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Frederico Dietzsch

Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP
São Paulo - 2011
Prof. Ms. orientador: Auresnede Pires Stephan

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Agradecimentos Agradeço aos meus queridos pais. Muito obrigado! 5 . a Fundação Armando Alvares Penteado e principalmente meu Professor orientador Eddy. que acreditou e me incentivou durante o desenvolvimento deste projeto.

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A escrita sempre esteve presente em nossa sociedade. composições. 7 . ou seja. Proponho uma divulgação da escrita gestual utilizando a própria caligrafia como recurso gráfico e o cartaz como suporte. como aconteceu e como é utilizada atualmente junto ao cartaz. a busca por melhores referências e definições de estilos de um período histórico. desde os registros mais primordios até a tipografia utilizada nos dias de hoje. cores.O resumo A vontade e interesse pela caligrafia e o cartaz me levam a conhecer suas histórias. técnicas. linguagens. variados alfabetos. assim como o cartaz. Se encontra aqui neste projeto uma pesquisa detalhada da evolução da caligrafia.

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3 Impressão 9.3 A escrita humanista A renascença 3.5 Layouts 101 103 105 107 109 111 Considerações finais 123 Referências 125 9.1 O cenário brasileiro 5.2 A escrita gótica 2.2 Função do cartaz por Abraham Moles 55 58 59 Análise de cartazes caligráficos 63 Artistas influentes 79 O projeto 93 95 97 99 8.Sumário Introdução 11 Linha do tempo da história da escrita 13 A escrita latina 1.1 Tipos caligráficos A caligrafia 4.2 Materiais 15 17 19 25 27 29 31 33 35 45 46 52 O cartaz 5.1 Cor 9.1 A escrita carolíngia 2.2 Justificativa 8.2 A escrita romana A escrita medieval 2.1 Análise da caligrafia por Edward Johnston 4.3 Público Alvo Desenvolvimento 9.1 O alfabeto latino 1.1 O conceito 8.2 Tipografia 9.4 Estrutura Padrão 9 .

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no contexto atual. e seus usos no cenário atual. Sem uma pesquisa aprofundada. 11 . serão criados 6 cartazes. portanto. Introdução Proponho o projeto. É necessário. torna-se impossível o desenvolvimento de um projeto. por isso é de fundamental importância nos situar no contexto histórico. ao cartaz. uma pesquisa aprofundada tanto da caligrafia como expressão humana. O cartaz é colocado como meio de comunicação. pois não deixa de ser uma “técnica” utilizada constantemente ao longo do tempo. principalmente na mídia do cartaz. A caligrafia é algo crucial no desenvolvimento da escrita humana. linguagem e seus fundamentos. assim como. quanto a respeito do cartaz e seus fundamentos. “Caligrafia em Cartaz”. Também é feita uma análise de como a caligrafia vem sendo utilizada no meio gráfico. pois é preciso conhecer o que vem acontecendo com relação à caligrafia. para a compreensão de como esta mídia se comporta perante a sociedade e quais são suas funções.

2600 aC Manuscritos em papiro. 2000 aC Pictografias cretenses 197 aC Pedra de roseta 1300 aC Rolos em papiro do antigo livro dos mortos 1500 aC Caligrafia Ras Shamra 850 aC Alfabeto aramaico 400 aC Escrita demótica 1000 aC Antigo Alfabeto grego 700 aC Alfabeto latino 190 aC Pergaminho usado para manuscritos 221 aC Muralha da China em construção . 2345 aC Textos das pirâmides na tumba de unas. 2750 aC 2500 aC Primeiros contratos Escrita formais de venda cuneiforme registrados em escrita cuneiforme. remanescentes.Linha do tempo da História da escrita 250 aC Caligrafia de pequenos sinetes 1500 aC Escrita hireática 3100 aC Primeiros escritos pictográficos sumérios em argila.

o s 800 dC Inicio do imperio de Carlos Magno Nascimento de Cristo 100 dC Caligrafia chinesa impressa com perfeição 751 dC Árabes aprendem a fabricar papel com prisioneiros chineses 1040 dC 500 dC Invensão Antigo alfabeto tipos árabe móveis na Coreia 500 dC Sucesso das letras unciais 105 aC Invenção do papel no oriente 100 aC Alfabeto latino completo 23 caracteres 100 dC 250 dC Escrita mural Alfabeto em Pompéia Uncial grego 114 dC Coluna de trajano 100 dC Alfabeto Romano 394 dC Última inscrição hieroglífica 200 dC Caligrafia de estilo regular 600 dC Escrita insular 1446 dC Hangul. A arte da caligrafia 1450 dC Impressão com tipos móveis na Alemanha . História do design gráfico. alfabeto coreano 1000 dC O Nashki se torna o alfabeto árabe dominante 770 dC Mantras budistas passam a ser impressos 200-500 dC Alfabetos das Capitulares quadradas e Capitulares rústicas romanas 781 dC As minúsculas carolíngias são criadas Referências: Philip Meggs. David Harris.

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sendo eles os primeiros a transformar as obras recitadas em peças literárias.” (Lawrence. pág.A escrita Latina Q “O alfabeto foi o dispositivo que permitiu aos antigos gregos estabelecerem os alicerces do discurso civilizado como conhecemos hoje.17) 15 TIPOGRAFIA TRAJAN. 2001. BASEADA NOS DESENHOS DA COLUNA DE TRAJAN Capítulo 1 .

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surge o alfabeto latino. boustrofedon (ziguezague). com sua escrita.” (Higounet. do antigo fórum romano. Charles.105) Ele. pág. afirma ainda. definitivamente. que foram descobertas em 1899. que se impôs em primeira instância a península itálica e depois no ocidente antigo. 17 . 2008. em 700 a.1 O alfabeto latino Segundo Horcades. Higounet afirma que os registros históricos mais antigos são as inscrições da pedra negra. herdando caracteres do grego arcaico e seu sentido de leitura. Higounet. que o alfabeto latino é um sobrevivente e vencedor. “O alfabeto latino é. em um dos alfabetos itálicos.Capítulo 1. um alfabeto grego ocidental transformado. por uma forte influência etrusca. C.

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ágil. Além disso. a clássica. Há uma só maiúscula regular.a segunda. estabelecido por Jean Mallon em seu estudo sobre a paleografia romana.4) da escrita “comum” são os mesmos das “maiúsculas”. cursiva. a partir do séc. os papiros e as inscrições comprovam que os romanos praticavam dois tipos de escritas durante o século I: 1-“escrita comum clássica”.2 A escrita romana Segundo Higounet. A maiúscula não pode mais ser considerada a matriarca de todas as escritas latinas. Maria Helena Bomeny “C” Maiúscula Imperial A arte da caligrafia. Ele afirma. II. pesada e utilizada em edições de luxo. Higounet diz ainda que este esquema novo (cítado acima).Os Manuais de desenho da escrita. esses elementos nos fazem vincular as duas escritas à mesma origem. editais e reproduções das atas. pequena. De acordo com ele. a “maiúscula” ampliada para se tornar uma caligrafia monumental excepcional. utilizada para livros e atas. a divisão entre maiúscula “elegante” (capitais monumentais) e a maiúscula “rústica” é de uma época em que não se conheciam manuscritos anteriores ao século IV. 2. Higounet afirma que os ângulos e os ductos (cap. variações a gosto do Calígrafo. “maiúscula” geralmente de modelo maior. tem como resultado uma primeira revisão dos conceitos e da terminologia da paleografia tradicional. David Harris Capítulo 1. 19 . que estas duas escritas vem de uma “escrita original”. ainda. com diferenças gráficas de um documento para o outro. que não possui um registro escrito a tinta: a “escrita comum” com formas transfiguradas pela prática corrente.

