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Niterói, 03 de fevereiro de 2009.

1ª Aula.

CONTRATOS EM ESPÉCIE

Bibliografia indicada: Sinopse e Caio Mario, Vol. 1.

A) COMPRA E VENDA

Contrato – É um fato jurídico voluntário. Portanto, os princípios que o regem


relacionam-se com a declaração de vontade. O contrato é um negócio jurídico.
A formação do contrato se dá com as tratativas, onde uma parte analisa com a
outra parte se é conveniente ou não celebrar o contrato. Se for conveniente a uma das
partes, ela fará uma proposta (que tem como natureza jurídica a declaração unilateral de
vontade). A outra parte poderá ou não declarar a sua vontade no sentido de aceitar a
proposta.
Com a aceitação da proposta surge o acordo de vontades, também chamado de
consenso.
Visto isso, nós sabemos que o contrato de compra e venda tem como singular
característica a consensualidade.
É impossível um contrato consigo mesmo, ou seja, não posso comprar nem
vender para mim.

No plano da existência, localizamos as partes (comprador e vendedor), a


declaração de vontade e a forma.
Os elementos da declaração de vontade são: Essenciais, Naturais e Acidentais.
Os elementos essenciais estão no objeto do contrato. Tem como eficácia objetiva
criar obrigações (obrigação de transferir a propriedade da coisa e obrigação de transferir
o preço).

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Os Elementos Naturais são os de responsabilidade pelo vício redibitório, pela


evicção e a cláusula penal.
O vício redibitório é o defeito na coisa, e a evicção é o defeito no domínio.
Os elementos acidentais são a condição e o termo. A condição é a cláusula que
subordina a eficácia da compra e venda, ou seja, subordina a eficácia objetiva a fato
futuro incerto. Já o termo é a subordinação da eficácia objetiva a fato futuro certo, por
exemplo, a estipulação de uma data para transferência da propriedade da coisa.
A cláusula penal é aquela que se aplica a partir do inadimplemento, contudo,
deverá estar previamente prevista entre as cláusulas do contrato. Trata-se de uma pré-
fixação de uma sanção.

Quanto à validade do Contrato, as partes devem ser capazes e legítimas, a


declaração de vontade deverá ser sem defeito e o objeto precisa ser lícito, possível e
determinável.

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CARACTERÍSTICAS DA COMPRA E VENDA

 Consenso (não é um contrato real). Basta o consenso para que


haja a sua formação, logo, não é necessária a tradição para que
seja formado;

 De uma forma geral ele não é solene, mas há muitos contratos em


que é exigida a solenidade.

 É um contrato Bilateral ou sinalagmático, isso significa que


possui eficácia bilateral, ou seja, cria obrigações para ambas as
partes.

 É um contrato oneroso. Significa que gera proveito para o


comprador e para o vendedor. É diferente de ser bilateral. Ele é
oneroso, pois há uma correspondência do ingresso do dinheiro
com a saída da coisa, e da saída do dinheiro com o ingresso da
coisa.

 Trata-se de um contrato comutativo. Significa que já se conhece


de antemão quais são as suas obrigações essências. Mas isso
apenas não basta para a caracterização da comutatividade. É
preciso, pois, que haja ma razoável equivalência de valores. Ou
seja, preço vil (trata-se do preço que não seja real, não seja sério).
Poderá ser aleatório, mas não é a regra. O contrato será aleatório
quando tiver por objeto coisas futuras ou sujeitas a risco (uma
safra, p. ex.. - Art. 483, CC).

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TÍTULO VI
Das Várias Espécies de Contrato

CAPÍTULO I
Da Compra e Venda

SEÇÃO I
Disposições Gerais

Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o
domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.

Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que
as partes acordarem no objeto e no preço.

Art. 483. A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará
sem efeito o contrato se esta não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de
concluir contrato aleatório.

Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes
logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará
sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa.

Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de
uma das partes a fixação do preço. (Trata-se de uma cláusula potestativa, significa dizer

Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo
do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição.

SEÇÃO III
Da Exceção de Contrato não Cumprido

Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua
obrigação, pode exigir o implemento da do outro.

Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros


descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.

Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime


de bens for o da separação obrigatória.

Art. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública:

I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua


guarda ou administração;
II - pelos servidores públicos, em geral, os bens ou direitos da pessoa jurídica a que
servirem, ou que estejam sob sua administração direta ou indireta;
III - pelos juízes, secretários de tribunais, arbitradores, peritos e outros serventuários ou
auxiliares da justiça, os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal, juízo ou conselho,
no lugar onde servirem, ou a que se estender a sua autoridade;
IV - pelos leiloeiros e seus prepostos, os bens de cuja venda estejam encarregados.

Parágrafo único. As proibições deste artigo estendem-se à cessão de crédito.

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Lembrar que a anulabilidade é menos gravosa que a nulidade. Quando o negócio


jurídico é anulável, significa dizer que tal defeito poderá ser sanado.

Os elementos gerais da compra e venda são as partes, a declaração de vontade


(que se expressa pelo objeto e pela forma – que é exteriorização do objeto/conteúdo).
O objeto embarcará os elementos essenciais – consenso, preço e coisa –,
naturais, e acidentais.

A eficácia objetiva se refere ao objeto e será a de criar obrigações, no caso,


conforme o art. 481
(“Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de
certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.”)

Temo é a cláusula que subordina a eficácia objetiva a evento futuro e certo.


A condição é a cláusula que subordina a eficácia objetiva a evento futuro e incerto.

A eficácia Subjetiva significa que os efeitos se restringem apenas entre as


partes.
Os princípios que estão em jogo na eficácia subjetiva são o da autonomia da
vontade (princípio da liberdade contratual e da liberdade de contratar), e o pacta sunt
servanda – que é o da obrigatoriedade dos contratos. E o princípio da relatividade – não
prejudica, nem beneficia terceiro.

Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se a faculdade
de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes.

Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da
conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado.

Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da
mesma forma que as partes usaram para o contrato.

Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os


direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi
celebrado.

Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários:

I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la;


II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no momento da
indicação.

Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o


contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários.

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O momento da conclusão do contrato é aquele da formação, do consenso.

Insolvência Econômica ou Financeira é aquela em que você possui um passivo


maior que o ativo.

Boa Fé objetiva – Como parte contratante eu não devo apenas cumprir o


contrato, mas fazer de tudo para melhor cumpri-lo. Trata-se do principio da Otimização.
É fazer o melhor.

Boa Fé Subjetiva – É você agir como um cidadão comum, cumprir a suas


obrigações, não fazer muito esforço para crescer. A boa fé objetiva chegou para tomar o
lugar da boa fé subjetiva, pois não basta apenas eu não querer ferir o outro, eu tenho que
fazer de tudo para beneficiar outro.

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Niterói, 11 de fevereiro de 2009.

3ª Aula.

