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DIREITO ADMINISTRATIVO

Aula 01 – 14/08/2012

NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
Abaixo temos a legislação básica acerca do tema, ou seja, as principais leis,
que caem com mais frequência:
1) CF: arts. 37 a 41;
2) Lei 9.784/99: cuida do processo administrativo federal (em especial
arts. 53, 54 e 55);
3) Lei 8.666/93: cuida de licitações (em especial os arts. 3º, 17, 24, 25)
e contratos (administrativos) – a partir do art. 54;
4) Lei 8.112/90: trata dos servidores públicos civis da União (art. 8º e
seguintes);
5) Lei 8.987/95: Lei de concessões e permissões de serviços públicos
(arts. 6º, 36 e segs – geralmente cai em questões que envolvem
serviços públicos);
6) Lei 8.429/92 – Lei de improbidade administrativa.
Os três temas que mais caem nas provas da FGV são: serviços públicos,
responsabilidade civil e contratos administrativos.

1. Direito e função administrativa
Hoje o conceito de Direito Administrativo utiliza o critério da “Administração
Pública” (estuda-se a atuação do Estado na busca da satisfação do interesse público).
O Direito Administrativo é, portanto, ramo do Direito Público que
regulamenta as relações jurídicas travadas pela Administração Pública, que
corresponde assim o exercício da “função administrativa”. Essa função administrativa
é típica do Poder Executivo e é exercida atipicamente pelos Poderes Legislativo e
Judiciário.
Daí porque o ato administrativo é uma conduta humana praticada em nome
da Administração Pública. Isto porque, particulares sem vínculo direto com a
Administração Pública também praticam atos administrativos (ex.: gestor de
negócios).

1.1

– Função típica e função atípica

Nosso Estado está estruturado sobre três poderes: Legislativo, Executivo e
Judiciário. Esses poderes exercem funções/atividades: legislativas, administrativas e
jurisdicionais, respectivamente.

Direito Administrativo – Prof. José Aras, Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012)

1

A função típica/principal/própria do Poder Legislativo é a de que ele nasceu
para legislar. Às vezes, ele exerce uma função atípica/secundária/imprópria. Ex.:
exercendo a função jurisdicional no impeachment do Collor;
Para o Poder Judiciário, a função jurisdicional seria a sua função principal,
enquanto sua função atípica seria, por exemplo, quando às vezes, exerce a função
administrativa.
Já o Poder Executivo tem como função principal a função administrativa, o
que não significa que os outros poderes não possam exercer a função administrativa
secundariamente.
É que nosso Direito Administrativo cuida da chamada função administrativa,
que pode estar sendo exercida pelo Poder Executivo (que é + comum, pois é típica
dele), bem como pelos demais poderes, numa situação de atipicidade.

2. Atuação administrativa
Essa atuação administrativa sempre dever ser feita com observância da lei,
porém ela pode ser de forma VINCULADA ou DISCRICIONÁRIA.

2.1

– Ato vinculado

No ato vinculado, todos os requisitos são pré-estabelecidos na lei (ex.:
aposentadoria compulsória).

2.2

– Ato discricionário

No ato discricionário apenas alguns dos elementos estão estabelecidos na
lei. Neste caso, a lei prevê alguns dos requisitos para a prática do ato, de modo que o
gestor opta por um, dentre os diversos atos legais, através dos critérios de
conveniência e oportunidade que juntos compõem o mérito do ato administrativo.
*OBS.: A avaliação de mérito é exclusiva da Administração Pública. Por isso é que o
juiz não pode adentrar no mérito administrativo.
*OBS.: O mérito do ato encontra-se apenas nos discricionários.

3. Controle sobre a atuação administrativa
O ato administrativo se sujeita a um sistema de controle, daí porque o ato
administrativo sofre controle judicial, administrativo e também legislativo.

3.1

– Controle judicial

É aquele que o poder judiciário realiza sobre a atuação administrativa. Na
efetivação desse controle o juiz irá anular o ato por vício de legalidade. A anulação
corresponde por motivo de ilegalidade. Daí porque a anulação atinge atos vinculados e
discricionários.
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3.2

– Controle administrativo

É aquele em que a Administração Pública controla seus próprios atos. Ela
também pode ANULAR seus atos por motivo de ilegalidade.
*OBS.: A anulação administrativa difere da judicial sob 2 aspectos. Vejamos:

Quanto à iniciativa: o judiciário só age mediante provocação (princípio da
inércia da jurisdição) enquanto que a Administração Pública age de ofício
(principio da oficialidade);

Apenas anulação judicial opera a coisa julgada, formal e material.

Além de anular, a Administração Pública também pode REVOGAR os seus
próprios atos. A revogação incide sobre atos válidos que se mostram, porém,
inconvenientes, ou seja, envolve questão de mérito.
EXTINÇÃO

ANULAÇÃO
(=
invalidação)

COMPETÊNCI
A
Poder
Judiciário e/ou
Administração
Pública

REVOGAÇÃO

Administração
Pública

CAUSA

TIPO DO ATO

EFEITOS

(i)legalidade
e/ou
(i)legitimidade

Vinculado
e/ou
discricionário

“Ex
tunc”
(retroativos)

(in)conveniênc
ia e/ou
(in)oportunida
de

Discricionários
(mérito)

*“Ex
nunc”
(ato
ampliativo)
“Ex
nunc”
(para
o
futuro)*

*OBS.: Revogação não atinge o ato consumado nem o direito adquirido.
*OBS.: Autotutela – corresponde ao controle que a Administração Pública faz sobre
seus próprios atos (súmulas 346 e 473 do STF).
Súmula 346 do STF:
A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.

O artigo 53 da Lei 9.784/99 também traz o princípio da autotutela estabelecendo
corretamente que a Administração Pública tem o dever de anular.

4. Princípios do Direito Administrativo
4.1

– Vetores interpretativos
1) Supremacia do interesse público sobre o particular: é um dos
princípios basilares do Direito Administrativo. Em um eventual
conflito de interesse, onde se tenha de um lado o interesse público
e de outro o interesse do particular, prevalece o público (ou seja, os
interesses da coletividade são mais importantes que os interesses
individuais).

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Teoricamente, a Administração deveria querer o mesmo que a
coletividade. Alguns autores defendem que essa supremacia do
interesse público não é absoluta, existindo apenas nos casos
previstos em lei. Nesse sentido, temos algumas exceções:

Não deve prevalecer o interesse público quando do outro lado
estiverem direitos e garantias fundamentais constitucionais;

Princípio da legalidade: não se pode, a pretexto de defender o
interesse público, passar por cima da lei

Interesse público:
a) Primário: é a coletividade. Este é o que prevalece e que está
acima do particular;
b) Secundário: é o interesse público da Administração ou do
próprio administrador (patrimonial).
2) Indisponibilidade do interesse público: significa que o interesse
público (primário) é indisponível e irrenunciável. E é assim porque os
administradores não podem dispor do interesse público porque não é
deles (o agente público não é dono dos interesses da coletividade,
não podendo transacionar ou negociá-los livremente).
Não está explícito na CF, mas o art. 2º da Lei 9.784/99 fala sobre esse
assunto (neste ele está explicitado). Trata-se de outro princípio basilar
do Direito Administrativo.

4.2

– Vetores expressos
1) Art. 37, caput da CF: são os mais conhecidos princípios
constitucionais do Direito Administrativo. A melhor forma de
memorizá-los é através do LIMPE (Legalidade,

Impessoalidade,

Moralidade, Publicidade, Eficiência).
a) Legalidade: a Administração Pública só pode fazer o que a lei
permite ou determina (é o dever de atuar conforme a lei). Esta
é a chamada Legalidade Pública.
Para os particulares este princípio tem outro sentido: significa
que os particulares podem fazer tudo que a lei não proíbe. Esta
é conhecida como Legalidade Privada (art. 5º, II, da CF).
A falta da lei (silêncio) para Administração significa proibição,
enquanto para o particular, a ausência da lei é uma permissão.
b) Impessoalidade: alguns autores o relacionam com o princípio
da finalidade. São duas formas de se analisar o princípio da
impessoalidade:

Frente
ao
administrador:
significa
que
o
administrador público deve ter uma atuação neutra,
impessoal (art. 37, § 1º da CF);

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Frente ao administrado: os administrados devem ser
tratados de forma igualitária e impessoal (ou seja, de
forma imparcial).

Essa impessoalidade cria para a administração duas proibições:

Proibição de tratamento discriminatório (ex.: prejudicar
alguém numa fila);

Proibição de um tratamento privilegiado (ex.: favorecer
alguém).

►Questão: Toda discriminação, em matéria de concursos públicos, é ilegal?
Não. Às vezes, pode-se discriminar legalmente. Em alguns casos, a
Administração pode dar um tratamento desigual, se houver uma justa razão. Para que
isso aconteça é necessário pertinência lógica, entre o fator de discriminação e o
desempenho do cargo. Nesse sentido temos a súmula 683 do STF.
Ex.: exigência de prova física e estatura mínima para
delegados; guarda feminina fazer revista em mulher (gera a
necessidade de alguns concursos privativos para mulheres).
Um exemplo de violação: concurso de gari no Rio, que exigia
um mínimo de 10 dentes “próprios” na boca.
c) Moralidade: agir de acordo com a moral (procura-se respeitar
a ética, o decoro, a probidade, a boa-fé e a lealdade). Essa
moralidade que precisa ser respeitada é a moralidade
administrativa. Esta é a busca/perseguição ao interesse
público.
Ex.: o candidato vencido nas eleições para governador no seu
último ano de mandato reduz muito a alíquota do ICMS para
reduzir a receita e prejudicar o candidato vencedor, que terá
que atuar com a receita reduzida (o que estão fazendo é legal,
mas imoral).
O principal reflexo desse princípio é a
administrativa, que veremos em aula separada.

improbidade

d) Publicidade: significa que Administração Pública deve dar
ampla divulgação daquilo que faz (dever de divulgação de seus
atos). Existem alguns efeitos que nascem da publicidade.
Exemplos: dar cumprimento; impugnar; para que possam fluir
prazos etc.
Publicidade é diferente de publicação: publicar é uma das
formas de se dar publicidade, mas não é a única.
Exceções (situações em que não se vai divulgar) – art. 5º da
CF (incisos X, XXXIII, LX):

Quando a divulgação oferecer risco à segurança pública;

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: Modalidade de licitação CONVITE. A própria exigência de concursos públicos atende a esse princípio. para revogar. da Lei 9. 2°. Direito Administrativo – Prof. 4. não pode passar por cima da legalidade. É preciso avaliar muito a despesa x utilidade. Tem-se aqui uma publicidade mitigada. XIII. Ex. 2º da Lei 9. fraudes). humanos etc. erros. Basta que ela envie a carta convite para no mínimo três pessoas e depois fixe esta carta em um local adequado. d) Motivação: obriga que a Administração Pública exponha os fatos e os fundamentos jurídicos que levaram a prática do ato. para poder gastar bem. *OBS.: revogação de uso de bem público.: mural do fórum). é necessário a existência de um fato novo para justificar que aquilo que era oportuno. Ex. porque irá atuar em desacordo com a lei. dos seus próprios atos. não é mais. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 6 .). Quando a divulgação ameaçar intimidade dos envolvidos. Assim. a Administração. José Aras.: servidor aposentado que recebeu a mais (terá que restituir tudo o mais recebido). 2) Art. É a Administração tomando conta daquilo que ela mesma faz.  Anulando ou invalidando atos ilegais (vícios.784/99). equívocos. e) Eficiência: significa que a Administração também tem que ser eficiente. Ser eficiente é fazer o melhor com os recursos disponíveis (sejam eles financeiros. Ela exerce esse controle:  Revogando atos inconvenientes ou inoportunos. Contudo. c) Proporcionalidade: este princípio condiciona o exercício do poder de polícia do Estado. b) Razoabilidade: ela impõe uma adequação entre os meios e os fins.3 – Princípio da autotutela É um controle interno. É sempre OBRIGATÓRIA quando o ato alterar a relação jurídica ou quando tiver natureza decisória. técnicos. A Administração como um todo precisa ser eficiente.784/99: a) Segurança Jurídica (confiança): por esse princípio a Administração Pública não pode dar interpretação retroativa da lei (art. Nesta a Administração não precisa dar ampla divulgação. Nesses casos os efeitos são “ex tunc” (retroagem). com esta revogação provocando efeitos “ex nunc” (não retroage). de circulação (ex. a pretexto de ser eficiente. conveniente. Este princípio aparece muito forte no tema serviços públicos.

o anterior já precluiu). A doutrina se encarregou de elencar os atos que não podem ser revogados: a) Atos vinculados (porque a revogação pressupõe um juízo de conveniência e oportunidade e o ato vinculado não tem margem de liberdade – só se pode anulá-lo). Vejamos: 1) Limite da anulação: art. Assim. O art. A Administração Pública tem limites a esse controle externo sobre sua atuação. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 7 .: concessão de férias. Ex. 2) Limites da revogação: não tem lei sobre esse assunto.: licença para construir. c) Atos que pertencem a um procedimento (porque à medida que se pratica um ato. pelo particular e pelo judiciário. Ele exerce aqui a sua real função jurisdicional. Ex. só que é um juízo dentro de limites legais.: anulação de ato praticado por pessoa incompetente. Ex.784/99 – decai em 5 anos. Direito Administrativo – Prof. *OBS. Tem súmula sobre esse assunto: súmula 473 do STF. 54 da Lei 9. 71 da CF). Contudo. d) Atos em que a competência se exauriu.  No ato discricionário: o agente tem margem de liberdade para fazer o juízo de conveniência e oportunidade. O judiciário não entra na apreciação do mérito administrativo referente às razões de conveniência e oportunidade. Pelo legislativo é feito com o auxílio do Tribunal de Contas (art. ação popular etc. Ele apenas as aprecia. a lei já disse tudo o que se deve fazer). com os efeitos sendo ex tunc. b) Atos exauridos são aqueles atos que já produziram todos os seus efeitos. O particular também pode exercer esse controle externo através de MS. José Aras. Não existe discricionariedade ilimitada (o abuso vira arbitrariedade). a resposta a questão é: o judiciário irá controlar os dois sempre ligados aos aspectos legais.Controle externo sobre a atuação da Administração: este é exercido pelo legislativo. o controle mais importante aqui é o do judiciário: ele só pode anular ou invalidar atos ilegais.: O Tribunal de contas não julga as conta do Presidente da República. ►Questão: O judiciário anula atos vinculados ou discricionários? A diferença está na margem de liberdade de atuação do agente:  No ato vinculado: o agente não tem margem de liberdade para fazer um juízo de conveniência e oportunidade (não tem que pensar muito. 53 da Lei 9784/99 também dispõe nesse sentido.

