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Direito Penal – Parte Geral

Bibliografia
JESUS, Damásio de. Manual de direito Penal, vol I.
_____ . Código Penal Comentado.
MIRABETE. Manual de Direito Penal.
_____ . Código Penal Comentado.
TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios Básicos do Direito Penal.

Teoria geral do crime


Tipicidade
Conceitos de crime:
a) formal: sob o aspecto legal, é aquela conduta humana que viola a lei penal.
b) material (ou substancial): é aquela conduta humana que lesa ou expõe a perigo de
lesão o bem jurídico tutelado pela norma penal. Toma por base o bem jurídico tutelado.
c) dogmático (ou analítico): o crime é toda a ação (ou conduta) típica, anti-jurídica
(ilícita) e culpável.
* A punibilidade é uma conseqüência para o crime cometido.
* Todo crime (todo tipo penal) é uma regra proibitiva.
* O injusto penal é o fato típico e anti-jurídico.

O fato típico:
Conduta (ação ou omissão)
Resultado
Relação causal física
Tipicidade

A Conduta
a) Conceito e características gerais para que a conduta tenha valor penal: Conduta é a
ação positiva (comissiva) ou negativa (omissiva) própria ao agir humano.
 é a ação humana – se um animal for instrumentalizado pelas mãos do homem,
estará sendo usado como uma arma (dolosa ou culposamente).
 exteriorização – a conduta tem que se exteriorizar em ação. A simples cogitação é
impunível penalmente.
 voluntariedade – a vontade de praticar a conduta apenas. Ato voluntário é quando
há, quando está presente a vontade do agente. Toda conduta involuntária não tem valor
penal.

A pessoa jurídica pode ser autora de conduta punível.


art. 173 CF: ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a
relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. (...)
§5º. A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá
a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados
contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular.
art. 225 CF: Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defende-lo e preserva-lo para as presentes e futuras gerações. (...)
§3º. As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão aos infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de
reparar os danos causados.
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Lei 9.605/98 – dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de


condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.
art. 2º Lei 9.605/98: Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei,
incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade, bem como o diretor, o
administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário
de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática,
quando podia agir para evita-la.
art. 3º Lei 9.605/98: As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente
conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu
representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras,
co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
art. 4º. Lei 9.605/98: Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

b) ausência de conduta: é a falta ou ausência de vontade do agente em agir de outro


modo. Não havendo conduta, não há fato típico. É caso de atipicidade por falta de ato
formal (caso para arquivamento).

Casos em que não há conduta:


- ato reflexo (p. ex.: ataque de espirros que venha a causar acidente)
- lesão resultante de reação por susto
- atos patológicos (delírio)
- coação irresistível (física)
- fato que ocorre por ato instintivo
- ataque epilético
- sonambulismo, estado de inconsciência, hipnose

Teorias da ação
Teoria Causalista (ou naturalista ou clássica) – A ação ou conduta deve ser
entendida como aquela conduta humana voluntária que causa um resultado no mundo
da natureza. Esta teoria não se preocupa com a finalidade do agir humano, ou seja, com
a finalidade da conduta humana. A conduta humana só será examinada (ocorrência de
dolo ou culpa) no exame da culpabilidade, quando da sentença de mérito.

Teoria Finalista – Atribuída ao alemão Hans Welzel, esta teoria diz que o dolo e a
culpa integram o tipo, não devendo ser analisados somente na fase do exame de
culpabilidade. Cria a figura da consciência potencial da ilicitude. Trata da vontade
qualificada do sujeito (vontade remota ou mediata na produção do resultado).

Teoria Social – Atribuída ao alemão Hans H. Jescheek, esta teoria diz que a ação não
tem relevância penal. Assim, o que mais importa é o resultado. Esta teoria não foi bem
acolhida, principalmente pela dificuldade de sua aplicação. Para segui-la, se teria que
fazer um exame caso a caso quanto ao juízo de valor inserido no meio social onde
tivesse ocorrido o delito.

Resultado é o efeito de um dano ou perigo para um bem jurídico tutelado, em


conseqüência da conduta do agente.

Teorias do resultado
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Teoria Naturalista – O resultado é o efeito de dano sobre bem jurídico que aparece
no mundo concreto. É o fenômeno que produziu o efeito no meio. Assim, só teriam
resultado os crimes materiais, os que produzem manifestação física.
Teoria Normativa (ou jurídica) – Resultado é toda a conseqüência (efeito) de dano
ou perigo de dano que é resultante da conduta do agente. Assim, todo crime tem
resultado.
 crime material (de resultado material): aquele tipo de crime que produz lesão ao
bem jurídico tutelado.
 crime formal (ou de mera conduta ou de simples atividade): aquele tipo de crime
que não tem resultado material, mas onde por lógica, foi desrespeitado o bem jurídico
formal.
Conclusão: O Código Penal adotou como base jurídica a Teoria Normativa.

Relação de causalidade (art. 13 caput, parte final)


É o vínculo (o elo) que se estabelece entre o agente e o resultado.
art. 13 CP: O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
(...)
 É preciso haver sempre as duas causalidades:
- física (concreta, material): liga a conduta do agente ao resultado criminoso. Sua
falta gera atipicidade (é motivo de arquivamento).
- psíquica (moral, subjetiva): expressa-se através do dolo ou da culpa. É o elo entre a
consciência do ato criminoso e o resultado.
Quando pesquisa-la: Precisa ser examinada quando se estiver diante de um crime
material. Nos crimes formais ou de mera conduta não existe resultado material para ser
pesquisado, mas a ação e o resultado se confundem no tempo e no espaço.

Teorias sobre a causalidade


Teoria da equivalência causal dos antecedentes - que não distinguem causas e
condições (Teoria da conditio sine qua non): considera que todos os fatores (condições)
que ajudaram na consumação do ato criminoso são causa. Não distingue entre causa e
condição.

Teoria das relações qualificadas


- Teoria da causa eficiente
- Teoria da causalidade jurídica

Causas absolutamente independentes (art. 13 CP)


Antecedentes – (p. ex.: A quer matar B e atira, ferindo-o mortalmente. Feita a
perícia, resta comprovado que a morte não se deu por causa dos tiros recebidos pela
vítima, mas pela ocorrência anterior de ingestão de veneno. A vai ser denunciado
apenas pelo crime de tentativa de homicídio - doloso).
Concomitantes – (p. ex.: A quer matar B e atira, ferindo-o mortalmente. Feita a
perícia, resta comprovado que a morte não se deu por causa dos tiros recebidos pela
vítima, mas que naquele mesmo momento, B morreu em conseqüência de um infarto
agudo do miocárdio (tido como já programado). A vai ser denunciado apenas pelo
crime de tentativa de homicídio - doloso).
Supervenientes – (p. ex.: A quer matar B e atira, ferindo-o mortalmente. Feita a
perícia, resta comprovado que a morte não se deu por causa dos tiros recebidos pela
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vítima, mas pela ocorrência de um raio que o atingiu enquanto ainda estava vivo. A vai
ser denunciado apenas pelo crime de tentativa de homicídio - doloso).

Causas relativamente independentes (art. 13 CP)


Preexistentes – (p. ex.: A quer matar B e atira, ferindo-o mortalmente. B era
hemofílico, e embora tenha sido socorrido, não foi possível estancar o sangue de seus
ferimentos. A vai ser denunciado pelo crime de homicídio.
 Não exclui a imputação, mesmo o agente não sabendo que a vítima era hemofílica.
Concomitantes – (p. ex.: A quer matar B e atira, ferindo-o mortalmente. No exato
momento em que ocorreram os disparos, B está sofrendo um infarto, que não o
mataria, não fosse a ocorrência dos ferimentos recebidos. A vai ser denunciado pelo
crime de homicídio.
 Não exclui a imputação.
Supervenientes – (p. ex.: A quer matar B e atira, ferindo-o mortalmente. B é
socorrido, mas acaba morrendo em conseqüência de uma infecção hospitalar. A vai ser
denunciado pelo crime de homicídio.
 Não exclui a imputação

* João fere Pedro, que não morre do ferimento. No caminho para o hospital, ocorre
um acidente com a ambulância que transportava Pedro, causando-lhe politraumatismo,
que vem a ser a causa de sua morte.
 Exclui a imputação – o acidente por si só matou Pedro.
* João fere Pedro, que não morre do ferimento. Ocorre um incêndio no hospital,
onde Pedro está se recuperando, que vem a ser o motivo de sua morte.
 Exclui a imputação – o incêndio por si só matou Pedro.

A causalidade na omissão
Relação de causalidade
art. 13 CP: O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Superveniência de causa independente
§1º. A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só,
produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.
Relevância da omissão (é normativa ou jurídica)
§2º. A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

crime omissivo próprio – aquele crime que vem descrito no próprio tipo penal.
crime omissivo impróprio – aquele crime não descrito no tipo penal.
O omitente responde pelo crime, quando devia ter agido e não agiu.

Tipicidade (objetiva)
Tipicidade é a perfeita adequação entre a conduta criminosa e a regra incriminadora
(tipo penal). A tipicidade evoluiu a partir de penalistas alemães, no começo do século
passado.
Origem germânica: Tatbestand (aquilo em que o crime consiste)
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Fase da independência do tipo: fase inaugurada por Belling, que dissecou o


tatbestand em elementos separados (tipicidade/ilicitude/culpabilidade). É considerado o
pai da tipicidade.
Fase do caráter indiciário da ilicitude: criada por Max Ernest Mayer, aproveitando
a criação de Belling, ampliou-a, dizendo que o tipo aponta para a ilicitude. É a razão de
conhecer da ilicitude (ratio cognoscendi). Admite-se a prova em sentido contrário.
Fase do tipo legal como essência da ilicitude: Edmond Mezger afirmou que a
tipicidade é a essência da tipicidade. Se a conduta se adequou ao tipo, então ela é o
crime, a essência da própria ilicitude. Essa teoria não foi bem aceita.
A crítica feita é no sentido de que se a tipicidade é a própria ilicitude, a visão jurídica
é de caráter absoluto, não cabendo contraditório.
 a orientação dominante é a descrita por Mayer, a fase do caráter indiciário da
ilicitude.

Adequação típica  se dá de duas maneiras:


* de subordinação imediata (ou direta) – quando a conduta típica do agente encaixa
perfeitamente na descrição do tipo (p. ex.: artigo 121 CP).
* de subordinação mediata (ou indireta) – quando a conduta do agente não encaixa na
perfeitamente descrição do tipo (p. ex.: o crime de tentativa que não chega a preencher
o tipo penal do homicídio; art. 14 CP – crime tentado; art. 29 CP – co-autoria).

Funções do tipo
a) Função indiciária da ilicitude: presunção relativa (iuris tantum) de ilicitude, até a
ocorrência de prova em contrário.
b) Função de garantia: o que não é proibido é permitido. O tipo garante o espaço para
a liberdade. Só é crime o que estiver previamente elencado (garante a materialidade do
princípio da reserva legal).

Tipos penais
* Normais – só têm elementos comuns (que valem para todos os outros tipos penais),
descritivos. Não há elementos valorativos (p. ex.: artigos 121, 129, 213 CP).
* Anormais – Têm elementos valorativos e ainda, elementos normativos ou elementos
subjetivos do injusto.
 normativo: condição para que ocorra o elemento do tipo.

Elementos do tipo
* Essenciais (ou elementares) – uma vez retirado o elemento essencial do tipo,
desaparece o crime.
* Acidentais – pode desaparecer o elemento essencial que o crime ainda continua em
sua forma básica.

Elemento objetivo (descritivo) – aquele sobre o qual fazemos um juízo de realidade,


ou seja, é o elemento visível do crime.
Elemento normativo – é essencial, elementar do crime. Desaparecendo o elemento
Tipo normativo, desaparece o crime (são os adjetivos de valor usados na norma.)
Elemento subjetivo do injusto (dolo específico) – todo crime vem definido com o
dolo implícito (genérico, comum). Dolo específico é o dolo genérico mais a especial
finalidade de agir.
Por exemplo: art. 121 caput CP – dolo genérico
art. 121 §2º, V CP – dolo genérico (matar) + dolo específico
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(encobrir outro crime)

Outras classificações dos tipos penais


Tipos
Básicos (ou fundamentais) – dele derivam outros tipos (p. ex.: art. 121 caput CP).
Derivados – provêm do tipo básico ou fundamental (p. ex.: art. 121 §1º CP -
homicídio;
art. 121 §2º CP – homicídio qualificado; art. 121 §3º CP – homicídio culposo).

Qualificados – redefinem a pena


Privilegiados –

Abertos – necessitam de complemento para fechar o tipo. Apresentam uma idéia de


menor segurança para a liberdade do indivíduo.
Fechados – tipos padrão, construídos de maneira a não deixar margem à redefinição
(p.
ex.: art. 121 CP). Traduzem uma idéia de maior segurança ao indivíduo.

Incriminadores – são os tipos penais propriamente. Fazem a incriminação das


condutas.
Permissivos – são as cláusulas excludentes da ilicitude (art. 23 CP).

O princípio da insignificância ou da bagatela


Klaus Roxim, alemão, sustentou que certas condutas humanas ilícitas, embora tendo
um valor econômico nelas envolvido, sendo ele de pouca monta, não chega a se
justificar a movimentação da máquina estatal para punir, por sua total insignificância no
âmbito do direito (p. ex.: o furto de um par de tênis usado, etc).
A insignificância quando reconhecida estaria gerando uma atipicidade, com
fundamento doutrinário.
Klaus Teedmann, também alemão, chama essa insignificância frente ao universo
jurídico de crime de bagatela, o que vem a ser, na verdade, em outras palavras, a mesma
coisa.
Lei 9.099/95- crimes de menor potencial ofensivo

O princípio da intervenção mínima


O Direito Penal é a última trincheira, por assim dizer, no combate às condutas lesivas,
a forma mais traumática de se aplicar a coibição aos abusos. Por ser a forma que mais
viola os direitos e liberdades individuais, é de bom tom que se busque a efetiva solução
dos conflitos no formato extrajudicial.
Tipicidade subjetiva (dolo e culpa)
Crime doloso – previsão legal: artigo 18 I CP
Teorias com respeito ao dolo
a) Teoria da vontade: Francesco Carrara, italiano, fala da conduta consciente e
voluntária de praticar o tipo.
b) Teoria da representação: para que a conduta seja dolosa, basta que o agente tenha a
vontade e tenha representado (concebido) mentalmente a conduta, com aquele resultado.
A simples representação seria suficiente para caracterizar o dolo. Esta teoria não foi bem
aceita.
c) Teoria do assentimento (ou do assentimento): entende o dolo como a ação ou
conduta em que o agente tem consciência e dá assentimento à ocorrência da conduta a
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ser praticada quanto ao seu resultado. Dá seu assentimento à ocorrência do resultado –


assume o risco (o entendimento do agente no dolo eventual é: dê no que der, vou agir).

Teorias do Código Penal


a) Teoria da vontade: art. 18 I, 1ª parte CP – dolo direto
b) Teoria do assentimento: art. 18 I, 2ª parte CP – dolo eventual

Conceito de dolo
Fragoso: é a consciência e vontade na realização da conduta típica.

Elementos do dolo
* Direto (determinado): art. 18 I, 1ª parte CP
* Indireto: - alternativo – ação voluntária e consciente no sentido de praticar uma
conduta ou outra (p. ex.: se não conseguir matar meu inimigo, pelo menos vou quebrá-
lo todo – é crime de homicídio ou tentativa de homicídio).
- eventual – art. 18 I, 2ª parte CP

* de Dano: - direto – dano ao bem jurídico


- eventual – crime de dano
* de Perigo: a conduta consciente e voluntária que se dirige a submeter o bem jurídico
a perigo. Crime de perigo.

* Genérico: faz parte do crime doutrina


* Específico: indica uma especial finalidade de agir (p. ex.: art. 121 V) tradicional
É o elemento subjetivo  do injusto, na doutrina finalista (ou causalista)
 ou do tipo
O dolo é a condição normal de todo crime (fica implícito). A culpa, ao contrário, é a
exceção, precisando ser especificada. O específico não existe sem o genérico.

* Natural: corresponde, para a doutrina formalista ao que é o dolo genérico para a


doutrina tradicional.
* Normativo: o agente tem a consciência de estar violando a lei.

Dolo geral ou erro sucessivo


Exemplo: A quer matar B, tendo disparado contra ele alguns tiros. A acha que B
morreu, uma vez que caiu, ensangüentado. Resolve, por isso, esconder o cadáver e o
joga em um rio. Desse modo, se trataria de dois crimes: o crime de homicídio e o crime
de ocultação do cadáver. Ocorre, contudo, que B não morreu dos tiros recebidos naquele
momento, tendo sido recolhido, mais tarde, o cadáver, e constatada a ocorrência de
morte por afogamento. O que houve um erro de avaliação do agente.
Soluções:
 Teoria finalista: há um só crime, de homicídio doloso consumado. A finalidade é o
mais importante. Considera-se o contexto todo, uma vez que o agente queria matar e o
resultado de sua ação foi a morte.
 Teoria causalista: há o concurso de dois crimes de homicídio. Considera-se as duas
condutas existentes separadamente.
O primeiro, tentativa de homicídio, uma vez que não se consumou o crime pretendido
por circunstâncias alheias à vontade do agente.
O segundo homicídio (consumado) com dolo eventual – ao jogar o corpo que pensava
estar morto no rio, o agente assumiu o risco de matar por afogamento.
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No concurso material de crimes – art. 69 CP – somam-se as penas.

A culpa em sentido estrito


A culpa em sentido estrito hoje tem um fundamento sociológico e cultural que parte
da premissa que os homens necessitam viver em sociedade, devendo estabelecer normas
que regulem a convivência. Assim, temos direitos e deveres recíprocos. Cumprir a nossa
parte é em significado, o mesmo que respeitar o direito dos outros indivíduos.
É forçoso que não se prejudique os direitos dos outros indivíduos.

Elementos do crime culposo


a) conduta (ou ação): é exatamente igual ao crime doloso: é ação humana
exteriorizada como ato lesivo a um bem, de forma voluntária.
b) violação do dever de vigilância (ou de cuidado objetivo): elemento próprio da
base do fato típico culposo.
c) previsibilidade objetiva: é a possibilidade da ocorrência do fato. É o elemento
mais característico do crime culposo. É a possibilidade de qualquer pessoa média,
normal, em prever o resultado de determinada conduta. Sem previsibilidade não existe
culpabilidade. Então é caso fortuito ou de força maior.
Objetiva – quando a média das pessoas consegue prever objetivamente o resultado.
d) ausência de previsão: previsão é o ato concreto da pessoa. Só haverá este
requisito se houver conduta inconsciente e ou sem previsão.
e) resultado involuntário: em todo crime culposo o resultado lesivo é involuntário.
f) nexo causal: é o mesmo do crime doloso.
g) tipicidade: tem a particularidade de que o tipo é aberto. A culpa tem que estar
expressamente elencada (o crime não vem definido nos seus elementos).

A prescrição e a decadência atingem o plano da eficácia.

Modalidades de culpa
Imprudência – falta de prudência – art. 18 II CP
Imperícia – falta de habilidade do profissional
Negligência – atua com negligência quem pratica conduta causal de resultado por
deixar de fazer determinada conduta. É a inação do agente.

Espécies de culpa em sentido estrito


Consciente: Com previsão. O agente agiu voluntariamente. Não queria a ocorrência
do resultado e nem assumiu o risco de produzi-lo.
Inconsciente: Sem previsão. O agente agiu voluntariamente, produzindo o resultado.
Poderia ter previsto a ocorrência do resultado, mas mesmo assim não previu.

Culpa consciente e dolo eventual – o agente não queria a ocorrência do resultado, mas
mesmo assim agiu (aceitou o risco de produzi-lo).

Própria: é a culpa comum.


Imprópria (por assimilação, por equiparação ou por extensão): trata-se, na verdade, de
caso de dolo, mas é tratado como se fosse culpa. Trata-se da ocorrência de uma conduta
dolosa, uma vez que o agente teve a intenção de agir (p. ex.: o agente, pensando tratar-
se de um ladrão, atira, acertando a própria esposa que chegava).
 Culpa presumida – não existe culpa penal presumida. Se a culpa não for
plenamente comprovada não há condenação.
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 Culpa mediata (ou indireta) – não existe possibilidade de culpa mediata.


* O erro invencível exclui o dolo e a culpa em sentido estrito, não havendo assim,
possibilidade de punição.

Graus de culpa
- grave (ou lata)
- leve
- levíssima
 Não se fala em culpa gravíssima quando se tratar de culpa em sentido estrito. Há
uma proporcionalidade entre o grau da culpa e a pena.

Compensação e concorrência de culpa


Trata-se de culpa do agente e culpa da vítima. Mesmo se a vítima colaborou para a
ocorrência do fato criminoso, não se pode, no âmbito do Direito Penal, compensar a
culpa. Só se leva em conta a colaboração da vítima no resultado, na fixação da pena
(arts. 59 a 68 CP).
Compensação –
Concorrência – cada um responde pela sua conduta criminosa individualmente.

Excepcionalidade da culpa
A regra geral é de que o crime é sempre de caráter doloso, diferente da culpa, que é
condicional, precisando de expressa manifestação legal.

Caso fortuito – situação imprevisível normalmente ligada a elementos da natureza,


que afasta a culpa em sentido estrito.
Força maior – quando se dá a impossibilidade do agente em evitar o resultado,
ligado à imprevisibilidade e também à natureza. Afasta a culpa em sentido estrito.

Crime præter doloso (ou præter intencional) – é uma das quatro modalidades dos
crimes qualificados pelo resultado, embora a conduta do tipo penal permaneça a mesma
(dolo e lesão).
Præter doloso – o resultado foi além do dolo; ocorreu por culpa em sentido estrito.
Qualificar: é descrever situação que torna a pena mais gravosa ao agente.

Princípio da proporcionalidade entre crime e pena


Divisão (estrutura subjetiva) – crimes qualificados:
DOLO no antecedente e DOLO no conseqüente
CULPA no antecedente e CULPA no conseqüente
CULPA no antecedente e DOLO no conseqüente
DOLO no antecedente e CULPA no conseqüente

Exemplo: Lesão corporal seguida de morte (art. 129 §3º) - Quando a morte da vítima
não era a intenção do agente, mas resultou da conduta fática deste. Dolo para lesões
corporais e culpa em sentido estrito para o resultado advindo – a morte. Culpa, porque a
possibilidade morte era previsível e, portanto, evitável.

Agravação pelo resultado


art. 19 CP: Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver
causado ao menos culposamente.
Este artigo é um limite para a punibilidade, que tem que ser sempre objetiva.
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Do crime consumado e da tentativa


art. 14 CP: Diz-se o crime:
Crime consumado
I – consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Quando a conduta voluntária realiza todos os elementos do tipo.
Tentativa
II – tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

Exaurido: trata-se do espaço de conduta que está após a consumação (p. ex.: o
agente furta e vende logo o produto, para pegar logo o dinheiro).
O exaurimento de um crime é impunível (pos factum).
Há situações, contudo, em que o pos factum pode vir a ser punível – quando houver a
ocorrência de um outro tipo penal (p. ex.: o agente rouba e já vende o produto para
terceiro, dizendo pertencer-lhe – uso de ardil – dispor de coisa alheia como própria –
estelionato – art. 171, I CP – a conduta foi tipificada em outro tipo penal).
Momento consumativo do crime
1) Crimes materiais (ou de resultado) – aquele da eclosão do resultado, quando o bem
jurídico sofre a lesão.
2) Crimes formais (ou de simples conduta) – quando a conduta estiver completa (p.
ex.: crimes contra a honra).
3) Crimes habituais – havendo a habitualidade (a reiteração, a repetição dos atos),
está consumada a ocorrência do crime (p. ex.: casa de prostituição, curandeirismo).
4) Crimes permanentes – a consumação do ato delituoso se dá de forma permanente
no tempo, ou seja, ocorre enquanto perdurar a consumação.
5) Crimes complexos – aquele que resulta da fusão de dois ou mais crimes diferentes,
que resultem em um outro tipo penal diferente (p. ex.: roubo (art. 157 CP = furto art.
155 CP + ameaça 147 CP).
O momento consumativo é quando os crimes meio estiverem consumados. Se um dos
dois crimes não se consumou, o crime é tentado.
S 610 STF . Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração de bens da vítima.
6) Crimes culposos – consuma-se com a eclosão do resultado.
7) Crimes omissivos: - próprios: quando ocorre a omissão descrita no tipo (p. ex.: art.
135 CP – omissão de socorro).
- impróprios: crimes comissivos que podem, eventualmente, ser cometido por
omissão. Consuma-se quando o resultado acontece.
Iter criminis
É o caminho, a trilha, a estrada que leva ao crime:
a) cogitação: é o primeiro momento do crime, é o momento intelectivo, da criação do
crime. A cogitação do crime não é punível.
b) atos preparatórios: Os atos preparatórios ao crime não são puníveis. São ainda
neutros, sem tipicidade penal.
c) atos executórios: quando o agente começa a executar a forma central do tipo. Os
atos executórios são puníveis na forma de tentativa.
d) consumação: quando está pronto o crime. O réu já pode ser acusado.
e) exaurimento: é o momento pós-crime, pós-fato. É impunível o exaurimento, a
menos que esteja em concurso com outro crime.
 Critério material – o ato é preparatório quando ainda não estiver atacando o bem
jurídico protegido.
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 Critério formal objetivo: a linha divisória entre os atos preparatórios e os atos


executórios.
Quando a conduta agressiva estiver realizando a ação própria para aquele tipo.

Tentativa (art. 14, II CP)


Elementos:
É uma ação ou conduta em que ocorre a interrupção da ação delitiva antes da
consumação. Quem pratica o tipo descrito na tentativa quer, na verdade, praticar a
consumação do crime. É de caráter doloso.
Dolo total: o dolo da tentativa é sempre o de consumar.
Formas de tentativa
* Perfeita ou acabada (crime falho) – acontece quando o agente executa toda a
conduta agressiva, embora sem a ocorrência do resultado esperado (p. ex.: A dispara
contra B todos os tiros planejados. Vai embora do local, achando que matou B, mas B é
salvo).
* Imperfeita (crime inacabado) – acontece quando o agente não chega a executar toda
a conduta planejada, por fator alheio à sua vontade (p. ex.: A dispara um dos tiros
planejados, atingindo B, mas alguém toma-lhe a arma e não pode mais atirar em B,
que não morre).

* Cruenta: quando houve dano efetivo ao bem jurídico protegido, ou seja, quando o
bem jurídico protegido pela norma foi atingido.
* Incruenta (ou branca) – quando não houve dano ao bem jurídico.

Punibilidade da tentativa
art. 14 CP: (...)
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao
crime consumado, diminuída de uma dois terços.
Quanto mais próximo do resultado do tipo, menor a redução da pena (critério
objetivo).
Exceções:
art. 309 Código Eleitoral: votar e ou tentar votar duas vezes
art. 312 Código Eleitoral: violar ou tentar violar o sigilo eleitoral
A tentativa é punida com a mesma pena do tipo.
art. 352 CP: Evadir-se ou tentar evadir-se preso ou indivíduo submetido a medida de segurança
detentiva, usando a violência contra a pessoa.

Inadmissibilidade da tentativa
- contravenções penais: Todas as contravenções penais são delitos de perigo (conduta
de perigo).
art. 4º Lei 3.688/41: Não é punível a tentativa de contravenção.
- crime culposo: não admite a tentativa, porque quem pratica o crime, pratica uma
conduta voluntária, mas com um resultado involuntário (por negligência, imperícia ou
imprudência).
- crime præter doloso: havendo culpa na 2ª fase, não se fala em tentativa.
- crime unissubsistente: aquele que se realiza por meio de um único ato (p. ex.:
ofensa verbal), pelo que não existe a possibilidade de tentativa.
- crime omissivo próprio: a omissão é descrita no tipo, estabelecendo a ocorrência de
conduta positiva por parte do agente. Trata-se de conduta formal.
- crime habitual: existe a reiteração dos atos, a repetição, para completar o tipo.
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- crime permanente: a consumação do tipo penal se alonga no tempo (p. ex.: crime de
cárcere privado), enquanto durar o cárcere. É um crime só, seja sua duração de um dia
ou de trinta dias. Assim, não há possibilidade de tentativa (salvo, talvez, na construção
intelectiva de uma pessoa que seja agarrada por agente com a intenção de cárcere, mas
que, tendo reagido, consegue se livrar no ato, antes da consumação).
- crime de atentado: trata-se do ato de atentar contra a liberdade. Ou o agente já
atentou e, portanto, já está consumado o crime ou não atentou ainda, não havendo o
crime.
- crime formal (ou de mera conduta): o resultado está embutido na própria conduta do
agente. Praticado o tipo, está consumada a conduta criminosa. A conduta, a ação e o
resultado se dão ao mesmo tempo e no mesmo local.

Desistência voluntária e arrependimento eficaz (art. 15 CP)


A desistência voluntária e ou o arrependimento eficaz tratam-se, na verdade de atos
praticados por agente que se encontram no momento de uma tentativa, que não é
punida, no entanto, por falta dos elementos de punibilidade.
Trazem o seu benefício no momento da dozimetria da pena.
Metáfora: a ponte de ouro – o voltar para a legalidade (como se não tivesse ocorrido a
tentativa)
Von Lizt: É um estímulo a que o agente possa desistir de praticar ou a não consumar,
intencionalmente, o crime.
Ocorrência:
A desistência voluntária só pode ocorrer nos casos de tentativa imperfeita – a conduta
do agente já começou, mas não se completou, de forma intencional (p. ex.: o agente ia
dar cinco tiros na vítima, mas deu um apenas, tendo desistido dos outros).
Arrependimento eficaz só ocorre nos casos de tentativa perfeita. No arrependimento
eficaz o agente, além de desistir da ação, busca evitar a consumação. Para surtir o
benefício ao agente, o resultado não pode ter ocorrido.
Conduta / interrupção (voluntária) – quando o agente podia escolher

Natureza jurídica
Há duas correntes:
1ª) é causa extintiva da punibilidade (o Estado, por intermédio do legislador, se auto-
limitou no seu direito de punir para a tentativa).
2ª) tem a natureza de causa de exclusão da tipicidade (não se pune a tentativa porque
faltou um elemento para a ocorrência do tipo da tentativa).

Arrependimento posterior (art. 16 CP)


É de aplicação ampla. Tem natureza de regra de obrigação de concessão da
diminuição da pena, desde que observado o cumprimento dos requisitos (originou-se da
Súmula 554 do STF, que trata dos cheques sem fundo pagos antes da denúncia). Cabe
somente em crimes patrimoniais. Cria um benefício para o réu. Configurado o
arrependimento, reduz-se a pena.
Produz como efeito, a redução da pena de 1 a 2/3 (minorante). Segundo vários
autores, quanto mais rápida e espontânea for a indenização, maior será a redução, maior
o benefício.

Crime impossível (art. 17 CP)


Trata-se de tentativa impunível.
Espécies
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* por ineficácia absoluta do meio – quando o meio empregado para o cometimento do


crime se mostra absolutamente ineficaz (p. ex.: A quer matar B e dispara contra ele
com arma de fogo. Feita a perícia na arma, o laudo técnico diz que aquela arma não
funciona mais como arma – se a arma periciada for relativamente ineficaz, trata-se de
crime de tentativa de homicídio; A quer matar B com emprego do uso de veneno. No
ato do preparo da substância, se engana e coloca açúcar na mistura, ao invés da
substância venenosa).
* por impropriedade absoluta do objeto – se o objeto jurídico não existe, é impróprio
para o crime (p. ex.: A quer matar B, disparando contra ele, com arma de fogo. Feita a
perícia, comprova-se que B já estava morto por ataque fulminante do miocárdio – se B
não estava ainda morto, mesmo tendo sofrido o ataque do coração no momento dos
disparos, é crime de tentativa de homicídio).

Flagrante e crime impossível


Flagrante preparado: situação artificial criada para atrair o agente a cometer o crime
(isca). O agente é induzido à prática do crime. É flagrante nulo. A tentativa é impunível.
Flagrante esperado: acontece de um modo espontâneo, sem que haja indução do seu
cometimento. É totalmente lícito, sendo punível a tentativa.

Erro de tipo (art. 20 CP)


É erro sobre a compreensão dos fatos. Tem reflexo no próprio tipo penal.
* Erro sobre os elementos objetivos (ou descritivos) do tipo (p. ex. o agente atira na
caça, mas acerta Fulano).
* Erro sobre os elementos normativos do tipo (p. ex.: o agente, ao recolher o casaco
de um cabide de uso comum, acaba levando um que não o seu).

* Erro sobre as qualificadoras do tipo (art. 227 §1º CP)


* Erro sobre as majorantes e agravantes (art. 226, II CP)

Evitável (ou vencível) - é inescusável e o agente responde por


Essencial: culpa. É quando o normal cuidado do agente teria evitado a
incide sobre ocorrência.
elementar Inevitável (ou invencível) - é escusável, ou seja, o agente não
Erro do tipo responde por culpa
de tipo
Acidental (ou invencível): não aproveita ao agente. O agente não responde.
Quando o agente tomou todas as providências do cuidado, mas acabou
ferindo o seu amigo. O agente não responde por culpa.

