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12/9/2015

A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

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Publicadoem19deabrilde2011emDireito

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

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LicenciadoemMatemática:

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AHISTÓRIADAINFLAÇÃOEDOSJUROSNOBRASIL

Tocantins(UNITINS);Especialista

emMatemáticaeEstatística:Universidade

FederaldeLavras­MG(UFLA);Especialistaem

OrientaçãoEducacional:UniversidadeSalgado

deOliveira(UNIVERSO);Especialistaem

MárioFerreiraNeto

GestãoJudiciária:FaculdadeEducacionalda

+mais

RESUMO

Membrodesdeabrilde2011

Opresenteartigoeconômico,jurídicoematemáticodemonstra,primeiramente,osdiferentesconceitose definiçõesdeinflaçãoejuros,dentrealguns,tem­sequeainflaçãoéoaumentopersistentedospreços, crescimentoanormalecontínuodosmeiosdepagamento(moedaecrédito)emrelaçãoàsnecessidadesde circulaçãodosbensdeconsumoqueenvolveoconjuntodaeconomiaedoqualresultaumacontínuaperda dopoderaquisitivodamoeda,mediaporseusíndices;depoisascaracterísticasdainflaçãoejuros;por últimoaanálisematemáticadaaplicabilidadedestesjurosemrelaçãoàinflação.Demonstracomoainflação

surgiunaevoluçãohistóriadasociedadebrasileira,desdeaediçãodoDecreto­Leinº22.636,de7deabril

de1933equeforafeitopelasautoridadesgovernamentaisbrasileira,aolongodestaevoluçãohistóricapara

quepudessemcombateroucontrolar,jáqueasautoridadesgovernamentaisdeveriammantersobcontrole,

senãoforpossívelcombatê­la.Trazaindaumaabordagemdosefeitosprovocadospelodescontroleda

inflaçãosobreosjuros.RelataaevoluçãohistóricadainflaçãonoBrasil,bemcomooqueforarealizado

paracombateroucontrolá­la.Fazexplicaçãogeralematemáticadosprincipaisíndiceseinstitutosque

aferem,medemedivulgamataxadeinflação.Mostraética,legal,justaemoralidadequeasnormas

jurídicaseditadas,apartir,daLeideUsura,referentesaosjuros,aindapermanecemsemrevogaçãoou

alteraçãoquantoàstaxasestabelecidasnasreferidasnormas.

PALAVRA­CHAVE

Banco.Capitalização.Conversão.Direito.Economia.Empresa.Ética.Financeira.Governo.Índice.Inflação.

Instituição.Juros.Justiça.Lei.Matemática.Moeda.Moral.Norma.Plano.

ÁREATEMÁTICA

Contabilidade.Direito.Economia.Matemática.Tributária.

INTRODUÇÃO

Opresenteartigo,primeiramente,objetivacontribuircomosprofissionaisdasCiênciasContábeis,

Econômicas,Exatas,HumanaseSociais,especialmenteosoperadoresdeDireitoqueatuamnaesfera

Cível,ConsumeristaeTributáriasobrealgunspontosrelevantesqueconcerneaosjuros.

Umdosmalesmaisdiscutidosnaeconomiamundial,porqualquerpaís,éainflação,temsuaorigemna

economiademercado.Ainflaçãoestáligadadiretamenteaopoderdecompradoconsumidorenopoderdo

Estadodecombateroucontrolá­la.Osefeitosdainflação,consideradacomomaleeconômicoparaqualquer

indivíduoougoverno,sãodevastadoresparaaeconomia,principalmentequandoumasociedadeprocurase

fortalecerparaevitarasdesigualdadessociaisdedistribuiçãoderendaecontroleeconômico.

Nesteartigoaindabuscodemonstrarosefeitosconcretosereflexosqueosplanoseconômicos:Bresser,

Verão,CollorI,CollorII,CruzadoeReal,trouxeramparaaeconomiabrasileira,emsuasrespectivasépocas

easconsequênciasdeixadasatéosdiasatuais.

Nosplanoseconômicosimpostosaoscidadãosbrasileiros,atravésdeLeis,Decretos­Leis,Medidas

Provisóriaseoutrasnormasjurídicas,editadasanteriormenteàConstituiçãoFederalde5deoutubrode

1988,causaramprejuízoseconômicosesociaisàsociedade.

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12/9/2015

A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

Asautoridadesgovernamentais,insultandoainteligênciadopovobrasileiroprocuraramcomosefosse

possível,atravésdenormasjurídicasenãoportrabalho,produçãoecirculação,comopareceàlógica

aconselhar,independentedefatoseconômicospreexistentes,combater,controlarereduzir,atémesmo,

zerarainflação.

Ainflaçãovemperseguindoasociedadebrasileiradesdeaépocadapolíticadeindustrializaçãopromovida porJuscelinoKubitschekdeOliveira,quandoosíndicescomeçaramaaumentardescontroladamentee

atingirampercentuaisaltíssimosnoanode1980.

OsgovernossucessoresdeJuscelinoKubitschekcriaramalgunsplanoseconômicoscomafinalidadede

combaterainflação,masnãosurtiramefeitos,logo,voltouaaumentar.

Ashistóriasdosplanoseconômicos,principalmenteapartirdoPlanoCruzadode1986determinaram

mudançasdamoeda,congelamentodepreços,saláriosetentativasdedesindexaçãodaeconomia.

ApartirdaconversãodamoedadeCruzeiroRealparaReal,nadatade30dejunhode1994,houveuma

paridadeentreamoedaRealeCruzeiroReal,desdeadatade1dejulhode1994.Igualmente,houveà

paridadeentreaURV(UnidadeRealdeValor)eamoedaCruzeiroReal,fixadapeloBancoCentraldoBrasil

paraadatade30dejunhode1994.

AconversãodopadrãodamoedaCruzeiroRealparaRealdeveserfeitamedianteadivisãodoValorem

CR$pelovalordaURVde2.750.Assim,CR$2.750,00éigualaR$1,00.

Desdequehouveessamudançanamoeda,opovobrasileirovempassandoporumacalmaria,masapenas

abaladaporumaououtracriseinternacional.Osatuaisíndicesinflacionáriosaferidos,medidosedivulgados

pelosinstitutosoficiaistêmdemonstradoessaquestão.

Acobrançadosjurossemprefoimetadediscussões,desdeaIdadeMédia.AIgrejaApostólicaCatólica

Romanarepeliasuacobrançaaoargumentodequeacobrançadejurosconstituíaumpecado,umavezque

nãoseconcebiaaremuneraçãodotempoquesepassavadesocupado­ociosidade,comooscristãos

denominavamde"remuneraçãoócio".DepoisdosurgimentodoProtestantismocomMartinLutero,osjuros

passaramanãoconstituirpecado,masamaioriadosEstadossempreteveumatendênciaemlimitaràsua

cobrança,afimdeevitarabusosearbitrariedadesdomercadoeaconcentraçãoderenda.

CONCEITODEINFLAÇÃOESUASCLASSIFICAÇÕES

Existemváriasdefiniçõesarespeitodainflação,masamaissimpleseclaradefine­acomoaelevação

contínuadoníveldepreços,istoé,umataxacontínuadecrescimentodospreçosemumperíodo

determinado.Deveficarcomistoclaroqueumaumentodepreços,porumaúnicavez,nãopodeser

consideradoinflação.Precisa­sedeumaumentocontínuo,mesmoqueestenãosejadeigualmagnitudeao

longodotempo.

Umaspectoarespeitoàdeterminaçãodamagnitudeapartirdaqualumataxadeexpansãogeraldos

preçosrealmentecaracterizaumprocessoinflacionáriotípico.Arespeitodiz­sequetodavezqueataxade

aumentodospreçosseja"umcontínuo",istoé,sejasustenidoemumperíodoespecíficodetempo,estar­se­

áfrenteaumataxainflacionária.

Ainflaçãonasuaessênciaconstituiumdesequilíbrioentreaprocuraeaofertaequecriaumatensãonas

estruturasprodutivas.Muitasdefiniçõeseexplicaçõessepodemdar,porexemplo,pelaTeoriaEconômica,o

quevariadeautorparaautor.Ainflaçãonãoéumaumentodospreços,imagemerradaquemuitos

consumidorestêmdeinflação.Oaumentogeneralizadodospreços,oracionamentoeotabelamentodos

preçosnãosãomaisquesintomaseconsequênciasdatensãoinflacionáriaprovocadapelodesequilíbrio

entreaprocuraeaoferta.

ATeoriaEconômicadefinequeovalordamoedaédadopeloinversodonívelgeraldepreços.Essa

definiçãoimplicaquealteraçõesnoreferidonívelprovoquemvariaçõesnovalorrealdamoeda.

ATeoriaEconômicadefineaindaqueainflaçãoéumaumentosustentadoecontinuadodonívelgeralde

preçose,poroposição,adeflaçãoéentendidacomoumadescidasustentadaecontinuadadessemesmo

nível.Demonstra­sequequandoovalordamoedaaumenta(deflação)oudiminui(inflação)aolongodo

períododecapitalizaçãoataxarealdoprocessoserásuperiorouinferior,respectivamente,àtaxaquefoi

acordada.

Emperíodosmonetariamenteestáveis,entende­secomoinflaçãonula,ataxadejurocorrenteou

convencionadaearealserãocoincidentes.Seataxadeinflaçãoforsuperioràtaxadejurocorrente,ovalor

acumulado,emtermos,devalorrealseráinferioraovalorinicial.Algunseconomistaschamamaestataxa

dejuro,taxanegativadevidoaofatodeocapitalinicial"diminuir",empoderaquisitivo.

Nofundooqueseverificaéqueataxadejuronãoésuficienteparacompensaradesvalorizaçãodamoeda

provocadapeloefeitodainflação.

Emeconomia,inflaçãotambéméaquedadovalordemercadooudopoderdecompradodinheiro.Essa

quedadopoderaquisitivodamoedaéequivalenteaoaumentononívelgeraldepreços,basicamente

estimuladapelaleidaofertaeprocura.

Econômicaematematicamente,quantomaioréaprocuraporumdeterminadoproduto,maioréseupreço.

Analisandoomercadoexternamente,ainflaçãosetraduzmaisporumadesvalorizaçãodamoedafrenteà

outra.

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

Outroprocessoqueenvolveainflaçãoéadeflação.

Adeflaçãoécaracterizadapelabaixanospreçosdealgunsprodutosnomercado.Podesergeradapela

baixaprocuraoupelamaiorofertaemenordemanda.Masnãosepodeconfundirdeflaçãocomdesinflação,

queéareduçãonoritmodaaltadospreçosemumprocessoinflacionário.

Deflaçãoéquandoospreçosrecuameataxasetornanegativa.Esseprocessopodeatéparecerbomem

umprimeiromomentoparaaeconomia,masissoaconteceporquemuitasempresastêmquereduziros

preçosparapodervender.Essasituaçãoseocorrer,poderáconduzirumaempresaafalência.

Ainflaçãonãoéumfenômenoeconômicooumonetário.Suaraizestánaquestãodistributivaentreos

grupossociaisdaeconomiadeumpaís.

Ainflaçãodepreçoséomeiopeloquaisosgrupossociaisligadosàsatividadesprodutivasdispõempara

ampliarasuaapropriaçãodoacréscimoderendacriadonoprocessodecrescimentoeconômico,levandoa

economiaparanovosequilíbriosdistributivosentreessesgrupos.Seainflaçãofosseumefeitomonetárioe

neutroemrelaçãoaoladorealdaeconomia,analisando­sebenseserviço,semafetaradistribuiçãode

renda,oaumentogeneralizadodepreçosdeveriaocorrerdeformasimétricaemtodosossetoresda

economia,masnãoéissoqueacontece.

Ainflaçãotambéméconceituadacomoumdesequilíbrioentreaprocuraeaoferta.Quandoaprocurafor

maiordoqueaoferta,issoculminarácomageraçãodeinflação.Quantomaiorainflação,menorseráo

valordamoeda,porque,nestasituaçãoéprecisosetermaisdinheiroparaseteromesmopoderde

comprardoproduto,tendoemvistaqueainflaçãocausaaconseqüênciadaperdadopoderaquisitivoda

moeda(dinheiro).

Inflaçãoéumconceitoeconômicoquerepresentaoaumentodepreçosdosprodutosemumdeterminado paísouregião,duranteumperíodo.Emumprocessoinflacionárioopoderdecompradamoedasereduz.

Exemplo:emumpaíscominflaçãode10%aomês,umtrabalhadorcompra5(cinco)quilosdearrozemum

mêsepagaR$10,00.Nomêsseguinte,paracompraramesmaquantidadedearroz,necessitaráde

R$11,00.Comoosaláriodestetrabalhadornãoéreajustadomensalmente,opoderdecompradiminui.

Depoisdeumano,osaláriodestetrabalhadorperdeu120%dovalordecompra.

Ainflaçãoéumaneoplasiamaléficaparaaeconomiadeumpaís,senãocontrolada,causaráamorte

(falência).Quemgeralmenteperdemaissãoostrabalhadoresmaispobresquenãoconsegueminvestiro

dinheiroemaplicaçõesquelhegarantamacorreçãoinflacionária.

Ainflaçãopodesercaracterizada:

1­moderadaoudeslizanteourastejante,quandooaumentodospreçosforaproximadamenteaté3%(três

porcento);

2­trotante,quandooaumentodospreçosforacimade3%(trêsporcento)einferiorouiguala10%(dezpor

cento);

3­galopante,quandooaumentodospreçosforacimade10%(dezporcento)einferiorouiguala60%

(sessentaporcento).

Ainflaçãohomólogaéacomparaçãodataxadainflaçãodeummêsdeumanocomomesmomêsdoano

anterior.Exemplo:taxadeinflaçãodomêsdemarçode2010emrelaçãoàtaxadeinflaçãodomêsde

marçode2011.

Ahiperinflaçãoécaracterizada,quandooaumentodospreçosforigualouacimade60%(sessentapor

cento).

Adesinflaçãoécaracterizada,quandooaumentodospreçosocorrerememumritmomenor.

Quandoestesaumentossederemdeformalineareemtaxainferiora1%(umporcento).Exemplo:oÍndice

NacionaldePreçosaoConsumidordivulgadomensalmentepeloInstitutoBrasileirodeGeografiae

Estatística(INPC/IBGE),desdeomêsdefevereirode1996temsemantidonopadrãoinferiora1%(umpor

cento)aomês,excetonoperíododomêsdeoutubrode2002aomêsdeabrilde2003quetemsuperadoo

padrãodeestabilidade.Assim,tambémtemocorridocomosíndices:IPC/FIPE,TR/BCB,IGP­M/FGV,

TJLP/CMN,UFIR/RFeetc.

NoBrasil,existemváriosíndicesquemedemainflação.Osprincipaissão:IGPouÍndiceGeraldePreços

(FundaçãoGetúlioVargas),IPCouÍndicedePreçosAoConsumidor(FundaçãoInstitutodePesquisas

Econômicas),INPCouÍndiceNacionaldePreçosaoConsumidoreIPCAouÍndicedePreçosao

ConsumidorAmplo(InstitutoBrasileirodeGeografiaeEstatística).

Amoedaperdeaqualidadedareservadevalor,ouseja,perdeseupoderaquisitivo.

Adeflaçãoéadiminuiçãodospreços,ouseja,éainflaçãonegativa.

Areflaçãoéapassagemdeumperíododedeflaçãoparaoutrodeinflação.

Aestagflaçãoéquandoocorreoaumentodospreçoseconcomitantementecomcriseeconômica,causando

aelevaçãododesemprego.

Ainflaçãohomólogaéacomparaçãodataxadainflaçãodeummêsdeumanocomomesmomêsdoano

anterior.Exemplo:taxadeinflaçãodomêsdemarçode2010emrelaçãoàtaxadeinflaçãodomêsde

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

marçode2011.

Ainflaçãopodesercausada,variandodeacordocomotempoeoespaço:

1­aumentodaprocura,seaofertanãoaumentar;

2­remessadeemigrantesaumentaaprocuradasnossasfamíliaseaofertasemantém;aumentodos

custosdeprodução;

3­aumentodoscombustíveisedasmatérias­primasconsequentementecausaoaumentodospreços,

tornando­seummauparaasempresas,porqueperdemclientesecompetitividade;

4­excessodemoedaemcirculação;oaumentodasreceitas,ouseja,oaumentodosimpostosetaxas

públicas;

5­especulação(colocaçãodeprodutosforadomercadoparadesequilibraraprocura,aumentando­sea

oferta);

6­importaçãodeprodutoscompreçosinflacionados(inflaçãoimportada)culminarácomaumentodos

preçosedosbenslocais;abaixaprodutividade;

7­financiamentododéficitorçamental;

8­emissãoexageradaedescontroladadedinheiroporpartedogoverno;

9­demandaporprodutos(aumentonoconsumo)maioresdoqueacapacidadedeproduçãodopaís;

10­aumentonoscustosdeprodução(máquinas,matéria­prima,mão­de­obra)dosprodutos.

Asconsequênciasdainflação:adiminuiçãodopoderdecompra(perdadopoderaquisitivodamoeda);a

instabilidadesocial;oaumentodossaláriosnominais.

Entendoqueàsmedidasaseradotadasparacombaterainflaçãocentrenaproporcionalidadee

razoabilidadedeuma:

1­políticafiscalequilibradadeaumentodosimpostosetaxas;

2­políticaorçamentalcomreduçãosignificativadasdespesasdaUnião,dosEstados­membros,doDistrito

FederaledosMunicípios;

3­aumentodastaxasdejurosremuneratóriosdeempréstimosefinanciamentosdecapitalpúblicocom

controledastaxasdejurosadotadaspelasinstituiçõesfinanceirasprivadasoumistaspeloBancoCentraldo

Brasil;

4­controledossaláriosemníveisequiparadoscommecanismosdeelevaraprodutividadedeserviços

públicoseprivados;

5­controledoscustosdeproduçãoedospreçosdosbenseserviços.

Também,entendoquedeveadotarmedidasparaseevitaraelevaçãodospreços,quandohouveinflação

paraseterumamaioreficáciadoscircuitosdedistribuiçãodosprodutosbenseserviços,excluindo­se

intermediários;cursosdeformaçãoparaostrabalhadoresurbanoserurais,privadosepúblicos,demodo

haverumamaiorprodutividadeediminuiroscustosdeproduçãocomprandomatérias­primasdeboa

qualidadeecompreçosdemercado,semespeculação,fazendoesforçosparaelevaçãodaprodutividadede

qualidade.

AMatemáticaFinanceiraconceituainflaçãocomoaumentomédiodepreços,ocorridos,emumdeterminado

períododetempo,períodoconsideradousualmentemedidoporumíndiceexpressocomoumataxa

percentualrelativaaestemesmoperíodo.

Ojuroéexpressogeralmente,emtermosdequantidadedemoeda,deacordocomoseuvalorcorrente.No

entantoemperíodosdeinstabilidadeeconômicaovalorrealdamoedaaltera­se.

Aindaseconceitua,juridicamente,inflaçãonasuaessência,comoumfatordedesequilíbrioentreaprocura

eaofertaequecriaumatensãonasestruturasprodutivas.

Ainflaçãonãoéumaumentodospreços,definiçãoerradaquemuitosconsumidorestêmdeinflação.A

subidageneralizadadospreços,oracionamentoeotabelamentodospreçosnãosãomaisquesintomase

consequênciasdatensãoinflacionáriaprovocadapelodesequilíbrioentreaprocuraeaoferta.

Ojuroéaremuneraçãopeloempréstimodeumdeterminadocapital(dinheiro),porumperíododetempo.O

juroexisteporqueamaioriadaspessoasprefereoconsumoimediatoeestádispostaapagarumpreçopor

isto.

Poroutrolado,quemforcapazdeesperaratépossuiraquantiasuficienteparaadquiriroprodutooubem

quedesejarenesteínterimestiverdispostaaemprestarestaquantiaaalguém,menospaciente,oucolocá­

laemrendimentoemalgumainstituiçãofinanceira,deveserrecompensadoporestaabstinênciana

proporçãodotempoerisco,queaoperaçãoenvolver.

Otempo,oriscoeaquantidadedecapitaldisponívelnomercadoparaempréstimosdefinemqualdeveráser

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

aremuneração,maisconhecidacomotaxadejuros.

Ogovernoquandoquerdiminuiroconsumo,comaperspectivadecontrolarouconterainflação,diminuia

quantidadedecapitaldisponívelnomercadoparaempréstimos.Assim,aremuneraçãodesteempréstimo

ficaráaltaparaquempaga,causandoanãomotivaçãodoconsumidorimediatamenteeatraenteparaquem

temocapital(dinheiro),estimulando­oapoupar.

Atítulodeelucidaçãoobservequenoperíododejaneirode1990ajunhode1994ainflaçãoeraalta,

quandoacadernetadepoupançaatingepercentualderemuneraçãodeaté82,18%emummês,algumas

pessoastinhamafalsaimpressãodequelogoficariamricas,comosaltosjurospagospelasinstituições

bancárias.Oquenãoperceberaméque,dependendododesejodeconsumo,apessoapoderiaficarcada

vezmaisdistante,elevando­seopreçoemumaproporçãomaiorqueosrendimentosdacadernetade

poupança.

Astaxasdejuroscobradasepagaspelasinstituiçõesbancáriasincluemitenscomo:orisco,otempode

empréstimo,aexpectativadeinflaçãoparaperíodo.Essataxa,quandovemexpressaporumperíodoque

nãocoincidecomoprazodeformaçãodosjuros(capitalizações),échamadadetaxanominal.Exemplo:

18%aoano,cujosjurossãopagosmensalmente.Nestescasosprecisamoscalcularataxaefetiva,queserá

ataxanominaldivididapelonúmerodecapitalizaçõesqueincluemacumuladapeloprazodetransação.

Aremuneraçãorealoutaxarealdeumaaplicaçãoserácalculadaexcluindo­seopercentualdeinflaçãoque

ataxaefetivaembute.

