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Indisciplina,

bullying e
violência na
escola

O que fazer?

ramiro marques

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First Edition
Dedico este ebook aos leitores e comentadores do ProfBlog

Contents
Chapter 1 Reforço da autoridade do professor e
desburocratização das funções docentes
são as questões axiais da condição docente .... 1
Chapter 2 Professores exigem revisão profunda do
estatuto do aluno ................................... 5
Chapter 3 Pais não aceitam sanção disciplinar ............. 9
Chapter 4 Saiba por que razão as escolas dos jesuítas
estão entre as melhores do Mundo ............ 11
Chapter 5 A Pedagogia de Alain: “educar é libertar da
barbárie” ........................................... 13
Chapter 6 A sobrecarga das funções do professor ....... 17
Chapter 7 Como dar uma educação saudável a um
filho (menos de 10 anos) numa sociedade
que não o é ......................................... 23
Chapter 8 Como educar saudavelmente um
adolescente numa sociedade que não o é .... 27
Chapter 9 Isabel Alçada: “É importante que as escolas
revejam o que pedem aos professores. Os
professores têm carga burocrática elevada e
isso cria desânimo” ............................... 31
Chapter 10 O que os pais nunca devem fazer .............. 35
Chapter 11 Como responder à crise e educar os filhos
de forma mais equilibrada ....................... 37
Chapter 12 Com este Estatuto do Aluno é impossível
combater o bullying .............................. 41
Chapter 13 Um anjo no Céu. Professores das escolas
públicas sem meios para travar o bullying .... 43
Chapter 14 Shame on you! Na escola do Leandro
ontem foi um dia normal. ....................... 45
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 15 Quem morreu? Um rapazito pobre, do


interior, coisa pouca…Um post do Jorge
Arriaga .............................................. 49
Chapter 16 A morte do Leandro, 12 anos, vítima de
bullying, não mereceu uma palavra da
Fenprof e da Fne .................................. 53
Chapter 17 Um anjo no Céu – uma tragédia que não
pode ser branqueada nem esquecida! ......... 57
Chapter 18 Pais querem retirar apoios sociais a alunos
violentos. Obviamente. Essa medida já
devia ter sido tomada há muito ................ 63
Chapter 19 Santana Castilho: falta ao sistema de
ensino uma visão estratégica clara sobre o
que queremos das escolas ....................... 67
Chapter 20 Santana Castilho: não é possível gerir as
escolas de forma autocrática .................... 71
Chapter 21 A escola de Mirandela falhou. Morreu uma
criança no exacto momento em que devia
estar numa aula ................................... 73
Chapter 22 Bullying UK: uma porta de entrada para
conteúdos digitais para travar o bullying e
castigar os bullies ................................. 77
Chapter 23 Movimentos de professores e blogueiros
unidos na homenagem ao Leandro: na
segunda-feira, às 11:00, professores de
todo o país fazem um minuto de silêncio ..... 81
Chapter 24 Hoje às 11:00, minuto de silêncio em todas
as escolas do País em memória do Leandro
e contra o bullying ................................ 83
Chapter 25 Da inutilidade da escolaridade obrigatória.
O debate necessário para travar a
deterioração do ensino secundário nas
escolas públicas ................................... 85
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 26 CDS elabora relatório sobre o fenómeno


da violência escolar ............................... 89
Chapter 27 Assim vai a política de combate à
criminalidade juvenil: Jovens fugiram de lar
para provocarem noite de terror ............... 91
Chapter 28 Ministra da Educação quer dar mais
poderes às escolas para travarem o bullying
e a violência ........................................ 95
Chapter 29 Aluno espanca violentamente professor
dentro da sala de aula e no dia seguinte
volta às aulas como se não tivesse feito
nada de errado .................................... 97
Chapter 30 Violência escolar: até quando vamos
assistir parados à violência sobre alunos
dentro e na vizinhança dos
estabelecimentos escolares? .................... 99
Chapter 31 Foi espancado, hospitalizado e obrigado a
repor as aulas. Um testemunho que mostra
como os bullies são acarinhados e
protegidos ....................................... 101
Chapter 32 Bullying: dicas para prevenir, combater e
integrar ........................................... 103
Chapter 33 Propostas para melhorar a escola ............ 107
Chapter 34 Ministra prepara legislação que dê poderes
aos directores para suspensão preventiva
dos agressores por mais de 5 dias.
Finalmente! ...................................... 109
Chapter 35 Isto é de uma gravidade extrema. O
bullying não atinge apenas alunos. Há
muitos professores que são vítimas
silenciosas. E há encobridores que
protegem os bullies ............................. 111
Chapter 36 É bullying? Não, é violência consentida .... 123
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 37 Quatro teses sobre a violência contra


professores e o destino das escolas
públicas ........................................... 127
Chapter 38 Quatro teses sobre a autoridade dos
professores ....................................... 129
Chapter 39 A responsabilização dos jovens é uma
necessidade ...................................... 131
Chapter 40 Em memória do Leandro, 12 anos, vítima
de violência consentida ........................ 135
Chapter 41 Pode a criação de grandes centros escolares
e o fecho das pequenas escolas estar a
alimentar a violência contra os mais
fracos? ............................................ 137
Chapter 42 O que fazer com os directores que
encobrem os bullies? Reflexão. ............... 141
Chapter 43 ME não revela dados sobre escola de
Fitares. CDS agenda debate na AR sobre
bullying e violência escolar .................... 145
Chapter 44 Branquear é premiar os agressores e
insultar as vítimas ............................... 147
Chapter 45 Violência escolar nas salas de aula está a
aumentar, afirma a Coordenadora do
Gabinete de Segurança Escolar .............. 151
Chapter 46 Pais do Leandro admitem avançar com
processo contra a escola e contra os
alegados agressores ............................. 155
Chapter 47 As raízes do mal: por que razão fizemos da
escola um lugar onde é cada vez mais difícil
ensinar? ........................................... 157
Chapter 48 Os do costume voltam a aplicar velhas
receitas. Mas o ME, finalmente, vai acabar
com as provas de recuperação ................ 161
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 49 Memórias do Luís, um professor,


português, 51 anos, contratado, vítima de
bullying ........................................... 165
Chapter 50 O bullying também é um problema dos
adultos. Um post de Luís Silva ............... 169
Chapter 51 Isto sim, é grave! ................................ 173
Chapter 52 Não nos podemos dar ao luxo de não ouvir.
Seria tornar-nos parte da desumanização
que torna possível a violência ................ 177
Chapter 53 As faltas de castigo podem ter valor
pedagógico? Pode o castigo ajudar o aluno
a ganhar o hábito de ser responsável pelos
actos? ............................................. 179
Chapter 54 Um bom debate na TVI 24 sobre
indisciplina e violência na escola. O
representante do Conselho de Escolas
esteve muito bem ............................... 181
Chapter 55 Ministra da Educação: Vamos reforçar o
poder da suspensão preventiva da parte do
director. .......................................... 185
Chapter 56 Aluno esfaqueado à porta da escola. Não
podemos aceitar a banalização da violência
escolar ............................................ 187
Chapter 57 CDS leva ao Parlamento projecto que
reintroduz as faltas injustificadas e
simplifica processos disciplinares ............ 191
Chapter 58 Quatro casos graves de violência escolar
participados ao ME?!… Um elogio, uma
crítica e uma nota para Isabel Alçada ........ 193
Chapter 59 Ecos do projecto de alteração ao ECD nos
sindicatos e movimentos de professores ... 197
Chapter 60 A suspensão preventiva já existe. É preciso
ir mais além! ..................................... 201
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 61 Aluna de 10 anos morde, arranha, dá socos


e pontapés a professora ........................ 203
Chapter 62 Ana Drago (BE) não quer que se responda
à violência escolar com suspensões .......... 205
Chapter 63 Ricardo Silva no Opinião Pública da SIC
sobre indisciplina e violência escolares ..... 207
Chapter 64 Ricardo Silva no Opinião Pública sobre
indisciplina e violência na escola ............. 209
Chapter 65 Distinção entre faltas justificadas e faltas
injustificadas ..................................... 211
Chapter 66 Cavaco sobre a violência nas escolas: eu
penso que tem de ser feita alguma coisa
para combater esta situação .................. 215
Chapter 67 Um novo olhar para a suspensão dos
alunos da frequência das actividades lectivas 219
Chapter 68 José Gil relaciona a violência na escola com
a política governativa de não verdade ....... 223
Chapter 69 Fenprof quer violência contra docentes na
lista dos crimes públicos ....................... 225
Chapter 70 A banalização do mal. Cenas destas
acontecem com frequência dentro ou à
porta das escolas públicas ..................... 227
Chapter 71 Um novo olhar para a suspensão dos
alunos da frequência das actividades
lectivas - II ....................................... 231
Chapter 72 Portas: se a família é informada do
comportamento violento e não contribuir
para a sua resolução deve ser punida no
eventual apoio social que recebe do Estado. 235
Chapter 73 A proposta do CDS para travar a
indisciplina e a violência nas escolas ........ 239
Chapter 74 Fenprof apresenta medidas de reforço da
autoridade dos professores e de combate à
violência escolar. É chegada a altura de ver
Indisciplina, bullying e violência na escola

quem está contra a violência na escola e


quem anda a assobiar para o lado ............ 243
Chapter 75 O Bullying, a violência escolar e a
indisciplina e a falência das políticas sociais 247
Chapter 76 Aulas de 90 minutos versus aulas de 50
minutos. E por que não dar liberdade de
escolha às escolas? .............................. 251
Chapter 77 Américo Baptista, professor na Lusófona:
estes alunos quando um dia tiverem uma
dificuldade não vão saber lidar com a
frustração ........................................ 255
Chapter 78 Confusão no Parlamento sobre a
tipificação do crime de agressão a
professores. Vice do PS diz que já é crime
público, juristas dizem que não .............. 259
Chapter 79 Aplauso para o PGR ........................... 261
Chapter 80 O Projecto de Lei do CDS chega com oito
anos de atraso mas é hoje mais necessário
do que era em 2002 ............................ 263
Chapter 81 Aluno de 11 anos forçado a fumar haxixe
dentro da escola ................................. 265
Chapter 82 Pais associados na Cnipe criam linha de
apoio a vítimas de bullying .................... 267
Chapter 83 O Estatuto do Aluno tem 12 anos e a
indisciplina nas escolas não pára de
aumentar ......................................... 271
Chapter 84 Directores perdem o medo e começam a
falar sobre o Estatuto do Aluno .............. 273
Chapter 85 Rio devolveu o corpo do Leandro.
Resultados dos inquéritos ainda por
conhecer ......................................... 275
Chapter 86 Violência escolar? A culpa é da imprensa
livre e dos blogues! ............................. 277
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 87 Aprovados projectos de lei do CDS e do


PSD de alteração ao Estatuto do Aluno
com abstenção do PS e votos contra do BE
e do PCP ......................................... 279
Chapter 88 Projecto de lei do CDS: o apoio social
escolar deve poder ser reduzido quando os
pais manifestam negligência e desinteresse
continuados pelo absentismo dos filhos .... 281
Chapter 89 A indisciplina e a violência escolar são boas
para o negócio ................................... 283
Chapter 90 O negócio em torno dos alunos, famílias e
bairros problemáticos .......................... 287
Chapter 91 Pais acusam: escolas que participam casos
de violência são penalizadas na avaliação
externa ............................................ 291
Chapter 92 Propostas simples para melhorar a escola .. 295
Chapter 93 Criança norte-americana pode ser
condenada a prisão perpétua ................. 299
Chapter 94 Homicida com 12 anos julgado como
adulto, nos EUA ................................ 301
Chapter 95 É bullying? Não, é violência consentida .... 305
Chapter 96 Ministério Público arquivou inquérito
contra agressores que levaram Leandro ao
hospital ........................................... 309
Chapter 97 Medidas para combater o bullying na
escola ............................................. 311
Chapter 98 Ricardo Silva (Apede): Sobre o estatuto do
aluno, o currículo e os horários dos
professores ....................................... 313
Chapter 99 A Liberdade gera Vida. Páscoa Feliz! ....... 321
Chapter 100 Cef, Currículos Alternativos e Pief: lama
para os olhos ..................................... 325
Chapter 101 Como combater o bullying? .................. 329
Indisciplina, bullying e violência na escola

Chapter 102 Palavra dos professores vai valer mais ....... 333
Chapter 103 Resposta eficaz para o problema da
violência escolar, precisa-se! .................. 335
Chapter 104 A segunda morte do Leandro ................ 337
Chapter 105 BE e PCP dizem que a indisciplina nas
escolas tem diminuído. Ficaram retidos
para sempre na década de 70 do século
passado ........................................... 341
Chapter 106 Nos EUA, os bullies teriam sido expulsos
ou ido para a cadeia. Em Portugal, a culpa é
do porteiro ....................................... 343
Chapter 107 Em Portugal, os professores são insultados
e agredidos e nada acontece aos agressores.
Em Espanha, mãe de aluno que agrediu
professora à saída da escola apanha dois
anos de prisão ................................... 347
Chapter 108 Três medidas para salvar os adolescentes
que não querem estudar e violam
sistematicamente as regras de convivência
social .............................................. 351
Chapter 109 Um terço dos detidos por tráfico de droga
têm entre 16 e 21 anos de idade. A escola
pública regular não tem resposta para os
jovens delinquentes ............................ 355
Chapter 110 Ambientes escolares frouxos potenciam o
bullying. Verifique se a sua escola está
organizada para promover o bullying ....... 359
1
Reforço da
autoridade do
professor e
desburocratização
das funções
docentes são as
questões axiais da
condição docente

Enganam-se os que julgam que o estatuto da car-


reira docente e o modelo de avaliação de desem-
penho são as questões centrais da condição
docente e os problemas com maior capacidade

1
2 Indisciplina, bullying e violência na escola

de mobilização dos professores. O tempo da con-


testação em torno do ECD e da ADD já passou.
Finalmente, os professores acordaram para a
dura realidade imposta pela falência do Estado
Social. Sem riquezas naturais de vulto e depois de
décadas de esbanjamento, corrupção e mau gov-
erno, o Estado português não tem mais condi-
ções de respeitar os compromissos assumidos
com os governados. De Estado Social passou
para Estado Exíguo.
Isto quer dizer que as reformas dos professores,
bem como dos restantes funcionários públicos,
deixaram de estar garantidas. E a idade da
reforma não vai cessar de ser empurrada para
cima, sendo provável que atinja, muito em breve,
os 70 anos de idade.
A recente antecipação dos 6% por ano de penali-
zação para os funcionários públicos que queiram
reformar-se antes do tempo todo é apenas um
tímido sinal do que aí vem. A imposição do valor
dos salários de 2005 para efeitos de cálculo das
pensões é outro sinal do que está para vir.
Com o Estado Exíguo - essa “conquista” ganha
graças a décadas de mau governo e esbanjamento
Reforço da autoridade do professor e des- 3
burocratização…

- os professores com menos de 50 anos de idade


têm de se habituar à ideia de que terão de lec-
cionar até aos 70 anos de idade, sob pena de
levarem para casa o equivalente ao ordenado
mínimo nacional.
A grande questão de ora em diante é apenas uma:
como aguentar durante tanto tempo? Que condi-
ções de trabalho devem ser dadas aos professores
para poderem leccionar até aos 70 anos de idade?
Isso não é possível com as condições actuais:
indisciplina generalizada, falta de cortesia, vio-
lação das regras e normas de convivência social,
reuniões para tudo e para nada e planos e rela-
tórios sobre tudo e coisa nenhuma. A prestação
de contas só deve fazer-se de uma forma: exames
nacionais a todas as disciplinas.
As duas questões axiais da condição docente pas-
saram a ser o reforço da autoridade do professor
e a desburocratização das funções docentes. O
professor dá aulas e ponto final. Se fizer isso bem
feito já faz muito. Os conteúdos funcionais de
guarda, assistência social, terapeuta sexual,
administrativo e sociólogo devem ficar a cargo de
técnicos especializados nessas áreas.
4 Indisciplina, bullying e violência na escola

Notícias diárias de educação.


2
Professores exigem
revisão profunda do
estatuto do aluno

O estatuto do aluno precisa de ser fortemente


alterado. É demasiado permissivo e é um obstá-
culo à qualidade do ensino. E é uma fonte de bur-
ocracia. A acusação é feita pelos movimentos
independentes, sindicatos, bloggers e corre pelas
salas de professores.
João Dias da Silva, Presidente da Fne, resume a
situação desta forma: “quando o aluno falta quem
tem o castigo é o professor”. João Dias da Silva
refere-se aos planos de recuperação e às várias

5
6 Indisciplina, bullying e violência na escola

provas de recuperação que a legislação em vigor


obriga os professores a fazerem.
Ilídio Trindade, dirigente do MUP, afirmou ao
Público que “o aluno desobedece e não lhe acon-
tece nada”.
Ricardo Silva, dirigente da Apede, acusa: “o
regime de faltas é aplicado indiferenciadamente
aos alunos que faltam sistematicamente e de
forma injustificada e àqueles que realmente não
podem comparecer nas aulas por motivos como
doença”. Ricardo Silva, em declarações ao Púb-
lico, acrescentou que a legislação revela “descon-
fiança em relação ao professor ao impor legal-
mente medidas de apoio educativo que estes
sempre realizaram, acrescidas de um conjunto de
burocracias que tornaram a docência num autên-
tico inferno”.
A revisão do estatuto do aluno não tem implicações
financeiras. É uma medida de bom senso. A ministra da
educação já prometeu mexer na Lei 3/2008. A revisão do
estatuto do aluno é uma assunto que está em cima da
mesa negocial. A ministra da educação conhece a reali-
dade, tem bom senso e vai, com certeza, mexer na legis-
lação no sentido de uma maior responsabilização dos
alunos e simplificação dos processos. Mas uma lei só pode
ser alterada no Parlamento. Quem vai dar o primeiro
Professores exigem revisão profunda do… 7

passo na revisão da Lei 3/2008? O Governo? O grupo par-


lamentar do PS? Ou os partidos da oposição? Nesta
questão, há matéria para consenso. Notícias diárias de
educação.
3
Pais não aceitam
sanção disciplinar

Comportamento exemplar da Escola Secun-


dária Infanta Dona Maria e da DREC. Já quanto
aos pais do aluno…teria sido melhor aceitarem a
sanção.
Os pais de um aluno da Escola Secundária Infanta D.
Maria, em Coimbra, suspenso quatro dias por escrever um
texto insultuoso sobre uma professora, recorreram ao Tri-
bunal Administrativo por considerarem o castigo dema-
siado severo.
A Direcção Regional de Educação do Centro manteve
a decisão da escola, mas os pais propuseram uma provi-
dência cautelar para a suspender, invocando falhas na
forma como o processo disciplinar foi conduzido. Pedro
Santos, pai do aluno, de 16 anos, reconhece que o filho

9
10 Indisciplina, bullying e violência na escola

agiu mal e admite que a suspensão fosse de dois dias. Mas


considera exagerado o castigo aplicado a um aluno sem
problemas disciplinares anteriores, que não divulgou o
texto e pediu desculpa à docente.
A directora da escola, Maria do Rosário Gama, diz que
o estudante “teve um comportamento incorrecto” e que “a
situação foi grave”. Fonte: CM de 2/2/2010
Notícias diárias de educação.
4
Saiba por que razão
as escolas dos
jesuítas estão entre
as melhores do
Mundo

A organização pedagógica dos colégios jesuítas


foi influenciada pela cultura barroca. Ordem, dis-
ciplina e método constituíam as três caracterís-
ticas predominantes da pedagogia dos jesuítas.
A gramática, a filosofia, a lógica, a teologia ocu-
pavam lugar central no plano de estudos. A meto-
dologia mais vulgar consistia numa subtil mistura
de exposições do professor, leitura de textos,
exercícios e disputas orais. As famílias delegavam

11
12 Indisciplina, bullying e violência na escola

os seus poderes nos responsáveis pelos colégios:


“pelo facto de levarem os seus filhos aos jesuítas,
um pai de família compromete-se a aceitar os
princípios e a disciplina do colégio. No que se
refere ao internato, os jesuítas esforçar-se-ão até
onde for possível para oferecer aos educandos
uma atmosfera familiar e alegre; mas exercerão
sobre a criança a autoridade do pai ausente.
Encarregados pelos pais de darem aos alunos
uma educação cristã, não toleram que esse fim
seja comprometido pela dissolução - facto fre-
quente na época - em certos ambientes aristo-
cráticos. Assim, não queriam ver degradar-se, no
curso das suas vocações, pela preguiça e má con-
duta, os bons costumes que souberam inculcar
nos jovens.
Para saber mais
A Pedagogia dos Jesuítas - texto completo
Notícias diárias de educação.
5
A Pedagogia de Alain:
“educar é libertar da
barbárie”

O que é educar para Alain? “É libertar o homem


da barbárie primitiva, dar-lhe a conhecer o seu
poder para se governar a si próprio, e para não
acreditar sem provas. Tal é o fim essencial, e é um
fim urgente, porque a barbárie não deixa de ser
uma ameaça constante debaixo do verniz da cul-
tura.
Educar-se é dominar os movimentos violentos
que impulsionam a juventude, não suprimi-los,
mas dirigi-los de modo que a graça da criança de
manifeste como ardor na adolescência, mas regu-

13
14 Indisciplina, bullying e violência na escola

lamentada pelo juízo, o qual é, em última


instância, a verdadeira cortesia. A educação é
conquista a cada momento, mas sem que se
renegue as idades anteriores” (1).
Educar é, enfim, ajudar a criança o alcançar o
maior bem que há em si, com carácter de
potência, desbravando uma personalidade livre e
disciplinada. O reconhecimento da importância
da educação para a formação do ser humano,
levou Alain a criticar a educação elitista, incapaz
de responder aos anseios e necessidades de
todos, e não apenas de uma minoria. Os que mais
precisam de educação não são os mais inteli-
gentes e sabedores, mas os mais ignorantes. Só
uma educação de qualidade para todos pode criar
um povo educado. Sem isso, os poderes resvalam
para a tirania.
Na sua obra “Cidadão contra os Poderes”, Alain
chama a atenção para a relação entre ignorância
do povo e ditadura dos poderes. “A educação
deve dirigir-se a todos por igual, e em primeiro
lugar aos espíritos lentos, para não deixar que as
ovelhas sejam guardadas por um único génio”
(2).
A Pedagogia de Alain: “educar é libertar… 15

Para saber mais


A Pedagogia de Alain - texto completo
Notícias diárias de educação.
6
A sobrecarga das
funções do
professor

As transformações na sociedade e na estrutura da


família, identificadas atrás, obrigaram o poder
político a exigir cada vez mais da escola e dos
professores, atribuindo-lhes novas funções e
fazendo exigências cada vez mais acrescidas.
Contudo, a escola, só por si, não é capaz de
desempenhar as funções sociais que lhe são exi-
gidas. A sobrecarga de funções, tem retirado aos
professores energias e tempo para o desempenho
da sua função fundamental: o ensino. A assunção
das funções de apoio social e psicológico pelos

17
18 Indisciplina, bullying e violência na escola

professores, a par da crescente burocratização da


função educativa retiraram aos professores o
tempo disponível para a leitura, o estudo e a pre-
paração das aulas e conduziram a uma indefi-
nição do seu estatuto e imagem profissionais.
Em certa medida, é possível afirmar que o pro-
fessor foi deixando de ser um intelectual, um
“clerc” para passar a ser, cada vez mais, um téc-
nico e um burocrata. Contudo, a escola tem de
estar preparada para o desempenho das funções
de suplência da família, oferecendo um programa
educativo a tempo inteiro. A noção de escola a
tempo inteiro pressupõe um programa educativo
abrangente, que integre as três componentes cur-
riculares: a componente lectiva, a componente
de complemento curricular e a componente
interactiva. A primeira componente é obrigatória
e definida nacionalmente, dado que corresponde
ao conjunto dos saberes, organizados em disci-
plinas ou em áreas disciplinares comuns a todas
as escolas. Trata-se de uma componente caracter-
izada pela heterodeterminação programática, que
diz respeito ao conjunto dos saberes consti-
tuídos, ou seja, relaciona-se com a herança cul-
A sobrecarga das funções do professor 19

tural. A função de ensinar tem, nesta compo-


nente, toda a sua razão de ser. Contudo, a capaci-
dade para lidar com estas tremendas mudanças
sociais exige profundas alterações na forma como
se deve estruturar a componente lectiva.
O ensino deve acentuar o desenvolvimento de
capacidades de aquisição de novos conheci-
mentos, capacidades meta-cognitivas, o exercício
do pensamento crítico e da resolução de prob-
lemas. Para respondermos aos novos desafios,
temos de focar o ensino nos novos fundamentos
do currículo: não apenas os chamados “3 Rs”
( reading, writing and reasoning), mas também
os “3 Cs” (concern, care and connection). Para
além da leitura, da escrita e do cálculo, temos de
acentuar a aprendizagem do como pensar, do
como resolver problemas, do como lidar com a
mudança, do como cuidar dos outros, do como
estabelecer ligações duradouras e responsáveis
com os outros e do como nos podemos preo-
cupar com os outros. Na trilogia da leitura, da
escrita e do cálculo, estamos perante uma verda-
deiro regresso ao básico, aos velhos fundamentos
do currículo; na trilogia do como pensar, como
20 Indisciplina, bullying e violência na escola

resolver problemas e como lidar com a mudança,


estamos perante os novos fundamentos do cur-
rículo e na trilogia do como cuidar dos outros,
como estabelecer relações duradouras e respon-
sáveis e do como nos podemos preocupar com os
outros estamos perante um regresso às preocupa-
ções da educação clássica, numa eterna e sempre
inacabada procura de mais justiça e mais bon-
dade, preocupações essas que atravessam as
obras dos grandes filósofos, de Sócrates a Platão,
de Aristóteles a Santo Agostinho e de Kant a Kir-
kegaard.
Por mais importante que seja a componente lectiva, ela
não pode, por si só, proporcionar um programa educativo
capaz de corresponder às exigências que as mudanças na
sociedade e na família provocaram. Quando a escola
estende o seu programa educativo às actividades educa-
tivas, desportivas, artísticas, culturais e cívicas fica em con-
dições de desempenhar as funções de suplência da família
exigidas pelas enormes mudanças sociais ocorridas nas
últimas duas décadas e que a Lei de Bases do Sistema Edu-
cativo tão bem soube resumir no seu artigo 48º. O con-
junto dessas actividades livres corresponde à componente
de complemento curricular. Trata-se de uma componente
caracterizada pela autodeterminação programática rela-
cionada com os saberes a constituir. Em certas ocasiões da
vida da escola, é possível e desejável a integração das acti-
A sobrecarga das funções do professor 21

vidades desenvolvidas nas componentes lectiva e de com-


plemento curricular, oferecendo à comunidade envol-
vente os produtos culturais e artísticos que professores e
alunos foram capazes de criar.
Neste caso, estamos perante a componente interactiva.
Esta componente rege-se pelo princípio da codetermi-
nação educativa. A união de todas as componentes forma
a dimensão global da escola e rege-se pelo princípio da
sobredeterminação educativa. Uma escola concebida
desta maneira é verdadeiramente uma escola com auton-
omia pedagógica, integrada na comunidade e realmente
pluridimensional.
Para saber mais
Currículo e Valores - texto completoNotícias diárias de
educação.
7
Como dar uma
educação saudável a
um filho (menos de 10
anos) numa
sociedade que não o
é

Que a sociedade em que vivemos, apesar de


todos os direitos que a legislação consagra, não é
saudável é um facto perceptível por qualquer
mortal com inteligência mediana. Ainda assim, é
possível educar as crianças de forma saudável.
Veja como.

23
24 Indisciplina, bullying e violência na escola

1. Corte nas prendas. Dar prendas a toda a hora e


por tudo e por nada é meio caminho andado para
criar uma crianças caprichosa e inconstante.
Muitas prendas significam: a criança acaba por
não dar valor a nada. Prendas só no dia de aniver-
sário e no Natal. Se lhe apetecer dar uma prenda
noutras ocasiões opte por um livro. E habitue o
seu filho a dar os brinquedos que ele colocou de
lado.
2. Televisão, quanto menos melhor. O ideal seria
que os pais não tivessem televisão em casa ou,
tendo-a, raramente a ligassem. Sei que isso é
muito difícil. Mas limite o tempo passado a ver
TV e seleccione bem os programas. Quase tudo o
que passa nos canais generalistas é lixo tóxico
para as mentes das crianças. A televisão é quase
sempre uma droga pesada. Antes de o seu filho se
viciar em televisão, seja rigoroso na limitação do
tempo que ele passa à frente do televisor e selec-
cione bem os programas que ele pode ver. Nunca
coloque um televisor no quarto do seu filho nem
na cozinha da sua casa.
3. Não deixe o seu filho ver desenhos animados a
toda a hora. Em vez dos desenhos animados da
Como dar uma educação saudável a um filho… 25

TV, leve-o a ver bons filmes para crianças num


cinema perto da sua casa.
4. Coloque o seu filho nos escuteiros logo que ele
atinja os 6 anos de idade. Os escuteiros são uma
escola de cidadãos.
5. Se você professa uma religião, coloque o seu
filho na catequese ou nas actividades para
crianças conduzidas pelas autoridades religiosas
locais da sua confissão religiosa. Não espere que
ele atinja adolescência para tomar essa decisão. A
imersão numa herança religiosa é, regra geral,
positiva para o desenvolvimento da personali-
dade e do carácter e essa é uma decisão que deve
ser tomada pelos pais.
6. Crie uma rotina de estudo em casa e obrigue o
seu filho a cumpri-la. Quando se estuda, o tele-
visor, a rádio e todos os outros aparelhos electró-
nicos estão em modo off. Quando se estuda, há
silêncio absoluto em casa.
7. Evite música alta em casa. O barulho é inimigo
da tranquilidade. Opte, sempre que possível, pela
música clássica ou por música contemporânea de
qualidade. Não deixe entrar em sua casa música
pimba e de fraca qualidade.
26 Indisciplina, bullying e violência na escola

8. Tenha sempre à mão os dicionários, enciclopé-


dias e alguns autores clássicos e motive o seu
filho para a leitura dos clássicos.
9. Não deixe que o seu filho brinque com um
computador ou uma consola de jogos antes dos 8
anos de idade. E limite o tempo que ele passa
com a consola e com o computador. Quanto
menos tempo, melhor.
10. Coloque o seu filho numa boa escola de lín-
guas aos 8 anos de idade. E opte pela aprendi-
zagem do Inglês. Estimule o seu filho a aprender
Inglês até obter aprovação no exame Cambridge
Proficiency.
Notícias diárias de educação.
8
Como educar
saudavelmente um
adolescente numa
sociedade que não o
é

Que a sociedade em que vivemos, apesar de


todos os direitos que a legislação consagra, não é
saudável é um facto perceptível por qualquer
mortal com inteligência mediana. Ainda assim, é
possível educar os adolescentes de forma sau-
dável. Veja como. 1. Envolva o seu filho ou filha
em actividades de voluntariado: banco alimentar
contra a fome, visitas a pessoas idosas sós, etc.

27
28 Indisciplina, bullying e violência na escola

2. Dê-lhe uma mesada para os gastos do dia-a-dia


e exija que ele preste contas: onde gastou o din-
heiro e como o gastou. Faça-o sentir-se respon-
sável pelo controlo e aplicação do orçamento.
3. Se vive a menos de 30 minutos a pé da escola
ou dispõe de bons transportes públicos, não leve
o seu filho de carro de e para a escola. Diga para
ele fazer o caminho a pé, de bicicleta ou de trans-
porte público.
4. Reserve 15 minutos por dia para conversar
com o seu filho ou filha sobre a escola.
5. Nunca diga mal dos professores à frente do seu
filho. Se tem reclamações a fazer, peça uma
reunião ao director de turma.
6. Envolva o seu filho em associações desportivas
ou culturais que ofereçam bons programas de
ocupação de tempo livres e o insiram numa
comunidade com regras, responsabilidades e
hierarquia.
7. Não cubra o seu filho de presentes, gadgets
tecnológicos e roupas caras. Habitue-o a poupar
dinheiro da mesada caso ele queira comprar um
gadget tecnológico: smartphone, consola, iPod,
etc.
Como educar saudavelmente um adoles- 29
cente…

8. Tome nota de quem são os amigos e compan-


hias do seu filho. Obtenha informações sobre
quem são e o que fazem mas faça-o de forma res-
ervada e sem alaridos.
9. Quando o seu filho faz uma asneira, não deixe
passar em branco. Converse com ele sobre o
assunto, manifeste a sua opinião, mas faça-o sem
levantar a voz e sempre com tranquilidade.
10. Lembre-se de que a educação do carácter se
faz pelo exemplo, pela observação e pelos háb-
itos. Não faça nada que não gostasse de ver o seu
filho fazer. É uma regra de ouro difícil de
respeitar mas vale a pena o esforço.
Notícias diárias de educação.
9
Isabel Alçada: “É
importante que as
escolas revejam o que
pedem aos
professores. Os
professores têm
carga burocrática
elevada e isso cria
desânimo”

Pela primeira vez em muitos anos, uma ministra


da educação reconhece o óbvio e promete cor-
rigir os erros. Fá-lo numa entrevista à Visão.

