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ISSN 1647-3574

ano iii · revista nº11 · 2010


700 kwanzas · 7,50 usd · 6 euros
Economia & Negócios · Sociedade · Turismo Arquitectura & Construção · Inovação & Desenvolvimento · Luxos · Desporto · Cultura & Lazer · Personalidades

REVI
RE STA
EVI TA Nº11
Nº1
11 · 2010
201
10
10
COMUNICARE - Portugal
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in loco

O FUTURO HOJE!
revista bimestral nº11 - 2010
http://angolain.blogspot.com · http://twitter.com/angolain
Nesta edição, a Angola’in presenteia os seus uma nova interpretação ao conceito de co-
leitores com uma visão vanguardista das déca- mércio internacional.
Direcção Executiva
Daniel Mota Gomes · João Braga Tavares das que se aproximam. Imagine-se em 2050.
Direcção Editorial Como será a sua vida nessa altura? O futuro Economia representa mais do que a sua de-
Manuela Bártolo - mbartolo@comunicare.pt
Redacção e dia-a-dia que vê nos filmes de ficção cientí- finição no sentido lato. Analisando o pano-
Patrícia Alves Tavares - ptavares@comunicare.pt fica estão mais próximos da realidade actual rama da poupança social, a nossa publicação
André Sibi - asibi@comunicare.pt
Micael Vieira - mvieira@comunicare.pt do que imagina. Habitue-se à ideia de condu- ensina-o a “jogar” na Bolsa de Valores Social.
Colaboradores zir carros híbridos, de mudar a sua alimenta- O projecto existe em apenas dois países e An-
Inglês Pinto · Miguel Matos Torres · João Carlos Costa
Pétio Juarez Penelas de Barros · Gracinha Viterbo ção ou simplesmente de conviver com as mais gola pode ser a próxima a acolher um plano,
Luís Duarte · Wilson Aguiar
diversas máquinas, que prometem simplificar que tem como finalidade o financiamento de
Design Gráfico
Bruno Tavares · Patrícia Ferreira os hábitos de cada indivíduo. Estamos cons- programas de luta contra a pobreza.
design@comunicare.pt
cientes de que o universo está em constante
Fotografia
Ana Rita Rodrigues (freelancer) · Shutterstock mutação. A evolução tecnológica dos últimos Aliás, os projectos não param de nascer. Exem-
Midan Campal - midan@comunicare.pt
anos é exemplo da predisposição humana pa- plo disso é a recente parceria estabelecida en-
Serviços Administrativos e Agenda
Maria Sá - agenda@comunicare.pt ra a inovação. A Angola’in apresenta-lhe em tre a AIP-CE e a FIL de Luanda, que deverá
Revisão primeira mão alguns dos projectos mais ousa- dinamizar o mercado e a produção nacional,
Marta Gomes
dos, antevendo o perfil e o quotidiano do ser catapultando-a no estrangeiro. A Angola’in en-
Direcção de Marketing
Pedro Posser Brandão humano nas próximas décadas. trevistou o presidente da Associação Industrial
Tel. +351 229 544 259 | Fax.+351 229 520 369
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de Portugal (AIP) e revela em exclusivo quais
Futuro é expressão recorrente nos últimos os intentos da confederação para o país.
Publicidade
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que toca à agenda política nacional. A 21 de No plano cultural, damos voz a um jovem
Departamento Financeiro Janeiro, a Nova Constituição foi aprovada por talento, que dispõe de todas as armas para
Sílvia Coelho
Departamento Jurídico unanimidade. O momento marca uma mu- triunfar no mundo do cinema, dentro e fora de
Nicolau Vieira dança em diversos sectores da sociedade. portas. Mário Bastos prepara-se para estrear
Impressão
PERES-SOCTIP, Indústrias Gráficas, SA Nesta edição, descubra as mudanças que a mais uma curta-metragem. Desta vez, Angola
Distribuição Carta Magna vai implementar e quais as prin- surge como pano de fundo da acção e a pro-
MN Distribuidora
cipais novidades do documento. dução é inteiramente nacional. Descubra os
Tiragem
7.500 exemplares bastidores de uma história que promete emo-

ISSN 1647-3574 A secção de Economia confere-lhe acesso aos cionar o país. O realizador angolano é o rosto
DEPÓSITO LEGAL Nº 297695/09 ensinamentos de Paul Krugman. O Prémio do sucesso das novas gerações. Os seus êxi-

Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, Nobel da Economia de 2008 tem procurado tos auguram um futuro atractivo e, à seme-
fotografias e ilustrações, sob quaisquer meios e para quaisquer
fins, inclusive comerciais
explicar os efeitos práticos da globalização e lhança do passado, recheado de importantes
das economias de escala. A Angola’in dá a co- conquistas.
nhecer as teorias daquele que estudou o im-
ASSI NE ANGOLA ’IN pacto da transformação do New Trade e deu A Direcção
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IN LOCO · ANGOLA’IN |3
42
SOCIEDADE

nova constituição
A Carta Magna já entrou em vigor. Aprovado
em Janeiro, o documento, que reuniu o
consenso dos deputados, marca um novo
ciclo governamental que culminará com
as eleições gerais, marcadas para 2012. O
cargo de Primeiro-Ministro foi extinto e o
Presidente da República passa a ser eleito
directamente. O combate à corrupção, a
protecção do consumidor e a clarificação dos
direitos e deveres dos cidadãos constituem as
principais mudanças. A Angola’in revela-lhe
todos os pormenores

112 76
CULTURA & LAZER DESPORTO
império dos sentidos velocidade em alta
Nesta edição, encontra tudo o que precisa saber acer- Os motores estão em destaque na secção de Desporto.
ca da evolução da moda nacional. Conversamos com Ao longo de seis páginas, compreenda a filosofia de
a estilista Lisete Pote e traçamos os principais desa- uma modalidade que reúne um número crescente de
fios que o sector enfrenta. A dinamização da activi- adeptos. As dificuldades são o principal entrave à evo-
dade é evidente. Porém, a criação de uma indústria lução destas actividades. Ricardo Teixeira, José Car-
têxtil competitiva e eficaz é urgente. Já, o talento dos los Madaleno e Sandro Carvalho contam à Angola’in
jovens profissionais é a principal ‘arma’ para singrar como conseguiram alcançar vitórias nos palcos in-
no mercado. Conheça os rostos do sucesso ternacionais. A receita para o triunfo é simples

ANGOLA IN PRESENTE
03 IN LOCO 12 INSIDE 20 IN FOCO 68 INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO 88 ESTILOS
10 EDITORIAL 16 MUNDO 52 FOTOREPORTAGEM 80 LUXOS 94 LIVING
6 | ANGOLA’IN · SUMÁRIO
ECONOMIA & NEGÓCIOS
20 mercados em potência
Não perca os ensinamentos do Prémio Nobel da Economia. Paul
Krugman procurou explicar os efeitos práticos da globalização,
estabelecendo uma nova interpretação do comércio internacio-
nal. O especialista estudou o impacto da transformação do con-
ceito do New Trade na actividade económica e defende que os 46
mercados nem sempre funcionam. Porém, o seu fracasso está GRANDE ENTREVISTA
relacionado com a falta de economia de escala. Descubra como
pode aplicar estas teorias para dinamizar o seu negócio investimento prioritário
Rocha de Matos, presidente da AIP-CE, é o novo
SOCIEDADE parceiro da Feira Internacional de Luanda.
34 as duas faces da moeda Após a assinatura do protocolo de cooperação,
o responsável da Associação das Indústrias
Já pensou em ‘investir’ na Bolsa? Na hora de decidir, escolha
Portuguesas revelou os projectos que tem
também a de valores sociais. O modo de funcionamento é
idêntico ao modelo tradicional. Neste caso, as acções são doa- em curso em Angola e quais as vantagens
ções para empresas com projectos sociais à escolha. O lucro é de trabalhar conjuntamente com a FIL. Em
para a comunidade. O conceito inédito existe em dois países e entrevista exclusiva, o empresário luso promete
pode ser aplicado em Angola. Compreenda as vantagens deste novidades para 2010 e faz um balanço positivo
projecto e como pode ‘jogar’ a favor da sociedade da economia nacional

SOCIEDADE VINHOS & COMPANHIA


38 fuga de cérebros 106 gourmet
O problema afecta as sociedades em geral. Enquanto as econo- Café del Mar (Angola), Le Quartier Français (África do Sul) e Mo-
mias europeias se deparam com a questão pela primeira vez, zaic (Indonésia) são as sugestões para esta rubrica. As particu-
os africanos enfrentam esta situação há vários anos. A maioria laridades destes espaços, nomeadamente no que concerne ao
das famílias emigra ou envia os jovens dotados para o exterior, ambiente, atendimento personalizado e riquezas gastronómi-
onde desenvolvem a sua formação académica. Revelamos as cas são qualidades destes três restaurantes. As iguarias dos
razões do êxodo chefs de cozinha são imperdíveis

TURISMO CULTURA & LAZER


58 ‘carimbos’ obrigatórios 114 jovem talento
A Angola’in sugere 25 cidades que não pode deixar de visitar no ‘Alambamento’ é o título da recente produção do promissor re-
decorrer deste ano. Localizadas nos cinco continentes, as su- alizador Mário Bastos. A curta-metragem estreia esta Prima-
gestões destacam-se pela diversidade e por albergar eventos vera nas salas de cinema nacionais e o seu mentor revelou à
imperdíveis. Opções não faltam, mesmo que não tenha opor- Angola’in os segredos da película que tem todos os ingredien-
tunidade de visitar todos os destinos. Aproveite os próximos tes para emocionar os angolanos. Numa entrevista intimista, o
doze meses para explorar novas culturas, paisagens e experi- jovem talento fala da sua evolução profissional e das expecta-
mente vivências únicas. Comece já a planear as suas férias tivas em relação ao mercado cinematográfico

ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO PERSONALIDADES


64 cidades com personalidade 118 antónio ole
As cidades do futuro estão em destaque nesta edição vanguar- Reconhecido internacionalmente pela versatilidade das suas
dista. A arquitectura moderna, que recorre às mais recentes produções, António Ole já fez um pouco de tudo. Artista plás-
tecnologias, está presente na maioria dos trabalhos de recons- tico, fotógrafo e realizador, evidencia-se na pintura. Encante-
trução, que começam a dar atenção ao ordenamento do terri- se com o longo espólio desta personalidade, reconhecida pelos
tório e à usabilidade dos edifícios. Descubra as tecnologias que trabalhos individuais e pela participação nas principais mostras
podem melhorar o seu bem-estar internacionais

SUMÁRIO · ANGOLA’IN |7
editorial

o insurgente
O homem que estudou e procurou explicar os efeitos ter encorajado mais este Governo, que excedeu larga-
práticos da globalização e das economias de esca- mente as expectativas e efectivamente mostrou ao
la inspirou um dos temas de destaque desta edição. mundo o caminho a seguir”, escreveu Paul Krugman,
mbartolo@comunicare.pt Paul Krugman é norte-americano, crítico feroz da po- em 2008. Natural de um país onde os cuidados de
lítica ministrada na era de George W. Bush e vencedor saúde são (ainda) uma benesse de quem tem segu-
do Prémio Nobel de Economia. No momento de cri- ros, o economista defende o sistema de segurança so-
se financeira que afecta a economia globalizada, não cial. Este é um dos pontos que o também colunista do
podia estar mais certo ao defender que os mercados “New York Times”, criticava ferozmente na governa-
nem sempre funcionam, mas o fracasso dos mesmos ção Bush. Apesar das opiniões políticas consideradas
prende-se, muitas vezes, com a falta de economia de de “esquerda”, o Nobel foi conselheiro para os assun-
escala. As suas conclusões revolucionaram a teoria do tos económicos de Ronald Reagan, na década de 80,
comércio internacional que vigorava na década de 70 em plena guerra fria. Actualmente, lecciona Economia
e que se baseava na máxima de que os mercados fun- e Assuntos Internacionais e o seu trabalho de pesqui-
cionavam bem de forma independente. O professor sa tem-se centrado nas crises económica e monetá-
da Universidade de Princeton foi escolhido pela Real ria. Carismático, explica que ganhou o honroso prémio
Academia Sueca das Ciências por ter relacionado geo- porque, quando criança, lia romances de ficção cien-
grafia económica e comércio internacional, explicando tífica. “Nos primeiros romances de Asimov, os cien-
que alguns produtos e serviços podem ser produzi- tistas sociais salvavam civilizações”, refere. “Gostava
dos mais baratos em série, o conceito de economia de disso e queria fazer o mesmo. Obviamente constatei
escala. A teoria do “New Trade”, explica porque é que que a salvação muitas vezes não funciona tão bem na
progressivamente se foi substituindo a produção de prática quanto nos romances”, salienta. Um IN FOCO
pequena escala em economias locais, pelas produções muito especial para ler, pensar e adaptar às reais ne-
em escala, dominadas por grandes empresas globa- cessidades da nossa economia, sem esquecer o cres-
lizadas. Krugman estudou o impacto desta transfor- cimento das novas redes sociais que agora irrompem
mação nos padrões de comércio e na localização da um pouco por todo o território. De salientar que para o
actividade económica e deu um nova interpretação ao sucesso pretendido importa não esquecer premissas
comércio internacional. Segundo a sua opinião sobre como a distância, os custos de transporte, a “dimen-
a solução para a crise financeira actual, o Governo bri- são espacial” de qualquer actividade económica e os
tânico está certo. A nacionalização parcial das entida- retornos crescentes para justificar a desigual distri-
des bancárias é apoiada pelo economista que elogia, buição, nacional e global da actividade económica. As-
também, os países da Zona Euro (UE). “Parece que os pectos a que Angola se deve familiarizar quando der
governos da Zona Euro deram conta do recado, adop- início a verdadeiros clusters (aglomerados) económi-
tando mais ou menos o plano britânico (...). Deveria cos em sectores-chave para o país.

10 | ANGOLA’IN · EDITORIAL
EDITORIAL · ANGOLA’IN | 11
INSIDE | patrícia alves tavares

HOTEL DE CINCO ESTRELAS


O primeiro empreendimento hoteleiro nacio-
nal com a categoria de cinco estrelas nasceu
no Talatona, em Luanda. Tem cinco pisos e 201
quartos, onde é possível visualizar a panorâ-
mica de toda a zona sul da capital. O espaço
está integrado no Centro de Convenções mul-
tiusos com o mesmo nome e é rodeado por
dezenas de chalés de luxo. O Hotel de Con-
venções de Talatona apresenta uma fachada
principal composta por uma moldura de vidro
com uma combinação de cores parecida com
o arco-íris. O edifício dispõe de 201 quartos,
dos quais 21 suites, subdivididas em 17 sui-
tes juniores, três de luxo e uma presidencial,
com tratamento VIP diário e rede de internet
gratuita. Pertencente à empresa Sonangol,
o primeiro hotel cinco estrelas é composto
por três restaurantes e 12 salas de reuniões.
SEGUNDO MAIOR FORNECEDOR DA CHINA O funcionamento dos serviços é assegurado
Nos primeiros dez meses de 2009, Angola foi o segundo maior fornecedor de petróleo à Chi- por 400 pessoas. O custo de uma suite oscila
na. A notícia é avançada pelo jornal ‘China Daily’, que refere que a primeira posição é ocupada entre os 600 e os 1500 dólares.
pela Arábia Saudita, ao assegurar cerca de 15 por cento das importações daquele país. O país
asiático começou a importar petróleo em 1993 e no ano passado atingiu um nível de depen-
dência externa considerado “alarmante”. Entre Janeiro e Outubro de 2009, a Arábia Saudita
vendeu à China 32,8 milhões de toneladas de petróleo e Angola 25,6 milhões de toneladas. O
Irão figura em terceiro lugar, com 20,2 milhões de toneladas. A China importou 204 milhões
de toneladas de petróleo em 2009, correspondendo a 52 por cento do seu consumo e a uma
subida de três pontos percentuais em relação a 2008. Analistas do sector prevêem que o nível
de “dependência externa” da China aumente para 65 por cento até 2020 e devendo subir este
ano para 54 por cento.

PROCURAR
INVESTIMENTOS RESERVAS EM RISCO
Angola participará na Expo Xangai 2010 (Chi-
na) com um propósito claro: atrair investimen- A Empresa Nacional de Diamantes de Angola ao descontrolo da actividade, o Estado per-
tos estrangeiros. Quem o diz é a comissária (ENDIAMA) manifestou-se preocupada com de anualmente cerca de USD 300 milhões. O
para a exposição, Albina Assis, que destaca o o facto de as reservas de diamantes começa- problema já conduziu o Governo a desenvol-
facto de o evento constituir uma oportunida- rem a escassear. A situação tem-se agravado ver acções para evitar a ocupação anárquica
de para o país reafirmar o seu posicionamen- no país ao longo dos últimos anos, nomea- das reservas do Estado, através do contro-
to regional e internacional, revelando todo o damente devido à intensa actividade regis- lo do uso dos recursos, criação de emprego
desenvolvimento dos últimos anos. A respon- tada nas regiões tradicionais de exploração e protecção dos recursos naturais. Aliás, o
sável defendeu que a Grande Exposição se diamantíferas, praticada na maioria dos ca- Executivo aprovou no primeiro semestre de
apresenta como o cenário ideal para discus- sos por cidadãos da República Democrática 2009 o regulamento de exploração para sal-
sões de políticas e acções à volta do tema da do Congo. A situação já levou o presiden- vaguardar esses recursos, conferindo aos ci-
sustentabilidade das grandes capitais mun- te da ENDIAMA, António Carlos Sumbula, a dadãos nacionais exclusividade no que toca
diais. “O nosso objectivo é mostrar as nossas apelar às autoridades angolanas e congole- à actividade artesanal de extracção de dia-
potencialidades, apoiando-se no maior e mais sas para que resolvam o problema. A provín- mantes, durante um período mínimo de dez
importante recurso que é a diversidade do ca- cia da Lunda Norte é a região com o maior anos. As primeiras licenças serão emitidas no
pital humano que possuímos”, reiterou. Ango- índice de garimpo e imigração ilegal. Devido primeiro trimestre deste ano.
la participa na feira com um pavilhão de 1000
m2, que vai representar os antepassados em
contraposição com os núcleos modernos ur-
banos. A Expo Xangai decorre entre 1 de Maio
e 31 de Outubro e tem como slogan “Melhor
Cidade, Vida Melhor”.

12 | ANGOLA’IN · INSIDE
UNITEL AUMENTA COBERTURA DE REDE
A maior empresa de telecomunicações móveis em Angola expandiu a sua cober-
tura a mais onze municípios do país, através da instalação de novas estações de
rede em diferentes províncias. “Os municípios de Cuvango, Chipindo e Quilengues
(província de Huíla), Ebo e Quilenda (Kwanza Sul), Ekunha, Tchinjenje e Longonjo
(Huambo), Chongoroi (Benguela), Bungo e Mucaba (Uíge) dispõem agora das in-
UNICER TERÁ FÁBRICA fra-estruturas necessárias para que os clientes da Unitel tenham acesso ao sinal
O projecto remonta a 2003, mas só agora de rede”, anunciou a operadora. Com liderança consolidada no mercado das te-
foram assinados os contratos com os três lecomunicações móveis nacionais, a empresa alcançou recentemente os 5,5 mi-
parceiros nacionais. A empresa portuguesa lhões de clientes. Em Angola existem duas redes, a estatal Angola Telecom e a
Unicer pode arrancar com a construção da privada Unitel, que iniciou as suas operações em 2001 e tem actualmente uma
fábrica de cerveja, que está orçada em 120 quota de mercado superior a 60 por cento.
milhões de dólares. A entidade assume a de-
signação de Única e será detida em 49 por
cento pela Unicer. Os restantes 51 por cento
serão repartidos pela Giasope, Emprominas e
Imosil. A fábrica, que já tem a autorização do
Governo, ficará a cerca de 30 quilómetros de
Luanda e vai criar mais de mil postos de tra-
balho directos e 10 mil indirectos. A sociedade
vai dar início à procura de terrenos e concreti-
zação física do projecto. A unidade deverá es-
tar a funcionar em 2012.

LABORATÓRIO DE REFERÊNCIA
As associações de defesa de consumidores defendem a criação de um
laboratório de referência que garanta uma maior segurança alimen-
tar. Domingos da Conceição, secretário-geral da Federação das Asso-
ciações de Defesa dos Consumidores de Angola (FAAC), sugere que
o Governo desenvolva urgentemente organismos que correspondam
aos padrões internacionais, de modo a garantir a qualidade dos pro-
dutos que chegam ao território nacional. Em declarações ao jornal ‘O
País’, o responsável alega que parte dos alimentos possui os requisitos
necessários para consumo quando importados, mas perdem a qua-
lidade devido à má conservação e transportação. “O país está numa
fase de crescimento acentuado, sendo que o consumo aumenta em
paralelo diariamente, no qual são precisos instrumentos técnicos pa-
ra auferir a qualidade dos alimentos que consumimos”, esclarece. Na
opinião do representante da FAAC, os laboratórios de referência são
extremamente importantes, pois reforçam a capacidade de actuação
das associações, que encaram este aspecto como uma das medidas
para que todos tenham acesso a uma alimentação segura, suficiente
e nutritiva.

UNESCO APOIA FORMAÇÃO


A Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (Unesco) vai colaborar em projectos do Ministério da Cultura angolano, no
que respeita à formação de quadros em diferentes áreas. Damir Dijakovic, representante da entidade, garantiu que está “empenhado em ver con-
cretizado o projecto angolano, tendo em conta que contém uma perspectiva futurista e virada para a formação de quadros que poderão ajudar na
preservação e divulgação da cultura angolana”. O responsável defende a preservação do património cultural angolano como símbolo da identida-
de do povo. O vice-ministro da Cultura, Cornélio Calei, lembrou, por sua vez, que a fraca herança das instituições e a falta de quadros aliados ao
conflito armado contribuíram para o atraso na criação das condições necessárias para a área da cultura. O facto de a nação ser um país de expres-
são portuguesa também contribuiu negativamente para essa formação de quadros, pelo que o ministério decidiu formar os seus colaboradores
nas línguas inglesa e francesa. Quanto ao reconhecimento de Mbanza Congo, Xitundu Hulu e da Bacia do Kwanza como património mundial da
humanidade, Dijakovic referiu que o processo está a ser avaliado.

INSIDE · ANGOLA’IN | 13
INSIDE

ELEIÇÕES EM 2012
José Eduardo dos Santos confirmou que as
eleições gerais vão decorrer em 2012, coinci-
dindo com o término da actual legislatura.
Após a recente aprovação e entrada em vigor
da Constituição, o Presidente da República
explicou que “o Estado deverá criar as condi-
ções para a realização” do sufrágio, agendado
para a data em “que finda o mandato resul-
tante das legislativas de Setembro de 2008”.
O responsável afirmou ainda, em resposta HOLANDESES APOSTAM NA AGRICULTURA
às críticas da Unita, “é fruto de um prolon- O grupo Tahal, controlado pela empresa holandesa Kardan NV, pretende desenvolver um sistema
gado debate aberto, livre e democrático com de abastecimento e recolha de águas residuais e de irrigação para o colonato rural de Quiminha.
todas as forças vivas da Nação”. Recorde-se O contrato de 143 milhões de euros foi rubricado pelo Ministério das Obras Públicas e permitirá
que com as alterações impostas pelo Tribu- criar um projecto integrado de desenvolvimento agrícola e regional. O espaço que vai albergar o
nal Constitucional, o presidente da República mecanismo conta com 310 explorações agrícolas e está a 70 quilómetros a sudeste da capital. O
é eleito como cabeça-de-lista do partido ou da futuro sistema tem como objectivo o aproveitamento dos terrenos férteis, de forma a aumentar
coligação mais votada, sendo feita a sua iden- a produção local de produtos agrícolas. O projecto deverá arrancar durante o primeiro semestre
tificação no boletim de voto, ao contrário do de 2010 e ficará concluída num prazo de três anos. O grupo Tahal é uma organização mundial, se-
inicialmente previsto. Já o cargo de primeiro- deada em Amesterdão, especializada em sistemas de abastecimento de água, recolha de águas
ministro deixa de existir. residuais, energia hidroeléctrica, gestão de resíduos sólidos, entre outros.

E-GOVERNO APROVADO
SONANGOL PARCEIRO DE FIRMA INDIANA O Executivo de José Eduardo dos Santos apro-
vou o projecto da rede privada “e-Governo”. A
A companhia indiana de Petróleo e Gás assinou um
decisão foi divulgada pelo presidente da As-
memorando de entendimento com a Sonangol. O
sembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias
documento tem como finalidade o desenvolvimento
dos Santos e visa aperfeiçoar a transparência
de actividades de exploração de petróleo, baseado
governativa. O responsável argumentou que
numa actuação conjunta, reforçando assim a coo-
o sistema de governo electrónico é um meio
peração bilateral entre as duas entidades. O acordo
que permitirá estreitar a relação do Estado
foi alcançado durante a visita a Luanda do ministro
com os órgãos dependentes, com a população
indiano dos Petróleos e Gás Natural, Murli Deora. A
e com os diversos sectores privados. O dirigen-
agência Bloomberg noticia que o presidente da Oil &
te aproveitou a ocasião para recordar que está
Natural Corporation of Índia, R. S. Sharma, declarou
em curso a criação do primeiro Centro de Da-
que o memorando “abre oportunidades para as duas
dos Certificados de nível três, que foi lançado
empresas trabalharem juntas em todas as áreas do
no último ano e vai salvaguardar o domínio Top
negócio do petróleo”.
da Internet no país, bem como possibilitar a
centralização das bases de dados do Governo.

ONI AVANÇA COM DUAS EMPRESAS


A ONI vai criar duas instituições em Angola na primeira metade deste ano: uma su-
cursal da operadora e outra com sócios locais. O presidente executivo da ONI, Xavier
Rodriguez-Martín, adiantou à agência portuguesa Lusa que pretende “criar duas em-
presas, uma subsidiária e outra com os parceiros locais”. O presidente executivo da ONI
frisou recentemente numa conferência de imprensa que a operação em Angola “vai
materializar-se na primeira metade do ano”, admitindo que se trata de “um mercado
interessante”, já que “há um espaço para a especialização no mercado empresarial”. O
responsável destacou que depois de uma primeira onda de investimento efectuado por
operadores móveis, existe actualmente mercado para uma “segunda onda de investi-
mento focalizada nos serviços”, onde a ONI pretende dar cartas naquele país. A interna-
cionalização é “uma aposta firme” da empresa que pretende também no final de 2012
gerar um terço das suas receitas nos mercados internacionais, num valor que se situará
entre 70 e 80 milhões de euros.

14 | ANGOLA’IN · INSIDE
MUNDO | patrícia alves tavares

cop15
Europa quer energia verde
Nove países europeus estudam a criação de uma rede de abas-
tecimento ultramoderna com recurso exclusivo a energias re-
nováveis. O projecto está orçado em 30 mil milhões de euros e
surge como resposta ao fracasso da Cimeira de Copenhaga. O jor-
nal alemão Sueddetusche Zeitung avançou a notícia, adiantando
que a ideia se destina a equilibrar o abastecimento com energia
eólica, hídrica e solar. O plano inclui uma rede que agrupará 65
centrais energéticas da Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França,
Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Noruega e Reino Unido. Para con-
cretizar o projecto, serão desenvolvidos nos próximos dez anos
milhares de quilómetros de cabos submarinos de alta tensão
diante das costas alemã e britânica, para transmitir a energia re-
colhida nestes países. Os custos ficam ao encargo de empresas
privadas. Segundo o Ministério da Economia alemão, a iniciativa
arranca em Janeiro, estando agendado para o primeiro trimestre
uma reunião de representantes ao mais alto nível. O projecto da
nova rede energético-ambiental surgiu em Dezembro, após uma
reunião na Irlanda entre as nações participantes. Até Outubro, os
dubai respectivos governantes pretendem ainda assinar uma declara-
Maior torre do mundo ção de intenções e um calendário de implementação do projecto.
Tem mais de 800 metros de altura e 200 an-
dares. O arranha-céus Burj Dubai foi inaugu-
rado no início do ano e é o edifício mais alto do
mundo. A torre simboliza a ambição do Du- peru
bai, que pretende tornar-se numa das maio-
res potências económicas mundiais, apesar 25 anos para Fujimori
da crise que o país enfrentou recentemente. O Supremo Tribunal do Peru confirmou por
A obra arrancou em 2004 e custou cerca de unanimidade a condenação a 25 anos de pri-
1,5 mil milhões de dólares. A sua construção são de Alberto Fulimori. O ex-presidente foi
levou 22 milhões de horas e ficou ao encargo punido pelos crimes de violação dos direitos do
da companhia imobiliária Emaar. O empreen- Homem. A decisão surge na sequência de um
dimento pesa 500 mil toneladas e ultrapassa recurso interposto pelo antigo chefe de Esta-
os 500 metros da torre Taipei 101, em Taiwan do peruano, que já tinha sido condenado em
(até então a mais alta do planeta). No 124º Abril pela responsabilidade em massacres de
andar existe um posto de observação, que civis em 1991 e 1992, durante a repressão das
possibilita a visualização de todo o emira- guerrilhas de extrema-esquerda. Fujimori foi
do de Dubai. No entanto, segundo a agência ainda condenado em 2007 e 2009 – em proces-
Reuters, das duas centenas de pisos apenas sos distintos – com penas de seis a nove anos
35 poderão ser habitados, pelo que a maioria pelos crimes de corrupção e abusos de poder.
dos espaços de luxo já se encontra vendida. Como no Peru as sentenças não acumulam, o
Com 57 elevadores e três mil vagas de esta- ex-presidente deverá cumprir a mais longa (25
cionamento, a nova torre acolhe o requintado anos), o que para os seus apoiantes significa
hotel da Armani. “uma condenação à morte”.

cuba
Eleições parciais em Abril
O Conselho de Estado cubano convocou eleições parciais, que se destinam à escolha dos delegados das assembleias municipais (vereadores)
do Poder Popular. A ida às urnas está agendada para 25 de Abril e caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50 por cento dos votos, terão
que ir à segunda volta, marcada para 2 de Maio. Recorde-se que as eleições municipais decorrem a cada dois anos, pelo que os cubanos com
mais de 16 anos votaram pela última vez em Outubro de 2007, quando elegeram mais de 15 mil representantes dos 169 municípios do país,
escolhendo os 614 deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular (Parlamento) e os delegados das Assembleias Provinciais. As eleições
antecederam as de Janeiro de 2008.

16 | ANGOLA’IN · MUNDO
ciência
Cinco planetas fora do sistema solar
A Sociedade americana de Astronomia, em Washington (EUA),
revelou que o telescópio espacial Kepler (enviado para o espaço
a 6 de Março de 2009) encontrou os primeiros cinco planetas
fora do sistema solar. Estes juntam-se aos 415 exo-planetas
detectados desde 1995, com recurso a outros telescópios. As
novas descobertas apresentam dimensões que variam entre
o tamanho de Neptuno e um maior que Júpiter. Após cerca de
seis semanas de recolha de dados, os cientistas concluíram que
os planetas, chamados Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b, são dema-
siado quentes para albergar vida, já que as temperaturas osci-
lam entre os 1200 e os 1648 graus Célsius. “Estas observações
ajudam-nos a compreender melhor como se formam e evoluem
os sistemas planetários”, sustentou William Borucki, do centro
de investigações Ames da NASA e responsável principal pela
equipa científica do Kepler. O investigador acredita que o teles-
cópio norte-americano poderá encontrar planetas mais peque-
nos com órbitas mais longas, “aproximando-se da descoberta
do primeiro planeta análogo à Terra”. eua
Segurança apertada gera polémica
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou novas me-
didas de segurança nos aeroportos com vista a evitar novos ataques
terroristas. Assim, as 550 mil pessoas que constam da ‘watch list’
de suspeitos encontram-se proibidas de voar para os EUA. Por outro
lado, as regras nas vistorias dos passageiros foram apertadas. A par-
tir de Janeiro, todos os indivíduos oriundos de uma lista de 14 países
– cujos nomes não foram divulgados – e que tenham como destino
cidades americanas são obrigados a passar por revistas corporais. O
mesmo se aplica a todas as pessoas que façam escala nas referidas
regiões, verificando-se ainda um acréscimo dos controlos aleatórios
de todos os viajantes. A questão das revistas corporais está a gerar
alguma polémica, uma vez que se levantam preocupações em rela-
ção à privacidade dos indivíduos, já que as imagens mostram detalhes
médicos como próteses ou implantes. Apesar da lista de países inter-
ditos não ter sido revelada, os jornais americanos revelam tratar-se
de Cuba, Irão, Sudão, Síria, Afeganistão, Argélia, Iraque, Líbano, Líbia,
Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Somália e Iémen. Entretanto, na
Europa, o Reino Unido anunciou que vai adoptar esta tecnologia “logo
que possível” e a Alemanha admite testá-la em breve.

clima
Austrália vive década mais quente
O Instituto de Meteorologia australiano divulgou que o país viveu a década mais quente da
história, devido às alterações climáticas, que originaram vagas de calor, secas, tempestades
de areia e incêndios. No último ano, a temperatura média subiu cerca de um grau, tendo sido
a mais quente desde 1910. Dean Collins, climatólogo, destaca que nos termómetros se regis-
taram 22,3ºC, ou seja, 0,48ºC acima dos valores observados entre 1961 e 1990, pelo que alerta
para este tipo de fenómeno que “não surge por acaso”. “Reflecte o que se passa à escala mun-
dial”, alerta o especialista. Em 2009, a Austrália foi atingida por três vagas de calor históricas,
situação que leva Dean Collins a prever condições semelhantes para os primeiros três meses do
novo ano, durante o Verão Austral.

MUNDO · ANGOLA’IN | 17
MUNDO

economia
EUA em baixa
As previsões para o crescimento do Produto
Interno Bruto nos Estados Unidos, em 2010,
é de 1,5 por cento, enquanto o desenvolvi-
mento esperado para o produto global é de
3,7 por cento. Desta forma, os especialistas
acreditam que as locomotivas do crescimen-
to global são e serão cada vez mais os países
emergentes, cujo crescimento previsto para
este novo ano é de 5,5 por cento.

irão
Autoridades proíbem cooperação com 60 países
Uma lista de 60 organizações internacionais foi divulgada pelas autoridades iranianas, que proi-
biram os seus cidadãos de cooperar com as referidas instituições. Entre elas encontram-se várias
ONG, grupos defensores dos direitos humanos, sites ligados à oposição e meios de comunicação
social internacionais. Em causa está a acusação, por parte do ministério da Informação, de estes
organismos terem estado envolvidos em manifestações antigovernamentais, que se seguiram à
reeleição, em Junho, do presidente Mahmoud Ahmadinejad. A “lista negra” inclui entidades como
a Human Rights Watch, as fundações Ford e Rockfeller e órgãos de informação como a BBC e a
Voice of America. O vice-ministro da Informação apelou ainda aos iranianos para que não tenham
somália “contactos fora do normal com cidadãos estrangeiros, embaixadas e organizações que lhes este-
jam ligadas”. Já o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ramin Mehmanpa-
Pior do mundo em 2010
rast, afirmou em conferência de imprensa que serão igualmente tomadas medidas contra aqueles
Os analistas do Economist Intelligence Unit
que se encontram detidos, caso se descubra que lideram o que chamou de “guerra psicológica”
(EIU) prevêem um ano de grandes dificulda-
contra o Governo. Os responsáveis iranianos anunciaram ainda o adiamento da visita de um grupo
des para a Somália, que se vê afectado pela
de eurodeputados, que planeava encontrar-se com membros do Parlamento e da oposição, que
guerra civil, pobreza opressiva e pirataria, em
estava marcada para o início de Janeiro.
que as instituições políticas não funcionam e
o Estado tem pouca influência fora da capi-
tal, Mogadíscio. A maioria do território é con- frança
trolado por dois grupos armados, o que leva
os especialistas a afirmar que “o mais preo- Sarkozy quer taxar carbono
cupante é a situação dos jovens somalis que O presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu a criação
aderem ao ideal radical, havendo pouca espe- de um imposto ecológico para reduzir as emissões de car-
rança na estabilização da situação política”. bono. O país francófono prepara-se para aplicar a medida
Ainda de acordo com o EIU, as agências in- a nível interno no segundo semestre de 2010. No entan-
ternacionais prometem ajudas, mas não pos- to, o responsável afirma estar disposto a lutar “para que
suem as condições de segurança necessárias a Europa adopte um imposto sobre o carbono”, situação
para as canalizar, pelo que as forças de paz a que colocaria em pé de igualdade as empresas europeias.
trabalhar no terreno são bastante reduzidas. O chefe de Estado anunciou que o ministro da Ecologia,
Com o agravamento das condições sociais, os Jean-Louis Borloo vai apresentar um novo projecto sobre
analistas acreditam que o país pode tornar-se o imposto do carbono que ultrapasse os obstáculos apon-
num grande problema para o mundo. A EIU tados inicialmente pelo Conselho Constitucional. Sarko-
admite que a nação apenas chega à imprensa zy revelou que “Copenhaga é muito melhor que Quioto”,
internacional devido à pirataria. Já segundo o comparando o acordo conseguido nas duas cimeiras, re-
World Food Programme da ONE, mais de 40 lembrando que em 1997 apenas 35 países rectificaram o
por cento da população precisa de ajuda ali- Protocolo de Quioto, quando na capital dinamarquesa o
mentar para sobreviver e uma em cada cinco documento final foi assinado por 192 Estados.
crianças é gravemente desnutrida.

