou ao
republicanismo.
Os republicanos eram contrários a
revolução violenta, sendo seguigores do
positivismo, e chegaram a fundar com base nessa
ideologia a ordem “Igreja Positivista do Brasil” em
1881, que teve uma influência desciva na política
após a proclamação.
O positvismo brasileiro era antirevolucionário, elitista e ditatorial, acreditando que
a evolução histórica do país o faria chegar na
república, daí o seu caráter passivo.

A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
No Brasil a religião oficial era a católica,
garantida com a instituição do padroado, onde o
imperador nomeava seus clérigos para os cargos
mais importantes da Igreja, e as bulas papais só
seriam aceitas com o aceite do imperador. O
Papa em mais uma de suas bulas condenou as
maçonarias e inetriditou padres e fiéis de
pertecerem aos seus quadros. Dado o grande
número de religiosos ligados a maçonaria no
Brasil, essa bula não foi aceita. Em 1872 os
bispos de Olida e Belém decidiram aplicar as
determinações do papa e suspendeu irmandades
que não cumpriram as determinações papais. O
imperador resolveu anular as suspensões, mais
como os bispos se mantiveram irredutíveis, foram
julgados e condenados pela ordem imperial. A
prisão, mesmo com o posterior perdão foi
considerada uma afronta a Igreja, e esta afastouse do Império. Este fato é o que na história
designamos de Questão Religiosa.
O Exército ganhou forma, conciência e
importância com a Guerra do Paraguai e
começou a mostrar descontentamento com o
tratamento dado pelo poder imperial. Sua queixas
acabaram se tornando públicas, com a difusão do
ideal republicano e positivista em seus quadros.
No entanto, os militares estavam proibidos de se
manifestarem pela imprensa sobre questões
internas. A Questão Militar teve início em 1884,
quando o Ceará se tornou o primeiro estado a
abolir a escravidão, e o jangadeiro cearence
Francisco Nascimento (Dragão do Mar),
considerado herói por liderar os jangadeiros
locais a não transportar negros africanos, foi
convidado a ir a Corte para receber homenagens
de abolicionistas, sendo recebido na Escola de
Tiros em Campos, pelo coronel Sena Madureira.
Quando a imprensa noticiou tal recepção, o
Ministro da Guerra tratou de interpelar Madureira,
mais este alegando ser subordinado ao Conde
D’Eu não lhe deveria explicações. Este foi o
primeiro de muitos descontentamentos e tensões
dentro de Exército com comporam a Questão
Militar, protagonizada pelo coronel Ernesto
Augusto de Cunha Matos. Este em visita as
tropas do Piauí denunciou irregularidades
praticadas pelo capitão Pedro Lima, do partido
Conservador. Um deputado do mesmo partido
saiu em defesa do correligionário e fez ataques a
Cunha
Matos.
Isto
provocou
profundas
discussões na Câmara, onde o Ministro da
Guerra compareceu ao Senado para discutir o
assunto. Sena Madureira, publicou um artigo
defedendo Cunha Matos e foi punido pelo
Ministro da Guerra. Estes fatores serviram para

38
difundir o ideal republicano e acabou por afastar
os militares do Imperador, dando origem ao golde
de 15/11/1889.
Como resposta a situação crítica, o
Império promoveu reformas para amenizar as
distenções. Na apresentação na Câmara, esta
dominada pelos conservadores, o projeto foi
rejeitado. Como resposta o governo dissolveu a
Câmara e convocou uma nova para 20/11/1989.
A dissolução gerou inquietações e os Partidos
Republicanos de Minas e Rio solicitaram a
intervenção militar. O Exército se mostrou
sensível ao apelo. Em 11 de Novembro, líderes
republicanos se reuniram com Deodoro da
Fonseca, para que este liderasse o movimento de
depor a Monarquia. Deodoro aceitou e em 15 de
Novembro de 1889 era deposta a Monarquia e
proclamada a República.

nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi
votada e aprovada, em primeira votação no dia 12
de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um
pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio
de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da
Princesa Regente.
Foi assinada no Paço Imperial por Dona
Isabel e pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva
às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888.
O processo de abolição da escravatura no Brasil
foi gradual e começou com a Lei Eusébio de
Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre
Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e
finalizada pela Lei Áurea em 1888.
O Brasil foi o último país independente
do continente americano a abolir completamente
a escravatura. O último país do mundo a abolir a
escravidão foi a Mauritânia, somente em 9 de
novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_%C3%A1urea,
extraído 12/05/2014)

SESSÃO LEITURA
A Lei Áurea
A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353),
sancionada em 13 de maio de 1888, foi a lei que
extinguiu a escravidão no Brasil. Foi precedida
pela lei n.º 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de
setembro de 1871, que libertou todas as crianças
nascidas de pais escravos, e pela lei n.º 3.270
(Lei Saraiva-Cotegipe), de 28 de setembro
de 1885, que regulava "a extinção gradual do
elemento servil".
Num domingo, a 13 de maio de 1888, dia
comemorativo do nascimento de D. João VI, foi
assinada por sua bisneta a Dona Isabel, princesa
imperial
do
Brasil,
e
pelo ministro
da
Agricultura da
época,
conselheiro Rodrigo
Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no
Brasil. O Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva
fazia parte do Gabinete de Ministros presidido
por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido
Conservador e chamado de "Gabinete de 10 de
março". Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na
sua terceira e última regência, estando o
Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao
exterior.
O projeto
de
lei que
extinguia
a
escravidão no Brasil foi apresentado à Câmara
Geral, atual Câmara do Deputados, pelo ministro
Rodrigo Augusto da Silva, no dia 8 de maio de
1888. Foi votado e aprovado nos dias 9 e 10 de
maio de 1888, na Câmara Geral.
A Lei Áurea foi apresentada formalmente
ao Senado
Imperial pelo
ministro
Rodrigo
Augusto da Silva no dia 11 de maio. Foi debatida

(Lei Imperial n° 3.353 – Lei Áurea)

“LEI Nº 3.353, DE 13 DE MAIO DE 1888.
Declara extinta a
escravidão no Brasil.
A Princesa Imperial Regente, em nome de
Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II,
faz saber a todos os súditos do Império que a
Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei
seguinte:

39
Art. 1°: É declarada extinta desde a data
desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2°: Revogam-se as disposições em
contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, a
quem o conhecimento e execução da referida Lei
pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e
guardar tão inteiramente como nela se contém.
O secretário de Estado dos Negócios da
Agricultura, Comercio e Obras Públicas e interino
dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo
Augusto da Silva, do Conselho de sua Majestade
o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13
de maio de 1888, 67º da Independência e do
Império.
Princesa Imperial Regente.

a) da extinção do sistema de parceria na
lavoura cafeeira;
b) da manutenção dos arrendamentos de
terras;
c) da extinção do tráfico indígena entre o
norte e o sul do país;
d) da manutenção do sistema de colonato
na lavoura canavieira;
e) da extinção do tráfico negreiro.

2. A vida político-partidária do Segundo
Reinado estava marcada pela disputa entre o
Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois
partidos se caracterizavam por, exceto:
a) defender a monarquia e a preservação
do "status quo";
b) representar os interesses da mesma
elite agrária;
c)
possuir
profundas
diferenças
ideológicas e de natureza social;
d) ter origem social semelhante;
e) alternarem-se no poder, com
predomínio dos conservadores.

RODRIGO AUGUSTO DA SILVA
Este texto não substitui o publicado na CLBR, de
1888”
Carta de lei, pela qual Vossa Alteza
Imperial manda executar o Decreto da
Assembleia Geral, que houve por bem sancionar,
declarando extinta a escravidão no Brasil, como
nela se declara.
Para Vossa Alteza Imperial ver.
Chancelaria-mor do Império- Antônio
Ferreira Vianna.
Transitou em 13 de Maio de 1888- José
Júlio de Albuquerque.
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LIM/LIM
3353.htm, extraído em 12/05/2014)

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
1. (FATEC) No século XIX, a Inglaterra
pressionou diversos países para acabar com o
protecionismo comercial e com a existência do
trabalho compulsório. Esta situação culminou, em
1845, com o "Bill Aberdeen". Neste contexto o
Brasil sancionou, em 1850, a "Lei Eusébio de
Queirós" tratando:

3. (UCSAL) A Tarifa "Alves Branco", de
1844, como ficou conhecido o decreto do Ministro
da Fazenda, foi uma medida de caráter:
a) reformista
b) monopolista
c) protecionista
d) mercantilista
e) cooperativista

4. (UCSAL) A introdução da mão-deobra
do imigrante na economia brasileira contribuiu
para a:
a) desestruturação do sistema de parceria
na empresa manufatureira;
b) implantação do trabalho assalariado na
agricultura alimentícia;
c) expansão do regime de co-gestão nas
indústrias alimentícias;
d) criação de uma legislação trabalhista
voltada para a proteção do trabalho;
e)
reordenação
da
estrutura
da
propriedade rural nas áreas de produção
açucareira.

5. (UBC) A Lei de Terras de 1850
garantia que no Brasil:
a) os escravos, após sua libertação,
conseguissem um lote de terras para o cultivo de
subsistência;

40
b) os brancos pobres ficassem ligados
como meeiros aos grandes proprietários de
terras;
c) todas as terras fossem consideradas
devolutas e, portanto, colocadas à disposição do
Estado;
d) a posse de terra fosse conseguida
mediante compra, excluindo as camadas
populares e os imigrantes europeus da
possibilidade de adquiri-la.
e) n.d.a.

6. (UNIFENAS) A Questão Christie referese a:
a) Aliança entre Brasil, Argentina e
Uruguai.
b) Atritos entre a Inglaterra e diversos
países da América Latina.
c) Aliança da Inglaterra com a Argentina
contra o Brasil.
d) Atritos entre a Inglaterra, Argentina e
Uruguai.
e) Atritos diplomáticos entre Inglaterra e
Brasil.

7. (UBC) Na Guerra do Paraguai (1865 1870), o Brasil teve como aliados:
a) Bolívia e Peru
b) Uruguai e Argentina
c) Chile e Uruguai
d) Bolívia e Argentina
e) Inglaterra, Bolívia e Argentina

8. (FGV) "Será o suplício da Constituição,
uma falta de consciência e de escrúpulos, um
verdadeiro roubo, a naturalização do comunismo,
a bancarrota do Estado, o suicídio da Nação."
No texto acima, o deputado brasileiro
Gaspar de Silveira Martins está criticando:
a) a proposta de Getúlio Vargas de
reduzir a remessa de lucros;
b) o projeto da Lei dos Sexagenários, do
gabinete imperial da Dantas;
c) o projeto de legalizar o casamento dos
homossexuais, de Marta Suplicy;
d) a proposta de dobrar o salário mínimo,
de Roberto de Campos;
e) o projeto de Luís Carlos Prestes de
uma "República Sindicalista".

9. (FAZU) As estradas de ferro
brasileiras, no Segundo Reinado, concentravamse, sobretudo, nas regiões de produção:

a) do fumo
b) do milho
c) do cacau
d) do café
e) do feijão

PINTOU NO ENEM
1) Negro, filho de escrava e fidalgo
português, o baiano Luiz Gama fez da lei e das
letras suas armas na luta pela liberdade. Foi
vendido ilegalmente como escravo pelo seu pai
para cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e
escrever, aos 18 anos de idade conseguiu provas
de que havia. Nascido livre. Autodidata, advogado
sem diploma, fez do direito o seu ofício e
transformou-se,
em
pouco
tempo,
em
proeminente advogado da causa abolicionista.
AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In:
Ano 1, n.o 3. Rio de Janeiro:
Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).

A conquista da liberdade pelos afrobrasileiros na segunda metade do séc. XIX foi
resultado
de
importantes
lutas
sociais
condicionadas historicamente. A biografia de Luiz
Gama exemplifica:
a) impossibilidade de ascensão social do
negro forro em uma sociedade escravocrata,
mesmo sendo alfabetizado.
b) extrema dificuldade de projeção dos
intelectuais negros nesse contexto e a utilização
do Direito como canal de luta pela liberdade.
c) rigidez de uma sociedade, assentada
na escravidão, que inviabilizava os mecanismos
de ascensão social.
d) possibilidade de ascensão social,
viabilizada pelo apoio das elites dominantes, a um
mestiço filho de pai português.
e) troca de favores entre um representante negro
e a elite agrária escravista que outorgara o direito
advocatício ao mesmo.

2) Substitui-se então uma história crítica,
profunda, por uma crônica de detalhes onde o
patriotismo e a bravura dos nossos soldados
encobrem a vilania dos motivos que levaram a
Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a
destruição da mais gloriosa república que já se
viu na América Latina, a do Paraguai.

41
CHIAVENATTO, J. J. Genocídio americano: A
Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979
(adaptado).

c) Antes que a compra de escravos no
exterior fosse proibida, decidiu-se pela libertação
dos cativos mais velhos.

O imperialismo inglês, "destruindo o
Paraguai, mantém o status quo na América
Meridional, impedindo a ascensão do seu único
Estado economicamente livre". Essa teoria
conspiratória vai contra a realidade dos fatos E
não tem provas documentais. Contudo essa
teoria tem alguma repercussão.

d) Assinada pela princesa Isabel, a Lei
Áurea concluiu o processo abolicionista, tornando
ilegal a escravidão no Brasil.

(DORATIOTO).

F.

e) Ao abolir o tráfico negreiro, a Lei
Eusébio de Queirós bloqueou a formulação de
novas leis anti-escravidão no Brasil.

Maldita guerra: nova
. São Paulo: Cia. das

Letras, 2002 (adaptado).

Uma leitura dessas narrativas divergentes
demonstra que ambas estão refletindo sobre:
a) a carência de fontes para a pesquisa
sobre os reais motivos dessa Guerra.
b) o caráter positivista das diferentes
versões sobre essa Guerra.
c) o resultado das intervenções britânicas
nos cenários de batalha.
d) a dificuldade de elaborar explicações
convincentes sobre os motivos dessa Guerra.
e) o nível de crueldade das ações do exército
brasileiro e argentino durante o conflito.

4) (Adaptada) Um dia, os imigrantes
aglomerados na amurada da proa chegavam à
fedentina quente de um porto, num silêncio de
mato e de febre amarela. Santos. — É aqui!
Buenos Aires é aqui! — Tinham trocado o rótulo
das bagagens, desciam em fila. Faziam suas
necessidades nos trens dos animais onde iam.
Jogavam-nos num pavilhão comum em São
Paulo. — Buenos Aires é aqui! — Amontoados
com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois,
que pretos guiavam através do mato por estradas
esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas
donde acabava de sair o braço escravo.
Formavam militarmente nas madrugadas do
terreiro homens e mulheres, ante feitores de
espingarda ao ombro.
Oswald de Andrade. Marco Zero II –
Chão. Rio de Janeiro: Globo, 1991.

3) (Adaptada) Considere a seguinte linha
do tempo a respeito das leis aprovadas em torno
da questão escravista:

Levando-se em consideração o texto de
Oswald de Andrade relativos à imigração
europeia para o Brasil, é correto afirmar que:

* Lei Eusébio de Queirós (1850) (fim do
tráfico negreiro)

a) visão da imigração presente no texto
retrata como os imigrantes tinham pleno
conhecimento das terras as quais ocupariam no
Brasil.

* Lei do Ventre Livre (1771) (liberdade
para os filhos de escravos nascidos a partir dessa
data)
* Lei dos Sexagenários (1885) (liberdade
para os escravos maiores de 60 anos)
* Lei
escravatura)

Áurea

(1888)

(abolição

da

Considerando a linha do tempo acima e o
processo de abolição da escravatura no Brasil,
assinale a opção correta:
a) O processo abolicionista foi rápido
porque recebeu a adesão de todas as correntes
políticas do país.
b) O primeiro passo para a abolição da
escravatura foi à proibição do uso dos serviços
das crianças nascidas em cativeiro.

b) o texto exemplifica o fenômeno da
imigração de argentinos para o Brasil.
c) Oswald de Andrade faz um retrato
sobre as dificuldades encontradas pelos
imigrantes ao chegarem no Brasil.
d) Oswald de Andrade retrata de maneira
otimista o pioneirismo dos imigrantes na vinda
para o Brasil.
e) Oswald de Andrade mostra que a
condição de vida do imigrante era melhor que a
dos ex escravos.
5) O abolicionista Joaquim Nabuco fez um
resumo dos fatores que levaram à abolição da
escravatura com as seguintes palavras: “Cinco
ações ou concursos diferentes cooperaram para o

42
resultado final: 1.º) o espírito daqueles que
criavam a opinião pela ideia, pela palavra, pelo
sentimento, e que a faziam valer por meio do
Parlamento, dos meetings [reuniões públicas], da
imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos
tribunais; 2.º) a ação coercitiva dos que se
propunham a destruir materialmente o formidável
aparelho da escravidão, arrebatando os escravos
ao poder dos senhores; 3.º) a ação complementar
dos próprios proprietários, que, à medida que o
movimento se precipitava, iam libertando em
massa as suas ‘fábricas’; 4.º) a ação política dos
estadistas, representando as concessões do
governo; 5.º) a ação da família imperial.”
Joaquim Nabuco. Minha formação. São
Paulo: Martin Claret, 2005, p. 144 (com adaptações).

Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que
a abolição da escravatura foi o resultado de uma
luta:
a) de ideias, associada a ações contra a
organização escravista, com o auxílio de
proprietários que libertavam seus escravos, de
estadistas e da ação da família imperial.
b) de classes, associada a ações contra a
organização escravista, que foi seguida pela
ajuda de proprietários que substituíam os
escravos por assalariados, o que provocou a
adesão de estadistas e, posteriormente, ações
republicanas.
c) partidária, associada a ações contra a
organização escravista, com o auxílio de
proprietários que mudavam seu foco de
investimento e da ação da família imperial.
d) política, associada a ações contra a
organização
escravista,
sabotada
por
proprietários que buscavam manter o escravismo,
por estadistas e pela ação republicana contra a
realeza.
e) religiosa, associada a ações contra a
organização escravista, que fora apoiada por
proprietários que haviam substituído os seus
escravos por imigrantes, o que resultou na
adesão de estadistas republicanos na luta contra
a realeza.

6) Ninguém desconhece a necessidade
que todos os fazendeiros têm de aumentar o
número de seus trabalhadores. E como até há
pouco supriam-se os fazendeiros dos braços
necessários? As fazendas eram alimentadas pela
aquisição de escravos, sem o menor auxilio

pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se
supriam de braços à sua custa, e se é possível
obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por
que motivo não hão de procurar alcançá-los pela
mesma maneira, isto é, à sua custa?
Resposta de Manuel Felizardo de Souza e
Mello, diretor geral das terras Públicas, ao Senador
Vergueiro. In: ALENCASTRO, l.f. (Org.) História da vida
privada no Brasil São Paulo: Cia das letras, 1998
(adaptado)

O fragmento do discurso dirigido ao
parlamentar do Império refere-se às mudanças
então em curso no campo brasileiro, que
confrontam o Estado e a elite agrária em torno do
objetivo de:
a) fomentar ações públicas para ocupação das
terras do interior.
b) adotar o regime assalariado para proteção da
mão de obra estrangeira.
c) definir uma política de subsídio governamental
para fomento da imigração.
d) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos
para sobrevivência das fazendas.
e) financiar a fixação de famílias camponesas
para estímulo da agricultura de subsistência.

7) Observe as duas imagens:

43
As imagens, que retratam D. Pedro I e D.
Pedro II, procuram transmitir determinadas
representações políticas acerca dos dois
monarcas e de seus contextos de atuação. A
ideia
que
cada
imagem
invoca
é,
respectivamente:
a) Habilidade militar – riqueza pessoal
b) Liderança popular – estabilidade política
c) Instabilidade econômica – herança europeia
d) Isolamento político – centralização do poder
e) Nacionalismo
administrativa

exacerbado

inovação

sobre o transporte urbano. O vintém era a moeda
de menor valor da época. A polícia não permitiu
que a multidão se aproximasse do palácio. Ao
grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes
espancaram condutores, esfaquearam mulas,
viraram bondes e arrancaram trilhos. Um oficial
ordenou fogo contra a multidão. As estatísticas de
mortos e feridos são imprecisas. Muitos
interesses se fundiram nessa revolta, de grandes
e de políticos, de gente miúda e de simples
cidadãos. Desmoralizado, o ministério caiu. Uma
grande explosão social, detonada por um pobre
vintém.
Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso
em 4 abr. 2014 (adaptado)

A leitura do trecho indica que a coibição violenta
das manifestações representou uma tentativa de

8) A escravidão não há de ser suprimida no
Brasil por uma guerra servil, muito menos por
insurreições ou atentados locais. Não deve sê-lo,
tampouco, por uma guerra civil, como o foi nos
estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez,
depois de uma revolução o, como aconteceu na
França, sendo essa revolução obra exclusiva da
população livre. É no Parlamento e não em
fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas
e praças das cidades, que se há de ganhar, ou
perder, a causa da liberdade.

a)
b)
c)
d)
e)

Capturar os ativistas radicais.
Proteger o patrimônio privado.
Salvaguardar o espaço público.
Conservar o exercício do poder.
Sustentar o regime democrático.

10) [ENEM-2014] -

NABUCO, J.O abolicionismo (1883) Rio de
Janeiro: Nova Fronteira: São Paulo: Publifolha, 2000
(adaptado)

No texto, Joaquim Nabuco defende um
projeto político sobre como deveria ocorrer o fim
da escravidão no Brasil, no qual:
a) copiava o modelo haitiano de emancipação
negra.
b) Incentivava a conquista de alforrias por meio
de ações judiciais.
c) optava pela via legalista de libertação.
d) Priorizava a negociação
indenizações aos senhores.

em

torno

das

e) Antecipava a libertação paternalista dos
cativos.

9) [ENEM-2014] - Em 1879, cerca de cinco mil
pessoas reuniram-se para solicitar a D. Pedro II a
revogação de uma taxa de 20 réis, um vintém,

Na charge, identifica-se uma contradição no
retorno de parte dos “Voluntários da Pátria” que
lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870),
evidenciada na

44
a) Negação da cidadania aos familiares
cativos.
b) Concessão de alforrias aos militares
escravos.
c) Perseguição
dos
escravistas
aos
soldados negros.
d) Punição dos feitores aos recrutados
compulsoriamente.
e) Suspensão
das
indenizações
aos
proprietários prejudicados.

A primeira Carta Constituinte brasileira data de
1824, ou seja é elaborada no períoodo entendido
como Primeiro Reinado (1822-1831)

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
1 – E 2- C 3 – C
4–B
E
7 –B
8–B 9–D

5–D

6–

Pintou no Enem:
11) [ENEM-2014] - Respeitar a diversidade de
circunstâncias entre as pequenas sociedades
locais que constituem uma mesma nacionalidade,
tal deve ser a regra suprema das leis internas de
cada Estado. As leis municipais seriam as cartas
de cada povoação doadas pela assembleia
provincial,
alargadas
conforme
o
seu
desenvolvimento,
alteradas
segundo
os
conselhos da experiência. Então, administrar-seia de perto, governar-se-ia de longe, alvo a que
jamais se atingirá de outra sorte.
BASTOS, T. A província (1870). São Paulo: Cia.
Editora Nacional, 1937 (adaptado).

O discurso do autor, no período do Segundo
Reinado no Brasil. Tinha como meta a
implantação do
a)
b)
c)
d)

Regime monárquico representativo
Sistema educacional democrático
Modelo territorial federalista
Padrão político autoritário
e) Poder oligárquico regional

EXERCÍCIO COMENTADO
(FESP) Assinale a alternativa que não contém
uma característica referente ao período do
Segundo Reinado (1845 - 1889):
a) fim do tráfico negreiro;
b) elaboração da primeira Constituição
brasileira;
c) domínio do café no quadro das
exportações brasileiras;
d) início da propaganda republicana;
e) participação do Brasil na Guerra do
Paraguai.

1 – B 2- D 3- D 4- C 5- A 6- C 7- C 8- C 9- D
10- A 11- C

45

CAPÍTULO 05
FIM DO IMPÉRIO E A CONSTRUÇÃO
DO ESTADO REPUBLICANO
BRASILEIRO

alguns grupos locais defenderem, inclusive, a
ideia de um movimento separatista, fazendo de
São Paulo um país independente do resto do
Brasil.

Introdução:
Pouco mais de um ano depois da abolição
da escravatura (13 de maio de 1888), no dia 15
de novembro de 1889, o governo imperial
também se extinguia, sendo substituído por um
regime republicano.
Apesar
das
transformações
sociais
ocorridas, sobretudo, na segunda metade do
século XIX (como a expansão da lavoura
cafeeira, o fim do tráfico negreiro, a imigração, o
crescimento das cidades, a expansão dos
transportes, etc.), no plano político, o governo
continuava sob o controle das tradicionais
famílias de proprietários escravistas, que
impediam as mudanças políticas necessárias
para atender as novas necessidades criadas com
as grandes transformações econômicas e sociais
no Brasil daquele período.
Cafeicultores das áreas mais novas do
Oeste Paulista, e outros setores sociais como os
industriais e as classes médias urbanas, também
desejavam participar mais efetivamente das
decisões políticas do país, de maneira que
apenas para uma pequena parcela da sociedade,
que detinha grandes privilégios, é que a
monarquia interessava. Esse pequeno grupo era
formado por proprietários que controlavam os
altos cargos políticos (ministérios, Senado e
Câmara), e conseguiam impedir as mudanças
que contrariavam seus interesses mais imediatos.
Como consequência desse panorama
houve o aumento na oposição ao governo
imperial, e uma pressão cada vez maior pela
substituição da monarquia por um regime
republicano. Aos poucos a estrutura política
imperial enfraquece dando início a uma
organização de partidos republicanos.
Outro fator de suma importância nesse
período de transição é a defesa do federalismo
por parte dos republicanos. Isto é, uma forma de
governo republicano em que as províncias
tivessem bastante autonomia para elaborar suas
leis e tomar as medidas correspondentes aos
interesses locais. O ideal federalista ganhava
adeptos especialmente em São Paulo, que era
uma das regiões economicamente mais
importantes do país, chegando ao ponto de

- O Papel Militar nesse momento de transição:
Os militares também se opuseram ao
governo imperial. O Exército havia crescido com a
guerra do Paraguai e voltara valorizado dos
campos de batalha. Contudo, quando a guerra
terminou, o governo reduziu o número de seus
efetivos de 19 mil (1871) para cerca de 13.500
soldados (1886). O interesse do governo era
reforçar a velha Guarda Nacional, que fielmente
defendia a aristocracia escravista.
Os militares desejavam, por sua vez, um
tratamento mais digno e começaram a se opor ao
governo imperial. Benjamin Constant, professor
na escola militar, influenciava os jovens oficiais
com a ideia de que o Exército tinha uma
importante missão a cumprir: se opor aos
políticos, considerados corruptos e impatrióticos.
Os seguidores das ideias de Benjamin passaram
a acreditar que os militares tinham a missão
honrosa de “salvar a pátria”, levando-a pelos
caminhos do progresso e da ordem.

- Aumento das tensões e elaboração do
Manifesto:
Numa tentativa extrema para salvar a
Monarquia, o último ministro do Império, Visconde
de Ouro Preto, apresentou um projeto de
reformas que atendiam, em parte, às propostas
dos republicanos. Contudo, a Câmara, dominada
pela aristocracia mais tradicional, considerou que
o projeto era um absurdo e que o ministério não
era digno de confiança.
Com isso houve um aumento da tensão já
existente: a Guarda Nacional foi reforçada e
reorganizada; ampliou-se o número de policiais, e

46
por fim, foi criada a chamada Guarda Negra,
composta por ex-escravos negros que defendiam
a monarquia, porque consideravam a princesa
Isabel como heroína de sua causa.
Do
outro
lado,
os
republicanos
orquestravam o golpe final contra a monarquia,
apoiados pelo Marechal Deodoro da Fonseca
que, por nutrir uma amizade e respeito pelo
imperador, inicialmente estava indeciso quanto ao
seu apoio à república. A decisão final de aderir ao
apelo dos republicanos veio quando soube que D.
Pedro II pretendia formar um novo ministério,
chefiado por seu maior inimigo, o Visconde de
Ouro Preto.
Com isso as tensões resultam em ações
práticas: o fortalecimento e o prevalecimento da
força republicana resultou na elaboração de um
manifesto, instaurando um governo republicano
provisório, e o imperador foi “convidado” a deixar
o país, juntamente com sua família.
Saíram de madrugada, embarcando num
navio que zarpou para Lisboa na noite de 17 de
novembro.
Havia se instaurado a República no Brasil.

de lei (atos legislativos do Poder Executivo) até
que fosse promulgada a nova Constituição, pois
a de 1824 (ligada à monarquia) estava invalidada.
- Principais medidas de Deodoro durante o
governo provisório:
 Escolheu a república Federativa como
regime político;
 Transformou as Províncias em Estados;
 Dissolveu as Assembleias Provinciais e
Câmaras Municipais e nomeou Governadores
para os Estados e Intendentes para os
Municípios;
 Ofereceu
cidadania
brasileira
aos
estrangeiros aqui residentes;
 Declarou a separação entre Igreja e
Estado, instituiu o casamento civil, e a
secularização dos cemitérios;
 Reformou o código penal, extinguindo a
pena de morte em tempos de paz;
 Convocou a Assembleia Constituinte;
Essas medidas, adotadas no final de
1889 e durante o ano de 1890, foram
acompanhadas de várias crises políticas,
em decorrência, principalmente, das
disputas de interesses entre as forças
representadas no governo.
# Para Refletir:
Embora pensada por diferentes grupos,
a proclamação da república aconteceu de
maneira semelhante ao processo de
Independência
do
Brasil
em
1822,
praticamente sem participação das camadas
populares.

# Você Sabia?

O GOVERNO PROVISÓRIO (1889-1891)
Com o fim da monarquia, militares e
representantes da aristocracia cafeeira entraram
em confronto de interesses:
 Militares: Desejavam a formação de um
governo com um poder Executivo forte, que
comandasse os demais poderes.
 Cafeicultores: Defendiam uma República
Federativa que preservasse a autonomia dos
estados.

Marechal
Deodoro
assumiu
provisoriamente o poder com o objetivo de
organizar o novo regime. Durante esse governo
provisório Deodoro governou através de decretos

Inspirada no modelo Norte Americano,
essa foi a bandeira provisória quando da
Proclamação da República no Brasil. O
modelo imediatamente foi rejeitado pelo
então governante em exercício, o Marechal
Deodoro da Fonseca.

47
Primeiro Ministério da República:
• Interior: Aristides da Silveira Lobo;

Relações
Bocaiuva;

Exteriores:

Quintino

• Fazenda: Rui Barbosa;
• Guerra:
Constant;

tenente-coronel

Benjamin

Ainda, segundo a Constituição, o nosso
país dividia-se agora em vinte estados (antigas
províncias) e um Distrito Federal (ex-município
neutro). Cada estado era governado por um
“presidente”. Declarava também que o Brasil era
uma República Representativa, Federalista e
Presidencialista.

• Marinha: Eduardo Wandenkolk;
• Agricultura, Comércio e Obras
Públicas: Demétrio Nunes Ribeiro;

# Para Fixar:

• Justiça: Manuel Ferraz de Campos
Sales.

Federalismo: Os estados seriam praticamente
autônomos, cabia-lhes elaborar suas próprias
leis, desde que não entrassem em conflito com
as estabelecidas pela Constituição Federal.
Podiam contrair empréstimos, manter Forças
Públicas Estaduais, cobrar e criar impostos.

A CONSTITUIÇÃO DE 1891:
Uma vez convocada a Assembleia
Constituinte por M. Deodoro, deu-se início à
elaboração de uma nova Constituição Nacional,
promulgada em 24 de fevereiro de 1891.
Um aspecto importante dessa Assembleia
é que a maioria dos deputados eleitos era de civis
partidários da República Federativa, o que
acabou fazendo dessa reunião um cenário de
oposição ao governo militar.
A nova Constituição inspirou-se no
modelo norte-americano, ao contrário da
Constituição Imperial, inspirada no modelo
francês. Dentre os pontos mais importantes da
nova Constituição estavam previstos:

A igualdade de todos perante a lei e o
reconhecimento dos direitos do cidadão
(liberdade, propriedade, segurança);

Eleições diretas com voto não secreto para
maiores de 21 anos (exceto analfabetos,
mendigos, militares sem patente, religiosos e
mulheres);

Separação entre Estado e Igreja, sendo
garantida a liberdade de culto.

O estabelecimento de três poderes
independentes: Executivo (presidente, vicepresidente e ministros), Legislativo (Senado
e Câmara Federal, que formam o Congresso
Nacional), e Judiciário (juízes e Tribunais
Federais). (Diferente dos 4 poderes do
período monárquico).

O fim do Senado Vitalício, a criação de
cartórios civis e a secularização dos
cemitérios.

Os três poderes da República:
Legislativo, com duas casas temporárias
Câmara dos Deputados e Senado Federal que,
reunidos, formavam o Congresso Nacional.
Executivo, exercido pelo Presidente da
República, eleito por voto direto, por quatro
anos, com um vice-presidente, que assumiria a
presidência
no
afastamento
do
titular,
efetivando-se, sem nova eleição, no caso de
afastamento definitivo depois de dois anos de
exercício.
Judiciário, com o Supremo Tribunal Federal,
como órgão máximo.

Bandeira do Brasil adotada a partir de 19 de novembro
de 1889

48

O ENCILHAMENTO:
Ainda durante o governo provisório, numa
tentativa de promover o desenvolvimento
industrial e a formação de um mercado interno
forte, Rui Barbosa (o então Ministro da Fazenda),
elaborou uma política financeira de emissão de
papel-moeda, facilidades e crédito e aumento das
tarifas alfandegárias.
O Ministro permitiu que certos bancos
emitissem títulos de crédito não cobertos por
depósitos em dinheiro. Com essa medida, os
bancos passaram a conceder créditos a qualquer
empresário que apresentasse um plano para abrir
um estabelecimento comercial, industrial ou
agrícola (As quatro regiões autorizadas eram:
Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande
do Sul).
Para financiar o grande volume de
créditos, o governo viu-se obrigado a fazer
vultosas emissões de moeda, o que provocou
acelerada inflação. No entanto, os créditos
concedidos nem sempre eram usados para
montar empresas realmente produtivas.
Inúmeros estabelecimentos comerciais e
industriais, sem base econômica, fracassaram em
pouco tempo. Porém, as ações dessas empresas,
que tinham sido apenas projetadas ou destinadas
ao fracasso, eram vendidas e revendidas na
Bolsa de Valores, com enormes lucros, numa
especulação financeira sem precedentes. É por
associação com esse jogo de ações na Bolsa que
o conjunto de fenômenos econômicos do período
de inflação, especulação financeira, e
desvalorização da moeda foi designado pelo
termo encilhamento. Este era o nome do local do
hipódromo onde se faziam as apostas, nas
corridas de cavalos.
A emissão de papel moeda aumentou o
dinheiro circulante, e reativou os negócios, mas
como a produção interna não cresceu nas
mesmas proporções, e a inflação também
aumentou. O Ministro avaliou mal a situação
sócio econômica brasileira no início da República.
Esqueceu-se que se tratava de um país recém
saído do escravismo; que nosso mercado interno
era insuficiente para acompanhar um verdadeiro
processo de industrialização. Além disso,
subestimou a força dos países industrializados,
que pressionariam para não perderem seus
mercados consumidores e as remessas de
divisas para o exterior.

A REPÚBLICA DA ESPADA (18891894):

- Deodoro da Fonseca: (1891)
Promulgada
a
nova
Constituição,
Deodoro foi eleito pelo Congresso Nacional numa
votação marcada por ameaças de intervenção
militar. No entanto, neste episódio percebe-se
que o próprio exército não era uma força coesa,
pois o Marechal Floriano concorreu a Vicepresidente apoiando o candidato das oligarquias,
Prudente de Moraes. Apesar da derrota de
Prudente, o marechal Floriano foi eleito vicepresidente. (Pela Constituição de 1891 a
eleição para presidente e vice era separada e
podiam ser eleitos candidatos de chapas
diferentes).
Durante o governo de Deodoro a crise
política agravou-se e foi marcada de um lado,
pelo autoritarismo e pelo centralismo de Deodoro,
e de outro, pela oposição exercida pelos grandes
fazendeiros através do Congresso Nacional,
apoiados por parte do exército.
A situação política do presidente era
muito difícil. Frente à luta entre os industrialistas e
os representantes da lavoura, Deodoro optou
pelos últimos, e as forças políticas mais
progressistas, inclusive militares, passaram a
fazer oposição.
Diante de uma situação de insatisfação e
instabilidade política, sendo permanentemente
hostilizado pelo Congresso, Deodoro resolveu
dissolvê-lo e proclamou um estado de sítio. Essa
atitude caracterizava um golpe de estado:
buscava neutralizar qualquer reação e tentava
reformar a Constituição, no sentido de conferir
mais poderes ao Executivo.
Porém,
o
golpe
fracassou.
As
oposições, tanto civis quanto militares cresceram,
e culminaram com a rebelião do contra-almirante
Custódio de Melo, que ameaçou bombardear o
Rio de Janeiro com os navios sob seu comando.
Deodoro renunciou, assumindo em seu
lugar Floriano Peixoto.

- Floriano Peixoto: (1891-94)
A ascensão de Floriano foi considerada
como um retorno à legalidade. As Forças
Armadas, e o Partido Republicano Paulista
apoiaram o novo governo.
Seus primeiros atos de governo foram:

49

A anulação do decreto que dissolveu o
Congresso;

A derrubada dos governos estaduais que
haviam apoiado Deodoro;

O controle da especulação financeira e da
especulação com gêneros alimentícios,
através de seu tabelamento.

Com Floriano os republicanos radicais,
assumiram o poder e tentaram, mesmo sem
muitas condições, reformular as estruturas sociais
e econômicas do país (a classe média e a
burguesia que ocupava o poder com o “Marechal
de Ferro”).
A adoção de uma política de empréstimos,
protecionismos, e melhorias sociais, só teria êxito
com a derrota dos grupos opositores a esta
política, formados por representantes do comércio
importador e das Oligarquias Rurais.
Apesar das pressões, os florianistas
conseguiram seu objetivo. Conscientes de que a
indústria brasileira era muito inferior à estrangeira,
e só poderia sobreviver e desenvolver-se se
recebesse
proteção,
o
grupo
concedeu
empréstimos, e isentou a importação de
máquinas, equipamentos e matérias primas.
Ainda no governo de Floriano, foram
adotadas medidas radicais contra a especulação
e emissão de papel moeda por bancos
particulares. A emissão passava a ser como hoje:
um privilégio do Governo Federal.
Outras medidas foram tomadas para um
maior alcance das camadas populares:



Redução do aluguel das casas dos
operários;
Redução do preço da carne e pescado;
Melhoria no abastecimento de gêneros
alimentícios (RJ);
Leis para construção de casas para
populares e operários.

# O problema da eleição de Floriano e
seus desdobramentos:
Havia um conflito no que diz respeito ao
tempo de mandato de Floriano. De acordo com o
artigo 42 da Constituição:

causa,

Art. 42 – “Se, no caso de vaga, por qualquer
da presidência ou vice-presidência, não

houverem ainda decorrido dois anos do período
presidencial, proceder-se-á a nova eleição.”

Como a renúncia do governo anterior de M.
Deodoro havia ocorrido ainda no primeiro ano de
seu mandato legal, eram necessárias novas
eleições.
Todavia, Floriano não convocou nova
eleição e permaneceu no firme propósito de
concluir o mandato do presidente renunciante.
Sua alegação era de que a lei só se aplicava aos
presidentes eleitos diretamente pelo povo. Ora,
como a eleição do primeiro presidente fora
indireta, feita pelo Congresso, Floriano simplesmente ignorou a lei.
Isso gerou algumas
rebeliões do período:

das

principais

O manifesto dos treze generais.

Contra as pretensões de Floriano, treze
oficiais (generais e almirantes) lançaram um
manifesto em abril de 1892, exigindo a imediata
realização das eleições presidenciais, como
mandava a Constituição. A reação de Floriano foi
simples: afastou os oficiais da ativa, reformandoos.

 A Revolta da Armada.
Essa inabalável firmeza de Floriano
frustrou os sonhos do contra-almirante Custódio
de Melo, que ambicionava a presidência. Levadas
por razões de lealdade pessoal, as Forças
Armadas se dividiram. Custódio de Melo liderou a
revolta da Armada estacionada na baía de
Guanabara
(1893).
Essa
rebelião
foi
imediatamente apoiada pelo contra-almirante
Saldanha da Gama, diretor da Escola Naval,
conhecido por sua posição monarquista.

 A Revolução Federalista.
No Rio Grande do Sul, desde 1892, uma
grave dissensão política conduzira o Partido
Republicano Gaúcho e o Federalista ao confronto
armado. Os partidários do primeiro, conhecidos
como "pica-paus" eram apoiados por Floriano, e
os do segundo, chamados de "maragatos",
aderiram à rebelião de Custódio de Melo.

50

# A Sucessão de Floriano:
Havia um grande medo da elite agrária de
que os militares quisessem se perpetuar no
poder, mas próximo ao período de convocar as
eleições, o Marechal de Ferro garantiu a
realização do processo eleitoral. O Presidente
eleito praticamente sem oposição foi Prudente de
Moraes que representava o poder das oligarquias
rurais e a consolidação do regime republicano.

SESSÃO LEITURA
Os republicanos e o positivismo:
O republicanismo brasileiro,
especialmente aquele ligado ao grupo
dos militares, sofreu forte influência do
Positivismo – forma de pensamento
desenvolvida no século XIX, que
entendia a sociedade como um
organismo formado por diversas
partes, e cada parte teria a função de
agir pelo bom funcionamento do todo.
Os positivistas no Brasil pensavam a
formação de um Estado nacional
centralizado e desvinculado da Igreja
(Laico), além da conciliação entre as
classes, pois conflitos sociais traziam
desordem, e isso atrapalharia o
funcionamento do todo. Sua maior
influência está registrada no lema de
nossa bandeira, com os dizeres:
“Ordem e Progresso”.

A REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS
(República Velha) (1894-1930):

Estrutura Política da República
Velha:
Vimos anteriormente que a República
tornou-se possível, em grande parte, graças à
aliança entre militares e fazendeiros de café.
Esses dois grupos tinham, entretanto, dois
projetos distintos em relação à forma de
organização do novo regime: os primeiros eram
centralistas e os segundos, federalistas.
Os militares não eram suficientemente
poderosos para impor o seu projeto nem
contavam com aliados que pudessem lhes dar o

poder de que precisavam.
contrário, contavam com
aliados
potenciais
economicamente, o setor
sociedade.

Os cafeicultores, ao
um amplo arco de
e
compunham,
mais poderoso da

A partir de Prudente de Morais, que, em
1894, sucedeu o M. Floriano Peixoto, o poder
passou das mãos dos Militares para o poder Civil,
e consequentemente, para as mãos desses
grandes fazendeiros.
Entretanto,
com
a
ampliação
da
participação popular nas eleições (conforme
reforma eleitoral de 1891), era necessário
conceber uma nova forma de dominação ou
controle dos eleitores, para garantir a vitória da
elite agrícola no pleito.
Foi no governo de Campos Sales (18981902) que essa fórmula política duradoura de
dominação foi finalmente elaborada: a "política
dos governadores”.

