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RESUMÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL PARA O MPU PROFESSOR: FREDERICO DIAS

Aula

2 – Resumão sobre Repartição de Competên-

cias,

Tribunais de Contas e Funções Essenciais à Justiça

Bom dia!

E aí, caro aluno? Pronto para mais um resumo?

Hoje trataremos de repartição de competências, Fiscalização contábil, financeira e orçamentária e funções essenciais à justiça.

Vejamos o nosso conteúdo de hoje

1 - Repartição de Competências

2 – Fiscalização contábil, financeira e orçamentária

2.1 - Organização do TCU

2.2 – Tribunais de contas estaduais, distrital e municípios

3 – Ministério Público

3.1 – Princípios institucionais do Ministério Público

3.2 – Garantias e vedações

3.3 – Funções

3.4 – Conselho Nacional do Ministério Público

3.5 – Ministério Público Especial junto aos tribunais de contas

3.6 – Prerrogativa de foro

4 – Outras funções essenciais à justiça

4.1 – Advocacia Pública

4.2 – Advocacia

4.3 – Defensoria Pública

Boa aula!

1 – Repartição de Competências

Logo

de início, é preciso que você saiba que a repartição de

competências é o ponto nuclear de um Estado Federado, sua essência,

já que é o que garante a autonomia dos entes que o integram.

A própria Constituição Federal estabelecerá as competências legislativas, administrativas e tributárias de cada um dos entes.

A competência tributária é a aptidão para criar tributos, descrevendo hipóteses de incidência, sujeitos ativos e passivos, bases de cálculo e alíquotas.

Mas, para nós, objetivamente, o importante são as competências administrativas e legislativas.

As competências administrativas (materiais) consistem num campo de atuação político-administrativa. Não se trata de atividade legiferante, mas de atuação efetiva para a execução de tarefas.

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Por sua vez, as competências legislativas são competências constitucionalmente definidas para a elaboração de leis sobre aqueles assuntos expressamente definidos.

Vou sintetizar, desde já, o quadro-geral de competências estabelecidas pela nossa Constituição. Observe bem como funciona a repartição de competências. Logo a seguir explicarei as classificações apresentadas nesse esquema. Assim, ao terminar a leitura, volte a ele para uma total compreensão.

Sintetizando:

volte a ele para uma total compreensão. Sintetizando : Bem, podemos considerar que há dois modelos

Bem, podemos considerar que há dois modelos de repartição de competências: o modelo horizontal e o modelo vertical.

Na repartição horizontal, não há relação de subordinação entre os entes no exercício da competência. É dizer, naquelas matérias, os entes atuam em pé de igualdade (cada um com plena autonomia para exercer aquelas competências). É o caso das competências estabelecidas nos arts. 21, 22, 23, 25 e 30 da CF/88, em que não há ingerência de um ente na atuação do outro.

Na repartição vertical, ocorre uma relação de hierarquização no exercício da competência estabelecida pela Constituição. Os entes atuam sobre as mesmas matérias, mas têm níveis diferentes de poder no exercício daquelas competências. É o caso da chamada competência legislativa concorrente prevista no art. 24 da Constituição, como será visto adiante.

A Constituição Federal de 1988 adotou como diretriz geral, para repartir as competências, o princípio da predominância do interesse.

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Ou seja, as matérias de interesse predominantemente local foram atribuídas aos municípios (ente federado local). As matérias de interesse predominantemente regional foram destinadas aos estados-membros,

e as matérias de interesse predominantemente geral ficaram com a União.

A predominância do interesse foi, portanto, o princípio adotado como

regra para a repartição de competências pela Constituição Federal de

1988.

Além disso, o poder constituinte originário optou pela seguinte técnica:

União enumerou expressamente – competência enumerada expressa (art. 21 e 22);

Municípios enumerou expressamente – competência enumerada expressa (art. 30);

Estados-membros não enumerou expressamente, reservando a eles as competências que não lhes são vedadas na Constituição – competência não-enumerada ou remanescente (art. 25, § 1º).

Observe que, se, como regra, a Constituição não enumerou expressamente a competência dos estados, não se pode dizer que nenhuma competência foi outorgada a eles de forma expressa na Constituição. Afinal, é dos estados a competência para exploração do gás canalizado (CF, art. 25, § 2º), para a criação de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões (CF, art. 25, § 3º), para a modificação dos limites territoriais dos municípios (CF, art. 18, § 4º), bem assim para organizar sua própria Justiça (CF, art. 125).

Outro aspecto é que, em se tratando de competência tributária (competência para instituir tributos), é a União que dispõe de competência residual (e não os estados!) para instituir novos impostos além daqueles discriminados na Constituição (CF, art. 154, I), bem assim para instituir novas contribuições de seguridade social (CF, art. 195, §

4º).

Já o Distrito Federal, recebeu as competências de interesse predominantemente local (municipais) e regional (estaduais), pois há vedação à sua divisão em municípios (CF, art. 32). Entretanto, você deve ter em mente que nem todas as competências dos estados foram atribuídas ao DF. Afinal, os incisos XIII e XIV do art. 21 estabelecem que compete à União organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.

Foram ainda criadas:

I) competência administrativa comum – outorgando-a a todos os entes federados (CF, art. 23) – caso de competência administrativa em que os

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sem

subordinação);

II) competência legislativa concorrente – apenas entre a União, os

estados e o Distrito Federal (CF, art. 24).

Quanto a esta última, trata-se de competência importantíssima para concursos públicos. A competência legislativa concorrente está disciplinada no art. 24 da CF/88. Observe, logo de início, o primeiro detalhe: concorrem a União, estados e DF (municípios não).

I) Competência para União, estados e DF legislarem sobre determinados temas, mas não em condições de igualdade (modelo vertical, em que há certa hierarquização).

II) União estabelece normas gerais, o que não exclui a competência

suplementar dos Estados.

III) Estados-membros podem suplementar as normas gerais expedidas pela União, desde que não as contrariem.

