moravios 
moravios.user@gmail.com

 

 

 

Teologia e missão: perspectiva paulina da 
missão urbana em Romanos 
Norval Oliveira da Silva 
 
 
 
Uma publicação de 
Morávios publicações 
 
 
 
Este eBook é publicado com permissão do 
autor. Você está autorizado e incentivado a 
baixar, ler e distribuir este material, desde que 
não o utilize para fins comerciais nem altere 
seu conteúdo e arte. 
 
 
Edição e diagramação: moravios publicações 

INTRODUÇÃO 
A carta aos Romanos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É consenso geral que a carta de Paulo aos Romanos é um dos 
escritos mais importantes e mais profundos da religião Cristã. 
Foi através dela que homens como Agostinho, Lutero, John 
Wesley e Carl Barth tiveram uma experiência pessoal com Cristo 
(Bruce, 1979, pp. 50­51). Calvino diz que “se porventura 
conseguirmos uma genuína compreensão dessa epístola, 
teremos aberto uma amplíssima porta de acesso aos mais 
profundos tesouros da Escritura”1. Leon Morris diz que 
Romanos trata de grandes temas, temas que estão bem no 

1

  João CALVINO, Romanos, São Paulo: Edições Paracletos, 1997. p. 26. 

 

coração do cristianismo 2. Assim, essa carta não foi apenas 
importante para a primeira geração de cristãos, mas se torna 
relevante também tanto para os crentes de hoje em dia como 
para os de épocas futuras. 
O objetivo desse trabalho é analisar, ainda que de forma breve, o 
tema de missões urbanas no contexto da Carta aos Romanos. 
Nele, procuraremos enfocar a visão que Paulo tinha da cidade, a 
sua perspectiva missiológica para a cidade, os problemas 
envolvidos na pregação do Evangelho no contexto urbano e as 
soluções apontadas pelo autor. Concluiremos o trabalho com 
uma abordagem sobre a relevância do tema para os nossos dias 
de hoje e faremos uma breve aplicação para o nosso contexto 
brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2

  Leon MORRIS, The Epistle to The Romans, Erdmans Publishing Company, 1987. 

 

1. O evangelho e a cidade de Roma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não sabemos com certeza como o Evangelho chegou a Roma. 
Lucas narra em Atos 2:10­11 que em Jerusalém no dia de 
Pentecostes havia judeus de todas as partes do mundo e 
“visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao 
judaísmo (NVI, grifo meu). Supõe­se que foi assim que o 
Evangelho foi levado à capital do império, pelas mãos de 
pessoas comuns. Outra possibilidade ainda é de que, após a 
morte de Estevão, os crentes de Jerusalém que se espalharam 
por todas as partes tenham chegado também a Roma. A 
terminologia usada por Paulo para se dirigir aos cristãos de 
Roma indica que a igreja daquela cidade não era de organização 
tão recente (F.F. Bruce, 1988).  
 

2. Qual era a visão do autor sobre a cidade? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A cidade de Roma foi fundada em 735 A.C. sobre sete colinas e 
nos tempos do Novo Testamento estava em plena pujança do 
seu desenvolvimento.  Havia na cidade mais de um milhão de 
habitantes e sua estrutura urbana era de dar inveja às grandes 
cidades do nosso tempo (J.D. Douglas, 1962, p. 1408).  
Não há qualquer evidência histórica ou escriturística de que 
Paulo conhecia Roma ou a tenha visitado antes de escrever a sua 
carta aos cristãos daquela cidade. Embora cidadão romano por 
nascimento (Atos 16:37; 21:39; 22:25), ele era de Tarso, na Ásia 
 

