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AVALIAÇÃO DISCURSIVA DE SOCIOLOGIA – 2º COLEGIAL – 2º TRIMESTRE

Leia o texto a seguir. Ele servirá de base para as questões 1 e 2.
Índios: Dois projetos ameaçam terras indígenas e acirram conflitos rurais
Atualmente, a população indígena no Brasil soma 896,9 mil (menos de 1% da população), de
305 etnias, com línguas e costumes diferentes, o que faz do Brasil o país com a maior
diversidade cultural do mundo. Os dados são do Censo 2010. No entanto, os índios ainda têm
frágeis direitos aos seus territórios.
Em 2014, duas propostas que visam alterar o direito do uso da terra pelos índios voltam ao
debate no Congresso.
Direto ao ponto

Uma delas é a PEC 215. De autoria do ex-deputado Almir Sá, a proposta quer transferir para
o Congresso Nacional a função de demarcação das terras, competência que hoje é da
União, revisar as terras já demarcadas e ainda propõe uma mudança nos critérios e
procedimentos para a demarcação, que passariam a ser regulamentadas por lei, e não por
decreto como funciona atualmente.
Os órgãos responsáveis pelas demarcações são a Funai (Fundação Nacional do Índio), que faz
os estudos e delimita as áreas; o Ministério da Justiça, que faz a declaração da terra; e a
Presidência da República, que a homologa. Atualmente, segundo a Funai, existem 645 áreas
indígenas em diferentes fases da demarcação.
Todo esse processo deveria ter sido concluído até 1993, uma vez que o artigo 67 da
Constituição de 1988 dava cinco anos para a União finalizar a demarcação das terras
indígenas.
O PLP 227, de autoria do deputado Homero Pereira (PSD-MT), quer regulamentar o artigo da
Constituição que define áreas de interesse público à União. De acordo com a proposta, terras
que se configurarem como assentamentos de reforma agrária, exploração de jazidas e
minerais, construção de rodovias e ferrovias, campos de treinamento militar, ocupações
de terras privadas até 5 de outubro de 1988, entre outros, não serão liberadas para
demarcação indígena.
Em ambas as propostas, as opiniões se dividem. Alguns parlamentares defendem que o
Congresso participe da demarcação por se tratar de terras públicas. Deputados ligados ao
agronegócio (a chamada “bancada ruralista”) avaliam que a forma como o processo ocorre hoje
ameaça a produção agropecuária e prejudica o pequeno produtor.

os conflitos seguem ocorrendo. A disputa constante pela terra A maioria dos índios brasileiros (57. presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. o tema do uso da terra promete dividir novamente representantes do agronegócio. ambientalistas e indígenas. que temia a formação de milícias. Essas áreas equivalem a 12. a invasão de fazendas em Sidrolândia (MS) por indígenas culminou na morte de um índio terena. de forma violenta.7 mil habitantes (5% do total) distribuídos entre o Amazonas e Roraima.Para os indígenas. Conflitos com fazendeiros Em meio a esse impasse. Em maio de 2013. se aprovadas. Em 2014. O governo negocia como os produtores a compra dos terrenos. Os terena reivindicam uma área cujo processo demarcatório se arrasta há 13 anos. Nessa região está localizada a terra indígena mais populosa no país: a Yanomami. causou polêmica um vídeo em que o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS). vão dificultar a demarcação da terra.1 mil índios estão fora das terras originárias.uol. Já no Sudeste. Um dos casos mais conhecidos é o da Raposa Serra do Sol.com. A Força Nacional chegou a ser convocada para garantir a segurança local. em Roraima.8%)— da região Norte e dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.7%) vive em 505 terras indígenas reconhecidas pelo governo (Censo 2010). 84% dos 99. principalmente nas áreas rurais -. essencial para que eles preservem seus costumes.3 mil na terra indígena. defende que os agricultores deveriam se armar para evitar invasões indígenas. produtores rurais do Mato Grosso do Sul organizaram o “Leilão da Resistência”. com 25. A quem elas beneficiam? Por que. Com as duas propostas em andamento no Congresso. Disponível em: http://vestibular. a preservação do meio ambiente e a preservação da cultura dos povos tradicionais. em alguns casos. tradições e sustentabilidade. Já a etnia Ticuna (AM) é a mais numerosa. sendo 39.5% do território nacional. Mesmo com a posse inalienável de suas terras garantida por lei. mesmo com a organização dos movimentos indígenas e instrumentos regulamentadores que reconhecem seus direitos.0) .br/resumo-das-disciplinas/atualidades/indios-doisprojetos-ameacam-terras-indigenas-e-acirram-conflitos-rurais.onde vive a maioria da população indígena (63. sendo que maior parte fica na região Norte -. com 46 mil índios.htm.a mais populosa em indígenas (342 mil). as duas propostas atendem a interesses econômicos (ameaçando suas riquezas ambientais e minerais) e. terra onde vivem 19 mil índios e é alvo de disputa com fazendeiros e garimpeiros. Já os fazendeiros não querem perder suas terras. os povos indígenas estão sendo ameaçados em seus direitos? (2. seguido do Nordeste (54%). colocando em lados opostos a exploração econômica. Em dezembro do ano passado. são constantes os conflitos envolvendo fazendeiros e empresários em terras com recursos naturais e minérios. para arrecadar recursos para impedir a invasão de terras por indígenas. Acesso em 25/05/2014 Tanto a Proposta de Emenda constitucional (PEC) 215 quanto o Projeto de Lei Complementar (PLP) 227 representam claramente certos interesses contrários aos direitos dos povos indígenas. O leilão foi impedido pela Justiça.

