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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MEDICINA DO TRABALHO WALDIR FAVARIN MURARI 1

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MEDICINA DO TRABALHO

WALDIR FAVARIN MURARI

1

AMBIENTES DE TRABALHO E DOENÇAS OCUPACIONAIS TOXICOLOGIA E AGENTES QUÍMICOS PROFº WALDIR FAVARIN MURARI 2

AMBIENTES DE TRABALHO E DOENÇAS OCUPACIONAIS TOXICOLOGIA E AGENTES QUÍMICOS

PROFº WALDIR FAVARIN MURARI

Ementa Esta disciplina divulga os princípios gerais da toxicologia e aborda os principais agentes existentes

Ementa

Esta disciplina divulga os princípios gerais da toxicologia e aborda os principais agentes existentes nos ambientes de trabalho, direta ou indiretamente envolvidos nos processos produtivos, em suas características de bio-transformação e formas de monitoramento biológico.

Conteúdo Programático • Princípios gerais da Toxicologia • Toxicologia dos Solventes • Toxicologia dos Metais

Conteúdo Programático

• Princípios gerais da Toxicologia

• Toxicologia dos Solventes

• Toxicologia dos Metais

• Defensivos Agrícolas e Domissanitários

WALDIR FAVARIN MURARI • Dr. Waldir Favarin Murari, CRM.SP nº. 33.616, médico formado pela Faculdade

WALDIR FAVARIN MURARI

• Dr. Waldir Favarin Murari, CRM.SP nº. 33.616, médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em 1978, especialista em Patologia Clínica (Medicina Laboratorial), título conferido pela A.M.B. - Associação Médica Brasileira através da sua filiada Sociedade Brasileira de Patologia Clínica em 1980, especialista em Medicina do Trabalho, título conferido pela A.M.B. - Associação Médica Brasileira através de sua filiada ANAMT - Associação Nacional de Medicina do Trabalho em 1995, Curso de Extensão Universitária em Gestão de Saúde, Segurança e Meio Ambiente – UNICAMP/BUREAU VERITAS, Pós-graduado em perícias médicas – Fundação UNIMED/Universidade Gama Filho.

• Assistente técnico pericial

• Coordenador de PCMSO em industrias químicas

• Consultor de empresas em toxicologia

E-mail: waldir@planconsultconsultoria.com.br Fone: (19)3326-1652 | Celular: (19)9797-5515

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Princípios Gerais da Toxicologia

Princípios Gerais da Toxicologia

Riscos ocupacionais: Substâncias químicas • Material particulado • Líquidos • Gases • Vapores

Riscos ocupacionais:

Substâncias químicas

Material particulado

Líquidos

Gases

Vapores

Principais Vias de Introdução • Respiratória • Pele • Oral digestiva

Principais Vias de Introdução

Respiratória

Pele

Oral digestiva

Absorção Através da Pele A pele constitui-se numa importante camada protetora do organismo. M as

Absorção Através da Pele

A pele constitui-se numa importante camada protetora do organismo. Mas

• Não protege sempre contra os riscos presentes no ambiente de trabalho porque as substâncias químicas podem ser absorvidas diretamente pelo organismo através da pele saudável.

Uma vez absorvidas, as substâncias químicas através da circulação são transportadas para os órgãos alvo produzindo efeitos nocivos.

Pele • Vários materiais ou situações no ambiente de trabalho podem causar moléstias ou lesões.

Pele

Vários materiais ou situações no ambiente de trabalho podem causar moléstias ou lesões.

O trabalho mecânico em que realiza fricções, pressão e outras formas de força (p. ex., trabalhadores que utilizam rebitadeiras, retiram lascas, verrumas e martelos) podem produzir calos, bolhas, lesões nos nervos, cortes, etc.

As centenas de novas substâncias químicas que ingressam nos ambientes de trabalho a cada ano, algumas delas podem ocasionar irritação da pele e reações alérgicas da derme.

• Algumas substâncias tais como ácidos e álcalis fortes provocarão lesões na pele quase imediatamente.

Algumas substâncias tais como ácidos e álcalis fortes provocarão lesões na pele quase imediatamente.

Outras como ácidos e álcalis diluídos e solventes em geral, provocarão efeitos na pele só se houver contacto da pele com a substância química durante vários dias.

Quais substâncias podem danificar a pele? • Todas as formas de petróleo, entre elas o

Quais substâncias podem danificar a pele?

