Você está na página 1de 18

RESUMO PARA ESTUDO: FALÊNCIA E I - executado, não paga, não deposita a importância,

CONCORDATA ou não nomeia bens a penhora, dentro do prazo legal;

II - procede a liquidação precipitada, ou lança mão de


meios ruinosos ou fraudulentos para realizar
pagamentos;

LEGISLAÇÃO: Decreto-lei n° 7.661, de 21/06/45 III - convoca credores e lhes propõe dilação, remissão
(Lei das Falências). de créditos ou cessão de bens;

DEFINIÇÃO: IV - realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar,


com o fito de retardar pagamentos ou fraudar
credores, negócio simulado, ou alienação de parte ou
- é um processo de execução coletiva, em que todos da totalidade do seu ativo a terceiro, credor ou não;
os bens do falido são arrecadados para uma venda
judicial forçada, com a distribuição proporcional do
ativo entre todos os credores. V - transfere a terceiro o seu estabelecimento sem o
consentimento de todos os credores, salvo se ficar
com bens suficientes para solver o seu passivo;
----------------------------------------------------------------
--------------------------------------------------
VI - dá garantia real a algum credor sem ficar com
bens livres e desembarcações equivalentes às suas
solvência – é a qualidade de quem pode solver, isto é, dívidas, ou tenta essa prática, revelada a intenção por
pagar, liquidar, cumprir uma obrigação. atos inequívocos;

insolvência – é o estado de pessoa que deve, mas não VII - ausenta-se sem deixar representante para
pode pagar sua dívida. administrar o negócio, habilitado com recursos
suficientes para pagar os credores; abandona o
---------------------------------------------------------------- estabelecimento; oculta-se ou tenta ocultar-se,
-------------------------------------------------- deixando furtivamente o seu domínio.

CARACTERIZAÇÃO: ----------------------------------------------------------------
-----------------------------------------------------
- impontualidade (art. 1°) – faz presumir o estado de
insolvência. SUJEITO PASSIVO: só pessoa jurídica; a pessoa
física é decretada a "insolvência civil".
----------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------- - comerciante.

Art. 1°. Considera-se falido o comerciante que, sem - o espólio do devedor comerciante (art. 3°, I).
relevante razão de direito, não paga no vencimento
obrigação líquida constante de título que legitime a - o menor, com mais de 18 anos, que mantém
ação executiva. estabelecimento comercial, com economia própria
(art. 3°, II).
----------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------- - a mulher casada que, s/ autorização do marido,
exerce o comércio por + de 6 m., fora do lar conjugal
- prática, por parte do devedor, de um ato de (art. 3°, III).
falência (art. 2°) – a impontualidade não é único
critério, pois ainda que não exista nenhum título em - os que, embora expressamente proibidos, exercem o
atraso, poderá também ser requerida a falência do comércio (art. 3º, IV)
comerciante que pratique certos atos suspeitos, aos
quais a doutrina dá o nome de "atos de falência".
- devedor que cessou o exercício do comércio há
menos de 2 anos (art. 4°, VII).

- sociedade irregular ou de fato.

Art. 2°. Caracteriza-se, também, a falência, se o


comerciante:
NÃO ESTÃO SUJEITOS:

- sociedades civis.
- empresas públicas ou de economia mista. UNIVERSALIDADE DO JUÍZO: declarada a
falência, ficam suspensas todas as ações e execuções
- empresas sujeitas a regime especial para individuais dos credores sobre direitos e interesses
funcionarem - intervenção e dissolução extrajudicial relativos à massa falida; o juízo da falência passa
(setor financeiro - bancos, financeiras, seguradoras, então a ser o juízo universal, ou seja, o único
cooperativas etc.). competente para conhecer e decidir todas as questões
de caráter econômico que envolvam o devedor falido
(art. 7°, § 2º e 24). Portanto, todos os que estavam
movendo ações individuais contra o falido, têm de
abandoná-las e vir habilitar os respectivos créditos
QUEM PODE REQUERER A FALÊNCIA DO perante o juízo da falência.
DEVEDOR:
* exceções:
- o devedor comerciante – "autofalência" (art. 8º).
- não suspende o andamento das execuções fiscais em
- o credor, comerciante ou não, devendo, porém, se curso, nem impede o ajuizamento posterior de outras.
comerciante, provar o exercício regular do comércio,
por certidão da Junta Comercial (art. 9º, III). - ações trabalhistas (face da competência privativa da
Justiça do Trabalho) - o empregado deverá obter a
- o sócio ou acionista (art. 9°, II). sentença do juiz do trabalho, reconhecendo os seus
direitos, para habilitar depois o seu crédito perante o
- o cônjuge sobrevivente, pelos herdeiros do devedor juiz da falência.
ou pelo inventariante (art. 9º, I).
- não se suspendem as ações em que a massa falida
- o credor com garantia real (penhor ou hipoteca), se for autora ou litisconsorte, nem as ações e execuções
renunciar a esta garantia, ou, querendo mantê-la, se iniciadas antes da falência referentes a títulos não
provar que os bens gravados não chegam para a sujeitos a rateio e os que demandarem quantia
solução do seu crédito (art. 9º, III, "b"). ilíquida, coisa certa, prestação ou abstenção de fato
(arts. 7º, § 3º e 24, § 2º).

- o credor não domiciliado no Brasil, se prestar


caução (art. 9º, III, "c").

ANTECIPAÇÃO DO VENCIMENTO DAS


DÍVIDAS: a declaração da falência produz o
vencimento antecipado de todas as dívidas do falido e
REQUERIMENTO DE FALÊNCIA PELO do sócio solidário da sociedade falida (art. 25),
CREDOR COM BASE NA IMPONTUALIDADE mesmo aqueles que tenham títulos ainda não
DO DEVEDOR: deve o credor juntar título líquido e vencidos, devem habilitar-se na falência.
certo, que legitime ação executiva, devidamente
protestado; mesmo os títulos não sujeitos a protesto
obrigatório devem ser protestados para fins
falimentares (protesto especial - art. 10).
MASSA FALIDA: é o acervo ativo e passivo de
REQUERIMENTO PELO DEVEDOR bens e interesses do falido, que passa a ser
("AUTOFALÊNCIA"): o advogado precisa de administrado e representado pelo síndico.
poderes especiais expressos na procuração para
requerer a "autofalência". - ativa – créditos e haveres.

- passiva – débitos exigíveis pelos credores.

JUÍZO COMPETENTE: é o do local do principal


estabelecimento* do devedor ou da casa filial de
outra situada fora do Brasil (art. 7º). SÍNDICO: é o administrador da massa falida, sob a
direção e superintendência do juiz, respondendo civil
* em regra, a sede estatutária da empresa, mas há e criminalmente pelos seus atos; é nomeado pelo juiz,
julgados que entendem que além desta, também o sendo escolhido entre os maiores credores do falido,
local onde o comércio é efetivamente exercido, ou residentes no foro da falência, devendo ser pessoa de
onde se encontra a maioria dos bens, ou o parque reconhecida idoneidade moral e financeira; não pode
industrial do devedor. ter exercido o mesmo cargo em outra falência
encerrada a menos de 1 ano; tem honorários;
ninguém é obrigado a aceitar o encargo; se três
credores sucessivamente nomeados não aceitarem o
cargo, poderá ser nomeado também um estranho
(síndico dativo – art. 59 e seguintes).
obrigações (art. 63): inventariado e avaliado, ficando o síndico como
depositário.
- representar a massa falida em juízo;
- no caso de imóveis, devem ser juntadas as
- dar a maior publicidade possível à sentença respectivas certidões.
declaratória;
- se forem encontrados apenas bens de valor irrisório,
- enviar comunicado aos credores que constem da ou se nada for encontrado, deve o síndico comunicar
contabilidade do falido; o fato imediatamente ao juiz.

- arrecadar bens, livros, documentos e tê-los sob sua - se houver sócio solidário, de responsabilidade
guarda; ilimitada, o síndico arrecadará também os bens
particulares do mesmo, levando um inventário em
separado (art. 71).
- prestar informações aos interessados (horário em
que o falido estará a disposição - pelo menos 1 hora
por dia); - se entre os arrecadados houver bens de fácil
deterioração ou cuja guarda seja difícil, perigosa ou
muito onerosa, deve o síndico representar ao juiz
- verificar os créditos; sobre a necessidade de serem os mesmos vendidos
imediatamente na forma prescrita no art. 73.
- elaborar relatórios;
- não podem ser arrecadados os bens impenhoráveis,
- organizar o "quadro geral de credores"; como os previstos no art. 649 do CPC; contudo,
podem ser arrecadados os livros, máquinas, utensílios
- promover a liquidação, vendendo os bens da massa e instrumentos necessários ou úteis ao exercício da
(feita por leilão ou através da venda de melhor oferta) profissão do falido, que não forem de módico valor
e distribuindo o produto entre os credores; (art. 41, § único); não podem ser arrecadados os bens
dotais e os particulares da mulher e dos filhos do
devedor (art. 42), nem os já penhorados em
- nomear gerente para continuação do negócio; execuções fiscais e os de família.

