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APLICAÇÃO DO IMPAIRMET TEST NA AVALIAÇÃO DA RECUPERABILIDADE DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO:

UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA TRANSPORTADORA

Eni de Fátima Olszewski (SECAL) eniolszewski@hotmail.com Thais Baptista (SECAL) thais-baptista@hotmail.com Jocimar D. Prado (SECAL) jecontprado@gmail.com

Resumo: Em um período de discussões sobre as alterações trazidas pelas normas internacionais de contabilidade na legislação societária brasileira sobre, é relevante considerar que muitos indicadores de desempenho podem ser afetados pela aplicação ou não de algumas normas que modificam a forma de avaliação e contabilização de valores patrimoniais e de resultado. Entre as inovações incluídas na legislação brasileira oriunda das normas internacionais está o Impairment Test. Assim, visando contribuir para um melhor entendimento sobre o tema, o objetivo desse estudo é analisar o impacto que o impairment test, que trata da redução ao valor recuperável de ativos, pode causar em na determinação do valor dos ativos imobilizados de uma empresa transportadora, por consequência, que feitos pode causar no resultado da empresa. A presente pesquisa classifica-se como um estudo, exploratória e descritiva e a técnica utilizada foi a do estudo de caso. A adoção do teste de recuperabilidade é um fator que trará os valores dos ativos mais próximos da realidade da empresa. As principais constatações obtidas com a pesquisa indica que 15,38% do ativo imobilizado da empresa pesquisada está com o valor justo abaixo do valor contábil e restante está com valores acima do valor do mercado. Palavras-chaves: impairment, perda de valor recuperável, valor contábil, valor de mercado.

APPLICATION OF IMPAIRMENT TEST TO EVALUATE THE RECOVERABILITY ITEMS OF FIXED ASSETS: A CASE STUDY IN A NOW CARRIER

Abstract: In a period of discussions on the changes brought about by the international accounting standards in the Brazilian corporate legislation on, it is important to consider that many indicators of performance may be affected by the application or not of some rules that modify the form of valuation and accounting of equity values and result. Among the innovations included in the Brazilian legislation originating with international standards is the Impairment Test. Thus, in order to contribute to a better understanding on the subject, the aim of this study is to analyze the impact that the impairment test, which deals with the impairment of assets, can cause in the determination of the value of the fixed assets of a carrier, therefore made that may cause the company's results. This research is classified as an exploratory and descriptive study and the technique used was the case study. The adoption of the impairment test is a factor that will bring asset values closer to the reality of the company. The main findings obtained from the survey indicates that 16% of the fixed assets of the company is researched with a fair value below the carrying amount and the rest is with values

above the market value. Keywords: impairment, impairment, book value, market value

1 INTRODUÇÃO

Nas entidades econômicas administrativas os atos administrativos dão origem à formação do patrimônio empresarial. Este patrimônio, que é o objeto de estudo da contabilidade, é

composto por itens que caracterizam a origem de recursos na forma de passivos e Patrimônio Líquido e por itens que representam as aplicações de tais recursos na forma do Ativo.

De fato, o Ativo reflete o resultado das decisões dos gestores do patrimônio e nele estão os investimentos que, em última análise, deve gerar o máximo de retorno ao investidor sócio ou proprietário da empresa.

Entretanto, nem sempre este fato ocorre, dependendo das decisões tomadas, os valores ativados podem não dar o retorno desejado a priori. Assim, justifica-se a preocupação atualmente propagada com a prática de evidenciar o real valor dos itens do ativo e do passivo.

Em especial, no que se refere à avaliação dos itens do ativo, o a contabilidade brasileira adotou a prática do teste de recuperabilidade, ou do Impairment Test.

Este teste visa verificar o valor recuperável de determinados itens do ativo, entre eles o ativo imobilizado que, em alguns casos, tem seus valores recuperáveis inferiores aos valores contábeis evidenciados no balanço patrimonial da entidade.

Após aplicação do teste, ficando evidenciados que os valores contábeis são superiores aos de fato recuperáveis, a regulamentação legal determina que a entidade deve reconhecer uma perda em conta redutora no ativo contra uma conta de resultado.

Assim, diante desse contexto e tendo em vista a grande relevância que essa prática pode ter sobre os resultados e sobre o patrimônio das entidades, o presente artigo visa contribuir com um melhor entendimento sobre o tema e para isso tem como objetivo analisar o impacto que o impairment test, que trata da redução ao valor recuperável de ativos, pode causar em na determinação do valor dos ativos imobilizados de uma empresa transportadora.