EFEITOSDAINFLAÇÃONAECONOMIABRASILEIRA

Umdosefeitosdainflaçãonaáreaeconômicadeumpaíséquesetornamaisdifícilrenegociaralguns

contratos,preços,esaláriosparavaloresmaisbaixos,tendoemvistaqueoaumentogeraldepreçosémais

simplóriodoqueospreçosrelativosseajustarem.

Osvaloresemgeralsãobastanteinflexíveisparasereduziremetendemaseelevarem(subir),portantoos

esforçosparamanterumataxazerodeinflação,semsombradedúvida,irãopunirsetorescomquedade

empregos,lucrosepreços.

Essesesforçospodemlevaradeflação.Nesteaspectoadeflaçãopodeserbastantedestrutiva,porsetornar

umaestimulaçãoparaasfalênciaserecessões.

Ainflaçãopodetambémprovocarefeitossobreaestruturadeproduçãodaeconomia.Redistribuindorendas

ecausandoumadesproporçãoemrelaçãoaovolumededemandaparaossetoresdaeconomiadopaís,já

queospreçosnãosealteramconjuntamente,poiscadaumtemdiferenteintensidade.Issogeraumefeito

negativo.

Outroefeitonegativodegrandeintensidadeemagnitudepodeserahiperinflação.Geralmentequandoa

inflaçãoéresultadodepolíticasgovernamentaisparaaumentaradisponibilidadedemoeda(capital=

dinheiro),acontribuiçãodogovernoparaumambienteinflacionárioévistacomoumataxasobreamoeda

emcirculação.

Comoaumentodainflação,aumentaessepesosobreocapitalemcirculação,issoporsuavez,causaum

aumentodegrandeintensidadedecirculaçãodocapital,promovendooreforçodoprocessoinflacionárioem

umciclodeviciosidadequeconduzeahiperinflação.

Diantedestesefeitosnegativoscausadospelainflaçãoouhiperinflação,estimulamasinstituiçõesbancárias efinanceirasadefiniremaestabilidadedepreçoscomobjetivoessencialdesuaspolíticas.Ainflação perceptívelcomomoderadaoudeslizanteéaaceitávelcomoideal,masidealmesmoseriaseainflaçãonão

ultrapasseopercentualmensalde0,5%(meioporcento).Umaformadecontrolarospreçoséataxade

juros,quantomaioréataxadejuros,menoscapital(dinheiro)circulanomercado,issooriginaadiminuição

dacapacidadedecompradapopulação.Consequentemente,ainflaçãosetornacontrolável,naquele

patamar.

Ainflaçãoéumfenômenoeconômicoquefazcomqueamoedasedeteriorecomotempo,deixandode

servircomopadrãodereferênciaenãopodendoserguardadacomoreserva.

OCruzeirosobreviveuporlongotempodevidoaomecanismochamadocorreçãomonetária,criadopelo

Governobrasileiro(1964)paraprotegeramoeda.Devidoàcorreçãomonetáriapodia­seiraoBancoeabrir

umapoupançaemcruzeiros,poisestapoupançaeracorrigidaregularmente,paraqueasuadeterioração

fosserecomposta.Setalnãotivessesidopossível,ocruzeiroteriatidoumavidamuitomaiscurta,poisteria

sidorecusadopelopovo,porqueperderiaastrêsfinalidadesdamoedaqueservecomo:instrumentode

troca,poiséuniversalmenteaceitacomoumbemprecioso;padrãodereferência,dandovaloràs

mercadorias;reservadevalor,poispodesereconomizadaeguardadaparanecessidadesfuturas.

Pergunto,semresponder:Porqueexisteainflação?

Sabe­sequeumaquebradesafraprovocaumaumentodepreçosemumasériedeprodutos.Mas,issoé

umaumentosazonal,logocorrigidopelasafraseguinte.Portanto,essaflutuaçãodepreçosnãoéinflação.

Afirmo­lhequeainflaçãosecaracterizapelofenômenodadeterioraçãodocapital(dinheiro),oqualéo

apodrecimentodamoeda,paulatinoounão.

Aenormeinflaçãobrasileirageroude1980a1993:54mudançasnapolíticadepreços;21propostasde

pagamentodadívidaexterna;16políticassalariais;11índicesdepreços;9planosdeestabilização

econômica;5congelamentosdepreçosesalários;4moedasdiferentes.

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

AEVOLUÇÃODAINFLAÇÃOEAMUDANÇADEMOEDANOBRASIL

Nascinadatade26deabrilde1970.Nadécadade1970,ainflaçãoeratidacomo?monstro?,primeiro,

porqueganhouforçasparaatormentaraeconomiabrasileirapormaisde20anos;segundo,porqueos

índiceselevadosdeaumentosdepreçosdisseminaramumclimadeinstabilidadeentretodosossegmentos

dasociedadebrasileira.

Este?monstro?jávinhaassombrandoopaísháanos,porém,pode­sedizerquenasceunadatade31de

janeirode1956,quandoJuscelinoKubitschekdeOliveiraassumiuaPresidênciadaRepúblicaFederativado

Brasileinstitucionalizouapolíticadeindustrialização0épocaemqueosíndicesinflacionárioscomeçarama

aumentardescontroladamenteeatingirampercentuaisaltíssimos,nadécadade1980.

NoiníciodoRegimeMilitar(períododeditadura),oBrasilviviaemumclimadeparalisaçãoeconômicae

aceleraçãoinflacionária,semcontroledavelocidadegeradaporestemaledaeconomiaqueacadamêsfoi

setornandoemumíndiceinflacionáriodegrandezaincontrolável.

ADitaduraMilitarpodeserdefinidacomooperíododapolíticabrasileiracompreendidodadatade15de

abrilde1964a15demarçode1985.Caracterizou­sepelafaltadedemocracia,supressãodedireitos

constitucionais,censura,perseguiçãopolíticaerepressãoaosqueeramcontraoregimemilitarouque

expressavamsuasideologias.

OgeneralHumbertodeAlencarCastelloBrancofoieleitopeloCongressoNacional,PresidentedaRepública

nadatade11deabrilde1964.Posteriormente,assumiuaPresidênciadaRepúblicaogeneralArthurda

CostaeSilva.Depois,assumiuaPresidênciadaRepública,aJuntaMilitar,compostapelosMinistrosAurélio

deLiraTavares(Exército),AugustoRademaker(Marinha)eMárciodeSousaeMelo(Aeronáutica).

Posteriormente,assumiuaPresidênciadaRepública,ogeneralEmílioGarrastazuMédici.Naseqüência,

assumiuaPresidênciadaRepública,ogeneralErnestoGeisel.OúltimoaassumiraPresidênciada

RepúblicafoiogeneralJoãoBaptistaFigueiredo,oqualdecretouaLeideAnistia,concedendoodireitode

retornoaoBrasilparaospolíticos,artistasedemaisbrasileirosexiladosecondenadosporcrimespolíticos.

DuranteoRegimeMilitar,naáreaeconômicaopaíscresciarapidamente.Esteperíodocompreendidoentre

1969a1973ficouconhecidocomaépocado?milagreeconômico?.OPIBdoBrasilcresciaaumataxade

quase12%aoano,enquantoainflaçãoseaproximavade18%aoano.Comosinvestimentosinternose

empréstimosdoexterior,opaísavançoueestruturouumabasedeinfraestrutura.Todosestesinvestimentos

eempréstimosgeraramaopaísmilhõesdeempregos,porémalgumasobras,consideradasfaraônicas,

foramexecutadas,dentreelas,aRodoviaTransamazônicaeaPonteRio­Niterói.

Porsuavez,todoessecrescimentocausouumcustodealtamagnitude(crescimentoexponencial)eaconta

deveriaserpaganofuturo.OsempréstimosestrangeirosgeraramaoBrasilumadívidaexternaelevadapara

ospadrõeseconômicosdonossopaís.

OsgovernosmilitaresdecidiramimplantaroPlanodeAçãoEconômicadoGoverno­PAEG,parareduzira

inflaçãode91,8%aoano,equivalentea7,65%aomêsnoanode1964.Para22,2%aoano,equivalentea

1,85%aomêsnoanode1968,masnãoconseguiramalcançarasmetasdecrescimentoprogramadas.

Osíndicesinflacionárioscomeçaramaseestabilizar,sobretudo,nogovernodogeneralEmílioGarrastazu

Médici,jámencionado,?milagreeconômico?.Noperíodocompreendidopelosanosde1969a1973,a

economiabrasileiraregistroutaxasdecrescimentoquevariaramentre7%a13%aoano.

AherançaeconômicamaisvaliosadoRegimeMilitar,semdúvida,foiàlembrançapermanentedequeà

conjunçãodecrescimentoaceleradocominflação,sobcontrole,aquiidentificada,comoinflaçãodeslizante

paraumainflaçãotrotante,aqualrecebeuonomede?milagre?.

Estesupostomilagrefoiefêmero.Ocrescimentoeconômicobrasileirocomeçouadeclinarapartirdoanode

1973.Nofinaldadécadade1970,ainflaçãochegouàassustadoraeelevadíssimataxade94,8%aoano,

equivalenteàtaxade7,9%aomês.

Asindústriasnacionaisnãoconseguiramplanejarosseusinvestimentos,e,oscapitais(dinheiros)tantodos

empresáriosquantosdaspessoasconsumidoras,perderampoderaquisitivo,porque,tantoainflaçãoquanto

ahiperinflaçãotemcomocausainevitávelaperdadopoderaquisitivodamoedadopaís.

Àsautoridadeseconômicas,somenterestarampedirtempo,umavezqueosmecanismosutilizadospara

controlaroucombaterainflação,nãotinhamsurtidososefeitosdesejados.

Depoisdeumabrevetrégua,conformefoiexaustivamenteinformadoenoticiadopelarevistaVEJA,

alertandoàpopulaçãodequeochamado?monstro?dainflaçãoretornavaaatacarcomforçatotal.

Ainflaçãomensalchegouaumataxaelevadíssimapelaprimeiravez,desdeoanode1964.Naqueleano,o

índicedeinflaçãoanualatingiuopercentualde211,02%,ouseja,correspondeuàtaxasuperiora17,585%

aomês.

Aeconomiabrasileiraselançouàinflaçãogalopante.Natentativadecombaterederrotar,este?mostro?,as autoridadeseconômicasegovernamentaisdoBrasil,agiramigualaoOficialdaprovínciaromanadaJudéia,

PôncioPilatos(5ºGovernadordaJudéiade26a36d.C.),foiconsideradoojuizque,deacordocomaBíblia,

depoisdeterlavadoasmãos,condenouJesusamorrernacruz,apesardenãoterencontradonenhuma

culpa,lançavammedidaseconômicas,semanalisaremàssuasconseqüênciasparaasociedadebrasileira.

DesdeoRegimeMilitaratéadatade30dejunhode1994,oBrasilteve5(cinco)espéciesdemoedas,

porémporduasvezes,retornouaadotaràmesmamoeda,5(cinco)congelamentosdepreços,9(nove)

planosdeestabilizaçãoeconômica,11(onze)índicesparamedirainflação,16(dezesseis)políticassalariais

12/9/2015

A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

distintas,21(vinteeuma)propostasdepagamentodadívidaexternae54(cinquentaequatro)mudanças

napolíticadepreços.

JoséRibamarSarneydeAraújoCostaassumiuaPresidênciadaRepúblicaFederativadoBrasilnadatade

15demarçode1985.Noanode1986foilançadooPlanoCruzadoquefezaconversãodamoeda,

cortando­setrêszerosdamoedacorrente,cruzeiro,deu­lheonomedecruzado.Tambémhouveo congelamentodepreçosesalários,constituindo­seochamado?gatilhosalarial?,poisosrendimentoseram

disparadoscadavezqueainflaçãoatingiaopercentualde20%.Aconversãodamoedadecruzeiropara

cruzadosedeunadatade27para28defevereirode1986,comaextinçãodapartedocentavo(Decreto­

Lei2283,de27/2/1986).Exemplo:Cr$1.000,00passouaserCz$1,00(Cr$1.000,00/1000=Cz$1,00).

Amedida,comotodasasoutrasmedidaseconômicasadotadasanteriormente,garantiu,

momentaneamente,certofôlegoaoconsumidor,povobrasileiro,tendoainflaçãodoanode1986,fechada

nopercentualanualde65,04%.

Noanode1987,ataxadeinflaçãodivulgadaquaseatingiupercentualexponencialde415,83%aoano.

PresidentedaRepúblicaeMinistrosnãopararamdeinstitucionalizaremnovosplanos,masquenão

controlavamoucombatiamainflação.EditouoPlanoBresserde1987,oPlanoVerãode1989,quecortou

maistrêszerosdamoedaetransformando­adecruzadoparacruzadonovo,masasmedidaseconômicas

nãosurtiramefeitos.

Noanode1989,oreajustedagasolinafoide614%eainflaçãoacumuladaultrapassouodobrodoaumento

docombustível,atingindoopercentualde1.782,8%noano.

DepoisdatraumáticaexperiênciadaditaduramilitarvividanoBrasil(de11/4/1964a14/3/1985),tornou­se

indispensávelreestruturarsatisfatoriamenteadinâmicapolítico­socialdopaísparaevitarqueumgoverno inescrupulosoeintolerante,baseadonaforçaeopressãopudesseserepetir.Operíodoconstituintequese

seguiu(1987a1988)buscouresgataraarticulaçãoentreosdireitosegarantiasfundamentaisehumanase

asliberdadesbásicasparagarantirnovosmecanismosdeintervençãoeparticipaçãoquepudessemconferir

àpopulaçãocertasegurançademocrática.

Adécadade1980podeserconsideradacomoadécadaperdidadaeconomiabrasileira,emfacedas

medidaseconômicasadotadaspelosgovernos,e,emcontrapartida,osníveisdecrescimentodoPIB

apresentaramsignificativasreduções,sópararecordarocrescimentomédionadécadade1970foide7%,

jánadécadade1980foidesomente2%.

OBrasilteveumaumentododéficitpúblicodevidoaocrescimentodadívidaexternaocasionadapela

elevaçãodastaxasinternacionaisdejuros,comadívidainternaseguindoamesmadireçãocomogoverno

dandocontinuidadeasuapolíticafiscalexpansionista.

Adécadade1980aindapodesercaracterizadapelaaescaladainflacionáriaquechegouaofinaldoanode

1989,ahiperinflação,comoéconsideradapeloseconomistasematemáticos.

Adécadade1980nãofoideumtodomaléficaparaopaísnamedidaemqueforamtantasaspressões

sobreogovernomilitar,asquaissetornaraminsuportáveisfrenteàcrisequeseinstalounoBrasil.Porém,

noanode1985iniciava­seanovaRepúblicacomaeleiçãopelovotoindiretoparaPresidentedeumcivil,se

constituindoaportadeentradaparaaretomadadadesejadademocracia.Adécadade1980nocampo

cívicofoiconsideradadehumanizada.

ArevistaVEJAdefiniuoPlanoCollorIinstitucionalizadonoanode1990,peloPresidentedaRepública,

FernandoCollordeMello,como:"Omaisambiciosoedrásticoplanoeconômicoparavencerainflação".

Asmedidaseconômicasadotadasalteraram,maisumavezamoeda,convertendoeretornando­a,como, cruzeiro,massemdeterminarcortenaconversãodamoeda.Porém,adeterminaçãomaisdrásticaegolpista

foioconfiscodevaloressuperioresaCr$50,00queseencontravaemcadernetasdepoupançaecontas

correntesdetodososbrasileirospor18meses.

Posteriormente,instituiuumnovoplano,chamadodePlanoCollorII,commedidaseconômicaspara

combaterecontrolarainflação,infrutíferascomoasprimeirasmedidasadotadas.

DepoisdoprocessodeimpeachmentdoPresidente,FernandoCollordeMello,osíndicesdeinflação,

atingirampercentuaisdealtamagnitude.Noanode1993,aPresidênciadoBrasil,jásobagestãodeItamar

Franco,ainflaçãoatingiu2.708%aoano.Noanode1994,instituíramoutroplanoeconômico,conhecidopor

PlanoReal.SegundoarevistaVEJAqueoclassificoucomoum"maiselogiadoqueaspernasdeClaudia

Raia"(atrizdaRedeGlobodeTelevisão).AestratégiaeconômicatraçadapeloMinistrodaFazenda,

FernandoHenriqueCardoso,mostrou­seeficaz.

Pode­sedizerqueconseguiramaestabilidadeeconômicaeocontroledainflaçãocomaimplantaçãodo

PlanoReal.Estecontroledainflação,mantendo­amoderada.Estefatofoipersuasivoparasuacandidatura

àPresidênciadaRepública,efetivadapelaaliançapartidáriafirmadapeloPartidodaSocialDemocracia

Brasileira­PSDBeoPartidodaFrenteLiberal­PFL.Posteriormente,oPFLsefundiunoDEM­Partido

Democrata.

FernandoHenriqueCardoso,popularmentechamadodeGovernoFHCfoieleitopordoispleitos

consecutivos,PresidentedoBrasil,permanecendonaPresidêncianoperíodode1/1/1995a31/12/2002.

ConseguiusuaeleiçãoereeleiçãoemfacedapolíticaeconômicaqueinstituiunoGovernodeItamarFranco

etambémpelaaprovaçãodeinúmerasreformasconstitucionais(EmendasàConstituiçãodenº5,de

16/8/1995adenº39,de20/12/2002).

Noprimeiromomento,noperíodocompreendidodenovembrode1993afevereirode1994,aindasobas

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

regrassalariaisdosplanosanteriores,osaláriomínimotevereajustesmensaisquedeterminaramuma

trajetóriadealtosebaixos,noperíododequatromeses.

AmédiaemURVdopoderaquisitivo,daquelequadrimestre,serviu­sedebaseparaafixaçãodosalário

mínimo,nomêsdemarçode1994em64,79URVs.Estevaloréquesepretendiagarantirapartirdaquele

mêsetambémqueserviriadebaseparaumapolíticaderecuperaçãoreal.

Apersistênciadainflaçãonoperíododemarçoajunhode1994,inflaçãoemURV,mesmodepoisdacriação

doReal,oseconomistaschamamde"resíduoinflacionário".Issodeterminouumsegundomomentona

trajetóriadosaláriomínimo.OreajustedeR$64,79paraR$70,00,ocorridonomêsdesetembrodaquele

ano.

Assim,osaláriomínimorealmédiodoperíodocompreendidodemarçode1994aabrilde1995sereduziu.

OPlanoRealfoioficialmenteinstituídonadatade27defevereirode1994,atravésdaMedidaProvisórian°

434.EssaMedidaProvisóriacriouaUnidadeRealdeValor?URV,aqualculminoucomacriaçãodamoeda

chamadaReal,umanovamoeda.AUnidadeRealdeValoreraumindexadoratreladoaodólar.

AimplantaçãodoPlanoRealsedeuatravésduasetapas:

1­AlinhamentodareferênciadospreçoscomacriaçãodaUnidadeRealdeValor­URVquepermitiuquea

economiafossedesindexada,ouseja,osagenteseconômicosutilizavamreferênciasmonetáriasquenão

eraamoedacorrentenaépoca(porexemplo,odólar)parafixarospreços.Naépoca,adotou­seaURV

comoreferênciadepreçoseparasecompraralgumacoisa,seutilizavaumatabeladiáriaqueconvertiaa

URVparaCruzeirosqueeraamoedacorrente.ComacriaçãodaURVforamrealizadasmedidasdeajustes

fiscais,aumentando­seimpostosecortandogastospúblicosparaevitarqueogovernoalimentassea

inflaçãoequeacontecequandoogovernocriapapel­moedasemlastro,ouseja,ogovernoaumentaaoferta

decapital(dinheiro)nomercadosemquehajacrescimentodariquezacorrespondente.ComaURV

quebrou­seamemóriainflacionária,poisasociedadepassouaterumareferênciadepreços.

2­InstituiçãodoRealcomomoeda,depoisdesteprocessodedesindexaçãodaeconomiaeajustesfiscais.

ORealpassouaterumaestabilidadecomparativacomospreçosinternacionaisoquepermitiuqueos

preçosseestabilizassem.Quandoospreçosnacionaiscomeçavamaseelevar,mesmoque

moderadamente,areaçãosurgiaatravésdocomérciointernacional,ouseja,asimportaçõesdeprodutos

cresciamparaconterapressãodospreçosdomésticos.

AconversãodamoedaanteriorparaanovamoedaRealdeixouopovobrasileiro?cismado?,jáqueesta

seriaasétimamoedaaserconvertidanopaís,desdeadatade1denovembrode1946.ORealextinguiuo

CruzeiroRealquenoanoanteriortinhaconvertidooCruzeiro.

OseconomistascostumamdizerqueoReal,nasceuesetornouumamoedaestáveleforte.Aeconomia

brasileiracomeçouaserecomporcomainstitucionalizaçãodoPlanoReal.O?monstro?queaterrorizavaos

brasileirosfoisedesfalecendo,masainda,sepodeafirmardequeesse?mostro?nãomorreu.

Oanode2007terminoucomumainflaçãoacumuladanopatamarde4,46%aoano,aprimeiraaltaanual,

desdeomêsdeabrilde2003.Oambientedenormalidadeeconômicadeumpaís,sempreéabaladopor

algumacrisemonetária,aexemplodacrisehipotecárianorte­americana,devidaàsaltasnospreçosde

commodities,comoopetróleo.Issoéummaleeconômicoqueameaça,nãosónoBrasil,masemqualquer

país,despertaro?monstro?dainflação.

AsprincipaismedidasgovernamentaisinstituídasparaaconsolidaçãodoPlanoRealfoiàintroduçãode

programasdetransferênciaderenda,umdestesprogramas,aBolsaEscola,alémdeprofundasreformas

econômicaseprevidenciáriasqueproduzemefeitospositivosatéosdiasatuais,porém,nãoconseguiuêxito

einstitucionalizarasreformaspolíticasetributárias.

