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ISSN 2317-5079

A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno...
Carvalho, C. M. S. et al.

PESQUISA

A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno mental na atenção básica
Nursing and care to mental patients in the basic care
La enfermeria y la precaución a la persona con trastorno mental en la atención básica
Claudia Maria Sousa de Carvalho 1; Júlia Graziella Alves Barbosa de Miranda2; Emanuela de Brito Araújo3;
Diana Nekita Sampaio das Chagas4

RESUMO
Esta pesquisa tem como objetivos conhecer as dificuldades vivenciadas por enfermeiros da atenção básica no cuidado à
pessoa com transtorno mental e discutir os resultados à luz das diretrizes da política de saúde mental vigente no pais.
Trata-se de um estudo de caráter exploratório-descritivo de abordagem qualitativa. Participaram do estudo 11
enfermeiros que atuam na Estratégia Saúde da Família no Município de Teresina – PI. Os resultados foram discutidos em
três categorias temáticas: o vínculo entre o enfermeiro e o paciente/família, capacitação do enfermeiro no cuidado à
pessoa com transtorno mental e a articulação necessária entre a saúde mental e a atenção básica. O estudo revelou as
dificuldades vivenciadas por enfermeiros da atenção básica, relacionadas ao vínculo terapêutico entre enfermeiro e
usuários, a necessidade de capacitação e de articulação na rede de cuidados. Descritores: Enfermagem. Cuidado.
Saúde Mental.
ABSTRACT
This research aims to know the difficulties experienced by nurses in basic care in the care of mental patients and
discuss the results in light of the guidelines of the current mental health policy in the country. It is an exploratorydescriptive study of qualitative approach. Study participants were 11 nurses working in the Family Health Strategy in
the city of Teresina - PI. The results were discussed in three thematic categories: the link between the nurse and the
patient / family, the nurse training in the care of mental patients and appropriate relations between mental health
and primary care. The study revealed the difficulties experienced by nurses of basic care related to the therapeutic
relationship between nurse and users, the need for training and coordination in care network. Descriptors: Nursing.
Care. Mental Health.
RESUMEN
Esta investigación tiene como objetivos conocer las dificultades vivenciadas por enfermeros de la atención básica en el
cuidado a la persona con trastorno mental y discutir los resultados a la luz de las directrices de la política de salud
mental vigente en el país. Se trata de un estudio de carácter exploratório-descriptivo de abordaje cualitativo.
Participaron del estudio 11 enfermeros que actúan en la Estrategia Salud de la Familia en el Municipio de Teresina – PI.
Los resultados fueron discutidos en tres categorías temáticas: el vínculo entre el enfermero y el paciente/familia, la
capacitación del enfermero en el cuidado a la persona con trastorno mental y la articulación necesaria entre la salud
mental y la atención básica. El estudio reveló las dificultades experimentadas por enfermeros de la atención básica,
relacionadas al vínculo terapéutico entre enfermero y usuarios, la necesidad de capacitación y de articulación en la red
de cuidados. Descriptores: Enfermería. Cuidado. Salud Mental.
Enfermeira. Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí / UFPI. Docente do Curso de Enfermagem do Centro
Universitário UNINOVAFAPI. Teresina- PI - Brasil. E-mail: cmcarvalho@uninovafapi.edu.br. 2 Graduanda do Curso de Enfermagem do
Centro Universitário UNINOVAFAPI. 3 Graduanda do Curso de Enfermagem do Centro Universitário UNINOVAFAPI. 4 Graduanda do
Curso de Enfermagem do Centro Universitário UNINOVAFAPI.
