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SEXTA-FEIRA, 22 DE JANEIRO, 2010 | ANO 2 | Nº 86 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR-ADJUNTO DARCIO OLIVEIRA | R$ 3,00
Biocosméticos Cihat Dündar, CEO
do Biota, quer faturar US$ 15 mi no
início das operações no país. ➥ P29
Infraestrutura Cisco diz que
prazo para construir os estádios
da Copa de 2014 é curto. ➥ P27
Henrique Manreza

Classe C movimenta o consumo e passa a ser assediada por bancos

Representando quase metade da população brasileira, a nova classe média acredita que continuará a evoluir financeiramente

O crescente hábito de consumo da classe C impulsiona em seu rastro uma oferta de cré- dito e produtos pelos bancos de varejo. Com renda familiar entre R$ 1.116 e R$ 4.807, es-

ses consumidores estão otimistas com a economia e seu futuro, mostra estudo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) analisado com exclusividade para

o BRASIL ECONÔMICO. Eles ainda não ab- sorveram o custo dos juros, por exemplo, mas já recebem dos bancos ofertas de cartões de crédito e seguros. P4

As instituições financeiras aproveitam a familiaridade da classe C com as lojas de varejo para
As instituições financeiras aproveitam a familiaridade da classe C com as lojas de varejo para

As instituições financeiras aproveitam a familiaridade da classe C com as lojas de varejo para oferecer ali seus serviços.

Claro arruma a casa e busca mais agilidade

A operadora de teletonia celular contratou a israelense Amdocs para integrar seus sistemas, diminuir custos e garantir maior agilidade na criação de produtos e se diferenciar das concorrentes Vivo, TIM e Oi. P22

Brasil deve ter PIB maior do que França e Reino Unido em 2013

Investidores se interessam mais pelo país do pela Rússia e China, segundo Christopher Garman, da consultoria americana Eurasia. P12

Juro futuro em alta pode inibir expansão do crédito O acirramento da concorrência entre as

Juro futuro em alta pode inibir expansão do crédito

O acirramento da concorrência

entre as instituições financeiras

e a queda da inadimplência são

fatores favoráveis para o crédito. No entanto, a curva de juros projetada para 360 dias está em alta, o que é um fator a coibir novos financiamentos. Para o

Banco Central, o viés expansionista dos empréstimos vai prevalecer.

O

crédito imobiliário concedeu

o

volume recorde de R$ 34 bilhões

no ano passado. E pode atingir R$ 50 bilhões em 2010. P32

Dólar Ptax (R$/US$)

1,7895

1,7903

Dólar Comercial (R$/US$)

1,7990

1,8010

Euro (R$/€)

2,5249

2,5262

Euro (US$/€)

1,4109

1,4111

Peso Argentino (R$/$)

0,4702

0,4709

Selic (meta/efetiva % a.a.)

8,75

8,65

Bovespa (var.%/pontos)

-2,83

66.270,14

Dow Jones (var.%/pontos)

-2,01

10.389,88

Nasdaq (var.%/pontos)

-1,12

2.265,70

FTSE 100 (var.%/pontos)

-1,58

5.335,10

S&P 500 (var.%/pontos)

-1,89

1.116,48

Hang Seng (var.%/pontos)

-1,99

20.862,67

O “santinho” vai chegar ao eleitor pelo celular

O marketing digital vai marcar as

eleições deste ano. De biometria

a blogues, passando pelo uso do

celular como receptor para mensagens dos candidatos, campanhas vão intensificar uso de canais virtuais para chegar ao eleitor. O benchmarking é a eleição de Barack Obama. P10

Ajuste fiscal tem pouco tempo para conter Selic

Eventuais medidas da Fazenda

para segurar o avanço da inflação,

já ventiladas no mercado,

podem retardar, mas não evitar, a alta dos juros em 2010. Contratos

de DI negociados na BM&FBovespa ignoram a possibilidade de mudanças e sobem com o mau humor externo. P34

Marcela Beltrão

GE quer ser líder em raio X no país CEO da GE Healthcare, Cláudia Goulart
GE quer ser líder
em raio X no país
CEO da GE Healthcare, Cláudia
Goulart anuncia que a empresa
começa a produzir mamógrafos
e raios X no Brasil entre junho
e julho para dobrar a participação
no mercado brasileiro. ➥ P20

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

NESTA EDIÇÃO

Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 NESTA EDIÇÃO Em alta Marcela Beltrão Um mercado saudável para
Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 NESTA EDIÇÃO Em alta Marcela Beltrão Um mercado saudável para

Em alta

Marcela Beltrão

22 de janeiro, 2010 NESTA EDIÇÃO Em alta Marcela Beltrão Um mercado saudável para equipamentos médicos

Um mercado saudável para equipamentos médicos

Com o movimento anual de US$ 100

bilhões, os serviços de saúde públicos

Henrique Manreza

bilhões, os serviços de saúde públicos Henrique Manreza Claro quer mais agilidade com o CES e

Claro quer mais agilidade com o CES

e

privados brasileiros despertaram

Sistema será implantado pela Amdocs, que tem J. Manuel Briseno como diretor regional de marketing. “Todos os sistemas serão regidos por um maestro”, explica . P23

o

interesse dos grupos produtores

de equipamentos médicos, que optaram por fabricar aqui seus produtos até agora importados. É o caso da GE que, entre junho e julho, entregará os primeiros

O “santinho” chegará pelo celular

mamógrafos e raios X feitos no Brasil. “Em três anos, quero conquistar a liderança para esses dois equipamentos”, afirma Cláudia Goulart , presidente da GE Healthcare para a América Latina.

A partir do Brasil, a GE quer se expandir na

América Latina e América Central. P20

Inadimplência tem leve alta, apesar da queda dos juros

Os juros cobrados nos empréstimos para empresas encerraram 2009 a 25,5% ao ano em comparação com 30,7% em dezembro de 2008 e 22,9% em 2007. Para

as pessoas físicas, a taxa foi de 42,7% ante 57,9% um ano antes. Ao mesmo tempo,

o índice de inadimplência fechou o ano em 5,6%, pouco acima dos 4,4% de dezembro de 2008, mas com tendência de queda na avaliação de Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. De acordo com Lopes, com

o aquecimento da economia e a percepção de risco menor, o spread se reduzirá abrindo espaço para juros menores no decorrer do ano. P32

Divulgação

juros menores no decorrer do ano. ➥ P32 Divulgação A classe C leva mais alegria aos

A classe C leva mais alegria aos parques temáticos

Versão digital do antigo sistema de propaganda eleitoral será enviada ao eleitor através canais como os spms de e-mails e o SMS ou torpedos dos celulares. P10

SBPE pode liberar R$ 50 bi este ano

No ano passado, os créditos para construção e compra de imóveis com recursos da caderneta de poupança somaram R$ 34 bilhões, incremento de 13,3% sobre 2008. P33

Jarbas Oliveira

incremento de 13,3% sobre 2008. ➥ P33 Jarbas Oliveira Embrapa cria película comestível São filmes com

Embrapa cria película comestível

São filmes com sabor de frutas que podem ser usados para a proteção de alimentos, explica a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical Henriete de Azeredo. P16

BQB começa a voar nos céus do Sul

A companhia aérea pertence ao grupo Buquebus,

que opera ferry boats que ligam Buenos Aires ao Uruguai

e já pediu autorização para voar para Porto Alegre. P18

Ibope compra 51% da americana Zogby

Instituto de pesquisa brasileiro adquiriu participação majoritária na empresa de pesquisa de opinião e tem a preferência para comprar o restante em quatro anos. P26

Televisores 3D enfrentam barreiras

Preços elevados e a necessi dade de usar óculos pouco confortáveis emperram as vendas do aparelho. Indústria pesquisa protótipos que dispensam os óculos. P28

A surpresa prometida pela Apple

Lançamento da empresa de Steve Jobs está programado para o dia 27, em São Francisco. Especulações indicam que pode ser um “tablet” com tela sensível ao toque. P28

Henrique Manreza

com tela sensível ao toque. ➥ P28 Henrique Manreza Biota quer faturar com boa aparência Laboratório

Biota quer faturar com boa aparência

Laboratório turco fabricante de xampu antiqueda e creme redutor de pelos começa a atuar no país. “O potencial de consumo é grande”, diz Cihat Dündar, CEO do Biota. P29

Prazos da Copa preocupam a Cisco

A Fifa exige que os estádios dos jogos da Copa de 2014

estejam concluídos até 31 de dezembro de 2012. “Estamos atrasados”, alerta a empresa que cuida da tecnologia. P27

MPX construirá porto na Colômbia

Braço do grupo de Eike Batista na área energética, empresa adquiriu 521 hectares para a obra por onde escoará

a produção da mina de carvão que explora no país. P30

Alta da Selic é considerada inevitável

“Ainda mais sendo 2010 um ano eleitoral em que é muito difícil o governo simplesmente fechar a torneira”, diz Edson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia. P34

Os dividendos das elétricas privadas

Campeãs na distribuição aos acionistas, remuneração das companhias de controle privado prometem ser maiores que os das empresas públicas. P36

Daniel Acker/Bloomberg

O

faturamento do Beto Carrero World,

o

maior parque temático do país, cresceu

30% em 2009, consagrando o ano como

o melhor em volume de vendas e de

visitação, desde sua inauguração em 1991. “Para nós não houve crise”, afirma Victor Hugo Loth, diretor de Mídia e Criação

do parque, refletindo as expectativas otimistas vividas por esse segmento do entretenimento, que, agora, volta suas atenções para a classe C. “A estabilização da economia vai facilitar o crescimento

e a expansão dos parques porque há muita

demanda reprimida no país”, diz Francisco Donatiello, presidente associação que representa os parques temáticos. P24

associação que representa os parques temáticos. ➥ P24 A FRASE “O setor financeiro está tendo muito

A FRASE

“O setor financeiro está tendo muito êxito na tentativa de evitar a reestruturação do marco regulatório”

Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia e p rofessor da Universidade Columbia, ao acusar o sistema financeiro americano de não ter administrado bem seus recursos. “Mas soube usar bem o capital político para conseguir ajuda em condições bem favoráveis”, afirmou.

seus recursos. “Mas soube usar bem o capital político para conseguir ajuda em condições bem favoráveis”,

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico

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Masao Goto Filho

SANDRA TURCHI, SUPERINTENDENTE DE MARKETING DA ACSP

Filho SANDRA TURCHI, SUPERINTENDENTE DE MARKETING DA ACSP EDITORIAL Classe C, a nova coqueluche dos mercados

EDITORIAL

TURCHI, SUPERINTENDENTE DE MARKETING DA ACSP EDITORIAL Classe C, a nova coqueluche dos mercados Quem compõe,

Classe C, a nova coqueluche dos mercados

Quem compõe, afinal, a nova classe C, disputadíssima por todos os segmentos da economia? São famílias com rendi- mento mensal entre R$ 1.116 e R$ 4.807. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), este estrato já corresponde à metade da população brasileira. Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo, aberta com exclusividade para o B R A S I L E C O N Ô M I C O , revela os an- seios e hábitos desses consumidores. Gostam, sim, de pechinchar, cacoete trazido dos idos tempos em que povoa- vam as classes D e E. Também preferem compras a prazo, o que explica a forte demanda por crédito no Brasil, mostra- da em reportagem na página 32.

crédito no Brasil, mostra- da em reportagem na página 32. Gosta de pechinchar, ainda tem pouca

Gosta de pechinchar, ainda tem pouca familiaridade com juros. Mas, tudo indica, veio para ficar

Mas essas pessoas não se contentam com o nível de renda recém-conquista- do. Nada menos do que um terço quer ascender às classes A e B em cinco anos.

É certo que faltam a esses consumidores

familiaridade com os novos meios de pa- gamento e a consciência do elevado nível das taxas de juros. Questão de educação financeira, que deverá vir apenas com o

tempo. Confira a partir da página 4.

A porta de entrada ao templo de con-

sumo é inegavelmente o cartão de crédi- to, sobretudo os private labels, ofereci-

dos por rede varejistas. Por meio desses estabelecimentos também são oferecidos seguros, o que indica uma gradual sofis- ticação desta parcela da população.

O sonho da casa própria tem sido fa-

cilitado pelas instituições financeiras,

que reduzem drasticamente as exigên- cias para a concessão de financiamen- tos. O Bradesco, por exemplo, baixou de 152 para somente 12 documentos pe-

didos para o financiamento imobiliário.

A instituição tem como meta liberar o

dinheiro em até 15 dias. São pessoas que estão conquistando seu lugar ao sol no sistema. Desta vez,

tudo indica que para ficar.

“É essencial ter um nível de endividamento que não saia do controle. A ideia é comprar bem para comprar sempre”, aconselha Sandra Turchi, superintendente de marketing da Associação Comercial de São Paulo, aos consumidores emergentes da nova classe C. P4

aos consumidores emergentes da nova classe C. ➥ P4 redacao@brasileconomico.com.br B RASIL E CONÔMICO é uma

redacao@brasileconomico.com.br

BRASIL ECONÔMICO é uma publicação

da Empresa Jornalística Econômico S.A.

Presidente do Conselho de Administração

Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos

Diretor-Presidente José Mascarenhas

Diretor e Jornalista Responsável Ricardo Galuppo

Redação, Administração e Publicidade

Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158

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Editores Executivos Costábile Nicoletta, Fred Melo

Paiva, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa

Produção Editorial Clara Ywata Editores Arnaldo Co-

min e Rita Karam (Empresas), Carla Jimenez (Brasil), Cristina Ramalho (Outlook e FS), Laura Knapp (Des-

taque), Márcia Pinheiro (Finanças) Subeditores Clau-

dia Bozzo (Brasil), Fabiana Parajara, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Phydia de Athayde (Outlook e FS) Repórteres Aline Lima, Amanda Vidigal, Ana Paula Machado, Carlos Eduar- do Valim, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Daniel Hai- dar, Daniela Paiva, Denise Barra, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine Cotta, Fábio Suzuki, Françoise Terzian, Guilherme Guimarães, Gustavo Kahil, Ivone Santana, João Paulo Freitas, Juliana Elias, Karen Bu- sic, Luiz Henrique Ligabue, Luiz Silveira, Lurdete Er- tel, Marcelo Cabral, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Marina Gomara, Martha S. J. França, Natália Flach, Natália Mazzoni, Nivaldo Sou-

za, Regiane de Oliveira, Roberta Scrivano, Ruy Bara- ta Neto, Thais Folego, Vanessa Correia Brasília Simo-

ne Cavalcanti, Sílvio Ribas Rio de Janeiro Renata Ba-

-li-

tista, Ricardo Rego Monteiro BRASIL ECONÔMICO On

ne Marcel Salim (Editor), Carolina Marcondes, Con-

rado Mazzoni, Vivian Pereira (Repórteres), Rodrigo Alves (Webdesigner) Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Cassiano de O. Araujo, Evandro Moura, Letícia Al- ves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodri- gues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino, (Paginado- res) Infografia Alex Silva (Chefe), Monica Sobral,

Rubens Neto Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Roberto Do-

nask, Thais Moreira (Pesquisadores) Tratamento

de imagem Antonio Moura, Henrique Peixoto

Secretaria/Produção Shizuka Matsuno

Departamento Comercial

Diret or Executivo Heitor Pontes

Assistente Executiva Sofia Pimentel

Publicidade Comercial Juliana Farias, Renato Frioli, Val-

quiria Resende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Márcia Abreu (Gerente de Publicidade), Bárbara de Sá,

Celeste Viveiros, Erico Bustamante (Executivos de Negócios), Andreia Luiz (Assistente Comercial)

Publicidade Legal Marco Panza (Diretor Comer-

cial), Ana Alves, Carlos Flores (Executivos de Ne- gócios), Alcione Santos (Assistente Comercial)

Departamento de Marketing Gian Marco La Bar-

bera (Diretor), Samara Ramos (Coordenadora), Patricia Filippi (Planejadora), Solange Ferreira dos Santos (Assistente)

Operações Cristiane Perin (Diretora), Tarija Lan- zillo (Assistente)

Departamento de Mercado Leitor Flávio Cordeiro

(Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Dire- toria), Carlos Madio (Gerente Negócios), Anderson Palma (Coordenador Negócios), Rodrigo Louro

, Anderson Palma (Coordenador Negócios) , Rodrigo Louro (Gerente MktD e Internet) , Gisele Leme (Coorde-

(Gerente MktD e Internet), Gisele Leme (Coorde- nadora MktD e Internet), Lea Soler (Gerente Tmkt ativo), Silvana Chiaradia (Coordenadora Tmkt ati-

vo), Alexandre Rodrigues (Gerente de Processos), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento)

Central de atendimento e venda de assinaturas

4007 1127 (capitais) 0800 600 1127 (demais localidades). De segunda a sexta, das 7h às 20h Sábado, das 7h às 15h atendimento@brasileconomico.com.br

TABEL

A DE PREÇOS

Assinatura Nacional

TABEL A DE PREÇOS Assinatura Nacional Trimestral Semestral Anual R$ 247,50 R$ 495,00 R$
Trimestral Semestral Anual

Trimestral

Semestral

Anual

Trimestral Semestral Anual

R$ 247,50

R$ 495,00

R$ 990,00

Condiçõesespeciaisparapacoteseprojetoscorporativos

(circulação de segunda a sábado, exceto nos feriados nacionais)

Impressão: Oceano Indústria Gráfica e Editora

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Brasil Econômico

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

DESTAQUE INCLUSÃO FINANCEIRA

Classe C move crédito com compras a prazo

Mas planejamento financeiro começa a entrar para a lista de preocupações

Aline Lima

alima@brasileconomico.com.br

Indústria e comércio dos mais diversos segmentos da econo-

mia se debruçam sobre a classe

C que emerge como novo mo-

tor do consumo no país. Estão todos empenhados em enten- der os hábitos, preferências e necessidades desse público que, segundo a Fundação Ge- túlio Vargas (FGV), já responde por metade da população bra- sileira (exatos 49,22%). Mas por trás da demanda crescente por eletroeletrônicos, veícu- los, imóveis, entre outros pro- dutos de uma lista de desejos sem fim, existem os recursos — e, em última instância, a ala- vanca do crédito. Como será, pois, a relação entre a classe média e o dinheiro? Um levantamento feito pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com 800 pessoas em novembro do ano passado, intitulado “Perspectivas do consumo”, oferece um retrato interessante dessa nova classe média (com renda familiar mensal de R$ 1.116 a R$ 4.807) sob o aspecto financeiro. A es- tratificação da pesquisa por ca- madas sociais foi aberta com exclusividade para o BRASIL ECO-

NÔMICO. O objetivo do estudo é

compreender o papel do crédito para esse grupo de consumido- res e, além disso, verificar como eles lidam com a dívida. A classe C se mostra otimista com a economia brasileira e, por extensão, com o próprio futuro financeiro. Quando questiona- das sobre a situação econômica do país nos próximos 12 meses, 67,7% das pessoas da classe C acreditam que ela estará me- lhor. Da mesma forma, 33,20% estão confiantes na ascensão social para as classes AB nos próximos cinco anos. Esse nível alto de confiança tem estimulado a ida às com- pras. E o crédito, sem dúvida, tem possibilitado o acesso a produtos de melhor qualidade.