Erro determinado por terceiro: art. 20 §2º CP (p. ex.: médico anota dosagem superior
ao normal – letal – e a enfermeira, mesmo tendo alguma dúvida, aplica a medicação,
por confiar na capacidade técnica do médico).
Erro sobre a pessoa: art. 20 §3º CP (p. ex.: o agente queria matar um inimigo seu,
mas acaba matando outra pessoa – responderá pelo homicídio, como se tivesse matado
a vítima pretendida).
Descriminante putativa (imaginária) fática: erro de tipo permissivo – art. 20 §3º CP (o
agente vê um vulto, achando ser seu inimigo. O vulto faz um gesto e o agente pensa ser
caso de injusta agressão iminente, pelo que saca sua arma e atira, com a intenção de
atirar antes para se defender. Ocorre que não era o seu inimigo e que nem mesmo tinha
consigo uma arma, mas sacava somente o telefone celular, da cintura).
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Ilicitude penal (art. 21 CP)


É a contradição existente entre a conduta típica e o direito como ordenamento. É a
conduta típica em contradição com o direito. É uma ação típica que está em contradição
com a ordem jurídica.
Prof. Agenor Casaril: É a contradição entre a conduta e o ordenamento jurídico e não
apenas entre aquela e o Direito Penal.

Ilicitude formal
Está relacionada com o conceito formal do crime. Está presente quando há violação a
uma norma proibitiva.

Ilicitude material
É a destinação final da norma penal. Está relacionada com o conceito material do
crime. É quando a conduta lesiva fere o bem jurídico protegido.

Conceito unitário da ilicitude – A ilicitude formal e a ilicitude material estão sempre


juntas. São conceitos inseparáveis. O aspecto de maior dimensão é sempre o de caráter
material, uma vez que não existe a lesão sem que tenha havido uma lesão ao bem
jurídico.

Ilicitude penal e extra-penal


A ilicitude penal é diferente da ilicitude extra-penal. Deve-se lançar mão da sanção
extra-penal até onde for possível, reservando-se a sanção penal como última esfera de
atuação punitiva.

Causas de exclusão da ilicitude penal


art. 23 CP: Não há crime quando o agente pratica o fato:
I – em estado de necessidade;
II – em legítima defesa;
III – em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito.
As causa legais são as previstas em lei, ou seja, são aquelas hipóteses previstas em
leis penais que, quando se concretizam, excluem a ilicitude penal. Para Damásio de
Jesus são só estas elencadas no artigo 23 do Código Penal. No entendimento de
Mirabete, contudo, há outras causas de exclusão da ilicitude, como elencado no artigos
128 CP (que diz que não se pune aborto praticado por médico), 142 CP (exclusão do
crime de injúria ou difamação punível), etc.

Terminologia: causas de exclusão da ilicitude = exclusão da antijuridicidade =


discriminantes = causas de justificação = justificativas = eximentes

Requisitos das discriminantes: aqueles previstos em cada discriminante.


Requisitos objetivos: há uma corrente de pensamento jurídico que diz que o agente
deve ter a consciência de estar agindo em legítima defesa. A corrente dominante no
Brasil, contudo, diz que não precisa que o agente tenha ciência.

Causas supra-legais de justificação


Se poderia aceitar que há outras, se admitirmos o conceito unitário da ilicitude,
extraindo da norma geral, construindo uma solução discriminizadora, por analogia (p.
ex.: o furto de algumas frutas para saciar a fome, seria causa supra-legal, por falta de
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interesse jurídico no fato de pequena relevância; o professor aplica uma punição não
escrita no estatuto da escola, sem que tenha dolo).

Excesso nas justificativas (art. 23 CP)


O excesso de conduta na legítima defesa produz excesso de defesa. O excesso de
defesa é punível.
Não se pode falar em excesso quando a conduta inicial não foi legítima, lícita.
Todo excesso será punido a título de dolo ou culpa, dependendo do caso em foco. O
agente responde pela conduta excessiva.

Visão esquemática do excesso nas justificativas:


a) consciente (doloso, intencional) – o agente responde por dolo (art. 23 CP) a)
Escusável (desculpável) – se inevitável, invencível, exclui dolo e culpa (art. 20 § 1º, 1ª
parte CP). O agente não responde. Erro de b) Inescusável (indesculpável) – exclui o
dolo, subsiste a
Tipo culpa (excesso culposo – art. 23 CP §U c/c art. 20 §1º, 2ª parte). O autor
responde por culpa.
b) inconsciente (culposo, não a) Escusável (desculpável) – se inevitável, exclui a
intencional) culpabilidade (art. 21 caput, 2ª parte). O agente é isento Erro de de pena.
Proibição b) Inescusável (indesculpável) – responsabilidade a título de dolo, com
diminuição de pena (art. 21 caput, parte inicial)

Estado de necessidade (art. 23, I c/c art. 24 CP)


art. 24 CP: Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual,
que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
É uma situação de perigo atual para um bem jurídico legítimo, próprio de terceiro e
um ato necessitado que destrói. O perigo não precisa partir de um ser humano.
É o conflito entre dois bens jurídicos igualmente legítimos.
Tabula uno scapax – tábua da salvação

Estado de necessidade defensivo – quando o ato necessitado destrói um bem jurídico


legítimo. É dirigido contra a própria fonte, o bem, de onde vem o perigo (p. ex.: o
cachorro da madame, passeando na rua, ataca um transeunte, que para se defender,
mata o cachorro).
Estado de necessidade ofensivo (agressivo) – É dirigido contra um outro bem (p. ex.:
para salvar alguém que passava mal, o agente quebra o vidro de um carro que não o
seu, fazendo uma ligação direta, para levar o doente grave ao hospital).
Estado de necessidade justificante e exculpante –
* Teoria unificadora: o estado de necessidade produz sempre o mesmo efeito jurídico.
É sempre justificante. Quando reconhecido, é descriminante.
* Teoria diferenciadora: diferencia os efeitos. O estado de necessidade pode ser
justificante (se e quando o bem jurídico sacrificado é de inferior hierarquia) ou
exculpante (se e quando o bem jurídico sacrificado é de igual ou maior hierarquia).

A natureza jurídica no direito brasileiro, adotada pelo Código Penal, é a da Teoria


unificadora: é sempre justificante, sempre exclui a ilicitude.

Requisitos do estado de necessidade


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a) perigo atual – possibilidade ou probabilidade de dano ao bem jurídico atual –


aquele que está acontecendo (e somente aquele que está acontecendo, atual, segundo
entendimento de Mirabete).
Segundo o entendimento da maioria dos penalistas, no entanto, o perigo atual
compreende também o perigo iminente (aquele que está próximo de acontecer).
b) ameaça a direito próprio ou alheio – ameaça de perigo a qualquer direito do titular
ou de qualquer terceiro. Não exige a existência de qualquer relação jurídica estabelecida
entre as partes.
c) situação de perigo não causada voluntariamente pelo agente – situação de perigo
atual ou iminente que põe em risco o bem jurídico (que não tenha sido causado pelo
agente que pratica o ato necessitado).
Há duas posições: dolosamente, segundo a doutrina, e dolosa ou culposamente,
segundo o prof. Toledo.
d) inexistência do dever legal de enfrentar o perigo (art. 24 §1º CP – p. ex.: bombeiro,
que não pode se eximir de entrar no perigo, para salvar outra pessoa).
e) inevitabilidade do comportamento lesivo – se só havia aquele modo de se salvar o
bem jurídico. É necessária uma análise caso a caso.
f) inexigibilidade de sacrifício do interesse ameaçado – é preciso considerar a
proporcionalidade/razoabilidade dos bens envolvidos. O bem de maior hierarquia deve
ser protegido.
g) conhecimento da situação justificante.

Formas do estado de necessidade


a) quanto à titularidade do bem salvo:
- próprio – quando salva um bem próprio.
- de terceiro – quando salva um bem de terceiro.

b) quanto ao aspecto subjetivo do agente:


- real – quando é concreto o que entende o agente.
- putativo (imaginário) – quando o agente comete um erro essencial sobre a realidade.

c) quanto ao terceiro que sofre o dano:


- defensivo – quando o ato necessitado é diretamente contra o bem.
- ofensivo (agressivo) – quando dirigido contra um outro bem.

Legítima defesa (art. 23, II CP c/c 25 CP)


Consiste em praticar reação para afastar agressão injusta contra interesse jurídico
próprio ou de terceiro.
Só se caracteriza a legítima defesa se houver agressão injusta (desamparada pelo
direito)

* cabe legítima defesa real contra legítima defesa real – conflito do justo contra o
justo.
* cabe legítima defesa real contra legítima defesa putativa – conflito do justo contra o
injusto.
* cabe legítima defesa putativa contra legítima defesa putativa – conflito do injusto
contra o injusto.

Requisitos:
a) agressão injusta, atual ou iminente
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A agressão descrita tem que ser ato (conduta) humano, que não tenha amparo legal.
Atual é aquela que está ocorrendo. Iminente, a que está quase ocorrendo.
b) direito do agredido (ou de terceiro)
O direito aqui descrito é qualquer interesse jurídico protegido. No caso do agredido é
legítima defesa própria. No caso do terceiro, é legítima defesa de terceiro.
c) repulsa com os meios necessários
Meios necessários são os que sejam suficientes. Avalia-se caso a caso, considerando
as circunstâncias envolvidas.
d) moderação no uso dos meios
Os meios devem ser empregados só até o limite de completar a legítima defesa.
e) elemento subjetivo

* Ofendículos(as) ou ofensáculas: situação de predispor de meios de defesa. Trata-se


de corrente modalidade de legítima defesa preordenada, preconcebida ou
preestabelecida (p. ex.: colocação de cacos de vidro na parte superior do muro;
colocação de cerca elétrica).
Quando predispõe sobre o uso, o indivíduo pratica o exercício regular de um direito.
Se funciona a contento, defendendo o patrimônio eficientemente, causando a repulsa de
quem não autorizado a entrar nos domínios da propriedade, trata-se de caso de legítima
defesa. Se, contudo, ofende a indivíduo não agressor do patrimônio, por acidente, há a
responsabilidade penal do proprietário (abuso) e a conseqüente responsabilidade civil.

Estrito cumprimento do dever legal (art. 23 III, 1ª parte CP)


Funciona como causa descriminante. Trata-se de quando o agente público pratica ato
típico, ao cumprir com seu dever (p. ex.: o carrasco, que mata cumprindo a ordem de
pena de morte; o militar, cumprindo ordens na guerra, quando mata ou fere outro
militar, no exercício da atividade militar; a prisão de pessoa por cumprimento de
mandado judicial; o arrombamento, por conta do oficial de justiça, no cumprimento do
dever).
Finalismo – o agente tem que ter a consciência de estar agindo amparado na lei.
Elemento subjetivo – As descriminantes se observam de forma subjetiva, mesmo sem
haver a consciência do agente de estar agindo amparado na lei.

Exercício regular de um direito (art. 23 III, 2ª parte CP)


O exercício regular de direito diz respeito a qualquer direito, que se ache de acordo
com os limites legais. É direcionado a qualquer cidadão que pratique conduta amparada
por lei (p. ex.: a prisão em flagrante; o direito de correção de um pai com relação ao
seu filho; o direito de retenção – direito privado: no contrato de locação – as
benfeitorias; o médico, que ao realizar uma intervenção cirúrgica, está cometendo uma
lesão no paciente, mas se trata de lesão necessária, porque visa salvar a vida do
paciente; as lesões esportivas consentidas, como no boxe; a defesa da posse – desforço
possessório incontinenti: ato de fazer logo – art. 1.210 §1º CP).

Consentimento do ofendido
Como excludente da tipicidade: exclui a própria tipicidade, não se precisando tratar
de dolo ou culpa, quando o dissenso (a não concordância) é parte do tipo.
Como excludente de ilicitude: não havendo dissenso no tipo, o consentimento é
excludente de ilicitude.
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- a vítima concorda que seu bem seja danificado (art. 163 CP)
- a vítima concorda com a privação de sua liberdade (art. 148 CP)

Culpabilidade
É a censurabilidade, a reprovabilidade da conduta típica ilícita.
Existem três teorias a respeito da culpabilidade:
Teoria psicológica da culpabilidade – Criada por Carrara (século XIX): trata-se do
elemento psicológico do crime, a força moral do crime (elemento subjetivo). A
culpabilidade de expressa no dolo ou na culpa.
Pressupostos:
1) imputabilidade
2) elemento psicológico – 2 modalidades: - dolo: elemento puramente psicológico,
ligando o
crime ao criminoso.
- culpa em sentido estrito.

Teoria psicológico-normativa da culpabilidade – Criada por Frank (1907):


A culpabilidade é a soma de: - imputabilidade – base biológica
- elemento psicológico normativo – dolo e culpa (o dolo
passa a ser visto como consciência da ilicitude)
- exigibilidade de conduta diversa – puro juízo de
censurabilidade que se vai fazer da culpabilidade
Teoria normativa pura da culpabilidade
a) imputabilidade
b) substitui-se o elemento psicológico normativo pela potencial consciência da
ilicitude
c) exigibilidade de conduta diversa.

* O Código Penal adotou a chamada Teoria Limitada da culpabilidade. É uma


derivação, uma simples variante da Teoria Pura da Culpabilidade. Diferencia-se pelo
tratamento dado ao erro: se o erro é essencial e inevitável (escusável), exclui a
culpabilidade. Se o erro é essencial, o agente responde pelo dolo.

Luís Flávio Gomes: Dupla posição do dolo


O dolo, modernamente, passa a ser entendido com dupla posição geográfica, tendo
assim, também, uma dupla função:
1ª) integre o próprio tipo
2ª) tem função na culpabilidade

Imputabilidade (art. 26 CP)


Qualidade que permite que alguém sofra uma imputação. É um grau de
desenvolvimento físico e mental que permite ao agente compreender o desdobramento
de uma ação criminosa e de determinar-se em conformidade com este entendimento.

A potencial consciência da ilicitude


É a possibilidade de entender, na hora do fato, que a sua conduta ia ao contrário do
direito. Consciência leiga, a que está ao alcance de qualquer pessoa dotada de valores
mínimos (captados do ambiente familiar, escolar, social, etc). Não há necessidade de
que o agente tenha tido a plena consciência, na hora do crime, da ocorrência da ilicitude.
Função (efeitos jurídicos):
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Se o agente tinha ou podia ter a consciência, no ato da ação – tem culpabilidade.


Se não tinha ou podia ter consciência, no ato da ação – não tem culpabilidade (é
isento de pena – erro de proibição: art. 21 CP).
Efeitos: exclui a culpabilidade

Exigibilidade de conduta diversa


Ocorre quando há coação irresistível ou em estrito cumprimento de ordem hierárquica
(art. 22, 1ª parte CP) ou em estado de necessidade exculpante (art. 24 CP).

Exclusão da culpabilidade
Causas de dirimência são aquelas hipóteses previstas em lei que, quando ocorrem
trazem a exclusão da culpa do agente.
- Casos de inimputabilidade (art. 26 CP: por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado; art. 27 CP: menoridade; art. 28 §1º: embriaguez
completa).
- Casos de falta de potencial consciência da ilicitude
a) erro inevitável (art. 21 CP)
b) obediência hierárquica (art. 22 CP)
c) erro de tipo putativo (art. 21 §1º CP)
- Casos de inexistência de condição diversa
a) coação irresistível (art. 22 CP)
b) coação física (art. 11 CP)
c) casos específicos de hierarquia

Inimputabilidade e suas causas


art. 26 CP: é isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado, era, ao tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Sistema biológico (ou etiológico) – basta que exista uma doença mental para ser
inimputável.
Sistema psicológico –
Sistema biopsicológico (ou biopsicológico-normativo ou misto) – é de caráter
eclético; mais completo.
* O nosso Código Penal adotou o Sistema biopsicológico ou misto.

Análise em três fases:


Presença da patologia – se a patologia gerou desenvolvimento mental incompleto ou
retardo.
Efeitos: havendo patologia mental que tenha gerado desenvolvimento mental
incompleto ou inimputabilidade.

* Inimputabilidade por doença mental (art. 26 CP)


* Inimputabilidade por desenvolvimento mental incompleto (art. 26 CP)
a) os silvícolas não civilizados
b) os surdos-mudos não educados
c) os menores de 18 anos
* Inimputabilidade por desenvolvimento mental retardado (art. 26 CP)
As Oligofrenias: - debilidade mental
- imbecilidade
- idiotia
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Desenvolvimento mental incompleto por presunção legal (art. 27 CP; 104 ECA; 228
CF)

Embriaguez fortuita completa (art. 28 §1º CP)


É causa de exclusão da imputabilidade quando não for voluntária ou culposa.
Pode ser:
- patológica (caso comum entre os filhos de alcoólatras)
- crônica (dependentes)
- habitual (o agente ainda não é um dependente)
Fases:
a) incompleta: o agente perde a inibição moral (a chamada fase do macaco) – não
exclui a imputabilidade.
b) completa: o agente ainda é capaz de reagir fisicamente (a chamada fase do leão) –
pode excluir a imputabilidade, se fortuita.
c) comatosa: o agente não tem mais controle orgânico (a chamada fase do porco) – o
agente não tem mais capacidade de praticar conduta, muito menos de discernir entre
certo e errado.

Teoria da actio libera in causa


Ação livre na causa: considera-se o momento em que o agente bebeu e se o fez
voluntariamente.
Existe imputabilidade para o agente que se embriaga intencionalmente.
* se a embriaguez se dá por coação irresistível, responderá pelo crime o coator (art.
22 CP).

Potencial consciência da ilicitude


Hipóteses de falta de potencial consciência da ilicitude
Erro de proibição (art. 21 CP)
Espécies:
a) desconhecimento da lei (art. 21 caput, 1ª parte CP)
b) erro sobre a ilicitude do fato (art. 21 caput, 2ª parte CP)
c) descriminantes putativas (art. 20 §1º CP)

* ignorantia legis neminem escusat – o desconhecimento da lei não escusa (desculpa)


ninguém

Inexigibilidade de conduta diversa (art. 22 CP)


Por coação irresistível:
a) física
b) moral
Por obediência hierárquica
O coacto não responde pelo crime. Responde o autor da coação. Exclui a tipicidade.

Concurso de agentes (concurso de pessoas, co-autoria ou co-participação)


art. 29 CP: Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.
§1º. Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.
§2º. Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste;
essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.
Circunstâncias incomunicáveis
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art. 30 CP: Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando
elementares do crime.
art. 31 CP: O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

A pena aplicada ao agente tem que ser individualizada, devendo-se levar em conta a
importância da realização da conduta de cada agente na produção do resultado
criminoso.

Concurso material (art. 69 CP) - cumulação de penas


Concurso formal (art. 70 CP)
Crime continuado (art. 71 CP) exasperação

Concurso material:
art. 69 CP: Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido,
No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela.
§1º. Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não
suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição de que trata o art. 44 deste
Código.
§2º. Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as
que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.
Concurso formal:
art. 70 CP: Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios
autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único. Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código.
Crime continuado:
art. 71 CP: Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os
subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se
idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
Parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave
ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único
do art. 70 e do art. 75 desteCódigo.

Para se aplicar as penas cominadas ao instituto do concurso de agentes, os crimes,


obrigatoriamente, têm que ser unisubjetivos – aqueles que podem ser praticados por um
só indivíduo ou por mais de um.
Nos crimes plurisubjetivos não se fala em co-autoria (p. ex.: art. 137 CC – rixa; art.
288 CC – bando ou quadrilha).
Não precisa haver acordo prévio entre os agentes.

Magalhães Noronha: Existe concurso de pessoas quando duas ou mais pessoas


participam da mesma ação delitiva consciente e voluntariamente.
Requisitos do concurso de agentes:
a) pluralidade de agentes
b) unidade de crimes (identidade de crime)
c) relevância causal da ação ou conduta – cada participante só será co-autor se a
conduta dele tiver de algum modo ajudado a produzir o crime.
d) liame subjetivo entre os autores (vinculação psíquica, anímica, entre os agentes)
22

* Não pode haver diversidade de intenção: todos os agentes devem estar com dolo ou
todos devem estar com culpa.

As teorias e o Código Penal


1) Teoria unitária (ou monista): É a teoria adotada pelo Código Penal brasileiro. Vê
o crime, no caso de co-autoria, como sendo um só (uma unidade de crime). Há um só
crime para todos os agentes (art. 29 CP).
2) Teoria pluralista (ou pluralística): Elaborada pelo italiano Massari, diz que existe
uma pluralidade de crimes. Cada diferente conduta é um crime. Esta teoria não foi
seguida.
3) Teoria dualista (ou dualística): Elaborada pelo italiano Manzini, diz que há dois
crimes – um crime para os co-autores e um crime para os partícipes. Esta teoria não foi
seguida.
4) Teoria do delito complexo (ou concursal): Elaborada pelo italiano Carnelutti, diz
que um só delito resulta da diversidade de condutas. Esta teoria não foi seguida.

Formas do concurso de pessoas:


a) Autor – é aquele indivíduo que pratica a conduta própria do crime indicada no tipo
penal.
b) Co-autor – é aquele indivíduo que, juntamente com outro, pratica o tipo do crime.
c) Partícipe – É aquele indivíduo que ajuda a praticar o crime, embora sem praticar o
tipo penal. É o que não é autor e nem co-autor (p. ex.: A mata B, desferindo-lhe um tiro
com a arma emprestada por C, que na hora do crime estava em casa, dormindo. C é
partícipe – não matou e nem praticou o tipo penal, mas ajudou materialmente).

A Teoria extensiva de autor (adotada até 1984) não fazia diferenciação entre partícipe,
autor e co-autor. Igualava todos à mesma condição, a de co-autoria.
A Teoria restritiva de autor é a adotada pelo Código Penal brasileiro. A crítica que a
ela se faz, é a de que fica de fora o mandante, ou seja, por não ter praticado a conduta
principal, o mandante do crime fica somente como partícipe.
A Teoria do domínio do fato compreende o co-autor como aquele que tem o poder
decisório sobre elementos da prática do crime. A crítica a esta teoria diz que o mandante
seria um co-autor, enquanto que o executante, apenas partícipe.

Co-autor inimputável e autoria mediata


- maior doente mental – o mentor intelectual é o autor
- menor (é apenas um instrumento do crime na mão do autor) à ECA – o instituto do
concurso de agentes não diz respeito ao caso.
Autoria colateral e conseqüências jurídicas
Fica afastada a co-autoria, quando falta o liame subjetivo. Cada agente responde pelo
seu crime (tratamento jurídico individual).
Participação em sentido estrito
Repercute na pena. O partícipe em sentido estrito tem um abrandamento no rigor da
pena, na medida da importância de sua participação no crime.
Formas:
a) Material: quando há contribuição concreta, material, na efetivação do crime –
cúmplice (p. ex.: o policial que empresta sua arma para o seu parente fazer uns
assaltos; a empregada que deixa tudo arrumado – ensacolado – para seu namorado
roubar a casa da patroa).
23

b) Moral: quando há a ajuda psíquica, anímica para a efetivação do crime –


instigação, induzimento.

* Admite-se a co-autoria em crime culposo (p. ex.: dois operários, trabalhando em


cima de uma obra jogam tábuas para baixo, indo cair na cabeça de outro que ali
estava, que morre – agiram com imprudência e negligência embora não tivessem o
dolo de morte).
* A co-autoria mediante omissão é possível. Sendo causal a omissão, admite-se a co-
autoria, havendo combinação entre os agentes na prática da omissão (p. ex.: pai e mãe
resolvem ir para o baile de carnaval e deixam o filho à mingua, pelo que vem a
morrer).

DIREITO PENAL I

Bibliografia
GRINOVER, Ada Pellegrini. Nulidades Processuais
MIRABETE, Júlio Fabbrine. Direito Penal, vol I.
JESUS, Damásio de. Direito Penal, vol I.
Código Penal
Constituição Federal

Direito Penal I

Lei 9.099/95 – Uma alternativa à constatação da falência da pena


privativa de liberdade. O princípio norteador da Lei 9.099 (dispõe sobre os
juizados especiais cíveis e criminais) é a substituição da pena privativa de
liberdade por uma pena alternativa.

Por Prisionalização entende-se o fato de o indivíduo vir a introjetar os


valores adquiridos no cárcere.

Código Penal é o conjunto de normas que visa a organizar o convívio


interpessoal, assim como prescreve uma punição adequada àquele que se
dispuser a violar os bens jurídicos tutelados pelo direito.

Normas Penais
Normas Penais Incriminadoras são aquelas normas que estabelecem um
determinado comportamento, atribuindo-lhe uma sanção penal (p. ex.: art. 121
CP).
Normas Penais Permissivas são aquelas normas que estabelecem,
excepcionalmente, a violação de uma norma penal incriminadora, permitindo
ao indivíduo um comportamento que seria vedado se ela não existisse (p. ex.:
art. 23 CP – Legítima defesa). Permite que exista, em casos excepcionais, uma
violação à norma.
O princípio (legal) que se tem por norteador do direito penal, diz que não
existe crime (não existe pena), sem lei anterior que o defina.É o princípio de
24

direito que visa garantir o estado democrático. Tem-se assim que, o que não é
proibido, é permitido. É o princípio que garante a todo e qualquer cidadão que
não será ele incriminado por um ato ilícito que não esteja previamente descrito
no texto legal.

Anterioridade da lei
art. 1º CP: Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação
legal.

Interpretação da Lei Penal


A interpretação da lei penal pode se dar de forma extensiva ou restritiva. No
direito Penal a interpretação da norma é restritiva, tratando-se de uma garantia
que tem o cidadão de que a norma não será ampliada. Deverá a norma penal
sempre ser interpretada de modo restritivo, ou seja, sempre nos limites da
própria norma. É regra geral, quando da interpretação da norma de direito
penal, a vedação de que se faça uma interpretação extensiva da norma.
A interpretação extensiva da norma penal (como acontece, por exemplo, no
artigo 159 do Código Civil), poderia ferir o princípio da reserva legal. Na
interpretação da norma penal e, na opção que tem o agente em violá-la ou não,
deverá ele ter presente os limites da norma.
Exceção
Uma das exceções é a interpretação extensiva intra legis (dentro da própria
lei). É quando a própria norma, por intermédio de seu texto, remete-nos à uma
interpretação e sua conseqüente ampliação necessária (p. ex.: art. 28 II CP (...)
álcool ou substância análoga).
Interpretação extensiva in bonam partem (a favor do réu). A interpretação da
lei, em caso conflitante, é tomada sempre visando a favorecer o réu (p. ex.: art.
12 Lei 6.368/76 - Lei de Tóxicos, que trata sobre traficante, com relação ao art.
16 da mesma Lei, que trata sobre consumidor. Há a possibilidade de se fazer
uma interpretação extensiva in bonam partem – o juiz pode desclassificar o
delito, de tráfico para o de consumo de entorpecente).

O artigo 1º do Código Penal é o que se chama de Princípio da Reserva


Legal.
O Estado democrático de direito pode vir a usar da analogia restritiva para
enquadrar fatos que não são previstos pela norma. Nós, os cidadãos,
delegamos, ao Estado, o direito de punir. O indivíduo escolhe se quer cometer
ou não o delito.

art. 2º CP: Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos
fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.

Havendo conflito entre leis penais, prevalecerá aquela que foi editada
naquele momento (princípio da irretroatividade – regra geral). A Lei Penal não
retroage, em função de não ocorrer de se estar incriminando alguém por um
fato que este não conheça (princípio da reserva legal).
Tempus regit actum - A Lei Penal rege os fatos praticados durante a sua
vigência. Para a solução de conflitos entre normas penais deve ser aplicado o
preceito constitucional previsto no artigo 5º XL, que leciona: A Lei penal não
25

retroagirá, salvo para beneficiar o réu.


O artigo 2º do Código Penal trata sobre o princípio da irretroatividade da Lei
penal.
Retroagir é voltar para trás, é ter efeito sobre o passado, ou ainda, recuar, e
a Lei penal não poderá operar este efeito, salvo se for para beneficiar o réu.

Exceções ao princípio da irretroatividade da Lei penal:


- novatio legis incriminadora: trata-se de uma nova Lei que vem a incriminar
um fato que não era antes considerado como sendo crime, ou que surge
aumentando a sanção de um fato que já era considerado antes como sendo
crime. No caso da novatio legis incriminadora, a lei penal nova não pode ser
aplicada, tendo em vista o que estabelecido pelo princípio da irretroatividade ou
da anterioridade da Lei penal; aplica-se o princípio do tempus regis actum.
- abolitio criminis: trata-se de uma Lei nova que vem declarar que não é
mais um ilícito penal aquele ato que antes o era, não o considerando mais
como um crime. A norma, neste caso, retroage para beneficiar o réu.
Tipo penal – norma penal descrita através de um artigo (p. ex.: art. 18 CP).
Norma penal - tipo penal (p. ex.: art. 121 CP)
Norma incriminadora - violação - sanção penal no próprio tipo penal.

Crime omissivo – é quando o agente se omite num momento em que não


poderia tê-lo feito. A ação humana é o crime omissivo, ou seja, o agente age
por ação.

- ação incriminada
o agir humano:
- omissão incriminada * própria
* imprópria

Própria: qualquer um (qualquer indivíduo) pode vir a se omitir. É ação


passível de ser feita por qualquer pessoa que descumpre o dever de não se
omitir (p. ex.: omissão de socorro).
Imprópria: diz respeito ao dever garantidor ou garante da situação, uma
pessoa que não podia, por um dever legal e contratual, se omitir.
A ação incriminada é um fato típico antijurídico, punível e culpável.
Fato típico é o fato descrito na lei penal, elencado em um tipo.
Tipo penal incriminada – visa descrever uma conduta que, se for violada, é
passível de sofrer sanção penal. Pode ser doloso ou culposo.

Doloso: É aquele tipo penal em que o agente age livremente e direcionado


para completar o verbo nuclear da conduta típica (p. ex.: art. 121 – matar –
verbo nuclear).
Culposo: É aquele tipo penal em que o agente falta com o dever de cuidado
exigível ao homem médio ou ao boner pater família, cometendo assim, uma
ação negligente, imprudente ou imperita.

Negligência é o desleixo do agente relativo a uma determinada situação.


Imprudência é aquela ação que expõe um outro a perigo, através da
desobediência de regras de conduta.
Imperícia é o desconhecimento técnico que vem a provocar o dano.
26

O Dolo ocorre por vontade livre do agente, que se faz consciente da


ilicitude, estando esse entendimento implícito na ação. Pode ser:
- Direto – por sua vontade (o agente age livre e direcionadamente, com o
objetivo de completar o verbo nuclear de um tipo penal incriminadora).
- Eventual – o agente assume o risco do resultado no momento da ação
(com o pensamento de que der no que der, eu vou agir). O indivíduo não quer
matar, por exemplo, mas assume o risco de produzir o resultado, conforme sua
atitude.

A Culpa é a falta de cuidado inerente ao homem médio, por negligência, por


imperícia ou por imprudência. Deve sempre estar explícita.
- Culpa consciente – o agente não quer provocar o resultado, e não assume,
mentalmente, o risco de provocar o dano. Opera confiante na sua perícia (o art.
180 CP, p. ex.: – previsão culposa e dolosa. Norma incriminadora).

Dolo presumido (p. ex.: arts. 210 e 212 CP: dolo não culposo)

Tempo do crime
art. 4º CP: Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que
outro seja o resultado.

O artigo 4º do Código Penal serve para definir qual é o tempo do crime, em


função da criminalidade.

Teorias a respeito do tempo do crime


1) teoria da atividade: diz que é o tempo do crime, o momento da ação ou
da omissão, ainda que seja outro o momento do resultado (p. ex.: maioridade –
conflito de leis).
2) teoria do resultado: dia que é o momento do crime, aquele em que foi
produzido o resultado danoso.
3) teoria da ubiqüidade: diz que é o tempo do crime, tanto o momento da
ação (ou omissão), quanto o momento do resultado.

Territorialidade
art. 5º CP: Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

O princípio da territorialidade (art. 5º CP) é oriundo da convenção de Viena,


e diz que todos os crimes cometidos no Brasil serão julgados pela justiça
brasileira.

* embarcações - públicas ou a serviço


extensão do território * aeronaves do governo brasileiro
brasileiro (art. 5º §1º) * navios
o princípio da territorialidade
garante que eventuais ilícitos * embarcações - alto mar
cometidos venham a ser julga- * aeronaves brasileiras - espaço aéreo
brasileiro
dos no Brasil (pelas leis bra- privadas ou
sileiras). mercantis
27

Imunidade diplomática
O diplomata, pelo exercício de suas funções, tendo praticado um crime, tem
o direito de ser julgado pela justiça de seu país.

Imunidade parlamentar
Pode ser de dois tipos:
Absoluta: refere-se aos crimes de opinião. Os parlamentares não
respondem criminalmente por manifestação de pensamento.
Relativa: Diz respeito aos outros crimes. A imunidade é relativa, na medida
em que o parlamentar só será processado mediante a existência de
autorização de sua casa parlamentar (p. ex.: processo por falta de decoro).

art. 10 CP: prazo de direito - considerar os dias úteis.


