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Catalogação na

publicação

Sirlei R. Gdull a -

CRB

9V985

Biblioteca de Ciências Humana s e Educação - UFP R

Histórias conectadas e dinâmicas pós-coloniais /

H673

Lorenz o Macagno; Fernando Rosa Ribeiro; Patrícia

Santos Schermann. - Curitiba: Fundaçã o Araucária,

2008.

306

p.

ISBN: 978-85-99229-05-7

1. Colonialismo. 2. Ásia. 3. África. 4. Caribe. 5.

Estado naciona l 6. Pós-colonialismo.

I.Macagno, L . II. Ribeiro, F. R. III. Schermann,

Patrícia S. I . Título.

 

C

D D

321.05

C

D U

321.013

Projeto gráfico: Fernando Alve s da Silva

 

Desenh o da capa: Brun a

Garmatter

Fot o d a

capa : Lorenz o Macagno , minaret e

{Qutb

Minbar)

d a

Mesquit a Central da Ilha de Moçambique,

outubr o de 2000.

Revisão: Angel a

Lazagna

Impressão e acabamento: Artes gráficas Renascer

Ltda.

APRESENTAÇÃ O

PART E

I :

(DES )

CONEXÕE S

ÍNDIC E

7

Capítulo 1 Histórias conectadas: uma proposta teórica e metodológica a partir da índia Fernando Rosa Ribeiro

15

Capítulo 2 Traduzindo mundos, inventando impérios: experiências coloniais europeias e a conquista de espaços epistemológicos na índia Cláudio Costa Pinheiro

51

Capíhilo 3 As conexões entre o Império do Brasil e o Império Otomano no século XIX e a utilização de fontes para além do espaço da eurofonia Paulo Daniel Elias Farah

75

Capítulo 4 Destino: Brasil. Os goeses de São Paulo, 1961-2005 Luísa Pinto Teixeira

j

95

PART E

II : OUTRO S

ORIENTALISMO S

Capítulo 5

 

125

O

"neo-hinduísmo" de Calcutá e a orientalização do Ocidente:

notas a respeito da dinâmica histórica de trânsitos religiosos contemporâneos. Marcos Silva da Silveira

Capítulo 6

 

163

O Orientalismo e o Japão

Elisa Massae Sasaki

PEIRANO,

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Madrid :

Ediciones

1 6 2

CAPÍTUL O

6

O Orientalismo e o Japão

Elisa Massae Sasaki

Universidade

Estadual

de

Campinas

"É o Japão u m país oriental ou ocidental?". "Como o Japão

imagina a sua própria identidade?". Essas indagações muitas vezes são

remetidas à ideia de "Orientalismo" de Edwar d Wadie Said (1935-2003).

E m 1978, ele publico u Orientalismo ~ O Oriente como Invenção do

Ocidente^.

Nessa obra, Said se refere à sociedade islâmica do Oriente

Médio e Próximo-, nos séculos XIX e XX. Para ele, o Orientalismo é u m

modo de resolver o Oriente que está baseado no lugar especial

ocupado pelo Oriente na experiência ocidental europeia, sobretudo

derivada de um a proximidade particular que se deu entre a Inglaterra

e a França e o Oriente, que é o foco de análise do autor.

estilo

Por u m lado, o Orientalismo pode ser

ocidental

para

dominar, reestruturar e

interpretado como

ter

autoridade sobre

u m

o

' Publicado e m português no Brasil, em 1990. A primeir a edição em inglês é de 1978. Ver Said (1990). - O próprio Said (1990:37) diz que o recorte de seu tema está relacionado, dentre outras coisas, com a sua própria trajetória de vida pessoal: "Muit o do meu investimento pessoal neste estudo deriva da minha consciência de ser u m 'oriental' como uma criança que cresceu em duas colónias britânicas. Toda a minha educação,

nessas colónias (Palestina e Egito) e nos Estados Unidos, foi ocidental, e, no entanto, aquela profimda primeira impressão peimaneceu. De muitas maneiras o meu estudo

dessa

do orientalismo foi uma tentativa de inventariar

cultura cuja dominação foi u m fator tão poderoso na vida de todos os orientais. É por isso que para mi m o Oriente islâmico teve de ser o centro da atenção".

em

mi m o oriental, os

traços

163

Oriente, isto é, a relação entre o Ocidente e o Oriente é uma relação de poder, de dominação, de graus variados de uma complexa hegemonia. Em outros termos, para o autor, uma longa h-adição de imagens falsas e romantizadas da Ásia e do Oriente Médio na cultura ocidental sei-viu para justificar implicitamente as ambições imperiais e coloniais da Europa e dos Estados Unidos. Por outro lado, o Oriente ajudou a definir

a Europa (ou o Ocidente) com sua imagem, ideia, personalidade e

experiência de contraste. Nesse sentido, por causa do Orientalismo, o Oriente não era - e não é - u m tema livre de pensamento e de ação impostos pelo Orientalismo. Assim como o próprio Ocidente, o Oriente

é uma ideia que tem uma história e uma tradição de pensamento,

imagística e vocabulário que lhe deram realidade e presença no e para o

Ocidente. A s duas entidades geográficas, desse modo , apóiam-se e, e m

certa medida, refletem-se um a na outra

construção do "Outro" - seja do Oriente, seja do Ocidente - é neces-

sariamente relacional, uma via de mão dupla. N o final dos anos oitenta,

a

(Said,

1990:13-17). O u

seja,

o próprio autor observa criticamente que o termo Orientalismo ve m

caindo na preferência dos especialistas, tanto por ser vago e geral demais, quanto por ser conotativo da arrogante atitude executiva d o colonialismo europeu do século XIX e início do século XX (Said,

1990:14).

O Oriente, diz, "era quase uma invenção europeia, e fora desde

a Antiguidade u m lugar de romance, de seres exóticos, de memórias e

paisagens obsessivas, de experiências notáveis" (Said, 1990:13). N a sua obra, ao falar de Oriente, Said está se referindo, como já o dissemos, ao Oriente Médio e Próximo, sendo que o Japão, que fica no Extremo Oriente, quase não é mencionado. Mesmo com apenas raras abordagens sobre o Japão feitas pelo próprio Said, muitas vezes essa ideia de Orientalismo se faz presente também nas análises sobre esse país. Como então o Japão recebeu o Orientalismo de Said? Quais são os significados da teoria de Orientalismo de Said no contexto japonês?

Nishihar a (2005) observou que o Orientalismo de Said não evocou a mesma forte antipatia dos conservadores como aconteceu no Ocidente. A o contrário, muitos intelectuais japoneses, sejam eles

164

marxistas ou conservadores, são simpáticos à crítica severa de Said oní relação ao Ocidente. Sendo uma nação oriental, o Japão se expôs às fortes pressões políticas e militares das Potências Ocidentais como a Inglaterra, os Estados Unidos e a Rússia, desde os primórdios da

japoneses sempre

estiveram conscientes da representação preconceituosa do Oriente pelo Ocidente e de que o discurso ocidental sobre o Oriente estava profundamente conectado com a estrutura de poder ocidental.

século XIX ao XX, os intelectuais

japoneses estavam bem conscientes do problema da representação do Oriente no mund o ocidental. O Japão tinha u m solo já fértil o suficiente para plantar e sustentar um a teoria anti-orientalista. Entretanto, não é surpresa que a teoria orientalista semeada por Said logo começou a germinar no mund o académico japonês. A recepção de Said não acabou sendo u m mero ressurgimento de u m sentimento anti-ocidental. Mais do que isso, a maneira como a obra de Said foi recebida fez surgir sentimentos de culpa, associados com o fato de que o Japão em si, assim como as potências ocidentais, foi "colonizador".