Menor e ao que tudo indica, fora educado em Jerusalém, aos 
pés do rabino Gamaliel. Havia porém em Roma muitos cristãos 
que Paulo conhecera aqui e ali em suas viagens (F.F. Bruce, 
1989, p. 14). 
No mundo dos dias de Paulo, o nome de Roma muito 
significava, e não deixa de exercer um forte fascínio também 
sobre o apóstolo, uma vez que ele expressa o forte desejo de 
pregar o evangelho também ali (Douglas, 1962, p. 1412). Como 
bom estrategista missionário, Paulo sabia da importância de 
Roma como base missionária para novos campos pioneiros e 
como centro de expansão do cristianismo por todo o império. 
Esse modelo de centros de expansão como prática missiológica 
é largamente atestado na tarefa missionária paulina, de acordo 
com o livro de Atos dos apóstolos. Foi assim que o apóstolo 
sempre viu o seu ministério: escolher centros estratégicos de 
expansão regional, passar o tempo necessário lá para a 
implantação de uma comunidade cristã e seguir em frente para 
um novo centro. Essa atividade se repetia quantas vezes 
necessárias até que uma dada região estivesse estrategicamente 
ocupada pela presença cristã. 
Tem se discutido muito nos círculos acadêmicos hoje qual era a 
real intenção de Paulo ao escrever a carta aos Romanos. Por 
muito tempo se viu nela um propósito teológico. De acordo com 
os que interpretam dessa maneira, a carta aos Romanos tem 
como finalidade a apresentação de uma síntese do Evangelho 
pregado e defendido pelo apóstolo (Walvoord,1983, p. 437). 
Nas últimas décadas, porém, tem havido uma mudança de foco. 
Segundo essa nova corrente, a exegese de Romanos tem se 
afastado de uma interpretação doutrinária, que tomava os 
 

ensinos de Paulo como verdades atemporais sem que se 
perguntasse para quem e para que ele escrevia. Em vez disso, a 
atenção tem se voltado para o(s) propósito(s) da Carta no 
contexto do trabalho missionário de Paulo (Klaus Haaker, 2006, 
p. 5). 
O texto de Romanos 15:24, quando lido na perspectiva da 
missiologia paulina, nos dá a dimensão da visão que o apóstolo 
tinha de Roma: um centro de missões. Vejamos o que ele diz 
aos romanos: “Planejo fazê­lo quando for à Espanha. Espero 
visitá­los de passagem e dar­lhes a oportunidade de me ajudarem 
em minha viagem para lá, depois de ter desfrutado um pouco da 
companhia de vocês”. 
Portanto, podemos afirmar com convicção que a carta aos 
Romanos tem motivação missiológica e que o apóstolo vê nos 
cristãos romanos um potencial de parceria missionária cuja 
finalidade seria o estabelecimento de novos centros de expansão 
da fé cristã, desta feita na Ibéria. Timoteo Carriker, comentando 
o trecho de Romanos 15:24, 28 diz3: 
A expressão ‘ser encaminhado por vocês’, v. 24, era 
praticamente um termo técnico nos círculos cristãos 
missionários, que se referia ao apoio moral e também 
provavelmente financeiro necessário para a proclamação 
do evangelho…Paulo então, está pedindo o apoio dos 
cristãos romanos para a viagem missionária que pretendia 
fazer até à Espanha.   

3

  Timoteo CARRIKER, ​
A missiologia Apocalíptica da Carta aos Romanos, p. 5.  

 

Corrobora com essa visão mais dois fatores: primeiro, o fato de 
que o próximo alvo missionário do apóstolo era a Ibéria, região 
latina. Assim, o apóstolo espera obter a ajuda de irmãos latinos 
para alcançar outros latinos. Isso explicaria a inclusão de muitos 
nomes latinos na lista de irmãos mencionados no final da 
epístola (Carriker, 1998, p. 5). Segundo, como Paulo já 
afirmara, ele não tinha intenção de se estabelecer em Roma, uma 
vez que o evangelho já estava presente lá e ele tinha como 
princípio missionário básico o não construir sobre alicerce 
alheio (Rom. 15:20­21). 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

 

3. Quais problemas o autor estava apontando? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que as intenções missionárias do apóstolo Paulo fossem 
concretizadas, porém, era necessário esclarecer uma série de 
questões que diziam respeito ao seu ministério e à natureza do 
Evangelho que ele pregava. Não devemos imaginar 
inocentemente que havia consenso quanto ao evangelho pregado 
pelo apóstolo. Ele mesmo dá a entender tanto em sua carta aos 
Romanos quanto em outros lugares que havia oposição, 
especialmente por parte de judeus cristãos que não viam com 
 