- manter livros próprios de receitas e despesas da ----------------------------------------------------------------


massa; -----------------------------------------------------

- receber e analisar correspondência do falido; Art. 649. São absolutamente impenhoráveis:

- designar perito contador; I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato


voluntário, não sujeitos à execução;
- averiguar a existência de crime falimentar (arts. 186
a 199); II - as provisões de alimento e de combustível,
necessárias à manutenção do devedor e de sua família
- cobrar dívidas; durante um mês;

- prestar conta da administração da massa etc. III - o anel nupcial e os retratos de família;

* o pagamento dos honorários do síndico será feito IV - os vencimentos dos magistrados, dos professores
depois de julgadas as suas contas - arbitramento pelo e dos funcionários públicos, o soldo e os salários,
juiz. Se houver "concordata suspensiva", são salvo para pagamento de prestação alimentícia;
reduzidas a metade.
V - os equipamentos dos militares;

VI - os livros, as máquinas, os utensílios e os


ARRECADAÇÃO: instrumentos, necessários ou úteis ao exercício de
qualquer profissão;
- após prestar compromisso, o síndico deve arrecadar
os livros e os bens do falido, convidando este e o VII - as pensões, as tenças ou os montepios,
Curador Fiscal de Massas Falidas a acompanhar a percebidos dos cofres públicos, ou de institutos de
diligência. previdência, bem como os provenientes de
liberalidade de terceiro, quando destinados ao
sustento do devedor ou da sua família;
- a arrecadação equivale a uma penhora global de
todos os bens do falido; o que for arrecadado é
VIII - os materiais necessários para obras em no decorrer do processo o falido conseguir a
andamento, salvo se estas forem penhoradas; "concordata suspensiva", os bens serão a ele
devolvidos.
IX - o seguro de vida;
* a pessoa jurídica não se extingue com a falência,
X - o imóvel rural, até um módulo, desde que este mesmo após a liquidação de seu patrimônio, pode ela
seja o único de que disponha o devedor, ressalvada a voltar às atividades, uma vez extintas as suas
hipoteca para fins de financiamento agropecuário. obrigações (art. 135).

Art. 650. Podem ser penhorados, à falta de outros ----------------------------------------------------------------


bens: -----------------------------------------------------

I - os frutos e os rendimentos dos bens inalienáveis, concordata preventiva – serve para prevenir ou
salvo se destinados a alimentos de incapazes, bem evitar a falência; verificando que a empresa está à
como de mulher viúva, solteira, desquitada, ou de beira da insolvência, mas ainda tem lastro suficiente
pessoas idosas; para se salvar, pode o devedor comerciante conseguir
o seu reajustamento econômico, requerendo ao juiz a
concordata preventiva, antes que algum credor lhe
II - as imagens e os objetos do culto religioso, sendo requeira a falência – a moeda será de 50% à vista, ou
de grande valor. de 60%, 75%, 90% ou 100% se a prazo,
respectivamente, de 6, 12, 18 ou 24 meses (o prazo
Art. 651. Antes de arrematados ou adjudicados os começa a correr a partir do pedido).
bens, pode o devedor, a todo tempo, remir a
execução, pagando ou consignando a importância da concordata suspensiva – serve para suspender uma
dívida, mais juros, custas e honorários advocatícios. falência já decretada; num determinado momento do
processo de falência (normalmente, em 5 dias após o
---------------------------------------------------------------- 2° relatório do síndico), pode o falido que preencher
----------------------------------------------------- certos requisitos, pedir ao juiz que lhe conceda a
concordata suspensiva, propondo aos credores
quirografários, por saldo de seus créditos, o
pagamento de 35% à vista ou 50% num prazo de até
2 anos; esta percentagem é a moeda da concordata, e
TERMO LEGAL: determinado período suspeito, com ela estarão quitadas as dívidas quirografárias; se
que antecede a falência; ele é fixado pelo juiz na o pedido for deferido pelo juiz, os bens são
sentença declaratória (art. 14, § único, III), devolvidos ao falido e ele volta a comerciar
geralmente a partir de 60 dias antes do primeiro normalmente, apenas com algumas restrições,
protesto; vários atos praticados pelo falido dentro do referentes à venda de imóveis e à transferência de seu
termo legal não produzem efeito em relação à massa, estabelecimento (art. 149), encerrando-se a falência
como o pagamento de dívidas não vencidas e a com o cumprimento da concordata.
constituição de garantias reais (art. 52).
----------------------------------------------------------------
-----------------------------------------------------

SITUAÇÃO DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE


FALIDA: quem vai à falência é a sociedade falida e
não os sócios; dependendo do tipo de sociedade,
poderão ser arrecadados também os bens particulares A ANULAÇÃO DE CERTOS ATOS: certos atos
de certos sócios; por outro lado, os diretores, praticados pelo falido antes da falência podem ser
administradores, gerentes ou liquidantes são anulados ou revogados; em princípio, são revogáveis
equiparados ao devedor ou falido nas obrigações todos os atos realizados pelo devedor com a intenção
pessoais impostas pela Lei de Falências, como o de prejudicar credores mediante fraude; o art. 52
dever de prestar as informações necessárias e de não estabelece várias hipóteses em que os atos praticados
se ausentar do lugar da falência (art. 37), equiparam- não produzem efeito em relação à massa, ainda que
se eles também ao falido no que tange à não tenha havido intenção fraudulenta (ex: renúncia à
responsabilidade penal (art. 191). herança até 2 anos antes da declaração da falência).

A PERDA DA ADMINISTRAÇÃO DOS BENS: A CONTINUAÇÃO DO NEGÓCIO: o falido


com a falência o falido não perde a propriedade de normalmente tem que encerrar as suas atividades,
seus bens, perderá apenas o direito de disposição e mas, excepcionalmente, poderá o negócio continuar a
administração; quem passa a administrá-los é o funcionar durante certo tempo, mesmo após a
síndico, que relaciona o ativo e o passivo, vende-os e falência, quando nisso houver interesse para os
paga as dívidas; se houver sobras após a liquidação, credores; autorizada a continuação, será nomeado um
estas serão restituídas ao falido; da mesma forma, se
gerente, proposto pelo síndico, sendo que os negócios judicial (apuram-se os fatos que possam servir de
serão feitos só a dinheiro (art. 74). fundamento para a ação penal por crime falimentar).

O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE COISA ANDAMENTO DOS AUTOS


ARRECADADA EM PODER DO FALIDO (art.
76): quando seja devida em virtude de direito real
(ex: penhor) ou de contrato (ex: compra), mesmo que
a coisa já tenha sido alienada pela massa; das coisas
vendidas a crédito e entregues ao falido nos 15 dias = PRINCIPAIS =
anteriores ao requerimento da falência, se ainda não
alienadas pela massa. (com exceção das habilitações de crédito – "autos de
declarações de crédito" e do inquérito judicial –
"autos de inquérito judicial", que correm em autos
apartados, todos os outros assuntos da falência
correm nestes autos).
OS CONTRATOS DO FALIDO: os contratos
bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser
executados pelo síndico, se achar conveniente para a
massa; o contratante pode interpelar o síndico, para
que dentro de 5 dias, declare se cumpre ou não o 1ª fase: preliminar (ou declaratória) – vai do pedido
contrato; a declaração negativa ou o silêncio do inicial até a sentença que decreta a falência.
síndico, findo esse prazo, dá ao contratante o direito à
indenização, cujo valor, apurado em processo - requerimento (pedido inicial) – dá início aos autos
ordinário, constituirá crédito quirografário (art. 43). principais.

