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Projeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor
com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(7/7 memoriam)
APRESENTAQÁO
DA EDIQÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos estar
preparados para dar a razáo da nossa
esperanga a todo aquele que no-la pedir
(1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos conta
da nossa esperanga e da nossa fé hoje é
mais premente do que outrora, visto que
somos bombardeados por numerosas
correntes filosóficas e religiosas contrarias á
fé católica. Somos assim incitados a procurar
consolidar nossa crenga católica mediante
um aprofundamento do nosso estudo.

Eis o que neste site Pergunte e
■ Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questóes da atualidade
': controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista cristáo a fim de que as dúvidas se
dissipem e a vivencia católica se fortaleca no
Brasil e no mundo. Queira Deus abengoar
este trabalho assim como a equipe de
Veritatis Splendor que se encarrega do
respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.

Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e
passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicacao.

A d. Estéváo Bettencourt agradecemos a confiaga depositada
em nosso trabalho, bem como pela generosidade e zelo pastoral
assim demonstrados.
Ano xlii Abril 2001 467
"Sai do Pai... Volto para o Pa¡" (Jo 14,28)

"Igrejas Irmas"?

Oracáo para obter cura de enfermidades

"Papisa Joana"

Reafirmando Verdades da Fé

A Data de Páscoa

"E se tudo o que vocé ouviu sobre a AIDS estiver
errado?" por Christine Maggiore

"A Batalha pela Normalidade Sexual" por Gerard
van den Aardweg

Trabalhadores do sexo?

"Reiki na vida diaria" por Earlene Gleisner

"Muitas Vidas, muitos Mestres" por Brian L. Weiss
PERGUNTE E RESPONDEREMOS ABRIL 2001
Publicado Mensal N"467

Diretor Responsável SUMARIO
Estéváo Bettencourt OSB "Sai do Pai... Volto para o Pal" (Jo 14, 28).. 145
Autor e Redator de toda a materia QUe se entende por
publicada neste periódico "Igrejas Irmas"? 146
_. . . . , , . . Urna Instrucáo da Santa Sé sobre
Diretor-Administrador: Ora5ao pa¥ra obter cura de
D. Hildebrando P. Martins OSB enfermidades 151

Administracáo e Distribuicáo: "PaPisa Joana" 159
Edicóes "Lumen Christr Frente a certas posicóes:
Rúa Dom Gerardo, 40 - 5° andar - sala 501 *°*<«™<"i° Verdades da fe 160
Tel.: (0XX21) 291-7122 Dois calendarios para
Fax (0XX21) 263-5679 A Data de PásCOa 165
Revolucionario:
Endere90 para Correspondencia: "E se tudo o que vocé ouviu sobre a
Ed. "Lumen Christi" AIDS .estiver •"■«■«>?" P°r Christine
Caixa Postal 2666 Magg.ore 168

CEP 20001-970 - Rio de Janeiro - RJ ^^ffi^eía Norma.idade Sexual" por
Visite o MOSTEIRO DE SAO BENTO Gerard van den Aardwe9 177
e "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" Novidade estranha
na INTERNET: http://www.osb.org.br Trabalhadores do sexo? 184
e-mail: lumen.christi@osb.org.br Que é? ...... ,. ,
"Reiki na vida diaria" por Earlene
Gleisner 189
Muitas Vidas, muitos Mestres" por Brian
L. Weiss 192

COM APROVACÁO ECLESIÁSTICA
iÍJ> SARMVA

NO PRÓXIMO NÚMERO:

A Perseguicáo Religiosa sob o regime nacional-socialista. -A Atitude de Pió XII frente ao
nazismo. - Os Cristáos e a Propriedade Particular.- "Voltar do Amanhá" (Ritchie e Sherril).
- Sexo no Além? - Cada Pessoa tem um Anjo" (A. Grün).

(PARA RENOVAgÁO OU NOVA ASSINATURA: R$ 35,00).
(NÚMERO AVULSO R$ 3,50).

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CHRISTI" Caixa Postal 2666 / 20001-970 Rio de Janeiro-RJ

Obs.: Correspondencia para: Edicóes "Lumen Christi"
Caixa Postal 2666
20001-970 Rio de Janeiro RJ
"SAÍ DO PAI... VOLTO PARA O PAI"
(Jo 14, 28)

A festa de Páscoa póe ante os olhos do cristáo a nova criatura (2Cor 5,
17), o novo Adáo, Pai de nova humanidade, que tende para um mundo novo.
Por isto dizia Jesús na última ceia: "Sai do Pai e vim ao mundo; de novo deixo
o mundo e volto para o Pai" (Jo 16,29).
Tal é a trajetória do Verbo Encarnado: procede do Pai desde toda a
eternidade; na plenitude dos tempos assumiu a natureza humana no seio de
Maria Virgem. Vencidos o pecado e a morte pela ressurreicáo, leva para o Pai
a sua humanidade glorificada.

Pode-se dizer que também é tal a trajetória do cristáo. Com efeito; cada
ser humano foi concebido pelo Pai desde toda a eternidade; o exemplar de
cada qual foi contemplado pelo Pai como sendo urna imagem (ainda que
pálida) da santidade do Filho Eterno. Quando o Criador o houve por bem, tirou
do nada a criatura assim concebida e deu-lhe existencia temporal (nos sácu
los XX/XXI, por exemplo), para que, através dos anos passados na térra, ela
realize o seu exemplar, santificando-se cada vez mais. Terminado o período
de sua formacáo, voltará para o Pai nao apenas como idéia exemplar, mas
como concretizacáo do modelo concebido pelo Criador. Isto quer dizer que a
passagem do cristáo pela temporalidade deste mundo tem um qué de eterni
dade; saiu da eternidade e volta para a eternidade; os decenios de vida na
térra sao movidos por forte dinámica, que tende a regressar, com estatura
perfeita, ao seu ponto de partida. Consciente disto, já escrevia S. Inácio de
Antioquia (t 107): "Urna agua viva (o Espirito Santo) clama em mim: 'Vem
para o Pai"1 (Aos Romanos 7, 2).

A conviccáo de que tal é o sentido da vida - urna trajetória de eternida
de a eternidade - comunica novo valor ao cotidiano do cristáo: em cada um de
seus afazeres, por mais modesto que pareca, está em jogo a eternidade; é
para chegar ao Infinito ou ao Absoluto que o cristáo se dedica as suas obriga-
cóes diarias. Este horizonte aberto ou dilatado em que se enquadra a cami-
nhada terrestre do cristáo contribuí para comunicar-lhe urna certa estabilidade
de ánimo: nao será demasiadamente deprimido nem excessivamente eufóri
co diante dos altos e baixos da sua jornada de caminheiro; cada tarefa -
grande ou pequeña - encobre um segmento de eternidade. Como importa
nao perder consciéncia disto!

Sem dúvida, o cristáo é chamado a construir zelosamente o Reino de
Deus neste mundo; nao Ihe é lícito desinteressar-se dos encargos inerentes á
sua vocacáo pessoal. Faca-o, porém, numa atitude de Páscoa, ou seja, com
mente elevada, evitando toda mesquinhez e pusilanimidade. Estes dois ter
mos nao tém lugar no vocabulario do cristáo. "A PAZ ESTEJA CONVOSCO!",
dizia Jesús aos seus discípulos. E eles se alegraram profundamente por con
templar o Vencedor da morte a chamá-los para a eternidade (cf. Le 24,36-41).
E.B.

145
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS"

Ano XLII - Ne 467 - Abril de 2001

Que se entende por

"IGREJAS IRMAS"?

Em síntese: A Declaragáo Dominus lesus utilizou a expressáo
"Igrejas irmás" em sentido que suscitou dúvidas e hesitagóes. Conse-
qüentemente a Congregagáo para a Doutrina da Fé se viu solicitada a
esclarecer o significado que tal expressáo tem para a Igreja Católica.
Disto resultou urna Nota, que vaiabaixo transcrita, tendo o seguinte teor:
em sentido próprio, Igrejas Irmas sao exclusivamente as Igrejas particu
lares ou dioceses (ou os agrupamentos de Igrejas particulares ou dioceses,
como por exemplo os Patriarcados e as Metrópoles) no seu mutuo relaci-
onamento. A Igreja Católica, una, santa e apostólica nao é irmá, mas é
máe de todas as Igrejas particulares ou dioceses.
* * *

A Declaracáo Dominus lesus (cf. PR 462/2000, pp. 524-528; 464/
2001, pp. 2-9) serviu-se da expressáo Igrejas Irmas em termos que fo-
ram contestados por comentadores. Daí a oportunidade de urna Nota
esclarecedora da expressáo, emitida pela Congregacáo para a Doutrina
da Fé e publicada em L'OSSERVATORE ROMANO (ed. portuguesa) de
4/11/00, p. 2. O documento é importante porque mais urna vez trata da
questáo ecuménica numa atitude de abertura ao diálogo, que evita o
relativismo teológico.

O TEXTO

«1. A expressáo Igrejas irmás aparece freqüentemente no diálogo
ecuménico, sobretudo entre católicos e ortodoxos, e constituí para ambas
as partes do diálogo objeto de aprofundamento. Embora exista um uso
da expressáo sem dúvida legítimo, foi-se difundindo, por outro lado, na
hodierna literatura ecuménica, um modo ambiguo de a utilizar. Tendo em
conta a doutrina do Concilio Vaticano II e as sucessivas ¡ntervencóes do
Magisterio pontificio, achou-se oportuno recordar qual o uso próprio e

146
"IGREJAS IRMAS"?

adequado da expressáo, fazendo-o preceder de um breve aceno á histo
ria da mesma.

I. Origem e evolucáo da expressáo

2. No Novo Testamento, nao se encontra a expressáo Igrejas irmás
como tal. Encontram-se, todavía, numerosas ¡ndicacóes que exprimem
as relacóes de fraternidade existentes entre as Igrejas locáis da antigüi-
dade. A passagem do Novo Testamento que de forma mais explícita re
flete urna tal consciéncia, é a frase final de 2Jo 13: «Saúdam-te os filhos
da tua irma dileta». Sao saudacóes que urna comunidade eclesial envia
a outra. A comunidade que as envia chama-se a si mesma «irmá» da
outra.

3. Na literatura eclesiástica, a expressáo comeca a ser empregada
no Oriente, a partir do século V, quando se vai difundindo a idéia da
Pentarquia, segundo a qual, á cabeca da Igreja se encontram os cinco
Patriarcas, ocupando a Igreja de Roma o primeiro lugar entre as Igrejas
irmás patriarcais. A propósito, note-se que nenhum Pontífice Romano
reconheceu semelhante equiparacáo das sedes e jamáis aceitou que á
sede romana fosse reconhecido apenas um primado de honra. Tenha-se
igualmente presente que no Ocidente nao se desenvolveu a estrutura
patriarcal, típica do Oriente.

Como se sabe, nos séculos sucessivos as divergencias entre Roma
e Constantinopla levaram a mutuas excomunhóes, que tiveram 'conse-
qüéncias as quais, no que é possivel julgar, ultrapassaram as intencóes
e as previsóes dos seus autores, que aplicavam as censuras as pessoas
visadas e nao ás Igrejas, nao entendendo romper a comunhao eclesiás
tica entre as sedes de Roma e de Constantinopla'.1

4. A expressáo aparece novamente em duas cartas dos Patriarcas
Nicetas de Nicomédia (ano 1136) e Joáo X Camateros (no cargo, de 1198
a 1206), onde estes protestavam contra Roma, que, apresentando-se
como máe e mestra, teria anulado a autoridade dos mesmos. Segundo
eles, Roma é apenas a primeira entre irmás de igual dignidade.

5. Nos tempos recentes, o primeiro a utilizar a expressáo Igrejas
irmás foi o Patriarca Ortodoxo de Constantinopla Atenágoras I. Acolhen-

1 PAULO VI e ATENÁGORAS I, Declaracáo comum Penetres de reconnaissance (7-
XII-1965), 3: AAS 58 (1966) 20. As excomunhóes foram reciprocamente abolidas em
1965: «o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I no seu Sínodo (...) declaram de
comum acordó (...) que também deploram e cancelam da memoria e do seio da
Igreja as sentencas de excomunháo» (ib., n. 4); cf. também PAULO VI, Carta Apost.
Ambulate in dilectione (7-XII-1965): AAS 58 (1966) 40-41; ATENÁGORAS I, Tomos
Agapis (7-XII-1965), Vatican Phanar 1958-1970 (Romae et Istanbul 1970) 388-390.

147
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

do os gestos fraternos e o apelo á unidade que Ihe dirigía Joáo XXIII,
exprime ele varias vezes ñas suas cartas o desejo de ver rápidamente
restabelecida a unidade entre as Igrejas irmás.

6. O Concilio Vaticano II emprega a expressáo Igrejas irmás para
qualificar as relacóes fraternas das Igrejas particulares entre si: 'No Ori
ente existem muitas Igrejas particulares ou locáis, entre as quais tém o
primeiro lugar as Igrejas patriarcais, e muitas destas se gloriam de ter
sido estabelecidas pelos próprios Apostólos. Por isso, entre os orientáis
sempre foi grande, e continua a sé-lo, o cuidado e a preocupado de
conservar, na comunháo da fé e da caridade, aquelas fraternas relacóes,
que, como entre irmáos, devem existir entre as Igrejas locáis1.1

7. O primeiro documento pontificio em que se encontra o termo
irmás aplicado as Igrejas é o Breve Anno ineunte de Paulo VI ao Patriar
ca Atenágoras I. Depois de ter manifestado a vontade de fazer o possível
para 'restabelecer a plena comunháo entre a Igreja do Ocidente e a Igre-
ja do Oriente', o Papa póe-se a pergunta: 'Já que em cada Igreja local se
realiza este misterio do amor divino, nao derivará talvez daí a expressáo
tradicional, segundo a qual as Igrejas dos varios lugares comecaram a
chamar-se entre si irmás? As nossas Igrejas viveram durante sáculos
como irmás, celebrando juntas os Concilios ecuménicos que defende-
ram o depósito da fé contra qualquer alterafáo. Agora, depois de um
longo período de divisáo e de incompreensáo recíproca, o Senhor, nao
obstante as dificuldades que no passado surgiram entre nos, dá-nos a
possibilidade de nos redescobrirmos como Igrejas irmás'.2

8. A expressáo passará a ser usada freqüentemente por Joáo Pau
lo II em numerosos discursos e documentos, de que aqui se recordam
apenas os principáis, por ordem cronológica:

Na Encíclica Slavorum Apostolr. 'Estes (Cirilo e Metódio) sao para
nos os campeóes e, ao mesmo tempo, os patronos no esforco ecuménico
das Igrejas irmás do Oriente e do Ocidente, para reencontrar, através do
diálogo e da oracáo, a unidade visível na comunháo perfeita e total'.3

Numa Carta de 1991 aos Bispos europeus: 'Com aquelas Igrejas
irmás, segundo a expressáo do Papa Paulo VI no Breve ao Patriarca de
Constantinopla Atenágoras I'.4

1 CONC. VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 14.
2 PAULO VI, Breve Anno ineunte (25-VII-1967): AAS 59 (1967) 852-854.
3 JOÁO PAULO II, Carta Ene. Slavorum Apostoli(2-VI-1985), 27: AAS77 (1985) 807-
808.
4 JOÁO PAULO II, Carta aos Bispos europeus sobre As relagóes entre Católicos e
Ortodoxos na nova sistemagáo da Europa central e oriental (31-V-1991), n. 4: AAS
84(1992) 167.

148
"IGREJAS IRMAS"?

Na Encíclica Ut unum sint, o tema é desenvolvido sobretudo no n.
56, que comeca deste modo: 'Depois do Concilio Vaticano II e refazendo-
se a essa tradicao, foi restabelecido o uso de atribuir o termo Igrejas
irmás ás Igrejas particulares ou locáis, reunidas á volta do seu Bispo. A
supressáo que depois se fez das recíprocas excomunhóes, removendo
um doloroso obstáculo de ordem canónica e psicológica, constituiu um
passo muito significativo no caminho para a plena comunhao'. O número
termina com um desejo: 'A expressao tradicional Igrejas Irmas deveria
constantemente acompanhar-nos neste caminho'. O tema é retomado
no n. 60, onde se observa: 'Mais recentemente, a comissáo mista inter
nacional deu um passo significativo na questao táo delicada do método a
seguir na procura da plena comunhao entre a Igreja católica e a Igreja
ortodoxa, questao que muitas vezes exasperou as relacóes entre católi
cos e ortodoxos. Pos ela as bases doutrinais para urna solucáo positiva
do problema, com fundamento na doutrina das Igrejas irmás'.1

II. Indicacóes sobre o uso da expressao

9. As referencias históricas expostas nos parágrafos precedentes
mostram a importancia que a expressao Igrejas irmás assumiu no diálo
go ecuménico. Isso realca aínda mais a importancia de um uso teológica
mente correto da mesma.