OgrandediferencialdoPlanoRealparaosplanosanterioresfoiestimularosempresáriosausaremaURV

paraprecificar,comseuvalorfixadoemumdólar(U$1,00),tornando­seestemecanismomonetáriocomo

umimportanteelementodesedução.

PlanoRealfoiumplanoeconômicodesenvolvidoeaplicadonoBrasilcomoprincipalobjetivodereduzire

controlarainflação.AsaçõesefasesdoPlanoReal:

1­reduzirdegastospúblicoseaumentodosimpostoscomoformadecontrolarascontasdogoverno;

2­criardaUnidadeRealdeValor?URV,comoformadedesindexaraeconomia,aqualestavaindexada

pelosíndicesdeinflação;

3­criardeumanovamoedaestáveleforte:Real;

4­aumentardastaxasdejuroseaumentostambémdosjuroscompulsórios(capital=dinheiroqueas

instituiçõesbancáriasefinanceirasdevemrecolheraoBancoCentraldoBrasil)­estasmedidaseconômicas

objetivavamreduziroconsumoeprovocaraquedaoureduçãodainflação;

5­reduzirdosimpostosdeimportaçãoparaaumentaraconcorrênciacomosprodutosnacionais,

provocandoareduçãodospreços;

6­controlarocâmbioparamanteroRealvalorizadodiantedamoedanorte­americana­dólar­estamedida

visavaestimularaimportaçãoeaumentaraconcorrênciainterna,controlandooaumentodospreçosdos

produtosnacionais.

OPlanoRealfoiconsideradobemsucedido.Ainflaçãopassouasercombatidaecontrolada,diminuindo­se

significativamentecomotranscursodosanos.AtéhojeoBrasiltemcolhidofrutosdesteplanoeconômico,

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

tendoemvistaqueinflaçãoestápróximaa5%aoano.

Nospaísesdesenvolvidosconsidera­senormalumainflaçãoanualdeaté2%(doisporcento).Ainflaçãodo

PlanoRealde1dejulhode1994,datadesuacriaçãoa31dedezembrode2010foide350%(trezentose

cinquentaporcento),ouseja,de9,544%(novevírgulaquinhentosequarentaequatroporcento)poranoou

0,795%(zerovírgulasetecentosenoventaecincoporcento)aomês.Estainflaçãoéconsideradapela

EconomiaeMatemáticacomotrotante.

HISTÓRICODASALTERAÇÕESDAMOEDABRASILEIRA

OsurgimentodaUnidadedoSistemaMonetárioBrasileiro,nospadrõesatuais,deu­senoséculopassado,

quandoaCasadaMoeda,naquelaépocasituadanoEstadodaBahia,imprimiuasprimeirascédulasdo

real.Anossamoedafoialteradapordiversasvezes,paraadaptá­laàscircunstânciaseconômicasdopaís,

especialmenteapartirdoRegimeMilitarem1964,quandoseintensificouoprocessoinflacionário.

Portanto,tem­seoquadrosinóticocomumhistóricodetodasastransformaçõesporquepassouonosso

sistemamonetário,apartirde1denovembrode1942,quandofoicriadooCruzeiroemsubstituiçãoao

antigoreal(réis),atéainstituiçãodamoedaatualmenteemvigor,Real(R$):

DenominaçãoSímboloPlanoEconômicoPeríodoVigênciaParidadeàmoedaanteriorExtinção

CentavosFundamentolegal

CruzeiroCr$

­­­­­­­­­1.11.1942

a

12.2.19671.000réis=

1,00cruzeiro

(1contoderéis=1.000cruzeiros)Fraçãodocruzeirodenominada"centavos"foiextintaapartirde

1.12.1964Decreto­Leinº4.791/5.10.1942

Lei4.511/1.12.1964

CruzeiroNovoNCr$

­­­­­­­­­13.2.1967

a

14.5.19701.000cruzeiros=1,00cruzeironovo

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Decreto­Leinº1/13.11.1965

Decretonº60.190/8.2.1967

ResoluçãodoBACENnº47/13.2.1967

CruzeiroCr$

­­­­­­­­­15.5.1970

a

27.2.19861,00cruzeironovo=1,00cruzeiroFraçãodocruzeirodenominada"centavos"foiextintaapartir

de16.8.1984ResoluçãodoBACENnº144/31.3.1970

Leinº7.214/15.8.1984

CruzadoCz$CruzadoI

Fev/1986

CruzadoII

Jun/198728.2.1986

a

15.1.19891.000cruzeiros=1,00cruzado

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Decreto­Leinº2.283/27.2.1986Decreto­Leinº2.284/10.3.1986

ResoluçãodoCMNnº1.100/28.2.1986

CruzadoNovoNCz$VerãoI

Jan/1989

VerãoII

Jun/198916.1.1989

a

15.3.19901.000cruzado=1,00cruzadonovo

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­MedidaProvisórianº32/15.1.1989,convertidanaLeinº7.730/31.1.1989

ResoluçãodoCMNnº1.565/16.1.1989

CruzeiroCr$CollorI

Mar/1990

CollorII

Jan/199116.3.1990

a

31.7.19931,00cruzadonovo=1,00cruzeiro

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­MedidaProvisórianº168/15.3.1990,convertidanaLeinº8.024/12.4.1990

ResoluçãodoCMNnº1.689/18.3.1990

Cruzeiro

RealCR$TransiçãoparaReal(Ago/1993)1.8.1993

a

30.6.19941.000cruzeiro=1,00cruzeiroreal

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­MedidaProvisórianº336/28.7.1993,convertidanaLeinº8.697/27.8.1993,eResoluçãodo

CMNnº2.010/28.7.1993

URV

­­­URV

1/7/1993

CR$56,81

1.7.1993

Diária1/7/1993:

CR$56,81

30/6/1994

CR$2.750,00

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­MedidaProvisórianº434/28.2.1994reeditadaaMedidaProvisórianº457/30.3.1994

reeditadaaMedidaProvisórianº482/29.4.1994convertidasem

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

Leinº8.880/27.5.1994

Leinº9.069/29.6.1995

RealR$Real

1/7/19941.7.19941URV

(CR$2.750,00=R$1,00)

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­MedidaProvisórianº542/30.6.1994

Leinº8.880/27.5.1994

Leinº9.069/29.6.1995

AparidadeentreoRealeoCruzeiroReal,apartirde1/7/1994éigualàparidadeentreaURV­Unidade

RealdeValoreoCruzeiroRealfixadapeloBancoCentraldoBrasilparaadatade30/6/1994:CR$2.750,00.

Aconversãodecruzeirosreaisparareaisfaz­semedianteadivisãodovalordeCR$pelovalordaúltima

URVdeCR$2.750,00nadatade30/6/1994.Exemplificando:CR$2.750,00=R$1,00.CR$1.000.000,00=

R$363,63(Trezentosesessentaetrêsreaisesessentaetrêscentavos):CR$1.000.000,00/2.750=

R$363,63.

QUEMMEDEAINFLAÇÃONOBRASIL Emeconomia,inflaçãoéaquedadovalordemercadooupoderdecompradocapital=dinheiro.Porém,é popularmenteutilizadaparasereferiraoaumentogeralepersistentedospreços.Inflaçãoéoopostode deflação.Inflaçãozerooumuitobaixa,éumasituaçãochamadadeestabilidadedepreços. Apalavrainflaçãoéutilizadaparasignificarumaumentonosuprimentodedinheiroeaexpansãomonetária, oqueéàsvezesvistocomoacausadoaumentodepreços.Algunseconomistas,comoosdaescola austríacapreferemestesignificado,emvezdedefinirinflaçãopeloaumentodepreços.Assim,porexemplo,

algunsestudiososdadécadade1920nosEstadosUnidosdaAméricareferem­seàinflação,mesmoqueos

preçosnãoestivessemaumentandonoperíodo.Masdeummodogeral,apalavrainflaçãoéusadacomo aumentodepreços,amenosqueumsignificadoalternativosejaexpressamenteespecificado.Outra distinçãotambémsefazquandoseanalisamosefeitosinternoseexternosdainflação:externamentea inflaçãosetraduzmaisporumadesvalorizaçãodamoedalocalfrenteaoutras;internamenteainflaçãose exprimemaisnoaumentodovolumededinheiroeaumentodospreços. Amediçãodainflaçãoéfeitaatravésdeumagrandezadenominadanúcleodainflação:medeoqueos economistaschamamde"coraçãodainflação".OBancoCentraldoBrasilutilizaomodelodemédias aparadas,ouseja,excluem­seasaltasebaixasmaisexpressivas.Emoutraspalavras,todooíndiceébom, osegredocientífico,daverdadecientíficaestáemnãoficarmudandodeindicador,conformesempre expressaoMinistroDelfimNeto,poismaiscedooumaistardeserácorrigidoesseíndicepelolevantamento científicodosvalores,pelosórgãoscientíficoscompetentes. OutromodeloéoutilizadopeloFED(BancoCentralAmericano):aqui,sãoexcluídosdocálculoospreçosde itensmaissujeitosaoschoquesdecusto,comoalimentoseenergia. UmexemploclássicodeinflaçãofoioaumentodepreçosnoImpérioRomano,causadopeladesvalorização dosdenáriosqueantesconfeccionadosemouropuro,passaramaserfabricadoscomtodotipode impurezas.OImperadorDiocleciano,aoinvésdeperceberessacausa,jáqueaciênciaeconômicaainda

nãoexistia,culpouaavarezadosmercadorespelaaltadospreços,e,promulgouem301umeditoquepunia

comamortequalquerumquepraticassepreçosacimadosfixados. Ainflaçãopodesercontrastadacomareflação,comojádito,éumaumentodepreçosdeumestado deflacionado,oualternativamente,umareduçãonataxadedeflação,ouseja,situaçõesemqueonívelgeral depreçosestácaindoemumataxadecrescente.Umtermorelacionadoédesinflação,queéumaredução nataxadeinflação,masnãoosuficienteparacausardeflação. OsíndicesdeinflaçãonoBrasilsãomedidosdeduasmaneiras.UmapeloINPC/IBGE,aplicadopara famíliasdebaixarenda,aquelasquetenhamrendadeumaoitosaláriosmínimos.OutrapeloIPCA/IBGE, aplicadoparafamíliasquerecebemummontantedeatéquarentasaláriosmínimos. AtualmentequatroinstitutosdepesquisaaferememedeainflaçãonoBrasil.AFundaçãoGetúlioVargas­ FGVéamaisantiga.AFGVcalculatrêsíndices:ÍndiceGeraldePreçosdoMercado­IGP­M;ÍndiceGeral

dePreçoaoMercado­IGP­10,nosprimeiro10diasdecadamês;ÍndiceGeraldePreços­Disponibilidade

Interna­IGP­DI,quediferementresiapenaspeloperíododecoletadosdados.Todososíndicessão calculadoscombasenosindicadores:ÍndicedePreçosnoAtacado­IPA;ÍndicedePreçosaoConsumidor­

IPC;ÍndiceNacionaldoCustodaConstrução­INCC,querepresentam60%,30%e10%respectivamente,

emcadaumdosíndices. OInstitutoBrasileirodeGeografiaeEstatística?IBGE(AutarquiaFederal)éoórgãoresponsávelpelo cálculodoíndicedeinflaçãousadopelogoverno.PortantoéoíndiceoficialadotadopeloGovernoFederal. EsteinstitutocalculaoÍndicedePreçosaoConsumidorAmpliado­IPCA.TambémoÍndiceNacionalde PreçosaoConsumidor?INPC,cujoíndiceéfixadopelosTribunaiscomoíndicedeatualizaçãomonetária dascondenaçõesoudébitosoriundosdeprocessosjudiciais. OsíndicesIPCAeINPCsãocalculadoscomdadoscoletadosnasregiõesdoRiodeJaneiro,PortoAlegre, BeloHorizonte,Recife,SãoPaulo,Belém,Fortaleza,Salvador,Goiânia,DistritoFederaleCuritiba. AFundaçãoInstitutodePesquisasEconômicas­FIPEestáligadaaUniversidadedeSãoPauloeéa responsávelpeloíndicedeinflaçãodacapitalpaulistaqueservedebaseparatodooBrasil.Éconhecido comoÍndicedePreçoaoConsumidordoMunicípiodeSãoPaulo?IPC/FIPE. ODepartamentoIntersindicaldeEstudosEstatísticoseSocioeconômicos­DIEESEsediferedasoutraspor incluir,alémdositensessenciais,osgastoscomrecreação,culturaelazer. OÍndicedeCustodeVida­ICVémedidaentreosgruposdetrêsclassesderenda:umatrêssalários mínimos;umacincosaláriosmínimos;umatrintasaláriosmínimos. IPCA­ÍndiceNacionaldePreçosaoConsumidorAmploéutilizadopeloBancoCentraldoBrasilparao acompanhamentodosobjetivosestabelecidosnosistemademetasdeinflação,adotadoapartirdejulhode

1999,paraobalizamentodapolíticamonetária.Écalculadodeformacontínuaesistemáticaparaasáreas

abrangidaspelosistema.OIPCAéreferenteàsfamíliascomrendimentosmensaiscompreendidosentre1

(um)e40(quarenta)salários­mínimos,qualquerquesejaafontederendimentoseresidentesnasáreas

urbanasdasregiões. IPC­ÍndicesdePreçosdoConsumidorécalculadopelaFundaçãoGetúlioVargas(FGV)quedetectaa

variaçãodospreçosdebenseserviçosconsumidospelasfamíliascomrendamensalaté33salários

mínimos.Essesitenssãoclassificadosemgrupos:Alimentação,Habitação,Vestuário,Transportes,Saúde,

EducaçãoeDespesasDiversas.Cadagrupoadmitesubdivisões,atésechegaraoníveldoitemindividual.

Opesoatribuídoacadagrupoousubdivisãodependedogastodessasfamíliascomcadabemouserviço.

EstasinformaçõessãoobtidasatravésdePesquisasdeOrçamentosFamiliares(POF),elaboradas

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

periodicamentepelaFGV.Onúcleodainflaçãoou"coreinflation"éoutramaneiradeagregarositensdo IPC­BR,procurandoneutralizar,atravésdemétodosestatísticos,fatorestransitóriosquelevaramasaltas expressivasouquedasexageradasdedeterminadosprodutosouserviços. INPC­ÍndiceNacionaldePreçosaoConsumidor,assimcomooIPCA,écalculadodeformacontínuae sistemáticaparaasáreasabrangidaspelosistema.Apopulação­objetivodoINPCsereferenteàsfamílias

comrendimentosmensaiscompreendidosentre1(um)e8(oito)salários­mínimos,cujochefeéassalariado

emsuaocupaçãoprincipaleresidentenasáreasurbanasdasregiões.

IGP­ÍndiceGeraldePreços,aFGViniciouocálculodeíndicesdepreçosem1947,comacriaçãoda

metodologiadoÍndiceGeraldePreçosque,salvopequenascorreçõeseatualizações,permanece inalterada.Inicialmente,asestimativasreferiam­seaíndicesdepreçosdetítulospúblicoseações,preços noatacado,preçosdegênerosalimentíciosecustodevida.Estassériesforamcalculadasretroativamente

até1944etinhamafinalidadededeflacionaroíndicemensaldaevoluçãodosnegócios.Comaintrodução

dacorreçãomonetárianopaís,em1964,esteíndicepassouaserbastanteusadonacorreçãodecontratos,

especialmenteobraspúblicas. Parachegar­seaoIGPponderam­seasparcelasÍndicedePreçosporAtacado(IPA);ÍndicedePreçosao

Consumidor(IPC)eÍndiceNacionaldeCustodaConstrução(INCC),compesosiguaisa6,3e1

respectivamente.TrêsderivaçõesdoIGPaconteceramaolongodahistória.Aprimeira,em1969foià

separaçãodoIGPemduasversões:DisponibilidadeInterna(DI)eOfertaGlobal(OG).Oprincipalobjetivo eraisolarosefeitosdasoscilaçõesdospreçosdocafé.AversãoDIseencarregavadistoatribuindoumpeso menoraosprodutosdeexportação.Hoje,comadiversificaçãodasexportações,adispersãoentreasduas versõeséirrelevante.

Asegundamodificaçãofoiàintroduçãoem1989doÍndiceGeraldePreçosdoMercado(IGP­M),uma

versãodoIGPparaomercadofinanceiro.Adiferençaentreosíndiceséapenasoperíododecoleta.

EnquantooIGP­Dcoletaospreçosentreodia1ºaodia30domêsreferência,noIGP­Macoletaéentreos

dias21domêsanteriore20domêsdereferência.Destaforma,oIGP­Mpodeserdivulgadoantesdofinal

domêscalendário,oqueéessencialparasuautilizaçãocomoreferênciafinanceira.Em1993,começoua

serdivulgadooIGP­10,versãodoIGPcujacoletaérealizadaentreosdias11domêsanteriore10domês

dereferência.OIPCA/IBGEfoiinstituídoinicialmentecomafinalidadedecorrigirasdemonstrações financeirasdascompanhiasabertas. OSistemaNacionaldePreçosaoConsumidor­SNIPCefetuaaproduçãocontínuaesistemáticadeíndices depreçosaoconsumidor,tendocomounidadedecoleta,estabelecimentoscomerciaisedeprestaçãode serviços,concessionáriadeserviçospúblicosedomicíliosparalevantamentodealuguelecondomínio.A

população­objetivodoIPCAabrangeasfamíliascomrendimentosmensaiscompreendidosentre1(um)e40

(quarenta)salários­mínimos,qualquerquesejaafontederendimentos,eresidentesnasáreasurbanasdas regiões.Tambémsãoproduzidosindexadorescomobjetivosespecíficos,comoéocasoatualmentedo

ÍndiceNacionaldePreçosaoConsumidorAmploEspecial­IPCA­E.Apartirdomêsdemaiode2000,

passouadisponibilizaratravésdaInternetoÍndiceNacionaldePreçosaoConsumidorAmplo­15­IPCA­15.

Outrosíndicesforamdivulgadosnosseguintesperíodos:ÍndicedePreçosaoConsumidor­IPC(marçode

1986afevereirode1991);ÍndicedeReajustedeValoresFiscais­IRVF(junhode1990ajaneirode1991);

ÍndicedaCestaBásica­ICB(agostode1990ajaneirode1991);ÍndicedeReajustedoSalário­Mínimo­

IRSM(janeirode1992ajunhode1994);ÍndiceNacionaldePreçosaoConsumidorEspecial­INPC­E

(novembrode1992ajunhode1994);ÍndicedePreçosaoConsumidorsérier:IPC­r(julhode1994ajunho

de1995).

Aabrangênciageográfica:RegiõesmetropolitanasdeBelém,Fortaleza,Recife,Salvador,BeloHorizonte,

RiodeJaneiro,SãoPaulo,CuritibaePortoAlegre,BrasíliaeMunicípiodeGoiânia.

Aponderaçãodasdespesasdaspessoasparaseverificaravariaçãodoscustosfoidefinidadoseguinte

modo:

TipodegastoPeso:%dogasto

Alimentação25,21

Transportesecomunicação18,77

Despesaspessoais15,68

Vestuário12,49

Habitação10,91

Saúdeecuidadospessoais8,85

Artigosderesidência8,09

TOTAL100,00

OIPCA/IBGEmedeavariaçãodoscustosdosgastosconformeacimadescritonoperíododoprimeiroao últimodiadecadamêsdereferênciaenoperíodocompreendidoentreodiaoitoedozedomêsseguinteo IBGEdivulgaasvariações.

OIPCAtemporinícioomêsdejaneirode1980(coletainiciadanofinaldoanode1979)?Índicesdo

IPCA/IBGEdejaneirode1980amarçode2011(%):

ANO MÊSJANFEVMARABRMAIJUNJULAGOSETOUTNOVDEZ

19806,624,626,045,295,705,315,554,954,239,486,676,61

19816,846,404,976,465,565,526,265,505,265,085,275,93

19826,976,645,715,896,667,106,365,975,084,445,297,81

19838,647,867,346,586,489,8810,089,1110,308,877,388,68

19849,679,508,949,549,0510,089,729,3511,7510,4410,5311,98

198511,7610,8710,168,207,208,4910,3112,0511,1210,6213,9715,07

198614,3712,724,770,781,401,271,713,551,721,905,4511,65

198713,2112,6416,3719,1021,4519,719,214,877,7811,2215,0814,15

198818,8915,7017,6019,2917,4222,0021,9121,5927,4525,6227,9428,70

198937,4916,786,828,3317,9228,6527,7433,7137,5639,7747,8251,50

199067,5575,7382,3915,527,5911,7512,9212,8814,4114,3616,8118,44

199120,7520,7211,924,997,4311,1912,4115,6315,6320,2325,2123,71

199225,9424,3221,4019,9324,8620,2121,8322,1424,6325,2422,4925,24

199330,3524,9827,2627,7527,6930,0730,7232,9635,6933,9235,5636,84

199441,3140,2742,7542,6844,0347,436,841,861,532,622,811,71

19951,701,021,552,432,672,262,360,990,991,411,471,56

19961,341,030,351,261,221,191,110,440,150,300,320,47

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

19971,180,500,510,880,410,540,22­0,020,060,230,170,43

19980,710,460,340,240,500,02­0,12­0,51­0,220,02­0,120,33

19990,701,051,100,560,300,191,090,560,311,190,950,60

20000,620,130,220,420,010,231,611,310,230,140,320,59

20010,570,460,380,580,410,521,330,700,280,830,710,65

20020,520,360,600,800,210,421,190,650,721,313,022,10

20032,251,571,230,970,61­0,150,200,340,780,290,340,52

20040,760,610,470,370,510,710,910,690,330,440,690,86

20050,580,590,610,870,49­0,020,250,170,350,750,550,36

20060,590,410,430,210,10­0,210,190,050,210,330,310,48

20070,440,440,370,250,280,280,240,470,180,300,380,74

20080,540,490,480,550,790,740,530,280,260,450,360,28

20090,480,550,200,480,470,360,240,150,240,280,410,37

20100,750,780,520,570,430,000,010,040,450,750,830,63

20110,830,800,79­­­­­­­­­

FONTE:IBGE?www.ibge.gov.br.

