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Emancipação Feminina e Emancipação Humana

Nildo Viana*

Resumo: O presente artigo apresenta uma discussão sobre a relação entre emancipação
feminina e emancipação humana. A partir de uma discussão sobre liberdades parciais e
liberdade total, busca mostrar os vínculos da opressão feminina com a opressão
masculina e várias outras formas de opressão, colocando a dependência recíproca entre
a libertação da mulher e a libertação humana.
Palavras-chave: Opressão, Mulher, Libertação, Ethos Feminino, Ethos Masculino,
Totalidade.
Abstract: The article presents a discussion about the relationship between feminine
emancipation and emancipation of all human beings. From a discussion on partial
freedom and total freedom, it tries to shows the masculine oppression and several other
forms of oppression, placing the reciprocal dependence between the liberation of the
woman and the liberation of all human beings.
Key words: Oppression, Woman, Liberation, Feminine Ethos, Masculine Ethos,
Totality.

A palavra emancipação é muito significa ausência de limites e


utilizada, bem como a ideia de imposições externas, tem caráter
emancipação feminina. Emancipação puramente relacional com coação
significa libertação E libertação externa que é suspensa e “liberdade
significa “tornar livre”. Nesse sentido, para” expressa a possibilidade de agir
pensar a emancipação feminina é pensar de acordo com a própria determinação.
sua libertação e isso remete ao problema
Pensar a libertação feminina em termos
do que significa liberdade e qual falta
de apenas “liberdade de” é muito
de liberdade a mulher está encerrada.
restrito. A mulher pode se livrar da
Esse será nosso ponto de partida
escravidão, como o homem, tal como
analítico, que, a seguir, a relação
ocorreu na sociedade antiga, mas isto é
indissolúvel entre libertação feminina e
insuficiente e não significa uma
libertação humana.
autêntica emancipação. Sem dúvida, a
A ideia de liberdade pode expressar “liberdade de” é condição para a
duas coisas distintas. Erich Fromm, “liberdade para”, mas limitada e sem o
retomando Ernst Bloch, coloca que complemento da outra forma de
existe “liberdade de” e “liberdade para” liberdade, continua sendo uma prisão.
(Fromm, 1981). Ele explicita que Isto ocorre pelo fato de que a “liberdade
“liberdade de” é aquela forma de de” é sempre uma liberdade parcial se
liberdade que significa estar livre de não for complementada pela “liberdade
algo (como alguém que se livra da para” e assim vamos substituir estes
prisão) e “liberdade para” expressa a termos por liberdade parcial e liberdade
possibilidade de agir no sentido total. A “liberdade de” é parcial pelo
desejado. Em síntese, a “liberdade de” mesmo motivo que alguém que cumpriu

