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SUMÁRIO DA DISCIPLINA

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Plano da Disciplina

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UNIDADEUNIDADEUNIDADEUNIDADEUNIDADE IIIII

 

Texto 1: Desenvolvimento Humano e Desenvolvimento

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Texto 2: Dimensões e implicações econômicas, sociais, políticas, culturais, ambientais e institucionais nas novas relações entre Estado, Mercado e

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Texto 3: O DLSI – Desenvolvimento Local Sustentável Integrado como metodologia estratégica no enfrentamento da exclusão

203

UNIDADEUNIDADEUNIDADEUNIDADEUNIDADE IIIIIIIIII

 

Texto 4: Ética, responsabilidade social e participação : aspectos fundamentais à construção de um pacto social pelo desenvolvimento

209

Texto 5: Mudança de Paradigmas : contribuição dos profissionais na construção de um novo modelo de pensar o desenvolvimento

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Glossário

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Referências Bibliográficas

 

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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

PLANO DA DISCIPLINA

Carga Horária Total: 30h/atividades

Créditos: 02

Relevância da Disciplina

Esta disciplina é relevante na construção da cidadania de nossos graduados. Seu enfoque multidisciplinar, porém com o viés ambiental, permite aos alunos desenvolverem um senso crítico sobre as questões que mais afligem as sociedades: os problemas ambientais e a exclusão social.

Diante destas discussões estes alunos poderão se posicionar e, através de ações conscientes e transformadoras, traçarem um novo quadro nas sociedades futuras.

Objetivos da Disciplina

Problematizar e analisar os conceitos de desenvolvimento tomando por referência os paradigmas de sustentabilidade e qualidade de vida. Contribuir para o processo de formação de profissionais cidadãos, com uma atuação profissional articulada nos eixos da competência, sustentabilidade, consciência e ética na perspectiva do desenvolvimento humano.

UNIDADE I: Conceitos, Fundamentos e Premissas do Desenvolvimento Sustentável

Tempo estimado de auto-estudo nesta unidade: 8h/atividades

Objetivos: Demonstrar as relações entre os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade. Analisar o desenvolvimento da sociedade de consumo e suas conseqüências. Discutir o Desenvolvimento Local Integrado Sustentável como mecanismo de contribuição para diminuir a crise socioambiental.

Quadro-resumo da unidade

 

Assuntos

Onde encontrar

Atividades complementares

Texto 1: Desenvolvimento Humano e Desenvolvimento Sustentável

Página 194

Levantamento de textos em que estejam implícitas as propostas de Desenvolvimento Sustentável e da Sustetabilidade.

Texto 2: Dimensões e implicações econômicas, sociais, políticas, culturais e institucionais nas novas relações entre Estado, Mercado e Sociedade

Página 199

Transcrever de reportagens passagens que retratem o modelo da sociedade de consumo.

Texto 3: DLIS Desenvolvimento Local Integrado Sustentável como metodologia estratégica no enfrentamento da exclusão social

Página 203

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UNIDADE II: Cidadania, meio ambiente e qualidade de vida

Tempo estimado de auto-estudo nesta unidade: 7h/atividades

Objetivos: Apresentar o terceiro setor e relacionar sua importância, no mundo moderno, para a resolução dos problemas socioambientais. Identificar os atores responsáveis pela mudança de comportamento no enfrentamento da crise, e como os mesmos participam da construção de um novo modelo de sociedade.

Quadro-resumo da unidade

 

Assuntos

Onde encontrar

Atividades complementares

Texto 4: Ética, responsabilidade social e participação: aspectos fundamentais à construção de um pacto social pelo Desenvolvimento Sustentável

Página 209

Pesquisar na Internet em sites que estejam relacionados ao papel das ONGs no Brasil e no Mundo.

Citar exemplos de ações que retratem a participação da sociedade civil na resolução dos problemas socioambientais.

Texto 5: Mudança de paradigmas: contribuição dos profissionais na construção de um novo modelo de pensar o Desenvolvimento Humano

Página 210

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UNIDADE I

UNIDADE I

Conceitos,Conceitos,Conceitos,Conceitos,Conceitos, FundamentosFundamentosFundamentosFundamentosFundamentos eeeee PremissasPremissasPremissasPremissasPremissas dododododo DesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimento SustentávelSustentávelSustentávelSustentávelSustentável

Neste texto abordamos a base conceitual do Desenvolvimento Sustentável e da Sustentabilidade, demonstrando

a dualidade entre estes conceitos e relacionando-os à evolução da sociedade.

TTTTTeeeeextoxtoxtoxtoxto 1:1:1:1:1: DesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimento HumanoHumanoHumanoHumanoHumano eeeee DesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimento SustentávelSustentávelSustentávelSustentávelSustentável

É notório que o mundo contemporâneo baseia-se em um modelo de desenvolvimento que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos. A mídia estimula posturas consumistas e individualistas, induzindo a valorização de produtos e serviços, em sua maioria irrelevante à nossa sobrevivência. Não pretendemos negar que a modernidade permitiu ao homem melhores condições de sobrevivência, mas temos que refletir, discutir e avaliar o preço pago pela maior parcela da população e as conseqüências impostas ao meio ambiente nesse mundo dominado pelas tecnologias. Como podemos compactuar com uma sociedade que estabelece um padrão de desenvolvimento priorizando o crescimento contínuo sem levar em conta os impactos ambientais causados pelo mesmo?

Na tentativa de responder esta questão, foi realizado um estudo e no ano de 1987, foi publicado o relatório “Nosso Futuro Comum”, também conhecido como Relatório Brundtland, que propôs o Desenvolvimento Sustentável como alternativa de modelo de desenvolvimento, sendo definido como: “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer

a possibilidade de as gerações futuras atenderem as

suas próprias necessidades” (ACSELRAD; LEROY, 1999, p. 17). Entretanto estes autores enfatizam que nesse conceito está implícita uma lógica de mercado

que mantém a hegemonia do modelo vigente, uma vez que na introdução do relatório há a proposta de uma era de crescimento econômico.

Layrargues (1997) reforça essa abordagem relacionando o desenvolvimento sustentável à ideologia neoliberal, destacando que a Comissão Brundtland (1987) evita abordar a necessidade da redução dos padrões de consumo pelos países ditos desenvolvidos. Este autor entende que a sociedade

de consumo calcada no modelo vigente é insustentável

e propõe que deveríamos estabelecer uma linha

mediana entre o primeiro e terceiro mundo, que atenderia às necessidades básicas dos povos, obtendo um teto de consumo material que limitaria os impactos causados ao meio ambiente.

Já Adler (1997) aborda a questão afirmando que esse

novo conceito de desenvolvimento viria incorporar a premissa da preocupação com o meio ambiente, expressando a estratégia de, obrigatoriamente ter que incluir no planejamento de desenvolvimento de um país a variável ambiental, integrando o modelo de desenvolvimento ao meio ambiente.

Herculano (1992) discute bem essa dualidade afirmando que a proposta de desenvolvimento sustentável parte de um pressuposto, até então utópico, que estabelece a conciliação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, ou seja, devemos reduzir o ritmo de exploração da natureza para permitirmos a continuidade de sua utilização para as gerações futuras.

