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congresso advogados lusófonos reúnem-se em lisboa

PR ÉMIO
» PRÉMIO
MARÇO DE 2010 • ANO VII • DIRECTOR ÁLVARO MENDONÇA
MARÇO 2010

Entrevista

Manuel Lemos
PRESIDENTE DA UNIÃO
DAS MISERICÓRDIAS PORTUGUESAS

inapa
ENERGIA
EDP
RENOVÁVEIS
a empresa dirigida por
Grupo liderado por
José Morgado no PSI 20
ana maria fernandes já está
presente em 10 países e estuda bcp
a entrada em novos mercados

Millennium bcp
dribla a crise
cocan taça africana das nações orange angola 2010

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SUMÁRIO CAPA
MARÇO A empresa liderada por Ana Maria Fernandes está a estudar a
entrada em novas geografias.

2010
3 SUMÁRIO 26 ONGOING 42 MOÇAMBIQUE 68 FÓRUM 86 HPP
A Heidrick &  Turismo de ADMINISTRADORES Saúde da Nova
4 EDITORIAL Struggles aposta Moçambique com EMPRESAS Geração
em Angola forte crescimento Orçamento de
6 OPINIÃO Estado em análise 88 CÁ DENTRO
António Cunha Vaz 30 APRENDER 50 CAN Montebelo
A EMPREENDER Taça Africana das 72 CONFERÊNCIAS Aguieira Lake
8 A ABRIR Uma associação Nações Orange Palácio da Bolsa Resort & SPA
para fomentar Angola 2010 recebe Gestores
12 EDP RENOVÁVEIS o espírito de Portugal em 92 NOVA IORQUE
Gigante Eólico empreendedor 54 OPINIÃO 2010 A Cidade que
conquista o mar Ângelo Ramalho Nunca Dorme
32 EUPPORTUNITY 76 GILEAD
16 MILLENNIUM BCP Consultora em 56 UNIÃO DAS Norbert 98 AUTOMÓVEIS
Apresentação dos assuntos europeus MISERICÓRDIAS Bischofberger em Para toda a família
resultados do 4.º Uma missão com entrevista
trimestre de 2009 34 URBANOS meio milhar de 104 TECNOLOGIAS
Eleita a Melhor anos 80 CENTROMARCA Produtos Cisco
20 INAPA Empresa para A força das marcas
Grupo papeleiro Trabalhar 64 ANMP 106 EXPOSIÇÃO
integra PSI 20 Fernando Ruas 84 FREEPORT Fundação
36 ECONOMIA reeleito Novo espaço Millennium bcp
22 VISTA ALEGRE Análise económica premium
Uma marca com 66 ADVOGADOS DE
185 anos de 40 OPINIÃO LÍNGUA PORTUGUESA
história Lourenço Bray I Congresso
Internacional em
Lisboa

FICHA DIRECTOR
Álvaro Mendonça
CONTRIBUINTE
506 567 516
TÉCNICA IMPRESSÃO CRC LISBOA
SIG- Sociedade Indústrial 13538-01
Gráfica, Lda REGISTO ICS
PROPRIEDADE 124 353
Just Leader, SA

Março 2010 » PRÉMIO » 3

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Editorial

Álvaro Mendonça

A VIA DO ATLÂNTICO

O
Banco de Espanha prevê para este ano uma Se neste contexto europeu e ibérico Portugal perde
contracção de 0,5% da economia espanhola, o protagonismo, talvez seja o momento de relançar a questão do
que exclui de vez a hipótese de criação de novos Atlantismo. Sendo o mais ocidental país da União Europeia e
empregos e de uma retoma da actividade no país. tendo relações históricas com países do Atlântico, talvez possa
Mais grave é o facto do défice das contas públicas recentrar o foco dos seus interesses para o Brasil, Angola, Cabo
poder atingir os 9% do PIB e da dívida subir aos 67% do PIB. Verde ou Moçambique. O Brasil é hoje reconhecido como
Num momento em que os mercados apostam na uma potência económica mundial. Angola é a segunda maior
“greciarização” da Península, antecipando uma eventual economia de África e uma das que mais cresce no mundo.
entrada de Espanha e Portugal em ruptura de pagamentos, Moçambique está entre os países com maior potencial no
as projecções do banco central espanhol agravam o já de si futuro. Cabo Verde é uma plataforma central e estável, e com
pessimista cenário de previsões do próprio governo espanhol. uma localização chave para servir de pivô nas ligações entre o
A importância da economia espanhola para o crescimento Atlântico Sul, África e a Europa.
do PIB português é enorme. A Espanha é o maior parceiro Portugal como o mais periférico dos países europeus, ou
comercial de Portugal e a maior fonte de receitas do turismo. como o mais atlântico? Falta apenas optar.
Uma parcela importante do sistema bancário português
está nas mãos de capitais espanhóis e a dívida dos bancos
portugueses com o exterior está, também ela, maioritariamente
colocada junto de bancos espanhóis.
Segundo o FMI, por cada ponto a menos no crescimento
do PIB espanhol, Portugal perde imediatamente 0,2 pontos.
Ou seja, 20% do impacto espanhol. Num país onde desde o
arranque do século o crescimento da Economia se discute pelas
décimas, a quebra de qualquer ponto percentual representa um
enorme desafio.
Se neste contexto europeu
A juntar à dependência espanhola, Portugal tem ainda
problemas estruturais que desgastam o seu crescimento: do
e ibérico Portugal perde
gigantismo do aparelho do Estado à baixa produtividade e à
fraca especialização da maioria das empresas privadas.
protagonismo, talvez seja o
O que acaba por resultar num acumular de défice e de
dívida públicos e num crescente endividamento perante o
momento de relançar a questão
exterior. do Atlantismo.

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AF EDP 220X275
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26/02/2010 PM
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Opinião

António Cunha Vaz,


CEO da Cunha Vaz & Associados

O PAÍS QUE SOMOS


E O PAÍS QUE VIVEMOS
S
ão dois os Países que se vivem em Portugal. o seu passado de Governantes e, por último mas com muito
O de glórias, assente num passado já distante, maior relevância, um País – ou será um país – em que há coisas
conquistado aos Espanhóis pela força de um e pessoas que se compram e vendem ao desbarato por uns
Filho, reconquistado aos mesmos por razões de minutos de glória.
traições diversas, glorificado por espalhar a Fé e o Escolha!! Mas escolha bem!! É que até agora tem escolhido
Império, quando disso era tempo e de tal feito advinham louros, sempre os mesmos. Sim, aqueles que intervaladamente nos
amaldiçoado por iguais razões quando os tempos mudaram, chegam aos ecrãs a explicar como tudo deve ser feito para ser
Grande como poucos e culturalmente imenso como Camões, bem feito, esquecendo-se de que já lá estiveram antes e nada ou
Pessoa, Torga, Eugénio de Andrade e, mais recentemente, pouco fizeram.
Agustina ou Lobo Antunes. O do presente, policial, com Do nosso lado, como estamos no mercado, não podemos
escutas - tristemente falsas -, violações de segredos de justiça escolher. Comemos e calamos. Mas assumimos!
e outras, luvas, “crianças” das “jotas” promovidas a cargos
públicos, ofensas ao bom nome de cidadãos na praça pública –
servindo não se sabe que fins (ou, se calhar, sabe), julgamentos
mediáticos, protagonismos policiais e do Ministério Público,
de Juízes e Procuradores, de Assessores e adjuntos, corrupções
e tráficos de influência, um país que se deixa enxovalhar por
outros, que permite que certas gentes se riam de si ao abrigo de
Um país que se deixa
uma qualquer lei de extradição e se quedem no Reino Unido
passeando-se de Bentley e concedendo entrevistas a televisões,
enxovalhar por outros, que
que permite que outros se “ausentem” do País e regressem
para uma condenação com pena suspensa, que deixa arguidos
permite que certas gentes se riam
sair do seu território e ir até ao Reino Unido onde concedem
entrevistas dizendo que só voltam se quiserem, o mesmo País
de si ao abrigo de uma qualquer
em que os meios de comunicação social, na ânsia de venderem
mais que o vizinho do lado, publicam o que quer que seja e
lei de extradição.
impunemente, enfim, um país em que indivíduos que não
passam recibos de dinheiros que lhes foram entregues para
campanhas eleitorais se arvoram em defensores da moral
pública, em que outros são os reconhecidos combatentes
anti-corrupção, passando e fazendo passar uma esponja sobre

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- 70 mil clientes
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» A abrir
BREVES
Médis premeia
investigação na área
da Saúde
A Médis vai lançar o “Pré-
mio Médis de Excelência em
Investigação na Saúde”, o qual
visa distinguir um trabalho de
investigação em ciências da
saúde, que contribua para o de-
senvolvimento social e humano
no domínio da saúde.
No valor de
25 mil euros
e de carácter
anual, o
prémio vai
distinguir a
melhor obra
intelectual,
Milho
escrita e iné-
dita, elabo- A CULTURA COM MAIOR
rada por um
investigador
ou por uma
EXPRESSÃO NO
equipa de
investiga-
REGADIO NACIONAL
dores, de

O
nacionalida- milho tem sido, ao longo dos últimos hectares, dos quais 135.000 hectares foram
de portugue- anos, a cultura arvense mais repre- para grão e 55.000 mil hectares para silagem.
sa ou que sentativa da agricultura de regadio Numa altura em que o Alqueva vai dispo-
residam e nacional. No último quinquénio, semearam- nibilizando áreas infra-estruturadas para rega,
exerçam a -se em média em Portugal cerca de 190.000 a caminho dos 110.000 hectares previstos
sua actividade em Portugal. As
candidaturas ao Prémio, que
abrangem todas as áreas de
investigação nas ciências da
Saúde, podem ser apresentadas
O NÚMERO 14 milhões hectares
até ao próximo dia 31 de Março Na UE-27 a parcela total do milho oscila entre 13 e 14 milhões de hectares em
de 2010, sendo avaliadas em função dos anos, em que 8 a 9 milhões de hectares são milho grão e 5 milhões
concurso por um júri presi-
de hectares milho forrageiro.
dido pelo Prof. Dr. João Lobo
Antunes, membro do Conselho Em 2009, a superfície total consagrada ao milho alcançou os 13.7 milhões de
Médico da Médis. hectares, em que 8.5 milhões de hectares de milho grão (62% do total), 5 mi-
Com este Prémio, a Médis lan-
lhões de hectares de milho forrageiro (36% do total), e respectivamente 144 000
ça aos investigadores o desafio
de contribuírem para o desen- hectares e 64 000 hectares para o milho semente e o milho doce.
volvimento do empreendedoris- Para 2010, as primeiras estimativas anunciam superfícies 2010 de milho com
mo nacional na área da saúde
um recuo de -2% (8.3 Mha) e superfícies de milho forrageiro estáveis (5.2 Mha),
e para o fomento do espírito de
iniciativa neste sector. o milho para semente regressa a um patamar de 97 a 103 000 ha pós uma
reconstituição de stocks.
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em projecto, o milho afigura- INDRA ESTABELECE
-se como a única cultura capaz
de, em extensão, vir a ocupar
PROTOCOLO
uma parte significativa dessa COM A AGEFE
Em Portugal, área. Também por esta razão,
o milho assume particular im- A Indra em Portugal, uma das principais
semearam-se portância no contexto da agri- multinacionais de TI da Europa, e a AGEFE
cultura nacional. (Associação Empresarial dos Sectores
em média cerca de Para além disto, as inúme- Eléctrico, Electrodoméstico, Fotográfico e

190.000 ha de milho ras utilizações


que actualmente
Electrónico) celebraram um
protocolo de colaboração
nos últimos 5 anos. podem ser dadas
ao milho, tais
que tem como objectivo
dinamizar a utilização da
como a silagem, factura electrónica no sector
ou no caso do de material eléctrico, elec-
grão, os alimentos compostos para animais, a trónico, electrodomésticos e fotografia em
alimentação humana (amidos, gritz, farinhas, Portugal.
etc...) ou, mais recentemente, a produção de A celebração deste protocolo para a dinami-
energias renováveis (bioetanol e biogás) e ma- zação da factura electrónica vem na conti-
teriais biodegradáveis (bioplásticos e fibras) nuidade da relação comercial existente entre
O MILHO NA UE EM 2009 fazem que esta cultura seja única na grande a Indra e a AGEFE desde 2001 e do conjunto
diversidade de aproveitamentos que lhe são de serviços que a Indra já presta a esta as-
dados. sociação e à sua comunidade associativa na
Em termos económicos, o sector repre- área do EDI – intercâmbio electrónico de do-
senta em Portugal, no caso de milho grão, cumentos e dados e catálogos electrónicos,
cerca de 110 milhões de euros e no caso da os quais facilitam e normalizam a comunica-
produção de leite (na qual a silagem de milho ção entre fabricantes e grossistas tornando
é a base da alimentação dos animais) perto de mais eficaz a sua cadeia de fornecimento.
750 milhões de euros (fonte FENALAC). Na opinião destes responsáveis, a adopção
Em relação à estrutura comercial desta da factura electrónica induz uma enorme
fileira, os Agrupamentos de Produtores asso- eficiência nas organizações, com um forte
ciados da Associação Nacional dos Produtores impacto não só entre os intervenientes que
de Milho e Sorgo (ANPROMIS) representam a implementam mas também a um nível
uma parte muito significativa do volume de macroeconómico, atendendo aos ganhos de
produção de milho em Portugal. produtividade que proporciona.

O GOVERNADOR do Banco não é fácil falar actualmente as famílias têm um saldo


de Portugal, Vítor Constân- sobre a economia em geral. positivo de 12 por cento.
cio, disse na conferência Adiantando ainda que “os Relativamente ao endivida-
sobre “O Estado e a Com- bancos são os grandes deve- mento, o governador Vítor
Constâncio é de opinião que
“Tenho uma petitividade da Economia”,
organizada pela Antena 1
dores ao exterior”, já que
têm uma dívida equivalente “temos que olhar para estas
perspectiva muito e pelo Negócios, que tem
uma perspectiva “muito
a 47,1% do PIB, determinan-
do em 105,3% do PIB o total
questões com frieza”, mas
não partilha de um certo
pessimista para pessimista” sobre a evolu- da dívida de Portugal ao pânico que existe em alguns
portugueses nesta matéria.
ção próxima da economia exterior. Também algumas
Portugal” portuguesa. Constâncio empresas não financeiras
frisou que os ajustamentos têm uma dívida com o exte-
Vítor Constâncio que temos que fazer são rior que representa 24,2%
Governador do Banco de Portugal de algum significado e que do PIB português, enquanto

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» A abrir
BREVES JOÃO PAULO GIRBAL NOMEADO
Barril Sagres 5 Lts
eleito Produto do Ano PRESIDENTE DA CENTROMARCA
O Barril Sagres 5 Lts. acaba de

A
ser foi distinguido como um Centromarca, Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de
dos produtos mais inovadores Marca, acaba de nomear João Paulo Girbal para as funções de presi-
do mercado pelos consumido- dente da direcção. João Paulo Girbal foi director-geral da Microsoft
res, na 6.ª edição do Grande Portugal durante cinco anos, empresa na qual trabalhou durante de-
Prémio de Marketing Inovação zasseis anos, entre Portugal, os Estados Unidos e a Europa Ocidental.
“Produto do Ano”, na categoria João Paulo Fundada em 1994, a Centromarca é uma associação empresarial
de Cervejas Especiais. Girbal, novo que define a sua missão como “criar para as marcas um ambiente de
Num total de 44 categorias presidente da concorrência leal e intensa que encoraje a inovação e que garanta um
foram escolhidos os produtos Centromarca máximo de valor para os consumidores”. Actualmente é constituída
mais inovadores em cada uma por 54 associados – empresas detentoras de cerca de 800 mar-
das categorias, que vão poder cas de produtos de grande consumo – que têm um volume
utilizar o logótipo “Produto do de vendas em Portugal da ordem dos 6000 milhões de
Ano” durante um ano. euros (aproximadamente 4% do PIB nacional) e que são
O Barril Sagres 5 Lts. possui responsáveis por investimentos em comunicação comer-
um sistema inovador, sendo cial da ordem dos 1000 milhões de euros.
fácil de transportar e prático de “Acredito que é através da inovação que as empresas
utilizar, dado que não necessita entregam valor aos consumidores e que a sociedade
de máquina. Para além disso, evolui. A Centromarca é um instrumento ao serviço
permite servir cerca de 25 dos consumidores portugueses, garantindo que existe
copos de cerveja Sagres à pres- variedade na escolha, qualidade e inovação nos produtos,
são, com a mesma qualidade e através da defesa das Marcas Originais, e com isso contri-
sabor de uma cerveja de pres- buindo para o desenvolvimento equilibrado da economia
são tradicional, sendo para isso nacional. É com esta convicção que abraço este projecto
apenas necessário refrigerar e procurarei assegurar que a estratégia iniciada pela direc-
durante cerca de 10 horas antes ção da Centromarca em anos anteriores ganhe a necessária
de servir. Esta embalagem ino- dimensão e sirva, cada vez mais e melhor os interesses dos
vadora é descartável e cumpre consumidores”, afirma João Paulo Girbal.
todos os requisitos ambientais
e de segurança.
MILLENNIUM BCP DOA ACERVO DOCUMENTAL AO ISCTE
O Millennium bcp doou um acervo documental à colonial português. Este acervo retrata um período
Biblioteca Central de Estudos Africanos do ISCTE muito rico da história de Portugal e de África, numa
(Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da viagem documental por países como Angola,
Empresa), composto por diversas colecções de Moçambique, Cabo Verde, Guiné e São Tomé e
obras nacionais e estrangeiras relativas ao período Príncipe.

VINHOS PINHAL DA TORRE EM ANGOLA E CABO VERDE


A Pinhal da Torre, produtora de vinhos da região do A Pinhal da Torre optou por uma estratégia de dis-
Tejo, iniciou a sua expansão para o continente africa- tribuição que conseguisse abarcar geograficamente
no, entrando em Janeiro deste ano nos mercados de várias cidades, abrangendo o canal Horeca (hotéis,
Angola e Cabo Verde. restaurantes e cafés) e também a distribuição moder-
Esta decisão na estratégia de internacionalização dos na em ambos os países.
vinhos da Pinhal da Torre está relacionada com as Desta forma, desde Janeiro de 2010, pode encontrar-
oportunidades de mercado existentes em Angola e -se nestes mercados desde o vinho do dia-a-dia
Cabo Verde, às quais se somam os laços de amizade - “Nova Safra” -, vinhos Premium - “2 Worlds” -,
entre os dois países africanos e Portugal e a elevada e também vinhos Prestige - “Quinta do Alqueve Touri-
presença de portugueses em ambos os países. ga Nacional + Syrah”.

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GRUPO INSPIRA
A.T. Kearney INAUGURA HOTEL
EM PORTUGAL
EUGENIO PRIETO ASSUME
LIDERANÇA EM PORTUGAL E ESPANHA
Eugenio Prieto, vice-presidente da A.T. Kearney
e membro do Comité Europeu da consultora,
assume agora a liderança da A.T. Kearney
Portugal e Espanha.
O actual vice-presidente e managing
partner da A.T. Kearney para os escritórios
da consultora na Península Ibérica, João O GRUPO INSPIRA, em conjunto com
Rodrigues Pena, deixa as suas funções em a Cisco, acabou de inaugurar um hotel
Portugal e Espanha e no Comité Europeu da tecnológico em Portugal, o Inspira San-
consultora, para abraçar um novo desafio ta Marta Hotel, em Lisboa. As soluções
profissional. da Cisco foram implementadas com
O novo managing partner, Eugenio Prieto, vista a criar uma maior sustentabili-
é licenciado em Engenharia Civil pela dade, quer em termos de redução de
Universidade Politécnica de Madrid e possui custos quer na simplicidade da gestão/
um MBA pelo Instituto de Empresa. Conta manutenção dos sistemas tecnológicos.
com mais de 18 anos de experiência em O conceito de “Hotelaria Sustentável”
consultoria, com uma forte especialização que o Grupo Inspira está a desenvolver,
funcional em Desenvolvimento Estratégico e que vai desde o uso de matéria-prima,
Organizacional, Transformação Empresarial à disponibilização de produtos amigos
e Gestão de Mudança. Eugenio Prieto detém do ambiente e do uso da tecnologia de
uma longa e intensa actividade em Portugal, ponta da Cisco, introduz um novo con-
aconselhando pessoalmente várias empresas ceito de fazer Hotelaria e de se tornar
nacionais de referência. líder em sustentabilidade ambiental no
seu sector.
As soluções Cisco, que visam a redução
das diversas redes de telecomunicações
numa única rede IP para todo o hotel,
com possibilidade de suportar vários
serviços (telefonia, PMS, acesso inter-
net, video-on-demand, vídeo-vigilância,

AMADEUS APRESENTA
gestão técnica, etc.) traduzem-se numa
AVELLER” diminuição de custos significativa na
“AMATEUR-EXPERT TR identificaram turismo de
aquisição da tecnologia e nos custos de
a
que vai ajudar a mudar (55%) gestão e manutenção que serão impu-
A AMADEUS, líder global ens na época aventura (83%), religioso
indústria de viag tados ao longo da operação.
ae e casament os
em soluções de tecnologi da pós -recess ão. As con clusões
úst ria de (45%) como as
distribuição para a ind do estudo referem três
o, tem vin do a principais
viagens e turism desenvolvimentos significa
tivos.
er div ers os estudo s áreas de
desenvolv Uma gra nde per cen tag em dos
resse par a o sec tor. O crescimento
inte (73%)
de
e profissionais de negócio
mais recente tem por bas ate ur-E xpert para férias
2.7 19 acredita que os “Am
uma pesquisa feit a a
cria r nov as de nicho.
e 30 Travellers” vão
profissionais de viagens oportunidades para as viag
ens
res de opi niã o e exe cutivos tade dos
líde de neg ócios. Ma is de me
oa
sénior de empresas, com inquiridos (62%) consid
eram
tar Airw ays . O
Kayak e a Qa que a experiê ncia de viag em
erta
relatório avança a descob está pre par ada par a a ino vação
um nov o tipo de pas sageiro, dos
de tecnol ógi ca. Os ent rev ista
er”,
o “Amateur-Expert Travell
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Tema de capa

EDP RENOVÁVEIS

O GIGANTE EÓLICO
CONQUISTA O MAR
Indiferente à crise mundial, a EDP tégia focada na assinatura de contratos de longo prazo, que permitem
estabilizar os preços e facilitam o planeamento financeiro e operacional
Renováveis registou ao longo do da empresa.

ano passado um crescimento a dois Contrato em eolo-dólares


dígitos na sua actividade e nos seus Um bom exemplo da estratégia é o contrato de venda de energia – Power
Purchase Agreement (PPA) – assinado recentemente com a Tennessee
resultados operacionais. A empresa Valley Authority (TVA). Em meados de Fevereiro, a EDPR, através da sua
subsidiária americana Horizon Wind Energy, fechou com a TVA um con-
liderada por Ana Maria Fernandes já trato a 20 anos para a venda de 115 Megawatt (MW) de energia eólica, da
primeira fase do parque eólico de Pioneer Prairie, no Iowa. A TVA é uma
está presente em 10 países e estuda empresa estatal dos EUA que fornece electricidade a 156 distribuidores
locais de energia, servindo nove milhões de habitantes em sete Es-
a entrada em novas geografias. tados da região sudeste do país, a preços abaixo da média na-

N
cional. O Pioneer Prairie Wind Farm estende-se ao longo
um ano marcado desfavorável para os negócios, a EDP da fronteira do Iowa com o Estado do Minnesota,
Renováveis (EDPR) manteve a sua estratégia de cresci- nos condados de Howard e Mitchell, e tem
mento, reforçando a sua capacidade instalada bruta em uma capacidade instalada de 300 MW, ge-
23%, para 6,2 Gigawatt (GW), o que representa uma im- rando energia suficiente para o con-
pressionante taxa composta de crescimento anual supe- sumo anual de 90 mil lares.
rior a 40% desde 2006.
Os projectos em carteira aumentaram 3,9 GW, para 32,1 GW, dos
quais 739 MW estão já em construção. O valor total de investimento em
2009 somou 1846 milhões de euros, dos quais 826 milhões (45%) foram
d e 06.
canalizados para projectos nos EUA e 1020 milhões (55%) para a Europa.
o s a
t e 20
p
om desd
A terceira maior produtora de energia eólica do mundo continua a
equilibrar o seu portfólio de activos em regiões e em enquadramentos
c
xa 40%
reguladores que permitem a maior eficiência de crescimento e de per-
formance, tal como se pode observar na aquisição de projectos e ac-
ta
tivos no Brasil e nos EUA. Já este ano, a EDPR anunciou novos
u ma erior a
ou sup
projectos em Itália e num parque eólico offshore do Reino
Unido, com capacidade de 1,3 GW, em parceria com
gist l
“Estamos muito satis-
a SeaEnergy.
R re nua feitos por este negócio marcar o
A produção de electricidade subiu 40%,
P a nosso primeiro PPA com a TVA”, refe-
para 10,9 Gigawatt hour (GWh), dos
E D ento riu na altura Ana Maria Fernandes, a CEO da
quais 54% tiveram origem nos
EUA, 30% em Espanha e A scim EDPR“. “Assinámos uma parceria duradoura com
a TVA para o fornecimento dos seus clientes com a ener-
16% em Portugal. A
cre gia não poluente resultante do vento”. A EDP Renewables Nor-
EDPR manteve th America, através da subsidiária Horizon Wind Energy, tem
uma estra- ainda em vigor um PPA para a venda de 102,3 MW de energia

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com um elevado conhecimento do mercado italiano
de energias renováveis, bem como com uma experiência
acumulada no desenvolvimento e construção de projectos
com uma capacidade de cerca de 125 MW.
A entrada no mercado eólico italiano irá permitir à
EDPR operar num dos países com maior potencial da
renovável, da segunda fase Europa. Com 4,9 GW de capacidade eólica instalada em
da Pioneer Prairie Wind Farm 2009 ( mais 1,1 GW face a 2008), a Itália é um dos
à AmerenUE. mercados eólicos mais promissores na Europa. A
Com mais de 20 escritórios e 22 par- quota de energia renovável imposta pelo Governo
ques eólicos nos Estados Unidos, a EDP Re- situou-se em 2009 nos 5,3% do total de electri-
newables North America desenvolveu parques com cidade fornecida. E em 2012, a percentagem
uma capacidade superior a 3.400 MW e dispõe de uma de electricidade produzida com recurso a
operação corrente de 2.800 MW. energias renováveis subirá para 7,6%, o
que exigirá implicitamente uma capa-
A promessa italiana cidade eólica instalada estimada en-
Em Janeiro, a EDPR adquiriu uma participação accio- tre 10,5 GW e 13,5 GW.
nista de 85% na ItalianWind srl, empresa do grupo Itália é um mercado par-
Co-Ver, um conglomerado industrial situado no norte ticularmente relevante para
de Itália, juntando assim ao seu portfólio de projectos a EDPR por causa do seu
eólicos 520 MW no mercado italiano. Estes projectos
encontram-se em diferentes estados de desenvolvimen-
to e situam-se em localizações com bom recurso eólico.
A eléctrica portuguesa pagou 12 milhões de euros pela
participação accionista, prevendo-se o ajuste do preço
mediante posteriores sucess fees, condicionados à obten-
ção de determinados objectivos previamente definidos.
Com esta operação, a EDPR adquiriu um pipeline de
valor acrescentado em Itália e incorporou uma equipa

Março 2010 » PRÉMIO » 13

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Tema de capa
atractivo esquema remuneratório pois, além do preço da electricidade, o liderada por Ana Maria Fernandes.
modelo italiano prevê a atribuição, nos primeiros 15 anos de operação de
cada parque eólico, de certificados verdes que podem ser transaccionados, Da terra para o Mar
gerando mais-valias financeiras para a empresa. A aposta nas eólicas offshore, no Reino Unido, é um novo marco na vida da
EDPR. O investimento inicial é da ordem dos nove milhões de euros, incluindo
A leste tudo de novo os estudo dos desenvolvimentos dos projectos na Escócia que se poderão pro-
Em Espanha, e também em Janeiro, a EDPR adquiriu, através da sua longar por cinco anos, mas o investimento conjunto com uma entidade local
participada Sinae, 30% da Parque Eólico Altos del Voltoya à Fersa Ener- poderá atingir os quatro mil milhões de euros.
gias Renovables. A transacção envolveu 10 milhões de euros. A empresa Foi em Janeiro que a empresa ganhou os direitos de exploração de uma
adquirida detém cinco parques eólicos em Ávila e Segóvia, com uma das nove zonas licenciadas pelo Reino Unido para as eólicas offshore. A EDPR
potência total de 62 MW. Estes parques entraram em exploração no iní- concorreu em parceria com a escocesa SeaEnergy, tendo ganho a concessão de
cio da década. A espanhola Fersa pretende apostar em mercados do leste Moray Firth, uma área de 522 Km2 ao largo da costa noroeste da Escócia onde
europeu e também na Índia, alargando os interesses do grupo portu- poderá desenvolver parques até aos 1.300 MW de potência. Sobre os custos,
guês para o Leste. os responsáveis da EDPR acreditam que o desenvolvimento tecnológico e a di-
Na Polónia, a EDPR tem uma unidade com capacidade de 120 mensão dos projectos no Reino Unido poderão permitir economias de escala.