B) DOAÇÃO

É inerente à doação a liberalidade. É uma conduta que expressa uma postura de


caridade, muitas vezes, de ajuda ao próximo.
Não podemos confundir a doação com a dotação na criação da fundação. A
dotação é também um ato de liberalidade, contudo, ela expressa uma idéia de subscrição
e integralização. Ou seja, quando os sócios subscrevem com bens próprios. Numa
sociedade em que o capital seja de r$ 10.000,00 um sócio pode subscrever r$ 5.000,00
outro r$ 1.000,00 e outros r$ 1.500,00 e assim vai. Trata-se de um compromisso
assumido pelo sócio de entregar bens à fundação. Esse ato de entregar bens à fundação
chama-se DOTAÇÃO. Mas atenção, eu não posso aplicar à dotação as regras do
contrato de dotação. A dotação é somente para fundação. Somente os instituidores da
fundação que fazem dotação.

CAPÍTULO III
DAS FUNDAÇÕES

Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento,
dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se
quiser, a maneira de administrá-la.

Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais,
culturais ou de assistência.

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Niterói, 17 de fevereiro de 2009.

5ª Aula.

C) EMPRÉSTIMO/COMODATO

Características dos Contratos (Estudo comparado)

1 – Real ou Consensual.
2 – Oneroso ou Gratuito
3 – Unilateral ou Bilateral
4 – Comutativo ou Aleatório
5 – Solene e Não solene.

 COMODATO – Trata-se de um contrato real, ou seja, não é consensual.


O comodato é gratuito (não pode haver onerosidade alguma, caso haja, estará
desconfigurado o mesmo). Será um contrato unilateral em sua eficácia objetiva
(lembrando que todo contrato é bilateral na formação, pois senão será uma
declaração unilateral de vontade).Não se diz se é comutativo ou aleatório, pois
esses são modalidades do contrato bilateral. Ele é não solene.

 MÚTUO

O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. No mútuo só com a


tradição. É, portanto, um contrato real. Em regra geral é gratuito, mas pode ser
oneroso. Ele é unilateral. E também é não solene.

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Ambos são muito semelhantes. Ler a pág 129 do livro. O contrato de mútuo difere do
comodato porque:
1) O mútuo é empréstimo de consumo. Comodato é empréstimo para uso.

2) O mútuo tem como objeto coisa fungível, enquanto que no comodato é coisa
infungível.

3) O mutuário desobriga-se entregando (dar-entregar), enquanto que no


comodato será dar-restituir.

4) O mútuo acarreta a transferência do domínio, enquanto que o comodato não


há transferência do domínio, apenas cessão do uso (e talvez da fruição).

5) O mutuário pode transferir a propriedade da coisa para 3º, enquanto que no


comodato jamais.

Obs.: Poderes do Proprietário = Usar, Fruir e Dispor.

Usar – utilizo o computador.

Fruir – Alguém que cede o uso do computador para outrem mediante


o aluguel. Fruir é gerar frutos. Já é a idéia capitalista. Eu posso ceder
apenas o uso. Mas posso ceder também a fruição. O locatário que tem
o uso apenas não poderá sublocar. Já o que tem a fruição também,
poderá fazê-lo.

Dispor – Significa alienar.

CAPÍTULO VI
Do Empréstimo

SEÇÃO I
Do Comodato

Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a
tradição do objeto.

Art. 580. Os tutores, curadores e em geral todos os administradores de bens alheios não
poderão dar em comodato, sem autorização especial, os bens confiados à sua guarda.

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Art. 581. Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o necessário para o
uso concedido; não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente,
reconhecida pelo juiz, suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo
convencional, ou o que se determine pelo uso outorgado.

Art. 582. O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a coisa emprestada,
não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena de
responder por perdas e danos. O comodatário constituído em mora, além de por ela
responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante.

Art. 583. Se, correndo risco o objeto do comodato juntamente com outros do comodatário,
antepuser este a salvação dos seus abandonando o do comodante, responderá pelo dano
ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso fortuito, ou força maior.

Art. 584. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o
uso e gozo da coisa emprestada.

Art. 585. Se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão
solidariamente responsáveis para com o comodante.

SEÇÃO II
Do Mútuo

Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao


mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.

Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja
conta correm todos os riscos dela desde a tradição.

Art. 588. O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda
estiver, não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores.

Art. 589. Cessa a disposição do artigo antecedente:

I - se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o


ratificar posteriormente;
II - se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para os
seus alimentos habituais;
III - se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas, em tal caso, a execução do credor
não lhes poderá ultrapassar as forças;
IV - se o empréstimo reverteu em benefício do menor;
V - se o menor obteve o empréstimo maliciosamente.

Art. 590. O mutuante pode exigir garantia da restituição, se antes do vencimento o mutuário
sofrer notória mudança em sua situação econômica.

Art. 591. Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os quais, sob
pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a
capitalização anual.

Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será:

I - até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como
para semeadura;
II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro;
III - do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.

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MÚTUO

Consumo – Coisa Fungível – Entregar – Real – Transferência de Propriedade

COMODATO

Uso – Coisa Infungível – Restituir – Real – Ceder uso (e fruição).

CONTRATO DE FINANCIAMENTO

Anatocismo – Significa cobrar juros de juros. Ou capitalização de juros.

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Niterói, 03 de março de 2009.

9ª Aula.

C) DOAÇÃO (ART. 538/564)

CONCEITO:

Art. 538. Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por


liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.

CARACTERÍSTICAS: Consensual, Unilateral, Solene*, gratuito.

*Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.

Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de
pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição.

A doação é um contrato, regra geral, solene, contudo, a exceção está no art. 541.

A formalidade está imposta a fim de promover a segurança jurídica.


Incontinenti quer dizer que não basta o consenso neste caso, tem que ver a
tradição.

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D) LOCAÇÃO (ART. 565)

CONCEITO:

Art. 565. Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra,
por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa
retribuição.

ATENÇÃO! O uso e gozo fungível sem retribuição é contrato de comodato.

Art. 566. O locador é obrigado:

I - a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado


de servir ao uso a que se destina, e a mantê-la nesse estado, pelo tempo do contrato,
salvo cláusula expressa em contrário;
II - a garantir-lhe, durante o tempo do contrato, o uso pacífico da coisa.

Lembrar que o dono tem 3 poderes básicos: Usar, Fruir e dispor.

Usar – É utilizar, dar uso.

Fruir – Percepção de Frutos, ou seja, deixar que alguém utilize e goze de


frutos, benefícios.

Dispor – Trata-se da possibilidade de vender, alienar, doar.

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LEI 8.245/91 – É A LEI DO INQUILINATO/LOCAÇÃO DE IMÓVEL

A locação de imóveis é disposta na lei 8.245/91. As outras locações estão


dispostas no CC.

