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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS – Campus Serro


TRABALHO DE DIREITO PENAL IV
5º PERÍODO/DIREITO
Professora: Denise Maldonado Gama
Aluna: Renata Maria Gonçalves Lopes

Rubrica: Frustração de direito assegurado por lei

Artigo 203. Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela


legislação do trabalho.
Pena – detenção de 1(um) ano a 2 (dois) anos, e multa, além da pena correspondente
à violência.
§1º Na mesma pena incorre quem:
I – obriga ou coage alguém a usar mercadoria de determinado estabelecimento, para
impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
II – impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação
ou por meio de retenção de seus documentos pessoais ou contratuais.
§2º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) se a vítima é menor de 18
(dezoito) anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental.

O delito acima citado pode ser classificado, quanto ao sujeito ativo, como um crime
comum, pois o ofensor do bem jurídico tutelado (direito protegido pela legislação trabalhista)
não precisa possuir nenhuma característica especial para a configuração do delito. Sendo
assim, propõe Luís Régis Prado que, o sujeito ativo do delito será aquele que impede,
mediante emprego de fraude ou violência, o cumprimento de direito assegurado pela lei
trabalhista; ressaltando, ainda que, até mesmo o empregado, conluiando com o patrão ou não,
poderá ser agente do presente crime – ou seja, qualquer pessoa.
Pode-se dizer que, o elemento subjetivo do tipo é o dolo, ou seja, a vontade livre e
consciente de frustrar direito assegurado por legislação trabalhista, de obrigar ou coagir
alguém a usar de mercadoria de determinado estabelecimento e de reter os documentos
trabalhistas da vítima.1 Luís Regis Prado ainda destaca que: “No parágrafo1º, inciso I, exige-
se ainda o elemento subjetivo do injusto representado pelo escopo de impossibilitar o
desligamento do serviço em virtude de dívida.” (grifo nosso).
O crime se consuma quando ocorre a efetiva frustração dos direitos assegurados pela
legislação trabalhista; com o uso de mercadorias de determinado estabelecimento pela vítima
ou com a efetiva retenção dos documentos. Sendo assim, conclui-se que se trata de crime
instantâneo, já que a conduta não se prolonga no tempo. Em relação à tentativa pode-se dizer
que a mesma é admissível.
O delito é ainda material, pois sua consumação só será efetivada caso ocorra um
resultado naturalístico.
DANO OU PERIGO???

Rubrica: Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho

Art. 204. Frustrar, mediante fraude ou violência, obrigação legal relativa à


nacionalização do trabalho:
Pena – detenção, de 1(um) ano, e multa, além da pena correspondente à violência.

Tendo-se por base que, o bem jurídico tutelado pelo delito é o interesse na
nacionalização do trabalho, buscando garantir então, ao trabalhador brasileiro melhores
1
PRADO, Luís Régis. Curso de Direito Penal Brasileiro. V.3. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2003,
p.124.
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condições competitivas em relação aos estrangeiros, conclui-se que, quanto ao sujeito ativo,
o delito pode ser classificado como um crime comum, pois o ofensor do delito é geralmente
o empregador, mas nada impede que terceiros ou o próprio empregado seja sujeito ativo desse
delito.
A doutrina, na pessoa do ilustre Luís Régis Prado, entende que o tipo subjetivo do
delito é o dolo, configurado pela vontade livre e consciente de frustrar a obrigação legal
relativa à nacionalização do trabalho, por meio de violência ou fraude. Deve ser ressaltado
que não há presença de elemento especial do tipo de injusto.
O delito é instantâneo, visto que a prática do mesmo não se prolonga no tempo, se
consumando então imediatamente. Quanto ao resultado, trata-se de crime material, pois a
consumação se efetiva apenas com a frustração da obrigação legal relativa à nacionalização
do trabalho, exigindo-se então, um resultado naturalístico. Por se tratar de crime material,
logicamente, a tentativa é possível.
DANO OU PERIGO???

Art. 205
Art. 206
Art. 207

Rubrica: Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária

Art. 209 Impedir ou perturbar o enterro ou cerimônia funerária:


Pena – detenção, de 1(um) mês a 1(um) ano ou multa.

Sendo o objeto jurídico o sentimento de relevância dos vivos para com os mortos, ou
seja, o sentimento de respeito para com estes últimos, pode-se dizer que quanto ao sujeito
ativo o delito é comum, visto que, qualquer pessoa pode desrespeitar a prescrição do art. 209,
não necessitando então, de possuir qualquer característica especial.