Posto isto, vale apresentar algumas características do contexto colonial asiático, no qual o Japão exerceu o seu papel de colonizador. N o final do século XIX e ao longo da primeira metade dosséculo XX, o Japão expandiu o seu território imperial na Ásia Oriental, no Sudeste Asiático e em outras áreas do Pacífico, recrutando os colonizados como siiditos leais do imperador japonês.

modernização. A o mesmo tempo, os intelectuais

Desse modo , na virada do

O IMPÉRI O COLONIA L JAPONÊ S N A VIRAD A D O SÉCUL O XI X A O

X X

N a Guerra contra a China (1894-1895), a nação composta de pequenas ilhas triunfou facilmente sobre o gigante chinês. O Japão ocupou Coreia e Manchúria, destruiu a esquadra chinesa e ocupou o porto de Weihaiwei, no Norte da China. O Tratado de Shimonoseki [Shimonoseki Jõyaku TfÂ^^fl], promulgad o n o di a 17 de abril de 1895 entre os imperadores do Japão e da China, finalizou a Primeira Guerra

165

Sino-Japonesa. Nesse acordo, a China cedeu ao Japão a ilha-província de Taiwan, os arredores das ilhas Pescadores e a península de Liaotung, no sul de Manchúria. Além disso, pagou um a grande indenização, aceitou a completa independência da Coreia e deu ao Japão os mesmos privilégios diplomáticos e comerciais desiguais que os ocidentais tinham com a China (Reischauer, 1989:152).

u m

mandato da Liga das Nações na Micronésia (Ilhas Marianas, Carolinas e Marshall, no Pacífico) também foram adquiridos na fase inicial do expansionismo japonês, na virada do século XIX para o XX. Isso se deu,

em parte, porque a Inglaterra foi a única grande potência ocidental com

a qual o Japão fez um a aliança. U m

pacto fo i assinado em 1902, e m que

as duas nações se uniram diante da ameaça da expansão imperial russa na Ásia Oriental. Tendo confrontado a Rússia na Criméia e nas proxi- midades da índia, os britânicos se alarmaram com a aquisição russa da província marítima de Manchúria. Os russos obtiveram concessão de u m porto sem congelamento do mar na Coreia, o que os japoneses consideraram como u m "punhal apontado para o coração do Japão":

isso fez conflagrar a Guerra Russo-Japonesa em 1904. Esta fo i a primeira guerra em que uma potência não-branca venceu uma ocidental. O resultado foi a ocupação estratégica da Manchúria pelo Japão. A partir disso, o Japão foi posteriormente ameaçado pela China. Os direitos a

ocidentais

tratamento d o tipo colonial semelhantes aos que as potências

gozavam foram obtidos na China, especialmente na Manchúria. A aliança nipo-britânica durou até a Primeira Guerra Mundial, rendendo o mandato da Micronésia ao Japão.

A s

Sacalinas

d o

Sul

{Karafulo

[

WÍK

]^),

assim

com o

Se por u m lado, o expansionismo japonês foi parte do fenómeno da virada do século XIX para o XX do imperialismo desen- freado das potências ocidentais, por outro, enquanto única potência asiática, o Japão foi incapaz de prosseguir com as suas ambições diante da oposição combinada do Ocidente. Esse tipo de incorporação de nativos das áreas colonizadas pelos japoneses está profundamente

' Lê-se també m como Kabafuto.

166

relacionado à entrada tardia do Japão na competição internacional pela supremacia política. Na segunda metade do século XIX, quando o Japão entrou para o cenário internacional, as armas literalmente sedimentaram o campo de batalha para a supremacia internacional

entre os países hegemónicos, já que a força do Estado era representada pelo seu poder militar. Por conseguinte, o Estado que obtivesse mais territórios e mais recursos teria maiores chances para o seu desenvolvimento. Contudo, a divisão da Ásia e da África já tinha sido estabelecida entre as potências mundiais europeias. N o sentido de

limitada, o Japão se militarizou rapidamente e

se envolveu ativamente em guerras. A entrada tardia no jogo territorial

mundial se tomo u um a grave desvantagem para o Japão e isso cons- trangeu as táticas de que o Japão pudesse dispor.

Em outras palavras, o Japão foi significativamente afetado pela sua posição ambígua na hierarquia "racial" global, assim como pela sua entrada tardia na competição política internacional. O Japão era o único império não-branco quando uma hierarquia intemacional já tinha se formado pelo discurso da supremacia branca fundada na firme relação entre a civilização superior e forte poderio militar. Nesse sentido, o Japão foi mais forte e mais avançado que outros países asiáticos, mas era relativamente mais fraco d o que ^as potências ocidentais mais avançadas, que eram "racialmente" ocidentais em oposição ao oriental. De qualquer maneira, o Japão passou a ser reco- nhecido internacionalmente como "Grande Potência Mundial". O Impe- rialismo Japonê s fo i reativ o e defensivo para assegurar as fronteiras estratégicas da nação no fluxo do avanço ocidental na Ásia. Enquanto o Japão criticava o expansionismo ocidental no sentido de restringir mais avanços na Ásia, ele justificava seu próprio expansionismo na Ásia.

obter um a "terra livre"

Shimiz u (1998:112) atenta que o recém-adquirido status de "Grande Potência" e a sua ambiguidade na hierarquia racial interna- cional fizeram com que o Japão apresentasse a "Proposta de Igualdade Racial" na Conferência de Paz de Paris, em 1919. Nessa Proposta, os japoneses demandavam igualdade racial com as grandes potências brancas. Isto porque, segundo a autora, o Japão se sentia inseguro com

167

a sua condição de ser a única potência não-branca antes da Primeira

Guerra Mundial , por causa de uma série de desafios colocados por

grandes potências ocidentais, que o expôs à vulnerabilidade do seu nov o status. A situação se deterioro u substancialmente durant e a Primeira Guerra Mundial, em virtude das suspeitas mútuas que alienaram o Japão da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Em resumo,

e visto dessa perspectiva, a "Proposta de Igualdade Racial" era

expressão da incerteza e insegurança do Japão em relação à futura ordem internacional e à sua posição nesse cenário, tendo em vista a sua condição de "minoria", enquanto a única grande potência não- branca. Isso era tido como u m assunto de Estado muito importante, como se a diferença racial se tomasse o úldmo impedimento para assegurar a igualdadg "absoluta" de síflíus com o Ocidente.

A o fazer isso, os japoneses tentaram, intencionalmente ou não, associar duas questões: a da raça e a d o status de grande potência, n o sentido de assegurar a sua futura posição na organização internacional. Para os japoneses, a igualdade racial - e, portanto, de tratamento - era uma condição importante e indivisível a respeito da sua relação com as grandes potências. Como mostra essa associação entre raça e poder, embora a reação dos japoneses evidencie insegurança, no seu complexo de inferioridade, no fundo, o Estado japonês estava percebendo muito bem as regras do jogo intemacional. A hierarquia racial justificava, muitas vezes, a dominação imperialista e a colonização sob o discurso civilizatório, sendo que, na verdade, havia muitos outros interesses por trás, como os económicos, políticos, estratégicos, etc.

Contudo, essa proposta de igualdade racial não foi aprovada

à desilusão

geral que permeou o Japão nos anos 20: a crença de que o Ocidente criara u m sistema intemacional "parcial" e "injusto" nessa conferência teve um a importância simbólica para justificar a crescente "indepen-

na Conferência de Paz de Paris. Co m efeito, isso contribuiu

dência" do país, isto é, uma política externa nipocêntrica e pan- asianista, especialmente nos anos de 1930 (Shimizu, 1998:170).

grandes

de

potências mundiais teve uma importante dimensão racial nos anos

Desse modo, o fato de o Japão ter-se tornado um a

das

168

1920. Isso criou ressentimento e alimentou a insegurança japonesa que,

por sua vez, levou as facções militares extremistas para uma agressão maior. Assim, sob as circunstâncias políticas e económicas que mudaram, um a ideologia racial é rearticulada para responder aos imperativos situacionais. A tese da descendência comu m como ideo- logia racial japonesa foi reconstruída de acordo com o retrato do Japão como u m império, traduzindo-se na ideia de um a cultura japonesa única: a do sangue distinto japonês que apenas o povo japonês teria. A nova identidade japonesa racializada pautava-se no sangue japonês e quem não o possuísse era categorizado como população subordinada o u membro s de "raça s inferiores " (Weiner, 1995:433). A flutuação do discurso das ideologias raciais do Japão ou da origem dos japoneses sugere que os conceitos de nação em si estão sempre moldados pela interação do Estado com o restante do mundo . A essência da ideia de nação racializada do Japão dependeu do esquecimento do passado (Renan, 1990), da invenção da antiguidade no presente (Hobsbawm & Ranger, 1984) e da mudança da ideologia racial de u m império japonês multiétnico para u m Estado-nação japonês homogéneo. Assim, o mito da pureza sanguínea e da homogeneidade japonesa se estabeleceu (Suzuki, 2003:11).

Para o Japão, como para outras potências coloniais, o discurso colonial era, em parte, u m discurso sobre o "Eu " e o "Outro" , expresso cada vez mais na linguagem da raça. Desde o primeiro passo para o Império, nos anos 1870, até o expansionismo militar dos anos 1930 e 1940, a incorporação das doutrinas raciais no discurso japonês sobre o colonialismo se deu em três fases.

A primeira ocorreu no final do século XIX, quando as ideias confucionistas do lugar próprio nas hierarquias sociais e as crenças xintoístas na ancestralidade divina do povo japonês foram revestidas pela ciência racial ocidental. Junto com a craniometria e o darwinismo social, importou-se a noção de tipos raciais e a confusão europeia entre definições nacionais, etnolingúísticas e fenotípicas de raça.

essas ambiguidades apareceram

N o Japão, sistentes e sempr e

como

usos incon-

[W)'ik\

jinsini

intercambiáveis

dos termo s minzoku

169

[Aíi ] para designar raça. O s ideogramas de minzoku remete m literalmente a "pessoas aparentadas" e o termo evoca significados nacionais e étnicos da palavra raça, enquant o jinshu - "tipo s humanos " - implica em uma classificação biológica. Ambos os termos eram empregados para diferenciar os asiáticos dos ocidentais e os amarelos dos brancos; ao mesmo tempo, eles podiam se referir às categorias ('•Inicas dentr o da Ási a com o Han , Manchu , Mongol , Ain u e assim po r eh,mie (Young, 1998:364).

