Você está na página 1de 4

Segunda, 05 de Abril de 2010

EDIÇÃO Nº 33 CIDADES DA COPA 2014

Bola Dividida
Brasília vive clima de incertezas devido à crise política mas, quando o assunto é a Copa 2014,

autoridades se apressam a falar das qualidades e projetos da capital federal

Texto: Angélica de Castro | Fotos: Nélio Rodrigues


Envie seu comentário

SESSÕES

AGENDA
ARTES PLÁSTICAS
BATE-PAPO
BRASIL
CANTINHO DO
CHEF
CAPA
CIDADES DA COPA
2014
CRÍTICA CULTURAL
CRÔNICA
ECONOMIA
EDUCAÇÃO
ENSAIO
ENTREVISTA
ESPECIAL
EVENTO
FESTA
MERCADO
IMOBILIÁRIO
POLÍTICA
PROPAGANDA EM Os projetos vão desde melhoria nas vias de acesso ao Plano Piloto, à ampliação da rede hoteleira, área de
FOCO
SAÚDE recreação, reforma do estádio Mané Garrincha, treinamento de profissionais e capacitação de voluntários.
VIVER ONLINE
Com a vantagem de o torcedor ter tudo dentro do raio de 2,5 km do estádio. Brasília se gaba ainda por
ARTICULISTAS

PAULO CÉSAR DE ser a única cidade planejada, com menor índice de violência, maior renda per capita, menores problemas
OLIVEIRA
PAULO PAIVA de trânsito e com alguns projetos já em andamento, como a Linha Verde, desenvolvida para dar vazão
COLUNISTAS
à EPTG, uma das principais vias de acesso ao Plano Piloto. A linha faz parte do programa Brasília Integrada
ANGELINA FREITAS
FERNANDO
TORRES
que inclui a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), novo sistema de transporte público que será
MÁRCIA MACHADO
MÁRCIA QUEIRÓS instalado na cidade, ligando o aeroporto ao centro. A proposta é reduzir o número de ônibus dentro do
TEREZINHA
MOREIRA Plano. Outro projeto é a construção de 600 km de ciclovias além da licitação, em andamento, para a

expansão do metrô ligando um número maior de cidades satélites ao centro. Bem, discurso a capital

federal possui de sobra. Resta saber se o recente escândalo do mensalão do DEM, do qual participava o

ex-governador José Arruda, não trará nenhum prejuízo ao cronograma de obras.

A reforma do estádio Mané Garrincha que tem orçamento de 700 milhões de reais custeados pela venda

de um terreno da Terracap, imobiliária do Distrito Federal, para ampliar o setor Hoteleiro Norte, pode ser

um dos atingidos pela crise

política que assola a capital federal. A ação, aprovada pelo ex-governador José Arruda não aconteceu

e pode ser barrada pelo próximo governador (não definido até o fechamento desta edição).

O secretário de esportes, Hebert Felix, no entanto, acredita que isso não acontecerá. “Qual político quer

ficar na história como o que impediu Brasília de sediar jogos da Copa?”, argumenta o secretário sobre

as chances das obras não começarem até 3 de maio, data final da Fifa.

Perspectiva do estádio Nacional de Brasília

As exigências da Fifa foram atendidas no novo projeto do Mané Garrincha. O


autódromo, atrás do estádio, será transformado em estacionamento durante o
evento, ampliando de 12 mil para 35 mil vagas, 300 delas dentro do estádio. O
Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com 50 mil m2 funcionará como o
centro de mídia com capacidade para 12 mil jornalistas, ligado ao estádio por um
túnel subterrâneo com esteiras horizontais e espaço para galeria. Sérgio Graça,
gerente da comissão da Copa 2014 em Brasília, afirma que o espaço será usado em
caso de demanda e não se tornará um elefante branco, já que há precisão de
estacionamento no local.

As dependências do novo estádio contam também com dois restaurantes com 400
lugares cada, 60 camarotes, 1,1 mil cadeiras vips, 115 assentos vips, assentos
business, arquibancadas superiores e inferiores totalizando 71 mil lugares. “Há
ainda a área de 85 mil m2 que servirá de central hospitalar, local em que os
patrocinadores utilizam para trabalhar o relacionamento com o cliente e a área para
TV de 20 mil m2 nos arredores do estádio”, conta Hebert Felix, que indaga qual
outro estádio no país tem tanto espaço nos arredores.
Já o estádio Valmir Antônio Campelo Bezerra, o Gama, primeiro do Distrito Federal
a ser reformado dentro das normas da Fifa, servirá como centro de treinamento
para as delegações. “O estádio foi inaugurado em 2008 no jogo Brasil x Portugal,
mas até 2014 o Gama deve passar por reformas”, diz Meire de Souza, assistente de
administração do estádio.

