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Capítulo 3

LIMITE E CONTINUIDADE

3.1 Limites
O desenvolvimento teórico de grande parte do Cálculo foi feito utilizando a noção de limite.
Por exemplo, as definições de derivada e de integral definida, independente de seu significado
geométrico ou físico, são estabelecidas usando limites.

função 

Inicialmente desenvolveremos a idéia intuitiva de limite, estudando o comportamento de uma
nas proximidades de um ponto que não pertence, necessariamente, ao seu
domínio. Por exemplo, seja

 
         
É claro que   !" #%$& ' . Estudaremos a função nos valores de  que ficam próximos de
 , mas sem atingir  . Para todo (   !" temos que 
) * . Vamos construir uma
tabela de valores de  aproximando-se de  , pela esquerda (+  ) e pela direita (,- ) e os
correspondentes valores de . :

/+0 
<,0 .
1  2
1 32  54 6=76
1 54 7
 6  3
 2 6
1 38 39 
1 3: 3
 8   1  : >
>  76
1 3:;: 3
 ;
: 8   1;1 : >  1   88
1 3:;:;: 3
 ;
: ;
: 8   1;1;1 : >  1;1  8
1 3:;:;:;8  1; 1;1;1;1;1;1;11 : > 1;1;1  8
1 3:;3:;:;:;:;:;:;::  1; 1;1;1;1;1 : ;
1  ;
1 1;1  8
1 3:;:;:;:;:;: 3:;3:;:;:;:;:;:;:;:;88  >
: > 18
;
1  ;
1 ;
1 ;
1
Observando as tabelas, podemos verificar que: “à medida que  vai se aproximando de  , os
valores de . vão aproximando-se de > ”. A noção de proximidade pode ficar mais precisa
utilizando valor absoluto. De fato, a distância entre dois pontos quaisquer @?=A(A# é B C% B .
Assim a frase escrita entre aspas, pode ser expressa por: se B D B aproxima-se de zero, então

99
100 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

B 
 > B tambémse aproxima de zero; em outras palavras: para que B . " > B seja 
 
 .
 quando 
pequeno é
necessário que B B também seja pequeno. O número > é chamado limite de
está próximo de  . No exemplo, temos B .  > B  B    B ; logo, a distância de 
a > é igual
a duas vezes a distância de  a  . É claro que quando  aproxima-se de  , B D B aproxima-se
de zero e consequentemente B 
 > B também aproxima-se de zero. Mais ainda, poderemos
tornar 
tão perto de > quanto desejarmos, bastando para tal considerar  suficientemente
1
próximo de  . Por exemplo, se desejarmos que B 
 > B seja igual a ? , basta considerar
1 1 1
B   B  ?  ; agora, se desejarmos que B 
 > B + ? , basta considerar B   B + 1 ? 1  .
De um modo geral, considerando qualquer número real positivo  (letra grega  epsilon), tão
  
pequeno quanto se deseje e definindo o número real (letra grega delta),

 
 .
   
a > é menor que , desde que a distância de a seja menor que . Então

, teremos que


para todo número real positivo  existe outro número real positivo , que depende de  , tal que
a distância de
1  
se + B D B + , então B 
 > B  B D B +   . Note que todos os intervalos abertos
que contém  intersectam # $& ' de forma não vazia.

Figura 3.1:
 # (#

Definição 3.1. Sejam



0
 

 , 1$ '
 
  
uma função e
 , 1   

tais que para todo intervalo aberto , contendo
 1
, tem-se . O número real é o limite de

quando aproxima-se de quando
 ( + B D ;B + 
B 
 )B + 
para todo número , existe ( dependendo de ), tal que, se e então
 
  

. A notação é:

1
A definição é equivalente a dizer:
Para todo  , , existe ,
 1 tal que se <(    ?      $ ' , então . A(     ?    .

L+ε

L- ε

b- δ b b δ

Figura 3.2:
3.1. LIMITES 101

Exemplo 3.1.  


Verifique que     9 .
1
Pela definição temos que, dado  , , devemos obter um ,
 1 tal que se 1 + B  6 B +  então
B    9 B +  . Mas B  0 9 B  B   6 B B D 6 B e desejamos que este produto fiquemenor  que
para suficientemente próximo de 6 . Intuitivamente, se está próximo de 6 , B 6 B estará
próximo de 8 e B   6 B ficará próximo de zero. Logo B   6 B B   6 B ficará próximo de zero; estamos,
pois em condições de tornar B .  9 B +  desde que  fique suficientemente próximo de 6 . A
primeira coisa a fazer é limitar o fator B C 6 B . Há várias maneiras de fazer isto. Por exemplo,
se > +  + 2 , teremos   +  6 +0 ou B  6 B +0 ; logo, B   6 B  B   6  8 B
 B  B  +
1 
e B   6 B B C 6 B + : B  6 B . Portanto, dado  , , considerando o menor entre os números  e
6 8 :
 , teremos que, se 1 + B  6 B +  , então B .  9 B +  . É recomendável fazer uma tabela, como
no exemplo anterior.
Observe que o limite de uma função  . num ponto , depende apenas dos valores que 
assume nas proximidades de , ou seja, num pequeno intervalo aberto de centro .
 
   

Proposição 3.1. Unicidade do limite Se     e    ; (  ?  (# ), então
    
Em outras palavras se o limite existe (é um número real), ele é único. Para a prova veja o
apêndice.

e  
são tais que .   . exceto num ponto , então:
Corolário 3.1. Se as funções
 
  
?
   
desde que exista um dos limites.

Esta propriedade nos permite "simplificar"antes de calcular o limite, como no primeiro exem-
plo.

Exemplo 3.2.

 .      e  


    .
[1] Sejam
 
  

Logo, 
 


 
 
 .

 se 
    ; então,      , como já foi verificado.
  
[2] 
     não existe.
  
Se 
     existisse, então para valores de  muito muito próximos de zero, a função    
deveria se aproximar de um valor fixo, que seria o limite. Mas isto não ocorre. De fato, consi-
      (# , ( ( ),  ficará próximo de zero se  for muito grande. Mas,
derendo

        C           ?
 

