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A Pedagogia liberal tecnicista aparece nos Estados Unidos na segunda metade do século

XX e é introduzida no Brasil entre 1960 e 1970. Nessa concepção comportamentalista, o


homem é considerado um produto do meio. É uma consequência das forças existentes em
seu ambiente. A consciência do homem é formada nas relações acidentais que ele
estabelece com o meio ou controlada cientificamente através da educação, sendo possível
prever os resultados de determinadas abordagens em relação ao homem/produto final.

Na tendência liberal tecnicista a educação escolar organiza, o processo de aquisição de


habilidades e atitudes, conhecimentos específicos, úteis e necessários para que o indivíduo
se integre na máquina do sistema social global. Seus conteúdos de ensino (currículo) são as
informações, principios científicos, leis etc, estabelecidos e ordenados numa sequência
lógica e psicológica por especialistas. É materia de ensino apenas o que é redutivel ao
conheciemntos que pode ser observado, os conhecimentos decorrem da ciência objetiva.
(LUCKESI,1994,p 60-61)

A educação atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista),


articulando-se diretamente com o sistema produtivo; para tanto emprega a ciência da
mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia comportamental. Seu interesse imediato
é o de produzir indivíduos "competentes para o mercado de trabalho, transmitindo,
eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas" (LIBÂNEO, 1989, p. 290).

A prática escolar nessa pedagogia teve como função especial adequar o sistema educacional
com a proposta econômica e política do regime militar, preparando, dessa forma, mão-de-
obra para ser aproveitada pelo mercado de trabalho.

No que diz respeito ao ensino-aprendizagem da arte e na tendência tecnicista, pode-se


mencionar a escassez de fundamentos teóricos em detrimento do "saber construir" e "saber
exprimir-se". Nessa fase, percebe-se grande ênfase no uso de materiais alternativos,
conhecidos na maioria das escolas como sucata e lixo limpo. O professor de arte (por
exemplo, entre outras disciplinas voltadas às áreas humanas) busca socorro para suas
dúvidas nos livros didáticos que estão no mercado para serem consumidos desde o final dos
anos 70. Não se pode esquecer que é no início dessa década que a disciplina de Educação
Artística torna-se obrigatória, a partir da Lei de Diretrizes e Bases 5692/71, que centra o
ensino da arte em técnicas e habilidades com prejuízos à expressão e sensibilidade. A
fragmentação no ensino da arte se dá em virtude do caráter tecnicista desta lei.

Os professores de Desenho, Música, Trabalhos Manuais, Canto Coral e Artes Aplicadas,


que vinham atuando segundo os conhecimentos específicos de suas linguagens, viram esses
saberes repentinamente transformados em "meras atividades artísticas". Desde a sua
implantação, observa-se que a Educação Artística é tratada de modo indefinido, o que fica
patente na redação de um dos documentos explicativos da Lei, ou seja, o Parecer nº 540/77:
"não é uma matéria, mas uma área bastante generosa e sem contornos fixos, flutuando ao
sabor das tendências e dos interesses" (FUSARI e FERRAZ, 1992, p. 37-38).
Até esse período, as propostas de arte-educação eram iniciativas isoladas e desenvolvidas
por artistas comprometidos com a função de educadores. A partir da Lei nº 5692/71, só as
pessoas habilitadas pelos Cursos de Licenciatura Curta (mais tarde Plena), poderiam ser
contratadas ou prestar concurso para assumir a área de Educação Artística. Tais cursos
visavam à polivalência em arte. Colocavam no mercado de trabalho profissionais
totalmente distanciados da arte e da prática educacional.

A tendência tecnicista firmou-se nos anos 70, alicerçada no princípio da otimização:


racionalidade, eficiência e produtividade. Com sua organização racional e mecânica, visava
corresponder aos interesses da sociedade industrial. A semelhança com o processo
industrial não ocorre por acaso, pois tal proposição atinge seu apogeu nos anos 70, período
de forte presença do autoritarismo do Estado e do regime militar. É nesse período que o
espírito crítico e reflexivo é banido das escolas.