Ou seja, compete ao governo federal estabelecer as normas gerais, sem descer aos pormenores. Cabe aos estados e ao DF a adequação da legislação às suas peculiaridades.

IV) Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. Entretanto, a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário (não se trata de revogação).

Cabe comentar ainda alguns detalhes.

Em primeiro lugar, as competências da União estão previstas no art. 21 e no art. 22 da CF/88.

No art. 21, estão estabelecidas as competências administrativas (de competência exclusiva da União, portanto indelegável).

No art. 22, estão estabelecidas as competências legislativas (de competência privativa da União, portanto delegável). É dizer, são listados temas sobre os quais compete à União legislar.

entes

atuam

com

igualdade

de

condições

(atuação

paralela,

Competências da União:

a) Privativa legislativa e delegável (art. 22)

b) Exclusiva administrativa e indelegável (art. 21)

Quanto à competência privativa, vale destacar que pode ser que os estados e DF (municípios não) venham a legislar sobre questões específicas (não é sobre aquela matéria em geral) relacionadas às matérias listadas no art. 21. Para isso, é necessário que a União delegue essa competência por lei complementar (CF, art. 22, parágrafo único).

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Por fim, vale ressaltar que a União não poderá realizar essa delegação a apenas um, ou apenas a alguns estados-membros, pois isso ofenderia a isonomia federativa, segundo a qual é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios criar preferências entre si (CF, art. 19, III).

Bem, infelizmente algumas questões vão cobrar a memorização de determinadas competências

Aqui vai uma dica: são muitas as competências para você memorizar. Ainda como concurseiro, aprendi que o difícil mesmo é saber diferenciar o campo da competência privativa da União (art. 22) com o da competência concorrente (art. 24).

Isso porque as competências exclusivas (art. 21) e comuns (art. 23) são materiais e não legislativas. E a diferença entre essas duas não é tão complicada. Pegue sua Constituição

Temas gerais como (CF, art. 23): zelar pela guarda da Constituição, conservar o patrimônio público, proteger o meio ambiente, preservar as florestas; são exemplos de competências de todos os entes (veja como são assuntos bem comuns e gerais).

Já assuntos como (CF, art. 21): manter relações com Estados estrangeiros, declarar a guerra e celebrar a paz, decretar intervenção federal, emitir moeda; são exemplos de competências exclusivas (materiais) da União.

Quanto a essa distinção, não há grandes dificuldades (verifique os arts. 21 e 23 da sua Constituição)

Já a distinção entre competências privativas da União e competências concorrentes não é tão simples.

Portanto, minha sugestão é a de que você guarde apenas aquelas competências expressas no art. 24 (competências concorrentes). Faça uma lista e memorize essas competências. Assim, caso venha uma questão cobrando competência legislativa fora daquelas do art. 24 (competência concorrente), você poderá marcar que é competência privativa da União.

Vamos ver quais são essas competências:

“Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico (Mnemônico: P – E – T – U - F);

II - orçamento;

III - juntas comerciais;

IV - custas dos serviços forenses;

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V - produção e consumo;

VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do

solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da

poluição;

VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e

paisagístico;

VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a

bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e

paisagístico;

IX - educação, cultura, ensino e desporto;

X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;

XI - procedimentos em matéria processual;

XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;

XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;

XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;

XV - proteção à infância e à juventude;

XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.

Bem, apesar do que eu disse, eu sugiro que você memorize pelo menos as seguintes competências privativas da União (sempre cobradas em concursos):

I) direito penal e direito civil (CF, art. 22, I);

II) trânsito e tranporte (CF, art. 22, XI); e

III) sistemas de consórcios e sorteios (CF, art. 22, XX).

Quanto a esse último item, veja o teor dessa súmula vincultante:

Súmula Vinculante 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual

ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios,

inclusive bingos e loterias.

Além disso, acredito que valha a pena conhecer os arts. 25 e 30 da CF/88 (que são bem pequenos).

“Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis

que adotarem, observados os princípios desta Constituição.

§ 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.

§ 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão,

os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a

edição de medida provisória para a sua regulamentação.

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§ 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões

metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por

agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

“Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar sobre assuntos de interesse local;

II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;

III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como

aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e

publicar balancetes nos prazos fixados em lei;

IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou

permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do

Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental;

VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população;

VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada

a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.

Vejamos

alguns entendimentos jurisprudenciais já cobrados em

concursos.

(CESPE/ANALISTA ADMINISTRATIVO/STF/2008) Lei municipal que obrigue a instalação, em estabelecimento bancário, de equipamentos de segurança é considerada constitucional, pois aborda um assunto de interesse eminentemente local.

Jurisprudência batida e rebatida do STF. Observe que se o assunto diz respeito a interesse local a competência é dos municípios.

Guarde os seguintes detalhes sobre as competências municipais:

I) “é competente o Município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial.” (Súmula 645)

II) cabe à União (e não ao município!) a competência para a fixação do horário de funcionamento de agências bancárias, tendo em vista que o tema extrapola o interesse meramente local.

III) por outro lado, cabe aos municípios legislar sobre qualidade de atendimento aos clientes, inclusive de instituições bancárias (instalação de equipamentos de segurança, tempo máximo de espera na fila etc.).

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Item certo.

(CESPE/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/VITÓRIA/2007) A vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária é inconstitucional.

Segundo a jurisprudência do STF, é inconstitucional, por ofensa à autonomia federativa, a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária. Esse assunto foi sumulado pela nossa Corte:

É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária” (Súmula nº 681).

Item certo.

(CESPE/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/VITÓRIA/2007) Se determinado município Y editar lei que proíba a instalação de nova farmácia a menos de 500 metros de estabelecimento da mesma natureza, tal lei será considerada inconstitucional, pois a norma exorbita de sua competência para o zoneamento da cidade, afrontando princípios constitucionais como a livre concorrência, a defesa do consumidor e a liberdade do exercício das atividades econômicas, que informam a ordem econômica consagrada pela Constituição Federal brasileira.