      
   

102 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

e a função ficará oscilando entre (se  é par) e   (se  é ímpar). Logo, o limite de  não pode
existir.
1.0

0.5

-3 -2 -1 1 2 3

-0.5

-1.0

Figura 3.3: Gráfico de     .


[3] Se  ? ?  (# , então:
       
   
De fato, devemos verificar que, para todo número  ,
1 , existe outro número  , 1 , tal que:

B           B 1+  se B  1  B +  Mas,1 B        B  B  B B D  B ; logo basta
tomar    ,
B  B , se  . Se    , todo serve. logo, por exemplo:
  8  >  8  6  >  > 2 
[4] Seja

.     2 se   
  
  
se

Calcule   .
  
 , mas o valor do limite da função quando  
Observemos que
 .   2     tende a não depende
do valor da função no ponto , pois se
  
    
; logo:

 .   .   2 9 


Proposição 3.2. Se  e   , existem, então para todo  ? (# :
  . .  .    . .  
  

1.  
      
  
.     
  . 
2.  


 
   
 .
  
      .   1
3.   

     . , se     
3.1. LIMITES 103
  
4. 

 



  
  
 , se  ( .

        
  .  1 
5.   
 


 /
  , se  e  é qualquer natural, ou  . positivo,
negativo ou nulo e  é um natural ímpar.
    1
6.    

 
 .
  
  
 
 
 .

 ? se  . ,
   
   
    
  e existe , 1 tal que .  .   
, para 1 + B 
B + ,
7. Se  
 .
   
então   .
Provas no apêndice.
Segue diretamente da proposição 10.3:
(a) Se .    
 

é uma função polinomial, então:

 
 .
(b) Se 
  
é uma função racional e
(   !" , então:
  
 
=
 
Exemplo 3.3.

            


Calcule os seguintes limites:

[1]     > . Neste caso .   %    %  >  ; logo:

  
   
              >   
    :
       1   1
2 4 , podemos
[2] 
    4 . Como    
aplicar a proposição 10.3; então,

     2   


     2 4     4  1 

      A  1
[3]    . Como   , não podemos aplicar a proposição 10.3; mas fatorando o
numerador:
    
      ?
 
para todo     . Logo:
         
       
104 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

[4] Determine o valor de


tal que
   
 

 >  %  >
exista.
Note que   A  /
   . Dividindo > 

<
 > por < ; obtemos,
>ter
 
  ; logo,

 >   
 >  
 9    2 
= ; logo, para que a divisão seja exata devemos
2 >  

 >  >   2   9  >  
  > :
  
 
      >   
 >    > >   
      
[5] 

     1 .
Como 
, não podemos aplicar diretamente a proposição 10.3; mas racionalizando o
numerador:  
                 . Logo:
     
           
  
     


0.75

0.5

0.25

.      
-1 1 2 3 4

Figura 3.4: Gráfico de


 , perto da origem.
       
[6]        .

Para calcular este limite façamos a mudança de variáveis    ; então:


       
    
   " 


         


   
 .  
Se    , então    ; logo:
        
     .   2
          " 
 
6
       1
[7] 
     .
3.1. LIMITES 105

              todo  1 ( #  $ 1 ' ; logo         


 , para   , para todo
/( #  $ 1 ' . Como 

De fato,
 
    ; pela proposição 10.3, temos:
    1

        

0.01

-0.2 -0.1 0.1 0.2

-0.01

Figura 3.5: Gráfico de 


 
      , perto da origem.

 
 .
 
 


   
 1
uma função tal que B

B ; então,
[8] Seja
  
  1 . 
De fato. Pela proposição 10.3, ítem 7, temos:  B B , o que implica,  
 1 .
    
 

( #
[9] Verifique que  
  , .
Se  (
 
, então:     
 
  
     
  ,   
; denotando por .     

        
 , temos:

    
    
 

 
  
   
1
Se  ( e  + , fazendo     ?  ( , temos:
  
             
 






pelo caso anterior, temos:


    
   
  
 
  

  
( 
; ? (  ?   1 . Fazendo   e
 , então    e
  ; logo:

Se   , 
  
      
 
  
do segundo caso:
    
     
  
   




  
 
106 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

3.2 Limites Laterais



Sejam uma função definida em um domínio  (que pode ser um intervalo ou uma reunião
de intervalos).

Definição 3.2.

(# (# 
?   ! " 1
  é o limite à direita de 
,
1. Seja

tal que existem

e
 ,
. O número real
 1
, tal que B .  )B +  , se

+ <+
 
quando se aproxima de pela direita se para todo
. Notação:
, existe

 

   
2. Seja
(# tal que existem  ( # e   ?
=   !" . O número real1  é o limite

 
 .
 
 ,  , 1 tal que
à esquerda
de

B .   B +  , se
 + /+
. Notação:
, quando se aproxima de pela esquerda se para todo , existe

 .  

L . .

. L .

+ -
a a

Figura 3.6: Limite à direita e à esquerda, respectivamente.

Exemplo 3.4.
  
  

[1] Calcule   e  
, se:

   se  +

.  
se  
  : se  , 
Para calcular estes limites observemos que   significa que  fica perto de , para valores

de  maiores que e   significa que  fica perto de , para valores de  menores que .
Assim:
  
         
      
   2 e    : 2
3.2. LIMITES LATERAIS 107

-4 -2 2 4

-2

Figura 3.7: Gráfico de , perto de . 


  
  

[2] Calcule 
 e 

  , se:
  1
. 


B  B se
se  
1 
Novamente, para calcular estes limites observemos que  
1  significa que  fica perto de 1 ,
1
para valores  maiores que e  
1 1
significa que  fica perto de , para valores  menores
1
que . Primeiramente, escrevamos a função da seguinte maneira:


   se / + 1
se
1
  
       .       
Assim  
  e 
 
.
1

-3 -2 -1 1 2 3

-1

Figura 3.8: Gráfico de . 


  
  

[3] Calcule   e   , se:
 
  se <+0


     >  se    0
Calculando diretamente    
    > .  > e     
        .

108 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

-2 -1 1 2 3

Figura 3.9: Gráfico de , perto de .  


[4] (Contração de Lorentz): Na teoria da relatividade especial, temos que o comprimento de
um objeto é função de sua velocidade:

     ?


onde é o comprimento do objeto em repouso e  é a velocidade da luz. A velocidade da luz

é de aproximadamente
 
>1 1 
 . Da teoria da relatividade é conhecido que nenhum objeto
 : 
pode ir além da velocidade da luz; logo
   1
    

Isto significa que para um observador parado o objeto desaparece.


