A problemática de

guardar do sábado...

Ou o Domingo....
Por Daniel Durand. Bacharel em teologia pela FAK.

Deus ordenou o sábado na
criação conforme Gn.2.2,3?
Não, em Gênesis Deus não estabelece mandamento de
guardar o sábado. O que vemos é Moisés narrar que Deus
santificou, abençoou o 7º dia após a criação. A lei veio 430
anos depois de Abraão (Gl.3.17) inclusive o sábado.
É importante observar que, quando o homem é expulso do
Éden, Deus não lhe dar nenhuma prescrição de guardar
algum dia, o texto diz: “... com dor comerás dela todos os
dias da tua vida [...] No suor do teu rosto, comerás o teu
pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado,
porquanto és pó e em pó te tornarás”. (Gn.3.17b,19 ARC).

Deus ordenou o sábado na
criação conforme Gn.2.2,3?
O 7º dia da criação não é categoricamente um “dia” de 24
horas, conseqüentemente é incabível ser um dia no
calendário chamado “sábado”. Se observarmos os dias da
criação, em todos constam a frase “e houve tarde e
manhã, o x dia” menos no 7º (vide Gn.1.5,8,13,19,23,31).
Isso ocorre porque Deus cessou (descansou) na
eternidade, seria muito simplória e inócua interpretação
de que Deus cessou (descansou) 24hs, Deus é eterno.

Deus criou o mundo em seis dias, no sétimo dia ele
descansou (linguagem antropomórfica de "cessar" pois
Deus não se cansa). Daí ele santificou o 7º dia. O homem
foi feito no sexto dia. Então o primeiro dia do homem
completou-se no sétimo dia em que Deus abençoou.
Vejam bem, o primeiro dia de vida do homem foi
abençoado por Deus. O primeiro dia é qual mesmo?

Deus criou o universo
ou criou a semana?
Deus criou o universo. A semana, os dias,
os meses e anos foram dados para o
homem fazer isso.
“Disse também Deus: Haja luzeiros no
firmamento dos céus, para fazerem
separação entre o dia e a noite; e sejam
eles para sinais, para estações, para dias e
anos”. (Gn.1.14).

Com os “dias” o homem formou o que
chamamos de “semana”. Que é um
período de tempo correspondente à
seqüência de sete dias nas fases da lua
(entre quarto crescente e lua cheia) A
origem da palavra “semana” vem do latim
“septimana”, que significa “sete manhãs”.

Provavelmente os babilônicos, que copiaram
da antiga mesopotâmia, foi o primeiro povo a
utilizá-la, dando nome dos planetas que eram
vistos no céu (os 7 astros). Vindo
posteriormente a ser preservado pelos
romanos e outros povos, que tinham os 7
astros celestes como divindades. Como
podemos ver no quadro a seguir:

Dia






Deus romano
Sol
Lua
Marte
Mercúrio
Júpiter
Vênus
Saturno

Deus saxão
Sol
Lua
Tyr
Odin
Thor
Freya
Saturno

Símbolo chinês
Sol
Lua
Fogo
Água
Madeira
Metal
Terra

A semana da Roma antiga era de 8 dias, marcados com
letras e A até H. A semana de 7 dias começou a ser usada
no início do período imperial. Sendo o dia de Saturno como
um dia de descanso pela boa colheita realizada.

Na nomenclatura pagã, cada dia era
dedicado a um astro ou a um deus que
variava de acordo com a mitologia local
de cada cultura e que foram conservados
em outros idiomas.

O sábado é originado diretamente do povo
hebreu, de conotação religiosa (vide
Êx.31.16,17), em uma época em que os hebreus
formavam um só povo e uma só cultura.
Tomaram a semana de sete dias com base no 4º
mandamento (vide Êx.20.11) e na revelação
dada a Moisés que o mundo foi criado em seis
dias e no 7º Deus cessou (descansou) de criar.
Os dias da semana são: Rishon, Sheni, Shlishi,
Revii, Chamishi, Shishi e Shabat.