No direito penal - conta-se o dia em curso como sendo o primeiro dia do
prazo.
No direito processual - conta-se o prazo a partir do dia subseqüente,
omitindo-se o dia em curso.

art. 12 CP: As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei
especial, se esta não dispuser de modo diverso.

Princípio da especialidade – o artigo 12 do Código Penal versa sobre o


princípio da especialidade, que diz que a lei especial derroga a geral.
Lei especial é aquele tipo de norma que versa específicamente sobre um
determinado campo.

Princípios norteadores do Direito Penal


- Princípio da ampla defesa – diz que é um direito do cidadão defender-se
dos ilícitos a ele imputados, valendo-se de todo tipo de prova disponível (prova
pericial, prova documental, prova testemunhal, etc), desde que não seja ela
ilícita ou que tenha sido produzida por meios ilícitos.
- Princípio do contraditório – diz que sempre que se abrir algum tipo de
oportunidade a uma das partes integrantes do processo (através de juntada de
documentos, de oitiva de testemunhas, etc) para qualquer ato,
necessariamente, a parte contrária gozará do mesmo direito, a fim de se poder
garantir a eqüidade processual. Trata-se da oportunidade que tem as partes de
uma poder vir a contradizer as razões apresentadas pela outra.
- Princípio da bagatela (ou da insignificância) – diz que se o delito cometido
for de tão pouca monta que não seja relevante para o direito, deverá ele ser
desconsiderado (p. ex.: casos de crime famélico).

Questionário
1) Qual é a diferença entre prova ilícita e prova produzida por meios ilícitos?

A prova ilícita é aquela que tem sua materialidade prejudicada por ilicitude,
28

enquanto que a produzida por meio ilícito é aquela em que o vício reside no
seu ato de confecção.
2) O que significa prova por derivação?
Trata-se daquela prova que deriva de prova obtida por meio ilícito, devendo
também ser sacada do processo.
3) A prova obtida por meios ilícitos pode ser aceita no direito penal?
Porquê?
A prova ilícita é vedada no direito brasileiro, podendo ser usada, em alguns
casos, em favor do réu (princípio da admissibilidade processual temperada).
4) O que se entende pela expressão frutos da árvore envenenada na
questão probatória?
Trata-se da teoria que diz que a ilicitude relativa à obtenção da prova é
transmitida às provas secundárias, devendo ser sacadas do escopo do
processo. A prova produzida por meios ilícitos fere todos os itens do artigo 5º
da Constituição Federal, que trata dos direitos do cidadão.

Princípio do direito ao devido processo legal

É o direito do qual goza todo e qualquer cidadão brasileiro de ter um


processo com as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Trata-se do princípio que garante a apuração dos fatos através de um processo
judicial apreciado por um julgador que, ao fim, prestará a jurisdição.

Crime
Crime é um fato típico e anti-jurídico.
Culpabilidade – juízo de reprovação da conduta.
Imputável (art. 26 e seguintes CP) – tem plena capacidade; tem
responsabilidade penal.
Inimputável (art. 96 e seguintes CP) e semi imputável – cabe a medida de
segurança ou o tratamento ambulatorial.
Tanto o imputável como o inimputável, recebem uma sanção.
Só será culpável o indivíduo aquele que pode sofrer um juízo de reprovação
sobre sua conduta, ou seja, aquele que no momento da ação ou da omissão
tenha a plena capacidade de compreender o caráter ilícito do fato e de
determinar-se em relação a este entendimento.
Os imputáveis poderão sofrer juízo de reprovação sobre sua conduta.
Exemplos de fato típico: arts. 121 CP (matar - homicídio); 129 (ofender -
lesão corporal); 171 (obter - estelionato);
O fato típico está previsto no fato penal.

Teorias sobre a conduta


É sobre o conceito de ação (comissiva ou omissiva) que repousa a
divergência mais profunda entre os penalistas. As teorias mais divulgadas são
as seguintes:
1. Teoria causalista: diz que a conduta humana é um comportamento
voluntário apenas no que diz respeito ao fazer ou ao não fazer. É um processo
mecânico, muscular e voluntário, onde não é necessário se perguntar qual é o
29

fim a que esta vontade se dirige.


Basta, na teoria causalista, que se tenha a certeza de que o agente atuou
voluntariamente, sendo irrelevante o seu querer psíquico, para afirmar que
praticou a ação típica.
Para se concluir pela existência de uma conduta típica, se deve apreciar o
comportamento sem qualquer indagação a respeito de sua ilicitude ou de sua
culpabilidade, ou seja, a ação é a manifestação de vontade sem um conteúdo
finalístico.
2. Teoria finalista (a teoria adotada no Brasil): para a teoria finalista, todo
comportamento humano tem uma finalidade; trata-se a conduta, de uma
atividade final humana e não de um comportamento somente casual. A conduta
realiza-se mediante uma manifestação de vontade dirigida a um determinado
fim. O conteúdo da vontade está na ação dirigida a um fim.
No crime doloso a finalidade vem a ser a vontade livre e consciente do
agente em concretizar um fato ilícito. No crime culposo, o fim da conduta está
direcionado ao resultado lesivo. Falta ao agente o dever de cuidado para evitar
o resultado.
3. Teoria social (ou mista): surgiu para ser uma ponte entre as teorias
causalista e finalista. Para a teoria mista, a ação é uma conduta socialmente
relevante. Como o direito penal, só comina a pena a ações socialmente
relevantes e, como socialmente relevante é toda a conduta que afeta a relação
do indivíduo para com o meio; sem a relevância social não há a relevância
jurídico penal (p. ex.: art. 129 CP: lesionar alguém é uma conduta socialmente
relevante, mas em caso de um pugilista, não; é uma conduta esportiva. Assim
também o cirurgião, que faz uma incisão em seu paciente, mas quer curá-lo; o
significado de sua conduta ao lesionar o paciente é de ordem positiva, visa
concretizar a operação).
Estas ações acima descritas são excluídas do escopo de artigo 129 do
Código Penal, porque se realizam dentro do âmbito da normalidade social.

Lesão corporal
art. 129 CP: Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano. (...)

Inimputáveis
art. 26 CP: É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Inimputabilidade (art. 26 CP) – doença mental, paralisia cerebral


progressiva, demência senil, esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva,
paranóide. O doente mental é inimputável, porque na hora da prática da ação
ou omissão, não dispõe da capacidade de compreensão de seu caráter ilícito.
Semi-imputabilidade (art. 26 §U) – diz respeito ao desenvolvimento mental
incompleto: oligofrenias, idiotias, imbecilidade, debilidade mental, ou no caso
de silvícola não integrado à sociedade.
Imputabilidade é a plena capacidade mental do indivíduo (é o estado ou a
condição de culpabilidade, entendida como a capacidade do agente em
compreender e de querer e, por via de conseqüência, de responder
criminalmente). Esta capacidade possui dois aspectos:
a) cognitivo – capacidade de compreensão.
30

b) volitivo – capacidade de atuar por vontade (entender a extensão do ato


praticado).
Inimputáveis: Contrário sensu, o Código Penal define os inimputáveis como
sendo aqueles indivíduos que carecem da capacidade de entender, por
ocorrência de alguma anomalia mental.

Em sede doutrinária, são apontados três sistemas, para se verificar a


inimputabilidade:
1º. Sistema bilógico – leva em consideração a doença mental, enquanto
patologia clínica.
2º. Sistema psicológico – leva em consideração apenas as condições
psicológicas do agente à época do fato.
3º. Sistema misto (ou bio-psicológico) – resulta da combinação dos
anteriores. Exige, por ocasião da conduta, de um lado a doença mental e de
outro, uma completa incapacidade de entendimento por parte do agente.

Espécies de medidas de segurança


art. 96 CP: As medidas de segurança são:
I – internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta,
em outro estabelecimento adequado;
II – sujeição a tratamento ambulatorial. (...)

A internação se dá no Instituto Psiquiátrico Forense. No caso de tratamento


ambulatorial, o indivíduo fica obrigado a comparecer e a participar de um
tratamento psiquiátrico (podendo, inclusive, receber a medicação necessária).
Inimputáveis em razãoda idade (recebem medidas sócio-educativas
previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente).

Excludentes de Ilicitude
Legítima defesa
art. 25 CP: Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente os meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

Na legítima defesa, os requisitos são a agressão injusta, atual e iminente, a


um direito seu ou de terceiro, e o uso moderado dos meios.
Agressão – uso dos meios necessários para fazê-la cessar.
O requisito da moderação permite que se lance mão dos meios disponíveis
para fazer cessar a agressão, não podendo, contudo, o agente agir com
excesso. O excesso se configura quando, depois de cessada a agressão, o
agente continua a lesionar o agressor.
* Os crimes dolosos contra a vida são julgados pelo tribunal do júri.

Tese da Legítima Defesa


- legítima defesa própria: é aquela configurada quando há uma reação à
agressão injusta, atual e iminente contra si.
- legítima defesa de terceiro: trata-se de quando há uma agressão injusta,
atual e iminente a um direito de terceiro.
- legítima defesa da honra: é a reação atual, iminente e injusta a um
suposto direito à honra.
- legítima defesa putativa (art. 20 §1º CP): trata-se de um erro de avaliação
31

fática que faz o agente supor que está agindo em legítima defesa, quando na
realidade não está (p. ex.: indivíduo pressupõe que um outro está na iminência
de sacar uma arma, pelo que, então, atira antes, verificando depois que era
apenas um lenço que o outro pegava).
* Se, contudo, o erro for invencível, o agente não responde pelo ilícito.
- legítima defesa do patrimônio: é a tese do tribunal do júri, que prevê a
possibilidade de reação do indivíduo frente a uma agressão atual, iminente e
justa, contra patrimônio seu ou de terceiro.

Estado de necessidade
art. 24 CP: Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se:
§1º. Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de
enfrentar o perigo.
§2º. Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços.

Estado de necessidade é o instituto jurídico que permite o comprometimento


de um bem jurídico tutelado pelo direito, para salvaguardar um outro bem
jurídico tutelado pelo direito. O bem comprometido deve ser de menor ou de
igual valia (p. ex.: o comprometimento de um bem patrimonial, para
salvaguardar um direito à vida).
O estado de necessidade pressupõe a existência de um conflito entre
titulares de direitos lícitos, em que um bem jurídico tutelado pelo direito pode vir
a perecer, para que um outro sobreviva.

Requisitos
a) ameaça a direito próprio ou alheio;
b) a existência de um perigo atual e inevitável;
c) a inexigibilidade do sacrifício do bem ameaçado;
d) uma situação não provocada pelo agente;
e) o reconhecimento da situação de fato justificante.

Determina a lei que se deve verificar se era ou não razoável exigir-se o


sacrifício do bem ameaçado, e que foi preservado pela conduta atípica (juízo
de admissibilidade). O Código Penal adotou a teoria unitária, que diz que há
estado de necessidade não só no sacrifício de um bem menor para salvar um
bem maior, mas também no sacrifício de um bem de valor idêntico ao
preservado. O parágrafo 2º do artigo 24 do Código Penal diz que, embora seja
razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida
de um a dois terços, uma vez presentes os requisitos legais, sendo facultado
ao juiz a redução da pena em caso de sacrifício de bem de maior valor. Não
está excluída, assim, a antijuricidade do fato, mas o legislador prevê causa de
diminuição de pena.
Permite, o estado de necessidade, comprometer-se um bem jurídico para
preservar a um outro bem jurídico (vida, liberdade, patrimônio, honra, etc),
desde que esteja ele protegido pelo ordenamento jurídico. Como em todas as
cláusulas de excludente de ilicitude, exige-se do estado de necessidade o
elemento subjetivo, ou seja, a vontade consciente de preservar o bem jurídico.
Excesso
32

Excedendo-se o agente, na conduta de preservar o bem jurídico,


responderá ele pelo ilícito penal, se atuou dolosa ou culposamente. Cita-se
como exemplo, o agente que, após ter ferido a vítima, acaba por causar-lhe a
morte, respondendo pelo excesso doloso ou culposo.

Estado de necessidade putativo


Haverá estado de necessidade putativo, quando agente suponha, por erro,
que se encontre em estado de perigo, quando na verdade isto não ocorra.
Como exemplo, temos que, supondo o agente, por erro plenamente justificado
pelas circunstâncias, estar no meio de um incêndio, não responderá ele pelas
lesões corporais que vier a causar, para salvar-se.

Diferença entre a legítima defesa e o estado de necessidade


No estado de necessidade, há conflito entre titulares de interesses jurídicos
lícitos e uma agressão a um bem jurídico tutelado, enquanto que na legítima
defesa, há uma agressão a um bem jurídico tutelado.
O estado de necessidade se exerce contra qualquer causa, enquanto que
na legítima defesa, somente contra a conduta do homem.
No estado de necessidade há uma ação, na legítima defesa, uma reação.
No estado de necessidade o bem jurídico é exposto a perigo, na legítima
defesa o bem jurídico é exposto a uma agressão.
Só na legítima defesa se atua contra o agressor; no estado de necessidade,
se atua contra um terceiro inocente.
No estado de necessidade a ação é praticada contra uma agressão justa;
na legítima defesa, contra uma agressão injusta.

Estrito cumprimento do dever legal


Não há crime quando o agente pratica um fato no estrito cumprimento do
seu dever legal. Quem cumpre regularmente um dever, não pode, ao mesmo
tempo, estar praticando um ilícito penal. A excludente, todavia, é prevista
expressamente, para que se evite quaisquer dúvidas quanto à sua aplicação,
definindo-se na lei os termos exatos de sua caracterização. A excludente de
ilicitude pressupõe, atuando na figura do executor, um funcionário público.

Exercício regular de um direito


Não há crime quando o agente pratica um fato no exercício regular do
direito (p. ex.: um padre, com relação à confissão; um psicólogo, com relação a
um paciente; um advogado, com relação a um cliente).
* Qui suo iure neminem laedit (não é contra a lei o que está autorizado).

Consentimento do ofendido
É uma excludente de ilicitude que não consta no artigo 23 do Código Penal,
mas é certo que o consentimento do ofendido exclui a tipicidade do fato, nos
casos em que a discordância da vítima é um elemento essencial do tipo.

Consumação e tentativa
art. 14 CP: Diz-se o crime:
Crime consumado
I – consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
Tentativa
II – tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à
33

vontade do agente.
Pena de tentativa
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

O delito estará formalmente consumado quando o tipo penal encontrar-se


plenamente justificado, ou seja, quando o autor realizou toda a conduta
descrita no tipo penal, causando ainda, o resultado.
A tentativa é a realização incompleta do tipo penal, que não se perfaz por
circunstâncias alheias à vontade do agente. Vale dizer que, na tentativa inicia-
se a execução, que não se consuma por circunstâncias independentes da
vontade do agente. Caracteriza-se a tentativa, por um tipo penal incompleto: o
tipo subjetivo está perfeito; o tipo objetivo está incompleto.
O delito tentado possui uma tipicidade subjetiva completa e uma tipicidade
objetiva incompleta ou defeituosa.

Desistência voluntária e arrependimento eficaz


art. 15 CP: O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede
que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
- desistência voluntária a arrependimento: o agente impede que o resultado
se produza;
- eficaz: antes de alcançar o resultado.
Como exemplos, tem-se os casos em que, antes de alcançar o resultado –
matar – o agente desistiu de consumar o crime; ou em que ao ministrar
veneno a uma pessoa, antes de se dar o efeito, o agente ministra-lhe o
antídoto (responderá pelos atos preparatórios).

Arrependimento posterior
art. 16 CP: Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o
dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do
agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

- arrependimento posterior: em casos de crimes cometidos sem o emprego


de violência (p. ex.: no crime de estelionato), o agente vier a reparar o dano ou
a restituir a coisa antes de haver a denúncia.

Crime impossível
art. 17 CP: Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

art. 18 CP: Diz-se o crime:


Crime doloso
I – doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
Crime culposo
II – culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou
imperícia.
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato
previsto como crime, senão quando, o pratica dolosamente.

Agravação pelo resultado


art. 19 CP: Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o
houver causado ao menos culposamente.
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- Quais as conseqüências jurídicas, no caso de necessidade, quando o


bem ameaçado é de menor valia e foi comprometido um bem de maior valia?

Teoria do erro
Erro sobre elementos do tipo
art. 20 CP: O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
Discriminantes putativas
§1º. É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o
erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.
Erro determinado por terceiro
§2º. Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
Erro sobre a pessoa
§3º. O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se
consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime.

O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal exclui o dolo, mas permite a
punição por crime culposo, se previsto em lei. Erro de tipo invencível exclui o
dolo.
Erro de tipo é aquele que recai sobre elementos essenciais do tipo. O
atuante não sabe o que faz; falta-lhe a imagem representativa exigível para o
dolo do tipo.
O erro de tipo tanto pode decorrer de uma equívoca apreciação fática, como
também de uma errônea compreensão do direito (p. ex.: coisa alheia – art. 155
CP; quando supõe ser um animal – art. 121 CP).

Erro de tipo:

. recai sobre um elemento do tipo objetivo, sem o qual o


- essencial crime deixa de existir (p. ex.: coisa alheia – furto – art. 155
CP) - exclui o dolo, mas o agente pode ser punido, se
houver no
tipo penal a previsão culposa.
- acidental . recai sobre circunstâncias acessórias ou estranhas ao tipo
obje-
(irrelevante tivo, sem as quais o crime não deixa de existir (p. ex.:
alguém
para os efei- desejando vingar-se de Fulano, mata Cicrano, por
engano).
tos do artigo
20 CP)

* inevitável, invencível ou escusável: não pode ser superado pelo


agente,
apesar de ter empregado as precauções regularmente exigidas.
exclusão
Erro de tipo de ilicitude (dolo ou culpa).
essencial: * evitável, vencível ou irrecusável: podia ser evitado pela maior
diligência -
substitui a responsabilidade por culpa, se houver previsão
35

culposa (art. 18 §U CP).


No erro de tipo o agente se engana sobre um elemento do tipo penal. No
erro de proibição o engano não incide sobre o tipo, mas relaciona-se com a
consciência da ilicitude, levando o agente a pensar, erroneamente, que o feto é
permitido.

- Direto – o agente atua com a convicção de que sua ação


não está
Erro de proibição proibida pela ordem normativa (p. ex.: bigamia – erro
sobre a
(art. 21 CP) natureza do casamento anterior (se inválido).
Inevitável – exclui
a culpabilidade - Indireto – o erro do agente diz respeito à norma permissiva
– ele
Evitável – atenua a pensa que sua ação é lícita por estar amparada, por
uma causa de pena, de
1/6 a 1/3 justificação que não é reconhecida pelo direito. Erro
sobre a existência ou os limites de uma causa de
justificação (p. ex.: homicídio piedoso – o agente mata o
enfermo terminal, não resistindo aos seus apelos.

É necessário que se proceda uma diferenciação entre o erro que versa


sobre os pressupostos fáticos, situação de fato e o erro que versa sobre a
existência ou os limites normativos de uma causa de justificação.
No primeiro caso – erro sobre pressupostos fáticos – tem-se erro de tipo
permissivo – artigo 20 §1º do Código Penal – que, se inevitável, exclui o dolo e
a culpa; e se evitável, exclui o dolo, subsistindo a culpa, se houver previsão
culposa no tipo penal. E no segundo caso o erro de proibição – artigo 21,
caput, do Código Penal – que, se inevitável, exclui a culpabilidade e, se
evitável, atenua a pena de 1/6 a 1/3.
Um exemplo de erro de proibição está no caso de turista oriundo do
estrangeiro, onde seja admitida a poligamia, e vem a casar-se novamente no
Brasil, por ignorar a existência aqui, do crime de bigamia. Outro exemplo é o do
agente que supõe, erroneamente, que um determinado fato seja permitido,
como o é no seu país de origem; pressupõe uma norma permissiva (uma falsa
convicção de licitude).
Erro de tipo é o que incide sobre elementares ou circunstâncias da figura
típica, sobre pressupostos de fato de uma causa de justificação ou dados
secundários da norma penal incriminadora (p. ex.: um indivíduo que dispara
um tiro no que supõe seja um animal bravio, mas que mata o que na verdade
era um homem - é a falsa percepção da realidade incidindo sobre um elemento
do crime de homicídio).
Em face da existência do erro, não se encontra presente o elemento
subjetivo do tipo do crime de homicídio, qual seja, o dolo. Não há consciência
de conduta e do resultado. Há desconformidade entre a realidade e a
representação do sujeito. Pode, por exemplo, o erro de tipo recair sobre os
pressupostos de fato de uma excludente de ilicitude, como a legítima defesa
putativa, em que o sujeito, diante das circunstâncias de fato, supõe a existência
de uma excludente de ilicitude.
O erro de tipo exclui sempre o dolo, seja inevitável ou evitável. Como o dolo
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é elemento do tipo, a sua essência exclui a tipicidade do fato no caso de erro,


podendo o sujeito, responder por crime culposo.
Quando evitável – falta de cuidado – responde o agente por culpa, se
houver, no tipo penal, a previsão culposa (p. ex.: art. 155 CP – quando o
agente subtrai uma coisa alheia, pensando ser sua).

art. 217 CP: Seduzir mulher virgem, menor de 18 anos e maior de 14, e ter com ela
conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos.

art. 218 CP: Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 e menor de 18 anos,
com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presencia-lo:
Pena – reclusão, de 1 a 4 anos.

E se o agente pratica a conjunção carnal com a sua namorada, supondo


que ela tenha mais de 18 anos, em face de certidão por ela confeccionada,
embora falsa?

Erro de tipo essencial


Invencível – quando não pode ser evitado pela normal diligência. Qualquer
pessoa, mesmo com as diligências necessárias, nas condições em que se viu o
agente, também erraria.
Vencível – quando pode ser evitado pela diligência ordinária, resultando em
imprudência ou negligência. Qualquer pessoa, empregando a prudência normal
da ordem jurídica, não cometeria o erro em que incidiu o agente.
O erro essencial invencível exclui o dolo e a culpa. O agente não age dolosa
e nem culposamente. O erro essencial vencível (inescusável) exclui o dolo,
mas não a culpa, desde que haja previsão culposa.

Concurso de pessoas
art. 29 CP: Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade.
§1º. Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída
de um sexto a um terço.
§2º. Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; esta pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o
resultado mais grave.

Há concurso de pessoas quando dois ou mais indivíduos concorrem para a


prática de um crime. O concurso de pessoas pode ser:
- concurso espontâneo: quando as pessoas se reúnem espontaneamente
para a prática de um crime.
- concurso necessário: quando só pode haver certos e determinados tipos
penais e ou se houver a reunião daquelas pessoas determinadas (p. ex.: no
crime de quadrilha ou bando – art. 8º Lei dos crimes hediondos). Pode ser:
* concurso consciente: trata-se de quando os membros que se associam têm
a plena consciência de que estão associados para a prática criminosa.
* concurso isento de consciência: trata-se de quando os membros que se
associam não têm a consciência de que sua associação é para a prática
criminosa (p. ex.: a empregada que esquece a porta da casa da patroa aberta,
facilitando a ação criminosa).
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Para justificar o concurso de pessoas, há três teorias:


Teoria monista: existe um só crime, independentemente da conduta dos
agentes. O crime é uno e indivisível. Todo aquele que tenha participado da
prática criminosa responderá pelo crime. A reforma penal adotou a teoria
monista (ou mitigada, ou temperada).
Teoria pluralista: existe um crime para cada um dos agentes. O crime é
fracionado na medida da conduta do agente (na medida da culpabilidade de
cada um dos agentes).
Teoria dualista: existe um crime para o autor e outros crimes para os
demais participantes.
(p. ex.: art. 30 CP: crime de peculato – trata-se de crime cometido por
funcionário público; se houver participação de uma outra pessoa, incorre ela
em um outro tipo penal diferente).

art. 28 CP: Não excluem a imputabilidade penal:


I – a emoção ou a paixão;
II – a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos
análogos.
§1º. É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente
de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
de acordo com esse entendimento.
§2º. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez,
proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a
plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.

Questionário
1) Diferenciar o erro de tipo do erro de proibição.
2) Definir o que seja a legítima defesa putativa.
3) Conceituar aberratio ictus (erro de execução) e definir a responsabilidade
do agente.
4) Qual é a conseqüência jurídica nos casos em que o agente, por um erro
de execução, vem a atingir uma pessoa diversa daquela que gostaria de atingir,
e o transeunte ao seu lado?
5) Conceituar a imputabilidade penal segundo os sistemas biológico,
psicológico e bio-psicológico.
6) Conceituar a semi-imputabilidade e as suas conseqüências jurídicas.
7) Conceituar a embriaguez e elencar as espécies de embriaguez
relevantes para o nosso direito penal.
8) Definir o que é concurso de pessoas, e elencar as teorias que versam
sobre ele.
9) Elencar os requisitos para a configuração do concurso de agentes ou de
pessoas.
10) Conceituar a autoria.
11) Conceituar a co-autoria.
12) Conceituar a participação e elencar os tipos de participação relevantes
para o direito penal.
13) Diferencie o erro de tipo acidental do erro de tipo essencial.
38

Classificação dos crimes


De acordo com o que aparece elencado no artigo 18 do Código Penal, os
crimes podem ser dolosos e culposos (e preter dolosos).
Diz-se que um crime é doloso quando o agente quis o resultado e ou
assumiu o risco de produzi-lo. Será culposo, quando o agente der causa ao
resultado por imprudência, por negligência ou por imperícia. Preter doloso é o
crime cujo resultado total é mais do que o pretendido pelo agente (p. ex.: um
soco que desfere, que vem a resultar na morte do ofendido).

Crimes comissivos e omissivos


O crime comissivo consiste na realização de uma ação positiva visando a
um resultado tipicamente ilícito, ou seja, no ato de fazer aquilo que alei proíbe.
A maioria dos crimes previstos no Código Penal e na legislação extravagante é
constituída de delitos de ação, isto é, de delitos comissivos.
O crime omissivo se subdivide em:
- próprio: aquele que consiste no fato de o agente deixar de realizar
determinada conduta, tendo a obrigação jurídica de faze-lo; configura-se com a
simples abstenção da conduta devida, quando podia e devia realizá-la,
independentemente do resultado.
A inatividade constitui em si mesma o crime de omissão de socorro, por
exemplo.
- impróprio: a omissão é o meio pelo qual o agente produz o resultado
danoso. Neste caso o agente não irá responder somente pela omissão, mas
também pelo resultado dela decorrente, tendo em vista a sua posição de
garante da situação, pois estava obrigado a impedir o resultado (art. 13 §2º
CP).
Aberratio ictius – erro na execução (p. ex.: o agente queria matar um
indivíduo e acaba matando outro – Responderá como se tivesse matado
aquele que realmente pretendia.

Erro na execução
art 73 CP: Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés
de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse
praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no §3º do art. 2o deste Código. No
caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do
art. 70 deste Código.

Crime continuado
art. 71 CP: Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe
a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em
qualquer caso, de um sexto a dois terços.

Crime continuado: trata-se da prática de vários crimes de uma mesma


espécie. É uma ficção jurídica. O agente responde como se fosse um só crime,
com aumento de pena.

Crimes instantâneos e permanentes


Instantâneo é aquele tipo de crime que se esgota com a ocorrência do
resultado. Segundo o entendimento de Damásio de Jesus é o crime que se
completa num determinado instante, sem continuidade temporal. Instantâneo,
39

neste caso, não significa ter sido praticado rapidamente, mas sim que, uma vez
realizados os seus elementos, nada mais se poderá fazer para impedir o
resultado.
Permanente é o crime no qual sua consumação se alonga no tempo (p. ex.:
manter alguém em cárcere privado, seqüestro, crime de formação de quadrilha
ou bando). Os crimes permanentes não podem ser confundidos com os crimes
instantâneos de efeitos permanentes (p. ex.: homicídio, furto), cuja
permanência não depende da continuidade delitiva.

Crime de dano e de perigo


O crime de dano é aquele que para ocorrer sua consumação, é necessária
a superveniência da lesão efetiva do bem jurídico. A ausência da lesão jurídica
pode caracterizar o crime como simples tentativa ou um indiferente penal (ato
atípico), como ocorre nos crimes materiais (homicídio, furto, lesão corporal).
Crime de perigo é aquele que se consuma com a simples criação do perigo,
para o bem jurídico protegido, sem produzir um dano efetivo, nestes crimes. O
elemento subjetivo é o dolo de perigo, cuja vontade limita-se à criação da
situação de perigo.
O perigo, nestes casos, pode se concreto ou abstrato. Perigo concreto é
aquele que precisa ser provado, ou seja, que deve ter demonstrada a situação
de risco corrida pelo bem juridicamente tutelado pelo direito.

Fragoso: O perigo só é conhecido por uma valoração subjetiva da


possibilidade da superveniência do perigo.

O perigo abstrato é presumível juris et jure. Não precisa ser provado, uma
vez que a Lei contenta-se com a simples prática da ação que pressupõe
perigosa (p. ex.: perigo de contágio venéreo).

Crime material, crime formal e crime de mera conduta


O crime material (ou de resultado), é aquele tipo que descreve a conduta
cujo resultado integra o próprio tipo penal, ou seja, é aquele que, para que haja
a sua consumação, é indispensável a produção de um dano efetivo. O fato se
compõe da conduta humana e da modificação do mundo exterior por ele
operada. A não ocorrência do resultado pretendido caracteriza o crime de
tentativa.
O crime formal também descreve um resultado que, contudo, não precisa
se verificar para que ocorra a consumação. Basta que exista a vontade do
agente em concretizá-lo, configurando-se do dano potencial (p. ex.: o crime de
ameaça).
* O tribunal do júri só julga crimes dolosos contra a vida.
O crime de mera conduta se consuma com a ação. Basta o agente agir,
para a consumação do crime (p. ex.: o crime de omissão de socorro).

Crimes hediondos são aqueles crimes previstos na Lei 8.072/90, e no


artigo 5º XLIII da Constituição Federal, que dispôs que são eles insuscetíveis
de anistia, graça, e indulto.
Os crimes hediondos deverão ter as suas penas relativas, integralmente
cumpridas em regime fechado. São elencados, de maneira taxativa, no artigo
1º da Lei 8.072/90, tentados ou consumados. Foram assim eleitos estes
40

crimes, em função de sua natureza ou pela sua forma de execução, em função


de se mostrarem repugnantes, causadores de clamor público, etc.
A finalidade inicial desta lei era para atender aos crimes de extorsão
mediante seqüestro.

art. 5º XLIII CF: A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a
prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evita-los, se omitirem.

art. 1º Lei 8.072/90: São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no
Decreto-Lei nº 2.884, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, consumados ou tentados:
I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda
que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, §2º, I, II, III, IV, e V);
II – latrocínio (art. 157, §3º, in fine);
III – extorsão qualificada pela morte (art. 158, §2º);
IV – extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput e §§1º, 2º e 3º);
V – estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo
único);
VI – atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo
único);
VII – epidemia com resultado morte (art. 267, §1º);
VII-A – (Vetado);
VII-B – falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto
destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput, e §1º, §1ºA, §1ºB,
com redação dada pela Lei nº 9.677, de 2-7-1998).
Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 1º,
2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956, tentado ou consumado.

art. 2º. Lei 8.072/90: Os crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito
de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
I – Anistia, graça, indulto; (não há previsão constitucional)
II – fiança e liberdade provisória. (não há previsão constitucional)
§1º. A pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em
regime fechado; (o texto do artigo vai de encontro à individualização da pena e
à finalidade de reintegrar o indivíduo na sociedade).
§2º. Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fundamentadamente se o réu
poderá apelar em liberdade. (...)

Em relação a este parágrafo, surgiram três correntes:


A promeira, não admite a progressão de regime, pois considera que houve
delegação de poderes ao legislador ordinário para elaborar a lei 8.072/90, não
havendo, portanto, inconstitucionalidade. Considera também a não incidência
da prática de tortura na lei 8.072/90, visto que seriam leis distintas e tratariam
de crimes distintos.
A segunda, é a corrente que aqui predomina, a da progressão de regime.
Admite a progressão de regime, por considerar a lei 8.072/90 inconstitucional e
também, por considerar a prática de tortura equiparada a crime hediondo,
sendo que esta, em seu artigo 1º §7º admite a progressão de regime (princípio
da retroatividade da lei posterior mais benéfica – arts. 5º XL CF e 2º §U CP).
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Inconstitucionalidade dos crimes hediondos:


- artigo 1º V e VI: os crimes de estupro e de atentado violento ao pudor
recebem o mesmo tratamento.
- artigo 2º I: fala-se em anistia, graça e indulto. Na Constituição Federal,
fala-se somente em anistia e graça.
* Crítica: Para uns, é inconstitucional a inclusão do indulto na Lei dos crimes
hediondos, porque a Lei (norma infraconstitucional) não pode em nenhuma
hipótese ampliar o que elencado na Constituição Federal, que restringe os
benefícios. Para outros, o indulto é graça stricto sensu, não sendo, portanto,
constitucional a inclusão do indulto na Lei dos crimes hediondos.
Princípio da especialidade: a lei especial derroga a geral (art. 12 CP).
A prisão provisória, no caso dos crimes hediondos, terá um prazo de, no
máximo 30 dias, em casos de extrema e comprovada necessidade.
A pena aplicada aos incursos nos crimes hediondos deverá ser cumprida
integralmente em regime fechado, e o condenado só poderá sofrer livramento
condicional uma vez tendo sido cumpridos 2/3 da pena, se não for o agente
reincidente específico em crimes dessa natureza.

