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Departamento de

Engenharia Mecânica

Curso de Engenharia Mecânica
Disciplina de Modelação Numérica de Fenómenos de
Transferência
Ano Lectivo de 2014/2015

Simulação Numérica das Perdas de
Calor Atráves das Paredes de uma
Chaminé
Trabalho prático A.6
Executado por
Gonçalo Eduardo Lourenço Batista Nº2011144739
Orientado por
Prof. José Joaquim Costa
Entregue em
30/11/2015

Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé

1. Índice
1.

ÍNDICE................................................................................................................................................................2

2.

INTRODUÇÃO...................................................................................................................................................3

3.

2.1.

ENUNCIADO..................................................................................................................................................4

2.2.

OBJECTIVOS.................................................................................................................................................5

ANÁLISE DO PROBLEMA..............................................................................................................................7
3.1.
3.1.1.

Esquema e dimensões.............................................................................................................................7

3.1.2.

Condições de fronteira...........................................................................................................................8

3.2.

4.

5.

6.

DOMÍNIO FÍSICO...........................................................................................................................................7

ANÁLISE MATEMÁTICA..............................................................................................................................11

3.2.1.

Método dos volumes finitos..................................................................................................................11

3.2.2.

Aplicação do método dos volumes finitos............................................................................................12

MÉTODO DE RESOLUÇÃO..........................................................................................................................18
4.1.

TDMA (TRI-DIAGONAL MATRIX ALGORITHM)...........................................................................................18

4.2.

MÉTODO NUMÉRICO...................................................................................................................................19

4.3.

INFLUÊNCIA DA MALHA.............................................................................................................................22

RESULTADOS..................................................................................................................................................23
5.1.

REFINAMENTO DA MALHA.........................................................................................................................23

5.2.

ANÁLISE DE RESULTADOS..........................................................................................................................26

CONCLUSÃO...................................................................................................................................................29

2
Gonçalo Batista

Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência

Introdução Este trabalho destina-se a determinar a distribuição de temperatura nas secções rectas da chaminé nº 3 e calcular a potência térmica perdida através das suas paredes. 2 e 4 e a metade inferior está em contacto com o exterior. em regime transiente ou permanente. em domínios bidimensionais. Com este programa. Este foi programado em Fortran e recorre ao método do volume finito para os cálculos. por metro de altura.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 2. A apresentação dos resultados é expressa graficamente recorrendo-se ao Tecplot 360. Esta chaminé faz parte de um conjunto de quatro. pode-se assim resolver problemas de condução de calor.Vista de planta em corte do conjunto das 4 chaminés. Para o estudo deste problema recorre-se à simulação numérica. alterando um programa de cálculo denominado “COND_2D” que foi adaptado para fins pedagógicos. Figura 1 . o refinamento da malha também será tido em conta. a partir de um programa mais complexo da família TEACH. onde a metade superior da chaminé está em contacto com as chaminés 1.  ( c p T ) dt  d dT d dT (k ) (k )  Sh dx dx dy dy W / m  (1) 3 3 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . todas com a mesma geometria. como é ilustrado na Figura 1. Os resultados numéricos serão verificados através do balanço de fluxos de calor e orientados pela equação diferencial de conservação de energia (equação 1) .

no exterior. As secções rectangulares de cada chaminé têm as dimensões: L  H = 1. S. e L1  H1 = 0. E S h4 = 3h1/4 N W – N 4 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . cuja função é a extracção dos fumos das lareiras de quatro apartamentos contíguos.Vista de planta em corte do conjunto das 4 chaminés com VC.2 Wm-1ºC-1 o valor médio efectivo da sua condutibilidade térmica. sendo k = 1. cf. Enunciado Na figura 2. encontra-se representado. Coef. no interior.56 m.8 m. são caracterizadas pelos seguintes valores médios de h: Tabela I – Valores médios do coeficiente de transmissão de calor por convecção na superfície exterior das paredes. as trocas de calor por convecção entre as paredes das chaminés e o escoamento do ar ambiente. Figura 2 . Na presença do vento predominante na região (de noroeste.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 2. médio de convecção Paredes orientadas a: Chaminé 1 Chaminé 2 Chaminé 3 Chaminé 4 h1 = 60 Wm-2ºC-1 W N – – h2 = h1/2 – E – E h3 = h1/3 S – W.2 m  0. que se encontra à temperatura uniforme Ta = 10 ºC. consoante a sua orientação relativamente ao vento.1. um conjunto de 4 chaminés idênticas. As paredes das chaminés são todas construídas em tijolo revestido exteriormente com argamassa. 1).96 m  0. Fig. NW. em secção recta de corte horizontal.