Os escribas as desenhavam com pincel de ponta reta e depois as intalhavam na pedra. I) tinham quatro escritas em uso: Capitais Monumentais. essa escrita era utilizada informalmente e desenhada com pincéis. Rústica Romana. O primeiro apresenta caracteres gráficos do sistema Rústica Romana Capitais Monumenteais Cursiva Romana 20 Imagens do livro A arte da caligrafia. afirma Horcades.com ascendentes e descendentes .e desenhada com velocidade o que facilitavam as variações de acordo com o calígrafo. Quadrata. Seu estilo variava muito. Apesar das maiúsculas e minúsculas ainda não existirem. II e III se manifesta uma transformação na escrita romana que deu origem a “nova escrita comum” e a “uncial”. Horcades diz que as Capitais Monumentais eram utilizadas em fachadas e monumentos. J. Neste mo- mento surgem os primeiros caracteres com ascendentes e descendentes. Higounet.Quadrata Horcades afirma que os romanos (séc. Rústica Romana e a Cursiva Romana. Horcades menciona a escrita quadrata como sendo utilizada para escrever livros públicos e documentos importantes. 2009 . segundo Horcades. desenhada com uma pena de ponta fina. não havia espacejamento entre letras e palavras. Era utilizado uma pena para a escrita. hora não . Sua escrita era trabalhosa e demandava tempo. pois era hora inclinada. Cursiva Rústica era uma escrita de uso corriqueiro. afirma que no séc. Mallon justifica isso com base em 2 textos encontrados: no fragmento de livro de pergaminho e em um rolo de papiro.

apresenta um tipo novo. segundo Higounet. III e IV: . citado acima. 112) 21 . imóvel e artificial. Ele diz que com isso a inclinação da pena de um escriba. que era oblíqua em relação a linha de base. “A evolução da escrita latina não se deu gradualmente da maiúscula à minúscula. exceto pela chancelaria imperial que ainda se utilizava da escrita antiga. como fazemos hoje para escrever. J. afirma que quando o suporte da escrita mudou de um papiro (folha enrolada) para um pergaminho (folha solta). anterior ao séc. Charles. o segundo. IV e V a nova escrita substitui por completo a escrita antiga. Ainda. tornou-se cômodo incliná-la em relação a posição do ombro. Marichal (paleógrafo). daí surgem as duas novas escritas romanas dos séc. depois inclinada para a direita. quase nulo. porém. ini- cialmente vertical. I e III. I já. enquanto o pergaminho (rolo) possuia ângulo de escrita mais aberto. 2003.a uncial que herda grandes características desde documento em papiro. ligeira. Segundo Higounet. percebe que o fragmento de um livro (caderno) é escrito com um ângulo agudo. Contra ele. em que predominão as curvas e as ligaduras freqüentes. cursiva. pág. passa a ser de um ângulo fechado. cuja grafia é de luxo.” (Higounet.A nova escrita comum. IV. .“U” Uncial A arte da caligrafia. David Harris “m” Uncial A arte da caligrafia. Mallon. Houve uma solução de continuidade entre as duas escritas do séc. com uma variação de altura. David Harris clássico do séc. nos séc.

Os estúdios capitulares de Verona. os monges e missionários anglo–saxões trouxeram para o continente uma escrita insular . De formas agudas e mais altas que largas. se desenvolveu um tipo original. de ligaduras e de abreviações frequentes. As letras “a” e “t” eram os caracteres mais característicos dessa escrita pesada e com formas voluntariamente quebradas. Já na Itália meridional segundo Higounet.diretamente relacionada a nova escrita romana. David Harris Higounet afirma que nos séc. conhecido como beneventina. por motivo de fuga dos espanhóis devido a invasão árabe. Higounet fala também da Espanha no séc. traçados em letras solenes de tipo capital ou uncial. Eles produziam luxuosos manuscritos em miniaturas. prenunciavam a escrita Gótica. Vercelli e Lucca mantinham- . XIII. David Harris se fiéis à uncial. antes de Sevilha se tornar um centro intelectual. contribuíram para difusão desta escrita de ligaduras cursivas. “q” Insular A arte da caligrafia. Os registros desta escrita que foram encontrados na Gália e na Itália. manifestou uma escrita. que se manteve até o séc. V e VII a Irlanda e a Inglaterra receberam diretamente a cultura de Roma e a expansão do cristianismo.22 “ex” Insular A arte da caligrafia. livros e documentos em escrita vulgar de módulo pequeno. cuja qual permaneceu em estreita ligação à escrita comum romana. que por sua vez foi muito bem aceita na Itália setentrional. quando se tornaram uma região de vida intelectual e de reprodução de muitas cópias manuscritas. quando depois da era visigoda. VII. Ainda segundo Higounet.

Higounet fala que a partir do começo do séc. no séc. de todas as regiões ocidentais. Que falaremos no capítulo seguinte. foi. de início. Na França merovíngia. Ele diz que as cartas comuns caligrafadas pela administração provincial no séc. ondulado e pontudo. por causa da forma especial que esta letra possui. Higounet diz que esta escrita do séc. não se restringindo apenas a região de Córbia. V foram. Esta escrita de Córbia passou a ser chamada de “b” e “a b”. VII é conhecida por tipo “a”. menores e contendo abreviaturas herdadas do tipo insular. VIII. pela multiplicação de seus estúdios monásticos e episcopais e sua posição no cruzamento das influências Norte e Sul. VII. A escrita de Laon (cidade da França) é conhecida por um tipo “a z” pelo mesmo motivo. de módulo médio e muito pesado. IX. o protótipo da escrita da chancela-ria régia. de maior regularidade. Higounet afirma que este mesmo estúdio de Córbia desempe nhou um papel importante na criação progressiva das carolíngias. a que teve mais variações sobre o tema da escrita romana. Mais a frente. os estúdios de Córbia evoluem independentemente e passam a produzir escritas menos “selvagens” como as precedentes. pois há manuscritos bíblicos executados por eles. com desenho alongado. este tipo “a b” se manteve até o início do séc. surge uma escrita que não se consegue determinar a origem. 23 . Afirma Higounet. ou seja. com a grande parte dos caracteres já se apresentando como as carolíngias.

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David Harris Capítulo 2 “As escritas da idade média(.” (Higounet.A escrita medieval “h” Minúscula carolíngia A arte da caligrafia.) conservam os ductus da “minúscula” carolíngia. 127) 25 . 2003. pág.. Charles..

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mais estável. pois nos introduz na história gráfica mais recente de nossa escrita. Naquela época. mesmo a escrita gótica. o que dava grande estatos ao reinado. Segundo Higounet. Horcades sugere que esta ação de Carlos Magno tenha sido o pri- meiro trabalho de identidade visual encomendado das artes gráficas. da minúscula do séc. pág. consevaram a forma e o ducto da minúscula carolíngia. David Harris ( Higounet. IX. imperador. as carolíngias tiveram sua época clássica da escrita carolíngia. Higounet diz que as escritas da Idade Média. “nor- 27 .1 A escrita carolíngia Higounet disserta sobre as carolíngias: “seu alfabeto merece que demos atenção a suas particularidades. a fabricação de livros era considerada uma obra prima. 2003. Com o intuito de interpretação única da Bíblia. a caixa baixa . é a reprodução por intermédio da escrita humanista do séc. Carlos Magno. 128) Baseado em Horcades. pois o mesmo tinha grandes rigores gráficos a serem seguidos. encomenda a um escriba uma escrita para ser oficial de seu reinado. no séc.Capítulo 2. uma das letras mais belas conhecidas até os dias de hoje. e que o caractere que serve para impressão de livros hoje. Ele afirma que a escrita carolíngia é a que teve o futuro mais longo. o interesse mais atual. e que tem. mais universal. XV. O que facilitou a datação de documentos da era de Carlos Magno para os dias de hoje. Suas características. pois a impressão não havia sido inventada. Charles. O alfabeto desenvolvido deu origem as minúsculas carolíngias (Carolus Magnus).” “g” Minúscula carolíngia A arte da caligrafia. para nós. VIII.

