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MANDADO DE SEGURANÇA Nº 0008018-61.2015.827.

0000

ORIGEM:

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS

IMPETRANTES:

ANDRÉ AUGUSTO SOARES E OUTROS

IMPETRADO:

GOVERNADOR DO ESTADO DO TOCANTINS

RELATORA:

DESEMBARGADORA ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE

DECISÃO

Trata-se de mandado de segurança, impetrado por
ANDRÉ AUGUSTO SOARES E OUTROS , contra ato
supostamente praticado pelo
GOVERNADOR DO ESTADO DO TOCANTINS, consistente na anulação das
promoções dos impetrantes por meio do Decreto Estadual nº 5.189, de 11/02/2015.

Relatam os impetrantes que foram promovidos ao Posto de Capitão do Quadro de Oficiais do Corpo de Bombeiros
Militar do Estado do Tocantins, por meio dos Atos nº 2.097-PRM e nº 2.099-PRM, gozando os referidos atos de
presunção de legalidade e legitimidade, já que os impetrantes satisfizeram todos os requisitos dispostos na Lei
Estadual nº 2.665/2012, observados também os requisitos para figurarem no respectivo quadro de acesso.

Aduzem que a anulação dos atos de suas promoções, por meio do Decreto Estadual nº 5.189, de 11/02/2015, se deu
após o transcurso de um mês da data das promoções, de forma abrupta e em total afronta ao direito adquirido dos
impetrantes e ao ato jurídico perfeito.

Alegam que em se tratando as promoções de direito subjetivo dos impetrantes, o alcance dos limites para as
despesas com pessoal previstos pela Lei de Responsabilidade Fiscal não pode ser utilizado como subterfúgio para o
não cumprimento das vantagens asseguradas por lei.

Sustentam que mesmo admitida a possibilidade de "despromoção" por ato unilateral do Chefe do Executivo,
verifica-se que a autoridade impetrada se descuidou de oportunizar aos impetrantes o devido processo legal
administrativo, deixando de assegurar as garantias previstas pela Constituição Federal no que tange ao contraditório
e a ampla defesa, sendo flagrante a ilegalidade neste ponto, sobretudo porque o poder de autotutela conferido à
Administração Pública não é absoluto.

Argumentam que o ato de promoção dos impetrantes gerou efeitos concretos e passou a integrar o patrimônio
jurídico dos impetrantes, razão pela qual não poderia a autoridade impetrada simplesmente decretar a sua nulidade
sem que tal ato fosse precedido da instauração do devido processo legal.

Por fim, postula pela concessão da segurança para o fim de " assegurar-lhes o direito líquido e certo de serem
mantidos no Posto de Capitão do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins, com todos os direitos inerentes
ao cargo, declarando-se nulo o Decreto nº 5.189, de 10 de fevereiro de 2015, retornando os legais efeitos dos Atos nº

Documento assinado eletronicamente por ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE , Matricula 10977.
Para confirmar a validade deste documento, acesse: https://eproc2.tjto.jus.br/eprocV2_prod_2grau/externo_controlador.php?
acao=valida_documento_consultar e digite o Codigo Verificador 1328c5906fe