- pedido apresentado pelo devedor comerciante – o


juiz decretará imediatamente a falência, mediante a
OS CRIMES FALIMENTARES: se antes ou simples verificação dos pressupostos legais,
depois da falência o falido praticar certos atos tornando-se portanto extremamente curta a fase
previstos na lei (ex: desvio de bens), poderá ele ser preliminar (ou declaratória).
processado criminalmente; poderão ser também
incriminados vários outros participantes do processo - pedido apresentado por algum credor – a fase
falencial (arts. 186 a 199); na prática a maioria dos preliminar será mais dilatada, para a citação do
processos falimentares tem girado em torno dos art. devedor e a apresentação de sua defesa; a defesa terá
186, VI (irregularidades nos livros obrigatórios), 186, de ser apresentada dentro de 24 horas após a citação,
VII (ausência de rubrica do juiz nos balanços), 188, I podendo o devedor alegar qualquer motivo que
(simulação de capital), e III (desvio de bens), nessa extinga ou suspenda o cumprimento da obrigação -
ordem, com enorme preponderância do tipo citado ex: falsidade do título, prescrição, pagamento já
em primeiro lugar. realizado etc. (art. 4º); a defesa mais segura será a que
for acompanhada pelo depósito da quantia reclamada,
pois nesse caso, mesmo que os argumentos
apresentados pelo devedor não sejam aceitos pelo
INTERVENÇÃO E LIQUIDAÇÃO juiz, a falência não será declarada de forma nenhuma,
EXTRAJUDICIAL: no direito brasileiro certas limitando-se a discussão ao levantamento da quantia
empresas estão sujeitas a regime especial, de depositada, como se fosse uma simples "ação de
intervenção e liquidação extrajudicial; as leis sobre o cobrança" (art. 11, § 2º); mesmo após expirado o
assunto abrangem empresas dependentes de prazo de defesa, mas antes da sentença, o depósito
autorização especial para existir e que estão sob a elide a falência, por se evidenciar que não há
fiscalização permanente das autoridades. insolvência; depois da defesa, se houver, e das
providências necessárias, o juiz dará uma sentença
declarando ou não a falência, encerrando a fase
preliminar (ou declaratória).

FALÊNCIA: PROCEDIMENTO - sentença declaratória – conterá os requisitos do


artigo 14, § único, da Lei das Falências:
A falência processa-se em 3 autos, distintos porém
interdependentes; além dos autos principais, - nome do devedor.
formados com o pedido inicial, surgem na fase de
sindicância mais 2 outros autos paralelos, com
finalidades específicas: os autos de declarações de - hora da declaração.
crédito (examinam-se as habilitações de crédito
apresentadas pelos credores) e os autos de inquérito - fixação do termo legal (período suspeito).
- nomeação de um síndico (escolhido geralmente * as sociedades falidas serão representadas pelos seus
entre os maiores credores) diretores ou gerentes, os quais ficarão sujeitos a todas
as obrigações já mencionadas, sob pena de prisão.
- os prazos para os credores habilitarem os seus
créditos (varia entre 10 e 20 dias) * a lei assegura ao falido que for prestativo e
dedicado no cumprimento dos seus deveres o direito
- diligências convenientes aos interesses da massa de requerer ao juiz módica remuneração pelos
(podendo ordenar inclusive a prisão preventiva do serviços; se a massa comportar, a remuneração
falido) etc. poderá ser concedida pelo juiz, depois de ouvir, a
esse respeito, o síndico e o representante do MP.
- principais efeitos decorrentes:
c) quanto aos bens do falido:
a) quanto aos direitos dos credores:
- o devedor perde o direito de administrá-los e deles
dispor (abrange todos os bens do devedor, inclusive
- intervir, como assistente, em quaisquer ações ou direitos e ações; estão incluídos os já existentes à
incidentes em que a massa falida seja parte ou época da falência, como os posteriormente
interessada. adquiridos; não abrange os bens absolutamente
impenhoráveis, os bens dotais e dos particulares da
- fiscalização da administração da massa falida. mulher e dos filhos).

- examinar, em qualquer tempo, os livros e papéis do d) quanto aos contratos do falido:


falido e da administração da massa,
independentemente de autorização do juiz. - contratos bilaterais: a declaração da falência não
significa anulação pura e simples dos contratos que o
b) quanto à pessoa do falido (art. 34): falido mantinha com outras pessoas; os contratos
podem ser executados pelo síndico, caso julgue
- assinar termo de comparecimento ao processo, conveniente aos interesses da massa falida; se o
devendo declarar, na ocasião, as causas determinantes síndico resolver romper o contrato, cabe à outra parte
da falência, quando esta for requerida pelos credores. receber indenização por perdas e danos; a
indenização será apurada em processo judicial, e seu
valor constituirá "crédito quirografário" (sem
- depositar em Cartório os seus livros obrigatórios, a privilégio ou preferência de pagamento)
fim de serem entregues ao síndico.
- contratos de conta corrente (consistem no acordo
- não se ausentar do lugar da falência, sem motivo feito entre as partes para o envio e recebimento de
justo e autorização do juiz. mercadorias e valores, vencendo-se juros de ambos os
lados, e, no final, apurando-se o saldo): as contas
- comparecer a todos os atos do processo da falência. correntes do falido consideram-se encerradas no
momento da declaração da falência, verificando-se o
respectivo saldo.
- entregar, sem demora, todos os bens e documentos
ao síndico.
- as dívidas do falido: compensam-se as dívidas do
falido vencidas até o dia da declaração de falência,
- prestar, verbalmente ou por escrito, todas as
provenha o vencimento da própria sentença
informações solicitadas pelo juiz, síndico e demais
declaratória ou do término do prazo estipulado; não
interessados legais.
se compensam os créditos constantes de títulos ao
portador, os transferidos depois de decretada a
- auxiliar o síndico com zelo e lealdade. falência (salvo o caso de sucessão por morte), bem
como os créditos, ainda que vencidos antes da
- examinar a declaração de crédito apresentada. falência, transferidos ao devedor do falido, em
prejuízo da massa, quando já era conhecido o estado
de falência, embora não judicialmente declarado.
- assistir ao levantamento e à verificação do balanço e
exame dos livros.
* compensação: quando duas pessoas forem credoras
e devedoras uma da outra, as duas obrigações se
- examinar e dar parecer sobre as contas do síndico.
extinguem até onde se compensarem.

* se deixar de cumprir qualquer um dos deveres


acima relacionados, poderá ser preso por ordem do
juiz; esta prisão não pode ultrapassar 60 dias.
2ª fase: de sindicância (ou investigatória) – vai da despacho que resolve o destino do "inquérito
sentença declaratória de falência até o início da judicial".
liquidação; apuram-se os débitos e os créditos, bem
como a conduta do falido. - tanto pode chegar antes o "quadro geral de
credores" como a solução do "inquérito judicial",
- surge com a decretação da falência. dependendo tudo dos incidentes havidos nos
respectivos autos.
- o resumo da sentença declaratória será afixado à
porta do estabelecimento falido e remetido ao - em 5 dias após a chegada do último dos 2,
representante do MP, à Junta Comercial e outros apresentará o síndico o seu 2° relatório, que é
órgãos (em 24 horas). semelhante ao 1°, porém mais completo (art. 63,
XIX).
- o escrivão, por outro lado, comunica às estações
telegráficas e agências postais da cidade (em 3 horas) - dentro dos 5 dias seguintes ao do vencimento do
a decretação da falência e o nome do síndico, a quem prazo para a entrega, em Cartório, do 2° relatório do
daí em diante deverá ser entregue a correspondência síndico, poderá o falido requerer ao juiz que lhe seja
do falido. concedida a "concordata suspensiva", sendo
concedida, serão devolvidas a ele os seus bens,
- além disso, a sentença é imediatamente publicada suspendendo-se a falência; caso contrário, passa-se
no órgão oficial, providenciando o síndico para que para a 3° e última fase, a da liquidação.
também o seja nos jornais locais.

- o síndico nomeado deve assinar um termo de


compromisso e o falido um termo de 3ª fase: de liquidação
comparecimento.
- os bens arrecadados são vendidos judicialmente e o
- imediatamente, após o compromisso, deve o dinheiro assim obtido é distribuído,
síndico, com a assistência do representante do MP, proporcionalmente, entre os credores aprovados.
dirigir-se até o estabelecimento falido e proceder à
arrecadação de todos os bens e livros do falido, - os bens da massa só podem ser vendidos por leilão
lavrando um inventário do que foi arrecadado, ou por propostas, englobada ou separadamente (arts.
avaliando os bens em seguida; o falido será também 116, 117 e 118).
convidado a assistir à arrecadação.
- quem decide por uma dessas formas é o síndico,
- após a arrecadação, o síndico indica e o juiz nomeia salvo se assumirem a opção credores que representem
o perito contador, para proceder ao exame de 1/4 dos créditos habilitados (art. 122).
escrituração do falido.
- todavia, credores que representam 2/3 dos créditos
- o perito apresentará, em 2 vias, o laudo do exame habilitados podem autorizar qualquer forma de
procedido na contabilidade do devedor, examinando liquidação (art.123), mesmo não prevista na lei, como
o ativo e o passivo, bem como a regularidade da a venda por negociações particulares segundo a praxe
escrituração e a existência de eventuais indícios da comercial, organização de sociedade para assumir o
prática de crime falimentar. negócio do falido, cessão do ativo a terceiros etc.