28 . regularidades e clareza de leitura fez com que seu uso se estendesse dos livros para os documentos. se tornando uma escrita corrente.matizações”.

certos caracteres são acoplados ou encavalados uns aos outros. um dos fatores que podem ter contribuído ao desenvolvimento de uma nova escrita é o uso difundido da pena ao invés do cálamo (séc.A escrita carolíngia era desenhada com penas de corte chato e reto. com o advento das universidades torna-se maior a necessidade de se produzir mais livros. mas também pelas ligaduras. Horcades diz que a escrita Gótica nasceu originalmente na França (séc. com características especificas desenvolvidas em cada região. XIII). utilizado no desenho das letras e provocado a sua difusão. Com diferenças básicas entre a Gótica Francesa (textura). Italianas e Espanholas (rotundas). Segundo Higounet. XII. pela disjunção de seus traços. Segundo Higounet a escrita gótica que veio para substituir a escrita carolíngia ou “francesa”. enquanto a escrita Gótica só se obtinha com um corte chato. que explodiu por conta da bela unidade desenvolvida pelas carolíngias. porém oblíquo. Higounet caracteriza a escrita Gótica não só pelos seus traços angulosos. Esta transformação também acontece devido à prática da escrita. a Alemã (fraktur). devido à largura do instrumento. assim como para economia de papel. 2003) “H” Maiúscula gótica A arte da caligrafia.2 A escrita gótica Horcades afirma que. XII). pois guardou formas e ducto 29 . a Gótica bastarda que era uma letra mais cursiva e utilizada informalmente. (Higounet. não é uma nova escrita. David Harris Capítulo 2. de bico curto e inclinado para à esquerda. futuramente se espalhando pela Europa. a partir do momento em que se faz necessário a fabricação de livros menores e portáteis para a melhor difusão da doutrina católica. As letras passam a ser juntadas por pequenos traços. as letras começam a perder largura.

exatamente como as letras Góticas. por ângulos mais agudos. a denominação fractura. pág. as curvas são esmagadas.da escrita carolíngia. que terminavam também em pontas e têm seus buracos interiores estreitos. Esta quebra de traços é característica da Gótica e é justo ela que dará. no séc.” (Horcades. “As torres terminavam em agulhas e as janelas eram estreitas. Afirma Higounet. XVI. há entre as duas grafias uma diferença bem clara: as ligaduras e os traços verticais e horizontais são mais densos. 2008.Carlos. Porém.28) 30 .

tiveram como base a carolíngia.” (Higounet. com uma forte inclinação à direita (escrita pendente). “m” Minúscula humanista A arte da caligrafia. Porém. XIV) ela foi uma escrita para livros. pág. traçada com penas pontudas.A escrita Humanista Segundo Higounet. 2003. Higounet afirma também que a humanista é uma escrita suave. damos tanta importância assim às “belas carolíngias”. um tratamento cursivo deu a esta escrita uma grande utilização documental. 145) 31 . a escrita humanista é uma escrita erudita. Para conclusão da idade média as principais escritas latinas. Seu aspecto geral é um pouco mais delgado que o da escrita carolíngia.3 “Foi entre esses tipos de escrita que os primeiros fundidores de tipos gráficos escolheram seus modelos e deles provêm nossas escritas atuais. Desde sua origem (séc. refeita a partir do modelo da carolíngia. David Harris Capítulo 2. por isso. possui suas letras unidas em uma mesma palavra. Charles.

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34) 33 .Capítulo 3 A renascença “O séc. XV traz a renascença. talvez o momento mais fértil e criativo da existência humana. 2007.” (Horcades. pág.

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a investigação das características visuais das letras e sua legibilidade ganhou maior destaque no campo da tipografia. que determinou o aspecto formal do caractere tipográfico. coexistindo com a caligrafia. A escrita tipográfica caracterizou-se.capítulo 3. desde sua origem. Já havia essa preocupação iniciada de forma intencional no processo caligráfico. que posteriormente. 35 . O princípio de Gutenberg consistia em uma reprodução da escrita gestual. foi redirecionado até chegar ao ponto em que a caligrafia não fazia mais parte do processo – alcançando um processo autônomo e independente da caligrafia. Seu referencial central foi a escrita manuscrita.1 Tipos Caligráficos Segundo Bomeny.

2009.108) 36 .1.1 Capitais romanas A evolução da escrita. a mais imponente de todas as escritas” (Harris. Carlos Horcades “Era a letra usada nos monumentos de Roma antiga para proclamar o poder do Império Romano.Capitais romanas Capítulo 3. pág. David. e é sem dúvida.

Capitais rústicas A evolução da escrita.Capitais rústicas Versão para pena da capital romana. Carlos Horcades Capítulo 3.2 37 .1. utilizada em livros de grande importância.

I e sobreviveu até o séc. Carlos Horcades Com seus traços verticais muito finos sugere que a pena foi utilizada com um ângulo muito fechado. Era largamente utilizada para livros de uso diário. Segundo Horcades esta escrita foi vista pela primeira vez em um documento papal do séc.Capitais quadratas Capítulo 3.1. XVI. 38 .3 Capitais quadratas A evolução da escrita.

Romanas unciais e semi-unciais Segundo Horcades. IV são as unciais. Pág. Carlos Horcades Capítulo 3.1. Sua escrita marca o momento de transição entre as capitais e as minúsculas. 110. que também são conhecidas como as “capitais do calígrafo”. Com linhas simples e formas redondas que substituem as formas ângulares das romanas quadradas Quanto às semi-uncias romanas são uma mescla entre as unciais e as cursivas. A mais antiga escrita para livros cristãos que evoluiu do séc. Unciais A evolução da escrita.4 39 . 2007.

40 . Carlos Horcades Este alfabeto desenvolvido pelo Edward Johnston no início do séc.1. as carolíngias do séc. segundo Horcades. a caligrafia de um manuscrito da idade média.Fundamental redonda Capítulo 3. XI.5 Fundamental redonda A evolução da escrita. XX teve como base.

2007. Durante os séc. Carlos Horcades Capítulo 3. Outro alfabeto gerado foi a itálica formal.Chanceleresca Na Itália durante o período da renascença estudantes descobriram manuscritos em minúsculas carolíngias do séc. XV e XVI. Eles as copiaram e as adaptaram para fazer uso próprio. Uma dessas adaptações gerou o tipo romano moderno.6 41 . afirma Horcades.1. IX. floreada na Itália e Espanha. Chanceleresca A evolução da escrita.

1. XII e é conhecida também como es.Textura Capítulo 3. 42 . Carlos Horcades papel. letra negra ou estilo inglês antigo. comprimido.vertical e critura abastonada. surge na Seu estilo Europa durante o séc.7 A escrita gótica. proporcionava rapidez e economia de Textura A evolução da escrita.

Carlos Horcades início do séc. A Bastarda foi redesenhada em outros períodos: séc. francesas. Essa escrita tem características de estilos variados. VIII e XIV.1. XVI e Bastarda A evolução da escrita. XX.Bastarda Capítulo 3. 43 . com linhas retilíneas e abruptas da Fraktur com as curvas sinuosas das Romanas. Horcades menciona as bastardas como sendo uma escritura intermediária entre as manuscritas cursivas latinas e a Gótica cursiva do séc.8 Existem versões espanholas. italianas e holandesas.

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pois em cada uma há infinitas possibilidades de variações. formando palavras” (Molles.Capítulo 4 A caligrafia Como falamos no capítulo anterior as escritas baseadas no latim são repetidamente categorizadas por: escrita formal – utilizadas em documentos como instrumento da autoridade e a escrita informal – utilizada em documentos diários com características cursivas e desenhadas com maior velocidade. se transformam-se finalmente em escritas formais como letras novas. 2009. sugerindo que o calígrafo necessita de uma sensibilidade física para saber como lidar com a pena: variações. David. pág. Ele diz ainda. ritmo e movimento o que são a essência da escrita. 6) Harris afirma que as escritas formais vão se degenerando em formas cursivas. direções. Ele enfatiza o gesto e o toque. que não há um modelo definitivo para uma escrita específica. 127) 45 . ângulos. pesos e proporções. (Harris. “A caligrafia (etimologicamente escritura bela) se caracteriza pela seqüência das letras unidas entre si uniforme as inflexões das mãos e a pressão nos dedos. Isso não se restringe às letras formais. que após serem aprimoradas. 1992. Alfred Fairbank define a escrita como um sistema de movimentos com participações do tato. pág.

(J. 1996). 46 Capítulo 4.Análise da caligrafia Edward Johnston analisou as formas originais dos manus-critos e inscrições. Martin. Buscava principalmente obter uma explicação desses detalhes em termos precisos.1 por Edward Johnston . com este estudo Johnston definiu princípios de análises. tentando descobrir todos os detalhes de execução.

