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GT 3: Mediação, Circulação e Uso de Informação

GERAÇÃO, MEDIAÇÃO E USO DE INFORMAÇÃO: UMA
PROPOSTA DE MODELO TEÓRICO
Eliany Alvarenga de Araújo
Doutora em Ciência da Informação
Professora Titular em Fundamentos Teóricos da
Arquivologia, Biblioteconomia e Ciência da
Informação do Departamento de
Biblioteconomia e Documentação-DBD/CCSA
da Universidade Federal da Paraíba-UFPB,
eliany.alvarenga@gmail.com

Resumo: Reflexão sobre o modelo da Teoria Matemática da Informação, que tem embasado grande parte
dos estudos sobre geração, mediação e uso de informação. Este modelo teórico caracteriza-se pela
dependência do receptor em relação ao gerador de informação o que ocasiona relações sociais
assimétricas entre geradores e usuários de informação Propomos o Modelo Teórico ComunicativoInformacional que tem suas bases nos estudos do educador brasileiro Paulo Freire. Este modelo
caracteriza-se pela descentralização das atividades geradoras de conhecimento; legitimação do sistema de
conhecimento prático/local e integração do sistema de conhecimento científico com este tipo de sistema
de conhecimento. Neste modelo são propostas novas variáveis tais como: intencionalidade, interatividade,
processos comportamentais durante a mediação e influencia dos contextos sócio-cultural, político e
econômico nas práticas informacionais (geração, mediação e uso de informação).
Palavras-chave: geração de informação – modelo teórico; mediação de informação - modelo teórico; uso
de informação-modelo teórico; modelo comunicativo informacional

Abstract: Reflection on the model of the mathematical theory of information, which based great part of
the studies on generation, mediation and use of information in the science of information. This theoretical
model is characterized for dependence of the receiver in relation to the information generator. We
propose the theoretical model comunicativo-informacional that has its bases in the studies of brazilian
educator Paulo Freire. This model is characterized for the decentralization of the generating activities of
knowledges, legitimation of the system of pratico/local knowledge and integration of the system of
scientific knowledge with this type of knowledge system. In this model they are propose new possibilities
for the study of the generation, mediation and use of information, such as: intention, interactivity, process
during the mediation and influence of the partner-cultural, economic, politician and in the practical
informacionais (generation, mediation and use of information).
Keywords: generation of information – theoretical model; mediation of information – theoretical model;
use of information – theoretical model; comunicativo-informacional model

ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB), 6., 2005,
Florianópolis, SC.