18 | ANGOLA’IN · MUNDO
MUNDO · ANGOLA’IN | 19
IN FOCO | manuela bártolo

Um renovado interesse
na geografia económi-
nova mias reais, se percebe
que os acontecimentos
ca está a nascer. A revo-
lução que assentou nos
rendimentos crescen-
tes/concorrência im-
geografia históricos desempenha-
ram um papel decisivo
na sua concretização. A
sua posição sobre a in-
perfeita - fundamento
dos modelos de cresci-
mento endógeno, que
transformaram a teo-
ria económica das duas
económica fluência dos aconteci-
mentos ou “acidentes”
históricos na concentra-
ção de empresas, tem
como antecedente o
últimas décadas - vive hoje novos desafios. económicos da década de 80 oferecem uma “facto histórico fortuito” de Myrdal, indica-
Findos as três primeiras fases desta revo- visão mundial da economia bastante distin- do por este autor como a origem do poder de
lução, marcada, primeiro, pela nova organi- ta da que derivava do corpo teórico antece- atracção de um centro económico.
zação industrial que criou um conjunto de dente: concorrência perfeita, crescimento Os rendimentos crescentes, conforme Krug-
modelos de concorrência imperfeitos, segun- equilibrado e convergência da produtividade man, afectam a geografia económica em
do, pela nova teoria comercial, que utilizou tal entre países. “Rendimentos crescentes de vários âmbitos. No nível mais reduzido, a loca-
conjunto para construir modelos de comércio escala que se mantêm de forma permanente lização de sectores específicos reflecte algu-
internacional na presença de rendimentos e concorrência imperfeita; equilíbrios múlti- mas vantagens transitórias; num nível maior,
crescentes e, por último, pela teoria do cres- plos em todas as partes, e um papel cada vez a própria existência de cidades constitui um
cimento que aplicou todo este instrumental mais decisivo para a história, os ‘acidentes’ fenómeno visível da existência de rendimen-
à mudança tecnológica e ao desenvolvimento [...]: essas são as ideias que se estão a tornar tos crescentes de escala; no nível superior, o
económico, é tempo de entender a geografia populares [...]”, referia Krugman já em 1992. desenvolvimento desigual entre regiões po-
económica, segundo Paul Krugman, Prémio A clara dependência da história, que carac- de ser consequência de processos cumulati-
Nobel de Economia (2008). Para o mesmo, teriza a localização da produção em todas as vos enraizados nos rendimentos crescentes.
este termo entende a localização da produ- partes do mundo, é, para o Prémio Nobel, a No modelo de Krugman, a interacção entre a
ção no espaço, ou seja, é o ramo da econo- prova de que a economia está mais próxima procura, os rendimentos crescentes e os cus-
mia que se preocupa com “onde” ocorrem de um mundo dinâmico guiado por processos tos de transporte são a força motriz desses
os negócios e se localizam as empresas. No acumulativos, do que do modelo típico de processos cumulativos que acentuam as de-
sentido adoptado por Krugman, a maior par- rendimentos constantes de escala. Krugman sigualdades regionais. No início do século XX,
te da economia regional e algumas questões tem procurado incessantemente demonstrar explica, os geógrafos deram-se conta de qua
da economia urbana constituem a geografia duas coisas: que os rendimentos crescentes a maior parte da indústria dos Estados Uni-
económica. A teoria do comércio internacio- têm, de facto, uma influência permanente dos estava concentrada numa parte relativa-
nal, segundo ele, é um caso especial da ge- na economia e que, quando se estuda a dis- mente pequena da região Noroeste e da parte
ografia económica, onde as fronteiras e as tribuição geográfica da produção nas econo- central do Meio Oeste, que se tornou conhe-
acções dos governos desempenham um rele-
vante papel na determinação da localização
e distribuição espacial das actividades pro- “A concentração geográfica nasce, basicamente,
dutivas. Este investigador considera que as da interacção entre os rendimentos crescentes,
teorias do comércio, o crescimento e os ciclos os custos de transporte e a procura”

20 | ANGOLA’IN · IN FOCO
cida como “Cinturão Industrial”, termo que, utiliza este facto para contrapor os argumen- de alguns sectores, mas nem por isso há que
segundo Krugman, parece ter sido usado pela tos de que as economias externas e os pro- se supor que esta seja a razão principal – nem
primeira vez por DeGeer (The american manu- cessos cumulativos tenham assumido maior mesmo para a própria indústria de alta tecno-
facturing belt, 1927). Durante a fase de apogeu relevância nas décadas recentes por força da logia [...]”. Levantando um outro importante
do Cinturão, a maior parte da indústria que se crescente importância da tecnologia. A con- ponto do seu modelo teórico, Krugman dife-
concentrava no seu exterior, conforme explica, centração geográfica da indústria nos Estados rencia região de país, sugerindo a conveniência
correspondia ao processamento de matérias- Unidos, pontua Krugman, existiu muito antes de eliminar as nações da descrição do comércio
-primas ou à produção destinada ao merca- do advento da era da informação. Com isso, inter-regional, entre países, no âmbito inter-
do local. Isto é, o Cinturão Industrial continha ele conclui que não só não é certo que a eco- nacional. Para ele uma nação não é uma região
praticamente todas as indústrias “soltas”, ou nomia na actualidade não se ajuste ao mode- ou uma localização. No caso das grandes ten-
seja, que não estavam ligadas a uma determi- lo convencional dos rendimentos constantes dências de aglomeração que aparecem no mo-
nada localização nem pela necessidade de es- de escala, mas também que nunca cumpriu delo centro-periferia, Krugman afirma que a
tar muito próximas do consumidor final, nem tal função. Reportando-se especificamente natureza das externalidades provêm dos efei-
pela necessidade de utilizar os recursos na- à análise económica da localização industrial, tos do tamanho do mercado frente aos custos
turais situando-se muito perto da sua fonte. enumera três razões que identifica como favo- de transporte, ou seja, da existência de elos
Este facto tornava ainda mais expressiva a di- ráveis à concentração de uma actividade num para frente e para trás, que estimulam os pro-
mensão da concentração de empresas dentro determinado local. dutores a concentrarem-se nas proximidades
e no entorno do Cinturão, salienta. Em mea- Graças à concentração de um elevado núme- dos grandes mercados, além de propiciarem
dos do século XX, a maior parte das matérias- ro de empresas de um ramo no mesmo local, aos mercados importantes que estes se con-
primas utilizadas pelas indústrias situadas na um centro industrial cria um mercado conjunto centrem junto dos produtores, não existindo
área do Cinturão era importada de outras re- para trabalhadores qualificados, que beneficia nenhuma razão para se pensar que as frontei-
giões. Krugman questiona-se sobre o porquê tanto os trabalhadores, como as empresas; ras nacionais irão definir as regiões relevantes.
de, mesmo diante dessa situação, uma parte Um centro industrial permite a provisão, em As transacções no espaço exigem alguns cus-
tão considerável da indústria dos Estados Uni- maior variedade e a um menor custo, de fac- tos; existem economias de escala na produção.
dos ter permanecido localizada nesta peque- tores concretos necessários ao sector, que não Os empresários têm um incentivo à concentra-
na área de território do país. A resposta, para são objecto de comércio. ção da produção de cada bem ou serviço num
ele óbvia, era devido às vantagens proporcio- Devido ao facto da informação fluir com mais número limitado de lugares, isto porque a re-
nadas por se estar próximo das demais fábri- facilidade num âmbito mais restrito, que ao alização de transacções no espaço comporta
cas instaladas no Cinturão, ou seja, uma vez longo de grandes distâncias, um centro indus- alguns custos. Os lugares preferidos por ca-
estabelecido o Cinturão, nenhum fabricante trial gera o que se pode chamar, nas palavras da empresa individual são aqueles nos quais
individual teria interesse em se distanciar do de Krugman, de osmose tecnológica (techno- a procura é grande ou a oferta de factores é
mesmo. O economista atribui a uma questão logical spillovers). particularmente conveniente, o que, em geral,
central referenciada aos detalhes da história, No que se refere à disponibilidade de factores são os lugares que outras empresas também
a razão de se ter originado uma concentração e serviços específicos de uma indústria, Krug- irão eleger. Por este motivo, a concentração da
geográfica dessa natureza. Nota-se na análi- man levanta duas questões referentes aos indústria, uma vez criada, tende a autosusten-
se efectuada, fortes traços de similaridade à factores intermediários, a primeira é que a sua tar-se; esta realidade cumpre-se tanto no que
análise sobre a origem e existência dos clus- oferta dependerá da existência de economias se refere à concentração de sectores individu-
ters nos Estados Unidos e em outros países. de escala, pois, apenas a presença de rendi- ais, como no que cria aglomerações de [gran-
Segundo este, as forças que incitam os empre- mentos crescentes permitirá a um grande de] magnitude”, salienta.
sários industriais a se agruparem residem nas centro de produção dispor de fornecedores
externalidades da procura. No seu modelo, “a mais eficientes e mais diversificados, do
concentração geográfica nasce, basicamente, que um centro pequeno. A segunda é que
da interacção entre os rendimentos crescen- essa oferta não dependerá de nenhuma as-
tes, os custos de transporte e a procura [...]”. simetria dos custos de transporte entre os
Se as economias de escala são suficientemen- bens intermediários e os bens finais. Tra-
te grandes, cada fabricante prefere abastecer tando dos efeitos externos mais ou menos
o mercado nacional a partir de um único local. puros que se produzem como resultado da
Para minimizar os custos de transporte, elege osmose de conhecimentos entre empresas
uma posição espacial que permita contar com próximas, o especialista ressalta que o ên-
uma procura local grande. Mas a procura lo- fase dado à alta tecnologia em grande par-
cal será grande, precisamente na área onde a te das discussões políticas contribuiu para
maioria dos fabricantes elege situar-se. Deste converter as externalidades tecnológicas
modo, existe um argumento circular que ten- nos determinantes mais óbvios da con-
de a manter a existência do Cinturão Industrial centração. Declara-se, por is-
[ou do cluster], uma vez que este tenha sido so, “seguro de que verdadeiros
criado, explica. Krugman considera importante processos de osmose tecnoló-
salientar que o aparecimento do Cinturão In- gica desempenham um impor-
dustrial remonta a meados do século XIX. Ele tante papel na concentração

IN FOCO · ANGOLA’IN | 21
IN FOCO ARTIGO DE OPINIÃO

mercados
em potência
A entrada de empresas estrangeiras numa fornecimento de matérias-primas, no recruta- mais baixo, isto é um diferencial maior entre
economia está associada a um aumento de mento de mão-de-obra adequada, entre outros, volume de saída e de entrada do investimento,
bem-estar nas populações devido, por exem- e suportados num conjunto de determinantes o GDP (Produto Interno Bruto) e GDP per capita
plo, ao aumento de empregos em quantida- que se subdivide em 3 grupos: determinantes (PIB per capita), que é um indicador da qualida-
de e qualidade, isto é, normalmente melhor do país de destino ou forças centrífugas, do pa- de de vida, começa a subir de forma consisten-
remunerados pelas multinacionais estran- ís de origem ou forças centrípetas e da própria te, isto é, quando as populações começam a ver
geiras, que pelas empresas locais. Por outro empresa ou forças internas. aumentada a sua qualidade de vida.
lado, o investimento directo no estrangeiro
de empresas nacionais, quando não de subs- A economia angolana após um período em que Como o envolvimento internacional de uma eco-
tituição dos investimentos existentes “intra- precisou de atrair investimento para se desen- nomia é feito, cada vez mais, nos ombros das
muros”, fortalecem o tecido empresarial, por volver, entrou numa fase em que para além de empresas que a compõem, sendo em econo-
exemplo, pela experiência e crescimento a atrair investimento também tem empresas mias modernas a intervenção estatal cada vez
que normalmente estão associadas. nacionais a realizar investimentos no estran- mais reduzida. Contudo, agora que se está no
geiro, nomeadamente por aquisição e parce- caminho do desenvolvimento sustentado, cum-
O investimento das empresas estrangeiras con- ria. Esta nova fase é conhecida como segunda pre ao governo assumir a responsabilidade de
segue-se atrair quando se revelam um conjunto fase do Investment Development Path (IDP). criar políticas que fomentem o apoio às empre-
de determinantes na economia onde se realiza A terceira fase surgirá quando o valor do Net sas estrangeiras em território angolano e apoiar
o investimento, nomeadamente: a dimensão Outward Investment (NOI) for positivo, isto é, as empresas nacionais que decidem realizar in-
(ou crescimento) e oportunidades comerciais do quando as saídas de investimento superarem vestimentos no estrangeiro de modo a criar uma
mercado, a redução de barreiras alfandegárias, as entradas. dinâmica cada vez maior dentro da economia.
o acesso a capital, a política agressiva na atrac-
ção de investimento estrangeiro, etc. Recorrendo à análise gráfica, é interessante ve- miguel matos torres
prof. da universidade de aveiro (degei), portugal
rificar que quando o NOI começa a ter um valor
Angola vive a fase do
Investment Development NOI GDP GDP PER CAPITA
70000
Path (IDP). A seguinte
surgirá quando o valor do 52500
Net Outward Investment
(NOI) for positivo, isto 35000
é, quando as saídas de
investimento superarem 17500
as entradas
0
Por outro lado, o investimento directo no es-
trangeiro quando realizado de raiz (deixa-se de -17500
1972
1970

1974

1978

1980

1982

1984

1986

1988

1990

1992

1994

1996

1998

2000

2002

2004

2006
1976

fora as parcerias e as aquisições) é conseguido


depois de ultrapassar algumas barreiras, mor- Fonte: United Nations Conference on Trade and Development
mente as dificuldades em assegurar canais de (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento) - Unctad (2008) (Milhões de dólares)

22 | ANGOLA’IN · ECONOMIA & NEGÓCIOS


ECONOMIA & NEGÓCIOS · ANGOLA’IN | 23
ECONOMIA & NEGÓCIOS | manuela bártolo

revolução Numa das grandes ironias


da história, o continente
africano pode muito bem

capitalista emergir da recessão global


actual como a única região
do mundo que permanece
comprometida para com o
capitalismo global
Enquanto que as nações industrializadas e
cansadas do Ocidente estão a nacionalizar
os seus bancos e envolvidas em várias for-
mas de proteccionismo, África permanece
aberta aos negócios promovendo o comér-
cio, o investimento directo externo e o em-
preendedorismo nacional. Os analistas
dos países industrializados temem
que a ajuda externa ao continente
caia por causa da recessão, mas
os próprios africanos estão
muito mais preocupados
com o aumento de obstá-
culos às suas exportações
e à diminuição do investi-
mento privado vindo do es-
trangeiro, o que pode impedir
a continuação do impressio-
nante progresso económico
que os mesmos fizeram ao longo da
última década. É um segredo bem guarda-
do o facto de África estar no meio de uma
profunda transformação económica. Desde
2004 que o crescimento económico aumen-
tou a um nível médio de 6% ao ano, a par da
América Latina. Esta percentagem irá sem
dúvida descer como resultado da crise eco-
nómica global, mas o Fundo Monetário Inter-
nacional (FMI) ainda prevê um crescimento
de cerca de 4% para este ano, um número
relativamente saudável segundo os padrões
deprimentes de hoje. O comércio internacio-
nal é agora responsável por cerca de 60% do
PIB de África (bem acima do nível da América
Latina) e o investimento directo externo no
continente mais do que duplicou desde 1998,
para mais de 10 mil milhões de euros por ano.
Em geral, o investimento do sector privado
constitui mais de 20% do PIB. Além disso,
desde 1990 que o número de países com bol-
sas de valores na África Subsariana tripli-
cou e a capitalização dessas bolsas subiu de
praticamente nada para 172 mil milhões de
euros (excepto na África do Sul, país que há

24 | ANG
ANGOLA’IN
ANGOLA
OLA’IN
IN · ECO
ECONOMIA
ECONOM
NOMIA
IA & NE
NEGÓC
NEGÓCIOS

ÓCIOS
IOS
S
muito tem um bolsa de valores activa). Estes
mercados “fronteiriços” deram, até há pou-
co tempo, aos investidores enormes retornos
em comparação com os de outros economias
emergentes.
Mas estas tendências positivas podem não
durar muito. Os maus governos de África
(muitas vezes de orientação tribal, com o
Quénia a ser um grande exemplo) há mui-
to que recompensam os amigos e que estão
envolvidos numa corrupção generalizada,
e muitas vezes no roubo de recursos nacio-
nais. Nesses regimes, os oficiais militares e
ditadores monopolizaram de forma geral a
actividade económica fornecendo poucos, ou
nenhuns, incentivos para os empreendedores
legítimos fazerem negócio. Não surpreende
assim que, sob estas circunstâncias, África se a enorme recessão actual levar a uma redu- nizar-se e a democratizar-se e, internacio-
sofra de taxas de crescimento baixas e níveis ção significativa nos fluxos de capital externo nalmente, o continente estava a abrir-se ao
altos de pobreza. As alterações políticas de e no aumento das barreiras comerciais nos Es- comércio global, forçando as suas economias
grande envergadura desde 1990 tiveram con- tados Unidos e na Europa Ocidental, então a a tornarem-se mais competitivas. Juntas, es-
tudo um papel crucial na revolução capita- nascente revolução capitalista da região pode tas alterações proporcionaram as condições
lista do continente. Com a trágica excepção chegar a uma extinção prematura. para a revolução capitalista da região.
do Zimbabué, é possível encontrar progresso
generalizado juntamente com a transforma- O FIM “AFRO-PESSIMISMO” A urbanização é uma tendência que os eco-
ção económica. Em Janeiro de 2009, o Gana Durante os anos 90, quando África estava a nomistas de desenvolvimento parecem igno-
teve uma eleição presidencial crucial que le- definir as bases para o seu crescimento ac- rar quando fazem as suas previsões. O que é
vou à segunda transição de poder pacífica tual, muitos peritos e políticos ocidentais surpreendente, porque mais de 30% de to-
numa década, um evento que foi muito cele- estavam ocupados a subestimar o futuro dos os africanos vivem agora em cidades (em
brado no continente. Até nos locais onde as do continente. Mas a falha geral para pre- 1965 a percentagem era de 15%), um número
democracias permanecem frágeis, como no ver a revolução capitalista africana não de- que deve chegar quase aos 50% da popula-
Quénia, os líderes compreendem que man- veria ser uma surpresa para ninguém. O final ção nos próximos 20 a 30 anos (uma percen-
ter as antigas atitudes patrimoniais de fazer da Guerra Fria significou que África deixara tagem comparável com a da Ásia, uma região
negócio é algo que se está a tornar mais dis- de ser um ponto importante para a guerra que a maioria das pessoas considera excep-
pendioso. As comissões anti-corrupção com EUA/URSS e o continente perdeu a impor- cionalmente urbanizada). A mudança da vida
vários graus de eficácia estão a surgir em tância estratégica que tivera anteriormente. rural para a urbana é crucial para estimular o
vários países, com os Camarões a serem um O preço do petróleo estava baixo e as econo- desenvolvimento económico porque as cida-
exemplo. Os cidadãos também estão a exi- mias da região pareciam não ter esperança. des juntam pessoas com bens e ideais com as
gir líderes mais competentes, que sejam ca- Estavam dependentes das matérias-primas que têm capital. Esta interacção é a fundação
pazes de governar as sociedades modernas e da ajuda externa numa altura em que as de uma economia de mercado. Mas o cami-
integradas numa economia global. Por exem- receitas dessas fontes estavam em queda e nho para o mercado exige um passo adicional
plo, após ter sido democraticamente eleito ficaram enterrados em milhares de milhões para lá das meras redes. O comércio também
em 2006, o presidente do Benin, Thomas de euros de dívidas aos governos ocidentais exige algo incrivelmente arriscado: o envol-
Yayi Boni, enfatizou que o seu gabinete con- e aos bancos. A comunidade de ajuda exter- vimento em trocas com pessoas que não
sistiria em “tecnocratas”, recrutados de uni- na foi a única que se preocupou com África. sejam membros da famílias ou amigos pes-
versidades e de bancos de desenvolvimento. Os doadores e as organizações humanitárias, soais. Nos mercados, as pessoas concordam
E na Libéria, uma antiga representante do impulsionadas em parte pelo desejo de as- em fazer comércio com quem não conhecem,
Banco Mundial, Ellen Johnson-Sirleaf, tornou- segurar um fluxo contínuo de ajuda externa, o que exige uma enorme fé. Em África, uma
se presidente em 2006. Mas tendo em conta pintaram uma imagem implacavelmente ne- das grandes virtudes da urbanização é que
os muitos problemas crónicos do continen- gra de uma região assolada pela fome, pelas forçou membros de diferentes tribos a inte-
te, estas alterações não são necessariamen- doenças, pelos violentos conflitos civis, pelas ragirem regularmente de formas que perma-
te duráveis e podem facilmente ser invertidas enormes dívidas e por governos corruptos e necem pouco habituais em ambientes mais
pela crise actual e pelo aumento do proteccio- disfuncionais. Mas por detrás desta fachada, rurais. Estas interacções contínuas, quer se-
nismo no Ocidente. Se África não fizer algo o potencial económico africano estava em jam em lojas pequenas, em autocarros ou no
mais para encorajar o empreendedorismo, e movimento. Em casa, África estava a urba- local de trabalho, são absolutamente cruciais

ECONOMIA & NEGÓCIOS · ANGOLA’IN | 25


ECONOMIA & NEGÓCIOS

para o desenvolvimento de economias de


mercado e de instituições democráticas por-
que ajudam a decompor as relações de trocas ‘Um crescimento
patrimoniais onde os chefes locais basica-
mente dominam uma economia de coman- sustentável exige
do. À medida que as economias se tornam a expansão do
mais complexas graças à urbanização, novas mercado’
capacidades (como as financeiras) tornam-
se valiosas; a possessão destas capacidades
torna-se mais importante do que a etnia no
que se refere à sobrevivência. Estas áreas ur-
banas são também grandes centros de acti-
vidade económica e os seus cidadãos tentam
naturalmente manterem-se informados so-
bre o que se passa à sua volta. Os telemóveis
e a internet tornaram o mundo exterior ca-
da vez mais acessível para os africanos, com
consequências de grande alcance para a vida
política e económica. Desde 2000, que o cres-
cimento na utilização de telemóveis foi maior
em África do que em qualquer outra parte do
mundo: aumentou dez vezes, para cerca de
80 milhões de subscritores. O crescimento da
internet foi ainda mais impressionante: o nú-
mero de pessoas que acedem quadruplicou
desde 2000. Mesmo assim, apenas uma pe-
quena fracção da população africana tem ho-
je acesso aos telemóveis ou à internet. Mas
esta “falha digital” está a fechar rapidamen-
te e os efeitos económicos em termos de
oportunidades estão já a sentir-se por todos
os que desejam ser ou são empreendedo-
res. O Banco Mundial mostrou, por exemplo,
como os telemóveis ajudaram os agriculto-
res a ganharem um acesso mais rápido aos
preços dos mercados, fazendo com que ven-
dam as suas colheitas com lucros maiores.
O aumento da comunicação entre África e
o mundo teve também implicações para os
governos. Durante muita da era pós-colonial,
os governos ditatoriais africanos implemen-
taram políticas proteccionistas de comér- na economia mundial, será menos capaz de domésticas que antigamente eram firme-
cio e investimento extremamente severas, se isolar de futuros choques financeiros. Ao mente controladas pelos governos, junta-
uma prática que foi ajudada e instigada pe- longo dos anos 90, à medida que África se ur- mente com a globalização do mercado.
lo proteccionismo no mundo industrializado. banizava e adoptava as tecnologias moder-
O sector empresarial africano estava privado nas de comunicação, os custos associados a Mas a abertura também significava mudan-
da tecnologia de ponta em casa e não tinha essas políticas antigas tornaram-se cada vez ças políticas, em particular, forçou os gover-
acesso ao capital externo e aos mercados es- mais evidentes. Os empreendedores africa- nos a verem a democratização com outros
trangeiros. Como resultado, o continente foi nos (e existiam alguns) compreenderam que olhos. Poucas pessoas hoje optariam por viver
abalado por várias crises económicas durante não podiam simplesmente desenvolver ne- no Zimbabué em detrimento do Gana. Na ver-
os anos 80. Todavia, nos últimos anos, África gócios nos mercados pequenos e primitivos dade, a maioria dos africanos que ainda vivem
conseguiu colher muitos dos benefícios co- dos seus países; como Adam Smith ensinou, em países autoritários esperam provavelmen-
merciais da globalização sem pagar os custos o crescimento sustentável exige a expansão te por um futuro democrático, mesmo que a
financeiros porque o seu sector bancário tem do mercado. Durante os anos 90, a “aber- concretização desse sonho esteja a décadas
estado relativamente protegido dos merca- tura” tornou-se uma palavra de ordem para de distancia. Como as sociedades africanas
dos financeiros internacionais. É claro que, este pequeno grupo empresarial: significava estão normalmente divididas em tribos e a
à medida que o continente se envolve mais a liberalização e privatização de actividades tribo dominante tende a monopolizar a rique-

26 | ANGOLA’IN · ECONOMIA & NEGÓCIOS


za dos recursos, o pluralismo na política afri- investimento se expandem no continente, es- trou que a fragmentação étnica permanece
cana (juntamente com um sistema eficaz de tes bancos vão ter um papel muito maior nas um factor decisivo na vida económica e poli-
equilíbrio do poder) é essencial para o cres- economias locais do que o tiveram no passa- tica em África. Contudo, como mencionámos
cimento sustentado. Em contraste com os do. Segundo, o crescimento económico ro- em cima, o continente está a passar por uma
países da Ásia Oriental, que se deram relati- busto e a subida do investimento doméstico tendência para a urbanização, o que poderia
vamente bem sob regimes autoritários, Áfri- (o que significa a existência de mais bancos ajudar a ultrapassar este obstáculo ao cres-
ca tem tido maus resultados e os seus líderes e empresas grandes) apresentam aos inves- cimento. Mas até as divisões étnicas serem
que não foram eleitos têm agora pouca cre- tidores oportunidades mais sérias. Terceiro, a ultrapassadas, África não deverá ver um au-
dibilidade para a maioria dos habitantes dos ascensão de um verdadeiro grupo de empre- mento da produtividade inerente a um cresci-
seus países. Isto acontece porque os autocra- endedores africanos, composto por executivos mento dos rendimentos. Apesar de algumas
tas de África são na sua maioria líderes tribais que muitas vezes recebem formação nos paí- histórias de sucesso recentes, a democracia
preocupados apenas com a melhoria das con- ses ocidentais, deu aos investidores externos também continua a lutar no continente. As
dições das pessoas das suas tribos. A recente mais confiança na gestão local. Quarto, muitos democracias mais jovens têm tido uma ta-
eleição do Gana, que marcou uma das poucas países africanos fizeram enormes progressos xa de insucesso maior do que as das regiões
vezes na história africana em que a transição em relação à estabilidade macroeconómica; na em desenvolvimento, com quase 30% de to-
de poder foi feita pacificamente, pode ser vis- verdade, graças aos bancos centrais indepen- dos os casos de democratização entre 1960 e
ta como o ponto de viragem decisivo, quando dentes liderados cada vez mais por tecnocra- 2004 a acabarem no colapso. Todavia, ainda
a democracia finalmente criou raízes firmes tas, o continente obteve um registo invejável há alguma esperança, já que as democracias
nesse país. Claro que o continente já passou no controlo da inflação (com o Zimbabué a bem sucedidas em África se tornaram cada
por muitas falsas partidas no que se refere a ser a excepção), registo esse que envergonha vez mais estáveis, graças em parte à ajuda
reformas políticas, mas as pressões (domésti- a América Latina. Por fim, os investidores fo- externa dirigida às instituições democráti-
cas e internacionais) a favor de uma maior de- ram encorajados pela democratização no con- cas nascentes, as quais estão a ganhar for-
mocracia estão a aumentar. Fontes adicionais tinente e pela ênfase cada vez maior numa ça. Esta ajuda desenvolveu a capacidade do
de mudanças de fora do continente surgiram boa governação. Os investidores externos nem poder judiciário e dos parlamentos e fortale-
como resultado de uma maior abertura à eco- sempre foram bem-vindos em África. Depois ceu os partidos políticos, as universidades e
nomia mundial. Por isso, os africanos aguar- da independência dos poderes coloniais, os pa- uma imprensa livre. Mesmo com instituições
dam com ansiedade a resposta do mundo íses africanos (com os seus governos recente- democráticas fortalecidas, os países africa-
ocidental à crise financeira. mente estabelecidos), muitas vezes levaram a nos podem não ser capazes de aguentar a
pressão económica externa tendo em conta
a dependência cada vez maior de África pelo
capital e comércio externo. Por todo o lado,
O crescimento económico robusto e a subida
os países estão a começar a fechar as suas
do investimento doméstico apresentam aos fronteiras económicas, afastando as suas
investidores oportunidades mais sérias economias do comércio externo através de
várias medidas politicas insidiosas. As polí-
ticas proteccionistas que actualmente impe-
dem os agricultores africanos de exportarem
A GLOBALIZAÇÃO AFRICANA cabo políticas industriais autónomas, por ra- colheitas geneticamente modificadas para a
O interesse externo pelo continente tem cres- zões puramente ideológicas e económicas. Os União Europeia provavelmente vão endurecer
cido. Graças aos investidores mundiais, a capi- nacionalistas culparam os investidores exter- nos próximos meses à medida que os líde-
talização das bolsas de valores africanas subiu nos por muitos dos problemas da região e os res da UE tentam agradar o seu sector agrí-
para 60% do PIB em 2007, depois de ter esta- burocratas do governo não gostaram de ver os cola nacional. O comércio é importante para
do nos 20% apenas no ano anterior. O inves- dividendos a saírem das suas nações pobres o crescimento económico de África porque os
timento directo externo também aumentou em dinheiro. rendimentos dos africanos não podem su-
e agora é responsável por quase 5% do PIB bir se os seus países não conseguem expor-
Subsariano. Existem várias razões por que os ABERTURA DOS MERCADOS tar bens e serviços para regiões mais ricas. É
estrangeiros investiram em África. Primeiro, O futuro do desenvolvimento de África de- claro que os países africanos também têm de
os bancos africanos estão entre as empre- pende se o continente consegue completar a fazer mais para criarem zonas de comércio li-
sas financeiras mais saudáveis do mundo, já sua revolução capitalista ou se o tsunami de vre e para promoverem o comércio com ou-
que estão relativamente protegidas dos bens problemas criado pela crise económica global tras nações em desenvolvimento.
tóxicos que agora são problemáticos para as vai afogar as esperanças dos empreendedo-
instituições financeiras norte-americanas e res da região. Um estudo recente do Center
europeias. (Os rácios capitais/bens, por exem- for Global Development (Centro de Desenvol-
plo, estão actualmente bem mais altos para vimento Global) demonstrou que o sector pri- Fonte: Center for Global Development (Centro de Desenvolvi-
os bens africanos do que para os bancos nor- vado africano muitas vezes era atrasado por mento Global), sedeado em Washington D.C., Estados Unidos,
e Ethan B. Kapstein, docente de Economia Política no INSEAD,
te-americanos). À medida que as poupanças más infra-estruturas, mercados pequenos em Fontainebleu, França e co-autor do livro The Fate of Young
africanas aumentam e as oportunidades de e maus governos. O relatório também mos- Democracies (O Destino das Jovens Democracias).

ECONOMIA & NEGÓCIOS · ANGOLA’IN | 27


ECONOMIA & NEGÓCIOS IN(TO) BUSINESS | manuela bártolo

UM NOME,
UMA MARCA
Nem só de estratégias de promoção vive lizados, uma vez que sugestões estão ao
uma marca. Um dos primeiros passos na alcance de qualquer pessoa, mas somente A perspectiva da marca
estruturação da identidade de um produto, quem tem conhecimento da área é capaz de
como pessoa sugere uma
serviço ou mesmo da essência de uma mar- entender um acto aparentemente tão sim-
ca é definir o seu nome. O que não é tarefa ples. Os bons profissionais têm familiarida-
identidade mais rica e
fácil! Razão pela qual, normalmente se con- de com questões de identidade e também interessante do que aquela
trata especialistas em naming, uma área sabem lidar com a transposição do verbar baseada nos atributos do
que abrange o processo criativo assente para o não-verbal, visto que um bom nome produto
na necessidade de encontrar um nome que precisa de ser sonoro e ao mesmo tempo vi-
atenda às estratégias da marca, sem esque- sualmente apelativo. O especialista desta
cer questões importantes como a sonorida- area deve ser multidisciplinar. Conhecimen- NOMES DE SUCESSO
de e a disponibilidade jurídica. “A marca é tos em linguística, semiótica, antropologia e O melhor caminho para alcançar um bom
uma palavra que o consumidor vai lembrar até aspectos técnicos e jurídicos podem es- resultado é entender qual é a essência da
quando pensar em algo”, referem os peritos, tar envolvidos no marketing. Um processo marca, o seu núcleo de significado e a sua es-
sendo por isso importante não esquecer o de naming não acontece sozinho. Na maio- tratégia de futuro. Já imaginou se o seu nome
lado prático da mesma, alcançado sobretu- ria das vezes é seguido pelo design. As téc- fosse uma marca? A pergunta surge com na-
do através do nome, que é a sua expressão nicas podem ser muitas, mas geralmente turalidade, pois é comum observarmos mar-
mais concreta. O planeamento estratégico depende da estratégia dos negócios. O co- cas no mercado com o nome ou sobrenome
do nome é um dos grandes diferenciais no nhecimento da língua é essencial, apesar do dos seus proprietários. Exemplo disso a que
mercado, pelo que, antes de tudo, é fulcral nome ideal não estar preso a uma única lín- lhe apresentamos esta edição: Giorgio Arma-
pensar no que a criação significa dentro do gua. Em inglês, por exemplo, palavras com ni. Personalidade e reputação são essenciais
todo para depois passar ao brainstorming, i não costumam ser utilizadas, pois a vogal para definir um nome e ele detectou-o cedo.
análise jurídica e apresentação das opções pode ter diferentes sons dependendo da pa- Antes de expressar o nome de uma marca
ao cliente. Imagine: se as pessoas já se pre- lavra. Uma das técnicas utilizadas é o sense, para a sua empresa é fundamental descobrir
ocupam com os nomes que dão aos filhos, ou seja, as pessoas são convidades a pensar o que o mercado irá pensar da assinatura. A
as grandes empresas dedicam ainda mais na história do objecto nomeado, nas pesso- perspectiva da marca como pessoa sugere
tempo e dinheiro na procura dessa solução. as que o usariam, situações que elas passa- uma identidade mais rica e interessante do
O naming é, por isso, uma especialização em riam e até coisas de que falariam. A partir que aquela baseada nos atributos do produ-
branding e carece de profissionais especia- daí surgem inúmeras questões. to. Tal como uma pessoa, uma marca pode

28 | ANGOLA’IN · ECONOMIA & NEGÓCIOS


origem: Itália lojas: 384
fundação: 1975 fábricas: 13
fundador: Giorgio Armani presença global: + 100 países
e Sergio Galeotti funcionários: 4.900
sede mundial: Milão, Itália segmento: Roupas
propietário da marca: e acessórios
Giorgio Armani S.p.A. principais produtos: Roupas,
capital aberto: Não calçados, acessórios,
presidente e ceo: perfumes
Giorgio Armani ícones: Giorgio Armani
ceo: Bridget Ryan Berman website:
(Estados Unidos) www.giorgioarmani.com
estilista: Giorgio Armani
facturação: US$ 3.5 biliões
(estimado)
lucro: US$ 600 milhões
(estimado)
valor da marca:
US$ 3.303 biliões (2009)

ser percebida como superior, competente,


marcante, confiável, divertida, activa, hu-
morística, casual, formal, jovem ou intelec-
tual. O que conta na verdade são os efeitos
que esse nome é capaz de gerar dentro do
processo de comunicação; ele é o elemen-
to mais central de todos os elementos que
constituem a marca, talvez pela dificuldade
de ser escolhido e expectativa de não ter de é importante diferenciar dois conceitos muito confundidos
trocá-lo com o tempo. Os desenhos das em- no mercado: o de naming e identidade verbal.
balagens podem ser actualizados, slogans
ou campanhas publicitárias alteradas, mes- naming - é um processo criativo interdisciplinar de desenvolvimento de nomes para mar-
mo a composição do bem ou os processos de cas e requer habilidades em diversos conhecimentos como linguística, marketing, design e
um serviço podem ser modificados, porém o legislação da marca. A sua função é encontrar um nome que tenha as qualidades desejáveis
nome permanecerá o mesmo. Este desem- de ter associações positivas, ser memorável, sonoro e “visualmente” interessante, além de se
penha vários papéis, tais como: identificar a poder proteger legalmente, o que actualmente é o maior desafio para quem trabalha nesta
marca, transmitir mensagens ao consumidor área. O mais importante é criar meios que incentivem uma dinâmica criativa com todos os
e ser uma parte do património legalmente envolvidos no processo. É preciso compreender a essência em torno da marca e como o no-
protegido do seu proprietário. me poderá contribuir na construção da sua personalidade.