O traço mais fino e mais grosso são sempre perpendiculares um ao outro. Maria Helena Bomeny 47 . determina a espessura do traço. que forma sempre uma relação entre a largura da pena.1 Ângulo de inclinação O ângulo em que a pena está posicionada em relação à linha de base. Cada movimento feito pelo calígrafo gera uma graduação lógica de espessura. o traço mais fino e a linha da escrita.1.Capítulo 4. Ângulo da pena Os manuais de desenho da escrita.

A altura proporcional da escrita é determinada pelo número de vezes em que a largura da pena cabe na altura “x” da letra. mas também do peso e textura geral das formas. a altura das letras minúsculas. Maria Helena Bomeny . ou seja. 48 Capítulo 4. A estética da escrita não só depende dos possíveis traços grossos e finos.1.Peso A pena de ponta chata controla os aspectos da construção e estética das formas caligráficas. Este padrão de medidas se estabelece colocando a pena na posição horizontal e demarcando quantas larguras da pena são necessárias a partir da linha de base.2 Padrão de medidas Os manuais de desenho da escrita.

larguras e angulações. pág.3 Proporções e estrutura Podemos reduzir qualquer forma alfabética a uma estrutura de construção básica e a proporção de cada letra em relação as demais do mesmo alfabeto. Maria Helena. que garantirão um sentido de unidade para o conjunto. Maria Helena Bomeny 49 . Definidos em alturas.” (Bomeny.. 51) Estrutura Os manuais de desenho da escrita.1. “Todas as letras dentro de um alfabeto precisam ter formas em comum .larguras proporcionais e outras constantes .Capítulo 4. 2010.

Segundo Bomeny. o termo ductus. 2010. mas também à ordem e à direção em relação ao instrumento utilizado para a execução dos mesmos. A análise dos ductus não se limita apenas à desconstrução do signo em quantidade de traços. pág. “A execução de uma obra caligráfica ou uma análise que não colocasse em prática os conceitos do ductus seria ilegítima. O ductus define a ordem e o sentido dos traços que formam uma letra.” (Bomeny. menos suscetível de ser alterado.4 . Maria Helena Bomeny Ductus Capítulo 4. Maria Helena. O ductus constitui a alma da letra e o elemento menos personalizado da escrita.1. 53) 50 Ordem de desenho dos ductos Os manuais de desenho da escrita. vem da palavra digitus. que significa dedo. ou seja.

desta forma o processo se torna mais lento. já a escrita lenta faz o contrário com suas verticais a 90º graus da linha de base.Capítulo 4. Um dos preceitos básicos da caligrafia é que se deve levantar a pena do papel e não empurrá-la. cujo resultado é uma letra mais formal e com ductos mais definidos.5 Velocidade A escrita rápida tende a inclinar as verticais e ligar as letras entre si. Os manuais de desenho da escrita.1. Maria Helena Bomeny 51 .

Este mesmo instrumento foi evoluindo com o passar do tempo e das necessidades. extraído de uma planta Cyperus papyrus -. 106) Segundo Bomeny. o uso do pergaminho como superfície da escrita. no séc.C. essa escrita se propagou em toda a Ásia anterior. com uma cabeça achatada. Charles. III surge o pergaminho. que crescia às margens do rio Nilo. utilizado pelos sumérios para marcar a argila. por conta da invasão árabe os egípcios tiveram de abandonar o cultivo de papiro. Ainda. pág. o primeiro utensílio a ser utilizado para a escrita foi uma espécie de estilete muito afiado. 2008. Finalmente o papel é desenvolvido na China em 105 d. A sua outra ponta não afiada. Posteriormente o uso do Cálamo foi aderido. diz que muito mais tarde ter surgido o papiro. pág. com um processo de (Higounet. bezerros e cabras.” (Higounet. “depois de ter servido de notação à língua dos sumérios que viviam na mesopotâmia nos milênios IV e III antes de nossa era.Materiais “O instrumento utilizado importa mais para o estudo de uma escrita do que o registro material subjetivo. onde se tornou o meio de expressão de línguas diversas. como a velocidade e a marcação mais definida na argila. pincéis e canetas A arte da caligrafia. O pergaminho era uma superfície feita com peles de animais como carneiros. era utilizada para fazer correções. tornando assim. para aplainar a argila marcada. segundo Bomeny .” Capítulo 4. Charles. neste momento o instrumento utilizado para grafar passou a ser o pincel pontiagudo. com cortes angulosos e de elaborada construção. 29) 52 Penas. Era fabricado a partir de um junco ou bambu. 2003. David Harris .2 Bomeny.

como os citados acima. tiras de madeira como superfície para a escrita marcando-as com uma pena. Bomeny diz ainda que o ocidente antes de desenvolver o papel se utilizava de pranchas de bambu. “A natureza e a forma da letra são determinadas pela natureza e forma do instrumento com que foi feita. também de bambu.fabricação ele chega até a Europa. Bomeny menciona também que quando o suporte da escrita deixa de ser a argila e passa a ser de outros materiais. o cálamo de bambu e as penas de ave foram de extrema importância para esse desenvolvimento da escrita. o instrumento de registro precisa ser mais ágil e ter melhor desenvoltura na execução da escrita. molhada em uma tinta durável e espessa. e que a largura do traço da letra está diretamente relacionada com a largura da pena. pois proporcionavam tais características. Os pincéis egípcios.” (Edward Johnston) 53 .

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2008) 55 .Capítulo 5 O cartaz “O cartaz é o biscoito fino do Design Gráfico” ( Ricardo Ohtake.

Segundo Abraham Moles. que motivaram a criação de cartazes como os cartazes do movimento construtivista russo. Segundo Ricardo Ohtake. De uma maneira ou de outra os cartazes sempre estiveram ligados às manifestações sócio-culturais nas grandes cidades. pois é a que mais se aproxima da arte. é a mais sofisticada. exige síntese. quando o texto é visto como imagem. eram produzidos cartazes como os da escola polonesa de cartazes. Daí o papel crescente da imagem mais assimilável que o texto. foi marcada por grandes momentos de lirismo e expressão artística. o cartaz surge a fim de difundir o anúncio impresso. Paulo Moretto diz que a história do cartaz no ocidente. Com a técnica de impressão de imagem desenvolvida e a acele-ração do fluxo de infor- 56 mação. o cartaz entre várias modalidades gráficas. Assim como os cartazes desenvolvidos nos movimentos estudantis na década de 60. É a expressão mais vibrante e mais barata que se pode afixar numa parede e a mais popular. O desenho da tipografia é de extrema importância para a compreensão do receptor. pois o en- . e também por momentos de preocupações sócio-políticas. especialmente na França. tenta-se passar para o receptor mais elementos em menos tempo. ou seja. Assim como em placas de trânsito onde a informação precisa ser transmitida de forma eficiente em um curto período de tempo. tanto visual quanto do significado. Diretor do Instituto Tomie Ohtake e designer gráfico.

Segundo Paulo Moretto.tendimento faz parte de seu caráter. Sua visibilidade e legibilidade ... Paulo. 2008) 57 .) não permite elaborações de discursos complexos.asseguram presença na memória coletiva urbana. “O cartaz(. exigindo objetividade e concisão.funções comunicacionais atribuídas ao cartaz . o cartaz ganha destaque no ambiente urbano por ser uma mídia a qual dialoga com os “apressados” de grandes metrópoles. buscando o rápido entendimento por parte de seus observadores.” (Moretto. Afirma Ricardo.

como documentação histórica. Segundo Ricardo Ohtake nos últimos trinta anos a cultura do cartaz vem se desenvolvendo extraordinariamente. Segundo Ricardo Ohtake. imprimindo em quatro cores com velocidade. a Alemanha. Capítulo 5. justifica o crescimento do cenário brasileiro. vem se produzindo cartazes comerciais no Brasil desde o final do séc. com o desempenho super avançado e ainda em processo de desenvolvimento. impressoras off-set. Era possível im- 58 primir em apenas uma cor.1 . afirma Ricardo Ohtake. facilidades de ajustes e impecável sobreposição de cores. tanto quanto como registro visual.O cenário brasileiro O cenário brasileiro quase não tem tradição na cultura do cartaz. mas sim é possível identificar um “sotaque”. Com o advento da gráfica moderna no século passado. a França e a Inglaterra. as composições tipográficas feitas com tipos de madeira. porém. a cultura do cartaz passa a ser um fator de grande relevância na cultura urbana brasileira. os Estados Unidos. ou seja. não limitada. ou seja. Ricardo diz ainda que é muito difícil estabelecer um estilo propriamente dito brasileiro. XIX. as imagens impressas através de clichês de retícula aberta e litografia. enquanto nosso parque gráfico brasileiro ainda era muito precário. Paulo Moretto diz que o cartaz tem uma força comunicacional que representa uma época. fugindo das linguagens tradicionais utilizadas em outros países que já tem essa cultura enraizada como a Espanha. uma linguagem parecida. a Polônia.