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R. Interd. v. 8, n. 4, p. 01-10, out. nov. dez. 2015

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VIEIRA. INTRODUÇÃO A Reforma Psiquiátrica Brasileira. C. DELGADO. criados por meio da o direito de em serem tratadas serviços de base mentais (GONCALVES. De acordo com o Ministério da Saúde. 2010. 4. Portaria nº 224/92 do Ministério da Saúde. Interd. movimento reformista no campo da saúde mental. a lei federal nº 10. Os hospitais psiquiátricos tiveram estado de sofrimento psíquico. Em R. vivem (ALMEIDA FILHO et al. a abordagem em concebido com interação com outros recursos saúde mental no nível primário assume o desafio comunitários constituem pontos de convergência de trabalhar com as pessoas em sofrimento mental entre no seu mundo real e esse cuidado é “complexo. da responsabilidade pela ampliada. Para de psiquiatria em hospitais gerais de pequeno isso.. v. em porque que está dar ao estabelecimento de vínculo. apesar das mudanças introduzidas como proposta reduzir o número de internações nas práticas assistenciais como resultado do psiquiátricas. 2010). iniciada média 16...ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. preferencialmente assim. 01-10. desenvolvimento terapêutico De modo muito diverso. demanda. introduziu novas propostas e assistencial foram fechados de forma pactuada e possibilidades de uma assistência ao cliente em programada.. com o comunitária e define a internação hospitalar como foco último recurso no tratamento dos transtornos voltado para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). as duas de um políticas projeto (NEVES. nov.. 2012). 2009). a ideia de uma rede extrahospitalar. LUCCHESE. do indo encontro modelo que se mostrou conta das questões insuficiente na equipe multiprofissional. com (LANCETTI. 2015 somos obrigados a fabricar mundos” 2 . tem Contudo. MUNARI. de quem usa assistência social e promoção de direitos. do foco de atenção no complexas indivíduo/família/comunidade e atualidade (ALMEIDA FILHO et al. 2012). Tornando assim. out. a habitar mundos grande participação da atenção básica e de ações criados por pessoas que vivenciam experiências intersetoriais como inclusão social pelo trabalho. garantindo o uma redução e foram distribuídos 44% dos leitos exercício de seus direitos e de sua cidadania. S. cresceu. mesmo quando implicações éticas e legais Nesta perspectiva. a lógica cuidado de enfermagem de uma forma mais da territorialização. 109) ou. dez. do trabalho centrado no para de envolvem situado no este campo atravessamento na do território geográfico com o território existencial e. et al. procurando inserir as pessoas com transtorno estudos apontam ainda que a prática assistencial mental no espaço social e no território onde elas psiquiátrica ocorre de forma lenta e gradual. a política de saúde evidenciam a necessidade de aceleração desde mental encontra consonância com a política processo. como por exemplo. biologicista/organicista. diferentes.000 leitos com baixa qualidade na década de 1980. M. n. Assim. através da rede extrahospitalar. chegando a uma cobertura de 63%. Os CAPS. 2006 p. p. o acesso à atenção em saúde mental assim. a reorganização do modelo de assistência porte (WAIDMAN et al. 2009). um desafio à busca de nacional da atenção básica desenvolvida pela novos caminhos nos quais se possa (re) pensar o Estratégia Saúde da Família (ESF). psiquiátrica no Brasil demandou a construção de No Brasil. da desinstitucionalização. Carvalho. 8.216 de 06 de uma rede de assistência na qual a pessoa com abril de 2001 tem como objetivo garantir às transtorno mental passou a ser cuidada em pessoas ambiente fora do hospital psiquiátrico surgindo.