os gases de fumo que sobem pelo interior estão à temperatura média Tf = 160 ºC e trocam calor com a parede à razão de hf = 50 Wm-2ºC-1. podendo estipular-se condições de fronteira adiabática. Admita que as superfícies exteriores da parede Sul e Oeste desta chaminé absorvem. em condições de funcionamento.. quando as condições de funcionamento são as indicadas na Tabela II. Relativamente às condições térmicas nas superfícies exteriores não expostas ao vento (i. 2) na superfície exterior desta parede ou zona de parede.2. consideram-se as seguintes condições ambientais: Ta. b) se a(s) chaminé(s) contígua(s) estiver(em) desactivada(s). dever-se-á modelar do seguinte modo as perdas de calor através da(s) parede(s) em causa: 1) considera-se dupla a espessura dessa parede ou zona de parede (caso das chaminés 2 e 3). as trocas de calor através das paredes em contacto serão praticamente desprezáveis. por metro de altura. assim modificada.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Considera-se que. poder-se-ão observar duas situações distintas: a) se a(s) chaminé(s) contígua(s) estiver(em) a funcionar. 400 e 100 W/m2 da radiação solar incidente. Tabela II – Condições de funcionamento das 4 chaminés Chaminé 1 × Fora de funcionamento Chaminé 2  Em funcionamento Chaminé 3  Em funcionamento Chaminé 4 × Fora de funcionamento 5 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . 2.e. Objectivos Admitindo que todos os dados e condições atrás indicados se mantêm invariáveis no tempo.i = Ta+15 e hi = h1/10. de parede(s) em contacto com outra chaminé). determine a distribuição de temperatura na secção recta da chaminé nº 3 e calcule a potência térmica perdida através das suas paredes. respectivamente.

6 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Admitindo ainda a ausência de qualquer sombreamento.85) e a abóbada celeste (“céu frio”. considere as trocas de calor por radiação entre a superfície exterior da parede da chaminé (emissividade de 0. suposto a uma temperatura de 20 ºC).

i k Tf hf h Ta.i  Ta  15  10  15  25 º C hi  h1 / 10  60 / 10  6 W . Ta Vento L1 = 0.1. logo duas zonas de parede da chaminé nº 3 encontram-se em contacto com uma chaminé desactivada. Como é descrito pelo enunciado. Análise do Problema 3. as trocas de calor entre a parede da chaminé nº 2 e chaminé nº 3 são praticamente desprezáveis.56 m L = 1.96 m H1 = 0.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 3. Gonçalo Batista 7 Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . Assim. as chaminés nº 1 e nº 4 não se encontram em funcionamento. coeficientes de convecção e condução. Domínio físico 3.Vista de planta em corte do conjuntohdas 3 4 chaminés com VC. podendo-se então estipular-se condições de fronteira adiabática. consideram-se as seguintes condições ambientais: Ta . assim modificada.º C 1 As restantes chaminés encontram-se em funcionamento ( chaminés nº 2 e nº 3) com uma temperatura média Tf = 160 ºC. i i h3 Figura 3 .m  2 . é necessário fazer um enquadramento da chaminé nº 3 no conjunto de quatro chaminés. Esquema e dimensões Tendo em conta que no enunciado é solicitado que se determine a distribuição de temperatura na secções rectas da chaminé nº 3 e calcule a potência térmica perdida através das suas paredes. por metro de altura. com as respectivas dimensões.8 m i h3 .1.1. pelo que deve-se considerar dupla a espessura dessas zonas de parede e na superfície exterior destas. pois dessa forma será mais fácil analisar as condições de fronteira na chaminé nº 3.44 m h Ta H = 0.

Condições de fronteira  Q cond  Q conv Q rad Q conv Q conv Q rad  Is  Q conv Q cond  Q conv       Q conv Q cond Q conv  Q conv   Is  Q cond   Q convQ rad  Q conv Q rad  Q rad Q conv Figura 4 . Deste modo. o fumo que atravessa a chaminé (obstáculo C) irá transferir energia por convecção para as paredes da chaminé.1. Na figura 4 encontra-se respresentado o domínio de estudo que permite a resolução do problema anteriormente descrito. que é atravessada pelo fumo.Condições de fronteira no domínio de estudo. no entanto o obstáculo que se encontra evidenciado pela letra C representa a secção transversal da chaminé. podendo-se identificar os três obstáculos que fazem dele parte.2. No entanto. vai ser transferida por condução ao longo da espessura da 8 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . a energia será transferida para o ar por convecção e por radiação para a abóboda celeste. vai ser transferida por condução ao longo da espessura da parede até atingir a superfície exterior desta. se as paredes da chaminé em estudo estiverem em contacto com paredes de chaminés em funcionamento. Os obstáculos que são evidenciados pela letra A e B representam a secção transversal onde há ar à temperatura do vento. Esta energia. Na superfície exterior da parede.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 3. Esta energia. as trocas de calor entre estas paredes são consideradas desprezáveis. O fumo que atravessa a chaminé (obstáculo C) irá transferir energia por convecção para as paredes da chaminé.