relatando as informações para o observador (preço. se utilizando de algum argumento pré-suposto. O cartaz na sociedade urbana tem uma função educativa no sentido de reconhecimento de símbolos. o cartaz deve ser um modo de comunicação entre o organismo e a massa. O conhecimento dos objetos. fabricante). segundo Moles. A informação passada de maneira didática. que é a auto formação do indivíduo pela contemplação de um certo número de imagens que são elementos culturais os quais estão sempre presentes em nossa sociedade. Ele diz que o cartaz quer ser explícito e. exprimir algo real mais que o real o expressionismo é sua lei. O cartaz ainda segue o mesmo pretexto que procurou exprimir durante o início do séc. impressionista ou letrista. tendo como objetivo transmitir um certo número de informações entre um e outro. por isso. É o anúncio. ponto de venda. geométrica. mesmo quando se utiliza de lin- Abraham Moles guagens diferentes ao mesmo tempo. dos valores sociais e políticos. expressionista.Capítulo 5. conhecido como autodidaxia. cubista. Ainda baseado no livro de Moles. Estes elementos são fornecidos ao 59 . Moles diz. das funções. É expressionista por essência. 1974. das jurisprudências. XX. no qual o papel semântico é essencial. é o da informação. das imagens do país longínquo.2 A função do cartaz por A primeira função do cartaz segundo Moles. Função educativa. dos serviços. A segunda função é a de propaganda e publicidade onde o pretexto é convencer e seduzir o espectador ao consumo.

assim descreve Moles em seu livro. 1974. Como os cartazes devem ser dispostos? Isso depende de quem os coloca no lugar definido. 1974.” (Abraham Moles. A função de paisagem urbana escapou durante muito tempo à atenção dos responsáveis pela cidade. “As formas desta cultura são variáveis: ora uma admirável gravura de Hogarth serve para vender cerveja. 54) Função ambiência. pág. O cartaz é um elemento ambientalmente urbano. a vitrine e o jornal. A partir disso surge uma questão 60 imposta por Moles. ilustrados com imagens infantis. ora os melhores de todos os propósitos imagináveis dão lugar a infames placars de literatura propagandista.adulto em permanente ensino do qual participam o cartaz. Seria necessário que os distribuidores tivessem uma consciência de dispor os cartazes ou seria de maneira aleatória? Poderia ou não prejudicar a obra? . Os cartazes não obedecem a nenhum plano preestabelecido e não possuem nenhum tipo de limitação de como devem ser dispostos pela cidade. os difusores e os urbanistas.

Função criadora. Nesta evocação traz uma série de conotações que constituem um campo estético ao seu campo semântico. contraste e intensidade. Função estética. o cartaz é como poesia sugere mais do que diz. que se desolvessem os cartazes. “A grande regra de todas as regras para comunicar é a de agradar. Abraham Moles afirma. se acabassem de existir no meio urbano e se reduzissem a uma mera pasta de papéis. 61 . palavras. evoca imagens memorizadas. que o cartaz continua a ser um campo de exigências criadoras.” (Nicolas Boileau) Moles diz que agradar seria ter um valor estético que fica por conta das composições do artista. segundo Moles. imagens. Ele supõe em última instância. Moles diz também que a função artística do cartaz é um dos domínios reservados. a que os torna objeto de coleção e cultura cumulativa. ultrapassar a significação e ser criativo utilizando a mesma. o que já vem acontecendo no mercado artístico dos dias atuais. onde se constrói uma cultura nova da ação e reação. pois oferece para a sociedade atual um campo profissional de criadores artísticos. ou seja. ainda restaria um interesse e uma função social: a da criação absoluta. formas. Trabalhando bem cores.

.

A caligrafia deste cartaz representa uma caligrafia específica utilizada nas escolas para alfabetização.Capítulo 6 Cartaz de autor desconhecido. Suas características arredondadas. que aconteceu em 1982 no MASP. pois ela foi desenhada com giz. pois as ascendentes tem praticamente a mesma medida da altura “x” e é uma escrita desenhada de forma lenta. suas proporções são bem definidas. assim como a textura criada na caligrafia. traços verticais. Imagem fornecida pelo MASP Cartazes caligráficos Este primeiro cartaz. ductus compostos sem que o instrumento saia da superfície. Este alinhamento quase inexistente com relação ao texto “a b c do click!” nos lembra mais uma vez. O fundo verde como um quadro “negro”. 63 . nos transmite a ideia de algo escolar e é de fato uma exposição de obras feitas por alunos. Essas características nos remetem a escrita infantil. divulgando a exposição dos trabalhos fotográficos dos alunos da fundação de Bauru. nos lembra a caligrafia escolar. uma certa “ingenuidade infantil”. o uso de letras minúsculas que remetem a uma certa frafilidade.

O cartaz divulga uma exposição de desenhos de Arlindo Daibert. O artista gráfico se utiliza de um desenho
do próprio Daibert para representar sua exposição. O
que gostaria de ressaltar aqui
é o uso da caligrafia como
uma textura e não como um
“desenho” ou como um texto
para ser lido.
O artista se utiliza de
uma escrita cursiva humanista, muito veloz e pendente,
variando de cor e posicionada quase que de maneira
aleatória, isso transforma a
escrita em textura de fundo
para o desenho das araras se
ressaltarem em primeiro plano.

64

Cartaz de autor desconhecido, Imagem
fornecida pelo MASP

Cartaz de autor desconhecido, Imagem fornecida pelo MASP

O cartaz imprime uma
semântica muito interessante.
Temos aqui duas escritas
completamente diferentes;
a primeira que nos lembra
diretamente o gesto, o intuitivo, a criação sem regras,
com seu desenho feito a mão
livre. A segunda que é uma
letra monumental, solene e
elegante, nos remete a algo
mais formatado que segue
grandes regras, obedecendo
proporções e espaçamentos
os quais seriam impossíveis
de se conseguir sem ajuda de
instrumentos.

Isto nos diz claramente
que a exposição trata de arquitetos que são representados pela própria tiprografia
“arquitetos” que fazem trabalhos artísticos que estão sendo representados pela tipografia “artistas”.

O cartaz de artista
desconhecido, traz sobreposto à ilustração a escrita “Festival 79 da música popular” em
uma caligrafia em maiúscula,
na qual a espessura não varia.
A escrita é pendente e a mancha gráfica é inclinada para a
esquerda, o que causa uma
leitura fluida e descontraída.

Cartaz de autor desconhecido, Catálogo A cultura do cartaz, 2008

66

Temos três inclinações importantes aqui: a da linha Acima o primeiro cartaz a ser analizado cujo desenho foi feito diretamente no “produto final”. Podemos perceber que o calígrafo se utilizou de muita técnica. Este cartaz de divulgação cultural é de uma exposição fotográfica que faz uso de uma caligrafia muito bem trabalhada. a”. a de inclinação da estrutura da letra que indica uma certa velocidade na escrita e por último a inclinação do instrumento utilizado que varia muito. pois há uma torção no instrumento para criar as serifas e algumas terminações. nota-se pelas variações de espessuras criadas pelo calígrafo. Imagem fornecida pelo MASP .Cartaz de autor desconhecido. f. 67 Cartaz de autor desconhecido. Percebemos que as ligaturas tem um ângulo de 45º e em alguns momentos o instrumento gira de tal forma que o ângulo se torna de 90º como vemos nas letra “G. ou seja. o cartaz foi desenhado a mão. e. Imagem fornecida pelo MASP de base que se inclina em um ângulo mais fechado. pode-se reparar sua incrível regularidade não só em seus caracteres mas também na textura aplicada pelo instrumento utilizado para o desenho.