RESULTADOS 2009 (valores em milhares de euros)


2009 2008 variação(%)

Margem bruta 642 520,2 23,4

Margem bruta ajustada 724,7 581,4 24,6

Custos operacionais 182,1 143,5 26,9


Ana Maria Fernandes,
CEO da EDP Renováveis EBITDA 542,6 437,9 23,9

Resultados antes de impostos 162,5 161,2 0,8

Resultado líquido 117,8 112,2 5,0


Fonte: EDPR

“A energia eólica offshore constitui uma das maiores fontes de


energia renovável do planeta e continua a ser pouco aproveitada.”
MW e um investimento previsto que pode ultrapassar os 270 milhões No concurso, a EDPR ficou com 75% do projecto e a SeaEnergy com o restante.
de euros, com o apoio do Banco Europeu de Reestruturação e Desen- Entrar neste projecto vai fazer parte da história da Europa em termos de
volvimento. A operação ficará concluída neste trimestre. O Parque de transformação do modelo energético. Cada um dos nove parques superará em
Margonin obrigou a EDPR a fazer, para já, um investimento de 160 potência, o maior dos complexos eólicos de todo mundo.
milhões de euros e a solução em termos de project finance acabou por “A energia eólica offshore constitui uma das maiores fontes de energia re-
ser ajudada pela assinatura de um contrato por 15 anos com a pola- novável do planeta e continua a ser muito pouco aproveitada. O UK Round 3
ca Energa Obrót, para a venda de certificados verdes que resultam do é o maior concurso para energias renováveis de sempre e assinala o compro-
referido parque. O contrato permite assegurar uma parte importante misso definitivo do Reino Unido em relação a uma fonte energética que não
da sua “linha de receitas na Polónia e irá proporcionar um fluxo de só é limpa, como também economicamente viável. É, por isso, com grande
caixa de maior visibilidade a longo prazo”, explica um comunicado da prazer que a EDP Renováveis, como uma das empresas de energia eólica mais
EDPR. A empresa tem estimado que a produção na qual se baseará a importantes do mundo, vai liderar o desenvolvimento do parque eólico do Es-
atribuição de certificados venha a ser da ordem dos 250 mil MWh/ano. tuário de Moray com o nosso parceiro SeaEnergy. Este novo projecto encaixa
O mercado polaco de energia eólica está em crescimento acelerado. perfeitamente na carteira de projectos da EDPR, acrescentando diversificação
Este tipo de energia pesa 6% no mix das renováveis do país, mas o geográfica e tecnológica numa das nações de menor risco e mais favoráveis ao
objectivo governamental é chegar aos 30 por cento. Em termos futu- negócio em todo o mundo”, explica António Mexia, presidente do grupo EDP.
ros, este poderá ser na Europa um dos activos estratégicos da empresa

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UMA EMPRESA MUITO RECOMENDADA
Renováveis
O BPI subiu, no final de espanhola, sendo líder, deva igualmente relacionada com Valley Authority, TVA. O
Fevereiro, a sua recomenda- negociar com um prémio, outros factos, nomeadamente contrato assinado pela EDPR
ção da EDPR de “acumular” avançam as mesmas fontes. com o Outlook negativo da é válido por 20 anos e envolve
para “comprar”, reflectindo Esta empresa venceu ainda dívida pública nacional. a energia renovável produ-
a recente descida do preço concursos recentes nos EUA e O Deutsche Bank fez, por seu zida pela primeira fase do
das acções da empresa. O no Reino Unido. Os analistas lado, uma revisão em baixa no parque eólico Pioneer Prairie,
target em termos de preços afirmam que quer a Iberdrola início de Fevereiro, alterando localizado no Estado do Iowa,
mantém-se nos 8,15 euros (a Renovavles, quer a EDPR, são de “comprar” para “manter” e refere uma nota da empresa
cotação de final de Fevereiro títulos interessantes e cons- fixando o target em 7,6 euros. enviada à CMVM. Os 115
oscilava em torno dos seis tituem uma oportunidade de Na mesma semana, os analis- MW de energia contratados
euros, o que conferia um investimento. tas do HSBC reviam em alta serão distribuídos pela TVA
potencial de subida da ordem Já no final de Janeiro, o a recomendação da EDPR, em sete Estados do sudeste
dos 38%), mantendo-se Santander tinha subido a re- passando-a de “neutral” para dos EUA. Recorde-se que o
comendação para “comprar” “overweight”, mas mantendo Pioneer Prairie é um dos 22
para a EDPR, afirmando que o preço nos oito euros por parques eólicos que a EDPR
as “más notícias” já estavam acção. Também na mesma tem em operação nos EUA,
reflectidas na cotação, que se altura, a ESER descia a reco- que totalizam 2.800 MW em
situava nos 6,40 por cento. O mendação de “comprar” para operação. Por outro lado, em
preço-alvo do Santander era “neutral” e reduzia o preço- desenvolvimento no país, a
de 7,8 euros tendo, na altura, alvo de 7,9 euros para 7,7 eu- empresa tem mais 3.400 MW.
revisto em baixa as estimati- ros. Estes analistas explicaram Esta notícia fez o mercado su-
vas para as contas da EDPR, a opção com uma avaliação bir o título em 3% em meados
de forma a poderem reflectir menos performante dos de Fevereiro. A Espírito Santo
os preços da electricidade mercados eólicos espanhol e Investment Research referiu
mais reduzidos em Espanha. norte-americano. Os analistas que se tratava de uma noticia
No preço-alvo já estão incor- da Espírito Santo acreditam muito positiva e alterou as
poradas as incertezas com os que a descida dos preços de preferências relativamente
preços da electricidade para retalho nos EUA leve a baixa à Iberdrola Renovables,
2010 e o resultado das nego- do valor da EDPR. Em nota de colocando a empresa liderada
ciações relacionadas com os research, aquela casa estimava por Ana Maria Fernandes
PPA para 2009 (contratos de que o diferencial de preço en- em primeiro lugar. Também
aquisição de energia) e para tre os contratos de aquisição os analistas do Caixa BI
2010. O Santander avaliava, de energia no retalho possa afirmaram que a noticia foi
em Janeiro, a capacidade atingir os 30 US dólares MW/ positiva e acrescentaram que
instalada da EDPR em 1,45 hora. Afirmava a mesma esta informação contraria o
milhões de euros por MW, casa esperar uma melhoria facto de constatar maiores di-
o que representa 77% da da situação nos EUA, com a ficuldades em concluir novos
inalterado relativamente à avaliação total, de acordo assinatura de contratos de PPA. Este tem sido o factor de
cotação avançada anterior- com uma informação do JN. aquisição de energia a melho- maior pressão sobre a acção
mente. Aquando da emissão Já em meados de Fevereiro, res preços do que os actuais. durante o primeiro trimestre
desta recomendação ainda os analistas do Santander A ESER continuava, no final de 2010. Os analistas do BPI
não eram conhecidas as con- afirmavam que a desvalori- de Janeiro/início de Fevereiro, salientaram que este contrato
tas anuais da EDP Renová- zação da EDPR, e que anula a preferir as utilities reguladas, acaba por retirar algumas das
veis. Mas os analistas do BPI a apreciação das Energias do seguidas das renováveis, preocupações do mercado
esperavam o lucro a cair 7%, Brasil, levava o Santander a sendo que as integradas são quanto à posição da EDPR
pressionado pela operação na descer o target da empresa- as mais desinteressantes. no mercado liberalizado dos
Europa. Adiantam que com mãe, a EDP – Energias de Dentro desta óptica foi EUA.
as cotações da última semana Portugal de 3,75 euros para interessante ver a reacção
de Fevereiro, a empresa está 3,45 euros por acção, embora do mercado financeiro à
a negociar a desconto, em- tivessem mantido a recomen- assinatura do contrato de
bora ligeiro, face à congénere dação da compra. A pressão venda de energia com a utility
Iberdrola, embora a empresa sobre a casa-mãe poderá estar norte-americana Tennessee

Março 2010 » PRÉMIO » 15

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Negócios resultados

MILLENNIUM BCP
DRIBLA A CRISE
O Millennium bcp fechou 2009 com um resultado líquido consolidado de
225 milhões de euros, 12% acima dos registados no exercício anterior.
No ano que marcou a mais grave recessão mundial dos últimos oitenta
anos, o maior grupo privado português mostrou como driblar a crise.

E
m ano de aperto financeiro, o Millennium bcp surpreendeu Polónia, onde o downsizing das operações se reflectiu numa diminuição
os analistas com um resultado de 225 milhões de euros, 12% muito forte dos custos com pessoal.
superiores aos de 2008 e bem acima das expectativas. Para
este bom desempenho contribuíram a mais-valia de 21,2 mi- Crise desgasta margens
lhões com a venda de uma parte do capital do Banco Mil- A diminuição das taxas de juro activas e passivas levou à redução da taxa
lennium Angola e os 57,2 milhões de ganhos com a alienação de activos de margem financeira, que recuou de 2,06%, em 2008, para 1,57 por
(entre os quais a participação de 9,7% no rival Banco BPI), bem como a cento. A nível global, a volatilidade e a incerteza nos mercados financeiros
redução dos custos operacionais. agravou os custos de financiamento da banca, o que, conjugado com o
O resultado nas operações em Portugal somou 213,8 milhões de eu- estreitamento dos spreads dos depósitos de clientes, justificou o recuo da
ros, quase 90% acima dos registos de 2008. Esta evolução reflecte o cres- margem financeira.
cimento do produto bancário, positivamente influenciado pela melhoria Num ano marcado pela maior dificuldade de captação de recursos, o
dos resultados em operações financeiras, fortemente afectadas em 2008 Millennium bcp teve de alinhar pela concorrência a aceitar menores mar-
pelas perdas de 268,1 milhões de euros com imparidades resultantes da gens nas operações passivas. O problema foi parcialmente compensado
desvalorização da referida participação no BPI. pelo progressivo aumento dos spreads das operações de crédito, de modo
Na actividade internacional, o resultado líquido incorporou os efeitos a repercutir o aumento do custo de risco implícito dos clientes, à medida
da redução dos custos operacionais, sobretudo no Bank Millennium na que a crise se alargava às empresas e famílias.

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VENDA DO MILLENNIUM
BANK TURQUIA
RENDE 61,8 MILHÕES
O MILLENNIUM BCP ção na Turquia e reforçar a
anunciou a 10 de Fevereiro a operação na Polónia”, onde
venda de 95% do capital do o Bank Millennium local
Millennium Bank, na Turquia, concluiu na primeira semana
por 61,8 milhões de euros. de Fevereiro o reforço do
Em comunicado enviado à seu capital social em 240
Comissão do Mercado de milhões de euros.
Valores Mobiliários, o BCP O grupo português manterá
explica que, tendo presente uma participação de 5,0%
a estratégia de “enfoque no Millennium Bank turco,
nos mercados prioritários”, tendo estabelecido com o
assinou um acordo com a comprador um mecanismo
instituição financeira Credit de opções de compra e de
Europe Bank, detida pelo venda que prevê a possibi-
grupo financeiro Fiba Hol- lidade de alienação da sua
ding, com vista à operação participação a um preço
de alienação. Saímos no por acção “não inferior ao
mercado turco “com pena” agora acordado”, refere o
porque o banco não tem os comunicado.
recursos necessários para A venda na Turquia permitirá
bcp
investir no país, explicou o realizar uma mais-valia antes
Conselho de administração do Millennium bcp presidente da instituição. de impostos de aproximada-
durante a apresentação dos resultados “A Turquia é um excelente mente 5,4 milhões de euros
do 4.º trimestre de 2009 mercado, mas onde o Millen- e terá um impacto positivo
nium bcp tinha apenas 16 su- de 6 pontos base no rácio de
cursais, que é uma dimensão capital Tier I do BCP.
muito pequena para aquele
mercado”, explicou Santos
Ferreira. “Não temos recur-
sos infindáveis”, sublinhou,
explicando que a opção
INDICADORES DE ACTIVIDADE (valores em milhões de euros)
passou por “alienar a opera-
2009 2008 variação
Margem financeira 1334,2 1721,0 -22,5%
Comissões e outros proveitos 864,0 807,0 7,1%
O impacto da diminuição da margem financeira foi ainda atenua-
Resultados em oper. financeiras 225,4 18,1 1145,3% do pelo aumento do volume de negócios do banco, quer na captação de
Produto bancário 2602,0 2493,2 4,4% depósitos, quer na concessão de crédito a empresas e particulares, neste
caso sobretudo de crédito para a compra de habitação.
Proveitos operacionais 2352,0 2591,4 -9,2%
O crédito a clientes aumentou 1,5%, face ao ano anterior, com subidas
Custos operacionais 1540,3 1670,8 -7,8% de 0,8% em Portugal e de 4,1% na actividade internacional, em particular
- custos com pessoal 865,3 915,3 -5,5% das subsidiárias na Grécia, Moçambique e Polónia.
Em Portugal, o aumento do crédito concedido teve maior expressão
- outros gastos administrativos 570,2 642,6 -11,3%
no segmento do crédito à habitação, que cresceu 3,0% face aos valores de
Resultado operacional 154,3 331,3 -53,4% 2008. Os recursos totais de clientes, por seu lado, subiram 1,8%, alimen-
Resultado líquido 225,2 201,2 11,9% tados pelos crescimentos de 3,9% dos depósitos de clientes e de 15,2%
dos seguros de capitalização, que mais do que compensaram a quebra de
- em Portugal 213,8 116,7 83,2%
30,8% dos depósitos para com clientes titulados.
- operações internacionais 11,4 84,5 -86,5% No quarto trimestre do ano, a tendência de redução da margem finan-
ceira inverteu-se, reflectindo já a estabilização dos mercados financeiros e os

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Negócios resultados
primeiros sinais de reanimação da economia. Face ao terceiro trimestre, a O Millennium bcp quer
margem financeira e as comissões subiram 4,1% e 5,8%, respectivamente.
afirmar-se como um banco
Mais sólido
Em ano de crise, a administração do Millennium bcp concentrou parte universal focado no retalho.
dos seus esforços na contenção dos custos, ao mesmo tempo que focava
as suas operações na banca de retalho e nos países onde possa ter uma
presença competitiva. Esta estratégia levou a reestruturações das opera-
ções na Polónia, Grécia e Roménia e à alienação, já no decurso deste ano,
de 95% do capital do Bank Millennium, na Turquia (ver caixa).
INDICADORES DE BALANÇO (valores em milhares de euros)
Em termos consolidados, os custos operacionais baixaram 7,8% face
a 2008. “Este desempenho favorável foi influenciado pela redução em 2009 2008 variação
todos os agradados, em particular nos custos com pessoal (menos 5,5%) Crédito a clientes (bruto) 77.348 76.233 1,5%
e dos outros gastos administrativos (11,3%)”, explica o banco no relatório
- crédito à habitação 29.068 28.294 2,7%
que acompanha as contas referentes a 2009. Em Portugal, o corte de cus-
tos operacionais foi de 7,7%, enquanto na actividade internacional o recuo - crédito ao consumo 5.089 4.834 5,3%
subiu a 12,2 por cento. - crédito a empresas 43.191 43.105 0,2%
“Apesar do enquadramento adverso, o enfoque colocado na discipli-

na e gestão do capital e da liquidez possibilitou o alcance de níveis ade-
quados de liquidez e o reforço dos rácios de capital”, refere o banco, no Recursos de clientes 67.002 65.803 1,8%
comunicado sobre a apresentação das suas contas. A 31 de Dezembro, o - recursos fora de Balanço 16.009 14.467 10,7%
rácio de solvabilidade consolidado subira para 11,5%, o rácio Tier 1 fixara-
- outros recursos de Balanço 4.686 6.775 -30,8%
-se em 9,3% e o Core Tier 1 também melhorara, aumentando para 6,4
por cento. “O Tier 1 mais elevado entre os bancos portugueses e os mais - depósitos de clientes 46.307 44.561 3,9%
elevados do banco na última década”, faz questão de salientar o presidente
do banco, Carlos Santos Ferreira. Para este resultado contribuiu a emissão
de mil milhões de euros de valores mobiliários perpétuos. Aproveitando RÁCIO DE SOLVABILIDADE
as condições do mercado, o banco decidiu também antecipar o plano de
financiamento de 2010, com 5,6 mil milhões de euros de dívida de médio
e longo prazo emitida ainda em 2009. O que garante que 47% das neces-
sidades de refinanciamento da dívida de longo prazo a vencer em 2009,
estão já refinanciados
A qualidade da carteira de crédito reflectiu os efeitos da profunda re-
cessão que marcou todo o ano de 2009. O peso do crédito vencido há
mais de 90 dias em relação ao crédito total, subiu de 0,9%, em 2008,
para 2,3 por cento. E o rácio de cobertura do crédito vencido há mais de
90 dias situou-se em 119,0%, no final de 2009, o que compara com os
211,6% de 2008.

Nova estratégia no exterior


A contribuição líquida dos negócios fora de Portugal ascendeu a 11,8 mi- INDICADORES DE SOLVABILIDADE
lhões, registando uma baixa de 90,4% face aos valores de 2008. Esta quebra Dec-09 Dec-08
reflecte a diminuição na margem financeira na Polónia, devido à evolução
Core Tier1 6,4% 5,8%
desfavorável das taxas de juro e ao reforço das dotações para imparidades,
associadas à reestruturação da actividade do grupo neste país. A dimensão Tier 1 9,3% 7,1%
da operação polaca (o Bank Millennium da Polónia é o 18ª maior banco Rácio de Solvabilidade geral 11,5% 10,5%
da Europa de leste), acabou por esmagar os ganhos na margem gerados
pelo aumento do volume de negócios em Angola, Moçambique, Roménia
e Grécia, onde o Millennium procura consolidar a sua presença. INDICADORES DE RISCO DE CRÉDITO
Mais forte e mais lucrativo, o Millennium bcp quer agora afirmar-se Dec-09 Dec-08
como um banco universal focado no retalho em todas as geografias onde
Rácio de crédito vencido 2,60% 1,10%
está presente. E a avaliar pelos passos dados em 2009, parece que atingirá
esses objectivos muito antes do previsto. Surpreendendo de novo todos Cobertura de imparidades 106,10% 173,90%
os analistas.

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o presidente do Millennium bcp, Carlos Santos
Ferreira, garante a manutenção dos planos de
expansão em Angola e Moçambique

A APOSTA AFRICANA
A manutenção dos planos Portugal-Angola, organiza- 116 agências, mais 16 face a os lucros de 2008. Para 2010,
de expansão em Angola e da em Lisboa pelo Diário 2008 e ocupa a 74ª posição Carlos Santos Ferreira espera
Moçambique foi uma das ga- Económico, a administração do ranking dos 100 maiores um desempenho em linha
bcp angola

rantias dadas pelo presidente do grupo anunciou que o Mil- bancos africanos, elaborado com o registado em 2009, o
do Millennium bcp, Carlos lennium BCP Angola pretende pela revista African Business, que tornará Luanda num im-
Santos Ferreira, durante a criar uma rede bancária ao marcando a única presença portante centro de resultados
apresentação das contas nível dos principais bancos moçambicana nesta lista. para o grupo.
anuais de 2009. “Continuare- presentes no mercado ango- Em conjunto, as operações
mos a apostar em mercados lano, investindo 250 milhões em Angola e Moçambique
europeus que assegurem de dólares até 2012, num geraram em 2009 um resul-
uma presença competitiva plano que passa por atingir tado líquido de 66,6 milhões
e em mercados de afinida- a centena de balcões e que de euros, que corresponde a
de”, como é o caso dos dois resultará na criação de 1200 uma subida anual homóloga
países africanos, assegura novos postos de trabalho. de 19,3 por cento.
Santos Ferreira. O Millennium Angola conta já O Millennium Angola registou
Em Maio do ano passado, no com 23 sucursais, mais sete no ano passado um resultado
decurso de uma Conferência do que em 2008. Em Moçam- líquido de 14,6 milhões de
sobre Relações Económicas bique, o Millennium bim tem euros, mais do que triplicando

O Millennium Angola conta já com 23 sucursais,


mais sete do que em 2008.

Março 2010 » PRÉMIO » 19

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Negócios empresas

José Morgado,
presidente
da Comissão Executiva
do Grupo Inapa

ENTRADA NO PSI 20
INAPA PASSA
A BLUE CHIP

A
A Inapa integra agora o PSI 20, revisão anual dos 20 títulos que compõem o PSI (de Portu-
guese Stock Index) ditou a exclusão da construtora Teixeira
o mais importante índice da Duarte e a entrada do grupo papeleiro liderado por José
Morgado.
Euronext Lisboa, passando a A liquidez dos títulos, medida pelo volume negociado,

pertencer à primeira liga das é o critério mais importante para a revisão, embora entrem também em
consideração factores como a dispersão e as expectativas para o compor-
empresas com acções cotadas tamento da empresa em bolsa. A inclusão da Inapa já era antecipada pelo
mercado, depois de o research do Millennium bcp a ter considerado muito
na Bolsa de Valores portuguesa, provável, no final de Dezembro. Em 31 de Dezembro de 2008, a capitali-
zação bolsista da Inapa ascendia a 51 milhões de euros e as quase 196 mil
as denominadas blue chips. transacções efecutadas garantiam-lhe a 12ª posição entre os títulos mais
líquidos da Euronext Lisboa, com um valor negociado de 139,4 milhões
de euros. Segundo o BPI, com esta promoção ao PSI 20, a Inapa “vai
beneficiar de uma maior visibilidade de mercado, o que poderá ter um
impacto positivo na sua liquidez”.

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Inapa

O QUE É PSI 20?


O PSI 20 é o principal índice títulos que compõem o ção do mercado accionista rentabilidade depende, de
da Euronext Lisboa e integra índice PSI 20 é ajustada pelo português e de suporte à uma ou de outra forma, do
as maiores empresas, fun- free float, não podendo cada negociação de contratos de comportamento do mercado
cionando como referência do emissão ter uma ponderação futuros e opções. Devido bolsista português.
mercado português. O valor superior a 20% nas datas de às suas características, o
base do índice foi fixado em revisão periódica da carteira. índice PSI 20 tem vindo a ser
3000 pontos e remonta a 31 O PSI 20 foi lançado com seleccionado pelo mercado
de Dezembro de 1992. uma dupla finalidade: para para servir de subjacente a
A capitalização bolsista dos servir de indicador da evolu- produtos estruturados, cuja

Em 2010 a Euronex Lisboa fica marcada pela entrada da Inapa e


pela exclusão da construtora Teixeira Duarte.
Um gigante na Europa ram os 32,9 milhões de euros, 22,3% acima
A Inapa é o maior grupo papeleiro português, dos apurados em 2007, devido sobretudo ao
com uma quota de 50% do mercado, e o quarto aumento do preço médio de venda, à melhoria
maior distribuidor de papel da Europa, disper- RESULTADO LÍQUIDO do mix de vendas e da carteira de produtos, me-
sando as suas actividades por seis mercados 500 mil euros (+5,4% face a 2008) diante o enfoque em produtos de maior valor
pincipais – Portugal, Alemanha, França, Suiça, e ao aumento de 93% das vendas de produtos
VOLUME DE NEGÓCIOS
Espanha e Bélgica. No ano passado, entrou no complementares e de maior valor acrescenta-
702 milhões de euros (-10% que em 2008)
mercado angolano, instalando em Luanda um do, nomeadamente consumíveis gráficos e de
escritório de representação e um armazém. CAPITAL SOCIAL escritório, materiais de embalagem e comuni-
Desde 2006, a administração presidida 150.000.000 euros cação visual.
por José Morgado consolidou o turnaround da Os bons resultado têm entretanto atirado o
companhia, recuperando de um prejuízo de 50 ESTRUTURA ACCIONISTA nome do grupo -, onde o Estado com 1/3 das ac-
milhões para lucros superior a 1,1 milhões, em Parpública: 32,7% ções e o Millennium bcp com mais de 10% con-
2008, registando vendas superiores a mil mi- BCP: 18,2% trolam o capital - para o calendário das privati-
lhões de euros. Albano Alves: 2,0% zações. Mais uma razão para manter as acções
Os resultados operacionais (EBIT) atingi- da empresa debaixo do olho dos investidores.

Março 2010 » PRÉMIO » 21

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Negócios empresas

VISTA ALEGRE

UM CASO SÉRIO
NA CERÂMICA!
Esteve e está nas melhores mesas de todo o mundo. Já passou por processos
de fusão, expansão e decréscimo. Hoje, a Vista Alegre Atlantis está integra-
da no Grupo Visabeira, após processo de fusão ocorrido o ano passado.

S
ão usados oficialmente pelo Presidente da República Portu- de uma verdadeira história de marca.
guesa, mas também na Casa Branca. Pela Rainha Isabel II de Desde há um ano nas mãos da Visabeira – após uma OPA por parte
Inglaterra, o Rei Juan Carlos de Espanha, a Rainha Beatriz da da Cerutil – a verdade é que a Vista Alegre se manteve perto de 200 anos
Holanda ou o presidente Lula da Silva. sempre nas mãos da família Pinto Basto. Sem nunca ter feito grandes
No ano em que celebra 186 anos sobre a sua fundação, investimentos a nível de marketing e publicidade, a Vista Alegre conse-
a Vista Alegre continua a ter os seus serviços colocados nas melhores guiu criar uma imagem forte e um nível de notoriedade perto dos 100%
mesas. O que se confirma quando se sabe que a marca assumiu, ainda (segundo alguns dos últimos estudos da marca).
em Novembro, o estatuto de fabricante oficial de loiça das embaixadas É um facto que, quando foi fundada (em 1824), a marca de Aveiro
de Espanha em todo o mundo. À data, são já mais de 40 os pedidos de não teve que enfrentar concorrentes no mercado português. O que rapi-
produção oriundos de vários países. damente fez disparar as suas vendas e aumentar o seu índice de reconhe-
Depois da falência da Campeans, antiga fabricante dos serviços a uso cimento, já que em pouco tempo passou a equipar grande parte dos lares
nas embaixadas espanholas, tornou-se imperativo encontrar um substitu- portugueses.
to. A selecção foi feita através de um concurso público, que contou com Produção de elevada qualidade a preços competitivos foram, então,
três participantes, do qual a Vista Alegre saiu vencedora. Algo que não é os drivers que ditaram o sucesso. A isto, Pinto Basto – que tinha já tido
de estranhar, tendo em conta que por trás das peças de porcelana se escon- experiência de empresário na venda de tabacos – acrescentou uma rede

22 » PRÉMIO » Março 2010

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Vista Alegre Atlantis

VISTA ALEGRE PRESENTE EM CERTAMES INTERNACIONAIS


No ano que celebra 185 anos sobre a sua fundação, a Vista
Alegre continua a aumentar a sua notoriedade e

A Vista Alegre Atlantis iniciou os mais altos standards de “Maison & Objet Projets”, feira de tendências que aposta
reconhecimento a nível internacional

o novo ano com a presença qualidade. “Maison & Objet Outdoor/In- numa estratégia baseada na
em duas importantes feiras Em Fevereiro é altura para se door”, “Maison & Objet Mu- qualidade (tanto nos produtos
do sector, nomeadamente fazer representar na Am- sées” e “Scènes d’Intérieurs”. expostos como na decoração
a Maison & Objet, em Paris biente 2010, a principal Feira De sublinhar é que, este ano, dos stands), no know-how
– onde a marca apresenta, Internacional para artigos de a participação de Portugal e em índices de criatividade
sob a direcção artística de mesa, cozinha, utensílios para na Maison & Objet é a mais muito elevados atraindo, as-
Sam Barom, um conjunto de a casa, ofertas, decoração e importante de sempre com sim, criadores de tendências e
projectos baseados em três acessórios para o lar, que terá 58 empresas presentes. A um grande leque de compra-
conceitos: saber viver, saber lugar em Frankfurt. representação portuguesa na dores internacionais.
fazer e saber receber. A Maison & Objet é uma Maison & Objet inclui empre-
Presente no hall Now, reserva- feira de referência mundial sas com actividades diversas
do ao melhor do design para do sector da decoração que que vão desde a cerâmica ao
a casa, a Vista Alegre Atlantis inclui a “Now Design à Vivre”, mobiliário cutelaria, têxteis-lar
apresenta projectos inovado- “Maison & Objet Editeurs”, e iluminação.
res assinados por reputados A Maison & Objet é um
designers e fabricados com evento posicionado como

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Negócios empresas

Novos mercados
e reestruturação
do negócio serão
dois dos passos a
dar pela marca.

Algumas peças emblemáticas da Vista Alegre atingem valores muito elevados no mercado de leilões

de distribuição estendida um pouco por todo o país e a criação de um Desenvolvimento produtivo e renovação artística
conjunto alargado de lugares de depósito. À passagem do centenário, a Vista Alegre inicia uma reestruturação que
Mas nem tudo correu bem na vida da Vista Alegre, com o responsável visa a transformação da empresa numa sociedade por quotas, a moder-
da empresa a constatar rapidamente a falta de domínio da matéria-prima. nização das estruturas da fábrica e a renovação de serviços. Em paralelo
Aliás, enquanto não encontraram jazidas de caulino apenas foi produzida com o desenvolvimento produtivo e tecnológico assiste-se a uma renova-
loiça de pedra. Pinto Basto decide então pedir ao Rei o exclusivo da fábrica ção artística. A alguns mestres de pintura como Duarte Magalhães, Ân-
por 20 anos e o direito de livre circulação dos produtos que fabricasse, por gelo Chuva ou Palmiro Peixe, que garantem a tradição, a inovação e a
todo o reino. Estes passariam a ser marcados com as armas reais e o selo qualidade da técnica de pintura, juntam-se artistas plásticos de renome
Real Fábrica da Vista Alegre. O Rei acedeu. A primeira fornada de porce- que trazem consigo novas ideias e modelos para a Escola de Pintura. As
lanas, essa sai da fábrica de Aveiro em 1827. peças atingem neste período o nível das suas mais notáveis congéneres
Nos anos que se seguiram, o trabalho foi apurando e a oferta refi- europeias.
nando. Para isso, contratados foram alguns designers estrangeiros, como A partir de 1947 e até 1968, os contactos internacionais, a formação de
Victor Chartier Rousseau que se destaca pela perfeição nos desenhos e o quadros técnicos especializados, a aquisição de outras empresas, levam a
preciosismo na combinação de cores. Já depois da morte de Rousseau, empresa ao desenvolvimento técnico e industrial e à entrada a novos mer-
chegaria Fortier que inicia a pintura à pena e generaliza a oferta de peças cados. É ainda por esta altura que se inicia o fabrico de peças únicas feitas
com paisagens. para grandes personalidades como o serviço da Rainha de Inglaterra.
Apenas em 1832, com a descoberta de caulino – que permitiu refor- Já na década de 70 do séc. XX, após uma fase de crise interna, nacio-
çar o volume de produção – a Vista Alegre começa a poder baixar preços. nal e internacional, é dado novo impulso à modernização e ampliação
Oito anos depois, o aumento entretanto verificado ao nível da procura dos meios produtivos. Surgem as primeiras séries limitadas e as reprodu-
leva mesmo à instalação de mais dois fornos na fábrica de Aveiro. E, ções para museus. Realizam-se ainda algumas exposições como: a “Vista
em 1845, a empresa concentra-se apenas na porcelana, abandonando o Alegre - Porcelanas Portuguesas” (1983-84) Madrid, Barcelona, Milão e
fabrico de vidro! Copenhaga, e a “Portugal and Porcelain” (1984-85) realizada em parceria
com o Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque.