Como garantir esse desenvolvimento? É possível realizá-lo sem uma nova ordem econômica internacional?

A visão dos ambientalistas retrata a mudança de

paradigmas; prevê uma outra postura da sociedade frente ao modelo de produção e consumo, estabelecendo a necessidade de uma nova ética humana nas relações sociais; e descreve também o distanciamento homem – natureza, caracterizando a ciência moderna com a onipotência de poder dominar e subjugar a natureza.

Percebemos que o homem moderno na sua prepotência é capaz de afirmar que o domínio da tecnologia será a “pedra fundamental” para a resolução dos problemas ambientais, numa abordagem conhecida como eco – tecnicista.

Palavras–Chave Desenvolvimento Sustentável

Sustentabilidade

O modelo norte – americano traduziu um exemplo de

desenvolvimento a ser seguido por outros países; os que não se enquadrassem nesse modelo estariam fadados ao arcaísmo.

O referido modelo atende apenas às grandes

potências mundiais, uma vez que detém os recursos financeiros e consequentemente o poderio tecnológico. Ele envolve os países ditos em desenvolvimento, comprometendo-os economicamente

e garantindo assim uma dependência contínua. É uma

forma de monitorar nossas ações e manipular nossos recursos.

A idéia de que o desenvolvimento de tecnologias

limpas, relativas ao meio ambiente, representa o

caminho para as resoluções dos problemas ambientais

é no mínimo curiosa. Podemos degradar e poluir pois temos a capacidade de implementar soluções tecnológicas para recuperação desses ambientes

impactados!

Na discussão entre o modelo econômico a seguir e a

conceituação de desenvolvimento sustentável percebemos a nítida dualidade dessa proposta.

Na verdade, há uma retórica, por parte dos grandes grupos capitalistas, de implementar uma nova ótica para o desenvolvimento econômico, porém continuar com a mesma política maquiada, agora com uma proposta de utilização racional dos recursos do meio ambiente. É no mínimo preocupante.

Alguns autores retratam bem a visão moderna de que meio ambiente equilibrado e preservado depende de justiça social. Há a nítida fundamentação de que os problemas ambientais perpassam também por questões sociais, portanto não podemos analisar tais situações sem traçar um quadro da realidade vivenciada pelos povos dos países ditos subdesenvolvidos.

A proposta de desenvolvimento sustentável

apresenta uma abordagem perigosa, pois está inspirada nas diferentes formas de exploração dos recursos naturais , na implementação de tecnologias “limpas” e na mudança de manejo do meio ambiente. Porém, não contempla pontos fundamentais, tais como:

exploração da mão-de-obra, discrepância entre as

classes dominantes e as menos favorecidas, e atual nível de espoliação ambiental impostos pelos povos desenvolvidos.

Diante de um conceito tão simples e óbvio,

enfocamos uma questão altamente polemizada e que, na realidade intrínseca da proposta, envolve problemas

e interesses bem mais complexos e de difícil equação.

Esse conceito ganhou notoriedade e divulgação global

na publicação da Agenda 21 durante a conferência da

Rio-92.

Acselrad; Leroy (1999) tecem críticas à Agenda 21, em virtude do documento representar uma “aparente mudança” quando defende padrões sustentáveis de consumo, combate à pobreza e fortalecimento de grupos sociais entre outros, porém o mesmo documento em sua introdução reafirma que o mercado representa o eixo central para o DS:

A Agenda 21 usa uma série de expressões que soam familiares aos nossos ouvidos: “ambiente econômico internacional ao mesmo tempo dinâmico e propício”, “políticas econômicas internas e saudáveis”, “liberalização do comércio”, “distribuição ótima da produção mundial, sobre as bases das vantagens

(ACSELRAD; LEROY, 1999, p. 18)”.

corporativas, etc

Os mesmos autores referem-se também àAgenda 21 como um documento em que há uma crescente preocupação com a redução do consumo e com a transformação do modelo, ou seja, concepções que estariam em harmonia com um novo discurso de

Sustentabilidade. Há o entendimento de que devemos questionar o modelo de desenvolvimento, expresso

na proposta de DS e imposto às sociedades. Estes

modelos de desenvolvimento devem contemplar caminhos qualitativos em detrimento dos quantitativos, identificando assim uma mudança de

conceituação, sendo entendida como uma nova abordagem para a Sustentabilidade (ACSELRAD;

LEROY,1999).

Discutindo o tema, Ascelrad (2001) apresenta uma análise da disputa entre os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade:

A suposta imprecisão do conceito de sustentabilidade sugere que não há ainda hegemonia estabelecida entre os diferentes discursos. Os ecólogos parecem mal posicionados para a disputa em um terreno enraizado pelos valores do produtivismo fordista e do progresso material. A visão sociopolítica tem se restringido ao esforço de ONGs, mais especificamente na atribuição de precedência ao discurso da eqüidade com ênfase no âmbito das relações internacionais. Melhor se apropriou da noção até aqui, sem dúvida, o discurso ”

econômico

(ASCELRAD, 2001, p. 28/29)

Layrargues (1997) reafirma essa questão identificando que há uma confusão entre os conceitos e contrapõe

o “Ecodesenvolvimento” em comparação ao

Desenvolvimento Sustentável reforçando que não se trata de uma evolução conceitual do primeiro para o segundo, mas sim a elaboração de uma nova proposta criada para dar suporte à política econômica

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desenvolvimentista. No início, os movimentos

ambientalistas e a sociedade em geral demonstraram grande receptividade à proposta do desenvolvimento

sustentável, devido ao conceito refletir as expectativas ideológicas para as relações entre homens e meio ambiente para esse século. Entretanto, os grandes grupos econômicos se apropriaram deste conceito que respalda o modelo americano de crescimento, passando

a ser paradigma para os países ditos em

desenvolvimento. Segundo esse modelo as soluções estão baseadas na criação de tecnologias limpas e “verdes” que representariam o “milagre” da

transformação dos processos produtivos e da relação

de apropriação do homem e o meio ambiente.

Segundo o mesmo autor o novo modelo proposto (DS), na verdade, representa o antigo modelo de

desenvolvimento com uma proposta maquiada, onde

as grandes indústrias multinacionais assumem uma

nova postura sem modificar a estrutura de funcionamento, com isso ganham assim a simpatia da

sociedade pela adoção de “pacotes ecológicos”, porém

a essência continua a mesma (LAYRARGUES, 1997).

Herculano (1992) discute a dualidade entre DS e Sutentabiliade afirmando que a proposta de desenvolvimento sustentável parte de um pressuposto, até então utópico, que estabelece a conciliação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, ou seja, devemos reduzir o ritmo de exploração da natureza para permitirmos a continuidade de sua utilização para as gerações futuras.

Ascelrad (2001) organiza sua análise sobre Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade em

cinco matrizes discursivas 1 . No presente texto vamos

nos ater a duas: a da Eficiência e da Eqüidade. A matriz discursiva possui as seguintes características:

“pretende combater o desperdício da base material do desenvolvimento, estendendo a racionalidade econômica ao espaço não-mercantil planetário” (ACSELRAD, 2001, p. 27).

