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A dialética no diálogo Fédon de Platão.

Diane Fátima Bonet.

RESUMO: Neste artigo busco analisar a dialética no Fédon de Platão. Essa analise tem por objetivo conhecer esse processo de aprendizado que surge nas entre linhas do diálogo. A dialética surge como hipótese para justificar a imortalidade da alma. Mas mesmo assim, se utiliza das perguntas e respostas para chegar a uma possível verdade. Além disso, é através da argumentação que se busca provar a imortalidade da alma, pois, não se pode provar fisicamente partindo dos objetos físicos.

Palavras- Chave: Dialética. Alma. Platão. Fédon.

1.

INTRODUÇÃO

Em sentido amplo a dialética é definida como sendo um método que se utiliza das

perguntas e respostas para buscar a verdade. Cada filósofo constrói uma dialética com

características diferentes. A dialética surgiu na antiguidade e os filósofos que marcaram essa

época são: Aristóteles, Zenão, Heráclito, Sócrates e Platão.

Mas, os filósofos que serão evidenciados nesse artigo são Sócrates e Platão. Sócrates é

um filosofo muito importante, pois influencio os pensamentos de Platão. Em muitos diálogos

de Platão, Sócrates participou como personagem.

A dialética de Sócrates inicia com o processo de perguntas e resposta, com o objetivo

de chegar a aporia. Dizendo de outra forma, a dialética socrática busca refutar, ou seja,

(elenchos) as teses dos adversários. Ele parte da tese, antítese, chegando a aporia. A intensão

de Sócrates é mostrar para a o seu adversário que ele não sabe nada, através de sua própria

contradição. Além disso, a refutação resultara em um acordo entre as partes que estão

debatendo a tese.

Sócrates e Platão não concordavam com o ensino erístico. Esse ensino buscava

partindo da argumentação, ou seja, do diálogo vencer a qualquer preço uma disputa politica.

Para Platão, o processo da dialética requer muito esforço e dedicação, como afirma Carlos

Acadêmica de Filosofia da Universidade Federal da fronteira Sul (UFFS) disciplina dialética.

Lima em seu livro “que a Dialética não se faz por um passe de mágica, num instante, com um piscar de olhos, e sim num longo, sério, trabalhoso, muitas vezes doloroso processo de superação das contradições existentes entre tese e antítese”. (LIMA. P 32) Segundo Platão essa arte de dialogar não poderia ser ensinada para os jovens, pois eles

poderiam usar para fins errados e desnecessários. Era necessário já ter certa idade para utilizar

o método dialético. A dialética em Platão é entendida como aquela que busca o conhecimento, ou seja, busca a epistemologia. Mesmo que Platão caracterizou varias dialéticas epistemológicas em diálogos, o seu proposito era o mesmo de justificar as teses. Mas o meu proposito é analisar a dialética no Fédon de Platão, para conhecer mais a dialética epistemológica nesse discurso.

2. A dialética no Fédon

No diálogo Fédon a dialética surge somente como um processo de perguntas e resposta. Platão nesse diálogo lança a hipótese da imortalidade da alma, buscando chegar à verdade. Em outras palavras, busca o princípio. A dialética que é o caminho para buscar o conhecimento, nesse momento surge como

a mediação entre aquilo que vai ajudar a relembrar, ou seja, ela através das perguntas e

respostas vai buscar o conhecimento que esta escondida na alma do ser humano. Partindo da ideia de que existe uma dependência de um conhecimento para provar o outro, tentarei analisar essa teoria: a teoria dos contrários, que busca explicar o principio e provar a imortalidade da alma. Assim obtemos este princípio geral de toda geração, segundo

o qual é das coisas contrárias que nascem as coisas que lhes são contrárias.” (PLATÃO p.79). O filosofo Platão busca com esta hipótese provar que a alma ela não morre ela reencarna em outra pessoa. Segundo Platão essa teoria busca provar partindo da ideia de que se existe morte e porque há vida, e para existir vida precisa ter em algum lugar almas que reencarnem novamente. Pois, quando alguém morre leva com sigo sua alma, ela vai reencarnar em outra pessoa possibilitando o próximo nascimento. Fica evidente que Platão usa a teoria dos contrários e buscar uma tentativa de provar a existência da alma para poder depois justificar o seu aprendizado. Nesse caso, quando Platão lança a hipótese de que a alma precisa necessária mente existir em outro lugar, já existia certa pretensão de justificar a rememoração.