GIORGIO ARMANI identidade verbal – trata dos elementos de expressão verbais da marca, como o seu nome,
Fatos bem cortados, simples e versáteis, o seu sistema de nomenclatura (no caso de marcas que trabalham com extensões de linha);
em que a camisa, algumas vezes, é opcio- o seu tom de voz, o seu slogan, etc. A identidade de uma marca é a combinação de diversos
nal. Alfaiataria de alta qualidade, confortável elementos de expressão, o seu logotipo/símbolo e elementos gráficos padronizados, como a
e elegante, tanto para homens, como para cor, o formato, o site, a sua abordagem de atendimento, a arquitectura da sede e dos pontos
mulheres. Cores básicas como preto, cinza, de venda, ou seja toda e qualquer experiência de contacto dos públicos que interagem com a
bege, branco e variações de tons off-white. empresa. Assim sendo, o seu nome é uma das fontes mais fortes de construção de identidade.
Vestidos de noite cheios de glamour, que Tanto que quando temos algum problema sério associado à imagem da marca é comum a
abusam da silhueta “sereia” e do brilho. necessidade de mudança do nome

ECONOMIA & NEGÓCIOS · ANGOLA’IN | 29


ECONOMIA & NEGÓCIOS IN(TO) BUSINESS

o valor
Segundo a consultoria
britânica Interbrand,
somente a marca
Giorgio Armani
está avaliada em
US$ 3.303 biliões,
ocupando a posição de
número 89 no ranking
das marcas mais
valiosas do mundo

Clientes famosos que desfilam as suas cria- vos. Em 1978, foi lançada a marca GIORGIO
ções não somente nas invejadas passagens ARMANI LE COLLEZIONI, composta por rou-
da moda, como nos ecrãs de cinema de ver- pas femininas e masculinas para o mercado
dadeiros sucessos de Hollywood. Esta é uma americano e canadense. Era o começo da ex-
breve descrição da marca Giorgio Armani, co- pansão internacional da marca. Rapidamente,
mandada com maestria pelo estilista italia- o estilista se transformou num dos designers
no com o mesmo nome. Conhecido como o mais influentes dos anos 80, começando com
Imperador de Milão, a sua paixão pela moda a inauguração da sua primeira loja na cidade
não se manifestou cedo e o jovem italiano de Milão. Ainda nesta década a marca come-
chegou a frequentar dois anos de medici- çou a sua expansão com o lançamento das su-
na, antes de aceitar o trabalho de vitrinista as primeiras fragrâncias, acessórios, roupas
na renomada loja de departamentos La Ri- íntimas, roupas para crianças, além da inau-
nascente, em Milão, aos 20 anos. A sua irmã guração da sua loja âncora na cidade de Nova
mais nova, Rosanna Armani, que trabalhava Iorque e a entrada no mercado japonês. Des-
como modelo, foi que o introduziu no restrito de 2002, a Ásia tem sido foco de uma estra- O GÉNIO POR DETRÁS DA MARCA
círculo da moda italiana da época e, a partir tégia de expansão do grupo Armani, iniciada Giorgio Armani é conhecido por ser um vicia-
daí, o seu currículo ganhou conteúdo gra- com a inauguração de uma loja de mais de 3 do em trabalho e várias vezes arrogante ou
ças aos trabalhos como assistente, por nove mil metros quadrados em Hong Kong – o in- rude em situações delicadas. Os seus con-
anos, de Nino Cerruti. Em 1970, iniciou a sua vestimento reflecte-se nos números de hoje, flitos com outros estilistas italianos são, por
carreira como free-lancer no mundo da mo- já que a região é um dos grandes mercados de isso, bastante conhecidos.. O estilista sabe o
da, encorajado pelo seu grande amigo Ser- prosperidade da marca. No início de 2009, a valor da auto-indulgência que os seus produ-
gio Galeotti, desenhando e costurando para marca italiana inaugurou uma mega loja, com tos de luxo proporcionam, mas nem por isso
inúmeras grifes, inclusive Emanuel UNGARO. quase 4 mil metros quadrados, que abrigam goza apenas aos prazeres da vida. Ele é, aliás,
Alguns anos se passaram até que o estilis- três colecções, um restaurante e uma loja de conhecido pelo seu compromisso com inúme-
ta lançasse a sua própria marca. Em Julho de chocolates, na esquina da Quinta Avenida com ras causas humanitárias, incluindo até uma
1975, a sua primeira colecção era lançada com a Rua 56 (Nova Iorque). A loja fica perto de ou- recente parceria com o vocalista da banda ir-
roupas femininas e masculinas e o seu esti- tras casas de moda como Gucci, Prada, Versa- landesa U2, Bono. Entre os seus projectos de
lo logo se tornou símbolo de elegância, com ce, Fendi e Bottega Veneta. A ideia foi levar maior reconhecimento, estão a Casa Armani,
uma alfaiataria de excelência, altas doses de um pouco do caos de Nova Iorque para den- um lar de reabilitação infantil na Tailândia,
androgenia, vestidos de noite cheios de gla- tro da loja, que possui uma fachada de vidro criado em 1999 e, mais recentemente, uma
mour, sobriedade nas cores e nenhuma influ- e uma escada escultural no seu interior. A no- campanha de Natal para financiar uma fun-
ência das tendências da época, constituindo va loja representa a interpretação de Armani dação de apoio a portadores de Síndrome de
roupas e acessórios atemporais. Ficou conhe- sobre a tendência actual de misturar estilos e Down – iniciativa que teve como inspiração a
cido como “The King of Jackets” depois de lan- sobrepor produtos com preços variados. A loja pequena Antonella, com a qual o estilista po-
çar a sua colecção masculina, onde apresentou não utiliza divisão de espaços para evitar que sou para um calendário.
fatos e blazers com cortes sóbrios e exclusi- barreiras psicológicas sejam criadas.

30 | ANGOLA’IN · ECONOMIA & NEGÓCIOS


A MARCA NO MUNDO GLAMOUR NOS ECÃS
A Giorgio Armani é uma das poucas marcas paradisíacos. A empresa árabe entraria com os O sucesso do estilista nos ecrãs de cinema co-
que sobreviveu aos conglomerados de luxo investimentos, acima de US$ 1 bilião, para a meçou em 1980, com os elegantes fatos ves-
e continua no total comando das suas ope- construção e a gestão dos hotéis, enquanto Ar- tidos pelo actor Richard Gere no filme Gigolo
rações, que inclui colecções de roupa e aces- mani supervisionaria o design e o estilo. O pri- Americano, de Paul Schrader. De acordo, com
sórios sob as marcas Giorgio Armani (a mais meiro hotel da rede decorado pelo estilista está a crítica de moda norte-americana Teri Agins,
luxuosa, com 71 lojas), a Armani Colezzione localizado no Dubai, um dos sete Emirados Ára- no seu livro The end of fashion (“O fim da mo-
(linha de difusão dos seus produtos mais so- bes, na península arábica. O Armani Dubai Ho- da”), Giorgio Armani foi o primeiro estilista a
fisticados, com 12 lojas), a Emporio Armani tel, que ocupa os andares de 9 a 16 da torre Burj desenvolver contactos com uma interminável
(uma versão jovem e ousada da elegância do Dubai, a construção mais alta do mundo, tem lista de celebridades, principalmente as cine-
estilista, que opera na frequência do luxo in- 175 quartos (decorados com móveis e artigos matográficas, fazendo disso uma estratégia
termediário, com 124 lojas), a AX Armani Ex- desenhados por Armani especialmente para o de marketing certeira e duradoura. Dezenas
change (de alta difusão, com perfil jovem e hotel), restaurantes e um centro de bem-estar, de filmes depois deste contam com figurinos
urbano, com 97 lojas), além da Armani Jeans numa uma área que perfaz os 40 mil metros assinados por Giorgio Armani, entre eles Os
(17 lojas), Armani Junior (linha para crianças, quadrados. As próximas cidades a terem hotéis Bons Companheiros, de 1990 (dirigido por Mar-
com 6 lojas), Armani Accessori (1 loja), Armani com a assinatura do estilista italiano serão Mi- tin Scorsese) e Vanilla Sky, de 2001, no qual o
Casa (20 lojas) e vários produtos licenciados lão, Londres e Nova Iorque. então casal Tom Cruise e Penelope Cruz, desfi-
que vão de perfumes e cosméticos, a ócu- lou trajes exclusivos do estilista. Além do seu
los e relógios. São quase 5 mil funcionários nome nos créditos de tantas produções, Gior-
a trabalhar em 13 fábricas; 384 lojas próprias gio Armani tem em Hollywood uma clientela
e 1.300 pontos-de-venda distribuídos por 40 fiel e um círculo de amizades de fazer inveja.
países, o que culmina em vendas superiores Ricky Martin, Beyoncé, Matt Damon e Michelle
a US$ 3.5 biliões. Os Estados Unidos são res- Pfeiffer são alguns dos seus principais admira-
ponsáveis por 25% do seu volume mundial. dores e clientes – essa última, inclusive, já em-
A Giorgio Armani (€870 milhões) e a Emporio prestou a sua beleza clássica e marcante para
Armani (€647 milhões) geram a maior parte as campanhas de roupas e óculos do estilista.
das receitas do grupo. Enquanto isso, a mar-
ca mais acessível AX Armani Exchange (€201
milhões) e as marcas Armani Junior (que in-
clui as colecções Armani Teen e Armani Ba-
by, representam €35 milhões) e Armani Casa sabia que...rgio Armani é uma das
(€38 milhões), registram crescimentos im- A marca Gio os, se-
pelos brasileir
pressionantes. mais desejada re al izada
squisa global
gundo uma pe lsen . A pes-
itânica Nie
OS HOTÉIS pela empresa br br as ile iros
e 37% dos
De olho na tendência das grandes marcas de quisa indicou qu m pr ar pr o-
eferiam co
moda que começaram a investir em hotelaria, entrevistados pr nh ei ro nã o
, caso o di
Giorgio Armani não perdeu tempo e, em 2005, dutos da marca
dimento;
fosse um impe a úni-
assinou com o proprietário de uma das maiores ani no Brasil é
empresas hoteleiras do mundo - a árabe Ema- A filial da Arm ient e pode
em que o cl
ar Hotel & Resorts -, de Mohamed Ali Alabbar, ca no mundo é de z ve zes
compras at
para a construção, nos próximos dez anos, de dividir as suas pe nd en te-
édito, inde
uma rede de luxo com o nome da sua marca, no cartão de cr
r envolvido
incluindo pelo menos sete hotéis e três resorts mente do valo

Fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes,
Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (infor-
mações devidamente verificadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

ECONOMIA & NEGÓCIOS · ANGOLA’IN | 31


SOCIEDADE | patrícia alves tavares

ESPECIAL BOLSA DE VALORES SOCIAL

As duas faces
da moeda
O conceito é inédito e visa financiar projectos de luta contra a pobreza. esse investimento na forma de lucro social. A
Apesar de existir em apenas dois países, a Bolsa de Valores Sociais é fórmula do sucesso é simples: a entidade ga-
rante que os cidadãos/ empresas encontrem
um caso de sucesso, nomeadamente no Brasil, onde tem ajudado a a transparência e profissionalismo por parte
colmatar inúmeras situações de carência social. É um método inovador das organizações não governamentais e ins-
e rentável para quem se preocupa com a responsabilidade social do tituições sem fins lucrativos, ou seja, quan-
seu negócio. Angola pode ser a próxima a acolher este organismo. A do apoiam boas causas sabem à partida qual
Angola’in apresenta ao longo das próximas páginas as vantagens do o impacto que a sua doação terá na comuni-
sistema e os seus benefícios para as economias africanas. dade e qual o seu efeito. Ao estabelecer par-
ceria com este organismo adquire o selo de
“Investidora Social na BVS”, que pode ser exi-
Desengane-se quem associa este projecto programa que decidiu auxiliar. A Bolsa de Va- bido nos materiais de divulgação da empre-
a caridade ou filantropia. A filosofia diverge lores Sociais (BVS) é a alternativa eficaz para sa. Por outro lado, terá assessoria garantida
do conceito, definindo-se, no entanto, co- empresas de todas as dimensões e sectores nas campanhas especiais de mobilização in-
mo um modelo de solidariedade. Neste ca- que pretendam aplicar com a máxima segu- terna, de voluntariado, de marketing social e
so, existe uma grande diferença: o doador rança as verbas de Responsabilidade Social de todas as áreas que pretenda explorar para
conhece o destino do seu dinheiro antes de e de apoio solidário em Organizações da So- sensibilizar os colaboradores. Os particulares
o disponibilizar e acompanha a evolução do ciedade Civil, que sejam capazes de devolver também podem ‘jogar’ nesta bolsa.

32 | ANGOLA’IN · SOCIEDADE
‘A única diferença [em
relação à Bolsa de Valores]
está no retorno: ao invés
do financeiro, o lucro é
para a comunidade’

PROPOSTA ATRAENTE
A ideia de desenvolver um projecto em tudo
idêntico ao de uma Bolsa de Valores tradi-
à lupa
cional surgiu da necessidade de tornar a so-
ciedade mais justa e promissora, através da A BVS nasceu no Brasil e foi recentemente introduzida em Portugal, que se transfor-
criação de um modelo de troca e encontro en- mou no primeiro país europeu a acolher a iniciativa.
tre as organizações com programas concretos O seu funcionamento é bastante simples:
e relevantes para o desenvolvimento de de- › Os projectos são criteriosamente escolhidos, tendo em conta os problemas sociais
terminado segmento da sociedade e os do- mais urgentes e a sua capacidade em obter resultados concretos;
adores, que na maioria das vezes se sentem › Identificam e apoiam programas que interrompam um ciclo de pobreza e elimi-
perdidos na hora de legar os seus fundos, aca- nem uma situação de vulnerabilidade social;
bando inevitavelmente por perder o ‘rasto’ da › O investimento é integralmente transferido para o plano seleccionado;
iniciativa que apoiaram. O objectivo da BVS › O doador tem a possibilidade de acompanhar os relatórios de impacto social do
ultrapassa largamente a finalidade da carida- programa onde está a investir
de, visto que nestes casos os investimentos,
tal como acontece nas Bolsas de Valores, ge-
ram lucros. Aliás, a filosofia é idêntica. Aqui PIONEIRA E INOVADORA máticas. Recentemente, a entidade formou
circulam acções, há lugar para investidores e A primeira BVS nasceu no Brasil. O programa o segundo espaço do género e o primeiro na
apostas. A única diferença está no retorno: ao foi criado pela Bovespa ( www.bovespa.com. Europa. Portugal foi o país escolhido para al-
invés do financeiro, o lucro é para a comunida- br), em 2003. Desde a sua fundação até Feve- bergar a iniciativa.
de. O conceito pode e deve ser adaptado pelo reiro de 2009, as correctoras arrecadaram R$
países mais pobres, nomeadamente aqueles 4,7 milhões, possibilitando a implementação “Não é possível gerar
que estão em desenvolvimento. Actualmen- de 36 programas educacionais de ONGs bra-
sileiras, que actuavam ao nível das condições
apenas capital financeiro,
te, a Campanha do Milénio para erradicar a
pobreza até 2015 tem desenvolvido uma série sociais de crianças, adolescentes e jovens é necessário cuidar do
de actividades nas diversas áreas criticas da adultos das várias regiões. As organizações capital social”
sociedade, pelo que este mecanismo pode ser da sociedade civil que pretendem ser cota-
um importante instrumento de auxilio à im- das na bolsa devem apresentar um projecto, O CASO PORTUGUÊS
plementação de projectos. Afinal, o continen- que posteriormente será analisado, de acor- Inaugurada em Novembro de 2009, a Bolsa de
te africano dispõe de um incalculável número do com a sua viabilidade, capacidade de ino- Valores Sociais de Portugal negociou em ape-
de organizações não governamentais a actu- vação e impacto na sociedade. O organismo nas um mês cerca de 17 mil euros em acções,
ar no terreno, que necessitam urgentemen- brasileiro conta com o apoio oficial da Orga- valores considerados “positivos” pelos seus
te de investidores interessados em apoiar e nização das Nações Unidas para a Educação, responsáveis. No final do ano, a entidade lu-
acompanhar as propostas sociais. A Angola’in a Ciência e a Cultura (Unesco), tendo inclusi- sa contava com 210 investidores sociais (en-
apresenta-lhe uma iniciativa com futuro, que ve sido reconhecido pela ONU, em 2005, co- tretanto juntaram-se mais três instituições),
possui todos os ingredientes para ‘vingar’ no mo ‘case study’ (caso de estudo) e modelo a que contribuíram com um milhão de euros
contexto africano. No final de contas, todos ser aplicado por outras bolsas de valores. Em para financiar dez novos projectos, atingindo
ganham com um investimento seguro. 2006, serviu de inspiração para a formação os 57 mil euros de acções no final do primei-
da South African Social Investment Exchan- ro trimestre de actividade. No balanço de Ja-
‘A transparência e a ge (Bolsa de Investimentos Sociais da Áfri- neiro, a BVS divulgou ainda que dispunha de
ca do Sul), que contou com o auxilio da Bolsa 72 candidaturas em análise que deram lugar
prestação de valores são
de Johannesburgo. Em 2007, a BSV brasileira à dezena de projectos cotados. A meta é ter
os princípios de conduta do passou a incluir projectos na área ambiental, 24. A BSV lusa é a primeira na Europa e conta
mecanismo’ dadas as preocupações com as alterações cli- com o apoio da Euronext Lisboa e das Fun-

SOCIEDADE · ANGOLA’IN | 33
SOCIEDADE

em que o mais preponderante é a sua capa-


cidade de gerar lucros para a sociedade, pro-
piciando o desenvolvimento da África do Sul.
As propostas são colocadas no site ( HYPER-
LINK “http://www.sasix.co.za” http://www.
sasix.co.za), onde surge em detalhe o risco
do plano, o investimento mínimo requerido
e o tempo esperado para se obter resulta-
dos. O investidor pode escolher um projec-
to ou criar um portfolio com várias acções a
apoiar. Neste caso, é estabelecido um elo en-
tre as organizações não-governamentais que
necessitam de fundos para desenvolver um
determinado projecto (que possa contribuir
para a erradicação da pobreza) e os investi-
dores. Duas semanas após o seu lançamento,
em Junho de 2006, tinham sido movimen-
tadas mais de duas mil acções em projectos
sociais, gerando cerca de R$100,000 em fun-
dos. Estes projectos revelam sinais de forte
empreendedorismo por parte dos africanos.
Celso Grecco, director da BVS está ciente de
que o continente “não pode, nem quer depen-
O que é a Bolsa de Valores Sociais? der mais da caridade alheia”. “Tenho a certeza
O seu funcionamento é idêntico ao de uma Bolsa de de que o povo africano quer investimento so-
Valores convencional. Porém, neste caso, as acções cial”, assegura o responsável, em declarações
à Angola’in.
destinam-se a causas sociais. O projecto nasceu no
Brasil e consiste numa réplica do ambiente da Bolsa
de Valores, onde os doadores investem em projectos da “A mais-valia da BVS
sociedade civil, tendo como finalidade o lucro social, para Angola seria ajudar
através do impacto na comunidade o país a perceber que
Organizações Sociais
fazem um trabalho que
dações Gulbenkian e EDP. As áreas de actu- precisam de fundos para desenvolver projec-
ação são multidisciplinares. É o caso da PAR, tos”. A transparência e a prestação de valores
realmente promove
uma das organizações escolhidas que promo- são os princípios de conduta do mecanismo. o desenvolvimento
ve os objectivos do Milénio da ONU, através “É um ponto de encontro entre dadores e ins- económico das
da actuação junto dos universitários, um dos tituições que precisam de fundos para desen- comunidades pobres”
grupos com capacidade para exterminar a po- volver os seus projectos de responsabilidade
breza. Já o plano da Etnia consiste em valori- social”, esclarece.
zar a diversidade cultural em escolas onde 25 ANGOLA, POTENCIAL CANDIDATA
por cento dos alunos são filhos de imigrantes MAIS-VALIA AFRICANA Celso Grecco explicou numa entrevista con-
com problemas de exclusão. Na mira estão A BSV brasileira inspirou outros mercados, cedida à revista portuguesa Gingko que o
oito estabelecimentos do Chiado, em Lisboa. que implementaram projectos semelhantes, modelo pode ser replicado em qualquer parte
Os projectos a carecer de apoio são apresen- recorrendo à iniciativa local. África do Sul, Ín- do mundo. “Todos os países têm bolsas de
tados no site da BVS ( www.bvs.org.pt) e cada dia, China e Estados Unidos desenvolveram valores, todos têm problemas sociais”, es-
empresa ou cidadão pode seleccionar a enti- projectos de investimentos sociais, que se clareceu. Aliás, o criador do conceito arrisca
dade a quem deseja doar acções. Cada acção dedicam a uma distribuição mais equitativa apontar Angola como o próximo país a ade-
vale 1€ e é obrigatório adquirir no mínimo do capital pelas comunidades mais pobres. O rir a esta ferramenta. A escolha é encarada
dez. Ao registar-se, o investidor vai acompa- programa é semelhante ao da Bovespa (Bra- como “um processo natural, a partir da ex-
nhando o desenvolvimento do organismo que sil), mas dinamizado por organizações sociais. periência em Portugal”. De facto, o boom
apoia. O funcionamento desta bolsa é sim- O mecanismo tem um funcionamento similar económico pode potenciar a instalação da
ples. Miguel Atahyde Marques, presidente da ao da entidade brasileira. Os projectos são ri- organização ou de entidades sociais, à se-
Euronext Lisbon, explicou a um jornal diário gorosamente seleccionados e apresentados melhança do que acontece na África do Sul.
português que os princípios da BVS são iguais ao público como oportunidades de investi- Celso Grecco admitiu à Angola’in que está
aos da Bolsa de Valores, ou seja, “pôr em con- mento com retornos sociais. Os planos can- convicto de que “será possível encontrar em
tacto fundos para investir e instituições que didatos são submetidos a múltiplos critérios, Angola empresas e cidadãos bem estabeleci-

34 | ANGOLA’IN · SOCIEDADE
dos, dispostos a ajudar a gerar este novo tipo
de capital – o capital social – e, com isso, di-
minuir a distância entre pobres e ricos”. Ali-
ás, o responsável aponta a exterminação da
miséria como o único caminho a seguir pa-
ra acabar com esse fosso. Angola pode ser o
próximo destino, visto que partilha a heran-
ça cultural de solidariedade, característica in-
trínseca das antigas colónias portuguesas.
“É natural que os países africanos de língua
oficial portuguesa sejam os próximos e, nes-
se sentido, vejo Angola como um potencial
mercado, inclusive pelo seu desenvolvimento
económico”, assegura Celso Grecco. Questio-
nado pela Angola’in quanto aos benefícios da
inclusão da BSV na nação angolana, o cérebro
deste organismo lembra que o país “enfrenta
tremendos desafios sociais”, pelo que “uma
Bolsa de Valores Sociais pode ser parte da
resposta”, já que “a grande pátria luso-bra-
sileira-africana tem o espaço e as condições
para a sua criação”. “A mais-valia da BVS pa-
ra Angola seria ajudar o país a perceber que
Organizações Sociais fazem um trabalho que
realmente promove o desenvolvimento eco-
nómico das comunidades pobres, comba- celso grecco, director da bsv em entrevista à angola’in
tendo a pobreza e criando mecanismos de Como surgiu a ideia de criar uma Bolsa de Valores Sociais?
educação que efectivamente promovam a in- Em 2003, a Bovespa (Bolsa de Valores do Brasil) pediu-me que recomendasse um programa de
clusão social”, sustenta. Contudo, uma ques- Responsabilidade Social à altura da importância daquela que era a mais importante Bolsa de
tão sobressai quando se fala do contexto Valores da América Latina. A inspiração de criar a BVS veio da mesma lógica do mecanismo
nacional. O país está preparado para acolher de financiamento da actividade de uma empresa, através da Bolsa de Valores. Se uma entidade
este projecto? Celso Grecco acredita que sim. precisa de capital para expandir as suas actividades ou financiar novos projectos, pode deslo-
“Os Governos, muitas vezes por falta de pes- car-se a um banco, vender parte do capital a um novo sócio ou recorrer ao mercado de capitais.
soas de visão estratégica, preocupam-se em E, em qualquer lugar do mundo, as Bolsas de Valores são o ambiente que promove o encontro
gerar riquezas para depois dividi-las. O foco entre estas Empresas e os seus accionistas – pequenos sócios –, estabelecendo as regras e zelan-
está na atracção de capital internacional e na do pela relação entre eles. Claro que as organizações sociais não podem pedir empréstimos a
estabilidade dos mercados financeiros”, refe- juros nos bancos, nem vão encontrar sócios/investidores para o seu “negócio”. Mas as organi-
re. Mas como aplicar essa lógica no contexto zações sociais são por natureza entidades públicas que para operar assumiram compromissos
das necessidades das comunidades? Para o de transparência e, tal como as empresas, também precisam de capital para expandir ou forta-
responsável são temas indissociáveis. “Não é lecer as suas actividades.
possível gerar apenas capital financeiro, é ne-
cessário cuidar do capital social”, argumenta. Qual o balanço da actividade em Portugal?
“Este último é aquele que é gerado pelas or- Muito positivo. Portugal é o segundo país do mundo e o primeiro da Europa a ter uma Bolsa de
ganizações sociais, pelas cooperativas, pelas Valores Sociais. E tal como no caso do Brasil, esta BVS funciona dentro da Euronext Lisbon (a
pequenas empresas sociais e micro-empre- Bolsa de Valores de Portugal). O país acolheu com muita expectativa a entidade e nos primeiros
endedores”, reitera, defendendo que o di- 90 dias foram transaccionados quase 100 mil euros em acções sociais das organizações sociais
nheiro pode ser simultaneamente promotor cotadas. Confesso que sinto no ar o sentimento de urgência e uma vontade enorme de mudan-
de riqueza e de bem-estar para a sociedade. ça. Isso é notável num país que é, por natureza, muito solidário. Muito mais que o brasileiro!
Celso Grecco acredita que este é o caminho Estou confiante que a BVS tem uma enorme missão pela frente e que temos que estar à altura
para o desenvolvimento sustentável das so- dessa expectativa e dessa missão.
ciedades. O mercado africano está por explo-
rar. No entanto, o sucesso da BVS no Brasil e De que forma a BVS pode contribuir para o crescimento das sociedades, em
em Portugal é um auguro da viabilidade des- particular do continente africano?
te projecto ao nível das comunidades mais Costumo dizer que “não se traçam novas rotas em cima de velhos mapas”. A Bolsa de Valores So-
desprotegidas. Para o responsável brasileiro, ciais não é apenas uma nova rota, mas sim um novo mapa em direcção a novas formas de finan-
estão reunidas todas as condições para a sua ciamento do Empreendedorismo Social em África. O continente não pode nem quer depender
implementação. Resta aguardar pelas inicia- mais da caridade alheia. Tenho a certeza de que o povo africano quer investimento – e não cari-
tivas das organizações civis e estatais. dade. A caridade envergonha, escraviza, vicia. O investimento social educa, promove e liberta.

SOCIEDADE · ANGOLA’IN | 35
36 | ANGOLA’IN ·
· ANGOLA’IN | 37
SOCIEDADE | patrícia alves tavares

Êxodo
das mentes
brilhantes

“Temos
mos que encontr
encontrar uma maneira de reduzir a fuga de cérebros.
Essa é uma ferida aberta que está a infectar toda a nação”
Abdelaziz Bouteflika, presidente da Argélia

A emigração de jovens com habilitações aca- ficados nacionais para progredir. A Angola’in
ola’in
démicas acima da média para nações, onde apresenta-lhe nesta edição os rostos da emi-
dispõem de saídas profissionais ou da pos- gração do século XXI.
sibilidade de prosseguir as suas especiali-
zações, está a afectar crescentemente uma GANA, O MAIOR EXPORTADOR
série de países da União Europeia, tendência O Banco Mundial divulga que a taxa de migra-
igra-
agravada pela crise económica. O continen- ção qualificada excede frequentementee em
te africano debate-se com o fenómeno há 50 por cento a desqualificada. O Gana possui
ossui
vários anos. Devastada pela guerra e pelas 47 por cento dos seus quadros diplomados Iweala e do ministro das Finanças do Malawi,
dificuldades económico-sociais, África assis- a trabalhar no exterior. No que toca a países Goodal Gondwe, que abdicaram das suas fun-
te há algumas décadas à chamada ‘fuga de com mais de cinco milhões de habitantes, os ções no Banco Mundial. Todavia, as acções de-
cérebros’. O custo é superior a quatro bilhões moçambicanos assumem a segunda posição senvolvidas pelos Estados africanos também
de dólares, quantia que teria de ser gasta com 45 por cento. Angola e Somália surgem começam a ter efeitos positivos. O recente co-
para possibilitar o regresso dos 300 mil tra- em quarto lugar com 33 por cento. O PNUD projecto Unesco/ HP, o ‘Brain Gain Iniciative’
balhadores expatriados. Segundo a Unesco, (Programa das Nações Unidas para o Desen- desenvolveu uma mega rede electrónica que
estima-se que todos os anos cerca de 20 mil volvimento) indica ainda que a “Etiópia per- permite que a população que saiu de África e
profissionais qualificados abandonam o con- deu 75 por cento da sua mão-de-obra entre do Médio Oriente à procura de melhores saí-
tinente à procura de melhores condições de 1980 e 1991”, dificultando a capacidade de de- das profissionais possa partilhar conhecimen-
trabalho nos Estados Unidos, Europa e Aus- senvolvimento do país. tos e investigações científicas com quem está
trália. O êxodo académico dispara quando se no país de origem. Tal possibilita o regresso
fala de indivíduos habilitados, cientistas ou BRAIN GAIN INICIATIVE “virtual” dos cérebros. O programa está a ser
investigadores. A situação assume contornos Parte dos quadros qualificados regressa ao implementado no triénio 2009-2011 e abran-
preocupantes. Os mercados não são capazes respectivo continente. São indivíduos bem ge 15 universidades (as melhores) de Burki-
de competir com os atraentes salários e com sucedidos no Ocidente que abandonam car- na Faso, Camarões, Costa do Marfim, Etiópia,
o leque de oportunidades dos países ricos, gos de destaque para trabalhar directamente Quénia, Kuwait, Líbano, Marrocos, Senegal,
não deixando, por outro lado, de depender em nos governos dos seus países. É o caso do mi- Tunísia e Uganda. O BGI foi implementado na
grande escala de cientistas e técnicos quali- nistro das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo- Europa, em 2003, com a intenção de retrair a

38 | ANGOLA’IN · SOCIEDADE
Parecer do Comité Económico e Social Europeu sobre “Política comu-
nitária de imigração e cooperação com os países de origem a fim de fa-
vorecer o desenvolvimento” (2008/C 44/21)

- “Parte dos migrantes são trabalhadores qualificados ou altamente qualificados, pelo


que um dos efeitos mais perniciosos das migrações para os países em desenvolvimento
é a perda de “cérebros”. Nem todos os países de origem sofrem da mesma forma os efei-
tos nefastos da chamada fuga de cérebros, mas para alguns trata-se de um verdadeiro
desastre. Como assinala o relatório SOPEMI “entre 33 % e 55 % das pessoas muito ins-
truídas de Angola, Burundi, Gana, Quénia, Maurícia, Moçambique, Serra Leoa, Tanzânia
e Uganda vivem em países da OCDE” [30]. Em África, o sector da saúde, tal como o da
educação, é um dos que mais sofre com essa situação.”
- “É preciso adoptar, no quadro das políticas europeias de cooperação para o desenvol-
vimento, programas para evitar a fuga de cérebros, facilitar o retorno voluntário dos
trabalhadores qualificados e investir nos países de origem nos sectores e actividades de
elevada qualificação.”

na Etiópia, Sudão, Angola e Zaire são a princi- so de reconstrução nacional”, referiu na oca-
pal causa do fenómeno nestes países. Espe- sião Domingos Silva Neto, director nacional.
cialistas alertam que o chamado ‘brain drain’ O ministério pretende combater o processo
(fuga de cérebros) impede a criação de uma de ‘fuga de cérebros’ angolanos, financiando
classe média (suporte do desenvolvimento as suas criações. O projecto é intersectorial,
sustentado) formada por médicos, engenhei- contando com a colaboração da Secretaria de
fuga de cérebr
cérebros que sofreu um incremento a
ros e outros profissionais, conduzindo a uma Estado para o Ensino Superior, a Universidade
partir da década
décad de 90, através da disponibi-
morte lenta do continente. “O crescimen- Agostinho Neto e o Ministério da Agricultu-
fontes financeiras e tecnológicas
lização de fon
to constrói-se com base no conhecimento”. ra. O programa Chevening é igualmente um
para que os jovens
jov cientistas se mantivessem
Quem o diz é o nigeriano formado em com- óptimo exemplo das medidas de retenção de
na região. O projecto,
p que conta com a cola-
putação Philip Emeagwali (conhecido por ‘Bill quadros. Conta já com 25 anos de existência e
boração das N Nações Unidas, é uma extensão
Gates de áfrica’), em entrevista recente ao atribui bolsas de estudo aos jovens que dese-
apresentado em 2006 pelas mesmas
do plano apres
‘Jornal de África’. jem desenvolver a sua formação no exterior. O
“Piloting Solutions for Reversing
entidades “Pil
programa cria conexões interculturais, permi-
Brain Gain for África, 2006-2009”,
Brain into Brai
MCT ATENTO tindo aos futuros profissionais adquirir uma
que incidiu na Argélia, Gana, Nigéria, Senegal
Preocupado com o impacto económico e so- visão cultural abrangente, de modo a que re-
e Zimbabué. NumN período em que se estima
cial, o Governo nacional está a desenvolver gressem ao seu país com as competências
que em 2001 a população mundial atinja os
políticas que colmatem a migração dos qua- necessárias para ingressar no mundo laboral.
sete biliões e que
q 97 por cento dos nascimen-
dros, lançando medidas de incentivo para que O protocolo com instituições inglesas contri-
tos ocorram nonos países em desenvolvimento,
os profissionais qualificados regressem ou buiu para que estes frequentem as melhores
a Unesco e a HP querem alargar o projecto até
se mantenham no país. A implementação da universidades do Reino Unido. A experiência
100 universidades em 20 países das regiões
paz tem sido um factor positivo no desenca- tem contribuído para o desenvolvimento de
que integram o BGI.
dear do processo. O Ministério da Ciência e programas de “academic coaching” (partilha
Tecnologia (MCT) é um dos organismos mais de experiências dos Chevenings com os es-
ANGOLA SOFRE COM ‘BRAIN DRAIN’
intervenientes. Em Agosto de 2009, a enti- tudantes angolanos) e para a cooperação de
As estatísticas do Banco Mundial apontam
dade criou um mecanismo de coordenação instituições académicas e da sociedade civil,
Cabo Verde, Moçambique e Angola como
entre as instituições de investigação cientí- ao nível de pesquisas, feiras e workshops.
países onde a maior parte dos seus quadros
fica, que se destina a reforçar o sistema de
estão a trabalhar fora. A organização alerta
educação e formação profissional. O projecto
para a falta de políticas que incentivem os
tem como objectivo desenvolver um sistema
profissionais qualificados a permanecerem
de investigação científica e inovação integra-
no seu país. Verifica-se uma ausência de vi-
da, dinâmico e de qualidade. Por outro lado,
são acerca do aproveitamento do potencial
permite desenvolver um mecanismo de dis-
humano. Em muitos casos, além dos baixos
seminação do conhecimento. “Neste âmbito,
rendimentos, os detentores de formação su-
para dar maior valor à actividade científica vai
perior deparam-se com um sistema pesado,
desenvolver-se a capacidade inovadora, tra-
onde não há espaço para a criação e inovação,
çando sinergias e elaborando um plano de
sendo colocados em funções diferentes da
coordenação para poder aproveitar o proces-
sua especialização e experiência. As guerras

SOCIEDADE · ANGOLA’IN | 39
SOCIEDADE ARTIGO DE OPINIÃO

Fuga
de
cérebros
Este é um assunto que daria milhares de escolas, com boas condições. Depois de mui- crescimento mundial é liderado pelo conheci-
páginas, mas simplesmente irei fazer uma to tempo fora, a família torna-se numa das mento. Quando se fala de pobreza, ninguém
abordagem resumida à “ fuga de cérebros causas principais pelas quais um bom profis- melhor que as pessoas com conhecimento
generalizada”. Para tudo na nossa existên- sional não deixa uma vida estável e de quali- e talentos para colmatar esse problema. Os
cia subsiste uma razão e é bom sabermos a dade para regressar a uma nação que poucas profissionais que migram são os que têm ex-
origem de determinadas realidades, assim garantias lhe dá. periência técnica com inclinações empreen-
sendo vamos entrar na essência, até às pro- dedoras e de gestão. Esta ausência aumenta
fundezas, daquelas que são as verdadeiras O crescimento mundial é a decomposição estrutural de um país e tor-
causas da saída dos jovens angolanos licen- na-se mais fácil lutar para destruir um gover-
ciados do país. Começo por dizer que a ins-
liderado pelo conhecimento no democrático.
tabilidade social contribui em muito para a
evidência dos defeitos e as suas consequên- SOCIALMENTE COMO FAZER UM PROFISSIONAL
cias. Com condições socioeconómicas e polí- A “fuga de cérebros” torna difícil criar uma REGRESSAR A CASA
ticas instáveis, é difícil a integração social e classe média composta por gestores, médi- Proporcionar incentivos para recrutamento,
conjuntural (realização pessoal e estrutural), o cos, engenheiros e outros profissionais, razão tais como, cobrir os custos de mudança de re-
que causa um grande abalo na máquina dina- pela qual cresce a subclasse maciça que é na sidência de um país para outro, propor plano
mizadora de um país. A procura de melhores sua maioria composta por desempregados e de financiamento habitacional no país de ori-
condições sociais, nomeadamente remune- pessoas necessitadas. Só para se ter noção, gem ou facilitar complementos salariais para
rações equitativas e prestação de serviços quando uma larga percentagem da comu- os primeiros anos. Uma solução mais perma-
de qualidade na área do conhecimento, que nidade médica emigra, um grande número nente seria pagar salários mais competitivos.
possam proporcionar um maior crescimento populacional mais carenciado tende obriga- Assim sendo, muitos profissionais poderão
humano e estrutural, são algumas das razões toriamente a procurar tratamento médico ponderar o seu regresso a casa. Penso que
que originam o subterfúgio dos jovens para alternativo, enquanto outras pessoas com podemos contornar a “fuga de cérebros ”
outros países. Caso essas condições sociais maior poder económico procuram médicos no com maior investimento na educação, apoio
sejam satisfeitas e objectivadas no exterior, exterior do país. O problema é que, mais do à mulher e ao desenvolvimento da juventu-
as hipóteses de regresso ao país de origem que perder estes profissionais, está-se a de- de. É importante proporcionar um trabalho
tornam-se ínfimas. Aliada a essa satisfação, bilitar o próprio sistema nacional de saúde. A à medida das aspirações pessoais de cada
acresce a adaptação a outra cultura. Embora meu ver, um país que adopta a proibição de um, sem os visados terem que mudar de ca-
muito difícil em vários aspectos no início, com consultas médicas externas ao seu território, sa, localidade e inclusive de país, tornando as
o tempo a tendência é para a conciliação. Os obriga à recontratação dos médicos que emi- oportunidades acessíveis a todos aqueles que
jovens estão mais sujeitos a criar dependên- graram para a Europa e outros estados. detêm formação superior. Os investigadores
cias, uma vez que têm a necessidade de for- têm a vida mais complicada, visto todos sa-
mar uma família, por vezes com uma mulher ECONOMICAMENTE berem que os Estados Unidos da América são
estrangeira, com uma carreira profissional es- Os melhores e mais brilhantes emigram. Res- um oásis para aqueles que sonham desenvol-
tável, o que inevitavelmente proporciona um tam, os recursos humanos mais fragilizados, ver actividade na área da investigação, quer
novo patamar de acesso a nível pessoal, em o que pode representar uma morte lenta do básica ou aplicada.
que poderão surgir os filhos e, por conseguin- dinamismo do país. Não se alcança um cres-
te, a necessidade de um meio social e eco- cimento económico a longo prazo com a ex-
pétio juarez penela de barros
nómico, nomeadamente no que concerne às portação de recursos naturais. Hoje em dia, o