bons olhos o seu “liberalismo” em relação aos costumes e 
práticas gentílicas e a sua veemente defesa da não observância 
da lei mosaica por parte dos cristãos não­judeus. Assim, o 
primeiro problema apontado por ele na carta diz respeito à 
natureza do homem e à natureza do Evangelho.  
Convém lembrar nesta altura de que a igreja em Roma era 
constituída de judeus e gentios, com uma maioria provável 
destes últimos. Portanto, ao falar sobre a natureza do homem, 
Paulo passa a demonstrar que perante Deus, nem os judeus nem 
os gentios estão em vantagem a priori. “Todos pecaram e 
destituídos estão da Glória de Deus” (3:23). Isso era uma 
novidade, já que os judeus se consideravam em vantagem 
histórica no relacionamento com Deus. Porém, no evangelho 
pregado por Paulo, tanto judeus como gentios se encontram em 
pecado e passíveis do juízo divino, embora o apóstolo 
reconheça a prioridade dos judeus de ouvirem o evangelho, 
prática que ele mesmo utilizou ao viajar de cidade em cidade 
proclamando as Boas Novas de Cristo.  
Em anos recentes os estudiosos de Romanos têm focado a sua 
atenção nas tensões existentes entre os judeus e os gentios nas 
congregações romanas. Essas tensões surgiram logo após o 
retorno dos judeus para Roma, depois do exílio decretado pelo 
imperador Cláudio (Carriker, 1998, p. 1) e giravam em torno do 
estilo de vida cristão e da aplicação da lei mosaica aos gentios. 
A conclusão de Paulo de que os gentios não estão debaixo da 
lei causou espanto e oposição.  

 

4. Que elementos teológicos/missiológicos 
podem ser encontrados nesta carta? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Carta aos Romanos é rica em princípios teológicos e 
missiológicos. Nela, Paulo apresenta a natureza do cristianismo e 
a sua relação com as culturas e tradições. Como já dito antes, a 
motivação do autor é missionária, senão missiológica e, 
portanto, as verdades apresentadas são fundamentais para uma 
compreensão da natureza do Evangelho e do cristianismo. Vou 
resumir a seguir as verdades missiológico/teológicas que 
considero mais relevantes: 
 

4.1 Todo homem é pecador 
O apóstolo utiliza os três primeiros capítulos da carta para tratar 
da natureza do homem. Segundo a sua mensagem, o homem é 
pecador e está destituído de Deus. No capítulo 1, demonstra 
que os gentios são pecadores e estão perdidos. No capítulo 2 
afirma que não só os gentios, mas também os judeus são 
pecadores. E no capítulo 3, que “todos pecaram e destituídos 
estão da Glória de Deus”.  
O tema da natureza pecaminosa do homem é fundamental para a 
teologia paulina. É a partir desse estado pecaminoso do homem 
que a história da salvação se revela em Jesus Cristo. Como diz 
Murray “O evangelho como poder para a salvação se torna sem 
significado à parte do pecado, condenação, miséria e morte. 
Essa é a razão porque Paulo se propõe a demonstrar que todo o 
mundo é culpado diante de Deus e está sob a sua ira e 
julgamento”4 
4.2 O Evangelho é o poder de Deus para salvação 
Outro tema missiológico importante nessa carta é que Deus não 
deixou o homem, judeu ou gentio, em seu estado de morte 
espiritual. Ele providenciou um meio para a salvação, Jesus 
Cristo, através da proclamação do Evangelho. O apóstolo 
afirma que esse evangelho “é o poder de Deus para a salvação 
de todo aquele que crê” (1:16). 
Missiólogos têm discutido sobre a essencialidade da obra de 
Cristo para a salvação. Para alguns, Cristo é o meio de salvação 
4

 John, MURRAY, ​
Epistle to The Romans, p. xxiii. 

 

para os que ouvem e crêem. Porém, para os que morrerem sem 
oportunidade de ouvir o evangelho, Deus dará um outro jeito de 
salvá­los, sem que a fé em Cristo seja usada como critério de 
julgamento. Embora a expressão ‘poder de Deus’ no verso 
analisado em Grego não tenha o artigo definido o poder’, isso 
não quer dizer que devamos traduzir por ‘um poder de Deus’, 
pois a gramática irá nos indicar que substantivos que precedem 
o verbo e funcionam como o foco da oração são geralmente 
usados sem artigo definido (Levinsohn 2000). Portanto, 
podemos afirmar que, com base nesse verso, o  evangelho é o 
meio de salvação, não um meio de salvação. Assim entendo eu 
que a teologia paulina não deixa qualquer margem de dúvida 
quando  à essencialidade de Cristo para a salvação tanto de 
judeus quanto de gentios pois é em Cristo que todos os que 
crêem são justificados, pela fé, sem a qual ninguém verá a Deus. 
4.3 Em Cristo, Judeus e gentios formam um só corpo 
Um outro elemento fundamental na teologia paulina, expressa em 
Romanos e em outras cartas, como Efésios, por exemplo, é a 
inclusão dos gentios nas promessas vétero­testamentárias. Esse 
fator é considerado pelo apóstolo como o grande mistério que 
Deus havia guardado, mas agora revelado ao seu povo (11:25). 
No capítulo 4 de Romanos ele demonstra que as promessas de 
Deus a Abraão ocorreram ainda quando ele era incircunciso e, 
portanto, Abraão é também pai dos gentios que crêem (4:14), e 
no capítulo 11, utiliza metáforas para demonstrar o “enxerto” 
dos gentios na videira que é Cristo. Com isso, o autor chama 
atenção dos gentios para uma postura de humildade, mostrando 
a necessidade deles permanecerem na videira para que não 
ocorra com eles o que ocorreu com alguns galhos originais 
 