A Política dos Governadores:
Criada por Campos Sales (1898-1902), a
Política dos Governadores consistia no seguinte:
o Presidente da República apoiava, com todos os
meios ao seu alcance, os Governadores
estaduais e seus aliados (Oligarquia estadual
dominante) e, em troca, os Governadores
garantiriam a eleição, para o Congresso, dos
candidatos oficiais do Presidente.
Desse modo, o poder Legislativo era
constituído por deputados e senadores aliados do
Presidente, aprovando as leis de seu interesse.
Isso afastava o choque de interesses entre o
Legislativo (deputados e senadores) e o
Executivo (Presidente).
Em cada estado existia, portanto, uma
minoria (oligarquia) dominante, que, aliando-se ao
Governo Federal, se perpetuava no poder.
Existia também uma oligarquia que
dominava o poder federal, representada pelos
políticos paulistas e mineiros. Essa aliança entre
São Paulo e Minas, que eram os estados mais
poderosos, ficou conhecida como a "política do
café com leite".

É importante lembrar que não só a
população branca podia participar das eleições. A
abolição tinha transformado todos os escravos
negros em homens livres e, portanto, em
possíveis trabalhadores, sendo necessário o
reestabelecimento de novas relações entre
proprietários de terras e seus empregados.

51
Os partidos políticos tiveram pouca
expressão durante toda a República Velha, sem
grandes posições ideológicas que defendessem
determinados projetos de desenvolvimento do
país. A Constituição de 1891 tinha dado grande
poder as elites locais (Os Coronéis) que se
aproveitaram para engrandecer as elites agrícolas
e os estados mais ricos da federação.

A República Velha tem como característica a
política feita de cima para baixo, com pouca
participação popular, em que os membros da
elite eram os responsáveis “por decidir”
quem seria eleito, obrigando a população a
votar nesses candidatos.

Coronelismo, Voto de Cabresto e
Comissão Verificadora:
As peças para o funcionamento dessa
máquina eleitoral conhecida por "política dos
governadores" foram, basicamente, a Comissão
de Verificação ou Comissão Verificadora e o
Coronelismo.
As eleições na República Velha não
eram, como hoje, garantidas por uma justiça
eleitoral. A aceitação dos resultados de um pleito
era feita pelo poder Legislativo, através da
Comissão de Verificação. Essa comissão,
formada por deputados, é que oficializava os
resultados das eleições.
O presidente da República podia,
portanto, através do controle que tinha sobre a
Comissão de Verificação, legalizar qualquer
resultado que conviesse aos seus interesses,
mesmo no caso de fraudes, que, aliás, eram
comuns.
O coronelismo: O título de "coronel",
recebido ou comprado, era uma patente da
Guarda Nacional, criada ainda no Império.
Geralmente, o termo era utilizado para designar
os fazendeiros ou comerciantes mais ricos.
Durante o Segundo Reinado, os localismos
haviam
sido
sufocados
pela
política
centralizadora do imperador, mas renasceram às
vésperas da República.
Com a Proclamação da República e a
adoção do federalismo, os coronéis passaram a
ser as figuras dominantes do cenário político dos
municípios.

Imagem Disponível em: http://www.historiadigital.org/historiado-brasil/brasil-republica/republica-velha/questao-coronelismoe-cidadania/

Em torno dos coronéis giravam os
membros das oligarquias locais e regionais. O
seu poder residia no controle que exerciam sobre
os eleitores. Todos eles tinham o seu "curral"
eleitoral, isto é, eleitores cativos que votavam
sempre nos candidatos por eles indicados, em
geral através de troca de favores fundados na
relação de compadrio. Assim, os votos
despejados nos candidatos dos coronéis ficaram
conhecidos como "votos de cabresto”. Porém,
quando a vontade dos coronéis não era atendida,
eles a impunham com seus bandos armados - os
jagunços -, que garantiam a eleição de seus
candidatos pela violência.
A importância do coronel media-se,
portanto, por sua capacidade de controlar o maior
número de votos, dando-lhe prestígio fora de seu
domínio local. Dessa forma, ele conseguia obter
favores dos governantes estaduais ou federais, o
que, por sua vez, lhe dava condições para
preservar o seu domínio.

Economia da República Velha:
 O “Funding Loan” (Financiamento de
Empréstimo):
Para recuperar a economia brasileira
em crise desde a década de 1890, o governo
de Campos Sales negociou com os
banqueiros internacionais um acordo onde o
Brasil declarava moratória negociada: uma
impossibilidade de pegar suas dívidas pelo
prazo de 15 anos. Com isso, novos
empréstimos eram concedidos, buscando-se
com isso a estabilidade financeira. Dentre

52
outras coisas estes empréstimos permitiram as
Reformas Urbanas no Rio de Janeiro, e a
Política de valorização do café dos anos
seguintes.
A fim de garantir o cumprimento dessa
parte do trato, os banqueiros ingleses
periodicamente enviavam fiscais ao Brasil,
para acompanhar o andamento das reformas
econômicas, como o controle sobre a emissão
de papel-moeda e o superávit da balança
comercial.
Após o primeiro Funding Loan, muitos
bancos nacionais faliram e a posição dos
estrangeiros ficou mais forte. O maior banco
inglês, o London and Brazilian Bank, tinha
muito mais recursos do que o Banco do Brasil.

#Curiosidade: Por conta desse acordo o
Brasil renegociou sua dívida externa por mais
63 anos!

 O Café:
A cultura do café se firmou ao longo
da República Velha como nosso principal
produto de exportação, correspondendo até a
70% de nossa balança comercial. Este
crescimento esteve ligado principalmente à
expansão da cafeicultura pelo Oeste Paulista
chegando até mesmo ao Paraná.
Foram os lucros obtidos com a
exportação do café que permitiram o
desenvolvimento de atividades industriais no
Brasil, principalmente em: São Paulo, Rio de
Janeiro e na Zona da Mata Mineira, além de
garantir a vinda de milhões de imigrantes.

 O Convênio de Taubaté (1906):
Contudo, desde 1895, a economia
cafeeira não andava bem. Enquanto a produção
do café crescia em ritmo acelerado, o mercado
consumidor europeu e norte-americano não se
expandia no mesmo ritmo. Consequentemente, a
oferta era maior que a procura, e o preço do café
começou
a
despencar
no
mercado
internacional, trazendo sérios riscos para os
fazendeiros.
Para
solucionar
o
problema,
os
governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio

de Janeiro reuniam-se na cidade de Taubaté, no
interior de São Paulo. Decidiu-se então que, a fim
de evitar a queda de preços, os governos
estaduais
interessados
deveriam
contrair
empréstimos no exterior para adquirir parte da
produção que excedesse o consumo do
mercado internacional.
Dessa maneira, a oferta ficaria regulada e
o preço poderia se manter. Teoricamente, o café
estocado deveria ser liberado quando a produção,
num dado ano, fosse insuficiente. Ao lado disso,
decidiu-se desencorajar o plantio de novos
cafezais mediante a cobrança de altos impostos e
a desvalorização cambial para garantir lucros em
um cenário de queda dos preços. Estabelecia-se,
assim, a primeira política de valorização do
café.
O governo federal foi contra o acordo,
mas a solução do Convênio de Taubaté acabou
se impondo. De 1906 a 1910, quando terminou o
acordo, perto de 8.500.000 sacas de café haviam
sido retiradas de circulação.
O acordo não foi propriamente uma
solução, mas um simples paliativo. E o futuro da
economia cafeeira continuou incerto.

 O Surto da Borracha:
A partir da década de 1890 vai se
configurar na Amazônia o “Surto da Borracha”. A
exploração já era realizada desde 1770, mas com
o desenvolvimento da indústria automotiva, a
borracha se tornou um dos principais produtos de
exportação, chegando em 1912 a representar
40% da exportação do país.
Este desenvolvimento significou um grande
crescimento da ocupação do Norte que
praticamente dobrou sua população em 15 anos.
Milhares
de
brasileiros,
principalmente
nordestinos se dirigem a região, a maioria vai
trabalhar de seringueiro onde acaba recebendo
muito pouco e em condições de trabalho
semelhantes aos antigos escravos.
A partir de 1912 ocorre uma grande
decadência da região, ocasionada pelo baixo
índice de produção e a concorrência do látex
inglês cultivado na Malásia.

 A Industrialização:

53
Já no Império podíamos ver um intenso
processo de modernização da economia
brasileira. O número de estabelecimentos
comercias vai crescer consideravelmente durante
a República Velha, ocasionado principalmente
por:




Rendas da lavoura cafeeira (RJ, MG, SP)
que eram reinvestidas na diversificação
da produção;
Investimentos estrangeiros durante as
expansões imperialistas;
Grande imigração que facilitava a
contratação de mão de obra;
Iª Guerra Mundial, com as substituições
de importações;
Política de desvalorização da moeda
nacional que encarecia os produtos
importados aqui comercializados;

O principal centro desta expansão será o
estado de São Paulo, principal produtor que
também concentrará grande parte da migração no
período.
A industrialização ocorria nos espaços
criados pela agricultura de exportação, não se
constituindo como centro econômico da
República Velha. Somente a partir da crise de
1929, que a indústria se tornará um setor mais
dinâmico
de
nossa
economia,
inclusive
concentrando esforços do Estado no processo de
industrialização efetiva.

- A Crise da Economia:
Durante a década de 20 o governo foi
obrigado a intervir para manter o preço mínimo do
café. A concorrência externa, as “super safras”, e
as expansões da lavoura, geraram um quadro
grave de superprodução.
Com os efeitos da crise de 1929 na
economia brasileira, as exportações serão
praticamente paralisadas. O Governo não terá
como fazer uma intervenção desta proporção o
que levará a crise até os cafeicultores.
A insatisfação da população ganhará novas
proporções, e o caminho estará traçado para a
Revolução de 1930 que trará fim a Primeira
República.

- OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Introdução:
O período da República Velha foi
marcado por uma série de conflitos sociais, frutos
das mudanças que ocorriam na sociedade. Esses
conflitos foram resultado de disputas entre a
tentativa de manutenção da ordem elitista
agrícola e as tentativas de grupos menos
abastados da sociedade de conseguir melhorias
sociais.
Suas origens são bastante diversificadas,
ocorrendo não só no campo, mas também nas
cidades, evidenciando as causas da tradicional
marginalização da sociedade brasileira: o
aumento da opressão, da miséria, as
consequências da abolição da escravidão e da
imigração intensa.
A sociedade tornava-se mais complexa,
com crescimento dos grandes centros urbanos,
crescimento da grande propriedade, crescimento
da classe média e o despontar de movimentos
operários.

 Os Conflitos no Campo:
Como já visto anteriormente, os efeitos da
abolição da escravidão provocaram uma
reestruturação das relações entre trabalhadores
rurais e os grandes proprietários de terra. Ao
mesmo tempo, os latifundiários passaram a
aumentar seus domínios, expulsando pequenos
proprietários e contribuindo assim para o aumento
da miséria.
O Coronelismo através de sua dominação
política mostrava sua face de violência de
violência e opressão sobre a população rural.
Foi desta forma, que milhares de
sertanejos, colonos, meeiros, parceiros, e
habitantes das vilas e cidades do interior, vão
conhecer aspectos negativos da “Democracia”
instaurada com a Proclamação da República.

# O Cangaço: (1870-1940)
Após a mineração, o nordeste tornou-se
tradicionalmente uma região de grandes
latifúndios com limites não tão bem definidos.
Nesta região era muito comum conflitos entre
fazendeiros rivais, disputas de terras, roubos e
etc. Os Coronéis que procuravam exercer

54
controle sobre a população local através de seu
poder econômico e prestígio político, organizam
bandos armados para montar seus “exércitos”
particulares para defender seus limites e muitas
vezes impor suas decisões.
Essas milícias privadas eram compostas
por parentes, afilhados e de jagunços, que se
tornavam seguranças do Coronel e dos
agricultores que habitavam suas terras (estes
também muitas vezes pegavam em armas para
defender o Coronel e suas terras).

O Cangaço teve o seu fim a partir da
decisão do Presidente da República, então
Getúlio Vargas, que determinou eliminar todos e
quaisquer focos de desordem sobre o território
nacional. O regime denominado Estado Novo
incluiu Lampião e seus cangaceiros na categoria
de extremistas. A sentença passou a ser matar
todos os cangaceiros que não se rendessem.
Neste mesmo período, o crescimento da
industrialização e o êxodo nos campos ajudaram
a diminuir as tensões no nordeste.

O Cangaço tem suas origens destes
bandos armados e das próprias questões sociais
e fundiárias do Nordeste brasileiro, que vão se
desligando dos coronéis e passam a defender
questões pessoais. As ações caracterizam-se por
ações violentas de grupos ou indivíduos isolados:
assaltavam fazendas, sequestravam coroneis e
saqueavam comboios e armazéns. Não tinham
moradia fixa viviam perambulando pelo Sertão,
praticando tais crimes, fugindo e se escondendo.
O Cangaço pode ser dividido em três
subgrupos:
os
que
prestavam
serviços
esporádicos para os latifundiários; os "políticos",
expressão de poder dos grandes fazendeiros; e
os
cangaceiros
independentes,
com
características de banditismo.
Os cangaceiros conheciam a caatinga e o
território nordestino muito bem, e por isso, era tão
difícil serem capturados pelas autoridades.
Estavam sempre preparados para enfrentar todo
o tipo de situação. Conheciam as plantas
medicinais, as fontes de água, locais com
alimento, rotas de fuga e lugares de difícil
acesso.O primeiro bando de cangaceiros que se
tem conhecimento foi o de Jesuíno Alves de Melo
Calado, "Jesuíno Brilhante", que agiu por volta de
1870. E o último foi de "Corisco" (Cristino Gomes
da Silva Cleto),que foi assassinado em 25 de
maio de 1940.
O cangaceiro mais famoso foi, Virgulino
Ferreira da Silva, o "Lampião", denominado o
"Senhor do Sertão" e também "O Rei do
Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30
em praticamente todos os estados do Nordeste
brasileiro. Por parte das autoridades Lampião
simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que
precisava ser cortada. Para uma parte da
população do sertão ele encarnou valores como a
bravura, o heroísmo e o senso da honra.

Cabeças de Cangaceiros mortos pela polícia. Disponível em:
www.google.com

# Canudos: (1897)
A Guerra de Canudos aconteceu no final
do século XIX e foi responsável pela morte de
milhares de sertanejos que viviam se reunindo no
norte da Bahia, numa comunidade de caráter
messiânico e fatalista (Atitude ou doutrina que
admite que os cursos dos acontecimentos
estejam previamente fixados, nada podendo
alterá-lo), seu líder Antônio Alves Mendes Maciel,
ou simplesmente Antônio Conselheiro.
Conselheiro era filho de pequenos
proprietários de terras do Ceará e havia sofrido
uma vida dura no sertão: estudara para ser padre,
mas as necessidades e dificuldades econômicas
de sua família obrigaram-no a se tornar
comerciante. Na década de 1860 sua mulher o
abandona e ela passa a vagar pelo sertão como
beato e místico religioso, misturava elementos do
catolicismo e pregações de que o mundo estava
para acabar.
Milhares de pessoas começam a
abandonar tudo e a segui-lo. A população
extremante religiosa vê nesse novo líder, a
salvação para problemas como seca, miséria,
fome, falta de terras e violência de cangaceiros e
coronéis.

55
No final da década de 1890 fundou em
uma antiga sesmaria abandonada, o Arraial de
Belo Monte ou Canudos, como ficaria conhecido.
A localidade vai chegar a ter aproximadamente
25.000 moradores que viviam basicamente da
agricultura de subsistência, na caça e criação de
cabras e gado. As terras eram de toda a
comunidade e os que iam chegando construíam
seus barracos em volta da igreja do arraial e
trabalhavam conforme podiam. Apesar de pobre,
Canudos não havia Coronéis, Impostos, Prefeitos,
Juízes, o que significava de certo modo Liberdade
para a população.
Depois de diversos incidentes com
autoridades próximas, Canudos vai começar a
despertar a ira da elite baiana e dos proprietários
de terras. Oferecendo oportunidades de terras e
trabalho, os trabalhadores abandonavam as
terras dos Coronéis. O misticismo de Conselheiro
também não se encaixava na visão da Igreja
Católica que temia a perda de fiéis com o
crescimento do movimento.
Com o passar do tempo, as idéias iniciais
se difundiram com tanta velocidade, que os
jagunços passaram a utilizar-se das mesmas para
justificar seus roubos. Devido à enorme
proporção que este movimento adquiriu, o
governo da Bahia não conseguiu por si só
segurar a grande revolta que acontecia em seu
estado, por esta razão, pediu a interferência da
República. Esta, por sua vez, também encontrou
muitas dificuldades para conter os fanáticos.
Somente no quarto combate, onde as forças da
República já estavam mais bem equipadas e
organizadas, os incansáveis guerreiros foram
vencidos pelo cerco que os impediam de sair do
local no qual se encontravam para buscar
qualquer tipo de alimento e muitos morreram de
fome. O massacre foi tamanho que não
escaparam idosos, mulheres e crianças.
Pode-se dizer que este acontecimento
histórico representou a luta pela libertação dos
pobres que viviam na zona rural, e, também, que
a resistência mostrada durante todas as batalhas
ressaltou o potencial do sertanejo na luta por
seus ideais. Euclides da Cunha, em seu livro Os
Sertões,
eternizou
este
movimento
que
evidenciou a importância da luta social na história
de nosso país.

# Contestado: (1912-1916)
Guerra do Contestado - A região
denominada "Contestado" abrangia cerca de
40.000 Km² entre os atuais estados de Santa
Catarina e Paraná, disputada por ambos, uma
vez que até o início deste século a fronteira não
havia sido demarcada. As cidades desta região
foram palco de um dos mais importantes
movimentos sociais do país.
Formação da Região - No século XIX
algumas poucas cidades haviam se desenvolvido,
principalmente por grupos provenientes do Rio
Grande, após a Guerra dos Farrapos, dando
origem a uma sociedade baseada no latifúndio,
no apadrinhamento e na violência.
Em 1908 a empresa norte americana
Brazil Railway Company recebeu do governo
federal uma faixa de terra de 30Km de largura,
cortando os 4 estados do sul do país, para a
construção de uma ferrovia que ligaria o Rio
Grande do Sul a São Paulo e ao mesmo tempo, a
outra empresa coligada passaria a explorar e
comercializar a madeira da região, com o direito
de revender as terras desapropriadas ao longo da
ferrovia.
A Situação Social - Enquanto os
latifundiários e as empresas norte americanas
passaram a controlar a economia local, formou-se
uma camada composta por trabalhadores braçais,
caracterizada pela extrema pobreza, agravada
ainda mais com o final da construção da ferrovia
em 1910, elevando o nível de desemprego e de
marginalidade social. Essa camada prendia-se
cada vez mais ao mandonismo dos coronéis e da
rígida estrutura fundiária, que não alimentava
nenhuma perspectiva de alteração da situação
vigente. Esses elementos, somados a ignorância,
determinaram o desenvolvimento de grande
religiosidade, misticismo e messianismo.
O Confronto (1912-16) - Ao iniciar a
Segunda década do século, o país era governado
pelo Marechal Hermes da Fonseca, responsável
pela "Política das Salvações", caracterizada pelas
intervenções político-militares em diversos
estados do país, pretendendo eliminar seus
adversários políticos. Além da postura autoritária
e repressiva do Estado, encontramos outros
elementos contrários ao messianismo, como os
interesses locais dos coronéis e a postura da
Igreja Católica no sentido de combater os líderes
"fanáticos".
O primeiro conflito armado ocorreu na
região de Irani, ao sul de Palmas, quando foi

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morto José Maria, apesar de as tropas estaduais
terem sido derrotadas pelos caboclos. No final de
1913 um novo ataque foi realizado, contando com
tropas federais e estaduais que, derrotadas,
deixaram para trás armas e munição. Em
fevereiro do ano seguinte, mais de 700 soldados
atacaram o arraial de Taquaruçu, matando
dezenas de pessoas. De março a maio outras
expedições foram realizadas, porém sem
sucesso.
A organização das Irmandades continuou a se
desenvolver e os sertanejos passaram a ter uma
atitude mais ofensiva.
A partir de dezembro de 1914 iniciou-se o
ataque
final,
comandado
pelo
General
Setembrino de Carvalho, mandado do Rio de
Janeiro a frente das tropas federais, ampliada por
soldados do Paraná e de Santa Catarina. O cerco
à região de Santa Maria determinou grande
mortalidade causada pela fome e pela epidemia
de tifo, forçando parte dos sertanejos a renderemse.

# O Messianismo de Padre Cícero:
O padre Cícero Romão Batista, ou
“Padim Ciço” foi um grande líder religioso e
político da região nordestina e que atuou
basicamente durante a República Velha.
Chegando em Juazeiro (CE) por volta de
1880, a fama de milagreiro rapidamente se
espalhou pela população do sertão que dirigia-se
para a cidade em busca da solução para seus
problemas.
Aproveitando-se deste apoio popular,
Padre Cícero tornou-se poderoso Coronel local,
sendo inclusive eleito como Prefeito de Juazeiro
em 1911 e assinando o Pacto dos Coronéis, onde
fazendeiros mais importantes do estado se
comprometiam a sustentar a oligarquia frente a
Política Salvacionista impetrada pelo então
presidente Hermes da Fonseca.
Padre Cícero morreu excomungado pela
Igreja em 1934, mas dono de várias terras,
respeitado e temido pelos políticos, e admirado
pela população do Nordeste como verdadeiro
“Santo”.

 Os Conflitos Urbanos:

Durante a República Velha o país assistira
um desenvolvimento dos setores e atividades
urbanas. A industrialização começará a acelerar,
bem como as cidades que vão se urbanizar e
crescer.
O resultado será uma série de revoltas por
parte da população que aspira por uma maior
participação política, ou contras medidas
repressivas adotadas pelos governos.
A entrada de imigrantes introduzirá novas
teorias sociais (Socialismo, Anarquismo) que vão
ter grande influência na organização de
movimentos operários.
Ao mesmo tempo as medidas saneadoras
tomadas na Capital da República (RJ), vão
provocar a insatisfação em grande parte da
população.

# A Revolta da Vacina (1904):

No início do século XX, a cidade do Rio
de Janeiro, era a capital da República e, apesar
de possuir belos palacetes e casarões, enfrentava
graves problemas urbanos: rede insuficiente de
água e esgoto, coleta de lixo precária e cortiços
super povoados. Nesse ambiente proliferavam
muitas doenças, como a tuberculose, o
sarampo, o tifo e a hanseníase. Alastravam-se,
sobretudo, grandes epidemias de febre amarela,
varíola e peste bubônica.
Decidido a sanear e modernizar a cidade
, o então presidente da República, Rodrigo Alves
(1902-1906), deu plenos poderes ao prefeito
Pereira Passos e ao médico Dr. Oswaldo Cruz
para executarem um grande projeto sanitário de
“higienização da cidade”. O prefeito pôs em
prática uma ampla reforma urbana, que ficou
conhecida como Bota Abaixo, em razão das
demolições dos velhos prédios e cortiços, que
deram lugar a grandes avenidas, edifícios e
jardins. Milhares de pessoas pobres foram
desalojadas à força, sendo obrigadas a morar nos
morros e na periferia, expandindo assim as
favelas.
Oswaldo Cruz, convidado a assumir a
Direção Geral da Saúde Pública, criou as
“Brigadas
Mata
Mosquitos”:
grupos
de
funcionários do Serviço Sanitário que invadiam as
casas para desinfecção e extermínio dos
mosquitos transmissores da febre amarela.

57
Iniciou também a campanha de extermínio de
ratos considerados os principais transmissores da
peste bubônica, espalhando raticídas pela cidade
e mandando o povo recolher o lixo.
Para erradicar a varíola, o sanitarista
convenceu o Congresso a aprovar a Lei da
Vacina Obrigatória (31 de Outubro de 1904), que
permitia que brigadas sanitárias, acompanhadas
por policiais, entrassem nas casas para aplicar a
vacina à força.
A
população
estava
confusa
e
descontente. A cidade parecia em ruínas, muitos
perdiam suas casas e outros tantos tiveram seus
lares invadidos pelos mata-mosquitos, que agiam
acompanhados por policiais. Jornais da oposição
criticavam a ação do governo e falavam de
supostos perigos causados pela vacina. Além
disso, o boato de que a vacina teria de ser
aplicada nas "partes íntimas" do corpo (as
mulheres teriam que se despir diante dos
vacinadores) agravou a ira da população, que se
rebelou.
A aprovação da Lei da Vacina foi o
estopim da revolta: no dia 5 de Novembro, a
oposição criava a Liga contra a Vacina
Obrigatória. Entre os dias 10 e 16 de novembro,
a cidade virou um campo de guerra. A população
exaltada depredou lojas, virou e incendiou
bondes, fez barricadas, arrancou trilhos, quebrou
postes e atacou as forças da polícia com pedras,
paus e pedaços de ferro. No dia 14, os cadetes
da Escola Militar da Praia Vermelha também se
sublevaram contra as medidas baixadas pelo
Governo Federal.
A reação popular levou o governo a
suspender a obrigatoriedade da vacina e a
declarar estado de sítio (16 de Novembro). A
rebelião foi contida, deixando 30 mortos e 110
feridos. Centenas de pessoas foram presas e,
muitas delas, deportadas para o Acre.
Ao reassumir o controle da situação, o
processo de vacinação foi reiniciado, tendo a
varíola, em pouco tempo sido erradicada da
capital.

# A Revolta da Chibata (1910):
Ainda que a Abolição da escravatura tenha
ocorrido em 1888, as antigas práticas de punição
dos coronéis aos escravos se perpetuaram ao

longo dos tempos, metamorfoseadas em outras
esferas da sociedade. A violência aparece como
uma tentativa de impor força, de supostamente
mostrar quem tem o poder frente ao outro. Uma
das instituições na qual o comportamento violento
de seus superiores mais se evidenciava era a
marinha de Guerra do Brasil.
O uso do açoite como medida disciplinar
continuou sendo aplicado nos marinheiros, como
no tempo em que existia o pelourinho. Todos os
marinheiros, na sua esmagadora maioria negros,
continuavam a ser açoitados às vistas dos
companheiros, por determinação da oficialidade
branca. Os demais marujos eram obrigados a
assistir à cena infame no convéns das
embarcações. Com isto, criaram-se condições de
revolta em meio aos marujos. Os seus membros
não aceitavam mais passivamente esse tipo de
castigo.
Chefiados por Francisco Dias, João
Cândido e outros tripulantes do Minas Gerais,
(embarcação
na
qual
trabalhavam),
os
marinheiros organizaram-se contra a situação
humilhante da qual eram vítimas. Nos outros
navios outros marujos também se organizavam: o
cabo Gregório conspirava no São Paulo, e no
Deodoro havia o cabo André Avelino.
No dia 22 de novembro de 1910, primeira
semana de governo do novo presidente, o militar,
Marechal Hermes da Fonseca, chegava a
informação de que a esquadra, situada na Baía
de Guanabara, se sublevara. O movimento que
vinha sendo articulado pelos marinheiros foi
antecipado em face da indignação dos mesmos
contra o espancamento de mais um companheiro:
o marinheiro negro Marcelino, que recebeu 250
chibatadas aos olhos de toda a tripulação,
formada no convés do Minas Gerais.
Liderados por João Cândido, os
marinheiros apoderaram-se dos principais navios
da Marinha de Guerra brasileira e se
aproximaram da cidade do Rio de Janeiro. Em
seguida mandaram mensagem ao presidente da
República e ao ministro da Marinha exigindo a
extinção do uso da chibata, além de outras
reivindicações como aumento do soldo (salário), e
o fim do preconceito contra militares negros, que
nunca alcançavam as altas patentes, muitas das
vezes perdendo as promoções para outros,
menos competentes, mas escolhidos por serem
brancos.

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O governo ficou estarrecido. Supôs tratarse de um golpe político das forças inimigas. O
pânico apoderou-se de grande parte da
população da cidade. Muitas pessoas fugiram por
conta das ameaças dos navios em bombardear a
cidade. Todos os navios amotinados hastearam
bandeiras vermelhas. Alguns navios fiéis ao
governo ainda tentaram duelar com os revoltosos,
mas foram logo silenciados.
Com isto os marujos acabaram criando
um impasse institucional: de um lado a Marinha,
que queria a punição dos revoltosos em
consequência da morte de alguns oficiais da
armada. Do outro, o governo e os políticos, que
sabiam não ter forças para satisfazer essa
exigência, em vista dos marinheiros estarem
fortemente armados, apresentando um risco para
a cidade. Os revoltosos naquele momento
detinham mais força bélica do que o comando da
Marinha
de
Guerra,
pois
comandavam,
praticamente, a armada inteira e tinham os
canhões das embarcações apontados para a
capital da República.
Depois de muitas reuniões políticas para
tentar resolver o impasse, Rui Barbosa
apresentou ao Senado um projeto de lei que
concedia anistia aos amotinados; em motivo de
urgência, o projeto foi aprovado. Com isto, os
marinheiros desceram as bandeiras vermelhas
dos mastros dos seus navios. A revolta havia
durado cinco dias e terminava vitoriosa,
desaparecia, assim, o uso da chibata como
norma de punição disciplinar na Marinha de
Guerra do Brasil.
As forças militares, não-conformadas com
a solução política encontrada para a crise,
apertaram o cerco contra os marinheiros. João
Cândido, sentindo o perigo, ainda tentou reunir o
Comitê Geral da revolução, inutilmente.
Procuraram Rui Barbosa e Severino Vieira, que
defenderam a anistia em favor deles, mas sequer
foram recebidos por eles. Naquele momento
políticos Civis e Militares haviam se unido
elaborando um decreto pelo qual qualquer
marinheiro podia ser sumariamente demitido. A
anistia fora uma farsa para desarmá-los.
Foram acusados de conspiradores,
espalharam boatos de que haveria uma outra
sublevação. Finalmente, afirmaram que a
guarnição da ilha das Cobras havia se sublevado.
Pretexto para que a repressão se desencadeasse

violentamente sobre os marinheiros negros. O
presidente Hermes da Fonseca necessitava de
um pretexto para decretar o estado de sítio, a fim
de sufocar os movimentos democráticos que se
organizavam. As oligarquias regionais tinham
interesse em um governo forte. Os poucos
sublevados daquela ilha propuseram rendição
incondicional, o que não foi aceito. Seguiu-se
uma verdadeira chacina. A ilha foi bombardeada
até ser arrasada. Estava “restaurada” a honra da
Marinha.
João Cândido e os seus companheiros de
revolta
foram
presos,
tornando-se
incomunicáveis, e o governo e a Marinha
resolveram exterminar de vez os marinheiros.
Embarcou-os no navio Satélite rumo ao
Amazonas.
Os 66 marujos presos foram embarcados
ao lado de assassinos, ladrões e marginais para
serem soltos nas selvas amazônicas. Os
marinheiros, todavia, tinham destino diferente dos
demais embarcados: ao lado dos muitos nomes
da lista entregue ao comandante do navio, havia
uma cruz vermelha, feita a tinta, o que significava
a sua sentença de morte. Esses marinheiros
foram fuzilados sumariamente e jogados ao mar.
João Cândido, que não embarcou no
Satélite, juntamente com alguns de seus
companheiros, permaneceu encarcerado na Ilha
das Cobras, onde vivia como animal. Dos 18
recolhidos, 16 morreram. Uns fuzilados sem
julgamento, outros em consequência das
péssimas
condições
em
que
viviam
enclausurados.
João
Cândido
enlouqueceu,
sendo
internado no Hospital dos Alienados. Tuberculoso
e na miséria, conseguiu, contudo, restabelecer-se
física e psicologicamente.
Perseguido constantemente, morreu como
vendedor no Entreposto de Peixes da cidade do
Rio de Janeiro, sem patente, sem aposentadoria
e até sem nome, este herói que um dia foi
chamado, com mérito, de Almirante Negro.
# O Movimento Tenentista:
É necessário entender o Movimento
Tenentista dentro de um contexto maior, de
transição eleitoral. O evento considerado o
estopim para a revolta teve origem na disputa
eleitoral de 1922 para o cargo de Presidente da
República. Durante o período, cartas ofensivas ao

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Exército e ao Marechal Hermes da Fonseca,
supostamente assinadas pelo candidato Arthur
Bernardes, que era representante da situação,
tornaram-se públicas. A candidatura de Arthur
Bernardes naquele momento signifcava para a
oposição a manutenção do sistema oligarquico
que controlava o país naquele momento e que
concentrava o poder nos estados de Minas
Gerais e São Paulo ( a chamada política do cafécom-leite).
Os tenentistas pregavam a moralização
da política, o fim do voto de cabresto, e a
adoção do voto secreto, o fortalecimento do
poder da República sobre os poderes estaduais,
e tinham um projeto nacionalista. É necessário
destacar que eles não buscavam a
democracia, não defendiam a igualdade social,
apenas buscavam ampliar o espaço da política
nacional, então sob controle da oligarquia
cafeeira, a fim de permitir a participação de outros
grupos, inclusive os próprios militares. Criticavam
duramente a corrupção, as fraudes eleitorais, a
subserviência ao capital internacional e os baixos
soldos a que estavam submetidos. Propunham o
fim da república oligárquica, a valorização das
Forças Armadas e uma ação nacionalista de
recuperação da economia e da sociedade
brasileira.
Para pressionar o governo, os tenentes
promoveram várias rebeliões, uma delas ficou
conhecida como “Os 18 do Forte”. Essa rebelião
ocorreu em decorrência de um levante no Forte
de Copacabana, no Rio de Janeiro, em resposta
à prisão do Marechal Hermes da Fonseca,
determinada pelo então presidente Epitácio
Pessoa (1919-1922). Esse levante no Forte, foi
rapidamente controlado pelas tropas leais ao
presidente. Diante do fracasso, 18 amotinados –
que ficaram conhecidos com os 18 do Forte –
saíram caminhando armados pelas ruas de
Copacabana, em direção a uma tropa de cerca de
300 soldados leais ao governo. No confronto
morreram oito dos militares rebelados, e mais um
civil que decidiu os acompanhar no meio do
caminho.
A Revolta dos Dezoito do Forte e o
movimento Tenentista, que eram numa primeira
leitura ligados às forças armadas, representavam
também a insatisfação de outros estados como
Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e
Bahia com a divisão política existente. Assim,
durante
o
processo
eleitoral,
para

concorrermcontra Arthur Bernardes foi lançada a
candidatura do candidato fluminense Nilo
Peçanha.
Ao final do longo processo eleitoral, as
tentativas em barrar Arthur Bernardes não
surtiram efeito, assim, ele foi eleito presidente e
Estácio Coimbra (substituto de Urbano Santos
no pleito) foi eleito vice.
Mesmo com a eleição de Bernardes o
movimento não teve fim. Em 1924 as
contradições políticas entre tenentistas e governo
chegaram ao seu limite. Em São Paulo ocorre
uma nova rebelião tenentista que ocupou um
quartel no bairro de Santana, e tentou avançar
por outros pontos da cidade. Os militares
envolvidos acreditavam que teriam a adesão dos
operários, também descontentes om a política do
governo federal. Mas não foi o que ocorreu, a
população abandonou suas casas, e os tenentes
não tiveram o apoio esperado. Assim, as forças
ligadas ao presidente contra-atacaram, sitiando
São Paulo. Os soldados que haviam ocupado a
cidade saíram em direção ao Rio Paraná. Essa
marcha, conhecida como Coluna Paulista, seguiu
por vários meses até se encontrar em Foz do
Iguaçu com a Coluna Gaúcha, comandada por
Luís Carlos Prestes.
Da união desses grupos formou-se a
Coluna Prestes, com aprox. 1.500 soldados que,
por dois anos, manteve pelo interior do país uma
guerrilha armada comandada por Prestes que
exigia, entre outras coisas, o fim da república
oligárquica.
Apesar de o movimento tenentista ter
envolvido apenas uma fração dos militares nas
revoltas, suas reivindicações eram bem vistas
pelo conjunto das Forças Armadas. Com o passar
do tempo os ideais tenentistas se tornaram
hegemônicos. Os governantes oligárquicos cada
vez menos tinham controle sobre as Forças
Armadas, culminando posteriormente, em 1930,
no apoio quase unânime dos militares ao golpe
que derrubou definitivamente o café-com-leite do
poder: A Revolução de 1930.

60
# Importante!
As Eleições de 1922:
Um
aspecto
fundamental
que
devemos ter em mente ao falar das eleições
durante a Primeira República é que elas
ocorriam de maneira bem diferente do
processo eleitoral atual. Em primeiro lugar
o voto deveria ser feito de maneira aberta,
cada
eleitor
deveria
se
manifestar
publicamente sobre qual candidato iria votar.
Como o voto não era secreto, a fraude
eleitoral era muito comum, os coronéis
obrigavam as pessoas a votarem em
determinado candidato. Com isso, tornava-se
impossível determinar exatamente os
resultados corretos. A pratica de imposição
dos coronéis ficou conhecida por “Voto de
Cabresto”.
Em segundo lugar, nas eleições
havia a votação tanto para o Presidente
quanto para o Vice. Dessa maneira o vicepresidente não era atrelado ao Presidente
como é hoje. Poderiam ser eleitos
Presidentes e vices de partidos e grupos
distintos, e além disso os candidatos à
Presidência poderiam também se candidatar
à vice-presidência. Assim, se um candidato
“A” perdesse o pleito para presidente, ele
poderia ainda assumir a vice-presidência
caso fosse eleito.

Durante os sete dias foi realizada uma
exposição modernista no Teatro, e nas noites dos
dias 13, 15 e 17 ocorreram apresentações de
poesia, música e palestras sobre a modernidade.
O evento representou uma verdadeira
renovação da linguagem, na busca de
experimentação, na liberdade criadora e na
ruptura com o passado. E marcou época ao
apresentar novas ideias e conceitos artísticos. A
nova poesia através da declamação. A nova
música por meio de concertos. A nova arte
plástica exibida em telas, esculturas e maquetes
de arquitetura. O adjetivo "novo", marcando todas
estas manifestações, propunha algo a ser
recebido com curiosidade ou interesse.
A Semana de Arte Moderna, significou a
ebulição de novas ideias que tinham o futuro em
mente. Ideias nacionalistas que buscavam uma
maneira de expressar uma identidade própria,
autenticamente brasileira, um conjunto de
expressões culturais que pudessem representar o
“autenticamente brasileiro”, o nacional. Uma
tentativa de se enxergar o país com outros olhos,
não mais como um “cachorro morto”, mas sim
como um país rico culturalmente, capaz de se
expressar de forma independente.
Não se tinha, porém, um programa definido:
sentia-se muito mais um desejo de experimentar
diferentes caminhos do que de definir um único
ideal moderno.

Outro aspecto importante é entender o
movimento tenentista nos anos de 1922 e
1924 como um conjunto de reações militares
ao momento político conturbado do período,
exigindo maior participação no processo
político e mudanças no mesmo. Assim
conseguimos entender o apoio dos militares
à oposição civil da época que não queria
outro presidente do eixo Minas- São Paulo
no cargo, também desejando uma maior
participação dos outros estados.

# A Semana de Arte Moderna de 1922:
Em meio a esse período conturbado da
política brasileira dos anos 1920, sobretudo em
1922, ocorreu em São Paulo no período entre 11
e 18 de fevereiro, no Teatro Municipal da cidade,
a Semana de Arte Moderna.

Catálogo da Exposição da Semana de Arte Moderna de 1922,
com ilustração de capa feita por Di Cavalcanti

61

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
1- (Adaptado/UFJF)
“Apelar para o povo, esse infeliz povo
sobrecarregado de impostos, sem instrução, e
sem vida? (...) Esse povo, por si só, nada poderá
fazer; mas se à sua frente estiver a síntese desse
mesmo povo – o Exército brasileiro – composto
por caracteres bem formados, com a noção exata
do cumprimento do dever (...) este povo terá
alcançado um nível bem mais elevado.”
(Tenente J. Nunes de Carvalho. A revolução no
Brasil, 1925).

Leia com atenção o texto acima e responda:
a) Para o autor do texto, qual a instituição poderia
ser considerada uma espécie de resumo das
melhores qualidades do povo brasileiro?

Do Convênio de Taubaté, origina-se a Política de
Valorização do Café, que se constituiu:
A- na isenção tributária sobre todas as
mercadorias e serviços relacionados com
o café, com o transporte ferroviário.
B- na proibição de se plantar novos
cafeeiros no prazo mínimo de 10 anos,
até a produção igualar-se ao consumo
externo.
C- no acordo entre todos os países
produtores e exportadores de café de
diminuírem a produção em 25% em 5
anos.
D- no controle dos preços do café por meio
da compra da produção excedente, por
parte dos governos estaduais.
E- na criação de um imposto sobre cada
saca de café exportada e no incentivo à
criação de fazendas de café no Espírito
Santo.

b) Em qual instituição ele acredita que possa vir a
liderança para transformar o Brasil? E por quais
motivos?
c) A que movimentos militares rebeldes no Brasil
dos anos 1920 este texto pode ser relacionado?
2- U ERJ [20 12]

PINTOU NO ENEM:
01- ENEM [2014]

O cangaço representou uma manifestação
popular favorecida, basicamente, pela seguinte
característica da conjuntura social e política da
época:
A- c idadan ia r es tr ingi da pelo vot o
c ens itár io .
B- analf abet is m o pr edom inante nas
áreas r ur ais .
C- c rim inalida de or iu nda das tax as de
des em pr ego .
D- hierarqu i zaç ã o
der iva da
da
c onc entr aç ão f undiár ia .

3- VUNE SP
“Completaram-se, ontem e hoje, 99 anos da
reunião dos presidentes de São Paulo, Minas e
Rio de Janeiro que culminou no Convênio de
Taubaté. A primeira crise global de café foi
provocada pela triplicação da produção brasileira
da década de 1980 - de 5,5 milhões a 16,3
milhões de sacas (...)”
Folha de São Paulo, 27.02.2005.Adaptado.

A charge, datada de 1910, ao retratar a
implantação da rede telefônica no Brasil, indica
que esta
a) Permitiria aos índios se apropriarem da
telefonia móvel.
b) Ampliaria o contato entre a diversidade
de povos indígenas.
c) Faria a comunicação sem ruídos entre
grupos sociais distintos.
d) Restringiria a sua área de atendimento
aos estados do norte do país.
e) Possibilitaria a integração das diferentes
regiões do território nacional.

62
02- ENEM [2014]
O problema central a ser resolvido pelo Novo
Regime era a organização de outro pacto de
poder que pudesse substituir o arranjo imperial
com grau suficiente de estabilidade. O próprio
presidente Campos Sales resumiu claramente
seu objetivo: “É de lá, dos estados, que se
governa a República, por cima das multidões que
tumultuam agitadas nas ruas da capital da União.
A política dos estados é a política nacional”.
CARVALHO, J. M. Os Bestializados: o Rio de Janeiro
e a República que não foi. São Paulo: Companhia das
Letras, 1987 (adaptado).