INFLAÇÃOBRASILEIRANOPERÍODODE1830A2010

Nota:Entre1985a1994astaxasdainflaçãonoBrasilforamaltas.Paraosmaisricos,apolíticadacorreção

monetáriaajudouasuavizarasituação.

Nota:(IPCA):limitemáximonametaoficial=7,0%eobjetivodogoverno=5,1%.IPCAéoíndiceoficialdo

GovernoFederalparamediçãodasmetasinflacionáriascontratadascomoFMI,apartirde1dejulhode

1994.

AnoTaxaAnual(%)

196725,0

196825,5

196920,1

197019,3

197119,5

197215,7

197315,5

197434,5

197529,4

197646,3

197738,8

197840,8

197977,2

198099,25

198195,62

1982104,79

1983164,01

1984215,26

1985242,23

198679,66

1987363,41

1988980,21

19891.972,91

19901.620,97

1991472,70

19921.119,10

19932.477,15

1994916,46

199522,41

19969,56

19975,22

19981,66

19998,94

20005,97

20017,67

200212,53

20039,30

20047,60

20055,69

20063,14

20074,46

20085,90

20094,31

20105,91

FONTE:Almanaque(FolhadeSãoPaulo)apartirde1913comdivulgaçãodoíndicedeinflaçãoanual?a

partirde1980peloIPCA/IBGE.

NosdebatesdoFórumNacionalde2007registrou­seque:

"OBrasil,aolongodotempoeemdiferentesgovernos,aomarginalizaraeducaçãoformal,oensino

profissionaleapesquisa,limitouamodernização,abastardouacompetitividadee,emconseqüênciaperdeu

avisãododesenvolvimentoeconômico,auto­sustentável,comoprojetohegemônicopermanente.Perdeuo

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

seutempo,aocrescermarginalmente,nosúltimos20anos.Aceitou,assim,amediocridadedo

subdesenvolvimentoimpostoporsistemaehábitospolíticosquedominamoPoderExecutivoetodaavida nacional,comvisãopersonalista,cartorial,eleitoreiraedecurtoprazo.Nessequadro,aindapresente, dificilmentesepodeesperar,emcurtoemédioprazos,obenefíciodereformaspolítico­institucionais macroeconômicas,capazesdealiviaropesoabsurdodoEstadobrasileirosobreasociedade,eabrir caminhoparaamodernizaçãoeadesburocratizaçãodopaís,condiçãoparaalcançarmaiorcapacitação competitiva,queestimuleocrescimentoeconômicoeviabilizeadesejadainserçãointernacionalcomo instrumentodasustentaçãodocrescimentoenãofatorparaoseuaviltamento".

OBrasilconseguiucresceremmédia6,0%aoanoentre1930e1980eassimtriplicounoperíodosua

participaçãonoPIBmundial.Jáentre1981e2009,aeconomiabrasileiraperdeumuitodeseudinamismo,

expandindo­seapenas2,7%aoano,emmédia.

Aconseqüênciafoiopaísverencolherde3,9%paraapenas2,7%doPIBmundialnessesanosperdidos.

Em2009,aeconomiabrasileirapatinavaporcausadarecessãomundial,vindoaencolher0,2%.Mesmo

assim,voltavanaqueleanoasera8ªeconomiamundial.

Noprimeirosemestrede2010,houveumareviravoltadefortecrescimento,oquepassouaindicarum

crescimentosuperiora7,0%noano.

ComodesempenholimitadoeconservadordoGovernoLuísInácioLuladaSilva,apartirde1dejaneirode

2003,asexpectativasinternacionaisemrelaçãoàEconomiadoBrasilpuderammudarparamelhor,mas

somentecomvisãodelongoprazo.

ÍNDICESECONÔMICOSDOBRASIL1951a2010

PresidentesPeríodoMandatoInflaçãoMédiaAnualCrescimentoAnualPIB

Getúlio*1951­195517,00%6,70%

Juscelino1956­196025,00%8,00%

JoãoGoulart1961­196459,00%5,00%

CasteloBranco1964­196753,00%4,00%

CostaeSilva1967­196923,00%7,00%

Médici1969­197417,00%12,00%

Geisel1974­197938,00%6,70%

Figueiredo1979­1985130,00%2,40%

Sarney1985­1990472,00%4,30%

Itamar1992­9941.584,00%5,40%

FHC1995­199810,50%2,43%

FHC1999­20028,77%2,12%

Lula2003­20069,10%3,48%

Lula2007­20107,5%4,47%

APOLÍTICAMONETÁRIADOREAL

UmadasprimeirasmedidaseconômicasadotadasnoiníciodoPlanofoioaumentodataxadejuros.O

objetivoeraevitaruma"explosãodeconsumo",comoocorreraduranteoPlanoCruzado.Quandoainflação

reduzabruptamente,háumatendênciadeaumentodademanda,porváriasrazões.Primeiramente,pode­se

afirmarqueareduçãodainflaçãotemumforteefeitoredistribuidorderendaemfavordaspessoasdemenor

poderaquisitivo(maispobres),gerandomaisconsumo.Existe,também,umatendênciadeaspessoas

interpretaremerroneamentequeasaplicaçõesfinanceirassetornarammenosrentáveisepassarema

consumirmais.

Esseaumentonastaxasdejuros,porém,nãoconseguiuseguraroconsumodasfamílias,oquedemonstrou

queademandanoBrasil,époucosensívelavariaçõesdastaxasdejuros.Éaquelaantigahistóriada

pessoaque,aocomprarumbemaprazo,somentepensanovalordaprestaçãoeanalisasetemounão

condiçõesdepagarovalordaprestaçãoqueirápactuar,semdarimportânciaaototaldejurosquelheserão

cobrados.Noquedizrespeitoaessarelaçãoentrejuroseconsumo,háainda,maisumaobservaçãoaser

considerada.Quandoainflaçãoéelevada,tornando­seumahiperinflação,ocomerciantenãotemcomo

emprestaroufinanciaravendadeumamercadoriaemprestaçõesfixas,iguaisesucessivas.Essaincerteza

emrelaçãoaovaloraserpagoafugentaosconsumidores.Quandoainflaçãosereduzaumpatamar

razoável,tornando­a,moderadaoudeslizante.Esseempréstimooufinanciamentoemprestaçõesfixas,

iguaisesucessivastorna­sepossível,gerandoaumentodedemanda.

NocasodoPlanoReal,oaumentodastaxasdejurosnãofoisuficienteparaconteresseexcessode

consumo.

DEFINIÇÃOENATUREZAJURÍDICADEJUROS

Apalavrajuroderivadejusejurisqueoriginariamenteéempregadanaacepçãodedireito.Aplicadono

pluralexprimeoganho,olucroqueodetentordocapitalaufereaolongodedeterminadotempo.

O"juro"éuminstrumentodaciênciaeconômica,suadefiniçãolevaemconsideraçãoelementoseconceitos

dessanatureza.

Nesseâmbito,juroéaremuneraçãopagapelotomadordeumempréstimojuntoaodetentordocapital

emprestado.

Osjurosremuneratóriostambémdenominadosdecompensatórios,podemserdefinidoscomoopreçopago

pelautilizaçãodocapitalalheio.

ConformedefineSilvioRodrigues,ojuro:

"( )éofrutoproduzidopelodinheiro,poisécomofrutocivilqueadoutrinaodefine.Eleaumtempo remuneraocredorporficarprivadodeseucapitalepaga­lheoriscoemqueincorredeosnãoreceberde volta". Nomesmosentido,ensinaCaioMáriodaSilvaPereira:

"( )Chamam­sejurosascoisasfungíveisqueodevedorpagaaocredor,pelautilizaçãodecoisasda mesmaespécieaestasdevidas.Pode,portanto,consistiremqualquercoisafungível,embora frequentementeapalavrajurovenhamaisligadaaodébitodedinheiro,comoacessóriodeumaobrigação principalpecuniária.Pressupõeumaobrigaçãodecapital,dequeojurorepresentaorespectivorendimento, distinguindo­secomtodanitidezdascotasdeamortização.Naideiadojurointegram­sedoiselementos:um queimplicaaremuneraçãopelousodacoisaouquantiapelodevedor,eoutroqueéadecoberturadorisco quesofreocredor". Dessaforma,todoaquelequeemprestadeterminadasomaemdinheiropodepactuarjuroscomoobjetivo desercompensadopelaindisponibilidadetemporáriadocapitalcedido. SegundoaclássicaTeoriaGeraldeKeynes,juroé"instrumentodepolíticasdedesenvolvimentoeconômico

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

commanipulaçãodaofertamonetáriadisponível".Talteoriaassinalaqueamoedaeocréditobancáriosão

importantesparaestimularaatividadeeconômicaeoinvestimentodependedarentabilidadeesperadaque

devasersuperioraocusto,assimquantomenorataxadejurosemconcessãodecréditobancário,maiora

possibilidadedehaverinteressadoseminvestir.

OjuroéumfenômenoeconômicocomrepercussãonomundodoDireito,assimseaproveitandode

conceitoseconômicos,asciênciasjurídicasconceituamojurocomo:ofrutocivilproduzidopelousodo

dinheiro,tambémchamadodecapital,ouseja,éopreçopelousodocapital,poisremuneraocredorpor

ficarprivadodeseudinheiro,alémdepagarpeloriscodenãorecebê­lodevolta.Juroconstituiuma

obrigaçãoacessória,quedecorredeumaobrigaçãoprincipal.

Econômicaematematicamente,juro,podeserdefinidocomo:aremuneraçãodedeterminadaquantiade

capitalemprestadaouaplicadaporcertoperíododetempo(prazo)aoutremouainstituiçãofinanceira.

Osjurossereferemaocapitalprincipal(inicial)ouaovalorpresente,dedeterminadaquantiaemdinheiro

envolvidaemumaoperaçãofinanceiramatemáticaqueseráemprestadaouaplicadaemdeterminadadata.

Ataxadejuroséconsideradacomoaunidadedemedidadosjuros,ouseja,éocustoouremuneração

percentualpagapelousoouutilizaçãodocapital(dinheiro)durantedeterminadotempo.Éarazãoentreo

valordosjurosdeumdeterminadoperíodoeocapitalinicialemprestadoouaplicado(empregado).Essa

taxaécompostaporduasunidadesmatemáticas(partes),umaindicaocoeficientederemuneração

(rendimento)eaoutraaunidadedetemporelativaaocoeficiente.

Oprocessodeformaçãodosjuroséacapitalização,aqualpodesersimplesoucomposta.

Acapitalizaçãosimplesocorrequandoosjurosdecadaperíodosãocalculadossobreocapitalinicial,ou

seja,ovalordosjuroséigualemtodososperíodos,porisso,sedizqueacapitalizaçãosimplesélinearem

relaçãoaoprazo.

Acapitalizaçãocompostaocorrequandoosjurosdecadaperíodosãocalculadoseincorporadosaocapital

anterior(capitalinicial+rendimentosdoperíodo)deformaqueestecapitalcapitalizadorendajurosno

próximoperíodo.Ovalordosjurosdecadaperíodoéobtidopelaaplicaçãodataxasobreomontante (capitalprincipal+juros)acumuladoatéoiníciodoperíododocálculo.Nestecaso,háaincidênciadosjuros sobreosjuros.Éinquestionáveldequeovalordosjuroscresceexponencialmenteemrelaçãoaotempo (período). Portanto,hádiferençaentresosconceitosdejuroscompostosnaanáliseeconômicaejurídica.Dopontode vistaeconômico,osjurosvencidosecapitalizados,depoisdotranscursodeumanoperfazemumsistemade juroscompostoscomcapitalizaçãoanual.Dopontodevistajurídico,osjurosvencidospodemsercobrados anualmentesemquesedêatalprática,onomedejuroscompostos,ouseja,aoinvésdesistemadejuros compostoscomcapitalizaçãoanual,odireitoapenasprevêacobrançadejurossimples,depoisdo transcursodoano. Aquestãodaexigibilidadedosjuroséfundamental.Seosjurosforemmensalmenteexigidos,ocorrediluição dataxadejurosanualnocomponentemensal.Estadiluiçãosedarásobaformaexponencialporcontadas capitalizações.Nãosetratadecálculosdemultiplicaçãoediminuiçãocomonormalmentesedefende.Trata­

sededecomposiçãodataxadejurosanualem12meses,ouseja,em12capitalizações.

Éprecisoencontrarumataxamensaldejuroscapitalizadosqueretorneataxaanual.Nãosetratadeuma taxadejurossimples,mascomposta,diluídaemcadaprestaçãomensal. Assim,osjurosserãosemprecobradossobreosaldodevedor(capitalanterior=capitalinicial+juros). Entretanto,osjurosvencidosnãopodemserincorporadosaosaldodevedor,excetoanualmente.Esta vedaçãojurídicaéqueestáemquestãoquandosefazanálisedaaplicabilidadeounãodostiposde capitalizaçõesemrelaçãoaossistemasdeamortizações. Mas,seosjurossomentepodemsercobrados(capitalizados)anualmente,questiona­se:Porquealguém devepagá­lomensalmente?Umapossívelrespostaésimplesmenteporqueopagamentomensaldosjuros

atendeaointeressedocredor.Se,porhipótese,admitirumataxadejurosefetivade21%aoano.Qualseria

adiferença,seosjurosfossemcapitalizadosmensalmenteouanualmente? Arespostaaestaperguntaéafirmativa,bastaqueseutilizeafórmulaparacálculodacapitalizaçãosimples ecomposta. Naocorrênciadeumúnicopagamento,ocapitalfinanceiroCremuneradoaumataxai,podeserobtido utilizandoaconvençãodeCapitalizaçãoSimples(JurosSimples)ouaCapitalizaçãoComposta(Juros Compostos),depoisdenoutperíodos.

Acapitalizaçãosimples,aconvençãodefineaprogressãoaritméticacomomodelomatemático,M=C(1+

i.n),ouseja,adiferençaentredoistermosconsecutivoséconstante,portanto,ojurodecadaperíodonout éigualaoprodutodocapitalfinanceiroCpelataxadejuroi. Naconvençãoacapitalizaçãocomposta,porseterojurodecadaperíodoresultantedoprodutodataxade juroipelomontante:M=C+j,doiníciodoperíodo,tem­sequeoquocienteentredoistermosconsecutivos

éconstante,porconseqüênciaaprogressãogeométricaéafórmulamatemáticadaconvenção,M=C(1+

i)n,ouseja,alémdocapitalfinanceirotambémosjurosresultantessãobasesdecálculosdenovosjuros.

Seocapitalfinanceiroforemprestadooufinanciadoemmaisdeumpagamento,de1,2,3,4,

têm­secomoformasdepagamentosasconvençõesacapitalizaçãosimplesoucomposta.Dividindoo

capitalfinanceiroemnparcelas:C1,C2,C3,C4,

prestaçãoécalculadapelasseguintesfórmulas:

,nperíodos,

,n,deacordocomaconvençãodejurossimples,cada

Porexemplo:UmcapitaldeR$3.000,00financiadoataxade10%aomêsaserpagoem3(três)prestações

mensais.Qualovalordaprestaçãomensalpelaconvençãodejurossimples?

Noentanto,seforpelaconvençãoajuroscompostos,cadaprestaçãoécalculadapelasseguintesfórmulas:

Porexemplo:UmcapitaldeR$3.000,00financiadoataxade10%aomêsaserpagoem3(três)prestações

mensais.Qualovalordaprestaçãomensalpelaconvençãodejuroscompostos?

Portanto,qualquerpagamentodocapitalfinanceirotemporbaseouaconvençãodecapitalizaçãosimples

oudecapitalizaçãocomposta.

APOLÍTICADOSJUROSNOBRASIL

NoBrasiljásetornoumodaocombateàinflaçãopormeiodaaplicaçãodejurosaltos,fazendodonosso

Paísumcampeãodejurosnasociedademundial.

EssapolíticadecombateàinflaçãoadotadapeloBancoCentraldoBrasilemcomunhãoaPresidênciada

República,atravésdosMinistériosdaFazendaedoPlanejamento,estádistantedeselograrêxitonosseus

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

propósitos,nãotem,aolongodotempo,desdequedemonstradoeficiêncianessesentido,poisapesardesta

práticaadotada,ainflaçãoaindadásinaldeestarbemvivaentrenós.Seapenasaaplicaçãodejurosaltos

combatesseainflação,nósteríamosamenorinflaçãodomundo,poistemosamaiortaxadejurosdo

mundo.Issoporsisódemonstraasuaineficáciacomoinstrumentodecombateàinflação.Nuncadeucerto

emlugarnenhumdomundo,assim,surgeàindagação:PorquedariasóaquinoBrasil?

Apolíticadejurosaltosnumaeconomiainstáveléaplicadaemcertosmomentosparacontrolareventuais

excessosdedemandaouexplosãodeconsumoemdeterminadossetores,oquepodecolocaremriscoo

equilíbriodemanda/oferta,provocandopreçosespeculativose,conseqüentemente,inflaçãosetorial.Mas

quandotudovoltaaonormal,osjurostambémvoltamaonormal.NoBrasil,comojásetornourotina,tudoo

queéprovisóriotorna­sepermanente(comoosimpostoscriadostemporariamente)eapolíticadejurosaltos

nãopoderiaserdiferente.

Comojáafirmeianteriormente,jurosaltosemumaeconomiademercadosãouminstrumentoineficazno

combateoucontroleàinflação,trazendomaismalefíciosquebenefíciosàeconomia,porprovocarum

processoderealimentaçãodainflaçãoatravésdoaumentodoscustosfinanceirosdasempresasemgeral,

quesãorepassadosparaopreçodoprodutofinal,criando­seumciclodeviciosidade.

Alémdessefatoexistemaindaoutrosaspectosnegativosdosjurosaltos:

1­Incentivoàentradadedólaresespeculativos,provocandoavalorizaçãodoReal,oquetemprejudicado

sobremaneiraasnossasexportações,causandodéficitsnabalançacomercial;

2­Aumentodadívidapública.AtualmenteessadívidajáseaproximadeR$1,3trilhãoecadaponto

percentualaumentadonataxaSELICrepresentaumgastoamaisdeR$13bilhões.Comoúltimoaumento

dataxade0,75%,essegastofoipróximodeR$10bilhões,queserãopagospeloscontribuintes;

3­Reduçãodaatividadeeconômica,interrompendooritmodecrescimentoeconômico,oqueémaisgrave,

poisopaísprecisacrescersempreparamanterumníveladequadodeempregoerendaparaapopulação, proporcionandoumavidadignaegerandomaisinvestimentosparaodesenvolvimentoeconômicocomoum todo;

4­Reduçãodoníveldeinvestimentosdasempresas,pelotemordeumprocessodedesaceleraçãoda

economia,comojáestácomeçandoaocorrer,depoisdaretomadadaelevaçãodosjurospeloBanco CentraldoBrasil.PesquisarealizadapeloSERASAnomêsdejunhodesteanorevelaqueonúmerode empresasquepretendemampliarosseusinvestimentosreduziu­seemrelaçãoaomesmoperíododoano

passado.Das636empresasconsultadasemtodopaís,53%responderamquevãoampliaresteano,contra

58%quedisseramnoanode2007.Essatendênciafoiantesdesseúltimoaumentode0,75%,oque

provavelmentereduziuopercentualacimacitado. Issotudovemcomprovaroqueafirmocomrelaçãoaosefeitosmaléficosdessapolíticadejurosaltos, praticadoseefetivadoscomoaúnicaformadecombateàinflaçãoqueadiretoriadoBancoCentraldo Brasil,achaqueconhece.Issoéumaanáliselamentável.Opovobrasileiroestápagandoumacontamuito elevadaporcontadessainsensatezpraticadaporumaequipequenãomedeasconseqüênciasdesuas decisõesetemcausadograndesperdasaonossopatrimônio,comotemocorridoemalgunscasosdo

WASPreversos,quesónoanopassadoatingiramomontantedeR$47bilhões.

NãoestoufazendoumacríticadeincompetênciadaequipedoBancoCentraldoBrasil,masestainstituição estáagindocomoumsoldadoquemarchanopassoerradoeocomandantelheadvertem,dizendo:? soldado,obatalhãotodoestáerrado,sóvocêestácerto?.Deve­seanalisarcuidadosamenteasituaçãoeé horadessaequipecairnareal,comosediznagira,sairdasuaarrogânciaeprepotênciaesermaishumilde paraouviremavozdosagentesprodutoresdosbensquesustentamestanação,ouseja,ouviremavozdo povobrasileiro. SegundopesquisarealizadaporElisaBatiéeCamilaEscudeiro,ainflaçãocomeçouasermedidanoBrasil

noanode1920.Omodeloutilizadonaépocaeraoeuropeu,quejáerautilizadodesde1900eeracalculada

pelaFazendaNacional.Porém,osdadosnãorefletiamarealidadebrasileira,poisocálculomatemáticoera realizadocombasenosgastosdeumafamíliadeclassemédia,oquenaépocaeraminoria.Comacriação

daLeidoSalárioMínimonoanode1936,ocálculofoireformuladoepassouasercalculadopelaFundação

GetúlioVargas,queatéhojemedeainflação. Nesseperíodofoicriadaumacestadeconsumoqueincluíaváriosprodutosdeconsumoessencialparao

brasileiro.Apartirde1945aeconomiabrasileirasetornouestávelcomumataxade3%aoano.Conforme

asseveradoanteriormente,comafasedecrescimentoeconômicoeindustrializaçãopromovidapelo

PresidenteJuscelinoKubitschekdeOliveira,nadécadade1960,osíndicesaumentaram.Asgreveseo

períododeincertezapolíticaelevaramainflaçãopara90%aoano.

