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ABDÓMEN E CAVIDADE

ABDOMINAL

Síntese osteológica e miológica


J. Filipe B. Abel P. B.
Anatomia, Fisiologia e Química Fisiológica I Discente: 2891 – CLE 2009-2013

INTRODUÇÃO
ACIENTÍFICA

 O abdómen está localizado entre o tórax e a bacia, correntemente designado por ventre
ou barriga. A palavra abdómen deriva do Latim “abdomíne”, que significa
(grosseiramente traduzido) escondido ou encerrado, circunstancia que o avanço
tecnológico tem felizmente contrariado sendo hoje possível realizar diagnósticos (como
ecografias e TAC’s) menos invasivos versus a anacrónica necessidade de recorrer ao
bisturi para o efeito.
 Ao nível do abdómen, na  Embora no sexo masculino o
cavidade abdominal, encontra- abdómen se apresente dilatado
se grande parte do sistema (quando é o caso) em grande
digestivo (estômago, intestino medida pelas quantidades
delgado, intestino grosso e desregradas de cerveja ou em
apêndice) bem como órgãos resultado de uma alimentação
acessórios ao mesmo (fígado, menos equilibrada e ausência
vesícula biliar e pâncreas), de exercício físico adequado,
parte do sistema urinário (rins no feminino a sua dilatação
e ureteres) analogamente com (em muitas ocasiões) deve-se
outras estruturas, como o ao desenvolvimento de uma
baço, vasos linfáticos, nervos, nova vida uterina, razão pela
vasos sanguíneos além do qual “per si” o abdómen
peritoneu que é uma justifica incondicional
membrana que envolve os admiração.
órgãos mencionados.

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INTRODUÇÃO CIENTÍFICA

 O abdómen situa-se na região central


do corpo humano, infra tórax e supra
pélvis, sendo unanimemente dividido
na superfície em sectores por duas
linhas imaginarias (uma horizontal e
outra vertical) que se intersectam ao
nível do umbigo. São estes sectores o
superior-direito, superior-esquerdo,
inferior-direito e inferior-esquerdo.

 Adicionalmente a estes sectores o


abdómen é frequentemente dividido em
nove regiões por quatro linhas
imaginarias (duas horizontais e duas
verticais) que se designam por
epigástro, hipocôndrio esquerdo e
direito, mesogástrio ou umbilical,
lombar (ou flanco) esquerda e direita,
hipogástrio, região inguinal/ilíaca direita
e esquerda. Na pratica clínica estas
divisões servem como ponto de
referência para localizar os órgãos sub-
abdómen na cavidade abdominal.

INTRODUÇÃO CIENTÍFICA
 Limitada na parte superior pelo diafragma,
músculo plano que a separa da cavidade
torácica, e na parte inferior pela pélvis, a
cavidade abdominal tem como limites à
frente e de lado as paredes abdominais
anterior e laterais, enquanto que atrás está
protegida pela coluna vertebral e, na parte
mais alta, pelas costelas inferiores.

 Considerando o conjunto da cavidade


abdominal e pélvica, frequentemente
definido como abdominopélvica por não
existir separação física rígida entre
ambas, observamos que estão alojados
diversos órgãos do aparelho digestivo
(estômago, intestino delgado, intestino
grosso, fígado, vesícula e vias biliares,
pâncreas), o baço, os rins e as glândulas
supra-renais, as vias urinárias (ureteres) e
a bexiga, órgãos do aparelho reprodutor
(diferindo de acordo com o sexo:
praticamente todos na mulher, como o
útero, os ovários e as trompas, enquanto
que no homem uma parte situa-se em
posição externa), numerosos vasos
sanguíneos e linfáticos, ligamentos e
restantes estruturas que fixam os órgãos
nas suas respectivas posições.

