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MARCOS VASCONCELLOS PAULA

ADVOGADO
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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE


DA COMARCA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM – ESPÍRITO SANTO

SAMUEL DE AZEVEDO LEMOS e IVONILDE TEODORO DA


SILVA LEMOS, brasileiros, casados entre si pelo regime de Separação de Bens, ele
aposentado, portador do R.G. N° 02076954-3-RJ e CPF Nº 256.347.557-00, ela do lar,
portadora do CPF Nº 045.667.147-13 e CTPS Nº 73.060, Série 00019-ES, residentes e
domiciliados na Rua Virgínia, nº 23, Bairro Guandú, Cachoeiro de Itapemirim-ES, Cep.
29300-805, Tel. (28) 3515-0068 e (28) 9253-3094, por seu procurador que esta
subscreve, conforme instrumento de mandato anexo, com escritório profissional situado
na Rua Edmundo Ramos, nº 18, Bairro Novo Parque, Cachoeiro de Itapemirim-ES,
Cep: 29309-040, Tel. (28) 9955-3542, onde recebe intimações, vêm a presença de V.
Exª., ajuíza o presente processo de

ADOÇÃO

do menor ALONSO CORREIA DA SILVA BRUN, menor impúbere,


nascido em 13 de Novembro do ano de 2005, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim-ES,

em face de seus genitores CÉLIA APARECIDA OLIVEIRA


CORREIA, brasileira, solteira, do lar, residente no Beco da Quadra Nº 08, Bairro Alto
Vilage, Cachoeiro de Itapemirim -ES, e JORGE WANDERLEY DA SILVA BRUN,
brasileiro, solteiro, andarilho, sem residência fixa, podendo ser encontrado como
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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pedinte no Mercado da Pedra no Bairro Guandú, Cachoeiro de Itapemirim-ES, em vista


das seguintes razões de fato e de direito a seguir aduzidas:
DOS FATOS

Os autores SAMUEL DE AZEVEDO LEMOS e IVONILDE


TEODORO DA SILVA LEMOS, são casados entre si pelo regime de Separação de
Bens, sendo que casaram-se em 11 de Julho de 2003 nesta cidade.

Os autores residem em casa própria, situada na Rua Virgínia, nº 23,


Bairro Guandú, Cachoeiro de Itapemirim-ES, Cep. 29300-805, que fica entre o Hortifrut
e o Mercado da Pedra, sendo ao lado das Casas Bahia pela entrada dos fundos.

A autora sempre via a requerida CÉLIA APARECIDA OLIVEIRA


CORREIA passar pela sua rua com uma filha pedindo ajuda nas casas, sendo que ela no
final do ano passado estava grávida, tendo deixado de aparecer na rua onde reside a
autora por algum tempo.

Meses após, mais precisamente na data de 13 de Março de 2010, num


sábado, a Srª. Célia Aparecida Oliveira Correia reapareceu na casa dos autores
entregando-lhes o menor ALONSO com sua Certidão de Nascimento e seu Cartão de
Vacinas dizendo que não tinha condições de criar o filho, tanto que já havia dado 04
filhos para a adoção e daria mais este, sendo que só ficaria com o filho
“doente/deficiente”, pois recebe um benefício do governo para a criação do mesmo.
Nessa ocasião a Srª. Célia disse ainda, que tinha um filho de 11 anos e que se não
conseguisse criá-lo também teria que dá-lo em adoção.

Como a mãe do adotando não queria e nem podia criá-lo, manifestou


inequívoca vontade de entregar seu filho ALONSO CORREIA DA SILVA BRUN aos
autores, tanto que lhes fez a entrega da Certidão de Nascimento do mesmo e do Cartão
de Vacinas, sendo necessário ressaltar que a Certidão de Nascimento estava tão
danificada, que foi necessário que os autores pegassem no cartório uma segunda via, a
qual já até emplastificaram.

Quando o menor ALONSO chegou na casa dos autores em 13/03/2010, o


mesmo pesava apenas 10 kg e em 08/04/2010 já pesava 16,5 kg.

