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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Ciências Sociais
Faculdade de Direito

Carlos Alexandre de Azevedo Campos

Da Inconstitucionalidade por Omissão ao “Estado de Coisas Inconstitucional”

Rio de Janeiro
2015

1

Carlos Alexandre de Azevedo Campos

Da Inconstitucionalidade por Omissão ao “Estado de Coisas Inconstitucional”

Tese apresentada, como requisito parcial para
obtenção do título de Doutor, ao Programa de
Pós-graduação em Direito, da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração:
Cidadania, Estado e Globalização (Direito
Público).

Orientador: Prof. Dr. Daniel Antonio de Moraes Sarmento

Rio de Janeiro
2015

2

Carlos Alexandre de Azevedo Campos

Da Inconstitucionalidade por Omissão ao “Estado de Coisas Inconstitucional”

Tese apresentada, como requisito parcial para
obtenção do título de Doutor, ao Programa de
Pós-graduação em Direito, da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro. Área de concentração:
Cidadania, Estado e Globalização (Direito
Público).

Aprovado em 20 de março de 2015:
Banca Examinadora:

________________________________________________
Prof. Dr. Daniel Antonio de Moraes Sarmento (Orientador)
Faculdade de Direito da UERJ
________________________________________________
Prof. Dr. Luís Roberto Barroso
Faculdade de Direito da UERJ
________________________________________________
Prof. Dr. Rodrigo Brandão Viveiros Pessanha
Faculdade de Direito da UERJ

________________________________________________
Prof. Dr. Carlos Ayres Britto
Faculdade de Direito da UNICEUB
________________________________________________
Prof. Dr. Eduardo Bastos Furtado de Mendonça
Faculdade de Direito da UNICEUB

Rio de Janeiro
2015

3

DEDICATÓRIA

Ao meu pai, Ricardo Quitete de Campos, sempre.

4

AGRADECIMENTOS
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o Diretor da Pós-Graduação, Professor
Doutor Ricardo Lodi e a Sra. Sônia Leitão, merecem toda minha gratidão por terem
oportunizado uma estrutura fantástica para o aprendizado que tive durante o curso.
Sou muito grato também pela oportunidade única que tive de participar das aulas de
professores como Gustavo Binembojm, Jane Reis e Gustavo Gama.
Devo agradecimento todo especial ao Professor Daniel Sarmento, meu orientador. A
atenção que ele reservou para mim, a generosidade e a entrega acadêmica foram determinantes
para a confecção deste trabalho.
Não posso deixar de agradecer o apoio dos meus amigos do Gabinete do Ministro Marco
Aurélio, do Supremo, e que estão presentes no dia a dia comigo na capital federal. Vou omitir
nomes para não cometer injustiças.
À minha família, devo tudo. Aos meus avós, Alexandre e Lourdes, Carlos e Neusa, os
três primeiros já no plano espiritual, que me ensinaram e ainda me ensinam tudo sobre o amor
e o carinho. Minha avó Neusa nos encherá de alegria por muitos anos ainda. Aos meus tios e
primos, principalmente minha tia-madrinha Lícia, que sempre foram como pais e irmãos para
mim. Aos meus irmãos, Karina e André que, juntos, somos um só, cada um à sua maneira.
Ao meu pai Ricardo, que nunca será esquecido. Foi o homem mais honrado que conheci
e me ensinou tudo o que sei sobre honestidade, o valor do trabalho e da família. Sua presença
faz uma falta que não se mede e palavra nenhuma descreve. À minha mãe, Tânia, cuja
importância em minha vida também não se descreve em palavras. Sempre me encheu de amor
e de lições sobre o amor à família e aos amigos. Se meu pai me forjou o caráter, minha mãe
alimentou meu espírito com sua bondade e carinho infinito.
À minha amada esposa, Ana Lúcia, eu devo não só gratidão, mas desculpas. Privei-a de
companhia, de carinho e de amor durante os momentos mais tensos da elaboração da tese.
Apesar disso, ela nunca deixou de ser compreensiva, dedicada e carinhosa. Nos momentos
verdadeiramente difíceis, a certeza de nosso amor e seu principal fruto, Ana Luiza, nossa linda
filha, foram decisivos para que eu seguisse sempre firme.
A Deus, sempre.

NELSON MANDELA .5 “Se quiseres conhecer a situação socioeconômica do país visite os porões de seus presídios”.

sem dúvida. a Corte passa a adotar remédios estruturais dirigidos a superar esse quadro negativo. Ao assim decidir. A omissão inconstitucional é um tema desafiador. 2015. Todavia. Tese de Doutorado em Direito Público. Defendo aqui essa proposta como uma possibilidade para o Brasil e a atuação do Supremo Tribunal Federal. O sistema carcerário brasileiro é exemplo de um estado de coisas inconstitucional que requer intervenção judicial da espécie. Presente violação massiva de direitos fundamentais decorrente de omissões caracterizadas como falhas estruturais. Este trabalho é dedicado a revisar os pressupostos de sua configuração. esse comportamento judicial pode ser legítimo se presentes os pressupostos próprios do estado de coisas inconstitucional e o Tribunal formular decisões flexíveis. de exemplo de ativismo judicial em sua dimensão estrutural. Carlos Alexandre de Azevedo.6 RESUMO CAMPOS. a Corte Constitucional colombiana declara a vigência de um estado de coisas inconstitucional. Faculdade de Direito – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. determinando a formulação e implementação de políticas públicas. buscando explicar a possibilidade de a omissão implicar um estado de coisas inconstitucional. mas deixando aos poderes políticos a tarefa de definir o conteúdo e os meios dessas políticas. Trata-se. Palavras-chave: Omissão inconstitucional – “estado de coisas inconstitucional” – ativismo judicial estrutural – diálogos institucionais – sistema carcerário brasileiro . Da Inconstitucionalidade por Omissão ao “Estado de Coisas Inconstitucional”.

Tese de Doutorado em Direito Público. Keywords: unconstitutional omission – “unconstitutional state of fairs” – structural judicial activism – institutional dialogues – Brazilian prison system. the Court embraces structural remedies towards to overcome the negative picture. Carlos Alexandre de Azevedo. If there is massive violation of human rights resulting from omissions typified like structural failures. Brazilian prison system is an example of unconstitutional state of fairs requests judicial intervention like this. When does it. However. I defend here this technical like a possibility for Brazil and Supremo Tribunal Federal. the Colombian Constitutional Court declares an unconstitutional state of fairs. 2015. The unconstitutional omission is a challenging subject. this judicial attitude can be legitimate if involved the unconstitutional state of fairs’ assumptions and the Tribunal makes flexible decisions.7 ABSTRACT CAMPOS. This research is intended to review the assumptions of its configuration. but allowing politic powers to shape the policies. Da Inconstitucionalidade por Omissão ao “Estado de Coisas Inconstitucional”. That´s an example of judicial activism in its structural dimension. trying to explain how omission can become an “unconstitutional state of fairs”. . ordering be created and implemented public policy. Faculdade de Direito – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

..................................................... Propósitos da tese ................8 DA INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO AO “ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL” SUMÁRIO INTRODUÇÃO 1................................. 30 5.................................. A evolução da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ........... 24 2.......................... A evolução da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ............ 15 3........................................................ 51 7.........................2........................ 22 CAPÍTULO I – OMISSÃO INCONSTITUCIONAL – A VISÃO TRADICIONAL DA DOUTRINA BRASILEIRA E A EVOLUÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STF 1.............. O controle judicial da omissão legislativa relativa ...........................................3............. A necessidade de revisão da concepção tradicional ........................ 38 6........ 54 CAPÍTULO II – OS EQUÍVOCOS E INSUFICIÊNCIAS DA DOUTRINA TRADICIONAL BRASILEIRA – A TUTELA DEFICIENTE DE DIREITOS FUNDAMENTAIS COMO OMISSÃO INCONSTITUCIONAL 1......... 41 6................................................................. Espécies de omissão legislativa inconstitucional . Ação direta de inconstitucionalidade por omissão .................................. 43 6. Mandado de Injunção ................... 26 3................................................................................... Os limites da evolução da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ......................... Problematizando a omissão inconstitucional ... 46 6.... Conceito e pressupostos da omissão legislativa inconstitucional ................................................................................................ Estrutura da tese ......................................... A concepção tradicional da doutrina brasileira ......1....... A relevância da inconstitucionalidade por omissão legislativa . 30 4.... 57 ..... 13 2...

........1.................. O escopo é a concretização da Constituição como um todo............. Consequências político-institucionais dramáticas.................... A questão das falhas estruturais: a inconstitucionalidade por omissão revisitada e ampliada ......................2.......1..................... 95 2..........................................1................... 94 O controle das práticas políticas e das ações dos Poderes Executivo e Legislativo ..............1.... 93 2......................... 97 2.... 100 2......... Direitos fundamentais em sua dimensão objetiva e deveres de proteção...... não de estrutura dos enunciados normativos ...1................................ 73 6......................................................... O controle de constitucionalidade da reeleição presidencial .............................. 2.......... 63 4..................... A promoção dos direitos fundamentais....................... não de preceitos constitucionais particulares ....... Um novo olhar: a tutela legislativa insuficiente de direitos fundamentais como omissão legislativa inconstitucional ....2....1.2........... O caso dos devedores hipotecários . O reconhecimento judicial dos direitos dos homossexuais...................... sociais e econômicos....... 87 CAPÍTULO III – DA OMISSÃO INCONSTITUCIONAL AO “ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL” 1......9 2...........1....................................................................... 80 7........................ 102 2...............1. Evolução da jurisprudência da Corte Constitucional colombiana em torno do “estado de coisas inconstitucional” ..................................................... Apresentando o “estado de coisas inconstitucional” ... 58 3............... A questão é de atuação da norma constitucional...................... Uma visão geral da jurisprudência ativista da Corte Constitucional colombiana .................1.....2....1............... Princípio da proporcionalidade e proibição da proteção insuficiente de direitos fundamentais .. não de eficácia jurídico-formal dos dispositivos constitucionais ....................2...................................................................................................................... O controle judicial das declarações de estado de exceção ...........................................................................1.............1.....1............. O problema é de efetividade de direitos fundamentais....... 71 6............................ 69 5..... 105 ..... 95 2........................... 90 2.................2................................................................... 73 6...........................

....... O problema da indefinição conceitual .3..................................................... Os efeitos das decisões............ A proposta thayeriana: a pedra fundamental da deferência judicial ............................................................ 137 5.............................................. O caso dos defensores de direitos humanos .......................................................1. 165 .................................................... 148 2.......2..........2....... O caso do deslocamento forçado . O caso da não convocação de concurso público para notários ..........................................4................. 164 3..... 124 2............ 127 3.................................................................................3..........................10 2.....................7...............6..................................... 147 2. O direito de petição dos aposentados e a ineficiência administrativa ...................2.......... 134 4....3............... 147 2...................... 111 2.................................................................. 163 3........................ 117 2................................................1.... Os termos do debate .............. Constitucionalismo popular v.1................... 123 2............. 145 2...............2............ As objeções de ordem institucional ........... 162 3....................2................................................................. As objeções de ordem democrática ...... O “estado de coisas inconstitucional” no contexto político-democrático . Os limites às objeções ......................................................... 154 2................... 115 2................................................. 140 6................ supremacia judicial ......... Características do ativismo judicial ..................2.1.. 143 CAPÍTULO IV – ATIVISMO JUDICIAL ESTRUTURAL E DIÁLOGOS INSTITUCIONAIS 1. 121 2.......................1... Ativismo judicial: conceito e dimensões ....... Os “remédios estruturais” e a supervisão judicial ................. As objeções de ordens democrática e institucional ........ A mora no pagamento das verbas de aposentadoria .....................1.................... As decisões sobre o “estado de coisas inconstitucional” .....2..... 111 2............................ 160 2................................2............. O valor fundamental do autogoverno popular ...............................2. O caso dos docentes municipais ............2..................... O caso do sistema carcerário colombiano ........2......................... 151 2......... A omissão inconstitucional e os pressupostos do “estado de coisas inconstitucional” ........................5..............2...1.