Outra questão que cobra o conhecimento de súmula do STF:

“Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área” (Súmula nº 646).

Item certo.

(CESPE/ADVOGADO DA UNIÃO/AGU/2006) A definição dos crimes de responsabilidade é competência legislativa privativa da União, assim como o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento destes.

Segundo entendimento consolidado do STF, compete privativamente à União legislar sobre crime de responsabilidade (inclusive no que diz respeito aos governadores), pois se trata de legislar sobre direito penal (CF, art. 22, I):

São da competência legislativa da União a definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento” (Súmula 722).

Item certo.

2 – Fiscalização contábil, financeira e orçamentária

O Poder Legislativo tem como função típica não só a produção de leis, mas também a função fiscalizadora. Nesse sentido, a titularidade do Controle Externo é do Congresso Nacional.

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Para o desempenho dessa função, ele será auxiliado pelo Tribunal de Contas da União, que funciona como um instrumento técnico na fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e demais entidades da administração direta e indireta.

Nem por isso há uma relação de subordinação e dependência entre eles, visto que o TCU detém e exerce algumas funções de controle, as quais lhe são próprias e privativas.

Portanto é sempre bom saber: o TCU auxilia o Congresso, mas não há relação de subordinação entre eles.

Assim, a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder (CF, art. 70).

Segundo a Constituição, prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária (CF, art. 70, parágrafo único).

É bom que você saiba que, além do controle externo, responsável pela fiscalização dos demais poderes, há o controle interno de responsabilidade de cada poder. Nos termos do art. 74 da CF/88, os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno, e seus responsáveis, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.

As competências constitucionais do TCU estão listadas no art. 71 da

CF/88:

“I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as

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melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato

concessório;

IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado

Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial,

nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;

V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo

capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do

tratado constitutivo;

VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União

mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a

Estado, ao Distrito Federal ou a Município;

VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências

necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos

apurados.

§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente

pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo

as medidas cabíveis.

§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de

noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.

§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.

§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.”

Deixe-me destacar os principais aspectos relacionados ao TCU para fins de concursos em Direito Constitucional.

Observe que, segundo o art. 71, II, compete ao TCU julgar as contas dos administradores e demais responsáveis, em geral. Você deve estar atento ao detalhe mais importante desse assunto para provas de direito

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constitucional: no caso das contas do Presidente da República, a função o TCU restringe-se à sua apreciação e emissão de parecer prévio opinativo (CF, art. 71, I).

Com efeito, é competência exclusiva do Congresso Nacional o julgamento anual das contas do Presidente da República (CF, art. 49, IX).

Visto isso, é comum também encontrarmos questões que abordem a distinção estabelecida pela Constituição no que se refere à competência do TCU quanto à sustação de ato e contrato administrativo. Portanto, vamos rever esse aspecto.

É que, verificada irregularidade em um ato administrativo, compete ao TCU fixar um prazo para que o órgão ou entidade que o praticou adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei.

Não atendida essa determinação, dispõe o TCU de competência para sustar diretamente a execução do ato administrativo, comunicando ulteriormente a sua decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal (CF, art. 71, X).

Por outro lado, caso se trate de um contrato administrativo, o Tribunal não terá competência para sustar diretamente esse contrato, devendo o ato de sustação ser adotado pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis (CF, art. 71, § 1º).

Neste caso, o TCU só poderá decidir a respeito do contrato após o esgotamento do prazo de noventa dias sem a adoção das providências cabíveis pelos Poderes Legislativo e Executivo (CF, art. 71, § 2º).

Pois bem, essa é a regra constitucional. Entretanto, a jurisprudência evoluiu nesse assunto. Apesar de o Tribunal de Contas da União não dispor de poder para sustar contratos administrativos, tem competência para determinar à autoridade administrativa que promova a anulação do contrato e, se for o caso, da licitação que dele se originou, sob pena de imediata comunicação ao Congresso Nacional, a quem compete adotar o ato de sustação (MS 26.547/DF, rel. Min. Celso de Mello, 23.05.2007).

Em suma, o TCU não pode sustar nem anular diretamente contratos administrativos, mas pode determinar ao órgão (ou à autoridade administrativa) que anule.

Outro aspecto relevante diz respeito aos chamados “atos sujeitos a registro” do TCU, competência prevista no art. 71, III da CF/88. Ele é importante, pois se relaciona com a súmula vinculante 3 do STF.

“Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado,

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excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão” (Súmula Vinculante 3).

Ou seja, na apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de

aposentadoria, reforma e pensão, o TCU não está obrigado a assegurar contraditório e ampla defesa ao interessado.

Assim, asseguram-se como regra o contraditório e a ampla defesa. Como exceção, não é necessário que se observe esses princípios na apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão (CF, art. 71, III).

Vale destacar outra súmula (Súmula 347 do STF): “o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”.

Essa competência será exercida apenas no controle incidental, diante de casos concretos que estejam sob julgamento da Corte de Contas.

Ainda sobre a jurisprudência recente do STF, cabe comentar que o TCU não pode manter em sigilo a autoria de denúncia a ele apresentada

contra administrador público. Nesse sentido, a manutenção do sigilo do denunciante desrespeitaria a Constituição Federal, deixando assente que

o poder público não pode deixar de fornecer ao denunciado o nome do

denunciante, tendo em vista a possibilidade de prejuízo à imagem do denunciado, bem como a não admissão do anonimato por parte da nossa Constituição (CF, art. 5°, IV).

Outra questão muito recorrente em concursos recentes do CESPE diz respeito à ausência competência do TCU para quebra de sigilo bancário de seus administrados. Guarde isso: o TCU não dispõe de competência para quebrar sigilo bancário.

2.1 - Organização do TCU

O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições outorgadas pela Constituição aos tribunais do Judiciário (previstas no art. 96).

