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ANPUH-SP - XX ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA

HISTÓRIA E LIBERDADE
Franca, 6 a 10 de setembro de 2010.
UNESP - Campus de Franca

Resumo

:
HISTÓRIA E POLÍTICA NO BRASIL: RELAÇÕES DE JORNALISTAS COM
O REGIME MILITAR 1964-1980

Dra. Alice Mitika Koshiyama
(livre-docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ECA-USP)
alicemitika@yahoo.com

Este texto aborda a historia do jornalismo como processo resultante das relações
dialéticas entre imprensa e sociedade (cf. SODRÉ, N. W., 1966). Notamos algumas
ações de jornalistas no período 1964-1980 perante a censura política do regime militar
no Brasil. Observamos políticas de comunicação executadas pelas empresas
jornalísticas e pelos jornalistas no período. A imprensa alternativa, a qual, em suas
páginas, abrigou “jornalistas e revolucionários” (cf. KUCINSKI, B., 2003) e a grande
imprensa em autocensura (a maioria), sob censura prévia ou agindo como porta-voz dos
militares (cf. KUSHNIR, B., 2004). Era um poder formado pela elite orgânica da
sociedade civil e militar para realizar o projeto da expansão capitalista no país.
(cf.DREIFUSS, R. A., 1981). Para alguns jornalistas e políticos liberais tratava-se
apenas de um embate contra um governo que usava a repressão militar e a censura
política institucionalizada contra seus opositores, transformando-os em inimigos do
regime. Sistematizamos a contribuição de pesquisadores que trabalharam sobre a
diversidade dos grupos sociais envolvidos, sem perder de vista o paradigma do que é
uma ditadura (cf. FREITAS, J., 2009)..
(ST-15)
Palavras-chave: política e comunicação; censura política; história do jornalismo
brasileiro; jornalistas brasileiros; Brasil 1964-1980.

Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. ANPUH/SP – UNESP-Franca.
06 a 10 de setembro de 2010. Cd-Rom

ou seja são relações interdependentes de duas variáveis intervenientes com mútuas influências e que resultam em novas realidades. os periódicos ou simplesmente desaparecem e ou se modificam para interagir com o novo momento da história. que o coloca em situação de aceitação. na introdução ao livro A História da Imprensa no Brasil (pp. há mútuas intervenções que provocam alterações nos dois pólos da relação imprensa e sociedade.: LE GOFF..ANPUH-SP . reconhecemos no jornalismo uma variável interveniente no processo histórico em uma sociedade. 06 a 10 de setembro de 2010. pp. ANPUH/SP – UNESP-Franca.com Imprensa e sociedade Partimos do principio de que são as contingências históricas que possibilitam aos jornalistas de um periódico elaborar e executar sua política de comunicação. Cd-Rom . oposição ou apoio a um regime político. 6 a 10 de setembro de 2010. ditadura e censura política A imprensa alternativa dos anos setenta do século XX tinha praticamente desaparecido nos estertores do regime militar após a extinção da censura política como instituição de 1 Para o ST-15 : Linguagens do político:diálogos entre história e liberdade em textos. Mas é Nelson Werneck Sodré. discursos e imagens. 216-240). Imprensa. 1-8) quem destaca as relações dialéticas entre imprensa e sociedade.XX ENCONTRO REGIONAL DE HISTÓRIA HISTÓRIA E LIBERDADE Franca. Ao mesmo tempo. UNESP . Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. Como afirma Jean Lacouture no seu texto sobre história imediata (cf. Alice Mitika Koshiyama (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo .ECA-USP) alicemitika@yahoo.Campus de Franca Texto completo 1 HISTÓRIA E POLÍTICA NO BRASIL: RELAÇÕES DE JORNALISTAS COM O REGIME MILITAR 1964-1980 Dra. E uma vez modificadas as condições sociais. O que nos permite pensar em uma prática jornalística como decorrente de uma necessidade social a ser satisfeita num determinado momento da história.