40 | ANGOLA’IN · SOCIEDADE
SOCIEDADE ARTIGO DE OPINIÃO

Angola
e os Jovens
Quadros
Angola é conhecida por ser um dos países mais de desenvolvimento bem mais elevados. Du- nos e medidas de apoio para o regresso e in-
ricos do continente africano e do mundo, so- rante décadas, os jovens angolanos escolhe- serção no mercado de trabalho, o que é a meu
bretudo pela sua diversidade, abundância e ram ou foram obrigados a estudar no exterior, ver de louvar. Como todos os países emer-
qualidade ao nível dos recursos naturais. Com devido à situação de conflito existente no pa- gentes, Angola tem uma enorme escassez
uma economia em franco desenvolvimento, o ís. Calcula-se que milhares de jovens todos os de quadros. A maioria das grandes empresas
país tem, segundo o Banco Mundial, a retoma anos escolhem países como Portugal, Inglater- socorrem-se de “expatriados “ para colmatar
económica garantida para este ano, o que re- ra, Bélgica, Estados Unidos, Cuba ou mesmo a este déficite de mão-de-obra especializada e
presenta um crescimento na ordem dos 7,5 Rússia para ingressarem nas universidades. com formação superior. Contudo, os expatria-
por cento. Esta previsão surge após um ano Em muitos dos casos permanecendo após o dos têm uma “validade” até 3 anos, pelo que
de forte abrandamento, que colocou o cresci- curso no exterior, optando por não regressar a solução é recrutar quadros jovens nacionais
mento em menos de um por cento em 2009. por falta de condições. Após o ano 2002, exis- para serem formados e colocados em funções
De acordo com a mesma instituição, o mau tiu um crescimento do número de jovens qua- chave da economia, a médio prazo. Nos últi-
desempenho da economia angolana no ano dros a regressar Angola para desenvolver a sua mos anos surgiram várias universidades e cen-
passado deveu-se à queda brusca do preço do carreira e ajudar na reconstrução do país. Du- tros de formação por todas as províncias de
barril de petróleo, o que “provocou a perda de rante mais de vinte anos a percentagem de Angola, o que tem contribuído para o apare-
30 por cento das reservas monetárias e uma licenciados era muito baixa, só se vindo a al- cimento de uma bolsa de jovens quadros for-
desvalorização do kwanza de 25 por cento em terar esta tendência apartir dos anos 90. Hoje, mados nacionalmente. Estas escolas irão ser o
relação ao dólar”. No entanto, o país dispu- os jovens quadros angolanos querem voltar ao embrião de uma elite de quadros intermédios
ta com a Nigéria o primeiro lugar de produtor seu país, por vocação, pela falta de oportuni- e superiores, que serão os quadros de referên-
de petróleo em África e é o principal fornece- dades ou pela crise que está a abalar o mundo. cia no futuro do país. O recrutamento de nacio-
dor dos EUA e da China, o que faz com que os O Governo de Angola tem vindo a promover o nais, jovens quadros angolanos, tem inúmeras
seus quadros sejam, de entre todas as suas ri- regresso ao país desses recém-licenciados es- vantagens a médio e longo prazos, por ques-
quezas, o bem mais precioso de que dispõe; o palhados pelo mundo, procedendo à denomi- tões culturais, económicas e políticas. Desta
capital mais importante e determinante para nada “angolonização dos quadros”, composta forma iremos cimentar com fundações sólidas
um verdadeiro progresso económico e social, essencialmente por jovens, em que a maioria o mercado empresarial e social angolano.
susceptível de colocar Angola a par ou supe- deles possui formação das melhores escolas. joão carlos costa
rar países do continente africano com índices O poder político encarregou-se de elaborar pla- partner da jobfair global search & associates, portugal

SOCIEDADE · ANGOLA’IN | 41
SOCIEDADE | patrícia alves tavares

CARTA
MAGNA
A 21 de Janeiro virou-se uma página importante na política nacional.
A homologação da nova Constituição marca o início de um novo ciclo
governamental. A extinção do Primeiro-Ministro e a eleição directa do
Presidente da República são algumas das mudanças

A Lei Magna põe um ponto final ao período do documento final que “as políticas públicas damente em relação à eleição do PR, que a
transitório que o país vivia desde 1991. Foi e os instrumentos a adoptar para a sua viabi- partir de agora surge identificado no boletim
ratificada na Assembleia Nacional com 186 lização devem proporcionar a toda a socieda- de voto. O TC definiu que o vice-presidente é
votos a favor (do MPLA, do PRS e da Nova de estabilidade política” e “macroeconómica”, eleito na condição de segundo nome no bole-
Democracia), duas abstenções (da FNLA) e bem como “as infra-estruturas básicas de tim de voto. José Eduardo dos Santos assu-
nenhum voto contra. A ausência do maior apoio”, o “respeito e protecção da proprieda- me funções de Chefe de Estado, de titular do
partido da oposição - a UNITA - fez correr de privada”, o “reconhecimento da titularida- poder executivo e de Comandante em Chefe
muita tinta. Os 16 deputados não compare- de da terra” e a “celeridade da justiça”, entre das Forças Armadas. Acaba a diferença entre
ceram por considerarem que o novo texto foi outras questões. a presidência e o Governo. O actual líder es-
aprovado de forma ilegal, devido às condicio- tá à frente dos destinos nacionais desde Se-
nantes existentes na anterior Lei Fundamen- SUFRÁGIO EM 2012 tembro de 1979.
tal. Em resposta, o Chefe de Estado defendeu “O Estado deverá criar as condições para que
que o documento “é fruto de um prolongado sejam realizadas as eleições gerais em 2012, EM DESTAQUE
debate aberto, livre e democrático com to- ano em que finda o mandato resultante das À semelhança do que ocorre na maioria das
das as forças vivas da Nação”. De facto, este eleições legislativas de Setembro de 2008”, nações, a recente Constituição proíbe a pe-
foi elaborado após um longo período de con- anunciou José Eduardo dos Santos. O novo na de morte, assim como a tortura e os tra-
versas e incluiu propostas extraídas dos três documento, composto por 244 artigos, re- tamentos degradantes. Além das garantias
projectos constitucionais: presidencialista força os poderes do presidente, determinan- dos Direitos e Liberdades Fundamentais bá-
(A), semi-presidencialista (B) e presidencia- do que o Chefe de Estado é o cabeça de lista sicas, o texto decreta que todos os cidadãos
lista-parlamentar (C). Para o Presidente da do partido que vencer as legislativas. A Carta (em condições de igualdade e liberdade) po-
República, José Eduardo dos Santos, a Cons- Fundamental da República estabelece ainda dem aceder aos cargos públicos. Estas são
tituição constitui a base de todo o trabalho, como órgãos de soberania a Assembleia Na- algumas das garantias que a Lei Mãe define
acompanhando os políticos na promoção das cional (AN), os tribunais e o Presidente da Re- oficialmente. Os direitos e liberdades fun-
“reformas na administração central e local pública (PR). A AN e o PR são escolhidos por damentais consagrados são definidos como
do Estado, na administração do sistema de sufrágio universal, secreto, directo e periódi- invioláveis. José Eduardo dos Santos revelou
justiça fiscal, como meios para reforçar a ca- co. As eleições gerais são convocadas até 90 que o texto oficial deve “consolidar o quadro
pacidade institucional do país”. A pensar no dias antes do fim do mandato e decorrem 30 jurídico e institucional, que permita a urba-
desenvolvimento sustentado da economia dias antes do seu término. O processo legisla- nização das reservas fundiárias do Estado,
nacional, onde prevaleça o “equilíbrio regional tivo é organizado por entidades independen- onde, de forma segura, tanto famílias organi-
e a integração internacional”, o chefe de Esta- tes. O Tribunal Constitucional (TC) exigiu, na zadas para a auto-construção, como socieda-
do destacou no seu discurso de promulgação altura, rectificações ao documento, nomea- des de construção, cooperativas de habitação

42 | ANGOLA’IN · SOCIEDADE
pontos quentes:

fonte: constituição

“Ninguém pode ser prejudicado,


privilegiado, privado de qualque
isento de qualquer dever em razã r direito ou
o da sua ascendência, sexo, raça, etni
ficiência, língua, local de nascime a, cor, de-
nto, religião, convicções políticas,
ou filosóficas, grau de instrução, ideo lógicas
condição económica ou social ou
art. 23º, 1 profi ssão.”

“A todos é assegurado o acesso ao


direito e aos tribunais para defesa
reitos e interesses legalmente prot dos seus di-
egidos, não podendo a justiça ser
por insuficiência dos meios económi denegada
cos”
art. 29º, 1

“Aos autores pertence o direito excl


usivo de utilização, publicação ou
ção de suas obras, transmissível aos reprodu-
herdeiros pelo tempo que a lei fixar.
art. 42º, 2 ”

“O Estado garante a coexistência dos


sectores público, privado e cooperat
segurando a todos tratamento e prot ivo, as-
ecção, nos termos da lei.”
art. 92º, 1

“O Banco Nacional de Angola, com


o banco central e emissor, assegura
vação do valor da moeda nacional a preser-
e participa na definição das política
ria, financeira e cambial.” s monetá-
art. 100º, 1
e outras instituições possam implantar pro-
jectos mobiliários”. Em relação à imprensa, o
“O sistema fiscal visa satisfazer as
PR sublinhou que “vai continuar a criar condi- necessidades financeiras do Estado
entidades públicas, assegurar a real e outras
ções para que a imprensa seja cada vez mais ização da política económica e soci
tado e proceder a uma justa repartiçã al do Es-
forte, plural e isenta, responsável e indepen- o dos rendimentos e da riqueza naci
art. 101º ona l.”
dente”. Já o artigo 213º consagra o princípio da
descentralização política, que compreende a
existência de formas organizativas do poder
local, pelo que os recursos financeiros “de-
vem ser proporcionais às atribuições previs- INOVAÇÃO mudanças, com a entrada de novas figuras.
tas pela Constituição ou por Lei” (art. 215º). A inclusão da protecção do consumidor na Para o novo cargo de vice-presidente foi no-
Lei Magna é das principais novidades. Para meado Fernando Piedade Dias dos Santos.
“TOLERÂNCIA ZERO” a directora do Instituto Nacional de Defesa Já Paulo Kassoma, detentor da extinta pasta
O combate à corrupção é a principal bandei- do Consumidor (Inadec), Elsa Bárber, é um de Primeiro-Ministro, assume a liderança da
ra do novo Executivo. O PR reafirma a sua marco histórico, lembrando que é a primeira AN. O novo Governo, composto por 31 minis-
aposta na “tolerância zero” aos actos ilíci- vez que uma constituição angolana prevê de tros, vice-ministros, secretários de Estado e
tos na Administração Pública. A Lei da Pro- forma expressa a salvaguarda deste item co- do Conselho de Ministros, traz algumas no-
bidade Administrativa é o novo instrumento mo princípio fundamental. Em declarações à vidades. Kundy Pahiama, antigo ministro da
para evitar o enriquecimento ilícito, apresen- Angop, mostrou-se optimista quanto ao au- defesa, foi substituído por Cândido Van-Dú-
tado durante a primeira reunião do Conse- mento das responsabilidades dos agentes nem. José Eduardo dos Santos afastou ainda
lho de Ministros. O recém-eleito presidente económicos em relação à saúde dos consu- Higino Carneiro, das Obras Públicas, Salomão
da AN, Paulo Kassoma, corroborou as pala- midores. Também os portadores de deficiên- Xirimbibi, das Pescas, António Burity (subs-
vras de José Eduardo dos Santos, anuncian- cia encontram os seus direitos consagrados tituído por Pinda Simão), da Educação, Vir-
do uma maior fiscalização das acções. “Está na Lei. O artigo 83º acautela esta população, gílio Fontes Pereira (substituído por Bornito
em causa a gestão eficaz e transparente dos adoptando políticas de reabilitação, integra- de Sousa), da Administração do Território e
recursos públicos em benefício do interes- ção e sensibilização da sociedade. Manuel Rabelais (substituído por Carolina
se comum”, esclareceu. O reajustamento do Cerqueira), da Comunicação Social. Com a re-
Programa Nacional de Habitação Social, a ins- CARAS NOVAS modelação surgem três ministros de Esta-
pecção da execução do Plano Nacional e o Or- Após a publicação da Constituição em Diário do: Manuel Júnior (Coordenação Económica),
çamento Geral de Estado também constam da República, José Eduardo dos Santos anun- Hélder Vieira Dias (Casa Militar) e Carlos Feijó
das prioridades para o novo Executivo. ciou o novo Executivo, que se pauta por várias (Casa Civil).

SOCIEDADE · ANGOLA’IN | 43
SOCIEDADE | ARTIGO DEtavares
patrícia alves OPINIÃO

Vitória
da cidadania
Um dos aspectos que mais me satisfaz nas Porém, há que fazer advertências. É evidente mecanismos para garantir a efectivação do
Constituições é o da igualdade perante a lei. que quanto à Organização do Poder de Esta- princípio da separação de poderes e para evi-
A Lei Magna angolana corresponde às mi- do (Título IV) emergiram pontos de vista diver- tar e/ou sancionar os excessos, bem como a
nhas expectativas, pelo menos no cômputo gentes, em função dos interesses políticos - no actuação contrária a lei e a ética dos titulares
geral. O documento final pauta-se pela qua- meu entender legítimos, imediatos ou estra- do cargos públicos. A opinião pública, as or-
lidade técnica, onde evidencio com agrado a tégicos -, o que é perfeitamente natural e salu- ganizações sócio-profissionais e os meios de
clara e abrangente consagração dos Direitos, tar. Considero que este processo contribui para comunicação jogaram e ainda jogam um pa-
Liberdades e garantias Fundamentais. De re- a maturidade democrática e idoneidade cívica pel importante, até mesmo determinante. De
ferir ainda a organização económica, financei- dos actores políticos e dos técnicos. Obvia- modo convincente, há que esclarecer a inova-
ra e fiscal, que no meu ponto de vista, vai de mente, não existem Constituições perfeitas! ção - um direito do cidadão eleitor! Se bem
encontro às necessidades das sociedades ac- Uma ou outra imprecisão serão encontradas fundamentada, com base na legítima protec-
tuais. Aliás, acredito piamente que uma estru- no processo da sua efectivação. É previsível. ção dos mais altos interesses da Nação, po-
tura social, baseada num Estado Democrático Mas acredito que se procederá a ajustamentos derei ou deverei mudar de opinião, pois já lá
de Direito (Artigo 2º), de jure e de facto, é o ca- no domínio da legislação ordinária. vão os tempos em que, nestas lides, tinha po-
minho para erguer uma sociedade livre. Todos sições sectárias e dogmáticas. Louvo os que
nós, cidadãos angolanos, merecemos a reali- ‘A efectivação da Lei Supre- directa ou indirectamente estiveram envolvi-
zação plena, após os longos anos de agruras. dos no processo, desde o início. Para quem viu
ma depende, em última ins- as legítimas expectativas goradas, nomeada-
tância, do cidadão’ mente no que concerne às Garantias e Contro-
lo da Constitucionalidade, lembro que podem
Quando folheei a Lei Mãe, admito que fiquei ser “atenuadas” dentro do próprio quadro
surpreendido com a originalidade do sistema. constitucional. O essencial é que a organiza-
A minha escolha recai invariavelmente no ar- ção social (sobretudo o Poder do Estado) cum-
tigo 109º, respeitante à eleição para o cargo pra estritamente a sua função, assegurando
de Presidente da República. O assunto tem os interesses dos destinatários. A efectivação
suscitado debates políticos, académicos e na da Lei Suprema depende, em última instância,
sociedade em geral. Humildemente reconhe- do cidadão. Se existem ganhos significativos
ço as minhas limitações para, de forma se- para a vida do angolano no novo documento,
gura, opinar sobre esta forma de eleição do é indubitavelmente no domínio dos Direitos,
PR. No entanto, impõe-se-me o dever/direi- Liberdades e Garantias. A Lei anterior consa-
to de sugerir a continuação da discussão/cla- grava-os de forma sintética. Houve uma evo-
rificação do seu “modus faciendi” e as suas lução, uma maior abrangência. É de aplaudir.
implicações no plano dos procedimentos ju- Mas… na prática, temos muito a trabalhar, em
rídico-eleitorais. Por uma questão de princí- termos de eficácia! Há que mudar atitudes,
pio, reitero que neste ponto continuo a nutrir aperfeiçoar mecanismos, corrigir erros, criar
simpatias com o sistema anterior e, no limi- pedagogias e sanções eficazes.
te, não me repugnaria a consagração de um
processo de eleição do PR pelos deputa- Nota final: a justiça, a advocacia, o cidadão
dos eleitos – forma indirecta, que não como destinatário final ganharam no plano
é seguramente antidemocrático. jurídico-constitucional. Estou certo de que
Recordo que nos países, onde venceu a Nação.
o tal sistema funciona,
inglês pinto bastonário da ordem dos advogados de angola
existem múltiplos

44 | ANGOLA’IN · SOCIEDADE
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SOCIEDADE · ANGOLA’IN 45
|
GRANDE ENTREVISTA | patrícia alves tavares

Jorge Rocha de Matos

“ANGOLA É UM
INVESTIMENTO
PRIORITÁRIO”
Jorge Rocha de Matos é presidente da Associação Industrial Portuguesa – Confederação
Empresarial (AIP-CE). Nasceu em Lisboa, em 1943, e ocupa o cargo desde 1981. Com uma
série de acções consolidadas em Portugal, o grupo tem as atenções voltadas para Angola,
o principal mercado africano dos lusos. A 23 de Fevereiro, a AIP-CE assinou um protocolo
de cooperação com a Feira Internacional de Luanda (FIL), tendo em vista a organização de
quatro feiras conjuntas. O empresário fala à Angola’in deste acordo e dos objectivos referentes
à dinamização da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Em entrevista
exclusiva à nossa publicação, o empresário levanta o véu das actividades para 2010.

AIP EM ANGOLA esforços internos e boas parcerias internacio- de facilitação da vida empresarial. A AIP-CE
Quais os desafios que a economia nais. Penso que Angola está a dar passos mui- tem no quadro bilateral e no contexto da Con-
angolana enfrenta? to significativos neste sentido. federação Empresarial da CPLP relações privi-
Actualmente, confronta-se com o importan- legiadas quer com a Associação Industrial de
te desafio de criar uma base económica sóli- Os ministérios mostram-se disponí- Angola, quer com a Câmara de Comércio de
da e sustentada e de reforçar a sua inserção veis para colaborar com as empre- Angola. Por outro lado, é de realçar o estupen-
na economia internacional. Indica que Angola, sas lusas? do entendimento entre os governos, o que fa-
para além de dispor de uma dotação de fac- As empresas portuguesas têm, de uma forma cilita o relacionamento empresarial. Existem
tores naturais muito significativa, designa- geral, uma boa relação com os ministérios e também alguns instrumentos financeiros da
damente relacionados com matérias-primas, instituições angolanas. Naturalmente que po- parte do Estado português, nomeadamente
onde o petróleo tem uma importância capital, derão existir dificuldades pontuais em deter- linhas de crédito que dão expressão a essa re-
tem necessidade de reforçar, alargar e enri- minadas circunstâncias, como aliás é próprio lação.
quecer a sua base económica com produtos da vida empresarial. Mas, a forte proximidade
e serviços de valor acrescentado, o que obriga cultural e linguística existente entre os dois Quais os planos que a AIP-CE pre-
também a diversificar a sua base produtiva. países permite ultrapassá-las. Existe à parti- tende implementar durante este
Há todo um caminho que o país está a trilhar da uma boa base colaborativa. ano?
que obriga necessariamente a um investi- O plano de acção da AIP-CE para 2010 coloca
mento expressivo nas infra-estruturas de su- Possuem acordos com o Governo e Angola no topo das suas prioridades em rela-
porte, físicas e digitais, de forma a valorizar com as entidades privadas? ção aos investimentos e mercados externos.
competitivamente o território e, consequen- Há um bom clima relacional entre os Gover- Saliento a realização de quatro missões em-
temente, reforçar a atractividade num con- nos português e angolano, bem como entre presariais de âmbito multisectorial a Luanda,
junto de indústrias e serviços para satisfazer instituições e associações empresariais dos Benguela, Huíla e Cabinda. Paralelamente,
o mercado interno e a procura internacional. dois países, de que a AIP-CE é um pilar impor- destaco também a concretização de quatro
Isso exige uma mobilização de energias e de tante e que constituem importantes veículos estudos de mercado sobre as quatro provín-

46 | ANGOLA’IN · GRANDE ENTREVISTA


fotografias santos almeida

cias angolanas, dando assim sequência a um “Existem outras províncias


trabalho de informação, análise e prospecção
que a AIP-CE sempre desenvolveu em relação que começam a ganhar
ao país e que reputo da maior importância, co- atractividade, reflectida no
mo guia para os investidores. Naturalmente interesse dos investidores lusos,
que estaremos envolvidos também em múl-
tiplos fora e seminários, onde o mercado e a nomeadamente Benguela e
problemática da economia angolana vão ser Huambo”
relevados. No quadro do relacionamento as-
sociativo existem diferentes áreas de coope-
ração, quer referentes a Feiras e Congressos,
quer no relacionado com Projectos de Forma-
ção e I&DT. do Comércio Indústria em Angola)? de actividades e projectos visando a recons-
Há um trabalho normal e profícuo de troca de trução do país e a modernização da econo-
Para Abril está agendada uma visi- informação, de pontos de vista e de sinaliza- mia angolana. Aliás, temos programado um
ta empresarial a Luanda-Benguela- ção de prioridades aos mais diversos níveis projecto de mobilização de PME portuguesas
Huambo. Porquê a escolha das três nas relações bilaterais entre as comunidades para serem parceiras de empresas ou emer-
províncias? empresariais portuguesa e angolana, que de- gentes empresários nacionais, tendo em vista
Existe uma preocupação de diversificação de senvolvemos conjuntamente. a criação de uma rede de PME por todo o ter-
alvos em termos de mercado angolano. Sen- ritório angolano.
do certo que Luanda se tem revelado a mais Neste momento, existe algum pro-
aprazível, existem no entanto outras pro- jecto no âmbito dessa cooperação? Quais as áreas onde as empresas
víncias que começam a ganhar atractivida- No trabalho regular que envolve as duas co- portuguesas mais investem?
de, reflectida no interesse dos investidores munidades associativas empresariais, a CCIA Estão em quase todos os sectores da econo-
lusos, nomeadamente Benguela e Huambo. e a AIA são também dois dos parceiros an- mia angolana, embora sejam mais relevantes
A AIP-CE quer dar esse sinal, pois é interes- golanos que contamos para aquele que con- nos petróleos, construção civil, banca, ho-
sante para os empresários portugueses, mas sideramos ser um projecto de grande alcance telaria, agro-industrial e alimentar, TIC, en-
igualmente bom para Angola dentro daquilo associativo e geoeconómico que, aliás, já está genharia, serviços às empresas, formação,
que são os objectivos de coesão económica e em marcha para o quadro da lusofonia, que é consultoria, entre outros.
territorial. a Confederação Empresarial da CPLP.
ESTRATÉGIA PARA 2010
Como tem decorrido a cooperação “Temos programado um Recentemente a AIP-CE assinou um
com a Associação Industrial Ango- protocolo de cooperação com a FIL.
projecto de mobilização de
lana? Em que consiste o memorando?
Há todo um trabalho que vem de longe entre
PME portuguesas, tendo Este acordo, traduzido num contrato de parce-
a AIP-CE e a Associação Industrial de Angola em vista a criação de uma ria, tem por objectivo a dinamização por parte
(AIA), que se tem traduzido ao longo dos anos rede de PME por todo o da AIP-CE/FIL da participação de empresas e
em formas de cooperação diversas, desde a território angolano” entidades internacionais em exposições sec-
formação profissional, estudos, feiras, apoio toriais, organizadas pela FIL, a realizar em
a missões empresariais, entre outras. Mesmo A AIP tem desempenhado um papel Angola com o nosso apoio, através da venda
nos tempos mais difíceis, a nível empresarial e importante na reconstrução do pa- internacional em regime de exclusividade no
particularmente entre as associações empre- ís? mercado português e enquanto parceiro pri-
sariais nunca deixou de existir um bom quadro Como já referi anteriormente, para a AIP-CE, vilegiado para a Europa. Devo dizer que a co-
relacional, tendo-se a AIA afirmado como um Angola sempre constituiu uma prioridade do mercialização abrangida por esta parceria se
dos parceiros privilegiados desta relação por seu relacionamento externo. Tanto ao nível da aplica aos seguintes sectores: alimentação,
parte de Angola. capacitação institucional, como da formação, bebidas, equipamentos e canal Horeca – a
estudos diversos sobre a economia e mercado Alimentícia; material, equipamentos, máqui-
Como encara o trabalho desenvolvi- angolanos, missões empresariais, seminários, nas e serviços para a construção civil e obras
do em conjunto com a CCIA (Câmara a AIP-CE sempre protagonizou um conjunto públicas – a Constrói; protecção e segurança

GRANDE ENTREVISTA · ANGOLA’IN | 47


GRANDE ENTREVISTA

A criação da Confederação Empresarial da


CPLP, a partir do Conselho Empresarial da Co-
munidade dos Países de Língua Portuguesa,
constituíu uma iniciativa com grande alcance
estratégico. Ao darmos este passo estamos
também a construir um importante dispositi-
vo de inteligência de negócios, ou seja, uma
mais-valia para todos os países que utilizam
a língua portuguesa. Neste sentido, estamos
a estabelecer formas de cooperação que tam-
bém permitirão explorar sinergias que poten-
ciam estratégias empresariais conjuntas nos
espaços regionais e geoeconómicos em que
cada um se situa. É minha convicção que a
maior densidade relacional e de cruzamento
de interesses subjacente à Confederação Em-
presarial da CPLP tornará possível aproveitar o
enorme potencial e as oportunidades que este
espaço de língua universal que é o português
corporiza no contexto da globalização.

A confederação será um dinamiza-


dor determinante das economias da
– Exposegura Angola; imobiliário e domótica
CPLP?
– Salão Imobiliário de Angola. Pretendem recorrer à rede inter-
A Confederação Empresarial da CPLP não só
nacional BUSINESSEUROPE para
constitui um instrumento de dinamização das
Em 2010 vão organizar em conjunto aproximar os europeus dos PALOP.
economias da CPLP como se afigura um factor
quatro feiras. Quais as vossas ex- Quais as mais-valias para o contex-
de projecção internacional para a abordagem
pectativas em relação a esses even- to africano?
de outros mercados regionais de interesse
tos? Integrar a BUSINESSEUROPE significa que a
conjunto.
Depositamos nas quatro feiras expectativas AIP-CE tem a possibilidade de conferir uma
muito ambiciosas em termos de expositores e dimensão europeia e internacional a determi-
Têm iniciativas programadas?
visitantes. Todo o envolvimento que isso im- nadas realizações que suscitam um interesse
A Confederação tem uma agenda de realiza-
plica traduzir-se-á num reforço das relações geoeconómico e empresarial para outras co-
ções. A este propósito refiro que o país vai ad-
bilaterais, sobretudo entre as duas comuni- munidades empresariais. Angola é hoje um
quirir um protagonismo da maior importância
dades empresariais e seguramente com uma país e um mercado que suscita a atenção de
num momento decisivo para a sua afirmação.
participação acrescida das PME, o que para várias comunidades empresariais europeias e
Em Julho, Angola assume a presidência rota-
nós também é muito relevante. Estas reali- acredito que as feiras que vamos realizar ao
tiva da CPLP e, como tal, cabe-lhe neste con-
zações não só reforçam as relações entre os abrigo deste acordo são bastante atractivas e
texto dinamizar um conjunto de iniciativas em
dois países como contribuem para uma maior ambiciosas em relação aos objectivos.
relação à afirmação desta Confederação que
visibilidade e importância das duas comuni-
serão marcantes para uma organização que
dades empresariais no contexto internacional No final do último ano, impulsiona-
está a dar os seus primeiros passos, mas que
ao protagonizarem feiras atractivas. A coope- ram a criação da Confederação Em-
se quer pujante e com grande alcance estra-
ração é fundamental para ambos reforçarem presarial da CPLP. Em que aspectos
tégico.
esse papel. esta organização poderá ser útil?

PORTUGAL – ANGOLA
Qual o peso de Angola nas exporta-
“Em Julho, Angola assume a presidência ções lusas?
rotativa da CPLP e, como tal, cabe-lhe Actualmente, ocupa o primeiro lugar nas ex-
neste contexto dinamizar um conjunto portações portuguesas para fora da Europa, o
que é um bom testemunho deste relaciona-
de iniciativas em relação à afirmação
mento bilateral.
desta Confederação”
Qual o volume de trocas comerciais,
em 2009?
Os dados estatísticos fornecidos pelo Instituto
Nacional de Estatística (INE) revelam que en-
tre Janeiro e Setembro de 2009 as exportações

48 | ANGOLA’IN · GRANDE ENTREVISTA


lusas para Angola foram superiores a 1672 mi- desenvolvimento, onde o relacionamento com
lhões de euros, enquanto as importações foram os países da CPLP ocupa uma posição central.
na ordem dos 51 milhões de euros, reflectindo
uma quebra muito significativa em relação ao “É justamente o mercado
ano anterior, porventura devido à baixa dos
preços do petróleo nos mercados internacio-
angolano o que mais tem
nais com os consequentes reflexos também contribuído para esta
nas exportações angolanas para Portugal. diversificação fora da
Europa, facto que começou
“Entre Janeiro e Setembro a verificar-se sobretudo a
de 2009 as exportações partir de 2005”
lusas para Angola foram
superiores a 1672 milhões Quais as áreas onde é rentável in-
vestir e que têm sido desvaloriza-
de euros” das pelos empresários lusos?
Dado que Angola está a iniciar um ciclo de
Durante o último ano, registou-se crescimento – que acreditamos que vai
um acréscimo de empresas portu- ser longo –, subjacente à reconstrução
guesas a investir no país? da sua economia, de uma forma geral
O aumento do número de empresas a inves- os investimentos a montante e a ju-
tir nos últimos anos é uma realidade que nos sante dessa reconstrução são ren-
apraz registar. Isso é simultaneamente bom táveis. As áreas relacionadas com
para Portugal e para Angola. Queremos que es- as infra-estruturas, a construção,
te relacionamento constitua uma parceria de as tecnologias da informação e
sucesso e que funcione cada vez mais nos dois da comunicação, as telecomu-
sentidos, como aliás se começa a verificar. nicações, a banca, os serviços
avançados às empresas e a enge-
Quais os sectores da economia lusa nharia são alguns dos sectores que
que mais exportam para Angola? neste momento se afiguram mais
A nível sectorial destacam-se em matéria de atractivos.
exportação os materiais e equipamentos de
construção, bebidas, veículos automóveis e outros. A sua valorização faz-se densificando
outros meios de transporte, máquinas, pro- “A Carta Magna da e reforçando este quadro relacional num am-
dutos alimentares, materiais eléctricos, medi- Competitividade biente de parceria e igualdade.
camentos, máquinas e aparelhos mecânicos, releva uma visão euro-
máquinas automáticas para processamento atlântica para o nosso Quais os produtos mais procurados
de dados, entre outros. pelo consumidor africano/ angola-
desenvolvimento, onde o
no?
Os PALOP são os principais clientes
relacionamento com os Há um conjunto de bens agro-alimentares,
de Portugal? países da CPLP ocupa uma mas regista-se também um peso crescente
No plano das relações comerciais, os nos- posição central” de produtos industriais, desde máquinas e
sos principais clientes situam-se na Europa e equipamentos diversos a um conjunto abran-
muito particularmente em Espanha, Inglater- A marca “Portugal” vende bem em gente de bens tecnológicos associados à re-
ra, França e Alemanha. A Europa tem um pe- Angola? construção da economia angolana e ao seu
so excessivo, que corresponde a cerca de 73% A marca “Portugal” é, do nosso ponto de vista, ciclo de crescimento.
dos mercados de destino das exportações por- atractiva, devido a um quadro relacional e de
tuguesas, mas que tem vindo a diminuir, pois afectividade entre ambos os países decorren- ANGOLA – PORTUGAL
há cerca de meia dúzia de anos aproximava-se te de uma história partilhada. Mas, temos a Sabe-se que Angola tem sido dos
dos 80%. É justamente o mercado angolano plena consciência que esta marca tem que ser principais destinos da internacio-
o que mais tem contribuído para esta diver- permanentemente alimentada e que os em- nalização das empresas lusas. Co-
sificação fora da Europa, facto que começou presários têm um papel central. O seu valor mo avalia esse relacionamento?
a verificar-se sobretudo a partir de 2005. Ali- simbólico traduz uma multiplicidade de fac- Como já tive ocasião de dizer, Angola consti-
ás, devo dizer que a AIP-CE tem pugnado por tores que para ela concorrem: qualidade dos tui o principal mercado de internacionalização
essa diversificação de mercados traduzida em produtos e dos serviços prestados, excelência das empresas portuguesas para fora da Eu-
vários documentos de estratégia, muito parti- das relações políticas e económicas, relações ropa. Significa que os empresários lusos, que
cularmente a Carta Magna da Competitivida- afectivas que se estabelecem entre pessoas têm um conhecimento que vem de longe da
de apresentada publicamente em 2003, a qual de duas comunidades que falam a mesma lín- economia angolana, confiam na sua estabili-
releva uma visão euro-atlântica para o nosso gua e com grande proximidade cultural, entre dade, dinamismo e crescimento. Existe a per-

GRANDE ENTREVISTA · ANGOLA’IN | 49


GRANDE ENTREVISTA

cepção de que o país tem todas as condições


para trilhar um ciclo de crescimento longo. Es-
tou convicto de que as autoridades angolanas
e a sua comunidade empresarial saberão, con-
juntamente, criar os factores de atractividade
do investimento internacional, actualmente
um factor essencial no contexto da globaliza-
ção. Podem para isso contar com a AIP-CE e
com a comunidade empresarial portuguesa.

Angola já exporta para Portugal?


Existem alguns bens exportados para Portu-
gal, para além dos produtos petrolíferos, que
constituem o principal. É sobretudo no campo
do investimento, em grande parte através da
participação em grande empresas lusas, que
as entidades angolanas estão a afirmar-se.
Aliás, permitam-me que diga que é desejável
o reforço das posições angolanas em Portugal
tanto a nível comercial como do investimento.
É esse o sentido de uma parceria, como aliás
o entendemos na AIP-CE. Por isso, considera-
mos muito positivo o incremento dessas rela-
ções comerciais e o nível do investimento que
se têm verificado nos últimos anos.
INDÚSTRIA NACIONAL
Quais os sectores económicos mais Qual o perfil do empresário ango- A criação de uma indústria interna,
procurados pelos investidores an- lano? activa e de qualidade pode dinami-
golanos? Há uma nova geração de empresários angolanos zar o mercado angolano?
A banca e a energia têm sido os mais procura- que se começa a afirmar e a fazer o seu percur- Sem dúvida que o crescimento sustentado da
dos, mas tem-se vindo a assistir a uma diver- so, demonstrando visão, capacidade pró-activa economia angolana passa pela criação de uma
sificação de interesses nos últimos anos. e bom conhecimento das exigências impostas à indústria interna, de qualidade e competiti-
vida empresarial num mundo hiper competitivo. va. O consumidor angolano será o primeiro a
Considera que o país africano será beneficiar, mas isso é igualmente importan-
cada vez mais um mercado apetecí- No último Salão Internacional de te em termos macroeconómicos. Ter uma in-
vel para os empresários estrangei- Vinho, Pescado e Agro-alimentar dústria competitiva é um factor fundamental
ros? “SISAB”, as águas de mesa angola- para a economia nacional se expor e se afir-
Angola tem todas as condições para trilhar nas foram elogiadas, devido à sua mar no contexto da globalização, alargando e
um ciclo longo de crescimento e, como tal, qualidade. A produção interna tem enriquecendo a sua carteira de actividades e
afirmar-se como uma economia bastante tendência para concorrer com os produtos que constituem a sua oferta no mer-
atractiva para o investimento estrangeiro. produtos importados? cado interno e externo.
As águas angolanas são de grande qualidade.
Quais os sectores angolanos que Este é um tipo de produto que tem condições Como avalia o crescimento da eco-
detêm mais força e potencialidades para ganhar quota de mercado muito rapida- nomia nacional? Irá manter os mes-
para se internacionalizarem? mente e concorrer com outros produtos simi- mos níveis de desenvolvimento ou a
O sector petrolífero e a banca são os que têm lares importados. tendência será para que, em 2010,
apresentado maior visibilidade em matéria se verifique uma desaceleração gra-
de internacionalização dirigida a Portugal e, Em que medida os empresários eu- dual?
mais recentemente, também o imobiliário e ropeus podem preparar-se para o Apesar do crescimento da economia mundial
os media. É evidente que Angola tem um ele- crescimento da concorrência? se perspectivar em 2010 ainda relativamen-
vado potencial de internacionalização da sua Isso é uma realidade da economia global, pe- te diminuto no contexto da actual crise eco-
economia, à medida que for industrializando lo que os empresários de qualquer proveniên- nómica e financeira internacional que se tem
muitas das suas riquezas naturais e desenvol- cia têm que estar preparados para lidar com vivido, onde os factores de risco e de imprevi-
vendo outros sectores, bem como por via da ela. A sobrevivência e a afirmação fazem-se sibilidade ainda são elevados, uma economia
captação do investimento directo estrangeiro inexoravelmente num mundo cada vez mais como a angolana tem, mesmo assim, boas
(IDE) no sector da agricultura, agro-pecuária e concorrencial. Em relação a Angola, o aumen- possibilidades de crescer com ritmos muito
indústria que também se vai traduzir em ex- to dessa concorrência é uma inevitabilidade mais interessantes do que as ditas economias
portações. inerente ao reforço da sua atractividade. maduras, como a europeia.