 
 .
   

Teorema 3.2. Seja   . nas condições
uma função com domínio   
das definições. Então   
se e somente se os limites laterais existem e      .
Para a prova, veja o apêndice.

Teste para determinar quando não existe um limite


Se   .     

     .
ou se um dos limites laterais não existe, então    não existe.
Exemplo 3.5.
  

[1] Calcule  , se:

  

se  +
.  
se  
  : se  , 
3.2. LIMITES LATERAIS 109

     
das páginas anteriores temos  e 

 
 .
  2   .  2
Utilizando o teorema anterior, basta calcular os limites laterais correspondentes. Do exemplo1]
 . Pelo teorema, temos que  

2.  
[2] Calcule 

, se:
    1
.  
  1
se
 se
Utilizando o teorema  anterior,   basta calcular os limiteslaterais
   
correspondentes.

  
 


 
     

e      
 


 
 
       
Pelo teorema, temos que 
. não existe.
 

[3] Calcule 
, se:
 
.   se  +0 
> se 0 
Utilizando o teorema anterior, basta calcular os limites laterais correspondentes. Do exemplo
[3] da página anterior, temos    
   
 
  .    > e    
Logo,   não existe.
[4] A função degrau unitário é definida como:

  

 1 se <+ 
     
      ? se
onde )(D# . Logo,     . 
1 e   
  ; logo,    

   

  não existe.

[5] Calcule    . Veja o exercício 33 do capítulo anterior.


2

-3 -2 -1 1 2 3

-1

-2

-3

Figura 3.10: Gráfico de .    



.
   

        

    

( 
    

,   
Se e    ; logo,   não existe. Se ( 0
#   , então

 existe. (Por que?).


110 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

3.3 Limites no Infinito


Definição 3.3.   , 1 , existe  , 1
1. Seja   

? 
  )   # . Diz-se que     
  quando para todo tal
que B .  )B +  se  ,  
   , 1 , existe  , 1
2. Seja    
 ?   # . Diz-se que   .   quando para todo tal
que B .  )B +  se  + 


Exemplo 3.6.
  
[1] Verifique que     1 .
De fato, pois para todo  ,
1 existe  ,  , 1 , tal que se  ,  
 +  + 
   1      + 
, então e

  .  
 1
[2] Verifique que    .

1 existe  , 
De fato, pois para todo  ,  , 1 , tal que se <+0  , então        +  .
 
 implica <, 1 e 
  implica  + 1 .


Observe que   
1
Proposição 3.3. Para todo número natural  e para (#  $ ' , tem-se:
   1
1.     .
   1
2.     
1. Devemos provar que para todo  ,
1 existe  , 1 tal que      +  se  ,  . De fato,
       +    +     
  se  , ou seja, se <,   ; logo basta considerar      . A prova de
2 é análoga a do item 1.
 

Figura 3.11: Gráficos de 


    para diferentes  .
3.3. LIMITES NO INFINITO 111
 
  
e   
existem, então, para todo   ? A(D# :
      
.   
    
"    . ?
Proposição 3.4. Se

    


     
 


 
 .
     
 
 .
     
 ?
 
  
  . 
>     
   . ? se   .   1 
As provas são análogas às das propriedades dos limites num ponto.

Exemplo 3.7.

    >   2  .
[1] Calcule

 >     >     1  


Aplicando diretamente a proposição anterior:

     2        2 2 2

Figura 3.12: Gráfico de  quando    .



[2] Calcule    2 . 
Aplicando diretamente a proposição anterior :   2  2       1 
3.3.1 Cálculo de Limites de Funções Racionais
Proposição 3.5. Seja
.   .. ?
onde 

   
   
 
     
e  
     1     1        
de coeficientes reais de graus  e  , respectivamente, isto é
   e    . Então: são polinômios

 .  

 se   
  . 1  se  + 
112 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

De fato:

  . 
   
              
   
     
       

        @                  
     
Aplicando limite e as propriedades da proposição 3.4, obtemos o resultado. Para  ,  , veja o
próximo parágrafo.

Exemplo 3.8.
  
[1] Calcule     2   %   .  
 
Como  +  , temos:     2  %   1 
   >
[2] Calcule    >   .
   >  
Como   , temos:   >  >
  
[3] Calcule      .
2
Neste problema, a função não é racional, mas utilizaremos a mesma idéia dos exercícios ante-
riores. Reescrevendo a expressão temos:
              
   2                       

então:
           
      2          

 
[4] Calcule  
  2.
[3]; mas devemos ter cuidado, pois,  
1 
 , significa que <+ ; logo, consideramos    :
Aparentemente este limite é análogo ao do exemplo

             


     2         
[5] Fractal de Koch A seguinte curva é chamada de Koch e é obtida a partir da linha poligonal
constituída pelos lados de um triângulo equilátero de lado unitário. A cada passo substitui-se
o terço médio de cada segmento da linha poligonal por dois segmentos que formariam um
triângulo equilátero com o terço médio que foi retirado, conforme os desenhos abaixo:
3.4. LIMITES INFINITOS 113

Figura 3.13:

   a área comprendida pela linha poligonal após  passos; logo,     ,   



Denote por
> ,   1 
> ,    : 6 > ,   8;9  > , em geral:
> 4 6> 84
   >
  >     6    ?
6 2 :
1    
se   ; então,    > . Fica como exercício interpretar o limite.
    2
3.4 Limites Infinitos
 
Seja uma função definida num domínio , que pode ser um intervalo ou uma reunião de

intervalos. Seja um ponto que não pertence necessariamente a , mas tal que nas proximi- 


dades de existam pontos de ; em outras palavras, qualquer intervalo aberto que contem


intersecta de forma não vazia.

