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HISTÓRIA D O DIREITO, CIÊNCIA E DISCIPLINA

Luiz Carlos de Azevedo
Professor Associado do Departamento de Direito Processual da
Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo

Resumo:
O autor busca, e m sua obra, demonstrar a importância do estudo
da História do Direito para a compreensão dos institutos jurídicos atuais,
procurando no passado (associado aos momentos político-histórico e cultural)
respostas para as mudanças daqueles. T a m b é m procura mostrar a importância
deste estudo para os vários ramos do Direito, além de fazer breve análise de
suas fontes. Traça, ainda, a evolução do curso de História do Direito e m
Portugal, a criação e desenvolvimento deste no Brasil, b e m como a sua
presença nos mais variados cursos de Direito e m todo o mundo.
Abstract:
The author aims, at his work, to show the importance of the study
on History of L a w due the understanding of nowadays juridical institutes,
looking at the past (coordinated with political, historical and cultural miment)
for answers that explain those. H e also intends to show the importance of this
study for the various wings of Law, yonder a short analysis of its resources.
H e defines, yet, the evolution of the L a w History of Portugal, the creation and
development of this one in Brazil, as well its presence in various studies of
L a w thoroughout the world.
Unitermos: História do Direito; evolução do curso de História do Direito.

Sumário:
1. Introdução.
2. Conceito de História d o Direito.
3. A História d o Direito e os vários ramos da ciência jurídica. Interdisciplinaridade.
Fontes.
4. A História do Direito, disciplina obrigatória integrante dos cursos jurídicos.
5. O ensino da História d o Direito no Brasil.
6. O ensino da História do Direito no exterior.
7. A consolidação d a História d o Direito c o m o disciplina obrigatória d o currículo
d o curso de graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Bibliografia. composto de normas nas quais se distinguem determinados valores protegidos pelo Direito. e o ato. u m ato antijurídico. para entendê-lo. u m a sanção mais rigorosa para a hipótese. . que estava a merecer apenas u m a repressão de caráter civil. não há como desvinculá-los da realidade histórica. Introdução. deixa de sofrer aquela pena. passando a ser coibido ou condicionado a outros meios igualmente válidos para o restabelecimento do direito atingido. Ora. ou ocorre o inverso. embora continue sendo reconhecido c o m o ilícito. pois é preciso saber como este Direito foi. e melhorá-lo. Estes valores. também aquelas vão conhecendo periódicas mudanças. 1. é colocado pelo legislador sob outro prisma de valores. se o Direito constitui u m a expressão inseparável de qualquer meio social civilizado. conforme as exigências de ordem política. e se este Direito não se conserva estático. para que se possa b e m compreender todo o envolvimento que este problema comporta. ou-não. para visualizá-los sob u m critério amplo e abrangente. até ontem. colhendo este e aquele na sua inteira extensão e plenitude. mas se dinamiza e se transforma na medida e m que as condições sociais assim exigem. Todo Estado dispõe de ordenamento jurídico próprio. de acordo c o m a época e conveniência de sua manutenção. é preciso ir mais além. então. e a necessidade de se proteger a ordem jurídica provoca. e c o m o o substrato social se encontra e m continuada alteração. no momento e m que editadas e e m face do ambiente social para o qual se destinaram. econômica ou cultural. conforme a natureza e relevância que estas lhes emprestaram. Assim. ou bens jurídicos. contam com maior ou menor amparo perante as respectivas normas que os resguardam. Conclusão. hoje. na verdade. não é possível se ater unicamente ao momento e m que o ato acaba de ser praticado e ao dispositivo legal que o regulamenta ou sanciona. amanhã.32 Luiz Carlos de Azevedo 8.

e m todas as manifestações. 2. c o m o buscar a evolução de u m determinado Direito sem se valer do concurso da História e sem cuidar dos fundamentos sociais. explicase. 1973. ao revés. repleto de engrenagens: algumas delas. para aqueles institutos que revelaram possuir maior longevidade e estabilidade. que possibilitem o aperfeiçoamento dessa compreensão c o m o u m todo. nos costumes. 1. afastando imprecisões. até alcançar a razão de ser de seu significado e conteúdo. não pela volta às antigüidades jurídicas. que parecem imóveis. Bologna. levantando. José Manuel Pérez-Prendes Y M u n o z D e Arracó. enfim. seus institutos mais sólidos e perenes. passo a passo. Ed. detendo-se nas fontes. na legislação que o rege. descreve e revela. por outra. outras. econômicos e culturais que dirigiram a conduta do conglomerado humano que o adotou e utilizou? Daí a importância inestimável da História do Direito: fornecer ao Direito atual a compreensão dessa retrospectiva.1 Ora. coordena e explicita a vida jurídica de u m povo e m seus mais variados aspectos. II Mulino. antes que as outras. possuem movimento rápido e visível. esclarecendo dúvidas. suas bases de fundo e suas características formais. Ciência e Disciplina 33 Já se disse que a ordem jurídica se assemelha a u m imenso relógio. Questioni Fondamentali per una Moderna Storiografia dei Diritto. . porque foram eles que influenciaram o pensamento jurídico e m maior profundidade e dimensão. Por isso. Curso de Historia dei Derecho Espanol. 488-489. a verdadeira estrutura do ordenamento.História do Direito. outras. mas pelo fato de constituir o "único caminho para a compreensão da essência do Direito'' na sua atual conjuntura. políticos. mais moroso e apenas perceptível. 1978. de preferência. p. Conceito de História do Direito.Darro. para medi-las. N a condição de ciência que é. devem ser levadas e m consideração. pp. 17. trazem movimento tão-lento. pesquisa e esclarece. Bruno Paradisi. E são justamente estas engrenagens mais lentas que não podem ser desprezadas. resultante do conhecimento dos fatos ocorridos e das impressões maiores ou menores que estes deixaram. enfim. nem se limita a erguer e revolver os antecedentes históricos das instituições ora vigentes. deve-se considerá-las dentro de u m larguíssimo período de tempo. 2. deve-se atentar. in "Apologia delia storia giuridica". Madri. ou. Mas a História do Direito não se reduz a um inventário.