Um número cada vez maior de intelectuais, após a Primeira

Ouerra Mundial , defini u minzoku como u m pov o distinto de atributo s físicos compartilhados e sangue puro, cuja origem pode ser remetida ao período paleolítico. De acordo com Dikõtter (1997:4), a etnicidade continuou sendo identificada com a descendência biológica no período entre as duas Guerras Mundiais, enquanto que as características culturais e raciais constantemente revestiram a literatura política, antropológica e médica. A o longo d o século XX, a noção de minzoku n o Japão amalgamou-se consistentemente com as ideias de cultura, etnici- dade e raça, no esforço de representar as feições culturais como secun-

dárias

raciais foram constantemente dispostas no sentido de explicar as dife- renças culturais.

e derivadas de um a essência biológica imaginada. A s definições

O moment o histórico preciso quand o minzoku substitui u

jinshu nas ciências sociais é difícil de determinar , mas pode-se dize r

dos anos 1920 e se completou

durante a Guerra do Pacífico (1941 a 1945). De acordo com Dowe r (1986:267), minzoku era percebido como coletividades orgânicas que transcenderam seus membros individuais, ressaltando as características nacionais distintas e representando toda uma conjunção fluida de sangue, cultura, história e forma política. Desse modo, a cultura tinha-se transformado em uma propriedade pseudo-biológica da vida comunal. Ademais, ambos os termos já vieram a ter uma equivalência funcional como conceitos que faz qualquer distinção irrelevante. Argumentou-se que, seja onde for, se a cultura é considerada como manifestação de uma essência primordial ou inata, a confiança no critério cultural o u

que

este

processo

se

deu

n o

final

170

étnico na distinção entre os povos funciona da mesma maneira que o determinismo biológico (Miles, 1993:101). A distinção importante não é entre as características culturais ou fisiológicas, mas sim entre os modos como esses critérios são significados e influem. Os processos históricos através dos quais os grupos ou nações se desenvolvem têm se baseado nessas qualidades

inatas assumidas - sejam culturais ou biológicas - e, subsequentemente, elas se encontram dentro das relações específicas de poder e materiais (Weiner, 1997:99).

de

"raça" e "nação" se sobrepõem tão claramente não é exclusiva ao Japão, segundo Weiner (1997:104-105). Essa reificação da nação enquanto entidade orgânica possui, claramente, seus paralelos na Europa contemporânea, onde a conceitualização de nações como formações naturais de grupo s identificados pelos differentiae culturais implicaram em símbolos da nação que se baseavam na "raça". Dado que o Japão estava modelando conscientemente o seu comportamento nas outras esferas de atividades, baseando-se nos seus contemporâneos europeus e americanos, não seria surpresa que o pensamento "racial" japonês tenlia muit o da sua inspiração nas nações ocidentais mais avançadas e desenvolvidas. N o contexto da expansão imperial no final do século XIX, a nova identidade nacional japonesa interagiu com o Ocidente, assim como esta foi redefinida através do contato com o "racismo" científico ocidental.

A segunda fase da incorporação das doutrinas raciais no

discurso japonês sobre o colonialismo, assim como os debates sobre os méritos relativos de assimilação ou associação racial, tem seu começo e m 1895 co m a aquisição de u m império colonial que estimulou a formação de u m discurso oficial e académico sobre o domínio colonial. Esses debates - sobre se era possível e apropriado "japonizar" os súditos coloniais - puseram em movimento o processo de definir e articular a natureza da diferença entre os japones'cs e outros asiáticos no contexto colonial, onde a separação social e a autoridade política absoluta condicionaram as percepções dessa diferença. FreqUentemen-

A

articulação

de

um a

ideologia

e m

que

as

categorias

171

li; foi observado que, nos contextos coloniais europeus, as diferenças entre as políticas, associação e assimilação eram mais retóricas que reais. O mesmo era válido para o Japão: havia uma forte sugestão de que a retórica era o que mais importava. Enquanto a teoria colonial europeia tendia a gravitar, ao longo do tempo, para a posição associa- cionista, desencorajando a difusão das instituições ocidentais, o dis- curso colonial japonês rumava na direção oposta, ou seja, para a assimilação, com o Mar k Peattie (apud Young , 1998:365) apontou .

No s meados dos anos 1930, o entusiasmo pela adoção da ideia da assimilação racial marcou a terceira fase no discurso sobre raça e colonialismo. A política colonial oficial se tomo u racial de mod o mais aberto, o que se justificou pela mistura das seguintes construções: mito- histórica, confucionista e pseudo-científica de raça, as quais vinham se desenvolvendo há meio século. Isso aparece na política de kõminka [.êKf-fc - imperialização] adotada em Taiwan e Coreia, onde se tentou forçar a assimilação racial através da difusão da língua japonesa, nomes japoneses e santuários xintoístas. A racialização da política colonial também era evidente no planejamento administrativo da "Esfera de Co-Prosperidade". Finalmente, também se pode ver uma missão em voga para colonizar Manchúria, que pela primeira vez na história do colonialismo japonês articulou uma política oficial de expansionismo racial (Young, 1998:365).

Ainda antes de prosseguirmos, vale discorrer sobre a "Esfera de Co-Prosperidade da Grande Ásia Oriental". Isso nos ajudará a esclarecer o background sobre a discussão sobre o Orientalism o e o Japão, tema deste capítulo.

A ESFER A D A CO-PROSPERIDAD E D A GRAND E ÁSI A

ORIENTA L

N o final de 1942, o império japonês adquirira u m domínio formal e informal de mais de 34 milhões de pessoas que povoavam uma vasta área, desde as ilhas Salomão, em meio ao Pacífico, à fronteira da Birmânia com a índia e desde a floresta de Nova Guiné à

172

costa gelada de Att u e Kiska (Peter Duus , apud Suzuki , 2003:9). A o adquirir as áreas além das fronteiras do mund o oriental, o Japão encontrou u m sério problema ideológico para legitimar sua expansão

colonial.

comum] foi uma justificativa persuasiva para a Dominação Colonial

na Era Meiji. Os japoneses compartilhavam com seus vizinhos do

nordeste da Ásia o sistema de escrita, de religião, de tradições filosó-

ficas, bem como a fenotipia. A o enfatizar especialmente

cultural, o Japão tentou integrar a Ásia Oriental. Contudo, quando o império japonês passou a incorporar mundos culturais mais distantes, como o Sudeste Asiático, o dõbun dõshu deixo u de ser aplicável para a dominação. Como uma espécie de resolução para este paradoxo, foi propost a " A Grand e Esfera da Co-Prosperidade da Ásia Oriental " [Dai Tõa Kyõeiken - X%'^.^'^Wi]- Segundo Gordon (2000), o Primeiro Ministro japonês Matsuoka Yõsuke [íâ|Sl#ír] (1880-1946) anunciou a ideia da "Esfera da Co- Prosperidade da Grande Ásia Oriental"^ em agosto de 1940. Contudo , as raízes da Esfera da Co-Prosperidade remete m a muito s anos antes desse anúncio formal. Os japoneses a imaginaram como u m bloco autárquico de nações asiáticas, por eles liderados, livre das potências ocidentais. A ideia de superioridade cultural japonesa sobre as outras raças asiáticas foi exposta no início do século XIX e cresceu intensamente até o final da Segunda Guerra Mundial. Por exemplo, o famoso educador Fukuzaw a Yukich i [|gfÍfiÍT*í] (1834-1901) escreveu, e m 1882, A Missão do Japão na Ásia, par a apoiar a ideia de Imperialism o Japonê s e o Destino Manifesto d o Japão , para lidera r a Ásia. N o início d o século XX, muitos grupos e escritores ultranacionalistas, como a Sociedade do Dragã o Negr o [Kokunjukai - H^è] ' e Kit a Ikki [ií-WY (1883-1937),

A noção de dõbun dõshu [|s]3tl5]|ii - cultur a comum , raça

a comunalidade

'

O

termo

japonê s

dõbun

[WX]

també m

pode

ser

interpretad o

com o

"mesm a

escrita". 5 Doravante referida como "Esfera da Co-Prosperidade". <• A Sociedade d o Dragã o Negr o [Kokímjiáai - ftliftè]

fo i

u m

grup o

da

direita,

ultranacionalista e paramilitar no Japão. Seu nom e deriva do

Rio

Amur , na

China,

chamado de Heilongjiang ou "Rio do Dragão Negro". Ela foi fundada em 1901 por Uchid a Ryõhe i [1*1 IB e surgi u a parti r de Gen'yõsh a o u Sociedad e do

173

gaiili .iiMii i mn . i gLirid c popularidade co m suas visões d e qu e os

expulsar as potências estran-

.ili.ivés d a guerra, se necessário. Muitos desses grupos ultrana-

cionalistas acreditavam que a pureza moral da raça Yamato e a ancestra-

j',cii.i,'.

j ,i|i (.iH-,(- .