mente existir em outro lugar, já existia certa pretensão de justificar a rememoração. [Digite texto] Página
mente existir em outro lugar, já existia certa pretensão de justificar a rememoração. [Digite texto] Página

Podemos pensar também que Platão desvaloriza o corpo, pois não consegue provar a existência da alma pelo sensível, ou seja, não consegue provar a imortalidade da alma pelo mundo dos objetos físicos. Platão sendo um filósofo que afirmava que o real esta nas Ideias e não nos objetos físico. Acredita que a alma é também uma ideia. Para ele, a alma tem um papel muito importante, e não é somente isso, segundo Jayme Paviani (2001 p.149) “afirma que a alma possui afinidade coma as ideias.” Ou seja, ela faz a mediação entre o mundo dos objetos e o mundo das ideias. Nessa hipótese existe uma dialética ontológica, pois Platão busca explicar a realidade através do racional. Platão usa da logica de um contrario, existe outro contrario, para explicar a existência de algo que não existe fisicamente, mas sim, existe como ideia, ou seja, a alma. No discurso Platão fala sobre rememoração, e o processo de aprendizado dos seres humanos. Segundo o filósofo, nos não aprendemos, mas sim, relembramos aquilo que esta na nossa alma. Aquilo que conhecemos é fruto daquilo que a nossa alma viveu em outra época. Nesse processo de rememorar fica evidente o método dialético, pois quando alguém que sabe interroga o outro, faz com que relembre aquilo que já esta em sí, contido na sua alma. Pesando desta forma, a dialética pode ser considerada um método pedagógico. Como afirma Platão “A prender, diz ele, não é outra coisa se não recordar.” (PLATÃO p. 82). Para Lima, Quando nasce o homem, a alma dele, que já existe desde sempre na Estrela, no Mundo das Ideias, é jogada no cárcere do corpo. Esse violento deslocamento faz que a alma se esqueça de tudo ou de quase tudo que ela havia visto na Estrela.(LIMA. P.39). Deste modo, o homem quando vai crescendo e percebendo as coisas que existe no mundo vai lembrando-se da Ideia que viu no mundo ideal, quando sua alma estava lá. A ideia que estou falando aqui é a ideia geral dos objetos. Sendo um diálogo, podemos interpretar de muitas maneiras aquilo que Platão buscou através de hipótese justificar.

3. Considerações finais:

Nesse diálogo é evidente que Platão lança hipóteses para provar que alma existe e que o conhecimento já esta na nossa alma, e somente precisa que alguém através das perguntas force a nossa memoria a lembrar daquilo que já conhecemos em outra vida. Pensando desta forma a dialética como método é o caminho para lembrar o conhecimento. Ou seja, ela é um método pedagógico de ajudar o ser humano a lembrar

lembrar o conhecimento. Ou seja, ela é um método pedagógico de ajudar o ser humano a
lembrar o conhecimento. Ou seja, ela é um método pedagógico de ajudar o ser humano a

daquilo que esta escondido em nossa mente. Desta forma o conhecimento não é aprendido,

mas sim, relembrado.

4.

Referências:

RACHID, J. R. A invenção platônica da dialética . 2008. Tese ( Doutorado em letras )

Universidade de São Paulo, faculdade de Filosofia, letras e ciências humanas, São Paulo,

2008.

Disponível

em:

<

>

Acessado em: 16 de outubro de 2015.

 

LIMA,

Carlos.

Cirne.

Dialética

para

Principiantes.

Disponível:

<

Lima_Dialetica_para_Principiantes.pdf > Acessado em: 18 de outubro de 2015.

PAVIANI , Jayme. Filosofia e Método em Platão. Porto Alegre: Edipurc, 2001.

PAVIANI , Jayme. As origens da ética em Platão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

GABOARDi,

Ediovani

Antônio.

A

dialética

antiga:

entre

epistemologia

e

ontologia.

Disponível

em:

<

Acessado em: 15 de outubro de 2015.

>. Acessado em: 15 de outubro de 2015. [Digite texto] Página 4
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