31
32 Indisciplina, bullying e violência na escola

Sobre o excesso de burocracia


Os professores têm uma carga burocrática elevada e
isso cria um certo desânimo. É importante que as escolas
revejam o que pedem aos professores.
Sobre a revisão curricular
Os currículos não estão desactualizados nem têm erros.
Mas são muito extensos. Por isso, nem sempre o que é
estruturante é considerado essencial na aprendi-
zagem.Estamos a traçar as metas de aprendizagem em
cada nível educativo, em cada ano e em cada disciplina.
Para quê? Para distinguir o que é fundamental e nuclear
do que deve ser apenas um enriquecimento do aluno.
Temos de nos focar no que é essencial.Queremos que os
alunos e os professores saibam exactamente o que é
nuclear, o que tem de ser ensinado na sala de aula, desde o
pré-escolar ao secundário.
Sobre a precariedade dos professores contratados
É expectável que pessoas que trabalham há muito
tempo, em continuidade, tenham uma relação mais estável
com a entidade que os emprega.
Sobre o alargamento da escolaridade obrigatória
até aos 18 anos de idade
A obrigatoriedade abrangerá, sobretudo, as pessoas que
não iriam continuar os estudos - e estas optarão pelas vias
profissionais…Haverá um reforço das verbas para bolsas
de estudo para o ensino secundário. Queremos também
que os próprios percebam a vantagem da escolarização
Sobre o alargamento do pré-escolar
Isabel Alçada: “É importante que as escolas… 33

Vamos construir 134 novas salas para crianças de 5


anos, em Lisboa, e 47, no Porto. Abrangemos cerca de 10
mil miúdos.
Notícias diárias de educação.
10
O que os pais nunca
devem fazer

A psicóloga espanhola Maria Jesus Alava Reyes


esteve em Portugal a lançar o livro O Não
Também Ajuda a Crescer. O livro é um car-
dápio de conselhos para os pais. Fique com
algumas dica sobre o que não se deve fazer:
Pensar que as crianças não precisam de normas.
Tentar ser amigo em vez de exercer a parentalidade.
Proteger de mais os filhos, retirando-lhes as dificul-
dades do caminho.
Favorecer o consumismo. Gera uma insatisfação per-
manente.
Pregar sermões. Há que actuar antes com coerência e
firmeza.
Não reagir aos primeiros sinais de alarme.

35
36 Indisciplina, bullying e violência na escola

E eu acrescento outras coisas que não se devem fazer:


Dizer mal dos professores à frente dos filhos.
Pedir desculpa aos filhos por tudo e por nada, dando
sinais de fraqueza.
Fazer aquilo que não se quer que os filhos façam.
Mostrar, por palavras e actos, desprezo pelo trabalho e
pelo esforço.
Dar a entender, por palavras e actos, que a vida é um
festim.
Notícias diárias de educação.
11
Como responder à
crise e educar os
filhos de forma mais
equilibrada

Os períodos de crise são tempos de oportuni-


dade. A crise que Portugal atravessa deve-se a
duas ordens de razões: políticos incompetentes e
esbanjadores e um Povo que perdeu a noção do
que é essencial para a vida, optando por valorizar
o acessório.
A (má) educação tem muita coisa a ver com isto.
É possível responder à crise e fazer dela um tempo de
oportunidade? É. Veja como.

37
38 Indisciplina, bullying e violência na escola

1. Pare de comprar coisas desnecessárias. Reduza o


número de deslocações a centros comerciais. Pergunte
sempre antes de comprar: eu preciso mesmo disto? Eu
faço isso. Nunca compro coisas inúteis.
2. Dedique um dia a identificar as coisas inúteis que
tem em casa e faça uma limpeza geral. Dê o que tiver prés-
timo. Ponha no lixo o que não prestar. O espaço livre
aumenta e o trabalho de limpeza e arrumação diminui. Fiz
isso. A minha casa ficou com mais espaço. É mais agra-
dável viver nela.
3. Nunca compre a crédito. Compre só quando tiver o
dinheiro suficiente. Se não tem um emprego seguro, não
compre apartamento. Opte pelo arrendamento. Fica mais
livre para se deslocar à procura de trabalho.
4. Anule todos os seus cartões de crédito menos um.
Fique com apenas um cartão de crédito para quando se
desloca ao estrangeiro ou para fazer compras pela
Internet. Mas opte pelo pagamento sem recurso ao
crédito.
5. Fique apenas com um telemóvel. Deite fora ou
ofereça os outros. O mesmo para os portáteis e restantes
gadgets tecnológicos.
6. Se trabalha a menos de 30 minutos a pé da sua
escola, deixe o carro na garagem. Se vive só e trabalha
perto da escola, já pensou na possibilidade de vender o seu
carro? Não precisaria de fazer revisões, inspecções, pagar o
imposto de circulação nem perder tempo em filas para
meter gasolina. Os 30 mil euros do preço do carro dariam
para dezenas de viagens de sonho de avião.
Como responder à crise e educar os filhos… 39

7. Coma menos. O excesso de calorias faz mal à saúde.


O estômago habitua-se a muita e a pouca comida. Opte
por comer pouco de cada vez. O truque é parar de comer
antes de ter a sensação de barriga cheia. Comer pouco faz
bem à saúde e à carteira.
8. Certifique-se de que tem todas as luzes apagadas
com excepção da sala onde está a trabalhar, a ler ou a con-
versar.
9. Fique apenas com um televisor em casa. Ofereça os
outros. Tenha-o o desligado quando não estiver interes-
sado em ver televisão.
10. Opte por tomar banhos diários rápidos. Três min-
utos no duche são suficientes. Fiz isso e passei a comprar
apenas duas garrafas de gás de 45 quilos por ano.
Notícias diárias de educação.
12
Com este Estatuto do
Aluno é impossível
combater o bullying

A SIC voltou esta noite a divulgar o caso da aluna


do Montijo vítima de bullying. Não vou entrar
em pormenores. O caso é conhecido: uma aluna
que tem sido vítima de múltiplas agressões por
outras colegas da escola. A situação arrasta-se
desde Setembro de 2009 sem que a escola tenha
meios para o resolver.
Patética a posição do director da escola: não resolve o
problema e limita-se a desvalorizar.
No ano passado, houve mais de 6 mil ocorrências tipifi-
cadas como bullying. O bullying alastra no país. Os agres-
sores ficam quase sempre impunes. As vítimas ou mudam

41
42 Indisciplina, bullying e violência na escola

de escola - quando os pais têm poder económico para isso


- ou desistem de estudar.
Os pais dos agressores colocam-se, regra geral, a favor
dos filhos, desvalorizando as agressões e encobrindo os
actos. Professores e directores têm uma enorme dificul-
dade em reunir provas. Ninguém quer dar a cara. E
quando os professores conseguem reunir provas ficam
paralisados devido a um Estatuto do Aluno que protege os
agressores e impede que se faça justiça.
Notícias diárias de educação.
13
Um anjo no Céu.
Professores das
escolas públicas sem
meios para travar o
bullying

É mais um caso de bullying. Só que desta vez


acabou em tragédia. Mais uma vítima, ao lado de
tantas outras, que, em silêncio, sofrem as conse-
quências da ausência de meios para travar os bul-
lies. Sem liberdade de escolha, sem meios nem
alternativas a uma escola pública que fecha os
olhos às agressões sistemáticas, os pais desta
criança perderam o filho quando seria tão fácil
mudá-lo de escola caso as políticas públicas de

43
44 Indisciplina, bullying e violência na escola

educação permitissem a ricos, remediados e


pobres, escolherem a escola onde pretendem
matricular os filhos.
Notícias diárias de educação.
14
Shame on you! Na
escola do Leandro
ontem foi um dia
normal.

Ontem, na escola do Leandro, foi um dia normal.


Nem luto nem explicação pela morte do
Leandro, um rapaz de 12 anos, a primeira vítima
mortal de bullying. Os pais acusam a escola de
pouco ou nada ter feito para travar as agressões
de alunos mais velhos.
O Leandro era vítima de agressões físicas por parte de
colegas. Uma das agressões atirou o Leandro para o hos-
pital. Na terça-feira passada, o Leandro atirou-se ao rio
cansado de levar pancada de colegas da escola. Cansado

45
46 Indisciplina, bullying e violência na escola

da inércia de quem tinha por obrigação protegê-lo.


Ontem, foram poucos os blogues de professores que dedi-
caram espaço ao caso. Revelador! O espaço foi ocupado
por questões de Estatuto da Carreira Docente e avaliação
de desempenho.
Ainda procurarei lançar campanha entre os 3400 segui-
dores que tenho no Facebook para um minuto de silêncio
em todas as escolas, mas não tive resposta.
Ontem Christian não foi à escola. Mas na escola dele -
E.B. 2,3 Luciano Cordeiro, onde partilhava o 6º ano com
Leandro -, o dia foi normal. Nem portas fechadas nem luto
nem explicação. O porteiro do turno da tarde entrou às 15
horas, bem disposto. “Sou jornalista, queria uma entre-
vista”, ironizou. Tiro no pé. O JN estava lá. Perdeu o
humor, convidou-nos a sair “já”. A docente que saía do
recinto também foi avisada, inverteu a marcha, já não saiu.
Havia motivos para baterem tantas vezes no Leandro?
Responde Christian: “Todos batem em todos”. JN de
4/3/2010
A ministra da educação esteve bem: mandou abrir
inquérito para apurar responsabilidades. Mas é preciso
fazer mais: por exemplo, alterar rapidamente o estatuto do
Aluno. Dar poder aos directores das escolas para casti-
garem, com severidade e rapidez, os agressores.
Os principais agressores estão identificados. Vão ficar
impunes? Vão beneficiar do encobrimento?
Se se provar que houve negligência da escola, tem de
ser feita justiça. Para exemplo de todos. Para que se ponha
um travão à insensibilidade dos portugueses. Estiveram
Shame on you! Na escola do Leandro ontem… 47

também bem os editores dos seguintes blogues de profes-


sores que dedicaram espaço ao caso:
A preto e brancos e a cores
Pérola de Cultura
Anabela Magalhães
Para saber mais
O vídeo do Correio da Manhã com a história toda
Um anjo no Céu: não há responsáveis?
Somos todos culpados
Notícias diárias de educação.
15
Quem morreu? Um
rapazito pobre, do
interior, coisa
pouca…Um post do
Jorge Arriaga

Há meses que o Jorge Arriaga não escrevia no


ProfBlog. Tenho pelo Jorge Arriaga um enorme
respeito. Por duas razões: não tem medo (dá o
nome e a cara) e não obedece ao politicamente
correcto. Obedece apenas às ordens da razão e da
procura da verdade. Já não há muitos professores
como ele. Ele explica porquê. Não quis calar a
revolta. E fez bem. A morte do Leandro, um
rapaz de 12 anos, que escolheu as águas do rio

49
50 Indisciplina, bullying e violência na escola

para pôr fim às agressões de que foi vítima,


durante mais do ano, sem que a escola lhe desse a
protecção a que tinha direito, obrigou o Jorge
Arriaga a quebrar o silêncio.
O Jorge Arriaga tinha avisado aqui, há cerca de 3 meses,
que ia haver mais alunos mortos à beira da escola. Infeliz-
mente, o Jorge Arriaga tinha razão.
Muita gente já escreveu neste blogue acerca da vio-
lência nas escolas portuguesas. Começando pelo autor do
blog, e passando por exemplo pela minha modesta pessoa.
Certa vez, quando contei alguns episódios de violência,
um então habitual comentador a soldo da Situação
chamou-me mentiroso, disse que eu estava a inventar para
manchar a bela obra de Lurdes Rodrigues & C.a.
Chamou-me louco, disse que eu devia estar internado. Ah,
que pena que tenho de estar eu certo e de o louco ser
ele…
Já morreram alunos nas nossas escolas, este é mais um.
Mais se seguirão, e não apenas alunos, tal é o despudor
dos incompetentes que prosseguem no erro, por orgulho e
interesses que só eles saberão quais são. Reina o medo.
Quem denuncia a violência tem má nota em “relaciona-
mento interpessoal”, e, bem pior que isso, fica exposto a
represálias profissionais, e a represálias físicas, da parte dos
marginais. E NINGUÉM vem em socorro do professsor
que ousa intervir. Nem as vítimas, por medo de levar mais,
nem os pais das vítimas, que, bem à Portuguesa, “não
querem é problemas”.
Quem morreu? Um rapazito pobre, do inte- 51
rior…

A minha tristeza é mais do que consigo explicar. A minha


vergonha, a minha revolta, a minha desilusão, não tenho
palavras para as exprimir.
Quem morreu? “Um rapazola, servente de pedreiro”,
como escreveu Cesário Verde num poema. Foi um rapa-
zito pobre, do Interior, coisa pouca… Siga o descalabro!
Notícias diárias de educação.
16
A morte do Leandro,
12 anos, vítima de
bullying, não
mereceu uma palavra
da Fenprof e da Fne

Eu sei que a Fenprof e a Fne andaram esta


semana atarefadas na preparação da greve geral
da administração pública. Mas isso não desculpa
o esquecimento que as duas federações sindicais
de professores votaram o caso dramático que
aconteceu a um aluno de uma escola de Miran-
dela.

53
54 Indisciplina, bullying e violência na escola

Pior ainda esteve o Sindicato dos Professores do Norte


SPN: apesar de a escola de Mirandela ficar na sua área de
influência, nem uma palavra dedicou ao caso.
Os movimentos de professores também ficaram mal
na fotografia: nem uma palavra.
Quem morreu? Um rapazito pobre, do Interior,
coisa pouca…
A primeira vítima mortal de bullying devia merecer
uma palavra dos sindicatos. Até porque também há profes-
sores vítimas de bullying nas escolas.
Os sindicatos fazem bem em dedicar recursos e energia
à luta por um ECD e uma avaliação de desempenho mais
justas, mas fazem mal em esquecerem um dos problemas
que mais afecta negativamente o bem-estar de alunos e
professores das escolas públicas: o bullying, a indisciplina
e a violência verbal e física nas escolas.
O colega Jorge Arriaga resumiu magistralmente os
efeitos desse encobrimento num texto que volto a pub-
licar:
Muita gente já escreveu neste blogue acerca da vio-
lência nas escolas portuguesas. Começando pelo autor do
blog, e passando por exemplo pela minha modesta pessoa.
Certa vez, quando contei alguns episódios de violência,
um então habitual comentador a soldo da Situação
chamou-me mentiroso, disse que eu estava a inventar para
manchar a bela obra de Lurdes Rodrigues & C.a.
Chamou-me louco, disse que eu devia estar internado. Ah,
que pena que tenho de estar eu certo e de o louco ser
ele…
A morte do Leandro, 12 anos, vítima de… 55

Já morreram alunos nas nossas escolas, este é mais um.


Mais se seguirão, e não apenas alunos, tal é o despudor
dos incompetentes que prosseguem no erro, por orgulho e
interesses que só eles saberão quais são. Reina o medo.
Quem denuncia a violência tem má nota em “relaciona-
mento interpessoal”, e, bem pior que isso, fica exposto a
represálias profissionais, e a represálias físicas, da parte dos
marginais. E NINGUÉM vem em socorro do professsor
que ousa intervir. Nem as vítimas, por medo de levar mais,
nem os pais das vítimas, que, bem à Portuguesa, “não
querem é problemas”.
A minha tristeza é mais do que consigo explicar. A minha
vergonha, a minha revolta, a minha desilusão, não tenho
palavras para as exprimir.
Quem morreu? “Um rapazola, servente de pedreiro”,
como escreveu Cesário Verde num poema. Foi um rapa-
zito pobre, do Interior, coisa pouca… Siga o descalabro!
Notícias diárias de educação.
17
Um anjo no Céu – uma
tragédia que não
pode ser branqueada
nem esquecida!

A tragédia de que o Leandro foi vítima não pode


de forma alguma ser branqueada nem esquecida.
Ela fala-nos da maior e mais nobre missão da
escola – educar!
E há muitas preocupações à volta dos alunos
ditos problemáticos, com comportamentos dis-
ruptivos – alguns deles de meios desfavorecidos
outros nem tanto, não há exclusivo em questões
de violência, ela existe também como uma forma
de expressar mal-estar, como forma de comu-

57
58 Indisciplina, bullying e violência na escola

nicar e os psicólogos pensam que é um bom sinal


quando as crianças ou os jovens falam de si, cha-
mando a atenção do adulto (com limites natural-
mente).
A questão que se coloca é Qual a reacção do
adulto? Como é que a atitude da criança ou do
jovem é enquadrada pelo adulto e que tipo de
resposta tem? Num mundo em que os direitos da
criança ganham relevância, e muito bem,
esquece-se que a criança e o jovem, para cres-
cerem estruturados, também precisam, de acordo
com a sua idade, de aprender a lidar com a frus-
tração, a resolver problemas, a enfrentar o insu-
cesso. Não há outra forma mas também a escola
tem uma palavra importante a dizer a este
respeito.
Se é verdade que cada aluno é uma pessoa que
tem que ser enquadrada no seu meio ambiente e
entendida a partir daí, também é verdade que não
pode haver hesitações quando o problema existe
a este nível – por muito entendimento que se
tenha sobre uma criança ou um jovem, ele tem
que sentir que há limites que não podem de
forma alguma ser ultrapassados, caso contrário
Um anjo no Céu – uma tragédia que não… 59

estamos a deseducar, estamos a dar códigos


errados, contrários aos efeitos que desejamos.
E quantas vezes alternativas curriculares como
Cef, CA e Pief não são mais do que uma forma
fácil de certificar alunos com comportamentos
disruptivos? E quando assim é, como ajudamos
estes jovens ou estas crianças? Se nem sequer
conseguimos ajudá-los a integrarem-se de uma
forma sadia na sociedade, o que ganham eles por
terem frequentado estas alternativas? Se não é,
pelo menos, para aprenderem a lidar de uma
forma mais sadia consigo mesmos e com os
outros, para que foi que existiu? E não estamos a
ser honestos com eles porque, se assim for, mais
tarde ou mais cedo, eles ver-se-ão confrontados
com actos de grande violência como este do
Leandro – o que estarão a sentir os responsáveis
por esta “brincadeira”?… Não estarão agora a
pensar que teria sido bom que alguém lhes
tivesse colocado limites?! Que educação, que for-
mação queremos nós dar às crianças e aos jovens
que a sociedade nos confia? Ou, porventura,
achamos que eles sozinhos, habituados a rela-
60 Indisciplina, bullying e violência na escola

cionar-se de forma disruptiva, irão, por si


mesmos, alterar os seus comportamentos?!…
Qual a missão da escola?
Não vale a pena atirarmos pedras uns aos outros
porque todos, enquanto sociedade, temos
responsabilidade no lugar que nos cabe. Parece-
me que um dos problemas da educação é esta
falta de coordenação entre os adultos que
educam e que, frequentemente, não sabem como
representar o seu papel, correndo-se o risco de se
representar um papel que não é o nosso, ou de
representarmos mal o nosso papel… E quantas
vezes desnorteamos as crianças com códigos con-
traditórios que só estimulam os seus comporta-
mentos disruptivos?!…
Temos que ser honestos, tanto com a criança ou
jovem que é vítima, como com a criança ou
jovem que é agressor!Para saber mais
Um anjo no Céu – professores das escolas
públicas sem meios para travar o bullying
Um anjo no Céu – II. Não há responsáveis? E
o Estatuto do aluno mantém-se como está?
Um anjo no Céu. Um poema de Isabel Fidalgo
Um anjo no Céu – uma tragédia que não… 61

Shame on you! Na escola do Leandro ontem


foi um dia normal
Quem morreu? Um rapazito pobre, do inte-
rior, coisa pouca… Um post do Jorge
ArriagaNotícias diárias de educação.
18
Pais querem retirar
apoios sociais a
alunos violentos.
Obviamente. Essa
medida já devia ter
sido tomada há
muito

O Presidente da Confap veio a terreiro falar


sobre a violência nas escolas. E disse que o Gov-
erno vai alterar em breve o Estatuto do Aluno
com o objectivo de permitir a retirada de apoios
sociais a alunos violentos. A ministra da educação
é sensível ao tema e já disse aos sindicatos que

63
64 Indisciplina, bullying e violência na escola

aceita rever o Estatuto do Aluno de forma a dar


mais autoridade aos professores e agilizar o com-
bate à indisciplina, violência e bullying em meio
escolar.
Saúdo a disponibilidade do Ministério da Edu-
cação para alterar o Estatuto do Aluno, assim
como a iniciativa da Confap.
Muito me admira que o Estado continue a sub-
sidiar alunos que vão à escola para aterrorizar e
torturar colegas mais novos ou mais fracos.Per-
mitam-me alguma sugestões:
1. Castigos até dois dias de suspensão devem
poder ser decretados pelo director da escola em
processo sumário sem necessidade de levanta-
mento de processo disciplinar.
2. Os pais têm o direito ao recurso mas apenas
depois do cumprimento da sanção pelo aluno. Os
efeitos da decisão do director são imediatos.
3. Os “castigos” do tipo “varrer o pátio” não têm
eficácia. Devem ser substituídos por sanções mais
eficazes e punitivas: suspensão de 1 a 8 dias de
frequência das aulas. No caso de os pais não
terem quem tome conta do aluno em casa, os ser-
viços de segurança social devem providenciar o
Pais querem retirar apoios sociais a alunos… 65

apoio necessário, recorrendo, se for necessário, a


serviços especializados em apoio domiciliário
para os casos de alunos com menos de 12 anos de
idade
4. O director da escola deve ter poder para sus-
pender o aluno da frequência das aulas até 8 dias.
Quando os pais concordam com a sanção não há
lugar a processos disciplinares.
5. Casos graves de bullying prolongado devem
ser punidos com a transferência de escola dos
agressores. A pedido dos pais, pode haver lugar à
transferência de escola dos alunos vítimas de bul-
lying. Essa transferência pode, em certos casos,
ser feita para colégios particulares. Nestes casos,
o Estado cobre as despesas das propinas.
Nota final: soube há pouco pela RR que 5 organi-
zações de defesa dos direitos humanos, entre elas
a Amnistia Internacional, exigem que as averigua-
ções sobre as causas da morte do Lenadro sejam
apuradas e os responsáveis punidos. As cinco
organizações de defesa de direitos humanos
apelam à realização de 1 minuto de silêncio em
todas as escolas portuguesas, na próxima
segunda-feira. O ProfBlog junta-se a elas no
66 Indisciplina, bullying e violência na escola

apelo ao minuto de silêncio.Notícias diárias de


educação.
19
Santana Castilho:
falta ao sistema de
ensino uma visão
estratégica clara
sobre o que queremos
das escolas

Mais frases de Santana Castilho no seminário


realizado esta tarde em Santarém:
O paradigma da escola a tempo inteiro é termos as
crianças na escola mais tempo que os trabalhadores estão
nas empresas. Encerrar uma criança numa escola durante
dez horas é um crime.
O que os professores devem fazer é ensinar. Se o
fizermos bem estamos a contribuir para os processos edu-

67
68 Indisciplina, bullying e violência na escola

cacionais. O excesso de funções não directamente ligadas


ao ensino prejudica as tarefas de instrução.
O primeiro problema que se põe à gestão escolar é a
confusão curricular reinante, a multiplicidade de metas e
objectivos e a falta de simplicidade nos processos.
O que falta ao sistema de ensino é uma visão estratégica
clara sobre o que queremos das escolas.
A escola hoje é um repositório de todos os problemas
que a sociedade não conseguiu resolver. Os políticos
exigem às escolas que resolvam os problemas que eles
criaram ou não sabem resolver.
As escolas precisam de fazer escolhas claras e certas.
Gerir é fazer bem. Administra é fazer certo. O ME lança
sobre as escolas normativos e exige que os directores
administrem. Em vez de gerirem, os directores adminis-
tram.
É impossível gerir 140 mil professores e 2000 agrupa-
mentos na base da desconfiança. O ME sempre descon-
fiou dos professores. mas está num dilema: não pode gerir
bem o sistema se não confiar nos professores. Mas não
confia. Logo, não pode gerir o sistema. A desconfiança
tomou conta do sistema a todos os níveis.
Uma organização só deve procurar resolver os prob-
lemas para os quais há meios de resolução. As escolas púb-
licas são confrontadas com a exigência de resolverem
problemas para os quais não estão vocacionadas nem têm
meios. O mal-estar e a desmotivação dos professores
resulta muito disso.
Santana Castilho: falta ao sistema de… 69

Outro problema grave do nosso sistema de ensino é o


número de horas que as crianças passam na escola: em
muitos casos 40 horas por semana.
Outro problema é o excesso de áreas curriculares e dis-
ciplinas. O currículo tem de se centrar apenas no essencial.
naquilo que merece a pena ser ensinado.

Notícias diárias de educação.


20
Santana Castilho:
não é possível gerir
as escolas de forma
autocrática

Mais frases do seminário desta tarde:


Como é possível que os directores aceitem que os edifí-
cios escolares sejam geridos pela Parque Escolar? São
directores de quê? Apenas do pessoal?
Qual é o problema da gestão das escolas? Não há ges-
tores de escolas; há apenas administradores. Medida
óbvia: conferir às escolas uma ampla autonomia.
O que é que eu entendo por autonomia ampla?
Dar poderes aos directores e reduzir o poder de inter-
venção das DRE.
É preciso um modelo de gestão que entregue poderes
de gestão e não apenas de administração aos directores.

71
72 Indisciplina, bullying e violência na escola

Não é possível um modelo de gestão autocrática nas


escolas. As reformas educativas devem ser consensuali-
zadas. Não podem ser impostas contra os professores. Isso
pressupõe bom senso e conhecimento da realidade das
escolas por parte dos decisores políticos.
As escolas precisam de estabilidade. Não podem ser
confrontadas a toda a hora com novos normativos e
mudanças de procedimentos.
Não há sistema que resista a tanta confusão e a tantos
normativos contraditórios.

Notícias diárias de educação.


21
A escola de
Mirandela falhou.
Morreu uma criança
no exacto momento
em que devia estar
numa aula

A missão principal da escola é ensinar o que


merece ser ensinado. Mas a primeira missão da
escola é garantir a integridade física dos alunos.
Quando a escola não cumpre a sua primeira
missão, não está em condições de assegurar a sua
missão principal. Uma escola que não garante a
integridade física dos alunos falha em toda a

73
74 Indisciplina, bullying e violência na escola

linha. Há muitas escolas públicas do País que não


conseguem garantir a sua primeira missão. E,
claro, ficam impedidas de assegurar a sua prin-
cipal missão.
A escola do Leandro falhou no dever de asse-
gurar a integridade física do Leandro. E tudo
parece indicar que também falhou no dever de
responsabilizar e castigar os agressores.
Haja ou não pessoas na escola, directa ou indirec-
tamente responsáveis pela morte do Leandro, - e
só um inquérito independente pode ajuizar e
concluir por uma coisa ou outra - a escola falhou
na sua primiera missão. É um facto inquestio-
nável: uma criança de 12 anos foi agredida, meses
a fio, por colegas mais velhos, que já estarão iden-
tificados, e que continuam a frequentar as aulas
como se nada de grave tivesse acontecido. Essa
criança foi ameaçada ou agredida minutos entes
de trocar uma aula por um mergulho mortal no
rio. Um mergulho que lhe tirou a vida. O
Leandro avisou: “vou-me atirar ao rio, já não me
batem mais”. Ninguém ouviu o pedido de auxílio
do Leandro.
A escola de Mirandela falhou. Morreu uma… 75

No mínimo, seria de esperar um imediato pedido


de demissão do director da escola. Mas só se
ouviu silêncio. No mínimo é de esperar que a
DREN demita o director. Ainda não se ouviu
nada. No mínimo é de esperar que os agressores
sejam severamente punidos. Ainda não acon-
teceu nada.
Um antigo ministro das obras públicas demitiu-
se do cargo um dia depois da ocorrência da trag-
édia na ponte de Entre-os-Rios. Foi um gesto
honrado. Por analogia, seria de esperar o mesmo
do director da escola de Mirandela.
A única coisa que aconteceu foi a morte do
Leandro, um rapazito de 12 anos, pobre e do
Interior…Coisa pouca.Notícias diárias de edu-
cação.
22
Bullying UK: uma
porta de entrada
para conteúdos
digitais para travar
o bullying e castigar
os bullies

Em Portugal, trata-se o fenómeno do bullying


com a mesma ligeireza com que se trata o crime e
os criminosos. Há uma cultura de irresponsabili-
dade e de imprudência que contamina o carácter
e a prática dos portugueses. E isso reflecte-se no
mundo das escolas.

77
78 Indisciplina, bullying e violência na escola

O bullying é visto como uma coisa entre rapazes e


raparigas. Uma coisa que passa com o tempo e que não
deixa marcas. Ninguém se quer comprometer no combate
ao fenómeno. Uns porque têm medo, outros porque não
querem maçar-se e outros ainda porque até acham que é
coisa de miúdos.
E quando acontece uma tragédia, como aconteceu em
Mirandela, a tendência é para desculpabilizar os bullies -
afinal, também têm problemas familiares, são vítimas de
desleixo dos pais e outras desculpas do género -, e para
silenciar a revolta das vítimas.
O fenómeno do bullying é universal. Mas há países que
responsabilizam os bullies, castigando-os, impedindo-os
de frequentar a escola e, quando necessário e possível,
processando-os criminalmente. A ideologia da escola
inclusiva trata os agressores da mesma forma que as
vítimas. É uma ideologia que impede o combate ao bul-
lying. É, na verdade, o húmus onde medram os bullies.
Pois, se os bullies têm direito a frequentar a escola até aos
18 anos de idade, e os que provêm de famílias com baixos
rendimentos até têm direito a subsídios do Estado, como é
que se pode evitar que nasça neles a arrogância e o senti-
mento de impunidade?
A primeira forma de combater o bullying e os bullies é
dar poder aos directores das escolas para suspenderem, de
forma sumária e imediata, alunos identificados como
tendo comportamentos de bullying. E, nos casos mais
graves, dar poder às DRE para os expulsar da escola reg-
ular, criando escolas de segunda linha para acolher alunos
violentos. Mas isso é coisa que nunca verei no nosso país
Bullying UK: uma porta de entrada para… 79

porque faz parte da natureza das elites que controlam o


poder político e educacional desresponsabilizar os agres-
sores e ignorar as vítimas.
Se quiser ter acesso a blogs e websites sobre bul-
lying, visite e siga o Google Profile da organização
BullyingUK
Notícias diárias de educação.
23
Movimentos de
professores e
blogueiros unidos na
homenagem ao
Leandro: na segunda-
feira, às 11:00,
professores de todo
o país fazem um
minuto de silêncio

Depois de 5 ONG de defesa dos direitos


humanos, Amnistia Internacional, OIKOS, AMI,
APAV e Margens, terem publicado uma Carta

81
82 Indisciplina, bullying e violência na escola

Aberta e apelado aos professores e funcionários


escolares para fazerem, amanhã, um minuto de
silêncio em homenagem ao Leandro, o movi-
mento cívico contra o bullying alastrou na blo-
gosfera, no Facebook e no Twitter.
Os movimentos de professores, Apede, PROmova e
MUP, aderiaram à iniciativa e publicaram a Carta Aberta
nos blogs oficiais. E os blogueiros fizeram o mesmo. Sem
querer ser exaustivo, identifiquei os seguintes blogs que
responderam ao apelo das 5 ONG de defesa dos direitos
humanos:
Correntes
Peroladecultura
Emapretoebrancoeacores
AnabelaMagalhães
DardoMeu
DearLindo
Seleccionei propositadamente esta foto para ilustrar o
post porque é um exemplo de um país com escolas onde
não existe quase nada mas onde a indisciplina, a violência
e o bullying são desconhecidas de todos. Podem cobrir as
paredes das escolas portuguesas de mármore e de quadros
digitais. Sem respeito nem responsabilidade, não se pode
educar nem ensinar. Onde não existe humildade, sobra a
arrogância. E a arrogância é a fonte de onde jorra o bul-
lying.
Notícias diárias de educação.
24
Hoje às 11:00, minuto
de silêncio em todas
as escolas do País em
memória do Leandro
e contra o bullying

O apelo de 5 ONG - Amnistia, Oikos, Margens,


APAV e AMI - para um minuto de silêncio, hoje,
às 11:00, não caiu em saco roto. Houve quem
ignorasse o apelo e houve quem o secundasse.
Entre os primeiros, os sindicatos. Nem uma pal-
avra sobre o assunto. Longe das escolas, prote-
gidos no aconchego dos gabinetes, os dirigentes
sindicais olham para a violência escolar, o bul-
lying e a indisciplina com os mesmos olhos das

83
84 Indisciplina, bullying e violência na escola

autoridades educativas: desvalorizando o fenó-


meno, assobiando para o lado, desculpabilizando
os agressores, colocando agressores e agredidos
no mesmo plano e atribuindo as culpas à socie-
dade.
Nem uma apalavra no website da Fenprof.
Nem uma palavra no website da Fne.
Nem uma palavra no website do SPnorte
Nem uma palavra no website do Sindep.
Quem morreu? Um rapazito, pobre e do Interior.
Coisa pouca…
Nem uma palavra no wesbite da DREN/Direcção
Regional de Educação do Norte
Mas ainda há quem esteja do lado dos fracos, das
vítimas e dos injustiçados.
O MUP, o PROmova e a Apede publicaram a Carta
Aberta das 5 ONG e apelaram ao minuto de silêncio.
E o apelo teve eco nos blogues de professores.
Correntes
Peroladecultura
Emapretoebrancoeacores
AnabelaMagalhães
DardoMeu
DearLindo
OutroOlhar
Notícias diárias de educação.
25
Da inutilidade da
escolaridade
obrigatória. O debate
necessário para
travar a
deterioração do
ensino secundário
nas escolas públicas

Os portugueses habituaram-se a decretar dir-


eitos, julgando que a simples publicação de um a
lei ou normativo no Diário da República é sufi-
ciente para resolver os problemas do Mundo.