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Vista Alegre Atlantis
Até onde irá a mais antiga marca de cerâmica portuguesa?

Durante os anos 70 e 80 manteve-se uma estratégia de vendas foca- sexto maior do mundo nesse sector: o Grupo Vista Alegre Atlantis, com a
lizada no mercado nacional, sendo que a capacidade excedentária seria holding resultante a actuar em áreas tão diversas como porcelana de mesa,
utilizada para servir de forma selectiva um número limitado de clientes. decorativa e de hotel, faiança, louça de forno, cristal, vidro manual e redes
de retalho e distribuição.
Entrada em novos mercados O passo seguinte seria na direcção da empresa britânica de porcelana
É pelo final da década de 1980 que o crescimento da marca em Portugal Royal Worcester and Spode, e na aquisição de 25% do seu capital. Já em
começa a registar aumentos progressivamente decrescentes. Aliado a isto, finais de 2002, adquire a francesa Cristal de Sèvres, marca essa que tanto
o facto de este ser um mercado de dimensão reduzida e em fase de matu- a tinha influenciado!
ridade, leva a Vista Alegre a olhar para novos mercados. Entretanto, e com a entrada de novas marcas no mercado português,
“Os principais vectores da estratégia de internacionalização nesta épo- a Vista Alegre foi adaptando a sua oferta e reformulando o portefólio. Seg-
ca assentam na identificação de mercados com afinidades culturais e/ou mentou e apresentou soluções para diferentes tipos de consumidores. A
proximidade geográfica que paralelamente apresentassem parâmetros de isto, acrescentou ainda o factor conveniência, ao facilitar a reposição de
crescimento, dimensão e nível concorrencial com potencial para seguir peças de um qualquer serviço. Além de ter apostado na exploração de no-
uma postura de Investimento”, lê-se no site da marca. vos caminhos criativos, com o estabelecimento de parcerias com alguns
Em 1997 concretiza-se a fusão com o grupo cerâmico Cerexport que designers.
originou quase a duplicação do volume de negócios da VAA, nomeada- No ano em que celebra 185 anos sobre a sua fundação, a Vista Alegre
mente nos mercados internacionais. continua a aumentar a sua notoriedade e reconhecimento a nível interna-
Também o vidro haveria de voltar a ser comercializado e distribuído cional. E deverá reforçar mais ainda, tendo em conta que um dos objecti-
pela Vista Alegre. Em Maio de 2001 inicia-se o processo de fusão com a vos declarado pelo grupo industrial de Viseu – aquando da OPA – passa
Atlantis – de fabrico de cristais e vidros de prestígio – de que resulta a Vista por levar a Vista Alegre para alguns dos mercados internacionais onde
Alegre Atlantis. Alarga-se a oferta, aumenta-se o número de pontos de a Visabeira já actua, mas onde a empresa de cerâmicas não está ainda
venda e reforça-se as vendas com um portfólio mais alargado. Aliás, este presente. Reestruturar negócio e potenciar crescimento são outros dois
passa mesmo a ser considerado o maior grupo nacional de Tableware e objectivos declarado.

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Negócios empresas

ONGOING

HEIDRICK & STRUGGLES


APOSTA EM ANGOLA
A Heidrick & Struggles, detida em Portugal pelo grupo Ongoing, foi a
primeira multinacional de consultoria de capital humano a instalar-se em
Angola. O escritório conta com uma equipa 100% nacional.

L
ocalizado no 18.º andar do maior arranha-céus de Luanda, o circunstâncias políticas, quer pelas económicas e de crescimento”, explica
escritório da Heidrick & Struggles é o símbolo visível de uma Felipa Xara-Brasil. O escritório de Luanda, que fica na rua Marechal Brós
ambição, que a partner do escritório de Lisboa, Felipa Xara- Tito, no bairro das Ingombotas, tem como directora executiva Noelma Vie-
-Brasil traduz por palavras: “O facto de sermos quem somos gas d’Abreu, licenciada pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
implica ter padrões de exigência muito elevados. São esses da Universidade Clássica de Lisboa e professora e directora do Centro de
padrões e essa credibilidade que queremos impor em qualquer mercado Investigação na Universidade Católica Angolana. É esta antiga consultora
em que actuemos”. da KPMG e ex-directora de Recursos Humanos Corporativos do grupo cer-
A abertura do escritório, em Setembro de 2009, em simultâneo com a vejeiro SABMiller que lidera uma equipa angolana altamente especializada.
inauguração da ultramoderna torre em aço e betão revestido por placas leves “A equipa está a crescer”, adianta Felipa Xara-Brasil, acrescentando que esse
de zinco titânico da Escom, faz da Heidrick & Struggles umas das primeiras crescimento será sempre proporcional à evolução do próprio negócio.
empresas de gestão integrada de capital humano a instalar-se em Angola, Foi aliás o crescimento gradual e sustentado do negócio em Angola que
o que lhe dá clara vantagem competitiva relativamente à concorrência. Este justificou o passo, dado em Setembro, de abertura do escritório local. “Co-
investimento culmina, de facto, um longo e produtivo trabalho de campo. meçámos a criar nome no mercado e fomo-lo cimentando, projecto após
Foi em 2005 que o escritório de Lisboa da Heidrick & Struggles, em- projecto, ano após ano. Há cinco anos íamos para Angola trabalhar fazen-
presa detida pelo grupo português Ongoing, num alinhamento vincada- do um comutting. Hoje, estamos em Angola a trabalhar com uma equipa
mente internacional, fez deslocar para o terreno angolano uma equipa de 100% angolana, o que faz toda a diferença”, adianta Felipa Xara-Brasil.
head hunters, que tinha como missão encontrar o director-geral para uma A empresa, que opera nas áreas de executive search, consultoria de capi-
grande empresa. Encontraram-no, mas encontraram mais. “Logo nessa al- tal humano e sustentabilidade de Recursos Humanos, conta entre os seus
tura, identificámos o potencial enorme do mercado angolano, quer pelas clientes não só com empresas portuguesas que actuam no mercado ango-

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Fotos Agência AFP

Strategy Investments

ONGOING, UM GRUPO EM ASCENÇÃO


Criada em 2004 por Nuno dedicado à informação econó- títulos de imprensa. ser o maior grupo privado
Rocha dos Santos de Almeida mica e política. O primeiro objectivo da português, a Ongoing detém
e Vasconcellos, terceira O objectivo de ser líder do Ongoing é ser global e dar ainda interesses em empre-
geração de Rocha dos Santos mercado de informação prioridade à lusofonia como sas de relevo, presentes em
nos negócios, para agregar económica em português mercado. Para dar corpo a diferentes sectores de activi-
os investimentos da família, a concretiza-se em Portugal, esta estratégia no mercado da dade, desde o imobiliário às
Ongoing Strategy Investments mas também tem em vista o televisão criou a CTN – Conte- telecomunicações, passando
definiu como estratégicos os Brasil, onde o grupo lançou údos Transnacionais, liderada pelos sectores financeiro,
sectores de telecomunicações, em Outubro de 2009 o jornal pelo ex-director-geral da RTP serviços de valor acrescentado
media e tecnologia (TMT), Brasil Econômico, primeiro e TVI, José Eduardo Moniz, e recursos humanos.
tendo-se tornado rapidamente passo efectivo da sua interna- que vai operar na concepção, Foi, aliás, nesta última área
um importante player nestas cionalização. produção e distribuição de que Nuno Vasconcellos,
O lançamento do Brasil Econômico foi o primeiro passo

áreas em Portugal. Na televisão, a Ongoing conteúdos para televisão, formado em Gestão de


para a internacionalização do Grupo Ongoing

A Ongoing é um accionista reestrutura a sua participação, com capacidade de intervir Empresas por Boston e
de referência da Portugal Tele- com uma oferta em curso em todos os passos da cadeia filho de Luís Vasconcellos (a
com (PT), maior empresa do para a aquisição de 35% do de valor. eminência parda do império
sector das telecomunicações capital da Media Capital, que No mundo da lusofonia, a Balsemão), realizou o seu
em Portugal e com um forte controla a TVI, líder do merca- Ongoing tem ainda uma primeiro negócio. Estávamos
processo de internacionali- do de televisão em Portugal e parceria com o grupo ango- em meados da década de
zação em países que falam senhora da maior produtora lano Score Media, que visa a noventa quando, juntamente
português. europeia de dramaturgia, troca de conteúdos entre o com Rafael Mora (o actual
No sector de media, o grupo com 1.000 horas de produção português Diário Económico vice-presidente da Ongoing)
detém o Diário Económi- anuais. Paralelamente, está e o semanário económico trouxe para Portugal a mul-
co, líder do mercado de em processo de venda da sua angolano Expansão. tinacional norte-americana
informação económica, com participação de mais de 20% Expressão actual de um Heidrick & Struggles.
influência alargada à Internet, na Impresa, o grupo liderado percurso empresarial iniciado
que tem em preparação a por Francisco Pinto Balsemão no final do século XIX, com
entrada no sector da televisão. e que controla a estação o seu apogeu na Sociedade
A Económico TV, cujo lança- televisiva SIC, o semanário Nacional de Sabões (SNS),
mento está para breve, vai Expresso, a news magazine que após a Revolução de 25
ser o primeiro canal nacional Visão e mais duas dezenas de de Abril de 1974 chegou a

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Negócios empresas

Felipa Xara-Brasil defende que o que


diferencia a H&S dos seus concorrentes
é a senioridade e a qualidade da equipa

lano e que foram a sua base de lançamento, mas também com um número ção. “O que nos diferencia,
significativo de empresas angolanas. de facto, dos nossos concor-
Em Angola há “profissionais brilhantes a nível de topo”, garante Felipa rentes é a senioridade e a
Xara-Brasil, bem como óptimas organizações. São, assim, nos níveis inter- qualidade da equipa”, des-
médios de chefia e quadros de topo que se verificam as maiores necessi- taca a partner da H&S.
dades de capital humano. Neste negócio, a mais-valia para os clientes da A empresa faz alicerçar
Heidrick & Struggles é a de poderem usufruir à escala local de todo o ben- o crescimento dos recursos humanos internos no crescimento do negócio.
chmarketing internacional do grupo e incuti-lo nas organizações angolanas, “Tem sido exponencial” – salienta – “ temos angariado clientes em vários
sustentada numa equipa angolana. Felipa Xara-Brasil salienta a propósito: sectores de actividade, especialmente sectores que estão na vanguarda das
“O que a H&S pretende é dotar as organizações de todos os procedimentos, organizações e na vanguarda do capital humano”.
ferramentas e know-how de capital humano, de modo a que os seus profis- Visivelmente orgulhosa, Felipa Xara-Brasil conta que foi em Lisboa que
sionais cheguem ao topo da organização do modo sustentado”. nasceu o gérmen que deu origem ao actual posicionamento da empresa a ní-
A carteira de clientes abrange empresas provenientes dos principais vel mundial, a consultoria de capital humano. “O nosso escritório foi defini-
sectores de actividade, desde a indústria às telecomunicações, passando do como o centro de competências da Heidrick & Struggles para desenvolver
pela consultoria e outras áreas de serviços. todo o conhecimento na área de capital humano a nível interno”. Foi em 2001
e em 2002 e o facto valeu-lhe o Special Global Quality Award de excelente
Lisboa, o centro de competências qualidade. A partner explica como tudo aconteceu: “Por norma, as empresas
Em Lisboa, o escritório da Heidrick & Struggles fica num sóbrio e centená- de executive search só fazem executive search. Porém, as necessidades dos nos-
rio edifício entre o Chiado e a Baixa da cidade. sos clientes, o nosso inconformismo e a nossa capacidade de inovar levaram-
A multinacional norte-americana instalou-se em Portugal em 1997. No -nos a delinear outra visão”. Oito anos depois do trabalho iniciado em Lis-
início eram apenas quatro pessoas, hoje são 25. A equipa, “muito madura boa, a casa-mãe decidiu mudar de paradigma e optar por outra designação.
e heterogénea”, inclui engenheiros, gestores, economistas e uma médica, Deixou de ser a Heidrick & Struggles, empresa de executive search pura e
que dinamiza entre outros, programas de coaching a executivos de topo e dura, para se tornar, já este ano, na Heidrick & Struggles Client Adviser,
trabalha jovens de elevado potencial de maneira a garantir que estes terão as dando início a um novo ciclo de desenvolvimento.
competências certas quando assumirem posições chave dentro da organiza- A Heidrick & Struggles define-se agora como empresa de consultoria

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de gestão de capital humano, com um âmbito de actuação que abrange tudo Estados Unidos, opera com cerca de 62 escritórios, o que lhe confere uma
o que esteja relacionado com a vasta área dos recursos humanos. “O nosso representação global e presença em todas as principais indústrias.
objectivo como empresa que dispõe de todas as ferramentas e termos de
capital humano é garantir que a empresa está maximizada para o accionista Meio século de história
e que os seus colaboradores estão felizes por trabalharem nela”. A história da organização começa em 1953 e foi escrita por Gardner Stru-
A consultoria de capital humano vai desde a estratégia de recursos hu- ggles e John Heidrick, que a lançaram em Chicago, Illinois, Centro-Oeste
manos ao executive search. Isto é, desde como a empresa deve estar organi- dos EUA com a designação de Heidrick & Struggles. Apresentados por um
zada em termos de quem faz até ao seu plano estratégico. A H&S actua, as- amigo comum, Gardner e John assumiram, desde o início, o seu compro-
sim, sempre em alinhamento com o negócio da empresa sua cliente, ou sua misso com “a qualidade, atendimento ao cliente, trabalho em equipa, in-
parceira, como Felipa Xara-Brasil gosta de dizer. “Não conseguíamos traba- tegridade e uma unidade de excelência”. Em 1957, a empresa registou os
lhar se não soubéssemos qual é o negócio da empresa e qual é o seu plano primeiros clientes fora do Centro-Oeste. Os anos seguintes foram de rápido
crescimento. Em breve chegaria a Los Angeles e San Francisco, na costa
Leste dos EUA e ao seu coração económico e financeiros Nova Iorque. Em
1968 saiu para fora do país, estabelecendo o seu primeiro escritório no Rei-
no Unido.
A H&S continuou a sua expansão nas décadas seguintes para as princi-
pais cidades da América do Norte e Europa e, depois, para a Ásia-Pacífico e
Em Lisboa, o escritório da América Latina. O desenvolvimento industrial dos anos setenta criou novas
necessidades no mercado e nos clientes, fazendo prosperar o negócio de
Heidrick & Struggles está executive search.
Em 1983, a Heidrick & Struggles International separou as suas opera-
localizado num edifício ções europeias. No entanto, em 1999, as duas empresas reuniram-se para
formar a empresa global integrada de hoje. Nesse mesmo ano, Heidrick
centenário entre o Chiado & Struggles International, Inc. (HSII) tornou-se uma empresa de capital
aberto, estando desde então cotada na Bolsa de Nova Iorque - NASDAQ.
e a Baixa da cidade. Parceira dos clientes
A estratégia da Heidrick & Struggles em Angola, Portugal ou em qualquer
um dos 62 escritórios do mundo onde está presente, é única e indivisível,
assentando no desenvolvimento de uma relação de parceria com o cliente,
estratégico. Só depois definimos a característica que o capital humano tem de forma a garantir na agenda do CEO o lugar de board adviser em matéria
que ter, de forma ao CEO conseguir atingir os objectivos a que se propôs”. de capital humano dentro da organização. Isso consegue-se através das rela-
ções de parceria, das relações de credibilidade e de confiança que mantemos
Pioneira na sustentabilidade com os nossos clientes”, explica Felipa Xara-Brasil, sublinhando: “A postura
A postura agressiva do escritório de Lisboa permitiu-lhe também ser pionei- Heidrick é a postura Heidrick em qualquer parte do mundo.”
ro no desenvolvimento de uma outra área de negócio: a Sustentabilidade de Treze anos depois de se ter instalado em Portugal, a empresa orgulha-se
capital humano. Em 2004, a empresa contactou o Sam-Group, instituição da sua posição de liderança no mercado, onde tem vindo a desenvolver par-
de asset management que gere o Dow Jones Sustentability Index, a quem cerias em todos os sectores de actividade importantes do país: banca, indús-
explicou qual era a sua postura a nível do acompanhamento do cliente para tria, media, tecnologia, telecomunicações, energia, construção. “As nossas
trabalhar esta área “Estamos em contacto directo com esta entidade que nos parceiras são claramente aquelas que trazem mais valor acrescentado na
acompanha e a quem acompanhamos na área de sustentabilidade com o definição de métricas e ferramentas na área do activo humano”.
activo humano dentro das organizações, que é também uma novidade na Felipa Xara-Brasil diz que “os objectivos de crescimento do escritório
Heidrick & Struggles, quer a nível interno, quer externo”. português são grandes”, sustentados por variadíssimas oportunidades.
Neste âmbito inscrevem-se duas iniciativas particularmente bem suce- No horizonte da H&S não está prevista a abertura de nenhum escritório
didas: o prémio da Sustentabilidade, lançado há dois anos, e o Prémio das em território da lusofonia, até porque a empresa já tem escritório aberto no
Melhores Empresas para Trabalhar, lançado há quatro anos, que este ano Brasil e globalmente funciona em rede. “Não temos necessidade de estar-
contou com 85 empresas finalistas e alargou o seu ranking de posiciona- mos presentes fisicamente no mundo inteiro. Quando há uma necessidade
mento aos segmentos de Grandes, Médias e Pequenas e Micro Empresas. numa determinada localização geográfica é o escritório desse país que tra-
O posicionamento alargado do negócio, os resultados de excelência e balha essa necessidade, ele é que tem o know how para criar o best team”. Em
a sua postura agressiva permitem à H&S ter entre os seus clientes 50% Cabo Verde, por exemplo, não há escritório H&S, nem em Moçambique.
das empresas do PSI 20. Com uma base de dados mundial, a estratégia Tal facto não significa que não haja trabalho e que não se ganhe negócio.
da empresa impõe a qualquer candidato off limits. “A estratégia é idêntica “Temos propostas em Cabo Verde, que são propostas de clientes que estão
em todos os países. Dentro de um determinado conjunto de empresas topo ou em Angola ou em Portugal, mas com operações nesse país”.
escolhemos uma para trabalhar e outra para irmos buscar candidatos”. A decisão de abrir um escritório é ultra ponderada e tem para a Heidrick
A H&S, uma das primeiras empresas de executive search nascida nos & Struggles o significado de mais uma geografia conquistada.

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Negócios associativismo

Alunos vencedores do programa “A Empresa”, edição de 2009,


com a ajuda de um professor e de um voluntário

APRENDER A EMPREENDER

O SEGREDO
DO SUCESSO
A associação tem como objectivo
fomentar o espírito empreendedor
nas gerações mais novas.

T
ransmitir conceitos e bases essenciais para desenvol- dizagem em dimensões como a cidadania, ética, literacia financeira
ver o espírito empreendedor nas novas gerações é o e desenvolvimento da vida profissional.
objectivo da Aprender a Empreender, a congénere Os voluntários são empresas associadas que contribuem para o
portuguesa de uma organização mundial sem fins crescimento e maturação da organização com quotas anuais e per-
lucrativos na área da Educação denominada Junior mitem aos colaboradores chegarem até nós.
Achievement (JA), que fomenta o espírito empreendedor desde ten- O envolvimento das Câmaras Municipais nesta iniciativa é um
ra idade, dos 5 aos 25 anos. caso de sucesso. São parceiras da Junior Achievement Portugal a Câ-
Presente em mais de 120 países e com uma abrangência de cer- mara Municipal do Porto, Caminha, Torres Vedras, Loures e, mais
ca de 10 milhões de alunos todos os anos, a JA está em Portugal des- recentemente, a Câmara Municipal de Famalicão, São João da Ma-
de Setembro de 2005 e conta com mais de 57 mil alunos formados, deira e Amarante, estando mais em processo de desenvolvimento.
em cerca de 300 escolas e com um total de 2500 voluntários. A JA conta ainda com várias empresas associadas em Portugal,
Através de programas educativos, a JAP chega a várias escolas nomeadamente, Jerónimo Martins, Accenture, Sonae, Millennium
no país e muda a atitude de vários jovens, contextualizando a apren- BCP, Montepio, CitiBank, Banif, Axa, Euronext, entre muitas mais.

EVENTO INTERNACIONAL DA JA EM PORTUGAL


A Associação Aprender a Em- atitude empreendedora entre os ou serviços a um público mais a Europa, reúnem-se num mes-
preender (AAE) foi convidada, jovens, através da experiência alargado. Internacionalmen- mo espaço e na mesma altura
através da Junior Achievement, concreta de criação e gestão de te, o formato do programa para partilharem experiências,
a acolher a JA-YE Europe pequenos negócios empresa- (Company Program) contempla aplicarem as suas competências
Trade Fair em 2010, inserida no riais pelos alunos, durante um igualmente a realização desta e aptidões e aprenderem a fazer
programa “A Empresa” da AAE. ano lectivo. Feira (Trade Fair), preferencial- negócio num ambiente inter-
Esta feira, a decorrer entre os Uma das componentes essen- mente em espaços comerciais nacional. Para além disto vão
dias 19, 20 e 21 de Março, no ciais do programa é a Feira Ilimi- de grande afluência e circulação realizar-se também actividade
Centro Comercial Colombo, em tada, a nível nacional, constituin- de pessoas. de Ice-Breaking para alunos e
Lisboa, é dirigida a alunos do do o primeiro momento em que Desta forma professores, volun- professores, com o intuito de
ensino secundário e tem como os alunos têm a oportunidade tários, outros convidados, mas se conhecerem entre si e se
objectivo desenvolver uma de mostrarem os seus produtos principalmente jovens de toda divertirem.

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Negócios consultoria

ASSUNTOS EUROPEUS

EUPPORTUNITY
FAZ LOBBY NA UE
Luís Queiró e Henrique Burnay fundam a Eupportunity,
uma empresa que presta consultoria em análise política e intelligence.

A
s empresas portuguesas interessadas em entrar no cir- ciências e Investigação, alimentação e bebidas, protecção do consumidor, so-
cuito europeu podem agora recorrer aos serviços da Eu- ciedade da informação e meios de comunicação, educação, cultura e juventu-
pportunity, uma empresa portuguesa de consultoria em de, informática, novas tecnologias e propriedade intelectual.
assuntos europeus, fundada por Luís Queiró, advogado “Quando cerca de 60% do direito na Europa tem actualmente a sua
e ex-deputado ao Parlamento Europeu (1999–2009) e à origem na União Europeia e cerca de 70% do Direito Comunitário afecta,
Assembleia da República (1995–1999), e pelo antigo jornalista Henrique directa ou indirectamente, a actividade das empresas, é necessário que
Burnay, ex-consultor político no Parlamento Europeu (2004–2009) e as- as empresas e instituições portuguesas saibam atempadamente o que
sessor de imprensa da Ministra da Justiça, (2002–2004). se prepara em Bruxelas, que decisões vão ser tomadas e como é possível
Certos da existência de um mercado por explorar, os dois profissio- participar da sua formação. Ao mesmo tempo, há financiamentos comu-
nais criaram a Eupportunity - european affairs consulting -, com sede em nitários atribuídos directamente em Bruxelas de que as empresas e outras
Portugal e escritório em Bruxelas, que oferece serviços de intelligence, aná- entidades portuguesas pouco têm beneficiado”, referem os responsáveis
lise política, aconselhamento estratégico e apoio à candidatura a fundos pela Eupportunity.
comunitários. Henrique Burnay destaca ainda a importância de José Manuel Durão
A empresa, com capitais inteiramente portugueses, dispõe de uma equi- Barroso ser o presidente da Comissão Europeia e o que chama “o efeito
pa com ampla experiência em assuntos europeus, políticas europeias, direito Barroso”, que tornou os temas europeus mais próximos dos portugueses
comunitário e comunicação. A equipa de consultores é composta por uma e fez com que haja actualmente mais portugueses em lugares relevantes
rede activa de especialistas em políticas comunitárias, com valências nas áreas em Bruxelas. “Parte deste efeito desaparecerá daqui a cinco anos e portan-
das empresas e indústria, transportes e turismo, energia, ambiente, orçamen- to, há que aproveitar esta oportunidade”, explica Burnay. “Seremos uma
tos, política regional, agricultura e pescas, mercado interno e serviços, saúde, antena em Bruxelas “, conclui.

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Negócios logística

URBANOS
POR QUE É QUE A
URBANOS É A MELHOR
PME PARA TRABALHAR?
O ano passado, a Urbanos tinha ficado em 4.º lugar no ranking das
melhores empresas para trabalhar, desenvolvido pela revista Exame e a
consultora Heidrick & Struggles. Este ano, subiu ao primeiro lugar.

F
undada há 18 anos, a Urbanos tem vindo a evoluir e a desta- tora Heidrick & Struggles analisar os dados e, depois, aos jornalistas da
car-se na sua gestão de Recusos Humanos, o que explica por Exame confirmarem as informações junto de cada empresa.
que é que este ano foi eleita a melhor empresa para trabalhar
em Portugal, na categoria PME, pela revista Exame e a con-
sultora Heidrick & Struggles. Rumo ao primeiro lugar
“Ser a melhor empresa para trabalhar é o resultado de muitas coisas. O ano passado a Urbanos tinha ficado no 4.º lugar do ranking (nesta ca-
Da fruta fresca e água mineral diária e gratuita para todos, à dispensa, sem tegoria). A subida ao primeiro lugar explica-se, segundo a empresa, pela
perda de remuneração, para dar apoio às famílias dos que lá trabalham. contínua e continuada aposta na educação e qualificação profissional, a
Dos investimentos na educação e na qualificação profissional, através da criação da academia Urbanos – que tem como objectivo formar e incenti-
“Academia Urbanos”, que permitem a cada um aprender o que quer e var os colaboradores –, as condições de trabalho e o incentivo à criação de
precisa para chegar até onde tiver vontade. À partilha regular de saberes e momentos extra laborais para colaboradores e família. “A Urbanos é uma
experiências, com as próprias famílias, como o “Urbanos Summer Event” empresa que premeia o mérito dos seus colaboradores, proporcionando
ou a “Gala Urbanos” e à participação em projectos de responsabilidade um ambiente competitivo, justo e livre, onde todos têm espaço para ex-
social em que toda a Urbanos está envolvida, como a “Novo Futuro” para pressar as suas capacidades individuais. O incentivo à progressão e o de-
crianças desfavorecidas ou a “Cedema” para a Trissomia 21”, explicava o safio a uma constante aprendizagem fazem parte da cultura da empresa,
presidente do Conselho de Administração da Urbanos, Alfredo Casimiro, que defende o equilíbrio pessoal e profissional como o melhor alicerce
durante a cerimónia de entrega do galardão. para o sucesso”, informa a Urbanos em comunicado enviado à imprensa,
A distinção resultou de um estudo do clima social da organização e reforçando que o lema da empresa – We make it possible – não se dirige
materializou-se num inquérito anónimo aos colaboradores, num inqué- apenas aos clientes.
rito efectuado à gestão de Topo e numa visita/auditoria da Exame que O Grupo Urbanos, fundado em 1991, conta hoje com perto de 300
verificou in loco as práticas de gestão de Recursos Humanos. Mais con- colaboradores, uma frota de 100 viaturas e uma capacidade de armazena-
cretamente, numa primeira fase é enviado um inquérito ao colectivo de gem superior a 50 mil metros quadrados de área coberta, que asseguram
colaboradores de cada empresa, no qual se pede a opinião anónima sobre à sua carteira de clientes soluções logísticas chave-na-mão focada no out-
diversos temas, desde a transmissão de informação e relação com a chefia sourcing, nomeadamente para banca e seguros, telecomunicações, tecno-
até à aposta na formação ou responsabilidade social. logias de informação, indústria farmacêutica e empresas de serviços.
Segue-se o inquérito à equipa de gestão, onde se questionam as prá- Soluções logísticas, distribuição expresso, division of fine arts e agora trans-
ticas de recursos humanos na empresa. Finalmente, cabe então à consul- porte de mercadorias expresso após a compra da TEX são as áreas de negócio.

34 » PRÉMIO » Março 2010

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Urbanos

O QUE FAZ A DIFERENÇA?


1 ACADEMIA URBANOS 2 ACTIVIDADES DE TEAM 3 SUMMER EVENT 4 GALA URBANOS
A Academia Urbanos tem BUILDING Anualmente, a Urbanos leva Igualmente, todos os anos é
como principais objectivos Anualmente, a Urbanos a cabo um evento de Verão realizada a Gala Urbanos, que
ser um veículo de desenvol- realiza actividades de Team de Convívio e interacção entre consiste numa reunião global
vimento, motivação e envol- Building, em que diferentes todos os seus colaboradores, de todos os colaboradores da
vimento de todos os qua- elementos de todas as Unida- que pretende estimular o organização onde são comu-
dros do Grupo, na melhoria des de Negócio trabalham em relacionamento interpessoal da nicados os resultados anuais
das suas competências. O equipa face a um objectivo equipa fora do contexto habitu- e indicadores das várias áreas
conceito da Academia Ur- comum, seja através de uma al de trabalho. O convite para da organização, bem como
banos encontra-se fundado prova de orientação, do cum- a actividade é estendido aos a definição dos objectivos e
na implementação de uma primento de provas baseadas familiares dos colaboradores projectos para o próximo ano.
Universidade Corporativa, em jogos tradicionais, (com de forma a maximizar o senti- A Gala Urbanos tem ainda
que permite aos alunos o objectivo de montar uma mento e ligação emocional dos como objectivo reconhecer
obterem uma mais-valia em bicicleta para uma corrida colaboradores à organização, formalmente os colaborado-
matérias relacionadas com o de BTT), ou actividades de através da comunicação da res que melhor desempenho
dia-a-dia das suas activida- escalada ou matraquilhos sua cultura com elementos da registam ao longo do último
des/operações. humanos. marca presentes no evento. ano, através da atribuição dos
Em cada uma das edições Troféus Urbanos para diversas
O Grupo Urbanos, existe um tema adjacente ao
Summer Event, que se en-
categorias.

fundado em 1991, contra relacionado com um


determinado projecto que
conta hoje com cerca de esteja a ser implementado
pela Urbanos no momento
300 colaboradores. da sua ocorrência.