A forma de pagamento mais

usada é, de longe, a compra a prazo. Para a aquisição de mó-

veis, por exemplo, corresponde

a 60,3%; para a compra de ele-

trodomésticos, a 53,9%; e para a reforma da casa, a 51,9%. Mas, ao mesmo tempo que o otimismo estimula as compras a prazo, faz aumentar também o comprometimento da renda com parcelas que tendem a re-

É essencial ter um nível de

endividamento que não saia do controle. A ideia é comprar bem para comprar sempre

Sandra Turchi,

superintendente de marketing da Associação Comercial de São Paulo

presentar uma fatia do salário cada vez mais significativa. Aí mora o perigo da inadimplên- cia. “Embora a maioria das pes- soas mostre disposição para se planejar financeiramente, 53,2% dos entrevistados admitem comprar por impulso”, observa Sandra Turchi, superintendente de marketing da Associação Co-

mercial de São Paulo. É preciso que haja, portanto, um trabalho intensivo de cons- cientização junto a essa classe

C que, só agora, passa pela ex-

periência de ter crédito farto na praça. “O sistema bancário ga-

nha ainda mais com juros so- bre atrasos”, alerta Sandra. Ela cita o exemplo do valor míni- mo de pagamento do cartão de crédito. “Já vi muitos casos de confusão entre o valor da fatu-

do cartão e o pagamento mí-

ra

nimo que aparece em desta- que”, comenta. “Essas pessoas estavam acostumadas a com- prar com carnê e não são orientadas a usar os novos meios de pagamento.”

A falta de conhecimento se

estende também para a seara dos juros bancários. De acordo com a pesquisa feita pela ACSP,

no discurso os juros são indese- jados. Mas quando perguntados sobre o que é mais importante, se a taxa de juro ou se o valor da parcela cabe no bolso, 51,3% dos entrevistados pertencentes

à

classe C deram como resposta

o

valor da parcela. Além disso,

51,9% não sabia responder qual

era a taxa de juro cobrada em suas compras a prazo.

Planejamento financeiro

A boa notícia é que existe, sim,

uma vontade genuína do consu- midor em se planejar financei- ramente. Na hora da compra,

47,9% das pessoas da classe C informaram fazer pesquisa de preço em diversas lojas. Nas classes DE, todas as famílias en- trevistadas fazem pesquisa de preço. Isso porque uma redução de 10% no valor de uma gela- deira, por exemplo, pode repre- sentar até 25% do salário. Pechinchar é conduta arrai- gada na classe média — 71,9% dos consultados confirmam a prática antes da compra. De forma semelhante, 88% das

pessoas afirmam levar em con- sideração as dívidas atuais nas próximas compras, e 44,80% usam planilha para monitorar os gastos. “É essencial ter um nível de endividamento que não saia do controle”, observa San- dra. “A ideia é comprar bem para comprar sempre.”

OTIMISMO

Os que se sentem melhores financeiramente são

67,6%

DÍVIDA

Medo de não conseguir pagar compras a prazo atinge

55,4%

DESCONTROLE

Prestações comprometem mais da metade do salário de

54,2%

Tecnologia a serviço do consumo consciente

O poder da informação está

contribuindo para consolidar

a

relação entre consumidor

e

dinheiro. O processo se acelera

à medida que o uso de novas tecnologias é disseminado.

A internet, por exemplo, já é um

importante aliado da classe C

para realizar pesquisa de preço.

E aqueles que ainda não têm um

computador conectado à banda larga, querem ter. De acordo com a pesquisa “Perspectivas do consumo” feita pela Associação Comercial de São Paulo, 41,2% dos entrevistados da classe C

consideram muito importante adquirir, neste ano, um

computador ligado à internet,

e 40,2% pretendem contratar

serviço de banda larga. Mari

Zampol, diretora da CO.R

Inovação, empresa de

planejamento estratégico para marcas e produtos, ressalta que

o maior acesso à informação tem

permitido aprimorar, inclusive,

o conhecimento financeiro

das pessoas. “Quando bem capacitado, esse público consegue chegar na frente do vendedor e entender com maior

clareza quanto custa determinado produto e, até mesmo, ter confiança para discutir”, diz.

O aprimoramento das práticas de

consumo pode ser comprovado, segundo ela, nos típicos saldões que ocorrem em janeiro. “Muita

gente tem deixado o Natal passar para aproveitar as promoções de

início de ano.” Mas se a internet

é aliada na hora de se informar,

ainda é tabu para a classe C quando envolve compras on-line. Segundo a pesquisa feita pela associação, 35,20% acreditam que a prática nunca é segura.

Mesmo com mais acesso ao crédito, 71,9% da classe C mantém hábito de pechinchar

que a prática nunca é segura. Mesmo com mais acesso ao crédito, 71,9% da classe C

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico

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LEIA MAIS

Bancos de varejo começam a se preocupar mais com a classe C. Há um esforço de oferta de produtos, como o financiamento imobiliário, com linguagem mais dirigida.

o financiamento imobiliário, com linguagem mais dirigida. Em parceria com o varejo, os bancos oferecem cartões

Em parceria com o varejo, os bancos oferecem cartões de crédito para financiar o consumo. A tática é usada porque vendedores conhecem melhor os clientes.

é usada porque vendedores conhecem melhor os clientes. O mercado de seguros cresce com o aumento

O mercado de seguros cresce com o aumento do crédito. Para chegar ao consumidor das classes C e D, valem-se do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia.

do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia. Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com
do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia. Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com
do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia. Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com
do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia. Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com
do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia. Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com
do varejo, de empresas de energia elétrica e de telefonia. Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com
Infografia Monica Sobral ASCENSÃO SOCIAL Com maior poder aquisitivo, consumidores tornam-se clientes dos bancos e
Infografia Monica Sobral
ASCENSÃO SOCIAL
Com maior poder aquisitivo, consumidores
tornam-se clientes dos bancos e gastam mais.
Desconhecimento de taxas de juros
e perda de controle, porém, levam
ao risco de endividamento
BANCARIZAÇÃO
Quem tem conta corrente, em %
Sim
Não
CLASSES D/E
57,1
42,9
CLASSE C
71,4
28,6
CLASSES A/B
90,4
9,6
TOTAL
77,1
22,9
DISCREPÂNCIA
No discurso, taxa de juro é mais importante
que valor da parcela
Taxa de juro
55,7%
Valor da parcela
44,3%
na
prática, porém, mais da metade não sabe qual a taxa
cobrada nas compras parceladas:
Não sabe
53,1%
Sim, sabe
46,9%
PERSPECTIVA DE MIGRAÇÃO DE CLASSE NOS PRÓXIMOS CINCO ANOS, EM %
Acredita que será classe A/B
Acredita que será classe C
Acredita que será classe D/E
CLASSES D/E
22,40
38,80
38,80
CLASSE C
33,20
48,70
18,10
CLASSES A/B
50,70
41,30
8,10
TOTAL
38,70
44,60
17,00
FORÇA DO HÁBITO
Pessoas mais endividadas são também mais descontroladas, em %
GRAU DE ENDIVIDAMENTO
NÃO CONTROLA GASTOS
Baixo
12,3
Médio
18,1
Alto
24
0
5
10
15
20
25
Fonte: Associação Comercial de São Paulo
CONTROLA GASTOS Baixo 12,3 Médio 18,1 Alto 24 0 5 10 15 20 25 Fonte: Associação

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Brasil Econômico

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

DESTAQUE INCLUSÃO FINANCEIRA

Antes ignorados, emergentes viram foco dos bancos

Estratégia para crescer no segmento passa agora pela abertura de conta corrente, que facilita análise de risco de crédito

conta corrente, que facilita análise de risco de crédito Historicamente, a classe C nun- ca foi

Historicamente, a classe C nun- ca foi o público-alvo dos ban- cos. Até meados da década de 2000, as instituições financei- ras sequer conseguiam enxer- gar nela potencial para a for- mação de uma base promissora de clientes. Quando essas pes- soas entravam para o portfólio dos bancos de varejo, normal- mente junto com a conta-salá- rio da empresa onde trabalha- vam, era fácil percebê-las per- didas dentro das agências. Esse panorama, porém, aos poucos vem sendo modificado. Já

é possível notar, hoje, um esforço

de oferta dirigida, com linguagem mais adequada e até mesmo pre- ços mais acessíveis. “Além de a classe C estar aumentando, dado omovimento demigração das ca-

madas inferiores, esse é o público que mais tem potencial para con- sumir crédito”, afirma Silvana Machado, vice-presidente da consultoria A.T. Kearney. A mudança de foco em curso pode ser conferida no próprio discurso adotado pelos bancos. “Queremos esse cliente entran- do pela porta da frente e com tapete vermelho”, diz Rogério Estevão, superintendente exe- cutivo do Santander. “A classe

C é nossa vocação natural”, de-

fende Nilton Pelegrino, diretor do departamento de emprésti- mos do Bradesco. “Somos o único banco presente em todos os 3.564 municípios brasileiros,

e com isso conseguimos aten-

der ao nosso objetivo maior, que é a bancarização.” De fato, as diversas estraté- gias para crescer nesse seg- mento passam, preferencial- mente, pela abertura de conta corrente, uma vez que o proce- dimento facilita a análise de crédito. O Banco do Brasil (BB), por exemplo, tem apostado for- te na aquisição de folhas de pa- gamento. “A classe C é a opor- tunidade que temos para nos consolidarmos como um gran- de banco de varejo”, explica. No BB, dos 52 milhões de clientes, 12 milhões são da classe C, e desses 12 milhões, 8 milhões contam com crédito pré-apro- vado. Da carteira de emprésti- mos para pessoas físicas, que até setembro de 2009 somava R$ 85,7 bilhões, a classe C responde por cerca de 40%. Para atender à demanda crescente com mais qualidade, o BB criou uma ge- rência de varejo.

Queremos esses clientes entrando pela porta da frente e com tapete vermelho

Crédito imobiliário

O financiamento imobiliário

aparece como um dos principais

produtos a serem consumidos pela classe C. Desde o início do ano, o Bradesco passou a oferecer uma série de facilidades para aqueles que pretendem realizar o sonho da casa própria – válida,

no caso, para imóveis de até R$

150 mil. O número de documen-

tos exigidos na contratação da li-

nha sofreu uma redução drástica,

de 52 para 12. O objetivo é acele-

rar a concessão de forma que o empréstimo saia em até 15 dias. “Esse é um valor que nos per-

mite correr alguns riscos”, obser-

va Pelegrino. “Será nosso grande

diferencial em relação ao merca- do.” A taxa de juro cobrada é também “especialíssima”, nas palavras de Pelegrino — 7,50% ao ano mais TR, nos primeiros 36 meses, subindo para 9,50% nas parcelas posteriores. O Santander também está diminuindo as exi- gências financeiras para contra-

tação de crédito imobiliário, con-

ta Estevão, mas sem entrar em

detalhes. “O banco, sem dúvida, está com mais disposição para

oferecer empréstimo.” A.L.

PRODUTOS FINANCEIROS MAIS UTILIZADOS, POR CLASSE SOCIAL Cartões de débito e crédito são os que
PRODUTOS FINANCEIROS MAIS UTILIZADOS, POR CLASSE SOCIAL
Cartões de débito e crédito são os que mais atingem todas as classes, em %
CLASSE AB
CLASSE C
CLASSES DE
TOTAL
Cartão de débito
75,6
57,9
50
63,8
63, 8
Cartão de crédito de banco
66,7
46,2
35,7
52,9 52, 9
Cartão de crédito de loja
36,2
25,3
17,3
28,6 8,6
Cartão de crédito de financeira
25
13,3
6,1
17
Limite de crédito/cheque especial
62,5
40,1
27,6
47,3 47,3
Conta poupança
53,8
40,1
39,8
45,,4 45,4
Cartão de loja
44,9
30,9
24,5
35,5 35,,5
Cheque
42,6
15,3
8,2
25,1
Seguro
36,5
10,7
9,2
20,6
Empréstimo
17,9
11,5
7,1
13,5
Título de capitalização
19,2
6,9
0
10,8
0
10
20
30
0
40
40
50
50
60
60
70
70
80
80
MEIOS DE PAGAMENTOS MAIS UTILIZADOS
Dinheiro
Cartão de crédito
Cartão de débito
Cheque
Cheque
Carnê
Carnê
Financiado
Financiado
0,6%
29,6%
0,4%
35,5%
0,9%
33,0%
33,0%
12,7%
3,8%
0,4%
24,0%
14,2%
12,7%
5,7%
6,7%
5,6%
33,5%
38,3%
42,4%
MÓVEIS
ELETRÔNICOS
REFORMA DA CASA
Fonte: Pesquisa "Perspectivas do Consumo"
da Associação Comercial de São Paulo

Rogério Estevão,

superintendente executivo do Santander

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico

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André Penner

Nilton Pelegrino, do Bradesco: crédito imobiliário em até 15 dias é meta a ser atingida após redução do número de documentos exigidos para concessão

redução do número de documentos exigidos para concessão Cartão abre portas no mundo do consumo Concessão
redução do número de documentos exigidos para concessão Cartão abre portas no mundo do consumo Concessão
redução do número de documentos exigidos para concessão Cartão abre portas no mundo do consumo Concessão
redução do número de documentos exigidos para concessão Cartão abre portas no mundo do consumo Concessão

Cartão abre portas no mundo do consumo

Concessão de crédito ao consumo passa pela parceria entre bancos e lojas de varejo

Thais Folego e Aline Lima

redacao@brasileconomico.com.br

O cartão de crédito permanece

sendo a principal porta de entrada

da nova classe média brasileira no

sistema bancário. E não se trata

da porta da agência, mas sim a do

comércio. Por meio de parcerias com o varejo, os bancos finan- ciam o consumo com os chama- dos private labels, cartões de loja como os da C&A, por exemplo, que aos poucos passam a receber também bandeiras internacio- nais, como Visa e MasterCard. Essa foi a saída encontrada por grandes bancos para contornar tentativas frustradas de conquista do público de mais baixa renda a

partir da criação de financeiras de rua. “É como se os bancos se apropriassem desse relaciona- mento de longo prazo entre o co- merciante e seu cliente”, compa-

ra Silvana Machado, vice-presi-

Infografia Monica Sobral

Instituições financeiras já se preparam para o próximo desafio:

oferecer produtos

de investimento

Divulgação

desafio: oferecer produtos de investimento Divulgação Para o consultor de varejo Boanerges Ramos Freire, saber

Para o consultor de varejo Boanerges Ramos Freire, saber falar a língua da classe C é fator-chave de sucesso

dente da consultoria A.T. Kear- ney. “Trata-se de um processo quase artesanal. O vendedor, por exemplo, costuma ser da mesma região das pessoas que frequen- tam o estabelecimento”, explica.