Havendo pluralidade subjetiva (seja na parte do locador ou do locatário),


presume-se a solidariedade, salvo se houver estipulação contrária em contrato.
Se você locar algo por um prazo maior do que 10 anos, necessitará da outorga
uxória.
Não poderá o locador reaver o imóvel alugado no prazo estabelecido.
Despejo é uma ação judicial destinada a reaver o imóvel seja qual for o
fundamento.
Resilição unilateral, em regra, não é possível. Salvo estipulação legal. A
resilição bilateral (distrato) é possível.

Lembrando...

Extinção

Resolução Resilição

- Voluntário - Unilateral
- Involuntária - Bilateral

ATENÇÃO! Usamos a palavra resolução quando há uma inexecução!!

Termo Determinado – Trata-se de quando há uma data para a extinção do


contrato.

Um contrato pode começar com termo determinado. Findo o mesmo, e o


locatário permaneça no imóvel, tratar-se-á de termo indeterminado, necessitando que o

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locatário seja interpelado/ notificado para que haja a fixação de um termo final, e,
assim, o mesmo se retire do imóvel.
A palavra denunciar, como nós verificaremos, é utilizada no direito civil sob a
perspectiva vazia e cheia.

A locação também poderá ser desfeita por mútuo acordo (resilição bilateral/
Distrato), em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos, para
realização de reparações urgentes com a determinação do poder pública (benfeitorias
necessárias).
Morrendo o locador a locação transmite-se aos herdeiros. (como aqui não é
obrigação personalíssima, poderá a locação ser transmitida aos herdeiros)

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Niterói, 11 de março de 2009.

10ª Aula.

C) MANDATO

CONCEITO:
Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém (mandatário) recebe de outrem
(mandante) poderes para, em seu nome (do mandante), praticar atos ou administrar
interesses. A procuração é o instrumento do mandato.

Não envolve entrega de coisa alguma, mas além do consenso a lei exige a
forma escrita. Trata-se de contrato consensual, contudo, é solene, pois exige a forma
escrita.

Mandante é a parte que outorga os poderes.


A declaração de vontade tem um objeto que é o seu conteúdo (obrigações
pactuadas), e dentro dessas obrigações poderemos trabalhar com os seus elementos
essenciais (art. 653), naturais e acidentais. Esses elementos naturais não aparecem muito
nos contratos. Já os elementos acidentais que aparecem são:

a) Condição
b) Termo – Estipulação que subordina a eficácia do negócio a evento
futuro e certo. É o prazo que você estabelece a eficácia da procuração, p. ex.:
c) Cláusula Penal - Eu posso estipular, obviamente, no contrato de
mandato, uma cláusula penal. É a pré-fixação do valor das perdas e danos. Se eu não
o fizer, terei que ir a juízo para discutir o valor.

A forma escrita do mandato chama-se procuração. Não são sinônimos, pois a


procuração é o instrumento, é o documento escrito do mandato.
Para examinar o que seja representação deveremos olhar os art. 115 até 120.

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CAPÍTULO II
Da Representação

Art. 115. Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interessado.

Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes,
produz efeitos em relação ao representado.

Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o
representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.

Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio
realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos.

Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do
representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo,
responder pelos atos que a estes excederem.

Art. 119. É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o
representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou.

Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da


cessação da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista
neste artigo.

Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas
respectivas; os da representação voluntária são os da Parte Especial deste Código.

Se eu recebo poderes da minha mãe para vender a casa dela, só poderei comprar
a casa se ela permitir expressamente na procuração.

Atenção! Não pode haver delegação de poderes. O executivo não pode delegar poderes
ao judiciário, por exemplo.

Os art. 115 ao 120 tratam da procuração (representação) em geral. O art. 653 e seguintes
tratam do mandato.

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CARACTERÍSTICAS:

Em regra geral o contrato é Consensual, em regra solene, mas permite-se a forma não-
solene em certos casos, bilateral (na formação) e unilateral (na sua eficácia – porque só
cria obrigação para o mandatário). Poderá ser oneroso – art. 658 – (p. ex.: o mandato
exercido por um advogado), mas em regra geral é gratuito.
Pelo art. 666 o relativamente incapaz, mesmo que não emancipado, poderá ser
mandatário.

PLANO DA EXISTÊNCIA:

- Mandante, Mandatário (Procurador)

- Declaração de Vontade;

- Objeto:

Elementos Essenciais: Obrigação de representar o mandante, em nome e


por conta do mandante, outorgando poderes de praticar atos ou
administrar interesses.

Elementos Naturais

Elementos Acidentais (Prazo/Termo, Condição)

2 PONTOS IMPORTANTES:

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Outorga dos poderes e, conseqüentemente, atos praticáveis, a lei e a


doutrina, classificam o mandato da seguinte maneira (Art. 660 e Art. 661):

Art. 660. O mandato pode ser especial a um ou mais negócios determinadamente, ou geral
a todos os do mandante.

Art. 661. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração.

§ 1º Para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem da
administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos.
§ 2º O poder de transigir não importa o de firmar compromisso.

Geral (A.1) ou Especial (A.2 Esses conceitos estão no Art. 660).

Em termos Gerais (B.1 Esse conceito está no art. 661, caput.) ou com
Poderes Especiais (B.2 Esse conceito está no art. 661, § 1º)

Possíveis Combinações: A1 com B1; A1 com B2; A2 com B1 e A2 com B2.

Administração Ordinária significa realizar os atos que estão caracterizados no objeto da


fundação, por exemplo. A Administração Extraordinária significa você listar todos os
atos que poderão ser realizados diversos dos estabelecidos no objeto.

Em termos gerais significa dizer que poderá exercer a administração


ordinária. Não poderá, portanto, realizar atos que extrapolem essa administração.
Se eu puder praticar atos que extrapolem a administração ordinária, logo,
que eu tenha poderes de realização de atos de administração extraordinária, tratar-se-á
de mandato com poderes especiais.

Se eu recebo uma procuração onde fica estabelecido que eu cuidarei de 1


dos 15 imóveis do mandante, com poderes de administração ordinária, estarei diante de
uma procuração especial com termos gerais.

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Se for em relação a todos os seus imóveis, mas apenas para praticar atos
de administração ordinária, estaremos diante de um mandato geral em termos gerais.

Niterói, 18 de março de 2009.

13ª Aula.

D) COMISSÃO

CONCEITO:

Art. 693. O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de


bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente.

Diz que o comissário vai adquirir ou vender bens em seu próprio nome, mas por
conta do comitente. Na comissão teremos o comissário agindo em seu próprio nome e
por conta do comitente.
Parece muito com mandado (representação).
O comissário assume a obrigação de agir em nome do comitente. Compra um
imóvel para ele, por exemplo. E o comitente paga certa quantia para o comissário. O
comissário obriga-se, perante terceiro, em seu próprio nome.