É cediço que a anulação dos atos de promoções dos impetrantes. em ações mandamentais. 1. out12). todos de 2014. publicados no DOE de 15/11/2014. vislumbro que estão satisfeitos os requisitos necessários à concessão da tutela liminar pleiteada.016/09. Para confirmar a validade deste documento. § 1º.2.097 e nº 2.099 referente ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins. foram anulados sem a atenção aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa. A princípio. sem previsão orçamentária e disponibilidade financeira.PRM e nº 2.165.278. publicados no DOE nº 4. Infere-se dos autos que. out13).143 e 2. alteraram a estrutura de carreiras e aumentaram remunerações. § 1º. em que os atos anulados já encontravam-se em vigor desde a data de 14/12/2014.285. tais quais.099.278. os impetrantes comprovam que tiveram suas promoções ao Posto de Capitão no Quadro de Oficiais do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins efetivada por meio dos Atos nº. de 11/02/2015 (Evento 1. 7º. 1. Decido.189.130. do art. preenchendo os demais requisitos de admissibilidade. sem observância ao devido processo legal.965 e 1. A ação mandamental é própria e tempestiva.189/2015. criaram cargos. Em síntese. A plausibilidade da concessão de liminar. os atos de retificação nº 2. publicados no DOE nº 4. como no caso em questão. mas que já tenha produzido efeitos concretos perante terceiro. aparentemente concedida por meio dos procedimentos legais. 2.099 . através do Decreto nº 5. é o relatório. tendo em vista que os referidos atos de promoção. o Governador do Estado do Tocantins declarou nulos os atos de promoções de Policiais Militares do Estado do Tocantins nº.922. publicado no DOE nº 4. tal como preceitua a Lei nº 12. da Constituição do Estado do Tocantins. da Constituição Federal e no artigo 85. 2. Observa-se que não foi instaurado processo administrativo. "a relevância dos fundamentos e a possibilidade de o ato impugnado puder resultar na ineficácia da medida caso esta venha a ser deferida ao final". Matricula 10977. numa análise sumária dos presentes autos. de 30/12/2014. III.120 a 2. razão pela qual dela conheço.134 e 5. em visível afronta a regra descrita no artigo 169. Isso porque.533/51 ao viabilizar a suspensão do ato impugnado tão somente quando presentes os requisitos esculpidos no inc. bem como os atos 2. feita de forma abrupta. de 14/12/2014 e declarou a suspensão dos efeitos financeiros das Leis nº 2. que reiterou a Lei nº 1.966.PRM".tjto. acesse: https://eproc2. Documento assinado eletronicamente por ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE . os atos de nº 2. de 14/12/2014 (Evento 1. implica em lesão grave e de difícil reparação. de 10/02/2015.jus.br/eprocV2_prod_2grau/externo_controlador.925 e dos Decretos nº 5.316.php? acao=valida_documento_consultar e digite o Codigo Verificador 1328c5906fe .097 e 2. imprescindível para a declaração de nulidade de ato administrativo reputado ilegal pela Administração Pública. de 23/12/2014. ao fundamento de que as leis concederam vantagens.958. bem como em razão da ausência de estudos pertinentes a origem dos recursos de custeio e ao impacto orçamentário que incidiriam no exercício 2015. Ocorre que o Decreto ora impugnado foi expedido sem a observância do devido processo legal. até então dotados de presunção de legalidade e legitimidade. bem que tais atos foram anulados por meio do Decreto nº 5. deve subsidiar-se no reconhecimento da existência de requisitos próprios.129.140 a 2.287. publicados no DOE nº 4.921. 2.924 e 2. publicado no DOE nº 4. tendo em vista que atinge ascensão hierárquica na carreira militar.097 .