Penna (1999) reforça as críticas à matriz da eficiência ao analisar a sociedade de consumo, identificando que

a mesma está pautada nos interesses dos grandes

grupos econômicos, que preconizam uma sociedade consumista para garantir a manutenção do atual modelo. Porém, as conseqüências ambientais são desastrosas, desencadeando impactos severos, como

forma de atender ao processo de crescimento contínuo.

Helene; Bicudo (1994) também discutem a proposta

de desenvolvimento sustentável relacionada à matriz

da eficiência e apresentam-na como uma abordagem

que privilegia a implementação de tecnologias

“limpas”, a mudança de manejo do meio ambiente. Criticam-na por não contemplar pontos fundamentais, como a exploração da mão-de-obra, discrepância entre as classes dominantes e as menos favorecidas e o atual nível de espoliação ambiental imposto pelos povos desenvolvidos.

Segundo Ascelrad (2001), a matriz da eficiência é identificada na representação técnico-material das cidades, onde “a cidade sustentável será aquela que, para uma mesma oferta de serviços, minimiza o consumo de energia fóssil e de outros recursos materiais, explorando ao máximo os fluxos locais, satisfazendo o critério de conservação dos estoques e de redução dos rejeitos” (2001, p. 38).

Conforme Brüguer (1999), que nesta abordagem de DS a questão ambiental tem sua abrangência reduzida aos aspectos da natureza e às questões técnicas:

Assim como a questão ambiental tem sido bastante reduzida às suas perspectivas naturais e técnicas, “coerentemente”o adjetivo sustentável posto no desenvolvimento, com referência à questão ambiental, tem guardado sobretudo essa dimensão técnica e naturalista, provavelmente adequada para lidar com populações animais ou vegetais, mas insuficiente para dar conta da complexidade que envolve as relações homem-natureza (BRÜGUER, , 1999, p. 74/ 75).

Herculano (1992) entende que o homem moderno na sua prepotência é capaz de afirmar que o domínio da tecnologia será a “pedra fundamental” para resolução dos problemas ambientais, numa abordagem conhecida como Eco-tecnicista.

Da mesma forma Loureiro (2000) entende que o tecnicismo (soluções técnicas e de manejo dos recursos naturais), ignora os aspectos políticos e econômicos, defendendo a supremacia da ciência na resolução dos problemas ambientais.

A idéia de que o desenvolvimento de “tecnologias limpas” – matriz da eficiência -, representa o caminho para a resolução dos problemas ambientais, é no mínimo curiosa. Segundo essa ótica podemos degradar e poluir, pois temos a capacidade de implementar soluções tecnológicas para recuperação desses ambientes impactados (PENNA, 1999).

Deluiz; Novicki (2004) demonstram a interface entre

a proposta de DS pautada na eficiência e a racionalidade econômica que propõe a economia dos recursos naturais como forma de resolução dos problemas ambientais porém, continua tendo como premissa básica o crescimento econômico e a lógica

de mercado.

1 Matriz da Eficiência, Matriz da Eqüidade, Matriz da

Escala, Matriz daAuto-suficiência e Matriz da Ética

A análise dos pressupostos desta matriz desenvolvimento sustentável permite-nos compreender, que na concepção de desenvolvimento sustentável centrada na lógica do capital, o livre mercado é o instrumento de alocação eficiente dos recursos planetários e, neste sentido, a relação trabalho e meio ambiente está subsumida à supremacia do capital, com sérias conseqüências para o mundo do trabalho e para os recursos naturais (DELUIZ; NOVICKI, 2004, p.14).

Acselrad (2001), discute também uma segunda matriz discursiva: a da Eqüidade, “que articula analiticamente princípios de justiça e Ecologia” (2001, p. 27). Essa matriz defende uma concepção de meio ambiente que contempla o meio natural, as instituições criadas pelos homens e a relação entre ambos. Essa matriz destaca vínculo entre justiça social e ecologia:

Consideram-se as relações intrínsecas entre desigualdade social e degradação ambiental- questões que não podem ser analisadas em separado, por terem raízes comuns; essa compreensão remete a um tratamento conjunto e articulado dos propósitos de erradicação da pobreza e de proteção ambiental (ACSELRAD; LEROY, 1999, p. 28).

Helene; Bicudo (1994, p. 24/25), apresentam o tema numa abordagem clara, pontuando uma proposta relacionada à matriz da eqüidade:

•As necessidades dos pobres são prioritárias.

•Por desenvolvimento entende-se o progresso humano, em todas as suas facetas – cultural, econômica, social e política, que deve ser possível a todos os países, sejam eles desenvolvidos ou em desenvolvimento.

•Essa sustentabilidade não é rígida; antes, deve admitir a possibilidade de mudanças, às quais se reage com adaptações.

•Está implícita uma preocupação com a igualdade social entre as pessoas de uma mesma geração e entre as pessoas de uma geração e de outra; uma geração não deve destruir os recursos, impedindo outras de usá-los.

Chiavenatto (1997) também discute temas próximos a matriz da eqüidade, destacando que meio ambiente

equilibrado e preservado depende de justiça social, identificando que os problemas ambientais são perpassados também por questões sociais. Portanto, não podemos analisar tais situações sem traçar um quadro da realidade vivenciada pelos povos dos países ditos subdesenvolvidos. Sua discussão se baseia num contraponto entre o modelo econômico que devemos seguir e a conceituação de desenvolvimento sustentável, com isso percebe a nítida ambigüidade desse contexto. Na verdade há uma retórica, por parte dos grandes grupos capitalistas de implementar uma nova ótica para o desenvolvimento econômico, porém, continuam com a mesma política maquiada agora com uma proposta de utilização racional dos recursos do meio ambiente.

O desenvolvimento sustentável leva a uma economia sustentável. A preservação e o aproveitamento racional dos recursos naturais são conseguidos pelo desenvolvimento sustentável, possibilitando a viabilidade da economia sustentável e dando ao homem um ambiente saudável. Esse equilíbrio só será obtido se também for conquistada a justiça social: miséria e fome produzem desperdício e poluição, e são resultados da exploração social e prática imperialista (CHIAVENATO, 1997, p.113).

Ascelrad; Leroy (1999) propõem a Sustentabilidade Democrática em oposição à matriz da eficiência:entendida como processo pelo qual as sociedades administram as condições materiais de sua reprodução, redefinindo os princípios éticos e sociopolíticos que orientam a distribuição de seus recursos ambientais. Propõe uma mudança do paradigma hegemônico de desenvolvimento econômico, com base em princípios de justiça social, superação da desigualdade socioeconômica e construção democrática ancorada no dinamismo dos atores sociais (NOVICKI; LUIZ, 2004).

Brüguer (1999) permeia essa linha de discussão quando critica o desenvolvimento sustentável e apresenta propostas que deveriam estar inseridas nessa discussão, tais como; nova ética; redefinição do que seja o bem-estar material e espiritual; revisão espistemológica dos conceitos de MA, tecnologia, ciência e educação, enfim vai ao encontro das premissas identificas na matriz discursiva da eqüidade.

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198 Fonte: Valor Econômico, 06/01/06.

Fonte: Valor Econômico, 06/01/06.