85
86 Indisciplina, bullying e violência na escola

Foi assim com a Lei 85/2009, que alarga a esco-


laridade obrigatória até aos 18 anos de idade.
Uma Lei que vai estender os problemas do bul-
lying, violência escolar, indisciplina, carga buroc-
rática dos professores e construção fraudulenta
do sucesso escolar ao ensino secundário.
Há um debate a fazer sobre a relação custo/bene-
fício do alargamento da escolaridade obrigatória
até aos 18 anos de idade.Os planos de recuper-
ação, os relatórios para justificar uma simples
reprovação, os constrangimentos administrativos
e institucionais ao combate à indisciplina e à vio-
lência escolar vão tornar a missão dos professores
do ensino secundário simultaneamente perigosa
e de uma complexidade para a qual não dispõem
nem de recursos nem de tempo. Ensinar vai
tornar-se uma quase impossibilidade nas turmas
com alunos que acumulam falhas de conheci-
mento e ausência de competências cognitivas e
sociais.
Adivinha-se o descalabro do ensino secundário
público com a consequente fuga dos alunos da
classe média que irão procurar refúgio, segurança
e ambientes ordeiros e tranquilos nos colégios.
Da inutilidade da escolaridade obrigatória… 87

As escolas secundárias públicas serão, nos próx-


imos anos, vítimas de uma sangria de alunos
como nunca visto na História de Portugal dos
últimos cinquenta anos.
Em vez de uma lei a garantir a escolaridade obri-
gatória até aos 18 anos, o nosso País precisa de
um lei que diga apenas isto:
O Estado assegura o acesso livre, gratuito e universal a
todos os portugueses, com mais de 5 anos de idade, que
queiram estudar.
A maior parte dos problemas que afectam a credibili-
dade e a eficácia das escolas públicas têm que ver com o
facto de albergarem algumas crianças e adolescentes que
não querem estudar. Sujeitar essas crianças e adolescentes
à obrigatoriedade de frequentarem a escola até aos 18
anos - obrigando-as a fazerem um cosa que elas não
querem nem gostam - é de um violência simbólica digna
de um Estado totalitário e traz imensos prejuízos para as
crianças e adolescentes que querem, desejam e gostam de
estudar.Post actualizado às 19:00
Notícias diárias de educação.
26
CDS elabora
relatório sobre o
fenómeno da
violência escolar

Paulo Portas anunciou, ontem, em Fafe que o


CDS está a elaborar um relatório sobre a vio-
lência escolar. O documento está a ser preparado
pela deputada Teresa Caeiro e visa o conheci-
mento da realidade do bullying e da violência
sobre alunos e professores em meio escolar.
O CDS propõe um profunda revisão do estatuto do
aluno que garanta a agilização dos processos disciplinares,
o reforço da autoridade dos professores e o reforço de

89
90 Indisciplina, bullying e violência na escola

medidas que promovam a assiduidade dos alunos e o


respeito pelos professores.
Por diversas vezes, personalidades ligadas ao CDS têm
acusado as autoridades escolares de desvalorizarem e
encobrirem o fenómeno do bullying e da violência em
meio escolar.
Notícias diárias de educação.
27
Assim vai a política
de combate à
criminalidade
juvenil: Jovens
fugiram de lar para
provocarem noite de
terror

Alguma coisa tem de ser feita para impedir que


jovens criminosos fujam facilmente dos lares
onde foram entregues na sequência de despachos
judiciais. Entram e saem com demasiada facili-
dade. Este tipo de ocorrências está a acontecer
demasiadas vezes em Portugal, justificando a

91
92 Indisciplina, bullying e violência na escola

antecipação da imputabilidade para os 14 anos de


idade. São necessárias medidas mais duras e efi-
cazes para travar a violência juvenil.
O alerta de fuga dos seis jovens dos lares de acolhi-
mento Casa do Lago, em S. Domingos de Benfica, e Casa
da Alameda, na Alameda D. Afonso Henriques, já tinha
sido dado à PSP de Lisboa na passada quinta-feira. Todos
eles, com idades compreendidas entre os 13 e os 21 anos,
preparavam-se para um fim-de-semana de terror em
Benfica. O grupo esteve envolvido no sequestro e roubo
de um jovem de 16 anos durante mais de doze horas. Tal
como o CM noticiou, acabaram detidos na madrugada de
domingo.
Recorde-se que a vítima foi abordada quando se dirigia
para o Centro Comercial Colombo e forçada a deslocar-se
para uma arrecadação onde foi amarrada, agredida e man-
tida em cativeiro. Os sequestradores roubaram-lhe as
roupas e o telemóvel e venderam-no. Mas, ao que o CM
apurou, o jovem não terá sido a única vítima do grupo. No
mesmo dia a PSP recebeu a queixa de um outro jovem que
foi igualmente atacado junto ao Fonte Nova. Foi encos-
tado a uma parede e cercado pelos seis elementos. Depois
de o agredirem ainda lhe roubaram o telemóvel. Fonte
policial não descarta a existência de mais vítimas.
Presentes a tribunal, quatro deles – menores – foram
restituídos aos lares, enquanto que os dois mais velhos –
um rapaz de 21 anos e uma rapariga de 19 – ficaram
sujeitos a apresentações periódicas à polícia. Fonte: CM
de 9/3/2010
Assim vai a política de combate à criminali- 93
dade…

Notícias diárias de educação.


28
Ministra da
Educação quer dar
mais poderes às
escolas para
travarem o bullying
e a violência

A ministra da educação afirmou, ontem, que vai


dar mais poderes às escolas - leia-se aos direc-
tores - para lidarem com o bullying, permitindo-
lhes uma intervenção mais ágil e eficaz na defesa
e protecção das vítimas.
A ministra disse que estão a decorrer dois inquéritos
sobre o caso de bullying que terá estado na origem do sui-

95
96 Indisciplina, bullying e violência na escola

cídio do Leandro, a criança de 12 anos, que se tirou ao rio,


na semana passada. O inquérito promovido pela DREN
deve estar concluído esta semana, afirmou a ministra da
educação.
Só depois de conhecido o resultado do inquérito pro-
movido pela DREN é que a ministra se vai pronunciar
sobre o caso que terá estado na origem da morte do
Leandro.
O que é que a ministra da educação quer dizer com dar
mais poderes às escolas? Se quiser dizer “rever profunda-
mente o estatuto do aluno”, estamos de acordo. O Esta-
tuto do Aluno judicializa as relações entre professores e
alunos e é um instrumento que paralisa a acção disciplina-
dora dos directores e docentes.
O Estatuto do Aluno foi aprovado por um lei do Parla-
mento: a Lei 3/2008. Só o Parlamento pode alterar o Esta-
tuto do Aluno. Gostava de saber do que estão à espera os
partidos da oposição. A ministra da educação não tem
poderes para proceder a essa alteração por portaria ou
mesmo por decreto-lei em sede de conselho de ministros.
Os directores têm de ter mecanismos para suspen-
derem, de imediato, os alunos violentos e, em casos
extremos, os impedirem de voltarem à escola. Para esses
casos extremos - convém não ter medo de dizer que há
crianças e adolescentes sociopatas e cuja presença na
escola é uma ameaça permanente à integridade física de
professores e alunos - é necessário que o Estado crie
escolas de segunda linha para albergarem alunos especial-
mente violentos.
Notícias diárias de educação.
29
Aluno espanca
violentamente
professor dentro da
sala de aula e no dia
seguinte volta às
aulas como se não
tivesse feito nada de
errado

Se não houvesse uma cultura de encobrimento


nas escolas, seriam divulgados muitos outros
casos semelhante a este:
Um rapaz de 12 anos agrediu violentamente um pro-
fessor, na sala de aula e em frente aos colegas, atirando-lhe

97
98 Indisciplina, bullying e violência na escola

com uma mochila na cara e batendo-lhe com uma cadeira


nas pernas. O caso aconteceu segunda-feira numa turma
do 6.º ano da Escola D. Pedro II, na Moita. O professor
sentiu-se mal, correu para a casa de banho a vomitar e teve
de ser assistido no Hospital do Barreiro. A escola já abriu
um processo disciplinar ao aluno, que ontem foi à escola.
O professor também surgiu na escola de muletas, mas não
deu aulas. Fonte: DN de 10/3/2010
É esta cultura de desresponsabilização individual, apa-
drinhada até à exaustão pelos governos socialistas, que
está a destruir o nosso país: privatização dos benefícios e
socialização dos prejuízos.O vândalo que fez uma coisa
destas devia ter sido impedido de regressar à escola. Mas
quem vai ter de mudar de escola não é o agressor. É o pro-
fessor. Que ainda por cima transportará a “mancha” de
não saber lidar com os alunos.
Notícias diárias de educação.
30
Violência escolar:
até quando vamos
assistir parados à
violência sobre
alunos dentro e na
vizinhança dos
estabelecimentos
escolares?

A violência está a ser um pesadelo em muitos dos


nossos estabelecimentos escolares com profes-
sores, funcionários e alunos sujeitos a este tor-
mento que alastra de uma forma assustadora.
Professores que acorrem a psiquiatras com esgo-

99
100 Indisciplina, bullying e violência na escola

tamentos, funcionários sujeitos a terríveis humil-


hações, alunos que abandonam a escola, que
andam tristes e que sofrem em silêncio.
É triste o que se está a passar e não podemos continuar
impávidos e serenos a assistir a estes espectáculos degra-
dantes que contagiam, resultando em tragédias, como foi
o caso do Leandro, com doze anos, da Escola EB 2,3
Luciano Cordeiro em Mirandela, que pôs termo à vida,
atirando-se ao rio Tua não suportando mais as agressões
constantes de que era vítima por parte dos colegas.
Para saber mais
Texto completo de Salvador de Sousa - É urgente com-
bater a violência escolar
Notícias diárias de educação.
31
Foi espancado,
hospitalizado e
obrigado a repor as
aulas. Um
testemunho que
mostra como os
bullies são
acarinhados e
protegidos

É um curto depoimento de um professor que foi


espancado por um aluno, teve de ser hospitali-
zado e, no regresso à escola, obrigado a repor as

101
102 Indisciplina, bullying e violência na escola

aulas. O agressor continuou, impávido e sereno, a


frequentar a escola. Um caso semelhante a
muitos outros que acontecem, quase diaria-
mente, nas nossas escolas com o beneplácito dos
encobridores e protectores dos bullies. Convém
dizer que os protectores e encobridores dos bul-
lies estão, confortavelmente, dentro do sistema
escolar e ocupam, regra geral, posições de
destaque.
Além de sofrer na pele e ir parar ao hospital, confron-
taram-me com reposição de aulas ou justificação da
ausência por atestado médico, tive de recorrer a advogado
para ser considerado acidente em serviço, processo só
seguiu para a entidade competente dois meses depois,
após meu pedido por escrito sobre o ponto da situação e
até hoje estou à espera que me digam o que foi decidido
quanto ao agressor. Judicialmente, foi acusado de 3
crimes, já passou um ano e meio e ainda estou à espera
que marquem o julgamento.
Notícias diárias de educação.
32
Bullying: dicas para
prevenir, combater e
integrar

O professor Allan Beane, hoje reconhecido inter-


nacionalmente como especialista em prevenção e
interrupção do bullying, buscou na traumática
experiência familiar uma forma de compromisso
para evitar que outras pessoas passem pelo que
sofreu. Aos 23 anos, Curtis Beane, filho do autor,
morreu vitima de consequências do bullying,
após enfrentar muito sofrimento no convívio
social, desde a infância. Allan Beane, Ph.D,
passou então a orientar crianças, pais e profes-
sores a prevenirem-se das agressões que acon-

103
104 Indisciplina, bullying e violência na escola

tecem com frequência em grupos de crianças e


adolescentes. “Como crianças podem ser tão
cruéis?” foi a pergunta que Beane fez e que nor-
teou o seu trabalho de prevenção do Bullying
“Havia dentro de mim um clamor por respostas. Eu
queria saber se podia impedir o desenvolvimento da
crueldade, e queria detê-la depois de já ter se desen-
volvido.”
Proteja seu filho do bullying descreve as principais
características apresentadas por crianças que sofrem
maus-tratos e oferece dicas para ajudá-las a lidar com os
agressores e a evitar os ataques. A palavra inglesa bully sig-
nifica valentão, provocador. Hoje, o termo é usado para
descrever os alunos violentos que implicam com os
menores ou mais fracos. O bullying (acto de intimidar,
oprimir) é um problema em escolas de todo o mundo,
mas vai muito além da sala de aula: as agressões podem
acontecer na vizinhança, ou mesmo em casa.
“Um adulto negar ou ignorar a existência da
agressão é a pior coisa que pode acontecer para as crianças, a
escola, a comunidade. Quando os adultos se envolvem e mobi-
lizam a energia de funcionários da escola, pais, representantes
da comunidade e crianças, o bullying pode ser prevenido e
interrompido.”
O trata aborda diferentes formas de crueldade entre
crianças, inclusive o ciberbullying, um problema crescente:
uso de telemóveis, computadores e outros aparelhos elec-
trónicos para maltratar outras crianças.
Bullying: dicas para prevenir, combater… 105

Neste livro, Allan Beane, Ph.D., ensina os pais a identi-


ficar, impedir e prevenir o bullying, evitando assim as trág-
icas consequências que os maus-tratos podem trazer para
a vida das crianças. O autor também esclarece a diferença
entre um conflito comum e uma intimidação, além de
explicar como ajudar a criança a denunciarem as agres-
sões.
Notícias diárias de educação.
33
Propostas para
melhorar a escola

Apetecia-me encerrar este post com duas pal-


avras apenas: simplificar e simplificar. Mas sim-
plificar o quê? O currículo e os procedimentos
burocráticos.
Um dos problemas mais graves da escola actual é a
excessiva complexidade e dispersão curricular. Há áreas
curriculares a mais no 3º CEB. Os alunos passam dema-
siado tempo na escola. Os professores consomem tempo e
energias em procedimentos burocráticos excessivos e
complexos que exigem reuniões que duram tardes inteiras,
actas do tamanho de lençóis, projectos curriculares disto e
daquilo e relatórios sobre tudo e mais alguma coisa.
Quando os inspectores se deslocam à escola a primeira
coisa que fazem é ir à procura dos papéis. Onde estão as

107
108 Indisciplina, bullying e violência na escola

actas? São suficientemente exaustivas? E os planos de


recuperação? E os planos de acompanhamento? E os
planos de melhoria? E onde estão os relatórios? E o pro-
jecto curricular de escola? Foi actualizado este ano? Se
não foi, qual a razão de “tamanha” falta? E o projecto edu-
cativo? Foi actualizado este ano? Se não foi, qual a razão
de “tão formidável” falha? E onde estão os planos de aula?
E os planos curriculares de turma? E onde estão as estraté-
gias e actividades transdisciplinares?
Em vez de conversarem com os professores, os inspec-
tores procuram papéis e exercem uma pressão intolerável
para a produção e arquivo de mais pepéis. É isso que está a
matar a pedagogia nas escolas e a secar a criatividade e a
motivação dos professores.
Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas púb-
licas tem de dar ordens para que se acabe com a papelada
inútil e reduza e simplifique a que é absolutamente neces-
sária. Manter essa carga inútil de burocracia nas escolas é a
mesma coisa que exigir aos polícias que passem os dias e
as noites a redigirem planos de combate ao crime sem
colocarem os pés de fora das esquadras.
Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas púb-
licas tem de acabar com as áreas curriculares não discipli-
nares: formação cívica, estudo acompanhado e área de
projecto. São tempos curriculares que não servem para
nada, onde não se ensina nada de útil e que estendem o
tempo de permanência na escola dos alunos para além do
tolerável.
Notícias diárias de educação.
34
Ministra prepara
legislação que dê
poderes aos
directores para
suspensão preventiva
dos agressores por
mais de 5 dias.
Finalmente!

A ministra da educação revelou, hoje, no final da


reunião semanal do Conselho de Ministros, que
está a preparar legislação que dê poderes aos
directores para suspenderem preventivamente os
alunos agressores por mais de 5 dias úteis.

109
110 Indisciplina, bullying e violência na escola

É caso para dizer: só agora?


É tão óbvia esta medida que espanta como é que ainda
não foi tomada.
A ministra recusou a possibilidade de sancionar a fam-
ília do aluno agressor, seja através de multas, seja de sus-
pensão dos subsídios.
Seria pedir demais que um Governo socialista aceitasse
retirar os subsídios sociais às famílias dos agressores,
apesar de, em muitos casos, as agressões partirem dos
familiares dos alunos.
Não me parece correcto nem pedagógico que uma mãe ou
um pai que agride alunos ou professores dentro ou à
entrada da escola continue a receber subsídios do Estado
relacionados com a frequência da escola pelo educando.
Será necessário esperar por um governo não socialista
para ver esta justa medida aprovada.
A legislação que vai dar poderes aos directores para sus-
pensão preventiva dos agressores é independente da alter-
ação do Estatuto do Aluno. A primeira pode ser feita por
portaria ou decreto-lei, enquanto a segunda só pode ser
aprovada no Parlamento. É natural, portanto, que o
diploma que permita a suspensão imediata dos agressores
possa ser aprovado, em conselho de ministros, antes da
votação, no Parlamento, de um diploma que altere a Lei
3/2008.Post actualizado às 20:00Notícias diárias de edu-
cação.
35
Isto é de uma
gravidade extrema. O
bullying não atinge
apenas alunos. Há
muitos professores
que são vítimas
silenciosas. E há
encobridores que
protegem os bullies

O iOnline traz uma notícia que divulga um caso


de bullying contra um professor. É um caso de

111
112 Indisciplina, bullying e violência na escola

uma gravidade extrema. Um caso que acabou em


suicídio do professor.
Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no
tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-
Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio. Há vários
meses que o professor de música da Escola Básica 2+3
de Fitares (Sintra), planearia a sua morte. Em Novembro
escreveu uma nota no computador de casa a justificar o
motivo: “Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos
que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo
outras fontes de rendimentos, a única solução apazigua-
dora será o suicídio”.
L. V. C., sociólogo de formação, tinha 51 anos, vivia com
os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi
colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares,
em Sintra. Logo nos primeiros dias terão começado os
problemas com um grupo de alunos do 9º ano. A indisci-
plina na sala de aula foi crescendo todos os dias, che-
gando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da
sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca,
tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo
e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retro-
projector, viraram as imagens projectadas de cabeça para
baixo.
Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala,
vezes em que fez participaçõesdisciplinares. Foram pelo
menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da
escola, alertando para o comportamento de um aluno em
particular. Colegas e familiares do professor de música
Isto é de uma gravidade extrema. O bullying… 113

asseguram que a direcção não instaurou nenhum processo


disciplinar.
O i teve acesso a uma das participações feitas pelo pro-
fessor de música. No dia 15 de Outubro de 2009, L. V. C.
dirigiu à direcção da escola uma “participação de ocor-
rência disciplinar”, informando que marcou falta disci-
plinar a um aluno e propondo que fossem aplicadas ”med-
idas sancionatórias”. Invocou vários motivos, entre os
quais “afirmações provocatórias”, insultos ou resistência
do aluno em abandonar a sala.
O professor de música desabafou que não suportava mais
dar aulas àquela turma do 9º ano: “Nos últimos meses, já
se acanhava perante os seus alunos como se tivesse culpa”,
explicou ao i um familiar. Atravessar o corredor da escola
foi um dos seus pesadelos, é aí que os alunos se concen-
tram quando chove: “Um dia, chamaram-lhe cão.” Nos
outros dias, deram-lhe “calduços” na nuca à medida que
caminhava até à sua sala de aula.
Alguns professores testemunharam a “humilhação” de L.
V. C. nos corredores da escola e sabiam que se sentia
angustiado por “não ser respeitado pelos alunos”. Só não
desconfiavam que a angústia se tivesse transformado em
desespero. O professor de música não falava com nin-
guém. Chegava às sete da manhã para preparar a aula.
Montava o equipamento de som, carregava os instru-
mentos musicais da arrecadação até à sala. Deixava tudo
pronto e depois entrava no carro: “Ficava ali dentro, de
braços cruzados, e só saia para dar a aula.” L. V. C. preferia
estar no carro em vez de enfrentar uma sala de convívio
114 Indisciplina, bullying e violência na escola

cheia de colegas: “Era mais frágil do que nós, dava para


perceber que não tinha o mesmo estofo.” Fonte: iOnline
Quanto mais alunos e professores têm de se suicidar
para que o bullying deixe de ser branqueado e os bullies
protegidos? Que país é este que acarinha os agressores e
nega justiça às vítimas? Que escola é esta que estamos a
construir? Uma escola que forma cidadãos ou que acolhe e
acarinha jovens criminosos?
Leiam também o desenvolvimento desta notícia no Púb-
lico de hoje e divulguem-na na sala de professores. Hoje
foi o colega Luís, amanhã pode ser um de vós. Não se
esqueçam de que os socialistas os condenaram a leccio-
narem até morrerem. Hoje são saudáveis e fortes.
Amanhã, poderão ter de ir dar aulas doentes e frágeis. E
ficarem à mercê de jovens criminosos protegidos e acarin-
hados pelas autoridades.
Faço daqui um apelo a todos os blogues de professores:
publiquem a notícia do Público em todos os blogues e
coloquem-na no topo dos blogues durante todo o dia. Em
homenagem ao sacrifício do colega Luís. E para que não se
repita a inércia e o encobrimento.
Hoje, não há mais posts no ProfBlog. Quero que toda a
atenção dos leitores convirja para este caso de extrema
gravidade. A caixa de comentários está à vossa disposição.
Post actualizado às 10:50Iniciei uma campanha no Face-
book, onde sou seguido por 5 mil pessoas, sobre o tema:
“Demissão imediata dos directores que encobrem e pro-
tegem os bullies!” Se quiser aderir a essa campanha, visite
a minha Página do Facebook.
Post actualizado às 11:00Suomi Vivekananda Diz:
Isto é de uma gravidade extrema. O bullying… 115

Março 12, 2010 at 8:43 am


Bom dia. Onde estão os sindicatos? Para lutar por legis-
lação que dê mais autoridade aos professores e que acabe
com as parvoíces do estatuto disciplinar do aluno, eu faria
até uma semana de greve.
E por favor não me venham com a história do regresso ao
antigamente! Não se trata de copiar o “antigamente”, o
“tempo da outra senhora”. Esqueçam isso por um
momento. COPIEMOS A LEGISLAÇÃO, NESTA
MATÉRIA, DOS PAÍSES CIVILIZADOS E EVO-
LUÍDOS.
Há anos tive um aluno, filho de emigrantes, que tinha
vindo de uma escola de Marselha. Perguntei-lhe que difer-
enças encontrou entre a escola de lá e a de cá. Disse-me
que tinha ficado muito admirado porque aqui na escola
portuguesa, os alunos podem fazer quase tudo o que qui-
serem, mas em França não era assim…
A espécie de argumento da treta, muito esgrimido pela
esquerda-caviar da paróquia que há muito não põe as
patas na escola, que consiste em evocar o regresso ao fas-
cimo, de cada vez que se fala no reforço da autoridade dos
professores, já chateia. Fonte: caixa de comentários do
blogue Educação do meu Umbigo
Correcto. Este comentário de Suomi Vivekananda
acerta no alvo: os responsáveis pela impunidade dos bul-
lies são os socialistas e a esquerda caviar que, directa ou
indirectamente, dirigem o sistema e governam as DRE e as
escolas há cerca de 13 anos. São eles que mandam silen-
ciar. São eles que deitam as culpas para cima dos profes-
sores agredidos. São eles que desvalorizam a violência em
116 Indisciplina, bullying e violência na escola

meio escolar, que encobrem os agressores e que deixam as


vítimas sem protecção. Isto é um caso evidente de vio-
lação dos direitos humanos perpretado com a cumplici-
dade dos socialistas e a esquerda caviar que dominam e
controlam as DRE, sindicatos e direcções de escolas.Post
actualizado às 11:40
É bullying? Não, é violência consentida!
O recente caso trágico de Leandro é de extrema gravi-
dade e constitui um claro exemplo da violência escolar,
que teima em persistir nas escolas com a impunidade de
todos.
O encobrimento deste fenómeno começa, desde logo,
com a sua própria designação: “bullyng”. Este desneces-
sário estrangeirismo, substituto da palavra bem portu-
guesa “violência”, configura um eufemismo, figura de
retórica que consiste em dizer de forma suave o que é
desagradável, disfarçando perversamente um problema
tão preocupante.
Na verdade, à violência estão associados numerosos
factores; a confusão, a indisciplina e a falta de respeito
grassam nas escolas de maneira desenfreada e ultrapassam
as convivências conflituosas entre alunos. Nem as princi-
pais figuras da educação conseguem escapar a este fenó-
meno: a recepção, com vaias e ovos, da ex-ministra Lurdes
Rodrigues, numa escola de Fafe, foi um testemunho medi-
ático de relevo. Não é, pois, por acaso que os ministros
preferem visitar escolas ao fim-de-semana ou em períodos
de férias.
A difícil questão educativa enunciada, como se sabe,
leva os docentes a esconder casos delicados, uma vez que
Isto é de uma gravidade extrema. O bullying… 117

os professores que denunciam situações anómalas ao fun-


cionamento das aulas são marginalizados pelos seus
colegas e pela restante comunidade escolar, considerando
que os culpados são os próprios por não se darem ao
respeito…
A maioria dos directores, investidos de um poder imen-
surável pela legislação vigente, pouco ou nada fazem para
prevenir ou resolver a violência escolar. A sua preocu-
pação, num gesto politicamente correcto, parece que
apenas reside em agradar aos pais e na avaliação docente,
o que explica o ensurdecedor silêncio do Director da
Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, perante
tão funesta ocorrência verificada com o Leandro.
A resolução deste difícil problema passa pela responsa-
bilização dos alunos e pais, pelo aumento de pessoal aux-
iliar, assim como por uma efectiva autoridade (não con-
fundir com autoritarismo) dos professores perante alar-
mantes situações de indisciplina, que coloca indubitavel-
mente em risco a qualidade do ensino.
Deste modo, é imperioso tomar medidas realistas e efi-
cazes na eliminação desta alarmante barbárie com o fito de
promover escolas seguras, onde todos os alunos se sintam
bem, se respeitem, aprendam, bem como possam ter, de
facto, a tão propalada igualdade de oportunidades.Afonso
de Albuquerque
Post actualizado às 15:00
E ainda perguntam pelas causas? É só folhear os jor-
nais ou ir a uma escola e falar com os professores.
Decisão do Conselho de Turma só deverá ser tomada
dentro de 10 a 15 dias, pelo que até lá o aluno partilhará o
118 Indisciplina, bullying e violência na escola

mesmo espaço com o professor, que também não deixa a


escola
O aluno de 12 anos que agrediu o professor de Portu-
guês na Escola D. Pedro II, na Moita, vai continuar a fre-
quentar o estabelecimento até ser conhecido o veredicto
do Conselho de Turma, que ocorrerá dentro de 10 a 15
dias. Mas mesmo que seja sancionado com uma suspensão
de dez dias não pode reprovar por faltas, por ainda estar
apenas no segundo ciclo.
Professor e aluno vão continuar, assim, a partilhar o
mesmo espaço, já que também o docente vai manter-se
em funções por vontade própria. O professor faz questão
de acompanhar os alunos na fase final do segundo
semestre.
O menor, acompanhado pela mãe, foi ontem ouvido
pela directora de turma, que ao fim da tarde entregou a
instrução do inquérito na Direcção da escola. Hoje, vai
avançar o respectivo processo disciplinar. A mãe recusou
falar ao DN sobre o que se passou com o filho na segunda-
feira, quando F.J. agrediu o professor com uma cadeira e
uma mochila, tendo deixado o docente com um trauma-
tismo numa das pernas que o obriga a andar pela escola de
canadianas.
O director da escola, Fernando Fonseca, revelou ter
conversado com o aluno e com a mãe logo a seguir ao inci-
dente. “O aluno está por cá e está calmo. Vai ser sujeito a
uma pena que eu não sei qual é”, adiantou o dirigente.
O agressor incorre numa pena que poderá ir da repre-
ensão registada, suspensão por dez dias úteis, ou, no
limite, à transferência de escola, como está previsto no
Isto é de uma gravidade extrema. O bullying… 119

Estatuto do Aluno. Caberá ao Conselho de Turma deter-


minar a medida a aplicar, após a análise que a partir de
hoje vai começar a ser instruída por um professor que não
leccione nesta turma, de alunos do currículo alternativo.
Fonte: DN/Sapo
Post actualizado às 15:00
Começam a esgotar-se, também, as palavras.
Tantos de nós que fomos alertando para estas situa-
ções. Escrevi há alguns anos: A indisciplina é “O PROB-
LEMA” da escola. A indisciplina e a violência a ela asso-
ciada vai acabar com a escola pública.
Estamos apenas no início mas o processo vai ser muito
rápido. Hoje tudo é demasiado rápido. Tão rápido que as
vítimas dos últimos dias já estão transformadas em crimi-
nosos e os criminosos em vítimas. E, as medidas que se
anunciam, terão no seu prâmbulo, como intenção e mais
uma vez, a promoção da integração, da não exclusão, da
escola inclusiva, quiçá mesmo da igualdade de oportuni-
dades ou ainda o combate à pobreza. E um naipe alargado
de serventes, mas serventes especialistas, da psicologia à
sociologia, passando pelas ciências da educação virá, em
fato Armani, colocar delicadamente a sua chancela no
documento debruado a ouro, enquanto os flashes das
máquinas iluminam os frescos das paredes do palácio. O
poder político abrirá o baile de gala, transformando o
hemiciclo num ciclo completo. E que a festa dure até às
tantas.
E todos morreremos mais um pouco, sem nos darmos
conta que a rua está ali, mesmo ao nosso lado.
Mottamoreira
120 Indisciplina, bullying e violência na escola

E ainda perguntam por que razão há violência nas


escolas?
Não acham que os directores que branqueiam e pro-
tegem os bullies devem ser demitidos?
Post actualizado às 17:00
Reparem na reacção do director da DRELVT:
O director regional de Educação de Lisboa espera que
o inquérito instaurado numa escola de Fitares esclareça o
caso de um professor que se suicidou e que era alegada-
mente gozado pelos alunos, mas sublinhou que o docente
tinha uma “fragilidade psicológica” há muito tempo.
Fonte: DN/Sapo
O professor foi “alegadamente” gozado pelos alunos. O
professor “tinha” uma debilidade psicológica. É a este tipo
de linguagem que eu chamo encobrimento do bullying.
Lamentável. Diz o homem da DRELVT hoje - passado um
mês do suicídio do Luís - que vai abrir um inquérito. Mas
parece que já conhece o resultado: “debilidade psico-
lógica”. E se os jornais não divulgassem o assunto? Não
tinha havido suicídio? Nem bullying?
Post actualizado às 18:20
Tanto no caso do Leandro como no caso do colega
Luís, parece haver a intenção de atribuir as culpas à vítima,
branqueando a omissão das autoridades escolares e desva-
lorizando a gravidade das ocorrências. Veremos no que os
inquéritos vão dar. Oxalá eu esteja enganado. Estou em
crer que vão dar em nada.
Ainda há pouco a funcionária Moldava que dá apoio
técnico a um curso me disse isto:
Isto é de uma gravidade extrema. O bullying… 121

“Professor, Portugal tem um belo clima e é um lindo


país, pena que as escolas sejam más!”
Perguntei: “Porquê?”
E ela disse: “as crianças aprendem pouco, os pais
desculpam tudo aos filhos e os professores têm de aceitar
as faltas de educação sem nada dizerem”.
“No seu país não é assim? - perguntei.
“No meu país, os alunos não faltam ao respeito aos profes-
sores e os pais não se põem do lado dos filhos que se
portam mal na escola. Palavra do professor merece
respeito”.
Post actualizado às 18:30
A ministra da educação reagiu esta tarde aos casos de
bullying e violência escolar, afirmando:
“Os diretores precisam de autoridade, de capacidade de
intervenção e o Ministério da Educação tem dado todo o
apoio e reforçado essa autoridade para que nas escolas
reine um ambiente de educação”, afirmou, sem responder
a mais perguntas. Fonte: DN/Sapo
É pouco, mas é alguma coisa. Nota-se uma atitude
diferente da sua antecessora. Saúdo essa nova pos-
tura. Nos últimos dois meses, a ministra tem reagido com
a afirmação de que vai alterar o Estatuto do Aluno e dar
poderes aos directores para suspenderem preventiva-
mente, por mais de 5 dias e sem audição prévia, os alunos
que agridam colegas, professores e funcionários. Acredito
que essa legislação será aprovada em breve. A pressão
política dos partidos da oposição, dos media e dos blogues
é grande. O CDS anunciou que vai levar, em breve, o
problema da violência escolar ao Parlamento. A deputada
122 Indisciplina, bullying e violência na escola

do CDS, Teresa Caeiro, prepara um relatório sobre o bul-


lying. Os resultados desse relatório podem fundamentar
iniciativas legislativas do CDS para alteração do Estatuto
do Aluno. O CDS tem sido o partido com uma posição
mais coerente e firme face ao reforço da autoridade dos
professores e combate ao bullying. A Fne anunciou, esta
tarde, que quer ver os pais dos alunos agressores responsa-
bilizados. João Dias da Silva afirmou ainda que é neces-
sário contratar mais auxiliares de acção educativa, vigi-
lantes e técnicos para as escolas.
Notícias diárias de educação.
36
É bullying? Não, é
violência consentida

O recente caso trágico de Leandro é de extrema


gravidade e constitui um claro exemplo da vio-
lência escolar, que teima em persistir nas escolas
com a impunidade de todos.
O encobrimento deste fenómeno começa, desde logo,
com a sua própria designação: “bullyng”. Este desneces-
sário estrangeirismo, substituto da palavra bem portu-
guesa “violência”, configura um eufemismo, figura de
retórica que consiste em dizer de forma suave o que é
desagradável, disfarçando perversamente um problema
tão preocupante.
Na verdade, à violência estão associados numerosos
factores; a confusão, a indisciplina e a falta de respeito
grassam nas escolas de maneira desenfreada e ultrapassam

123
124 Indisciplina, bullying e violência na escola

as convivências conflituosas entre alunos. Nem as princi-


pais figuras da educação conseguem escapar a este fenó-
meno: a recepção, com vaias e ovos, da ex-ministra Lurdes
Rodrigues, numa escola de Fafe, foi um testemunho medi-
ático de relevo. Não é, pois, por acaso que os ministros
preferem visitar escolas ao fim-de-semana ou em períodos
de férias.
A difícil questão educativa enunciada, como se sabe,
leva os docentes a esconder casos delicados, uma vez que
os professores que denunciam situações anómalas ao fun-
cionamento das aulas são marginalizados pelos seus
colegas e pela restante comunidade escolar, considerando
que os culpados são os próprios por não se darem ao
respeito…
A maioria dos directores, investidos de um poder imen-
surável pela legislação vigente, pouco ou nada fazem para
prevenir ou resolver a violência escolar. A sua preocu-
pação, num gesto politicamente correcto, parece que
apenas reside em agradar aos pais e na avaliação docente,
o que explica o ensurdecedor silêncio do Director da
Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, perante
tão funesta ocorrência verificada com o Leandro.
A resolução deste difícil problema passa pela responsa-
bilização dos alunos e pais, pelo aumento de pessoal aux-
iliar, assim como por uma efectiva autoridade (não con-
fundir com autoritarismo) dos professores perante alar-
mantes situações de indisciplina, que coloca indubitavel-
mente em risco a qualidade do ensino.
Deste modo, é imperioso tomar medidas realistas e efi-
cazes na eliminação desta alarmante barbárie com o fito de
É bullying? Não, é violência consentida 125

promover escolas seguras, onde todos os alunos se sintam


bem, se respeitem, aprendam, bem como possam ter, de
facto, a tão propalada igualdade de oportunidades.
Afonso de Albuquerque
Notícias diárias de educação.
37
Quatro teses sobre a
violência contra
professores e o
destino das escolas
públicas

O bullying e a violência contra professores -


Afonso de Albuquerque chama-lhe violência con-
sentida - é o problema mais premente da escola
pública. E é uma questão que vai agravar-se à
medida que a sociedade portuguesa se afunda na
miséria moral e política.
As autoridades educativas e os sindicatos, forjados num
caldo de cultura que desvaloriza a autoridade dos profes-
sores, não compreendem o fenómeno, não o vivem e não

127
128 Indisciplina, bullying e violência na escola

sabem como lidar com ele. Não têm respostas capazes. E é


por isso que tendem a desvalorizar os casos, branquear e
revelar simpatia ou compreensão pelos agressores. Muitos
pais de alunos, cujo carácter foi forjado por uma escola
frouxa e ambientes que acentuam o relativismo e uma
visão darwinista da vida e da sociedade, revelam, regra
geral, simpatias pelos bullies e desprezo pelas vítimas. São
causa e consequência do fenómeno de desestruturação da
sociedade portuguesa. Dificilmente terão salvação. Com
pais assim, acabarão inevitavelmente no Rendimento
Social de Inserção ou na cadeia.
O alongamento da carreira profissional - estendida até
aos 65 anos por via das recentes alterações às regras da
aposentação - conduzirá a um aumento exponencial de
baixas psiquiátricas prolongadas, burn out e suicídios de
docentes. A violência contra professores tenderá a
agravar-se e a sociedade naturalizará essa violência como o
preço a pagar por uma profissão que perdeu prestígio e
autoridade e se deixou contaminar pela concepção da
escola/armazém e a ideologia do professor-faz-tudo.
As escolas públicas tendem a tornar-se refúgios de
alunos da classe baixa e os pais com poder económico e
alternativas olharão para os colégios privados como as
instituições naturalmente vocacionadas para protegerem e
acolherem os seus filhos. À medida que os filhos da classe
média abandonarem as escolas públicas, estas tornar-se-
ão, cada vez mais, espaços, sem lei nem normas, onde os
mais fortes fazem valer a sua autoridade.
Notícias diárias de educação.
38
Quatro teses sobre a
autoridade dos
professores

Todas as sociedades organizadas se baseiam no


exercício da autoridade. A autoridade pode ser
legítima ou ilegítima. A autoridade legítima
advém dos votos - no caso da autoridade política
- da competência, da sabedoria, da experiência ou
dos laços de parentesco. Os pais têm uma autori-
dade natural sobre os filhos que vem da relação
biológica estabelecida entre eles. Podem usá-la
bem ou mal. Os professores têm uma autoridade
sobre os alunos que vem da experiência, compe-
tência, sabedoria e estatuto.