Art. 698. Se do contrato de comissão constar a cláusula del credere, responderá o comissário
solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que,
salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito a remuneração mais elevada, para
compensar o ônus assumido.

Essa cláusula existe para que o comissário seja diligente ao auferir com quem irá
contratar. Com a cláusula Del credere o comissário assume o risco de o contratado não
venha a pagar.
Ex.: O BNDES contrata com o agente financeiro (por comissão), e o AF contrata
com empresário, repassando o dinheiro para este. Se o empresário não realizar o
pagamento, o AF, comissário, pela cláusula Del credere, deverá ele pagar o BNDES,

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pois tornou-se responsável pela insolvência da empresa. Tendo que devolver o dinheiro
de qualquer forma ao BNDES. Isso o obriga a contratar com uma maior diligência.

A sutil diferença para o mandato é que neste o mandatário age por nome e por
conta do mandante. Já na comissão, o comissário age em seu nome próprio, mas por
conta de comitente.

CARACTERÍSTICAS: Consensual, bilateral, oneroso, comutativo, não solene (poderá


até mesmo ser verbal. Era muito praticado no mundo mercantil)

E) AGÊNCIA

CONCEITO:

Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não
eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de
outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona
determinada, caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua
disposição a coisa a ser negociada.

O proponente tem interesse de ele realizar negócio com o país inteiro, então, ele cria um
agente para a área de Niterói, por exemplo. Ele não será empregado, nem representante
do proponente, mas irá receber uma remuneração.
A figura do distribuidor é um exemplo. É o cara que roda todas as farmácias
agindo por conta do laboratório X. Ele ganhará uma comissão em cima da venda.
Agora, se ele pegar o produz e colocar no estoque em casa, ele não será apenas
um agente, mas 1 distribuidor. Ou seja, se ele estocar o produtor, ele será um
distribuidor.
Na agência, ele vende e manda a farmácia entregar. Ele emite apenas um
comando para entregar na farmácia tal.

CARACTERÍSTICAS: Consensual, oneroso, comutativo, bilateral

As partes são chamadas de Proponente e Agente.

Civil IV André Barreto 2009


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Representação autônoma trata-se de quando o proponente conferir poderes ao agente


para que este o represente na conclusão dos contratos.
Exemplo: compra e venda dos produtos para a farmácia, então a compra e venda
será celebrada entre o proponente e a farmácia, mas o agente será o representante, agirá
como procurador.
Quando ele não é procurador, ele apenas registra o pedido, mas será no
laboratório que será firmado o contrato.

F) DEPÓSITO

CONCEITO:
CAPÍTULO IX
Do Depósito

SEÇÃO I
Do Depósito Voluntário

Art. 627. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para guardar, até
que o depositante o reclame.

CARACTERÍSTICAS: Forma não-solene, Real, Unilateral (poderá ser bilateral


se eu obrigo o depositante, por exemplo, a pagar para o outro guardar a coisa), Gratuito
(em regra, mas há exceção – no mundo empresarial o depósito não é gratuito. Poderá,
então ter um cunho oneroso), temporário (há um limite para a restituição da coisa), ele é
intuitu persone (não é qualquer um que guarda a coisa para você)

Nada impede que ele seja solene, mas a regra geral é não solene. No caso de banco nós
sempre temos outro contrato que respalda o depósito bancário.
Já o depósito judicial não tem as características do depósito particular. Ele se
caracteriza por uma ação de consignação em pagamento. O depósito judicial não é um
contrato, há sim uma prestação da tutela jurisdicional.
Ele é unilateral na sua eficácia, pois, em termos de elementos essenciais,
somente o depositário assume obrigações. O depositante já efetuou a tradição na
formação do contrato. Ele não possui obrigação.

Civil IV André Barreto 2009


23

O depósito não é para usar, fruir, nem muito menos dispor. Mas será a obrigação
de guardar.
Haverá a fixação de um termo para a devolução da coisa. Posso até fixar uma
condição e uma cláusula penal para a hipótese do depositário não conservar a coisa e/ou
restitui-la.
Condição – você manterá essa coisa em depósito até eu precisar (evento futuro e
incerto). Ou, ficará com você até a reforma da minha casa ser concluída (e eu não sei
quando a reforma terminará).

CLASSIFICAÇÃO

Ao fazer a classificação teremos as espécies:

1 – DEPÓSITO VOLUNTÁRIO
Resulta de acordo de vontades.

2 – DEPÓSITO NECESSÁRIO
A lei prevê (Art. 647, I, II e Art. 649) um tipo de depósito que não
tem para onde correr.

Do Depósito Necessário

Art. 647. É depósito necessário:

I - o que se faz em desempenho de obrigação legal;


II - o que se efetua por ocasião de alguma calamidade, como o incêndio, a inundação, o
naufrágio ou o saque.

Art. 649. Aos depósitos previstos no artigo antecedente é equiparado o das bagagens dos
viajantes ou hóspedes nas hospedarias onde estiverem.

Parágrafo único. Os hospedeiros responderão como depositários, assim como pelos furtos e
roubos que perpetrarem as pessoas empregadas ou admitidas nos seus estabelecimentos.

- Depósito Legal – (Art. 67, I) Ex.: A imposição da


responsabilidade que o hotel tem em relação às jóias dos

Civil IV André Barreto 2009


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hóspedes, mas desde que você cumpra as determinações, ou seja,


deposite as mesmas no cofre do hotel.

- Depósito Miserável (Art. 67, II) – É o que se efetua por ocasião


de alguma calamidade pública. Ele é necessário, porque diante de
uma calamidade pública a única maneira de se proteger a coisa é
se colocando em um lugar adequado para ser guardada.

- Depósito dos Hospedeiros

3 – REGULAR (OU PRÓPRIO): Coisa que não pode ser substituída por
outra, logo, trata-se de coisa infungível.

4 – IRREGULAR (OU IMPRÓPRIO) : Envolve bens fungíveis, então, será dar-


entregar.

5 – EMPRESARIAL: É um depósito praticado em razão da atividade do


empresário. Ele atua com o ramo de guardar as coisas.

6 – JUDICIAL: É o que se verifica (art. 635) de preservar a coisa litigiosa.

Plano da Existência

 Partes: Depositante e depositário.


 Declaração de Vontades
Objeto: Elementos Essenciais – Guardar coisa e restituir

Elementos Particulares

Qual seria a eficácia objetiva essencial: Consiste na obrigação de guardar coisa e na


obrigação de restitui-la.

Civil IV André Barreto 2009


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Niterói, 06 de maio de 2009.

17ª Aula.

E) FIANÇA

Trata-se de uma garantia (caução).


A garantia pode ser real ou pessoal. As duas são constituídas por contrato.

