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CONTABILIDADE DE CUSTOS – 2ª e 3ª SÉRIE FAC2 – Campinas Profª Rosilene Lazarim Fundamentos da

CONTABILIDADE DE CUSTOS – 2ª e 3ª SÉRIE

FAC2 – Campinas Profª Rosilene Lazarim

Fundamentos da Contabilidade de Custos

Até

a revolução Industrial, quase só existia a contabilidade financeira,

desenvolvida na era mercantilista, que estava bem estruturada para atender e a servir

as empresas comerciais. A apuração de resultados da empresa mercantilista (comercial) era realizada basicamente da seguinte forma:

A)

– Levantamento dos estoques físicos existentes;

B)

– Apuração dos custos das mercadorias vendidas: CMV = Ei + Compras –

Ef

Onde:

CMV = Custo das mercadorias vendidas

 

Ei

=

Estoque inicial de

produtos, ou o estoque final do período

anterior

 
 

Compras = Compras realizadas no período Ef = Estoque final do período atual.

C)

– Apuração dos resultados da empresa: RCM = Vendas – CMV

Onde:

RCM = Resultado com Mercadorias Vendas = Vendas de mercadorias realizadas no período.

As empresas viviam basicamente do comércio e não da fabricação. Dessa forma, eram bastante fáceis o conhecimento e a verificação do valor de compras dos bens existentes, bastando consultar aos documentos de aquisição. Mesmo as pequenas empresas, que detinham um pequeno processo de fabricação (as manufaturas) usavam da mesma sistemática contábil pelo fato de todos os meios de produção pertencer a um único processo. Logo, tudo o que se adquiria como matéria prima, o tempo gasto e a energia consumida, eram agregados ao bem produzido.

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Com o advento da indústria, tornaram-se mais complexos os levantamentos do Balanço Patrimonial e da Apuração dos Resultados. O valor de “compras”, utilizado anteriormente pela empresa comercial, estava sendo substituído por uma série de valores pagos pelos fatores de produção. Nas empresas industriais o “preço de compra” é composto de diversos fatores como matérias primas, custos de mão de obra de fabricação, aluguel de galpões para a fabricação, depreciação de máquinas e equipamentos, entre muitos outros.

Vejamos um exemplo bem simplificado de custos:

utilizando uma receita de doce de abóbora: Ingredientes:

  • - 8 kg de abóboras $ 32,00

  • - 1,5 kg de açúcar $ 3,00

  • - 150 grs de côco ralado $ 2,00

  • - 6 grs de cravo da índia $ 1,00

  • - 3 xícaras de água $ 0,00

-

TOTAL ......

R$

38,00

  • - Tempo de preparo no fogão: 2 horas e meia

  • - Tempo de trabalho: 4 horas

  • - Rendimento: 5 kg aproximadamente

Pergunta-se: Qual é o custo desse doce?

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Quando você vai a uma confeitaria e compra um doce, o custo desse doce, para você, é o preço pago por ele. Entretanto, no nosso exemplo de fabricação do doce, o seu custo corresponde apenas aos gastos com a compra dos ingredientes? É evidente que não, pois para fazer o doce de abóbora, além dos ingredientes, foram utilizados:

cozinha, mesa, faca, panela, fogão, colher, água, gás e energia elétrica. Dessa forma, tanto os ingredientes utilizados como os demais elementos que concorreram para que o doce de abóbora fosse feito tem CUSTO e precisam ser considerados.

Nas empresas industriais o “preço de compra” é composto de diversos fatores como matérias primas, custos de mão de obra de fabricação, aluguel de galpões para a fabricação, depreciação de máquinas e equipamentos, entre muitos outros.

Desta forma surgiu a necessidade de se adaptar a contabilidade geral para uma contabilidade que envolve maior número de variáveis, a chamada contabilidade de custos com principal função de refletir em forma de valores monetários as operações da empresa.

Já a partir da segunda metade da década de 1980, podemos destacar mudanças, tais como: melhorias de qualidade, estoques reduzidos, processo de produção mais eficiente e crescente automação. Com isso surgiram vários modelos de gestão e técnicas industriais de custeio.

Terminologias empregadas no estudo de contabilidade de custos

  • - Vários nomes para um único conceito

  • - Vários conceitos para um único nome.

Para uma correta comunicação é necessário a utilização do mesmo nome para objetos, conceitos e idéias.

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DEFINIÇÕES BÁSICAS

Gastos é o valor dos insumos adquiridos pela empresa, independentemente de terem sido utilizados.

Desembolso é o pagamento resultante da obtenção de insumos e que pode ocorrer em momento diferente do gasto.

Por exemplo: se for efetuada uma compra de material com 60 dias de prazo para o pagamento, o gasto ocorre imediatamente, mas o desembolso só ocorre no dia do pagamento.

Custoé o gasto relativo a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens e serviços, isto é, o valor dos insumos usados na fabricação dos produtos da empresa. Exemplo: materiais, trabalho humano, energia elétrica, máquinas e equipamentos, entre outros. O custo se diferencia do gasto pelo fato que esse último refere-se aos insumos adquiridos, enquanto que o custo está relacionado com o insumos efetivamente utilizados.

Exemplo 1: Se a empresa compra 1.000 unidades de matéria-prima, mas só usa 800 unidades no período, os gastos eqüivalem as 1.000 unidades, porém os custos são o montante relativos as 800 unidades utilizadas.