a grande imprensa reassumia seu lugar no sistema tomando parte dos papéis exercidos pela imprensa alternativa dos anos setenta. publicar e distribuir a imprensa alternativa (KUCINSKI. As publicações alternativas atuavam.1980). Os estragos a cidadania e a informação. Kucinski. seja em minuciosos relatos sobre as dificuldades produzir. em tese. conforme demonstrou B. B.. várias publicações da grande imprensa foram. colocadas sob censura prévia. para se opor ao regime militar. ANPUH/SP – UNESP-Franca. Essas publicações tinham objetivos políticos de manter em circulação informações que o regime militar queria suprimir e abrangiam desde os veículos dos grupos políticos-partidários clandestinos ou semi-clandestinos até periódicos de exercício do jornalismo de opinião ou de reportagem. provocados pelos atos dos censores a serviço dos objetivos da ditadura. que era. ao lado de publicações alternativas. No período do Ato Institucional no. Jornalismo e censura política: um campo de tensões A ditadura militar foi mais uma conjuntura em um processo de controle da informação no Brasil que é um procedimento institucional de longa duraçao. A. Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. Neste instante. na maioria dos casos. Os pequenos partidos políticos que saíram da clandestinidade buscavam manter publicações mais radicais que pregavam o fim do capitalismo e a implantação do socialismo. P. Estudos sobre publicações jornalísticas dos anos de 1970-1980 permitem refletir como a sociedade e a imprensa que conseguiu circular no período mostram uma variedade de ações subordinadas a políticas e estratégias diversas dos grupos de empresários e profissionais que se dedicavam ao jornalismo. foram documentados em vários estudos: seja revelando textos sobre as ordens do regime e sobre como concretamente agiam os censores (MARCONI. 1970).: COSTELLA. estava extinto. .um estado de exceção (KUCINSKI.. 06 a 10 de setembro de 2010. 5 de 13 de dezembro de 1968 até 1978. conforme nos mostra um historiador dos meios de comunicação (cf. o de implementar o estado democrático de direito. Cd-Rom . Com o fim da ditadura havia um horizonte político para os liberais e sua imprensa. F. era “o fim do ciclo alternativo” . Mas o movimento jornalístico que mobilizou. 2003). conforme a brilhante percepção de Kucinski “jornalistas e revolucionários”.

um censor podia autorizar a publicação de textos. atos dos funcionários do regime militar como a censura prévia. Cd-Rom . mesmo sobre temas que sabiam vetados para a publicação. no texto de Fernando Portela para o Jornal da Tarde em janeiro de 19792. Paulo. Com esse procedimento. 2 As reportagens foram posteriomente editadas e publicadas em livro sob o título de Guerra de Guerrilhas. postos sob censura prévia por não aceitar as novas diretrizes do regime : sob censura. A família Mesquita – liderança civil do Golpe de 64 –. O Estado de S. . conseguiam noticiar fatos de interesse para a sociedade. a Guerrilha do Araguaia. alguns jornalistas resolveram escrever seus textos sem suprimir informações e deixavam para o censor designado pelo regime militar a decisão final de vetar ou não. que publicou extensa reportagem com relatos sobre a existência de uma guerrilha no sul do Estado do Pará. não houve nenhuma entrevista de um porta-voz das Forças Armadas. Do Ato Institucional n. às vezes. B. Tivemos uma informação até então restrita aos veículos clandestinos e que só voltaria ao noticiário da grande imprensa em forma de grandes reportagens. algumas vezes. ANPUH/SP – UNESP-Franca. Porém. Sob censura prévia. a publicada era de um oficial informante não identificado que falava em seu nome pessoal. tema vetado aos periódicos em circulação no Brasil em 1972. vários jornalistas continuaram com o seu trabalho e foi um jornal sob censura prévia. Seu correspondente na área. seja em obras que mostram parte dos jornalistas atuara como agentes do regime militar (KUSCHNIR. 06 a 10 de setembro de 2010. 1979. No entanto.o 5 de 13 de dezembro de 1968 até janeiro de 1975. estavam sujeitos a interpretações. que sofriam posteriormente vetos de instâncias superiores. Mesmo assim. escreveu o texto que passou pelas censuras oficiais – a feita no local do evento e a prévia do censor antes da impressão do jornal. 2004) Era um estado de tensão permanente entre censores e jornalistas (registre-se que houve jornalistas que atuaram como censores de seus colegas). a imprensa deveria ser um órgão de propaganda política do Governo. nessa série de reportagens. teve o Jornal da Tarde (vespertino fundado em 1966) e O Estado de S. o governo militar assumiu o estado de guerra e a luta armada e alijou o jornalismo desse embate. Por isso.2003). Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. Paulo. São Paulo: Global Editora. As Forças Armadas naquele momento.