O motivo pelo qual Deus ordenou a guarda do
sábado foi por haver tirado eles do Egito. É um
dia judeu, feito especificamente para fazer
lembrá-los da libertação da escravidão egípcia.
Vejamos na Bíblia: “porque te lembrarás que
foste servo na terra do Egito e que o SENHOR,
teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e
braço estendido; pelo que o SENHOR, teu Deus,
te ordenou que guardasses o dia de sábado”.
(Dt.5.15).

Todavia, muitos povos não seguiam
exatamente a ordem de sete dias para a
semana (como vimos na Roma antiga). No
Egito antigo a semana continha 10 dias.
Com 3 semanas por mês. A China,
durante o período da Dinastia Shang
(1200 a 1045 a.C.) fez também o mesmo.
Na Revolução Francesa adotaram a
semana de 10 dias também, durante 9
anos, entre os períodos de 1793 a 1802
d.C.

Existem ainda povos não relacionados a
tradição judaico/cristã que tem a semana
com dias mais variados ainda. Vejamos a
seguir:
• Os Bascos, 3 dias já era considerado
uma semana:
Astelehena (semana-primeiro, 2ª feira).
Asteartea (semana-do meio, 3ª feira).
Asteazkena (semana-final, 4ª feira).

• Os Lgbos da Nigéria, têm o calendário de 4
dias, contendo 13 meses para o ano de 365
dias.
• Os Javaneses da Indonésia, têm uma
semana de 5 dias no chamado “cicloPasaran”.
• Os Askans da África Ocidental tinha a
semana de 6 dias. Onde o último dia e o
primeiro estão ambos incluídos na mesma
contagem dos dias da semana.

A influência cristã depois do Edito de
Tolerância por Constantino.
Promulgada em 313 d.C., por essa lei o
cristianismo foi oficializado, seu culto tornou-se
legal e cessou a perseguição. Então, antes de se
tornar a religião do estado romano em 380 d.C.
houve a tentativa de se cristianizar todo o
império romano, onde os dias da semana
passaram a ser questionados. Por serem
dedicados a divindades pagãs. As mudanças
eram inevitáveis.

O motivo das mudanças
No início da era cristã. Os cristãos primitivos por serem
judeus, nas primeiras 3 décadas d.C., guardavam o
sábado, porém reuniam-se no primeiro dia da semana
(Rishon no calendário hebreu) para celebrarem a ação
de graças através do partir do pão em honra e memória
da ressurreição de Cristo (vide At.20.7; 1Co.16.2;
Ap.1.10). Com a grande adesão dos gentios a fé cristã, a
expansão do evangelho ao mundo gentílico, e influência
dos Pais da Igreja, o primeiro dia da semana foi
proclamado como dia de descanso e adoração, e a
observância em breve se generalizou em todo o império.
Posteriormente, confirmado no Edito de Constantino,
em 321 d.C. 8 anos depois do Edito de Tolerância.

Depoimento dos Pais da Igreja 1
Ano 115 d.C Epístola de Inácio
aos magnesianos:
“Porque se no dia de hoje
vivermos segundo a maneira do
judaísmo, confessamos que não
temos recebido a graça [...] Assim
pois, os que haviam andado em
práticas antigas alcançaram uma
nova esperança, já sem observar
os sábados, porém modelando
suas vidas segundo o ‘dia do
Senhor’”.

Depoimento dos Pais da Igreja 2
Justino, o Mártir (114 a 165 d.C.),
em sua primeira Apologia
(capítulo 67), diz:
“Mas domingo é o dia no qual
iremos ter nossa reunião comum,
porque foi no primeiro dia que
Deus, tendo feito uma mudança
na escuridão e na matéria, fez o
mundo; e Jesus Cristo nosso
Salvador,
no
mesmo
dia,
ressuscitou dos mortos.”