TTTTTeeeeextoxtoxtoxtoxto 2:2:2:2:2: DimensõesDimensõesDimensõesDimensõesDimensões eeeee implicaçõesimplicaçõesimplicaçõesimplicaçõesimplicações econômicas,econômicas,econômicas,econômicas,econômicas, sociais,sociais,sociais,sociais,sociais, políticas,políticas,políticas,políticas,políticas, culturais,culturais,culturais,culturais,culturais, ambientaisambientaisambientaisambientaisambientais eeeee institucionaisinstitucionaisinstitucionaisinstitucionaisinstitucionais nasnasnasnasnas novasnovasnovasnovasnovas relaçõesrelaçõesrelaçõesrelaçõesrelações entreentreentreentreentre Estado,Estado,Estado,Estado,Estado, MercadoMercadoMercadoMercadoMercado eeeee SociedadeSociedadeSociedadeSociedadeSociedade

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Neste momento discutimos o processo da globalização, o novo modelo de sociedade de consumo, e as conseqüências sociambientais deste novo modo de vida difundido no planeta.

O processo de globalização econômica, adotado pelas sociedades humanas no século vinte, e a imposição da ideologia neoliberal pelo grupo de países mais ricos do planeta (G8), acentuou a crise ambiental e civilizatória.

Palavras–Chave

Sociedade

Consumo

Tecnologia

ImpactosAmbientais

Constatamos, com esses fatos, que dois movimentos são significativos a dissolução das fronteiras políticas ao desenvolvimento do capitalismo (mercado global e desregulamentado) e a emergência de “novas” fronteiras ambientais. Com isso existe o questionamento de como a sociedade participará na representação de interesses e, particularmente, a governabilidade do espaço ambiental, dadas às limitações impostas por processos políticos e econômicos sem fronteiras (ALTVATER, 1999)?

Neste contexto, o poder econômico - através de organizações internacionais (Organização das Nações Unidas - ONU; Fundo Monetário Internacional - FMI; Banco Mundial - BID) determina as políticas e posturas que os países “em desenvolvimento” devem praticar. Sabemos que estes organismos internacionais atendem aos interesses dos países desenvolvidos (G8), que com seu elevado grau de industrialização exploraram de forma mais espoliativa os seus recursos naturais, e para manter a hegemonia do sistema, não permitem que outros países tenham maiores perspectivas de desenvolvimento, a não ser que os mesmos sigam suas instruções/manuais. Tudo isso associado a um discurso de que devemos nos preocupar com a preservação dos recursos naturais, num monitoramento pelo “bem do planeta”.

A crise socioambiental se evidencia a partir do desenvolvimento do capitalismo, desencadeando uma mudança na relação entre o homem e a natureza. Nesse momento, a sociedade tecnológica se desenvolve e a apropriação dos recursos naturais para suprir o desenvolvimento humano passa a ser o foco central dessa relação.

Loureiro (2000) destaca que as causas da degradação

ambiental, promovidas pelo nosso modo de produzir e consumir podem ser agrupadas em algumas variáveis:

1 a ) Expansão e manutenção da demanda – consumo

elevado, 2 a ) Livre mercado e propriedade privada – exploração da natureza, 3 a ) Marginalização de grandes parcelas da sociedade – a preocupação com a depredação ambiental torna-se secundária, justificada pela necessidade do desenvolvimento econômico.

Nesse cenário, intensificado a partir da segunda grande Guerra Mundial, pontuamos alguns eventos marcantes que permearam o crescimento das discussões e mobilizações sobre os problemas ambientais nas três últimas décadas do século XX.

Segundo Adler (1997), o avanço científico e tecnológico foi benéfico para a humanidade, porém criou desafios para a nossa inteligência. O autor reitera o fato de que a tecnologia permitiu os homens uma capacidade extraordinária de manipulação sobre o ambiente, sendo justificada pela necessidade da produção de bens e serviços e conseqüente organização da sociedade. O fato é que, com essa postura, o homem gerou uma gama de problemas ambientais só passíveis de serem resolvidos mediante a participação coletiva.

Dias (2003), destaca que no ano de 1972 há a publicação do relatório do Clube de Roma, intitulado “Os Limites do Crescimento”, que se baseia em análises do modelo de desenvolvimento econômico e sua relação com o meio ambiente. O documento projetava um futuro colapso das sociedades, ressaltando a questão do consumo desenfreado e a exploração dos recursos naturais de forma inadequada. No mesmo ano foi realizada a primeira Conferência Internacional, promovida pela ONU, sobre o ambiente humano:

de

05 a 16 de junho de 1972, na Suécia,

representantes de 113 países participam da Conferência de Estocolmo/Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano, atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns serviriam de inspiração e orientação à humanidade, para preservação e melhoria do ambiente humano.

200

Oferece orientação aos governos, estabelece o Plano

de Ação Mundial, e, em particular, recomenda que seja estabelecido um programa internacional de Educação Ambiental visando educar o cidadão comum, para que este maneje e controle seu ambiente. A recomendação n. 96 reconhece o desenvolvimento da EA como elemento crítico para o combate à crise ambiental no mundo (DIAS, 2003, p. 36).

Naquele momento (1972), o fato de o “primeiro mundo” iniciar uma reflexão sobre o modelo de desenvolvimento é muito questionado pelos países subdesenvolvidos. Essa linha de discussão estabelecia que os países do terceiro mundo (cone sul) não poderiam se desenvolver sob o risco de um colapso ambiental global (DIAS, 2003).

Conforme Dias (2003), o Brasil fica marcado negativamente, nessa conferência, por convidar indústrias poluidoras a instalarem seus parques de produção em nosso país; o objetivo desse convite era que as mesmas aumentassem o nosso produto interno bruto (PIB), mesmo que fosse gerado um passivo ambiental significativo (degradação/poluição).

Nos anos seguintes, foram realizados vários encontros em que a temática ambiental se apresentava no cerne das discussões. Pedrini (1997) enfatiza o Encontro de Belgrado (Iugoslávia), em 1975, como um dos momentos mais marcantes na história do ambientalismo em virtude de, nesse evento, serem formulados os princípios e orientações para um programa internacional de Educação Ambiental. Nessa perspectiva em que são propostas as formas de desenvolver a EA, ressaltamos algumas: a) a importância de se considerar as diferenças regionais; b) a abordagem deve prever a multidisciplinaridade; c) a EA tem que ser permanente e contínua. Esses são pontos fundamentais do documento, que fica conhecido como CARTA DE BELGRADO.

Dois anos depois, em 1977, ocorre em Tbilisi (Geórgia, ex-URSS), a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pelo Programa das Nações Unidas para

o Meio Ambiente (PNUMA). Esse evento torna-se

um marco nas orientações para aplicações de programas em EA.

A abordagem de meio ambiente proposta em Tbilisi incorpora aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais em escala regional, nacional e global, contrariando uma concepção reducionista, ainda hoje presente no debate, que defende uma visão biologizada de meio ambiente, reduzindo-o a componentes não humanos (VELASCO, 2000).