129
130 Indisciplina, bullying e violência na escola

Quando as autoridades educativas - directores de


escolas e directores regionais de educação - às quais os
professores respondem e devem obediência funcional,
desvalorizam a autoridade dos professores, colocando-se
por omissão ou erro do lado dos alunos e pais que desres-
peitam ou agridem professores, estão a dar um forte con-
tributo para a erosão da noção de autoridade em todo o
edifício social.
Uma escola que, por omissão, erro ou acumulação de
práticas viciosas, não ensina os alunos a respeitar a autori-
dade legítima, e em primeiro lugar a autoridade dos pro-
fessores, deixa de ser uma instituição virtuosa para passar
a ser um espaço de aquisição de maus hábitos e desenvol-
vimento de mau carácter. Em vez de lugar que educa,
torna-se um espaço que molda o carácter deficiente, fraco,
caprichoso e mentes desprovidas das noções de justiça,
compaixão, coragem, benevolência, honra e honestidade.
As autoridades educativas que, por omissão ou erro,
colaboram com o processo de desautorização dos profes-
sores têm de ter consciência de que se colocaram do lado
do problema e são um obstáculo na procura da solução. O
poder político legítimo deve exercer a sua autoridade
demitindo-as.
Para saber mais
Leia a reportagem do Público de hoje sobre a violência
contra professores na escola básica de Fitares
Notícias diárias de educação.
39
A responsabilização
dos jovens é uma
necessidade

Foi para mim um choque quando li no Correio


do Minho, esta afirmação “José Joaquim Leitão
afirmou que os meninos e meninas desta turma
devem ser objecto de preocupação para que não
haja traumas no futuro. ‘Temos de nos esforçar
para que estas situações possam ser ultrapas-
sadas. Trata-se de jovens que são na sua generali-
dade bons alunos e que não podem transportar
na sua vida uma situação de culpa que os pode vir
a condicionar pela negativa’”.

131
132 Indisciplina, bullying e violência na escola

Se se confirmar que estes alunos chamavam “cão” ao


professor, que lhe davam “calduços”, e que lhe faltavam ao
respeito de outras formas, não há que os responsabilizar?
Não é importante, na educação das nossas crianças e dos
nossos jovens, ajudá-los a perceber que as suas atitudes
têm consequências? Não é importante ajudá-los a serem
solidários, ajudá-los a crescer, percebendo que não
existem isolados do mundo e que devemos ter em atenção
o que outros podem sentir com a nossa atitude? E já não
falo no respeito que não só merece cada adulto como no
direito que tem a ser respeitado! Se assim não for, o que
significa educar? Se assim não for, o que significa assi-
narmos a Carta dos Direitos Humanos? Com esta permis-
sividade, estaremos de facto a educar crianças e jovens?!

O melhor que podemos fazer aos jovens desta turma é
responsabilizá-los também por esta morte, sim, porque a
atitude desrespeitosa que terão tido para com o professor,
no mínimo, agravou o seu estado de saúde. Só com o
assumir das responsabilidades será possível formar adultos
sérios, responsáveis, dignos e honestos! Se tiveram esta
atitude, não será desejável ajudá-los a alterarem os seus
comportamentos? Não será desejável travar a crueldade e
a falta de respeito? E que outra forma há de agir, senão
responsabilizar cada um pelos seus actos? E já agora, o que
é que a formação do carácter tem que ver com o facto de
serem bons alunos?!…
Educar não é fácil, mas temos que ter a humildade de
reconhecermos quando não estivemos bem porque
também as nossas atitudes têm consequências…
A responsabilização dos jovens é uma necessi- 133
dade…

Notícias diárias de educação.


40
Em memória do
Leandro, 12 anos,
vítima de violência
consentida

A culpa não tem desculpa


E a morte não tem regresso.
O resto é o deserto sufocado
Na jaula do silêncio
Onde o medo se mede
Ao milímetro minuto,
Enquanto a tela se tece
Com negro de breu.
Uma clave de sol, com dó de si,
Numa arena de tigres,

135
136 Indisciplina, bullying e violência na escola

Retocando nos retalhos da chacota


O seu nocturno de Chopin.
Faça-se silêncio, por favor,
Que o pavor ainda ecoa
No rumor das águas
À flor da dor.
Maria Isabel Fidalgo
Notícias diárias de educação.
41
Pode a criação de
grandes centros
escolares e o fecho
das pequenas escolas
estar a alimentar a
violência contra os
mais fracos?

O Paulo Guinote pensa que sim e eu dou-lhe


razão. Num post simultaneamente informativo e
analítico, o editor do blog Educação do meu
Umbigo põe o dedo na ferida.
Será o agravamento do bullying e violência
contra alunos uma herança da política lurdesro-

137
138 Indisciplina, bullying e violência na escola

driguista e socratina de racionalização do parque


escolar com o fecho de cerca de 4 mil escolas e a
criação de grandes centros escolares para onde
são despejadas crianças que chegam a fazer 50
quilómetros por dia para andar na escola?
Será esse agravamento o resultado do convívio
forçado, no mesmo espaço escolar, de crianças de
12 anos com crianças de 18 anos de idade, como
terá sido o caso do Leandro (12 anos) e dos seus
putativos agressores (com idades compreendidas
entre os 15 e os 17 anos de idade)?
Será a política de racionalização dos recursos
humanos, com uma clara diminuição de auxil-
iares de acção educativa, a responsável pela
morte do Leandro e a tortura a que são subme-
tidos outros leandros deste país?
Será este avolumar de casos dramáticos e
declarada impotência das autoridades educativas
para travarem o fenómeno do bullying a prova de
que estavam certos os que criticaram o plano fal-
samente modernizador do fecho de escolas e
construção de grandes centros escolares, bem
equipados mas desumanizados?
Pode a criação de grandes centros esco- 139
lares…

Terá o agravamento do bullying e da violência


escolar alguma coisa a ver com o desenraiza-
mento provocado pelo fecho de 4 mil escolas
básicas?
Estão aqui perguntas que darão vários estudos
para serem feitos pelos sociólogos que ainda não
estão ao serviço do poder socialista.
Notícias diárias de educação.
42
O que fazer com os
directores que
encobrem os bullies?
Reflexão.

O Ramiro lançou a questão “O que fazer com os


directores que encobrem os bullies?” e penso
que é um excelente ponto de partida para uma
análise profunda sobre as questões centrais da
Escola, do seu dia-a-dia e das respostas que já
demos e das tantas que estão por dar.
Em primeiro lugar, pergunto por que motivo(s) não
actuaram os directores, mas também os directores de
turma e os professores de uma maneira geral que parece
não terem actuado – será que tentavam integrar e dar

141
142 Indisciplina, bullying e violência na escola

oportunidades aos alunos mais problemáticos, evitando


recorrer sistematicamente à suspensão da frequência das
actividades lectivas, que muitas vezes é mais uma medida
gasta do que a solução efectiva para os problemas que se
colocam? Ou será que sentiam que, apesar de tudo, seria
preferível que as crianças e os jovens estivessem na escola
do que andassem “por aí”?!.. Ou será que, por vezes, per-
ante um professor que podia ter menos “mão” na sala de
aula, tentavam não penalizar mais, sobretudo os alunos
com mais problemas de disciplina? Pode também ter-se
dado o caso de não querer ver a sua escola nos “rankings”
das escolas cujos problemas de indisciplina não têm
resposta ou têm uma resposta pequena, ou ainda querer
parecer mais do que aquilo que se é, ou ter dificuldade em
aceitar que os problemas existem porque não se sabe mais
o que fazer. Muitas razões podem existir.
Não será legítimo que os professores se preocupem em
tentar integrar as crianças e os jovens com mais prob-
lemas? Em minha opinião, claro que sim! Muitas vezes é
na escola que estas crianças e jovens encontram quem tem
tempo para eles, quem os acolhe, quem os ouve, quem os
alimenta, quem lhes oferece material, quem lhes dá car-
inho… Mas, frequentemente, sentem-se duas coisas: por
um lado, que para tentar salvar uns se perdem outros, e
que muito frequentemente não se conseguem “salvar”
todos ou nenhuns e que uns prejudicam outros; por outro
lado e com alguma frequência, ao tentar “salvar” os alunos
problemáticos, deixa-se de actuar de uma forma mais
firme, como muitas vezes é necessário e que ainda se dá
menos atenção aos outros alunos que, de uma forma difer-
O que fazer com os directores que enco- 143
brem…

ente, também precisam dela. Outras vezes, quando já não


restam mais alternativas, os professores vêem-se obrigados
a suspender, mesmo sabendo que não é a solução, porque
perante certos comportamentos, há que intervir, não pode
ser de outra forma. Mas o problema continua por resolver
porque não se actuou na sua origem… Não é fácil ser-se
professor quando nos preocupamos com a pessoa que é
cada criança e cada jovem!
E não será humano tentar que os alunos estejam na
escola em vez de andarem, muitos deles, a aperfeiçoar as
suas aprendizagens de marginalidade fora dela? Também
me parece que sim. São preocupações nobres, estas!
Também compreendo, de alguma forma, que se tente não
“sobrecarregar” demasiado os alunos com problemas dis-
ciplinares perante um professor que possa ter mais dificul-
dade em manter a disciplina.
Contudo, a questão é mais vasta: com todas estas boas
e genuínas intenções, sem dúvida, que códigos demos aos
alunos? Em que é que a presença destes alunos na escola,
contribuiu para que pudessem de facto, integrar-se na
comunidade? Em que é que a sua vida mudou ou em que é
que contribuímos para que tal pudesse vir a acontecer?
Por um lado, nem tudo depende de nós, mas, por outro,
naquilo que depende qual foi o nosso contributo?
Desculpar ou justificar será incluir ou colocar limites
inclui mais? Mas como colocar esses limites de forma
realmente pedagógica? Que acompanhamento se faz do
processo? E impõe-se mais outra questão – quais as condi-
ções que tem a escola para poder de facto, ser mais um
contributo válido para a integração destas crianças e
144 Indisciplina, bullying e violência na escola

jovens? E aqui reside um grande problema – é que não só


os recursos são escassos, muito escassos, como muitas
vezes são mal rentabilizados… Não pelas escolas mas pela
própria tutela que mantém programas, não para serem
resposta, mas para obterem “sucesso fácil”, falso sucesso!
Afinal, qual a missão da escola? Integrar? Educar?
Socializar? Ensinar? Ocupar? Entreter? O que é pedido à
escola de hoje e que condições tem essa mesma escola a
quem tudo é pedido?
Convém ser-se rigoroso e exigente na avaliação das
medidas que foram ou não tomadas para prevenir ou
travar o bullying, a violência e a indisciplina escolar; con-
tudo, convém também ouvir as preocupações dos profes-
sores porque, por falta de meios, podem ter-se cometido
erros por se tentar dar resposta a legítimas e necessárias
preocupações pedagógicas! A par com este cuidado, há
que saber que tal não é desculpa para o protelar da vio-
lência nas escolas e para a falta de actuação. Uma certeza
tem que existir – não pode haver branqueamento do bul-
lying e da violência, manifeste-se ela de que forma for! E
não podem ser permitidos na escola certos comporta-
mentos às crianças e aos jovens, se queremos de facto con-
tribuir para a sua educação. Mas também a certeza de que
a tutela tem que ser real parceira das escolas e ajudar os
professores, tanto a serem mais e melhor no seu dia-a-dia,
como a combater a indisciplina / violência e por isso a
construir uma escola em que se respire um ambiente
sadio!
Notícias diárias de educação.
43
ME não revela dados
sobre escola de
Fitares. CDS agenda
debate na AR sobre
bullying e violência
escolar

O homem da Drelvt, José Joaquim Leitão,


afirmou que vai abrir um inquérito à escola de
Fitares para apurar se houve alguma relação entre
os casos de bullyting e violência - habituais na
escola, segundo testemunhos de docentes e
alunos recolhidos por jornalistas - e a morte do

145
146 Indisciplina, bullying e violência na escola

professor Luís, ele próprio vítima de bullying


durante meses consecutivos.
A vítima fez várias participações de alunos à diretora da
escola e à Inspeção-Geral de Ensino sem que tenham sido
tomadas as providências suficientes para pôr termo à tor-
tura a que o docente foi sujeito durante largos meses.
O caso suscitou uma onda de críticas nos jornais, televi-
sões e na blogosfera e pedidos à Drlevt para divulgar o teor
das participações. O que toda a gente quer saber é o que
fez a diretora com as participações. Arquivou-as? Deu-lhes
seguimento? Abriu inquéritos? Ou encobriu os agres-
sores?
O ME pede calma e tranquilidade e fez saber que não
divulga os dados sobre a escola de Fitares.
Entretanto, o CDS anunciou a realização de um debate
de urgência no Parlamento sobre o bullying e a violência
nas escolas.
Notícias diárias de educação.
44
Branquear é premiar
os agressores e
insultar as vítimas

Não é possível ignorar a onda de indignação que


varre o país. As autoridades educativas não
sabem lidar com o fenómeno do bullying e vio-
lência contra professores. Quando seria de
esperar delas uma palavra firme de condenação
dos agressores, ouvem-se palavras de com-
preensão que deixam no ar intenções de bran-
queamento.
A miséria política e moral em que os últimos anos de
governação do PS mergulharam o país é a principal razão
para esse fracasso.

147
148 Indisciplina, bullying e violência na escola

Há “professores com medo dos alunos e que pedem


ajuda dos pais para tentarem impedir a indisciplina nas
escolas”, denunciou ao CM o presidente da Federação
Regional de Lisboa das Associação de Pais, Isidoro Roque.
Na Escola Básica 2,3 de Fitares, Sintra, alunos de uma
turma do 9º ano levaram o professor de Música ao deses-
pero. Insultaram-no, bateram-lhe na cabeça e empur-
raram-no até cair no pátio da escola. A 9 de Fevereiro, o
professor Luís Vaz do Carmo suicidou-se na ponte 25 de
Abril.
A directora da escola, Cristina Frazão, apesar de ter
recebido sete queixas do professor, não puniu os alunos,
acusou a irmã do professor, Maria Filomena Carmo, que
considera a escola responsável pela morte do irmão.
Numa primeira explicação para a ausência de relação
entre o suicídio e a escola, o director regional de Educação
de Lisboa, José Joaquim Leitão, referiu que o professor
sofria de uma “fragilidade psicológica já há muito tempo”.
O director regional acrescentou que os alunos “não
podem transportar na sua vida uma situação de culpa”.
As agressões ao professor não surgem isoladas. Na
última semana uma professora sofreu um traumatismo
craniano na mesma escola. Fonte: CM de 14/3/2010
Após as declarações de José Joaquim Leitão, diretor da
Drelvt, dificilmente posso acreditar na realização de um
inquérito sério. Só um inquérito independente poderá dis-
sipar as dúvidas e responder às interrogações. Se se provar
a veracidade dos testemunhos recolhidos pelos jornalistas
e o teor da carta de despedida do professor Luís, só há
Branquear é premiar os agressores e 149
insultar…

uma caminho a seguir: a demissão da diretora. E de José


Joaquim Leitão.
Cada vez me convenço mais de que a única solução
para as escolas que se deixaram contaminar pela normali-
zação da violência é o fecho com a distribuição dos alunos
por outras escolas e acolhimento dos mais violentos em
escolas de segunda linha especialmente criadas para
acolher alunos incapazes de seguirem o ensino regular.

.
Notícias diárias de educação.
45
Violência escolar
nas salas de aula está
a aumentar, afirma a
Coordenadora do
Gabinete de
Segurança Escolar

É um curta entrevista publicada no Expresso. As


respostas da Coordenadora do Gabinete de
Segurança Escolar são claras: a violência escolar
dentro das salas de aula está a aumentar.
À pergunta do jornalista sobre se o alargamento da
escolaridade obrigatória fará aumentar a violência nas
escolas, Paula Peneda responde: “Vai com certeza”.

151
152 Indisciplina, bullying e violência na escola

À questão “que outros fenómenos têm surgido mais?”,


a Coordenadora do GSE responde: “antes tínhamos
muitas ocorrências nos recreios… Com o fim dos furos, as
aulas de substituição e a escola a tempo inteiro passámos a
ter mais ocorrências na sala de aula. Actualmente as
crianças têm poucos recreios. Não estou a discutir nem é o
meu papel dizer se as medidas foram boas ou más. O que
constato é que há uma grande pressão e aumentaram as
injúrias a professores”.
Felizmente, o ciclo político de José Sócrates aproxima-
se do fim e hoje foi dado um passo decisivo para pôr
termo ao período mais negro da história da educação por-
tuguesa. Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho, um deles
será, muito provavelmente, o primeiro-ministro de Por-
tugal dentro de ano e meio.
Convinha que ambos fossem confrontados com estas
questões: estão dispostos a pôr fim às aulas de substituição
nos termos em que elas são feitas actualmente?
Vão parar o enorme erro pedagógico que é o processo
de alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18
anos?
Vão reforçar a autoridade dos professores, recuperando
as faltas de castigo e as reprovações em consequência de
um determinado número de faltas de castigo?
Vão apostar na criação de um verdadeiro e sério ensino
profissional a partir do 7º ou 8º ano de escolaridade?
Vão dar instrumentos aos directores para travarem os
alunos violentos e impedirem que continuem, impune-
mente, a torturar colegas e professores?
Violência escolar nas salas de aula está… 153

Estão dispostos a criar escolas de segunda linha para


acolher e educar alunos especialmente violentos? Defino
“alunos violentos”: alunos que criam ou aderem a gangs
nas escolas e que, de forma continuada, agridem, verbal ou
fisicamente, colegas, professores ou funcionários, usam a
condição de alunos para vender droga dentro ou à porta
dos estabelecimentos de ensino ou expressam atitudes e
comportamentos que configuram prática continuada de
bullying sobre colegas ou professores.
Estão dispostos a impedirem que estes alunos deixem
de frequentar a escola regular? Para bem deles e segurança
de todos.
Notícias diárias de educação.
46
Pais do Leandro
admitem avançar
com processo contra
a escola e contra os
alegados agressores

Após dez dias de buscas intensas, o corpo do


Leandro não apareceu. Se o corpo não aparecer,
os pais terão de esperar 10 anos para que seja
declarada a morte da criança. Sem funeral, é mais
difícil fazer o luto e sarar a dor.
Os pais do Leandro admitem processar a escola por
negligência. “Se estivesse lá o porteiro, o meu filho estaria
vivo”, afirmou o pai. A hipótese de processarem os ale-
gados agressores - ao que tudo indica pelo menos um

155
156 Indisciplina, bullying e violência na escola

deles maior de 16 anos de idade e, portanto, imputável -


está a ser considerada pelos pais do criança, vítima de bul-
lying, que se lançou ao rio.
A família de Leandro já admitiu avançar com um proc-
esso contra a escola Luciano Cordeiro por ter deixado sair
a criança em horário lectivo, quando a mãe tinha assinado
uma declaração a impedir a saída do aluno do recinto
escolar.
Os pais de Leandro podem avançar ainda com um proc-
esso contra os alegados agressores da criança. As suspeitas
recaem sobre os colegas, que alegadamente exerceram
bullying sobre Leandro Pires levando ao desespero da
criança, que terá cometido suicídio atirando-se ao rio Tua.
Neste caso, o processo é independente da declaração da
morte presumida: “Nada impede que se avance para um
processo, se houver uma suspeita de crime”, diz Sá Fer-
nandes. “Se há uma ligação com os actos de bullying, os
alunos maiores de 16 anos são suspeitos de homicídio e a
responsabilidade é criminal”, diz. Mas, “caso sejam
menores de 16 anos, pode ser imputada aos pais a respon-
sabilidade civil”, acrescenta. Fonte: iOnline de 15/3/2010
Para saber mais
Pode a criação de grandes centros escolares e o fecho
das pequenas escolas estar a alimentar a violência
contra os mais pequenos?
Sobre a autoridade do professor: texto de Mário
Machaqueiro
Notícias diárias de educação.
47
As raízes do mal: por
que razão fizemos da
escola um lugar
onde é cada vez mais
difícil ensinar?

Somos todos culpados: por omissão, passividade,


medo ou porque nos deixámos enganar pelos
ideólogos que capturaram o currículo, os depar-
tamentos de formação de professores e os lugares
de decisão.
A captura do currículo e dos lugares de decisão pelos
ideólogos que olham para a escola como um lugar onde
tudo é mais importante do que o ensino - escola-guarda-
de-crianças, professor animador, escola-armazém e escola

157
158 Indisciplina, bullying e violência na escola

a tempo inteiro - tinha de dar nisto: é cada vez mais difícil


ensinar numa escola que se foi tornando uma instituição
hostil para todos os que a vêem como o lugar onde se
transmite o Legado Cultural às novas gerações.
Helena Damião captou, na perfeição, o fenómeno da
transformação da escola num lugar impossível:
Os discursos, sabe-se, dão respostas variáveis, mas, no
seu conjunto, fazem passar a ideia de que as crianças e
jovens vão à escola, não para adquirirem conhecimentos
nem para desenvolverem a inteligência, mas para, autono-
mamente, aperfeiçoarem competências (que, numa certa
gíria pseudo-pedagógica, não se esclarece o significado
nem o sentido). E é para as competências sociais que se
tende, com o argumento de que isso lhes proporcionará a
integração em contextos vários.
Trata-se dum aspecto que não podemos desligar das con-
tingências políticas e sociais, pois, é a primeira que o
acolhe e legitima, e é a segunda que lhe dá força. Por
exemplo, a pressão para se produzirem rápida e eficaz-
mente diplomas-independentemente-do-valor-que-têm,
não sendo aplaudida por todos, é tolerada por muitos.
Deste aspecto não podemos excluir também o pensa-
mento epistemológico dominante, no qual todo e qual-
quer saber disciplinar e axiológico, se relativiza, se subjec-
tiviza e, portanto, se faz equivaler, não havendo outra pos-
sibilidade a não ser tomar cada sujeito como o referencial
das e para as suas próprias aprendizagens, que se afirma
terem de decorrer dos seus interesses e necessidades e de
serem significativas, em função da sua individualidade.
Fonte: De Rerum Natura
As raízes do mal: por que razão fizemos… 159

É por tudo isto que é necessário regressar às funções


básicas e eternas da escola: transmitir conhecimentos que
valem a pena ser ensinados, centrar o ofício do professor
no ensino, valorizar uma práxis assente no respeito, na
responsabilidade, na exigência e no rigor.
Para que esse regresso se faça, é necessário libertar as
escolas das forças exteriores que a oprimem: regulamen-
tação excessiva do ME e intromissão dos poderes polít-
icos e económicos locais no funcionamento da insti-
tuição-escola.
Notícias diárias de educação.
48
Os do costume
voltam a aplicar
velhas receitas. Mas o
ME, finalmente, vai
acabar com as provas
de recuperação

O Público dá hoje voz aos do costume: Domin-


gues Fernandes, José Morgado e Daniel Rocha.
Todos eles se manifestam a favor da manutenção
e reforço das medidas que conduziram ao estado
calamitoso em que se encontram as escolas púb-
licas que servem populações de risco: faltas e
mais faltas sem consequências; desresponsabili-

161
162 Indisciplina, bullying e violência na escola

zação total de alunos e famílias; deitar as culpas


para cima dos professores qual burros que têm de
carregar com todos os males da sociedade.
Enquanto o ME ouvir estes especialistas, as
escolas públicas não vão parar de perder alunos
para os colégios privados. A classe média vai fazer
como estes especialistas fizeram há muito com os
filhos e os netos: colocar os filhos em escolas pri-
vadas a salvo da barafunda, confusão, burocracia,
falta de respeito, bullying e violência.
Felizmente que a era lurdesrodriguista que, de forma
radical e sectária, pôs em prática as receitas dos do cos-
tume, já passou e o ME tem agora à sua frente uma min-
istra que tem bom senso e realismo. E o bom senso da
ministra da educação leva-a a pôr fim às provas de recu-
peração. Medida justa e séria porque as provas de recuper-
ação, aplicadas aos alunos absentistas, são prémios à pre-
guiça de alunos e irresponsabilidade dos pais.
Fora da cacofonia dos do costume, ressalta a voz avi-
sada e sábia de Nuno Crato:
Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de
Matemática, é peremptório: “Não deve ser possível dar
um número de faltas ilimitado e, mesmo assim, passar de
ano. A escola deve promover o sentido da responsabili-
dade”. Crato lembra que “a assiduidade é fundamental
para manter um trabalho continuado” e que, sem ela, “a
escola não pode produzir bons resultados”.
Os do costume voltam a aplicar velhas… 163

Notícias diárias de educação.


49
Memórias do Luís, um
professor, português,
51 anos, contratado,
vítima de bullying

Passei os últimos 25 anos da minha vida a formar


professores. Passaram por mim muitos milhares
de professores em formação e estudantes que
vieram a tornar-se professores. Conheci muitos
professores como o Luís: contratados, com uma
dezena e mais anos de serviço, sem vínculo certo,
vencimento de miséria, mudando de escola ao
sabor das necessidades do ME, gente culta, gen-
erosa e solidária. Mas só nos últimos cinco anos
comecei a deparar com tantos professores mer-

165
166 Indisciplina, bullying e violência na escola

gulhados na desilusão, exaustos e humilhados,


fartos de serem falsamente acusados de serem os
responsáveis do insucesso dos alunos e obrigados
a carregar o fardo de todos os males da socie-
dade.
O texto que publico a seguir, da autoria de um
colega e amigo do Luís, tocou-me. Oxalá a sua
divulgação contribua para alertar os poderes
políticos para a desconsideração com que os pro-
fessores são tratados em algumas escolas.
O Luís era uma daquelas pessoas já raras, porque digna,
guiado por princípios e valores, exigente consigo próprio,
tímido e muito metido com ele (era difícil arrancar-lhe um
sorriso). Aos 51 anos, “solteirão”, ainda contratado - o
professorado é a única profissão em Portugal onde isto
ainda acontece! - veio até nós, no decurso da luta pela Pro-
fissionalização, contexto onde convivi com ele directa-
mente durante cerca de três anos.
Portador de Habilitação Própria, foi eleito em Lisboa,
em Plenário para a Comissão de Contratados, em 2004.
Participou activamente em todos os protestos e acções
reivindicativas da nossa Frente de Trabalho do SPGL, que
levaram à conquista do Despacho nº 6365/2205 (profis-
sionalização em serviço em ESE’s e Faculdades).
Era conhecido entre nós pelo ”freelancer” (alusão à sua
segunda ocupação de jornalista eventual). Dotado de forte
sensibilidade em relação ao mundo da informação e da
Memórias do Luís, um professor, português… 167

comunicação social, propôs e pedia frequentemente, nas


nossas reuniões, que os sindicatos encarassem esta frente
(relações públicas) com outros olhos, mais eficazmente. A
partir de 2006, não se recandidatou mais à nossa comissão
de contratados.
Encontrei-o mais tarde nas mega-manifestações de pro-
fessores: estava na Escola EB 2,3 Ruy Belo, e achei-o dis-
posto a não entregar os Objectivos Individuais, um verda-
deiro problema de consciência moral, para ele.
Depois disso, mais uma ou duas vezes, espaçadamente.
Soube que tinha sido colocado na EB2,3 de Fitares, mas
pouco mais.
No passado dia 11 de Fevereiro, revi-o pela última vez,
em Oeiras, já deitado no caixão na capela mortuária. Con-
versei longamente com a mãe, a irmã, a empregada
doméstica. Vêm-me à memória as palavras do pai, militar
aposentado: “o Luís era bom moço, quis ser bom até ao
fim, só que não aguentou o inferno das escolas de hoje…
Vocês têm que fazer qualquer coisa!”
O Luís nos, últimos tempos, já tinha tomado friamente
a decisão, inabalável. Por isso, não creio que nesse
período, tenha pedido ajuda a ninguém. Segundo me dis-
seram familiares, no velório, pela consulta do histórico do
seu PC, ele, um mês antes e se lançar da ponte, consultava
sites sobre suicídio, na internet. Escolheu o dia da sua
morte coincidindo com a data de aniversário do pai, com
o qual, aliás, se dava bem.
O ambiente no velório foi impressionante, pela digni-
dade, revolta interior e tristeza da cerimónia, com alguns
professores presentes, num silêncio de cortar à faca, só ras-
168 Indisciplina, bullying e violência na escola

gado por frases em surdina, de justo ódio, visando os polít-


icos responsáveis pela situação a que nos últimos anos
chegou o Ensino Público. Foi, sem dúvida, dos velórios
mais tocantes em que estive até hoje, mesmo estando já
habituado a duras perdas, e tendo estado na semana ante-
rior, noutro, de um familiar directo. Quando escrevi no
livro de condolências o que me ia no espírito, tive dificul-
dade em o fazer, a cortina de lágrimas teimava em des-
focar-me as letras.
Pessoalmente, decidi manter silêncio durante um mês,
por respeito ao pesado luto da família, só o quebrando
depois da irmã dele (nossa colega, também) o ter feito,
decorridos cerca de trinta dias, com a divulgação da
notícia à comunicação social, para assim tentar evitar que
outros casos se repitam, colocar toda a verdadeira
dimensão das depressões e suicídios profissionais à luz do
dia, rasgar o manto hipócrita dos silêncios assassinos e
abalar as consciências de toda a sociedade.
Paulo Ambrósio - membro da Comissão de Profes-
sores Contratados e da Frente de Professores e Educa-
dores Desempregados do SPGL desde 1999. Fonte:PRO-
mova
Notícias diárias de educação.
50
O bullying também é
um problema dos
adultos. Um post de
Luís Silva

O bullying está a ser visto como um problema


das crianças e jovens. Na verdade este assunto
ainda é bastante taboo. O bullying é um prob-
lema dos adultos. Os adultos fazem e são vítimas
de bullying, quer na sua vida pessoal, quer na sua
vida profissional. O que as crianças fazem é um
reflexo das acções dos adultos, praticamente em
tudo na vida. Para se resolver o bullying nas
escolas podem-se e devem-se criar medidas de
curto prazo mas é imperativo ter a consciência

169
170 Indisciplina, bullying e violência na escola

que este é um problema social. O bullying só será


resolvido a partir do topo, ou seja, a partir dos
adultos. Só quando estes deixarem de se violentar
uns aos outros é que as crianças lhes seguirão o
exemplo.
Esta forma de violência pode ser mais evidente nas
crianças devido às agressões físicas, pois, os adultos usam
entre si formas mais complexas de violência, nomeada-
mente, psicológicas mas não menos prejudiciais para a
saúde das suas vítimas. Contra este tipo de violência, que
se pode chamar moderna e actual, ainda não existe qual-
quer legislação, qualquer protecção, pelo que os adultos,
tal como as crianças sofrem em silêncio, muitas vezes nem
admitem que estão a ser alvo de malevolência e, devido ao
seu sentimento de impotência, acabam por cometer as
mesmas acções que os seus agressores.
A solução para acabar com o bullying é complexa tal
como este fenómeno e passa por acabar com este tipo de
violência entre os adultos. Não é preciso ser-se um técnico
especializado para se perceber que as crianças que pra-
ticam estes actos são influenciados pelos adultos, princi-
palmente, a sua família mais próxima e que ou são, elas
próprias vítimas de maus tratos que descarregam nos
outros, ou seguem o exemplo de bullying dos seus tutores.
O bullying é um fenómeno social que existe entre os
adultos e para o qual é necessário criar medidas que pro-
tejam as vítimas e punam os agressores. É necessária a
criação de leis contra a violência psicológica e todas as
novas formas de violência da sociedade actual que são
O bullying também é um problema dos 171
adultos…

complexas, tal como a sociedade é e estão fora do actual


alcance legislativo, garantindo impunidade e muitas vezes
vantagens aos agressores.
Luís Silva
Notícias diárias de educação.
51
Isto sim, é grave!