...............11 3.. Dimensão antidialógica ........ Os diálogos institucionais na África do Sul .............. 175 3.... Aumentando a participação popular .....................4. 185 4......................................7.... 173 3.5..................... 166 3...2............................................................ 169 3... A multidimensionalidade do ativismo judicial .. O conceito de ativismo judicial ......................................4........................................................4...............1.......................... 168 3.....4.....2................ Ativismo judicial e judicialização da política: as Cortes como atores políticos.......... 201 5.................................... Evitando a supremacia judicial............2...........................................................................................2............ Superando bloqueios institucionais ...2................................. 174 3...................... A legitimidade do ativismo judicial estrutural dialógico ....... 207 ..........................6......................................8........2.......1............ O ativismo judicial é algo predominantemente qualitativo ........ 193 5................4................9........................................................ O núcleo comportamental do ativismo judicial ........................................................... 178 3................................................................4...............................................4... Dimensão estrutural ....2. 199 5.................. 202 5.............3.................3............................................. 178 3............................ O caráter dinâmico e contextual do ativismo judicial ....................................2..........................4............ 166 3.......2....4. Uma construção teórica para o Brasil? ..... 189 4................ Superando bloqueios políticos.......................... Os diálogos institucionais no Canadá .................1............. Dimensão processual .............................3.....2.......... 171 3......... 182 4..........................2..............................................3...5......... 172 3.......................... A resposta dialógica ............................................. 182 4.................3............... O espaço nobre do ativismo judicial: questões políticas e morais complexas ............ 198 5.............................................................................2. 174 3....................2...................... Ativismo judicial e legitimidade.............. 203 6..... Dimensão metodológica ............ 181 3......................... Os diálogos institucionais e o Supremo Tribunal Federal .... Dimensão de direitos ....... Postura institucional e correção das decisões judiciais.... 176 3. A diversidade dos fatores do ativismo judicial .......... 167 3...... Dimensões do ativismo judicial ..............1....

................. 219 4.......................................... 228 5.............................. Conclusão ............................. 231 PROPOSIÇÕES CONCLUSIVAS ........................................................ O vergonhoso sistema carcerário brasileiro . O estado de coisas inconstitucional como possibilidade para o Brasil .................................................................................................................. Requisitos institucionais .........................................................................12 CAPÍTULO V – UMA AGENDA PARA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: O ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL RELATIVO AO SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO 1..................1....... Requisitos políticos ............................................ 232 BIBLIOGRAFIA .............. 215 2............................................... 245 .......2.... 216 3........................................ 210 1.... A intervenção possível do Supremo Tribunal Federal ............................................................................................... A configuração do estado de coisas inconstitucional ......................................... 209 1...

as omissões legislativas. 2000 (a 1ª edição é de 1967). há um quadro de deficiência de políticas públicas. de modo a implicar a realização incompleta do que previsto na Constituição. deve ser reconhecida apenas se não cumprido um dever de legislar veiculado expressa e concretamente em enunciados normativos específicos e não-autoaplicáveis? A corrente doutrinária mais tradicional diz que sim. . Contudo. em um primeiro momento. e no caso do gozo do aviso prévio proporcional ao tempo de trabalho (artigo 7º. tanto legislador quanto administrador assistem passivamente o quadro de transgressões a direitos. como esta forma estanque e incomunicável de entender a omissão inconstitucional são irreais quando presente um “estado de coisas inconstitucional”. 88 et seq. revelando-se incapazes ou impedidos de transformar a situação. Esta tese defende que tanto a visão restritiva das hipóteses de configuração da omissão legislativa inconstitucional. José Afonso da. Aqui surge a noção de “falhas estruturais” como causadoras de violações de direitos: não obstante a evidente ausência de coordenação de medidas. SILVA.13 INTRODUÇÃO 1. são vinculadas a disposições constitucionais ditas “nãoautoaplicáveis”. Existe lei e há ações administrativas voltadas a aplica-la. Problematizando a omissão inconstitucional A omissão inconstitucional é tema sujeito a muitas perguntas e a espera de muitas respostas. fica a pergunta: a omissão legislativa.1 nas quais consta expresso e inequívoco dever de legislar: foi assim no caso do direito de greve dos servidores públicos (artigo 37. a doutrina tradicional costuma tratar as omissões inconstitucionais de forma estanque. Normalmente. Além do mais. com foco exclusivo ou sobre a omissão do tipo legislativo. São Paulo: Malheiros. busca demonstrar o equívoco dessa noção. Esta tese. No entanto. de distanciamento entre previsão e concretização normativa. sem as leis exigidas. p. a sua insuficiência para a garantia dos direitos fundamentais. cujo vício de inconstitucionalidade justifica a intervenção do Supremo Tribunal Federal. inciso XXI). Em ambos. inciso VII). ou em relação à omissão administrativa. os direitos não puderam ser exercidos. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. As questões suscitadas acima podem ser melhor compreendidas por meio da oposição entre casos de não cumprimento de ordens constitucionais expressas de legislar e hipóteses de 1 Cf. acusadas inconstitucionais. O foco principal recai sobre as omissões do legislador. 4ª ed. Tal visão ignora que a falta de atuação das normas constitucionais possa ser decorrente da falha de coordenação entre órgãos e entidades estatais.

no tocante à omissão legislativa. dos critérios de cálculo para o aviso prévio proporcional e a ausência ou a insuficiência da criminalização da violência motivada por discriminação à opção sexual dos indivíduos (art. a identificação da omissão legislativa limitada aos casos específicos de não cumprimento de enunciados constitucionais “não-autoaplicáveis” e ordens constitucionais expressas do dever de legislar e. exporão que as diferenças podem ser de espécie e até de grau. a produzir um “estado de coisas inconstitucional”. me ocupo no penúltimo capítulo desta tese. o Supremo Tribunal Federal. no que se refere à omissão inconstitucional. mas não de gênero. ampliando as hipóteses de inconstitucionalidade por omissão para alcançar os casos decorrentes de falhas estruturais. na correção das omissões. que se refere. inciso XLIX. inclusive. igualmente. em segundo. CF/88)? Outras comparações podem ser feitas e. Deste ponto.2 Se não há diferença de gênero. Em ambos os grupos de casos. principalmente. tem implicações sobre como deve se comportar o Poder Judiciário. afastando-se. 5º. . igualmente. um primeiro ponto pode ser fixado: deve-se proceder à revisão da noção tradicional sobre omissão inconstitucional. da Constituição)? Entre a falta de definição. Assim.14 proteção deficiente de direitos fundamentais onde ausentes ordens expressas e específicas: há diferença substancial. XLI. quais são as implicações dessa diferença? Quais as consequências normativas em assumir sua existência? Estamos certos que essa diferença. à intensidade da vinculação do legislador tanto em relação ao momento quanto ao conteúdo do ato legislativo. sempre 2 O ponto será desenvolvido no Capítulo V. prejudiciais à realização do projeto constitucional. Como se dá com o nosso sistema carcerário. será possível alcançar outros casos de inconstitucionalidade. que decorre muito mais da natureza dos direitos a serem protegidos do que da estrutura semântica dos enunciados constitucionais correspondentes. primeiro. a inércia pode chegar. há falta ou deficiência da atuação concreta de uma norma constitucional e a consequente inefetividade de um direito constitucional por inércia ou ineficiência estatal. por lei. O segundo ponto diz com a primeira parte da sentença acima sublinhada: se há uma diferença de grau entre esses diferentes casos do mesmo gênero. entre a falta de lei regulamentadora do direito de greve dos servidores públicos civis e a carência ou deficiência de políticas públicas voltadas para a melhoria do sistema carcerário de modo a assegurar aos presos o respeito à sua integridade física e moral (artigo 5º. enfatizando a necessidade de o Tribunal buscar a solução em conjunto com os poderes políticos legitimados pelo voto popular.

O Supremo alterou radicalmente sua posição apenas em 2007. Clèmerson Merlin. DJ 30/10/2008. 2003 (a 1ª edição é de 1995). Gilmar Mendes. 4 Artigos 5º. Decorridos quase vinte anos de vigência da Carta. STF – Pleno. 2ª ed. DJU 02/08/1991. Rel. STF – Pleno. j. j. fascinantes temas do Direito Constitucional de nosso tempo”. STF – Pleno. Moreira Alves. em diversas oportunidades. permitindo-se apenas declarar a mora e notificar o Parlamento para o cumprimento da obrigação de legislar. quando do julgamento dos festejados Mandados de Injunção nºs 670. da Constituição de 1988. Contudo. grande parte dos autores nacionais propôs a superação da omissão do legislador diretamente pelo Supremo. Relator p/ ac. Una Visión de Derecho Comparado. Moreira Alves. acima mencionado. p. La Justicia Constitucional. DJ 27/03/1992. o qual deveria formular. 563.. 1995. Esse dispositivo constitucional reconhece o direito de greve apenas “nos termos e nos limites definidos em lei específica”. MI 670-9/ES. Flávia. MI 712-8/PA. mas se recusado a corrigir o vácuo legal. p. MI – QO 107. São Paulo: RT. 2. com o advento da Constituição de 1988. CLÈVE. tendo reconhecido a mora legislativa. Min. durante mais de quinze anos. MI 232. inciso LXXI e 103. VII. Rel. Franciso. entre outros. Min. São Paulo: RT. j. a partir do sistema de regas e princípios vigente. quanto mais grave o estado de inconstitucionalidade e persistente a inércia. STF – Pleno. Rel. Min. 25/10/2007. 02/08/1991. maior deverá ser a intervenção judicial. Min. DJ 30/10/2008. Gilmar Mendes. §2º. Rel.6 Tal postura do Supremo tornou o tema ainda mais tormentoso e fascinante. Tomo I. 209-262. A Fiscalização Abstrata de Constitucionalidade no Direito Brasileiro. 5 Cf. 25/10/2007. ao mesmo tempo.4 a doutrina passou a se preocupar com a definição. DJ 30/10/2008. previsto no art. . a suprir por conta própria as lacunas legislativas.3 No Brasil. 7 STF – Pleno. 2009. limitando-se a dar ciência ao Poder 3 SEGADO. Rel. 37. a caracterização e com os remédios. j. A própria Corte frustrou essa parcela da doutrina.5 Refletindo sobre o dever de legislar quando configurado expressamente em enunciados constitucionais específicos e de eficácia normativa limitada. PIOVESAN. 23/11/1989. recusando-se. 708 e 712. 6 Cf. discutiu-se a regulamentação do exercício do direito de greve dos servidores públicos civis. j. Ação Direta de Inconstitucionalidade Por Omissão e Mandado de Injunção. MI 708-0/DF. a lei específica ainda não havia sido produzida. Madrid: Dickinson. as normas faltantes. Min.15 provocando que esses poderes tornem-se dispostos a dialogar.7 Nesses casos. já havia enfrentado a matéria. Maurício Corrêa. Min. 25/10/2007. Eros Grau. Propósitos da tese A inconstitucionalidade por omissão legislativa – o descumprimento de um “dever constitucional de legislar” – talvez seja “um dos mais tormentosos e. O Supremo. Proteção Judicial Contra Omissões Legislativas.

2010. Gilmar Ferreira. Una Visión de Derecho Comparado.). a festejada guinada jurisprudencial11 abriu portas para novos desafios em torno do tema. o Congresso Nacional ainda permanecia inerte.9 Assim. . 169. In: MENDES. 63-64. 1.374-1. Op. STF – Pleno. não se limitando em apenas resolver os casos em mãos. BRANCO. de uma postura mais ativista do Supremo na correção das omissões legislativas pode se mostrar um forte incentivo para que os parlamentares saiam do estado de inércia e passem a deliberar sobre as matérias judicialmente questionadas. Carlos Alexandre de Azevedo. Gilmar Ferreira. longe de congelar o debate. Para um “juízo mais que positivo” da doutrina estrangeira. La Justicia Constitucional. 11 MENDES.. por analogia e com eficácia erga omnes. São Paulo: Saraiva. Min. 25/04/2002. 2012. p. 1. Néri da Silveira. j. HAGE. O caso demonstra que a atuação do Supremo pode ser um catalisador de debates e ações na sociedade 8 Entre outros. p. Paulo Gustavo Gonet. Atualidades do Controle Judicial da Omissão Legislativa Inconstitucional. MI 585. nº 42. Paulo Gustavo Gonet. p.783/89 –. mandando aplicar.092-1. em favor dos servidores públicos civis. Curso de Direito Constitucional. por parte do Congresso. O avanço da Corte se mostrou ainda mais saliente na atitude de decidir com eficácia geral. Jorge. 9 CAMPOS. André Rufino do (org. Ilmar Galvão. Min. em que o autor chega mesmo a falar em “notável giro” da jurisprudência do STF em relação ao tema. O Supremo abandonou a passividade tradicional no controle da omissão legislativa para passar a julgar para além do caso concreto em sede de mandado de injunção. São Paulo: Saraiva. j. O recente caso do aviso prévio proporcional. Nov-Dez 2011. 7ª ed. Rel. cit. STF – Pleno. Naquele estágio de coisas e consequências. DJ 02/08/2002.375: os autores falam em “viragem da jurisprudência”. também citado acima. cf. cf. cf. Min. MI 485. haja vista a ausência de regramento do direito de greve dos funcionários públicos civis ter colocado em risco a continuidade de serviços públicos essenciais.16 Legislativo para que este produzisse a lei. SEGADO.8 Passados mais de dez anos dessas primeiras decisões judiciais. é um exemplo de destaque que prova a possibilidade dessa consequência dialógica. Franciso. a legislação do direito de greve do setor privado – a Lei 7. essas transformações não devem ser tidas como restritas à esfera de atuação da Corte e isso porque elas podem alcançar a dinâmica do sistema político como um todo – o “receio”. provocando insegurança e prejuízos à população. DJ 23/08/2002. 11/11/1994. a Corte decidiu formular diretamente a norma faltante exigida pelo artigo 37.10 Contudo. Rel. não se poderia mais justificar nem mesmo a inércia do próprio Supremo. Com efeito. O ponto alto dessa insegurança foi a greve dos controladores de voo no final do mês de março do ano de 2007. BRANCO. 10 Criticando esse outro extremo de postura. j. Controle judicial sobre as omissões normativas.098. Rel. VALE. Maurício Corrêa. Direito Público Ano VIII. A Jurisprudência do STF nos 20 anos da Constituição. observadas as particularidades dos serviços públicos essenciais. p. STF – Pleno. MI 438. inciso VII. DJ 16/06/1995. 15/05/2002.

