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Jordanna Marissa Coimbra Rodrigues Peixoto

OAB/MG 144.520

EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUIZA DE DIREITO DA VARA
ÚNICA

DA

COMARCA

DE

BONFINÓPOLIS

DE

MINAS/MG

Processo n.º

VVVVVVVVVVVVVVV, menor impúbere, representada
por sua genitora XXXXXXXXXXXXXXXXX, já qualificada nos autos
da Ação Negatória de Paternidade, promovida por Roberto Carlos
Bispo da Fonseca, vem respeitosamente, através de defensora dativa
devidamente nomeada às fls. 109/109v, perante Vossa Excelência,
apresentar
ALEGAÇÕES FINAIS
aduzindo, para tanto, o que se segue:
Pretende
declaração

da

o autor

nulidade

da

da

presente demanda

paternidade

da

menor

obter

a

Cássia,

e

conseqüentemente a nulidade do registro civil assentado em cartório,
bem

como

a

cessação

do

vínculo

paternal

com

a

menor,

fundamentando sua pretensão em um exame de DNA juntado aos
autos.
Entretanto, não obstante ao exame de DNA, diga-se de
passagem, realizado de forma particular, sem o conhecimento da

jordannamarissacrp@gmail.com / (38) 99732609

e tais laços jamais desaparecem. Aliás. três são os tipos de parentesco existentes em nosso Código Civil: a consanguinidade. o civil e a afinidade. as relações baseadas no afeto e carinho são menos importantes do que as jordannamarissacrp@gmail. Negar que. Há valores que passaram a ter maior relevância.520 genitora.com / (38) 99732609 . 227. educa e forma um ser humano. Passou. atualmente. consolidou-se uma necessária mudança na conceituação de pai e de filho. A relação de filiação é o vínculo mais importante da união e aproximação das pessoas. a ter força nos Fóruns e Tribunais a máxima popular 'pai é aquele que cria'. assim. A partir do parâmetro acima. o estado de filiação que caracteriza o 'filho' é dado àquele que assumiu todos os deveres/obrigações oriundos da paternidade. a paternidade sócio-afetiva não pode ser deixada de lado. deve ser observado e aplicado o princípio do melhor interesse da criança em causas como esta. relativamente a quem cria. o qual vai além dos laços de sanguíneos. adquirindo preponderância o fato da criação do filho. segundo seu art. Passou a ter uma nova conceituação o estado de filho. não basta tão somente o fato fisiológico da fecundação. porquanto se revelam mais perenes e profundos que qualquer outro relacionamento. tornando-se o mais puro elemento exigido para a configuração da 'relação de parentesco'. Assim.Jordanna Marissa Coimbra Rodrigues Peixoto OAB/MG 144. convive. Portanto. tanta relevância que chegam a se sobrepor à filiação natural e biológica. o estado de filiação que passou a dominar é o estado de filiação sócio-afetiva. Conforme se firmou no direito que trata da filiação. passando-se a ser dada fundamental atenção ao instituto da sócio-afetividade. e sob esta ótica. Constitui um liame que nasce instintivamente e se prolonga ao longo da vida dos seres humanos. Com o advento da Constituição de 1988.

constata-se a existência da paternidade sócio-afetiva entre o Requerente e a menor.. o sentimento existente entre eles: melhor pai ou mãe nem sempre é aquele que biologicamente ocupa tal lugar.com / (38) 99732609 .) que já chegou a passar finais de semana inteiro com ele. que passou parte das férias com ele. uma vez que a criação do filho surge por circunstâncias alheias à imposição legal/natural que a paternidade impõe. (.. que já morou em Bonfinópolis e quando ele morava aqui tinha mais contato.. extrai-se do depoimento da menor juntado aos autos às fls.520 sanguíneas constituem em erro.. também podemos extrair indícios da sócio-afetividade da menor em relação ao Requerente: “(. mas devem ser considerados todos os elementos envolvidos.. A filiação biológica não está mais em pé de superioridade. 155.) que ele (Roberto Carlos) a pegava para passear aos finais de semana..) que se a ação fosse julgada procedente a Cássia ficaria sem pai. que a Cássia gosta do Roberto(.... que a mesma considera o Requerente seu pai: “(. (. de amor. que foi para a casa de Roberto nas férias do ano passado ou retrasado. mas a pessoa que exerce tal função..) que gosta de Roberto.) que considera Roberto seu pai...” No depoimento da genitora. tendo como fundamento o afeto.. Trata-se do vínculo que decorre da relação sócio-afetiva constatada entre filhos e pais. tendo em vista que o vínculo de filiação não deve ser baseado unicamente no aspecto biológico.) que sempre tem contato com Roberto. substituindo o vínculo biológico pelo afetivo. No caso dos autos.. devendo ser este vínculo preservado.)” Dessa forma. (.Jordanna Marissa Coimbra Rodrigues Peixoto OAB/MG 144. carinho e jordannamarissacrp@gmail. (. falava com ele por telefone.

ou seja. Assim. mantendo o registro da menor Cássia nos termos atuais.520 jordannamarissacrp@gmail. preservando a vinculo paterno firmado. em razão de todo o exposto.520 cuidado. a base de qualquer relação. Bonfinópolis de Minas/MG. ____________________________________________ Jordanna Marissa Coimbra Rodrigues Peixoto OAB/MG 144. Pede deferimento. deve a presente ação ser julgada improcedente. Termos em que. no atual Direito de Família.Jordanna Marissa Coimbra Rodrigues Peixoto OAB/MG 144. que é.com / (38) 99732609 . dar a devida importância ao afeto nas relações. 01 de agosto de 2014.