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uma pena numa prisão e se livrou dela, Porém, a discussão sobre a opressão
ao sair, estará preso em várias outras feminina1 sempre esbarra em obstáculos
“prisões”: o preconceito, a metodológicos e políticos. No que se
desconfiança, a falta de dinheiro, o refere ao problema do método – que é
desemprego, etc., e assim ele irá lutar apenas outra face do problema político
contra todas estas outras “prisões” e se – é o isolamento da questão feminina e
conseguir romper com algumas delas, sua redução a uma mera relação entre
ainda ficará preso em determinadas mulher-homem, desvinculando das
relações sociais, moral e legalmente demais relações sociais (Viana, 2006b).
“superiores”, mas em novas prisões: o Assim, até mesmo autores como Pierre
trabalho alienado e a prisão da fábrica Bourdieu (2003) acabam isolando as
(ou loja, etc.) em substituição ao relações sociais entre os sexos e criando
desemprego, para ficar em apenas um uma suposta “dominação masculina”,
exemplo. reproduzindo valores e concepções
Somente uma libertação total poderia extremamente questionáveis (Viana,
fazer deste indivíduo um ser humano 2006c). O problema político associado a
este problema metodológico é o de
onilateral e desenvolvido, e por isso é
necessário a dimensão utópica da gerar um microrreformismo (Braga,
libertação humana, reconhecendo a 2009; Braga, 2010; Viana, 2009a), no
necessidade de crítica da sociedade qual a dimensão utópica é abolida e a
existente, uma prisão que encerra proposta de transformação social
milhares de outras prisões, e proposta (libertação humana) é esquecida e o
de uma sociedade alternativa, na qual objetivo passa a ser conquistar espaços
ocorra a emancipação humana, a dentro da sociedade existente. A
libertação total, em que se torna libertação parcial da dependência
possível a “liberdade para”. A libertação financeira, por exemplo, é substituída
total é manifestação plena da “liberdade pela nova opressão que é a da inserção
para”, na qual a autodeterminação do no mercado de trabalho alienado. Sai da
indivíduo associado com outros prisão da casa para a prisão da empresa.
indivíduos lhe permite o pleno As duas são prisões e seria necessário
desenvolvimento de suas romper com todas as prisões, e, nesse
potencialidades (Fromm, 1978; Fromm, processo, criar uma sociedade sem
prisões.
1983; Marx, 1983).
Voltando à questão feminina, a Obviamente que uma prisão pode ser
liberdade parcial é pré-condição para a mais confortável do que outra (a cela
especial é “melhor” do que a cela
libertação total. Assim, conquistas e
lutas imediatas, processos de ampliação
da liberdade parcial, são momentos 1 A opressão é uma relação social entre
necessários de uma luta, mas que só opressores e oprimidos, onde o opressor realiza
a repressão (e, por conseguinte, coerção) do
possuem um verdadeiro sentido se oprimido. A repressão é o impedimento de
acompanhados por um vínculo determinados comportamentos, ideias, etc., e a
indissolúvel com a emancipação coerção é o constrangimento à efetivação de
humana. A opressão da mulher ocorre determinados comportamentos, ideias, etc. A
sob variadas formas e, na sociedade opressão ocorre na sociedade de classes ligada
indissoluvelmente ao processo social de
moderna, ocorre sob o signo da reprodução social e ocorre de forma hierárquica,
mercantilização e alienação (Viana, sendo que quanto mais baixo o “estrato”, maior
2006a). o grau de opressão e que em relações internas se
reproduz formas de opressão (Viana, 2006b).

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comum e esta é “melhor” do que a (Weil, 2001).
solitária), porém, não deixa de ser A suposta “dominação masculina”é
prisão e nem produz, necessariamente, a mais uma produção de um inimigo
libertação feminina, mas tão-somente imaginário do que uma identificação
mais conforto para algumas mulheres. real do que consiste a opressão feminina
Para que essa liberdade parcial fosse e quais suas condições. Por detrás desta
significativa além do interesse ideia há o maniqueísmo e a
individual e grupal (o microrreformismo incompreensão do conjunto das relações
sempre está ligado ao processo de sociais. Geralmente falta a percepção do
vantagens competitivas dentro da papel da mulher neste processo, pois
sociedade capitalista e isso vale para os são “metade-vítima”, “metade-
mais variados grupos sociais) seria cúmplice” (Beauvoir, 1980), e é uma
necessário o vínculo com a luta pela concepção demasiada idílica da mulher
libertação humana. não observar as suas ações concretas e
Aqui entramos num ponto fundamental: reprodução das bases de sua própria
é possível emancipação feminina sem opressão (e da opressão masculina) ou
emancipação humana? Ou seja, é conseguir benefícios individuais ou
possível a libertação feminina sem uma grupais neste contexto (o que ocorre
libertação geral da humanidade? Em com frequência maior nos casos das
nível geral, a emancipação humana mulheres das classes privilegiadas). Da
pressupõe a realização da utopia, ou mesma forma, não perceber que as
seja, a transformação social radical que mulheres estão divididas em classes
engendra o que Marx denominou “livre sociais distintas, entre outras divisões
associação dos produtores” ou sociais, que promovem várias
“autogoverno dos produtores”, hoje o diferenças, inclusive de interesses,
que chamamos autogestão social. Isto convivendo com interesses comuns
pressupõe a abolição do capitalismo, ou derivados da condição feminina. A
seja, da sociedade moderna em sua diferença de classe promove diferença
totalidade. A libertação de grupos em grau de opressão (Peixoto, 2006;
sociais isolados sem uma alteração do Pinheiro, 2006). Poucos percebem, por
conjunto das relações sociais significa exemplo, que “a mulher no poder
tão-somente melhorias limitadas no governamental apenas reforças as
interior de relações limitadas. É preciso práticas excludentes estabelecidas pela
uma concepção de totalidade para poder classe dominante do sistema político”
perceber que a libertação feminina (Marques, 2006, p. 91). Assim, neste
passa pela libertação masculina e que contexto maniqueísta é que toda crítica
ambas dependem de diversas outras a qualquer mulher, por ser integrada e
formas de libertação. A opressão reprodutora destas relações, aparece
feminina está ligada ao processo da com o epíteto de “machismo”, com
propriedade privada e tudo que deriva sentido totalmente pejorativo e contrário
daí, e, na sociedade moderna, ao ao “feminismo”, como sentido
processo de mercantilização geral que totalmente positivo. Toda crítica a uma
ocorre no conjunto das relações sociais mulher particular ou à mulher integrada
e outros aspectos da sociabilidade no processo social de reprodução da
capitalista (Viana, 2009b). A opressão opressão (própria e alheia) é vista como
feminina, assim como todas as formas “machismo”, o que é apenas uma nova
de opressão, só pode ser abolida com o manifestação do maniqueísmo: o
processo geral de emancipação humana homem é apenas opressor, o mal, a