desenvolve relevante potencial de dificuldades e limitações de enfermeiros em que favorece a uma atuação diferenciada no atuarem no cuidado à pessoa com transtorno âmbito mental. 4. Além disso. da saúde/transtorno mental. 8. acolher e apoiar as pessoas para a tentativa de desenvolver uma aproximação com transtorno mental e sua família. dez. pela falta de preparo no para haver mudanças no cuidado as pessoas que que e sofrem psiquicamente. Portanto. dizem que não se sentiram aptos a atuarem na A Organização Mundial de Saúde diz que. estudos apontam que o que foi dito. p. mostra as dificuldades de rompermos com a lógica do relatos de enfermeiros da atenção básica sobre trabalho em saúde centrado no médico. determinada comunidade (LUCCHESE et al. a falta da existência de uma rede de cuidados articulada atualização destinados a melhorar a serviços de saúde gerais. Tais profissionais LUCCHESE. S. o profissional enfermeiro pode fazer atenção básica em desenvolver ações de cuidado à uso de habilidades e conhecimentos científicos pessoa com transtorno mental possa contribuir para melhor entender. desenvolvido por Carvalho e treinamento garante o melhor uso dos Barros Júnior (2009) revelou que enfermeiros da conhecimentos disponíveis para o maior número atenção básica encontram muitas limitações para de pessoas e possibilita a imediata aplicação de prestar cuidado aos usuários no campo da saúde intervenções. 2009). da hospitalização e fragmentação psíquico de usuários sob a responsabilidade das do sujeito. MUNARI. em intervir diante do sofrimento medicalização. drogas ou de quem apresenta um delírio numa familiares atendidos pela ESF (WAIDMAN et al. et al.. C. como também.ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. de enfermeiros com a área e. 2012). na fragmentação do indivíduo (NEVES. 2015 3 . ou até pela ausência ou deficiência saúde em geral receba treinamento nas aptidões deste conteúdo em sua formação. n. uma grande valorização equipes.. nov. sobretudo. (2012). na doença sua atuação e suas dificuldades no cuidado à e pessoa com transtorno mental. essenciais da atenção em saúde mental. considera-se uma das atribuições do enfermeiro. com cursos preparo ou sensibilidade estão entre as principais de limitações efetividade no manejo de transtornos mentais nos citadas. habilidade para perceber melhor o indivíduo e Assim. constitui dificuldade para o planejamento de Diante disso é importante enfermeiros estejam que os sempre se ações de cuidado às pessoas em sofrimento profissionais psíquico. out. para tornar a assistência mais eficiente. Interd. o enfermeiro. 01-10. Para estes profissionais a falta de manejo. Acerca do em Apesar disso. Assim. reforçando desenvolvido por Waidman et al.. até mesmo. v. considerando os relatos suas necessidades. dificuldades da Desse modo. estimular enfermeiros para uma mudança de atuar na promoção da saúde mental de pessoas e atitude no seu cotidiano de trabalho na atenção básica. M. R. Profissionais da atenção básica enfrentam significativas dificuldades identificar cuidado a pessoa com transtorno psíquico na problemas relacionados ao campo da saúde mental atenção básica/primária tem seguido a lógica da e. incluída nos programas de formação. Esse se refere a cursos de capacitação Outro estudo. é preciso que o pessoal de treinamento.. atualizando e buscando na literatura como melhor No entanto. área da saúde mental. Carvalho. estudo em relação à assistência especializada. nessa perspectiva. tendo como atender às pessoas que sofrem com transtornos característica de sua formação profissional a psíquicos. 2010). mesmo entende-se vivenciadas que por identificar enfermeiros tais quando não tem formação específica na área. a saúde mental deve ser mental.

0005210. número de participantes no estudo resultou em 11 Segundo Marconi e Lakatos (2007). 4 . além daqueles que não pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética e assinassem o TCLE. Por exemplo: Enfermeiro 01 (E01). atuassem na estratégia por um período de tempo Para realização do estudo o projeto de menor que 01 (um). C. para atender ao objeto de estudo desta pesquisa. Das cinco unidades de saúde selecionadas para a realização do estudo. Os participantes do estudo foram 11 (onze) As entrevistas somente tiveram início após enfermeiros da ESF que atuam nas Unidades leitura e esclarecimentos sobre a pesquisa por Básicas de Saúde selecionadas para o estudo. as entrevistas os resultados à luz das diretrizes da política de tiveram início. Sendo assim. out. o exploratório-descritivo de abordagem qualitativa.7. Para garantir o objetivo deste trabalho conhecer as dificuldades anonimato. Interd. As entrevistas aconteceram de forma Coordenadoria Regional de Saúde Sul de Teresina- individual. Estas foram gravadas e. anteriormente. os participantes foram identificados vivenciadas por enfermeiros da atenção básica no por códigos. As entrevistas foram XII.. n. E02 e assim por diante. a por códigos. humanas e tecnológicas do Piauí (UNINOVAFAPI) os Enfermeiros envolvidos na pesquisa foram que emitiu parecer de aprovado sob o CAAE nº identificados 34801714. p. meio do TCLE e posterior assinatura do referido Foram definidos como critérios de inclusão ser documento pelo participante. A coleta de dados foi realizada por meio de um roteiro de entrevista semiestruturada R. v. no de coleta de dados aconteceu entre os meses de mínimo. Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Barão de Gurguéia. foram levados em exploratório-descritivos combinados tem como consideração os pressupostos do critério de objetivo descrever completamente determinado saturação dos conteúdos aplicados em pesquisa de fenômeno. transcritas na íntegra. 2015 comissão de ética em pesquisa da Fundação Municipal de Saúde emitiu parecer de aprovação para a realização da pesquisa. Pio para a coleta do material. Diante do exposto. 3 não obedeceram aos critérios de inclusão e 1 estava de férias no Trata-se de um estudo de caráter período da coleta dos dados. Além disso. M. cuidado à pessoa com transtorno mental e discutir Após autorizada a pesquisa. S. 01 (um) ano e que assinasse o Termo de outubro e novembro de 2014. et al. saúde mental vigente no pais. 8. nas quais estão em reservadas na própria UBS e buscaram levantar funcionamento 81 equipes da Estratégia Saúde da completa exploração das informações necessárias Família (ESF). Carvalho. Além disso. posteriormente. Vale destacar que. A Coordenadoria Regional de Saúde Sul é previamente agendadas e realizadas em salas constituída por 29 UBS.ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. dez. para a Pesquisa (CEP) do Centro Universitário de Ciências garantia do sigilo e anonimato dos participantes. Os critérios de exclusão na pesquisa foram enfermeiros que não atuassem na ESF ou que A análise dos dados foi realizada à luz do referencial teórico da técnica de Análise de Conteúdo de Minayo (2007). 2913. gravadas por meio de gravador de voz PI. Sendo que o período enfermeiro que atuasse na atenção básica há. destaca-se como elaborado pelas pesquisadoras. localizada à Av. 4.. tinham 20 enfermeiros dos quais 5 não METODOLOGIA aceitaram participar do estudo. os estudos (onze) enfermeiros. natureza qualitativa para a definição do número O estudo foi realizado em Unidades Básicas Saúde (UBS) sob a responsabilidade da de participantes. 01-10. nov.

O vínculo entre o enfermeiro e o paciente/família. A maioria. afetividade família. entre comunidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Pichon-Reviere (2007) propôs o conceito de Participaram da pesquisa 11 (onze) vínculo como uma estrutura complexa que inclui enfermeiros. ou são por ela procurados (BRASIL. 4. 01-10. potencial terapêutico.] (E 01). Categorização dos Participantes do Estudo equipe é o compromisso com a saúde daqueles que Idade 2012). Interd. um objeto. o vínculo tem como finalidade anos de atuação na ESF. para a procuram. Com relação à formação em nível baseada na ética. conforme verificamos nas falas dos depoentes a seguir: os dados levantados neste estudo convergiram formação que em informar aos profissionais que na família existe Para ampliar esta discussão. dos De acordo com a Política Nacional de enfermeiros participantes tinham entre 11 e 15 Atenção Básica. et al.. C.. 2015 [.. a um sujeito. Eles referiram não perceber interesse por parte dos familiares Não pessoa com transtorno mental e. seguintes categorias temáticas: o vínculo entre o enfermeiro e o R. A construção do vínculo entrevistados possuia especialização em Saúde não depende apenas da equipe de saúde. envolvendo seres humanos. n. a presente pesquisa seguiu paciente/família. com idade entre 34 e 60 anos.] Com relação às dificuldades eu. a entrevistas e baseado no exposto. nenhum dos relação e de usuário. não dando Não importância às ações educativas e a consulta de Não enfermagem. após análise. também. out. A base do vínculo para a Nº pós-graduação.. como enfermeiro da Estrategia creio que a principal dificuldade é justamente a formação do vínculo entre nós profissionais de enfermagem e o próprio paciente[. e sua mútua interrelação maioria sendo do sexo feminino (10) e formado há em processos de comunicação e aprendizagem... mais de 15 anos (10). 