Nessa citação, o presidente do Brasil no período
expressa uma estratégia política no sentido de
a)
b)
c)
d)

Governar com adesão popular
Atrair o apoio das oligarquias regionais
Conferir maior autonomia às prefeituras
Democratizar o poder do governo central
e) Ampliar a influência da capital no cenário
nacional

03- ENEM [2014]
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que
começa a ser construída apenas em 1905, foi
criada, ao contrário das outras grandes ferrovias
paulistas, para ser uma ferrovia de penetração,
buscando novas áreas para a agricultura e
povoamento. Até 1890, o café era quem ditava o
traçado das ferrovias, que eram vistas apenas
como auxiliadoras da produção cafeeira.
CARVALHO, D. F. Café, ferrovias e crescimento
populacional: o florescimento da região noroeste
paulista.
Disponível
em:
www.historica.arquivoestado.sp.gov.br. Acesso em: 2
ago. 2012.

Essa nova orientação dada à expansão
ferroviária, durante a Primeira República, tinha
como objetivo a
a) Articulação de polos produtores para
exportação
b) Criação de infraestrutura para atividade
industrial
c) Integração de pequenas propriedades
policultoras
d) Valorização de regiões de baixa
densidade demográfica
e) Promoção de fluxos migratórios do
campo para a cidade

04- ENEM [2013]
“Nos estados, entretanto, se instalavam as
oligarquias, de cujo perigo já nos advertia SaintHilaire, e sob o disfarce do que se chamou ‘a
política
dos
governadores’.
Em
círculos
concêntricos esse sistema vem cumular no
próprio poder central que é o sol do nosso
sistema”.
PRADO, P. Retrato do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio,
1972.

A crítica presente no texto remete ao acordo que
fundamentou o regime republicano brasileiro
durante as três primeiras décadas do século XX e
fortaleceu o (a)
A- poder militar, enquanto fiador da ordem
econômica.
B-

presidencialismo, com o objetivo de
limitar o poder dos coronéis.

C- domínio de grupos regionais sobre a
ordem federativa.
D- intervenção nos estados, autorizada
pelas normas constitucionais.
E- isonomia do governo federal
tratamento das disputas locais.

no

05- ENEM [2011]
“Completamente analfabeto, ou quase sem
assistência médica, não lendo jornais, nem
revistas, nas quais se limita a ver as figuras, o
trabalhador rural, a não ser em casos
esporádicos, tem o patrão na conta de benfeitor.
No plano político, ele luta com o ‘coronel’ e pelo
‘coronel’. Aí estão os votos de cabresto, que
resultam, em grande parte, da nossa organização
econômica rural”.
LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: AlfaÔmega, 1978 (adaptado).

O coronelismo, fenômeno político da Primeira
República (1889-1930), tinha como uma de
suas
principais características o controle do
voto, o que limitava, portanto, o exercício da
cidadania. Nesse período, esta prática estava
vinculada a uma estrutura social:
A- Igualitária, com um nível satisfatório de
distribuição da renda.
B- Estagnada, com uma relativa harmonia
entre as classes.
C- Tradicional, com a manutenção da
escravidão nos engenhos como forma
produtiva típica.

63
D- Ditatorial, perturbada por um constante
clima de opressão mantido pelo exército
e polícia.
E- Agrária, marcada pela concentração da
terra e do poder político local e regional.

06- ENEM [2011]

E- A diversificação da produção e a
preocupação com o mercado interno
unificavam
os
interesses
das
oligarquias.

07- ENEM [2011]

“Até que ponto, a partir de posturas e interesses
diversos, as oligarquias paulista e mineira
dominaram a cena política nacional na Primeira
República? A união de ambas foi um traço
fundamental, mas que não conta toda a história
do período. A união foi feita com a
preponderância de uma ou de outra das duas
frações. Com o tempo, surgiram as discussões e
um grande desacerto final”.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2004
(adaptado).

“A imagem de um bem-sucedido acordo café com
leite entre São Paulo e Minas, um acordo de
alternância de presidência entre os dois estados,
não passa de uma idealização de um processo
muito mais caótico e cheio de conflitos.
Profundas divergências políticas colocavam-nos
em confronto por causa de diferentes graus de
envolvimento no comércio exterior”.
TOPIK, S. A presença do estado na economia política do
Brasil de 1889 a 1930. Rio de Janeiro: Record, 1989
(adaptado).

Para a caracterização do processo político
durante a Primeira República, utiliza-se com
frequência a expressão “Política do Café com
Leite”. No entanto, os textos apresentam a
seguinte ressalva a sua utilização:
A- A riqueza gerada pelo café dava à
oligarquia paulista a prerrogativa de
indicar os candidatos à presidência, sem
necessidade de alianças.
B- As divisões políticas internas de cada
estado da federação invalidavam o uso
do conceito de aliança entre estados para
este período.
C- As disputas políticas do período
contradiziam a suposta estabilidade
da aliança entre mineiros e paulistas.
D- A centralização do poder no executivo
federal impedia a formação de uma
aliança duradoura entre as oligarquias.

C h a r g e c a p a d a r e v i s t a “ O M a l h o ” , d e 1 9 0 4.

A imagem representa as manifestações
nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na
primeira década do século XX, que integraram a
Revolta da Vacina. Considerando o contexto
político-social da época, essa revolta revela:
A- A insatisfação da população com os
benefícios de uma modernização urbana
autoritária.
B- A consciência da população pobre
sobre a necessidade de vacinação para
a erradicação das epidemias.
C- A garantia do processo democrático
instaurado com a República, através da
defesa da liberdade de expressão da
população.
D- O planejamento do governo republicano
na área de saúde, que abrangia a
população em geral.
E- O apoio ao governo republicano pela
atitude de vacinar toda a população
em vez de privilegiar a elite.

08- ENEM [2010]
“A serraria construía ramais ferroviários que
adentravam as grandes matas, onde grandes
locomotivas com guindastes e correntes
gigantescas de mais de 100 metros arrastavam,
para as composições de trem, as toras que
jaziam abatidas por equipes de trabalhadores que
anteriormente passavam pelo local. Quando o
guindaste arrastava as grandes toras em direção
à composição de trem, os ervais nativos que

64
existiam em meio às matas eram destruídos por
este deslocamento”.

A- restauração monárquica, embora hoje
saibamos que a rejeição à República
era apenas uma das razões da
rebeldia.
B- valorização dos senhores rurais,
ligados ao monarca, cujo poder era
ameaçado
pelo
crescimento
e
enriquecimento das cidades.
C- restauração monárquica, que, hoje
sabemos, era de fato a única razão da
longa resistência dos sertanejos.
D- valorização do meio rural, embora hoje
saibamos que Antônio Conselheiro
não apoiava os incêndios provocados
por
monarquistas
nas
cidades
republicanas.
E- restauração monárquica, o que fez
com que a luta de Antônio Conselheiro
recebesse
amplo
apoio
dos
monarquistas do sul do Brasil.

MACHADO, P.P. Lideranças do Contestado. Campinas:
Unicamp, 2004 (adaptado).

No início do século XX, uma série de
empreendimentos capitalistas chegou à região do
meio-oeste de Santa Catarina – ferrovias,
serrarias e projetos de colonização. Os impactos
sociais gerados por esse processo estão na
origem da chamada Guerra do Contestado. Entre
tais impactos, encontrava-se
A - a absorção dos trabalhadores rurais como
trabalhadores da serraria, resultando em um
processo de êxodo rural.
B - o desemprego gerado pela introdução das
novas máquinas, que diminuíam a necessidade
de mão de obra.
C - a desorganização da economia tradicional,
que sustentava os posseiros e os trabalhadores
rurais da região.
D - a diminuição do poder dos grandes coronéis
da região, que passavam a disputar o poder
político com os novos agentes.
E - o crescimento dos conflitos entre os operários
empregados nesses empreendimentos e os seus
proprietários, ligados ao capital internacional.

EXERCÍCIO COMENTADO:

Resposta Certa: Alternativa A. Muito se
especulou sobre os motivos para a criação da
comunidade de Canudos, até mesmo no período
em que antecede o conflito as intenções de seu
líder, Antônio Conselheiro, não apareciam de
forma muito clara, dando margem a especulações
de todo gênero, inclusive de que o movimento era
a favor do retorno da Monarquia, o que nunca foi
verdade. A rejeição à República sim, era algo
muito claro no movimento, mas jamais foi definido
qual o sistema de predileção dos canudenses que
seria o substituto da recente República.

UNES P [201 2]
“Nunca se viu uma campanha como esta, em
que ambas as partes sustentaram ferozmente as
suas aspirações opostas. Vencidos os inimigos,
vós lhes ordenáveis que levantassem um viva à
República e eles o levantavam à Monarquia e,
ato contínuo, atiravam-se às fogueiras que
incendiavam a cidade, convencidos de que
tinham cumprido o seu dever de fiéis defensores
da Monarquia.”
(Gazeta de Notícias, 28.10.1897 apud Maria de Lourdes
Monaco Janotti. Sociedade e política na Primeira República.)

O texto é parte da ordem do dia, 06-08-1897,
do General Artur Oscar e trata dos momentos
finais de Canudos. Para o militar, o principal
motivo da luta dos canudenses era a:

GABARITO
Exercícios de Fixação:
1234-

Aberta
D
D
A

Pintou No Enem:
12345678-

E
B
D
C
E
C
A
C

65

CAPÍTULO 06
A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (19141918)

Mesmo industrializados, muitas destas nações
eram governadas por nobres, ao passo que
outras, enfrentavam disputas entre interesses de
classes burguesas e proletárias. Já nesta época o
grande temor capitalista viria a materializar-se na
Rússia em 1917: O Socialismo.

Introdução:
O crescimento da capacidade de
produção mundial provocou uma grande disputa
entre as potências mundiais, na procura por
novos mercados consumidores e de novas fontes
de matérias primas.
A Primeira Guerra Mundial é considerada
por muitos historiadores como um marco no início
do século XX. Foi a partir da Guerra que novas
correlações de forças estabeleceram-se no
mundo, marcando o declínio da Europa e a
ascensão dos EUA à condição de principal
potência mundial.

Antecedentes:
A eclosão da guerra foi o resultado de uma
série de conflitos menores envolvendo disputas
comerciais e/ou militares que a antecederam,
todos os conflitos presentes no contexto de
expansão capitalista e imperialista das potências
econômicas.
Até aproximadamente 1914 a Europa
exercia a supremacia econômica, política e
ideológica sobre o resto do mundo.
Na esfera econômica, o poder derivava
do fato da Europa ser a responsável pela maior
parte da produção e investimentos em escala
global. Acabou por tornar-se responsável pela
importação da maioria dos gêneros primários
produzidos pela “periferia” do sistema capitalista.
No campo político, a hegemonia Europeia
era garantida pelo Imperialismo associado à
influência ou controle direto de áreas como África,
Ásia e América Latina.
Agravando o conjunto de fatores que
estava por desencadear um conflito global
armado, adiciona-se o enfadonho discurso do
Velho Mundo sobre a superioridade e modelo de
eficácia.
Havia também uma grande distinção
entre todas as nações europeias. Além dos
diferentes níveis de influência entre as nações
pioneiras (como por ex. Inglaterra e França) e as
mais jovens (como por ex. Itália e Alemanha),
existia uma grande contradição no campo social.

Os únicos países que estavam fora da
dominação europeia eram os EUA e o Japão, que
não só lutavam, mas também, chegavam a
ameaçar a supremacia europeia em alguns
lugares do globo, especialmente extremo oriente
e na América Latina.

Causas da Primeira Guerra:
Rivalidades Econômicas e Imperialismo: A
entrada
de
novas
potências
industriais
imperialistas no cenário internacional aumentava
a rivalidade entre as disputas econômicas e a
divisão de mercados e territórios. A necessidade
de novos mercados levou as potências europeias
a firmar acordos na busca de evitar conflitos
imperialistas entre as grandes nações, que
isoladamente nunca deixaram de ocorrer, sendo
frequente a quebra de tratados e aumento de
tensões diplomáticas. A partilha da África e da
Ásia busca atender aos anseios imperialistas,
entretanto, foi mais tarde, um dos fatores que
acaba gerando a animosidade entre as potências
europeias.
O Revanchismo Francês: Desenvolveu-se após
a humilhação de 1870, onde derrotada, teve que
ceder às regiões da Alsácia-Lorena (rica em
carvão e minério de ferro). Os franceses desde
então nutrem um sentimento de revanche e
vingança contra a Alemanha, o que de certa
forma pode ser observado também como uma
forma de nacionalismo.
Nacionalismo: O nacionalismo desenvolveu-se
desigualmente nos países imperialistas, fruto das
condições
anteriores
ao
imperialismo.
Tradicionalmente considera-se a Alemanha como
a maior expressão de nacionalismo, na verdade,
muito mais pelos desdobramentos que essa
mentalidade teve durante a Segunda Guerra, do
que pela sua real importância no final do século
XIX. Na Itália o sentimento nacionalista esteve
presente em grandes revoluções do século XIX e
novamente no processo de unificação. Na França
o nacionalismo esteve presente na Revolução
Francesa, manifestado principalmente no ideal de
“liberdade, igualdade e fraternidade"; e teve como
resultado subsequente a luta de classes,
enquanto na Alemanha e na Itália, as unificações
baseadas no discurso nacionalista cumpriram o

66
papel inverso, encobrindo as desigualdades,
característica fundamental do nacionalismo.
Até mesmo nos EUA, onde não existiu o
nacionalismo nos moldes das nações europeias,
podemos perceber algo equivalente, expresso na
Teoria do Destino Manifesto, de origem calvinista,
que serviu como justificativa ideológica para o
expansionismo ao longo do século XIX e para a
formação de sua política intervencionista sobre a
América Latina conhecida por "Big Stick".

Para justificar a disputa de fronteiras e
o
imperialismo,
a
propaganda
nacionalista foi ampliada através das
seguintes ideias:
Pan-Germanismo: Acordo que propõe
a consolidação de países de origem
Germânica, liderados pela Alemanha.
Pan-Eslavismo: Acordo que defende a
união de todos os povos de origem
eslava da Europa oriental, incluindo os
que estão sob o domínio do Império
Austro-Húngaro, liderados pela Rússia
que buscava uma saída para o para o
Mediterrâneo.

A influência das Crises:
Marrocos: Na disputas por domínios coloniais,
Alemanha e França reclamam a região de
Marrocos. Em acordo em 1906 o território é
cedido a França e uma pequena faixa a sudoeste
da África é cedida a Alemanha, que não se
contenta com a divisão e acaba entrando em
conflito com a França. Em 1911 recebe desta
parte do território do Congo.
Os Balcãs: Os enfrentamentos entre Sérvia e
Áustria na península balcânica também
colaboram
para
acirrar
as
diferenças
nacionalistas entre os países da Europa. Apoiado
pelos russos, os sérvios tentam conter a
expansão da Áustria. Em 1908 a Áustria anexa e
Bósnia-Herzegovina, impedindo que a Sérvia
incorpore outras regiões eslavas.

A formação de Alianças (Paz Armada):
Em meio a esse clima de tensão e
perspectiva de conflito iminente, as nações
europeias passam a fomentar uma corrida
armamentista sem precedentes, estabelecendo
um sistema de alianças de acordo com os
interesses de cada nação. Por fim temos a
formação de dois blocos principais:
Tríplice Aliança: Formada por nações
mais jovens, e que por isso, sentiram-se
prejudicadas com a partilha de territórios.
Aparentemente mais coesa era e
composta por Alemanha, Austro-Hungria
e Itália.
Tríplice Entente: Tem por base a
Entente Cordiale, Inglaterra e França, que
se opõe à expansão alemã. Mais tarde
recebe a adesão da Rússia formando
então a Tríplice Entente. Durante a
guerra outras nações aliem-se a este
grupo e a coalizão passa a ser chamada
de Aliados.
O Estopim da Guerra:
Em junho de 1914, o então príncipe
herdeiro do Império Austro-Húngaro o Arqueduque Francisco Ferdinando, foi assassinato em
Saraievo, enquanto visitava a Bósnia. Os tiros
que mataram o herdeiro e sua esposa foram
disparados por um estudante bósnio chamado
Gavrilo Princip, membro de uma organização
secreta responsável por outros ataques terroristas
chamados de Mão Negra ou Unidade da Morte.
Investigações apontaram que o atentado fora
planejado em Belgrado, capital da Sérvia.
A Áustria exige providências oficiais do
governo sérvio, como o imediato fechamento dos
jornais que se empenhavam em fazer
propagandas contra a Áustria; O Fim das
sociedades secretas; Exclusão do Governo e/ou
das Forças Armadas de membros acusados da
campanha anti-austríaca.
A Sérvia aceita praticamente quase todas
as exigências, mas a Áustria mesmo assim rompe
diplomaticamente e começa a mobilizar seus
exércitos. A Rússia coloca-se contrária a toda e
qualquer intervenção na Sérvia, contando com o
apoio da França. Por outro lado, a Alemanha
apoia a Áustria defendendo a necessidade de
medidas contra a Sérvia. A movimentação alemã
e russa começa com a política de alianças em
julho. Em agosto de 1914 inicia-se a guerra.

67
As duas Fases da Guerra:
A Guerra de Movimentos (1914): A
estratégia de guerra alemã, consistia em
derrotar primeiramente a França e depois a
Rússia. Assim, preparam a invasão da França
pela Bélgica. Entretanto, uma ofensiva russa
obriga a Alemanha a dividir seus exércitos em
duas frentes o que enfraqueceu os ataques
aos franceses e deteve o avanço alemão.
Esse episódio ficou conhecido como a Batalha
de Marne (1914).
A Guerra de Trincheiras (1915 em
diante): Com o conflito equilibrado, o próximo
passo era conquistar posições e defender o
território conquistado, dando início então à
guerra de trincheiras, recurso que custou a
vida de muitos soldados em ambos os lados,
em táticas de ataque e contra-ataque em meio
à lama, frio, chuva e corpos.

O Fim da Guerra:
Após os russos saírem da guerra, e com os
EUA entrando no conflito, a América Latina
também passa a participar em peso, o que foi
decisivo para dar novo fôlego a ingleses e
franceses quebrando o equilíbrio existente.
Em julho de 1918 as forças inglesas,
francesas e norte-americanas lançam um ataque
definitivo contra os alemães, obrigando-os a
recuar. A Bulgária retira-se do conflito e a Turquia
se rende. O Imperador Carlos I da Áustria assina
um armistício e abandona o conflito.
Woodrow Wilson, o então presidente dos
EUA e porta voz dos aliados, descartava qualquer
possibilidade de manutenção do Kaiser no
governo alemão, e partia do princípio de que a
paz conquistada não significava a formação de
vencedores e vencidos.

Posteriormente a guerra envolveu outras
nações. Os montenegrinos socorreram os sérvios
contra a Áustria, pois tinham a mesma origem
étnica. O Japão, de olho nas possessões alemãs
no oriente e apoiado pela Inglaterra, se declarou
contrário à ofensiva alemã. A Turquia se alia aos
alemães e ataca os russos no Mar Negro. A Itália
se retira da Aliança em maio de 1915, quando
muda de lado, sob a promessa de receber parte
do território da Áustria e da Turquia.

Assim, ele apresentou um plano chamado
de 14 pontos de Wilson que serviria de base
para futuros tratados: eliminação da diplomacia
secreta em favor de acordos públicos; liberdade
nos mares; redução dos armamentos nacionais;
retirada dos exércitos de ocupação da Rússia;
restauração da independência da Bélgica;
restituição da Alsácia e Lorena à França;
reformulação
das
fronteiras
italianas;
reconhecimento da autonomia dos povos da
Áustria-Hungria; independência da Polônia;
criação da liga das nações, dentre outros.

Na frente oriental, o exército russo apesar
de mais numeroso, sofria derrotas para o exército
alemão, o que acelerava a crise interna do país. A
consequência disso foi o da Revolução Russa e a
posterior saída da guerra, assinando o Tratado de
Brest-Litovsk com a Alemanha.

A guerra continou ainda durante um curto
período porque Wilson exigia a deposição do
Kaiser, mesmo com os alemães aceitando a
rendição
com
base
nos
14
pontos.
Posteriormente todas as exigências são
cumpridas.

Evitando um fortalecimento Alemão, os
Estados Unidos entram definitivamente na
Guerra, em abril de 1917, alegando lutar contra o
autoritarismo e o militarismo. Ainda defendiam a
criação de uma liga das nações para regular as
relações entre os povos, mas o principal objetivo
era mesmo preservar o equilíbrio de poder na
Europa evitando uma possível hegemonia alemã.
Vale lembrar que a Entente era a responsável por
3/5 das exportações americanas e uma vitória
alemã significaria um abalo na economia
americana. Com a entrada dos EUA na guerra, o
conflito fica desequilibrado e a derrota da Tríplice
Aliança torna-se uma questão de tempo.

E assim chega ao fim a Primeira Guerra
Mundial.

O desenrolar da Guerra:

A Assinatura dos Tratados de Paz:
Em janeiro de 1919, iniciou-se a
Conferência de Paris, onde nem os países
vencidos nem a Rússia participaram das
deliberações, o que demonstra a severidade da
“Paz” aos derrotados.
O Tratado de Versalhes estabeleceu a
Alemanha como responsável pela guerra,
impondo uma série de penalidades: Perda de 1/7
do território; devolução da Alsácia e Lorena à
França; entrega aos vencedores de quase todos

68
seus submarinos e navios; desmilitarização e
redução do contingente dos exércitos; proibição
de aviação militar e marinha de guerra;
pagamento de uma indenização de 33 bilhões de
dólares, entre outras.
O tratado também criou a Liga das Nações,
que no início não contava com a participação da
Alemanha e da Rússia, e tinha como objetivo
principal manter a paz mundial. A liga nascia
fadada ao fracasso, pois os EUA, a nação mais
forte e a idealizadora do projeto, não participava,
pois discordara das formas de acordos
estabelecidos no pós-guerra.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
1- (ADAPTADO-UFJF)
Qual das alternativas abaixo apresenta
uma das principais causas da Primeira Guerra
Mundial?
A- A influência dos Estados Unidos na
política econômica europeia no início
do século XX.
B- O descontentamento da Itália e
Alemanha com a divisão de territórios
na África e Ásia no processo de
Neocolonialismo (século XIX).
C- A união política, econômica e militar
entre Alemanha e Grã-Bretanha.
D- O processo de globalização econômica
e a formação da União Europeia no
final do século XIX.

Outros acordos são assinados com os
aliados da guerra. O Império Austro-Húngaro é
desmembrado e surgem a Tchecoslováquia,
Hungria, Polônia, e Iugoslávia. O Império Turco
foi igualmente fragmentado, ficando sob o
controle das potências européias vencedoras,
França, Inglaterra e Itália.

2- (ADAPTADO-UFJF)

SESSÃO LEITURA:
Consequências da Guerra:

Qual alternativa apresenta a composição
correta dos blocos militares, formados antes da
Primeira Guerra Mundial:
A-

Tríplice Aliança (Espanha Itália e
Alemanha) e Tríplice Entente (Estados
Unidos, França e Japão).
B- Tríplice Aliança (Rússia, Alemanha e
Itália) e Tríplice Entente (Japão,
Alemanha e Grã-Bretanha).
C- Tríplice Aliança (França, Alemanha e
Rússia) e Tríplice Entente (Portugal,
França e Estados Unidos).
D- Tríplice Aliança (Itália, Império AustroHúngaro e Alemanha) e Tríplice
Entente (Rússia, Reino Unido e
França).

A Primeira Guerra Mundial, acaba
plantando as sementes da Segunda Guerra,
uma vez que o militarismo e o nacionalismo não
desaparecem, ao contrário, surgem novos
totalitarismos. O conflito entretanto muda o
cenário global. As economias despertam para a
necessidade de um planejamento mais central
e um uso racional da força de trabalho,
deflagrando uma crise no liberalismo.
O comércio mundial ganha novos
contornos com a industrialização da América
Latina. A inflação surge no cenário econômico
internacional. Tem-se o início da participação
da mulher no mercado de trabalho e também de
sua emancipação.
Além da destruição geral e do grande
número de mortos, as principais conseqüências
da Primeira Guerra podem ser numeradas a
seguir:
1- Redefinição do mapa europeu.
2- Elevação
do
número
de
desempregados.
3- Condições humilhantes impostas a
Alemanha.
4- Progressiva degradação dos sistemas
democráticos,
especialmente
na
Alemanha e na Itália.
5- Criação da Liga das Nações.
6- Declínio da Europa e ascensão dos
EUA como potência mundial.

3- (ADAPTADO-UFJF)
Sobre o fim da Primeira Guerra é correto
afirmar que:
A-

Os conflitos prosseguiram depois da
assinatura dos Tratados de Versalhes, já
que a França não concordou em ceder à
Alemanha as regiões da Alsácia e
Lorena.

B- Não foram resolvidos os problemas que
deram origem à Primeira Guerra, já que
os tratados de paz previam apenas uma

69
trégua, com a suspensão dos conflitos
bélicos.
C- Na verdade não houve paz, uma vez que
a Alemanha recusou-se a assinar o
Tratado de Versalhes, elaborado pela
França e Inglaterra, que estabelecia o
término dos conflitos.
D- Os países europeus não tinham
condições bélicas de prosseguir os
conflitos, motivo pelo qual pode-se
explicar a rendição de todos os países
envolvidos na guerra.
E- Apesar da paz estabelecida, a guerra
afetou profundamente a economia dos
países europeus, que tiveram que arcar
com prejuízos imensos, mesmo os países
vitoriosos.

4- (PUC-PR)
Uma das causas da Primeira Guerra
Mundial foi o rompimento do equilíbrio europeu,
representado:
A-

BC-

DE-

pela França, em crescente expansão
após dominar enormes áreas da África do
Norte.
pela Rússia, cujo crescimento industrial a
equiparava à Alemanha.
pela Alemanha, unificada em 1870/71,
em rápido crescimento industrial e capaz
de desafiar o poderio inglês.
pela Inglaterra, que monopolizava a
produção industrial européia.
pelos
Estados
balcânicos,
que
ameaçavam dominar o Egito e a
Mesopotâmia.

5- (UFMG)
Leia estes trechos de depoimentos de excombatentes da Primeira Grande Guerra:
“Uma certa ferocidade surge dentro de você, uma
absoluta indiferença para com tudo o que existe
no mundo, exceto o seu dever de lutar. Você está
comendo uma crosta de pão, e um homem é
atingido e morto na trincheira perto de você. Você
olha calmamente para ele por um momento e
continua a comer o seu pão. Por que não?”
“Aqui desapareceu para sempre o cavalheirismo.
Como todos os sentimentos nobres e pessoais,
ele teve de ceder o lugar ao novo ritmo da batalha

e ao poder da máquina. Aqui a nova Europa se
revelou pela primeira vez no combate.”
Citados por EKSTEINS, Modris. A sagração da primavera.
Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

Com base na leitura desses trechos, é correto
afirmar que o impacto dessa guerra:
A- deu origem a um influente movimento
contra as guerras, que criou uma ordem
internacional pacífica.
B- acelerou o processo de libertação das
colônias afro-asiáticas, que se tornaram
Estados independentes a partir de então.
C- provocou uma crise nos valores
dominantes
até
então,
gerando
descrédito em relação ao humanismo e
ao racionalismo.
D- levou ao fortalecimento e à consolidação
dos regimes liberais já existentes, além
de contribuir para o surgimento de novas
democracias.

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2014]
Três décadas – de 1884 a 1914 – separam o
século XIX – que terminou com a corrida dos
países europeus para África e com o surgimento
dos movimentos de unificação nacional na
Europa – do século XX, que começou com a
Primeira Guerra Mundial. É o período do
Imperialismo, da quietude estagnante na Europa
e dos acontecimentos empolgantes na Ásia e na
África.
ARENDT, H. As origens do totalitarismo. São Paulo:
Cia. Das Letras, 2012.

O processo histórico citado contribuiu para a
eclosão da Primeira Grande Guerra na medida
em que
a)
b)
c)
d)
e)

Difundiu as teorias socialistas
Acirrou as disputas territoriais
Superou as crises econômicas
Multiplicou os conflitos religiosos
Conteve os sentimentos xenófobos

2- ENEM [2009]
A primeira metade do século XX foi marcada por
conflitos e processos que a inscreveram como
um dos mais violentos períodos da história
humana.

70
Entre os principais fatores que estiveram na
origem dos conflitos ocorridos durante a primeira
metade do século XX estão:
a) a crise do colonialismo, a ascensão do
nacionalismo e do totalitarismo.
b) o enfraquecimento do império britânico, a
Grande Depressão e a corrida nuclear.
c) o declínio britânico, o fracasso da Liga das
Nações e a Revolução Cubana.

III. entre os fatores que levaram as nações
europeias à guerra estavam as disputas
imperialistas por novos territórios, os ideais
expansionistas incentivados por teorias raciais e a
formação gradual de alianças entre as grandes
potências, conhecida como Paz Armada.
IV. como resultado da derrota alemã, o Tratado
de Versalhes, assinado depois da guerra, pôs fim
ao ódio racial e ao clima de revanchismo na
Europa, e a Inglaterra garantiu a sua supremacia
no capitalismo internacional.

d) a corrida armamentista, o terceiro-mundismo e
o expansionismo soviético.
e) a Revolução Bolchevique, o imperialismo e a
unificação da Alemanha.

Assinale a alternativa correta.
a) II e IV são corretas.
b) I e IV são corretas.

EXERCÍCIO COMENTADO
(UFU-MG)
“Como se explica que um período de tanto
progresso pudesse levar o Velho Continente,
berço da civilização ocidental, a experimentar
novamente a barbárie, como se viu durante a
Primeira Guerra Mundial? (...) Em 11 de
novembro (1918), terminava a Grande Guerra.
Morreram 8 milhões de pessoas, 20 milhões
ficaram inválidas, sem falar nos prejuízos
econômicos e financeiros que atingiram os países
europeus envolvidos diretamente com a guerra”.
REZENDE, Antônio Paulo; DIDIER, Maria Thereza. Rumos da
História: nossos tempos – O Brasil e o mundo
contemporâneo. São Paulo: Atual, 1996. v.3.

Tomando como referência a citação mostrada e
os seus conhecimentos sobre os antecedentes e
a eclosão da Primeira Guerra Mundial, podemos
afirmar que:
I. no campo das artes, a velocidade, a máquina, o
movimento, a energia foram os grandes temas do
futurismo no início do século, evocados como
símbolos da beleza e da tecnologia da sociedade
industrial moderna, provocando, entretanto, mais
tarde, grande desilusão por causa da carnificina
da guerra.
II. o discurso internacionalista do movimento
operário, que procurava negar as disputas entre
os Estados-nações, fez com que os trabalhadores
se recusassem a pegar em armas no início da
guerra, tal como se verificou na negativa de
participação da Rússia e nos motins liderados
pelo partido comunista francês em 1914.

c) II e III são corretas.
d) I e III são corretas.
Resposta certa: Alternativa D. Sobre o momento
que antecede a Primeira Guerra Mundial
podemos afirmar que há um desenvolvimento
muito grande em relação à tecnologia, que faz
com que surja uma sensação de que o futuro bate
à porta. Naquele momento a imagem de um
mundo altamente avançado, que atingiu o ápice
tecnológico era muito corrente, fato que reforçou
e contribuiu para o caráter expansionista e
imperialista das principais potências industriais do
período. Mais tarde, com as atrocidades
cometidas durante a guerra, houve um
desencantamento geral em relação aos avanços
tecnológicos, um questionamento sobre os
resultados provocados por todo avanço
tecnológico precedente.

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
12345-

B
D
E
C
C

Pintou no Enem:
1- B
2- A

71

CAPÍTULO 07

cabendo aos capitalistas russos apenas médios e
pequenos empreendimentos.

A REVOLUÇÃO RUSSA (1917)

Oposição Burguesa: Buscando uma
participação maior na política, grande parte dos
burgueses voltava-se para o liberalismo buscando
arrumar meios para estabelecer um regime
constitucional,
capaz
de
garantir
sua
representatividade junto ao poder central.
Desejavam estabelecer um sistema de
governo baseado na divisão de poderes
seguindo
os
moldes
na
monarquia
parlamentarista inglesa.

Introdução:
Assim como a Revolução Francesa em
1789 mostrou-se um modelo clássico de
Revolução Burguesa acabando com a velha
ordem vigente, e propiciando o desenvolvimento
do capitalismo moderno, a Revolução Russa de
1917 foi um modelo clássico de revolução
proletária que visava o fim do capitalismo e o
nascimento de uma nova ordem mundial
tornando-se a primeira nação socialista o mundo.

Com isso o Czar continuaria no topo do
poder político, mas dividindo suas prerrogativas
com
uma
assembleia
legislativa
eleita.
Organizaram-se
no
Partido
Constitucional
Democrático, o Partido Kadete, expressão das
reivindicações burguesas e que ainda agregava
alguns dos elementos mais “modernos” da
nobreza.
Oposição Operário-Camponesa: Dentre
os partidos de maior expressão é necessário
destacar primeiramente o Partido Socialista
Revolucionário o mais numeroso partido operário
que possuía também uma grande penetração no
campo, mas que se encontrava dividido em alas
socialistas e anarquistas, e usavam de táticas
violentas para tentar derrubar o regime.

A Rússia Pré-Revolução:
A Rússia antes da Revolução era
predominantemente agrária e semifeudal, onde a
aristocracia rural e o clero ortodoxo detinham o
controle da propriedade da terra e do poder
político.
O processo de industrialização iniciara
somente no fim do século XIX, concentrado nas
áreas de Kiev, Moscou e Petrogrado, sendo que
mais da metade do capital era de origem
estrangeira: principalmente França, Alemanha e
Inglaterra. A industrialização tardia e dependente,
concentrada em regiões específicas produziu
uma burguesia fraca e imprudente de um lado, e
de outro, um proletariado forte organizado e
combativo mantendo laços estreitos com os
camponeses (em razão de suas origens rurais).
Oposição Partidária ao Czar:
A burguesia russa, mostrava-se fraca e
dependente, uma vez que a concentração das
terras estava nas mãos dos nobres e o capital
das grandes empresas nos grupos estrangeiros,

O Partido Operário Social Democrata
Russo, surgira como um partido socialista
marxista autêntico. Em 1903, divergências
sobre táticas implementadas na luta pelo poder
acabou dividindo-o em duas alas: Bolcheviques
e Mencheviques.
Mencheviques (membros da minoria):
Propunham a formação de um partido que
buscaria a formação e implementação de um
socialismo seguindo a “evolução natural” da
sociedade, permitindo primeiro o amadurecimento
do capitalismo para depois fazer a revolução
implantando o socialismo, defendendo uma
aliança com a burguesia para acelerar o
processo. Foi liderado por Trotsky até 1917.
Bolcheviques (membros da maioria):
Propunham a formação de um partido com
organização profissional de revolucionários,
objetivando a insurreição plena e imediata para a
conquista do poder, implantando um regime
socialista através da posse de terras, indústrias,
bancos para o regime revolucionário. A aliança
permitida era unicamente entre camponeses e
operários (foice e martelo). Mais tarde o partido é

72
rebatizado com nome de Partido Comunista,
sendo liderado por Lênin e Trotsky.

oposição formada pelos sovietes, Duma e da
sociedade civil.

Antecedentes:

Com o governo dividido e enfraquecido
pela guerra, associado a uma oposição cada vez
mais numerosa e organizada, não haveria outro
caminho que não a Revolução.

O regime Czarista russo era baseado
principalmente na expansão militar. Em 1904 o
Czar russo Nicolau II mobilizou tropas em direção
ao Pacífico, entrando em choque com o
Imperialismo Japonês. A mobilização para a
guerra associada a uma derrota para o Japão
acentuou a fragilidade do sistema czarista e os
problemas sociais russos, levando a eclosão de
um movimento popular pacífico em frente ao
Palácio de Inverno do Czar, mas que foi
violentamente reprimido por ordens de Nicolau II.
O movimento ficou conhecido como
Domingo Sangrento e despertou uma onda de
protestos
por
todo
o
Império
(greves
trabalhadoras, rebeliões camponesas e motins
militares).
Inicialmente conduzido por operários, o
movimento foi aos poucos liderado pela burguesia
e pela classe média. Diante da proporção da crise
e da organização do movimento o Czar resolve
aceitar
algumas
das
reivindicações,
estabelecendo pequenas concessões como: a
legalização dos partidos políticos inclusive os
de oposição, a ampliação de direitos civis como
o de associações (sovietes) e a criação de uma
Assembleia Legislativa (Duma)
Pouco
depois
o
Czar,
tentando
restabelecer o controle do país, dissolveu a
Duma, prendendo líderes opositores e intervindo
em sovietes, o que só veio a contribuir para
aumentar o descontentamento com o regime.
O movimento de 1905 ficou conhecido
como um “Ensaio Geral” para a Revolução de
1917.

Um Atenuante: A Participação na Guerra:
A entrada da Rússia na Primeira Guerra
Mundial, acelerou o movimento revolucionário,
pois a necessidade de provisões, e o grande
número de mortos no conflito, aumentaram a
insatisfação da população. A Rússia não se
mostrava em condições de encarar uma guerra
de tamanha proporção. Com número de mortos
estimados na casa dos 4 milhões, mobilizou uma

As Fases da Rrevolução:
A Primeira Guerra iniciou-se na Europa
em 1914, e a Rússia se estabelece junto a
Tríplice Entente enfrentano a Áustro-Húngria e a
Alemanha. O custo do conflito logo apareceu, o
Exército debilitado logo começa a sofrer baixas,
derrotas e perda de território. Associada a uma
crise econômica esse foi o cenário que levou a
derrocada do Czarismo.
Em 1916 o exército russo tenta uma
última investida desesperada contra os alemães,
mas apenas adicionou mais uma derrota.
Internamente o descontentamento, a escassez de
alimentos e as greves se aglutinam em centros
industriais, bem como o apoio dos soldados e
operários torna o movimento incontrolável,
levando Nicolau II a abdicar em fevereiro de
1917.
Assim surgem na Rússia dois centros de
poder: a Duma Legislativa controlada pela
burguesia liberal, e os Soviets, conselhos de
camponeses, soldados e operários.
A Duma designa um Governo Provisório
presidido por Kerensky, ação que fica conhecida
como Revolução de Fevereiro. (teve caráter
democrático, liberal e burguês). Contrariando
expectativas populares, o governo liberal
comprometido com a burguesia internacional
manteve a Rússia na guerra, contribuindo para o
fortalecimento dos bolcheviques.
No começo de abril, começam a chegar
os exilados políticos, Lênin assumiu a liderança
do partido e lançou as Teses de Abril, que
propunham: a transferência de poder aos
soviets; a instauração de uma república
socialista; a distribuição de terras aos
camponeses e a saída imediata da guerra.
Por meio de uma bem organizada
estratégia, os bolcheviques tomam toda a cidade
em menos de 24 horas, cercando os prédios
públicos e forçando a fuga de Kerensky. Num II
Congresso dos Soviets de maioria Bolchevique
formam o primeiro governo socialista da história,

73
formado por operários, soldados e camponeses,
tendo a frente figuras como Lênin, Stalin e
Trotsky. Era a Revolução de Outubro sob o lema
de “Todo Poder aos Soviets”.

Em 1922 surge a União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), uma federação
reunindo outras nacionalidades em torno da
Rússia: Ucrânia, Biolorússia, Trans-caucásia e as
Repúblicas da Ásia Central.
A Economia de Guerra e a NEP:
Ao fim da Guerra Civil e das invasões
estrangeiras, a vitória estava consolidada. A partir
de 1921 estabeleceu-se a Nova Política
Econômica, que procurou restaurar a economia
de mercado abalada pelos anos de guerra.
Segundo Lênin tratava-se de “dar um passo
para trás para dar dois adiante”. Dentre as
principais características podemos citar.

Lênin (1920)

Logo de início, o governo nacionalizou as
indústrias e os bancos estrangeiros, redistribuiu
terras (da Igreja, da Coroa e da Aristocracia) e
firmou um armistício com a Alemanha, cedendo
territórios em troca da paz pós saída da Guerra
(Tratado de Brest-Litovsky).

O Comunismo de Guerra:
Logo que a guerra acaba em 1918, os
países capitalistas temendo que os rumos da
Revolução Russa pudessem influenciar os
trabalhadores europeus, resolvem apoiar os antibolcheviques (oficiais do exército russo, czaristas
e liberais) que formam o Exército Branco para
combater o governo socialista. Em contrapartida
uma
guarnição
militar
constituída
pelos
bolcheviques as vésperas da revolução de
outubro que originou a guarda vermelha após a
tomada do poder tornou-se o Exército Vermelho
dirigido por Trotsky, e foi ampliado para fazer
frente ao Exército Branco.
O combate entre Brancos e Vermelhos
durou de 1918 a 1921, nesse meio tempo, alguns
países declararam guerra aos Russos, mas a
vitória coube aos Vermelhos apoiados por outras
nações e também pelo bolcheviques.
A vitória no entanto, exigiu medidas
extremas que ficaram conhecidas como
Comunismo de Guerra: centralização da
economia; equiparação salarial e em alguns
casos confisco de gêneros alimentícios
agrícolas.

a) abolição do confisco de gêneros
alimentícios, como ocorrera durante o
Comunismo de Guerra.
b) Restabelecimento da distinção salarial.
c) permissão para entrada de trabalhadores
técnicos estrangeiros, para os setores
básicos da economia.
d) remessa de parte do capital para o
exterior.
Esse plano de medidas durou até 1927,
quando transformações no interior da URSS
iniciaram uma nova etapa na história como
expresso a seguir.

Stalinização:
Após a morte de Lênin em 1924, houve
uma disputa pelos rumos da revolução e pela luta
do poder político da recém fundada URSS, que
discutiam os rumos e propagação do movimento
para outros países.
Internacionalistas
defendiam
uma
Revolução Permanente ou Mundial, sendo
necessário o apoio de países avançados para
manter vivos os ideais da Revolução Russa,
sendo liderado por Leon Trotsky.
Diferentemente, os social-nacionalistas
acreditavam no modelo socialista único
devendo ser consolidado primeiramente na
Rússia, sendo liderado por Josef Stálin.

74

Stálin e Lênin [1919]

Com maior apoio político Stálin venceu a
disputa e iniciou uma nova era na história da
Revolução: O Stalinismo (1927-1953).
Seu governo fora marcado por violentos
expurgos e condenações de opositores, inclusive
Trotsky.
No plano econômico tem-se a adoção dos
planos quinquenais, que planificavam a
atividade econômica objetivando o crescimento
industrial através das industrias de base e a
coletivização forçada dos campos após 1928.
No terceiro plano quinquenal a Rússia já
era a terceira maior Potência Mundial e a
segunda europeia. A agricultura cresce com a
socialização da terra através de fazendas
coletivas (Sockhozes) e fazendas cooperativas
(kolkhozes).
No plano político, Stálin consolidou seu
poder assumindo o controle do Partido
Comunista. É claro observar que a situação
econômica do país melhorara da década de 20
para a de 30, mas a revolução não conseguiu
alcançar seu principal objetivo: a total distribuição
de renda. A burocracia dirigente, minoria,
reservava para si uma série de privilégios, e a
massa trabalhadora (maioria) vivia com um
padrão inferir ao dos países capitalistas
avançados.