As edições tinham que ser submetidas com o texto completo. 3 Houve outros períodos de censura em ditadura. que era uma imprensa alternativa de humor e comentava o processo cultural e político. um dos seus diretores. Um dos periódicos de maior sucesso na época. Segundo Ziraldo. Temos detalhado registro das arbitrariedades da censura no trabalho A Censura Política na Imprensa Brasileira (1968-1978) do jornalista Paolo Marconi.:MARCONI.: KUCINSKI. E não havia sequer a possibilidade de enviar matérias avulsas para a censura e guardá-las em um arquivo para serem aproveitadas em momento oportuno. Esta ação equivalia a um veto total ao texto. Cd-Rom . em que as afirmações foram censuradas e “corrigidas” pelo censor transformando uma afirmação em uma negação (cf. pois houve desde de pressões financeiras até atentados a bomba contra os que vendiam essas publicações. A transferência da censura para Brasília tornou o processo unilateral e havia muitas mutilações nos trabalhos. 1980). há situações em que a censura propunha falsificar informação: falas do Deputado Federal Freitas Nobre no Congresso Nacional. Além de relatos dos vetos e cortes.. quando o governo de Getúlio Vargas implantou o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda. mas também pelas dificuldades em distribuir o produto em bancas. Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. para aprovação. Censura prévia contra a imprensa O regime militar tornou o controle da informação um processo ostensivo e burocratizado. o jornal O Pasquim. como Opinião e posteriormente Movimento (cf. esteve sob censura prévia de 1969 até 1975. pois impedia ao periódico de publicar o texto tal como fora aprovado pela censura. Jornais alternativos de temas sociais e políticos tinham sua censura centralizada em Brasília. Embora tivessem estado em armas e atuado ferozmente até a derrota total dos adversários. 2003)e as alterações propostas pelos censores tornavam muitas matérias impróprias para publicação. imagens e textos. presente na vida quotidiana de todos os que se dedicavam ao jornalismo3. e até textos ininteligíveis por conta desses procedimentos. 06 a 10 de setembro de 2010. inicialmente a censura era local e no Rio de Janeiro era um jogo mais informal porque podiam conversar e até beber com os censores. P. com destaque para o Estado Novo (1937-1945). Os prejuízos financeiros vinham não só pelos conteúdos desfigurados que tornavam os periódicos mais precários na sua qualidade. B.não admitiam ainda sequer reconhecer a existência do acontecimento histórico. ANPUH/SP – UNESP-Franca.