GARANTIA REAL – Além de celebrar o contrato terei que registrá-lo para ter
eficácia “erga omnes”. Daí surge a seqüela. Significa que o credor da garantia pode
perseguir o bem em mãos de quem ele estiver para satisfazer o seu crédito.
Ex.: Hipoteca. É uma garantia real para garantir o pagamento. Se eu não pagar, a
Caixa vai me executar. Ela vai penhorar para vender. O credor com garantia real
receberá antes de qualquer outro credor (exceto o credor privilegiado, pois este
receberá na frente de todos). O credor quirografário é aquele que não tem garantia
nenhuma.

Eu vinculo um bem do meu patrimônio para o pagamento de uma dívida. O


instrumento jurídico para eu fazer essa vinculação chama-se direito real de garantia

Tipos de garantias Reais:

1) HIPOTECA – Precisa ser registrada, pois se não for será uma


simples garantia por contrato. Não será nem garantia pessoal, pois estas somente são a
fiança e o aval.
Trata-se de um contrato mediante o qual você assume garantir o
pagamento de uma dívida em benefício do seu credor. Leva no registro marítimo
quando é uma embarcação, ou no registro de aviação quando for uma aeronave.

Civil IV André Barreto 2009


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2) ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA – É mais


forte do que a hipoteca. Há a alienação (como se fosse uma venda) para a Caixa. É mais
do que hipoteca. Trata-se, antigamente, quando o guerreiro ia para a guerra e deixava o
imóvel para um amigo cuidar.
Hoje funciona como uma alienação em garantia até eu pagar a
dívida. Se não cobrir a dívida, o credor poderá ir em cima de outros bens. Se for maior o
valor do que a dívida, o credor devolve a diferença.
Esse caso é melhor, pois não há a questão de preferência como na
hipoteca. Isso protege o credor.
Começou-se usando para bens móveis, hoje já se utiliza para bens
imóveis.

3) PENHOR – Não confundir com penhora. Trata-se de quando


você deixa uma jóia em penhor para pegar dinheiro emprestado. Se você não pagar a
tempo você a perderá.

Ex.: Caução de direito ou caução de título de crédito.

GARANTIA PESSOAL – A eficácia subjetiva é apenas entre as partes.

Tipos de Garantias Pessoais:

1) FIANÇA – Há a palavra do fiador. A declaração de vontade


dele. A fiança usa-se em todos os outros contratos que não sejam títulos de crédito.

2) AVAL – Declaração unilateral. Ele assina garantindo um


documento chamado de título de crédito, p. ex., uma nota promissória. O aval é somente
no título de crédito.

Civil IV André Barreto 2009


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Autocomposição (Surgem 3 figuras básicas)

Transação – É uma forma extrajudicial de solução de lide. Cada parte cede um


pouco. Ex.: uma colisão de carro. Um vira para o outro e diz: cada um fica com o seu
prejuízo”.
A transação só verba sobre direito disponível. Nem em juízo a transação
versará sobre direito indisponível.
A transação poderá ser judicial ou extrajudicial. Se for judicial o juiz
homologará. Neste caso haverá coisa julgada.
Contudo, na extrajudicial não há.

Niterói, 06 de maio de 2009.

18ª Aula.

CONTRATO DE TRANSPORTE

3 perspectivas: Quanto ao passageiro, quanto ao funcionário e quanto a terceiros.

Com relação ao pedestre trata-se de uma responsabilidade extracontratual,


porque não foi celebrado um contrato de transporte entre a empresa de ônibus e o
pedestre, por exemplo.

Tornou-se um dos mais importantes instrumentos jurídicos para a circulação de


pessoas e para a circulação de bens. O antigo código (1916) não tinha nenhuma previsão
para este contrato. Havia apenas a lei Maria fumaça para regulamentar o transporte das
locomotivas. (quanto às fagulhas que poderiam ocasionar incêndios, quanto aos

Civil IV André Barreto 2009


28

animais: necessidade de porteiras etc.). Essa lei, no entanto, foi estendida, ao longo do
tempo, a qualquer outro meio de transporte, porque passamos décadas sem leis
específicas do assunto.
Silvio Rodrigues chega a apontar que no transporte de elevador e de escada
rolante utilizaria, por analogia, essa lei. (pois não tinha outra)
Com o advento do Código de Defesa do Consumidor começou-se um grande
problema, pois este previa a responsabilidade objetiva, e, conseqüentemente, passou a
reger o transporte em geral.
O código civil trata do transporte como uma modalidade de contrato.
O CC de 1916 é eminentemente da responsabilidade subjetiva.
Sabemos que a responsabilidade ou é subjetiva ou objetiva.
Responsabilidade Subjetiva é aquela em que eu tenho o dever, e aí ocorre o ato
ilícito com a devida conseqüência que é a responsabilidade. Examinando o ato ilícito
lembraremos que ele se configura como conduta, culpa, dano e nexo causal. Ora, se
eu olhar para responsabilidade subjetiva, os seus pressupostos são esses 4
elementos.
Se eu olhar para os pressupostos da responsabilidade objetiva eu observarei que
são todos esses elementos menos a culpa.

A) RESPONSABILIDADE SUBJETIVA

Observa-se:

- Conduta
- Culpa Ex.: Código Civil
- Dano
- Nexo Causal

B) RESPONSABILIDADE OBJETIVA

Observa-se:

- Conduta
- Dano
Ex.: Código de Defesa do Consumidor
Civil IV André Barreto 2009
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- Nexo Causal

É desnecessário o elemento culpa na responsabilidade objetiva. Não precisa se


comprovar culpa para que haja a responsabilidade objetiva.

A regra geral para o Código de Defesa do Consumidor é o da


responsabilidade Objetiva para as relações de consumo.
O código civil de 1916 e o atual trabalham com a responsabilidade
subjetiva.
O interessante é que a lei de transporte de 1916 previa a responsabilidade
objetiva embora mencionasse a presunção de culpa. (Presunção de culpa é a inversão do
ônus da prova).
Se eu olhar o contrato de transporte sobre o aspecto do CDC estarei sob a
perspectiva da responsabilidade objetiva. Ou seja, há o descumprimento do contrato,
deverá, então, haver a indenização.
No caso de transporte de pessoas, nós sabemos que as empresas de ônibus, entre
outras, se submetem à figura da concessão ou da permissão. O Estado considera o
transporte um serviço público, ou seja, de interesse público. Aí as concessionário
necessitam de autorização do Estado. O art. 37, § 6º CF.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços


públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Terceiro é o cidadão da rua, isto é, não é o passageiro, pois este é parte, ou seja,
celebrou um contrato de transporte.

DEVER
Se o dever vem da lei, a responsabilidade é extracontratual. Se o dever está
previsto no contrato, a responsabilidade será contratual.

Civil IV André Barreto 2009


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A nossa preocupação é olhar o dever contratual, o ato ilícito que leva a


responsabilidade.