10. De fato, em sentido próprio, Igrejas irmás sao exclusivamente
as Igrejas particulares (ou os agrupamentos de Igrejas particulares, como
por exemplo os Patriarcados e as Metrópoles) entre si.2 Deverá resultar
sempre claro, mesmo quando a expressao igrejas irmás é usada neste
sentido próprio, que a Igreja Universal, una, santa, católica e apostólica,
nao é irmá, mas máe de todas as Igrejas particulares.3

11. Pode falar-se de Igrejas irmás em sentido próprio, também em
referencia a Igrejas particulares católicas e nao católicas. Assim, tam
bém a Igreja particular de Roma pode chamar-se irmá de todas as Igre
jas particulares. Mas, como se observou, nao se pode dizer propriamente
que a Igreja Católica é irmá de urna Igreja particular ou grupo de Igrejas.
Nao se trata apenas de urna questao de terminología, mas sobretudo de
respeitar urna verdade fundamental da fé católica, que é a unicidade da
Igreja de Jesús Cristo. Existe efetivamente urna única Igreja e, portanto,
0 plural Igrejas só se pode referir ás Igrejas particulares.4

1 JOÁO PAULO II, Carta Ene. Ut unum sint (25-V-1995), nn. 55, 56 e 60: AAS 87
(1995)921-982.
2 Cf. os textos do Decr. Unitatis redintegratio, 14, e do Breve Anno ineunte de Paulo
VI a Atenágoras I, ácima citados ñas notas 2 e 3.
3 Cf. CONGREGACÁO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Carta Communionis notío (28-V-
1992), 9: AAS 85 (1993) 838-850.
4 Cf. CONCILIO VATICANO II, Const. dogm. Lumen gentium, 8; CONGREGACÁO

149
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

Por conseguinte, deve ev¡tar-se como fonte de mal-entendidos e
de confusáo teológica o uso de fórmulas como 'as nossas duas igrejas',
que insinuam - se aplicadas á Igreja Católica e ao conjunto das Igrejas
ortodoxas (ou a urna Igreja ortodoxa) - um plural nao só a nivel de Igrejas
particulares, mas a nivel da Igreja una, santa, católica e apostólica, pro-
fessada no Credo e cuja existencia real aparecería assim ofuscada.

12. Enfim, há que ter presente também que a expressáo Igrejas
irmás em sentido próprio, como testemunha a Tradicáo comum do Oci-
dente e do Oriente, só se pode aplicar exclusivamente as comunidades
eclesiais que conservaram o Episcopado e a Eucaristía válidos.

Roma, sede da Congregacáo para Doutrina da Fé, 30 de Junho de
2000.

* Joseph Card. Ratzinger
Prefeito

* Tarcísio Bertone S.D.B.
Arcebispo Emérito de Vercelli
Secretario»

COMENTANDO...

O texto deseja opor-se á tese segundo a qual a Igreja de Cristo
estaría esfacelada ou fragmentada a ponto de só haver comunidades
relativamente fiéis á mensagem do Evangelho, sem que se possa encon
trar em plenitude o depósito da fé e da graca anunciadas por Jesús Cris
to; haveria apenas Igrejas Irmas sem Máe.

Contra tal perspectiva, a Nota afirma que a Igreja Católica Apostó
lica confiada a Pedro e seus sucessores é a Igreja Máe, na qual se con-
servou incólume o Dom trazido por Cristo á térra. Dentro e fora dessa
Igreja Máe há comunidades cristas que podem sertidas como Irmas en
tre si: Irmas no sentido pleno desta palavra quando se trata de comunida
des que conservaram a sucessáo apostólica ou o Episcopado e a Euca
ristía válidos; Irmas em sentido menos pleno quando se trata de outras
comunidades.

O relativismo religioso serve para justificar os cismas ou as ruptu
ras da unidade, mas implicaría que Deus abandonou a Igreja que Ele
mesmo fundou e que tem por preco o sangue de Deus feito homem. Tal
concepcáo nao se coaduna com a Sabedoria e a Providencia Divinas.

PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declar. Mysteríum Ecclesiae (24-VI-1973), 1: AAS 65
(1973) 396-408.
I

150
Urna Instruyo da Santa Sé sobre

ORAQÁO PARA OBTER CURA DE ENFERMIDADES

Em síntese: Está atualmente muito em voga o costume de realizar
reunióes de oragáo para obter de Deus a cura de doengas. Multas trans-
correm tranquilamente, dentro das normas da Igreja. Outras, porém, se
desenvolvem de maneira teatral ou mesmo histérica e sensacionalista,
contrariando os principios da reta fé e da Liturgia. Dai a Instrugáo da
Congregagáo para a Doutrina da Fé datada de 14/9/00, que estipula nor
mas para que a piedade se exprima sadia e corretamente em tais reuni-
óes, evitando desvíos e fenómenos psicopatológicos.
* * *

A oragáo para pedir a cura de doencas é plenamente legítima. To
davía ela se tem efetuado, últimamente e em alguns casos, em ambien
tes sensacionalistas, histéricos e dados á teatralidade. Ora, para evitar
tais desvíos, a Congregagáo para a Doutrina da Fé emitiu, aos 14 de
setembro de 2000, urna Instrucáo que regulamenta a prática de orar em
favor dos enfermos.

A seguir, vai apresentado tal documento, que compreende duas
partes: 1) Aspectos Doutrinais, como embasamento escriturístíco e teo
lógico para a segunda parte; 2) Disposicóes Disciplinares.

I. A 1NSTRUQÁO
1. ASPECTOS DOUTRINAIS

1.1. Fundamentacáo bíblica

A vida humana é inegavelmente urna vida marcada pelo sofrimen-
to, sendo que a propósito a doenca desenvolve papel importante.

No Antigo Testamento, os livros mais antigos associam doenca e
pecado, como se toda doenca fosse castigo do pecado. Todavía com o
passar do tempo a experiencia ensinou aos israelitas que nem toda mo
lestia decorre do pecado do individuo afetado; tal é o caso de Jó. Perce-
be-se entáo que a molestia pode ter o valor de provacáo, que serve para
consolidar a fidelidade da criatura ao Senhor Deus.

Qualquer que fosse a explicacáo dada á doenca, Deus sempre foi
tido como o amparo do enfermo, que Lhe pedia a cura. Encontra-se mes
mo nos livros proféticos a promessa de que em tempos futuros nao have-
ria mais desgracas nem invalidez; cf. Is 35, 5s: 65, 19s.

151
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

No Novo Testamento, revela-se melhor ainda o sentido da doen-
9a. Com efeito; Jesús está em freqüente contato com os enfermos e os
cura em sinal de sua missáo messiánica. Ele veio para restaurar o ho-
mem ferido pelo pecado em alma e corpo. As curas efetuadas por Jesús
sao a manifestado da Vitoria do Reino de Deus sobre todas as especies
de mal e significam o saneamento integral do homem; mostram que Je
sús tem o poder de perdoar os pecados, que sao a desgraca mais pro
funda do ser humano; cf. Me 2,1-12.

Nos Atos dos Apostólos lé-se que a propagacáo do Evangelho foi
acompanhada de sinais milagrosos, entre os quais curas de enfermida-
des; cf. At 8, 5-7. Vertambém Rm 15, 18s; 1Ts 1, 5; 1Cor2, 4s.

Outro aspecto se desvenda nos escritos neotestamentários: Jesús
assumiu o sofrimento humano (nao necessariamente a doenca) para fa-
zer dele um fator de expíacáo, conforme a profecía do Servo de Javé em
Is 53, 4s; cf. Me 10, 45. Assim todo cristáo pode dizer com Sao Paulo:
"Completo em minha carne o que falta á Paixáo de Cristo, em favor do
seu corpo, que é a Igreja (Cl 1, 24); o que quer dizer que todo cristáo, ao
sofrer, carrega um tanto da Cruz de Cristo e Ihe dá urna moldura própria
(a do aqui e agora), que ela nao tinha anteriormente. O sofrimento do
cristáo é assim transfigurado e adquire um valor de colaboracáo com
Cristo na redencáo da humanidade.

1.2. A oracáo em prol da cura

É muito legítima a oracáo do cristáo que, embora aceite a vontade
de Deus, pede filialmente a cura de seu mal físico. O Senhor Jesús aco-
Iheu o pedido de cura dos enfermos; apenas exigía fé da parte deles; cf.
Me 9, 23; 6.5s; Jo 4, 48.

A Igreja mesma, em sua Liturgia, tem um sacramento destinado,
de modo especial, a reconfortar os que sofrem com a doenca: a Uncáo
dos Enfermos. Além do qué, existe um formulario de Missa pelos enfermos.

Evidentemente a oracáo nao excluí o recurso aos meios naturais e
científicos para recuperar a saúde; a Providencia Divina nao dispensa o
homem de lutar com todas as forcas contra a molestia, empregando para
tanto os meios racionáis (excluido o curanderismo, pseudo-medicina)
que estejam ao seu alcance.

1.3. O carisma da cura

O Novo Testamento conhece o carisma de curas (1Cor 12, 9).
Chárisma em grego é um dom generoso, concedido a determinada pes-
soa para que obtenha gragas em favor do próximo. É dom do Espirito
Santo, o qual é soberano e dá a quem Ele quer, como e quando Ele
quer.

152
ORACÁO PARA OBTER CURA DE ENFERMIDADES

A Tradicáo crista reconheceu o valor da orapáo em prol da cura. É
S. Agostinho quem escreve:

"É preciso rezar para que nos sejam conservados os dons da saú-
de da alma e do corpo quando os temos, e para que nos sejam concedi
dos quando nao os temos" (Epístola 130 V113).

O mesmo autor deixou-nos o testemunho da cura de um amigo,
alcanpada grapas ás orapoes de um Bispo, de um sacerdote e de alguns
diáconos em sua casa (cf. De Civitate Dei 22, 8, 3).

No decorrer da historia da Igreja nao faltaram Santos taumaturgos,
que obtiveram curas milagrosas.

O chamado "carisma de cura" nao era enfatizado por ocasiáo des-
ses fenómenos taumaturgos. Este carisma hoje em dia toma configura-
pao nova em algumas reunióes organizadas no intuito de obter curas
prodigiosas; o cenário toma características espetaculares atraindo mei-
os de comunicacáo social, inclusive a televisáo; nessas reunióes nao se
deve atribuir o carisma de curas a determinada categoría de participan
tes, como seriam os dirigentes do grupo; nao é pelo fato de alguém exer-
cer determinada funcao na Igreja que esse alguém possui um carisma
extraordinario. Na verdade, os carismas sao sempre dons gratuitos, que
dependem únicamente da livre vontade de Deus e nao podem ser
institucionalizados ou adquiridos.

É de notar que nos grandes santuarios católicos, como os de
Lourdes, Fátima, Compostela..., sao obtidas grandes grapas de cura sem
o aparato que se quer dar por vezes a tais gracas; nesses santuarios, as
curas sao grandes grapas, mas nao se pode dizer que se devem a um caris
ma especial, porque nao estáo ligadas a um eventual detentor de tal caris
ma. Nesses santuarios sao freqüentes algumas celebracóes que nao se
destinam diretamente a pedir a grapa de curas, mas que tém por fruto a cura
de enfermos; tais celebrapóes, como a exposipáo e a bénpáo do Santíssimo
Sacramento, a recitapáo do Terpo... sao legítimas, desde que nao se altere o
seu auténtico significado, concebendo-as como cerimónias mágicas. Nao
há orapóes todo-poderosas, com efeitos automáticos, quando emitidas se
gundo um ritual especial ou proferidas por determinada pessoa. O que torna
a orapao agradável a Deus é a fé e a confianca filial do(a) orante.

Após estas considerapoes doutrinárias, a Instrupáo propóe normas
práticas, que váo, a seguir, transcritas literalmente.

"II. DtSPOSIQÓES DISCIPLINARES
Art. 1 - Todo fiel pode elevar preces a Deus para alcancara cura.
Quando estas se fazem numa igreja ou noutro lugar sagrado, convém
que seja um ministro ordenado a presidir-lhes.

153
10 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

Art. 2-As oragoes de cura tém a qualificagáo de litúrgicas, quando
inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da
Igreja; caso contrario, sao oragoes nao litúrgicas.

Art. 3-§ 1.As oragoes de cura litúrgicas celebram-se segundo o
rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis
infirmorum do Rituale Romanum.

§ 2. As Conferencias Episcopais, em conformidade com quanto
estabelecido nos Praenotanda, V, De adaptationibus quae Conferentiae
Episcoporum competunt do mesmo Rituale Romanum, podem fazer
as adaptagdes ao rito das béngáos dos enfermos, que considerarem pas-
toralmente oportunas ou eventuatmente necessárias, com previa revisáo
da Sé Apostólica.

Art. 4 - § 1. O Bispo diocesano tem o direito de emanar para a
própria igreja particular normas sobre as celebragóes litúrgicas de cura,
conforme o can. 838, § 4.

§ 2. Os que estáo encarregados de preparar ditas celebragóes
litúrgicas, deveráo ater-se a essas normas na realizagáo das mesmas.
§ 3. A licenga de realizar ditas celebragóes tem de ser explícita,
mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes netas par-
ticipem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licenga a qualquer
Bispo, sempre que houveruma razao justa e proporcionada.

Art. 5 - § 1. As oragoes de cura nao litúrgicas realizam-se com
modalidades diferentes das celebragóes litúrgicas, tais como encontros
de oragáo ou leitura da Palavra de Deus, salva sempre a vigilancia do
Ordinario do lugar, em conformidade com o can. 839, § 2.
§ 2. Evite-se cuidadosamente confundir estas oragoes livres nao
litúrgicas com as celebragóes litúrgicas propríamente ditas.

§ 3. É necessário, além disso, que na sua execugáo nao se che-
gue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o
histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo.

Art. 6 - O uso de instrumentos de comunicagáo social, nomeada-
mente a televisáo, durante as oragoes de cura, tanto litúrgicas como nao
litúrgicas, é submetido a vigilancia do Bispo diocesano, em conformidade
com o estabelecido no can. 823 e com as normas emanadas pela Con-
gregagáo para a Doutrina da Fé na Instrugáo de 30 de Margo de 1992.

Art. 7-§1. Mantendo-se em vigor quanto ácima disposto no art. 3
e salvas as fungóes para os doentes previstas nos livros litúrgicos, nao
se devem inserir oragoes de cura, litúrgicas ou nao litúrgicas, na celebra-
gao da Santíssima Eucaristía, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

154
ORAgÁO PARA OBTER CURA DE ENFERMIDADES 11

§ 2. Durante as celebragóes, a que se refere o art. 1, é permitido
inserir na oragao universal ou 'dos fiéis' intengóes especiáis de oragao
pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Art. 8-§1.Oministerio do exorcismodeve serexercidona estreita
dependencia do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172,
com a Carta da Congregagáo para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro
de 1985 e com o Rituale Romanum.

§ 2. As oragóes de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, de-
vem manter-se distintas das celebragóes de cura, litúrgicas ou nao
litúrgicas.

§3.É absolutamente proibido inserir tais oragóes na celebragáo da
Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

Art. 9 - Os que presidem as celebragóes de cura, litúrgicas ou nao
litúrgicas, esforcem-se por manter na assembléia um clima de serena
devogáo, e atuem com a devida prudencia, quando se verificarem curas
entre os presentes. Terminada a celebragáo, poderao recolher, com sim-
plicidade e precisao, os eventuais testemunhos e submeteráo o fato á
autoridade eclesiástica competente.

Art. 10-A intervengáo da autoridade do Bispo diocesano é obriga-
tória e necessária, quando se verificarem abusos ñas celebragóes de
cura, litúrgicas ou nao litúrgicas, em caso de evidente escándalo para a
comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservancia das normas
litúrgicas e disciplinares.

O Sumo Pontífice Joáo Paulo II, na Audiencia concedida ao abaixo
assinado Prefeito, aprovou a presente Instrugáo, decidida na reuniáo or
dinaria desta Congregagáo, e mandou que fosse publicada.

Roma, Sede da Congregagáo para a Doutrina da Fé, 14 de Setem
bro de 2000, Festa da Exaltagáo da Santa Cruz.