SESSÃO LEITURA:
# O Socialismo e a relação entre as Ideias de
Karl Marx e a Revolução Russa:
Os primeiros pensadores socialistas
surgiram na Inglaterra e na França pós Revolução
Industrial (século XIX). Cansados da forma como
a sociedade estava sendo conduzida (com a
exploração excessiva da mão de obra
trabalhadora para o enriquecimento de uma

pequena parcela da sociedade – a burguesia)
esses pensadores criticavam o capitalismo, e
acreditavam que seria possível projetar uma nova
sociedade baseada na solidariedade e não no
individualismo. A esses primeiros pensadores
socialistas foi dado o nome de Socialistas
Utópicos: utópicos pois, embora pensassem num
modelo de sociedade ideal e justa, nunca
conseguiram colocar em prática suas ideias.
(Destaque para os pensadores Charles Fourier e
Robert Owen). Como então colocar o socialismo
em prática?
Essa era a grande questão em voga, até que a
resposta fosse formulada tempos depois por dois
alemães: Karl Marx e Friedrich Engels.
Para ambos, o socialismo só seria possível
após a sociedade atingir um alto desenvolvimento
capitalista. Além disso, eles pregavam que a
única força para a transformação social estava na
classe social criada e reforçada pelo capitalismo:
o
proletariado.
Dessa
forma
os
trabalhadores livres e assalariados assumiram a
importância decisiva exatamente por causa do
Capitalismo.
Marx e Engels defendiam um socialismo
científico, ou seja, baseado em descobertas
científicas que eles teriam feito sobre a história, a
sociedade, a economia, o poder. Através desse
caráter empírico ambos acreditavam que o
socialismo era possível de ser atingido e até
mesmo necessário.
Na prática, para atingir o objetivo tão sonhado,
era necessário pôr um fim na propriedade privada
capitalista que era o espaço que “aprisionava” os
trabalhadores, e os submetia aos patrões e à
exploração da mais-valia.
Em outras palavras, ambos acreditavam que o
socialismo só seria implementado a partir do
momento em que o trabalhador (ou proletariado)
adquirisse uma consciência de sua real situação
(consciência de classe) e se rebelasse contra o
sistema capitalista vigente. A partir daí, com a
revolução
nas
mãos,
esses
mesmos
trabalhadores conduziriam a sociedade a um
governo igualitário (do trabalhador para o
trabalhador),
promovendo
as
mudanças
necessárias para uma sociedade mais justa e
menos desigual.
Essas ideias foram amplamente abordadas em
obras como O Capital (1867), e Manifesto
Comunista (1848), e posteriormente adotadas por
líderes políticos, como Lênin – uma das principais
figuras durante a Revolução Russa.

75
Lênin, influenciado pelas ideias de Marx e
Engels, teorizou sobre as possibilidades de
instauração de um governo revolucionário feito
pelo povo, dando fim ao Czarismo russo, e
defendeu, entre outras coisas, o fim da
propriedade burguesa e a reforma agrária.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:

B- a saída da Rússia da Primeira Guerra
Mundial, a instauração de uma monarquia
parlamentar e a formação da Guarda
Vermelha.
C- a entrada da Rússia na Primeira Guerra
Mundial, a instalação da ditadura do
proletariado e a adoção de uma nova
política econômica (a NEP).
D-

1- (Adaptado UFJF)
Em março de 1921, Lenin afirmava:
“É necessário abandonar a construção imediata
do socialismo para se voltar, em muitos setores
econômicos, na direção de um capitalismo de
Estado”.

a manutenção da Rússia na Primeira
Guerra Mundial, o domínio dos estreitos
de Bósforo e Dardanelos e a formação de
um Parlamento (Duma).

E- a saída da Rússia da Primeira Guerra
Mundial,
a
divisão
das
grandes
propriedades entre os camponeses e a
regularização do abastecimento interno.

3- (Adaptado UFJF)
Tendo em vista as etapas da Revolução Russa,
podemos interpretar essa declaração no sentido
de:
A- representar o abandono do comunismo
de guerra e o início da Guerra Civil.
B- traduzir o insucesso dos planos
quinquenais e o retorno a uma economia
capitalista.
C- indicar a possibilidade do socialismo num
só país, daí a volta do capitalismo
monopolista.
D-

introduzir a Nova Política Econômica,
caracterizada por algumas concessões
ao capitalismo, a fim de possibilitar o
avanço do socialismo.

E- aceitar a introdução de métodos
capitalistas na produção e o retorno à
iniciativa privada.

2- (Adaptado UFJF)
Em 1917, liderados por Lenin e Trotsky, os
bolcheviques ganharam popularidade com as
“Teses de abril”, enunciadas na plataforma “paz,
terra e pão”, que propunha:
A- a manutenção da Rússia na Primeira
Guerra Mundial, a conquista da
Manchúria e a formação dos sovietes.

A Revolução Socialista na Rússia, em
1917, foi um dos acontecimentos mais
significativos do século XX, uma vez que colocou
em xeque a ordem socioeconômica capitalista.
Sobre o desencadeamento do processo
revolucionário, é correto afirmar que:
A-

os mencheviques tiveram um papel
fundamental no processo revolucionário
por defenderem a implantação da ditadura
do proletariado.

B-

os bolcheviques representavam a ala
mais conservadora dos socialistas, sendo
derrotados, pelos mencheviques, nas
jornadas de outubro.

C- foi realimentado pela participação da
Rússia na Primeira Guerra Mundial, o que
desencadeou uma série de greves e
revoltas populares em razão da crise de
abastecimento de alimentos.
D- foi liderada por Stalin, a partir de outubro,
que estabeleceu a tese da necessidade
da revolução em um só país, em oposição
a Trotsky, líder do exército vermelho.
E-

o Partido Comunista conseguiu superar
os conflitos que existiam no seu interior
quando estabeleceu a Nova Política
Econômica
que
representava
os
interesses
dos
setores
mais
conservadores.

76
4- (Adaptado UFJF)
No final de 1921, com o término da guerra
civil e a retirada das forças estrangeiras, o Partido
Comunista, visando reconstruir a economia do
país, decidiu adotar a NEP (Nova Política
Econômica). Tal programa de desenvolvimento
econômico, com relativa liberalização, adotado
pelo governo da União Soviética, permaneceu em
vigor até 1928, sendo caracterizado, exceto:
A- pelas graves divergências políticoideológicas geradas a nível das
lideranças
do
próprio
partido,
radicalizando as posições.
B- pela privatizações de empresas com
menos de vinte trabalhadores e pela
autorização aos pequenos artesãos de
vender os seus produtos.
C- pela
abertura
da
economia
aos
investimentos
estrangeiros
e
pelo
restabelecimento
das
relações
econômicas com a Inglaterra e a
Alemanha.
D- pelo desenvolvimento de segmentos
sociais enriquecidos, com os KULAKS
(camponeses ricos) e os NEPMEM
(comerciantes intermediários).
E- pela criação da Glosplan, órgão estatal
responsável pela elaboração de planos
de produção rigorosos e de objetivos
precisos
para
todos
os
setores
econômicos.

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2013]
Na produção social que os homens realizam, eles
entram em determinadas relações indispensáveis
e independentes de sua vontade; tais relações de
produção correspondem a um estágio definido de
desenvolvimento das suas forças materiais de
produção. A totalidade dessas relações constitui a
estrutura econômica da sociedade – fundamento
real, sobre o qual se erguem as superestruturas
política e jurídica, e ao qual correspondem
determinadas formas de consciência social.
MARX, K. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX,
K.; ENGELS, F. Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977
(adaptado).

Para o autor, a relação entre economia e
política estabelecida no sistema capitalista faz
com que:
A- o proletariado seja contemplado pelo
processo de mais-valia.
B- o trabalho se constitua como fundamento
real da produção material.
C- a consolidação das forças produtivas seja
compatível com o progresso humano.
D- a autonomia da sociedade civil seja
proporcional
ao
desenvolvimento
econômico.
E- a burguesia revolucione o processo social
de formação da consciência de classe.

EXERCÍCIO COMENTADO
(Adaptado UFJF)
Considerando-se a Revolução Russa de
1917, que derrubou o regime czarista e pretendeu
instalar o socialismo naquele país, é possível
afirmar que:
A- a vitória da Rússia na Primeira Guerra
Mundial favoreceu a concentração de
poder pelo Czar.
B- a política imperialista do Czar levou a
Rússia à guerra com a China pela posse
da Manchúria.
C- na sua primeira fase, caracterizou-se
como uma revolução liberal que separou
Estado e Igreja e criou eleições por
sufrágio universal.
D- em 1917, constituiu-se o Conselho dos
Comissários do Povo, presidido pelo
Czar, para resistir à Revolução.
E- Lênin, exilado na Finlândia ficou excluído
do processo revolucionário.

Resposta certa: Alternativa D. Com o aumento
das pressões em torno do governo do Czar e com
a crescente ideia de insurreição contra seu
governo, Nicolau II, tentando uma última cartada
para controlar a situação, instaura o Conselho
dos Comissários do Povo: uma tentativa de
aproximação da população feita pelo chefe de
estado, e uma forma de diluir o poder garantindo
maior espaço para os setores sociais da Rússia

77
czarista. Todavia, os esforços por parte do Czar
não surtiram o efeito desejado, a ideia da
Revolução era cada vez mais forte, tornando-se
um fato inevitável.

CAPÍTULO 08

A CRISE DE 1929

Introdução:

GABARITO
Exercícios de Fixação:
1- D
2- E
3- C

O período entre guerras (1919-1939)
foi marcado pela mais contundente crise do
capitalismo desde seu surgimento: A Crise de
1929. Uma crise de superprodução
acompanhada de um subconsumo, iniciado
nos Estados Unidos e que em maior ou menor
grau, atingiu todos os países do mundo
capitalista.

4- A
Pintou no Enem:
1- B

O Crescimento Americano:
No governo de Theodore Roosevelt (19011909), os Estados Unidos tornam-se efetivamente
uma potência mundial e entrou efetivamente na
disputa imperialista.
A produção norte americana deu um salto
gigantesco em vários setores, destacando-se a
indústria bélica, de material de campanha, de
alimentos e mesmo de setores destinados ao
consumo interno, uma vez que o potencial de
consumo no país aumentou com a elevação do
nível de emprego; ou ainda para a exportação,
principalmente para a América Latina, tomando o
lugar que tradicionalmente coube à Inglaterra, e
para os demais países da Europa durante a
Primeira Guerra Mundial.

A Relação entre os EUA e a Guerra:
Com a Primeira Guerra Mundial, o papel
dos EUA no cenário internacional alterou-se. A
guerra fora planejada para poucos meses, porém
sua longa duração e o envolvimento de diversos
países com a política de alianças, gerou o
problema de abastecimento, pois os países
beligerantes precisavam cada vez mais de
roupas, alimentos, armas e dinheiro. Os EUA
eram o único país em condições de atender a
demanda europeia, e como a princípio não
participava do conflito podia comercializar com
ambos os lados.
Desta forma, e “neutros politicamente”,
enriqueceram muito se tornando o grande credor
da Europa. Até aproximadamente 1914, havia

78
grandes investimentos europeus (principalmente
Inglaterra e França) nos EUA, e com a guerra as
relações econômicas com a Europa mudaram de
fluxo. No final da guerra os Estados Unidos eram
a maior potência econômica do globo.
Os anos 20 foram marcados por uma
explosão de crescimento interno, a produção
crescia
a
uma
velocidade
considerável,
alcançando diversos setores e desenvolvendo
novas tecnologias como por exemplo o rádio, que
em 10 anos passou de raridade a elemento
obrigatório nos lares americanos, onde os
anunciantes começam uma disputa pela
preferência e atenção dos ouvintes.
No plano industrial, há um aumento da
produção devido ao incremento de novas formas
de energia como a eletrificação, uso do petróleo e
derivados. Isso acarretou um efeito de
barateamento no custo da produção de aço e
crescimento da produção automobilística.
A expansão do crédito incrementava a
venda dos produtos, aquecendo a economia.
Formaram-se grandes impérios industriais e
comerciais nos EUA. Ao final da década de 20
por exemplo, um em cada 5 americanos tinha um
automóvel o que encurtou as distâncias e facilitou
o deslocamento de mercadorias por todo o país.
O sucesso econômico produziu também o
nascimento da indústria do entretenimento, com
destaque para o cinema, maior instrumento para
a difusão do “american way of life” ou modo de
vida americano, através de Hollywood esse
padrão foi exibido para o mundo inteiro, passando
a ser invejado, desejado e consumido.
A agricultura também se beneficiou, com
um surto de prosperidade acompanhando o
crescimento das áreas de eletrificação rural e a
emergente mecanização do campo.

Isso mostra o caráter contraditório do
capitalismo, já que o enriquecimento ocorre
através da produção e exploração do trabalho
gerando o lucro. Mas a mesma produção
geradora de lucro ou riqueza, quando demasiada
e não acompanhada de consumo pode significar
uma queda na lucratividade quando o fluxo de
consumo decresce, e foi exatamente isso que
aconteceu.
Com os preços baixos os cortes nos
custos da produção, tornam-se necessários a
demissão maciça de empregados como primeira
medida. Ocorre que, com mais desempregados,
diminuía o consumo e os preços eram forçados a
baixar novamente; cortavam-se mais custos; mais
demissões; redução dos preços novamente...
Diante desta situação, os grandes
empresários passaram a especular na Bolsa de
Valores, atribuindo as suas ações preços irreais,
muito mais altos. Os investidores passaram a
desconfiar e a partir de setembro de 1929,
colocaram simultaneamente seus títulos a venda
e a bolsa entrou em declínio, mas era o primeiro
passo para o colapso.
No dia 24 de outubro de 1929, a bolsa
quebrou e o dia ficou lembrado como a quintafeira negra. Milhões de ações não encontraram
compradores
e
as
cotações
baixaram
vertiginosamente, causando falência nos bancos,
empresas, indústrias e comércio. Milhares de
funcionários foram demitidos e o mercado entrou
em uma retração profunda.
Não só os EUA sofreram com a quebra
da bolsa, mas também a Europa que viu os
créditos estrangeiros evaporarem, e a América
Latina cujos países não tinham como repassar na
mesma proporção suas matérias primas.

SESSÃO LEITURA
A Crise de Superprodução:
Durante a guerra, a grande demanda do
mercado externo garantia o total escoamento da
produção americana. Como fornecedor único,
houve uma supervalorização dos produtos nos
EUA, enriquecendo a sociedade americana.
Quando a guerra acabou e quando os países
europeus voltaram a produzir, adotaram também
medidas protecionistas que garantissem a
competição interna. Com isso o produto
americano, visto como caro, não podia mais
concorrer com os europeus.

O New Deal:
A não intervenção do Estado e o estrago
causado pelos empresários americanos, foram os
fatores fulminantes nos princípios liberais
predominantes até então (Liberalismo Econômico
Clássico). O custo foi enorme, além da
quebradeira geral das empresas e indústrias, o
número de desempregados em 1933 chegava a
casa dos 15 milhões, apenas nos EUA. A
Alemanha por exemplo tinha índices próximos

79
aos 6 milhões. Apenas a URSS que vivia isolada
através da política de “cordão sanitário” imposta
pelos capitalistas, escapou da crise.

B-

surgiram os movimentos operários de
caráter reformista, conduzidos habilmente
pela maioria socialista aliada ao Estado.

Em 1832 foi eleito para presidente dos EUA
Franklin Roosevelt, que anunciou um conjunto de
profundas mudanças na economia e sociedade
americana. O ponto crucial e que mudaria a
política econômica a partir de então, seria a
intervenção estatal para salvaguardar o modelo
capitalista: estas séries de medidas receberam o
nome de New Deal.

C-

os partidos políticos mais expressivos
associaram-se com o intuito de restaurar
a credibilidade do Estado.

O plano estimulava investimentos a partir
do Estado na economia, através de investimentos
na infraestrutura do país: construção de estradas;
barragens; auditórios; aeroportos; portos e
habitações
populares.
O
aumento
de
investimentos nos setores produtivos reduziria o
contingente de desempregados e recuperaria se
poder de compra.

D- houve um amplo pacto social com o
objetivo de estabilizar a vida econômica e
política desses países.
E-

houve o agravamento das tensões
sociais, e a ditadura foi a opção de
consenso para que se restabelecessem a
ordem e a justiça.

2- Mackenzie-SP
As causas da crise de 1929 foram:

O governo ainda remunerou agricultores
para que não plantassem mais, reduzindo a oferta
dos produtos agrícolas limitando a produção.
Estabeleceu ainda medidas de proteção social
como: seguro desemprego, salário mínimo e
aposentadoria.
Apesar dos avanços do New Deal,
críticos da intervenção do Estado na economia,
setores mais conservadores limitaram a
quantidade de capitais investidos nas ações do
governo. Desta forma os efeitos da grande
depressão de 30, apesar de amenizados com o
New Deal, só foram totalmente superados com o
início da Segunda Guerra Mundial.

A-

aumento das taxas de juros, explosão de
consumo, quebra da produção agrícola e
nacionalização de empresas.

B- consolidação do nazi-fascismo, aumento
do consumo, valorização do mercado
financeiro e aumento das exportações.

C- Crack da Bolsa de Nova York, aumento
dos preços do petróleo, redução dos
salários.
D-

intervenção do Estado na economia,
contradição
entre
capacidade
de
consumo e produção e concorrência com
produtos asiáticos.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
PINTOU NO ENEM:
1- PUCCamp-SP
No pós-guerra, a situação de miséria e a
crise de 1929 provocaram o descrédito da
população
no
capitalismo
liberal
e,
simultaneamente, criaram condições favoráveis
para a expansão das ideias socialistas. Com isso,
na Itália e na Alemanha:
A-

as burguesias industriais e financeiras
apoiaram os regimes nazifascistas,
temerosas com o avanço das ideias
socialistas.

1- ENEM [2012]
TEXTO I
“A Europa entrou em estado de exceção,
personificado por obscuras forças econômicas
sem rosto ou localização física conhecida que
não prestam contas a ninguém e se espalham
pelo globo por meio de milhões de transações
diárias no ciberespaço.”
ROSSI, C. Nem fim do mundo nem mundo novo. Folha de
São Paulo, 11 dez. 2011 (adaptado).

80
TEXTO II
“Estamos imersos numa crise financeira como
nunca tínhamos visto desde a Grande Depressão
iniciada em 1929 nos Estados Unidos”.

todos os setores da economia: comércio,
finanças, agricultura e indústria.
B-

Entrevista
de
George
Soros.
Disponível
em:
www.nybooks.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado).

A comparação entre os significados da
atual crise econômica e do crash de 1929 oculta a
principal diferença entre essas duas crises, pois:
A- o crash da Bolsa em 1929 adveio do
envolvimento dos EUA na I Guerra
Mundial e a atual crise é o resultado dos
gastos militares desse país nas guerras
do Afeganistão e Iraque.
B- a crise de 1929 ocorreu devido a um
quadro de superprodução industrial nos
EUA e a atual crise resultou da
especulação financeira e da expansão
desmedida do crédito bancário.
C- a crise de 1929 foi o resultado da
concorrência dos países europeus
reconstruídos após a I Guerra e a atual
crise se associa à emergência dos BRICS
como novos concorrentes econômicos.
D- o crash da Bolsa em 1929 resultou do
excesso de proteções ao setor produtivo
estadunidense e a atual crise tem origem
na internacionalização das empresas e
no avanço da política de livre mercado.
E- a crise de 1929 decorreu da política
intervencionista norte-americana sobre o
sistema de comércio mundial e a atual
crise resultou do excesso de regulação
do governo desse país sobre o sistema
monetário.

A realização de reforma agrária que
limitou a extensão da propriedade,
assegurando-se, então, a distribuição de
parcelas
entre
as
famílias
desempregadas.

C- O agravamento das dificuldades no
período de 1929/32, revelando a
insuficiência das medidas adotadas pelo
governo Hoover (republicano), criou
condições para a vitória do candidato do
Partido Democrata (F. D. Roosevelt).
D-

A adoção da política do New Deal, que
sofreu críticas de alguns segmentos da
sociedade, desconfiados com a forma
como foi enfrentada a questão social,
quer pela garantia de assistência
governamental aos desempregados, quer
pelo apoio do governo federal aos
sindicatos.

E- A adoção do New Deal, ampliando a
esfera de participação do Estado nos
assuntos econômicos, permitiu que a
sociedade
norte-americana
se
recuperasse sem prejuízo do regime
capitalista e da democracia.
Resposta certa: Alternativa B. Dentre todas as
transformações ocorridas nos Estados Unidos via
intervenção do Governo para solucionar os
problemas da crise, a única questão que
permaneceu fora do New Deal foi a da Reforma
Agrária, nunca tendo ocorrido tal reforma na
história dos Estados Unidos.

GABARITO:
EXERCÍCIO COMENTADO
Cesgranrio-RJ
Sobre a crise que se instalou na economia
e na sociedade norte-americanas, após a quebra
da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, são
corretas as afirmações a seguir, com exceção de
uma:
A- Agravamento das tensões sociais, em
face
do
grande
número
de
desempregados nos centros urbanos e
nas áreas rurais, pois a crise atingiu a

Exercícios de Fixação:
1- A
2- C
Pintou no Enem:
1- B

81

CAPÍTULO 09
ERA VARGAS:
DO GOVERNO PROVISÓRIO À ARTICULAÇÃO
DO GOLPE DE 1937

Introdução:
Durante a década de 1930, espalhou-se
pelo mundo uma grande depressão econômica,
fruto de uma crise do sistema capitalista. Isso
tudo graças a um grande crescimento do nível de
produção que não foi acompanhado pelo
consumo e poder aquisitivo: Superprodução x
Subconsumo.
A crise capitalista que marcou o período
entre as duas grandes guerras mundiais teve
efeitos muito mais amplos do que as crises
cíclicas anteriores, culminando na Grande
Depressão da década de 1930. Essa crise atingiu
o mundo de uma forma tão violenta, que
provocou um desacerto geral do sistema
capitalista: incorporaram ao contingente de
desempregados mais de 40 milhões de pessoas,
levando ao caos a economia de dezenas de
países.
No Brasil a sociedade tinha na Revolução
de 1930 uma expectativa de mudanças
qualitativas.

Os Efeitos da Depressão no Brasil:
O final dos anos 20 foi marcado por uma
crise da agricultura de exportação que já
prenunciava as dificuldades que a economia
brasileira enfrentaria na década seguinte. Nos
anos 30, proprietários de terras em quase todo o
país se arruinaram e a oligarquia cafeicultora
sofreria um grande enfraquecimento político.
As empresas internacionais passaram a
recolher para suas matrizes os investimentos
feitos no exterior, reduzindo as já precárias
reservas monetárias dos países dependentes
onde estavam instaladas.
A política de valorização do café que se
baseava em empréstimos subsidiados no exterior,
estava comprometida. Paralelamente caiam os
preços dos produtos primários no mercado
internacional,
prejudicando
não

os

cafeicultores, mas também os produtores de
outros gêneros agrícolas de exportação, como
açúcar, cacau e algodão.

O Governo Provisório:
Em 3 de novembro de 1930, a junta
militar passou o poder, no Palácio do Catete, a
Getúlio Vargas, encerrando a chamada
República Velha.
Getúlio tornou-se Chefe do Governo
Provisório com amplos poderes. A constituição
de 1891 foi revogada e Getúlio governava por
decretos. Getúlio nomeou interventores para
todos os Governos Estaduais, com exceção de
Minas Gerais. Esses interventores eram na
maioria Tenentes que participaram da Revolução
de 1930.
A vitória de Vargas e da Revolução de 30
significava um rearranjo de forças políticas no
Brasil. Várias forças haviam participado do
movimento,
como
militares,
oligarquias
dissidentes, membros da classe média e até
mesmo membros de parte da oligarquia cafeeira
(mineiros que perderam a vez na sucessão
presidencial). Vargas surge fortalecido com o
papel de mediador político e árbitro entre
disputa de interesses destes vários grupos.
No início de seu governo, com a
centralização do poder, Vargas iniciou a luta
contra o regionalismo. A administração do país
tinha que ser única e não ser dividida pelos
proprietários rurais como ocorria na República
Velha. Muitas medidas que tomou no plano
econômico financeiro não resultaram de novas
circunstâncias, mas das circunstâncias impostas
pela crise mundial.
O
Governo
Provisório
mostrou-se
preocupado com a crise do café, pois este
continuava sendo o produto responsável pela
maior parte de nossas divisas. Em fevereiro de
1931 reiniciava-se a política de valorização do
café: o governo federal comprou grandes
quantidades de sacas e criou o Conselho
Nacional do Café (depois Departamento Nacional
do Café) com o objetivo de regularizar e proteger
a economia cafeeira. No entanto, a oligarquia
cafeeira já não teria os mesmos privilégios, tendo
de arcar com uma parcela maior de prejuízos.

82
Os proprietários do café estavam
obrigados a entregar ao Estado uma cota de
20% da produção a preços simbólicos, pagar
tributos para novos plantios, além de um imposto
por saca de café exportada. Mesmo assim, para
diminuir os gastos da estocagem e tentar elevar o
preço no mercado internacional, o Estado teve
de queimar muitas sacas entre 1931 a 1944.
Mesmo, com a crise mundial, conhecida
como “crash de 1929”, houve uma intensa
aceleração do desenvolvimento industrial.
Entre 1929 e 1939, a indústria cresceu 125%,
enquanto na agricultura o crescimento não
ultrapassou 20%. Esse desenvolvimento deu-se
através da diminuição das importações e da
oferta de capitais, que trocaram a lavoura
tradicional em crise, pela indústria. Mas, foi a
participação do Estado, com tarifas protecionistas
e investimentos, que mais influenciou esse
crescimento industrial.
A partir de 1930, a sociedade brasileira
viveu importantes mudanças. Acelerou-se o
processo de urbanização e a burguesia começa
a participar cada vez mais na vida política. Com o
progresso da industrialização, a classe
operária cresceu muito. Vargas, com uma política
de governo dirigida aos trabalhadores urbanos,
tentou atrair o apoio dessa classe que era
fundamental para a economia, pois tinha em
mãos o novo motor do Brasil: a indústria.
A criação do Ministério do Trabalho,
Indústria e Comércio, em 1930, resultaram
numa série de leis trabalhistas. Parte delas visava
ampliar os direitos e garantias do trabalhador: lei
de férias, regulamentação do trabalho de
mulheres e crianças.
Todo esse processo de desenvolvimento,
no Brasil, foi acompanhado por uma verdadeira
revolução cultural e educacional que acabou
garantindo o sucesso de Vargas na sua tentativa
de transformar a sociedade.
Em
1920,
reformas
promovidas
separadamente já buscavam a renovação
pedagógica. A partir de 1930, medidas para a
criação de um sistema educativo público foram
controladas oficialmente pelo governo. Esta
vontade de centralizar a formação e de torná-la
acessível aos mais pobres ficou clara com a
criação do Ministério da Educação e Saúde em
novembro de 1930. Com a difusão da instrução
básica, Vargas acreditava poder formar um povo

mais consciente e mais apto às exigências
democráticas, como o voto, e uma elite de futuros
políticos, pensadores e técnicos.
Em 1931, o governo decretou a
obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas
públicas. Esta aproximação entre Estado e
Igreja também foi marcada pela inauguração, a
12 de outubro de 1931, da estátua do Cristo
Redentor no Corcovado. O historiador Boris
Fausto afirmou que a Igreja, em troca, “levou a
massa da população católica a apoiar o novo
governo”. Em relação ao ensino superior, o
governo procurou estabelecer as bases do
sistema universitário, investindo nas áreas de
ensino e pesquisa.
Além de haver um desenvolvimento
educacional, houve uma verdadeira revolução
cultural em relação à República Velha. O
modernismo, tão criticado antes de 1930,
tornou-se o movimento artístico principal a
partir do golpe de Vargas. A Academia de Letras,
tão admirada antes, não tinha mais nenhum
prestígio. A cultura predominante era a popular
que, com o rádio, desenvolveu-se por todo o
Brasil. Nos anos 30 e 40, por exemplo, o samba e
a marcha, antes praticamente confinados aos
morros e subúrbios do Rio, conquistaram o país e
todas as classes
.
A Revolução Constitucionalista de 1932:
A oligarquia paulista não aceitou sua
marginalização e, tentando retomar o poder,
aproveitou-se do descontentamento da população
diante das dificuldades econômicas para insurgirse contra o centralismo preconizado pelos
Tenentistas. O Partido Democrático e o Partido
Republicano Paulista se uniram sob as palavras
de ordem: “interventor civil e paulista”, exigindo
também uma nova Constituição para o país.
O governo central cedeu à primeira
reivindicação, nomeando Pedro de Toledo como
interventor. Em seguida, apesar da oposição
Tenentista, Getúlio mandou publicar o novo
código eleitoral e
o anteprojeto da
Constituição.
Porém as manifestações continuavam, e
a reação contra um grupo de estudantes culminou
na morte de quatro manifestantes: Martins,
Miragaia, Dráuzio e Camargo. Os estudantes
mortos, tiveram as iniciais de seus nomes

83
transformadas na sigla do movimento paulista:
MMDC.
Em 09 de julho de 1932 em SP iniciou-se
então uma luta armada. Não possuindo estrutura
bélico-militar necessária, e acusado de estar
realizando um movimento separatista, SP teve de
render-se às forças federais depois de três meses
de guerra civil.
Embora a Revolução Constitucionalista
de 1932 tivesse sido um fracasso do ponto de
vista militar, no campo político seus reflexos
foram positivos: em 1933, Vargas promoveu
eleições para a Assembleia Constituinte e em
novembro do mesmo ano tiveram início os
trabalhos dos constituintes eleitos, os quais
resultariam na promulgação de uma nova
Constituição.
Embora essa Constituição apresentasse
grandes avanços sociais e políticos, ao mesmo
tempo não questionava pontos essenciais da
sociedade brasileira como a estrutura agrária ou a
distribuição de renda.

AIB x ANL:
A crise econômica estendeu-se por toda a
década de 1930, aumentando o desemprego e
diminuindo os salários. As lutas políticas
internacionais também se refletiam no Brasil. Na
Europa difundiam-se o nazismo e o fascismo,
que se opunham ao modelo socialista, implantado
na União Soviética em 1917.
O
anticomunismo
foi
a
fórmula
encontrada pela alta burguesia de grande número
de países europeus para superar a crise
econômica da época, passando a perseguir
comunistas, socialistas, e liberais.
A onda nazifascista chegou ao Brasil
em 1932, com a formação na Ação Integralista
Brasileira (AIB), movimento de extrema direita
(Estado
ditatorial,
ultranacionalista
e
anticomunista) liderado por Plínio Salgado. Sob
o lema “Deus, pátria e família”, seu objetivo era
um estado corporativo e antidemocrático. Da
Ação Integralista faziam parte bandos armados,
denominados camisas verdes, que promoviam
pancadarias e perseguições aos cidadãos
acusados de comunistas.

A saudação "anauê", adotada pelos integralistas Brasileiros,
de provável origem tupi, significando "você é meu irmão".

A propagação do integralismo, somada
ao agravamento das condições de vida dos
assalariados e ao autoritarismo governamental
provocaram a união de vários setores.
Em março de 1935, a ala reformista e
esquerdista dos Tenentes, camadas liberais,
socialistas, comunistas e líderes sindicais de
diversas tendências progressistas criaram uma
frente popular chamada Aliança Nacional
Libertadora.
Foi eleito para presidi-la o Cap.
Herculano Cascardo, líder ativo da rebelião
Tenentista de 1924, em SP. Luís Carlos Prestes,
líder da coluna que aderiu ao Partido Comunista
Brasileiro, foi eleito seu presidente de honra. Era
o primeiro movimento de massa nacional com
intenções democráticas, anti-imperialistas e
reformistas, que congregava várias oposições
a Vargas.

Reivindicações:
* Suspensão do pagamento da dívida externa;
* Nacionalização das empresas estrangeiras;
* Realização da reforma agrária, acompanhada
de incentivos aos pequenos e médios
proprietários;
* Formação de um governo popular.

A
adesão
popular
superou
as
expectativas: nos dois primeiros meses, cerca de
50 mil pessoas se filiaram à Aliança Nacional
Libertadora, apenas no RJ. Ergueram-se por todo
o país aproximadamente 1600 núcleos,

84
contingente capaz de ameaçar os interesses das
oligarquias e do capital estrangeiro. A reação
contra esta frente popular foi rápida. Em abril
aprovou-se uma lei de segurança nacional
com o objetivo bastante claro: frear o
crescimento da ANL.
Não adiantaram os protestos do Clube
Militar, da Associação Brasileira de Imprensa e
dos sindicatos, pois a lei entrou em vigor
apoiada pelos setores mais conservadores da
sociedade. Em junho, o governo decretou o
fechamento dos núcleos da ANL, que àquela
altura, já contava com quase 400 mil filiados. A
ação foi acompanhada de severa repressão aos
membros simpatizantes da ANL.
Diante da extinção da ANL, sua facção de
esquerda, na qual predominavam comunistas,
preparou um golpe com características de uma
insurreição, sob o comando de Luís Carlos
Prestes. A tentativa golpista teve início em Natal
(Rio Grande do Norte), onde os revoltosos
conseguiram controlar o poder por quatro dias.
Levantaram-se em seguida em Recife e
Olinda, após no Rio de Janeiro então Capital
Federal, onde os rebeldes resistiram na Escola de
Aviação e no II Regimento de Infantaria.
Acabaram
sendo
bombardeados
ininterruptamente, até a rendição. Esse episódio
passou a ser conhecido como Intentona
Comunista. Na verdade, a Intentona Comunista
deu a Vargas a “justificativa” para silenciar a
oposição e amadurecer a ideia de um possível
Golpe de Estado e a necessidade de fortalecer
sua posição no poder.

SESSÃO LEITURA
A CONSTITUIÇÃO DE 1934:
Inspirada na Constituição alemã de
Weimar, a Constituição de 1934 preservava o
liberalismo e o presidencialismo e mantinha a
independência dos três poderes (Legislativo,
Executivo e Judiciário), além de fixar em caráter
excepcional a eleição do primeiro presidente por
voto indireto da Assembleia. Getúlio Vargas foi
confirmado na presidência derrotando seu
opositor Borges de Medeiros.
O Poder Executivo (Presidente) passava
a ter direito de realizar intervenções nas áreas

políticas e econômicas, assim como os
ministérios deveriam adotar uma acessória
técnica. O Poder Legislativo passava a ser eleito
proporcionalmente ao número de habitantes por
cada estado, evitando assim que os mais
populosos tivessem grandes representações.
O voto secreto e também o feminino foi
uma
das
conquistas
formalizada
nessa
Constituição, bem como a instituição do mandado
de segurança, importante instrumento jurídico de
garantia dos direitos do cidadão perante o
Estado.
Outra novidade foi a incorporação de uma
legislação
específica
referente
aos
trabalhadores.
Em 1930 já havia sido criado o Ministério
do Trabalho, Indústria e Comércio. Em 1934, o
texto constitucional proibiu diferenças salariais
por discriminação de sexo, idade, nacionalidade e
estado civil, ficando estabelecidos também os
salários mínimos regionais, a jornada de
trabalho de 8 horas, o descanso semanal, as
férias anuais e remuneradas, a indenização do
trabalhador em caso de demissão sem justa
causa, a regulamentação das profissões, a
proibição do trabalho para menores de 14 anos e
a proibição do trabalho noturno a menores de 16
anos.

A CAMPANHA SUCESSÓRIA:
Em meados de 1936, as forças
oposicionistas mais contestadoras já estavam
enfraquecidas pela intensa perseguição. Nestas
condições, as divergências no bloco dominante
se acentuavam, o que se expressou nos
preparativos das eleições de 1938.
A primeira candidatura foi a de Armando
Sales Oliveira, fonte de esperança de alguns
setores paulistas de retomar o poder. Sales
Oliveira contava com o apoio do Partido
Constitucionalista
continuador
do
Partido
Democrático, do Partido Republicano Mineiro
(apoiado pelo governador gaúcho Flores da
Cunha) e de facções de oligarquia de outros
estados.
Poucas semanas depois surgia a
candidatura de José Américo de Almeida, exministro da aviação. Recebia o apoio Partido
Republicano
Rio-Grandense;
do
Partido
Libertador do Rio Grande do Sul, do Partido
Republicano Paulista, do governo de Minas e da
maioria das oligarquias nordestinas. Seu

85
programa só diferia do outro candidato em alguns
traços nacionalistas, o que lhe valeu a simpatia
dos remanescentes do Tenentismo.
Havia ainda um terceiro candidato
lançado pela Ação Integralista, Plínio Salgado.
Getúlio Vargas apoiou outro candidato
paulista, Macedo Soares, ex-presidente da
Associação Comercial, numa clara tentativa de
abalar as pretensões de Armando Sales
Oliveira. Percebendo a intenção divisória, a
oligarquia paulista rejeitou a candidatura de
Macedo Soares. Esse fato fez com que Getúlio
declarasse favorável a José Américo, embora
seu objetivo fosse continuar no poder.
Contudo, para qualquer movimento
golpista Vargas necessitava do apoio dos setores
Militares. Embora se esforçasse desde 1930,
Getúlio não conseguira impor-se às Forças
Armadas, tendo somente conquistado a
neutralidade dos oficiais mais graduados e o
afastamento dos Tenentes de esquerda. O
Exército não estava ainda sob seu controle, ao
contrário do que acontecia no Congresso
Nacional e com a maioria dos estados sob sua
intervenção.
Num ato político Vargas acabou
conseguindo o apoio de dois Generais: Góes
Monteiro e Eurico Gaspar Dutra. Estes, através
do uso de manobras, promoveram expurgos nas
Forças Armadas, montando o esquema
necessário para o golpe continuísta.
Paralelamente, Getúlio realizou uma nova
política de intervenção nos estados durante o
primeiro semestre de 1937, eliminando assim as
oposições remanescentes.

O ESTADO NOVO (1937-1945)

Introdução:
A partir de 1937, o Brasil vive o Estado
Novo, um regime autoritário com características
do fascismo europeu. A censura aos órgãos de
imprensa e a propaganda política são alguns dos
instrumentos que o Estado Novo usa para cultivar
a imagem de seu líder, o presidente Getúlio
Vargas.
A conspiração continuísta de Getúlio e
Góes Monteiro foi instaurada a parecer

justificável. Forjou-se uma situação de pânico
(Medo) entre os setores dominantes para que
estes visassem no golpe um movimento de
“salvação nacional”.
Algum tempo depois, descobriu-se que o
Plano Cohen, forjado por um militar, Olímpio
Mourão Filho, era apenas uma estratégia de
treinamento de militares que astutamente fora
utilizado para gerar um clima necessário para o
golpe. Entrava-se assim na fase do Estado Novo,
também denominado Nova Ordem ou Estado
Nacional, nomes que pretendiam mascarar seu
caráter antidemocrático.
O dia 10 de novembro de 1937 começou
como qualquer outro para os brasileiros, só que
mudanças ocorreram de tal maneira que o país já
não era mais o mesmo: Vargas continuaria no
poder, com força total. As eleições estavam
suspensas, a democracia afastada, e uma nova
Constituição em vigor no país.

A Organização do Estado Novo:
Em 1937, após um golpe continuativo,
Getúlio Vargas suprimiu a Constituição de 1934 e
outorgou uma Carta Constitucional com
características fascistas.

# Importante!
A Constituição de 1937:
A Carta inspirava-se na Constituição
autoritária polonesa; daí a denominação de
“Polaca”, e incorporava elementos da
Constituição da Itália fascista.
De acordo com ela, o presidente
detinha plenos poderes, inclusive o de
legislar por decreto-lei; as greves eram
proibidas e a palavra escrita ou oral era
passível de censura; os recursos
minerais, fontes de energia e as indústrias
de base eram nacionalizados.
Foi instituída a pena de morte, a
critério do presidente e nos casos de ameaça
à ordem política; Dissolveu todos os
partidos políticos; Acabou com a
liberdade de imprensa, instituindo a
censura prévia, com a criação do DIP –
Departamento de Imprensa e Propaganda.

86
A partir daí, patrocinaria com habilidade
diversos acordos entre as classes dominantes e
manejaria a política econômica de forma a não
prejudicar a maior parte dos setores dominantes.
O Estado Novo tinha características que o
aproximavam ideologicamente das ditaduras
europeias de Mussolini e Hitler:
* Poder pessoal, autoritário e arbitrário do
governante;
* A organização de um Estado Totalitário;
* Impossibilidade de atuação política do povo fora
dos parâmetros estabelecidos pelo próprio
Estado;
* Propaganda, censura e repressão empregadas
como meio de controle político;
* Sentimentos e ideias nacionalistas exageradas;

Política e Economia no Estado Novo:
A economia, assim como todos os
setores da vida brasileira passaram a ser
controlados e dirigidos pelo Presidente da
República, assessorada pelos conselhos técnicos
e mantendo o sistema das “cotas de sacrifício”,
ou seja, a queima do café para controlar os
preços e regular a produção.
Por outro lado, o Estado promoveu uma
intervenção para garantir e estimular a
diversificação
da
produção
agrícola,
financiando os produtores e auxiliando na
experimentação e na divulgação das técnicas
mais evoluídas de cultivo.
A exemplo de seus governos anteriores,
Getúlio Vargas deu sequência à política de
desenvolvimento baseada no nacionalismo
econômico e no intervencionismo estatal,
procurando modernizar e integrar o Brasil ao
capitalismo industrial.
O governo incentivou a produção de
algodão em São Paulo, sendo que a Alemanha e
o Japão foram grandes consumidores desta
produção, durante a primeira fase da 2ª Guerra
Mundial. Em 1937, para estimular o mercado
consumidor interno, foram abolidas taxas
interestaduais, o que gerou a formação de um
mercado nacional.

Uma das preocupações do Governo
Vargas foi a de estimular o desenvolvimento
industrial do país. Visando alcançar seu
objetivo, o governo aumentou os impostos de
importação, elevando desta forma os preços dos
produtos estrangeiros, além de diminuir os
impostos sobre a indústria nacional.
Em consequência desta política, as
empresas nacionais aumentaram, e a essas
indústrias somaram-se algumas filiais de
empresas estrangeiras, ligadas à produção
química, farmacêutica e frigorífica.
A proposta de Vargas era a de substituir
gradativamente as importações por produtos
nacionais.
A
grande
dificuldade
para
concretização
deste
modelo
de
política
econômica era a inexistência de indústrias de
base.
Para suprir esta lacuna, o governo
promoveu uma intervenção na economia,
fundando as empresas estatais, para atuar
nesses setores de base da economia,
principalmente no campo da mineração e da
siderurgia.
Para ajudar a industrialização, planejou a
hidrelétrica de Paulo Afonso no rio São Francisco
para fornecimento de energia, fundando ainda a
Companhia Vale do Rio Doce, para extrair e
exportar ferro e em 1943 a Companhia
Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, para
fornecer aço para a indústria nacional. Ainda no
Estado Novo temos: Fábrica Nacional de
Motores, SENAI, SESI.
Quem financiou a construção da Usina de
Volta Redonda foi o capital norte americano, em
troca do Brasil entrar na 2ª GM ao lado dos
aliados (Inglaterra, França, Rússia e EUA) contra
os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).
Além dos investimentos em Volta
Redonda, o governo brasileiro cedeu aos EUA
bases navais em Natal, Belém, Salvador e Recife,
provocando desta forma a quebra da neutralidade
política do Brasil, mantida até me tão no cenário
internacional.
A entrada do Brasil na 2ª GM foi
determinada supostamente pelo torpedeamento
de navios brasileiros por submarinos alemães em
agosto de 1942, fato que levou a opinião pública
a pressionar Getúlio a declarar guerra à
Alemanha e a Itália dentro de mesmo mês.