de caráter coordenado. o Legislativo e o Executivo em torno da superação das omissões legislativas inconstitucionais como um processo dialógico13 – às vezes. cujo tratamento envolve custos políticos. demonstraram forte disposição para disciplinar diretamente os critérios para o cálculo do aviso prévio proporcional.. 14 Para a interpretação constitucional como um diálogo coordenado entre os poderes. MIs 943. STF nº 632). 1988. Tom. inclusive invertendo o ônus da inércia política em casos altamente polêmicos. os ministros do Supremo. Constitutional Dialogues. deve ser aplicada aos casos em andamento na Corte. poucos dias depois da manifestação inicial do Supremo. Louis. cf.506. New York: Peter Lang.506/2011. compartilham o entendimento comum de que uma “compreensão abrangente das cortes também requer atenção às dinâmicas políticas que moldam seu desenho e sua autoridade. Cf. 12 STF – Pleno. expressamente exigida pelo art. Introduction: Institutionalist Approaches to Courts as Political Actors. O viés juriscêntrico da discussão onera a compreensão dos problemas e a busca por soluções. possui muito mais nuances do que as poucas enxergadas por aqueles que o pensam apenas sob o ângulo da atuação mais. BAUM. que a regra sobre o pagamento de aviso prévio. (Ed. menos ou nada legítima do Supremo. 1. 15 A perspectiva estratégica insere-se em um movimento acadêmico mais amplo da Ciência Política empírica – neoinstitucionalismo – cujas variações. KAGAN.17 e no sistema político. 7º. máxime aos mandados de injunção propostos antes da edição da lei e ainda em trâmite. definindo seu papel no mais amplo sistema político” (GINSBURG. Esse caso serve para mostrar que o controle da omissão legislativa inconstitucional. estratégico15 – entre esses poderes. isto é. Pouca dúvida pode restar: não fosse a manifestação dos ministros. The Puzzle of Judicial Behavior. Tendo em conta essas outras nuances. 13 . seguinte. Em mais uma etapa do diálogo em torno desse caso específico. o STF decidiu. mesmo que apenas inicial.12 Àquela altura.) Institutions & Public Law. sessão de 22/06/2011 (Inf. quando debruçadas sobre o comportamento judicial. que transcendem ao exame da atuação do Supremo. ______. Gilmar Mendes. considerado o comportamento do poder político anterior e posteriormente às decisões judiciais. 2005. publicada em 13 de outubro. dentre outros. A abordagem dialógica do controle judicial da omissão inconstitucional é uma das duas propostas desta tese. ele foi transformado em lei. que tramitava desde 1989 e que se encontrava paralisado desde 14 de setembro de 1995. XXI. há quase dezesseis anos! Contudo.010/DF. Comparative Approaches. In: ______. Rel. Em 22 de junho de 2011.090.010. Min.941.14 outras vezes.074 e 1. sob o nº 12. Cf. Ele deve alcançar as possíveis interações entre o Supremo. MI 1. A. 1. havia no Congresso o Projeto de Lei nº 3. Lawrence. antes de os ministros retomarem o julgamento. em 5 de julho. estabelecida pela Lei 12. FISHER. o debate deve ser ampliado para alcançar a perspectiva contemporânea dos diálogos institucionais. o referido projeto de lei voltou a ser discutido e. Princeton: Princeton University Press. por unanimidade de votos. p. em 06 de fevereiro deste ano. Robert. haja vista a falta de regulamentação da matéria em lei ordinária. no sentido de criar por si só a regra faltante. 2). Ann Arbor: The University of Michigan Press. a inércia parlamentar talvez persistisse ainda hoje. em julgamento apenas iniciado. da Constituição.

com a sua concordância. destinadas ao legislador. sem embargo algum. atenção maior a critérios de ordem material. semânticoestruturais. que foram por mim desenvolvidas no aludido texto e. tradicionalmente classificados como sendo de eficácia normativa limitada. as omissões parlamentares inconstitucionais foram identificadas em razão de enunciados constitucionais específicos. Mais do que abordagens formalistas. Nossa dogmática. o tema é bem mais rico do que o reducionismo semânticoestrutural oferece. que inclusive antecede estruturalmente à destacada acima. a preocupação com a atuação da Constituição deve “envolver também considerações substantivas e morais”. inclusive se. Belo Horizonte: Forum. critérios puramente formais não permitem seja 1997. foram classificados como normas constitucionais autoaplicáveis.17 Com efeito. e sim impede a atuação concreta da norma constitucional correspondente e do direito fundamental veiculado e isso. p. independentemente de como foram configurados os enunciados constitucionais correspondentes. KNIGHT. a seguir apontadas.16 Nos exemplos acima apontados. São dispositivos que reivindicam. expressamente. Ann Arbor: The University of Michigan Press. para deixarem de ser “direitos de papel”. . The Choices Justices Make. 1998. 370. é ampliar o alcance da omissão inconstitucional em função de seus aspectos mais elementares – lançar novas luzes sobre a própria identificação do fenômeno. Foram por ele pensadas e fixadas as três primeiras premissas da revisão teórica da configuração da omissão legislativa inconstitucional. Nancy. não é que a estrutura dos enunciados normativos constitucionais e sua heterogênea tipologia não tenham algum papel a cumprir para a identificação da omissão legislativa inconstitucional. O primeiro passo é revisitar a visão tradicional acerca da configuração da omissão legislativa inconstitucional. máxime a legislativa. Direito Constitucional. isso porque os direitos fundamentais. 2006. semanticamente.) The Pioneers of Judicial Behavior. quando de artigo que elaboramos em conjunto. reavaliando seus pressupostos. a tarefa legislativa integradora – ordens constitucionais expressas e conclusivas. um enunciado normativo constitucional. desenvolveu-se como se apenas essas hipóteses governassem o debate.18 A outra proposta. focadas apenas em critérios textuais. A omissão estatal não viola. História e Métodos de Trabalho. É necessária. Todavia. Lee. Teoria. Washington: CQ Press. 17 SOUZA NETO. necessitam de proteção e promoção estatal. orientador desta tese de doutorado. Jack. A crítica é não poderem ser esses elementos os únicos nem mesmo os mais relevantes critérios. 2012. exigindo-lhe uma atuação normativa textualmente imprescindível: ordens do tipo “nos termos da lei” ou “nos termos e nos limites definidos em lei específica”. SARMENTO. excessivamente formalista. simplesmente. Cláudio Pereira de. Daniel. também nesta tese. pendente de publicação. EPSTEIN. mesmo irrenunciável. MAVEETY. 16 As linhas gerais desse propósito foram pensadas pelo Professor Doutor Daniel Sarmento. (Ed.

busco atacar a visão tradicional da omissão legislativa inconstitucional em dois pontos essenciais: (i) primeiro. de eficácia normativa limitada e que contêm ordens expressas de atuação do legislador. . notadamente. A doutrina tradicional. em atrelar a omissão legislativa inconstitucional apenas aos casos de descumprimento de enunciados constitucionais específicos. (iv) acaba cimentando bases normativas equivocadas com consequências político-institucionais dramáticas – lança o Parlamento e o Supremo a uma relação meramente adversarial. do dever objetivo do Estado em proteger e assegurar a efetividade dos direitos fundamentais. defendo decorrer essa obrigação.19 adequadamente alcançado. enquanto deveria ser à atuação concreta da norma constitucional. (ii) peca pelo excesso de formalismo – em sua caracterização da omissão legislativa inconstitucional. antes e acima de tudo. cujo inadimplemento é pressuposto necessário da omissão legislativa inconstitucional. e sua formulação expressa e inequívoca em um enunciado normativo constitucional específico. diante de normas constitucionais consideradas formalmente autoaplicáveis. inclusive. Essas insuficiências da doutrina tradicional serão questionadas e revisadas na presente tese (Capítulo II). Negando a primazia da abordagem semântico-estrutural. (ii) segundo. em demonstrar a falácia da afirmação comum de estarmos diante de fenômeno atrelado exclusivamente às chamadas normas constitucionais de eficácia limitada. (iii) promove um alcance restrito de atuação da Constituição – é míope à imperatividade de realizar o projeto constitucional como um todo. em negar o vínculo necessário entre o “dever constitucional de legislar”. Essa postura da doutrina: (i) possui vícios cognitivos e metodológicos – sua atenção é devotada à estrutura dos enunciados normativos. acaba prejudicando a compreensão adequada do fenômeno. a dogmática tradicional prestigia a eficácia formal dos dispositivos constitucionais em detrimento da necessária efetividade dos direitos fundamentais. por meio da atividade legislativa. do tipo tudo ou nada. defendo a possibilidade de ocorrência da omissão.

configurada como “falhas estruturais”. importado da Corte Constitucional colombiana. A omissão não seria tanto por conta da falta de lei. porém. A omissão. mas sim um quadro de violação massiva desses direitos. mas se justificaria ante um quadro real e atual de tutela estatal deficiente de direitos fundamentais. não mais se limitaria à determinada espécie de preceito constitucional. em muitos casos. Revisados os pressupostos da omissão legislativa inconstitucional. implicando proteção deficiente de direitos fundamentais. Configurada uma realidade de massiva e sistemática violação de direitos fundamentais. Muitas vezes. Esse quadro negativo pode apresentar-se extremo a legitimar medidas drásticas. O dever constitucional de legislar. passa a configura-se como um dever de proteção suficiente dos direitos e liberdades fundamentais. se caracteriza como um quadro permanente de falhas estruturais. não demonstrando nem Legislativo nem Executivo capacidade institucional e disposição política para revertê-la. ante a inércia legislativa. Tal situação. decorrente da deficiência institucional e estrutural do Estado ou de bloqueios políticos. O ponto mais relevante desta tese é apresentar o instrumento teórico do “estado de coisas inconstitucional”. A atuação judicial. Essas falhas nada têm a ver com dispositivos constitucionais específicos ou ordens expressas de legislar. passase “da inconstitucionalidade por omissão ao estado de coisas inconstitucional”. como pressuposto necessário da omissão legislativa inconstitucional. há lei e iniciativas administrativas para cumprimento dos comandos legais em favor da realização de direitos constitucionais. revelando-se a insuficiência na proteção estatal. o resultado é pífio. o estado de coisas inconstitucional consiste em situação extrema de omissão estatal. tutelável e exigível pela jurisdição constitucional independentemente da estrutura do enunciado constitucional correspondente. Como desenvolvido no Capítulo III. que impliquem não apenas a falta de efetividade dos direitos fundamentais. e sim com a omissão . e sim da ausência de estrutura apta a tornar realidade os comandos legais. o segundo passo é combater a visão tradicional da inconstitucionalidade por omissão como sendo algo definido por exclusão: ou é omissão legislativa.20 independentemente de estar envolvida norma constitucional autoaplicável ou de eficácia limitada. como uma possibilidade de enfrentamento de omissões estatais. ou é administrativa. Esta tese trabalha a ideia de a omissão inconstitucional poder decorrer da falha de coordenação entre Legislativo e Executivo a implicar deficiências na consecução de políticas públicas. apresenta-se insistente. estruturais.