2 . geração e transferência de informação que se desenvolvem através de circuitos informacionais que ocorrem nas formações sociais. p. originariamente situado. E uma outra ordem de natureza subjetivo-cultural (que nos explica como se faz. no contexto das relações sociais. O homem experimenta a si mesmo como aquele cujo ser se constrói por sua ação dentro de um mundo. ele faz por sua relação com o mundo que ele transforma assim em um mundo humano. Florianópolis. Este modelo ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). A consideração feita acima sobre a importância da informação para a formação e consolidação das formações sociais não deve ocultar uma outra consideração igualmente importante: a informação apresenta um duplo e contraditório caráter. como se constrói o caminho para a implantação do objetivo. 2 FENÔMENO INFORMACIONAL – MODELO DIFUSIONISTA Um modelo teórico muito utilizado no campo da Ciência da Informação para analisar as práticas informacionais tem por base a teoria matemática da informação de Shanon e Weaver. No contexto das práticas sociais a informação é o elemento que age como a energia do processo comunicativo.mediação e uso de informação. o objetivo que se pretende alcançar a partir do acesso/uso da informação). Tal postura foi construída a partir de um modelo que objetiva representar a dinâmica do fenômeno informacional. American Telephon and Telegraph – AT&T. e descreve uma relação linear (emissor-receptor). OLIVEIRA (1993. Este caráter contraditório e complementar da informação estrutura-se através de uma ordem objetivo-produtivista (o que se pretende fazer. Estas práticas sociais podem ser definidas como ações desenvolvidas por um indivíduo ou por grupos de indivíduos localizados em uma determinada formação social. Esta teoria foi formulada para atender as necessidades de melhor desempenho da companhia telefônica. mesmo quando considera outra variável da comunicação humana. Segundo este modelo o conhecimento é gerado em centros de excelência e colocada a disposição de clientes que estão distantes (física ou socialmente) deste centro gerador. Assim ao estabelecerem tal processo os sujeitos sociais constroem práticas informacionais. as modalidades do processo informacional. que podem ser cognitivo-individual ou cognitivocoletivo). ou seja. e sabe que conquista seu ser através da linguagem.Araújo (1998).. inserido num contexto sócio-humanos. gerando mudanças.134). 6.1 INTRODUÇÃO A dinâmica de desenvolvimento de uma sociedade leva os sujeitos sociais a desenvolverem uma série de ações que denominamos de práticas sociais. revestida de conteúdo semântico e sujeito e interpretações. SC. gerando aceitação) ou pode provocar transformações por ruptura (a informação não confirma a realidade conforme o sujeito social a percebe. como a informação é interpretada pelos sujeitos do conhecimento envolvidos em diferenciados processos sociais). 2005. pois ela pode provocar transformação por acumulação (a informação veiculada confirma a realidade conforme o sujeito social a percebe. As considerações feitas anteriormente representam uma postura teórica diante do tema – geração. mediação e uso de informação. que constrói o conjunto de evidências que sua comunidade adquiriu através da história. criada em 1948/1949. O homem se experimenta então. O homem nasce dentro de uma comunidade de comunicação: sujeitos que agem comunicativamente se que se compreende sempre dentro de um horizonte se sentido. Estas podem ser definidas como ações de recepção. Este texto objetiva apresentar este modelo teórico e refletir sobre as possibilidades de que o mesmo possa se adotado para os estudos de geração. que retém a experiência histórica da comunidade. É sempre dentro desse todo de significação que emerge o sentido de tudo o que o homem encontro em sua vida: o sentido de cada realidade particular que o homem encontra e recebe a sua determinação a partir dessa totalidade construída historicamente. isto é.

mas envolve ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). SC.nenhuma separação entre “acessibilidade” e “uso” – mas vendo esses processos em conjunção. Outra característica desde modelo é a desconsideração da questão da relativa diferença de valores entre geradores. Nesta visão a informação é vista como um elemento de equilíbrio dos sistemas. por implicar que uma importante razão para a busca da informação desejada é obter conhecimento para desempenhar algum tipo de ação ou atividade. 28). Assim. a noção de intencionalidade torna-se de fundamental importância. 26). após algumas décadas seguindo o modelo difusionista este campo de conhecimento científico. Neste contexto qualquer falha no sistema é atribuída a um mau funcionamento em alguns de seus componentes e não à utilização do modelo sistêmico. ou seja. Este modelo. Os problemas gerados pelo modelo difusionista pode ser sanados através de desenvolvimento de um diálogo informada. .relação social subordinada de forma assimétrica ou desequilibrada entre os geradores e usuários de informação. . de maneira excludente.profunda mudança no que diz respeito aos objetivos de pesquisa e desenvolvimento – de documentos/textos em direção a informação transformada em conhecimento. atualmente a Ciência da Informação tem vivido várias transformações no sentido de ampliar seu objeto de estudo. 2005. horizontal e equilibrado no contexto do processo de práticas informacionais. em relação aos outros sistemas de conhecimento socialmente partilhado. . em relação aos geradores e difusores. baseia-se numa visão sistêmica do fenômeno informacional. a Ciência da Informação tem incorporado um forte enfoque social à suas investigações e as mesmas têm apresentado as seguintes características: . p. . Consideramos que. especialmente no que se refere ao conceito de informação para a ação. razão esta que não se restringe à solução de problemas. Conforme este mesmo autor. . já que privilegia um sistema de conhecimento. diante de tais transformações. p. portanto por toda uma racionalidade instrumental e contemporânea. que denominamos de difusionista.estratificação entre os diferentes grupos envolvidos no processo de transferência de informação. estas são as tendências das pesquisas em Ciência da Informação na década de 90: . difusores e usuários de informação. tem procurado introduzir novas questões no conjunto de suas pesquisas.. O modelo difusionista está baseado no esquema centro-periferia e gera: . . Florianópolis. ao se enviar uma informação de um sujeito Y para um sujeito X.foco central na esfera humana da transferência de informação.ênfase nos processos de comunicação entre o homem e a tecnologia da informação para o propósito de uso da informação armazenada.está baseado na lógica e na terminologia científica. Segundo Ingwersen (1981.uma dramática mudança na abordagem – antes voltada para questões tecnológicas apenas – para incluir atualmente a abordagem da dimensão humana. 6. permeado.uma troca de entendimento da informação como puramente científica para “informação num sentido amplo”. Conforme Ingwersen (1991.uma cadeia de dependência (muitas vezes unilaterais) dos receptores/usuários/demandantes. com um mínimo de tempo e de perda de energia. a informação possibilita a perpetuação e o estabelecimento de equilíbrio nos sistemas. Entretanto a implementação deste “novo” diálogo exige uma postura teórico-metodológica renovada por parte da Ciência da Informação em relação ao seu objeto de estudo. 3 .