A simplicidade na hora da co-

municação é fator chave para atender à classe C, afirma Boa-

nerges Ramos Freire, da Boaner- ges & Cia, consultoria especiali- zada em varejo financeiro. Ele lembra o exemplo da TecBan, administradora do Banco 24 Ho- ras, que em regiões com predo- mínio desse público adapta os terminais, utilizando desenhos,

e não só linguagem escrita. Para

Boanerges, a maioria das insti-

tuições financeiras não sabe falar

a língua desse cliente. “Não à toa,

vemos tantas parcerias com va- rejistas. Para o banco, essa é uma forma rápida e de baixo custo

para acessar a classe”, explica.

A tendência é que os bancos

utilizem essa base para começar o trabalho de bancarização, como fez o Bradesco quando colocou quiosques para abertura de conta corrente na megaloja da Casas Bahia. “Essa classe busca poder de compra, limite de crédito e simplicidade na proposta de va- lor”, ensina Márcio Parizotto, responsável pela área de produtos do Bradesco Cartões. “E que as taxas não sejam escondidas”, completa. Esse é um público que valoriza o controle das despesas e, por isso, quer saber commais fre- quência quanto já gastou. Por conta disso, o Bradesco envia mensagens para o celular (SMS) informando o saldo do cliente.

Investimentos

Depois do crédito, os investimen- tos serão a nova fronteira dos bancos junto à classe C. E as insti- tuições já se posicionam para dis- putar as economias desse público. “A previdência privada será, em breve, a nova caderneta de pou- pança”, aposta Rogério Estevão, superintendente executivo do Santander. Marcos Villanova, su- perintendente de investimentos do Bradesco, elegeu o CDB. “Em vez de deixar o dinheiro parado na conta, oferecemos um produto com resgate automático”, diz. “Assim, o cliente pode ficar tran- quilo para emitir um cheque.”

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

DESTAQUE INCLUSÃO FINANCEIRA

22 de janeiro, 2010 DESTAQUE INCLUSÃO FINANCEIRA Varejo é um dos principais canais de distribuição de

Varejo é um dos principais canais de distribuição de seguros

Instituições financeiras aproveitam bom relacionamento da classe C com lojas para vender apólices

Masao Goto Filho/e-SIM

Sandra Turchi, da Associação Comercial de São Paulo: “é preciso respeitar esse público, ainda que
Sandra Turchi, da Associação
Comercial de São Paulo: “é preciso
respeitar esse público, ainda que ele
não tenha conhecimento financeiro”

Thais Folego

tfolego@brasileconomico.com.br

O crescimento da oferta de cré-

dito vem acoplado ao incre- mento do mercado de seguros. Seja porque, com o maior poder de compra, existem mais bens a serem segurados, seja para a proteção do próprio credor, com o seguro de proteção finan- ceira ou prestamista — aquele que paga as parcelas do finan- ciamento do bem em caso de morte ou invalidez. “É preciso respeitar esse público, ainda que ele não tenha um conheci- mento vasto sobre finanças”, ressalta Sandra Turchi, superin- tendente de marketing da Asso- ciação Comercial de São Paulo. “Se o endividamento aumenta a ponto de o consumidor se ver enforcado, dificilmente ele vol-

tará a consumir do jeito que fa- zia antes.” A forma mais eficiente que as instituições financeiras encontra- ram para distribuir seguros de forma massificada para as classes

C e D foi por meio do varejo, de

empresas de energia elétrica e de

Divulgação

varejo, de empresas de energia elétrica e de Divulgação José Carlos Macedo CEO da Aon Affinity

José Carlos Macedo CEO da Aon Affinity

“A comunicação tem que ser adequada. No seguro de R$ 1,99 distribuído por uma empresa de energia do Maranhão, por exemplo, usamos carros de som nas ruas, além de mala direta, para fazer a divulgação”

telefonia móvel e fixa. “Se a maior demanda de seguros vem junto com a expansão do crédito, nada mais natural que oferecer o pro- duto no ato da venda”, comenta Eugênio Velasques, diretor exe- cutivo da Bradesco Vida e Previ- dência, que tem parceria com 19 redes de varejo. Os produtos são ofertados no ato da compra, por mala direta ou telemarketing ati- vo e a cobrança é feita na própria fatura da loja ou da empresa de energia ou telefonia - o que bara- teia o custo e permite seguros com um valormenor. Para se ter uma ideia do su- cesso desse modelo, a Aon Affi- nity, empresa especializada em distribuição de seguros de forma massificada, tem hoje 10 milhões de clientes ativos, sendo que desses oito milhões são das clas- ses C, D e E. “Mas as oportunida- des ainda são muito grandes”, avalia José Carlos Macedo, presi- dente da Aon Affinity. “O mer- cado está olhando para o consu- midor que ainda não é atendido pelo banco e as formas de chegar a ele.” Segundo afirma, outros canais de distribuição também

estão aparecendo, como o de venda porta a porta, que a Aon já utiliza na Colômbia e vai intro- duzir este ano no Brasil.

Comunicação

Segundo Boanerges Ramos Frei- re, da Boanerges & Cia, consul- toria especializada em varejo fi- nanceiro, as classes C e D têm mais facilidade de se relacionar com o varejo do que com os bancos. “O varejo é o setor que historicamente tem dado crédito para essas classes”, comenta. Ele lembra que o ambiente de uma loja é mais convidativo que o de um banco, com todo aquele esquema de segurança para en- trar. “Quem está na loja enten- de a linguagem do cliente”, completa Velasques. Além de terem um preço menor, os produtos têm que ser adaptados às necessidades do cliente. Segundo Macedo, na região Sul as pessoas estão mais preocupadas com que a família não passe fome no caso de mor- te ou perda de emprego, então o seguro desemprego faz sucesso. Já no interior de São Paulo, o

mais popular é o auxílio fune- ral. Além desses, ainda existem produtos para acidentes pes- soais, residencial, garantia es- tendida e de perda e roubo. O Bradesco acabou de lançar um seguro de acidentes pessoais que custa R$ 3,50. Nos dez pri- meiros dias de venda, foram ne- gociadas 115 apólices na agência do banco na Rocinha, no Rio de Janeiro, e 52 seguros na unidade de Heliópolis, em São Paulo.

e 52 seguros na unidade de Heliópolis, em São Paulo. ■ PREÇO R$ 3,50 é o

PREÇO

R$ 3,50

é o valor do seguro de acidentes

pessoais que o Bradesco acabou de lançar. Eles são vendidos por corretores nas agências do banco.

VOLUME

10 milhões

é o número de clientes ativos

que a Aon Affinity tem no Brasil. O seguro mais barato custa R$ 1,99 e o mais caro, é R$ 16,99.

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 9

KIDS BIKE TOUR

22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 9 KIDS BIKE TOUR parceiros SÃO PAULO 2010 23 DE

parceiros

SÃO PAULO 2010

23 DE JANEIRO

Parque das Bicicletas

ESCALÃO A

09:30h

Crianças dos 2 aos 3 anos

ESCALÃO B

10:00h

Crianças dos 4 aos 5 anos

ESCALÃO C

10:30h

Crianças dos 6 aos 9 anos

ESCALÃO D

11:00h

Crianças do 10 aos 11 anos

anos ESCALÃO C 10:30h Crianças dos 6 aos 9 anos ESCALÃO D 11:00h Crianças do 10
apoios
apoios

media

anos ESCALÃO C 10:30h Crianças dos 6 aos 9 anos ESCALÃO D 11:00h Crianças do 10

organização

anos ESCALÃO C 10:30h Crianças dos 6 aos 9 anos ESCALÃO D 11:00h Crianças do 10
anos ESCALÃO C 10:30h Crianças dos 6 aos 9 anos ESCALÃO D 11:00h Crianças do 10

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

BRASIL

Campanha digital é desafio para o marketing político

Novas regras eleitorais liberam o uso da internet nas campanhas e dão mais espaço para as mensagens digitais por rede e celulares. Candidatos, publicitários e os próprios eleitores já experimentam as mudanças

Sílvio Ribas

sribas@brasileconomico.com.br

As mudanças trazidas pela minireforma eleitoral (Lei 12.034/2009) em favor do li- vre uso das mídias digitais pe- las campanhas a partir deste ano deverão consagrar os san- tinhos eletrônicos como novo fenômeno do marketing políti- co. Além dos spams de e-mails,

a versão moderna da tradicional

propaganda pulverizada de candidatos poderá alcançar es- cala ainda maior nas mensagens instantâneas de celular, as cha-

madas SMS ou torpedos. “O marketing viral já é uma das es- tratégias mais usadas, com fotos

e textos difundidos pela web. O

papel potencial dos celulares nas campanhas é enorme se considerar que há 174 milhões de assinaturas no Brasil”, subli- nha Paulo Kramer, professor do Instituto de Ciência Política da

Universidade de Brasília (UnB). As novidades com apelo tec- nológico das eleições de 2010 partem da ampliação do espaço da internet, a exemplo dos mo- vimentos já percebidos em blogs, redes sociais e mensagens instantâneas. Algumas ainda terão de ser detalhadas até mar- ço pelo Tribunal Superior Elei- toral (TSE). “Os candidatos a cargos majoritários buscam conquistar no público conecta- do na internet eleitores jovens, os de perfil político mais mode- rado e aqueles geograficamente mais dispersos”, arrisca Kra- mer. Ele lembra que há cidades no Nordeste sem agências dos Correios, mas onde há lanhou- ses, um dos principais acessos à rede por cidadãos de baixa ren- da, juntamente com os locais de trabalho. Segundo dados do

Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística (IBGE), cerca de 60

milhões de brasileiros têm aces- so regular à internet. Conforme a nova lei eleito- ral, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pro- paganda eleitoral gratuita será permitida em blogs, sites, co- munidades e outros veículos de comunicação do próprio can- didato, devidamente registra- dos no TSE, além de portais de

Tribunal Superior Eleitoral ainda precisa detalhar até março novidades válidas para este ano, como direito de resposta na internet e a abertura para doações de pessoas físicas a

candidatos via rede

notícias. Eleit ores que quise- rem fazer sites de apoio a políti- cos estão livres. Na eleição pas- sada (2008), o TSE limitou a pro- paganda a domínios “can.br”. Diversos candidatos reclama- ram de limitações como as so- bre comunidades virtuais, por exemplo. A Justiça não acatou os pedidos, alegando que o pe- ríodo eleitoral havia começado e seria impossível mudar regras da publicidade.

Spam autorizado

No caso do SMS, essa aborda- gem eletrônica de eleitores por candidatos esbarra na mesma limitação da publicidade no ce- lular por empresas. Segundo a legislação definida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o chamado mobile marketing no Brasil está condi- cionado à autorização prévia do usuário, embora venha ocor- rendo de forma irregular. Patrícia Peck Pinheiros, advo- gada especializada em direito di- gital, ressalta que o usuário-elei- tor pode receber a primeira mensagem, mas não pode per- manecer sem sua autorização na lista do spam por mais de 48 ho- ras. A partir dái, nesse modelo chamado de “opt out”, o candi- dato pode ser multado em R$ 100 por mensagem indevida. O mes- mo vale para os e-mails. “Não tenho dúvida de que o santinho eletrônico vai se disseminar nessa eleição”, prevê. Para a advogada, a internet oferece mais transparência às eleições e é desafio aos estrate- gistas políticos, que precisarão criar peças específicas. O gran- de modelo é o da campanha vi- toriosa do presidente dos Esta- dos Unidos, Barack Obama, que soube explorar o lado interativo da mídia. “A internet tem gran- de potencial mobilizador, como foi o caso de Obama, e não pode ser vista como simples comu- nicação de massa”, resume. Apesar das regras sobre o di- reito de resposta na campanha política on-line, a especialista acha difícil coibir a “boca de urna digital”. “Cabe aos pró- prios candidatos monitoraraas manifestações na rede, para permitir abusos”, diz.

manifestações na rede, para permitir abusos”, diz. ■ ELEITORADO 132 milhões È o número de cidadãos

ELEITORADO

132 milhões

È

o número de cidadãos aptos

a

votar nas próximas eleições.

O

número ainda pode subir até

maio, fim do prazo para registros.

SEMPRE JUNTO

174 milhões

Foi o total de assinantes de aparelhos celulares recentemente atingido pelo país. Políticos estão de olho nesse alcance, maior que os de usuários de internet.

ANTI-SPAM

R$ 100

Esse é o valor da multa fixada

pela lei eleitoral para cada

mensagem de celular ou internet não autorizada pelo eleitor.

INTERNAUTAS

60 milhões

É o número aproximado de usuários regulares de acessos à internet no país, segundo o IBGE. Além da conexão doméstica, locais públicos e trabalho contam.

de acessos à internet no país, segundo o IBGE. Além da conexão doméstica, locais públicos e

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 11

Ricardo Stuckert/PR

de janeiro, 2010 Brasil Econômico 11 Ricardo Stuckert/PR MP vai destinar recursos para o Haiti O

MP vai destinar recursos para o Haiti

O Ministério do Planejamento ficou encarregado de redigir a medida provisória que será encaminhada ao Congresso com a liberação de recursos para os ministérios de Relações Exteriores, da Saúde e da Defesa. Os recursos serão utilizados em ajuda ao Haiti. As medidas foram analisadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião ministerial de ontem na Granja do Torto. A Saúde receberá R$ 135 milhões para construir dez Unidades de Pronto Atendimento (UPA) em Porto Príncipe,

TARIFAS AÉREAS

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu consulta pública para proposta de resolução que regulamentará o registro das tarifas domésticas e internacionais no transporte aéreo. Meta é levar empresas a informar as tarifas de todas as ligações operadas.

a informar as tarifas de todas as ligações operadas. Infográfico: Rubineto ELEITOR CONECTADO PROPAGANDA OFICIAL

Infográfico: Rubineto

ELEITOR CONECTADO PROPAGANDA OFICIAL DIREITO DE RESPOSTA Mudanças orientadas para meios de comunicação digitais
ELEITOR CONECTADO
PROPAGANDA OFICIAL
DIREITO DE RESPOSTA
Mudanças orientadas para meios de comunicação digitais
definidas pela reforma eleitoral e que vão estrear este ano
As regras na web são diferentes do rádio e da televisão. O
direito de resposta na internet deverá permanecer no ar por
tempo não inferior ao dobro do qual a reportagem esteve
disponível para a leitura
A campanha vai até 10 horas antes dos
dois turnos da eleição. No dia do pleito,
nenhuma propaganda é permitida. Ficam
proibidas as pinturas de muros. Nos bens
particulares pode haver propaganda por
faixas, placas, cartazes ou pinturas que não
excedam 4 metros quadrados. Fica proibido
o uso de trio elétrico
TRANSPARÊNCIA
JORNALISMO
ON-LINE
A partir da nova
lei, sites de notícias,
blogs, microblogs e
redes sociais estão
livres para expressar
opiniões, desde que
não haja anonimato,
tendo assegurado o
direito de resposta
em caso de ofensa
O TSE poderá exigir identificação
na internet de doadores e
beneficiados por recursos de
campanha, permitindo doações de
pessoas físicas pela rede e com
cartão de crédito. Esses meios
requerem preenchimento de
formulário detalhado sobre a ficha
processual e financeira de cada
postulante a mandato na inscrição
da candidatura
DEBATES NA REDE
Internet poderá transmitir debates.
As regras deverão ser aceitas por
dois terços dos candidatos. Todos eles
deverão ser convidados. O debate
poderá ser em conjunto ou em grupos
de três candidatos
PUBLICIDADE ANTECIPADA
SPAM NO CELULAR
INTERNET LIVRE
A nova lei permite a difusão de
emails e SMS no celular, mas
desde que autorizado pelo
usuário na primeira mensagem
recebida. Se o candidato não tirar
da lista o eleitor desinteressado
em 48 horas receberá multa
Os candidatos poderão usar
todas as ferramentas
disponíveis para contato virtual
com os eleitores: sites, blogs,
mensagens eletrônicas e redes
sociais. As páginas poderão
ficar no ar mesmo no dia da
eleição. Só a propaganda on-line
paga continuará sendo proibida
Entrevistas com pré-candidatos ou
participação deles em encontros,
debates e programas, inclusive com
exposição de plataformas eleitorais,
não são consideradas propaganda
antecipada, desde que não venha
acompanhada do pedido de votos
Fontes: Câmara dos Deputados e Lei 12.034/09

José Cruz/ABr

Biometria é embrião do voto pela internet

Mais avançada do mundo e adotada em todo o país desde 2000, a urna eletrônica ainda será veículo para novas experiências em favor da transparência e agilidade no processo eleitoral

Urna testada no país com identificação do eleitor pela digital prepara novos avanços

Sílvio Ribas

sribas@brasileconomico.com.br

O Brasil foi pioneiro no mundo a

ter, desde 2000, todo o seu pro- cesso eleitoral automatizado. A urna eletrônica é o grande per- sonagem dessa revolução digital que ainda promete novos lan- ces. Este ano, o Tribunal Supe- rior Eleitoral (TSE) vai ampliar os testes do acesso ao voto atra- vés da impressão digital, a cha- mada biometria. Em 2008, três cidades participaram da inicia- tiva, que nas próximas eleições deverão cobrir cerca de 3% dos eleitores. Das 460 mil urnas ele- trônicas que serão usadas, mais da metade do parque já virá com essa tecnologia embarcada. Segundo especialistas, a urna biométrica é o embrião do voto pela internet. “É um processo inevitável. Basta apenas solu- cionar o desafio da identificação do eleitor, o que deve ser resol-

vido pela biometria”, diz Patrí- cia Peck Pinheiros, advogada

especializada em direito digital.