Encerrando esta reflexão relacionada com as pedagogias liberais, pode-se afirmar que todas
essas pedagogias sobrevivem ainda hoje no sistema de ensino em nível de Educação
Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior.

Consequentemente, os profissionais que atuam hoje no mercado de trabalho têm aí as bases


de sua formação. Sendo assim, o ensino-aprendizagem da arte está intimamente ligado a
essas pedagogias que fazem parte da história do ensino no Brasil, estando respaldadas na
conjuntura social e política brasileira.

A despeito da máquina oficial, entretanto, não há indícios seguros de que os professores da


escola pública tenham assimilado a pedagogia tecnicista, pelo menos em termos de ideário.
A aplicação da pedagogia tecnicista (planejamento, livros didáticos programados,
procedimentos de avaliação, etc.) não configura uma postura tecnicista do professor; antes,
o exercício profissional do professor continua mais para uma postura eclética em torno de
princípios pedagógicos assentados nas pedagogias tradicionais e renovados (LUCKESI,
1993, p. 63).

A "Pedagogia Tecnicista" e as aulas de Arte

A "Pedagogia Tecnicista", presente ainda hoje, teve suas origens partir da segunda metade
do século XX, no mundo, e a partir de 1%0/ 1970, no Brasil.

Na "Pedagogia Tecnicista", o aluno e o professor ocupam uma posição secundária, porque,


o elemento principal é o sistema técnico de organização da aula e do curso: Orientados por
uma concepção mais mecanicista, os professores brasileiros entendiam seus planejamentos
e planos de aulas centrados apenas nos objetivos que eram operacionalizados de forma
minuciosa. paz parte ainda desse contexto tecnicista o uso abundante de recursos
tecnológicos e audiovisuais, sugerindo uma "modernização" do ensino.

Nas aulas de Arte, os professores enfatizam um "saber construir": reduzido aos seus
aspectos técnicos e ao uso de materiais diversificados (sucatas, por exemplo), e um "saber
exprimir-se" espontaneístico, na maioria dos casos caracterizando poucos compromissos
com o conhecimento de linguagens artísticas. Devido à ausência de bases teóricas mais
fundamentadas, muitos valorizam propostas e atividades dos livros didáticos que, nos
anos.70/80, estão em pleno auge mercadológico, apesar de sua discutível qualidade
enquanto recurso para o aprimoramento dos conceitos de arte.

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedagogia_Tecnicista" Categoria: Pedagogia


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desta página está sob a GNU Free Documentation License. Os direitos autorais de todas as
contribuições ntroduzida no Brasil entre 1960 e 1970. Nessa concepção, o homem é
considerado um produto do meio. É uma consequência das forças existentes em seu
ambiente. A consciência do homem é formada nas relações acidentais que ele estabelece
com o meio ou controlada cientificamente através da educação.

A educação atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista),


articulando-se diretamente com o sistema produtivo; para tanto emprega a ciência da
mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia comportamental. Seu interesse imediato
é o de produzir indivíduos "competentes para o mercado de trabalho, transmitindo,
eficientemente, informações precisas, objetivas e rápidas" (Libâneo, 1989, p. 290).

A prática escolar nessa pedagogia tem como função especial adequar o sistema educacional
com a proposta econômica e política do regime militar, preparando, dessa forma, mão-de-
obra para ser aproveitada pelo mercado de trabalho.

No que diz respeito ao ensino-aprendizagem da arte na tendência tecnicista, pode-se


mencionar a ausência de fundamentos teóricos em detrimento do "saber construir" e "saber
exprimir-se". Nessa fase, percebe-se grande ênfase no uso de materiais alternativos,
conhecidos na maioria das escolas como sucata e lixo limpo. O professor de arte busca
socorro para suas dúvidas nos livros didáticos que estão no mercado para serem
consumidos desde o final dos anos 70. Não se pode esquecer que é no início dessa década
que a disciplina de Educação Artística torna-se obrigatória, a partir da Lei de Diretrizes e
Bases 5692/71, que centra o ensino da arte em técnicas e habilidades. A fragmentação no
ensino da arte se dá em virtude do caráter tecnicista da lei.