Se isto não é grave e se tudo este lamentável e


triste episódio morrer sem que sejam apuradas as
responsabilidades, então o País chegou a um
ponto de miséria política e moral sem retorno.
Se nada for feito, se o caso for branqueado, então é caso
para dizermos que ninguém mais pode confiar nas institui-
ções do Estado.
No dia 27 de Janeiro, o professor de música da Escola
Básica 2+3 de Fitares, em Sintra, fez mais um pedido de
ajuda. O último antes do suicídio. Na reunião do grupo da
sua disciplina, L. V. C. alertou os colegas para a sua dificul-
dade em dar aulas a uma turma do 9º ano devido à indisci-
plina de alguns alunos. O relato deveria constar na acta,
mas o professor de música - que foi destacado como o sec-
retário daquela reunião -, morreu antes de redigir o docu-
mento. Após a sua morte, a tarefa foi delegada a outra

173
174 Indisciplina, bullying e violência na escola

colega que escreveu o relatório, mas terá omitido a queixa


do docente.
Agora, são os outros professores que também estiveram
presentes na reunião a exigir uma rectificação da acta.
Querem que no documento seja incluída a queixa do pro-
fessor de música que se atirou da Ponte 25 de Abril na
manhã de 9 de Fevereiro. Querem que a Direcção
Regional de Educação de Lisboa tenha acesso a toda infor-
mação sobre este caso no âmbito do inquérito instaurado
na sequência da notícia publicada no i. E, portanto, ped-
iram à direcção da escola uma reunião extraordinária entre
o grupo disciplinar com um único ponto na agenda de tra-
balhos: rectificar a acta.
A directora do agrupamento escolar de Fitares, porém,
terá dito aos docentes que nenhuma alteração ao relatório
poderia ser feita enquanto a escola não receber a visita do
instrutor da Inspecção-Geral de Educação. Ontem, logo
pela manhã, os professores tentaram consultar a acta. O
documento, contudo, terá desaparecido da sala dos pro-
fessores. Os dois últimos relatórios das reuniões entre o
grupo disciplinar de L. V. C. - datados de 27 de Janeiro e 3
de Março - já não estarão arquivados no dossiê do depar-
tamento de música.
Na acta que agora se encontra em parte incerta estará
quase tudo o que foi discutido na penúltima reunião dos
professores de Educação Musical da Escola Básica 2+3 de
Fitares. Está a discussão sobre as iniciativas a tomar para
assinalar o centenário da República; estão também as
medidas a tomar para preparar a visita de uma orquestra
de música ao estabelecimento de ensino.
Isto sim, é grave! 175

Só falta a queixa do professor de música que terá desaba-


fado que dar aulas a uma turma do 9º ano estaria a “tornar-
se impossível”. Após a confissão, um dos colegas terá per-
guntado a L. V. C. se entregou as participações discipli-
nares ao director de turma e terá obtido uma resposta afir-
mativa. Ao todo, explicou L. V. C., entregou sete participa-
ções de ocorrência disciplinar. Resta agora encontrar os
documentos que comprovem isso. Fonte:iOnline de
16/3/2010
Notícias diárias de educação.
52
Não nos podemos
dar ao luxo de não
ouvir. Seria tornar-
nos parte da
desumanização que
torna possível a
violência

Duas mortes no intervalo de poucos dias - a de


um aluno de 12 anos que mergulhou no Tua em
Mirandela e a de um professor de 51 anos que se
atirou da Ponte 25 de Abril - relançaram o debate
sobre a violência nas escolas. Fonte: Público de
16/3/2010.

177
178 Indisciplina, bullying e violência na escola

Há quem se sinta incomodado com o debate em


torno da violência escolar. Esses preferem o
silêncio cúmplice à tomada de consciência colec-
tiva sobre a necessidade de travar um fenómenos
que corrói os fundamentos da escola.
O que mais assusta é ver autoridades educativas,
que deviam estar linha da frente da denúncia e
combate à violência escolar, acusarem jornalistas
e blogueiros - que alertam e denunciam o fenó-
meno - de serem alarmistas.Notícias diárias de
educação.
53
As faltas de castigo
podem ter valor
pedagógico? Pode o
castigo ajudar o
aluno a ganhar o
hábito de ser
responsável pelos
actos?

O castigo - não estou a referir-me aos castigos


físicos - pode ter valor pedagógico? Podem os
castigos, quando proporcionais à falta cometida,
ter um efeito reparador?

179
180 Indisciplina, bullying e violência na escola

Devemos recuperar o valor dos castigos? Podem os cas-


tigos, quando proporcionais à falta cometida, ajudar o
agente a tomar consciência dos erros e a ganhar hábito de
assumir a responsabilidade dos actos?
Falta ao programa educativo e ao ethos das escolas
públicas a introdução da noção de responsabilidade indi-
vidual e da ideia de que os nossos erros produzem conse-
quências em nós e nos outros e que devemos ganhar o
hábito de reparar os efeitos nocivos causados pelos nossos
actos?
Acabei de ler e assinar esta petição online:
«Pela reinstauração da Falta de Castigo nas escolas
básicas e secundárias»
http://www.peticaopublica.com/?pi=faltacas
Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho
que também podes concordar.
Subscreve a petição aqui http://www.peticao-
publica.com/?pi=faltacas e divulga-a pelos teus con-
tactos.
Corre também por email um pedido de 1 minuto de
silêncio, na sexta-feira, em memória do colega Luís, pro-
fessor, português, 51 anos de idade, vítima de bullying.
Notícias diárias de educação.
54
Um bom debate na TVI
24 sobre indisciplina
e violência na escola.
O representante do
Conselho de Escolas
esteve muito bem

Presentes: um representante da Confap, uma


psicóloga, Avelãs Nunes (SPGL); um membro
do Conselho de Escola e a directora de escola da
Amadora
Principais frases:
Psicóloga: “cada vez vejo mais os pais a porem em
causa os professores”; “em todos os níveis sociais, vejo os
pais a desconsiderarem os professores à frente dos

181
182 Indisciplina, bullying e violência na escola

alunos”; “pais têm medo de exercer o poder parental”; “há


pais que contestam tudo o que acontece na escola”; “nem
todos os directores de turma têm características de per-
sonalidade que os capacitem a lidar com a violência na
escola”.
Representante da Confap: “é inconcebível que haja
pais que não cumprem as funções parentais”; “esses pais
têm de ser responsabilizados”; “os que se demitem das
funções devem ver os seus subsídios suspensos até que
apareçam na escola”; “nem sempre a escola dá ouvidos aos
pais”; “recebemos na Confap dezenas de queixas de pais”;
“há professores que dizem mal dos pais dos alunos na sala
de aula”: “há bons e maus pais e há professores que não
têm capacidade para aguentar a turma”; “é preciso investir
no pré-escolar”.
Membro do Conselho de Escolas: “dirijo escolas há
muitos anos e o problema de indisciplina tem-se agra-
vado”; “a escola tem de ser vista como um local de tra-
balho”; “há alunos de 15 anos que ainda não sabem estar
numa aula”; “é preciso dar mais autoridade aos profes-
sores”; “urge alterar o estatuto do aluno”; “nem sempre o
director de turma consegue identificar os bullies e as
vítimas porque não tem apenas uma turma mas várias”;
“as associações de pais mobilizam pouco os pais para
apoiarem os professores e os directores das escolas”; “os
pais têm de ouvir os filhos mas também tem de ouvir os
professores”; “temos de alterar o regime de faltas”; “não
podemos ser tolerantes com as faltas dos alunos”; “as
provas de recuperação não servem para nada”; “temos de
responsabilizar as famílias sobre a justificação de faltas”;
Um bom debate na TVI 24 sobre indisciplina… 183

“estou assustado com o prolongamento da escolaridade


obrigatória até aos 18 anos porque há muitos alunos que
nãos sabem estar nas aulas”; “os alunos não podem pro-
gredir sem assiduidade”; “não queremos trabalhar só para
as estatísticas”.
Avelãs Nunes (SPGL): “a escola não acompanhou a
evolução da sociedade”; “o problema da indisciplina não é
só português”; “começo a perguntar se a escola que temos
responde à sociedade que temos”; “apostamos numa
escola onde estejam todos”; “não queremos afastar os
alunos que não sabem estar na escola”; “ainda bem que há
escolas que são refúgio de alunos problemáticos”; “é pre-
ciso valorizar os professores”.
Directora da escola da Amadora: “não existe mais
bullying nas escolas que servem alunos problemáticos do
que nas outras”; “é muito difícil detectar o bullying”;
“temos de agir preventivamente”; “fazemos vigilância na
escola e temos animadores que circulam pelos corredores
e espaços exteriores”
Pior prestação: Avelãs Nunes (SPGL). Desvalorizou
o fenómeno e não apresentou soluções. Omitiu o Estatuto
do Aluno e não falou da necessidade de reforço da autori-
dade dos professores.
Melhor prestação: membro do Conselho de Escolas:
Defendeu firmeza contra a indisciplina, pediu reforço da
autoridade dos professores e referiu o obstáculo colocado
pelo Estatuto do Aluno. A prestação da psicóloga também
foi boa.
Notícias diárias de educação.
55
Ministra da
Educação: Vamos
reforçar o poder da
suspensão preventiva
da parte do director.

Assim, vamos lá. A ministra da educação mos-


trou firmeza na questão da violência contra
alunos e professores e apontou medidas que
podem fazer a diferença. Esteve bem.
“Vamos aprovar um diploma que reforça a rapidez na
intervenção do director em caso de agressão. E agressão é
sempre grave. Quando se fala em violência, é sempre
grave”, afirmou Isabel Alçada. A ministra da Educação
falava aos jornalistas em Évora, após presidir à cerimónia

185
186 Indisciplina, bullying e violência na escola

de entrega da terceira edição do Prémio Nacional de Pro-


fessores.
Isabel Alçada recordou que, na quinta-feira passada, o
Governo anunciou que vai apresentar um diploma para
reforçar os poderes dos directores de escola, para que os
alunos agressores possam ser suspensos imediatamente
logo após a ocorrência da agressão. “Vamos reforçar o
poder da suspensão preventiva da parte do director de
escola ou do agrupamento de escolas”, frisou, acrescen-
tando que, em simultâneo, vão ser propostas “medidas de
apoio imediato e continuado” para todos os que “possam
ser alvo de alguma forma de violência”.
Segundo a ministra, há que “mostrar que existem meios e
uma atitude de grande responsabilidade da parte dos pro-
fessores que estão presentes e que resolvem as situações”.
“Precisamos de dar mais força àqueles que estão empen-
hados em resolver as questões. Precisamos que os profes-
sores tenham autoridade” e que a sociedade a “recon-
heça”, sustentou. Fonte: Público, 16/3/2010
Notícias diárias de educação.
56
Aluno esfaqueado à
porta da escola. Não
podemos aceitar a
banalização da
violência escolar

O pior que podemos fazer é aceitar a banalização


da violência na escola. Argumentos do tipo: “lá
fora ainda é pior”, “suspender os agressores não
resolve o problema”, “falar publicamente nos
casos traumatiza os alunos”, ou “são casos espor-
ádicos” só ajudam a aumentar o nível de toler-
ância de um fenómeno que está a destruir a
escola pública.

187
188 Indisciplina, bullying e violência na escola

O debate que a TVI 24 promoveu ontem deu-me


esperanças. Gostei da firmeza do membro do Conselho de
escolas:
“dirijo escolas há muitos anos e o problema de indisci-
plina tem-se agravado”; “a escola tem de ser vista como
um local de trabalho”; “há alunos de 15 anos que ainda
não sabem estar numa aula”; “é preciso dar mais autori-
dade aos professores”; “urge alterar o estatuto do aluno”;
“nem sempre o director de turma consegue identificar os
bullies e as vítimas porque não tem apenas uma turma mas
várias”; “as associações de pais mobilizam pouco os pais
para apoiarem os professores e os directores das escolas”;
“os pais têm de ouvir os filhos mas também tem de ouvir
os professores”; “temos de alterar o regime de faltas”; “não
podemos ser tolerantes com as faltas dos alunos”; “as
provas de recuperação não servem para nada”; “temos de
responsabilizar as famílias sobre a justificação de faltas”;
“estou assustado com o prolongamento da escolaridade
obrigatória até aos 18 anos porque há muitos alunos que
nãos sabem estar nas aulas”; “os alunos não podem pro-
gredir sem assiduidade”; “não queremos trabalhar só para
as estatísticas”.
Cenas como estas que o CM de hoje relata são dema-
siado frequentes e, regra geral, os agressores ficam
impunes:
Os alunos da Escola Básica 2,3 Almeida Garrett, em
Alfragide (Amadora), tiveram ontem um final de tarde
assustador, com um esfaqueamento entre dois colegas e
um assalto mesmo à porta do estabelecimento.
Aluno esfaqueado à porta da escola. Não… 189

Pouco passava das 16h00 quando dois alunos se envol-


veram numa acesa troca de palavras. De acordo com o
relato de colegas que testemunharam a situação, G., de 14
anos, levou uma faca para a escola e, por diversas situa-
ções, exibiu-a aos companheiros. À saída da escola, G.
voltou a fazer o mesmo, mas não contava com a reacção
de L., de 16, que o esbofeteou. Armado, G. não hesitou e
acabou por desferir três golpes ao colega. Segundo o CM
apurou, L. foi assistido no Hospital Amadora—Sintra e já
recebeu alta. Ao final da tarde, G. já estava referenciado
pelas autoridades. A pedido da escola, foi realizada uma
acção policial no bairro Cova da Moura, local de resi-
dência do jovem.
Os alunos da EB 2,3 Almeida Garrett ainda não
estavam refeitos da situação quando um casal, com idades
entre os 25 e os 30 anos, abordou um grupo de jovens,
roubando-lhes os telemóveis.
Augusto Esteves Viola de Almeida, director do agrupa-
mento de escolas Almeida Garrett, contactado pelo CM,
recusou prestar qualquer esclarecimento sobre as situa-
ções de insegurança e violência.
Notícias diárias de educação.
57
CDS leva ao
Parlamento projecto
que reintroduz as
faltas injustificadas
e simplifica processos
disciplinares

São várias as propostas que o CDS vai apresentar


no Parlamento para combater a violência na
escola. São propostas que apontam para a rein-
trodução das faltas injustificadas, simplificação
dos processos disciplinares e responsabilização
dos pais pelos actos violentos dos filhos na
escola.

191
192 Indisciplina, bullying e violência na escola

Nas propostas do CDS, considera-se que actos de vio-


lência na sala de aula são sempre considerados faltas injus-
tificadas. O CDS quer ainda reduzir apoios sociais aos
encarregados de educação que se demitem das funções
parentais e não colaboram com os directores e professores
no combate ao fenómeno da violência escolar. O agrava-
mento das penas para crimes cometidos dentro e nas ime-
diação das escolas é outra proposta que o CDS vai fazer.
O CDS pede ainda um reforço de meios humanos no
Programa Escola Segura e o aumento do número de auxil-
iares de acção educativa nas escolas que servem popula-
ções problemáticas.
É já no dia 26 de Março que este pacote de medidas
contra o bullying e a violência na escola será apresentado
na AR. E para amanhã o CDS agendou, na Assembleia da
República, um debate de urgência sobre o tema.
Notícias diárias de educação.
58
Quatro casos graves
de violência escolar
participados ao ME?!
… Um elogio, uma
crítica e uma nota
para Isabel Alçada

Não posso deixar de elogiar Isabel Alçada por


proferir afirmações como estas que transcrevo do
artigo do Público - Ministra quer “dar mais
força” a directores de escolas para resolver
violência
“Vamos aprovar um diploma que reforça a rapidez na
intervenção do director em caso de agressão. E agressão é

193
194 Indisciplina, bullying e violência na escola

sempre grave. Quando se fala em violência, é sempre


grave”; “Sempre que uma criança, um jovem ou um pro-
fessor é agredido numa escola ou fora da escola, preocupa-
me. Todas as pessoas que pensam sobre esta questão,
claro que se têm que preocupar”; “Vamos reforçar o poder
da suspensão preventiva da parte do director de escola ou
do agrupamento de escolas”; “medidas de apoio imediato
e continuado”para todos os que “possam ser alvo de
alguma forma de violência”; “Precisamos de dar mais força
àqueles que estão empenhados em resolver as questões.
Precisamos que os professores tenham autoridade” e que a
sociedade a “reconheça”; basta “uma situação grave ou
duas para nos termos que preocupar muito”
Não posso contudo, deixar de discordar em absoluto,
quando afirma, segundo a mesma fonte, que as situações
graves de violência nas escolas “não são numerosas, feliz-
mente”; sabemos que tem havido comunicação de quatro
casos, mas quatro casos é muito; “mostrar que existem
meios e uma atitude de grande responsabilidade da parte
dos professores que estão presentes e que resolvem as sit-
uações”.
Quatro casos graves participados ao ME no país
inteiro? Deve haver aqui algum engano – das duas uma:
ou Isabel Alçada se enganou, ou chegaram-lhe números
bastante desfasados da realidade, embora se possa colocar
ainda outra questão – o que é, para Isabel Alçada e para a
tutela, um caso grave de violência?!… Mas não foi Isabel
Alçada que disse, nesta mesma altura, que “quando se fala
em violência é sempre grave?” E embora os professores
sejam responsáveis na resposta a estes problemas, há
Quatro casos graves de violência escolar… 195

muito a que não conseguem dar resposta – primeiro


porque muitos destes casos têm uma resposta cuja solução
não passa pelos professores e ultrapassam a escola, depois
porque a escola não tem efectivamente meios para agir de
forma eficaz!
Já agora aproveito para dizer que o reforço da sus-
pensão preventiva é fundamental e muito importante con-
tudo, pode não ser suficiente para dar resposta aos prob-
lemas uma vez que, segundo a lei vigente, a suspensão pre-
ventiva anula, por exemplo, a possibilidade de transfer-
ência de escola por se considerar que o aluno é penalizado
duas vezes pelo mesmo acto.
Há que agir e rapidamente, sobre este grave problema
que é a violência escolar, mas temos em primeiro lugar
que fazer um diagnóstico bastante objectivo sobre indisci-
plina, violência escolar e bullying.
Notícias diárias de educação.
59
Ecos do projecto de
alteração ao ECD
nos sindicatos e
movimentos de
professores

O projecto de alteração ao ECD, entregue pelo


ME aos sindicatos no dia 15 de Março, provocou
uma onda de indignação nos sindicatos, movi-
mentos, blogosfera docente e salas de profes-
sores. A indignação teve eco no Parlamento com
os deputados do BE, PCP e CDS a criticarem a
postura da ministra da educação. As críticas
incidem no facto de o projecto de alteração ao
ECD incluir vários artigos que alteram profunda-

197
198 Indisciplina, bullying e violência na escola

mente as normas dos concursos, mobilidade e


vínculos sem os mesmos terem sido negociados.
A ministra respondeu às críticas afirmando que o
processo negocial continua e essas matérias vão
ser discutidas com os sindicatos.
Mário Nogueira exigiu reunião urgente com a ministra.
Mas só teve direito a reunir-se com Alexandre Ventura. À
hora em que escrevo, a reunião ainda dura. A Fenprof
ameaça voltar a encher a Avenida da Liberdade.
Os movimentos de professores reafirmam a justiça do
seu desacordo face ao Acordo de Princípios e avisam de
que eram eles que estavam certos e não os sindicatos.
Contam espingardas e apostam tudo na mobilização dos
professores.
Na blogsofera, a indignação espalhou-se como
incêndio em campo de milho seco. Os blogues Educação
do meu Umbigo e Profslusos não calaram a indignação e
dizem que se trata da destruição do estatuto da carreira
docente. O Profslusos fala mesmo em fim do estatuto. O
Paulo Guinote aponta para a necessidade de uma boa
guerrilha contra o novo ECD. Aqui, no ProfBlog, tenho
mantido uma posição mais serena. Tenho dito que é o
PEC a chegar às escolas e a atingir os professores. Digo
também que, mais importante do que as alterações aos
concursos, regras de mobilidade e vínculos, são as cargas
horárias excessivas, burocracia a mais, funções não lectivas
que reduzem o tempo para a relação pedagógica e a indis-
ciplina e desautorização sistemática dos professores pelos
alunos e pais. E reafirmo: é pena que a questão menor dos
Ecos do projecto de alteração ao ECD nos… 199

concursos e regras de mobilidade esteja a desviar a


atenção do que é realmente importante: falta de autori-
dade dos professores, cargas horárias excessivas e buroc-
racia a mais.
Reafirmo que é boa altura para fazer um trade off com o
ME: os professores “engolem” o novo articulado sobre
recrutamento, concursos, mobilidade e vínculos e
recebem do ME o fim dessa inutilidade pedagógica que dá
pelo nome de actividades de substituição (e mãe geradora
de muitas situações de indisciplina e violência dentro da
sala de aula), a abolição das provas de recuperação, planos
de recuperação e de acompanhamento, a redução do
número de reuniões e o regresso às faltas disciplinares não
justificáveis e consequente reprovação por excesso de
faltas.
Continuo convencido de que não estão reunidas as
condições para fazer regressar 100 mil professores às ruas
de Lisboa. O tempo político é outro. A gravidade da sit-
uação financeira do país já não pode ser escondida pelos
mentirosos do costume. Os professores sabem que o ciclo
político de José Sócrates se aproxima do fim e apostam
numa mudança política que traga protagonistas mais cred-
íveis para os lugares cimeiros da decisão política. Qualquer
tentativa para procurar repetir as greves com 90% de ade-
sões e marchas de 100 mil em Lisboa tem uma grande
probabilidade de fracassar.
Notícias diárias de educação.
60
A suspensão
preventiva já existe. É
preciso ir mais além!

Não entendo esta afirmação do Ministro da Pres-


idência no artigo do Público - Governo aprova
suspensão rápida de alunos agressores, que
passo a citar: De acordo com o ministro da Presi-
dência, as direcções de escola “poderão pro-
mover imediatamente a suspensão preventiva,
sem prejuízo das medidas de acompanhamento
social e psicológico que o caso possa requerer”.
A suspensão preventiva já existe e pode ir até cinco
dias. O que é necessário a este nível é que ela preveja um
período de tempo mais alargado, por, na prática, fazer sen-
tido que assim seja. É também necessário que os procedi-

201
202 Indisciplina, bullying e violência na escola

mentos disciplinares não sejam tão complexos e burocrá-


ticos. Agir de forma intransigente com a violência escolar,
apresente-se ela de que forma for, e dotar as escolas de
meios para que essa violência possa ser diminuída, é
urgente. É igualmente necessário que se salvaguarde que a
suspensão preventiva não anule a possibilidade de trans-
ferência de escola, sempre que a gravidade da situação o
exigir. Contudo, esta intervenção pressupõe o respeito
pela classe docente e um esforço real para se perceberem
as verdadeiras origens da violência escolar que, natural-
mente, são de diversa ordem. Só assim caminharemos
para a solução do problema.
Notícias diárias de educação.
61
Aluna de 10 anos
morde, arranha, dá
socos e pontapés a
professora

É notícia do Correio da Manhã Aluna agride


professora à dentada. Segundo este jornal, a
professora deixou a funcionária na sala de aula de
uma turma de 4º ano, enquanto teve que se
ausentar e, quando regressou, foi informada pela
funcionária que uma aluna estava a riscar a mesa.
A professora retirou-lhe a caneta e a reacção da
aluna, de 10 anos, não se fez esperar - “atirou o
estojo à cabeça da professora, tendo depois par-
tido para mais agressões: a docente foi repetida-

203
204 Indisciplina, bullying e violência na escola

mente mordida nos braços, arranhada na cara e


agredida a soco e pontapé.” A professora, “Maria
Alzira Laxado, 49 anos, teve de receber trata-
mento médico, incluindo psicológico, no Hos-
pital de Santo António, no Porto.”Mais um caso
que ilustra bem tanto o difícil dia-a-dia de muitos
professores que se sujeitam a situações inacredi-
táveis que incluem risco de vida, como a necessi-
dade urgente de intervenção atempada e consis-
tente, que ajude as nossas crianças e os nossos
jovens a mudarem as suas atitudes e que justifica
o debate sobre Violência na Escola, no programa
Opinião Pública da Sic Notícias, às 17h, que vai
contar com a presença do Ricardo Silva da
Apede. O ProfBlog vai acompanhar em directo
este debate e o Ramiro já tinha dado esta infor-
mação no post anterior Projecto de decreto
regulamentar da avaliação de desempenho.
Acabado de sair do forno!Notícias diárias de
educação.
62
Ana Drago (BE) não
quer que se responda
à violência escolar
com suspensões

No debate parlamentar desta manhã sobre a vio-


lência escolar, Ana Drago (BE) insurgiu-se
contra medidas que conduzam à suspensão dos
alunos violentos. Para a deputada do BE, a receita
a aplicar deve ser “trabalhar com os alunos para
promover a responsabilidade individual”.
Pergunto: e não é isso que as escolas têm andado a
fazer de há uns anos para cá? Com os efeitos que se con-
hecem: quase nulos.
Notícias diárias de educação.

205
63
Ricardo Silva no
Opinião Pública da
SIC sobre
indisciplina e
violência escolares

Frases de Ricardo Silva (Apede):


“Estas medidas devolvem alguma autoridade dos pro-
fessores”; “andámos mais de dois anos a dizer que o esta-
tuto do aluno potenciava a indisciplina e a violência e a
tutela dizia que tínhamos um bom estatuto do aluno,
afinal parece que temos razão”.
Frases de espectadores:
Um tal António Moita, professor, atribuiu a culpa aos
professores vítimas das agressões. As escolas não têm bur-
ocracia nem falta de autoridade. A culpa da indisciplina é

207
208 Indisciplina, bullying e violência na escola

dos professores quererem bons horários. E esta, hem?


Tenho a impressão que este António Moita está aposen-
tado. Apostava…
É caso para dizer: este professor vive na Lua? Então
quando um aluno agride um professor, a culpa é da
vítima? Haja Deus!
Um ex-vigilante escolar acusa: “os dirigentes escolares
não davam seguimentos às participações; estou conven-
cido de que as deitavam ao lixo; há muitos conselhos
directivos que nada fazem porque não podem fazer; as
participações que eu fazia não tinham seguimentos; os vig-
ilantes escolares não conseguem aguentar tanta má edu-
cação e protecção aos alunos violentos e indisciplinados”.
Arlindo Barradas, professor reformado, 69 anos:
“nunca esperei ver o que está a acontecer: alunos a
baterem nos professores e ninguém lhes acode.”; “os pais
demitiram-se de dar educação aos filhos”.
Notícias diárias de educação.
64
Ricardo Silva no
Opinião Pública sobre
indisciplina e
violência na escola

Mais frases de Ricardo Silva (Apede):


“Os horários dos professores são feitos em função dos
alunos”; “há muitos professores que dão horas extra para
fazer educação de pais”; “há professores que são obrigados
a silenciar os casos de indisciplina e violência”; ” os profes-
sores estão a ser obrigados a desempenhar todo o tipo de
funções: sociais, culturais de animação e de apoio psicoló-
gico”; “este Governo está a desinvestir nos meios
humanos e só se preocupa com os equipamentos”; “as
realidades são muito diversas, há pais muito interessados e
que colaboram com os docentes e há outros que se desin-
teressam da escola e só parecem quando os filhos se

209
210 Indisciplina, bullying e violência na escola

metem em problemas”; “os currículos são demasiado


extensos e os alunos passam demasiado tempo na sala de
aula”; “é óbvio que a violência contra professores se
agravou”; a desvalorização do saber académico e a cada
vez menos importância dada à função do ensino con-
duzem à redução da autoridade dos professores”; “era
bom que a ministra da educação ouvisse mais os profes-
sores que estão na escola e menos aos especialistas que
estão desfasados da realidade”.
Frases de espectadores:
Cristina Alves, mãe: “na escola da minha filha reina o
terror e ninguém pode fazer nada”; “a minha filha e outras
colegas vivem num clima de terror na escola e os agres-
sores estão identificados mas ninguém faz nada”.
Cristina Ribas, professora: “quando actuamos sobre a
violência, temos de saber como é que a crianças e o jovem
podem tornar-se adultos saudáveis”; “a suspensão deve ser
o último recurso mas em casos de agressão verbal ou física
a um professor justifica-se a suspensão”; “há pais que per-
deram a autoridade sobre os filhos e pedem ajuda ás
escolas”
Notícias diárias de educação.
65
Distinção entre
faltas justificadas e
faltas injustificadas

Em teoria, esta distinção sempre houve, embora


com o Estatuto do Aluno tivesse ficado diluída,
por isso agora o Governo recua dando razão à
postura dos professores nesta matéria, como
também referiu no Opinião Pública, Ricardo
Silva da Apede. De tal maneira foi longe este pro-
cedimento que os alunos podiam passar de ano
mesmo com um elevado grau de falta de assidui-
dade. Impossível? Nem tanto… Escolas houve
em que os professores receberam “indicações” no
início do ano lectivo, de que determinados

211
212 Indisciplina, bullying e violência na escola

alunos eram para passar. Como? Aproveitando as


provas de recuperação, chegando ao ridículo de
repetir as provas até os alunos alcançarem
“sucesso”. Este é um dos motivos por que penso
que as provas de recuperação deveriam deixar
simplesmente de existir e não passarem apenas a
ser facultativas.
Segundo o Público, no artigo Associações de Pais
aplaudem alteração do regime de faltas dos alunos, “a
CONFAP discorda da reprovação directa no caso de
ultrapassagem do limite de faltas injustificadas, defend-
endo que deve haver uma prova de diagnóstico no final,
que dê ao aluno a possibilidade de estudar por si e passar
de ano.”
Estou completamente em desacordo com a Confap –
por um lado, os alunos têm que ser responsabilizados e a
assiduidade é um dever do estudante. Por outro, os alunos
do ensino básico, sobretudo os que têm menor supervisão
dos seus pais e encarregados de educação, não têm maturi-
dade para gerir as suas actividades e o que pode acontecer
e já aconteceu, é que não se preocupam com a assiduidade
porque pensam que mais tarde fazem as provas e passam
de ano. Permitir que as crianças e os jovens possam no
final ter “a possibilidade de estudar por si e passar de ano”
é estimular uma estratégia que gera insucesso uma vez
que, salvo casos muito excepcionais como o que referi
anteriormente, não há possibilidade de se passar de ano
sem ir às aulas.
Distinção entre faltas justificadas e… 213

Para saber mais


❋ Ricardo Silva no Opinião Pública da SIC sobre dis-
ciplina e violência escolares
❋ Ministra da Educação no parlamento: serão intro-
duzidas alterações ao regime de faltas com diferen-
ciação entre faltas justificadas e injustificadas
Nota: também Paulo Guinote, editor do blogue
Educação do Meu Umbigo, vai estar hoje na RTPN,
como ele mesmo diz Turno Da Noite, na RTPN, Uns
Minutos Sobre A Reinvenção Da Roda Pelo Governo
Notícias diárias de educação.
66
Cavaco sobre a
violência nas
escolas: eu penso que
tem de ser feita
alguma coisa para
combater esta
situação

Finalmente, Cavaco Silva quebrou o longo


silêncio sobre a indisciplina e a violência nas
escolas. Entre 2007 e 2009, deu até sinais de que
concordava com as medidas tomadas pela ante-
rior ministra da educação. Os professores, sindi-
catos e movimentos acusavam o estatuto do