DurantetodoRegimeMilitarainflaçãosemantevealta,porémcomopoderautoritáriodaditadura,astaxas erammanipuladasesofriamalteraçõesparapoderbaixarosíndices,portantoosdadosdoperíodonãosão

confiáveis.Operíodopós­ditadura,segundametadedadécadade1980,foisemdúvida,omaisturbulento

detodaahistóriabrasileira.

SegundoBueno(1984,p.71):

"OcondutordarecessãoéoministrodoPlanejamento,DelfimNetto,queparacolocaraeconomianofundo dopoçoapertouviolentamenteocrédito,permitiuqueastaxasdejurosdisparassemeprincipalmentefez cortesdrásticosnosinvestimentopúblicos.DoaltodeseucinismoearrogânciaDelfimdizquearecessãoé aúnicasaídapossívelparacombaterainflaçãoeresolverosproblemasdabalançacomercial.Osfamosos planosBresser,CruzadoeCollortentaramcontrolarainflaçãoquedepoisdaredemocratizaçãopassoude

72,53%em1986,paraincríveis1.972,91%em1989.Aclassemédianesseperíodofoiamaisafetadaque

chegouatersuaspoupançasbloqueadasporumtemponogovernoCollor.Passadooimpeachmentdo presidenteCollor,oentãoministrodafazendaFernandoHenriqueCardoso,anuncioumaisumplano

econômico,oPlanoReal.Oíndicedainflaçãocaiude916,43%em1994,para22,41%em1995.Desdeo

lançamentodoPlanoReal,ataxadainflaçãosemantémpraticamenteestável,tirandoossobressaltos provocadosporcrisesinternacionais". SegundoElisaBatiéeCamilaEscudeiroparamanterainflaçãoemumpatamaraceitável,oBancoCentral

utilizava,desdeoanode1999achamadaMetadeInflação.Trata­sedeumataxaqueéestabelecidaparao

ano.Ogovernoprecisatrilharmecanismosduranteoanoparaalcançaressametaemostrarcredibilidade

peranteomercadointernacional,queestásujeitoafortescrises.Mostrarqueainflaçãoestácontrolada

garanteinvestimentosexternoseblindaaeconomiaduranteumacriseinternacional,ondeocapitalé

retiradodospaísesemergenteseaplicadoemeconomiasestáveis.

NORMASVIGENTESELIMITESDOSJUROS

Éindispensáveliniciar­seesteassuntocomaseguinte,pergunta:Qualadiferençaentremultamoratória,

multa,juros?

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

Moraquerdizeratraso.OCódigodeDefesadoConsumidor?Leinº8.078,de11/9/1990permiteacobrança

demultademoratambémpodendoseridentificadacomojurosmoratóriosde,nomáximo,2%dovalorda

prestaçãoematraso.Onãopagamentodeumacontanadatadevencimentoobrigatoriamenteresultana

cobrançademultaoujurosdemora.Assim,dispõealeidedefesadoconsumidor,no§1º,doart.52,coma

redaçãoquelhefoidadapelaLeinº9.298,de1/8/1996:"Asmultasdemoradecorrentesdoinadimplemento

deobrigaçõesnoseutermonãopoderãosersuperioresadoisporcentodovalordaprestação". Amultaoucláusulapenaléumpercentualprevistoemcontratoqueofornecedorretémdototalpago,no casoderescisãoimotivadadocontratoporpartedoconsumidor.Nocasodaalienaçãofiduciária (financiamentoemqueoveículoédepropriedadedainstituiçãofinanceira,quecedeapossedomesmoao alienante),oconsumidorperdetotalmenteoquepagou,umavezrescindidoocontrato.Alémdisso,se previstaemcontrato,deveráserpagaumamulta,queajurisprudência(decisõesreiteradasdosTribunais

pátrios)entendenuncapodersersuperiora20%dovalordobem.

Juro,diz­sejuroremuneratórioéumpercentualcobradosobreadívida,acrescendoseuvalor.Normalmente, osjurossãodevidosemvirtudedecontrato,independentementedeatrasonopagamento.

AsalteraçõesintroduzidaspelonovoCódigoCivil?Leinº10.406,de10/1/2002,notocanteàquestãodos

juros,apresentamsignificativasrepercussõesnoâmbitodosdireitoseinteressesdasociedadebrasileira. Umconceitosimplóriodejurossãoosrendimentosoufrutoscivisdocapital(dinheiro)emprestado,ouseja, umcustofinanceiro(preço)pelasuautilização.Sobaóticajurídica,jurossereferemàrecompensaaser pagaaocredoremrazãodesteseprivardedeterminadobemembenefíciododevedor,pordeterminado períododetempo. CarvalhodeMendonçadefiniujurocomo:"opreçodousodocapitaleumprêmiodoriscoquecorreo credor". Éimportantedestacarqueaexpressão"juro"possaserutilizadacomoreferênciaaodébitoemdinheiro,e, aocapitalnãoserestringe,podendoserperfeitamenteaplicávelàsrelaçõesobrigacionaisquetenhampor objetocoisasfungíveis(substituíveis)quenãoapecúnia. Osjurossãoclassificadoscomo:moratórios,compensatóriostambémchamadosderemuneratórioselegais ouconvencionais. Osjurosmoratóriosconstituempenaimpostaaodevedorpeloatrasonoadimplementodedeterminada prestação,sãoaplicados,nostermosdalei,pelosimplesfatodainobservânciadotermoparaopagamento ouinexistindoprazo,daconstituiçãododevedoremmora,oquesefazporintermédiodenotificação extrajudicialoujudicial,interpelação,protestooucitaçãodaexistênciadeação,estaapenasseaobrigação forilíquida. Osjuroscompensatóriosouremuneratóriostêmporescoporemunerarocapitalemprestado,financiadoou mutuado,equiparando­seaosfrutosquedelepoderiamadvir.Sãoaquelespagoscomocompensaçãopor ficarocredorimpossibilitadodedispordoseubemedefluemdesdeomomentodacessãodarespectiva posseouutilização. Osjuroslegaisouconvencionais,comoseinferedasdenominaçõesempregadas,essesjurosrequerema expressamanifestaçãodavontadedaspartesnasrelaçõesjurídicas(negóciojurídico),enquantoosjuros moratórios,somenteseproduzememfacederegrajurídicapreviamenteestabelecida.

DeacordocomoCódigoCivilde1916­Leinº3.071,de1/1/1916,revogadopeloatualCódigoCivilde2002,

emconjuntocomoDecreto­Leinº22.636,de7/4/1933conhecidacomoLeidaUsura,selegaisfossem,

seriamosjurosmoratóriosfixadosnopercentualde6%aoano.Estesjuros,seestipuladospelaspartes,

poderiamalcançaropercentualde12%aoano(dobrodaquelepercentual).

OCódigoCivilvigentetrouxerelevantesmudançassobreosjuros.Oart.406domencionadocódigodispõe:

"Quandoosjurosmoratóriosnãoforemconvencionados,ouoforemsemtaxaestipulada,ouquando provieremdedeterminaçãodalei,serãofixadossegundoataxaqueestiveremvigorparaamorado pagamentodeimpostosdevidosàFazendaNacional".

Oart.591destemesmodiplomalegal,disciplinaqueosjuroscompensatóriosouremuneratóriosnãopodem

ultrapassarataxadefinidanoart.406:

"Destinando­seomútuoafinseconômicos,presumem­sedevidosjuros,osquais,sobpenaderedução,não

poderãoexcederataxaaqueserefereoart.406,permitidaacapitalizaçãoanual".

Portanto,osjuroscompensatóriosouremuneratórios,obrigatoriamente,devemrespeitarataxaqueestiver emvigorparaamoradopagamentodeimpostosdevidosàFazendaNacional.Estataxaéaqueainda prevalecenahipótesedenãoseremconvencionadosoupactuadosnasrelaçõesjurídicasoutrataxade juros. Édeseressaltarqueexistemváriasdivergênciasdoutrináriaseentendimentosjurisprudenciaisacercada mencionadataxadejuros,cujasconseqüênciasparaassoluçõesdaslides(pretensãoresistida)noscasos concretossãovisivelmenteimportante.

Paraalguns,comfundamentonoart.84daLeinº8.981,de20/1/1995queserefereaoSistemaEspecialde

LiquidaçãoeCustódia­SELICquesecompõedejurosremuneratórioseatualizaçãomonetária(resgatedo

poderaquisitivodamoeda),querepresentaataxamédiaderemuneraçãodostítulospúblicosregistradosno

SistemaEspecialdeLiquidaçãoeCustódia.Assimprelecionaodispositivocitado:

"Art.84.OstributosecontribuiçõessociaisarrecadadospelaSecretariadaReceitaFederal,cujosfatos

geradoresvieremaocorrerapartirde1ºdejaneirode1995,nãopagosnosprazosprevistosnalegislação

tributáriaserãoacrescidosde(Decretonº7.212de2010):I­jurosdemora,equivalentesàtaxamédia

mensaldecaptaçãodoTesouroNacionalrelativaàDívidaMobiliáriaFederalInterna(Leinº9.065de1995;

II­multademoraaplicadadaseguinteforma:a)dezporcento,seopagamentoseverificarnoprópriomês dovencimento;b)vinteporcento,quandoopagamentoocorrernomêsseguinteaodovencimento;c)trinta

porcento,quandoopagamentoforefetuadoapartirdosegundomêssubsequenteaodovencimento.§1º.

Osjurosdemoraincidirãoapartirdoprimeirodiadomêssubsequenteaodovencimento,eamultade

mora,apartirdoprimeirodiaapósovencimentododébito.§2º.Opercentualdosjurosdemorarelativoao

mêsemqueopagamentoestiversendoefetuadoseráde1%.§3º.Emnenhumahipóteseosjurosdemora

previstosnoincisoI,desteartigo,poderãoserinferioresàtaxadejurosestabelecidanoart.161,§1º,daLei

nº5.172,de25deoutubrode1966,noart.59daLeinº8.383,de1991,enoart.3ºdaLeinº8.620,de5de

janeirode1993.§4º.OsjurosdemoradequetrataoincisoI,desteartigo,serãoaplicadostambémàs

contribuiçõessociaisarrecadadaspeloINSSeaosdébitosparacomopatrimônioimobiliário,quandonão

recolhidosnosprazosprevistosnalegislaçãoespecífica.§5º.Emrelaçãoaosdébitosreferidosnoart.5º

destaleiincidirão,apartirde1ºdejaneirode1995,jurosdemoradeumporcentoaomês­calendárioou

fração.§6º.Odispostono§2ºaplica­se,inclusive,àshipótesesdepagamentoparceladodetributose

contribuiçõessociais,previstosnestalei.§7º.ASecretariadoTesouroNacionaldivulgarámensalmentea

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

taxaaqueserefereoincisoIdesteartigo.§8º.Odispostonesteartigoaplica­seaosdemaiscréditosda

FazendaNacional,cujainscriçãoecobrançacomoDívidaAtivadaUniãosejadecompetênciada

Procuradoria­GeraldaFazendaNacional.(IncluídopelaLeinº10.522de2002)".

Paramelhorcompreensãodesteargumento,seforconsideradadeterminadonegóciojurídicocoma aplicaçãocumulativadejurosmoratóriosecompensatórios,surgiráduassituaçõesdistintas.Nautilização

dataxaSELIC,adívidapoder­se­ásujeitaraumacréscimode32%aoano.Poroutrolado,sepredominaro

entendimentodequetaltaxaequivaleaopercentualapontadopeloCódigoTributárioNacional,amajoração,

nomesmolapsodetempo,nãoultrapassará24%.

Igualmente,observaqueseadívidaperdurarpormaisdeumano,adiscrepânciateráumamajoraçãoainda

maior,poisqueoart.591doCódigoCivilde2002admite,taxativamente,acapitalizaçãoanualdosjuros.

Paraoutrosdoutrinadoresejuízes,areferidataxadejurosdevecorresponderàtaxaprevistano§1º,doart.

161,doCódigoTributárioNacional­CTN(Leinº5.172,de25/10/1966),segundooqual:"Sealeinão

dispuserdemododiverso,osjurosdemorasãocalculadosàtaxade1%(umporcento)aomês".

Pelaexperiênciadotrabalhoforensedemaisde19(dezenove)anosperanteoPoderJudiciáriodoEstado

doTocantinsnoexercíciodafunçãodeContadorJudicialiniciando­senadatade8deagostode1992,

aliada,tambémcommaisde20(dezenove)anosnoexercíciodafunçãodeProfessordaSecretariade

EstadodaEducaçãoeCulturadoEstadodoTocantins,naáreadeMatemáticaemgeraliniciando­sena

datade15demarçode1991.AtualmentelecionatambémadisciplinadeMatemáticaFinanceira.

EntendoqueaproposiçãoreferenteaoCódigoTributárioNacionalseafiguramaisdefensável,querpelofato

dequeotextodaleiemcomento(§1º,art.161,CTN)foielaboradoaotempoemqueaSELICsequer

existia.Mas,seforconsideradasomentealegislaçãotributária,querporseraaplicabilidadedaSELIC questionável,soboargumentodequeadefiniçãoefixaçãodataxaSELICsedeuporatoadministrativo (ComitêdePolíticaMonetáriadoBancoCentraldoBrasil)pararegulamentarasquestõesfiscaisetributárias afetasàFazendaNacionalenãodeleiordináriaoucomplementar.

Diantedasindeterminadasinterpretaçõesquearedaçãolegislativadoart.406doCódigoCivilde2002

permitechegar­seàconclusão,tratando­sedejurosmoratóriosobjetivamenteconvencionados,fixadosou pactuadospelaspartes,subtraiu­seolegisladordedeterminarseulimitenoatualCódigoCivil.Paraquese

constateessarealidade,ésuficientelersomenteotextodoart.406,doqualsededuzequeoaludidolimite

estárestritoaoscasosdeinexistênciadeconvenção,dedeterminação,fixaçãooupactoquantoàtaxa correlata,ouainda,senãoforestaprovenientedelei.

EssaincertezadeinterpretaçãonãoexistianoanteriorCódigoCivilde1916­Leinº3.071,de1/1/1916,já

queoart.1.062erataxativo,verbis:"Ataxadejurosmoratórios,quandonãoconvencionada(art.1.262),

seráde6%(seisporcento)aoano".Oart.1.262dizia:"Épermitido,massóporcláusulaexpressa,fixar

jurosaoempréstimodedinheirooudeoutrascoisasfungíveis".Tambémprelecionaoart.1.063:"Serão

tambémde6%(seisporcento)aoanoosjurosdevidosporforçadelei,ouquandoaspartesos

convencionaremsemtaxaestipulada".Essesjurospoderiamfixar­seabaixoouacimadataxafixadanoart.

1.062,comousemcapitalização.

Porinfluênciadasincertezasdeinterpretaçõesdotextodoart.406doCódigoCivilvigente,diariamenteno

âmbitoforense,questionam:Haveriairrestritaliberdadelegalnadeterminaçãooufixaçãodataxadosjuros? Entendoquenão.Porque,seassimfossepermitidaaliberdadedescomedidanafixaçãodosjuros proporcionaria,semdúvida,arbitrariedadeseexcessosquenãosecoadunacomosprincípiosquenorteiam

oCódigoCivilde2002,algunsdosquais,inclusive,porsinal,foramexpressamentecelebrizadosemseu

bojo,comoosquesereferemàonerosidadeexcessiva,àprobidadeeboa­féeàfunçãosocialdocontrato. Nestacircunstanciaapontoqueinfringiriapreceitoséticosemorais.Casofossepermitidaaliberdade desregradadafixaçãodataxadejuros,seriaincentivaraindamais,sobretudo,asinstituiçõesbancáriase financeirasautilizardeseucapitalparaobterrendimentossuperioresaosdaprodução.Asinstituições financeiraspúblicaseprivadasvêmamuitosanos,praticandocobranças,empréstimosefinanciamentos comestipulaçõesdetaxasdejurossuperioresaodobropermitido. Écompreensívelquesepartirdesseraciocínio,nãoseriarazoáveladmitir­sequedeumassuntodesta magnitudeerepercussãoeconômicaesocialpossanãoseterumaregranormativaetaxativa,deixandoao arbítriodasempresasouinstituiçõesfinanceirasestipularemsuastaxasdejuros,causandoàspartes hipossuficientesdasrelaçõesjurídico­econômicasseremprejudicadascomessalivrefixaçãodosjuros. Paraquesetenhamaisclarezaesane,emparte,alacunadeixandopelolegisladornoordenamentojurídico privado,oqualtemafinalidadederegulamentaràsrelaçõesdosindivíduosentresicompredominânciados interessesdeordemparticularrelativasàsrelaçõesjurídicasobrigacionaisepatrimoniais.

AdoutrinadeArnaldoRizzardosereportaaoart.1º,doDecreto­Leinº22.636,de7/4/1933,medianteoqual

seproíbeesepuneaestipulaçãocontratualdetaxasdejurossuperioresaodobrodapermitida(art.406,

CC/2002).

OsordenamentosjurídicospresentesnoDecreto­LeimencionadoforamversadospelonovoCódigoCivil, implicitamenteaqueleperderaasuavigência,masnãofoirevogado.

ConformeditoalhuresoCódigoCivilde2002eximiu­sedeestabeleceroufixarolimitedataxadejurospara

oscontratos,obrigaçõesepactosnasrelaçõesjurídicas.Nãosepodedeixaraoarbítriodaspartesnos negóciosjurídicosconvencionaremastaxasdejuros,porqueaspartesquedetémpoderioeconômico possuemmecanismosdeinduziremasparteshipossuficientes.Assim,éperfeitamentelegitimaaaplicação dalegislaçãoextravaganteaoproblemaapresentadorelativoàfixaçãodataxadejuros,emfacedequeseu conteúdo,aindaseencontraemplenavigência. Nestasearadeanálise,tantoadoutrinaquantoajurisprudência,frenteàsobscuridadeselacunasdeixadas pelalegislação,aindanãoajustaramumcritériodefinidoedeterminadoparaserdevidamenteutilizadopelas partesdestinatáriasdasnormasjurídicas.

REVOGAÇÃODO§3ºDOARTIGO192DACRFBDE1988

Depoisdarevogaçãodo§3º,doart.192,daConstituiçãoFederalde1988,pelaEmendaConstitucionalnº

40,de29/5/2003,astaxasdejurosremuneratóriosemoratóriosnãopodemmaisserobjetodecontrole

jurisdicional(controledeconstitucionalidade),jáquenãoexisteumpercentualfixadoemlei,pelocontrário,a

leiestabeleceualiberdadedaspartesenvolvidasnasrelaçõesjurídicasnoDireitoPrivadoreferentesàs

obrigaçõescontratuaisdequalquernatureza,ouseja,asempresaseinstituiçõesbancáriasoufinanceiras

temlibrearbítriodeajustarem,convencionarem,firmaremoupactuaremataxadejurosquedeverãoser

cobradas.

Poroutrolado,nenhumaempresaouinstituiçãobancáriaoufinanceirapode,arbitrariamente,cobrarjuros

queentenderindependentedesercorretoouhonesto,exatamenteemdecorrênciadeosjurosdevemser

cobrados,respeitando­seataxamédiademercado.Ataxamédiademercadopoderáserencontradapor

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

umasimplesebemelaboradaperíciacontábiloumatemática. NesteaspectotemsidooentendimentopredominantenoSuperiorTribunaldeJustiçasobreacobrançados juros.Essaorientaçãojurisprudencialfluiemdecorrênciadequeataxadejurosincidentessobreos

contratosobrigacionaisnosnegóciosjurídicos,estáregulamentadopeloart.591combinadocomoart.406,

doCódigoCivilistaNacional:

"Art.591.Destinando­seomutuoafinseconômicos,presume­sedevidosjuros,osquais,sobpenade

redução,nãopoderãoexcederataxaaqueserefereoart.406,permitidaacapitalizaçãoanual".

"Art.406.Quandoosjurosmoratóriosnãoforemconvencionados,ouoforemsemtaxaestipulada,ou

quandoprovieremdedeterminaçãodalei,serãofixadossegundoataxaqueestiveremvigorparaamorado pagamentodeimpostosdevidosàFazendaNacional". Daleituraconjuntadestesdispositivossurgeoutroquestionamento:Qualataxalegaldejurosmoratórios aplicáveisaopagamentodeimpostosdevidosàFazendaNacional?

Entendoquearespostamaisadequadaaestaquestão,centra­senanormaregulamentadanoart.161,§1º,

doCódigoTributárioNacional:

"Art.161.Ocréditonãointegralmentepagonovencimentoéacrescidodejurosdemora,sejaqualforo

motivodeterminantedafalta,semprejuízodaimposiçãodaspenalidadescabíveisedaaplicaçãode

quaisquermedidasdegarantianestaLeiouemleitributária.§1º.Sealeinãodispuserdemododiverso,os

jurosdemorasãocalculadosàtaxade1%(umporcento)aomês".

Assim,osjurosmoratóriospermitidossãode1%(um)porcentoaomês.

OSuperiorTribunaldeJustiça,jávemalgumtempo,firmandoentendimentodequeataxadejuros

moratóriosincidentessobretributosdevidosàFazendaNacionaléde1%(umporcento)aomês,conforme

dispostonoartigotranscritoenãoacobrançadataxadejuros,baseadanataxamensaldivulgadapelo

SistemaEspecialdeLiquidaçãoeCustódia­SELIC,porserdenaturezahíbrida,porrepresentaremcertas

situaçõesjurídicasíndicedeatualizaçãomonetária,dejuroscompensatóriosouremuneratórios,de

atualizaçãomonetáriaejuroscompensatóriosouremuneratóriosemconjuntoecumulativamente,mas

nuncataxadejurosmoratórios.

OentendimentodoSuperiorTribunaldeJustiça,nestesentido,é:

"RECURSOESPECIAL?ALÍNEAA?PARCELAMENTODEDÉBITOTRIBUTÁRIO?JUROSDEMORA?