- expirado o dobro do prazo para as habilitações (20 - os dissidentes serão pagos pela maioria, em
ou 40 dias), apresentará o síndico, em 24 horas, o seu dinheiro, na base da avaliação.
1° relatório, também em 2 vias, descrevendo
minuciosamente a situação da massa falida e a
conduta do falido (art. 103). - à medida que for entrando dinheiro com a venda dos
bens, o síndico fará a distribuição do mesmo entre os
credores aprovados, mediante rateios proporcionais,
- deve este relatório, que a lei chama de "exposição completando-se assim a fase de liquidação.
circunstanciada", vir acompanhado do laudo do perito
contador.
----------------------------------------------------------------
-----------------------------------------------------
- a 2ª via irá para os "autos principais"; a 1ª via e
documentos anexos servirão para a formação dos
"autos de inquérito judicial". ordem das preferências:

- nesse ponto os autos principais entram num - o síndico não distribuirá o dinheiro entre todos os
compasso de espera, aguardando que para eles venha credores ao mesmo tempo.
o resultado final dos autos paralelos, ou seja, ficam à
espera do "quadro geral de credores", elaborado nos - terá primeiro que chamar uma determinada classe de
autos paralelos de "declarações de créditos", e do credores, que serão pagos com preferência.
- só depois de pagos e satisfeitos todos os credores da = DE DECLARAÇÕES DE CRÉDITO =
1ª classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 2ª
classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 3ª classe, - na sentença declaratória o juiz marca o prazo de 10
e assim por diante. dias, no mínimo, e de 20 dias, no máximo, conforme
a importância da falência, para os credores
1° - créditos trabalhistas e acidentários (de acidente apresentarem as suas declarações de crédito (art. 14, §
de trabalho). único, V e art. 80).

2° - créditos fiscais (União, Estados, Municípios) e - este prazo começa a correr a partir da publicação da
parafiscais (INSS, FGTS, SENAI, SESI etc.). sentença declaratória por edital, contado da data da
primeira inserção no órgão oficial (art. 204, § único).
3° - encargos da massa (custas judiciais) – art. 124, §
1°. - no prazo marcado pelo juiz devem os credores
apresentar em Cartório, mediante recibo, declaração
4° - dívidas da massa (feitas pelo síndico) – art. 124, por escrito, em 2 vias, com a firma reconhecida na 1ª
§ 2°. via, mencionando a importância exata de seus
créditos (art. 82).
5° - créditos com direito real de garantia (penhor,
hipoteca). - cada credor terá de fazer a sua declaração
individual, não se admitindo declarações em
conjunto, salvo o caso do representante de
6° - créditos com privilégio especial sobre debenturistas, previsto no artigo 82, § 3º.
determinados bens (créditos por aluguel de prédio
locado ao falido, sobre o mobiliário respectivo).
- à 1ª via da declaração, o credor juntará o título de
crédito, em original.
7° - créditos com privilégio geral (debêntures).
- à medida que for recebendo as declarações de
8° - créditos quirografários (duplicatas, notas crédito, o escrivão entregará as 2ª vias ao síndico, e
promissórias, letras de câmbio, cheques etc.). organizará com as 1ª vias e documentos respectivos,
os "autos de declarações de crédito" (art. 83).
----------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------- - nesses autos, todas as declarações são colocadas em
conjunto, sendo errônea a autuação em separado de
- terminada esta fase, c/ a venda dos bens e a cada declaração.
distribuição proporcional do dinheiro, o síndico deve
prestar contas e apresentar o seu 3° e último relatório - só se houver posterior impugnação é que a
(art. 131), requerendo outrossim que o juiz arbitre a declaração e respectivos documentos serão
sua remuneração (art. 67). desentranhados e autuados em separado.

- em seguida o juiz profere a sentença de - autuam-se porém em separado as habilitações


encerramento da falência (nos termos da lei, a retardatárias que derem entrada em Cartório após o
falência deve estar encerrada dentro de 2 anos, a prazo legal.
partir da data da sua declaração (art. 132, § 1º).
- as 1ª vias e documentos ficam em Cartório, dentro
- o credor que não teve satisfeito o seu crédito, por dos autos apropriados, para exame dos interessados.
causa da pobreza da massa, pode pedir uma certidão
da quantia que ficou em aberto, para eventual
execução futura. - as 2ª vias ficam com o síndico, com as quais
realizará as seguintes diligências:
- embora se trate de hipótese rara, o encerramento da
falência pode ocorrer muito antes, não chegando às - exigirá do falido informações por escrito sobre cada
vezes o procedimento a passar por todas as fases declaração.
examinadas.
- fará o confronto da declaração com os livros, papéis
- para conseguir o "levantamento da falência", a e assentos do falido, procedendo ao extrato da conta
qualquer tempo e em qualquer fase, com a extinção do credor.
de suas obrigações, basta que o falido obtenha a
quitação ou a novação de todas as suas dívidas (art. - realizará as diligências que entender necessárias,
135 a 138). requerendo-as ao juiz, se for o caso.

- juntará os documentos que julgar pertinentes.


- dará seu parecer sobre cada declaração, no próprio = DE INQUÉRITO JUDICIAL =
corpo da mesma, juntado extrato de conta.
- nos crimes comuns, quando há indícios para tanto,
- tanto as informações do falido, como o parecer do faz-se em regra um inquérito policial para a apuração
síndico, serão dados na própria 2ª via de cada dos fatos; nos crimes falimentares, porém, o inquérito
declaração (art. 84, § 1º). preliminar é feito diretamente em juízo.

- considera-se desde logo impugnado o crédito - vimos que o síndico apresenta o seu 1° relatório (art.
quando a informação do falido ou o parecer do 103) em 2 vias; a 1ª via é autuada em separado,
síndico forem contrárias à sua legitimidade, juntamente com a 1ª via do laudo do perito contador,
importância ou classificação. formando-se então os "autos de inquérito judicial".

- podem o falido ou o síndico indicar as provas que - tanto o relatório como o laudo já conterão
julgarem necessárias para demonstrar a verdade do referências valiosas sobre a existência ou não de
alegado (art. 84, § 2º). indícios da prática de algum crime falimentar
(previstos no art. 186 e seguintes).
- terminadas as diligências, o síndico devolverá ao
Cartório as 2ª vias das declarações, devidamente - se não houver nenhum indício, e ninguém se
informadas, para serem juntadas aos "autos de manifestar, os autos de inquérito judicial serão
declaração de crédito". apensados aos autos principais, o que equivale ao
arquivamento.
- durante o prazo de 5 dias após a devolução das 2ª
vias, o credor habilitado pode também impugnar a - havendo indícios de crime, a apuração dos fatos se
habilitação de qualquer outro credor, sendo que o processará nesse autos, culminando, se for o caso,
impugnado, por sua vez, terá 3 dias para apresentar a com a formulação da denúncia pelo representante do
sua contestação à impugnação. MP.

- em seguida, vão os autos com vista ao representante - a denúncia é recebida pelo juiz cível da falência, em
do MP, pelo prazo de 5 dias. despacho fundamentado, e encaminhada ao juiz
criminal (no Estado de SP os crimes falimentares
- com o parecer deste, sobem os autos à conclusão e passaram para a competência do próprio juiz da
então o juiz toma duas séries de providências falência), para prosseguimento pelo rito ordinário,
funcionando porém perante o juízo criminal o mesmo
representante do MP da falência.
- julga por sentença os créditos não impugnados e as
impugnações que entender suficientemente
esclarecidas. - o escrivão certificará nos "autos principais" o
desfecho do "inquérito judicial": apensamento ou
denúncia.
- profere despacho nas impugnações restantes,
designando para cada uma audiência de verificação
de crédito e realização de provas. - o apensamento produz efeitos relevantes nos "autos
principais", destacando-se a faculdade de requerer
"concordata suspensiva", que então se oferece ao
- na audiência de verificação de crédito, que é de falido que não foi denunciado no "inquérito judicial".
instrução e julgamento e se realiza de acordo com o
roteiro exposto no artigo 95, o juiz ditará a sentença,
acolhendo ou repelindo a impugnação apresentada. - a ausência de denúncia do MP não impede que
qualquer credor habilitado promova a ação penal
(arts. 108, § único, e 194).
- finalmente, na conformidade das decisões do juiz, o
síndico elabora o "quadro geral de credores", que é
juntado aos "autos principais" e publicado no órgão
oficial.