1969” tem características da escrita chanceleresca. ela é pesada. sem ascendentes e descendentes. nos remete muito a escrita monumental de Roma. O segundo texto “san Francisco museum of art – oct. pois é uma escrita levemente pendente que sugere uma escrita mais informal e rápida. Podemos reparar também suas proporções e estruturas bem definidas.68 Essa caligrafia utilizada neste cartaz é mais formal. quase que tipográfica apesar de ter sido desenhada a mão pois tem uma regularidade muito boa. sem angulação. Imagem fornecida pelo MASP No primeiro texto onde diz “geral walburg / loop series 1965 – 70” vemos uma escrita mais padronizada. Com uma estrutura quase sempre quadrada com pequenas variações de letra para letra. com uma forma vertical. como o “s. Podemos perceber que o ângulo de 45º do instrumento é fixo e o que se movimenta é a mão. O ângulo do instrumento utilizado é bem fechado e não é uma escrita rápida. e o instrumento também tem um ângulo mais aberto de quase 45º. Cartaz de autor desconhecido.18 – nov. sem angulação e lenta. apesar do artista também fazer uso de letras minúsculas. .30. com curvas sinuosas e variações de espessuras e ao mesmo tempo um ar informal como o texto. t” que possuem uma estrutura mais alta que larga. Estas duas escritas provavelmente foram escolhidas pelo fato de conversarem bem com as formas criadas pelo artista expositor.

Os ductos são desenhados de cima para baixo e da esquerda para a direita e há uma leve torção do instrumento em algumas terminações. O artista gráfico faz uma referência a escrita semi-uncial. Gustavo Rosa. Imagem fornecida pelo MASP . Percebemos a relação entre a escrita e o desenho do artista expositor. 69 Cartaz de autor desconhecido. A escrita semi-uncial. ou seja. sua estrutura tem uma relação vertical. sendo assim uma escrita de peso. nas junções dos ductos formam belas curvas e variações de espessura. Há também uma escrita itálica sendo utilizada em “conversa” com a semi-uncial. Escrita pendente. tem sua altura um pouco maior que a largura. como a meia lua do “e” e o pé do “s”. III e IV. maior que o da semi-uncial. Cartaz de divulgação da exposição de Wesley Duke Lee. mais rápida e com um ângulo de inclinação do instrumento oblíquo. Temos aqui uma escrita lenta. com ângulos retos e curvos assim como a caligrafia utilizada. como foi citado no capítulo “Escrita Romana”. porém. 1964. Desenhada com um instrumento de ponta chata. Suas terminações formam ângulos retos. cria grandes variações de espessura. como a utilizada no cartaz. altura maior que largura. que surgiu por volta dos séc.

reconhecemos a letra por essa textura aplicada com quebras abruptas dos ductus . Imagem fornecida pelo MASP 70 . Cartaz de autor desconhecido. mas possui sim um ângulo no instrumento para o desenho em geral de 45º com poucas variações.como alfabeto gótico . essa refêrencia gótica escreve seu nome.pode-se observar que suas proporções são estreitas e altas com grande variações de espessura e não possuem um ângulo na escrita. às vezes oblíquo e às vezes obtuso. Esse é mais um cartaz que foi feito inteiro a mão e não por meios impressos. Os textos seguintes são textos que já copiam a tipografia moderna. Hans Staden foi um aventureiro alemão que participou de combates nas Américas durante o séc. O artista gráfico utilizou uma letra gótica estilizada para apresentar o artista Hans Staden. XVI por esse motivo. sendo vertical e lenta.

Sua caligrafia é rápida. alta e muito veloz.Cartaz de autor desconhecido. A tipografia utilizada no texto “imagens e bandeiras” tem sua estrutura baseada na escrita humanista itálica com uma leve inclinação e afirma variáveis utilizadas na caligrafia como o bojo do “e” alongado. Imagem fornecida pelo MASP mais gestual e menos formal. A assinatura do artista logo abaixo mostra algo Observamos neste cartaz uma assinatura do artista expositor. Scavone. Neste cartaz podemos perceber que de fato a caligrafia é matriarca da tipografia. Imagem fornecida pelo MASP Cartaz de autor desconhecido. Percebe-se isso através das falhas causadas pelo instrumento utilizado com velocidade. como prova seus ductus são falhos e há uma certa pressão maior no começo e na terminação dos 71 .

Wesley. não há variação do mesmo. Wesley Duke Lee (1977). Imagem fornecida pelo MASP “O mundo é uma vasta experiência que ainda não atingiu seu objetivo” é o que diz o texto escrito no cartaz de divulgação da exposição de Wesley Duke Lee. Wesley nessa peça . com uma leve inclinação. quase nulo. D e N”. 1974. notase isso principalmente nas letras “O. . Assim como a idéia que ele passa de uma expêriencia que não atingiu objetivo. hora inclinada hora não. assim como a do instrumento utilizado que forma um ângulo fechado. Essa caligrafia tem como característica ductus incompletos.que o artista gráfico utilizou para a divulgação da exposiçao . ordem e direção. Mesmo transgredindo regras de proporção. Ele. velocidade. principalmente durante a década de 70. claramente ele consegue uma unidade entre as letras.mesmos. estrutura. variações de alturas e larguras.cria uma escrita confusa e de difícil entendimento à primeira vista. foi um artista plástico que se utilizou bastante d a c a ligrafia em suas obras. Wesley conseguiu com um pincel algumas variações de espessura interesantes. É de pouco peso. J.

Utiliza-se da caligrafia e ilustração de Di Cavalcanti que idealizou. A cor preta dá um tom de seriedade ao mesmo tempo que o vermelho inflama o desejo de revolução que artistas. tentando fugir dos padrões conservadores europeus e iniciando o movimento modernista no Brasil. O cartaz elaborado pelo Banco Novo Mundo é uma homenagem a Semana de Arte Moderna de 1922. introduz uma foto da cidade de São Paulo (palco e cenário da inovadora e polêmica semana). ideais e conceitos desprovidos de regras. intelectuais e literários almejavam. A caligrafia de Di Cavalcanti reforça o desejo da renovação de linguagem. o Centro das Artes do respectivo banco. Imagem fornecida pelo MASP 73 . a busca pela experimentação e a liberdade criadora que o movimento propunha. Banco Novo Mundo. organizou e criou peças promocionais ao caloroso evento. Complementando o já existente cartaz de Di Cavalcanti. A ilustração de uma árvore com frutos remete a disseminação de idéias.

assim como as palavras “LEADER” e “FOLLOWER” com uma caligrafia mais clássica e monumental. “você tem a força para ser um líder e não um seguidor”. Imagem retirada do portifólio virtual do artista . pois a humanista era desenhada com um ângulo de 30º. logo. de 45º. que o obsevador possui para ser um líder. Esta é uma letra alta. A caligrafia é condensada. Temos aqui um cartaz mais recente. O desenho do “y” super poderoso e com traços bem trabalhados onde transmite a “força”. seu peso aumenta. Para passar esta mensagem ele usa uma caligrafia com referências a letra humanista. criado pelo artista gráfico e calígrafo Luca Barcellona. Luca Bareloona. assim como suas proporções de altura e largura. porém com um ângulo mais oblíquo.

As ligaduras dos traços. quando o calígrafo levanta a pena do papel. é o que diz o cartaz. percebemos “encaixes” afastados como no “L” que a perna não toca a haste da letra assim como como as serifas das letras “r. “Talvez nossa viagem demore um pouco mais”. n”. Luca faz o uso de uma letra itálica com muitos floreios e variações de espessura e torções da pena. Luca Bareloona. Com esta caligrafia fluida e de traços “eternos” ele passa a idéia de algo longínquo e duradouro como o próprio dizer. Podemos observar também que ele faz algumas ligaduras interresantes como o pingo do “I” que completa com a orelha do “g”. Imagem retirada do portifólio virtual do artista . Mais um cartaz do artista Luca Barcellona. o ângulo da pena é muito variável por isso ele consegue uma fluidez maior. ou seja.

porém com dificuldade. O convite de exposição de Wesley Duke Lee é composto a partir de um trabalho caligráfico. consegue-se uma unidade entre as letras. 76 Cartaz. ele intuitivamente foge as regras da caligrafia e une letras maiúsculas com minúsculas que variam letra por letra de proporção. A palavra “amores” é lida. Apesar de desrespeitar princípios básicos. Imagem fornecida pelo MASP . Wesley Duke Lee. resultante de uma interferência gráfica (respingos). O artista segue um viés mais livre.