Obras em vários pontos: melhoria no trânsito

A venda de um terreno ao lado do estádio Mané Garrincha para a rede hoteleira


ainda está indefinido. Clayton Faria Machado, presidente do Sindicato de Hotéis,
Bares e Restaurantes (Sindhobar), confirma que a instabilidade política do
momento gera receios no meio. Desde janeiro, Brasília enfrenta uma crise no setor
recreativo. “Em tempos de incerteza as pessoas cortam o supérfluo. A iniciativa
privada também é assim. Ela só começará qualquer investimento quando houver a
certeza de que Brasília realmente sediará a Copa.”

A rede hoteleira do Distrito Federal tem ocupação, segundo a Brasiliatur, de 80%


entre terça e quinta-feira. No restante da semana não chega a 20%. Machado
afirma que ampliar a rede hoteleira pode gerar elefantes brancos pós-Copa. “A
ocupação no fim de semana reduzirá para menos de 10%. Os hotéis não se
sustentarão assim. Não acredito em construção de hotéis apenas para a Copa. Se
confirmar mesmo Brasília como sede, o setor privado faz a estruturação
Comentário no Blog da revista feito pela Jornalista que fez a matéria, Angélica Castro, sobre sua experiência em
Brasília
01/04/2010 às 19:11
2014?
Você já foi à um evento e se sentiu totalmente deslocado? Com aquela sensação de que todos
te olham como se fosse de outro planeta? Foi assim que me senti sempre que iniciava uma
conversa com alguém sobre os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, em
Brasília.
Durante os dias em que eu e o fotógrafo Daniel de Cerqueira ficamos na cidade, só se falava
em Arruda e mensalão. A faixa verde e amarela, recém-colocada em alguns taxis, era motivo
de revolta em parte da categoria. “Verde é a cor do Arruda!” disse um deles, indignado por ter
sido obrigado a colocá-la. E eu achando legal os táxis patrióticos.
Em outra situação, a assessoria de imprensa de uma secretaria do Distrito Federal, pareceu
ficar ofendida quando pedi que ela confirmasse o nome do secretário. A ligação estava ruim,
então fui direta: “o secretário ainda é fulano?” Recebi um ríspido “ciclano assumiu o cargo há
muito tempo!” - menos de 60 dias – mas quase um recorde nessa crise da política candanga.
Na noite anterior à viagem o governador era um. Quando pousei em Brasília, já era outro. E
no seguinte… melhor nem tentar.
Acompanhar a situação política só era possível se você dormisse e acordasse com o radio
ligado em uma estação especializada - e olhe lá. Nem o site oficial do DF ficou no ar. Sem
governador, com uma possível intervenção federal, a festa em comemoração dos 50 anos da
cidade por um fio e eu querendo falar sobre as obras para um evento que acontecerá daqui 4
anos. É, eu fui o peixe fora d’água. Tudo bem, planejar e construir uma estrutura como a
projetada demanda tempo, mas quem consegue pensar no bolo se nem o fubá está certo?
Durante a apuração, algumas obras foram paralisadas e reiniciadas de um dia para o outro.
Até pessoas envolvidas no processo estavam perdidas. Salvo Sérgio Graça, gerente da
Comissão da Copa na cidade. Independente de qual secretaria, a resposta parecia automática:
tecle 1 para “sobre isso quem está por dentro das informações é o Sérgio”; 2 para “entre em
contato com o Sérgio e ele indicará a pessoa para falar sobre o assunto”.
Até a entrevista com o secretário de esportes, Hebert Felix, teve um dedinho do Sérgio para
eu conseguir a confirmação. E foi um pouco antes da entrevista que Hebert recebeu a notícia
de que estava de mudança para desocupar o Mané Garrincha. Data: 30 de março. Se você vir
algumas mesas com computadores na Asa Sul, próximo ao estádio, pode ser que sejam eles.
Por fim, consegui conversar com as pessoas-chave para a reportagem existir. Mas dá-lhe
telefonemas e remarcações. Sem contar que eu e o Daniel estávamos pela primeira vez em
Brasília. Com cada entrevistado era em um ponto, foi preciso contar o tempo perdido nos
trajetos. Nem Rafaela, nossa guia por um dia e brasiliense de nascimento, conseguiu nos guiar
sem se perder. A população é muito amigável e se propõe a ensinar o caminho com muita
educação. Mas há um grande problema: falta sinalização. O gadget de GPS do celular ajudou,
mas também não é configurado para o formato de endereço de Brasília.
Fui à Brasília ver os preparativos para competir com outras capitais e ser o QG do evento.
Voltei com uma excelente impressão da cidade. Rindo do que eles chamam de
congestionamento e hora do rush, com saudade da gastronomia diversificada e dos amigos
que fiz e revi. A cidade vai sediar a Copa? Eu não sei, mas tem alguma cidade preparada para
isso ou com problemas menores?
Angélica de Castro