50 | ANGOLA’IN · GRANDE ENTREVISTA


ARTIGO DE OPINIÃO

olhar
clínico
Mais de vinte angolanos entre empresários e porque este apresenta múltiplas vantagens, ção, deslocações hotel-feira, feira-hotel) não é
jornalistas participaram recentemente na Fei- que vão desde a facilidade de leitura do rótu- tarefa fácil. Só se traduz num verdadeiro olhar
ra Internacional de Bebidas e Agro-alimenta- lo, à originalidade dos produtos e à facilidade clínico sobre o mundo dos negócios, onde não
res SISAB 2010, em Lisboa, Portugal. O evento de receber a partir das suas representantes lo- é qualquer um que consegue visualizar facil-
que vai na XV edição reuniu cerca de 430 em- cais, para além dos laços fraternais que unem mente os benefícios deste investimento e dos
presas portuguesas do sector alimentar e be- os dois países há décadas”. “Durante os três resultados que poderá proporcionar a médio e
bidas, colocando sobre o mesmo tecto homens dias da feira, foi possível comprar vários pro- longo prazos. O mundo dos negócios exige dos
e mulheres de negócios de vários estratos so- dutos e estabelecer parcerias comerciais que investidores esta visão sobre o futuro, o que
ciais provenientes de diferentes continentes. me irão ajudar a importar maior volume de consequentemente se traduz numa aposta de
Segundo a organização, cada empresário fez- produtos portugueses para abastecer a minha marketing para “formatar a marca na consci-
se acompanhar de um cheque avaliado em unidade comercial na Huíla”. ência do consumidor”. Se partimos do pressu-
mais de USD 50 mil, tendo como principais posto de que o mundo se tornou uma aldeia
objectivos fazer compras e estabelecer novas Precisamos de gestores- global e que a concorrência é cada vez mais
parcerias de negócio para importação de pro- estrategas capazes de evidente, então precisamos de gestores-es-
dutos portugueses. Esta oportunidade permi- trategas capazes de mobilizar os investidores
tiu aos empresários angolanos traçarem, por
mobilizar os investidores de outros países e promover as nossas mar-
exemplo, novos rumos no mundo dos negó- de outros países e cas além-fronteiras. De salientar, que todos os
cios, designadamente ao nível do sector agro- promover as nossas empresários que participaram neste evento,
alimentar e bebidas de origem portuguesa, marcas além-fronteiras antes e durante os primeiros dias de importa-
numa altura em que as importações angola- ção de qualquer produto para a sua empresa,
nas neste mercado somam cifras avaliadas Para além das trocas comerciais entre an- pensa em primeiro lugar no mercado portu-
em 23 por cento das importações com destino golanos e portugueses, a bolsa de produtos guês, o que se traduz numa mais-valia para o
a Angola, referiu o Secretário de Estado da Flo- alimentares e bebidas permitiu estabelecer país. Neste negócio, ganha a organização do
restas e Desenvolvimento Rural, Rui Barreiro. novas parcerias com empresários oriundos evento, os produtores locais através do au-
Este volume de exportações lusas para o mer- de vários pontos do mundo, como é caso de mento das exportações, o que se traduz num
cado nacional, representa um indicador ani- Cabo-Verde, São Tomé, Guiné Bissau, Brasil, aumento de postos de trabalho para os nacio-
mador se tivermos em conta que Angola está Espanha, Estados Unidos da América, Rússia nais. Uma acção que permite ao país arreca-
a trilhar novos caminhos nas relações econó- e China, no total de 80 países que levaram a dar mais rendimentos resultantes das receitas
micas com vários países, cuja meta está ainda Portugal cerca de 1200 empresários. Segun- aduaneiras das exportações destes produtos.
longe destes números. De acordo com Carlos do as declarações feitas pelos participantes, Em suma, todos ganham. Isso só é possível,
Morais, director da SISAB, os produtores por- pode-se concluir que esta iniciativa do sector se as organizações, país, iniciativas privadas,
tugueses ali representados, produzem e fabri- privado português é uma verdadeira mola im- público-privadas, associações juvenis e tantos
cam alguns dos melhores produtos, com uma pulsionadora da expansão dos seus produtos outros aglomerados humanos tiverem pesso-
longa tradição na produção de agro-alimen- no estrangeiro. Numa altura em que o mundo as inovadoras, com um olhar clínico voltado
tares e bebidas em Portugal. Em declarações está a acordar de uma devastadora crise eco- para o mundo dos negócios e bem-estar de
à Angola’in Ana Maria, empresária angolana nómica, cujos efeitos não pouparam as maio- todos sem secar a fonte.
proveniente da província da Huíla, uma das res economias, investir perto de USD 4 milhões
participantes no evento, disse que “os angola- para trazer homens de negócios a um evento a
andré sibi
nos preferem importar no mercado português custo zero, (transporte, alojamento, alimenta-

GRANDE ENTREVISTA · ANGOLA’IN | 51


FOTO REPORTAGEM | ana rita rodrigues

DE HOMENS
PARA HOMENS
Ritual de circuncisão masculina

Em Angola a circuncisão é uma prática muito comum.


Nos meios rurais a mesma ainda se pratica em
concordância com tradições e raízes muito profundas.
Obedecendo a diferentes fases do processo, os rapazes,
em idade pré-adulta, praticam o ritual de ablação do
prepúcio. Posteriormente, há uma fase de isolamento no
recinto da própria circuncisão. Por fim, apresentam-se à
comunidade. Celebram-no dançando com máscaras que
simbolizam a ruptura com a infância e o ingresso na vida
adulta. O jovem será agora considerado apto a procriar e
a desempenhar todas as funções de um homem.

As imagens que se seguem foram realizadas no Kuvango


e ilustram a última fase do ritual. Ao ritmo de várias
percurssões tocadas por elementos da comunidade, os
rapazes apresentam-se todos juntos, e cada um, a seu
turno avança para a frente e dança freneticamente.
As máscaras e as vestes de corda conferem-lhes total
anonimato e uma aparência algo assustadora. Ao
longo da celebração comenta-se o carácter sagrado das
vestimentas para afastar os maus espíritos. As mulheres,
respeitando a tradição, são convidadas a manter uma
considerável distância. Caso contrario poderá recair sobre
elas uma maldição.

É uma celebração de homens com homens e para homens!

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FOTO REPORTAGEM · ANGOLA’IN | 53
FOTO REPORTAGEM

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FOTO REPORTAGEM

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FOTO REPORTAGEM · ANGOLA’IN | 57
TURISMO | patrícia alves tavares

carimbos
obrigatórios
no passaporte
Ano novo significa novos países e recantos a explorar ao longo dos próximos doze meses. A Angola’in revela-lhe, em
exclusivo, quais as 25 cidades que não pode deixar de visitar. Deixe-se levar pela diversidade de culturas e planeie as
suas férias inspirando-se na fusão de climas, tradições e interesses. Opções não faltam, mesmo que não tenha hipótese
de viajar para todas as sugestões! Os locais escolhidos destacam-se especialmente pelos eventos que vão acolher no
ano de viragem da década, que ficará marcado pelos acontecimentos mais diversos e que prometem fazer ‘história’

américa do norte

NOVA IORQUE, A ‘BIG APPLE’ LAS VEGAS, ‘THE ENTERTAINMENT CAPITAL OF THE WORLD’
Berço de muitos movimentos culturais, Nova Iorque é a área mais po- A cidade do jogo tem um novo atractivo para descobrir neste novo ano:
pulosa dos EUA, sendo considerada uma cidade global alfa ++. O cen- o City Center. Inaugurado a tempo da passagem de ano 2009/ 2010, é
tro da moda, cultura e entretenimento é imperdível em qualquer altura o novo local para descobrir em Las Vegas, enquanto aprecia e desfruta
do ano. Lar do Empire State Building e da famosa Estátua da Liberda- do melhor que a vida tem para oferecer nos diversos hotéis desenha-
de, Nova Iorque é a mais densamente povoada, com mais de 8,3 mi- dos pelos melhores arquitectos, como Daniel Libeskind. Diversão é coi-
lhões de habitantes (estimativa de 2007). Local muito procurado para sa que não falta aqui, ou não fosse conhecida pela capital mundial do
compras, as suas paisagens são habitualmente publicitadas nos filmes entretenimento. A região, conhecida pelos imponentes casinos e hotéis
americanos, que recorrem inúmeras vezes ao Central Park para gravar temáticos, atrai mais de 30 milhões de visitantes por ano, facto que
alguma cena. Os shows da Broadway são igualmente ponto obrigatório. levou a que alguns dos maiores resorts dos Estados Unidos se instalas-
No entanto, o que torna este destino imperdível em 2010 são as come- sem na principal avenida de Las Vegas, Strip. Esses empreendimentos
morações do ano de Picasso, que se assinala em Manhattan, com duas albergam os maiores casinos do mundo.
grandes exposições: no MoMa (28 de Março a 6 de Setembro) e no Me- Site sugerido: www.citycenter.com
tropolitan (27 de Abril a 1 de Agosto).
Site sugerido: www.moma.org

MÉXICO, PARAÍSO DE CONTRASTES


Destino eclético que conjuga praias fantásticas e paisagens deslumbran-
VANCOUVER, A ‘CIDADE-JARDIM’ tes com culturas e tradições milenares, o México celebra os 200 anos da
A cidade canadiana é, segundo a revista ‘The Economist’, uma das me- Independência. Assim, durante 2010, a região promove uma ambiciosa
lhores do mundo para se viver (considerada a melhor, em 2005). Eis um campanha para captar a atenção dos turistas. Com muitos incentivos. A
válido motivo para incluir Vancouver no seu roteiro de férias para 2010. capital, Cidade do México, é o destino perfeito para quem procura conhe-
O outro diz respeito aos Jogos Olímpicos de Inverno, que de 12 a 28 de cer a rica história do país, encontrando nesta localidade a 2.250 metros
Fevereiro vão atrair atletas e visitantes dos quatro cantos do planeta. O acima do nível do mar a Catedral Metropolitana, símbolo da colonização
programa cultural estende-se de 22 de Janeiro a 21 de Março, período em espanhola. Chapultepec é o parque mais procurado, pois além de contar
que as excelentes temperaturas convidam os turistas a desfrutar dos di- com um Zoológico é composto pelas grandes extensões verdes. Cancún
versos parques, praias e locais de diversão. A sexta cidade mais populosa e Acapulco são os destinos mais requisitados pelas praias, banhadas pe-
do planeta convida os visitantes a nadar com as focas no White Cliff Pa- las águas quentes do Pacífico e pelos areais brancos.
rk, a conhecer a torre de observação The Lookout, a descobrir a arte na- Site sugerido: www.visitmexico.com
tiva canadense do Museu de Antropologia e a deslocar-se às cidades de
Victoria e Tofina para ver as baleias, entre outras hipóteses.
Site sugerido: www.vancouver2010.com

58 | ANGOLA’IN · TURISMO
américa do sul africa

ILHA DE PÁSCOA, ‘RAPA NUI’ ÁFRICA DO SUL, CAPITAL DO FUTEBOL


Inserida no meio do oceano Pacífico, a mais de três mil quilómetros da Mesmo que seja só pela TV, o mundo vai viajar para lá, de 11 de Junho
costa chilena, a Ilha de Páscoa guarda mistérios que ainda hoje intrigam a 11 de Julho, para ver o mundial de futebol. Ao vivo será inesquecível.
os arqueólogos. Interessado? Então aproveite a data de 11 de Julho e vi- África do Sul é um dos países mais ricos e desenvolvidos do conti-
site a região. Nesse dia, aguarda-o um invulgar eclipse total do sol, algo nente africano. Aqui encontra locais que atendem os vários tipos de
irrepetível, que será acompanhado de um festival de música. Um lugar turistas conforme os seus gostos. Os museus, parques naturais, mo-
sempre especial em qualquer altura do ano, onde descobrirá templos an- numentos, aquários, prédios históricos e galerias de arte fazem parte
tigos, moais (gigantescas figuras de pedra), vulcões, a lenda do homem da agenda de qualquer visitante.
pássaro e muito mais. Site sugerido: www.sa2010.gov.za
Site sugerido: www.honueclipse.org

MALAWI, CORAÇÃO AFRICANO


LIMA, PATRIMÓNIO CULTURAL DA HUMANIDADE Famosa pelas águas cristalinas do Lago Malawi, que é rodeado por
Lima surpreende os turistas que passam pelo Peru apenas com o ob- praias de areias douradas e bonitas baías, a região é uma opção in-
jectivo de conhecer Cusco e a região do Vale Sagrado. O melhor da cida- teressante para os amantes dos safaris. Rodeado de altos cumes e
de, rodeada pelo Pacífico e pelas montanhas rochosas, está nos bairros montanhas escarpadas, o país transporta-o para outro tempo, outro
floridos típicos, como Miraflores e San Isidro. A isto acrescente o pôr- lugar e outro deslumbramento. Localizado no coração quente de Áfri-
do-sol no Parque del Amor e nos artigos baratos que se encontram nos ca, o Malawi entra em 2010 numa onda de grande dinamismo do tu-
mercados de artesanato. O berço inca é conhecido enquanto capital sul- rismo local, com a abertura de novos lodges nas reservas Nkhotakota,
americana da gastronomia. Para Setembro de 2010 está agendada a Mjete, Mwabvi e Kaya Mawa. Às paisagens inesquecíveis junte a re-
reabertura do Museu Larco, após cinco anos de recuperação, com a mais cepção calorosa dos habitantes e terá umas férias perfeitas.
importante colecção de arte pré-colombiana do Peru. Site sugerido: www.malawitourism.com
Site sugerido: www.museolarco.org

ZANZIBAR, PARAÍSO NA TERRA


BRASÍLIA, ‘CIDADE-CÉU’ Este arquipélago, inserido em pleno Oceano Índico, tem um clima propí-
A capital do Brasil celebra 50 anos em 2010. A festa, que dura o ano to- cio a férias de praia durante quase todo o ano (excepto Abril e Maio, es-
do, tem como ponto alto as comemorações da efeméride a 21 de Abril. tações das chuvas). O aroma a especiarias, que envolve todo o ambiente
Declarada pela UNESCO como ‘Património da Humanidade’, Brasília é deste paraíso, acentua a sensação de estar num lugar mágico. As praias
conhecida pela modernidade da sua arquitectura e pelo traçado urba- de areia branca, o mar azul-turquesa, a vegetação frondosa e as cidades,
nístico em forma de avião. A terra do Carnaval mais animado do mundo que misturam tradições africanas, árabes, europeias e hindus são razões
dispõe de diversos locais de interesse como a Catedral Metropolitana de válidas para visitar este paraíso. O povo recebê-lo-á da melhor forma, fa-
Nossa Senhora Aparecida, o Teatro Nacional, o Parque Nacional de Bra- zendo-o participar nas suas tradições, como é o caso do Festival Sauti Za
sília, o Museu de Gemas, entre outros. A não perder! Busara, de 11 a 16 de Fevereiro, que é o grande acontecimento na Cidade
Site sugerido: www.brasil50anos.com.br de Pedra, dedicado à música Swahili.
Site sugerido: www.busaramusic.com

TURISMO · ANGOLA’IN | 59
TURISMO

europa

SANTIAGO DE COMPOSTELA, ‘CIDADE SANTA’ BRUXELAS, BERÇO DA UNIÃO EUROPEIA


Este é o ano de Xacobeo (o próximo será só em 2021) e, portanto, de Boa comida, boa bebida e moda de vanguarda são apenas algumas das
grandes celebrações na Galiza, em que todos os caminhos vão dar a atracções da cidade da Bélgica. De dois em dois anos, um tapete de
Santiago de Compostela, em Espanha. O seu centro histórico faz des- flores ilumina a Grand-Place, uma praça espectacular, rodeada de edi-
ta região uma das mais belas cidades da Europa. A “Cidade Santa” es- fícios de grande valor arquitectónico. Em 2010, a capital belga volta a
tá longe de ser um museu de pedra. Aliás, é uma das localidades mais florir, de 13 a 15 de Agosto. Perto da localidade encontra o Manneken
animadas em vários planos: religioso, cultural e lúdico. Pis, onde está a famosa estátua de um menino a urinar que nenhum
Site sugerido: www.blog.xacobeo.es turista quer perder. O Atomium é o cartão-de-visita da cidade e oferece
uma excelente panorâmica de Bruxelas.
Site sugerido: www.flowercarpet.be

PARIS, ‘CIDADE LUZ’


Cidade da Luz e do romantismo, plena de história e locais a visitar, Paris é o
ícone da moda e viagem obrigatória para quem deseja passar férias na Eu- ESSEN, REGIÃO RENASCIDA
ropa. No ano dedicado à Rússia em França, o Museu do Louvre abre uma A região da bacia de Ruhr, na Alemanha, com os seus monumentos in-
exposição monumental sobre a Santa Rússia, de Kiev a Pedro, o Grande (5 dustriais, vai estar em festa o ano inteiro, como Capital Europeia da Cul-
de Março a 24 de Maio). Encante-se pela beleza da sua arquitectura, das tura. A cidade vibrante possui uma grande variedade de lojas comerciais,
suas imensas avenidas e jardins encantadores. Não deixe de visitar a Torre bares, restaurantes e bonitos hotéis. A localidade aposta nos desportos,
Eiffel, o Arco do Triunfo, os Champs Elysées e o Sacré-Coeur. oferecendo oportunidades diversas para todos os gostos. Historicamen-
Site sugerido: www.louvre.fr te, Essen tem a figura da Virgem Maria mais antiga do mundo, que pode
ser apreciada na catedral da cidade.
Site sugerido: http://www.essen-fuer-das-ruhrgebiet.ruhr2010.de/en/home.html

METZ, GLAMOUR FRANCÊS


A cidade francesa destaca-se pelo seu encanto sensual, pelos teatros
animados num cenário ancestral e contemporâneo. Seduz pela sua luz VARSÓVIA, BERÇO DE CHOPIN
e elegância conjugadas com a visão do futuro ultramoderno. Em Maio, Os 200 anos do nascimento do compositor Frederic Chopin vão trans-
é inaugurada a extensão do Centro Pompidou nesta cidade francesa, formar a localidade polaca numa enorme sala de espectáculos ao lon-
dedicada à arte moderna. Uma maravilha arquitectónica, que se junta go do ano. Cada bairro de Varsóvia tem a sua história, que oscila entre
ao Bairro Imperial, uma autêntica enciclopédia de estilos históricos, acontecimentos trágicos e actos heróicos. Devastada pela Segunda
candidata a património mundial da Unesco. Guerra Mundial, a cidade serviu de cenário a Roman Polanski para gra-
Site sugerido: www.centrepompidou-metz.fr var algumas cenas do filme ‘O Pianista’. Parte dos edifícios foram re-
construídos durante o período comunista e o centro histórico (Rynek) é
Património Histórico Cultural da Humanidade (Unesco).
Site sugerido: www.e-warsaw.pl/2/index.php

LONDRES, POR TERRAS DE ‘SUA MAJESTADE’


Não perca uma das maiores exposições de sempre das obras de Van Go-
gh. De 23 de Janeiro a 18 de Abril, na Royal Academy. Ao visitar as terras
de Sua Majestade não se esqueça de vislumbrar o famoso Big Ben, o Bu- ISTAMBUL, ‘CIDADE DOS SETE MONTES’
ckingham Palace e o British Museum. Lembre-se que Londres atrai os A quinta maior cidade do mundo é Capital Europeia da Cultura. A re-
turistas pelos seus inúmeros museus. Aproveite a estadia para ir às com- gião turca promete uma revolução: monumentos restaurados, inten-
pras (o célebre Harrods é ponto obrigatório) e relaxar à beira do Tamisa.
Site sugerido: www.royalacademy.org.uk

60 | ANGOLA’IN · TURISMO
so programa artístico, a reabertura do mítico Hotel Pera Palas ( www.
perapalas.com) e até o maior concerto da digressão mundial dos U2 (6
de Setembro). São motivos mais que suficientes para visitar Istambul,
que tem a particularidade de ser dividida por um estreito (Bósforos)
que separa o lado asiático do europeu.
Site sugerido: www.istambul2010.org

asia
HANÓI, MULTIPLICIDADE ÉTNICA
A capital do Vietname celebra, em 2010, os seus mil anos e inaugura
um parque, com 1500 hectares, para homenagear os 54 grupos étni-
cos do país. Aliás, Hanói conserva toda a sua riqueza e arquitectura
colonial, bem presente em locais como o Mausoléu de Ho Chi Minh e a
prisão de Hoa Lo. Os lagos, parques, boulevards sombrios e os mais de
600 templos conferem um toque de charme a esta cidade.
Site sugerido: www.hanoi2010.org

ABU DHABI, ALBERGUE DA FERRARI


A cidade mais rica e capital dos Emirados Árabes Unidos é a única
qualificada como “Estado do Petróleo”. Assim, a localidade alberga os
principais motores políticos e económicos do país. A sua maior particu-
laridade está relacionada com a atenção dedicada ao desporto automó-
vel. Para este ano, está agendada a abertura do maior parque temático
dedicado à Ferrari, com a montanha-russa mais rápida do mundo, que
promete impressionar os amantes das corridas de Fórmula 1. HONG KONG, CENTRO FINANCEIRO
Site sugerido: www.ferrariworlddabudhabi.com A festa do Ano Novo chinês é a 14 de Fevereiro, pelo que se espera
grande animação para celebrar o ano do Tigre, aqui e em toda a China.
A fascinante metrópole cosmopolita combina a cultura oriental com a
ocidental. Portanto, prepare-se para despender alguns dólares, uma
vez que Hong Kong é das cidades mais caras do mundo, assumindo-se
como o principal centro comercial da China.
Site sugerido: www.discoverhongkong.com/login.html

DUBAI, ‘CIDADE DO OURO’


Converteu-se recentemente no pólo turístico mais vistoso e futurista da an-
cestral cultura islâmica. O maior edifício do mundo, actualmente com 800
metros, Burj Dubai, foi inaugurado nos primeiros dias de 2010, juntando-se
aos outros gigantes recordistas do Emirado, como é o caso do maior shopping
do tórrido Médio Oriente, que abriga até uma pista de esqui. Apelidada de Me-
ca do consumo, a cidade atrai pelos formatos grandiosos dos hotéis e centros XANGAI, EMBAIXADORA DA EXPO 2010
comerciais, numa colagem de estilos e atracções voltadas para o lazer. A Exposição Universal, de 1 de Maio a 31 de Outubro, promete voltar
Site sugerido: www.burjdubai.com as atenções do mundo para a China. Esperam-se 70 milhões de visi-
tantes e mais de duas centenas de países participantes. Aproveite o
evento e aprecie a Torre Jinmao, um dos mais espectaculares arranha-
céus, com 82 andares e 420,5 metros de altura. Passeie ainda nos tri-
ciclos, meios de transporte típicos da China.
Site sugerido: www.expo2010.cn

SINGAPURA, EXEMPLO DE CIVISMO


Um ano movimentado na cidade-estado, com os primeiros Jogos Olím-
picos da Juventude (14 a 26 de Agosto) e a abertura do primeiro par-
que da Universal Studios, na Primavera. Além destas novidades, conta
ainda com as habituais atracções, onde se destaca o safari nocturno.
Aproveitando o facto de possuírem os melhores jardins zoológicos do NAO SHIMA, FILOSOFIA BUDISTA
planeta e uma vegetação incrível, os visitantes podem visitar o espaço A hora e meia de Tóquio, surge a região do zen absoluto. Esta pequena ilha
desde o anoitecer até à meia-noite. é um extraordinário museu de arte moderna, único no mundo. A casa Be-
Site sugerido: www.visitsingapore.com nesse mistura elementos tradicionais japoneses com o melhor da arte con-
temporânea, que transmite um ambiente de tranquilidade contemplativa.
De 19 de Julho a 31 de Outubro, o Festival de Arte justifica uma visita.
Site sugerido: www.naoshima-is.co.jp/index.html
TURISMO | patrícia alves tavares

da na paisagem peculiar, conferem-lhe uma


rara beleza. Assista a uma fusão entre o lado
conservador e extremamente hospitaleiro e a
criatividade da vida contemporânea, marcada
em cada rua, museu, espaço de lazer ou zo-
nas comerciais. Conhecido pela ‘Cidade das
Pontes’, quando visitar o centro urbano pode
deslocar-se à zona ribeirinha e fazer o trajecto
das sete pontes, num dos tradicionais barcos.

‘A cidade que foi eleita


Património Mundial
da Humanidade, pela
Unesco, em 1996’
A NÃO PERDER
As atracções são diversas e necessitará de
alguns dias para descobrir todos os encan-
tos do Porto. Os monumentos, as Igrejas, os
Museus, as Pontes, os Mercados, as Feiras, os
Parques Naturais, as Festas e Romarias são
óptimos motivos para eleger este destino. A
Sé do Porto é imperdível. O edifício dos sécu-
los XII e XIII sofreu grandes remodelações no
período barroco, mas conserva ainda os traços
da estrutura romântica (movimento cultural
que se viveu na Europa). Para os apreciadores
da história e cultura de cada país, os locais a
conhecer são inúmeros. Apenas na zona his-
tórica da cidade descubra as particularidades
da Muralha Fernandina, da Torre dos Clérigos,
do requintado Palácio da Bolsa, do Mercado
Ferreira Borges e da agradável margem ribei-
Porto rinha, com enfoque para a praça e cais da Ri-

cidade das beira. Para quem não dispensa um programa


cultural, deixe-se perder pelos Jardins de Ser-
ralves e pelas habituais exposições de arte ou
descubra as produções nacionais, através das

sete pontes peças, em cena no Teatro Nacional de S. João,


que é em simultâneo uma verdadeira obra ar-
quitectónica. A Casa da Música representa o
outro lado da cidade: a modernidade. Constru-
O Porto é a sugestão da Angola’in para a viagem do mês. ído no âmbito do Porto 2001 - Capital Europeia
Conhecida por Invicta, esta cidade portuguesa tem uma da Cultura, o espaço alberga espectáculos de
áreas diversas, indo de encontro aos gostos
longa história, que se mantém viva em cada tradição e mais ecléticos. Para as famílias, a Angola’in
espaço portuense. Inserido na mítica região do Douro e aconselha uma visita ao Sea Life Porto (oce-
apreciado além fronteiras pelo vinho do Porto, esta região anário) ou ao Planetário – Centro de Ciência
atrai múltiplos visitantes em qualquer altura do ano. É Viva, locais onde os seus filhos podem desco-
um dos destinos turísticos mais antigos da Europa. brir algo mais acerca da ciência e da vida ma-
rítima. Em termos gastronómicos, sugestões
Motivos não faltam para visitar o Norte de co, em 1996. Banhado pelo rio Douro, o Porto não faltam. Inspirado na dieta mediterrânea, o
Portugal. A riqueza do património, os mo- mantém os traços da Idade Média em alguns território português é considerado por muitos
numentos e espaços culturais, as famosas dos edifícios mais emblemáticos. Partindo da turistas como um dos países com os melhores
Caves do Vinho do Porto e as áreas de lazer imagem da ribeira e das trocas comerciais, menus. Para fazer compras, é indispensável
são razões mais que válidas para se render nomeadamente vinícolas, a cidade é uma das passar pela baixa portuense, onde encontra
aos encantos da cidade que foi eleita Patri- mais antigas do continente. A harmonia das uma fusão entre o comércio tradicional e as
mónio Mundial da Humanidade, pela Unes- construções e da estrutura urbana, enquadra- grandes superfícies.

62 | ANGOLA’IN · TURISMO
ANGOLA’IN SUGERE
Nesta edição, a nossa equipa aconselha os nos-
sos leitores a visitar um dos locais mais requin-
tados da cidade portuense. Recomendamos
um espaço a não perder e o sítio eleito pela
Angola’in para pernoitar durante a sua esta-
dia na Invicta ou para simplesmente degustar
uma refeição divinal. A sua revista volta a ino-
var e excepcionalmente recomenda um ponto
importante do Porto. O Hotel Infante Sagres é ‘Outra particularidade quee
a sugestão para este mês. A inauguração ofi- conquista os turistas
cial do Hotel Infante Sagres, em 1951, marcou é o SPA do Hotel Infante Sagres,
a história da cidade, que passou a albergar a
primeira unidade de luxo, construída de raiz em que é o mais pequeno do mundo’
Portugal, no século XX. A gerência orgulha-se
de já ter acolhido a família real inglesa e a es- únicas e viciantes pelo prazer e bem-estar que Quando passear pela Invicta, é provável que
panhola. Paulo Teixeira de Carvalho, gerente do proporcionam”, assegura o responsável. Para encontre algumas novidades. O Hotel Infante
hotel, confidenciou à Angola’in que o edifício quem visita o Porto a negócios encontra neste Sagres pretende inaugurar um restaurante de
emblemático “continua a ser uma referência local o “ambiente mais adequado ao trabalho “qualidade, mas despretensioso com porta para
icónica da cidade do Porto e até mesmo do em causa”, num ambiente “elegante e inunda- a rua”, numa iniciativa que visa abrir o espaço à
próprio país”. “A carga histórica que encerra, o do de luz natural”. cidade. “Para além do projecto do restaurante
seu acervo em obras de arte contemporâneas que se encontra sempre sob a vigilância do Chef
ou antigas, móveis, lustres, espalhados aqui e ‘O seu produto mais Albano Lourenço (uma estrela Michelin) prevê-
além de forma quase displicente, a sua localiza- se a instalação de uma esplanada, em plena
ção, a patine que o tempo traz e que não pode típico, o vinho do Praça D. Filipa de Lencastre [entrada principal
ser reproduzida senão pelo passar dos anos, Porto, atrai turistas do hotel]”, esclarece. Para 2010, o hotel tem na
torna esta unidade hoteleira uma referência do mundo inteiro’ calha a organização de múltiplos eventos de ca-
única e incontornável”, afirma o responsável, riz social e acções relacionadas com o SPA An-
assegurando que quem visitar este hotel vai ELEITO PELOS VIP’S gkor Wat (concertos Meditativos e actividades
viver uma experiência única e não terá motivos “São uma miríade de pequenos pormenores de de carácter holístico e ligadas ao sobrenatural).
para se arrepender. A unidade foi recentemente bom gosto e de uma época em que tudo era O Porto é a segunda maior cidade de Portugal,
renovada, numa mistura do “estilo neo-barroco possível comprar e que nos acolhem e espan- com uma vida cultural e nocturna tão badalada
com os elementos da decoração dos anos 50 e tam em cada recanto”, descreve Paulo Teixeira quanto a de HYPERLINK “http://dreamguides.
total abertura à cidade”. Aliás, segundo Paulo de Carvalho, enquanto explica que os clientes edreams.pt/portugal/lisboa” \o “Lisboa” Lis-
Teixeira de Carvalho “a conjugação de todos es- ficam deslumbrados com o ambiente familiar, boa. O cartão postal da região é a Ponte Maria
tes factores cria uma referência incontornável acolhedor e discreto. Os VIP’s são presença as- Pia, projectada por Gustavo Eiffel, com os barcos
e que torna a simples visita ou estadia numa sídua, pois são “tratados como tal”, em que o rabelos ao fundo, típicos da região. O seu produ-
experiência inolvidável”. “serviço é cuidado, caloroso, personalizado ao to mais típico, o vinho do Porto, atrai turistas do
limite, sem ser opressivo ou inconveniente”. A mundo inteiro. O clima temperado e húmido faz
‘O Hotel Infante filosofia dos responsáveis pelo espaço é abran- da Invicta um bom sítio para visitar na altura do
gente. “O VIP pode ser um simples aniversa- Verão, ao contrário do que acontece no Inverno,
Sagres é a primeira quando as temperaturas podem atingir valores
riante ou um ilustre desconhecido que quer algo
unidade de luxo, particular”..
em particular negativos.
g
construída de raiz em
Portugal, no século XX’
Sem desvalorizar o património histórico e tra-
dicional do espaço, o recinto está perfeitamen-
te adaptado às exigências do século XXI. A In-
ternet wireless em todas as áreas, os colchões
ultra-modernos e outras adaptações conferem
um conforto acima da média. Outra particula-
ridade que conquista os turistas é o SPA do
Hotel Infante Sagres, que é o mais pequeno do
mundo. “O Angkor Wat é uma quase exigên-
cia do mundo em que vivemos, mas apoiada
numa filosofia e ciência milenares que tornam
as experiências neste espaço reservadíssimo

TURISMO · ANGOLA’IN | 63
ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO | patrícia alves tavares

ESPECIAL ARQUITECTURA CONTEMPORÂNEA

Imaginação
sem
limites

“A arquitectura é responsável pelo bem-estar e pela beleza CIDADES ADAPTADAS


da cidade. É ela que se encarrega da sua criação ou melhoria A primeira conferência sobre urbanismo e
habitação mostra que os Estados estão em-
e está incumbida da escolha e da distribuição dos diferentes
penhados em cumprir os pressupostos da ar-
elementos, cuja proporção feliz constituirá uma obra harmo- quitectura moderna. A sustentabilidade e a
niosa e duradoura. A arquitectura é a chave de tudo” usabilidade dos centros urbanos são preocu-
A Carta de Atenas. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1993
pações evidentes. O evento, que decorreu no
Huambo sob o lema “Planeando o nosso fu-
turo sustentável”, serviu de mote para a dis-
O Ministério do Urbanismo e Habitação en- diais. A Angola’in mostra o que se está a fa- cussão do programa relativo à matéria e para
contra-se empenhado em alterar as condi- zer de mais inovador ao nível das estruturas a regulação das reservas fundiárias. De facto,
ções de vida da população, aproveitando a arquitectónicas e dá-lhe a conhecer as tecno- os planos de reconstrução nacional têm con-
fase de reconstrução que se vive para criar logias que estão a revolucionar este sector, tribuído para o reordenamento do território e
habitação condigna, com acesso às infra-es- tanto a nacional como internacional. implementação das mais recentes novidades
truturas e equipamentos públicos, de acordo arquitectónicas. Aliás, a nova Constituição de-
com os critérios definidos pelas Nações Uni- fine as bases gerais do ordenamento do es-
das. Contudo, a chamada ‘arquitectura mo- ‘Painéis solares, paço e do urbanismo, revelando um crescente
derna’ abrange uma panóplia de tecnologias, interesse por este sector. As novas cidades,
que estão ao alcance de apenas algumas ‘bol- espaços reservados além de contemplarem a gestão dos resí-
sas’. Actualmente, o ordenamento de terri- para combustão, duos e serviços urbanos (uma preocupação
tório e das cidades contempla uma série de reciclagem e constante com a protecção do meio ambiente
regalias que prometem facilitar o dia-a-dia e dos recursos naturais), promovem a criação
dos cidadãos e aproximar o país dos centros electrodomésticos que de espaços complementares, que tornam os
urbanos internacionais. É o caso do sanea- economizam energia espaços mais agradáveis, atendendo aos cri-
mento básico, que começa a ser incluído nos estão já ao alcance dos térios de usabilidade e de necessidade públi-
novos edifícios, revelando que o país está a ca. A questão dos portadores de deficiência
recuperar a grande velocidade dos anos de angolanos’ tem sido crescentemente salvaguardada na
atraso em relação às grandes cidades mun- concepção dos recintos e meio envolvente. Os

64 | ANGOLA’IN · ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO


novos edifícios contemplam a criação de aces- construção civil. Actualmente, as inovações
sibilidades e inserção de dispositivos electró- científicas permitem conceber projectos ar-
nicos, que contornem as dificuldades dos que quitectónicos adaptados às necessidades
têm algum tipo de deficiência motora, visual individuais e de menor impacto ambiental,
ou auditiva. Cabinda é exemplo da nova orga- tornando as casas cada vez mais interacti-
nização arquitectónica que, ao nível dos es- vas. A Kasa do Futuro, em Portugal, reúne
paços exteriores e organização do território, uma série de conceitos e conteúdos tecno-
foca a preocupação com a ordenação e equi- lógicos de ponto, que permitem a criação de
líbrio com o meio ambiente. A sede da pro- um ambiente seguro, moderno e confortável.
víncia apela a todos os sentidos, onde o verde Inaugurada em 2003, a “Casa do Futuro Inclu-
sobressai. A arquitectura colonial funde-se siva” agrega mecanismos de automação do-
com as novas construções e empreendimen- méstica aliadas à humanização da habitação,
tos desportivos e de lazer. A reconstrução de- que inclui soluções para os problemas que
senvolvida no âmbito do CAN contribuiu para advêm da velhice e da deficiência. O modelo
que Cabinda se aproximasse do novo modelo levou cerca de três anos para ficar concluído
das cidades modernas. e ocupa uma área de seis mil metros quadra-
dos (600 m2 de construção). Inteligência é a
‘Reconhecimento de melhor definição para este modelo de arqui-
tectura habitacional, que promove segurança
entrada, câmara que e sobretudo maior economia. A mais recen- cadeia ‘exemplar’
envia MMS, alarme te tecnologia domótica tem tudo para vingar A cadeia do Bengo representa a huma-
de intrusão, fumo, no mercado, visto que este sistema contribui nização da arquitectura moderna. Pen-
para uma redução do consumo energético na sada para melhorar as condições de
queda e pânico, ordem dos 20/ 30 por cento, sem descuidar vida dos presos, o espaço foi dotado de
estores inteligentes o conforto. A casa mais inteligente de Portu- meios e infra-estruturas tecnológicas
gal possui um sistema solar e de energia eóli- inovadoras para dar aos detidos a opor-
e vidros irradiadores tunidade de se reabilitarem enquanto
ca, um circuito fechado de águas (para evitar
são algumas das desperdícios) e uma ETAR ecológica, respon- cidadãos. O objectivo é que, após cum-
tecnologias de sável pelo tratamento de lamas e aproveita- prida a pena, estes indivíduos possam
contribuir para o desenvolvimento do
ponta que têm sido mento de resíduos. Em termos tecnológicos,
país. O espaço tem capacidade para
esta moradia de luxo é única: 47 km de ca-
colocadas ao serviço da bos, 1.200 pontos de controlo, 18 painéis de
albergar 1.062 indivíduos (462 reclu-
sos e área de emergência para mais de
construção civil’ controlo, 17 televisões, 31 câmaras do circuito 600) e foi incorporado com sistemas de
CCTV, 27 zonas de rega, 12 Tbytes de storage, videovigilância, de captação de água e
KASA DO FUTURO entre outros. O sistema iDom permite contro- energia eléctrica. Possui ainda 84 hec-
A evolução da arquitectura contemporânea lar e aceder à casa a partir de qualquer lugar/ tares reservados para a prática da agri-
é decididamente mais visível na concepção hora a partir de um telemóvel. O equipamento cultura. A cadeia-modelo, que custou
de edifícios, nomeadamente das habitações. pode ser instalado num simples T0 ou em ca- 15 milhões de dólares, levou dois anos
Neste caso, é possível encontrar projectos de sas do futuro, de acordo com as necessidades a ser erguida e é a primeira do país que
vanguarda em que a criatividade não tem li- de cada cliente. Assim, através do telemóvel dispõe de um sistema de videovigilân-
cia por controlo electrónico
mites. Reconhecimento de entrada, câma- é possível ligar as luzes, abrir o portão da ga-
ra de vídeo porteiro, câmara que envia MMS, ragem ou simplesmente preparar um café. A
alarme de intrusão, fumo, queda e pânico, ar realidade nacional está ainda aquém destas
condicionado e estores inteligentes, vidros inovações. Não por falta de recursos naturais,
irradiadores são algumas das tecnologias de mas pela ausência das infra-estruturas bási-
ponta que têm sido colocadas ao serviço da cas, que foram destruídas durante o perío-

qualidade
es – Maior
Sabia que... or es C id a d
elh e
mo tema “M ços urbanos
0 vai ter co de dos espa
A Expo 201 à sust en ta b il id a
bem-e st a r d os
ma alusão ológicas ao
de vida”, nu as inov a çõ es te cn
de de aliar
à necessida
habitantes

ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO · ANGOLA’IN | 65


ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO

do da guerra. Contudo, a Kasa do Futuro tem está a promover a “Casa de Sonho”, projecto reciclabilidade dos materiais e maximização
todos os ingredientes para ser aplicada às que aproveita as potencialidades naturais do do uso sustentável dos recursos naturais. As
construções angolanas. Após a conclusão das país e adapta os edifícios ao meio ambien- suas funcionalidades e equipamentos são dis-
redes de saneamento, reabilitação das vias te, tornando-os mais sustentáveis e eficien- pendiosos, mas a sua eficiência permite uma
de comunicação e das infra-estruturas, o país tes energeticamente. Tendo em conta a meta poupança a médio e longo prazo. Tal como a
dispõe de recursos naturais, como as energias governamental de criar residências condignas Angola’in noticiou anteriormente, o protóti-
renováveis, que podem e devem ser incluídas para todos e a evolução do sector, esta tipo- po de apresentação foi montado especifica-
nas habitações, de forma a reduzir o impacto logia de pré-fabricados pode estar ao dispor mente para a Constrói, num espaço de 800
ambiental e a fomentar a sustentabilidade e a da maioria das famílias a curto prazo. Painéis m2. Interessados em adquirir os modelos do
poupança (económica e energética). solares, espaços reservados para combustão, futuro não faltaram. Quatro suites, cinco ca-
reciclagem e elec- sas de banho, duas salas de estar e uma de
‘‘A mais recente tecnologia domótica trodomésticos jantar, piscina, “jacuzzi” e jardim foram os
que economizam argumentos que conquistaram o público na-
tem tudo para vingar no mercado, energia estão já cional, que está cada vez mais sensibilizado
visto que este sistema contribui para ao alcance dos para as vantagens das tecnologias de ponta
uma redução do consumo energético angolanos. Eco- e para o quanto podem economizar se insta-
eficiente e auto- larem equipamentos de poupança energética.
na ordem dos 30%, sem descuidar o sustentável, a Construídas em madeira de pinho e com dura-
conforto’ “Casa de Sonho” ção ilimitada, estas tipologias vanguardistas
é parcialmente são ainda uma solução de luxo. Os protótipos
montada em Por- apresentados no certame oscilam entre os 45
SONHO ANGOLANO tugal, por especialistas que têm o cuidado de mil dólares (T3 com 54 metros) e os 150 mil
A AIMMP - Associação de Indústrias de Ma- reduzir o impacto ambiental, através da uti- dólares (T4 de luxo). Os próximos anos prome-
deira e Imobiliário (Portugal) apresentou no fi- lização de materiais naturais e recicláveis. A tem mais novidades tecnológicas que, conju-
nal do último ano na sétima edição da Constrói arquitectura contemporânea visa o incremen- gadas com as novas técnicas arquitectónicas,
Angola o protótipo das habitações do futuro. to da durabilidade dos produtos, por via da re- vão revolucionar o mercado habitacional, que
Acompanhando as tendências do mercado dução da intensidade energética dos serviços se espera que fique mais humanizado, confor-
internacional, a construtora Modular System e bens, na diminuição da dispersão tóxica, na tável, seguro e amigo do ambiente.

explorar os sentidos
As mais recentes tecnologias de ponta aliadas às construções contemporâneas transformam
as habitações em verdadeiros centros interactivos. Eis algumas das últimas inovações:
Painéis de comando que integram tecnologias de várias empresas, como a HP,
Microsoft e QUiiQ, que controlam e monitorizam todo o espaço;
Mordomo virtual bastante eficiente, capaz de ditar receitas de acordo com os
produtos que existem na dispensa, enviar a lista de compras para o telemóvel
ou tirar um café (activação por comando de voz);
Paredes RGB, controladas directamente pelo sistema iDom,
que dão a possibilidade de escolha do ambiente mais ajustado ao momento.
Possuem uma resolução de 30 bits de cor;
Iluminação, abertura/ cobertura automática da piscina e a
ondulação da água pode ser controlada pelo sistema iDom;
Sistema de regra pode possuir até 27 diferentes zonas, controladas com base na
informação da central meteorológica;
Possibilidade de aceder à casa através do telemóvel a partir de qualquer lugar ou
hora, controlando à distância funções como a iluminação ou a abertura do portão da garagem

66 | ANGOLA’IN · ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO


INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO | manuela bártolo

INOVAÇÕES
QUE VÃO MUDAR
O MUNDO

2010 é portador de novas esperanças para a TRANSPORTE ECOLÓGICO ser a que oferece maior autonomia, logo me-
área de Inovação & Desenvolvimento (I&D). A Veículos eléctricos. Esta é a grande aposta do lhor perfomance, também sabemos que para
legião de novos sectores dignos de progresso sector automóvel. Uma tendência confirma- que este tipo de veículos se imponha como
que serão alvo de transformações é, cada vez da pelas grandes marcas. A PSA Peugeot-Ci- uma boa escolha de compra, estas devem ser
mais, extensa. Dir-se-á cruciais, se represen- troen irá lançar, ainda este ano, o seu iOn; a práticas, de fácil carregamento e maior dura-
tam a base da luta contra as doenças, a me- BMW deverá seguir-lhe o exemplo e testar o ção. Actualmente, as mesmas custam entre
lhoria dos transportes e a gestão eficiente da seu Mini E em França, enquanto a Renault já 12 mil e 15 mil euros, o que faz aumentar e
energia; lúdicos e culturais caso ampliem os anunciou o lançamento de quatro novos mo- elevar consideravelmente o preço de um sim-
nossos objectos de lazer e incrementem as no- delos entre 2011 e 2012. Informações que des- ples automóvel ligeiro, equiparando-o mui-
vas tecnologias. A Angola’in seleccionou para poletaram o interesse do mercado por este tas vezes ao nível dos melhores veículos de
si as descobertas que vão marcar os próximos tipo de viaturas, considerado até ao momen- marca a gasolina. No Japão, por exemplo, o i-
anos, isto porque a tecnologia faz parte da to como incerto, pelo menos a médio prazo. Miev da Mitsubishi é vendido a 30 mil euros!
nossa vida e vai mudando as nossas necessi- Apesar da previsão de forte investimento, No entanto, vários construtores europeus
dades à medida que também vai evoluindo. A crê-se que os carros eléctricos não ultrapas- garantem que será vendidos a preços mais
lista das inovações com potencial de mudan- sem os 3 a 5% no total de vendas a nível baixos. Espera-se que os primeiros modelos
ça sobre a forma como as pessoas trabalharão mundial até 2020-2025. Carlos Ghosn, CEO saiam para o mercado já em Abril. Resta ou-
e viverão e jogarão é hoje inimaginável. Para da Renault, mostra-se mais confiante, acre- tra pergunta pertinente, os carros eléctricos
começar, as tecnologias de poupança de ener- ditando que estas viaturas poderão represen- irão possibilitar uma utilização mais barata?
gia solar serão utilizadas no asfalto, nas tintas tar 10% da escolha de compra relativa a novos Sim, respondem as marcas, pois enquanto o
e até nas janelas. No próximos cinco anos, a veículos nos próximos dez anos. Indiscutivel- preço do barril de petróleo aumenta, o das ba-
energia solar será uma opção acessível para si mente, o motor eléctrico permite um melhor terias baixa. As estimativas são, por isso, op-
e para os seus vizinhos, de acordo com o ter- rendimento energético e não emite nenhum timistas. Calcula-se que, até 2020, o custo de
ceiro relatório anual «IBM Next Five in Five». gás poluente. Mas subsistem muitas dúvi- utilização de um veículo eléctrico seja 24% in-
Actualmente, os materiais e os processos para das quanto à sua autonomia, uma vez que ferior ao de um automóvel normal. Mais uma
produzir células solares conversíveis em ener- as existentes são insuficientes e, igualmen- vez, se coloca a questão de poder recarregar
gia solar são demasiado caros e não permitem te importante, demoram muito tempo a car- mais e melhor a bateria. Uma das alternativas
uma adopção generalizada. Com a criação de regar, não existindo ainda infra-estruturas mais viáveis para combater este problema é
células solares «thin-film» a situação vai in- adaptadas para o recarregamento necessá- possibilitar a troca de baterias nas estações
verter-se, na medida em que estas células são rio. Nesse sentido, é evidente que o problema de serviço das auto-estradas. Está previsto o
cem vezes mais finas que as células de silicone reside na duração da bateria. Se todos con- aumento de locais onde o utente poderá re-
e podem ser produzidas a preços mais baixos. cordamos com o facto da bateria tipo lítio-ião carregar e trocar as mesmas, com facilidade

68 | ANGOLA’IN · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO


de acesso.
esso. Razão pela qual, a socied
sociedade
dadde Be
B
Bet-
et-
t ram como
ram
ra coomo mmapear
apea
ap
ape genoma
ear o ge
g nooma humano, novas e deixando de ser necessário o teclado, por
ter Place,
lace, associada da Renault, espera co- portas
po rtas
rt se abriram no sentido de desvendar os
tas se exemplo. As novas tecnologias mudarão a
mercializar 100 mil Fluence ZE eléctricos, em segredos dos nossos genes e, assim, prever forma como as pessoas criam, constroem e
Israel e na Dinamarca, a partir de 2011. Contu- tratamentos de saúde. Os médicos, por um interagem com os sites de informação e co-
do, para que estas infra-estruturas avancem lado, poderão utilizar esta informação para re- mércio electrónico, na medida em que a voz
será necessário bastante dinheiro. Uma esta- comendar mudanças nos estilos de vida e de substituirá o texto. Imagine enviar e respon-
ção de recarregamento rápido custa, segundo comportamentos. As empresas farmacêuti- der a emails e mensagens instantâneas sem
a Renault, cerca de 10 mil euros e uma esta- cas, por seu lado, poderão desenvolver novos escrever. Terá a capacidade de procurar verbal-
ção de troca de baterias é em média 40 a 50 e eficientes medicamentos personalizados, à mente na Internet a informação e recebê-la
vezes mais cara. medida das necessidades de cada paciente. de volta, como se estivesse a ter uma conver-
sa com a rede. Poderá ter as suas próprias as-
sistentes digitais de compras. Já alguma vez
A perda de memória deixará de ser um problema lhe aconteceu estar numa loja com dúvidas e
porque os detalhes da vida do dia-a-dia serão não encontrar ninguém que o ajuda a procu-
gravados, guardados, analisados e disponibilizados rar o que precisa? E os amigos já lhe disseram
por aplicações inteligentes portáteis e estáticas, que determinada roupa fica-lhe mesmo bem?
Dentro em breve os consumidores confiarão
no momento e lugar apropriados
muito em si mesmos e nas opiniões dos seus
pares para tomar decisões relativamente às
compras que fazem, não esperando pela ajuda
dos assistentes de loja. Uma combinação de
MAPA GENÉTICO Neste contexto, o mapa genético transforma- novas tecnologias e da nova geração de apa-
Poderá surpreênde-lo, mas ao que tudo indica rá radicalmente a saúde e ajudá-lo-á a tomar relhos móveis trará progressos significativos à
terá, nos próximos anos, uma “bola de cristal” melhor conta de si. experiência de comprar. Por fim, mas não me-
para saber o estado da sua saúde. Dentro de nos importante: esquecer-se tornar-se-á uma
cinco anos, o seu médico será capaz de forne- NOVAS TECNOLOGIAS memória distante. O excesso de informação
cer um mapa genético que lhe dirá que riscos Outra inovação será o poder falar para a In- não o deixa dormir? Esqueça-a. Nos próximos
de saúde enfrentará e quais poderá evitar du- ternet e esta responder-lhe. A forma de ace- cinco anos será muito mais fácil lembrar-se do
rante a vida, baseando-se no seu DNA. E tu- der vai alterar-se radicalmente nos próximos que comprou na mercearia ou que tarefas têm
do isto por menos de 200 dólares (cerca de anos. No futuro, será capaz de surfar num de ser feitas, com quem falou numa confe-
155 euros). Desde que os cientistas descobri- modo mãos-livres, recorrendo apenas à voz rência, quando e onde combinou encontrar-se

INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · ANGOLA’IN | 69


INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

surgir e o que desaparecerá apresentam duas compulsória, insectos robóticos, manto de


propostas na linha do tempo, sugerindo quais invisibilidade, marchas virtuais de protesto,
tecnologias irão nascer e quais as que desapa- mineração espacial, misturador de DNA, rebo-
recerão até 2050. Eis a sua versão para o “Tú- cador espacial, residências que se limpam por
nel do Tempo”. Divirta-se a imaginar! si, roupa de controlo de stress, sistema glo-
bal de imposto único, spray de invisibilidade,
INOVAÇÕES substituto para o sono, transplante de cére-
com um amigo ou que produto viu publicitado 2008-1010 - Computadores ‘vestíveis’, cosmé- bro, trocas de bebés, cidades silenciosas
no aeroporto. Tudo isso será possível porque ticos inteligentes
os detalhes da vida do dia-a-dia serão grava- EXTINÇÕES
dos, guardados, analisados e disponibilizados 2011-2020 - Cirurgia robótica, computador 2001-2010 - Brinquedos de madeira, cartões
por aplicações inteligentes portáteis e estáti- DNA, espelhos digitais, internet sensorial, jor- perfurados, clima normal, máquinas fotográ-
cas, no momento e lugar apropriados. nais em e-paper, máquinas de sonho, olhos ficas polaroid, soberania nacional
artificiais, ossos de plástico, pen-drive de 150
IN & OUT GB, sensores de verdade, sistema de reserva 2011-2020 - Agências de correio, reforma,
Em 2050 seremos nove biliões de seres hu- para auto-estradas, telefones descartáveis, atendimento ao cliente, bibliotecas, Blackber-
manos no planeta. Mas, quando chegarmos à via lunar ry, pesquisa baseada em texto, catálogos de
metade do século XXI, que incríveis inventos lista telefónica, cinzeiros, DVD, email, inter-
terão surgido e farão parte do nosso dia-a- 2021-2030 - Bactérias sintéticas, carros au- net com teclado, linhas de telefone fixo con-
dia? Quais as coisas a que já estamos habitu- to-dirigidos, escadaria espacial, escolarização vencional, lojas de aluguer de vídeo e DVD,
ados e que terão deixado de existir? O escritor acelerada, estações de abastecimento de hi- marketing directo, perder-se, publicidade em
Richard Watson, autor do livro “Future Files: drogénio, férias virtuais, nanobebidas, nano- outdoors estática, recepcionistas, televisores
A History of the Next 50 Years”, tem alguns pílulas, portas com reconhecimento facial, de tubo de raios catódicos
previsões. Prevê, por exemplo, que a próxima prisões offshore, reforço de memória para hu-
década será agitada. Morrem as bibliotecas, o manos, robô-babysitter, tubo gravitacional 2021-2030 - Artesãos, computadores desktop,
email, o DVD... Por outro lado, começaremos a Copyright, auto-estradas gratuitas, rugas,
conviver com cirurgias robóticas, olhos artifi- 2031-2040 - Créditos individuais de poluição, sindicatos
ciais e ossos de plástico... Apresentamos, por desintegrador, dietas à base de genes, drogas
isso, algumas das suas sugestões. Ele próprio intensificadoras de realidade virtual, fábricas 2031-2040 - Chaves, classe-média, moedas,
pede para que não se leve tudo tão a sério - espaciais, fax 3D, impressoras tridimensionais, parto natural, petróleo, veículos movidos a
até porque, como se sabe, o futuro é incerto. moeda única global, países-prisões, papel de petróleo
Watson estuda o impacto das tendências tec- parede em vídeo, pastas de dentes nanobóti-
nológicas na elaboração de estratégias a longo cas, vias de circulação auto-reparadoras 2041-2050 - Cegueira, emissões de carbono,
prazo. A sua publicação mais recente intitula- espaços públicos gratuitos, moedas nacionais,
se “2008+ Ten Trends: Predictions & Provoca- 2041-2050 - Cartão de identificação global, papel-moeda, surdez, tarefas domésticas
tions”, com dez tendências emergentes que cérebro artificial, comércio de reputações, do-
terão impacto nas nossas vidas num tempo wnload de memória humana, eleições globais, 2051-2060 - Cirurgia plástica cosmética, dor
próximo. As visões futuristas sobre o que irá homem em Marte, identificação biométrica física, estados nacionais, morte

70 | ANGOLA’IN · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO


século xxi: um mundo desconhecido
Que futuro nos reserva este século? Quais as descobertas científicas que vão proporcionar
desenvolvimento em matéria de saúde, transportes, tecnologia ou comunicação?
A resposta a estas e outras perguntas surge no livro de Eric de Riedmatten, que
desvenda algumas das mais fabulosas invenções que deverão despontar até 2100.
2015: o primeiro carro que obedece à voz humana é lançado no mercado.
2031: é encontrada a solução para vencer a doença de Alzheimer.
2045: um túnel liga finalmente a Europa à África.
2054: a fusão nuclear é controlada.
2070: o cidadão comum poderá escolher o clima que deseja.
2088: o cérebro artificial pensa e raciocina como os seres humanos...

utopia ou realidade?
Eric de Riedmatten é o autor de um exercício arriscado: a previsão científica. Poderia
muito bem ter escrito um romance de ficção científica, inventar ideias esquisitas ou até
mesmo imaginar um mundo virtual. Mas não: estas invenções têm forte probabilidade de
se concretizarem um dia, num futuro mais ou menos distante. Soube, por isso, cercar-se
de cientistas eminentes, que corroboram a maioria dos seus capítulos, entre eles Etienne-
Emile Baulieu e Axel Kahn na área da saúde e medicina, Hubert Reeves ao nível do espaço…
De qualquer maneira, Eric de Riedmatten sabe do que fala, uma vez que é o actual director
de comunicação da Siemens França, a empresa que apresenta a maioria das patentes por
ano neste país. Razão pela qual, encontramos, naturalmente, no seu livro um bom pacote de
ideais retiradas directamente do departamento de investigação da Siemens. Ao longo do livro
podemos perceber que, obviamente, quanto mais avançamos no tempo mais as invenções
se tornam rebuscadas e complexas. Dessa forma, em 2084, segundo o autor, todos seremos
vegetarianos. As escadas rolantes podem na prática substituir os carros nas cidades. Ao
passo que a partir de 2094, as senhoras poderão apreciar um ramo de rosas vindo directa e
especialmente de uma base em Marte, enquanto o seu marido se fascina com o Campeonato de
Fórmula 1 virtual. De facto, o principal mérito deste livro é apresentar-nos um futuro de forma
positiva, cheio de pequenas e grandes descobertas que irão mudar as nossas vidas. Embora,
muitas vezes, a tendência seja para falar de futuras catástrofes globais (aquecimento climático,
guerras nucleares, doenças emergentes), neste caso o objectivo é mesmo aumentar-nos a moral.

NANOTECNOLOGIA: SABE O QUE É?


As principais empresas e investigadores de so modo, um mesmo número de empresas ferro e o ferro superior ao bronze. Materiais
todo o mundo participam com sucesso de dos EUA e da Europa se ocupa com estudos nanoestruturados prometem ser mais fortes
todas as indústrias-chave, facto que não os nesta área. Também no sector diversificado e mais leves que os materiais convencionais.
permite ficar indiferentes à nanotecnologia, da biotecnologia já actuam mais de 600 em- O que trará inumeráveis impactos benéficos,
considerada a verdadeira tecnologia do futu- presas. Trata-se do desenvolvimento de no- de carros e aviões mais seguros e mais efi-
ro, pois possibilita armazenar, cada vez mais, vos métodos e processos na biotecnologia e cientes no uso do combustível, a malas que
informações em discos rígidos, cada vez me- na biomédica, na pesquisa de biomateriais, suportem a manipulação das bagagens nos
nores, que são aplicados, por exemplo, em ja- na indústria alimentar, no combate às pragas aeroportos! Mas a resistência é apenas uma
nelas fotovoltaicas, em materiais utilizados ou de pesquisas inovadoras nas indústrias propriedade entre outras. Desenhar materiais
pela indústria automóvel na fabricação de farmacêutica e química. A nanotecnologia com precisão atómica permitirá um controlo
motores e carrocerias ultraleves ou em articu- permite-nos caracterizar e estruturar novos nunca antes obtido sobre as suas proprieda-
lações artificiais, com um tratamento especial materiais com uma precisão de nível atómico, des eletrónicas, magnéticas, ópticas e térmi-
da superfície que as tornam menos agressi- levando a materiais tão superiores aos exis- cas - de facto, quaisquer propriedades que
vas ao corpo humano. Estima-se que, gros- tentes no passado, como o aço foi superior ao desejemos intensificar. Esteja atento!

INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · ANGOLA’IN | 71


INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO PUBLIREPORTAGEM

fabrico do primeiro computador a ser produzi-


SISTEC do a nível interno. A actividade foi evoluindo e a
empresa responsabilizou-se pela manutenção

SOLUÇÕES PARA dos equipamentos e especializou-se nas áreas


da informática e dos equipamentos de escritó-
rios. O sucesso alcançado contribuiu para a sua
rápida expansão, ramificando-se na área das

TODOS telecomunicações e apresentando soluções e


produtos tecnológicos para utilizadores parti-
culares. Pouco depois, lançaram-se numa das
Domina o mercado das tecnologias. Em 2009, a Sistec atingiu a áreas que mais tem evoluído na última década,
maioridade e o balanço não podia ser melhor. Sempre na vanguar- a indústria. A aposta visou a metalo-mecânica,
da, a empresa de distribuição de material informático conta com onde se evidenciaram no fabrico de cofres, mo-
um crescimento efectivo, que se tem traduzido no alargamento biliário metálico e carteiras escolares.
das ofertas e no desenvolvimento de novas competências, median-
ADAPTADA À MODERNIDADE
te o estabelecimento de parcerias estratégicas. O entendimento
O mais recente desafio abraçado pela Sistec
das necessidades do mercado tem permitido corresponder às exi- diz respeito ao desenvolvimento de soluções,
gências de cada cliente. baseadas nas comunicações por satélite. Li-
derou o consórcio Nexus e obteve a licença de
A Sistec impera no mercado angolano das tele- NA VANGUARDA Operador Fixo de Telecomunicações, servindo
comunicações, particularmente na implemen- A Sistec pertence actualmente à UNGM (Uni- de exemplo para outros operadores que estu-
tação de soluções por satélite. Especializada ted Nations Global Marketplace). No entanto, davam a entrada no mercado. De acordo com
no desenvolvimento dos conhecidos Sistemas foi necessário um longo percurso até à con- responsáveis da empresa, a vitória de cada eta-
“chave na mão”, a empresa começou a escrever solidação. O organismo nasceu da divisão da pa está directamente relacionada com o profis-
a sua história em Julho de 1991. O rápido e sólido Protécnica, uma empresa de alta tecnologia, sionalismo e competitividade da equipa, com
crescimento tornou-a líder na sua área de actu- fundada no período pós-independência e que o compromisso em prestar um serviço acima
ação, possuindo actualmente mais de dez mil se evidenciou não só pelo facto de ser uma das da média e a com inteligência em estabelecer
clientes e oito filiais distribuídas por todo o país. primeiras entidades privadas, mas especial- uma ponte entre o futuro e as actuais exigên-
Parceira das organizações mais dinamizadoras mente pelo lançamento dos inovadores “main- cias dos clientes. Estes factores têm contribuí-
da economia, assume-se como pioneira ao ní- frame” (sistemas micro-informáticos). Assim, do para a criação de parcerias, que resultam da
vel de concepção de soluções para os diversos a Sistec foi criada com o intuito de rentabilizar longa experiência das áreas de marketing e do
sectores da sociedade, actuando nas seguintes os recursos humanos, aproximando clientes reconhecimento dos analistas internacionais,
áreas: Lar e Escritório, Indústria, Sistemas, Tec- e fornecedores. Herdeira do know-how infor- que têm testado no terreno a evolução e im-
nologia, Telecomunicações, Obras, Administra- mático da empresa-mãe, a líder das teleco- plementação dos produtos. A oferta da Sistec
ção, Filiais, Finanças e Informática. municações destacou-se imediatamente pelo baseia-se em estudos de mercado, cuja procura

72 | ANGOLA’IN · INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO


de infra-estruturas de informação e de novas 12.000 organismos que recorrem à assistência Prova do sucesso é o recente prémio atribuído
tecnologias é crescente. técnica desta empresa. Angola Telecom, Ban- pela direcção da conceituada marca de com-
co Africano de Investimentos, Banco Nacional putadores IBM (International Business Ma-
VALORES DO SUCESSO de Angola, Angop, Banco BAI, Chevron, Coca- chines). A empresa americana elegeu a Sistec
Estima-se que cerca de 25 por cento do mer- Cola, Inatel, TPA, Sonangol e Soares da Cos- como o melhor parceiro de negócios a nível da
cado informático nacional é comandado pela ta são exemplos do vasto leque de clientes. região da África Austral (SADC).
Sistec. Os 650 trabalhadores são responsáveis
pelo sucesso da empresa, que tem sede em
Luanda e cerca de centena e meia de funcio- “O rápido e sólido crescimento tornou-a
nários que asseguram a actividade das filiais líder na sua área de actuação, possuindo
em Cabinda, Sumbe, Gabela, Lobito, Benguela, actualmente mais de dez mil clientes e
Huambo, Lubango e Namibe. Aliás, um dos se- oito filiais distribuídas por todo o país”
gredos do êxito está na valorização das capa-
cidades dos angolanos. A aposta em quadros
nacionais tem contribuído para o progresso do
país, ao escoar a mão-de-obra interna. De fac-
to, o número de estrangeiros a laborar na em-
presa não alcança a dezena. Uma equipa jovem
e dinâmica é outra das características. A maio-
ria dos trabalhadores tem menos de 30 anos
(49 por cento) e cerca de 28 por cento tem me-
nos de 40 anos. Os profissionais são maiorita- serviços
riamente homens (76 por cento), detentores
concepção de hardware
de formação média (58 por cento) ou superior
- Desenho e implementação de redes Vsat
(9 por cento). A empresa partilha valores sóli- - Instalação de terminais remotos Vsat de diferentes tecnologias
dos que, segundo os responsáveis, são a base - Concepção e instalação de redes de rádio
de todos os projectos. O empenho de técnicos - Instalação de Redes estruturadas na categoria 5 e em fibra óptica
qualificados e experientes tem sido decisivo na - Instalação de Redes seguras para Internet com encriptação e VPN
prestação de serviços, que garantem a qualida- - Instalação de equipamento activo tipo Hub e Switch
de e a satisfação do cliente. Por outro lado, a - Instalação e configuração de Servidores IBM MidRange
integridade, o respeito pela ética e o profissio- - Assistência técnica e pós-venda por contrato ou ad-hoc
nalismo contribuem para uma boa resposta fa- - Venda directa de fitas, tinteiros, papel e acessórios
ce às necessidades. A motivação das equipas é - Instalação de periféricos (impressoras, scanners, etc)
- Retoma de equipamentos usados e troca por novos
uma mais-valia para o espírito de grupo e para
o fomento da competitividade dos quadros. criação de software
- Preparação de Servidores com Windows NT/ 2000/ 2003, Novell Netware, Linux, AIX e As400
CLIENTES SATISFEITOS - Configuração Router, Proxy, Firewall, Mail Server e QL Server
- Configuração de Protocolos de rede TCP/IP, IPX/SPX e NetBUI
A diversificada gama de produtos tem con-
- Gestão de recursos IBM Tivoli
quistado clientes nas mais variadas áreas. O
- Fornecimento de Estações de Trabalho e desenho por computador
seu público-alvo são todos aqueles que pro- - Desenho de aplicações Clientee-Servidor para SQL Windows 32 bits
curam constantemente soluções inovadoras - Sistemas para Internet/ Intranet
para os seus negócios ou simplesmente para - Software house de aplicações de gestão (contabilidade, facturação, etc)
o uso doméstico. Recorrendo a tecnologias de - Desenho de aplicações através de software IBM WebSphere
ponta, os profissionais têm desenvolvido, des- - Sistema de gestão de ISP’s e IPOPISP
de a fundação da Sistec, projectos especializa- - Formação ao nível do utilizador e on-job
dos para os segmentos dos mais importantes - Assistência técnica
sectores da sociedade (área administrativa, consultoria e serviços em sistemas de informação e telecomunicações
comercial, industrial, planeamento e financei- - Levantamento das necessidades
ro). O resultado são os ganhos reais na produ- - Desenho de redes de telecomunicações adequadas às necessidades dos clientes
tividade e a fidelização dos clientes. O lema da - Planeamento e análise de Sistemas de Informação
empresa consiste na conjugação entre a expe- - Auditoria informática
riência e o conhecimento, aliando teoria e prá- - Gestão de Projectos
- Outsourcing
tica. A Sistec possui cerca de 10.000 clientes,
- Leasing
entre individuais e empresários. Contudo, a fi-
losofia mantém-se: cada cliente é único! Ape- crescimento consolidado
nas nos sistemas de informação para a área 1992 2000 2009
do retalho, a Sistec possui 30.000 clientes. Há 32 trabalhadores 348 funcionários 637 trabalhadores
que acrescentar as 1500 entidades corpora- 400 equipamentos 4.568 equipamentos 48.442 equipamentos
tivas que dependem destas tecnologias e os 24 m2 357 m2 5.324 m2

INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO · ANGOLA’IN | 73


DESPORTO | patrícia alves tavares

Velocidade
em alta
O desporto motorizado esteve adormecido por muito cimento tardio do desporto e terminou com
tempo. Porém, nos últimos anos, com a implementação o último GPA, em 1965. Após esse período,
surgiu a emancipação das cidades provinciais,
da paz, as diversas modalidades têm conquistado
que organizavam circuitos e lançaram os pri-
múltiplos adeptos, assistindo-se ao aparecimento meiros pilotos. Posteriormente a 1969, apare-
de uma geração de jovens talentos que, apesar das ceram a BMW e a Alfa Romeo, cujos atletas
dificuldades, começam a destacar-se nas competições António Peixinho e Nicha Cabral se torna-
internacionais. O automobilismo e motociclismo são as ram nas grandes figuras, contribuindo para
áreas que atraem pequenos e graúdos, cujo interesse a afirmação das seis horas Internacionais de
Huambo. A quarta etapa ficou marcada pela
desperta a cada triunfo europeu.
criação dos dois autódromos e pela afirmação
As motas, uma das paixões dos angolanos, tica desportiva, organizando várias provas em de uma nova geração de pilotos. A última fa-
têm vindo a conquistar terreno para os des- Benguela, Huambo, Namibe e Cunene, com o se, que dura até hoje, assume-se como a da
portos tradicionais. No país, existe um grupo intuito de promover a massificação do des- resistência da modalidade, graças ao esforço
composto por cerca de 30 atletas, sendo que porto nas províncias, como é o caso do Gran- de alguns atletas que vão lutando para que
alguns têm vindo a assumir-se como adver-
de Prémio em Karting. O automobilismo é o o automobilismo não caia no esquecimento,
sários temíveis nos principais circuitos eu-
símbolo do desporto motorizado. A Fórmu- tentando recuperar as tradições. Nomes co-
ropeus. Recorde-se que o motociclismo de
la 1 tem contribuído em larga medida para a mo José Carlos Madaleno, Luís Sá Silva e Ri-
competição nasceu em Inglaterra, numa pro-
va intitulada ‘Motorcycle Scrambles’, em 1987. divulgação desta área, que se subdivide nu- cardo Teixeira são casos de sucesso, que têm
A vertente que reúne maior número de afi- ma série de modalidades menos conhecidas, conduzido a bandeira de Angola às principais
cionados é sem dúvida o motocross, desporto como o GP2, o Nascar e as provas de Dakar. pistas internacionais. Todos concordam que a
que recorre a máquinas com geometria e sus- Os pilotos são em número reduzido mas, de- modalidade está a evoluir, que o número de
pensões especiais para resistir às imperfei- vido a uma série de iniciativas que serão im- adeptos e atletas tem tendência para crescer
ções do terreno. As provas de Enduro são as plementadas no terreno, espera-se que haja e que é urgente reabilitar as infra-estruturas.
mais procuradas. O Karting é outra categoria, uma proliferação de provas e de equipas. José Madaleno, em declarações à Angola’in,
que se apresenta como rampa de lançamento
acredita que o sector “está em total desenvol-
para muitos pilotos profissionais. A base do
AUTOMOBILISMO RENASCE vimento, quer em termos de máquinas, quer
automobilismo ganha destaque por atrair os
Quando se fala da modalidade em Angola, em termos de modalidades”. “O desporto au-
amantes da modalidade, contando com cerca
de vinte praticantes, oriundos das províncias
todos são unânimes: esta necessita ainda de tomóvel está ainda muito embrionário, como
de Luanda, Benguela, Namibe, Huambo e Hu- percorrer um longo caminho. O automobilismo estava em Inglaterra há 30 anos”, corrobora
íla. A Associação dos Desportos Motorizados nacional divide-se em cinco fases. A primeira, Ricardo Teixeira. O jovem promissor, que cons-
(ADM) tem sido a impulsionadora desta prá- a dos Grandes Prémios, é marcada pelo nas- ta entre os 300 melhores da FIA (Federação

74 | ANGOLA’IN · DESPORTO
dicionário
o:
automobilism ais popular
a 1 é a modalidade m
A Fórmul nda segmento
s
a, que inclui ai
desta categori car.
Rallys e o Nas
como o GP2, os
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o:
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Conjunt curso a motos
.
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moto gp: Motociclismo.


pr ov a do G ra nde Prémio de
Principal

resistência: da
equipa, pois ca
nha a melhor
Nesta prova ga lotos em al te rn ado.
ida por três pi
moto é conduz

motocross:
categorias de
Divide-se nas
Internacional de Automobilismo), conseguiu ial e Enduro.
Arenacross, Tr
elevar o nome de Angola para a 40ª posição
ro:
no ranking de países. Em entrevista exclusiva provas de endu valorizada
à Angola’in, refere que há uma “vontade mui- a m ai s co nh ecida, onde é
Pr ov piloto.
habilidade do
to grande” de evoluir, pois “todos gostam do a velocidade e
desporto automóvel”. “Há corridas de 15 em
15 dias, apesar de ainda não existirem muitas
condições”, lembra. O experiente José Madale-
no acredita que a modalidade está a renascer. ca no plano material. “A criação da Federação FORMAR É ESSENCIAL
Afinal, em 2009 foi possível ter “nos Turismos é muito importante pois, apesar do desporto HRicardo Teixeira defende que o próximo pas-
grelhas de partida de 22 carros”. “Para quem motorizado ser muito acarinhado pelo público, so que se impõe é a aposta na formação, já
em 2005 chegou a correr com cinco carros em não o é pelas empresas e a falta de patrocínios que “eles estão interessados”. “Só precisam
pista, a diferença é enorme”, reitera. Questio- é crucial. Mais apoio por parte Estatal não fa- de uma ajudinha, por isso a ideia da Williams
nado pela Angola’in, admite que há melhorias, zia mal a ninguém. É preciso olhar para os car- é a criação de uma entidade que desenvol-
mas ainda “muito longe de estarmos bem”. ros e para as motas, como se olha para uma va uma federação, que aposte na segurança,
Como exemplo aponta o autódromo de Luan- bola de futebol”, prossegue, evocando que é porque a vontade das pessoas está lá”, reite-
da, que “está uma miséria e que é o único ain- urgente relembrar o passado, pois “quem vi- ra. José Carlos Madaleno partilha a opinião. A
da a funcionar”. veu esses anos, sabe que Angola era a melhor formação nas diversas áreas é o segredo para
escola de pilotos”. Ricardo Teixeira argumenta o sucesso das equipas, em que a performance
FEDERAÇÃO É URGENTE que “vontade está lá”, mas é “preciso uma fe- do atleta é apenas uma parte em todo o pro-
A luta pela criação de uma federação, que de- deração internacional, que esteja na FIA”. cesso de desenvolvimento de um grupo cam-
senvolva e represente a modalidade, é antiga peão. Porém, o piloto está seguro de “que a
e tem vindo a ganhar terreno à medida que formação também já começou”, pois existe
o desporto renasce e surgem atletas que re- “Sempre que “uma escola de Karting em Luanda”, algo que
presentam as cores angolanas nas pistas in- representamos o nosso permanecia apenas na Huíla. O automobilista
ternacionais. “A grande falha é a ausência da país, estamos a fazê-lo com conta a sua experiência, relatando que criou
Federação, pois não existindo uma entidade Licenças Desportivas de “uma estrutura de equipa, composta por três
reguladora, tudo se torna mais difícil. Sempre carros e duas motas, onde estavam envolvi-
que representamos o nosso país, estamos a
Portugal, França, Macau, das cerca de 20 pessoas extra pilotos, com um
fazê-lo com Licenças Desportivas de Portugal, nunca com a de Angola e camião de assistência e material, como nunca
França, Macau, nunca com a de Angola e isso isso entristece-me muito”, tinha existido em Angola, pelo menos após a
entristece-me muito”, atira. O mesmo se apli- José Carlos Madaleno independência”.