poderia se cortar. É lógico que em serviços públicos sua aplicação é mais forte. As entidades da Administração Indireta estão vinculadas as entidades das criadoras (AD) e não subordinadas.  Após prévio aviso por razões técnicas ou de segurança. XIX.5 – Princípio da especialidade Significa que as entidades da Administração Indireta (autarquias. 4. o judiciário vem tratando caso a caso. Estados. Mas há exceções. pode cortá-lo? Há divergências. dependendo do caso concreto. 4. de finalidade. não se poderia cortar. Alguns autores defendem que o princípio da razoabilidade estaria explícito no art.  Após prévio aviso em razão do inadimplemento do usuário. Na prática. Já a proporcionalidade exige meios e fins compatíveis. Não pode sofrer problemas de continuidade. que são aquelas situações em que o serviço pode ser interrompido sem violar o princípio da continuidade:  Situações de urgência. É um controle finalístico. Por conta do princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse particular e do princípio da igualdade. 5º. José Aras. fundações. ►Questão: E se for um serviço essencial. Esse princípio tem algumas consequências: 1) Proibição da interrupção dos serviços públicos. O judiciário pode anular ato com base na violação ao princípio da razoabilidade / proporcionalidade. Já pelo princípio da dignidade da pessoa humana. LXXVIII. 37. Não existe hierarquia.6 – Princípio da tutela É o princípio do controle. a especialidade para o qual cada uma delas foi criada (art. Violar um desses princípios é uma atuação ilegal. 4. da CF). da CF. 2) Os institutos da suplência. DF e Municípios) devem controlar/tutelar as entidades da Administração Indireta criadas pelas primeiras. Ele determina que as entidades da Administração Direta (União.4 – Princípio da razoabilidade/proporcionalidade Razoabilidade significa que a Administração Pública deve ter uma atuação sem excessos. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 8 .4. empresas públicas) devem respeitar a finalidade. para que essas entidades não saiam da linha. Direito Administrativo – Prof. delegação e substituição existem para que a atividade administrativa não pare.7 – Princípio da continuidade A atividade administrativa não pode parar (não apenas os serviços públicos).

Isto em homenagem aos princípios da segurança jurídica. Abuso de poder no Direito Administrativo é um gênero. O uso regular do poder se opõe ao uso irregular do poder. 5. ou seja. *OBS. Teoria geral dos poderes da Administração Aqui estudamos as principais competências da Administração Pública. que gera a nulidade do ato praticado. não se aplica (alguns autores dizem que se aplica. Aula 02 – 23/08/2012 PODERES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1. A doutrina dá um nome a esse uso irregular do poder: abuso de poder (uso irregular de uma competência). Anulação com efeitos “ex nunc” A anulação pode gerar efeitos “ex nunc” quando se trata dos atos ampliativos. Este é um defeito do ato administrativo. 54 da Lei 9. ou seja. Falamos aqui em um dever-poder (é uma expressão que enfatiza a ideia segundo a qual toda competência é vinculada a uma finalidade). Uso regular do poder é a utilização de uma competência pelo agente dentro dos limites legais.784/99). Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 9 . A incompetência é um defeito que atinge o ato desde o seu nascimento. mas que sempre pressupõe o agente competente (assim não existe abuso de poder por servidor incompetente. mais conhecida como “exceptio non adimpleti contractus”. de forma inadequada. que ocorre quando o agente competente utiliza as atribuições que a lei lhe confere fora dos limites. pois o ato já nasceu nulo pela incompetência). que comporta duas espécies: Direito Administrativo – Prof. que causam efeitos favoráveis aos administrados. da boa-fé e da vedação ao enriquecimento ilícito do estado. Se for com a Administração Pública.3) Em matéria de contratos administrativos. José Aras. ele não pode suspender de imediato. mas de forma mitigada) a cláusula da exceção do contrato não cumprido.: O Ato ampliativo não pode ser anulado quando ultrapassados 5 anos da sua prática (art. Significa que eu não sou obrigado a cumprir a minha parte do contrato se você não cumprir a sua. Tem que esperar 90 dias.

2. Ex. ATENÇÃO regulamento:  – existe uma divergência doutrinária sobre os tipos de Regulamento executivo: serve para aplicar a lei no caso concreto. etc).: revista policial que termina com agressão do suspeito. IV. Ex. mas virou asilo. 5º. da CF. Aqui há uma violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. 2. DICA: todo ato administrativo está sujeito a controle judicial. Os decretos e regulamentos não podem criar deveres e proibições. Poderes em espécie (classificação) 2.: lançamento tributário.: poder de desapropriar. ►Questão: O que é tredestinação lícita? É uma mudança na finalidade que o Direito aceita desde que também seja de interesse público. aposentadoria compulsória do servidor que completa 70 anos. b) Desvio de poder: também chamado de desvio de finalidade.: casa desapropriada para virar creche. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 10 . Ocorre quando o agente competente usa os poderes do cargo visando interesse alheio ao interesse público (benefício próprio. José Aras. Ex. desapropriação. diante do caso concreto. por conta do art. II.: remoção de servidor por perseguição. É essa possibilidade de escolha que caracteriza esse poder. 84.a) Excesso de poder: ocorre quando o servidor competente pratica um ato exagerando no uso de suas atribuições (é um exagero no uso da competência). Direito Administrativo – Prof. 519 do CC permite que o bem desapropriado receba destinação pública diversa da inicialmente prevista. para perseguir inimigos. tresdestinação ou tredestinação.3 – Poder regulamentar (art. O agente público só executa o que lei dispõe no caso concreto. qual a melhor maneira de defender o interesse público. É uma competência que consiste na expedição de decretos e regulamentos (estes são atos administrativos gerais e abstratos) para dar fiel execução à lei.2 – Poder discricionário É aquele exercido pelo agente com margem de liberdade dada pela legislação para que decida. O art. É um papel reservado a lei. Ex. Ex. seja por meio de um poder vinculado ou de um poder discricionário.1 – Poder vinculado É aquele exercido pela Administração sem margem de liberdade dada pela lei. 2. Governador e Prefeito). da CF) É um poder atribuído de forma privativa e indelegável aos chefes do Executivo (Presidente.

Nada impede que sejam aplicadas simultaneamente. Normalmente é proposto pelo Estado. 3) Processo Administrativo Disciplinar (PAD): para aplicação de penas relacionadas ao cargo. Uma conduta do agente pode desencadear três esferas de responsabilidade. não se projetando para fora do ambiente da Administração). da CF após a EC 32/01 (organização da Administração Federal e extinção de cargos vagos). José Aras. 2. – Poder disciplinar É um poder para aplicação de sanções administrativas a agentes públicos que cometam infrações funcionais. também é chamado de poder interno ou “intra murus” (poder doméstico. *OBS.: sofrer condenação nos três). Ex. Envolve assim a possibilidade do agente público sofrer os efeitos de três processos independentes (não se comunicam): 1) Processo Civil: para eventual reparação de danos.: art. chefia e comando. independente das outras três) Alguns autores já mencionam uma 5ª. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 11 . Estas penas podem se cumular (ex. exercido apenas no contexto do Estado – não é exercido sob os particulares). não podendo ser exercido sobre particulares. 2. que seria a responsabilidade política. VI. 84. ou seja. 2) Processo Penal: para uma eventual aplicação de pena restritiva de liberdade. Tem duas características:  É um poder interno: só se aplica a agentes públicos. em uma ação regressiva. com uma única exceção: a absolvição criminal por negativa de autoria ou ausência de materialidade faz coisa julgada no cível e no administrativo (mas a absolvição penal por falta de provas não produz esse efeito). Por conta disso. A doutrina moderna não fala mais em tríplice responsabilidade do agente. Direito Administrativo – Prof. exercido de modo permanente sobre agentes e órgãos públicos.5 – Poder hierárquico É um poder de direção. é um poder “intra murus” (só se manifesta dentro.: ATENÇÃO – como regra.  Não é permanente: não é exercido o tempo todo e sim somente quando o agente é acusado de uma infração. mas sim em 4 processos. a decisão em um processo não interfere nos demais.4 Regulamentos autônomos ou independentes: aceitos pela maioria da doutrina e pelo STF podem tratar de temas não previstos em lei anterior. incluindo o processo para apuração de ato de improbidade ( a ação de improbidade administrativa constitui uma quarta esfera de responsabilidade. A pessoa pode passar a vida inteira no serviço público sem jamais cometer qualquer tipo de infração funcional e se sujeitar a este poder.

verifica-se que a regra geral é a delegabilidade de competências administrativas. pois pode ser revogada a qualquer momento por vontade da autoridade delegante. *OBS.ATENÇÃO: as entidades descentralizadas (ex. c) Atos normativos: sempre que a lei dá competência para a expedição de atos normativos. as competências administrativas podem ser delegadas (delegabilidade da competência administrativa). 2. Por conta disso que se diz que no Brasil há delegação vertical (de cima para baixo) e horizontal (a alguém que não está debaixo da linha hierárquica). delega (e só delega parcialmente) para outro agente subordinado ou não. José Aras. Dois institutos que caminham em Administrativo derivam deste poder hierárquico: sentidos contrários do Direito 1) Delegação de competência: forma de distribuição de competência. Aqui o agente público chama para si a competência de um subordinado. ele a distribui. Em resumo. Delegação é ato precário.6 – Poder de polícia É um conjunto de limitações administrativas sobre a liberdade e propriedade privadas em favor do interesse público. Só existe avocação vertical (pois a avocação é um ato de autoridade – de cima para baixo). ao contrário dos órgãos públicos. 2) Avocação de competência: forma de concentração de competência. mas não subordinadas a Ministérios). Concentra assim competência.784/99 admite delegação a agentes subordinados ou não a autoridade delegante. Em regra.: autarquias e empresas públicas) não se sujeitam a controle hierárquico (são vinculadas.: As três competências indelegáveis são também insuscetíveis de avocação (CESPE). estes serão indelegáveis. A Lei 8. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 12 . salvo as exceções dispostas acima. b) Decisão de recursos: não podem ser delegadas para não haver violação do duplo grau. Aqui. Três competências administrativas são indelegáveis: a) Competências exclusivas: significa que não podem ser delegadas por determinação legal. Portanto. que se sujeitam. como o agente público ou órgão tem a competência. ou seja. trata-se de fiscalização estatal Direito Administrativo – Prof. no Brasil. É um ato de autoridade: a autoridade hierarquicamente superior chama para si competência de um subordinado.

Exemplos de sua manifestação:  Tombamento*. BENS PÚBLICOS ou DOMÍNIO PÚBLICO Segundo o art.: contratação de empresa privada para administrar radares fotográficos de trânsito. Oberve que o dever do proprietário de cumprir função social da propriedade é uma manifestação positiva do poder de polícia. Características (e que as diferenciam da servidão administrativa): a) É sempre geral: vale para todos. Não gera indenização. Só atinge a propriedade. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 13 . É uma prerrogativa exclusiva do Estado. Atinge bem determinado. Ex. sendo incompatível sua delegação a particulares. Ex. e) É indelegável a particulares: o poder de polícia é uma manifestação do poder de império da autoridade. c) Não gera direito a indenização (quando exercido regularmente): justamente por ser geral – não dá para pagar indenização para todo mundo. ATENÇÃO: doutrina e jurisprudência admitem que haja delegação a particulares de atividades de apoio a fiscalização. atinge toda a coletividade). b) Restringe os valores da liberdade e propriedade. 98 do CC. José Aras.  Servidão para passagem de fios e cabos pelo imóvel. Representa obrigações de não-fazer. Direito Administrativo – Prof. Esta pode indenizar (se tiver prejuízo). PODER DE POLÍCIA SERVIDÃO ADMINISTRATIVA (art. mas não do poder de polícia em si. É indelegável a particulares. Exemplos de sua manifestação:  Vigilância sanitária.  Normas municipais sobre construção.: fiscalização ambiental.sobre particulares. bens públicos “são todos aqueles que pertencem a pessoas jurídicas de direito público interno”. regras municipais sobre o direito de construir. d) Manifesta-se para o particular por meio de obrigações de nãofazer: estas são abstenções de fato. 78 do CTN) É um tipo de limitação que restringe dois valores: Liberdade e Propriedade.  Placa com o nome da rua na fachada do imóvel. vigilância sanitária. É sempre geral (significa que vale para todos. Produz dever de tolerar. administração de presídio.

Também é um atributo absoluto. praças. 3) Não-oneração: os bens públicos não se sujeitam a encargos como penhor e hipoteca. A fila de precatórios não é uma fila única. 2. Cada entidade tem uma fila separada deprecatórios. 2) Impenhorabilidade: significa que os bens públicos não se sujeitam a constrição judicial (limitação judicial). Art. Direito Administrativo – Prof. Empresas públicas e sociedades de economia mista estão sujeitas ao sistema de precatório somente quando forem prestadoras de serviços públicos. Por conta disso que a doutrina inclui no conceito “ou que estejam afetados a prestação de um serviço público”. Estes também têm regras de utilização. 100 da CF: precatório. que tem preferência. Atributos dos bens públicos Quando nos dizemos que determinado bem é um bem público. Ex.Ocorre que existem pessoas jurídicas que não são de direito público e sim de direito privado (empresas públicas e sociedades de economia mista). isso significa que ele tem algumas qualidades que um bem privado não tem. pois temos duas exceções: os bens dominicais e os bens desafetados (desafetação legal é a transformação legal de bens de uso comum ou de uso especial em bens dominicais visando sua venda). Acontece que essa inalienabilidade não é absoluta. ou seja. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 14 . Alguns autores mais modernos incluem no conceito de impenhorabilidade a ideia de não oneração. Espécies de bens públicos Existem no Direito brasileiro três espécies de bens públicos (art. Tradicionalmente a doutrina diz que são três: 1) Inalienabilidade: significa que os bens públicos não podem ser vendidos livremente. pois esta está fundada na ideia de penhora. Se os bens públicos são impenhoráveis. mares e florestas. As ordens de pagamento entram em uma fila cronológica. não se pode aplicar a execução comum. Ex. 4) Imprescritibilidade: os bens públicos não se sujeitam a usucapião (e este é uma forma de prescrição aquisitiva). em regra. É também um atributo absoluto. pois não pertencem ao Estado e sim a coletividade. José Aras.: rios. que não podem ser penhorados. o que acaba por criar um problema. Não têm usucapião de bem público. Eles não podem ser penhorados por conta da alienabilidade. Tem os precatórios comuns e tem os alimentares. 99 do CC): a) Bens de uso comum do povo: abertos a uma utilização universal e.: Correios e metrô. gratuita. 1. É um atributo absoluto – não tem exceções.

