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O modelo anatômico humano da Maison Deyrolle: As viagens de um “homem

esfolado” pelas escolas do mundo.

Este trabalho tem o objetivo de apresentar o uso pedagógico de um modelo anatômico
humano, artefato produzido pela Maison Deyrolle, casa francesa conhecida pela
fabricação de materiais pedagógicos diversos, desde mobiliário escolar até instrumentos
científicos de precisão voltados à prática didática. Durante a busca de documentos, feita
em diversos arquivos nacionais e internacionais, para uma investigação de pósdoutorado em desenvolvimento, foi observada a presença dessa peça em diferentes
escolas do Brasil e no exterior (Uruguai, Europa e Indochina), por diferentes suportes.
Essa comunicação pretende responder a seguinte pergunta: O que motivou a aquisição
desse artefato, como material escolar, em tantos lugares diferentes? O “homem
esfolado” era um produto vendido por catálogo, oferecido em escalas variadas, uma
peça que podia ser desmebrada pela desmontagem das partes do corpo, das superficiais
às profundas. Podia ser comprada isoladamente ou em conjunto com outras peças,
dentro de gabinetes de anatomia humana e comparada. É um documento histórico que
nos remete às ilustrações do corpo humano produzidas por Leonardo da Vinci e
Versalius com o seu trabalho De Humani Corporis Fabrica do século XVI. Objeto que
no século XIX, período em que foi produzido, nos demonstra a subdivisão da anatomia
levada a cabo pelo avanço das técnicas cirúrgicas, dando importância tanto à anatomia
topográfica, quanto à anatomia descritiva, no seu caráter morfológico. Como “modelo
anatômico” é um item aprimorado, uma representação tridimensional usada para
apresentar uma espécie natural e uma teoria sobre o Homem. Manuseável, fazia da
observação dos espectadores algo dependente da sua posição no espaço, já que a peça
podia ser desmontada, remontada, girada etc. Nosso interesse está concentrado no
estudo histórico desse artefato, projetado ao mundo escolar como item de consumo para
condutas corporais. Ainda que façamos uma breve apreciação de sua produção
industrial e dos discursos educacionais de época, priorizaremos os desdobramentos
teóricos advindos das possíveis interações feitas entre uma parte dos seus consumidores,
professores e alunos, com o próprio modelo. Busca-se, portato, hipotetizar a conduta
desses sujeitos diante das reminiscências sensitivas embutidas na sua relação com a
peça, dentro de um espaço específico, a sala de aula, levando em conta os estudos sobre
a cultura material. Para tanto, serão apresentados documentos recolhidos no Memorial
do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, Colégio Marista Glória, Centro de
Referência Mário Covas - Acervo da Escola Caetano de Campos, Colégio Progresso
Campineiro, Colégio Arnaldo (Belo Horizonte), Museu Nacional Pedagógico “José
Pedro Varela” do Uruguai, documentos do Centro Nacional de Documentação
Pedagógica (Rouen) e do Museu Nacional de História Natural (Paris).