Definição 3.4.
  . 0  , 1 , existe  , 1 
,   ( 
1. Diz-se que 
1 + B 
B +  . , quando para todo tal que , se e

  
 
2. Diz-se que 
 , 1 , existe  , 1 
+0  <( 
1e + B  
 B +  . , quando para todo tal que , se

Exemplo 3.9.
   0
[1]     .
    , 1 , existe
Como  ,  , se    +  , isto é, se B    B +   , então para todo
    , 1 tal que . ,  se 1 + B   B +  

   0
[2] 
  .
114 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE
 ,  , 1 , existe      , 1
 B B +    
, 
1 + B B +  .
Como se , então para todo tal que se

 
Analogamente podemos definir limites laterais infinitos. Assim:
 , 1 , existe  , 1
Diz-se que    .   
%, 

  +  +
 
, quando para todo tal que se

Diz-se que   


 . C   , 1 , existe  , 1 
D+  

+  +
 . , quando para todo tal que se

Proposição 3.6. Para todo número natural  , temos:


    0
1.       .
     
2.      se  é par
se  é ímpar
 
  1  .  1
Proposição 3.7. Sejam 
 


 e 
 .
 funções tais que  e   . Então
  
. 1
1.   
  se . , para valores de  próximos de
.
 
  
  . 1
2.   
se . + para valores de  próximos de
.
 
As provas das proposições são deixadas como exercícios.

Exemplo 3.10.
 
[1] Calcule   >   .
      e       1 , observando que se  ,  , mas     , então     , 1
Como   >
     

e aplicando o teorema, logo:   > .


  
[2] Calcule    2 .
            1
Como  2 e     , observando que se  +  , mas    , então

    + 1 e aplicando o teorema, temos:     2   .


Analogamente podemos definir outros tipos de limites. Como exercício, defina os seguintes
 . 0?   .    . 0?   
 
limites:

    e 


    .
3.4. LIMITES INFINITOS 115

Corolário 3.3. Para funções racionais, temos:

   



se  , 
  
 
1  se    
se  + 
Exemplo 3.11.
        
[1]    
   > 
  %
     . Como      > 
    ; temos,
                     
   >     >      .
       %        >       
[2]   > . Como       ; temos,
                          
  >    >     .
    %             
[3]   . Como       ; temos,
                        0
         .
    
[4]        
2 .    
Como  ,  , pelo corolário anterior:      2     0 
[5] Na teoria da relatividade especial, a massa de uma partícula é função de sua velocidade:

   
 =  
?
 

onde  é a massa da partícula em repouso e  é a velocidade da luz. Logo,


     

  

em outras palavras, se a velocidade de uma partícula aumenta, sua massa aumenta em ralação
a sua massa inicial . 
[6] Considere o fractal de Koch e denote por  o perímetro da linha poligonal após  passos;
logo:

 >?   6?  9
 
  >
 1
em geral,    >  6  , se   ; então,    
     . Fica como exercício interpretar
o limite.
> 
116 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

3.5 Símbolos de Indeterminação


Nas operações com limites, muitas vezes aparecem os símbolos:

 ?  1 ? ? 11 ? 1 ?   ?
chamados símbolos de indeterminação. Quando aparece um destes símbolos no cálculo de
um limite, nada se pode dizer sobre este limite. Ele poderá existir ou não, dependendo da
expressão da qual se está calculando o limite.
Exemplo 3.12.

 


 
    


    e  são definidas em #  $& ' , então,


[1] Se    e     , onde  . 0 ?
  
 
 .
 
   
 
 
  
mas     .
  
[2] Se  
     
       , onde  e  são definidas em # $& ' ,
  e  


 
então,   .     . 0 , mas    
  .  não existe.
 .  . 1  .  1
[3]  Se 

 
0  
 .
  e     .  
  1
, onde  e  são definidas para  , , então,   1
e    , mas     . De fato,   
 .
 C
+  para todo  , ; então

1 +   +  . Aplicando limite a
  
     .     . C+  para    ; logo, 
    

ambas partes e usando o item [7] da proposição 10.3, válida também para limites no infinito,

temos o resultado.

 


 
  
     # 
 $ 1 '  
 
 
 1   
    

[4]Se e  , onde e  são definidas em , então, 

e 
 , mas 
   , não existe.
3.6 Limites Fundamentais
[1] Primeiro limite fundamental:
  
 
   
Antes de provar este limite faremos uma tabela, usando o fato de que 
      
é uma

  1
função par:


1 38 6  6
1 32 1 3:;2;8;8
1  1 3:;: >;>
1  1 3:;:;8 >
11 1 3:;:;:;:;8
1  1; 1  1 3:;:;:;:;:
3.6. LIMITES FUNDAMENTAIS 117

Prova: Considere o seguinte desenho:

T
P

Θ
O Q S

Figura 3.14:

   e
   a área do
Denotemos por
setor circular 
e as áreas dos triângulos
. Claramente   +  +  
respectivamente e por
Por outro lado, se   ,
1 + +
            ?            e     

Então, da desigualdade acima:         +
 +         ; e, como     ,
1 se
 (- 1  ?  , temos      +  +     , ou     D+    +  ;   se 1
+  +
 . Co-
  

     . Por ser    uma função par:


mo 
      ;    , segue que


 
 


 

 

       ; logo, 
       .


1

Figura 3.15: Gráfico da função .       


se   1 e  1   .
[2] Segundo limite fundamental:

  
    
118 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

Façamos uma tabela usando a função  


       
<, 1 
< + 1 .
1 32;1: > 4 6   1 38;9 4 1;: 14
1 54  6&8  1 54 >;
1 54  9;:  1 54  :;9 6
1 54 8 2  1 54 8 6
6

 
-4 -2 2 4

Figura 3.16: Gráfico de .       para   1 .


É possível provar que:
     ?
    
onde  54  8 8   
é o número de Euler. A prova direta desta propriedade poderá ser encon-
trada na bibliografia intermediária ou avançada.
[3] Terceiro limite fundamental. Seja
(# ?
, 1 ?
   , então:
 
    

   
Em particular, é a única base da exponencial tal que:
         

  
Veja o próximo exemplo, item [7].

Exemplo 3.13.
    

[1] Calcule 
 .
    .    
       
      
  
    .    
    . 



3.6. LIMITES FUNDAMENTAIS 119
  

[2] Calcule 
   > 
.
     
   
   >  



    > 
> 
 
   > 
>    


 1 então   ; logo:
[3] Calcule 
  %  . Seja  ; se  

  

             
 
[4] Calcule       , onde é um número real.