Ex. Esse uso exclui a possibilidade de outras pessoas usarem também. Sempre deverá haver interesse público justificado e avaliação prévia (sendo o bem imóvel. se o bem for imóvel. cemitérios públicos. mercados municipais.: uma estrada (pode-se cobrar pelo uso dela ou não).: rua que vira autódromo. mas pertencem a União quando indispensáveis para a defesa das fronteiras). ambas as espécies acima fazem parte do patrimônio público indisponível. c) Bens dominicais (ou dominiais): são aqueles sem destinação específica. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 15 .: praça cedida para quermesse. porém. carteiras escolares danificadas. De acordo com o art. Enquanto mantiverem essas qualidades. ATENÇÃO: sendo bens dominicais. José Aras. Nada impede que haja um uso comum de um bem especial ou vice-versa.: terreno da Prefeitura cedido a PM (estadual). Ex. Formas de uso dos bens públicos ATENÇÃO: para não confundir a cabeça. Ex. c) Uso compartilhado: é o uso de um bem pertencente à determinada esfera federativa por outra entidade pública. permissão ou autorização. as terras devolutas podem ser vendidas. é vendido por leilão. d) Uso privativo: é aquele outorgado a particular por meio de concessão. dívida ativa. Ex. não podendo ser alienados.b) Bens de uso especial: são aqueles afetados a uma destinação específica. b) Uso especial: é o modo diferenciado de sua utilização em circunstâncias especiais. IMPORTANTE: o art. Se o bem for móvel. serão inalienáveis quando necessárias para proteção dos ecossistemas. Assim. Ex. sem nenhuma utilidade. Direito Administrativo – Prof.: viaturas velhas da polícia.666/93 (Lei geral de licitação) disciplina a venda de bens públicos móveis ou imóveis. guarde estas formas de uso como algo completamente diferente das espécies de bens públicos. exige-se ainda autorização legislativa). terras devolutas (estas são bens públicos estaduais. III. Este é a forma norma de sua utilização. fique atento! Formas de uso são os meios de utilização dos bens públicos: a) Uso comum: qualquer bem público pode ter uso comum. do CC. Ex. 17 da Lei 8. será por concorrência.: prédios de repartição (todo prédio público onde é instalada uma repartição é bem de uso especial). constituem o patrimônio das pessoas de direito público como objeto de direito pessoal ou real. excluindo temporariamente a utilização pelas demais pessoas. Os bens dominicais formam o chamado patrimônio público disponível. 3. 99. O uso comum pode ser gratuito ou remunerado.

Não se trata de uma norma que se valha imediatamente para Estados e Municípios. Já na desconcentração. Para que a Administração Pública desenvolva as suas competências. Defensorias e Tribunais de Contas. Ex. Administração Direta ou Centralizada: conjunto de órgãos sem personalidade própria. DESCENTRALIZAÇÃO A competência é atribuída a entidades. a divisão envolve apenas uma pessoa jurídica. ou mesmo fora dessa tripartição de poderes. A criação de uma autarquia é um exemplo de descentralização. SEM personalidade jurídica. Tal está legislado pelo DL 200/67 – este decreto disciplina a estrutura da Administração Pública federal. enquanto que Administração Pública é o nome que se dá para quaisquer órgãos ou entidades no exercício da função administrativa (não importa se ligado à estrutura do PE. Administração Pública ≠ Poder Executivo: este compreende a estrutura de somente um dos poderes. como o MP). Na desconcentração. José Aras. Ex. ela lança mão de duas técnicas diferentes: DESCONCENTRAÇÃO A competência é atribuída a órgãos. Desconcentração x Descentralização Em ambos os casos nós temos formas de distribuir atividades. Administração Pública Indireta ou Descentralizada: conjunto de entidades com personalidade própria.: autarquias.* Ex. empresas públicas e sociedades de economia mista. fundações públicas.Aula 03 – 11/09/2012 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA Estudamos aqui a estrutura da Administração Pública: órgãos e entidades componentes da Administração. formas de se organizar. já a criação de um Ministério seria um exemplo de desconcentração. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 16 . mas tem alguns conceitos gerais que valem para a compreensão dos demais organismos. Na descentralização não existe hierarquia e sim uma vinculação.: o Presidente da República manda nos ministros. Secretárias Estaduais e Municipais. PL ou PJ. Órgãos são entidades de atuação integrantes da estrutura da Administração. No caso da descentralização. Direito Administrativo – Prof. 1.: Ministérios da União. Entidades são unidades de atuação COM personalidade jurídica autônoma. divide-se atividades/competências envolvendo + de 1 pessoa jurídica. existe hierarquia e fala-se em subordinação.

José Aras. 2) Teoria da representação: dizia que o Estado é como um incapaz.: Ministério dos Transportes. Não há transferência de titularidade e sim de execução. da Lei 9. várias teorias foram desenvolvidas na tentativa de explicar os três institutos: órgão. agente e Estado. o agente público supre essa incapacidade. Ex. Ex. prestadoras de serviços públicos. A descentralização pode ser:  Por serviço ou outorga: é a que ocorre com a criação das entidades indiretas. mas o Estado continua como titular. Ex.  Desconcentração por grau ou hierarquia. o que significa que essas entidades descentralizadas são vinculadas aos ministérios. Aqui há sujeição ao princípio da autonomia.: Receita Federal. não podendo se afirmar que órgão = agente. *OBS. § 2º.  Por colaboração ou delegação: é a que ocorre quando se passa o serviço para uma concessionária prestadora de serviço público.  Desconcentração em razão do território.Esses órgãos estão dispostos segundo o princípio da subordinação hierárquica. Ex.: Presidência da República e Mesa do Senado. (*) IMPORTANTE: órgãos públicos NUNCA têm personalidade jurídica. Tipos de desconcentração:  Desconcentração em razão da matéria. 1) Teoria da identidade: afirmava que o órgão é o agente.: Conceito de órgão e entidade se encontra no art. 2. passa-se somente a execução do serviço (apenas para fazer). 1º. Ocorre que a morte do agente não extingue o órgão. Sendo assim.: Ministério da Fazenda – Secretaria da Receita – Delegacias etc. permissionárias. Cultura (cada um cuida de uma matéria). Ex.784.: concessionários. sob o argumento de que se o Estado é incapaz. Quando o poder público passa o serviço a uma concessionária. Teoria do órgão público Ao longo do tempo. Educação. ele não poderia escolher quem são os agentes públicos. mas podem ser dotados de capacidade processual especial (capacidade judiciária) para a defesa de suas prerrogativas em juízo. Esta teoria também não vingou. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 17 . mas não subordinadas a eles. Direito Administrativo – Prof.

986/00).107/05). Até hoje é considerada a teoria válida para explicar a relação entre órgão. Entes da Administração Pública Direta Aqui se tem:     União. Esta teoria diz que o órgão público é um conjunto de competências titularizadas pelo agente público. São também conhecidos como entes políticos para o Direito Constitucional. Fundações Públicas. Associações Públicas (Lei 11. DF. Caberá ação regressiva contra o agente nos casos de culpa ou dolo.3) Teoria do mandato: foi uma teoria baseado em figuras do Direito Civil. pois não se sujeitam à subordinação hierárquica (ex. são criadas por simples força legislativa). cuja atuação no exercício da função é atribuída ao Estado (imputada). sem registro em cartório (ou seja.: MP. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 18 . o Estado não responde. Aqui se incluem:     Autarquias. *OBS. José Aras. Municípios.: Lembrar que existem no Direito brasileiro alguns órgãos chamados de primários ou independentes. Defensorias e CNJ).  Se o dano foi causado no exercício da função. O que o agente público tem com o Estado é uma relação contratual. Outras aplicações práticas da Teoria:  O Estado só é responsável civilmente pelos danos causados por seus agentes no exercício da função pública.: se policial no horário de folga atira em vizinho. 4. Direito Administrativo – Prof. só cabe ação indenizatória contra o Estado. Entidades da Administração Pública Indireta As pessoas jurídicas componentes da AI são de dois tipos: a) Pessoas jurídicas de Direito Público: são criadas por lei específica. agente e Estado. nunca contra a pessoa física do agente (precedentes do STF). Ex. porque têm competência legislativa. 3. Agências Reguladoras (Lei 9. 4) Teoria da imputação volitiva (ou moderna teoria do órgão): essa teoria foi criada pelo alemão Otto Gierte. Tribunais de Contas. O argumento que derrubou esta teoria é que não existe relação contratual do Estado com o agente. Estados.

ATENÇÃO: não confundir com as fundações governamentais de direito privado (ex. DICA: a associação pública integra a Administração Indireta de todas as entidades consorciadas. Espécies: a) Autarquias corporativas: são os Conselhos de Classe.: Empresas estatais é o gênero que compreende Empresas Públicas + Sociedades de Economia Mista.: PROCON.: Fundação Padre Anchieta – mantenedora da TV e Rádio Cultura). Ex.: INSS. CUIDADO: OAB não é autarquia (precedentes do STF) – a considera como uma entidade “sui generis”. universidades públicas etc. José Aras.: INSS. as entidades podem escolher entre a criação de uma pessoa jurídica de direito público (associação pública) ou de direito privado (consórcio público de direito privado). Ex. Conceito: são pessoas jurídicas de Direito Público criadas com autonomia (capacidade de autogoverno) para atividades típicas da Administração. e) Autarquias associativas: são as associações públicas (pessoas jurídicas de direito público criadas após a celebração de consórcio público pelas entidades federativas). c) Autarquias territoriais (ou geográficas): federais. IBAMA. Executam atividades típicas da Administração Pública (poder de polícia. Atualmente não existe nenhum. 4. Consórcios Públicos de Direito Privado. Lembre-se que temos as fundações estatais (públicas e de direito privado) e as fundações particulares.1 – Autarquias    São serviços autônomos. são os territórios d) Autarquias fundacionais (fundações públicas): são acervos de patrimônio público destinados por lei a uma finalidade pública. CADE. serviços públicos e fomento). CRM.b) Pessoas jurídicas de Direito Privado: são criadas por autorização legislativa (esse sistema de criação exige registro em cartório dos atos constitutivos). Ex.: CREA. b) Autarquias de serviço (ou comuns): são aquelas com o regime jurídico convencional.     Empresas Públicas. FUNAI. Fundações Governamentais de Direito Privado. Creci etc. Ex. Ex. FUNASA etc.: APO (Autoridade Pública Olímpica). IMPORTANTE: após a celebração do consórcio. Direito Administrativo – Prof. *OBS. Sociedades de Economia Mista. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 19 . Incra.

Mandatos fixos. empresa pública. às vezes. dava a entender que as fundações se tratavam de Direito Público. 37. Tem responsabilidade objetiva (o Estado responderá em caráter subsidiário – ou seja. Não podem falir. José Aras. pela diferença). ANCINE etc. Os que entendem que elas podem ser privadas chamam essas Fundações Públicas de Direito Privado de Fundações Governamentais. Direito Administrativo – Prof.: INMETRO. Essa autonomia qualificada recebe. XIX. CUIDADO: não confundir agências reguladoras com agências executivas (art. Ex. Praticam atos administrativos e celebram contratos administrativos. São imunes a impostos. ANP. sociedade de economia mista e agência executiva. da CF). Criadas e extintas por lei específica (sem necessidade de registro em cartório).2 São pessoas jurídicas de direito público. O § único do art.666/93 criou um privilégio consistente no dobro do limite para contratação direta por dispensa de licitação quando se tratar de consórcio público. Nestas temos a chamada autonomia qualificada. § 8º. Características das autarquias:         4. que é uma capacidade de criar regras para disciplina do setor. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 20 . o nome de “autoridade administrativa independente”. Nunca exploram atividade econômica (só podem exercer atividades típicas da Administração). Em 1988. a redação do art. ANEEL. Em 1987. Exemplos de agências reguladoras: ANATEL. 37.f) Autarquias especiais: tem como característica básica o fato de terem mais autonomia que as autarquias comuns. com a CF. Esta é uma qualificação que recai sobre autarquias e fundações que celebrem contrato de gestão para ampliar sua autonomia. Exemplo típico: agências reguladoras. Caracteriza-se por dois traços marcantes em seu regime jurídico:   Dirigentes estáveis. Essas agências reguladoras possuem o chamado poder normativo. Há um único exemplo aqui: Fundação Padre Anchieta (TV Brasil). Prevalece o entendimento de que é uma Pessoa Jurídica de Direito Público. Seus bens são públicos. 24 da Lei 8. – Fundação Pública Há divergência sobre se a Fundação Pública é Pessoa Jurídica de Direito Público ou de Direito Privado. o Decreto Lei 200/67 dizia que essas fundações eram de Direito Privado.

As fundações têm que fazer licitação (em regra). A fundação pública é autorizada por uma lei específica. As empresas estatais podem ser criadas em duas atividades completamente diferentes: a) Para prestar serviço público. o art.Em 1998. Ex. São criados por autorização legislativa (exige registro dos atos constitutivos em cartório). e acabou que hoje existem entendimentos que dizem serem elas de Direito Público e outros que entendem serem elas de Direito Privado. existem aquelas exceções ao dever de licitar. Petrobrás. Ex. renda ou serviços (não inclui taxas). Tem imunidade tributária recíproca (art. b) Para explorar atividade econômica. Contudo. Contratam pessoal por concurso público. são imprescritíveis. 173 da CF. Não havendo uma posição definitiva. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 21 .3 – Empresas estatais Compreende assim as Empresas Públicas quanto as Sociedades de Economia Mista. que veremos depois. 150. Por conta dessas semelhanças é que alguns autores chamam essas fundações de autarquias fundacionais.: CEF. XIX. As fundações federais serão demandadas na Justiça Federal (art. em regime de emprego público (regime celetista). É só para os impostos sobre patrimônio. “a” e § 2º do art. impenhoráveis e inalienáveis). A fundação é criada para desenvolver uma atividade social (saúde.). José Aras. ambos da CF). sabendo que existem muito mais Fundações Públicas de Direito Público do que de Direito Privado (onde há um único caso). Características comuns:     São pessoas jurídicas de direito privado.: Correios. 4. 150. Após a elaboração dos estatutos e do registro dos mesmos é que a Fundação passa a existir. vale para as fundações:       Para trabalhar em uma fundação tem que fazer concurso público. De acordo com o art. Não podem falir. Direito Administrativo – Prof. Têm prerrogativas processuais. tudo que se falou para a autarquia. 109 da CF). BB. essa imunidade não é para todos os tributos. Contudo.: IBGE etc. VI. do tipo prazos processuais maiores (prazo para contestar em quádruplo). da CF passou a ter nova redação por conta da EC 19. Os bens das fundações são bens públicos (assim. estas só podem fazer isso se for por motivo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. 37. Ex. No mais. educação etc. fiquemos comas duas.