215
216 Indisciplina, bullying e violência na escola

aluno de ser demasiado permissivo e de, por esse


facto, potenciar a indisciplina e a violência. O PR
ficou em silêncio.
Cavaco Silva, interrogado ontem por jornalistas, disse
que se preocupa com a violência na escola mas não quis
apontar soluções invocando ser matéria do Governo e do
Parlamento. Sobre a suspensão dos alunos, o PR disse:
“não quero adiantar nada sobre isso. É uma matéria deli-
cada”.
Questionado se está preocupado com os casos de vio-
lência nas escolas que têm sido conhecidos, o chefe de
Estado, Aníbal Cavaco Silva, disse que o tema não pode
deixar de o preocupar e recordou o debate que se estabe-
leceu em torno do Estatuto do Aluno.
“Lembro-me do debate que foi estabelecido à volta do
Estatuto do Aluno e congratulo-me com o facto de agora
se ter chegado à conclusão que é preciso revê-lo”, afirmou
Cavaco Silva, que falava aos jornalistas no final de uma
visita ao Sport Grupo Sacavenense, que comemora este
ano o seu 100º aniversário.
Por outro lado, acrescentou, é preciso aprender com as
“experiências negativas” que de vez em quando são conhe-
cidas sobre violência nas escolas, nomeadamente entre
estudantes e de estudantes em relação a professores.
“Eu penso que alguma coisa terá que ser feita para com-
bater esta situação”, defendeu.
Interrogado se concorda com a possibilidade de
expulsão dos alunos envolvidos em casos de violência, o
Presidente da República escusou-se a responder, alegando
Cavaco sobre a violência nas escolas… 217

que se trata de uma matéria que terá de ser discutida no


“local próprio”, ou seja, na Assembleia da República.
“Não quero adiantar absolutamente nada sobre isso”,
disse, argumentando que se trata de “uma matéria deli-
cada” e que “há quem tenha competência para decidir.”
CM de 20/3/2010
Para saber mais
Só para ajudar a equipa do ME e da oposição para um
futuro debate
Estatuto do Aluno
Notícias diárias de educação.
67
Um novo olhar para
a suspensão dos
alunos da frequência
das actividades
lectivas

A suspensão é neste momento motivo de reflexão


e de desacordo. Normalmente, quando há divi-
sões claras em determinados assuntos, como é o
caso por exemplo dos exames, há preocupações
dos diversos lados que fundamentam diferentes
opções. Talvez então o melhor seja encontrar um
“modelo” de actuação que dê, tanto quanto pos-
sível, resposta às diversas preocupações, ao invés

219
220 Indisciplina, bullying e violência na escola

de defender, muitas vezes à força, “o modelo A


ou o modelo B”.
No que à suspensão diz respeito, é verdade que os
alunos ditos problemáticos, precisam que se faça um tra-
balho com eles que os leve a modificar a sua atitude per-
ante os outros. Também é verdade que, para que tal acon-
teça, precisamos de perceber de forma clara, qual a origem
do problema. Contudo, há comportamentos que estas
crianças e jovens têm que não podem de forma alguma ser
tolerados nem admitidos, seja em que grupo social for e a
punição, que pode ser a suspensão, deve ser a conse-
quência do acto do aluno. A responsabilização implica o
assumir das consequências dos seus actos, sejam boas ou
más. Poderíamos pensar que a suspensão pudesse ser sub-
stituída por realização de actividades na escola, e muitas
vezes pode e deve ser. Noutros não. Mas quando os alunos
se recusam ou faltam a esses trabalhos?! O que fazer?
Mas há ainda outras questões, como é o caso de pen-
sarmos que a Escola tem mais alunos além dos problemát-
icos. E esses alunos também precisam que se pense neles.
Por outro lado ainda, há que envolver diversos interve-
nientes no processo educativo porque a escola não con-
segue dar resposta a este problema, que ultrapassa em
muito o seu âmbito, mesmo considerando que a primeira
função do professor é ser educador e não instrutor.
Mas a concepção de suspensão também pode ser
mudada e, em minha opinião, deve! Quando uma criança
ou jovem é suspenso, significa que ele próprio se afastou
do grupo em que está inserido, pelas atitudes e comporta-
Um novo olhar para a suspensão dos alunos… 221

mentos que assumiu e escolheu. Não são os outros que o


afastam mas ele mesmo por ter decidido contra o grupo e
não a favor dele. Neste sentido, a suspensão só serve para
mostrar que se afastou do grupo e se isso aconteceu, vai
ter que se esforçar para poder de novo integrá-lo. Nesta
perspectiva, a suspensão deve ser uma mais-valia para o
processo – tempo de intervenção fora da escola e, por isso,
tempo de crescimento para a criança ou jovem. É este o
procedimento do Pief, Programa Integrado de Educação
Formação, e que me parece bastante equilibrado. A
inclusão, mais do que na escola na sociedade, pode passar
por afastamento temporário da própria escola e pode ser
saudável que assim seja – por um lado, é o ajudar a criança
e o jovem a perceberem que actuaram contra o grupo e
por isso contra a inclusão e, por outro, é dar a oportuni-
dade aos adultos de intervirem para que aquela mesma
criança ou jovem se volte a integrar, trabalho que, em
muitas circunstâncias só pode, e deve, ser feito fora da
escola.
Para a possibilidade de sucesso educativo, é funda-
mental colocar limites e a suspensão pode ser uma forma
de o fazer. A questão é o que fazer com a suspensão e para
além dela!
Para saber mais
❋ Ana Drago (BE) não quer que se responda à vio-
lência escolar com suspensões
❋ ME prepara cursos de formação sobre Bullying para
directores de turma
222 Indisciplina, bullying e violência na escola

❋ Cavaco Silva sobre a violência na escolas: eu penso


que tem que ser feita alguma coisa para combater
esta situação
Notícias diárias de educação.
68
José Gil relaciona a
violência na escola
com a política
governativa de não
verdade

Escreve José Gil:


Estas mortes [do aluno Leandro e do professor Luís]
não são casos excepcionais (a não ser pelo carácter trágico
do acontecimento), mas inserem-se num contexto geral
de indisciplina, desrespeito e violação geral das regras que
devem assegurar uma aula normal e mesmo das regras tác-
itas de conduta de um ser em sociedade. Estou certo que a
grande maioria dos portugueses ignora o que se passa
nessas aulas - onde o clima bárbaro não permite às vezes a
mínima aprendizagem.

223
224 Indisciplina, bullying e violência na escola

José Gil é um dos nossos maiores filósofos vivos. Deu a


última lição no dia 10 de Março. Assina uma crónica
semanal na revista Visão. Tem sido um dos críticos mais
lúcidos às políticas educativas socratinas, ao clima geral de
facilitismo, às pressões administrativas para a construção
fraudulenta do sucesso escolar e ao conceito de escola-
armazém.
Notícias diárias de educação.
69
Fenprof quer
violência contra
docentes na lista
dos crimes públicos

A Fenprof reuniu ontem o Conselho Nacional.


Conclusões saídas da reunião:
Propor ao ME que a violência contra docentes seja
considerada crime público.
Mais auxiliares de acção educativa para acompanhar os
alunos nos recreios.
Contratação de animadores socioculturais para acom-
panhar os alunos fora das aulas.
Redução do número de alunos por turma de forma a
que os docentes tenham maior controlo sobre os alunos e
possam gerir melhor os conflitos internos.

225
226 Indisciplina, bullying e violência na escola

Stress profissional na lista de doenças profissionais dos


docentes.
Questionado sobre as mortes recentes do aluno
Leandro e do professor Luís, vítimas de bullying escolar, o
secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse:
“Estou chocado é com o facto de as autoridades púb-
licas deste país nada terem feito para que isto não aconte-
cesse, porque como nada fizeram o que aconteceu é o que
todos esperávamos que viesse a acontecer”.
Notícias diárias de educação.
70
A banalização do mal.
Cenas destas
acontecem com
frequência dentro
ou à porta das
escolas públicas

A isto eu chamo a banalização do mal. Com a


agravante de as escolas públicas - que deviam ser
espaços de denúncia e combate às raízes do mal -
estarem a ser transformadas em ferramentas de
banalização da violência.
O grau de tolerância das autoridades educativas face a
actos desta natureza é demasiado elevado. Quase toda a

227
228 Indisciplina, bullying e violência na escola

gente mete a cabeça debaixo da areia numa estratégia sui-


cida que o filósofo José Gil chama de não inscrição e de
não verdade. O sistema de encobrimento da violência
escolar foi montado graças a um modelo de avaliação
externa das escolas que premeia o “show off”, a fabricação
estatística do sucesso escolar e o silenciamento dos casos.
O modelo de avaliação a que estão sujeitos os directores e
adjuntos vai no mesmo sentido: encobrimento e silêncio.
Idem para o modelo de avaliação de desempenho dos
docentes.
Quanto maior for a tolerância das autoridades educa-
tivas para com o fenómeno da violência escolar maior e
mais rápida será a debandada de alunos das escolas púb-
licas para os colégios privados.
Os pais que realmente se preocupam com os seus filhos
e têm poder de escolha não pensam duas vezes: colocam a
segurança deles em primeiro lugar.
Gladis Kiara, o aluno de 16 anos que sexta-feira sofreu
três facadas por parte de um colega à porta da escola
Braamcamp Freire, na Pontinha, Odivelas, está internado
no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, disse a mãe.
Maria António está preocupada que algum órgão do
aluno do 8º ano tenha sido atingido durante o duelo san-
grento, que só terminou quando o jovem conseguiu
escapar ao agressor. Gladis Kiara, mesmo a perder sangue,
correu para o centro de saúde, de onde foi transportado de
emergência para o Hospital Santa Maria.
A escola não quis prestar ao CM qualquer esclareci-
mento sobre o brutal confronto. Fonte da PSP revelou
que o agressor, também com 16 anos, foi detido uma hora
A banalização do mal. Cenas destas acon- 229
tecem…

após o duelo nas imediações da escola. Fonte: CM de


21/3/2010
Notícias diárias de educação.
71
Um novo olhar para
a suspensão dos
alunos da frequência
das actividades
lectivas - II

Londres
Não são poucas as vezes que a suspensão, embora nec-
essária para colocar limites bem claros, não produz qual-
quer efeito na criança ou no jovem. Não penso que deva,
por isso, deixar de existir – muito pelo contrário, em certas
situações impõe-se. Uma das conclusões que tiro é que a
suspensão pode não ser suficiente e quando assim é,
outros procedimentos devem complementá-la, de acordo
com a situação.

231
232 Indisciplina, bullying e violência na escola

Para isso temos que nos perguntar onde está a origem


daquela violência, daquela falta de respeito para com
colegas, professores, funcionários e outras pessoas que
têm ligação à escola. E a origem pode ser de diversa ordem
– pais que perderam a autoridade perante os filhos porque
os protegem em demasia, ou porque simplesmente se
demitem da sua responsabilidades de educadores, ou
porque não sabem educar ou trabalham em horários des-
fasados e as crianças e os jovens estão o dia todo fora de
casa sem serem acompanhados por adultos – problema
que é agravado em famílias monoparentais.
Mas pode também ser provocado por casos de abusos
sexuais, vindos com mais frequência do se pensa, do seio
da própria família, ou ainda por se assistir com frequência
a cenas de violência doméstica – muitas vezes a mãe e os
filhos dormem todos no mesmo quarto e de porta fechada
à chave, deitando-se antes do pai chegar para evitar serem
agredidos.
Outras vezes, vivendo as próprias crianças em ambi-
entes criminalmente violentos, é lá que dão os primeiros
passos na aprendizagem da violência e até do crime. Mas
há casos em que a forma de educar dos pais é bater com o
cinto, ou com o cabo de electricidade depois de mergul-
hado em água, ou com a mangueira da banheira, ou ras-
pando os dedos dos filhos com facas, ou queimando as
suas costas com grelhas, ou colocando o filhos de joelhos
durante horas com caixa de fruta nas mãos… E o mais ina-
creditável é que, quando se aborda este problema com os
pais eles normalmente respondem: “Foi assim que os
Um novo olhar para a suspensão dos alunos… 233

meus pais me educaram e fez-me bem porque hoje sou um


homem / mulher, também vai fazer bem ao meu filho.”
É por estes motivos que a violência escolar pode ser per-
mitida? Não! De forma alguma! As crianças e os jovens
têm que aprender desde cedo que a violência, o desres-
peito, não é permitido seja de que forma for. Usar as possí-
veis origens da violência como desculpa ou justificação, é,
por um lado, permitir que todos os outros sejam desres-
peitados, e, por outro, discriminar estas crianças e jovens
pela negativa. Exigir que assumam as consequências dos
seus actos e que sejam responsáveis pelas atitudes que
tomaram, é uma forma de os ajudar a crescer e de os
ajudar a integrar-se na sociedade. Para qualquer actuação
consistente sobre violência escolar, indisciplina ou bul-
lying, este tem que ser um ponto de partida bem claro –
violência não é permitida. Posts relacionados
❋ Um novo olhar para a suspensão dos alunos da fre-
quência das actividades lectivas
❋ A banalização do mal. Estas cenas acontecem com
frequência dentro ou à porta das escolas públicas
Notícias diárias de educação.
72
Portas: se a família é
informada do
comportamento
violento e não
contribuir para a sua
resolução deve ser
punida no eventual
apoio social que
recebe do Estado.

Correio da Manhã – Na proposta do CDS/PP


é sublinhada a necessidade de as escolas pre-
miarem os bons alunos?

235
236 Indisciplina, bullying e violência na escola

Paulo Portas – A escola é um local de estudo, conheci-


mento e de transmissão de cultura. Entendemos que é boa
política da escola valorizar os bons resultados. O mérito,
talento, esforço e assiduidade têm de ser premiados.
– Defende o regresso do Quadro de Mérito às
escolas?
– Não sei se é o regresso porque penso que algumas
escolas nunca o deixaram de ter. Os alunos que superam
as dificuldades devem ser o orgulho da escola pelo que
anualmente deve haver uma cerimónia em que os prémios
de mérito são entregues. Embora deixemos a natureza
dessa cerimónia e desses prémios à autonomia e regula-
mento de cada escola.
– Será um prémio financeiro?
– No caso de servir para um aluno de um meio desfa-
vorecido prosseguir os estudos.
– Sucedem-se os casos de violência escolar. O que
pode ser feito para inverter a situação?
– Em primeiro lugar, tem de se proteger a autoridade
do professor. O aluno tem de obedecer. O actual sistema é
permeável à violência. Muitos professores que são vítimas
de ameaças, assaltos e agressões preferem a lei do silêncio
a denunciar, por temerem ter mais problemas. Defend-
emos ainda que, ocorrido um acto de violência, a escola
tenha a obrigatoriedade – e não apenas a possibilidade –
de o comunicar às autoridades.
– Qual a vantagem da escola em não revelar os actos
violentos?
– Em certas áreas problemáticas os professores que
denunciem os actos violentos sofrem ameaças de ele-
Portas: se a família é informada do comporta- 237
mento…

mentos da própria comunidade educativa como, por


exemplo, os pais. Se a família é informada do comporta-
mento violento e não contribuir para a sua resolução deve
ser punida no eventual apoio social que recebe do Estado.
Notícias diárias de educação.
73
A proposta do CDS
para travar a
indisciplina e a
violência nas escolas

São medidas de bom senso. Duvido que sejam


aprovadas no Parlamento porque o bom senso é
coisa que existe em fracas doses para os lados de
S. Bento.
O apoio social escolar deve ser majorado em função
das notas dos alunos, para promover o estudo e combater
o insucesso. Esta é uma das propostas de alteração ao
Estatuto do Aluno, apresentadas ontem pelo CDS/PP que
vão ser debatidas no Parlamento na sexta-feira.
A proposta, explicada pelo presidente do partido, Paulo
Portas, inclui também a criação de um plano individual

239
240 Indisciplina, bullying e violência na escola

para cada estudante que exceda o limite de faltas injustifi-


cadas. Os populares pretendem que o 1º ciclo também
tenha faltas injustificadas, num limite de dez. Quando o
aluno ultrapassar metade do limite de faltas, os encarre-
gados de educação deverão ser avisados. De acordo com a
proposta, se o aluno atingir dois terços do limite de faltas,
os pais devem ser novamente convocados pela escola.
A execução do plano individual de trabalho ‘tem de ser
executado além do horário escolar corrente e normal’,
explicou Paulo Portas. Já para ‘proteger a autoridade dos
professores’, o CDS/PP vai propor no Parlamento que os
actos de violência cometidos nas escolas ou imediações
sejam uma agravante do ponto de vista da lei penal. ‘Intro-
duzimos no Estatuto do Aluno um artigo que se chama
protecção da autoridade do professor’. Outra das pro-
postas é a criação de quadros de mérito em todas as
escolas, com direito a prémios ‘de natureza simbólica ou
material’. Fonte: CM de 22/3/2010
Concordo com o plano individual de trabalho execu-
tado além do horário da escola caso esse plano seja da
responsabilidade de um professor de apoio vocacionado
para trabalho de tutoria com os alunos. Discordo caso o
plano individual de trabalho seja executado pelo professor
titular da turma.
Concordo que o apoio social escolar seja majorado em
função das notas dos alunos. Pais que colaboram com os
professores e alunos que se esforçam mais devem ter a
devida recompensa. Não podem ser tratados da mesma
forma que os pais que dificultam a tarefa educativa dos
professores e os alunos que não estudam.
A proposta do CDS para travar a indisciplina… 241

O agravamento penal dos actos violentos cometidos


nas escolas ou nas imediações é uma medida da mais
inteira justiça.
O ProfBlog estará atento às posições dos restantes par-
tidos. Veremos quem está disposto a aprovar medidas
sérias que travem a indisciplina e a violência na escola.
Notícias diárias de educação.
74
Fenprof apresenta
medidas de reforço
da autoridade dos
professores e de
combate à violência
escolar. É chegada a
altura de ver quem
está contra a
violência na escola e
quem anda a assobiar
para o lado

243
244 Indisciplina, bullying e violência na escola

Se a violência contra professores for incluída na


lista de crimes públicos, deixa de ser necessária a
queixa formal do arguido para haver investigação
criminal. Em algumas escolas, os professores têm
medo de apresentar queixa por duas razões:
ameaças dos familiares dos agressores e falta de
apoio dos directores que vêem como publicidade
negativa a apresentação formal de queixas de
agressão ocorridas dentro do recinto escolar.
A Fenprof vai entregar hoje à ministra da educação um
conjunto de medidas de reforço da autoridade dos profes-
sores aprovadas na última reunião do Conselho Nacional
da organização.
Em resposta a essas propostas, a ministra da educação
disse encará-las como uma possibilidade. Nem sim nem
não.
Outra proposta da Fenprof - inscrita na resolução que
será hoje enviada à ministra da Educação, ao presidente da
República, aos grupos parlamentares, às confederações de
pais e ao PGR - é para que, à semelhança do que já acon-
tece nalgumas comunidades espanholas, os professores
passem a ter o estatuto de autoridade pública e a figura
jurídica da presunção da verdade. Nogueira acredita que
isso teria um “efeito preventivo” visto que permitiria aos
professores agir “de forma mais rápida” e até “dar ordem
de detenção ao agressor até ao momento da chegada da
autoridade”. “Se a pessoa fugisse, estaria a incorrer num
crime de desobediência; e, se houvesse agressão, as penas
Fenprof apresenta medidas de reforço da… 245

seriam agravadas”, disse, acreditando que esta proposta


iria reforçar a autoridade dos professores nas escolas.
Se, em relação a esta proposta, a ministra da Educação
considerou ser uma interpretação “não muito correcta”, já
em relação a classificar as agressões contra professores de
crime público, Isabel Alçada admitiu ser “uma possibili-
dade”. Fonte: JN de 22/3/2010
Notícias diárias de educação.
75
O Bullying, a
violência escolar e a
indisciplina e a
falência das políticas
sociais

Londres
Em conversas que tenho tido, apercebo-me que há
colegas que pensam que a suspensão dos alunos deve ser
da inteira responsabilidade dos pais e encarregados de
educação e outros colegas que pensam que os problemas
sociais nada têm que ver com a escola. Discordo destas
posições por pensar que são radicais, contudo, penso que
abordam uma questão fundamental que deve merecer
toda a nossa atenção que é a distinção de papéis de cada
interveniente no processo de ensino-aprendizagem, com o

247
248 Indisciplina, bullying e violência na escola

natural reforço para o papel dos encarregados de edu-


cação.
A tendência das sucessivas políticas educativas tem sido
para atribuir à escola / professores a função de educar,
quando, sem dúvida, ela compete aos pais / família. À
escola compete “formar e transmitir conhecimentos”
como tão sabiamente o filósofo José Gil refere em A vio-
lência da ignorância.
Esta ideia tem que estar clara quando actuamos, caso
contrário corre-se o risco de se falar em repor a autoridade
dos professores e a dignidade da profissão, fundamental
para o sucesso educativo, mas de, subtilmente, se actuar
em sentido contrário.
Concordo em absoluto com as acções de formação
sobre Bullying, não só para os directores e directores de
turma, mas para todos os professores, uma vez que ao
lidarmos diariamente com o problema, precisamos de
saber agir, até para podermos também nós proteger as
vítimas. Contudo, sem responsabilização dos encarre-
gados de educação, a quem compete educar e acompanhar
os seus filhos, e sem uma lei que claramente puna a vio-
lência na escola, estamos subrepticiamente, a dizer que a
resposta ao gravíssimo problema que é o Bullying na
escola portuguesa, passa apenas pela escola e pelos profes-
sores, o que é bastante grave… O mesmo pensamento se
aplica à violência escolar e à indisciplina.
Sabemos contudo, quanto mais não fosse por uma
questão humana, que não nos podemos abstrair do facto
de o Bullying, a violência e a indisciplina na escola
também terem origem na família enquanto agressora da
O Bullying, a violência escolar e a indisci- 249
plina…

criança e do jovem, ou em contextos sociais graves que


naturalmente os afectam tal como ao seu percurso escolar,
embora estes não sejam de forma alguma os únicos
motivos. A tendência tanto da tutela como dos professores
é, muitas vezes, chamar à escola a resposta a estes prob-
lemas – a tutela porque cada vez mais estimula o professor
faz-tudo, a quem responsabiliza pelos males da escola, ten-
tando assim esconder que é inoperante. Os professores
porque, preocupando-se com estas crianças e jovens, e
não conseguindo deixar de ver nos seus alunos a pessoa
que são, querem ajudá-los porque não se conformam com
muitos dramas vividos no seu dia-a-dia.
Claro que esta realidade aponta claramente para a
falência das políticas sociais e, consequentemente, para a
falta de responsabilidade política dos sucessivos governos
que ao longo dos anos não se preocuparam com uma
resposta verdadeiramente adequada aos diversos prob-
lemas.
A Escola deve estar em articulação com a Segurança
Social, com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens
e com todas as instituições que de alguma forma inter-
ferem com a segurança e educação das crianças e dos
jovens mas não deve a tutela exigir que chame a si a reso-
lução destes problemas porque não é competência sua e,
ao fazê-lo, pode estar a contribuir para o perpetuar tanto
da falência das políticas sociais como da falta de exigência
que neste momento se vive na escola portuguesa.
Esta parece-me ser outra linha de rumo a considerar
nas decisões sobre Bullying, violência escolar e indisci-
plina: a distinção dos papéis de cada interveniente no
250 Indisciplina, bullying e violência na escola

processo de ensino-aprendizagem, para que a urgente


actuação necessária a este nível possa ser pensada em
função da responsabilidade que cada um tem.
Notícias diárias de educação.
76
Aulas de 90 minutos
versus aulas de 50
minutos. E por que
não dar liberdade de
escolha às escolas?

Tive conhecimento, através do blogue do Paulo


Guinote de um peça jornalística publicada hoje
no Público sobre a reestruturação curricular do
3º CEB. A peça jornalística não tem link pelo que
tive de recorrer aos préstimos dos arquivos do
Paulo Guinote. Não compro jornais nem revistas
em papel. Por um lado, é bom: não tenho o tra-
balho de os deitar no lixo e de limpar as

251
252 Indisciplina, bullying e violência na escola

umbreiras das portas com Cif. Por outro, é mau:


fico privado de usar essas peças no ProfBlog.
Também não vejo televisão. Por um lado é mau: passa-
me ao lado muita coisa que podia dar um bom post. Por
outro, é bom: evito que os políticos de quem não gosto
entrem em minha casa. É um sossego. Uma tranquilidade.
Só vos digo: é muito bom viver sem televisão.
O grupo de trabalho sobre reestruturação curricular do
3º CEB é coordenado por João Formosinho e está a tra-
balhar, em segredo, há cerca de 3 meses.
Habituei-me a ver em João Formosinho uma excelente
pessoa, um professor de eleição e um investigador
invulgar. Não há em Portugal quem saiba mais de legis-
lação escolar. Mas discordo dele na questão das aulas de
90 minutos. Ele diz que é mais sério não ouvir os profes-
sores do 3º CEB. Aparentemente, ouviu apenas os profes-
sores que usam a metodologia do movimento da escola
moderna. Há muitos anos que João Formosinho é um fã
da pedagogia do MEM e tem feito parcerias com a Escola
da Ponte, a escola portuguesa que levou mais longe esse
ideário pedagógico.
João Formosinho tem toda a liberdade para apreciar a
pedagogia do MEM, tal como eu tenho para a criticar.
Errado é não querer ouvir os professores que estão nas
escolas e que sabem, por experiência própria, que as aulas
de 90 minutos potenciam as situações de indisciplina e de
violência dentro da sala de aula. Há muitos alunos que
estão na escola e não gostam desta ou daquela disciplina.
Alguns nem sequer gostam de disciplina nenhuma. Outros
Aulas de 90 minutos versus aulas de 50… 253

têm tempos de atenção muito reduzidos. Forçá-los a aulas


de 90 minutos é uma violência simbólica sobre alunos e
docentes.
Não seria melhor João Formosinho propor ao ME que
deixe nas mãos das escolas a liberdade de escolha entre
aulas de 90 minutos ou de 45 minutos mais 45 minutos ou
50 minutos mais 40 minutos?
Notícias diárias de educação.
77
Américo Baptista,
professor na
Lusófona: estes
alunos quando um
dia tiverem uma
dificuldade não vão
saber lidar com a
frustração

Tive conhecimento desta entrevista feita pelo


Público a Américo Baptista, psicólogo clínico e
professor na Universidade Lusófona, através do
Blogue EducacaoSa. Nem tudo está perdido:
oiçam este homem e deixem de dar importância

255
256 Indisciplina, bullying e violência na escola

aos gurus da escola lúdica e da ideologia tonta


que considera que a vida é um eterno festim. Os
psicólogos e pedagogos sérios e realistas estão a
sair do armário, começam a perder o medo,
apesar de continuarem afastados dos corredores
do poder, das comissões e grupos de trabalho e
dos conselhos editoriais das revistas de educação
e pedagogia.
Público - Os casos de indisciplina e de violência
estão a aumentar o medo dos professores?
Américo Baptista - Os professores são considerados como
pessoas com autoridade e com poder para controlar as sit-
uações de violência e de indisciplina. Contudo, na prática,
todas as decisões que tomem e que impliquem uma
punição são vistas como uma repressão. Mais do que
medo de lidar com os alunos, os professores vivem em
depressão por estarem impotentes. Encontram-se num
papel que no fundo não podem exercer e estão esvaziados
de autoridade. O descrédito da classe causa, naturalmente,
depressão e ansiedade e não há transmissão de conheci-
mentos sem uma aula relativamente ordeira.
Que consequências terá este clima na formação dos
alunos?
Há uma perspectiva de educação pela positiva exagerada.
A greve aos trabalhos de casa, em 2004, é um exemplo de
como se está a ensinar as crianças a desobedecerem e a
ficarem sem hábitos de trabalho. E as regras, por vezes,
têm de ser impostas de forma repressiva. Sempre que um
Américo Baptista, professor na Lusófona… 257

aluno tem um comportamento desadequado, este deve vir


acompanhado de uma consequência desagradável. Não
pode persistir a ideia de que as coisas acontecem sem
esforço. Estamos a formar uma geração que queremos que
se sinta sempre bem… Mas sentir-se bem não é o mesmo
que fazer bem. Fazer bem implica esforço e estes alunos
quando um dia tiverem uma dificuldade não vão saber
lidar com a frustração.
De que forma pode a escola reverter a situação? A sol-
ução passa por reforçar o poder dos directores das
escolas?
É fundamental discutir e estabelecer estratégias em grupo.
Se a cultura de uma escola for a “tolerância zero” a este
tipo de situações, os conflitos vão diminuindo. O apoio de
toda a comunidade educativa e um clima de protecção são
essenciais para que os professores exerçam o seu trabalho.
Deve haver suporte entre pares e o limite do aceitável deve
ser bem definido. Os medos não desaparecem sem o
apoio da escola e sem ser dada aos professores uma sen-
sação verdadeira de segurança e controlo. De dizer que se
vai dar autoridade aos directores a concretizá-lo vai um
grande passo. Quanto aos alunos, é importante trabalhar a
inteligência emocional, isto é, fazer com que com-
preendam as emoções e que consigam sentir o que é estar
na pele do outro. Fonte: Público de 22/3/2010
Notícias diárias de educação.
78
Confusão no
Parlamento sobre a
tipificação do crime
de agressão a
professores. Vice do
PS diz que já é crime
público, juristas
dizem que não

Fazem as leis e não as sabem interpretar. Ou será


apenas mais um caso de má vontade contra os
professores vinda dos lados da bancada do PS?
O advogado Rogério Alves defende que a lei tem de ser
alterada para que a agressão a um professor seja consid-

259
260 Indisciplina, bullying e violência na escola

erada crime público e a abertura de inquérito pelo Minis-


tério Público não dependa de queixa do agredido.
O tema suscitou polémica depois de Mário Nogueira
(Fenprof) ter sugerido a transformação em crime público
das ofensas sobre os professores, tendo o deputado do PS
Ricardo Rodrigues contraposto que a “pretensão da Fen-
prof já está consagrada na lei” desde 2007. A posição de
Ricardo Rodrigues contraria, porém, a da ministra da Edu-
cação, Isabel Alçada, que já se mostrou disponível para
alterar a lei.
“Não considero que a lei, tal como está, garanta que
seja um crime público”, disse Rogério Alves. A diversidade
de leituras tem por base o nº 2 do artigo 132º do Código
Penal, que qualifica o homicídio, mas que se aplica
também nas ofensas à integridade física. O artigo define
um conjunto de pessoas, entre as quais “docente” e
“membro de comunidade escolar” com um estatuto espe-
cial em caso de agressão. Rogério Alves diz que não chega.
“Se a lei dissesse que qualquer agressão a essas pessoas
é ofensa qualificada e crime público, tudo bem. Mas a lei
diz apenas que pode ser, portanto depende da interpre-
tação.” Para não haver dúvidas, os docentes teriam de ser
equiparados a agentes de autoridade.
Fonte: CM de 23/3/2010 Notícias diárias de edu-
cação.
79
Aplauso para o PGR

O Procurador Geral da República tem sido uma


voz séria e coerente em matéria de combate à
violência escolar. O tempo veio dar-lhe razão. O
facto de não ter sido ouvido pelos governantes e
legisladores mostra bem quão afastados estes
andam da realidade das escolas.
O procurador-geral da República vai entregar, em
breve, ao Governo, uma proposta para tipificar como
crime público todos os ilícitos que, “em sentido amplo”, se
possam classificar como violência escolar. Uma insist-
ência, após os alertas anteriores terem sido ignorados.
Numa resposta escrita enviada ao JN, o PGR adiantou
que, “em princípio”, amanhã ou depois vai entregar ao
Governo “um contributo para a caracterização e punição
do ‘bullying’ e para a clarificação como crimes públicos

261
262 Indisciplina, bullying e violência na escola

dos ilícitos que, em sentido amplo, se possam classificar


como ‘violência escolar’”. Uma proposta que vem de
encontro à reivindicação feita, no fim-de-semana, pela
Fenprof e que a ministra da Educação, Isabel Alçada, já
admitiu como “uma possibilidade”. Fonte: JN de
23/3/2010
Notícias diárias de educação.
80
O Projecto de Lei do
CDS chega com oito
anos de atraso mas é
hoje mais necessário
do que era em 2002

O Projecto de Lei do CDS para alterar o Estatuto


do Aluno constitui uma ruptura com o status quo
de desresponsabilização de alunos e encarre-
gados de educação e um virar de página na
questão da autoridade dos professores.
Desde 1998 que a autoridade dos professores
tem vindo a sofrer erosão. Lembro que o Esta-
tuto do Aluno foi publicado em 1998 era
António Guterres o primeiro-ministro de Por-

263
264 Indisciplina, bullying e violência na escola

tugal. A desautorização dos professores e a inop-


erância das escolas para travarem a indisciplina e
a violência chegaram pela mão dos socialistas.
A erosão rápida da autoridade dos professores e a
inoperância das escolas no combate à indisciplina
e violência continuaram com a publicação do
Decreto-Lei 30/2002.
As alterações subsequentes corrigiram aspectos de por-
menor mas mantiveram um modelo que assegura direitos
aos alunos absentistas, indisciplinados e mal-criados sem
associar os respectivos deveres e privando os professores
de mecanismos capazes de punir os infractores.
Oito anos passados e após algumas mortes ocorridas
dentro e nas imediações dos recintos escolares surge, final-
mente, um projecto de lei com pés e cabeça e que dota as
escolas e os professores de instrumentos preventivos e
punitivos da indisciplina, má-criação e violência na escola.
Haja coragem dos partidos da oposição na aprovação de
uma Lei que chega com oito anos de atraso mas que é hoje
mais necessária do que era em 2002.Notícias diárias de
educação.
81
Aluno de 11 anos
forçado a fumar
haxixe dentro da
escola

Há escolas que deixaram de ser comunidades


onde se ensinam as virtudes intelectuais e as vir-
tudes do carácter. Algumas tornaram-se literal-
mente comunidades viciosas. Definição de
comunidades viciosas: organizações onde impera
um ethos que favorece a aquisição de maus háb-
itos, estilos de vida não saudáveis e o mau car-
ácter. A notícia do CM de 24/3/2020 é apenas
mais um entre tantos exemplos.