Crime com flagrante esperado é aquele tipo de crime em que a vítima


avisa a polícia, por conhecer previamente a iniciativa dolosa do agente, sem
que tenha, tal iniciativa sido provocada artificialmente.
Crime impossível é aquele que trata de uma tentativa inadequada – artigo
17 do Código Penal (p. ex.: o agente tenta matar um cadáver).
Crime de opinião é aquele que consiste na existência de abuso da
liberdade de pensamento por parte do agente, vindo a ferir a honra de alguém,
seja por palavra impressa ou por qualquer outro meio de transmissão.
Crime funcional é o tipo de crime que só pode ser praticado por pessoas
que exercem uma função pública.
Crime de concurso necessário é aquele tipo de crime que exige a
existência de mais de um sujeito para a sua configuração. Divide-se em:
- coletivo: aquele que tem como elementar do tipo o concurso de várias
pessoas para um único fim.
- bilateral: aquele que exige o concurso de duas pessoas, mesmo que uma
não seja culpável (p. ex.: bigamia, adultério).

Questionário
1) Qual é a diferença entre prova ilícita e prova produzida por meios ilícitos?
Prova ilícita é aquela expressamente declarada contrária à norma legal,
portadora de vício na origem do ato, portanto, com sanção de nulidade,
enquanto que prova produzida por meios ilícitos é aquela em que o agente
utiliza-se de métodos ou procedimentos que contrariam o disposto na norma,
tipificando, pela conduta, um ilícito penal.
2) O que significa a prova por derivação?
É aquela obtida por um processo lógico, que tenha por base um fato
conhecido que seja causa ou efeito de um outro.
3) A prova obtida por meios ilícitos pode ser aceita no Direito Penal? Por
que?
Não pode ser aceita, uma vez que a produção da prova destina-se a
evidenciar e dar convicção, em juízo, sobre o conhecimento da verdade,
42

baseada nos atos e ou fatos que deram origem ao litígio. A prova obtida por
meios ilícitos é expressamente vedada em lei, constituindo-se um ilícito penal.
Se aceita, pode vir a influenciar as posições pessoais ou legais com relação a
determinado assunto, maculando a própria feitura do processo.
4) O que significa os frutos da árvore envenenada na questão probatória?
É o resultado causado pela manifestação de prova obtida por meios ilícitos,
que acaba por influenciar no rumo do pretendido para um determinado
processo.

Questionário
1) O que são crimes próprios?
O crime próprio é aquele que pode ser praticado tão somente por
determinadas pessoas, isto é, é preciso a existência de um sujeito ativo
específico, determinado, para sua execução.
Diz Mzger (apud Marques, 1956, p. 32) que sob o nome de crime próprio
compreendem-se os delitos em que a possibilidade da autoria está limitada a
um determinado círculo de pessoas, ou seja, podem ser cometidos tão
somente por pessoas que possuam as qualidades ou requisitos exigidos
(sujeitos qualificados).
2) O que são crimes de mão própria?
O crime de mão própria ou crime de atuação pessoal é aquele em que o
delito pode ser cometido tão somente quando o autor em pessoa é quem
realiza o respectivo processo executivo, isto é, são crimes que não podem ser
cometidos por um outro indivíduo que não seja o próprio autor do ato criminoso
(p. ex. falso testemunho, delitos omissivos, etc.).
3) O que são crimes habituais?
Os crimes habituais consistem na reiteração de uma mesma ação, de
maneira a constituir-se em um hábito de vida do agente, que incide sob a
reprovação penal. É um só crime, para todos os efeitos legais.
4) O que são crimes de ação múltipla ou conteúdo variado?
São aqueles crimes compostos de várias formas de ilícito penal, possíveis
de ser relacionados como sendo vários outros crimes, ligados ao crime
principal.
5) O que são crimes plurisubsistentes?
São aqueles crimes que se formam, sendo compostos de vários outros
crimes.
6)O que são crimes complexos?
Para que haja o crime complexo é imprescindível que estejam reunidos em
um só crime, pelo menos dois delitos. É preciso que as infrações penais sejam
diferentes. O crime complexo ocorre quando vários fatos criminosos
convergem, como elementos constitutivos ou agravantes especiais, em um só
título de crime.
7) O que são crimes unisubsistentes?
São aqueles crimes que se compõem de um único ilícito penal.
8) O que são crimes hediondos?
São aqueles crimes assim eleitos, em função de sua natureza ou de sua
forma de execução, por se mostrarem repugnantes, causadores de clamor
público, etc. São aqueles relacionados no artigo 5º, inciso XLIII da Constituição
Federal e na Lei nº 8.072/90 (art. 1º I e II, e §§1º e 2º).
43

9) Quais os incidentes de inconstitucionalidade previstos na Lei 8.072/90?


No artigo 1º, incisos V e VI, o crime de estupro e o crime de atentado
violento ao pudor recebem o mesmo tratamento, sendo que a caracterização
dos crimes em si, em cada um dos casos é bastante diferente um do outro.
No artigo 2º, inciso I, a Lei 8.072/90 está coloca a anistia, a graça e o indulto,
enquanto que na Constituição Federal, a anistia e a graça, apenas. Para uma
corrente de pensamento é inconstitucional a inclusão do indulto na Lei dos
Crimes Hediondos, sob a crítica de que a Lei (sendo uma norma infra
constitucional) não pode ampliar aquilo que a própria Constituição Federal
restringe. Para outros, o indulto é graça stricto sensu e, portanto, não é
inconstitucional a inclusão do indulto na lei dos crimes hediondos (artigo 12 do
Código Penal: princípio da especialidade – a lei especial derroga a geral).
10) Qual é o instituto jurídico previsto no artigo 8º da Lei 8.072/90?
O instituto jurídico do arrependimento.
11) O que são crimes de flagrante provocado?
São aqueles crimes cuja comprovação da ação ilícita resulta de uma
iniciativa artificialmente provocada.
12) O que são crimes de flagrante esperado?
O crime com flagrante esperado é aquele em que, por ter o conhecimento
prévio da iniciativa dolosa do agente, não artificialmente provocada, a vítima
avisa a autoridade policial, que o pode flagrar.
13) O que é desistência voluntária?
É quando o agente, de forma voluntária (por seu próprio entendimento
pessoal), desiste de prosseguir na execução do ilícito penal (artigo 15 do
Código Penal – só responde pelos atos já praticados).
14) O que é arrependimento eficaz?
É quando o agente, de forma voluntária (por seu próprio entendimento e
ação pessoal), impede que o resultado do ato ilícito se produza (artigo 15 do
Código Penal – só responde pelos atos já praticados).
15) O que é arrependimento posterior?
É aquele tipo em que, por ato voluntário do agente, no máximo até o
recebimento da denúncia ou da queixa, for reparado o dano causado ou for
restituída a coisa (nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à
pessoa – a pena será reduzida de um a dois terços).
16) O que é crime impossível?
É quando, por ineficácia absoluta do meio empregado ou, por absoluta
impropriedade do objeto tentado, é impossível que se consume um
determinado tipo de crime (artigo 17 do Código Penal).
17) O que é erro de tipo e quais são suas conseqüências jurídicas?
Conforme o artigo 20 do Código Penal, o erro sobre elemento constitutivo
do tipo legal exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se
previsto em lei. É aquele que recai sobre elementos essenciais do tipo. O
agente não sabe o que faz, ou seja, falta-lhe a imagem representativa exigível
para o dolo do tipo. Não há consciência sobre a conduta e o resultado, mas
uma desconformidade entre a realidade e a representação do sujeito. Tanto
pode decorrer de uma equivocada apreciação fática, como de uma errônea
compreensão do direito.
O erro de tipo exclui sempre o dolo, seja inevitável ou evitável. Como o dolo
é um elemento do tipo, a sua ausência exclui a tipicidade do fato no caso do
erro, podendo o sujeito, responder por crime culposo.
44

18) O que é erro acidental e quais são suas conseqüências jurídicas?


Erro de tipo acidental é aquele que recai sobre circunstâncias acessórias ou
estranhas ao tipo objetivo, sem as quais o crime não deixa de existir (p. ex: o
agente, desejando vingar-se de A, por engano mata B). É irrelevante para os
efeitos do artigo 20 do Código Penal.
19) O que é erro na execução e quais são suas conseqüências jurídicas?
Segundo o disposto no artigo 73 do Código Penal, é quando, por acidente
ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa
que pretendia ofender, atinge pessoa diversa. Responde como se tivesse
atingido a pessoa a quem visava (artigo 20 § 3º e – em caso de ter atingido
também a pessoa a quem visava – artigo 70, ambos do Código Penal).
20) que é resultado diverso do pretendido (aberratio delicti) e quais suas
conseqüências jurídicas?
É quando, ao praticar um determinado ato criminoso, o agente, por acidente
ou erro na execução do crime pretendido, faz com que sobrevenha um
resultado diverso do originalmente pretendido (artigo 74 do Código Penal).
Excetuando-se os caso de erro na execução. O agente responde por culpa, se
o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado
pretendido, aplica-se a regra do artigo 70 do Código Penal.
21) Definir tentativa, a forma de puni-la e os crimes que permitem a forma
tentada.
Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime, de
acordo com o elencado no artigo 17 do Código Penal.
22) Qual é o conceito de culpabilidade e qual a teoria que embasa este
conceito no Direito Penal moderno?
A teoria normativa pura (ou teoria da culpabilidade) é usada pelo direito
brasileiro, para explicar o conceito de culpabilidade. O dolo e a culpa migram
da culpabilidade para o tipo, através da conduta. O conteúdo da culpabilidade
passa a ser a censurabilidade, reprovabilidade e desvalor da conduta.
Para a existência do crime basta o fato típico e antijurídico.
23) Dissertar a respeito da embriaguez, elencando as hipóteses em que a
mesma não isenta de pena, naquelas em que há isenção da pena e nas quais
há redução da pena.
A embriaguez consiste em distúrbio físico e mental resultante de intoxicação
por álcool ou substância de efeito análogo, afetando o sistema nervoso central
(como depressivo/narcótico).
Segundo Garcia (1951, p. 351),
"O problema da embriaguez no Direito Penal é muito de perto
dependente de ensinamentos que a medicina legal proporciona. Costuma-se
dividir o alcoolismo em agudo e crônico. No alcoolismo agudo, a intoxicação
se dá no momento da
ingestão da bebida. No alcoolismo crônico, o agente se embriaga
constantemente,
e, antes que se dê a eliminação dos vapores de álcool, toma novas doses de
bebida, ficando assim, em estado permanente de intoxicação."

A distinção entre casos de alcoolismo agudo e crônico é de suma


importância para a aplicação de nossa lei penal, uma vez que o estado crônico
de embriaguez pode mesmo produzir uma psicose – a demência alcoólica –
45

podendo, portanto, ser visto o agente como inimputável por doença mental. Se
houver doença mental causado por álcool ou substância análoga, desloca-se a
hipótese para o artigo 26 do Código Penal.
A embriaguez voluntária (quando o agente quer embriagar-se) ou culposa
(quando quer tão somente beber e termina se alcoolizando, por imoderação)
completas ou não, não autorizam a isenção da pena (artigo 28, inciso II do
Código Penal).
Se, contudo, a embriaguez for acidental e completa, proveniente de caso
fortuito, ou se for o agente constrangido a beber, poderá ele vir a invocar em
seu favor a isenção de pena (ex.: o agente ignora que um determinado líquido
contenha álcool e o ingere, ou, sem que o saiba, é extremamente sensível aos
efeitos do álcool). Mesmo sendo originária de caso fortuito ou força maior, se a
embriaguez não for completa, o agente responde por seu ato, embora sua
pena possa ser reduzida de um a dois terços (artigo 28, inciso II, §§ 1º e 2º do
Código Penal).
Se busca o agente, criar uma pretensa escusa, a embriaguez preordenada,
ou com vistas a facilitar a prática de um crime, trata-se de embriaguez dolosa,
ação pela qual terá o agente sua pena agravada.
24) O que é erro de proibição?
É aquele tipo de ato em que o agente se engana acerca da consciência da
ilicitude, ou seja, o agente é levado a pensar, embora erroneamente, que o fato
ao qual se predispõe seja legal (p. ex. turista oriundo do estrangeiro, de local
onde se admite a poligamia, vem a casar-se novamente no Brasil, por
ignorância da existência do crime de bigamia).
25) Qual é a diferença entre erro de tipo e erro de proibição?
Erro de tipo é aquele ato em que o agente se engana acerca de um
elemento constitutivo do tipo, ou seja, é uma interpretação distorcida da
realidade fática, que causa um resultado danoso exatamente por não ser a
realidade (p. ex. agente dispara sua arma, pensando ser um animal de caça,
mas acertando no que era na verdade, uma pessoa).
26) Como é punido o fato que é cometido por estrita obediência à ordem não
manifestamente ilegal?
De acordo com o disposto no artigo 22 do Código Penal, só é punível
aquele que é o autor da ordem legal dada.
27) Como se configura a coação moral irresistível e quais são suas
conseqüências jurídicas?
Configura-se pelo fato de ser coação irresistível ao agente, ou seja,
situação da qual não possa ou não tenha como desviar-se e, de acordo com o
disposto no artigo 22 do Código Penal, só é punível o autor da coação.
28) Qual conceito de concurso de pessoas?
Concurso de pessoas, concurso de agentes, concurso de delinqüentes, co-
autoria, co-delinqüência ou participação, é quando duas ou mais pessoas
concorrem para a prática de um crime, ou seja, a ciente e voluntária
participação de duas ou mais pessoas na mesma infração penal. Há a
convergência de vontades visando um fim comum, qual seja, a realização do
tipo penal.
29) Quais são as teorias que lecionam a respeito do concurso de pessoas, e
qual é a teoria adotada no direito brasileiro contemporâneo?
Para justificar o concurso de pessoas, há três teorias:
a) teoria monista (ou teoria unitária): é aquela que diz existir somente um
46

crime, independentemente da conduta dos agentes. O crime é uno e


indivisível, todo aquele que participou da prática criminosa responde pelo
crime. A reforma penal de 1984 adotou esta teoria no direito brasileiro (artigo
29 do Código Penal), embora de forma temperada;
b) teoria pluralista: segundo esta teoria, existe um crime para cada um dos
agentes, sendo ele fracionado na medida da culpabilidade de cada um dos
agentes, ou seja, há uma pluralidade de delitos, praticando cada uma das
pessoas, um crime próprio autônomo;
c) teoria dualista: diz que existe um crime para o autor e outros para os
demais participantes. Existe no crime uma ação principal que é a ação do autor
do crime, o que executa a ação típica, e ações secundárias, acessórias,
realizadas por pessoas que auxiliam ou instigam o autor ao cometimento do
delito.
30) Qual a diferença entre co-autoria e participação?
Co-autoria é a imputação àquele que, conjuntamente com outras pessoas,
realiza a conduta típica, ação ou omissão que configura o delito, enquanto que
participação é imputada àquele que não comete a conduta descrita pelo
preceito primário da norma, mas pratica uma outra atividade que contribui para
a realização do delito. Pode se dar por instigação (quando há uma ação
exercida sobre a vontade do autor, fazendo nascer nele a vontade da prática
do crime) ou por cumplicidade (quando há uma contribuição para o crime em
si, um auxílio ao autor ou partícipe, exteriorizando a conduta por um
comportamento ativo). Fala-se também em cumplicidade por omissão, quando
o agente tem o dever jurídico de evitar o resultado.
31) Quais os requisitos para que haja o concurso de pessoas?Dissertar a
respeito deles.
Os requisitos para que haja o concurso de pessoas são:
a) a pluralidade de condutas – concorrendo mais de uma pessoa para a
prática do delito (sem o que não há co-autoria), cada uma delas deverá ter
conduta diversa da outra. As ações e ou omissões de cada uma, na produção
do resultado lesivo, não são idênticas.
b) relevância causal de cada conduta – o nexo eficaz para o resultado – é da
eficácia causal da participação no produzir o fato típico, que surge a co-autoria
e a conseqüente punição do participante. Cada uma das condutas individuais,
segundo Marques (1956, p. 314), precisa inserir-se na corrente causal,
influindo efetivamente sobre o resultado ou sobre a conduta do agente. Sem
um comportamento relevante e significativo, sob ponto de vista do aspecto
causal, não se pode falar em participação.
c) o liame subjetivo ou psicológico entre as pessoas – consciência de
contribuir para uma obra comum – sem um liame de ordem subjetiva que
prenda as diversas condutas uma a outra, que objetivamente se ligam através
da causalidade – não há participação punível. Não basta que uma conduta seja
a condição primária do fato delituoso, para fazer surgir a sua punibilidade:
exige-se ainda a cooperação voluntária e consciente e um nexo psicológico
com a ação típica do delinqüente principal.
d) identidade do ilícito penal – o delito deve ser idêntico ou juridicamente uma
unidade para todos – qualquer circunstância que integre o fato típico comunica-
se a todos os participantes do crime.
32) O que é autoria mediata?
É quando outrem, não imputável ou que não age com culpabilidade, realiza
47

a ação delituosa.
33) O que é autoria colateral?
É o mesmo que co-autoria.
34) Qual a diferença entre dolo direto e dolo eventual?
No dolo direto o agente age de forma livre e direcionada, ou seja, com o
objetivo estabelecido, de produzir o dano (age por vontade, de forma
direcionada), enquanto que no dolo eventual, o agente não busca produzir o
resultado, mas assume tal risco que aconteça o dano, por intermédio de sua
ação,
35) Qual é a diferença entre dolo eventual e culpa consciente?
No dolo eventual o agente não busca produzir o resultado, mas assume tal
risco que aconteça o dano, por intermédio de sua ação, enquanto que na culpa
consciente, além de o agente não buscar produzir o resultado, não tem em
mente que possa vir a acontecer o dano, uma vez que confia plenamente em
sua perícia.
36) Conceituar legítima defesa putativa e elencar suas conseqüências
jurídicas.
Legítima defesa putativa é um erro de avaliação fática cometido pelo
agente, que o faz supor estar agindo em legítima defesa, quando na verdade
não está (artigo 20 § 1º, do Código Penal).
Se o erro for invencível, o agente não responde pelo ilícito.
37) Qual é a diferença entre omissão própria e omissão imprópria? Citar
exemplos.
Omissão própria consiste no fato do agente deixar de realizar determinada
conduta, tendo a obrigação jurídica de fazê-lo, ou seja, a inatividade constitui,
em si mesma, o crime (p. ex. omissão de socorro), enquanto que na omissão
imprópria, a omissão é o meio pelo qual o agente produz o resultado danoso,
respondendo não só pela omissão, mas também pelo resultado, uma vez que
estava obrigado a impedir o resultado (artigo 13 § 2º do Código Penal).
38) Qual é o conceito de ação e quais as teorias que o embasam?
Ação é o direito de reivindicar junto ao Estado a solução dos conflitos de
interesse surgidos, mediante a aplicação da Lei ao caso concreto. Várias
teorias, ao longo do tempo, vêm sendo formuladas a respeito da ação.

Direito Penal II

Bibliografia
Código Penal
Lei de Execução Penal – Lei 7.810/84 (LEP)
BITTENCOURT, Vinícius. O Criminalista. Record

Direito Penal II

Pena é uma sanção aflitiva imposta pelo Estado ao autor da ação


criminosa, através de um processo legal.
48

Teoria da pena: conceito, etnologia, definição. Sistemas penitenciários,


doutrinas penais, princípios sobre a pena.

Remição: é a diminuição da pena para o detento que trabalha (3 dias


trabalhados por 1dia de remição).

Defração: é o período da prisão provisória, descontado da pena


definitiva.
Prisão domiciliar e exame criminológico.
Pena: fundamentos da pena – a concepção clássica dizia que a pena era
um mero castigo, uma forma de impor a ordem. Por causa dessa visão, a
escola clássica foi muito criticada.

Princípios que justificam o poder do Estado na incriminação dos atos do


homem.
- Quais os motivos que explicam o direito de punir?
De um lado o Estado, de outro o indivíduo. O Estado só pode punir com base
na legislação.

Escolas penais investigando o direito de punir - Surgiram três teorias a


respeito dos fins da pena, que são:
a) teoria absoluta: pune-se porque o indivíduo pecou.
b) teoria relativa: de prevenção geral (para a intimidação do povo) e de
prevenção especial (tentativa de ressocialização).
c) teoria eclética (ou mista): busca além do castigo e da prevenção, a
ressocialização do indivíduo (retribuição, prevenção, ressocialização).

Caracterísricas da pena – no aspecto:


a) substancial:
b) formal:
c) teleológico: qual o fim da pena?

Princípios da pena – previstos na Constituição Federal e no Código Penal


a) legalidade: não há crime sem uma lei que o caracterize.
b) proporcionalidade: a pena tem que ser proporcional ao crime.
c) pessoalidade: deve ser aplicada à pessoa infratora (art. 5º XLV CF).
d) inderrogabilidade: o tempo da pena deve ser cumprido – nem toda a
pena é cumprida.

Relação de causalidade
art. 13 CP: O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não
teria ocorrido.

Sursis: é a suspensão condicional da pena.


Trânsito em julgado: é quando não há mais instância a recorrer.

Sistemas penitenciários
A origem da prisão: a pena privativa de liberdade surgiu no século V
(utilizada então, unicamente como um tempo, um período de espera ao dia
da punição). Em 1550, em Londres, surge a primeira prisão.
49

Quanto à execução da pena privativa de liberdade, foram apontados três


sistemas:
a) Filadélfia: celular (cela) – a pessoa ficava presa sozinha, com
isolamento noturno, sem ter direito a visita e nem a trabalho.
b) Auburn (silence system): a pessoa começa no isolamento noturno,
passando depois a passear e a trabalhar no pátio com os outros presos,
porém sem conversar (os presos usavam gestos para se comunicar entre
si).
c) Progressivo: (é o nosso sistema) a pessoa do condenado vai galgando
etapas, desde o regime fechado, conforme se dê o seu bom comportamento.
Hoje: regime fechado - semi-aberto - saída temporária - aberto -
conversão da pena em restritiva - livramento condicional
art. 112 LEP: A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva, com a
transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver
cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e seu mérito indicar a progressão.
(...)

Remição (arts. 126 a 130 LEP – Lei 7.210/84)


a) significado: remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena.
b) contagem: 3 (dias de trabalho) x 1 (dia de pena)
c) objetivos: fazer com que o preso possa ressocializar-se mais rápido.
d) aplicação.
e) preso provisório pode valer-se da remição?
f) acidente de trabalho; exceção – quando o preso trabalha e sofre
acidente no trabalho, a remição continua contando, como se nada houvesse
acontecido.

Progressão é a passagem de um regime de prisão pior para um


melhor (é sempre com o cumprimento de 1/6 da pena).
g) exemplo de cálculo: “A” foi condenado a 8 anos (96 meses).
Trabalhou durante 18 meses, e quer progredir de regime: do regime fechado
para o semi-aberto e deste para o aberto.
Condenação 96 m (pena definitiva)
(- ) 6 m (remição)
90 m (nova pena definitiva)
(÷) 6 (para progredir, terá que cumprir 1/6 da pena)
15 m
Já cumpriu 18 meses – já poderia ir para o regime semi-aberto, tendo
ainda 3 meses de sobra (cumpridos a mais).
Se para o regime semi-aberto, “A” deverá cumprir 15 meses, para o
regime aberto, quanto deverá cumprir?
18 meses (cumpridos) 96 meses (pena definitiva)
(+) 6 meses (remição) (- ) 24 meses (cumpridos)
(=) 24 meses (benefícios) (=) 72 meses deverá cumprir 1/6 de
72 meses (12 meses) (- ) 3 meses (saldo a favor do preso) = deverá cumprir
ainda 9 meses para o regime aberto.
Se o preso for flagrado forjando a remição, perde o tempo que já havia
acumulado – começando-se a contar o seu tempo novamente, a partir do
acidente forjado (não perde, contudo, o direito à remição) – art. 50 LEP –
falta grave.
50

O total de horas trabalhadas é de no máximo 8 horas e, no mínimo 6


horas. No regime aberto o trabalho é obrigatório, sob pena de o preso
regredir de regime.

Detração é o abatimento do tempo da prisão provisória da pena


definitiva.
Objetivos: visa garantir que não aconteça abuso de pena por parte do
Estado.

Espécies de prisão:
* prisão provisória:
- temporária (Lei 7.960/84)
- flagrante
- preventiva (no máximo 81 dias)
- sentença de pronúncia
- da sentença penal condenatória recorrível – o réu pode ainda
recorrer, mas preso.
* prisão definitiva:
=> Questão controvertida: poderá haver detração em processos distintos,
sem um nexo processual? quando no mesmo processo, não há discussão
sobre esta possibilidade.
Há três correntes:
a) severa: a detração só ocorre dentro de um mesmo processo.
b) liberal: (art. 111 LEP) o tempo de detração pode ser descontado em um
outro processo, não importando o tempo em que ocorreu o crime – não é
mais utilizado.
c) jurisprudencial: Tem-se admitido detração em processos distintos (sem
que haja nexo processual), desde que o primeiro crime tenha ocorrido antes
da decretação da prisão provisória do segundo e, tenha sido julgado em
primeiro lugar.
=> Poderá, no caso de um crime “A”, ao qual o réu tenha respondido em
liberdade e, sendo ele primário antes de ter sido julgado, comete um crime
“B”, no qual o juiz decreta sua prisão temporária. Quando julgado o crime “A”
antes do crime “B”, poderia haver detração no tempo do crime “A”. No
primeiro crime não há ainda nada contra o réu. Tem, contudo, que ser
julgado antes.

Prisão domiciliar: é a prisão em casa. Só pode ocorrer se a condenação


for para regime aberto (até 4 anos) e se estiver dentro dos requisitos do
artigo 117 LEP.
Doença grave, gestante, filho menor (bebê), filho deficiente, mais de 70
anos.
art 117 LEP: Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de
regime aberto em residência particular quando se tratar de:
I – condenado maior de 70 anos;
II – condenado acometido de doença grave;
III – condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental;
IV – condenada gestante.
51

Espécies de pena:
Classificação na Antigüidade: as penas eram variáveis, infamantes, de
banimento, pecuniárias.
Hoje, de acordo com o artigo 32 do Código Penal, as penas são:
- pena privativa de liberdade: reclusão ou detenção, aparecem sempre
abaixo do tipo penal e deverão sempre ser calculadas pelo juiz.
- pena restritiva de direito: (Lei 9.714/98) penas alternativas e ou
substantivas, só podem ser aplicadas em substituição à privativa de
liberdade.
- pena de multa: sozinha ou junto com a privativa de liberdade.
(ver art. 155 §2º - furto de coisa de pequeno valor)

Pena privativa de liberdade


A pena restritiva de direito (substitutiva) jamais cumulará com a privativa
de liberdade.
Reclusão, detenção – crime doloso – Código Penal
Prisão simples (Dec. Lei 3.688/41)
A reclusão (art. 312) é diferente da detenção (art. 312 c/c 313). A reclusão
é mais grave, porque a prisão é mais grave.
A reclusão começa no regime fechado, a detenção, no regime semi-
aberto.
Diferenças:
1) conseqüências (art. 33 caput)
2) art. 92 II regime fechado
3) o apenado com pena de reclusão perde o pátrio poder, o apenado da
detenção não.
Uma pena ou outra (o juiz escolhe).
Para os crimes apenados com reclusão, se for constatado que a pessoa
é inimputável, a medida de segurança aplicada deverá ser a internação em
hospital psiquiátrico.
art. 97 CP: Se o agente for ininputável, o juiz determinará sua internação (art. 26) –
periculosidade presumida – Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com
detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial – periculosidade real.
Se a pessoa for condenada com detenção, o juiz pode escolher a medida
de segurança aplicada pode ser tanto a intenção em hospital psiquiátrico ou
tratamento ambulatorial.

Execução da pena (arts. 105, 106 e seguintes da LEP)


- guia de recolhimento criminal
- guia de internação
Regimes penais
- fechado: (arts. 34 CP e 36 LEP) Só podem trabalhar (por permissão do
administrador do presídio) externamente quem já tiver cumprido 1/6 da
pena, tiver bom comportamento, etc.
- semi-aberto: (art. 35 CP) de 4 a 8 anos de pena – detenção. Só depois
de cumprido 1/6 da pena ou se tiver iniciado no regime.
- aberto: (art. 36 CP) o trabalho é obrigatório, sob pena do preso regredir
de regime. A pena pode ser Transformada (substituída) por outra.
art. 33 §2º CP – requisitos para estabelecer o regime da pena:
- quantidade da pena:
- qualidade da pena: (art. 33 caput) sua natureza – reclusão ou detenção.
52

- reincidência: (sendo reincidente, vai sempre para um regime pior) não


precisa ser no mesmo crime; tem que existir uma sentença condenatória
com trânsito em julgado anterior, e antes de completar 5 anos do
cumprimento da pena.
Não podendo o juiz analisar por estes três fatores, no tocante à pena
possível e à postura do criminoso, socorrer-se-á do próximo fator:
- as circunstâncias do artigo 59 do Código Penal: (culpabilidade do réu, os
motivos)
Os fatores devem ser observados em conjunto.

Exercício: Pedro, 24 anos, cometeu 157 CP em 04 jan 91. Respondeu


em liberdade – bons antecedentes. Em 14 abr 93, cometeu estelionato (art.
171 CP). Neste processo, foi decretada prisão preventiva (4 meses). Em 15
ago 93, prolatada a sentença do crime de roubo: condenatória (4 anos de
reclusão e multa).
Roubo 4 / 01 / 91 o crime de roubo foi julgado antes do
segundo.
171 14 / 04 / 93 = 4 meses
sentença 15 / 08 / 93 = 4 anos Pode haver detração
Modalidades dos regimes penais
- progressão:
* fechado para o semi-aberto (art. 112 c/c §u LEP) – 4 requisitos: 1/6 da
pena, mérito, exame, parecer. Não admite queima de etapas.
* semi-aberto para aberto (art. 112 c/c 114 LEP) – requisito: aptidão ao
mercado de trabalho.

- regressão: admite queima de etapas (art. 118 LEP). Por: crime doloso,
falta grave (art. 50 LEP), incompatibilidade da pena com o regime.
Permissão de saída (art. 120) – a permissão é dada pelo diretor do
presídio.
Saída temporária (arts. 122 e 123 LEP).
Penas restritivas de direito (Lei 9.714/98 – alterou os artigos 43 e
seguintes do CP)
- arts. 43 a 48 CP; e 54 a 57 CP
Surgimento: devido a falência do sistema prisional atual como um todo,
os juristas concluíram que a pena restritiva de liberdade termina por não
ressocializar o indivíduo, ou seja, não reeduca o preso; ao contrário até, em
muitos casos, serve como um elemento reforçador de atitudes condenáveis.
Penas até 4 anos (no regime aberto), podem ser substituídas . O
indivíduo tem a chance de conviver com a sociedade, sem estar em contato
com a massa carcerária.
Lei 7.810/84
Regras mínimas de Tóquio.
Espécies:
- prestação pecuniária;
- perda de bens e valores;
- prestação de serviços a comunidade ou a entidades públicas;
- interdição temporária de direitos (arts. 43 c/c 47 CP);
- limitação do fim de semana.
53

Requisitos: se o crime for doloso (infanticídio, furto, estelionato, aborto,


apropriação indébita, etc).
art. 44 CP: As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem
as privativas de liberdade quando:
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 anos e o crime
não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa (caso do roubo)
ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
II – o réu não for reincidente em crime doloso (sentença condenatória com
trânsito em julgado anterior);
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, e a personalidade
do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que esta
substituição seja suficiente. (...)
- O crime de roubo não pode ter a pena substituída, porque, havendo
obstáculo humano ao seu cometimento, é sempre com violência.
Se o crime for culposo: não há limite do quantum.
Exceção: art. 44 §3º - o juiz pode, apesar do réu ser considerado
reincidente, substituir a pena, em função de ser uma medida socialmente
recomendável no caso (desde que não seja na prática do mesmo crime (ex:
indivíduo tem a esposa doente e muitos filhos, e todos dependem dele – o
juiz pode entender por substituir-lhe a pena).
Se a pena for igual ou superior a um ano, substitui-se a pena privativa
de liberdade por uma pena restritiva de direitos ou por uma pena de multa
(art. 44 §2º CP).
Se a pena for superior a um ano, substitui-se por uma pena restritiva de
direitos mais outra pena restritiva de direitos ou por uma pena restritiva de
direitos mais uma pena de multa (PRD + PRD ou PRD + PM).
Exercício: Antônio foi processado e condenado como incurso nas
sanções do artigo 155 §4º CP (furto qualificado) mediante emprego de
“micha”. A pena aplicada pelo julgador foi de dois anos de reclusão. Sabe-se
que o réu obteve sentença absolutória por crime de estupro. Pergunta-se: O
julgador poderá aplicar pena restritiva de direito? Como procederá na
substituição?
Poderá substituir por PRD + PRD (ou PRD + PM) substituo por duas
penas restritivas de direito ou... arts. 44 e 43
Características:
art. 45 CP: Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior,
proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e 48.
§1º. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro `a vítima,
a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social,
de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 salário mínimo nem superior
a 360 salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de
eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os
benefícios. - não é uma indenização, é uma pena pecuniária (um pagamento
para a vítima).
§2º. No caso do § anterior, se houver aceitação do beneficiário, a
prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza. –
inclusive uma prestação de serviço em favor do réu.
§3º. A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a
legislação especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto –
o que for maior – o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por
54

terceiro, em conseqüência da prática do crime. – no tóxico, por exemplo, o valor vai para
entidades de combate às drogas – (...)

