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http://jn.sapo.pt/2008/05/14/nacional/cavaco_quer_ultima_palavra_poderes_p.html
Cavaco quer ter última palavra
nos poderes da PJ
ANDRé KOSTERS / LUSA

Cavaco acaba por atrasar ainda mais reorganização da


Judiciária

David Dinis

É uma forma de actuação do Governo que merece a


segunda reprovação de Cavaco Silva em apenas três
meses depois da lei dos vínculos e carreiras da
Administração Pública, o presidente da República
mandou para fiscalização do Tribunal Constitucional a
nova lei orgânica da PJ, alegando de novo que a
legislação remete para uma simples portaria matérias
que considera decisivas.

Desta vez, trata-se das "competências específicas" de


cada unidade da Judiciária, que o presidente
considera poderem "afectar direitos, liberdades e
garantias dos cidadãos". O problema é que, se for
aprovada assim, a lei permite ao Governo plenos
poderes - através de uma simples portaria - para
definir estas competências, sem possibilidade de
controlo político (como o veto de Belém) ou
constitucional (envio para o TC).

"Quando uma lei é regulamentada por portaria, ela


não está sujeita à fiscalização nem do Parlamento
nem do presidente da República", confirmou ontem o
chefe de Estado, sublinhando que "o que aqui está em
causa é cumprir a Constituição". Cavaco acrescentou
ainda que enviou "uma explicação detalhada" ao TC a
justificar o envio do diploma "São muitas, muitas
páginas", concluiu.

A remetência para portarias posteriores parece quase


uma regra na lei que agora é enviada para
fiscalização. O JN contou sete referências iguais, em
matérias tão díspares como a identificação dos
agentes, o direito ao uso e porte de arma, a área
geográfica de intervenção das unidades da PJ,
lugares de chefia intermédia ou arrecadação de
receitas. Um rol de matérias que já tinha levantado
dúvidas na AR, nomeadamente do CDS - que ontem
louvou a "desconfiança" do PR face aos plenos
poderes que o Governo podia obter. Já o PCP,
elogiando a decisão, foi ainda mais longe, pedindo
igual actuação a Cavaco Silva em duas outras leis de
segurança interna e da organização e investigação
criminal.

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O envio da legislação para TC tem outra


consequência directa atrasará ainda mais a
reorganização da PJ. O novo director da força policial,
Almeida Rodrigues, já definiu a sua equipa (que inclui
três procuradores do Ministério Público e um juiz),
mas terá pela frente a dificuldade de não poder
adaptar a 'casa' às novas regras sem que estas
estejam prontas e definidas. Situação que levou o
PCP a alertar que o processo pode "demorar um ano".

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