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mulher é apenas a oprimida, o bem, e social dos papéis atribuídos ao
por isso o primeiro é em tudo criticável homem e à mulher na vida da
e a segunda está acima da crítica. Isso coletividade” (Schelsky, p. 11-12).
produz um imaginário conveniente nas Schelsky retoma a contribuição de
relações sociais concretas e nas disputas Mead (1988), apesar de algumas
nem sempre nobres nas relações de ressalvas, para mostrar a variação dos
trabalho e familiares. comportamentos dos dois sexos em
O homem também é oprimido devido à diversas sociedades diferentes. Isso
configuração das relações sociais no serve para demonstrar que a
capitalismo. Para entender isso é regularização do comportamento social
necessário entre a regularização do dos dois sexos é marcado por uma
comportamento social dos dois sexos. imposição social e que delimita
Isto foi expresso, de determinada forma, atividades, gestos, falas, etc., para
na ideia de “papel social”: ambos os sexos e não apenas para um
deles. Esse processo de imposição é
“A vida social e cultura de toda manifestação de uma violência. Porém,
sociedade tem suas formas
a violência é sempre uma relação social
baseadas em grande parte na
diferenciação dos dois sexos, na e se alguém impõe, então quem realiza a
disparidade de papéis atribuídos ao imposição? Aqui há duas soluções
homem e à mulher. Em geral, possíveis: a primeira é a concepção
atribui-se essa distinção a uma fetichista de sociedade: “o papel fixado
diferença natural, biológica, que ao homem e à mulher pela sociedade”;
teria determinado o papel fixado “A sociedade sancionou”, tal como se
pela sociedade ao homem e à vê na citação de Schelsky. Porém, ele
mulher. Parece, contudo, que é irá superar parcialmente esta concepção
exatamente o contrário: no decorrer de sua exposição, a qual
precisamente pelo fato de quase voltaremos adiante. Outra possibilidade
todas as coletividades haverem
é colocar que tal imposição é realizada
baseado suas constantes de
comportamento e suas instituições pelos homens em relação às mulheres, a
na diferença biológica que existe suposta “dominação masculina”
entre o homem e a mulher, a (Bourdieu, 2003).
sociedade sancionou a referida A primeira posição, embora exista e
diferença além dos limites
consista em tomar a sociedade como
biológicos, através de todos os
meios de que dispõe, interdições e
uma “segunda natureza”, realizando um
tabus rigorosos, a fim de situá-la processo de naturalização das relações
fora do domínio das variações de sociais (Bauman, 1977) não é suficiente
comportamento. A crença numa para explicar o fenômeno da
'diferença natural' dos sexos e do regularização do ethos2 de cada sexo.
comportamento diferenciado do Schelsky, ao dar continuidade em sua
homem e da mulher é, também ela, exposição, amplia a possibilidade de um
do ponto de vista social e cultural, melhor entendimento desse processo:
um modo especificamente moderno
de fixar as bases de uma civilização
2 Preferimos utilizar o termo “ethos” ao invés
e de uma coletividade. As de “papel”, devido aos vínculos ideológicos
diferenças biológicas reais que deste último. Entenda-se por ethos um “modo
existem entre os dois sexos de ser”, tal como de certa forma Max Weber
constituem um pretexto, bem mais (1987) utilizará o termo, cuja origem se
que uma razão, para a diferenciação encontra em Aristóteles e de forma um pouco
diferente em Bourdieu (1983).