 

              
Seja  , então:           
     
[5] Calcule      , onde é um número real.
   
             
Seja , então:          
[6] Sabemos que se uma quantia  é investida a uma taxa  de juros compostos,
 vezes ao ano, o saldo , após anos é dado por  
   
       
  capitalizados
. Se os juros forem

 
                            
capitalizados continuamente, o saldo deverá ser:

        
[7] Calcule         , onde é um número real.  
        
         >         >     
 
    

[8] Verifique que 
   .
 
 "  1
Seja  
 ; então   
  
 =% ; logo    
  
  % e     
= . Quando  
temos que  
1 e: 

        

    
     


   


"
  
  

 .       

   
  
=  

  
[9] Calcule 
 , onde
? , 1 e
?    .

     
       
       
=   


 
 
       
      
  
[10] Se

 
: e     , determine     .
Primeiramente, note que   ; então,     
. Por outro lado 
    
    , donde     e
 . Portanto,    .

>   ; logo,
> 
: 4  6&:
120 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

3.7 Assíntotas
Definição 3.5. A reta <
é uma assíntota horizontal ao gráfico da função < . se pelo menos
uma das seguintes afirmações é verdadeira:
   
  
 ou  
 
Exemplo 3.14.

[1] Esboce o gráfico da função logística:



 
      onde  ?  ? (# 
  # 1
 
  
   e a curva passa

  por  ? 
  . Por outro lado   
 ; logo, <  é uma
assíntota horizontal.   
1 ; logo,  1 é uma assíntota horizontal. No caso em que
  
  descreve o crescimento de uma população, o valor  é dito valor limite da população
e corresponde ao número máximo de indivíduos que um ecossistema pode suportar.

Figura 3.17: Gráfico da função logística.

[2] A função 


   
possui uma assíntota horizontal  1 .
Definição 3.6. A reta  

é uma assíntota vertical ao gráfico da função 0


se pelo menos uma
das seguintes afirmações é verdadeira:
  
   

  ou   
Em geral, se o   !" # , então o gráfico de  não possui assíntotas verticais.

3.7.1 Esboço Aproximado de Funções Racionais

Seja
)  
. tal que
(   !" , isto é,  
) 1 ; então,  .   
=    
,  ,-

e  
 
1 ; analogamente 
 <
=   . ,   1 e  
=   1 . Se  +  , fazendo


 

    , temos 
 
   
, onde   
    
é uma função definida em
.
Então    B . B  .
3.7. ASSÍNTOTAS 121

Figura 3.18: Gráficos de  ao redor do ponto , para


ímpar e par e   
= , 1 .

Figura 3.19: Gráficos de  ao redor do ponto , para


ímpar e par e   
= + 1 .
Logo, a função possui uma assíntota vertical em cada raiz do polinômio
 
.
Exemplo 3.15.

[1] Esboce o gráfico de     .


1 1   

   !"  # $&  ?  ' e a curva passa por  ? . Por outro lado 
  , onde   

  .    .  
  ; e      
 D
, 1 ; então,   ,   , Analogamente: 

      
 
     
, onde   . 
       
 , 1 
 


 
0
 
; e  , então: 
    
 1
e 
    1 ;
logo,   e     são assíntotas verticais. Por outro lado,  
 ; logo,  é uma
assíntota horizontal.
2

-4 -2 2 4

-1

-2

Figura 3.20: gráfico de    .


[2] Esboce o gráfico de      .
122 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

  !"  #  $&  ?  ' e a curva passa por  1 ? 1 . Por outro lado .    . , onde   

 1  
 ; e      
 
, ; então,  


 


 
0
  ,   .   . Analogamente: 

 
  
, onde   
  ;   e      + 1 ; então,     .   e     . 0
 
 

;
logo D  e     são assíntotas verticais. Por outro lado,  .   ; logo,   é uma
assíntota horizontal.

-4 -2 2 4

-1

-2

Figura 3.21: gráfico de      .

3.8 Continuidade de Funções


A noção de continuidade em Matemática é a que utilizamos no dia a dia, isto é, onde não há
interrupção ou, então, onde não existem partes separadas umas das outras. Nos parágrafos
  

anteriores, estudamos o comportamento de uma função

.
para valores de próximos


de um ponto . Pode acontecer que o limite de

quando tende a exista, mas que não
seja definida em ; ou ainda, pode acontecer que o limite seja diferente de . Estudaremos, 

   
 
=
agora, uma classe especial de funções, onde se verifica que:

 
Definição 3.7. Seja  uma função e 
(   !" , onde   ! " é um intervalo aberto ou uma reunião

de intervalos abertos. é dita contínua em
, se:
  

1. 
    
existe.
2.    0
.
Se  não verifica qualquer das condições da definição,  é dita descontínua em
.

Exemplo 3.16.
[1] Considere:

     
.   se
 se   
3.8. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES 123
   
Note que    ! "
  #  
, mas não é contínua em . De fato,   
 
 .
 
            .
Veja o desenho:

Figura 3.22:

   , a função será contínua em todos os


#
Observe que se redefinirmos a função, fazendo
pontos de . Verifique este fato.
[2] Seja:
    
  .  1 se
< +  
se
  


 
  

A função degrau unitário  não é contínua em , pois não existe   .

Figura 3.23: Função degrau unitário.

Intuitivamente, a continuidade de uma função em um ponto indica que o gráfico da função


não apresenta saltos nesse ponto (veja o desenho anterior).

.      é uma função contínua em todo ponto de seu domínio.


[3]
  .   ) 
De fato 
 
 .
 

    se     e    .
[4] O potencial  de uma distribuição de carga num ponto do eixo dos  é dado por:
124 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

    
  se   1
 
     
%  se  + 1 


?, 1 ;  é contínua
 em .  
1
  
De fato, como 
 @
 
 .
   
 .
 
 

,  
 


 1
existe e 
 
 @ . Então, 
1 
 

 é
contínua em .
[5] Seja


  
se /+0 
.  
    se /(    ? 

2  4 se /,0 
Ache  e tais que  seja uma função contínua em . #
Os pontos problemáticos do domínio de  são 0   e    . Utilizando a definição,  é
contínua se:    
  .

         
?
   