Universidad de Sevilla. aplicando-os mecanicamente na medida e m que se possam ajustar aos casos concretos. N ã o é u m trabalho fácil: para b e m entender o significado e alcance de u m determinado ordenamento de natureza jurídica. já que não se conforma c o m a mera descrição dos fenômenos jurídicos. por que não dispõem n e m exercem mais a influência que antes gozavam. por índole. Sevilha. ainda. competirá perscrutar o problema da efetividade do ordenamento no meio que lhe corresponde. também. trad. as quais perduram no tempo e no espaço à conta de inarredável condicionalismo histórico. não pode reduzir-se à leitura sistemática dos textos legais vigentes. por 3. ou. principalmente quando se cuida de u m a ciência c o m o o Direito. por que desapareceram. H á verdades fundamentais a serem consideradas: por mais que se pretenda afogar o passado. para as condições sociais que levaram ao estabelecimento daquelas e destas. deve compreendê-los e explicá-los desde o momento e m que sucederam. 1977. o fundo tradicional sempre emerge. técnico. partirá. empregãndo-o e utilizando-o para o exercício de sua atividade profissional. c o m o na seqüência temporal na qual persistiram sobrevivendo ou deixando de existir. por inteiro. sua área de atuação não se restringe a limites rígidos ou previamente direcionados. nunca se desprezam. a tarefa é sobremaneira ingente: compreensão e explicação. a qual.34 Luiz Carlos de Azevedo É tanto u m a ciência histórica. mas traduz utilidade. experiência e interpretação. dogmático. o pesquisador desdobra o seu estudo por etapas. são qualidades que se integram a este trabalho. . se alguém aspira a empenhar-se c o m afinco ao estudo do Direito. pois não é possível desvincular o Direito atual das causas que determinaram a sua juridicidade. Ademais. certificando-se de que forma e e m que medida tais e quais institutos ainda se encontram válidos. aquelas que consolidaram a estrutura básica da sociedade. dirigindo-se. e por mais que se removam ou substituam as instituições. e m face desta dualidade. ao conteúdo das normas e instituições. primeiramente. é mais conservadora do que as outras. sugestões e idéias. 3 U m esforço de tal porte não interessa apenas sob o ponto de vista histórico. Helmut Coing. e no qual se insere. Las Tareas dei Historiador dei Derecho. depois. circunscrito ao retrospecto dos fatos e atos vividos e legados aos pósteros. ao jurista de hoje. prático. quanto jurídica. de Antônio Merchán.

os estamentos sociais e m que se dividiam. das lendas e mitos populares. dos hábitos culturais e religiosos. . etc. Administrativo. qual o tratamento que se davam nas relações do dia a dia. Fontes. Para u m a possível compreensão do conteúdo da História do Direito. históricas. a maneira c o m o se vestiam as pessoas. mas sempre esteve condicionado a incontáveis ordens de realidade.4 O vastíssimo campo pelo qual atua conduz necessariamente à interdisciplinaridade. presentes no estudo da evolução do pensamento jurídico e das idéias políticas. testamentos. artísticas. alvarás. de Direito Penal.. conforme igualmente se modificam outros inumeráveis fatores que a vida continuamente proporciona. pois está ele tanto às voltas c o m as instituições de Direito Público. entre os colegas historiadores. termos. Processual. Madri. c o m o u m b o m jurista. 1995. N e m vale a pena estabelecer algumas regras para esse fim: durante a Idade Média. contratos. p. a contribuição do folclore. 33. 288 apud José Antônio Escudero. tônica que identifica todos os temas que aborda. alimentavam-se. ali. u m a das principais características do período é justamente a ausência de regras e de parâmetros estanques que possam melhor orientar o pesquisador. Hans Thieme. c o m o u m b o m historiador e. sejam elas jurídicas ou não. o tema é de Direito Civil. entre as primeiras. documentos. pois ela ensina que o Direito não surgiu espontaneamente ex nihilo. nunca estáticas. Interdisciplinaridade.. p. quanto de Direito Privado. Ideensgeschichte und Rechtsgeschichte. fartas e m número e que se acham dispersas nos tratados.. 3. e que se alternam. científicas. Ciência e Disciplina 35 sua vez.História do Direito. muito ajuda. literárias. aqui. A s segundas compreendem acervo ainda mais extenso: obras filosóficas. Se por u m lado não deixa de ser incômoda a sua insistência e m retroagir ao estado temporal das questões que examina. E a tarefa torna-se ainda mais complexa quando o leque se amplia até a Filosofia do Direito ou ao Direito Constitucional. Curso de Historia dei Derecho.. Tantas 4. mas dinâmicas. A História do Direito e os vários ramos da ciência jurídica. principalmente as leis e os costumes. a classificação das fontes nas quais esta se escora. a História do Direito. por exemplo. Onde há de se colocar a História do Direito entre os vários ramos que este último comporta? Costuma-se dizer que o historiador é reconhecido pelos juristas. tabuletas. sem que se desprezem as secundárias. por certo. também esta ressalta na mentalidade jurídica.