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“A influência da classe dirigente de inclusive essas classes, a se adequarem
uma sociedade também se exerce a um processo de regularização.
muito frequentemente de modo
decisivo, no sentido de que a Neste sentido, a ideia de que é o homem
delimitação dos papéis atribuídos que exerce uma dominação masculina
ao homem e à mulher em seu meio não se sustenta. Inclusive é algo que
próprio acaba por impor-se ao ofusca uma forma de opressão pouco
conjunto dessa sociedade como refletida na sociedade moderna: a
sendo 'natural' para o homem ou opressão masculina. A opressão
para a mulher. É certo, porém, que feminina é bastante conhecida, porém, a
a característica do que é 'masculino' masculina é ocultada, em parte devido
ou 'feminino' para a opinião da
ao próprio ethos sexual masculino, que
civilização ocidental, inclusive as
diversas metafísicas referentes à
passa a imagem de “forte”, “racional” (a
sexualidade, sempre foi oposição ideológica entre mulher, mais
inicialmente imposta pela classe sentimental, e homem, mais racional), e,
dirigente de acordo com sua em parte, ao seu processo de opressão
evolução histórica em determinado ser bem menos evidente e bem mais
momento. Assim, existe em toda confortável do que a opressão feminina.
civilização uma classe social que dá
o tom quanto ao comportamento O ser humano, independentemente do
sexual aceito pelo conjunto da sexo, tem um conjunto de
coletividade” (Schelsky, 1968, p. potencialidades. O desenvolvimento
21). destas potencialidades é uma
necessidade para todos os seres
Aqui o que se vê é o papel proeminente
humanos (Fromm, 1978; 1983; Marx,
da classe dominante sobre a
1983). A regularização do ethos sexual é
regularização dos ethos sexuais. Porém,
uma forma de opressão ao realizar um
essa é apenas uma das determinações,
processo de repressão e coerção (Viana,
pois junto com semelhanças subsistem
2006b), reprimindo ideias,
diferenças e além da classe dominante,
comportamentos, gestos, sentimentos,
há a regularização estatal que pode
etc., bem como coagindo a outros.
reforçar ou metamorfosear esta
Assim, a dependência da mulher é um
influência da classe dominante e há o
processo de constituição do ethos
modo de produção e suas necessidades,
feminino, que, no entanto, é
que gera uma forma específica de
complementado pela independência
determinação da regularização das
masculina e o processo de repressão no
relações sociais entre os sextos e os
primeiro caso é complementado pelo
ethos sexuais correspondente a cada um.
processo de coerção no segundo (a
Na sociedade capitalista atual, essas
mulher sendo dependente do marido,
determinações atuam de acordo com a
este é “responsável” por ela, e assim um
dinâmica própria do processo de
é reprimido e outro é coagido e um
produção e reprodução capitalista, que
sofre por não possuir autonomia e o
vai gerar não só ethos sexuais
outro sofre por obrigações diversas que
determinados como também formas de
é constrangido a cumprir)3. Assim, o
resistência e de diferenciação no seu
interior, o que significa que além dos
ethos sexuais das mulheres e homens 3 Num plano concreto, a esposa que está presa
das classes privilegiadas, há um em seu lar sofre uma opressão e o marido sofre
a opressão do trabalho alienado. Sem dúvida, no
processo mais profundo de necessidades
mundo axiológico (valores dominantes), o
de reprodução do capitalismo que força, trabalho alienado é “dignificado”, e o não-