Vejamos agora as diferenças entre as duas: EMPRESA PÚBLICA CAPITAL FORMA DE CONSTITUIÇÃO Público Qualquer modalidade admitida em lei (S/A.. As demais características irão variar de acordo com a atividade exercida. NÃO 1ª corrente: diz que tem que licitar. mas se o objeto da licitação tiver relação com a atividadefim. Não tem imunidade – pagam todos os tributos.. precisa.mas aqui dizem que se o objeto da licitação tiver relação com a atividademeio. NÃO tem. não precisa. Se for uma Empresa SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA Misto (maioria público). Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 22 . etc). BB e Petrobrás).. 1ª corrente: diz que tem que licitar. Sempre será demanda Direito Administrativo – Prof. Ltda.. Vejamos: EMPRESAS ESTATAIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EXPLORADORAS DE ATIVIDADE PÚBLICOS ECONÔMICA Tem responsabilidade objetiva.: CEF. Estão sujeitas a controle pelos Tribunais de Contas. não haveria essa necessidade. Em regra. NÃO Exceção: Correios (mas aqui ainda não está consolidado). São imunes a impostos.: EBCT) e outras são exploradoras de atividade econômica (ex. 2ª corrente: diz que tem que licitar. José Aras. porque algumas empresas estatais são prestadoras de serviços públicos (ex. 2ª corrente: . PRESTADORAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS NECESSIDADE DE PRESTAR CONCURSO PÚBLICO BENS PÚBLICOS IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA PRERROGATIVAS PROCESSUAIS LICITAÇÃO EXPLORADORAS DE ATIVIDADE ECONÔMICA SIM. Só pode ser S/A. Tem responsabilidade subjetiva. mas nos casos de SIM contratações de tops. NÃO Exceção: Correios. Só são chamados de bens públicos aqueles afetados (destinados) a prestação de serviço público.

6º da Lei). A Anatel é considerada a rainha das agências reguladoras.107/05) Nada mais é do que um tipo de contrato. ela fez um plano estratégico de reestruturação. Foram criadas com o objetivo de fiscalizar e regular determinados setores. Essa personalidade jurídica pode ser de Direito Público ou de Direito Privado (art.4 Pública Federal: vai para a Justiça Federal. 4. tudo o que falamos sobre autarquias vale pra cá. Ex. Assim. 5º da lei). Essas agências reguladoras foram criadas com a ideia de maior liberdade de agir (com uma atuação imparcial). Esse contrato de gestão tem que ser no mínimo por 1 ano. Não poderia existir. Este contrato. Faz tudo isso para ganhar autonomia. Esse consórcio nada mais é do que um contrato em que as partes só podem ser entes da Federação (União. BB e Petrobrás. Quando este consórcio adquire personalidade jurídica de Direito Público. tem personalidade jurídica. continuando a receber por todo esse período. DF e Municípios).6 – Consórcio Público com personalidade jurídica de Direito Público (Lei 11. Os dirigentes de agências reguladoras têm mandato fixo. é preciso antes de um protocolo de intenções (art. Existe uma modalidade de licitação só de agências reguladoras: é a chamada “consulta”. Na verdade. Quem escolherá o dirigente será o Executivo. Para celebrar esse consórcio. ele passa a integrar a Administração Indireta dos entes consorciados (§ 1º do art. cumprem a “quarentena”. mas existe. Se for uma Empresa Pública Estadual ou Municipal: vai para a justiça Estadual. Quando saem do cargo.: INMETRO. Só perdem esse posto se renunciarem. José Aras.FORO EXEMPLOS 4. 241 da CF. de acordo com a lei. com duração de 4 a 12 meses. Estados. detalhadas no plano de estruturação. 6º da Lei). Durante esse período eles não podem atuar no Poder Público nem nas empresas que ajudaram a fiscalizar. Direito Administrativo – Prof. – Agências reguladoras Nada mais são do que autarquias especiais.5 – Agências executivas Não passa de uma autarquia ou uma fundação que celebrou um contrato de gestão. A contrapartida aqui é que esta autarquia/fundação tem que cumprir certas metas. A origem do consórcio está no art. 4. na Justiça Estadual. aprovado pelo Legislativo. CEF e BNDS. EBCT. O que faremos aqui é saber o que é que essas agências têm de especial. se houver processo administrativo ou houver decisão judicial transitada em julgado. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 23 .

: SESI. 4º da Lei). Direito Administrativo – Prof. José Aras. SENAI e SEBRAI. Ex. São pessoas privadas criadas por particulares. b) 3º Setor: não é estatal nem empresarial. Diferenças entre consórcios e convênios: CONSÓRCIOS Só pode ser entre entes da Federação.: Essas entidades paraestatais pertencem ao chamado 3º Setor (O Estado é o 1º Setor. não seria possível um consórcio entre um município de dado Estado e a União. Esses entes são divididos em dois tipos: a) Entidades paraestatais: são os serviços sociais pertencentes ao sistema “S” (porque são vinculadas aos sindicatos). CONVÊNIOS Não precisa ser só entre entes da Federação (pode envolver entidades). Pode ser por prazo indeterminado.: Instituto Joãozinho Trinta. sem fins lucrativos. dinheiro público. 1º. desempenhando uma atividade pública. São entidades privadas sem fins lucrativos que recebem do governo duas qualificações:  Organizações Sociais: celebram CONTRATO DE GESTÃO e o título é dado por ato discricionário. recebem uma especial atenção. Tem partícipes. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 24 . 5. Não tem personalidade jurídica. Também não pode ter consócio entre Estado e município de outro Estado (chega-se a essa conclusão com as razões de veto dos incisos III e V do § 1º do art. Ex. Para este consórcio existir. Tem que ser por prazo determinado. *OBS. mas não exclusiva do Poder Público (essas entidades auxiliam o Estado) e em razão deste auxílio. até servidores etc. § 2º: segundo este artigo. Tem personalidade jurídica. só poderia se próprio o Estado ao qual pertence o município também fizesse parte. bens públicos. Esta especial atenção pode vir em forma de isenção.Art. Ex.: Orquestra Sinfônica do Estado de SP. o Mercado é o 2º Setor e o 4º Setor seriam as atividades ilícitas – pirataria). Entidades paraestatais (ou entes de cooperação) Não pertencem nem a Administração Direta e Indireta. Tem contratantes.  Organizações da Sociedade Civil de interesse público (OSCIPS): celebram TERMO DE PARCEIRA e o título é dado por ato vinculado.

autorizações. portarias.Aula 04 – 19/09/2012 ATOS ADMINISTRATIVOS 1. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 25 . Conceito São manifestações de vontade. permissões. A aplicação da lei no caso concreto se dá por meios da prática de atos administrativos. Atos administrativos x Fatos administrativos Direito Administrativo – Prof. Ex. com caráter infralegal.: certidões. instruções normativas etc. multas. José Aras. 2. expedidas no exercício da função administrativa (função típica do Poder Executivo que consiste na aplicação de ofício da lei).

Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 26 . todo ato administrativo proíbe. Atos da Administração Atos da Administração são todos os atos jurídicos praticados pela Administração Pública.Doutrina hoje trabalha com dois critérios de diferenciação:  Critério da voluntariedade. Ex. permissões. instruções normativas etc. Este não tem caráter prescritivo (não ordena nada – o fato não proíbe. multas. desde que essa não seja desejada pelo agente).: multa de trânsito. obriga ou permite algo. ATO ADMINISTRATIVO = MANIFESTAÇÃO VOLUNTÁRIA + CARÁTER PRESCRITIVO 3. José Aras. portarias. chuva que causa demolição de uma repartição. Ex. 1 2 3 2 Existem três regiões possíveis: 1) Atos administrativos que não são atos da Administração: por exemplo. mesmo que não se encaixem na categoria dos atos administrativos. prescrição (em regra 5 anos) etc.: certidões. Este sempre teria um conteúdo prescritivo (todo ato administrativo dá um ordem a alguém). ele simplesmente acontece).: morte de servidor. Assim. ATO ADMINISTRATIVO É uma manifestação de vontade. FATO ADMINISTRATIVO É um acontecimento involuntário (evento que pode ser da natureza ou até uma conduta humana.  Caráter prescritivo: no sentido de caráter normativo. 3) Atos da Administração que não se encaixam no conceito de atos administrativos: Direito Administrativo – Prof. de se exigir um comportamento. autorizações. não permite. queda de árvore. Ex. não obriga. 2) Atos da Administração: são os atos administrativos praticados pela Administração. os praticados pelo Legislativo e Judiciário no exercício de função atípica.

d) Atos meramente materiais: são execuções concretas de serviço que não envolvem a emissão de ordens. – Presunção de legitimidade Também conhecida como presunção de legalidade ou presunção de veracidade. Atributos do ato São características especiais que só o ato administrativo tem. aqui o importante saber é qual o alcance que cada um desses atributos tem): 1) Presunção de legitimidade: atributo que vale para todos os atos administrativos. o ato é considerado válido para o Direito. mesmo atos contrários ao ordenamento (inválidos) são eficazes. Ex. 2) Imperatividade: atributo da maioria dos atos. Ex. É um atributo que vale para TODOS os atos administrativos – único que tem essa abrangência universal. decreto de intervenção federal em Estado-membro. os contratos são bilaterais. 4.1 Tipicidade. varrição de rua. cabendo ao particular demonstrar eventual defeito). poda de árvore.a) Contratos administrativos: enquanto os atos são unilaterais. Temos 5 atributos (excluindo a tipicidade. 4) (auto) executoriedade: atributo de alguns atos. 5) 4.: contrato de locação. c) Atos de gestão praticados pela Administração. e) Atos políticos ou de governo: são aqueles praticados com ampla discricionariedade e competência extraída diretamente da CF. Ex.: decretação de guerra. José Aras. Significa que até prova em contrário. que nunca caiu em provas FGV. a Administração atua em posição de igualdade com o particular (sem supremacia do interesse público). mas também os atos da Administração. Direito Administrativo – Prof. trata-se de uma presunção relativa ou “juris tantum”. mas regidos pelo direito privado: nesses casos. Ex. É assim um atributo de todas as manifestações da Administração. b) Atos legislativos ou jurisdicionais no exercício de função atípica. Este atributo é tão abrangente que abrange não apenas os atos administrativos. Como essa presunção admite prova em contrário.: medidas provisórias. 3) Exigibilidade: atributo da maioria dos atos.: cirurgia em Hospital Público. Essa presunção de legitimidade é conhecida na prática como FÉ-PÚBLICA. Por isso. Importante saber também que essa presunção de legitimidade produz uma inversão no ônus da prova (o agente público não precisa provar que seu ato é válido. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 27 .

4.: guinchamento do carro. mesmo contra a vontade destes. a Administração aplica uma pena. Aqui temos o que a doutrina chama Aqui temos o que a doutrina chama de COERÇÃO INDIRETA. Também é um atributo da maioria dos atos. Administração pune o particular e mas não desconstitui a situação desconstitui a situação contrária ao ilegal.2 – Imperatividade De acordo com este atributo o ato administrativo pode criar unilateralmente obrigações aos particulares. aplicar punições a quem descumpra suas ordens. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 28 .4 – (Auto) Executoriedade É o atributo de alguns atos que admitem. É um atributo da maioria dos atos. Hely Lopes Meirelles extraiu a seguinte conclusão: o chamado “atestado de bons antecedentes” na verdade é uma certidão. Ex.: guinchamento de carro parado em local proibido. Ex. É um poder que o ato tem de obrigar (vincular) terceiros. Tudo que ultrapassar o indispensável para resolver a situação concreta constituirá uma modalidade de abuso. Essas punições são chamadas de sanções administrativas. Nesta. Ex. interesse público.: multa de trânsito.3 – Exigibilidade A Administração pode. 4. a de COERÇÃO DIRETA. A partir dessa diferença. fechamento de restaurante pela Vigilância Sanitária. Mas atente que esse uso de força física por meio da autoexecutoriedade terá que seguir os critérios da razoabilidade e da proporcionalidade. sem necessidade de ordem judicial.: multa de trânsito. Nesta. enquanto atestado é um ato no qual a Administração Pública declara uma informação que ela constata na hora). sem necessidade de ordem judicial. EXIGIBILIDADE EXECUTORIEDADE Em ambos os casos há um caráter punitivo. José Aras. Exemplo de atos administrativos sem exigibilidade: atos enunciativos. o uso da força física (coerção direta) para desfazer situação contrária ao interesse público. 4. apreensão de mercadorias falsificadas. Ex. A imperatividade é o chamado poder extroverso (é a possibilidade do Estado constituir o particular em obrigação de forma unilateral). Exemplos de atos administrativos sem imperatividade: atos enunciativos (certidão e atestado – na certidão a Administração Pública declara uma informação que ela já tem previamente. A executoriedade é atributo de apenas dois tipos de atos: Direito Administrativo – Prof.

Ex. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 29 . 2) Aqueles necessários para resolver situação de emergência: pois não daria tempo de obter ordem judicial. que poderá ser eficaz ou ineficaz. 5. tem sempre que se explicitar o nome do ato que se está praticando – não o fazendo. demolição de imóvel construído em área de manancial.1) Aqueles com tal atributo dado por lei: o próprio legislador declara isso na lei e define a competência do ato.: quando um ato é praticado produz o efeito inicial de autorizar o controle pela autoridade superior. Di Pietro extrai a seguinte conclusão: com base nesse atributo não podem ser praticado atos administrativos inominados (este é aquele em que a Administração pratica o ato. b) Plano de validade: aqui analisaremos se o ato preencheu os requisitos para sua válida produção em conformidade com o ordenamento. c) Plano da eficácia: este irá analisar se o ato reuniu as condições para a produção dos seus efeitos – tanto seus efeitos típicos. por exemplo.: dissolução pela polícia de passeata atentatória ao pudor. Assim. 4. São três formas diferentes de se avaliar o ato administrativo. Planos da perfeição. Não se pode mudar a destinação de um ato. não pode ser usado para autorizar realização de obra (esta é função da licença). José Aras. Ex. se o ato administrativo reúne os elementos para ingressar no mundo jurídico (ato sofrendo a incidência da norma). validade e eficácia do ato administrativo O ato administrativo está sujeito a três planos lógicos distintos: a) Plano da existência (ou da perfeição): o que será analisado aqui é se o ato preencheu o chamado ciclo de formação. Estes são efeitos que o ato produz antes da eficácia típica. Podemos ter. ou seja. permite-se que os particulares façam o controle de legalidade do ato praticado. PERFEITO VÁLIDO INVÁLIDO Direito Administrativo – Prof. Ao declarar o tipo de ato praticado. mas não diz o nome do mesmo). ato administrativo perfeito válido ou inválido. o ato será nulo. Ex.5 – Tipicidade Cada ato administrativo só pode ser praticado observando sua finalidade específica prevista em lei. quanto os chamados efeitos iniciais ou prodrômicos.: se decreto serve para regulamentar leis. Ex.: guinchamento de carro.