Prestação de serviços à comunidade: art. 46 – a substituição terá


o mesmo tempo da pena (até um ano).
§ 4º - se for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena em menor
tempo (conforme o artigo 55) – aumenta o número de horas. Não pode ultrapassar 4 horas.

Interdição temporária de direitos: (art. 47)


I – penas restritivas específicas – só podem ser aplicadas se o crime existir em função da
função pública;
II – proibição do exercício de profissão; III – suspensão;
IV – proibição.
Pena de multa (arts. 49 a 58 – 60 e §§ CP)
1) histórico: A pena de multa apresenta-se com um fraco poder
intimidativo.
2) existiram 3 sistemas para a aplicação da multa:
- tarifada: multa por faixas de valores (ex: de $ 20,00 a $ 40,00, etc.) –
hoje não é mais utilizada, muito embora, na lei de tóxicos, ainda seja
especificada.
- escalonada: multa que perdurava no tempo, sendo pago um valor ao
Fundo Monetário Nacional (ex: $ 20,00 por mês).
- dias-multa: a multa é fixada em dias e, depois é calculado o valor de
cada dia, de acordo com a situação econômica do réu, de 10 a 360 dias,
conforme seja a gravidade do crime (art 59 CP).
3) conceito:
art. 49 CP: A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia
fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 e, no máximo, de
360 dias-multa. (...)
4) existem duas fases:
* obrigatória: 1- fixação dos dias-multa de acordo com a gravidade do crime
(art. 59).
2- fixação do valor do dia multa – 10 – 360 – de acordo com a situação
econômica do réu (art. 60 c/c 49 §1º).
Exemplo: salário de $ 120,00
(art. 49 §1º) mínimo – 120,00 ÷ 30 = 4,00 por dia
Máximo – 5 x 120,00 = 600,00 por dia
* facultativa: (art. 60 §1º) o juiz pode triplicar, se julgar ineficaz o valor.
Aplicação da pena de multa
- isolada: pena única.
- cumulada: duas penas (art. 155).
- alternativa: há opção por parte do juiz (ex: art. 155 §2º).
Multa substitutiva (art. 60 §2º) – quando presentes os requisitos do
artigo 60 ou do artigo 44 II e III, não havendo ameaça.
Cobrança de multa: até 31 de março de 1996, em não pagando, ia preso.
Lei 9.268/01 abr 96.

Conduta punível
Elementos essenciais (elementares) – referem-se a tipicidade (quando a
conduta amolda-se a descrição do crime) para classificar o crime é preciso
observar os elementos essenciais.
Elementos acidentais (circunstanciais) – referem-se a punibilidade (tudo o
55

que envolve o crime e não é elementar); para apenar o réu é preciso


observar-se as circunstâncias.
As circunstâncias dividem-se em:
- judiciais: (art. 59) pena base
agravantes (arts. 61 e 62 – pena
provisória)
- legais: * gerais (até art. 120) atenuantes (arts. 65 e 66)
majorantes – causa de aumento de
pena
minorantes – causa de diminuição de
pena
* especiais (art. 121) majorantes (arts.121 §4º, 122 U, 127,
155 §1º)
minorantes (arts. 121 §1º)
O Código Penal adotou o método trifásico de cálculo da pena,
preconizado por Nélson Hungria:
1º) pena base: de acordo com as circunstâncias judiciais (art. 59 CP).
Quando tudo for favorável, adota-se o mínimo legal. Quando for o total ou a
maioria desfavorável, adota-se o termo médio. Nunca pode chegar no
máximo.
2º) pena provisória – se alguma das circunstâncias for desfavorável,
aplicar o mínimo. Se a maioria for desfavorável, aplicar na metade.
Agravantes (arts. 61 e 62 CP).
Atenuantes (arts. 65 e 66 CP).
Se a sentença dada não contemplar todos os aspectos do artigo 59 CP, é
nula.

Qualificadora: Se a qualificadora do caso concreto for coincidente com


a agravante, devemos só qualificar.
Exemplos: Fulano de Tal matou a empregada, porque ela queimou o
feijão (matou por motivo fútil) - homicídio qualificado.
Cicrano de Tal matou a empregada por motivo fútil, sob tortura
homicídio duplamente qualificado.
- Se não forem coincidentes, qualifica-se uma e agrava-se a outra.
- São taxativas – são de aplicação obrigatória.
- O juiz pode aumentar a pena, para cada agravante, o quanto quiser,
desde que a soma das agravantes não ultrapasse o máximo cominado em
lei.
transitado em julgado + não transitado
contravenção + contravenção = reincidência
crime + contravenção = reincidência
contravenção + crime = não reincidência
crime + crime = reincidência
arts. 63 c/c 7º Decreto Lei 3.688/41 – reincidência
As atenuantes não podem passar aquém do mínimo legal (súmula 231
STJ).
As majorantes são taxativas (e as minorantes) da parte geral – são de
aplicação obrigatória. São comuns a qualquer tipo de crime. São descritas
pelo legislador, geralmente em frações. Podem passar além do máximo
cominado em lei, como aquém do mínimo.
56

Quando o legislador disser que o juiz deve ou que o juiz tem que aplicar
ou que aumenta-se, o juiz é obrigado a aplicar. Quando, contudo, o
legislador disser pode, é facultativo.
Se duas majorantes forem da parte especial, o juiz aplica somente uma –
a maior (majorantes) – a menor (minorantes) – art. 68 U.

Cálculo da pena
art. 68 CP: A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em
seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as
causas de diminuição e de aumento. (...)
Exercício: art. 121 §2º II CP pena de 12 a 30 anos (pena abstrata)
1º) ver em qual crime o réu incorreu: é preciso observar as circunstâncias
judiciais – detalhar o artigo 59.
- quando houver maus antecedentes, avaliar aqui e agravar mais adiante
(reincidente).
2º) pena base: 18 anos (art. 59 CP).
Pena provisória: (agravante): crime contra velho + 4 meses (art. 61 CP)

reincidência + 6 meses (art, 61


CP)
atenuante: réu confesso (-) 5 meses (art. 63
CP)
Pena provisória: 18 anos e 5 meses em regime fechado.
Exercício: Hugo – data do fato: 12 / 01 / 97 – tentou subtrair – confesso
– art. 155 §4º I CP c/c 14 II CP – pena de 2 a 8 anos e multa.
Análise do artigo 59: quanto à culpabilidade, o réu tinha plena
consciência do cometimento do ilícito. Quanto aos antecedentes, tem
sentença condenatória com trânsito em julgado que será analisada depois
(agravante). Quanto à conduta social, é boa, porque as... Quanto à
personalidade, testemunhas... no bairro onde morava ...Quanto aos motivos,
o réu queria lucro fácil. Quanto às circunstâncias, normais à espécie. Quanto
às conseqüências, não foram piores porque a res furtiva foi recuperada.
Quanto ao comportamento, em nada contribuiu para a prática da infração.
Considerando os aspectos pertinentes (ao artigo 59), fixo a pena em 2
anos e 10 meses.
Pena provisória: agravo a pena em 8 meses
atenuo (confissão) 3 meses
Pena provisória: 3 anos e 3 meses e multa
= 39 meses ÷ 3 = 13 minorante do artigo 14 §U CP (1/3 a 2/3)
Pena definitiva: 2 anos e 2 meses e multa (20 dias-multa)
1/30 do salário mínimo à época do fato.
A serem cumpridos em regime semi-aberto.

Individualização da pena: é composta de três fases:


Legislativa: é aquela fase em que o legislador prevê os crimes e as
penas a eles aplicadas, abstratamente.
Judicial: é aquela fase em que o juiz, na sentença, fixa as penas,
fundamentando, usando critérios de necessidade e suficiência, aplicando a
pena base, pena provisória e pena definitiva, de forma fundamentada, de
acordo com art 5º, XLI CF.
57

Executória: é quando juiz permite ao réu que goze dos benefícios da


execução penal (p. ex.: trabalho externo, progressão de regime).

Concurso material (69 CP) (109) – prescrição antes de transitar em


julgado.
É preciso ver a pena individualmente em cada crime cometido, mesmo
havendo concurso material – visa favorecer o réu.
Sistema do cúmulo material: trata-se da soma de várias penas.
Pode ser homogêneo, quando forem crimes iguais e, heterogêneo,
quando os crimes forem diferentes.
– concurso material: pluralidade de ações ou de crimes. penas somadas.
pena que vige é do mais grave.
– concurso formal: é dividido em:
* perfeito (próprio): (art. 70, 1ª parte) – através de uma só ação, o agente
comete vários crimes.
Penas exasperadas – pega-se a pena relativa ao crime de mais gravidade
(a maior pena).
* imperfeito (impróprio): (art. 70, 2ª parte) – embora exista só um ato,
desígnio autônomo para cada crime.
Havendo dolo, o agente assume o risco do resultado. Efetua-se a soma
das penas.
Para efeitos prescricionais, não se observa a majorante do concurso
formal.
Exemplo de concurso formal: crime doloso - uma ação, dois crimes (213
CP – 6 a 10 anos). Sendo benéfico ao réu, deve-se aplicar (130 C.P. – 3m
a 1 ano) as regras do concurso material, conforme pena base do maior: 6
anos o estabelecido no art. 70 §U
pena provisória: 6 anos + 1/6 (majorante art. 70) pena definitiva: 7
anos
apesar de ter ocorrido o concurso formal perfeito,deve-se usar regras do
concurso material, por ser benéfico ao réu.

Concurso formal
- perfeito: art. 70, 1ª prte (exasperação).
- imperfeito: art. 70, 2ª parte (cúmulo material)
artigo 71 – crime continuado – exasperação
Para efeitos prescricionais, ver as pessoas separadas (crimes separados);
apesar de ter ocorrido o concurso formal, vai se observar as pessoas
separadamente, crime por crime.
No concurso formal perfeito (culposo), o sistema de aplicação pena chama-s
exasperação. Pode ocorrer conduta culposa ou dolosa.
Exemplo: professora mata 2 alunos que estavam dentro do carro. mediante
uma ação, comete dois crimes. Pena da maior, aumentada de 1/6, até a
metade.
Responde sempre pela maior – calculando todas as fases.

Suspensão condicional da pena (sursis) – (77 a 82 CP e 156 a 163


LEP). Mediante certas condições, a pena fica suspensa. Nosso sistema é o
Belga-Francês, tendo chegado ao Brasil em 1914.
58

Suspensão condicional do processo (lei 9.099, art. 89) – para os não


reincidentes.
Natureza jurídica: há duas posições:
1ª) a suspensão condicional pena é um direito público subjetivo do réu;
estando presentes os requisitos legais, o juiz deve conceder (posição
majoritária).
2ª) alguns dizem que a suspensão condicional da pena é uma alternativa
cabível para penas privativas de liberdade (não seria um benefício).
Espécies:
- sursis simples (art. 77 CP): os requisitos são mais brandos, as condições
mais severas. Pena até 2 anos.
- sursis especial (arts. 77 I e III; 78 §2º): os requisitos são mais severos, as
condições mais brandas. Pena até 2 anos.
- sursis etário (§2º): 70 anos de idade na época da sentença. Os requisitos
são, normalmente, os do sursis simples (art. 77 CP). Pena até 4 anos.
Condições (4 a 6 anos).
- sursis humanitário (ou temporário) – lei 9.714/98 – os requisitos são,
normalmente, os do sursis simples (art. 77 CP).
Reincidência (art. 64, I CP): o período depurador de prazo da reincidência
conta junto com o tempo de sursis.

Livramento condicional (83 - 90 CP e 131 a 146 LEP) É uma


antecipação da liberdade do preso, mediante o preenchimento de alguns
requisitos e submetido a certas condições (bom comportamento carcerário e
cumprimento de uma parte da pena) – no restante da pena fica livre.
Natureza jurídica: há duas correntes:
1ª) é um direito público subjetivo do réu. Preenchendo os requisitos legais
(art. 83 CP), juiz deve conceder livramento condicional (posição majoritária).
2ª) apenas uma alternativa da pena privativa de liberdade. Fica a critério do
juiz.
Histórico: Em 1940, no Brasil, só se concedia livramento para penas acima
de três anos e sursis para penas até dois anos. Aquele que fosse condenado
dois anos e um mês, não tinha direito a nada.
Em 1977 surgiu uma lei que modificou a situação para: pena superior ou
igual a dois anos, livramento e, até dois anos, sursis. Isso foi mantido em
modificações de 1984.
Requisitos (art. 83 e incisos CP).
Condições (137 LEP – §1º: obrigatórias; §2º: facultativas)
Causas de revogação do livramento condicional: Audiência admonitória:
audiência onde juiz transmite a decisão sobre o livramento condicional.
Exemplo 1: Fred foi condenado a uma pena de 9 anos de reclusão. Cumpriu
4 anos e requereu livramento.
9 anos : 3 = 3 cumpriu 4 anos pede 5 anos de livramento (no
processo x)
Em 30 d maio d 1998, na audiência admonitória, Fred consegue o livramento,
ficando livre por 2 anos, qdo vem a ser julgado o processo y – antes d ter
recebido o livramento (na prisão).
Fred comete outro crime (doloso), transitado em julgado. Com pena de 8
anos.
- Se o crime for cometido antes, desconta o período e tem direito a novo
59

livramento.
Conseqüências:
a) revogação obrigatória do livramento condicional (no processo x – 5 anos)
artigo 86 II C.P.
b) no processo x sobram 3 anos (5 anos pedido de livramento, menos o
período já gozado em liberdade, 2 anos) de pena, uma vez que o cometimento
do crime foi antes do livramento, embora só julgado depois.
c) no processo y, 8 anos. d) pena em 11 anos. Para o pedido de um novo
livramento, terá que cumprir mais da metade, ou seja, mais de 5 anos e meio.
Se der causa à revogação do livramento, cometendo outro crime durante,
perde o tempo do período de prova e o direito a novo livramento condicional.
Exemplo 2: mesmo enunciado, com a diferença de que agora, comete crime
culposo antes do livramento e a sentença transita em julgado. A pena é
restritiva de direitos.
Condenação 9 cumpriu 4 livramento 5 antes culposo
Conseqüências:
a) revogação facultativa, conforme art. 87 CP
Na prática, o juiz adverte mas não revoga (art. 132 §2º).
b) processo x – doloso – pena privativa liberdade = 3 anos a cumprir. Tem
direito a um novo livramento.
c) no processo y – culposo – pena restritiva de direito.
d) deverá cumprir mais de 1/3 dos 3 anos (processo x) e mais de 1 ano
(processo y), para requerer livramento condicional.
Medida de segurança (arts. 96 a 99 C.P. e 171 a 179 LEP)
Antes de 1984, depois de cumprir pena, o condenado ia para o manicômio,
cumprir a medida de segurança (o que gerava, em verdade, a prisão perpétua).

O sistema adotado hoje é vicariante: o réu cumpre uma coisa ou outra (a


pena ou a medida de segurança).
Duplo binário: duas sanções pelo mesmo fato – hoje já não se aplica mais.
* semelhanças entre pena e medida de segurança:
- o juiz é quem aplica;
- têm que ser previstas em lei (só se o código prevê) – obedecem ao princípio
da reserva legal;
- são sanções penais.
* diferenças:
pena medida de segurança
o pressuposto é a culpabilidade. o pressuposto é periculosidade, a anomalia
psíquica mais ou menos duradoura.
para a aplicação da pena, a pessoa tem basta que a pessoa ofereça perigo à sociedade.
que ser imputável.
tem prazo mínimo e máximo. só tem prazo mínimo
(art. 97 §1º).
a natureza jurídica da sentença que a natureza jurídica da
sentença que aplica a
aplica a pena, é condenatória. medida, é absolutória
(absolvição imprópria).
imputabilidade. elementos da culpabilidade.
consciência potencial da ilicitude do fato. exigibilidade de conduta diversa.
60

Se não houverem elementos da culpabilidade, a pessoa não pode sofrer


pena, mas somente medida de segurança (art. 26 §U). As duas únicas
sanções penais são pena (para os imputáveis) e medida de segurança (para os
inimputáveis).
Absolvição imprópria: aplica-se, impropriamente, uma sanção – medida de
segurança – com a finalidade de obrigar a pessoa a um tratamento mental.
Semi-imputabilidade: a pessoa sofre pena, porém reduzida (1 a 2/3).
Havendo necessidade de tratamento mental, o juiz converterá a pena em
medida de segurança.
Requisitos:
- prática de fato típico ou ilícito.
- periculosidade do agente (estado subjetivo duradouro de anomalia, que
mostre perigo para a sociedade).
- ausência de inimputabilidade.
Dois tipos de periculosidade:
1) periculosidade presumida (art. 97 CP, 1ª parte): o juiz, de ofício, já
determina o encaminhamento.
2) periculosidade real (art. 97 CP, 2ª parte): há a necessidade de
comprovação da periculosidade.
aplicação aplicada
pena: pode semi-imputável
deve imputável
medida de segurança: pode semi-imputável
deve inimputável
Prazo (art. 97 §1º CP): Sempre, na medida de segurança, só haverá prazo
mínimo (de 1 a 3 anos) prazo máximo será indeterminado (até a comprovação
da cura).
Perícia médica – prazo (art. 97 §2º CP): é obrigatório, de ofício; (art. 176
LEP): tem que ser requerido; o juiz não é obrigado a atender.
Execução: (arts. 171e 173 LEP)
Suspensão: (art. 97 §3º CP)
Extinção:

Substituição da pena por medida de segurança: Medida de segurança


intercorrente: superveniência de doença mental durante cumprimento da pena.
Todos os semi-imputáveis (que estão cumprindo pena reduzida – art. 26§U)
que precisarem de tratamento curativo. Só pode haver conversão do melhor
para o pior – de medida de segurança restritiva para medida de segurança
detentiva (ex: pessoa em tratamento ambulatorial piora, não adiantando mais o
tratamento, passando então, para a medida de segurança).
Ação penal (arts. 100 a 106 CP e 24 a 62 CPP
O Estado possui pretensão punitiva em abstrato (o próprio Estado determina
quais são as condutas proibitivas) e em concreto (quando efetivamente alguém
comete um ato imputado – crime).
Para processar alguém criminalmente, a pretensão punitiva do Estado tem
que resguardar garantias fundamentais. Busca-se a percepção (investigação)
do crime.
Para a persecução penal, precisamos observar duas etapas:
a) investigação preliminar (inquérito policial, CPI, ou processos ou
procedimentos administrativos): não há contraditório, é administrativo.
61

b) ação penal: é o exercício de um direito, perante juízes e tribunais criminais.

* Incondicionada -
representação do
Pública: interposta pelo ofendido ou
seu
MP – inicia com uma
representante legal
Ação penal denúncia - requisição
do
Ministro da
justiça
* Condicionada
Privada: interposta pelo ofendido (querelante, vítima)
através de seu advogado – inicia com uma queixa-crime.

Ação penal pública inicia-se por uma peça acusatória (denúncia) que só
pode ser apresentada pelo Promotor Público (MP). O juiz recebe a denúncia
(inicia a ação) do MP e manda citar o réu (citação para o réu ser interrogado –
há o contraditório). Aqui deve haver amparo dos princípios constitucionais em
favor do réu, sob pena de nulidade da ação.

Ação penal pública incondicionada: aquela em que o MP age, mesmo


contra a vontade do(s) prejudicado(s). Há preponderância do interesse público
sobre o privado.
Quando o CP silenciar (embaixo do tipo penal ou no capítulo final), a ação
penal é pública incondicionada.

Ação penal pública condicionada: aquela em que o MP só pode agir com


o consentimento (representação) do(s) prejudicado(s) – ex: arts. 156 §1º; 153
§U CP.
O prejudicado tem 6 meses, contados do tempo que toma conhecimento da
identidade autor do dano, para contra este representar (art. 103 CP).
Representação só pode sofrer retratação se ainda não foi oferecida a
denúncia (art. 102 CP).
Não existe queixa na ação pública, mas notícia crime ou ocorrência ou
comunicado de fato.

Ação penal privada:


- propriamte dita:
- subsidiária da pública: só pode ocorrer se o Promotor de Justiça (MP) for
inerte, não agir (em 5 dias para o réu preso e 15 dias para o réu solto). A
Pessoa deve entrar com uma queixa substitutiva da denúncia (o Promotor fica
só como acompanhante do caso)
- personalíssima: só a própria pessoa pode entrar com a ação (persona).
Somente em dois casos: adultério (art. 240 CC) e induzimento a erro essencial
– casamento (art. 236 CC).
Promotor - caminhos:
1- denúncia; 2- arquivamto; 3- diligências; 4- suscitar conflito de atribuições.
62

Princípios da ação penal pública:


- oficialidade: só pode ser interposta por um órgão oficial (MP).
- obrigatoriedade: o Promotor deve propor a ação penal pública, sendo o fato
criminoso.
- indisponibilidade: interposta a ação penal, o Promotor não pode dela dispor
(desistir) – o interesse é público.
- indivisibilidade: deve ser proposta contra todos aqueles que praticaram a
infração.
- intranscendência: a ação tem que ser proposta apenas contra aqueles que
praticaram a infração.

Princípios da ação penal privada:


- indivisibilidade: a ação tem que ser proposta contra todos, sob pena de, em
não incluindo um deles, importar em renúncia quanto a todos. A queixa deve
ser oferecida contra todos os autores do crime.
- oportunidade (ou conveniência): o exercício facultativo de entrar com a ação
penal.O ofendido decide s vai se expor ou não ao escândalo do processo.
- disponibilidade: o titular da ação penal privada pode, a qualquer tempo, dela
desistir.
- intranscendência: a ação tem que ser proposta apenas contra aqueles que
praticam a ação.

Extinção da punibilidade: Causas extintivas da punibilidade (art.107 CP).


Anistia: é o esquecimento do crime. É de competência do Congresso
Nacional, por sanção do Presidente da República (art. 48 VIII CF). É em
relação a fatos, não a pessoas; geralmente para crimes políticos, militares.Gera
efeitos ex tunc.
Indulto: indulgência do Estado, em que se apaga a pena. É para um número
indeterminado de pessoas; é atribuição da União, através do Presidente da
República que pode delegar tal poder a seus ministros (art. 84 XII e §U CF).
Decreto 3.226/99
Total - não cumpre mais nada da pena – a sentença
permanece.
Indulto Parcial - (comutação pena) desconto da pena, parcial. Pode se
renovar a cada novo Decreto.
Abolitio criminis (art. 107 III): funciona como um indulto, ou seja, apaga-se a
pena, não a sentença.
Prescrição (da pena) é a perda do poder de punir do Estado, em razão do
decurso do tempo (art. 107 IV).
Há dois tipos:
- da pretensão punitiva – tudo o que ocorre antes da sentença transitar em
julgado.
- da pretensão executória –
Decadência: perda do direito de ação da pessoa do ofendido, na ação penal
privada ou do direito de representação na ação penal pública condicionada em
razão do decurso do tempo.
Prazo: para representar, o réu tem seis meses, a partir do saber quem é o autor
do fato.
Perempção: (art. 60 CPP) perda do poder da pessoa em continuar com a
ação penal privada, em razão sua desídia (desinteresse). Sanção que a lei dá
63

a pessoa, em razão de sua inércia. Só pode ocorrer na ação penal privada.


- não agiu em 30 dias.
- morreu e ninguém agiu em nome dele, em 60 dias.
- não pediu a condenação do réu
Renúncia: é o desinteresse em exercer o direito de queixa. A pessoa não
entra com a queixa crime (V).
Perdão do ofendido: extingue-s punibilidade por o réu aceitar o perdão do
ofendido. Só na ação penal privada e antes da sentença. Se um não aceitar o
perdão, a ação continua, contra aquele.
Retratação do agente: voltar atrás (VI).
- calúnia
- falso testemunha
- difamação
- falsa perícia
Extingue-se a punibilidade só nos crimes contra os costumes (arts. 213 a
221), desde que não haja as hipóteses do art. 223 VII e VIII.
Perdão judicial: O juiz perdoa a pessoa, nos crimes culposos (art. 121 §5º) -
não gera reincidência (IX).

Prescrição: É a perda do poder de punir do Estado.


* prescrição da pretensão punitiva: só podem ocorrer antes de transitar em
julgado.
- em abstrato:
1º) pena máxima cominada em lei (abstrato);
2º) observar a tabela do art. 109 CP.
3º) ver se há majorantes ou minorantes, exceto as do concurso formal
perfeito e do crime continuado.
4º) artigo 115 CP.
- retroativa: pena aplicada (concreto)
- intercorrente: pena paliçada (concreto)
* prescrição da pretensão executória: só pode ocorrer depois do transito em
julgado de sentença penal condenatória. Quando a pessoa foge, tendo
cumprido parte da pena ou não.
Abstrato – exemplo 1: “A”, 19 anos, furtou a casa de “B” (art. 155 CP).
pena máxima 4 anos O Estado tinha 4 anos para punir. A punição está
extinta,
Art. 109 8 anos devendo ser declarada como tal pelo Estado.
Art. 115 4 anos
data do fato: 15 / 10 / 90
data do recebimento da denúncia: 20 / 10 / 90
data da publicação da sentença penal condenatória: 27 / 12 / 96
-----------------------------------
exemplo 2: agente, 19 anos (158 §1º - extorsão mediante emprego de arma)
pena máxima 10 anos
artigo 109 16 anos – o Estado tem 16 anos para punir
majorante (aumenta) 5 anos = 15 anos (pena aumentada)
artigo 109 (de novo) 20 anos (prazo prescricional aumentado)
artigo 115 (menos de 21) 10 anos – o Estado tem 10 anos para punir
data do fato: 18 / 04 / 92
recebimento da denúncia: 02 / 05 / 92 Não há prescrição. O Estado pode
64

punir.
Publicação da sentença penal condenatória: 15 / 08 / 99
---------------------------------------
Retroativa – exemplo 1: da data da publicação da sentença penal
condenatória para trás.
1º) inocorrência do PPPunitiva em abstrato ex: pena: 6
meses
2º) sentença condenatória transitou em julgado
pela acusação
3º) transito em julgado pela acusação fato: (129 CP) 23 /
05 / 87
data do recebimento da denúncia:
28 / 04 / 88
DPSC: 20 / 05 /
90
1º) pena máxima (129) 1 ano Não houve prescrição
2º) artigo 109 2 em abstrato
-----
1º) pena (concreto) 6 meses O judiciário tinha até o dia 17 / 04 / 90
(até às
2º) artigo 109 2 24h) para se manifestar. Se não o fez,
houve
3º) artigo 115 (nada fala) prescrição do prazo de punibilidade.
Só multa, prescreve em dois anos. Se acompanhada, vai com a outra pena.
Direito Penal III

Dos crimes contra a pessoa


Homicídio simples
art. 121 CP: matar alguém:
Pena – reclusão de 6 a 20 anos.

Matar alguém é extinguir-lhe a vida. Caracteriza-se pela morte cerebral


do indivíduo. A morte é atestada pela autópsia (não se confunda com a certidão
de óbito).

Caso de diminuição de pena


§1º. Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço.

Lei 7.960/89:
art. 1º: Caberá prisão temporária: (...)
III – quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação
penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes:
a) homicídio doloso. (...)
art. 74 CPC: A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de
organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri.
§1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121 §§1º e 2º,
122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados.

* Há a possibilidade da coexistência das qualificadoras do homicídio com o


privilégio do homicídio qualificado?
65

Homicídio qualificado
§2º se o homicídio é cometido:
I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (vil – é aquele que
ofende a natureza humana);
II – por motivo fútil (motivo banal);
III – com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso
(dissimulação) ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum (colocam em risco pessoas ou
patrimônio);
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido;
V – para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.
Pena – reclusão de 12 a 30 anos.

* arts. 1º III da Lei 7.960/89 (o cabimento da prisão temporária) e 74 §1º (a


competência do Tribunal do Júri).
Havendo dois autores para o crime, ambos responderão por homicídio, no
caso do §2º I, II.
A asfixia mecânica pode dar-se por esganadura, por enforcamento, por
água, por interrupção da respiração (sacola plástica, etc). A asfixia tóxica se dá
por uso de gás, por exemplo.
veneno: qualificadora, no caso em que a vítima ingere o veneno sem saber
que está sendo envenenada.
tortura: 1ª hipótese – dolo de homicídio: a tortura como meio (tortura
qualificada pela tortura). O agente quer matar, mas resolve que vai torturar um
pouco, primeiro.
2ª hipótese – dolo de tortura – art. 1º II §3º Lei 9.455/97: (tortura
qualificada pela morte). O agente não queria matar, mas excede-se na
execução da tortura e acaba matando.
A emboscada tem a característica de a vítima, normalmente, não ter como
defender-se. Precisa que se efetue a perícia, para sua comprovação. Tem
sempre a natureza de armadilha.
* Só se admite o perdão judicial na hipótese de homicídio culposo:
art. 121 §5º CP: Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena,
se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção
penal se torne desnecessária.

Homicídio culposo
§3º Se o homicídio é culposo:
Pena – detenção de 1 a 3 anos.

art. 129 CF: São funções institucionais do Ministério público:


I – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei:
II – zelar pelo efetivo respeito aos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos
direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e
social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; (...)

Aumento de pena
§4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de um terço, se o crime resulta de
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar
imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para
evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de um terço, se o
crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.
66

Perdão Judicial
§5º Na hipótese do homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as
conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal
se torne desnecessária (perdão judicial).

Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio


art 122 CP: Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça.
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão de 1 a 3 anos, se da
tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
§U A pena é duplicada:
Aumento de pena
I – se o crime é praticado por motivo egoístico;
II – se a vítima é menor (de 14 anos) ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência.
A pena é para aquele que induz, instiga ou auxilia.
* induzimento: é fazer nascer a idéia, ou seja, fazer surgir no outro a idéia de
suicídio.
* instigação: é reforçar a idéia já existente, reforçar a idéia de suicídio que já
tem o agente.
* auxílio: é toda a ajuda material prestada ao suicida, na intenção que
conclua seu intento.
O enforcamento dá-se por suspensão completa (o agente perde contato
com o solo, fica pendurado) ou incompleta (quando o agente não perde o
contato com o solo).
O suicídio, por óbvio não é crime, não podendo, portanto ser punido.

art. 107 CP: Extingue-se a punibilidade:


I – pela morte do agente; (...)
art. 62 CPP: No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista de certidão de óbito, e
depois de ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade.

Havendo ação do auxiliar, além da ajuda material prestada, passa ele à


condição de homicida. Para que o auxiliar do suicida venha a sofrer pena, tem
que haver lesão grave. Se a vítima for menor de 14 anos há aumento da pena
(homicídio doloso).

Infanticídio
art 123 CP: Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após.
Pena – detenção, de 2 a 6 anos.
O parto se inicia no momento em que começa a dilatação uterina,
acompanhada das contrações continuadas. Desse momento em diante, a mãe
não pratica mais crime de aborto, mas infanticídio.
Se em caso de acidente a mãe matar a criança, incorre em homicídio
culposo. O infanticídio admite a possibilidade de tentativa. É crime de mão
própria (só para a mãe).

art. 30 CP: Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo


quando elementares do crime.
São situações que, por estarem presentes ou ausentes, modificam o tipo do
crime.
67

Se o pai, contudo, auxiliar a mãe no crime, ambos responderão por


infanticídio. Se a mãe mata a um outro recém nascido, pensando ser o seu
filho, responde por:
Erro sobre elemento do tipo
art. 20 CP: O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. §3º O erro quanto à pessoa contra a
qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou
qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento


art. 124 CP: Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque.
Pena – detenção, de 1 a 3 anos.

Aborto é a interrupção da gravidez com a conseqüente morte do feto. O


aborto pode ser natural (espontâneo) ou provocado. Aparecem aí, na verdade,
dois crimes: provocar o aborto em si mesma (auto-aborto) e ou consentir que
outrem lho provoque.