inclinações. A História do Direito. constitui o selo mais significativo da sua importância e valor entre as ciências jurídicas. antes da Independência. o seu grau de civilização. quando necessárias ao melhor entendimento deste ou daquele objeto. tendências. 5. A História do Direito. b e m c o m o a vai oração das gradações cambiantes que nele ocorreram. disciplina obrigatória integrante dos cursos jurídicos. D e há muito deixou de ser meramente descritiva. que n e m sempre as leis ditadas c o m soberba pelas autoridades governantes recebiam respaldo entre a população encarregada de as suportar. por conseqüência. então. impõe-se. Para comprovação desta assertiva. vinha conforme a consciência jurídica do povo que a habitava. pp. no campo do Direito. História do Direito Brasileiro. incorporando-se definitivamente ao elenco das ciências jurídicas. 1951. relacionando-as como o condicionalismo social e natural de que são produto"' Para que se tenha u m a breve idéia de c o m o este lavor empolga. 17-18. e de observar a origem e transformação dessas instituições. Waldemar Martins Ferreira. os fatores étnicos e o meio social em que as instituições jurídicas nascem e se desenvolvem.. embora presente desde épocas remotas que se perdem na origem das civilizações. no Brasil. basta exemplificar que do exame de tais impulsos concluir-se-á que n e m sempre o Direito positivo vigente e m determinado período histórico. de m o d o a constituir disciplina obrigatória para a formação de todo aquele que procura u m completo conhecimento do saber. 4.. M a s a investigação é tanto sincrônica. a percepção de u m sistema jurídico c o m o u m todo. enfim. Livraria Freitas Barros. o retorno ao século XVIII e ao regime que vigia e m Portugal e. teve o seu estudo institucionalizado de dois séculos para cá. A amplitude do domínio que a História do Direito abarca. . colocando-os à luz de "processos orgânicos e evolutivos''. quanto diacrônica de m o d o a permitir. ou para que o leitor não se perca e m anacronismos. assim. e m dada região. N ã o estorvam lindes espaciais ou temporais. n e m balizas geográficas ou cronológicas: estas poderão ser adotadas eventualmente. imagens vividas de u m povo sobre o qual se pretende esmiuçar as origens.36 Luiz Carlos de Azevedo marcas e sinais. Rio-São Paulo. para fornecer a reconstrução viva dos fatos. tratâ-se de conhecer "o ambiente físico.

1952. e m parte. do Decreto de Graciano. antes de 1772. pois o guante colocado sobre as idéias. aprofundou-se o autor na descrição detalhada dos "métodos recomendados 6. (Estatutos da Universidade de Coimbra de 1559. O marasmo científico e intelectual traduzia o ferrolho aos estímulos e a estagnação dos espíritos. distintivos do absolutismo. IV carta 13a. Luís Antônio Verney. enquanto as regras universitárias. por cinco cursos inteiros. tão b e m exemplificadas nas obras dos tratadistas da época. nem Teologia sabe. Isto não é ser jurista. pp. IV. do Sexto. 117 e 119. 3). l).. levantando dos escombros da tragédia as idéias que o Iluminismo carreava. nas cartas dedicadas a este tema. Sá da Costa. 1963. abusando da fastidiosa enfiada de remissões. veio promover sensíveis modificações no quadro político e administrativo da nação lusa. . e nada mais. forçavam o imobilismo da sociedade e de suas eventuais vocações. Estes estatutos seriam alterados. Estatutos da Universidade de Coimbra. mas não o sistema de ensino. "sem mais outro exame assente que nem Leis. Padre Serafim Leite. as quais teriam que influir.7 A apreciação do exímio educador não se limitou à crítica sobre a maneira ultrapassada pela qual era ministrado o curso jurídico na Universidade de Coimbra.6 Esta incompreensível imutabilidade sacudiu-a o terremoto de Lisboa.História do Direito. por ordem da Universidade. d. do Digesto. 1559. alheias ao que sucedia no continente. pp. E o Direito no qual aquela se animava seguia por igual destino.100 e 101). discutia-se a necessidade de acompanhar o movimento de renovação cultural que corria pela Europa. sem a qual não é possível que um homem as entenda" (l. capítulos 99. Luís Antônio Verney advertia: "Quem sabe somente quatro apostilas. nem para lá vai" (Verdadeiro Método de Estudar. ainda que editada sob o crivo do Absolutismo. ainda que as tenha presente na memória. Já alguns anos antes. de 1769. Verdadeiro Método de Estudar. Lisboa.. estendendo-se este debate até a área do ensino do Direito. v. v. E a Lei da Boa-Razão. I. porém. 278 e ss. e a censura. porque a História é uma parte principal destas duas faculdades. por sua vez. eu não o distingo do papagaio que repete aquilo que ouviu muitas vezes. na leitura das Institutas. na estrutura do Direito até então utilizado. conformando-se os juristas e m repetir "o longo préstito de autores". 7. advertiam aos estudantes e m cânones e leis que eles se detivessem. principalmente a R o m a n a e u m teólogo ignora a História da Igreja. Ciência e Disciplina 37 Passava-se por crítico período. E continuava: se u m jurista desconhece a História Civil. c. das Clementinas.