120). como conseqüência destas. principalmente. a dinâmica informacional. para um novo foco de atenção que privilegia interação de indivíduos e grupos entre si e com a tecnologia de informação. a Ciência da Informação assume que um dos seus objetivos principais “é a análise das práticas e transferências de informação. possa ampliar a compreensão do campo da Ciência da Informação sobre a dinâmica do fenômeno informacional. 6. p. a relação entre o acesso/uso da informação e o desenvolvimento social e humano. através desta nova percepção do fenômeno informacional poderá ocorrer uma reestruturação da compreensão do processo de produção de conhecimento e uma compreensão mais ampla do conceito de conhecimento. Num primeiro momento pode-se renovar o conceito de transferência de informação. Em um segundo momento. os processos comportamentais da transferência de informação. Consideramos que o modelo comunicativo-informacional. Desse modo. como por usuários. Aqui iríamos mais longe ao afirmar que a interação também sofre influência dos interesses econômicos e políticos. a Ciência da Informação tem que levar em conta a interação que ocorre. 2005. que subsidia o conceito de práticas informacionais. político e econômico nas práticas informacionais desenvolvida tanto por profissionais de informação. mas também entre os indivíduos num contexto social. Através da visão apresentada sobre o atual panorama da Ciência da Informação. inclusive quanto ao seu objetivo de estudo e aos problemas colocados para investigações na área. que passa de “informação” para “pragmáticas sociais de informação”. de modo que se encontrem soluções efetivas para os problemas de geração. a influência dos contextos sócio-cultural. não só entre sistemas e seres humanos. ao ter que lidar com diferentes grupos sociais e com os indivíduos que formam estes grupos. pode-se observar que. mediação e acesso/uso de informação que nos circuitos comunicacionais das formações sociais. especificamente no campo da geração. 3 FENÔMENO INFORMACIONAL . Florianópolis. 15) cria possibilidade para que ocorra: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). nos circuitos comunicacionais de diferentes formações sociais” Gómez (1990 p. antes colocada na eficiência dos sistemas de informação e problemas de tecnologia no uso do conhecimento. mediação e uso de informação. ou ainda “práticas informacionais”.MODELO COMUNICATIVOINFORMACIONAL Anteriormente colocamos que se faz necessário ao campo da Ciência da Informação uma postura teórico-metodológica renovada em suas análises sobre o fenômeno informacional. A variedade e complexidade dos problemas que atualmente se colocam a Ciência da Informação exigem da mesma enfoques interdisciplinares e a adoção de métodos de pesquisa quantitativos e qualitativos necessários à compreensão de questões como a intencionalidade subjacente à informação para a ação. faz-se necessário à renovação do modelo teórico que tem orientado as análises e estudos sobre o fenômeno da informação. mudanças significativas ocorreram nas últimas décadas neste campo. mediação e uso de informação. mas também a recepção e a geração de informação e. propomos o conceito de práticas informacionais para representar as ações geração. SC.meta e interesses culturais e emocionais. no sentido de que ele não consegue representar. Assim. conforme Cebotarev (1983. deve-se procurar analisar a mediação de informação. a mudança essencial se deu em termos da substituição da ênfase. Assim. 4 .. a interatividade entre usuário e sistemas de informação. de forma eficaz. num primeiro momento temos que no âmbito do fenômeno informacional o aspecto a ser estudado não é apenas a mediação. Esta nova percepção. no seu atual estágio de desenvolvimento. Ao modificar seu objeto de estudo. Assim. Ao que tudo indica.