viveu essa condição na Folha de S.A imprensa aliada do regime militar O regime militar contou com a complacência de parte da imprensa que adotou como procedimento padrão a autocensura. A pesquisadora Beatriz Kushnir desvenda. 1999. Cd-Rom . A autocensura como estratégia política imposta aos jornalistas de uma publicação tinha diferentes formas de recepção e uso. não se noticiavam atos arbitrários do regime militar. Ele afirma em entrevista ao pesquisador Paolo Marconi (1980) a sua frustração com aquele momento. que também publicava a Folha de S. 2004) Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. omitindoos soba a alegação do medo de represálias. Com a autocensura o jornalismo abdicava do seu poder de decidir sobre o que publicar e obedecia às diretivas do regime militar sobre o que podia ou não ser objeto de publicação. 06 a 10 de setembro de 2010.:SOUZA. ANPUH/SP – UNESP-Franca. 1). o momento da circulação e da atualidade do trabalho. E aos hábitos construídos naquele período Abramo atribui deformações adquiridas pelos profissionais. É possível também refletir sobre o efeito de um texto um texto sobre seus leitores. como o receio de afirmar verdades evidentes se não houver uma fonte para assumir a paternidade da informação.: KUSHNIR. M. B. Dessa forma. Paulo. Paulo. v.. M. Mas havia jornalistas que concordavam com as propostas e as ações do regime militar. veículo do grupo empresa Folha da Manhã. a relação dele com a conjuntura histórica a qual se refere.. foi porta-voz da repressão política (cf. cuja empresa decidiu acatar as ordens do governo militar. e vê-los posteriormente publicados em O Pasquim sem nenhum obstáculo posto pela censura oficial do regime (cf. em sua tese de doutorado. Maurício Maia verificou que alguns editores tomavam posições mais restritivas do que os censores do Governo militar e cita trabalhos de Henfil recusados para publicação no Jornal do Brasil sob a alegação de serem censuráveis. tinham afinidades ideológicas com a imposição da censura política e eram os que faziam uma imprensa a favor da repressão militar . O jornalista Cláudio Abramo. conforme constaram pesquisadores sobre jornalismo no período Bernardo Kucinski (2003) e Maurício Maia de Souza (1999). O evento pode servir também para uma constatação de como a autocensura pode ser até mais danosa para o exercício do jornalismo. O jornal Folha da Tarde entre 1969 e 1980. a ação da Folha da Tarde.

textos que comprovavam a total conivência do órgão com a polícia política. R. pudemos ler. 06 a 10 de setembro de 2010.. Cd-Rom .exigindo a saída do diretor.apareceram publicadas como textos informativos. Dr. ANPUH/SP – UNESP-Franca. Comprova-se a colaboração deste jornal com a polícia política. a democracia era desejável como bem absoluto apenas para uso próprio. no jornalismo. na época da morte de V. na Folha da Tarde. E Carlos Nelson Coutinho confirma não ter sido a democracia um projeto político dos partidos da esquerda radical na oposição ao regime militar. Mas ao mesmo tempo. Quando o presidente Geisel define o projeto de abertura “lenta. Podemos ver no grupo Estado ações de apoio político aos militares no poder. gradual e segura” os jornais da família Mesquita tornam-se veículos confiáveis para a sua política. houve uma greve geral dos alunos da Escola de Comunicações e Artes -. Prof. no primeiro semestre do ano de 1975. Tratava-se de uma estratégia de legitimação jornalística a atos de repressão do regime militar que havia prendido e torturado várias pessoas mencionadas na páginas da Folha da Tarde.:KUCINSKI.ECA -. 1981) cujo primeiro ato foi cassar direitos políticos das mais eminentes figuras do regime político anterior. neste e em outros momentos da luta política nos anos setenta.: DREIFUSS. 2003). A imprensa de propaganda política por eles praticada no processo que resultou no golpe de 1964 é uma evidência de que tinham a democracia como valor relativo. Herzog. Na Universidade de São Paulo – USP. Fichas policiais dos detidos no DOI-CODI -. o movimento estudantil na oposição ao regime se reorganiza e participa do processo de luta contra a ditadura. Conforme lembra Bernardo Kucinski os revolucionários não buscavam democracia. A. É o caso da família Mesquita.Pessoalmente. e em janeiro de 1975 deixam de ter censura prévia. demonstram a fragilidade das políticas e estratégias de comunicação de defesa da democracia como um valor universal. mas revolução socialista (cf. Jornalismo e a questão da cidadania e da democracia As pesquisas sobre imprensa alternativa no Brasil registram reações pontuais. às arbitrariedades do regime militar. Manuel Nunes Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. codinomes e atividades vinculadas com organizações políticas clandestinas -. nomes. participante da conspiração que resultou no Golpe de 64 (cf. Na universidade. Por outro lado.com fotos. entre os liberais que criticavam a imposição da censura política.