 


 
   
que é equivalente ao sistema:     6
     
logo,   8 e   6 . Então:
 

se <+0 
.  
8   6 se     
2  4 se <,0 
20

15

10

-3 -2 -1 1 2 3

-5

-10

Figura 3.24:

    
  
=
A continuidade também pode ser expressa em função de e . De fato, 
nifica que: para todo  , 1 existe
 , 1 tal que, se  ( !
 "
 
 
   e B B , então
+  sig-
3.8. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES 125

B , 
1   
= B  + .  .(AEm outras palavras,  é contínua em
quando para todo  ,
1 , existe
tal que !
=   ? 
= "  desde que <( 
  ?
    !" .
Proposição 3.8. Sejam  e  funções contínuas no ponto . Então:

1.     são contínuas em , para todo 


?A(# .

2.   é contínua em .



(      .
3. é contínua em , se
 
As provas destas propriedades decorrem imediatamente das definições.

  *#   
contínua em e
 
Definição 3.8. Uma função é dita contínua em

, então, é contínua em .   se é contínua em cada ponto de . Se é

Exemplo 3.17.
#
[1] Os polinômios são funções contínuas em
funções contínuas em . # , pois são expressos por somas e produtos de

[2] As funções racionais são funções contínuas no seu domínio.


[3] As funções . 

e .    
são contínuas em #
  .
[4] As funções exponenciais são funções contínuas em # .
[5] As funções logarítmicas são funções contínuas em  ?  .
1
[6] A seguinte função é contínua em # :


     1

.  1    se 1
se  
0.8

0.6

0.4

0.2

-1.0 -0.5 0.5 1.0

-0.2

Figura 3.25: Gráfico de [6]

[7] A função 


   

é descontínua para cada  ( . Veja exercício 33 do capítulo anterior.
126 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

-3 -2 -1 1 2 3 4

-1

-2

-3

Figura 3.26: Gráfico de .    



.

.
    
1   ?  . De fato,   
é contínua
[8] A função .     
  é contínua em  ? 
em  ?  e
    
é contínua em # , logo   
 
    
é contínua em  1 ? 1  ; o polinô-
1
mio    possui raízes reais <
1
 e   ( ?  , então  é contínua em  ?     ?  ,
que é o domínio de .  

1 2 3 4

-1

-2

Figura 3.27:
  

Proposição 3.9. Sejam  e funções tais que  e  é contínua no ponto . Então:
  . 
     
 .
    

A prova segue das definições.

Exemplo 3.18.

Como aplicação direta desta propriedade temos:


   .
[1] A função  
 #
é contínua em ; logo, se existe 

 
 
      .
, então:

  

  As
funções  
/   
e 
/   
são funções contínuas em #
  , então:
[2] ; logo, se existe
3.8. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES 127

      


    
 


       
 
 .
  
    
 
 
 .
       
 
[3] A função  
   
é contínua em  ?  ; logo, se  
(A ?   , então:
1 1
  
    
 
 .
      
 

             %    
[4]           
         >  .




   

 .
          1
[5]                         .
        
[6]     
     
.       .   
[7] 
      .

Teorema 3.4. Sejam  e  funções tais que    esteja bem definida. Se  é contínua no ponto
e  é
contínua em  
= , então    é contínua em
.

Prova:
 !" 
     . Como   é contínua em   
= , para todo  , 1 existe   , 1 tal que
se (
 !" e B  ;B +  , então B  =    B  +  . Por outro lado  é contínua em
; logo,
existe ,
 1 tal que se (   !" e B   
B + , então B 
A 
= B  B .  ;B +  . Logo,
se  (   !
 "
 
  ?
 
, B !
 
 


   ! 
= B +  .
Exemplo 3.19.

 B   D B é uma função contínua em # , pois é a composta das seguintes
. 
[1] A função
funções:      e  
 B  B ; ambas funções são contínuas em # . (Verifique !).
[2] A função . 
     é contínua. (Verifique !).
   
[3] A função .      
6 é contínua. (Verifique !).
estabelece que com hipóteses adequadas, uma função  , definida num
O teorema seguinte 
?
, assume todos os valores entre  
= e  ; em outras palavras, para
que  passe de 
a  tem que passar por todos os valores intermediários. A definição
intervalo fechado

anterior de continuidade foi feita considerando como domínios intervalos abertos ou reunião
de intervalos abertos; então necessitamos da seguinte definição:

Definição 3.9. Seja   


?
 # ;  é contínua em 
?
se:
1.  é contínua em 
? .
 .   
  
=
2.   existe e 
     .  
.
 

3.    existe e    .
128 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

As condições 2 e 3, são chamadas continuidades laterais, à direita e à esquerda, respectivamen-


te.

  
?
 #
Teorema 3.5. (do Valor Intermediário) 
?
e 
= +  +  +  + 
, então existe
Se
 ( 
?
tal que     
é uma função contínua em
.
ou

Para a prova, veja [TA], [RC] ou [WR].

Exemplo 3.20.
     ? 
 # tal que 
       
.   ; então  assume o valor > . De fato  é
Seja

contínua e      + > +    > ; logo, do teorema, temos que existe C(   ?  tal que
   > .

3.0

2.5

2.0

1.5

1.0

0.5

-1.0 -0.5 0.5 1.0

Figura 3.28:

1  
?
 # 
?
. Se 
= e  
ou seja 
=  +
Corolário 3.6. Seja
, então existe  (A
?
uma função contínua em
tal que  .   1 tem sinais opostos,

c c
a c b

Figura 3.29:


 1  

      
 

Este resultado pode ser utilizado para localizar as raízes reais de um polinômio de grau ímpar.
   uma função polinomial de grau  ímpar,

(#
De fato, seja
 . Para os  
, escrevemos:

    
           
  
3.8. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES 129
 
 
     
Como         +        + 1    , 1   
 ? pois,
 ; então, 
 
 .
 
0
 
 e  é
ímpar. Logo, existem 
 ( 
  ?  tais que     1 e . é contínua no intervalo   ? 
;

 tal que . Se  é par, a conclusão é falsa. O polinômio

   não possui raízes
pelo corolário, existe
reais.