5 . capacitação do enfermeiro no todas as recomendações éticas que trata a cuidado à pessoa com transtorno mental e a Resolução nº 466/2012 que dispõe sobre as articulação necessária entre a saúde mental e a diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa atenção básica. Como podemos observar detalhadamente também dos usuários além de carregar em si um no quadro I. Sexo Tempo de formação profissional: E1 34 Masculino 11 – 15 anos E2 50 Feminino 15 e + anos E3 58 Feminino 15 e + anos E4 E5 58 59 Feminino Feminino 15 e + anos 15 e + anos E6 56 Feminino 15 e + anos E7 60 Feminino 15 e + anos E8 50 Feminino 15 e + anos E9 49 Feminino 15 e + anos E 10 49 Feminino 15 e + anos E 11 60 Feminino 15 e + anos Tempo de atuação na Estratégia Saúde da Família 11 – 15 anos 11 – 15 anos 11 – 15 anos 6 – 10 anos 11 – 15 anos 15 e + anos 11 – 15 anos 11 – 15 anos 15 e + anos 15 e + anos 11 – 15 anos Especialização em Saúde Mental Assim.ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. v. apenas 01 (um) tinha estabelecer entre 6-10 anos de atuação e 03 (três) atuavam há profissional mais de 15 anos. quando existe Não um interesse tanto do paciente ou familiar é Não somente para receber a medicação. p. Deste modo. 8. nov. no de enfermeiros respeito e na confiança. na corresponsabilidade. de acordo com o conteúdo das Não Não Não Não Não das os profissionais enfermeiros relataram dificuldades em abordar e até mesmo manter o vínculo com o paciente e a família. Quadro I. M. percebeu-se Não Fonte: pesquisa direta. dez. S. Carvalho. mas Mental.

pois é a partir desse vínculo que o saúde mental dificulta o atendimento da pessoa com R. juntamente com membros das do paciente. Essa política aposta que é possível construir vínculos entre os diversos profissionais nas equipes e com usuários para produzir graus Assim. devido a carência de O Humaniza SUS é uma política que tem enfermeiro não se sentem capacitados para desenvolver intervenções relacionadas à saúde treinamento direcionado a essa temática.] Sinceramente. que. como finalidade atravessar as diferentes ações e Outra dificuldade que a gente enfrenta é a pouca disponibilidade de educação continuada nessa área para os enfermeiros que atuam na atenção básica.. utilizando recursos criativos e imaginativos. mental no âmbito da ESF. dez. Saberes e práticas que estão se desenhando recusam as regras. já referido nesta pesquisa. 2009). 2015 transtorno mental. as enfermeiro.]A minha dificuldade é o medo muito medo. Carvalho. ações de supervisão..] As dificuldades que nós temos como enfermeiros de criar esse vínculo muitas vezes é por conta até da sobrecarga de trabalho. porque teve uma vez que o paciente se agitou porque não queria que a médica fizesse o procedimento[. 4. o que a gente faz aqui é mais ou menos é que às vezes a gente articula [. Além disso.. demandas e necessidades dos sujeitos reais no quanto da Atenção Básica.] (E 05). instâncias do Sistema Único de Saúde..ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. Segundo Almeida Filho. v. tornando difícil o desenvolvimento de ações de cuidado a essa população. et al.. De acordo com a Reforma Psiquiátrica e o que possibilita redimensionar o trabalho do Política em Saúde Mental no Brasil (2005). enfermeiros da ESF revelou que profissionais [. com [. estudo realizado por Waidma et al. na área de saúde mental. O vínculo deve ser de atenção primária à saúde. Morais e Peres (2009) é necessário reinventar a prática de Capacitação do enfermeiro no cuidado a pessoa enfermagem com transtorno mental. enfermeiro estabelece uma relação de confiança com o usuário no cotidiano terapêutico e é o que se tem afirmado como profissional co-participante de um projeto coletivo... a articulação que de vínculo que a ESF implanta é a de conhecer as deve existir entre as políticas de saúde mental e pessoas e seus problemas.. out. Conforme trabalho em saúde. 01-10. atendimento conjunto e Segundo Schimith e Lima (2004). 8.] (E 09). p.. ainda é aquém a quantidade de especializações e de próprios cursos de capacitação nessa área (E 01).. e assim resgatar laços diferentes equipes da Atenção Básica através de afetivos e sociais. este estudo corrobora com outros crescentes de autonomia e corresponsabilidade (BRASIL. (2012). foram 6 . n. M. pois somente mais eficazes as intervenções desenvolvidas nos dessa maneira é possível atender de fato as dois campos de cuidado ao usuário. os determinismos. [. visa ampliar e tornar extensivo a toda a equipe de saúde. busca a relação de reciprocidade equipes dos outros equipamentos. Interd. ao invés de exercer o controle equipes do CAPS. devem apoiar as com o usuário e família. englobando os diferentes níveis e dimensões da atenção e da gestão... eu não atendo nenhum paciente com transtorno mental. nov.[. tanto do CAPS. S. a noção específico e capacitação. estudos ao revelar que enfermeiros não se sentem O vínculo que os profissionais da Atenção capacitados para o cuidado em saúde mental na Básica precisam estabelecer com os usuários é de atenção básica e destacam que a falta de fundamental importância para a melhoria do programas de educação continuada na área da atendimento.. Assim.] (E 07). C..