A primeira utilidade deverá ser

Mania entre os políticos brasileiros iniciada em 2008, o microblog Twitter deverá ser também

uma das principais ferramentas digitais durante a campanha presidencial de 2010

para os eleitores brasileiros lo- calizados no exterior. O maior objetivo da urna biométrica é colocar um fim em eventual dúvida sobre a identi- dade do eleitor. Elas permitirão a foto dos eleitores no terminal dos mesários, especificações mais seguras e maior velocidade no processamento dos votos são algumas das novidades prome- tidas pelo TSE dentro do novo modelo da urna eletrônica .

Candidatos twiteiros

Uma das principais ferramentas digitais de interação entre elei- tores e candidatos é o microblog Twitter. Os políticos já estrea- ram em 2008 o canal e muitos já fazem seus comunicados por ele. Sob inspiração do então candidato Barack Obama, pre- sidente dos Estados Unidos, destaca-se entre os twiteiros da política brasileira o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pré-candidato à Presidência da República. Sua rival, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), tem entre seus assessores de campanha um dos principais responsáveis pelo sucesso de Obama no marketing digital, o norte-americano Ben Self.

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

BRASIL

MEIO AMBIENTE

Receita arrecada R$ 698,28 bilhões em 2009, queda de 2,96% em relação a 2008

A arrecadação de impostos e contribuições federais encerrou 2009 em R$ 698,289 bilhões, com queda real de 2,96% ante 2008. No mês de dezembro a arrecadação somou R$ 73,869 bilhões, expansão de 6,92% ante dezembro de 2008. A arrecadação de dezembro foi a maior da série histórica. O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, disse que, diante das dificuldades de 2009, o resultado foi “auspicioso”.

Divulgação

de 2009, o resultado foi “auspicioso”. Divulgação Estudo prevê Brasil à frente de França e Reino

Estudo prevê Brasil

à

frente de França

e

Reino Unido

PricewaterhouseCoopers (PwC) diz que economia brasileira deve ser a 5ª maior do mundo a partir de 2025

Daniel Haidar

dhaidar@brasileconomico.com.br

O ranking das cinco maiores

economias do mundo vai mu- dar consideravelmente nos próximos anos. A boa notícia

é que o Brasil vai ter um Pro-

duto Interno Bruto (PIB) em poder paritário de compra (PPC) maior do que França e Reino Unido a partir de 2013, segundo estimativas feitas pela equipe macroeconômica da PricewaterhouseCoopers (PwC) de Londres. No estudo “Como a distri- buição do poder econômico no mundo está mudando”, os con- sultores preveem que o Brasil

será a quinta maior economia

do mundo a partir de 2025.

Pelas estimativas da PwC, os sete maiores emergentes (China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia) terão um PIB conjunto 30% maior do que os sete países mais ricos, do G7 : EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Fran- ça, Itália e Canadá. De acordo com a consultora Yael Selfin, uma das responsá- veis pelo estudo da PwC, o Brasil vai se beneficiar basica- mente por três motivos: maior demanda externa por commo- dities, margem maior para ga- nhar produtividade com ino-

vação tecnológica e o petróleo

da camada pré-sal.

Deficiências

Mas há pedras no caminho da

superação brasileira, como a volta da inflação e a manuten- ção de uma elevada carga tri- butária, lembra a especialista.

A remoção dos gargalos de in-

fraestrutura e mais qualifica- ção de mão de obra continuam sendo os principais desafios. “O governo precisa investir

mais em infraestrutura e elevar

o gasto com educação, assim a

qualificação da mão de obra pode melhorar”, d isse Yael

Maior demanda

internacional por

commodities,

margem maior para

ganhar produtividade

e o petróleo do pré- sal podem colocar

o Brasil entre as 5 maiores economias

Selfin, da PwC, em entrevista

ao B R A S I L E C O N Ô M I C O .

O economista Douglas Ue-

mura, da LCA consultores, avalia que o Brasil realmente

tem chances de obter um PIB maior do que Reino Unido e

França nos próximos anos, como prevê o estudo.

“Acred ito que Bras i l tem

condições de crescer mais de 4% ao longo dos próximos anos”, diz Uemura.

Já o economista Bernardo

Wjuniski, da Tendências con- sultoria, diz que é preciso su- perar algumas deficiências estruturais antes de alcançar a produção de riquezas de paí- ses europeus. “É uma projeção bem oti- mista. Existem algumas res- trições para que a gente con- tinue crescendo na faixa de 5% a partir de 2010”, declarou Wjuniski.

Ano eleitoral

O tamanho do crescimento econômico do Brasil nos próxi- mos anos vai ser selado com a eleição presidencial deste ano, prevê o cientista político Chris- topher Garman, diretor para América Latina da consultoria política Eurasia Group. “Não que o próximo governo coloque qualquer risco sobre o cená- rio”, declarou.

Supremacia dos emergentes

A importância geopolítica do Brasil e de outros emergentes ganhou relevo não só pelo crescimento do PIB. O relató- rio da PwC lembra que outras nações em desenvolvimento, reunidas no G20, já expulsa- ram o G7 como fórum principal para decisões econômicas. Os consultores destacam ainda o tamanho da responsa- bilidade do Brasil em conduzir com sucesso os Jogos Olímpi- cos de 2016 e a Copa de 2014 após a bem-sucedida Olím- piada de Pequim.

ESCÂNDALO

Corregedor critica afastamento de deputados em julgamento de Arruda

O corregedor da Câmara Legislativa do DF, deputado Raimundo Ribeiro

(PSDB), disse ontem que a ordem judicial de afastar oito deputados das decisões sobre o eventual impeachment do governador José Roberto Arruda, a seu ver, foi a ingerência de um poder sobre o outro. Ribeiro, que também é relator da CPI da Corrupção, afirmou que cada um dos três poderes tem um papel próprio, para assegurar a democracia.

poderes tem um papel próprio, para assegurar a democracia. AVANÇO 2013 é o ano apontado pela
poderes tem um papel próprio, para assegurar a democracia. AVANÇO 2013 é o ano apontado pela

AVANÇO

2013

é o ano apontado pela

PricewaterhouseCoopers como marco para que o Brasil supere em termos de PIB, em Poder Paritário de Compra, economias como França e Reino Unido.

PROJEÇÃO

2025

É o ano em que o Brasil

conseguiria chegar a ser a quinta maior economia do mundo.

Para tanto, deve perseguir metas importantes, como a redução do gasto público.

QUATRO PERGUNTAS A

Divulgação

redução do gasto público. QUATRO PERGUNTAS A Divulgação CHRISTOPHER GARMAN Diretor para América Latina da

CHRISTOPHER GARMAN

Diretor para América Latina da consultoria Eurasia Group

“Brasil é mais atrativo que a China e a Rússia”

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico

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PARALISAÇÃO

Trabalhadores de Furnas no Rio, SP e MG fazem greve por equiparação salarial

Os três mil trabalhadores de Furnas Centrais Elétricas que atuam no Rio de Janeiro cruzaram os braços ontem em protesto contra o não-cumprimento de acordo para equiparação de salários aos das outras empresas coligadas ao Sistema Eletrobrás. As paralisações atingiram também os funcionários de Furnas em São Paulo e Minas, num total de mil trabalhadores, mas foram mantidos os turnos emergenciais para 30%.

O brasileiro Christopher Garman,

mestre em ciência política pela Universidade da Califórnia,

e diretor para América Latina

da consultoria política Eurasia Group, diz que investidores internacionais que o procuram mantém mais interesse no Brasil do que em outros emergentes como Rússia, Índia e China. Confira trechos da entrevista

que deu ao BRASI L ECONÔMICO

pelo telefone de Nova York.

O que torna o Brasil mais atraente para estrangeiros nos próximos anos?

Existe visão muito bem

consolidada aqui fora, que existe consenso grande entre classe política sobre uma

macroeconomia que mantenha um ambiente de inflação baixa para o médio e longo prazo. Investidores veem estabilidade macroeconômica, casada com crescimento tremendo do mercado doméstico. A descoberta do pré-sal é a fronteira mais promissora de extração e produção no mundo neste momento. Também tem um setor agrícola com potencial de terras a serem cultivadas, muito promissor a se olhar em um nível mais global.

Alberto César

a se olhar em um nível mais global. Alberto César INDÚSTRIA Uso de capacidade instalada cresce

INDÚSTRIA

Uso de capacidade instalada cresce pelo quinto mês consecutivo

O uso da capacidade instalada na indústria alcançou em novembro de

2009 o maior patamar desde outubro de 2008, a 81,4%. O dado com ajuste sazonal, divulgado pela CNI ontem, indica um crescimento de 0,3% sobre o mês anterior. “Foi também o quinto mês seguido de aumento em comparação com o mês anterior”, acrescentou a CNI. Outros indicadores confirmam que a indústria mantém o ritmo de retomada em novembro.

Mike Elis

A consultora Yael Selfin, uma das autoras do estudo da PwC, vê que o Brasil tem mais margem para crescer do que europeus

Especialistas apontam entraves

No caminho para o Brasil crescer ao ponto de desbancar economias européias, restam algumas deficiências estruturais

e o desafio de compartilhar

essa riqueza para reduzir a desigualdade social, segundo

especialistas entrevistados

pelo Brasil Econômico.

O elevado gasto público com

funcionalismo e sistema de previdência limitam a margem de manobra do governo para reduzir a carga tributária. “Há uma carga tributaria muito elevada com relação a muitos

países emergentes”, diz o diretor para América Latina do Eurasia Group, Christopher Graham. Além de reduzir as despesas,

o poder público deve priorizar

investimentos em infraestrutura para remover gargalos causados pela situação periclitante das estradas, o baixo aproveitamento da navegação de cabotagem

e o risco de apagão aéreo.

Para isso, é preciso elevar

o conjunto de investimentos

públicos e privados do Brasil para um nível bem acima do

equivalente a 16,4% do PIB, previsto pela Tendências

consultoria para 2009, e reduzir

a dependência de financiamento

externo do déficit nas transações

correntes. “O ideal é crescer com financiamento domestico, mas algum nível de financiamento externo é absolutamente natural”, diz Bernardo Wjuniski, da Tendências.

É preciso investir também contra

a corrupção de funcionários

públicos que desviam recursos que poderiam ser utilizados em investimentos. “Com recursos escassos, é um dinheiro que você está perdendo do setor governamental”, destacou Douglas Uemura, da LCA. D.H.

Qual seria a diferença em relação a outros emergentes?

Brasil se compara bem a outros países que enfrentam maiores dificuldades. Ambiente regulatório na Rússia tem problemas difíceis, com um risco muito maior. China é um pais com tremendo potencial, mas para empresas investir é muito difícil, evidenciado pelo último exemplo da Google.

Quais são os principais gargalos que podem limitar o crescimento nos próximos anos e o que o próximo presidente precisa fazer?

Ainda existem desafios importantes que podem levar

o Brasil a realizar seu potencial

de crescimento ou não. Política fiscal não é sustentável no médio e longo prazo, com carga tributaria chegando a 36%. Gera um custo muito grande para várias empresas e Brasil corre o risco de perder competitividade em certos setores. Governo só pode reduzir essa carga tributária se reduzir a rigidez dos gastos. É necessário fazer ajustes nos gastos da previdência, limites nos crescimentos da folha salarial. E tem decisões muito importantes setoriais, que não

requerem reforma constitucional.

Que decisões?

O modelo que o governo está

defendendo para o pré-sal é uma

estratégia de desenvolvimento dessas reservas, porque depende quase exclusivamente da capacidade operacional da

Petrobras. Independentemente da capacidade dela, é um desafio muito grande. Renovação das concessões do setor elétrico

é também muito importante.

A maneira como avançar para

um programa nacional de banda larga também é importante para gerar mais produtividade.

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

OPINIÃO

Roberto Freire

Presidente do PPS

Roberto Freire Presidente do PPS

Silêncio ensurdecedor

Em 2010 comemoramos os 25 anos do fim da ditadu- ra militar. Sintomático e relevante é o silêncio abissal do PMDB

e o total alheamento do PT, talvez o partido que mais se

beneficiou com a redemocratização. É compreensível a não-comemoração de tão importante fato na vida po- lítica do país por parte do PT, que se recusou a fazer

parte da aliança democrática que elegeu Tancredo Ne- ves em 1985, depois de derrotada a emenda das Diretas

Já — e ai da democracia brasileira se dependesse do PT:

a ditadura teria se reproduzido com a escolha de Paulo

Maluf no Colégio Eleitoral. Já o silêncio do PMDB e de

outras forcas democráticas nos parece constrangedor.

O MDB, antecessor do PMDB, fundado pelo Ato

Institucional 2 ( juntamente com a Arena), em 1965, nucleou desde o início uma oposição derrotada re- manescente dos diversos partidos que haviam sido extintos pelo regime militar. Um momento marcante aconteceu em 1974, quando o MDB obteve uma vitó- ria histórica na eleição para o Senado, derrotando a Arena em 17 dos então 21 estados da Federação. Com licença do leitor para o grifo, “consolidava-se ali a via democrática como a única forma de luta capaz de derrotar a ditadura”. Cabe destacar, sobretudo para a nova geração, o pa- pel que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) desem- penhou na redemocratização do País. Foi o Partidão o setor da esquerda que, junto e sob a liderança dos de- mocratas, construiu a mais ampla frente de forças po- líticas e sociais de resistência ao regime militar. O PCB recusava o voluntarismo e o aventureirismo da opção pela luta armada: além de equivocadas, as teorias mili-

taristas dos focos, as guerrilhas urbanas e rurais, os se- qüestros e atentados, serviram para articular as forças da repressão e os ultrarradicais do regime militar.

O PCB entendia que uma frente democrática era o

instrumento efetivo para o isolamento e derrota da di- tadura. De todo modo, nós, que viemos daquelas forças políticas que forjaram o velho MDB, temos, não apenas que festejar, mas nos sentirmos responsáveis pela saí- da democrátic a que o país conheceu com a eleição de Tancredo Neves (sim, o vice era José Sarney!).

O PT se negou a participar da aliança

democrática que elegeu Tancredo

Neves. Fosse o partido e a ditadura teria

se reproduzido com a escolha de Maluf

E o PT com isso? Aí é que está. Alguns anos antes do

Colégio Eleitoral, precisamente após a anistia (a pri- meira) de setembro de 1979, o regime havia, por meio de uma reforma política da lavra do general Golbery do

Couto e Silva, dividido a oposição e permitido a legali- zação e criação de partidos democráticos, dentre eles, no campo da esquerda, o PDT (legenda que resultava do golpe judiciário contra o PTB de Brizola) e o PT (ar- ticulação de movimentos da Igreja Católica com ex- pressivas lideranças sindicais e egressos da luta arma- da). Não por acaso, o regime não permitia a livre orga- nização partidária, o PCB continuava perseguido.

A liberdade partidária plena só se concretizaria após a

eleição de Tancredo, quando o governo removeu entulhos autoritários, acabou com a censura, restaurou a liberdade de imprensa e convocou a Assembleia Nacional Consti- tuinte. Não émotivo bastante para comemorações?

Sérgio vale

Economista-chefe da MB Associados

Sérgio vale Economista-chefe da MB Associados

Novos dilemas

Há uma sensação de forte retomada dos investimen- tos em 2010, tanto pela base de comparação sofrível

quanto pela própria recuperação da economia este ano. Mas temos que tomar cuidado quando se houve que teremos vários anos de espetáculo de cresci- mento de investimentos. Apesar de essa necessidade ser clara para as obras esportivas e do pré-sal, não parece evidente ainda que o ciclo de expansão da formação de capital será livre de ruídos.