Apesar do termo “jurisdição”, vale comentar que as decisões do TCU não têm natureza jurisdicional. São decisões administrativas, contra as quais sempre caberá recurso ao Poder Judiciário (lembre-se do princípio da inafastabilidade da jurisdição).

Segundo o art. 73, § 1º, os Ministros do TCU serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:

I - mais de 35 e menos de 65 anos de idade;

II - idoneidade moral e reputação ilibada;

III

notórios

conhecimentos

jurídicos,

-

contábeis,

financeiros ou de administração pública;

econômicos

e

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IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade

profissional que exija os conhecimentos mencionados no inciso anterior.

Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do STJ (CF, art. 73, § 3°).

De se destacar que a escolha dos Ministros do TCU se dará da seguinte forma:

I - um terço pelo Presidente da República;

II - dois terços pelo Congresso Nacional.

A escolha do Presidente não é totalmente livre. Em primeiro lugar, se dará com aprovação do Senado Federal. Ademais, duas dessas três vagas serão ocupadas por auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo TCU, segundo os critérios de antigüidade e merecimento.

Interessante observar que as funções de Ministério Público junto ao TCU (ou Ministério Público Especial) serão exercidas por instituição que não integra o Ministério Público comum. Assim, é inconstitucional a atribuição das funções do MP junto ao TCU (MPJTCU ou MPE) a membros do MP comum.

2.2 – Tribunais de contas estaduais, distrital e municípios

Segundo o art. 75 da CF/88, as normas estabelecidas para o âmbito federal aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.

Ademais, assevera que as Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados por sete Conselheiros.

Já no âmbito municipal, a fiscalização do Município será exercida pelo

Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas

de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei. Para o

exercício do controle externo, a Câmara Municipal será auxiliada pelos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver (CF, art. 31).

Em suma, havendo um Tribunal de Contas do Município ou dos Municípios, esse órgão auxiliará o Poder Legislativo no controle das contas públicas. Se não houver esse órgão, a função caberá ao TCE do respectivo estado-membro.

Veja que há municípios no Brasil que dispõem de Tribunais de Contas do Município (é o caso de São Paulo - SP e Rio de Janeiro - RJ). Você pode perguntar: e nos municípios onde esse órgão não existe? Observe o que

diz o art. 31, §4°:

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É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.”

Mas não faça confusão: é vedada a criação pelo município de uma Corte de Contas, um órgão próprio. Os TCMs de São Paulo e Rio de Janeiro continuam a existir, pois são anteriores à CF/88.

É diferente o caso de criação pelo estado-membro de um Tribunal de

Contas dos Municípios. Ou seja, órgão estadual responsável por auxiliar todas as Câmaras Municipais situadas naquele estado, no desempenho da função de controle externo.

Em suma, é vedada a criação de Tribunal de Contas do Município (órgão municipal), mas permitida a criação de um Tribunal de Contas dos Municípios (órgão estadual).

Não havendo Tribunal de Contas Municipal e nem Tribunal de Contas dos Municípios, a Câmara Municipal será auxiliada pelo respectivo Tribunal de Contas estadual, no exercício do controle externo.

Ainda quanto ao controle municipal, há uma regra específica segundo a qual o parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal (CF, art. 31, § 2°).

Essa regra não se aplica em âmbito estadual ou federal. Nesses casos o parecer da Corte de Contas é meramente opinativo.

Vejamos alguns outros aspectos nos exercícios comentados abaixo.

(CESPE/PROCURADOR/BACEN/2009) Pela aplicação da teoria dos poderes implícitos, o STF reconhece ao TCU a competência para conceder medidas cautelares no exercício das atribuições que lhe foram fixadas na CF.

A teoria dos poderes implícitos adota a premissa de que a atribuição,

pela Constituição, de uma determinada competência a um órgão implica

reconhecer a ele os poderes necessários à execução dessa competência ou à consecução desse fim.

É dizer: se a Constituição pretende determinado fim, ela assegura implicitamente os meios necessários à sua efetivação.

Nesse sentido, o STF reconhece ter o TCU legitimidade para expedição de medidas cautelares, a fim de garantir a efetividade de suas decisões e, assim, prevenir a ocorrência de lesão ao erário.

Item certo.

(CESPE/JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO/TJ-TO/2007) Os tribunais de contas são órgãos integrantes da estrutura do Poder Legislativo, com competência para auxiliá-lo no controle externo.

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RESUMÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL PARA O MPU PROFESSOR: FREDERICO DIAS

Não é pacífico na doutrina se o TCU integra o Legislativo. Observe o que assevera o art. 44 da CF/88: o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Não fala nada sobre o TCU, não é verdade?

Portanto, para provas do Cespe, é preferível adotar a posição externada nessa questão: o TCU não integra o Legislativo.

Item errado.

(CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/STF/2008) Como o TCU não tem poder para anular ou sustar contratos administrativos, não detém também competência para determinar à autoridade administrativa que promova a anulação do contrato ou da licitação que o originou.

Lembre-se sempre da distinção da competência do TCU no que se refere

a atos e a contratos.

Atos TCU pode sustar diretamente se não atendido na determinação de providências (CF, art. 71, X);

Contratos a sustação é adotada pelo Congresso Nacional (CF, art. 71, § 1º e 2°).

Como comentado, o STF firmou entendimento de que o TCU tem competência – prevista no art. 71, IX, da Constituição – para determinar à autoridade administrativa que promova a anulação do contrato e, se for o caso, da licitação que dele se originou, sob pena de imediata comunicação ao Congresso Nacional, a quem compete adotar o ato de sustação (MS 26.547/DF, rel. Min. Celso de Mello, 23.05.2007).

Ou seja, o TCU não pode sustar o contrato irregular, mas pode determinar à autoridade administrativa para que o anule.

Item errado.

3 – Ministério Público

Nos termos do art. 127 da CF/88, o Ministério Público (MP) é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais

e individuais indisponíveis.