CONTRATO DE TRANSPORTE
Tal como está previsto no CC

O CC é revolucionário em alguns aspectos e tímido em relação a outra. Há no


CC uma responsabilidade subjetiva embora ela seja contratual.

Conceito: Art. 730. Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição,
a transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas.

Muitos outros aspectos precisam ser levados em conta, como o CDC, tratados e
convenções internacionais etc. O universo legal é imenso.

PARTES:

A) transportador

B) Passageiro ou usuário (no transporte de pessoas)


ou (no transporte de coisa)

A regra é a de que a responsabilidade seja da transportadora, mas poderá haver a


quebra do nexo causal.
Dever genérico e dever específico. Se eu morro por um problema de saúde é um
dever genérico, mas se eu morro porque não fui atendido no hospital, passou a ser um
dever específico.

Na responsabilidade objetiva admite-se a quebra do nexo causal, ou seja, a


transportadora, com a quebra do nexo causa, não se responde pela indenização.

Caso fortuito Interno – O fato imprevisível, inevitável, mas é um fato que se liga à
organização da empresa, isto é, que se relaciona com o risco da atividade (ex.: mau

Civil IV André Barreto 2009


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súbito do motorista, estouro de um pneu). Mesmo sendo imprevisíveis estão ligados ao


negócio do transportador.
Aqui não há a quebra do nexo causal.

Caso Fortuito Externo – É um fato imprevisível e inevitável, mas estranho à


atividade. Haverá a quebra do nexo causal.
Ex.: Entra um tiro pela janela e mata um passageiro. ATENÇÃO!! Se ele souber
com antecedência que passando por ali atirarão no ônibus, e mesmo assim ele passa, não
houve o dever de cuidado. Neste caso, não haverá a quebra do nexo causal.

Art. 731. O transporte exercido em virtude de autorização, permissão ou concessão (taxis etc.),
rege-se pelas normas regulamentares e pelo que for estabelecido naqueles atos, sem prejuízo
do disposto neste Código.

Art. 732. Aos contratos de transporte, em geral, são aplicáveis, quando couber, desde que não
contrariem as disposições deste Código, os preceitos constantes da legislação especial e de
tratados e convenções internacionais.

Art. 733. Nos contratos de transporte cumulativo, cada transportador se obriga a cumprir o
contrato relativamente ao respectivo percurso, respondendo pelos danos nele causados a
pessoas e coisas.
É o caso de baldeação (num trecho é uma Cia, em outro percurso é uma outra Cia.)

SEÇÃO II
Do Transporte de Pessoas

Art. 734. O transportador (de pessoas) responde pelos danos causados às pessoas
transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula
excludente da responsabilidade.

Partes: Transportador e Passageiro.

O transportador responde pelos danos causados. Mas o legilador só usa caso de


força maior. Não utiliza a expressão “caso fortuito”, então ele quis dizer “caso fortuito
externo”
Em hipótese alguma ele dirá que não responde. É a idéia da incolumidade. É
mais do que uma obrigação de resultado (Levar daqui até lá). Não é apenas satisfazer,
mas é a idéia de incolumidade, ou seja, tem que levar a pessoa daqui até lá sã e salva.

É inerente a contratos de transporte a idéia de incolumidade do passageiro.

Civil IV André Barreto 2009


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A jurisprudência tem responsabilizado o transportador por assaltos, pedradas


etc., somente quando há a conivência, comissão ou qualquer outra vantagem pelos
prepostos da empresa.
A transportadora sabendo que por aquele itinerário há muitos assaltos, pedradas
etc., tem a obrigação de, no mínimo, avisar as autoridades, podendo até mudar o seu
trajeto.

Elementos essenciais elencados no artigo 730 CC.

Obs.:
 A relação de transporte pode vir como acessório do contrato de compra e venda.
Atenção! Não há nesse caso 2 relações jurídicas, há apenas o contrato de compra
e venda. (Pág. 168 Livro)

 Traduz para o transportador uma obrigação de fazer – obrigação de meio e de


resultado se pretende realizar uma satisfação ao credor. Na obrigação de meio se
o resultado não for atendido, mas o prestador trabalhou adequadamente, ainda
que o resultado não tenha sido alcançado, ele não será responsabilizado. NA
obrigação de resultado ele responde se não for realizado. O transporte é uma
obrigação de resultado, porque tem que concretizar o transporte da pessoa do
ponto de partida ao seu destino. E o Cavalieri ainda vai dizer que tem que ser
incólume, ou seja, é algo mais. Ele não só tem apenas a obrigação de resultado,
como também tem a obrigação de preservar a integridade física do transportado.
Com relação à coisa não se leva em conta à incolumidade, mas ao perecimento
ou deterioramento.

 O código, ao falar de inexecução involuntária, trata de força maior (fenômeno da


natureza), fato de terceiro, fato da vítima. A lei exclui o fortuito interno, que é
aquele que está relacionado à organização/funcionamento da atividade.

 É um contrato bilateral porque tem a eficácia de criar obrigações para o


transportador e para o passageiro. É consensual, oneroso (mediante retribuição),
não solene, é um contrato de adesão, porque as regras contratuais já estão pré-

Civil IV André Barreto 2009


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fixadas por regulamentos administrativos. Atenção! O contrato gratuito ou


benéfico não é esse contrato de transporte. É aquele contrato do carona (art. 736)
Há uma discussão quanto a que tipo de contrato seria. Cavalieri sempre entendeu
que não seria contrato de transporte, logo atípico, portanto seria a
responsabilidade contratual. Mas ele mudou de opinião, dizendo que a
responsabilidade seria aquiliana. Entende agora que não caberia tratar como
contrato.

 Formação do Contrato – tratativas, proposta e aceitação. Mas devemos observar


que o veiculo circulando na rua está em oferta permanente. Ao entrar no ônibus
você não apresenta uma aceitação ou fala para o cobrador que aceita. A doutrina
entende que a responsabilidade do transportador só se inicia quando o passageiro
entra no ônibus. Se eu entendo que a responsabilidade se inicia quando o
passageiro pisa no degrau, a responsabilidade será contratual. Se eu entendo que
não, somente quando estiver dentro do ônibus, a responsabilidade será extra
contratual.

Com relação ao passageiro clandestino a responsabilidade é afastada. Essa é a


posição da doutrina. Há uma presunção que não seja clandestino, mas isso é uma
questão de prova, depende do caso concreto. Nas barcas, como a prova é difícil, pois
vc não fica com o ticket, há a presunção de que não seja clandestino.
Agora, se o cara pula a roleta, problema da transportadora, pois ele já está na
plataforma. Haverá uma inversão da prova, isto é, a transportadora que terá que
provar que ele seja clandestino.
A cláusula de incolumidade, na verdade, está perdendo espaço pela
responsabilidade pelo vício ou defeito do serviço.
Responsabilidade Contratual – Súmula 187, agora incorporada no artigo 735
CC.
O fato de terceiro só exonera o transportador quando somente elimina totalmente
o nexo causal, ou seja, quando for um fortuito externo, pois se for interno não
exonerará. Será uma inexecução involuntária, por força maior (fortuito externo, para o
Cavalieri). É o exemplo da bala perdida.