. 5 . através de seu acervo social de conhecimento. SC. permite a reflexão sobre o contexto sócio-econômico mais amplo.integração do sistema de conhecimento científico com os sistemas de conhecimento local/experiências. geração e transferências de informação) só são consideradas completas no momento em que uma mensagem (conjunto de informação) é enviada pólo emissor ao receptor e este a recebe e atribui sentido. O modelo comunicativo-informacional. . . Assim.NÍVEL DE CONHECIMENTO SOBRE O TEMA DISCUTIDO. para que as práticas informacionais ocorram de forma completa e eficaz.redefinição do próprio sistema de conhecimento legitimado. mas a considera desnecessário ou impossível de ser compreendida e a descarta.NÍVEL DE UTILIDADE DAS INFORMAÇÕES RECEBIDAS (USO / INCORPORAÇÃO DAS INFORMAÇÕES EM SITUAÇÕES EXISTENCIAIS CONCRETAS). Neste modelo tanto o emissor. 1998 e 2000.descentralização das atividades geradoras de conhecimento para “mundos” mais próximos das comunidades. A partir destas considerações temos o seguinte quadro: EMISSOR / GERADOR RECEPTOR/ USUÁRIO DE INFORMAÇÃO DE INFORMAÇÃO EMISSOR E RECEPTOR REALIZAM PESQUISA CONJUNTA SOBRE: . Após atribuir sentido o receptor utiliza tal carga informacional em situações existenciais concretas ou ainda compreende a mensagem. . Além da análise dos problemas técnicos. as práticas informacionais (recepção. tais como o conhecimento experimental (adquirido pela experiência da vida cotidiana). 6. ressalta que a participação do usuário é tão essencial quanto à do gerador de informação. . A implementação do modelo comunicativo informacional permite maiores possibilidades de questionamentos equilibrados e consensuais dos problemas locais comuns a grupos excluídos ou marginais. o conhecimento prático e conhecimento socialmente útil. como o receptor assume um papel ativo no processo de comunicação da informação. Florianópolis.. no sentido de que. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). que tem suas bases teóricas nos estudos do educador brasileiro Paulo Freire.NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO SOBRE O TEMA DISCUTIDO. 2005..SISTEMA DE CONHECIMENTO TRADICIONAL Quadro 1: MODELO PARTICIPATIVO-COMUNICACIONAL Fonte: ARAUJO. a partir deste modelo. a informação seja elemento efetivo na produção de conhecimento com real utilidade social.

mas.. pois no mesmo. podemos incorporar os quatro sistemas de conhecimento que compõem a base de produção de conhecimento. tradições). A partir de Cebotarev (1983. comunidade. bem como. sobre suas necessidades de informação e em conjunto (emissor e receptor) podem verificar o nível de utilidade das informações geradas/transferidas. SC. costumes. Assim temos os seguintes sistemas: a) Sistema de conhecimento técnico científico – o conhecimento dos “experts” e “intelectuais”. 15/20). pois se inter-relacionam. p. são também complementares. Florianópolis. o emissor não é o único gerador/transmissor de informações. mas o receptor também gera e envia informações para o emissor relativas ao seu nível de conhecimento sobre o tema em discussão.Este modelo pode romper como o esquema centro-periferia do modelo difusionista. podemos incorporar novos elementos. Partindo dessas considerações que estrutura o modelo comunicativoinformacional. usando a expressão de Gramsci. d) Sistema econômico-político (mais relacionado a forma de construção do estado). no modelo participativo. de forma dinâmica. b) Sistema de conhecimento sócio-cultural local (família. A partir desta inter-relação temos a figura 1 a seguir: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). 6 . 2005. no sentido de ampliar as possibilidades de análises do mesmo. ao mesmo tempo. Esses sistemas são elementos diferenciados. 6. c) Sistema de conhecimento tradicional ou “experimental” ou ainda o acervo social de conhecimento.