É ela quem diz quem é competente para determinado ato.: decreto de demissão. um decreto. a maneira como ele nasce. c) Forma: é a exteriorização do ato. 5º da Lei 4. autoriza etc.: Prefeito baixa uma Portaria que diz que todas as servidoras antes do trabalho deverão beijar o Prefeito. este objeto deve ser lícito. Sujeito competente: vinculado.717/65 (Lei da Ação Popular) prevê 5 requisitos de validade do ato. certo ou determinado. José Aras. Se a lei for omissa. Para que o ato não tenha vício no elemento. terá um vício de forma no ato. o art. moral. 6. o que o ato administrativo precisa para existir. Ex. Objeto: discricionário. Já os requisitos discricionários podem ter margem de liberdade (o mérito é a margem de liberdade que pode residir no Motivo ou no Objeto).: para declarar um imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação. Para que o objeto exista e não tenha vícios. Forma: vinculado. alguém precisa praticá-lo. Essa competência advém de lei. Vejamos: a) Sujeito competente: está relacionado com a pessoa que pratica o ato. Finalidade: vinculado. vem ao mundo. ou seja. dispõe. 3 e 5) e dois são discricionários (2 e 4): DICA mnemônica:      Sem O Faustão Morreria Feliz. o ato deve ter a forma prevista em lei. b) Objeto: é o que o ato enuncia. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 30 . Se fizer através de uma resolução. É um ato perfeito. O art. Ex. uma portaria etc.EFICAZ INEFICAZ EFICAZ INEFICAZ Ex. Pode ser uma resolução. O efeito jurídico do ato é o objeto. classifica. Direito Administrativo – Prof. Várias são as formas do ato nascer. uma circular. mas inválido. pois para que o ato exista. possível. Desses cinco. Requisitos vinculados não tem margem de liberdade – a lei define todos os seus aspectos. Requisitos de validade (elementos) Estão relacionados com a existência do ato. a demissão é o objeto. O decreto é a forma. precisa-se fazer isso através de um decreto. três são vinculados (1. Motivo: discricionário. 17 da Lei 9.784/99 nos dá uma dica: o processo administrativo deverá ser iniciado perante o órgão de menor grau hierárquico.

►Questão: Motivo é igual à motivação? Não. mas há exceções. A motivação é a exteriorização do motivo. Este tem que ser motivado. o ato é inválido.: quando a agente pune um subordinado pela prática de algum ato. A intenção do agente não pode contaminar o ato. Assim. todo ato administrativo tem que respeitar duas finalidades:  Uma finalidade em sentido amplo. o objetivo a ser alcançado. 7. Quando se fala em motivo. O motivo pra que ele exista e seja válido. Procura-se proteger a saúde. pois cada ato tem a sua finalidade.►Questão: Todo ato administrativo deve ser escrito? Em regra são escritos. Ex. tem que ser verdadeiro e estar previsto em lei. o ato será inválido. Mas há uma exceção.: para punir. que é a finalidade de todo ato administrativo: proteger/tutelar o interesse público.  Uma finalidade em sentido estrito. Motivo dentro da lei é chamado pela doutrina de motivo legal. Se o motivo é falso ou inexistente. José Aras.: “considerando que . o que está na cabeça dele.. Para que o ato não tenha vícios nesse elemento. e) Finalidade: é o bem tutelado.: decreto proibindo fumar em lugares públicos. a exoneração etc. estará vinculado ao motivo por conta da Teoria dos motivos determinantes. Ato simples x Ato complexo x Ato composto ATO SIMPLES ATO COMPLEXO ATO COMPOSTO Direito Administrativo – Prof. Esta teoria diz que o motivo dado a um ato vincula a validade deste ato. Ex. Existe um ato que não precisa ter motivo: é a nomeação e exoneração de cargos em comissão (cargo “ ad nutum”). se o motivo for falso. tem-se a suspensão. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 31 . que se está protegendo. Aqui não precisa dar motivo. Ex.: os apitos de comando de um guarda. d) Motivo: é a situação de fato e de direito que leva o agente a agir. A remoção não pode ser utilizada como punição..” ►Questão: Motivo é diferente de móvel? O móvel é a intenção do agente. Ex. São os “considerandos”. Ex. mas se der. que é a finalidade do próprio ato. remete-se a Teoria dos motivos determinantes.

(*) Não existe revogação de ato vinculado. mas a lei estabelece como condição de exequibilidade a aprovação por outra autoridade. Direito Administrativo – Prof. 5 anos. e) Retirada: é a extinção do ato por força de um outro ato (pode ocorrer nas modalidades anulação e revogação – estas são espécies do gênero retirada). MOTIVO COMPETÊNCIA EFEITOS NATUREZA ALCANCE PRAZO ANULAÇÃO Quando ele tem um defeito. É uma decisão discricionária. Retroage (“ex tunc”). uma ilegalidade. um dever. Administração e Judiciário. Ex. Pode ser extinto das seguintes formas: a) Termo final: quando acaba o prazo de vigência do ato. 8. Formado vontade. É uma decisão vinculada.: auto de infração que precisa ser aprovado pelo chefe do fiscal. Só Administração.: nomeação de dirigente de Agência Reguladora (indicação pelo Chefe do Executivo com aprovação do Senado). Só atinge atos discricionários*. um órgão simples ou um órgão colegiado. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 32 . Não tem prazo.Formado por 1 vontade. d) Decaimento ou caducidade: é a extinção de um ato quando sobrevém uma lei proibindo situação que o ato autorizava.: decisão de tribunal administrativo. um poder. por + de 1 Ex. Extinção do ato Estuda as formas de desaparecimento do ato. contraposto em relação ao primeiro e fundado em competência diversa. b) Renúncia: quando o próprio beneficiário abre mão do ato. Ex. Formado por 1 vontade. REVOGAÇÃO Fato superveniente de interesse público (conveniência e oportunidade). Essa vontade pode ser de um agente. c) Contraposição: é a extinção do ato “X” com a prática do ato “Y”. Não retroage (“ex nunc”). José Aras. pois este não tem mérito. Pode atingir tanto atos vinculados quanto atos discricionários.

previstas no art. Resumindo: onde há dinheiro público e a entidade pretende contratar com terceiros. § único.Aula 05 – 20/09/2012 LICITAÇÃO 1 Legislação  Lei 8.666/93 (atente a recente mudança do art.232/10 (trata da licitação para contratação de agências de publicidade). 24). 1º. 2º da Lei – têm que fazer licitação. ME e EPP tem algumas vantagens. tem que fazer licitação. da Lei). da LC 123/06. § único. todo mundo – onde há dinheiro público. da Lei 8. 2 Conceito É um procedimento administrativo obrigatório para as pessoas elencadas no art. esta permitindo não que será todos 3) Promover o desenvolvimento nacional sustentável. 5 Para que se faz licitação Direito Administrativo – Prof. 3 Finalidades (art.  Lei 10.666/93 que pretendam fazer o disposto no art. José Aras.  Lei 12. 44 e 45. vantajosa: 2) Respeitar o princípio da isonomia: participem. 3º da Lei) 1) Selecionar a proposta mais necessariamente a de menor preço. 4 Dever de licitar Em regra. tratando-os de forma igual. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 33 . 1º. existe a necessidade se fazer licitação (art.520/02 (lei que regulamenta o pregão).

Os arts. faz-se licitação para tudo.666/93 diz para que se faz licitação. Ela deve ser para o licitante vencedor. 2º da Lei 8. 37. da CF dispõe que compete a União legislar sobre normas gerais. há alguns princípios específicos para licitação. A LC 123/06 trouxe o novo Estatuto das Pequenas Empresas. 7 Princípios Além daqueles princípios que servem para todo o Direito Administrativo. 22. Lembre-se também ainda dos benefícios nos casos de promoção do desenvolvimento nacional sustentável. XXVII. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 34 . Vejamos alguns deles: 1 – Princípio da igualdade entre os licitantes Todos devem ser tratados da mesma forma. da Lei de licitações traz os critérios para desempatar. 3 – Princípio da adjudicação compulsória ao licitante vencedor A adjudicação é uma das fases da licitação. A própria Administração Pública também deve respeitar o instrumento convocatório. 44 e 45 trouxeram alguns critérios que beneficiam microempresas e empresas de pequeno porte em caso de empate com outras empresas. 8 Fases da licitação A licitação se desenrola nas seguintes fases: Direito Administrativo – Prof. XXI da CF). os demais entes da federação terão competência para fazê-lo. Assim. O próprio Hely Lopes Meirelles dizia que o edital era a lei entre as partes. No entanto. O art. ATENÇÃO: isso significa que se não for norma geral. 6 Competência legislativa O art. Este instrumento é o edital ou a carta convite. 2 – Princípio da vinculação ao instrumento convocatório Este diz respeito ao chamamento das pessoas para a participação.Em regra. José Aras. é possível a imposição de requisitos mínimos para que os interessados possam participar da licitação. faz-se licitação para contratar com terceiros. ou seja. Ver explicação mais detalhada no item abaixo. tanto empresas brasileiras quanto estrangeiras. O art. devem estes requisitos guardarem uma relação com a garantia do cumprimento da obrigação (deve-se observar o que está no art. desde que estes requisitos sejam indispensáveis ao cumprimento do disposto no instrumento convocatório (edital ou carta convite). 3º. § 2º. onde há dinheiro público.

ela devolve para Comissão de licitação para ver se esta consegue consertar (sob pena de anulação). mas se o fizer. V. jurídica. Já o art. Se a ela não homologar (porque algo está errado). O efeito desse recurso é suspensivo. o recurso que se pode impetrar contra essa inabilitação tem prazo de 5 dias úteis. Assim. 2) Fase externa. b) Habilitação: nesta fase a Comissão de Licitação irá analisar a qualificação das pessoas que querem participar (se efetivamente podem participar) – irá assim se exigir qualificação (técnica. 4º. Há algumas limitações a essas propostas: ela não pode inexequível (ex. 4) Homologação: aqui a autoridade competente vai atestar a regularidade do procedimento (as fases anteriores são de responsabilidade da Comissão de Licitação). 41. Se por acaso a Administração declara que dada empresa não está habilitada. precisa-se de critérios. trabalhista etc).  Técnica e preço.520/02). 9 Exceções ao dever de licitar Direito Administrativo – Prof. § 2º. Quem ganha à licitação não tem direito ao contrato. O art. tem que ser com quem ganhou a adjudicação (art. com prazo de 5 dias úteis e tem efeito suspensivo. José Aras. da Lei 10. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 35 . Contratar ou não é ato discricionário da Administração (critérios de oportunidade e conveniência). 21. Qualquer cidadão pode impugnar administrativamente o edital (at. fiscal. se verifica os tipos de licitação:  Menor preço.  Maior lance ou oferta. ou seja. Ou seja.1) Fase interna (art. Esta se subdivide em várias outras fases: a) Publicação do edital ou envio da carta convite: trata-se do chamamento para as pessoas que querem participar da licitação. 40 da LL traz os requisitos mínimos. a autoridade competente diz quem ganhou.: vinculada a outra proposta). da LL traz os prazos mínimos (no caso do pregão é o art. Quem vence a licitação ganha o direito de não ser preterido em uma eventual contratação. A autoridade competente irá examinar a regularidade do procedimento licitatório. 5) Adjudicação: é o ato pelo qual se atribui ao vencedor o objeto da licitação. Desta fase também cabe recurso. 50 da LL). da LL).  Menor lance (este é incluído somente por alguns autores).  Melhor técnica. 3) Fase do julgamento e classificação das propostas: quando se julga ou classifica alguém. financeira. § 1º. 38 da Lei de Licitações). a Administração não é obrigada a contratar.

24 da LL (rol taxativo).A regra impõe licitação. é possível licitar (existe competição). a não ser por lei. 22 da LL) Não existe a possibilidade de criar novas modalidades. pois a competência é inviável (não dá para licitar). A despeito disso. a lei dispensou. Atente ainda que nem toda licitação deserta é dispensável – ela precisa não poder ser repetida sem prejuízo para a Administração e devem ser mantidas as condições preestabelecidas. Alguns autores dividem a dispensa em: a) Dispensável: de fato é possível. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 36 . as agências reguladoras tem uma outra modalidade chamada de consulta (teoricamente não poderia). As hipóteses da dispensável estão no art. Veremos agora as situações onde a Administração não tem o dever de licitar: 1) Inexigibilidade: aqui a Administração contrata direito. 25 da LL (mas este rol é exemplificativo):  Fornecedor/revendedor exclusivo: quando só tem uma pessoa que fabrica ou revende.  Serviços técnicos profissionais especializados (estes estão no art. a vedasse. José Aras. mas sim um reconhecido pelo público ou pela crítica. b) Dispensada: de fato é possível. que traz a licitação deserta (licitação sem interessados). mas a lei dispensou. utilizada obrigatoriamente para valores altos: Direito Administrativo – Prof. É como se a lei “proibisse” a licitação. 17 da LL (rol taxativo) – os casos deste artigo tratam da alienação de bens. 2) Dispensa: nesta. portanto não licitar é exceção. sem licitar. Difere da licitação fracassada. 1 – Concorrência Esta é a modalidade mais complexa. 13 da LL) + de natureza singular + prestado por alguém de notória especialização: só assim configura inexigibilidade (condições cumulativas). a lei dispensou. Este artigo é muito extenso. Destaque ao inciso V. mas o administrador NÃO TEM discricionariedade para decidir se licita ou não. Suas hipóteses estão no art. pois nesta há interessados. Não se deve confundir tal com a preferência de marca – esta é vedada. Suas hipóteses estão no art. 10 Modalidades de licitação (art. mas estes não conseguiram chegar até a fase final. mas o administrador TEM discricionariedade para licitar ou não. Esta nunca caiu em provas FGV. de fato.  Contratação de artistas: mas não é qualquer artista.