INCIDENCIA?ART.161,§1ºDOCTN?ILEGALIDADEDATAXASELIC?ATaxaSELICparafins

tributárioséaumtempo,inconstitucionaleilegal.ComonãohápronunciamentodeméritodaCorteEspecial desteegrégioTribunalque,emdecisãorelativamenterecente,nãoconheceudaargüiçãode

inconstitucionalidadecorrespectiva(cf.incidentedeInconstitucionalidadenoRespnº215.881/PR),

permanecendoamaculatambémnaesferainfraconstitucional,nadaestáaempecersejaessaindigitada

TaxaproscritadosistemaesubstituídapelosjurosprevistosnoCódigoTributário(art.161,§1º,doCTN).A

TaxaSELICoratemaconotaçãodejurosmoratórios,oraderemuneratórios,apardeneutralizarosefeitos dainflação,constituindo­seemcorreçãomonetáriaporviasobliquas.Tantoacorreçãomonetáriacomoos juros,emmatériatributária,devemserestipuladasemlei,semolvidarqueosjurosremuneratóriosvisama remuneraroprópriocapitalouovalorprincipal.ATaxaSELICcriaaanômalafiguradetributorentável.Os títulospodemgerarrenda:ostributos,perse,não.AleinãodefiniuoqueéTaxaSELIC.Portanto,mesmo nashipótesesemqueédadaaopçãoaocontribuintepelopagamentoparceladocomquotasacrescidas comjurosequivalentesàtaxareferencialdoSistemaEspecialdeLiquidaçãoedeCustódia,tenho­acomo

ilegal.Oart.161,§1º,doCTN,comforçadeleicomplementar,dizqueosjurosserãode1%sealeinão

dispuseremcontrario.AleiordinárianãocriouaTaxaSELIC,mas,tão­somenteestabeleceuseuuso,

contrariandoaleicomplementar,pois,estasóautorizoujurosdiversosde1%,seleiestatuiremcontrario.

Paraqueleiestabeleçataxadejurosdiversa,essataxadeverásercriadaporlei,oquenãoéocasoda TaxaSELIC.RecursoespecialprovidoemparteparaexcluiraaplicaçãodaTaxaSELICedeterminara

incidênciadejurosmoratórioslegaisde1%aomêssobreosdébitosobjetodeparcelamento"(REsp

413799/RS­2ªTurma­Rel.FRANCIULLINETTO?Julgado:8.10.2002,DJU9.6.2003,p.215).

ColhedovotodoMinistroRelatorqueafastaaTaxaSELICcomotaxadejurosmoratóriosparapagamento

deimpostosdevidosàFazendaPública,dandoplenavigênciaaoart.161,§1º,doCódigoTributário

Nacional,transcreve­se:

"RECURSOESPECIAL?ALÍNEAA?TRIBUTÁRIO?EMBARGOSÀEXECUÇÃOFISCAL?ARTS.106,

III,CE110DOCTN?AUSENCIADEPREQUESTIONAMENTO?JUROSDEMORA?UTILIZAÇÃODA

TR?POSSIBILIDADE?TAXASELIC?ILEGALIDADE?APLICAÇÃODOPERCENTUALDE1%AOMÊS

?ART.161DOCTN?ÉfirmeaorientaçãodesteSodalícionosentidodapossibilidadedeutilizaçãodaTR

paraocalculodosjurosdemorasobredébitostributáriosematraso.ATaxaSELICparafinstributáriosé,a umtempo,inconstitucionaleilegal.ComonãohápronunciamentodeméritodaCorteEspecialdesteegrégio Tribunalque,emdecisãorelativamenterecente,nãoconheceudaarguiçãodeinconstitucionalidade

correspectiva(cf.IncidentedeInconstitucionalidadenoRespnº215.881/PR),permanecendoamacula

tambémnaesferainfraconstitucional,nadaestáaempecersejaessaindigitadaTaxaproscritadosistemae

substituídapelosjurosprevistosnoCódigoTributário(art.161,§1º,doCTN).ATaxaSELICoratema

conotaçãodejurosmoratórios,oraderemuneratórios,apardeneutralizarosefeitosdainflação, constituindo­seemcorreçãomonetáriaporviasobliquas.Tantoacorreçãomonetáriacomoosjuros,em matériatributária,devemserestipuladosemlei,semolvidarqueosjurosremuneratóriosvisamaremunerar oprópriocapitalouovalorprincipal.ATaxaSELICcriaaanômalafiguradetributorentável.Ostítulos

podemgerarrenda;ostributos,perse,não.Devemseincluirnaespécieosjurosdemoraàrazãode1%ao

mês,nostermosdoart.161,§1º,doCTN.Recursoespecialprovido,emparte"(STJ­REsp356.147/AL­2ª

Turma­Rel.Min.FRANCIULLINETTO­Julgado:11.3.2003,DJU9.6.2003,p.211).

Observeosexcertosqueconstamdosvotos:

"

entendimentoesposadopeloTribunaldeorigem.EntendeestesignatárioqueaTaxaSELICparafins tributárioséaumtempoinconstitucionaleilegal.ComonãohápronunciamentodeméritodaCorteEspecial desteegrégioTribunalque,emdecisãorelativamenterecente,nãoconheceudaargüiçãode inconstitucionalidadecorrespectiva( ),permanecendoamaculatambémnaesferainfraconstitucional,nada estaaempecersejaestaindigitadaTaxaproscritadosistemaesubstituídapelosjurosprevistosnoCódigo

Tributário(art.161,§1º,doCTN).

AutilizaçãodaTaxaSELICcomoremuneraçãodetítuloséperfeitamentelegal,pois,tocaaoBACENeao

tesouroNacionalditarasregrassobreostítulospúblicosesuaremuneração.Nesseponto,nadahádeilegal

ouinconstitucional.AbaldaexsurgequandosetransplantouaTaxaSELIC,semlei,paraocampotributário.

ParaqueaTaxaSELICpudesseseralbergadaparafinstributários,haviaimperiosanecessidadedelei

QuantoàutilizaçãodaTaxaSELICparaocalculodosjurosdemora,todavia,nãodeveprevalecero

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estabelecendooscritériosparaasuaexteriorização,porsernotórioeagoraatévetustooprincipiodequeo contribuintedevedeantemãosabercomoseráapuradooquantumdebeaturdaobrigaçãotributária.Émera faláciaaassertivadequeaincidênciadaTaxaSELICnãoédefesaemlei,pornãoimplicarmajoraçãoda basedecalculodotributooudaalíquota. ATaxaSELICoratemconotaçãodejurosmoratórios,oraderemuneratórios,apardeneutralizarosefeitos dainflação,constituindo­seemcorreçãomonetáriaporviasobliquas.Tantoacorreçãomonetáriacomoos juros,emmatériatributaria,devemserestipuladasemlei,semolvidarqueosjurosremuneratóriosvisam remuneraroprópriocapitalouovalorprincipal.ATaxaSELICcriaaanômalafiguradetributorentável.Os títulospodemgerarrenda;ostributos,perse,não. Adoutrinaeajurisprudênciajádefinirameconceituaramjurosecorreçãomonetária.ATaxaSELICnãoé juro,puraesimplesmente.Nãoétambémgenuinamentecorreçãomonetária.Cuida­sedeuminstituto jurídicoaindanãodefinido.Dopontodevistajurídico­tributárioessataxavemsendoaplicadacomouma mescladejurosmoratórios,remuneratórioecompensatório,apardeprocurarneutralizarosefeitosda inflaçãomonetária. Ora,ainflexãodecorreçãomonetária,paraobrigaçõestributárias,sempresedeuexvilegis,comoédefácil demonstração,cujoescopoéode,únicaeexclusivamente,manterigualpoderliberatóriodamoeda;mera clausuladereadaptaçãoparadebelarosefeitoscorrosivosdainflação.

Deoutraparte,oart.161,§1º,doCTN,comforçadeleicomplementar,dizqueosjurosserãode1%,sea

leinãodispuseremcontrario.AleiordinárianãocriouaTaxaSELIC,mastãosomenteestabeleceuseuuso,

contrariandoaleicomplementar,pois,estasóautorizoujurosdiversosde1%,sealeiestatuiremcontrário.

Determinandoalei,semmaisestaouaquela,aaplicaçãodaTaxaSELICemtributos,semprecisa determinaçãodesuaexteriorizaçãoquântica,escusadoobtemperarquemoralmenteferidossequedamos princípiostributáriosdalegalidade,daanterioridadeedasegurançajurídica. FixadaaTaxaSELICporatounilateraldaAdministraçãoalémdessesprincípios,ficatambémvergastadoo principiodaindelegabilidadedecompetênciatributária.Setodotributodeveserdefinidoporlei,nãohá esquecerquesuaquantificaçãomonetáriaouamerareadaptaçãodeseuvalor,bemcomoosjuros,devem sertambémprevistasemlei. Nessavereda,umavezaplicadaaTaxaSELIC,semleiespecifica,ficarávulneradooprincipioinsculpidono

art.9º,incisoI,doCódigoTributárioNacional,jáque,repita­semaisumavez,nãoépossívelexigirou

aumentartributosemleiqueoestabeleça. Acorreçãomonetáriaeosjuros,foradashipótesesdenegociojurídico,sentençajudicialeatoilícito,além dasindenizatórias,umaeoutras,sópermitemaplicação,desdequehajaleinessesentido.Seassimede modogeral,commuitomaiorrazãodesernocampodoDireitoTributário,presoaoprincipiodalegalidadee datipicidade. OCódigoTributárioNacionalnãovedaameraatualizaçãodotributo,desdequeocréditoatualizadoresteja

previstoemlei,omesmoocorrendocomosjurosdemora,quedevemater­seataxade1%(umporcento)

aomês. Écertoqueolegisladortemplenaliberdadedeusardoscritériosdeconveniênciaeoportunidadena concepçãodosvaloresaxiológicoseteleológicosdalei.Mas,adespeitodadiscricionariedadeexistente nessecampo,nãohácomonãoseapegaroconceitosubstancialdaleiaosistemajurídicodoPaís,máxime noEstadoDemocráticodeDireito.

Assim,deveaTaxaSELICsersubstituídapelosjurosdemorade1%aomês,nostermosdoart.161,§1º,

doCódigoTributárioNacional.

NomesmosentidoedomesmoSTJ,aementaoficialabaixolançada,verbis:

"PROCESSUALCIVIL?EMBARGOSDEDECLARAÇÃO?CABIMENTO?TAXASELIC?JUROS

MORATÓRIOS?1.Inexistindonadecisãoembargadaquaisquerdosvícioselencadosnoart.535docódigo

deProcessoCivil,inviáveléaoposiçãodeembargosdedeclaração.2.Osvaloresrecolhidosindevidamente

devemsofreraincidênciadejurosdemoraatéaaplicaçãodaTaxaSELIC,ouseja,osjurosdemora

deverãoseraplicadosnopercentualde1%(umporcento)aomês,comincidênciaapartirdotransitoem

julgadodadecisão.Todavia,osjurospelaTaxaSELICdevemincidirsomenteapartirde01.01.1996.

Decisãoqueaindanãotransitouemjulgadoimplicaaincidência,apenas,daTaxaSELIC.3.Embargosde

declaraçãorejeitados."(STJ,1ªTurma,EDREsp465581/SP,Rel.Min.LUIZFUX,J.05.06.2003,DJU

23.06.2003,p.254).

Estefoi,também,oposicionamentodaJornadadeDireitoCivilpromovidapeloCentrodeEstudoJudiciário doConselhoFederal,cujapresidênciaecoordenaçãocientíficaestiveramacargodoentãoMinistrodo

SuperiorTribunaldeJustiçaRUYROSADODEAGUIAR,conformeEnunciadonº20,doseguinteteor:

"AutilizaçãodaTaxaSELICcomoíndicedeapuraçãodosjuroslegaisnãoéjuridicamentesegura,porque impedeoprévioconhecimentodosjuros;nãoéoperacional,porqueseuusoseráinviávelsemprequese

calcularemsomentejurosousomentecorreçãomonetária;éincompatívelcomaregradoart.591donovo

CódigoCivil,quepermiteapenasacapitalizaçãoanualdosjuros,epodeserincompatívelcomoart.192,§

3º,daConstituiçãoFederal,seresultaremjurosreaissuperioresa12%(dozeporcento)aoano."

Ademais,aSELIC,porsedecomporemtaxadejurosreaisetaxadeinflaçãodoperíodoconsiderado,não podeseraplicadacumulativamentecomoutroíndicedecorreçãomonetária". PelasorientaçõesdoSuperiorTribunaldeJustiçarestaevidenciadadequeastaxasdejurosquenãoforem convencionadasoupactuadasnoscontratosdosnegóciosjurídicos,especialmentenoscontratosbancários quesecaracterizamporseremdeadesão,bemcomoaquelesprovenientesdedeterminaçãolegal,não

poderãosersuperioresa1%(umporcento)aomês,ouseja,de12%(dozeporcento)aoano,sobpenade

seremreduzidosaestepatamar,porseracorretaexegesedoart.591combinadocomoart.406,donosso

atualCódigoCivil,estesaindacombinadoscomoart.161,§1º,doCódigoTributárioNacional,quedevem

serinterpretados,sistematicamente,seguindo­seosprincípiosdaeticidade,moralidade,operacionalidadee socialidadequeregemonovoordenamentocivilprivadobrasileiro.

Poroutroprisma,entendedequeastaxasdejurossuperioresa12%aoano,convencionadasoupactuadas

porempresaseinstituiçõesfinanceirasnãosedevesofreraslimitaçõesrestritivasdaLeideUsura­

Decreto­Leinº22.636,de7/4/1933edaLeinº4.595de31/12/1964.EsteposicionamentodoSuperior

TribunaldeJustiça,naquelescasos,dequeataxadejurosnãoestálimitadaaopercentualde12%(doze

porcento)aoanoenasceudostermosdaLeinº4.595,de31/12/1964.

EntendoserinteiramenteinoportunoinvocaraLeinº4.595,de31/12/1964porconsiderarqueareferida

normaéinaplicávelàhipóteseemapreço,poisàmercêderegularmatériacompletamentedistinta,

especialmentepornãoteraindasidorevogadooDecreto­Leinº22.636,de7/4/1933etambémporse

encontraremplenavigênciaaLeinº5.172,de25/10/1966­CódigoTributárioNacional.

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TodaalegislaçãoqueoutorgouaoConselhoMonetárioNacionaleaoBancoCentraldoBrasilpoderespara

estipulartaxasdejurosnãofoirevogada,assim,deveprevaleceràsnormasdoDecretonº22.626,de

7/4/9133conhecidocomoLeideUsura.

Asdecisões,daatualidade,doSuperiorTribunaldeJustiçanoqueserefereàtaxadejurosde12%aoano,

porentenderquepreponderaalegislaçãoespecificadanaLeinº4.595,de31/12/1964,nãomaisexistindo

paraasinstituiçõesfinanceirasasrestriçõesdaLeideUsura,devendo,porisso,prevaleceroentendimento

consagradonaSúmulanº596doSupremoTribunalFederal:"AsdisposiçõesdoDecreto22.626de1933

nãoseaplicamàstaxasdejuroseaosoutrosencargoscobradosnasoperaçõesrealizadasporinstituições públicasouprivadas,queintegramosistemafinanceironacional",particularmentenãocomungocomessa

interpretaçãodadapeloSuperiorTribunaldeJustiça,querporforçadoart.591combinadocomoart.406,

donovoCódigoCivil,querpeloart.161,§1º,doCódigoTributárioNacionaleaindapelaaplicaçãodaLeide

Usura. ORIENTAÇÃOATUALDOSTJSOBREALIMITAÇÃODOSJUROS Ajurisprudênciadogmáticavisaàaplicaçãodasnormasjurídicasàrealidadedosfatosdoprocessohistórico eosfatosdeconcreto,istoé,fatosinformadosporumaintencionalidadehumananaslides­pretensão resistida. Najustiça,dá­sealgoaalguém,porqueissolheédevido.Estedeverfunda­senarelaçãosocialem questão.Aristóteleséoprimeiroaproporumateoriasistemáticadajustiça.Subdividiuogênerojustiçaem trêsespécies:justiçageral,justiçadistributivaejustiçacorretiva. Noprimeirocaso,tem­seajustiçageral,noqualsedizqueéumatojustoaquelequeseexerceem conformidadecomalei.Objetodaleisãoosdeveresemrelaçãoàcomunidade,istoé,aleiestabelece comodevidasaquelasaçõesnecessáriasparaqueacomunidadealcanceoseubem,obemcomum,pois asleissereferematodasascoisas,visandoointeressecomum.Assim,asaçõeslegaissãoaçõesjustas, namedidaemqueatribuemàcomunidadeaquiloquelheédevido. Otermo"geral"aplicadoaestetipodejustiçarefere­seàsuaabrangência:todososatos, independentementedasuanatureza,namedidaemquesãodevidosàcomunidadeparaqueestarealizeo seubem,constituemdeveresdejustiça.Assim,paraosoldado,nãofugirdabatalhaéumdeverde coragem,mastambémdejustiça,namedidaemqueoatodecoragemédevidoàcomunidade. Alémdajustiçageralqueseorientapelaideiadelegalidade,tem­seajustiçaparticular,aquelaemqueo padrãodoqueédevidoédadopelanoçãodeigualdade.Ajustiçaparticularsubdivide­seemjustiça distributivaejustiçacorretiva. Ajustiçadistributivaéajustiçaqueseexercenasdistribuiçõesdehonras,dinheiroedetudoaquiloque podeserrepartidoentreosmembrosdoregime.Nadistribuição,considera­seumaqualidadepessoaldo destinatáriodobemouencargo,apreciávelsegundooregimeadotadopelacomunidade.Assim,na oligarquia,ocritériodedistribuiçãoéariqueza;nademocracia,acondiçãodehomemlivre;naaristocracia, avirtude.Ajustiçadistributivarege­seporumaigualdadeproporcional,istoé,arelaçãoqueexisteentreas pessoaséamesmaquedeveexistirentreascoisas;emumaoligarquia,porexemplo,aparticipaçãonos benefíciosdacomunidadevaidar­seproporcionalmenteàriquezadecadacidadão. Deoutrolado,tem­seajustiçacorretivaéaquelaqueexerceumafunçãocorretivanasrelaçõesentreos indivíduos.Ajustiçacorretivavisaorestabelecimentodoequilíbrionasrelaçõesprivadas,voluntárias (contratos)einvoluntárias(ilícitoscivisepenais).Aigualdadebuscadaéaigualdadeabsoluta,expressana equivalênciaentreodanoeaindenização.Osujeitodesterestabelecimentodaigualdadeéojuiz,quedeve seguir­sedaaçãocumpridaporumesofridaporoutro,umadivisãodesigual.Ojuiztentarestabelecera igualdadeconcedendoalgoàvítima(aquelequesofreudano)econdenando(obrigando)oagressor(aquele quepraticoudano)arepará­lodealgumaforma. Atarefadajurisprudênciaconsisteemdescortinaranormavalidaparaocasoconcreto,ouseja,derealizar concretamenteodireitoefazê­looperaracercadassituaçõesdavidahistórica.Ajurisprudêncianãopoderá deixardevisualizaroDireitotambémemtermosdenãoporaquelasintençõesespirituaisentreparênteses. Istodizer:anaturezadoDireito,comoprodutodoespírito,obriga­nosatersemprepresenteà intencionalidadeoperante,umavezqueoDireitotempretensãodedirigirocursodosacontecimentospara moldarahistória. Ajurisprudênciaconsequentementenãopodelimitar­secomasimplesleituraestruturaldoDireito,coma perspectivalógico­objetiva,porque,seassimofizer,deixaráescaparadimensãovitalnoâmbitojurídico, qualsejaosentidomodeladordavida. Porestacircunstânciaéqueolegisladorconstituinte,deumamaneirasutil,fezconsignarnanossaatual Constituiçãoocompromissocomajustiçasocial(éumaconstruçãomoralepolíticabaseadanaigualdade dedireitosenasolidariedadecoletiva­ajustiçasocialévistacomoocruzamentoentreopilareconômicoe opilarsocial)sobreaestritaaplicaçãopuradalei,semesquecerqueasentençadeveseramaisjusta possível,buscandosempreajustiçaenãosóalei. SegundoTércioSampaioFerrazJúnior,otermojustiçasocial"emnossatradiçãoconstitucional,deixaraízes

naDoutrinaSocialdaIgreja".Estetermosefazpresentenocaputdoart.170enoart.193daConstituição

Federalde1988.

Ocaputdoart.170tratadosprincípiosfundamentaisdaordemeconômica.Suaredaçãoéaseguinte:"A

ordemeconômica,fundadanavalorizaçãodotrabalhohumanoenalivreiniciativa,temporfimassegurara todosexistênciadigna,conformeosditamesdajustiçasocial,observadososseguintesprincípios ".A atividadeeconômicanãotemporfinalidadeocrescimentoeconômicoeopoderionacional,mastemcomo fundamentoessencialasseguraratodosexistênciadigna.Aexistênciadignaéavidahumanarealizada,a "vidaboa"dosclássicos.Namedidaemquetodosalcançaremumaexistênciadigna,obemcomumterá sidoconcretizado.Ajustiçasocial,aqueladirigidaàconsecuçãodobemcomum,exigedetodos,portanto, pormeiodeseusditames,preceitoseprincípios,direcionaremosseusesforços,tantonocampodotrabalho comonodalivreiniciativa,paracriarosbenseconômicosquepossamserutilizadoscomomeiosdegarantir aexistênciadignaparatodos.