Por isso a relação jornalismo-cidadania-democracia será sempre expressão de uma tensão permanente. sendo o direito à informação o primeiro deles. V. leitor de Salvatore Vecca. Victor Gentilli. conforme leitura de Lílian Perosa (2001). que lecionava Telejornalismo na ECA-USP e estava em fase de contratação para ser professor. Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. E em outubro de 1975. então diretor de telejornalismo da TV Cultura. defende a construção de uma democracia de massas. mobilização política nacional contra a ditadura e reorganização política dos estudantes da USP.. A complacência de parte dos jornalistas com regimes de exceção. mas no final ele permaneceu no cargo e os estudantes perderam o semestre escolar. Paulo. Vladimir Herzog. As coberturas dos jornais O Estado de S. Cd-Rom . E o conhecimento que hoje temos do passado recente não se mostra suficiente para que todos defendam o papel do jornalismo para construção de um estado democrático pleno. projeto político cujo prérequisito é ter uma população bem informada de seus direitos. difíceis de serem praticados quando contrariam interesses específicos de pessoas ou grupos da sociedade. e ao plenário apresentou um protesto contra a situação de censura aos órgãos laboratoriais da ECA-USP. Paulo e Jornal da Tarde sobre o caso Herzog foram as mais detalhadas e exatas do ponto de vista do jornalismo e mostrou maior concordância com a posição Presidente Ernesto Geisel e seu projeto de distensão política. É uma conjuntura de protesto. Observamos que na sociedade de classes brasileira. explica a dificuldade para implementar um processo de construção e defesa dos direitos da cidadania no período pós-abertura com o final dos atos institucionais.2005). em cada momento da história concreta.Dias. cidadania e democracia são valores abstratos. 06 a 10 de setembro de 2010. e neste projeto de sociedade ao jornalismo compete informar a todos os cidadãos sobre os seus direitos civis. morre torturado no DOI-CODI.: GENTILLI. realizada em São Paulo. políticos e sociais e acompanhar o cumprimento dessas prerrogativas (cf. fato noticiado em O Estado de S. um grupo de alunos do Curso de Jornalismo compareceu à reunião da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). ANPUH/SP – UNESP-Franca. apoiador ostensivo dos grupos mais radicais do governo militar. quando formam o DCE Alexandre Vannuchi Leme. em memória do aluno de Geologia da USP. também morto sob tortura. No início do segundo semestre letivo de 1975.

Agora somos vítimas de pressões oriundas de diversas facções e direções. nos Anos de Chumbo. na verdade somos o campo de batalha onde se trava uma guerra escancarada pela conquista dos corações e mentes em sociedades carentes de referências primárias e atordoadas pelo excesso de informações secundárias. usou seu conhecimento e sua experiência da história brasileira para esclarecer a questão teórica: o que é uma ditadura? E a questão histórica: o que é a ditadura brasileira implantada em 1964? Diante da defesa que alguns historiadores e também alguns jornalistas fizeram de trecho do editorial da Folha de S. todas muito exacerbadas. 2010) Muitos brasileiros pensam como o jornalista Alberto Dines que o autoritarismo nos anos da ditadura estava apenas no poder dos militares. Antes. foi demitido de um site da internet. 06 a 10 de setembro de 2010. aperfeiçoou-se. Apesar do tempo transcorrido desde a redemocratização. Jânio observa ironicamente:: “Não é por acaso que um professor universitário de história faça a afirmação.mar. de Marco Antonio Villa. ANPUH/SP – UNESP-Franca. Sua avaliação sobre ser jornalista hoje. A militar.Jornalistas. por exemplo. o IG. Na verdade o que foi mesmo a ditadura? Quem viveu e sofreu com ela? Onde estavam os autoritários que atuavam com ela. Recentemente. que é do Conselho Editorial do jornal Folha de S. disfarçou-se e está muito mais presente. em palestra proferida no dia 30 de março de 2010. Paulo. em que publica textos sobre jornalismo. Deu-se no artigo "Ditadura à brasileira". É jornalista fundador do sítio Observatório da Imprensa.” Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. para indicar grau menor de dureza da ditadura brasileira ao ser comparada às do Chile ou da Argentina. atuou de uma forma exemplar como jornalista e intelectual.09. no Memorial da América Latina: Começo pela constatação: fazer jornalismo hoje no Brasil e na América Latina está se tornando mais difícil e mais complicado do que no passado recente. segundo ele. Cd-Rom . os que ocupavam vários lugares na sociedade? O jornalista Jânio de Freitas. o arsenal autoritário aumentou. Folha de 5. Paulo de 17 de fevereiro de 2009 em que foi usado o termo “ditabranda”. com toda a movimentação político-cultural". sofríamos as pressões de uma facção. por ter criticado o regime político de Cuba por seus atos contra a liberdade de expressão e opinião. memória e história Alberto Dines era editor do Jornal do Brasil quando ocorreu o Golpe de 64. Corrijo: vítimas não. de que "não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5). (DINES.