Coordenadas que definem os obstáculos A. as trocas de calor com a vizinhaça são consideradas desprezáveis e teremos uma fronteira adiabática. tem que se definir pelo menos duas linhas que se situem no interior do domínio de estudo. nj JS1  (ni. Através da análise da figura 6.…. é necessário definir as coordenadas dos pontos que delimitam essas superfícies. Uma das linhas irá se situar nas proximidades da superfície exterior da parede e outra na vizinhaça do obstáculo C. B. É de realçar. Uma vez atingida a superfície exterior. C. pode-se observar os pontos que definem as ditas linhas. Para calcular a potência térmica perdida através das suas paredes.1) IS4 i = 1. Como tal. que a parede sul e oeste do domínio em estudo também têm um ganho de energia por radiação solar incidente. De forma a introduzir-se todas as condições de fronteira será necessário delimitar as superfícies que se irá estudar. por metro de altura. que serão utilizadas posteriormente para calcular a potência térmica perdida através das suas paredes. ni Figura 5 .1) IS1 IS2 IS6 IS5 JS4 JS5   IS3 (ni. (1. 9 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência JS3 . por metro de altura. que neste caso é a fronteira norte do domínio de estudo.nj)  JS6   JS2     (1.….Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé parede até atingir a superfície exterior desta. como se pode observar na figura 5.nj)  j = 1.

Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé A potência térmica perdida na linha F. QE1. delimitada pelos pontos ILL1. sendo entendido por troço QN2. QE2. sendo a potência térmica perdida na linha F a soma das potências térmicas perdidas em cada troço. sendo entendido por troço QN1. 10 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .IL2. analogamente a potência térmica perdida na linha FF será a soma das potências térmicas perdidadas em cada troço. QS1. QN2 JLL2  QW2 QN1    JL2 QE1 QW1 QE2 j = 1.Coordenadas que definem as linhas para o calculo da potência térmica perdida. QW2. delimitada pelos pontos IL1. QW1.ILL2.….…. QS2. será igual à potência térmica perdida na linha FF. JLL1 e JLL2. nj JLL1  IL1   ILL1 QS2 QS1 ILL2  JL1 IL2 i = 1. JL1 e JL2. ni Figura 6 .

Portanto. A solução resultante do método dos volumes finitos implica que a condição de conservação integral das grandezas (como a massa. a quantidade de movimento e a energia) seja exactamente satisfeita.1. assim obtida. quer em todo o domínio de cálculo. mesmo uma solução obtida para uma malha grosseira satisfaz balanços integrais exactos. do mesmo modo que a equação diferencial de origem o exprimia para um volume de controlo infinitesimal. que não se intersectam.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 3.2. Equação geral de conservação. entre os nodos contíguos. e o domínio discreto tende para o contínuo. por troços. A equação algébrica de discretização (3). Esta característica mantém-se para qualquer número de nodos da malha – não apenas quando o número de nodos é muito elevado –. aplicando um balanço de energia a uma pequena região do domínio que envolve o nodo da malha. em coordenadas cartesians e notação tensorial :       t x j   u j  . exprime o princípio de conservação de φ para o volume de controlo finito.2. Começa-se por dividir o domínio de cálculo num certo número de volumes de controlo contíguos. quer em qualquer grupo de volumes de controlo.   x j     S   (2) A equação geral algébrica de discretização bidimensional é nos dada pela seguinte expressão : a p p   a viz  viz  b viz (3) 11 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . Análise Matemática 3. A equação diferencial (2) é integrada para cada um desses volumes. Método dos volumes finitos O método dos volumes finitos consiste em integrar a equação geral de conservação (2). considerando certos perfis de variação de φ. de tal modo que existe um volume de controlo envolvendo cada ponto da malha.