DESPORTO · ANGOLA’IN | 75
DESPORTO | patrícia alves tavares

“Saí sempre vitorioso”


José Carlos Madaleno, em entrevista à Angola’in
Como ingressou no desporto automóvel?
Comecei em 1993, a convite de um amigo. Fui o seu Co-Piloto no Campeonato de TT em Portu-
gal, com um UMM. Depois de 1995, como as questões financeiras começaram a ser complicadas,
passei para o Karting, onde fiz o Troféu de Baltar 100cc Livres. Em 1998 e 1999, voltei para o TT,
mas desta vez para as Moto 4, onde disputei o Campeonato Nacional em Portugal. Em 2000, re-
gressei a Angola e estive parado durante cerca de cinco anos, mas o “bichinho” não me largava e
como a única competição que havia cá era a Velocidade, tive de optar por ela. Desde 2005, tenho
feito o Troféu Nacional de Velocidade em Angola, na Categoria de Turismos, tendo-o vencido nos
últimos quatro anos. Em 2006, fiz o Lisboa-Dakar, como Co-Piloto, sendo até hoje o único an-
golano a tê-lo feito e terminado (57º lugar da geral e 10º lugar dos estreantes). 2008 foi um ano
ingrato e ao mesmo tempo fenomenal, pois começou com o cancelamento do Lisboa-Dakar, mas
depois fiz o Rally Transorientale, considerado o Rally Raid mais longo do mundo. Fiquei em 13º
lugar da geral e participei nas 24 horas de Fronteira, onde tive o prazer de ter levado outro colega
angolano, o Reis Cunha e termos estado integrados numa equipa Luso-Angolana. Em 2009, de- INICIATIVAS DE FUTURO
cidi participar no Circuito da Boavista, com dois carros angolanos e convidei o João Carvalho para O projecto da Fundação da reputada marca
participarmos no PTCC. O percurso não tem sido fácil, mas muito fértil, além de ter conseguido desportiva Williams é um dos mais promisso-
levar a bandeira angolana a várias provas Internacionais, com muito sentido de responsabilidade res, no que toca ao fomento da modalidade. A
e sempre ter saído vitorioso. Nem sempre ficar em primeiro lugar significa vencer. poucas horas de embarcar para Luanda para,
ao lado de Gordon Day, um dos representan-
Quais são as suas expectativas para 2010?
tes da escudeira americana, lançar a Fundação
Estes anos maravilhosos de variadas competições também provocam coisas negativas e eu levei
Williams em Angola, o padrinho deste orga-
um cartão amarelo do médico (risos), pois estou com uma lesão na C4 e vai-me obrigar a parar
nismo relatou à nossa equipa que a iniciativa
pelo menos seis meses. Não gostaria de terminar a minha carreira desportiva sem participar nas
conta com a parceria do Fundo de Solidarieda-
24 Horas de Le Mans. Seria acabar com chave de ouro, pois acima disso só a Formula 1 e para isso
de Lwini. A principal finalidade é a promoção
temos dois jovens melhores do que eu: o Luís e o Ricardo.
de múltiplos projectos sociais. “Vamos tentar
auxiliar nas infra-estruturas, trabalhar com a
polícia para ajudar na segurança rodoviária,
PATROCÍNIO É ‘LOTARIA’ bolso para poder desenvolver as suas capaci- melhorar o ensino, ajudar os jovens a terem
Questionado acerca das reais possibilidades dades e participar nas corridas, admite que o outras oportunidades, a motivá-los para outro
que um piloto tem para viver apenas da com- patrocínio lhe abriu muitas portas, permitin- tipo de realidade e tentar desenvolver o des-
petição, José Madaleno é peremptório. “Es- do-lhe alcançar o tão desejado contrato com porto automóvel para que haja mais seguido-
tamos muito longe disso”, argumenta. “Só a Williams. O importante é nunca desistir. “A res e, quem sabe, haver em Angola um grande
para conseguir apoios para corrermos é difícil, maioria das pessoas acha que algumas coisas prémio da Fórmula 1”, relata Ricardo Teixeira,
quanto mais para vivermos dele. Antes pelo são difíceis de conseguir, que a Fórmula 1 é que foi nomeado embaixador da fundação. A
contrário, se não fosse o dinheiro que todos um mundo inacessível, mas nada é impossí- meta consiste em desenvolver o ensino em
nós temos investido, ele já tinha parado”, ex- vel. Há obstáculos muito grandes e barreiras áreas multidisciplinares. “Uma equipa precisa
plica. Ricardo Teixeira também se mostra pre- que têm que ser quebradas. É esse exemplo de 600 pessoas para fazer dois carros por ano”,
ocupado com a situação. Enquanto recorda os que eu espero que esteja a passar para Ango- adverte. A Williams não quer formar apenas
tempos difíceis em que investiu do próprio la”, confidencia. pilotos, pois de “50 só um ou dois vão conse-

76 | ANGOLA’IN · DESPORTO
guir chegar à GP2”. “Queremos mostrar aos jo-
vens que têm outras oportunidades, desde a
engenharia ao marketing, psicologia, nutricio-
nismo…há muitas oportunidades de carreira”.
Este será o primeiro passo para a criação de
uma equipa completa em território nacional.
Em termos internacionais, o representante da
Williams admite que existe apenas um atleta
“que correu na China e vai começar a correr na
Europa, está a dar os primeiros passos e acre-
dito que vai conseguir”. Apesar de lamentar o
facto de existirem poucos pilotos promisso-
res, que se evidenciem nas provas internacio-
nais, José Madaleno adverte que o país está
a partir do “zero”, devido à guerra que asso- Piloto de desenvolvimento da Williams
lou o território, pelo que desafia os mais no- Ricardo Teixeira, em entrevista à Angola’in
vos a lutarem pelos seus sonhos. “Os jovens
que têm aparecido neste mundo têm provado Como descreveria o seu percurso no mundo da alta competição?
que, apesar de não terem escola nem infra- Foi com bastantes obstáculos, pois em termos financeiros nunca tive muito apoio no início. Passei
estruturas, conseguem alcançar resultados por vários campeonatos. Fui bastante novo para Itália para fazer uma corrida de Karts, mas depois
brilhantes”, reconhece. tive de parar. Quando fui viver para Inglaterra, como não tinha dinheiro para correr, fui contactar
várias equipas e houve uma que me deixou ficar. Trabalhava nas oficinas e eles deixavam-me fa-
zer algumas corridas. Tive bons resultados, fiz quatro pódios em seis corridas e foi o que me abriu
‘A Associação Provincial as portas. Depois de um ano sem correr, surgiu a Sonangol e deu-me uma ajuda para continuar.

do Motociclismo Como surgiu a parceria com a Sonangol?


de Luanda é uma das Aparece quando achava que já não ia conseguir continuar. Depois desses resultados, a
Sonangol apareceu porque achou que era bom para promover o país. Na altura, estávamos
mais activas, possuindo
com uma má imagem em Inglaterra, estavam a sair notícias negativas e pensaram que era
uma escola de formação uma boa forma de mostrar o outro lado. Só que eles não podiam dar um patrocínio muito
dos futuros atletas’ forte. Deram uma ajuda e fui fazendo metade do campeonato num ano, metade no outro
e fiz GP2 no ano passado. Entrei no programa deles para bolseiros e depois decidiram dar-
me uma ajuda na parte profissional, pois acreditavam que se chegasse longe como estou a
MOTOCICLISMO ATRAI MULTIDÕES consegui-lo agora fazia boa publicidade ao país.
É a modalidade que agita a vida desportiva das
províncias. Os pilotos colocam em evidência as O último ano foi especial?
suas perícias nos campeonatos provinciais, 2009 foi um ano excelente. Fiz uma época completa, nunca tinha acabado um campeonato
preparados pelas organizações de motocross. inteiro. Isso é óptimo. Depois a GP2 é um patamar abaixo da Fórmula 1, os carros são
A Associação Provincial de Luanda é uma das exactamente iguais. E se consegui conduzir um GP2 senti que já estava apto para guiar na
mais activas, possuindo uma escola de for- Fórmula 1. E foi isso que me permitiu assinar um contrato com a Williams como piloto de
mação dos futuros atletas. Porém, este caso desenvolvimento, o que atraiu mais publicidade, pois o GP2 é transmitido em directo para
é apenas um pequeno passo na massificação todos os países. Consegui divulgar o país, aprendi bastante, explodi em termos de imagem
e especialização deste desporto motorizado. por causa da Williams, o que deu exposição a Angola.
Os períodos de interregno das provas não fa- Projectos para 2010?
vorecem o desempenho dos pilotos, a falta de Tenho sempre de correr dois anos antes de ingressar na Fórmula 1. Quero continuar como piloto
equipamentos é uma realidade e as infra-es- de desenvolvimento da Williams, pois estão a ajudar-me a desenvolver, preparam-me física e
truturas necessitam de obras. Estes são um mentalmente e desejo entrar noutros projectos da marca, ao nível da sua fundação em Inglaterra.
dos principais handicaps da modalidade. “Não
evolui mais por falta pistas e de um autódro-
mo melhor, moderno, com as condições ide- Também nesta vertente a constituição de uma de velocidade, que correm numa única cate-
ais para a prática do motociclismo”, assegura federação é urgente. “Não há o envolvimento goria – a de 600cc. Além de Sandro Carvalho,
Sandro Carvalho, um dos poucos pilotos que das marcas, nem existe uma federação”, afian- destacam-se nomes como Hélder Coelho e Da-
conseguiu construir uma carreira além-fron- ça Sandro Carvalho, que acredita que esta po- vid Rebelo. O primeiro é o mais activo no pla-
teiras. No entanto, o atleta destaca o “interes- deria dar um contributo para a aprendizagem no internacional. O piloto tem vindo a ganhar
se dos praticantes em evoluírem”. A Sonangol dos atletas e para mostrar as potencialidades terreno nas competições portuguesas e as
tem dado algum apoio, assumindo-se como o do motociclismo. Estima-se que cerca de 30 expectativas quanto ao percurso de Sandro
maior impulsionador da modalidade na capital. atletas se dedicam à prática do motociclismo Carvalho são altas.

DESPORTO · ANGOLA’IN | 77
DESPORTO | patrícia alves tavares

Um caminho
de resistência
Aprendizagem, vontade de vencer e evolução constante são os adjectivos que melhor descrevem o percurso profissio-
nal de Sandro Carvalho. O piloto, que sonha subir ao topo da competição internacional, brilha dentro e fora das pistas
nacionais. Após uma temporada exigente, em que alcançou resultados promissores nas provas portuguesas, o mo-
tociclista levantou a ponta do véu dos seus projectos para 2010, em entrevista exclusiva à Angola’in. Em Portugal, ao
lado do companheiro de equipa, o luso Luís Carreira, o atleta nacional elevou o nome de Angola ao conquistar duas
pole position. Apaixonado pelas motos desde tenra idade, Sandro Carvalho promete progredir ainda mais e já sonha
com o Campeonato do Mundo de Resistência.

O PILOTO
Como e quando iniciou a sua paixão pe- potência. A dupla com o Luís Carreira tem uma de 1000cc com 180 cavalos. Além de tu-
las motos? sido gratificante para si? É para continuar? do isto, existem bastantes diferenças.
Tudo começou por influência dos meus pri- Sim. Tem sido bom, pois o Luís é um pilo-
mos. Eles andavam de mota e como era o to muito experiente. Tenho aprendido muito As competições internacionais são mais
mais novo também fiquei fascinado. Aos oi- com ele, que é o actual campeão português de rigorosas? Há uma maior aprendizagem
to anos ensinaram-me a conduzi-la. velocidade e participa nas Stocksport 1000. A em cada etapa?
parceria é para continuar, até porque somos Sim, essas provas são mais exigentes, o que
De que forma surgiu a oportunidade de pilotos da Benimoto Racing. nos obriga a inovar constantemente no as-
ingressar na competição de motos? Tem pecto da condução, da afinação da mota, do
sido um percurso complicado? “A falta de apoios dificulta funcionamento da equipa, entre outros as-
Essa oportunidade surgiu em 2001 com o sem dúvida a evolução pectos. O que nos faz estar a actualizar sem-
troféu ‘Honda cbr600’. Tem sido um percurso pre a nossa abordagem nas provas.
difícil, pois os patrocínios não são fáceis de
tanto da equipa, como do
obter e as empresas em Angola só há pouco piloto” Como é que se prepara para as provas de
tempo começaram a dar importância à publi- Resistência? Tem uma preparação física
cidade. O desporto motorizado tem custos. Co- especial?
mo é que a TeamAngola tem sobrevivido, Sim, faço corrida a pé, bicicleta e natação,
Compete sozinho e em parceria com o conseguindo inclusive entrar nos circui- actividades que complemento com algumas
Luís Carreira. Onde se sente mais à von- tos internacionais? A falta de apoios tem idas ao ginásio. A alimentação também tem
tade? sido um obstáculo à evolução profissio- de ser cuidada.
Quando estou sozinho, porque a afinação da nal dos pilotos?
mota é feita para o meu tipo de condução. Este primeiro ano foi para ganhar experi-
Nas provas de resistência temos a pressão ência. Tivemos poucos patrocínios, por isso “Estamos próximos do
de não falhar, pois podemos comprometer a não fizemos o campeonato todo. A falta de objectivo que é participar
prova para o nosso colega e para a equipa. apoios dificulta sem dúvida a evolução tanto numa prova do Mundial de
da equipa, como do piloto porque se não ti- Resistência”
Tem-se centrado apenas nas provas de vermos ajudas que nos permitam treinar nos
Resistência. Pensa experimentar outras circuitos dificilmente evoluímos. Recentemente referiu que este ano signi-
categorias? fica o arranque de uma nova etapa. O que
Tenho participado em provas de sprint no Participa com frequência nas provas por- significa esse novo ciclo?
‘Troféu Promomoto1000’. Em 2010, quero tuguesas. Há muitas diferenças entre o Representa estar integrado numa equipa que
voltar a participar nessa categoria, gostava campeonato português e o angolano? está a evoluir bastante e que quer vencer. Em
de passar para as Stocksport1000 e de parti- Sem dúvida! Podemos começar pelas pistas, conjunto, ganhámos experiência e estamos
cipar numa prova do Campeonato do Mundo já que em Angola são sobretudo circuitos ci- prontos para os desafios que estão para vir.
de Resistência. tadinos e em Portugal existem dois circuitos
de nível internacional. As motas no campe- Quais são as suas metas para a tempora-
Em Portugal, tem-se evidenciado nas cate- onato angolano são de 600cc com cerca de da de 2010?
gorias de Promo de 1000cc e 180 cavalos de 130 cavalos, enquanto em Portugal corro com Vencer algumas provas no ‘Troféu Promomo-

78 | ANGOLA’IN · DESPORTO
“Ainda não existe formação de pilotos.
Esse é um dos meus objectivos.”

to’ e, se possível, vencer o campeonato e os A modalidade tem tido os apoios necessá- “As actuais infra-
‘500km Vodafone’. rios para crescer? estruturas estão bastante
Não, porque não há o envolvimento das mar-
degradadas, temos dois
Um dos seus sonhos consiste em parti- cas, nem existe ainda uma federação.
autódromos: o de Benguela
cipar em todas as provas do Mundial de
O que pode ser desenvolvido e melhora- está desactivado e o de
Resistência ou de Superbikes. Considera
que ainda tem um longo caminho para do nesse âmbito? Luanda precisa de uma
alcançar esse desejo? A nossa associação provincial pode fazer um intervenção urgente”
Estamos próximos do objectivo que é partici- trabalho no sentido de mostrar que o motoci-
par numa prova do Mundial de Resistência. A clismo é um desporto que atrai as massas. O
equipa tem competência para isso, pois já es- seu público são sobretudo pessoas jovens. O lapela recheada de ‘medalhas’
motociclismo tem tradição no nosso país, ten-
teve presente em algumas competições inter-
do condições para ser um excelente veículo de
2004
nacionais, inclusive numa prova do mundial
comunicação na publicidade. › Após ter vivido alguns anos em
de Superbikes no autódromo de Portimão.
Eu tenho treinado bastante para estar pron- Portugal, Sandro Carvalho instala
to, caso exista um patrocínio que nos ajude a Em termos de formação, as organizações -se definitivamente em Luanda para
atingir esse objectivo. Quanto às Superbikes têm desenvolvido um bom trabalho ao participar no “G.P. da Polícia”
é mais difícil, pois os valores envolvidos são nível da aprendizagem dos atletas que 2006
maiores, mas continuamos a sonhar. estão a iniciar-se na competição? Há téc-
nicos especializados e infra-estruturas › Foi campeão nacional do troféu angolano

MOTOCICLISMO adequadas? 2007


Que análise faz do desporto motorizado Ainda não existe formação de pilotos. Esse é › Sagrou-se vice-campeão do troféu nacional
em Angola? A modalidade tem crescido? um dos meus objectivos. Ao nível da velocida-
› Alcança a quarta posição nos “500km
Sim, principalmente nos dois últimos anos. de, os técnicos que temos no nosso país pre-
Vodafone” com a Yamaha R6 na
Não evolui mais por falta de pistas ou de um cisam de acompanhar o que está a mudar a
nível internacional. As actuais infra-estruturas categoria de 600 c.c. e o segundo lugar
autódromo melhor, moderno, com condições
ideais para a prática do motociclismo. Se as- estão muito degradadas, temos dois autódro- com uma Honda, também de 600 c.c.
sim fosse haveria mais interesse por parte mos: o de Benguela está desactivado e o de 2008
das empresas no apoio ao desporto. Luanda precisa de uma intervenção urgente.
› Foi 12º nos “500 km Vodafone”,
após a queda do seu companheiro
Sente que o desempenho dos pilotos nos O país começa a organizar algumas pro-
vas nesta modalidade. Existem condições de equipa, Tito Domingos
palcos internacionais tem atraído mais
adeptos para esta modalidade? para organizar campeonatos internacio- 2009
Sim, tenho sentido isso, assim como o in- nais em Angola? › Foi segundo classificado no campeonato
teresse dos praticantes em evoluírem a sua Sim, com uma intervenção no autódromo de de Braga e quarto na prova do Estoril
condução. Já ajudei pilotos angolanos a par- Luanda consegue-se obter homologação para
provas internacionais, pois existem condições › Arrecadou ainda um segundo lugar na
ticiparem em provas fora do país, para assim
aperfeiçoarem as suas técnicas. materiais e financeiras para tal. geral dos “500 km Vodafone” no Estoril

DESPORTO · ANGOLA’IN | 79
LUXOS | patrícia alves tavares

É o primeiro Lamborghini Gallard


o a ultrapassar a marca dos 320
(motor V10 com 570 cavalos), km/h. Para além da maior pot
esta versão sobressai pelo me ência
alumínio), pela suspensão dia nor peso (graças à fibra de car
nteira reformulada e pelo sist bonoe
ema de travagem em cerâmica.

80 | ANGOLA’IN
NGOLA’IN · LUXOS
É a versão mais pond
erosa do novo Mustang
novo modelo possui ma . Equipado com um mo
is 40 cavalos que o GT tor V8 de apenas 547
500 anterior. Perfeito cavalos, o
O design com contorn para os am an tes
os mais agressivos e o da velocidade.
serpente na frente do emblema da Shelby Au
carro) são as principais tomobiles (desenho de
novidades da mais rec um
ente novidade da marca
.

LUXOS · ANGOLA’IN | 81
LUXOS | patrícia alves tavares

-
EFFICIENCY e Blue
rio r rem odelado e tecnologias Blue e
inte es, revestido a pele
s na carroçaria, um volante multifunçõ
GL surg e co m novos elemento uipa da s com
O renovado Cl asse rsões sã o eq ado à frente
ciência do s m otores. Todas as ve se nh ada protecção inferior em crom
am a efi de
TEC, que melhorar pára-choques, a re
crash ac tivo NECK PRO. Os novos
ça de
com apoios de cabe s novidades.
s e a traseira em LED são algumas da
e atrá

82 | ANGOLA’IN · LUXOS
Y D AV I D S O N
HARLE S P E CIAL
NIGH T R O A D
desportiva
Faz parte da linha
-se pelo
da marca e destaca
rtes
facto de todas as pa
tarem pinta das de
visíveis es
mpenho
preto. Força e dese
des
são alguns dos gran
deste m od elo, que
atributos
um motor
se apresenta com
.
V2 e 292 kg de peso

IXON
PROGo coRnjuE SS
ga fibras
Este blussã
c m couro flexível,
têxteis co
adaptandn o-se facilmente
entos. É
a todos os movim
irável.
impermeável e resp
o/
Dissponível em pret
pr et o/ ve rm elh o.
branco e

SHARK
RSR2doC ARBOmN undiais.
s grandes pilotos
É o preferido lentes
el, apresenta exce
Único e incomparáv
e segurança.
níveis de conforto
LUXOS | patrícia alves tavares

Apple iPad
Internet, email, fotografias e vídeo. Todas as aplicações
foram criadas especificamente para tirar partido do ecrã
Multi-Touch de grandes dimensões, que funciona em
qualquer orientação.

Mythos XTR-50
Colunas de parede ultra-finas (polegada e meia),
ideais para LCD. Tem altifalantes dinâmicos.

Bla
Blackberry
B
Bold 9700
O ecrã d
de alta resolução com mais
de 665.000 cores potencia uma
experiência única, em que terá
expe
acesso a todas as funcionalidades
de um smartphone.

Philips
living colors
Candeeiro com roda de cor intuitiva e
sensível ao toque na lâmpada, permitindo
criar os ambientes que desejar.

Lacie
Lacie by
by Stark
Stark
A inovadora linha de discos rígidos “Toaster” resulta
da colaboração entre a LaCie e o designer Philippe
Starck. Eficiente, a superfície é sensível ao toque.

84 | ANGOLA’IN · LUXOS
Withings
wifi
Esta balança é uma autêntica
novidade tecnológica. Ela
envia um sinal via Wi-Fi para
a Internet e pode consultar
os resultados através do
computador ou do iPhone.

Edifier
IF500
Design inovador e arrojado, este
dock é o equipamento ideal para
usar com o iPod/ iPhone.

Cristal cable
arabesque
Casio Estas colunas destacam-se pelo seu aspecto, uma vez que
são construídas em vidro e é possível ver o seu interior.
exilim
EX G1
A nova câmara
fotográfica da Casio é
resistente ao choque e
à prova de água. Com
12,1 megapixels é ideal
para os amantes de
desportos radicais.

Ultrasone edition 8
A qualidade do som nestes headphones merece destaque, bem
como o seu design. Os auriculares são banhados em Rutênio e são
revestidos a pele de carneiro etíope.

LUXOS · ANGOLA’IN | 85
LUXOS | patrícia alves tavares

FRANCK
MULLER
Chronograph,
Perpetual
Calendar

Produzido em 1997, este relógio de Franck


Muller é uma peça única e rara, composta
por diamantes no mostrador. Está ao
alcance de poucos compradores. A principal
particularidade está no calendário, que
representa o desejo de disponibilizar a
leitura do tempo com a maior precisão
possível, através de ajustes automáticos.

CHOPARD
MILLE MIGLIA
GT XL
A pulseira de borracha tem o desenho de um pneu
de corrida da Dunlop da década de 60. O relógio é
revestido por um material chamado DLC (Diamond
Like Carbon), que resiste a riscos, choques e outros
danos. Ideal para desportistas.

ROLEX OYSTER URWERK


SPEC
CIAL EDIT
TION 103
A pulseira leopardo e os marcadores de 8 horas em Este modelo é uma autêntica peça de arte. O design
diamante fazem desta peça um artigo especial, cujo da marca é inspirado nas tarântulas, em que o
mostrador é composto por ouro amarelo de 18k e 48 elemento central é uma cruz orbital em titânio. A
diamantes. Óptima escolha para coleccionadores e bracelete é em couro de jacaré preto e esta edição
apreciadores de relógios invulgares. está limitada a apenas 10 peças. Imperdível para
quem procura um relógio diferente.

86 | ANGOLA’IN · LUXOS
ESTILOS | lisete pote · midan campal (fotografia)

JOVENS
CHEIOS DE
ESTILO!
Ginga Neto, de nacionalidade angolana,
é filha de estilista e como já diz o ditado
filha de peixe sabe nadar! Exercendo a
profissão como hooby há sete anos, de-
cidiu criar a sua própria marca e abrir
uma loja na rua Rainha Ginga denomi-
nada “Mahinda – Prestige”.

Tendo já conseguido consagrar a sua


marca na nossa praça, nesta edição su-
giro alguns dos modelos da sua criacao
(e não só), que se encontram à venda
neste espaço.

88 | ANGOLA’IN · ESTILOS
ESTILOS · ANGOLA’IN | 89
ESTILOS

A estilista assina uma linha de jeans


dedicada em exclusivo aos jovens an-
golanos, sendo por isso a ganga o te-
cido mais dominante, uma vez que
segundo a mesma se “adapta à cultu-
ra africana”, sobretudo num período
de “crise financeira” em que as pesso-
as procuram aliar a durabilidade da
roupa a um quadrante mais estético.

Esta criação que agora apresentamos


teve como inspiração os povos da
Lunda, que utilizavam símbolos pa-
ra escrever na areia e através deles
chamar a atenção para vários aspec-
tos concernentes à sociedade em que
se inseriam.

90 | ANGOLA’IN · ESTILOS
A mensagem que Ginga Neto preten-
de transmitir com esta colecção é de
união entre os jovens, alertando para
a importância do fomento da criati-
vidade e da valorização pelas raízes
culturais angolanas.

Razão pela qual, as cores escolhidas


para esta colecção são os vários tons
de azul, o branco e o preto e alguns
tons de vermelho em tecidos de algo-
dão e denim, que apelam o sentimen-
to à terra-mãe.

A sua vasta experiência no mundo da


moda, tornaram evidente a sua cres-
cente notoriedade, sendo hoje uma
presença assídua em diferentes even-
tos tanto a nível nacional, como in-
ternacional. A não perder!

ESTILOS · ANGOLA’IN | 91
ESTILOS | patrícia alves tavares

ferrari hugo boss yves saint laurent


Ferrari Black Platinum La Nuit L’Homme
odor marcante, aromático e forte. este perfume, é o perfume mais cobiçado pelo público o aroma refrescante e misterioso toca
com aromas de citrinos e amadeirados, tem uma masculino. possui notas de maça, baunilha, os sentidos. é a escolha ideal para os
presença forte. é uma óptima escolha para usar canela e cravo-da-índia, essências que criam sedutores, que revelam uma beleza e
durante a noite. uma nova alquimia de sensações, numa charme irresistíveis. as notas a bergamota
edição de coleccionador. e a cardamomo provocam uma explosão de
frescura, combinada com a lavanda e os
aromas orientais.

dolce & gabbana


Light Blue
A pensar nos homens destemidos,
que vivem intensamente o dia-a-dia, a
D&G criou esta fragrância de aromas
modernos, cujas notas oscilam entre
o musgo do carvalho e o incenso.

dior
Eau Sauvage
as suas essências raras
fazem desta fragrância um
produto formidável que
deixa o aroma por onde
passa. com notas de limão,
vetiver, alecrim, âmbar e
almíscar, é o perfume ideal
para homens elegantes, com giorgio Armani
estilo próprio. Acqua di Gio
desenvolvido a pensar no homem livre,
sexy e poderoso, o acqua di gio possui notas
de jasmim, âmbar, sândalo e almíscar. a
inconfundível fragrância atrai elogios de
todas as mulheres.

92 | ANGOLA’IN · ESTILOS
SOLITSE

LUXOS · ANGOLA’IN | 93
LIVING | gracinha viterbo

Conceito Duplex
em Lisboa
Para que uma casa, que tem de ser totalmente renovada, se adapte ao estilo
de vida da família que lá vive, todo o processo de criação tem de ser meticu-
losamente gerido. Desde as horas a que a casa é mais vivida, à rotina diária
aí institucionalizada, tudo faz parte da resposta a que, como profissionais, 1
temos que dar aos clientes junto com a resposta criativa. Aqui, o projecto te-
ve de ser abordado de forma a que a chegada a casa fosse todos os dias uma
experiência diferente. Numa casa vivida sobretudo ao fim do dia e fim-de-
-semana e para uma família cidadã do mundo, houve uma escolha de cor
neutra de base - Taupe - que vai contrastar-se com cores fortes e ser a linha
condutora de todo o projecto. As várias texturas trazem conforto e comple-
tam os espaços. Ao abordar este projecto foi claro desde início que esta casa,
para se moldar ao estilo de vida dos seus novos habitantes, teria de ser to-
talmente repensada. Uma família de profissionais ocupados e exigentes, que
gosta de ter em casa o conforto, a qualidade , e o luxo do detalhe - esta foi a
base para este conceito. Pormenores como peças únicas, revestimentos mu-
rais luxuosos como a chinoiserie em seda pintada na sala de jantar ou uma ou
outra antiguidade, deram ao espaço a singularidade intransmissível da iden-
tidade dos seus habitantes. Com a preocupação de que os espaços se interli-
gassem para que o projecto fosse fluído, organizaram-se as diferentes zonas
de maneira a que mobiliário pudesse variar para não se tornar repetitivo e se
pudessem integrar algumas das peças já existentes, sendo que ao ser recolo-
cadas se valorizassem. Um look clássico/contemporâneo e sobretudo actual.
Onde um projecto de Arquitectura de Interiores e Decoração veio organizar os
espaços de forma a optimizar o estilo de vida dos nossos clientes.

Gracinha Viterbo

94 | ANGOLA’IN · LIVING
1
O vermelhão que no resto da casa se
encontra como apontamentos de cor, no
escritório culmina com toda a sua força.
Secretária e maple art déco encontrados
de propósito para este escritório. Madeira
de pavimento inglês envelhecido.
Escritório lacado com tinta Barbot
assinada Graça Viterbo. Baú asiático com
seda bordada à mão.

2
Quarto da filha monocromático com
apontamentos dourados e verdes.
Candeeiros Fambuena e Axolight.

3
Casa de banho fresca e contemporânea.
Lavatório em resina. Revestimentos
Silestone brancos, mosaico veneziano
trend.
2 3

LIVING · ANGOLA’IN | 95
LIVING

5 6
4
Hall de entrada principal onde o impacto transparece no
jogo entre o branco e o dourado. Reaproveitamento de peças
existentes que foram pintadas a folha de ouro e folha de prata.
Vaso com incrustações de madre pérola. Papel de parede
dourado vinilico com impressões de amendoeiras brancas.

5
Lavabo visitas clássico/ contemporâneo. Pedra beije
serpengrante e painéis de pele bordada Taupe. Espelho com
moldura a folha de ouro, lavatório Reggia e torneira Zuchetti.

6
Nas circulações as texturas dão vida ao Taupe. Painéis
ondulados lacados e nas paredes Stucco italiano, intercalado
com painéis ondulados. Uma zona de estar nas circulações
prolonga a sala de estar. Guarda de escada personalizada com
gradeamento que toma novas proporções noutras zonas da
casa. Candeeiro Verpan e antiguidade francesa do séc. XIX.

7
Na cozinha um recanto para um café. Pavimento mosaico
cerâmico Copper da Revigrés. Cadeiras tipo bérgères
francesas e mesa forrada a pele marroquina.

7 LIVING · ANGOLA’IN | 97
VINHOS & CA. | patrícia alves tavares

TAPADA DE
COELHEIROS
O aroma a frutos vermelhos, pimentão verde,
baunilha e compota conferem a este produto uma
cor rubi intenso. De boa estrutura e equilibrado,
o Tapada de Coelheiros tem um final frutado e
persistente, acompanhando preferencialmente
carnes assadas ou grelhadas e queijos.

Vina
Maipo-Devoción
Fresco e com boa acidez, este
produto de cor vermelha (quase
roxa) possui uma excelente
estrutura. Intenso e brilhante, o
Vina Maipo-Dovoción proporciona
um final longo e agradável.

Quinta
do Vale Meão
Este vinho apresenta-se perfeitamente equilibrado
e afinado. É óptimo para guardar na garrafeira, pois
quanto mais velho, melhor. Rico e complexo, é um
néctar poderoso, mas sem excessos na prova de
boca. A frescura dos seus frutos possui um toque
floral e fumados elegantes.

98 | ANGOLA’IN · VINHOS & CA.


VIP CHAMPIONS
Perfeito para acompanhar pastas e pratos
de carne, este néctar de cor rubi apresenta
uma excelente intensidade gustativa.
Elegante e com uma boa estrutura de
tanino
taninos macia, apresenta-se com um aroma
complex
complexo em frutos vermelhos e especiarias,
com destaque
de para a ameixa e cereja. Serve-
se a uma
um temperatura entre os 16ºC e 18ºC.

Porca de Murça
Por
Este vvinho de cor violeta acompanha
pastas italianas (com molhos de tomate)
carnes brancas. Servido entre os 16ºC
e carn
18ºC, apresenta-se muito macio, com
e 18ºC
aromas de especiarias e frutos maduros.
aroma

Gatão
Fresco e frutado,
F f t d este t vinho verde
límpido é macio e delicado no
sabor. Serve-se entre os 6ºC e
8ºC e é uma boa sugestão para
refeições de peixe ou marisco e
para aperitivos ligeiros.

VINHOS & CA. · ANGOLA’IN | 99


VINHOS & CA.

Culemborg
FASHION
FA
A O intenso aroma de
especiarias e amora
madura faz deste néctar a
Suave,
Suave e fresco e límpido, este
opção ideal para pratos de
espum m
espumante distingue-se dos
carne, massas e queijos.
demai
demais is pelo requinte da sua
Encorpado e envolvente,
doçura
doçura.a. Serve-se gelado (entre
possui um final agradável
os 6ºC e 8ºC) e é uma boa
e atractivo.
sugest
sugestãotã para acompanhar
sobrem m
sobremesas. Pode ser servido
como aperitivo.
a É considerado
pelos especialistas
e como um
Spar rk
Sparkling de eleição para
brin
n
brindar a momentos únicos
e em
m ocasiões muito
espp
especiais.

GATO NEGRO
Ideal para refeições de carne
condimentadas. Servido entre os
15ºC e 17ºC, este vinho intenso de
cor vermelha tem um aroma de
frutos vermelhos maduros, com
notas de violeta, conjugadas com
baunilha, fumado e café.

100 | ANGOLA’IN · VINHOS & CA.


GANCIA
Gancia Asti
Gancia
Vermouth
Sirva bem gelado
e como aperitivo.
Rosso
Se preferir pode
acompanhar este Vermelho ruby, rico e
aroma frutado e floral elegante. Este Gancia é
com uma sobremesa um aperitivo clássico, que
requintada. Possui se destaca pelo aroma
notas de flor de extremamente agradável.
laranjeira e de mel e É perfeito se servir com
uma envolvente doçura. dois cubos de gelo e
uma rodela de laranja,
apresentando-se como
uma bebida excelente
para cocktails. Deve
ser degustado bem
gelado.

PINOT
Di Pinot Rosé
Espumante Rosé com bolha fina, suave e
persistente. Límpido, este produto aromático
com frutas frescas e flores de acácia serve-se
entre os 8ºC e 10ºC. Um aperitivo imperdível
para acompanhar entradas, refeições leves e
iguarias da cozinha mediterrânica.

VINHOS & CA. · ANGOLA’IN | 101


VINHOS & CA. GOURMET | patrícia alves tavares

le quartier français, áfrica do sul


Toque feminino
à mesa africana
informações úteis
Morada: 16 Huguenot
Road, Franschhoek, 7690
Telefone: +021 876 2151
Site: www.lequartier.co.za
Horário: Jantar apenas de
Segunda a Sexta-feira
Reservas: Obrigatório,
através do email
restaurant@lqf.co.za
O luxuoso restaurante do imponente hotel Le levando muitos a apelidá-la de ‘Alex Atala de Outros: Ar condicionado,
Quartier Français, em Franschhoek, tem duas saias da África do Sul’. A estrela deste magní- carta de vinhos, opção de
particularidades que o tornam único e no mais fico espaço degustativo oferece aos visitantes
alimentação vegetariana
procurado por quem visita a região. A primei- experiências de quatro, seis ou oito pratos de
ra deve-se à sua classificação na lista dos 100 um menu que se baseia em ingredientes sa- e estacionamento
melhores restaurantes do mundo, pela revis- zonais frescos. Para uma refeição mais ligeira
ta ‘The San Pellegrino’. O 38º lugar (em 2009) e relaxada ou para um simples café encontra
prémios
confere-lhe a designação de ‘o melhor’ do con- na área ‘Ici’ (‘aqui’ em francês) um local des-
tinente sul-africano. A outra razão chama-se contraído, repleto de cores vivas, conjugadas The World’s Best Restaurants
Margot Janse, a chef que há 12 anos presenteia com o inconfundível toque de classe e requin- 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009,
os seus clientes com especialidades divinais, te francês. pelo ‘Restaurant Magazine UK’

102 | ANGOLA’IN · VINHOS & CA.


mozaic, bali, indonésia

reconhecimento mundial
Les Grandes Tables du Monde 2009
Wine Spectator – Award of Excellence 2009
Miele Guide – Nº 6 Asia’s Finest Restaurants 2009/ 2010
The San Pellegrino World’s 50 Best Restaurants 2009
Hapa nº1 Most Innovative Western Cuisine Restaurant

anote
Morada: Jl. Raya Sanggingan, Ubud,
Gianyar – Bali 80571 – Indonésia
Contacto: +62 361 975768
Site: www.mozaic-bali.com
É o único restaurante no Sudeste Asiático que conseguiu al- Email: info@mozaic-bali.com
cançar a prestigiante lista do ‘Le Grande Tables du Monde’. reservations@mozaic-bali.com
O Mozaic oferece o que a Indonésia tem de melhor. O jardim
catering@mozaic-bali.com
tropical, imagem idílica daquele país, recria um ambiente si-
multaneamente elegante e casual, em que o visitante se dei- workshop@mozaic-bali.com
xa envolver pela harmoniosa paisagem enquanto desfruta de Reservas: Entre as 17.45h e as 21.45h (hora local),
uma refeição de qualidade suprema. O interior divide-se en- via online ou para reservations@mozaic-bali.com
tre a sala de degustação e a sala de refeições, cuja decoração
Horários: Terça-feira a Domingo, a partir das 18h
é inspirada no charme asiático. Os menus são autênticas mis-
turas de sabores oriundos da França, Ásia e da comida asiá-
tica. As criações resultam de várias horas de trabalho de uma menus
equipa de cozinheiros liderada pelo chef Chris Salons. Um O Mozaic Restaurant oferece uma autêntica experiência
jantar no luxuoso Mozaic constitui uma autêntica aventura degustativa, dispondo de seis menus ecléticos: Menu
degustativa e uma experiência única. No Bali, não há rival que
Descoberta, Menu Surpresa, A escolha do Chef,
consiga aproximar-se da sinfonia das refeições, cujo colorido
dos menus se enquadra na perfeição no cenário envolvente. Menu Vegetariano e os famosos Menus de Tapas e
Aqui espere sempre pelo imprevisível! o Lounge Menu, ideal para um final de tarde

VINHOS & CA. · ANGOLA’IN | 103


VINHOS & CA. GOURMET

café del mar, angola

No ano em que comemora dez anos de exis- e assistir ao pôr-do-sol após uma longa jorna-
tência, o Café del Mar prova que é um dos lo- da de trabalho. O serviço personalizado é uma
cais mais apetecíveis para uma refeição leve mais-valia. Contudo, é aos Domingos que o Ca-
ou uma saída à noite. Pertencente ao mes- fé del Mar tem maior afluência. Entre as 10h e
mo proprietário do Coconuts, é o bar indicado as 13h, o serviço de Brunch Buffet atrai muitos
para os apreciadores de sandwiches ligerias e clientes que procuram um relaxante almoço à
pequenos-almoços junto à praia. Este Snack- beira-mar. À Terça-Feira à noite apresenta Ja-
Bar/ Lounge beneficia da magnífica vista pa- zz ao vivo.
ra o mar, convidando o cliente a desfrutar de
um excelente jantar enquanto escuta o bater
das ondas da ilha do Cabo (Luanda). O ambien-
informações úteis
te é jovem e informal, onde a música Chill Out
(sempre num volume aceitável) permite viver Morada: Av. Murtala Mohamed – Ilha do Cabo
momentos descontraídos. O seu público habi- Te
elefone: 912205777
tual, com idades compreendidas entre os 25 Em
mail: coconutsluanda@netcabo.co.ao | coconutsluanda@hotmail.com
e 40 anos, procura as especialidades da casa, Ho
orário: Segunda a Quinta-Feira das 17h às 24h, Sexta-Feira
como as Tapas, os Hamburgers, as Pizzas e as
até às 2h, Sábado das 10h às 2h e Domingo das 10h às 24h
Sandwich. O espaço é marcado pela elegância
da decoração e de quem o visita (clientes de es- Re
eservas: Não é necessário efectuar reserva
trato social elevado), pelo que é muito procu- Mais inform
mações: Possui área reservada para fumadores.
rado ao final do dia para apreciar um cocktail O espaço dispõe de multicaixa e aceita pagamentos com cartão Visa

104 | ANGOLA’IN · VINHOS & CA.