Segundo Pedrini (1997), o ano de 1992 é significativo na discussão acerca da temática ambiental, uma vez que é realizada no Rio de Janeiro a ECO-92, conhecida oficialmente como a Conferência da ONU sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento, com a participação de 170 países. Neste evento diversos documentos são discutidos, tais como: Tratado sobre a Biodiversidade, Convenção sobre o Clima e a Agenda 21, considerado

o documento mais importante.

As discussões são permeadas por críticas ao modelo de desenvolvimento, reconhecendo sua falência e apresentando o desenvolvimento sustentável como alternativa para a humanidade. Outro ponto que fica evidente é que a Educação Ambiental representa o instrumento estratégico desse novo modelo. Fica estabelecido também que as premissas de Tbilisi

devem ser o elemento norteador. Hoje, esse encontro

é reconhecido como o mais importante de todos os tempos na discussão dos caminhos da sociedade (PEDRINI, 1997).

QUADRO RESUMO SOBRE A CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO 1972

201

• PIONEIRANATOMADADE CONSCIÊNCIAMUNDIALSOBREA FRAGILIDADE DOS ECOSSISTEMAS

• PROTEÇÃO DAS ESPÉCIESAMEAÇADAS

• VISIONÁRIA E PROFÉTICA

• INGÊNUA EAPOCALÍPTICA

• DURANTE A“GUERRA FRIA” O QUE DIFICULTOU O ENTENDIMENTO

• UTILIZAÇÃO RACIONAL DOS RECURSOS NATURAIS NÃO-RENOVÁVEIS

• POUCA MOBILIZAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA

• PARTICIPAÇÃO DESASTROSADO BRASIL

QUADRO RESUMO SOBRE A CONFERÊNCIA DO RIO – ECO 1992

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE E

DESENVOLVIMENTO

“CONFERÊNCIA DO RIO - ECO 92”

RELATÓRIO BRUNDTLAND (1987)

• tarefa de delinear estratégias ambientais para o ano 2000

• apresentou o conceito de desenvolvimento sustentável (DS)

BRASIL COMO SEDE - DE VILÃO EM 1972 A ANFITRIÃO EM 1992

• RESOLUÇÃO N.44/228 DE 22 DE DEZEMBRO DE 1989 DAONU CONVOCOUA CONFERÊNCIAEACEITOU A CANDITURA DO BRASIL COMO PAÍS SEDE

• Propostas a serem discutidas:

• proteção a atmosfera

• proteção qualidade da água

• proteção ao ambiente costeiro e uso racional

• proteção ao solo

• conservação da biodiversidade

• controle da biotecnologia

• controle de dejetos

• erradicação da pobreza

• proteção a saúde

• CÚPULA DA TERRA

• REUNIU 103 CHEFES DE ESTADO (MAIOR DA HISTÓRIA)

• DESTACARAMA RELEVÂNCIADAAGENDA 21

• NECESSIDADE DA ELIMINAÇÃO DE BARREIRASTARIFÁRIAS

• NOVAORDEM ECOLÓGICAE SOCIAL JUSTA

• RENEGOCIAÇÃO DAS DÍVIDAS EXTERNAS

•ACESSOATECNOLOGIAS LIMPAS

• CÚPULA DA TERRA

• ERRADICAÇÃO DA POBREZA

• DECLARAÇÃO DO RIO

202

202 Fonte: O Globo, 15/01/06.

Fonte: O Globo, 15/01/06.

TTTTTeeeeextoxtoxtoxtoxto 3:3:3:3:3: DesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimentoDesenvolvimento LocalLocalLocalLocalLocal IntegradoIntegradoIntegradoIntegradoIntegrado SustentávelSustentávelSustentávelSustentávelSustentável comocomocomocomocomo mmmmmetodologiaetodologiaetodologiaetodologiaetodologia eeeeestratégicastratégicastratégicastratégicastratégica nonononono eeeeenfrentamentonfrentamentonfrentamentonfrentamentonfrentamento dadadadada eeeeexclusãoxclusãoxclusãoxclusãoxclusão sssssocialocialocialocialocial

203

O texto propõe a Educação Ambiental como ferramenta para a transformação de paradigmas na sociedade. Também evidencia que o terceiro setor deve ser um dos caminhos para organizações que ajudem os governos na resolução dos problemas socioambientais.

Em discussões propostas nos grandes eventos internacionais entende-se que a Educação Ambiental representa a ferramenta estratégica para o enfrentamento dos problemas ambientais e exclusão social. Este instrumento passa a ser encarado como uma das metodologias para enfrentamento da crise socioambiental presente.

Palavras–Chave

Exclusão

Conferência de Tbilisi

A Educação Ambiental está fundamentada em

princípios norteados, discutidos na Conferência de Tbilisi, e pressupõe novas estratégias em suas recomendações, tais como:

1- Incorporar as dimensões socioculturais, econômicas, políticas e éticas aos aspectos físicos e biológicos nas relações estabelecidas com o meio ambiente.

2- Ver a EA como uma articulação interdisciplinar,

tornando possível uma ação mais racionalizada.

3- Permitir uma vinculação maior entre os processos

educativos e a realidade local, com atividades voltada

para a comunidade, através de uma análise abrangente e globalizada.

4- Dirigir a EA a todos os grupos independente da

idade e categorias, devendo ser permanente e contínua.

5- Induzir novas formas de conduta nas pessoas e

na sociedade em relação ao meio ambiente.

6- Considerar o meio ambiente em sua totalidade,

nos seus aspectos naturais e nas instituições criadas pelos homens.

7- Abordar a cooperação local, nacional e internacional na resolução dos problemas ambientais.

8- Tomar medidas para promover o intercâmbio de

informações entre os organismos nacionais de pesquisa educacional, difundindo amplamente os resultados de tais pesquisas e proceder à avaliação do sistema de ensino.

9- Avaliar os programas de EA através de pesquisa e

experimentação.

• Outra variável importante, para efetivação do Desenvolvimento Local Integrado Sustentável, é representada pelo desenvolvimento do terceiro setor. Os governos não conseguem resolver todos os problemas socioambientais demandados pelas

comunidades logo, a sociedade civil organizada passa

a desempenhar um papel fundamental nesta transformação.

A educação ambiental transcende a questão da

abordagem biologizada e apresenta a ótica de que o ambiente urbano, característico dos seres humanos, deve interagir com o natural. Assim, a educação ambiental representa um dos principais instrumentos

de gestão e contribui para a modificação de comportamento graças `a renovação de valores e à nova ótica proposta para as questões ambientais. Como todo processo educacional, pressupõe mecanismos

de repetição, sendo a proposta aqui descrita mais uma

alternativa de mobilização e desenvolvimento de um trabalho de conscientização dentro do processo educacional.

Entendemos que a modernidade é representada pelo progresso e o avanço tecnológico, porém temos que implementar uma retomada de valores, posturas e ética esquecidos pelo modelo de desenvolvimento e fundamentais na proposta de gestão para as questões ambientais no mundo moderno.

Ao longo das discussões sobre a conceituação de educação ambiental podemos destacar diversas vertentes de abordagem. A educação ambiental seria o processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente, baseado num completo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente a sua volta. Já a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, em 1970, descreveu a educação ambiental como sendo

204

o processo de reconhecimento de valores e de

esclarecimentos de conceitos que permitam o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias para entender e apreciar as interpelações entre o homem, sua cultura e seu ambiente biofísico circunjacente.

