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Apocalipse: O Sexto Selo; os Salvos da Grande Tribulação, capítulo 7

Por Ruy Porto Fernandes

No livro do Apocalipse, os vs. 9-17 do capítulo 7 encerram a revelação para o 6º selo.


Nesta visão entregue ao apóstolo João, Deus revela os acontecimentos após a grande
tribulação. Os desdobramentos deste futuro estarão mais detalhados a partir da abertura do 7º
selo.

É imperioso observar que a visão não se refere aos santos e mártires ressuscitados
antes da volta de Cristo (Ap 6.9-11), nem dos mortos ressuscitados na 1ª ressurreição (Ap
20.6). Tampouco dos arrebatados sob intensa perseguição (1Ts 4.17; Ap 3.10).

Pois aqui se trata somente dos sobreviventes vivos da grande tribulação, a multidão
dos que foram separados milagrosamente por Deus para dar continuidade à vida humana, já
livres do Mal, conforme destaca o versículo 13.

v. 13 E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas,
quem são, e de onde vieram? 14 E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os
que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do
Cordeiro.

Eles foram purificados e seus corpos adaptados para viverem e procriarem nos lugares
preparados por Cristo neste universo (Jo 14.1-4), pois não estão ressuscitados (Is 11.1-10;
65.17-25). Lugares da versão definitiva do paraíso terrestre onde o Mal não poderá adentrar,
pois estará preso (Ap 20.2).

Tal verdade se destaca por vários elementos do trecho em análise:

v. 9 Depois desta coisa olhei: esta é a fórmula que Deus utiliza para adentrar uma nova
etapa da revelação, ou seja, depois do assinalar os que sobreviverão à grande tribulação do
fim dos tempos.

v. 9 e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar: os sobreviventes serão,
além dos judeus dos vs.3-8 (cf. estudo anterior), pessoas de todas as nações, e tribos, e povos,
e línguas à época da grande tribulação que serão chamados por Deus (Ap 18.4) e rejeitarão a
mentira do anticristo (Ap 13.1-2) e do falso profeta (Ap 13.11-13).

v. 9 que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro: ou seja, esta multidão de


pessoas será transladada para os lugares preparados pelo Senhor Jesus (Jo 14.1-4), tal como
antes foram transladados Enoque (Gn 5.24), Elias (2Rs 2. 11), Moisés (Jd 9), o Senhor Jesus
(At 1.9) e os santos judeus (Mt 25.52-53) para os lugares já livres do Mal (Ap 12.7).

v. 9 trajando vestes brancas, que é o sinal da purificação do ser completo: do corpo,


da alma e do espírito (1Ts 5.23).

v. 9 com palmas nas suas mãos: mais uma prova que estes se encontram vivos diante
de Deus. São pessoas que foram tiradas vivas desta terra e empunham folhas de palmeiras e
ramos de oliveira para renderem glórias a Deus e ao Cordeiro.

v. 10 E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está
assentado no trono, e ao Cordeiro. Elas entoam Hosana ao Filho de Davi, ao que vem em
nome do Senhor, tal como ocorreu na entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém antes da
sua paixão e ressurreição (Mt 21.9; 23.39; Mc 11.9-10; Lc 13.35; 19.38; Jo 12.13).

Elas gritam e pulam, pois possuem corpos físicos. Falam, enxergam, ouvem e agitam
seus braços de carne e osso empunhando os ramos como símbolo de vitória, arrancados da
vegetação à sua volta, pois estão num lugar físico diante de Deus e do Cordeiro, um lugar
livre do Mal, pois o que os cercam são seres celestiais (v. 11) que também louvam a Deus por
tal Vitória.

v. 11 E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro


animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus: 12 Dizendo:
Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso
Deus, para todo o sempre. Amém.

Assim, metaforicamente, a saída desta terra corresponde à saída do povo judeu da


escravidão à liberdade, após passarem incólumes pelas pragas com que Deus feriu os
egípcios, o faraó e os seus sacerdotes, sendo transportados para uma terra prometida.

Esse lugar de criação será governado pela total Imanência de Deus, sem a presença da
do Mal. Lugar este no Universo que também compreende o céu, a expansão celestial, que é o
lugar da existência dos seres espirituais.

v. 15 Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu
templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra.

v. 16 Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma
cairá sobre eles. 17 Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes
servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a
lágrima.

Ou seja, viverão em lugares físicos na total ausência do Mal, e completa Imanência e


Presença de Deus. Viverão em corpos de carne e osso, tal como o corpo do Senhor Jesus
Cristo antes de sua morte, corpo este que possui todas as funções fisiológicas e é divino, para
que se cumpra o restante das profecias bíblicas feitas a Abraão (Gn 22.17) e aos profetas (Is
11.1-10; 65.17-25; 66.22; 2Pe 3.13; Ap 21.1), até que se cumpra o período do Milênio.

Lógico que depois de nascerem, viverem e procriarem não envelhecerão e morrerão.


Serão adaptados e passarão a viver eternamente nos mesmos corpos como os ressuscitados,
que não mais procriam (cf. estudos anteriores).

Niterói, 11 de abril de 2010.


ruyportofernandes@gmail.com