87
Trabalhismo e Populismo:
Durante
o
período
getulista,
o
desenvolvimento urbano de São Paulo e Rio de
Janeiro atraíram para essas cidades grande
número de trabalhadores rurais que imigravam
principalmente do nordeste, fugindo da miséria,
da exploração e das secas, tal situação acabou
gerando uma grande quantidade de mão de obra
disponível nas cidades.
Com o progresso da indústria, cresceu o
número de operários. Ao mesmo tempo, ampliouse também a consciência dos trabalhadores de
que era preciso lutar pelos seus direitos. Diante
de tal fato, Getúlio acabou por elaborar uma
política trabalhista com dupla função.

1º Conquistar simpatia e, consequentemente
apoio;
2º Exercer o domínio sobre eles, controlando
seus sindicatos;
Desta forma, foram criadas neste período
inúmeras leis trabalhistas que asseguravam aos
operários seus direitos básicos, tais como:





Salário mínimo;
Férias remuneradas;
Jornada diária não superior a oito
horas;
Proteção ao trabalho da mulher e do
menor;
Estabilidade de emprego;

Em 1943, estas leis foram reunidas e
codificadas na chamada Consolidação das leis
trabalhistas (CLT) que marcou a história da
legislação trabalhista e as relações entre
trabalhadores e patrões no Brasil.
Apoiando-se nas leis trabalhistas, Getúlio
usava a propaganda para apresentar seu governo
como “grande protetor” dos trabalhadores,
utilizando-se do estilo populista, marca registrada
de seu governo: O pai dos pobres... (e a mãe dos
ricos).
Pregava a conciliação nacional entre
trabalhadores e empresários. Colocava o governo
como Juiz supremo dos conflitos entre patrões e
empregados, usando para tal o Ministério do
Trabalho.
De um lado o populismo de Getúlio
Vargas reconhecia as necessidades e desejos
dos trabalhadores e, por outro lado, fazia

concessões como meio de controlar os
trabalhadores e impedir revoltas mais profundas
que pudessem ameaçar a estabilidade do
governo.
Por tudo isso, o governo Vargas
representou para a classe empresarial brasileira
uma garantia da manutenção da ordem pública e
de estabilidade social.

O Fim do Estado Novo:
As sucessivas vitórias aliadas na 2ª GM e
o avanço dos aliados contra as tropas alemãs
desenhavam o fim da guerra e a expansão de
uma onda de liberalismo pelo mundo.
Aproveitando-se deste momento, grupos liberais
brasileiros começavam a combater o fascismo no
interior do Estado Novo.
Sentindo a onda de liberdade que tomava
conta do país, Getúlio Vargas procurou liderar a
abertura democrática do país, estimulou e
comandou a reorganização da vida partidária do
país, visando sempre fortalecer a sua imagem
política enfraquecida pela derrota do modelo
nazifascista da 2ª GM.
Em fevereiro de 1945, o governo fixou
prazo para a próxima eleição presidencial, além
de uma série de outras medidas, tais como:



Concedeu ampla anistia a condenados
políticos;
Soltou os comunistas que estavam na
cadeia, entre eles Luís Carlos Prestes.
Permitiu a volta de exilados políticos ao
país;
Reorganizou os partidos políticos que
estavam fechados desde o golpe de
1937. Vários partidos apareceram a nível
estadual, porém a nível nacional, os
partidos que se constituíram foram:

UDN: (União Democrática Nacional), partido que
representava
grupos
ligados
ao
capital
internacional e da classe média brasileira,
vinculada a um modelo consumista.
PSD: (Partido Social Democrático), partido
representativo da tradicional oligarquia rural e de
setores conservadores da sociedade brasileira.
PTB: (Partido Trabalhista Brasileiro), partido
liderado por Vargas e que buscava explorar as
leis trabalhistas e, consequentemente, controlar a
classe trabalhadora brasileira.

88
PCB: (Partido
legalidade
foi
clandestinidade.

Comunista Brasileiro) cuja
concedida,
tirando-o
da

As eleições foram marcadas para
dezembro de 1945, nas quais concorriam três
candidatos:


O General Eurico Gaspar Dutra,
candidato pela coligação PSD/PTB,
contando com o apoio de Vargas;
O
Brigadeiro
Eduardo
Gomes
concorrendo pela UDN;
O Engenheiro Yedo Fiúza pelo PCB;

No entanto, durante a campanha eleitoral,
começou a se desenvolver um movimento de
apoio e defesa da continuidade de Vargas no
poder político do país, este movimento foi
chamado de “Queremismo”.
Diante do crescimento do movimento
queremista, grupos ligados às formas da
oposição, temendo pelo continuísmo de Vargas e
pela não ocorrência de eleições presidenciais,
passaram a tramar a sua derrubada ao poder.
Em outubro de 1945, tropas do exército
ligadas a setores conservadores da sociedade
brasileira cercaram o Palácio do Catete sede do
governo, e obrigaram Vargas a renunciar.
Assumiu o cargo temporariamente o presidente
do Supremo Tribunal Federal José Linhares.
Vargas foi afastado do poder e assim
terminava o chamado Estado Novo, com Vargas
sendo afastado do poder, não recebendo
nenhuma punição política e, pelo contrário, ainda
conseguindo eleger seu sucessor o General Dutra
para presidência.

Segundo o texto, o Estado de compromisso
correspondeu, no Brasil do período posterior a
1930
A- à retomada do comando político pela elite
cafeicultora do sudeste brasileiro.
B- ao primeiro momento de intervenção
governamental na economia brasileira.
C- à reorientação da política econômica,
com maior presença do Estado na
economia.
D- ao esforço de eliminar os problemas
sociais internos gerados pelo capitalismo
internacional.
E- à ampla democratização nas relações
políticas, trabalhistas e sociais.

2- FGV
"Redescobrir e revolucionar é também o lema do
Verde-Amarelismo, que, antes de organizar-se no
movimento Anta (Cassiano Ricardo, Menotti del
Picchia, Plínio Salgado) e materializar-se no
ideário
'curupira',
passa
pela
xenofobia
espingardeira da Revista Brasília."
O texto acima fala de um movimento
literário do Brasil dos anos 30, que tem
correspondência político-ideológica com:
ABCDE-

o Integralismo
o Marxismo-lenilismo
o Anarco-sindicalismo
o Socialismo Utópico
a Maçonaria

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2014]

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
1- FUVEST [2012]
“O Estado de compromisso, expressão do
reajuste nas relações internas das classes
dominantes, corresponde, por outro lado, a uma
nova forma do Estado, que se caracteriza pela
maior centralização, o intervencionismo ampliado
e não restrito apenas à área do café, o
estabelecimento de uma certa racionalização no
uso de algumas fontes fundamentais de riqueza
pelo capitalismo internacional (...).”
Boris Fausto. A revolução de 1930. Historiografia e história.
São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 109-110.

Ao deflagrar-se a crise mundial de 1929, a
situação da economia cafeeira se apresentava
como se segue. A produção, que se encontrava
em altos níveis, teria que seguir crescendo, pois
os produtores haviam continuado a expandir as
plantações até aquele momento. Com efeito, a
produção máxima seria alcançada em 1933, ou
seja, no ponto mais baixo da depressão, como
reflexo das grandes plantações de 1927-1928.
Entretanto, era totalmente impossível obter
crédito no exterior para financiar a retenção de
novos estoques, pois o mercado internacional de
capitais se encontrava em profunda depressão, e
o crédito do governo desaparecera com a
evaporação das reservas.

89
FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. São
Paulo: Cia. Editora Nacional, 1997 (adaptado).

Uma resposta do Estado brasileiro à conjuntura
econômica mencionada foi o (a)
a)
b)
c)
d)
e)

Atração de empresas estrangeiras
Reformulação do sistema fundiário
Incremento da mão de obra imigrante
Desenvolvimento de política industrial
Financiamento de pequenos agricultores

Na imagem, da década de 1930, há uma
crítica à conquista de um direito pelas mulheres
relacionado com a:
A- redivisão do trabalho doméstico.
B- liberdade de orientação sexual.
C- garantia da equiparação salarial.
D- aprovação do direito ao divórcio.
E- obtenção da participação eleitoral.

2- ENEM [2014]
Estatuto da Frente Negra Brasileira (FNB)

4- ENEM [2012]

Art. 1º - Fica fundada nesta cidade de São Paulo,
para se irradiar por todo o Brasil, a Frente Negra
Brasileira, união política e social da Gente Negra
Nacional, para a afirmação dos direitos históricos
da mesma, em virtude da sua atividade material e
moral no passado e para reivindicação de seus
direitos sociais e políticos, atuais, na Comunhão
Brasileira.
Diário Oficial do Estado de São Paulo, 4 nov. 1931.

Quando foi fechada pela ditadura do Estado
Novo, em 1937, a FNB caracterizava-se como
uma organização
a) Política, engajada na luta por direitos
sociais para a população negra no Brasil.
b) Beneficente, dedicada ao auxílio dos
negros pobres brasileiros depois da
abolição.
c) Paramilitar, voltada para o alistamento de
negros na luta contra as oligarquias
regionais.
d) Democrático-liberal,
envolvida
na
Revolução Constitucionalista conduzida a
partir de São Paulo.
e) Internacionalista, ligada à exaltação da
identidade das populações africanas em
situação de diáspora.
3- ENEM [2013]

Elaborado pelos partidários da Revolução
Constitucionalista de 1932, o cartaz apresentado
pretendia mobilizar a população paulista contra o
governo federal.
Essa mobilização utilizou-se de uma
referência histórica, associando o processo
revolucionário
A- à experiência francesa expressa
chamado à luta contra a ditadura.

no

B- aos ideais republicanos, indicados no
destaque à bandeira paulista.
C- ao protagonismo das Forças Armadas,
representadas pelo militar que empunha
a bandeira.

90
D- ao bandeirantismo, símbolo
apresentado em primeiro plano.

paulista

E- ao papel figurativo de Vargas na política,
enfatizado pela pequenez de sua figura
no cartaz.

5- ENEM [2012]
“ O que o projeto governamental tem em vista é
poupar à Nação o prejuízo irreparável do
perecimento e da evasão do que há de mais
precioso no seu patrimônio. Grande parte das
obras de arte até mais valiosas e dos bens de
maior interesse histórico, de que a coletividade
brasileira era depositária, têm desaparecido ou se
arruinado irremediavelmente. As obras de arte
típicas e as relíquias da história de cada país não
constituem o seu patrimônio privado, e sim um
patrimônio comum de todos os povos”.
ANDRADE, R. M. F. Defesado patrimônio artístico e histórico.
O Jornal, 30 out. 1936. In: ALVES FILHO, I. Brasil, 500
anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad.1999
(adaptado).

A criação no Brasil do Serviço do Patrimônio
Históico Artístico Nacional (SPHAN), em 1937, foi
orientada por ideias como as descritas no texto,
que visavam
A- submeter a memória e o patrimônio
nacional ao controle dos órgãos públlicos,
de acordo com a tendência autoritária o
Estado Novo.
B- transferir para a iniciativa privada a
responsabilidade de preservação do
patrimônio nacional, por meio de leis de
incentivo fiscal.

C- definir os fatos e personagens históricos
a serem culturados pela sociedade
brasileira, de acordo com o interesse
público.
D- resguardar da destruição as obras
representativas da cultura nacional, por
meio de políticas preservacionistas.

6- ENEM [2012]
“Fugindo à luta de classes, a nossa
organização sindical tem sido um instrumento de
harmonia e de cooperação entre o capital e o
trabalho. Não se limitou a um sindicalismo
puramente ‘operário’, que conduziria certamente
a luta contra o ‘patrão’, como aconteceu com
outros povos”.
FALCÃO, W. Cartas Sindicais. In: Boletim do Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio. Rio de Janeiro. 10(85). set.
1941 (adaptado).

Nesse documento oficial, à época do
Estado Novo (1937-1945), é apresentada uma
concepção de organização sindical que
A- elimina os conflitos no ambiente das
fábricas.
B- limita os direitos
segmento patronal.

associativos

do

C- orienta a busca do consenseo entre
trabalhadores e patrões.
D- proíbe o registro de estrangeiros nas
entidades profissionais do país.

E- desobriga o Estado quanto aos direitos e
deveres da classe trabalhadora.

7- ENEM [2009]
“O autor da constituição de 1937, Francisco
Campos, afirma no seu livro, O Estado Nacional,
que o eleitor seria apático; a democracia de
partidos conduziria à desordem; a independência
do Poder Judiciário acabaria em injustiça e
ineficiência; e que apenas o Poder Executivo,
centralizado em Getúlio Vargas, seria capaz de
dar racionalidade imparcial ao Estado, pois
Vargas teria providencial intuição do bem e da
verdade, além de ser um gênio político”.
CAMPOS, F. O Estado nacional. Rio de Janeiro: José
Olympio, 1940 (adaptado).

Segundo as ideias de Francisco Campos
E- determinar as responsabilidades pela
destruição do patrimônio nacional, de
acordo com a legislação brasileira.

A- os eleitores, políticos e juízes seriam malintencionados.
B- o governo Vargas seria um mal
necessário, mas transitório.
C- Vargas seria o homem adequado para
implantar a democracia de partidos.

91
D- a Constituição de 1937 seria a
preparação para uma futura democracia
liberal.
E- Vargas seria o homem capaz de exercer
o poder de modo inteligente e correto.

estratégias de regimes autoritários no
país.

9- ENEM [2007]
“São Paulo, 18 de agosto de 1929.

8- ENEM [2005]
Zuenir Ventura, em seu livro “Minhas
memórias dos outros” (São Paulo: Planeta do
Brasil, 2005), referindo-se ao fim da “Era Vargas”
e ao suicídio do presidente em 1954, comenta:
“Quase como castigo do destino, dois anos
depois eu iria trabalhar no jornal de Carlos
Lacerda, o inimigo mortal de Vargas (e nunca
esse adjetivo foi tão próprio).”
Diante daquele contexto histórico, muitos
estudiosos acreditam que, com o suicídio, Getúlio
Vargas atingiu não apenas a si mesmo, mas o
coração de seus aliados e a mente de seus
inimigos.
A
afirmação
que
aparece
“entre
parênteses” no comentário e uma consequência
política que atingiu os inimigos de Vargas
aparecem, respectivamente, em:
A-

B-

C-

D-

E-

a conspiração envolvendo o jornalista
Carlos Lacerda é um dos elementos do
desfecho trágico e o recuo da ação de
políticos conservadores devido ao
impacto da reação popular.
a tentativa de assassinato sofrida pelo
jornalista Carlos Lacerda por apoiar os
assessores
do
presidente
que
discordavam de suas idéias e o avanço
dos conservadores foi intensificado pela
ação dos militares.
o presidente sentiu-se impotente para
atender a seus inimigos, como Carlos
Lacerda, que o pressionavam contra a
ditadura e os aliados do presidente teriam
que aguardar mais uma década para
concretizar a democracia progressista.
o
jornalista
Carlos
Lacerda
foi
responsável direto pela morte do
presidente e este fato veio impedir
definitivamente a ação de grupos
conservadores.
o presidente cometeu o suicídio para
garantir uma definitiva e dramática vitória
contra seus acusadores e oferecendo a
própria
vida
Vargas
facilitou
as

Carlos [Drummond de Andrade],
Achei graça e gozei com o seu entusiasmo pela
candidatura Getúlio Vargas – João Pessoa. É.
Mas veja como estamos... trocados. Esse
entusiasmo devia ser meu e sou eu que conservo
o ceticismo que deveria ser de você. (...). Eu... eu
contemplo numa torcida apenas simpática a
candidatura Getúlio Vargas, que antes desejara
tanto. Mas pra mim, presentemente, essa
candidatura (única aceitável, está claro) fica
manchada por essas pazes fragílimas de
governistas mineiros, gaúchos, paraibanos (...),
com democráticos paulistas (que pararam de
atacar o Bernardes) e oposicionistas cariocas e
gaúchos. Tudo isso não me entristece. Continuo
reconhecendo a existência de males necessários,
porém me afasta do meu país e da candidatura
Getúlio Vargas. Repito: única aceitável.
Mário [de Andrade].”
Renato Lemos. Bem traçadas linhas: a história do Brasil em
cartas pessoais. Rio de Janeiro: Bom Texto, 2004, p. 305.

Acerca da crise política ocorrida em fins da
Primeira República, a carta do paulista Mário de
Andrade ao mineiro Carlos Drummond de
Andrade revela:
A- a
simpatia
de
Drummond
pela
candidatura Vargas e o desencanto de
Mário de Andrade com as composições
políticas sustentadas por Vargas.
B- a veneração de Drummond e Mário de
Andrade ao gaúcho Getúlio Vargas, que
se aliou à oligarquia cafeeira de São
Paulo.
C- a concordância entre Mário de Andrade e
Drummond quanto ao caráter inovador de
Vargas, que fez uma ampla aliança para
derrotar a oligarquia mineira.
D- a discordância entre Mário de Andrade e
Drummond sobre a importância da
aliança entre Vargas e o paulista Júlio
Prestes nas eleições presidenciais.
E- o otimismo de Mário de Andrade em
relação a Getúlio Vargas, que se

92
recusara a fazer alianças políticas para
vencer as eleições.

EXERCÍCIO COMENTADO
ENEM [2000]
Os textos abaixo relacionam-se
momentos distintos da nossa história:

a

“A integração regional é um instrumento
fundamental para que um número cada vez maior
de países possa melhorar a sua inserção num
mundo globalizado, já que eleva o seu nível de
competitividade, aumenta as trocas comerciais,
permite o aumento da produtividade, cria
condições para um maior crescimento econômico
e favorece o aprofundamento dos processos
democráticos. A integração regional e a
globalização surgem assim como processos
complementares e vantajosos.”

Resposta certa: Alternativa C. A questão é pura
interpretação de texto, os trechos citados
abordam diferentes pontos de vista sobre a
questão econômica em diferentes momentos
históricos: o primeiro trata de uma relação
econômica de integração regional, em que uma
rede é formada através da produção em distintas
regiões beneficiando o crescimento econômico e
o desenvolvimento de políticas econômicas
internacionais. O segundo texto apresenta um
momento específico da história brasileira, dentro
do governo Vargas, onde houve a necessidade
de um investimento pesado na indústria nacional
como substituição aos produtos que eram
importados. A substituição das importações por
uma
indústria
nacional
possibilitou
um
crescimento econômico sólido, com geração de
empregos e garantia de desenvolvimento social.

GABARITO:

(Declaração de Porto, VIII Cimeira Ibero-Americana, Porto,
Portugal, 17 e 18 de outubro de 1998)

“Um considerável número de mercadorias passou
a ser produzido no Brasil, substituindo o que não
era possível ou era muito caro importar. Foi assim
que a crise econômica mundial e o encarecimento
das importações levaram o governo Vargas a
criar as bases para o crescimento industrial
brasileiro.”
(POMAR, Wladimir.
conservadora)

Era

Vargas

a

modernização

É correto afirmar que as políticas
econômicas mencionadas nos textos são:
A- opostas, pois, no primeiro texto, o centro
das preocupações são as exportações e,
no segundo, as importações.
B- semelhantes, uma vez que ambos
demonstram uma tendência protecionista.
C- diferentes, porque, para o primeiro texto,
a questão central é a integração regional
e, para o segundo, a política de
substituição de importações.
D- semelhantes, porque consideram a
integração
regional
necessária
ao
desenvolvimento econômico.
E- opostas, pois, para o primeiro texto, a
globalização impede o aprofundamento
democrático e, para o segundo, a
globalização é geradora da crise
econômica.

Exercícios de Fixação:
1- C
2- A

Pintou no Enem:
123456789-

D
A
E
D
D
C
E
A
A

93

CAPÍTULO 10

OS REGIMES TOTALITÁRIOS:
Introdução:
Totalitarismo é um termo que representa
uma ideologia e prática política caracterizada pela
total subordinação dos indivíduos aos
interesses do Estado. Num regime totalitário o
Estado possui poderes absolutos sobre toda a
vida política, social, cultural, religiosa e
econômica. O totalitarismo foi particularmente
visível nas ditaduras europeias surgidas após o
final da Primeira Guerra Mundial, constituindo
uma das características principais do fascismo,
do nazismo, do franquismo, do salazarismo e
do comunismo soviético.
É importante lembrar que, ao fim da
Primeira Guerra Mundial, a Europa passava por
uma grave crise econômica. No cenário de
inflação, miséria e desemprego surgem líderes
político-ideológicos antidemocráticos, pregando o
discurso da necessidade de um governo forte
capaz de restaurar o equilíbrio da nação.
Foi ainda no decorrer da Primeira Guerra
Mundial que começou a nascer o Totalitarismo.
Com a necessidade de direcionar a produção
industrial para as demandas geradas pela guerra,
os governos das frágeis democracias liberais
europeias tiveram de se fortalecer, acumulando
poderes e funções de Estado, em detrimento do
poder parlamentar, para agilizar as decisões
importantes em tempos de guerra. Quando
voltasse a paz, dizia-se, que esses poderes
seriam retornados à distribuição democrática
usual. Mas não foi o que aconteceu.
O Estado com executivo forte e
legislativo debilitado acabou tornando-se a
semente do modelo de Estado autoritário que
surgiria na década seguinte. Das várias
monarquias parlamentares europeias em 1914
(Reino Unido, Itália, Espanha, Portugal, Holanda,
Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega, Sérvia,
Bulgária, Romênia, Grécia, Áustria-Hungria e
outras), só a Grã-Bretanha terminou o século sem
ter passado por uma ditadura de inspiração
fascista.
Nas suas origens íntimas, os regimes
totalitários revelam-se como um ímpeto de reação
contra os males do liberalismo filosófico, político,
social e econômico, males que contribuíram

decisivamente para a quebra de unidade
religiosa, política e social da Europa, a partir do
Renascimento. Os regimes totalitários, por sua
vez, divinizando os bens criados – Estado,
Partido, Chefe, Raça, Nação – procuram
falsamente substituir os valores desalojados pelo
liberalismo.

SESSÃO LEITURA
A Propaganda Totalitária:
Buscando o domínio total da população em
regimes pautados por teorias conspiratórias e
uma realidade fictícia criada em meio a um
desprezo pela realidade dos fatos, a
propaganda totalitária foi essencial para, num
primeiro momento, conquistar as massas e
arregimentar em torno de si uma enorme
quantidade de simpatizantes.
Baseados no terror os propagandistas dão
realidade às afirmações fictícias do regime. Por
exemplo: Stalin, ao divulgar que acabara com o
desemprego na URSS, uma inverdade de fato,
extinguiu os programas de benefícios para
desempregados. Ou ainda, ao afirmarem que
os poloneses não tinham intelecto, os nazistas
começaram o extermínio de intelectuais
poloneses.
Desta forma, o uso da violência é tido
como parte da propaganda. A propaganda é
destinada aos elementos externos ao
movimento, àqueles que ainda não se
dominaram completamente, já o terror é
perpetrado entre aqueles já dominados e que
não mais oferecem resistência ao regime,
alcançando sua perfeição nos campos de
concentração onde a propaganda é totalmente
substituída pela violência.

O Fascismo Italiano:
O despertar do sentimento nacionalista
na Itália do Pós Primeira Guerra Mundial foi
extremamente forte, ocasionado principalmente
pela não obtenção de territórios estratégicos nos
tratados do pós-guerra. Soma-se a isso, o
número de mortos italianos no conflito que
chegaram à casa dos 650.000.
As “recompensas” territoriais concedidas
à Itália foram consideradas insignificantes o que

94
despertou um sentimento de frustração
necessidade de conquista de novos territórios.

e

A economia do pós-guerra italiano se
encontrava em estado grave. O país passava por
problemas como: destruição, inflação causada
pela emissão excessiva de moeda, dívidas de
empréstimos, desemprego, depreciação da
moeda local, etc.
Dentro deste cenário a crise logo se
transformou em ingrediente forte para uma
revolução. O número de greves cresceu
assustadoramente após 1919; revoltas e
pilhagens eram conduzidas pela população
desempregada; nos campos as revoltas também
aumentavam.
O poder político mostrava-se incapaz de
acabar com a crise. A burguesia sentia-se
ameaçada pela revolta social e pela crescente
simpatia com teorias sociais alternativas como o
comunismo. Assim, decidiram apoiar um grupo
político pequeno, mas muito bem organizado, e
disposto a acabar com a onda revolucionária: Os
Fascistas.
O partido foi fundado em março de 1919
em Milão. Dentre seus membros encontravam-se
pessoas das mais diferentes tendências políticas:
anarquistas,
sindicalistas,
nacionalistas
e
principalmente antigos combatentes ainda não
acostumados à vida civil.
Concorreram as eleições em 1919, mas
foram derrotados sem conseguir uma cadeira no
Parlamento. O fracasso demonstrou sérias
deficiências no partido e um de seus líderes
Benito Mussolini resolveu reorganizá-lo nos
moldes paramilitares.
Fundado
como
uma
associação
nacionalista (o Fasci di Combattimento), o
movimento fascista de Mussolini converteu-se
num partido nacional (o Partito Nazionale
Fascista) após ter ganhado 35 assentos nas
eleições ao parlamento de Maio de 1921.
Em Julho de 1922, a violência fascista
conseguiu evitar uma greve geral decretada pelos
partidos de esquerda. Foi preparada uma
demonstração de força através de uma marcha
militar sobre Roma. Em 26 de outubro,
Mussolini dirigiu-se ao Rei Vitor Emanoel
exigindo o poder.
O monarca organizou um novo ministério
composto de vários membros do partido fascista.

No dia seguinte o exército desfilou pelas ruas da
cidade sem encontrar nenhuma resistência,
movimento que ficara conhecido como a
MARCHA SOBRE ROMA.
Em janeiro de 1925, Mussolini anunciou o
estabelecimento de um regime totalitário de
governo onde a oposição foi eliminada, a
constituição reformulada, e o Primeiro Ministro
passaria a ter plenos poderes, eliminando a
Câmara e o Senado.
Mussolini foi capaz de explorar os medos
perante o capitalismo numa era de depressão
pós-guerra, e um sentimento de vergonha
nacional e de humilhação que resultaram da
"vitória mutilada" da Itália nos tratados de paz pós
Primeira Guerra Mundial. Tais aspirações
nacionalistas não realizadas (ou frustradas)
manchavam a reputação do liberalismo e do
constitucionalismo entre muitos sectores da
população italiana.
O feito político mais duradouro deste
regime foi talvez o Tratado de Latrão (1929),
entre o Estado italiano e a Igreja Católica, em que
se concedeu ao Papado a soberania sobre a
Cidade do Vaticano, e recebeu a garantia do livre
exercício do catolicismo como a única religião do
Estado.

O Nazismo:
Após a Primeira Guerra, a Alemanha
passava por enormes dificuldades especialmente
ao assinar, em 1919, o Tratado de Versalhes
que, impunha pesadas obrigações ao país.
Com o fim da guerra, além da perda de
territórios os alemães foram obrigados a pagar
pesadas indenizações aos países vencedores.
Essa penalidade fez crescer a dívida externa e
comprometeu os investimentos internos,
gerando falências, inflação e desemprego em
massa.
As tentativas frustradas de revolução
socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas
quedas
de
gabinetes
de
orientação
socialdemocrata criaram as condições favoráveis
ao surgimento e a expansão do nazismo no país.
À medida que os conflitos sociais foram
se intensificando, surgiram no cenário políticoalemão,
partidos
ultranacionalistas,
radicalmente contrários ao socialismo. Um
desses partidos era o Partido Nacional

95
Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido
Nazista), liderado por Adolf Hitler.
As eleições presidenciais de 1925 foram
vencidas por Von Hindenburg que, com a ajuda
do capital estrangeiro, especialmente norteamericano, conseguiu com que a economia do
país voltasse a crescer lentamente. Esse
crescimento, porém, perdurou somente até 1929.
Foi quando o Crash de Nova York atingiu
com tal força a Alemanha, que, em 1932, já havia
no país mais de 6 milhões de desempregados.
Nesse contexto de crise, os milhões de
desempregados e muitos integrantes dos grupos
dominantes, passaram a acreditar nas promessas
de Hitler de transformar a Alemanha num país
rico e poderoso. Assim, nas eleições
parlamentares de 1932, o Partido Nazista
conseguiu obter 38% dos votos (230 deputados),
mais do que qualquer outro partido.
Valendo-se disso, os nazistas passaram a
pressionar o presidente e este concedeu a Hitler
o cargo de chanceler (chefe do governo). No
poder, Hitler conseguiu rapidamente que o
Parlamento aprovasse uma lei que lhe permitia
governar sem dar satisfação de seus atos a
ninguém.
Em seguida, com base nessa lei, ordenou
a dissolução de todos os partidos, com exceção
do Partido Nazista. Em agosto de 1934, morreu
Hindenburg e Hitler passou a ser o presidente da
Alemanha, com o título de Führer (guia condutor,
criando o 3º Reich - Terceiro Império).

Fortalecido, o Führer lançou mão de uma
propaganda sedutora e de violência policial para
implantar a mais cruel ditadura que a humanidade
já conhecera.
A propaganda era dirigida por Joseph
Goebbles, doutor em Humanidades e responsável
pelo Ministério da Educação do Povo e da

Propaganda. Esse órgão era encarregado de
manter um rígido controle sobre os meios de
comunicação, escolas e universidades e de
produzir discursos, hinos, símbolos, saudações e
palavras de ordem nazista.
Já a violência policial esteve sob o
comando de Heinrich Himmler, que se utilizava da
SA (guarda do Exército), SS (guarda especial) e
Gestapo (polícia política) para prender, torturar e
eliminar os inimigos do nazismo implantando o
terror, bem como a perseguição aos judeus, aos
sindicatos e aos políticos comunistas, socialistas
e de outros partidos.

Bandeira da Gestapo (polícia política de Hitler)

No plano econômico, o governo hitlerista
estimulou o crescimento da agricultura, da
indústria de base e, sobretudo, da indústria
bélica. Com isso, o desemprego diminuiu, o
regime ganhou novos adeptos e a Alemanha
voltou a se equipar militarmente, ignorando os
termos
do
Tratado
de
Versalhes.
O
intervencionismo e a planificação econômica
adotados por Hitler eliminaram, no entanto, o
desemprego
e
provocaram
o
rápido
desenvolvimento
industrial,
estimulando
a
indústria bélica e a edificação de obras públicas,
além de impedir a retirada do capital estrangeiro
do país. Esse crescimento foi resultado também
do apoio dado pelos grandes grupos alemães,
como Krupp, Siemens e Bayer, a Adolf Hitler.
Desrespeitando o Tratado de Versalhes,
Hitler reinstitui o serviço militar obrigatório (1935).
Nesse mesmo ano, criou o Serviço para a
Solução do Problema Judeu, sob a supervisão
das SS, que se dedica ao extermínio sistemático
dos judeus por meio da deportação para guetos
ou campos de concentração.
Anexou a Áustria (operação chamada, em
alemão, de Anschluss) e a região dos Sudetos,

96
na Tchecoslováquia (1938). Ao invadir a Polônia,
em 1939, dá início à Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).
A Guerra Civil Espanhola e o Franquismo
(1936-1939)

Em 1931, foi proclamada a República na
Espanha, e o novo governo estabeleceu um plano
de reformas para modernizar o país. As
mudanças, porém, sofriam oposição das forças
armadas, da Igreja Católica, e dos grandes
proprietários de terras.
As eleições de 1936 foram vencidas por
uma frente popular liderada por socialistas, com a
participação de sindicalistas e comunistas, que
pretendiam aprofundar as reformas. Dessa forma
o novo governo dava início à reforma agrária.
Por outro lado, os grupos de oposição
criaram uma coligação denominada Partido da
Falange, cujo objetivo era barrar as mudanças
propostas pela situação.
Dessa forma, o cenário político espanhol
se polarizou em dois grupos: os falangistas,
liderados pelo general Francisco Franco, de
orientação fascista; e os republicanos, que
lutavam pela liberdade política e pelas
garantias constitucionais.
Em 18 de julho de 1936, militares
engajados na Falange iniciaram uma sublevação
que foi o estopim do confronto. Assim dava-se
início à Guerra Civil, que durou três anos e foi
uma das mais cruéis do séc. XX.
Os
nazistas,
que
se
preparavam
militarmente para o confronto com a Inglaterra,
aproveitaram o episódio da guerra civil espanhola
para testar suas novas armas, matando
indiscriminadamente soldados e civis espanhóis.

A Ditadura em Portugal e o Salazarismo
O Golpe Militar que derrubou a primeira
república portuguesa (1910-1926) e instituiu a
ditadura em Portugal ocorreu em 1926. Após o
triunfo, os golpistas trataram de eliminar o aparato
democrático, fechando o Congresso, extinguindo
os partidos políticos, e censurando a imprensa.
A organização efetiva do Estado totalitário
ficou a cargo de Antônio de Oliveira Salazar, que
foi conduzido ao poder pelos militares em 1928.
Salazar era um político ligado ao
catolicismo, adversário dos republicanos e teve
como principais grupos de apoio: a Igreja, o
exército, os latifundiários e os empresários da
indústria.
O ditador português estabeleceu um
instrumento jurídico-administrativo (inscrito na
Constituição de 1933) copiado do modelo italiano
e que lhe garantia poderes excepcionais.
A legislação proibia greves, eleições livres,
formação de partidos políticos e sindicatos
independentes.
Tratava-se então de um regime de partido
único, que usava a polícia política (Pide) para
perseguir e punir seus opositores.
A ditadura instituída por Salazar sobreviveu
à sua morte, em 1970. A Revolução dos Cravos,
ocorrida em 1974 e que teve a participação de
vários segmentos da sociedade portuguesa,
derrubou o governo totalitário, já perto de
completar meio século, e instituiu um governo
democrático.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
1- UNICAMP [2003]

As forças republicanas foram derrotadas
(por conta do apoio dos militares nazistas ao
exército da Falange), e Francisco Franco impôs
aos espanhóis um governo totalitário de caráter
fascista que durou até 1975, ano da morte do
ditador.
O Estado totalitário espanhol tinha
características específicas, como a submissão do
Estado às forças armadas, o excessivo
clericalismo, o incentivo às atividades agrícolas, e
o desinteresse pela expansão territorial.

“A tentativa dos nazistas de dissimular suas
atrocidades nos campos de concentração e de
extermínio resultou em completo fracasso. Muitos
sobreviventes desses campos sentiram-se
investidos da missão de testemunhar e não
deixaram de cumpri-la, alguns logo depois de
serem libertados e outros, quarenta e até
cinquenta anos mais tarde.”
(Adaptado de Tzvetan Todorov, Memória do mal, tentação do
bem. Indagações sobre o século XX. ARX, 2002, p.211)

97
A- Caracterize o contexto histórico em que
surgiram os campos de concentração e
de extermínio.
B- Que parcelas da população
aprisionadas nesses campos?
C- Com base no
importância
do
sobreviventes.

foram

texto, explique a
testemunho
das

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2013]

“As brigadas internacionais foram unidades
de combatentes formados por voluntários de 53
nacionalidades dispostos a lutar em defesa da
República espanhola. Estima-se que cerca de 60
mil cidadãos de várias partes do mundo –
incluindo 40 brasileiros – tenham se incorporado
a essas unidades. Apesar de coordenadas pelos
comunistas, as Brigadas contaram com membros
socialistas, liberais e de outras correntes políticoideológicas”.

Com sua entrada no universo dos gibis, o
Capitão chegaria para apaziguar a agonia, o
autoritarismo militar e combater a tirania. Claro
que, em tempos de guerra, um gibi de um herói
com uma bandeira americana no peito aplicando
um sopapo no Fürer só poderia ganhar destaque,
e o sucesso não demoraria muito a chegar.
COSTA, C. Capitão América, o primeiro vingador: crítica.
Disponível em: www.revistastart.com.br. Acesso em: 27, jan.
2012 (adaptado).

A capa da primeira edição norte-americana da
revista do Capitão América demonstra sua
associação com a participação dos Estados
Unidos na luta contra:
A-

a Tríplice Aliança, na Primeira Guerra
Mundial

B- os regimes totalitários,
Guerra Mundial

na

Segunda

C- o poder soviético, durante a Guerra Fria
D- o movimento comunista, na Guerra do
Vietnã
E- o terrorismo internacional, após 11 de
setembro de 2001.

SOUZA, I. I. A Guerra Civil Europeia. História Viva, n.70, 2009.
(Fragmento).

A Guerra Civil Espanhola expressou as
disputas em curso na Europa na década de 1930.
A perspectiva política comum que promoveu a
mobilização descrita foi o(a)
A- Crítica ao stalinismo.
B- Combate ao fascismo.
C- Rejeição ao federalismo.
D- Apoio ao corporativismo.
E- Adesão ao anarquismo.

2- ENEM [2012]

3- ENEM [2011]
Os três tipos de poder representam três diversos
tipos de motivações: no poder tradicional, o
motivo da obediência é a crença na sacralidade
da pessoa do soberano; no poder racional, o
motivo da obediência deriva da crença na
racionalidade do comportamento conforme a lei;
no poder carismático, deriva da crença nos dotes
extraordinários do chefe.
BOBBIO, N. Estado, Governo, Sociedade: para uma teoria
geral da política. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (Adaptado).

O texto apresenta três tipos de poder que
podem ser identificados em momentos históricos
distintos. Identifique o período em que a
obediência esteve associada predominantemente
ao poder carismático.
A- República Federalista Norte-Americana.
B- República Fascista Italiana no Século XX.
C- Monarquia Teocrática do Egito Antigo.
D- Monarquia Absoluta francesa no século
XVII.

98
E- Monarquia Constitucional Brasileira no
século XIX.

GABARITO:

CAPÍTULO 11

A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
(1945-1949)

Exercícios de Fixação:
1- Aberta

Pintou no Enem:
1- B
2- B
3- B

Introdução:
A Primeira Guerra Mundial - "feita para
pôr fim a todas as guerras" - transformou-se no
ponto de partida de novos e irreconciliáveis
conflitos, pois o Tratado de Versalhes (1919)
disseminou um forte sentimento nacionalista,
que culminou no totalitarismo nazifascista. As
contradições se aguçaram com os efeitos da
Grande Depressão.
Além disso, a política de apaziguamento,
adotada por alguns líderes políticos do período
entre guerras e que se caracterizou por
concessões para evitar um confronto, não
conseguiu garantir a paz internacional.
A Segunda Guerra Mundial, iniciada
setembro de 1939, foi a maior catástrofe
provocada pelo homem em toda a sua longa
história. Envolveu setenta e duas nações e foi
travada em todos os continentes (direta ou
indiretamente). O número de mortos superou os
cinquenta milhões havendo ainda uns vinte e oito
milhões de mutilados.
É difícil de calcular quantos outros
milhões saíram do conflito vivos, mas
completamente
inutilizados
devido
aos
traumatismos psíquicos a que foram submetidos
(bombardeios aéreos, torturas, fome e medo
permanente). Outra de suas características,
talvez a mais brutal, foi ter afetado de igual modo
aqueles que combateram no front e a população
civil na retaguarda. Foi uma guerra total.
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945)
opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo
sido o conflito que causou mais vítimas em toda a
história da Humanidade. As principais potências
Aliadas eram a China, a França, a GrãBretanha, a União Soviética e os Estados
Unidos. O Brasil se integrou aos Aliados em
1943. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua
vez, perfaziam as Forças do Eixo.
Muitos outros países participaram na
guerra, seja por terem se aliado a um dos lados,

99
seja por terem sido invadidos, ou ainda por haver
participado de conflitos paralelos.

As Causas da Guerra:
Vários foram os fatores que influenciaram
o início do conflito, que teve início na Europa e
que rapidamente se espalhou pela África e Ásia.
Um dos mais importantes motivos foi o
surgimento, na década de 1930, na Europa, de
governos totalitários com fortes objetivos
militaristas e expansionistas.
Na Alemanha, o nazismo, liderado por
Hitler, implementava o programa de expansão do
território germânico, desrespeitando o Tratado de
Versalhes, inclusive reconquistando territórios
perdidos com o fim da Primeira Guerra.
Na Itália o crescimento do Partido
Fascista, liderado por Benito Mussolini, dava ao
Duce plenos poderes.
Nos dois casos mencionados a crise
econômica na década de 1930 foi um fator
preponderante, para a ascensão dos respectivos
regimes totalitários.

à Alemanha. Em seguida, reivindicou a integração
das minorias germânicas que habitavam os
Sudetos
(região
montanhosa
da
Tchecoslováquia).
Como a Tchecoslováquia não estava
disposta a ceder, a guerra se mostrava iminente.
Ingleses e franceses tentam na Conferência de
Munique (1938), apaziguar os ânimos cedendo a
Hitler parte do território.
Hitler que havia prometido na conferência
não fazer novas exigências após receber a região
dos Sudetos, no ano seguinte (1939) invade e
ocupa o restante da Tchecoslováquia, e em
seguida volta-se para a Polônia buscando uma
saída para o mar.
Para poder invadir a Polônia, havia a
necessidade da neutralização de uma das
potências vizinhas da Alemanha. A Inglaterra e a
França já haviam cedido a Tchecoslováquia e
provavelmente iriam à guerra se a Polônia fosse
invadida.

Uma das soluções tomadas pelos
governos destes países foi a industrialização,
principalmente no que diz respeito à criação de
indústrias de armamentos e equipamentos bélicos
(aviões de guerra, navios, tanques etc.).

Por outro lado ainda havia a possibilidade
de uma intervenção da URSS. Assim Hitler assina
em 1939 um acordo com Stalin: o Pacto de não
agressão germano-soviético. As cláusulas
deste acordo definiam a partilha da Polônia entre
os dois países, e o reconhecimento da
hegemonia soviética sobre os Estados Bálticos
(Letônia, Estônia e Lituânia). O caminho para a
guerra estava aberto.

Do outro lado do Mundo, na Ásia, o Japão
também possuía fortes desejos de expandir seus
domínios para territórios vizinhos e ilhas da
região.

Em setembro de 1939, o exército alemão
lançou uma ofensiva surpresa contra a Polônia,
com o principal objetivo de reconquistar seus
territórios perdidos durante a Primeira Guerra.

Estes três países, com objetivos
expansionistas, uniram-se e formaram o Eixo. Um
acordo com fortes características militares e com
planos de conquistas elaborados em comum
acordo.