falhas estruturais geram e agravam violação massiva e contínua de direitos fundamentais de diferentes espécies e matrizes constitucionais. Libardo José. A proposta de ampliar o campo de incidência e de tutela judicial da omissão inconstitucional. In: MALDONADO. o ativismo judicial estrutural. Nesses casos. a improbabilidade de o governo superar esse estágio de coisas contrário ao sistema de direitos fundamentais sem que o seja a partir de uma forte e ampla intervenção judicial. nem se deve esconder isso. é necessário vincular a configuração da omissão inconstitucional à falta de realização concreta dos direitos fundamentais. 129. segundo desenvolvo no Capítulo IV. Em suma. com falhas estruturais e impasses políticos que implicam. A omissão dos poderes. Tomam decisões voltadas a “conduzir” o Estado a observar a dignidade da pessoa humana e as garantias dos direitos fundamentais. . No caso do estado de coisas inconstitucional. atreladas à eficácia formal dos dispositivos constitucionais. Daniel Bonilla.21 ou ineficiência do aparato estatal que resulta na proteção deficiente de direitos fundamentais e ameaça a falência do projeto constitucional. é necessário ampliar os horizontes de identificação e avaliação da omissão legislativa inconstitucional para além de concepções puramente formais. e as condições de possibilidade da omissão inconstitucional como decorrência de falhas estruturais. deve a atuação do Supremo ser marcada por um viés 18 ARIZA. Não se pode. New York: Cambridge University Press. Para que se possa reconhecer o valor e a possibilidade normativa do estado de coisas inconstitucional. The Economic and Social Rights of Prisoners and Constitutional Court Intervention in the Penitentiary System in Colombia. Constitutionalism of the Global South. Para evitar disfunções institucionais decorrentes do risco de supremacia judicial. além do estado inconstitucional em si mesmo. South Africa and Colombia. Tal realidade autorizaria uma “intervenção estrutural” do Poder Judiciário. levanta inequívoca suspeita de favorecimento ao ativismo judicial. incluída a legislativa. The Activist Tribunals of India. acaba promovendo e agravando graves violações a direitos fundamentais o que requer.18 O juiz constitucional depara-se com uma realidade social necessitada de transformação urgente e. ao mesmo tempo. inclusive a inércia legislativa. 2013. sobre políticas públicas e alocação de recursos econômicos. é necessário que os dois propósitos desta tese se encontrem: além de ampliar os pressupostos da omissão inconstitucional. ao promover a revisão teórica de seus pressupostos de configuração até chegar ao reconhecimento do estado de coisas inconstitucional. máxime de cortes constitucionais. cortes atuam para proteger a dimensão objetiva dos direitos fundamentais. p.

devem ser caracterizados como ordens flexíveis. seguirá uma proposta geral que procura. A superação do estado de coisas inconstitucional. nem mesmo vontade política para fazê-lo. dirigidos a um número abrangente de atores políticos e buscando coordenar as ações dessas autoridades na tarefa de assegurar a proteção eficiente de direitos. esses remédios estruturais. concretamente. Esta é a formulação definitiva da tese e que orientará a proposta de introdução do estado de coisas inconstitucional no Brasil. as condições desumanas e cruéis das instalações prisionais. Para ser legítimo. ampliar a proteção dos direitos fundamentais e garantir o equilíbrio institucional para essa tarefa. A superlotação carcerária. Essa união dos dois propósitos resulta no que denomino. Falhas estruturais tanto promovem como agravam a situação inconstitucional. descrevo e ataco o estado de coisas inconstitucional revelado no Brasil no caso do sistema presidiário. que fixem objetivos a serem alcançados sem excluir os espaços próprios de deliberação política e técnica dos outros poderes sobre os meios. apenas é possível por meio de “remédios estruturais”. Desse modo. aos quais é negada qualquer possibilidade de existência digna. mormente se presente um estado de coisas inconstitucional. nada é feito para modificar esse quadro. essa não é observada. não há políticas públicas capazes de reduzir a violação massiva dos direitos fundamentais dos presos. acabando por resultar. máxime a legislativa. Apesar de existir legislação que assegura direitos básicos aos presos. Estrutura da tese A tese é dividida em cinco capítulos: o Capítulo I é descritivo da visão tradicional da doutrina brasileira sobre a omissão inconstitucional. no entanto. 3. No último Capítulo. o ativismo judicial deve ser dialógico. próprio de um governo democrático e de poderes constitucionalmente separados. A ideia é assegurar a proteção mais abrangente possível aos direitos fundamentais. e da evolução da . mas sem unilateralismos decisórios. produzem o que deve ser considerado o mais grave caso de violação a direitos humanos no Brasil contemporâneo. Por outro lado. o tratamento estatal dispensado aos presos como verdadeiro “lixo humano”. em proteção deficiente. de “ativismo judicial estrutural dialógico”.22 dialógico. no final do Capítulo IV. Para serem dialógicos. pelo fato de este decorrer de falhas estruturais. Esse é o cenário para a introdução no Brasil da atuação estrutural do Supremo voltada a superar hipóteses de estado de coisas inconstitucional. ao mesmo tempo. Nos três níveis federativos.

formulando. contornos e meios de tutela judicial. a ideia de ativismo judicial estrutural dialógico. seus pressupostos. estrutural e dialógica. conclusões. cuido de apresentar uma proposta de aplicação da tese no Brasil: o estado de coisas inconstitucional relativo ao sistema carcerário brasileiro e a possibilidade de intervenção do Supremo.23 jurisprudência do Supremo sobre o tema. simultaneamente. o Capítulo III destina-se à proposta teórica do “estado inconstitucional de coisas”. ao final. Por fim. abordo o enquadramento da declaração do estado de coisas inconstitucional no conceito de ativismo judicial. apontando equívocos e insuficiências e propondo a ampliação dos pressupostos de configuração da omissão inconstitucional. bem como respondo possíveis objeções de natureza democrática e institucional a esse ativismo. . o Capítulo II se ocupa de criticar a visão tradicional descrita anteriormente. no Capítulo IV. e se destina a explicar o critério puramente semânticoestrutural de identificação utilizado em ambas. no Capítulo V.

juízes e cortes procuram defender a ordem objetiva de valores. a ideia de Constituição como um todo. O estado de coisas inconstitucional como possibilidade para o Brasil Como desenvolvido nos Capítulos anteriores. particularmente. vincular mais de perto a omissão legislativa inconstitucional à ideia de proteção deficiente desses direitos. a noção de direitos fundamentais como princípios objetivos já é bem difundida. com a proteção deficiente de direitos independentemente de tipologias normativas dos dispositivos constitucionais envolvidos. Como se demonstrará. Neste Capítulo. A fragilidade fica por conta do acesso por vezes elitizado à jurisdição do Supremo. Do ponto de vista institucional. respectivamente. realizada quando da declaração do estado de coisas inconstitucional. Dirigida a superar omissões estatais. a intervenção judicial. Em amos os casos. . desenvolvida pela Corte Constitucional colombiana. a tutela objetiva de direitos fundamentais e a tomada de ordens estruturais voltadas à superação do estado. como apontado no Capítulo II. é tanto uma possibilidade como uma necessidade em diferentes setores da vida social brasileira. o projeto constitucional originário. São fatos políticos contemporâneos tanto que o Legislador brasileiro deixa de ocupar espaços importantes da vida do cidadão como a deficiência de políticas públicas no país. A preocupação é com a efetividade dos direitos fundamentais. o Supremo acaba chamado para preencher vazios de institucionalização. revela-se postura judicial legítima. Em abstrato. o estado de coisas inconstitucional pode ser um passo valioso para nosso controle da omissão estatal. requisitos institucionais e políticos são preenchidos para que. em concreto. afirmo que a prática. No mais. caracteriza-se como ativismo judicial estrutural e. no Brasil. As condições políticas revelam-se pela constante presença de bloqueios institucionais e políticos sobre temas diversos. nossa Constituição possui Carta de direitos e mecanismos processuais que permitem. a começar pela formulação deficiente de políticas públicas. faltando. satisfeitos requisitos próprios e não implicando supremacia judicial. no caso do sistema carcerário brasileiro.24 CAPÍTULO V – UMA AGENDA PARA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: O ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL RELATIVO AO SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO 1. estados de coisas inconstitucional sejam identificados e declarados pelo Supremo com toda a sorte de consequências próprias.

a exigir do Estado o compromisso com o desenvolvimento da pessoa humana em bases livres e igualitárias. Ingo Wolfgang. a nossa de 1988 possui três eixos: (i) a previsão de um amplo catálogo de direitos fundamentais. diversos dispositivos espalhados disciplinando direitos fundamentais diretamente ou protegendo-os por meio da imposição de deveres de conduta responsável aos titulares do poder público. inúmeros direitos e deveres individuais e coletivos (artigo 5º). SARLET. incisos III e IV). individuais e coletivos. uns mais. TORRES. (ii) a distribuição vertical de poderes entre os governos de diferentes níveis da Federação. Rio de Janeiro: Renovar. veiculados tanto por meio de regras definitivas como mediante enunciados normativos vagos e indeterminados (princípios). a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem geral. que orientam e mesmo limitam o conteúdo das decisões políticas. diferentes direitos sociais – seguridade social [saúde. O Estado brasileiro é vinculado à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (artigo 1º. Os (des)caminhos de um Direito Constitucional “Comparado”. direitos específicos dos trabalhadores urbanos e rurais (artigo 7º). 2007. A Jusfundamentalidade dos Direitos Sociais. 99-124. legitimador da dinâmica dos demais. p. inclusive associativos (artigo 8º). o direito ao desenvolvimento científico e 19 Sobre a discussão em torno da fundamentalidade ou não dos direitos sociais no Brasil. Ricardo Lobo. no título “direitos e garantias fundamentais”. p. outros menos normativamente densos. direitos sociais19 (artigo 6º). 2003. Existem. educação. presentes o Executivo. é o sistema de direitos fundamentais: o conjunto de dispositivos. Possui objetivos fundamentais: a construção de uma sociedade livre. Trata-se de direitos negativos e positivos. Destaque para os direitos em face do exercício do poder de tributar (artigos 145. 7ª ed. os princípios gerais da ordem econômica (artigo 170). direitos da nacionalidade (artigos 12 e 13) e de participação política (artigos 14 a 17). Direitos Sociais e Controle Judicial no Brasil e na Alemanha. e 150 a 152).1. § 1º e § 2º. a erradicação da pobreza e da marginalização. Requisitos institucionais Como toda constituição democrática contemporânea. Andréas Joachim. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. KRELL. (iii) a separação horizontal de poderes. cultura e desporto (artigo 194 a 217) –. Não obstante. justa e solidária.25 1. Arquivos de Direitos Humanos nº 5. . cf. 2002. previdência social e assistência social]. e por meio do qual foi versado o equilíbrio de poder entre sociedade e Estado. O constituinte ainda detalhou. o eixo fundamental. 296 e ss. Porto Alegre: Livraria do Advogado. de greve (artigo 9º) e participativos (artigos 10 e 11). sem quaisquer preconceitos ou discriminações (artigo 3º). o Legislativo e o Judiciário. ainda. de matrizes liberal e social. Porto Alegre: Safe.

presta-se à superação de omissões legislativas e administrativas. abordado no Capítulo I. Há cláusula de abertura a outros direitos e garantias “decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. em especial a de “cláusula pétrea”. da família e de grupos vulneráveis como a criança. julgar de forma . assim como a interpretação dessa mesma ordem. § 2º) e por meio da qual esses direitos foram elevados à categoria de cláusulas pétreas (artigo 60. o Supremo pode. A Constituição de 1988 também previu mecanismos institucionais que permitem ao Supremo declarar o estado de coisas inconstitucional e seguir com ordens estruturais dirigidas à superação desse estado. mas como “elementos da ordem jurídica objetiva da comunidade”. o mandado de injunção pode cumprir bom papel para superação da proteção deficiente de direitos e liberdades constitucionais e de prerrogativas inerentes à nacionalidade. Essa ideia foi desenvolvida no Capítulo II quando defendi a revisão dos pressupostos da omissão legislativa inconstitucional e. o adolescente. Não poderia ser diferente: a declaração do estado de coisas inconstitucional é a defesa da dimensão objetiva dos direitos fundamentais. Criada pela Lei 9. revelam a pretensão do constituinte em estabelecer direitos fundamentais não apenas como direitos subjetivos. a arguição de descumprimento de preceito fundamental – ADPF e o recurso extraordinário com repercussão geral também podem ser utilizados. Sua natureza de processo subjetivo e as dificuldades de abrangência em relação ao sistema federativo são. Além do mandado de injunção. impondo a tomada de decisões que levem em conta a dimensão objetiva. não por coincidência. § 4º).26 tecnológico (artigos 218 e 219). envolvida a necessidade de fixação de parâmetros para formulação e implementação de políticas públicas. A arguição de descumprimento de preceito fundamental talvez seja a melhor medida para atacar o estado de coisas inconstitucional ante a sua natureza de processo objetivo e a abrangência de sua aplicação. marcante na Constituição colombiana e na brasileira.982/99. em se tratando de litígios estruturais. o jovem. serve como requisito teórico para a configuração possível do estado de coisas inconstitucional. o idoso e os índios (artigo 226 a 232). ou dos tratados internacionais” dos quais o Brasil seja signatário (artigo 5º. à soberania e à cidadania. contudo. sinais de fraqueza. à proteção do meio ambiente (artigo 225). o que permite maior utilidade frente a inconstitucionalidade decorrente de falhas estruturais. por meio da ADPF. Assim. à liberdade de imprensa e comunicação em geral (artigo 220 a 224). Essas características. Significa dizer: são direitos que devem nortear a criação de todo o arcabouço jurídico brasileiro e a definição de políticas públicas. O mandado de injunção. sendo até possível a atuação normativa direta pelo juiz constitucional.