Ambas atrelam a conceituação de educação ambiental às representações de meio ambiente que tinham como pressupostos os apelos físicos, químicos e biológicos.

O CONAMA (1989) definiu a educação ambiental como um processo de formação e informação orientado para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais, e de atividades que levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental.

Nesse item identificamos as diversas concepções teóricas de EducaçãoAmbiental. Afirmamos que essas propostas estão intrinsecamente relacionadas às conceituações apresentadas anteriormente, onde a matriz discursiva da Eficiência está coadunada com a conceituação de meio ambiente como recurso natural que, por sua vez, influencia práticas de Educação Ambiental preservacionistas. Entretanto a matriz discursiva da Eqüidade se identifica com o conceito de Sustentabilidade Democrática que insere os homens

e suas instituições na concepção de meio ambiente,

estabelecendo uma relação direta com as bases de educação Ambiental fundamentadas em Tbilisi. Essa linha de discussão representou o norte da presente dissertação.

Ao analisarmos algumas definições de Educação Ambiental percebemos variáveis em suas concepções. Identificamos visões distintas que se expressam em algumas conceituações: preservacionista/

conservacionista (DIAS,2003) adestramento ambiental (BRÜGGUER, 1999), educação ao ar livre, gestão ambiental, economia ecológica(SORRENTINO, 1995)

e educação socioambiental (GUIMARÃES, 2000).

Num histórico a Educação Ambiental transcende a

questão da abordagem biologizada 2 de meio ambiente

e apresenta a ótica de que o ambiente urbano,

característico dos seres humanos, deve estar integrado com o ambiente natural. Em sua análise descreve que

a EA contribui para a modificação de comportamentos,

graças à renovação de valores e à uma nova ótica proposta para as questões ambientais, que contemple uma visão de meio ambiente incorporando os homens e, como todo processo educacional, pressupõe mecanismos de continuidade (LAYRARGUES, 1999).

Segundo DIAS (2003), a Educação Ambiental seria o

processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento progressivo de um senso de preocupação com o meio ambiente, baseado num completo e sensível entendimento das relações do homem com o ambiente

à sua volta. Já a União Internacional para a

Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais,

em 1970, descreveu a Educação Ambiental como sendo

o processo de reconhecimento de valores e de

esclarecimentos de conceitos que permitam o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias para entender e apreciar as inter-relações entre o homem, sua cultura e seu ambiente biofísico circunjacente.

Fica bem definido que a EA deve ser um processo de transformação de valores e atitudes, não mais

encarando as questões ambientais como problemas meramente dimensionados pelo ambiente natural, mas sim, que a própria definição dos conceitos sobre meio ambiente devem ser revistas.

A proposta que defendemos, nessa pesquisa, está pautada numa EA crítica e transformadora. A análise dos autores reflete essa linha de que os problemas ambientais das sociedades devem ser visualizados com enfoques sociais, políticos e econômicos, numa estreita relação entre o modelo de desenvolvimento e as conseqüências dessa postura.

Nessa visão as concepções de EA devem criticar essas formas de desenvolvimento das sociedades e permitir a formação de cidadãos conscientes desse quadro.

205

das sociedades e permitir a formação de cidadãos conscientes desse quadro. 205 Fonte: O Globo, 31/01/06.

Fonte: O Globo, 31/01/06.

206

Unidade I

Auto-Avaliação:

• Pesquisar em jornais reportagens que retratem conceitos sobre Desenvolvimento Sustentável e sobre Sustentabilidade

• Fazer uma relação dos principais eventos realizados na área ambiental nos últimos 15 anos

• Levantar 05 recomendações da Conferência de Tbilisi para Educação Ambiental

QUESTÕES

UNIDADE

I

1) O conceito de desenvolvimento sustentável foi proposto no ano de 1987 por uma comissão de estudos sobre desenvolvimento e meio ambiente. Foi publicado no relatório:

a) Dos Direitos Humanos

b) Agenda 21

c) Nosso Futuro Comum

d) Sustentabilide

e) Impactos Ambientais

2)A proposta de Desenvolvimento Sustentável tem como característica principal a preocupação com:

a) As gerações futuras

b) A tecnologia

c) A sociedade de consumo

d) O crescimento econômico

e) As florestas

3) Como alternativa a proposta de Desenvolvimento Sustentável apresenta-se o conceito de:

a) Preservação Ambiental

b) Sustentabilidade Democrática

c) Conservação do Meio Ambiente

d) Recursos Naturais

e) Tecnicismo

4) O autor Ascelrad propõe uma discussão que permeia a ética, justiça social, distribuição dos recursos de forma igualitária e preocupação ambiental, entre outras. Esta proposta foi definida pelo autor como:

a) Matriz da Ecologia

b) Matriz da Eficiência

c) Matriz Energética

d) Matriz Ambiental

e) Matriz da Eqüidade

5) Desde 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) vem promovendo eventos internacionais para aprofundar as discussões, e traçar diretrizes em que os países tivessem um comprometimento com o meio ambiente e o desenvolvimento humano. No Brasil houve um dos eventos mais significativos a RIO 92 ou Conferência do Rio. Como ficou conhecido o documento mais importante que foi produzido neste evento:

a) Agenda 21

b) Carta de Belgrado

c) Relatório Brundtland

d) Carta da Unesco

e) Carta Ecológica

207

6) Em 1972 houve a Primeira Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano (Estocolmo – Suécia). O Brasil ficou marcado por qual proposta neste evento:

a) Despoluição dos Rios

b) Abertura às industrias poluidoras

c) Multas Ambientais mais caras

d) Preservação da Floresta Amazônica

e) Energia Limpa

7) A Educação Ambiental é considerada uma importante ferramenta para transformação dos problemas socioambientais. Suas recomendações foram propostas na conferência de:

a) Belgrado

b) Eco – 92

c) Tessalônica

d) Estocolmo

e) Tbilisi

8) A EducaçãoAmbiental está fundamentada em princípios norteados, discutidos em diversas conferências, e pressupõe novas estratégias em suas recomendações, tais como:

a) Meio Ambiente Reducionista

b) Uma articulação interdisciplinar

c) A tecnologia como forma de resolução dos problemas ambientais

d) Dirigir a EA a um grupo de pessoas que resolvam os problemas

e) Defender a resolução dos problemas mundiais que são mais graves

9) Para enfrentamento dos problemas socioambientais dos cidadãos comuns há a proposta denominada:

a) Desenvolvimento Local Integrado Sustentável

b) Sociedade de Consumo Alternativo

c) Desenvolvimento Humano

d) Interdisciplinaridade e Multidisciplinaridade

e) Meio Ambiente Limpo

208

10) Nos dias atuais o poder público não consegue mais resolver os problemas socioambientais. Para isso os

governos têm lançado mão de organizações não governamentais – ONGs que atuam diretamente nas comunidades.A atuação deste segmento pode ser caracterizada por uma recomendação de Educação Ambiental caracterizada como:

a) Ambiente bom é Ambiente Limpo

b) Todas as crianças nas escolas

c) Pensar globalmente e agir localmente

d) Por um consumo ecológico

e) As minorias devem ser salvas

Gabarito

UNIDADE II

UNIDADE II

Cidadania,Cidadania,Cidadania,Cidadania,Cidadania, MeioMeioMeioMeioMeio AmbienteAmbienteAmbienteAmbienteAmbiente eeeee QualidadeQualidadeQualidadeQualidadeQualidade dedededede VidaVidaVidaVidaVida

209

As sociedades têm demandas sociais que os governos não conseguem atender, em função disso o terceiro setor se organizou, ou seja, houve o desenvolvimento de diversas instituições para ocupar este espaço de ação.