As tropas alemãs conseguiram derrotar
as tropas polacas em apenas um mês. A União
Soviética tornou efetivo o acordo com a
Alemanha nazi e ocupou a parte oriental da
Polônia.
A
Grã-Bretanha
e
a
França,
responderam à ocupação declarando guerra à
Alemanha,
mas
não
entrando,
porém,
imediatamente em combate. A Itália, nesta fase,
declarou-se "país neutro".

A Política Expansionista de Hitler:
Logo após o abandono do Japão da Liga
das Nações (que já se ressentia da ausência dos
Estados Unidos, URSS e Brasil), foi a vez da
Alemanha retirar-se.
O plano de Hitler organizava-se segundo
etapas bem calculadas. Em 1938 com o apoio da
maioria da população austríaca, anexou a Áustria

Episódios da Guerra:
A Guerra relâmpago: Em maio de 1940, o
exército alemão lançou uma ofensiva, também de
surpresa, contra os Países Baixos, dando início a
Batalha da França.

100
Com os britânicos e franceses julgando que
se repetiria a guerra de trincheiras da Primeira
Guerra Mundial, e graças à combinação de
ofensivas de paraquedistas com rápidas
manobras de blindados em combinação com
rápidos deslocamentos de infantaria motorizada
(a chamada "guerra-relâmpago" - Blitzkrieg, em
alemão), os alemães derrotaram sem grandes
dificuldades as forças franco-britânicas.
O Marechal Pétain (francês) assumiu então
a chefia do governo em França, que ficou
conhecido como o governo de Vichy, assinou um
armistício com Adolf Hitler e começou a colaborar
com os alemães.
A guerra na África: Em Setembro de 1940, após
a tomada da França pelas forças alemãs, as
tropas italianas iniciaram uma série de ofensivas
contra o Egito, então colônia da Grã-Bretanha. O
objetivo era dominar o canal de Suez e depois
atingir as reservas petrolíferas do Iraque, também
sob domínio britânico.
Os efetivos ingleses destacados no norte
da
África
realizaram
uma
espetacular
contraofensiva contra as forças italianas que
foram empurradas por 1200 km de volta à Líbia,
perdendo todos os territórios anteriormente
conquistados. Esta derrota custou aos italianos a
destruição de 10 divisões, a perda de 130.000
homens feitos prisioneiros, além de 390 tanques
e 845 canhões.
Com isso, foi enviada a África duas
divisões alemãs em auxílio aos Italianos. Os
Alemães conseguiram reverter a iminente derrota
italiana
e
empreenderam
uma
ofensiva
esmagadora contra as forças britânicas
enfraquecidas empurrando-as de volta à fronteira
egípcia.
Após
uma
sucessão
de
batalhas
memoráveis os alemães e italianos são detidos
por falta de combustível e provisões. Finalmente,
em Outubro de 1942, após 4 meses de
preparação, os Britânicos contra-atacaram sob o
comando do General Montgomery.
Rechaçadas pelas bem supridas forças
britânicas, as tropas ítalo-alemãs iniciaram um
grande recuo. Finalmente, cercados pelos
exércitos americano (que havia desembarcado no
Marrocos) e britânico, o restante do contingente
italiano na África do Norte se rendei aos aliados

na Tunísia em maio de 1943, dando fim à guerra
na África.

A invasão da URSS: Em junho de 1941, os
exércitos do eixo lançaram-se rumo a conquista
do território soviético, com a chamada “Operação
Barbarossa”. A invasão só é contida em 1943:
dos trezentos mil soldados alemães, noventa mil
morreram de frio e fome e mais de cem mil foram
mortos nas três semanas anteriores à rendição.
Devido às rigorosas dificuldades do inverno
nessa época do ano, fato que dificultava a
subsistência até mesmo da população local, um
grande número dos soldados alemães, sem
proteção contra o frio nos campos de prisioneiros,
não sobreviveu, e poucos retornaram a sua terra
natal após a guerra.

O Conflito se torna Mundial:
Podemos elencar dois fatores como os
responsáveis pela guerra europeia transformar-se
em mundial, ambos em 1941: a invasão da
União Soviética pela Alemanha e o ataque à
base americana de Pearl Harbor no Hawaii
pelos japoneses.
Durante vários meses após esse ataque,
os japoneses realizaram várias conquistas: China,
Indochina, Filipinas, Indonésia, chegando a
ameaçar inclusive a Austrália. As conquistas no
Pacífico indicavam que logo o território estaria
sobre domínio nipônico.
Quando o Japão atacou os Norte
Americanos, a Alemanha logo se aproveitou da
situação e declarou guerra aos EUA, mesmo
estando envolvida em grandes batalhas na parte
oriental com a URSS. Vale lembrar que a guerra
contra a União Soviética não era apenas uma
disputa territorial, o Comunismo era um dos
grandes senão o maior dos inimigos do
governo Totalitário de Adolf Hitler.

Hitler colhe derrotas:
Na batalha de Stalingrado, os soviéticos
derrotaram o poderoso exército alemão levando
ao fim o mito da invencibilidade germânica. O
episódio representou também o início da contra
ofensiva soviética. Foi na Rússia que a Alemanha
começou a perder a guerra.

101
Em junho de 1944, no chamado Dia D, os
Aliados efetuaram um desembarque nas
praias da Normandia, e iniciam mais um conflito.
O exército alemão não conseguiu responder ao
ataque, e iniciou um recuo constante até o
completo domínio em Berlim, em fevereiro de
1945, e decretando a rendição incondicional em
seguida, em maio de 1945.

Do outro lado, o Japão:
Na Guerra do Pacífico, os porta-aviões
representaram um dos recursos mais importantes
nos conflitos, pois a maioria das batalhas se
delineou através da aviação e da marinha.
Um aspecto fora do comum nesta guerra
e que obteve notoriedade internacional, foram os
pilotos
suicidas
japoneses
denominados
Kamikazes (vento divino) que se lançavam
juntamente com seus aviões carregados de
bombas contra os alvos inimigos.

lançamento de uma segunda bomba atômica, a
"Fat Man" que foi lançada sobre Nagasaki em 9
de agosto.
Em 14 de agosto o Japão rende-se
incondicionalmente.
As chefias militares norte-americanas
justificaram esta ação afirmando que uma invasão
do Japão teria custos elevados em termos de
vidas de soldados americanos.
Decisões Diplomáticas:
No decorrer da Segunda Guerra os Aliados
realizaram inúmeras conferências, cujas decisões
produziram grandes consequências no pósguerra.
a) Conferência do Cairo: Em novembro de
1943, após a capitulação da Itália e durante a
contraofensiva norte americana no pacífico,
realizou-se a primeira reunião dos Aliados, a
Conferência do Cairo, no Egito. Os aliados
resolveram devolver à China os territórios
ocupados pelos japoneses, bem como conceder
independência à Coréia e outros países ocupados
pelo Japão.
b) Conferência de Teerã: Em dezembro de
1943, Roosevelt, Churchill e Stalin se reuniram
em Teerã. Decidiu-se então pela abertura da
segunda frente de batalha na Europa e a
Normandia foi o lugar escolhido para
desembarque das tropas aliadas.

Em agosto, o Imperador Hirohito,
verificando as elevadas perdas nos últimos
conflitos, autorizou que o embaixador japonês na
União Soviética apresentasse a rendição jaonesa.
Os Aliados pediam ao Japão uma
rendição incondicional, todavia o Japão exigia
maior clareza quanto ao futuro do Imperador,
decidindo não responder ao apelo Aliado.
Em 6 de Agosto, a bomba atômica "Little
Boy", foi lançada sobre Hiroshima do B-29 "Enola
Gay", pelo "esquadrão Atômico". Contudo, não
obteve o efeito esperado, pois o Imperador
Hirohito e o Gabinete de Guerra japonês não se
pronunciaram sobre o caso. Boa parte do povo
japonês ainda desconhecia o ataque a Hiroshima.
Truman decidiu não esperar por uma
resposta do Japão, ordenando assim o

c) Conferência de Yalta: Em fevereiro de
1945, as vésperas da queda do III Reich, os três
grandes voltaram a se reunir em Yalta (URSS).
Ali decidiram que a Polônia receberia os
territórios ocupados pelos alemães situados no rio
Oder, assim como a divisão da Alemanha em
zonas de ocupação. Decidiu-se finalmente, a
entrada da URSS na guerra contra o Japão e
concessões territoriais no oriente.
d) Conferência de Potsdam: Em julho de 1945,
após a queda do III Reich, os Aliados realizam
uma nova conferência em Potsdam, subúrbio da
cidade de Berlim. Nesta conferência ficou
decidido que a Alemanha pagaria 20 bilhões de
dólares de indenização de guerra aos países
Aliados. Decidiu-se também pelo julgamento dos
líderes nazistas por crimes de guerra, a ser
realizado em um tribunal na cidade de
Nuremberg.
Finalmente confirmou-se a divisão da
Alemanha em quatro zonas de ocupação dos

102
países aliados. No lado Oriental, ficaria a
administração sob incumbência da União
Soviética e, no lado Ocidental, a administração
ficaria sob incumbência dos Estados Unidos,
França e Inglaterra, tendo estas duas últimas
desistido da incumbência. A Itália perderia todas
as suas colônias.

Relato de um combatente brasileiro durante a Segunda
Guerra. Retirado de: < http://segundaguerra.net>
Último acesso em: 23, mai. 2014.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:

Consequências da Guerra:
Com o final do conflito, em 1945, foi criada
a ONU (Organização das Nações Unidas), cujo
objetivo principal seria a manutenção da paz
entre as nações. Inicia-se também o período
conhecido como Guerra Fria, colocando em lados
opostos os Estados Unidos e a União Soviética.
Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norteamericano e o socialismo soviético, em que
ambos buscavam ampliar suas áreas de
influência sem entrar em conflito armado.

SESSÃO LEITURA
Relatos da Segunda Guerra – De onde vem os
tiros?
“Não se tinha ideia da distância porque era
montanhoso demais, e assim fomos avançando
até que numa tarde, acompanhando o Pelotão de
Fuzileiros, de repente estávamos recebendo tiros
de metralhadora. Alguns até pensaram que eram
brasileiros, que saíram pelo lado e apareceram na
nossa frente e foi aquela confusão. Uns diziam
que era o alemão, outros diziam que não era,
mas eles continuaram atirando com a
metralhadora, dando aquele tiro luminoso, um
traçante, diferente do nosso.
A nossa munição traçante era vermelha na
sua trajetória e aquela era meio prateada e
esverdeada, bem diferente da nossa; aquilo
começou a chamar a atenção e atingir o pessoal,
que se dispersou rapidamente. Eu estava com
uma metralhadora que caiu num lugar e o reparo
caiu em outro; a segunda peça atrás tinha que
deitar e não conseguia fazer o tiro.
De ouvido não dava, então chegou a um ponto
em que eu estava separado, olhando as balas
atingirem o pessoal, cortando tudo em que
pegavam. Até que recebemos aquela rajada que
estremeceu o chão, espirrou o barro e pegou a
quase um metro de minhas pernas. E lá naquele
local tivemos que permanecer, mas eu consegui
que um soldado do Pelotão, que portava fuzilmetralhadora, atirasse para o morro de onde
estava partindo o fogo inimigo.”

1- Adaptado UFJF
A viagem levou uns vinte minutos. O caminhão
não parou; via-se um grande portão e, em cima
do portão, uma frase bem iluminada (cuja
lembrança ainda hoje me atormenta nos sonhos):
ARBEIT MACHT FREI – o trabalho liberta.
Descemos, fazem-nos entrar numa sala ampla,
nua e fracamente aquecida. Que sede!
O leve zumbido da água nos canos da calefação
nos enlouquece: faz quatro dias que não
bebemos nada. Há uma torneira e, acima, um
cartaz: proibido beber, água poluída (...). Isto é o
inferno. Hoje, em nossos dias, o inferno deve ser
assim: uma sala grande e vazia, e nós, cansados,
de pé, diante de uma torneira gotejante, mas que
não tem água potável, esperando algo
certamente terrível acontecer, e nada acontece, e
continua não acontecendo nada. (LEVI, Primo. É
isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988. p.
20.)
A descrição acima – de um prisioneiro chegando
a Auschwitz – revela angústia e horror. Os
campos de concentração nazistas eram:
a) lugares de reabilitação de doentes mentais,
criminosos comuns e prisioneiros políticos,
adversários do Nazismo.
b) instalados apenas na Alemanha e, neles, foram
alojados, durante a Segunda Guerra Mundial,
judeus, homossexuais e comunistas.
c) lugares de execução sumária e imediata de
inimigos nacionais alemães e de pessoas que se
recusavam a trabalhar.
d) instalados para acolher os imigrantes que,
vindos da Europa Oriental, tentavam penetrar no
território do Terceiro Reich sem autorização.
e) lugares onde os considerados “indesejáveis”
eram submetidos a humilhações, trabalhos
forçados ou execuções em massa.

103
2- Adaptado UFJF
Em agosto de 1945, três meses após a
capitulação da Alemanha, os Estados Unidos
jogaram, sobre as cidades japonesas de
Hiroshima e de Nagasaki, a sua mais nova
invenção militar: a bomba atômica, um artefato
com capacidade de destruição várias vezes
superior ao que se conhecia até então. Com
relação ao bombardeio de Hiroshima e de
Nagasaki, assinale o que for correto.
01. Os japoneses consideravam-se divinamente
protegidos e a rendição era incompatível com os
antigos ideais samurais.
02. O bombardeio foi um modo de impedir a
aliança dos “tigres asiáticos”, ou seja, a aliança
entre o Japão e a República Popular da China.
04. Após o bombardeio, foi obtida a rendição
incondicional do Japão, oficializando o final da
Segunda Guerra Mundial.
08. Movidos pelas vitórias em Pearl Harbor e pelo
apoio da China e da Rússia, as tropas japonesas
não aceitavam a rendição e não depunham suas
armas.
16. A decisão de bombardear essas cidades
japonesas foi a última opção que restou aos
norte-americanos, de modo a garantir o controle
do Mediterrâneo e o desembarque de tropas em
Pearl Harbor.
32. A destruição dessas cidades foi quase
completa. Só posteriormente os sobreviventes
ficaram sabendo que estavam contaminados pela
radiação e que não eram sobreviventes, mas sim
“mortos de médio e longo prazo”.

II. a ONU pode mobilizar tropas, constituir
exércitos e realizar intervenções militares para
preservar os interesses de seus membros. O
exemplo mais recente foi o ataque contra o Iraque
para depor o governo de Saddam Hussein.
III. a ONU mantém uma Assembleia Geral com
representantes de todos os países membros.
Este é um fórum de discussão para os principais
problemas políticos, econômicos e humanitários
que afetam a segurança mundial.
IV. a ONU mantém uma série de órgãos
especializados, subordinados ao Conselho de
Segurança, dentre os quais se destaca o Fundo
Monetário Internacional (FMI).
Assinale:
a) se somente I e II estão corretas.
b) se somente I e III estão corretas.
c) se somente I, III e IV estão corretas.
d) se somente II e III estão corretas.
e) se todas as alternativas estão corretas.

4- Adaptado UFJF
Uma das ironias deste estranho século XX é que
o resultado mais duradouro da Revolução de
Outubro de 1917, cujo objetivo era a derrubada
global do capitalismo, foi salvar seu antagonista,
tanto na guerra quanto na paz...
(Eric J. Hobsbawm, A Era dos Extremos. 1995)
De acordo com a argumentação do autor, a União
Soviética salvou o capitalismo graças à:

Some os números dos itens corretos.

3-

Adaptado UFJF

Em junho de 1945, a Organização das Nações
Unidas (ONU) foi fundada por cinquenta países
com o propósito, entre outros, de zelar pela
segurança internacional e evitar novos conflitos.
Com relação à estrutura e funções da ONU, é
correto afirmar que:
I. o Conselho de Segurança, órgão mais
importante da ONU, funciona como um poder
executivo, pelo qual passam todas as decisões,
sendo
constituído
por
cinco
membros
permanentes com direito a veto e dez membros
eleitos com mandato de dois anos e sem direito a
veto.

a) vitória militar na Segunda Guerra Mundial e ao
planejamento econômico para substituir a
economia de mercado.
b) neutralidade na Primeira Guerra Mundial e à
utilização da economia de mercado para fomentar
a industrialização.
c) aliança com a Alemanha nazista, em 1939, e
ao colapso dos planos quinquenais para
desenvolver a economia.
d) derrota na Guerra Fria, entre 1945-1962, e ao
fracasso
na
tentativa
de
fomentar
a
industrialização da Europa oriental.

104
e) retirada dos mísseis de Cuba, em 1962, e ao
sucesso na ajuda à implementação da economia
socialista na China.

5- Adaptado UFJF
O jornal O Estado de S. Paulo publicou:
Apesar de ser um tema recorrente no cinema, na
mídia e na literatura, 89% dos brasileiros não
sabem o que foi o holocausto (...). Em 14 países
pesquisados na Europa e América Latina (...), os
brasileiros ficaram na penúltima colocação, com
11% (...). Os dados no Brasil foram coletados
pelo IBOPE.... (17.7.2001, p. A-8.)
O holocausto foi a perseguição e o massacre de
judeus ocorridos no contexto da Segunda Guerra
Mundial.
a) Cite dois argumentos que os responsáveis pelo
holocausto utilizaram na época para justificar
seus atos.
b) Indique outro evento de mesma natureza,
registrado pela história após 1945.

6- Adaptado UFJF
Em dezembro de 1943 foi realizada por
Roosevelt, Churchill e Stalin, a Conferência de
Teerã, que decidiu a abertura de um novo front da
Guerra com a invasão da Normandia. Esta
reunião assinala alteração na situação estratégica
da Alemanha, que passa a atuar na defensiva.
A inversão no quadro da guerra se deveu à:
a) ruptura do pacto germano-soviético pela
URSS, que libertou a França.
b) unificação da Coreia e ao controle do petróleo
romeno pelos norte-americanos.
c) aliança da URSS com o Japão, obrigando o
Eixo a recuar na Ásia.
d) ofensiva soviética iniciada na Batalha de
Stalingrado e à capitulação italiana frente aos
aliados.
e) proclamação da República Social Italiana por
Mussolini, que rompeu o pacto com a Alemanha e
arrastou a Iugoslávia.

7- Adaptado UFJF

O ataque mais devastador já ocorrido contra um
prédio da ONU chocou os funcionários na sede
da entidade, em Nova York, levando alguns às
lágrimas. O atentado com um caminhão-bomba
ocorreu na terça-feira em Bagdá e matou o chefe
da missão da ONU no Iraque, o brasileiro Sérgio
Vieira de Mello, e pelo menos 15 subordinados
dele. As bandeiras dos 191 países da ONU, que
enfeitam a fachada da sede em Manhattan, foram
retiradas. Ficou só o pavilhão azul e branco da
ONU, a meio-mastro, em sinal de respeito pelos
mortos.
(Morte de Vieira de Mello repercute no mundo. In
Terra - 19/08/2003)
A morte do representante especial da ONU no
Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, chocou
o mundo pela violência do atentado e pela clara
demonstração de que a ONU, apesar de seu
papel humanitário, não é vista com bons olhos
por todo o povo iraquiano. Esse fato nos faz
lembrar que:
a) a ONU foi fundada em plena Segunda Guerra
Mundial, como forma de evitar que mais judeus
sofressem perseguição e morte nos campos de
concentração.
b) a ONU foi fundada em 1919, depois da
Primeira Guerra Mundial, na tentativa de evitar
um novo embate como o vivido entre 1914-1919,
porém falhou em seu intuito.
c) a ONU foi fundada após as guerras
napoleônicas com o intuito de evitar que uma
nova nação tentasse realizar uma guerra de
anexação, como a França de Napoleão
Bonaparte.
d) a ONU foi fundada em 1945, depois da
Segunda Guerra Mundial, com o intuito de
fomentar a paz e os direitos humanos entre as
nações.
e) a ONU foi fundada após a construção do muro
de Berlim para evitar que mais países tivessem
seus filhos, mães e pais separados fisicamente
por um muro e ideologicamente por blocos
políticos.

8- Adaptado UFJF
Os ataques aéreos às torres gêmeas do WTC
em Nova Iorque e ao prédio do Pentágono em
Washington, ocorridos nos Estados Unidos em 11
de setembro de 2001, fizeram com que os
americanos e a imprensa evocassem o ataque à

105
base militar de Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de
dezembro de 1941.
a) O que foi o ataque a Pearl Harbor?
b) Qual foi a arma utilizada pelos americanos
para obrigar à rendição o país que os atacou?
c) Cite duas diferenças políticas entre o ataque a
Pearl Harbor e os ocorridos em 11 de setembro
de 2001.

PINTOU NO ENEM:

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
1- E
2- 36
3- A
4- A
5- Aberta
6- D
7- D
8- Aberta

1- ENEM [2008]
Em discurso proferido em 17 de março de 1939,
o primeiro-ministro inglês à época, Neville
Chamberlain, sustentou sua posição política:
“Não necessito defender minhas visitas à
Alemanha no outono passado, que alternativa
existia? Nada do que pudéssemos ter feito, nada
do que a França pudesse ter feito, ou mesmo a
Rússia, teria salvado a Tchecoslováquia da
destruição. Mas eu também tinha outro propósito
ao ir até Munique. Era o de prosseguir com a
política por vezes chamada de ‘apaziguamento
europeu’, e Hitler repetiu o que já havia dito, ou
seja, que os Sudetos, região de população alemã
na Tchecoslováquia, eram a sua última ambição
territorial na Europa, e que não queria incluir na
Alemanha outros povos que não os alemães”.

Sabendo-se que o compromisso assumido por
Hitler em 1938, mencionado no texto acima, foi
rompido pelo líder alemão em 1939, infere-se
que:
a) Hitler ambicionava o controle de mais
territórios na Europa, além da região dos
Sudetos.
b) a aliança entre a Inglaterra, a França e a
Rússia
poderia
ter
salvado
a
Tchecoslováquia.
c) o rompimento desse compromisso inspirou
a política de “apaziguamento europeu”.
d) a política de Chamberlain de apaziguar o
líder alemão era contrária à posição
assumida pelas potências aliadas.
e) a forma que Chamberlain escolheu para
lidar com o problema dos Sudetos deu
origem à destruição da Tchecoslováquia.

Pintou no Enem:
1- A

106

CAPÍTULO 12

progressistas tivessem sido aprovadas, como a
implantação de um sistema tributário que fixava
taxas mais altas para os detentores de mais
rendas;

OS GOVERNOS
DESENVOLVIMENTISTAS (1946/1964)
Política e Economia:

O GOVERNO DUTRA:

Dutra procurou apoiar-se em vários
partidos a fim de combater o crescimento do PCB
e de movimentos populares.

Introdução:

O próximo passo foi a suspensão das
eleições sindicais e, finalmente em 1947, a
determinação da ilegalidade do PCB, cassando
o mandato de seus representantes no congresso,
inclusive Luís Carlos Prestes, que fora eleito o
senador mais votado.

O General Eurico Gaspar Dutra, candidato
à presidência pelo PSD, venceu as eleições e
assumiu a Presidência em 1946. No mesmo ano,
Dutra convocou uma Assembleia Constituinte
para elaborar a quinta Constituição do país.
Todos os partidos políticos, inclusive o
Partido Comunista, participaram da elaboração da
nova Constituição. Apesar disso, na Assembleia
dominaram os representantes do liberalismo,
vinculados aos setores rurais com sentido
conservador (PSD).

Influências político-partidárias:
PTB: de ideologia populista, que mantinha e
reforçava a tradição inaugurada por Vargas.
UDN: reunia elementos anti-getulistas e eram de
ideologia liberal.
PSD: inspirado por Getúlio, partido do Presidente
que apoiado pelo PTB venceu as eleições com a
maioria esmagadora dos votos.

Mantendo essa política até o fim de 1948,
o governo acabou por determinar a intervenção
em todos os sindicatos de trabalhadores do país.
No plano da política externa, a Guerra
Fria - envolvendo a disputa por áreas de
influência entre EUA e URSS - acabou por afetar
a vida política brasileira, fazendo com que o
governo Dutra acentuasse seus vínculos com os
Estados Unidos.
Em 1946, durante a Conferência
Interamericana para Manutenção da Paz e da
Segurança do Continente, ocorrida em Petrópolis,
o presidente dos EUA Harry Truman esteve no
país, o que fortaleceu a posição do Brasil que,
neste mesmo ano acabou rompendo relações
diplomáticas com a União Soviética.

PCB: de base urbana, com penetração no meio
militar e apoiado pelo operariado.

Em 1948, era fundada a Organização dos
Estados Americanos (OEA) com ampla e ativa
participação do Brasil no seu estabelecimento.

A Constituição de 1946:

Dutra também foi o responsável pela
tentativa de colocar em prática o primeiro plano
de governo do país, o chamado Plano SALTE
(Saúde, Alimentação, Transporte e Energia). Em
seu governo ainda pavimentou a rodovia Rio São Paulo e instalou a Companhia Hidrelétrica do
São Francisco.

A nova Constituição mantinha alguns
elementos antigos e inovava em novos pontos:
* Manutenção da República Federativa
Presidencialista, voto secreto e universal para
maiores de 18 anos, excetuando-se soldados,
cabos e analfabetos;

* Preservava a estrutura de unidade da
terra, não se tocando nos latifúndios;

Ainda no plano econômico foram
consumidos os saldos acumulados durante a 2ª
GM, graças à chamada Lei das Importações,
que liberou a entrada de produtos estrangeiros no
país.

* A estrutura sindical de cunho fascista foi
mantida,
embora
algumas
inovações

Junto com este processo veio também
um pesado processo inflacionário, visto que, para

* Divisão do Estado em 3 Poderes;

107
acompanhar o crédito, houve um aumento na
emissão de papel moeda. Tal situação gerou uma
forte alta dos preços no mercado interno,
diminuindo bruscamente o poder aquisitivo da
população, principalmente nos primeiros anos do
governo Dutra.
A partir de 1948, as importações
começaram a precisar de uma licença prévia
fornecida pelo governo, o que reduziu um pouco
as importações, favorecendo a indústria nacional.
Ao mesmo tempo, o governo elevou o
preço do café e das matérias primas no mercado
internacional, procurando equilibrar a balança de
comércio brasileiro. Essa situação econômica
com diminuição do poder aquisitivo da população
acabava favorecendo ao governo de Vargas,
devido
à
comparação
que
era
feita
involuntariamente pela população entre os dois
governos.

uma vinculação e consequentemente, uma maior
exploração do capital estrangeiro na economia
brasileira.
Um dos momentos mais importantes do
debate entre os dois grupos ocorreu quando da
nacionalização da exploração do petróleo no
Brasil. O grupo nacionalista defendia que a
extração e a distribuição do petróleo brasileiro
fossem feitas por uma empresa brasileira e
estatal, e pregavam o slogan “o petróleo é
nosso”. Os entreguistas eram favoráveis a
permitir a exploração do petróleo a grupos
estrangeiros.

O NOVO GOVERNO DE VARGAS
(1951-1954)

A Política Nacionalista de Vargas:
Getúlio objetivou realizar um governo cuja
característica fosse à defesa dos interesses
nacionais. Dizia que era preciso “atacar a
exploração das forças internacionais” para que o
país alcançasse sua tão sonhada independência
econômica.
Vargas procurou apagar a imagem de
ditador do Estado Novo e construiu em seu lugar,
a figura de um estadista democrata. Além disso,
retomou duas características que o consagraram:
o nacionalismo econômico e a política de
amparo aos trabalhadores urbanos, bandeiras
políticas de forte apelo popular.
A proposta nacionalista de Vargas era
duramente questionada e atacada pelo governo
norte americano, pelas empresas estrangeiras
instaladas no Brasil ou por representante destas
empresas, normalmente membros do grupo
economicamente dominante no país, visto que tal
modelo de política era considerado um perigo
para
estes
grupos.
(Nacionalismo
X
Imperialismo).
Estabeleceu-se no Congresso Nacional e
na Imprensa um intenso debate entre os grupos
NACIONALISTAS que apoiavam o modelo
varguista, e os ENTREGUISTAS, que pretendiam

A campanha do petróleo teve um final
favorável ao grupo nacionalista e em 1953, foi
criada a PETROBRÁS, empresa estatal
responsável pelo monopólio total da extração e,
parcialmente do refino do petróleo do país.
Ainda em 1953, o governo propôs uma Lei
de Lucros Extraordinários, que limitava a remessa
de dinheiro das empresas estrangeiras para o
exterior. A lei, no entanto, foi barrada no
Congresso, devido às pressões dos grupos
internacionais.
Diante das ameaças que a política
nacionalista de Vargas passava a representar
para o grande capital internacional e para os seus
representantes no país, a oposição começou a se
articular. A UDN derrotada nas eleições de 1746
(Dutra) e 1950 (Vargas) torna-se o principal
instrumento de contestação do governo.
O objetivo era articular a derrubada de
Vargas do poder. Um dos principais líderes da
oposição foi o jornalista Carlos Lacerda, político
da UDN e diretor do jornal Tribuna da Imprensa
(ou O Corvo).

108
O Modelo Trabalhista de Getúlio Vargas:

temporariamente do governo; os Militares, porém
queriam que ele renunciasse definitivamente.

Para as classes trabalhadoras das cidades,
Vargas anunciava a construção de uma
verdadeira “democracia social e econômica”. Para
o Presidente, a democracia daria ao trabalhador
não só os direitos políticos, mas também, o direito
de desfrutar e beneficiar-se do progresso que ele
mesmo criava com seu trabalho.

Diante de tal situação as pressões
aumentaram e em 22 e 23 de agosto surgiram
manifestações militares exigindo a renúncia de
Getúlio Vargas. O presidente, entretanto,
recusava-se deixar o cargo, e mesmo
denunciando
as
manobras
políticas
oposicionistas, Getúlio ficava cada vez mais
isolado no poder.

Em 1954, Vargas autorizava o aumento de
100% do salário mínimo, atendendo a proposta
de seu Ministro do Trabalho João Goulart, para
desta forma recompor o poder de compra do
salário, corroído pela inflação do governo Dutra.
Tal decisão de Vargas acabou provocando
uma enorme revolta entre o grupo patronal, que
ainda era contra a organização da classe
trabalhadora, estimulada pelo governo. Tal
organização era vista como uma ameaça de
esquerda aos interesses capitalistas.

A Eclosão da Crise Política e o Suicídio de
Vargas:

A UDN e a imprensa de oposição
continuaram a atacar violentamente o governo de
Vargas, e os abusos de poder de outros
elementos do governo, ligados ao Presidente.
Em agosto de 1954, o líder da oposição,
Carlos Lacerda, foi vítima de uma tentativa de
assassinato, ocorrido na porta do prédio onde
morava em Copacabana (Atentado na Rua
Toneleros).
Lacerda escapou do atentado ferido com
um tiro no pé, e seu guarda costas (também
Major da Aeronáutica), Rubem Vaz, acabou
morrendo.
As investigações feitas pela Aeronáutica
após o ocorrido resultaram na prisão dos
assassinos, e na vinculação destes com
Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal
de Getúlio. Nesse cenário, a oposição encontrou
o motivo que precisava para pressionar Vargas a
deixar o cargo de presidente.
A
situação
insustentável: Seus
pressioná-lo
para

de
Getúlio
tornou-se
Ministros começaram a
que
se
afastasse

Na noite de 23 de agosto de 1954, Vargas
teve uma reunião com todo o Ministério e, ao
encerrá-la, afirmou: “como não chegaram a
nenhuma conclusão, declaro que aceito a licença.
Mas, se vierem depor-me, encontrarão o meu
cadáver”.
Finalmente, em 24 de agosto Getúlio
recebe mais um ultimato, desta vez com a
assinatura do Ministro de Guerra Zenóbio da
Costa, exigindo seu afastamento. Isolado no
palácio do Catete, Getúlio Vargas prepara seu
último ato político, redige uma carta testamento e
se suicida com um tiro no coração.
A morte de Vargas comoveu grande parte
da população, gerando um clima de comoção
nacional. Carlos Lacerda fugiu do país, com medo
de uma reação popular. Os diretórios da UDN por
todo o país foram destruídos pelo povo.
Nos meses que ainda faltavam para
completar o mandado de Getúlio, a sucessão da
presidência caberia ao vice Café Filho, que se
afastou do poder por motivos de saúde. Pela
ordem sucessória, seria a vez de Carlos Luz
Presidente da Câmara dos Deputados, porém
como era partidário da UDN, ele renunciou, e
Nereu Ramos, Presidente do Senado, assumiu
interinamente.
A partir daí teve início o processo de
sucessão eleitoral, desviando a atenção da nação
da morte de Vargas para a disputa do pleito. O
quadro político, neste momento era bastante
simples:
PTB: Com a morte de Getúlio, ficava sem um
grande nome, visto que João Goulart, que
poderia assumir a liderança, fora contestado
em face de sua pouca idade e experiência
política.
UDN: Apontada como causadora da morte de
Getúlio, estava desgastada e não tinha
condições de apresentar qualquer nome,

109
naquele momento, que pudesse ganhar as
eleições.
PSD: Partido que estava coligado com o PTB
e que, portanto, poderia apresentar uma
candidatura, o ex-governador de MG,
Juscelino Kubitschek de Oliveira.

O GOVERNO JUSCELINO
KUBITSCHEK (1956-1961)

Introdução:
O período de um ano e meio que vai da
morte de Getúlio Vargas até a posse do novo
presidente, foi marcado por uma grande
turbulência social e política. Completado o
período do governo dos substitutos de Vargas,
foram realizadas novas eleições presidenciais em
1955, com os vencedores JK e João Goulart
(Vice).
Após sua vitória nas urnas, Juscelino teve
que contar com o apoio do General Henrique
Teixeira Lott, seu Ministro de Guerra, para
sufocar dois movimentos dos setores militares,
que tentavam impedir a sua posse, sob a
alegação que sua candidatura e de João Goulart
tinham sido financiadas por grupos comunistas
internacionais.

Desenvolvimento X Crescimento:
JK orientou todo
promover transformações
econômica
do
país,
desenvolvimentismo
nacionalismo econômico

o seu governo para
radicais na estrutura
era
o
nacionalsubstituindo
o
de Vargas.

Com isso ele pretendia acelerar o
processo de desenvolvimento industrial brasileiro,
contando com o chamado, Plano de Metas, um
programa de governo cujo slogan era: “fazer o
Brasil crescer 50 anos em 5”. Para isso, era
necessário a entrada de empresas multinacionais,
sendo
as
primeiras,
as
indústrias
automobilísticas.
Paralelamente, JK pretendia superar o
subdesenvolvimento resultante do atraso do setor
primário da economia. Para cuidar dos problemas
regionais do nordeste, criou a SUDENE
(Superintendência para o Desenvolvimento do
Nordeste em 1959).

É importante ressaltar que neste mesmo
ano, a Revolução Cubana, liderada por Fidel
Castro, derrubava o governo de Fulgêncio Batista
em Cuba, provando que o movimento agrário era
capaz de provocar uma revolução social de
profundidade.

A construção de Brasília:
A nova capital, símbolo do Brasil Moderno
e Industrializado, significou a abertura de uma
nova frente de colonização. A transferência do
centro das decisões políticas para o centro do
território pretendia servir de fator de integração
nacional.

Os anos JK foram um período de euforia
social e crescimento econômico. A implantação
da indústria automobilística, a construção de
Brasília, o “respeito” às liberdades democráticas,
além da notável habilidade do presidente em lidar
com as crises políticas e as pressões sociais,
tudo isso alimentou um clima de liberdade e
progresso.
No entanto, o governo não esteve alheio
à reações por parte de alguns setores da
sociedade:
As classes médias estavam insatisfeitas
com a política desenvolvimentista, pois esta havia
provocado um significativo aumento da inflação e
um endividamento do país com o exterior, em
especial bancos norte-americanos.
Os
problemas
sociais
de
fome,
analfabetismo e desemprego não se resolveram,
a despeito de medidas como a construção de
Brasília; por um lado à construção da nova capital
demandou enorme utilização de mão de obra, por
outro, aumentou a inflação por causa dos
vultosos recursos gastos.
Os setores rurais não se beneficiaram
da modernização, pois a política clientelista dos
coronéis emperrava qualquer iniciativa inovadora.

110
Assim os desequilíbrios entre o campo e a cidade
se acentuaram.

O GOVERNO JÂNIO QUADROS (1961)

Além disso, o modelo desenvolvimentista
de JK pagou um preço alto: abertura total da
economia ao capital estrangeiro, às grandes
multinacionais, e a submissão político-econômica
à hegemonia norte americana. O custo social
interno foi igualmente elevado; descontrole
inflacionário, pesando especialmente sobre os
assalariados.

Introdução:

Parece
claro
que
crescimento
econômico não resultou em desenvolvimento
econômico.

SESSÃO LEITURA
Uma Nova Era Cultural:
Por fim, não foi apenas no campo da
estabilidade política e do crescimento
econômico que o governo Juscelino foi
excepcional. Seu quinquênio correspondeu
também a um momento de grande produção
cultural, de novas propostas literárias, de
grande politização do pensamento e de uma
euforia no campo das artes plásticas, da
música, e dos esportes.

Jânio governou o país, num momento de
forte crise financeira, com uma extensa inflação e
um déficit na balança de pagamentos,
acompanhado por uma crescente dívida externa.
Para combater tal situação, ele instaurou uma
política anti-inflacionária, restringindo os créditos,
congelando os salários e incentivando as
exportações.
A inflação estava altíssima, decorrente das
constantes emissões monetárias, da dívida
externa, da desvalorização da moeda, e da falta
de correspondência entre o aumento dos salários
e do custo de vida. A presença de grandes
tensões sociais decorrentes desses fatores,
culminavam em violentas disparidades regionais,
e na existência de bolsões de miséria.
Todavia, Jânio era possuidor de um
carisma e de uma habilidade que lhe permitiram
manobrar a massa trabalhadora com discursos e
gestos populistas, e com promessas de salva-los
dos problemas mais sérios. Sua campanha tinha
como símbolo uma vassoura, para “varrer a
corrupção” conforme ele mesmo pregava.

Em 1956 é publicada a obra de
Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas, e
dois anos depois Jorge Amado publica
Gabriela, Cravo e Canela.
O cinema buscava romper com a
linguagem convencional. Dentre os filmes de
cunho social, podemos citar Rio 40º, de Nelson
Pereira dos Santos, que retrata a população
pobre dos morros cariocas.
A
juventude
se
libertava
dos
comportados “bailinhos familiares”, e se soltava
ao som de um novo balanço: O Rock and Roll.
Seus principais apelos políticos eram
dirigidos às classes médias urbanas, que
desejavam um governo dinâmico e honesto, com
um líder carismático capaz de beneficiá-los
economicamente.

A Política Anti-inflacionária:
Desde os primeiros momentos de seu
governo, Jânio buscou colocar em prática as
promessas feitas durante a campanha: uma

111
austera política externa independente que
preservasse a imagem do Brasil como nação
autônoma, o combate à corrupção e a
especulação.
A crise financeira herdada da gestão
anterior não era de fácil solução. De acordo com
compromissos assumidos pelo governo JK, o
Brasil teria de pagar 2 bilhões de dólares de
dívida, durante o governo de Jânio, e só em 1961
deveria ser saldado 600 milhões. Era sem dúvida
uma situação que exigia de Jânio Quadros
esforços extraordinários, o que o levou a adotar
uma
política
anti-inflacionária
ortodoxa,
sintetizada numa reforma cambial e no
congelamento dos salários.
. A austeridade da política econômica de
Jânio teve o aval do FMI, cuja relação com o
Brasil havia sido interrompida no governo de JK.
Isso facilitou as novas negociações com os
credores externos, resultando em um novo
empréstimo de 2 bilhões de dólares.
Os novos empréstimos significavam que
Jânio, no início de seu governo, ganhava
confiança da comunidade financeira internacional,
aliviada com a possibilidade de estabilização
financeira que poderia equilibrar as contas
estrangeiras no Brasil.
Contudo, internamente, a situação era
diferente. A política de redução do crédito
bancário, e a retirada de subsídios, afetava as
empresas de pequeno e médio porte,
acostumadas com os “favores” cambiais do
governo anterior. As classes trabalhadoras
também se manifestavam e protestavam contra o
congelamento dos salários e os aumentos do pão
e dos transportes, provocados pela retirada dos
subsídios do trigo e dos combustíveis.
Com essa política Jânio começava a ter
contra si as mesmas forças urbanas que o
elegeram. O preço político de sua ortodoxia
econômica tornava-se alto demais. E isso traria
consequências desagradáveis a toda nação em
curtíssimo prazo.

Política Externa Independente:
No campo externo, o Ministro das
Relações Exteriores, Afonso Arinos, procurou
desenvolver uma política independente, tentando
desvincular o país dos dois grandes blocos
políticos: EUA e URSS.

Restaurou as relações diplomáticas com
a União Soviética, além de condecorar um dos
líderes da revolução cubana, o argentino Ernesto
“Che” Guevara. Também apoiou o ingresso da
República Popular da China (comunista) na ONU.
Tais atitudes começaram a preocupar os
representantes norte-americanos, assim como os
setores
brasileiros
ligados
ao
capital
internacional.
A postura independente assumida pelo
presidente, cujo objetivo econômico era a
ampliação do mercado externo e o consequente
aumento das exportações brasileiras, provocara
acirrada campanha interna da conservadora
oposição civil e militar.

A Renúncia:
A UDN rompe definitivamente com Jânio e
um de seus mais ferrenhos opositores foi o
governador do estado da Guanabara Carlos
Lacerda, que acusou o presidente de estar
preparando um golpe de Estado. Sem apoio dos
setores populares, não restou a Jânio outra
alternativa senão renunciar ao cargo.
A renúncia faria parte de um plano para
instituir um governo forte, pretendia que seus
Ministros militares não aceitassem a renúncia e
garantindo-lhe maiores poderes. Pretendia
também, que os militares não aceitassem a
entrega da Presidência ao vice João Goulart
contra o qual havia uma generalizada
indisposição militar. O Tiro saiu pela culatra.
Alegando pressões das chamadas “forças
ocultas” o presidente, renunciou após sete meses
de governo, provocando uma crise política, já que
seu vice estava ausente no país em visita a China
(Comunista). Como solução, foi dada a posse ao
presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri
Mazzili.

112

O GOVERNO JOÃO GOULART (19611964)
Introdução:
O passado getulista de Goulart, além de
suas ligações com os sindicatos e sua proposta
reformista e nacionalista, levou a formação de
duas correntes de opiniões.
Uma opositora liderada por Carlos Lacerda
e representantes da UDN, que procurou, com o
apoio de setores e de ministros militares, e do
grande empresariado, impedir a posse de João
Goulart, sob a alegação de que o mesmo se
ausentara do país sem autorização, logo ficando
impedido de tomar posse.
Outra corrente defendia a legalidade
constitucional,
com
grande
parcela
dos
sindicalistas e trabalhadores, profissionais liberais
e pequenos empresários, apoiando a posse de
Goulart, já que o mesmo estava representando o
governo brasileiro e, portanto, em condições
legais para assumir o poder.
Diante de tal quadro de dualidade, o
Exército acabou dividido entre as duas correntes,
mas o apoio do Marechal Lopes, comandante do
III Exército, acabou garantindo a Jango a tomada
de posse.
Para que a posse ocorresse, foi necessário
um acordo político entre as duas correntes,
resultando deste acordo à adoção do sistema
parlamentarista de governo em setembro de
1961.
Por essa medida, os poderes do presidente
ficavam limitados, sendo esta a condição
negociada para Goulart assumir o poder. Para o
cargo de Presidente do conselho de Ministros, foi
eleito pela Câmara dos Deputados Tancredo
Neves.
Contando com um forte apoio popular,
Jango convocou um plebiscito para 6 de janeiro
de 1963, onde o povo foi consultado sobre a
manutenção ou não do sistema parlamentarista.
O resultado foi à vitória esmagadora do
presidencialismo, devolvendo assim, os poderes
retirados em 1961 a João Goulart.