Acima disso. Basta enviá-la para no mínimo três participantes e depois fixe esta carta-convite em local adequado (mural da Prefeitura. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 37 . Alguns autores dizem que não se aplica ou que se aplica de forma mitigada o princípio da publicidade. Participam desta modalidade os cadastrados e os não-cadastrados que preencherem os requisitos para cadastro em até 3 dias antes do recebimento das propostas. Podem participar do convite também os cadastrados. Para demais serviços e compras até R$ 650 mil.5 milhão. Vão para alienação os: 1) Bens móveis: Direito Administrativo – Prof. técnico).  Obras e serviços de engenharia para valores superiores a R$ 1. paisagístico. é obrigado a utilizar a concorrência. Vigora na modalidade concorrência o princípio da universalidade.5 milhão. móveis ou imóveis. quadro de avisos do fórum – um lugar de circulação). Participam desta modalidade os convidados. valores superiores acima de R$ 650 mil. 4 – Concurso Este será usado para escolher. Para demais serviços e compras até R$ 80 mil. Todas são possíveis para valores abaixo de seus máximos. mas. 5 – Leilão É usado para alienação de bens. selecionar o melhor trabalho (científico. pois todos podem participar. artístico. *OBS. via de regra. 2 – Tomada de preços Esta é utilizada para valores médios:   Obras e serviços de engenharia até R$ 1. qualquer um pode participar. Estes podem ser cadastrados ou não. pois nesta modalidade não é preciso publicar a cartaconvite (como acontece com os editais). mas não convidados que demonstrarem interesse em até 24 horas antes da apresentação das propostas (não convidados não cadastrados não podem). Dificilmente chegam ao final. 3 – Convite Esta modalidade é utilizada para valores baixos:   Obras e serviços de engenharia até R$ 150 mil.: Fique atento para as expressões “mais adequada” e “possível”. José Aras. Para demais serviços e compras.

para os fins e efeitos deste artigo. Por conta disso. desde que se compre o bem ou serviço de menor preço. H: R$ 130. Traduzindo o disposto no art. aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital. precisa fazer uma licitação na modalidade concorrência. se se quiser interpor recurso. Oriundos de procedimentos judiciais. Sistema de registro de preços Está previsto no art. B: R$ 97. 15. “Consideram-se bens e serviços comuns. 2) Bens imóveis:   Oriundos de dação em pagamento. 6 – Pregão (Lei 10. Penhorados ou apreendidos legalmente. O julgamento do pregão é feito em uma única sessão. precisa fazê-lo no ato.000.000.  Inservíveis. para chegar aos preços que serão registrados. C: R$ 95. que acontece pela internet. Usa-se o pregão para aquisição de bens e serviços comuns (tal está definido no art. Na seleção da proposta vencedora. G: R$ 120.000.520/02) Este está previsto em lei diferente (Lei 10.: irão dar lances junto com “A” (que deu o menor preço) todos aqueles que chegaram até R$ 99. Tanto não é modalidade de licitação que. D: R$ 93. 1º da Lei). Ex. aquele que apresentou o menor preço e todos aqueles que apresentaram um preço até 10% acima deste de menor preço. F: R$ 100. A: R$ 90. de preferência. Pode-se gastar o que quiser.000.000. § 3º.000. Na modalidade pregão não tem limite de valor para quanto vai gastar (sua limitação não está no valor e sim no objeto – só pode ser usado para bens e serviços comuns). primeiro se escolhe a proposta e depois se verifica se este estava habilitado. Direito Administrativo – Prof.520/02). da LL e atente que isso não é modalidade de licitação. O pregão deve ser feito.000. 11 E: R$ 110.000. Ele troca de lugar as fases de habilitação e da análise das propostas. 1º da Lei: são aqueles em que se consegue dizer o que se quer e o que se espera com palavras usuais.000. por meio de especificações usuais no mercado”. José Aras. Pregão é só do tipo menor preço (ou menor lance). ou seja. irão dar lances sucessivos até que seja identificado verdadeiramente o menor preço. na modalidade eletrônica. Atente que o pregão inverte assim a ordem procedimental. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 38 .

Conceito São todos os ajustes que a Administração. José Aras. 2.232/10 Esta lei fala de licitação e contratação de serviços de publicidade prestados por agências de propaganda. O § 4º deste artigo traz que mesmo que Administração faça esse registro de preços.666/93: Direito Administrativo – Prof. Não dá assim para usar o pregão (menor preço). O caput do art. 58 da Lei 8. só se pode usar os tipos “melhor técnica” e “técnica e preço”. 12 Lei 12. desde que respeitada à legislação e assegurado ao beneficiário do registro preferência em igualdade de condições. Características a) Presença das cláusulas exorbitantes: estas são prerrogativas que a Administração tem. nesta qualidade. A validade do registro não pode ser superior a 1 ano. As mais importantes estão no art. podendo utiliza-se de outros meios. pois tem uma posição superior ao particular contratado (ela as tem porque cuida do interesse coletivo). para a consecução de fins públicos. segundo o regime jurídico de direito público e precedido. A partir do art. não obrigatoriamente ela terá que firmas as contratações. há a inversão da ordem procedimental (primeiro se avalia as propostas e depois a habilitação). Ex. 2º da Lei). celebra com pessoas físicas ou jurídicas. Para selecionar a proposta vencedora. 2º dessa lei define os serviços de publicidade enquanto que o § 2º do mesmo artigo dispõe o que não é considerado serviço de publicidade. de licitação. públicas ou privadas. Este é o gênero.: compra de papel higiênico. do qual o contrato administrativo é uma espécie. Contrato administrativo não é a mesma coisa que contratos da Administração. Aula 06 – 08/11/2012 CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 1. em regra.666/93 temos informações sobre contratos administrativos. Aqui.Esse sistema de preços é adotado para compras rotineiras de bens padronizados. assim como no pregão. Esta lei permite a adjudicação a mais de uma agência (§ 3º do art. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 39 . 54 da Lei 8.

Ex. com despesas já feitas. Para lembrar: FARAO. Alterar unilateralmente. a cláusula da exceção do contrato não cumprido – “exceptio non adimpleti contractus”: significa que uma parte não está obrigada a fazer a sua parte no contrato se a outra parte também não cumprir com a sua. Como este não pode ficar desequilibrado. em seu art. “A” descobre que a Administração não o fez. 3) Interferências ou sujeições imprevistas: aqui o que acontece é a descoberta de um óbice (obstáculo) natural atrapalhando a execução Direito Administrativo – Prof. Durante o contrato. que se acontecerem. Ocupar bens. A parte lesada pela Administração só poderá deixar de cumprir depois de 90 dias (assim.Fiscalizar. devendo-se manter por toda a execução contratual.: a Administração Pública contratou “A” para construir um hospital e neste contrato há uma cláusula que diz que só pode usar um cimento importado. 3. 37. o dólar custava 10 reais. Teoria da imprevisão Esta teoria traz algumas situações imprevisíveis. Na data marcada. mas para que este pudesse construí-lo. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 40 . o particular irá pedir uma revisão contratual. b) Manutenção do equilíbrio econômico e financeiro: é o equilíbrio de direitos e deveres econômicos e financeiros por ocasião da celebração do contrato. como é com a Administração. após 90 dias é possível suspender o fornecimento). A própria CF respalda essa manutenção. Pede-se revisão contratual. embora não tenha sido direcionado a isto. Rescindir unilateralmente. José Aras. XXI. Houve um desequilíbrio econômico e financeiro. Aplicar sanções. Contudo. há uma desvalorização da moeda e o cimento passa a custar R$ 100. Ex. irão levar a um desequilíbrio ao contrato. afetando sua execução. No momento da assinatura. mas sempre haverá necessidade dessa manutenção.: A Administração Pública contratou “A” para construir um hospital em 3 meses. 2) Fato da Administração: este é toda ação ou omissão dirigida ao contrato. a Administração precisaria antes desapropriar os habitantes de certa área durante este período. São elas: 1) Fato do príncipe: é um fato geral do Poder Público que afeta o contrato. c) Não se aplica (ou aplica-se de forma mitigada segundo alguns autores). não se pode alegar essa cláusula. Pode-se até mudar.

86 e segs. Multa. da Lei de Licitações. 3) Rescisão unilateral: que é uma das cláusulas exorbitantes (art. Neste caso não dá para subcontratar. 78 da LL). Estão previstas no art. 72 da Lei 8.: durante as construções do hospital. Em uma situação a proibição da subcontratação é absoluta: no caso de prestação de serviços técnicos profissionais especializados em que a empresa prestadora do serviço apresentou a relação dos integrantes do seu corpo técnico. Para que ela possa acontecer.666/93. No entanto. 5. Ex. Extinção do contrato administrativo 1) Advento do termo: ou seja. 2) Conclusão do objeto: também é uma forma natural de extinção contratual. é possível que se possa fazê-la em alguns casos. Sanções Existem algumas sanções pelo não cumprimento do contrato. descobre-se um lençol freático. 4. Subcontratação Em regra. Vejamos:   Advertência. observado certos limites. essa possibilidade tem que: 1) Estar prevista no edital.do contrato. Força maior difere da sujeição imprevista porque esta já estava lá. a subcontratação é proibida. quando termina o prazo (forma natural de extinção contratual). É também chamada de rescisão amigável ou consensual. Garantias A Administração Pública pode exigir garantias a fim de assegurar a execução contratual (art. enquanto o segundo tem a ver com eventos da natureza (alguns autores dizem que seria o contrário). Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 41 . 2) Também é necessária a observação dos limites dispostos no art. 6. José Aras. Pede-se revisão contratual. 56 da Lei de Licitações). 4) Caso fortuito ou força maior: o primeiro tem a ver com a vontade do homem. você que não sabia da existência. 7. 5) Rescisão judicial: provavelmente usada pelo particular. 4) Rescisão bilateral: quando as partes preferem rescindir o contrato. visto a Administração ter a opção da rescisão unilateral (esta só usará a judicial quando não puder usar a unilateral). Direito Administrativo – Prof.

José Aras. Foi o interesse público que fez com que a Administração prestasse o serviço. desta lei.1 – Concessão de serviço público Este contrato tem uma lei própria (Lei 8. Aqui o particular não fez nada de errado. Observe que a titularidade continua com o poder concedente. rádio e TV. ele precisará indenizar o concessionário. 27 da Lei). Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 42 . Conceito: segundo o art. Aqui também haverá indenização. 3) Rescisão judicial. Contratos em espécie 8. Poderes e deveres do poder concedente: estão no art.: concessão de rodovia. sendo remunerados pelo pagamento de tarifa pelo usuário. sob pena de caducidade da concessão (art. Aqui o particular pisa na bola. Direito Administrativo – Prof. precisa-se de um procedimento administrativo. não deu causa. II. é um contrato bilateral que delega a prestação de serviço público a uma pessoa jurídica ou consórcio de empresas por prazo determinado. ou seja. 2º. receberá os lucros cessantes. Formas de extinção: 1) Advento do termo. Aqui a indenização é prévia – além de receber o investimento não amortizado. desde que Administração tenha previamente concordado com isso. 8. 2) Rescisão consensual. se o Poder Público resolver revogar a concessão. Ex. Suspensão temporária na participação em licitação e impedimento de contratar com a Administração. mediante licitação na modalidade concorrência. 29 da Lei. dependendo de lei específica autorizadoa. Transferência da concessão e do controle acionário da concessionária: a lei autoriza. Doutrina costuma dizer ainda que a concessão é instituto não precário. Custa assim caro ao Poder Público.987/95). 4) Rescisão unilateral: a) Encampação: é a extinção da concessão por motivo de conveniência ou oportunidade administrativa. a concessionária tem direito a manutenção daquela situação – assim. Para a caducidade ser declarada. b) Caducidade: tem-se aqui o fim da concessão em razão do inadimplemento (total ou parcial) do concessionário. mas esta não será prévia e só envolverá o investimento não amortizado (indeniza-se para não caracterizar enriquecimento ilícito da Administração).

Ex.Vimos ainda mais acima que a transferência da concessão e do controle acionário da concessionária sem o conhecimento da Administração dá origem a caducidade (art.2 – Parcerias público-privadas Previstos na Lei 11. Repartição de riscos (art. Esta ilegalidade pode ser no próprio contrato de concessão ou de uma ilegalidade que vem desde a licitação. Proíbe:    Contratos com objeto cujo valor esteja abaixo de R$ 20 milhões. da Lei). c) Anulação: nesta há a extinção do contrato de concessão em razão de uma ilegalidade. 2º. Direito Administrativo – Prof. 4º. 27 da Lei). 37.: pedágio. Ex. são contratos de concessão com repartição objetiva dos riscos com duração superior a 5 anos e objeto acima de R$ 20 milhões. O poder concedente anula assim. III. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 43 . b) Administrativa (§ 2º): é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta. ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens. Espécies de PPP (art. O STF entende que a responsabilidade aqui é objetiva (entendia assim. Responsabilidade civil das concessionárias: as concessionárias respondem por sua conta e risco. José Aras. Características:   Contraprestação do parceiro público para o privado. *OBS. Art. morte ou incapacidade do titular no caso da concessionária ser uma empresa individual.079/04. 5) Falência ou extinção da concessionária. 8.: Temos ainda a concessão de serviço púbico precedida da execução de obra pública (art. mudou de opinião e voltou atrás). Esta sociedade de propósito específico é uma pessoa jurídica criada para gerir a parceria. ou execução de uma obra. 2º a Lei): a) Patrocinada (§ 1º): além da prestação pecuniária do parceiro público ao privado. Que o objeto único do contrato seja o fornecimento de mão de obra. Períodos da prestação de serviço inferior a 5 anos. da CF. VI). Segundo o que diz a legislação. Nestas existe a previsão da criação de uma sociedade de propósito específico.: construção de presídios e hospitais. essa sociedade deverá ter maioria de capital com a iniciativa privada. instalação de equipamentos. envolve uma tarifa a ser cobrada dos usuários. § 6º.