TTTTTeeeeextoxtoxtoxtoxto 4:4:4:4:4: Ética,Ética,Ética,Ética,Ética, responsabilidaderesponsabilidaderesponsabilidaderesponsabilidaderesponsabilidade socialsocialsocialsocialsocial eeeee participação:participação:participação:participação:participação:

aspectosaspectosaspectosaspectosaspectos fundamentaisfundamentaisfundamentaisfundamentaisfundamentais ààààà construçãoconstruçãoconstruçãoconstruçãoconstrução dedededede umumumumum pactopactopactopactopacto socialsocialsocialsocialsocial pelopelopelopelopelo desenvolvimentodesenvolvimentodesenvolvimentodesenvolvimentodesenvolvimento sustentávelsustentávelsustentávelsustentávelsustentável

As organizações não-governamentais, reconhecidas pelo importante papel que desempenharam no processo de abertura democrática, sempre foram avaliadas com ênfase na relevância de sua atuação externa.

"O que são as ONGs? 'Pequenos castelos' ou organizações democráticas? Entidades centralizadas por indivíduos (ou 'dinastias') ou estruturadas de modo descentralizado?" (Franco, 1994 - p. 64)

• Organizações Não Governamentais (Institutos; Fundações)

• Grupos Religiosos

• Agremiações Esportivas e Culturais

• Associação de Classes e Moradores

Palavras–Chave

ONG

Voluntário

Estes são alguns exemplos de organização da sociedade na tentativa de resolver os problemas e enfrentar a exclusão social. Os governos, nas três esferas (federal; estadual e municipal), também

desenvolvem programas sociais na tentativa de minimizar a desigualdade.

• Fome Zero

• Saúde da Família

• Bolsa Escola

• Restaurantes, Farmácias e Hotéis Populares

• Programa Primeiro Emprego

O voluntariado também cresceu em participação efetiva dos diversos atores sociais e também vem ganhando importância como referencial curricular, esses fatos desencadearam uma busca por profissionais atuarem, em seus horários livres, em programas de inclusão social para o desenvolvimento humano.

• Amigos da Escola

• Natal sem fome

• Campanha de Agasalhos

Esta inserção de pessoas apresenta-se como um mecanismo de transformação da sociedade e mobilização para resolução de problemas locais, mas em parcerias e associativismo os grupos de atuação têm o poder de promover uma transformação na sociedade.

210

TTTTTeeeeextoxtoxtoxtoxto 5:5:5:5:5: MudançaMudançaMudançaMudançaMudança dedededede PPPPParadigmas:aradigmas:aradigmas:aradigmas:aradigmas: contribuiçãocontribuiçãocontribuiçãocontribuiçãocontribuição dosdosdosdosdos profissionaisprofissionaisprofissionaisprofissionaisprofissionais nanananana construçãoconstruçãoconstruçãoconstruçãoconstrução dedededede umumumumum novonovonovonovonovo modelomodelomodelomodelomodelo dedededede pensarpensarpensarpensarpensar ooooo desenvolvimentodesenvolvimentodesenvolvimentodesenvolvimentodesenvolvimento humanohumanohumanohumanohumano

Neste item analisamos as diferentes concepções de meio ambiente agrupando-as em duas: 1ª) Reducionista e 2ª) Crítica. Destacamos a estreita relação dessa conceituação com os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade Democrática e sinalizamos como os grupos dominantes se apropriaram do primeiro.

Na Constituição da República Federativa do Brasil (1988) o seu artigo 225 determina: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamanente equilibrado, bem de uso comum do povo essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo, para as presentes e futuras gerações”.

Segundo Brügguer (1999), conceitos de Meio Ambiente em geral estão pautados numa dimensão natural ou técnica, refletindo uma abordagem reducionista 3 . A autora expressa que “prevalecem as necessidades de preservação do potencial produtivo dos ecossistemas, dos recursos naturais e o estudo de seus distúrbios como a poluição ou a extinção massiva de espécies” (BRÜGUER, 1999, p. 52).

A mesma autora enfatiza que nesta concepção MA é confundido com Ecologia sendo sinônimo de natureza, e justifica esse fato devido à fundação da modernidade, principalmente nas civilizações ocidentais reforçando que houve uma dicotomia homem-natureza onde os dois se apresentam em oposição. Identifica no Cartesianismo (Descartes) como o momento que dá impulso a essa separação, atendendo ao novo modelo de produção adotado pelas sociedades.

Grün (1996) reforça essa argumentação e destaca o papel de Descartes e Galileu em que os mesmos expressam a idéia de uma natureza sem vida e mecânica, devendo ser dominada, subjugada e explorada pelos homens:

A natureza precisa ser dominada. A questão é simples: como posso dominar alguma coisa da qual faço parte? A resposta é que não posso; conseqüentemente, não posso fazer parte da natureza. Se pretendo domina-la preciso me situar fora dela.

Assim, Descartes consegue legitimar a unidade da razão as custas da objetificação da natureza (GRÜN, 1996, p. 35).

Loureiro (2000, p.20) tece críticas à abordagem reducionista de MA, que denomina de naturalista:

Os problemas são abordados em sentido a-histórico, ignorando as relações sociais e onde a relação

indivíduo-natureza é condicionada às relações naturais

e à sua dinâmica. Assim entendida a problemática, a

ação humana é definida como antrópica e interpretada

a partir de parâmetros das ciências biológicas (LOUREIRO, 2000, p.20).

Estudo realizado pelo Ministério do MeioAmbiente (MMA, 2000) revela que:

apesar dos esforços internacionais, verifica-se ainda hoje que 26,5% dos projetos/atividades de Educação Ambiental, desenvolvidos por agências públicas estatais e organizações não-governamentais brasileiras, privilegiam uma leitura reducionista da temática ambiental, baseada exclusivamente nos aspectos biológicos do meio ambiente (concepção naturalista/ preservacionista), desconsiderando o ser humano e as relações sociais (NOVICKI; MACCARIELLO, 2002, p.7).

À matriz discursiva da eqüidade corresponde uma conceituação mais ampla de Meio Ambiente, que pressupõe os homens inseridos neste contexto como parte integrante e não como um ser isolado. Ela contempla as sociedades e suas instituições numa estreita relação com os recursos naturais, ou seja, propõe uma visão Socioambietal de Meio Ambiente. Esta é a concepção adotada modernamente.