Exemplo 3.21.
[1] A equação    6    1 possui > raízes reais distintas.
De fato, a função 
0   6 C é contínua em # ; logo, é contínua em qualquer intervalo
fechado. Como   >   - 9 , existe   (  > ?  tal que    
1 . Como    1 
 , existe  (A ?  tal que    . Como      , existe   (   ? tal que     1 .
1 1

-2 -1 1 2

Figura 3.30: Exemplo [1]

     @         1  1 possui pelo menos 6 raízes reais distintas


[2] A equação
 
no intervalo   ?
.

De fato, a função é contínua em   ?
e   
1  ;> ,   1 32 1  1 4 ,  1   1  1 2 ,
1 32 1  ;> e   8 32 4 ; logo:      1 32 + 1 , existe

  (    ?  1 32 tal que     1 .
1 1 1 , existe  (   1 32 ? 1 tal que    1 . Se  1  1 32 + 1 ; então, existe
Se   32  +
  (A ? 1 32 tal que     1 . Se  1 32  + 1 ; então, existe  (A 1 32 ? tal que    1 .
1

-1 1 2

Figura 3.31: Exemplo [2]


    
    . , atinge o valor  no intervalo  1 ? 
.
[3] A função
 1
Considere a função  
0
 ;  é função contínua no intervalo ? 
e
C 9 
  1     
8
130 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

logo, existe   (  1 ?  tal que      1 , isto é,      .



0.5

Figura 3.32:

O seguinte algoritmo serve para determinar aproximadamente as raízes de uma equação, uti-
lizando o corolário:
1 
=  + 1 , então, existe pelo menos um ( 
? tal que

?
.
   .
i) Seja contínua em Se


   1 1 ou
ii) Considere    ; se   , achamos a raiz. Caso contrário, 
=    C+
    + 1 .
iii) Se 
   +
1 , então, 
 1 tem solução em 
?  
. Considere  
   ; se
   1 , achamos a raiz. Caso contrário  
  + 1 ou      + 1 .
iv) Se      <+
1 , então, .  1 tem solução em   ?  
; seja        , se
    1 , achamos a raiz. Caso contrário      + 1 ou       + 1 .
Continuando obtemos   tal que B       B é menor que a metade do comprimento do
último intervalo.

Exemplo 3.22.

No exemplo [1] temos 


    6   .
1
i)    +  ; seja     , como      1 e     + 1 , então, procuramos a solução
 
no intervalo   ?
; seja  

1 1
.
ii) Como     e      D+ , então, procuramos a solução no intervalo   ? 
;

seja   
      > . Assim, continuando podemos, por exemplo, obter     4 6;6&2 
 39 4 2  1 : no intervalo
  8 1 ?  
e tal que      1 1;1;1;1 .
39 4 2 6 39 4 2 4  : 8 9>86
3.9 Exercícios
1. Calcule os seguintes limites usando tabelas:
3.9. EXERCÍCIOS 131
         2   6   
(a)     >  8
(b)    > 
(f)  
 
  (j) 

 
  
  (g) 
   1; 1;1  (k) 

 
 > % 
(c)    
         6 
  
2 (h) 
  (l)   
(d) 
     >   
(e)      (i)   
2. Determine tal que:
                  
(a)  > 2 >  > (c) 
2 >

       1     
(b)   2 9 (d)    

3. Verifique se são corretas as seguintes afirmações:
 %  9        9    
(a)  > (b)      >
4. Calcule os seguintes limites:
    
(a)   6   %:   4 (k)       >
 >   >   :        >
 9 >
(b) 
   :
    9 (l) 
 : 2  6
    
(c) 
 
  > (m) 
 6
(d)      >        >
  
(n)    6&:
(e) 
 
 
   % %.      %
   . 
   (o) 
 
(f) 

  1       


(g)   /   (p)  
  
 
 
     (q)     

   
(h)

   (r) 

   . "   
(i)  
 >     6       

(j) 
8   (s)      

132 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE
    
   
    
(t)     
(v)     8

 
(u)  
  2  4
5. Calcule os seguintes limites laterais:


= 
        
  
        
     

6. Verifique se os seguintes limites existem:


        8
(a)   
 B  B (f) 
     .    .




(b)  B B
    > > 
(g) 

    .       



(h) 
   
       
(c)  
   
(d)  9   9 2 (i) 
 
  
    2>   6   

(e)    
6   > 
(j) 
 

7. Calcule os seguintes limites no infinito:


 
(a)        2    (k)           >
 > 2  >   
(b)       (l)    
    >  > 6     


(m)      


(c)  
 >  %       
(d)     >    (n)   
   
(e)      

 >   (o)   
(f)        2
  >     (p)     
(g)     > 

    (q)         >
(h)  
    
 % 8


(i)     (r)  


     >   
(j)     %    (s)     66   >
3.9. EXERCÍCIOS 133
    ;
(t)   >   %     (w)      
   % 2   
9   4 
(u)       %   (x) 
  >
 
(v)      %     
8. Calcule os seguintes limites infinitos:
     >         

(a)       (i)    > (q)   
    >     
 B  B 

(j)     >
(b)  
 
  6      >  (r) 
    
   (k)         
(c)  
           9  6 :
(d)    2  6 %   (l)      
(s)
   6  : 

2     %9        .6 6    


  
      

(e)     (m) 
(t) 

 9    
(f)  
  (n)  
     (u)    
(g)  
   > 2  (o) 
     B  B

  
(h) 
     (p) 
 
  
(v)
   2  >


 >  2 e  .    , calcule:
9. Se
 ! 
>        

(a)   (f)   !  " 
(k)     

  A" .  
(b)   
  " 
(g)  !    .    
   " 
(l) 

   .
(c)   
   . (h) 
  !       
(d)    (i)    " 
(m) 
   .
   .     
      
(e)     (j)    B
B (n) 
     

10. Calcule os seguintes limites:


   > 
     > 

(a) 
   (c) 
   6 .
    

 
(b) 
    
(d) 
   
134 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE
  .    
  (m) 
2 
(e) 
      
(f)       
    
(n) 
 > 
(g)     

      1
   (o) 
   

    . ?
?  

(h)      

   (p) 
    

(i)        ;


   
 (q) 
   ;.
   
(j) 
    6 
(k)   (r)   
         
(l)   (s)    
  
 
  
"
= A

11. Calcule   
e 
 , se:

(a) 
  ?
 (f) 
   
?
 