Todas as formas de petróleo, entre elas o diesel, lubrificantes, combustíveis, solventes, diluentes e desengraxantes, (parafina, tricloroetileno, e os produtos derivados do petróleo)

Produtos do alcatrão da hulha, compreendidos os fenóis e os cresóis

Algumas substâncias podem tornar a pele enrijecida, após a formação de bolhas ou produzir escamas isto é, dermatites.

Dermatites: sintomatologia Habitualmente os sintomas somente aparecem quando a substância química entra em contato com

Dermatites: sintomatologia

Habitualmente os sintomas somente aparecem quando a substância química entra em contato com a pele e desaparecem quando o trabalhador deixa de estar em contato com a mesma.

Algumas substâncias químicas que causam dermatites de contato • Formaldeído • Compostos de níquel •

Algumas substâncias químicas que causam dermatites de contato

Formaldeído

Compostos de níquel

Resinas epóxi e catalisadores utilizados na fabricação de produtos plásticos.

Agentes germicidas que levam o sabão e outros produtos de limpeza, em particular o hexaclorofeno, bitionol e as salicilanilidas halogenadas

Cromatos.

Sistema Respiratório • O sistema respiratório dispõe de mecanismos muito eficazes para filtrar os poluentes

Sistema Respiratório

O sistema respiratório dispõe de mecanismos muito eficazes para filtrar os poluentes normais que ocorrem no ar.

Os sistemas de filtração do nariz (pelos) e do trato respiratório superior (mucosa, cílios vibráteis) impedem que grandes partículas penetrem no organismo e atinjam os pulmões produzindo efeitos adversos à saúde.

Sistema Respiratório • Em geral filtra as partículas de pós de diâmetros grandes, entre as

Sistema Respiratório

Em geral filtra as partículas de pós de diâmetros grandes, entre as quais as fibras

É muito difícil eliminar as partículas de diâmetros pequenos que pode atingir partes mais profundas dos pulmões e ocasionar graves problemas respiratórios locais

Quando os pulmões estão expostos a concentrações elevadas de pós, vapores, fumos do cigarro, poluentes da atmosfera, os mecanismos de filtração podem ficar sobrecarregados e sofrer um dano.

Sistema Respiratório • Uma vez sofrido o dano é provável que se desenvolvam nos pulmões,

Sistema Respiratório

Uma vez sofrido o dano é provável que se desenvolvam nos pulmões, diferentes bactérias,vírus etc, provocando pneumonias.

Tarefas em locais cheios de pós (mineiros de bauxita e carvão; engenhos de açúcar; de amianto; indústria química; indústria farmacêutica, etc) maior possibilidade de contrair doenças respiratórias que outros trabalhadores em outras atividades.

Mineiros de bauxita

Mineiros de carvão

Engenhos de açúcar

Amianto

Indústria química

Indústria farmacêutica, etc

Maior possibilidade de contrair doenças respiratórias que outros trabalhadores em outras atividades.

O organismo dispõe de vários mecanismos que podem “emitir” sinais de alarme quando ocorrem riscos:

O organismo dispõe de vários mecanismos que podem “emitir” sinais de alarme quando ocorrem riscos:

Odor

Tosse

Irritação no nariz

Estes sinais de advertência apenas dirão que há um provável risco.

Todavia muitas substâncias químicas não apresentam odor e assim não podemos identificar.

• Outras substâncias químicas só apresentam odor quando se apresentam em concentrações muito acima dos

Outras substâncias químicas só apresentam odor quando se apresentam em concentrações muito acima dos “níveis de segurança” e já podem estar provocando danos à saúde.

Alternativamente, outras não apresentam odor após determinado tempo próximo a elas, pois o nariz se habitua com o seu odor (adaptação).

Dessa forma o olfato nem sempre é um sinal de alarme confiável.

1. Gases e vapores • Irritantes • Primários • Secundários 2. Asfixiantes •

1.

Gases e vapores

Irritantes

Primários

Secundários

2.

Asfixiantes

Simples

Sistêmicos

• Os gases e vapores podem também penetrar no organismo através do sistema respiratório. •

Os gases e vapores podem também penetrar no organismo através do sistema respiratório.

Efeitos locais no trato respiratório superior e nos pulmões e outros serão absorvidos passando para a corrente sangüínea e provocar efeitos adversos nos órgãos alvo.

Amônia – irritante respiratório Gás sulfídrico – irritante e depressor do SNC

Biomonitoramento: Introdução • Trata-se de uma metodologia de fundamental importância, atualmente de ampla

Biomonitoramento: Introdução

Trata-se de uma metodologia de fundamental importância, atualmente de ampla aplicação pratica seja nas investigações transversais seja nas longitudinais, pois permite avaliar o andamento das exposições no tempo.