Além disso. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 44 . Consórcios públicos são contratos administrativos multilaterais.ATENÇÃO: antes da celebração do contrato de PPP. da Lei. que é uma espécie de anexo que pode atingir entidades da Administração Indireta.107/05. 8. Já caiu em prova uma exceção a essas entidades federativas: há a possibilidade de um contrato de programa. § 1ª. existe a necessidade de uma prévia subscrição de um protocolo de intenções (art. desde que o Estado em que está localizado o município também faça parte. Fundamentos Direito Administrativo – Prof. passará a fazer parte da Administração Indireta dos Entes Consorciados – são as chamadas associações públicas) – art. é sujeito de direito e obrigações. ou seja. 241 da CF foi criada a Lei 11. celebrados entre entidades federativas (entes políticos) para mútua cooperação. Esta pessoa jurídica vai estar incumbida de implantar e gerenciar o objeto da parceria. 5º da Lei). Aula 07 – 12/11/2012 INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE 1. Para celebrar esse contrato de consórcio público. 6º. o parceiro privado precisa criar uma pessoa jurídica que a lei chamou de sociedade de propósito específico.3 – Consórcios públicos Para disciplinar o art. poderá ser de direito privado ou de direito público (neste caso. Um consórcio entre a União e Município pode ser feito. O consórcio é um contrato com personalidade jurídica. José Aras.

DESAPROPRIAÇÃO ≠ CONFISCO: nesta também se tema perda da propriedade. 243 da CF traz as hipóteses de confisco: 3. Esta é concedida a todos os entes (inclusive concessionárias.257/01). Temos também algumas situações previstas no Estatuto da cidade (Lei 10. pois enquanto na desapropriação existe indenização. II e III.  Bens decorrentes do tráfico. sem retirá-la. da CF): é a União. Competência legislativa Vemos aqui quem pode legislar quando o assunto é intervenção na propriedade (art. sobre o 2) Com objetivo de punição: intervêm com o objetivo de punir o proprietário. 3. O art. Modalidades Temos aqui seis modalidades que são básicas: 1) Requisição administrativa: a 2) Servidão administrativa: a 3) Ocupação temporária: a 4) Limitação administrativa: a 5) Tombamento: a Essas 5 primeiras propriedade. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 45 .Fundamentos que justificam essa intervenção do Estado na propriedade: 1) Princípio da supremacia do interesse público particular: interesse público primário. são modalidades restritivas. 22. no confisco não há o pagamento de indenização. I. José Aras. tanto que é conhecida como uma modalidade de intervenção supressiva (o dono do bem deixa de o ser). – Tombamento Direito Administrativo – Prof. da coletividade. Traz assim alguns instrumentos colocados a disposição dos municípios. 2.1  Plantação de plantas psicotrópicas. desde que autorizados expressamente pela lei ou pelo contrato). pois restringem a 6) Desapropriação: esta é a única modalidade que retira a propriedade. Não se deve confundir essa competência legislativa com a competência administrativa (de execução). A diferença é a indenização.

Às vezes.. restaurar ou pintar o bem o proprietário precisa de autorização do Poder Público. científico ou cultural.: imóvel ao lado não pode construir de forma que tire a visão do imóvel tombado.  Em uma eventual alienação do bem tombado. O tombamento não retira a propriedade (o dono do bem tombado continua dono do bem tombado). O tombamento pode ser total (o bem inteiro) ou parcial (parte do bem). providenciar obrar de conservação no bem. imóveis e atividades. ou seja. quando imóvel. o tombamento não dá direito à indenização.: tombamento do cemitério da consolação. imóveis e serviços. dos imóveis que estão em volta também sofrerem limitações. SERVIDÃO ADMINISTRATIV A Só recai sobre bens imóveis. independentemente de autorização ou solicitação do proprietário.  O tombamento deve ser registrado no Registro de Imóveis. arqueológico.. – Requisição. após 30 dias .  O proprietário tem o dever de conservar o bem.: tombamento de um quadro). OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA Só recai sobre bens imóveis. Pode recair tanto sobre bens imóveis quanto móveis (ex. Se este não quiser ou não se manifestar. paisagístico. José Aras. Ex.  Para reformar. Direito Administrativo – Prof. em caso de urgência.A razão do tombamento é a proteção de um bem. Consequências do tombamento: 3. . o que acontece é que a restrição feita ao bem foi tanto que o particular não pode fazer mais nada – neste caso. mutilar ou ainda demolir o bem tombado.2  É vedado ao proprietário ou a quem tenha a posse: destruir. alguns autores defendem a indenização (quando o tombamento parece uma desapropriação. Existe para proteger o interesse público abstrato. chamada de desapropriação velada). por este ter um valor histórico. artístico.  O Poder Público. Em regra. Acontece mediante uma situação de perigo. o Poder Público tem direito de preferência. Pode acontecer de existir limites ao chamado “entorno”. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 46 . Ex.. Acontece porque há um interesse público na prestação de um Acontece porque o Poder Público tem necessidade de ocupar o bem LIMITAÇÃO ADMINISTRATIV A Recai sobre bens móveis. Ocupação e Limitação Veremos essas quatro ao mesmo tempo: REQUISIÇÃO ADMINISTRATIV A Recai sobre bens móveis. urgência. Servidão.

 Desapropriação por utilidade pública. Cabe indenização:   Ex. José Aras. Tem caráter não temporário (no sentido de que não muda todo dia – mas atente que não é para sempre).   3. Exige registro no Registro de Imóveis. 36 Decreto-Lei 3365/41. Temos três tipos modalidades:  Desapropriação por necessidade pública.: No caso do art. serviço ou execução de uma obra. Será POSTERIOR. Tem caráter não temporário (no sentido de que não muda todo dia – mas atente que não é para sempre). (art.  Desapropriação por interesse social. Será POSTERIOR. Recai sobre bens DETERMINADOS. *OBS. XXIV. Recai sobre bens INDETERMINADOS . Recai sobre bens DETERMINADOS. Em regra não dá direito à indenização. Direito Administrativo – Prof. Ex. Tem caráter temporário. Ou sentença judicial. da CF. 5º. imóvel para fazer uma obra ou prestar um serviço.: não é possível construir prédios perto de aeroportos.3 – Desapropriação Está prevista no art.Ex. 5º. E será PRÉVIA. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 47 . Cabe indenização:   Se houver DANO. Tem caráter temporário (passada a situação de urgência. tem que se devolver o bem). Ex. da CF). do Se houver DANO. 36 do DL 3365/41 a indenização será obrigatória.: requisita a escola para abrigar desabrigados de uma enchente. Sua instituição só pode ocorrer: Por acordo. XXV. Veremos essas três modalidades em detalhes mais a frente.: art.: colação de placa de rua no muro de uma casa. Cabe indenização:   Se houver DANO. Recai sobre bens DETERMINADOS.

que pode terminar com um acordo ou não. 5) Competência legislativa é da União: art.3. No caso de imissão provisória da posse. o que pode ser feito por Decreto (mais comum) ou Lei (de efeitos concretos). Ocorre que se após a declaração o particular concordar. 3.1 – Observações gerais sobre desapropriação 1) Tem um caráter originário. Inicia-se então a fase executória. por exemplo). o Poder Público declara urgência e deposita em juízo em benefício do proprietário do bem um valor fixado pelo juiz.3. É como se aquele bem tivesse nascido agora. com base em um determinado dispositivo legal.  Com essa declaração. Essa fixação é importante para a indenização. 22 da CF. nem precisando o Poder Público mover a ação de desapropriação. 8) Fase judiciária: aqui se move a ação de desapropriação (movida pelo Poder Público contra o particular).2 – Modalidades de desapropriação Necessidade e utilidade pública são muitos parecidas. Além disso. 7) Na fase administrativa: tudo começa com o Poder Público declarando que determinado bem será desapropriado. acaba ali mesmo. explicitar a finalidade da desapropriação. bens materiais ou não (não dá para desapropriar moeda corrente ou pessoas. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 48 . Caso não exista acordo. que vai identificar o bem. Características: Direito Administrativo – Prof. 3) Poder Público pode iniciar a desapropriação sem saber quem é o proprietário. 6) Pode ser objeto de desapropriação: móveis e imóveis. Esse decreto já traz alguns efeitos:  Fixa o estado do bem (não significa que ele não pode mais mudar ou vender o bem). A contestação só pode versar sobre preço ou vício do processo. Temos aqui a súmula 479 do STF que também veda a desapropriação das margens de rios navegáveis. essa própria declaração dá início ao prazo de caducidade da própria declaração. passa-se a fase judicial. 4) Nem sempre a desapropriação irá terminar em uma ação: a desapropriação transcorre em duas fases – uma administrativa (quando o Poder Público declara que o bem vai ser desapropriado) e uma judicial (onde será movida a ação). José Aras. então veremos as características das duas juntas e depois as diferenças.3. o Poder Público já pode penetrar no bem. 2) Direitos e ônus reais que incidiam sobre o imóvel estão extintos: estão pagos com a indenização.

José Aras. 186 da CF esclarece que se a propriedade rural cumprir os requisitos nele dispostos ela não será desapropriada. E os bens irão para a Administração Pública. resgatáveis em até 10 anos. Assim. Essa desapropriação é feita apenas pelo Município. justa e em dinheiro. Direito Administrativo – Prof. Diferenças:   Na necessidade temos uma situação de urgência Na utilidade temos uma situação de melhoria. estes podem sim desapropriar bens públicos. A indenização será feita em títulos da dívida pública. E os bens irão para a coletividade. Também é possível que um bem público seja desapropriado.  Urbana: fala-se aqui de bens imóveis. É possível que o município e o Estado possam desapropriar um imóvel razão. os Estados podem desapropriar bens dos municípios e dos particulares. Opera-se aqui a relação de vercatilização: a União pode desapropriar um bem do Estado. A indenização nesses dois casos será prévia. Essa desapropriação é feita pela União.  Rural: fala-se aqui também de bens imóveis. b) Desapropriação em razão do descumprimento da função social da propriedade. Todos os bens passíveis de desapropriação podem ser desapropriados nessas modalidades. O art. O art. A indenização será feita em títulos da dívida agrária. da CF esclarece que se a propriedade urbana cumprir o Plano Diretor ela não será desapropriada. Desapropriação por interesse social. Todos os bens passíveis de desapropriação podem ser desapropriados nessas modalidades. justa e em dinheiro. Os imóveis desapropriados poderão ficar para o município ou ir para terceiros (após licitação). Os imóveis rurais desapropriados irão para a reforma agrária. Todos os entes da federação podem desapropriar nessas duas modalidades. resgatáveis em até 20 anos. Esta se subdivide em: a) Desapropriação Características:      para redução das desigualdades sociais. Todos os entes da federação podem desapropriar nessas duas modalidades. 182. A indenização nesses dois casos será prévia. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 49 . do municípios e dos particulares. Regida pela Lei 4132/62.     Estão previstas no Decreto Lei 3365/41. § 2º. desde a razão seja outra e não a função social.

mas ela deixa de ser pública.3. A contar da aprovação do projeto. ele tem 2 nos para iniciar as obras. A alíquota máxima de 15%. objeto da tredestinação ilícita. começam a contar os prazos: ele tem 1 ano para protocolar um projeto. 4) Tredestinação: ocorre quando o Poder Público dá ao bem uma destinação diferente da prevista inicialmente. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 50 . Objetivos:   Utilização futura da área excedente. Principais instrumentos que o Estatuto da Cidade coloca a disposição dos municípios (desde é claro que estes estejam previstos no Plano Diretor) – art. mas continua sendo uma destinação pública.: Poder Público desapropria dizendo que ia construir uma escola e acabou construindo um hospital. Temos dois tipos de tredestinação: a) Lícita: nesta a destinação é diferente.  Estatuto da Cidade Está previsto no art.3 – Institutos correlatos ao tema desapropriação 1) Confisco: já visto. 2) IPTU progressivo no tempo.3. b) Ilícita: nesta a destinação também é diferente. Este aumento da alíquota do IPTU só é possível nas seguintes condições:    Por no máximo. A partir da notificação (averbada no Registro de Imóveis).: Poder Público desapropria dizendo que ia construir uma escola e acabou construindo um hotel. O que ele quer é receber a indenização. 182. José Aras. 182 da CF. 5 anos consecutivos. Neste caso o particular tem o direito de exercer o direito de retrocessão: este é o direito de preferência do particular em reaver o seu bem.257/01 traz as normas gerais. Pretende revender esta área excedente que supervalorizada em razão da obra ou do serviço feito. § 4º. edificação ou utilização compulsórios: a ideia é que os particulares não usem seus imóveis urbanos para especulação imobiliária. Direito Administrativo – Prof. O valor da alíquota de um ano não pode exceder a 2x a alíquota do ano anterior. Ex. 5) Desapropriação indireta: aqui o particular move a ação de desapropriação em razão de um apossamento irregular feito pelo Poder Público. da CF: 1) Parcelamento. Ex. 2) Desapropriação por zona: ocorre quando o Pode Público faz a desapropriação de área maior que a necessária para a realização de uma obra ou serviço. A Lei 10. ficou 3) Direito de extensão: é o direito do expropriado de exigir que seja incluída na desapropriação área restante inútil ou de difícil utilização.

Multa civil. José Aras.: o agente utiliza os Direito Administrativo – Prof. 5) Consórcio imobiliário: isso está no art. Aula 08 – Online IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (Lei 8. Perda da função pública. Ressarcimento ao erário. prejuízo ao erário e/ou violação de princípios da Administração Pública e que enseja em processo judicial promovido pela pessoa jurídica lesada ou pelo MP. Município tem 30 dias para se manifestar. Conceito É o ato de imoralidade qualificada pela lei que importa em enriquecimento ilícito do agente. ao patrimônio e cofres públicos.429/92) 1. Traz um rol exemplificativo. Traz também um rol exemplificativo. Proibição de contratar com a Administração pública ou dela receber benefícios. pelo não cumprimento da função social. Ex. Esse estudo é prévio. 46 do Estatuto da Cidade. Perda de bens e valores acrescidos ilicitamente. 28 do Estatuto da Cidade. Pra assim ser caracterizado ele tem que estar qualificado na Lei 8. Deixa-se construir acima do coeficiente.: quando da construção de um shopping center. 9ª da LIA): as penas mais graves são para as situações deste artigo. Indisponibilidade dos bens. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 51 . mas tem que se pagar por isso. Ex. 10 da LIA): ou seja. Vamos agora destrinchar esse conceito: Imoralidade qualificada: não é qualquer ato de imoralidade que será uma improbidade. 7) Estudo de impacto de vizinhança (EIV): isso está previsto no art. a aplicação das seguintes sanções:        Suspensão dos direitos políticos. 2) Prejuízo ao erário (art.429/92. 4) Direito de preempção: é o direito de preferência do Poder Público municipal para aquisição de imóvel urbano objeto de alienação onerosa entre particulares. Ex. 36 do Estatuto da Cidade. Existem três modalidades de improbidade: 1) Enriquecimento ilícito do agente (art.3) Desapropriação urbanística: a que vimos mais acima.: propina. 6) Outorga onerosa do direito de construir: isso está no art.