- a habilitação do síndico tem rito especial, previsto


nos artigos 62, § único, e 85, § 1° e 2º. PROCEDIMENTOS FALIMENTARES
ESPECIAIS
- os credores retardatários podem habilitar-se na
forma do artigo 98; eles não sofrem nenhum
gravame, salvo a perda dos direitos aos rateios que já
tenham sido distribuídos (art. 98, § 4º). FALÊNCIA FRUSTADA: quando o síndico, na
arrecadação, não encontra bens do falido ou encontra
apenas bens de valor irrisório, insuficientes até para
as custas do processo; neste caso deve ele comunicar
o fato imediatamente ao juiz; publica-se então um
edital de aviso aos interessados (art. 75); se ninguém - em regra, ao invés de fazer nova escolha, o juiz
indicar a localização de bens, nem se candidatar a nomeará como síndico o próprio comissário (art. 162,
pagar as custas do prosseguimento normal, passa-se § 1°, II).
então para um rito especial, mais simplificado, o rito
da falência frustada; os poucos bens porventura - na rescisão de "concordata suspensiva", o juiz
arrecadados são vendidos desde logo, e o síndico ordenará que o síndico reassuma as suas funções (art.
apresenta apenas 1 único relatório, ao invés de 3; 151, § 3º).
paralisam-se os "autos de declaração de crédito";
suprime-se a fase de liquidação, vez que não há o que
liquidar; não se suprime porém o "inquérito judicial"; - o prazo de habilitações de crédito é marcado apenas
após a solução do inquérito (apensamento ou para os credores que não se habilitaram anteriormente
denúncia), o juiz encerra a falência. na concordata (arts. 153 e 162, § 1º, III).

FALÊNCIA SUMÁRIA: quando o valor dos ANDAMENTO DOS AUTOS


créditos declarados pelos credores é inferior a 100
vezes o salário mínimo, será a falência processada de
modo sumário (art. 200).
= PRINCIPAIS =
caracterizam o rito sumário:
(com exceção das habilitações de crédito – "autos de
- simplificação da verificação dos créditos, que são declarações de crédito" e do inquérito judicial –
todos julgados e aprovados numa única audiência "autos de inquérito judicial", que correm em autos
(art. 200,§ 2º). apartados, todos os outros assuntos da falência
correm nestes autos).
- não há "quadro geral de credores", que é substituído
pela sentença que aprova os créditos, dada na
audiência (art. 200, § 2º) .
1ª fase: preliminar (ou declaratória) – vai do pedido
- o síndico apresenta apenas 2 relatórios: inicial ("requerimento") até a sentença que decreta a
falência ("sentença declaratória").
- o 1° dentro de 48 horas após a audiência de
verificação de créditos (art. 200, §3º). 2ª fase: de sindicância (ou investigatória) – vai da
"sentença declaratória" de falência até o início da
- o 2º na fase final, na liquidação, após a prestação de "liquidação"; apuram-se os débitos e os créditos, bem
contas (art. 131). como a conduta do falido.

- não há alteração na fase de liquidação, que se fará 3ª fase: de liquidação


exatamente nos moldes comuns.
- os bens arrecadados são vendidos judicialmente e o
dinheiro assim obtido é distribuído,
proporcionalmente, entre os credores aprovados.
- FALÊNCIA INCIDENTE: quando a concordata
ou o pedido de concordata se transforma em falência; - os bens da massa só podem ser vendidos por leilão
ocorre na rescisão da "concordata preventiva" ou ou por propostas, englobada ou separadamente (arts.
"suspensiva", ou no decorrer do processamento do 116, 117 e 118).
pedido de "concordata preventiva", passando o
devedor da qualidade de concordatário para a - quem decide por uma dessas formas é o síndico,
qualidade de falido; é portanto uma falência de salvo se assumirem a opção credores que representem
decretação secundária, que incide sobre uma 1/4 dos créditos habilitados (art. 122).
concordata; a lei não estabelece fórmulas completas
para o andamento da falência incidente, mas apenas - todavia, credores que representam 2/3 dos créditos
algumas normas básicas, com amplas lacunas na habilitados podem autorizar qualquer forma de
seqüência das formalidades, que deverão ser liquidação (art.123), mesmo não prevista na lei, como
preenchidas pelo intérprete, de acordo com os a venda por negociações particulares segundo a praxe
princípios gerais; regra básica será o aproveitamento, comercial, organização de sociedade para assumir o
dentro do possível, dos atos que já foram realizados negócio do falido, cessão do ativo a terceiros etc.
na concordata; a verificação dos créditos, por
exemplo, feita na concordata, pode em regra ser
aproveitada na falência incidente; a sentença - os dissidentes serão pagos pela maioria, em
declaratória conterá os requisitos de praxe, porém dinheiro, na base da avaliação.
com as seguintes modificações:
- à medida que for entrando dinheiro com a venda dos da quantia que ficou em aberto, para eventual
bens, o síndico fará a distribuição do mesmo entre os execução futura.
credores aprovados, mediante rateios proporcionais,
completando-se assim a fase de liquidação. - embora se trate de hipótese rara, o encerramento da
falência pode ocorrer muito antes, não chegando às
---------------------------------------------------------------- vezes o procedimento a passar por todas as fases
----------------------------------------------------- examinadas.

ordem das preferências: - para conseguir o "levantamento da falência", a


qualquer tempo e em qualquer fase, com a extinção
- o síndico não distribuirá o dinheiro entre todos os de suas obrigações, basta que o falido obtenha a
credores ao mesmo tempo. quitação ou a novação de todas as suas dívidas (art.
135 a 138).
- terá primeiro que chamar uma determinada classe
de credores, que serão pagos com preferência.

- só depois de pagos e satisfeitos todos os credores da = DE INQUÉRITO JUDICIAL =


1ª classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 2ª
classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 3ª classe, - nos crimes comuns, quando há indícios para tanto,
e assim por diante. faz-se em regra um inquérito policial para a apuração
dos fatos; nos crimes falimentares, porém, o inquérito
1° - créditos trabalhistas e acidentários (de acidente preliminar é feito diretamente em juízo.
de trabalho).
- vimos que o síndico apresenta o seu 1° relatório (art.
2° - créditos fiscais (União, Estados, Municípios) e 103) em 2 vias; a 1ª via é autuada em separado,
parafiscais (autarquias - INSS, FGTS, SENAI, etc.). juntamente com a 1ª via do laudo do perito contador,
formando-se então os "autos de inquérito judicial".
3° - encargos da massa (custas judiciais) – art. 124, §
1°. - tanto o relatório como o laudo já conterão
referências valiosas sobre a existência ou não de
indícios da prática de algum crime falimentar
4° - dívidas da massa (feitas pelo síndico) – art. 124, (previstos no art. 186 e seguintes).
§ 2°.
- se não houver nenhum indício, e ninguém se
5° - créditos com direito real de garantia (penhor, manifestar, os autos de inquérito judicial serão
hipoteca). apensados aos autos principais, o que equivale ao
arquivamento.
6° - créditos com privilégio especial sobre
determinados bens (créditos por aluguel de prédio - havendo indícios de crime, a apuração dos fatos se
locado ao falido, sobre o mobiliário respectivo). processará nesse autos, culminando, se for o caso,
com a formulação da denúncia pelo representante do
7° - créditos com privilégio geral (debêntures). MP.

8° - créditos quirografários (duplicatas, notas - a denúncia é recebida pelo juiz cível da falência, em
promissórias, letras de câmbio, cheques etc.). despacho fundamentado, e encaminhada ao juiz
criminal (no Estado de SP os crimes falimentares
---------------------------------------------------------------- passaram para a competência do próprio juiz da
----------------------------------------------------- falência), para prosseguimento pelo rito ordinário,
funcionando porém perante o juízo criminal o mesmo
representante do MP da falência.
- terminada esta fase, c/ a venda dos bens e a
distribuição proporcional do dinheiro, o síndico deve
prestar contas e apresentar o seu 3° e último relatório - o escrivão certificará nos "autos principais" o
(art. 131), requerendo outrossim que o juiz arbitre a desfecho do "inquérito judicial": apensamento ou
sua remuneração (art. 67). denúncia.

- em seguida o juiz profere a sentença de - o apensamento produz efeitos relevantes nos "autos
encerramento da falência (nos termos da lei, a principais", destacando-se a faculdade de requerer
falência deve estar encerrada dentro de 2 anos, a "concordata suspensiva", que então se oferece ao
partir da data da sua declaração (art. 132, § 1º). falido que não foi denunciado no "inquérito judicial".

