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TEORIA DO GATEKEEPER

1950 – David Manning White


Origem: Psicologia social (decisões domésticas relativas à aquisição de alimentos para a
mesa)

“Gatekeeper”: quem toma uma decisão numa seqüência de decisões. São escolhas
jornalísticas que passam por diversos ‘gates’.

White analisou a rotina de um jornalista Mr. Gates, durante uma semana para entender os
motivos que o levaram a rejeitar as notícias que não usou. E concluiu: ‘o processo de seleção
é subjetivo e arbitrário’

Criticas à teoria:
1. Explicação exclusivamente psicológica
2. Abordagem micro-sociológica centrada no indivíduo
3. Ignora o macro-sociológico e a organização jornalística
4. Visão limitada. Baseia-se no conceito de seleção.

TEORIA ORGANIZACIONAL
Política editorial e organizacional determinam o que vira notícia.
1. Autoridade institucional e sanções.
2. Respeito aos mais experientes- aliciamento para o conformismo
3. Aspirações de mobilidade profissional
4. Fragilidade na organização da classe
5. Jornalistas gostam do que fazem: o prazer da atividade

Gratificações da profissão:
1. Variedade de experiência
2. Testemunho pessoal de acontecimentos significantes e interessantes
3. Ser o primeiro a saber
4. Obter informações secretas negadas a leigos
5. Conhecer e conviver com pessoas notáveis e célebres

“A autonomia do jornalista é uma autonomia consentida, isto é, a autonomia do jornalista é


permitida enquanto for exercida em conformidade com os requisitos da empresa jornalística
(James Curran, 1990)

NOVO PARADIGMA:
As notícias como CONSTRUÇÃO em oposição às “notícias como distorção”. Rejeição à
teoria do Espelho.

1. Impossível estabelecer distinção radical entre realidade e mídias noticiosos (as notícias
ajudam a construir a própria realidade)
2. A linguagem neutra é impossível.
3. Os mídia estruturam inevitavelmente a sua representação dos acontecimentos

Nelson Traquina:
Saber de reconhecimento: quais são os acontecimentos que possuem valor como notícia
(notoriedade, conflito, proximidade geográfica, faro para notícia)
Saber de procedimento: conhecimentos precisos para elaborar a notícia (fontes, perguntas,
elementos a recolher, citações, enquadramentos)

TEORIA DO AGENDAMENTO

Os mídia não nos dizem como pensar, mas sobre o que pensar.
A agenda jornalística condiciona a agenda pública.
Via mídia jornalística, as pessoas ficam mais convencidas da importância dos assuntos
tratados.
A influência dos mídia é maior quando o público não tem contato direto com o problema.

1. O diferente poder de agenda dos diversos meios de comunicação de massa.


2. Agenda subjetiva/ agenda midiática: a experiência direta, pessoal, imediata de um
problema atenua a influência cognitiva da mídia. A variável ‘centralidade1 torna-se
relativa.
3. Não existe difusão homogênea das informações
4. É preciso analisar os diversos públicos e suas centralidades

TEORIA DO NEWSMAKING (Mauro Wolf, Nelson Traquina, Jorge Pedro Sousa)

Notícia como construção da realidade

1. Ação pessoal (retoma o Gatekeeper): intenções, crenças, valores, expectativas


individuais
Padronização, formas estereotipadas de pensamento, selecionam sempre o mesmo
acontecimento como tendo valor noticioso

2. Ação social
Grande dependência dos canais de rotina
Agências de notícia
Assessoria de imprensa
Fator tempo: rotina de dead-lines
Os acontecimentos fora das horas normais de trabalho apresentam menores hipóteses de
serem cobertos

3.Ação sócio-organizacional
Condições financeiras do veículo
Cobertura capital/interior
Política editorial; hierarquias
Criatividade x constrangimentos

VALORES NOTÍCIA: regras práticas que explicam e guiam os procedimentos


redacionais

Critérios substantivos
a) Grau e nível hierárquico dos indivíduos envolvidos no acontecimento noticiável
b) Impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional
c) Quantidade de pessoas que o acontecimento envolve
d) Relevância dos acontecimentos em relação aos desenvolvimentos futuros de uma
determinada situação

Critérios relativos ao produto


a) Acessibilidade do jornalista ao evento
b) Brevidade
c) Infração, desvio, ruptura no curso normal das coisas, alteração da rotina, anormalidade
d) Novidade
e) Qualidade da história (ação, ritmo)
f) Clareza da linguagem
g) Padrões técnicos mínimos

Critérios relativos ao meio


a) Disponibilidade de imagens/entrevistas
b) Enviados/ correspondentes
c) Qualidade do material visual
d) Freqüência (eventos pontuais, únicos)
e) Formato (limites de espaço/ tempo do produto informativo)

Critérios relativos à concorrência


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