Aborto provocado por terceiro


art. 125 CP: Provocar aborto, sem o consentimento da gestante.
Pena – reclusão, de 3 a 10 anos.

art. 126 CP: Provocar aborto com o consentimento da gestante.


Pena – reclusão, de 1 a 4 anos.
§U Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de 14 (catorze) anos, ou é
alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou
violência.

Forma qualificada
art. 127 CP: as penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço,
se em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provoca-lo, a gestante sofre
lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe
sobrevém a morte.
Na forma qualificada, aparece como lesão corporal de natureza grave.
Lesões corporais advindas das práticas abortivas. É preciso que se faça a
perícia para que se possa identificar ou distinguir os procedimentos
empregados.
Pode dar-se o aborto, a partir do momento da fecundação, até o momento
do início do trabalho de parto. Há uma diferença entre o crime de aborto com
dolo de aborto, onde o agente quer praticar, busca alcançar o resultado, e o
crime de aborto por lesão corporal grave, que é agravado porque o agente
pretendia causar uma lesão corporal e não o aborto.

art. 128 CP: Não se pune o aborto praticado por médico.


* Tecnicamente, não se exige a autorização judicial, muito embora o fato
deva ter ido a conhecimento do Ministério Público. Deve-se, contudo, fazer
ocorrência policial.
* Aborto sentimental ou aborto em nome da honra, sempre são crimes,
como também aqueles abortos realizados com a finalidade de depuração da
raça.
68

Agravação de resultado
art. 19 CP: Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o
houver causado ao menos culposamente.

Exclusão de ilicitude
art. 23 CP: Não há crime quando o agente pratica o fato:
I – em estado de necessidade;
II – em legítima defesa;
III – em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito.

Estado de necessidade
art 24 CP: Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (...)

Lesão corporal
art. 129 CP: Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano.

Lesão corporal de natureza grave


§1º Se resulta:
I – incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta) dias; (prova-se através
do exame de corpo de delito – pode ser direto ou indireto)
II – perigo de vida; (o perigo de vida não pode ser hipotético, mas tem que ser real; deve ser
demonstrado concretamente – o dolo depende de prova)
III – debilidade permanente de membro, sentido ou função; (sendo mulher, por exemplo: dano
em um ovário – lesão grave; nos dois ovários – lesão gravíssima).
IV – aceleração de parto; (dolo de aborto é diferente do dolo de lesão com aborto).
Pena – reclusão, de 1 a 5 anos.
§2º Se resulta:
I – incapacidade permanente para o trabalho; (alguns dizem que na medida em que a pessoa
possa ter outra atividade, diferente da sua profissão original, não há incapacidade permanente
para o trabalho, mas só incapacidade profissional).
II – enfermidade incurável;
III – pela perda ou inutilização de membro, sentido ou função;
IV – deformidade permanente;
V – aborto;
Pena – reclusão, de 2 a 8 anos.
Lesão corporal é provocar dano à estrutura corporal, ao corpo do outro.
Passou a ser crime passível de ação penal pública condicionada à
representação, ou seja, deve haver a representação criminal, para que o
Estado processe o autor.
A integridade corporal, o corpo, ou a saúde física ou mental, não abrangem
as próteses. A debilidade permanente de um membro é lesão corporal grave.
As próteses não compõem o físico do indivíduo. Cortar o cabelo de alguém,
sem o seu consentimento (a força), é lesão corporal. Também o choque
elétrico, se vier a causar dano.
A diferença básica entre a lesão corporal grave e a lesão corporal de
natureza gravíssima está na pena.

Lesão corporal seguida de morte


§3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado,
nem assumiu o risco de produzi-lo.
Pena – reclusão, de 4 a 12 anos.
Lesão corporal seguida de morte (crime preter doloso): o agente pratica
69

todos os atos pertinentes a uma lesão corporal, mas o resultado é a morte da


vítima.
Diminuição de pena
§4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço.
Substituição da pena
§5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de
multa:
I – se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II – se as lesões são recíprocas.

Lesão corporal culposa


§6º Se a lesão é culposa:
Pena – detenção de 2 meses a 1 ano.
Dá-se a lesão corporal culposa, quando for ela produzida por imprudência,
por negligência ou imperícia do agente. Não sofre gradação; tem tipo próprio.
Aumento de pena
§7º Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, §4º -
(aumento de pena).
§8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no §5º do art. 121 - (perdão judicial).

Perigo de contágio venéreo


art. 130 CP: Expor alguém , por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a
contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.
Perigo de contágio venéreo é crime de perigo. Não se exige,
necessariamente, o contágio, mas simplesmente a exposição do agente ao
risco. Trata somente das doenças sexualmente transmissíveis (DST), ou seja,
aquelas doenças que só podem ser transmitidas sexualmente (a AIDS não
entra neste caso; pode ser transmitida de outras maneiras).
Ato libidinoso é todo o ato de motivação ou de extravasamento da libido.
Para a comprovação do ato libidinoso é necessário que haja prova material.

Perigo de contágio de moléstia grave


art. 131 CP: Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está
contaminado, ato capaz de produzir o contágio:
Pena – reclusão, de 1 a 4 anos e multa.
O perigo de contágio, a que se refere este artigo existe, mesmo que não
seja venéreo. Se a pessoa vier a morrer em função da transmissão de doença
(da AIDS, por exemplo), havendo a intenção do agente em transmití-la, talvez
se possa falar em homicídio. Deve haver uma ação penal pública condicionada
à representação.

Perigo para a vida ou saúde de outrem


art. 132 CP: Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente (não precisa que
haja o dano, apenas o risco.
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, se o fato não constitui crime mais grave.

art. 250 CP: Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio
de outrem:
Pena – reclusão, de 3 a 6 anos, e multa. (...)
Mesmo que seja incêndio fraudulento, havendo perigo comum, responde
pelo disposto neste artigo.
70

art. 251 CP: Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante
explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de
efeitos análogos:
Pena – reclusão, de 3 a 6 anos, e multa. (...)

Abandono de incapaz
art. 133 CP: abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade,
e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono.
Pena – reclusão, de 4 a 12 anos. (...)

Exposição ou abandono de recém-nascido


art. 134 CP: Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria:
Pena – detenção de 6 meses a 2 anos.
Entende-se que neste caso, a mãe não quer a morte da criança, mas a
abandona por entender que alguém com melhores condições a achará.
§1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – detenção de 1 a 3 anos.
§2º Se resulta a morte:
Pena – detenção de 2 a 6 anos.
A mãe não responde por homicídio, mesmo que a criança venha a morrer.

Omissão de socorro
art. 135 CP: Deixar de prestar assistência, quando possível faze-lo sem risco pessoal, à
criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave
e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.
Pena – detenção, de 1 a 6 meses e multa.

Maus tratos
art. 136 CP: expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou
vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de
alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou
inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina. (...)
Pena – detenção, de 2 meses a 1 ano, ou multa.
Os abusos têm que atentar contra a vida ou a saúde.

Rixa
art. 137 CP: Participar de rixa, salvo para separar os contendores.
Pena – detenção, de 15 dias a 2 meses, ou multa.
A rixa é uma briga que envolve uma ou mais pessoas e onde, em princípio,
não há lesão corporal. Havendo lesão corporal leve, continua na tipificação do
artigo 137. A rixa começa espontaneamente.

art. 65 III CP (circunstâncias atenuantes).

art. 288 CP: Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de
cometer crimes (casos em que há a intenção de cometer crimes).
Todos os rixentos respondem igualmente pela rixa. Havendo lesão corporal
grave ou morte, todos responderão pela rixa qualificada. Se for identificado o
autor do crime, responderá ele pelo crime, sem prejuízo da responsabilidade os
rixentos na rixa.
Acabando a rixa, exaurindo-se a briga, se alguns rixentos voltarem ao local
do conflito e matarem alguém, deixa de ser rixa, passando a homicídio.
Quando na rixa o agente atinge pessoa diversa da qual inicialmente pretendia,
71

responde ele por crime de homicídio culposo, como se tivesse atingido aquele
pessoa a quem pretendia atingir.

Erro sobre elemento do tipo


art. 20 CP: O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
§1º É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o
erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.
§2º Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (...)

Dos crimes contra a honra


Calúnia
art. 138 CP: Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime.
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa.

* arts. 519 (forma do processo do crime de calúnia) e 523 (exceção da


verdade ou da notoriedade do fato imputado) CPP e 324 (caluniar alguém na
propaganda eleitoral ou propaganda) da Lei 4.737/65.

Não se deve confundir calúnia com injúria ou difamação. A jurisprudência


hoje admite que menores possam ser sujeitos de direito em crimes contra a
honra.
§1º Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
§2º É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§3º Admite-se a prova da verdade, salvo:
I – se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível;
II – se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III – se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível.
É lícito provar aquilo que disse, provar a verdade, anulando o processo de
calúnia contra si.

Difamação
art. 139 CP: Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação.
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.
A difamação diz respeito à honra subjetiva (aquilo que o sujeito pensa de si
mesmo). Somente aquele que sofre a difamação é quem pode avaliar se algo
lhe é ou não injurioso. A difamação está muito próxima à fofoca. Mesmo que o
fato seja verdadeiro, o crime ocorre.
Caluniar ou difamar pela imprensa, é processo regido pela lei de imprensa.
O crime de racismo (previsto na Lei 7.716/89) é sempre ligado ao exercício da
cidadania. Chamar uma pessoa de negro, por exemplo, sem que se configure
ou sem que haja a intenção de prática racista, é no máximo uma injúria. A
conotação empregada é o que tipifica.

* Lei 7.716/89 (Define os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de


cor).
art. 20: Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião
ou procedência nacional:
Pena – reclusão de 1 a 3 anos e multa.
72

Injúria
art. 140 CP: Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.
Pena – detenção, de 1 a 6 meses, ou multa. (...)
A injúria é sempre dirigida a alguém, de forma pessoal, nunca é genérica.
art. 141 CP: As penas cominadas neste Capítulo aumentam de um terço, se qualquer dos
crimes é cometido: (formas de aumento da pena)
I – contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro (a ação
penal depende de requisição do Ministro da Justiça).
II – contra funcionário público, em razão de suas funções (a ação penal depende de
representação do ofendido).
art. 145 CP: Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa,
salvo quando, no caso do art. 14o, §2º, da violência resulta lesão corporal.
§U. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do nº I do art. 141, e
mediante representação do ofendido, no caso do nº II do mesmo artigo.

Retratação
art. 143 CP: O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da
difamação, fica isento de pena.
O querelado é o réu da queixa crime. O Querelante é o autor da queixa-
crime.

art. 107 CP: Extingue-se a punibilidade: (...)


VI – pela retratação do agente, nos casos em que a lei admite; (...)
art. 520 CPP: Antes de receber a queixa, o juiz oferecerá às partes oportunidade para se
reconciliarem, fazendo-as comparecer em juízo e ouvindo-as, separadamente, sem a presença
dos seus advogados, não se lavrando termo.
art. 144 CP: Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria,
quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a
critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.

* Lei 5.250/67
art 25: Se de referências, alusões ou frases se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se
julgar ofendido poderá notificar judicialmente o responsável, para que, no prazo de 48 horas as
explique.
Interpelação judicial é o pedido de explicação da parte que se sente
ofendida.

Crimes Contra a Liberdade Individual


Constrangimento ilegal
art. 146 CP: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe
haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei
permite, ou a fazer o que ela não manda.
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa. (...)

Ameaça
art. 147 CP: Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave.
Pena – detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.
§U Somente se procede mediante representação (ação penal pública condicionada).

Para configurar o ato de ameaçar alguém, a vítima deve sentir-se


ameaçada. Ameaça é sempre dolosa.

Seqüestro e cárcere privado


art. 148 CP: Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado.
73

Pena – reclusão, de 1 a 3 anos.


Cárcere privado - dependendo da intenção ou da conduta do agente, pode
ser o elencado nos artigos 148 (privação de liberdade), 159 (extorsão mediante
seqüestro – visa vantagem econômica indevida) ou 219 (se a finalidade for
libidinosa, o crime é o de rapto violento ou mediante fraude) do CP.
Cárcere privado conota sempre a idéia de cerceamento de liberdade por
prisão.

Redução a condição análoga à de escravo


art. 149 CP: Reduzir alguém a condição análoga à de escravo.
Pena – reclusão, de 2 a 8 anos.

Dos Crimes Contra a Inviolabilidade do Domicílio


Violação de domicílio
art. 150 CP: Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade
expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências.
Pena – detenção, de 1 a 3 meses e multa.

Dos Crimes Contra o Patrimônio (arts. 155 a 183 CP)


Furto
art. 155 CP: Subtrair, para si ou para outrem , coisa alheia móvel.
Pena – reclusão de 1 a 4 anos e multa.
Recai o furto, sobre coisa móvel pertencente a outrem. Aquele que, por uma distração ou
por erro, acaba furtando o que é seu, não comete crime algum.O furto não se detém na
propriedade do bem, mas na sua posse. A conduta típica do agente é a subtração da coisa.
§1º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
Há três correntes:
* basta que seja à noite;
* deve ser em casa habitada, com gente repousando;
* deve ser à noite, em casa habitada.
§2º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a
pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena
de multa.

* arts. 170, 171(estelionato) §1º (aplica-se o disposto no art. 155 §2º), e 180
(receptação) CP.
Nos casos de furto famélico, tem-se entendido como crime não punível.
§3º Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.

Furto qualificado
§4º A pena é de reclusão de 2 a 8 anos, e multa, se o crime é cometido:
I – com destruição ou rompimento de obstáculo (que seja coisa material: portão, porta, janela,
muro, parede, rompimento de bolsa ou leva tudo, etc.) à subtração da coisa;
A coisa que sofre a violência não pode fazer parte da coisa furtada.
II – com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
O abuso de confiança só se efetiva nos casos em que se deposita confiança
no agente. Não se trata de caso de abuso de confiança naqueles casos em que
os funcionários, na saída do trabalho, são revistados ou, por exemplo, no caso
das caixas dos supermercados, por trabalharem sendo constantemente
observadas pelos fiscais de caixa.
Na fraude, o agente cria uma expectativa, uma ilusão, uma situação
fraudulenta, com o fim único de apropriar-se da coisa. É bastante semelhante
ao estelionato (com a diferença básica de que, no estelionato, não há a
74

subtração da coisa, ou seja, o objetivo do estelionatário é a concretização da


própria fraude).
A escalada é a entrada no local onde vai se realizar a subtração da coisa,
por meio qualquer que não seja o convencional (pela porta). O crime
impossível é isento de pena (art. 17 CP).
A destreza é a habilidade manual do agente. Se o agente for flagrado no ato
do crime e impedido pela própria vítima de consumá-lo, é um caso de tentativa
de furto simples (não tem a figura da destreza). Se o agente for flagrado no ato
do crime e impedido por terceiro, é caso de tentativa de furto qualificado por
destreza.
III – com emprego de chave falsa;
A chave falsa é aquela sem legitimidade, ou seja, é aquela não autorizada
pelo proprietário. Também é tida como chave falsa aquela encontrada ou
tomada do proprietário pelo ladrão.
IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas.
Não é preciso que haja nenhum dos incisos anteriores e nem que haja
organização criminosa para configurar o crime.

* art. 288 CP: (quadrilha ou bando - crime praticado por organização)

§5º A pena é de reclusão de 3 a 8 anos, se a subtração for de veículo automotor que venha
a ser transportado para outro Estado ou para o exterior (acrescentado pela Lei 9.426/96).

Furto de coisa comum


art. 156 CP: Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem a quem
legitimamente a detém, a coisa comum.
Pena – detenção de 6 meses a 2 anos e multa.
Coisa comum a que se refere este artigo é aquela relativa ao que
comunitário, ou seja, é aquela coisa pertencente a vários proprietários.
§1º Somente se procede mediante representação;
§2º Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não excede a quota a
que tem direito o agente.

Roubo
art. 157 CP: Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la , por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência:
Pena – reclusão de 4 a 10 anos e multa.
A violência aqui descrita é cometida contra a pessoa. O crime de roubo
estará sempre ligado a uma situação de violência ou de grave ameaça a
pessoa.
Há duas elementares fundamentais:
* o roubo próprio (caput do art. 157 CP); e
* o roubo impróprio (§1º do mesmo artigo).
§ 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência
contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da
coisa para si ou para terceiro.
§2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
I – se a violência ou ameaça é exercida com o emprego de arma;

Súmula 174 STJ: No crime de roubo, a intimidação feita com o uso de arma de brinquedo
autoriza o aumento da pena (o uso de arma de brinquedo qualifica o crime).
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O sentido para arma aqui empregado é direcionado para as armas


propriamente ditas, ou seja, as armas conhecidas e tidas como tal (p. ex.:
armas de fogo, punhais, baionetas, etc).
* Lei 9.437/97 – institui o Sistema Nacional de Armas (estabelece condições
para porte e registro de arma de fogo).
art. 10: Possuir, deter, portar, fabricar, adquirir, vender, alugar expor à venda ou fornecer,
receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter,
empregar, manter sob guarda e ocultar arma de fogo, de uso permitido, sem a autorização e
em desacordo com determinação legal ou regulamentar.
Pena – detenção de 1 a 2 anos e multa.
§1º Nas mesmas penas incorre quem: (...)
II – utilizar arma de brinquedo, simulacro de arma capaz de atemorizar outrem, para fim de
cometer crimes; (...)
No caso de existência de arma de fogo no roubo praticado, aplica-se
somente o disposto no Código Penal (e não a Lei 9.437/97).

§3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de 7 a 15 anos, além
de multa; se resulta morte, a reclusão é de 20 a 30 anos, sem prejuízo da multa.
Se a vítima não morre, trata-se de um crime de tentativa de homicídio; se
morre, contudo, trata-se de um crime de latrocínio. Havendo a morte da vítima,
em caso de roubo, embora sendo ele um crime contra o patrimônio, foi elevada
à condição de crime hediondo.

Súmula 610 STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração dos bens da vítima.

Extorsão
art. 158 CP: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou
deixar de fazer alguma coisa:
Pena – reclusão, de 4 a 10 anos, e multa. (...)
A extorsão se dá no momento em que o agente exige de outro uma
vantagem econômica (p. ex.: flanelinha, etc).

Súmula 96 STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da


vantagem indevida.

Extorsão mediante seqüestro


art. 159 CP: Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer
vantagem, como condição ou preço do resgate:
Pena – reclusão, de 8 a 15 anos.
Conforme a finalidade, a extorsão mediante seqüestro pode ser a
apresentada nos artigos 159 (visa uma vantagem econômica), 219 (a finalidade
é um ato libidinoso) ou 148 (a finalidade é a privação da liberdade do outro) do
CP.
§1º Se o seqüestro dura mais de 24 horas, se o seqüestrado é menor de 18 anos, ou se o
crime é cometido por bando ou quadrilha:
Pena – reclusão, de 12 a 20 anos.
* Este parágrafo difere do artigo 288 CP, porque aqui, a ação descrita do
cometimento do crime já se deu, ou seja, o bando ou quadrilha já executou o
crime de seqüestro.
§2º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 16 a 24 anos. (...)
A lesão corporal aqui descrita tem que ser contra o seqüestrado.
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Extorsão Indireta
art. 160 CP: Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém,
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
Pena – reclusão de 1 a 3 anos, e multa.
É crime de extorsão, mesmo que a garantia conseguida pelo agente
(documento) nunca venha a ser utilizada. O ato deve encerar em si mesmo
uma atuação criminosa. Consuma-se o crime no momento em que o agente
exige da vítima a garantia.
Para quem entende seja delito formal, não existe o crime de tentativa,
enquanto que, se material, sim. O entendimento geral é o de que a ação de
captura no seqüestro já é a consumação do crime. Há quem diga que, sendo
frustrado o seqüestro, não haveria o crime de tentativa, mas sim o crime de
extorsão mediante seqüestro (art. 159 CP).

Usurpação
A alteração de limites: O limite seria a demarcação de lindeiro. A divisória
seria a linha demarcatória externa (não lindeiro).
art. 161 CP: Suprimir ou deslocar tapume, marco ou qualquer outro sinal indicativo de linha
divisória, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa móvel alheia:
Pena – detenção de 1 a 6 meses, e multa. (...)

Supressão ou alteração de marcas em animais


art. 162 CP: Suprimir ou alterar, indevidamente, em gado ou rebanho alheio, marca ou sinal
indicativo de propriedade:
Pena – detenção, de 6 meses a 3 anos, e multa.

Do dano (só existe a forma dolosa, se há na ação, a intenção do


agente).
- destruir é liquidar, acabar com a coisa alheia.
- inutilizar é fazer com que a coisa não possa mais ser utilizada para o fim a
que se destinava.
- deteriorar é fazer com que a coisa perca seu valor econômico.
art. 163 CP: Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena – detenção, de 1 a 6 meses, ou multa.

Dano qualificado
§U. Se o crime é cometido: (...)
II – com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais
grave; (caracteriza-se pelo perigo individual)
* não havendo dolo, afasta-se o dano (no caso do art. 25o CP, trata-se de
perigo comum)
Evadir-se não tem dolo (o fugitivo não responde por quebrar muro ou
grade), mas se, ao fugir, lesiona outro, responde pela lesão, em tipo próprio
(lesão corporal), não pela fuga). Se na fuga, matar, é homicídio mais a fuga.

art. 352 CP: Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de
segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:
Pena – detenção de 3 meses a 1 ano, além da pena correspondente à violência.

Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia


art. 164 CP: Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia, sem consentimento de
quem de direito, desde que do fato resulte prejuízo:
Pena – detenção, de 15 dias a 6 meses, ou multa.
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Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico


art. 165 CP: Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em
virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena – detenção de 6 meses a 2 anos.
art. 166 CP: Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local
especialmente protegido por lei:
Pena – detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa.

Pichar
art. 65 Lei 9.605: Pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento
urbano:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.
§U. Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude de seu valor
artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de 6 meses a 1 ano de detenção, e multa.

Ação penal
art. 167 CP: Nos casos do art. 163, do nº IV do seu parágrafo e do artigo 164, somente se
procede mediante queixa.

Apropriação indébita
É quando o agente toma como sendo seu, algo que já estava em seu poder
(posse). Não há neste crime a figura da subtração da coisa. O apossamento é
sempre anterior ao crime de apropriação em si.
* no furto há subtração da coisa, enquanto que na apropriação indébita,
a ação do agente estabelece-se alicerçada em uma relação de confiança (há a
confiança por parte de quem lhe concedeu o direito de ter a posse da coisa).
art. 168 CP: Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena – reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.
§1º. A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
I – em depósito necessário; (é depositário)
II – na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou
depositário judicial;
III – em razão de ofício, emprego ou profissão.

Estelionato
A base do crime de estelionato é o uso do engodo por parte do agente e a
pretensa (intenção de levar vantagem) esperteza da vítima. A vantagem tem
que ser, necessariamente, econômica. O ato ilícito é o induzimento do outro ao
erro ou, a mantê-lo no erro, com a intenção do resultado pretendido. No caput
do artigo, classifica-se aquele que emite cheque, não sendo seu legítimo dono.
art. 171 CP: Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo
ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena – reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.
§1º. Se o criminoso é primário e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena
conforme o disposto no art. 155, §2º.
§2º. Nas mesmas penas incorre quem:
Disposição de coisa alheia como própria
I – vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;

Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria


II – vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de
ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em
prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias;
Defraudação de penhor
III – defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia
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pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;


Fraude na entrega da coisa
IV – defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;
Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro
V – destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde,
ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor
de seguro;
* Este é um caso em que a auto-lesão é punida.
Fraude no pagamento por meio de cheque
VI – emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o
pagamento.
Este inciso refere-se aos casos em que o cheque emitido pelo próprio dono
do cheque. O crime se dá na praça de pagamento do cheque.

Súmula 521 STF: O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de
estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do
local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado.

* art. 91 CP: São efeitos da condenação:


I – tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; (...)
O advogado da vítima deve, ao pegar a sentença condenatória transitada
em julgado, ingressar com uma ação civil de reparação de dano (e assim,
buscar o ressarcimento do dano diretamente no patrimônio do condenado).

Duplicata simulada (ver Lei 8.137 – dos crimes contra a ordem


tributária)
art. 172 CP: Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria
vendida, em quantidade ou qualidade ou a serviço prestado.
Pena – detenção, de 2 a 4 anos, e multa. (...)

Abuso de incapazes
art. 173 CP: Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência
de menor,ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à prática
de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro:
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.
A configuração deste crime pressupõe a existência de engodo, de
convencimento, não havendo violência contra a vítima.

Induzimento à especulação
art. 174 CP: Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou
inferioridade mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à especulação com
títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo saber que a operação é ruinosa.
Pena – reclusão, de 1 a 3 anos e multa.

Fraude no comércio
art. 175 CP: Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor;
I – vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada;
II – entregando uma mercadoria por outra; (...)

Outras fraudes
art. 176 CP: Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de
transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento:
Pena – detenção, de 15 dias a 2 meses, ou multa.
§U. Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme as
circunstâncias, deixar de aplicar a pena.
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Fraude à execução
art. 179 CP: Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou
simulando dívidas:
Pena – detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa.
§U. Somente se procede mediante queixa.

Receptação
O crime de receptação apresenta algumas figuras instantâneas e outras
figuras permanentes: São crimes instantâneos, o ato de adquirir ou o de
receber coisa produto de crime. São crimes permanentes, o transportar, o
conduzir ou o ocultar coisa produto de crime.
* conduzir implica em que o condutor da coisa não seja o próprio autor do
furto (senão é crime de furto – já consumado – fugindo da possibilidade do
flagrante).
* ocultar se dá, enquanto a coisa estiver escondida (o agente pode entrar no
flagrante durante todo o tempo).
art. 180 CP: Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio,
coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa fé, a adquira, receba
ou oculte:
Pena – reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.

Receptação qualificada
§1º. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,
remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio,
no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime:
Pena – reclusão, de 3 a 8 anos, e multa.
Se o agente compra várias partes ou vários componentes furtados e monta
algo, é também crime de receptação.
§2º. Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de
comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
Sonegação é crime de descaminho.
§3º. Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o
preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso:
Pena – detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa, ou ambas as penas.
O crime é a receptação culposa.
§4º. A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de
que proveio a coisa. (...)
Se aquele que furta é menor de idade, não comete um crime, mas uma
infração penal (interpretação restritiva). Pelo formato do texto, este parágrafo
somente se aplica aos indivíduos incapazes.

Violação de direito autoral


art. 184 CP: Violar direito autoral:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa. (...)

Aliciamento para o fim de emigração


art. 206 CP: Recrutar trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território
estrangeiro.
Pena – detenção, de 1 a 3 anos, e multa.
Trata-se do crime de aliciamento de trabalhadores, de um local para outro,
fora do território nacional.
art. 207 CP: Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do
território nacional.
Pena – detenção, de 2 meses a 1 ano, e multa.
Trata-se do crime de aliciamento de trabalhadores, de um local para outro,
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do território nacional. Para tipificar o crime, não precisa que o aliciado tenha ido
para outro local, bastando a existência do aliciamento.

Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo


art. 208 CP: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;
impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato objeto
de culto religioso:
Pena – detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa.

Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária


art. 209 CP: Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária:
Pena – detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa.
§U. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da
correspondente à violência.

Violação de sepultura
art. 210 CP: Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:
Pena – reclusão, de 1 a 3 anos, e multa.

Destruição, subtração ou ocultação de cadáver


art. 211 CP: Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
Pena – reclusão, de 1 a 3 anos, e multa.
Aplica-se este artigo para casos de furto de cadáver, desde que no velório,
etc – também é considerado furto a subtração de cadáver de estudo,
pertencente a universidade - por ter valor a ele atribuído - etc.)

Vilipêndio a cadáver
art. 212 CP: Vilipendiar cadáver ou suas cinzas:
Pena – detenção, de 1 a 3 anos, e multa.

Estupro
art. 213 CP: Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça:
Pena – reclusão, de 6 a 10 anos.
A prova da ocorrência do crime de estupro deve ser efetuada pela medicina
legal. O estupro foi elencado como um crime hediondo. Só a mulher pode ser
vítima de um crime de estupro. A violência descrita no artigo antecedente está
no fato da existência do constrangimento. Reúne duas características: o
constrangimento ilegal mais a conjunção carnal.
Se uma mulher (autora) obrigar uma outra (vítima) à conjunção carnal com
um homem, responderá pelo crime de estupro (o homem é uma vítima de
constrangimento ilegal – art. 146 CP).

Atentado violento ao pudor


art. 214 CP: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou
permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal.
Penal – reclusão, de 6 a 10 anos.
Atos libidinosos: são todos aqueles atos que possam ser praticados pelo
homem, cujo único objetivo seja o extravasamento da libido.

Posse sexual mediante fraude


art 215 CP: Ter conjunção carnal com mulher honesta, mediante fraude:
Pena – reclusão, de 1 a 3 anos.
§U. Se o crime é praticado contra mulher virgem, menor de 18 e maior de 14 anos:
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos.
81

Atentado ao pudor mediante fraude


art. 216 CP: Induzir mulher honesta, mediante fraude, a praticar ou permitir que com ela se
pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal:
Pena – reclusão, de 1 a 2 anos.
§U. Se a ofendida é menor de 18 e maior de 14 anos:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos.

Sedução
art. 217 CP: Seduzir mulher virgem, menor de 18 anos e maior de 14, e ter com ela
conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos.
Se a vítima é menor de 14 anos, é sempre crime de estupro (art. 224a CP –
presunção de violência contra menor de 14 anos).

Corrupção de menores
art. 218 CP: Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 e
menor de 18 anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a
praticá-lo ou presenciá-lo:
Pena – reclusão, de 1 a 4 anos.
Trata-se da corrupção de valores destruídos pela ação do adulto.
Exclusão de ilicitude – erro sobre elemento essencial do tipo (p. ex.: no
caso em que a moça demonstra idade superior a que tem realmente, sendo
menor, exime o agente do cometimento de crime de corrupção de menores e
ou sedução).
* A corrupção elencada na Lei 2.252 trata de outros crimes.

Rapto violento ou mediante fraude


art. 219 CP: Raptar mulher honesta, mediante violência, grave ameaça ou fraude, para fim
libidinoso:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos.
Tem uma condição análoga ao crime de seqüestro (visa a liberdade
individual – art. 148 CP); a extorsão mediante seqüestro visa a liberdade
individual aliada a obtenção de vantagem econômica; o rapto visa a prática de
atos libidinosos.
Só a mulher pode ser raptada (vítima). Se a mulher vier a "tomar" o homem,
não é caso de rapto, mas de seqüestro ou atentado violento ao pudor.

Rapto consensual
art. 220 CP: Se a raptada é maior de 14 ano e menor de 21, e o rapto se dá com seu
consentimento:
Pena – detenção, de 1 a 3 anos.
O crime elencado neste artigo não é contra a pessoa da mulher, mas contra
quem detenha seu pátrio poder, visto que ela, a mulher, participa do ato, não
podendo ser a vítima a e lesada ao mesmo tempo.
Se, contudo, a mulher vai ao encontro de quem seria o seu raptor, mesmo
contra a vontade deste, não há rapto consensual.

Diminuição de pena
art. 221 CP: É diminuída de um terço a pena, se o rapto é para fim de casamento, e de
metade, se o agente, sem ter praticado com a vítima qualquer ato libidinoso, a restitui à
liberdade ou a coloca em lugar seguro, à disposição da família.
Não tendo havido ainda o casamento, o juiz condena o agente, com
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diminuição de pena. Após ter havido o casamento, deve ser juntada a certidão
de casamento, e o juiz decreta a extinção da punibilidade.

Extinção da punibilidade
art. 107 CP: Extingue-se a punibilidade: (...)
VII – pelo casamento do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes, definidos nos
Capítulos I, II e III do Título VI da Parte Especial deste Código.

Concurso de rapto e outro crime


art. 222 CP: Se o agente, ao efetuar o rapto, ou em seguida a este, pratica outro crime
contra a raptada, aplicam-se cumulativamente a pena correspondente ao rapto e a cominada
ao outro crime.
(p. ex.: rapto + estupro; rapto + lesão; etc)

Formas qualificadas
art. 223 CP: Se a violência resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão, de 8 a 12 anos.
Pena relativa a estupro, sedução, rapto, etc.

Presunção de violência
art. 224 CP: Presume-se a violência, se a vítima: (hoje é presunção relativa)
a) não é maior de 14 anos;
b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância;
c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência. (p. ex.: embebedar a
vítima, etc)

Aumento de pena
art. 226 CP: A pena é aumentada de quarta parte:
I – se o crime é cometido com o concurso de duas ou mais pessoas;
II – se o agente é ascendente, pai adotivo, padrasto, irmão, tutor ou curador, preceptor ou
empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela; (há uma relação de
poder estabelecida entre o autor e a vítima)
III – se o agente é casado.
Por intermédio deste artigo é que se constrói a fundamentação para a
condenação ao crime de assédio sexual.

Mediação para servir a lascívia de outrem


art. 227 CP: Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem:
Pena – reclusão, de 2 a 5 anos. (...)