Civil IV André Barreto 2009


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Niterói, 26 de maio de 2009.

19ª Aula.

CONTRATO DE DEPÓSITO
Pág. 141

CARACTERÍSTICAS:
a) Contrato Temporário. Art. 627, CC – ainda que se fixe um prazo para
o contrato de depósito, o depositante poderá requerer o depósito a qualquer momento.
Art. 633.
CAPÍTULO IX
Do Depósito

SEÇÃO I
Do Depósito Voluntário

Art. 627. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para guardar, até
que o depositante o reclame.

Art. 633. Ainda que o contrato fixe prazo à restituição, o depositário entregará o
depósito logo que se lhe exija, salvo se tiver o direito de retenção a que se refere o art.
644, se o objeto for judicialmente embargado, se sobre ele pender execução, notificada
ao depositário, ou se houver motivo razoável de suspeitar que a coisa foi dolosamente
obtida.

b) Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa.

c) Gratuito.

d) Contrato bilateral imperfeito (classificação da doutrina). Art. 643. O depositante é


obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do
depósito provierem.

Civil IV André Barreto 2009


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No caso de depósito bancário, você entrega a quantia de dinheiro transferindo a


propriedade. A irregularidade do depósito bancário está no fato dele ser fungível, ou
seja, quando você entrega o seu dinheiro não será a sua nota que lhe será devolvida.
Difere-se do comodato porque neste há o empréstimo com o uso, diferente do
contrato de empréstimo irregular onde não apenas é cedido o uso, mas a propriedade.
No empréstimo bancário rege-se pelas regras do mútuo porque acarreta a
transferência do domínio.
Art. 645. O depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir
objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do
mútuo.

FORMAÇÃO:

EXISTÊNCIA:
Partes: Depositante e Depositário
A formação de qualquer contrato envolve tratativas, proposta, aceitação
chegando ao consenso ou acordo de vontades.
Então, basta o consenso ou é necessária a tradição para se concretizar o
contrato de depósito.
Elementos Essenciais: Restituir coisa e Guardar Coisa

VALIDADE:

EFICÁCIA:

Civil IV André Barreto 2009


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Depósito regular (aquele que envolva coisa infungível, ou seja, que não possa ser
substituída por outra.

Ex.: Viajante que chega ao hotel e deixe as jóias no cofre do mesmo.

Depósito Irregular (quando depositamos o dinheiro no banco).

Depósito judicial se rege pelas normas do CPC. (busca e apreensão, penhora de bens
etc.).

Civil IV André Barreto 2009


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Niterói, 02 de junho de 2009.

20ª Aula.

CONTRATO DE EMPREITADA

Partes: Empreiteiro – obriga-se a realizar uma determinada obra pessoalmente


ou por meio de terceiros – e Dono da Obra.
Quando ele diz pessoalmente ou por meio de terceiros, se eu contratar o
empreiteiro dizendo que só ele pode realizar a obra, a obrigação torna-se
personalíssima. Mas normalmente o que acontece é que o empreiteiro faz sub-
empreitadas (eletricistas, encanador, pintor, pedreiro etc.). Ele “sub-empreita” porque
manter todas esses empregados no regime celetista sai muito caro.

Objeto: Obrigações Essenciais:

a) Obrigação de realizar a obra


Há o cronograma físico-financeiro. Ou seja, são etapas.

b) Obrigação de pagar o preço.


O preço é pago em parcelas em função do cronograma
físico-financeiro

Obrigações Natural: Cláusula de Compromisso Arbitral (obrigação de


submeter-se à arbitragem). Vai acarretar a extinção do processo sem
julgamento do mérito. São pressupostos processuais objetivos
extrínsecos.

Civil IV André Barreto 2009


38

Obrigações Acidentais: Serão o termo (data de conclusão), condição e


cláusula penal. (pré-fixação das perdas e danos)

CARACTERÍSTICAS:

 Bilateral (na sua formação e na sua eficácia);


 Consensual (não precisa de entregar coisa antes. A entrega da obra concluída é
problema de execução);
 Comutativo (guardam razoável equivalência de valores);
 Oneroso;
 Não solene (a lei não considera um forma para a sua formação, mas costuma-se
fazer por escrito.

Atenção!! No caso de construção de embarcações, aeronaves etc. terei que registrar no


registro de imóveis, e só poderei fazê-lo mediante a apresentação de um contrato
escrito.

CLASSIFICAÇÃO

I - Contrato de labor (mão de obra) – Estará próximo da prestação de


serviço. Mas a prestação de serviço não há a entrega de uma obra.

II – Mista: Porque na mista existe o trabalho + materiais. (estará próximo


da compra e venda) Mas a compra e venda não pressupõe a construção de uma obra.

Posso dizer para o empreiteiro que o material eu vou comprar com o meu
dinheiro, logo, será classificado como contrato de labor.

Não posso confundir o contrato de empreitada com o contrata da prestação de


serviço ou da compra e venda. Portanto, não posso aplicar as regras desses contratos ao

Civil IV André Barreto 2009


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contrato de empreitada. Ele possui regras típicas. Está tudo regulamentado a partir do
art. 610.

Pagamento do Preço – costuma-se fixar o preço tendo em vista o cronograma


físico-financeiro, o que gera variações. Mas nada impede que você faça um pacote
fechado. O risco seria, então, que o empreiteiro não tenha mais dinheiro para continuar
a obra, ou que você pague muito mais do que pagaria se a estipulação prévia (valor fixo
ou absoluto). Pode-se ajustar o preço da obra à medida da construção. Ou fixar um valor
e prever um reajuste (que não é por índices de correção monetária) em função do custo
da obra. Mas, na verdade, o que acontece é que fica a cargo das partes definirem ou
fazerem mudanças ao longo da obra.

Entrega da obra – É comum fazer a entrega por partes. Então, à medida que o
empreiteiro vai entregando, você vai pagando.

Art. 618 CC – o código utiliza da teoria do vício redibitório. Ela é obrigatória,


não pode ser afastada pelas partes. Não pode nem reduzir o prazo.

Extinção

A obra concluída e pago o preço estará extinto o contrato.


Resilição unilateral, distrato (resilição bilateral), resolução por inexecução,
falência do empreiteiro, inexecução involuntária.

Civil IV André Barreto 2009


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COMPRA E VENDA

Os elementos essenciais estão no objeto do contrato. Tem como eficácia objetiva criar
obrigações (obrigação de transferir a propriedade da coisa e obrigação de transferir o
preço).
Quanto à validade do Contrato, as partes devem ser capazes e legítimas, a declaração de
vontade deverá ser sem defeito e o objeto precisa ser lícito, possível e determinável.