Início bem comprovado. E. sobretudo. sem exibir. acusado da morte por tortura de um estudante de medicina na Vila Militar do Rio (tema da edição mais importante. Então só pode ser "a democracia" dos historiadores à brasileira. eu lhe contarei da busca das estruturas iguais. Em carta para Maria Otilia Bocchini. até hoje. ANPUH/SP – UNESP-Franca. das alegrias. extinguem os partidos. e do sargento Raimundo. cassam mandatos parlamentares legítimos nas três instâncias legislativas. morto ou para morrer. Manoel Maurício de Albuquerque dizia: Eu lhe direi dos trabalhos cotidianos. prendem aos milhares pelo país afora. Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. e enquanto podem fazê-lo. da possibilidade do poder ser exercido pelos atos de exceção. na vigência de um estado de negação de todos os direitos constitucionais aos cidadãos. Manoel Maurício de Albuquerque só voltou ao. das descobertas inesperadas. instituem a espionagem no país todo. (FREITAS.Mas. em 15 de maio de 1974. Depoimento de um trabalhador intelectual. nem a sua prática: é a medida do necessário. resultados de uma hábil e eficiente operação emasculadora. dos que não curtem o que já foi consumido por outros curtidores que buscam produzir o novo. liberando-se por melhor se reprimirem. impõem ao Congresso subjugado a escolha entre três ou quatro generais. 06 a 10 de setembro de 2010. A diferença entre elas não é a sua essência. um dos historiadores cassados pela ditadura brasileira. .IFCS da UFRJ depois da anistia política de 1980 e faleceu em 17 de março de 1981. iniciam a tortura nos quartéis e os assassinatos. para figurar como presidente. (ALBUQUERQUE. por exemplo. corrobora o modo como nessa cultura a vida escorria sufocante para os que aqui viviam e resistiam em apoiar o regime militar e seus representantes militares e civis. 2010) Jânio demonstrou o que é a essência de um ditadura a partir de uma perspectiva de teoria do estado. para não ir mais longe. do encontro dos que resistem à descaracterização.IFCS – da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – sobrevivia ministrando aulas em cursinhos e para alunos particulares. Falarei da sordície dos patrões que nos pesam em cruzeiros e nos convertem em dividendos. torturado no Exército e jogado no rio em Porto Alegre. das turmas agressivas e aturdidas. E. o que é mesmo uma ditadura? Didaticamente. governam por ato institucional e decreto-lei. das autarquias e estatais os opositores reais ou supostos. Os historiadores à brasileira não sabem que as ditaduras vão até onde lhes é vitalmente necessário. Eu lhes abrirei também o acesso às mediocridades rasteiras. e reprimida com vigor quando incomodava. à cordialidade profissional e às admirações subalternas que nos servem de referencial. o jornalista Jânio de Freitas lembrou para os que haviam esquecido ou ensinou para os que não sabiam: Os militares derrubam um governo constitucional. excluem do serviço público. Mas "não é possível chamar de ditadura" ao domínio do país por tal regime. de "Veja"). permitida entre 64-68 quando não incomodava o regime. assumindo. Ou pela celebridade de pessoas como o capitão Zamith. Até por ter "movimentação políticocultural". fato muito esquecido hoje em dia. 25) Depois de impedido de lecionar no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais -. pela foto de Gregório Bezerra puxado por corda no pescoço em Recife. servindo mesmo como válvula de escape. Cd-Rom . e. Tempo também haverá para lhe confidenciar sobre os que se atordoam.