A caligrafia do cartaz de
música francesa de Ricardo
Ohtake destaca a palavra
“música”. A escrita em letra
cursiva possui uma padronização da proporção e do
próprio desenho entre as letras da palavra. É uma escrita
inclinada e desenhada de maneira rápida o que indica uma
letra informal.

Cartaz, Ricardo Ohtake (1969), Catálogo A cultura do cartaz, 2008

77

Cáp. 7

Artistas influentes

79

Rússia. artista nascido em Brasília e criado no Rio de Janeiro se formou em Fotografia na Escola de Artes Visuais de Nova Iorque e se especializou em tipografia pela Royal Academy of Art (Holanda). Atualmente é professor e designer em Roterdan (Holanda). . Yomar Augusto. Desde 2002 organiza oficinas de caligrafia experimentais no Brasil. Portugal e Holanda.

Imagens do portifólio virtual do próprio artista .

tem seu estúdio em Milão onde trabalha como designer gráfico. Dolce & Gabana e Universal. Luca Barcellona. . Já em 2009 trabalhou para o Museu Nacional de Zurich com o calígrafo Klaus Petre Schdefel para a realização de um trabalho de caligrafia com pena e tinta natural. Grandes marcas já o solicitaram para o uso de seus leterings. calígrafo e é professor da Associação de Caligrafia Italiana. escrita e ilustração. mas também faz workshops por várias cidades européias. Em 2003 fundou com Rae Martini e Marco Klefisch a Rebel Ink. como Nike. onde ele deu vida a exibição de caligrafia.

Imagens do portifólio virtual do próprio artista .

foi diretor artístico da BBDO e hoje assina como Unruly (uma linha de lenços de seda estilo graffiti). diretor de arte e type designer. Niels Meulman abriu sua própria empresa. Aos 18 anos. Suas obras estão em coleções permanentes e agora o artista voltou a sua essência. . Meulman dedica-se a integrar o seu background graffiteiro ao seu lado tipógrafo. Através do grafite chega à caligrafia. calígrafo. o caligraffiti. atuando no mercado holandês como artista plástico. designer gráfico.

Imagens do portifólio virtual do próprio artista .

10 anos depois recebe o prêmio de melhor artista gráfico pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). artista plástico e ilustrador. . foi artista gráfico. Hellmeister conseguiu seu primeiro emprego: Foi contratado pela extinta TV Excelsior para criar os letreiros que a emissora exibia no ar. falecido em 2008. Em 1963 fez sua primeira mostra de colagens. Do serviço na TV Excelsior nasceu a paixão de Hellmeister pela tipografia. Tide Hellmeister. fazendo uso frequente dela em suas famosas colagens. Com apenas 17 anos. feitos então a mão.

Imagens do site da revista ideafixa .

XX. Zapf é apaixonado pela caligrafia tradicional: sua fonte sem serifa. estudou a caligrafia antiga e a trouxe para os tempos modernos do séc. onde. Hermann Zapf. criou suas primeiras fontes. Aprendeu sozinho caligrafia e lettering e mudou-se para Frankfurt. tipografia conhecida digitalmente nos dias de hoje. na década de 70 que foi lançada nos anos 2000 pela Linotype. Optima. Carlos Horcades . tipógrafo e designer de fontes é o maior calígrafo vivo. Desenhou a Zapfino. não foi feita com réguas e esquadros. que é a representação fiel de seu desenho. para notação musical. Alfabeto “Zapfino” desenhado por Hermann Zapf A evolução da escrita. calígrafo. mas com pena e pincel. trabalhando numa gráfica.

Biblioteca Pública .Capa de livro desenhada por Hermann Zapf San Franciso.

Andrea Branco. fez a revisão técnica da edição brasileira do livro A Arte da Caligrafia. de David Harris. calígrafa profissional há 22 anos e é atuante no mercado brasileiro. . tem seu ateliê montado em São Paulo onde ministra oficinas diversas sobre caligrafia. Em 2009.

Imagens do portifólio virtual da próprio artista .

.

da caligrafia e suas curiosidades. pois minha intenção é encontrar um fator comum entre cada um dos cartazes. de modo a serem identificados num conjunto e não como uma seqüência na qual um sucede ao outro. 8 O projeto O projeto em si é uma família de cartazes caligráficos. Escolhi fazer uma família e não um seqüencial de cartazes.Cáp. Partindo dessas premissas de técnicas e conceitos históricos da caligrafia como expressão humana e o cartaz como suporte. 93 . sigo em busca de uma divulgação da escrita. através de uma linguagem poética e graficamente expressiva.

94 .

como já citado no cap. tornou-se tudo digital ou impresso por meio de tipos móveis e tantos outros processos. Diante de uma arte considerada esquecida e pela escassez de trabalhos sobre o assunto e grande dificuldade de achar matérias relacionadas a caligrafia e o cartaz proponho uma divulgação da escrita gestual. o significante e o significado o visto transforma o lido e vice-versa. tem uma tradição comum transmitida através de gerações .1 O conceito Conceituo a importância da escrita como expressão humana na história da humanidade. pois uma das maiores descobertas do homem. percorrendo por todos seus caminhos como: cor.Cáp. os quais. se não a maior. espessura.3. Pois com a tecnologia que possuímos hoje para nos amparar. Na filosofia se define cultura como rituais de grupos. pois os primeiros tipos impressos por Gutenberg consistiam em reproduções da escrita gestual.1. velocidade. A expressão humana das inscrições rupestres e até as das composições mais modernas mostradas aqui mesmo neste trabalho apresentam diversos fatores e características comuns e não comuns. mas devemos tudo isso a caligrafia. A caligrafia é considerada por muitos. composição. ângulo de inclinação. 8. a caligrafia esta sempre em transição entre o território dos códigos verbais e códigos visuais. Com o objetivo de transmitir ao 95 . foi e é a escrita. entre outros.a escrita é fundamental para que essa produção de cultura exista. uma arte esquecida.

com um caráter didático levar ao interessado a informação e a importância da história da escrita e o resgate da vasta arte caligráfica. 96 .público uma reflexão sobre a caligrafia.

2 Justificativa O cartaz é um meio de comunicação não muito utilizado no Brasil por falta de apoio e estrutura. Assim busco uma revitalização da linguagem do cartaz e incentivo ao seu uso.Cáp. sujeita a subjetividade e a expressão do calígrafo independente do texto ou do padrão utilizado. mas também como recurso gráfico e esteticamente belo. 8. sempre há uma particularidade a ser demonstrada. algo implícito além do próprio texto escrito. Sigo em busca de aplicar suas técnicas clássicas em uma releitura moderna e experimental. 97 . mesmo sendo um recurso super rico não só para escrita funcionalmente falando. Já a caligrafia aparece como uma técnica de escrita antiga “esquecida” e não muito utilizada atualmente. A escolha da caligrafia foi pelo fato de ser uma escrita gestual e totalmente humanizada.

98 .

pessoas interessadas em cultura. pois lá está o público alvo. utilizados de maneira experimental. 99 .Cáp. que tenham uma curiosidade na história da evolução da escrita e que estejam mais abertos a reflexões sobre o “gesto” da escrita.3 Público alvo Os Cartazes desenvolvidos tem como propósito serem expostos em centros culturais. 8.

100 .