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Economia análise

36 » PRÉMIO » Março 2010

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ECONOMIA PORTUGUESA
UM ANO DE GRANDE
ESFORÇO
A economia portuguesa vai demorar a “curar a ressaca” da crise de 2009.
O principal problema agora é controlar o défice do orçamento, engordado
no ano passado com as medidas de reanimação da economia.

A
crise económica global afectou severamente a econo- nal (FMI), na sua última análise à economia portuguesa, divulgada no
mia portuguesa, com o Produto Interno Bruto (PIB) a final de Janeiro. O FMI avança com um crescimento de apenas 0,5% do
recuar quase 3% em 2009, devido à quebra profunda PIB, em 2010, em linha com as projecções do Boletim Económico de
das exportações e do investimento privado. As estimati- Inverno do Banco de Portugal, que aponta para 0,7 por cento.
vas mais recentes do Banco de Portugal apontam para As perspectivas são assim pouco brilhantes a prazo, com Portugal
um recuo de 12,5% nas exportações e para um corte de 11,7% nos níveis a continuar a crescer abaixo da média da zona euro e a não conseguir
de investimento. resolver o problema dos elevados níveis de desemprego.
“Alguns sinais de ajustamento estão a emergir -- os preços estão a “Embora o cenário mais provável seja um ajustamento gradual dos
descer mais rapidamente do que nos outros países do euro, as famílias desequilíbrios da economia, o certo é que quanto mais tempo eles per-
estão a poupar mais e o défice das contas correntes está a diminuir –-, sistirem maior será o risco do ajustamento se tornar disruptivo”, alerta o
mas o crescimento da economia deverá manter-se débil nos próximos FMI. A ameaça de uma ruptura grave exige uma ambiciosa resposta das
anos e a recuperação será frágil, refere o Fundo Monetário Internacio- políticas, requerendo uma base de apoio político generalizada e uma

PROJECÇÕES PARA A ECONOMIA EM 2010


FMI BDP GOVERNO
 2009 2010 2010 2010
Economia  (variação em %)
PIB real  -2,6   0,5 0,7 0,7
Consumo privado -0,9 0,3 1,0 1,0
Consumo público 2,6 0,7 0,7 -0,9
Investimento (FBCF) -11,8 -3,4 -1,1
Procura interna  -2,9   0,3 0,3 0,3
Exportações -12 1,3 1,7 3,5
Importações -10,7 0,6 0,3 1,5
Inflação média (índice harmonizado)  -0,8   0,8 0,7 0,8
Taxa de desemprego (%) 9,5 11 9,8
Finanças públicas (em % do PIB)
Défice público 9,3 -8,6 -8,3
Saldo primário (2) -6,4 -5,2 -5,2
Dívida pública 76,6 83,3 85,4
Contas externas (em % do PIB)
Balança corrente e de capital -8,2 -10,1 -9,8
Balança de bens e serviços -6,5   -8,9 -6,8

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Economia análise
A AMEAÇA ESPANHOLA
UM DOS RISCOS principais bancos portugueses.
para a economia portugue- Os estudos existentes com-
sa é a duração e profundi- provam também a existên-
dade da crise em Espanha, cia de uma forte correlação
dada a fortíssima inter- entre o prémio de risco dos
-relação entre os dois paí- mercados português e es-
ses. Espanha é o maior par- panhol. O que significa que
ceiro comercial de Portugal, a dívida pública portuguesa
sendo o destino de 25% das será fortemente penalizada,
exportações de produtos em termos de agravamen-
portugueses e de 15% das to das taxas de juro, se o
exportações de serviços. risco da dívida espanhola
Além disso, Espanha vale aumentar.
15% das receitas de turismo As simulações feitas pelo
de Portugal. FMI sugerem que a descida
No final de Março de 2009, de 1,0% do PIB espanhol,
risco

30% das responsabilidades como consequência de uma


da banca portuguesa com baixa do consumo e do
o exterior, em financiamen- investimento, faz imedia-
tos externos, estavam em tamente baixar em 0,2% o
bancos espanhóis. Cálculos PIB português e duplica este
do FMI referem que um efeito negativo nos anos
eventual colapso na banca seguintes.
espanhola faria desapare-
cer 25% dos capitais dos

liderança determinada nos próximos anos. “Até porque os resultados des- do produto e do emprego”, explica o Banco de Portugal.
sas políticas demorarão muito a tempo a materializarem-se”, asseguram Deste modo, após uma contracção de 2,8% em 2009, o emprego deve-
os analistas do Fundo. rá diminuir 1,3% em 2010 e recuperar ligeiramente (0,4%), em 2011, prevê
o banco central. Todas as projecções concordam que a taxa de desemprego
Desemprego a dois dígitos chegará aos dois dígitos, atingindo um nível recorde em Portugal.
A situação é agravada pelo facto da crise de 2009 poder “ter tido um efeito
negativo persistente, tanto sobre o nível, como sobre o crescimento poten- Foco no controlo do orçamento
cial da economia, em particular por via de uma maior obsolescência do A consolidação orçamental é crítica para prevenir mais deteriorações e
capital instalado, com impacto na produtividade de longo prazo”, refere o preservar a credibilidade externa do país, duramente conquistada. Apesar
Banco de Portugal. Ou seja, alguns sectores da economia não recuperarão da impressionante consolidação dos últimos anos, o défice orçamental
tão depressa os seus níveis de actividade pré-recessão, enquanto outros atingiu os 9,3% do PIB em 2009. Um valor sem precedentes.
ficaram para sempre obsoletos e sem capacidade de investimento para se Sem novas medidas, alerta o FMI, o défice deverá engordar em 2010,
reequiparem. O corolário é lógico: menor acumulação de capital e aumen- antes de cair para valores a rondar os 5-6% do PIB, em 2013. Grosso
to do desemprego estrutural. A evolução do emprego num horizonte até modo, o dobro do limite máximo de 3,0% admitido pela Comissão Euro-
ao final de 2011 continuará marcada pela forte contracção da actividade peia. Tão grave como a dimensão do défice, é o facto da dívida pública se
económica em 2009, “reflectindo o habitual desfasamento entre os ciclos acercar dos 100% do PIB (ver caixa).
Dada a continuada fraqueza da econo-
As perspectivas são pouco brilhantes a mia ao longo de 2010, a manutenção de
algumas medidas de apoio social e de rea-
prazo, com Portugal a continuar a crescer nimação da economia poderá justificar-se,
mas o processo da consolidação deverá, ain-
abaixo da média da zona euro. da assim, dar os seus primeiros passos este
ano. Especificamente, será importante que
o défice de 2010 pelo menos não aumente,

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SISTEMA BANCÁRIO SÓLIDO
solidez
O sistema bancário superou relativamente financiamento por grosso e aumentava a Novas medidas pró-activas fazem já parte
bem a crise financeira mundial, reflectindo já elevada concentração de empréstimos da agenda das autoridades – incluindo a
pontos fortes pré-existentes, como uma a grandes exposições. As autoridades introdução de rácios de liquidez mínimos,
exposição limitada a activos tóxicos, a tomaram medidas decisivas para fazer face que deverão ser implementados no contex-
ausência de bolha no sector imobiliário, a estas vulnerabilidades, nomeadamente to dos desenvolvimentos da arquitectura
modelos de negócio baseados no retalho, aumentando o limite de cobertura para financeira europeia e internacional. Em
e um quadro regulamentar e de supervisão a garantia dos depósitos, estabelecendo particular, o FMI refere a introdução de
sólido. Porém, algumas vulnerabilidades facilidades para recapitalizar os bancos e rácios de liquidez mínimos, uma regulação
aumentaram, à medida que as carteiras de garantir o seu financiamento e recomen- mais apertada sobre a qualidade do capital
investimento eram afectadas, a qualidade dando que todos os bancos aumentassem e uma maior cooperação entre os organis-
de crédito diminuía, tornava-se mais difícil os rácios de capital Tier1 para 8% até mos supervisores.
dar resposta às elevadas necessidades de Setembro de 2009.

o que exigirá um aperto de pelo menos 1% do PIB, face a 2009. aumento das receitas fiscais deverá também ser considerado, através do
O ajustamento nos salários da Administração Pública, que o Governo na alargamento da base de contribuintes. Se as outras medidas falharem, o
sua proposta de Orçamento de Estado já anunciou não pretender aumentar, aumento da taxa normal do IVA pode ser uma opção de recurso, sugere
será um elemento-chave, quer em termos de credibilidade, quer em termos o FMI. Também será vital que as políticas existentes para apoio da conso-
de sustentabilidade da consolidação orçamental. Será necessário que o Go- lidação a médio prazo sejam integralmente implementadas. Neste sen-
verno adopte uma estratégia credível a médio-prazo baseada em projecções tido, é importante que a alteração à fórmula de actualização do valor das
realistas e medidas concretas. Na proposta de Orçamento de Estado para este pensões (o Governo anunciou para 2010 um aumento extraordinário das
ano, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, integrou o novo sistema pensões de valor mais baixo) seja de facto excepcional e que os custos ine-
plurianual de planeamento e limitação das despesas de cada Ministério. Cada rentes para o Orçamento de Estado sejam depois recuperados no futuro.
gabinete ministerial passa agora a ter de sujeitar-se ao visto prévio para poder As políticas actuais parecem não chegar para cumprir o compromisso
aumentar a despesa autorizada e alargar os quadros de pessoal. do Governo com a União Europeia, de atingir um défice público equiva-
A consolidação orçamental deverá focar-se na redução da despesa cor- lente a 3,0% do PIB, em 2013. As estimativas do FMI indicam que, sem
rente primária, especialmente dos salários da administração pública e das medidas adicionais, o défice de 2013 andará pelos 5,75% do PIB. É preciso
transferências sociais. Mas a escala deste esforço é tão grande que um fazer mais, alerta o Fundo.

O PROBLEMA DA DÍVIDA Net International Investment Position


40
A ECONOMIA PORTUGUESA economias desenvolvidas.
é uma das mais endividadas na O aumento da dívida, no contexto 20
zona euro. A dívida pública au- de uma forte crise internacional,
mentou muito na última década, fez aumentar os prémios de risco. 0
e alavancagem financeira das Os spreads da dívida soberana
empresas também aumentou, têm mostrado uma grande volati- -20
enquanto o endividamento das lidade desde o início da crise, em
famílias, alimentado pelos baixos linha com o que se passou nou- -40
níveis de poupança, está entre tros países periféricos da zona
os maiores da zona euro. Tudo euro, como a Grécia e a Irlanda. -60
isto se reflectiu na acumulação No início de 2009, o spread Obri-
de um enorme défice da balança gações do Tesouro português face -80
corrente, financiado principal- aos Bunds alemães atingiu os 175
mente por empréstimos da banca pontos base para as emissões a -10 (Percent of GDP, 2008)
no exterior e que caminha para dez anos.
os 10% do PIB, se incluirmos as -120
PRT
ESP
GRC
IRL
SVN
ITA
FRA
AUT
FIN
CTP
NLD
DEU
BEL
MLT

transferências de capital. Um dos


piores desempenhos entre as

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Opinião

Lourenço Bray
Director da MYBRAND INTELLIGENCE UNIT

O SEGREDO
DA LONGEVIDADE
Q ue segredo está por trás das marcas que sobrevivem
no muito longo prazo? O Japão é um dos países do
mundo com marcas mais antigas. Um levantamento
identificou que o Japão tem mais de 20 mil marcas
com mais de 100 anos e oito têm mais de 1000 anos,
num universo de quase dois milhões de empresas. Criadas bem antes
da revolução industrial, na grande maioria são retalhistas ou pequenos
É certo que nem todas as marcas têm o objectivo de sobreviver
muito tempo, existindo uma diferença entre a “empresa” e as suas
marcas. O portefólio pode ser gerido de forma a ter a marca certa para
momentos específicos no tempo. Contudo, a maior parte das empresas
gostaria bastante de manter a mesma marca e torná-la cada vez mais
forte, premiando a capacidade de sobrevivência nos competitivos e
voláteis mercados de hoje. Mesmo marcas em mercados tão voláteis
negócios familiares. Uma das características que parece explicar a como tecnologia e software, como a Google ou a Apple, fazem da
longevidade destas empresas japonesas e das suas marcas é um estilo constante inovação um eixo fundamental do seu posicionamento. É
de gestão tradicional, familiar, focada nos funcionários e na excelência difícil pensar em “tradição” nestes mercados, mas talvez daqui a 50 anos
do serviço. O objectivo é fazer algo muito bem (o melhor) em vez de os consumidores possam ficar furiosos se Google alterar o algoritmo de
fazer algo mediano ou medíocre muitas vezes. Esta postura reflecte-se busca da Internet, o mesmo que já usavam há gerações.
numa reputação elevada, muito ligada aos conceitos de honra que tão Uma gestão focada na criação de brand equity e de reputação é
importantes são no Japão. No sector automóvel podemos ver na Ferrari essencial. Uma gestão focada nestes objectivos garante que o médio e
um posicionamento deste tipo. longo prazo está acima das pressões e exigências de curto prazo e pode
Em Portugal há exemplos de marcas centenárias, como as garantir um crescimento sustentado e seguro. Uma das principais
marcas de vinho do Porto, criadas nos séculos XVII e XVIII, marcas pressões de curto prazo das empresas de hoje em dia está nos
de estabelecimentos como o café Martinho da Arcada (1782) ou o accionistas. Ingvar Kamprad, fundador da IKEA, referiu diversas vezes
restaurante Tavares (1823) e marcas como a Vista Alegre, criada em 1824. que o segredo do sucesso da IKEA era ser controlada familiarmente e
Sobreviveram até hoje porque primaram por uma reputação assente na que, caso fosse detida por accionistas anónimos, teria acabado em 73,
excelência e por posicionamentos únicos e muito diferenciadores, não na crise do petróleo e em plena explosão de inflação, quando decidiu
enveredando pela massificação (em muitos casos, impossível até). manter os preços fixos e sacrificar os lucros daquele ano, em prol do
O que há em comum com todas estas marcas é a ideia de que os brand equity e da reputação da sua marca.
seus produtos são únicos e, como tal, as marcas conseguem brand equity Para poder transformar o brand equity numa ferramenta de gestão
muito elevados junto dos seus consumidores. Como sobreviveram é necessário monitorizá-lo de forma rigorosa e consistente, tendo
durante muito tempo, a própria associação de antiguidade e tradição bem presente que a performance financeira de uma empresa é bem
que estas marcas geram é um ponto forte, impossível de copiar por distinta da sua performance enquanto fornecedora de produtos e
novos concorrentes. Existem também marcas massificadas capazes de serviços. Uma empresa pode durante algum tempo ter lucros e ter
criar este tipo de reputação. A Coca-Cola, pressionada por blind tests que consumidores insatisfeitos ou pouco envolvidos, bastando uma alteração
indicavam que a Pepsi era preferida, alterou a sua fórmula de produto. de condições de mercado para fechar portas. Por outro lado, uma marca
Os consumidores rejeitaram essa mudança e a Coca-Cola recuou para pode apresentar prejuízos devido a uma conjuntura difícil, mas ter
a fórmula antiga, a mesma forma que sempre consumiram, de geração consumidores cada vez mais dedicados à sua marca, à espera de tempos
em geração. melhores para a consumir.

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» Internacional
MOÇAMBIQUE

TERRA DE SORRISOS
À ESPERA
DO MUNDIAL 2010

O turismo de Moçambique tem registado um forte crescimento nos últimos


anos devido, principalmente, a uma aposta na diversificação do seu produto
turístico (praias e eco-turismo) e cultural. Este ano esta expansão será ainda
mais evidente com o Mundial de Futebol 2010.

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Entrevista
BERNARDO DRAMOS
DIRECTOR-GERAL DO INSTITUTO NACIONAL DO TURISMO

“Moçambique está a
crescer acima das
expectativas”

Fotos Paulo Barbosa

B
ernardo Dramos esteve presente durante a Bolsa
de Turismo de Lisboa, no início do ano, e falou à
PRÉMIO sobre os projectos em desenvolvimento
em Moçambique. O que está a ser preparado para
o Mundial 2010, investimentos e atractivos turís-
ticos para captar mais visitantes a um país onde
as praias e o eco-turismo continuam a marcar
pontos…

Moçambique tem registado crescimento no turismo?


Moçambique está a crescer bastante, em certos casos acima das expec-
tativas, o que nos agrada bastante pois temos vindo a fazer um esforço
elevado para que isso aconteça. Por exemplo, o ano passado – embora não
existam ainda dados finais –, tudo indica que tenhamos um crescimen-
to de cerca de 14% em relação ao ano anterior e uma facturação acima
de 190 milhões de dólares. São números ainda por confirmar, mas que
nos dão conta de um claro crescimento neste sector. É importante referir
que este crescimento no turismo se registou nos últimos 4 a 5 anos. Por

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» Internacional moçambique
exemplo em 2005, 2006, o número de turistas estava na casa dos 700 do a fazer um trabalho de ampliação nas suas operações, o que é um sinal
mil. Neste momento estamos acima dos dois milhões. positivo, pois significa que reconhecem que há um bom ambiente para
fazerem negócio, por outro lado também reconhecem que há oportunida-
Quantos oriundos de Portugal? des de negócio. Continuamos a receber vários pedidos e demonstrações
Em 2008 tivemos cerca de 200 mil turistas portugueses a visitar Moçam- de interesse de outros investidores portugueses, no sentido de perceber
bique, acreditamos que em 2009 tenha havido um crescimento substan- melhor aquilo que é a política de investimento estrangeiro e as nossas
cial e em 2010, sendo um ano sui generis devido ao Mundial de Futebol, o condições de fazer negócios. Isso é um bom sinal e acredito que neste
número deverá extrapolar. ano e no próximo teremos outros portugueses a fazerem os seus investi-
xxxxx mentos em Moçambique. Agora mesmo na BTL tivemos vários contactos
O que é que tem contribuído para esse crescimento? de investidores, que nos procuraram para saber quais as nossas regras,
Uma das contribuições importantes para este crescimento é o aumento incentivos e benefícios fiscais.
da capacidade de acomodação. Tem-se registado um investimento tanto
do sector público como do privado, inclusive de investidores e empresá- São bons os incentivos e benefícios dados em Moçambique?
rios portugueses que têm contribuído para o incremento da capacidade É importante referir que Moçambique detém, neste momento, uma das
de acomodação. Por outro lado, o Governo também tem feito um esforço melhores plataformas de incentivos fiscais de África. O Governo de tão
de estruturar a operação no sector do turismo, o que tem atraído e discipli- preocupado com o investimento estrangeiro no sector do turismo apro-
nado de certa forma a melhores práticas do turismo, o que contribui para vou uma nova lei de incentivos fiscais e de benefícios fiscais, inclusive de
um melhor conforto para os turistas. facilitação de acomodação e de visto de permanência. Condições que são
catalisadoras e de grande interesse por parte dos investidores.
Já são muitos os grupos hoteleiros portugueses a investir em Moçam-
bique, nomeadamente a Visabeira, o Pestana ou o VIP, entre outros. Há Quantas camas existem, actualmente, em Moçambique?
mais investidores a avançar com projectos? Nesta altura a nossa estatística fala-nos em 17 mil camas. Temos vindo a
Em primeiro lugar devemos referir que os grupos que já lá estão têm vin- fazer um trabalho em Maputo para poder acomodar o que são os interes-
ses do Mundial 2010, ampliando algumas estâncias e construindo novas.
Acreditamos que antes do Mundial teremos um incremento de duas mil
camas extras.

PACOTES TURÍSTICOS Em que consiste o projecto Coplana?


Este é um dos melhores projectos que o sector de turismo tem neste mo-
3 EM 1 JÁ PARA O MUNDIAL 2010 mento. É uma marca nacional, uma cadeia nacional de hotéis genuina-
mente moçambicana, que foi desenvolvida pelo Governo de Moçambique
MOÇAMBIQUE, África do Sul e Suazilândia acabam de assinar e que está a ser construída e gerida pelo Instituto Nacional do Turismo.
um memorando de entendimento para a criação de um produto Pressupõe a construção hoteleira de nível médio, em distritos sobretudo
regional, que ofereça aos turistas a possibilidade de visitarem três
destinos num só pacote. Para já há ainda alguns pormenores a
serem ultimados, mas o director-geral do Instituto Nacional do
Turismo de Moçambique, Bernardo Dramos, garante que os pacotes
estarão disponíveis a tempo do Mundial 2010.
“Vamos fazer um marketing conjugado. A nova marca será
revelada em Moçambique, em Abril. Depois lançaremos os pacotes
na Feira de Turismo de INDABA, na província do Natal, na África do
Sul”, sublinha.
A ideia é proporcionar aos viajantes três destinos num único
pacote, usufruindo de dois ou três dias em Mpumalanga com o eco-
turismo do Kruger Park (África do Sul), dois ou três dias nas reservas,
praias e nas noites vibrantes de Maputo, e três ou quatro dias na
cultura ancestral do reinado na Suazilândia. Estes pacotes estão a ser
desenvolvidos pelos institutos de turismo dos três países e em breve
vão ser lançados a vários operadores turísticos para que os possam
vender. “Achamos que esta é uma grande plataforma para os turistas
portugueses poderem usufruir de Moçambique, em que temos a
mesma língua e aproximação histórica, mas também dos outros
destinos”, conclui Bernardo Dramos.

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» Internacional moçambique do interior e onde não há tanto poder de acomodação. Coplana é uma
peça de indumentária feminina, que hoje em dia está massificada e é uti-
lizada também pelos homens. Quando a mulher moçambicana viaja leva
sempre uma coplana consigo envolta na sua cintura ou na sua bolsa para
poder estender e sentar-se. Quando tem um bebé serve para amarrá-lo.
Então a coplana é uma peça extremamente importante do vestuário, boni-
ta, acolhedora, que acarinha e conforta. E nós achamos que esta cadeia de
hotéis é dignamente identificada usando a designação Coplana.

Como se vai desenvolver este projecto?


Acabámos de lançar a primeira unidade Coplana num distrito dos arre-
dores da cidade Maputo – em Moamba, no passado dia 21 de Dezembro.
Outras três unidades serão inauguradas nos próximos meses de Feve-
reiro e Março. Entretanto, ainda este ano daremos início à construção
de mais 20 unidades, que deverão estar concluídas até ao final de 2010.
Nessa altura mais 20 unidades terão início para estarem concluídas em
meados de 2011. Outras 20 unidades se seguirão. O objectivo é que seja
construído um total de 60 unidades por todo o país.

Como são as unidades Coplana?


O Coplana é um hotel de padrão médio (2 a 3 estrelas), o menor tem 8
quartos – 16 camas, mas em função das oportunidades específicas estra-
tégicas das unidades, da sua localização podem ser flexíveis, aumentando
a capacidade de 8 para 12, de 12 para 16 e de 16 para 24 quartos. Essa é a
estrutura arquitectónica para o Coplana.

Qual é o investimento deste projecto?


As infra-estruturas que são criadas em alguns destes distritos fazem va-
riar o preço unitário de cada hotel, até porque há zonas em que a água
Fotos Paulo Barbosa

e a luz são inexistentes, o que obriga a obras de saneamento básico. No


entanto, pensamos que o valor mínimo ronda os 450 a 600 mil dólares
por unidade, com apetrechamento e tudo.

Para além do reestruturado Parque Nacional da Gorongosa, que outros


atractivos encontram os turistas em Moçambique?
Temos uma costa com cerca de 3 mil quilómetros de praia, de águas
quentes e areia branca. Este é sem dúvida um dos produtos âncora, mas
também o eco-turismo, onde é possível encontrarem-se extensas áreas de
parques e reservas nacionais, como a Reserva Especial de Maputo, a sul
da cidade de Maputo, a Reserva do Limpopo que, combinada com o Kru-
ger Park e a parte do Zimbabué, chamamos de Grande Limpopo. Temos a
reserva de Chimanimani, a Reserva do Gilé, do Parque da Gorongosa. Só
para citar algumas, pois temos muitos outros parques e cotadas.

Moçambique detém,
neste momento, uma das
melhores plataformas de
incentivos fiscais de África.
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Internacional moçambique

Temos parques com uma reserva faunística

Parque da Gorongosa, de pássaros e borboletas para observação e estu-


dos científicos. Mas também temos a parte das
montanhas, dos lagos, as serras para o turismo

um paraíso perdido de aventura. Temos uma gastronomia fabulosa


e temos vindo a desenvolver o turismo cultural,
onde podemos referir a Casa do Escritor Cravei-
“AFRICA’S LOST EDEN” é o nome do docu- safaris, visitas a comunidades, caminhadas rinha, que já é um dos pontos turísticos mais vi-
mentário realizado pela National Geographic na montanha, passeios de observação de pás- sitados. De destacar ainda o bairro da Mafalala,
Television sobre o projecto de restauração do saros e de outras espécies. com a sua construção do tempo dos povos indí-
Parque Nacional da Gorongosa. Uma inicia- Em 2009 registou-se um aumento de visitas genas, onde a madeira e o zinco se misturam.
tiva conjunta do Governo moçambicano e do na ordem dos 40%, estando previsto um cresci-
filantropo americano Greg Carr, que visa dar mento similar para 2010. De acordo com a legis- O que está a ser preparado em termos do
a conhecer a dura realidade daquele parque lação vigente em Moçambique 20% das receitas Mundial 2010?
que nos anos 60 era reserva de referência do Turismo do Parque revertem para o Estado, Uma vez que a província do Mpumalanga, na
internacional, e que acabou por ser devastado e os restantes 80% serão dedicados à gestão do África do Sul, vai ser um dos hospedeiros de
durante os anos da Guerra da Independência Parque e ao desenvolvimento das comunidades grande parte dos jogos do Mundial, estamos a
e da Guerra Civil. locais. Para já está em funcionamento o primeiro trabalhar em conjunto, no sentido de fazer com
O acordo entre o Governo de Moçam- complexo turístico do Parque, o “Acampamento que os turistas possam ficar sediados no Mapu-
bique e Greg Carr tem uma duração de 20 de Safaris de Chitengo”, que dispõe de nove to, porque ficam apenas a duas horas de carro
anos e prevê um investimento total de 40 cabanas climatizadas, num total de 18 quartos daquela província sul-africana.
milhões de dólares. Até lá muito há a realizar, com capacidade para receber 36 pessoas, um Mas também está a fazer-se um trabalho in-
apesar do muito que já foi feito, sendo que o restaurante/bar, duas piscinas exteriores, uma terno, no incremento de camas, nomeadamen-
investimento será utilizado de forma faseada loja de artesanato e serviço de lavandaria. te com a possibilidade de serem colocados pa-
na construção de zonas hoteleiras, parque Outras estruturas hoteleiras estão já em quetes na Baía de Maputo, se assim se justificar.
de campismo, áreas de serviços (restauran- projecto, em zonas não exploradas do Parque
tes, piscinas, centro interpretativo, centro de bem como na Serra da Gorongosa, que serão E em termos de acessibilidades?
conferências, loja de artesanato, entre outros) adequadas a safaris, mas com reduzido impacto Sei que haverá um incremento de voos Lisboa/
e programas de actividades que incluem os ambiental. Maputo/Lisboa, tenho essa informação, para

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Miguel Mkaima, Embaixador de Africanos que terão lugar em 2011. Para isso
Moçambique em Lisboa, esteve estamos a construir novos estádios, centros
presente na BTL em Lisboa de acomodação para atletas, campus olímpi-
cos e tudo isto é também acompanhado em
além dos voos habituais. Eu sei que a matéria de turismo, acomodação hoteleira,
TAP e LAM irão encontrar uma platafor- lojas, restauração, casinos, etc. Daqui em
ma de melhor acesso. Estamos também diante estamos numa fase em que vamos
a aumentar o número de voos via Mapu- em cadeia, temos o Mundial, depois os Jogos
to, Cape Town, Joanesburgo. Pan Africanos, o Mundial do Hóquei em Pa-
tins, Campeonato de Xadrez. Enfim, come-
E a segurança como está a ser tratada? çamos a ser um país onde
Moçambique é um país que está em se podem realizar
paz, que tem um povo bastante hospi- grandes eventos, tanto
taleiro, com um sorriso rasgado, o mo- a nível de África como
çambicano é uma pessoa de fácil acesso. do mundo.
A cidade de Maputo é bastante segura e
onde se pode andar à noite, obviamen- Vão marcar presença
te com todas as cautelas necessárias. em outras feiras de tu-
O Conselho Municipal está a trabalhar rismo este ano?
seriamente para aumentar as condições Nós temos um ca-
de segurança, o Instituto Nacional de lendário de presença
Turismo junto com os operadores está a significativa em vários
trabalhar para aumentar os transportes pontos e feiras de tu-
Fotos Paulo Barbosa

turísticos, isto é aumentar consideravel- rismo. Estaremos na


mente o número de táxis, de mini bus e FITUR, em Madrid,
de mega bus de luxo para turistas. na ITB (Alemanha),
no INDABA (Áfri-
E quanto à formação? ca do Sul), na WTM
Uma das responsabilidades do Insti- (Londres). Apostamos
tuto Nacional de Turismo é a formação, também entrar em novos mercados, temos
e nós temos vindo a fazer um trabalho mercados importantes em matéria de turis-
muito forte nesta área. No ano passado,
por exemplo, fizemos uma campanha de A formação em mo, como o russo.

formação de formadores, formámos cer-


ca de 270 formadores e continuaremos a diversas áreas Se pudesse endereçar um convite aos portu-
gueses, o que lhes diria?
trabalhar em várias áreas. Formadores em
matéria de higiene alimentar, de gestão de ligadas ao turismo Gostava de convidar os portugueses, se-
jam eles empresários ou cidadãos comuns
quartos, gestão hoteleira. Gerimos uma
escola de formação em Maputo que tem tem sido uma das que queiram fazer turismo, a fazer uso de
Moçambique como um destino turístico.
servido de alavancagem. Temos parcerias
importantes com o Brasil que nos tem grandes apostas do Temos todas as condições de conforto e
continuamos a criar ainda mais.
vindo ajudar e com o Turismo de Portugal.
O turismo está a crescer muito e toda a Instituto Nacional Consideramos que por razões cultu-
rais, linguísticas e de outra natureza somos
formação que damos é absorvida imedia-
tamente pelo mercado, que tem bastante de Turismo. um destino preferencial dos turistas por-
tugueses. Achamos também que podemos
sede de profissionais capazes e hábeis ser um destino de alavancagem do turismo
para poder atender à procura do turismo. dos Palop’s: Moçambique detém um poten-
cial turístico elevadíssimo.
Moçambique irá receber os Jogos Pan Africanos 2011. Estão a ser pensados Ao mesmo tempo queria convidar os investidores portugueses e ope-
novos projectos para receber este evento? radores a investir em Moçambique. Moçambique é um país imenso do
Actualmente Moçambique entrou num nível que não pode ter retrocesso. ponto de vista geográfico e do ponto de vista de potencialidades. É um país
Encontrámos desafios para fazer uma série de coisas, nesta altura estão de coração grande do ponto de vista de acolhimento. Temos 3500 km de
feitas, começamos a criar as alavancagens e, neste momento, estamos a praia, dos quais mais de 50% são costa virgem. No interior temos lagos,
preparar-nos para receber condignamente a avalanche do Mundial. Em montanhas, rios. Eu costumo dizer que em Moçambique é possível fazer
simultâneo estamos a aprontar-nos para melhor atender os Jogos Pan qualquer tipo de turismo, menos esquiar na neve.