VINHOSLUXOS
& CA. · ANGOLA’IN | 105
VINHOS & CA. BREVES | patrícia alves tavares

Paraíso dos vinhos


do Alentejo
Angola assume-se como o principal mercado
dos vinhos oriundos do Alentejo, Portugal. O
país é o maior importador dos produtos da re-
ferida região, registando-se um aumento de
21,8% comparativamente a 2008. A Comissão Aposta na formação nacional
Vitivinícola da Região do Alentejo (CVRA) reve- A ViniPortugal encontra-se empenhada na formação vínica da população angolana, em particular
la que o volume de importações está avaliado os jornalistas. Após a promoção de um workshop em Portugal, que deu a conhecer a cerca de 10
em 3.482 mil litros de vinho. Assim, de acordo profissionais as principais adegas e produtores lusos, a entidade prepara-se para distribuir duran-
com os dados de 2009, o país surge na lideran- te este ano revistas portuguesas de referência, especializadas em vinho. Cinco redacções rece-
ça das exportações do néctar alentejano, se- berão de forma gratuita a Revista WINE e a Revista de Vinhos. A iniciativa, em parceria com as
guindo-se o Brasil, EUA e Suíça. respectivas publicações, tem como “principal objectivo fazer chegar notícias actuais e especializa-
das sobre os Vinhos de Portugal”, destacou a area manager para Angola, Sónia Fernandes. Para
Julho, está ainda agendada a Prova Anual de Vinhos Portugueses em Angola, que será aberta ao
público em geral. A proliferação de eventos em território angolano está relacionada com o facto
deste se assumir como o principal mercado dos vinhos lusos em termos de valor de vendas. De
acordo com o Instituto da Vinha e do Vinho, em 2009, as exportações para o país africano cresce-
ram 19 por cento face a igual período de 2008.

Tesouro do Vinho
do Porto
A Enoteca Histórica do Instituto dos Vinhos
do Douro e Porto (IVDP), no Peso da Régua,
Portugal, guarda um verdadeiro tesouro, de
valor inestimável. São cerca de 1500 garra-
fas de vinhos do Porto, com várias décadas
Produção interna em 2014
e, na maioria dos casos, exemplares únicos. O centro e sul do país podem dar início à pro- lusos, com vista a analisar o índice de acidez
Estas autênticas ‘jóias’ vínicas podem ser dução de vinhos dentro de quatro anos. A dos solos e a alteração das temperaturas.
apreciadas na Enoteca Histórica, um es- opinião é do enólogo português Mário Lou- Mário Louro destaca as províncias do centro
paço que surgiu há cinco anos e agrega os ro que acredita que estão reunidas todas as e sul, nomeadamente a do Huambo, como as
principais exemplares do ex-líbris da região condições para o cultivo das uvas, uma vez que reúnem melhores condições para cultivo
duriense. Ponto de visita obrigatório pa- que o solo e o clima são propícios. O especia- das vinhas. Sugere igualmente a produção
ra gourmets e apreciadores do néctar do lista defende que a partir de 2014 será possí- de vinhos brancos, visto que se trata de um
Porto, o mostruário apresenta, segundo vel arrancar com o fabrico que se destinará a país quente, existindo uma forte tendência
os gestores do equipamento, “os melhores abastecer o mercado interno com um produto para a criação de produtos tendencialmente
exemplares num espaço nobre que as pes- nacional, gerando novos postos de trabalho frescos. “Os vinhos brancos como os rosés,
soas podem visitar”. Os néctares, alguns e competindo com as marcas internacionais. por serem essencialmente mais suaves, dó-
com mais de 70 anos, podem já não estar O especialista está convicto de que as inicia- ceis e com pouco álcool são adequados para
em condições de serem consumidos. Contu- tivas das empresas público-privadas ao nível iniciantes no consumo de vinho e são mui-
do, esse não é o objectivo. O acervo histórico do desenvolvimento da cadeia do vinho e da to bons para acompanhar comidas africanas,
é riquíssimo, incluindo rótulos que “marca- disponibilidade de Portugal para apoiar os chinesas e italianas”, esclareceu, salientando
ram uma época e já não existem”. investidores poderão culminar na assinatura que a produção pode abrir o mercado a novos
de protocolos entre os agentes nacionais e consumidores.

106 | ANGOLA’IN · VINHOS & CA.


VINHOS & CA. | wilson aguiar

Sabores
da horta
Olá meus amigos!
Para esta edição inspirei-me nos sabores italianos e preparei uma deliciosa receita rica em
baixas calorias. O risoto de salsichas de soja, tortulho e beringela é óptimo para os dias
quentes, assumindo-se como uma boa sugestão para uma refeição leve e rápida. O meu
conselho é para que sirvam este fantástico preparado com salada de rúcula, tomate cher-
ry, cenoura ralada e queijo feta. Dá um toque de requinte e confere ao prato o colori-
do das verduras, essenciais para uma alimentação saudável e equilibrada.
Para os apaixonados dos sabores nacionais, deixo uma dica importante: o
tortulho é idêntico aos cogumelos angolanos. Não se esqueça que para
prepará-los deve ferve-los em água e trocar a água no mínimo três ve-
zes consecutivas. Quando estiverem bem cozidos, pode reservá-los e
utilizá-los na preparação de qualquer refeição. Se preferir, pode tro-
car o tortulho pelos cogumelos e caso não seja apreciador das be-
ringelas pode substitui-las por brócolos. A minha indicação é que
experimentem das duas formas, criando assim duas refeições
semelhantes, mas com sabores distintos.
Contem-me como correu e qual o preparado que preferem.
Bom Apetite!

Wilsron risoto de
Aguia re: salsichas
suge
de soja,
tortulho e
INGREDIENTE
Arroz italiano ar
S
bóreo
beringela
q.b.
Tortulho fresco fu
de salsicha de to
1a embalagem
s picado
1/2 alho francê erir). De seguid
a,
bo la m éd ia picada CONFECÇÃO a va po r (o u em água se pref
1/2 ce r a beringel a
Comece por coze s. Assim que
Molho de soja m a ce bo la e o alho francê
gado co menos
q. b. de ve rá fazer um refo ul ho , o m ol ho de soja (mais ou
Beringela to rt
úcidos, junte o r. Quando estes
e estiverem transl ), ta pe o ta ch o e deixe estufa
Azeit colheres de sopa as
três ou quatro salsichas partid
en ta br an ca m an ho , de ve acrescentar as
Pi m metade do ta r.
reduzirem para dade que deseja
(moída no mom
ento)
ai s m ol ho de soja, na quanti
icionar m
em rodelas e ad e.
menta e reserv
Tempere com pi
e o risoto. Deixe
ou re a ce bo la em azeite e junt
ma panela, al ua aos poucos at
é
Entretanto, nu e vá ac rescentando ág
e dois m in ut os ao
cozinhar durant r cozido, junte
m sa l. Q ua nd o o arroz estive
pere co .
este cozer. Tem tudo muito bem
a be ri ng el a co zida e misture
rior
preparado ante
VINHOS & CA. · ANGOLA’IN | 107
CULTURA & LAZER | patrícia alves tavares

moda
Império dos
Sentidos
A promoção de eventos de moda indica que cresce o número de
interessados em criar uma indústria competitiva. Contudo, nem tudo vai
bem neste universo que desperta para os palcos africanos. Lisete Pote
aponta a ausência de uma indústria têxtil e de um instituto de moda
como as razões da fraca projecção de Angola no panorama internacional

A apresentação das novas tendências de ves-


MUNDO DIFÍCIL
tuário agitou novamente a capital. A Moda
A Angola’in conversou com a prestigiada es-
Luanda, que vai na 13ª edição, contou com a
tilista Lisete Pote, que considera que “a in-
presença dos criadores Tekassala, Ginga Neto,
dústria da moda em Angola tem que evoluir
Lucrécia Moreira e Elisabeth Santos. O even-
bastante”. A análise da especialista não dei-
to movimenta cerca de 30 manequins femi-
xa dúvidas. “Nota-se evolução nos criadores,
ninos e 15 masculinos. Porém, apesar das
pois muitos jovens estão a tentar abraçar esta
iniciativas, o sector está aquém das principais
carreira, mas têm que adquirir o material fo-
capitais da moda, como Paris ou Milão. Num
ra do país”, adverte. A estilista coloca o dedo
momento em que as atenções estão voltadas
na ferida. A ausência de produção interna na
para as colecções da próxima estação, os es-
área dos têxteis é a principal causa do cresci-
tilistas fazem o balanço da actividade. Os de-
mento tímido da área, embora exista vontade
safios são muitos e a implementação de uma
efectiva, algo que se verifica no aumento do
indústria têxtil será decisiva para colocar os
número de jovens interessados em criar rou-
criadores nacionais nas principais passerelles
pas e em desfilar. Apesar de se tratarem de
europeias. Lucrécia Moreira é um desses ca-
áreas distintas, estas complementam-se e
sos de sucesso. A criadora tem brilhado no es-
não vivem isoladamente. O período da guer-
trangeiro, vendo reconhecido o seu trabalho
ra destruiu a maioria das fábricas, pelo que a
que se caracteriza pelas linhas sofisticadas e
recuperação das infra-estruturas é demasia-
pelos tecidos nobres, adaptados às particula-
do recente para que se verifiquem resultados
ridades do continente. Recentemente, esteve
imediatos. Lisete Pote é taxativa, asseguran-
no Rio de Janeiro, no Brasil, para participar no
do que “além da falta de material, o país pre-
Fashion Business, o maior evento de moda e
cisa de apostar mais” nesta vertente. “Existe
acessórios daquele país. A estilista apresen-
boa vontade e força de trabalho, o que nos
tou a sua “Colecção Inverno Plural 2010”, que
falta nesta altura é uma indústria têxtil forte
integrou o projecto “África Universal”.
e capaz de nos fornecer o material suficiente
para mostrarmos ao mun-
do que também sabemos
fazer coisas lindas”, escla-
“Infelizmente, ainda não existe uma
receu, em declarações à
escola de moda em nenhum sector” TPA. A formação é outro
Lisete Pote dos factores apontados
pela criadora, que consi-
dera que ainda não têm
capacidade para exportar,

108 | ANGOLA’IN · CULTURA & LAZER


do país. Quanto a destacar alguém escolheria para que seja possível criar a curto prazo uma
um criativo que “se tem empenhado”, o Me academia de moda. Por seu lado, Lisete Pote
Sente (Avelino do Nascimento). “É um novo destaca Karina Silva e Sharam, como as reve-
talento, uma vez que é muito jovem”, reitera. lações do momento que, segundo a estilista,
Já a estilista Elisabeth Santos é mais optimis- têm possibilidade de crescer no mundo da mo-
ta. Nas últimas declarações à imprensa refe- da nacional e internacional. Aliás, a angolana
riu acreditar que os novos profissionais terão Sharam foi a vencedora da última edição do
mais oportunidades, visto que a tendência é concurso ‘Supermodel of the World Portugal’,
para que o sector cresça, enquanto afirma que ultrapassando as 29 concorrentes. A modelo
recebe no atelier muitos iniciantes que se re- de 18 anos obteve o prémio Manequim Reve-
velam bastante criativos e inovadores. A cria- lação 2008 e o de Melhor Manequim Feminino
dora, que entrou no ramo com apenas 17 anos, 2009. Após várias participações nos principais
é considerada uma das referências nacionais eventos nacionais, a jovem disputou este ano
pelo seu talento para confeccionar trajes afro- a final do ‘Supermodel of the World’. A pen-
ocidentais. As peças resultam de pesquisas sar na diversificação do mercado e na criação
sobre os hábitos e tecidos tradicionais afri- de nichos especializados, a agência Agepango
assistindo-se apenas à comercialização de canos, estando representadas no Museu de Models tem vindo a dedicar-se ao desenvol-
“uma ou outra coisa” para o estrangeiro. Essa Ovar, em Portugal. vimento e internacionalização da moda mas-
será a última etapa de um longo caminho de culina. No último ano, a entidade organizou o
amadurecimento. Aliás, a criação de escolas e ‘A ausência de produção seu quarto casting, que contou com uma forte
de cursos profissionais será uma mais-valia adesão dos candidatos. Esta área tem muitas
para ensinar os futuros criadores, que ainda
interna na área dos têxteis potencialidades, uma vez que está por explo-
não dispõem de “muita formação”. Isso con- é a principal causa do rar e se tem constatado um crescente interes-
duz a que se assista a “choques, pois muitas crescimento tímido da área’ se dos homens pelas tendências da moda.
das vezes ter a percepção das coisas não sig-
nifica ‘saber’”, admite. “Infelizmente, ainda
não existe uma escola de moda em nenhum APELO AO INVESTIMENTO
sector”, confidencia, lembrando que esta acti- A Agepango Models é um
vidade gera lucros, mas não muito altos. “To- dos principais intervenientes
dos os criadores têm pequenos ateliers, pelo no despertar de consciên-
que não existe muita capacidade de confec- cias, defendendo exaustiva-
ção”, contrapõe. mente a necessidade de se
apostar mais neste ramo,
nomeadamente as empre-
“Já existem províncias
sas públicas, que devem ter
que fazem desfiles anuais, uma responsabilidade social
como o Lubango, Cabinda e corporativa. A empresa de
agora o Huambo”, salienta consultoria cultural, moda e
Lisete Pote eventos defende uma maior
interacção e intercâmbio
PRODUÇÃO NACIONAL entre os múltiplos agentes
A falta de matéria-prima é de facto o proble- da moda. “É necessária uma
ma que carece de solução urgente. Além de ca- ‘BOOM’ DOS MANEQUINS política e prática de concorrência leal e profis-
ros, os tecidos têm pouca qualidade, situação A formação de modelos é actualmente uma sional, bem como de promoção de projectos
que ficaria minimizada com a criação de fábri- das áreas que tem sofrido maiores reestrutu- de interesse comum, em prol do desenvolvi-
cas especializadas, algo que permitiria uma rações, verificando-se uma crescente profis- mento, profissionalismo e internacionalização
maior abertura do mercado. É o passo que sionalização da classe. A promotora do curso da moda angolana”, cita um documento di-
falta para que o país dê o salto quantitativo de moda que decorreu nas vésperas do Moda vulgado pelo organismo. Já os estilistas quei-
e qualitativo. Apesar das dificuldades, o sec- Luanda, Cláudia Mittler, mostra-se confian- xam-se do pouco crédito que as agências dão
tor fervilha de eventos. “Já existem províncias te quanto ao envolvimento dos jovens talen- aos criadores. “A moda está a ser dominada
que fazem desfiles anuais, como o Lubango, tos nesta área. “Temos um novo projecto de pelos donos das agências de modelos que ao
Cabinda e agora o Huambo”, revela Lisete Po- educação para modelos e para isso convida- invés de engrandecerem o estilista, promo-
te, em declarações à Angola’in. Mas, tal como mos alguns manequins internacionais para vem eventos para simples promoção das suas
a capital se depara com as dificuldades de in- ministrarem todos os conhecimentos da área agências e dos seus manequins”, citou Lise-
fra-estruturas, o mesmo se passa com as pro- da moda”, anunciou, em entrevista à Angop, te Pote, numa entrevista publicada pelo se-
víncias, que como “são meios mais pequenos, onde salienta que a formação contará com a manário ‘O País’. A ‘senhora’ da moda deixa
sentem mais que em Luanda”. Em relação a colaboração da portuguesa Erika Oliveira e da igualmente o apelo para que haja um maior
jovens criadores com potencialidades, a íco- brasileira Jucicleide Freire. O objectivo deste investimento, quer por parte do sector púbico,
ne da moda admite que existem alguns, mas seminário consiste num intercâmbio de in- quer dos privados, de modo a garantir a afir-
ainda em número reduzido face às dimensões formações com os profissionais estrangeiros, mação da produção nacional.

CULTURA & LAZER · ANGOLA’IN | 109


CULTURA & LAZER | manuela bártolo

“O talento é
estimulado,
não inato”
fotografias de produção massalo araújo

Com apenas 23 anos, Mário Bastos é a jovem promessa


do cinema nacional. Luandense de raça, continua a senda
de retratar a cidade que o viu nascer, depois de já ter
conquistado um dos mais cobiçados prémios de arte do país
– o FicLuanda 2008 (Prémio Cidade de Luanda), com o filme
Kiari. Em entrevista à Angola’in revela os segredos do seu
mais recente projecto – a curta-metragem Alambamento.

PROGRESSO
Que análise faz do cinema angolano? Quais as prioridades e desafios que cinema, para daqui a alguns anos começarmos
O cinema angolano, como a maior parte do ci- a área enfrenta? a recolher os frutos desse investimento. O FIC
nema africano no início, era muito ligado à lu- Acredito que as prioridades devem ser a lei do Luanda de momento só ganha no aspecto de
ta de libertação do seu país. Depois passou por cinema e do mecenato. Se isto for criado po- incentivar as pessoas a irem ao cinema duran-
uma fase onde a guerra civil era uma persona- derá abrir portas e ajudar a colmatar um dos te o período em que decorre o festival e para
gem principal ou secundária como em filmes maiores problemas do cinema em Angola - a isso não há necessidade de haver um festival.
“O Herói” e “Na Cidade Vazia”. Actualmente, falta de investimento. Precisa-se investimento
numa sociedade onde não existe investimen- não só para os filmes, mas principalmente pa- Ao nível dos produtores, realizado-
to na área do cinema e onde os factores so- ra a formação de quadros e meios para realiza- res, actores e argumentistas existem
ciais urbanos começam a ser tema principal, ção de produções. A sociedade precisa perceber talentos e indivíduos com qualidade
vemos jovens a fazerem produções de vídeo que o cinema é uma indústria que pode trazer para dinamizar esta actividade?
amador que, apesar da sua baixa qualidade grandes avanços socioeconómicos. Aproveito, Talentos com qualidade para dinamizar es-
técnica, enchem as poucas salas de cinema por isso, a oportunidade para agradecer o apoio ta actividade existem, mas à maioria faltam
do país. Este crescimento do vídeo amador é do Banco Africano de Investimentos (BAI), pa- noções básicas do sector. Nós temos muitos
muitas vezes comparado com o cinema nige- trocinador oficial do filme. Este banco tem vin- actores de teatro com uma boa formação e
riano, que tem a terceira maior indústria de do a fazer fortes investimentos na cultura do que dariam excelentes actores para o cine-
cinema do mundo - Nollywood. Devemos ter país e abriu as suas portas à sétima arte pe- ma e televisão. Ao nível de produtores, acre-
muito cuidado com este fenómeno porque, la primeira vez, com o nosso filme, Alamba- dito que podemos encontrar mais facilmente
apesar de ser uma indústria grande, o cinema mento. Olhem para o Brasil e a Petrobras. A quadros de outras áreas das artes, que não
nigeriano é essencialmente consumido pela Petrobras apostou fortemente na cultura e no teriam dificuldades em transitar para o ci-
Nigéria, com cerca de 150 milhões de habitan- cinema no Brasil, hoje o cinema brasileiro não nema. A nossa maior carência está ao nível
tes. É um cinema que não tem espaço no cir- só tem forte presença a nível do seu país, como dos realizadores. Para esta posição é preciso
cuito internacional. Como realizador angolano, ajudou a projectar a imagem do mesmo a nível ter conhecimentos de tudo um pouco dentro
quero que os meus filmes e o nosso cinema internacional. das mais diversas áreas do ramo.
cresça não só cá dentro, mas também lá fora.
O FIC Luanda é um bom exemplo do Quanto à formação, existem espaços
caminho a seguir para impulsionar suficientes e com as infra-estrutu-
As prioridades devem
a produção cinematográfica? ras necessárias para a aprendiza-
ser a lei do cinema e do O FIC Luanda é sem dúvida uma boa iniciativa, gem dos jovens?
mecenato, pois é uma contudo acaba por ser meio inconsequente se Espaços existem, agora têm que ser cria-
indústria que pode não estiver alicerçado em outras actividades. É das as infra-estruturas necessárias. Temos
trazer grandes avanços importante que se comece a investir primeiro poucas formações, a maioria em formato de
socioeconómicos na formação dos tantos jovens com vontade e workshops dada principalmente por estran-
talento de se entregarem de corpo e alma ao geiros e de forma pouco sequencial. Esta si-

110 | ANGOLA’IN · CULTURA & LAZER


As adversidades, a rápida mudança e
Acredito que se os nosso filmes forem in-
as múltiplas influências, obrigou-nos a
corporados com os dois melhores veículos
utilizar a criatividade e a flexibilidade de informação do nosso século - a internet
como meio de sobrevivência e a televisão - podemos ter uma ferramenta
muito forte para dar a conhecer ao mundo
as nossas histórias. Infelizmente as histó-
tuação é compreensível numa primeira fase, desdes talentos para que eles tenham as ba- rias que saem deste continente são conta-
mas tendencialmente temos que começar a ses e ferramentas necessárias para melhor das muitas vezes por estrangeiros e apenas
ganhar independência em termos de quadros. desenvolverem as suas áreas de trabalho. retratam cenários de guerra e tragédia. Pre-
De momento, no estrangeiro podemos encon- cisamos também de mostrar ao mundo os
trar melhor formação, mas acredito que aqui O cinema é um espelho da nossos romances, as nossas comédias, os
há muito mais possibilidades e oportunidades nossos mitos e lendas. Precisamos de cine-
de crescer na área, pois tudo ainda está muito
sociedade que inspira a ma africano feito por africanos.
por explorar. Mas somos capazes de criar na- mudança
cionalmente com qualidade, aproveito para
elogiar o trabalho do Horizonte Njinga Mban- O cinema atravessa fronteiras? O REALIZADOR
de que tem sido incansável na promoção do O cinema não só tem essa qualidade trans- Quando descobriu a paixão pelo ci-
teatro e cinema nacional. Quem entrar no ra- versal, como também é intemporal. Um filme nema?
mo agora, vai crescer com ele, pois o cinema como “Tempos Modernos,” de Charles Chaplin Em Angola, cresci com a cultura do vídeo clu-
está a renascer em Angola. teve a capacidade de mostrar ao mundo a si- be e filmes piratas, pois as salas de cinema
tuação do operário na sociedade americana não estavam em funcionamento e quan-
Há muito talento por explorar? industrializada dos anos 30. Este filme visto do estavam era para dar concertos e galas.
Sou daqueles que defende que o talento é agora não só nos mostra um período da histó- Vi clássicos como Indiana Jones e a trilogia
algo estimulado, não inato. O percurso pes- ria, mas também faz com que olhemos para a do Rambo em VHS e no pequeno televisor
soal tem um grande impacto no processo nossa sociedade actual de forma mais crítica, da sala dos meus pais. O cinema foi aquela
criativo. O facto de em Angola termos esta- onde as máquinas ou os computadores assu- “pessoa” que sempre tive do meu lado des-
do recentemente expostos às mais diversas mem um papel principal e onde o homem se de criança, mas que só compreendi quão im-
adversidades, rápida mudança e a múltiplas torna cada vez mais um mero espectador. O portante era para mim quando tinha 16 anos.
influências, obrigou-nos a utilizar a criativi- cinema é um espelho da sociedade que inspira Desde então, tenho como rotina ver pe-
dade e a flexibilidade como meio de sobrevi- a mudança. lo menos um filme por dia. Desde os filmes
vência. Todas estas experiências e emoções mais comerciais aos filmes independentes,
podem oferecer muito ao mundo do cinema. O mundo precisa de conhecer as his- passando até pelos bonecos animados, ve-
Agora é preciso que o Governo e as grandes tórias africanas. O cinema é o veí- jo tudo, porque aprendo, viajo, distrai-me e
instituicões privadas invistam na formação culo ideal? porque é a minha profissão.

CULTURA & LAZER · ANGOLA’IN | 111


CULTURA & LAZER

Luanda é definitivamente a mina de ouro Kiari foi a sua terceira curta-me-


quando se trata de inspiração tragem e a que arrecadou inúmeros
prémios. Que balanço faz desse pro-
jecto? Foi o reconhecer da sua dedi-
Como tem sido o seu percurso pro- angolano. Com ele aprendi que o cinema não cação?
fissional? Foi necessário muito tra- existe sem a fotografia e dificilmente posso Kiari foi a minha primeira produção a sério,
balho e determinação para alcançar existir sem os dois. com uma equipa completa, um plano de pro-
o sucesso ainda tão jovem? dução com todas as fases bem delineadas e
A minha dedicação é inquestionável, contu- Gostaria de conciliar as duas artes? um orçamento sólido. Estas condições permi-
do não sinto que tenha sido um martírio, pois Sente-se mais fotógrafo ou mais ci- tiram que a produção no fim entregasse um
quando me levanto às 3 ou 4 da manhã para ir neasta? trabalho com qualidade técnica e artística pa-
trabalhar durante 16 horas numa produção no Neste momento sou cineasta como profissão ra passar em festivais internacionais. Os pré-
meio do Inverno sinto-me vivo. Sinto que es- e faço fotografia como hobby. Acho que este mios trouxeram sem dúvida muita confiança
tou a fazer aquilo que gosto e não me custa. é o melhor equilíbrio que encontrei. Preciso do para mim e para o resto da equipa. Foi a partir
Tive sim, e isso é imprescindível, um suporte caos do cinema, mas a fotografia é a minha deste filme que comecei a ser visto e tratado
incondicional da minha família e amigos. Acre- maneira de voltar à essência do cinema e bus- como realizador.
dito que até agora tenho tido um percurso pro- car uma paz de espírito que às vezes fica difícil
fissional muito bom e com muita sorte. Um na confusão de uma produção. Na fotografia Já participou em diversos festivais,
realizador de cinema começa a ser reconheci- sou eu sem stress e sem dependências a con- mas sente sempre necessidade de
do como tal e a estabelecer-se normalmente a tar uma história num só clique, enquanto no mostrar as suas produções na sua
partir dos 30 anos, eu só tenho 23. No entanto, cinema existe um grupo de pessoas que de- terra natal. É importante para si
acho um pouco prematuro assumir que alcan- pendem umas das outras e onde uma história mostrar o seu trabalho ao país?
cei o sucesso. É um facto que já tenho traba- é contada em vários cliques. É extremamente importante passar os meus
lhos reconhecidos, mas o caminho ainda é filmes em Angola. Sou um realizador angola-
longo até os meus filmes chegarem a qualquer O que é que o influencia nas suas no. É uma questão de respeito pelos actores,
sala de cinema no mundo, vídeo clubes ou até produções? colaboradores e público que acredita no meu
mesmo no mercado pirata, do qual já fui um Tudo. Sou influenciado por tudo o que vivo, trabalho. Infelizmente, muitas vezes temos
grande consumidor. pelos sítios onde passo, pelas pessoas com de ser reconhecidos lá fora primeiro, antes de
quem me cruzo, livros que leio, música, co- sermos respeitados aqui dentro. Aconteceu
A paixão pela fotografia é outra das mida, filmes que vi e até sonhos que já tive. assim com outros cineastas angolanos e res-
suas facetas. São áreas que se in- Todas as minhas personagens para além de pectivos projectos, também não foi diferente
terligam? terem um pouco de mim têm um pouco das comigo e a curta Kiari. Espero que no futuro
Costumo dizer que a minha paixão é a foto- pessoas que me rodeiam. Levo sempre comi- esta situação mude. E para além de passar-
grafia e o meu amor o cinema. São definiti- go pequenos blocos de notas onde aponto e mos os filmes aqui, vamos produzir os filmes
vamente áreas que se interligam. Comecei na colo tudo o que me desperta atenção, já pas- e com o maior número de angolanos possível.
fotografia, tal como no cinema de forma es- sei por muitas cidades com eles, mas Luanda Só a produzir cinema nacional e a passá-lo em
pontânea. O meu professor e mentor foi Vi- é definitivamente a mina de ouro quando se Angola é que a nossa indústria de cinema po-
torio Henriques, um dos pioneiros do cinema trata de inspiração. derá aparecer.

112 | ANGOLA’IN · CULTURA & LAZER


Considera-se um pioneiro do cinema rer fazer uma produção de ficção em Luanda
independente de Angola? antes de me mudar para cá de vez. Queria ter
Primeiro, acredito que em Angola só há ci- uma noção do que é realmente fazer um filme
nema independente. Ainda não temos uma em Luanda. Foi em pesquisas nos rabiscos dos
indústria ou nada que se assemelhe para con- meus blocos de notas que encontrei um apon-
siderar as famosas guerras entre cinema co- tamento antigo que retratava o pânico de um
mercial e independente. Não me considero conhecido desesperado ao saber que tinha na
um pioneiro, pois os pioneiros do nosso cine- sua longa lista de Alambamento um gerador.
ma apareceram na década de 70. Considero- Confesso que ao relembrar a cólera e indigna- O processo de criação é diferente da
me parte de uma nova geração com vontade e ção do rapaz sorri e apercebi-me que estava abordagem que se tem quando se
capacidade de trazer a cultura do cinema na- perante uma situação digna de um filme. A is- produz uma curta-metragem fora de
cional para as nossas salas de cinema. to juntei outras experiências por mim vividas e Angola? É mais complexo?
assim nasceu a ideia do “Alambamento”. É na parte técnica e de pré-produção que acre-
Projectos para o futuro? A sua car- dito que a abordagem muda muito em rela-
reira passa por Angola? Alambamento é um retrato de An- ção a uma produção no exterior. Se é certo que
A minha carreira não só passa por Angola, co- gola? imprevistos sempre acontecem, produzir ci-
mo é aqui que pretendo que se estabeleça. Não acredito que seja um retrato de Angola, nema em Angola exige necessariamente mui-
Fui para fora com o objectivo específico de me mas pode-se considerar um dos muitos retra- to maior jogo de cintura e planos alternativos,
formar e fazer contactos na área, mas estive tos da cidade de Luanda. A cidade é um per- pois existem mais factores que não contro-
sempre muito ligado à terra e com o regres- sonagem de grande importância neste filme. lamos, fora os orçamentos que são franca-
so em mente. É uma honra e inspira-me tra- Nele podemos ver questões do quotidiano que mente mais caros. Mas no fim a força dada
balhar para o desenvolvimento do cinema do se manifestam numa cidade e sociedade que por algumas pessoas e instituições acaba por
meu país. Estou neste momento, a desenvol- cresce ao segundo e de forma desregrada. compensar e equilibrar uma pouco a balança.
ver o guião para a minha primeira longa-me-
tragem que vai ser realizada cá. Quais são as suas expectativas pa- Acredita que a população se encon-
ra este trabalho? tra preparada para apreciar e ade-
ALAMBAMENTO Este filme será como um cartão de visita do rir ao cinema nacional e aos novos
Brevemente estreará o filme Alam- trabalho que posso desenvolver em Angola. formatos que podem surgir?
bamento. Como está a decorrer a Por se tratar de uma curta-metragem terá Apesar da maior parte dos filmes que se con-
produção? como principal público os festivais de cinema somem aqui virem de Hollywood, acredito que
A produção do filme está decorrer de acordo nacionais e internacionais. Eu, tal como o res- sim. Os angolanos estão mais do que prontos
com os prazos estipulados e dentro de duas to da produção, acreditamos desde o princípio para verem e ouvirem histórias com sabor da
semanas vamos entrar em estúdio para mon- na qualidade técnica e potencial do projec- terra. O público tem a necessidade e gosta de
tarmos o som do filme. A pós- produção está to e consideramos que respeita os requisitos ver a sua cidade, o seu bairro, ouvir a sua lín-
a ser feita em San Francico, EUA. de qualidade de um bom filme, contudo é um gua no grande ecrã. Conseguir que a pessoa
pouco premeditado falar em sucesso. Esta- que esteja a ver o filme se relacione ou identi-
Em que se inspirou para este filme? mos expectantes em relação à reacção do pú- fique com a que está ver é fundamental para
Este filme nasceu da necessidade de que- blico, é normal. o sucesso de um filme.

CULTURA & LAZER · ANGOLA’IN | 113


PERSONALIDADES | patrícia alves tavares

antónio ole
Criador de
inspiração
inesgotável
nema na UCLA (Universidade da Califórnia). A
paixão pela aprendizagem é uma constante na
“O meu trabalho (no fundo, eu próprio) resulta do evolução profissional do artista, que conquis-
encontro de duas culturas - a cultura africana e a tou diversas bolsas: em 1983/84 foi bolseiro da
cultura europeia. Isso é uma evidência de que não Gulf Foundation nos EUA, em 1995/96 esteve
posso, de maneira alguma, abstrair-me e que não posso no Centro Nacional de Cultura em Lisboa (Por-
tugal) e frequentou ainda a DAAD (Berlin) e o
negar. Não, eu sou produto desse encontro de culturas”, Prince Claus Fund (The Hague). Aliás, a sua pri-
António Ole meira apresentação internacional aconteceu
em 1984, no Museum of African Art, em Los
Artista plástico, fotógrafo e realizador ango- TALENTO MULTIDISCIPLINAR Angeles. Desde então, Ole nunca mais parou e
lano, António Ole é reconhecido internacio- O percurso de António Ole é marcado, desde o já mostrou o seu trabalho nos espaços de arte
nalmente pela criatividade e versatilidade das início, pela sua apetência para diversas artes. mais importantes do mundo.
suas produções. Descendente de família por- Este ícone nacional possui trabalhos de dese-
tuguesa e angolana, o pintor nasceu em Luan- nho, pintura, escultura, colagem, fotografia, Esteve recentemente em Portugal, onde inau-
da, em 1951. Detentor de uma obra complexa, vídeo e cinema. Por outro lado, o artista des- gurou uma exposição que circulou por vários
em que à panóplia diversificada de meios se taca-se pela abordagem de diferentes con- continentes e cidades e que completa um ciclo
junta o cruzamento de diversas influências, é textos culturais, que vão desde as referências de trabalho iniciado na década de setenta. A
uma das principais figuras da arte contempo- ocidentais à visão da terra natal (Angola con- mostra, intitulada ‘Na pele da Cidade’, e que es-
rânea africana. temporânea e as tradições africanas). A sua teve em exibição até finais de Janeiro, foi visio-
inesgotável inspiração conduziu-o à equipa do nada por mais de dois milhões de visitantes em
É em Luanda, cidade onde vive e trabalha, que “Contrato Popular”, um programa radiofónico todo o mundo. Além das fotografias sobre as
António Ole encontra os estímulos para o seu de 1974, tendo participado na cobertura das ce- construções dos musseques, aquele que é con-
processo criativo, embora a vertente cosmopo- lebrações do 11 de Novembro, em 1975, na Te- siderado o artista plástico da actualidade expôs
lita seja uma constante na sua produção. Sen- levisão Popular de Angola. O criador conduziu uma das obras da série ‘Township Walls’, que foi
do na pintura que o artista mais se evidencia. ainda vários documentários e vídeos, como foi desenvolvida em Dusseldorf (Alemanha), em
Com mais de quatro décadas de carreira, ex- o caso de “Os Ferroviários”, “Aprender”, “Car- Julho de 2004. Durante o certame, Ole apresen-
pôs pela primeira vez em 1967. Possui no seu naval da Vitória” e do filme “Ngola Ritmos”, tou ainda outro projecto multidisciplinar, desig-
espólio inúmeras exposições individuais e tem produzido nos anos 50, mas apenas exibido 11 nado ‘Margem da Zona Limite’, que se baseia
integrado ao longo do seu percurso uma série anos depois. em fotografias das ruínas das zonas marginais
de importantes mostras internacionais, como de Luanda e que estiveram na origem das su-
‘Afrika Remix’, ‘Transferts’, ‘The Short Century’, As influências da sua obra são igualmente as colagens de cascas de paredes, (re)trabalha-
‘Mens Momentanea’, ‘Die Anderen Modernen’, resultado do percurso académico. Diploma- das pelo criativo. Esta exposição representou o
‘Rencontres de la Photographie Africaine de do pelo Center for Advanced Film Studies do fim de um ciclo criativo, pelo que os admirado-
Bamako’, bem como as bienais de Dakar, Joa- American Film Institute (Los Angeles), Antó- res da vasta obra deste angolano multifacetado
nesburgo, Havana e Veneza. nio Ole estudou cultura afro-americana e ci- aguardam mais novidades para este ano.

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ISSN 1647-3574

ano iii · revista nº11 · 2010


700 kwanzas · 7,50 usd · 6 euros
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