O Supremo também impôs sérios limites subjetivos quanto ao termo “entidade de classe”. Assembleias Legislativas e confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional. mas apenas normas que possam repercutir sobre seus interesses institucionais e políticos. A Quem Interessa o Controle Concentrado de Constitucionalidade? O Descompasso entre Teoria e Prática na Defesa dos Direitos Fundamentais.20 Para a Corte. por exemplo. Primeiramente.). Alexandre Araújo. que se evidencie um nexo de afinidade entre os objetivos institucionais da entidade que ajuíza a ação direta e o conteúdo material da norma por ela impugnada nessa sede processual”. Rel. ADI 1. 21 Isso excluiu a possibilidade da defesa “altruísta” de direitos fundamentais por essas entidades. O ponto fraco fica por conta da legitimidade processual ativa. Celso de Mello. conferiu legitimidade a todo e a qualquer cidadão para propor a ação para a defesa específica dos direitos fundamentais. estadual ou municipal. DJ 22/09/1995. 92. no inciso II. inciso IX. mesmo se anteriores à Constituição de 1988. podendo derivar de qualquer das três esferas federativas ou das três conjuntamente. Disponível em: http://www. Juliano Zaiden (Coord. que “torna imprescindível. 2014. Brasília: UnB. por meio da interpretação constitucional. j. A figura do ato normativo é abrangente. chamados de legitimados ativos especiais. Cf. para efeito de acesso ao procedimento de fiscalização concentrada de constitucionalidade. impediu a legitimidade de associação civil de finalidade altruísta a propor essa espécie 20 STF – Pleno.096/RS.br/images/stories/Documentos_Pos/Projetos_de_Pesquisa/Projeto_de_Pesquisa__Juliano_Zaiden_Benvindo_3_-_A_Quem_Interessa. p.fd.pdf. criou o requisito da pertinência temática. o que exclui as associações criadas pura e simplesmente para defesa de direitos fundamentais. o Supremo. foi prevista a legitimidade para propositura dessas ações em favor das entidades de classe de âmbito nacional.unb. vinculando-o a uma noção exclusivamente econômica ou profissional. inciso I. sob a justificativa de proteger a funcionalidade da Corte. incluída a omissão normativa. Min. ao passo que. Este último dispositivo foi vetado pelo Presidente da República. BENVINDO. a mesma das ações direta de inconstitucionalidade e declaratória de constitucionalidade. Governadores. a ADPF credencia-se como melhor remédio contra violação massiva de direitos fundamentais decorrente de falhas estruturais. Não obstante.27 originária lesão ou evitar lesão a preceito fundamental por ato normativo ou por lei federal. conferiu à ADPF a mesma legitimidade processual ativa da ADI. <Acesso em 4/6/2014> 21 . COSTA. 16/03/1995. no artigo 103. Na Constituição. Assim. não podem propor essas ações para discutir qualquer lei ou ato normativo. de modo que. impôs restrições não previstas no texto a essa legitimidade. O artigo 2º.

ª Ellen Gracie. Min. DJ 28/06/1991. Rel. a Corte foi rígida na caracterização do “âmbito nacional” dessas entidades de classe. 29/08/1990. A questão está sendo novamente discutida nas Reclamações nºs 11. consistente de “organizações pró-direitos. 04/04/1991. Dizer que uma matéria possui repercussão geral é afirmar a “existência de questões relevantes do ponto de vista econômico. social ou jurídico. ADI 61/ES. 11. porém. reduzir o número de recursos extraordinários a serem julgados e fazer com que o Supremo se ocupe de temas realmente relevantes para a sociedade.569/SP. cresce de importância o papel de entidades de advocacia de interesse público para contornar essas dificuldades. a repercussão geral consiste em requisito autônomo de admissibilidade de recurso extraordinário no âmbito do controle difuso.ª Min. Introduzida pela Emenda Constitucional nº 45. Chicago: The Chicago University Press. Rel. DJ 01/07/2011. DJ 10/12/2009. que ultrapassam os interesses subjetivos” (artigo 543-A. Ricardo Lewandowski. The Rights Revolution. Epp. Independentemente de ainda haver questões em aberto sobre o cabimento ou não de reclamação para assegurar que as instâncias judiciais inferiores sigam as decisões do Supremo tomadas em recursos com repercussão geral reconhecida. Ricardo Lewandowski. Rel. 1998. dando-lhe um perfil de “corte constitucional” e. e de outro a defesa de sua própria funcionalidade. são também indispensáveis. Lawyers. para ele. a “estrutura de apoio à mobilização legal” em torno desses direitos. A exigência numérica decorre da aplicação analógica da Lei Orgânica dos Partidos Políticos.408 e 11. particularmente financiamento público”. “maximiza[ndo-se] a feição objetiva do recurso 22 STF – Pleno. 14-25. Rel. 24 Charles R. Rcl. no artigo 102. reconhece que o ativismo judicial de cortes constitucionais é elemento importante para a defesa de direitos. advogados de defesa de direitos e fontes de financiamento.24 Outro instrumento importante pode ser o do recurso extraordinário quando reconhecida a repercussão geral da matéria envolvida. DJ 28/09/1990.250/RS. j.25 os julgamentos desses recursos passaram a formar autênticos leading cases. da Constituição. Sydney Sanches. Formuladas para as ações diretas de inconstitucionalidade.28 de demanda. do Código de Processo Civil). STF – Pleno. Min. AgRg Rcl. viabilizar a racionalidade decisória do sistema. 7. Sepúlveda Pertence. a Corte acabou por restringir o acesso da sociedade à sua jurisdição e à dinâmica de proteção dos direitos fundamentais da nova ordem constitucional. político. ADI 386/DF. Com isso.22 Ademais. § 3º. and Supreme Courts in Comparative Perspective. os debates: STF – Pleno. Essa problemática obviamente coloca em confronto a defesa da autoridade da Corte de um lado. p. Activists. de 2004. § 1º.23 Defendendo sua funcionalidade. Os propósitos são o de alcançar a duração razoável para os processos.427. essas restrições repercutem sobre o manejo da ADPF. ao mesmo tempo. além da consciência social de direitos. 25 Cf. STF – Pleno. 23 . j. ambas relatadas pelo Min. impondo-lhes possuir membros em pelo menos nove Estados da Federação para que pudessem propor ADI. Min. assegurando-lhe a funcionalidade. dando-se então mais um grande passo na direção do fortalecimento do poder decisório do Supremo e da aproximação entre nossos modelos difuso/incidental e concentrado/abstrato. pendentes de julgamento definitivo depois do pedido de voto-vista do ministro Gilmar Mendes.

O recurso ainda é visto. no Plenário Virtual. A elevada quantidade de matérias com repercussão reconhecida. contudo. . O domínio de temas econômicos e de conflitos repetitivos é relacionado ao nosso desenho constitucional. 1. pesquisados em 26/9/2014.. por alguns membros do Supremo. versem litígios estruturais. seja no momento da votação colegiada virtual. 27 Conforme dados do site do Supremo. Por sua vez. cit. são 528 processos com repercussão geral reconhecidas. valendo para superar falhas estruturais e violações massivas de direitos fundamentais. o impacto negativo desses números sobre a dinâmica das instâncias judiciais anteriores e em face das expectativas dos jurisdicionados são elementos dessa crise. como tutela exclusivamente subjetiva. tendo 202 sido julgados. Dentre as centenas de matérias reconhecidas como tendo repercussão geral. Paulo Gustavo Gonet. possui três fraquezas.29 extraordinário. COELHO. Todavia. portanto.”26 A repercussão geral torna o recurso extraordinário mais parecido com a accione de tutela na Corte Constitucional colombiana. sob os ângulos econômico e numérico. respectiva e predominantemente. p. a matéria de fundo aproveitará e alcançará a todos. a constitucionalização abrangente. serem tomadas decisões que afetem a todos e. no mínimo. o estoque alto desses casos com apreciação de mérito pendente. BRANCO. são causas combinadas desse estágio de coisas. a significativa escassez de casos paradigmáticos envolvendo direitos fundamentais sugere a hipótese de a maioria dos ministros. aplicar os critérios da “relevância” e “transcendência” das matérias. Curso de Direito Constitucional. assim. A terceira fraqueza envolve a qualidade dos temas. pelos ministros do Supremo. O instituto. Decide-se o caso em mãos. em extraordinários com repercussão geral. A primeira refere-se à ortodoxia com que muitos ministros enxergam a técnica. 26 MENDES. da perspectiva puramente econômica ou numérica da repercussão geral. em diversas oportunidades. Inocêncio Mártires. É possível. Gilmar Ferreira. a exigência constitucional da manifestação de. porém. não permitindo que a repercussão geral tenha verdadeiro alcance objetivo. seja quando da escolha individual do tema a ser inserido no Plenário Virtual. Op. a carência de repercussões gerais relativas aos direitos mais fundamentais de nossa ordem constitucional pode ser sim o resultado da adoção.077. O número reduzido de conflitos cruciais de direitos fundamentais incluídos no Plenário Virtual e o resultado da votação alcançado nessas oportunidades são variáveis que podem confirmar a hipótese. 2/3 dos membros da Corte pela inexistência da repercussão geral para que esta seja rejeitada e a omissão de alguns ministros em votar. A segunda refere-se à crise numérica que enfrenta.27 os vários anos que o Supremo precisaria para conseguir julgálos.

têm-se que a Carta de 1988 oferece desenhos institucionais que permitem seja cogitada. máxima a ADPF. p. Daí chega-se à declaração do estado de coisas inconstitucional. Annual Review of Political Science Vol. Constructing Judicial Review.2.28 Em casos moral e politicamente hipercontroversos. a prática de declaração do estado de coisas inconstitucional voltada a enfrentar falhas estruturais causadoras de violação massiva de direitos fundamentais. cf. para o Supremo decisões sobre questões muito controvertidas. the Supreme Court. Quando 28 WHITTINGTON. por meio de ADPF. 8. pp. Political Foundations of Judicial Supremacy.30 Em síntese. and Constitutional Leadership in U. o próprio Governo federal já deixou. 86. o que pode levar ao quadro de violação generalizada de direitos fundamentais assistido de forma passiva sistematicamente pelas autoridades políticas. primeiramente. ganham a forma de impasses (deadlocks) tão resistentes que nem o mais articulado líder político consegue superar. Isso tem sido muito comum no Brasil. Questões como aborto de feto anencefálico e união homoafetiva vêm logo à mente Não é raro que governantes. cujos membros são eleitoralmente irresponsáveis. Keith E. evoluir o pensamento teórico sobre a omissão legislativa inconstitucional vinculada à proteção deficiente dos direitos fundamentais. faz-se necessário. History. como na Colômbia e em grande parte de países latinoamericanos marcados por forte presidencialismo. vinculadas a bloqueios políticos e institucionais. 425/451. como é o da situação desumana dos presidiários no Brasil. pontos cegos legislativos e até compartilhamentos de autoridade por temor de custos políticos. preferencialmente. GRABER. No Brasil. S. Trata-se de circunstâncias políticas muito comuns no Brasil. diversas vezes. apesar do desejo em avançarem temas controvertidos. Requisitos políticos Um dos pressupostos da configuração do estado de coisas inconstitucional é a presença de falhas estruturais. envolvidas em desacordos razoáveis e de alto custo político. Princeton: Princeton University Press. somados nosso sistema de direitos fundamentais ao modelo de ações e recursos constitucionais. envolvida omissão legislativa. The Presidency. bloqueios políticodeliberativos. fiquem receosos dos custos políticos da reação negativa por parte de seus eleitores ou dos conflitos que podem surgir dentro de sua coalizão. . assim como naqueles de pouco atrativo eleitoral. no Brasil e pelo Supremo Tribunal Federal. 2007. Mark A. 1. vinculada à dimensão objetiva dos direitos fundamentais e tutelável. a estratégia tem sido deixar a decisão para cortes. 2005. maximizados pela difusão partidária do poder. Tal como defendido no Capítulo II. Nesses casos.

mas não. 2014. O vergonhoso sistema carcerário brasileiro 30 No Brasil. saúde pública. Este Capítulo dirige-se a afirmar que também são satisfeitos requisitos materiais. algo impensável para o quadro de judicialização da política como parte de nossa dinâmica institucional. movimentos e grupos sociais. 3ª ed. 2004. 30 Os elementos fáticos e estatísticos utilizados neste tópico originam-se das pesquisas e do trabalho da Clínica de Direitos Fundamentais da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Clínica UERJ Direitos. Elementos da Filosofia Constitucional Contemporânea. O alvo aqui é o sistema carcerário brasileiro. orientador desta tese. Portanto. Atualmente. que tinham muitas reivindicações amplamente ignoradas no debate parlamentar. a intervenção do Supremo acaba sendo uma necessidade sistêmica. da declaração do estado de coisas inconstitucional e da atuação do Supremo Tribunal Federal no sentido de superá-lo mediante ordens estruturais. antes alijados de muitos processos decisórios fundamentais. Organizações. Direito e Justiça Distributiva. Pluralismo. ao menos em abstrato. O material correspondente foi gentilmente cedido pelo Professor Daniel Sarmento. Essa perspectiva é ainda mais saliente diante da significativa demanda social de direitos no Supremo vis-à-vis o déficit de confiança popular no Congresso Nacional e de eficiência do Executivo. no Brasil. Mimeografado com o autor. existem diferentes setores sociais nos quais podem-se apontar violações sistemáticas de direitos fundamentais decorrentes de falhas estruturais. p. 2.31 isso ocorre. Como afirmado pela professora Gisele Cittadino. 232. principalmente em se tratando de direitos fundamentais. e também no Brasil. reúnem-se requisitos institucionais e políticos que permitem se cogitem. “é possível observar como uma forte pressão e mobilização política da sociedade está na origem da expansão do poder dos tribunais ou daquilo que se denomina como ‘ativismo judicial’”. em diferentes países. ganharam nova forma de representação no Supremo e têm feito amplo uso desses instrumentos. Rio de Janeiro: Lumen Juris. consumo de crack. necessariamente. a começar por políticas públicas insuficientes: saneamento básico. Gisele. que transfere parte dessa confiança ao Judiciário.29 Essa circunstância faz com que a intervenção judicial em eventual estado de coisas inconstitucional seja algo novo e impactante. . Há uma desilusão da sociedade com a classe política. e pela doutoranda Juliana Alvim. talvez seja o sistema carcerário brasileiro o que produz o maior grau de violação generalizada de direitos humanos decorrente de omissões e falhas estruturais e agravada pela sistemática 29 CITTADINO.

