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MEDIDA CAUTELAR NO HABEAS CORPUS 132.177 MATO GROSSO

RELATOR

: MIN. EDSON FACHIN

PACTE.(S)

: MARCEL SOUZA DE CURSI

IMPTE.(S)

: HELDER ANTONIO SOUZA DE CURSI

COATOR(A/S)(ES)

Decisão:

: RELATOR

DO

HC

Nº

343.530

DO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

SUPERIOR

Trata-se de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática, proferida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que, no HC n°. 132177/MT, indeferiu o pedido liminar.

Narra o impetrante que: a) o paciente é acusado de, na qualidade de Secretário Estadual de Mato Grosso, supostamente praticar crimes de formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro; b) inexistem indícios suficientes de autoria, na medida em que a acusação deixa de imputar fatos efetivamente atribuíveis ao paciente. A denúncia, segundo afirma, limita-se a inferir, genericamente, que o paciente agiria como mentor intelectual das ações tidas como criminosas; c) o paciente conta com diversos desafetos em atividade na Promotoria responsável pelo oferecimento da peça acusatória, de modo que a persecução, ao invés de buscar justiça, almeja alcançar pura vingança; d) o órgão administrativo responsável pela apuração das supostas irregularidades seria composto por agentes nutridos por interesses políticos que direcionaram a apuração; e) esse contexto justificaria, sem exageros, uma intervenção federal no Estado do Mato Grosso; f) a custódia impede que o paciente exerça sua defesa em processo administrativo disciplinar; g) outros investigados, que inclusive teriam recebido depósitos em conta bancária, encontram-se em liberdade, de modo que se notaria violação à isonomia entre os acusados; h) há violação à duração razoável do processo (na data da impetração o paciente já estaria preso há mais de 90 dias); i) o paciente ostenta condições subjetivas favoráveis e a custódia prejudica terceiros dele dependentes.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 10199867.

 
 

HC 132177 MC / MT

É o relatório. Decido.

Cumpre assinalar, por relevante, que o deferimento da medida liminar, resultante do concreto exercício do poder geral de cautela outorgado aos juízes e tribunais, somente se justifica em face de situações que se ajustem aos seus específicos pressupostos: a existência de plausibilidade jurídica (fumus boni juris), de um lado; e a possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora), de outro. Sem que concorram esses dois requisitos, essenciais e cumulativos, não se legitima a concessão da medida liminar.

Num juízo de cognição sumária, próprio desta fase processual, não vislumbro ilegalidade flagrante na decisão atacada a justificar a concessão da liminar.

Outrossim, o deferimento de liminar em habeas corpus constitui medida excepcional por sua própria natureza, que somente se justifica quando a situação demonstrada nos autos representar manifesto constrangimento ilegal, o que, nesta sede de cognição, não se confirmou.

Imperioso enfatizar que a ação tida como criminosa teria se desencadeado em contexto fático embaralhado, com nuances inerentes às características da cúpula de governos e particularidades que desafiam uma análise mais detida. A ilegalidade que deriva da tese defensiva não emerge de modo cristalino, a indicar o enfrentamento colegiado.

Ademais, é recomendável que esta impetração seja examinada pelo Colegiado de forma associada ao HC 132143/MT, em que se debate a higidez da prisão preventiva decretada em prejuízo de corréu apontado como líder do suposto grupo criminoso.

Sendo assim, prima facie, não verifico ilegalidade evidente, razão pela qual, sem prejuízo de ulterior reapreciação da matéria no julgamento

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Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 10199867.

HC 132177 MC / MT

final do presente habeas corpus, indefiro a liminar.

Colham-se as informações do Juiz da causa.

Após, vista à PGR.

Publique-se. Intime-se.

Brasília, 19 de janeiro de 2016.

Ministro Edson Fachin Relator

Documento assinado digitalmente

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Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 10199867.