*Joseph Card. RATZINGER,
Prefeito

* Tarcísio BERTONE, S.D.B.,
Arcebispo Emérito de Vercelli,
Secretario»

II. COMENTANDO...

Urna leitura atenta do documento em pauta á luz de declaracóes
feitas á Radio Vaticano por Mons. Tarcisio Bertone, Secretario da Con-
gregacáo para a Doutrina da Fé, sugere as seguintes reflexoes:

155
12 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

1.0 título da Instrucáo

O título oficial da Instrucáo soa: "Instrucáo sobre as Oracoes para
alcancar de Deus a Cura". Este circunloquio é intencionalmente utilizado
para nao falar de "Oracoes de Cura". Tal expressáo poderia sugerir que
há oragSes que automáticamente curam o enfermo - o que é falso. A
oragáo é sempre um pedido humilde ao qual Deus nao deixa de respon
der..., procedendo, porém, de acordó com a sua sabedoria, mais sabia
do que a sabedoria humana.

2. Tres tipos de oragóes

A Instrucáo distingue:

a) a oragáo particular em favor de um enfermo. Esta é louvável e
deve ser estimulada, pois vem a ser um ato de caridade. Seja feita com
Cristo e como Cristo, que pediu ao Pai a isengáo do cálice, subordinan
do, porém, a sua vontade humana á vontade do Pai (cf. Me 14, 36); Ele
foi atendido por causa da sua reverencia (Hb 5, 7), feito pela sua ressur-
reicáo Senhor dos vivos e dos morios {cf. Ap 1,18).
b) a oracáo comunitaria em favor dos enfermos. Pode ser
- litúrgica, isto é, regulamentada pelos livros e rituais oficiáis da
Igreja, como sao a Uncao dos Enfermos, a Missa pelos doentes, a Bén-
cáo dos Enfermos, a Béngáo com o Santíssimo Sacramento, a recitagáo
do rosario... Seja praticada de acordó com as normas estabelecidas. Há
urna longa tradigáo da Igreja, que sempre rezou pelos enfermos e esti
mula este tipo de prece comunitaria;

- nao litúrgica, isto é, nao regida por um ritual oficial. Em tais
casos a Instrucáo requer o acompanhamento da autoridade eclesiástica
para evitar desvios de histeria, teatralidade, sensacionalismo. O recurso
aos meios de comunicagáo social seja submetido á vigilancia do Bispo
diocesano.

Nao se deve atribuir a alguém o carisma permanente das curas
como se fosse um direito adquirido junto ao Senhor Deus. Na verdade,
há Santos que obtiveram muitas curas, como Sao Joáo Bosco, o Bem-
aventurado Padre Pió de Pietralcina...; mas quem julga os carismas, é a
autoridade da Igreja, que o faz cautelosamente, as vezes só após a mor-
te da pessoa.

3. E a Renovagáo Carismática Católica?

Em sua entrevista á Radio Vaticano, Mons. Tarcisio Bertone afir-
mou explícitamente que nao houve, por parte da Santa Sé, a intengáo de
censurar os grupos de oragáo da Renovacáo na medida em que sao fiéis
as normas da Igreja. Enquanto tais, tém produzido muitos frutos benéfi-

156
ORAgÁO PARA OBTER CURA DE ENFERMIDADES 13

eos para o povo de Deus, levando numerosos cristáos a recuperar ou
adquirir o gosto pela oracao.

4. E o Exorcismo?

A Instrucáo considera outrossim o exercício do exorcismo, que con
serva sua razáo de ser na Igreja. Seja praticado de acordó com as nor
mas da Igreja, que distingue dois tipos de exorcismo: o maior e o menor.

Exorcismo maior ou solene. Supóe detido e criterioso exame do
caso em foco, para que nao se confunda a doenca (epilepsia, histeria,
neurose...) com possessáo diabólica. Caso haja razóes plausíveis para
crer que alguém está possesso, toca ao Bispo diocesano designar um
padre competente para aplicar o solene rito de exorcismo, conforme o
canon 1172:

"Canon 1172 - § 1o. Ninguém pode fazer legítimamente exorcis
mos em possessos a nao ser que tenha obtido licenga especial e explíci
ta do Ordinario local.

§ 2o. Essa licenga seja concedida pelo Ordinario local somente a
sacerdote que se distinga pela piedade, ciencia, prudencia e integridade
de vida".

Tal caso é tido como raro, pois os síntomas de possessáo outrora
reconhecidos (falar línguas estranhas, adivinhar os pensamentos alhei-
os, ter forca extraordinaria...) hoje sao geralmente tidos como fenóme
nos parapsicológicos. A atencáo da autoridade eclesiástica hoje se volta
mais para síntomas religiosos (blasfemia, revolta contra Deus, perversáo
sexual e culto de Satanás...).

Exorcismo menor ou simples. Sao oracóes que qualquerfiel pode
rezar pedindo a Deus que afaste o demonio quando se julga estar ele
atuando em tal e tal caso. A propósito existe urna Carta da Congregacáo
para a Doutrina da Fé, que chama a atencáo para a necessidade de nao
banalizar tal tipo de oracao como se o demonio estivesse na origem de
qualquer desgraca. Em situacáo angustiante a oracáo a Deus é plena
mente válida sem que haja necessidade de mencionar o demonio (su-
postamente atuante no caso). Eis o teor de tal Carta:

"SAGRADA CONGREGACÁO PARA A DOUTRINA DA FÉ
00193 Roma, dia 29 de setembro de 1985
Piazza delS. Ufficio 11
Prot. n° 291/70

Excelentíssimo Senhor,

Já há alguns anos, certos grupos eclesiais multiplicam reunióes
para orar no intuito de obter a libertagáo do influxo dos demonios, embo-

157
14 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

ra nao se trate de exorcismo propriamente dito. Tais reunióes sao
efetuadas sob a diregáo de leigos, mesmo quando está presente um sa
cerdote.

Visto que a Congregagáo para a Doutrina da Fé foi interrogada a
respeito do que pensar diante de tais fatos, este Dicastério julga neces-
sário transmitir a todos os Ordinarios a seguinte resposta:

1. O Canon 1172 do Código de Direito Canónico declara que a
ninguém é licito proferir exorcismo sobre pessoas possessas a nao ser
que o Ordinario do lugar tenha concedido peculiar e explícita licenga para
tanto (§ 1); determina também que esta licenga só pode ser concedida
pelo Ordinario do lugar a um presbítero dotado de piedade, sabedoria,
prudencia e integridade de vida (§ 2). Por conseguinte, os Srs. Bispos
sao convidados a urgir a observancia de tais preceitos.

2. Destas prescrigóes segue-se que nao é lícito aos fiéis crístáos
utilizara fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, con-
tida no Rito que foi publicado por ordem do Sumo Pontífice Leño XIII; muito
menos Ihes é lícito aplicar o texto inteiro deste exorcismo. Os Srs. Bispos
tratem de admoestar os fiéis a propósito, desde que haja necessidade.

3. Por fim, pelas mesmas razóes os Srs. Bispos sao solicitados a
que vigiem para que - mesmo nos casos que paregam revelar algum
influxo do diabo, com exclusáo da auténtica possessáo diabólica -, pes
soas nao devidamente autorizadas nao orientem reunióes ñas quais fa-
gam oragóes para obter a expulsáo do demonio, oragóes que diretamen-
te interpelem os demonios ou manifestem o anseio de conhecer a identi-
dade dos mesmos.

A formulagao destas normas de modo nenhum deve dissuadir os
fiéis de rezar para que, como Jesús nos ensinou, sejam livres do mal (cf.
Mt 6, 13). Além disto, os Pastores poderáo valerse desta oportunidade
para lembrar o que a Tradigáo da Igreja ensina a respeito da fungáo pro-
pria dos Sacramentos e a propósito da intercessáo da Bem-aventurada
Virgem María, dos Anjos e dos Santos na futa espiritual dos crístáos con
tra os espírítos malignos.

Aproveito o ensejo para exprimir a V.Excia. meus sentimentos de
estima, enquanto Ihe fico sendo

dedicado no Senhor

Joseph Card. Ratzinger
Prefeito

t Alberto Bovone
Secretario"

158
ORAgÁO PARA OBTER CURA DE ENFERM1DADES 15

Por sua vez, o Catecismo da Igreja Católica § 1673 reza o seguinte:

"Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome
de Jesús Cristo, que urna pessoa ou objeto sejam protegidos contra a
influencia do Maligno e subtrafdos a seu dominio, fala-se de exorcismo.
Jesús o praticou, é dele que a igreja recebeu o poder e o encargo de
exorcizar. Sob urna forma simples, o exorcismo é praticado durante a
celebragáo do Batismo. O exorcismo solene, chamado 'grande exorcis
mo', só pode ser praticado por um sacerdote, com a permissáo do Bispo.
Nele é necessário proceder com prudencia, observando estritamente as
regras estabelecidaspela Igreja. O exorcismo visa a expulsaros demoni
os ou livrar da influencia demoníaca, e istopela autoridade espiritual que
Jesús confiou a sua Igreja. Bem diferente é o caso de doengas, sobretu-
do psíquicas, cujo tratamento depende da ciencia médica. É importante,
pois, assegurar-se, antes de celebrar o exorcismo, se se trata de urna
presenga do Maligno ou de urna doenga".

Possa a observancia de tais normas favorecer a oracáo tranquila e
fervorosa dos fiéis em favor dos irmaos enfermos!

"PAPISA JOANA"

A recente propagacáo da lenda da "papisa Joana" exige algumas
informacóes ao público: 1) nenhum cronista sabe exatamente quando
terá existido essa "papisa"; oscilam do século VIII ao sáculo XI; 2) o Papa
Joáo VIII, a quem a querem identificar, governou a Igreja de 872 a 882, e
nao durante dois anos e sete meses (ou cinco meses ou um mes); 3)
alguns cronistas dizem que Joana era ánglica de Mogúncia (Alemanha),
ao passo que outros afirmam que era grega da Tessália; 4) nao há bre
cha na serie dos Papas para intercalar essa "papisa"; a serie procede
sem interrupcáo; 5) até meados do século XIII ninguém conhecia tal figu
ra, que terá vivido muito anteriormente. Quanto á tal cadeira estercorária
ou cadeira de assento perfurado, exibida em Museu, é cadeira antiga
que servia aos banhos da sociedade romana. No tocante á estatua men
cionada por cronistas, encontrada no Museu Chriaramonti de Roma, é
de origem paga e representa a deusa Juno que amamenta Hércules,
conforme bons arqueólogos. - Vé-se, pois, que é totalmente infundada a
estória da "papisa Joana". Ver PR 466/2001, pp. 119-124.

A propósito a Escola "Mater Ecclesiae" oferece um Curso completo
de Historia da Igreja, que aborda, de maneira documentada, as questóes
controvertidas da Historia: Inquisicáo, Cruzadas, Papa Alexandre VI,
Renascimento e Reforma Religiosa... Pedidos pela caixa postal 1362,
20001-970 Rio (RJ) ou pelo teleFax 0 xx 21-242-4552.

159
Frente a certas posicóes:

REAFIRMANDO VERDADES DA FE

Em síntese: O teólogo austríaco Dr. Reinhard Messner publicou
escritos que suscitaram dúvidas no público estudioso. Após o devido exa-
me dos mesmos, a Congregagáo para a Doutrina da Fé emitiu urna Nota
que recorda certas verdades básicas do Credo católico: referem-se á
Revelagáo Divina e seus dois cañáis (o oral e o escrito), ao magisterio da
Igreja e seu papel assim como á instituigáo dos sacramentos por Jesús
Cristo.
* * *

O Dr. Reinhard Messner, teólogo austríaco, publicou escritos diver
sos sobre as fontes da fé e a Liturgia, que suscitaram contestacáo por se
desviarem da reta doutrina, sob a influencia do protestantismo. O caso
foi levado ao conhecimento da Congregacáo para a Doutrina da Fé em
Roma: após minucioso exame de tais escritos e tendo ouvido mais de
urna vez o próprio autor, a Congregacáo publicou urna Nota elucidativa,
que o Dr. Messner aceitou como regra de fé.

Vai, a seguir, publicado o teor dessa Decíaracáo1, á qual serio acres-
centados breves comentarios.

A. O TEXTO

«I. As fontes da Fé

A transmissáo da pregacáo apostólica

1.0 conjunto da transmissáo da revelagáo recebida pelos apostó
los na Igreja pode ser designado como Tradicáo em sentido lato ou -
como diz o autor- 'o único evento de tradicáo'.

2. Esta transmissáo verifica-se de duas formas: urna, escrita, é a
Sagrada Escritura; a outra, nao escrita, é a Tradicáo em sentido estrito.
Com efeito, a pregacáo apostólica confluí de maneira particular na Sa
grada Escritura, mas nao se esgota nela. Por isso, o conceito de Tradi
cáo apostólica, que sob a assisténcia do Espirito Santo é transmitida na
Igreja, é mais ampio do que aquilo que se escreve explícitamente na
Escritura. Pregacáo apostólica e tradicáo, que deriva dos apostólos, nao
podem ser simplesmente igualadas.

1 O texto é transcrito do jornal L'OSSERVATORE ROMANO, edigáo em Ifngua portu
guesa datada de 17/12/00.

160
REAFIRMANDO VERDADES DA FÉ 17

A Sagrada Escritura e as suas afirmacóes

3. A Sagrada Escritura é manancial de conhecimento para a fé
católica, segundo o sentido e a intencáo salvífica que, por meio do autor
humano, foram escritos no texto contemporáneo pelo Espirito Santo.

A Tradicáo e as tradicóes

4. Ao lado da Escritura encontra-se a Tradicáo em sentido estrito.
Ela faz-nos conhecer a inspiracáo e o canon da Escritura, e sem ela nao
é possível urna explicacao completa e urna atualizacáo da Escritura. A fé
católica nao está vinculada únicamente ao texto da Escritura; com efeito,
a Igreja nao haure somente da Escritura a sua certeza acerca de todas
as coisas reveladas.

5. A Tradicáo é a transmissáo da revelacáo, que foi confiada por
Cristo e pelo Espirito Santo aos apostólos, na vida e no ensinamento da
Igreja Católica através de todas as geracóes, até aos días de hoje. So-
mente esta Tradicáo é norma de fé.

6. As 'tradicóes', de que fala o Concilio Vaticano I e inclusivamente
a Dei Verbum (cf. n. 8), constituem elementos particulares da 'Tradicáo1.
Ao lado destas, na Igreja Católica sempre existiram costumes antigos
('tradicoes', no sentido mais vasto), que nao sao vinculantes, mas
mutáveis.

O Magisterio

7. Na interpretacao da Palavra de Deus, transmitida na Escritura e
na Tradicáo, um papel importante compete á ciencia teológica. Ultrapas-
sa as possibilidades da teología explicar a Palavra de Deus de maneira
vinculante para a fé e a vida da Igreja. Esta tarefa é confiada ao Magiste
rio vivo da Igreja. O Magisterio nao está ácima da Palavra de Deus, mas
serVe-a. Porém, ele encontra-se ácima das explicares da Palavra de
Deus, enquanto julga se urna determinada explanagáo corresponde ou
nao ao sentido transmitido pela Palavra de Deus.

A Liturgia

8. Na Liturgia atua-se a obra da nossa redencáo. Ela é 'o ápice
para o qual tende a acáo da Igreja e, além disso, a fonte de que promana
toda a sua virtude". Assim ela torna presente o 'misterio da fé1 e, ao mes-
mo tempo, é o seu testemunho mais excelso. Conseqüentemente, os
ritos litúrgicos reconhecidos pela Igreja sao também formas expressivas
normativas da fé, ñas quais se manifesta a tradicáo apostólica da Igreja.

9. Portanto, nao podem existir contradices entre as normas
magisteriais da definicáo da fé (Regula fidel, Symbolum, Dogma) e a sua

161
18 TERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

atualizacao na liturgia. A fé definitiva é vinculante para toda a liturgia,
para a interpretacáo e para as novas formulacóes da liturgia.

II. Sobre a Doutrina de Fé acerca dos Sacramentos

A ¡nstituicáo da Eucaristía

10. Segundo a fé da Igreja, Cristo instituiu os sete sacramentos. O
conceito de instituicáo nao significa que, na sua vida terrestre, Cristo te-
nha expressamente determinado nos pormenores cada um dos sacra
mentos como tal. Na sua memoria orientada pelo Espirito Santo, que
podía incluir o amadurecimento também de um certo tempo, a Igreja com-
preendeu quais de entre as suas acoes simbólicas estáo ancoradas na
vontade do Senhor e portanto pertencem á esséncia da sua missáo. Deste
modo, no vasto ámbito dos sacramenta, ela aprendeu a distinguiros 'sacra
mentos' em sentido estrito dos sacramentáis: só os primeiros remontam
ao próprio Senhor e portanto possuem aquela eficacia singular, que deri
va da instituicáo.