No Brasil, a exigência da realização do impairment test veio a partir do pronunciamento técnico CPC- 01 emitido pelo CPC, que trata de Redução no Valor Recuperável de Ativos, aprovado pela Comissão

de Valores Mobiliários (CVM), através da Deliberação 527 de 01 de novembro de 2007. Esta norma

do CPC possui correlação com o pronunciamento IAS 36 do International Accounting Standards Board (IASB).

Posteriormente a Lei 11.638/07, também, determinou a obrigatoriedade de realização de testes no valor recuperável dos ativos registrados no imobilizado, intangível e diferido. Neste último os saldos que ainda existirem, conforme Lei 11.941/09.

O objetivo dessa norma é prescrever os procedimentos que uma entidade deve aplicar para garantir

que seus ativos não sejam, registrados acima de seus valores recuperáveis.

2 EMBASAMENTO TEÓRICO

2.1 DEFININDO O IMPAIRMENT

O Impairment é uma palavra em inglês que significa deterioração em sua tradução literal. Tecnicamente trata-se da redução do valor recuperável de bem ativo. O Impairment na prática é a mensuração dos ativos que geram benefícios presentes e futuros.

Ensina Silva et al (2006, p. 1)

Impairment é o instrumento utilizado para adequar o ativo a sua real capacidade de retorno econômico. O impairment é aplicado em ativos fixos (ativo imobilizado), ativos de vida útil indefinida (goodwill), ativos disponíveis para venda, investimentos em operações descontinuadas.

Este procedimento foi introduzido nos EUA pelo Financial Accouting Standards Board (FASB) (Comissão de Padrões de Contabilidade Financeira), no âmbito da contabilidade

internacional pelo International Accounting Standards Board (IASB) (Normais internacionais

de Conselho de Contabilidade) e no Brasil foi introduzido pela Comissão de Valores

Mobiliários (CVM).

No Brasil o Impairment Test foi definitivamente normatizado de forma semelhante à Norma Internacional – IAS 36. Isto se deve a emissão do Pronunciamento CPV- 01/07 que trata da Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aprovado pela CVM, pelo CFC e SUSEP e validado formalmente pela Lei 11638/07.

A CVM, no dia 1º de novembro de 2007, emitiu a Deliberação nº 527 aprovando o

Pronunciamento Técnico CPC 1, que dispõe sobre o Impairment Test - redução ao valor de ativos.

Esse pronunciamento tem como essência assegurar que todos os ativos, principalmente, os de longo prazo (incluem-se nessa lista os ativos físicos - imobilizados, os ágios de investimentos e os ativos monetários), através de seu uso ou recebimentos futuros ou venda, trarão recursos para a empresa em valores econômicos não inferiores aos que estão registrados na contabilidade.

O ativo Imobilizado é formado pelo conjunto de bens e direitos necessários a manutenção as atividades da empresa, caracterizado por apresentar-se de forma tangível, como, imóveis, móveis, computadores, veículos.

Entretanto quando a Lei apresenta que serão imobilizados os bens corpóreos utilizados nas atividades ou exercidos com essa finalidade inclui como imobilizado as benfeitorias em imóveis de terceiros; os recursos aplicados na produção de ativos ou os já destinados à aquisição de bens de natureza tangível, mesmo que ainda não estão em operação; tais como obra em andamento, importação em andamento, adiantamentos para compra de imobilizado, consórcios de bem imóveis ou móveis, etc.

Os principais pontos a serem considerados na contabilização do ativo imobilizado são o reconhecimento dos ativos, a determinação de seus valores contábeis e os valores de depreciação e perdas por desvalorização a serem reconhecidas em relação aos mesmos.

Deve ser aplicada na contabilização de ativos imobilizados, exceto quando outra norma exija

ou permita tratamento contábil diferente.

2.2 O TEST DE IMPAIRMENT

Para se entender melhor sobre o Impairment, segue abaixo algumas definições conforme Mendes (2010);

O Valor recuperável é maior entre o valor líquido de venda e valor em uso. Vale enfatizar que, se possível determinar a valor líquido de venda de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, não se faz necessário o cálculo do valor de uso.

O Valor Contábil é o montante pelo qual o ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e ajuste para perdas.