SISTEMA DE CONHECIMENTO .NECESSIDADES DE INFORMAÇÃO DO RECEPTOR/USUÁRIO SOBRE O TEMA DISCUTIDO .SISTEMA DE CONHECIMENTO TRADICIONAL OU ACERVO SOCIAL DE CONHECIMENTO PRESSUPOSTO BÁSICOS PRESSUPOSTOS BÁSICOS EMISSOR/GERADOR RECEPTOR / USUÁRIO . Florianópolis. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). 6. SC. 7 .EMISSOR/GERADOR DE RECEPTOR/USUÁRIO DE INFORMAÇÃO INFORMAÇÃO EMISSOR E RECEPTOR REALIZAM PEQUISA CONJUNTA SOBRE: .NÍVEL DE CONHECIMENTO DE RECEPTOR/USUÁRIO SOBRE O TEMA DISCUTIDO . 1998 e 2000.SISTEMA DE CONHECIMENTO TRADICIONAL PRESSUPOSTO BÁSICO DO EMISSOR E DO RECEPTOR SISTEMA DE CONHECIMENTO RELATIVO À REALIDADE SÓCIOECONÔMICA Figura 1: MODELO COMUNICATIVO-INFORMACIONAL Fonte: ARAUJO. .. 2005.NÍVEL DE UTILIDADE/INCORPORAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RECEBIDAS EM SITUAÇÕES EXISTENCIAIS CONCRETAS DO RECEPTOR.SISTEMA DE CONHECIMENTO TRADICIONAL .SISTEMA DE CONHECIMENTO TÉCNICO E/OU CIENTÍFICO SÓCIO-ECONÔMICO E CULTURAL DO ESPECIALISTA DO RECEPTOR/USUÁRIO TEMA EM DISCUSSÃO .

mas sim de se desenvolverem modelos básicos a partir da redefinição de abordagens teóricas e da ampliação dos conceitos científicos já em uso neste campo de conhecimento científico. SC. o que gera o atendimento das necessidades informacionais do usuário. Wersig (1991. Wersig (1991. em que se verifica uma nova situação do conhecimento como fenômeno da informatização. requer um novo tipo de ciência voltado para o desenvolvimento de estratégias para solucionar problemas particularmente surgidos em decorrência do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. 8 . Isso requer o desenvolvimento de perspectivas internas aos problemas. que dá suporte para ações específicas. sem terem um domicílio científico específico. Estas modificações no campo da Ciência da Informação provocam o surgimento de novas posturas de seus estudiosos diante da questão teórica do mesmo.A dinâmica informacional (geração. sociedade. horizontal e equilibrado e ao mesmo tempo possibilitam também que se detecte as barreiras que impedem tal dinâmica. como ciências para solução de problemas os resultados desenvolvidos pelos estudos da Ciência da Informação deverão ser estratégias para lidar com problemas. os direcionamentos que podemos implementar no sentido de gerar produtos e serviços de informação que instrumentalizem o usuário para atuar de forma ativa na construção da realidade. 6. o trabalho teórico seria o de usar conceitos já disponíveis. Esta é sem dúvida uma proposta renovadora no contexto teórico das ciências que estudam o fenômeno informacional.. Através deste modelo cria-se a possibilidade de compreendermos de forma mais completa as características de fenômeno informacional. p. Um dos autores de campo da Ciência da Informação que tem procurado desenvolver um enfoque analítico semelhante ao do modelo convergente é Wersig (1991 p. entre outros. altamente seletiva. por isso. a partir das quais o campo deve ser orientado. a informação é conhecimento em ação e este deve ser transformado em algo que apóia. que recortam diversas disciplinas. 28) denomina de inter-conceitos. mediação e uso de informação) baseada nestes vários sistemas são inter-relacionadas de forma dinâmica e geram a possibilidade de um diálogo informado. de forma a ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). realidade. muitos dos quais não estão estabelecidos. e muito dos quais pertencem ao senso comum. o modelo comunicativo-informacional propõe a substituição gradual da idéia de audiência passiva por um conceito de audiência altamente seletiva e. 27). p. tecnologia. 28). Desse modo. também afirma que o atual estágio de desenvolvimento alcançado pela sociedade pós-industrial ou pós-moderna. sendo que a Ciência da Informação deveria ser vista como o protótipo da ciência pós-moderna. Segundo este autor. tais como: conhecimento. p. Assim. 28) não vê necessidade de se formularem novas teorias. Florianópolis. Nesse modelo tanto o emissor como o receptor deve compartilhar algum campo de experiências e dominar o código que será usado para transmissão e recepção de informações. A esses conceitos. cultura. bem como. como o propósito de formular estratégias para lidar com os novos problemas colocados pelo atual estágio de desenvolvimento da sociedade e amarrando-os. A eficiência aqui não está meramente relacionada a quantidade de informação mas à efetivação do fluxo de informação e garantia de decodificação das mensagens. ele também afirma que os indivíduos precisam ser educados para se comportarem adequadamente nesse ambiente de conhecimento da sociedade moderna e que a Ciência da Informação deve desenvolver sistemas alternativos apropriados aberto a todo tipo de conhecimento. Wersig (1991. Por outro lado. 2005. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Consideramos que. Como produto deste processo informacional participativo podemos obter a transformação da informação em conhecimento e deste em ação conseqüente.