(b) 
   ?
 (g) 
   . ?
 
(c) 
 >   ? 
  ?
 1 (h) 
   > ?
 
(d) 
 B B (i) 
   
?
 
(e) 

 @?
  
(j) 
 ?

1
   . A
=  1
12. Se B 
 


 A
 
 
  
 

B B B , para todo @
 =
? ( D # , verifique que:   
.

          


 
13. Verifique que   
1 visto que o custo para remover   de resíduos tóxicos
14. No problema 51 do capítulo II, foi
 1 1;1
num aterro é dado por  
  1;1 38  , + +0 .
  

(a) Calcule    .

(b) Interprete o resultado obtido.

15. Suponha que 1;1;1


reais são investidos a uma taxa de juros anual de
capitalizados continuamente.
9 e os juros são

(a) Qual é o saldo ao final de 1 anos? E de 21 anos?


3.9. EXERCÍCIOS 135

(b) Que quantia deveria ser investida hoje a uma taxa anual de 4 1;1;1;de1 reais?
juros capitalizados
continuamente, de modo a se transformar, daqui a 20 anos, em
   1;1;1;1;1
16. Durante uma epidemia de dengue, o número de pessoas que adoeceram, num certo bair-
ro, após  dias é dado por 
   :;: ;1 1   .
(a) Determine a quantidade máxima de indivíduos atingidos pela doença.

(b) Esboce o gráfico de . 


17. Esboce o gráfico das seguintes funções:

    
       
(a) (d) 
   
   
(b)     
  

  (e)
>
 
  
(c)   
     
(f)
>
 
 
   
18. Use a continuidade da função para calcular os seguintes limites:
  
(a) 
    
(d)  
   .
            

(b)       (e) 
       
        ;
"  
(c) 

(f) 
      
19. Verifique se as seguintes funções são contínuas:

 

     
  
   

   .        
 B   . B
 
       " 
    

  
   se  , 

se


  6 se

 
    
6 se  
Esboce os gráficos correspondentes.
136 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

20. Seja 


  % . Verifique que:

= B 
A B  1 B  B se 1    >   é contínua em .
21. Determine o valor de  para que as seguintes funções sejam contínuas nos pontos dados:


   se    1


= .   , no ponto  
1.
 se  
1

  : se   

 
  > > , no ponto   > .
 se   >
  
  
  se  0 0
+

  , no ponto     .
 se

  .  6 > % se < + 11 , no ponto  1 .


 
 se
 

  se   1 1.
 .   1 , no ponto 
 se 
 
  % 
!" 
 6   se   ,0  , no ponto    .
:  se

22. Verifique se as seguintes funções são contínuas.


.    1


 
  <+0 

= .  1 

            

  1   
 
 <,0
  
 
B   2   9 B    ? >

2    >  


 
 
 2 9    
 
 
9 2 +  + >
  >   >
: > 
!" .    





 /    



   >

  + 1
  
      
      , 1
   
23. Determine em que pontos as seguintes funções são contínuas:
3.9. EXERCÍCIOS 137

(a) . 
        
% "     
 (d) 
     "     

    .
      
(b) .         6 
 


 
 
(e)   9    
            


(c) .    


 

 ;   
(f)   

24. Verifique se as seguintes equações admitem, pelo menos, uma raiz real:

  %  6  2  1    %   %  1  1


(a)
(b)   . /D
1 (d)

(c)   .   )


1 (e)
(f)       
1



         ,   1 . Como escolher o valor de  1 , para que a função 
  1?
25. Seja seja
contínua em



        ,    , é possível escolher o valor de  tal que a função 
26. Sendo
seja contínua em  ?

1
27. Determine  de modo que as seguintes funções sejam contínuas em  
1:
    .
(a) 
  ; (b) .         ;
c) 
      . .

 
1 se
<, 1
28. A função sinal de  é definida por:   
 
 1
  se <+ 1 
se

Verifique se .    


e  
   
são funções contínuas.

29. Dê um exemplo de duas funções descontínuas cuja soma seja contínua.

30. Verifique que a equação    


tem uma infinidade de raízes reais.

        
 > . A função  4   ?
? Justifique

31. Seja
sua resposta. 6 atinge o valor
> no intervalo
138 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE

intensidade de um campo elétrico  .


32. Uma esfera oca de raio está carregada com uma unidade de eletricidade estática. A
num ponto localizado a unidades do centro 
da esfera é determinada pela função:
 1 1 + < +
.   se
 
> se 
 se <, 
Verifique se a função    . é contínua. Esboce o gráfico de  .

33. A função de Heaviside é utilizada no estudo de circuitos elétricos para representar o


surgimento de corrente elétrica ou de voltagem, quando uma chave é instantaneamente
ligada e, é definida por:


  1 + 1
 
 se
se   1

 ?

(a) Discuta a contínuidade de 


  
   e de  
         . Esboce os respec-
tivos gráficos em .2 2
(b) A função 
   
 ( 
 , 1
) é chamada rampa e representa o crescimento gradual

gráfico para   ? ?>


na voltagem ou corrente num circuito elétrico. Discuta a continuidade de e esboce seu
.

(c) Verifique que  


   
   .


 
 
  1  + 

 
       
 
    
  
 .
se
(d) Se   se

   , verifique que


34. A aceleração devida a gravidade  varia com a altitude em relação à superfície terreste.
 é função de (a distância ao centro da terra) e, é dada por:

 & 
    +




se
se   ?

onde é o raio da terra, a massa da terra e  a constante gravitacional. Verifique se 
é contínua. Esboce o gráfico de  .

35. Seja    1 ? 
   1 ? 
contínua. Verifique que existe  (  1 ? 
tal que   .
36. Sejam ?  
?
  # contínuas tais que 
+  
e  ,   . Verifique que existe

 (
?
tal que     .
3.9. EXERCÍCIOS 139


37. A população (em milhares) de uma colônia de bactérias, minutos após a introdução de
uma toxina é dada pela função:
  

   " 4 se  + 2  
8 4 se 2 
 
e 
Explique por que a população deve ser de 10000 bactérias em algum momento entre
. 4
38. Verifique que a função  &#*  # definida por 
       . " > assume o valor
.
140 CAPÍTULO 3. LIMITE E CONTINUIDADE