265
266 Indisciplina, bullying e violência na escola

Um aluno do 6º ano na EB 2,3 D. Martim Fernandes,


em Albufeira, está em casa há uma semana com medo de
voltar a ser agredido e forçado a fumar haxixe no estabele-
cimento de ensino. Os pais reuniram-se ontem com o
director e combinaram que o menino, de 11 anos, apenas
regressará às aulas depois das férias da Páscoa.
“Agarravam-me, punham-me cigarros com droga na
boca e davam-me chapadas”, disse ao CM ‘João’ (nome
fictício), corpo franzino para a idade. Face à tristeza do
menino, o pai, José Maria, questionou-o no passado dia
14. E o filho confessou que há um colega de turma, com
15 anos, que o obriga a fumar a droga que outro aluno, de
17 anos, leva para a escola. E que isto acontece desde o
início do ano lectivo.
Perante casos destes, há duas atitudes predominantes.
A atitude hegemónica e que é partilhada pelos socialistas:
são casos esporádicos e que reflectem as situações prob-
lemáticas vivenciadas pela comunidade envolvente. A ati-
tude minoritária: são casos graves que estão a destruir o
ethos da Escola Pública e que têm de ser enfrentados
dando às escolas instrumentos ágeis de prevenção e de
punição dos infractores.
Notícias diárias de educação.
82
Pais associados na
Cnipe criam linha de
apoio a vítimas de
bullying

Depois de cinco anos de adormecimento e enco-


brimento, com as vítimas entregues à sua sorte,
os media e a blogosfera furaram o muro de
silêncio. A sociedade civil reage aos casos de tor-
tura psicológica e física contra alunos e profes-
sores no interior e nos arrabaldes das escolas.
Agora foi a vez da Cnipe criar uma linha aberta para
apoio das vítimas de bullying escolar. As queixas devem
ser encaminhadas para o número 964 466 499.

267
268 Indisciplina, bullying e violência na escola

João (nome fictício) está no 8.º ano, numa escola em


Faro, e este ano lectivo já foi parar duas vezes ao hospital.
Os pais fizeram queixa à direcção da escola, mas ainda não
tiveram resposta. A CNIPE está agora a tentar tratar do
caso.
«Foi agredido ao soco e ao pontapé, a ponto de lhe
partirem uma costela», contou ao SOL o dirigente da
CNIPE Joaquim Ribeiro, que promete não deixar cair
no esquecimento o caso. «Vamos apresentar queixa
junto da Direcção Regional de Educação» .
João foi o primeiro aluno a ligar para o 964 466 499 à
procura de ajuda. Mas a associação de pais não quer que
seja o último. «É preciso que as pessoas deixem de ter
medo de falar, porque os números oficiais estão muito
longe da realidade».
Numa semana «e com muito pouca divulgação», a
linha telefónica de apoio recebeu já 12 chamadas.
O tratamento dado será igual em todos os casos.
«Começamos por contactar a escola, para confirmar a
informação, e encaminhamos a queixa para a respec-
tiva Direcção Regional de Educação».
O anonimato está garantido. «Os pais e os alunos
têm medo de represálias. E a verdade é que muitas sit-
uações não dão origem a queixas, porque as direcções
não querem manchar o bom nome da escola. Mas nós
queremos lutar contra isso».
Caso a situação configure um crime, será também feita
uma participação à polícia. «E temos uma psicóloga que
poderá, gratuitamente, dar apoio às vítimas, embora a
nossa função não seja a de dar apoio psicológico, mas
Pais associados na Cnipe criam linha de… 269

sim denunciar a violência», explica Joaquim Ribeiro.


Fonte: Sol Online de 24/3/2010
Notícias diárias de educação.
83
O Estatuto do Aluno
tem 12 anos e a
indisciplina nas
escolas não pára de
aumentar

Seria de esperar que o Estatuto do Aluno contrib-


uísse para reduzir a indisciplina nas escolas.
Criado em 1998, durante o Governo de António
Guterres, o Estatuto do Aluno sofreu várias alter-
ações, nem sempre para melhor.
Decreto-Lei 270/1998- Cria o Estatuto do Aluno
Em 2002, houve a primeira mudança pela mão do min-
istro David Justino. Foi publicado o Decreto-Lei
30/2002.

271
272 Indisciplina, bullying e violência na escola

Decreto-Lei 30/2002- Altera o Estatuto do Aluno


Em 2008, é aprovada a Lei nº 3/2008 - Aprova novo Esta-
tuto do Aluno do básico e secundário.
Lei nº 3/2008- Cria novo Estatuto do Aluno
Foram 12 anos a perder tempo. Na última década, agra-
varam-se as condições económicas e sociais do País. E a
indisciplina, bullying e violência tornaram-se endémicas
em algumas escolas públicas sem que as autoridades esco-
lares possuam os instrumentos adequados para travar o
fenómeno.É neste contexto que surge o Projecto de
Diploma do CDS de alteração ao Estatuto do Aluno.Notí-
cias diárias de educação.
84
Directores perdem o
medo e começam a
falar sobre o
Estatuto do Aluno

O Público de hoje traz uma peça que merece ser


lida. As declarações de vários directores de
escolas ouvidos pela Lusa eram impensáveis no
consulado lurdesrodriguista. Durante esses
longos quatro anos e meio, imperou o medo nas
escolas públicas portuguesas e a ordem era para
calar, ninguém prestava declarações aos media e
toda a gente fingia que se vivia no melhor dos
mundos. Foi uma tragédia tipicamente estalinista

273
274 Indisciplina, bullying e violência na escola

com guião elaborado por socialistas que têm da


democracia uma noção muito redutora.
Vive-se agora um ambiente mais sereno e mais aberto
nas escolas públicas portuguesas, pese embora o facto de
as mudanças introduzidas na avaliação de desempenho
manterem a essência burocrática do modelo ainda em
vigor.
Os directores ouvidos pela Lusa acusam o actual Esta-
tuto do Estatuto do Aluno de provocar demasiada buroc-
racia, penas fora de prazo, desresponsabilização pelas
faltas injustificadas e provas de recuperação que penalizam
mais os professores que os alunos absentistas.
É bom ouvi-los, finalmente, dizerem em público aquilo
que só afirmavam em privado.
Notícias diárias de educação.
85
Rio devolveu o corpo
do Leandro.
Resultados dos
inquéritos ainda por
conhecer

Passados 23 dias, o Rio devolveu o corpo do


Leandro. O funeral é amanhã. Junto-me à dor
dos familiares e amigos.
Foram muitos dias à espera do corpo do Leandro, o
menino de 12 anos da Escola de Mirandela, vítima da vio-
lência de alunos mais velhos.
Correm dois inquéritos: um do ministério público e
outro da IGE. Tardam a ser divulgados os resultados.

275
276 Indisciplina, bullying e violência na escola

Receio que as autoridades deitem as culpas do suce-


dido para a vítima. Ao que sei a única coisa que mudou na
Escola de Mirandela terá sido maior cuidado na vigilância
sobre os alunos e na portaria. Tudo indica que os puta-
tivos agressores do Leandro continuam, impávidos e
serenos, como se nada de grave tivesse acontecido.
Ninguém se deu por responsável. Ninguém pediu a
demissão. É bem provável que ninguém seja responsabili-
zado.
Notícias diárias de educação.
86
Violência escolar? A
culpa é da imprensa
livre e dos blogues!

Ultimamente, todos os dias há notícias sobre


agressões a professores e funcionários escolares.
E ainda há quem diga que a violência em meio
escolar está a diminuir. Alguns sociólogos e psi-
cólogos afectos ao sistema dizem que o fenó-
meno só existe porque há menos tolerância para
com os casos de violência e os media estão
atentos ao fenómeno.
Esta tese culpa o mensageiro pela origem das más notí-
cias. Mate-se o mensageiro - leia-se imprensa livre e blo-
gues - e a violência escolar desaparece. É uma tese tipica-
mente socialista de negação da realidade. Uma tese que

277
278 Indisciplina, bullying e violência na escola

explica por que razão o “chefe máximo” quer condicionar


a liberdade de imprensa.
Notícias diárias de educação.
87
Aprovados projectos
de lei do CDS e do
PSD de alteração ao
Estatuto do Aluno
com abstenção do PS
e votos contra do BE
e do PCP

Os projectos de lei do CDS e do PSD de alter-


ação ao Estatuto do Aluno foram aprovados com
a abstenção do PS e os votos contra do BE e do
PCP. Os projectos passam agora à comissão de
educação onde vão ser apreciados.

279
280 Indisciplina, bullying e violência na escola

Os partidos à esquerda do PS não querem ver os pais


dos alunos absentistas responsabilizados. O projecto do
CDS prevê a redução dos subsídios sociais aos pais que
manifestarem negligência e desinteresse continuados pelo
absentismo dos filhos. Ana Drago acusou o CDS de
querer voltar ao antes do 25 de Abril. Os deputados do
PCP reagiram aos projectos do CDS e do PSD consider-
ando-os penalizadores dos alunos mais carenciados,
opondo às medidas propostas pelos partidos do Centro e
da Direita aumentos no apoio social escolar.
Os deputados do CDS reagiram às acusações de Ana
Drago afirmando que o BE lida mal com a autoridade dos
professores.
Recordo que o projecto de lei do CDS prevê também a
majoração nos apoios sociais aos pais dos alunos care-
nciados que tenham aproveitamento escolar.
Notícias diárias de educação.
88
Projecto de lei do
CDS: o apoio social
escolar deve poder
ser reduzido quando
os pais manifestam
negligência e
desinteresse
continuados pelo
absentismo dos
filhos

Está no projecto de lei do CDS de alteração ao


Estatuto do Aluno:

281
282 Indisciplina, bullying e violência na escola

O apoio social escolar deve ser majorado sempre que


os alunos são assíduos e têm bom aproveitamento escolar
e deve ser reduzido quando os pais manifestam negli-
gência e desinteresse continuados pelo absentismo dos
filhos.
Nada mais justo e eficaz. Não se compreende que os
pais negligentes continuem a receber o apoio social
escolar na sua totalidade. Frequentar a escola não se
esgota na matrícula; exige assiduidade. E é também justo
que os pais dos filhos que são assíduos, responsáveis e têm
bom aproveitamento vejam majorado o apoio social
escolar. Tratar uns e outros de forma igual é eticamente
reprovável e um estímulo à desresponsabilização indi-
vidual.
Foi patético e revelador ver a argumentação de depu-
tados do BE e do PCP a justificarem o voto contra o pro-
jecto de lei do CDS. Ana Drago chegou a acusar o CDS de
querer criminalizar a falta de assiduidade dos alunos e
apontou com o papão do regresso ao antes do 25 de Abril.
Notícias diárias de educação.
89
A indisciplina e a
violência escolar são
boas para o negócio

Agora que os media estão mais atentos para o


problema do bullying e violência escolares e os
directores e professores com menos receio de
apresentar queixa das agressões não há dia em
que uma notícia destas não apareça na imprensa:
Alguns encarregados de educação de crianças que fre-
quentam a Escola do 1º Ciclo do Pego, em Abrantes,
acusam dois alunos, de 8 anos, de agredirem os filhos no
intervalo das aulas e exigem mais funcionárias.
O problema já é antigo, mas nas últimas semanas tem
atingido “proporções desmedidas”. O último caso veri-
ficou-se na segunda-feira, quando um dos alunos problem-

283
284 Indisciplina, bullying e violência na escola

áticos fechou um colega na casa de banho “e o beijou na


boca”. “Fiquei chocada quando soube do sucedido. Já não
foi a primeira vez que o meu filho foi vítima do mau com-
portamento do colega”, disse ao CM Alzenda Vilhais, mãe
do menino molestado, salientando que o agressor “já tinha
sido transferido de outra escola por mau comporta-
mento”.
Outro pai refere, sob anonimato, que a enteada tem
sido vítima de agressões. “Já foi pontapeada, já lhe espe-
taram um lápis na perna e cuspiram no prato da refeição.
Isto não pode continuar assim”, refere, de forma revoltada.
Os pais vão deixar passar as férias da Páscoa e, “caso a
situação se mantenha”, ameaçam fechar a escola a
cadeado. Alberto Salgueiro, vice—presidente do Agrupa-
mento de Escolas D. Miguel de Almeida, disse que a sit-
uação “está a ser resolvida” e “já foi comunicada” à Com-
issão de Protecção de Crianças e Jovens de Abrantes.
Fonte: CM de 28/3/2010
Entretanto os encobridores do costume vão continuar
a espalhar as teses do costume:
Não há mais indisciplina na escola, o que há é menos
tolerância face à indisciplina.
A violência na escola não se combate castigando os
alunos problemáticos.
O bullying e a violência escolares combatem-se com
mais formação sobre o bullying e gestão de conflitos e não
com castigos aos alunos problemáticos ou reforço da
autoridade dos professores.
Regra geral quem apresenta estes argumentos ou nunca
deu aulas, há muito que fugiu das salas de aula ou é parte
A indisciplina e a violência escolar são… 285

interessada no negócio provocado pela indisciplina e vio-


lência escolares. Em qualquer caso, não merece crédito.
Tão pouco merecem crédito os estudos feitos por grupos
de trabalho pagos pelo Ministério da Educação com a
missão subliminar de mostrar à opinião pública que o
fenómeno não é grave e até está a diminuir.
Um pouco à semelhança do negócio em torno das
empresas de segurança - que vivem dependentes do fenó-
meno da criminalidade e têm tudo a ganhar com políticas
de segurança laxistas e frouxas - a indisciplina e a violência
escolares proporcionam bons negócios.
Notícias diárias de educação.
90
O negócio em torno
dos alunos, famílias e
bairros
problemáticos

Perguntas nada inocentes:


Alguém já fez as contas ao preço por aluno dos CEF?
Não é difícil adivinhar que um aluno dos CEF fica mais
caro do que um aluno num colégio privado de elite. Há
muitas turmas CEF que têm menos de 10 alunos. E muitas
turmas têm mais professores do que alunos. Façam as
contas, senhores economistas!
Alguém sabe por que razão é legal suspender um aluno
por 8 dias, em consequência de um processo disciplinar, e
não se pode expulsá-lo da escola pública regular?
Alguém sabe explicar por que razão há-de o Estado
pagar apoios sociais escolares a pais de alunos que se rec-

287
288 Indisciplina, bullying e violência na escola

usam a exercer funções parentais e não querem colaborar


com os professores na promoção da assiduidade dos
filhos?
Por que razão se há-de aceitar o princípio da sociali-
zação dos prejuízos e da individualização dos benefícios?
Será justo colocar os recursos da escola pública ao serviço
de alunos que não querem aprender, impedem os outros
de aprender e usam os espaços escolares para agredirem
colegas, funcionários e professores?
Não seria preferível retirar esses alunos da escola púb-
lica regular, oferecendo-lhes programas alternativos para
alunos incapazes de seguir um programa educativo reg-
ular?
Problemático - Um bairro problemático não é, como
se poderia pensar, um espaço cujas casas têm problemas
nos alicerces ou nos telhados, mas sim um conjunto habi-
tacional que, regra geral, saiu muito mais caro do que o
previsto, foi inaugurado por detentores de cargos políticos
que discursaram sobre o esforço necessário à concreti-
zação daquele projecto e cujos residentes tiveram acesso a
essas casas em condições muito favoráveis. Um bairro
torna-se problemático quando, após a festa da inaugur-
ação, volta a ser notícia por ali se tolerarem situações que
nos outros bairros e ruas deste país são consideradas
crime. Assistentes sociais, ONG e muitos gabinetes muni-
cipais fazem o enquadramento nestes bairros e as soluções
propostas passam sempre por pedir mais assistentes
sociais, mais dinheiro para as ONG e mais gabinetes
municipais agora dotados da novel figura do mediador
cultural, para assim continuarem a fazer o acompanha-
O negócio em torno dos alunos, famílias… 289

mento dos bairros problemáticos, que, por sua vez, se des-


dobram em escolas problemáticas e famílias problemát-
icas. Política e profissionalmente, o problemático é um
território de grandes oportunidades para gente com ambi-
ções.
Helena Matos. Fonte: Público
Notícias diárias de educação.
91
Pais acusam: escolas
que participam casos
de violência são
penalizadas na
avaliação externa

Finalmente, a Confederação Nacional Indepen-


dente de pais e Encarregados de Educação
(Cnipe) disse aquilo que todos sabem e andam a
calar por medo de represálias: as escolas que
denunciam os actos de violência são penalizadas
na avaliação externa.Há muito tempo que faço
essa acusação no ProfBlog. O encobrimento dos
casos de bullying e violência escolares é conse-
quência do modelo de avaliação externa das

291
292 Indisciplina, bullying e violência na escola

escolas. Um modelo que premeia o show off e a


mentira e que tem de ser urgentemente substi-
tuído por outro que seja claro e simples.Os cri-
térios a ter em conta na avaliação externa das
escolas devem acentuar o cumprimento da
missão da escola: o ensino. Toda essa conversa
fiada dos projectos, animação cultural e ocu-
pação dos tempos livres deve ficar de fora dos
conteúdos da avaliação externa das escolas. E a
única forma séria de avaliar o grau de cumpri-
mento dessa missão é através dos resultados dos
exames nacionais com ponderação das variáveis
económicas e sociais. A Portaria 1317/2009, que
fixa o regime transitório de avaliação de desem-
penho dos directores, sub-directores e adjuntos,
faz depender a classificação a atribuir dos resul-
tados da avaliação externa da escolas e essa
dependência constitui uma forte pressão para o
encobrimento dos casos de violência
escolar.Como é que esta cultura de encobri-
mento e mentira se combate? A substituição do
encobrimento e da mentira pela verdade dos
factos só é possível com outro governo. Um Gov-
erno pós-socialista.
Pais acusam: escolas que participam casos… 293

Estarão os professores dispostos a contribuir para essa


mudança? Não tenho a certeza disso. O conceito do pro-
fessor-faz-tudo e da escola-agência-que-tem-como-
missão-resolver-os-males-da-sociedade está demasiado
enraizado nas mentes de professores e pais, após anos e
anos de lavagem ao cérebro, para que uns e outros possam
aspirar a uma escola que se concentre naquilo que é a sua
missão histórica: ensinar.Notícias diárias de educação.
92
Propostas simples
para melhorar a
escola

Um dos problemas mais graves da escola actual é


a excessiva complexidade e dispersão curricular.
Há áreas curriculares a mais no 3º CEB. Os
alunos passam demasiado tempo na escola. Os
professores consomem tempo e energias em pro-
cedimentos burocráticos excessivos e complexos
que exigem reuniões que duram tardes inteiras,
actas do tamanho de lençóis, projectos curricu-
lares disto e daquilo e relatórios sobre tudo e
mais alguma coisa.

295
296 Indisciplina, bullying e violência na escola

Quando os inspectores se deslocam à escola a primeira


coisa que fazem é ir à procura dos papéis. Onde estão as
actas? São suficientemente exaustivas? E os planos de
recuperação? E os planos de acompanhamento? E os
planos de melhoria? E onde estão os relatórios? E o pro-
jecto curricular de escola? Foi actualizado este ano? Se
não foi, qual a razão de “tamanha” falta? E o projecto edu-
cativo? Foi actualizado este ano? Se não foi, qual a razão
de “tão formidável” falha? E onde estão os planos de aula?
E os planos curriculares de turma? E onde estão as estraté-
gias e actividades transdisciplinares?
Em vez de conversarem com os professores, os inspec-
tores procuram papéis e exercem uma pressão intolerável
para a produção e arquivo de mais pepéis. É isso que está a
matar a pedagogia nas escolas e a secar a criatividade e a
motivação dos professores.
Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas púb-
licas tem de dar ordens para que se acabe com a papelada
inútil e reduza e simplifique a que é absolutamente neces-
sária. Manter essa carga inútil de burocracia nas escolas é a
mesma coisa que exigir aos polícias que passem os dias e
as noites a redigirem planos de combate ao crime sem
colocarem os pés de fora das esquadras.
Se o ME quiser melhorar a qualidade das escolas púb-
licas tem de acabar com as áreas curriculares não discipli-
nares: formação cívica, estudo acompanhado e área de
projecto. São tempos curriculares que não servem para
nada, onde não se ensina nada de útil e que estendem o
tempo de permanência na escola dos alunos para além do
tolerável.
Propostas simples para melhorar a escola 297

Notícias diárias de educação.


93
Criança norte-
americana pode ser
condenada a prisão
perpétua

Foz – PortoVale a pena ver a reportagem que a


SIC fez ontem Criança norte-americana pode
ser condenada a prisão perpétua.Como é dito
na reportagem, “nesta comunidade conservadora
não se fala de outro factor – a cultura da violência
que pôs uma caçadeira à disposição de uma
criança de 11 anos. A arma que o pai lhe ofereceu
no Natal é uma caçadeira juvenil, concebida
especialmente para jovens. Nesta e outras regiões
dos Estados Unidos há carreiras de tiro e

299
300 Indisciplina, bullying e violência na escola

instrução em armas de fogo para crianças desde


que acompanhadas por adultos. Os jovens ameri-
canos só podem beber aos 21 anos e fumar aos
18, mas podem receber instrução em armas de
fogo a partir dos 10 anos de idade e depois se há
um problema, aos 12 já são considerados
adultos”.De outra maneira é o que estamos a
fazer em Portugal com as nossas crianças e os
nossos jovens!Notícias diárias de educação.
94
Homicida com 12
anos julgado como
adulto, nos EUA

Pôr-do-sol na Foz do PortoÉ notícia do Correio


da Manhã: “O norte-americano Jordan Brown
tinha apenas 11 anos quando pegou na espin-
garda que o pai lhe oferecera e disparou mortal-
mente contra a madrasta, Kenzie Marie Houk,
grávida de oito meses, enquanto ela dormia.
Agora, um tribunal de Pensilvânia decidiu que o
rapaz será julgado como adulto e poderá ser con-
denado a prisão perpétua.A acusação afirmou no
julgamento que o menino, agora com 12 anos,
matou friamente a madrasta, de 26 anos, e que

301
302 Indisciplina, bullying e violência na escola

depois apanhou o autocarro para a escola como


se nada fosse. O bebé não sobreviveu. A criança
homicida não admitiu o crime e não manifestou
remorsos, o que terá levado o tribunal a decidir
julgá-lo como adulto. Acredita-se que o rapaz
terá morto a madrasta por ciúmes dela e do
irmão que ia nascer. Alguns media locais citam
familiares segundo os quais Jordan teria feito
ameaças de morte à madrasta, mas o pai, Chris-
tian Brown, nega. O progenitor, funcionário da
construção civil, deixou de trabalhar para apoiar
o filho e recebe doações pela internet.”
Nos Estados Unidos da América, coloca-se a
hipótese de desistir de uma criança de 12 anos,
quando se equaciona a hipótese de prisão per-
pétua – o cúmulo e o extremo do que significa
responsabilização! Que Jordan seja claramente
responsabilizado pelo seu crime, nem se discute,
claro que sim, mas que seja julgado como adulto,
podendo ser condenado a prisão perpétua, é o
reconhecimento da falência, nesta área, das
políticas sociais e do acompanhamento educa-
tivo.Já em Portugal, a responsabilização não
existe porque em vez de utilizarmos o conheci-
Homicida com 12 anos julgado como adulto… 303

mento que temos de cada criança e de cada


jovem, para o ajudar da forma mais adequada,
esse conhecimento serve para desculpabilizar e
justificar! Nem oito nem oitenta! Se se pensar
efectivamente na criança e no jovem que precisa
da nossa ajuda, teremos uma noção mais sensata
do que é o equilíbrio.Notícias diárias de edu-
cação.
95
É bullying? Não, é
violência consentida

O recente caso trágico de Leandro é de extrema


gravidade e constitui um claro exemplo da vio-
lência escolar, que teima em persistir nas escolas
com a impunidade de todos.
O encobrimento deste fenómeno começa, desde logo,
com a sua própria designação: “bullyng”. Este desneces-
sário estrangeirismo, substituto da palavra bem portu-
guesa “violência”, configura um eufemismo, figura de
retórica que consiste em dizer de forma suave o que é
desagradável, disfarçando perversamente um problema
tão preocupante.
Na verdade, à violência estão associados numerosos
factores; a confusão, a indisciplina e a falta de respeito
grassam nas escolas de maneira desenfreada e ultrapassam

305
306 Indisciplina, bullying e violência na escola

as convivências conflituosas entre alunos. Nem as princi-


pais figuras da educação conseguem escapar a este fenó-
meno: a recepção, com vaias e ovos, da ex-ministra Lurdes
Rodrigues, numa escola de Fafe, foi um testemunho medi-
ático de relevo. Não é, pois, por acaso que os ministros
preferem visitar escolas ao fim-de-semana ou em períodos
de férias.
A difícil questão educativa enunciada, como se sabe,
leva os docentes a esconder casos delicados, uma vez que
os professores que denunciam situações anómalas ao fun-
cionamento das aulas são marginalizados pelos seus
colegas e pela restante comunidade escolar, considerando
que os culpados são os próprios por não se darem ao
respeito…
A maioria dos directores, investidos de um poder imen-
surável pela legislação vigente, pouco ou nada fazem para
prevenir ou resolver a violência escolar. A sua preocu-
pação, num gesto politicamente correcto, parece que
apenas reside em agradar aos pais e na avaliação docente,
o que explica o ensurdecedor silêncio do Director da
Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, perante
tão funesta ocorrência verificada com o Leandro.
A resolução deste difícil problema passa pela responsa-
bilização dos alunos e pais, pelo aumento de pessoal aux-
iliar, assim como por uma efectiva autoridade (não con-
fundir com autoritarismo) dos professores perante alar-
mantes situações de indisciplina, que coloca indubitavel-
mente em risco a qualidade do ensino.
Deste modo, é imperioso tomar medidas realistas e efi-
cazes na eliminação desta alarmante barbárie com o fito de
É bullying? Não, é violência consentida 307

promover escolas seguras, onde todos os alunos se sintam


bem, se respeitem, aprendam, bem como possam ter, de
facto, a tão propalada igualdade de oportunidades.
Afonso de Albuquerque
Notícias diárias de educação.
96
Ministério Público
arquivou inquérito
contra agressores
que levaram Leandro
ao hospital

O Ministério Público informou ao Público esta


decisão, justificando “com o facto de os menores
denunciados terem menos de 16 anos e serem,
por isso, inimputáveis à luz da lei penal. Na
resposta, o Ministério Público (MP) não justifica
por que razão os menores não foram sujeitos às
regras da lei tutelar educativa, prevista para estes
casos, acrescentando apenas que remeteu o caso

309
310 Indisciplina, bullying e violência na escola

para a Comissão de Protecção de Crianças e


Jovens (CPCJ) de Mirandela.”
Por serem considerados inimputáveis, a estes jovens até
agora nenhuma responsabilidade lhes foi atribuída nem
exigida!
Pergunto-me se é assim que se cultiva a responsabili-
dade, que se exige o claro assumir das consequências dos
actos que praticam. Pergunto-me também se alguém
pensa que as crianças e os jovens se tornam responsáveis
apenas com conversas formais e/ou informais. Elas são
necessárias mas não suficientes e os adultos quando
actuam têm que ter bem clara esta realidade.
Mas será sensato que para este tipo de agressão, um
jovem com 14, 15 ou 16 anos seja inimputável?! Não será
necessário mudar a lei?
Uma outra questão que quero colocar é a da falta de
aplicação da Lei Tutelar Educativa. Eu poderia de alguma
forma entender que a inimputabilidade se mantivesse se a
Lei Tutelar Educativa fosse aplicada nas situações em que
se justifica mas tal não acontece, além de não haver vagas
nas instituições competentes para crianças e jovens que
muito precisavam desse tipo de intervenção. Muitos casos
de violência ou fraca resposta? Em minha opinião as duas
coisas. A resposta ao combate à violência tem sido fraca
quando tem obrigatoriamente que ser clara e determi-
nada!
Notícias diárias de educação.
97
Medidas para
combater o bullying
na escola

Muito me admira que o Estado continue a sub-


sidiar alunos que vão à escola para aterrorizar e
torturar colegas mais novos ou mais fracos.
Permitam-me alguma sugestões:
1. Castigos até dois dias de suspensão devem poder ser
decretados pelo director da escola em processo sumário
sem necessidade de levantamento de processo disciplinar.
2. Os pais têm o direito ao recurso mas apenas depois
do cumprimento da sanção pelo aluno. Os efeitos da dec-
isão do director são imediatos.
3. Os “castigos” do tipo “varrer o pátio” não têm efi-
cácia. Devem ser substituídos por sanções mais eficazes e
punitivas: suspensão de 1 a 8 dias de frequência das aulas.