é a soma de todos os coeficientes vizinhos. é imprescindível que a solução. respeite os seguintes princípios directores:  Comportamento fisicamente realista – Por exemplo. aN.2. a temperatura não pode.e) b  S U  xy (4.c) aN  k n x y NP (4. 3. num problema de condução sem geração interna de calor.a) aE  k e y x EP (4. Isto significa que os fluxos de calor. estar fora da gama de valores estabelecida pela temperatura nas fronteiras. a equação 3. O coeficiente do nodo central aP. aS representam as condutâncias térmicas entre o nodo P e os seus vizinhos. Aplicação do método dos volumes finitos Para que o método numérico seja robusto e consistente.b) aW  k w y x PW (4.d) aS  k s x y PS (4. contendo ainda uma contribuição do termo-fonte linearizado.2. aW. em local algum. de 12 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . se for feita a simplificação da equação geral algébrica de discretização bidemensional para regime permanente. pode ser escrita na sua forma genérica bidimensional: a p T p  a E TE  aW TW  a N TN  a S TS  b [W] (4) Onde : a p  a E  aW  a N  a S  S p xy (4.f) Os coeficientes aE.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Finalmente.  Balanço global – O requisito de balanço global implica a conservação global em todo o domínio de cálculo. acima referida.

 Soma dos coeficientes vizinhos – em regime permanente. devem conduzir a um balanço global. O procedimento habitual para incorporar uma condição de fronteira consiste em dois passos:  Anula-se o coeficiente aviz do lado da fronteira.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé massa. etc. deve garantir-se sempre a p   a viz .  Garantir SP sempre negativo – Deve-se garantir sempre SP>0. Este dois passos são de extrema importância. nas equações de discretização ambos os volumes de controlo. independentemente da dimensão da malha. de quantidade de movimento. cortando assim a ligação a ela. desde que se cumpra um conjunto de regras elementares:  Consistência nas faces dos volumes de controlo – O fluxo através de uma face que seja comum a dois volumes de controlo adjacentes tem que ser avaliado pela mesma expressão. são necessárias uma condição limite em ordem ao tempo (geralmente.  Coeficientes todos positivos – Todos os coeficientes das equações de discretização têm que ser sempre positivos. a definição do estado inicial) e duas condições de fronteira segundo cada uma das direcções coordenadas. Para que ocorra uma uma integração correcta da equação diferencial de conservação.. pois para se impor duas condições fronteira segundo cada uma das direcções coordenadas é necessária a modificação apropriada das equações de discretização nos 13 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . através de termos-fonte adicionais (linearização do termo-fonte da equação de discretização S  SU  S P P ).  Introduz-se o efeito da fronteira no volume de controlo a ela adjacente. quando o termo fonte é linearizado na forma da equação S  S P TP  SU . O respeito pelos princípios fundamentais acabados de enunciar fica consagrado.

j ) y (6) Introduzindo o conceito de resistências térmicas convectiva e condutiva: Rconv  1 hA Rcond  y kA (7) 14 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé nodos fronteiros. obtém-se : Aplicando um balanço energético na superfície de fronteira:     (5) Q in  Q out  Q conv  Q cond Pelas equações fundamentais da convecção e da condução de calor: hA(T  Ts )  kA (Ts  Ti . o volume de controlo e o circuito equivalente de resistências térmicas estão representados na figura 7. de forma a introduzir nelas o efeito local do ambiente externo sobre o domínio físico em estudo.1.2.Condições de fronteira para fluxo simples com os respectivos coeficientes de condução e convecção e resistências Realizando-se um balanço energético na superfícietérmicas. da fronteira. 3.2.j Figura 7 . Condições de fronteira para fluxo simples Se uma fronteira for puramente convectiva. Ti.

obtémse:  Q (T  Ts ) (Ts  Ti . j ) (T  TS  Ts  Ti . Condições de fronteira para fluxo multiplo Se uma fronteira for convectiva .2. j )   Rconv Rcond Rconv  Rcond (8) Resultando:  Q (T  Ti .Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Ao substituir as resistências térmicas convectica e condutiva no balanço energético (5). . T h y Gonçalo Batista     Q conv I solar Q rad  Q cond  Ts T I solar A Q conv TC  Q rad Ts 15 Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência  Q cond T Figura 8 . j ) (9) Rtotal Escrevendo a equação 9. numa forma semelhante como uma linearização do termo-fonte. j C total (12) O efeito de fronteira será implementado adicionando as seguintes componentes: S U  SU  T C total S P  S P  C total (13) 3.2. j convecção e resistências térmicas.2. obtém-se a seguinte expressão:  Q  T C total  Ti . S  S U  S P TP :  Q T 1   Ti .Condições de fronteira para fluxo múltiplo com os respectivos coeficientes de condução e i. o volume de controlo e o circuito equivalente de resistências térmicas estão representados na figura 8. j Rtotal Rtotal (10) Definindo as condutâncias térmicas convectiva e condutiva como: C conv  1 C cond  Rconv 1 Rcond (11) Susbstituindo as condutâncias térmicas convectiva e condutiva na equação 10.radiativa.