O grande empecilho para uma aceleração mais vi-

gorosa está na poupança. O governo, nos últimos anos, fez o desserviço de diminuir a poupança ao decidir manter uma política de superávit primário baixo, que parece que irá se manter este ano, com possibilidade de se estender para os próximo anos também, a depen- der de quem ganhe a eleição . Esse empecilho é grave, pois numa economia em que a taxa de investimento ainda está abaixo de 19% e a poupança apresenta nú- meros ainda menores, é praticamente impossível pen- sar em crescer consistentemente 5% por ano, sem causar nenhuma pressão inflacionária. Na melhor das hipóteses, com o investimento crescendo o dobro do crescimento do PIB, uma hipótese nada conservadora, atingiríamos 25% do PIB de taxa de investimento lá para 2016, sendo este o número mágico que daria a tranqüilidade para o crescimento de 5% não ser infla- cionário. Isto significa que até 2016 poderemos ter um vôo de galinha suave, com momentos de crescimento mais fraco, em torno de 3% ou 4%, para ajustar a eco- nomia de volta para um padrão inflacionário condi- zente com as metas de inflação de 4,5%.

O grande obstáculo para a aceleração mais vigorosa é a poupança. Fizeram o desserviço de diminuí-la para manter superávit primário baixo

Da necessidade de investimentos para os próximos anos podemos tirar duas conseqüências. A primeira é que o governo tem exagerado no peso do BNDES no fi- nanciamento de novos projetos. Faz parte de seu papel estimulá-los, mas quando o governo começa a capita- lizar a instituição ele acaba gerando aumento da dívi- da pública bruta e pressão sobre o banco em cima de projetos que possam não ser os mais interessantes, ou seja, aumenta o risco de empréstimos de má qualida- de. A implicação disso também é que o mercado acio- nário acaba ficando de lado, quando na verdade deve- ria ser reforçado como fonte de financiamento para as empresas. Por conta das obras esportivas específicas e a rapidez necessária para elas, bem como dos investi- mentos para o pré-sal, pode haver concentração de

investimento no país em detrimento de outros seg- mentos. Um candidato natural a perder importância relativa é a infrae strutura fora das áreas esportivas e do pré-sal. Afinal, não parece haver dinheiro disponí- vel para todas as necessidades.

A segunda é que em 2010, por conta das incertezas

sobre o próximo presidente, pode haver certo pé no freio principalmente no investimento estrangeiro di- reto. Há ainda uma percepção pelos investidores que os atuais candidatos são a mesma coisa, mas com o passar da eleição e a identificação de diferenças funda- mentais da situação e da oposição, esse investidor pode ficar mais arredio.

oposição, esse investidor pode ficar mais arredio. ■ CARTAS HAITI O mundo tem um grande desafio

CARTAS

HAITI

O mundo tem um grande desafio neste século XXI: a

reconstrução do Haiti. Parece evidente que a situação desse país chegou ao caos completo a ponto de ser praticamente impossível pensar que momentânea ajuda humanitária possa ser a solução. Para reconstruir a Europa ocidental, destruída na II Guerra,

foi necessário o Plano Marshall. A Europa oriental

e

a União Soviética não tiveram ajuda internacional

e

patinaram no seu desenvolvimento. A ONU tem

o

programa de estabilização do Haiti, o Minustah,

que é basicamente militar e visa a ordem pública

e a democracia. Isso é insuficiente. As instituições

políticas do Haiti têm se mostrado por demais frágeis para alavancar o país e tirar sua população da miséria. Penso que cabe à ONU enfrentar o desafio de estabelecer metas mínimas de desenvolvimento

e um cronograma de planejamento para que o Haiti

possa voltar a andar com as próprias pernas, apagando essa mancha que envergonha a civilização humana neste século. Será um novo modelo de

intervenção internacional, civil, e que deverá também estimular a participação dos dirigentes haitianos. Roldão Simas

Brasília (DF)

FEMSA Em referência a matéria publicada no jornal BRASIL ECONÔMICO de 18 de janeiro de 2010,

intitulada “Schin e Petrópolis são bola da vez”,

a FEMSA Cerveja Brasil esclarece que:

A cor verde das embalagens de garrafa de vidro

long neck e 600ml retém menos a luz UV, porém

a companhia adota a utilização de embalagens

secundárias para garantir que não ocorra alteração no produto, garantindo sua qualidade superior. Além disso, no caso das embalagens retornáveis, a empresa utiliza a “crate cover”, uma tampa de papel cartão posicionada na parte superior das caixas

que reduz a exposição à luz, conservando o produto. FEMSA Brasil

São Paulo (SP)

PREVIDÊNCIA

A grande questão da previdência tem a ver com

a necessidade de se buscar meios de assegurar

que o aposentado realmente se retire do mercado de trabalho, abrindo campo para que outros possam

ocupar esse espaço, aumentando o número de empregos. Mas para que isto acontença,

o aposentado tem de receber um valor condizente com os esforços de uma longa vida dedicada

ao trabalho e ao crescimento do país. Isto não acontece pela falta de um diálogo mais intenso entre as partes, ou seja, entre a área governamental

e os representantes dos aposentados. O diálogo

fica limitado ao pedido e à recusa. A solução

é

simples e os “velhinhos” poderão comemorar

o

seu dia, com satisfação e não em forma de desabafo. Uriel Villas Boas

Santos (SP)

PÃO DE AÇÚCAR VAI INVESTIR R$ 5 BILHÕES ATÉ 2012 Esse empresário é sem dúvida audacioso

e competitivo. O mercado brasileiro está muito

bem servido. Abílio Diniz sempre foi um executivo

de peso no comércio de eletroeletrônicos

e supermercados. Tornou-se ainda mais poderoso agora com a aquisição do conglomerado Casas Bahia. Bom para o público consumidor, bom para a classe trabalhadora, bom como

exemplo a outros grande empresário desse país. Francisco Souza

São Paulo (SP)

BRASIL REGISTRA DÉFICIT EM CONTA CORRENTE Sem a entrada de capital externo, o pais não cresce os 5% alardeados. O mercado interno ainda não é

suficiente para isto. Já podem ir retirando a taxação sobre investimentos externos na bolsa de valores. Luiz

Porto Alegre (RS)

Cartas para Redação - Av. das Nações Unidas, 11.633 –

8º andar – CEP 04578-901 – Brooklin – São Paulo (SP). redacao@brasileconomico.com.br

As mensagens devem conter nome completo, ende- reço e telefone e assinatura. Em razão de espaço ou clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de edi- tar as cartas recebidas.

Mais cartas em www.brasileconomico.com.br.

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 15

Ag Petrobras

22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 15 Ag Petrobras Fim do processo A Comissão de Valores

Fim do processo

A Comissão de Valores Mobiliários aceitou a proposta de R$ 400 mil do diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, para encerrar processos judiciais. A ação foi movida em virtude de informações prestadas por ele em reunião com analistas de mercado e também por conta de uma operação de aumento de capital da companhia, sem emissão de fato relevante. A CVM ainda multou o diretor por ter divulgado, sem fato relevante, os valores das novas refinarias ‘premium’ da companhia.

SEGURO PAGA A CONTA

Outro que pagou para encerrar processo sobre divulgação de uma nova refinaria foi o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto da Costa. O acordo foi de R$ 100 mil. A despesa ficou por conta de um seguro feito pela Petrobras para cobrir esse tipo risco.

Murillo Constantino

CINQUENTÃO NA VITRINE

esse tipo risco. Murillo Constantino CINQUENTÃO NA VITRINE As grandes notas de R$ 50 expostas na

As grandes notas de R$ 50 expostas na vitrine da Rua São Bento, no centro de São Paulo, simbolizam o que foi 2009 em termos de crédito no Brasil. Embora as novas concessões de empréstimos tenham caído 2,7% em dezembro, o estoque total de crédito, no ano todo, cresceu 14,9%, atingindo R$ 1,4 trilhão. O valor representa 45% do PIB, ante 39,7% em 2008. De acordo com o Banco Central, os juros para pessoa física acumularam queda anual de 15,2 pontos percentuais. Para as empresas, o recuo foi de 5,2 pontos. Especialistas em finanças lembram, no entanto, que, apesar do dinheiro farto, os juros ainda estão altos. Prudência é nome do jogo na hora de contratar um empréstimo. Leia mais sobre crédito na página 32.

ENTREVISTA ROBERTO LOBO Presidente do Instituto Lobo e ex-reitor da USP

Onde estão os engenheiros brasileiros?

Demais países do Bric formam muito mais engenheiros do que o Brasil. Isso compromete o processo de inovação no país

Natália Flach

nflach@brasileconomico.com.br

A escassez de mão de obra é uma das grandes preocupações do setor da construção civil no Brasil. Roberto Lobo, presi- dente do Instituto Lobo e ex- reitor da Universidade de São Paulo (USP), estima que para cada US$ 1 milhão investidos em novas construções é neces-

sário um novo engenheiro.“Só para concluir as obras do Pro- grama de Aceleração do Cres- cimento serão necessários 500 mil trabalhadores.”

Quantos engenheiros se formam por ano no Brasil? Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pes quisas Ed ucacio- nais Anísio Teixeira (Inep), o número de engenheiros forma- dos no Brasil em 2008 foi de 30 mil. Mas os demais países do Bric (Rússia, Índia e China) for- mam muito mais engenheiros do que nós. Na Rússia são 120

Heloísa Rizzi/O Diário

do que nós. Na Rússia são 120 Heloísa Rizzi/O Diário “Só para concluir as obras do

“Só para concluir as obras do PAC serão necessários 500 mil trabalhadores”

mil, na Índia, 200 mil, e na Chi- na, 300 mil. Comparando o per- centual de engenheiros forma- dos em relação ao total de estu- dantes que concluem o ensino superior, no Brasil, eles corres- pondem a apenas 5%. No Japão, 19% dos formados estão nas áreas de engenharia; na Coréia, 25%; e na Rússia, 18%.

A produção científica na área de engenharia no país é relevante? Não. Enquanto o Brasil publicou, em 2007, menos de 2 mil traba- lhos, a Índia produziu 4 mil; a

Rússia, cerca de 3,5 mil; a Coreia, 6,5 mil, e a China, o número im- pressionante de 50 mil trabalhos.

Isso se repete com relação ao número de patentes? Sim. Centros internacionais apontam que os registros de patentes brasileiras estão em patamares inferiores aos de- mais países do Bric. Um exem- plo é o WIPO Statistics – Data- base de 2008, que informa o nú- mero de patentes em 2007 no Brasil foi de apenas 397, sendo que na Rússia foi de 28.085, na China, 5.206 e na Índia, 2.808.

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

INOVAÇÃO & TECNOLOGIA
INOVAÇÃO &
TECNOLOGIA
SÁBADO SEGUNDA-FEIRA TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA QUINTA-FEIRA INOVAÇÃO & INOVAÇÃO & ENGENHARIA
SÁBADO
SEGUNDA-FEIRA
TERÇA-FEIRA
QUARTA-FEIRA
QUINTA-FEIRA
INOVAÇÃO &
INOVAÇÃO &
ENGENHARIA
INOVAÇÃO &
EMPREENDEDORISMO
INOVAÇÃO &
EDUCAÇÃO
DIREITO
INOVAÇÃO &
SUSTENTABILIDADE

Embrapa desenvolve películas

Ainda em fase de teste, filme pode ser utilizado para proteger alimentos

João Paulo Freitas

jpfreitas@brasileconomico.com.br

Que tal pegar um bombom e co- mê-lo sem tirá-lo da embala- gem (que, aliás, tem sabor de fruta)? Se depender dos pesqui- sadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Em- brapa), essa pequena ficção pode se tornar realidade nos próximos anos. Isso será possí- vel graças a pesquisas que pro- fissionais da instituição têm realizado com os chamados fil-

mes comestíveis: películas finas

e biodegradáveis formadas a

partir de biopolímeros como polissacarídeos (amido, pectina

e quitosana) e proteínas (gelati-

na). Os polímeros sintéticos — plásticos comuns — são geral- mente derivados do petróleo. Segundo Henriette de Azere- do, pesquis adora da Embrapa Agroindústria Tropical, locali- zada em Fortaleza, os filmes co- mestíveis podem ser usados para a proteção de alimentos. “O produto forma uma barreira que diminui a perda de água e as trocas gasosas, o que aumenta o tempo de prateleira”, diz. Em 2007, a pesquisadora ini- ciou um pós-doutorado no De- partamento de Agricultura dos

Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), uma das entidades pioneiras no uso de polpas de frutas e hortaliças para forma- ção de filmes comestíveis. Ao retornar ao Brasil, em 2008, trouxe consigo a técnica e a tem adaptado a frutas tropicais. A primeira testada, ainda nos EUA, foi a manga. Atualmente, ela estuda o desenvolvimento de filmes à base de acerola. Em laboratório, o produto demora entre 6 e 12 horas para ser produzido (o tempo varia muito conforme o equipamento utilizado) e pode ser elaborado como filme — com coloração e sabor semelhantes aos da fruta —, como solução ou ainda como spray. Os dois últimos casos, por exigirem aplicação direta sobre a superfície do alimento, são chamados de revestimento. De acordo com Henriette, a principal vantagem do uso de filmes comestíveis é que eles permitem menor uso de emba- lagens sintéticas. A indústria

costuma usar dois tipos delas, uma primária e outra secundá- ria. A primeira fica diretamente em contato com o alimento e a secundária, com o ambiente. “Ao dispensar o uso da embala- gem primária, reduz-se a gera- ção de lixo não-biodegradável.

A vantagem é ambiental”, afir-

ma. “Se o filme for bastante adesivo, não é preciso destacá- lo. Ele pode ser comido com o alimento. Também é possível

Testes de laboratório com a embalagem elaborada com polpa de manga já foram finalizados. Agora

é preciso adequar

a tecnologia a

processos industriais

fazer uma espécie de saquinho plástico”, acrescenta. Segundo a pesquisadora, os filmes comestíveis ainda são pouco usados, mas alguns têm alcançado um certo espaço no mercado internacional, como os feitos com amido. “Já os de pol- pas de frutas e hortaliças são pouco conhecidos”, afirma.

À espera de parceiros

Os testes de laboratório com o filme elaborado com polpa de manga já foram finalizados. Henriette observa, porém, que ainda é preciso adequar a tec- nologia a processos indus- triais. Mas isso só será possível com a colaboração de empre- sas privadas. “Por enquanto, carecemos dessas parcerias, o que limita a finalização da tec- nologia”, diz Henriette. Luiz Henrique Mattoso, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP), que também desenvolve filmes comestíveis, diz que tem havido interesse por parte de empresas de embalagens e do setor alimentício. “Estamos ne- gociando algumas parcerias”, afirma, sem dar detalhes.

algumas parcerias”, afirma, sem dar detalhes. ■ DESTAQUES ● O uso de filmes comestíveis à base

DESTAQUES

O uso de filmes comestíveis

à base de polpa de frutas pode

reduzir a utilização de embalagens não biodegradáveis, gerando benefícios ambientais.

Protegido contra poeira e

sujeiras por meio de embalagem

secundária (uma caixa, por exemplo), o filme pode ser consumido juntamente com o alimento embalado.

Frutas protegidas com

o

filme duram mais, pois

a

perda de água e as trocas

gasosas são reduzidas.

a perda de água e as trocas gasosas são reduzidas. Nanopartículas reforçam Unidades da Embrapa testam

Nanopartículas reforçam

Unidades da Embrapa testam nanotecnologia para melhorar as características do produto

Para melhorar o desempenho dos filmes feitos com polpa de frutas, a Embrapa tem recorrido à nano- tecnologia. Por enquanto, são apenas testes. Segundo a pesqui- sadora da Embrapa Agroindús- tria Tropical Henriette de Azere-

do, o uso de nanopartículas ainda

não é permitido pela Agência Na-

cional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Não existem dados que comprovem a segurança

dessas substâncias”, diz. “Mas é questão de tempo para que a tec- nologia seja liberada.” Segundo ela, as nanopartícu- las permitem que os filmes pro- tejam os alimentos contra gases e umidade com mais eficácia. Elas deixam os produtos menos permeáveis. A tecnologia tam- bém torna os filmes mais resis- tente ao melhorar suas proprie- dades mecânicas. “Essas nano- partículas normalmente são à base de celulose, que pode ser extraída de diversos alimentos, como fibra de coco”, afirma.

Com a adição de substâncias nanométricas, filmes ganham resistência e propriedade bactericida, além de se tornarem menos permeáveis

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 17

à base de frutas

Fotos: Jarbas Oliveira

Henriette, pesquisadora da Embrapa, com filme comestível feito de polpa de acerola. Ao lado, detalhe de uma versão elaborada com goma de cajueiro e alginato

embalagens comestíveis

A Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP), também tem desenvolvido filmes e revestimentos comestí- veis e biodegradáveis. “Estamos trabalhando com várias técnicas, algumas envolvendo nanotecno- logia, para desestruturar com- ponentes naturais e reestruturá- los depois na forma de plásti- cos”, diz o chefe de pesquisa e desenvolvimento da unidade, Luiz Henrique Mattoso. “Temos conseguido melhorar muito as características desses filmes com o auxílio da nanotecnologia.”

