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CNJ anula concurso público para cartórios do Rio de Janeiro

Quarta, 07 de Abril de 2010

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu anular o 41º Concurso Público para Admissão
nas Atividades Notariais e/ou Registrais da Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Rio de
Janeiro. A decisão foi tomada na sessão plenária desta terça-feira (06/04), durante a análise do
procedimento de controle administrativo (PCA 0000110-14.2009.2.00.0000), solicitado por
diversos candidatos inscritos no concurso público. Os conselheiros consideraram haver
favorecimento de candidatos aprovados no certame, que teriam ligações íntimas com o
presidente da comissão do concurso, desembargador Luiz Zveiter. O plenário decidiu
encaminhar a decisão à Corregedoria Nacional de Justiça para que esta conceda prazo ao
Tribunal de Justiça do Rio do Janeiro (TJRJ) para realização de novo concurso e declaração de
vacância dos cargos já ocupados.

O edital do concurso foi publicado em setembro de 2008 e a prova discursiva foi realizada em
29 de novembro de 2008. Os candidatos que ingressaram com o pedido no CNJ alegaram que
o desembargador Luiz Zveiter, presidente do TJRJ, era namorado da candidata Flávia Mansur
Fernandes, aprovada em 2º lugar no concurso. Também afirmaram que a candidata Heloísa
Estefan Prestes teria sido beneficiada na correção de sua prova. Os candidatos alegaram que
a candidata Heloísa Prestes não possui domínio da língua portuguesa nem do vocabulário
jurídico, não fazendo jus a sua nota no concurso. Informaram também que o desembargador
Luiz Zveiter, quando era Corregedor-Geral de Justiça, teria indicado Flávia Mansur e Heloísa
Estefan Prestes para responderem pelo 2º Ofício de Notas de Niterói, em detrimento do
substituto.

O Desembargador Luiz Zveiter alegou que a designação de Heloísa Prestes para responder
pelo 2º Ofício da Comarca de Niterói, em detrimento do substituto, ocorreu em razão de
irregularidades no cartório e era justificada pelos relevantes serviços por ela prestados nos
Registros Civis das Pessoas Naturais das 3ª e 4ª Zonas do 1º Distrito de Niterói. Informou que
Heloisa Prestes ficou responsável pelo 2º Ofício de Niterói até a finalização do 41º concurso. O
presidente do TJRJ comunicou ainda que Flávia Mansur foi sua namorada, “tendo o
relacionamento terminado no início do ano de 2007”. Em relação à sua designação para
substituta do 2º Ofício de Niterói, justificou que a indicação foi do delegatário responsável.

Ao analisar o pedido, o relator do PCA, conselheiro José Adonis Callou de Araújo Sá afirmou
ser “incompatível com os princípios da moralidade e da impessoalidade a participação do
Corregedor-Geral de Justiça como presidente da comissão examinadora de concurso do qual
participe como candidata a sua namorada ou ex-namorada”. No seu voto, o relator pontuou a
“existência de muitas evidências de parcialidade da comissão examinadora”. Segundo ele,
essas evidências foram necessárias para a convicção de que houve favorecimento a
candidatas na correção das questões da prova discursiva. “Uma das candidatas favorecidas é

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namorada ou ex-namorada do Corregedor-Geral e presidente da comissão do concurso. A


outra é amiga do Corregedor-Geral e foi beneficiária de diversas indicações anteriores para
responder por rentáveis serventias extrajudiciais e para integrar comissões instituídas pela
Corregedoria”, afirmou.

No seu voto, o conselheiro José Adonis enumerou diversos erros gramaticais cometidos pela
candidata Heloisa Prestes e comparou as respostas e pontuação da candidata Flávia Mansur
com a de outros concorrentes. “A convicção a que cheguei, fundada em muitas evidências de
quebra da isonomia, com o favorecimento às candidatas mencionadas, não me permite propor
outra solução para o caso senão a anulação de todo o concurso”, afirmou o conselheiro.

EN/MM

Agência CNJ de Notícias

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