Ts.a) Onde o coeficiente de radiação é: hrad   (TC2  Ts2 )(Tc  Ts ) (17) Então.  A temperatura da superfície. a taxa de transferência de energia por radiação também pode ser expressa em relação à condutância de radiação:  Q rad  C rad (TC  Ts ) (18) 16 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . assim:  Q rad  A (TC4  Ts4 ) (16) Contudo existem dois problemas:  O termo radiação é um polinómio de 4º grau. sendo necessária a sua linearização de forma a ser introduzido no termo fonte. Assim.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Aplicando um balanço energético na superfície de fronteira:     Q conv  Q rad  I solar A  Q cond (14) Como para o caso de fronteira de fluxo simples. é desconhecida. deve ser considerada como um corpo pequeno à temperatura Ts completamente cercado por uma superfície à temperatura TC. as taxas de transferência de energia por convecção e por condução podem ser expressas em relação às condutâncias:  Q conv  C conv (T  TS ) (15)  Q cond  C cond (Ts  Ti . de área A. j ) Em relação às trocas de calor por radiação com o céu. a superfície exposta de cada fronteira de controle de volume. a expressão pode obter a seguinte forma:  Q rad  hrad A(Tc  Ts ) (16.

obtém-se a seguinte expressão:  Ts   C cond Ti . C rad vai-se encontrar desfasado em uma iteração. substituindo as equações 15 e 18. o último valor disponível de Ti. Se a equação é utilizada para determinar Ts num certo nível de iterações. numa forma semelhante como uma linearização do termofonte. Ts. contudo todos dependem da temperatura de superfície Ts. pode-se concluir que o efeito térmico resultante da fronteira para o volume de controlo é expresso por:  Q cond  C cond (Ts  Ti . Do mesmo modo. j  C conv T  C rad TC  I solar A  (C cond  C conv  C rad ) (21) Considerando agora a natureza iterativa do procedimento da solução numérica.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Definindo: C rad h rad A (19) Agora. S  SU  S P TP :  Q cond  Ts C cond  Ti .j é o  obtido na iteração anterior. que é desconhecida e varia ao longo do processo iterativo. j ) (20) Efectuando uma manipulação fácil. j C cond (24) O efeito de fronteira será implementado adicionando as seguintes componentes: SU  SU  TsC cond S P  S P  C cond (25) 17 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . uma vez que é calculado por: C rad  h rad A  A (TC2  Ts2 )(TC  Ts* ) (22) Observando a figura 8. dado que irá depender da temperatura à superfície. na equação 14:  C conv (T  Ts )  C rad (TC  Ts )  I solar A  C cond (Ts  Ti . j ) (23) Escrevendo a equação 23. todos os termos do fluxo de calor na superfície de fronteira se encontram linearizados. Então.

j 1  C j (26) Onde : Aj  aN (26. que se baseia no chamado algoritmo de Thomas ou TDMA.b) D j  aP (26. para um nodo (i. j  aW i 1. da seguinter forma: D j  i . TDMA (tri-diagonal matrix algorithm) Para a resolução do sistema de equações algébricas. formalmente lineares.a) B j  aS (26. Figura 9 . Método de resolução 4. constituído pelas equações de discretização de todos os nodos do domínio.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 4. por conveniência. j  A j  i .Esquema de uma malha de nodos e dos volumes finitos associados. pode escrever-se a equação de discretização (4). Se for considerado a resolução da equação ϕ ao longo de uma coluna i de nodos (ver figura 9). j 1  B j  i .1.d) 18 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .c) C j  a E  i 1.j) qualquer nessa coluna e substituindo T por ϕ. num sistema referenciado em coordenadas Oxy. recorre-se a uma técnica iterativa Exemplo duma coluna i linha-a-linha. j  b (26.