.Icveriain liderar a Ásia para

lidade única d o Japão como descendente d a Deusa So l Amaterasu qualificava e justificava os japoneses a liderarem a Ásia. Como já fo i

dito, e m 1905 o Japão veio a ser o primeiro país asiático a derrotar um a potência ocidental, os russos, na Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905,

o que fez aumentar a confiança d o Japão n o seu destino d e liderar a

Ásia.

As razões económicas desempenharam u m importante papel

no anúnci o d o Japã o sobre a Esfera da Co-Prosperidade, e m 1940 . O

como petróleo

das índias Orientais Neerlandesas (atual Indonésia) e a borracha d a

suprir e manter a sua

americano d o

petróleo e do carregamento marítimo d e aço ao Japão e outras restrições sobre carregamento marítimo de matérias-primas impostas por nações ocidentais levaram os líderes japoneses a buscar recursos no s países asiáticos para assegurar sua auto-suficiência. O s outros países asiáticos da Esfera da Co-Prosperidade servia m d e mercados exportadore s par a

Indochina (atual Vietnã), co m o objetivo d e indústria manufatureira e militar n a China. O

Japão visava tanto as matérias-primas d a Ásia Oriental,

embargo

Oceano Negro. Uchida foi o discípulo d o fundador d o Oceano Negro, assim como Toyama Mitsuru [ s li: * o 4 ]. Antes das Primeira e Segunda Guerras Mundiais, os Dragões Negros foram infames pelas suas práticas de espionagem, sabotagem e assassinatos n o Japão, China, Rússia, Manchúria e Coreia. O grupo, junto co m outros d o género, ajudou a preparar o terreno para as futuras organizações

criminosas d e yakuzn n o lapão. O colapso d o governo democrático d o Japã o no s

po r essas

sociedades patrióticas. Além disso, alguns argumentam qu e o envolvimento d o

anos de 1920 pode ser atribuído às frentes agressivas praticadas

Kokuryiikni fo i d e grand e importância para levar o Japã o à Guerr a d o Pacífico 1945), especialmente e m relação à Segunda Guerra contra a China.

' Kit a Ikk i [Jh—íítí] (1883-1937) fo i u m auto r e

ocidentais.

Acreditam qu e a atitLide agressiva anti-ocidental de Kita tenha sido um a das inspirações para o ataque d o Japão Imperial n o Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial.

crítico

da democracia japonesa, dizendo que isso foi corrompido pelos valores

(1937-

intelectua l japonês.

Ele er a u m

que o Japão escoasse seus bens manufaturados e, também, forneciam terras para a svia população. Além dos fatores culturais e económicos, as ambições políticas

internacionai s d o Japã o també m levara m à formaçã o d a Esfera da Co-

líderes japoneses acredita-

Prosperidade. Desde o final d o século XIX , o s

vam possuir o mesmo direito que as potências ocidentais e m adquirir

e manter colónias n a Ásia. O Japão considerava as colónias como u m

pré-requisito para alcançar o prestígio intemacional, o qu e o tornaria

imperialistas

ocidentais também subjugaram o Japão através d e um a série d e atos

um país d e primeira classe [ ' -^ H lító koku ] . O s países

coercivos, insultos e provocações, qu e causaram entre os japoneses.

um a inflamada ir a

Na

Conferência

Naval

d e

Washington

e m 1921-1922, po r

exemplo, forçaram o Japão a aceitar a divisão - desfavorável para o país

-

proporção, respectivamente, d e 5:5:3. E m 1919,

de Paris, os países ocidentais rejeitaram o acordo japonês qu e deinandava um a cláusula d e igualdade racial n a Liga das Nações. E m 1924, o s Estados Unido s aprovaram a Lei d e Exclusão de japoneses para findar a imigração japonesa ao seu território. Esta série de eventos internacionais significou um a afronta ao orgulho japonês e ao seu sínftís de potência, qu e fo i preenchida co m sentimentos militaristas e que, finalmente, levou o Japão a atacar as potências ocidentais para estabe- lecer a Esfera da Co-Prosperidade.

d e navios

d e guerra entre

Estados

Unidos,

Inglaterra e Japão, n a n a Conferência d e Paz

Os

líderes japoneses usaram a Esfera

da Co-Prosperidade

n a su a

propaganda para as pessoas tanto d o Japão quanto de outros países asiáticos. O s líderes falavam d a "Ásia para os asiáticos", da necessidade de se liberar os países asiáticos das mãos das potências imperialistas ocidentais e d e co-prosperidade económica para as nações-membro d o bloco autárquico. Como o Japão ocupou vários países asiáticos, eles estabeleceram governos junto com os líderes locais qu e proclamaram sua independência em relação às das potências ocidentais.

Esfera

da Co-Prosperidade

era be m diferente d a propagand a tão disseminada. O s

Os países ocupado s logo perceberam

que a realidade d a

governos locais estabelecidos pelos japoneses se tomaram regimes- fantoche através dos quais os japoneses tomavam todas as decisões importantes. Os representantes do governo japonês tiveram uma grande insolência e desdém para com a população local e impuseram u m programa de "japonização" sobre esta com pouca ou nenhuma consideração pelos costumes e crenças locais. Co m objetivo de trans- formar os colonizados e m verdadeiros japoneses "espiritualmente", o movimento de imperialização consistiu em quatro grandes programas (Suzuki, 2003:17):

(1) a reform a religios a -

saisei

ittchif;

a introduçã o

d o

Estad o

xintoíst a

[í^i S

Sí(

(2)

o

moviment o da "língu a nacional " [HIsêJlEíi

kokugo

undõ];

(3)

a

campanh a de mudanç a de nom e de orige m

[iiJíínCè^íi sõshi

kaimei]

 

e

(4) o recrutamento de voluntários militares [É:-.M^MíMshigan'hei

seido].

A campanha de mudança forçada do nome dos coreanos para

nomes japoneses introduziu uma clara distinção entre os próprios japoneses e os siiditos coloniais. Durante a era colonial, os coreanos não eram considerados estrangeiros quanto ao seu status legal, mas era m classificados como "pessoas de fora (do Japão) " - Gaichijin e m

com o

"pessoas de dentro", isto é, do Japão propriamente dito'. O Estado japonês separou os registros japoneses e coreanos e não permitiu que os coreanos mudasse m seus registros de família Gaichi [f/hik] para os registros Naichi mesmo que eles morassem n o Naichi, o u seja, n o

Japão metropolitano (Miyata apud Suzuki, 2003:25).

contraste

a Naichijin

[l^jilllA] -

os japoneses

era m

classificados

" O tenn o japonês "saisei iitcjii" (reforma religiosa) refere-se à unidad e entre religião

e Estado

no

sentido

mais

ampl o {lato

sensti),

não

se

restringind o apenas

ao

caso

nipônico.

' Esses mesmos

termos também se aplicam a outras regiões ocupadas

pelo

expansio-

nismo militar japonês, como Taiwan (ou Formosa) e Sacalina do Sul (ou Karafuto).

176

Segundo Eiji Ogum a {apuá Askew , 2001), dois dos conceitos

centrais presentes nesse debate sobre a fronteira entre os japoneses e

a "aceitação " [hõsetsu - fliíH] e "exclusão " [liaijo -

#1^] . Várias pessoas que se encontravam na periferia do Japão não eram ne m aceitas como japonesas (quando queriam, por exemplo, u m recurso) nem excluídas como não-japonesas. Essas pessoas ocupam u m a posiçã o ambígua , que Ogum a chama de "Japoneses, mas não- japoneses", o u seja, aqueles que eram freqiientemente definido s como japoneses em termos de obrigação, mas como não-japoneses em termos de direitos. Aceitação e exclusão eram mecanismos usados nu m processo de fronteira simbólica que atuava para diferenciar entre "nós" e "eles". A fronteira discutida por Oguma enfatiza a dimensão espacial ou geográfica da etnicidade como o grande critério de pertencimento à comunidade imaginada dos japoneses. Pessoas que habitavam certos espaços era m definidas, com o já dissemos, de Gaichijin e Naichijin, estes considerados japoneses de "primeira linha ou classe" e aqueles de "segunda classe". U m ponto enfatizado pelo autor sobre o Japão pré- guerra em particular é o tamanho desse espaço. Longe de considerarem- se um a nação homogénea, os japoneses ativamente propagaram u m conceito de nacionalidade que se estpndeu, não apenas a Okinawa e Hokkaídõ, mas também à Coreia e a Taiwan. ,

não-japonese s era

Todas as informações e propaganda que o povo japonês recebeu sobre as guerras e as novas possessões coloniais levavam-no a acreditar na sua superioridade em relação aos seus stiditos coloniais, quem os japoneses esperavam govemar com punho de ferro. Em suma, muitos japoneses tinham pouca familiaridade com conceitos como "igualdade" ou "direitos iguais", especialmente quando seu próprio governo ainda era autoritário. Os coreanos e os chineses não seriam confiáveis, pois eram vistos como uma raça inferior desde o início, não sendo percebidos como japoneses; e, em alguns casos, os japoneses descobriram que os novos migrantes não queriam se assimilar tão cedo, de mod o que tais rumores serviram de desculpa para que alguns japoneses partissem para a violência.