Política, Economia e Sociedade:
Após o resultado do plebiscito, Goulart
assumiu plenamente o poder presidencial,
reforçando a partir de então, sua linha de
governo de tendência nacionalista e política
externa independente.
Jango tomou posse num momento em
que crescia assustadoramente o déficit
governamental, declinavam as receitas totais
das exportações, aumentava sensivelmente a
taxa de inflação e reduziam-se os empréstimos
externos e os financiamentos.
A rápida deterioração da economia
exigia que o governo buscasse soluções para o
profundo impasse e dificuldades por que
passava a sociedade brasileira. O governo tinha
que canalizar esforços que possibilitassem o
aumento dos empréstimos externos, a
renegociação da dívida externa, a retomada do
crescimento econômico, o alívio das tensões
sociais e o combate à inflação.
A crise econômica, no entanto, era uma
realidade, obrigando o Ministro do Planejamento
e da Coordenação Econômica, Celso Furtado, a
implementar o chamado Plano Trienal que
havia sido elaborado ainda durante o período
parlamentarista, para combater os problemas de
ordem econômica.
A proposta do Plano Trienal acabava
entrando em colisão com a política de
mobilização popular, isto porque o plano
econômico visava combater a inflação e
promover o desenvolvimento da economia a
partir do setor industrial. No entanto, exigia
também uma ampla austeridade econômica e
financeira. Principais Pontos:
 Promover uma melhor distribuição das
riquezas nacionais, atacando os latifúndios
improdutivos para defender os interesses sociais;
 Encampar as refinarias particulares de
petróleo;
 Reduzir a dívida brasileira;
 Diminuir a inflação e manter o
crescimento
econômico,
sem
sacrificar
exclusivamente os trabalhadores;
Na época as massas trabalhadoras
mobilizavam-se cada vez mais contra as
explorações das classes dominantes. Apavorados
com a ideia de perder seus lucros e privilégios, os

113
empresários começavam a se articular contra
Jango.
As revoltas aumentaram depois que um
conjunto de medidas, denominadas Reformas de
Base, foram anunciadas por Jango. Elas
incluíam:
A Reforma Agrária, com a divisão dos
latifúndios, para facilitar o acesso à terra a
milhões de lavradores que desejavam trabalhar e
produzir no campo, controlando, com isso o
êxodo rural;
A Reforma Eleitoral, para dar aos
analfabetos o direito de votar e participar da vida
pública;
A Reforma Urbana, para socorrer
milhões de favelados e moradores de cortiços nas
grandes cidades;
A Reforma Tributária para corrigir as
desigualdades sociais na distribuição dos deveres
entre ricos e pobres, patrões e empregados;
A Reforma Universitária, ampliando as
vagas nas faculdades públicas e acesso de
estudantes a órgãos diretivos educacionais.

Tais transformações ameaçavam os
interesses dos setores tradicionais da sociedade
brasileira, que reforçaram a oposição a Jango.
Jango deu ênfase ainda em sua política
nacionalista, elaborando leis, limitando a remessa
de lucros para o exterior, e monopolizando a
importação do petróleo com a tomada de posse
das refinarias particulares.

O Golpe e a Deposição de Jango:
A tensão atingiu o auge quando Jango
criou a lei implementando o 13º salário, que foi
recusado
pelo
Congresso,
levando
os
trabalhadores a entrarem em greve. Ao mesmo
tempo, os movimentos populares pressionavam o
governo para que as reformas fossem
concretizadas e até ampliadas.
Sob aplauso de trabalhadores, decretava a
nacionalização das refinarias de petróleo e
desapropriava terras à margem das ferrovias,
rodovias e em regiões de irrigação de açudes.

Tais medidas atendiam aos setores
particulares e rurais da sociedade brasileira,
inclusive as Ligas Camponesas, que acenavam
com perspectiva de uma revolução camponesa
socialista, nos moldes ocorridos em Cuba.
A reação dos proprietários rurais e
setores da burguesia não demorou. Realizaram
uma grande mobilização com 400.000 pessoas, a
chamada Marcha da Família com Deus pela
Liberdade, demonstrando o descontentamento
com o apoio político assumido pelo governo.
Significava uma passeata anticomunista pelas
ruas centrais da cidade, onde as pessoas
rezavam para que o Brasil não fosse atingido pelo
comunismo, pois acreditavam que João Goulart
era comunista e que estes iriam desembarcar no
Brasil e tomar a sociedade.
Tal manifestação acabou marcando o
início do movimento organizado por grupos de
oficiais das Forças Armadas, provocando desta
forma, um movimento de confrontação entre a
oficialidade e os sargentos marinheiros. Diante de
tal
quadro
de
confrontação,
oficiais
aparentemente neutros, acabaram por apoiar a
conspiração e a derrubada do governo de João
Goulart.
No dia 31 de março de 1964, iniciou-se
um movimento que acabou depondo João Goulart
em abril do mesmo ano. Este movimento foi
liderado pelos Generais Luís Carlos Guedes e
Olímpio Mourão Filho de MG, e Carlos Lacerda
da Guanabara.
Jango
acabou
sendo
totalmente
abandonado pelos militares legalistas. A greve
geral decretada pela CGT fracassou e as
manifestações civis foram facilmente reprimidas.
No Rio Grande do Sul, os partidários do
Governador Leonel Brizola, cunhado e partidário
do Presidente, não resistiram e, João Goulart
abandonou Brasília em 1º de abril de 1964, foi

114
para o RS e depois se abrigou no Uruguai aonde
veio a falecer anos mais tarde.
O golpe político foi muito bem visto pelos
EUA, preocupados com o avanço de uma política
“neutra” e nacionalista pregada pelo governo civil
de Jango. A neutralidade defendida por uma
política externa independente e a não intervenção
nos assuntos internos dos países, irritava os
Estados Unidos, que desejavam a formação de
um bloco anticomunista no continente, em função
da posição cubana. A reação ao golpe foi quase
nula, sem proteção civil ou militar, o governo
desmoronou.
O senado declarou vaga a presidência e
empossou o presidente da Câmara, Ranieri
Mazzili.
Chegava
ao
fim
um
governo
democraticamente
eleito
e
um
regime
constitucional legítimo, assim como chegava ao
fim a República Populista.

2- Fuvest-SP
Os governos de Getúlio Vargas (1930-45/195154), no Brasil, de Juan Domingo Perón (1946-55),
na Argentina, de Victor Paz Estensoro (195256/1960-64), na Bolívia, e de Lázaro Cárdenas
(1934-40), no México, foram alguns dos mais
significativos exemplos do populismo latinoamericano, que se caracterizou notadamente:
A- pela aliança com as oligarquias rurais na
luta contra os movimentos de caráter
socialista.
B- pelo predomínio político do setor agrárioexportador em detrimento do setor
industrial.
C- pelo nacionalismo, e intervenção do
Estado na economia, priorizando o setor
industrial.
D- por propostas radicais de mudanças nas
estruturas socioeconômicas, em oposição
ao capitalismo internacional.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:
1- PUC-RS
O Plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e
Energia) foi uma tentativa de planificação estatal
da economia no governo Dutra. Pode-se afirmar
que um dos fatores que condicionaram o relativo
fracasso do plano foi a política econômica
inicialmente adotada por aquele governo, a qual
determinou:
A- a
elevação
drástica
das
taxas
inflacionárias, devido aos aumentos reais
concedidos ao salário mínimo.
B- uma forte recessão, devido aos termos
ortodoxos do acordo então firmado com o
FMI.
C- graves dificuldades no setor exportador,
devido à elevação de taxas protecionistas
condenadas formalmente pelo GATT.
D- falhas no abastecimento interno de
insumos
industriais,
devido
ao
cancelamento unilateral de acordos
comerciais com os Estados Unidos.
E- o esgotamento das divisas internacionais
do país, devido à abertura então
praticada no setor das importações.

E- por ter concedido às multinacionais papel
estratégico nos setores agrário e
industrial.

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2014]
Mas plantar pra dividir
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo,
Ganho a vida na enxada.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada.
Se assim continuar
vou deixar o meu sertão,
mesmo os olhos cheios d’água
e com dor no coração.
Vou pro Rio carregar massas
pros pedreiros em construção.
Deus até está ajudando:
está chovendo no sertão!
Mas plantar pra dividir,
Não faço mais isso, não.
VALE, J.; AQUINO, J. B. Sina do Caboclo. São Paulo:
Polygram, 1994 (fragmento).

No trecho da canção, composta na década de
1960, retrata-se a insatisfação do trabalhador
rural com

115
a)
b)
c)
d)

A distribuição desigual da produção
Os financiamentos feitos ao produtor rural
A ausência de escolas técnicas no campo
Os empecilhos advindos das secas
prolongadas
e) A precariedade de insumos no trabalho
do campo
2- ENEM [2013]

realização de reformas corajosas no terreno
econômico, financeiro e social.
Mensagem Programática da União Democrática Nacional
(UDN) -1957.

Os trabalhadores deverão exigir a constituição de
um governo nacionalista e democrático, com
participação dos trabalhadores para a realização
das seguintes medidas: a) Reforma bancária
progressista; b) Reforma Agrária que extinga o
latifúndio; c) Regulamentação da Lei de Remessa
de Lucros.
Manifesto do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) -1962.
BONAVIDES, P; AMARAL, R. Textos políticos da história
do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2002.

Nos anos 1960 eram comuns as disputas
pelo significado de termos utilizados no debate
político, como democracia e reforma. Se, para os
setores aglutinados em torno da UDN, as
reformas deveriam assegurar o livre mercado,
para aqueles organizados no CGT, elas deveriam
resultar em
A- fim da intervenção estatal na economia.
A charge ironiza a política desenvolvimentista do
governo de Juscelino Kubitschek, ao
A-

evidenciar que o incremento da malha
viária
diminuiu
as
desigualdades
regionais do país.

B- destacar que a modernização das
indústrias dinamizou a produção de
alimentos para o mercado interno.
C- enfatizar que o crescimento econômico
implicou aumento das contradições sócio
espaciais.
D- ressaltar que o investimento no setor de
bens duráveis incrementou o salário dos
trabalhadores.
E- mostrar que a ocupação de regiões
interioranas abriu frentes de trabalho para
a população local.

3- ENEM [2011]
A consolidação do regime democrático no Brasil
contra os extremismos da esquerda e da direita
exige ação enérgica e permanente no sentido do
aprimoramento das instituições políticas e da

B- crescimento
consumo.

do

setor

de

bens

de

C- controle do desenvolvimento industrial.
D- atração de investimentos estrangeiros.
E- limitação da propriedade privada.

4- ENEM [2011]
Em meio às turbulências vividas na primeira
metade dos anos 1960, tinha-se a impressão de
que as tendências de esquerda estavam se
fortalecendo na área cultural. O Centro Popular
de Cultura (CPC) da União Nacional dos
Estudantes (UNE) encenavam peças de teatro
que faziam agitação e propaganda em favor da
luta pelas reformas de base e satirizavam o
“imperialismo” e seus “aliados internos”.
KONDER, L. História das Ideias Socialistas no Brasil. São
Paulo: Expressão Popular, 2003.

No início da década de 1960, enquanto
vários
setores
da
esquerda
brasileira
consideravam que o CPC da UNE era uma

116
importante forma de conscientização das classes
trabalhadoras, os setores conservadores e de
direita (Políticos vinculados à União Democrática
Nacional – UDN -, Igreja Católica, grandes
empresários,
etc.)
entendiam
que
esta
organização
A- constituía mais uma ameaça para a
democracia brasileira, ao difundir a
ideologia comunista.
B- contribuía com a valorização da genuína
cultura nacional, ao encenar peças de
cunho popular.
C- realizava uma tarefa que deveria ser
exclusiva do Estado, ao pretender educar
o povo por meio da cultura.
D- prestava um serviço importante à
sociedade brasileira, ao incentivar a
participação política dos mais pobres.
E- diminuía a força dos operários urbanos,
ao substituir os sindicatos como
instituição de pressão política sobre o
governo.

6- ENEM [2010]
A chegada da televisão
A caixa de pandora tecnológica penetra nos lares
e libera suas cabeças falantes, astros, novelas,
noticiários e as fabulosas, irresistíveis garotaspropaganda, versões modernizadas do tradicional
homem-sanduíche.
SEVCENKO, N. (Org.) História da vida privada no Brasil 3.
República: da Belle Époque à Era do Rádio. São Paulo: Cia
das Letras, 1998.

A TV, a partir da década de 1950, entrou nos
lares
brasileiros
provocando
mudanças
consideráveis nos hábitos da população. Certos
episódios da história brasileira revelaram que a
TV, especialmente como espaço de ação da
imprensa, tornou-se também veículo de utilidade
pública, a favor da democracia, na medida em
que
A- amplificou os discursos nacionalistas e
autoritários durante o governo Vargas.

5- ENEM [2010]
Não é difícil entender o que ocorreu no Brasil nos
anos imediatamente anteriores ao golpe militar de
1964. A diminuição da oferta de empregos e a
desvalorização dos salários, provocados pela
inflação, levaram a uma intensa mobilização
política popular, marcada por sucessivas ondas
grevistas de várias categorias profissionais, o que
aprofundou as tensões sociais. Dessa vez, as
classes trabalhadoras se recusaram a pagar o
pato pelas “sobras” do modelo econômico
juscelinista.
MENDONÇA, S.R. A Industrialização brasileira. São Paulo:
Moderna, 2002. (adaptado).

Segundo o texto, os conflitos sociais
ocorridos no início dos anos 1960 decorreram
principalmente
A- da manipulação política empreendida
pelo governo João Goulart.
B- das contradições econômicas do modelo
desenvolvimentista.
C- do poder político
sindicatos populistas.

E- da recusa dos sindicatos em aceitar
mudanças na legislação trabalhista.

adquirido

pelos

D- da
desmobilização
das
classes
dominantes frente ao avanço das greves.

B- revelou para o país, casos de corrupção
na esfera política de vários governos.
C- maquiou indicadores sociais negativos
durante as décadas de 1970 e 1980.
D- apoiou, no governo Castelo Branco, as
iniciativas de fechamento do parlamento.
E- corroborou a construção de obras
faraônicas durante os governos militares.

EXERCÍCIO COMENTADO
ENEM [2010]
Opinião
Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Aqui do morro eu não saio não
Aqui do morro eu não saio não.
Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso e ponho na sopa
E deixa eu andar, deixa andar...

117
Falem de mim
Quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã seu doutor,
Estou pertinho do céu.

CAPÍTULO 13

O REGIME MILITAR

Zé Ketti. Opinião. Disponível em: http:/www.mpbnet.com.br.
Acesso em: 28, abr. 2010.

Essa música fez parte de um importante
espetáculo teatral que estreou no ano de 1964,
no Rio de Janeiro. O papel exercido pela Música
Popular Brasileira (MPB) nesse contexto,
evidenciado pela letra de música citada, foi o de
A- entretenimento para grupos intelectuais.
B-

valorização do progresso econômico do
país.

C- crítica à
populares.

passividade

dos

E- mobilização dos setores que apoiavam a
Ditadura Militar.
Resposta certa: Alternativa D. Dentre todas as
expressões culturais brasileiras nas décadas de
1960 e 1970, nenhuma foi tão eficaz em relação à
denúncia do momento político-social vivido
naquele momento quanto a música. Ao longo do
regime militar tivemos inúmeros compositores
perseguidos pela ditadura, e muitos deles
abusaram da criatividade e inteligência para
burlar a censura, dentre tantos exemplos uma das
canções mais emblemáticas do período foi Cálice,
lançada em 1978, por Chico Buarque.

Exercícios de Fixação:
1- E
2- C
Pintou no Enem:
123456-

A
C
E
A
B
B

A queda de João Goulart significou o fim
do período democrático e o início da mais longa
ditadura de nossa história. Foram 21 anos sob a
dominação dos militares, que colocaram no poder
cinco Generais – Presidentes: Castelo Branco,
Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.
Uma página triste na História Brasileira, que
revela uma sociedade calada pelas forças
armadas através da tortura, cassada em seu
direito de voto, e censurada em suas
manifestações.

setores

D- denúncia da situação social e política do
país.

GABARITO:

Introdução

Economia:
Em termos econômicos, a ditadura
militar adotou um modelo de desenvolvimento
dependente, que subordinava o país aos
interesses do capital estrangeiro. Foi a época
em que se gastaram bilhões de dólares em obras
faraônicas.
As forças que assumiram o poder em
1964 tinham como prioridade econômica o
crescimento acelerado. Para concretizar este
objetivo, optaram por um modelo baseado na
concentração de renda, criação de amplo crédito
ao consumidor e abertura da economia brasileira
(incentivo às exportações e aos investimentos
estrangeiros no país). Esse tripé gerou o
chamado milagre econômico brasileiro, que
durou aproximadamente de 1969 a 1973.
A concentração de renda: O primeiro eixo
da política econômica foi proporcionado
fundamentalmente pela redução do poder
aquisitivo dos assalariados. Contribuiu também,
decisivamente, a organização do sistema de
tributação nacional, composto de impostos diretos
(que incidem sobre os rendimentos de cada
contribuinte) e impostos indiretos (que são
repassados ao preço das mercadorias). O
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
classificado como indireto, foi criado pela reforma
tributária em 1966.
Expansão do crédito ao consumidor: O
segundo eixo do tripé da política econômica
serviu para ampliar a demanda de bens duráveis
(casas,
automóveis,
eletrodomésticos)
possibilitando a participação da classe média
neste patamar de consumo. Como a intenção era

118
ampliar o mercado consumidor, utilizava-se da
poupança para financiar o consumo da classe
média. Porém, esse esquema apresentava
pesadas consequências para as camadas
populares, uma vez que aumentava rapidamente
a quantidade de dinheiro em circulação, elevando
as taxas de juros e provocando a inflação.
Abertura
externa
da
economia
brasileira: O terceiro eixo da política econômica
englobava tanto os incentivos às exportações
como os atrativos para investimentos estrangeiros
no Brasil. A concentração de renda prejudicava a
indústria nacional produtora de bens de consumo
não duráveis, como alimentos, roupas, etc.,
destinados ao mercado composto pelas camadas
de baixa renda.

Política:
O modelo político implantado logo após
1964 derivou da hegemonia exercida sobre os
setores dominantes pelos representantes do
capital internacional. A implementação de tal
modelo econômico exigiria severa repressão
contra os setores desprestigiados. Assim, em
poucos anos, os governos militares impuseram
um regime político baseado na centralização do
poder, fortalecimento do Executivo, controle da
estrutura partidária, dos sindicatos e das
entidades classistas, censura aos meios de
comunicação e repressão a quaisquer formas de
oposição:
Centralização do Poder: Em poucos
anos a federação brasileira foi transformada em
mera ficção. A participação dos estados e
municípios na receita tributária nacional caiu
significativamente no período. Cerceando a
autonomia financeira dos estados e municípios, o
governo
federal
conseguia
controla-los
politicamente. Além disso, eliminavam-se as
eleições diretas para presidente. Nos estados
extinguiam-se
as
eleições
diretas
para
governador, passando os chefes estaduais do
executivo a serem indicados pelo governo federal
e referendados indiretamente pelas Assembleias
Legislativas estaduais. Quanto aos municípios,
mais de uma centena deles passaram a ser
considerados de segurança nacional, tendo seus
prefeitos nomeados pelo governo federal ou pelos
governos estaduais.
Fortalecimento
do
Executivo:
O
equilíbrio entre o executivo, o Legislativo e o
Judiciário foi desfeito: o poder Executivo, exercido
por militares e aliados civis, se outorgou plenos
poderes, marginalizando o Legislativo, cassando

vários de seus representantes e interferindo nas
decisões do Judiciário. Vários Ministros do
Supremo Tribunal Federal foram obrigados a
abandonar as suas funções, sendo substituídos
por outros indicados pelos governos militares.
Além dos 17 atos institucionais e dos 130 atos
complementares outorgados a partir de 1964,
quase mil leis excepcionais foram impostas sobre
os mais variados pretextos e objetivos.
Controle da estrutura partidária: o Ato
Institucional nº 2 (AI 2), entre outras coisas
restringiu os partidos políticos, impondo restrições
extremas para legalização dos novos partidos.
Desta arbitrariedade surgiram a ARENA (Aliança
Renovadora Nacional), partido da situação e o
MDB (Movimento Democrático Brasileiro) partido
de oposição.
Controle dos sindicatos e entidades
classistas: A movimentação grevista e a
organização dos sindicatos, antes de 1964,
davam a impressão de uma expressiva liberdade
sindical, que no momento não era formalizada por
lei. Mesmo no governo de João Goulart, as leis
controladoras dos sindicatos não foram anuladas,
voltando após o golpe de 1964, a ser utilizadas.
Além disso, realizou-se intervenção em 425
sindicatos de trabalhadores, destituindo-se seus
líderes e substituindo-os por interventores dóceis
aos ditames governamentais. A lei da greve,
criada em 1964, proibia as greves de natureza
política, social ou religiosa, bem como as que
poderiam ocorrer em setores que prestassem
serviços essenciais. A interpretação do tipo de
greve ficava a cargo dos que detinham o poder e,
na prática, quase todas as greves tornaram-se
ilegais.
Censura dos meios de comunicação:
Em seguida ao Golpe de 1964 foram ocupadas o
Jornal do Brasil, a Tribuna da Imprensa, O Globo
e o Última Hora. Nos meses posteriores, vários
jornais oposicionistas foram fechados, entre eles
o semanário Novos Rumos, do PCB, o Panfleto e
o Brasil Urgente. Em 1967 são criadas a Lei de
Imprensa e a Lei de Segurança Nacional. Após
o AI 5, em dezembro de 1968, a censura política
passou a ser sistemática sobre quaisquer jornais,
revistas e emissoras de rádio e televisão.
Repressão política: De 1964 a 1968, a
repressão apresentava-se na forma de prisões
arbitrárias,
intervenções
nos
sindicatos,
demissões de empresas estatais e órgãos
públicos, expurgos nas forças armadas, cassação
de parlamentares, etc. A ação policial repressiva
passou a ser comandada por novos órgãos
estatais.

119
No
governo
Castelo
Branco
foi
estruturado o Serviço Nacional de Informações
(SNI), centro coordenador dos demais serviços
militares e civis de informações, como o CIEX do
exército, CISA da aeronáutica, CENIMAR da
marinha e o Departamento de Ordem Política e
Social (DOPS), nos estados. Após 1969, o
aparato repressivo chegou ao auge com a criação
em SP da Operação Bandeirantes (OBAN), que
depois de maio de 1970 deu origem ao DÓI-CODI
(Departamento de Operações e Informações –
Centro de Operações de Defesa Interna),
financiado por setores do grande empresariado,
que realizavam prisões arbitrárias e torturas,
fazendo desaparecer opositores do regime. Esse
clima começou a arrefecer somente em 1975.
Em 05 de fevereiro de 1966, foi instituído
o AI-3:
- Determinava que os Governadores e vices
também fossem eleitos de maneira indireta;
- Ficava firmado que seriam considerados eleitos
para vice-presidência da República e para vicegovernador do estado os candidatos inscritos
para o cargo na chapa dos vitoriosos;
- Os Prefeitos das capitais não seriam mais
eleitos e sim nomeados pelos governadores dos
referidos estados ou pelo Governo, sob a
justificativa de segurança nacional.

SESSÃO LEITURA
A Constituição de 1967:

O GOVERNO COSTA E SILVA (19671969)

Introdução:
O marechal Arthur da Costa e Silva
assumiu a presidência, em 15 de março de 1967,
contra a vontade do marechal Castelo Branco,
porém como Costa e Silva era Ministro do
Exército e contava com o apoio dos seus
comandados, acabou por assumir o mandado
presidencial.
Em 1968 Costa e Silva ampliou os poderes
do Conselho de Segurança Nacional, que passou
a decidir sobre política econômica, educação,
política externa e interna, ideologia, artes,
ciências, sindicalismo, imprensa, opinião pública,
religião, etc.

A Face do Autoritarismo: a “Linha Dura” no
poder:
Durante o governo Costa e Silva o
ressentimento popular e a oposição ao regime
militar aumentava. Carlos Lacerda radicalizava os
discursos insultuosos contra Costa e Silva e seus
ministros, especialmente os militares, chamando
o governo de ditadura corrupta.

Em janeiro de 1967 foi aprovada uma
nova Constituição elaborada por um pequeno
número de constitucionalistas nomeados pelo
governo. Ao Congresso Nacional coubera apenas
a função de aprová-la.

Os estudantes que há muito vinham se
manifestando contra a ditadura militar e em prol
das reformas na Universidade, intensificaram as
críticas e o enfrentamento ao regime, através de
passeatas e outras manifestações liberadas pela
UNE, entidade estudantil que naquele momento
agia clandestinamente.

De maneira geral a Constituição de 1967
era a afirmação dos Atos Institucionais e
Complementares até então decretados. Ao
mesmo tempo bania da vida pública a maior
parte dos políticos de esquerda e alguns de
centro.

Em março de 1968 a tropa de choque da
polícia militar da Guanabara matou o menor
Edson Luís de Lima Souto, estudante, enquanto
reprimia a tiros um protesto estudantil. A morte de
Edson simbolizou a desproporcional violência
militar exercida contra os estudantes.

A chefia da execução de toda a política
nacional era de competência do Presidente da
República, assessorado pelo Alto Comando do
Estado Maior das Forças Armadas e pelo Serviço
Nacional de Informação (SNI). As amplas funções
do SNI e a instalação e livre acesso de seus
membros em todas as áreas administrativas civis
e militares garantiam ao Governo as informações
necessárias para a fiscalização oficial sobre a
vida política nacional.

Em junho os confrontos entre militares e
estudantes resultaram na chamada “Sexta Feira
Sangrenta”, quando morreram 28 pessoas. Em
protesto os estudantes realizaram a Passeata dos
100 mil, que para surpresa geral não foi
reprimida, pois o governo federal ordenou a
retirada das tropas das ruas.
Aos tumultos das marchas estudantis
somavam-se greves operárias, os políticos mais
corajosos que discursavam contra a violência da

120
ditadura, os padres progressistas
contra a fome do povo e a tortura.

pregavam

Nesse contexto de violência entre governo
e oposições, o Deputado Márcio Moreira Alves,
do MDB do RJ, provocou os “duros” com
discursos que estimulavam pais e estudantes a
protestar contra o regime não participando do 07
de setembro. A esta “ofensa” aos militares, somese ainda a estimulação para que as mulheres
fizessem greve de sexo com seus maridos até
que o governo extinguisse a repressão.
O que parecia uma piada explodiu como
uma bomba. Os ministros militares exigiam que o
Congresso
suspendesse
a
imunidade
parlamentar do Deputado para que ele pudesse
ser julgado e processado pelos insultos às Forças
Armadas. Embora a maioria dos parlamentares
fosse do partido do governo (ARENA), a Câmara
negou a suspensão em votação ocorrida no dia
12 de dezembro.
Em contrapartida, no dia seguinte, a nação
conhecia o AI-5 e o Ato Suplementar 38. Este
último colocava o Congresso em recesso
indefinido. A nação iria conhecer o período mais
triste e estarrecedor de sua história política: o
país era colocado nas mãos das forças mais
retrógradas e reacionárias de sua sociedade

O AI-5 e o Controle Governamental:

Principais Pontos:
- Reiterava alguns artigos dos Atos
Institucionais anteriores e em seus novos
artigos
ampliava
o
autoritarismo do
governante da nação e de seus principais
assessores, que com ele detinham um poder
quase absoluto.
- Cassou parlamentares, aposentadoria
forçada de Ministros do Supremo Tribunal
Federal
e
de
vários
professores
universitários.
- Estendeu a censura à imprensa, proibindo
a publicação de qualquer notícia sobre
movimentos operários e estudantis, bem
como a divulgação de qualquer crítica ao
regime.

A decretação do AI-5, que jogaria a nação
no mais obscuro autoritarismo, era mais um
distanciamento
entre
as
promessas
democratizantes e a prática repressora. Contudo,
o presidente Costa e Silva, apesar de
representante da “linha dura”, tentou evitar sem
sucesso que a direção do país caísse nas mãos
dos reacionários e dos torturadores, que usariam
sem limites os poderes arbitrários que do AI-5.
Com essa finalidade, Costa e Silva e seu
vice Pedro Aleixo, contrariando Ministros
militares, participaram diretamente da elaboração
de uma nova constituição que deveria ser
promulgada em 07 de setembro de 1969.
Entretanto esta que seria a nova constituição não
entrou em vigor, pois em 28 de agosto, Costa e
Silva foi acometido de uma grave enfermidade
(trombose cerebral), que o levaria a morte pouco
tempo depois.
Impossibilitado de governar, o presidente
foi afastado e os Ministros militares contrariando o
art. 78 da Constituição que garantia a presidência
ao vice se o cargo ficasse vago, não permitiram a
posse do civil Pedro Aleixo. O país passou a ser
governado por uma Junta Militar Interina,
composta pelo Almirante Augusto Redemaker,
pelo General Lyra Tavares e pelo Marechal do Ar
Márcio de Souza Melo.
A junta foi responsável pela outorga de
uma
Emenda
Constitucional
pela
qual
incorporava a Constituição de 1967 a prisão
perpétua e a pena de morte, fortalecendo a Lei de
Segurança Nacional, aumentava o prazo de
decretação de estado de sítio e criava a fidelidade
partidária para evitar que deputados da ARENA
votassem contra projetos governamentais ou se
abstivessem de votar.
No dia 22 de outubro, após 10 meses de
recesso, o Congresso – já sem os deputados
cassados pelo AI-5 – foi reaberto para receber a
indicação do General Emílio Garrastazu Médici à
Presidência da República. No dia 25 do mesmo
mês, o general Médici era eleito e no dia 30 de
outubro tomava posse do cargo.

O GOVERNO MÉDICI (1969-1974)
Introdução:
Dentre todos os governos militares de 1964
a 1985, o presidente Médici foi sem dúvida o mais
autoritário e repressor. Com ele as liberdades
individuais chegaram ao limite das restrições.

121
No seu governo a oposição foi
literalmente jogada na clandestinidade, graças à
intensa e sistemática ação de órgãos repressores
como DOPS e DÓI-CODI, e CCC (Comando de
Caça aos Comunistas).

Apesar do extraordinário crescimento
econômico do país, que configurava o “Milagre
Brasileiro” e colocava o Brasil entre as 10
potências industriais do mundo, a sociedade civil
vivia sob o julgo do autoritarismo, do terror
psicológico, das prisões arbitrárias, dos
sequestros, confinamentos e assassinatos de
presos políticos, dos esquadrões de morte, dos
grampos telefônicos, dos sádicos torturadores
que chegavam a requintes de crueldade como
torturar crianças e mulheres apenas por serem
parentes
de
“elementos
subversivos”
enquadrados ou não na Lei de Segurança
Nacional.
O modelo econômico adotado gerou um
rápido crescimento que entre 1969 e 1973 atingiu
taxas que variavam entre 7% e 13% ao ano,
levando a euforia o empresariado brasileiro e o
capital estrangeiro.
O Auge da repressão:
A sociedade civil vivia amordaçada e mal
informada, já que a censura dos meios de
comunicação impedia que a imprensa em geral
notificasse os fatos, salvos aqueles permitidos
oficialmente. Havia também o rigor da censura à
literatura, ao cinema, teatro, Shows, novelas.
Mais uma vez a realidade se contrapunha
ao discurso, pois, Médici, no discurso de posse,
também prometeu instaurar a democracia no
país. Quanto às reformas sociais, de prático
apenas lançou o dispendioso e fracassado
programa da Rodovia Transamazônica com o
objetivo de povoar a selva com nordestinos
miseráveis, e criou o MOBRAL (Movimento
Brasileiro de Alfabetização) e ampliou os
programas de seguro social.
A postura repressora de Médici já se
configurava quando ele era chefe do SNI e
achava que o AI-5 fora necessário para “combater
e deter o mal”, que para ele era a subversão e
contra revolução.

Ao terrorismo urbano de direita,
somaram-se o terrorismo de esquerda, com
assaltos a bancos e quartéis, assassinatos e
sequestro de diplomatas estrangeiros no Brasil.
Com estas ações as esquerdas pretendiam
ganhar espaços nos noticiários para divulgar junto
a opinião pública sua luta contra a ditadura militar,
ou principalmente conseguir libertar presos
políticos em troca da liberdade de sequestrados.
Apesar do efêmero sucesso na libertação
de mais de uma centena de presos políticos, o
inócuo e infeliz terrorismo de esquerda que
arrastou consigo centenas de jovens e
sonhadores estudantes secundários, só serviu
para confirmar a previsão do PCB de que
militares usariam a luta armada das esquerdas
como pretexto para radicalizar sua ação
repressora.

Repressão e Resistência:
A imprensa foi proibida de divulgar
qualquer acontecimento ligado à guerrilha urbana
e rural. Os órgãos de segurança deram-se plena
liberdade de prender, interrogar e sequestrar
suspeitos de ligação com a subversão.
Institucionalizou-se a tortura como instrumento
para que confissões e informações que levassem
a outros comprometidos com a luta armada.
Agentes de repressão foram infiltrados em
organizações terroristas de esquerda. Dezenas
de guerrilheiros e suspeitos de subversão foram
mortos nos porões da repressão. Alguns foram
enterrados em cemitérios clandestinos e outros
foram mortos quando tentavam escapar. Além do
uso do aparato repressor de uma intensa
propaganda anti-guerrilha e de exaltação
patriótica como nas inscrições: Brasil, ame-o ou
deixe-o.
O governo Médici foi grandemente
favorecido, no combate a movimentos terroristas
de esquerda, pelo fantástico crescimento
econômico que lhe permitia angariar simpatias
em vários setores da sociedade, notadamente
nas classes médias que participaram da “divisão
do bolo”, aumentando a sua renda.

122
Em síntese, o governo Médici marcou-se
por duas características fundamentais: o arbítrio e
o milagre econômico que mascarava a violência
do regime. Entretanto, no final do governo Médici,
já se vislumbrava uma crise econômica que iria
alterar a visão das classes médias sobre o regime
militar e encaminhar o país para uma lenta e
gradual abertura política.

O GOVERNO GEISEL (1974-1979)
Introdução:
A posse, em março de 1974, do General
Ernesto Geisel e do General Alberto Adalberto
Pereira dos Santos, escolhidos pelas forças
armadas e eleitos indiretamente, significava a
volta dos castelistas (moderados) ao poder. O
novo Presidente e alguns oficiais militares eram
favoráveis à devolução gradual do poder aos
civis, e estavam dispostos a promover um
processo gradual, lento e seguro, de abertura
democrática.
Os Primeiros
Política:

Passos

Rumo

à

Abertura

De personalidade marcante e avesso a
propagandas, o Presidente Geisel e os militares
castelistas que o apoiavam, entendiam que
nenhuma sociedade poderia viver tanto tempo
submetida a um rígido regime autoritário e sem
liberdade de manifestações. Entendiam que a
permanente falta de liberdade, o medo e a
dominação repressiva impopularizavam o regime
militar e poderiam resultar numa explosão social
de consequências incalculáveis.
A crise econômica e a aceleração
inflacionária iniciada em 1974 causaram um
surpreendente revés eleitoral para a ditadura,
pois nas eleições parlamentares ocorridas em
novembro daquele ano, o MDB quase duplicou o
número de cadeiras na Câmara dos Deputados
(87 para 165); Quanto às eleições para o Senado,
a surpresa foi mais grandiosa, o MDB teve 14,6
milhões de votos, contra 10 milhões da ARENA
praticamente triplicando seu número de cadeiras
no Senado (de 7 para 20). Assim o MDB ampliava
sua área de influência junto ao eleitorado e
começava a assumir o papel de oposição.

A mudança no quadro eleitoral era um
recado aos generais de que significativas
parcelas da sociedade estavam dispostas, pelo
menos através das urnas, a contestar o
autoritarismo militar. O resultado daquelas
eleições não deixava dúvidas sobre a
impopularidade da ARENA e consequentemente,
do regime, que tomava consciência de que a
ARENA não mais teria capacidade de vencer
eleições verdadeiramente livres.
Era preciso criar mecanismos políticos que
evitassem maiores desgastes ao governo e
garantissem a continuação dos militares no
poder. Foi com este intuito que o Presidente
Geisel iniciou o processo de abertura política que
resultou mais tarde, num processo de
redemocratização, embora não fosse esta
intenção da maioria dos militares:

Os Limites da Abertura:
Embora tenha o mérito de ter iniciado a
abertura política, o ideal democratizante de Geisel
era bastante limitado.
Os órgãos de repressão continuavam
prendendo,
sequestrando,
confinando
e
torturando opositores e prisioneiros políticos, e o
governo continuava caçando mandatos de
parlamentares, enquadrando-os na Lei de
Segurança Nacional e no AI-5.
Em outubro de 1975, o DÓI-CODI de SP,
órgão da repressão ligado ao exército, efetuou
inúmeras prisões de supostos membros do
Partido Comunista Brasileiro, entre os quais o
jornalista Wladimir Herzog, que mais tarde fora
encontrado morto em sua cela.
Contra todas as evidências, o Comandante
do II Exército General Eduardo D´Avila Mello,
apresentou uma declaração para os meios de
comunicação, afirmando que o jornalista havia
praticado “suicídio”. Diante de tal afirmação o
Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, realizou na
catedral da Sé, um culto ecumênico, como forma
de demonstração de desagrado das oposições,
apoiado pela OAB e MDB.
Em janeiro de 1976, novamente no DÓICODI de SP, outra morte era anunciada, a do
operário Manuel Fiel Filho, torturado e morto
enquanto era submetido a interrogatório, e mais
uma vez a versão oficial foi o suicídio. Tal fato
provocou uma rápida reação do Presidente

123
Geisel, ao desafio da linha dura respondeu com a
demissão do Comandante do II Exército, a quem,
aliás, o Presidente já havia advertido quando da
morte de Herzog, de que não toleraria mais
nenhum episódio semelhante.

venceu com 335 votos contra 266 do General
Euler Bentes Monteiro.

O GOVERNO FIGUEIREDO
(1979-1985)

Começava então o desmantelamento dos
órgãos repressores. O poder dos torturadores foi
finalmente golpeado pela demonstração de força
de Geisel nos meios militares.

Introdução:

Porém, isso tinha um preço. Para manter o
apoio da maioria da oficialidade o Presidente
tinha de fustigar a oposição civil, impedindo-a de
chegar ao poder. Para tanto era necessário criar
novos mecanismos políticos para impedir a vitória
de um candidato do MDB nas eleições
presidenciais indiretas que se daria em outubro
de 1978.

Durante
o
Governo
do
General
Figueiredo, as manifestações populares foram
crescendo através de movimentos de críticas às
decisões autoritárias e centralizadoras do
governo militar. Diversos setores da sociedade
brasileira (sindicatos de trabalhadores, grupos de
empresários, Igreja, associações artísticas e
científicas, Universidades e imprensa), passaram
a reivindicar a redemocratização do país.

Temeroso de um rápido avanço das
oposições, o Presidente retrocedeu no processo
de abertura política, decretou uma lei que limitava
a propaganda eleitoral dos candidatos no rádio e
na televisão, reduzindo a apresentação do nome,
número e currículo dos candidatos, sem que
houvesse debates.
Em abril de 1977, decretou o chamado
“Pacote de Abril”, uma série de medidas
autoritárias, entre as quais destacamos:


Um entre dois Senadores que seriam
eleitos em cada estado, seria escolhido
diretamente pelo Governo, instituindo-se
assim, o chamado “Senador Biônico”, isto
é, Senadores não eleitos por voto
popular.
Os governadores continuariam sendo
escolhidos em eleições indiretas.
O mandado de seu sucessor foi
aumentado para 6 anos.

Em outubro de 1978, válido somente para
vigorar a partir de janeiro de 1979, Geisel revogou
os atos institucionais, entre eles o famoso AI-5.
No plano econômico, Geisel anunciou a
necessidade de expansão das indústrias de bens
de produção (máquinas, equipamentos pesados,
aço, cobre, energia elétrica, etc.), a fim de se
obter uma significativa infraestrutura econômica
para o progresso econômico industrial do país.
Neste período, estimularam-se grandes obras nos
setores de Mineração e Energia.
Ao final do governo Geisel novas eleições
se anunciavam. Na votação do Colégio eleitoral, o
General João Batista de Oliveira Figueiredo

Diante de tal situação, o governo assumiu
o compromisso de realizar a “abertura política” e
devolver a democracia para o Brasil. Diante deste
processo, os sindicatos representativos das
classes trabalhadoras se fortaleceram e
despertaram as primeiras greves contra o
achatamento salarial.
Dentre estas greves (ilegais dentro das
leis do Ministério do Trabalho), destaca-se a dos
operários metalúrgicos de São Bernardo do
Campo (SP). É nesse momento em que surge a
figura de Luís Inácio Lula da Silva, que mais tarde
torna-se candidato à Presidência da República
pelo PT.
A campanha da sociedade pela
redemocratização do país obteve os primeiros
resultados positivos, dentre os quais destacamse:

Anistia ampla e geral vigorando para
todos aqueles que foram punidos pelo
governo militar. Desta forma, vários
brasileiros que ainda se encontravam no
exílio, puderam retornar para o país. Os
cassados foram reabilitados na sua
cidadania.
O fim do bipartidarismo e o aparecimento
de novos partidos políticos para disputar
as eleições. Isso se deu graças à
fragmentação do MDB:
- ARENA tornou-se o PDS (Partido
Democrático Social)

124
- MDB desmembrou-se em: PMDB
(Partido do Movimento Democrático
Brasileiro);
PT
(Partido
dos
Trabalhadores);
PDT
(Partido
Democrático Trabalhista); PTB (Partido
Trabalhista Brasileiro)
Em
1980,
Figueiredo
restabelecimento das eleições
governador de estado.

decretou
o
diretas para

No plano econômico, o Ministro do
Planejamento
promoveu
um
plano
de
desenvolvimento nacional preocupado com o
crescimento da renda nacional e do emprego; o
controle da dívida externa; o combate à inflação;
o desenvolvimento de novas formas de energia.
(Foi uma busca de um novo milagre econômico).

No ano seguinte, em 30 de abril de 1981,
ocorreu o mais violento atentado: No Riocentro,
enquanto 20 mil pessoas assistiam a um Show
musical
promovido
pelo
Centro
Brasil
Democrático (Cebrade), uma bomba explodiu no
estacionamento, sob o colo do Sargento do
Exército Guilherme Pereira do Rosário, matandoo instantaneamente e ferindo gravemente o
Capitão Wilson Machado, que dirigia o automóvel.
Outra bomba havia sido colocada na casa de
força, mas não chegou a explodir.

No plano energético o governo lançou o
chamado Proálcool (Programa Nacional do
Álcool), visando substituir gradualmente o
petróleo importado.
Contudo existiam outros entraves para o
desenvolvimento como: a Dívida Externa, a
Inflação, e o Desemprego.
Politicamente
a
abertura
provocou
descontentamento entre os militares da extrema
direita, que iniciaram uma onda de “atentados”:
No segundo semestre de 1980 e início de
1981, os militares da linha dura, ao que se supõe,
foram responsáveis por vários atentados
sangrentos, ainda hoje não esclarecidos.
Conforme notícias veiculadas na época, os vários
atentados foram praticados por forças policiais –
militares comprometidos com a repressão, a
tortura e o assassinato de presos políticos.
Segundo se especulava, tais forças agiram por
temor ao revanchismo, que julgavam inevitável
com a restauração do estado de direito e
democracia.
Os atentados terroristas começaram em
1980 com incêndios em bancas de revistas e
jornais de São Paulo e Minas Gerais, visando
intimidar seus proprietários que vendiam
publicações consideradas “subversivas”.
Em agosto de 1980 começaram os
atentados a bomba. O primeiro alvo foi o
Conselho Federal da OAB no RJ, ocasionando a
morte de uma funcionária da entidade. Depois foi
a vez do atentado à Câmara Municipal do Rio, na
sala de um vereador do PMDB, que mutilou um
funcionário.

Havia a mais indisfarçável evidência de que
os militares vitimados pela bomba eram os
culpados, porém foram identificados como vítimas
de terroristas não identificados.
Para apurar o acidente o Exército nomeou o
Coronel Luís Antônio Prado como chefe do
Inquérito Policial Militar (IPM). Dias depois, o
oficial abandonou o posto e a farda, sendo
substituído pelo Coronel Job Lorena de
Sant´Anna, cujo relatório final sobre o caso foi
considerado falho e cheio de erros factuais.
Apesar disso, o Superior Tribunal Militar encerrou
o caso.
Em razão de os responsáveis não terem
sido punidos, o Ministro Gobery do Couto e Silva
pediu demissão, abandonando o governo. Sua
demissão representou provavelmente o mais
importante desdobramento político do atentado
do Riocentro.

Resultados da Reforma Partidária:
Nas eleições de novembro de 1982, a
oposição conseguiu eleger os governadores dos
estados mais ricos do Brasil, a começar por São
Paulo com Franco Montoro. Tancredo Neves
elegeu-se governador de Minas Gerais também
pelo PMDB. No Rio de Janeiro venceu Leonel
Brizola, do Partido Democrático Trabalhista
(PDT).

125
Porém a grande novidade política foi
mesmo a fundação do Partido dos Trabalhadores
(PT), que nas eleições de 1982, lançou como
candidato a governador do estado de São Paulo
um operário: Luis Inácio Lula da Silva.

“Diretas Já!”:
Para novembro de 1984, estavam
marcadas as eleições indiretas para escolha do
sucessor de Figueiredo. Apesar do visível
esgotamento do regime e de sua impopularidade,
os militares pretendiam continuar no poder.
Contra essa possibilidade, em novembro de
1983, foi lançada a campanha para eleições
diretas para Presidente.
As primeiras manifestações não reuniram
mais de 10 mil pessoas. Em janeiro de 1984 já
eram 50 mil no comício pelas diretas em Curitiba,
e 30 mil na praça da Sé em SP; em Teresina 25
mil; em Belém 60 mil; 300 mil em BH. No dia 10
de abril de 1984 já era 1 milhão na Candelária no
RJ; no dia 16 de abril, mais de 1 milhão no
Anhangabaú em SP.
Todos estes comícios foram importantes
demonstrações de que a sociedade estava farta
do regime militar. Na esperança de fazer passar a
emenda Dante de Oliveira (Dep. Federal pelo
PMDB do Mato Grosso), que restabelecia
eleições diretas para Presidente da República, o
povo compareceu em massa às concentrações
organizadas pelos partidos.
Não bastou toda esta demonstração de
inconformidade do povo com o regime. No dia 25
de abril de 1984, a emenda foi rejeitada no
Congresso Nacional. Não adiantou a união dos
partidos de oposição. O PDS, presidido por José
Sarney, manteve-se coeso e fiel à ditadura e
derrotou a emenda.
A partir de então, a liderança do PMDB,
tendo Tancredo Neves como candidato à
Presidência, passou a concentrar toda força
política no Colégio Eleitoral, defendendo as
eleições diretas. Preparou-se para enfrentar, na
eleição indireta, o candidato do PDS, Paulo Salim
Maluf.
Em julho de 1984 formalizou-se a Frente
Liberal, congregando os mais expressivos chefes
políticos do PDS (que se opunham a Maluf) então
dispostos a apoiar a candidatura de Tancredo
Neves.

O Acordo entre o PMDB e a Frente
Liberal deu origem a Aliança Democrática, que
se expressava na candidatura de Tancredo
Neves à presidência e a de José Sarney a vice.
Graças à cisão do PDS, Tancredo conseguiu
reunir maioria no Colégio Eleitoral, batendo
facilmente Maluf na eleição indireta de novembro
de 1984, contudo sem jamais tomar posse.
No dia 14 de março de 1985, um dia
antes de sua posse, Tancredo foi submetido às
pressas a uma operação no Hospital de Base de
Brasília. Após 39 dias de internamento, sofrendo
com complicações do pós-operatório, Tancredo
faleceu em 21 de abril de 1985, no Instituto do
Coração em São Paulo.
Por ironia da história, a “Nova República”,
batizada por Tancredo, acabou tendo como seu
primeiro presidente Jose Sarney. Exatamente o
mesmo político que, em abril de 1984,
comandaria a rejeição da emenda das diretas,
contra a vontade popular. Era no mínimo estranho
que o slogan das diretas “Muda Brasil” tivesse
que ser concretizado pelo ex-presidente do PDS.
Talvez não tenha sido como os líderes do
PMDB desejavam, mas o partido subiu ao poder
com Sarney. O maior partido da oposição tornouse, simplesmente, o maior partido do Brasil e um
partido da situação. Desde 1982, o PMDB era
situação também em vários estados: São Paulo,
Paraná, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e
etc. Isso significava que, a partir de então, o
PMDB seria julgado pela sua competência em
conduzir os negócios públicos. Portanto, seu
desempenho eleitoral não seria mais facilitado
pela impopularidade do regime militar, alvo do
protesto dos eleitores que votaram nos
candidatos do partido.
O primeiro teste aconteceu em novembro
de 1985, nas eleições municipais para escolha de
prefeitos das capitais dos estados. Conforme a
opinião dos políticos mais experientes, era
decisivo para o futuro do PMDB, vencer em São
Paulo. O candidato, pelo PMDB foi o sociólogo
Fernando Henrique Cardoso. Realizada a eleição,
saiu vitorioso Jânio Quadros, que disputou pelo
PTB. Os resultados de novembro de 1985, no
principal estado, indicaram que o PMDB
começava a decepcionar.

126

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO:

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2014]

1- FUVEST-SP
Sobre o fim do período militar no Brasil (1964 1985), pode-se afirmar que ocorreu de forma:
A- conflituosa, resultando em um rompimento
entre as forças armadas e os partidos
políticos.
B- abrupta e inesperada, como na Argentina
do general Galtieri.
C- negociada, como no Chile, entre o ditador
e os partidos na ilegalidade.
D- lenta e gradual, como desejavam setores
das forças armadas.
E- sigilosa, entre o presidente Geisel e
Tancredo Neves, à revelia do exército e
dos partidos.

2- UFTM-MG
Há vinte anos, a eleição de Tancredo Neves e
de José Sarney para presidente e vice-presidente
da República, respectivamente, significou um
marco importante na História brasileira, porque:
A- permitiu a retomada do poder pelos civis,
numa eleição direta vencida no primeiro
turno, a exemplo do ocorrido na Argentina.
B- se tornou o primeiro governo civil desde a
queda de João Goulart, apesar de
Tancredo não ter chegado a assumir a
presidência.
C- levou à vitória do partido situacionista no
Colégio Eleitoral, o que permitiu a
implementação da política econômica
neoliberal.
D- foi a primeira eleição direta desde o golpe
militar de 1964 e deu início a uma nova
fase, chamada pela imprensa de Nova
República.
E- concretizou os objetivos da campanha
Diretas-Já, com a vitória da Aliança
Democrática em todos os estados.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) reuniu
representantes de comissões estaduais e de
várias instituições para apresentar um balanço
dos trabalhos feitos e assinar termos de
cooperação com quatro organizações. O
coordenador da CNV estima que, até o momento,
a comissão examinou, “por baixo”, cerca de 30
milhões de páginas de documentos e fez
centenas de entrevistas.
Disponível em: www.jb.com.br. Acesso em: 2 mar.
2013 (adaptado).

A notícia descreve uma iniciativa do Estado que
resultou da ação de diversos movimentos sociais
no Brasil diante de eventos ocorridos entre 1964
e 1988. O objetivo dessa iniciativa é
a) Anular a anistia concedida aos chefes
militares
b) Rever as condenações judiciais aos
presos políticos
c) Perdoar os crimes atribuídos aos
militantes esquerdistas
d) Comprovar o apoio da sociedade aos
golpistas anticomunistas
e) Esclarecer as circunstâncias de violações
aos direitos humanos

2- ENEM [2014]
TEXTO I
O presidente do jornal de maior circulação do
país destacava também os avanços econômicos
obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar
sua adesão aos militares em 1964, deixava clara
sua crença de que a intervenção fora
imprescindível
para
a
manutenção
da
democracia.
Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 1
set. 2013 (adaptado).

TEXTO II
Nada pode ser colocado em compensação à
perda das liberdades individuais. Não existe nada
de bom quando se aceita uma solução autoritária.
FICO, C. A educação e o golpe de 1964. Disponível
em: www.brasilrecente.com. Acesso em: 4 abr. 2014
(adaptado).

Embora enfatizem a defesa da democracia, as
visões do movimento político-militar de 1964
divergem ao focarem, respectivamente:

127
a) Razões de Estado – Soberania popular.
b) Ordenação da Nação – Prerrogativas
religiosas.
c) Imposição das Forças Armadas –
Deveres sociais.
d) Normatização do Poder Judiciário –
Regras morais.
e) Contestação do sistema de governo –
Tradições culturais.

A morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida
durante o regime militar, em 1975, levou a
medidas como o abaixo assinado feito por
profissionais da imprensa de São Paulo. A análise
dessa medida tomada indica a:
A- Certeza do cumprimento das Leis
B- Superação do governo de exceção
C- Violência dos terroristas de esquerda
D- Punição do torturadores da polícia
E- Expectativa da investigação dos culpados

3- ENEM [2013]

EXERCÍCIO COMENTADO
ENEM [2011]

A imagem foi publicada no jornal Correio da
Manhã, no dia de Finados de 1965. Sua relação
com os direitos políticos existentes no período
revela a:

“Em meio as turbulências vividas na primeira
metade dos anos 1960, tinha-se a impressão de
que as tendências de esquerda estavam se
fortalecendo na área cultural. O Centro Popular
de Cultura (CPC) da União Nacional dos
Estudantes (UNE) encenava peças de teatro que
faziam agitação e propaganda em favor da luta
pelas reformas de base e satirizavam o
‘imperialismo’ e seus ‘aliados internos’”.
KONDER, L. História das Ideias Socialistas no Brasil.
São Paulo: Expressão Popular, 2003.

A- extinção dos partidos nanicos.
B- retomada dos partidos estaduais.
C- adoção do bipartidarismo regulado.
D- superação do fisiologismo tradicional.
E- valorização
parlamentar.

da

representação

4- ENEM [2012]
“Diante dessas inconsistências e de outras
que ainda preocupam a opinião pública, nós,
jornalistas,
estamos
encaminhando
este
documento ao Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Estado de São Paulo, para que o
entregue à Justiça; e da Justiça esperamos a
realização de novas diligências capazes de levar
à completa elucidação desses fatos e de outros
que porventura vierem a ser levantados.”
Em nome da verdade. In: O Estado de São Paulo, 3 fev.
1976. Apud. FILHO, I. A. Brasil, 500 anos em documentos.
Rio de Janeiro: Mauad, 1999.

No início da década de 1960, enquanto vários
setores da esquerda brasileira consideravam que
o CPC da UNE era uma importante forma de
conscientização das classes trabalhadoras, os
setores conservadores e de direita (políticos
vinculados a União Democrática Nacional - UDN (Igreja Católica, grandes empresários etc.)
entendiam que esta organização:
A- constituía mais uma ameaça para a
democracia brasileira, ao difundir a ideologia
comunista.
B- contribuía com a valorização da genuína
cultura nacional, ao encenar peças de cunho
popular.
C- realizava uma tarefa que deveria ser
exclusiva do Estado, ao pretender educar o
povo por meio da cultura.
D- prestava um serviço importante
sociedade
brasileira,
ao
incentivar
participação política dos mais pobres.

A
a

128
E- diminuía a forca dos operários urbanos, ao
substituir os sindicatos como instituição de
pressão política sobre o governo.

CAPÍTULO 14

A NOVA REPÚBLICA
Resposta certa: Alternativa A. O Centro Popular
de Cultura (CPC) foi uma organização associada
à União Nacional de Estudantes (UNE), e extinta
com o golpe militar em 1964. Um grupo de
intelectuais ligados ao movimento de esquerda
visando criar uma “arte popular revolucionária”,
reuniu artistas de diversos ramos para defender o
caráter coletivo e didático da obra de arte, além
do engajamento político do artista. A proposta do
CPC diferia no entanto da posição das
vanguardas artísticas dos anos 1950 (tais como o
concretismo), que defendiam o diálogo com a
técnica e a indústria. Os artistas ligados ao CPC
recusavam-se a considerar a arte como "uma ilha
incomunicável e independente dos processos
materiais". Acreditavam que toda manifestação
cultural deveria ser compreendida exatamente
"sob a luz de suas relações com a base material",
combatendo o hermetismo da arte: "nossa arte só
irá onde o povo consiga acompanhá-la, entendêla e servir-se dela.", afirmavam à época.

GABARITO:
Exercícios de Fixação:
1- D
2- B
Pintou no Enem:
1- E
2- A
3- C
4- E

O GOVERNO JOSÉ SARNEY (19851990)

Introdução:
Durante os 5 anos do governo Sarney, o
país enfrentou recordes de taxas de inflação,
diversas crises ministeriais, e vários planos
econômicos que alteraram as regras da
economia.
O país passou por graves crises, com
altíssimos índices de inflação anual e queda das
reservas cambiais a níveis críticos. Em vista
disso, o país requereu a moratória de sua dívida
externa, ou seja, a suspensão temporária do
pagamento
dos
débitos
aos
credores
estrangeiros.
Por outro lado, caracterizou-se como um
governo de transição democrática, e estabeleceu
novos avanços políticos importantes, como a
Convocação de uma Assembleia Constituinte, o
estabelecimento de eleições diretas em todos os
níveis e a legalização de partidos de qualquer
tendência, inclusive comunistas e socialistas.
Em decorrência disso, o país renovou seus
Governadores,
Senadores
e
Deputados,
Prefeitos, Vereadores e pode acompanhar,
depois de quase 30 anos, uma nova campanha
presidencial.

Economia:
Na tentativa de equilibrar a economia,
foram postos em prática alguns planos, cuja
principal característica era o combate à alta
inflacionária. Foram eles: o Plano Cruzado

129
(1986); o Plano Bresser (1987); e o Plano Verão
(1989).
De todos estes planos, o que obteve
maior repercussão foi o Plano Cruzado. Em
fevereiro de 1986, sob a orientação do então
Ministro da Fazenda, foi lançado esse plano de
estabilização, objetivando conter a inflação e
reorganizar a economia. Entre as principais
medidas destacavam-se:

O Cruzeiro perdia três zeros e passava a ser
chamado de Cruzado (1000 Cruzeiros = 1
Cruzado); todos os preços estavam
congelados por um ano;

Os salários receberiam um abono de 8%,
seriam recalculados na média dos últimos
seis meses, mas só seriam reajustados após
um ano ou quando a inflação atingisse 20%;

Paralelamente,
o
governo
brasileiro
conseguiu renegociar a dívida externa, e a
redução dos juros foi obtida sem que fosse
necessário recorrer ao FMI.

Um dos resultados dessa mudança foi que
muitos estabelecimentos comerciais iniciaram um
processo de remarcação clandestina de preços,
provocando a reação dos consumidores,
incentivada
pela
própria
propaganda
governamental (“Sou fiscal do Sarney”).

Os resultados do Plano Cruzado foram
positivos nos primeiros meses. O poder aquisitivo
das camadas populares aumentou; a extinção da
correção monetária realocou parte do capital dos
setores financeiros para o produtivo; o índice de
desemprego ficou menor. Antes do final de 1986,
porém, o plano já demonstrava ter fracassado.

Uma Nova Constituição:
No início de seu governo, Sarney propôs
ao Congresso Nacional que os parlamentares
eleitos em 1986, fossem ao mesmo tempo, os
membros da Assembleia Nacional Constituinte.
A constituição aprovada revelou-se uma
solução de compromissos entre dois blocos
ideológicos distintos: os liberais tradicionais,
contrários à intervenção do Estado na atividade
econômica, e os intervencionistas, favorável a
atuação reguladora por parte do Estado. Se
encarada, porém, do ponto de vista dos
chamados direitos sociais, é a mais ampla de
nossa história, superando inclusive a de 1934.
Em 5 de outubro de 1988, o presidente da
Assembleia Constituinte, Ulisses Guimarães,
declarou promulgada a nova Constituição,
qualificando-a como “Constituição cidadã”. O
texto havia sido aprovado por 474 votos a favor,
15 contrários e 6 abstenções. 64 deputados não
estiveram presentes à votação.
Um balanço geral permite-nos observar
que os trabalhadores conseguiram diversas
vantagens com a Constituição. Sua organização e
a combatividade de seus representantes na
Constituinte foram sem dúvida, os principais
responsáveis por estas conquistas, dentre as
quais destacam-se:

A população exigia a intervenção policial
e, em várias ocasiões, interditavam a empresa
fraudadora por sua iniciativa. Sucederam-se
tumultos e intervenção governamental de
empresas, particularmente os supermercados.
Alguns meses depois, muitos produtos só
eram oferecidos com o pagamento de “ágil” (valor
cobrado acima da tabela). Os órgãos
governamentais não conseguiram controlar esta
prática e o congelamento rapidamente deixou de
ser respeitado pelos produtores e comerciantes.
O ímpeto dos primeiros dias, quando a própria
população garantia o cumprimento das normas do
Plano Cruzado, também sucumbiu.

Salário: ao sair de férias o trabalhador
tinha direito a um abono igual a 33% de seu
salário. O empregado demitido deveria receber
uma indenização correspondente a 40% de seu
FGTS. Todo o trabalhador que recebesse até dois
salários mínimos mensais, teria direito a um
abono de um salário mínimo no final do ano, pago
pelo governo.
Direito de greve: Tornou-se praticamente
irrestrito.
Jornada de trabalho: A jornada semanal
baixou de 48 horas para 44 horas; a jornada de
trabalho em turnos ininterruptos de revezamento
era de no máximo seis horas.

130
Aposentadoria:
Os
aposentados
passavam a receber 13º salário; nenhuma
aposentadoria seria inferior a um salário mínimo.
Licença Maternidade: Passava de 90
para 120 dias; também passaria a existir a licença
paternidade, inicialmente de 5 dias.
Outras mudanças importantes foram:
- O estabelecimento de dois turnos nas
eleições para Presidente, Governadores, e
Prefeitos de cidades com mais de 200.000
habitantes.
- O voto facultativo entre 16 e 18 anos.
- A redistribuição dos impostos em favor
dos estados e municípios.
- A garantia por parte do estado, de
benefícios e proteção às empresas brasileiras de
capital nacional.
- O fim da censura à rádio, televisão,
cinema e etc.

Em novembro e dezembro de 1989,
realizaram-se as primeiras eleições diretas para
Presidente
da
República
desde
1960.
Concorreram
a
sucessão
presidencial,
representantes de vários partidos políticos: Mário
Covas (PSDB); Paulo Maluf (PDS); Roberto
Freire (PCB); Ulisses Guimarães (PMDB), entre
outros.
A disputa principal, no entanto, restringiuse a três candidatos: Fernando Collor de Mello,
do incipiente Partido da Renovação Nacional
(PRN),
representando
os
grupos
mais
conservadores da política nacional; Luiz Inácio
Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores
(PT); e Leonel Brizola, do Partido Democrático
Trabalhista (PDT), ambos defendendo propostas
de mudanças mais profundas na estrutura
socioeconômica do país.
A disputa no segundo turno restringiu-se
a oposição entre Collor (que já no primeiro turno
havia despontado na preferência dos eleitores), e
Lula, que tomou a frente de Brizola numa disputa
acirrada.

- A proteção ao meio ambiente.
- O mandado de 5 anos para Presidente
da República foi reduzido para 4 anos a partir de
1995.
- Eleições diretas para Presidente da
República a partir de 1989.
- Garantiu-se aos índios a posse da terra
que já ocupavam tradicionalmente, competindo a
União, demarcá-las, proteger e fazer respeitar
todos os seus bens.

Collor venceu as eleições com cerca de
35 milhões de votos (5 milhões a mais que seu
opositor), assumindo a presidência em 15 de
março do ano seguinte. Vendendo a imagem de
“caçador de marajás”, Collor iniciou sua carreira
política em Alagoas, onde foi eleito indiretamente
prefeito de Maceió (Prefeito “Biônico”), Deputado
Federal e Governador de estado.

- A prática de racismo, constitui crime
inafiançável, sujeito à pena de reclusão, nos
termos da lei.
A Constituição de 1988 não trouxe
avanço, porém, em relação à reforma agrária,
pois determina que as propriedades consideradas
produtivas não podem ser desapropriadas.

As Eleições de 1989:
No final de seu governo, Sarney não
havia conseguido melhorar o panorama
econômico do Brasil. Contudo, levou até o fim o
processo de transição democrática, iniciado em
seu mandado embalado pelos ventos da
liberalização política que começavam a soprar do
leste europeu.

A campanha de Collor baseara-se na luta
contra a corrupção, na busca da modernidade
para o país e na proteção às camadas mais
carentes da população, os “descamisados”.

131

O GOVERNO COLLOR (1990-1992)

Os Escândalos:
A instabilidade econômica trouxe consigo
a
instabilidade
política,
determinando
a
substituição de vários Ministros e a queda da
popularidade do Presidente. Com seu estilo
personalista e arrogante e afeito a exibições
públicas, Collor deu continuidade a sua política
econômica, favorecendo as exportações e
privatizando muitas empresas estatais. Com isso,
acentuaram-se a recessão e a oposição ao seu
governo. Além disso, Collor não conseguiu
estabelecer uma base de apoio parlamentar, o
que o enfraqueceu politicamente.

Introdução:
Ao assumir a Presidência, Collor
prometeu uma política de austeridade, como corte
de gastos do governo pela redução do número de
funcionários fantasmas, o fim dos privilégios
desmedidos de funcionários públicos e membros
do governo e a privatização das empresas
estatais, reduzindo assim os gastos com o
aparelho estatal.
O caráter neoliberal do discurso de Collor,
advogando
principalmente,
o
fim
do
intervencionismo
estatal
em
assuntos
econômicos, contribuiu para aglutinar setores das
classes dirigentes em torno de sua proposta.

Economia:
No dia de sua posse, o presidente
anunciou um plano econômico de combate à
inflação – O Plano de Reconstrução Nacional ou
Plano Collor, como ficou conhecido – que previa,
entre outras medidas, o bloqueio por 18 meses de
praticamente todos os depósitos bancários feitos
no país.
Além disso, estabeleceu o congelamento
de preços e salários e a extinção de diversas
empresas estatais. No comando do Ministério da
Economia estava Zélia Cardoso de Mello, que,
durante pouco mais de um ano, conduziu uma
política econômica de caráter marcadamente
recessivo.
As medidas adotadas durante o governo
Collor, embora drásticas, não solucionaram o
grave problema da inflação, além de terem
contribuído para piorar ainda mais a crise social,
com o acentuado rebaixamento do padrão de vida
da população brasileira.

As privatizações foram também bastante
tumultuadas, desencadeando violenta reação de
alguns setores da sociedade. Ao mesmo tempo,
surgem as primeiras denúncias de corrupção
no governo, envolvendo ex-ministros (Antonio
Rogério Magri, do Trabalho e Previdência Social;
Alceni Guerra da Saúde; Zélia Cardoso de Mello
da economia), assessores diretos da Presidência
e a própria Primeira Dama Rosane Collor, na
época a frente da Legião Brasileira de Assistência
(LBA), todos acusados de desvio de verbas
públicas.
Em maio de 1992, um desentendimento
familiar levou o irmão mais novo do presidente,
Pedro Collor, a denunciar à imprensa
irregularidades cometidas pelo empresário
alagoano Paulo César Farias, ex-tesoureiro da
campanha presidencial e que ainda mantinha
vínculos com o governo.
Suspeitando
do
envolvimento
do
presidente num amplo esquema de corrupção e
tráfico de influência, o Congresso Nacional
instaurou uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar as denúncias
contra P.C. Farias.
O relatório final da CPI apontou ligações
estreitas entre o presidente e o empresário,
iniciando a partir daí, um processo de
impeachment contra Fernando Collor. Ele
recorreu a manobras judiciais e regimentares,
assim como a política de troca de favores e
compra de votos, para tentar bloquear o
processo.
Os “Caras Pintadas” e o Impeachment:

132
A população saiu às ruas em diversas
cidades do Brasil, exigindo o afastamento.
Estudantes secundaristas e universitários, com os
rostos pintados de verde e amarelo, também
participavam
das
manifestações
pró
impeachment.
Pressionado pela opinião pública às
vésperas das eleições municipais, o Congresso
Nacional, em 29 de setembro de 1992, numa
sessão histórica, decidiu pelo afastamento de
Collor do cargo presidencial, enquanto se
apuravam as denúncias dos fatos e se ouviam os
envolvidos.
Isolado politicamente e sem conseguir
provar sua inocência, Fernando Collor renunciou
à Presidência em 30 de dezembro de 1992.
Neste mesmo dia, Itamar Franco, vice-presidente,
assumiu o cargo interinamente com o apoio de
todos os partidos políticos.

Caso raro na história mundial – o Chefe
do Executivo de um país ser afastado do poder
pelas vias democráticas-, a repercussão externa
do impeachment do presidente foi bastante
positiva. Este fato ganhava especial importância
para um país que estivera sob uma ditadura
militar, e que só recentemente voltara à condição
de uma democracia.

passada, apeou a cáfila de salteadores que
ocupou a Presidência. No acaso da chamada ao
microfone por ordem alfabética, coube ao
deputado Paulo Romano, do PFL mineiro, o voto
que emocionou o país. Foi ele, com o 336º voto,
aquele
que
garantia
a
aprovação
do
impeachment, que deu a senha para a
comemoração, para o momento de grandeza
maior. O Brasil se agitou, lágrimas foram
derramadas e bandeiras agitadas. Na Câmara,
presidida de maneira impecável por Ibsen
Pinheiro, cantou-se o Hino da Independência com
fervor cívico. Ao determinar que Collor deixe de
exercer os poderes presidenciais como vinha
fazendo há 930 dias, a Câmara escreveu uma
página gloriosa de sua história. [...] Até minutos
antes da votação, Collor estava eufórico,
garantindo que iria ganhar. Quando começou a
chamada dos deputados, retirou-se sozinho para
o seu gabinete. Numa sala ao lado, instalaram-se
o seu secretário e cunhado, Marcos Coimbra,
Lafaiete Coutinho, Álvaro Mendonça, o assessor
Luís Carlos Chaves e seu amigo Luiz Estevão.
Estavam macambúzios, derrubados. Depois da
acachapante derrota, Célio Borja saiu do
Ministério da Justiça para, junto com o chefe do
gabinete militar, Agenor de Carvalho, o porta-voz
Etevaldo Dias e Marcos Coimbra, encontrar-se
com Fernando Collor. Collor determinou a Célio
Borja que desse uma entrevista coletiva, dizendo
que colaboraria na transição do poder para Itamar
Franco. Segundo o ministro da Justiça, o
presidente apeado se disse disposto a transmitir o
cargo
com
dignidade,
cumprindo
as
determinações da presidência do Senado e do
Supremo Tribunal Federal. Itamar Franco, que
acompanhou a sessão da Câmara de sua casa,
divulgou uma nota dizendo que "a nação espera
de seus filhos união, paz e trabalho para o
resgate desta e de futuras gerações".

O novo presidente herdou os graves
problemas econômicos e sociais de seu
antecessor,
principalmente
o
aumento
descontrolado da inflação.

Trechos extraídos da revista Veja de 30/09/2012.
Disponível
em:
<http://veja.abril.com.br/especiais/extras/fechado/impea
impeac01.html>. Último acesso em 23 mai. 2014.

SESSÃO LEITURA

O GOVERNO ITAMAR FRANCO (19921994)

Collor perde por 441 votos e
anuncia, através de Célio Borja, que
não renuncia e que irá colaborar na
transição para Itamar
O presidente Fernando Collor de Mello foi
afastado do cargo que ocupava desde 15 de
março de 1990. O voto de 441 deputados a favor
do seu julgamento no Senado, dado em alto e
bom som na memorável sessão de terça-feira

Introdução:

133
O novo Presidente empossado deveria
completar o mandado de seu antecessor.
No plano político, o fato mais importante
do governo Itamar foi à realização do Plebiscito
em 1993. Previsto nos dispositivos transitórios da
Constituição de 1988, essa consulta popular
deveria decidir qual o regime político (monarquia
ou república) e a forma de governo
(parlamentarismo e presidencialismo) a serem
adotados no país.
Em 21 de abril de 1993 o resultado das
urnas confirmou a preferência dos eleitores pela
manutenção da República Presidencialista do
Brasil.

O Plano Real:

Em sua gestão, Itamar incentivou as
investigações sobre corrupção na administração
pública, tendo estimulado a CPI promovida pelo
Congresso
Nacional
para
apurar
as
irregularidades relativas ao orçamento da União.
Foram denunciados durante a investigação 23
parlamentares, 6 ministros e ex-ministros, e 3
governadores estaduais.
O temperamento impulsivo, populista e
algumas vezes hesitante do Presidente foi
caracterizado como marca negativa de sua
gestão. Em compensação, sua simplicidade,
austeridade e probidade administrativa renderamlhe uma imagem positiva perante a população.
Em 1995, ao passar a faixa presidencial
para seu sucessor, Itamar contava com um índice
de aprovação de 80% ao seu governo, conforme
pesquisa efetuada por renomado instituto de
pesquisa de opinião pública.

O GOVERNO FERNANDO HENRIQUE
CARDOSO (1995-2002)
Economicamente, a realização mais
relevante do novo governo foi o Plano Real.
Antes desse plano, sucederam-se três Ministros
da Fazenda, que buscaram sem sucesso
combater o crescente processo inflacionário. O
cargo foi ocupado em maio de 1993 pelo senador
Fernando Henrique Cardoso, até então Ministro
das relações exteriores do governo Itamar.
Em fins de 1993, com a inflação próxima
a 2500% ao ano, entrou em vigência o Plano
Real, cujo nome derivou da adoção de uma nova
moeda nacional, que começou a circular em 1º de
julho de 1994. Suas principais metas eram a
redução da inflação e a estabilização econômica.
Para atingir esses objetivos adotaram-se medidas
visando conter os gastos públicos, privatizar as
empresas estatais, reduzir o consumo com o
aumento da taxa de juros e baixar o preço dos
produtos com abertura do mercado interno às
exportações.

Política Interna:
A queda da inflação e a abertura da
economia propiciaram o aumento do poder
aquisitivo e da capacidade de consumo dos
setores de baixa renda, garantindo altos índices
de popularidade ao presidente Itamar Franco.

Introdução:
Em 1º de janeiro de 1995, Fernando
Henrique Cardoso assumiu a Presidência da
República, depois de eleger-se já no primeiro
turno com quase 55% dos votos válidos. Sua
candidatura fora sustentada por uma aliança
formada entre PSDB e PFL, este último
congregando parte das forças conservadoras do
país, ligadas ao regime anterior.
Contra FHC concorreu Lula (PT) que
obteve 27% dos votos válidos, além de Leonel
Brizola (PDT), Orestes Quércia (PMDB),
Esperidião Amim (PPR), entre outros.
Com o sucesso do Plano Real e o
prestígio político de sua formação acadêmica, o
presidente recém empossado conferiu ao novo

134
governo brasileiro respeito e reconhecimento
internacional. Entre as mais importantes políticas
governamentais encontram-se a Reforma da
Constituição e a Continuidade do Plano Real.

As Reformas:
No âmbito da Reforma Constitucional,
no início do governo, foram aprovadas pelo
Congresso
Nacional
as
emendas
que
estabeleceram a quebra dos monopólios do
petróleo e das comunicações. Foram também
eliminadas as discriminações ao capital
estrangeiro com a mudança do conceito de
empresa nacional, que passou a ser considerada
toda aquela constituída sob as leis brasileiras no
país
sediadas
e
administradas,
independentemente de seus sócios controladores
serem estrangeiros ou residentes no exterior.
No final do mandado presidencial o
Congresso discutia as Reformas da Previdência,
do Estatuto do Funcionalismo Público e dos
Sistemas Fiscal, Tributário e Administrativo. As
mudanças da Constituição de 1988 visavam
segundo o governo, atingir objetivos mais
essenciais: assegurar a estabilidade política,
mediante a reorganização do Estado e da
Administração, e retomar o desenvolvimento
econômico, acelerando a integração ao mercado
mundial e a moderação científica e tecnológica.

Efeitos do Plano Real e da Política Econômica:
A política econômica do novo governo
deu prosseguimento ao Plano Real. Durante os
dois primeiros anos, a moeda estabilizou-se e
manteve uma relativa equivalência com o dólar,
além disso, a inflação manteve um patamar
bastante baixo.
Contudo, as medidas de ajuste adotadas
provocaram recessão econômica, quebras de
bancos e empresas, assim como um surto de
demissões e desemprego em todos os setores da
economia.
Além do alto nível de desemprego nas
grandes cidades, a indefinição governamental
quanto à reforma agrária provocou no campo uma
onda de ocupação de propriedades rurais,
liderados pelo MST (Movimento dos Sem Terra).

A par de importantes realizações,
problemas como a distribuição de renda, a
questão agrária, a melhoria da educação e saúde,
entre outros, continuavam a exigir do novo
governo, medidas urgentes.
A política recessiva e de alto custo social
foi denominada pelos diversos setores da
oposição como resultado do neoliberalismo.

A Reeleição:
O empenho político do governo destinouse a aprovação de uma Emenda Constitucional
que permitia a reeleição do Presidente da
República, e dos Governadores dos estados. A
partir de uma forte ofensiva junto aos grandes
partidos nacionais, (PMDB, PFL, PPB, PSDB), o
governo conseguiu e obteve, em outubro de
1998, uma nova vitória eleitoral.
Contra a aliança de FHC, a oposição de
esquerda relançou Lula como candidato a
presidência e Brizola como vice. Pela primeira
vez, os dois maiores partidos de oposição saíram
unidos desde o início numa disputa eleitoral.
Mesmo abalada por uma impressionante
crise cambial, em 1998, a sociedade brasileira
manteve seu apoio a FHC, que foi reeleito no
primeiro turno. No entanto o resultado das
eleições não pode ser considerado totalmente
favorável ao governo. Nos estados houve
importantes vitórias de candidatos de oposição,
principalmente as de Olívio Dutra (PT/RS), Itamar
Franco (PMDB/MG), e Anthony Garotinho
(PDT/RJ). Em SP a vitória de Mário Covas
(PSDB) só foi possível graças ao apoio de
importantes lideranças de esquerda, realizando
uma aproximação de setores do PSDB com
setores do PT e PSB.
Além disso, as eleições estaduais
ativaram as lutas internas na base governista,
excessivamente ampla e heterogênea. Para
garantir a governabilidade do país, FHC permitiu
que o Legislativo Federal fosse controlado pelos
maiores partidos brasileiros, PMDB e PFL,
enquanto comandava o Executivo Federal com
uma equipe composta em sua maioria por velhos
companheiros de militância política e amigos
pessoais, muitos dos quais exilados e
perseguidos pela ditadura militar. A ambiguidade
do governo FHC é sempre justificada pelos seus

135
mais ardorosos defensores pelas necessidades
pragmáticas do exercício do poder.
Desde 1995, o ex-governador da Bahia e
Senador Antônio Carlos Magalhães – o ACM –
tornou-se uma espécie de eminência parda do
governo brasileiro. Sua presença, no mesmo
campo político de líderes marcados pela luta
contra a ditadura – Franco Montouro, José Serra,
Francisco Weffort – e propagandistas da
modernização da política brasileira, soa pelo
menos como contraditória. Parece mesmo um
casamento de conveniências repleto de traições.
As ambiguidades e contradições do
governo FHC, somaram-se às dificuldades do PT
e dos demais partidos de esquerda em ampliar
suas lideranças e apresentar os programas de
transformações sociais e econômicas necessárias
ao país. Enquanto o governo e a oposição
viveram seus dilemas e limites políticos, a
sociedade
brasileira
apresentava
índices
alarmantes de desemprego, analfabetismo,
desnutrição, e miséria.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
1- (Fuvest 2012)

b) nebuloso e pouco estudado pelos
historiadores, que, em sua maioria, trataram
de censurá-lo, impedindo uma justa e
equilibrada compreensão dos fatos que o
envolvem.
c) acidental, na medida em que o
impeachment de Fernando Collor foi
considerado ilegal pelo Supremo Tribunal
Federal, o que, aliás, possibilitou seu posterior
retorno à cena política nacional, agora como
senador.
d) menor na história política recente do Brasil,
o que permite tomar a censura em torno dele,
promovida oficialmente pelo Senado Federal,
como um episódio ainda menos significativo.
e) indesejado pela imensa maioria dos
brasileiros, o que provocou uma onda de
comoção popular e permitiu o retorno triunfal
de Fernando Collor à cena política, sendo
candidato conduzido por mais duas vezes ao
segundo turno das eleições presidenciais.

PINTOU NO ENEM:
1- ENEM [2014]

O presidente do Senado, José Sarney (PMDBAP), disse nesta segunda-feira [30/5] que o
impeachment do ex-presidente Fernando Collor
de Mello foi apenas um “acidente” na história do
Brasil. Sarney minimizou o episódio em que
Collor, que atualmente é senador, teve seus
direitos políticos cassados pelo Congresso
Nacional. “Eu não posso censurar os
historiadores que foram encarregados de fazer a
história. Mas acho que talvez esse episódio seja
apenas um acidente que não devia ter acontecido
na história do Brasil”, disse o presidente do
Senado.
Correio Braziliense, 30/05/2011.

Sobre o “episódio” mencionado na notícia acima,
pode-se dizer acertadamente que foi um
acontecimento
a) de grande impacto na história recente do
Brasil e teve efeitos negativos na trajetória
política de Fernando Collor, o que faz com que
seus atuais aliados se empenhem em
desmerecer este episódio, tentando diminuir a
importância que realmente teve.

A discussão levantada na charge, publicada
logo após a promulgação da Constituição de
1988, faz referência ao seguinte conjunto de
direitos:
A) Civis, como o direito à vida, à liberdade de
expressão e à propriedade.
B) Sociais, como direito à educação, ao
trabalho e à proteção à maternidade e à
infância.

136
C) Difusos, como direito
desenvolvimento sustentável
ambiente saudável.

à
e

paz, ao
ao meio

EXERCÍCIO COMENTADO
ENEM [2014]

D) Coletivos, como direito à organização
sindical, à participação partidária e à
expressão religiosa.
E) Políticos, como o direito de votar e ser
votado, à soberania popular e à participação
democrática.

2- ENEM [2011]

O movimento representado na imagem, do início
dos anos de 1990, arrebatou milhares de jovens
no Brasil.
Nesse contexto, a juventude, movida por um forte
sentimento cívico,
A- aliou-se aos partidos de oposição e
organizou a campanha Diretas Já.
B- manifestou-se contra a corrupção e
pressionou pela aprovação da Lei da
Ficha Limpa.
C- engajou-se nos protestos relâmpago e
utilizou a internet para agendar suas
manifestações.
D- espelhou-se no movimento estudantil de
1968
e
protagonizou
ações
revolucionarias armadas.

Resposta
certa:
Alternativa
E.
Questão
contemporânea, faz parte da ideia corrente no
ENEM de trabalhar com temas ligados ao
presente. Mais uma questão de interpretação de
texto, que ressalta especificamente o tema
“política e sociedade”. Resumidamente o texto
fala de uma cultura política existente hoje no
Brasil pautada na ideia de que a sociedade
brasileira é conservadora, o que acabou
legitimando, segundo o texto, o conservadorismo
do sistema político. O argumento para a vigência
de tal concepção é de que a sociedade, por ter
um caráter conservador, não aceita mudanças
bruscas, justificando politicamente a lentidão da
redemocratização e da redistribuição de renda.
Ou seja, uma sustentação ideológica por parte
dos políticos das desigualdades existentes.
Todavia o autor alerta que a sociedade é muito
mais avançada que seu sistema político.

GABARITO:
Exercício de Fixação:
1- A
Pintou no Enem:

E- tornou-se porta-voz da sociedade e
influenciou no processo de impeachment
do então presidente Collor.

1- B
2- E

137

Referências
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São Paulo: Cia. das Letras, 1990.

CARVALHO, José Murilo. Os Bestializados. São
Paulo: Cia. das Letras, 1987.

FAUSTO, Bóris. A Revolução de 1930:
Historiografia e História. São Paulo: Brasiliense,
1975.

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Neves (org.). O Brasil Republicano: O tempo
do nacional-estatismo. Do início da década de
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Civilização Brasileira, 2003, v. 1, 376p.

GARCIA, Nelson J. O Estado Novo: ideologia e
propaganda política. São Paulo: Loyola, 1982.

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século XX. 1914-1991. 2ª ed. São Paulo: Cia das
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MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. Manifesto do
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Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2001.

NEGREIROS, Thamiris. Apostila do Curso Pré
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______ A formação das almas. O imaginário da
República no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras,
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________ (org.). O Brasil Republicano. São
Paulo: Difel, 1982/84.

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Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000, 3v.

SAES, Décio. Classe média e sistema político
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Exercícios do Enem. Disponível em:
<http://portal.inep.gov.br> Acesso em: 23, mai.
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Imagens extraídas de:
Disponível em: <www.wikipedia.com> Acesso em:
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Disponível em: <www.velhosamigos.com.br>
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<http://blogdozepaulo.blogspot.com.br>
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Último

Disponível em: <http://www.historiadigital.org>
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Disponível em:
<http://bercariopedagogico.blogspot.com.br>
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<http://www.projetomemoria.art.br> Acesso em:
23, mai. 2014.

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