11. A Igreja está persuadida, na fé, de que o próprio Cristo - como
narram os Evangelhos (cf. Mt 26, 26-29; Me 14, 22-25; Le 22, 15-20) e,
por tradicáo apostólica, Sao Paulo (cf. 1Cor 11, 23-25) - entregou aos
discípulos na Ceia antes da sua paixáo - sob as especies do pao e do
vinho - o seu corpo e o seu sangue, instituindo desta forma a Eucaristía,
que é genuinamente o seu dom á Igreja de todos os tempos.

12. Por conseguinte, nao se deve supor que, no cenáculo, Cristo -
como continuacáo da sua comunháo á mesa - realizou urna análoga
acao convival simbólica, com perspectiva escatológica. Segundo a fé da
Igreja, na última Ceia Cristo ofereceu o seu corpo e o seu sangue - en-
tregou-Se a Si mesmo - ao seu Pai e deu-Se a Si próprio como alimento
aos seus discípulos, sob as especies do pao e do vinho.

O ministerio da Igreja

13. Em conformidade com a fé da Igreja, na vocacáo e missáo dos
doze apostólos Cristo fundou ao mesmo tempo o ministerio da sucessáo
apostólica, que na sua forma plena se realiza nos Bispos como sucesso-
res dos apostólos. No seu tríplice grau - bispo, presbítero e diácono - o
sacerdocio ministerial constituí urna forma que se desenvolveu legitima-
mente na Igreja e portanto é vinculante para ela mesma, no que concerne
ao cumprimento do ministerio, que se fundamenta na vontade institutiva
do Senhor, é transmitido com a consagracáo sacramental.

14.0 Concilio Vaticano II afirma: 'Com a potestade sagrada de que
é investido', o sacerdote ministerial leva a cabo o sacrificio eucarístico na
pessoa de Cristo.

162
REAFIRMANDO VERDADES DA FÉ 19

A Eucaristía e a fé

15. O Espirito Santo, por intermedio do sacerdote consagrado, e
as palavras de Cristo por ele pronunciadas, torna presentes o Senhor e o
seu sacrificio.

Nao é pelo seu poder, nem por um oficio humano, por exemplo por
parte da comunidade, mas únicamente em virtude da potestade outorga-
da pelo Senhor no sacramento, que a prece do sacerdote pode invocar
de maneira eficaz o Espirito Santo e a sua forca transformadora. A Igreja
define esta atividade orante do sacerdote como urna acáo 'in persona Christi1.

O Sacramento da Penitencia e a Eucaristía

16. Na fé, a Igreja sabe e por conseguinte ensina de maneira
vinculante que Cristo, para além do sacramento do batismo que anula os
pecados, instituiu aínda o sacramento da Penitencia como sacramento
do perdáo. Esta consciéncia fundamenta-se sobretudo no trecho de Joáo
20, 22ss. Também aqui o sacerdote pode falar 'in persona Christi' e co
municar de maneira autorizada o perdáo somente a partir do poder do
sacramento, com o qual ele foi consagrado.

Na Audiencia de 27 de Outubro de 2000, concedida ao abaixo as-
sinado Secretario, o Sumo Pontífice Joáo Paulo II aprovou esta Notifica-
gao, decidida na Sessáo Ordinaria desta Congregagáo, e autorizou a sua
publicagáo.

Roma, Sede da Congregacáo para a Doutrina da Fé, 30 de No-
vembro de 2000.

* JOSEPH Card. RATZINGER
Prefeito

* D. TARCÍSIO BERTONE
Secretario»

B. COMENTANDO...

O texto versa sobre as fontes da fé e os sacramentos.

1. As fontes da fé

Há urna só Revelacáo sobrenatural1 de Deus ao homem. Ela é trans
mitida por dois cañáis:

- o oral, que é o primitivo, pois na antigüidade a comunicacáo era
geralmente feita por via oral. Desde Abraáo até Jesús Cristo Deus foi-se
revelando e manifestando seu designio de salvacáo;

1 Sobrenatural é a ordem de coisas destinada a levar o homem a visáo de Deus face-
a-face.

163
20 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

- o escrito, consignado ñas Escrituras Sagradas. Estas sao
bercadas pela chamada "Tradicáo oral", á qual fazem eco e da qual rece-
bem a sua auténtica ¡nterpretagao. É somente pela Tradicáo oral que
conhecemos o catálogo ou canon da Biblia e o significado de suas pas-
sagens mais difíceis.

O Magisterio da Igreja é o porta-voz genuino da Palavra oral que
antecede e acompanha a escrita. Goza de especial assisténcia do Espi
rito Santo para elucidar a Palavra escrita na medida em que diz respeito
as verdades da fé. O Magisterio nao se sobrepóe as Escrituras, mas
ausculta-as dentro do contexto da Palavra oral e assim é apto a dirimir
dúvidas a respeito de trechos bíblicos sujeitos a diversas explanares.

A Liturgia, com suas oracoes, seus niños e seus textos patrísticos,
é a expressáo da fé da Igreja. Muito sabiamente já diziam os antigos: Lex
orandi lex credendi, isto é, o conteúdo da oracao deve corresponder ao
conteúdo da fé; as fórmulas litúrgicas nao podem estar em discordancia
com as verdades da fé.

2. Os Sacramentos

Os sacramentos, que compóem o teor da Liturgia, sao filetes da
graca instituidos por Jesús Cristo para recobrir e santificar toda a vida
humana desde o nascer até a sua consumacáo. Isto nao quer dizerque o
Senhor Jesús, em sua vida terrestre, tenha determinado os pormenores
de cada sacramento, mas sim que deixou á sua Igreja acóes simbólicas
que foram entendidas como comunicativas da graca divina: os sacra
mentos do Batismo, da Eucaristía, da Penitencia, do Matrimonio estáo
claramente expressos ñas páginas do Evangelho.

O centro da vida sacramental é a Eucaristía, que Jesús entregou
aos Apostólos na última ceia, como perpetuacáo do seu sacrificio salvífico.

Para celebrar a Eucaristía e outras funcóes litúrgicas, Jesús insti-
tuiu o sacramento da Ordem, ao dizer "Fazei isto em memoria de mim"
(Le 22,19). O ministro ordenado nao age em seu nome próprio, mas em
nome de Cristo (in persona Christi); ele nao é um mero delegado da
comunidade católica para oficiar, mas é inserido no sacerdocio de Cristo,
que o habilita a aplicar aos fiéis o dom salvifico de Cristo Sacerdote.

O mesmo ministerio se exerce no sacramento da Reconciliacáo,
instituido por Jesús em Jo 20, 22s; o sacerdote transmite o perdáo de
Deus nao porque seja mais santo, mas porque assumido por Cristo para
ser a máo estendida do Salvador a todos os homens.

Estas sao verdades fundamentáis que nao podem ser obscureci
das sem que a fé católica perca a sua autenticidade.

164
Dois calendarios para

A DATA DA PASCOA

Em síntese: A data da Páscoa nao é a mesma para os cristáos
ocidentais e para os orientáis ortodoxos. Isto se deve ao lato de que o
calendario foi reformado, como era necessário, em 1582 pelo Papa Gre
gorio XIII: á quinta-feira 4 de outubro seguiu-se a sexta-feira 15 de outu-
bro de 1582. A defasagem nao foi corrigida pelos orientáis. Tém-se feito
esforgos para chegar á unificagáo da grande data dos cristáos. - O pre
sente artigo aprésenla breve histórico do calendario.
* * •

Em 2001 a festa da Páscoa é celebrada a 15 de abril tanto por
cristáos ocidentais quanto pelos cristáos ortodoxos orientáis. Esta coin
cidencia tem avivado o ¡nteresse da Igreja Católica e de outras denomi-
nacóes cristas por unificar a data máxima da Liturgia dos cristáos, visto
que os ortodoxos tém sua datacáo própria.

A seguir, será proposto breve histórico do calendario, a fim de ex
plicar a problemática.

1. Calendario Romano e Calendario Juliano

Todo calendario anual resulta de urna convencáo ¡mperfeita ou de
um compromisso entre a duracáo do ano trópico, ligado as estacóes de
primavera, veráo, outono e invernó (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45
segundos) e a duracáo do ano sideral (365 dias, 6 horas, 9 minutos e 5
segundos).

1.1. Calendario romano pré-cristáo

O calendario romano mais antigo era lunar e contava 355 dias re
partidos em 12 meses. No período da República, que comeca em 500
a.C. aproximadamente, o calendario passou a ser solar. A correcáo foi
feita mediante a introducáo, de dois em dois anos, de um mes intercalar
de 27 dias, que compensavam a defasagem entre o curso lunar e o solar.
Em conseqüéncia a duracáo do ano passou a ser de 365,25 dias em
media, com doze meses de duragáo variável de 28 a 31 dias. O ano
comecava a 1 ° de margo, mas no século II a.C. o inicio do ano foi deslo
cado para 1 ° de Janeiro (ianuarius vem de ¡anua, porta; donde Janeiro =
mes da porta, patrocinado pelo deus lanus, que tem duas faces: urna, a
olhar para o passado, e outra a olhar para o futuro).

165
22 TERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

1.2. Calendario juliano

Em 46 a.C. (708 da fundacáo de Roma) Julio Cesar estipulou a
reforma do calendario - o que foi feito pelo astrónomo Sosígeno de
Alexandria. Para conseguir ordem, foi definido que o ano 46 contaría 445
días. A seguir, haveria tres anos de 365 dias e um ano de 366 dias. O
sexto dia antes das calendas de marco, ou seja, o dia 24 de fevereiro foi
duplicado, havendo assim o bis sextus ante kalendas martias: donde o
nome de ano bissexto.

Tal reforma deu origem ao que se chama "o calendario juliano".
Este foi adotado em todo o Imperio romano assim como pelos cristáos
até o século XVI. Acontece, porém, que o ano juliano ultrapassa o ano
trópico (baseado na duracáo das estacóes) em 11 minutos. Em conseqü-
éncia, no comeco do século XVI o equinócio da primavera (referencial
para marcar a data de Páscoa) caia no dia 11 de margo, quando na ver-
dade deveria cair a 21 de marco.

1.3. O calendario gregoriano

Diante do problema o Concilio de Trento (1545-1563) pediu ao Papa
que procurasse a solucáo exata. Isto foi feito pelo Papa Gregorio XIII em
1582, com a colaboracao de sabios da época: foi determinado que seri-
am supressos tres sobre quatro anos seculares bissextos e se conserva-
riam os anos centenarios bissextos múltiplos de 400: 1600, 2000, 2400,
2800... a reforma se baseava no valor exato do ano solar, que dura preci
samente 364,2425 dias; em mil anos a defasagem vem a ser de 7,5 dias.
Tomando tais medidas, a reforma gregoriana intencionava recolocar as
estacóes em seu lugar certo no ciclo solar. Por isto em Roma a quinta-
feira 4 de outubro de 1582 teve como imediata subseqüente a sexta-feira
15 de outubro de 1582. Na Franca, o dia 9 de dezembro de 1582 teve
como subseqüente o dia 20 de dezembro. Na Grá-Bretanha, o dia 3 de
setembro de 1752 teve o subseqüente 14 de setembro. A Rússia adotou
o calendario gregoriano em 1918; a Grecia, em 1923. A resistencia dos
países nao católicos deve-se ao fato de que a reforma, embora funda
mentada em razoes científicas, foi promovida pelo Papa.

As comunidades cristas ortodoxas conservam até hoje o calenda
rio juliano em sua Liturgia, apesar de estar 13 dias em atraso frente ao
calendario gregoriano ou astronómico. Está claro que o calendario gregoriano
necessitará de reforma alguma vez, todavía num futuro aínda remoto.

2. A Data de Páscoa

Segundo os escritos do Novo Testamento, a data de Páscoa é cal
culada em consonancia com a data da Páscoa judaica, pois Jesús mor-
reu e ressuscitou por ocasiáo da Páscoa dos judeus. Todavía até o sécu-

166
A DATA DA PÁSCOA 23

lo II houve hesitacáo a respeito entre os cristáos: deveriam celebrar a
Páscoa (= a ressurreicáo de Jesús) na noite mesma da primeira Lúa
cheia após o equinócio da primavera, independentemente dos respecti
vos dias da semana? Ou deveriam esperar a noite de sábado para do
mingo após a Lúa cheia, a fim de guardar intata a seqüéncia sexta da
Paixáo - sábado de sepultura e domingo da ressurreicáo? - As dúvi-
das foram definitivamente dissipadas pelo Concilio geral de Nicéia I em
325, que prescreveu que a Páscoa seja sempre celebrada na noite de
sábado para domingo.

Neste ponto estao de acordó todos os cristáos até hoje. Discor-
dam, porém, quanto ao calendario a adotar.

Em 1997, de 5 a 10 de marco, em Alep (Siria) realizou-se um colo
quio ecuménico, que abordou o assunto e terminou propondo que

- se mantenha a norma de Nicéia, celebrando a Páscoa no domin
go após a primeira Lúa cheia da primavera do hemisferio Norte;

- sejam utilizados os dados astronómicos modernos para determi
nar o equinócio ou o comeco da primavera nórdica;

- sejam baseados os cálculos sobre o meridiano de Jerusalém,
lugar histórico dos acontecimentos.

Em 2001 a data de Páscoa é a mesma tanto no calendario
gregoriano quanto no juliano. Será a mesma ainda algumas vezes nos
próximos vinte e cinco anos - o que parece significar um apelo da Provi
dencia Divina a um fraterno entendimento dos cristáos.

Possa tal apelo encontrar dócil ressonáncia naqueles a quem é
dirigido!

Continuagáo da p. 183:
- em Jo 14, 16, o Parákletos (Paráclito) é dito "o Valedor".

Outras passagens se poderiam apontar que desabonan) a tradu-
gáo. Como dito, porém, a moldura é válida.

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HESITE EM CONSOLIDAR SUA FÉ; O MUNDO DE HOJE PEDE TES-
TEMUNHAS CONVICTAS.

167
Revolucionario:

"E SE TUDO O QUE VOCÉ OUVIU SOBRE A AIDS
ESTIVER ERRADO?"
por Christine Maggiore1

Em síntese: O livro é escrito por urna senhora norte-americana
tida como soropositiva ou infectada pelo HIV. A principio submeteu-se ao
tratamento convencional, mas fot mudando as concepgóes que Ihe trans-
mitiram e, juntamente com outras pessoas, passou a negar tudo quanto
habitualmente se diz a respeito de AIDS;julga que a medicina oficial, no
caso, está engañada e talvez manipulada por interesses económicos alhei-
os ao bem comum. O livro supóe intenso estudo do assunto e pode pro
vocar polémica, na qual nossa revista nao tenciona entrar.
* * *

Eis um livro revolucionario, que vai, a seguir, apresentado, sem
que PR tencione tomar parte nos debates que ele pode suscitar. É edita
do pela associacáo TAPS em colaboracáo com a editora católica Paulus,
tendo por autora Christine Maggiore.

1. Que é a TAPS?

A TAPS (Temas Atuais na Promocáo da Saúde) é urna entidade
sem fins lucrativos, criada por um grupo de profissionais de varias áreas
que procuram promover a saúde integral. Constitui-se num centro de
estudos, pesquisas, informacóes e treinamento, que tem os seguintes
objetivos:

- reunir e fornecer informacóes sobre a preservacáo e a recupera-
cao da saúde;

- elaborar e difundir textos sobre diversos aspectos da saúde;

- promover cursos, encontros e palestras;

- oferecer orientacáo a interessados na saúde da comunidade e
na medicina integral;

- preconizar alimentacao saudável, defesa dos animáis, terapias
naturais, outra visáo da AIDS.

1 Tradugáo de Julia Formanek e outros. - Ed. Paulus e TAPS, 2000 (2a edigáo ampli
ada), Sao Paulo, 160 x 230 mm, 135 pp.

168
"E SE TUPO O QUE VOCÉ OUVIU SOBRE A AIDS ESTIVER ERRADO?" 25

Endereco: Rúa Borges Lagoa 503, Sao Paulo (SP)
Fone: (011) 572-0466
Fax:(011)572-0465

Como dito, é sob a responsabilidade da TAPS em conjunto com a
Paulus editora que o livro em foco é dado ao público.
Vejamos a experiencia da autora.