Exemplo 2: Na compra de uma máquina industrial, o gasto eqüivale ao valor total, enquanto o custo será a parcela utilizada da máquina no processo de industrialização. A identificação desse custo é feito por um item de custo denominado de “depreciação”, o qual refere-se a parte do equipamento consumido no período.

Despesa é o valor dos insumos não identificados com a produção e que são consumidos para o funcionamento da empresa, isto é, refere-se às atividades não produtivas da empresa, geralmente sendo separadas em Administrativa, Comercial e Financeira. Portanto, as despesas são diferenciadas dos custos pelo fato de estarem relacionadas com a administração geral da empresa, ao passo que os custos estão ligados com a produção. Esta diferenciação provavelmente decorre da origem da contabilidade de custos. A contabilidade financeira era inicialmente usada em empresas comerciais. Os custos eram relacionados com as mercadorias vendidas, enquanto as despesas identificavam-se com a empresa. Ao se empregar a mesma lógica em empresas industriais, naturalmente, o custo ficou identificado com as atividades produtivas e as despesas continuaram relacionadas com as atividades destinadas à administração da empresa em geral, à parte financeira e comercial. A diferenciação entre custos e despesas é importante para a contabilidade financeira, pois os custos

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são incorporados aos produtos (estoques), ao passo que as despesas são consideradas diretamente no cálculo do lucro do período.

Perda normalmente é vista na literatura contábil como o valor dos insumos consumidos de forma anormal e involuntária. As perdas são separadas dos custos, não sendo incorporadas aos estoques. Exemplo: Se por algum motivo, houver consumo anormal de matéria-prima, isso é caracterizado como perda. Na literatura de Engenharia da Produção, muitas vezes esse termo significa o trabalho que aumenta os gastos e não agrega valor ao produto, do ponto de vista do consumidor, ou seja, os gastos não eficientes.

Investimento é o valor dos insumos adquiridos pela empresa não utilizados no período, os quais poderão ser empregados em períodos futuros. São exemplos:

maquinários, móveis e utensílios, entre outros.

Custeio significa método de apropriação de custos.

Tipos de custeio Absorção, custeio direto, custeio padrão, ABC, RKW, etc.

Custeio por Absorção pegar o custo e levar até o produto.

Verificar todos os gastos e distribuir para os produtos que foram feitos.

É o método derivado da aplicação dos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos.

Princípios básicos da contabilidade de custos

O princípio da contabilidade de custos se deu, principalmente, por causa do desenvolvimento do mercado de capitais nos EUA e em alguns países da Europa, o aumento da complexidade do sistema bancário, e conseqüentemente, o surgimento do Auditor Contábil Independente. Nesse momento histórico, surge o interesse dos acionistas das grandes empresas, em análises mais detalhadas sobre as Demonstrações de Resultado das Empresas e sobre os Balanços Patrimoniais e suas alterações.

Da mesma forma, essa necessidade se tornou presente na solicitação de crédito junto aos bancos. O governo passou a utilizar essas demonstrações contábeis para poder mensurar o valor do Imposto de Renda, assim como fazer previsões orçamentárias. O Auditor Contábil Independente (ou externo) surge para averiguar e conferir se os registros contábeis e os relatórios estavam de acordo com os princípios contábeis estabelecidos. Dessa forma, o critério fundamental para o calculo do lucro

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tributável, o cálculo do resultado de cada período, e a avaliação dos estoques deveriam adotar os princípios contábeis já difundidos:

  • A) Realização Como norma geral, a receita é conhecida no período contábil em

que é realizada. A realização usualmente ocorre quando bens e serviços são fornecidos a terceiros em troca de dinheiro ou outro elemento ativo. O lucro só se realiza no ato da venda.

  • B) Da Competência ou da Confrontação entre Despesas e Receitas Este

princípio diz respeito basicamente ao momento da realização das despesas.

– Pela Realização, fica definido o momento do reconhecimento da receita. Após isso, pelo princípio da Competência temos o reconhecimento das despesas.

  • C) Consistência ou uniformidade Quando existem diversas alternativas para o

registro contábil de um mesmo evento, todas válidas dentro dos princípios geralmente aceitos, deve a empresa adotar uma delas de forma consistente, ou seja, deve ser utilizada sempre, não podendo a entidade mudar o critério em cada período.

  • D) Conservadorismo ou Prudência Quando o contador tiver dúvida sobre tratar

determinado gasto, deve optar pela forma de maior precaução.

Por exemplo: a empresa tem uma ação trabalhista, ela deve fazer uma provisão do valor a ser desembolsado.

  • E) Materialidade ou Relevância

é

de extrema importância para

o

custo. Ela

desobriga de um tratamento mais rigoroso os itens de pequeno valor.

Porém vale lembrar que a soma de diversos itens irrelevantes, podem ser relevantes.

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Exercícios:

1) Cristina fez um delicioso bolo de laranja. Gastou $ 5,00 na compra das laranjas e $ 2,00 na compra de açúcar. O custo desse doce para Cristina foi de $ 7,00.

  • a) certo

  • b) errado

2) Se você comprar uma mesa de madeira, o custo dessa mesa para você será o preço pago por ela. Se você resolver fazer uma mesa de madeira, o custo dessa mesa para você será:

a) o preço pago pelos materiais

  • b) o preço que se pagaria se comprasse uma mesa pronta

  • c) a soma dos gastos necessários para a fabricação a referida mesa com materiais,

mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação.

  • d) NDA

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