177

T

Muilos povos nativos desses países asiáticos sofreram e inoricra m devid o ao trabalho forçado, à tortura e à execução. A Esfera da

Voltando à questão do Orientalismo, pode-se dizer que,

Co l'ros\ieriãíide se tomo u um a outr a form a de imperialism o opressivo,

enquanto u m dos resultados, a concepção de Edward Said de pós-

OIKU'

antes havia a

imposição imperialist a

das naçõe s ocidentais. Com o

colonialismo foi facilmente adotada pela tradição do marxismo japonês

disse

Mar k Peattie (aipud Young , 1998:365), a ironi a e a tragédia d o caso

que condenou o militarismo do pré-guerra, à medida que a ala esquerda

japonês foram que, na sua fase final, o império colonial incluiu o que havia de pior sobre as questões raciais mais contraditórias de ambos

os padrões . A retórica d o dõbun dõshu [W\'XW\M - "mesm a cultura ,

mesma raça"] foi usada, não apenas em relação aos colonizados, mas também em relação às potências ocidentais, no sentido de justificar o

projet o da Esfera da Co-

dõbun dõshu fundava-se n o

argumento de que a "dominação dos asiáticos pelos caucasianos era

colonização, mas a dominação dos asiáticos pelos asiáticos era liberação colonial " (Peter Duss, apud Suzuki , 2003:28). A lógica po r trás d o dõbun dõshu apresentav a um a dupl a face: po r u m lado , a afirmaçã o d o Orientalism o ao declarar a sua superioridad e e, assim, legitima r seu controle sob o nome da "missão civilizatória". Por outro, o claro desafio - contrário ao Orientalismo - ao afirmar a "libertação" da Ásia [Tõ-A no Kaihõ Jli.íÉ ^ MM], o que, obviamente, significava a colonização da Ásia pelo Japão'". Conseqiientemente, para Suzuki (2003:29), o império japonês não pôde ser formulado em uma lógica coerente de relações raciais ou de um a ideologia racial. N o final, isso levou o Japão

controle

Prosperidade. A hipocrisi a da retórica d o

japonê s

na

Ásia,

especialmente

o

a um a doutrina e política coloniais inconsistentes, incapazes de

justificar sua legitimidade como u m império para si mesmo, para os colonizados e para o restante do mundo. Entretanto, é válido dizer que

nem um a ideologia racial coerente,

pois ambas implicam, sempre, u m discurso plurivocal, ambíguo e inconsistente por sua própria natureza.

não há ne m um a política colonial,

*

*

=f

Entretanto, isso não é tão óbvio assim, pois havia sim u m ideal de independência, como por exemplo, na Indonésia.

178

da academia começou a aplicar sua teoria para analisar melhor o discurso d o Japão no pré-guerra em relação aos outros países asiáticos.

A recepção de Said no Japão foi, portanto, u m fenómeno considerável.

A primeir a tradução para o japonês de Orientalismo surgi u e m 1986, oit o

anos após a publicação do original em inglês. Desde então, várias

atrás da outra . O nom e de 'E-do-

wa-a-do Sa-i-i-do' K17 — K • •t^^ — K] é muit o popula r entre os inte- lectuais japoneses hoje. Se percorrermos as prateleiras de "Pensamentos Contemporâneos" das grandes livrarias japonesas, pode-se facilmente encontrar pilhas de traduções das suas obras (Nishihara, 2005).

traduções desta obra emergira m um a

Orientalismo, um a vez que foi trazida

ao contexto asiático oriental, tornou-se mais complicada. Não há duvida de que o Japão se situa no Oriente, mas em termos políticos,

Como, então, a discussão

do Orientalismo Japonês contribui para a teoria geral? Qual foi o impacto da obra de Said entre os intelectuais japoneses,?

Pode-se dizer que a referência de Said ao Japão é fragmen- tada. Também é verdade que ele focaliza o Japão apenas como u m membr o do Oriente e negligencia o seu outro lado: o imperialismo japonês. Contudo, exatamente essa falta de referência ao Japão nos escritos de Said acabou incentivando os críticos japoneses a

examinarem a teoria orientalista no contexto da Ásia Oriental. O Japão tem características tanto do Oriente quanto do Ocidente, o que compõe a realidade da história moderna japonesa. Olhando o mund o

Entretanto, a teoria do

procurou se toma r um a nação "Ocidental".

de

Oriente, enquanto a maioria dos países asiáticos e africanos foram colonizados e sofreram a exploração das Potências Ocidentais. Neste cenário, a estratégia adotada pelos japoneses foi contraditória. Enquanto era necessário que a nação japonesa insistisse na sua singularidade -

o Japão foi a única nação que se desenvolveu no

u m século

atrás,

179

enfatizando, primeiramente , o espírito d o Orient e através d a Esfera da

Co-Prosperidade - quand o surgi u a questão da civilização, o Japã o

comportou-se inteiramente como u m Estado ocidentalizado no processo

de dominação das áreas asiáticas vizinhas.

Neste contexto, o antagonismo binominal de Said - Oriente/

Ocidente; colonizador/colonizado - tomou-se extremamente complica-

do. Imazaw a Noriko , a tradutor a d o livr o Orientalismo para o japonês ,

afirma no seu posfácio à obra:

Na estrutura do Orientalismo, o Ocidente como o Sujeito ou Dominador e o Oriente como o Objeto ou Dominado, colocam-se em oposição. Considerando esta estrutura, o Japão Moderno tem uma posição extrema- mente especial. Geográfica e culturalmente, o Japão, sendo parte do mundo não-ocidental, sem dúvida pertence ao objeto ou dominado. Contudo, o Japão moderno tentou ser uma das potências imperialistas e, assim, a nação foi ávida ao aprender o pensamento ocidental no sentido de estabelecer suas próprias colónias (Nishihara, 2005).

Existem

muitos

exemplos

sobre

o

Japão enquanto u m país

oriental. O discurso ocidental sobre o Japão, assim como sobre o mund o

islâmico, se caracterizou, em geral, por atribuir, a esses mundos, u m

caráter autoritário, fanático e cruel. Por exemplo, a criação da represen-

tação dos guerreiros samurais [# ] fo i associada

tradição d o suicídio harakiri [M^H >) ] (també m

[WM]) e mesm o os ataques aéreos dos kamikaze [fl^Il] , durant e a

Segunda Guerra Mundial, foram interpretados como evidências das

características bárbaras dos japoneses. A espada japonesa era a principal

imagem da violência. É possível que os próprios intelectuais japoneses

tenham contribuído para essas representações, cooperando para a sua

propagação mundial, à medida que foram receptivos à imagem

ocidental de u m Samurai mais imaginário do que real. Nesse sentido,

u m dos processos através do qual as ideologias ou mitos dominantes

a essas imagens. A

chamad o de seppuku

1 8 0

construiu a "Japonicidade", desde os meados do século XIX, foi o da

"samuraização" , com o sugeriu Befu {apud Iwabuchi , 1994). Por exemplo,

Nítob e Inazõ " [SfíÊ/^fSit] (1862-1933), auto r de "Bushidõ, o Espírito d o

Japão" [Sririi] (1900), pautou-se na imagem do Samurai para

proclamar a grandeza da ética tradicional japonesa. Os valores

confucionistas da classe guerreira dos samurais - que compunha

apenas 6% da população - foram amplamente disseminados através

da educação e do trabalho. Tais valores incluem lealdade dos inferiores,

benevolência dos superiores, respeito à hierarquia, diligência e o baixo

status da mulher . A formação social japonesa fragmentad a indic a que

nela não havia homogeneidade (Iwabuchi, 1994). Entretanto, para

construir um a nação unificada, várias ideologias, mitos e "tradições

inventadas" (Hobsbaw m & Ranger, 1984) tiveram que ser representadas

e disseminadas.