Entre os avanços está a adi- ção de nanopartículas de polis- sacarídeos como quitosana (encontrado em crustáceos), o que confere ao produto pro- priedade bactericida. Já a adi- ção de nanofibras de celulose e nanopartículas de pectina (ex- traídas de laranja, por exemplo) melhora o desempenho plástico dos filmes. “Toda inovação pre- cisa ser avaliada. Mas já usamos esses produtos nanotecnológi- cos em animais e não houve ne- nhum problema de toxicidade”, diz Mattoso. J.P.F.

de toxicidade”, diz Mattoso. ■ J . P . F . NANOMETRIA ✽ 1 bilhão de

NANOMETRIA

✽

1 bilhão de vezes menor que o metro

A nanotecnologia é a realização

de experimentos e pesquisa em escala nanométrica (um nanômetro

é igual a um bilionésimo de metro). Muitos materiais apresentam novas propriedades quando manipulados nessa escala.

Marcelo Knobel

Professor titular do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp

knobel@ifi.unicamp.br

Marcelo Knobel Professor titular do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Unicamp knobel@ifi.unicamp.br

Uma sociedade enraizada na inovação científica e tecnológica

Muito se fala em nanotecnologia, alardeada como a nova revolução tecnológica do século XXI. Apesar da dificuldade em controlar e manipular objetos tão di- minutos, os cientistas e engenheiros têm conseguido realizações impressionantes nessa área, fato que tem suscitado uma ampla expectativa com relação ao futu- ro. Simultaneamente, há um aumento crescente do in- vestimento financeiro e do número de pesquisadores que migram seus trabalhos para esta área, devido ao seu enorme potencial de aplicação nos mais variados setores, e ao impacto que seus resultados podem dar ao desenvolvimento tecnológico e econômico. O avanço em nanociência tem sido espetacular. Novos nanomateriais têm sido descobertos, proprie- dades físicas e químicas inusitadas têm sido encon- tradas, e novos compostos e dispositivos, com uma miríade de possíveis aplicações, têm sido propostos. Assim, essa ampla área multi e interdisciplinar tem vivido um período de extrema pujança, o que resul- ta, consequentemente, em novos desafios e novos questionamentos científicos.

O avanço em nanociência tem sido espetacular. Mas assistimos apenas ao início dessa revolução. Precisamos tomar ações efetivas que permitam uma atuação mais competitiva do país

Existem já diversos nanomateriais que vêm sendo empregados nas mais diversas áreas, como tecidos, conservação de alimentos, cosméticos, pigmentos,

catalisadores, entre outros. Mas espera-se de fato que a verdadeira revolução ainda esteja por vir, com aplica- ções hoje impensáveis na área de medicina (em dia- gnóstico e tratamento), em nanocircuitos e em diver- sas aplicações úteis no nosso cotidiano. De fato, esta- mos assistindo apenas ao início dessa revolução, e, para ir mais além, e passar de meros espectadores para participantes ativos, devemos tomar ações efetivas que permitam uma atuação mais competitiva do Brasil nessa área ainda emergente. Hoje em dia os cientistas brasileiros têm plenas condições de contribuir com pesquisas de ponta em nanociência , pois, uma vez bem equipados, devem disputar com a comunidade internacional fundamen- talmente no campo das ideias Novas ideias e novos re- sultados em ciência básica têm um efeito avassalador

e imprevisível, incluindo provavelmente a inovação

tecnológica, que, por sua vez, gera riqueza através de novas empresas, novos empregos, etc.

Esse “círculo virtuoso” depende, entretanto, de uma ação coordenada, que deve certamente englobar

o governo, as universidades, centros de pesquisa e

principalmente as empresas e o setor produtivo de um modo geral. Mas é importante ressaltar que mesmo as pesquisas que não levam a um produto imediato têm como consequência um avanço científico. Novas ideias são testadas, novos profissionais são formados e treinados, e subprodutos dessas pesquisas geralmente são aproveitados. Nesta realidade sonhada, o papel da universidade é justamente fazer girar toda essa engre- nagem complexa, formando continuamente profis- sionais capazes de se inserir em um mercado de tra- balho cada vez mais competitivo, realizando pesqui- sas básicas e aplicadas que podem gerar novas ideias ainda não imaginadas no âmbito industrial e forman- do a base sólida para uma sociedade bem implantada na inovação científica e tecnológica.

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

ENCONTRO DE CONTAS

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Asas com sotaque Está levantando voo

LURDETE ERTEL

Asas com sotaque

Está levantando voo na América Latina uma nova

companhia aérea que pretende pousar em breve no mercado brasileiro. No próximo dia 1º de fevereiro decola de Punta del Este, no Uruguai,

o primeiro voo regular

da BQB, empresa de aviação comercial do grupo Buquebus. Fundada e presidida pelo empresário Juan Carlos López Mena, a Buquebus

opera a maioria dos ferry boats que ligam Buenos Aires ao Uruguai, além de trechos rodoviários.

O grupo decola agora

no mercado aéreo para disputar os céus com

a Pluna e a Aerolineas na

ligação entre Argentina, Uruguai e Brasil.

A estreia, com uma

aeronave ATR 75-500, será transportando veranistas endinheirados que baixam em bando

no luxuoso balneário uruguaio de Punta del Este. Mas o plano é bater asas mais longe:

no segundo semestre,

a nova empresa pretende

começar a voar de Buenos Aires para outras cidades do Uruguai, como

Colônia e Salta, e depois, para o Sul do Brasil.

A começar por Porto

Alegre, para onde pleiteia autorização de voo.

Hassan Ammar/AFP

Projeto bilionário que inclui o hotel mais alto do mundo vai modificar os entornos da
Projeto bilionário que inclui o hotel mais alto do mundo
vai modificar os entornos da mesquita Masjid al-Haram,
em Meca, epicentro sagrado do islã
O gigantismo da fé
A
maior aglomeração religiosa
de distância, para ajudar os islâmicos
do mundo só poderia ser mesmo
a
não perder o horário das orações.
a
moldura do maior hotel do globo.
O
Makkah está sendo construído
Deve ser inaugurado até o final do ano
em Meca, na Arábia Saudita, o The
Makkah Clock Royal Tower (ao lado),
que deve assumir o título de mais
ao lado da mesquita Masjid al-Haram,
considerada a maior do mundo
e
o primeiro lugar santo do islã, e
que abriga em seu interior a Caaba,
elevado prédio dedicado à hoteleria.
O
empreendimento terá 577 metros
um quadrado onde os muçulmanos
situam o centro do universo.
de altura e 858 quartos, além de um
gigantesco relógio, que será sua marca
O
hotel será a peça central
registrada. Cinco vezes maior que o
londrino Big Ben, a peça terá ponteiros
que podem ser vistos a 17 quilômetros
do complexo Abraj Al Bait, um
megaprojeto do rei da Arábia
Saudita,que vai mudar os entornos do
mais sagrado dos templos muçulmanos.
Divulgação

O sonho do estádio próprio

O Cruzeiro pode estar perto

de fazer o golaço de conquistar

seu próprio estádio.

É grande o tititi em Minas Gerais sobre as negociações do clube com um pool de empresários

internacionais para construção de uma arena para o clube. Segundo os perdigueiros de lá, além do estádio, o complexo terá hotel, centro de compras, e áreas dedicadas a lazer e gastronomia.

o local escolhido é Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Juan Camacho/AFP

região metropolitana de Belo Horizonte. Juan Camacho/AFP De bonde até a favela Depois de um período

De bonde até a favela

Depois de um período de testes, foi inaugurado nesta semana em Caracas, na Venezuela,

o bondinho que vai ligar

favelas da capital do país ao centro da cidade.

O presidente da Venezuela, Hugo

Chavez, batizou pessoalmente

o novo meio de transporte, que

circula com palavras de ordem como “inclusão” e “soberania”. Além de dar opção de locomoção das áreas altas de Caracas até as regiões mais baixas, o bonde aéreo garante uma insólita vista panorâmica da cidade.

“A diplomacia americana não é o braço

armado do Google

na política

externa”

Alex Ross, conselheiro da secretária de Estado americana Hillary Clinton, defendendo que o governo dos EUA não deve meter a colher na briga do Google com a China.

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 19

Santiago Montes

22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 19 Santiago Montes Celular na mala Os turistas que visitam

Celular na mala

Os turistas que visitam a Colômbia contam agora com um guia

turístico que pode ser acessado, gratuitamente, pelo celular.

O Colômbia Mobile Info funciona através de bluetooth dos aparelhos

em terminais de transporte ou aeroportos do país. Depois de ativado,

o

turista tem acesso a telefones, lugares e informações úteis do lugar.

O

programa pode ser acessado também através de um site,

ou enviando uma mensagem de texto, também do celular.

MARCADO

No dia 30, o CRC SP

promove o seminário Planejamento Tributário

para 2010, em São Paulo.

Dia 27, a Fipecafi oferece

o

curso “Gestão de Impostos”,

na sede da fundação em São Paulo.

encontrodecontas@brasileconomico.com.br

Casa nova

Lily Safra, viúva do bilionário

Edmond Safra, voltou às compras. Dona da famosa mansão Villa Leopoldina, em Côte d’Azur (França), a brasileira pagou US$ 33 milhões por um apartamento em um prédio de luxo em Nova York.

O imóvel ocupa o

quarto pavimento de um edifício de 1916 localizado na 5ª Avenida. Na vizinhança, Lily vai ter nomes como o estilista Tommy Hilfiger.

Lily vai ter nomes como o estilista Tommy Hilfiger. Palanque turbinado A tesoura de Lula para

Palanque turbinado

A tesoura de Lula para

cortar fitas terá de ser bastante afiada nas próximas semanas.

A agenda do presidente

prevê, pelo menos, 11 grandes inaugurações pelo país

afora até o final de fevereiro.

O plano de voo inclui

rasantes em Três Lagoas (MS), Porto Alegre (RS), Baguari (MG) e Pontal do Paranapanema (SP). Sempre com a candidata Dilma Rousseff a tiracolo, é claro.

iExpectativa

Jochen Luebke/AFP

Poker Face, de Lady Gaga, foi a música mais baixada legalmente pela internet no mundo
Poker Face, de Lady Gaga, foi a
música mais baixada legalmente
pela internet no mundo em 2009

Rainha digital

Só deu ela,e não apenas no noticiário:

Lady Gaga foi a artista que mais vendeu música digital no mundo em 2009, segundo as planilhas da Federação Inter nacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

A cantora vendeu 17,5 milhões de

downloads de duas músicas, liderando

o Top Ten (abaixo) do novo segmento.

Aliás, pela primeira vez, os formatos digitais representaram mais de um quarto das vendas de música do mundo: com crescimento de 12% em 2009, a web representou 27% da indústria global. No geral, o mercado de música rodou para trás, com queda de 10% em 2009, para 30 bilhões de euros. Os Estados Unidos responderam por 40% desta cifra.

Cantor

Música

Milhões

Lady Gaga

Poker Face

9,8

Black Eyed Peas

Boom Boom Pow

8,5

Jason Mraz I’m Yours

8,1

Lady Gaga

Just Dance

7,7

Black Eyed Peas

I Gotta Feeling

7,1

Taylor Swift

Love Story

6,5

Beyoncé

Single Ladies (Put A Ring On It)

6,1

Soulja Boy

Tell’Em Kiss Me Thru The Phone

5,7

Kanye West

Heartless

5,5

Britney Spears

Circus

5,5

Os rumores em torno do que se

alardeia como lançamento do ano

já deram até nome ao suposto

tablet a ser lançado pela Apple.

A mídia do Vale do Silício (EUA)

dá conta de que a gigante da maçã estaria brigando na Justiça com a Fujitsu pelo nome iPad.

Perfeitamente apropriado.

De fora

Divulgação
Divulgação

Direito ao piso

Os advogados também podem

ganhar piso salarial no Brasil.

Projeto de lei da da Comissão de Legislação Participativa (CLP) fixa

o salário de base dos profissionais do Direito em R$ 4,65 mil mensais – para a carga de trabalho semanal de 36 horas. No caso de 20 horas semanais,

o piso estabelecido,

independentemente do setor,

deve ficar em R$ 3,72 mil.

Números aveludados

Encorpou 14,6% a venda de vinhos finos de empresas do Rio Grande do Sul em 2009. As vinícolas gaúchas, que

respondem por 90% do setor, despejaram 13 milhões de litros de varietais no mercado – o segundo melhor desempenho da década. Somados os vinhos de mesa, as

vendas alcançaram 240 milhões de litros no ano passado, 12% mais do que em 2008.

A WebJet terceirizou seu

departamento de marketing.

A agência GP7 assume o manche.

departamento de marketing. A agência GP7 assume o manche. Fotos: Divulgação Mais um Niemeyer Está programada
departamento de marketing. A agência GP7 assume o manche. Fotos: Divulgação Mais um Niemeyer Está programada

Fotos: Divulgação

A agência GP7 assume o manche. Fotos: Divulgação Mais um Niemeyer Está programada para o final

Mais um Niemeyer

Está programada para o final deste mês a estreia de uma das mais recentes obras do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

O auditório que leva o seu nome

na belíssima cidade italiana de Ravello (E) será inaugurado com

uma intensa programação entre os dias 29 e 31.

A região da Campania investiu

€ 16 milhões no projeto,

encravado em uma encosta rochosa que presenteia ao prédio uma vista ímpar do mar. Para desfrutar a paisagem, Niemeyer instalou no auditório uma grande janela em forma de olho. Um dos espetáculos de inauguração do auditório italiano será da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.

GIRO RÁPIDO

Divulgação

do Teatro Bolshoi no Brasil. GIRO RÁPIDO Divulgação Vaca colada A Super Bonder convidou o arquiteto

Vaca colada

A

Super Bonder convidou

o

arquiteto Aldo Cappucci

Filho para representar

a

marca na Cow Parade 2010.

O

resultado é uma vaca azul

colada de ponta cabeça em duas placas de acrílico.

Perfume para o Rio

A Aroma Natura, especializada

em linha cosmética, home-fragrance e lingeries acaba de inaugurar sua primeira franquia no Rio de Janeiro. As portas se abrem no Botafogo Praia Shopping.

Os números da luz

A Companhia de Transmissão

de Energia Elétrica Paulista apresenta os valores do Plano de Investimentos Plurianual.

A previsão é acima de

R$ 1,9 bilhão, dentro do plano, a companhia tem permanecido com investimentos na casa de

R$ 1,23 bilhão direcionado para

o atendimento da rede básica.

Carimbada

A Cielo (ex-VisaNet), maior

rede de pagamentos eletrônicos do Brasil, acaba de receber a mais importante certificação na indústria de cartões: o Attestation of Compliance do PCI Council.

Divulgação

o Attestation of Compliance do PCI Council. Divulgação Pé na reciclagem A Mormaii apresenta na Couromoda

Pé na reciclagem

A Mormaii apresenta

na Couromoda a novidade

de sua coleção: as sandálias Neocycle.

O processo de produção

consiste em triturar os wetsuits que não têm mais

condições de uso e misturá-los

a retalhos de neoprene.

Com Natália Mazzoni

20

Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

EMPRESAS

GE aponta raio x para mercado de saúde brasileiro

Companhia terá produção local de equipamentos médicos com meta de dobrar participação no país e exportar à América Latina

Françoise Terzian

fterzian@brasileconomico.com.br

Nas últimas décadas, o Brasil ocupou o papel de coadjuvante na atuação das grandes fabri- cantes globais de equipamen- tos médicos. Embora a presen- ça da Philips, da GE e da Sie- mens seja antiga no país, todas sempre importaram suas má- quinas de diagnóstico por imagem. Esse cenário, no en- tanto, começa a mudar. Atual- mente, 60% dos equipamentos médicos vendidos pela Philips no país já são produzidos no Brasil. O último a entrar em produção nacional foi a tomo- grafia computadorizada, fabri- cada em Lagoa Santa (MG) desde o final de 2009. Entre junho e julho, a con- corrente GE quer iniciar a ven- da dos primeiros mamógrafos e raios X feitos no Brasil. A partir desta data, ela também fará a oferta inédita de remanufatura de ressonâncias e tomógrafos usados no país. Antes, os equi- pamentos eram mandados para os Estados Unidos e a Europa. Só o custo de logística, entre envio e recebimento, saía por volta de US$ 40 mil para um produto de US$ 120 mil a US$ 240 mil. O custo repassado ao cliente deverá sumir. Gradativamente, o Brasil chama a atenção das matrizes dessas gigantes globais. Isso ocorre porque seu sistema de saúde – público e privado – movimenta US$ 100 bilhões por ano. A área de diagnósticos por imagem responde por 2% deste montante. À medida que o país deixa o subdesenvolvi- mento para trás, seus gastos com prevenção e diagnóstico aumentam, diferentemente dos países pobres, que gastam mais com tratamento. Omercado de raio x na Améri- ca Latina alcança os US$ 200 mi- lhões por ano. Mamógrafo ainda não é um negócio de volume na região, mas é particularmente importante para a GE. “Quero

Não estamos limitados ao B do Bric, que é um dos maiores mercados emergentes, mas também olhamos para países como Honduras e El Salvador, que são igualmente importantes para nós

Cláudia Goulart

dobrar nosso market share (não revelado) de ambos em três anos

e conquistar a liderança”, afirma

Cláudia Goulart, presidente e CEO da GE Healthcare para a América Latina. Ela pretende atingir sua meta

a partir de fatores como a siner-

gia de fabricação. Os dois pro- dutos serão produzidos na mes- ma unidade e, do ponto de vista de engenharia, apresentam tec- nologias similares em alguns de seus módulos. “O mamógrafo é, basicamente, um raio x para as mamas”, explica Cláudia. Não é só o fato de o Brasil ser

o sexto maior mercado mundial

que chama a atenção da GE. “Não estamos limitados ao B do Bric, que é um dos maiores mercados emergentes, mas também olhamos para Hondu- ras, que é muito importante para nós, assim como El Salva- dor”, afirma Cláudia. Isso significa que, por trás do investimento de US$ 50 milhões na primeira fábrica da GE do país focada em cuidados com a saúde, há uma estratégia bem definida para atender outros mercados a partir do Brasil, como a América Latina e a América Central. A unidade localizada em Contagem (MG) deve ser inau- gurada entre abril e junho - de- penderá da data de vistoria da Anvisa - e chega para se juntar a outras 15 fábricas do grupo no país. Elas produzem de turbinas de avião a locomotivas. A nova fábrica será inaugu- rada com 30% de sua capacida- de de produção e estreará com as linhas de mamógrafo analó- gico e raio x. Este último foi de- senhado na China, com a ajuda da equipe brasileira, para aten- der o país. O equipamento tem alguns detalhes do comando e da mesa específicos para o hábi- to dos brasileiros. O preço ainda não foi informado, mas, se for levada em consideração a tribu- tação desses equipamentos, que gira em torno de 15% a 20%, a queda será representativa.