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ABDÓMEN, CAVIDADE ABDOMINAL
 No interior da cavidade abdominopélvica fica a
cavidade peritoneal (membranosa) , interposta
entre membranas serosas, o peritoneu parietal
(delineando a cavidade abdominopélvica e a
base do diafragma) e peritoneu visceral (que
envolve a maior parte dos órgãos mantendo a
sua integridade), sendo preenchida de liquido
peritoneal que basicamente anula a fricção do
movimento dos órgãos contra as superfícies
adjacentes.
O epíplon (ou mesentério, composto por duas
camadas de peritoneu) complementa as
membranas anteriores, ligando alguns dos
órgãos abdominopélvicos ao peritoneu parietal
e também ao peritoneu visceral de outros
órgãos, ancorando-os à superfície interior da
cavidade abdominopélvica e fornecendo
igualmente vias de circulação para nervos e
vasos sanguíneos alcançarem os órgãos.
Alguns órgãos abdominopélvicos (rins,
glândulas supra-renais, pâncreas, parte dos
intestinos e a bexiga) encontram-se mais
próximos à estrutura do corpo não tendo
epíplons. Estes estão posteriores ao peritoneu
parietal e designam-se por retroperitoneais.

ABDÓMEN, CAVIDADE ABDOMINAL


 Na parte anterior e nas laterais a parede abdominal é composta por uma série de
sucessivas camadas de diferente espessura, formadas por pele, lâminas de tecido
conjuntivo, gordura e músculos. A pele tem uma espessura determinada e é muito
pouco aderente às camadas subjacentes, excepto na zona que rodeia o umbigo. A
camada de gordura, ou tecido celular subcutâneo, tem uma espessura variável (fina
nalgumas pessoas e muito densa noutras), já que depende do estado nutricional do
indivíduo. Na verdade, a gordura que se acumula nesta área constitui a reserva
energética do organismo e tende a aumentar sempre que a ingestão calórica for
superior ao consumo.
A camada muscular, por seu lado, é constituída por diversos músculos planos que
fazem a parede abdominal contrair e relaxar, adaptando-se às modificações do
tamanho das vísceras contidas na cavidade abdominal e controlando também a
pressão intra-abdominal. Na parte posterior, ao lado da coluna vertebral, a parede
abdominal também é formada pelos mesmos elementos, embora com um depósito de
gordura muito menor e uma camada muscular bastante mais firme.

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MÚSCULOS ABDOMINAIS
 Podemos classificar os músculos
abdominais em três grupos: Músculos
anteriores do abdómen (grande recto
do abdómen e piramidal), músculos
posteriores do abdómen (quadrado
lombar) e músculos laterais do
abdómen (transverso, pequeno
oblíquo do abdómen, grande oblíquo
do abdómen). A tonicidade da
musculatura da parede abdominal é
de vital importância, dado que só
existe estrutura óssea na sua parte
posterior, representada pela coluna
vertebral.
 Os músculos na parede interior do abdómen conferem flexão e rotatividade à coluna
vertebral. As contracções dos mesmos quando a coluna está imóvel diminuem o
volume nas cavidades abdominal e torácica e podem auxiliar em funções como a de
respiração forçada, vómito, defecção, no acto de urinar e no parto. O padrão cruzado
destes músculos gera uma forte parede anterior que mantém e protege as vísceras
abdominais.
Em indivíduos relativamente musculados e com baixo índice de gordura conseguimos
identificar uma linha vertical desde o apêndice xifoideu (no externo) passando pelo
umbigo até ao pélvis. Esta área tendinosa é desprovida de músculo, a linha alba
recebe esta designação por ser constituída por tecido conjuntivo em lugar de
músculos. Em ambos os lados da linha alba estão os músculos recto abdominais que
são transversalmente intersectados por intersecções tendinosas em três, em alguns
casos mais, locais fazendo com que a parede abdominal de uma pessoa musculada
pareça segmentada. Lateralmente ao grande recto do abdómen fica a linha semilunar e
ao lado desta encontram-se três camadas de músculos que são o grande oblíquo do
abdómen, o pequeno oblíquo do abdómen e o transverso do abdómen.