O biomonitoramento é também importante na pesquisa, particularmente nos estudos epidemiológicos.

Em tais investigações o valor dos biomarcadores fornece uma informação sobre a exposição e prognosticar um eventual desenvolvimento no tempo, de efeitos adversos a saúde dos expostos.

Conceitos BIOMONITORAMENTO :consiste:consiste nana determinaçãodeterminação dede biomarcadoresbiomarcadores dede

Conceitos

BIOMONITORAMENTO:consiste:consiste nana determinaçãodeterminação dede biomarcadoresbiomarcadores dede exposiçãoexposição ee biomarcadoresbiomarcadores dede efeitos,efeitos, nosnos indivíduosindivíduos expostosexpostos ((tecidos,tecidos, secreções,secreções, arar expirado,expirado, metabólitosmetabólitos)) aosaos agentesagentes presentespresentes nono ambienteambiente ddee trtraabbaalhlho,o, paparraa avaavaliliaarr aa exposexposiiççããoo ee oo ririscosco aa ssaaúdúdee cocommpaparraandndoo cocomm referênciasreferências apropriadas.apropriadas.

MONITORAMENTOMONITORAMENTO AMBIENTALAMBIENTAL:: consisteconsiste nana medida,medida, dosdos agentesagentes químicosquímicos presentespresentes nana atmosferaatmosfera dodo ambienteambiente dede trabtrabalhoalho parapara avaliaravaliar aa exposiçãoexposição ambientalambiental ee oo riscorisco aa saúdesaúde comparandocomparando cocomm referênciasreferências apropriadas.apropriadas.

SIGLAS – ENTIDADES • DFG - Deutsche Forschungsgemeinschaft • NIOSH - National Institute of Occupational

SIGLAS – ENTIDADES

DFG - Deutsche Forschungsgemeinschaft

NIOSH - National Institute of Occupational Safety and Health - EUA

OSHA - Occupational Safety and Health Administration - EUA

ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Higyenists

Limites de Exposição Ambientais (DFG) • MAK (Máxima Concentração Tolerável): é a máxima concentração de

Limites de Exposição Ambientais (DFG)

MAK (Máxima Concentração Tolerável): é a máxima concentração de uma substancia química (gás, vapor ou partículas aerodispersas) presente no ambiente de trabalho que não produz efeitos adversos nos trabalhadores expostos durante um período de 8 horas diárias ou 40 horas semanais.

TRK (Limite de Exposição Técnico): é o nível mais baixo de concentração que pode ser obtido nas industrias com a tecnologia atual.

Limites de Exposição Ambientais (ACGIH) TLV-TWA (Valor limite “limiar” - média ponderada no tempo): concentração

Limites de Exposição Ambientais (ACGIH)

TLV-TWA (Valor limite “limiar” - média ponderada no tempo):

concentração media ponderada no tempo (calculada para uma jornada de trabalho convencional de oito horas e/ou 40 horas de trabalho semanal) para as quais se acredita que quase todos os trabalhadores possam estar repetidamente expostos dia após dia sem apresentar efeitos adversos. TLV-STEL (Valor limite “limiar” - limite para um breve período (tempo) de exposição): concentração a qual se acredita que os trabalhadores possam estar expostos continuamente por um breve período de tempo sem que surjam irritações, dano crônico ou irreversível nos tecidos e redução do estado de atenção. TLV-C (Valor limite “limiar” - Ceiling): concentração que não deve ser superada durante qualquer momento da exposição da jornada de trabalho.

• LT – LIMITE DE TOLERÂNCIA = TLV-TWA • NA – NÍVEL DE AÇÃO =

LT – LIMITE DE TOLERÂNCIA = TLV-TWA

NA – NÍVEL DE AÇÃO = 50% DO LT – RECOMENDA-SE PROTEGER O TRABALHADOR – PROCESSOS – EPCs - EPIs

Limites biológico segundo a ACGIH e a DFG • BEI (Índice Biológico de Exposição -

Limites biológico segundo a ACGIH e a DFG

BEI (Índice Biológico de Exposição - ACGIH): representa o valor do biomarcador que é possível encontrar em amostras colhidas de trabalhadores saudáveis, expostos aos níveis de concentração do ar da ordem de grandeza do TLV-TWA. BAT (Nível Biológico Tolerado - DFG): representa a máxima quantidade da substancia química ou de seu metabólito presente nas amostras colhidas dos trabalhadores expostos num período de 8 horas diárias ou 40 horas semanais. Os BAT são validados referindo-se aos valores do MAK. •• EKAEKA (Limite(Limite dede ExposiçãoExposição EquivalenteEquivalente parapara SubstanciSubstanciasas CancerígenasCancerígenas -- DFG):DFG): parapara asas substanciassubstancias cancerígenascancerígenas osos BATsBATs foramforam substituídossubstituídos pelopelo EKA.EKA. Servem para investigar a relação entre a concentração da substancia carcinogênica na atmosfera do ambiente de trabalho e a dos metabólitos presentes no material biológico.