O Ministério Público abrange (i) o Ministério Público da União e (ii) o Ministério Público dos Estados. Observe que se trata de dois ramos distintos do Ministério Público. O MP dos Estados não integra o MPU!

Veja como art. 128 da Constituição estruturou o MP:

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RESUMÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL PARA O MPU PROFESSOR: FREDERICO DIAS

DIREITO CONSTITUCIONAL PARA O MPU PROFESSOR: FREDERICO DIAS Perceba o destaque da figura: o MPDFT integra

Perceba o destaque da figura: o MPDFT integra o MPU, e não tem nada a ver com o Ministério Público dos Estados.

Lembre-se de que compete à União organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios (CF,art. 21, XIII).

Nessa estrutura também não aparece o Ministério Público Especial, que atua junto aos Tribunais de Contas, pois se trata de órgão pertencente à Corte de Contas.

Apenas no art. 130, a Constituição estabelece que aos membros do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas aplicam-se as disposições sobre o Ministério Público Comum pertinentes a direitos, vedações e forma de investidura (CF, art. 130).

Observe que não aparece na estrutura acima, o Ministério Público Eleitoral. É que ele não dispõe de estrutura própria e será integrado por membros do MP federal e membros do MP estadual.

Veja como o Cespe às vezes cobra essa organização do MP.

(CESPE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/TRT 17ª REGIÃO/2009) O Ministério Público brasileiro é composto pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal. O Ministério Público do Trabalho é um dos ramos do Ministério Público Federal.

A questão misturou MPU e MPF. O MP é composto pelo Ministério Público da União e pelo MP dos Estados. O MP Federal é um ramo do MPU.

Item errado.

(CESPE/PROCURADOR/PGE-PE/2009) O Ministério Público Eleitoral é um componente do MP da União.

Não existe previsão constitucional para um Ministério Público Eleitoral dentro da estrutura do Ministério Público. Como vimos, tais funções são exercidas pelo procuradores e promotores eleitorais, integrantes do Ministério Público Federal e do Ministério Público dos estados.

Item errado.

O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República (PGR).

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Veja a distinção entre as regras do PGR e do Procurador-Geral de Justiça dos Estados.

Objetivamente:

Nomeação do PGR (MPU)

Nomeação do PGJ (MP dos estados)

- Presidente da República;

- Governador;

- integrantes da carreira;

- lista tríplice dentre os integrantes;

- 35 anos;

- mandato de 2 anos;

- maioria absoluta do Senado;

- permitida uma única recondução.

- mandato de 2 anos;

- permitidas várias reconduções.

A destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do

Presidente da República, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal (CF, art. 128, § 2º).

Já a destituição do Procurador-Geral de Justiça nos Estados-membros é

competência da respectiva Assembléia Legislativa, por decisão de

maioria absoluta dos seus membros (CF, art. 128, § 4º).

Objetivamente:

PGR tanto a nomeação quanto a destituição são submetidas ao Senado;

PGJ somente a destituição é submetida à Assembléia Legislativa;

Quem é competente para

nomear o Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios? O

Agora a pergunta que vale um milhão

governador?

Nada disso

Se o MPDFT é organizado pela União e faz parte do MPU,

a autoridade competente para nomear o PGJ do DF e Territórios é o

Presidente da República.

Veja outro aspecto

do Procurador-Geral de Justiça do DF e Territórios é competência de

quem? Da Câmara Legislativa do DF? Na verdade não.

Trata-se de competência do Senado Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros.

O Ministério Público do DF e Territórios ainda se distingue do Ministério

Público dos Estados em outros aspectos.

I) Quem organiza e mantém o Ministério Público dos Estado são os

próprios estados, mas quem organiza e mantém o MPDFT não é o DF, é

a União.

II) Enquanto os projetos de lei de organização do MP estadual são apresentados perante a Assembléia Legislativa, o MPDFT os apresenta perante o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados).

De acordo com o mesmo raciocínio, a destituição

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3.1 - Princípios institucionais do Ministério Público

São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional (CF, art. 127, § 1°).

Unidade - Os membros do MP integram apenas um órgão, sob a direção única de um só Procurador-geral.

Essa unidade existe dentro de cada Ministério Público. Assim, não há unidade, por exemplo, entre o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal.

Indivisibilidade - Os membros do MP não estão vinculados a qualquer processo em que estejam atuando. Assim, podem ser substituídos ao longo do processo, de acordo com as regras de direito aplicáveis, sem prejuízo para atuação do parquet. O princípio da indivisibilidade decorre do princípio da unidade.

Independência funcional - O MP possui independência no exercício de suas funções, não se subordinando a quaisquer outros Poderes da República. Assim, seus membros não estão funcionalmente subordinados nem mesmo ao Procurador-Geral e podem atuar de acordo com as suas livres convicções (existe uma relação hierárquica meramente administrativa).

Além desses princípios expressos, há também o art. 127, § 2° da CF/88, que assegura autonomia funcional e administrativa, podendo propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira. Pode-se incluir a autonomia financeira, como a competência para elaborar sua proposta orçamentária.

Ademais, a jurisprudência do STF passou a admitir que há ainda um princípio implícito: o princípio do promotor natural, que proíbe designações casuísticas, efetuadas pela chefia do Ministério Público, para atuação num determinado processo. Assim, não se admite o chamado “promotor de exceção”.

3.2 – Garantias e vedações

Leis complementares da União e dos Estados (de iniciativa concorrente entre o Chefe do Executivo e os respectivos Procuradores-Gerais) vão estabelecer a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros diversas garantias. São elas a vitaliciedade, a inamovibilidade e a irredutibilidade do subsídio.

Vitaliciedade - após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado.

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Inamovibilidade - salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, por voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla defesa.

De se destacar a possibilidade de o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) determinar a remoção de membros do Ministério Público (CF, art. 130-A, § 2º, III).