et al. profissionais atendimento conjunto e capacitação das ESF. out. a fazer parte do respeitosa. nov. bem como quanto ao facilita na criação de vínculos e aproximação dos apoio do CAPS em relação às ações de supervisão. Carvalho. né?[. de ter a informação até mesmo de quem é que tem esses transtornos. a qualificação dos profissionais em saúde mental. 01-10. às vezes é mais da gente ter acesso. M. A articulação necessária entre a Saúde Mental e a Atenção Básica No que diz respeito à política de saúde mental. Portanto. teria que ser uma equipe multiprofissional. médico e na prescrição de medicação. potencialidades estratégia transtornos de mentais (ESTEVAM et al.. é realizado apenas pelo cuidado à pessoa com adoecimento mental que. valorizado e possa obter o êxito almejado no por conta da sobrecarga ou por não haver a serviço que iniciativa dos gestores em garantir treinamentos as no campo da saúde mental.]As dificuldades da gente. ou atendimento da medicação a gente tem [. Não atendemos pacientes com transtorno mental. 8. ser tratado como ser humano e como estratégia indispensável para o atendimento com respeito. devem ter direito cuidado ainda precisa ser reconhecido como uma assegurado e atividade do trabalho em equipe. pra até fazer um diagnóstico precoce. tem que ter um encaminhamento (E 11). revelados neste estudo prejuízos na articulação às famílias. 2015 7 . S.. v. n. observar por meio dos Devido à falta de capacitação desses relatos que o cuidado à pessoa com transtorno profissionais é real o prejuízo que existe no mental. pois entendem entre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o domicílio como um espaço terapêutico e a a ESF. 2011) Porque não tem como médico da atenção básica intervir em tratamento nenhum e nem tem como fazer essa abordagem. que atua na área de abrangência das famílias que conforme mostra o relato a seguir: possuem com a o ESF para pessoas cotidiano agrega a adequada com das famílias.. é a falta de um treinamento. pôde-se. é de direito do portador de transtorno mental ter acesso ao melhor tratamento do A Equipe Saúde da Família desenvolve sistema de saúde. as visitas domiciliares.] (E 03). Contudo. dificultando práticas que viabilizem o atendimento deste público. humanizada onde trabalha cursos de atualização/ capacitação Portanto. verificou-se que estas constituem dificuldades importantes para a efetiva prática de cuidado a pessoa com cuidado ao paciente na área de saúde mental. [. dez. Esse conforme as políticas de saúde. No que diz desrespeito a referência e assistência humanizada como instrumento que contra referência de usuário.. priorizando o benefício a saúde dos R. outros setores da saúde. C. Interd. sintam sobretudo. a não ser um encaminhamento para o CAPS ou para psicólogo. para que o seu trabalho seja da ESF em saúde mental torna-se de difícil acesso.. Vele ainda destacar que é importante processo de trabalho do enfermeiro e das equipes que o enfermeiro possa receber da instituição de saúde da Atenção Básica. quando existe.. a atenção digna. entendeu? (E 02). da gente se qualificar. Essa falta de treinamento vem O que a gente tem a médica da equipe já atendeu e a dificuldade que ela já me reportou em nossas reuniões. aqui só tem acompanhamento com a medicação. preparados para paras práticas de cuidado em saúde mental. onde tem pessoas habilitada e qualificadas para aquele atendimento.. p.. como acontece em prestado enfermeiros se e.. já transtorno mental no nível da Atenção Básica. 4.] Mas se tiver um surto.ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. e ai essas pessoas são as do caps (E 09).