5. a quantia fixada na sentença é compatível à espécie. ao fundamento de existência de erro material. Rel. ERRO MATERIAL.189/2015.Nesse sentido. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. notadamente em relação à inobservância da Lei de Responsabilidade Fiscal.php? acao=valida_documento_consultar e digite o Codigo Verificador 1328c5906fe .278/2014. Rel. IMPOSSIBILIDADE. 1. 1º. DJe 03/02/2015). para que seja restabelecido o "status quo ante". prévia instauração de processo administrativo. 2. necessariamente. acesse: https://eproc2. impende registrar que deve ser mantido o Decreto nº 5. A Administração. Em se tratando de anulação de ato administrativo cuja formalização haja repercutido no campo de interesses individuais.555/2005. a suspensão dos efeitos financeiros até o julgamento de mérito. Julgado em 31/10/2012).925 e dos Decretos nºs 5.br/eprocV2_prod_2grau/externo_controlador. defiro parcialmente a liminar para que seja suspenso o art. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que a desconstituição da eficácia de ato administrativo pelo Poder Público que repercuta no âmbito dos interesses individuais de servidores ou administrados exige. MANDADO DE SEGURANÇA.924 e 2.º 4. pois há possibilidade de ocorrer o "periculum in mora" inverso. Precedentes. Os honorários advocatícios devem remunerar com dignidade o profissional. AUSÊNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. do CPC. Documento assinado eletronicamente por ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE . bem como das garantias do contraditório e da ampla defesa. ou seja. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. 2. 4. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. 3. e ocasionar lesão à Administração Pública. §§3º e 4º. Na espécie. com a instauração do competente procedimento administrativo. NA INATIVIDADE. Segurança concedida. RE 158543/RS).165. o tempo de tramitação da demanda e o zelo do profissional. MILITAR ANISTIADO. Matricula 10977. confiram-se precedentes da jurisprudência pátria: PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. Lado outro. PORTARIA N. do Decreto 5. os impetrantes à graduação para a qual eles foram promovidos.922.134 e 5.249/DF. 1.921. (STJ. APELAÇÃO DESPROVIDA. sob pena de grave violação do princípio do devido processo legal.tjto. no caso o Posto de Capitão do Quadro de Oficiais do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins. ANULAÇÃO DE ATO DE PROMOÇÃO. todos de 2014. mostra-se como medida razoável a suspensão do ato administrativo que anulou as promoções dos impetrantes. Dessa forma. Relator: Eduardo Uhlein. publicados no DOE n. Tal ato deve. AO POSTO DE GENERAL DE BRIGADA. entretanto. ademais. pois. (Apelação Cível Nº 70042521146.555/2005 tornou sem efeito ato administrativo anterior. da instauração prévia de processo administrativo que enseje a oitiva daqueles que terão modificada situação já alcançada (STF. No caso. APELAÇÃO CÍVEL. Tribunal de Justiça do RS. MS 11. restaurando a promoção dos impetrantes ao Posto de Capitão do Quadro de Oficiais do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins. até o julgamento do mérito do presente mandado de segurança. p/ Acórdão Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR. "c". I. a desconstituição pela Administração não prescinde da observância do contraditório. 1. ser tratado com a máxima prudência e cautela. que reconhecia ao militar inativo o direito de promoção ao posto de General de Brigada. NECESSIDADE. Ministra MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/SE). Nulidade configurada. Ante o exposto. a Portaria n. julgado em 24/09/2014. Quarta Câmara Cível. 2. atendendo às moduladoras do art. mantendo-se. na parte em que anulou os Atos promocionais nº 2. retornando-se. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.099.jus. não cientificou nem mesmo proporcionou à parte interessada o direito de defesa.097 e nº 2. 20. ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO ANTERIOR QUE ASSEGURAVA AO SERVIDOR O DIREITO DE PROMOÇÃO. 2. respeitando a atividade desenvolvida e levando em conta a natureza da causa. assim. Para confirmar a validade deste documento.189/2015 no ponto em que declarou a suspensão dos efeitos financeiros das Leis nºs 2. TERCEIRA SEÇÃO.

A presente decisão SERVE DE MANDADO. Desembargadora ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE Relatora Documento assinado eletronicamente por ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE . Em cumprimento ao preceito disposto no inc. requisitando-se informações.tjto. do art. II. nos termos do inc. do mesmo diploma legal. no prazo de dez dias.jus. prestar informações. Transcorrido o prazo para informações. 7º. 7º.Notifique-se a autoridade impetrada do inteiro teor da presente decisão.016/2009. Palmas . querendo. Para confirmar a validade deste documento.br/eprocV2_prod_2grau/externo_controlador.php? acao=valida_documento_consultar e digite o Codigo Verificador 1328c5906fe . do art. da Lei nº 12. colha-se o parecer da Procuradoria de Justiça. em 28 de junho de 2015. notifique-se o Procurador Geral do Estado. I. Matricula 10977. acesse: https://eproc2. para.TO. Intimem-se. Decisão publicada no e-Proc.