Irredutibilidade de subsídio – ressalvado o teto remuneratório (CF, art. 37, XI) e as tributações sobre os vencimentos (CF, arts. 150, II, 153, III, 153, § 2º, I).

Além das garantias, essas leis complementares deverão ainda observar as seguintes vedações.

a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários,

percentagens ou custas processuais;

b) exercer a advocacia;

c) participar de sociedade comercial, na forma da lei;

função

pública, salvo uma de magistério;

e) exercer atividade político-partidária;

f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as

exceções previstas em lei.

d) exercer,

ainda

que

em

disponibilidade,

qualquer

outra

g) exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes

de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou

exoneração.

Sintetizando:

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DIREITO CONSTITUCIONAL PARA O MPU PROFESSOR: FREDERICO DIAS Aproveitando a esquematização dos principais aspectos,

Aproveitando a esquematização dos principais aspectos, vamos sintetizar as principais iniciativas de lei relacionadas ao Ministério Público, segundo a compilação feita no livro dos profs. Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino.

I) Lei complementar (LC) de organização do MPU iniciativa

concorrente entre o Presidente da República e o PGR (CF, art. 61, §

1º, II, “d” c/c art. 128, § 5º).

II) Lei de criação e extinção de cargos e serviços auxiliares do Ministério Público, a política remuneratória e os planos de carreira iniciativa é privativa do MP, exercida pelo respectivo Procurador-Geral (CF, art. 127, § 2º).

III) Lei (federal) de normas gerais para a organização do Ministério Público dos Estados iniciativa é privativa do Presidente da República (CF, art. 61, § 1º, II, “d”, parte final).

IV) LC (estadual) de organização do MP do Estado : iniciativa concorrente entre o Governador o Procurador-Geral de Justiça (CF, art. 61, § 1º, II, “d” c/c art. 128, § 5º).

V) Lei de organização do MP especial que atua junto à Corte de Contas

iniciativa privativa do Tribunal de Contas.

E a iniciativa de lei sobre a organização do MPDFT?

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Observe que se trata de órgão integrante do MPU, organizado e mantido pela União. Assim, a iniciativa de lei sobre a sua organização é concorrente entre o Presidente da República e o PGR.

3.3 - Funções

São funções institucionais do Ministério Público:

I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;

III

- promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção

do

patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses

difusos e coletivos;

IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para

fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos na

Constituição;

V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações

indígenas;

VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua

competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na

forma da lei complementar respectiva;

VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei

complementar;

VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito

policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações

processuais;

IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que

compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

Essas funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição (CF, art. 129, § 2º).

O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso

público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação (CF, art. 129, § 3º).

Quanto à ação civil pública, trata-se de instrumento utilizável para evitar danos ao meio ambiente, ao consumidor, aos bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico ou paisagístico, ou, então, para promover a responsabilidade de quem haja causado lesão a estes bens.

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Observe que compete ao MP:

- promover, privativamente, a ação penal pública (CF, art. 129, I);

- promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos (CF, art. 129, III);

Cabe destacar ainda detalhes sobre a utilização da ação civil pública no âmbito do controle de constitucionalidade.

Segundo o STF, não é admitida a utilização da ação civil pública como sucedâneo de ação direta de inconstitucionalidade a fim de se exercer controle concentrado de constitucionalidade. Ou seja, ela não pode ser utilizada para substituir a ADI para se impugnar uma lei em tese, em abstrato, sem haver um caso concreto.

Todavia, o Supremo Tribunal Federal considera legítima a utilização da ação civil pública como instrumento de fiscalização incidental de constitucionalidade, diante de um caso concreto.

Nesse sentido, a controvérsia constitucional não pode configurar objeto único da demanda, mas simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal.

Assim, se veda a obtenção de efeitos erga omnes (para todos), o que subtrairia do STF a competência exclusiva do controle abstrato de constitucionalidade frente à Constituição Federal.

Em suma, a ação civil pública pode ser utilizada no âmbito do controle de constitucionalidade, desde que na via incidental, diante de um caso concreto.

3.4 – Conselho Nacional do Ministério Público

A EC 45/2004 criou Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao

qual compete o controle da atuação administrativa e financeira do MP e

do

cumprimento dos deveres funcionais de seus membros.

O

Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de quatorze

membros nomeados pelo Presidente da Republica, depois de aprovada

a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo:

I - O Procurador-Geral da Republica, que o preside;

II - quatro membros do MPU (assegurada a representação de cada carreira especializada);

III - três membros do MP dos Estados;

IV - dois juízes (um pelo STF e o outro pelo STJ);

V - dois advogados, indicados pela OAB;

VI - dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, (um

indicado pela Câmara e o outro pelo Senado).

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O mandato é de dois anos, admitida uma recondução.

De se destacar que o Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil oficiará junto ao Conselho.

Compete ao CNMP (CF, art. 130-A, § 2°):

I - zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências;

II - zelar pela observância do art. 37 da CF/88 e apreciar, de ofício ou

mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos Ministério Público da União e dos Estados, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as

providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência dos tribunais de contas;

III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do

Ministério Público da União ou dos Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional da instituição, podendo avocar processos disciplinares em curso, determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar

outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa;

IV - rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares

de membros do Ministério Público da União ou Estados julgados há

menos de um ano;

V - elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar

necessárias sobre a situação do Ministério Público no País e as

atividades do Conselho, o qual deve integrar a mensagem que o

Presidente da República encaminha ao Congresso Nacional com o plano

de governo, por ocasião da abertura da sessão legislativa.

Por fim, cabe destacar que compete ao STF processar e julgar as ações contra atos expedidos pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CF, art. 102, I, “r”).

3.5 – Ministério Público Especial junto aos tribunais de contas

Não se confundem o Ministério Público Especial, que atua junto aos tribunais de contas, com o Ministério Público comum. Trata-se de duas instituições distintas.