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Internacional evento

TAÇA AFRICANA
DAS NAÇÕES ORANGE
ANGOLA 2010

O Egipto consagrou-se campeão, pela sétima vez, na final da Taça de África


das Nações Orange Angola 2010, que decorreu entre os dias 10 e 31 de
Janeiro, nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango.
Por ACV

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Q uando, em Maio de 2008, o Fernando Fernandes, da C&C, e
eu mesmo nos deslocámos a Angola para apresentar o esboço
do que seria a nossa ideia para um Campeonato perfeito, está-
vamos longe de saber duas coisas: a primeira, que ganharía-
mos o concurso aberto pelas autoridades angolanas – e em que extensão o
Nesta altura tínhamos junto à equipa duas outras empresas parceiras
e uma pessoa que nos ajudou e muito a ganhar a confiança dos nossos in-
terlocutores angolanos: a Puromix, do meu velho e querido amigo Vicente
Carvalho, a Realizar, entidade com créditos firmados na matéria e com a qual
cedo nos entendemos sobre o facto de precisarmos uns dos outros e, claro, o
ganharíamos – e, a segunda, se seríamos bem sucedidos na montagem dos Carlos Silva, o nosso 3D man, com o qual estabeleci uma empatia imediata.
projectos, caso ganhássemos as cerimónias, pois trabalhar num continente O Vicente ficou encarregue de dirigir todo o projecto na minha ausên-
diferente parecia-nos um desafio interessante mas arriscado. cia – e dirigiu-o como eu não saberia fazê-lo -, o Paulo Pereira soube, como
Um ano passado, quando finalmente nos adjudicaram os trabalhos aos ninguém, pegar nas minhas ideias iniciais e transformá-las em cerimónias
quais as autoridades angolanas entenderam que poderíamos trazer valor factíveis e belas, juntando-lhes criatividade, arquitectando soluções para as
acrescentado, ficámos com uma tarefa hercúlea entre mãos. O tempo era transpor para o terreno, o Carlos Silva aprimorava as apresentações - e se elas
escasso, a definição do que se pretendia que fossem as cerimónias não era foram precisas – e por aqui nos ficámos... As outras vertentes do projecto
clara – quer entre ministérios em Angola, quer entre estes e a Confederação perfeito por nós apresentado não foram retidas pelo Comité Organizador e,
Africana de Futebol e, portanto, o desafio interessante mas arriscado passou algumas, acabaram por não ser realizadas. Mas delas não rezará a história.
definitivamente a arriscadíssimo e perigoso para a nossa reputação. Em Julho as equipas do Ministério da Cultura e do COCAN chegam à

O encerramento do espectáculo ficou marcado por um


espectáculo de pirotecnia que deu ainda mais brilho ao estádio
11 de Novembro, em Luanda

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Internacional evento

Taça Africana das Nações Orange Angola 2010


conclusão de que desenho pretendiam e de que aspectos culturais seriam
de destacar – o que era para nós essencial, pois sem a Cultura a intervir tí-
nhamos pouco conhecimento da realidade Angolana -, começam os ensaios,
começa a produção de roupas, calçado, o Adriano toma conta da logística de
toda a operação com o Vicente e, devidamente auxiliado pelo Manuel Palmei-
ro e pelo Nuno Van Uden, as equipas de motoristas lideradas pelo Agostinho
Panda tornam-se cada vez mais imprescindíveis.
Chegava-se a Outubro (a data do sorteio era fixada a 20 de Novembro)
e surge a primeira prova da real importância do Carlos Silva: somos chama-
dos a apresentar o projecto em Conselho de Ministros e só tínhamos que ser
consistentes e o mais possível fiéis ao que iríamos apresentar na realidade.

África gostou
e os angolanos perceberam
que cumpríamos com
o prometido.
Veio o sorteio, que correu bem, com meia dúzia de percalços que – como
dizemos na nossa profissão – só nós é que percebemos terem existido. Co-
meçou o frenesim da preparação da abertura, os problemas de transportes,
de vistos, de seguros de saúde, de alojamentos, de alimentações, de serviços
de terceiros – e foram muitos os que contratámos em Angola -, a aquisição
da fibra óptica e os geradores de suporte à boa execução dos projectos, enfim,
tanta e tanta coisa que ia surgindo no dia-a-dia e que eu ia conhecendo a espa-
ços, pois as equipas pouparam-me a muito.
A abertura foi – peço desculpa pela vaidade – muito bonita. Integraram-
-se os valores culturais e civilizacionais que o Ministério da Cultura entendeu
relevantes com as tecnologias e sistemas de exibição que a nossa equipa de
trabalho pensou e construiu e, repito, África gostou e os angolanos percebe-
ram que cumpríamos o prometido.
Começou, então, a aventura que levaria o Egipto à sua séptima consagra-
ção como campeão de África em futebol. Angola, tal como se previra, lutou
com galhardia e o jogo que perdeu com o Gana soube a pouco. Estivesse
Manucho mais inspirado e a história seria contada de outra forma.
Mas os angolanos não desarmaram e a presença nos estádios, o apoio
às selecções que ainda estavam em prova, o respeito por Suas Excelências o
Ministro da Juventude e Desportos e a Ministra da Cultura ganhavam outra
dimensão, mesmo por parte de quem os quis criticar antes de tempo.
A última prova estava prestes a acontecer. Se tudo corresse bem as au-
toridades angolanas veriam que o que fazemos é com seriedade e Angola
ficaria com uma imagem muito positiva aos olhos do Mundo a que a força
das televisões leva as imagens. E, uma vez mais, as equipas que no terreno
montaram a operação – entre os dois ministérios e a Cunha Vaz & Associa-
dos e seus parceiros (Puromix, Realizar e C&C) – mostraram o nível a que se
pode actuar. Angola mostrou que é capaz e criou uma imagem de qualidade
que é definitivamente outro padrão na história da competição.
Não posso nem seria justo terminar este texto sem um sentido agrade-
cimento a todas as autoridades angolanas que connosco colaboraram e ao
nosso Colega e Amigo Carlos Garcia. Sem o Carlos e toda a sua intervenção
junto de todos e cada um dos interlocutores nada teria sido possível.
Quanto ao resto, as imagens falam por si.

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Opinião

Ângelo Ramalho
Presidente da Alstom Portugal

MOBILIDADE
N
o ano 2000, o tráfego na ponte 25 de Abril continuou rapidamente a posição relativa que ocuparam até ao final dos anos 80.
a crescer, apesar do comboio na ponte ter entrado em Na Europa, a Alta Velocidade Ferroviária permitiu o aparecimento
serviço um ano antes, da ponte Vasco da Gama ter de um novo perfil de utilizador: passageiro frequente de longa distância.
entrado em serviço dois anos antes e de estar a exceder Nos países onde a AVF existe é agora possível trabalhar numa região e
todas as expectativas iniciais de tráfego. Afinal, que viver noutra! Resulta daqui evidente melhoria da qualidade de vida das
fenómeno ou fenómenos se passam? Um é de diagnóstico imediato: pessoas e consequente mudança das tendências urbanas e económicas.
mesmo existindo transporte público a intermodalidade entre meios de O exemplo está já aqui ao lado. O corredor Madrid-Sevilha (471km em 2h
transporte não existe, logo os meios de transporte públicos tornam-se 30m de viagem) serve 7,7 milhões de pessoas, passando por Cuidad Real
inconvenientes porque desconfortáveis em sentido lato. E se há reforço e Córdoba. Este corredor movimenta cerca de 6 milhões de passageiros
da opção rodoviária a escolha do meio de transporte individual torna-se por ano. Cuidad Real, uma localidade a cerca de 170 Km de Madrid
evidente. Como as cidades não comportam os incrementos de fluxo insignificante até ao aparecimento do AVE, Alta velocidade Espanhola,
rodoviário, os congestionamentos de tráfego são permanentes e os tornou-se num novo “dormitório” de Madrid, numa cidade nova, bem
engarrafamentos não são apenas desastrosos para os nervos, custam caro planeada urbanisticamente, onde se pode viver com qualidade “ao lado” do
à produtividade Europeia, ainda mais em Portugal onde a produtividade local em que se trabalha.
(valor acrescentado) é baixa. Estima-se que na União Europeia os custos de Como comparação, o caso português da actual ligação Lisboa-Porto no
congestionamento de tráfego rodoviário representem 0,5% do PIB. serviço mais rápido disponibilizado pela CP: o Alfa Pendular. A dimensão
Consideremos três áreas metropolitanas da península, as que nos são populacional é idêntica, cerca de 7 milhões de pessoas, a distância de 300
mais próximas: Lisboa, Porto e Vigo. A mobilidade “interna” deste eixo km é significativamente mais curta. A CP oferece o melhor tempo de
oeste/atlântico Lisboa - Porto - Vigo, é especialmente baixa quantitativa deslocação em 2h 35m; mas sem qualquer garantia ao utente. Os atrasos
e qualitativamente, sobretudo quando nos estamos a referir a uma área são frequentes e às vezes significativos, não porque o Alfa Pendular
relativamente pequena (uma faixa de 450x50 Kms) mas que é uma não seja um comboio excelente, mas porque não há via disponível para
das zonas mais densamente habitadas da Europa, com cerca de oito este circular nos tempos requeridos; a via está saturada e os comboios
milhões de pessoas. Hoje, são necessárias sete horas para ser percorrida não se ultrapassam uns aos outros! E o fluxo entre as duas cidades no
longitudinalmente, utilizando meio(s) de transporte público! Assim, Alfa-Pendular é de apenas 1,2 milhões de passageiros ano, que compara
não é possível que estas áreas metropolitanas actuem entre si, de forma com 6 milhões do AVE Madrid-Sevilha!!! Os números são elucidativos e
colaborativa, potenciando o desenvolvimento desta região. suportam a óbvia conclusão que se pode tirar.
No respeitante estritamente ao caso português, trata-se mesmo de Os projectos estruturantes, nomeadamente os ferroviários, grandes
uma questão de coesão territorial, uma vez que, dentro em pouco, Vigo e ou pequenos, são sempre projectos de ciclo longo, desde as suas fases de
Madrid estarão ligados em Alta Velocidade Ferroviária. Quando falo em desenvolvimento e planeamento, passando pela alocação de recursos e,
coesão territorial, falo particularmente em igualdade de oportunidades naquilo que é mais visível, a sua implementação. São de capital intensivo e
entre as regiões norte e sul do país: Lisboa tornou-se uma região auto- de financiamento sempre alavancado pelos estados promotores, qualquer
suficiente com níveis de rendimentos próximos da média europeia, a que seja o modelo em qualquer parte do mundo. Como tal, não são
região do Porto, e do Norte, tornaram-se das mais pobres do país, da compressíveis em ciclos eleitorais. É no respeito pelos seus principais
Península e da Europa, deprimida e fechada sobre si própria porque ferida beneficiários, indubitavelmente as gerações futuras, que se requerem
no seu orgulho, com dificuldade em encontrar soluções para desenvolver processos de decisão maturados, e que todas as partes envolvidas
o seu network, as suas ligações potenciadoras de desenvolvimento assumam o seu posicionamento de forma coerente, transparente e que os
económico e consequente desenvolvimento social, no mínimo recuperar processos, uma vez consolidados, sejam consequentes.

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Sociedade instituição

UNIÃO DAS MISERICÓRDIAS

O DESAFIO DE UMA
MISSÃO COM MEIO
MILHAR DE ANOS
A UMP, ou União das Misericórdias Portuguesas, agrega um conjunto
de 392 Misericórdias em Portugal, uma estrutura cuja missão é a ajuda
a terceiros e com assumidos objectivos altruístas.
Por Vítor Norinha

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D
ito isto, pergunta-se como conseguiu esta estrutura sobrevi- Social, mas também de donativos, da exploração do respectivo património
ver aos últimos 50 anos, tendo passado pelos Descobrimen- imobiliário, mas também de contribuições familiares em algumas das valên-
tos, pelo caminho marítimo para a Índia, pelas invasões cias. É uma estrutura muito pesada porque acaba por fazer aquilo que não é
napoleónicas, pelo advento do liberalismo, pelos conflitos economicamente rentável e, logo, entra na missão altruísta de ajudar.
sociais do final do século XIX, pela implantação da Repú- A UMP tem lançado desafios para o interior da estrutura, mas tem lan-
blica, pelo salazarismo, pela guerra colonial e, mais recentemente pelo 25 çado reptos, muito em particular, ao Governo. Criar emprego será um dos
de Abril. papéis cruciais destas estruturas nos tempos mais próximos. Com o desem-
As instituições funcionam autonomamente, mas são representadas pela prego a superar as 550 mil pessoas em idade activa, o programa “Iniciativa
União, liderada por Manuel Lemos. Emprego 2009” permite às instituições de solidariedade social apoiar o Go-
O universo das Misericórdias em número é impressionante, pois em- verno no objectivo de atenuar o flagelo da década. O trabalhos das Santas
prega mais de 50 mil pessoas, o que significa quase 500 milhões de euros Casas e da IPSIS no apoio comunitário está a crescer, em proporção com a
de salários anualmente e um orçamento de exploração que atingiria 800 crise social, e a formação de novos colaboradores para o preenchimento de
milhões de euros, se fosse consolidado. Tem activos tão diferentes como hos- vagas tem permitido encolher a vasta lista de pedidos de emprego que estão
pitais (19), farmácias (837), uma escola superior, um laboratório clínico e até na Segurança Social. O desemprego passou, entretanto, a assumir contornos
uma posição num banco. novos, sendo que os jovens, licenciados ou não, são os primeiros a sofrer,
A actividade destas instituições tem-se alargado nos últimos anos, com o mas também pessoas em idade activa e com algumas dezenas de anos de
envolvimento no turismo e hotelaria, ou na pequena produção ao nível da profissão. A resposta, via a empregabilidade por estas Instituições, acaba por
agro-indústria, ou ainda nas energias renováveis. evitar que as famílias entrem em colapso ou engrossem os “exércitos” dos
Mas, a crise recente obrigou as Misericórdias a recentrarem- necessitados.
-se naquilo que sabem fazer melhor: ajudar os carenciados e As valências das IPSIS e das Misericórdias vão adaptando às necessida-
actuar na vertente da saúde, com destaque para os cuida- des, com a oferta de refeições diárias a subir rapidamente. As mesmas famí-
dos continuados. lias estão a sentir-se incapazes de responder a outras necessidades, como seja
Os problemas sociais, o desemprego de mais o pagamento de creches e jardins-de-infância que são geridos pelas Miseri-
de meio milhão de pessoas, as dificuldades córdias e a solução encontrada pelos pais é pedir uma redução das mensali-
dos jovens, o aparecimento de uma nova dades. O problema tende a agravar-se a as instituições de solidariedadeterão
classe de pobres, que antes chegaram a de rapidamente encontrar alternativas de financiamento, sob pena do colap-
ser classe média, o não saber o que fazer so atingir quem ajuda.
aos idosos e, muitas vezes, o seu abandono, Manuel Lemos explica, na entrevista, esta problemática de pedidos de
ou ainda as crianças abandonadas por famílias ajuda para redução do esforço mensal, que se estende também os utentes
desestruturadas, são missões para as Misericórdias. seniores. O presidente da UMP diz que ainda não sentiu as famílias a reti-
Vivem das contribuições do Estado, via Segurança rarem filhos ou pais das instituições por falta de condições económicas para
suportarem os custos mensais. Mas informações de Misericórdias vão no
sentido de que essa é uma das opções das famílias perante o crescimento
das dificuldades.

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Sociedade
Manuel Lemos tem alertado, várias vezes,

Entrevista ao presidente da UMP


para a sustentabilidade das instituições de so-
lidariedade. Tem afirmado: “Não nos estran-
gulem”, e à PRÉMIO afirma que o Estado tem
comparticipado, embora tardiamente, na ques-
tão dos cuidados continuados.
As Misericórdias não pretendem substi-
tuir-se ao Estado, até porque não querem, não
têm vocação e historicamente apareceram para
“ajudar o próximo” e não para consolidar regi-
mes. As suas valências nas áreas da Saúde e as-
sistência a crianças ou a idosos são, no entanto,
cruciais nos tempos que correm, até porque es-
tão organizados, têm o know-how, têm os técni-
cos e conseguem responder com custos baixos,
devido à sua estrutura não lucrativa, mas que
pretende apenas manter-se financeiramente
equilibrada.

Negócios possíveis
A Turicórdia foi uma iniciativa do Padre Vítor
Milícias dentro da UMP e que Manuel Lemos
tem mantido e incentivado. O actual presidente
diz que o projecto ligado ao lazer e turismo é
um sucesso e, na verdade, a área Assistencial
tem massa crítica para criar um modelo de lazer
e turismo vocacionado para a população sénior.
Na prática, o lazer faz parte das suas obrigações
e serviços e a criação de uma estrutura própria
pode significar agilidade na pesquisa de rotas,
itinerários, hotéis, soluções e respostas. Ate há
pouco tempo, estavam envolvidas 15 Misericór-
dias na promoção do turismo local, sendo que

“Sem o sector social


seis eram detentoras de unidades hoteleiras,
caso de Trancoso, Arruda dos Vinhos, Golegã,
Vieira do Minho, Albufeira e Palmela. A Turi-
córdia nunca pretendeu criar unidades hotelei-

não sairemos
ras, mas sim dar resposta a programa turístico
e que sem colocar em causa a sustentabilidade
das Santas Casas, beneficiem idosos e jovens
que usufruem de respostas sociais.

da crise”
Os activos imobiliários das várias Miseri-
córdias poderão servir de suporte a este negó-
cio, que pode ser entendida na vertente social
para os utentes das instituições e que poderá
ter uma valência lucrativa para outros eventu-
ais interessados. As Misericórdias começaram por ser
Conjugado com este negócio promissor es-
tão outras actividades, como a área de seguros necessárias e hoje são imprescindíveis porque
onde a Securicórdia presta, há 25 anos, soluções
neste nicho de mercado. As Misericórdias têm
são ágeis e flexíveis e têm valores. É desta forma
tido protocolos interessantes com a banca, o que
tem, na prática, tornado desnecessário o envol-
que Manuel Lemos, presidente da União das
vimento neste tipo de projectos. Manuel Lemos Misericórdias Portuguesas (UMP), antevê o
refere, na entrevista, que nas Misericórdias as
coisas acontecem devagar e “saem de baixo para futuro desta organização com quase 500 anos.
Cont. pág. 62
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tados, activos de que são proprietários e participações sociais em empresas?
É impossível descrever em algumas linhas o que são hoje as Misericórdias.
Só posso dizer que assumiram uma importância e dimensão que nunca tive-
ram antes. No passado, eram necessárias, hoje, são imprescindíveis.
Deixo, apenas, dois números: cerca de 50 mil empregos directos e outros
tantos indirectos. E se fosse possível consolidar um único orçamento de ex-
ploração, os orçamentos das cerca 400 Misericórdias, estaríamos a falar em
800 milhões de euros/ano.
Felizmente, não é!

Que investimento é feito anualmente pelas Misericórdias em formação?


De que forma têm aproveitado os fundos públicos? Que papel tem tido a
UMP na vertente formativa?
A preocupação e o desígnio da qualidade levou-nos a fazer da Formação um
instrumento decisivo em termos de acrescentar valor à nossa Missão. Nes-
se quadro, julgo que temos aproveitado bastante bem os fundos públicos. A
UMP tem um departamento de Formação próprio que se revê na sua coope-
ração com o Estado e que as Misericórdias acarinham.

Em que áreas está a União das Misericórdias mais activa e de que forma as
várias Misericórdias são sensíveis às propostas da UMP?
As nossas áreas core são: as Respostas Sociais (a vulgarmente designada área
de Assistência Solidária), a Saúde e o Património Cultural. Considero que
a sensibilidade das Misericórdias às propostas da UMP é muito positiva e
aumenta todos os dias, porque procuramos responder às suas necessidades.
Não actuamos de cima para baixo, mas sempre de baixo para cima, isto é,
conversamos com as Misericórdias antes de lançar as propostas para que es-
tas se adequem ao que as Misericórdias pretendem.

Que ligação tem a UMP com congéneres nos países de expressão portu-
guesa?
Fazemos parte da C.I.M. (Confederação Internacional das Misericórdias), a
que me honro de presidir e que é um importante espaço de dialogo universal.

Qual o papel do sector social na actual crise de solidariedade, de emprego


e de valores?
O papel do Sector Social na actual crise é determinante. Direi mesmo que,
sem ele, não sairemos da crise. Os grandes fóruns mundiais, formais e infor-

A
mais, têm hoje clara consciência disso. Da União Europeia a Davos, de Barak
actuação das Misericórdias centra-se no sector social, com Obama a Durão Barroso, todos apostam no Sector Social para sair da crise.
destaque para a saúde. A crise económica acentuou a neces-
sidade de ajuda às famílias e de respostas rápidas. Mas, Ma- Como estão as Misericórdias a reagir ao aumento da procura de serviços
nuel Lemos, presidente da UMP, frisa nesta entrevista que por carenciados, alguns dos quais nunca necessitaram de ajuda alimentar,
as Misericórdias não se querem substituir ao Estado. Cada médica e outras?
um tem o seu papel, sublinhou. O gestor é crítico em algumas situações, caso O melhor que podem! Mas, não queremos substituirmo-nos ao Estado.
da aplicação correcta do princípio da complementaridade para a vertente da Quando não havia Estado era uma coisa! Agora felizmente as responsabi-
Saúde, ou ainda nos atrasos ao nível das comparticipações nos cuidados con- lidades pertencem em primeiro lugar ao Estado, de acordo com o quadro
tinuados. Manuel Lemos defende uma organização virada para o futuro. O constitucional. Somos complementares e sentimo-nos bem assim.
turismo sénior é uma vertente que a Turicórdia, lançada por Vítor Melícias, e
que Manuel Lemos diz ter resultados surpreendentes, ou ainda a exploração Considera que há bolsas de pobreza sérias em algumas regiões do país? E
do potencial das energias renováveis, para além do caso dos serviços partilha- em que classes e faixas etárias é mais nítido?
dos, cujo melhor exemplo é a associação de algumas Misericórdias ao SUCH. Existe a pobreza tradicional muito ligada ao envelhecimento, no Portugal in-
O rico património de muitas das quase 400 Misericórdias existentes levou o terior, e cada vez mais uma nova pobreza, mais urbana e jovem, no litoral.
presidente da União a defender a ideia de um Museu Nacional Virtual.
As Misericórdias estão a sofrer com a perda de utentes nas creches, jardins
O que é hoje o conjunto das Misericórdias em números, em valores movimen-

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Sociedade entrevista
embora o nosso objectivo não
seja tanto esse, mas o de apoiar
a circulação de pessoas em sede
de lazer.

Que resultados apresenta a Tu-


ricórdia?
A Turicórdia é um projecto de
longo prazo, precisamente para
apoiar as Misericórdias em ter-
mos de lazer. Surpreendente-
mente, ou talvez não, os resulta-
dos são muito positivos.

Existem ou estão a ser nego-


ciados protocolos na área do
turismo com outras entidades
locais sem fins lucrativos, caso
de mutualidades ou entidades
de capital público?
Como disse atrás, e de resto é
tradição das Misericórdias, nada
acontece a correr. “Piano, piano,
se va lontano”.

de infância e lares de idosos? As famílias estão a retirar os


utentes por questões económicas?
As Misericórdias sobreviverão
Neste momento não registamos perda de utentes por razões
económicas. O que temos é famílias a solicitar ajustes nas com-
enquanto preservarem a sua
participações.
identidade, a sua natureza e a
O Dr. Manuel Lemos disse, em tempos, que as Misericórdias
funcionam em contra-ciclo, mas o seu equilíbrio não pode
sua autonomia em relação a
ser prejudicado pelo Governo e referiu a Saúde. Referia-se a
quê, concretamente?
todos os poderes.
O que está em causa é a aplicação correcta do princípio da com-
plementaridade. Num país pobre e com um défice elevadíssi-
mo como o nosso não faz sentido, em saúde, aumentar a despesa pública A área da banca e seguros é interessante para a UMP?
quando o Estado pode recorrer e obter “ganhos em saúde” nas Misericórdias. Na banca, temos vários protocolos com várias entidades financeiras, desde o
Não faz pois sentido que num momento difícil o Estado crie dificuldades à BES à CGD. Nos seguros, temos, há mais de 25 anos, uma participação maio-
nossa actividade, porque, em boa verdade, o que está é a criar dificuldades ritária na Securicórdia, que é mais um instrumento de apoio às Misericórdias.
aos cidadãos.
Existem outros negócios potenciais, caso das energias sustentáveis ou de
O ministério da Saúde está, ou não, a assumir as suas comparticipações a indústrias locais, onde o sector social poderá entrar?
nível dos cuidados continuados? O Sector Social e a Economia Social podem desenvolver-se em qualquer sec-
Está sim! Com atrasos, mas está! tor da actividade humana. As Misericórdias têm uma longa tradição de diver-
sificação de actividade. Mas faz todo o sentido aproveitar o sector social para
A diversificação de investimentos, para a área da hotelaria e turismo, foi produzir energias renováveis. Não tanto em termos de se associar em termos
uma das ideias lançadas oportunamente? Existem Misericórdias que já societários, mas de utilização dos seus espaços.
começaram a aproveitar o respectivo património imobiliário para avançar
para estes negócios? O Governo continua a não autorizar as Misericórdias a explorarem energia
Um dos must do século XXI vai ser o lazer. As Misericórdias limitam-se a fotovoltaica nas suas instalações e em condições semelhantes às da Par-
acompanhar esse must, como de resto muitas ONG o fazem por essa Europa que Escolar?
fora. Quando o Dr. Vítor Melicias lançou a Turicórdia foi com esse objectivo. É, de facto, assim. Mas a UMP continuará a insistir com o Governo no senti-
E de facto, já várias Misericórdias lançaram algumas experiências nessa área, do de encontrar soluções no âmbito da cooperação mútua.