. 1995. conforme as diferentes épocas dos tempos e as diversas conjunturas que nelas ocorreram. . depois.38 Luiz Carlos de Azevedo para as diferentes disciplinas jurídicas. cap. partindo do princípio de que o jurisconsulto tem manifesta necessidade do estudo da História "visto ser ela a que mostra por que fim e em que circunstâncias e tempo foram feitas as ditas leis" já que "muitas delas parecem contrárias as outras" (II. III. cit. e à História da Jurisprudência Prática.. III. IX. b. 1. item 9). p. bastando acrescentar que se acolheram quando da divulgação dos novos estatutos da Universidade. por serem estas prenoções indispensáveis para a verdadeira inteligência de todas as leis e do genuíno sentido delas. segundo o critério exposto pelo notável iluminista italiano. quanto à última seção. como da História Civil das Nações e das leis para elas estabelecidas. p. de quem se considerava discípulo''8 A longa exposição que faz sobre a matéria compõe u m dos capítulos de seu trabalho (II. 11. à História da Jurisprudência Teorética. 284 e 357. Luís Antônio Verney. III. 364. a qual seria reconhecida oficialmente para o 8. no ano de 1772. cap. São Paulo. as normas ali contidas dispuseram que "nenhum Direito pode ser entendido sem um claro conhecimento prévio. Estatutos da Universidade de Coimbra. Público Universal e das Gentes. 2. Estatutos da Universidade de Coimbra. 1972. O programa das lições de História do Direito Civil. IIo: de História Civil do Povo e do Direito Romano.11 tarefa da qual se incumbiu Pascoal José de Melo Freire dos Reis. 14).). Público e Universal e das Gentes. passando. ou Ciência das Leis e m Portugal. A Revogação da Sentença. EDUSP/ícone. ao tratar das disciplinas que deveriam ser ensinadas no curso de Direito Civil. prossegue no capítulo V I do m e s m o título e Livro dos estatutos. 10. II. IX. Mando que no o sobredito Curso Jurídico haja lições públicas: I : de Direito Natural. por ordem da Universidade. pp. R o m a n o e Português. 186. sq. ob. 10 O professor designado para reger a cadeira seria obrigado a formar u m "Compêndio Elementar de História do Direito" (Tít. Coimbra. 1772. assim do Direito Natural. a). usos e costumes legítimos da nação portuguesa. ou do exercício das Leis (Tít.9 N ã o há propósito e m demorar na exposição sistemática dos estudos sugeridos. pp. 1772. Moacyr Lobo da Costa. que seriam estudadas as leis. II. Liv. ali se especificando. Tít. dando a conhecer a sua Historiae iuris civilis Lusitani liber singularis. 9. cap. IIIo: da História Civil de Portugal e das Leis Portuguesas'' (Estatutos da Universidade de Coimbra. 159 e ss. l). Luiz Antônio Muratori. cit.

do dedicado empenho de Henrique da G a m a Barros. . a partir dessa data. sempre esteve presente na preocupação dos educadores e no magistério desenvolvido nas Faculdades de Direito de São Paulo e do Recife. aí despontando a contribuição de Manoel Antônio Coelho da Rocha. João Pedro Ribeiro. José Anastácio de Figueiredo. compondo o conjunto das ciências legais históricas. Manoel Paulo Merea. nunca mais deixou de figurar no currículo do curso jurídico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. 5. no curso de pós-graduação. a História do Direito permanece como disciplina fundamental do currículo de todas as Faculdades de Direito de Portugal: está no primeiro ano da tradicional Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. no Departamento de Direito da Universidade Portocalense. O ensino da História do Direito no Brasil. História do Direito). N a seqüência. embora não contasse com cadeira própria. Mário Júlio de Almeida Costa e Nuno Espinosa G o m e s da Silva. já para os nossos dias. Guilherme Braga da Cruz. Porto (Io ano. Luís Cabral de Moncada. A presença ocorre.História do Direito. Desde 1774. o estudo de História do Direito. Francisco Coelho de Sousa e São Paio (1789) e Ricardo Raimundo Nogueira (1795). História do Direito Português). vem contemplada no curso de Direito da Universidade Autônoma de Lisboa "Luís de Camões" (Io ano. Marcello Caetano. No Brasil. quando da instituição dos cursos jurídicos. Lisboa (Io ano. José Ferreira Marnoco e Souza. na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Porto (Io ano. do vulto superior que foi Alexandre Herculano. História das Instituições). sendo certo que. no Departamento de Direito da Universidade Internacional. mormente após a criação da Academia Real das Ciências de Lisboa: Antônio Caetano do Amaral. entre outros. etc. Ainda na graduação. da m e s m a forma. todavia. Hoje. da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa (Io ano. esta vinha sendo ministrada pelo insigne jurista. História das Instituições). História do Direito). a historiografia jurídica conheceu expressivo influxo. José Veríssimo Alves da Silva são nomes que ressaltam entre a produção científica do período a qual continuaria ainda com maior significado durante o curso do século XIX. Ciência e Disciplina 39 estudo da disciplina. A par da contribuição bibliográfica dos professores que se lhe seguiram.