Cláudia Goulart, CEO da GE Healthcare na AL, empresa que passa a produzir no Brasil para ganhar market share; à direita, mamógrafo digital da Siemens

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 21

Divulgação

22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 21 Divulgação ThyssenKrupp eleva investimento no Brasil A ThyssenKrupp

ThyssenKrupp eleva investimento no Brasil

A ThyssenKrupp informou ontem que seu conselho de administração

elevou os investimentos na Companhia Siderúrgica do Atlântico, em construção no Rio de Janeiro, para € 5,2 bilhões (US$ 7,39 bilhões) ante

€ 4,7 bilhões anteriores, o segundo aumento em cinco meses. A companhia também divulgou que a maior parte de seus negócios registrou lucro no primeiro trimestre fiscal, permitindo ao maior grupo siderúrgico da Alemanha olhar para os próximos meses com otimismo cauteloso.

Marcela Beltrão

Siemens valoriza componente local

A área de saúde da Siemens só

produz um equipamento no país –

o raio-x analógico. Com o dólar

baixo e a eficiência da China, dificilmente a empresa deve instalar novas linhas de produção

no país. A não ser que ela encontre fornecedores locais de componentes hoje usados por seus equipamentos. Diante deste movimento crescente de fabricação de produtos de diagnóstico por imagem no Brasil, Reynaldo Goto, gerente de marketing de Healthcare da empresa, diz não

ver muito sentido nesta produção nacional, uma vez que boa parte dos componentes usados ainda

é importada. “Nosso raio-x tem

mais de 2/3 custos nacionais – entre cabos, chapas e outras partes e peças de fornecedores locais. O que os outros chamam de fabricação, nós chamamos de assembling (montagem), com menos de 20% de componentes locais”, compara Goto. Para ele, importar partes

e peças, agregar meia dúzia

de componentes padrão, montar

o produto e entregar para o

cliente é algo que a Siemens está capacitada para fazer há anos. No entanto, não o faz por

enxergar poucos benefícios. “Nossa preocupação é investir em equipamentos acessíveis e sustentáveis, como a ressonância importada da China, que consome 30% a menos de energia que

a média dos equipamentos

no mercado”, assegura. Além disso, ele lembra que, com um câmbio a R$ 1,75 ou R$ 1,80, dificulta a produção local, principalmente quando se pensa em transformar o Brasil em um pólo de exportação. F.T.

Divulgação

o Brasil em um pólo de exportação. F.T. Divulgação Philips usa software para atrair UTIs Empresa

Philips usa

software para atrair UTIs

Empresa pretende conquistar inicialmente 190 dos 7,5 mil hospitais brasileiros

A Philips Healthcare não quer vi-

ver só de equipamentos médicos. Embora eles venham com

softwares embutidos, a empresa agora avança em uma outra área no Brasil. Trata-se da oferta de

sistemas clínicos para gestão de UTI e também de áreas ou clínicas com pacientes de radiologia. “Nem mesmo os grandes desen- volvedores de software do mun- do, a exemplo da SAP, têm produ- tos específicos para a área clínica. Os poucos hospitais do mundo que têm SAP usam para gestão da área administrativa”, afirma

Daurio Speranzini, vice-presi- dente sênior da Philips Healthca-

re para a América Latina.

Ele diz que mais vidas de pa- cientes internados nas unidades de terapia intensiva dos hospi- tais brasileiros poderiam ser salvas a cada ano sem a exigên- cia de investimentos em novos equipamentos. Essa conclusão é um dos resultados do projeto- piloto do Sistema UTI Juntos,

desenvolvido pela Philips do Brasil, em parceria com o Hos- pital Geral do Grajaú, localizado na Zona Sul de São Paulo. Administrado pela Associa- ção Congregação Santa Catari- na, o Hospital do Grajaú, refe- rência para uma população de

800 mil pessoas, conta com 10

leitos para atendimento de emergência, com uma média anual de 360 pacientes por ano. Graças ao Sistema UTI Juntos,

houve uma redução de 16% na taxa de mortalidade, o que evitou amorte de 13 pacientes na primei-

ra

fase do projeto, realizada de 1º

de

setembro de 2008 a 31 de agos-

to

de 2009. “Aplicando-se a mes-

ma taxa aos 35 mil leitos de UTI existentes em nível nacional, che- gamos aos 44mil óbitos que pode- riam ser evitados com a adoção do

Sistema”, afirma o médico Mar- celo Moock, chefe da UTI de adul- tos do Hospital Geral do Grajaú. Speranzini conta que há um imenso mercado a se explorar com esta tecnologia. O Brasil tem 7,5 mil hospitais e a meta inicial da Philips é conquistar

190 dele s. “O software registra

entrada e saída do paciente, quantas vezes no ano o paciente esteve no hospital e a evolução das doenças”, explica.

Divulgação

e a evolução das doenças”, explica. Divulgação Daurio Speranzini Vice-presidente sênior da Philips

Daurio Speranzini Vice-presidente sênior da Philips Healthcare para a América Latina

“Nem mesmo os grandes desenvolvedores de software do mundo, a exemplo da SAP, têm produtos específicos para a área clínica. Os poucos hospitais do mundo que têm SAP usam para gestão da área administrativa”

Inovação brasileira

A Philips também está produ-

zindo novas tecnologias nacio-

nais. Em março, ela deve anun- ciar o lançamento da tomografia por bioimpedância, equipamen-

to que inova mundialmente ao

medir a qualidade da respiração. O sistema mostrará na tela como funcionam os pulmões em imagem contínua. Com isso, há tendência até de introdução de novos procedimentos para o tratamento da pneumonia. O Hospital das Clínicas (SP)é par- ceiro no projeto. F.T.

22

Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

EMPRESAS

ESTRATÉGIA

Nokia torna gratuitos serviços de navegação por satélite

A Nokia seguiu o exemplo do Google, oferecendo mapas gratuitos em

seus celulares, em um esforço para estimular a venda de aparelhos.

A decisão deve prejudicar empresas do setor de navegação via satélite.

A Nokia costumava cobrar por pacotes que incluíam instruções

detalhadas de como chegar a um local. Agora o usuário, seja ele motorista ou pedestre, poderá receber instruções em 74 países e 46 idiomas.

Claro adquire sistema ágil e afinado para crescer

Empresa fecha acordo com a Amdocs para integrar operações e elevar competitividade

Ivone Santana

isantana@brasileconomico.com.br

Atenta às transformações do mercado de telefonia celular, a Claro decidiu investir em sis- temas que possam diferenciá- la dos competidores Vivo, TIM

e Oi, acelerando o lançamento

de produtos e diminuindo seus custos operacionais. A solução Customer Experience Systems (CES) está em implantação pela integradora de sistemas Amdocs, israelense e dona de receita de US$ 2,86 bilhões. A convergência de serviços de telecomunicações e comunica- ções cada vez mais presente no dia a dia está mudando a forma

pela qual as operadoras móveis trabalham. A competição já não é mais tão perceptível, pois os ri- vais que surgiram despretensio- samente em serviços grátis de voz sobre IP se fortaleceram e mudaram de patamar. Até em- presas de cabo que não eram consideradas concorrentes en- traram no jogo damobilidade, diz

o diretor regional de marketing

da Amdocs para América Latina e Caribe, J. Manuel Briseno. No caso da Claro, os sistemas darão suporte aos pedidos dos seus clientes, à automação das vendas, comércio eletrônico e compras pela internet. Todo tipo de atendimento será cober- to pelo sistema, inclusive em quiosques, lojas ou negócios que envolvam empresas parceiras. Por meio de nota conjunta com a Amdocs, a Claro infor-

mou que a continuidade da mo- dernização é essencial para manter a competitividade no mercado brasileiro, além de acompanhar o crescimento so- fisticado da base de usuários.

Simplificação do trabalho

Com a integração, o trabalho

Menor prazo para lançar produtos, redução de custo operacional e a orquestração dos sistemas, que passam

a ser comandados como se fosse por um maestro, são alguns dos ganhos com a modernização em curso

será simplificado e os sistemas

distribuídos por todas as áreas da operadora e de seus parcei- ros serão regidos por apenas um, que Briseno chama de or- questrador, ou maestro. A ele caberá buscar as informações onde quer que estejam e tratá- las para a execução de uma ta- refa. Assim, um produto será visualizado em todos os seus detalhes em apenas um lugar. Com o processo afinado, a Claro poderá encurtar o tempo desde o projeto até a colocação do produto no mercado em vários meses e ganhar um diferencial competitivo. Briseno não revela o investimento, mas afirma que ao longo de um ano após a implan- tação, uma operadora registrou economia com o custo operacio- nal de aproximadamente US$ 30 milhões. Isto inclui de equipa-

Divulgação

US$ 30 milhões. Isto inclui de equipa- Divulgação INTERNET França entra na corrida pela digitalização de

INTERNET

França entra na corrida pela digitalização de obras literárias

Uma equipe de especialistas em informática da França está preparando

a herança literária da Europa para a era digital. A empresa para

a qual trabalham, a Safig, é uma das poucas no continente a digitalizar livros em um projeto de US$ 1 bilhão. Isso dá a ela uma posição privilegiada dentro do plano francês para criar uma imensa biblioteca on-line e negociar um acordo sobre livros digitais com o Google.

e negociar um acordo sobre livros digitais com o Google. mentos até os funcionários que antes

mentos até os funcionários que antes eram necessários para ge- renciar toda a gama de sistemas. Acontece que cada produto tem uma base de dados, e o custo operacional para geren- ciar diversos catálogos na Cla- ro era muito grande, mas está sendo reduzido, diz o executi- vo. O sistema está em implan- tação, e ainda não há prazo para conclusão. Solução se- melhante de catálogo é usada na TIM Mobile, na Alemanha e

Áustria, diz Briseno. Nos Esta- dos Unidos, o produto está implantado na AT&T e Rogers. Na América Latina, a Claro será a primeira.

Nova abordagem de clientes

“Não são apenas as operadoras tradicionais e de grande porte que podem usar o nosso siste- ma, mas também as de vídeo e VoIP”, afirma Briseno. Como exemplo, ele cita os serviços do Skype, que geram mais mi-

nutos de voz no mundo que qualquer outra operadora; e em segundo o serviço de men- sagens instantâneas da Micro- soft (MSN), embora ambos não sejam clientes da Amdocs. A operadora Rogers é e atua com TV por assinatura, internet e telefonia fixa e móvel, e adotau o sistema em 2007. “Não inte- ressa se a empresa tem a me- lhor rede e tecnologia se o cliente não puder usar o servi- ço”, diz Briseno.

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 23

DESAFIO

China minimiza problemas com Google e diz que eles não podem ser obstáculo comercial

A disputa entre o Google e a China não deveria ter “interpretação

exagerada” ou ser vista como obstáculos aos acordos bilaterais entre

a China e os Estados Unidos, disse o vice-ministro do Exterior do país asiático, He Yafei. O discurso, proferido ontem, pode ser visto nos Estados Unidos como um desafio, depois que o Google anunciou ter sido alvo de um ataque de ciberespionagem em território chinês.

Henrique Manreza

Briseno, da Amdocs, diz que não são somente as operadoras tradicionais e de grande porte que podem usar o sistema integrado, mas também as de vídeo e VoIP

usar o sistema integrado, mas também as de vídeo e VoIP OS NÚMEROS US$ 30 mi

OS NÚMEROS

US$ 30 mi

é a economia estimada para uma

operadora ao longo de um ano após a implantação do sistema.

US$ 2,86 bi

é a receita da Amdocs no ano

fiscal encerrado em setembro, 9,48% menor que em 2008.

6 meses

era o tempo necessário para

o lançamento de um produto,

prazo que cairá para um mês.

25,52%

é a fatia da Claro em serviços

móveis, com 44,4 milhões de clientes, atrás da Vivo, com 51,7mi.

Robyn Beck/AFP

de clientes, atrás da Vivo, com 51,7mi. Robyn Beck/AFP RESPOSTA Hillary Clinton pede que empresas resistam

RESPOSTA

Hillary Clinton pede que empresas resistam à censura na internet em todo o mundo

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu às empresas de tecnologia dos EUA que resistam à censura na internet e pediu às autoridades chinesas que investiguem os ataques que aconteceram ao Google no país. “A censura não deve ser aceita por qualquer empresa em qualquer lugar”, disse Hillary. “As empresas americanas precisam tomar uma posição de princípios. Isso deve ser parte da nossa marca nacional.”

ENTREVISTA MAURÍCIO FALCK Gerente de desenvolvimento de negócios da Amdocs

“Agora é hora de rever os sistemas”

As plataformas da Amdocs eram usadas nas empresas que formaram a Claro

Presente nas operadoras de te- lecomunicações mundiais há 27 anos, a Amdocs também testemunhou a privatização do setor no Brasil e fez negócios com isso. Conseguiu implantar seus sistemas em diversas em- presas, algumas das quais fo- ram consolidadas na Claro. Agora é hora de rever os siste- mas, afirma o gerente de negó- cios da empresa, Mauricio Falck, nesta entrevista.

A Claro se tornou cliente da

Amdocs por causa de sua controladora América Móvil, que já usa esses sistemas? Não. A Amdocs tinha o sistema de faturamento instalado na BCP, Tess, Telia e Telet, antes da América Móvil. Quando eles (América Móvil) compraram es- sas diferentes operadoras e fize- ram a fusão que resultou na Cla- ro, nosso sistema já estava pre- sente em grande parte das com- panhias consolidadas. Somos le- gados das operadoras antigas.

O sistema em uso na Claro

ainda é o herdado, ou houve evolução depois disso?

O que existia era o billing (emi-

te a conta do cliente). Mas a maneira de fazer o billing era diferente em cada empresa. Foi criada uma nova instância no sistema e os clientes das opera- doras consolidadas migraram para o novo formato. Agora, outra linha de negócios está sendo incorporada ao billing.

O que muda agora no sistema

da operadora?

A Claro pediu como definição

estratégica uma mudança para

normatizar o processo de venda

e atendimento. Para isso, esta-

mos implantando diversos pro- dutos. Um deles é o catálogo. Para lançar um produto tem que adaptar o billing, a gestão de

relacionamento com o cliente (CRM), o sistema de atendi- mento na loja, na internet, pre- parar o sistema de ativação. Enfim, é uma gama gigantesca

de sistemas para criar e atuali- zar. O problema é o longo tem- po entre a definição do marke- ting e chegar ao mercado.

Henrique Manreza

do marke- ting e chegar ao mercado. Henrique Manreza “ Cada produto exige um catálogo. Só

Cada produto exige um catálogo. Só que as operadoras têm que consultar 30 sistemas para gerenciar um

produto. Com a mudança, toda

a comunicação ocorrerá em

ponto único

Como o catálogo ajuda nisso? Ele é um tipo de base de dados com tudo que a empresa pode oferecer ao cliente. O mesmo produto tem informações dife- rentes no CRM, no billing etc. Cada produto exige um catálogo. Só que as operadoras têm que

consultar 30 sistemas para ge- renciar um produto. Com o siste- ma único, os 30 anteriores dei- xam de ser donos da informação

e serão usados de outra forma.

Hoje, há milhares de interfaces e sistemas falando entre si. Isto muda. Todos passam a se comu- nicar num único ponto, que é o catálogo central. Na prática, o

tempo de mercado para o lança- mento de um produto que demo- rava seis meses cai para um mês.