através das fórmulas de recorrência (equações 27. em regime transiente ou estacionário. os quais podem ser calculados para toda a coluna no sentido crescente de j: Pj  Qj  Aj D j  B j  A j 1 C j  B j  C j 1 D j  B j  A j 1 (27. coluna a coluna. avaliando as propriedades que são dependentes de T e calculando os coeficientes das equações de discretização. por exemplo. de Oeste para Este. Deste modo. Em seguida. atráves de um ou mais varrimentos do algoritmo de resolução (TDMA). j 1  Q j (27. permitem o calculo actualizado de ϕi. é feito um teste de convergência.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Definindo os coeficientes auxiliares Pj e Qj. o campo de temperatura é actualizado.b e 27.  ( c p T ) dt  d dT d dT (k ) (k )  Sh dx dx dy dy W / m  3 (1) Esta equação destina-se a resolver problemas de condução de calor. percorrendo-a no sentido decrescente de j:  i . j  Pj i . partindo duma distribuição inicial no instante t = t0. o cálculo avança para um nível de tempo seguinte.c) Este procedimento de resolução será ampliado a todo o domínio.j ao longo de toda essa coluna. com base nas temperaturas iniciais. O método numérico para a resolução das equações tem vários passos principais para fazer “progredir” o campo de temperatura ao longo do tempo. avaliando se a soma dos valores absolutos dos 19 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . a convergêngia do processo de cálculo é melhorada significativamente se o algoritmo TDMA for aplicado alternadamente segundo as diferentes direcções coordenadas.2.em domínios bidimensionais referenciáveis em coordenadas cartesianas ou cilíndricas.a. Por vezes. Método numérico Os resultados numéricos serão verificados através do balanço de fluxos de calor e orientados pela equação diferencial de conservação de energia (equação 1).b) Após os coeficientes auxiliares Pj e Qj serem calculados para toda a coluna.c). varrendo-o. 27. t = t0 + Δt. 4.a) (27. Logo depois.

Então. armazenando o campo de temperatura acabado de obter sob a forma de valores anteriores. o método prossegue para o nível de tempo seguinte (t2 = t1 + Δt). o procedimento a utilizar tem uma variante diferente. o cálculo retorna à actualização das propriedades. então. com a distribuição de T acabada de obter.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé resíduos das equações algébricas. obtida através de uma sucessão dos ciclos de cálculo iterativo acima descrito. servindo assim como complemento da explicação acima descrita. A solução é. Na figura 10 podemos ver a representação do fluxograma do método numérico para a resolução das equações. 20 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . até que seja atingido o critério de convergência. Nesse caso. a menos que já tenha sido percorrido todo o período de tempo que se desejava simular. interessará simular apenas um “salto no tempo”. em que se podem observar os principais passos do método numérico. numa formulação transiente das equações. já é suficientemente baixa. o que poderá ser obtido atráves da especificação de Δt →∞. Em regime permanente. se estas forem variáveis. ou com recurso a programação. e assim sucessivamente até ser atingida uma solução numérica satisfatória para esse instante t1. dando início a novo ciclo iterativo. Se não for suficientemente baixa.

21 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .Fluxograma global do método numérico.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Figura 10 .

3. 22 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . Influência da malha Tendo em conta que em qualquer método de diferenças finitas. Para o caso da chaminé nº 3 optou-se por estudar a potência térmica que atravessa a superfície fechada F. para a obtenção de resultados precisos é imprescendível assegurar uma malha de discretização cuja a solução não varia para um refinamento adicional.IL2. mas também da especificação de intervalos espaciais e temporais suficientemente pequenos. Nestes testes irá escolher-se a potência térmica que atravessa uma determinada superfície ou a temperatura dum ponto que se encontre no domínio. a precisão do método depende não só da obtenção de soluções satisfatórias para as equações algébricas. superfície essa que é delimitada pelos pontos IL1.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 4. Após se ter escolhido a propriedade a estudar. os erros de truncatura a ela associados são tanto maiores quanto forem as dimensões da malha de discretização. JL1 e JL2 . Assim. Para obter esta malha de discretização é necessário realizar testes de refinamento de malha. vai-se refinando a malha de forma gradual até que a diferença dessa propriedade entre uma determinada malha e a malha anterior não seja significativa. Desta forma.

859 2657.161 2673. pois para valores de malha superior a 398x222 o refinamento adicional não causa uma variação significativa da solução.26E-08 Variação de QTOT 11.92 Resort 3. com o intuito de se realizar um estudo mais aprofundado do refinamento da malha concebeu-se a tabela IV.924 2668. Resultados 5.265 2759.506 2698. Malha 38x22 Nº iterações 50 QTOT [W/m] 3283.68 QTOT médio [W/m] 3310.678 2912 2808. por metro de altura. Contudo. Refinamento da malha Na tabela III podem-se observar os valores obtidos para a potência térmica que atravessa a superfície fechada F.239 2730.Teste da influência da malha na potência térmica que atravessa a superfície fechada F. por metro de altura. potência essa que é denominada por QTOT. Tabela III . é possível ter uma percepção do que poderia ser uma boa malha para o estudo deste problema.795 2664.531 2660. com o respectivo erro e variação da potência térmica que atravessa a superfície fechada F associado.47 2711.Teste da influência da malha na potência térmica que atravessa a superfície fechada F. Malha 38x22 74x42 110x62 146x82 182x102 218x122 254x142 290x162 326x182 362x202 398x222 434x242 470x262 506x282 QTOT [W/m] 3283.982 2680.79 Tendo em conta a tabela III. quando se utilizam diferentes malhas.1. Tabela IV.053 2687.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 5.33% 23 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .

potência essa que é denominada por QTOT. que se acumulam sobrepõem-se aos valores locais dos resíduos.64 2667. considerou-se que a malha de 470x262 satisfaz os requisitos de precisão do método para o estudo deste problema. o que levará a uma diminuição dos erros de truncatura e do “resort”.75% 1.39E-08 3.27 2759.12% do QTOT para a malha de 470x262).14 2624. quase insignificante.52E-08 3. solução essa que nunca será atingida. uma vez que esta malha apresenta uma solução mais precisa que a malha anterior (434x242) e a diferença entre as soluções obtidas é cerca de 4 Watts (0.24 2730. quase insignificante e estabilizada.37% 0. ou seja. Assim.76 2705.55% 1.50% 0. Comparando a malha de 470x262 com a malha seguinte (506x282).98 2680. como referido anteriormente. no entanto a diferença entre as soluções obtidas é apenas de 3 Watts (0.04% 0. todos os resultados serão analisados tendo em conta esta malha.13 2694.51 2698.53 2660.37E-08 3.12% Analisando a tabela IV. até um certo ponto em que os erros de truncatura.79 2916. Deste forma. a partir de valores de malha superior a 398x222 começa a verificar-se uma convergência mais acentuada da solução.86 2657.45E-08 3.55 2808. verifica-se que a solução apresentada na malha de 506x282 irá ser mais precisa.35E-08 3.16% 0.36E-08 3.61 2647.81 2710.49E-08 3.05E-08 3.80 2664.29% 0. conclui-se que a potência térmica que atravessa a superfície fechada F.56E-08 3.15 2784.74E-08 3. Assim.14% 0.94E-08 5.93 2642. ou seja.99 2687.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 74x42 110x62 146x82 182x102 218x122 254x142 290x162 326x182 362x202 398x222 434x242 470x262 506x282 100 200 350 500 650 900 1050 1300 1600 1850 2350 2449 2900 2911. pelo que se obtou por escolher a malha de 470x262 para o caso em estudo. e consequentemente menor será a velocidade de convergência 24 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .19% 0.47 2711.12% 0.12% do QTOT para a malha de 434x242). Esse refinamento da malha de discretização fará com que os nodos dos volumes de controlo estejam mais próximos entre si. pode também concluir-se que quanto mais refinada a malha for mais iterações serão necessárias para atingir os critérios de convergência.69% 0. irá diminuir com o refinamento da malha de discretização.35E-08 4.43 2680. como foi acima referido.05 2687.59 6.30E-08 4.23% 0.49 2654.92 2668. aproximando-se assim gradualmente da solução exacta.16 2673. uma vez que o método numérico utilizado é baseado em aproximações.16 2636. Pela análise da tabela IV.

5. ou seja.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Figura 11 . para a malha utilizada de 470x262. as trocas de calor através da parede que se encontra 25 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . com as respectivas linhas isotérmicas. em função do refinamento da malha. Isto deve-se ao facto da fronteira norte do domínio de estudo ser adiabática. pois embora a temperatura no domínio em estudo varie entre 10ºC e 160ºC. o gradiente de temperaturas é practicamente nulo. em função do refinamento da malha.Variação das potências térmicas que atravessam a superfície fechada F.2. são linhas que ligam pontos que se encontram à mesma temperatura. sendo a temperatura nestas constante. No gráfico da figura 11 é possível observar a variação das potências térmicas que atravessam a superfície fechada F. a solução do problema irá variar ligeiramente aproximando-se sucessivamente da solução exacta. Análise de resultados Na figura 12. essa variação não é uniforme em todas as direcções. ou seja. tem-se a representação da distribuição do campo de temperatura. A representação destas linhas irá facilitar a compreender o gradiente de temperaturas que há no domínio em estudo. como era expectável. tendo como referencial o centro da chaminé nº 3. Na direcção norte. Como se pode verificar pelo gráfico da figura 11. a partir duma certa malha a função começa a estabilizar. As linhas isotérmicas.