U m outr o exempl o é a gueixa com o u m epítom e d o

cliché da sensualidade imposta sobre o país. O Oriente, incluindo o

Japão, foi associado, pela imaginação ocidental, com a gratificação de

prazeres sexuais: a gueixa aparece repetidamente na literatura e arte

ocidental . Por exemplo , as peças Madame Crisântemo (1887), d e Pierre

Lot i (1850-1923), e Madame Butterfly (1904), compost a po r Giacom o

Puccini (1858-1924), fora m amplamente baseadas nas imagens que se

tinham e ainda se têm das gueixas.

Contudo, não se deve concluir precipitadamente que a imagem

sexual da gueixa foi imposta unilateralmente pelo Orientalismo ociden-

tal. Os japoneses também se utilizaram deste discurso. N o contexto

japonês, a imagem sexual foi suavizada e a gueixa se tornou o símbolo

da beleza japonesa, tomando-se mais aceitável (Nishihara, 2005).

" Nitobe Inazõ era u m ativista político internacional, educador, filósofo,

agricultutor japonês cristão. Ele foi vice-Ministro da Liga das Nações e foi o fundado r da Universidade Cristã Feminina de Toky o [Tohjo joshi Daigaku - Í I B ÍÇ-F :fc ¥ ] . O seu retrato está impresso na nota de 5.000 ienes (de 1984 a 2004).

1 8 1

Kiih.inl

II . Minea r

{apud

Iwabuchi , 1994) argumenta

qu e

os

observadores ocidentais d o Japão, como Lafcadio Heam'-, Cham- borlaiiii'' e Reischauer'^ compartilham questões ontológicas sobre o t)iidenle e o Outro exótico, porém, inferior: o Japão. Eram fascinados por algumas partes "exóticas" d o Japão e lamentaram a perda d a tradição japonesa "autêntica" no processo de modernização. Entretanto, todos eles estavam certos de que o futuro do Japão seria modelado pela civilização ocidental (Iwabuchi, 1994).

Por su a vez, o que a experiência japonesa faz pensar

Orientalismo? Com o a discussão d o "Orientalismo Japonês" contribui

a questão d a

à

mutabilidade entre o "Sujeito" e o "Objeto".

Na teoria d e Said, o Oriente sempre antagoniza o Ocidente. O papel d o colonizador - principalmente Inglaterra, França e Estados

sobre

o

teoria

d o Orientalismo como

u m todo?

Aqui ,

surge

12 Patrick Lafcadio Hearn (1850-1904) também é conhecido como Koizumi Yakumo

['J^iS.7*.8l depois d e ganhar a cidadania japonesa. Ele fo i u m autor muit o conhecido po r seus livros sobre o Japão. É especialmente bem conhecido pelos

japoneses nas suas coleções de lendas e histórias de

"

Tokyo desde 1886. Foi u m

Japão durante o século XIX. Ele fo i o primeiro

mítica d a criação do Japão] para o inglês (1906) [ver sites dessa tradução como, por exemplo: "japcmcse Creation Myth (712 CE) - Front Genji Shibiikaxoa: Tales from the Kojiki" (Washington State University):

http://www.vtfsu.edu:8080/-wldciv/world_civ_ieader/world_civ_reader_l/kojiki.ht

ml; e Kojiki Index: http://www.sacred-texts.com/shi/kj/index.htm ] ; os primeiros Haiku (poesia japonesa composta d e 5, 7, 5 unidades fonéticas, geralmente descre-

vendo as impressões sobre a natureza) para inglês. Também escreveu livros tais como "A Handbook of CoUoquial Japanese" (1888); "Things /apatwse" (1890); "Practical

Guide to the Study

I* Edwin Oldfather Reischauer (1910-1990) nasceu e cresceu em Tóquio. Estudou n a

Escola Americana no Japão, formou-se e m 1931. E m 1939

Massachusetts, Estados Unidos). Lecionou nessa mesma Universidade, foi diretor d o I larvard-Yenching Institute e d o Departamento de Línguas d o Extremo Oriente, 'lambe m e m Harvard , ele fundo u o Japaii Institute, qu e posteriormente fo i reno- meado para Edivin O. Reischauer Institute of Japanese Studies, e m sua homenagem . El e foi Embaixador americano no Japão (1961-1966). Tem uma vasta produção sobre o Jnpão.

e m Oberlin (Ohio, Estados Unidos) e

fantasmas.

Basil

Hall

Chamberiain

(1850-1935)

fo i professor

da Universidade Imperial d e

dos mais proeminentes japonólogos britânicos aHvos n o

a traduzir Kojiki [iSílffiC - história

of Japanese Writing"

(1905).

fez bacharelado

doutorou-se na Universidade de Harvar d (Cambridge,

182

r

Unidos - e os colonizados - como os países muçulmanos - são fixos. N o caso d o Oriente Médio, essa estrutura pode ser válida. Contudo, se considerarmos outras áreas do mundo, a situação é mais complicada. É

e

um a afronta à

academia ocidental. Esses autores, principalmente Kerr, travaram discussões polémicas em torno d a obra de Said'=. Pelo fato d e o Oriente de Said nã o contemplar nações como Rússia, Turquia o u Japão, o simples pertencimento ao Ocidente o u ao Oriente implicou e m muita controvérsia.

Por su a vez, a obra d e Said teve apoio e influenciou impor- tantes autores como os teóricos literários Homi Bhabha (1990) e Gayatri Spivak (1988), que reconhecem a influência profunda e trans- formador a qu e o livr o Orientalismo troux e para vários campos d e conhecimento da área das ciências humanas.

as críticas não invalidam, contudo, a

sua principal tese sobre os séculos XI X e XX , n o qu e se refere às representações gerais d o Oriente n a mídia, n a literatura e no s filmes ocidentais.

esta uma das críticas à obra d e Said, feitas por Bernard Lewis (1993)

Malcoim Kerr (1980) qu e consideraram sua teoria

Mesmo

sendo

corretas,

Qua l é então a relação entre "Ocidente versus Oriente " e "Colonizado r versus Colonizado" ? A representação d o Ocidente pelo Oriente talvez seja intencionalmente distorcida. A s nações orientais, contudo, nunca colonizaram o Ocidente. A representação d o Outro - neste caso, o Ocidente - não é necessariamente relacionada ao colonia- lismo. Para Nishihara (2005), a representação d o Outro pertence ao

âmbito d a cultura, enquanto o colonialismo deriva, principalmente, do s

aspectos

"Sujeito" podem mudar e isso é o que toma a discussão do Orientalismo

Japonês possível.

económicos e políticos. Dentro d o Orientalismo, "Objeto" e

Nesse sentido, n o contexto d a Ásia Oriental, a obra d e Said

parte d o

reanimou

a discussão

sobre

a presença

d o Ocidente

nessa

>s Ve r no próprio livr o Orientalismo as críHcas que Said (1990) faz a Lewi s e outros orientalistas ocidentais, por exemplo, nas páginas 114-116 e 319-326.

183

mund o e sobre a história e as repercussões do imperialismo japonês. O discurso Orientalista ocidental sobre o Japão tem sustentado a construção e a manutenção da "Japonicidade": a própria construção do Japão de "Japonicidade" tem utilizado bem a diferença com o

Miller {apud Iwabuchi , 1994) chama

de "auto-Orientalismo": "É como se os japoneses estivessem determina- dos a fazer isso a eles mesmos e à sua própria cultura antes que os outros façam isso a eles". Em relação ao que Said chama de "estabelecer o Outro", no caso do Japão temos que lidar com o raro espetáculo de uma cultura vigorosamente determinada a se orientalizar. Nesse senti- do, Iwabuchi (1994) observou que no processo de auto-Orientalização do Japão, a entidade imaginada culturalmente e geograficamente do "Ocidente" tem sido discursivamente criada de mod o sistemático. Embora isso fora feito intensivamente nos últimos cinquenta anos, mesmo na virada do século XIX ao XX podemos discernir a construção do "Ocidente". Como Carol Gluck (1985:137) argumentou, o que importava era a ideia de Ocidente que os japoneses criaram para se definirem - o Ocidente real era irrelevante.

"Ocidente". É isso que Roy

Andre w

Por isso, as imagens do Ocidente eram contraditórias: por u m lado, as nações ocidentais se imaginavam como entidades superiores, iluminadas e civilizadas para serem emuladas; por outro, elas eram

condenados como individualistas, egoístas e frias (Dower 1986; Roland

A s imagens, tanto positivas quanto

negativas, do "Ocidente" co-existiram como os dois lados da mesma moeda, mesmo que apenas u m dos lados seja enfatizado, dependendo das circunstâncias. Mesmo se o Japão tivesse desenvolvido u m discurso desumanizado d o "Ocidente", o seu auto-Orientalismo não pode ser

visto como Ocidentalismo, o que Said rejeita como "resposta ao Orientalismo". Isto porque o auto-Orientalismo do Japão não teve nem tem poder para dominar o Ocidente. Além disso, o Japão fala sobre o "Eu", enquanto o Ocidente, fala sobre o "Outro".