- o credor que não teve satisfeito o seu crédito, por - a ausência de denúncia do MP não impede que
causa da pobreza da massa, pode pedir uma certidão qualquer credor habilitado promova a ação penal
(arts. 108, § único, e 194).
devedor da qualidade de concordatário para a
qualidade de falido; é portanto uma falência de
decretação secundária, que incide sobre uma
concordata; a lei não estabelece fórmulas completas
para o andamento da falência incidente, mas apenas
PROCEDIMENTOS FALIMENTARES algumas normas básicas, com amplas lacunas na
ESPECIAIS seqüência das formalidades, que deverão ser
preenchidas pelo intérprete, de acordo com os
princípios gerais; regra básica será o aproveitamento,
dentro do possível, dos atos que já foram realizados
FALÊNCIA FRUSTADA: quando o síndico, na na concordata; a verificação dos créditos, por
arrecadação, não encontra bens do falido ou encontra exemplo, feita na concordata, pode em regra ser
apenas bens de valor irrisório, insuficientes até para aproveitada na falência incidente; a sentença
as custas do processo; neste caso deve ele comunicar declaratória conterá os requisitos de praxe, porém
o fato imediatamente ao juiz; publica-se então um com as seguintes modificações:
edital de aviso aos interessados (art. 75); se ninguém
indicar a localização de bens, nem se candidatar a - em regra, ao invés de fazer nova escolha, o juiz
pagar as custas do prosseguimento normal, passa-se nomeará como síndico o próprio comissário (art. 162,
então para um rito especial, mais simplificado, o rito § 1°, II).
da falência frustada; os poucos bens porventura
arrecadados são vendidos desde logo, e o síndico - na rescisão de "concordata suspensiva", o juiz
apresenta apenas 1 único relatório, ao invés de 3; ordenará que o síndico reassuma as suas funções (art.
paralisam-se os "autos de declaração de crédito"; 151, § 3º).
suprime-se a fase de liquidação, vez que não há o que
liquidar; não se suprime porém o "inquérito judicial";
após a solução do inquérito (apensamento ou - o prazo de habilitações de crédito é marcado apenas
denúncia), o juiz encerra a falência. para os credores que não se habilitaram anteriormente
na concordata (arts. 153 e 162, § 1º, III).

FALÊNCIA SUMÁRIA: quando o valor dos


créditos declarados pelos credores é inferior a 100
vezes o salário mínimo, será a falência processada de
modo sumário (art. 200). CONCORDATA

caracterizam o rito sumário:

- simplificação da verificação dos créditos, que são CONCEITO: processo que o comerciante pode
todos julgados e aprovados numa única audiência mover contra os seus "credores quirografários", para
(art. 200,§ 2º). obrigá-los a um prazo mais longo no pagamento ou
receber menos, a fim de permitir-lhe uma
- não há "quadro geral de credores", que é substituído reorganização econômica e evitar ("preventiva") ou
pela sentença que aprova os créditos, dada na suspender ("suspensiva") a falência.
audiência (art. 200, § 2º) .

- o síndico apresenta apenas 2 relatórios:


ALÉM DAS PESSOAS IMPEDIDAS DE
- o 1° dentro de 48 horas após a audiência de COMERCIAR, NÃO PODEM IMPETRAR
verificação de créditos (art. 200, §3º). CONCORDATA, AS SEGUINTES ENTIDADES:

- o 2º na fase final, na liquidação, após a prestação de - instituições financeiras, corretoras de títulos, de


contas (art. 131). valores e de câmbio, empresas seguradoras;

- não há alteração na fase de liquidação, que se fará - sociedades em conta de participação e sociedades
exatamente nos moldes comuns. irregulares;

- empresas de serviços aéreos.

- FALÊNCIA INCIDENTE: quando a concordata


ou o pedido de concordata se transforma em falência;
ocorre na rescisão da "concordata preventiva" ou OBSERVAÇÕES:
"suspensiva", ou no decorrer do processamento do
pedido de "concordata preventiva", passando o
* a concessão não depende da concordância ou da Serve para prevenir ou evitar a falência;
boa vontade dos credores. verificando que a empresa está à beira da insolvência,
mas ainda tem lastro suficiente para se salvar, pode o
* se o "concordatário" não cumprir a concordata, devedor comerciante conseguir o seu reajustamento
poderá o prejudicado pedir a sua rescisão – da econômico, requerendo ao juiz este tipo de
"preventiva" acarreta a falência do devedor e da concordata, antes que algum credor lhe requeira a
"suspensiva" acarreta o prosseguimento da falência, falência - a moeda será de 50% à vista, ou 60% em
que tinha sido apenas suspensa. 6 vezes, 75% em 12 meses, 90% em 18 meses,
100% em 24 meses, sendo que nas duas últimas
hipóteses, devem ser pagos pelo menos 2/5 (40%) no
* os credores posteriores à concordata não estão primeiro ano, o prazo começa a correr a partir do
impedidos de requerer a falência do "concordatário". "pedido"; ao ingressar em juízo, deve o requerente
expor minuciosamente o seu estado econômico e as
razões que justificam o "pedido", juntando os
seguintes elementos:

a) a proposta de pagamento (na forma anteriormente


ESPÉCIES: exposta);

b) o contrato social em vigor, em se tratando de


sociedade;

SUSPENSIVA
c) a prova de não ter título protestado;

Serve para suspender uma falência já decretada;