IBE – Indicador Biológico Específico Condições de Amostragem Anexo I – NR7 (PCMSO) – Portaria

IBE – Indicador Biológico Específico Condições de Amostragem Anexo I – NR7 (PCMSO) – Portaria 3.213/78 – Lei 6.514/77

FJ - Final do último dia de jornada de trabalho (recomenda-se evitar a primeira jornada da semana);

FS - Final do último dia de jornada da semana;

FS+ - Início da última jornada da semana;

PP+ - Pré e pós a 4a jornada de trabalho da semana;

PU - Primeira urina da manhã;

NC - Momento de amostragem "não crítico": pode ser feita em qualquer dia e horário, desde que o trabalhador esteja em trabalho contínuo nas últimas 4 (quatro) semanas sem afastamento maior que 4 (quatro) dias;

T-1 - Recomenda-se iniciar a monitorização após 1 (um) mês de exposição;

T-6 - Recomenda-se iniciar a monitorização após 6 (seis) meses de exposição;

T-12 - Recomenda-se iniciar a monitorização após 12 (doze) meses de exposição;

0-1 - Pode-se fazer a diferença entre pré e pós-jornada.

IBE – Iindicador Biológico Específico Interpretação Anexo I – NR7 (PCMSO) – Portaria 3.213/78 –

IBE – Iindicador Biológico Específico Interpretação

Anexo I – NR7 (PCMSO) – Portaria 3.213/78 – Lei 6.514/77

• EE - O indicador biológico é capaz de indicar uma exposição ambiental acima do limite de tolerância, mas não possui, isoladamente, significado clínico ou toxicológico próprio, ou seja, não indica doença, nem está associado a um efeito ou disfunção de qualquer sistema biológico;

• SC - Além de mostrar uma exposição excessiva, o indicador biológico tem também significado clínico ou toxicológico próprio, ou seja, pode indicar doença, estar associado a um efeito ou uma disfunção do sistema biológico avaliado;

• SC+ - O indicador biológico possui significado clínico ou toxicológico próprio, mas, na prática, devido à sua curta meia-vida biológica, deve ser considerado como EE

IBE – Indicador Biológico Específico Recomendação Anexo I – NR7 (PCMSO) – Portaria 3.213/78 –

IBE – Indicador Biológico Específico Recomendação Anexo I – NR7 (PCMSO) – Portaria 3.213/78 – Lei 6.514/77

• Recomenda-se executar a monitorização biológica no coletivo, ou seja, monitorizando os resultados do grupo de trabalhadores expostos a riscos quantitativamente semelhantes (GHE).

Limites Biológicos de Exposição Os LBEs não se destinam a: • Determinar os efeitos nocivos

Limites Biológicos de Exposição

Os LBEs não se destinam a:

Determinar os efeitos nocivos a saúde ou

Diagnosticar uma patologia ocupacional

Correspondem a uma avaliação biológica da exposição

FISPQ FICHA DE INFORMAÇÃO DE SEGURANÇA DE PRODUTO QUÍMICO

FISPQ FICHA DE INFORMAÇÃO DE SEGURANÇA DE PRODUTO QUÍMICO

FISPQ CONTEÚDO 1 Identificação do produto e da empresa 2 Identificação de perigos 3 Composição

FISPQ

CONTEÚDO

1 Identificação do produto e da empresa

2 Identificação de perigos

3 Composição e informações sobre os ingredientes

4 Medidas de primeiros-socorros

5 Medidas de combate a incêndio

6 Medidas de controle para derramamento ou vazamento

7 Manuseio e armazenamento

8 Controle de exposição e proteção individual

9 Propriedades físicas e químicas

10 Reatividade e estabilidade

11 Informações toxicológicas

12 Informações ecotoxicológicas

13 Considerações sobre tratamento e disposição

14 Informações sobre transporte

15 Regulamentações