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ethos masculino é marcado manifestação de sentimentos/repressão
predominantemente pela coerção e o de sentimentos; inibição/iniciativa;
feminino pela repressão, embora isso emoção/razão, etc., embora sejam
mude historicamente, o que generalizações muitas vezes abusivas,
efetivamente ocorreu, principalmente no subsiste alguns elementos de verdade
caso do ethos feminino, que sofreu uma em algumas destas distinções
diminuição no processo de repressão, estabelecidas devido ao processo de
mas não no caso do ethos masculino, socialização e não devido ao caso de ser
que sofreu mudança muito menos algo natural. Porém, a expectativa em
intensa. relação ao sexo masculino é
interpretado tão-somente como sendo
A socialização feminina é bastante
privilégio e nunca como cobrança e
estudada e mostra-se a imposição de um
exigências que podem, dependendo de
ethos sexual (Belotti, 1985) e,
curiosamente, a socialização masculina um conjunto de outras determinações,
promover sérios problemas psíquicos,
e a formação de outro ethos sexual
imposto não é geralmente discutido. ansiedade, fracasso acompanhado de
alcoolismo4 e outras formas de fuga da
Assim, a socialização feminina tende a
realidade.
inibir a iniciativa, o que é uma forma de
repressão, acompanhada com Neste sentido, a emancipação feminina
determinadas formas de coagir a só pode verdadeiramente ocorrer com a
determinados sentimentos, valores, ocorrência da emancipação masculina e
gostos, habilidades. O mesmo ocorre ambas só podem se realizar com o
com a socialização masculina. O que processo global de libertação humana.
diferencia é que, além dos pontos Nesse sentido, Marcuse oferece uma
comuns, a formação do ethos feminino contribuição interessante recordada por
desencadeia um conjunto de Mattos:
disposições, investimentos e catexia que “A emancipação da mulher não
difere do masculino e é marcado por um deve ser concebida apenas no
quantum de repressão maior. É possível sentido da igualdade de direitos,
colocar em forma de par a diferenciação mas, antes de mais nada, como a
do ethos feminino e masculino: afirmação de novos valores, novas
feminilidade/masculinidade; exigências, nova satisfações, que o
beleza/inteligência (ou força); homem, nas atuais condições de
produção, não pode ter. Essas
exigências, essas 'qualidades
trabalho condenado, e isto possibilita a femininas' são as que se opõem
proeminência financeira do homem, nestes sempre mais ao sistema de
casos, o que lhe aumenta a pressão das produção existente (…). A mulher
responsabilidades e a possibilidade do foi inserida cada vez mais no
autoritarismo (o que depende também da mundo da produção (…), sua
cultura, e a mutação cultural recente promove situação piorou. As mulheres
uma diminuição neste aspecto). Obviamente que tiveram que sacrificar parte de suas
aqui se trata de um casal das classes
faculdades ditas femininas para
desprivilegiadas, pois nas classes privilegiadas
pode existir a figura dos trabalhadores impor a igualdade de direitos”
domésticos e, no caso das classes (Marcuse, apud Mattos, 1989, p.
desprivilegiadas, o mesmo marido acima pode
ser um motorista de uma família privilegiada, 4 O maior índice de alcoolismo em caso de
por exemplo, entre outras implicações. Isso homens não é gratuito, este e outros aspectos do
demonstra que as relações são muito mais ethos masculino produzem esta maior
complexas do que aparentam à primeira vista. disposição.

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134). Referências

A conclusão a que se pode chegar é a de BAUMAN, Zigmut. Por Uma Sociologia


Crítica. Um Ensaio Sobre Senso Comum e
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NILDO VIANA é Professor da UFG – Universidade Federal de Goiás; Doutor em
Sociologia pela UnB – Universidade de Brasília.

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