311
312 Indisciplina, bullying e violência na escola

No caso de os pais não terem quem tome conta do aluno


em casa, os serviços de segurança social devem providen-
ciar o apoio necessário, recorrendo, se for necessário, a
serviços especializados em apoio domiciliário para os
casos de alunos com menos de 12 anos de idade
4. O director da escola deve ter poder para suspender o
aluno da frequência das aulas até 8 dias. Quando os pais
concordam com a sanção não há lugar a processos discipli-
nares.
5. Casos graves de bullying prolongado devem ser
punidos com a transferência de escola dos agressores. A
pedido dos pais, pode haver lugar à transferência de escola
dos alunos vítimas de bullying. Essa transferência pode,
em certos casos, ser feita para colégios particulares. Nestes
casos, o Estado cobre as despesas das propinas.
Notícias diárias de educação.
98
Ricardo Silva (Apede):
Sobre o estatuto do
aluno, o currículo e
os horários dos
professores

Quis ouvir o que Ricardo Silva (Apede) tem a


dizer sobre os termos e as consequências do
Acordo estabelecido, no dia 8 de Janeiro, entre o
ME e os sindicatos. É conhecida a minha pos-
ição: o Acordo era irrecusável. A nova conjuntura
política, originada pelo entendimento entre o
Governo e o PSD em torno do Orçamento e a
redução do défice, inviabilizaria qualquer solução
parlamentar para a questão das quotas. A compa-

313
314 Indisciplina, bullying e violência na escola

ração entre o ECD em vigor e o que vai sair dos


termos do Acordo mostra, a meu ver, que as con-
dições de progressão melhoraram bastante e são
agora muitos mais os docentes que atingirão o
topo da carreira.
Não é esse o entendimento da Apede, do PROmova e
do MUP. Nem do Ricardo Silva.
ProfBlog - Por que razão os sindicatos não deviam ter
assinado o Acordo?
Ricardo Silva - Em primeiro lugar, porque em qualquer
negociação devem estar em cima da mesa apenas os supe-
riores interesses daqueles que são representados e não
temos a certeza absoluta que assim tenha sido. Está ainda
por explicar a necessidade de uma maratona negocial de
14 horas. E fica também por explicar o que mudou de tão
essencial entre o dia 29 de Dezembro (data da apresen-
tação das contra-propostas da FENPROF) e o dia 7 de
Janeiro. O que era mau ontem não pode ser bom no dia
seguinte. Garantia de todos os professores com BOM
poderem atingir o topo da carreira, em tempo útil? Foi
essa a conquista? Já sabemos que em muitos casos isso
dificilmente acontecerá e a própria ministra o tem repe-
tido. Fica a sensação que os sindicatos não quiseram
devolver o protagonismo nestas negociações ao Parla-
mento. Será? Porquê?
Fundamentalmente, não deviam ter assinado o Acordo,
porque não ficaram satisfeitas muitas das reivindicações
importantes dos professores e que os próprios sindicatos
assumiram como bandeiras de luta, algumas das quais
Ricardo Silva (Apede): Sobre o estatuto… 315

consideradas absolutamente inegociáveis. Não podemos


pois concordar com um Acordo que contempla:
. vagas e quotas, que visam estrangular a progressão na
carreira e que deixam clara a negação total dos propalados
propósitos de distinção do mérito
. um modelo de avaliação que se mantém quase into-
cado com tudo o que comporta de perverso, inadequado,
inexequível, burocrático, discricionário, injusto, conflitual,
etc;
. o roubo do tempo de serviço congelado entre Agosto
de 2005 e Dezembro de 2007, situação que afectará grave-
mente todos os professores no momento do seu reposicio-
namento e ao longo de toda a sua carreira;
. os efeitos das classificações do 1º ciclo avaliativo
quanto à progressão na carreira, o que é vergonhoso pois
serão penalizados os professores que deram “o corpo às
balas” e beneficiados aqueles que, de forma algo oportu-
nista, se candidataram a classificações de “mérito”;
. uma carreira com duração muito mais longa, que só
com muito boa vontade se poderá considerar que garante
a todos os professores com BOM, o acesso ao topo em
tempo útil e, além disso, com efeitos perversos no cálculo
das reformas pois os professores passarão a esmagadora
maioria da carreira com salários muito abaixo do índice
370;
. a transição para a nova estrutura da carreira docente é
penalizadora para os professores, uma vez que a sua
grande maioria regride no seu posicionamento e, por isso,
demorará muito mais tempo a atingir o topo da carreira;
316 Indisciplina, bullying e violência na escola

. um brutal desequilíbrio nas condições de progressão,


ficando claramente prejudicados sobretudo os colegas
abaixo do índice 235.
. um modelo de gestão profundamente anti-demo-
crático e potenciador de conflitos, tensões e agravamento
dos direitos, liberdades e garantias dos professores, sendo
que a Comissão de Coordenação de Avaliação do Con-
selho Pedagógico resulta de uma eleição entre membros
nomeados pelo director, com todas as perversidades que
daí poderão advir;
. a manutenção de uma prova de ingresso que, a existir,
deveria surgir no final do estágio como último momento
de avaliação/certificação e nunca após a conclusão da
licenciatura e profissionalização, apenas como uma forma
de tentar estrangular o acesso à profissão a quem está
legalmente habilitado para a docência. Se algo está mal na
formação de professores, importa então que o governo
ataque o problema pela raiz, aferindo e certificando a qual-
idade das instituições às quais atribuiu alvará de funciona-
mento, e não venha simplesmente tentar punir aqueles
que cumpriram as regras e os requisitos impostos pelas
instituições que os formaram;
. uma autêntica nebulosa que fica no ar para o período
após 2013, sem quaisquer garantias que as condições de
progressão (entre outras) não possam vir a agravar-se.
Curiosa aqui a ideia de que o governo não se poderia
comprometer com nada para além do limite do seu man-
dato. Não sabíamos que as leis e os seus efeitos só podem
ser negociados para o período de vigência dos mandatos
dos governos.
Ricardo Silva (Apede): Sobre o estatuto… 317

ProfBlog - Consideras que havia condições para o par-


lamento pôr fim às quotas? Podes explicar?
Ricardo Silva - O Parlamento, mais precisamente o
PSD, não honrou os seus compromissos com os profes-
sores num passado recente, situação que não esquecemos.
Mas considero que os deputados dos diversos partidos da
oposição não poderiam enjeitar as suas responsabilidades
no que respeita à ultrapassagem do conflito entre profes-
sores e governo, e sua agudização, que naturalmente resul-
taria de um fracasso nas negociações. A resolução deste
problema, em sede parlamentar, seria tanto mais facilitada
quanto mais mobilizados estivessem os professores para a
luta. E esta vai ser a grande questão para o futuro, quando
for escrita a história do processo de luta dos professores
portugueses nestes últimos anos: como explicar os níveis
de mobilização/desmobilização dos professores ao longo
do referido processo. Variadas são as razões, algumas mais
claras e óbvias, outras menos. Voltando à questão, con-
sidero que deveriam ter sido esgotados todas as possibili-
dades e caminhos que pudessem levar à obtenção de um
acordo global mais satisfatório para os professores. As afir-
mações recentes de José Sócrates vangloriando-se do
acordo obtido, que para ele significa uma clara derrota da
oposição, como de imediato veio sublinhar, são bem signi-
ficativas de que ficámos a meio do caminho e que isso
também não deverá ter agradado, politicamente, a alguns
partidos da oposição. Haveria portanto, do meu ponto de
vista, algo mais a tentar, algo mais a conquistar no âmbito
parlamentar.
318 Indisciplina, bullying e violência na escola

ProfBlog - Para além do ECD e da ADD, quais as


matérias que devem ter a prioridade no processo negocial
em curso?
Ricardo Silva - Essas matérias são muito importantes
mas é fundamental que se ataquem com muita determi-
nação outros problemas, já conhecidos:
- os horários dos docentes e a sobrecarga de trabalho
que tem vindo a aumentar com a alteração das compo-
nentes lectiva e não lectiva.
- é fundamental que se respeite a componente indi-
vidual de trabalho, que as reuniões não continuem a multi-
plicar-se com prejuízo da referida componente individual.
- é ainda muito importante que se reduza a burocracia e
a papelada que massacram os professores, sem qualquer
vantagem ou utilidade pedagógica.
- que o apetrechamento tecnológico das escolas seja
implementado de forma equilibrada para que não acon-
teça existirem certas salas de aula com videoprojectores e
quadros interactivos em simultâneo e noutras escolas os
professores se atropelem para conseguirem reservar o
único videoprojector disponível, para toda a escola.
- o número de alunos por turma tem de ser reduzido e o
número de turmas por professor não pode continuar a
chegar às sete, oito e mais turmas.
- seria importante olhar-se de uma forma especial para
o trabalho dos directores de turma que, pela sua complexi-
dade, responsabilidade e exigência deveria merecer um
reforço da componente de redução atribuída ao desem-
penho deste cargo.
Ricardo Silva (Apede): Sobre o estatuto… 319

- é absolutamente decisivo que se resolva o problema


da formação contínua que, neste momento, é escassa e
tem de ser paga pelos professores, na maior parte dos
casos. Se a frequência de acções de formação é obrigatória,
como se pode obrigar os professores a pagarem uma for-
mação que lhes é imposta? Formação essa, muitas vezes
escassa e limitada, a decorrer em horário pós-laboral,
muitas vezes aos sábados, para lá de não garantir a quali-
dade e uma adequação efectiva às necessidades de for-
mação de grande parte dos professores, nomeadamente,
nas suas áreas disciplinares.
- a vinculação dos colegas contratados é uma questão
que tem de ser resolvida de uma vez por todas. Sendo pro-
fessor do quadro há 20 anos, na mesma escola, não me
esqueço nem desvalorizo as condições em que vivem e tra-
balham os meus colegas, em situação mais desprotegida
(não esquecendo tb o caso das AEC’s).
- a reestruturação curricular, com a extinção das áreas
curriculares não disciplinares, revisão dos programas, cor-
recta articulação vertical e horizontal dos programas, novo
desenho curricular com reorganização dos tempos lec-
tivos, serão outros aspectos importantes a trabalhar.
- deixei para o final a questão do modelo de gestão.
Considero que é, neste momento, o grande CANCRO
que afecta o funcionamento das escolas. Cancro que tem
de ser extirpado urgentemente, com o restabelecimento
de uma gestão democrática das escolas.
ProfBlog - O estatuto do aluno é um obstáculo à qual-
idade do ensino. O que é que deve ser feito para o substi-
tuir?
320 Indisciplina, bullying e violência na escola

Ricardo Silva - Considero que deverá ser profunda-


mente reformulado, nomeadamente no que respeita à
brutal carga de trabalho burocrático que exige aos profes-
sores e à escassa responsabilização que atribui aos alunos
no cumprimento dos seus deveres de assiduidade, sobre-
tudo nos casos de falta de assiduidade injustificada.
Notícias diárias de educação.
99
A Liberdade gera
Vida. Páscoa Feliz!

Fátima – Cruz Alta e Igreja da Santíssima Trin-


dade Sendo Filho de Deus, Cristo não precisava
de ter passado por todos estes sofrimentos e
humilhações nem de ter sido morto na cruz. Mas
tinha uma missão que aceitou – viver a vida
humana para que o ser humano pudesse ter a
resposta à sua ânsia de felicidade. Foi criança,
jovem e adulto, viveu a angústia humana, viveu a
traição, o sofrimento, a perda, viveu a alegria, o
companheirismo mas, acima de tudo, amou até
ao fim, mesmo que tal Lhe tivesse custado a
vida… Porque era livre! Porque nada nem nin-
guém poderia alterar a missão que tinha aceitado

321
322 Indisciplina, bullying e violência na escola

do Pai, por muitas dificuldades que pudesse


encontrar!
Mas esta liberdade foi mais longe, esta liberdade
de amar sem limites, levou-O não só a aceitar
morrer na cruz, como também a transformar a
morte em vida, ressuscitando ao 3º dia! A liber-
dade de Cristo levou-O a transformar o maior
pecado da humanidade na salvação dessa mesma
Humanidade, convidando cada Ser Humano a
viver uma vida nova!
Acreditemos ou não que Cristo é o Filho de
Deus, acreditemos ou não que Deus existe, todos
somos convidados, todos os dias, a vivermos uma
vida nova, todos somos convidados a trans-
formar-nos interiormente e a irmos mais além e é
esse o Mistério Pascal – o convite a sermos de tal
maneira livres no amor, que ousemos viver uma
Vida Nova!
Também a Educação precisa de uma vida nova e
não podemos, nem devemos, demitir-nos de
intervir, de debater com seriedade as actuais
questões educativas para que, todos nós que
somos intervenientes no processo educativo,
A Liberdade gera Vida. Páscoa Feliz! 323

consigamos juntos encontrar as tão necessárias


respostas.
O ProfBlog deseja todos os leitores e comenta-
dores, mas também a toda a blogosfera e a todas
as pessoas de uma maneira geral, uma Páscoa
muito feliz! Notícias diárias de educação.
100
Cef, Currículos
Alternativos e Pief:
lama para os olhos

Muito se tem debatido sobre as diversas alterna-


tivas curriculares que têm sido oferecidas às
escolas. Muitas delas têm-nas aceitado por assu-
mirem que há problemas nas suas escolas e por
terem esperança que algo de efectivo se possa
fazer pelas crianças mais desfavorecidas. Outras
escolas não têm sequer pensado no assunto por
nem sequer pensarem em manchar a imagem que
criaram. Outras ainda não o têm feito porque já
há muito perceberam a triste e vergonhosa reali-
dade que está por detrás dessas propostas.

325
326 Indisciplina, bullying e violência na escola

As políticas educativas inserem-se num contexto de


política global que tem em vista apenas os interesses de
alguns. Para tal, o desinvestimento na educação, o estí-
mulo à falta de cultura e formação, a manipulação da
forma de pensar e o progressivo minar dos valores básicos
da sã convivência social, impõem-se. Cef, Currículos
Alternativos e Pief, surgem assim como uma forma de
iludir que se faz alguma coisa pelas crianças e jovens mais
desfavorecidos. Na realidade, essas crianças e jovens estão
a ser discriminados porque não lhes é dada a oportuni-
dade de estudarem como os outros e de irem onde os
outros vão. Para esses jovens e crianças, está reservada a
certificação do mais baixo nível educativo, uma vez que
são capazes de irem muito mais longe mas se baixa o nível
até conseguirem “ser aprovados”. Para os que apresentam
comportamentos disruptivos tudo lhes é “perdoado” –
leia-se desculpado e justificado – porque tal interessa aos
políticos, mas mais tarde têm a prisão como resposta… E
ainda por cima nos querem convencer que é a esta prática
que se chama pedagogia diferenciada…

Se Cef, Currículos Alternativos e Pief fossem propostas


consistentes, não teriam necessidade de existir porque
consistente seria a educação de uma maneira geral, que
dava na altura certa as respostas certas e estes problemas
não se teriam acumulado desta forma. Poderíamos ainda
supor que esta seria uma solução transitória para os prob-
lemas existentes mas olhando à volta e verificando que o
estado da educação é cada vez pior, não se pode aceitar
Cef, Currículos Alternativos e Pief: lama… 327

que quem é responsável por tamanha enormidade educa-


tiva seja também de propostas consistentes!
Mas para provar tudo isto está a prática destes pro-
jectos e programas – basta analisar o perfil de entrada e o
perfil de saída destes alunos e perceber que depois disso
pouco ou nada muda, com algumas honrosas excepções,
que dependem mais ou do perfil do aluno que não seria
tão problemático à partida ou de alguma equipa que tra-
balhe de forma mais consistente, uma vez que estes pro-
gramas foram criados para gerar falso sucesso e para
enganar todos e até estas crianças e jovens que os fre-
quentam, tal como os seus pais e encarregados de edu-
cação. Para provar tudo isto está também a famosa ava-
liação do Siadap para os extintos conselhos executivos,
que premeia quem integrou estes projectos e programas
nas alternativas curriculares que apresentou à população
escolar – sem perguntar primeiro se a escola tinha popu-
lação escolar que justificasse a sua existência e sem per-
guntar também de que forma foram aplicados, isso sim,
talvez tivesse valido a pena caso fossem propostas sérias..

Basta de deixar sermos enganados e basta de máscaras e


má política. Sem rumo social e sem rumo educativo não se
vai a lado nenhum, e não vale a pena fingirmos que não
vemos porque quanto maior for a bola de neve, mais difícil
será travá-la e curar as feridas das suas consequências!
Notícias diárias de educação.
101
Como combater o
bullying?

O professor Allan Beane, hoje reconhecido inter-


nacionalmente como especialista em prevenção e
interrupção do bullying, buscou na traumática
experiência familiar uma forma de compromisso
para evitar que outras pessoas passem pelo que
sofreu. Aos 23 anos, Curtis Beane, filho do autor,
morreu vitima de consequências do bullying,
após enfrentar muito sofrimento no convívio
social, desde a infância. Allan Beane, Ph.D,
passou então a orientar crianças, pais e profes-
sores a prevenirem-se das agressões que acon-
tecem com frequência em grupos de crianças e
adolescentes. “Como crianças podem ser tão

329
330 Indisciplina, bullying e violência na escola

cruéis?” foi a pergunta que Beane fez e que nor-


teou o seu trabalho de prevenção do Bullying
“Havia dentro de mim um clamor por respostas. Eu
queria saber se podia impedir o desenvolvimento da
crueldade, e queria detê-la depois de já ter se desen-
volvido.”
Proteja seu filho do bullying descreve as principais
características apresentadas por crianças que sofrem
maus-tratos e oferece dicas para ajudá-las a lidar com os
agressores e a evitar os ataques. A palavra inglesa bully sig-
nifica valentão, provocador. Hoje, o termo é usado para
descrever os alunos violentos que implicam com os
menores ou mais fracos. O bullying (acto de intimidar,
oprimir) é um problema em escolas de todo o mundo,
mas vai muito além da sala de aula: as agressões podem
acontecer na vizinhança, ou mesmo em casa.
“Um adulto negar ou ignorar a existência da
agressão é a pior coisa que pode acontecer para as crianças, a
escola, a comunidade. Quando os adultos se envolvem e mobi-
lizam a energia de funcionários da escola, pais, representantes
da comunidade e crianças, o bullying pode ser prevenido e
interrompido.”
O trata aborda diferentes formas de crueldade entre
crianças, inclusive o ciberbullying, um problema crescente:
uso de telemóveis, computadores e outros aparelhos elec-
trónicos para maltratar outras crianças.
Neste livro, Allan Beane, Ph.D., ensina os pais a identi-
ficar, impedir e prevenir o bullying, evitando assim as trág-
Como combater o bullying? 331

icas consequências que os maus-tratos podem trazer para


a vida das crianças. O autor também esclarece a diferença
entre um conflito comum e uma intimidação, além de
explicar como ajudar a criança a denunciarem as agres-
sões.
Notícias diárias de educação.
102
Palavra dos
professores vai valer
mais

Majestic Café – Porto


“O Ministério da Educação (ME) confirmou ontem a
intenção de reforçar a autoridade dos docentes, indicou o
secretário-geral da Federação Nacional de Professores
após um encontro com a ministra Isabel Alçada. Em
declarações à agência Lusa, Mário Nogueira afirmou que
há abertura, por parte do ME, para considerar a possibili-
dade de ser reconhecido ao professor o estatuto de autori-
dade pública dentro da escola, uma das propostas apresen-
tadas pela Fenprof.
Este reconhecimento não significa dar aos professores
poderes idênticos aos das forças de segurança. Mas com
ele a sanção por agressões de que sejam vítimas poderá ser

333
334 Indisciplina, bullying e violência na escola

agravada. E também terão a seu favor o princípio da “pre-


sunção da verdade”. Ou seja, num incidente, e até prova
em contrário, a sua palavra valerá mais do que a dos outros
envolvidos, sendo por isso suficiente para dar início a um
processo.” in Público - Palavra dos professores vai valer
mais
Tudo o que se faça que ajude as crianças e os jovens a
respeitar o professor, é positivo porque é educativo. Ao
respeitar o professor, a criança e o jovem aprendem a
respeitar a figura do adulto, a respeitar “o outro” de uma
maneira geral e são um contributo para o devolver da
autoridade espontânea. Colocar a hipótese de tornar vis-
ível a autoridade do professor é reconhecer que existe
problema a este nível, contudo, tal não é suficiente. Falta
agora ter força de lei.
Por outro lado, todas as medidas educativas por que se
opte, têm que formar um todo coerente. Estar a decidir
desta maneira, que em minha opinião é uma decisão cor-
recta, e depois responsabilizar os professores pela assidui-
dade dos alunos, é estar a dar sinais contraditórios. Como
disse Isabel Alçada no parlamento, e muito bem, não
podemos ter uma “intervenção casuística”.
Notícias diárias de educação.
103
Resposta eficaz para
o problema da
violência escolar,
precisa-se!

Gerês
Segundo o Público no artigo Ministério receptivo a
estatuto de autoridade pública para professor, Mário
Nogueira manifestou-se satisfeito com a abertura do ME
às propostas da Fenprof, nomeadamente no que diz
respeito à atribuição de estatuto de autoridade pública aos
professores e com o reforço da formação de professores
no que respeita à gestão da indisciplina e de conflitos em
sala de aula. Já tínhamos tido esta informação, pelo que
parece nada ter avançado a este nível. Acrescento que con-
cordo inteiramente com estas medidas porque penso que
os professores, sendo uma das partes intervenientes no

335
336 Indisciplina, bullying e violência na escola

processo educativo, devem estar, tanto quanto possível,


preparados para lidar com este tipo de problema. Eu
própria já fiz várias acções de formação nesta área e con-
siderei-as úteis, embora o formato deva ser repensado para
ser mais eficaz.
Contudo, embora refira números bastante diferentes
dos apresentados pela tutela, no que respeita a casos de
violência em que foi apresentada queixa, Mário Nogueira
não diz uma palavra sobre medidas para alunos e encarre-
gados de educação, como se a actuação do ME sobre
indisciplina e conflitos só passasse por estratégias para os
professores. Esta atitude é completamente incompreen-
sível. Uma vez mais, tal como no que respeita às propostas
para o Estatuto do Aluno, se está subtilmente a transferir a
responsabilidade da indisciplina e da violência escolar,
para os professores.
Sem disciplina e sem o problema da violência escolar
resolvidos, não há escola que possa funcionar devida-
mente. E se as causas da indisciplina e da violência são tão
diversas, como se espera que sejam resolvidas com med-
idas tão curtas?
Para saber mais
❋ Como combater o bullying?
❋ Uma pessoa lê e não quer acreditar
❋ Palavra dos professores vai valer mais
❋ A unidade da classe não se constrói à custa de uma
paz podre – uma crítica aos sindicatos

Notícias diárias de educação.


104
A segunda morte do
Leandro

Ponte Luiz I - Porto


Embora afastado do noticiário do dia/a/dia, acabei,
hoje, de saber que o Relatório da IGE sobre o caso da
morte do Leandro concluiu que: o Leandro não saiu da
escola pela porta principal mas pelas grades (embora os
colegas e irmão que tentaram impedir que o Leandro se
lançasse ao rio tivessem saído pelo portão) e não foi
vítima de bullying.
Desculpem, mas não acredito nestas conclusões porque
contradizem os depoimentos recolhidos por vários jor-
nais, entre colegas e familiares do Leandro, nos dias ime-
diatamente a seguir à morte da criança.
Nos EUA, está a decorrer um processo judicial contra 9
alunos que agrediram verbalmente, de fora continuada,
uma aluna. Essa aluna suicidou-se. Os 9 colegas acusados

337
338 Indisciplina, bullying e violência na escola

de bullying estão a contas com a justiça norte-americana.


Foram constituídos arguidos, expulsos da escola e podem
vir a ser condenados a vários anos de prisão.
Em Portugal, pelos vistos, só há bullying na mente dos
jornalistas e blogueiros que teimam em inventar uma reali-
dade que não existe. Um aluno é agredido, insultado e
ameaçado,sai da escola quando devia estar numa aula e diz
para o irmão e colegas que se vai atirar ao rio porque não
quer apanhar mais pancada. As autoridades abrem um
inquérito. O que concluem? As autoridades concluem que
não houve bullying e o aluno saiu da escola pelo gradea-
mento. Responsáveis? Sim, apenas um: a vítima.
Nota: A proposta da ministra da educação para consid-
erar os professores autoridade pública parece-me sensata e
útil. Vamos esperar que a proposta seja aprovada para a
analisar e verificar se é uma medida capaz de travar o
flagelo da indisciplina e violência contra colegas e profes-
sores. Ramiro Marques
Para saber mais
❋ Ministério Público arquivou inquérito contra
agressores que levaram Leandro ao hospital
❋ Rio devolveu o corpo do Leandro. Resultados dos
inquéritos ainda por conhecer
❋ Shame on you! Na escola do Leandro ontem foi um
dia normal.
❋ A crónica de Santana Castilho no Público: Leandro,
Luís, Isabel e José
❋ Amanhã, às 11h, um minuto de silêncio em todas as
escolas. Em memória do Leandro. Contra o bul-
lying!
A segunda morte do Leandro 339

Notícias diárias de educação.


105
BE e PCP dizem que a
indisciplina nas
escolas tem
diminuído. Ficaram
retidos para sempre
na década de 70 do
século passado

Bastou o CDS apresentar um projecto de lei de


alteração do estatuto do aluno com pés e cabeça,
capaz de repor a autoridade dos professores, cas-
tigar os alunos indisciplinados e violentos e
responsabilizar os pais que se colocam contra os
professores e a favor dos alunos absentistas,

341
342 Indisciplina, bullying e violência na escola

indisciplinados e malcriados para o verniz dos


“amigos dos professores” se esfumar.
Para o BE, a exigência de medidas que travem o bul-
lying, a indisciplina, a má educação e os insultos e agres-
sões aos funcionários e professores é uma cruzada da dir-
eita. Para o PCP, é o regresso ao autoritarismo salazarista.
Valha-me Deus. Esta gente parou no tempo. Con-
tinuam a viver e a pensar como se ainda estivéssemos na
década de 70 do século passado. Estas políticas desrespon-
sabilizadoras e tolerantes face ao absentismo, violação das
regras e violência estão a destruir a escola pública.
Estas declarações infelizes, expressas nos órgãos oficiais
do BE e do PCP, tiveram o mérito de lhes fazer cair a mas-
cara. Eu nunca acreditei que possa haver uma escola púb-
lica de qualidade com políticas que desresponsabilizam os
prevaricadores, sejam pobres ou ricos e toleram a má edu-
cação, o insulto contra professores, o absentismo como
forma de vida e a violência contra os mais fracos.
Notícias diárias de educação.
106
Nos EUA, os bullies
teriam sido expulsos
ou ido para a cadeia.
Em Portugal, a culpa
é do porteiro

Cheguei há poucas horas de uma viagem de 9


dias a Nova Iorque e Boston depois de dez anos
sem visitar os EUA. O que vi, impressionou-me
pela positiva. Nova Iorque e Boston, apesar da
recessão e de 10% de taxa de desemprego, estão
bem melhor do que estavam em 2000. Há mais
limpeza e segurança nas ruas, menos sem-abrigo,
ausência total de grafitis nos centros das cidades

343
344 Indisciplina, bullying e violência na escola

e um número considerável de escolas de novo


tipo: charter schools e magnet schools.
A ausência de grafitis e as melhorias na limpeza das ruas
devem-se a vários factores. Um deles foi a tolerância zero
face à pequena criminalidade, pequenos negócios de
droga e actividade dos gangs juvenis nos recintos escolares
e nas redondezas das escolas. Os jovens delinquentes e os
pequenos criminosos foram tratados como merecem: com
mão pesada.
As escolas incapazes de reduzirem os índices de indisci-
plina e de violência sofreram grandes transformações: os
directores foram despedidos e algumas deram origem a
charter schools.
As escolas públicas foram obrigadas a aprovar códigos
de conduta rigorosos e os alunos violentos começaram a
ser severamente punidos, incluindo a expulsão e penas de
prisão para os casos mais graves.
Um exemplo da política de tolerância zero face ao bul-
lying e violência escolar é o caso de 9 alunos que foram
constituídos arguidos com a acusação de bullying a uma
aluna mais nova que se suicidou em consequência das
ameaças e ofensas verbais continuadas. O julgamento
desses alunos está a decorrer e alguns correm o risco de ir
para a cadeia. Todos foram expulsos da escola.
Se o caso se passasse em Portugal, os alunos abusadores
continuariam a frequentar as aulas como se nada de grave
tivesse acontecido. O caso do Leandro está aí para dem-
onstrar a forma leviana como as autoridades educativas
encaram a violência na escola:
Nos EUA, os bullies teriam sido expulsos… 345

O porteiro da Escola Luciano Cordeiro de Mirandela


corre o risco de expulsão, por alegadamente ter deixado
sair o aluno Leandro no dia em que este faleceu.
Não demorou muito até que este caso acabasse como
todos os outros: ninguém é responsabilizado, excepto o
elo mais fraco. Dos agressores já ninguém fala, para não os
traumatizar, coitados, e da inacção da direcção perante as
agressões, também não. Resta o porteiro, que está a ser
alvo de um inquérito à parte, para se saber se controlava
ou não as entradas e saídas da escola. Se por azar se apurar
que a culpa não foi dele, alguém concluirá que terá sido do
rio, que se atravessou na frente do rapaz.
Mais uma vez o sistema prova que está muito bem
montado e nunca falha. Não foi por acaso que o Director
Regional de Educação do Norteesteve sempre muito des-
cansado em relação a este assunto. Tudo está bem quando
acaba bem. Fonte: Blog Lisboa Tel Aviv
Para saber mais
More students disciplined following girl suicide
Notícias diárias de educação.
107
Em Portugal, os
professores são
insultados e
agredidos e nada
acontece aos
agressores. Em
Espanha, mãe de
aluno que agrediu
professora à saída da
escola apanha dois
anos de prisão

347
348 Indisciplina, bullying e violência na escola

Portugal, está a tornar-se um paraíso para os pre-


varicadores. O Governo socialista tudo tem feito
para passar a mensagem de que a indisciplina, o
bullying e a violência dentro e nos arredores das
escolas são problemas sem importância.
Arranjam-se estatísticas para lançar sobre a opi-
nião pública com o objectivo de desvalorizar o
problema. Mas não se diz que são cada vez
menos os professores e alunos que apresentam
queixa das agressões verbais e físicas com receio
de represálias e porque sabem que, regra geral,
não há consequências para os agressores.
Os sindicatos, que deviam estar na primeira linha
na defesa da integridade física dos docentes,
lavam as mãos como Pilatos e ainda ajudam na
festa do encobrimento, desvalorização e toler-
ância face à indisciplina, má educação, bullying e
violência. Os partidos de esquerda lançam mão
da cassete e acusam os jornais e blogueiros que
denunciam a violência contra professores de
serem saudosistas do autoritarismo e dos tempos
da outra senhora.
Em Espanha, os professores já beneficiam de
estatuto de autoridade pública. E, como mostra
Em Portugal, os professores são insultados… 349

esta notícia do jornal Farol de Vigo, os pais que


agridem professores vão para a cadeia:
Uma mulher foi condenada na passada quarta-feira a
dois anos de prisão por ter agredido, em Barcelona, em
Espanha, a professora da sua filha de 13 anos, à saída do
instituto I.E.S. Roger de Flor. O caso remonta ao ano de
2008 quando a condenada esperou que a professora saísse
e de imediato a agrediu física e verbalmente. O tribunal
sentenciou a agressora a dois anos de prisão, além do
pagamento de uma multa de 120 euros pelo crime de
ameaças e uma indemnização no valor de 8.840 euros por
danos físicos e consequentes sequelas.
O advogado da agressora declarou que a sua cliente não
compreende porque é que um desentendimento desta
natureza resultou numa pena de prisão, mas que ainda
assim aceitou a pena sem fazer quaisquer declarações
Por outro lado, a defesa da professora frisou a impor-
tância da condenação para evitar que este tipo de casos se
multiplique.
A condenada está ainda proibida de se aproximar da
professora, que agora está reformada, durante dois anos,
de acordo com o edição on-line do jornal ‘Faro de Vigo’.
Fonte: CM de 8/4/2010
Notícias diárias de educação.
108
Três medidas para
salvar os
adolescentes que
não querem estudar e
violam
sistematicamente as
regras de
convivência social

O sistema público de educação vive há duas déc-


adas o sonho da escola inclusiva. Uma ideologia
pedagógica centrada na tese do bom selvagem e
na putativa superioridade das metodologias con-
strutivistas e românticas.

351
352 Indisciplina, bullying e violência na escola

O sonho virou pesadelo. Por mais pequenas que sejam


as turmas, por mais computadores e quadros interactivos
que se coloquem nas salas, há cada vez mais alunos que
andam na escola mas aprendem muito pouco e - pior do
que isso - andam por lá a impedir que os outros aprendam.
O sistema público de educação, carregado de ideologia
igualitária, condena esses alunos a uma vida de marginali-
dade, abuso de drogas, delinquência, crime, desemprego,
subsidiodependência e pobreza.
Esses alunos passam pela escola sem aprenderem os
mínimos, sem desenvolverem capacidades de trabalho e -
o pior de tudo - adquirindo maus hábitos e desenvolvendo
um carácter deficiente.
O que fazer para salvar esses adolescentes?
Criar um sistema dual com escolas do ensino técnico e
escolas de “artes liberais” - vulgarmente chamadas de
liceus -, com o propósito de preparar os alunos para
seguirem cursos universitários de elevada exigência.
Os adolescentes que violem grosseiramente e de forma
continuada as regras de convivência social, seja expres-
sando comportamentos de bullying, insultando profes-
sores ou agredindo fisicamente os colegas, devem ser sep-
arados dos restantes.
Os alunos referidos no parágrafo anterior têm direito à
educação e formação profissional, ainda que o acesso a tal
direito exija a transferência para escolas de retaguarda, em
regime de internato, com códigos de conduta mais rigor-
osos e meios suficientes e apropriados para corrigir defi-
ciências de carácter e transmitir bons hábitos. Esses alunos
precisam de formação profissional a sério. Mas ainda pre-
Três medidas para salvar os adolescentes… 353

cisam mais de algo que as escolas públicas regulares não


são capazes de lhes darem: aquisição de bons hábitos de
trabalho, nomeadamente respeito pela pontualidade, assi-
duidade, cumprimento de regras, obediência e capacidade
para prestar atenção e seguir as instruções dadas pelos
professores. Sem a aquisição desses bons hábitos de tra-
balho é impossível salvar esses adolescentes da pobreza,
do crime e do desemprego.
Notícias diárias de educação.
109
Um terço dos
detidos por tráfico
de droga têm entre
16 e 21 anos de idade.
A escola pública
regular não tem
resposta para os
jovens delinquentes

São números alarmantes. Um terço dos detidos


por tráfico de droga, em 2009, têm menos de 21
anos de idade. Aos 16 anos de idade, é suposto
um jovem frequentar a escola. Não é razoável que
tenha por actividade principal o tráfico de droga.

355
356 Indisciplina, bullying e violência na escola

Mas é isso que acontece com milhares de adoles-


centes de centenas de escolas portuguesas. E há
ainda os que vendem droga mas não podem ser
detidos porque têm idades inferiores a 16 anos.
Um terço dos 4847 suspeitos detidos por tráfico de
droga, no ano passado, eram jovens entre os 16 e os 21
anos. As conclusões constam do Relatório Anual de
Segurança Interna e fundamentam-se na actividade opera-
cional das forças de segurança. As autoridades assinalam
que há cada vez mais jovens a dedicarem-se ao pequeno
tráfico.
“É possível constatar que os detidos são predominante-
mente de nacionalidade portuguesa, do sexo masculino,
com mais de 21 anos, mas não é de menosprezar o facto
de cerca de um terço se inserir no grupo etário entre os 16
e os 21 anos”, refere o documento. Feitas as contas, estes
jovens correspondem a 1257 dos detidos, mais de 300 que
no ano anterior (953). Fonte: DN de 11/4/2010
O que pode a escola fazer por estes adolescentes? Tal
como está organizada, a escola regular não pode fazer
grande coisa. Os jovens com menos de 18 anos de idade
que vendem droga dentro e nos arredores da escola pre-
cisam urgentemente de ser separados dos restantes. Têm
direito à educação e à formação profissional mas não
adianta mantê-los na escola regular. A criação de escolas
de retaguarda, em regime de internato, com um código de
conduta rigoroso e meios adequados para os fazer cumprir
as regras, pode fazer toda a diferença.
Um terço dos detidos por tráfico de droga… 357

Esses adolescentes precisam de formação profissional a


sério. Mas ainda precisam mais de algo que as escolas púb-
licas regulares não são capazes de lhes darem: aquisição de
bons hábitos de trabalho, nomeadamente respeito pela
pontualidade, assiduidade, cumprimento de regras, obedi-
ência e capacidade para prestar atenção e seguir as instru-
ções dadas pelos professores. Sem a aquisição desses bons
hábitos de trabalho é impossível salvar esses adolescentes
da pobreza, do crime e do desemprego. Fonte: Três med-
idas para salvar os adolescentes que violam sistematica-
mente as regras
Notícias diárias de educação.
110
Ambientes escolares
frouxos potenciam o
bullying. Verifique se
a sua escola está
organizada para
promover o bullying

Há uma relação directa entre ambiente escolar


frouxo e a ocorrência de bullying. Uma boa
forma de verificar se a sua escola está organizada
para promover o bullying é percorrer as situações
descritas a seguir e anotar aquelas que estão pre-
sentes na sua escola:
Baixo moral dos professores e funcionários

359
360 Indisciplina, bullying e violência na escola

Alta rotatividade dos professores


Não há padrões de comportamento pré-estabelecidos
Cada professor tem os seus critérios de disciplina
Não existe um código de conduta explícito
Existe um código de conduta que integra generalidades
e não aponta sanções
Falta de limpeza nas salas, corredores e recreios
Falta de funcionários para supervisão dos corredores,
banheiros e pátios
Os novos alunos não são acompanhados e apoiados
nem por alunos mais velhos nem por docentes
A escola tem paredes grafitadas e ninguém se preocupa
em limpá-las
Não há orientações claras para lidar com incidentes
relacionados com o bullying
Os funcionários e os professores ignoram os insultos e
as agressões com medo de represálias
Se a sua escola tem mais do que duas destas situações, é
provável que esteja organizada para promover o bullying.
Notícias diárias de educação.