Oart.193dispõe:"Aordemsocialtemcomobaseoprimadodotrabalho,ecomoobjetivoobem­estarea

justiçasociais"Asdiferençasentreajustiçasocialnaordemeconômicaejustiçasocialnaordemsocialnos

orientaparaosseguintestermos:Aordemeconômicadevevisareasseguraratodosaexistênciadigna

conformeosditamesdajustiçasocial.Oobjetivodaordemsocialéoprópriobem­estarsocialeajustiça

social.Ajustiçasocialnaordemeconômicadevegarantirqueoprocessoeconômico,enquantoprodutor,

nãoimpeça,masaocontrário,seorienteparaobem­estareajustiçasocial.Ajustiçasocialnaordemsocial

nãoasseguraougaranteessajustiça,masvisadiretamente.Osvaloreseconômicossãovalores­meio.Os

valoressociaissãovalores­fim.

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Deve­seatentarqueocapítulodaordemsocialtemcomoobjetivoajustiçasocial,istoé,devemser

atribuídosatodososbens,queformamoconteúdodobem­estar,necessáriosaoplenodesenvolvimentode

suapersonalidade.Esteobjetivopodeseralcançadopormecanismostípicosdajustiçasocial,atribuindoa

todosomesmodireito(princípiodaigualdadeouisonomia),independentedecaracterísticasparticularesou pormeiodemecanismosdejustiçadistributiva,qualificandoosujeitodedireitodeumalgummodo.Assim,o direitoàsaúde,porexemplo,éumtípicodireitodejustiçasocial:"Asaúdeédireitodetodosedeverdo

Estado"(art.196,CRFB/1988).

Dopontodevistajurídico,todostêmessedireito:ricosepobres,trabalhadoresedesempregados, crianças/adolescenteseidososeetc.Osserviçospúblicosdesaúdenãopodemestabelecernenhumtipode diferenciação.Apessoahumana,consideradaemsimesma,éosujeitodestedireito.Poroutrolado,a

assistênciaaos"desamparados"doart.6º,comoopróprionomeindica,sóédevida"aquemdela

necessitar"(art.203,caput).Éválidoestecritériodajustiçadistributivaquesepoderresumir:acadaum

segundoasuanecessidade.

Obemdetodos,núcleodoconceitodejustiçasocial,podeassimseralcançado,considerandocadaum

comotitulardedireitoapenasnasuacondiçãodepessoahumanaouatentandoparaalgumaspecto

relevante(criança,adolescente,idoso,trabalhador,desempregado,desamparadoeetc.).Seforlícito

introduzirumadistinçãoapartirdateoriadajustiça,pode­sefalarnoprimeirocaso,dedireitossociaisde

justiçasocial(atodos )edireitossociaisdejustiçadistributiva(acadaumsegundo

OJuizdevejulgarcomaconvicçãodocoraçãoedamente,diretamenteligadaàleieinterligadacoma analogia,aoscostumes,aosprincípiosgeraisdodireito­"espíritodosistema",súmulasdostribunais, jurisprudênciasedoutrinas.Assim,amelhorinterpretaçãodaleiéaquesepreocupacomaresoluçãojusta docasoconcreto,nãodevendoojulgadorsevincularaorigorismodostextosdasnormasjurídicas,seassim ofizer,poderápraticarinjustiças.

AassertivadeAgostinhodeHipona(354­430):"Umaleiinjustanãoéumalei".Paraquesepossaentender

oqueéinjustiçaouilegalidade,primeiro,sedevefazerumaanáliseconceitual.Entendoque,leiinjustaé aquelaqueviolaosprincípiosfundamentaisdavidamoraldohomemedosvaloreséticosqueseassenta umasociedade.Ilegalidadeéocaráterdoqueécontrárioàlei. RuiBarbosareproduzindoosentidodaafirmativadeAgostinhodeHipona,afirmouque,"Ajustiçaatrasada nãoéjustiça,senãoinjustiçaqualificadaemanifesta". Porestaanálise,oMinistroSáviodeFigueiredodecidiuque:"Ainterpretaçãodasleisnãodeveserformal, massim,antesdetudo,real,humana,socialmenteútil.Seojuiznãopodetomarliberdadesinadmissíveis comalei,julgando?contralegem?,podeedeve,poroutrolado,optarpelainterpretaçãoquemaisatendaàs

aspiraçõesdaJustiçaedobemcomum"(RSTJ26/378,p.384).

Depoisdestasobservações,entendoqueosjurosjamaispoderãoestaràmercêdasinstituiçõesbancárias oufinanceiras. EntendeoSuperiorTribunaldeJustiçaquequandoaremuneraçãoforsuperioraodobrodoqueresultaria daincidênciadaatualizaçãomonetáriaemaisopercentualdejurospadrão,estar­se­ádiantedetratamento iníquoemrelaçãoaumdoslitigantes,qualsejaodevedor. PartindodesseraciocínioaorientaçãodoSuperiorTribunaldeJustiçaédequeumataxadejuros

remuneratóriossuperioresa41%(quarentaeumporcento)aomêsimportaemabusividade,arbitrariedade

eonerosidadeexcessivaaodevedor. Surge,maisumquestionamento:Comosefazparasaberdaexistênciaounãodaabusividadee onerosidade? Conformejádito,sedeverecorreraumasimplóriaebemelaboradaperíciacontábilematemáticaparaque sepossadescobrirarealtaxamédiademercado.Nesteaspecto,aperíciadeveráindicarovalordosjuros cobradoseindispensavelmentedeveindicaroqueémaisimportante,ataxamédiaatualmentepraticadano mercado. Éindiscutível,sãoiníquasastaxasdejurosestipuladasabusivaeexcessivamente,assim,nãosepoderá receberoreferendodenenhumdenossosTribunais,senãooPoderJudiciárioestar­se­ácompactuando comalucratividadeexcessivapraticadapelasinstituiçõesfinanceiras.Hojeéexatamenteoquevem acontecendonoBrasil,porisso,asComarcaseTribunaisseencontramabarrotadosdeprocessosque visamrevisõesdecontratosdetodasasespéciesreferentesàcobrançadejuros. Constatadoporperíciatécnicacontábilefinanceiraàcobrançaabusivaeexcessivadetaxadejuros superioresàpraticadapelomercado,hádeserdeclaradonulodeplenodireitoacláusulaquefixara remuneraçãodocapitalemprestadooufinanciadocomjurosarbitrárioseexcessivos,assimcompreendendo aquelesqueultrapassamamédiadoscobradosnomercadofinanceiro,notadamente,depoisdoadventodo

PlanoReal,ouseja,depoisdadatade30dejunhode1994.

Éverdadequenãosepodedizerabusivaataxadejurossócombasenaestabilidadeeconômicadopaís,

desconsiderandotodososdemaisaspectosquecompõemosistemafinanceiroeosdiversoscomponentes

docustofinaldocapitalemprestado,taiscomo:ocustodecaptação;ataxaderisco,estadiminuídacoma

ediçãodanovaLeideFalência;oscustosadministrativos(pessoal,estabelecimento,materialdeconsumoe

etc.),tributários;olucrodainstituiçãobancáriaoufinanceira.

Alimitaçãodataxadejurosemfacedasupostaabusividadesomenteterásuporte,diantedeuma

demonstraçãorigorosa,atravésdeumaperíciasimplesebemelaborada,daexcessividadedolucroda

intermediaçãofinanceiraassociadoaodesrespeitoàtaxamédiademercado,oquetornainegávelquea

abusividadeearbitrariedadedastaxasdejurosdeveserapuradas,emfacedascircunstânciasconcretasde

cadacaso,relevando­seosdiversoscomponentesdocustofinaldocapitalemprestado.

Esteentendimentonãonascedeumainvençãooudeumraciocínioilógico.Nascemodeladonorespeitoe

nacontemplaçãodadignidadedapessoahumana,fundamentodaconstituiçãodoEstadoDemocráticode

Direito,princípiocertodorespeitoaocomponentesocialquedeverepresentartodasasdecisõesjudiciais.

Unidoaesteraciocínio,atesequesedefende,temachanceladoSuperiorTribunaldeJustiça,conforme

decisões:

"Açãorevisionaldecontratodemútuobancárioconexacomembargosàexecução.Recursoespecial. Ausênciadeprequestionamentoedaindicaçãododispositivolegaltidoporviolado.IncidênciadasSúmulas

211/STJe284/STF.Fixaçãodoshonoráriosadvocatícios.Art.20,§4ºdoCPC.Questãodefato.Súmula

7/STJ.Capitalizaçãomensalvedada,nostermosdaSúmula121/STJ.Limitaçãodejurosremuneratórios

apósoadventodoPlanoReal.Juroscontratadosde41,80%e41,75%.Abusividadedemonstradanocaso

dosautos.AplicaçãodoCódigodeDefesadoConsumidor.Definiçãodenovopercentual.Garantiado equilíbriocontratual.Taxamédiademercado.I.Ausenteoprequestionamentoacercadareduçãodosjuros

moratóriosedoafastamentodacomissãodepermanecia,incidentenocasoaSumula211/STJ.II.Anão­

).

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

indicaçãododispositivodeleifederaltidoporvioladoatraiaaplicaçãodaSumula284/STF.III.Portratarem

osautosdeaçãorevisionalconexacomembargosàexecução,oshonoráriosadvocatíciosdevemser

definidossegundooparágrafo4ºdoart.20doCPCenãodeacordocomoparágrafo3º.Ademais,a

determinaçãodeseuvalorrefere­seaquestãodefato,cujaanaliseéinviávelemrecursoespecial,ateorda

Sumulanº7/STJ.IV.Aindaqueprevistanocontratodemutuo,acapitalizaçãomensaldosjurosévedada,

nostermosdaSumula121/STF.V.Reconhecidaaexistênciadejurosabusivos,hádesedeclararnulaa

clausulacontratual,substituindo­apelataxamédiadejurospraticadapelomercado.VI.Recursoespecial

parcialmenteprovido.(REsp628461/RS,RelatorMin.ANTONIODEPÁDUARIBEIRO,TerceiraTurma,

Julgado:7.10.2004,DataPublicação:DJ17.12.204,p.541).

"Agravoregimental.Recursoespecial.Contratodeusodecartãodecrédito.Taxadejurosremuneratórios.

Abusividade.Não­comprovação.Comissãodepermanência.Legalidade.1.Conformejurisprudênciafirmada

naSegundaSeção,nãosepodedizerabusivaataxadejurossócombasenaestabilidadeeconômicado país,desconsiderandotodososdemaisaspectosquecompõemosistemafinanceiroeosdiversos componentesdocustofinaldedinheiroemprestado,taiscomoocustodecaptação,ataxaderisco,os custosadministrativos(pessoal,estabelecimento,materialdeconsumo,etc.)etributáriose,finalmente,o lucrodobanco.Comefeito,alimitaçãodataxadejurosemfacedasupostaabusividadesomenteteriarazão diantedeumademonstraçãocabaldaexcessividadedolucrodaintermediaçãofinanceira,oque,nocaso

concreto,nãoépossíveldeserapuradanestainstânciaespecial,aterdaSúmula7/STJ.2.Segundo

orientaçãofirmadapelaSegundaSeção,acomissãodepermanêncianãoéilegal,podendosercobradano

períododeinadimplência,desdequenãocumuladacomacorreçãomonetária(Súmulanº30/STJ),nem

comosjurosremuneratórios,calculadaàtaxademercadododiadopagamento,limitada,entretanto,àtaxa

pactuadanocontrato.3.Agravoregimentaldesprovido".(AgRgnoREsp645947/RS­AGRAVO

REGIMENTALNORECURSOESEPCIAL,RelatorMin.CARLOSALBERTOMENEZESDIREITO,Datado

Julgamento:28.9.2004,DatadaPublicação:DJ1.2.2005,p.556.

OMinistroErosGraudoSupremoTribunalFederaldissequeépreocupante:

"ofatodeoTribunalteradmitido,aomenosemalgumasdasmanifestaçõesduranteosdebates,quea

definiçãodataxabásicadejurossejafeitapeloPoderJudiciáriooumesmoporórgãodedefesado

consumidor.Essadefiniçãoéfundamentalnaformulaçãodaspolíticasdemoedaedecrédito,impactando

sobreasoberanianacional.Aatribuiçãodepoderesdessaordemaqualquerjuizérevolucionária,nomau

sentido,namedidaemquenegaainterdependênciaentreosPoderes.Issoémuitograve".

ParaoMinistroRicardoLewandowski,oJudiciárionãopodesubstituiroBancoCentralfixandonoplano

macroeconômicoastaxasbásicasdejuros.DeacordocomoMinistro,oJudiciáriotambémnãopodeno

planomicroeconômicosubstituiromercadoeestabelecerataxadejurosquedeveserpraticadapelas

instituiçõesbancáriasouentidadesfinanceirasemgeral,porcadaumdasempresasfinanceirasem

particular.

OMinistrocitadocontinuaexplicandoqueoJudiciáriopode,emcadacasoconcreto,examinandocada

contratoemparticular,sepronunciarsobreumaeventualabusividade,excessividadeouonerosidadeou

umaeventualdistorção:

"EudigocombasenopróprioCDCqueosbancossãoobrigadosadaramaisampladivulgaçãoe

publicidadeàcomposiçãodastaxasdejurosedemaistarifasparaquenumeventualconfrontojudiciáriose

possaaferirsehouveabusividadeoualgumadistorção,massónocasoconcreto,senãooJudiciário

extravasariasuacompetência".

AindaressaltouoMinistroque:

"OPoderJudiciárionãopodeagirnoplanomacro,maseleagenoplanomicrogarantindoosdireitosde

segundageração,econômicos,sociaiseculturais.Elenãopodedeterminar,porexemplo,quesepriorizeum

investimentonaáreadeeducaçãooudesaúdeistoésemdúvidanenhumaumafunçãodoPoderExecutivo

edoPoderLegislativoagindoconjuntamente.OmomentoemqueoPoderJudiciáriopudesseseracionado

éomomentodoprocessodeorçamentação,emquesepudesseverificarsealocuçãodasverbas

orçamentáriasestásendofeitadeacordocomasdiretrizesdaConstituição.Limitedaatuaçãodostrês

poderesémuitotênue.EntãoseoJudiciárioavançarmuitoecomeçaraestabelecerpolíticaspúblicasele

vaisesubstituiraoPoderExecutivoeaoPoderLegislativo".

Nojulgamentodemérito,oconsensoestabelecidopelosMinistrosdoSupremoTribunalFederalconsistiuno

cabimentodaaplicaçãodoCódigodeDefesadoConsumidoràsoperaçõesbancárias,reafirmandoo

entendimentojáfirmado.OMinistroErosGrausexpressouque:

"AúnicacoisadiferenteerasaberquemfixaataxaSELIC.Antestinhaficadoclaroquequemfixaataxaéo ConselhoMonetárioNacional,agora,deixou­sededizerissonaementa,eissopoderáamanhãoudepois serdiscutido". OMinistroressaltaquantoàtaxaemcadaoperação,"comosetinhatido,desdeantes,podeserexaminada peloPoderJudiciário".Esclareceu."QueméconsumidorvaiobterestecontrolepeloCódigodeDefesado Consumidor,eapequenaeamédiaempresa,peloCódigoCivil". OMinistrosalientouqueaindanãoéclaroparaoTribunalseapolíticamonetáriadeveserdefinidapelo PoderExecutivo,pormeiodoConselhoMonetárioNacional,ousepodeserdefinidaporjuiz."Essaéuma questãomuitoimportante". NãoconsigoabsorveradialéticaplasmadanasdecisõesdoSuperiorTribunaldeJustiçaconhecidocomo "TribunaldaCidadania",quandoapregoaanãoaplicabilidadedaincidênciadacapitalizaçãomensaldos

juros,comespequenoartigo4ºdaLeideUsura(Decreto­Leinº22.636,de7/4/1933),masquantoàfixação

outaxaçãodosjuros,entendenãovigoraramesmaLeideUsuranoaspectopercentualdataxadejuros. Esseentendimentocontraditórioédealtarelevância,surge,maisumquestionamento:Qualomotivoda heterogêneainterpretação? Continuareicommeuentendimentoeconômico,filosófico,jurídico,matemático,sociológicoetributáriosobre

astaxasdejurossuperioresaolimitede12%(dozeporcento)aoano,porsisó,implicamemabusividadee

arbitrariedadequedevesercoibidajudicialmente,quandoocasoforcolocadoàprestaçãojurisdicional.É perfeitamentepermitidaàreduçãodetaxasuperioraolimiteexplicitado,notadamente,quandocomprovada adiscrepânciadosjurosconvencionadosoupactuadosnosnegóciosjurídicosemrelaçãoàtaxade

mercado,quercombasenaLeideUsura,quercomapoiodoart.591combinadocomoart.406doCódigo

Civilde2002,quercomfundamentonoart.161,§1ºdoCódigoTributárioNacional.Reprisa­se,aprimeirae

aúltima,normasjurídicas,ainda,nãoforamrevogadasoualteradas.

Aindaoquemefazcontinuarentendendopelaaplicabilidadedosjurosnopercentualde12%(dozepor

cento)aoanoéofatodeteraplicaçãodoCódigodeDefesadoConsumidor­Leinº8.078,de11/9/1990,

especificamentenoqueserefereaoscontratosbancários,conformeépredominanteaorientaçãodo

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SuperiorTribunaldeJustiça,mesmoassim,nopertinenteàstaxasdejuros,preponderaaLeinº4.595,de

31/12/1964,mesmoaplicando,quantoàcapitalizaçãomensaldosjuros,aproibiçãoprevistanaLeide

Usura. Ajurisdicionadoprecisacompreenderessacomplicadamecânica,ouseja,temregênciaaLeideUsurana proibiçãodacapitalizaçãomensaldedívida,porémnãoseaplicaamesmaLeideUsuraparaproibirjuros

superioresa12%(dozeporcento)aoanos.Maisumavez,issoéflagrantementecontraditório,jáquealei

deveseraplicada.

Poder­se­iaargumentarqueaLeinº4.595,de31/12/1964queregeapolíticamonetárianacional,

estabelecesistemadoqualresultanãoexistirparainstituiçõesbancáriasalimitaçãorestritivaquantoàtaxa dejurosconstantedaLeideUsura,mesmotendosuaaplicaçãopermitidanocasodeproibiracapitalização

mensaldosjuros,poréméválidaacontrataçãodejurosnopatamarsuperiora12%(dozeporcento)aoano.

Reforço,novamenteoargumentosobaóticadequeoartigo4º,incisoIX,daLeinº4.595,de31/12/1964

dispõequecabeaoConselhoMonetárioNacionallimitarastaxasdejuros,emrazãodequeédadoaquele órgãoimporlimitaçõeserestrições,concluindoqueinexisteparaasinstituiçõesfinanceirasatarifação

codificadanaLeideUsura,merecendoprevaleceroentendimentoconsagradonaSumulanº596do

SupremoTribunalFederal,desdequenãoseultrapasse,abusivaeexcessivamenteàtaxamédiade mercado. Ficanamente,masestasperguntas:Qualataxamédiademercado?Existeareferidataxamédia?Comoé apurada(calculada)estataxamédia?Qualoórgãogovernamentalresponsávelpelaapuraçãoedivulgação dataxamédia? Compreendoqueapartirdoiníciodavigênciadopadrãomonetáriobrasileiro,qualsejamoedaReal,nadata

de1dejulhode1994,semostraabusivaearbitráriaataxadejurospraticadanoBrasilcompercentual

superiora12%(dozeporcento)aoano,equivalentea1%(umporcento)aomês,emfacedaestabilidade

econômicadopaís,jáqueainflaçãonãovematingidaestepatamar.Casodesconsideretodososdemais aspectosquecompõemosistemafinanceironacionaleosdiversoscomponentesdocustofinaldocapital emprestadoefinanciado,taiscomo:ocustodecaptação,ataxaderisco,custosadministrativosetributários (pessoal,estabelecimento,materialdeconsumoeetc.). DefendoserlógicoeracionalentenderquecomasimplesadmissãodaaplicabilidadedoCódigodeDefesa

doConsumidor,jáseriasuficientepararecepcionarataxadejurosnopercentualde12%(dozeporcento)

aoano,baseadanaLeideUsura,reiteradapeloCódigoTributárioNacionalerevitalizadopeloCódigoCivil

de2002,mesmosenãofosseconstatadanenhumaabusividadenopercentualsuperiora12%(dozepor

cento)aoano,limitando­seaaplicaçãodosjurospeloDecreto­Leinº22.626,de7/4/1933,cujasbalizasnão

podemficarrestritasasregrasdemercado. Acapitalizaçãodosjurospermitidosparaoscontratosespecíficos,oSuperiorTribunaldeJustiça,vem direcionandoemoutrosentido,namedidaemquepassouapermitiracapitalizaçãodejurosdeforma mensal.Porexemplo,emcasodeinadimplênciasobreoprincipalincidemosjurosnoprimeiromêseovalor dessesjurossesomaaoqueapessoajáestavadevendo.Nomêsseguinte,osjurosincidemsobreesse total(principal:atualizaçãomonetária+juros,maisjurosvencidos).

EsteentendimentonascedainterpretaçãodaMedidaProvisórianº2.170/2001,deconstitucionalidade

duvidosa,namedidaemqueoart.192daConstituiçãoFederalprevêqueoSistemaFinanceiroNacional

deveserreguladoeregulamentadoporleiscomplementares.AMedidaProvisórianº2.170/2001atende

somenteaosinteressesdasinstituiçõesbancárias,semesquecerqueregulamentaaquestãodosjuros capitalizados,nãoatendendoaoqueaConstituiçãoFederalprevêqueéumaleiregulamentandotodosos assuntosfinanceiros. Mesmoassim,asegundaseçãodoSuperiorTribunaldeJustiçadecidiuuniformizaraorientaçãodequeé admissívelacapitalizaçãodejuroscomperiodicidadeinferioraumanoparaoscontratosbancáriose

financeirospactuados,depoisdadatade31demarçode2000,datadapublicaçãodaMedidaProvisórianº

2.170/2001quepermitiaacapitalizaçãodosjuros.