Academia de São Paulo . 1982. de 28 de abril. catedrático de Direito R o m a n o na década 1860-70. a busca às fontes dos institutos a estudar constituía método c o m u m entre os juristas do período. São Paulo. 1883. a utilização do método histórico-dogmático prossegue. "assinalando o valor da história para explicar o espírito da legislação". cite-se o clássico "Da posse e das ações possessórias segundo o Direito Pátrio comparado c o m o Direito R o m a n o e o Canônico'' do Conselheiro Antônio Joaquim Ribas. . catedrático de Direito R o m a n o a partir de 1854. Entre a literatura jurídica correspondente que se seguiu. a reforma estabelecida pelo Decreto n. a marcha que tem seguido a ciência do Direito Pátrio até o presente'' n Mais tarde. sexta série. dispôs que seriam provisoriamente regidos. Augusto Victorino Alves Sacramento Blake. a cadeira de Direito Civil Pátrio c o m análise e comparação do Direito Romano. 3 o v. prefácio à obra Origem e Introdução da Apelação no Direito Lusitano. p. São Paulo. p. 1. 6o v. 14.13 Aliás. 1900. referindo as diversas épocas. referendada no ano seguinte. os diversos códigos e compilações e tudo mais que fosse necessário para que os estudantes conhecessem. incluiu-se a História do Direito.. inseria. ao criar os cursos jurídicos.134. 12. à título de exemplo. Rio de Janeiro.40 Luiz Carlos de Azevedo Assim é que a Carta de Lei de 11 de agosto de 1827. p. de Luiz Carlos de Azevedo. J. São Paulo. N a verdade. referindo-se aos mestres citados.Almeida Nogueira. 1. no que fossem aplicáveis e enquanto a congregação de lentes não-elaborasse o seu regulamento. demonstrando a importância dada às raízes históricas. de tal forma que o professor remontasse "às origens da monarquia portuguesa. a fundo. 152.. trabalho escrito e m colaboração c o m o conselheiro Joaquim Ignácio Ramalho. FIEO. de 30 de março de 1853. Perspectiva.A. 32.. bastando remontar às obras então publicadas entre as quais. no terceiro ano. Visconde da Cachoeira. p.Tradições e Reminiscências.386. Sacramento Blake anota e m sua compilação o "Tratado sobre as fontes do Direito Positivo para servir de introdução a um curso de Direito Pátrio" de autoria do conselheiro João Crispiniano Soares. Alberto Venâncio Filho. 1976. pelo Decreto n. na exposição detalhada que estes fazem das disciplinas do currículo. pelos estatutos de autoria de Luiz José de Carvalho e Mello. Alfredo Buzaid. 13. 73. interpretando-a c o m o fato da vida e da sociedade numa extensa sucessão de manifestações do pensamento humano. Das Arcadas ao Bacharelismo. 396 e 4 o v. Ed. outro mestre da Casa. Dicionário Bibliográfico Brasileiro.

criando também.232-H. ocorrida e m 1895 (Decreto n. enquanto o professor Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho foi nomeado catedrático de História do Direito Nacional. repete-se apenas a de Filosofia e História do Direito. 314) fixa-se a disciplina denominada História do Direito especialmente do Direito Nacional no 5 o ano (3a cadeira). por assim dizer. Rui Barbosa. 12-14. 108. dos monumentos e da evolução das instituições do país. Reforma do Ensino Secundário e Superior.. 1942. . c o m o lembra o Professor Waldemar Ferreira no primeiro capítulo da sua "História do Direito Brasileiro" verificou-se que não se ajustava b e m o ensino concomitante ou m e s m o sucessivo da Filosofia e História do Direito na m e s m a cadeira. e. é promulgado o Decreto n. por sua importância. a história das origens. a qual dividiu o curso de direito e m dois ramos. ob. incumbiu-se da regência o professor Pedro Lessa. às vésperas do novo regime. mereceu publicação oficial e m 1979. Mas." Quando da reorganização dos currículos nas Faculdades de Direito. também. pp. sugere ele a adoção da cadeira de "História do Direito Nacional. 1. N o Recife. Ciência e Disciplina 41 Marco ainda mais expressivo da época do Império. e m São Paulo. ficou responsável pela História do Direito Nacional o professor Isidoro Martins Júnior. por iniciativa de Benjamin Constant. p. titular da Pasta de Instrução Pública. por Decreto de 21 de março de 1891. de 2 de janeiro de 1891: separam-se os cursos de Direito e m ciências jurídicas. são os pareceres de Rui Barbosa sobre a reforma do ensino secundário e superior: na parte e m que se dedica ao ensino jurídico. IX. Para esta última. Rio de Janeiro. É curso que encontramos estabelecido em quase todas as Faculdades de Direito organizadas'' l5 Finalmente. Proclamada a República. e m São Paulo. 1. a de História do Direito. todavia. aparece a cadeira de Filosofia e História do Direito. in Obras Completas de Rui Barbosa. o citado professor Aureliano Coutinho.História do Direito. a de História do Direito Nacional.1. matéria de primeira ordem. é aprovada a Reforma Franco de Sá (1885). ciências sociais e notariado: no primeiro. a partir do m e s m o ano. que contém. 16. cit. v. N o segundo. A Revista da 15. várias novas cadeiras: entre elas. Waldemar Martins Ferreira. passando a ministrá-la. por prejudicar "o desenvolvimento expositivo de uma ou outra matéria. autor do conhecido compêndio que leva o m e s m o n o m e da disciplina e que.