2. Christine Maggiore: quem é?

«Nunca pensei em escrever este livro sobre AIDS, um assunto que
jamáis imaginei atingiría minha vida... É o relatório de urna jornada que
comecou em 1992, quando fiz um exame conhecido como teste da AIDS.
Nao tinha nenhum síntoma de doenca, nao corría riscos especiáis e nada
temía. Foí apenas urna médica nova que insistíu para que eu fizesse o
teste como parte de um exame médico de rotina. Urna simples rotina
transformou minha vida quando o teste voltou positivo.
Fui encaminhada para um especialista em AIDS que afirmou que
meu teste nao era positivo - ao menos, nao o suficiente para ser consi
derado definitivo. Pediu que fizesse novo teste e, ao mesmo tempo, soli-
citou urna batería de exames laboratoriais, desde o nivel de colesterol
até a contagem de células T. Quando deixei seu consultorio, estava as-
sustada e confusa, mas esperanzosa. Passei os días antes da próxima con
sulta entre urna frenética assercáo de boa saúde e um desespero sem fim.
O resultado do segundo teste foi incontestavelmente positivo. De
acordó com o especialista, a evolucáo do teste de duvidoso para real
mente positivo indicava urna infeccáo recente, embora o conceito de urna
nova infeccao nao combinasse com meu estado de saúde.
Ele me disse que tinha urna saúde excelente; que tinha sorte por
ter detectado a doenca logo, mas que nao havia nada que eu pudesse
fazer para evitar urna doenca devastadora e a morte por AIDS. Alertou-
me para que nao gastasse dinheíro com vitaminas e outras tentativas
tolas para proteger meu sistema imunológíco. Aconselhou-me a simples-
mente esperar até ficar doente para entao tomar AZT, um medicamento
com graves efeitos colaterais, que me tornaría ainda mais doente. Deu-
me de cinco a sete anos de vida. Sai do consultorio diretamente para
urna loja de alimentos naturais. No día seguinte, comecei a procurar um
novo especialista.

A vida que eu havia vivido, planejado e desejado parou. Perdi o
interesse pelo trabalho, abandonei o curso universitario que estava fre-
qüentando e comprei urna alianca para afastar possíveis pretendentes.
Desejando manter minha tragedia em segredo, parei de ver as pessoas,
incluindo minha familia, com excecáo de alguns amigos íntimos. Em vez

169
26 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

disso, comecei a freqüentar seminarios sobre AIDS e ¡ngressei em um
grupo de apoio a mulheres soropositivas, onde, urna vez por semana,
éramos incentivadas a compartilhar medos e frustracSes, a falar sobre
eventuais síntomas e a chorar a sorte infame com que fóramos brindadas.
Fui recrutada para a luta pela AIDS, quando urna amiga tentou -
em minha homenagem - trabalhar como voluntaria no AIDS Project Los
Angeles (APLA), mas nao foi aceita. Indignada, porque urna pessoa táo
carinhosa, inteligente e com a melhor das ¡ntencóes tinha sido rejeitada,
levei minha revolta ao conhecimento da lideranca da instituicáo. Em meio
a meu acalorado discurso, fui convidada a integrar o grupo de oradores.
Logo em seguida, estava percorrendo os colegios e as faculdades da
cidade, como urna pessoa a quem o HIV jamáis deveria ter atacado. A
APLA contratou-me para um ano de eventos, antes mesmo de ter termi
nado meu treinamento. Fazia o público rir, chorar e ficar assustado -
parecía a personificacáo do slogan de que todos correm o risco de con-
trair AIDS. Minhas sugestoes para animar um grupo feminino de apoio a
soropositivos, em Los Angeles, me valeram um convite para falar em
nome daquela organizacáo. Isso me levou a um cargo na diretoria de
ainda outro grupo relacionado á AIDS, Women at Risk (Mulheres em risco).
Aproximadamente um ano após meu diagnóstico e servio ao pú
blico, e após ter consultado meia dúzia de médicos especialistas em AIDS
- cujas recomendacóes variavam desde o inicio ¡mediato da terapia com
AZT até urna viagem pelo mundo - encontrei alguém fora do normal en
tre os especialistas: urna médica que nao costumava entupir os pacien
tes com medicamentos tóxicos e prognósticos fatais. Ela me tratou como
pessoa, nao como futuro dado estatístico e, desta forma, percebeu que
eu gozava de boa saúde. Disse-me que eu nao tinha o perfil de urna
doente com AIDS e insistiu para que refizesse o teste. No inicio, recusei
com medo de despertar esperangas. Quando finalmente encontrei cora-
gem para refazer o teste, o resultado foi indefinido. Outros testes levaram
a urna serie de diagnósticos indefinidos e contraditórios - um positivo
seguido de um negativo e de outro positivo.
Confusa, porque minha situacáo pessoal contradizia todas as re-
gras que, táo apaixonadamente, havia apregoado como oradora, bus-
quei ajuda nos grupos de AIDS onde trabalhava. Ao invés de conseguir
respostas, percebi que minhas perguntas nao eram acatadas. Minha insis
tencia nessa linha de investigacáo levava sonriente a explicacoes sem ne-
nhum significado e tive a nítida sensacáo de estar prejudicando os ánimos.
Em minha procura por informacóes, fui além da rede oficial da AIDS.
Encontrei um conjunto de dados científicos, médicos e epidemiológicos
que contrariavam tudo o que havia aprendido sobre AIDS e tudo que
havia énsinado a outros. Quanto mais eu lia, mais me convencía de que

170
"E SE TUPO O QUE VOCÉ OUVIU SOBRE A AIDS ESTIVER ERRADO?" 27

a pesquisa da AIDS havia aderido a um grande movimento de propagan
da política conduzido na direcao errada.

Como ficou claro que as informacóes por mim encontradas - ape-
sar de incentivarem a vida - nao eram bem-vindas ñas organizacóes da
AIDS a que eu pertencia, decidí iniciar a minha própria organizacáo. Em
1995, juntamente com alguns amigos vindos de varios grupos de apoio e
de outros lugares percorridos ao longo do meu caminho, iniciei uma or
ganizacáo que compartilha informacóes vitáis a respeito do HIV e da AIDS
que nao se encontram ñas publicacóes comuns. Um ano mais tarde,
quando tentava escrever uma brochura simples, surgiu a primeira versáo
deste livro. Agora, ao sair a quarta edigáo, já existem edicoes em espa-
nhol, portugués e italiano - e até uma versáo, nao autorizada, em francés.

Nos sete anos desde que recebi minha sentenca de morte, passei
de vítima aterrorizada a ativista da AIDS; depois, a dissidente e a porta-voz
de uma nova visáo do HIV e da AIDS. Nestes últimos cinco anos, o resultado
do meu teste do HIV continuou decididamente positivo, porém desfruto de
saúde perfeita e vivo sem tratamentos farmacéuticos ou medo da AIDS.

Em 1996, conheci um homem maravilhoso com quem vou me ca
sar em breve. Temos um filhinho de dois anos, lindo e saudável, que
nunca teve nem uma simples infeccáo de ouvido e é táo inteligente que
já forma sentencas completas.

Para a maioria das pessoas, o que surpreende é a minha historia
nao ser incomum - conheco centenas de pessoas soropositivas que es-
táo vivas e perfeitamente bem anos após terem ouvido seu próprio prog
nóstico fúnebre. Ao contrario daquilo que se divulga, o que todos tém em
comum nao é alguma característica genética, mas a informacáo que nos
liberta do medo infundado e nos permite abracar nossa capacidade natu
ral de estar bem. Alguns depoimentos - somente a ponta de um iceberg
enorme e totalmente desconhecido - aparecem como anexo neste livro.
Acredito que esses depoimentos compiementam as obras de referencias
e, para alguns leitores, seráo muito mais importantes do que todos os
dados biomédicos e epidemiológicos.

Ao invés de ficar desanimada devido á mentalidade fechada na
rede oficial da AIDS, recebo coragem das cartas e dos e-mails que che-
gam diariamente de pessoas cujas vidas foram afetadas por essa infor
macáo. Recebo fotografías de bebés que nao teriam nascido; agradeci-
mento de pais que nao estáo mais preocupados com os filhos adoles
centes; mensagens de pessoas, antes doentes e sem esperanca, que
recuperaram a saúde e a fé no futuro; depoimentos de soropositivos que
superaram o constante terror e o pressentimento de uma tragedia para
calmamente decidir que o HIV nao iría definir ou limitar suas vidas; notas
de professores agradecidos por aprender que existem opinides críticas e

171
28 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

cartas de estudantes que se sentem traídos pelas campanhas da AIDS,
que moldaram sua visáo do mundo. Eu me emociono com aqueles a
cujas mensagens nao posso responder, porque escondem sua situacáo
de soropositivos; com os desesperados pedidos de ajuda de gestantes e
máes que desejam proteger os filhos dos medicamentos letais; com car
tas de companheiros contando que a informacáo chegou tarde demais
para alguém que amavam e pela coragem com que pessoas lutam, mui-
tas vezes sozinhas, para levar urna vida longa e saudável, apesar daqui-
lo que o mundo inteiro acredita a respeito do HIV. Sou profundamente
grata aos médicos, dentistas, pesquisadores e ativistas que me deram a
informacáo que transformou meu teste positivo em um caminho para aju
da r os outros - e que hoje continuam a apoiar meus esforcos» (páginas
iniciáis nao numeradas).

3. A tese do livro

3.1. Em negativo (pp. 3s)

«Certo ou errado?

1 A AIDS é urna doenca nova.
2 O HIV é a causa da AIDS.
3 O "teste da AIDS" é claro e preciso.
4 O número de infectados pelo HIV aumenta a cada ano.
5 A AIDS é a maior ameaca para a nossa saúde.
6 O risco de pegar AIDS está aumentando entre as mulheres, os
heterossexuais e os adolescentes.
7 O continente africano está sendo devastado pela AIDS.
8 Novos medicamentos sao responsáveis pelo declínio da AIDS.
9 O HIV causa AIDS anos após a infeccáo.
10 Sem interven cao médica, gestantes soropositivas transmitem
AIDS a seus filhos.

Todas as 10 declaracóes sao

falsas

Surpreso?

A maioria de nossas nocóes sobre o HIV
e a AIDS baseia-se em crencas,
com pouca ou nenhuma base científica».

3.2. Em termos positivos

«Contrariamente á crenca popular, a AIDS nao é nova e nao é urna
doenca. AIDS é um novo nome que o CDC, Centers for Disease Control,

172
"E SE TUPO O QUE VOCÉ OUVIU SOBRE A AIDS ESTIVER ERRADO? 29

deu para um conjunto de 29 doencas e síntomas conhecidos, entre eles
candidíase, herpes, diarréia, alguns tipos de pneumonía e de cáncer,
salmonelose e tuberculose.1 Essas doencas sao chamadas de AIDS so-
mente quando acometem uma pessoa que também apresenta anticorpos
que se alega estarem relacionados com o HIV.

Uma pessoa é considerada paciente de AIDS se tiver uma ou mais
das 29 doencas ou síntomas que oficialmente definem a AIDS e, ao mes-
mo tempo, seu teste for positivo para anticorpos associados com o HIV.
Em outras palavras, a pneumonía em uma pessoa soropositiva é AIDS,
mas a mesma pneumonía no soronegativo é uma pneumonía. As mani-
festacóes clínicas e síntomas da pneumonía podem ser idénticas, mas
uma é chamada de AIDS, enquanto a outra é apenas pneumonía.

Fórmula da AIDS

Pneumonía + Teste HIV positivo = AIDS

Pneumonía + Teste HIV negativo = Pneumonía

Tuberculose + Teste HIV positivo = AIDS

Tuberculose + Teste HIV negativo = Tuberculose

Esta fórmula cria a ilusáo de uma perfeita
correlacáo entre o HIV e a AIDS

Nenhuma das 29 doencas da AIDS é nova, nenhuma aparece ex
clusivamente em pessoas soropositivas e todas tém causa e tratamento
comprovados, nao relacionados ao HIV. Antes do CDC criar a categoría
AIDS, essas 29 doencas e síntomas antigos nao eram atribuidos a uma
causa única e comum» (p. 5).

3.3. Onde está o HIV?

"A existencia do HIV ainda nao foi comprovada de forma convin
cente; ele nunca foi ¡solado" (p. 9).

"De acordó com diversos dentistas, o HIV, diferentemente de ou-
tros virus, nunca foi ¡solado como partícula estável independente. Esses
cientistas afirmam que fotografías por microscopio eletrónico ou
micrografias de todos os HIV ¡solados, feitas inicialmente por Gallo e
depois por outros pesquisadores da AIDS, mostram partículas que pare-
cem retrovirus juntamente com partículas de outros microbios que clara
mente nao sao virus, e que, entre estes, o material que se parece com

1 «Linfoma, diarréia, demencia, candidíase, neuropatía, náuseas, emagrecimento,
destruigáo da medula óssea e murtas outras condigóes que definem ou estáo asso
ciados á AIDS estáo entre os efeitos dos medicamentos prescritos para tratara AIDS»
(p. 71).

173
30 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

retrovirus, chamado de HIV, é observado somente em culturas de células
que foram estimuladas por certas substancias químicas" (p. 44).

3.4. Como recuperar-se?

«Um programa de recuperacáo em linhas gerais incluí:

> Encarregue-se vocé mesmo(a) de sua recuperacáo.

> Livre-se da idéia de que AIDS significa morte. Há muita literatu
ra sobre o assunto; procure informar-se.

> Identifique e elimine todos os riscos de saúde.

> Desintoxique corpo e mente (nenhuma droga, nenhum cigarro,
nenhum medicamento tóxico como AZT e coquetéis).

> Adote urna alimentacao saudável (evite alimentos industrializa
dos e procure os mais naturais possíveis).

> Pratique exercícios regularmente.

> Reduza o estresse e procure dormir o suficiente.

> Tenha fé firme de que a saúde vai retornar» (p. 74).

4. Depoimentos

A autora do livro colecionou numerosos depoimentos que favore-
cem sua tese:

Pp. 66s:

"AIDS nao é urna nova doenga. AIDS é o triunfo da política sobre a
ciencia".
Michael Fumento, autor do livro The Myth of
Heterosexual AIDS, 1990

"Talvez encarasse isso de forma diferente, se achasse que as pes-
soas estao morrendo de AIDS. Mas nao acho. Pensó que estáo morren-
do por causa de urna medicina ruim, medicamentos ruins, atitudes ruins.
Nada existe que eu queira do 'Grande Pai' - nao quero seus medicamen
tos, suas leis, sua aprovacáo".
Gevin Dillard, soropositivo desde 1985, autor do livro In the
Flesh, San Francisco Frontiers, 20 de maio de 1999

"O que importa é largar os medicamentos. Enquanto os tomava,
sentia que estava perdendo a qualidade de vida".
Greg Louganis, soropositivo, Medalha de Ouro ñas Olimpíadas
The State, 15 de abril de 1997

"Como cientista que estuda a AIDS há 16 anos, concluí que a AIDS
tem pouco a ver com ciencia; nem sequer é primeiramente urna questáo

174
"E SE TUPO O QUE VOCÉ OUVIU SOBRE A AIDS ESTIVER ERRADO?" 31

médica. A AIDS é um fenómeno sociológico, consolidado pelo medo,
criando urna especie de macarihismo médico que transgrediu e derrubou
todas as regras da ciencia, enganou um público vulnerável com urna mis
tura de crenca e pseudociéncia".
Dr. Davis Rasnick, designer de inibidores de protease,
revista SPIN, junho de 1997

"Considerando que nao há comprovacio científica de que o HIV
seja a causa da AIDS, será ético aceitar AZT, um medicamento extrema
mente tóxico - desenvolvido há 30 anos como quimioterápico contra o
cáncer - a 150.000 americanos, entre eles gestantes e recém-nascidos,
como medicamento contra o HIV?".
Deputado Gil Gutknecht, Cámara dos Deputados dos EEUU, em carta
ao diretor do NIAID, Dr. Anthony Fauci, 14 de marco de 1995

Pp. 102-105:

"Fui informado em 1986 de que meu teste do HIV era positivo. Creio
que fui infectado dois anos antes; portante tenho 'convivido com o HIV
há pelo menos 15 anos. Quatro anos atrás, ou seja, nove anos após ter
recebido minha sentenca de morte, finalmente reconheci um fato incon-
testável sobre a minha vida. Sem quaiquer tratamento médico, sem nenhum
medicamento 'anti-retroviral', eu nao estava nem a) doente nem b) morto.