Trata-se de graves deficiências e violações de direitos que se fazem presentes em todas as unidades da Federação brasileira e podem ser imputadas à responsabilidade dos três poderes: Legislativo. concluiu-se que “a superlotação é talvez a mãe de todos os demais problemas do sistema carcerário. inexistência de medidas de divisão de presos. homicídios. revezar para dormir. Significa dizer: são problemas tanto de formulação e implementação de políticas públicas. muitas vezes. à saúde e ao trabalho. as várias formas de violação de diversos direitos fundamentais dos presos. Segundo dados divulgados pelo CNJ. proliferação de doenças infectocontagiosas. deficiência no acesso à assistência judiciária. implicam tratamento desumano e condições indignas de sobrevivência dos presos. nos presídios e delegacias por todo o país. as celas são abarrotadas de presos. problemas de superlotação carcerária.31 De acordo com a pesquisa da Clínica UERJ Direitos. dormem sem camas ou colchões. o que faz da superlotação o problema mais visível e. sendo a maior parte sujeita às seguintes violações de direitos: “superlotação. domínio dos cárceres por organizações criminosas. máxime a da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados (2007-2009) e do Conselho Nacional de Justiça – CNJ. falta de água potável e de produtos higiênicos básicos. discriminação social. instalações prisionais insalubres. 31 No Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados sobre a situação dos presídios no Brasil. assistência judiciária precária. . de forma que esses convivem espremidos.32 inércia e incapacidade das autoridades públicas em superar tal quadro. em junho de 2014. Pesquisando sobre diferentes bases de dados. se revezando para dormir. talvez.219 pessoas. entre outros. motins. número excessivo de prisões provisórias. tortura. rebeliões. À semelhança do caso colombiano. celas imundas e insalubres. ausência de oferta de direitos básicos como saúde. Celas superlotadas ocasionam insalubridade. precisando. degradação da pessoa humana. insuficiência do controle estatal sobre o cumprimento das penas. de gênero e de orientação sexual”. tortura policial. em seu estudo sobre o tema. doenças. Segundo os pesquisadores. alimentação minimamente saudável. mais impactante. educação e trabalho. em sua maioria pobres e negros. à educação. realizado em 2009. falta de segurança interna. racial. havia 563. mortes. a Clínica de Direitos Fundamentais da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Clínica UERJ Direitos apontou.526 detentos em prisões que podem comportar apenas 357. corrupção. a população carcerária. comida intragável. Executivo e Judiciário. quanto de aplicação da lei penal. ou dormindo em cima do vaso sanitário”. A CPI encontrou homens amontoados como lixo humano em celas cheias. violência sexual. beira as 570 mil pessoas.

Em alguns casos. A Clínica UERJ Direitos relata que. convivem com as barbáries promovidas entre si. sofrendo abusos sexuais. absorvente íntimo. pátios. no caso das mulheres. são absolvidos ou condenados a penas alternativas. que conta com número insuficiente de Varas de Execuções Penais. Há casos. e de travestis sendo forçadas à prostituição. deficientes físicos e homossexuais. Além do ócio. à alimentação de mínima qualidade. choques elétricos. Os presos não têm acesso à água. Ao fim. estrangulamentos. publicamente conhecidos. 41% do total. homicídios. barracos ou em contêineres. “dentro” das paredes. Também não recebem material de higiene básica. Os presos sofrem com a falta de informações sobre seus processos e com a própria deficiência estrutural do Judiciário. estripamento e esquartejamento. condições salubres mínimas. As áreas de banho e sol convivem com esgoto aberto. em São Paulo. sanitárias e elétricas depreciadas e celas imundas. mulheres. tiros com bala de borracha. escova de dentes ou. os presídios não possuem instalações adequadas à existência humana. essas deficiências na garantia de direitos fundamentais processuais agravam o problema da superlotação carcerária que. Os presídios e delegacias não oferecem. Muitos desses presos estão sob custódia provisória – segundo o CNJ. estupros. de mulheres dividindo celas com homens. São constantes os massacres. cerca de 41 mil presos que já haviam cumprido pena.33 Dormem em redes suspensas no teto. Conforme aponta a pesquisa. os presos comem com as mãos ou em sacos plásticos. submete os presos em geral às condições subumanas de existência. com espancamentos. na Cadeia Pública Feminina de Colina. Os presos não contam com profissionais de saúde ou com medicamentos. decapitação. além de espaço. como idosos. os Mutirões Carcerários do Conselho já libertaram. para banho e para hidratação. mulheres utilizaram miolos de pão para a contenção do fluxo menstrual. pautada em divulgação feita pelo CNJ. em pé. com o escorrimento das fezes. educação ou qualquer outra forma de ocupação do tempo. Estruturas hidráulicas. desde 2008. Esses casos revelam a mais absoluta falta de critério de divisão de presos por celas. A tortura policial também se faz muito presente. nos corredores. o que alcança também os critérios . muitas vezes azeda ou estragada. Não possuem acesso ao trabalho. O quadro é ainda mais grave contra vulneráveis. por sua vez. Segundo relatórios de inspeção do CNJ. como papel higiênico. o que revela a carência de assistência judiciária. Sobressaindo o caráter estrutural dos defeitos. Há também casos de presos para além do tempo de pena fixado. sem iluminação e ventilação oferecem perigos constantes para os presos e riscos gravíssimos à saúde ante as oportunidades de infecções diversas. em banheiros.

O quadro revela a falência do sistema prisional brasileiro. mal remunerados. não são tratados como seres humanos. Revista de Direito Administrativo Nº 254. Como conclui a professora Ana Paula de Barcellos. O estado de coisas é. – Brasília: Câmara dos Deputados. o que revela o caráter estrutural das deficiências que implicam a situação de tratamento desumano à qual é submetida a população carcerária brasileira. a CPI relacionou e discorreu sobre os diferentes tipos de violação identificados contra os direitos dos presos. realmente. Tudo isso é ainda potencializado pela deficiência do material humano dos presídios: agentes penitenciários em número insuficiente.34 da idade. os presídios brasileiros servem para aumentar a criminalidade dos pequenos delinquentes: “entram pequenos ladrões. saem monstros”. 33 O Relatório Final pode ser encontrado na Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados: CPI sistema carcerário. Entre as páginas 191 e 316 de seu Relatório Final. 2010 (Biblioteca Digital Fórum de Direito Público). Os resultados são violações de direitos humanos dentro dos presídios e aumento da criminalidade e da violência fora desses.32 Além de grave problema de violação de direitos humanos. que apenas produz mais violência. assustador. Segundo dados do CNJ. levada a efeito pela Câmara dos Deputados entre 2007 e 2009. em maior ou menor medida. 3. um quadro massivo de violação de diferentes direitos fundamentais. A CPI do sistema prisional. Capítulos V e VI.pdf> . As taxas de reincidência são muito elevadas e envolvem crimes ainda mais graves. acabam aumentando o contingente das facções criminosas. em torno de 70%. O fim de ressocialização dos presos é algo impensável de ser alcançado. no Brasil. Ana Paula de. 2009. condições das prisões e dignidade humana. resumem muito bem a realidade constatada:33 Capítulo V – Violação dos Direitos dos Presos 32 BARCELLOS. Muitos desses. <file:///C:/Users/CarlosAlexandre/Downloads/cpi_sistema_carcerario. o sistema carcerário brasileiro é também um problema de segurança pública. Edições Câmara. equipados e treinados. A configuração do estado de coisas inconstitucional A situação de fato descrita revela que os presos. alguns com tom sarcástico. Violência urbana. Como costuma-se dizer. Os títulos dados aos tópicos correspondentes. diligenciou em todas as unidades federativas e encontrou. da gravidade do delito e da natureza temporária ou definitiva da penalidade. inclusive os presos provisórios. “o tratamento desumano conferido aos presos não é um problema apenas dos presos: a sociedade livre recebe os reflexos dessa política sob a forma de mais violência”.

Corrupção e Comida no Saco 06 – Assistência à Saúde: Dor e Doenças 07 – Assistência Médica: Falta Tudo 08 – Assistência Farmacêutica: Um Só Remédio para Todas as Doenças 09 – Assistência Odontológica: Extrai Dente Bom no Lugar do Estragado 10 – Assistência Psicológica: Fábrica de Loucos 11 – Assistência Jurídica: Nó Cego a ser Desatado 12 – Assistência Educacional: Ignorância como Princípio 13 – Assistência Social: Abandono e Desespero 14 – Assistência ao Egresso: Feras soltas nas Ruas 15 – Assistência Religiosa: Só Deus não salva 16 – Superlotação: Inferno em Carne Viva 17 – Trabalho: O Ócio Subsidiado 18 – Comércio: Exploração da Miséria 19 – Contato com o Mundo Exterior: Isolamento 20 – Água e Luz: Uma Esmola de Cada Vez 21 – Sem Sol. Avaliação e Registro do Preso 24 – Individualização da Pena: “Misturão” de Presos 25 – Preparação para a Liberdade: Reincidência Institucional 26 – Estrangeiros Capítulo VI – Mulheres Encarceradas: Vergonha Nacional As investigações parlamentares duraram mais de dois anos e o Relatório Final foi entregue em 2009. “não há .35 01 – Falta de Assistência Material 02 – Acomodações: Caso de Polícia 03 – Higiene: Não existe nas Cadeias 04 – Vestuário: Nudez Absoluta 05 – Alimentação: Fome. a princípio. sem Ventilação e na Escuridão 22 – Tortura e Maus Tratos: Agonia Todo dia 23 – Admissão. Apesar de todas as mazelas apontadas e de assumir que.

ao Poder Judiciário e suas Corregedorias e às seguintes Comissões Permanentes da Câmara dos Deputados: Constituição e Justiça e de Cidadania. Ordem dos Advogados do Brasil (Federal e de todos os Estados) e aos Ministérios Públicos dos Estados e Corregedorias que menciona. entre a União e os Estados da Federação a fim de pôr um fim ou. o Relator. ao respeito dos encarcerados e sobretudo para garantir o direito de todos os brasileiros a uma vida tranqüila e segura. ao menos. Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Ministério Público da União. Controladoria Geral da União. Edições Câmara. Defensoria Pública da União de todos os Estados. palavras. por meio das quais tem atualizado o 34 CPI sistema carcerário. Conselho Nacional do Ministério Público. justa e humana para TODOS. governo e sociedade devem juntar as mãos no esforço concentrado e solidário para ABRIR as portas do sistema carcerário ao cumprimento das leis. Ministério do Planejamento. Desde então. programas sociais efetivos. É com este sentimento e com a certeza de que “a vida é um combate. Deputado Domingos Dutra. governo e sociedade estarão caminhando a passo largos para FECHAR as portas de entrada no sistema carcerário. reduzido? Políticas públicas eficazes foram formuladas? Implementadas? Ouviu-se falar de uma ação coordenada desses órgãos e autoridades. Segurança e Administração Penitenciária de todos os Estados da Federação. As diversas diligências realizadas pelo CNJ.cnj. p. acreditamos que com políticas econômicas viáveis. Direitos Humanos e Minorias.36 soluções para o caos carcerário”. em “Sistema carcerário e Execução Penal”: http://www. 2009. Os resultados dessas diligências podem ser conferidos no Portal do CNJ.br/noticias/cnj/28746-cnj-divulga-dados-sobre-nova-populacao-carceraria-brasileira 35 .34 Para que medidas fossem tomadas de modo a não permitir que as palavras de otimismo fossem apenas isso. o Relatório foi enviado para os seguintes órgãos e autoridades: Ministro da Justiça. 618. que aos fracos abate e que aos fortes e bravios só pode exaltar” que entrego à sociedade brasileira este relatório com esperanças renovadas de que é possível construir uma sociedade livre. reduzir os problemas graves apontados pela CPI? As respostas são todas negativas. Presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. o que mudou? O quadro de violação massiva de direitos fundamentais foi.35 em datas posteriores à confecção do relatório.jus. ações de prevenção e combate à criminalidade. Da mesma forma. Ministério da Educação. Diretor do DEPEN – Departamento Penitenciário Nacional. Governadores e Secretarias de Justiça. Ministério do Trabalho. Ministério da Saúde. encerra o trabalho com uma conclusão de otimismo e esperança: Assim. pelo menos. Conselho Nacional de Justiça. – Brasília: Câmara dos Deputados. Pois bem.