(judeus) que foram cortados e lançados fora em função da sua 
incredulidade (11:18, 22).  
F.F. Bruce diz que a igreja de Roma poderia se desintegrar 
rapidamente se os grupos cristãos (judeus e gentios) insistissem 
em exercer sua liberdade cristã sem se importar com a opinião 
dos outros.5 Paulo, então apresenta um critério que deve ser 
seguido por todos para resolver essas questões práticas na 
igreja: o amor e a tolerância.  No verso 13 do capítulo 14 ele 
insta os cristãos a não julgarem um ao outro. A colocarem o 
interesse do próximo acima do seu próprio interesse. Nessa 
matéria ele mesmo foi um grande exemplo pois “se fez de tudo 
para com todos a fim de ganhar alguns” (1 cor. 9:19). 
Finalmente, no capítulo 15, o apóstolo conclama a todos para 
que assumam uma postura de tolerância e amor ao próximo com 
o fim de promoverem a unidade no Corpo de Cristo ele diz em 
15:7 “Portanto, aceitem­se uns aos outros, da mesma forma que 
Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus”. 
4.4 É pela pregação que os eleitos vêm a Cristo 
Segundo o texto de Romanos, Deus não só escolheu um povo 
para si, mas também o chamou (do Grego kaleo). Sem sombra 
de dúvidas o método de Deus para chamar os eleitos é a 
pregação. É a proclamação do evangelho, as Boas Notícias. “A 
fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus”. Defensor dessa 
visão, o apóstolo Paulo, no capítulo 8 de Romanos, ao 
apresentar e resumir todos os passos da atividade missionária, 
clama dizendo “Como ouvirão se não há quem pregue?”. Fora 
5

 F.F. BRUCE, Romanos, Introdução e Comentário, p.197 

 

da proclamação das Boas Novas não há como os eleitos virem a 
Cristo. O Espírito Santo é quem, pela palavra, convence o 
mundo do pecado da justiça e do juízo, e os conduz a Cristo. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

5. Qual foi a proposta do autor para a solução 
do(s) problema(s)? 
 
 
 
 
 
 
 
A proposta do apóstolo para a resolução do problema 
judeu/gentio tem uma nuance teológica e outra prática. A 
teológica é demonstrar que a obra redentora de Cristo 
aproximou os gentios de Deus e dos judeus fez dos dois povos 
um só. Paulo demonstra que a Lei mosaica tinha um propósito 
específico, histórico e temporal, mas era ineficiente para 
conduzir o homem a uma verdadeira transformação espiritual. 
Paulo demonstra que Deus aceita os gentios como eles são e 
que é direito deles exercer a sua liberdade em Cristo. René 
Padilha diz6: 
Os apóstolos sabiam muito bem que, para que 
acontecesse uma aceitação genuína das pessoas ‘assim 
como elas são’, e não uma aceitação da boca para fora, 
6

   René PADILHA,​
 Missão Integral​
, p. 169 

 

teria que haver uma comunhão real, acima de todas as 
barreiras, no nível da congregação local. 
Consequentemente eles se esforçaram para criar 
comunidades nas quais…judeus e gentios…adorariam a 
Deus juntos e aprenderiam o significado de uma unidade 
em Cristo ainda que fosse necessário encarar dificuldades 
que surgiriam das diferenças de bagagem cultural ou de 
classe social entre os membros. 
A nuance prática apresentada por Paulo é conclamar os gentios 
(os fortes) a serem mais tolerantes para com os judeus (os 
fracos) e não transformarem a sua liberdade em motivo de 
escândalo. O apóstolo demonstra que, para que haja unidade no 
Corpo de Cristo, é preciso considerar o próximo e amá­lo, pois 
esse era o resumo da Lei.  
Quanto à situação dos povos ainda não alcançados pelo 
evangelho, no caso específico em mente a Espanha, de acordo 
com a teologia de Paulo, o único meio de salvação para eles era 
através da proclamação do evangelho. O apóstolo então, espera 
uma compreensão por parte dos romanos e o reconhecimento 
de que ele devia, de fato, ir à Espanha e cumprir a sua missão de 
levar as Boas Novas até aos confins da terra. O ser humano está 
caído e a natureza do evangelho exige ser ofertado e 
gratuitamente proclamado em todo o mundo: “Como pregarão 
se não forem enviados?” (10:15). A esse ponto, o argumento do 
apóstolo deve ser suficiente para convencer os romanos a 
sustentá­lo e enviá­lo à Espanha!  