ou seja. em serviços comunitários de Conforme as diretrizes do ministério da saúde mental (BRASIL. tentar acalmar quando tá em crise. a gente tem certa dificuldade. tanto a ESF quanto o CAPS elaborem planos de ação que possa vir a contribuir numa melhor articulação de assistência a essas pessoas... sobretudo a equipe de saúde mental dos pacientes com transtorno mental e até o pode contribuir nas capacitações dos profissionais próprio paciente não procuram tanto a assistência da dentro da ESF.. 4. É receber a medicação pelo médico é que eles preciso que haja uma construção de projetos procuram os serviços. v... Carvalho. 2010). out. garantir as pessoas o [. atenção existe campos de cuidado. Atenção Básica. o apoio matricial constitui um arranjo se que as ações entre Atenção Básica e saúde organizacional que visa outorgar suporte técnico mental devem ser mais articuladas e colocadas em em áreas específicas às equipes responsáveis pelo prática pelos profissionais. né? Mas aí é aquela coisa. et al. oficinas e/ou da Saúde Mental. a gente ver que não tem uma receptividade que é divulgada para a gente.. Nós aqui da estratégia saúde da família não mudamos a rotina dele. dá pra fazer uma conversa com ele. nov. eles continuam com os médicos deles e a gente fica só como apoio.]É o seguinte. É necessário que os dois (NEVES. 2003) ESF para que desenvolvam um cuidado mais ampliado e atenção em sincronia básica. e muitos não vêm aqui. sigilo das informações prestadas. Diante do que foi citado acima evidenciou- saúde.]Todo suporte da rede básica. Como onde houver observou-se nas falas descritas a baixo: equipamentos CAPS. até R. mesmos. 2015 Manutenção do tratamento. no atendimento. no que diz respeito à referência e contra referência. pois apenas quando precisam permanência no investimento em profissionais. p.ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. quem vai ao CAPS... LUCCHESE. a família mesmo toma de conta já leva pro Areolino de Abreu ou pros CAPS. dez. programando sua carga horária para encontros semanais.] (E 04) Com isso torna-se fundamental que se rompam as barreiras entre as equipes de CAPS e Devido à existência dos CAPS. os profissionais da ESF ficam meio que impossibilitados de prestar um cuidado para essas 8 . 01-10. uma com vez a que. não tem. Ainda de acordo com as diretrizes. mas aqui não é o local de atendimento[.] (E 11). ter direito a presença do médico em qualquer necessidade e ter um tratamento preferencialmente. qualquer forma de abuso. Observa-se nas falas a seguir que ainda falta diálogo entre os dois campos de cuidado. Interd. quando ele tem alguma alteração ele encaminha para o CAPS. 2001). Visto que isso não é evidenciado na pratica. havendo tanto uma desenvolvimento de ações básicas de saúde para a aproximação população. MUNARI. (E 03) realizar o apoio matricial às diferentes equipes da [. quando tem paciente agressivo quando é preciso internar. só que o CAPS. né?[. porque eu acho que se o CAPS trabalhasse junto com o Programa Saúde da Família daria muito melhor (E 06). os outros diversos membros dessas equipes de saúde mental devem A gente tem uma demanda mais a gente acredita que deveria ter uma demanda maior pelas informações que a gente tem através do agente de saúde e alguns dos que a gente conhece. o médico e o dentista. C. M. é só a enfermeira. usuários e serviços de saúde interagir com eles. e formas de contato para demandas inesperadas ou intercorrências (BRASIL. 8. de CAPS como também um desenvolvimento mais das equipes da ESF. as famílias psicossocial. S. Em caso de surto eles já são orientados a procurarem o CAPS. impossibilitando até mesmo terapêuticos focando o diálogo e encontro entre que os outros profissionais da equipe possam os profissionais. n... como também ter uma proteção contra mesmo porque nem todas as medicações que eles usam a gente têm (E 10).