ao tratar do currículo mínimo do curso de Direito. que contém. 215. ob. no ensejo. de 12 de janeiro de 1901) suprimindo a cadeira. D e tal sorte. ampliava aquele estabelecido e m 1962. 18. Documenta n. tanto que assim o declara na m e s m a oração. quando sobrevém nova reforma no ensino do Direito (Decreto n. Alberto Venâncio Filho.17 Sobrava-lhe o intuito de elaborar compêndio a respeito da matéria. p.903. o programa respectivo. a duplicação da responsabilidade animava-o ao projeto. realizado e m 1967. sobre A Reforma do Ensino do Direito no Brasil. IV. sob o patrocínio do Instituto dos Advogados Brasileiros. no qual o ilustre mestre ressalta o valor e o significado da História do Direito. e pela História do Direito Nacional. traz o discurso inaugural por ele proferido. por dois notáveis educadores e juristas. nesta Faculdade. adotado no Centro de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica e na 17. pois. a cultura'' Décadas mais tarde. 1896.. cit. quando nos desvenda a ação benéfica e incessante desse poderoso fator de civilização. do ano de 1896 (v. Revista da Faculdade de Direito de São Paulo. esta já vinha sendo lecionada e m inúmeras Faculdades de Direito do país: a História do Direito. para que a assimilação seja mais completa e mais sólida. v. inviabilizado por súbito falecimento. antes anexo à Filosofia do Direito. da qual fora o primeiro catedrático. pelo Conselho Federal de Educação (Parecer n. Aliás. o autor oferecia u m substitutivo. a História do Direito.42 Luiz Carlos de Azevedo Faculdade de Direito de São Paulo. adicionava-se o ensino da História do Direito. que acompanha o h o m e m na sua marcha progressiva para o ideal de perfeição. nomeado por Decreto de 12 de maio de 1897. especialmente do Direito Brasileiro. no apêndice. 240. entre outras disciplinas. que existia projeto na Câmara visando a sua inclusão no programa. o Primeiro Seminário de Ensino Jurídico. foi ela ensinada. ao acentuar que à cadeira da História do Direito Nacional. 3. . insistindo pelo Direito Romano. de 1891 até 1901. no 2 o . IV). D e seu retorno por mais de u m a vez se cogitou: Aurelino Leal anota e m livro publicado e m 1907. Assim. e dizia que "eliminar dos programas das Faculdades de Direito os estudos históricos é desconhecer a atual compreensão pedagógica que manda remontar às origens. substituiu-o o professor João Pedro da Veiga Filho. 10) para incluir. no I o ano. do professor Haroldo Valladão.

19 N a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. tendo e m vista nova resolução da Comissão de Graduação. à Secretaria da Universidade de São Paulo of. respectivamente. no 5 o e 6 o semestres (sessão de 30 de maio de 1989. a seguir. especialmente do Direito Brasileiro. sob a regência. os quais têm procurado 19. a sua clássica obra. para atender ao melhor desenvolvimento do curso. Ignácio Maria Poveda Velasco e José Reinaldo de Lima Lopes. Canônico e Lusitano. . endereçado pelo então Diretor da Faculdade. História do Direito. delas se incumbindo os professores Luiz Carlos de Azevedo. a disciplina denomina-se "História do Direito" O conteúdo do programa segue o m e s m o teor. Rio de Janeiro. as quais iriam compor. presidida pelo professor Antônio Junqueira de Azevedo e ofício datado de 4 de julho desse m e s m o ano. extinto o curso de doutorado e criado o de pósgraduação. professor Dalmo de Abreu Dallari. História do Direito Brasileiro. 1972. distribuídas na História do Direito e na História do Processo Romano. da Comissão de Graduação. ambas do Rio de Janeiro (1962-72) é o melhor comprovante de sua inclusão e difusão pelos cursos jurídicos brasileiros. as suas preleções sobre a História do Direito Nacional. Haroldo Valladão. Anos mais tarde. respectivamente. o professor Waldemar Ferreira desenvolveu. depois de reaberto o curso de doutorado. nos níveis de mestrado e doutorado. dos professores Alexandre Augusto de Castro Corrêa e Moacyr Lobo da Costa. e m 1990. quando das modificações introduzidas na estrutura curricular. c o m três créditos e D C V 329. a par das naturais alterações introduzidas pelos atuais mestres das disciplinas. Ciência e Disciplina 43 Universidade Federal. com dois créditos) a serem ministradas. as disciplinas mencionadas passaram a ser ministradas no 3 o e 4 o semestres (segundo ano do ciclo institucional) c o m igual carga horária e atribuição de créditos. ATC/155/FD/04/07/1989). passando o programa a fazer parte da referida estrutura curricular. e na seqüência. criaram-se. N o curso de graduação.História do Direito. Hoje. e m curso regular. publicada a partir de 1951. para o Departamento de Direito Civil. os estudos históricos continuaram a compor o rol das disciplinas ofertadas aos interessados. as disciplinas História do Direito e do Pensamento Jurídico I e II ( D C V 328. Foram designados como responsáveis pela regência das disciplinas os professores Antônio Junqueira de Azevedo e Cláudio D e Cicco.

interligando disciplinas de formação geral. de forma aprofundada. além do embasamento histórico-dogmático que aquele possui. à reflexão crítica. no tema relativo à elevação da qualidade e avaliação. circunstância que se denota tanto nas aulas teóricas quanto no desenvolvimento de seminários e atividades extracurriculares. Ética e as teorias gerais abrangentes dos vários ramos do Direito Privado e Público. Vale acrescentar que a receptividade destes estudos tem sido extremamente significativa. Hermenêutica. dispôs que o currículo deve ter composição tridimensional integrada. u m sentido particularmente humanístico nas preleções. ainda. assim. embasamento concluíram que "era humanístico. Sociologia Jurídica e outras matérias fundamentais e . História do Direito. E há u m a atenção especial para a História do Direito Brasileiro.44 Luiz Carlos de Azevedo enfatizar. participantes do Seminário Nacional dos Cursos Jurídicos. não se descura. a Sociologia. capacitando-o ao raciocínio jurídico. com necessário proporcionar ênfase nas disciplinas como ao acadêmico Filosofia Geral. do ideal ético e moral que há de prevalecer na consciência daquele que se dedica a todos os ramos profissionais que o Direito proporciona. neste passo. ao traçar diretrizes a esse respeito. ressaltando a influência que aquele teve na elaboração das Ordenações do Reino. Filosofia Jurídica. disciplinas profissionalizantes e atividades práticas. entre outras. além disto. sendo que as primeiras têm por finalidade desenvolver a formação fundamental do aluno. e m 1991. o ensino de temas de expressiva importância na formação do aluno. c o m o elemento imprescindível de formação do estudante de Direito. valorizar a nossa tradição jurídica e o" embasamento romano-canônico no qual esta se assenta para que os estudantes possam se familiarizar c o m os fundamentos históricos do Direito que irão futuramente exercitar na vida profissional. à interdisciplinaridade. realizado e m Brasília. aliás. Dois anos mais tarde. c o m o faz exemplo o estudo do Direito C o m u m e da sua introdução no Direito Lusitano ao tempo da criação das Universidades Medievais. finalmente. o m e s m o critério adotado pelos professores que os antecederam. desenvolvida de m o d o mais específico na última parte do programa. Acrescente-se. às transformações sociais e jurídicas. tem sido desenvolvido. Filosofia. incluindo-se aí. procura-se. no âmbito nacional. que a permanência da disciplina História do Direito no currículo que lhe corresponde tem sido constante preocupação daqueles incumbidos de diagnosticar e oferecer perspectivas c propostas para o ensino jurídico: a Comissão da O r d e m dos Advogados. seguindo.