Segundo a Constituição, as disposições pertinentes a direitos, vedações e forma de investidura que sejam aplicáveis aos membros do MP comum aplicam-se também aos membros do Ministério Público junto aos Tribunais de Contas.

Segundo o STF, o MP Especial (que atua junto ao Tribunal de Contas da União) não integra o MPU. Em realidade, ele integra a estrutura orgânica do Tribunal de Contas da União.

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Tanto é assim, que o Supremo considerou inconstitucional atribuir aos membros do MP comum (MPU ou MP dos estados) as funções de atuação junto às Cortes de Contas.

Assim, quanto ao MP especial que atua junto ao TCU:

I) ele não é chefiado pelo Procurador-Geral da República; e

II) sua organização é feita por lei de iniciativa do TCU (lei ordinária, pois não se trata da lei complementar prevista no art. 128, § 5° da CF/88);

Esses detalhes se aplicam também âmbito estadual, no que se refere aos tribunais de contas estaduais.

3.6 – Prerrogativa de foro

O Poder Judiciário é assunto de outro resumão (próxima aula), mas vale

a pena mencionar aqui como funciona a prerrogativa do foro dos

membros do Ministério Público.

Vejamos uma a uma as prerrogativas de foro correspondentes a cada autoridade.

- Procurador-Geral da República

STF (crimes comuns) e Senado (crimes de responsabilidade)

- Membros do MPU que:

- atuam perante tribunais

STJ

- atuam perante os juízes (1° grau)

Tribunal Regional Federal

- Membros do MP dos estados que:

- atuam perante tribunais

STJ

- atuam perante os juízes (1° grau)

Tribunal de Justiça

Agora, veja que interessante! Compete ao Senado Federal o julgamento dos membros do Conselho Nacional do Ministério Público nos crimes de responsabilidade. Entretanto, no caso dos crimes comuns, eles não dispõem de nenhuma prerrogativa de foro só por fazerem parte do CNMP.

Ou seja, nos crimes comuns, eles serão julgados de acordo com o seu cargo, com sua função ordinariamente ocupada.

Deixe-me exemplificar para favorecer o seu entendimento.

Vimos que duas vagas do CNMP são de juízes. Nesse caso, eles serão julgados nos crimes de responsabilidade pelo Senado Federal. No caso dos crimes comuns, serão julgados de acordo com o foro especial de que dispõem por serem juízes, ordinariamente.

Já os cidadãos, serão julgados nos crimes de responsabilidade pelo Senado Federal. Mas, para os crimes comuns, eles não disporão de foro especial por prerrogativa de função.

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Visto isso, tem mais um detalhe. E os membros do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios que atuam perante os juízos de primeiro grau? Terão eles prerrogativa de foro perante qual tribunal? Pense e tente responder antes de continuar a ler

Bem, eles não fazem parte do MPU? Está aí a chave da resposta. Assim, os membros do MPDFT que atuam perante os juízos de primeiro grau serão julgados pelo TRF.

4 – Outras funções essenciais à justiça

Além do Ministério Público, a Constituição ainda apresenta outras funções essenciais à Justiça em seu arts. 131 e 135.

4.1 – Advocacia Pública

Os arts. 131 e 132 referem-se à Advocacia Pública (que abrange a Advocacia-Geral da União e os Procuradores estaduais).

A Advocacia-Geral da União foi criada como forma de afastar do

Ministério Público a função de advocacia da União, o que, de certa forma, poderia influir na sua imparcialidade.

Nos termos do art. 131 da CF/88, a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.

E esse caput do art. 131 é o mais importante!

Ou seja, a representação judicial e extrajudicial será da União como um todo (englobando os três Poderes da República). Já a atividade de consultoria e assessoramento jurídico será realizada exclusivamente para o Poder Executivo.

Portanto, guarde o seguinte, a respeito das funções da AGU:

União (incluindo os três poderes) Representação judicial e extrajudicial

Poder Executivo Consultoria e Assessoramento jurídico

De acordo com o § 2º do art. 131 da CF/88, o ingresso nas classes iniciais das carreiras da AGU far-se-á mediante concurso público de provas e títulos.

Vale mencionar que na execução da dívida ativa de natureza tributária,

Fazenda

a representação

Nacional (CF, art. 131, § 3°).

A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União,

de livre nomeação pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação

ilibada (CF, art. 131, § 1º).

da

União

cabe

à

Procuradoria-Geral

da

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De se comentar que o Advogado-Geral da União será julgado pelo Senado Federal nos crimes de responsabilidade (CF, art. 52, II). Quanto aos crimes comuns, como ele foi equiparado a ministro, será julgado pelo STF.

Analogamente à atividade desempenhada pela AGU, os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas (CF, art. 132).

Esses procuradores serão organizados em carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases.

A eles é assegurada estabilidade após três anos de efetivo exercício, mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios, após relatório circunstanciado das corregedorias.

Sobre os advogados públicos, cabe comentar importante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. É que eles não serão responsabilizados pelos pareceres que emitirem, salvo na hipótese de erro grave, inescusável, ou de ato ou omissão praticado com culpa, em sentido amplo.

Assim, imagine que um gestor realizou uma compra sem licitação com base em parecer jurídico que considerava que o caso se enquadrava em hipótese de inexigibilidade. Nesse caso, o parecerista (advogado público) não poderá ser responsabilizado solidariamente com o gestor pela contratação direta.

Veja como o Cespe cobra esse assunto

(CESPE/AGENTE DE POLÍCIA CIVIL SUBSTITUTO/PCRN/2008) É vedada à Advocacia-Geral da União atividade de consultoria jurídica do Poder Executivo.

A atividade de consultoria jurídica é competência da Advocacia-Geral da União.

Item errado.