Favorecimento da prostituição
art. 228 CP: Induzir ou atrair alguém à prostituição, facilitá-la ou impedir que alguém a
abandone:
Pena – reclusão, de 2 a 5 anos.

Casa de prostituição
art. 229 CP: Manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar
destinado a encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do
proprietário ou gerente:
Pena – reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

Rufianismo
Visa a que uns não tirem proveito da prostituição de outros.
art. 230 CP: Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou
fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça:
83

Pena – reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.


§1º. Se ocorre qualquer das hipóteses do §1º do art. 227:
Pena – reclusão, de 3 a 6 anos, além da multa.
§2º. Se há emprego de violência ou grave ameaça:
Pena – reclusão de 2 a 8 anos, além da multa e sem prejuízo da pena correspondente à
violência.

Tráfico de mulheres
art. 231 CP: Promover ou facilitar a entrada, no território nacional, de mulher que nele venha
exercer a prostituição, ou saída de mulher que vá exercê-la no estrangeiro:
Pena – reclusão, de 3 a 8 anos.
§1º. Se ocorre qualquer das hipóteses do §1º do art. 227:
Pena – reclusão, de 4 a 10 anos.
§2º. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude, a pena é de reclusão, de 5 a 12
anos, além da pena correspondente à violência. (violência é a lesão corporal)
§3º. Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.

Ato obsceno
É prática que exige um certo grau de exibicionismo por parte do agente
(dolo).
art. 233 CP: Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

Escrito ou objeto obsceno


art. 234 CP: Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio,
de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto
obsceno:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa.
§U. Incorre na mesma pena quem:
I – vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos objetos referidos neste
artigo;
II – realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou exibição
cinematográfica de caráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que tenha o mesmo caráter;
III – realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, audição ou recitação de
caráter obsceno.

Bigamia
art. 235 CP: Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos.
§1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo
essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de 1 a 3 anos.
§2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a
bigamia, considera-se inexistente o crime.

Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento


art. 236 CP: Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou
ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos.
§U. A ação penal depende de queixa do contraente enganado (ação penal privada
personalíssima) e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença
que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.

Conhecimento prévio de impedimento


art. 237 CP: Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a
nulidade absoluta:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano.
84

Simulação de autoridade para celebração do casamento


art. 238 CP: Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento:
Pena – detenção, de 1 a 3 anos, se o fato não constitui crime mais grave.
Se a simulação visar exclusivamente o desfrute das núpcias, é então um
crime de posse sexual mediante fraude (art. 215 CP).

Simulação de casamento
art. 239 CP: Simular casamento mediante engano de outra pessoa:
Pena – detenção, de 1 a 3 anos, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.

Adultério
art. 240 CP: Cometer adultério:
Pena – detenção, de 15 dias a 6 meses.
§1º. Incorre na mesma pena o co-réu;
§2º. A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido, e dentro de 1 mês
após o conhecimento do fato. (é uma ação penal privada personalíssima)
§3º. A ação penal não pode ser intentada:
I – pelo cônjuge desquitado; (separação consensual ou separação judicial – Lei
6.515/77)
II – pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou, expressa ou tacitamente.
§4º. O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I – se havia cessado a vida em comum dos cônjuges;
II – se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no art. 317 do Código Civil.

Registro de nascimento inexistente


art. 241 CP: Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente:
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos.

Parto suposto
Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido.
art. 242 CP: Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem; ocultar
recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil:
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos.
§U. Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza:
Pena – detenção, de 1 a 2 anos, podendo o juiz deixar de aplicar a pena.

Sonegação de estado de filiação


art. 243 CP: Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou
alheio, ocultando-lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra, com o fim de prejudicar direito inerente
ao estado civil:
Pena – reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.

Abandono material
art. 244 CP: Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho
menor de 18 anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou valetudinário, não
lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia
judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente
ou ascendente, gravemente enfermo:
Pena – detenção, de 1 a 4 anos, e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo
vigente no país.
§U. Nas mesmas penas incorre quem, sendo solvente, frustra ou ilide, de qualquer modo,
inclusive por abandono injustificado de emprego ou função, o pagamento de pensão
alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada.
* Não tem a ver com a prisão civil por falta de pagamento de pensão
alimentícia.
85

Entrega de filho menor a pessoa inidônea


art. 245 CP: Entregar filho menor de 18 anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva
saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo.
Pena – detenção, de 1 a 2 anos.
É um crime de perigo, o ato entregar o filho para uma pessoa suspeita.
Envolvendo caso moral (se for para ato libidinoso, por exemplo) pode ser
enquadrado no artigo 218 CP (no caso do agente) ou no 245 CP (para os pais).
§1º. A pena é de 1 a 4 anos de reclusão, se o agente pratica delito para obter lucro, ou se o
menor é enviado para o exterior;
§2º. Incorre, também, na pena do parágrafo anterior quem, embora excluído o perigo moral
ou material, auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior, com o fito
de obter lucro. (agenciador)

Abandono intelectual
art. 246 CP: Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade
escolar:
Pena – detenção, de 15 dias a 1 mês, ou multa.
Tem tipo próprio no Estatuto da Criança e do Adolescente.
art. 247 CP: Permitir alguém que menor de 18 anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua
guarda ou vigilância:
I – freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;
II – freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de
representação de igual natureza;
III – resida ou trabalhe em casa de prostituição;
IV – mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública:
Pena – detenção, de 1 a 3 meses, ou multa.

Induzimento a fuga, entrega arbitrária ou sonegação de incapazes


art. 248 CP: Induzir menor de 18 anos, ou interdito, a fugir do lugar em que se acha por
determinação de quem sobre ele exerce autoridade, em virtude de lei ou de ordem judicial;
confiar a outrem sem ordem do pai, do tutor ou do curador algum menor de 18 anos ou
interdito, ou deixar, sem justa causa, de entregá-lo a quem ilegalmente o reclame:
Pena – detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa.

Subtração de incapazes
art. 249 CP: Subtrair menor de 18 anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda
em virtude de lei ou de ordem judicial:
Pena – detenção, de 2 meses a 2 anos, se o fato não constitui elemento de outro crime.
§1º. O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não exime de
pena, se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder, tutela, curatela, ou guarda.
§2º. No caso de restituição do menor ou do interdito, se este não sofreu maus tratos ou
privações, o juiz pode deixar de aplicar a pena.

Direito Penal IV

Bibliografia
CARNELUTTI, Francisco. As Misérias do Processo Penal. Conan.
Código de Processo Penal

Direito Penal IV
86

Conceitos básicos
- Vacatio legis: é o período de tempo existente entre a publicação de uma lei
e sua efetiva entrada em vigor (não sendo determinado, o prazo contado é de
45 dias).
- Princípio da reserva legal: (art. 5º XXXIX CF)
- Princípio da especialidade: a lei especial prevalece (art. 12 CF).
- Princípio da subsidiariedade: prevalece sempre a pena mais grave.
- Comsunção: caracteriza-se pelo tipo penal composto por mais de um
crime, com um só título (p. ex.: roubo - composto de – furto, lesão ou ameaça;
latrocínio - composto de – roubo e homicídio).
- Retroatividade da lei mais benéfica: retroage no tempo a lei que beneficia
o réu.
- Irretroatividade da lei mais grave:
- Trânsito em julgado:
- Dolo: é sempre a regra (dolo direto, dolo eventual).
- Culpa: tem que vir expressa (negligência imperícia, imprudência).
Os crimes de homicídio, de infanticídio, de aborto e de indução ao suicídio
(arts. 121 ao 125 CP) – são julgados pelo Tribunal do Júri.

Crime de perigo
Dos crimes contra a incolumidade pública
Dos crimes de perigo comum
Perigo é a probabilidade de que haja lesão de um bem ou de um interesse
tutelado pela lei penal. Pode ser:
- individual: contra uma pessoa certa (ou grupo), determinada: expõe a
perigo uma só pessoa ou um grupo determinado.
- comum (ou coletivo): expõe a perigo um número indeterminado de
pessoas.
Crime de perigo presumido (ou abstrato): o perigo não precisa ser provado,
pois está presumido em lei (p. ex.: art. 269 CP).
Crime de perigo concreto: o perigo precisa ser provado e demonstrado (p.
ex.: art. 130 CP).

Incêndio
art. 250 CP: Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio
de outrem.
Pena – reclusão, de 3 a 6 anos e multa.

- O causador não pode ser o proprietário (a não ser que o perigo seja em
relação a um terceiro) e pode ser um terceiro.

* É um crime comum; seu sujeito ativo é qualquer pessoa; sujeito passivo é


a coletividade; o elemento subjetivo é o dolo (caput) e a culpa (§2º).
Aumento de pena (Majorantes):
§1º - havendo fraude contra a seguradora, o crime de estelionato é afastado
em razão do princípio da subsidiariedade.
§2º - culpa (p. ex.: no caso da queimada).
87

* O agente tomou todos os cuidados técnicos necessários à prática de


queimada, avisando, inclusive, aos vizinhos, sobre a queimada que faria –
mas, de repente, depois de o fogo já alto, inicia-se uma ventania, culminando
por queimar a casa do vizinho – não há condenação penal – art. 258 CP,
formas qualificadas pelo resultado).

* Para que se dê a incidência do artigo 250 do Código Penal, devem ser


expostos a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de terceiro,
devendo inclusive, o perigo, atingir a um número indeterminado de pessoas ou
a uma pessoa indeterminada, caso contrário poderá vir a incidir o artigo 163 §U
II CP.

Exercícios:
1) Um agricultor coloca fogo em sua propriedade agrícola (lavoura), sem as
cautelas habituais, tendo como conseqüência a propagação do fogo às
lavouras vizinhas, danificando-as e matando uma pessoa. O agricultor é
condenado pelo artigo 121 §2º III CP. Pergunta-se: A decisão acima está
correta? Explique e aponte o fundamento legal.
Não está correta. O agricultor não deve ser enquadrado no artigo 121 §2º III
CP – que trata do homicídio qualificado – tendo em vista que não era sua
intenção matar alguém, mas sim incluso no artigo 250 §2º CP – que trata do
incêndio culposo – tendo em vista que cometeu ação imprudente, combinado
com o artigo 258 4ª parte CP – a pena de homicídio culposo deve ser
aumentada de 1/3.
2) Por haver colocado fogo na casa de um desafeto, João é condenado pelo
artigo 250 CP, pois os danos causados foram somente materiais, inclusive,
porque o local era isolado. Pergunta-se: a decisão acima está correta?
Explique.
Não está correta. João visou uma pessoa determinada (seu desafeto). O
enunciado não demonstra que João quisesse matar alguém. Se sim, se queria
matar, pode ser enquadrado no crime de tentativa de homicídio qualificado (art.
121 §2º III c/c art. 14 II CP); se não, trata-se de um crime de dano qualificado
(art. 163 §U II CP).

Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou


produtos alimentícios
art 272 CP: Corromper, adulterar ou falsificar ou alterar substância ou
produto alimentício destinado a consumo, tornando-o nocivo à saúde ou
reduzindo-lhe o valor nutritivo:
Pena – reclusão, de 4 a 8 anos, e multa.
§1º A. Incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende, expõe à venda,
importa, tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou
entrega a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado,
corrompido ou adulterado.
§1º. Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste
artigo em relação a bebidas, com ou sem teor alcoólico.
Modalidade culposa
88

§2º. Se o crime é culposo:


Pena – detenção, de 1 a 2 anos, e multa.

A Lei 9.677/98 classifica os crimes contra a saúde pública previstos nos


artigos 272 a 277 CP, como crimes hediondos, mas somente o artigo 273 CP
foi incluído no artigo 1º da Lei 8.072/90, pela Lei 9.695/98.
Corromper é estragar, deteriorar, etc (p. ex.: reutilização de óleo de
cozinha).
Adulterar é adicionar outras substâncias que tornem os produtos nocivos (p.
ex.: adicionar sulfato de sódio na carne; ou bromato de potássio no pão).
Falsificar é modificar (p. ex.: utilização de carne de cavalo na fabricação de
lingüiça).

* Sujeito ativo é qualquer pessoa; o sujeito passivo, a coletividade; elemento


subjetivo, o dolo, tanto no caput quanto no §1ºA.

(...) ter em depósito (...) – necessariamente deve ter a finalidade de vender


ou de distribuir, para consumo geral do público. É indispensável que haja a
destinação ao consumo público.

Necessidade de exame pericial. Não há que negar que o bromato de potássio é sal
extremamente tóxico, porém, para que se possa aferir a sua toxidade, necessário se torna
saber qual a quantidade desse sal foi adicionada à massa destinada ao fabrico do pão. Só
assim se terá como configurado o delito do artigo 272 CP. Para tanto é necessário que o laudo
pericial contenha fundamentação.
(Revista dos Tribunais 597/268)

Forma qualificada
art. 285 CP: Aplica-se o disposto no art. 258 aos crimes previstos neste Capítulo, salvo
quanto ao definido no art. 267.

Exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica


art. 282 CP: Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico,
dentista ou farmacêutico, sem a autorização legal ou excedendo-lhe os limites:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos.
Parágrafo único. Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se
também multa.

Contém duas modalidades de conduta:


1ª) exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, sem autorização legal. A habilitação legal é o registro junto ao
Serviço Nacional de Fiscalização do Departamento Nacional de Saúde.
Conforme corrente dominante, o indivíduo que exerce uma determinada
profissão, sem que disponha de autorização legal, não está praticando o crime
elencado no artigo 282 do Código Penal enquanto não esteja ele inscrito no
respectivo conselho, pois se trata assim, de um mero ilícito administrativo.
2ª) exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, excedendo-lhe os limites (p. ex.: um médico que passa a extrair
dentes dos seus pacientes).
Primeira parte - é um crime comum (qualquer indivíduo pode praticá-lo); seu
sujeito ativo é qualquer pessoa.
89

Segunda parte - é um crime próprio; de sujeito ativo só as três categorias


descritas.

* É um crime de perigo abstrato (já vem previsto em lei); O bem tutelado por
esta norma é a incolumidade pública; O elemento subjetivo, o dolo.

A eficiência conseguida pelo tratamento não irá interessar, pois o legislador


já presume o perigo. A pessoa que exerce qualquer uma das condutas
descritas no artigo 282 do Código Penal crê na terapia recomendada.
- Tem que ser um crime habitual. Não existe na forma tentada.

Estado de necessidade
Há casos em que o ato ilegal pode vir a ser reconhecido e ou validado,
como por exemplo, quando o indivíduo vem a praticar o exercício ilegal da
profissão em locais onde não existam pessoas legalmente habilitadas (não é
matéria pacífica), mas o julgador deve ser sensível, pois que, tratar-se-á então,
mais de um problema de cunho social do que de cunho jurídico.
art. 285 CP: Forma qualificada

Charlatanismo
art. 283 CP: Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.

O charlatão é também chamado de o estelionatário da medicina, tendo em


vista que sabe muito bem que o tratamento recomendado é imprestável.

* É um crime comum; de perigo abstrato; a norma tenta tutelar a


incolumidade pública; o sujeito ativo é qualquer indivíduo; o sujeito passivo é a
coletividade; é sempre um crime doloso.

- Havendo lucro (ou a intenção de lucro), pode ocorrer o concurso formal


com o artigo 171 CP, ou ser por ele absorvido, em razão do princípio da
subsidiariedade, ou seja, vai prevalecer o enquadramento de pena maior. Se o
agente vier a matar, em função de seu ato, sem a intenção, trata-se da forma
qualificada do artigo 285 Código penal; se o agente vier a matar de propósito,
trata-se de homicídio doloso.

Curandeirismo
art. 284 CP: Exercer o curandeirismo:
I – prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer
substância;
II – usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III – fazendo diagnósticos:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos.
Parágrafo único. Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente
fica também sujeito à multa.

O agente realmente acredita no resultado, mas emprega métodos não


reconhecidos pela medicina (atua utilizando-se da fé do outro). Responderá
pelo crime de curandeirismo, mesmo que se efetue a cura.
90

O curandeirismo é uma especial modalidade do crime de exercício ilegal da


medicina, tipificada como uma figura autônoma. No seu exercício, a arte de
curar despe-se inteiramente de seus atributos científicos, servindo-se da
ingenuidade do outro e, sobretudo, da superstição.

Diferencia-se:
- do artigo 282 CP, pelo fato de o agente não possuir noções de medicina,
empregando meios e métodos não aceitos na atividade médica.
- do artigo 283 CP, porque aqui o sujeito ativo assegura a cura para o outro,
que executará por meios só dele conhecidos, ou que sejam infalíveis, podendo
ter ou não os conhecimentos médicos necessários, embora esteja sabendo que
o tratamento é ineficaz.
Em geral, os curandeiros gozam de um status de fé por parte das pessoas
que os procuram para o tratamento de doenças, podendo ocasionar inclusive o
agravamento da moléstia, em razão do retardamento que então se dá no
tratamento apropriado ao caso. A utilização de orações e a invocação à
proteção de Deus para a cura dos fiéis, mas sem contudo, prescrever
medicamentos ou diagnósticos, não irá constituir um ilícito penal, desde que a
prática religiosa seja lícita.
Salvo exceções, não tem sido aceita a alegação de que inexistiria o dolo
nos casos de o agente ter atuado estando mediunizado.
Trata-se de crime comum (qualquer indivíduo pode praticá-lo); Requer a
habitualidade (é um crime habitual).
- O crime habitual só existe na forma consumada, nunca na forma tentada.

* É um crime de perigo abstrato; seu sujeito ativo é qualquer indivíduo; o


sujeito passivo é a coletividade; o bem jurídico protegido, a incolumidade
pública; o elemento subjetivo, o dolo.

Se o crime visar a uma pessoa determinada e esta pessoa vier a morrer,


trata-se de um crime de homicídio.
art. 285 CP: Forma qualificada.

Dos crimes contra a paz pública


art. 288 CP: Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando,
para o fim de cometer crimes:
Pena – reclusão, de 1 a 3 anos.
Parágrafo único. A pena aplica-se me dobro, se a quadrilha ou bando é
armado.

A simples associação dos agentes, no caso desse artigo, já é o próprio


crime.
Iter criminis
1. cogitação
2. atos preparatórios
3. execução arts. 29 a 31 CP – concurso de
pessoas
4. consumação
91

Concurso de pessoas necessário e não eventual, pois o tipo penal exige a


presença de no mínimo quatro pessoas. São computados em tal número, os
agentes inimputáveis, tanto por menoridade quanto por doença mental;
também não vem a descaracterizar o crime o desconhecimento da autoria de
um dos integrantes quando há prova da associação estável de mais de três
pessoas, sendo irrelevante quem lidera ou quem efetua as tarefas.
* É um crime comum; de perigo abstrato (basta que se associem com
aquela finalidade); o sujeito ativo é qualquer indivíduo; sujeito passivo é a
coletividade; o bem jurídico protegido, a paz pública; o elemento subjetivo, o
dolo.
Este crime não admite a forma tentada, uma vez que não passa à fase de
execução.
- Quadrilha ou bando e concurso de pessoas
Diferenciam-se:
Primeiro: Na quadrilha ou bando, os membros associam-se de forma estável
e permanente, ao passo que, na co-delinqüência, os sujeitos associam-se de
forma momentânea.
Segundo: Na co-delinqüência os participantes associam-se para a prática
de crime determinado, enquanto que no crime do artigo 288 CP, os
componentes associam-se para a prática de um número indeterminado de
crimes.
Na quadrilha ou bando somente o dolo é admitido, enquanto que na co-
delinqüência, sob a forma de co-autoria, a culpa pode ser admitida.
Inexistência de bis in idem (condenar alguém duas vezes pelo mesmo crime). Roubo
qualificado e quadrilha armada. Concurso material. Co-autoria. (...) posto que as infrações são
distintas e independentes, condenação mantida. Inteligência dos artigos 29, 69, 157 §2º I e II e
288 §U CP.
(Revista dos Tribunais
719/412)
- O entendimento exposto acima não é pacífico, mas uma exceção, porque
a pena imposta no caso foi agravada sobre uma condenação dupla.
Moeda falsa
art. 289 CP: Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou
papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro:
Pena – reclusão, de 3 a 12 anos, e multa.
§1º. Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa
ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na
circulação moeda falsa.
§2º. Quem, tendo recebido de boa fé, como verdadeira, moeda falsa ou
alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com
detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa.
§3º. É punido com reclusão, de 3 a 15 anos, e multa, o funcionário público
ou diretor, gerente ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza
a fabricação ou emissão:
I – de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II – de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
§4º. Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja
circulação não estava ainda autorizada.
92

Fé pública é a existência da crença ou da convicção geral acerca da


autenticidade e do valor dos documentos, dos atos, etc, prescritos ou usuais
para as relações jurídicas e sociais. Salienta-se que sem a existência da fé
pública, é considerado que a vida em sociedade seria impossível.
Sua violação constitui o crime de falso. A falsidade pode ser material ou
ideológica.
- Material (ou externa): a falsidade é feita tanto por alteração, como por
supressão e ou contrafação (fabricar). Todo o documento é falso.
- Ideológica: o documento é de todo verdadeiro em seus requisitos externos
ou materiais, mas a idéia em torno da qual gira o documento é falsa (p. ex.: em
um contrato de compra e venda no qual o valor declarado não é o verdadeiro).
* É um crime comum; de perigo abstrato; seu sujeito ativo é qualquer
pessoa; seu sujeito passivo, o Estado; o bem jurídico tutelado, a fé pública; o
elemento subjetivo é o dolo.
Na modalidade de guardar (§1º), é considerado como sendo um crime
permanente. Crime privilegiado (§2º): se conhecida a origem ilícita da moeda, o
agente deve responder pelo artigo 289 §1º do Código Penal. Se não sabia que
a moeda era falsa, então o fato será atípico (art. 1º CP), mesmo que depois
que recolocou a moeda em circulação, venha o agente a tomar conhecimento
do fato.
Há omissão da lei quanto a uma possível emissão de moeda metálica em
quantidade superior àquela autorizada (§3º II).
- ver súmula 73 STJ – trata exclusivamente da moeda.
Súmula 73 STJ. A utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura, em tese,
o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.
A competência para julgar o crime previsto no artigo 289 do Código Penal é
da Justiça Federal. No caso de haver falsificação grosseira, opera-se a
desclassificação para o crime de estelionato, o qual será julgado na Justiça
Estadual, conforme súmula 73 do STJ.
Concurso formal com o crime de estelionato. Fazer circular moeda falsa,
introduzindo-a no mercado e utilizando-a para a aquisição de veículo,
induzindo terceiro de boa fé em erro, configura o concurso formal dos delitos
de introdução de moeda falsa e estelionato.
(Revista dos Tribunais 728/671)
- introdução de moeda falsa (+) estelionato
Crime único: Aquele que adquire bens utilizando como meio de pagamento, dinheiro falso,
deve responder somente pelo crime de moeda falsa, previsto no artigo 289 §1ºCP, ficando o
estelionato absorvido naquele, pela aplicação do princípio da comsunção, uma vez ser
incompatível o reconhecimento do concurso formal entre essas duas figuras.
(Revista dos Tribunais
751/702)
- O estelionato é um meio principal para a existência deste crime.
Perícia
Segundo o entendimento de Mirabete, a falsidade material como crime que
deixa vestígios, deve ser demonstrada por meio do competente exame de
corpo de delito, configurando sua falta, nulidade absoluta (art. 564 III "b" c/c art.
572 CPP). Somente quando a perícia for impossível por qualquer razão, a
93

prova da materialidade do crime pode ser suprida por testemunhas ou por


outras provas.
Crimes assimilados ao de moeda falsa
art. 290 CP: Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com
fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota,
cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação, sinal
indicativo de sua inutilização; restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em
tais condições, ou já recolhidos para o fim de inutilização:
Pena – reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.
Parágrafo único. O máximo da reclusão é elevado a 12 anos e o da multa a Cr$ 40.000
(quarenta mil cruzeiros), se o crime é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde
o dinheiro se achava recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do cargo.
- O artigo 2º da Lei 7.209/84 determina o cancelamento de quaisquer
referências a valores de multa.
A essência desse delito está no ressurgimento ou na revalidação de
cédulas, de notas ou de bilhetes imprestáveis ou já recolhidos para inutilização.
* É um crime comum; de perigo abstrato; sendo sujeito ativo, qualquer
indivíduo; de sujeito passivo o Estado (a pessoa prejudicada em segundo
plano); o bem jurídico tutelado: a fé pública; o elemento subjetivo o dolo;
A competência para julgar os crimes de falso é da Justiça Federal; a perícia
deve ser feita, se possível (se não for possível, por testemunhas ou outras
provas) – igual a todos os crimes de falso.
Parágrafo único. Qualificadora (não passa, por isso, a ser crime próprio).
Falsificação de documento público
art. 297 CP: Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar
documento público verdadeiro:
Pena – reclusão, de 2 a 6 anos, e multa.
§1º. Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se
do cargo, aumenta-se a pena da sexta parte.
§2º. Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público emanado de entidade
paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade
comercial, os livros mercantis e o testamento particular.
Tratando-se de um documento pertinente à União, a Justiça Federal é quem
o julga. Se o documento for do Estado ou do Município, julgará, a Justiça
comum.
* Trata-se de um crime comum - no §1º, a qualificadora; no §2º, alguns
documentos particulares são equiparados, por lei, a documentos públicos: os
títulos ao portador ou transmissíveis por endosso (cheque, Nota Promissória,
Letra de Câmbio e Duplicata), o testamento particular, as ações de sociedade
comercial, os livros mercantis, e os documentos provenientes de entidades
paraestatais.
Nota Promissória vencida. Inexistência de equiparação. A Nota Promissória vencida não
se equipara a documento público, estando assim ao desabrigo do artigo 297 §2º CP.
(RJTJESP 107/434)
Documento público sem prejuízo para a União. Embora válidas em todo o território
nacional, as carteiras de habilitação de motorista são expedidas pelos órgãos estaduais de
trânsito. A falsificação material ou ideológica das carteiras lesa a fé pública do Estado.
Competência da justiça estadual, para julgar o delito.
(RJT 67/704)
94

Súmula 17 STJ – Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva,
é por este absorvido.
Trata este artigo, de todos os crimes de falso. Quando o crime alcança o
seu objetivo criminoso, apesar da falsificação ser grosseira, é enquadrado no
artigo 297 do Código Penal; uma vez não atingindo o objetivo, no artigo 171 do
Código Penal, conforme o que preceitua a Súmula 17 do STJ.
* É um crime comum; de perigo abstrato; o sujeito ativo é qualquer pessoa;
o sujeito passivo, o Estado; o bem jurídico tutelado, a fé pública; o elemento
subjetivo, o dolo;
A perícia é igual a todos os crimes de falso.
Falsificação de documento particular
art. 298 CP: Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento
particular verdadeiro:
Pena – reclusão, de 1 a 5 anos, e multa.
A conduta típica do agente não se diferencia daquela conduta prevista no
artigo 290 do Código Penal; somente em relação ao documento ser particular.
* É um crime comum; de perigo abstrato; o sujeito ativo é qualquer pessoa;
o sujeito passivo, o Estado; o bem jurídico protegido é a fé pública; o elemento
subjetivo, o dolo;
A perícia é igual a todos os crimes de falso. A Súmula 17 do STJ pode ser
usada.
Falsidade ideológica
art. 299 CP: Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar,
ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim
de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:
Pena – reclusão, de 1 a 5 anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de 1 a 3
anos, e multa, se o documento é particular. (...)
A falsidade ideológica é também chamada de falso intelectual, falso ideal,
falso moral, e ou falso não material. Diferencia-se do falso material porque
neste, o agente imita a verdade através da fabricação ou da alteração,
enquanto que no falso ideológico, o documento é perfeito em todos os seus
requisitos, mas é falso em seu conteúdo.
No falso material o crime é apurado pelo exame pericial; na falsidade
ideológica somente pode ser constatado pela verificação dos fatos a que se
refere o documento.
Três são os meios de execução:
1º. A Omissão: trata-se do ato de silenciar sobre uma declaração a que
estava obrigado a fazer;
2º. O Inserir: é a declaração falsa ou diversa daquela que deveria o agente
fazer. É o próprio agente que elabora o documento, sendo uma falsidade
imediata;
3º. O Fazer inserir: é quando o agente utiliza-se de um terceiro para introduzir
a sua falsa declaração. É a chamada falsidade mediata. Se o terceiro tiver
ciência da falsidade, será co-autor do crime de falsidade ideológica.
- É necessário que o agente vise prejudicar um direito, a criar uma obrigação
ou a alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante, pois não se
admite o crime do artigo 299 do Código Penal quando a falsidade incidir sobre
95

um fato juridicamente irrelevante, que não contenha nocividade efetiva ou


potencial.
Princípio da comsunção. Absorção pelo crime de bigamia. O delito de bigamia absorve o
crime anterior de falsidade ideológica, uma vez que não pode subsistir aquela sem a
precedente falsidade.
(Revista dos Tribunais
694/358)
* É um crime próprio; de perigo abstrato; o sujeito ativo é qualquer indivíduo;
o sujeito passivo, o Estado; o bem jurídico tutelado é a fé pública; o elemento
subjetivo, o dolo.
Parágrafo único, a qualificadora.
Peculato
art. 312 CP: Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem
móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito
próprio ou alheio:
Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

Caput, primeira parte: Chama-se de peculato apropriação: o verbo


apropriar-se significa assenhorear-se de algo. O objeto material da apropriação
pode ser dinheiro ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que
tem o agente a posse lícita, em razão do cargo que exerce.

Apropriação de importância de pagamento de impostos, taxas e custas. Crime


caracterizado. Constitui peculato apropriar-se, o serventuário da justiça, em proveito próprio, de
importâncias recebidas para o pagamento às partes, de custas de terceiros, impostos e taxas
processuais.
(Revista dos Tribunais 510/451)

- Se o agente fosse um estagiário somente, e não um funcionário público,


também responderia pelo crime de peculato, conforme o artigo 327 do Código
Penal.
segunda parte: Chama-se de peculato desvio: quando o funcionário
público dá ao objeto material, uma aplicação diversa daquela que lhe foi
determinada, em benefício próprio ou de terceiro.

(...) Comete peculato desvio o funcionário que, conscientemente, efetua pagamento pela
administração pública por serviço não efetuado ou por mercadoria não recebida, ainda que, em
benefício apenas do pseudo-prestador de serviço ou fornecedor.

- Se o funcionário público tiver a ajuda de um outro indivíduo que não seja


funcionário público, responderá também este por crime de peculato, conforme
o artigo 30 do Código Penal (se tiver ele conhecimento da função do
funcionário público; se não tiver conhecimento, é crime de furto, só para ele).
§1º. Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do
dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou
alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Trata-se de Peculato furto (também chamado de peculato impróprio),


quando o funcionário público, mesmo não tendo a posse do objeto material o
subtrai ou concorre para que um terceiro o subtraia, em proveito próprio ou
96

alheio, valendo-se da facilidade que lhe proporciona a qualidade da função que


exerce.

(...) Funcionário da CEF que, em razão das facilidades que lhe propiciavam sua função,
subtrai guias de depósito e talões de cheque, e, empregando meio fraudulento, consegue
vantagem para si, comete o crime de peculato (peculato furto).
(Revista dos Tribunais 727/597)

- O funcionário da CEF é funcionário público. O funcionário do Banco do


Brasil, embora seja celetista, penalmente é tratado como sendo um funcionário
público.
§2º. Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano.

O Peculato culposo ocorre quando o funcionário, por negligência, por


imperícia ou por imprudência, permite que haja a apropriação, o desvio ou a
subtração de algum bem público ou particular, que esteja sob a guarda da
administração pública.

(...) Quem deixa a serventia de cartório por conta de outrem, irregularmente, sem
conhecimento de autoridade superior, cria culposamente condições favoráveis à prática de
ilícitos administrativos e criminais, respondendo pelo delito previsto no artigo 312 §2º CP.
(Revista dos Tribunais 488/312)

O Decreto-Lei 201/67 dispõe sobre a responsabilidade dos prefeitos e


vereadores.

art. 1º do Decreto Lei: São crimes de responsabilidade dos prefeitos


municipais, sujeitos ao julgamento do Poder Judiciário, independentemente do
pronunciamento da Câmara dos Vereadores: (...)
II – utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas
ou serviços públicos; (...)

O peculato de uso é um crime previsto somente neste Decreto-Lei. Trata


de que o agente utiliza o bem por um pouco e o devolve (p. ex.: a utilização de
mão-de-obra pública, ou o maquinário público, etc.). É, portanto, um fato atípico
na legislação comum (não há previsão legal). O agente só responderá
administrativamente.

Inexistência do Estado de necessidade. Não configura estado de necessidade, de modo a


excluir a anti-juridicidade da apropriação de valores públicos sob a guarda do funcionário, as
dificuldades decorrentes de insuficiente remuneração.

* É um crime de dano; seu sujeito passivo é o Estado; seu bem jurídico


protegido é a administração pública; o elemento subjetivo é o dolo (caput e §1º)
e a culpa (§2º).