Os professores de Desenho, Música, Trabalhos Manuais, Canto Coral e Artes Aplicadas,


que vinham atuando segundo os conhecimentos específicos de suas linguagens, viram esses
saberes repentinamente transformados em "meras atividades artísticas". Desde a sua
implantação, observa-se que a Educação Artística é tratada de modo indefinido, o que fica
patente na redação de um dos documentos explicativos da Lei, ou seja, o Parecer nº 540/77:
"não é uma matéria, mas uma área bastante generosa e sem contornos fixos, flutuando ao
sabor das tendências e dos interesses" (FUSARI e FERRAZ, 1992, p. 37-38).

Até esse período, as propostas de arte-educação eram iniciativas isoladas e desenvolvidas


por artistas comprometidos com a função de educadores. A partir da Lei nº 5692/71, só as
pessoas habilitadas pelos Cursos de Licenciatura Curta (mais tarde Plena), poderiam ser
contratadas ou prestar concurso para assumir a área de Educação Artística. Tais cursos
visavam à polivalência em arte. Colocavam no mercado de trabalho profissionais
totalmente distanciados da arte e da prática educacional.

A tendência tecnicista firma-se nos anos 70, alicerçada no princípio da otimização:


racionalidade, eficiência e produtividade. Com sua organização racional e mecânica, visava
corresponder aos interesses da sociedade industrial. A semelhança com o processo
industrial não ocorre por acaso, pois tal proposição atinge seu apogeu nos anos 70, período
de forte presença do autoritarismo do Estado e do regime militar. É nesse período que o
espírito crítico e reflexivo é banido das escolas.

Encerrando esta reflexão relacionada com as pedagogias liberais, pode-se afirmar que todas
essas pedagogias sobrevivem ainda hoje no sistema de ensino em nível de Educação
Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Superior.

Consequentemente, os profissionais que atuam hoje no mercado de trabalho têm aí as bases


de sua formação. Sendo assim, o ensino-aprendizagem da arte está intimamente ligado a
essas pedagogias que fazem parte da história do ensino no Brasil, estando respaldadas na
conjuntura social e política brasileira.

A despeito da máquina oficial, entretanto, não há indícios seguros de que os professores da


escola pública tenham assimilado a pedagogia tecnicista, pelo menos em termos de ideário.
A aplicação da pedagogia tecnicista (planejamento, livros didáticos programados,
procedimentos de avaliação, etc.) não configura uma postura tecnicista do professor; antes,
o exercício profissional do professor continua mais para uma postura eclética em torno de
princípios pedagógicos assentados nas pedagogias tradicionais e renovados (LUCKESI,
1993, p. 63).

A "Pedagogia Tecnicista" e as aulas de Arte

A "Pedagogia Tecnicista", presente ainda hoje, teve suas origens partir da segunda metade
do século XX, no mundo, e a partir de 1%0/ 1970, no Brasil.

Na "Pedagogia Tecnicista", o aluno e o professor ocupam uma posição secundária, porque,


o elemento principal é o sistema técnico de organização da aula e do curso: Orientados por
uma concepção mais mecanicista, os professores brasileiros entendiam seus planejamentos
e planos de aulas centrados apenas nos objetivos que eram operacionalizados de forma
minuciosa. paz parte ainda desse contexto tecnicista o uso abundante de recursos
tecnológicos e audiovisuais, sugerindo uma "modernização" do ensino.
Nas aulas de Arte, os professores enfatizam um "saber construir": reduzido aos seus
aspectos técnicos e ao uso de materiais diversificados (sucatas, por exemplo), e um "saber
exprimir-se" espontaneístico, na maioria dos casos caracterizando poucos compromissos
com o conhecimento de linguagens artísticas. Devido à ausência de bases teóricas mais
fundamentadas, muitos valorizam propostas e atividades dos livros didáticos que, nos
anos.70/80, estão em pleno auge mercadológico, apesar de sua discutível qualidade
enquanto recurso para o aprimoramento dos conceitos de arte. Bibliografia :
Luckesi,Cipriano Carlos-Filosofia da Educação- São Paulo: Cortez,1994.

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedagogia_tecnicista"
Categoria: Pedagogia
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