Departamento de Atenção Básica. S. 2. (Org. em especial aos enfermeiros. v.nescon. A. 1ª ed. Como foi dito no estudo. n. M. J.2009. F. Acesso em 27 nov 2014.saude.pdf>. BRASIL. 1. nov. Rene.088.br/bvs/publicacoes/politi ca_nacional_atencao_basica. PERES. Brasília (DF): Ministério da Saúde.gov. C.gov. Ministério da Saúde. ainda muitos deles que atuam na Estratégia Saúde da Família (ESF). M. 10. Coordenação de Saúde Mental e Coordenação de Gestão da Atenção Básica.gov. BRASIL Ministério da Saúde. ed. BRASIL.pdf>. 2012. In: GUIMARÃES. portanto.br/images/documentos /Portaria%20do%20Ministerio%20da%20Saude%20G M%20N%203088%202011%202702.ufc. de maneira que se possa conquistar a confiança de todo o seio familiar. n. S. A. Acesso em 12 mar 2014. Acesso em 13 mar 2014. Acesso em 13 mar 2014. et al.pdf>. Brasília (DF): Ministério da Saúde. pessoas que sofrem de transtorno mental. Ministério da Saúde. MORAIS. Cadernos de Políticas Públicas: Estado e sociedade.br/bibliotec a/imagem/1734. Disponível em:< http://bvsms. abr. possibilitando a eles um maior entendimento das necessidades dos pacientes mentais. C. É preciso que os enfermeiros tornem-se conhecedores da política da reforma psiquiátrica. Disponível em: < http://bvsms..pdf>. e reabilitação que insiram essas pessoas na atenção básica. Brasília (DF): Ministério da Saúde. 4. espera-se que este estudo forneça aos profissionais de saúde. D. M. Dessa forma.saude.medicina. Secretaria de Atenção à Saúde. Disponível em: < http://www. Portaria nº 3. Acesso em 25 nov 2014. não se sentem habilitados a assistir um paciente com transtorno mental. 2005. 8.ISSN 2317-5079 A enfermagem e o cuidado à pessoa com transtorno. Brasília (DF): Ministério da Saúde. J. nov. 2011. 2003 Disponível em: <https://www. Nota-se. de 23 de dezembro de 2011. v.saude./jun. 2009. Brasília (DF): Ministério da Saúde. Carvalho. até mesmo. 9 .gov. Representações Sociais do cuidar em saúde mental elaboradas por enfermeiros (as) da atenção básica. A. Atuação do enfermeiro nos centros de atenção psicossocial: implicações históricas da enfermagem psiquiátrica.br/vol10n2_pdf/a18v 10n2. educação continuada que possam fazer com que esses profissionais estejam capacitados a atenderem este grupo que tanto precisa de um acompanhamento especial. Interd.pdf>. p. prevenção. Teresina: EDUFPI. Política Nacional de Atenção Básica. Acesso em 12 mar 2014. fortaleza. sendo ela a porta de entrada para o cuidado a pessoa com transtorno mental. que é importante focar nas melhorias e qualidade do cuidado às pessoas com transtorno mental..). BARROS JÚNIOR. Rev. por falta de aproximação da Atenção REFERÊNCIA Básica com CAPS. p.saude.ufmg.mg. mesmo com todas as atribuições dos enfermeiros. 01-10.br/bvs/publicacoes/hum aniza_sus_atencao_basica. Disponível em: <http://bvsms. M. Disponível em: < http://www. informações que possam subsidiar melhorias nas ações de promoção. BRASIL. A. essa falta de habilidade se dá pelo fato de não haver treinamentos específicos. E.pdf>. 158-165. CONCLUSÃO De acordo com o estudo realizado pôde-se evidenciar que. S. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. Saúde Mental e Atenção Básica o Vínculo e o Diálogo Necessários. CARVALHO. R. 2015 ALMEIDA FILHO. out. M. C. HumanizaSUS na Atenção Básica. O. dez. BRASIL.revistarene. FERREIRA. 2009. utilizando medidas simples que podem ser significativas no atendimento a esses pacientes.br/bvs/publicacoes/Relat orio15_anos_Caracas. Reforma Psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil.

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