num determinado momento do processo de falência d) prova de exercício regular do comércio há mais de
(normalmente, em 5 dias seguintes ao do vencimento 2 anos (certidão da Junta Comercial);
do prazo para a entrega, em Cartório, do 2° relatório
do síndico), pode o falido que preencher certos e) prova de que não foi condenado por crime
requisitos, pedir ao juiz que lhe conceda este tipo de falimentar, furto, roubo, apropriação indébita,
concordata, propondo aos "credores quirografários", estelionato e outras fraudes;
por saldo de seus créditos, o pagamento de 35% à
vista ou 50% num prazo de até 2 anos; esta f) prova de que não impetrou concordata nos últimos
percentagem é a moeda da concordata, e com ela 5 anos;
estarão quitadas as dívidas quirografárias; se o pedido
for deferido pelo juiz, os bens são devolvidos ao
falido e ele volta a comerciar normalmente, apenas g) duas demonstrações financeiras, do último
com algumas restrições, referentes à venda de exercício e a levantada especialmente para instruir o
imóveis e à transferência de seu estabelecimento, pedido;
encerrando-se a falência com o cumprimento da
concordata; é processada nos próprios autos da h) ativo que corresponda a mais de 50% do passivo
falência; apresentando o pedido, vão os autos quirografário;
conclusos ao juiz, para a verificação dos requisitos
legais; a primeira condição para o processamento do i) a lista nominativa de todos os credores, com os
pedido é a ausência de denúncia ou de queixa endereços e quantias devidas a cada um;
recebida no inquérito judicial, caso o juiz tenha
recebido-as, ele será indeferido liminarmente;
verificará também se não existem os impedimentos j) os livros obrigatórios.
arrolados no artigo 140; estando o pedido em ordem,
o juiz mandará publicá-lo por edital, intimando os Se o "pedido" não estiver formulado nos termos da
credores de que durante 5 dias poderão opor lei, ou se não vier devidamente instruído com os
"embargos" à concordata, estes "embargos" só documentos necessários, ou estiver caracterizada a
poderão se fundamentar num dos motivos previstos fraude, o juiz decretará, em 24 horas, aberta a
no artigo 143; se não houver "embargos", ou se estes falência; a falência poderá ser decretada desde logo,
forem rejeitados, o juiz concederá a "concordata na inicial, e também em qualquer momento posterior,
suspensiva" por sentença, desde que atendidos os durante o andamento do "pedido" de concordata, se o
requisitos legais; mas se os "embargos" forem próprio devedor requerer a sua falência, se ficar
procedentes, ou se não foram preenchidos os provada a existência de qualquer dos impedimentos
requisitos legais, o juiz indeferirá o pedido, do artigo 140, a falta de qualquer das condições do
prosseguindo-se então na falência, com a liquidação. artigo 158, ou a inexatidão de qualquer dos
documentos mencionados no artigo 159, § único, se
não forem pagos certo impostos e contribuições (art.
174, I), se não forem depositadas as quantias que se
vencerem antes da sentença que conceder a
PREVENTIVA concordata (art. 175), se o juiz indeferir a concordata
(art. 176) etc.
Se o "pedido" estiver em ordem e acompanhado dos falência (na "concordata preventiva" cabe também o
documentos necessários, o juiz determinará o seu "pedido de restituição").
processamento mediante despacho próprio; esse
"despacho de processamento" não concede ainda a Se não houver impugnações, nem declarações de
"concordata preventiva", admite apenas o seu crédito em separado, o juiz simplesmente homologará
processamento; o "despacho de processamento" como quadro geral a lista nominativa dos "credores
produz vários efeitos importantes, chamados "efeitos quirografários", apresentada com a inicial, dentro de
pré-concordatícios"; dentre os "efeitos pré- 90 dias a contar do "despacho de processamento" da
concordatícios" podem ser apontados a suspensão de concordata.
ações e execuções contra o devedor, por "créditos
quirografários" e o vencimento antecipado das
dívidas quirografárias. Uma vez elaborado o "quadro geral de credores",
apresentará o "comissário" o seu "relatório" (único).
O "despacho de processamento" ordenará a
suspensão das ações contra o devedor por "créditos Entregue o "relatório", mandará o juiz publicar um
quirografários", nomeará um "comissário" (escolhido aviso aos credores, de que durante 5 dias poderão
de forma idêntica à do síndico), para fiscalizar as opor "embargos" à concordata, sendo que esses
atividades do devedor, que continuará a comerciar "embargos" só poderão fundamentar-se num dos
normalmente salvo as restrições do artigo 149, e motivos previstos no artigo 143; os "embargos" são
marcará o prazo de 10 a 20 dias para os "credores processados na forma do artigo 144, § único e
quirografários", porventura omitidos na relação seguintes.
inicial, apresentarem as suas declarações de crédito.
Se não houver "embargos", ou julgados
A nomeação do "comissário" obedecerá aos mesmos improcedentes os apresentados, o juiz concederá por
trâmites e requisitos previstos para a nomeação do sentença a "concordata preventiva", desde que
síndico (art. 161, § 1°, IV; art. 60); são diferenças presentes os requisitos legais; mas se houver
básicas entre o síndico e o "comissário": "embargos" julgados procedentes, ou se o devedor
não preencher os requisitos legais, o juiz decretará a
falência.
a) o síndico trabalha na falência; o "comissário" no
processamento da "concordata preventiva", até a sua
concessão; A desistência do pedido de "concordata
preventiva": pode o "concordatário" desistir da
concordata, desde que não haja má fé ou prejuízo aos
b) o síndico é um administrador; o "comissário" é credores, nem motivo legal para a decretação da
apenas um fiscal. falência; entende-se de má fé o pedido de desistência
feito para eximir-se do depósito das prestações; se o
Após o "despacho de processamento", publica-se um pedido de desistência for apresentado depois do
edital para conhecimento dos credores. O despacho que determinou o processamento da
"comissário" presta compromisso entrando desde concordata, deverão ser publicados editais, na forma
logo no exercício de suas funções, expedindo avisos e do artigo 205, dando ciência aos credores da
circulares aos credores e fiscalizando o procedimento desistência, para que possam manifestar-se em prazo
do devedor. designado; da decisão que homologa a desistência
cabe "apelação".
Na "concordata preventiva" a verificação dos
créditos é feita da mesma forma como na falência; a O cumprimento da "concordata preventiva": o
única diferença é que na concordata não precisam prazo para o cumprimento da "concordata
habilitar-se todos os credores, mas apenas os preventiva" inicia-se na data em que o devedor
quirografários que foram omitidos na relação inicial. ingressa com o "pedido" em juízo; deve o
"concordatário", sob pena de decretação de falência,
Os créditos não impugnados, desde que relacionados depositar em dinheiro as quantias correspondentes às
na inicial, são automaticamente incluídos no "quadro prestações que se vencerem antes da sentença que
geral de credores", independentemente de declaração concede a concordata, até o dia imediato ao dos
e verificação, no valor indicado pelo devedor. respectivos vencimentos; os depósitos independem do
"quadro geral de credores" e de cálculo do contador
do juízo, cabendo ao "concordatário" efetuá-los com
Vemos assim que o "quadro geral de credores" é base na lista inicial de "credores quirografários",
elaborado com base na relação nominativa inicial, bem como nas sentenças que aprovarem outros
dos credores sujeitos à concordata, bem como nas créditos não relacionados;
sentenças do juiz, proferidas em impugnações, ou
declarações de créditos (só os "credores
quirografários" estão sujeitos à concordata; os ----------------------------------------------------------------
credores privilegiados não são por ela atingidos). -----------------------------------------------------

O "quadro geral de credores", na "concordata Art. 140. Não pode impetrar concordata:
preventiva", é elaborada nos próprios autos
principais, e não em autos paralelos como ocorre na
I - o devedor que deixou de arquivar, registrar ou garantia será computado tão-somente pelo que
inscrever no registro do comércio os documentos e exceder da importância dos créditos garantidos.
livros indispensáveis ao exercício legal do comércio;
III - não ser falido ou, se o foi, estarem declaradas
II - o devedor que deixou de requerer a falência no extintas as suas responsabilidades;
prazo legal;
IV - não ter título protestado por falta de pagamento.
III - o devedor condenado por crime falimentar, furto,
roubo, apropriação indébita, estelionato e outras
fraudes, concorrência desleal, falsidade, peculato,
contrabando, crime contra o privilégio de invenção
ou marcas de indústria e comércio e crime contra a
economia popular;
CONCORDATA
IV- o devedor que há menos de 5 anos houver
impetrado igual favor ou não tiver cumprido CONCEITO: processo que o comerciante pode
concordata há mais tempo requerida. mover contra os seus "credores quirografários", para
obrigá-los a um prazo mais longo no pagamento ou
---------------------------------------------------------------- receber menos, a fim de permitir-lhe uma
----------------------------------------------------- reorganização econômica e evitar ("preventiva") ou
suspender ("suspensiva") a falência.
Art. 141. O devedor que exercer individualmente o
comércio é dispensados dos requisitos I e II, se o seu ALÉM DAS PESSOAS IMPEDIDAS DE
passivo quirografário for inferior a 100 vezes o maior COMERCIAR, NÃO PODEM IMPETRAR
salário mínimo vigente no país. CONCORDATA, AS SEGUINTES ENTIDADES:

---------------------------------------------------------------- - instituições financeiras, corretoras de títulos, de


----------------------------------------------------- valores e de câmbio, empresas seguradoras;

Art. 143. São fundamentos de "embargos" à - sociedades em conta de participação e sociedades


concordata: irregulares;

I - sacrifício dos credores maior do que a liquidação - empresas de serviços aéreos.


na falência ou impossibilidade evidente de ser
cumprida a concordata, atendendo-se, em qualquer OBSERVAÇÕES:
dos casos, entre outros elementos, à proporção entre o
valor do ativo e a percentagem oferecida;
* a concessão não depende da concordância ou da
boa vontade dos credores.
II - inexatidão do relatório, laudo e informação do
síndico, ou do "comissário", que facilite a concessão
* se o "concordatário" não cumprir a concordata,
da concordata;
poderá o prejudicado pedir a sua rescisão - da
"preventiva" acarreta a falência do devedor e da
III - qualquer ato de fraude ou de má fé que influa na "suspensiva" acarreta o prosseguimento da falência,
formação da concordata. que tinha sido apenas suspensa.

§ único. Tratando-se de "concordata preventiva", * os credores posteriores à concordata não estão


constituirá fundamentos para os embargos a impedidos de requerer a falência do "concordatário".
ocorrência de fato que caracterize crime falimentar.
ESPÉCIES:
----------------------------------------------------------------
-----------------------------------------------------
SUSPENSIVA