Concussão
art 316 CP: Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função
ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena – reclusão, de 2 a 8 anos, e multa.
97

A concussão é uma espécie de extorsão praticada pelo funcionário público.


A conduta típica consiste no fato de o agente vir a exigir, sendo entendida esta
exigência como uma vantagem ilícita, de cunho tão somente econômico e ou
patrimonial (é a exigência que deixa ou que faz com que a vítima se sinta
ameaçada ou amedrontada). É indispensável que a exigência, seja ela tanto
explícita como implícita, tenha sua motivação na função que o agente exerce
ou que exercerá.

* É um crime próprio; seu sujeito ativo é o funcionário público; seu sujeito


passivo, o Estado; o bem jurídico tutelado, a administração pública; o elemento
subjetivo é o dolo.

Este crime não admite a forma tentada. Basta a existência da exigência de


vantagem indevida. Não precisa que o agente tenha recebido aquilo que exigiu.
- O estagiário pode, mesmo não sendo ele um funcionário público, vir a
responder pelo crime de concussão.

Por força do artigo 327 CP, estudante de direito em estágio junto à Defensoria Pública, pode
ser sujeito ativo do crime definido no artigo 316 daquele código.
(Revista dos Tribunais 489/427)

§1º. Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber
indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não
autoriza:
Pena – reclusão, de 3 a 8 anos, e multa.
§2º. Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que
recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos:
Pena – reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

Presumindo a lei que o funcionário público irá recolher para os cofres


públicos aquilo que arrecadou indevidamente, faz incidir o agente no §1º, caso
contrário, fará incidir na forma qualificada prevista no §2º.
- Diferencia-se o crime de ameaça do crime de extorsão, porque a ameaça
diz respeito à função pública e as represálias prometidas expressa ou
implicitamente, a ela se referem. Havendo violência ou ameaça de mal
estranho à qualidade ou à função do agente, ocorrerá o crime de extorsão.

Corrupção Passiva
art. 317 CP: Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que
fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar
promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 1 a 8 anos, e multa.

Distinção da concussão. Concussão: Delito não caracterizado. Caso de corrupção passiva.


Acusado que não exigiu vantagem indevida das vítimas, mas apenas a solicitou ou recebeu.
Condenação decretada. Inteligência dos artigos 316 e 317 CP.
(Revista dos Tribunais 438/343)

§1º. A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o


funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever
funcional.(p. ex.: a venda de carteira de habilitação – crime qualificado)
98

Corrupção passiva. Inteligência dos artigos 317 §1º e 171 CP. A venda de carteira de
motorista por funcionário público configura o delito de corrupção e não o de estelionato.
(Revista dos Tribunais 536/305-6)

§2º. Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de
dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa. (crime privilegiado)

Resistência
art. 329 CP: Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário
competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:
Pena – detenção, de 2 meses a 2 anos. (...)

exemplos: resistência a ato de busca e apreensão; resistência à prisão por


mandado; resistência à ordem de penhora.

Necessidade de violência ou ameaça. O delito de resistência exige, para configurar-se,


ameaça ou violência contra o agente da autoridade.
(Revista dos Tribunais 469/415)

Legítima defesa putativa. Se o acusado supunha ser injusta a agressão que o irmão sofria
por parte de terceiro e o auxiliou, ignorando que este era policial e executava prisão legal,
resistida por aquele, não pode ser considerado partícipe do delito de resistência, em face da
legítima defesa putativa.
(Revista dos Tribunais 536/309)

* É um crime comum; seu sujeito ativo é qualquer indivíduo; o sujeito


passivo, o Estado; o bem jurídico tutelado, a Administração Pública; o elemento
subjetivo, o dolo.

- Quanto à resistência oferecida por pessoa embriagada, existem duas


posições distintas:
1º) trata-se de um fato atípico, visto que o réu estaria incapacitado para
entender o caráter ilícito do fato.
2º) trata-se de fato típico, bastando a presença do dolo genérico, uma vez
que deve prevalecer aquela que não exclui o dolo ou a culpabilidade
(embriaguez voluntária ou culposa – art. 28 II CP).
Obs: O artigo 28 §1º do Código Penal, que trata da embriaguez completa
por caso fortuito ou força maior, exclui a culpabilidade, isentando de pena.

Forma qualificada: §1º;


Concurso de crimes: §2º - se houver outro crime associado à ação, soma-se
as penas.
Concurso de crimes. Por expressa disposição legal, havendo violência,
deverá ser aplicada a pena desta, cumulativamente com a do crime de
resistência.
Obs: É certo o entendimento de que a resistência oposta pelo autor de um
crime, para evitar que se efetive a sua prisão, quando perseguido, logo após a
prática do ilícito, não constitui um crime autônomo, mas um simples
desdobramento da violência caracterizada daquele.
99

Desacato
art. 331 CP: Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa.

Desacato. Diferencia-se do crime de resistência, porque naquele, a ameaça


ou violência se dá no sentido de que a ordem não seja executada, enquanto
que no crime de desacato, o objetivo é o de humilhar ou o de menosprezar o
funcionário.

Agente que baixa as calças em público para ser revistado. Caracterizado delito de desacato.
A conduta do agente que após ter sido abordado por policiais, abaixa cinicamente as calças em
público, chamando os mesmos para revistá-lo em tom irônico, demonstrando efetivo intuito de
menosprezo, pretendendo constrangê-los e ridicularizá-los frente aos populares que
presenciam o ato.
(RJDTACRIM 23/138)

* É um crime comum; seu sujeito ativo é qualquer indivíduo; seu sujeito


passivo, o Estado, representado pelo funcionário público; o bem jurídico
tutelado, a Administração Pública; o elemento subjetivo, o dolo.

Discute-se se é possível falar em desacato quando o sujeito ativo é


funcionário público e a ofensa se refere às funções públicas, sendo elencadas
três hipóteses:
1º) não há desacato, pois o sujeito deve ser um particular;
2º) há desacato quando a ofensa é praticada por servidor, contra seu superior
hierárquico;
3º) há desacato, não se fazendo distinção quanto à função ou subordinação
hierárquica.
Obs: O desacato absorve as vias de fato, a difamação e a injúria, em razão
do princípio da consumção. Em se tratando, porém, de um crime mais grave,
como no caso da calúnia, ocorrerá o concurso formal (art. 70 CP).

Corrupção ativa
art. 333 CP: Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-
lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 1 a 8 anos, e multa. (...)

Prevê a lei, as ações de oferecer ou de prometer vantagem indevida ao


funcionário público, tendo como finalidade a omissão ou o retardamento de um
ato de ofício. Não é necessário que a oferta seja feita diretamente ao servidor,
pois nada impede que seja ela efetuada através de interposta pessoa, ou seja,
através de um co-autor do crime.
Para configurar a existência do crime, a oferta ou a promessa, devem ter a
finalidade de impedir ou de retardar uma medida ou um ato legais.
Obs: O objeto material do crime é a vantagem indevida, que não se reveste
apenas de um cunho patrimonial, ocorrendo crime também quando a oferta é
moral, sexual, etc.

Corrupção passiva. A existência do crime de corrupção passiva não importa


necessariamente na existência de corrupção ativa.
(Revista dos Tribunais 395/93)
100

- A concussão e corrupção ativa são incompatíveis, com relação ao mesmo


fato.

Lei 8072/90 – dispõe sobre os crimes hediondos


A finalidade inicial desta lei era para atender aos crimes de extorsão
mediante seqüestro.
art. 5º XLIII CF: A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a
prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evita-los, se omitirem.
art. 1º da Lei 8.072/90: São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados
no Decreto-Lei nº 2.884, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, consumados ou tentados:
I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda
que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, §2º, I, II, III, IV, e V);
II – latrocínio (art. 157, §3º, in fine);
III – extorsão qualificada pela morte (art. 158, §2º);
IV – extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput e §§1º, 2º e 3º);
V – estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único);
VI – atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo
único);
VII – epidemia com resultado morte (art. 267, §1º);
VII-A – (Vetado);
VII-B – falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput, e §1º, §1ºA, §1ºB, com redação dada pela Lei nº
9.677, de 2-7-1998).
Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 1º,
2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956, tentado ou consumado.

- A Lei 8.072/90 define quais são os crimes considerados hediondos.

art. 2º. Lei 8.072/90: Os crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
I – Anistia, graça, indulto; (não há previsão constitucional)
II – fiança e liberdade provisória. (não há previsão constitucional)
§1º. A pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em regime fechado;
(o texto do artigo vai de encontro à individualização da pena e à finalidade de
reintegrar o indivíduo na sociedade).
§2º. Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fundamentadamente se o réu
poderá apelar em liberdade. (...)

Em relação a este parágrafo, surgiram três correntes:


1º) não admite a progressão de regime, pois considera que houve
delegação de poderes ao legislador ordinário para elaborar a lei 8.072/90, não
havendo, portanto, inconstitucionalidade. Considera também a não incidência
da prática de tortura na lei 8.072/90, visto que seriam leis distintas e tratariam
de crimes distintos.
2º) é a corrente que aqui predomina, a da progressão de regime. Admite a
progressão de regime, por considerar a lei 8.072/90 inconstitucional e também,
por considerar a prática de tortura equiparada a crime hediondo, sendo que
esta, em seu artigo 1º §7º admite a progressão de regime (princípio da
retroatividade da lei posterior mais benéfica – arts. 5º XL CF e 2º §U CP).
A prática de crimes de tortura está prevista na Lei 9.455/97. O tráfico ilícito
de entorpecentes, na Lei 6.368/76.
101

art. 12 da Lei 6.368/76: Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir,


fabricar, adquirir, vender, expor à venda ou oferecer, fornecer ainda que
gratuitamente, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever,
ministrar ou entregar, de qualquer forma, a consumo substância entorpecente
ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 a 15 anos, e pagamento de 50 a 360 dias-multa.
§1º. Nas mesmas penas incorre quem, indevidamente:
I – importa ou exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda ou oferece,
fornece ainda que gratuitamente, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda matéria-
prima destinada a preparação de substância entorpecente ou que determine dependência
física ou psíquica;
II – semeia, cultiva ou faz colheita de plantas destinadas à preparação de entorpecente ou de
substância que determine dependência física ou psíquica.
§2º. Nas mesmas penas incorre, ainda, quem:
I – induz, instiga ou auxilia alguém a usar entorpecente ou substância que determine
dependência física ou psíquica;
II – utiliza local de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou
consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, para uso indevido ou tráfico
ilícito de entorpecente ou de substância que determine dependência física ou psíquica;
III – contribui de qualquer forma para incentivar ou difundir o uso indevido ou o tráfico ilícito
de substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.
art. 13 Lei 6.368/76: Fabricar, adquirir, vender, fornecer ainda que
gratuitamente, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou
transformação de substância entorpecente ou que determine dependência
física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 a 10 anos, e pagamento de 50 a 360 dias-multa.
art. 14 Lei 6.368/76: Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar,
reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos art. 12 e 13 desta Lei:
Pena – reclusão, de 3 a 10 anos e pagamento de 50 a 360 dias-multa.
Lei dos crimes de terrorismo – surgiram três correntes:
I – a Constituição Federal não fala em indulto.
II – liberdade provisória – a Constituição Federal não veda.
Hediondo significa depravado, repulsivo, horrendo, etc. O legislador, ao se
referir ao vocábulo hediondo, quis contemplar os crimes aqueles que causam
repulsa e medo nos cidadãos, e que são cometidos com violência. A origem do
nome apareceu na Constituição Federal.
Elencados no artigo 1º estão os chamados crimes hediondos. A Lei elencou
figuras penais já existentes. No artigo 2º estariam os chamados crimes
equiparados a crimes hediondos (com exceção do §1º). A prática de tortura, na
lei 9.455/97. O tráfico ilícito de entorpecentes, artigos 12, 13, 14 da Lei
6.368/76.
O terrorismo: ainda não existe uma lei que o defina como sendo um crime
autônomo. Está identificado na atual lei 7.170/83 (lei de segurança nacional),
em alguns dispositivos, como, por exemplo, praticar sabotagem (art. 20).
art. 20 Lei 7.170/83: Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter
em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado
pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de
fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou
102

subversivas.
Pena – reclusão, de 3 a 10 anos.
Parágrafo único. Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se
resulta morte, aumenta-se até o triplo.
A anistia, a graça e o indulto são formas antigas de extensão de
punibilidade, conhecidas no passado como clemência soberana.
A anistia exclui o crime, apagando a infração penal. É sempre concedida
por intermédio de lei, abrangendo aos fatos e não a pessoas (art. 48 VIII CF),
sendo a sua concessão, uma atribuição exclusiva do Congresso Nacional.
Pode se dar antes ou depois de haver o trânsito em julgado. Não pode ser
concedida individualmente, pois atinge ao fato, podendo até a vir a atingir uma
pessoa, se só a ela diz respeito o fato determinente. Em regra, atinge os crimes
políticos.
A Graça dirige-se a crimes comuns e a um indivíduo determinado, que
tenha sido condenado, já com trânsito em julgado. Na prática, tem sido tratado
como um indulto individual, visto que não foi consagrado como instituto
autônomo na Constituição Federal.
O Indulto pressupõe, em regra, uma condenação com trânsito em julgado
(art. 84 XII CF), abrangendo a um grupo de sentenciados. Sua concessão é
uma atribuição exclusiva do Presidente da República.
O artigo 5º da Lei dos crimes hediondos acresceu ao artigo 83 (Requisitos
do livramento condicional) do Código Penal, o inciso V, conforme já constante
no texto do referido Código.
Trata do reincidente específico, ou seja, do indivíduo já condenado, com
trânsito em julgado em quaisquer dos crimes do artigo 2º da referida lei.
art. 8º Lei 8.072/90: Será de 3 a 6 anos de reclusão a pena prevista no art. 288 do Código
Penal, quando se tratar de crimes hediondos, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins ou terrorismo.
Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou
quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a pena reduzida de 1 a 2/3.
art. 288 CP: Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de
cometer crimes:
Pena – reclusão, de 1 a 3 anos.
Parágrafo único. A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é armado.
Em razão do artigo 8º da Lei 8.072/90 (Lei dos crimes hediondos), caput e
parágrafo único, surgiram três correntes, em relação ao delito de associação,
previsto única e exclusivamente no artigo 14 da lei 6.368/76 (Lei anti-tóxicos):
1º) o artigo 14 da lei 6.368/76 estaria revogado, sendo substituído pelo
artigo 288 do Código Penal;
2º) o artigo 14 da lei 6.368/76 permaneceria inalterado, visto que não seria
atingido pelo artigo 8º da Lei 8.072/90.
3º) a dominante – o artigo 14 da Lei 6.368/76 estaria derrogado em relação
a sua pena, que passaria de 3 a 10 anos, para 3 a 6 anos, de reclusão, em
razão do princípio da retroatividade da lei posterior mais benéfica.
art. 35 Lei 6.368/76: O réu condenado por infração dos arts. 12 ou 13 desta Lei não poderá
apelar sem recolher-se à prisão.
Súmula 9 STJ – A exigência de prisão provisória, para apelar, não ofende a garantia
constitucional da presunção de inocência.
O artigo 35 da Lei de tóxicos entrou em conflito direto com o artigo 2º §2º da
Lei 8.072, visto que este último traz um benefício ao réu. Tal conflito acabou
103

sendo resolvido pela jurisprudência, através da súmula 9 do STJ.


Em regra, a Lei de crimes hediondos é irretroativa.
Questões
1) Provado que Joaquim, com o intuito de receber dinheiro, estava
constrangendo Mário, mediante grave ameaça, a qual culminou com a morte
da vítima. Pergunta-se: Joaquim praticou crime hediondo? Explique e aponte o
fundamento legal.
Joaquim praticou um crime hediondo, conforme elencado no artigo 1º III da
Lei 8.072/90 (Lei dos crimes hediondos).
2 O que aconteceu com o delito de associação, com a promulgação da Lei
8.072/90? Explique.
Em razão do artigo 8º da Lei dos crimes hediondos, surgiram três correntes,
sobre o delito de associação:1º) o artigo 14 da lei 6.368/76 estaria revogado,
sendo substituído pelo artigo 288 do Código Penal; 2º) o artigo 14 da lei
6.368/76 permaneceria inalterado, visto que não seria atingido pelo artigo 8º da
Lei 8.072/90; 3º) a dominante – o artigo 14 da Lei 6.368/76 estaria derrogado
em relação a sua pena, que passaria de 3 a 10 anos, para 3 a 6 anos, de
reclusão, em razão do princípio da retroatividade da lei posterior mais benéfica.
3) João mata Roberto, para roubar, em 04 mai 90, sendo preso em 10 nov
90 e condenado em 07 fev 94, pela Lei 8.072/90. Pergunta-se: a decisão está
correta? Explique e aponte o fundamento legal.
A decisão não está correta (art. 4º CP). João não pode vir a ser atingido
pela lei dos crimes hediondos, por ser ela irretroativa (art. 5º XL CF c/c art. 2º
§U CP). Pode ser enquadrado no artigo 157 do Código Penal (crime de roubo).
4) Explique o que é reincidente específico.
Trata-se de indivíduo já condenado, com trânsito em julgado, em crime
elencado no artigo 2º da Lei 8.072/90, que venha novamente a ser condenado,
com trânsito em julgado, pelo mesmo crime (fazendo relação com os artigos
12, 13 e 14 da Lei de tóxicos).
5) Por que a Lei dos crimes hediondos é considerada inconstitucional?
Explique.
Porque tem previsão além do texto constitucional (p. ex.: art. 5º XLIII CF,
com relação à Lei dos crimes hediondos).
Lei 6.368/78 – Lei anti-tóxicos
Histórico
1º) não abordagem: começou a proliferar;
2º) policialesca: repressão policial – o indivíduo era preso e, logo depois,
solto.
3º) abordagem legislativa mais intensa à partir da década de 60:
a) Lei 4.451/64: acrescentou a ação de plantar, ao artigo 281 do Código
Penal;
b) Decreto-lei 159/67: equiparou as substâncias capazes de determinar
dependência física ou psíquica aos entorpecentes;
c) Decreto-lei 385/88: em razão da entrada de produtos estrangeiros (LSD),
que não estavam elencados, os entorpecentes foram retirados do corpo da lei;
d) Lei 5.726/71: previa a denúncia oral, não sendo necessário que o material
apreendido fosse examinado. Tanta celeridade prejudicava a defesa do réu;
e) Lei 6.368/76: Lei em vigor, que revogou o artigo 281 do Código Penal.
104

* Bem protegido: a incolumidade pública, pois trata-se de crime de perigo,


podendo a atingir toda a sociedade, sendo que, como se tem observado, com o
transcorrer dos anos, a faixa etária que passa a consumir a droga vem
diminuindo.
No caso previsto no artigo 12 §1º II da Lei 6.368/76, aquele indivíduo que
cultiva em sua propriedade, sendo julgado, tendo transitado em julgado, perde-
a (o ato de semear, de cultivar ou de fazer a colheita, aqui previstos, tem que
ter como finalidade o tráfico).
* São crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado (18 verbos); o sujeito
ativo é qualquer indivíduo; o sujeito passivo é o Estado em primeiro lugar; o
elemento subjetivo, o dolo.
O artigo 13 da Lei 6.368/76 é um crime de ação múltipla ou crime de
conteúdo variável. Diz respeito aos laboratórios, que funcionam como
verdadeiras usinas de preparação, de fabricação ou transformação de drogas.
A dificuldade encontrada quanto ao enquadramento dos agentes, residem nas
expressões: maquinismo, aparelho, instrumento ou objeto destinado à
fabricação de entorpecentes, pois não existe um aparelho com destinação
exclusiva para tal finalidade.
A jurisprudência enquadra a droga in natura (em seu estado natural) no
artigo 13 e a droga que já sofreu algum tipo de beneficiamento, no artigo 12 da
Lei. Inclusive, considera o artigo 13 como sendo subsidiário do artigo 12;
prevalece, portanto, no caso de haver qualquer conflito, o que estabelecido no
artigo 12, que tem a pena mais grave.
* O sujeito ativo é qualquer indivíduo; o sujeito passivo, o Estado; o
elemento subjetivo, o dolo.
O artigo 14 da Lei 6.368/76 trata do delito de associação. Há, contudo, duas
Leis especiais tratando sobre o mesmo assunto:
- Lei 6.368/76: art. 14 - 3 a 10 anos diminui a pena,
no caso
- Lei 8.072/90 (Lei dos crimes hediondos): art. 8º §U - 3 a 6 anos do
associado
(derrogação tácita)
- O artigo 14 sempre deverá vir acompanhado da prática do artigo 12 ou do
artigo 13, somando-se as duas penas.
Crime de associação é uma forma anômala do crime de quadrilha que
somente acompanha o artigo 12 ou o artigo 13 da presente Lei. Por se
assemelhar à co-autoria, é para os casos de configuração deste delito de forma
autônoma e em concurso material. Em razão do artigo 8º da Lei 8.072/90,
surgiram três correntes distintas. A corrente dominante considera que o artigo
14 foi derrogado, em relação à sua pena, que passaria de 3 a 10 anos, para 3 a
6 anos, conforme o princípio da retroatividade da Lei mais benéfica (art. 5º XL
CF c/c art. 2º §U CP).
* O sujeito ativo é qualquer indivíduo; o sujeito passivo, o Estado; o
elemento subjetivo é dolo
art. 15 da Lei 6.368/76: Prescrever ou ministrar culposamente, o médico, dentista,
farmacêutico ou profissional de enfermagem substância entorpecente ou que determine
dependência física ou psíquica, em dose evidentemente maior que a necessária ou em
105

desacordo com determinação legal ou regulamentar:


Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, e pagamento de 30 a 100 dias-multa.
* É um crime próprio; seu sujeito ativo é tanto o médico, como dentista, o
farmacêutico e ou o profissional de enfermagem.
art. 16 Lei: Adquirir, guardar ou trazer consigo, para uso próprio, substância entorpecente ou
que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena – detenção, de 6 meses a 2 anos, e pagamento de 20 a 50 dias-multa.
Trata este artigo sobre usuário imputável, ou seja, sobre aquele indivíduo
que tem as plenas condições de responder por seus atos.
- Não se tem como enquadrar o plantador de um pé só de maconha. Trata-
se de um fato atípico (entendimento tomado no Rio Grande do Sul. Em São
Paulo, por exemplo, enquadra-se o agente no artigo 16 de Lei, por analogia in
bonam partem).
A diferença entre o dependente penalmente inimputável (art. 19 caput) está
na capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com este entendimento. O artigo 19 é polêmico, visto que equipara um
dependente ou um viciado a um doente mental, mas o grau de dependência
pode ser tão acentuado que torne o agente penalmente incapaz e, portanto,
isento de pena (art. 22 §5º da Lei – exame de dependência).
O artigo 16 da Lei estaria tratando do usuário eventual, do simples portador,
ou do próprio curioso. Quanto à ação de plantar, no Estado de São Paulo, em
razão da analogia in bonam partem, provado que o agente plantou para uso
próprio deve ele ser condenado pelo artigo 16 da Lei. Existe corrente contrária
a este entendimento, no Estado do Rio Grande do Sul, que considera como
sendo um fato atípico, em razão do princípio da reserva legal.
Fumar: o agente estaria praticando a conduta de trazer consigo. O ato de
fumar não é o crime.
* O sujeito ativo é qualquer indivíduo; o sujeito passivo é o Estado; o
elemento subjetivo, o dolo.
Questões
1) Como um julgador como você enquadraria os dois caso abaixo? Explique
a sua decisão.
a) provado que o réu prescreveu a um paciente, por imperícia, substância
entorpecente em desacordo com determinação legal.
O agente deve ser enquadrado no artigo 15 da Lei 6.368/76, tendo em vista
sua ação culposa, por imperícia.
b) Pedro foi preso porque plantou em seu quintal um pé de maconha, para
uso próprio.
Pedro deve ser solto, visto que seu possível crime é um fato atípico, por não
estar previsto na Lei.
2) O artigo 13 é uma norma de caráter subsidiário em relação ao artigo 12,
ambos da Lei 6.368/76. Explique a afirmação acima.
Havendo conflito entre a matéria dos artigos 12 e 13, prevalecerá a pena
prevista pelo primeiro, tendo em vista ser a mais grave (princípio da
subsidiariedade – prevalece sempre a pena mais grave).
3) É correto o réu ser condenado pelos delitos dos artigos 12 e 14 e ainda,
incidir a majorante do artigo 18 III, primeira parte, todos da Lei 6.368/76?
Não é correto, porque ao aplicar o artigo 18 III, primeira parte, estaria se
106

tratando de dupla pena (bis in idem) pelo mesmo crime.


A forma correta tem que ser a pena do artigo 12 mais a pena do artigo 14
(concurso material) ou a pena do artigo 12 mais a pena do artigo 18 III,
primeira parte (pena majorada – o que se dá, normalmente).
4) Fumar maconha não é crime. A afirmação está correta? Explique.
A afirmação está correta. Fumar maconha não é crime. Pode o agente ser
enquadrado no artigo 16, mas na conduta de trazer consigo.
5) Dentre a classificação das Leis Penais, a Lei de Tóxicos é uma norma
penal em branco. Explique a afirmação acima e aponte o fundamento legal.
Segundo dispõe o artigo 36, a Lei não traz discriminadas as substâncias
entorpecentes, que devem ser especificadas pelo Serviço Nacional de
Fiscalização da Medicina e Farmácia, do Ministério da Saúde (trata-se de mero
ato administrativo – fixação por portaria).
6) O caput do artigo 19 da Lei 6.368/76 é uma justificativa ou uma
dirimente? Explique.
É uma dirimente, porque visa determinar sobre isenção de pena e, por
extensão, sobre culpabilidade.
Justificativa (art. 23 CP); dirimente (arts. 22, 26 caput, 27 CP).
7) Roberto é condenado somente pelo artigo 14 da Lei 6.368/76, mas em
razão do artigo 8º da Lei 8.072/90, a pena máxima aplicada é de 6 anos de
reclusão. Pergunta-se: a decisão acima está correta? Explique.
A decisão não está correta. O tipo penal do artigo 14 exige que seja ele
acompanhado do artigo 12 ou do artigo 13 (concurso material).
Lei 9.455/97 – define os crimes de tortura
O Brasil levou quase 50 anos para tipificar a conduta criminosa da prática de
tortura, desde que se tornou signatário da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, aprovada em 10 de dezembro de 1948. Em seu artigo 5º III, diz:
Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento ou castigo cruel,
desumano ou degradante.
Em 1988, a Constituição Federal, no seu artigo 5º XLIII, consagrou como
um direito e uma garantia fundamental, a dignidade humana, proibindo a
prática de tortura, mas sem, contudo, defini-la.
Com o advento da Lei 9.455/97, a prática de tortura foi prevista somente nas
situações do artigo 1º I e II e parágrafos 1º e 2º.
- O artigo 233 da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) já
falava em tortura, embora não houvesse ainda a definição legal do que fosse
tortura. Cabia ao juiz determinar o que era, a seu critério. Em função disso, o
artigo 233 foi então revogado, pelo artigo 4º da Lei 9.455/97 (Lei dos crimes de
tortura). O legislador não descrevia a conduta, portanto, o artigo 233 do
Estatuto da Criança e do Adolescente afrontava diretamente o princípio da
reserva legal, pois sem apresentar uma definição exata do que era o crime de
tortura, deixava-a a cargo do julgador, que acabava por assumir a posição de
legislador. Foi, por isso, expressamente revogado pelo artigo 4º da Lei
9.455/97.

Posição em razão do artigo 2º:


Lei 8.072/90 Lei
9.455/97
art. 2º I – anistia, graça, indulto. art. 1º §6º -
anistia, graça.
107

II – fiança, liberdade provisória.


§1º regime integralmente fechado. §7º - inicialmente
fechado.

- Se considerarmos que a prática de tortura é um crime equiparado a crime


hediondo, necessariamente, em razão do princípio da retroatividade da Lei
mais benéfica, deve-se admitir a interferência de uma Lei na outra, ou seja, a
incidência da Lei 9.455/97 na Lei 8.072/90. O mesmo não ocorrerá se a prática
de tortura não for equiparada a crime hediondo.

Lei 4.898/65 – abuso de autoridade


A Lei que dispõe sobre o abuso de autoridade foi promulgada após a
revolução de 1964, com a finalidade de coibir o abuso de poder, justamente em
uma época em que os direitos individuais passaram a sofrer as mais sérias
restrições.
É uma Lei própria que atinge (sujeito ativo: artigo 5º) o funcionário público.
O artigo 1º da Lei 4.898/65, em razão do direito de representação, ensejou a
Lei 5.249/67.
art. 1º da Lei 4.898/65: O direito de representação e o processo de responsabilidade
administrativa civil e penal, contra as autoridades que, no exercício de suas funções,
cometerem abusos, são regulados pela presente Lei.

A falta de representação do ofendido, nos casos de abuso previstos na Lei


4.898/65, não obsta a iniciativa ou o curso de ação pública, esclarecendo que
não necessita de representação e, portanto, trata-se de uma ação penal
pública incondicionada.

* condicionada - representação (através de


denúncia)
- Pública
Ação penal * incondicionada
- Privada - querelante (através de queixa crime)

A competência para julgar os crimes de abuso de poder é da justiça comum,


mesmo em se tratando de cometimento por um militar, pois a Lei Penal Militar
não prevê em seu escopo o crime de abuso de autoridade, estando inclusive,
este assunto já pacificado, por intermédio da Súmula 172 do STJ.

Súmula 172 STJ – Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso
de autoridade, ainda que praticado em serviço.

Questões
1) Fulana, Oficial de Justiça, cumprindo ordens do Procurador do Município,
manda derrubar um barraco clandestino construído no terreno de propriedade
de Cicrana, a qual pagou os operários para que efetuassem o serviço.
Pergunta-se: Como juiz, como você decidiria o caso acima?
Fulana e o procurador responderão pelo artigo 4º "h" da Lei 4.898/65 – por
co-autoria (artigo 29 CP) e Cicrana como partícipe (art. 30 CP).
2) Fulano, policial civil, juntamente com Cicrano, policial militar, prendem
Beltrano, sem ordem judicial. O fato é descoberto e ambos são condenados
108

pelo artigo 4º "a" da Lei 4.898/65, perante a Justiça Comum. Pergunta-se: a


decisão acima está correta?
A decisão está correta, conforme o que diz a Súmula 172 do STJ.
3) Fulano, policial militar, e Beltrano, profissional liberal, prendem Cicrano,
sem ordem judicial. O fato é descoberto e ambos são condenados pelo artigo
3º "a" da Lei 4.898/65, perante a Justiça Militar. Pergunta-se: a decisão acima
está correta? Explique.
A decisão não está correta. O abuso de autoridade é sempre de
competência da Justiça Comum. Ambos respondem pelo artigo 4º "a", Fulano
pelo artigo 29 do Código Penal e Beltrano pelo artigo 30 do Código Penal
(concurso de pessoas).
4 Como é suprida a falta de representação da vítima, conforme o artigo 1º
da Lei 4.898/65? Explique.
Trata-se de uma ação penal pública incondicionada, não havendo, portanto,
necessidade de representação por parte do ofendido.
5) A pena acessória do artigo 6º §5º da Lei 4.898/65 atinge qualquer
funcionário público, independentemente da hierarquia?
Não atinge, mas somente agente de autoridade civil ou militar, de qualquer
categoria (não os seus superiores).
- Agente de autoridade – não é a autoridade (aquele indivíduo que manda),
mas sim o seu agente.

Questões
1) Como ficou o artigo 233 do Estatuto da Criança e do Adolescente, com a
promulgação da Lei da prática de tortura? Explique.
O artigo 233 foi revogado, em função da existência do artigo 4º II, por
afrontar o princípio da reserva legal.
2) O que é considerado crime de tortura? Aponte os fundamentos legais.
O que aponta a Lei 9.455/97, no artigo 1º I e II (crime comum), §§1º e 2º
(crime próprio).
3) João, por sadismo, resolve torturar Maria, causando-lhe lesão corporal de
natureza grave. Pergunta-se: João será atingido pela Lei 9.455/97? Explique.
João não será atingido pela Lei 9.455/97, devendo responder por lesão
corporal de natureza grave, agravado pela tortura.
- Sadismo não está elencado na Lei como forma de tortura.
4) A Lei 9.455/97 derrogou algum dispositivo da Lei 8.072/90? Explique.
Se a prática de tortura for equiparada a crime hediondo, atinge o indulto, a
progressão de regime, a liberdade provisória, devendo, contudo, se observar o
princípio da retroatividade da Lei mais benéfica.
5) Existe, na Lei 9.455/97, algum caso de excludente da culpabilidade?
Explique.
Existe, no caso do artigo 1º I "b", sendo por coação irresistível (o agente
estará isento de pena – art. 22 CP, primeira parte).
- Se o agente puder, de algum modo, resistir à coação, é atenuante (art. 65
CP).
6) Mário, intencionalmente executa Roberto, através de método de tortura.
Pergunta-se: como Mário será enquadrado? Explique.
Havendo dolo na tortura e culpa na lesão ou na morte. Será enquadrado no
§ 3º - crime preter doloso.
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