2. Milão. 6. raciocínio.2000b.2. E. Informação: recurso para a ação política do cidadão? Encontros Bibli.Ciência da Informação e Biblioteconomia: Múltiplos discursos. n. M. é a da comunicação. In: Castro. REFERÊNCIAS ARAUJO. jan. BERGER. 1985. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB). dão margem para reflexões mais abrangentes.p.aumentar e garantir a necessária seguridade científica. São Luis: UFMA. ______. v. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Universidade de Brasília.p. LUCKMANN. como seleção.. podemos propor direcionamentos para uma gestão eficiente do conhecimento produzido.20-36. significação e resignificação. de. Internet. 221 f. 2005.2235.).1999.C. ou a incorporação do estudo da intencionalidade no uso da informação para a ação. Petrópolis: Vozes. P. modelagem. n.S. Sociedade e Cidadania: a gestão da informação no contexto de Organizações Não-Governamentais brasileiras. v. (Org. BRUYNE. consideramos que nos dias atuais a Ciência da Informação tem procurado desenvolver um enfoque mais sócio-cultural. que poderão vir a serem úteis no sentido de fortalecer o embasamento teórico-metodológico dos profissionais da informação. /mar. _______. O fenômeno informacional na Ciência da Informação. Ruth Joffily. Brasília. p. 1998. A Construção Social da Informação: analise de Organizações NãoGovernamentais-ONGS brasileiras. em que diferentes mecanismos tomam parte. n. que segundo este autor não pode mais ser vista como mera transmissão de informação. 1991. A.1986. P..9.p. Revista Studi di Sociologia.11-34. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais: os pólos da pratica metodológica. C. pois busca compreender as práticas informacionais como práticas sociais e procura centrar sua atenção nas ações dos sujeitos sociais em busca por informação e no processo de produção do conhecimento. a adoção de métodos de pesquisa quantitativos e qualitativos e as preocupações com aspectos antes negligenciados. 1998. v. Teorias da cotidianidade: busca de sentido ou perda de sentido? Tradução de. no sentido que tal postura possibilita a análise de questões informacionais mais complexas. a abertura interdisciplinar.2000a. Tal postura representa em avanço significativo para a ciência da informação. A partir destas colocações. 252 p. A Construção Social da Realidade.2002.10. v. 9 . L. BOVONE. Outra questão discutida por Wersig (1991. Tradução de. ______. Rio de Janeiro: Francisco Alves. ______ . Ciência da Informação.28. tais como a transformação da informação em conhecimento e. Assim. T. Identidade cultural e regionalismo: inclusão ou exclusão informacional? Informação e Sociedade: Estudos. 155-167. Florianópolis. como a interação dos indivíduos no contexto social. mas redefinida com “processo de redução de complexidade”. num segundo momento. João Pessoa. Informação. p. 28). SC. Florianópolis. Brasília. 24.Teixeira.1.

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