Os caminhos da minha vida mudaram minha firme conviecáo de
que o HIV provoca AIDS. Passei a acreditar que o sistema imunológico
pode ser fortalecido com alternativas nao tóxicas aos medicamentos anti-
retrovirais e, hoje, questiono se o HIV realmente causa AIDS. A evolucáo
desse meu raciocinio sobre o HIV e a AIDS é resultado direto de minha
experiencia pessoal. Sei que a nocao de que o HIV talvez nao seja o
causador da AIDS pode desnortear muita gente. Nao estou levantando
esta questáo apenas para provocar. A possibilidade de que um erro tre
mendo tenha sido cometido me deixa muito angustiado.

A maior irania é que minha historia é positiva, embora eu quase
tenha vergonha de confessar isso. Será esse tema um tabú? Discutir que
nao morri de AIDS? Mas nao posso resistir - tenho que dizer. Esses
últimos quatro anos, depois que aprendí a nao ter medo, foram os melho-
res anos de minha vida, em que tenho sentido o prazer de viver".
David Fink, San Francisco, California

"Quando meu teste de AIDS deu positivo em 1988, disseram que
eu só tinha tres anos de vida. Doze anos mais tarde, passo muito bem,
obrigada. Nunca tomei quaiquer remedio contra a AIDS, embora me te-
nham recomendado - e até foreado a tomar.

Durante todo esse tempo, guarde! segredo sobre a minha condi-
cáo de soropositiva. Revelei somente a pessoas que realmente precisa-

175
32 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

vam saber. E essa revelacáo foi sempre um inferno. O HIV destruiu mi
nha vida e muitos de meus relacionamentos. Quando descobri que havia
fatos sobre o HIV e a AIDS que eu desconhecia, minha vida mudou. Hoje
eu estou mais aberta e ajudo outros a conhecer suas opcóes.

Em 1996, casei - cinco anos depois que eu deveria ter morrido!
Estou cheia de vida e saudável e gostaria que as pessoas, para variar,
me ouvissem e a outras pessoas como eu. O que realmente mata as
pessoas com teste positivo é o medo e o isolamento. Acredito plenamen
te que a hipótese HIV = AIDS agride nosso direito á vida e á liberdade e
que a verdadeira epidemia é a ignorancia".
Michele M., Monterey, California

"Em 1985, eu tinha 25 anos e, de tanto anunciarem a 'epidemia da
AIDS', resolví fazer o teste. O resultado foi positivo. Repetí o teste e o
resultado foi o mesmo. Como tinha ouvido falar e lido que o virus podía
permanecer ¡nativo por muito tempo, decido comer bem, fazer exercíci-
os, tomar vitaminas e limitar o 'sexo de risco'. No entanto, meu instinto
me dizia que alguma coisa nao combinava com a AIDS e resolví logo nao
aceitar o virus como prejudicial á minha saúde.

Durante esses anos, continuei vivendo quase como se a AIDS nao
existisse, mas, mesmo assim, continuei a colher informacóes de varias
fontes. Nao costumo usar medicamentos e nunca tomo injecoes contra
gripe. Raramente consulto um clínico geral; procuro um homeópata para
resolver urna coisinha ou outra que as vezes surge. Tive herpes-zóser
tres vezes devido ao estresse no trabalho, mas curei-me logo. Nao tomo
nem aspirina, já que dificiimente tenho dor de cabeca. Até hoje, nunca fui
internado em hospital e nao usei nenhum dos medicamentos que supos-
tamente controlam ou eliminam o HIV".
Cirilo Juárez, Los Angeles, California

"Fui diagnosticada como soropositiva em 1989 e tenho vivido com
boa saúde nesses últimos dez anos, mesmo sem tomar medicamentos -
o que até hoje deixa as pessoas chocadas, embora eu esteja sempre
muito bem. Depois de ver meus amigos que seguiam a terapia com me
dicamentos contra AIDS ficarem doentes e morrer, cheguei á conclusáo
de que os medicamentos contra o HIV sao um veneno e vocé nao pode
se envenenar para voltar a ter saúde. Aprendí a nao fazer nada 'contra o
HIV. Em vez disso, procuro ter saúde".
Kim Freitas, Los Angeles, California

No final do livro lé-se:

"Este livro é dedicado á memoria daqueles que morreram sem
esperanca, e ao futuro dos que poderao viver sem medo" (p. 135).

176
Ajuda oportuna:

"A BATALHA PELA N0RMAL1DADE SEXUAL"
por Gerard van den Aardweg

Em síntese: O autor é Ph.D. em Psicología pela Universidade de
Amsterdam (Holanda) e escreve na base de mais de trinta anos de tera
pia com homossexuais. Julga que a homossexualidade nao é normal,
nao podendo ser tida como "o terceiro sexo". Nao se deve a genes nem a
fatores hereditarios, mas tem geralmente sua origem em falhas da edu-
cagáo ministrada a um menino ou a urna menina, que cria em si o com
plexo de inferioridade em relagáo aos individuos do mesmo sexo; dai
querer o menino comportarse como menina e vice-versa. O autor da
obra procura propor pistas que contribuam para a recuperagáo da pes-
soa homossexual ou lésbica: diríjase a um bom terapeuta; tome consci-
éncia de que há um tanto de infantilidade em suas tendencias homosse
xuais; aplique a vontade para combater o ego infantil; seja perseverante
na luta; se religioso(a), recorra á oragáo e a ascese, pois se pode crer
que é da vontade de Deus a normalizagáo sexual do individuo atetado.
* * •

Gerard van den Aardweg é Ph.D. em Psicología pela Universidade
de Amsterdam. Exerceu a psicoterapia desde 1963 na Holanda por mais
de trinta anos, especializando-se no tratamento da homossexualidade.
Entre as suas diversas obras, está o livro "A Batalha pela Normalidade
Sexual"1, que pretende levar ajuda as pessoas que sofrem problemas de
sexualidade. A obra tem valor científico, bem documentada como é, e
divide-se em duas partes: 1) O conceito de homossexualismo; 2) Recur
sos terapéuticos.

Ñas páginas subseqüentes seráo expostas as principáis linhas
doutrinárias da obra.

1. Homossexualismo: conceito

O autor é categórico ao afirmar que o. homossexualismo nao é algo
de normal. A anormalidade caracteriza-se por traeos típicos:

1.1. Linhas características

Eis as tres iinhas características apontadas por van den Aardweg:

1 Traducao de Orlando dos Reís. - Ed. Santuario, Aparecida 2000, 140 x 210mm,
157pp.

177
34 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

a) O homossexual sofre de um complexo de inferioridade sexu
al; fica sendo uma criarla ou um adolescente - atitude esta que os psi
cólogos classificam como infantilismo psíquico:

"A personalidade do homossexual é, em parte, a de uma crianga
(ou de um adolescente). Esse fenómeno é conhecido como 'a crianga
que se queixa no íntimo'. Alguns homossexuais permaneceram
emotivamente adolescentes em quase todas as áreas do comportamen
to; na maiorparte, a 'crianga' alterna com o adulto dentro deles, depen-
dendo do lugar e das circunstancias.

As maneiras de pensar, de sentir e de comportarse típicas de um
adolescente que se senté inferior sao observáveis no adulto homossexu
al. Ele permanece - em parte - o pobre solitario indefeso que fora na
puberdade: o menino tímido, nervoso, apegado, abandonado, sociaimente
difícil, que se senté rejeitado por seu pai e companheiros por causa de
sua feiúra (vesgo, de labios leporinos, ou pequeños, por exemplo, vé-se
como o oposto da beleza masculina); o menino mimado que se auto-
admira; o menino efeminado, arrogante, vaidoso; ou o menino intrometi-
do, exigente e ainda poltráo; e assim por diante. Fica preservada toda a
personalidade do menino, ou menina, no tempo de sua infancia. Isso ex
plica as características de comportamento como a tagarelice infantil de
alguns homossexuais masculinos, seus hábitos de fraqueza, a ingenui-
dade, o modo narcisista de cuidar do corpo, o modo de falar etc. A lésbica
pode permanecer a menina magoada, rebelde, levada, a menina mando
na orientada pelos hábitos imitados de auto-afirmagáo masculina, ou a
menina eternamente injustigada, mal-humorada, cuja máe nao tem 'o
mínimo interesse por ela', etc. O adolescente explica o adulto. E tudo ai
está ainda: modo de se ver, de ver os pais e os outros" (pp. 64s).

b) Autodramatizacáo e autocompaixáo: «Como observamos áci
ma, um modo comum de se ver éodo "pobre de mim" injustigado, rejeita
do. Por isso, os homossexuais fácilmente se sentem insultados, vivem a
"cata de injustigas", como o psiquiatra Bergler táo bem colocou, e estáo
sujeitos a verem-se como vítimas. Isso explica a manifesta
autodramatizagáo dos militantes, que exploram hábilmente sua neurose
para obter o apoto público. Apegados á sua autocompaixáo, sao interna
mente (ou manifestamente) queixosos, ou queixosos crónicos muitas
vezes. A autocompaixáo e o protesto nao estáo distantes entre si. Certa
rebeldía e hostilidade íntimas (ou manifestas) com os outros que os tra-
tam injustamente e com a "sociedade" e um determinado cinismo sao
típicos de muitos homossexuais.

Esse fato está diretamente ligado á dificuldade que tem o homos
sexual de amar. Seu complexo dirige sua atengao a si mesmo; procura
atengao e amor, reconhecimento e admlragáo para si mesmo, como uma

178
"A BATALHA PELA NORMALIDADE SEXUAL" 35

enanca. O centrarse no eu impede sua capacidade de amar, de interés-
sar-se realmente pelos outros, de assumir responsabilidade por outros,
de dar e servir (algumas maneiras de servir, de fato, sao expedientes
para obter atencáo e aprovagáo)... 'A metade do género humano - a
metade feminina - nao existia para mim até há pouco', disse certa vez um
cliente homossexual. Ele tinha visto as mulheres como figuras da máe
carinhosa, como ceños homossexuais casados as vezes véem, ou como
rivais em sua caga da afeigáo masculina. Viver ligado a urna mulher de
sua idade pode ser urna ameaga a um homossexual masculino, porque
se senté como um menino que nao está a altura do papel masculino em
relagáo as mulheres adultas... As mulheres lésbicas podem ver os ho~
mens também como seus rivais: podem querer um mundo sem homens;
os homens fazem-nas sentirse inseguras e tiram do meio délas suas
possiveis amigas como mulheres» (pp. 65-67).

c) Neurose. «O termo 'neurótico' descreve bem tais relagoes. Su-
gere o egocentrismo da relagáo; a procura de atengáo em vez do amor;
as continuas tensdes, que geralmente nascem da continua lamentagao:
'Vocé nao me ama'; o ciúme, que tantas vezes langa a suspeita: 'Ele (ela)
está mais interessado(a) em outra pessoa'. Neurótico, em suma, sugere
todos os tipos de dramas e conflitos infantis como também o desinteres-
se básico no parceiro, nao obstante as vagas pretensóes de 'amor'. Nao
existe maior autodecepgáo no homossexual do que na representagáo
que ele faz de si mesmo. Um parceiro só é interessante para o outro na
medida em que satisfaz aquilo de que o outro necessita. O amor real,
desinteressado por um parceiro desejado, de fato acabaría destruindo o
'amor' homossexual! As unióes homossexuais sao relagoes apegadas
de dois 'pobres coitados' absorvidos essencialmente em si mesmos... A
insatisfagáo subjacente ao estilo de vida homossexual evidenciase no
elevado índice de suicidios entre homossexuais 'assumidos'. Freqüente-
mente, o lobby dos gays dramatiza os 'conflitos de consciéncia', a 'sitúa-
gao de emergencia psíquica' em que os homossexuais seriam langados
por aqueles que declaram que a homossexualidade é imoral ou neuróti
ca. Podem estar sendo levados ao suicidio» (pp. 62s).

1.2. Homossexualismo: causas

Gerard van den Aardweg nao é favorável á tese de que o
homossexualismo seja devido a fatores biológicos, genéticos e hereditarios:

"Se algum fator biológico fosse descoberto como estreitamente re
lacionado com a homossexualidade, isso nao seria argumento em favor
da sua normalidade. Nem seria necessariamente urna causa direta...
Entretanto, ainda é um grande 'se'. As evidencias todas no campo bio
lógico mostram urna causalidade nao fisiológica, nao biológica" (pp. 23s).
O autor da obra em foco julga que o homossexualismo tem sua

179
36 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

explicacáo em falhas da educacáo por parte de pa¡ ou máe como tam-
bém no relacionamento com colegas e companhe¡ro(a)s de infancia ou
adolescencia. Eis o que escreve as pp. 35s:

«Muitos homossexuais, por exemplo, tiveram urna máe
superprotetora, ansiosa, preocupada, ou dominadora, ou que os admirou
ou mimou excessivamente. Seu fiiho era 'o bom menino', 'o menino obe
diente', 'o menino bem-comportado', e muitas vezes um menino psicoló
gicamente retardado em seu desenvolvimento, sempre visto como 'um
bebé'por um período excessivamente longo. E o futuro homossexual mas
culino em parte permaneceu esse filhinho da mamáe. Porém, urna máe
dominadora, que vé em seu filho um 'homem de fato' e quer torná-lo um
homem, nao há de produzir um 'efeminado'. O mesmo se aplica á relagáo
pai-filha. É a máe dominadora (superprotetora, superansiosa etc.) que
nao soube como fazer um homem de seu menino, que sem querer contri-
buiu para a sua malformagáo psicológica. Muitas vezes, nao teve a idéia
certa do que significa fazer um homem de um menino, talvez por faltar
bons exemplos em sua familia. Ficou ansiosa em fazer dele um modelo
de menino bem comportado ou em prendé-lo a si ao ficarsozinha e muito
insegura (como a máe que manteve o filho em sua cama até a idade dos
doze anos).

Em suma, o estudo da homossexualidade revela a importancia de
os pais terem nogóes e hábitos sadios com relagáo á masculinidade e a
feminilidade. Na maior parte dos casos, entretanto, é a combinagáo de
atitudes de ambos os pais que prepara o terreno para um desenvolvi
mento homossexual».

2. Como tratar o problema?

Se a homossexualidade é um desvio que nao pode ser considera
do normal, é lógico que o psicólogo se interesse por ajudar seu paciente
a evitar a prática homossexual ou mesmo a livrar-se por completo da
tendencia anormal. O Dr. van den Aardweg julga que em certa porcenta-
gem é possível a plena recuperacáo do paciente.

Para tanto propóe os seguintes recursos:

2.1. Procurar um bom terapeuta

"Ninguém pode seguir este caminho (da recuperagáo) sozinho...
Muitos psicoterapeutas nao estáo qualificados para ajudar homossexu
ais a superar seu complexo porque... carregam o preconceito de que nada
se possa ou se deva fazer a respeito... O terapeuta deve possuir urna boa
inteligencia e ser eficiente em estabelecer urna relagáo de simpatía com
o necessitado. Ácima de tudo, terá urna personalidade equilibrada e eos-
turnes moráis sadios" (p. 91).

180
"A BATALHA PELA NORMALIDADE SEXUAL" 37

2.2. Tomada de consciéncia

Tome consciéncia de que o homossexualismo é uma deformacáo
da personalidade. Essa tomada de consciéncia é indispensável para que
o paciente colabore com o seu psicoterapeuta; esteja convencido de que
deve procurar modificar seus costumes ou mesmo suas tendencias. O
Dr. van den Aardweg é incisivo a propósito:

"Uma ajuda importante é ver como sao infantis esses contatos
homoeróticos - na realidade ou na fantasía. Procure perceber em tais
anseios que vocé nao é uma pessoa madura, responsável, mas uma cri-
anga que quer mimarse a si mesma, ter afeigáo e prazer sensual para si
mesma. Compreenda que isso nao é amor real, mas a busca de si, em
que o parceiro é mais objeto de prazer do que uma pessoa" (pp. 125s).

"Os pequeños hábitos de mimarse devem mudar, como o do ho-
mossexual masculino que sempre calgava seus chínelos macios quando
safa para uma visita, porque pareciam táo confortáveis para seus pés
(talvez seja um pouco desrespeitoso, mas este é um exemplo típico de
alguém que parece uma velha ou um efeminado). Um outro homem deve
parar de concentrarse excessivamente em seu hobby de costurar ou
fazer arranjos com flores, quando percebe que gosta dessas atividades
como uma crianga o faria, como um menino delicado mergulhado em sua
natureza meio-feminina" (p. 137).