CARACTERÍSTICAS

É um contrato consensual, não solene (às vezes, solene) Bilateral, oneroso, comutativo
(podendo ser aleatório)

DOAÇÃO

CARACTERÍSTICAS: Consensual, Unilateral, Solene (art. 541)*, gratuito.

EMPRÉSTIMO

MÚTUO

Consumo – Coisa Fungível – Entregar – Real – Transferência de Propriedade

COMODATO

Uso – Coisa Infungível – Restituir – Real – Ceder uso (e fruição).

LOCAÇÃO

A locação de imóveis é disposta na lei 8.245/91.

MANDATO

Consensual, solene, mas permite-se a forma não-solene em certos casos, bilateral (na
formação) e unilateral (na sua eficácia – porque só cria obrigação para o mandatário).
Poderá ser oneroso – art. 658 – (p. ex.: o mandato exercido por um advogado), mas em
regra geral é gratuito.
Pelo art. 666 o relativamente incapaz, mesmo que não emancipado, poderá ser
mandatário.
Elementos Essenciais: Obrigação de representar o mandante, em nome e por conta do
mandante, outorgando poderes de praticar atos ou administrar interesses.

Civil IV André Barreto 2009


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COMISSÃO

Diz que o comissário vai adquirir ou vender bens em seu próprio nome, mas por conta
do comitente. Na comissão teremos o comissário agindo em seu próprio nome e por
conta do comitente.
Compra um imóvel para ele, por exemplo. E o comitente paga certa quantia para o
comissário. O comissário obriga-se, perante terceiro, em seu próprio nome.

A sutil diferença para o mandato é que neste o mandatário age por nome e por conta do
mandante. Já na comissão, o comissário age em seu nome próprio, mas por conta de
comitente.

CARACTERÍSTICAS: Consensual, bilateral, oneroso, comutativo, não solene (poderá


até mesmo ser verbal. Era muito praticado no mundo mercantil)

AGÊNCIA

Ele não será empregado, nem representante do proponente, mas irá receber uma
remuneração.
Na agência, ele vende e manda a farmácia entregar. Ele emite apenas um comando para
entregar na farmácia tal.

CARACTERÍSTICAS: Consensual, oneroso, comutativo, bilateral


As partes são chamadas de Proponente e Agente.

Representação autônoma trata-se de quando o proponente conferir poderes ao agente


para que este o represente na conclusão dos contratos.
Exemplo: compra e venda dos produtos para a farmácia, então a compra e venda
será celebrada entre o proponente e a farmácia, mas o agente será o representante, agirá
como procurador.
Quando ele não é procurador, ele apenas registra o pedido, mas será no
laboratório que será firmado o contrato.

Civil IV André Barreto 2009


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CORRETAGEM

Aproxima pessoas. Comitente é quem contrata o corretor. É uma obrigação de


resultado. É bilateral, consensual, acessório, oneroso, não solene e aleatório.
Deveres: a) Executar com diligência, prestando ao cliente, espontaneamente, todas as
informações sobre o andamento do negócio. b) prestar ao cliente, sob pena de responder
por perdas e danos, todos os esclarecimentos que estiverem ao seu alcance, acerca da
segurança ou risco do negócio, das alterações de valores e do mais que possa influir nos
resultados da incumbência (art.723).

Niterói, 09 de junho de 2009.

21ª Aula.

EXERCÍCIO

1 – Bilateral, comutativo, consensual, oneroso, não solene, em regra, mas depende do


tipo de construção. Ex.: uma construção de embarcação tem que ser registrada na
capitania dos portos, então, precisarei ter um contrato escrito.

2 – a) Labor é o contrato no qual o empreiteiro apenas entrará com o trabalho, isto é, os


materiais serão fornecidos por mim.
b) A modalidade mista do contrato de empreitada é caracterizada pela obrigação do
empreiteiro de, além de realizar o trabalho, comprar o material.
Isso é importante, porque se ele entra com material inadequado ele irá responder.

3 – Na empreitada de lavor o dono da obra é o proprietário do material, então ele


responderá, e não o empreiteiro. A obrigação de vigilância é do empreiteiro, então, este
é o responsável pelo incêndio, por um dever de cuidado.

4 – Que obrigação é esta? Não é bem uma obrigação de fazer e prestar serviço. Mas,
obviamente, uma construção significa um fazer (uma atividade laboral). A obrigação de
fazer poderá ser de meio e de resultado. No exemplo narrado a obrigação é de resultado.

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Então, o engenheiro, além de fazer o projeto, é responsável técnico pela obra. Logo, ele
responderá juntamente com o dono da obra. O profissional (engenheiro) é responsável
pela qualidade do material colocado na obra.
No caso do arquiteto que apenas faz o projeto, ele não responderá. (art. 610, §
2º).

5 – Se ele descumpriu norma técnica, ele tem que responder, ainda que o dono da obra
aceite-a assim mesmo. A vontade do dono da obra não prepondera. Se ele descumpriu
norma técnica a responsabilidade é dele.

6 – a) Sim, porque se ele é o técnico, isto é o profissional responsável pela obra, ele tem
mais que impedir a obra.

b) Não. Art. 618 CC. O prazo é irredutível, a justificativa é que 5 anos são
fundamentais para avaliar se a obra é boa ou não.

7 – a) Acionar a justiça.
b) Sim. Ainda que surja no último dia, surgirá a pretensão para o dono da obra
exercer o direito.
c) Princípio da boa fé objetiva.

10 – O contrato de depósito é real. Isto é, deverei olhar para a formação do contrato,


pois este se forma com o consenso e com a entrega da coisa.

11 – Elementos essenciais são apenas para o depositário, isso porque este contrato, em
regra geral, é gratuito. As obrigações essenciais são as de guardar, conservar e restituir a
coisa (nunca para uso). O depositário não pode usar a coisa, caso contrário estará
descumprindo o contrato: terá que indenizar.

12 – Sim, pois ele tem a obrigação de guardar, conservar e restituir a coisa da mesma
forma que foi entregue. Havendo o inadimplemento haverá a responsabilização.

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13 – Depósito Irregular, isto é, depósito bancário, no qual é regido pelas regras do


mútuo. Envolve bens fungíveis. Art. 645 CC

14 –

17 –

18 – Sim. Há interesse jurídico em relação ao interesse de um menor impúbere (poderia


ser púbere também, isto é, menor de 18 anos.) Art. 82 CPC trata da intervenção do
promotor no processo civil.
19 – Não. É uma auto composição que independe de tutela jurisdicional.

Matéria Av2: Prestação de serviço, empreitada, depósito, transporte, fiança, transação,


compromisso e arbitragem.

Atenção! Súmula 332 STJ – vai dizer que a fiança concedida sem a outorga do cônjuge
é ineficaz,

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