 

6. Qual a relevância desta carta para a missão 
urbana hoje? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os problemas apresentados pelo apóstolo Paulo aos Romanos 
não são muito diferentes dos problemas que nós enfrentamos 
hoje em nossas igrejas. As questões de relacionamentos na 
comunidade cristã continuam a ser um dos grandes desafios dos 
nossos dias.  Esses problemas se agravam ainda mais em função 
das tendências pós­modernas. In Sik Hong dá como 
características do pós­modernismo o individualismo, a falta de 
crença em valores absolutos, uma ênfase exagerada no presente 
em detrimento de perspectivas futuras, o isolacionismo social e 
 

o subjetivismo 7. Todas essas tendências se constituem em 
desafio a nós pastores na apresentação do evangelho e na 
condução do povo de Deus nessa peregrinação aqui na terra. É 
preciso refletir se o evangelho que estamos pregando é o mesmo 
pregado por Paulo. Será que ele é um evangelho de poder? E 
mais, poder para a salvação. O que dizer do próprio conceito de 
salvação. De repente, a salvação foi transformada por certos 
teólogos em algo menos do que aquilo que o apóstolo Paulo 
cria e pregava8, isto é, salvação integral aqui e agora, mas 
também salvação espiritual e escatológica, eterna. 
O conceito de unidade de judeus e gentios no corpo de Cristo é 
também de extrema relevância para nós hoje.  Embora no Brasil, 
as dificuldades de relacionamento não sejam propriamente 
étnicas, elas são de cunho social. A sociedade brasileira é uma 
sociedade bastante estratificada. Temos igrejas de ricos e igrejas 
de pobres. Historicamente temos favorecido mais os ricos que 
os pobres. Quando observamos o ministério terreno de Jesus, 
porém, vemos que ele deu uma ênfase grande na proclamação 
do evangelho ao pobre. Segundo Jorge Barro, o pobre, alvo da 
pregação de Jesus, é apresentado por Lucas como representado 
em várias categorias humanas, a saber, no paralítico, no cego, 
no aleijado, etc.9 

7

 In Sik HONG e outros, ​
Ética y Religiosidad en tiempos posmodernos, ​
pp. 7­17. 
 ​
Veja, por exemplo, a noção de salvação defendida por Ronaldo Satlerr­Rosa  em ​
Cuidado 
pastora em Tempos de Insegurança, pp.35­48, ​
em que o autor defende a idéia de salvação 
como bem­estar social. 
8

 
9

 Jorge BARRO, ​
De Cidade em Cidade, ​
p. 182. 

 

Outro aspecto interessante apresentado pelo apóstolo diz 
respeito à relação teologia/missão. Paulo não se detém em fazer 
teologia sistemática como um fim em si mesmo. Para ele a 
teologia serve para fundamentar a sua missão. Como muito bem 
coloca Carriker, “a teologia, para Paulo, era conseqüência da 
missão, e não vice­versa”10. 
Por fim, devemos aprender com a postura missionária de Paulo. 
Fica claro pelo contexto que ele buscava apoio e parceria dos 
crentes romanos para o seu novo projeto missionário. A sua 
atitude para convencer os romanos a investirem em seu projeto 
não foi o uso de apelos românticos e mirabolantes. Foi uma 
exposição clara e convincente da natureza do homem, este 
caído e desesperadamente necessitado da obra redentora de 
Cristo, e a natureza do evangelho, Boa Nova e poder de Deus 
para a salvação, tanto de judeus como de gentios.  
Pessoalmente fico fascinado pela exposição de Paulo quanto à 
natureza do Evangelho. Como missionário transcultural há quase 
vinte anos, trabalhando com povos indígenas do Brasil, é 
exatamente essa a motivação que tenho: o evangelho é o poder 
de Deus para a salvação de todos. Não há outro meio. Esse 
evangelho precisa ser ofertado gratuitamente a todos os povos 
da terra para que assim Deus vá chamando e formando um povo 
para si, povo esse multi­étnico, multirracial e multi­linguístico. 
Essa nova criação de Deus deve então caminhar em união, viver 
em comunhão e fazer proclamação na terra, glorificando ao seu 
Senhor e aguardando o dia da redenção final. Maranata!  
10

  Timoteo CARRIKER, ​
A missiologia Apocalíptica da Carta aos Romanos: com ênfase 
em Rom. 15.14­21 e 9­11, p. 15. 

