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O ESTADO DE S. PAULO

QUARTA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2010

A21

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Leia. Os preparativos e a expectativa para o teste

estadão.com.br/e/a19

Feito. Após 16 anos de pesquisas, investimentos de US$ 10 bilhões e uma tentativa fracassada, cientistas iniciam maior experiência da história da Ciência para descobrir origem da massa, como forças no universo se mantêm coesas e a presença de matéria negra

Colisão de partículas reproduz início do universo e abre nova era da Física

DENIS BALIBOUSE/REUTERS

● O ESTADO NA SUIÇA Jamil Chade
● O ESTADO
NA SUIÇA
Jamil Chade

CORRESPONDENTE / GENEBRA

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matéria negra. Caberá ao experimento Alice descobrir o que ocorreu no mo-

mento após o Big Bang. O objeti- vo não é o de entender o passa- do, mas saber como a expansão do universo ocorre e, portanto, desvendar o futuro do mundo. No centro do debate está ain- da a comprovação da partícula bóson de Higgs. “Se identificar- mos que ela existe, estaremos

sua identificação explicaria por que a matéria tem massa. O acelerador só atingirá sua potência total em 2013. Por en- quanto,apenasmostrouque fun- ciona e que é seguro. Na primei- ra tentativadecolocaroLHCem operação,em setembro de 2008,

um sério acidente comprome- teu o equipamento . No fim de 2009, o acelerador voltou a fun- cionar com metade da potência.

  • dandoumanovavisãoparaouni- “Estamos apenas no início de

umagrandeaventura.Vamosco-

meçar o mapeamento do desco- nhecido”, disse um dos direto- res do projeto Philippe Bloch.

Numevento queabriuumano- vaeradaFísica, oCentroEuro- peu de Pesquisa Nuclear (Cern) promoveu ontem, num túnel subterrâneo entre a Suí- çaeaFrança,colisões de partí- culas para tentar reproduzir condições existentes na ori- Explosão. Cientista acompanha colisão de partículas reproduzida digitalmente: novo campo gem do universo, na maior e mais cara experiência científi-

ca já feita. O experimento per- mitirá, em tese, que cientistas descubram o que aconteceu um nanossegundo após o Big

Bang, há 13,7 bilhões de anos. Dois feixes de prótons circu- lando em direção oposta no tú- nelde27 quilômetros doGrande Colisor deHádrons (LHC), cada qual com energia de 3,5 TeV (tri- lhões de elétrons-volt), colidi- ram e liberaram uma energia re- corde de 7 TeV. As partículas são aceleradas a uma velocidade tão altaquecadaprótondá 11milvol- tas por segundo no anel. “A última revolução que tive- mos na Física ocorreu há cem anos, com a teoria da relativida- de. Hoje, a porta foi aberta e o que fizemosnessasprimeirasho- ras foi apenas espiar o que existe do outrolado.Eu possogarantir:

o novo território é fascinante”, afirmou Jurgen Schukraft, res- ponsável por um dos detectores. O professor da Uerj e colabora- dor do Cern, Alberto Santoro, é damesma opinião: “Hoje,inicia- mos uma nova era.” Cientistas deixaram claro que os resultados ainda levarão me- ses, senão anos, para serem deci-

PERGUNTAS & RESPOSTAS

 
  • 1. que surgem e desaparecem em

O que é o LHC?

É o maior acelerador de partí-

3.

4.

frações de segundo. Elas são

Quais dúvidas teóricas

Entre os principais objetivos

culas já construído. A estrutu- ra promove colisões de partícu- las chamadas prótons.

fundamentais para entender como o universo funciona.

podem ser respondidas?

do experimento estão encon-

 

As descobertas terão

trar as partículas que com- põem a matéria escura, o bó-

  • 2. alguma aplicação prática?

son de Higgs — partícula que

O que os pesquisadores procuram?

As colisões de prótons produ-

Os cientistas não sabem qual será o impacto das descobertas.

dá massa às demais — e deter- minar se realmente existem

zem partículas ainda menores,

Mas poderão ter aplicações mé- dicas ou na indústria.

minúsculas dimensões ocultas no espaço.

frados pela máquina de US$ 10

bilhõesquelevou16anosparaser

construída.Ontem,tudooqueos cientistasconseguiram foipermi- tir que as partículas se chocas-

semaumaenergiasempreceden-

tes. Mesmo que dezenas de pis-

Condições extremas

Os dois feixes de prótons colidiram a uma velocidade praticamente idêntica à da luz e sob temperatura de -271˚C, em um túnel a 100 metros de profun- didade, entre a Suíça e a França

tassobreos segredos danatureza tenham sido geradas, ninguém ainda soube decifrá-las.

Santoro explicou que a grande

ram a ser contabilizados 50 cho- ques por segundo. O volume de dadosgeradosacada doissegun- dos equivale ao de um arquivo

  • preocupaçãonaspróximassema- em DVD. Quatro detectores gi- gantes – Alice, Atlas, CMS e LHCb – foram instalados e cada um será responsável pormapear uma área do desconhecido.

nas será calibrar o equipamento para permitir a exatidão dos da-

dos. Outro cientista brasileiro,

Denis Damazio, indicou no iní- cio da noite que os trabalhos com ciência pura já haviam co- meçado. “As melhores informa- ções já foram selecionadas e co- meçam a ser avaliadas. Já come- çamos a fazer física”, disse. Cada colisão entre as partícu-

Quebra-cabeça. Na agenda do

Cern está o trabalho de decifrar alguns dos quebra-cabeças mais

las criou uma explosão – chega-

  • profundosdahumanidade:aori- verso”, afirmou Guido Tonelli, responsávelpeloprojetoCMS.A partícula teria um papel profun- donaestruturação do universo e

gem da massa, como forças no

universo se mantêm coesas e,

principalmente, a presença de