Art. 158. Não ocorrendo os impedimentos


Serve para suspender uma falência já decretada;
enumerados no art. 140, cumpre ao devedor satisfazer
num determinado momento do processo de falência
as seguintes condições:
(normalmente, em 5 dias seguintes ao do vencimento
do prazo para a entrega, em Cartório, do 2° relatório
I - exercer regularmente o comércio há mais de 2 do síndico), pode o falido que preencher certos
anos; requisitos, pedir ao juiz que lhe conceda este tipo de
concordata, propondo aos "credores quirografários",
II - possuir ativo cujo valor corresponda a mais de por saldo de seus créditos, o pagamento de 35% à
50% do seu passivo quirografário; na apuração desse vista ou 50% num prazo de até 2 anos; esta
ativo, o valor dos bens que constituam objeto de percentagem é a moeda da concordata, e com ela
estarão quitadas as dívidas quirografárias; se o pedido I - sacrifício dos credores maior do que a liquidação
for deferido pelo juiz, os bens são devolvidos ao na falência ou impossibilidade evidente de ser
falido e ele volta a comerciar normalmente, apenas cumprida a concordata, atendendo-se, em qualquer
com algumas restrições, referentes à venda de dos casos, entre outros elementos, à proporção entre o
imóveis e à transferência de seu estabelecimento, valor do ativo e a percentagem oferecida;
encerrando-se a falência com o cumprimento da
concordata; é processada nos próprios autos da II - inexatidão do relatório, laudo e informação do
falência; apresentando o pedido, vão os autos síndico, ou do "comissário", que facilite a concessão
conclusos ao juiz, para a verificação dos requisitos da concordata;
legais; a primeira condição para o processamento do
pedido é a ausência de denúncia ou de queixa
recebida no inquérito judicial, caso o juiz tenha III - qualquer ato de fraude ou de má fé que influa na
recebido-as, ele será indeferido liminarmente; formação da concordata.
verificará também se não existem os impedimentos
legais; estando o pedido em ordem, o juiz mandará § único. Tratando-se de "concordata preventiva",
publicá-lo por edital, intimando os credores de que constituirá fundamentos para os embargos a
durante 5 dias poderão opor "embargos" à ocorrência de fato que caracterize crime falimentar.
concordata, estes "embargos" só poderão se
fundamentar num dos motivos previstos em lei; se ----------------------------------------------------------------
não houver "embargos", ou se estes forem rejeitados, -----------------------------------------------------
o juiz concederá a "concordata suspensiva" por
sentença, desde que atendidos os requisitos legais;
mas se os "embargos" forem procedentes, ou se não Art. 158. Não ocorrendo os impedimentos
foram preenchidos os requisitos legais, o juiz enumerados no art. 140, cumpre ao devedor satisfazer
indeferirá o pedido, prosseguindo-se então na as seguintes condições:
falência, com a liquidação.
I - exercer regularmente o comércio há mais de 2
---------------------------------------------------------------- anos;
---------------------
II - possuir ativo cujo valor corresponda a mais de
Art. 140. Não pode impetrar concordata: 50% do seu passivo quirografário; na apuração desse
ativo, o valor dos bens que constituam objeto de
garantia será computado tão-somente pelo que
I - o devedor que deixou de arquivar, registrar ou exceder da importância dos créditos garantidos.
inscrever no registro do comércio os documentos e
livros indispensáveis ao exercício legal do comércio;
III - não ser falido ou, se o foi, estarem declaradas
extintas as suas responsabilidades;
II - o devedor que deixou de requerer a falência no
prazo legal;
IV - não ter título protestado por falta de pagamento.
III - o devedor condenado por crime falimentar, furto,
roubo, apropriação indébita, estelionato e outras ----------------------------------------------------------------
fraudes, concorrência desleal, falsidade, peculato, -----------------------------------------------------
contrabando, crime contra o privilégio de invenção
ou marcas de indústria e comércio e crime contra a PREVENTIVA
economia popular;

IV- o devedor que há menos de 5 anos houver


impetrado igual favor ou não tiver cumprido
pedido devidamente instruído e relação de
concordata há mais tempo requerida.
credores

----------------------------------------------------------------
o juiz decreta a falência se o pedido ao juiz
-----------------------------------------------------

for irregular ou houver fraude


Art. 141. O devedor que exercer individualmente o
comércio é dispensados dos requisitos I e II, se o seu
passivo quirografário for inferior a 100 vezes o maior
salário mínimo vigente no país.
despacho de processamento
----------------------------------------------------------------
----------------------------------------------------- em separado

Art. 143. São fundamentos de "embargos" à compromisso do comissário


concordata:
impugnações de créditos relaciona- dos na inicial (os razões que justificam o "pedido", juntando os
não impugnados incluem-se automaticamente no seguintes elementos:
"quadro geral de credores")
a) a proposta de pagamento (na forma anteriormente
avisos do comissário exposta);

designação do perito b) o contrato social em vigor, em se tratando de


sociedade;
verificação de créditos omitidos p/ devedor mas
declarados p/interessados c) a prova de não ter título protestado;

compasso de espera d) prova de exercício regular do comércio há mais de


2 anos (certidão da Junta Comercial);
elaboração do "quadro geral de credores"
e) prova de que não foi condenado por crime
relatório falimentar, furto, roubo, apropriação indébita,
estelionato e outras fraudes;

f) prova de que não impetrou concordata nos últimos


5 anos;
o juiz decreta a falência se ainda não conclusos ao
juiz
g) duas demonstrações financeiras, do último
exercício e a levantada especialmente para instruir o
houve pgto dos impostos e do INSS pedido;

aviso aos credores p/ embargos - 5 dias h) ativo que corresponda a mais de 50% do passivo
quirografário;
não há embargos há embargos
i) a lista nominativa de todos os credores, com os
(oferecidos pelos credores) endereços e quantias devidas a cada um;

contestação em 48 horas j) os livros obrigatórios.

deferimento das provas - a falência poderá ser decretada desde logo, na


inicial, e também em qualquer momento posterior.
conclusos ao juiz audiência de instrução e julgamento
- o despacho de processamento não concede ainda a
------------------------------------ "concordata preventiva", admite apenas o seu
------------------------------ processamento; produzirá vários efeitos importantes,
chamados "efeitos pré-concordatícios" (ex.: a
suspensão de ações e execuções contra o devedor, por
o juiz concede a concordata SENTENÇA o juiz "créditos quirografários" e o vencimento antecipado
decreta a falência das dívidas quirografárias), nomeará um comissário
(escolhido de forma idêntica à do síndico, a diferença
------------------------------------ entre eles, é que o síndico trabalha na "falência" e é
------------------------------ um administrador, enquanto o comissário trabalha no
processamento da "concordata preventiva" até a sua
concessão, sendo apenas um fiscal das atividades do
PREVENTIVA
devedor, que continuará a comerciar normalmente
salvo as restrições previstas em lei).
Serve para prevenir ou evitar a falência;
verificando que a empresa está à beira da insolvência,
- após o despacho de processamento, publica-se um
mas ainda tem lastro suficiente para se salvar, pode o
edital para conhecimento dos credores; o comissário
devedor comerciante conseguir o seu reajustamento
presta compromisso entrando desde logo no exercício
econômico, requerendo ao juiz este tipo de
de suas funções, expedindo avisos e circulares aos
concordata, antes que algum credor lhe requeira a
credores e fiscalizando o procedimento do devedor.
falência - a moeda será de 50% à vista, ou 60% em
6 vezes, 75% em 12 meses, 90% em 18 meses,
100% em 24 meses, sendo que nas duas últimas - na "concordata preventiva" a verificação dos
hipóteses, devem ser pagos pelo menos 2/5 (40%) no créditos é feita da mesma forma como na falência; a
primeiro ano, o prazo começa a correr a partir do única diferença é que na concordata não precisam
"pedido"; ao ingressar em juízo, deve o requerente habilitar-se todos os credores, mas apenas os
expor minuciosamente o seu estado econômico e as quirografários que foram omitidos na relação inicial.
- os créditos não impugnados, desde que relacionados
na inicial, são automaticamente incluídos no quadro
geral de credores, independentemente de declaração
e verificação, no valor indicado pelo devedor.

- o quadro geral de credores, na "concordata


preventiva", é elaborada nos próprios autos
principais, e não em autos paralelos como ocorre na
"falência" (na "concordata preventiva" cabe também
o "pedido de restituição"); se não houver
impugnações, nem declarações de crédito em
separado, o juiz simplesmente homologará como
quadro geral a lista nominativa dos "credores
quirografários", apresentada com a inicial, dentro de
90 dias a contar do despacho de processamento da
concordata.

- elaborado o quadro geral de credores, o


comissário apresentará o seu relatório (único).

- entregue o relatório ao juiz, ele mandará publicar


um aviso aos credores para embargos, de que
durante 5 dias poderão opor embargos à concordata,
fundamentados nos motivos previstos em lei.

- não havendo embargos, ou julgados improcedentes


os apresentados, o juiz concederá por sentença a
"concordata preventiva", desde que presentes os
requisitos legais,

- se houver embargos julgados procedentes, ou se o


devedor não preencher os requisitos legais, o juiz
decretará a "falência".

A desistência do pedido de "concordata


preventiva": pode o "concordatário" desistir da
concordata, desde que não haja má fé ou prejuízo aos
credores, nem motivo legal para a decretação da
falência; entende-se de má fé o pedido de desistência
feito para eximir-se do depósito das prestações; se o
pedido de desistência for apresentado depois do
despacho que determinou o processamento da
concordata, deverão ser publicados editais, dando
ciência aos credores da desistência, para que possam
manifestar-se em prazo designado; da decisão que
homologa a desistência cabe "apelação".

O cumprimento da "concordata preventiva": o


prazo para o cumprimento da "concordata
preventiva" inicia-se na data em que o devedor
ingressa com o "pedido" em juízo; deve o
"concordatário", sob pena de decretação de falência,
depositar em dinheiro as quantias correspondentes às
prestações que se vencerem antes da sentença que
concede a concordata, até o dia imediato ao dos
respectivos vencimentos; os depósitos independem do
"quadro geral de credores" e de cálculo do contador
do juízo, cabendo ao "concordatário" efetuá-los com
base na lista inicial de "credores quirografários",
bem como nas sentenças que aprovarem outros
créditos não relacionados;