aguardando julgamento. Jus ano 45.37 perfil dos presos e das prisões.397 pessoas em prisão domiciliar. Jota. E o déficit existe apesar de ter praticamente dobrado o número de presídios construídos entre 2005 (798) e 2013 (1. Interrogações sobre a política de encarceramento. Ana Paula de Barcellos fixou três conclusões que refletem o quanto o estado de violação de direitos fundamentais dos presos tem sido historicamente agravado: 36 KARAM. “ultrapassado” pela Rússia. os problemas da superlotação carcerária. incluídas as prisões domiciliares. Refletindo sobre a situação dos presos no Brasil. o Brasil possui a 3ª maior população carcerária do mundo.36 Com efeito.463 presos. cf. divulgado em junho de 2014. Falhas estruturais do passado promoveram esse estado de violação massiva de direitos fundamentais dos presos. segundo o último relatório do CNJ. o déficit é de 206. Daniel. As deficiências se mantêm em todas as unidades federativas e os três poderes têm se mostrado incapazes de oferecer soluções minimamente capazes de reverter o quadro. As falhas estruturais permanecem e até se aprofundam. depois apenas dos Estados Unidos e da China.482). para 357. revelam que o déficit de vagas do sistema prisional apenas aumenta a cada ano.info/constituicao-e-sociedade-masmorras-medievais-e-osupremo . “a mãe de todos os problemas”. não é novo e vem se agravando apesar das investigações e documentações realizadas pelos parlamentares e pelo CNJ. também: SARMENTO. De nada adiantou também o Brasil ter sido notificado. pelas Cortes Internacional de Direitos Humanos e Interamericana de Direitos Humanos e pela própria ONU em razão das condições cruéis e desumanas de nosso sistema carcerário. E ainda há 373. em oportunidades distintas. Sem computar o número de presos em domicílio. Maria Lucia. Sobre esses números. incluídas 147. 188. Como apontado no tópico anterior. computando. agravado o problema da superlotação carcerária e das instalações precárias dos presídios. p. esse quadro. Segundo relato de Maria Lucia Karam. no presente.307.219 vagas de detenção.244. Constituição e Sociedade: As masmorras medievais e o Supremo.991 mandados de prisão sem serem cumpridos! Se cumpridos. O que mais impressiona é que 41% desses presos estão sob custódia provisória. o déficit seria muito maior! Considerando o número total. cada vez mais. o Brasil possuía 711. esses números estão inseridos em um rumo expansionista do poder punitivo no Brasil vinculado à política de “guerra às drogas”. de 6 de janeiro de 2015. o Brasil fica em 4º. Tendo em conta apenas os presos em presídios e delegacias. sobe para 354. sendo. segundo a CPI da Câmara. e a persistência dessas falhas têm agravado. http://jota. nº 30. 2014.

O tratamento adequado eventualmente conferido a um preso é que constitui a exceção. sendo-lhes negado todo e qualquer direito à existência minimamente segura e salubre. As penas privativas de liberdade aplicadas em nossos presídios convertem-se em penas cruéis e desumanas. mais do que inobservância pelo Estado da ordem jurídica correspondente.38 A primeira conclusão que se quer enunciar aqui. respectivamente estabelecidos. A diferença é que em algumas partes do mundo essas violações serão uma exceção. o preenchimento dos pressupostos de configuração do estado de coisas inconstitucional. cruel. mas do padrão geral observado no país como um todo.37 Postas as coisas assim. sempre será possível observar violações eventuais aos direitos dos presos. Não se trata de um desvio episódico ou localizado. os presídios brasileiros são “masmorras medievais”. 38 SARMENTO. proibida pelo artigo 5º. Constituição e Sociedade: As masmorras medievais e o Supremo. a violação não é a exceção: é a regra geral. os presos tornam-se “lixo digno” do pior tratamento possível. inciso III. sempre haverá um percentual de condutas desviantes em relação ao padrão. Como em qualquer outra área na qual os indivíduos possam exercer liberdade. http://jota. 2010 (Biblioteca Digital Fórum de Direito Público). Violência urbana. A superlotação carcerária e a precariedade das instalações das delegacias e presídios. de forma inequívoca. A situação revela tortura e tratamento desumano ou degradante de seres humanos. No Brasil. de 6 de janeiro de 2015. assim como a aplicação de penas cruéis. porém. embora se trate de certo truísmo. O artigo 5º. Jota.38 O quadro revela transgressão a diversos dispositivos constitucionais. “a mais grave questão de direitos humanos do Brasil contemporâneo”. degradante. de viabilizar o cumprimento da 37 BARCELLOS. segundo Daniel Sarmento. daí a necessidade da própria existência do direito. higidez física e integridade psíquica. inciso III). é a de que o tratamento conferido aos presos no Brasil. a começar pelo princípio da dignidade da pessoa humana (artigo 1º. Primeiramente. o sistema prisional brasileiro revela violação massiva e generalizada de direitos fundamentais dos presos quanto à dignidade. Como disse o Ministro da Justiça. Daniel. vedado pelo artigo 5º. viola de forma grosseira os direitos humanos. configuram tratamento desumano. A terceira conclusão é a de que esse tratamento desumano conferido aos presos não constitui um evento novo na história do Brasil.info/constituicao-e-sociedade-masmorras-medievais-e-o-supremo . Revista de Direito Administrativo Nº 254. uma anomalia a ser punida pelo direito. incisos XLVIII e XLIX são absolutamente ignorados ao não serem observados os deveres. têm-se. inciso XLVII. Ana Paula de. Parece certo afirmar que em qualquer sistema prisional de que se cogite. A segunda conclusão a apurar é a de que a violação dos direitos humanos dos presos no Brasil constitui o tratamento normal (do ponto de vista estatístico) conferido a tal parcela da população: a rotina e não um desvio eventual. condições das prisões e dignidade humana. e descrito antes. O ponto será aprofundado adiante. ocasionando. ultrajante e indigno a pessoas que encontram-se sob sua custódia. José Eduardo Cardozo. em qualquer lugar do mundo. alínea “e”. normas nucleares de nosso sistema objetivo de direitos fundamentais. tornado letra morta pelo sistema carcerário brasileiro.

A ausência de medidas legislativas.00m2 (seis metros quadrados). de acordo com a natureza do delito. defeito generalizado e estrutural de políticas públicas. a Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos e Penas Cruéis. São requisitos básicos da unidade celular: a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração. a violação massiva de direitos fundamentais dos presos também implica afronta a diversos tratados internacionais sobre direitos humanos ratificados pelo país. sem embargo. como o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. cujo gozo em níveis mínimos compõem o direito fundamental ao mínimo existencial. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório. a Lei de Execução Penal. de 1984. Parágrafo único. educação. XLVIII) e de assegurar aos presos o respeito à integridade física e moral. administrativas e orçamentárias. alimentação. têm-se quadro generalizado de proteção deficiente dos presos. com seu sistema carcerário cruel e desumano.39 pena em estabelecimentos distintos. 5º. assistência judiciária. é responsável por um quadro generalizado de violações reiteradas e massivas de direitos fundamentais das pessoas presas. o Estado brasileiro. É verdade que há legislação ordinária versando direitos dos presos. de forma ostensiva. de 1984. previdência e assistência social. b) área mínima de 6. o quadro de violação massiva de direitos fundamentais está atrelado à omissão reiterada e persistente das autoridades públicas no cumprimento de suas obrigações de garantia dos direitos dos presos – está atrelado a falhas estruturais. Há. . apesar da legislação infraconstitucional citada. são assegurados diversos desses direitos violados. Além da legislação interna. Mesmo diante do evidente insucesso da implementação da 39 Lei nº 7. quanto a perpetuação e agravamento da situação. inclusive o direito à cela individual salubre e com área mínima de 6 metros quadrados. Em segundo lugar. aparelho sanitário e lavatório. Além do mais. Não obstante. a idade e sexo do apenado (art. 88. de 1984. foi criado o Fundo Penitenciário Nacional – FUNPEN.210. administrativas e orçamentárias eficazes voltadas a superar esse quadro representa uma falha estrutural que gera tanto a violação sistemática dos direitos. a Lei de Execução Penal. trabalho. o que inclui a Lei de Execução Penal. verifica-se situação de fracasso generalizado das políticas legislativas. diversos direitos básicos. ofendendo ainda. insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana. Em suma. não fazem parte da vida dos presos: saúde. Desumanos e Degradantes e a Convenção Americana de Direitos Humanos. Com efeito.210/84: Art.39 Por meio da Lei Complementar nº 79/94. Na Lei nº 7.

40 legislação em vigor. nada é feito pelos Poderes Executivo e Legislativo. no caso do sistema carcerário. insere-se a omissão inconstitucional sob a perspectiva material proposta nesta tese (Capítulo II). vem se mantendo incapazes e manifestado verdadeira falta de vontade política em buscar superar ou reduzir o quadro objetivo de inconstitucionalidade. nem de uma única unidade federativa. titulares da criação e aprovação de políticas públicas. em suma. A inércia configura-se não apenas quando da ausência absoluta de legislação. Os poderes. órgãos e entidades federais e estaduais. promovendo proteção deficiente dos direitos fundamentais dos presos. em conjunto. não foram envidados esforços e propostas de políticas públicas para modificar a situação. Por certo que. razão maior das prisões. O terceiro pressuposto do estado de coisas inconstitucional. verificada a situação vexatória de nosso sistema carcerário e notificadas diversas autoridades sobre o quadro de inconstitucionalidades. relacionado ao anterior. se revelam insuficientes ante às falhas em sua implementação. na prática. e sim do funcionamento deficiente do Estado como um todo que tem resultado na violação desses direitos. Esta é a situação legislativa dos direitos dos presos: apesar de existir legislação versando esses direitos. O próprio Judiciário tem contribuído com o excesso de prisões provisórias. de mal funcionamento estrutural e histórico do Estado como fator do primeiro pressuposto. as leis existentes simplesmente “não pegaram”. Nesse quadro amplo de deficiências estatais. revela-se pelo alcance orgânico do conjunto de medidas necessárias para a superação do quadro . não se concretizam em proteção efetiva dos presos. para modificar o quadro. Falta sensibilidade legislativa quanto ao tema da criminalização das drogas. tem matriz na deficiência de políticas públicas. Com efeito. o da violação massiva de direitos. mostrando falta de critérios adequados para tanto. Leis que. e isso independentemente da tipologia dos enunciados normativos constitucionais envolvidos e de ordens expressas de legislar. Falta estrutura de apoio judiciário aos presos. Apesar de instalada a CPI da Câmara dos Deputados. titulares do condomínio legislativo sobre as matérias relacionadas à possibilidade de superação do quadro. mas também quando ausente qualquer tentativa de modificação do quadro uma vez verificada a insuficiência da proteção conferida pela execução das normas vigentes. envolvidos os Poderes Executivo e Legislativo. Trata-se. não se trata da inércia de uma única autoridade pública. A falha estatal estrutural. o estado de coisas inconstitucional relativa ao sistema carcerário brasileiro representa o estágio avançado da omissão inconstitucional sobre o tema. incapazes de reverter o quadro de inconstitucionalidades. e nada é tentado para alterar a situação.