Traz também um rol exemplificativo. pois nem o agente enriquece.servidores para fazer uma reforma na sua casa. Direito Administrativo – Prof. Ex. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 52 . da LIA): quando a medida s fizer necessária à instrução processual – e acontecerá sem prejuízo da remuneração. ele deve participar como fiscal da lei (sob pena de nulidade). concessão de um benefício fiscal sem observância da lei. mas se viola um princípio (deveres de honestidade. 16 da LIA): dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público. § único. 7º da LIA). legalidade e lealdade). ato de improbidade nem sempre causa prejuízo aos cofres públicos. 20. 3) Violação dos princípios da Administração (art. 2) Indisponibilidade de bens (art. 23 da LIA. José Aras. 3) Afastamento do agente público (art. Prescrição Os prazos prescricionais estão no art. Promovido pela pessoa jurídica lesada ou pelo MP: ainda que o MP não mova a ação de improbidade. imparcialidade. Portanto. 11 da LIA): são as condutas de menor potencial lesivo. 3.: negar ou esquecer-se de dar publicidade a um ato oficial. Medidas cautelares Existem algumas medidas cautelares que podem ser tomadas no curso da ação de improbidade: 1) Sequestro (art. E que enseja em processo judicial: e tem natureza civil (não é ilícito penal). 2. nem há prejuízo ao erário.

: mesários nas eleições.AGENTES PÚBLICOS 1. o concurso público é obrigatório para os servidores públicos estatutários (aqueles que ocupam cargos públicos) e para os empregados públicos (estes são aqueles que atuam em empresas públicas e sociedades de economia mista). Ex. remunerada ou não. ocupantes em cargo de comissão (comissionados). agentes políticos. particulares em colaboração (é o caso dos mesários). pois estes ingressam por eleições. Tem a ver com a ideia da moralidade. 2. Conceito São todas as pessoas que de forma definitiva ou transitória. jurados. José Aras. servem ao Poder Público como instrumento de sua vontade. Concurso público É um processo seletivo que atende aos seguintes princípios:    É feito em nome da eficiência. Direito Administrativo – Prof. É um imperativo da impessoalidade. São de livre provimento. ►Questão: Quais são os casos em que o agente público não se sujeita a concurso?     Os Os Os Os contratados temporariamente. No Brasil. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 53 .

Porém. adquirindo estabilidade. Pontualidade. Duração do estágio probatório: há alguns autores que sustentam que há um período para o estágio e outro para adquirir estabilidade (2 anos + 1 ano) – posição minoritária. Para o exame de ordem deve-se adotar 3 anos (mesma duração para adquirir estabilidade) ou 36 meses. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 54 . Depois da aprovação. Urbanidade (educação). mas esta vincula o período de prorrogação da 2ª validade. José Aras. Assiduidade. depois a posse e então o exercício. Não dando certo. a CF prevê casos taxativos de acumulação autorizada. o servidor é exonerado. da CF). Atribui-se uma nota para o resultado na prova e a esta se agrega nota para titulação. Segundo o STF só pode ser utilizado exame psicotécnico em concurso público se houver lei autorizando. XVI. Ex. Acumulação de cargos Em regra. 3. porque o edital pode estabelecer uma validade menor. Duas dicas: Direito Administrativo – Prof. Estando tudo certo. Ex. Esse período de validade corre da homologação.Existem no Brasil dois tipos de concurso: 1) De provas: o processo é elaborado só com provas quando a função não precisa de formação técnica especializada. ocorre a nomeação (investidura no cargo). é proibida a acumulação de cargos. A 1ª validade é discricionária do edital. desde que haja compatibilidade de horários (art.: prova para magistratura (há essa previsão na lei de carreira da magistratura). é confirmado na carreira. apoio de escolas. 37. Precisa assim haver uma lei para cada carreira autorizando o psicotécnico. Respeito à hierarquia. Estágio probatório É um período de avaliação. Concursos só de títulos é inconstitucional.: policiais. O período de validade de um concurso é de até 2 anos. 4. Essa validade pode ser prorrogada uma única vez por igual período. onde a comissão irá avaliar alguns critérios:      Trabalho com eficiência. Neste é que se dá o período de estágio. 2) De provas e títulos: estes necessitam de um conhecimento especializado.

3) Particulares em colaboração: exercem função pública em caráter excepcional e sem remuneração. Membros do MP. 3) Um cargo de professor e outro técnico ou científico. ATENÇÃO: algumas funções públicas são remuneradas no sistema de subsídios (parcela única que não admite qualquer acréscimo).: mesários. parlamentares e juízes (ela inclui estes últimos. Estes se dividem em: a) Servidores públicos: são aqueles que trabalham na AD e nas demais pessoas jurídicas de direito público. embora a maioria da doutrina não o faça). Casos: 1) Dois cargos de professor. 6) Vereador e outro cargo. Procuradores Estaduais. Ex. 5. Casos mais importantes: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Chefes do Executivo. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 55 . Este sistema foi criado para evitar remunerações absurdas. a resposta estará errada).  A acumulação é de dois cargos (assim se aparecer 3 ou mais cargos. Classificação Flávia Cristina faz uma classificação em três categorias dos agentes públicos: 1) Agentes políticos: são os titulares de cargos instrumentais da organização política do país. 4) Juiz e professor (lembre-se que são cargos públicos – na iniciativa privada é livre). José Aras. Magistrados. Tem que haver compatibilidade de horários (assim se na prova aparecer que o servidor já ocupa um cargo com 40 horas semanas. 5) Promotor e professor. b) Servidores das pessoas governamentais: são aqueles que trabalham nas pessoas jurídicas de direito privado (empresas públicas e sociedades de economia mista). Parlamentares. Carreiras policiais. Já Mazza faz uma classificação que divide em seis categorias os agentes públicos: Direito Administrativo – Prof. São os chefes do executivo. 2) Dois cargos de profissionais de saúde (não necessariamente só médicos). isso já fica impossível). conscritos e jurados. 2) Servidores estatais: estes possuem uma relação profissional não eventual com o Estado.

São responsáveis pela alta direção do Estado. A lei prevê os casos. contratação em calamidade pública. tendo uma vinculação não contratual. mas sim empregos. 5) Empregados públicos: entram por concurso para ocupar empregos públicos. Empregados públicos atuam em pessoas jurídicas de Direito Privado do Estado: assim eles se encontram em empresas públicas e sociedades de economia mista (não tem servidores estatutários e sim empregados celetistas). Pressupõe uma relação política com alguns membros de poder. Com exceção das funções de direção. 4) Particulares em colaboração: exercem função pública em caráter excepcional e sem remuneração. 3) Contratados temporários: estes não são regidos pelo Estatuto do Servidor e sim pela Lei 8. recenseadores do IBGE.1) Agentes políticos: são aqueles que ingressam por eleições para exercer mandatos fixos. Os agentes políticos são basicamente os chefes do executivo e os parlamentares (Hely Lopes incluía os magistrados. mas isso é posição única). Para o empregado público não há estágio probatório e sim período de experiência – tem a mesma duração do da CLT (3 meses). Direito Administrativo – Prof.745/93. A permanência na função é com uma duração pré-estabelecida. A desvantagem desses é que eles são exoneráveis “ad nutum” (é uma exoneração imotivada).: professores estrangeiros que vêm para Universidades Públicas no Brasil podem ser contratados neste regime. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 56 . adquirindo estabilidade após 3 anos de estágio probatório. conscritos (estes são os convocados para o serviço militar obrigatório) e jurados (do corpo de sentença do tribunal do júri).: mesários. todas as demais funções são celetistas. Ex. José Aras. Ex. A contratação é para situações excepcionais de peculiar interesse público. Eles são os responsáveis por uma parcela da soberania do Estado. Ingressam por processo seletivo simplificado (não tem concurso). 2) Ocupantes de cargo em comissão: estes são conhecidos na prática como cargos de confiança.112/90 no âmbito federal. Devem ser reservados às funções de chefia e assessoramento. 6) Servidores públicos estatutários: são regidos pela Lei 8. Ingressam por concurso público para ocupar cargos públicos. Estes são de livre provimento (por nomeação política). Os dirigentes ocupam cargo em comissão. Possuem vinculação contratual regida pela CLT – por isso que são chamados de celetistas. Não tem cargos.

voluntariamente). São eles: juiz. Formas de provimento (Lei 8. Uma vez nomeada. III. Avaliação de desempenho. Vejamos: 1) Nomeação: é uma forma de provimento originário.112/90) Este é o tema que mais cai dessa lei. Disposições constitucionais Basicamente se faz menção aqui aos artigos 37 a 41 da CF relacionados ao tema. compulsoriamente. § 3º. O servidor só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado. No caso dos cargos vitalícios. 8º da Lei 8. e não aprovação na avaliação periódica de desempenho. nos MI 670. Redução de gastos. José Aras. Atente que o militar não pode se associar a sindicatos (art. Absolvição pro falta de provas não tem esse efeito. a não ser de 4 formas:     Sentença judicial transitada em julgado. da CF).  Servidor público civil pode se associar livremente a sindicatos (art. penal e administrativa. 7. tendo como uma única exceção o caso onde a decisão de um processo interfere nos demais – a absolvição criminal por negativa de autoria ou ausência de materialidade. Todos esses dispositivos são importantes. Por conta disso. Só existem três cargos vitalícios no Brasil. promotor e membro dos Tribunais de contas. 37. 40 da CF. prorrogável uma única vez. 37. 142. que trata da aposentadoria dos servidores (invalidez permanente. 41 da CF). o STF. Processo Administrativo Disciplinar (PAD). É o regime mais privilegiado. ATENÇÃO: um servidor público está sujeito a três esferas distintas e independentes de responsabilidade: civil. 6. devemos usar a lei de greve dos trabalhadores comuns. Estudamos aqui as formas de preenchimento de cargos públicos (art. regulado em lei específica (esta nunca foi elaborada). da CF). VI. IV. mas destacaremos aqui alguns deles:  O prazo de validade do concurso público é de até 2 anos.  Servidor tem direito de greve (inciso VII).  O art. Os três são independentes. 708 e 712 definiu que enquanto o Legislativo não o fizer. Estes podem ser instaurados simultaneamente a depender do caso. Direito Administrativo – Prof. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 57 . A pessoa ingressa no serviço público através da nomeação. da CF).  A estabilidade é obtida após 3 anos de efetivo exercício (art.Essa estabilidade significa que ele não poderá ser exonerado. o estágio probatório tem 2 anos e o cargo só pode ser perdido por sentença judicial transitada em julgado.112/90). PAD com ampla defesa. por igual período (art.

Servidor aprovado em estágio no novo cargo e que quer voltar ao cargo anterior. da CF). § 3º. ele pode desistir do novo cargo e ser reconduzido ao cargo anterior. 41. Este servidor. José Aras.543 do STF. três formas da pessoa se vincular com a Administração. 3) Readaptação: o servidor será chamado a titularizar um cargo mais compatível com sua limitação física ou mental.339 do STJ e o MS 24. 25 da Lei 8. passa-se a aposentadoria por invalidez. Pode acontecer em duas situações distintas: a) Quando tiver sido considerado inabilitado no estágio probatório relativo ao novo cargo: a b) Quanto tiver sido desalojado pela reintegração daquele cuja vaga ocupou: a Essa recondução não pressupõe a desoneração do cargo anterior. A promoção só acontece quando se tem cargos escalonados em uma carreira – cargos isolados não tem promoção. VIII. temos o MS 8. 33. Ele pode? Sim. 8. da Lei 8. Nesse sentido.112/90). Vejamos: Direito Administrativo – Prof. desde que esse pedido seja feito dento do período do estágio probatório (entendimento tanto do STJ quanto do STF) e que esteja vago (se não existir um cargo equivalente vago com essas características.112/90 traz alguns requisitos. É possível que uma pessoa tome posse através de outra. 2) Promoção: é a forma de provimento em que o servidor será designado para titularizar cargo superior. mediante procuração específica (art. 5) Aproveitamento: nesta se tem o provimento de um cargo em razão da designação do servidor que estava em disponibilidade.112/90). mas sim pedido de vacância em razão da posse em outro cargo inacumulável (art. pode ser estável ou não. 13. o servidor aposentado volta a titularizar cargo. 4) Reversão: nesta. recebendo proporcionalmente pelo tempo de serviço). § 2º. da Lei 8. Espécies de vínculos O que veremos aqui são as diferenças e características entre cargos. objeto da readaptação. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 58 . É o retorno daquele que estava posto em disponibilidade – apenas servidor estável é posto em disponibilidade. O art. Nomeação + Posse = Investidura. A CF também fala sobre isso no art. Súmula 16 da AGU vai no mesmo sentido. 41. Se não houver a possibilidade da readaptação. 6) Reintegração: aqui o servidor ilegalmente demitido volta a titularizar cargo público. recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço (art. empregos e funções. o servidor ficará em disponibilidade. § 3º. ou seja.a pessoa tem 30 dias para tomar posse. 7) Recondução: aqui se tem o retorno de um servidor estável ao cargo anterior.

Alguns dispositivos constitucionais são aplicados também aos celetistas (ex. é a mais simples unidade de competência (não dá para dividir mais). Em regra tem que prestar concurso público para ocupar emprego público. São destinadas as atribuições de direção. Direito Administrativo – Prof. que só podem ser exercidas por servidores que ocupem cargos efetivos. Ocupam estes cargos os juízes.: quem trabalha nas empresas públicas e sociedades de economia mista). c) Cargos vitalícios: levam a vitaliciedade (que é um vínculo mais forte que a estabilidade) e ocorre após 2 anos. chefia e assessoramento. pois são de livre nomeação e exoneração. Ocupam estes cargos aquelas pessoas de confiança – são chamados de cargos “ad nutum”.112/90). IX: contratação por tempo determinado para atender necessidade temporária de excepcional interesse público. 2) Emprego público: este é regido por regras estabelecidas na CLT – quem ocupa emprego público é celetista (ex. 3º da Lei 8. Segundo a doutrina. 3) Função pública: conjunto de atribuições às quais não corresponde cargo ou emprego (espécie de conceito residual).: art. 37.1) Cargo público: seu conceito está no art. membros do MP e Ministros de Tribunais de Contas. Alexandre Mazza e Flávia Cristina – OAB Extensivo (2012) 59 . 37. Existem duas previsões na CF para ocupação de função:  Art. Existem três tipos de cargos: a) Cargo efetivo: é aquele que exige concurso. São criados por lei. José Aras. V: traz a função de confiança. O servidor pode adquirir estabilidade. b) Cargo em comissão: este não precisa obrigatoriamente de concurso público.  Art. 37. XVII).