RestaapossibilidadederecursodadecisãodoSuperiorTribunaldeJustiçaaoSupremoTribunalfederal,

porqueentendoperfeitamenteinconstitucionalaMedidaProvisórianº2.170/2001emdecorrênciadoart.192

daConstituiçãodaRepúblicade1988prevêqueoSistemaFinanceiroNacionaldeveserregulamentado,

atravésdeleicomplementar,oquenãoocorreunaespéciedaMedidaProvisórianº2.170/201.Essa

circunstânciaatornaindiscutivelmenteinconstitucional. Conclusão Depoisdasabordagensdetalhadadosconceitosdeinflaçãopode­sedefini­lacomo,oincrementosustenido depreçosindependentementedesuaorigem,istoé,paraqueexistainflaçãodeveráexistirestapré­ condição,necessariamente.Nestesentido,nãoserápertinenteafirmarqueaorigemdainflaçãosedevea umexcessodedemandaouaumapressãodoscustosouàsexpectativasadaptadas,masauma combinaçãodetodaselas,emumaespéciedecontrolequedependerádaharmonizaçãodaspolíticas monetáriaefiscaldemédioelongoprazo.

Ainflaçãoquecaracterizouaeconomiabrasileiradesdeadécadade1960atéaprimeirametadedadécada

de1990(até30/6/1994)possuíaalgumasparticularidades,porserextremamenteelevada,partesignificativa

destainflaçãoeraconstituídaporumcomponenteinercial,resultadodoamplosistemadecorreção monetáriaformaleinformalquevigoravanoBrasil. Estesistema,quecorrigiaospreçoseativosporíndicesdepreço,permitiaàconvivênciacomaltastaxasde inflação,namedidaemquepropagavaparaopresenteainflaçãopassada,acabavagerandoumprocesso derealimentaçãoinflacionária,dificultandoocombateoucontroledesuascausas. Econômicaematematicamente,quantomaiorainflação,maioreraaindexação,commaiornúmerode preçosecontratossendoformalouinformalmenteindexadosecomreduçãonosprazosdeatualização (correção)monetária,issorealimentavaeaceleravaainflação.

Ateoriadainflaçãoinercialouautônomadesenvolvida,sobretudo,apartirdadécadade1980,tornouclaro

quenovastentativasdecombaterecontroledainflação,atravésdepolíticasfiscalemonetáriarecessivas, comohaviasidointroduzidapelateoriaconvencionalouortodoxa,nãofoibemsucedidas,poisnãoatacouo componenteinercialdainflaçãobrasileira,quedeveriasercomcustosproibitivosemtermosdeatividade econômica.

OGovernoFederalemjunhode1986implantouoPlanoCruzado,oprimeiroplanodeestabilização

econômicacomcaracterísticasdesviadasdosprincípiosdoutrináriosdeeconomiaadotadanopaís.O

objetivodesteplanoeconômicoeraeliminarainflação,atravésdadesindexaçãodaeconomia,baseadaem

umcongelamentogeraldepreços.Depoisdeuminícioexitoso,verificou­secomopassardealgunsmeses

queomencionadoplanonãoobteveêxitoeainflaçãovoltouacrescerdeformaespantosa,revitalizandoo?

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monstro?daeconomiabrasileira. Nosanosseguintes,planosdeestabilizaçãosimilaresforamanunciadoseeditados,como:PlanoBresser

(junhode1987),PlanoVerão(janeirode1989),masoproblemapersistiuatéadatade30dejunhode1994,

quandohouveaimplantaçãodoPlanoReal,convertendo­seamoedaparaCruzeiroRealparaReal,este

passouavigorarapartirde1dejulhode1994,conseguindocontrolarainflaçãoemsuaespéciemoderada,

maslongeaindadecombatê­la,poiso?monstro?danossaeconomia,apenasestáadormecido,e,opovo brasileiropermanece?cismado?,commedodedespertá­lo. Nomomentoposterioràreduçãodataxadeinflação,osmalformadosplanoseconômicosvisavamà manutençãodoequilíbriodasrelaçõescontratuaisentreindivíduoseempresasouinstituições.Emoutras palavras,foramformadosparaseremneutrosdopontodevistadistributivo,sempromoveraredistribuição derendaeriquezaentreosagenteseconômicos. Comoresultadodestasmedidasimpostasporessesplanosquesomenteprocurarampreservaramesma distribuiçãomédiaderendaseativosexistentesnaeconomiabrasileira.Suafinalidadeeraevitarque ocorressemganhoseperdasparadeterminadosgruposouindivíduos.Essaneutralidadenãopoderiaser obtidadeformaintegral.Comoainflaçãoprejudicavaascamadassociaisderendamaisbaixa,demenor acessoaosmecanismosdeindexação,normalmenteosplanosdeestabilizaçãopromoviamumamelhorano poderaquisitivofinanceirodessascamadasdapopulação.Masrelativoaoscontratos,sobretudo,no mercadofinanceiroasregrasdeneutralidadepoderiamterimplementadocommaioreficácia. Podetercertezadequeainflaçãoécomoadeterioraçãodosolo,comoapesteeaguerra.Ainflaçãocorrói otecidosocial,fazendocomqueasinstituiçõesnãofuncionem.Aéticaeamoralapodrecem.

JurídicaematematicamenteseconcluiqueoDecretonº22.626,de7/4/1933conhecidonoâmbitojurídico

comoLeideUsuranãofoirevogadopeloCódigoCivilde2002­Lei10.406,de10/1/2002eosjuros

compensatóriosouremuneratóriostêmolimite,nomáximo,de2%(doisporcento)aomês,ouseja,de24%

(vinteequatroporcento)aoano,conformeprevistonoart.1ºdoreferidoDecreto­Lei.

AregrajurídicadoDecreto­LeiepigrafadonãoatingeasEmpresaseInstituiçõesBancáriasouFinanceiras quetemlegislaçãoprópriapelapeculiaridadedosistemaeconômico­financeirobrasileiro. AtaxaSELICnãopodeserutilizadacomoparâmetroparafixaçãodosjurosmoratórios,porserutilizada comopolíticamonetária. Vislumbreeverifiquesuafórmulaeconômicaematemática:µ=taxamédiaapurada;Dli=taxadai­enésima operação;Vei=valordeemissãodai­enésimaoperação;n=númerodeoperaçõesnaamostra. AtaxaSELICédadapelamédiaponderadadovolumedeoperações,lastreadasportítulospúblicosfederais erealizadasnaformadeoperaçõescompromissadas. EmobservânciaaoprincípiodasegurançajurídicanãoépossívelàutilizaçãodataxaSELICcomotaxade jurosmoratóriosquetenhaumavariaçãomensal,porquecausarárevisãoinfindáveldecálculo. Osjurosdemoracivilnadatêmavercomaeconomianacionaleoinstrumentodecontrole(momentâneo) nãopodeservirdeparâmetroparadeterminaroseupercentual.

Opercentualde1%(umporcento)aomêsdejurosdemoraéquasesecularemnossodireitoe,éaceito

pelousoecostumedopovobrasileiro,bemcomoédefinidoefixadoemordenamentojurídiconãorevogado oualterado. Concluiu­secomtodasegurançaadmitidaepossíveldequeataxadejuroslegaisaplicáveisamorano âmbitodoDireitoPrivado(disciplinaasrelaçõesentreosindivíduos,compostaspornormasdecaráter privadasedispositivasquepredominamosinteressesdeordemparticular),formadopeloDireitoCivil (regulamentaasrelaçõesfamiliares,obrigacionaisepatrimoniaisqueseformamentreosindivíduos),Direito

ComercialeDireitodoConsumidor,apartirdavigênciadoCódigoCivilde2002éde1%(umporcento)ao

mês,nostermosdoart.406doreferendadodiplomacivilista,porserprevistono§1º,doart.161,doCódigo

TributárioNacional­Leinº5.172,de25/10/1966,bemcomopreconizanoart.5º,doDecreto­Leinº22.626,

de7/4/1933.

Éfacilmenteperceptívelquerelaçãoentretaxadeinflaçãobaixaecrescimentoeconômicoémuitogrande. Crescimentoeconômicosignificamaisempregoeaumentodopoderdecompradapopulação.Aumentode compradapopulaçãosignificaaumentodataxadeinflação.Porestarazãoéqueentendoserumcirculode viciosidade,masquetemcomosercombatida,senãoforpossívelcombate­la,podesercontroladae administradapeloGovernoFederal. AsAutoridadesGovernamentaisdomundodevemprocurarmecanismosparasechegaraumpontode equilíbrioparamanterainflaçãomoderadaeaumentarocrescimentoeconômico.Umdesafioenfrentado pelamaioriadospaíses,especialmenteoBrasil.Ospaísesemergentesestãomaissujeitosasalteraçõese criseseconômicasinternacionais.Ainflaçãoéotermododicionáriodeeconomiaqueapopulaçãomundial maisconheceetambémsesabequetratadeummalecancerígeno,quesenãoforcombatidooucontrolado desfaleceráaeconomia. Opovobrasileirojásofreubastantecomtaxasastronômicasdeinflação,ondeospreçosliteralmente aumentavamtodososdias.Hojecomainflaçãomoderada,passamosporumacalmaria,masque diuturnamentecriticadapelosempresáriosquecondenamaaltadosjurosparacontrolarestainflação,oque temgeradoumcrescimentolimitadodaeconomia.OBrasilaindanãoencontroumecanismoparasechegar aopontodeequilíbrio. Diantedasobscuridadesdaleiregulamentadoradosdireitosprivados,emquepesemasinclinaçõesaqui defendidas,aindanãopodebuscarsolidez,nestetemamovediço,demaneiraqueseriaarriscado demonstrarcominabalávelconvicção,qualoparâmetroidealqueosconsumidoresdeverãoempregarsem correroriscodeveremseuscálculosoucontratosimpugnadoserevisadosemsedejurisdicional. Resta­mesomenterecomendaraosconsumidoreseaosprofissionaisnoâmbitodoDireitoCivil,Comerciale Consumidorqueasrelaçõesjurídico­econômicashavidassejambemestruturadas,orientadasereduzidasa termo(contratos),nosentidodefixarnascláusulasasregrasepenalidadesincidentesemtodooseu universo,qualseja,adeterminaçãodelimitesmínimosemáximosdastaxasdejuros,assimcomoquala suaextinçãoefunção,considerandoaclassificaçãoreveladanesteartigo. Concluitambémsobreoqueéjustiçaounãorelativoàcobrançadejurosempatamarsuperioraopermitido

pelasnormasjurídicas,aindavigentes,especialmenteemfacedasdisposiçõesdoDecreto­Leinº22.636,de

31/12/1933(LeideUsura)edaLeinº5.172,de25/10/1966(CódigoTributárioNacional),principalmente

comoesteconceitofoidesenvolvido,dentrodatradiçãoaristotélica,apartirdoconceitodejustiçageralde AristótelesedejustiçalegaldeTomásdeAquino.Apartirdaéticasocialcristã,esseconceitoingressana

ConstituiçãodaRepúblicaFederativadoBrasilde5deoutubrode1988,emdoisartigoscruciais,que

estabelecemasbaseshermenêuticasparatodaordemeconômicaesocial.

Procedicriteriosamenteumaanálisedoselementosconstitutivosdoconceitodejustiçasocial,distinguindo­o

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A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

dosconceitosdejustiçacomutativaedistributiva.Finalmente,foianalisadaumaquestãoconcreta,as políticasdeaçãoafirmativa,àluzdoconceitodejustiçasocial. Opresenteartigotemcomoobjetivoimplícitoeindiretomostrarcomoépossível,àluzdascategoriasda teoriadajustiça,pensarproblemasjurídico­econômicosconcretosdodireitoconstitucionaledoconsumidor contemporâneo.Emoutrostermos,éumatentativadeserfielaolegadoromanodepensarodireitoapartir dajustiça,odireito(jus)éconsideradoporserderivadodajustiça(justitia). Paraquesepossacompreender,porqueainflaçãonoBrasilaindanosdeixa?cismado?epoderáocorrer revitalizaçãodestainflação,despertandoaquele?monstro?.Atualmenteastaxasdejurosemdiversos

paísessãomoderadas.Porexemplo:naCoréiaataxadejuroséde4%(quatroporcento)aoano;noChile

éde3%(trêsporcento)aoano;naChinaéde2%(doisporcento)aoano;noJapão,mesmocomas

intempéries,édezero. ÉfácilterideiaclaradequeasimpetuosastaxasdejurospraticadasnoBrasilpelasempresaseinstituições bancáriasefinanceirascomaconivênciadoPoderPúblicoNacionalatentamcontraaessencialdignidade

dapessoahumana,umdosfundamentosdaconstituiçãodoEstadoDemocráticodeDireito(III,art.1º,

CRFB/1988).

Tenhocertezadequesomentecomtaxasdejurosbaixaspoderemosterumcrescimentomaioremais prolongado,porém,emnossopaísastaxasdejurossãoaltasjustamenteparaqueocapitalestrangeiro possaemprestadoataxasdeelevadamagnitudeedepoissacá­lopararemetê­loparaforadoBrasil, objetivandocomessaevasãodocapitaladquirirempresasnacionais,comotemacontecidoeatualmente vemocorrendo.Assim,estasaçõesnãopodemterachanceladoPoderJudiciário,porexercerocontrole concentradoedifusodeconstitucionalidadedasnormasjurídicas,especialmentequandosetratardeuma questãoconstitucional,sujeitaaocontrolejurisdicional. EmfacedoprincípiodainafastabilidadedajurisdiçãooudoamploacessoaoJudiciário,nenhumadecisão judicialpodedesprezaranoçãodejustiça,aqualsótemsentidoquandoaplicadaadecisõeshumanas estruturadasporleisenãoquandoaplicadaaumaabsorçãochamada?sociedade?.FriedrichHayer escreveuque"omodocomoosbenefícioseônussãorepartidospelomecanismodemercadoteria,em muitoscasos,deserconsideradomuitoinjustoseresultassedeumaalocaçãodeliberadaparadeterminadas pessoas".Apreocupaçãocomajustiçasocialnãopodebasear­seemumaconfusão,porque"oscasos individuaisde(umaordemespontânea)nãopodemserjustosouinjustos". IlustrejulgadorqueintegraoPoderJudiciário,diantedasexposiçõesconsignadasnesteartigo,declaracom firmezaímparaVossasExcelênciasquedevemreconhecerporlegítimoeverdadeirodequeosjurosnão estãototalmenteliberadosnoBrasil,comoagrandemaioriademagistradosaindaachaepensa, equivocadamente,recomendandoaestesqueouçamamúsicadeBeethoven,aqualcontemplaadignidade dapessoahumana. OJudiciáriobrasileiroprecisaentenderquesuasdecisõesfaçamsentidoaocidadão,especialmenteao consumidor,semesquecerqueosprincípioséticos,moraisereligiosostambémprotegemos jurisdicionados,impondoaojulgadoranalisaraquestãopostaaprestaçãojurisdicionaltambémàluzdos princípiosjurídicosemorais,sobretudo,dajustiçasocialparafazerumjulgamentoquetenhamaiorpoderde persuasãoeaceitaçãopelasociedadedoqueaaplicaçãoformal,literalerigorosadalei,notadamente,em razãodosdireitoshumanosseremperfectíveis,ouseja,suscetíveisdeaperfeiçoamento,transformando­se incessantemente. Façamestaanálise,mesmoquenãosejamreligiososouqueacreditenoSalvador.Nãoseesqueçamde quequandoJesusCristodisseaPôncioPilatos:"Euvimparadartestemunhodaverdade"querdizer:dar testemunhodajustiça. Ocidadãobrasileirodeve­seatentarparaastaxasdejuros,especialmentedocréditopessoaledocheque

especial,porqueataxamédiadejurosnosempréstimosparapessoafísicafoimajoradade62%(sessentae

doisporcento)aoanonomêsdejulhode2010para63,1%(sessentaetrêsvírgulaumporcento)nomês

deagostode2010,aprimeiraelevaçãodesdeomêsdemarçode2003.SegundoorelatóriodoBanco

CentraldoBrasildivulgado,recentemente,issosedeveaoaumentodocustodecaptaçãodasempresase

instituiçõesbancáriaseaoaumentodospreadmédioparapessoafísica,quetambémfoielevadade45,3%

(quarentaetrêsvírgulatrêsporcento)para45,7%(quarentaecincovírgulaseteporcento)aoano.Ataxa

médiageraldejuroscobradapelasinstituiçõesbancáriaspermaneceuestávelem43,9%(quarentaetrês

vírgulanoveporcento).

Ataxamédiacobradadasempresasreduziude29,7%(vinteenovevírgulaseteporcento)para28,8%

(vinteeoitovírgulaoitoporcento).Osjurosdochequeespecialsubiramrapidamentede140,1%(centoe

quarentavírgulaumporcento)para140,6%(centoequarentavírgulaseisporcento)edocréditopessoal

passaramde71,7%(setentaeumvírgulaseteporcento)para73,8%(setentaetrêsvírgulaoitoporcento).

Astaxasdejuroscobradasnascomprasdeveículossubiramde36,1%(trintaeseisvírgulaumporcento)

para36,3%(trintaeseisvírgulatrêsporcento).

Nomêsdeagostopretérito,ovolumedecréditocomrecursoslivres,semoperaçõesobrigatóriasdecrédito

ruraleparahabitação,majoroudeR$254,3bilhõesparaR$258,3bilhões.Ovolumedecréditototal,

incluindorecursoslivres,habitação,créditoruraleBNDESpassoudeR$446,9bilhõesnomêsdejulhopara

R$452,8bilhõesnomêsagostopassado,oqueequivalentea26,4%(vinteeseisvírgulaquatroporcento)

doProdutoInternoBruto­PIB.

Ainadimplênciapermaneceuestávelpeloterceiromêsseguidonopatamarde7,2%(setevírguladoispor

cento),sendoquenosempréstimosparapessoafísica,houveumalevebaixade12,9%(dozevírgulanove

porcento)para12,8%(dozevírgulaoitoporcento).

Acapitalizaçãomensaldosjurossomentedeveseradmitidaoupermitidaquandoexpressamente convencionadaoupactuadapeloscontratantes,casoosconsumidoressejamformalmenteadvertidodo percentualqueestãopactuando,e,nãosepermitindomaisaassinaturadecontratosbancáriosembranco. Comessaconclusão,aTerceiraCâmaraCíveldoTribunaldeJustiçadoEstadodoMatoGrossonão acolheurecursodoUNICARDBANCOMÚLTIPLOS/AcontrasentençaproferidapeloJuízodaPrimeira

VaraCíveldaComarcadeVárzeaGrande,naAçãodeRevisãoContratualnº275/2005,propostaporum

clientequepleiteouaexclusãodacapitalizaçãomensaldosjurosnocálculodeatualizaçãomonetáriado

débito(Apelaçãonº66903/2007).Norecursoainstituiçãobancáriaapelanterequereuquefossedado

provimentoaoapeloparajulgaraaçãointeiramenteimprocedente,reconhecendo­se,avalidadedos

encargoscontratuaiscobrados.Novoto,oRelator,JuizconvocadoElinaldoVelosoGomes,afirmouquea

sentençaoriginaléincensurávelporterdeterminadoaexclusãodacapitalizaçãomensaldosjurosnocálculo

deatualizaçãomonetáriadodébitodocontratofirmadoentreaspartes.EmboraoBancorecorrenteafirme

categoricamente,nassuasrazõesrecursaisquenãoaplicouacapitalizaçãomensaldosjurosnocontrato

12/9/2015

A HISTÓRIA DA INFLAÇÃO E DOS JUROS NO BRASIL

emdiscussão,defendendoalegalidadedetalprática,oqueinduzàpresunçãodeque,defato,vem

utilizandorelativamenteaocontratodiscutido.Casocontrário,nãoteriasentidoseuinconformismorecursal notocanteaquestãodaexclusãodacapitalizaçãomensaldataxadejuros. Omagistradosalientouque,comoocasosetrataderelaçãodeconsumoeradeverdeoBancoprovarque nãoadotouacapitalizaçãomensaldosjuros,viaextratosdeevoluçãododébito,oquenãoocorreu.OJuiz ElinaldoGomesdestacouaindaqueajurisprudênciadominantevemsustentadooentendimentodeque somentequandopactuadaacapitalizaçãomensaldosjuros,noscontratosdenaturezafinanceira,é facultadoaocredorpraticá­lanaatualizaçãomonetáriadodébito. REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS ANDIMA?AssociaçãoNacionaldasInstituiçõesdoMercadoAberto.SériesHistóricas?Inflação.Editado pelaSuperintendênciaTécnicadaANDIMA. BARROSO,LuísRoberto.Odireitoconstitucionaleaefetividadedesuasnormas:limitesepossibilidadesda

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FOLHADESÃOPAULO.ATragédiadoCruzado.SãoPaulo,1987.

REVISTAVEJAnº1291,de9dejunhode1993,artigo:OVampiroqueSangraoBrasil.

RevistaVEJAnº1347,de6dejulhode1994,matéria:BuscadeIdentidade.

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Participe da discussãoRecommend 2 ⤤ Compartilhar Ordenar por Melhor avaliado Jacklayne lima • 3 anos atrás Meu nome

Ordenar por Melhor avaliado Participe da discussão Jacklayne lima • 3 anos atrás Meu nome é

Jacklayne lima 3 anos atrás Jacklayne lima •

Meu nome é jacklayne, sou estudante de Técnico em Administração.Excelentíssimo Professor, fiquei muito feliz com o resultado positivo desta pesquisa. Pesquiso muitas fontes e sempre necessito de outras complementares para resoluções finais. Porém, nesta página, encontrei tudo e algo mais que eu estava precisando. A forma com que expressa o conteúdo é de uma clareza admirável, passando para o aluno, entendimento e satisfação.muito obrigada e espero poder contar com suas disposições e atualizações nos assuntos do seu conhecimento. Com a sua participação, só temos a ganhar.

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