Robertson, apud Iwabuchi , 1994).

"auto-Orientalismo" do

Japão como um a estratégia passiva do inferior. A estratégia do Japão de

Contudo,

seria

muito

simplista ver o

construir e de

auto-afirmar sua

identidade cultural nacional

tem

sido

184

ativamente explorada pelo "Ocidente", que efetivamente se opõe ao

Orientalismo. Isso se passou, especialmente, quando o país chegou a ultrapassar muitos países ocidentais, pelo menos em termos económicos

estilo institucionalizado de pensa-

mento baseado na oposição binária entre Japão e o Ocidente. Assim, o auto-Orientalismo passa a ser um a mera tendência dicotomizante defensiva (David Morley; Kevi n Robins, apud Iwabuchi , 1994; Roland Robertson, apud Iwabuchi, 1994).

Ironicamente, é a mudança da suposta "Japonicidade" que os orientalistas ocidentais anteciparam sobre o futuro do "Japão Pré- Moderno " que tom a o "Japão" escandaloso ao "Ocidente", tornando- se o "auto-Orientalismo" do Japão problemático ao Orientalismo. N o entanto, isso pode levar a uma leitura errónea do auto-Orientalismo Japonês enquanto u m sério desafio ao Orientalismo Ocidental. A o contrário, a relação entre o discurso orientalista do Ocidente sobre o Japão e o discurso do Japão sobre si mesmo é caracterizada por uma profunda cumplicidade, como argumenta Iwabuchi (1994). Ambo s

tendem a usar o "Outro " para essencializar o "Eu " e reprimir as vozes

heterogéneas no

dimensão da aliança de poder e conhecimento dentro da nação e entre

do "Outrq " desumani-

as nações, enquanto a construção discursiva

zado tem sido sutilmente utilizada pela elite para instilar sentimento

interior de cada um . Essa perspectiva abre para um a

e

tecnológicos,

desenvolvendo

u m

nacionalista na mente das pessoas. Por exemplo, as vozes heterogé- neas do povo no interior da nação têm sido reprimidas através do discurso homogeneizante de u m imaginário "'Nós' contra 'Eles'".

Para o Japão, em seu caminho para a modernização, a ênfase

sobre a "Japonicidade" tem sido crucial para os grupos dominantes

como um a forma de

estratégica é algo que maximiza os interesses nacionais e minimiza o individualismo, consistindo em traços como a lealdade o u devoção ao país. Como Carol Gluck (1985:137) notou, "N o Ocidente imaginado, as pessoas eram incapazes de ser leais e filiais e isso era suficiente para definir esses traços como sendo essencialmente japoneses".

mobilizar as pessoas. Essa "japonicidade"

185

Assim o "Ocidente" era utilizado para conter as consequências "indesejáveis" da modernização, como o crescente individualismo ou o sindicalismo, que priorizava os direitos do povo. Por exemplo, quando os movimentos sociais, como o sindicalismo, tomaram-se populares nos

anos

Essa ideologia enfatizou os valores tradicionais do paternalismo, através da qual o Japão em si e as empresas eram comparadas às famílias. Claramente, esse mito de "Japonicidade" foi utilizado para reprimir as demandas do povo por "Democracia" ou Direitos Humanos, sendo os conflitos sociais e as dissidências atribuídas à "doença" ocidental (Iwabuchi, 1994).

de 1920, a ideologi a d o "ie" [" i "] fo i intensivamente defendida .

Antes de prosseguirmos, vale aqui, atentarmos ao conceito

"ie". Amplament e discutido, é entendido como "casa" u m grup o domiciliar e de trabalho (empresarial, industrial, comercial, etc) que se reproduz ao longo de gerações. Chie Nakane (1926) escreveu um a obr a intitulada Tate Shakai no Ningen Kankei T^li^f^XPílMi?! ] (1967), sendo que o título e m inglês é Japanese

Society (1992 [1967]),"

das obras mais importante s

no Japão. Nesta obra, a autora procurou construir uma imagem estmtural da referida sociedade, sintetizando as peculiaridades da vida japonesa. Nakane enfatiza o caráter coletivo da sociedade e das instituições japonesas. Nesse sentido, para a autora a "estmtura" é mais importante do que o "atributo" no Japão. Em outras palavras, o que determina primariamente na auto-identificação do japonês é o seu pertencimento institucional o u organizacional, o u seja, o fato de ser o membro de u m grupo corporativo, mais do que o seu stoíus individual.

que se

tomo u um a

das

O

empresas,

"ie " está

sendo

amplament e

que

arraigada na ideologia e/ou filosofi a

caracteriza

o grupo corporativo japonês

se

" Chie Nakane nasceu em 1926 em Tokyo. Ela é antropóloga social, especialista em

estrutura social da índia, Tibet e Japão. Formou-se pela Universidade de Tokyo, foi

a primeira mulher a lecionar nessa renomada universidade, assim como a primeira

mulher japonesa antropóloga e japonóloga. Atualmente é Professora Emérita desta mesma universidade. Ela também estudou na Universidade de Londres e faz parte

da

de u m milhão de cópias vendidas e foi traduzido para 13 línguas

Associação Britânica de Antropologia. E m 1967 publico u este livro que teve mais

estrangeiras.

186

pelas relações verticais de hierarquia, diferentemente das sociedades ocidentais, nas quais prevalecem as relações horizontais. Posto isto, podemos dizer que, através dessas comparações seletas com os "Outros", o auto-Orientalismo também deixa de lado a exclusão das vozes dos reprimidos, como os grupos minoritários, como os Ainu, os Coreanos e os Burakumin, que compõem mais de 4 % da população, além das mulheres e da classe trabalhadora. A o afirmar "'Nós', os Japoneses" [^"^ B^A wareware nihonjin] e m oposição aos

"Outros, os Ocidentais", a "Japonicidade" constmída discursivamente é

reificada. Kan o (apud Iwabuchi , 1994) argumento u que a

conceito de "japonês" está em seu significado inclusivo e que esse conceito implicitamente inclui todos os aspectos da terra, habitantes, língua, raça, etnicidade e nacionalidade, enfim, tudo que não foi historicamente diferenciado u m do outro. Qualquer discurso sobre a "japonicidade" tende a começar com algumas definições ambíguas de "japonês". Assim, di z Iwabuchi (1994), o auto-Orientalismo do Japão tem sido seletivamente manipulador e repressivo. O "Ocidente" é necessário à "invenção da tradição" do Japão, à supressão de vozes heterogéneas dentro do Japão e à criação de uma nação, moderna, na qual o povo seja leal ao "Japão". O auto-Orientalismo é, portanto, um a estratégia de "inclusão através da exclusão" e de "excjusão através da inclusão". Amba s as estratégias não pode m ser separadas um a da outra e funcionam eficientemente apenas quando são combinadas.

força d o

Nesse sentido, a visão particularista do Japão de si mesmo

conspira com o discurso orientalista que define o Ocidente como a referência universal, admitindo e naturalizando a hierarquia de poder e racial em que os brancos se colocam e também são colocados pelos

complementa o outro, não importando o

quanto o Japão tenta se diferenciar do Ocidente no sentido de se representar em seus próprios termos. Assim, a identidade do Japão é posicionada em termos ocidentais, os quais, por sua vez, estabelecem a centralidade do Ocidente como o ponto de referencia universal. Quanto mais avidamente o Japão tenta falar sobre si mesmo na sua própria língua, mais é representado em termos ocidentais. Mas o

japoneses;

no

topo.

U m

187

Japão e o Ocidente, "nunca estão em u m conflito real", ressalta Iwabuchi (1994). O centro universal, que é também uma invenção e construção ocidental, marca sua própria posição: ele apenas confirma sua superioridade ao falar sobre o "Outro". Em contraste, as marcas particulares da sua própria posição usam a estrutura universal de referência, sem a qual nunca poderia falar de si mesmo, muito menos afirmar sua superioridade. Em suma, o particularismo japonês e o universalismo ocidental demandam u m ao outro.

jAPÃo :

U M PAÍS ASIÁTIC O O U OCIDENTAL ?

Antes da Primeira Guerra Mundial, o Japão já vivia as suas contradições - internas e externas - inerentes ao seu próprio passado. Por exemplo , a perspectiva que via o país com o pró-ocidente {Datsu-A ron [K'^m] - escapar da Ásia) ou , então, õbei kyõcliõ shiigi [E»:>í<:^^ai±il] - que considerava o Japão como Ocidente e ao mesmo temp o enfatizav a a Europ a e os Estados Unidos ) versus Pan-Asianism o {Ajia shugi [r y r que vi a o Japã o com o part e da Ásia) . Isso

mostra a natureza problemática do Japão que se projeta internacional- mente.

