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GRUPO MUNICIPAL DE LISBOA

MOÇÃO

Considerando que:

O Mercado de Alcântara foi recentemente alvo de obras profundas que levaram à


reestruturação de todo o edifício e à construção de um Supermercado Lidl.

Pelo que é do domínio público, todas as obras foram pagas pelo Lidl.

De modo a responder às novas exigências, à necessidade de modernização e de acordo


com as sugestões dos técnicos da CML, a generalidade dos comerciantes adquiriram
novos equipamentos e realizaram investimentos avultados. Ainda que diferenciado, o
resultado desse investimento está à vista, numa tentativa assumida de contrariar a
diminuição das vendas no Mercado, facto que se verifica há anos.

O Lidl obteve o espaço depois de ter ganho um concurso público promovido pela CML,
no qual constava que os produtos concorrenciais aos do Mercado só poderiam ficar
disponíveis para venda após o fecho deste, que à altura era às 14:00H.

Posteriormente, entendeu a CML que o Mercado de Alcântara passaria a responder ao


novo conceito de Mercado Municipal, impondo aos comerciantes um novo horário de
funcionamento - das 07:00H às 20:00H.

Paralelamente, confrontou os responsáveis pelo Lidl com esta nova realidade na


expectativa de assegurar que aqueles aceitassem prescindir da venda dos produtos
concorrenciais depois das 14:00H, tal como tinha sido estabelecido entre as partes. Tal
condição não foi aceite, justificando-se essa recusa com o argumento de que a CML
estaria a alterar as regras do contrato, o que na altura destes acontecimentos motivou
alguma perturbação nas obras que estavam em curso e tanto quanto se sabe esta situação
continua a perturbar a relação entre as partes.

O Supermercado Lidl foi inaugurado no passado dia 18/2, vendendo os produtos


concorrenciais apenas depois das 14:00H. Este facto, associado a uma intenção
declarada da CML de actualizar as rendas dos comerciantes, em alguns casos com
valores quatro vezes superiores, tem vindo a fomentar um descontentamento
generalizado e um irregular cumprimento do novo horário, pela clara maioria dos
comerciantes.

O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia Municipal de


Lisboa, na sua reunião de 13 de Abril de 2010, delibere:
1. Que a CML até final de 2011 não proceda a qualquer agravamento das
mensalidades e que as actualizações venham a ser feitas de forma faseada, entre
os anos 2012 e 2014, permitindo a avaliação do impacto deste novo conceito de
Mercado Municipal;

2. Que a CML tome as medidas possíveis de negociação com o Supermercado


Lidl, a fim de poder garantir que esta concorrência seja evitada; a médio prazo, a
conjugação destes factores podem ditar a falência de vários comerciantes e, a
curto prazo, poderá revelar-se injustificada a imposição dos novos horários;

3. Que a CML providencie junto dos responsáveis do Supermercado Lidl a


melhoria da rampa na entrada principal, dotando a pedra de calçada de um
sistema antiderrapante para os cidadãos e cidadãs, bem como para os carros de
compras, dado que se verificam dificuldades evidenciadas pela sua falta,
sobretudo na descida;

4. Que a CML coloque uma sinalética capaz de evidenciar o Mercado e o seu


funcionamento a par do que fez o Lidl.

5. Que o Executivo da Junta e a CML coordenem diligenciar junto da Carris para


que a paragem de transportes públicos na Rua Leão de Oliveira, recolocada há
uns tempos, incompreensivelmente apenas para alguns serviços ao fim de
semana, possa voltar a ser claramente para os diferentes meios de transporte
todos os dias da semana.

Lisboa, 13 de Abril de 2010

Pelo Grupo Municipal do Bloco de Esquerda