(CESPE/ADVOGADO DA UNIÃO/AGU/2008) O Advogado-Geral da União, ministro por determinação legal, obteve da Carta da República tratamento diferenciado em relação aos demais ministros de Estado, o que se constata pelo estabelecimento de requisitos mais rigorosos para a nomeação — idade mínima de 35 anos, reputação ilibada e notório conhecimento jurídico —, bem como pela competência para o julgamento dos crimes de responsabilidade, visto que ele será sempre julgado pelo Senado Federal, ao passo que os demais ministros serão julgados perante o STF, com a ressalva dos atos conexos aos do presidente da República.

De fato, o AGU foi, por lei, equiparado a ministro de Estado; mas a Constituição assegura determinadas especificidades em relação a esse

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cargo, como o foro especial no Senado Federal, no julgamento dos crimes de responsabilidade.

É que compete ao STF processar e julgar os ministros de Estado por

crimes comuns e de responsabilidade (CF, art. 102, I, c). Entretanto, se o crime de responsabilidade por eles praticado for conexo com o do

Presidente o julgamento é de competência do Senado Federal (CF, art. 52, I).

Essa especificidade não se aplica ao Advogado-Geral da União, que sempre será julgado pelo Senado Federal nos crimes de responsabilidade, tenha ou não conexão com crime cometido pelo Presidente (CF, art. 52, II)

Item certo.

4.2 – Advocacia

De acordo com o art. 133 da Constituição, o advogado é indispensável

à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

Aqui há (i) a indispensabilidade do advogado; e (ii) a imunidade do advogado.

Quanto a esta última, não se trata de inviolabilidade absoluta. Evidentemente, essa garantia é para as manifestações e atos cometidos no exercício da função. Não há garantia para atos descabidos, de ofensas gratuitas e sem conexão com a causa em si.

Segundo decisão do STF, essa imunidade alcança os crimes de injúria e difamação.

A difamação consiste em atribuir a alguém fato determinado ofensivo à

sua reputação como pessoa ilibada (é alguém dizer: “O professor Fred foi

visto embriagado ontem em Brasília

”).

No caso da injúria não se imputa fato, mas uma qualidade negativa

(uma qualificação vaga e imprecisa), que ofende a dignidade ou o decoro

de alguém (é alguém afirmar: “Ticio é um ladrão (ou um imbecil).”).

Por outro lado, segundo o STF, o advogado pode ser responsabilizado pelo crime de calúnia. É dizer que o cometimento de crime de calúnia não está coberto pela imunidade constitucional do advogado.

O crime de calúnia consiste em atribuir falsamente, a alguém, a

responsabilidade pela prática de um fato determinado definido como crime (é alguém afirmar falsamente que “Fulano está vendendo produtos protegidos por direitos autorais.”)

De qualquer forma, essas definições não são importantes para a sua prova de direito constitucional.

Pior que isso caiu em concursos

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(CESPE/PROCURADOR/PGE-PE/2009) A imunidade processual conferida aos advogados não abrange o delito de calúnia.

Segundo o STF, o crime de calúnia não está coberto pela imunidade na atuação do advogado, ainda que no exercício da profissão.

Item certo.

No que tange ao princípio da indispensabilidade do advogado, ele exige a subscrição de profissional habilitado (mediante inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil – OAB) para postulação em juízo. Essa exigência apresenta as exceções de habeas corpus e revisão criminal (em que não há necessidade de advogado).

De se destacar que nas causas cíveis, também poderá ser dispensado o advogado caso a parte deseje (há previsão na Lei nº 10.259/2001). Mas isso não se aplica aos processos criminais.

4.3 – Defensoria Pública

A criação da defensoria pública tem por base constitucional o direito

fundamental que assegura aos que comprovarem insuficiência de recursos prestação de assistência jurídica integral e gratuita por parte do Estado.

Assim, segundo o art. 134, a Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados.

A Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos Territórios será

organizada por meio de lei complementar, que expedirá ainda normas gerais para sua organização nos Estados (CF, art. 134, § 1°).

A Defensoria Pública será organizada em cargos de carreira, providos,

na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais (CF, art. 134, §

1°).

Cabe comentar que é de iniciativa privativa do Presidente da República

a lei de organização da Defensoria Pública da União, bem como as

normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (CF, art. 61,

§

1°, II, “d”).

O

§ 2º do art. 134 da CF/88 assegura às Defensorias Públicas Estaduais

autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta

orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.

Por fim, cabe comentar que os advogados públicos, bem como os defensores públicos, serão remunerados por meio de subsídio (CF, art.

135).

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Algumas questões do Cespe podem chamar sua atenção para detalhes relevantes desse assunto.

(CESPE/DEFENSOR PÚBLICO/DPE/PI/2009) É da iniciativa privativa do presidente da República as leis que disponham acerca da organização da DPU, cabendo aos chefes dos Poderes Executivos estaduais a iniciativa de propor normas gerais para a organização das respectivas DPEs.

De fato, é de iniciativa privativa do Presidente da República leis que disponham sobre a organização da Defensoria Pública da União (CF, art. 61, § 1°, II, “d”). O erro da questão é afirmar que seria de iniciativa privativa dos governadores as normas gerais para organização das respectivas Defensorias Públicas estaduais.

A iniciativa da lei que disponha sobre normas gerais para a organização da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios também é do Presidente da República.

Item errado.

(CESPE/DEFENSOR PÚBLICO/DPE/CE/2008) A Defensoria Pública da União tem autonomia funcional e administrativa.

O § 2º do art. 134 da CF/88 assegura às Defensorias Públicas Estaduais autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.

Ou seja, não foi assegurada autonomia funcional e administrativa para a Defensoria Pública da União, do DF e Territórios. É dizer, apenas as DPEs detêm essa garantia.

Item errado.

Um grande abraço, bons estudos – e até o nosso próximo (e último resumão).

Frederico Dias

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito Constitucional, 2009.

LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, 2009.

MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional, 2009.

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 2007.

MORAES, Alexandre. Direito Constitucional, 2010.

José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo

http://www.stf.jus.br

http://www.mp.mg.gov.br

http://www.cespe.unb.br

, 2010.

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