Essa matriz defende uma percepção de meio ambiente que contempla o meio natural, as instituições criadas pelos homens e a relação entre ambos, e destaca o vínculo entre justiça social e ecologia:

Consideram-se as relações intrínsecas entre desigualdade social e degradação ambiental- questões que não podem ser analisadas em separado,

3 Encontramos na literatura diferentes denominações referentes às concepções de Meio Ambiente:

Naturalista/Técnica/Conservacionista/Ecológica/Biologizada, todas referendando uma abordagem Reducionista, em que os homens não estão inseridos nesse contexto. Também percebemos as concepções que incorporam os homens e suas instituições. Nessa dissertação trabalhamos com as duas identificadas como REDUCIONISTA e SOCIOAMBIENTAL, respectivamente.

por terem raízes comuns; essa compreensão remete a um tratamento conjunto e articulado dos propósitos de erradicação da pobreza e de proteção ambiental (ACSELRAD; LEROY, 1999, p. 28).

Entendemos Meio Ambiente numa percepção Socioambiental, e a mesma é discutida por Dias (2003) em suas análises sobre as grandes conferências internacionais, em especial a de Estocolmo (1972). Nesse evento há o reconhecimento da interdependência entre os meios natural e artificial e que o homem deve incorporar as dimensões socioculturais, econômicas e valores éticos para compreender e utilizar os recursos naturais na melhoria de sua qualidade de vida.

Até a “Conferência de Estocolmo”, o ambiente era

visto como formado pela fauna e pela flora, mais os aspectos abióticos. A partir dali, essa concepção mudou. O ambiente passou a ser definido como formado pelos aspectos bióticos e abióticos, e a cultura do ser humano (DIAS, 2003, p. 113).

Layrargues (1999) reforça essa discussão quando contesta a abordagem meramente conservacionista e reafirma as recomendações de Tbilisi, que orienta para a incorporação de aspectos éticos, políticos, econômicos e socioculturais nas práticas de EA e indica uma estratégia de metodologia em que devemos propôr a resolução de problemas ambientais locais.

Nessa perspectiva é fundamental que a abordagem em programas de EA seja interdisciplinar, tendo em suas propostas uma visão critica dessas sociedades e verdadeiro potencial de transformação.

211

212

Unidade II

Auto-Avaliação:

• Relacionar programas desenvolvidos por ONG na área ambiental

• Identificar na Internet os principais programas governamentais na área social

• Levantar conceitos de meio ambiente preservacionistas e socioambientais

QUESTÕES UNIDADE II

1) Identifique nas opções abaixo exemplo de ONGs.

a) Prefeituras Municipais, Institutos e Fundações

b) Associação de Classes, Associação de Moradores e Assembléia Legislativa

c) Agremiações Esportivas, Centros Culturais e Câmara dos Deputados

d) Institutos, Fundações e Associação de Moradores

e) Prefeituras Municipais, Agremiações Esportivas e Associação de Classes

2) Os governos, nas três esferas (federal, estadual e municipal), também desenvolvem programas sociais na tentativa de minimizar a desigualdade. Como exemplos desses programas governamentais podemos citar:

a) Fome Zero, Saúde da Família e Bolsa Escola

b) Restaurantes Populares, Farmácias Populares e Natal Sem Fome

c) Hotéis Populares, Programa Primeiro Emprego e Campanha do Desarmamento

d) Universidade para Todos, Fome Zero e Natal Sem Fome

e) Fome Zero, Hotéis Populares e Campanha do Desarmamento

3) Hoje na sociedade civil há uma busca por profissionais que atuem, em seus horários livres, em programas de inclusão social para o desenvolvimento humano. Como denominamos essa categoria funcional:

a) Funcionário Público

b) Funcionário Privado

c) Dedicação Exclusiva

d) Doação Social

e) Trabalho Voluntário

4) A participação de cidadãos comuns em projetos de ONGs, para a resolução de problemas socioambientais, tem sido considerado uma fator importante para contratação de mão de obra por empresas, esse fato se deve à:

a) Capacitação profissional

b) Especialização da pessoa

c) Contribuição Social

d) Capacidade de Liderança

e) Organização de Pessoas

5) Existem diversos conceitos de Meio Ambiente. Entendemos que modernamente este conceito deve abordar:

a) Recursos Naturais e os Seres Vivos

b) Recursos Naturais e as instituições criadas pelos homens

c) Rios e Florestas

d) Animais e Seres Humanos

e) Somente a natureza

213

6) A abordagem de meio ambiente que privilegia os recursos naturais é denominada de:

a) Socioambiental

b) Tecnológica

c) Progressista

d) Neoliberal

e) Naturalista

7) A abordagem de meio ambiente que contempla uma visão mais ampla incluindo os seres humanos é denominada:

a) Socioambiental

b) Capitalista

c) Naturalista

d) Antropocêntrica

e) Tecnicista

8) Dentre as ciências abaixo podemos identificar uma proposta de MeioAmbiente voltada para o estudo dos seres vivos e suas relações:

a) Antropologia

b) Palentologia

c) Geologia

d) Ecologia

e) Biologia

9) A autora Brügguer demonstra que de acordo com a concepção de Meio Ambiente, inserida nas discussões, o grupo terá uma visão diferente e propostas variadas de resolução dos problemas. Numa proposta de Meio Ambiente naturalista teremos uma forma de abordagem denominada:

a) Ética Ambiental

b) Adestramento Ambiental

c) Visão socioambiental

d) Proposta Sociocultural

e) Matriz da Eqüidade

214

10) Existe uma proposta que os programas de meio ambiente e educação ambiental, que contemplem uma

visão mais ampla, devem ter uma abordagem:

a) Unidisciplinar

b) Compartimentalizada

c) Isolada em uma ciência

d) Interdisciplinar

e) Preservacionista

Gabarito

1 D; 2 A; 3- E; 4 C; 5 B; 6 E;7- A; 8- D;9- B; 10 D

Prof. Mauricio Ferreira Magalhães, Mestre em Biologia,

Coord. do Curso de Biologia e do Núcleo de Meio Ambiente

Glossário:

Biodiversidade

Cartesianismo (Descartes)

Bio = vida – diversidade = diferença, dessemelhança; contradição, oposição.

Doutrina caracterizada pelo racionalismo, pela consideração do problema

215

do método como garantia da obtenção da verdade e pelo dualismo metafísico.

Discrepância

Discórdia.

Epistemológicos

Epistemologia = estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das

ciências já construídas e que visa a determinar os fundamentos lógicos, o

valor, o conhecimento e a metodologia.

Espoliação

Espoliar = privar de alguma coisa ilegitimamente por fraude ou violência, roubar, despojar, esbulhar.

Fordista

Fordismo = conjunto de teorias administrativas industriais preconizadas

por Henry Ford.

Intrínsecas

Que está dentro de uma coisa ou pessoa e lhe é próprio, interior, íntimo:

amor intrínseco.

Neoliberal

Neo = novo, moderno – liberal = que tem idéias ou opiniões avançadas, amplas, tolerantes.

Paradigmas

Modelo padrão.

Sustentabilidade

Qualidade de sustentar.

Utopia

Descrição ou representação de qualquer lugar ou situação ideal onde vigoram normas e ou instituições políticas altamente aperfeiçoadas.

216

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