O que mais compõe os novos sistemas da Claro?

O catálogo é um apoio a uma so-

lução complexa. Há uma série de verificações e validações até fi-

nalizar uma venda. Estamos co- locando na Claro um sistema de ordem (workflow) que orquestra todo esse processo. I.S.

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Brasil Econômico

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

EMPRESAS

MEIO AMBIENTE

Brasil lidera no recolhimento de embalagens de agrotóxicos

Em 2009, foram recolhidas no país cerca de 28 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos, um retorno de 90%. O índice é bem superior ao de outros países. Canadá, Estados Unidos e Japão, por exemplo, têm índices de recolhimento entre 20% e 30%. Segundo o Ministério da Agricultura, o diferencial brasileiro é o sistema de fiscalização que conta com monitoramento e punições previstas em lei.

Hamilton Will

monitoramento e punições previstas em lei. Hamilton Will PESQUISA Estudo revela que molusco pode ser base

PESQUISA

Estudo revela que molusco pode ser base para armaduras e coletes à prova de bala

Artigo que será publicado no site e na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma que, no futuro, coletes à prova de bala podem ser feitos a partir de um molusco de cinco centímetros, da espécie Crysomallon squamiferum. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts dizem que características peculiares do animal resultam em um conjunto eficiente contra a penetração e dissipação de energia.

Melhora na renda da classe C traz

Empresas começam a sair da montanha-russa vivida nos últimos anos e planejam investir para se manter na calmaria do carrossel

Elaine Cotta

ecotta@brasileconomico.com.br

No ano passado, o faturamento do Beto Carrero World, conside- rado o maior parque temático do país, cresceu 30%. Foi o melhor ano em volume de vendas e visi- tação — que cresceu 25% — desde sua fundação, há 18 anos. “Para nós não houve crise. Trouxemos novas atrações e fizemos inves- timentos que garantiram que os problemas na economia não nos atingissem”, afirma Victor Hugo Loth, diretor de Mídia e Criação do Beto Carrero World. O maior investimento foi a construção da montanha-russa Fire Whip, fa- bricada na Holanda, ao custo de R$ 15 milhões. Nela, os trilhos ficam acima da cabeça dos pas- sageiros presos ao vagão que atinge velocidade de 100 km/h. “Anualmente, são reinvestidos em torno de 20% do faturamen- to em novas atrações”, diz Loth. Outros R$ 5 milhões são gas- tos, todos os anos, apenas com manutenção das mais de 100 atrações do parque. Para 2010, o Beto Carrero World, localizado numa área de 14 milhões de me- tros quadrados no balneário de Penha, no litoral de Santa Cata- rina, espera receber cerca de 1,2 milhão de visitantes.

Parques aquáticos

Dois dos mais tradicionais par- ques aquáticos do país também opostam em novos investimen- tos para driblar a crise e conti- nuar crescendo. O Wet’n Wild, localizado no município de Itu-

Divulgação

Wet’n Wild, localizado no município de Itu- Divulgação Alain Baldacci Diretor-geral do Wet’n Wild “A melhora

Alain Baldacci Diretor-geral do Wet’n Wild

“A melhora na renda do brasileiro, especialmente da classe C, é fundamental para nós. Não é um empreendimento de elite. Somos um produto voltado para a família”

Divulgação

Somos um produto voltado para a família” Divulgação Francisco Donatiello Presidente da Adibra “A

Francisco

Donatiello

Presidente

da Adibra

“A estabilização da economia vai facilitar o crescimento e a expansão dos parques brasileiros, porque há muita demanda reprimida no país”

brasileiros, porque há muita demanda reprimida no país” OS MAIORES PARQUES BRASILEIROS PARQUE ESTADO PÚBLICO

OS MAIORES PARQUES BRASILEIROS

PARQUE

ESTADO

PÚBLICO ANUAL

QUANTO INVESTIU*

ANO DE FUNDAÇÃO

WET’N WILD

SP

400

mil

R$ 8 milhões

1998

PLAYCENTER

SP

1,5 milhão

Não divulga

1973

HOPI HARI

SP

1,5 milhão

Não divulga

1999

BEACH PARK

CE

685

mil

R$ 7 milhões

1997

BETO CARRERO

SC

1,2 milhão

R$ 15 milhões

1992

*Valor é referente a 2009

Fonte: empresas

NÚMEROS DO SETOR

BRASIL

MUNDO

FATURAMENTO

R$ 802 milhões

US$ 24 bilhões

EMPREGO

90

mil

500 mil empregos só nos Estados Unidos

VISITANTE

12

milhões por ano

335 milhões nos parques americanos e 40 milhões na Europa

Fontes: Sindepat, Adibra e Iaapa

peva, interior de São Paulo, vai investir R$ 8 milhões neste ano para cobrir e aquecer parte do parque, além de construir uma área fechada para eventos. “Pre- tendemos manter, durante todo o ano, o mesmo índice de visita- ção com essas obras, atraindo pessoas também no inverno e empresas que queiram usar nos- sa estrutura para eventos”, diz Alain Baldacci, diretor-geral do parque, que passou por ampla reestruturação societária e fi- nanceira recentemente. “Zera- mos nossa dívida e aumentamos em 30% a nossa margem Ebitda em 2009”, afirma Baldacci. Há quatro anos, a dívida do Wet’n Wild era de R$ 120 milhões e seu controle, diluído entre vários sócios. O parque, que faturou R$ 22 milhões e recebeu 400 mil vi- sitantes em 2009, é controlado agora pela Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Cai- xa Econômica Federal, com 56%, e pelo grupo Serra Azul, controlado pela Método Enge- nharia e pelo grupo Baldacci.

Viva o calor do Nordeste

Ramubrinka. Esse é o nome da atração inaugurada no ano pas- sado pelo Beach Park, ao custo de R$ 7 milhões. O parque, loca- lizado nas cercanias de Fortale- za, no Ceará, não sentiu a crise. No ano passado, o públicocres- ceu 30%, somando 685 mil pes- soas. Para 2010, a expectativa é manter essa expansão. “Cresce- mos na cola da expansão nor- destina, que passou longe da crise”, afirma Murilo Pascoal, diretor-geral do Beach Park. Pascoal segue otimista, espe- cialmente para 2011, quando será inaugurado mais um hotel dentro do complexo turístico onde o parque está instalado. “Aqui, literalmente, não tem tempo ruim. O calor, aliás, só nos ajuda a crescer”, diz. Em Recife, o Mirabilândia, também comemora a alta de 28% no faturamento em 2009. Inaugurado em 2002, o parque recebe por ano 146 mil visitan- tes. Sua implantação custou US$ 3 milhões e para os próxi- mos dois anos, planeja investir outros R$ 6 milhões em novas atrações. “Mantivemos os pre- ços para atrair público”, diz o diretor Antonio Peixoto.

para atrair público”, diz o diretor Antonio Peixoto. ■ MONTANHA-RUSSA Playcenter e Hopi Hari tentam se
para atrair público”, diz o diretor Antonio Peixoto. ■ MONTANHA-RUSSA Playcenter e Hopi Hari tentam se

MONTANHA-RUSSA

Playcenter e Hopi Hari tentam se reerguer

Fundado em 1973 por Marcelo Gutglas, o Playcenter, em São

Paulo, foi comprado pelo grupo GP Investimentos em 1998 e recomprado por Gutglas em 2002. “O Playcenter está, aos poucos, reconstruindo o seu espaço”, diz

o presidente da Associação das

Empresas de Parques de Diversões (Adibra), Francisco Donatiello. ”À medida que a economia se recupera, os parques também se

fortalecem.” Donatiello lembra que, com exceção do Playcenter, os demais parques do país são muito novos. O Hopi Hari, que fica em Vinhedo, interior paulista, por exemplo, foi lançado em 1999. Hoje, sua dívida é estimada em R$ 500 milhões, além da Previ

e do GP Investimentos terem se

desfeito de seus ativos. “A maioria dos parques brasileiros começou nos anos 1990, durante o Plano Real. As empresas se endividaram em dólar para montar os parques

e muitas quase quebraram

com a maxidesvalorização do câmbio, em 1999”, lembra Alain Baldacci, do Wet’n Wild.

e muitas quase quebraram com a maxidesvalorização do câmbio, em 1999”, lembra Alain Baldacci, do Wet’n

Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010 Brasil Econômico 25

REGULAMENTAÇÃO

Conselho da Anatel adia decisão sobre preço de renovação de outorgas MMDS

A decisão sobre quanto as operadoras de TV por assinatura na tecnologia

MMDS pagarão pela renovação de suas licenças por mais 15 anos foi adiada ontem pelo conselho diretor da Anatel. O conselheiro Antonio Bedran pediu vistas ao processo. Só participaram da reunião Bedran e

mais dois conselheiros. O presidente Ronaldo Sardenberg está de férias

e o novo conselheiro, Jarbas Valente, só toma posse no próximo dia 27.

Leandro Ferreira

Valente, só toma posse no próximo dia 27. Leandro Ferreira INFORMÁTICA Cientistas brasileiros desenvolvem sistemas de

INFORMÁTICA

Cientistas brasileiros desenvolvem sistemas de computador baseados em física quântica

Sistema computacional baseado em física quântica promete velocidade de processamento maior do que a do mais avançado computador atual. As vantagens ainda são teoria, mas pesquisas feitas em diversos países avançam na área. No Brasil, um trabalho da Unicamp dá pistas para o avanço da informática quântica ao utilizar a lógica paraconsistente como fundamento para a elaboração de algoritmos voltados a esse modelo.

ânimo novo a parques de diversão

Ramunbrinka, do Beach Park:

R$ 7 milhões em investimento

Fotos: divulgação

Fire Whip, do Beto Carrero: montanha-russa de R$ 15 milhões
Fire Whip, do Beto Carrero:
montanha-russa de R$ 15 milhões

Jordi Burch

OLHAR ESTRANGEIRO

de R$ 15 milhões Jordi Burch OLHAR ESTRANGEIRO Charles Bray (à esquerda) e Chip Cleary, ambos

Charles Bray (à esquerda) e Chip Cleary, ambos da International Association of Amusement Parks and Attractions (Iaapa), a principal associação mu ndial da indústria de parques: visitas a empreendimentos no Brasil para avaliar o potencial de crescimento e investimento do setor. “O segmento precisa ser tratado como uma indústria, com todo seu potencial.”

O Wet’n Wild vai investir R$ 8 milhões para cobrir e aquecer parte do parque

Faturamento de US$ 24 bi

Metade desse movimento, US$ 11,9 bilhões, vem dos parques americanos

Um setor que gera, por ano, fa- turamento de US$ 24 bilhões ao redor do mundo, dos quais US$ 11,9 bilhões só nos Estados Unidos. Essa é a indú stria — as- sim denominada no exterior — dos parques de diversão. “E o Brasil tem potencial para cres- cer, e muito, nos próximos anos”, afirmou Chip Cleary, presidente da Iaapa, a principal associação mundial do seg- mento, durante visita ao Brasil esta semana. Ele, que também é dono de um grupo que admi- nistra parques nos Estados Uni- dos, se diz otimista com as perspectivas para o setor. “A cultura de visitar parques ainda é nova no Brasil, diferen- temente de nos Estados Unidos, por exemplo, onde as pessoas, para esquecer da crise no ano passado, foram passear na Dis- ney”, diz. “Mas isso tende a mudar.” Como? Com a melhora da renda e o crescimento da

As várias crises dos anos 1990 impediram

o crescimento do

setor de parques no Brasil. Mas as perspectivas para os próximos anos — com o crescimento da economia e a melhora da renda —

são muito diferentes

e bastante otimistas

economia. Cleary lembra que a Euro Disney ficou anos sem dar lucro até virar um sucesso. “É

preciso criar a cultura de ir ao parque. E isso está sendo feito no Brasil. Daqui a 10 anos, o se- tor terá o peso de uma indús- tria, atraindo público e cada vez mais investimentos, locais e de fora”, afirma Cleary. De acordo com a Associação das Empresas de Parques de Di- versões (Adibra), em 2008 — os dados de 2009 ainda não estão disponíveis — o faturamento do

setor somou R$ 802 milhões, crescimento de 86% em relação

a 2007. “Isso mostra que temos

potencial para ser tratados como indústria, que gera em- prego e receita para o país”, diz

o presidente da entidade, Fran-

cisco Donatiello.É bom lembrar

que os anos 1990 foram difíceis. Teve a crise do México, em 1995,

a asiática, em 1997, a russa, em

1998, a desvalorização do real, em 1999, e o colapso da Argen- tina, em 2001”, lembra Cleary. “Hoje, as perspectivas do Brasil são bem melhores.” E.C.

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Brasil Econômico Sexta-feira, 22 de janeiro, 2010

EMPRESAS

REVISÃO DE CONTRATO

Microsoft pode deixar de vender anúncios para o Facebook

Acionista do Facebook, a Microsoft perdeu parte da venda de anúncios da rede de relacionamento fora dos EUA e está discutindo a revisão de um acordo para retomar a comercialização de parte do espaço publicitário do site. Mas, o Facebook quer vender mais anúncios por conta própria e pode abandonar o uso da Microsoft também nos EUA, disse o vice-presidente de vendas de anúncios da empresa de software, Robin Domeniconi.

DIvulgação

da empresa de software, Robin Domeniconi. DIvulgação JUSTIÇA Oracle ganha aval da União Europeia para comprar

JUSTIÇA

Oracle ganha aval da União Europeia para comprar Sun

A companhia americana de software Oracle obteve ontem aprovação incondicional da União Europeia para a compra da fabricante de computadores e software Sun Microsystems, por US$ 7 bilhões. Órgãos americanos aprovaram o acordo, mas a Comissão Europeia começou uma investigação sobre o negócio, em setembro, citando preocupações sobre o impacto competitivo na base de dados MySQL da Sun.

Divulgação

Nelsom Marangoni, presidente do Ibope Inteligência, que agora tem escritórios nos Estados Unidos, em Porto
Nelsom Marangoni, presidente do Ibope
Inteligência, que agora tem escritórios nos
Estados Unidos, em Porto Rico e no Chile
escritórios nos Estados Unidos, em Porto Rico e no Chile FATURAMENTO US$ 250 mi foi a

FATURAMENTO

US$ 250 mi

foi a receita de todo o grupo Ibope, no ano passado. Empresa diz que crescimento fica em torno de 6% ao ano.

MAIOR MERCADO

US$ 8,9 bi

é quanto os Estados Unidos

movimentam, por ano, em pesquisa, diz o Ibope. Valor representa 27% de todo

o investimento mundial.

RANKING

US$ 4,1 bi

é o montante investido em

pesquisa no Reino Unido, segundo mercado mundial. Em seguida estão Alemanha,

França e Japão.

EM CRESCIMENTO

US$ 689 mi

foi o investimento em pesquisa

no Brasil, em 2008. O país ocupa

a 11° posição entre os principais mercados no mundo.

Ibope investe US$ 12 mi em compras

Instituto de pesquisa dá primeiro grande passo para a internacionalização, com entrada nos Estados Unidos

Ruy Barata Neto

rneto@brasileconomico.com.br

O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, mais co- nhecido como Ibope, deu início ao seu plano de internacionali- zação. Ele anunciou ontem a aquisição de 51% de uma em- presa americana especializada em pesquisa de opinião, a Zogby International, fundada em 1984 pelo pesquisador John Zogby. O contrato dá prioridade ao Ibope na aquisição do restante do ne- gócio nos próximos quatro anos. Os valores do acordo são mantidos em sigilo, mas consu- miram boa parte dos US$ 12 mi- lhões que serão aplicados em projetos de expansão do Ibope Inteligência, braço de negócio do grupo voltado para pesquisas de mercado e opinião. No mes- mo montante estão incluídos também os investimentos na abertura de dois novos escritó- rios na América Latina — em

Porto Rico e no Chile — e na aquisição de duas novas empre- sas nacionais de pesquisa — a IDS, do Rio de Janeiro, e a IPDM Geonegócios, companhia pau- lista de geomarketing. A Zogby, embora não seja tão grande — tem 45 funcionários em três escritórios e fatura US$ 7 milhões anualmente — é funda- mental para os planos futuros do Ibope Inteligência como em- presa de pesquis a inter nacional. Em primeiro lugar, ela permite que o instituto brasileiro tenha acesso a novos mercados. A Zogby faz levantamentos em países da África e no Oriente Médio, regiões em desenvolvi- mento e de interesse para a bra- sileira. O segundo motivo é a experiência da empresa com pesquisas pela internet e até pelo celular. “Embora tenha- mos tecnologia, as pesquisas pela internet ainda não chegam a 5% do volume total de de- manda no país”, diz Nelsom

Embora tenhamos tecnologia, as pesquisas pela internet ainda não chegam a 5% do volume total de demanda no país

Nelsom Marangoni,

presidente do Ibope Inteligência