etc. 6 o que as demais matérias e novos direitos (além daqueles especificados nos itens I e II) serão incluídos nas disciplinas e m que se desdobrar o currículo pleno de cada curso. Hermenêutica.886. a Faculdade de Direito da tradicional Universidade Católica de Louvain. a História do Direito ou a História das Instituições. Português e Linguagem Jurídica. na Paris II (Université Panthéon. quando dispõe no parágrafo único do art. Ciência e Disciplina 45 interdisciplinares. suas Universidades (Viena. a Portaria n. a exemplo da Sociologia Geral. embora nãomencione expressamente a disciplina História do Direito. N a Áustria. Sociologia. também oferece e m seu currículo a referida disciplina. a História do Direito e o Direito R o m a n o . nas Faculdades de Direito brasileiras. igualmente. Direito R o m a n o . romano-canônico. na grande maioria das Faculdades de Direito. em especial naqueles países que adotam o denominado sistema continental (família romano-germânica) e que encontra suas raízes no Direito C o m u m . História do Direito. 6. Bordeaux.História do Direito. o ensino de História do Direito não tem sido descurado. ou seja. Innsbruck. Fundamentos da Ética Geral e Profissional" Por último. contemplando-a c o m o u m a das matérias básicas fundamentais. é lecionada praticamente e m todas as Faculdades de Direito. fazendo parte do currículo de inúmeros estabelecimentos de ensino superior. Metodologia Científica. onde funciona. Graz. Economia. e m Nancy. assim. compondo a primeira seção. u m a vez que se trata de matéria fundamental do primeiro ciclo. Salzburg. Linz) a incluem nos cursos de Direito. a esta acaba se reportando. seja c o m o integrante das matérias básicas. a disciplina é lecionada obrigatoriamente. e m Dijon (Université Jean Moulin). N a França. . a Faculdade de Direito da Universidade Livre de Bruxelas traz no primeiro ano de graduação a História da Bélgica. de 30 de dezembro de 1994. de acordo c o m as suas peculiaridades e c o m observância da interdisciplinaridade. Teoria Geral do Direito. C o m o já se fez menção. ao lado da Introdução ao Direito. ao fixar as diretrizes curriculares e o conteúdo mínimo do curso jurídico. lecionadas nos primeiros anos do curso. por exemplo. u m Centro de Estudos de História do Direito). No exterior. seja c o m o disciplina autônoma. O ensino da História do Direito no exterior. de m o d o genérico. 1. N a Bélgica.

pela Romanização. Eslovaco. a Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri apresenta u m programa detalhado da matéria que se desenvolve desde o conceito da disciplina. 663^ 671. E m outros países europeus. situando-se logo nos primeiros anos do ciclo básico: na Polônia. 737. 725. Bulgária. Split (História Mundial e História Nacional do Direito). 101.46 Luiz Carlos de Azevedo N a Alemanha. 229. 925. na Croácia. Turquia. História do Direito Italiano Moderno. passando pelos direitos primitivos. 117. no Reino Unido. é obrigatório e m todas as Faculdades de Direito. a qual se desdobra e m Filosofia do Direito. Law Books in Europe. 761. 153. c o m o título de História do Direito Polonês e História Geral do Estado e do Direito. 891. 825. 1127. 87. na Universidade de Varsóvia.. 751. N a Itália. 15. 755. o ensino da História do Direito. 83. 135. 903. na secular Universidade de Oxford. 759. 65. 895. História Legal e Constitucional e História do Direito Romano. 601. m a s está sempre presente no currículo de todas as Faculdades de Direito. 599. a Teoria Geral do Direito. Noruega. 965. Estrutura e Evolução do Direito Espanhol. o estudo da História do Direito é por regra obrigatório. 721.. c o m o n o m e de História Geral do Direito. etc). da República Tcheca (História do Direito Tcheco. Suíça. 121. 807. 99. ministra História do Direito Comparada e a História do Direito e das Doutrinas Políticas. 199. na Finlândia. Lituânia. . 237. e m Zagreb. 1995. Holanda.20 20. E m outras universidades. a qual adota várias denominações e abrangências (História do Direito Italiano. 69. 637. 182. 167. 597. na Universidade Carlos. 689. 113. entre as matérias compulsórias. Direito dos vários reinos que irão constituir a nação espanhola. 211. etc. a Universidade de Cracóvia. e m seu curso de Direito. 774. 819. Suécia. N a Espanha. 173. Guide To Legal Studies In Europe. é estudada c o m o título de História da Legislação. 213. na Europa e nos Estados Unidos da América). até chegar ao Direito na atualidade. 255. na Eslováquia. está no currículo da Faculdade de Direito da Universidade de Gdansk. Bruxelas. Direito Visigótico e Medieval. é estudada e m Rijeka (História Geral do Estado e do Direito). etc. pp. História da Codificação. os cursos de Direito incluem. Hungria. A História do Estado e do Direito Búlgaro é estudada no curso respectivo da Universidade de Sofia.