Alberto. LACOUTURE. SOUZA. Jean.Petrópolis:Vozes. 2ª. KUCINSKI. Maurício Maia de. Nelson Werneck. Imprensa Oficial. Jornais/Internet DINES. PEROSA. Manoel Maurício de. 1993. 3ª edição. SP: Martins Fontes. Antonio Fernando. Organização de Eulália Maria Lahmeyer Lobo .. Carlos Nelson. 1992. Guerra de Guerrilhas no Brasil. 2001. RGS:EDIPUCRS. ANPUH/SP – UNESP-Franca. Martins Fontes. MARCONI. Democracia e socialismo : questões de princípio & contexto brasileiro São Paulo. 1987.. do AI-5 à Constituição de 1988. São Paulo. Jornalistas e Revolucionários: nos Tempos da Imprensa Alternativa.. Petrópolis: Vozes. LIBERDADE DE EXPRESSÃO . São Paulo: EDUSP. São Paulo: Global. DREIFUSS. 2ª ed. A História da Imprensa no Brasil. Cd-Rom . 1972. 1983. Rio. Porto Alegre.216-240. Beatriz. 06 a 10 de setembro de 2010. GENTILLI. pp.1981. 1964: a Conquista do Estado: Ação Política. Jornalistas e censores. PORTELA. SP : Cortez Editora : Editora Autores Associados. 1999. trad. O controle da informação no Brasil. A Censura Política na Imprensa Brasileira: 1968-1978. Ed. 2 v. 2ª. A História Imediata.. Democracia de massas: jornalismo e cidadania: estudo sobre as sociedades contemporâneas e o direito dos cidadãos a informação. Lima. 2004. Jacques (org. ECA/USP. Henfil e a censura: o papel dos jornalistas através da História Oral. SODRÉ. 1980. Mestre-Escola Bem-Amado. KUSHNIR. revista. In: LE GOFF.). F. (dissertação de mestrado). Cães de Guarda. São Paulo: Boitempo Editorial. René Armand. Ed.. Rio de Janeiro. Eduardo Brandào. Paolo. São Paulo: Global.Referências bibliográficas Livros ALBUQUERQUE. Poder e Golpe deClasse.2005. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Edit. Historiador Maldito (obra póstuma). COSTELLA.A mídia como campo de batalha Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. 2003. COUTINHO. Bernardo. Victor. 1970.et al. Fernando. São Paulo. Cidadania Proibida: O caso Herzog através da imprensa. Lilian M. A História Nova.

blogspot. “História à brasileira”.br/luisnassif/2009/03/08/historia-a-brasileira/#more29271 Acessos em 17 de maio de 2009. no seminário Liberdade de Expressão e Direito à Informação nas Sociedades Contemporâneas.com. Publicado em 8 de março de 2009. in: http://historiaemprojetos.Paulo e na Folha Online. “Ditadura à brasileira”.br/artigos. Jânio. e reproduzido nos endereços eletrônicos citados abaixo. FREITAS. em São Paulo (SP). 06 a 10 de setembro de 2010.observatoriodaimprensa. respectivamente.com/2009/03/ditadura-brasileira-por-marcoantonio.00 horas e às 15. http://colunistas.blogspot. Publicado originalmente na Folha de S.ig.html acesso em 17 de maio às 14 horas.asp?cod=583JDB001 .30 horas. Texto integrante dos Anais do XX Encontro Regional de História: História e Liberdade. In:http://www. ANPUH/SP – UNESP-Franca. Cd-Rom .Paulo e na Folha Online e reproduzido no endereço eletrônico abaixo Publicado em 5 de março em: http://danilomarcolin.com/2009/03/janio-de-freitas-respondemarcos-villa. Publicado originalmente na Folha de S.Palestra proferida em 30/03/2010 no Memorial da América Latina. às l5. Marco Antonio. VILLA.com. coordenado por Cremilda Medina.html.