Em casos dessa natureza. do Executivo e do Judiciário. federais e estaduais. a intervenção judicial estrutural. que o criminoso perde o direito à vida digna ou mesmo a condição humana. por si sós. Ao contrário. Como argutamente apontou Ana Paula de Barcellos. e não apenas de um único órgão ou entidade. sem representatividade política. os cidadãos livres acreditam. alocação de recursos. tomarem a iniciativa de enfrentar tema de tão pouco prestígio popular. Com efeito. responsáveis pelas falhas sistemáticas e. as respostas dependem da coordenação de medidas de diferentes naturezas: intervenções legislativas. compreende ordens de execução complexa a instruir ações estatais coordenadas. deve dirigir-se a várias entidades estatais. do Legislativo. devido à impopularidade dessa classe de pessoas.41 de violação massiva e sistemática dos direitos fundamentais dos presos. Trata-se de litígio estrutural. por isso. da mesma forma que o problema do sistema carcerário decorre de deficiências estruturais e as violações dos direitos fundamentais não podem ser atribuídas a autoridades estatais isoladas. ajustes nos arranjos institucionais e nas próprias instituições. A redução ou eliminação desse estado de coisas inconstitucional requer atuação de diversos órgãos. orçamentárias e interpretativas (Judiciário). De um modo geral. A intervenção judicial. não sendo titular de . para aproveitar ao grande número de presos cujos direitos são violados. faz-se inevitável no caso do sistema carcerário brasileiro ante a improbabilidade de os poderes políticos. bloqueios políticos costumam ser insuperáveis. recusando a dimensão ontológica da dignidade humana. executivas. dos diferentes níveis federativos. A vontade política de um único órgão ou poder não servirá para resolver o quadro de inconstitucionalidades. a solução requer “remédios estruturais”. a sociedade não aceita seja eleita como prioridade de gastos públicos a melhoria nas instalações e condições das prisões. O estado de inconstitucionalidades do sistema carcerário brasileiro foi construído pelas omissões persistentes e práticas defeituosas dos diferentes órgãos e autoridades envolvidos. típica da declaração do estado de coisas inconstitucional. novas interpretações e aplicações das leis penais enfim. um amplo conjunto de mudanças estruturais envolvida uma pluralidade de autoridades públicas. A população carcerária brasileira configura minoria desprezada. configurados bloqueios políticos e institucionais que devem ser superados conjuntamente sob pena de persistirem as mesmas falhas estruturais. No mais. de modo que são necessárias novas políticas públicas ou correção das políticas defeituosas.

41 WEAVER.42 quaisquer direitos fundamentais. de forma preventiva.252/MS. de natureza quantitativa. votou pelo direito dos presos à indenização. o que poderia produzir grave congestionamento da máquina judiciária. Isso significa que bloqueios políticos. quanto à reparação pelos danos causados pelas instalações precárias e pela superlotação. muitos acreditam serem as condições desumanas das prisões “justas retribuições aos crimes praticados”.41 Essa impopularidade dos presos faz com que poucos políticos tenham vontade de brigar por recursos públicos para serem aplicados em um sistema carcerário que ofereça condições de existência digna. As condições intoleráveis dos prisioneiros permanecerão ante a falta de incentivos para a ação legislativa e executiva. 1.40 Na realidade.42 O tratamento desumano. permanecerão sem que haja intervenção judicial. 41. dos três poderes e de diferentes níveis federativos. meio de evitar custos maiores ao poder público. A omissão estatal inconstitucional está tanto na base como no agravamento do estado de coisas inconstitucional relativo ao sistema carcerário brasileiro. Daí por que configurado o terceiro pressuposto do estado de coisas inconstitucional: a intervenção judicial. o que só pode ser modificado a partir de medidas estruturais ditadas judicialmente. San Diego Law Review Vol. remédios estruturais. Russel L. Revista de Direito Administrativo Nº 254. caso contrário. Sendo responsável pela custódia e segurança das pessoas presas. 40 BARCELLOS. . psíquicos e morais. Min. normalmente restritivo quanto o tema envolve custos ao Estado. Também resta configurado o quarto e último pressuposto. 42 O tema é objeto de repercussão geral no Supremo: RE 580. dentre elas. Ana Paula de. Rel. o Estado deve oferecer condições minimamente dignas e salubres para os presos. exigindo uma pluralidade de medidas de naturezas diversas. 2004. deve dirigir-se a um conjunto de órgãos e entidades. Contra falhas estruturais. além de grave violação à ordem objetiva dos direitos fundamentais. deverá ser responsabilizado civilmente por danos físicos. Teori Zavascki. relacionado à potencialidade de um número elevado de afetados transformarem a violação de direitos em demandas judiciais. necessária para superar o estado de coisas inconstitucional. p. A situação carcerária brasileira dá ensejo a uma enxurrada de demandas. Consideradas essas possibilidades. condições das prisões e dignidade humana.632. The Rise and Decline of Structural Remedies. O relator. 2010 (Biblioteca Digital Fórum de Direito Público). Violência urbana. a correção do sistema pode ser. faz surgir a pretensão individual dos presos tanto às condições mínimas do cárcere. O julgamento foi suspenso em razão de pedido de vista do ministro Luís Roberto Barroso. a gerarem falhas estruturais. a de indenização por dano moral contra o Estado.

e 5. o Supremo Tribunal Federal intervir para superar esse estado. mais especificamente. Retendo jurisdição sobre o problema. Deve o Supremo controlar a omissão estatal como fator de proteção deficiente de direitos fundamentais. o Tribunal.1. A intervenção possível do Supremo Tribunal Federal Verificados os pressupostos do estado de coisas inconstitucional. a necessidade de uma intervenção estrutural do Supremo: a necessidade de trabalhar com a formulação de “remédios estruturais”. itens 5. Surge assim a possibilidade de o Poder Judiciário. deve estabelecer ordens flexíveis. fixando parâmetros e objetivos a serem alcançados.43 Restam. Em síntese. o que pode o Supremo fazer para tentar reduzir ou acabar com esse estado de coisas? Têm-se. aqui.2. 4. implementação e monitoramento de políticas públicas. deve monitorar a fase de implementação de suas decisões. colocando o problema na agenda política brasileira. importada da Corte Constitucional colombiana. caracterizado o ativismo judicial em sua dimensão estrutural. Melhor dizendo: o sistema carcerário brasileiro é um estado de coisas inconstitucional. A Corte pode. portanto. Mais: deve defender a ordem objetiva dos direitos fundamentais contra as falhas estruturais. em vez de ordens detalhadas. ou instituição capacitada por ele designada. o Supremo poderá promover ou aumentar a deliberação sobre o sistema carcerário brasileiro. deixando aos órgãos do Executivo e do Legislativo a definição de meios e minúcias das medidas. a construção teórica do estado de coisas inconstitucional. no caso do sistema carcerário brasileiro. Evitando a supremacia judicial. serve como argumento de revisão da noção tradicional da omissão inconstitucional e legitima o Supremo a enfrentar o maior problema de violação de direitos fundamentais do Brasil contemporâneo. superar os bloqueios políticos e institucionais (Capítulo III. o Supremo pode interferir sobre a formulação. Assentando que o quadro de superlotação carcerária e de condições desumanas do encarceramento configura um estado de coisas inconstitucional no Brasil. Assim. por meio de medidas estruturais. Promovendo o diálogo . A Corte também pode mudar a opinião pública sobre o tema.) que servem para agravar a violação massiva e repetida dos direitos fundamentais dos presos. máxime a violação massiva de direitos fundamentais e o fator da falha estrutural. despertar a atenção da sociedade sobre o quadro. configurados os pressupostos do estado de coisas inconstitucional. o Supremo.

c) estimular amplo debate público e no Congresso nacional sobre a disciplina legal do consumo e comércio de drogas. Segundo acredito. com o objetivo de verificar o progresso das escolhas de meios. com a presença de todas as autoridades públicas envolvidas e de diferentes setores da sociedade civil. um conjunto amplo e coordenado de medidas visando superar esses 3 problemas. mais de 563 mil presos. o que. máxime os movimentos sociais e as associações de defesa dos direitos dos presos. um aumento de 600% comparados aos 40% de crescimento da população brasileira. b) restringir o uso da prisão provisória aos casos em que verdadeiramente seja comprovada ameaça ao desenvolvimento do processo pela liberdade do acusado e haja probabilidade de sentença condenatória privativa de liberdade ao final deste. representa valioso ganho democrático. essas medidas devem observar os seguintes parâmetros: (i) para reduzir o aumento progressivo da população carcerária a) estimular a aplicação de penas alternativas e o uso da prisão domiciliar. em 1990. fora os mais de 147 mil em prisão domiciliar. o Tribunal deve designar a realização de audiências públicas periódicas. a declaração do estado de coisas inconstitucional pela Corte poderá surtir efeitos diretos e indiretos.219 vagas se computadas as pessoas em prisão domiciliar. O Supremo deve estabelecer e monitorar. por si só. o déficit é de 357. em maio de 2014. em face de diferentes autoridades públicas. (ii) diminuir o déficit de vagas do sistema prisional – conforme dados do CNJ apontados no tópico anterior. opondo a atual política de proibição à possibilidade de legalização com forte regulação e controle da produção. instrumentais e simbólicos. em especial a superação dos bloqueios políticos e institucionais e o aumento da deliberação pública sobre o tema da superlotação carcerária e das condições dessumas e cruéis dos presídios. (iii) melhorar as condições atuais do encarceramento – problemas de instalações insalubres e de falta de atendimento a diversos direitos básicos dos presos. cerca de 90 mil presos. d) atenção total ao processo de recuperação social dos presos a fim de evitar a reincidência penal. O ativismo judicial estrutural dialógico da Corte deve ter 3 focos: (i) reduzir o aumento progressivo da população carcerária – de acordo com dados do Departamento Penitenciário Nacional – DEPEN.44 institucional e provocando maior participação popular nos processos decisórios. . Com esses remédios estruturais.

programas de oferta de trabalho. c) ações de divisão dos presos conforme gravidade do delito. A complexidade das ordens será inevitável. b) determinar sejam feitos mutirões constantes para revisão das prisões provisórias e dos casos de presos que já cumpriram as penas impostas.7. Esses parâmetros devem nortear a formulação e implementação de políticas públicas voltadas a assegurar os direitos fundamentais dos presos constitucional e legalmente reconhecidos e que vêm sendo massivamente violados. fornecimento de medicamentos. b. mas que sejam capazes de coordenar as ações desses poderes dentro dos parâmetros acima apontados.4. O Supremo deve proferir ordens flexíveis.2. b.45 (ii) para diminuir o déficit de vagas do sistema prisional a) os parâmetros acima apontados. b) ações estatais voltadas a assegurar direitos básicos dos presos: b.6. das acomodações insalubres. (iii) para melhorar as condições atuais do encarceramento a) determinar reforma dos presídios existentes. b. assistências médica e psicológica. assistências social e jurídica. b. b. . b. acompanhamento da vida do egresso. que deixem espaço decisório próprio ao aparato político e administrativo dos Poderes Executivo e Legislativo. b.3.1. c) determinar a construção de novos presídios. fornecimento de vestuário. proporcional ao tamanho do problema.8. idade e natureza da prisão. melhoria da alimentação.5. serviços de educação. escuras e sem higiene.

Um passo novo. cunhado por César Rodríguez Gravito e Diana Rodríguez Franco. se adequam ao perfil de uma Corte que não se ocupa apenas de determinados enunciados constitucionais ou ordens expressas de legislar. de “macrosentença”.43 Sem embargo. 43 TORRES. p. Ordens estruturais dessa magnitude. que seguem à declaração do estado de coisas inconstitucional. Trata-se da proposta de o Supremo lançar-se à prática dos remédios estruturais combinados com a jurisdição de monitoramento. e sim com a Constituição como um todo e com o que ela busca de mais importante: a efetividade dos direitos fundamentais. Cómo la Corte Constitucional transform el desplazamiento forzado en Colombia. Os propósitos de superar bloqueios políticos e institucionais. Conclusão Da omissão legislativa ao estado de coisas inconstitucional. vincularia um número expressivo de atores estatais e sociais. largo. César Rodríguez. O Direito Ao Mínimo Existencial.. porém flexíveis. o Supremo deve evoluir seus instrumentos de controle da omissão estatal. GRAVITO. da inércia legislativa e da inabilidade institucional dos governantes para resolverem violações de direitos. 5. combinam o ativismo judicial estrutural com a ideia de diálogos institucionais. FRANCO. 14. cit. mas à altura do problema constitucional e social enfrentado. Ricardo Lobo. 44 . em um cenário de ampla violação de direitos fundamentais como é o caso do sistema carcerário brasileiro. se justificaria em razão da gravidade absurda de violações de direitos que pretende resolver.44 Ela beneficiaria uma imensa população (carcerária).46 Trata-se de típico caso no qual objeções como a reserva do possível não se revelam possíveis ante a violação massiva do direito ao mínimo existencial. Op. e de aumentar a deliberação pública sobre os temas. sentença dessa magnitude merece o rótulo. cit. e revelaria uma ambição incomum quando propõe reter jurisdição sobre o processo de implementação das ordens. talvez demasiadamente largo. legitimam material e procedimentalmente o papel do Supremo em nossa democracia. Cortes y Cambio Social. No mais. permitindo ampla margem de escolha política e técnica aos outros poderes. tendo em conta o amplo espectro de motivos que conduziram à declaração do estado de coisas inconstitucional e o conjunto complexo de ordens necessário à superação desse estado. Diana Rodríguez. Op. sentenças estruturais.

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