  Tanto a Proposta de Emenda constitucional (PEC) 215 quanto o Projeto de Lei Complementar (PLP) 227 beneficiam primordialmente a bancada ruralista (representa os interesses do agronegócios). entre outros. reservas pequenas ou sem o menor significado simbólico. o movimento político de luta para retomada e reconquista dos territórios sagrados intensifica os conflitos no campo. há fortes interesses econômicos em torno das terras indígenas e aqueles que detêm o poder para criar leis (legislativo) representam. querem tudo de graça. fossem expulsos ou alocados em espaços. os índios. ou seja. sesmarias. vagabundo. como nativos da terra e com profunda relação espiritual com a mesma. à propriedade privada colaborando e enfatizando a ideia na consciência social de muitos estereótipos ligados aos povos indígenas como. Uma faixa pede a saída do governador Geraldo Alckmin – o A do nome traz o símbolo de anarquia. assim. São Paulo. (1. violentos.0) QUESTÃO 03 O Black Bloc está na rua Com um martelo em punho. Outros trajados da mesma forma. pelo menos.0) A origem desses conflitos remete ao passado histórico e à maneira como a estrutura fundiária se constituiu no país. atrasados.0)   Índios. de maneira geral. os garimpeiros e também a União. (2.0) Mesmo com a organização dos movimentos indígenas e instrumentos regulamentadores que reconhecem seus direitos. em grande medida. (1. um entrave ao desenvolvimento do país como um todo. Desde as políticas associadas às capitanias hereditárias. Outra questão relevante são os paradigmas vigentes na sociedade que. uma explicação para a origem desses conflitos. .0) QUESTÃO 02 Quando se trata dos conflitos agrários envolvendo índios e fazendeiros. Com a ampliação da conscientização dos direitos pelos indígenas. com suas reivindicações representam. há uma perspectiva clara na consciência social de que os índios são os invasores e não o contrário. preguiçosos. entendem progresso ligado à ideia desenvolvimentista econômico. primeiramente. estilhaçam a parede de vidro de uma agência bancária. (1. o agronegócio que tem como prioridade a produção econômica e o lucro capitalista em detrimento dos interesses indígenas e conservação de seus costumes e tradições. Por quê? Apresente. Nesse caso. apesar de terem o reconhecimento do direito da posse sobre seus territórios sagrados assegurados pela lei (constituição) e outros instrumentos normativos. de certa forma. (1. os empresários. na prática são os fazendeiros que detêm a propriedade legal apoiada nos aparatos jurídicos do Estado de Direito. ou seja. paus e pedras nas mãos. os fazendeiros em geral. todos aqueles que têm interesses econômicos nas terras indígenas. por exemplo. de são incivilizados. as políticas de aldeamento com intuito de “integração nacional”. são os índios que representam uma ameaça à ordem instituída. Até chegarem as bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo da tropa de choque da PM. marcha para oeste no governo Vargas até processos de grilagem na atualidade configuram processos em que os índios. os povos indígenas estão sendo ameaçados em seus direitos porque. não contribuem para o desenvolvimento econômico do país. uma jovem de rosto coberto vestida de preto tenta destruir um Chevrolet Camaro (de 200 mil reais) em uma concessionária na Avenida Rebouças.

Estudar política e quebrar bancos caminham juntos.0) .html. diz. Do ponto de vista positivista.0)  A visão de ordem defendida pelos positivistas está associada ideologicamente à manutenção (saúde) dos paradigmas (regras. Para Avelino. que vão do Movimento Passe Livre (MPL) e outros coletivos até a face extrema dos encapuzados. (2. a tática Black Bloc forçou a discussão sobre o uso da desobediência civil e da ação direta. sem depredar nada. as atuações explicitaram a emergência de uma faceta dos movimentos sociais. Ignorá-los não resolve a questão: o que faz um jovem se juntar a desconhecidos para atacar o patrimônio de empresas privadas sob risco de apanhar da polícia? “O que nos motiva é a insatisfação com o sistema político e econômico”. políticos e sociais relacionados à sociedade moderna. Esta ordem é a mesma analisada e defendida pelos positivistas. Seriam jovens anarquistas anticapitalistas e antiglobalização. Nas capas de jornais e na boca dos âncoras televisivos. diz Roberto (nome fictício). “Não se trata de depredar pelo simples prazer de quebrar ou pichar coisas.0)  O Black Bloc representaria. que ordem é esta? O que o Black Bloc representa para a sociedade e o modelo de ordem vigente? (3. capitalista que funcionaria tal como um organismo que tende à harmonia. Uma abordagem simplista diante de um fenômeno complexo. (adaptado) Há na sociedade atual uma clara noção de ordem. de cunho anarquista e autonomista. ali para suprir a insuficiência da propaganda oral e escrita quando a prática eleitoral ganhava influência. a propaganda pelo fato.br/revista/760/o-black-bloc-esta-na-rua-7083. Disponível em: http://www. (1. uma vez que se apresenta como um grupo com clara insatisfação com o sistema econômico e político e que utiliza de ações diretas de violência contra a propriedade privada e os símbolos do capitalismo intentando. mas da ideia de vandalismo”. Quando atacamos uma agência bancária. comportamentos. Roberto já havia ido às ruas contra a alta da tarifa. Corretos ou não. Acesso em 25/05/2014. Ele não se identifica por razões óbvias: o que faz é ilegal. ou seja. O que explica a aceitação dos Black Blocs entre jovens na rede: o fenômeno daria voz a anseios difusos de quebrar a ordem. mas de atacar o símbolo representado ali. não somos ingênuos de acreditar que estamos ajudando a falir um banco. “Nossa sociedade vive permeada por símbolos. instituições) econômicos. anticapitalista. nessa perspectiva organicista. ao demonstrar.com. cujo lema passa por destruir a propriedade de grandes corporações e enfrentar a polícia. 26 anos e três Black Blocs na bagagem. longe das vias institucionais.cartacapital. Conheceu a tática e decidiu pelas vias de fato. dessa forma. a insanidade desses paradigmas e tentando a introdução de um novo modelo de ordem: anarquista. Além da ameaça à propriedade e às regras do cotidiano (como atrapalhar o trânsito e a visita oficial do papa). Participar de um Black Bloc é fazer uso deles para quebrar preconceitos. não só do alvo atacado. do questionamento da mobilização pelo próprio sistema representativo. na visão do movimento. o Black Bloc pode ser visto como a retomada de um tipo de ação praticada pelos anarquistas no século XIX. mas tornando evidente a insanidade do capitalismo.Black Bloc foi o termo surgido de forma confusa na imprensa nacional. A razão desse retorno à ação direta adviria da paulatina perda da dignidade imposta pelo capitalismo. uma doença (ameaça) que deve ser combatida. eram “a minoria baderneira” em meio a “protestos que começaram pacíficos e ordeiros”.

no campo sociológico. os positivistas estão defendendo que. na compreensão dos fenômenos se deveria adotar uma mesma postura cientificista: uso da razão e da imparcialidade como forma de observação e descrição (empirismo) das leis que regem o universo e a sociedade. Por quê? O que exatamente Auguste Comte. Dessa maneira. está defendendo? (2. (3.QUESTÃO 04 “Há leis tão determinadas que explicam o comportamento humano e a organização social tanto quanto há para explicação da queda de uma pedra”. imutáveis e universais. o discurso imperialista acabou legitimando uma série de atrocidades e injustiças contra as populações dos territórios dominados. na organização social seria da mesma maneira. o que permitiria ao sociólogo não apenas compreender os fenômenos sociais como antecipar. Apesar das impactantes necessidades econômicas que explicam a realização desse fato histórico. prevenir situações que pudessem colocar em risco a harmonia da sociedade. que expressa também a visão de outros positivistas. o positivismo ofereceu possível legitimidade ao processo através . esses dois continentes não abarcariam atualmente graves problemas de natureza econômica e social. (1. essa possibilidade também existiria no meio social. Na prática. (adaptado). Explique como os princípios do positivismo ajudaram a justificar o imperialismo no século XIX. não podemos deixar de levar em conta a ideologia construída por de trás do imperialismo.0)   Para os positivistas. tal como seria possível prever os acontecimentos físicos. Afinal de contas.htm. vários intelectuais e religiosos partilharam de teses e opiniões que também justificaram a entrada europeia em domínios afro-asiáticos.0)  O imperialismo do século XIX foi justificado por uma série de teses e ideologias. (Auguste Comte) Esta célebre frase de Auguste Comte revela claramente a influência das ciências naturais nos princípios positivistas. Assim.brasilescola. por isso. prática que resultou na conquista e exploração de vários territórios africanos e asiáticos. se esta missão civilizadora tivesse sido colocada em ação. De fato. Acesso em 25/05/2014. A consolidação deste quadro levou à promoção do imperialismo. Pelo atendimento de tais demandas. a concorrência entre os países industrializados levou a incessante busca por novos mercados consumidores e a obtenção de matéria-prima barata. tal como na natureza os comportamentos físicos se explicam por leis naturais. Disponível em: http://www. mundo físico e mundo social não eram distintos e.0) QUESTÃO 05 A Europa do século XIX experimentava um acelerado processo de industrialização que determinou o fim do monopólio britânico neste ramo de atividade econômica. (1. Assim. observamos que a missão civilizatória acabou ressaltando a diferença entre os povos e abrindo espaço para essa indiscriminada exploração do outro.com/historiag/a-ideologia-imperialista. as potências industriais acreditavam ser possível ampliar suas respectivas economias.0) Dessa forma.

(1. gerou forte processo de aculturação para o favorecimento de certos interesses capitalistas das nações ditas “civilizadas”.0)  Nessa visão evolucionista. o que resultaria naturalmente em certas desigualdades entre as nações pelo fato de umas se adaptarem melhor do que outras. No entanto. assim. com o progresso. os países europeus industrializados foram interpretados como representantes do estágio máximo de desenvolvimento (estágio positivo) em relação a muitos outros países em condição de transição para ordem capitalista (estágio metafísico) ou ainda se apresentando como fósseis vivos marcados pelo fetichismo e misticismo (estágio teológico). de fato. (1. (1. na prática. Oceania e América que ainda não tinham sido colonizados. como no caso dos países da África. Ásia. baseada na seleção natural.das ideias de evolucionismo – corrente amparada na concepção de que as sociedades tenderiam inevitavelmente à evolução linear seletiva passando sempre de estágios inferiores para superiores.0) .0)  Essa visão eurocêntrica e etnocêntrica favoreceu o discurso assumido pelos países envolvidos na corrida imperialista de que se tratava do “fardo do homem branco” a missão civilizatória de dirimir o atraso de muitas sociedades julgadas teológicas colaborando.