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Sociedade entrevista
A vertente de saúde lucrativa está a ser devidamente explorada pelas cima”, ou seja, as grandes orientações não são propostas e muito menos impos-
Misericórdias? tas, mas discutidas entre as Misericórdias e, em caso de consenso, são lançados
Não. As Misericórdias não olham para a Saúde como um negócio. “As- os projectos. Trata-se da “democratização” da actividade social.
sistir aos Enfermos” é uma Obra de Misericórdia e é nesse plano que as Mas têm surgido ideias mais arrojadas, como foi a entrada no negócio
Misericórdias se movem. Os portugueses percebem isso bem. das energias alternativas. Manuel Lemos confirmou que continua à espera
de ter o mesmo tratamento que a Parque Escolar para entrar na energia foto-
Existe o eventual problema de incompatibilidade entre a missão das voltaica, afastando o modelo dos painéis solares por serem uma solução ultra-
Misericórdias e a actividade do negócio lucrativo? passada. Na prática, aquilo que se pretende é usar o espaço e a localização e a
As Misericórdias, enquanto Instituições de Economia Social, não visam diversificação geográfica das várias estruturas para as colocar na produção de
lucro. O lucro é a remuneração de capitais. Ora, as Misericórdias não têm energia limpa que seria revendida à incumbente nacional, reduzindo desta
capital, o que têm é Fundo Social. Mas, as Misericórdias devem, em nome forma os custos energéticos das estruturas. São ideias que vão surgindo entre
da sua sustentabilidade ao longo dos séculos, perseguir o objectivo de ob- as Misericórdias.
ter resultados positivos da actividade. O aproveitamento do espólio cultural e religioso que várias Misericórdias
possuem é algo que tem passado pela discussão dentro da União. Manuel
Existe algum projecto para o lançamento de empresas para serviços Lemos duvida da capacidade desse património se transformar num activo
partilhados entre as Misericórdias, caso de área de contabilidade, sof- capaz de gerar um novo negócio. Frisa que o património é de cada uma das
tware, viagens, frota e gestão automóvel e outras? Misericórdias, que vão cuidando dele e tem vindo dentro da UMP a criar algo
Ainda não. Mas como sabe os hospitais estão já a desenvolver esse caminho que parece exequível e que não é mais do que um Museu Virtual com esse
através do SUCH, e muitas Misericórdias são também associadas do SUCH. património e que estaria acessível a todos, sem deixar de ser património de
cada uma das Santa Casas. É uma solução para algo que está muito disperso
A suspensão do Código Contributo foi um alívio para as Misericórdias e que envolve grandes custos de manutenção.
em termos de taxa social única? Por último, a entrada na agro-indústria tem sido tentada por várias
Não coloco o problema nesses termos. As Misericórdias tinham alcançado Misericórdias, aproveitando especialidades locais e, muitas vezes, ligadas a
um acordo prévio com o Governo que consideraram justo. produções reduzidas e familiares. Um exemplo recente é a Misericórdia de

Quais os resultados do protocolo


assinado há um ano com o Governo
Conversamos com as
no âmbito da “Iniciativa Emprego
2009”?
Misericórdias antes
Ainda não dispomos de números fiá-
veis sobre essa matéria.
de lançarmos propostas,
De quem é a responsabilidade do
para que estas se adeqúem.
restauro e preservação do vasto pa-
trimónio artístico, arqueológico, his-
tórico e religioso das Misericórdias? Vila Verde com a produção de pão, enquanto Amares coloca compotas no
Seria útil a criação de um museu na- mercado, o Vimieiro está nos enchidos e Valpaços está na criação de animais
cional do espólio das Misericórdias? (javali). São exemplos ímpares de iniciativas diferentes e arrojadas.
De cada uma das Misericórdias envolvidas. Tenho muitas dúvidas sobre Manuel Lemos tem frisado o objectivo de Missão das Misericórdias por-
essa utilidade embora já tenha ouvido referências a ele. O Património de tuguesas e, em várias ocasiões tem sublinhado que não se deve confundir
cada Misericórdia pertence à sua Comunidade e, por isso, faz sentido que desenvolvimento económico, com combate à pobreza, com emprego e com
cada uma delas disponha de um espaço para que a Comunidade se reveja satisfação das pessoas. As Misericórdias têm respondido, não apenas nos
na sua Misericórdia. Mas, acho muito bem vinda a ideia de um Museu quase quinhentos anos de existência desde o seu nascimento mas, muito
Nacional Virtual. Estamos a trabalhar nisso. em particular nos últimos anos em que a crise económica se transformou
numa brutal crise social. A resposta continua ser baseada na Missão de servir
Acredita que as Misericórdias terão mais 500 anos de missão social? o próximo, numa missão altruísta.
Só mais 500 anos? Como disse um dia o Rei Luís XIII, de França, quando A “corrida” às Misericórdias começou há muito e as respostas vão depen-
fez 90 anos, a um gentil homem que lhe desejava que atingisse os 100: der de ajudas estatais, mas também da solidariedade. No entanto, a inovação,
“Meu filho, não ponhamos limites à bondade de Deus.” a exploração do potencial do património e as pessoas que compõem esta es-
Um pouco mais a sério, sempre direi que as Misericórdias sobreviverão trutura secular são a “chave” de uma resposta ágil e séria. A UMP tem feito
enquanto preservarem a sua identidade, a sua natureza e a sua autonomia chegar as mensagens aos decisores e tem obrigado a recordar que a Missão
em relação a todos os poderes. Como disse atrás as Misericórdias começaram de ajudar sempre foi útil e bem aceite. A pobreza que se instalou em largas
por ser necessárias e hoje são imprescindíveis. E são imprescindíveis porque franjas da população nacional foi ser atenuada pela Missão, até que a econo-
estão ao serviço das pessoas, são ágeis e flexíveis, têm valores e encaram a sua mia faça o seu trabalho de reintegração dos elementos activos e volte a recom-
Missão como um fim em si mesmo. por famílias e empresas.

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Sociedade congresso

XVIII CONGRESSO DA ANMP

FERNANDO RUAS REELEITO


A transferência de competências para as autarquias “tem que ter uma evolução
em linha com a cobrança dos impostos de referência”, propõe o reeleito presidente
da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas.

A
necessidade de transferência de novas competências para eleitos do poder local.
as Autarquias e o envolvimento local no investimento pú- Sob o tema geral “Investir nas Pessoas, Desenvolver Portugal”, o XVIII
blico indispensável ao desenvolvimento de Portugal são Congresso da ANMP foi a maior reunião magna de sempre, com mais de
duas das propostas apresentadas pelo presidente Fernan- oito centenas de congressistas em representação de 281 Municípios,
do Ruas, na abertura do XVIII Congresso da ANMP. Fernando Ruas foi reeleito como presidente do Conselho Directivo
A revisão da Lei das Finanças Locais deve orientar-se no sentido do da associação.
desenvolvimento mais equilibrado do todo nacional, avança Fernando Mário de Almeida, presidente do Congresso, e Vitor Borrego, presi-
Ruas, acrescentando que a nova legislação sobre Atribuições e Competên- dente do Conselho Fiscal, integram também a cúpula dos novos orgãos
cias deverá abordar a questão da inelegibilidades e incompatibilidades dos sociais da ANMP.

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O Foral, que propõe-se potenciar e dinamizar
o estabelecimento de pontes entre o empresariado
e as autoridades locais, juntou em Viseu mais
de 60 presidentes e vereadores de Câmaras Municipais.

Os Municípios pretendem integrar o Conselho de Estado, colocando


a voz do Poder local no principal órgão de consulta política do Presiden-
te da República. Além disso, a ANMP pretende vir a suscitar, perante o
Tribunal Constitucional, a fiscalização abstracta e sucessiva da constitu-
cionalidade de normas e iniciativas legislativas, que, segundo Fernando NOVA EQUIPA NO FORAL CPLP
Ruas, não pode “estar dependente da vontade política de terceiros”.
Ao defender que a legislação fundamental que rege o Poder Local tem A Assembleia-Geral do Fórum Francisco Capassola, de Porto
de adquirir o valor de leis orgânicas, que “assegurem a estabilidade que das Autoridades Locais da Amboim, o brasileiro Marcelo
garante a autonomia municipal de que nunca abdicaremos”, Fernando Comunidades dos Países de Dutra, de Manaus, o guine-
Ruas questiona que estabilidade política se pode conseguir, quando a le- Língua Portuguesa (Foral), que ense Mário Lopes, e Hélder
gislação estruturante, como as Leis das Finanças Locais ou das Atribui- reuniu em Viseu na sequência Menezes, de Mé-Zochi, em
ções e Competências, “são alteradas por maioria, através da Lei do Orça- do XVIII Congresso da ANMP, São Tomé e Príncipe.
mento de Estado”. deu posse aos membros O Foral, que propõe-se poten-
A ANMP defende ainda que o Quadro de Referência Estratégica Na- indicados por cada uma das ciar e dinamizar o estabele-
cional (QREN), “tem de deixar de ser um mero slogan, para se transfor- entidades representativas dos cimento de pontes entre o
mar num instrumento de trabalho ao serviço do desenvolvimento”, recla- oito países do Fórum. Como empresariado e as autoridades
mando a adopção de medidas de simplificação processual que agilizem o presidente da Mesa do Foral locais, juntou em Viseu mais
pagamento da comparticipação comunitária no esforço de investimento foi eleito Arão Nhancale, de de 60 presidentes e vereado-
dos Municípios. Matola, Moçambique, tendo res de Câmaras Municipais e
O papel dos Municípios nas alterações climáticas, os compromissos como vice-presidentes Júlio aprovou por unanimidade, a
assumidos no V Fórum Mundial da Água, os Planos de Ordenamento da Correia, de Mosteiros, em adesão dos primeiros Associa-
Orla Costeira, a revisão e implementação do Plano Rodoviário Nacional, Cabo-Verde, António Rodri- dos Cooperantes: 30 empresas
a construção das infra-estruturas para as redes de nova geração, e o papel gues, da localidade portuguesa portuguesas, 20 angolanas e
do Poder Local nas novas tecnologias de informação e comunicação, fo- de Torres Novas, o angolano duas instituições brasileiras.
ram outros dos pontos da agenda do Congresso da ANMP.

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Sociedade eventos

Comissão executiva do I Congresso Internacional de Advogados de Língua Portuguesa

UNIÃO DOS ADVOGADOS DE LÍNGUA PORTUGUESA

I CONGRESSO
INTERNACIONAL EM LISBOA
Lisboa foi a cidade escolhida para acolher o I Congresso Internacional de
Advogados de Língua Portuguesa, nos próximos dias 22, 23 e 24 de Março.

A
União dos Advogados de Língua Portuguesa (UALP) vai “As Prerrogativas dos Advogados como Garantias dos Cidadãos”, “O Si-
realizar em Lisboa, nos próximos dias 22, 23 e 24 de Março, gilo Profissional do Advogado” e “A Inscrição Obrigatória” são os temas das
o I Congresso Internacional de Advogados de Língua Por- três sessões plenárias.
tuguesa, sob o lema “Os Desafios da Advocacia de Língua A Comissão de Honra do Congresso é presidida pelo Presidente da Re-
Portuguesa no Mundo Sem Fronteiras”. A UALP integra pública português, da qual fazem parte os Chefes de Estado dos oito países
as Ordens dos Advogados de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné- que integram a UALP e os antigos presidentes desta Associação. A Comis-
-Bissau, de Moçambique, de Portugal e de São Tomé e Príncipe, bem como são Organizadora é composta pelos Bastonários das Ordens dos Advogados
a Associação dos Advogados de Macau. de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de
O encontro vai reunir várias centenas de advogados provenientes dos Portugal e de São Tomé e Príncipe, bem como pelo Presidente da Associa-
oito países de expressão oficial portuguesa, e ainda do território de Macau, ção dos Advogados de Macau. São também convidados os presidentes dos
que irão debater um amplo leque de temas relativos ao papel do Advogado e Tribunais Supremos dos países representados na UALP e dos respectivos
ao funcionamento dos sistemas de Justiça nesses países. procuradores-gerais.

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AGOSTINHO PEREIRA DE MIRANDA
COORDENADOR DA COMISSÃO EXECUTIVA DO CONGRESSO

“O mercado internacional
da advocacia lusófona já existe”
O Dr. Agostinho Miranda está directamente envolvido na organização mum são os veículos que permitiram a internacionalização dos escritó-
do 1.º Congresso Internacional dos Advogados de Língua Portuguesa, rios no interior do espaço lusófono. Não são só escritórios portugueses
que se realiza em Lisboa de 22 a 24 de Março. Que objectivos tem este que estabelecem parcerias com escritórios angolanos; o inverso tam-
evento e que vantagens traz a sua realização? bém está, felizmente, a acontecer. De facto, esse movimento de inter-
O objectivo do Congresso consiste em colocar os advogados da Luso- nacionalização intra-lusófono começou com os escritórios brasileiros
fonia a partilhar experiências e a discutir um conjunto de questões re- que se instalaram em Portugal nos anos 80.
lativas ao seu papel na administração da Justiça dos respectivos países.
É a primeira vez que os advogados dos oito países de expressão portu- Acredita que poderá vir a existir um verdadeiro mercado internacional
guesa se reúnem em Congresso, unidos pelo desejo de dignificação da de advocacia em língua portuguesa?
profissão, em particular, e da Justiça em geral. O mercado internacional da advocacia lusófona já existe e vai continuar
a crescer. Basta dizer, por exemplo, que três sociedades portuguesas
Para além dessas vantagens, que se poderiam classificar como genéri- não hesitaram em deslocar os seus colaboradores para um país tão
cas, julga que este Congresso pode também trazer vantagens práticas e longínquo quanto Timor-Leste. Isto é um sinal de grande vitalidade da
concretas aos advogados que nele participarem? advocacia portuguesa.
Estou certo de que após o Congresso nos conheceremos melhor e ve-
remos mais claramente aquilo que nos une. Em certos casos haverá Há quanto tempo e como surgiu a UALP?
Foto Enéas Bispo

certamente lugar para o estabelecimento de relações de colaboração, A UALP foi constituída a 13 de Maio de 2002, sendo seus membros
e até de parcerias, entre advogados e escritórios de diferentes países. as Ordens dos Advogados de todos os países de expressão portuguesa,
com excepção de Timor-Leste (por ainda não ter sido formada a respec-
Algumas firmas portuguesas estão já implantadas tiva Ordem), e inclui também a Região de Macau. A UALP representa,
nos mercados dos vários países de língua por- assim, cerca de 600.000 advogados.
tuguesa. Pode dizer-se que a língua constituiu
neste caso um vector de internacionalização? Quantas pessoas são esperadas neste congresso?
A língua e, com ela, o património jurídico co- Entre congressistas e convidados, são esperados 300 a 500 participantes.

O objectivo é colocar os advogados da Lusofonia


a partilhar experiências.
AGOSTINHO PEREIRA DE MIRANDA
AGOSTINHO PEREIRA DE MIRANDA Economia de Luanda. Também viveu e e internacionais com actividade em
(nascido em 1948) é sócio presidente e trabalhou em Lisboa, Londres, Houston e Portugal, Angola e Moçambique nas
perfil

fundador da Miranda Correia Amendoeira São Francisco. Durante cerca de seis anos áreas da exploração petrolífera, mineira,
& Associados. Licenciado pela Faculdade de trabalhou na “Gulf Oil Corporation” e na banca, construção civil, pescas, etc. Mais
Direito da Universidade de Coimbra (1974), “Chevron Overseas Petroleum Inc.”, nos recentemente tem representado diversas
concluiu uma pós-graduação em Direito Estados Unidos. Em ambas as empresas empresas multinacionais em processos
Comparado pelo “Institute for International foi responsável pelos aspectos legais arbitrais realizados em Portugal, Brasil e
and Comparative Law”, Dallas, Texas. das suas operações em Angola, Zaire vários países africanos. É ainda consultor
Inscrito na Ordem dos Advogados desde (presentemente República Democrática do do World Bank, do USAID, da OPIC e de
1978. Congo), Gabão e Brasil. outras organizações internacionais. Desde
Após a conclusão da licenciatura em Desde 1987, Agostinho Miranda tem 2004 é membro da Comissão Executiva da
Direito, regressou a Angola para leccionar vindo a prestar assessoria jurídica e “Câmara de Comércio e Indústria Portugal-
Direito Comercial na Faculdade de fiscal a diversas empresas nacionais Angola”.

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Sociedade debate

Conselho de administração do Millennium bcp durante a apresentação dos resultados


do 4.º trimestre de 2009

FÓRUM DOS ADMINISTRADORES DE EMPRESAS

ORÇAMENTO DE ESTADO
EM ANÁLISE
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Um défice de 8,3% do PIB e uma dívida pública que vai subir
aos 85,4 por cento. A despesa total do Estado a absorver
metade da produção do país, num ano em que as medidas de
combate à maior recessão dos últimos oitenta anos ainda se
justificam. Temas quentes a justificar mais uma conferência
anual do Fórum dos Administradores de Empresas, para
análise ao Orçamento de Estado.

J á é uma tradição. Todos os anos, logo depois de


apresentada a proposta do Orçamento de Estado, o
Fórum dos Administradores de Empresas, um think
thank dos gestores e administradores, analisa o docu-
mento, destaca as medidas de apoio ao sector privado
e encaixa as exigências de uma Administração Pública que,
nestes últimos quinze anos, nunca parou de crescer.
Europeia de reduzir o seu défice para abaixo dos 3,0% do
PIB, até 2013.
Na proposta de Orçamento para 2010, o ministro das Fi-
nanças, Teixeira dos Santos, explica “que os sinais de recupera-
ção económica já são visíveis, mas os riscos e a incerteza ainda
existentes aconselham a que sejam mantidas políticas de apoio
às empresas, ao emprego e ao relançamento da economia”.
Este ano, a proposta do Governo integra ainda os efei- Entre outras medidas com relevância para a tesouraria
tos da recessão económica mundial do ano passado, a mais das empresas, adianta, “permitir-se-á a compensação de dí-
grave desde a grande depressão de 1929, que atirou o défice vidas fiscais, recorrendo a créditos não fiscais e mantendo-se
público para um valor equivalente a 9,3% do Produto Interno o crédito fiscal ao investimento”. Será também eliminado o
Bruto (PIB) e fez disparar a dívida para 76,6 por cento. imposto de selo incidente sobre um número significativo de
A ténue recuperação prevista para 2010, não deixa muita actos das empresas.
margem de manobra ao Estado, forçado a manter algumas Para promover o crescimento da economia, o Governo
medidas de apoio à economia e a aceitar um aumento dos promete reforçar o apoio à internacionalização das empre-
encargos sociais com pensões e subsídios de desemprego. sas portuguesas, através da criação de um Fundo de Apoio
A factura pós-crise não permitirá recuperar mais do que um à Internacionalização e de medidas que reforçam a compe-
ponto do défice das Administrações Públicas, para 8,3% do titividade das empresas e a integração de quadros jovens em
PIB. Mas o Governo mantém o compromisso com a União empresas exportadoras.

UM FÓRUM QUE REÚNE A NATA DOS GESTORES


O Fórum de Administradores para o aperfeiçoamento de por um conjunto de notáveis anos, uma rede internacional
de Empresas (FAE) é um think gestão das empresas e estabe- da administração empresarial de Associações Privadas de
thank que reúne a nata dos lecer ligações entre os sectores de Portugal e tomou posse Executivos, integrada por
gestores e administradores público e privado e uma rela- em Maior de 2007. Os novos países de todo o mundo
de empresas em Portugal. Foi ção com os governantes. orgãos sociais deverão ser como a Espanha, a França, a
fundada em 1979, tendo por O FAE conta hoje com cerca eleitos este ano. A associação Alemanha, o Brasil, o Japão, os
objectivo promover o conhe- de 3000 associados, entre os assinou recentemente protoco- Estados Unidos da América, a
cimento e o desenvolvimento quais os CEOs das principais los de colaboração, quer com o China e outros.
empresarial e a troca de infor- empresas e bancos portugue- Programa MIT-Portugal, quer
mações e experiências entre os ses e das multinacionais pre- com o World Economic Forum
seus membros, desenvolver a sentes em Portugal, incluindo (WEF), tornando-se parceiro
investigação científica e técnica alguns antigos ministros e Institucional de ambas as
para a concretização de estu- secretários de Estado. entidades. Além destas parce-
dos e iniciativas de interesse A actual direcção é composta rias, o FAE integra, há alguns

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Sociedade debate
PEDRO CARMO COSTA, DIRECTOR DO FAE

“Mais impostos sobre as famílias


e empresas irão asfixiar o que resta
Entrevista

da nossa economia”
O director do FAE é de opinião que o maior desafio do Governo
é revitalizar a Economia, retomando a criação de emprego
e viabilizando maior parte do tecido empresarial.

Nesta primeira fase pós-recessão, qual o maior desafio do duas dimensões que importam cuidar em simultâneo. Uma,
Governo em 2010? mais imediata, mais urgente, mas também menos estrutural,
O maior desafio do Governo é o mesmo dos últimos anos: re- e que é o combate ao défice para não entrarmos em colapso.
vitalizar a Economia, de forma a retomar a criação de emprego Outra, mais de fundo, mais estrutural, que é a revitalização
e viabilizar maior parte do nosso tecido empresarial. da Economia. Temos um doente cardíaco e com febre. Temos
que tratar de ambas as coisas: da febre, no imediato, e do pro-
Como gestor, de que lado da barricada está na apreciação blema cardíaco de forma continuada.
da proposta de Orçamento de Estado para 2010 – do lado
expansionista, dos que garantem que os incentivos à eco- A redução do défice de 9,3% do PIB para valores abaixo dos
nomia não podem ser retirados, para evitar uma nova re- 3,0%, em quatro anos, é possível?
cessão? Ou do lado dos que defendem que a prioridades é Parece-me muito ambicioso tendo em conta o nosso fraco
combater o défice a dívida pública? track-record e a pouca profundidade das medidas inscritas no
Como gestor, acredito que não existem duas barricadas, mas plano.

Sócios honorários Conselho Geral Mesa da Assem- Direcção Conselho Fiscal


QUEM É QUEM NO FAE

Dr. Eduardo Costa, vice-


Jacques Delors Frederico de Melo bleia-Geral Esmeralda PriceWaterhou- -presidente do Banco Finantia:
COMENTÁRIOS ORÇAMENTO 2010

(antigo presidente Franco (presi- Nuno Caldeira da Dourado se Coopers Este orçamento deverá ser
da Comissão dente), Fernando Silva (presiden- (presidente), (presidente, visto como o primeiro passo
Europeia) e Mário Faria de Oliveira, te), José António Gracinda Raposo representada por (embora curto) num plano de
Soares (antigo António de Sousa Arez Romão e Eduardo Costa César Gonçalves), ajuste a médio prazo. Nesse
Presidente da Gomes, Jorge (vice-presidente) (vice-presidentes), Mário Quina, Elsa contexto talvez seja o orçamen-
República) Jardim Gonçalves, e Margarida Sá Paulo José Roncon Santos to possível.
Artur Santos Silva, Costa (secretária) Ferreira Morgado, (vogais) e João Não é realista uma redução
Membros natos João Salgueiro, Paulo Carmona, António de Sousa brusca do deficit sem afectar
Luís Filipe de Francisco Murtei- Comissão de Ad- Pedro Carmo Uva (suplente) ainda mais o já débil cres-
Moura Vicente, ra Nabo, Eduardo missão e Disciplina Costa e Gilberto cimento da economia (em
João Bártolo, Rui Catroga, Vítor Tristão da Cunha Jordan (vogais) especial no contexto inter-
Leão Martinho e Martins, Carlos de (presidente), Vic- nacional actual). É um jogo
Vera Pires Coelho Melo Ribeiro, Ma- tor Pereira Dias, de equilíbrio entre manter os
nuel Ferreira de Luís Redondo estímulos à economia à custa
Oliveira e Estela Lopes, Manuel de um deficit elevado e cortar
Barbot Alves Monteiro e despesas de forma a permitir
Noronha Lopes o equilíbrio sustentável das
(vogais)

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Que medidas estruturais tem de ser tomadas para obter esse resultado?
Concorda com a redução dos salários na Função Pública, como foi pro-
posto pelos Governos espanhol, grego e irlandês?
Infelizmente parece-me que a redução dos salários da Função Pública é
uma medida tão injusta quando inevitável. Se no primeiro ou segundo
ano não conseguimos atingir a redução do défice conforme o plano, pare-
ce-me que esta medida será uma inevitabilidade.

Do lado da receita pública, ainda há margem para


novos agravamentos de impostos? Sobre as
empresas ou sobre as famílias? Se for mes-
mo necessário, qual o imposto que poderia
AS CONTAS DO ESTADO (valores em % do PIB)
ser agravado com menores danos para a eco-
nomia? 2008 2009 2010(p)
Sinceramente creio que mais impostos sobre as Receita total 43,2 39,7 40,2
empresas ou sobre as famílias irão asfixiar o que
Receita fiscal e contributiva 36,4 32,6 32,6
resta da nossa Economia. Não me parece que
exista espaço de manobra para aumento de Despesa total 45,9 49,1 48,5
impostos. No máximo fazer regres- Despesa corrente primária 40,3 42 42
sar o IVA dos 20 para os 21%...
Despesa primária 43 46,2 45,3
Parece-me que nova receita só
poderá vir da alienação de mais Saldo -2,7 -9,3 -8,3
activos sob a alçada dos Estado Saldo corrente primário 2 -3,5 -3,2
como património e parti-
Saldo primário 0,2 -6,4 -5,2
cipações sociais.
Saldo estrutural (a) -2,7 -8,1 -7,1
Saldo primário estrutural (a) 0,2 -5,2 -4
Investimento 2,2 2,6 2,7
Pedro Carmo costa.
director do FAE Dívida Pública 66,33 76,6 85,4

Notas: (a) incluindo as medidas anti-crise; (e) estimativa; (p) previsão


Fontes: INE e Ministério das Finanças e Administração Pública

contas públicas (satisfazendo os Dr. Paulo Carmona, director-geral Dr. António Ramalho, mas não sei se estes 3 C’s serão
critérios das agências de rating e da Executive Digest CEO da Unicre suficientes para inverter a tendência
evitando um aumento do custo da É um orçamento no caminho certo O Orçamento 201O é um Orça- do último ano, que criou um círculo
dívida). Tudo isto mantendo o país e com a liberdade que nos dão mento em 3 C’s. vicioso em 3 D’s: Mais Despesa,
fiscalmente competitivo face aos os mercados financeiros. Pode-se É um Orçamento de contenção - Mais Deficit e Mais Dívida. Seria
nossos congéneres. argumentar que o esforço é maior - congelando despesa política, ainda mais sério se resistisse à
Acho que o orçamento consegue ou menor mas é visível a seriedade nomeadamente salários e despesa demagogia americanizada do
equilibrar vários destes objectivos com que é feito. Ao adiar para 2011 social. É um Orçamento de conti- anti-banca tão dispensável como
conflituantes. Possivelmente irá algum do importante ajustamento nuidade, mantendo os estímulos inadequada.
pecar, em particular no que toca ao necessário, aposta num maior às empresas e ao emprego e, desta
mercado e às agências de rating, por crescimento do PIB nesse ano que forma, mantendo um elevado deficit.
ser um ajuste demasiado pequeno e alivie os custos sociais do com- E é um Orçamento de confiança,
não atacar deficiências estruturais. bate ao défice, mas comporta os porque acredita num crescimento
Embora esta não seja a melhor riscos de uma maior dificuldade de induzido por estímulos públicos
altura para grandes ajustes e correc- promover atitudes mais duras se o dado o pouco estímulo ao consu-
ções estruturais, seria importante ciclo politico trouxer instabilidade. mo privado e a queda do consumo
desde já anunciar ao mercado qual público.
o plano (e as medidas) que permiti- Pessoalmente, e tanto quanto me
rão atingir o equilíbrio orçamental a foi dado perceber estamos perante
médio prazo. um exercício orçamental sério,

Março 2010 » PRÉMIO » 71

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Sociedade eventos

CONFERÊNCIAS DO PALÁCIO

O MUNDO NO PORTO
Os embaixadores de Espanha, Reino Unido, EUA, Brasil, Rússia e Israel
traçaram o presente e o futuro das relações económicas, políticas e sociais
das nações num cenário de globalização.

A
s Conferências do Palácio 2009, uma iniciativa da Cunha Navarra acabou ainda por abordar outra questão não menos pertinente.
Vaz & Associados e da Associação Comercial do Porto, trou- “Não entendo como a gasolina pode ser tão cara em Portugal”, rematou no
xeram ao Palácio da Bolsa os líderes diplomáticos das princi- Palácio da Bolsa.
pais potências mundiais. “A Nova Ordem Mundial” foi o tema escolhido por Alexander Wykeham
Mais de 600 empresários, gestores, políticos, advoga- Ellis, embaixador do Reino Unido. O líder da embaixada britânica em Lisboa,
dos, líderes autárquicos e jornalistas tiveram a oportunidade de escutar as fluente em português, abriu a segunda conferência afirmando que “vai ser
ideias de futuro, nos campos económico, político e social, que os embai- complicado desfazer a Globalização”, mesmo apesar da crise económica que
xadores de Espanha, Reino Unido, EUA, Brasil, Rússia e Israel deixaram alastra a todo o mundo.
na cidade Invicta. O diplomata destacou a importância que as alterações climáticas vão ter
Alberto Navarro, embaixador de Espanha em Portugal, estreou o debate no séc. XXI. “A temperatura média de Portugal vai subir cinco graus centígra-
com a exortação do modelo de regionalização espanhol, uma decisão “muito dos. O vosso clima será idêntico ao do sul de Marrocos e a indústria de Vinho
positiva para o país”. Além disso, o diplomata sublinhou a importância que o do Porto terá de sofrer uma transformação”, referiu Wykeham Ellis.
TGV teve para Espanha. Sobre o seu país, o embaixador do Reino Unido explicou que “não será
“Portugal não deve perder a oportunidade do TGV. Ele mudou as cidades trágico ver o Reino Unido descer do quinto para o décimo lugar das maiores
de Espanha por onde passa e, por isso, continuamos a investir naquela que é economias mundiais. Será o século da incerteza”.
uma das maiores redes do mundo de comboios rápidos”, sublinhou o embai- A inteligência humana em oposição à força militar, o crescente apoio ao
xador de Espanha. desenvolvimento dos países mais necessitados e a manutenção da libra en-

Ehud Gol e Alberto Navarro com o anfitrião, Rui Moreira. presidente da Associação Comercial do Porto

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Conferências
do Palácio
quanto faça sentido foram mais algumas ideias deixadas no Palácio da Bolsa
2009
esta adversidade”, afirmou Thomas Stephenson.
do Porto. Mas o embaixador dos EUA em Portugal aproveitou a presença de mais
A visão de Wykeham Ellis foi seguida do pragmatismo de Thomas Ste- de 120 convidados nas “Conferências do Palácio 2009” para transmitir uma
phenson, embaixador dos Estados Unidos da América. mensagem de esperança para o futuro próximo.
O norte-americano traçou um panorama global negativo da conjuntura “Recentemente, tive a oportunidade de tomar o pequeno-almoço com
internacional, sem deixar de sublinhar a importância que teve o novo presi- alguns banqueiros amigos, em Lisboa, e eles davam sinais de estar mais opti-
dente dos EUA, Barack Obama, na conjugação de esforços globais para iniciar mistas do que algumas semanas antes”, adiantou.
um movimento de força para ultrapassar a crise económica mundial. Do Brasil, o embaixador Celso Vieira de Souza trouxe dados surpreenden-
“A nova administração percebeu que estamos todos juntos na luta contra tes: Portugal é o nono maior investidor externo no Brasil.