História do Direito. desde 1772. na condição de disciplina obrigatória. nestes oito anos que se escoaram. a partir de 1895. Ciência e Disciplina 47 7. c o m o n o m e de História do Direito especialmente do Direito Nacional. A consolidação da História do Direito como disciplina obrigatória do currículo do curso de graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. a História do Direito prossegue fazendo parte dos ciclos básico e institucional. quando da criação dos cursos jurídicos no Brasil. ao participar. sendo regularmente ministrada no curso de graduação. Por outro lado.desde 1990. a atribuição de cadeira à referida disciplina. áreas de Direito R o m a n o e de História do Direito. e concursos para a livredocência do Departamento de Direito Civil. Na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. área de História do Direito. a menos se desconheça a realidade dos fatos secularmente apontados e a própria realidade presente. de m o d o mais específico.finalmente. do programa das disciplinas que compunham o currículo. sua posição como disciplina integrante do curso jurídico já se encontra consolidada: na verdade. e. . sem interrupção de continuidade. n e m pode constituir surpresa. desde 1827. junto ao Departamento de Direito Civil. quando da reforma dos Estatutos da Universidade de Coimbra e a conseqüente instituição das lições de História do Direito Civil. R o m a n o e Português. N ã o se trata de novidade. têm sido abertos concursos para a contratação de docente. quando passou a ser novamente lecionada no curso de graduação. terceiro e quarto semestres. na categoria de doutor. naturalmente. desde 1891. quando da Reforma do Ensino Jurídico e a adoção da cadeira de História do Direito Nacional. E m tais condições. constitui a conseqüência lógica. periodicamente. resultante destas duas realidades incontornáveis.

Manual de Historia dei Derecho Espanol. Os juristas que se interessam por ela. Para concluir. 13. 1994.. B A R C H E T . _ • i 22 e que sao as que existem São Paulo.. C L A V E R O . Bibliografia. p. Henri de Page. 806. adiantando um. Quanto mais avançamos no direito civil. ob.. Traité de Droit Civil Belge. mais constatamos que a História. 11. Institucíon Histórica dei Derecho. Bruxelas.M. 1942. Madri. GALLO. apud John Gilissen. 21. cit. 1992. são freqüentemente acusados de pedantismo. Lisboa. Uma apreciação deste gênero não beneficia aqueles que a formulam. quase sempre à custa de investigações muito longas e muito laboriosas. Barcelona. p. Waldemar Martins Ferreira. Ninguém é capaz de dar um passo à vanguarda. cuja tradução portuguesa tem se revelado tão-útil aos estudantes: "A história do direito é muitas vezes tratada com um condescendente desdém. vale transcrever.48 Luiz Carlos de Azevedo 8. Bartolomé. Marcial Pons. dezembro de 1997. é a única capaz de explicar o que as nossas instituições são as que e porque . c o m o ciência e disciplina: "nenhum jurista pode dispensar o contingente do passado afim de bem compreender as instituições jurídicas dos dias atuais. Introdução Histórica ao Direito. Macaísta Malheiros. sem deixar o outro pé na retaguarda. Madri. 22. Bruno Aguilera. por aqueles que entendem ocupar-se apenas do direito positivo. aqui. 1979. quanto disseram. Alfonso Garcia. 1975. p. Historia y Derecho. Diferentemente não se realizam caminhadas" 2I D o m e s m o m o d o a oportuna lição de Henri de Page. . tradução de Antônio Manoel Hespanha e L. Fundação Calouste Gulbenkian. muito mais do que a Lógica ou a Teoria. transcrita por John Gilissen na sua Introdução Histórica do Direito. ao ressaltar a importância da História do Direito. como o professor Waldemar Ferreira. Conclusão.

Spencer. Francisco Tomás y. IV. Lisboa. Ciência e Disciplina 49 VALIENTE. RT. Horácio Wanderley. EDUSP-Saraiva. 1924. Tip. Novo Currículo Mínimo dos Cursos Jurídicos. Manual de História dei Derecho Espanol. C R U Z . Coimbra. Universidade de Coimbra. 1995. José Rogério Cruz e.História do Direito. 1894. Monuel Antônio Coelho da. R O D R I G U E S . Ensaio sobre a História do Governo e Legislação de Portugal. São Paulo. 1897. 1980. RT. Dalloz. X X . 1996. Università degli Studi di Roma "La Sapienza". 1991-92. 1896. C A E T A N O . Memórias para a Academia de São Paulo. São Paulo. A Reforma Pombalina da Instrução Pública. TUCCI. 1991. 1928. História do Direito Português. Siqueira. Waldemar Martins. 1992. Guide des Études de Droit. V A M P R É . Roma. Madri. Saraiva. R O C H A . V. 1981. Marcello. São Paulo. São Paulo. Tecnos. C A R V A L H O . Verbo. Coimbra. Lições de História do Processo Civil Romano. Laerte Ramos de. vols. II. Revista da Faculdade de Direito de São Paulo. 1912. Luiz Carlos de. Universidad Complutense. C O S T A . História do Direito Português. FERREIRA. Coimbra. 1989. Madri. Paris. 1995. 1872. Ordine Degli Studi e Programma dei Corsi. Imp. Guilherme Braga da. Mário Júlio de Almeida. e A Z E V E D O . Guia dei Estudiante. História do Direito Português. 1978. São Paulo. Almedina. A Congregação da Faculdade de Direito de São Paulo na Centúria de 1827 a 1927. .