2.3. Autodisciplina e forca de vontade:

"Para a maioria das pessoas a autodisciplina diz respeito a coisas
triviais como: acordar na hora certa, ter hábitos regulares de cuidados
com o corpo, alimentagáo, vestuario, cábelos; ter ordem razoável nos
pequeños assuntos da vida e do trabalho de cada dia, nao adiar tarefas
ou negocios que meregam prioridade; planejar o dia (a grosso modo, nao
meticulosa ou obsessivamente), as diversóes, a vida social. Se existirem
pontos de autodisciplina incertos ou ausentes, anote-os e comece traba-
Ihando com eles. Muitas pessoas inclinadas ao homossexualismo tém
dificuldade com alguma forma de autodisciplina. Nao dará devida impor
tancia a esses problemas, esperando uma cura emocional que resolva
todo o resto, é loucura. Nenhuma (auto)terapia pode ter algum éxito
satisfatório, se for negligenciada essa dimensáo terra-a-terra da
autodisciplina. Invente métodos simples para seus pontos fracos carac
terísticos. Comece com uma ou duas áreas de autodisciplina deficiente;
quando melhorarem, o resto seguirá mais fácilmente" (p. 112).

"O homossexual deve atingir uma plena decisao da vontade: nao
deve deixar nenhum espago a nenhum desses impulsos homossexuais.
Ele deve crescer gradativamente nesta decisao...

181
38 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

Na grande maioria dos casos em que um homossexual tem boa
vontade; mas tem pouco sucesso, isso é devido a urna vontade que nao
está completamente decidida; por essa razáo, é incapaz de combater
vigorosamente e estará inclinada a criticar a forga de sua orientagáo ho
mossexual ou as circunstancias desses magros resultados e nao o cara-
ter incompleto de sua decisáo. Depois de varios dias de relativo sucesso
e recaídas periódicas em fantasía homossexual, um homossexual mas
culino descobriu que nunca desejara plena e realmente ficar livre de seu
prazer. 'Agora é claro para mim por que tinha sido táo difícil. Quisera a
minha cura, certamente, mas nao cemporcento'. A prímeira batalha por isso
é esforgar-se por ter urna vontade purificada. Urna vez alcangado isso, deve-
se renovar esta decisáo de forma regular, de modo que se torne estávei, um
hábito. Caso contrarío, a decisáo novamente se enfraquecerá" (p. 124).

2.4. Orapáo

"O bom cristáo também deve recorrer á oragáo. A oragáo pode ser
a coisa mais eficiente na superagáo das fantasías sexuais e dos impul
sos de masturbagáo. Isso, porém, nao excluí a luta pela vontade de que
falamos ácima. Em primeiro lugar, porque nao deve ser oragáo em geral,
mas oragáo nos momentos cruciais, quando os impulsos se apresentam.
Urna observagáo interessante que pode ser feita aquí é que muitas pes-
soas religiosas com complexo homossexual, embora rezem em outras
horas, recusam-se a orarjustamente no momento da tentagao. Orarnestas
circunstancias requer um esforgo da vontade. Se este for feito, e a pessoa
procurar com sinceridade aplicar os métodos disponíveis, embora ainda se
sinta incapaz de superar um forte ímpeto a estar com o companheiro, a mas-
turbar-se, a tolerar sonhos acordados homoeróticos, perceberá que urna
oragáo honesta com a estrutura mental de um fílho que se dirige ao bom Pai
nao o deixará sucumbir. Quem realmente procura fazer o que pode e entáo
sinceramente pede ajuda, experimenta-a de modo sutil, mas sem falta.

Um bom católico também poderá recorrerá Santíssima Virgem, cuja
intercessáo junto de Deus é particularmente eficaz em materia de casti-
dade, aos santos e ao anjo da guarda. Ele será internamente fortalecido
pelos sacramentos da confissao e da Eucaristía" (p. 129).

3. Conclusáo

A voz do Dr. van den Aardweg é baseada em serios estudos (que a
ampia bibliografía indicada no livro parece comprovar) e em longa expe
riencia. Ela soa em tom diverso do de quantos pensam em reconhecer o
homossexualismo como normal e legal. Merece considerado. O próprio
Dr. van den Aardweg escreve:

"Muitos dos que iniciam o tratamento de sua homossexualidade,
bem como outras pessoas interessadas, estáo ansiosos por saber a por-
centagem de curas ...De acordó com minha experiencia, cerca de 10 a

182
"A BATALHA PELA NORMALIDADE SEXUAL" 39

15% de todos os que iniciam o tratamento (30% interrompem-no depois
de alguns meses) recuperam-se radicalmente. Isto é, após anos de trata
mento, nao tém mais sentimentos homossexuais e sao normáis em sua
heterossexualidade; sua mudanga aprofunda-se cada vez mais com o
correr dos anos...

A maior parte dos que tentam praticar regularmente os métodos
propostos, melhoram segundo avaliagáo feita após varios anos de trata
mento (urna media de tres a cinco anos). Seus desejos e fantasías ho
mossexuais perdem forga e desaparecem; a heterossexualidade surge
ou é consideravelmente fortalecida e suas personalidades tornam-se
menos neuróticas. Alguns, nao todos, sofrem recaídas ocasionáis (sob
stress, por exemplo) em suas antigás representagóes homossexuais,
mas, se voltam á luta, a recaída nao dura muito" (p. 10).

Biblia do Peregrino- Novo Testamento, por Luís Alonso Schókel.
- Ed. Paulus, Sao Paulo 2000.

O texto do Novo Testamento foi traduzido dos origináis gregos para
o espanholpelo Pe. Luís Alonso Schókel, renomado professor de Exegese
Bíblica no Pontificio Instituto Bíblico de Roma; o mesmo redigiu as notas,
as introdugóes e o vocabulario que acompanham o texto bíblico. A obra
foi traduzida do espanhol para o portugués por biblistas do Brasil: Ivo
Storniolo, José Bortolini e Pe. José Raimundo Vidigal.

O que há de valioso nessa edigáo do Novo Testamento, é a moldu
ra do texto, ou seja, as notas de roda-pé, que de ceño modo oferecem o
comentario de cada secgáo ou até cada versículo, possibilitando o apro-
fundamento da mensagem; sao interessantes também as introdugóes
(cada livro é apresentado com suas notas características) e o Vocabulario.

Todavía a tradugáo do texto sagrado deixa a desejar:

- em 1Pd5, 1, Sao Pedro é dito "colega" dos andaos (tradugáo de
sympresbyteros);

- em vez de "reino de Deus", lé-se constantemente "reinado de
Deus"-o que nao é a mesma coisa. "Reino" é a monarquía, o ámbito, o
dominio, ao passo que "reinado" significa o tempo de governo de um reí
(ver Aurelio);

- em Mt 25, 1 a palavra parthénoi é traduzida por mogas, quando
se poderia esperar "virgens" (segundo o original);

- em Rm 1, 17 a sentenga de S. Paulo é contomada de maneira
nao justificada. A expressao "de fé em fé" vem a ser "exclusivamente pela
fé"; por qué? A tradugáo de Hab 2, 4é ambigua.
(Continua na p. 167)

183
Novidade estranha:

TRABALHADORES DO SEXO?

Em síntese: As autoridades governamentais tencionam reconhe-
cera categoría dos "trabalhadores do sexo (prostitutas e stríppers)". Desta
forma oficializar-se-á urna prática degradante para a sociedade brasileira
e profundamente humilhante para as pessoas que se dedicam a tal tipo
de "trabalho", como se depreende dos dois artigos postos em anexo a
noticia do jornal O GLOBO de 10/12/00.
* * *

As autoridades governamentais tencionam legalizar a classe dos
"trabalhadores do sexo" - o que certamente merece comentarios críti
cos, visto que assim se oficializará no Brasil a degradacao e a humilha-
cáo da pessoa humana. Mais oportuna seria a atitude governamental de
procurar emancipar da degradacao sexual as pessoas que se véem
constrangidas e adotar tal mísero modo de sobreviver.

A seguir, vai publicado um pequeño acervo de noticias a respeito.
1. A noticia da imprensa

Eis o que publicou o jornal O GLOBO em sua edicáo de 10/12/00,
p. 39:

«NOVO CATÁLOGO INCLUIRÁ TRABALHADORES DO SEXO

• Brasilia. A versáo atualizada do 'Catálogo Brasileiro de Ocupa-
coes1 trará atividades sob novas denominacóes. Urna délas, por exem-
plo, passará a ser reconhecida na categoría de trabalhadores do sexo.

Segundo a gerente Claudia Paiva, prostitutas e stríppers estaráo
catalogados pela primeira vez. Atualmente, eles podem ter carteira de
trabalho assinada, mas nunca com a profissáo que de fato exercem.

A inclusáo atende a um pedido dos países do Mercosul, que tam-
bém estáo fazendo as suas listas de profissoes.

A inclusáo desses oficios no catálogo vai, segundo o Ministerio do
Trabalho, facilitar a vida dos profissionais do ramo, criando parámetros
que sirvam para a reivindicacáo de aumentos salariáis e formalizacáo
desses empregos.

Hoje, o catálogo abriga categorías menos polémicas, mas nao
menos exóticas, como calandrísta de papel, macheiro, tanoeiro (faz bar-

184
TRABALHADORES DO SEXO? 41

ris) e clicherista (gráfico que se ocupa de clichés). Macheiro é quem fa
brica, á máquina, moldes para fundicáo de metal. (V.O. e E.V.)»

2. Dois comentarios

Á guisa de comentario, seguem-se dois artigos extraídos do jornal
INTERPRENSA, edicáo de dezembro 2000, pp. 4 e 3 respectivamente:

«O MUNDO REAL DA PROSTITUICÁO
Eduardo Gama

O relativismo e até a glamourízagáo com que a atividade vem
sendo tratada nao corresponde a realidade

No dia 23 de outubro, a revista Época iniciou urna serie de reporta-
gens intitulada As Prostitutas do sáculo 20. Frases como 'ser prostituta é
revolucionario1 ou 'se nao fossem as prostitutas, este país estaría perdi
do', ditas por 'profissionais' do sexo, pretendem glamourizar a prostitui-
cáo.

A investida iniciou-se com a polémica em torno da personagem
Capitu, da novela global Lagos de Familia. Em 25 de setembro, a mesma
Época publicou urna materia que comecava com a seguinte frase: 'A nova
heroína brasileira é urna prostituta'. Em seguida, ressaltava que a prosti-
tuicao acabava tornando-se um caminho para as garotas que nao conse-
guiam emprego. Capitu ganha R$ 15 mil por mes, com os quais paga a
faculdade, a creche de élite do filho e os gastos da casa. E mais: o autor
da novela, Manoel Carlos, adianta que 'talvez Capitu consiga sair dessa
vida e dedicar-se á profissáo de jomalista'. Some-se a isso o velho bor-
dáo de que a ficcáo reproduz a realidade e temos urna visao completa
mente distorcida do que é a prostituicáo.

Dados da prostituicáo

No dia 12 de abril, a revista Veja publicou um estudo da Faculdade
de Ciencias Humanas da Fundacao Mineira de Educacáo e Cultura
(Fumec), realizado com 7 mil prostitutas residentes em Belo Horizonte.

Com base nos dados obtidos e em projecoes, calculou-se que o
número de prostitutas no Brasil é de aproximadamente 1,5 milháo. Des-
se total, cerca de 120 mil enquadram-se nos rendimentos da persona
gem Capitu, ou seja, 8% do total (veja quadro). A principal razáo alegada
por urna garota para entrar neste ramo é a questáo financeira. Mais da
metade das prostitutas disseram que nao deixam a ocupacáo por causa
do dinheiro que ela proporciona. O total de faturamento da industria do
sexo no ano passado foi de R$ 500 milhóes.

185
42 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

O estudo também revelou que a maioria, 70%, tem apenas o pri-
meiro grau completo e 2% terminaram o curso superior. Os números mos-
tram que casos como o da personagem da novela sao raros e mostram
apenas urna face deste mundo.

Segundo os estudos da Fumec, 76% das prostitutas entrevistadas
apresentam síntomas de depressáo, 59%, de stress crónico e 36% de-
clararam já ter pensado em suicidio aiguma vez desde que entraram nesse
ramo. Se o objetivo das recentes publicacoes sobre o assunto era retra
tar a realidade, dados como estes nao poderiam ser omitidos. No Brasil,
a maioria do público das novelas é das classes C e D, mais atingidas
pelo desemprego. Capitu, por ser jovem, bela e de bem com a vida, tor-
nou-se um exemplo para jovens que passam por dificuldades económi
cas.

Um mundo perigoso

Mas o mundo da prostituicáo é bem diferente do retratado ñas no
velas. Em materia publicada por O Estado de S. Paulo, em 1996, urna
ex-prostituta contou a sua historia. Ela declarou que sofreu muita violen
cia dos clientes e decidiu abandonar o ramo quando teve tres dentes
quebrados por um homem drogado. Ela comecou a freqüentar o Servico
á Mulher Marginalizada, órgáo ligado á Arquidiocese de Sao Paulo. Tra-
balhou em telemarketing e hoje pretende formar-se em enfermagem: 'Des-
cobri que a minha vocacáo é cuidar das pessoas', disse a ex-prostituta.

Urna voluntaria do Servico á Mulher Marginalizada, lisa Souza, dis
se que 'absolutamente todas as mulheres (que se prostituíram) esperam
o príncipe encantado que vai tirá-la das rúas, com quem váo casar-se, ter
filhos lindos e morar em um castelo, ou, pelo menos, em urna casa pró-
pria'.

0 perfil da prostituicáo

Escolarídade Renda mensal
4% Analfabetas 12% AtéR$ 136,00
70% Ensino fundamental 35% Entre R$ 136,00 e R$ 180,00
24% Ensino medio 25% Entre R$ 180,00 e R$ 1.360,00
2% Ensino superior 20% Entre R$ 1.360,00 e R$ 2.720,00
8% Ácima de R$ 2.720,00

Fonte: Faculdade de Ciencias Humanas - Fumec»

186
trabalhadores do sexo? 43

«Crianzas na passarela

Urna das formas mais usuais e menos combatidas de trabalho in
fantil é a moda. A idade media das garotas que participaran! do último
concurso promovido pela Agencia Élite, em novembro, foi de 13 anos. A
vencedora, Renata Klen, tem 14 anos.

Vindas de diversas partes do país, muitas vezes do interior, as
meninas sao obrigadas a deixar os estudos em segundo plano, quando
nao a abandoná-los. Andiara Loeffler, que participou do concurso pela
primeira vez aos 11 anos e chegou ao primeiro lugar no ano passado,
declarou, na época do concurso, que só estava conseguindo assistir a
duas aulas por semana: 'Se precisar, depois faco um supletivo'.

Além de deixar de lado a escola, as jovens modelos de outros Es
tados que vém a Sao Paulo normalmente vivem em condicóes precarias.
Juliana, também participante do concurso da Élite, mora com mais doze
garotas em um apartamento de dois quartos. Este novo estilo de vida faz
com que elas tenham vontade de voltar para a sua térra natal. Mas há
empecilhos: 'Minha máe me mata, se eu voltar', diz. 'Sou o orgulho da
cidade (Sao José do Cedro), todo mundo fala de mim e eu saio nos jor-
nais. Fico com medo de decepcionar as pessoas1.

O sustento da familia

Urna modelo em inicio de carreira ganha muito pouco, já que a
agencia cobra todos os servicos que presta: royalties de 20% sobre o
agenciamento, passagens aéreas, o book {livro de fotografías que é o
'cartáo de visitas1 da modelo), aluguel e até o motorista que as leva para
o local dos trabalhos. Algumas ficam devendo dinheiro ás agencias.

Mas há garotas que conseguem bons trabalhos. Após dois anos na
profissáo, as jovens que se estabilizaram ganham em torno de R$ 3 mil
em um único dia de trabalho. A top model do momento, Gisele Bündchen,
ganha US$ 35 mil. E, em um país como o Brasil, garotas que ganham até
R$ 300,00 por um dia de trabalho acabam sustentando toda a familia.
Apenas urna em cada 15 mil meninas que participam de concursos atin
ge urna carreira internacional. É nessa remota chance que muitos pais
apostam o pouco dinheiro da familia para sustentar a menina em outra
cidade e, muitas vezes, a integridade da própria filha. A máe de urna
modelo - que mora com a filha, outras sete modelos e quatro mies - diz
que essa é a sua forma de ajudar a filha a 'realizar um sonho de crianca'.
Mas o grande problema é que o mundo da moda nao é feito para enancas.

Por que razáo ninguém acha estranho que meninas de 13 e 14 anos
trabalhem ñas passarelas?

187
44 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

Minha filha nao

Em entrevista á revista Veja (14/07/1999), um dos socios da Élite,
John Casablanca, disse que nao permitiría que a sua filha fosse modelo:
'Acho urna imoralidade urna garota de 14 anos trabalhar como adulta1,
afirma, para depois se contradizer: 'Porém, nao podemos esperar a ga
rota crescer para agenciá-la porque, se fizéssemos isso, a concorréncia
iria roubá-la de nos'.