Alberto Navarro e Celso Vieira de Souza, embaixadores de Espanha e do Brasil em Portugal

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Sociedade eventos
Finanças, telecomunicações, indústria e turismo são as principais áre- mento económico entre ambos os países.
as de investimento luso por terras brasileiras. “O Brasil está numa recessão O diplomata sustentou que “a barreira que existe entre nós (Israel) e os
branda, mas tem um fluxo cambial positivo”, sublinhou no Palácio da Bolsa Palestinianos é para evitar o terrorismo, não um muro, é uma barreira de
do Porto, perante uma plateia de 150 pessoas. segurança, ponto”, e defendeu que “quando for possível acabar com o terro-
O diplomata brasileiro, neto de portugueses, acredita que o futuro das re- rismo não acho necessário continuar com essa barreira”.
lações luso-brasileiras passa por um maior aprofundamento do conhecimen- Ehud Gol frisou ainda que “a barreira tem tido bons resultados práticos”,
to mútuo e pelo aproveitamento das ligações à União Europeia e ao Mercosul. destacando que “gradualmente foi possível minimizar e criar uma nova situ-
“Vivemos num mundo cada vez mais multi-polarizado, do ponto de vista ação sem atentados dentro de Israel”. E sustentou que “a possibilidade, para
económico. Em termos globais, julgo que caminhamos para uma nova go- nós, de salvar a vida a israelitas vale a pena”. Recusou sempre a denominação
vernança, por isso, uma forte aliança Portugal-Brasil seria muito vantajosa”, de “muro” para a barreira que as autoridades do seu país ergueram na fron-
afirmou Celso Vieira de Souza. teira com a Cisjordânia, em prol da segurança. E finalizou referindo que “a
O embaixador do Brasil em Portugal destacou ainda a importância do barreira é reversível e podemos destruí-la em dois minutos, mas as vidas não
desafio da finitude dos recursos energéticos e não deixou de elogiar o país de as podemos recuperar”.
origem, nomeadamente, o facto de 22 milhões de brasileiros terem subido à A balança comercial entre Portugal e Israel movimenta anualmente mais
classe média. “O Brasil não é mais o país do futuro. O Brasil é o país do pre- de 100 milhões de euros, tendência que se mantém desde 2005 e, ao que
sente”, concluiu. tudo indica, será para manter.
Do frio do Norte, o Embaixador Pavel Fiodorovitch Petrovskiy trouxe-nos As Conferências do Palácio 2009 terminam no novo ano com a parti-
um quadro claro das transformações ocorridas na Rússia. cipação de Angola e com a sessão de encerramento a cargo do ministro dos
“A sociedade russa estava habituada ao paternalismo do Estado, porque Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado. Mas os grandes debates do
infelizmente na União Soviética os problemas eram resolvidos pelo Estado Palácio da Bolsa do Porto vão continuar.
ou por outra pessoa que não o cidadão”, defendeu no jantar-debate no Palácio Para 2010, a Associação Comercial do Porto e a Cunha Vaz & Associados
da Bolsa. preparam o segundo ano das Conferências do Palácio, desta vez com as ilus-
O diplomata frisou ainda que “a crise teve uma influência negativa no tres figuras do panorama da Gestão e das Empresas em Portugal, das Teleco-
país, levou ao congelamento de projectos e evidenciou problemas antigos. A municações à Energia, do Retalho às Obras Públicas, das Bebidas ao Sector
Rússia precisa de primeiro resolver as dependências das matérias-primas e Financeiro.
das exportações. E deve tornar-se num país líder na transformação e produção Os CEO dos principais grupos económicos a actuar em Portugal vão
de energia”. discutir estratégias, conjuntura, mercados e tácticas empresariais com
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, mostrou um vasto painel de grandes personalidades locais e nacionais, gestores
acreditar que “a paz e o crescimento da Europa dependem do bom relaciona- e empresários, figuras da sociedade civil e da política, bem como opinion
mento com a Rússia. Claro que Portugal não tem dimensão para falar com makers e jornalistas.
a Rússia. Ela é o grande urso e as negociações devem decorrer com a União O desafio está relançado.
Europeia”.
A fechar o ano de 2009, Israel. O
embaixador Ehud Gol sugeriu o res- Em 2010, as Conferências do Palácio vão ser
tabelecimento prioritário da ligação
aérea directa entre Portugal e Israel
protagonizadas por ilustres figuras do panorama
como forma de relançar o relaciona- da Gestão e das Empresas em Portugal.
O presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, acredita que, “a paz e o crescimento da Europa dependem
do bom relacionamento com a Rússia

Pavel Petrovskiy, Thomas Stephenson e Wykeham Ellis foram alguns dos embaixadores convidados para as Conferências do Palácio 2009

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Sociedade entrevista
NORBERT BISCHOFBERGER

“É surpreendente
a diferença que se pode
fazer com os medicamentos”

Se não forem tomadas medidas urgentes para combater a propagação do


HIV/Sida em África, a humanidade neste continente corre o risco de desaparecer,
alerta o cientista Norbert Bischofberger, vice-presidente executivo e director-geral
do Departamento Científico da Gilead, um dos grupos farmacêuticos de vanguarda
na investigação e produção de tratamentos anti-virais.

T
em no currículo cerca de 30 patentes na área da indústria Para este austríaco de 53 anos, que esteve em Lisboa para participar numa
farmacêutica e a participação na descoberta do Tamiflu. En- conferência sobre o HIV/Sida, todas as doenças virais têm cura, embora
trou para a Gilead, uma farmacêutica especializada em tra- por vezes o milagre farmacêutico possa demorar anos a concretizar-se.
tamentos anti-virais, em 1990, onde exerce actualmente as
funções de vice-presidente executivo e de director-geral do Entrou na Gilead em 1990, depois de passar pela Genentech. O que é que
Departamento Científico. A Gilead tem em curso um ambicioso progra- mudou na farmacêutica desde essa altura?
ma de combate ao HIV/Sida em 130 países menos desenvolvidos, incluin- Quando entrei na empresa éramos cerca de trinta pessoas, a maioria
do todos os de África, a quem fornece os medicamentos a preço de custo das quais cientistas. Agora temos quatro mil colaboradores e escritórios
e sem qualquer tipo de lucro. no mundo inteiro. Somos, por capitalização, a segunda maior empresa

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biotecnológica do mundo, depois da Amgen. Somos maiores do que a
Bristol Myers Squibb e do que a Schering. No entanto, comparativamen-
te com estas biotecnológicas, não temos muitos empregados. A Bristol
Myers Squibb, por exemplo, tem cerca de 30 mil empregados.

Quantos cientistas têm actualmente?


Cerca de metade da empresa dedica-se à área de pesquisa e desenvolvi-
mento. A restante está ligada às vendas e ao marketing.

O que é que mudou na pesquisa farmacêutica nestes 20 anos?


Muito, principalmente no que se refere às tecnologias. Nem sequer é
preciso entrar no campo da investigação farmacêutica. Basta olhar para
as tecnologias da informação e comunicação. Hoje pode fazer-se em três
meses o que era habitual demorar cinco anos. É tudo muito mais rápido
porque está tudo robotizado. Muita da informação é analisada através de
computadores. É realmente fantástico ver o que aconteceu neste espaço
de tempo.

Quanto investem anualmente em investigação e desenvolvimento?


No ano passado investimos cerca de 840 milhões de dólares. É muito
dinheiro.

Por que é que a Gilead se focalizou na pesquisa de medicamentos na área


anti-viral?
Porque é muito mais simples dos pontos de vista comercial e da regu-
lação. Muitas farmacêuticas dedicaram-se à pesquisa na área das gran-
des doenças cardiovasculares, como a hipertensão, e, neste momento, há
inúmeros medicamentos no mercado. Só a título de exemplo, o mercado
norte-americano tem actualmente uma dúzia de inibidores da ACE (para
o tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca), pelo que será
difícil diferenciá-los uns dos outros, e a maioria destes medica-
mentos são baratos e genéricos. Sempre sentimos que, ao foca-
lizarmo-nos, em áreas de maior necessidade, daríamos um
contributo maior à sociedade. Além de ser mais simples
do ponto de vista regulador, porque estes novos me-
dicamentos ajudam as pessoas e são necessários.

Foi por isso que se dedicaram à pesquisa de me-


dicamentos no combate ao HIV/Sida?
Se olharmos para a história da Sida, ela foi
primeiro descrita em 1981 e as pessoas
ainda morriam dela em meados dos
anos 90. Depois tivemos a primei-
ra combinação de medicamen-
tos aprovada, mas não era
tolerada. Hoje em dia há
apenas um comprimido
que se toma uma vez ao
dia, que permite que se

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Sociedade entrevista
viva uma vida normal durante décadas. É surpreendente a diferença que De que forma?
se pode fazer com os medicamentos. A área oncológica não é menos sur- O que fazemos é fornecermos os nossos medicamentos de HIV a 130 dos
preendente. Há cancros que não podiam ser tratados antes e para os quais países menos desenvolvidos, incluindo todos os países em África, a preço
há agora a ajuda de medicamentos. O cancro é ainda um grande problema, de custo. Não temos qualquer tipo de lucro. O que custa produzir os me-
mas estamos a fazer progressos. dicamentos é o preço a que vendemos a esses países. Actualmente temos
nos países desenvolvidos quase um milhão de pessoas a tomar os nossos
Em que nível está a luta contra o HIV/Sida no que se refere à pesquisa? medicamentos de HIV. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer.
Se recuarmos uns anos, pensou-se muitas vezes que o problema estava Há 40 milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV no mundo em
resolvido. Mas depois houve sempre alguma coisa que fazia esta ideia cair desenvolvimento e apenas um, dois, ou três milhões recebem tratamento.
por terra, como os efeitos secundários a longo prazo. Um projecto em Para os países africanos, isto é um desastre económico e humanitário.
que estamos a trabalhar é na cura e acredito, embora esteja ainda num Se não forem tomadas medidas, o continente africano pode desaparecer.
estádio muito prematuro e não queira dar esperanças a ninguém, que o Não é possível sustentar uma sociedade com esses números. A título de
objectivo último da investigação no campo do HIV será encontrar a cura. referência, a prevalência de HIV positivo em Portugal é de 0,5%, o que
Curar alguém não vai ser possível num futuro próximo, mas seria uma ainda é alto. Nos EUA anda em torno dos 0,2 por cento.
grande conquista.
Como é que as farmacêuticas reagem às pandemias? Há medicamentos
Portanto não irá acontecer tão cedo… em pipeline prontos a sair para o mercado?
Não, não acredito nisso. Está a ser dispendido muito esforço em vacinas As pandemias são muito difíceis de antecipar. É quase impossível. No caso

“Actualmente estamos a focalizar-nos na hepatite C


e na hepatite B”, refere Norbert Bischofberger

Quem é Norbert Bischofberger


mas também não parecem muito promissoras. Pessoalmente não acre- da gripe, é uma questão de tempo, porque o vírus tem uma história muito
dito que vá existir uma vacina num futuro previsível. Se perguntasse a longa. Em 1918, a gripe espanhola matou 40 milhões de pessoas em apenas
alguém há 10 anos atrás quanto tempo demoraria até existir uma vacina, alguns meses. A cada 25 anos há uma pandemia de gripe. Como tal era
a resposta seria: dentro de 15 anos. Se perguntar fizer a mesma pergunta claro que haveria outra. Por isso trabalhamos nesta área. O Tamiflu foi des-
hoje, a resposta será a mesma: dentro de 15 anos. E se perguntar a alguém coberto e desenvolvido por nós. O SARS, há cerca de cinco anos, não podia
em 2020 vão responder-lhe que talvez dentro de 15 anos... ser antecipado, porque é um vírus diferentes. Não é possível prever como é
que o próximo vírus vai ser, mas estou absolutamente certo de que vai haver
Em 2003, a Gilead criou um Programa de Acesso. Em que é que consiste mais vírus que se tornam mais virulentos, ou que passam dos animais para
este programa? os humanos e são causadores de pandemias.
Percebemos que as pessoas fizeram um trabalho muito bom com os me-
dicamentos que temos nos países desenvolvidos, na Europa e na América. Por que venderam os direitos de comercialização do Tamiflu à Roche?
Agora é possível diagnosticar os pacientes, tratá-los, e eles podem recupe- Esse negócio foi realizado em 1996, quando a Gilead era uma empresa
rar e levar uma vida normal. Mas no mundo em desenvolvimento a si- muito pequena. A gripe sazonal é um desafio em termos de vendas e
tuação é devastadora. Estive em Moçambique há cerca de um ano e a taxa marketing, porque só prevalece durante alguns meses. A gripe pode che-
de prevalência do vírus HIV é de cerca de 16 por cento. Em Maputo, estes gar em Janeiro e desaparecer no final de Fevereiro. Para ter essa infra-
valores ascendem aos 25 por cento. É impressionante, mas uma em cada -estrutura de vendas e marketing é necessário ter outros produtos, e nós
quatro pessoas é HIV positiva. E estes países não têm o dinheiro, os re- não os tínhamos, pelo que, durante sete meses do ano, a força de vendas
cursos ou as infraestruturas necessárias para combater a doença, pelo que não teria mais nada para fazer. Além disso, no caso do Tamiflu é neces-
sentimos que é nossa responsabilidade dar um contributo para ajudar. sário chegar individualmente a quem está habilitado a medicar e nós não

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tínhamos essa equipa. Em quase todos os países em que estamos presen-
tes, incluindo Portugal, trabalhamos essencialmente com os hospitais e
não directamente com os médicos. E a Roche era uma empresa que tinha
uma grande organização de vendas, por isso acho que foi a atitude certa
a tomar. COMBATE AO HIV:

Gilead
Quais são os maiores desafios da indústria farmacêutica na área dos anti-
PORTUGAL ABAIXO
-virais? DA EUROPA
A área em que nos estamos a focalizar actualmente é a da hepatite C, que O NÚMERO de novas infecções por HIV recuou 17% nos
era tratada com o Interferon, um medicamento mal tolerado. Outra área últimos oito anos devido, parcialmente, às campanhas de
é a hepatite B. Esta é uma doença que pode ser curada. Também há um prevenção, de acordo com o último Relatório Global sobre
número de outras doenças que as pessoas suspeitam que são causadas a Epidemia de SIDA da ONUSIDA, o Programa Conjunto
por vírus. Há poucos dias li que a apendicite é causada por um vírus, mas das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde
isto ainda é muito especulativo. Ainda assim, os vírus desempenham um para HIV/Sida.
papel muito maior numa variedade de doenças que ainda não sabemos. Em 2008, havia cerca de 33,4 milhões de pessoas infecta-
Também há vários vírus que estão implicados em cancros. Os desafios das com o vírus HIV, das quais 15,7 milhões eram quais
são identificar as relações causais dos vírus numa determinada doença e mulheres e 2,1 milhões crianças, refere o relatório. O
identificar formas de interferir com agentes farmacêuticos. número de novos infectados subiu a 2,7 milhões e o total
de mortes em resultado do vírus somou dois milhões.
O total de infectados cresceu 20% face a 2000 e a taxa
NORBERT BISCHOFBERGER, 53 anos, tem no currículo cerca de de prevalência, a percentagem de portadores do vírus em
30 patentes e a participação na descoberta do Tamiflu. Este cientista relação à população é agora quase três vezes mais elevada
austríaco estudou Química na Universidade de Innsbruck, na Áustria, do que em 1990.
e obteve o doutoramento em 1983 na Eidgenossische Technische Em Portugal, a taxa de prevalência do HIV/Sida é de 0,5%
Hochschule, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Zurique, na na população entre os 15 e os 49 anos, um valor que fica
Suíça. Concluiu pós-graduações em Syntex (Palo Alto, Califórnia) e na 0,3 pontos acima da média europeia, sendo o país da
Universidade de Harvard (Cambridge, Massachussetts). Posteriormente Europa ocidental e central com mais notificações de HIV/
integrou o Departamento de Biologia Molecular da Genentech. Sida.
Em 1990 entrou para a Gilead, onde exerce actualmente as funções de Segundo a ONU, o aumento da percentagem de pessoas
vice-presidente executivo e de director-geral do Departamento Científico. infectadas que sobrevive resulta do impacto benéfico das
Além disso, Norbert Bischofberger é responsável por todas as actividades terapias anti-retrovirais. Desde Dezembro de 2008, cerca
de Investigação & Desenvolvimento da farmacêutica biotecnológica norte- de quatro milhões de habitantes de países subdesenvolvi-
-americana, presente em Portugal desde 1996. dos e em desenvolvimento estavam a receber tratamentos
anti-retrovirais. Um número dez vezes superior ao de 2003.
A cobertura dos tratamentos anti-retrovirais aumentou de
7%, em 2003, para 42%, em 2008, com especial incidência
na África oriental e austral. O relatório da ONU acrescenta
Enquanto investigador, qual é a sua posição perante os genéricos? que a rápida expansão do acesso à terapia anti-retroviral
É um bom sistema. Um cientista, quando faz uma descoberta, paten- está a ajudar a reduzir as taxas de mortalidade relacionadas
teia essa informação durante um período de tempo que, no caso dos com a Sida em vários países e regiões. Aparentemente, a
EUA, são 20 anos, mas, quando a patente expira, podem ser fabricados epidemia parece ter estabilizado na maioria das regiões
genéricos. É um sistema justo e positivo porque permite a essas farma- do globo, embora a prevalência continue a aumentar na
cêuticas produzir genéricos de forma muito barata, além de ajudar o Europa de leste e na Ásia central, devido ao grande número
sistema de saúde, e dizer às empresas inovadoras que têm de continuar de novos infectados com HIV. A região mais afectada
a inovar e não apenas ficarem sentadas e dizerem que já fizeram o seu continua a ser a África Subsariana, que esteve na origem de
trabalho. Isso aconteceu a muitas companhias. Quando as principais 71% dos novos casos registados em 2008.
patentes expiram, muitas vezes essas empresas têm de ser compradas De acordo com a ONU, o acesso aos tratamentos anti--
ou então desaparecem. Talvez esse seja o maior desafio para a indústria retrovirais nos países desenvolvidos teve um impacto ex-
farmacêutica, já que há um grande número de patentes a expirar. traordinário na taxa de mortalidade relacionada com o HIV.
Num estudo levado a cabo em 12 países desenvolvidos, o
Quantas patentes registadas tem? rácio de excesso de mortalidade entre pessoas que viviam
Pessoalmente tenho trinta. A empresa tem centenas. Mas nem todas as com o HIV e a população não infectada recuou 85% após a
patentes são válidas. Se um componente não passar os estádios clínicos e introdução de tratamentos com anti-
não for aprovado, a patente não serve de muito. Mas assim que se desco- -retrovirais altamente activos.
bre alguma coisa, faz-se o pedido de patente.

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Marketing empresas

CENTROMARCA

A FORÇA DAS MARCAS


ORIGINAIS
O objectivo é claro: chamar a atenção do consumidor para o valor das
marcas originais e para todo o trabalho de investigação e inovação por detrás
do seu desenvolvimento. Isto, quando as marcas próprias da distribuição
continuam a ganhar quota.

N
uma altura em que as marcas próprias de distribuidor um máximo de valor para os consumidores”.
continuam a ganhar espaço nos lineares de supers e hi- Conforme refere a directora-geral da Centromarca, Beatriz Imperato-
permercados, representando já um terço do valor gasto ri, “o impacto económico das marcas ultrapassa a mera questão do empre-
pelos lares portugueses em fast moving consumer goods, go, da produção e das exportações. As empresas que produzem marcas
a Centromarca, Associação Portuguesa de Empresas originais inovam mais, contribuindo para um maior crescimento da eco-
de Produtos de Marca, lança uma “pedrada no charco”. Naquela que é nomia e do emprego”. E vai ainda mais longe ao lembrar que “as marcas
a primeira campanha publicitária de marcas de sempre, vem chamar a são o principal património da empresa e os alicerces do negócio. São fonte
atenção para o valor das marcas originais, aquelas que investigam, desen- de rendimento e de rendibilidade e a chave da prosperidade futura”. As
volvem e investem na inovação. marcas são razão pela qual “os consumidores escolhem uma empresa e
Um grito de alerta, num momento em que um conjunto de marcas não a concorrente e são elas que dão ao consumidor confiança e garantia,
corre o risco de desaparecer. E que faz tanto ou mais sentido quando é oferecendo escolha e relevância para a necessidade de cada um”, adianta
missão declarada e reconhecida da associação “criar para as marcas um Beatriz Imperatori.
ambiente de concorrência leal e intensa que encoraje a inovação e garanta A sensibilização dos consumidores para as marcas originais não será

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Centromarca

A campanha “Marcas Originais”, que


arrancou em meados de Janeiro, é um
trabalho conjunto da Centromarca e
dos seus 54 associados

CHEGOU A HORA DE COMUNICAR COM O CONSUMIDOR


A CENTROMARCA iniciou todos os dias a pensar nele. Pensada para televisão e de empresas que tem nas
em 2009 um novo ciclo de O resultado desta vontade imprensa escrita, a campanha suas marcas os seus activos
comunicação. “Tínhamos é esta campanha ‘Marcas “Marcas Originais” tem ainda mais valiosos”.
dois grandes objectivos: ter Originais’”. presença na internet e em “Também estamos a apre-
uma comunicação proactiva A campanha, que arrancou alguns outros suportes, mas, sentar o novo logótipo da
e criar um espaço próprio em meados de Janeiro com sempre com uma utilização Centromarca que inclui como
de agenda nos meios. Ao uma duração prevista de complementar. “Para já, elemento essencial o ®, de
longo do ano, a comunica- seis semanas, é um trabalho decidimos centrar-nos em marca registada. Com os
ção dirigiu-se sobretudo a conjunto da Centromarca e televisão, uma vez que a verdes como cor de su-
empresas do sector e outras dos seus 54 associados. A utilização dos outros meios porte, conferimos um tom de
organizações que connosco ideia começou a ser desen- não é feita com a mesma frescura e renovação ao nosso
interagem, sejam públicas ou volvida ainda em 2009 com a intensidade. No entanto, logo, transmitindo ao mesmo
privadas”, esclarece Beatriz MSTF Partners que “ajudou a consideramos a hipótese de tempo uma imagem de
Imperatori. percorrer este caminho num reforçar a comunicação com sustentabilidade projectada
A estratégia para 2010 tem projecto criativo e persistente o consumidor através de ou- para o futuro. O contraste do
como desafio comunicar mais e nem sempre foi óbvio”, tras formas, após o balanço preto e do verde conferem-lhe
com o consumidor, o que refere Beatriz Imperatori. da campanha”. uma imagem forte, moderna
exige um projecto totalmente Em Dezembro, a proposta “O nosso primeiro objectivo e relevante”.
inovador. “Por acreditarmos foi então partilhada com é reforçar o valor das marcas
no valor único das marcas os associados. A reacção, através do conceito marcas
e no que proporcionam de “extremamente positiva e originais, ou seja, conseguir
diferente e enriquecedor no encorajadora”. que o consumidor valorize
nosso dia-a-dia, quisemos este atributo no momento da
transmitir a mensagem ao escolha. O segundo objectivo
consumidor de que existem é dar a conhecer a Centromar-
marcas originais, que in- ca como uma Associação de
vestem, investigam e inovam Marcas que une um conjunto

Março 2010 » PRÉMIO » 81

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Marketing empresas
CENTROMARCA VALE 3,6% DO PIB
A CENTROMARCA tem actualmente 54
associados que representaram seis mil milhões
de euros em volume de vendas em 2008,
o equivalente a 3,6% do Produto Interno
Bruto (PIB) português. Os 54 associados da
Centromarca respondem por 27% do mercado
publicitário (dados de 2008/2009) e contribuem
aproximadamente com 6% de receitas fiscais
do Estado.

Beatriz Imperatori, directora-geral


da Centromarca, defende que o
consumidor sabe o que são e valoriza as
marcas originais

contudo tão linear, tendo em conta o movimento contrário que se tem


vindo a acentuar e que passou a valorizar o preço como um dos principais
items a ter em conta no momento de compra. Mas Beatriz Imperatori
acredita ainda ser possível fazer a diferença. “As marcas originais são
quem nos acompanha no dia-a-dia. São elas que se transformam para
nos acompanhar. Sabemos que o consumidor reconhece o seu valor in- “O nosso valor mais forte,
dividualmente e acreditamos que em conjunto esse valor sai reforçado, e
que portanto a identidade das marcas originais faz todo o sentido para o onde tudo se reflecte,
consumidor, e por esta razão é sempre possível reforçá-lo”, defende.
Um estudo que remonta a 2007, desenvolvido pelo CIDEC, o Centro é a originalidade.”
Interdisciplinar de Estudos Económicos, concluiu que 10% dos consumi-
dores se sentia lesado com as cópias por já terem comprado um produ-
to de distribuidor, por engano, achando que este era da sua marca. “Isto
demonstra que o consumidor gosta das marcas, das quais não abdica, e
com as quais mantém uma ligação emocional”, alerta a responsável pela lar o consumidor pedindo-lhe que se lembre do que são para si marcas
Centromarca. No estudo que a associação fez em 2009, para preparar a originais.
campanha actual, o consumidor sublinhava que “reconhecia nas marcas “Sabemos que actualmente, dado o contexto económico em que vive-
originais três características: níveis de qualidade e preço superiores e uma mos, o consumidor tem uma restrição orçamental que influencia as suas
capacidade de inovação diferente”. escolhas e é natural que assim seja. Ao pedirmos ao consumidor para na
A partir daqui seria então fácil consolidar a ideia de que o consumidor próxima vez que for às compras se lembrar das marcas originais, estamos
sabe o que são e valoriza marcas originais. a reforçar positivamente a nossa relação com o consumidor. A reforçar a
O objectivo da campanha em curso não podia ser mais simples: sen- nossa presença e implicitamente a dizer que o acompanhamos indepen-
sibilizar esse mesmo consumidor para o valor das marcas. “Afirmamos dentemente do seu contexto e dos seus compromissos”, explica.
o nosso valor mais forte, aquele, onde tudo se reflecte: a originalidade”, No final, claro, o movimento no tabuleiro do xadrez será sempre dita-
explica Beatriz Imperatori, sublinhando o facto de a campanha interpe- do pelo jogador. Será sempre o consumidor o grande decisor.

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A fotografia e a pintura marcam encontro no Casino Estoril.
Há meio século a apostar nas artes.

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Marketing smart shopping
FREEPORT

A ZONA CHIQUE
Resultante da relocalização de algumas lojas já existentes e da entrada
de novas marcas de luxo, o Freeport de Alcochete apresenta agora um novo
espaço premium, exclusivo para marcas de prestígio internacional.

C
om um carácter inovador, o novo espaço valoriza a comodi- um público sofisticado que se desloca ao Freeport para fazer smart shop-
dade e coloca em evidência a sofisticação de marcas como ping. O espaço premium em Alcochete é uma estreia absoluta no sector
a Burberry, Carolina Herrera, Diesel, Gateone, Hugo Boss, dos outlets portugueses que até hoje não se focavam na atracção de con-
Purificacion Garcia, Spazio by Dolce&Gabbana e Versace, sumidores de marcas de luxo, limitando a sua estratégia ao factor preço.
que se encontram agora lado-a-lado na Avenida da Fonte, A aposta em marcas internacionais tem singrado e os objectivos são
de modo a facilitar as compras dos consumidores mais exigentes. comprovados pelas performances positivas e pela notoriedade que o es-
A inauguração deste espaço premium decorreu em simultâneo com paço tem vindo a ganhar junto dos consumidores, que, segundo um es-
a abertura das lojas da Gateone, Spazio by Dolce & Gabbana e Diesel. A tudo realizado pela Cushman & Wakefield, elegem o Freeport como a sua
área Premium reflecte o enfoque no bem-estar do consumidor e compro- principal escolha no sector dos outlets.
va a ambição do projecto que, em constante mutação, procura conquistar

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Conceito
Resultados e Novos Players
O Freeport encontra-se neste momento a desenvolver projectos em di-
versos países europeus. Em Portugal tem apresentado indicadores muito
Outlet
positivos e a existência de lojas de luxo confirma a confiança dos investi-
dores e das marcas no projecto. Como centro Outlet, o Freeport é um espaço onde pode
No último ano fiscal, que encerrou em Junho de 2009, o Freeport encontrar grandes marcas com grandes descontos todos
de Alcochete registou um aumento homólogo de 5% no número de visi- os dias do ano. Os produtos Outlet são produtos que per-
tantes, para cerca de quatro milhões, e de 7% no volume de vendas. Foi o correram as várias fases de venda em loja full-price e que
melhor desempenho desde a sua abertura. O objectivo da actual adminis- encontram no Freeport a última etapa de saída para o mer-
tração é duplicar o número de visitantes nos próximos anos. cado, sendo vendidos a preço muito mais reduzido do que
Dezembro de 2009 ficou marcado por um crescimento de 43% do seriam numa loja de preço normal.
volume de negócios, face ao mês de Novembro, permitindo fazer uma O mercado de retalho de Outlet tem assistido a um cresci-
análise muito positiva da época natalícia. mento excepcional na Europa e é considerado, por marcas
Também em Dezembro, o Freeport acolheu três lojas novas do maior e consumidores, como uma ligação essencial ao retail mix.
grupo retalhista português – a Sonae – que resultou numa ocupação de
90% de área bruta alocável. A entrada de novos players (Continente Out-
let, SportZone Outlet e Modalfa Factory), reforçou o mix de oferta, propor-
cionando a afluência de novos visitantes e novas alternativas de compras.
Em fase de conclusão está, também, uma zona mix use, composta por
escritórios, que futuramente aumentará a oferta na área dos serviços.

No Freeport é possível
encontrar grandes marcas
com grandes preços todos os
dias do ano.