Reflexos das mudanças 1
Dias romanos alterados
1º dia: Solis dies (dia de repouso)
2º dia: Lunae dies
3º dia: Martis dies
4º dia: Mercuris dies
5º dia: Jovis dies
6º dia: Veneres dies
7º dia: Saturni dies

Reflexos das mudanças 2
Martinho de Dume (Século VI d.C), uma figura
que influenciou o calendário português,
propôs substituir,
os nomes dados as
divindades ou aos astros: Lunae dies, Martis
dies, Mercurii dies, Jovis dies, Veneris dies,
Saturni dies e Solis dies. Em: Feria secunda,
Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria
sexta, Sabbatum, Dominica Dies. Fazendo da
língua portuguesa a única língua europeia a
não associar aos astros. Como estar no
quadro a seguir:

Reflexos das mudanças 3
Dias pagãos
Solis dies
Lunae dies
Martis dies
Mercuri dies
Jovis dies
Veneris dies
Saturni dies

Dias cristãos
Dominica Dies
Feria secunda
Feria tertia
Feria quarta
Feria quinta
Feria sexta
Sabbatum

Reflexos das mudanças 4
Se você observou no gráfico, o dia pagão “Solis dies”
passou a ser o dia de descanso em todo império
romano. E o dia pagão “Saturni dies” foi descartado,
com uma exceção para os camponeses, que
insistiam em descansar nesse dia.
No Concílio de Nicéia em 325 d.C. mudaram o nome
pagão “Solis dies” para “Dominica dies”, que em
português, significa “Dia do Senhor”. O dia da
ressurreição de Jesus. Constatino I substituiu o nome
“Saturni dies” para “Sabbatum” durante a Reforma
do Calendário Romano e Martinho de Dume
terminou alterando os dias comerciais.

Reflexos das mudanças 5
Dias pagãos

Dias cristãos em português

Dia do Sol

Domingo

Dia da Lua

Segunda-feira

Dia de Marte

Terça-feira

Dia de Mercúrio

Quarta-feira

Dia de Júpiter

Quinta-feira

Dia de Vênus

Sexta-feira

Dia de Saturno

Sábado

Essas mudanças foram
feitas pelo Papa?

O cristianismo não era reconhecido como
religião legal em Roma durante 3 séculos d.C.
Motivo de grandes perseguições feitas pelos
imperadores romanos. Chegando em 313 d.C.
Constantinto estabeleceu a lei da tolerância
religiosa aos cristãos. Até então não havia
nenhuma posição de prestígio papal ao bispo
de Roma. Até 325 d.C. ocorrem as mudanças
das divindades pagãs ligadas ao sábado e o
domingo. E em 380 d.C. é que o cristianismo se
torna a religião oficial do império romano.

O título de “Papa” só passa a ser associado ao
bispo de Roma como o “líder sobre as demais
igrejas cristãs” em 590 d.C. com Gregório I.
Embora Inocêncio I em 402 d.C e Leão I em 440
d.C já aspiravam o domínio sobre as demais
igrejas cristãs. Portanto, as alterações no
calendário semanal do império romano não
foram feitas por Papa de Roma. Mas, pelos
bispos da igreja da época (criando o domingo),
Constantino I (introduzindo o sábado e
estabelecendo o domingo como dia de descanso)
e Martinho de Dume (mudando as divindades de
segunda a sexta).

Referências:
https://professorportalsaofrancisco.wordpress.com/author/
areadoprofessor
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dias_da_semana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Semana
http://www.cacp.org.br/a-origem-do-papado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Gregorio_I
https://pt.wikipedia.org/wiki/Martinho_de_Dume
Jesse L. Hurlbut. História da Igreja Cristã. Editora Vida.
http://www.icp.com.br/76materia.asp
https://refutandooateismo.wordpress.com/2015/11/21/oscristaos-devem-obrigatoriamente-guardar-o-sabado

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