2.3).3. Na busca de um fator comum entre essa variedade de alfabetos.Cáp.) A itálica. texturas e composições com alfabetos pré-postos acima. concluo que a hitória da escrita se deu por um processo evolutivo. é considerada a escrita mais antiga de livros cristãos e documentais (Cap. até que a mesma perdia seus padrões. se desenvolviam caligrafias com padrões rígidos e específicos a serem seguidos.3). 101 . seguindo outros padrões de desenho. primeiro impresso em placa de cobre no séc. o qual. Caligrafia de boa legibilidade.1. As belas carolíngias. caligrafia informal (Cap. Diante disto decido trabalhar com A uncial. XIV com caráter cursivo e informal (Cap. que tem como registro padrões bem definidos. de uso documental.2. se tornando uma nova caligrafia.6). Com o objetivo de transmitir a expressividade do gesto humano foram feitos vários estudos de materiais. 9 Desenvolvimento Após a pesquisa feita percebi que era nescessário um recorte. pois passava a ser também de uso cotidiano. com um caráter cursivo propicia a floreios e adornos. suportes. A chanceleresca. que prova a evolução da escrita como um marco na transição da escrita documental para a escrita cotidiana (Cap. A copperplate. pois a caligrafia aparece com muitas variações e inúmeros alfabetos. cores. em transição da escrita documental para a escrita corrente (Cap.2.1.1.2.) A gótica que se espalhou pela europa com muitas variações se tornando uma escrita corrente (Cap.1).

102

Cor

Cáp. 9.1

A cor neste projeto foi
fundamental para padronização dos cartazes, pois como
dito os cartazes devem ser reconhecidos de maneira a formar uma família, de maneira
a serem reconhecidos como
um conjunto de cartazes.
A escolha pelo preto de
fundo em contraste com
o branco e a cor vermelha
para auxiliar, dando suporte
ao contraste maior (em destaque), branco/preto. O vermelho foi escolhido sendo a
cor mais quente do espectro,
vibrante e passa a sensação do
gesto da emoção, fator fundamental para a concepção
desses cartazes. O preto traz
elegância e valor ao projeto e
serve de suporte para o destaque, branco.

C: 0%
M: 0%
Y: 0%
K: 0%

R: 0%
G: 0%
B: 0%

C: 0%
M: 0%
Y: 0%
K: 100%

R: 100%
G: 100 %
B: 100%

C: 25%
M: 100%
Y: 90%
K: 20%

R: 160%
G: 30%
B: 41%

103

104

2 Tipografia A tipografia usada com intuito de leitura é a helvética. com otima legibilidade. 9.Cáp. tipografia sem serifa. moderna. pois o objetivo é que o texto seja de fácil leitura e que não interfira na composição caligráfica. Helvética Regular ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVXYZ abcdefghijklmnopqrstuvxyz 1234567890 105 .

106 .

250g/m2. 2x0 cores Refile Tiragem: 600 cartazes 107 .Impressão Cáp. Fabricante. VSP papéis. 9.3 Formato: 64cm x 94cm Suportes: Impressão serigráfica em Papel markatto stile nero.

108 .

os alfabetos formais vão se degenerando em formas mais cursivas. corpo tipográfico 15pt. ou seja. Com isso a escrita passa a ser pendente. 9. Titulo: nome do alfabeto utilizado na composição O alfabeto itálico surge com o uso de escritas formais em escritas correntes.Cáp. Texto: caráter curioso sobre o alfabeto utilizado.4 Estrutura padrão Para padronização dos títulos e textos inseridos. pela popularização da escrita. com letras unidas ganhando assim maior velocidade. 109 .

110 .

5 Layouts Composição do cartaz com o alfabeto uncial. há uma adaptação na escrita. O pergamilho se torna passivel a inclinação e o ângulo da pena passa a ser mais fechado com relação a linha de base. Quando o suporte da escrita muda durante o séc. 111 .Cáp. Assim surge o alfabeto uncial. Desenho original: Texto do cartaz uncial. 9. IV do papiro (rolo) para o pergaminho (folha solta).

Assim surge o alfabeto uncial. IV do papiro (rolo) para o pergaminho (folha solta). há uma adaptação na escrita.Arte final. . O pergamilho se torna passivel a inclinação e o ângulo da pena passa a ser mais fechado com relação a linha de base. 112 Quando o suporte da escrita muda durante o séc.

Como a composição deste cartaz em específico resultou no nome do alfabeto de forma legível. nao se faz nescessário a repetição do mesmo. Desenho original: Texto do cartaz sobre a carolíngia. 113 .Composição do cartaz com o alfabeto Carolíngio.

114 No séc. Assim surge a escrita carolíngia. VIII o iperador de Roma encomenda a escribas uma escrita para ser oficial de seu reinado. Com um intuito de dar estatus ao seu império e uma unica interpretação da biblia.Arte final. .

. Desenho original: Texto do cartaz gótico.Composição do cartaz com o alfabeto gótico.

surge o alfabeto gótico. XII. 116 Na França durante o séc. perdendo largura e com caracteristicas bem marcantes. a produção de livros crecia para suprir as universidades. Assim se desenvolve uma escrita que tem como objetivo a economia de papel.Arte final. .

ou seja. os alfabetos formais vão se degenerando em formas mais cursivas. com letras unidas ganhando assim maior velocidade. Desenho original: Texto do cartaz itálico. O alfabeto itálico surge com o uso de escritas formais em escritas correntes. pela popularização da escrita. Com isso a escrita passa a ser pendente. 117 .Composição do cartaz com o alfabeto itálico.

ou seja.Arte final. 118 O alfabeto itálico surge com o uso de escritas formais em escritas correntes. . os alfabetos formais vão se degenerando em formas mais cursivas. com letras unidas ganhando assim maior velocidade. Com isso a escrita passa a ser pendente. pela popularização da escrita.

XV. Desenho original: Texto do cartaz chanceleresco.Composição do cartaz com o alfabeto chanceleresco. possui este nome. Surge no séc. pois durante muito tempo foi de uso exclusivo da chancelaria do vaticano .

possui este nome. 120 Surge no séc. XV. pois durante muito tempo foi de uso exclusivo da chancelaria do vaticano .Arte final.

Desenho original: Texto do cartaz copperplate. .Composição do cartaz com o alfabeto copperplate.

Arte final.placa de cobre. . XIV um manual caligráfico foi impresso a partir de uma place de cobre. 122 No séc. esta escrita desenvolvida para este método de impressão é a copperplate .

porém. do cartaz e de referências. Para completar tive a oportunidade única de entrevistar artistas os quais admiro muito pela grandiosidade de seus trabalhos. como sebos no centro de São Paulo.Considerações finais Após esta pesquisa aprofundada da história da escrita. Consegui colocar os fatores mais importantes tanto da história da caligrafia quanto de como ela vem sendo utilizada e os principais artistas atuantes. sair para campo em busca de materiais como referências e os achar em lugares inusitados.vem retomando seu espaço durante os últimos 30 anos. como a Andréa Branco. revistas e catálogos a respeito da caligrafia e do cartaz. percebo a importância que a escrita teve e tem na sociedade. Assim como o cartaz uma mídia quase que esquecida no Brasil . Foi uma ótima pesquisa de se fazer. com um ótimo conteúdo. com uma linguagem que se diferencia das tradicionais de outros países onde já existe essa cultura enraizada. Descobri acervos de cartazes desorganizados. como o do MASP. 123 . o Cláudio Gil e o Paulo Moretto. Sem contar na parte da leitura. que foi uma busca por livros.

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Charles.com 125 . 2006 MOLLES.com MEGGS. Almanaque tipográfico brasileiro.br Portifólio Andréa Branco flickr. Perspectiva.org Enciclopédia Itaú Cultural itaucultural. O cartaz. Catálogo da exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. História concisa da escrita. Cosac Naify. Carlos M. Rio de Janeiro: Senac Rio. São Paulo: Cosac Naify.com Portifólio Niels Meulman nielsshoemeulman. Portifólio Luca Barcellona lucabarcellona. 2009 HIGOUNET. O design gráfico brasileiro: anos 60. Manuais de desenho da escrita.com/andreabranco Revista Idéia Fixa ideafixa. de 29 de abril a 8 de junho de 2008.Referências Livros: BOMENY. São Paulo: Ambientes & Costumes Editora. Carlos M. 1974 Sites: Biblioteca Pública de São Francisco sfpl. 2008 Melo. 2009 Portifólio Yomar Augusto yomaraugusto. São Paulo: Ateliê Editorial. São Paulo: Ateliê Editorial. Abraham. A arte da caligrafia. Philip. São Paulo. A cultura do cartaz. São Paulo: Parábola.com Instituto Tomie Ohtake. 2003 HORCADES. David. Maria Helena. 2010 HARRIS. Chico Homem de.org. A evolução da escrita. 2007 HORCADES. História do design gráfico.