ÁREA BRUTA ARRENDÁVEL: 75.000m2


INAUGURAÇÃO: 9 de Setembro de 2004
PROPRIEDADE: recentemente adquirido pelo Grupo Carlyle
ESPAÇOS: o Freeport Alcochete oferece uma gama variada de lojas e lazer
• UCI Cinemas
• Restaurantes
• Bar
• Centro de Exposições
Freeport

• Mais de 140 Lojas


Horário de Funcionamento:
• De Domingo a Quinta-Feira
Lojas - Das 10h às 22h | Restauração - Das 12h às 23h
• Sextas-Feiras, Sábados, Véspera de Feriado
Lojas - Das 10h às 23h | Restauração - Das 12h às 24h
Dia 25 de Dezembro: o Centro está encerrado.
Dia 1 de Janeiro: o Centro, com excepção dos Cinemas, está encerrado.

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Marketing saúde

Ana Guiomar, Cláudia


Borges, Miguel Arrobas
e Cláudia Semedo são
alguns dos jovens
talentos que vão dar
corpo a 13 projectos de
responsabilidade social
da HPP Saúde

HPP SAÚDE LANÇA PROJECTO DE SOLIDARIEDADE

“SAÚDE DA
NOVA GERAÇÃO”
Algumas figuras públicas da nova geração são os embaixadores do “Saúde da
Nova Geração”. O projecto tem como objectivo alertar as gerações mais no-
vas para a saúde, prevenção e estilos de vida saudáveis.

S
aúde da Nova Geração” é o nome do novo projecto de solida- que diz respeito à prevenção e promoção de hábitos de vida saudáveis, e
riedade do grupo HPP Saúde, ao qual se associaram 13 jovens em parceria com o grupo HPP Saúde irão apoiar diferentes causas e pro-
talentos nacionais, de áreas tão distintas como a música, o tea- jectos de solidariedade na área da saúde.
tro, o desporto e a culinária, conhecidos do grande público. Ma- “Num momento de particular dinamismo do mercado de prestação
falda Arnauth, Miguel Arrobas, Tiago Bettencourt, Luísa Tender, Cláudia de cuidados da saúde em Portugal, o Grupo HPP aposta num projecto
Borges, José Avillez, Ana Guiomar, Cláudia Semedo, Pedro Cabral, Diogo inovador com o objectivo de desmistificar o cariz emocional de uma ins-
Gama, Sara Prata, Sofia Escobar e Carla Chambel são os jovens talentos tituição com as características de um hospital. Assim, no âmbito da estra-
que vão dar corpo a 13 projectos de responsabilidade social da HPP Saúde, tégia de responsabilidade social do grupo, nasceu a ideia de associar um
que, aliando serviços de qualidade a uma visão inovadora das unidades conjunto de jovens oriundos de várias áreas que partilham em comum o
hospitalares, pretende sensibilizar as novas gerações para a importância talento e a vontade de contribuir para a construção de uma sociedade mais
da “Educação para a Saúde”. saudável e participativa. A ideia surgiu da necessidade de criar um projec-
Os “Embaixadores da Saúde da Nova Geração” vão alertar as gerações to e iniciativas que se identificassem com o novo claim criado pela HPP
mais novas para questões relacionadas com a saúde, nomeadamente no Saúde, Health of the Generation”, explica Guilherme Victorino, director

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de Marketing e Comunicação.
“Pretendemos lançar um forte alerta a toda
a sociedade de prevenção em saúde, em espe-
NOVO HOSPITAL DE CASCAIS
cial ao público jovem, urbano, informado, com ACABA DE INAUGURAR
capacidade de influência e de liderança pelo
exemplo junto de públicos específicos”. Fundada em 1998, a HPP Saúde inaugurou o novo Hospital de Cas-
Cada embaixador vai desenvolver o seu pró- proporciona uma oferta de serviços cais, o primeiro hospital do Serviço
prio projecto de solidariedade em parceria com global baseada numa rede que Nacional de Saúde a ser concessio-
a rede HPP, apoiando diferentes associações cobre todo o território nacional, nado e construído em regime de
e instituições com carências na área da saúde. PPP.
Por exemplo, Mafalda Arnauth, fadista, apoia a A área de influên-
causa “Música no Coração”, uma iniciativa que cia do novo Hospital
visa alertar e sensibilizar a comunidade fadis- irá abranger, na área
ta para a prevenção do risco cardiovascular. Já materno-infantil,
Cláudia Borges defende “Um Dia Sem Medo”. para atendimento a
A apresentadora do programa “Fama Show”, mulheres grávidas,
emitido pela SIC, quer ajudar os mais peque- bebés e crianças, não
nos a ultrapassar o receio do contacto com os contando com mais de dois mil só o Concelho de Cascais, mas as
médicos e o medo de ir ao hospital. profissionais de saúde. Em Portugal, seguintes freguesias do concelho
No conjunto, todos os embaixadores vão a HPP Saúde detém cinco hospitais de Sintra: Algueirão-Mem Martins,
mostrar que é possível, dando um pouco de si, — Hospital da Boavista, Hospital Pêro Pinheiro, Colares, S. João das
contribuir para a construção de uma saúde da da Misericórdia de Sangalhos, Lampas, Santa Maria, S. Martinho,
nova geração. Hospital dos Lusíadas, Hospital de S. Pedro de Penaferrim e Terrugem.
O site www.saudedanovageracao.com é o Santa Maria de Faro e Hospital São Os meios disponibilizados pelo
pólo agregador de todo este projecto e o local Gonçalo de Lagos — e o Hospital novo Hospital passam por 83 000
onde poderá acompanhar a par e passo o desen- de Cascais, em regime de Parceria m2, 277 camas, 33 gabinetes de con-
volvimento dos projectos de cada embaixador. Público-Privada (PPP) desde Janeiro sulta, 6 salas de bloco operatório, 10
O site está ainda direccionado para as redes de 2009. salas de partos, unidade de cuida-
sociais: Facebook, Twitter e YouTube. No passado dia 23 de Fevereiro dos intensivos e hospital de dia.

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» Lazer cá dentro
MONTEBELO AGUIEIRA
LAKE RESORT & SPA

Descanso
num cenário
único
Com todos os serviços e facilidades de um hotel premium, o Montebelo
Aguieira Lake Resort & Spa apresenta um novo conceito de turismo, lazer e
habitação em pleno leito do Mondego.

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A floresta natural que circunda o aldeamento conta com dezenas de milhares de
árvores de várias espécies, tornando-o ideal para um passeio a pé, de bicicleta ou a
cavalo, para um piquenique e para curiosos de fotografia e de botânica

I
nserido na paisagem da Barragem da Aguieira, entre Viseu e paçosas villas. Para quem pretenda adquirir uma casa, este aldeamento
Coimbra, o Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa é o lugar disponibiliza também uma oferta residencial, com uma arquitectura con-
ideal para passar um fim-de-semana ou desfrutar de férias cebida para viver em harmonia com a natureza.
em família, com amigos ou, simplesmente, para momentos No restaurante Montebelo Aguieira, os hóspedes podem deliciar-se
de relaxamento. Com uma albufeira de 2.000 hectares – um com a gastronomia e vinhos da região. Numa esplanada panorâmica é
deslumbrante espelho de água em pleno leito do Mondego- possível optar por uma refeição ligeira ou mais sofisticada. O menu é ba-
– o aldeamento turístico apresenta um novo conceito de seado em ingredientes tradicionais que remetem para o imaginário da
turismo, lazer e habitação. Desenvolvendo-se numa área de 35 hectares, cozinha caseira. A riqueza vitivinícola do Dão permite também degustar
engloba 152 tipologias que variam entre modernos apartamentos e es- vinhos de elevada qualidade.

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» Lazer cá dentro

UMA MARINA
FLUVIAL À DISPOSIÇÃO
DOS VISITANTES
Com uma localização geográfica privile-
giada e um enquadramento paisagístico
inspirador, a marina do Montebelo
Aguieira Lake Resort & Spa proporciona
condições para inúmeros momentos de
descontracção. Das práticas desportivas
mais exigentes a agradáveis passeios
turísticos, passando pelas mais diversas
actividades recreativas, os visitantes
mais radicais encontram aqui um amplo
espaço para desfrutar do seu tempo livre.
Os 400 postos de amarração fazem desta
marina fluvial um destino irrecusável para
os amantes da navegação a motor, à vela
e a remos, podendo estes contar com es-
truturas de qualidade e um atendimento
especializado. Para o visitante mais arrojado, o Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa
disponibiliza uma marina com 400 postos de amarração

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O Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa oferece condições ideais
para a realização de qualquer evento, particular ou corporativo, disponi-
bilizando igualmente os serviços de apoio necessários à sua organização,
incluindo secretariado, transporte, equipamento informático e de teleco-
municações, catering, programa de animação e programa social. Assim é
também um local adequado para reuniões familiares como casamentos e
aniversários, num salão com capacidade para mais de 400 pessoas.
Para o visitante que procura uns dias de descanso, o aldeamento
dispõe do Montebelo Aguieira Spa, um local de profunda serenidade,
com tratamentos de rosto e corpo e terapias orientais destinados à re-
generação de corpo e mente. É ainda possível definir um programa
completo personalizado, direccionado para as necessidades individu-
ais, sejam elas reduzir o stress, adelgaçar ou recuperar a sua energia.
Na área privativa do aldeamento, a floresta natural circundante con-
ta com dezenas de milhares de árvores de várias espécies que conferem
um enquadramento perfeito ao Montebelo Aguieira Lake Resort & Spa,
tornando-o ideal para um passeio a pé, de bicicleta ou a cavalo, para
piqueniques e para os curiosos da fotografia e da botânica.

Março 2010 » PRÉMIO » 91

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» Lazer destino
NOVA IORQUE

A CIDADE
QUE NUNCA
DORME

“Start spreading the news, I am leaving today…” traz-nos inevitavelmente


à memória a emblemática canção sobre a cidade que nunca dorme. E como
poderá alguém querer dormir numa cidade como Nova Iorque? A cidade
fala por si e as respostas sucedem-se em catadupa.

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» Lazer destino

O
leque de ofertas é variado e quem visita a cidade
rapidamente se funde no seu espírito, mescla-se
nas suas culturas, respira a sua alma cosmopolita
e encanta-se com a diversidade artística que Nova
Iorque tem para oferecer.
Todas as alturas do ano são aconselháveis
para visitar Nova Iorque, com o clima bem defini-
do entre as estações do ano, atingindo no Inverno temperaturas negativas
e subindo em flecha para temperaturas bastante elevadas no Verão.
O cinema e a música estão repletos de alusões à cidade tornando-a
num lugar mítico e familiar mesmo para quem nunca a visitou. Come-
çando pelo símbolo dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade, oferecida
pela cidade francesa num gesto de amizade para com o país, situa-se na
entrada do Porto de Nova Iorque e é um ponto de referência e de visita
totalmente obrigatório nesta cidade. A sua imagem aparece nas telas de
cinema mais vezes do que as que se podem contar. Segue-se The Empire

Os infindáveis aranha-céus são uma constante por toda a cidade

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State Building, um arranha-céus de 102 andares, ao estilo Art Déco, con-
siderada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Do horizonte da
cidade faz também parte o Chrysler Building, um dos maiores edifícios
do mundo, com 319 metros de metal e tijolos, concebido para sediar a
empresa automobilística norte-americana Chrysler.
Numa vertente mais cultural, Nova Iorque está repleta de museus
para visitar, o Metropolitan Museum of Art e o Museum of Modern Art
são um bom exemplo. O primeiro é um dos mais importantes museus do
mundo, abrigando uma colecção notável de pintura europeia e de obras
de arte antiga e o segundo, mais conhecido como MoMA, é um dos mais
famosos museus de arte moderna. A rica e variada colecção do MoMA
constitui uma das maiores vistas panorâmicas sobre a arte moderna.
“These vagabond shoes, they are longing to stray, right through the
very heart of it…” ouve-se na canção e sente-se em cada passo a caminho
de Times Square, a famosa confluência de grandes avenidas da cidade
de Nova Iorque, localizada na junção da Broadway com a Sétima Ave-
nida, região central de Manhattan. É aqui que se situa a bolsa de valores
NASDAQ, os estúdios de televisão da ABC, da MTV e da Virgin Records.
O local possui uma das maiores concentrações da indústria do entreteni-
mento no mundo, além de grandes lojas de marcas internacionais sendo
os seus neons de publicidades uma atracção peculiar durante a noite. Um
pouco mais ao lado fica a inesquecível 5.ª Avenida reconhecida pelo ca-
risma e mediatismo que lhe estão associados. Muitos locais notáveis e
edifícios famosos estão situados ao longo desta avenida, desde Midtown
até Upper East Side. Lá encontra-se o Empire State Building, de que já se
falou anteriormente, a Biblioteca Pública de Nova Iorque, o Rockefeller
Center, um complexo comercial muito visitado durante a época natalícia
devido à pista de gelo que dispõe e à “monumental” árvore de Natal, a
Catedral de St.Patrick, o Museu Solomon R.Guggenheim, entre outros.

Uma mescla de
sensações sente-se em
cada visita a Nova
Iorque.
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Lazer hotel

HOTEL FOUR SEASONS NEW YORK

Um exemplo de luxo
nova iorquino

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O Four Seasons New York foi alvo de uma remodelação, reabrindo as suas portas em Setembro de 2008

A
poucos passos da 5ª Avenida, entre Park e Madison farcie de foie gras et caramélisée, tendo sido criados novos pratos para o Four
Avenue, situa-se o Four Seasons New York Hotel, Seasons New York com especialidades que se prendem com as estações.
um dos hotéis mais aprazíveis da cidade. O Four Um saboroso menu nocturno é oferecido aqueles que, por algum moti-
Seasons Hotel tem as suas portas abertas desde vo, não possam escolher da carta, sendo apresentadas pequenas porções
1993, tendo sofrido obras de melhoramento e re- cuidadosamente escolhidas, permitindo aos hóspedes criar a sua própria
abrindo novamente em Setembro de 2008. O ho- experiência Robuchon.
tel oferece 368 quartos, incluindo 63 suites, tendo Quatro grandes acácias compõem o ambiente do qual faz parte The
uma boa parte dos quartos terraços com vista directa para o Central Park Garden. Localizado no lobby elevado do hotel, é o sítio indicado para o
ou para a linha do horizonte da cidade. A decoração é suave e contempo- pequeno-almoço, o almoço ou o brunch aos fins-de-semana, sempre en-
rânea, pontuada a cada canto com peças de luxo importadas. Para que os volto por um murmurinho vibrante que caracteriza este local. É também
dias em Nova Iorque sejam perfeitos, o Four Seasons dispõe de várias neste hotel que se situa um dos destinos mais desejáveis para quem quer
formas para satisfazer os seus hóspedes, como por exemplo o seu Spa, descontrair depois do trabalho, O Bar, que recebe os seus clientes com
uma experiência onde se pode esquecer os dias atribulados com um me- luzes suaves e um vasto menu de Martinis. Mas as surpresas não ficam
recido tratamento de relaxamento, reavivando o espírito e estimulando as por aqui. No hotel também é possível desfrutar de um saboroso caviar
sensações. no Calvisius Caviar Lounge ou optar por desfrutar de uma refeição mais
É neste hotel que está situado o restaurante L’ Atelier de Joel Robu- intimista na privacidade dos quartos.
chon, onde o lendário chef Robuchon pratica a sua magia na confecção Saindo do hotel e já inspirados pela maravilhosa vista que dele se con-
de pratos de “cortar a respiração”. Elegante e sofisticado, o interior deste segue, estamos no Central Park considerado um oásis dentro da grande
restaurante está repleto de ricos detalhes em madeira clara, preto e verme- floresta de arranha-céus existente na cidade. É visitado anualmente por
lho lacado. A cozinha é aberta proporcionando aos hóspedes uma visão aproximadamente 25 milhões de pessoas, sendo o parque mais conhecido
sobre a mesma. No interior da cozinha o chef Robuchon foca-se na elevada do mundo. No Central Park o melhor é mesmo parar um bocadinho e
qualidade dos ingredientes, preparando-os com muita precisão e criativi- descansar num banco ou aproveitar para passear de charrete. As emoções
dade, no seu descontraído estilo francês que demonstra, no entanto, uma continuam e há ainda uma infinidade de coisas para ver, uma cidade toda
enorme afeição pela comida asiática. L’Atelier oferece a quem o visita uma para descobrir. A música não pára, continua a sussurrar no ouvido e no
atmosfera dinâmica e intimista em simultâneo. De entre os seus maravi- coração de quem sente esta cidade, desdobrando-se invariavelmente no
lhosos pratos destacam-se as especialidades pommes purée truffée e a caille mesmo verso: “ I want to be a part of it… New York, New York…”.

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Lazer automóveis

Super GTs
para toda a família
Se pensa que tem de encostar o seu Lamborghini ou o seu
Ferrari na box, só porque a família aumentou, está enganado.
Uma nova vaga de modelos combina atributos dos tradicionais
Gran Turismos com os das berlinas mais luxuosas, resolvendo os
problemas. Quatro lugares a bordo. Quanto a preços?
O que é que isso interessa para o caso.
ASTON MARTIN RAPIDE
A mítica marca britânica apresenta o Rapide como o mais ele- Motor: V12 6.0 litros
gante carro de sport de quatro portas do mundo e dotou-o de Potência máxima: 470 Cv/6000 rpm
todos os argumentos para enfrentar uma forte concorrência. Binário máximo: 600 Nm/5000 rpm
Apesar das quatro portas, o Rapide é esteticamente um Aceleração: 0-100 Km/h em 5,3 segundos
Aston Martin e respeita rigorosamente o DNA dos modelos Velocidade máxima: 303 Km/h
super-desportivos da marca. Tem como base a mesma
plataforma que equipa outros modelos da Aston
Martin, como o DB9, o Vantage ou o fabuloso
DBS. A caixa automática de 6 velocidades
Touchtronic pode também ser operada
manualmente através das
patilhas no volante.

20 » PRÉMIO » Outubro 2009

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BENTLEY
CONTINENTALGTSPEED
Motor: W12 6.0 litros biturbo
Potência máxima: 600 Cv/6000 rpm
Binário máximo: 750 Nm/1750 rpm
Aceleração: 0-100 Km/h em 4,5 segundos
Velocidade máxima: 326 Km/h

Embora não tenha quatro portas, o


Bentley GT dispõe de quatro verda-
deiros lugares, podendo acomodar
igual número de adultos com toda a comodi-
dade e conforto, num ambiente luxuoso.
O GT Speed coroa a gama GT e é o mais potente Bentley de
sempre, se exceptuarmos os carros de competição. O motor W12
do grupo VW/Audi, disponibiliza mais 15% de binário e mais 9% de
potência que o GT standard. A tracção integral integra-se com uma
caixa de velocidades ZF automática de seis velocidades, assegurando
prestações dinâmicas acima de qualquer dos concorrentes.

AUDI RS6
A versão super-desportiva e mais potente da berlina
executiva A6 é, talvez, a mais convencional escolha destas Motor: Motor: V10 5.0 litros biturbo
páginas. Dotado de tracção integral permanente e prepa- Potência máxima: 580 Cv
rado na Quattro Gmbh, uma subsidiária da própria Audi, o Binário máximo: 650 Nm
RS6 é um colosso que resulta da incorporação de todas as Aceleração:
tecnologias da Audi. A caixa automática de seis velocidades 0-100 Km/h em 4,5 segundos
Tiptronic é ajustada à performance de um modelo que, a Velocidade máxima: 280 Km/h
pedido do cliente, pode ter a velocidade de ponta aumenta-
da em mais 30 Km/h, para 280 Km/h.

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Lazer automóveis
FERRARI 612 SCAGLIETTI
Tecnicamente um 2+2 espaçoso. O 612 Scaglietti é um Gran Turismo de duas portas, mas
que dá guarida confortável a quatro adultos. Desenhado pelo atelier de Sergio Pininfarina
e baptizado em honra de Serfio Scaglietti, o estilista que assinou e deu corpo a alguns dos
mais belos Ferrari dos anos 50 e 60, o 612 dispõem do primeiro bloco de 12 cilindros da
marca totalmente construído em alumínio, uma estreia na marca, de travões de disco em
carbono e de uma caixa tipo F1 de 6 velocidades.

Motor: V12 5.8 litros


Potência máxima: 540 Cv/7250 rpm
Binário máximo: 588 Nm/5250 rpm
Aceleração: 0-100 Km/h em 4,0 segundos
Velocidade máxima: 315 km/H

BMW 650i
O coupé da Série 6 é um espaçoso modelo que comporta quatro adultos envolvi-
dos por uma orquestra de tecnologia e luxo própria da marca bávara.
O topo de gama 650i dispõe do motor V8 de 4.9 litros com a potência puxada aos
367 Cv entregue nas rodas traseiras, em respeito pela tradição BMW. A caixa manual
de seis velocidades pode dar lugar à transmissão automática com igual número de
relações. A velocidade máxima está limitada electronicamente a 250 Km/h.

Motor: 8 cilindros, 4.8 litros


Potência máxima: 367 Cv/6300 rpm
Binário máximo: 490 Nm/3400 rpm
Aceleração: 0-100 Km/h em 5,5 segundos
Velocidade máxima: 250 Km/h (limitada
electronicamente)

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JAGUAR XFR SUPERCHARGED
Motor: V8 5.0 litros
Potência máxima: 510 Cv/6500 rpm
Binário máximo: 625 Nm/2500-5500 rpm
Aceleração: 0-100 Km/h em 4,9 segundos
Velocidade máxima: 250 Km/h
(limitada electronicamente)

O XF tem uma
linguagem arrojada
e que marca o
novo estilo da
marca, apresentando-se a
meio caminho entre um super-
desportivo e uma berlina convencionais de luxo.
O carácter visual exterior vincado de um coupé conjuga-se com um amplo espaço interior
para cinco adultos, num ambiente de luxo e conforto.
A versão musculada XFR Supercharged, com potência elevada aos 510 Cv, distingue-se dos XF normais
pelas jantes de 20 polegadas, pára-choques e entradas de ar dianteiras redesenhadas, as quatro pontei-
ras de escape e o spolier traseiro. A caixa automática é de seis velocidades.

MASERATI QUATTROPORTE SPORT GTS


Motor: V8 4.7 litros
Potência máxima: 440 Cv/7000 rpm
Binário máximo: 490 Nm/4750 rpm
Aceleração: 0-100 Km/h em 5,1 segundos
Velocidade máxima: 285 Km/h

Pioneira na categoria dos super-desportivos de quatro portas, com o Quattroporte, a Maserati não quis baixar a sua aposta
face a uma concorrência crescente e tem vindo a lançar versões cada vez mais musculadas deste seu emblemático modelo.
Desenhado por Pininfarina e dispondo de um motor V8 de 4.7 litros associados a uma caixa automática de seis velocidades,
Outubro
o Quattroporte tem agora uma versão Sport GTS que eleva a potência aos 440 Cv e que se distingue pela grelha2009 » PRÉMIO
frontal preta » 20
exclusiva e por outros pequenos apontamentos estéticos.

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Lazer automóveis

Motor: V8 6.3 litros


Potência máxima: 514 Cv
Binário máximo: 630 Nm
Aceleração:
0-100 Km/h em 4,5 segundos

MERCEDES-BENZ CLS 63 AMG Velocidade máxima: 250 Km/h


(limitada electronicamente)

Apesar do pioneirismo do Maserati Quattroporte, foi a Mercedes-Benz que deu peso ao seg-
mento dos super-desportivos de quatro portas, ao lançar o fabuloso CLS. O topo de gama CLS
63 AMG leva aos limites a performance do modelo e distingue-se por elementos de estética,
como as jantes de liga leve AMG de 19 polegadas com raios triplos.
O motor V8 da AMG que equipa o CLS 63 AMG debita uma potência de 514 cv, disponibiliza um
binário de 630 Nm e acelera dos 0 aos 100 km/h num tempo-canhão de 4,5 segundos, em linha
com os concorrentes mais rápidos.

PORSCHE PANAMERA TURBO


Apresentado em Abril do ano passado, no Salão Automóvel de Xangai, o Panamera é o primeiro
verdadeiro Porsche de quatro lugares e quatro portas, uma vez que o SUV Cayenne foge um pou-
co à tradição dos modelos super-desportivos da marca.
No topo de gama Turbo, a tracção integral combina-se com a transmissão automática de dupla
embraiagem e sete velocidades e uma suspensão pneumática regulável, que ajusta o chassis e o
motor para uma condução mais desportiva ou mais suave e confortável, consoante a preferência
do condutor em cada momento.

Motor: v8 4.8 litros biturbo


Potência máxima: 500 Cv/6000 rpm
Binário máximo: 700 Nm/2.250–4.500 rpm
Aceleração: 0-100 Km/h em 4,2 segundos
Velocidade máxima: 303 Km/h
É nos bairros típicos de Sevilha que
reside a sua alma. Nestes, percorrem-
se ruelas de olhos postos nos edifí-
cios e monumentos, que se dividem
entre o gótico, o renascentista, o clás-
sico e o barroco. Entre as ruas anti-
gas, estreitas e sombrias do bairro de
Santa Cruz, as capelas e basílicas do
bairro de La Macarena ou a Praça de

20 » PRÉMIO » Outubro 2009

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» Lazer tecnologias

Cisco lança Telepresença


no mercado residencial
A CISCO esteve presente no Consumer mulher, que estava em casa, demonstrando
Electronic Show (CES) em Las Vegas, uma a eficácia da nova tecnologia para o dia-a-dia.
das mais importantes feiras de tecnologia do Além do mercado doméstico, a Cisco garante
mundo, onde John Chambers, presidente da que o sistema pode ser utilizado noutras
gigante tecnológica, apresentou as grandes áreas, como a saúde, com o sistema de
apostas para 2010. Um dos momentos altos telepresença ligado a equipamentos médicos,
foi a apresentação da versão da famosa como o medidor de glicose que monitoriza
telepresença para o mercado residencial, uma os níveis de açúcar no sangue em pessoas
solução que até agora se dirigia apenas ao com diabetes. Posteriormente os dados
segmento empresarial. Na ocasião, Chambers podem ser partilhados com o médico através
explicou também de que modo o sistema de de uma ligação de vídeo de alta definição. A
telepresença se transformará num produto Cisco acredita ainda que este sistema poderá
de consumo doméstico corrente. Esta nova abranger outros serviços, permitindo aos uti-
tecnologia já está disponível nos EUA através lizadores ligar-se a formadores, conselheiros
da Verizon, um dos operadores de teleco- financeiros ou personal trainers.
municações móveis do país, e deverá chegar
ainda este ano à Europa.
Na apresentação do produto, John Cham-
bers realizou uma vídeo chamada para a sua

104 » PRÉMIO » Março 2010

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FLIP VIDEO
Outras das novas tecnologias apre-
sentadas foram as novas versões da
Flip Video, as câmaras que estão a
revolucionar o mundo do vídeo. A
Cisco adquiriu a Pure Digital Techno-
logies, há cerca de um ano, pagando
590 milhões de dólares pelo controlo
da companhia que produz as camcor-
ders Flip Video.
As Flip Video foram lançadas no mer-
cado em Maio de 2007 e transforma-
ram-se num hit tecnológico devido ao
seu tamanho, pouco maior que um
baralho de cartas, e ao facto de ter as
ligações com outros equipamentos,
incluindo os PCs, facilitadas através
de uma porta USB. Consideradas
como o iPod do video, as Flip Video
também permitem o upload de videos
na internet e tem memória para de 30
a 120 minutos de gravação.

Pouco maiores que um baralho de


cartas, as Flip Video transformaram-se
rapidamente num hit tecnológico

Março 2010 » PRÉMIO » 105

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Lazer visita guiada

FUNDAÇÃO MILLENNIUM BCP


Rua Augusta, n.º 84, em Lisboa
Exposição “Ossos que Contam História”
Segunda a sábado, das 10h00 às 13h00 e das
14h00 às 17h00 (excepto quintas-feiras, em que
o período de exposição decorre entre as 15h00 e

MILLENNIUM BCP
as 17h00).
ENTRADA GRATUITA

EXPOSIÇÃO
PEDAGÓGICA “OSSOS
QUE CONTAM HISTÓRIA”

O
ssos que Contam História” é o nome de uma mostra de Comissariada por Marta Moreno-García, Carlos Pimenta e José Paulo
vestígios arqueológicos de animais vertebrados que coexis- Ruas, com a colaboração de Sónia Gabriel, a exposição é de entrada gratuita.
tiram e coexistem ainda com a espécie humana, patente Apresentada numa área contígua ao Núcleo Arqueológico da Rua dos
na Fundação Millennium bcp, desde o passado dia 19 de Correeiros, a exposição pode ser complementada por uma visita guiada ao
Fevereiro. A exposição apresenta, de forma pedagógica, NARC, um espaço arqueológico por excelência gerido pelo Millennium
fragmentos da história do Homem e dos animais, “contada” por ossos de bcp, que, ocupando quase por inteiro um quarteirão pombalino da baixa de
animais recuperados no decurso de escavações arqueológicas realizadas no Lisboa, percorre 2.500 anos da história da cidade.
espaço actualmente ocupado pelo Núcleo Arqueológico da Rua dos Correei- Neste âmbito, a Fundação Millennium bcp acaba de lançar uma pu-
ros (NARC) - próximo do Arco da Rua Augusta, em Lisboa – e em diversos blicação sobre o NARC especialmente dirigida a jovens visitantes: “À des-
pontos do território português. coberta... Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros” da autoria de Sofia
Procurando responder à pergunta “que osso é este e a que animal per- Lapa. Integrando um guia da visita (desdobrável) e um dossiê de pesquisa
tenceu?”, a exposição traça as semelhanças e diferenças entre os ossos apre- (livro), esta publicação juvenil lança aos mais novos o desafio da descoberta
sentados, permitindo compreender a relação entre as comunidades huma- de 2500 anos de história. Desta vez, a história é “contada” pelos vestígios
nas e o mundo animal. arqueológicos que marcaram períodos como o romano, islâmico, medieval
Tudo isto “trocado em miúdos” e apresentado aos mais novos sob a for- cristão ou pombalino: restos de edifícios, milhares de fragmentos de ob-
ma de jogos de atenção, em que cada criança/jovem assume por momentos jectos soterrados, alguns objectos completos, cadáveres, cinzas humanas,
o papel de arqueozoólogo. restos de peixes e de frutos, entre outros.

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