Depreciação, amortização e exaustão é a alocação do valor depreciável, amortizável e exaurível de ativos durante sua vida útil.

Valor líquido de venda é o montante a ser obtido pela venda de um ativo ou de unidade geradora de caixa em transações em base comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas estimadas de venda.

Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera entradas de caixa, entradas essas que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou outros grupos de ativos.

O valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa.

Valor Justo: é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado entre partes interessadas, conhecedoras do negocio e independentes entre si, com ausência de fatores que pressionem para a liquidação da transação ou que caracterizem uma transação compulsória.

Valor Residual de um ativo: é o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já estivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil.

Conforme Magalhães (ERNEST & YOUNG, 2010) melhor evidência de um valor líquido de venda é um contrato de venda firmado entre partes independentes, menos custos diretos atribuídos à venda. Entretanto, é importante lembrar que caso já exista um contrato de venda do ativo, esse ativo dever ser reclassificado para ativos mantidos para venda e, portanto, estará sujeito às regras de IFRS.

Em todos os casos, o valor líquido de venda deve considerar os custos relacionados à venda do ativo, incluindo os custos legais, despesas de anúncio para venda, comissões, impostos, custos de transporte, entre outros. Passivos relacionados ao ativo sendo avaliados, que necessariamente devam ser assumidos pelo comprador em caso de venda, devem ser deduzidos para fins do valor líquido de venda.

Conforme Magalhães (ERNEST & YOUNG, 2010) essa etapa do teste de Impairment só precisa ser executada se não for possível identificar o valor líquido de venda de um ativo ou grupo de ativos ou se o valor líquido de venda de um ativo ou grupo dos ativos for inferior ao seu valor contábil. A mensuração do valor em uso de uma unidade geradora de caixa ou de um ativo é um processo complexo e que envolve alto nível de julgamento profissional.

Redução ao Valor Recuperável Ativo

profissional. Redução ao Valor Recuperável Ativo Seu Valor de Uso ou Seu Valor Justo Líquido das

Seu Valor

de Uso

ou

Seu Valor Justo Líquido das despesas venda

Valor

Contábil

do Ativo

Deve ser realizado o impairtment Ou seja, reconhecer esta perda!

Fonte: Elaborado pelos autores Figura 1: Determinação do valor recuperável de uma forma resumida.

Ressalte-se que o teste não se aplica a:

a) ativos imobilizados como mantidos para venda de acordo com a NBC TS sobre ativo não circulante mantido para venda e operação descontinuada;

b) ativos biológicos relacionados com atividade agrícola (ver a NBC TS sobre ativo biológico

e produto agrícola);

c) reconhecimento e mensuração de ativos de exploração e avaliação (ver a NBC TS sobre

Exploração e Avaliação de Recursos Minerais); ou.

d) direitos sobre jazidas e reservas minerais tais como petróleo, gás natural, carvão mineral,

dolomita e recursos não renováveis semelhantes.

Contudo, aplica-se aos ativos imobilizados usados para desenvolver ou manter os ativos descritos nas alíneas “b” a “d”.

Outras normas podem exigir o reconhecimento de item do ativo imobilizado com base em abordagem diferente da usada nesta Norma. Por exemplo, a NBC T 10.2 – Operações de Arrendamento Mercantil exige que a entidade avalie o reconhecimento do item do ativo imobilizado arrendado com base na transferência dos riscos e benefícios.

Porém, em tais casos, outros aspectos do tratamento contábil para esses ativos, incluindo a depreciação. A entidade que usar o modelo de custo para propriedade para investimento em conformidade com a NBC T 19.26 – Propriedade para Investimento deve utilizar o modelo de custo desta Norma.

A vigência desta Resolução entra em vigor nos exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de

2010 (artigo 2º da Resolução CFC nº 1.177/2009).

Objetivo do Teste de Impairment é assegurar que o valor contábil líquido de um ativo ou grupo de ativos de longo prazo não seja superior ao seu recuperável, sendo este ultimo maior entre o maior valor liquido de venda e o valor uso. (ERNEST & YOUNG, 2010, p. 348).

Embora seja necessária a determinação do valor recuperável para todos os ativos (exceto para aqueles estados acima), a companhia deverá avaliar e documentar a existência ou não de indicativos de Impairment a cada encerramento de exercício ou período contábil.

A empresa deve buscar analisar se há indicações de não recuperabilidade, sendo elas:

Os indicadores podem ser de fontes internas ou externas:

Fontes internas: obsolescência ou dano físico; mudanças significativas na forma de utilização; baixo desempenho econômico; baixa antes da data esperada; capacidade ociosa; gastos com manutenção excessivos e/ou acima do esperado; saída de executivos e empregados chaves em uma determinada unidade geradora de caixa; resultados orçados e realizados do ativo apresentam distorções significativas.

Fontes externas: diminuição de valor de mercado; aumento da taxa de juros; mudanças no ambiente tecnológico, de mercado ou econômico com efeito adverso na entidade; capitação no mercado superior à quantia escriturada dos ativos líquidos da entidade.

Segundo Mendes (2010) reversão de provisão para perdas por desvalorização, a entidade deve avaliar na data de encerramento do período social se há alguma indica, com base nas fontes externas e internas de informação, de que uma perda reconhecida em anos anteriores deva ser deduzida ou eliminada.

Em caso positivo, a provisão constituída deve ser revertida total ou parcial a crédito do resultado do período, desde que anteriormente a ele debitada; nos casos em que tenha sido debitada a reserva de reavaliação, esta deverá ser recomposta. Não se aplica a reversão no caso de perda no ágio por expectativas de rentabilidade futura (goodwill).

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Conforme Cervo (2010), a presente pesquisa classifica-se como exploratória e descritiva, pois permite um maior aprofundamento sobre um determinado assunto buscando suas causas e relacionamentos. O procedimento técnico utilizado foi o estudo de caso por tratar-se de um estudo focado em uma realidade específica, abordando particularidades de uma determinada empresa (CERVO, 2010).

O objeto da pesquisa foi o ativo imobilizado da empresa, em especial seus itens mais

relevantes, de acordo com sua atividade, conforme será discutido no próximo tópico deste estudo.

A pesquisa desenvolveu-se em duas etapas. A primeira consistiu no levantamento dos bens do ativo imobilizado da transportadora, através de relatórios obtidos na contabilidade da empresa. Foram levantados o custo de aquisição dos bens, pelos quais estavam inicialmente contabilizados, a depreciação acumulada e o valor contábil.

A segunda etapa buscou relacionar todos os bens por marca e modelo para solicitar a

avaliação dos mesmos no mercado. Assim, esperava-se obter o valor justo dos mesmos. Para determinar este valor, consultaram-se empresas especializadas no ramo de transporte, como Rodotruck – Schiffer, Florença- Iveco, Batistella – Scania, Rodoparaná – Randon, Servopa-

Volkswagen, as quais forneceram uma avaliação dos bens através de carta de avaliação e valor na tabela FIPE.

A empresa pesquisada possui 23 funcionários, com filias no Paraná, Santa Catarina e Mato

Grosso. Tem como atividade transporte rodoviário de cargas e está no mercado desde 2007. Para resguardo do necessário de sigilo comercial, o nome da empresa e dos representantes da pesquisa foram devidamente omitidos.

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO SOBRE OS DADOS COLETADOS

Os itens analisados estão apresentados no quadro1. Esses itens são basicamente veículos, em sua maioria, destinados ao transporte de cargas, conforme se pode notar pela análise do quadro 1.

 

DEMONSTRATIVO DO ATIVO IMOBILIZADO DA EMPRESA DATA BASE JULHO/2013 (Em milhares de reais)

Item

Descrição do bem

Valor custo

Depreciação

Valor contábil

1

Caminhão

5.482,00

2.902,43

2.579,57

2

Semi-Reboque

1.146,00

755,78

390,62

3

Automóvel

68,60

27,65

13,50

4

Motocicleta

5,54

1,94

3,60

 

Total Geral

6.702,14

3.687,80

2.987,29

Quadro 1: Resumo dos itens pesquisados que compõem o imobilizado da empresa

Fonte: Elaborado pelos pesquisadores

Observa-se que a empresa tem evidenciado em seu balanço o valor de R$2.987.290,00 (dois milhões, novecentos e oitenta e sete mil e duzentos e noventa reais) sendo esse valor o

resultado do valor de custo original descontado da depreciação acumulada até a data da realização da pesquisa que se deu em Julho/2013

Detalhadamente nota-se que a empresa possui 16 caminhões, 32 Semi-Reboques, 03 automóveis, 01 motocicletas, cujos valores totalizados são os apresentados.

Destaque-se que para atingir o objetivo proposto para a pesquisa, cada um dos 52 itens foi submetido ao teste de recuperabilidade.

Tendo em vista as características doa ativos testados, o valor de mercado é o mais adequado para se aplicar o teste de recuperabilidade, pois, em caso de necessidade de liquidação, ou venda dos referidos itens, o valor de mercado é o que a empresa conseguiria em negociações entre partes independentes, configurando o valor justo.

Após a aplicação do teste, pôde-se constatar que dos 52 itens analisados 08 sofreram perda por impairment, conforme demonstrado no quadro 2.

 

RELAÇÃO DE ITENS COM PERDAS DETECTADAS PELO IMPAIRMET TEST (EM MILHARES DE REAIS)

 

Descrição

 

Valor de

Depreciação

Valor

Valor de

Perda por não recuperabilidade

Item

do bem

Ano

custo

acumulada

contábil

mercado

27

Caminhão

2011

385,00

160,42

224,58

215,00

(9,58)

28

Caminhão

2011

385,00

160,42

224,58

215,00

(9,58)

29

Caminhão

2011

385,00

160,42

224,58

215,00

(9,58)

 

Semi-

           

23

Reboque

2002

22,00

9,90

12,10

12,00

(0,10)

 

Semi-

           

33

Reboque

2004

57,50

23,00

34,50

21,00

(13,50)

 

Semi-

           

34

Reboque

2004

57,50

23,00

34,50

21,00

(13,50)

 

Automóvel

           

VW/Gol

37

1.0

GIV

2012

23,05

7,03

16,03

16,00

(0,03)

 

Automóvel

           

VW/Gol

55

1.0

GIV

2012

23,55

6,68

16,86

16,00

(0,86)

     

1.338,60

550,86

787,74

731,00

(56,74)

Quadro 2: Itens que apresentaram perda por Impairment

Fonte: Elaborado pelos pesquisadores

Observa-se que as perdas por não recuperabilidade totalizam R$56.740,00 (cinquenta e seis mil setecentos e quarenta reais)

Destaca-se que partiu-se do valor de compra dos bens, demonstrando a depreciação contábil gerada no período apurando-se o valor líquido do bem na contabilidade. De posse deste número foi comparado com o valor da avaliação do mercado.

O anexo I demonstra uma visão global da Empresa, onde 52 itens foram analisados chegando a conclusão de que a empresa teria um aumento no seu ativo imobilizado no montante de R$

1.462.730,00, já descontado as perdas. Como a norma não permite o reconhecimento deste valor na contabilidade, mesmo assim a empresa obteve uma informação muito importante pois caso ela venha a ter que encerrar suas atividades ou que porventura venha a se desfazer

de sua frota, ela sabe que obterá um ganho nessa venda no valor de R$ 1.462.370,00. Este

ganho, decorrente das avaliações que foram feitas em seus ativos é decorrente dos cuidados e

do bom uso que ela dispensa a eles.

4.1 REGISTRO CONTÁBIL DA PERDA

Se um ativo for registrado por um valor econômico superior ao que realmente possa vir a ser

recuperado, seja pela venda ou pelo seu uso, a diferença deverá ser lançada como perda.

Sendo que, conforme o CPC 01, ele poderá ser utilizado somente para diminuir o valor do ativo e não para aumentá-lo.

Exemplo de Contabilização item 27 do quadro 2

Imobilizado antes do teste:

D

– Caminhão (Ativo Não Circulante)

R$ 385.000,00

C

– Depreciação Acumulada (Ativo Não Circulante)

R$ 160.416,67

Valor contábil:

R$ 224.583,33

Depois de feito a realização do teste do Impairment

Verificou-se que o valor recuperável seria de R$ 215.000,00

Registro contábil da perda por não recuperabilidade:

D

– Perdas no valor recuperável (Conta de Resultado)

R$

9.583,33

C

Impairment Caminhão (Conta Credora do Ativo Não Circulante)

R$

9.583,33

Logo o bem ficaria registrado assim:

D

– Caminhão (Ativo Não Circulante)

R$

385.000,00

C

– Depreciação Acumulada (Ativo Não Circulante)

R$

160.416,67

C

Impairment Caminhão (Conta Credora do Ativo Não Circulante)

R$

9.583,33

(=) Valor do bem:

R$ 215.000,00

O reconhecimento da perda ocasionaria uma diminuição no lucro líquido do período em

questão, refletindo negativamente em uma eventual distribuição de lucros. Ressalte-se que o

valor a ser levado para o resultado seria de R$ 56.740,00 equivalente aos oito itens que apresentaram valor contábil maior do que o valor de mercado.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o presente estudo foi verificado que o impairment é uma prática contábil introduzida pela Lei 11.638/07 para todas as empresas de grande porte e modifica a forma de avaliação e contabilização de valores patrimoniais e de resultado e, portanto, impacta os indicadores de desempenho econômico. A intensidade do impacto vai depender da perda de valor recuperável nos ativos avaliados.

Observa-se que sua adoção é um fator que trará os valores dos ativos mais próximos da realidade e, portanto, mais próximo da essência das aplicações de recursos da empresa, com

isso oferece maior credibilidade e comparabilidade aos usuários das informações contábeis para tomada de decisões.

Assim, os interessados na gestão da empresa tais como proprietários, sócios, acionistas e investidores em geral podem ter a verdade noção dos benefícios que os recursos aplicados nos ativos das empresas estão gerando para ela.

Ficando evidente a não recuperabilidade, a contabilidade deverá reconhecer a perda diretamente no resultado, o que ocasiona a diminuição da lucratividade do período.

Em relação ao objetivo proposto neste trabalho que é analisar o impacto que o impairment test, que trata da redução ao valor recuperável de ativos, pode causar em na determinação do valor dos ativos imobilizados de uma empresa transportadora, pode-se constatar que no caso estudado o impacto é relativamente pequeno se comparado ao montante analisado.

De fato, notou-se que o valor de mercado, que corresponde ao valor justo dos itens avaliados, está bem acima do valor contábil, o que beneficiaria a empresa em caso de necessidade de liquidação ou de venda de seus ativos. Entretanto, esse valor acima não pode ser reconhecido contabilmente, conforme determina a regulamentação legal.

Assim, pode-se concluir que a empresa analisada não apresenta perdas relevantes por impairment o que revela que os recursos aplicados nos itens avaliados têm capacidade de gerar benefícios econômicos futuros para a entidade durante a sua vida útil restante. Entretanto, ressalte-se que o teste deve ser feito periodicamente a fim de confirmar a recuperabilidade ou, detectar evidências de não recuperabilidade causadas por alterações nas condições de mercado ou outras situações.

REFERÊNCIAS

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2011.

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<http://dvl.ccn.ufsc.br/congresso/anais/2CCF/20080716213851.pdf Acesso em: 05/05/2012.

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em:<http://legacy.unifacef.com.br/novo/publicacoes/IIforum/Textos%20EP/Maria%20Amelia%20e%

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FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica, Teoria e Questões Comentadas Conforme MP nº 449/08. 2 ed. São Paulo, 2009.

GATTI, Ivan Carlos, Resolução CFC nº 750/93 http://www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res750.htm: Acesso em

12/10/2012.

LAGIOIA, Umbelina Cravo Teixeira. Pronunciamentos Contábeis na Prática: pronunciamento conceitual básico. São Paulo: Atlas, 2011.

MENDES, Wagner. AVP/ Impairment: CPC

São Paulo : IOB, 2010.

SILVA, Paula D. A.; CARVALHO, Fernanda M.; DIAS, Lidiane N. S.; MARQUES, José Augusto V. C. Impairment de Ativos de Longa Duração: Comparação entre SFAS 144 e o IAS 36. São Paulo:

USP, 2006.

YOUNG, Lucia Helena Briski. Curso Ativo Imobilizado - Foco Contábil e Tributário (Lei das S/A, CPC, Resoluções CFC e RIR/99). Disponível em: <http://www.iobonline.iob.com.br/loginadmin/:

Acesso em 24/05/2012

Disponível em 26/08/2013. http://www.dvl.ccn.ufsc.br/congresso/anais/2CCF/20080718004650.pdf - Acesso em 26/08/2013.

DEMONSTRATIVO IMPAIRMENT - EM R$ 000

 

Descrição do

 

Valor

Depreciação

Valor

Valor

Valor

Item

Bem

Ano

compra

Total

Contábil

Venda

Ajust

 

1 Semi-Reboque

2009

41,25

33,69

7,56

30,00

22,44

 

2 Semi-Reboque

2009

33,75

27,56

6,19

30,00

23,81

 

3 Semi-Reboque

2009

41,25

33,69

7,56

30,00

22,44

 

4 Semi-Reboque

2009

33,75

27,56

6,19

30,00

23,81

 

5 Caminhão

2008

270,00

211,50

58,50

190,00

131,50

 

6 Semi-Reboque

2009

39,00

29,90

9,10

30,00

20,90

 

7 Semi-Reboque

2009

32,00

24,53

7,47

30,00

22,53

 

8 Caminhão

2009

320,00

229,33

90,67

210,00

119,33

 

9 Caminhão

2009

320,00

229,33

90,67

210,00

119,33

 

10 Caminhão

2010

295,00

191,75

103,25

200,00

96,75

 

11 Caminhão

2010

295,00

191,75

103,25

200,00

96,75

 

12 Semi-Reboque

2010

36,00

19,90

16,10

35,00

18,90

 

13 Semi-Reboque

2010

44,00

28,60

15,40

35,00

19,60

 

14 Semi-Reboque

2010

44,00

24,32

19,68

35,00

15,32

 

15 Semi-Reboque

2010

36,00

19,80

16,20

35,00

18,80

 

16 Semi-Reboque

2010

44,00

24,20

19,80

35,00

15,20

 

17 Caminhão

2010

277,00

152,35

124,65

210,00

85,35

 

18 Semi-Reboque

2010

36,00

23,40

12,60

35,00

22,40

 

19 Caminhão

2010

335,00

184,25

150,75

215,00

64,25

 

20 Caminhão

2010

335,00

195,42

139,58

210,00

70,42

 

21 Caminhão

2011

375,00

187,50

187,50

280,00

92,50

 

22 Caminhão

2011

375,00

187,50

187,50

280,00

92,50

 

23 Semi-Reboque

2002

22,00

9,90

12,10

12,00

(0,10)

 

24 Semi-Reboque

2002

20,00

9,00

11,00

12,00

1,00

 

25 Semi-Reboque

2011

37,50

16,25

21,25

30,00

8,75

 

26 Semi-Reboque

2011

37,50

16,25

21,25

30,00

8,75

 

27 Caminhão

2011

385,00

160,42

224,58

215,00

(9,58)

 

28 Caminhão

2011

385,00

160,42

224,58

215,00

(9,58)

 

29 Caminhão

2011

385,00

160,42

224,58

215,00

(9,58)

 

30 Caminhão

2011

410,00

164,00

246,00

280,00

34,00

 

31 Semi-Reboque

2011

37,50

15,00

22,50

30,00

7,50

 

32 Semi-Reboque

2011

37,50

15,00

22,50

30,00

7,50

 

33 Semi-Reboque

2004

57,50

23,00

34,50

21,00

(13,50)

 

34 Semi-Reboque

2004

57,50

23,00

34,50

21,00

(13,50)

 

35 Caminhão

2011

310,00

118,83

191,17

220,00

28,83

36 Caminhão

2011

410,00

177,67

232,33

280,00

47,67

37 Automovel

2012

23,05

7,03

16,03

16,00

(0,03)

38 Semi-Reboque

2002

40,00

40,00

-

17,00

17,00

39 Semi-Reboque

2002

50,00

50,00

-

17,00

17,00

40 Semi-Reboque

2002

40,00

40,00

-

17,00

17,00

41 Semi-Reboque

2002

50,00

50,00

-

17,00

17,00

42 Semi-Reboque

2004

16,50

7,70

8,80

21,00

12,20

43 Semi-Reboque

2004

16,50

7,70

8,80

21,00

12,20

44 Semi-Reboque

2000

12,50

5,00

7,50

11,50

4,00

45 Semi-Reboque

2000

12,50

5,00

7,50

11,50

4,00

46 Caminhonete

2007

22,00

13,93

8,07

22,72

14,65

47 Semi-Reboque

2002

40,00

40,00

-

17,00

17,00

48 Motocicleta

2011

5,54

1,94

3,60

4,36

0,76

49 Semi-Reboque

2002

50,00

50,00

-

17,00

17,00

50 Semi-Reboque

2005

25,00

7,92

17,08

22,50

5,42

51 Semi-Reboque

2005

25,00

7,92

17,08

22,50

5,42

52 Automovel

2012

23,55

6,68

16,86

16,00

(0,86)

Total Geral

 

6.702,14

3.687,80

3.014,34

4.477,08

1.462,74