Ajia-Shugi versus Datsu-A era usad o para explicar a mudanç a de padrão do debate da política externa do Japão que foi se ajustando à situação de mudança política na Ásia Oriental. O desenvolvimento das duas perspectivas pode ser delineado da seguinte forma: no início da era Meiji , nisshin teikei ron [HM.^iÈfm - coalizão sino-japonesa] floresceu. O Japã o procuro u se alinhar co m a China, pois ela era percebida como seu aliado natural, dado o background cultural comparti - lhado e uma longa associação histórica e bilateral. Assim, juntas protegeriam suas independências nacionais contra o Ocidente.

Mas a China não se modernizou rapidamente e o Japão nela começou a perder confiança como seu parceiro equiparado. Então ocorreu uma mudança de atitude: a do respeito mútuo à postura mais crítica e à incapacidade da China lutar contra o imperialismo ocidental.

188

O Japão procurou crescentemente reformar a China no sentido de ajudá-la a se tomar mais modernizada e ocidentalizada, pois os

japoneses

percebiam que esse seria o único mod o de conter a ameaça

ocidental.

Co m o tempo, o Japão percebeu que seria desvantajoso se

associar com países atrasados como a China e a Coreia, pois as grandes

potências ocidentais poderiam confundi-lo com esses países. Isso tornou imperativo que o Japão escapasse da Ásia e se juntasse ao Ocidente [Datsu-A Nyú-Õ ^&.A^], pois o país nipônico considerava já possuir o

espírito,

nacionalismos japonês

e chinês se intensificou. Os intelectuais no Japão estavam imensamente atraídos pela ideia de resolver as contradições entre as nações e os povos em um a comunidade asiática oriental que transcendesse os dois Estados-nações. Cientistas, artistas, cineastas, planejadores urbanos, economistas, arquitetos, marxistas", os burocratas mais astutos e ambi- ciosos foram reunidos na Manchúria para ajudar a realizar esse sonho. O projeto tinha grandes objetivos resumidos nos seguintes slogans:

"Harmonia Interracial", "Harmonia das Cinco Raças" e "Todo o Mund o sob u m Teto". Seria u m Estado pós-colonial, multirracial e multiculhiral, cristalizando a essência do Estado-nação, o que envolveu a negação do Ocidente, a negação do colonialismo, do capitalismo, mesmo do marxismo e o alcance de u m estágio de desenvolvimento além do capitalismo e do comunismo. Contudo, a visão precipitada produziu u m Quimera'*: u m Estado-monstro híbrido e estranho que, ao pôr do sol, desapareceu como Atlantis (McCormack, 2004).

tend o se modernizad o e se ocidentalizado (Shimizu , 1998:91).

Desde os anos 1920,

o confront o entre os

 

A

relação

de

alteridade entre o Oriente e Ocidente,

que

Said

cunho u

de "Orientalismo" , te m permanecid o com o o leitmotiv,

tanto

de

estudiosos

ocidentais,

quanto da auto-percepção japonesa. Já

que

"

projeto nacional japonês, '« Quimera é u m monstro

cauda de serpente e que lançava

foram

N o

Japão,

os

marxistas

cooptados

pelo

Estado

para

Ocidente.

cabeça

de

Em

leão,

fazerem

corpo

parte

de

popular,

do

algo que não aconteceu no

mitológico

que

possuía

fogo

pelas

ou

cabra,

o

termo "quimera" alude a qualquer composição fantástica, absurda ou monstruosa,

constituída

narinas.

linguagem

de elementos disparatados

incongruentes.

189

continua acreditando nisso, eles

serão n'lLilaiiles eni abraçar qualquer comunidade regional que possa diluir a sua superioridade na Ásia. Os esforços japoneses para tentar recuperar a iniciativa em relação à China sobre a integração regional é uma manobra desesperada para fazer o impossível: ajustar a superioridade centrada no Imperador do Japão à associação a um a comunidade regional.

Já que as fórmulas de integração e comunidade da Ásia Oriental implicam que as fronteiras do Estado-nação sejam transcen-

didas e um a nova identidade seja forjada, nenhu m outro país esteve diante de uma enorme dificuldade como o Japão. Para este país

te m sido u m processo de "Datsu-A" - despren -

dimento ou negação da Ásia - uma mistura de singularidade japonesa

e o sentimento de não fazer parte da Ásia, sempre no sentido de superioridade na região, juntamente com a Ocidentalização.

Contudo, exatamente o mod o contraditório e frágil de

imaginar e representar a niponicidade foi funcionalmente importante no processo de consolidação de u m Estado-nação moderno para resistir

à expansão imperialista ocidental do século XIX e para construir um a

economia nacional.

Entretanto, n o século XX, o Tmnõsei - Sistema Imperia l

(do pré-guerra)], o Kokutai [M# - ideologia política japonesa] e u m tip o de "Identidade Japonesa" privilegiada e única se tornaram u m obstáculo aos esforços de se estabelecer um a comunidade regional e a causa da falha que Tõjõ reconheceu tardiamente. Ne m o imperador e os deuses do Japão, nem o Estado militarizado puderam compelir um a vassalagem asiática, na Manchúria, na China ou no Sudeste Asiático. Muit o do que se pensava sobre a Ásia entre a Era Meiji (1868 a 1911) e início d o período Shõwa (1926 a 1986) sobreviveu durante os anos 1930,

de um a forma transmutada após 1945. Isso continuo u a

embora

prescrever sobre a superioridade japonesa e da "não-asianidade", sobre a discriminação, o preconceito e a obstruir qualquer tentativa de cons- truir uma Ásia Oriental ou Nordeste Asiático hoje (McCormack, 2004).

iiiii nimicK i significante de japoneses

insular, a modernidad e

190

Na sua visão do "Outro " em relação aos países não-ocidentais, o Japão compartilha o discurso orientalista do Ocidente. Combinado ao auto-Orientalismo, o Japão desenvolveu u m Orientalismo "ocidental" através da aceitação acrítica da hierarquia das civilizações construída pelo Orientalismo , com o podemos ver no slogan da era Meij i "Datsu-A Nyú-Õ [IJiíSA^] " (escapar da Ásia e se junta r ao Ocidente). Além de tudo, o Japão foi a única potência imperial não-ocidental na história moderna. A estratégia defensiva do Japão de falar sobre si mesmo nunca foi inocente. A agressão imperialista do Japão manifesta na Segunda Guerra Mundial sugere que a retórica da identidade nacional japonesa não apenas o ajudou a emparelhar-se ao Ocidente, mas o ajudou, pelo menos, a se tornar o centro da Ásia (Iwabuchi, 1994).

Segundo Lie (1996:5), os escritos dos orientalistas ocidentais e dos japoneses auto-orientalistas informam e influenciam uns aos outros nas discussões dominantes no período pós-guerra no Japão. A o enaltecer a singularidade japonesa, eles subestimam as diferenças internas no contexto das mudanças históricas de seu país. Eles também ignoram outros fatores cruciais ao focar quase exclusivamente sobre "cultura". A o fazer isso, eles delinearam o Japão como sendo uma sociedade distinta de outros Estados-nações industrializados.

A grande maioria de escritos auto-orientalistas tem avistado muitas armadilhas da cultura e da sociedade japonesa, nos primeiros anos do período pós-guerra. Mas, mesmo assim, houve uma repercussão de modo a elevar o grau de autoconfiança que a população civil nipônica em geral passou a ter. Isso se pode basear, por exemplo, no orgulho de pertencimento a uma sociedade que foi derrotada na Segunda Guerra Mundial, saiu das cinzas da guerra, reconstruiu-se e experimentou o período de prosperidade de crescimento económico (Lie, 1996:5). Dentro deste contexto, as "Teorias sobre a Japonicidade", o "Nihonjinron" [R^^AIâ ] ou , então, o Nihon Bunkaron [frl^lCitfià - teorias sobre a sociedade, povo ou cultura japonesa], como sua contrapartida ocidental, não atentam para as diferenciações internas e transformações temporais, na medida em que enfatizam as diferenças entre o Japã o e o Ocidente. O Nihonjinron raramente lida co m as relações

191

entre o Japão e outros países não-ocídentaís. De fato, o Japão é

incrivelment e insensível ao olhar

na discussão sobre Ajia shugi ['>' ^ ift ] versus Datsu A [Hí ] , isto é,

vimo s

para essns outras nações, com o

as linhas pró e contra a Ásia.

Desse modo, o Japão não teve que marcar sua posição em

relação aos países não-ocidentais, pois estava absolutamente certo da

ser

compensada pela superioridade com relação aos não-ocidentais (Russel,

1991). Seu desafio contra a hegemonia ocidental tendeu assim a levar

menos à desconstrução desta do que à mudança da dicotomia entre o

"Ocidente" e o "restante" para a tríade "Japão", "Ocidente" e o "restan-

te", sem muda r a lógica binária.

sua superioridade. A inferioridade com relação ao Ocidente poderia

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