Para y>0. Pelo facto de se encontrarem em contacto com chaminés desactivadas. o gradiente de temperaturas é menor que na direcção este e oeste. em ambas as direcções. tendo como referencial o centro da chaminé nº 3. logo essas perdas de calor serão menores do que para y<0. que neste caso é superior à absorção de radiação que existe na parede oeste. dado que para y<0.4.4.4 na fronteira do domínio só existirão perdas de calor por convecção.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé a norte são praticamente desprezáveis.4 na fronteira do domínio existem perdas de calor por convecção e radiação. para y>0. o gradiente de temperaturas será menor do que para y<0. tem-se o maior gradiente de temperaturas.4 ambas as paredes estão em contaco com ar à temperatura do vento.4. uma vez que na parede sul da chaminé embora haja perdas de calor por radiação e convecção há também a absorção de radiação solar. pois para y>0. de acordo com o modelo adoptado para paredes em contacto com chaminés desactivadas. Contudo. 26 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência .4 e na sua vizinhança vai apresentar um gradiente de temperaturas ligeiramente menor que a direcção este. a direcção oeste para y<0. tendo como referencial o centro da chaminé nº 3.4 ambas as paredes estão em contacto com outra chaminé. o que era expectável. pois a chaminé nº 2 (que não se encontra representada na figura 12) encontra-se em funcionamento tal como a chaminé em estudo. uma vez que há absorção de radiação solar na parede oeste da chaminé. equanto para y<0. Na direcção este e oeste. Na direcção sul.

também se pode verificar que não existe nenhum fluxo de calor na parede que se encontra a norte da chaminé n º 3. oeste e sul.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Figura 12 . Este resultado seria expectável. pelo que não seria expectável fluxos de calor a atravessar essa parede. pois como foi enunciado anteriormente a fronteira nesta parede será adiabática.Gráfico de distribuição do campo de temperatura com as respectivas linhas isotérmicas. Como se pode observar na figura 13. que são superiores às temperaturas que encontramos nas paredes este. 27 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . pois no interior da chaminé temos temperaturas na ordem dos 160 ºC. Além disso. os fluxos de calor ocorrerão sempre do interior da chaminé n º 3 para as paredes este. que variam entre 10º C e 25ºC. oeste e sul desta.

Figura 14 .ILL2. superfície essa que é delimitida pelos pontos IL1. JL1 e JL2 e da superfície fechada FF.7 Watts para a malha de 470x262. obtou-se por calcular a potência térmica perdida através da superfície fechada F. JLL1 e JLL2. Com o intuito de verificar os resultados.Gráfico de distribuição do campo de temperatura com os respectivos vectores do fluxo de calor.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé Figura 13 . as potências térmicas perdidas em ambas as superfícies têm de ser similares. pode-se concluir que os resultados obtidos são os expectáveis.Potência térmica que atravessa a superfície fechada F e F 28 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . superfície essa que é delimitida pelos pontos ILL1. dado que pelo facto de não existir nenhuma fonte interna de geração de calor.IL2. Tendo em conta que as potências térmicas perdidas através da superfície fechada F e da superfície fechada FF. apresentam apenas uma diferença de 0. que são designadas respectivamente por QTOT e QTOT 1.

Conclusão O presente trabalho tem como objectivo analisar a transferência de calor numa chaminé. é necessário realizar uma boa escolha de malha. Para a resolução deste problema. Pode-se assim considerar que os objectivos do trabalho foram alcançados. 29 Gonçalo Batista Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência . tem que se verificar os resultados numéricos atráves da equação diferencial de conservação de energia. Para a resolução do sistema de equações algébricas. por metro de altura. uma vez que foi possível determinar a distribução de temperatura nas secções rectas da chaminé nº 3 e calcular a potência térmica perdida atráves das suas paredes. sem qualquer tipo de custo e permitindo poupança de tempo. apresenta algumas vantagens. a escolha da malha é um dos pontos chaves deste trabalho. Assim. O código computacional utilizado é compilado através do software Fortran PowerStation 4. através da aplicação do método dos volumes finitos. sendo por isso necessário fazer a discretização do domínio segundo o método dos volumes finitos.Simulação Numérica das Perdas de Calor Através das Paredes de uma Chaminé 6. devido aos erros de truncatura a ela associados. Este método numérico quando comparado a um método experimental. pois se a malha escolhida não for devidamente refinada vai-se obter soluções cujo o valor não é proximo do real.0. tendo em conta os efeitos da radiação e da convecção. tendo para isso que se cumprir um conjunto de quatro regras elementares.00 GHz) com 8 GB de memória RAM e sistema operacional Microsoft Windows 7. utilizando-se um computador pessoal com processador Intel Core i7 2630QM (2. quando a malha é devidamente refinada. que se baseia no chamado algoritmo de Thomas ou TDMA. 64 bits. Tendo em conta que este trabalho tem como objectivo obter uma solução que seja próxima do real. pois num método experimental tem que se construir um protótipo e também realizar testes experimentais. constituído pelas equações de discretização de todos os nodos do domínio. formalmente lineares. uma vez que nos conduz a uma solução próxima do real. recorre-se a uma técnica iterativa linha-a-linha. Este problema envolve a condução de calor em regime permanente. num domínio bidimensional.