OUTROS ELEMENTOS ABDOMINOPÉLVICOS


 Ao nível da cavidade abdominopélvica
encontramos, a par dos músculos e outros
componentes, tecidos conjuntivos fibrosos,
ligamentos e fáscias que cumprem a função
de ligação, protecção ou inserção.
Destes destaca-se o canal Inguinal, uma
passagem de 3 a 5 cm de comprimento
através da parede abdominopélvica. Nos
homens encontra-se ocupado pelo cordão
espermático e nas mulheres pelo ligamento
redondo do útero e vasos que o acompanham.
Internamente está o anel inguinal interno que
é um orifício em forma de fenda na fáscia
transversal, e o anel inguinal externo uma
abertura triangular (de tamanho variável) na
aponeurose do grande oblíquo do abdómen. A
parede anterior do canal inguinal está
formada pela aponeurose do grande oblíquo
do abdómen e (lateralmente) pelas fibras
musculares do pequeno oblíquo do abdómen.
A parede posterior está formada pela
aponeurose do transverso e fáscia
transversal, sendo frequentemente mais
aponeurótica na sua parte média e mais
fáscial próxima ao anel inguinal interno.
Acima, o canal está limitado pelas fibras
arqueadas do pequeno oblíquo do abdómen e
transverso do abdómen anteriormente e
posteriormente está formado pelo ligamento
inguinal e ligamento lacunar.

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Músculos da parede abdominal
Musculo Origem Inserção Nervo Acção

Anterior

Apêndice xifoideu e Flecte a coluna


Grande recto Crista púbica e sínfise Ramos do torácico
cartilagens das 5ª/6ª vertebral; comprime o
do abdómen púbica inferior
e 7ª costelas abdómen

Grande Flecte e confere


Crista ilíaca,
rotação à coluna
oblíquo do ligamento inguinal e Ramos do torácico
5ª à 12ª costelas vertebral; comprime o
abdómen bainha do grande inferior
abdómen; deprime o
abdominal recto do abdómen
tórax

Pequeno Flecte e confere


Crista ilíaca, ligamento 10ª à 12ª costelas e rotação à coluna
oblíquo do
inguinal e fáscia bainha do grande Torácico inferior vertebral; comprime o
abdómen lombar recto do abdómen abdómen; deprime o
abdominal tórax
7ª à 12ª cartilagens
Apêndice xifoideu,
Transverso do lombares, fáscia
atrás da linha alba e Torácico inferior Comprime o abdómen
abdómen lombar, crista ilíaca e
tubérculo púbico
ligamento inguinal
Posterior
Crista ilíaca e Flecte a coluna
Quadrado 12ª costela e vértebra
vértebras lombares Lombar superior vertebral lateralmente;
Lombar lombar superior
inferiores deprime a 12ª costela

OSTEOLÓGIA ABDOMINOPÉLVICA

 Apenas a parte posterior do abdómen é


suportada pelas vértebras, da T12 (incluindo
as cinco vértebras lombares) até a última
sacral, considerando a continuidade entre o
abdómen e a pelve. A parte anterior do
abdómen é quase exclusivamente muscular
sendo que as referencias ósseas são apenas
como inserção desses músculos. Assim
podemos considerar nesse âmbito as costelas
da 5ª à 12ª.

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BREVES DEFINIÇÕES AUXILIARES À EXPOSIÇÃO

 Aponeurose: membrana de tecido conjuntivo fibroso que envolve os


músculos, separando-os uns dos outros, ou lhes serve para
inserção; aponevrose.

 Fáscia: membrana conjuntiva fibrosa constituída pela reunião das


aponevroses de revestimento dos músculos superficiais de
uma parte do corpo e que os separa da membrana fibrosa que
forma um septo entre certos planos musculares.

 Ligamento: prega que liga órgãos contíguos.

 Serosa: membrana de paredes duplas, epiteliais e conjuntivas, como o


peritoneu, as pleuras, o pericárdio, etc., que reveste certas
cavidades do organismo animal e que contêm líquidos por ela
segregados.

BIBLIOGRAFIA

 SEELEY, Rod R. ; STEPHENS, Trent D. ; TATE, Philip - Anatomy &


Physiology, 6th ed., McGraw-Hill

 http://highered.mcgraw-hill.com/sites/0072351136/

 http://www.infopedia.pt/

 http://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=58

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