Paula Marques abandonou a profissáo quando foi estrelar um co
mercial de creme hidratante. Ela teria de ficar nua perante toda a equipe.
Apesar deles garantirem que sua intimidade nao aparecería no comerci
al, a garota ficou nervosa e foi embora chorando. Andiara Loeffler, 13
anos, foí fotografada para um catálogo da Audi com urna blusa transpa
rente. A menina disse á mae, que Ihe havia dado urna bronca: 'Como é
que eu iria brigar com um fotógrafo que tem idade para ser o meu avó?'
(reportagem: Eduardo Gama)»

Em apéndice: lé-se no O GLOBO de 16/11/00, p. 42:

«Médicos defendem abstinencia sexual

• Médicos do Laboratorio da Saúde Pública británico sugeriram
ontem que o Govemo estimule a abstinencia sexual entre os jovens. Se
gundo eles, a estrategia de valorizar o sexo seguro nao está dando certo.
Um estudo do laboratorio mostrou que o número de británicos portado
res de doencas sexualmente transmissíveisdobrou nos últimos dez anos».

A Terapia pela Fé, por Fernando Genschow. - Ed. Imago 1999.
Rio de Janeiro 140 x 210 mm, 83 pp.

O autor oferece sabias ponderagóes de ordem psicológica para
sanar estresse e males psíquicos da pessoa humana. Todavía é de notar
que cede a certo relativismo religioso, já que deseja atingir o púbiico mais
ampio possível; chega a recomendar a procura de Seicho-no-ié, Hatha-
Yoga, Zen, Meditagáo Transcendental... a quem deseje praticar o relaxa-
mento concentrado ou a Meditagáo em grupo (cf. p. 23); pelo relaxamen-
to concentrado o individuo poderia chegarao encontró com o Infinito ou á
consciéncia mística, sentenga esta que confunde o natural e o sobrena
tural, esquecendo o papel da graga (cf. pp. 22s); Deus seria "urna forma
de energía que vem do cosmos ou de fora do cosmos" (p. 50). - Tais
concepgoes sao incompatíveis com a fé crista. Eis por que o livro nao
pode ser recomendado aos fiéis cristáos em seus aspectos doutrinários
e teológicos; será válido como manual de exercícios de higiene mental.

188
Queé?

"REIK1 NA VIDA DIARIA"
por Earlene Gleisner

Em síntese: Reiki é o nome dado á Energía Universal de Vida, que
passa pelas máos de todo ser humano e pode ser aplicada a pessoas doen-
tes ou aflitaspara aliviá-las, segundo Earlene Gleisner, monitora de Reiki. A
filosofía subjacente a talprática é budista e tem tragos de monismo, como se
o individuo humano "pudesse fundirse com tudo a sua volta" (p. 45). A
linguagem utilizada pela autora do livro é, por vezes, obscura e confusa.
* * *

A cura por meio de Reiki vem sendo preconizada em nossos ambi
entes brasileiros, proveniente do Oriente.

Earlene Gleisner, mestra de Reiki, deixou-nos a propósito um li
vro1, que expóe o que seja Reiki e que procuraremos ler ñas páginas
subseqüentes.

1. Reiki: queé?

A palavra Reiki vem de rake = ancinho ou rastelo em inglés, ferra-
menta agrícola usada para revolver o solo superficialmente em vista de
plantío em horta ou com a finalidade de retirar folhas secas do chao.
Rakey é o solo arado. A palavra Rakey é fonéticamente igual a Reiki.
Segundo a sra. Earlene, o Reiki vem a ser "a ENERGÍA UNIVER
SAL de Vida no Sistema Usui de Cura Natural" {p. 11). É a "Energía Uni
versal de Vida, que verte através de nossos corpos, preenchendo nossa
necessidade antes de se transferir para a necessídade do outro" {p. 22).
"Os nossos corpos sao um veículo através do qual a energía Reiki se
transiere do Universo para outrem" (p. 42).
É através das máos que a energía Reiki passa de urna pessoa
para outra, de modo que há indícacóes precisas sobre a maneira de im-
por as máos sobre a cabeca, sobre o tórax, sobre os joelhos, os pés, as
costas...

A filosofía subjacente a esse conceito de Energía Universal é o
monismo: o ser humano é parte integrante do universo no sentido físico.
Eis o que se lé á p. 55:

1 Reiki na Vida Diaria. Tradugáo de Niria Barbosa de Oliveira. - Ed. Nova Era, Rio
de Janeiro 1999, 135x210mm, 108 pp.

189
46 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

"O Preceito final 'Seja bondoso para com tudo que possui vida'
lembra-me que nao estou só, que sou urna parte de todo o Universo vivo
e que nao estou ácima ou abaixo de nada ou ninguém. Isso me lembra
que somos todos iguais e me coloca em contato com a esséncia viva de
energía que flui através de todos os seres e coisas, seja árvore, flor ou
animal. Mesmo os elementos da Térra que se tornaram químicos e agora
formam plásticos ou tapetes, tém energía. Sou agora mais capaz de en
tender a filosofía do indio americano: Tudo que projeta sombra possui
espirito'".

Deste texto deduz-se que tudo o que é corpóreo possui espirito.
Que se entende por "espirito" em tal caso? A autora nao o diz.

Semelhante concepcao volta á p. 45:

"Estou continuamente acalmando o inquieto procurar de minha
mente racional a fim de perceber as energías sutis que me capacitam á
fusáo com tudo á minha volta" (p. 45).

A suspeita de monismo-panteísmo se confirma pelo fato de que
Reiki tem suas raízes no budismo, que é urna corrente de pensamento
panteísta:

"A Mestre Reiki Victoria Suzanne Crane investigou extensivamen
te as origens de REIKI e as encontrou intrínsecamente ligadas aos
ensinamentos budistas. Ela detalhou a correspondencia desses Precei-
tos REIKI com antídotos para os Cinco Obstáculos a todo crescimento,
conforme detalhado por Buda nos seus ensinamentos em Deer Pond.
Quando observo esses Preceitos sob essa luz, posso ver mais claramen
te como eles podem afetar minha vida e aprendizado" (p. 48).

A linguagem pode tornar-se confusa e obscura, como nos seguin-
tes trechos:

"A simples idéia de permitir aos nossos corpos serem um veículo
através do qual essa energía, REIKI, se transiere do Universo para ou-
trem, é urna experiencia de deixar ir, de permanecer em nosso centro e
'ser'. Ao mesmo tempo em que vocé e eu estamos 'deixando de ir", ne-
cessitamos estar totalmente presentes para que, como praticantes, pos-
samos estar conscientes de nossas máos e ter a experiencia de sentir a
mudanca de energía quando urna área é completada. Por sentirmos essa
mudanca, sabemos quando nos mover para a próxima área do corpo em
que estamos trabalhando" (pp. 42s).

"No livro Gríst forthe Mili (O grao para o moinho), Ram Dass traduz
ÑAMASTE - urna saudacáo - significando: 'Honro o lugar em vocé onde
todo o Universo reside. Honro em vocé o lugar do amor, da luz, da verda-

190
"REIKI NA VIDA DIARIA" 47

de, da paz. Honro aquele lugar dentro de vocé onde, se vocé estiver
nesse lugar em vocé, e eu estiver nesse lugar em m¡m, existe apenas um
de nos'. Ele continua, um pouco adiante: 'Dessa forma, da próxima vez
em que vocé se sentar á espera de que algo comece, vocé perceberá
que nao há nada que necessite comecar, pois o comeco, o meio e o fim
já sao o que vocé é'" (p. 43).

'Estamos nos libertando dos tentáculos do pensamento e julga-
mento e nos acomodando em nossa esséncia. Estamos nos unindo e
nos tornando um com o que quer que exista e com quem quer que este
jamos tocando. Estamos vivendo no momento e, de fato, 'há somente um
de nos'" (p. 44).

O Mestre por excelencia parece ser "o Sr. Hawayo Takata. Gráo-
Mestre REIKI de 1940 a 1980" (pp. 47s).

Urna vez expostos os principios básicos do Reiki, coloca-se a ques-
táo:

2. O cristáo e o Reiki

A atitude do cristáo perante o Reiki depende da distincáo a serfeita
entre a técnica e a filosofía do Reiki.

A técnica... A ¡mposigáo de máos para obter a cura de doencas
físicas nao é condenável, desde que se possa supor que realmente pas-
sa pelas máos urna energía (nao divina) física benfazeja. A existencia
dessa energía meramente natural e humana é questionável; há quem
fale de magnetismo do corpo humano - o que é discutível. Fácilmente
essa concepcáo se confunde com urna presumida "energía divina" - o
que redunda em panteísmo.

A filosofía... Os principios filosóficos Reiki sao monistas: tudo o
que existe seria apenas urna grande substancia ou a substancia univer
sal:

"Comecei a desenvolver um senso de pertencer nao a um grupo
social ou a urna organizacáo. 'A qué entáo?' eu me perguntava. O 'per
tencer', estou comecando a acreditar, era e é a mim mesma e a tudo que
existe" (p. 42).

Ora tal concepgáo filosófica nao é compatível com a fé crista. O
cristáo que se poe na escola do Reíki corre o risco de assimilar, junta
mente com a técnica, as linhas monistas-panteístas do pensamento Reíki.

191
48 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 467/2001

Muitas Vidas, Muitos Mestres, por Brian L. Weiss. Tradugáo de
Talita M. Rodrigues. - Editora Salamandra, Rio de Janeiro 1991, 140 x
210 mm, 185 pp.

O autor, quando escreveu seu livro, era Chefe do Departamento de
Psiquiatría no Mount Sinai Medical Center em Miami (U.S.A.). Alheio a
teoría reencarnacionista, teve urna cliente chamada Catheríne, queopro-
curou muito angustiada por motivos misteriosos. O médico procurou tráta
la segundo os recursos convencionais durante varios meses. Finalmente
aplicou-lhe a hipnose e a fez regredir em idade nao somente até o útero
materno, mas até pretensas vidas pregressas. Catheríne entáo descre-
veu quadros de sua "existencia" no Egito muitos sáculos antes de Cristo;
narrou também cenas de vida na Asia, na América em diversas épocas
da historia; terá sido homem numa encarnagáo anterior com o nome de
Johan... Os relatos eram táo vivos que foram convencendo o médico cé-
tico, o qualpassou a adotar concepgóes reencarnacionistas e espiritas,
pois Catheríne dizia que falavam por ela mestres desencarnados e guias
dos homens. Em suma, Catheríne terá vivido 86 encarnagóes e Amy, a
filha de Brian, com tres anos de idade, terá dito aopai: "Papal, eu te amo
há quarenta mil anos!"

O livro há de ser considerado á luz da parapsicología. Esta ensina
que a pessoa em transe hipnótico deixa o inconsciente falar livremente,
associando entre si impressóes e experiencias vivenciadas na própría
vida presente. Catheríne foi exuberante nesse ponto, pois era urna pes
soa nervosa e de fantasía fecunda. É particularmente difícil admitir que
urna mulher tenha sido homem ou vice-versa numa encarnagáo anterior,
pois o psiquismo masculino e o feminino diferem notoriamente um do
outro; Catheríne, porém, afirmava haver continuidade entre as suas
encarnagóes sucessivas; era sempre o mesmo sujeito que voltava á térra.

Catheríne, sem terrecebido informagáo alguma da parte do médico
ou de seus familiares, falou a Brian Weiss com muita veracidade dopaie
de um filho (já falecido) de Brian. Isto muito impressionou o hipnotizador.
Todavía nao causa estranheza aos cultores da parapsicología; pode ha-
ver comunicagao de inconsciente a inconsciente entre duaspessoas; urna
lé no inconsciente da outra os dados referentes a pai, filho e familiares.
Foi o que se deu entre Catheríne e seu médico; ela captou no inconscien
te do Dr. Brian as nogóes que tanto o surpreenderam. Nao houve trans-
missáo de noticias por parte de Mestres do além, por mais surpreenden-
tes que fossem tais noticias.

No final do livro (p. 183) Brian Weiss narra que teve outra cliente
semelhante; era urna dona de casa judia de Miami Beach "que se lem-
brou nítidamente de ter sido estuprada por soldados romanos na Palesti-

192
na logo após a morte de Jesús. Dirigiu um borde! em Nova Orleans no sáculo
dezenove, viveu num mosteiro da Franga na Idade Media, e teve urna vida muifo
angustiada como japonesa". Ela também Ihe revelou fatos de sua vida passada... -
Nao há necessidade de procurar lora da fantasia dessa senhora a fonte de suas
narrativas, pouco lógicas ou concatenadas.

Aínda é de notar que áp. 33 o autor afirma que "havia referencias a reencar-
nagáo no Velho e no Novo Testamento. Em 325 d.C, o imperador romano Constantino
o Grande e sua máe Helena suprimiram as que estavam contidas no Novo Testa
mento. O segundo Concilio de Constantinopla, reunido em 553 d.C, validou este
ato, declarando herético o conceito de reencarnagáo. Aparentemente ele enfra-
queceria o poder da Igreja, dando aos homens tempo demais para buscarem a
salvagáo". - As afirmagóes de Brian Weiss sao gratuitas; se nao foram retiradas as
referencias do Antigo Testamento á reencarnagáo, mostre-as ou diga quais sao...
Quanto á eliminagáo de textos do Novo Testamento, deve ser comprovada pela
apresentagáo dos manuscritos anteriores á eliminagáo; ora tais nao existem: a tra-
digáo manuscrita do Novo Testamento, que remonta até o século II, nao abre pers
pectiva de rasura ou eliminagáo de algum texto em sua historia; em suma, nao se
encontra indicio algum de papiro portador da tese da reencarnagáo, de sorte que
carece de fundamento objetivo ou científico a tese de Brian Weiss.

Estéváo Bettencourt O.S.B.

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2aedicáo. 165 págs. 1997 R$7,00.

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revista "O Mensageiro de Santo Antonio". 1997.165págs R$7,00.

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tantes para todas as pessoas interessadas em entender o AT e aprofundar seus conhe-
cimentos sobre questóes muitas vezes controvertidas que ali se encontram. Traz tam
bém um guia prático para a leitura da Biblia). 4- edicáo, revista e atualizada. 286 págs.
1994 R$ 12,00.

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esclarecerás dúvidas mais freqüentes que se levantam ao leitorde boa vontade, trazen-
do-nos criterios claros e levando-nos a compreender que todas as palavras de Cristo sao
de aplicacáo perene e universal), 2a edicáo. 1993,47 págs R$7,00.
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cores, para estudo do Ano Litúrgico em cursos
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las de aulas, noviciados, etc.
Elaborado por D. Hildebrando Martins. Útil á
Catequese R$6,00.

- GRANDE ENCONTRÓ, Dom Hildebrando P. Martins, OSB. Semana da Missa na Paró-
quia para melhor compreensáodo povo. 109 págs R$ 6,50.

- LITURGIA PARA O POVO DE DEUS, D. Cario Fiore. A Constituicáo Litúrgica, explicada
ao povo. Traducáo e notas de D. Hildebrando P. Martins R$ 7,90.

- BODAS DE PRATA E OURO, ritos e textos para Missa 12a ed. 1990 R$ 1,30.
- MEUSQUINZE ANOS, ritos e textos para Missa 18a ed. 1994 R$1,30.

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Santificacáo do dia, os diversos elementos da Liturgia das Horas, Celebracóes ao longo
do ciclo anual, Celebracáo comunitaria). 100 págs R$ 5,50.

- MISSA DA ESPERANCA (EXEQUIAS E SÉTIMO DIA) - 6a edicáo, 04 págs., a 02
cores, com a II Oracáo Eucarística e as aclamacóes dos fiéis R$ 0,40.
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Maria - SP. Salterio ilustrado para enancas e adultos com alma de enanca. 2a edicáo
1994. Formato 21,5x16cm R$ 12,60.
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OSB. Bispo emérito de Nova Friburgo/RJ. Coletánea dos mais variados temas vividos
durante os seus trinta anos de vida episcopal. Volume de 540 págs R$ 12,50.

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da 2- edícáo (Jan. 1989). Curso completo de Teología Dogmática. Comentario ao "Credo
do Povo de Deus", de Paulo VI. Especialmente para curso superior em Seminarios e
Faculdades. 691 págs R$ 30,00.
- O MISTERIO DO DEUS VIVO, Pe. Albert Patfoort, OP, traducáo e notas de D. Cirilo
Folch Gomes, OSB. Tratado de "Deus Uno e Trino", de orientacáo tomista e de índole
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