Hoje o menor apresenta uma boa aparência devido o zelo e o cuidado que
lhe é dispensado pelos autores, pois quando aquele chegou a casa destes, apresentava
um quadro de inflamação no ouvido e na garganta, além de estar com a cabeça infestada
de piolhos.

Os autores levaram o menor a médicos pediatras, estando o mesmo


fazendo tratamento de todas as suas moléstias.

Um fato lamentável e muito triste para o qual não pode se olvidar é que o
menor relatou para os autores que sua mãe lhe dava cerveja para beber.
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
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Sem pré-julgamentos para com a mãe biológica do menor, mas com o


escopo de demonstrar a veracidade dos fatos, necessário trazer à baila a informação de
que a requerida já possui várias ocorrências junto ao Conselho Tutelar, vez que a
mesma segundo relatos de vizinhos é usuária de drogas e dependente de bebida
alcoólica, sendo ainda que sempre saía às ruas para pedir ajuda para comprar leite para
os filhos, deixava todos os filhos em casa sozinhos. Ressalte-se que uma vez o Conselho
Tutelar chegou até à encaminhar os filhos da requerida para um abrigo, sendo que
posteriormente a mesma conseguiu reavê-los.

Outro ponto importante a ser ressaltado é o fato do menor ter nascido em


13/11/2005 e ter sido registrado somente em 13/02/2006, onde pode se ver um descaso
da genitora quanto ao registro do próprio filho, que é um ato necessário para uma
pessoa começar a exercer seus atos de cidadania.

Durante todo o período em os autores estiveram com a “guarda de fato”


do menor, os mesmos não receberam qualquer oposição à respeito, seja por parte da
mãe biológica, ou mesmo dos demais parentes do menor, mas pelo contrário, houve
consentimento da genitora do mesmo, inclusive quanto à propositura da presente ação, a
qual propôs-se inclusive a comparecer perante esse Juízo para prestar as informações
necessárias.

Frise-se ainda que a adaptação do menor com a nova família ocorreu sem
qualquer trauma para o mesmo, sendo, pois, dispensável todo e qualquer período de
convivência para fins de adoção, o que restará sobejamente comprovado em regular
instrução do feito, quando se poderá avaliar através da convivência a constituição de
vínculo afetivo.

Cumpridas todas as formalidades e exigências legais e, estando hoje o


menor com 05 anos de idade, desejam os autores a ADOÇÃO da criança, estando ele
hoje, sem sombra de dúvidas, melhor do que com a própria mãe, num ambiente familiar
adequado, com muito amor e assistência.

Insta salientar que o menor está totalmente adaptado, sendo que após dois
dias de convivência com os autores, por iniciativa própria começou a chamar ao Sr.
Samuel de pai e à D.ª Ivonilde de mãe.

O menor é super extrovertido, afetuoso, freqüenta a missa com os pais,


gosta desenhos animados e de corridas de Fórmula 1, inclusive diz que ele é o piloto
espanhol da Ferrari Fernando Alonso.

Os autores se colocam à disposição da justiça para se submeterem a


quaisquer exames ou estudos sociais deliberados pelo douto juízo.

DA ADOÇÃO INTUITU PERSONAE

Adoção intuitu personae é aquela que ocorre quando os próprios pais


biológicos escolhem a pessoa que irá adotar seu filho.
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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Tal modalidade de adoção não é expressamente autorizada no atual


ordenamento jurídico.

Em que pese a inexistência de previsão legal para esta modalidade de


adoção, há quem sustente que ela é possível, uma vez que também não é vedada. Nesse
sentido, Maria Berenice Dias:

"E nada, absolutamente nada impede que a mãe escolha quem


sejam os pais de seu filho. Às vezes é a patroa, às vezes uma
vizinha, em outros casos um casal de amigos que têm uma maneira
de ver a vida, uma retidão de caráter que a mãe acha que seriam
os pais ideais para o seu filho. É o que se chama de adoção
intuitu personae, que não está prevista na lei, mas também não é
vedada. A omissão do legislador em sede de adoção não significa
que não existe tal possibilidade. Ao contrário, basta lembrar que a
lei assegura aos pais o direito de nomear tutor a seu filho (CC ,
art. 1.729). E, se há a possibilidade de eleger quem vai ficar com o
filho depois da morte, não se justifica negar o direito de escolha a
quem dar em adoção"
(DIAS, Maria Berenice. Adoção e a espera do amor. Disponível
em: www.mariaberenice.com.br )

No que concerne à adoção, o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei


Nº 8.069/90, dispõe que a adoção depende do consentimento dos pais do adotando, mas
também prevê uma lista de cadastro para a adoção, a qual gera uma fila interminável e
que tem de ser obedecida, podendo apenas ser ignorada em casos especiais, senão
vejamos:

Estatuto da Criança e do Adolescente


LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.

Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do


representante legal do adotando.

Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a


criança ou adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar,
observadas as peculiaridades do caso.
§ 1o O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando
já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante durante tempo
suficiente para que seja possível avaliar a conveniência da
constituição do vínculo.

Art. 50. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro


regional, um registro de crianças e adolescentes em condições de
serem adotados e outro de pessoas interessadas na adoção.
(...)
§ 13. Somente poderá ser deferida adoção em favor de candidato
domiciliado no Brasil não cadastrado previamente nos termos desta
Lei quando:
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(...)
III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de
criança maior de 3 (três) anos ou adolescente, desde que o lapso de
tempo de convivência comprove a fixação de laços de afinidade e
afetividade, e não seja constatada a ocorrência de má-fé ou
qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei.
§ 14. Nas hipóteses previstas no § 13 deste artigo, o candidato
deverá comprovar, no curso do procedimento, que preenche os
requisitos necessários à adoção, conforme previsto nesta Lei

A justiça não pode fechar os olhos para o fato de que há situações que
justificam a desconsideração da ordem do cadastro.

Ao que parece, o caso sob exame configurava uma dessas situações


especialíssimas.

É bem verdade que a habilitação para adotar é o caminho mais comum


seguido pelos pretendentes à adoção de menores, muito embora não consista em
requisito obrigatório, como visto, podendo, em determinadas circunstâncias, ser
realizado estudo psico-social durante o processo de adoção, certo que nos casos em que
exista vínculo como é o caso em apreço, onde o menor já no segundo dia de
convivência com os autores começou por iniciativa própria à chamá-los de pai e mãe,
sendo uma criança muito carinhosa, que vive abraçando os pais adotivos.

Ressalte-se que no ano passado, a Terceira Turma do Superior Tribunal


de Justiça (STJ) determinou a devolução da guarda de uma criança aos pais adotivos
que não estavam inscritos no Cadastro Nacional de Adoção. Para os ministros, a
observância do cadastro de adotantes, com a preferência para as pessoas
cronologicamente inscritas, não é absoluta. Tem prevalência o melhor interesse do
menor, no caso de existir vínculo afetivo entre a criança e o pretendente à adoção, ainda
que este não esteja cadastrado.

No caso julgado, um casal combinou a adoção com a mãe biológica antes


do nascimento da criança, o que ocorreu em dezembro de 2007. Todos compareceram
em juízo, onde assinaram o Termo de Declaração, com expressa manifestação de
vontade da mãe em consentir na adoção da filha, sem coação ou benefício pessoal. A
permanência da criança com o casal foi autorizada pelo prazo de trinta dias.

Ao relatar o recurso especial do primeiro casal adotante, o ministro


Massami Uyeda considerou a existência de vínculo de afetividade entre a criança e o
casal com que viveu diariamente durante seus primeiros oito meses de vida. Ele
ressaltou que a convivência foi autorizada por decisões judiciais, inclusive com laudo
psicossocial. O ministro também não concordou com o fundamento adotado pelo
tribunal local no sentido de que a criança, por ter menos de um ano de idade, e
considerando a formalidade do cadastro, poderia ser afastada do casal. Para Uyeda, os
desembargadores não levaram em consideração “o único e imprescindível critério a ser
observado, qual seja, a existência de vínculo de afetividade da infante com o casal
adotante”.
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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Vejamos o julgado em questão:

Processo: AgRg na MC 15097 / MG


AGRAVO REGIMENTAL NA MEDIDA CAUTELAR
2008/0283376-7
Relator(a): Ministro MASSAMI UYEDA (1129)
Órgão Julgador: T3 - TERCEIRA TURMA
Data do Julgamento: 05/03/2009
Data da Publicação/Fonte: DJe 06/05/2009 REVFOR vol. 402 p.
416
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL - MEDIDA CAUTELAR -
AFERIÇÃO DA PREVALÊNCIA ENTRE O CADASTRO DE
ADOTANTES E A ADOÇÃO INTUITU PERSONAE -
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO MELHOR INTERESSE DO
MENOR - ESTABELECIMENTO DE VÍNCULO AFETIVO DA
MENOR COM O CASAL DE ADOTANTES NÃO
CADASTRADOS, COM O QUAL FICOU DURANTE OS
PRIMEIROS OITO MESES DE VIDA - APARÊNCIA DE BOM
DIREITO - OCORRÊNCIA - ENTREGA DA MENOR PARA
OUTRO CASAL CADASTRADO - PERICULUM IN MORA -
VERIFICAÇÃO - RECURSO IMPROVIDO.

No julgamento o STJ entendeu pela possibilidade da adoção intuitu


personae , bem como pela prevalência desta sobre a ordem do cadastro geral de adoção
quando comprovado o vínculo de afetividade.

Vejamos um trecho da decisão agravada:

“É certo, contudo, que a observância de tal cadastro, vale


dizer, a referência das pessoas cronologicamente
cadastradas para adotar determinada criança não é
absoluta . E nem poderia ser. Excepciona-se tal regramento,
em observância ao princípio do melhor interesse do menor ,
basilar e norteador de todo o sistema protecionista do
menor, na hipótese de existir vínculo afetivo entre a criança
e o pretendente à adoção, ainda que este não se encontre
sequer cadastrado no referido registro.”"(Relator Ministro
Massami Uyeda).

Nesse sentido, temos ainda os seguintes julgados que militam em favor


dos autores:

CÂMARA ESPECIAL
AGRAVO DE INSTRUMENTO nº 71.876.0/1
Agravantes: J.L.R. e sua mulher
Agravada: M.M.S.C.
Voto nº 18.629

MENOR - Adoção - Agravo contra decisão que determinou a


expedição de carta rogatória para citação da mãe natural,
desprezando manifestação judicial anterior da genitora
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ADVOGADO
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concordando com a pretensão - Cabimento - Manifestação que


não constitui renúncia ao pátrio poder, mas aquiescência com o
pedido - Aplicação do artigo 45 do ECA - Recurso provido.

1. Trata-se de agravo de instrumento interposto por J.L.R. e sua


mulher C.B.M.R. contra decisão que em pedido de adoção,
determinou a expedição de carta rogatória para a citação da mãe
natural da adotanda, desprezando manifestação judicial anterior da
genitora, concordando expressamente com a adoção de sua filha
pelo casal agravante.
Processado o recurso sem a concessão do efeito suspensivo (fl. 31),
o juízo agravado prestou informações às fls. 53/54 e a Procuradoria
de Justiça manifestou-se pelo provimento do recurso (fls. 60/61).
2. Entendeu o magistrado “a quo” que a expedição de carta
rogatória para a citação da mãe natural da adotanda era providência
indispensável por ser o pátrio poder direito de natureza
indisponível (fls. 57/58).
Sem discordar desse posicionamento, observa-se, no entanto, que
pela análise do “Termo de declarações” de fl. 19, não houve por
parte da mãe biológica recusa pura e simples do pátrio poder, mas
ato complexo por meio do que esta, de forma clara, manifestou o
conhecimento de que a criança estava sendo amparada por casal
guardião e expressou sua concordância com a adoção da menor
pela família substituta.
Conclui-se pois, que a declaração acima mencionada não consiste
em renúncia ao pátrio poder, mas ato voluntário de disposição de
sua filha em adoção, manifestado de maneira formal perante um
juiz de direito, após ser expressamente alertada das conseqüências
de sua manifestação.
Desta forma, se deferida no futuro a adoção ao casal agravante, não
decorrerá o ato de renúncia materna, ou de sanção à ela imposta
pelo descumprimento das obrigações inerentes ao pátrio poder
(para o que se exige a instalação de contraditório), mas nos termos
do artigo 45 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
3. Diante do exposto, dá-se provimento ao recurso para dispensar a
expedição da carta rogatória para a citação da genitora natural,
podendo o feito retornar a seu regular andamento.
Custas como de direito.
GENTIL LEITE
Relator

............................................................................................................

TJ/RJ - SEX 9 ABR 2010 17:29:31 - Segunda Instância -


Autuado em 07/05/2009

CAPITAL VARA DA INFANCIA E DA JUVENTUDE E DO


MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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IDOSO
ADOCAO C/C DESTITUICAO DO PODER FAMILIAR
0285939-15.2007.8.19.0001 (2009.001.24072) - APELACAO
DES. FRANCISCO DE ASSIS PESSANHA –
Julgamento: 02/12/2009 - SEXTA CAMARA CIVEL
ADOÇÃO. PREVALÊNCIA DO INTERESSE DO MENOR.
PROVA IDÔNEA. ELEMENTOS DE CONVICÇÃO QUE
EVIDENCIAM A CORREÇÃO DA SENTENÇA QUE
DESTITUIU O PÁTRIO PODER E DEFERIU O PEDIDO DE
ADOÇÃO FORMULADO PELOS AUTORES. EXISTÊNCIA DE
FORTE VÍNCULO AFETIVO ENTRE A CRIANÇA E O CASAL
ADOTANTE. CRIANÇA TOTALMENTE INSERIDA NA
FAMÍLIA SUBSTITUTA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO
DESPROVIDO.

............................................................................................................

TJ/RJ - SEX 9 ABR 2010 17:33:59 –


Segunda Instância - Autuado em 23/07/2008
RIO CLARO
ADOÇÃO
0000251-33.2004.8.19.0047 (2008.001.39726) - APELACAO
DES. CARLOS EDUARDO MOREIRA SILVA - Julgamento:
12/11/2008 - SETIMA CAMARA CIVEL
Civil. Família. Adoção. Menor sob guarda provisória dos
autores desde janeiro de 2004. Demonstração do vínculo
afetivo formado entre os autores e a adotanda. Comprovação
dos motivos ensejadores da destituição do poder familiar.
Proteção ao melhor interesse do menor. Recurso Desprovido.

Logo, como dito anteriormente, a justiça não pode fechar os olhos para o
fato de que há situações que justificam a desconsideração da ordem do cadastro, sendo
que estamos diante de uma dessas situações onde a criança e os pais adotivos, embora
não inscritos em lista de cadastro, já convivem juntos estando, portanto, formado entre
ambos – a criança e os pais – um forte vínculo afetivo.

DO NOME

Quanto ao nome em casos de adoção, o Estatuto da Criança e do


Adolescente, Lei Nº 8.069/90, dispõe que a sentença conferirá ao adotado o nome do
adotante e, a pedido de qualquer deles, poderá determinar a modificação do prenome,
senão vejamos:

Estatuto da Criança e do Adolescente


LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.

Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que


será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se
fornecerá certidão.
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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§ 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais, bem


como o nome de seus ascendentes.
§ 2º O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro
original do adotado.
(...)
§ 5o A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a
pedido de qualquer deles, poderá determinar a modificação do
prenome.

Sendo assim, os adotantes dão ao adotado no nome de FERNANDO


ALONSO TEODORO DA SILVA LEMOS, devendo constar em seu registro de
nascimento os nomes de seus novos pais SAMUEL DE AZEVEDO LEMOS e
IVONILDE TEODORO DA SILVA LEMOS, assim como o dos avós paternos Elpidio
de Almeida Lemos e Rosa Maria de Azevedo e dos avós maternos Anelzino Lauriano
da Silva e Maria Teodoro da Silva.

DA JUNTADA DE DOCUMENTOS

Na oportunidade a autora pede venia para requerer a juntada dos


seguintes documentos:
1- Procuração e Declaração de Hipossuficiência (docs. 01 e 02).
2- Cópias dos documentos de identificação dos autores (docs. 03-05).
3- Cópia da Certidão de Casamento dos autores (doc. 06).
4- Cópia do comprovante de residência dos autores (doc. 07).
5- Cópia da Certidão de Nascimento do menor (doc. 08).
6- Cópias dos Receituários Médicos dos remédios que foram receitados
pelos médicos ao menor para tratamento (docs. 09-10).

DO PEDIDO

Diante do exposto, requer a Vossa Excelência:

a) Seja julgada procedente a ação para conceder a adoção do menor


ALONSO CORREIA DA SILVA BRUN em favor dos autores SAMUEL DE
AZEVEDO LEMOS e IVONILDE TEODORO DA SILVA LEMOS, passando o
adotando à condição de filho legítimo e a utilizar os patronímicos paternos e maternos
dos autores, vindo a se chamar FERNANDO ALONSO TEODORO DA SILVA
LEMOS, dignando V. Exª. em ordenar que se expeça mando para a inscrição dessa
decisão no Cartório de Registro Civil competente, com todas as prerrogativas previstas
pela Lei Nº 8.069/90, consignando o nome dos adotantes como pai e mãe, bem como de
seus ascendentes, cancelando-se o registro original, expedindo-se nova certidão para os
autores a fim de resguardar o interesse do menor, assim como demais averbações
necessárias.

b) A citação dos requeridos para contestar os termos da presente ação,


sob pena de revelia e confissão, devendo o requerido JORGE WANDERLEY DA
SILVA BRUN, devido ao fato de ser andarilho e não ter residência fixa, ser citado no
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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local onde pode ser encontrado como pedinte, qual seja o Mercado da Pedra no Bairro
Guandú, Cachoeiro de Itapemirim-ES.

c) A intimação do ilustre representante do Ministério Público para todos


os termos da presente ação.

d) Seja oficiado o CONSELHO TUTELAR (situado no Pavilhão de


Eventos da Ilha da Luz), a fim de determinar que a conselheira SILVANA VIANA
JACINTHO que faz o acompanhamento do caso, apresente relatório circunstanciado
sobre o caso em tela, assim como seja ouvida em juízo para prestar esclarecimentos
sobre a situação em que o menor vivia.

e) A concessão dos benefícios da Assistência da Justiça Gratuita, nos


termos da Lei n° 1.060/50, por não terem os requerentes, rendimentos suficientes para
arcar com as despesas processuais, honorários advocatícios, taxas e emolumentos sem
prejuízo do sustento de sua família, conforme declaração de hipossuficiência em anexo.

f) A oitiva das testemunhas abaixo arroladas:

1- MARIA ROBERTO PEREIRA, brasileira, viúva, pensionista,


portadora do CPF Nº 724.979.637-20 e R.G. Nº 1.182.333-ES, residente na Rua
Virgínia, nº 49, Bairro Guandú, Cachoeiro de Itapemirim-ES, telefone para recado (28)
3522-5780.

2- CARLOS RIBEIRO PAULA, brasileiro, casxado, Policial Militar


aposentado, portador do CPF Nº 471.548.967-87 e R.G. Nº 3367-0, residente na Rua
José Goulart, nº 48, Bairro Nossa Senhora de Fátima, Cachoeiro de Itapemirim-ES, Tel.
3517-1706.

3- ALEXANDRE LUIZ SOUZA DA SILVA, brasileiro, casado,


servente de pedreiro, portador do CPF Nº 138.996.067-60 e R.G. Nº 312.888-ES,
residente na Rua das Arapongas, casa 5, Quadra Nº 09, Bairro Alto Vilage, Cachoeiro
de Itapemirim-ES, Tel. 9251-0475.

g) A produção de provas consistentes nos documentos ora juntados,


depoimento pessoal dos requeridos, sob pena de confessos, depoimento pessoal dos
autores e, se necessários perícia e inspeção judicial.

Protesta-se provar o alegado por todos os meios de provas admitidas pelo


direito.

Dá-se à causa o valor de R$ 510,00 (Quinhentos e dez reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
ADVOGADO
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Cachoeiro de Itapemirim-ES, 13 de Abril de 2009.

___________________________________________________
MARCOS VASCONCELLOS PAULA
OAB/ES Nº 14.423

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