 

Referências Bibliográficas 
 
 
BARNES, E. Notes on The New Testament. Grand Rapids: 
Baker Book House, 1949. 
BARRO, Jorge. H. De Cidade em Cidade­ Elementos para uma 
Teologia bíblica de Missão em Lucas­Atos. Londrina: 
Descoberta, 2002 
BRUCE, F.F. Romanos Introdução e Comentário.  São Paulo: 
Edições Vida Nova, 1979. 
CALVINO, João.  Romanos. São Paulo: Edições Paracletos, 
1997. 
CARRIKER, Timoteo. A missiologia Apocalíptica da Carta aos 
Romanos: com ênfase  em Rom. 15.14­21 e 9­11.  on­line: 
http://www.mackenzie.com.br/teologia/fides/vol03/num01/Timot
eo.pdf​
. Acessado em 05/07/2006 
DOUGLAS,  J.D. Editor. O Novo Dicionário da Bíblia. São 
Paulo: Edições Vida Nova, 1962. 
HAAKER, Klaus. The Theology of Paul,s Letter to The 
Romans. On­line. 
http://assets.cambridge.org/052143/4807/sample/0521434807ws.
pdf​
. Acessado em 05/07/2006. 
 

HONG, In Sik e outros.  Ética y Religiosidad en tiempos 
posmodernos. Buenos Aires: Kairós Ediciones, 2001. 
LEVINSOHN, Steve. Discurse Features of New Testament 
Greek. Dallas: SIL, 2000. 
MORRIS, Leon. The Epistle to The Romans. Grand Rapids: W. 
Eerdmans Publishing, 1987. 
Novo Testamento Grego, UBS 4a Edição 
PADILHA, C. René. Missão Integral. Ensaios sobre o Reino e 
sobre a Igreja. São Paulo: Fraternidade Teológica Latino 
americana Brasil, 1992. 
SATLER­ROSA, Ronaldo. Cuidado pastoral em Tempos de 
Insegurança­ Uma  Hermenêutica Contemporânea. São Paulo: 
ASTE, 2004 
SMITH, William S. A Carta aos Romanos. 3a. Edição. 
Patrocínio­MG: CEIBEL, 1979. 
WALVOORD, John F. & ZUCK, Roy. The Bible  Knowledge 
Commentary. Victor Books, 1983. 
 
 
 
 
 
 

O autor 

 
 
 
Norval Oliveira da Silva ​
é missionário da APMT (Agência 
Presbiteriana de Missões Transculturais) e da ALEM 
(Associação Linguística Evangélica Missionária). É mestre em 
exegese bíblica e linguística pelo Dallas Theological Seminary, 
nos Estados Unidos. 

 

 

Morávios 

 
Este é o ministério Morávios, que busca promover a obra 
missionária motivado pela glória de Jesus Cristo em todas as 
nações. 
Esta é uma iniciativa de voluntários que deseja oferecer 
conteúdo para igrejas, líderes de missões, vocacionados e 
missionários, através de artigos, reportagens, vídeos e ebooks 
sobre teologia de missões, história de missões, desafios 
missionários e vida do missionário. 
O ministério é inspirado na história do movimento dos irmãos 
morávios ocorrido na Alemanha do Século XVIII, e mais 
especificamente em uma história de dois jovens desta 
comunidade, apresentada no filme​
“ Primeiros Frutos, a história 
dos irmãos morávios”​
, e popularizada por ​
uma mensagem do 
 

pregador Paul Washer​
 e busca promover a Obra Missionária de 
forma apaixonada, motivado pela Glória de Jesus Cristo em 
todas as nações. 
O nosso logotipo é uma estilização de um selo clássico de 
cristãos primitivos, muito utilizado pelos irmãos morávios, que 
mostra o Cordeiro como porta bandeiras envolto da inscrição 
em latim “Vicit Agnus Noster, Eum Sequamur”, “Nosso 
Cordeiro Venceu, Vamos Seguí­lo”. 
 
Acesse >> ​
http://moravios.org 

 

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful