Você está na página 1de 7

07/12/2014

Escrevendo o Roteiro

 
Revisado: 29/10/2003

Módulo 6
 
  
 

Diretrizes para Escrever um
Roteiro
S eria possível para um mestre­de­obras construir
uma casa sem compreender a planta do
arquiteto? 
Provavelmente, não . 
Da mesma maneira, o pessoal­chave da equipe de produção deve ter uma compreensão
básica do roteiro, antes de poder realizar o programa. 
Um guia completo sobre como escrever roteiros, para os diferentes tipos de programa de
televisão, está além do escopo deste curso. Ao mesmo tempo, esta é uma das áreas onde
"conhecimento é poder", e quanto mais você souber sobre roteirização, maiores serão as
suas chances de obter sucesso, profissionalmente. 
Ao chegar ao final deste módulo, você deverá conhecer todos os elementos estruturais
importantes e ter os conhecimentos básicos e necessários para escrever um roteiro. (Num
módulo anterior, já vimos que, muitos profissionais bem sucedidos de produção, iniciaram
suas carreiras escrevendo roteiros).  

"Com licença, Sr. Brinkley..." 
Há muitos anos, um dos meus alunos de produção de TV estava jantando em um
restaurante em Miami quando viu David Brinkley ­ um dos mais experientes e respeitados
âncoras de todos os tempos ­ na mesa ao lado. O estudante foi até lá e se apresentou ao Sr.
Brinkley, dizendo que o seu grande sonho era ser telejornalista. 
"Sr. Brinkley, que conselho o senhor me daria para ter sucesso na profissão? " 
Sr. Brinkley largou o garfo, pensou e respondeu, "Três coisas: Aprenda a escrever. Aprenda
a escrever. E, aprenda a escrever." 
Embora você possa aprender o básico sobre como escrever aqui ou num bom livro, a única
maneira de se desenvolver e se tornar um bom escritor é escrevendo. 
Escrevendo muito! 
A maioria dos escritores de sucesso passa anos escrevendo, até conseguir se firmar no
mercado ­ e viver do que escreve. Num certo sentido, os fracassos iniciais não se tratam de
fracassos, mas pré­requisitos para o sucesso.  
Por isso, não desespere, se os seus primeiros trabalhos não forem premiados pela
http://www.cybercollege.com/port/tvp006.htm

1/7

. e palavras grifadas por letras em negrito ou itálico para orientar o leitor. quando ouvimos o que está sendo dito.até que a sentença ou pensamento se complete. devemos reter as primeiras palavras na memória e ir adicionando as palavras subseqüentes . voltar para reler a sentença. o significado se perde; ou pior. concisas e diretas. E a ortografia. Aqueles que escrevem para Jornais e Revistas desfrutam de vantagens que o Rádio e a TV não oferecem. (um gênio reconhecido) são 10 por cento de inspiração e 90 por cento de transpiração. se utilizam frases incompletas .htm 2/7 ..07/12/2014 Escrevendo o Roteiro Academia Nacional ou com um Prêmio Pulitzer.com/port/tvp006. Para que o significado da frase seja compreendido.   A voz ativa é preferida à voz passiva; substantivos e verbos são preferidos aos adjetivos; e http://www. da mesma maneira que numa conversa normal.  Mas. Se a frase não for compreendida em um programa de TV. nós vemos palavras em grupos ou padrões de pensamento. O broadcast style  (estilo televisivo) se caracteriza por frases curtas. parágrafos.  Escrevendo para a TV   Roteiros de vídeo têm um estilo próprio.   Sucesso e genialidade.  As coisas são bem diferentes quando se escreve para o ouvido.. o leitor pode. o telespectador fica distraído por algum tempo tentando imaginar o que foi dito.  A maneira como percebemos a informação verbal também complica as coisas. Com frequência.  Embora tal uso seja desaprovado pelo seu professor de Línguas ­ Inglês ou Português ­ pois.  As regras de pontuação nem sempre são seguidas.  Lembre­se que escrever para a Mídia Eletrônica é bem diferente do que escrever para a Mídia Impressa. para determinar o seu significado. Isto nos ajuda a entender o significado da frase.  Por exemplo. parafraseando Albert Einstein.cybercollege. está em desacordo com a forma padrão de escrita ­ a consideração principal ao se escrever o texto da narração é a clareza. Lembre­se apenas que a lista de escritores profissionais que passaram anos se aperfeiçoando e se desenvolvendo ­ sem desistir ou se entregar ao desespero e à frustração ­ é tão grande quanto a própria lista de escritores bem sucedidos. Vírgulas e reticências são freqüentemente usadas para indicar pausas para o locutor. Se a sentença é muito complexa ou muito longa. já que a narração deve ser feita em tom coloquial.  Com a palavra escrita podemos utilizar divisões de capítulo.. o significado da frase se perde ou fica confuso. Quando estamos lendo. primeiro. a informação é percebida palavra por palavra. a qualquer momento. Mas. de palavras com o mesmo som. sub­títulos. vamos aos conhecimentos básicos.

. devemos atrair a audiência e comunicar claramente as informações selecionadas.   Idealmente. devemos evitar as orações dependentes. Se você pode ver claramente o que está acontecendo na tela. lembre­se que http://www. isto irá aborrecer o seu público. Mas. para informar aos ouvintes sobre o que eles não podem ver. Ao invés de "curta distância ". As vírgulas sinalizam as pausas. Evite o tipo de comentário "David corre". ("Segundo o Ministro da Saúde. especialmente vírgulas. Mas.   Isto não quer dizer que você deva ser literal. que diz o óbvio. para ajudar na leitura dos textos de narração.   Também utilizamos pontuação extra. para não confundir a audiência.   Uma das melhores referências sobre simplicidade e clareza de escrever é um pequeno livro de 70 páginas escrito por Struck and White.  As atribuições ­ ao contrário do jornal impresso ­ devem vir no começo da frase. o diálogo ou narração deve complementar o que está sendo visto. a meta não é simplesmente descarregar mais informação nos espectadores. Na televisão. que tipicamente ocorrem. no início das sentenças. muitas falas desse tipo são incluídas no diálogo. e para quem.  Em produção de TV. estão adotando um estilo mais próximo ao do broadcast style.com/port/tvp006. ao invés de.  E eliminar as palavras desnecessárias. Em novelas de Rádio. imagens relacionadas com o que estão ouvindo ­ geralmente.  As primeiras 27 páginas são especialmente relevantes a este assunto. use "perto".07/12/2014 Escrevendo o Roteiro as palavras específicas são preferidas às palavras gerais. Na televisão. correlacione (relacione) som e imagem. em 1959. este não é exatamente o caso da TV. queremos saber logo de cara "quem foi que disse".htm 3/7 .   Sobrecarga de Informação  Com mais que 100 canais de TV e milhões de web pages disponíveis na Internet ­ para citar apenas dois veículos de comunicação ­ um dos maiores problemas. é a sobrecarga de informação. hoje em dia.cybercollege..  Comparando as Mídias Eletrônica e Impressa podemos notar diferenças entre os estilos de linguagem.   Correlacione Áudio e Vídeo  Os telespectadores estão acostumados a ver na tela da TV.   A capacidade do ser humano de absorver informação é limitada. sob a forma de diálogo ou narração. Por isso."). Para ter sucesso. "neste momento " prefira "agora". você está escrevendo quando se sentar no seu computador. alguns jornais americanos. Além disso. um procedimento nem sempre aprovado pelo seu professor de Línguas). num esforço de comunicar informações mais rápida e claramente. de forma interessante e esclarecedora. tais como USA Today. Por exemplo... chamado "Elements of  Style" . Apenas lembre­se o que. (como já foi dito.

que "freqüentemente" não é "sempre"). O fade­in é o inverso. e podem ser comparados ao início e final dos capítulos de um livro. Programe a sua apresentação de acordo com a capacidade que o seu público­alvo tem de absorver os conceitos que serão abordados. reforçar o ponto através da repetição ou com uma ou duas ilustrações. E. o público fica perdido; se vai muito devagar. acaba aborrecendo a audiência. e quando você vai mudar o assunto.. O fade­out é um tipo de transição que consiste de dois ou três segundos de uma imagem escurecendo até que tudo fique preto e em silêncio. durante a transição de uma para outra) são freqüentemente um sinal de mudança de tempo ou local.  Em vídeos de treinamento. Se você vai depressa demais. aqui estão sete regras gerais para escrever para televisão. vídeo e cinema não têm uma gramática ­ convenções ou estrutura ­ próprias. Após apresentar um ponto importante.07/12/2014 Escrevendo o Roteiro o espectador típico tem uma série de distrações externas e internas. finalmente. mesmo nesta era da MTV. da maneira mais simples e mais clara possível. e outras a ambos os tipos.  Assuma um tom coloquial. antes de passar para o próximo ponto. Se o roteiro tem um conteúdo muito denso. devemos também considerar a velocidade da apresentação. (Devemos lembrar. como por exemplo. que são obstáculos ao processo de comunicação. uma passagem maior de tempo. Embora vídeo tenha abandonado muito da gramática estabelecida pelo cinema. Use sentenças curtas e um estilo de abordagem informal. Envolva a sua audiência emocionalmente; faça com que ela se interesse sobre as pessoas e conteúdo do programa.htm 4/7 . Dê à sua audiência uma oportunidade de digerir um conceito antes passar para outro. etc. perdido e frustrado ­ e simplesmente mudará de canal. o espectador ficará confuso.     A Gramática do Vídeo  Algumas pessoas afirmam que. Algumas delas se aplicam à produção de programas educacionais. sinalizar ao espectador que alguma coisa importante irá acontecer.  Em produções dramáticas. no entanto. faça uma exposição detalhada e ilustrada sobre o assunto.  http://www. ainda podemos usar várias técnicas para estruturar nossas produções. Temos de dar ao espectador a oportunidade de absorver cada idéia. a melhor tática para a apresentação de informações importantes é : primeiro. Fade­ins e fade­outs se aplicam tanto para o áudio quanto para o vídeo. que pontos são conceitos chaves.  Em resumo. preconceitos.com/port/tvp006. momentâneamente.  Confuso x Chato  Além da quantidade de informação que queremos comunicar. com muitos fatos ou se a informação não for apresentada de maneira clara. Não tente incluir muitos assuntos no programa.cybercollege. outras a produções dramáticas. efeitos tais como fusão (duas imagens se superpõem. Forneça uma estrutura lógica adequada; deixe o espectador saber onde você está querendo chegar.  Fade­ins e fade­outs freqüentemente indicam uma divisão no programa ou uma mudança maior. Depois. ao contrário da língua escrita. apresentar a informação.

  Este tipo de plano deve durar apenas o tempo necessário para orientar os espectadores sobre as relações espaciais dos elementos importantes em cena. ­ após o que. o zoom é uma versão ótica do movimento de dolly. Em termos gramaticais. relativamente baixa do sistema NTSC (sistema americano de transmissão de TV a cores) os detalhes importantes ficam difíceis de ver.   Existem. Quando o movimento é lateral utilizamos o termo truck ou travelling. Este tipo de plano dá à audiência uma orientação básica sobre a geografia da cena ­ quem está na cena. existem aqueles que descrevem os movimentos de câmera.com/port/tvp006. Depois disso. na televisão. onde a cena se passa.cybercollege. Primeiro.07/12/2014 Escrevendo o Roteiro Tradicionalmente." ou " câmera zoom­out para mostrar que John não está sozinho. etc. teleplays (roteiros de produções dramáticas para TV) e screenplays (roteiros de filmes) começam com fade­ins e terminam com fade­outs. podemos cortar para planos mais próximos. Filme e HDTV (High Definition TV) ou DTV (Digital TV) não apresentam este tipo de problema. establishing shot . também. termos específicos para designar os Planos. no decorrer do programa é usado. como lembrete ou para informar à http://www.htm 5/7 .  c over shot (Plano de conjunto). poderíamos comparar os planos com as sentenças ­ na medida em que cada plano é uma declaração visual.  Como veremos mais tarde. momentaneamente. Uma anotação no roteiro pode sugerir "câmera zoom­in para um close­up de John."   Cortes ou takes (tomadas) são transições instantâneas de uma imagem para outra. e tem um efeito visual parecido. chamamos o movimento de dolly . Devido à resolução.     Termos e Abreviações Usados em Roteiros   E xistem vários termos e abreviações que são freqüentemente usados num roteiro. ou master shot (Plano seqüência) são designações do Plano Geral .  Quando a câmera é movida para frente ou para trás. se aproximando ou se afastando fisicamente do objeto filmado.  O Plano Geral ­ WS (wide shot) ou LS (long shot) ­ não tem impacto visual.

   O MCU (Medium Close Up) corta entre os ombros e a cintura.  Ainda assim. de quase 180 graus com relação à posição anterior; e câmera abre para indicar um zoom­out ou dolly­out. O MS corta na cintura. nível do olhar e ângulo baixo. utilizam­se as abreviações XLS (Extreme Long Shot) ou VLS (Very Long Shot). Com relação a objetos. na tela. somente os olhos ou boca de um indivíduo. em roteiros de produções dramáticas. de duas e três pessoas.  Two­shot (tomada de dois) ou three­shot (tomada de três) também abreviados como 2­S e 3­S. sinta necessidade de indicar os planos e ângulos de câmera no roteiro. Incluindo desde a vista aérea (bird's eye view).07/12/2014 Escrevendo o Roteiro audiência sobre mudanças na cena.  Os ângulos de câmera também são indicados no roteiro. o que faz com que as linhas horizontais apareçam diagonais.  As designações dos planos são encontradas de forma abreviada. o XCU é freqüentemente necessário para revelar detalhes importantes.cybercollege. As mudanças de expressão facial.  Embora um roteirista. Ocasionalmente.com/port/tvp006. A abreviação LS é usada para designar Long Shot (Plano Geral). estas são decisões que competem ao diretor. Os Close­Ups também são utilizados como takes de apoio para mostrar detalhes importantes de objetos.  Além desses termos básicos. Com relação a pessoas.   XCUs são Extreme Close Ups. Freqüentemente. ângulo alto.  O Close Up é perfeito para entrevistas. http://www. Outras designações de planos que você poderá encontrar em roteiros incluem:  MLS ­ Medium Long Shot ou FS (Full Shot). por exemplo. são vistas facilmente. O XCU pode mostrar. este tipo de plano é reservado para as cenas de impacto dramático.  O termo plano subjetivo indica que a audiência (câmera) irá ver o que o personagem vê. Planos de câmera subjetiva adicionam drama e adrenalina às cenas de perseguição. designam planos. respectivamente.htm 6/7 . tão importantes para se compreender uma conversa. ocasionalmente.  O ângulo oblíquo ou ângulo holandês tem uma inclinação lateral de 25 a 45 graus. este tipo de plano é feito com a câmera na mão. A câmera se move ­ andando ou correndo ­ seguindo um personagem. existem várias outras abreviações também utilizadas no roteiro:  EXT e INT são indicações usadas em roteiros de filmes para indicar o caráter das locações ­ exterior e interior. Enquadra pessoas da cabeça aos pés. na coluna de vídeo dos roteiros de televisão. você pode encontar os termos câmera mostra para indicar que a câmera percorre uma determinada área na cena; câmera segue que indica que a câmera acompanha uma pessoa ou objeto; contraplano para indicar uma mudança de ângulo de câmera.

com/port/tvp006. MIC ou MIKE microfone. indica que a voz. que o da música ou som ambiente.cybercollege.  OS (over the shoulder). ou som ambiente está numa fita de vídeo. POV (point of view).      Voltar ao Índice             Próximo módulo Search For Terms      Bibliography / Additional Readings                      To TV Production Index                      © 1996 ­ 2002.  SFX ou F/X se referem a efeitos especiais de áudio (FX) ou vídeo (SFX) que alteram a realidade e são criados durante o processo de produção. VO (voice over) se refere à narração que acompanha as imagens de um vídeo ou à narração que se ouve num volume mais alto. indicam que o plano irá mostrar a cena do ponto de vista de um determinado ator. Com estes conhecimentos básicos podemos seguir para o próximo módulo.07/12/2014 Escrevendo o Roteiro SOT (sound on tape).  SOF (sound­on­film) VTR (video­tape­recorder) gravador de videocassette.htm 7/7 . OSV (off screen voice). (Também designados como O/S e X/S ) ANNCR ­ locutor. Ron Whittaker Tradução Graça Barreiros http://www. Roteiros de produções dramáticas freqüentemente. KEY ­ a superimposição eletrônica de títulos e créditos sobre a imagem de vídeo. A voz indicada no roteiro pertence a alguém que não está visível. música. A imagem mostra a parte de trás da cabeça e possivelmente um ombro da pessoa .